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INTERPRETAÇÃO PRÉ-VESTIBULAR 139PROENEM.COM.BR SEQUENCIADORES I PRONOMES RELATIVOS14 Os textos são unidades que apresentam um conjunto de características e propriedades que lhes garantem sua funcionalidade. Esses fatores de textualidade compreendem diversos aspectos, como a construção de uma unidade de sentido, a coerência com a qual se constrói, a adequação ao contexto, a aceitabilidade e os objetivos com os quais se relaciona e a quem se destina, entre inúmeros outros fatores. Alguns desses aspectos dizem respeito à estruturação do próprio texto e à articulação entre suas partes. Daí, uma importante área de estudo corresponde aos elementos de articulação textual. Articuladores textuais são as expressões, normalmente pertencentes às classes dos advérbios, das conjunções, das preposições e dos pronomes, que desempenham papel de encadear significados na construção de um texto. Essas expressões podem-se apresentar como elementos que relacionam diferentes estruturas do texto, como sintagmas, orações, períodos, parágrafos ou até mesmo segmentos maiores de um texto. Além disso, colaboram na tarefa da compreensão do discurso – seja na esfera cognitiva, ao orientar sobre quais caminhos interpretativos devem ser percorridos pelo leitor; na esfera enunciativa, ao estabelecerem marcos temporais, referências pessoais ou espaciais e, até mesmo, ao próprio ato enunciativo; e, por fim, na esfera argumentativa, por apresentarem as bases da construção ideológica do discurso, incluindo seus sentidos argumentativos. PRONOMES SEQUENCIADORES Os pronomes têm uma importante função na construção de textos. São eles os responsáveis por fazer referências internas (endofóricas) a elementos do texto, tanto para recuperar informações (função anafórica) quanto para antecipar informações (função catafórica). Assim, as funções dos pronomes na estrutura do texto ultrapassam as simples classificações morfológicas, já que seu emprego pode revelar estratégias argumentativas diversas e fornecer ou ocultar significados ao leitor. PRONOMES RELATIVOS Sabemos que os pronomes são palavras que substituem ou acompanham um substantivo, limitando sua significação. No entanto, torna-se importante sabermos empregá-los corretamente nos nossos textos. Para isso, é necessário conhecer suas funções dentro da frase. Em primeiro lugar, veremos os pronomes relativos. Os pronomes relativos são importantes elementos de coesão, uma vez que introduzem uma oração subordina- da adjetiva - além de retomar o sentido do termo ante- cedente. Atuam, portanto, como pronomes e conectivos a um só tempo. Procuramos pela criança que [desapareceu ontem] QUE O pronome que pode ser substituído por o qual, a qual, os quais, as quais nas orações adjetivas explicativas, usado com um antecedente substantivo. (antecedente) (oração subordinada adjetiva) As atrizes estavam imitando célebres cantores, os quais faziam esses trejeitos no palco. • Preferencialmente, emprega-se QUE depois das preposições monossilábicas a, com, de, em, por. A dor é um buraco fundo a que ninguém quer descer. (Cora Coralina) Aquelas horas em que me desesperava... (Clarice Lispector) • Quando o que vier depois do pronome demonstrativo O, será sempre pronome relativo. Ele não sabe o que faz. Sei o que estou fazendo. QUEM Usamos o pronome relativo quem preferencialmente com referência a pessoas. O homem a quem mais admiro é o Papa João Paulo II. Premiado pelo destino é quem tiver filhos de quem ele seja o pai. (J. J. Veiga) I. Não sendo verbo transitivo direto, o pronome aparecerá antecedido de preposição exigida pelo verbo ou pelo nome. A pessoa por quem mais tive ciúme foi Denise. Marcos era o rapaz a quem ela esperava. II. Quando usamos o pronome relativo quem sem ante- cedente, ele recebe o nome de relativo indefinido. Quem tudo quer nada tem. Não imaginamos a quem entregar todo aquele material. QUANTO Quanto, precedido de TUDO, é pronome relativo. Dei tudo quanto possuía. Cesse tudo quanto cante antiga musa. (Luís Vaz de Camões) (antecedente) (oração subordinada adjetiva explicativa) PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR140 INTERPRETAÇÃO 14 SEQUENCIADORES I - PRONOMES RELATIVOS CUJO O pronome adjetivo cujo exprime geralmente posse, sendo o antecedente o possuidor e o consequente, a coisa possuída (com a qual concorda em gênero e número). Comprei um livro cujo enredo muito me agradou. Esse é o computador cujos comandos falham inexplicavelmente. III. Constitui inadequação o emprego de cujo ou cuja seguidos de artigos definidos. A pessoa cuja a casa é bonita. → inadequado A pessoa cuja casa é bonita. → certo IV. Note que a regência de certos verbos exigirá cujo antecedido de preposição. O pai de cuja casa foi tirada a moça encontra-se em estado de desespero. Aquele proprietário, em cujas terras construíram casas sem permissão, vai entrar com ações de despejo e reintegração de posse. A viúva a cuja filha você se refere... ONDE Onde é pronome relativo quando possui sentido de em que; deve ser empregado na indicação de lugar. Viajamos para a cidade onde mora meu pai. Quero mostrar-lhe a casa onde passei parte da minha infância. PROTREINO EXERCÍCIOS 01. Explique a função dos pronomes nas construções frasais. 02. Explique a relevância do pronome relativo. 03. Identifique o referente do pronome relativo ‘quem’. 04. Explique o valor expresso pelo pronome adjetivo ‘cujo’. 05. Apresente um exemplo aplicado do pronome relativo. PROPOSTOS EXERCÍCIOS 01. (UNISINOS) O som da época Luís Fernando Veríssimo Desconfio de que ainda nos lembraremos destes anos1 como a época2 em que vivemos com o acompanhamento dos alarmes de carro. Os alarmes de carro são a trilha sonora do nosso tempo: o som da paranoia justificada. O alarme é o grito da nossa propriedade de que alguém está querendo tirá-la de nós. É o som mais desesperado que um ser humano pode produzir – a palavra “socorro!” –, mecanizado, padronizado e a todo volume. É “socorro!” acrescentado ao vocabulário das coisas, como a buzina, a campainha, a música de elevador, o “ping” que avisa que o assado está pronto e todos os “pings” do computador. Também é um som típico porque tenta compensar a carência mais típica da época3, a de segurança. Os carros4 pedem socorro porque a sua defesa natural – polícia por perto, boas fechaduras ou respeito de todo o mundo pelo que é dos outros – não funciona mais. Só lhes5 resta gritar. Também é o som da época porque é o som da intimidação. Sua função principal é espantar e substituir todas as outras formas de dissuasão pelo simples terror do barulho. O som da época em que os decibéis substituíram a razão. Como os ouvidos são, de todos os canais dos sentidos, os mais difíceis de proteger, foram os escolhidos pela insensibilidade moderna para atacar nosso cérebro e apressar nossa imbecilização. Pois são tempos literalmente do barulho. O alarme contra roubo de carro também é próprio da época porque, frequentemente, não funciona. Ou funciona quando não deve. Ouvem-se tantos alarmes a qualquer hora do dia ou da noite porque, talvez influenciados pela paranoia generalizada, eles disparam sozinhos. Basta alguém se aproximar do carro com uma cara suspeita e eles começam a berrar. Decididamente, o som do nosso6 tempo. VERISSIMO, Luís Fernando. O som da época. Jornal Zero Hora, Porto Alegre, 29 set. 2011. Leia as seguintes afirmações sobre o emprego de pronomes e expressões referenciais no texto. I. A expressão “(d)estes anos” (ref. 1), que se refere ao tempo presente, é retomada, no texto, por “(d)a época” (ref. 3) e “(d)o nosso tempo” (ref. 6). II. Na primeira linha, a expressão “em que” (preposição + pronome relativo) retoma “a época” (ref. 2) e poderia ser substituída pelo pronome relativo “onde” ou pela expressão “na qual” (“em” + “a qual”). III. O pronome oblíquo “lhes” (ref. 5) retoma, no texto, a expressão “os carros” (ref. 4). Sobre as proposições acima, pode-se afirmarque: a) apenas I está correta. b) apenas II está correta. c) apenas III está correta. d) apenas I e III estão corretas. e) apenas II e III estão corretas. 02. (FUVEST) Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para conhecer o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. (Amyr Klink, Mar sem fim.) Na frase “que nos faz professores e doutores do que não vimos”, o pronome sublinhado retoma a expressão antecedente: a) “para lugares”. b) “o mundo”. PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR 14 SEQUENCIADORES I - PRONOMES RELATIVOS 141 INTERPRETAÇÃO c) “um homem”. d) “essa arrogância”. e) “como o imaginamos” 03. (IBMEC) [...] publicou-se há dias o recenseamento do Império, do qual se colige que 70% da nossa população não sabem ler. Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram se para frases; o algarismo não tem frases, nem retórica. Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país, dirá: — Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos. A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade: — A nação não sabe ler. Há só 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não leem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles; é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam como vão à festa da Penha, por divertimento. A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado. Replico eu: — Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições... — As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas – “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base; há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem...” dirá uma coisa extremamente sensata. E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque os 30% nós não temos base para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento. (ASSIS, Machado, in Obra Completa. vol. III, p344,345, RJ, Ed Nova Aquilar) Os pronomes prestam-se à coesão textual por sua função anafórica - retomar orações e frases expressas no texto. Observe os fragmentos: Publicou-se há dias o recenseamento do Império, do qual se colige que 70% da nossa população não sabem ler. Eles dizem as coisas pelo nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade: É correto afirmar que: a) o pronome relativo do qual retoma a palavra recenseamento; o pronome oblíquo o, a palavra nome, e o pronome demonstrativo isto, a frase anterior. b) o pronome relativo do qual retoma a palavra império; o pronome oblíquo o, a palavra outro e o pronome demonstrativo isto, a palavra direitos. c) o pronome relativo do qual retoma a palavra recenseamento; o pronome oblíquo o, a palavra outro e o pronome demonstrativo isto, a palavra direitos. d) o pronome relativo do qual retoma a palavra império; o pronome oblíquo o, nome feio e o pronome demonstrativo isto, a frase anterior. e) o pronome relativo do qual retoma a palavra recenseamento; o pronome oblíquo o, nome feio e o pronome demonstrativo isto, a palavra direitos. 04. (PUC-CAMP) A questão da descriminalização das drogas se presta a frequentes simplificações de caráter maniqueísta, “que” acabam por estreitar um problema extremamente complexo, permanecendo a discussão quase sempre em torno da droga “que” está mais em evidência. Os elementos referidos pelo pronome “que” e “que”, entre aspas no texto, são, respectivamente: a) caráter maniqueísta – droga. b) as drogas – a discussão. c) a questão da descriminalização das drogas – problema extremamente complexo. d) frequentes simplificações de caráter maniqueísta – a droga. e) a descriminalização – caráter maniqueísta. 