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1 Termodinâmica Química Prof. Gilson G. de Medeiros DEQ – UFRN Parte II 2021 • As propriedades termodinâmicas P, V e T não são independentes. • P e T → facilmente manipuláveis, permitindo a definição do estado físico de um sistema bem como a presença de um ou mais fases. • Mudanças de P e T frequentemente podem também causar transições de fase entre os estados sólido, líquido e gasoso de um ou mais componentes do sistema. • Uma maneira adequada de visualizar a relação de P e T com as mudanças de estados físicos é a observação do chamado diagrama de fases. 2 Diagramas de fase • Cada substância pura pode ser representada por seu próprio diagrama de fases. – em termos qualitativos, não há grande distinção entre os diagramas de fases de diferentes substâncias. • Diagramas de fase: – Tridimensional: diagrama PVT. – Bidimensionais: PT, PV e TV. • As projeções bidimensionais são geralmente mais adequadas para descrever os estados e os processos termodinâmicos. 3 Diagramas de fase 4 Diagrama PT para a água • O diagrama PT apresenta as regiões distintas para os estados físicos, as linhas de transição de fase (misturas bifásicas), o ponto triplo (A) em que os três estados físicos coexistem e o ponto crítico (E). Para a água: ∙ Tc = 373,99 ºC ∙ Pc = 217,75 atm Ponto triplo: 0,01 ºC e 0,0060 atm. 5 Diagrama PT • Tendo em conta o valor da temperatura do ponto crítico (TC), é possível diferenciar gás de vapor. Acima da TC, uma substância sempre estará no estado gasoso. Legenda do gráfico ⇨ ✔ S: região do estado sólido ✔ L: região do estado líquido ✔ V: região do vapor ✔ CF: Curva de fusão ✔ CV: Curva de Vaporização ✔ CS: Curva de Sublimação ✔ PT: Ponto Triplo (coexistem três fases) ✔ PC: Ponto Crítico (distingue gás de vapor) 6 Diagrama PT • Vapor é a substância na fase gasosa a uma temperatura igual ou inferior à temperatura crítica. O vapor pode ser condensado, ou seja, transformado em líquido (ou cristalizado, transformado em sólido) por aumento de pressão, mesmo se mantida constante a temperatura. • Gás é a substância na fase gasosa a uma temperatura superior à temperatura crítica. Mantida constante a temperatura, o gás não pode ser condensado por aumento de pressão. • Ou seja: T < Tc = vapor (condensa-se por compressão isotérmica; T > Tc = gás (não se condensa por compressão isotérmica). 7 Diagrama TV • Curva de saturação • Região bifásica • L sat e V sat: P e T iguais • Líquido sub-resfriado: volume pouco sensível à T 100 ºC 1 atm 8 Diagrama PV • No meio da região bifásica: 50% de cada fase. • Em qualquer outro ponto da região bifásica: média ponderada. 100 ºC 1 atm 9 Diagrama PV • Isotermas crítica, subcríticas e supercríticas • Volume do líquido sub-resfriado: praticamente independe de P • Nas regiões monofásicas dos diagramas, existe sempre uma expressão que relaciona P, V e T, chamada equação de estado. Exemplo mais simples: equação do gás ideal, válida para as regiões de baixa P e alta T (regiões de vapor superaquecido e gás). • Uma equação de estado pode ser resolvida para qualquer uma das três grandezas (P, V ou T) como uma função das outras duas. Por exemplo, se V for considerado uma função de T e P, então 10 Região Monofásica • As derivadas parciais da equação acima possuem significados físicos definidos e são grandezas mensuráveis, cujos valores são comumente disponíveis em tabelas de propriedades de líquidos: – Expansividade volumétrica: – Compressibilidade isotérmica: • Substituindo na equação diferencial, tem-se 11 Região Monofásica • Para líquidos reais, β e κ são pouco sensíveis à temperatura e à pressão. Para pequenas variações desses parâmetros, pode-se aproximar a integral da expressão acima para • Se considerarmos, no limite, o líquido como sendo incompressível, β e κ serão nulos. Nenhum fluido tem esse comportamento, mas a idealização é útil e muito usada na prática. Não há equação de estado para fluido incompressível, pois V torna-se independente de P e T. 12 Região Monofásica • Exemplo: Qual é a variação de volume da acetona, quando ela passa de 1 bar e 20 ºC para 10 bar e 0 ºC? Dados (acetona a 1 bar e 20 ºC): β = 1,487× 10-3 ºC-1; κ = 62 × 10-6 bar -1; V = 1,287 cm3 g-1. Considerando β e κ constantes nos referidos intervalos, tem-se 13 Região Monofásica Vapor de Água • O vapor de água é um agente de energia, com as seguintes características: – alto conteúdo de calor; – limpo, inodoro e insípido; – fácil geração, distribuição e manipulação; – a matéria prima é a água. • Tipos de vapor – Saturado: vapor em equilíbrio com a água líquida • A temperatura do vapor saturado depende da pressão: à pressão ambiente, a temperatura de saturação é de 100 ºC – Superaquecido: vapor que está acima da temperatura de saturação; pode ser obtido a partir do aquecimento do vapor saturado • só possui a fase gasosa • é mais rico em energia que o vapor saturado Vapor de Água • Tipos de vapor – Úmido: vapor bifásico (contendo gotículas de água), está na temperatura de saturação mas tem menos energia que o vapor saturado • Os valores de seus parâmetros termodinâmicos dependem do teor de umidade do vapor (ou da qualidade, ou título, X do vapor, que é exatamente o inverso; umidade = 1 - X) • Uma caldeira ideal produziria vapor saturado com X = 1 (na prática, turbulências e formação de bolhas provocam o arraste de água) • A presença de água é prejudicial porque reduz a quantidade de vapor disponível para aquecimento • Uma instalação típica em bom estado deve, ao menos, produzir vapor úmido com cerca de 5% de água, ou seja, X ≈ 0,95. Vapor de Água • Vapor saturado: – Provavelmente, o meio mais fácil de se obter aquecimento em larga escala – Facilmente produzido por geradores de vapor ou caldeiras • as caldeiras podem ser projetadas para usar o combustível mais conveniente ou o mais disponível – A distribuição do vapor é simples: usa basicamente tubulações ⇒ é amplamente empregado na indústria Vapor de Água Diagrama temperatura x entalpia (água) Diagrama de Mollier • mostra as transições líquido saturado / vapor saturado e vapor saturado / vapor superaquecido • qualidade do vapor (X): relação entre a massa de vapor saturado e a massa total (água + vapor saturado) • a qualidade do vapor é o inverso da umidade • curva ABC... = curva de saturação Diagrama de Mollier • Linha BCD: isobára • Linha BC: isoterma (indica a temperatura de saturação na pressão da isóbara BCD) • À esquerda da curva de saturação: água líquida (sub-resfriada) • B: água líquida saturada, no limite da vaporização • C: vapor saturado • D: vapor superaquecido Diagrama temperatura x entalpia (água) Diagrama de Mollier • Diferença HC − HB = entalpia de vaporização • Ponto crítico: definido pela temperatura crítica • Acima da Tcrítica, uma substância somente pode existir na forma de gás e não pode ser condensada por compressão isotérmica – Tcrítica H2O = 374,15 °C – Tcrítica C4H10 = 152 °C – Tcrítica CH4 = - 82,6 °C Diagrama temperatura x entalpia (água) • Apresentam as propriedades (temperatura, pressão, volume específico, entalpia e entropia) do vapor saturado e do vapor superaquecido • Aqui, são mostradas apenas partes dessas tabelas • Tabelas mais completas podem ser obtidas na literatura técnica ou na internet. Tabelas de vapor (água) Tabela de vapor saturado (água) Tabela de vapor superaquecido (água) Cálculo das propriedades do vapor úmido • Também as propriedades do vapor úmido (entropia, entalpia e volume específico) podem ser calculadas a partir das tabelas de vapor, desde que se conheça o teor de umidade, ou o valor da qualidade X, usando- se as equações abaixo: S = (1 – X) Sl.sat. + X Sv.sat. H = (1 – X) Hl.sat. + X Hv.sat. V = (1 – X) Vl.sat. + X Vv.sat. 25 Dependência da capacidade calorífica com a temperatura • 26 Dependência da capacidade calorífica com a temperatura • 27 Dependência da capacidade calorífica com a temperatura • Para a resolução correta dessasintegrais quando cP e cV, ou CPm e CVm não são constantes, é necessário conhecer a dependência desses parâmetros (que constam nos integrandos) com a temperatura, a qual geralmente é dada por equações empíricas (muitas vezes polinomiais). • Para muitas substâncias, são frequentemente disponíveis na literatura expressões para a dependência de CPm/R em função de T na seguinte forma polinomial, onde A, B, C e D são parâmetros característicos para cada substância em particular: CPm / R = A + B T + C T2 + D T−2 28 • Dependência da capacidade calorífica com a temperatura 29 • Dependência da capacidade calorífica com a temperatura 30 • Para as capacidades caloríficas molares de gases ideais na