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INTERPRETAÇÃO
PRÉ-VESTIBULAR 119PROENEM.COM.BR
PALAVRAS DENOTATIVAS06
A gramática usualmente apresenta dez classes gramaticais 
nas quais insere as palavras por conta de sua flexão, uso e 
relação com outras palavras. Entretanto, alguns vocábulos não 
se enquadram em nenhuma das dez categorias, ainda que sejam 
utilizadas normalmente em nosso dia a dia.
São termos semelhantes a advérbios, mas que, por não 
exprimirem exatamente uma circunstância, classificam-se à parte, 
sem uma categoria particular. O termo “denotativo” refere-se a uma 
significação plena, literal; denotar significa caracterizar ou demonstrar. 
Assim, uma palavra denotativa indica um significado preciso, sem que 
esteja funcionando como uma das dez classes gramaticais. 
Esses significados são úteis e auxiliares na construção da 
textualidade, já que funcionam como modalizadores do discurso 
ou mesmo como mecanismos de coesão. Na verdade, chega a ser 
mais correto nomear esses termos como palavras e expressões 
denotativas, já que muitas vezes se constituem de vários vocábulos 
combinados, em lugar de apenas um vocábulo.
Entre as diversas significações que assumem dentro dos mais 
variados contextos, podem denotar, entre outras:
Inclusão
até, inclusive, mesmo, também, até mesmo, além disso.
Exclusão
apenas, salvo, senão, nem sequer, só, somente.
Afastamento
embora.
Designação
eis.
Realce
cá, lá, é que, só.
Retificação
aliás, ou antes, isto é, ou melhor.
Situação 
afinal, então, aí.
PROTREINO
EXERCÍCIOS
01. Explique o que significa uma palavra em seu uso denotativo
02. Identifique a diferença entre o uso de palavras em sentido 
denotativo e conotativo.
03. Apresente dois exemplos de frases em seu sentido denotativo.
04. Justifique por que a palavra usada na frase ao lado está sem
sentido denotativo: “O homem chorou rios e rios de lágrima.”
05. Explique por que os significados das palavras denotativas são 
uteis para a construção do texto.
PROPOSTOS
EXERCÍCIOS
01. Observe o emprego da palavra então em:
“Ela o trouxe pela mão até a cozinha. Ele não se queria deixar ir. 
Então, o que queres fazer aqui? Ele respondeu: quero a mulher.“
Nelida Piñon
O mesmo sentido da palavra então ocorre na alternativa:
a) “Ele ainda herói bateu algumas vezes mais. Até que gritou seu
nome, sou eu, então não vê, então não sente (...)” (Nelida Piñon)
b) “Mas eis que Portugal se faz aos mares! E raras são então as
armadas e os combates do Oriente em que se não esforce um
Ramires (...)” (Eça de Queirós)
c) “No fim da tarde do dia 12 de fevereiro de 1970, eu, então 
com 13 anos, estava caminhando pela praia de Torres, no Rio 
Grande do Sul.” (Luis Fernando Veríssimo)
d) “A luz da sala parecia então mais amarela e mais rica, as
pessoas envelhecidas.” (Clarice Lispector)
e) “Na hora da pílula lilás ela foi buscar o copo d’água e então ele
me olhou lá do seu mundo de estruturas.” (Lygia Fagundes Telles)
02. Assinale a alternativa em que a palavra “só” classifica-se como 
palavra denotativa:
a) Ele sentia-se muito só em casa.
b) Dentre todas as pessoas presentes, só ele levantou a mão.
c) Ele apresentou-se só diante da plateia.
d) Só, não conseguia ajuda para consertar o telhado.
e) Mesmo em meio àquela multidão, só, era como se sentia.
03. Assinale a alternativa em que a palavra “embora” classifica-se 
como palavra denotativa:
a) Embora chovesse, todos foram à praia.
b) Não havia muita gente, embora o evento tivesse sido divulgado.
c) Ir embora é a melhor opção quando não se quer esperar.
d) Fazíamos tudo na casa, embora não reclamássemos.
04. A partícula “é que” indica realce em:
a) A verdade é que vamos vencer!
b) Isso é que é filme!
c) A profecia da vidente é que seremos felizes.
d) Toda a nossa expectativa é que a chuva caia sobre o sertão.
05. Assinale a alternativa em que o termo sublinhado seja uma
palavra ou expressão denotativa:
a) Eis que surge um policial para evitar o crime.
b) Ainda que haja resistência, é necessário seguir em frente.
c) O ideal é que todos assumam suas responsabilidades.
d) Não houve qualquer problema, embora todos esperassem o pior.
e) Depois de um dia duro de trabalho, enfim estava só e poderia
descansar.
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INTERPRETAÇÃO 06 PALAVRAS DENOTATIVAS
06. Assinale a opção em as palavras / locuções denotativas NÃO 
foram bem classificadas:
a) A palavra se, por exemplo, pode ter muitas funções. (de 
explicação)
b) Todos saíram, exceto o vigia. (de exclusão)
c) Mesmo eu não sabia de nada! (de inclusão)
d) Ele também participou da homenagem. (de inclusão)
e) O pároco, isto é, o vigário da nossa paróquia esteve aqui. 
(de adição)
07.
Bode no pasto
Quase ninguém duvidou do saber do homem, do seu poder mágico, 
pois andava com uns livros de história, de magia, com versões 
sobre fatos reais, mistérios, ciências ocultas. Até mesmo os 
céticos, críticos, admitiam sua condição de mestre, de domínio da 
arte, da mágica, reflexo de vivências no país e no mundo.
Então visto como sábio, senhor de poderes ocultos, o homem 
prometeu uma façanha, ou seja, domar bodes, mudar o hábito da 
espécie. Aí pegou umas folhas, esfregou na venta dum cabrito, e 
garantiu que a praga estava eliminada, nunca mais faria estragos 
naquela terra. (…)
(Nagib Jorge Neto. Diário de Pernambuco. 20 / 11/ 98)
As palavras destacadas no texto estabelecem, respectivamente, as 
seguintes relações lógicas:
a) soma, soma, conclusão
b) inclusão, explicação, situação
c) exclusão, retificação, lugar
d) soma, ratificação, tempo
e) inclusão, retificação, conclusão
08. “Aliás – descubro eu agora – também eu não faço a menor 
falta, e até o que escrevo um outro escreveria. Um outro escritor, 
sim, mas teria que ser homem porque escritora mulher pode 
lacrimejar piegas.”
(Clarice Lispector, A hora da estrela.)
As palavras sublinhadas no texto estabelecem, respectivamente, 
as seguintes relações lógicas:
a) designação, inclusão, exclusão
b) situação, realce, inclusão
c) retificação, situação, situação
d) situação, situação, realce
e) retificação, inclusão, inclusão
09. Assinale a alternativa em que o termo sublinhado classifique-
se como “palavra denotativa”:
a) Eu lá que vou saber!
b) Venha cá, menino!
c) Tenho medo de ir lá longe.
d) O livro está aí na prateleira.
10. O termo sublinhado representa uma palavra denotativa em:
a) O menino foi salvo pelos bombeiros.
b) Ele tinha muito medo das histórias do além.
c) Ele até fugiu da sala com medo!
d) Mesmo triste, voltou ao palco.
11. 
Atleta de Bengala
O tigre-de-bengala não tem esse nome porque precisa de 
ajuda para andar. Ele é chamado assim só porque mora na região 
de Bengala, na Ásia. Aliás, ele salta e corre muito bem e é um grande 
caçador. Essa espécie chega a medir quase 4 metros da cabeça até 
o fim da cauda e pode pesar até 250 quilos.
As palavras denotativas servem para apresentar um sentido 
real, literal de uma palavra ou de uma expressão que não se 
encaixa, no contexto da oração, a uma classe de palavra. Observe o 
trecho abaixo, extraído do texto:
"Essa espécie chega a medir quase 4 metros da cabeça até o 
fim da cauda e pode pesar até 250 quilos."
Considerando o termo destacado acima, pode-se observar um 
valor de:
a) explicação
b) inclusão
c) adição
d) realce
e) aproximação
12. Em “Podemos até dançar.”, o elemento em destaque apresenta 
sentido de
a) inclusão.
b) conclusão.
c) tempo.
d) delimitação.
e) modo.
13. 
Bode no Pasto
Quase ninguém duvidou do saber do homem, do seu poder 
mágico, pois andava com uns livros de história, de magia, com 
versões sobre fatos reais, mistérios, ciências ocultas. Até mesmo 
os céticos, críticos, admitiam sua condição de mestre, de domínio 
da arte, da mágica, reflexo de vivências no país e no mundo.
