atendimentos breves - aconselhamento
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atendimentos breves - aconselhamento


DisciplinaPsicoterapia Breve I4 materiais106 seguidores
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Definição de aconselhamento psicológico:
 Bibliografia obrigatória:
SCHMIDT, M. \u201cO nome, a taxonomia e o campo do Aconselhamento Psicológico.\u201d In: MORATO, H. et al. (orgs.) Aconselhamento Psicológico numa perspectiva fenomenológica existencial, cap. I.
 Bibliografia para aprofundamento:
SCHEEFER, R. Aconselhamento Psicológico, cap. 1: \u201cConceito de Aconselhamento Psicológico.\u201d
 Rogers é um autor que não fazia distinção entre aconselhamento psicológico e psicoterapia, pois considerava que ambos consistiam em contatos diretos com o indivíduo, com o objetivo de lhe proporcionar mudanças significativas em suas atitudes e comportamentos, contatos estes que se fundamentavam numa relação facilitadora do desenvolvimento psicológico do indivíduo.
Apesar disso, porém, predomina a tendência de se fazer a discriminação entre psicoterapia e aconselhamento enquanto atividades diferentes.
O aconselhamento psicológico é uma prática exclusiva de psicólogos, que se caracteriza por se centrar nas potencialidades e nos aspectos saudáveis dos indivíduos, não nas suas fragilidades ou aspectos psicopatológicos. Além disso, o aconselhamento também tem como foco o modo como a pessoa se percebe e os projetos pessoais que quer realizar para desempenhar um papel social produtivo.
Dessa forma, questões de normalidade ou anormalidade psicológicas são insignificantes para o aconselhamento, já que este se concentra nas potencialidades do indivíduo, no sentido de lhe proporcionar um desenvolvimento psicológico o mais amplo possível. No entanto, é preciso destacar que em psicologia a normalidade é extremamente difícil de ser conceituada, porque há várias significações e conotações possíveis.
Pode-se também caracterizar o aconselhamento como um atendimento psicológico em períodos de crise, no qual o objetivo é facilitar as escolhas do indivíduo na situação que vive, escolhas essas das quais depende seu desenvolvimento posterior.
Assim, esse atendimento está voltado a questões situacionais, ao apoio e à prevenção, mais comumente dirigido à solução de problemas.
No entanto, como assinala Schmidt logo no início de seu texto, aconselhamento tem dois sentidos: pode indicar os significados de sugestão, recomendação e orientação, mais próximos ao sentido de aconselhamento na perspectiva tradicional; pode ainda denotar a situação em que várias pessoas se reúnem para pensar e decidir com justeza a respeito de algo de seu interesse, o que se aproxima da definição de Rogers da relação de ajuda presente tanto no aconselhamento quanto na psicoterapia.
 Confronte se sua definição está de acordo com a que as autoras apresentam: aconselhamento psicológico é um atendimento psicológico que se diferencia da psicoterapia. É mais própria para períodos situacionais de crise, tem uma duração mais curta que a psicoterapia e não leva em conta a questão da normalidade ou da psicopatologia, mas a capacidade do indivíduo de lidar com as questões que o afligem.
 3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício:
Com relação ao aconselhamento psicológico podemos dizer que:
II) É um atendimento que tem como foco a cura dos aspectos psicopatológicos do indivíduo;
III) É um atendimento que é mais adequado às situações de crise, para facilitar as escolhas do indivíduo.
Se você compreendeu adequadamente o conteúdo estudado, você terá assinalado a alternativa c.
 História do aconselhamento psicológico: Bibliografia obrigatória:
SCHMIDT, M. \u201cO nome, a taxonomia e o campo do Aconselhamento Psicológico.\u201d In: MORATO, H. et al. (orgs.) Aconselhamento Psicológico numa perspectiva fenomenológica existencial, cap. I.
 
O aconselhamento psicológico nasceu nos anos 30 do século passado nos Estados Unidos como especialidade e área de atuação e saber do psicólogo. Em seu início estava estreitamente ligado à orientação vocacional e à psicometria, principalmente à pesquisa sobre testes vocacionais, como os de aptidões
A teoria que lhe deu origem foi a Traço e Fator, cujas concepções de natureza humana e do processo de aconselhamento psicológico fundamentavam-se na Educação. O processo, assim, não era clínico.
Essa teoria partia do pressuposto que o aconselhamento deveria se centrar num processo educativo do aconselhando, cuja meta era a solução de problemas específicos do indivíduo nas áreas educacional e profissional, através do desenvolvimento de atitudes e comportamentos condizentes com as normas sociais vigentes.
Williamson, um dos expoentes do aconselhamento psicológico na Teoria Traço e Fator, define-o como um atendimento que auxilia o indivíduo a aprender determinadas matérias escolares, condutas adequadas de cidadania, valores sociais e todos os outros hábitos, habilidades, atitudes e crenças que constituem um ser humano normal. Em outras palavras, o processo teria o objetivo de eliminar ou modificar comportamentos considerados inadequados, tanto os sociais quanto os educacionais. A mudança de comportamento e atitudes, segundo o autor, seria satisfatória para o aconselhando e para a sociedade em que vivia.
Nesse sentido, segundo Schmidt, a Teoria Traço e Fator, articulada à vertente experimental dos estudos psicométricos, deu à sua prática de aconselhar, que está enraizada no sendo comum, uma aura de cientificidade, e abriu espaço para o atendimento psicológico, diferente da psicoterapia.
Esta, que não era prática de psicólogos, mas de médicos, fundamentava-se na psicanálise. Tinha como público indivíduos que sofriam de distúrbios psicológicos mais graves. Inscrevia-se no eixo saúde/doença psicológicas, ao invés do eixo ajustamento/desajustamento preconizado pelo aconselhamento. Além disso, tinha uma duração mais prolongada.
Em 1942, Rogers publica o livro Aconselhamento e Psicoterapia, lançando as bases da primeira fase de suas ideias e prática: a terapia não-diretiva. A não-diretividade é geralmente associada à total não interferência do terapeuta ou conselheiro no processo do cliente.
No entanto, precisamos compreendê-la no contexto em que foi gerada, isto é, como uma oposição ao processo de aconselhamento na Teoria Traço e Fator, que era prepotente e autoritário, já que o lugar do conselheiro nessa teoria era o de mostrar ao aconselhando \u201co caminho certo\u201d a seguir para modificar comportamentos desajustados e desadaptados socialmente.
Contrapõe-se a isto o conselheiro rogeriano, que era \u201cum ouvinte interessado e compreensivo, que, pela técnica da reflexão, queria proporcionar que a esfera de exploração pessoal do cliente ou aconselhando se configurasse o mais proximamente possível de suas vivências e percepções atuais e conscientes.\u201d (Schmidt, p. 5).
Com suas ideias, Rogers eliminou a tradicional distinção entre aconselhamento e psicoterapia. Apesar disso, a clássica divisão entre eles continuou, até porque o primeiro era mais afeito ao atendimento em instituições, enquanto a psicoterapia ficava circunscrita aos consultórios particulares, praticada por profissionais autônomos.
Essa situação perdurou até a década de 90 do século passado quando se começou a fazer uma ressignificação do campo do Aconselhamento Psicológico, como um campo de práticas nas quais há a abertura para se responder à pluralidade e à singularidade das demandas dos clientes.
Isto requer que os clientes sejam compreendidos a certa distância das classificações psicopatológicas. Requisita também uma perspectiva interdisciplinar dos fenômenos socioculturais que dão forma às demandas por ajuda psicológica.
Pede, além do mais, um diálogo com o saber popular, próprio da clientela, o que tira do psicólogo seu lugar de especialista e o coloca no lugar de um facilitador, que reconhece o direito do outro a seu próprio modo de sentir, pensar e agir. Dessa forma, cria as condições para a possibilidade de que o cliente faça suas próprias escolhas.
 3) Acompanhe o seguinte exemplo de exercício:
Historicamente, a Teoria Traço e Fator foi aquela que deu origem ao Aconselhamento Psicológico, tendo surgido nos Estados Unidos, nas primeiras décadas do século XX. Com relação a aconselhamento