05. (CODEMIG) Caxambu, a cidade com a maior estância hidromineral do mundo A pequena cidade de Caxambu, localizada no sul de Minas Gerais, é a cidade com a maior estância hidromineral do Brasil. Segundo a prefeitura, é o maior complexo hidromineral do mundo! A cidade conta com 12 fontes de águas minerais em seu bucólico Parque das Águas, onde as pessoas podem experimentar as águas e fazer massagens e banhos com água mineral. Podemos dizer que Caxambu é uma pacata cidade do interior. Com seus 20 mil habitantes, o município é tranquilo e possui uma população hospitaleira. Muitos turistas chegam à cidade com o intuito de descansar, afinal stress não é uma palavra comum no vocabulário dos moradores da cidade. Por isso, há quem desembarque em Caxambu fugindo da agitação dos grandes centros urbanos, mas ainda são os aposentados o principal público que visita a cidade. O turismo na região é antigo. Já no século XIX, a família real saía do Rio de Janeiro para visitar Caxambu em busca das propriedades medicinais das águas da cidade. Devido a visitantes tão importantes, algumas fontes foram batizadas com nomes de membros da família real, com destaque para a fonte Dom Pedro, em que há uma coroa. Uma história interessante: a visita da Princesa Isabel a Caxambu, em 1868. Ela visitou a cidade acompanhada de seu marido, Conde d’Eu, com a intenção de beber das águas terapêuticas e curar sua infertilidade. A Princesa bebeu águas ricas em ferro e reverteu seu quadro de anemia. Não se sabe se foi devido a isso, mas ela conseguiu engravidar e, por gratidão, presenteou a cidade com a Igreja de Santa Isabel. ZIG, Felipe. Disponível em: < https://goo.gl/ptZorn>. Acesso em: 26 set. 2017 [Fragmento]. Releia o trecho a seguir. “A cidade conta com 12 fontes de águas minerais em seu bucólico Parque das Águas, onde as pessoas podem experimentar as águas e fazer massagens e banhos com água mineral.” Em relação ao uso da palavra destacada, assinale a alternativa CORRETA. a) A conjunção destacada foi utilizada incorretamente, pois não deve se referir a lugar físico. b) O pronome foi utilizado corretamente, fazendo referência ao substantivo já mencionado. PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR142 INTERPRETAÇÃO 14 SEQUENCIADORES I - PRONOMES RELATIVOS c) O autor utilizou corretamente a preposição para designar um lugar específico. d) O autor utilizou incorretamente o advérbio, uma vez que deveria ter utilizado “aonde”. 06. (FIUBE-MG) Assinale o item em que não aparece pronome relativo: a) O que queres não está aqui. b) Temos que estudar mais. c) A estrada por que passei é estreita. d) A prova que faço não é difícil. e) A festa a que assisti foi ótima. 07. (ESPM) Assinale o item em que a frase transgrida as normas gramaticais, envolvendo o emprego do pronome relativo: a)Deputado aceitou sair, pois temia sofrer retaliações em outras comissões cujas as vagas são definidas pelos líderes partidários. b) O comando da Lava Jato, sobre cujas formas decisórias ainda pairam dúvidas, resolveu acelerar o passo. c) O caso, em cujos levantamentos se baseiam, traz de volta à tona discussões sobre a falta de controle na mineração. d) ...como resultados positivos em amostras no líquido amniótico de gestantes cujos bebês apresentaram microcefalia, no sangue e tecidos de crianças. e) Ele gosta de desafios, mas há um cuja solução não depende dele: a falta de vaga no transporte escolar gratuito da Prefeitura. 08. (CESESP-PE) (...) trepado numa rede afavelada cujas varandas serviam-lhe de divisórias do casebre. Em qual das alternativas o uso de cujo não está conforme a norma culta? a) Tenho um amigo cujos filhos vivem na Europa. b) Rico é o livro cujas páginas há lições de vida. c) Naquela sociedade, havia um mito cuja memória não se apaga. d) Eis o poeta cujo valor exaltamos. e) Afirmam-se muitos fatos de cuja veracidade se deve desconfiar. 09. (IBGE) Assinale a opção que contém os pronomes relativos, regidos ou não de preposição, que completam corretamente as frases abaixo: Os navios negreiros, _______ donos eram traficantes, foram revistados. Ninguém conhecia o traficante _______ o fazendeiro negociava. a) nos quais / que b) cujos / com quem c) que / cujo d) de cujos / com quem e) cujos / de quem 10. (CIAAR) Complete, corretamente, as lacunas da assertiva quanto ao emprego dos pronomes relativos e identifique a seguir a alternativa com a sequência correta. Pedro lia um livro muito interessante __________ autor o havia autografado para seu avô _________ era muito amigo do escritor, pois cresceram juntos e lá ___________viviam tudo era magia e encantamento. a) onde / que / cujo b) que / onde / cujo c) cujo / que / onde d) cujo / onde / que 11. (EPCAR (AFA)) Trecho da peça teatral A raposa e as uvas, escrita por Guilherme de Figueiredo. A cena ocorre na cidade de Samos (Grécia antiga), na casa de Xantós, um filósofo grego, que recebe o convidado Agnostos, um capitão ateniense. O jantar é servido por Esopo e Melita, escravos de Xantós. (Entra Esopo, com um prato que coloca sobre a mesa. Está coberto com um pano. Xantós e Agnostos se dirigem para a mesa, o primeiro faz ao segundo um sinal para sentarem-se.) XANTÓS (Descobrindo o prato) – Ah, língua! (Começa a comer com as mãos, e faz um sinal para que Melita sirva Agnostos. 1Este também começa a comer vorazmente, dando grunhidos de satisfação.) Fizeste bem em trazer língua, Esopo. 2É realmente uma das melhores coisas do mundo. (Sinal para que sirvam o vinho. Esopo serve, Xantós bebe.) Vês, estrangeiro, de qualquer modo é bom possuir riquezas. Não gostas de saborear 3esta língua e 4este vinho? AGNOSTOS (A boca entupida, comendo) – Hum. XANTÓS – Outro prato, Esopo. (Esopo sai à esquerda e volta imediatamente com outro prato coberto. 5Serve, Xantós de boca cheia.) Que é isto? Ah, língua de fumeiro! É bom língua de fumeiro, hein, amigo? AGNOSTOS – Hum. (Xantós serve-se de vinho) /.../ XANTÓS (A Esopo) Serve outro prato. (Serve) Que trazes aí? ESOPO – Língua. XANTÓS – 6Mais língua? Não te disse que trouxesse o 7que há de melhor para meu hóspede? Por que só trazes língua? Queres expor-me ao ridículo? ESOPO – Que há de melhor do que a língua? A língua é o que nos une todos, quando falamos. Sem a língua nada poderíamos dizer. A língua é a chave das ciências, o órgão da verdade e da razão. Graças à língua dizemos o nosso amor. Com a língua 8se ensina, 9se persuade, 10se instrui, 11se reza, 12se explica, 13se canta, 14se descreve, 15se elogia, 16se mostra, 17se afirma. É com a língua que dizemos sim. É a língua que ordena os exércitos à vitória, é a língua que desdobra os versos de Homero. A língua cria o mundo de Ésquilo, a palavra de Demóstenes. Toda a Grécia, Xantós, das colunas do Partenon às estátuas de Pidias, dos deuses do Olimpo à glória sobre Tróia, da ode do poeta ao ensinamento do filósofo, toda a Grécia foi feita com a língua, a língua de belos gregos claros falando para a eternidade. XANTÓS (Levantando-se, entusiasmado, já meio ébrio) – Bravo, Esopo. Realmente, tu nos trouxeste o que há de melhor. (Toma outro saco da cintura e atira-o ao escravo) Vai agora ao mercado, e traze-nos o que houver de pior, pois quero ver a sua sabedoria! (Esopo retira-se à frente com o saco, Xantós fala a Agnostos.) Então, não é útil e bom possuir um escravo assim? AGNOSTOS (A boca cheia) – Hum. /.../ (Entra Esopo com prato coberto) XANTÓS – 18Agora que já sabemos o que há de melhor na terra, vejamos o que há de 19pior na opinião deste horrendo escravo! Língua, 20ainda? Mais língua? 21Não disseste que língua era o que havia de melhor? Queres ser espancado? ESOPO – A língua, senhor, é o que há de pior no mundo. É a fonte de todas as intrigas, o início de todos os processos, a mãe de todas as discussões. É a língua que usam os maus poetas que nos fatigam na praça, é a língua que usam os filósofos que não sabem pensar. É a língua que mente, que esconde, que tergiversa, que blasfema, que insulta, que se acovarda, que se mendiga, que impreca, que 22bajula, que 23destrói, que 24calunia, que vende, que seduz, é com a língua que dizemos morre e canalha e corja. É com a língua que dizemos não. Com a língua Aquiles mostrou sua cólera, com a língua a Grécia vai tumultuar os pobres cérebros humanos para toda a eternidade! Aí está, Xantós, porque a língua é a pior de todas as coisas! PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR 14 SEQUENCIADORES I - PRONOMES RELATIVOS 143 INTERPRETAÇÃO (FIGUEIREDO, Guilherme. A raposa e as uvas – peça em 3 atos. Cópia digitalizada pelo GETEB – Grupo de Estudos e Pesquisa em Teatro Brasileiro/UFSJ. Disponível para fins didáticos em www.teatroparatodosufsj.com.br/ download/guilherme-figueiredo- araposa-e-as-uvas-2/ Acesso em 13/03/2019.) Ao longo do texto, a palavra “QUE” é empregada diversas vezes. Assinale a alternativa que apresenta classificação correta do termo destacado. a) “(...) Esopo, com um prato que coloca sobre a mesa” > pronome demonstrativo. b) “(...) faz um sinal para que Melita sirva Agnostos” > preposição. c) “É a língua que ordena os exércitos à vitória (...)” > pronome relativo. d) “Que há de melhor do que a língua?” > partícula de realce. 12. (ITA) A questão abaixo refere-se ao texto a seguir. Um muro para pichar Em frente da minha casa existe um muro enorme, todo branco. No Facebook, uma postagem me chama atenção: é um muro virtual e a brincadeira é pichá-lo com qualquer frase que vier à cabeça. Não quero pichar o mundo virtual, quero um muro de verdade, igual a este de frente para a minha casa. Pelas ruas e avenidas, vou trombando nos muros espalhados pelos quarteirões, repletos de frases tolas, xingamentos e erros de português. Eu bem poderia modificar isso. “O caminho se faz caminhando”, essa frase genial, tão forte e certeira do poeta espanhol Antonio Machado, merece aparecer em diversos muros. Basta pensar um pouco e imaginar; de fato, não há caminho, o caminho se faz ao caminhar. De repente, vejo um prédio inteiro marcado por riscos sem sentido e me calo. Fui tentar entender e não me faltaram explicações: é grafite, é tribal, coisas de difícil compreensão. As explicações prosseguem: grafite é arte, pichar é vandalismo. O pequeno vândalo escondido dentro de mim busca frases na memória e, então, sinto até o cheiro da lama de Woodstock em letras garrafais: “Não importam os motivos da guerra, a paz é muito mais importante”. Feito uma folha deslizando pelas águas correntes do rio me surge a imagem de John Lennon; junto dela, outra frase: “O sonho não acabou”, um tanto modificada pela minha mão, tornando-se: o sonho nunca acaba. E minha cabeça já se transforma num muro todo branco. Desde os primórdios dos tempos, usamos a escrita como forma de expressão, os homens das cavernas deixarampichados nas rochas diversos sinais. Num ato impulsivo, comprei uma tinta spray, atravessei a rua chacoalhando a lata e assim prossegui até chegar à minha sala, abraçado pela ansiedade aumentada a cada passo. Coloquei o dedo no gatilho do spray e fiquei respirando fundo, juntando coragem e na mente desenhando a primeira frase para pichar, um tipo de lema, aquela do Lô Borges: “Os sonhos não envelhecem” – percebo, num sorrir de canto de boca, o quanto os sonhos marcam a minha existência. Depois arriscaria uma frase que criei e gosto: “A lagarta nunca pensou em voar, mas daí, no espanto da metamorfose, lhe nasceram asas...”. Ou outra, completamente tola, me ocorreu depois de assistir a um documentário, convencido de que o panda é um bicho cativante, mas vive distante daqui e sua agonia não é menor das dos nossos bichos. Assim pensando, as letras duma nova pichação se formaram num estalo: “Esqueçam os pandas, salvem as jaguatiricas!”. No muro do cemitério, escreveria outra frase que gosto: “Em longo prazo estaremos todos mortos”, do John Keynes, que trago comigo desde os tempos da faculdade. Frases de túmulos ganhariam os muros; no de Salvador Allende está consagrado, de autoria desconhecida: “Alguns anos de sombras não nos tornarão cegos.” Sempre apegado aos sonhos, picharia também uma do Charles Chaplin: “Nunca abandone os seus sonhos, porque se um dia eles se forem, você continuará vivendo, mas terá deixado de existir”. Claro, eu poderia escrever essas frases num livro, num caderno ou no papel amassado que embrulha o pão da manhã, mas o muro me cativa, porque está ao alcance das vistas de todos e quero gritar para o mundo as frases que gosto; são tantas, até temo que me faltem os muros. Poderia passar o dia todo pichando frases, as linhas vão se acabando e ainda tenho tanto a pichar... “É preciso muito tempo para se tornar jovem”, de Picasso, “Há um certo prazer na loucura que só um louco conhece”, de Neruda, “Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarzinho”, cravada por Mário Quintana... Encerro com Nietzsche: “Isto é um sonho, bem sei, mas quero continuar a sonhar”, que serve para exemplificar o que sinto neste momento, aqui na minha sala, escrevendo no computador o que gostaria de jogar nos muros lá fora, a custo me mantendo calmo, um olho na tela, outro voltado para o lado oposto da rua. Lá tem aquele muro enorme, branco e virgem, clamando por frases. Não sei quanto tempo resistirei até puxar o gatilho do spray. Adaptado de: ALVEZ, A. L. Um muro para pichar. Correio do Estado, fev 2018. Disponível em <https://www.correiodoestado.com.br/opiniao/leia-acronica-de-andre-luiz-alvez- um-muro-para-pichar/321052/> Acesso em: ago. 2018. Assinale a alternativa em que o item sublinhado NÃO é pronome relativo. a) a brincadeira é pichá-lo com qualquer frase que vier à cabeça b) ou no papel amassado que embrulha o pão da manhã c) são tantas, até temo que me faltem os muros d) há um certo prazer na loucura que só um louco conhece e) que serve para exemplificar o que sinto neste momento 13. (FATEC) Leia o texto para responder à questão a seguir: Temple Grandin empacou diante da porteira. Alguns parafusos cravados na madeira lhe saltaram aos olhos. “Tem que limar a cabeça desses parafusos, se não o gado pode se machucar”, aconselhou à dona da fazenda, Carmen Perez, que ao lembrar a cena comentou: “Sempre passo no curral antes do manejo, observo tudo, dizem que tenho olho biônico, e ela notou uma coisa que eu não tinha visto.”. Grandin tem um parafuso a mais quando se trata do bem-estar dos bichos. Professora de ciência animal, ela é autista e dona de uma hipersensibilidade visual e auditiva. Tocada pelas angústias do gado desde a juventude, ela compreendia por que a rês recuava na hora da vacinação, por que atacava um vaqueiro, por que tropeçava, por que mugia. Grandin traduziu esse entendimento em projetos que propunham mudanças no manejo. Hoje, instalações criadas por ela são familiares a quase metade dos bovinos nos Estados Unidos. O Brasil, com seus quase 172 milhões de cabeças de gado, segundo o Censo Agropecuário de 2017, vem aos poucos fazendo ajustes alinhados com as propostas da americana. Em julho passado, Grandin, hoje com 71 anos, veio ao Brasil pela sexta vez. Na fazenda Orvalho das Flores, localizada em Barra do Garças (MT), ela testemunhou como a equipe de Perez conduz suas 2 980 cabeças de Nelore, raça predominante no país. Os vaqueiros massageiam os bezerros, não gritam com os bois, tampouco deixam capas de chuva, correntes ou chapéus no caminho dos animais. A engenheira agrônoma Maria Lucia Pereira Lima foi aluna de pós-doutorado de Grandin na Universidade do Estado do Colorado, em Fort Collins, em 2013. Viajara aos Estados Unidos para aprender como medir o bem-estar dos bovinos e se inteirar de inovações que pudessem ser implantadas em currais brasileiros. Uma delas, por exemplo, tranquiliza o animal conduzido à vacinação: o gado em geral se via obrigado a passar espremido por espaços afunilados. Grandin projetou um acesso em curva, sem cantos, que dá à rês PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR144 INTERPRETAÇÃO 14 SEQUENCIADORES I - PRONOMES RELATIVOS a ilusão de que voltará ao ponto de partida. Outra: uma lâmpada acesa na entrada do tronco de contenção – o equipamento que permite o manejo individual do boi – a indicar o trajeto reduziu em até 90% o uso de choque elétrico durante o processo. [...] No auditório da universidade, outros pesquisadores se revezavam no palco discutindo aspectos econômicos e sociais relacionados ao bem-estar animal. O tempo de manejo cai pela metade nos estabelecimentos agropecuários que seguem os manuais de Grandin. De ovos transportados com cuidado nascem pintinhos sadios. Sem falar na melhor qualidade de vida de quem lida com esses bichos. Vaqueiros bem treinados sofrem menos acidentes no trabalho e desenvolvem uma relação mais harmoniosa nos casamentos. “A melhoria do bem-estar animal melhora o bem- estar humano”, afirmou o zootecnista Mateus Paranhos da Costa, da Universidade Estadual Paulista. Monica Manin <https://tinyurl.com/y8xeoqul> Acesso em: 12.10.2018. Adaptado. Observe os elementos destacados na passagem: “Sempre passo no curral antes do manejo, observo tudo, dizem que tenho olho biônico, e ela notou uma coisa que eu não tinha visto”, presente no primeiro parágrafo. As palavras destacadas exercem a) funções diferentes, pois o primeiro “que” é conjunção integrante e introduz uma oração coordenada, enquanto o segundo “que” é pronome relativo e introduz uma oração explicativa. b) funções diferentes, pois o primeiro “que” é uma conjunção subordinativa, enquanto o segundo é um pronome relativo, tendo como antecedente o termo “coisa”. c) mesma função, pois ambos são conjunções subordinativas, sendo que o primeiro introduz uma oração substantiva, enquanto o segundo, uma oração adverbial restritiva. d) mesma função, pois ambos os pronomes “que” retomam vocábulos anteriores, sendo o verbo “dizem” e o substantivo “coisa” seus antecedentes respectivamente. e) mesma função, pois ambos são conjunções, porém o primeiro “que” é uma conjunção subordinativa, enquanto o segundo, uma conjunção coordenativa. 14. (IFPE) Leia o texto para responder à questão a seguir. Movimentos Sociais: Breve Definição Em linhas gerais, o conceito de movimento social se refere à ação coletiva de um grupo organizado que objetiva alcançar mudanças sociais por meio do embate político, conforme seus valores e ideologias, dentro de uma determinada sociedade e de um contexto específicos, 1permeados por tensões sociais. Os movimentos sociais podem objetivar a mudança, a transição ou mesmo a revolução de uma realidade hostil a certo grupo ou classe social. Constroem uma identidade para a defesa de seus interesses, sejam eles a luta por um algum ideal ou o questionamento de uma realidade que se caracterize como impeditivo à realização de seus anseios. Tornam-seporta-vozes de um grupo de pessoas que se encontra numa mesma situação, seja social, econômica, política, religiosa, entre outras. Gianfranco Pasquino, em sua contribuição ao Dicionário de Política (2004), organizado por ele, Norberto Bobbio e Nicolau Mateucci, 2afirma que os movimentos sociais constituem tentativas – pautadas em valores comuns àqueles que compõem o grupo – de definir formas de ação social para se alcançar determinados resultados. Por outro lado, conforme aponta Alain Touraine, na obra Em defesa da Sociologia (1976), para se compreender os movimentos sociais, mais do que pensar em valores e crenças comuns para a ação social coletiva, seria necessário considerar as estruturas sociais nas quais os movimentos se manifestam. Cada sociedade ou estrutura social 3teriam como cenário um contexto histórico (ou historicidades) 4no qual, assim como também apontava Karl Marx, estaria posto um conflito entre classes, terreno das relações sociais, a depender dos modelos culturais, políticos e sociais. Assim, os movimentos sociais fariam explodir os conflitos já postos pela estrutura social (geradora por si só da contradição entre as classes), sendo uma ferramenta fundamental para a ação com fins de intervenção e mudança dessa estrutura. Dessa forma, para além das instituições democráticas como os partidos, as eleições e o parlamento, a existência dos movimentos sociais 5é de fundamental importância para a sociedade civil enquanto meio de manifestação e reivindicação. Podemos citar como alguns exemplos de movimentos: o da causa operária, o movimento negro (contra racismo e segregação racial), o movimento estudantil, o movimento de trabalhadores do campo, o movimento feminista, os movimentos ambientalistas, os da luta contra a homofobia, os separatistas, os movimentos marxista, socialista, comunista, entre outros. Alguns desses movimentos possuem atuação centralizada em algumas regiões (como no caso de movimentos separatistas na Europa). Outros, porém, com a expansão do processo de globalização (tanto do ponto de vista econômico como cultural) e a disseminação de meios de comunicação e veiculação da informação, rompem fronteiras geográficas em razão da natureza de suas causas, ganhando adeptos por todo o mundo, a exemplo do Greenpeace, movimento ambientalista de forte atuação internacional. A existência de um movimento social requer uma organização muito bem desenvolvida, o que demanda a mobilização de recursos e pessoas muito 6engajadas. Os movimentos sociais não se limitam a manifestações públicas esporádicas, mas trata- se de organizações que sistematicamente atuam para alcançar seus objetivos políticos, o que significa haver uma luta constante e de longo prazo, dependendo da natureza da causa. Em outras palavras, os movimentos sociais possuem uma ação organizada de caráter permanente por uma determinada 7bandeira. RIBEIRO, Paulo Silvino. Movimentos sociais: breve definição. Brasil Escola. Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/movimentos-sociais-breve-definicao. htm>. Acesso em: 22 set. 2018 (adaptado). O pronome relativo (n)o qual (ref. 4 – 2º parágrafo) cumpre uma função coesiva no texto, pois retoma a) contexto histórico. b) Karl Marx. c) conflito. d) terreno. e) cenário. 15. (PUC-SP) Recado dado ao STF Editorial Folha de S.Paulo, 13 set. 2016 Poucas vezes a posse de um presidente do Supremo Tribunal Federal se revestiu de tanto simbolismo quanto a de Cármen Lúcia, cuja chegada ao comando do órgão de cúpula do Judiciário se consumou nesta segunda-feira (12). Em uma cerimônia simples, a ministra quebrou o protocolo já no início de seu discurso. Em vez de cumprimentar primeiro o presidente da República, Michel Temer (PMDB), Cármen Lúcia considerou que a maior autoridade presente era “Sua Excelência, o povo” – e, por isso, saudou antes de todos o “cidadão brasileiro”. Partisse de outrem, o gesto talvez pudesse ser considerado mero populismo; vindo da nova presidente do STF, guarda coerência com outras iniciativas de valor simbólico semelhante, como abrir mão de carro oficial com motorista ou dispensar a festa em sua própria posse. Como se pudesse haver dúvidas a respeito disso, Cármen Lúcia deixa clara a intenção de, no próximo biênio, conduzir o STF com a mesma austeridade que pauta sua conduta pessoal. “Privilégios são incompatíveis com a República”, disse a esta Folha no ano passado. PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR 14 SEQUENCIADORES I - PRONOMES RELATIVOS 145 INTERPRETAÇÃO É de imaginar, assim, que a nova presidente de fato reveja uma das principais bandeiras da agenda corporativista de seu antecessor, Ricardo Lewandowski: o indefensável aumento salarial para os ministros do Supremo. Não há de ser esse o único contraste entre as gestões. Espera- se que Cármen Lúcia moralize os gastos com diárias de viagens oficiais no STF, amplie a transparência e a previsibilidade das decisões do Judiciário e, acima de tudo, resgate o papel disciplinar do Conselho Nacional de Justiça, esvaziado sob a batuta de Lewandowski. Desfrutando de sólida reputação no meio jurídico, a ministra suscita altas expectativas ainda por outro motivo: ela relatou o processo do ex-deputado federal Natan Donadon, condenado por desvio de dinheiro público e primeiro político a ter sua prisão determinada pelo STF desde a promulgação da Constituição de 1988. Daí por que o ministro Celso de Mello se sentiu à vontade para, antes do discurso de Cármen Lúcia, proferir palavras duríssimas contra “os marginais da República, cuja atuação criminosa tem o efeito deletério de subverter a dignidade da função política e da própria atividade governamental”. No plenário do Supremo, diversos figurões da política investigados ou processados por crimes contra o patrimônio público apenas ouviam, constrangidos. Que o recado da gestão Cármen Lúcia possa ir além do plano simbólico. No primeiro parágrafo do editorial, o pronome relativo evidenciado a) qualifica Cármen Lúcia e faz alusão a cúpula. b) retoma posse e relaciona-se a segunda-feira. c) institui relação de substituição e resgata cúpula. d) estabelece relação de posse e refere-se a Cármen Lúcia. 16. (MPE-GO) Nos documentos oficiais, prioriza-se o emprego da norma culta da Língua Portuguesa. De acordo com essa norma, assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas dos enunciados abaixo, na ordem em que aparecem. I. O Secretário de Diligências registrou em ata que foi autuado o estabelecimento _____ dependências se constatou toda sorte de irregularidades. II. Foi transferido ontem o Secretário de Diligências ____ trabalho fiz alusão. III. Serão conhecidos no próximo ano os nomes dos novos Secretários de Diligências _________ serviços o Ministério Público passará a contar. a) nas quais - de quem - cujos os b) a cujas - ao qual - de cujos c) em cujas - a cujo - com cujos d) cujas as - por cujo - a cujos e) de cujas - de cujo - por cujos 17. (CN) Em que opção utilizou-se corretamente o pronome relativo? a) Admiro as pessoas as quais os filhos são gentis e educados a qualquer tempo. b) A adolescência é a idade onde as pessoas apresentam conflitos existenciais. c) César é o profissional a quem confiei a educação e o futuro dos meus filhos. d) A prova em cujos os textos nos baseamos foi aplicada há dois anos por esta instituição. e) Não é possível domesticar animais a quem não se ame verdadeiramente. 18. (FUNRIO) Moynier pensava no crescente número de baixas entre combatentes de todas as partes em conflito, cujos sofrimentos deviam ser minorados pela Cruz Vermelha, de forma imparcial. Sobre o emprego do pronome relativo cujos, nesse período, é CORRETO afirmar que ele indica que os sofrimentos pertencem a a) Moynier. b) partes. c) combatentes. d) conflitos. e) Cruz Vermelha 19. (EFT-SP) Em “O casal de índios levou-os à sua aldeia, que estava deserta, onde ofereceu frutas aos convidados”, temos: a) dois pronomes possessivos e doispronomes pessoais b) um pronome pessoal, um pronome possessivo e dois pronomes relativos c) dois pronomes pessoais e dois pronomes relativos d) um pronome pessoal, um pronome possessivo, um pronome relativo e um pronome interrogativo e) dois pronomes possessivos e dois pronomes relativos 20. (CONSCAM) Assinale a alternativa em que o vocábulo “que” possui valor morfológico de pronome relativo: a) Estudou tanto que passou no vestibular. b) Espero ansiosamente que venhas. c) Alegra-te, que as férias estão chegando. d) Estes anos felizes que não voltam mais. e) Fala-se que não existe paz no mundo. APROFUNDAMENTO EXERCÍCIOS DE 01. (FUVEST) A praga dos selfies De uma coisa tenho certeza. A foto pelo celular vale apenas pelo momento. Não será feito um álbum de fotografias, como no passado, onde víamos as imagens, lembrávamos da família, de férias, de alegrias. As imagens ficarão esquecidas em um imenso arquivo. Talvez uma ou outra, mais especial, seja revivida. Todas as outras, que ideia. Só valem pelo prazer de fazer o selfie. Mostrar a alguns amigos. Mas o significado original da foto de família ou com amigos, que seria preservar o momento, está perdido. Vale pelo instante, como até grandes amores são hoje em dia. É o sorriso, o clique, e obrigado. A conquista: uma foto com alguém conhecido. W. Carrasco, “A praga dos selfies”. Época, 26.09.2016. a) Para que o emprego da palavra “onde”, sublinhada no texto, seja considerado correto, a que termo antecedente ela deve se referir? Justifique sua resposta. b) Reescreva a frase “Todas as outras, que ideia.”, substituindo os dois sinais de pontuação nela empregados por outros, de tal maneira que fique mais evidente a entonação que ela tem no contexto. 02. (CP2) Soneto do Corifeu¹ Vinícius de Moraes São demais os perigos desta vida Para quem tem paixão, principalmente Quando uma Lua chega de repente E se deixa no céu, como esquecida. PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR146 INTERPRETAÇÃO 14 SEQUENCIADORES I - PRONOMES RELATIVOS E se ao luar que atua desvairado Vem se unir uma música qualquer Aí então é preciso ter cuidado Porque deve andar perto uma mulher. Deve andar perto uma mulher que é feita De música, luar e sentimento E que a vida não quer, de tão perfeita. Uma mulher que é como a própria Lua: Tão linda que só espalha sofrimento Tão cheia de pudor que vive nua. (http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/article.php3?id_article=1249. Acesso em: 10/10/2013.) ¹Corifeu: pessoa de maior destaque ou influência em um grupo; líder do coro. Na construção sintática da última estrofe do texto, o pronome “que” foi empregado com dupla função: ligar orações e substituir um termo antecedente. Transcreva o termo que ele substitui. 03. (IFSP) Leia as charges. a) Explique como se dá o efeito de humor pela linguagem verbal nas duas charges. b) Reescreva as frases de cada charge, substituindo, na primeira, o termo “guerra” por “guerras” e, na segunda, substituindo “Quem” por “Que pessoas” e fazendo a correção ortográfica. 04. (PUCRJ) A tarefa de desenvolver as capacidades intelectuais e morais do sujeito universal, como condição de aprimoramento da personalidade do indivíduo, juntamente com a inserção social e a reprodução dos conteúdos culturais da tradição, formam o esteio da intencionalidade educativa moderna. A escola deve assumir o compromisso com o desenvolvimento das estruturas mentais do sujeito para que ele seja capaz de operar em níveis de abstração elevada. 