Então visto como sábio, senhor de poderes ocultos, o homem 
prometeu uma façanha, ou seja, domar bodes, mudar o hábito da 
espécie. Aí pegou umas folhas, esfregou na venta dum cabrito, e 
garantiu que a praga estava eliminada, nunca maisfaria estragos 
naquela terra. 
(…) (Nagib Jorge Neto. Diário de Pernambuco. 20 / 11/ 98)
As palavras destacadas no texto estabelecem, respectivamente, as 
seguintes relações lógicas:
a) explicação, soma, comparação, soma, conclusão
b) causa, inclusão, comparação, explicação, situação
c) causa, exclusão, conformidade, retificação, tempo
d) conclusão, soma, conformidade, ratificação, tempo
e) explicação, inclusão, causa, retificação, conclusão
14. Assinale a opção em que o termo destacado não identifica 
rigorosamente o que está indicado após o enunciado:
a) O pedreiro precisa fazer esse trabalho. Aliás eu já lhe paguei por 
isso. — retificação.
b) Todos me acusaram e se opuseram às minhas ideias. Até você 
ficou contra mim. — inclusão.
c) No quintal é que vocês podem fazer a festa. — restrição.
d) Deixe brincar no balanço somente as crianças. — seleção.
e) Era para pegar peixe que íamos até o açude. — restrição.
15. Leia as estrofes a seguir:
Qual não é sua surpresa
Ao ver à sua oração
A rosa branca ir ficando
Rubra de indignação
É que a rosa, além de branca
(Diga-se isso a bem da rosa)
Era da espécie mais franca
E da seiva mais raivosa.
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06 PALAVRAS DENOTATIVAS
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INTERPRETAÇÃO
Nos versos acima, a locução É que denota:
a) designação.
b) explicação.
c) inclusão.
d) realce.
e) retificação.
16. 
Somente uma crise muito séria faria o presidente desistir de 
enfrentar o protocolo que ele tanto aprecia.
Para falar a verdade, nem chega a haver uma crise específica 
na vida nacional.(...) Tampouco o problema de violência é novo, é 
endêmico, nada tem de epidêmico.
Pessoalmente, acho que Lula se sai muito bem quando viaja: 
destaca o Brasil como um país diferente dos outros, no bem e no 
mal, – e a eleição de Lula, em tese, foi um bem, do qual podemos 
nos orgulhar.”
(Carlos H. Cony - F.S.P.- 04/08/03)
Na crônica acima, “No outro lado da rua”, Carlos H. Cony comenta 
o adiamento da viagem de Lula à África e aventa uma hipótese 
explicativa: Destacamos dois elementos que caracterizam a presença 
do enunciador no enunciado: “Para falar a verdade” e “Pessoalmente”.
Assinale o valor que esses marcadores indicam, respectivamente:
a) explicação e explicação.
b) restrição e ênfase.
c) ênfase e restrição.
d) oposição e explicação.
e) explicação e oposição.
02. (ITA – ADAPTADA) Com um pouco de exagero, costumo dizer 
que todo jogo é de azar. Falo assim referindo-me ao futebol que, 
ao contrário da roleta ou da loteria, implica tática e estratégia, sem 
falar no principal, que é o talento e a habilidade dos jogadores. 
Apesar disso, não consegue eliminar o azar, isto é, o acaso.
E já que falamos em acaso, vale lembrar que, em francês, “acaso” 
escreve-se “hasard”, como no célebre verso de Mallarmé, que diz: “um 
lance de dados jamais eliminará o acaso”. Ele está, no fundo, referindo-
se ao fazer do poema que, em que pese a mestria e lucidez do poeta, 
está ainda assim sujeito ao azar, ou seja, ao acaso.
Se no poema é assim, imagina numa partida de futebol, que 
envolve 22 jogadores se movendo num campo de amplas dimensões. 
Se é verdade que eles jogam conforme esquemas de marcação e 
ataque, seguindo a orientação do técnico, deve-se no entanto levar 
em conta que cada jogador tem sua percepção da jogada e decide 
deslocar-se nesta ou naquela direção, ou manter-se parado, certo 
de que a bola chegará a seus pés. Nada disso se pode prever, daí 
resultando um alto índice de probabilidades, ou seja, de ocorrências 
imprevisíveis e que, portanto, escapam ao controle.
Tomemos, como exemplo, um lance que quase sempre implica 
perigo de gol: o tiro de canto. Não é à toa que, quando se cria 
essa situação, os jogadores da defesa se afligem em anular as 
possibilidades que têm os adversários de fazerem o gol. Sentem-
se ao sabor do acaso, da imprevisibilidade. O time adversário 
desloca para a área do que sofre o tiro de canto seus jogadores 
mais altos e, por isso mesmo, treinados para cabecear para dentro 
do gol. Isto reduz o grau de imprevisibilidade por aumentar as 
possibilidades do time atacante de aproveitar em seu favor o tiro de 
canto e fazer o gol. Nessa mesma medida, crescem, para a defesa, 
as dificuldades de evitar o pior. Mas nada disso consegue eliminar 
o acaso, uma vez que o batedor do escanteio, por mais exímio que 
seja, não pode com precisão absoluta lançar a bola na cabeça de 
determinado jogador. Além do mais, a inquietação ali na área é 
grande, todos os jogadores se movimentam, uns tentando escapar 
à marcação, outros procurando marcá-los. Essa movimentação, 
multiplicada pelo número de jogadores que se movem, aumenta 
fantasticamente o grau de imprevisibilidade do que ocorrerá 
quando a bola for lançada. A que altura chegará ali? Qual jogador 
estará, naquele instante, em posição propícia para cabeceá-la, seja 
para dentro do gol, seja para longe dele? Não existe treinamento 
tático, posição privilegiada, nada que torne previsível o desfecho do 
tiro de canto. A bola pode cair ao alcance deste ou daquele jogador 
e, dependendo da sorte, será gol ou não.
Não quero dizer com isso que o resultado das partidas de 
futebol seja apenas fruto do acaso, mas a verdade é que, sem um 
pouco de sorte, neste campo, como em outros, não se vai muito 
longe; jogadores, técnicos e torcedores sabem disso, tanto que 
todos querem se livrar do chamado “pé frio”. Como não pretendo 
passar por supersticioso, evito aderir abertamente a essa tese, mas 
quando vejo, durante uma partida, meu time perder “gols feitos”, 
nasce-me o desagradável temor de que aquele não é um bom dia 
para nós e de que a derrota é certa.
Que eu, mero torcedor, pense assim, é compreensível, mas que 
dizer de técnicos de futebol que vivem de terço na mão e medalhas 
de santos sob a camisa e que, em face de cada lance decisivo, 
as puxam para fora, as beijam e murmuram orações? Isso para 
não falar nos que consultam pais-de-santo e pagam promessas 
a Iemanjá. É como se dissessem: treino os jogadores, traço o 
esquema de jogo, armo jogadas, mas, independentemente disso, 
existem forças imponderáveis que só obedecem aos santos e pais-
de-santo; são as forças do acaso.
Mas não se pode descartar o fator psicológico que, como se 
sabe, atua sobre os jogadores de qualquer esporte; tanto isso é 
certo que, hoje, entre os preparadores das equipes há sempre 
um psicólogo. De fato, se o jogador não estiver psicologicamente 
preparado para vencer, não dará o melhor de si.
Exemplifico essa crença na psicologia com a história de um 
técnico inglês que, num jogo decisivo da Copa da Europa, teve 
um de seus jogadores machucado. Não era um craque, mas sua 
perda desfalcaria o time. O médico da equipe, depois de atender o 
jogador, disse ao técnico: “Ele já voltou a si do desmaio, mas não 
sabe quem é”. E o técnico: “Ótimo! Diga que ele é o Pelé e que volte 
para o campo imediatamente”.
Na frase, “Apesar disso, não consegue eliminar o azar, isto é, o 
acaso.”, a utilização da expressão denotativa “isto é”  permite 
entender que “o azar” é:
a) consequência do acaso.
b) sinônimo de acaso.
c) causa do acaso.
d) justificação para o acaso.
e) o contrário de acaso.
18.
Se
01 Você disse que não sabe se não
Mas também não tem certeza que sim
Quer saber?
Quando é assim
05 Deixa vir do coração
Você sabe que eu só penso em você
Você diz que vive pensando em mim
Pode ser se é assim
10 tem que largar a mão do não
Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora um se...
