Prévia do material em texto
HELENA DOS SANTOS – 20202102556 Atividade Individual Avaliativa – Resumo sobre Conflito de Jurisdição Rio de Janeiro – RJ 2022 Processo Penal Geral – 2022.1 Prof. Marcelo Trindade Velloso 1. Introdução A jurisdição por sua vez, representa a forma pela qual o Estado vai solucionar determinada lide. Dessa maneira, quando se trata de Conflito de Jurisdição, tem-se o conflito de dois órgãos jurisdicionais que se consideram competentes ou não para processar e solucionar o fato criminoso, decorrendo a uma duplicidade de jurisdição (positiva) ou então, de incompetência (negativa), assim como prevê o artigo 114, CPP. O presente trabalho dispõe sobre a temática do Conflito de Jurisdição. Este, está previsto do artigo 113 ao 117 do Código de Processo Penal. Dessa forma, a premissa deste presente resumo é de esclarecer as características do Conflito de Jurisdição, bem como sua aplicabilidade e solução, à luz da doutrina. 2. Desenvolvimento Primeiramente, é válido salientar que atualmente, parte da doutrina distingue o conflito de jurisdição e o conflito de competência. O objeto deste resumo, é aquele que decorre da duplicidade positiva ou negativa da jurisdição entre órgãos da Justiça Comum e órgãos da Justiça Especial, entre órgãos de diferentes Justiças Especiais, ou ainda, de Justiças Comuns de diversos estados federados. Por outro lado, o conflito de competência, é a divergência entre dois ou mais órgãos da mesma justiça. Contudo, a própria doutrina tem diversos entendimentos quanto aos nomes supracitados, uma vez que, parte dos doutrinadores partem do pressuposto de que no conflito de jurisdição, o que se tem, é um conflito de competência. Dessa maneira, os mesmos acreditam que o Código de Processo Penal, denomina o conflito de jurisdição de maneira errada, tendo em vista que a jurisdição é una. Outro aspecto relevante é que, a Constituição Federal, em seus (Arts. 102, I e 105, I, d, da CF parte de uma premissa de que, o conflito de competência é caracterizado como ambos os gêneros de divergência entre órgãos jurisdicionais, estando assim, como o próprio livro de Direito Processual Esquematizado, de Pedro Lenza, em contrariedade com o Código Penal, que se refere ao mesmo como una. O artigo 113 do Código de Processo Penal é claro ao dizer que, as questões relacionadas à competência devem ser resolvidas não somente pela própria execução, mas também pelo conflito positivo e negativo da jurisdição. Assim, ocorre o impedimento de a ação ser resolvida por órgão jurisdicional diverso daquele a quem o ordenamento entrega a apreciação da mesma. A lei, por sua vez, prevê a possibilidade do juiz e suas regras de distribuição da competência, já que há interesse público envolvido na questão no que se refere aos critérios do ratione personae e ratione materiae, que partem da idéia de que a competência do juízo é pressuposta de validade da relação processual. Já no ratione loci, a presunção é de que a prova será produzida com mais facilidade, diante do juízo à que compete. Nesse sentido, de acordo com o artigo 114 do Código de Processo Penal, o conflito de competência, dar-se-á quando: 1. Duas ou mais autoridades judiciárias se considerarem competentes ou não para a apreciação de determinado fato criminoso (espécie de conflito de competência positivo); 2. Quando existir controvérsia entre os órgãos jurisdicionais sobre qual será a unidade de juízo, junção ou separação de processos (espécie de conflito de competência negativo). Dessa maneira, conclui-se que, o conflito de competência só surge quando, existe a recusa sucessiva de intervenção de dois órgãos jurisdicionais, ou quando dois órgãos jurisdicionais reivindicam para si a função de apreciar determinada causa, negando ao outro tal faculdade. Importante destacar também que, o artigo 115, CPP frisa que tal conflito poderá ser suscitado pela parte interessada, pelos órgãos referentes ao Ministério Público junto à qualquer um dos juízes em dissídio, ou até mesmo por qualquer dos juízes ou tribunais em causa. Referências: