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PORTFÓLIO INTRODUÇÃO AO ATENDIMENTO HOSPITALAR, EDUCAÇÃO E SAÚDE OCUPACIONAL PACIENTE COM QUEIXA DE SINTOMAS DEPRESSIVOS COM PSICOSE Aluno: Max Clayton Marques RA 263872020 Identificação ESTUDO DE CASO I. C. T. B., 48 anos, casada, Ensino Médio incompleto, católica, desempregada, procedente de Cuiabá, MT, chega acompanhada pelo marido. Foi acolhida pela Unidade de Atenção Psicossocial do HUJM no dia 16 de abril de 2015, referenciada pelo ambulatório de Reumatologia. Atendimento inicial e histórico da paciente Apresentou como queixa principal sintomas depressivos com psicose. Já realizava acompanhamento na instituição com outras especialidades: Reumatologia, Nutrição, Cardiologia, Dermatologia e Pneumologia, em virtude de apresentar diagnóstico fechado de lúpus eritematoso, fibromialgia, hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), além de ser integrante do grupo de tabagismo (fumava cerca de dois maços de cigarro/dia). Relata ter tido uma infância e adolescência tranquila, com momentos felizes e sem eventos negativos marcantes. Casou-se aos 19 anos (31 anos de união), tem dois filhos e refere relações familiares afetuosas e tranquilas, inclusive recebe apoio de todos em seu processo de adoecimento. Trabalhou por 10 anos como vigilante em uma agência bancária e nesse local vivenciou a experiência de inúmeros assaltos e tentativas de assaltos. Desde então, tem percebido progressivas alterações em seu estado emocional e psíquico, refletindo inclusive em suas atividades da vida diária. Refere que percebeu seu estado de humor e ânimo diminuírem progressivamente, conforme a sobrecarga de atividades laborais e os eventos dos assaltos no local de trabalho foram acontecendo. Nessa época, não sentia vontade de sair de casa, perdeu a volição com as atividades de entretenimento que gostava de executar, a interação com amigos e vizinhos diminuiu, passou a ficar incomodada ao receber visitas, diminuiu o diálogo com os familiares mantendo-se reclusa no quarto, começou a faltar no trabalho, os episódios de choro começaram se manifestar com intensa frequência sem causa aparente, não conseguia mais tomar decisões com segurança, o padrão de sono e alimentar diminuíram, qualquer situação que até então era prazerosa deixou de ser, percebeu-se mais lenta no curso das atividades que desenvolvia e houve queda de autoestima, sensação de angústia e aflição persistentes. Começou a apresentar alucinações visuais, auditivas e sensoriais, o que potencializou declínio afetivo e de humor. Aliado aos sintomas descritos, teve manifestações de desespero e incompreensão, acompanhadas da percepção de que estava ficando louca, situação que desencadeou ideias suicidas. Há 4 anos recebeu o diagnóstico de lúpus eritematoso, fato que lhe causou grande impacto emocional, dada a sintomatologia e a característica dessa doença. Na ocasião do diagnóstico, foi demitida do trabalho e, sem sucesso até o momento, tentou lutar por seus direitos trabalhistas (processo em curso). Durante a consulta, percebeu-se aparência com traços de prejuízo no autocuidado, visivelmente fragilizada emocionalmente (chorou copiosamente durante os relatos) e se mostrou disposta a iniciar um tratamento com a equipe de saúde mental desejando melhora em seu quadro psicossocial. Exame mental ● Consciência: acordada e vígil sem alterações quantitativas ou qualitativas ; ● Orientação: orientada em espaço e autopsiquicamente, porém, apresentou confusão com as datas e horários denotando prejuízo em tempo; ● Atenção: manteve atenção espontânea durante a consulta, com prejuízo em concentrar-se nas atividades de entretenimento e perda de foco em casa com algumas atividades da rotina; ● Memória: imediata, recente e remota preservada no ato da consulta; ● Afetividade: além da fragilidade evidenciada durante a consulta, perceptíveis sintomas depressivos ao relatar que se sentia anulada e apagada, anedonia, falta de volição para algumas situações da vida, ansiedade (evidenciada nos relatos de angústia e aflição principalmente relacionadas às vivências de assalto no trabalho), dificuldade em aguardar que as situações seguissem seu tempo, por exemplo, impaciência ao ter que aguardar uma consulta, ter que enfrentar fila em bancos e supermercados, interação com a família prejudicada caso fosse contrariada etc., crises de choro constantes e isolamento social; ● Inteligência: sem alterações que sugeririam algum grau de retardamento ou incapacidade cognitiva; ● Pensamento: em relação ao curso, foi observado alentecimento e interceptação; e quanto ao conteúdo não foram evidenciados delírios. Informou que no passado pensou em suicídio, porém as ideias suicidas não existem atualmente; ● Psicomotricidade: preservada Linguagem: acentuada bradilalia, porém, não causou danos no entendimento do discurso da paciente; ● Sensopercepção: relatou ver animais pela casa com comportamentos irreais: porcos dando gargalhadas, cobras voando, vacas conversando (alucinações visuais) e que às vezes os quadros ganhavam formas de aranhas gigantes (ilusão); ● Insight: condição de autopercepção e compreensão do contexto e ambiência preservados. Tem juízo crítico. Medicações em uso ● Após consulta com psiquiatra: ● Olanzapina 15 mg, 1 vez/dia; ● Fluoxetina 20 mg, 1 vez/dia; ● Haloperidol 10 mg, 1 vez/dia; ● Duloxetina 60 mg, 1 vez/dia; ● Prometazina 50 mg, 1 vez/dia; ● Clonazepam 2,5 mg, 1 vez/dia; ● Bupropiona 15 g, 1 vez/dia + nicotinel 2 adesivos/dia. Contexto atualizado Após 2 anos em acompanhamento no ambulatório, a paciente deixou de responder bem às medicações apresentando quadro de piora (tanto no campo clínico físico quanto no psíquico), tornou-se negligente com o tratamento e todas as alterações se acentuaram com constantes tentativas de suicídio. Houve um distanciamento da família mediante esses elementos, o que possibilitou a conclusão de que o serviço de um CAPS seria mais apropriado para a situação apresentada. Desse modo, sua última consulta com a Unidade foi no dia 20 de abril de 2017, sendo então referenciada ao CAPS do município de Cuiabá, MT. Como psicólogo de uma instituição hospitalar, o profissional é o mediador dos vínculos e relações humanas e, por conseguinte, busca facilitar e orientar, mais que em uma solução incisiva, na compreensão dos problemas, a fim de direcionar à promoção da saúde e do bem-estar, buscando não penas o fim, mas o máximo conforto para o paciente, que já está sofrendo com a recaída, seus familiares que, certamente, estão sentindo os ofetitos e, por fim, no tratamento do adoecimento. A priori, o profissional deve buscar minimizar o sofrimento e instruir familiares no que concerne ao apoio à equipe envolvida no tratamento, criando um contexto de colaboração para que, sem as arestas do entorno, o paciente possa estar no foco do tratamento. A princípio, a intervenção pode se dar através da Psicoterapia Breve, psicoeducação e orientações sobre estado emocional. Sobre mo diagnóstico, é fato que medicamentos em geral podem deixar de fazer o mesmo efeito depois de determinado período, sobretudo quando se trata do uso contínuo, uma vez que o organismos e torna tolerante ao mesmo. Desta forma, o encaminhamento para o profissional médico será necessário e parte fundamental do tratamento, para que seja determinado um novo medicamento que, por não ter sido utilizado, não seja tolerado pelo organismo e surta o efeito necessário ao quadro clínico. Quanto ao caso específico de I. C. T. B.,, é notório que os quadros de violência enfrentados durante sua trajetória profissional provocaram significativo impacto sobre sua saúde mental, pois foi refém desses eventos por uma década, sendo incomodada pelo medo e pelas perdas que acompanhou durante todo esse período. Por conseguinte,a atenção psicossocial se revela necessária. É natural que situações como as vivenciadas pela paciente gerem reações emocionais deveras intensas e que, até certo ponto, compatíveis com as situações vividas. Entretanto, a intervenção psicológica quanto à saúde mental é efetiva para o cuidado de transtornos como este, que costumam gerar efeitos, a médio e a longo prazo, como no estudo presente, após o evento traumático. RESPOSTA A urgência na intervenção é fundamental, com vistas a auxiliar, aliviar ou mesmo solucionar os efeitos que foram gerados pelos eventos vivenciados, com o objetivo de restabelecer os padrões de normalidade, levando em em conta os aspectos de atenção à saúde física, uma vez que houve descuido notório com o o autocuidado, em prol de compreender os sentimentos que decorreram no mesmo. O trabalho institucional d psicólogo não se limita à elaboração de projetos e procedimento que viabilizem aperfeiçoamento em atendimentos, mas é profuso na promoção da saúde e hbem estar de todos os envolvidos, incluindo a equipe de trabalho, familiares e tosos os circunstantes da vida do paciente, seja qual for a sua realidade. O psicólogo, no que concerne ao atendimento hospitalar, labuta no sentido de oferecer ou propiciar a promoção de um ambiente no qual todos os colaboradores podem vivencviar e exercer suas atividades com plenitude no que concerne ao clima, à propagação das informações sobre saúde física e mental, buscando humanizar o tratamento de todos os que estão inseridos no contexto da instituição. Por essa razão, o profissional da psicologia se faz um personagem essencial e, de forma crescente, impactante nas organizações hospitalares, uma vez que se torna o mediador da multidisciplinaridade hospitalar. . CONCLUSÃO