15 Eu levo a sério, mas você disfarça
Você me diz à beça e eu nessa de horror
E me remete ao frio que vem lá do sul
Insiste em zero a zero e eu quero um a um
Sei lá o que te dá que não quer meu calor
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INTERPRETAÇÃO 06 PALAVRAS DENOTATIVAS
20 São Jorge por favor me empresta o dragão
Mais fácil aprender japonês em braile
Do que você decidirse dá ou não
Assinale a opção em que se faz uma análise inaceitável em relação 
à estratégia de estruturação do texto acima:
a) O uso da palavra “também” (verso 02) pressupõe uma 
informação que está contida no verso anterior.
b) No verso 06, a palavra “só” introduz uma ideia de seleção de 
um fato entre outros potencialmente possíveis.
c) A palavra “só”, no verso 13, introduz uma noção de restrição 
em relação a outras situações pressupostas.
d) A palavra “lá” (verso 17) indica noção de explicação.
e) A palavra lá (verso 19) traduz apenas uma noção enfática, que 
a classifica como meramente expletiva.
19.
dor de dente
Em frente de Sousa Costa, a pretinha Marina, imóvel, se agarra 
com as duas mãos no banco, estarrecida, boca aberta, olhos 
esbugalhados, gozando. Como tinham ido ao Rio pelo noturno, esta 
era realmente a primeira vez que enfim Marina viajava de trem, a sua 
maior aspiração. Automóvel, jamais a interessara, era canja, não tinha 
apito. Mesmo pra ir da casinha dela, na chegada de Jundiaí, para a vila 
Laura, foram buscá-la na Fiat, não tinha apito. E nos seus quatorze 
anos, Marina guardava aquele deseja eterno com que, todos os dias 
de sua já longa vida, espiava os trens, trepada no barranco, os trens 
sublimes passando. A casa do pai dela, carapina em Jundiaí, era justo 
numa curva de apitar, e o apito nascera dentro dela como a suprema 
expressão da dignidade dos veículos.
Só uma coisa Marina ainda achava superior ao trem: ter dor 
de dente. Chegara a rezar a Deus pedindo que mandasse uma dor 
de dente, nem que fosse uma dorzinha só, bem pequenina, porque 
achava muito lindo a gente andar com um lenço vermelho amarrado 
na cara. Achava lidíssimo. No tempo em que morava com a família, 
chegava a chorar de escondido, porque o Dito andava sempre de 
lenço amarrado na cara, maravilhoso, já todo banguela de tanto 
dente arrancado com dor. E ela com aquela dentadura branca, 
alvinha sem uma dor... Chorava.
(Mário de Andrade)
Identifique a opção em que não ocorre uma palavra denotativa:
a) “Mesmo pra ir da casinha dela, na chegada de Jundiaí, para a 
vila Laura, foram busca-la na Fiat, não tinha apito.”
b) “Só uma coisa Marina ainda achava superior ao trem: ter dor 
de dente.”
c) “Chegara a rezar a Deus pedindo que mandasse uma dor de 
dente, nem que fosse uma dorzinha só, bem pequenina, porque 
achava muito lindo a gente andar com um lenço vermelho 
amarrado na cara.”
d) “Como tinham ido ao Rio pelo noturno, esta era realmente a 
primeira vez que enfim Marina viajava de trem, a sua maior 
aspiração. Automóvel, jamais a interessara, era canja, não tinha 
apito.”
20. Leia o fragmento abaixo, extraído de uma canção de Gilberto Gil:
Sabe, gente
Eu sei que no fundo o problema é só da gente
É só do coração dizer não quando a mente
Tenta nos levar pra casa do sofrer
E quando escutar um samba-canção
Assim como “Eu preciso aprender a ser só”
Reagir e ouvir o coração responder:
“Eu preciso aprender a só ser”
Identifique o verso em que a palavra “só” foi empregada com 
sentido e valor diferente das demais:
a) Eu sei que no fundo o problema é só da gente
b) É só do coração dizer não quando a mente
c) Assim como “Eu preciso aprender a ser só”
d) “Eu preciso aprender a só ser”05.
APROFUNDAMENTO
EXERCÍCIOS DE
01. (UFJF 2012) As imagens abaixo ilustram alguns procedimentos 
utilizados por um novo modo de conhecer e explicar a realidade que 
se estruturou entre os séculos XVI e XVIII. Com base nas informações 
acima e em seus conhecimentos, responda ao que se pede:
Explique o impacto desse novo modo de conceber o conhecimento 
sobre os dogmas religiosos vigentes na época.
02.
“O casal Arnolfini”, Jan Van Eyck (1389-1441). http://upload.wikimedia.org
Sempre que se evoca o tema do Renascimento, a imagem 
que nos vem à mente é a dos grandes artistas e de suas obras 
mais famosas. Isso nos coloca a questão: por que razão o 
Renascimento implica esse destaque tão grande dado às artes 
visuais? De fato, as artes plásticas acabaram se convertendo 
num centro de convergência de todas as principais tendências da 
cultura renascentista. E mais do que isso, acabaram espelhando os 
impulsos mais marcantes do processo de evolução das relações 
sociais e mercantis.
NICOLAU SEVCENKO 
Adaptado de O Renascimento. 
São Paulo: Atual; Campinas: Ed. Unicamp, 1968.
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06 PALAVRAS DENOTATIVAS
123
INTERPRETAÇÃO
As diversas manifestações da cultura renascentista na Europa ocidental, entre os séculos XIV e XVI, estiveram relacionadas à criação de 
novos valores e práticas sociais que se confrontaram com aqueles da sociedade medieval. Cite dois aspectos da cultura renascentista que 
justifiquem a sua importância para o início dos Tempos Modernos.
03. (UFF 2012) O Renascimento é caracterizado pela valorização do homem, da razão e da ciência, contrapondo-se ao pensamento 
teocêntrico predominante no período medieval. Esse movimento artístico-cultural contribuiu para o estreitamento das relações entre 
ciência e arte, como citado no texto: “os cientistas também iriam [...] conquistar a forma, o movimento, o espaço, a luz, a cor e mesmo a 
expressão e o sentimento”. Um dos aspectos mais importantes da nova ordem decorrente do Renascimento foi a formação das repúblicas 
italianas. Dentre elas, se destacaram Florença e Veneza. Essas repúblicas inovaram no sentido das suas formas de governo, assim como 
na redefinição do lugar do homem no mundo, inspirando a partir daí novas formas de representá-lo.
Analise o papel de Veneza no desenvolvimento do comércio europeu, e suas relações com o Oriente.
04. (FUVEST 2011) Observe a imagem e leia o texto a seguir:
Michelangelo começou cedo na arte de dissecar cadáveres. Tinha apenas 13 anos quando participou das primeiras sessões. A ligação 
do artista com a medicina foi reflexo da efervescência cultural e científica do Renascimento. A prática da dissecação, que se encontrava 
dormente havia 1.400 anos, foi retomada e exerceu influência decisiva sobre a arte que então se produzia.
Explique a relação, mencionada no texto, entre artes plásticas e dissecação de cadáveres, no contexto do Renascimento. 
05. Identifique, na imagem acima, duas características da arte renascentista.
GABARITO
 EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01. A
02. B
03. C
04. B
05. A
06. E
07. B
08. E
09. A
10. C
11. E
12. A
13. B
14. A
15. D
16. B
17. B
18. E
19. D
20. C
 EXERCÍCIOS DE APROFUNDAMENTO
01. O estudante poderá destacar, dentre outros: o choque entre as concepções teocêntricas e da Igreja Católica e as baseadas no empirismo e no racionalismo. Também será considerada 
a identificação das reações que este processo produziu na Igreja, a exemplo do acirramento das perseguições aos adeptos desta nova forma de pensar e da condenação de diversas 
obras de intelectuais da época. Além de obras condenadas, diversos intelectuais foram condenados e executados na fogueira, destacando-se como principais exemplos Giordano Bruno 
e Galileu Galilei (que para fugir à condenação negou suas teorias).
02. Entre os séculos XIV e XVI, um conjunto de transformações econômicas, sociopolíticas e culturais contribuiu para a desestruturação dos valores da sociedade medieval no Ocidente 
europeu. O Renascimento, como movimento filosófico e artístico, e as ideias humanistas.
03. Os candidatos devem explicar o papel vanguardista de Veneza no desenvolvimento do comércio com o Oriente e associar a isso a variedade de produtos colocados na Europa que 
aumentaram o comércio e expandiram o luxo. Em decorrência disso, foram criadas novas necessidades que ajudaram a alterar as formas econômicas feudais e que levaram às trocas 
científicas e culturais com o Ocidente. Tais modificações alimentaram mudanças no cenário da ciência, da religião e da arte. 
04. Influenciado pelas concepções gregas de humanismo e naturalismo, os renascentistas procuravam reproduzir e valorizar o homem. A dissecação de cadáveres - como mencionadano texto - permitiu maior conhecimento do corpo humano, favorecendo a riqueza de detalhes e fortalecendo o realismo.
05. A valorização do ser humano (antropocentrismo) e a adoção da perspectiva na pintura, associada a novidades como a noção de profundidade e a projeção de luz e sombra
ANOTAÇÕES
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ANOTAÇÕES
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