1Essa é uma condição necessária para que os processos de tomada de consciência superem a racionalidade instrumental e habilitem o sujeito frente às possibilidades da competência comunicativa. Cabe à escola favorecer uma aprendizagem crítica do conhecimento científico, promover a discursividade dos alunos e a discussão pública das formas de racionalidade subjacentes aos processos escolares. [...] A construção de uma razão que se descentra é condição necessária para que o sujeito reconheça outras razões e seja capaz de agir com competência no discurso argumentativo, fundamental para a racionalidade comunicativa que opera nas bases de um pensamento refletido, tornando conscientes os seus esquemas de ação. Texto adaptado de LIMA, João Francisco Lopes de. A reconstrução da tarefa educativa: uma alternativa para a crise e a desesperança. Porto Alegre: Editora Mediação, 2003, p. 103. a) Reescreva o trecho a seguir sem a palavra que. Faça as modificações necessárias. “Essa é uma condição necessária para que os processos de tomada de consciência superem a racionalidade instrumental e habilitem o sujeito frente às possibilidades da competência comunicativa” (referência 1) b) Com relação à frase abaixo, faça o que é pedido a seguir. “A escola deve assumir o compromisso com o desenvolvimento das estruturas mentais do sujeito para que ele seja capaz de operar em níveis de abstração elevada.” I. Determine o valor semântico do verbo auxiliar dever na locução “deve assumir”. II. Indique um outro verbo auxiliar que mantenha o mesmo sentido da expressão sublinhada e que forme uma locução verbal com o verbo operar: 05. (UEMA) O poema a seguir foi extraído da obra “Alguma Poesia”, de Carlos Drummond de Andrade, em que o autor põe em evidência a desconstrução da imagem de um ícone natalino. Leia-o para responder à questão proposta. Papai Noel Às Avessas A Afonso Arinos (sobrinho) Papai Noel entrou pela porta dos fundos. (no Brasil as chaminés não são praticáveis), entrou cauteloso que nem marido depois da farra. Tateando na escuridão torceu o comutador e a eletricidade bateu nas coisas resignadas, coisas que continuavam coisas no mistério do Natal. Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos, achou um queijo e comeu. Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender. Teve medo, talvez de pegar fogo nas barbas postiças (no Brasil os Papais-noéis são todos de cara raspada) e avançou pelo corredor branco de luar. Aquele quarto é o das crianças. Papai entrou compenetrado. Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos soldados mulheres elefantes navios e um presidente de república de celuloide. Papai Noel agachou-se e recolheu tudo no interminável lenço vermelho de alcobaça. Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do aperto. Os pequenos continuavam dormindo. Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo. PRÉ-VESTIBULAR PROENEM.COM.BR 14 SEQUENCIADORES I - PRONOMES RELATIVOS 147 INTERPRETAÇÃO Papai Noel voltou de manso para a cozinha, apagou a luz, saiu pela porta dos fundos. Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes. Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. Leia os versos a seguir, extraídos do poema “Papai Noel às Avessas”, de Carlos Drummond de Andrade. “Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos, achou um queijo e comeu. Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender. Teve medo, talvez de pegar fogo nas barbas postiças” A coesão sintático-semântico no texto, garante a compreensão das ideias nele apresentadas. Considerando as relações de sentido no poema, identifique o termo retomado pelo pronome que. Explique sua resposta, com base na leitura e na compreensão dos versos. GABARITO EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. D 02. D 03. A 04. D 05. B 06. B 07. A 08. B 09. B 10. C 11. C 12. C 13. B 14. A 15. E 16. C 17. C 18. C 19. B 20. D EXERCÍCIOS DE APROFUNDAMENTO 01. a) O emprego da palavra “onde”, no texto, refere-se a “passado”. Trata-se de um uso incorreto, já que, de acordo com a norma culta, o pronome relativo “onde” deve ser empregado para referência a lugares. Assim, para que seu uso no texto fosse considerado correto, deveria referir-se ao antecedente “álbum de fotografias”. b) “Todas as outras? Que ideia!”. 02. No verso “Uma mulher que é como a própriaLua” pode-se substituir o pronome “que” por “uma mulher”. Tem-se então: “Uma mulher é como a própria Lua”, comprovando que o pronome “que” de fato retoma o termo “mulher”. 03. a) A charge ilustra as disputas judiciais que envolvem os grupos que dominam as tecnologias de comunicação e os detentores de propriedade intelectual que potencialmente prejudicam os interesses desses grupos. Como consequência, essas contendas afetam diretamente a educação por dificultarem a inclusão digital e contribuem para o baixo grau de escolarização de grande parte da população. b) “Iniciadas as guerras das patentes foram”; “Que pessoas vêm lá? Qual a senha?”; “Analfabeto!”. 04. a) Essa é uma condição necessária para os processos de tomada de consciência superarem a racionalidade instrumental e habilitarem o sujeito frente às possibilidades da competência comunicativa. b) I. O verbo auxiliar na locução “deve assumir” apresenta valor semântico de obrigação. II. O sentido da expressão verbal “seja capaz” seria mantido se o auxiliar fosse substituído por possa (possa operar). 05. O termo a que se refere o pronome que é cigarro. Trata-se de uma oração subordinada explicativa restritiva essencial, neste caso, para entender o que vem a ser um Papai Noel às avessas a que se refere o título. Nada mais humano que o desejo de fumar, porém o medo de acender os cigarros faz com que se revelem as barbas postiças e o velho Papai Noel é mais um homem comum vestido apenas para enganar a criançada. ANOTAÇÕES PRÉ-VESTIBULARPROENEM.COM.BR148 INTERPRETAÇÃO 14 SEQUENCIADORES I - PRONOMES RELATIVOS