forma adimensional (CPmgi/R), são comumente encontrados os valores dos parâmetros A, B, C e D na literatura ou mesmo na Web. • Se for necessário determinar a dependência de CVm(gi)/ R com a temperatura, aplica-se a relação R = CPm – CVm para esta situação particular, na forma CVm(gi)/R = CPm(gi)/R – 1 – Obs. – Essa indicação (gi) não é necessariamente utilizada, mesmo que o cálculo se aplique a uma situação envolvendo um gás ideal. Dependência da capacidade calorífica com a temperatura 31 • Para gases reais, pode-se utilizar a capacidade calorífica molar CPmgi/R de gás ideal na avaliação das propriedades termodinâmicas. – Se o desvio da idealidade for significativo, aplica- se posteriormente uma correção dos valores; mas já se sabe que os gases reais raramente apresentam comportamentos significativamente distintos dos ideais nas pressões baixas, ou mesmo moderadas, nas quais a maioria dos processos industriais se desenvolve. Dependência da capacidade calorífica com a temperatura 32 • Dependência da capacidade calorífica com a temperatura 33 • Dependência da capacidade calorífica com a temperatura 34 Calor de reação padrão • Durante as reações químicas, ocorre transferência de calor entre o sistema reacional e a vizinhança, o que pode provocar, além de variações de temperatura, alterações na estrutura molecular dos reagentes e produtos. Exemplo: reação de combustão Combustível + ar → produtos gasosos + calor Hreagentes > Hprodutos ⇒ ΔH < 0 Assim, quando uma combustão se processa, a energia correspondente ao valor de ΔH deve ser transferida para o ambiente como calor ou produzir produtos a uma temperatura elevada. • Calor de reação padrão: variação de entalpia ΔH de uma reação qualquer, com os reagentes e produtos em seus estados padrões e à mesma temperatura T 35 Calor de reação padrão • Os estados padrões são, em geral, assim considerados: – para gases: puros, no estado de gás ideal, a 1 bar (100 kPa) de pressão; – para líquidos e sólidos: puros, a 1 bar (100 kPa) de pressão. • Embora essas condições sejam mencionadas por SMITH et al. (2007, p. 101), é comum a literatura trazer a indicação de que os estados padrões, em geral, se referem à forma alotrópica mais estável da substância, a 25 °C, sob pressão de 1 atm. • Propriedades no estado padrão: CPo, Ho etc. • Particularmente para gases, como o estado padrão é o de gás ideal, a capacidade calorífica padrão será indicada por CPgi. 36 Calor de reação padrão • Calor de reação padrão à temperatura de 298,15 K (25 ºC): ΔH°298 – É nessa temperatura que os calores padrão geralmente são tabelados. • O calor de reação dado para uma reação particular vale para o balanceamento estequiométrico conforme está escrito. Se os coeficientes estequiométricos forem multiplicados por um fator, o calor de reação também será multiplicado pelo mesmo fator. Exemplo: H2 (g) + ½ O2 (g) → H2O (g) ΔH°298 = −241,8 kJ 2 H2 (g) + O2 (g) → 2 H2O (g) ΔH°298 = −483,6 kJ H2O (g) → H2 (g) + ½ O2 (g) ΔH°298 = +241,8 kJ 37 Calor padrão de formação • Os calores de reação padrão são geralmente calculados a partir do conhecimento dos calores padrão de formação das substâncias envolvidas. • Para as substâncias simples (elementos puros, sob forma atômica ou molecular) no seu estado fundamental (estado físico e forma alotrópica naturais), é estabelecido que o calor padrão de formação é igual a zero. • Uma reação de formação é definida como sendo aquela em que 1 mol de um único composto é obtido a partir das substâncias simples que o constituem, no estado fundamental. 38 Calor padrão de formação • Exemplo de reações de formação: C + 2 H2 → CH4 C + 2 H2 + ½ O2 → CH3OH • Não são reações de formação: H2O + SO3 → H2SO4 C + H2 + O2 → CO + H2O • Para a grande maioria das substâncias, os calores de formação padrão (a 25 ºC = 298,15 K), simbolizados por ΔH°f298, são conhecidos e tabelados. • É possível calcular os calores de reação padrão a partir da equação ΔH = Σ H°f298 (produtos) – Σ H°f298 (reagentes) 39 Calor padrão de formação • Quando são combinadas as equações químicas de diferentes reações, a soma dos seus calores de reação padrão permite obter a variação de entalpia da reação global (esse princípio é frequentemente citado como Lei de Hess), já que a entalpia é uma propriedade de estado e sua variação independe da trajetória. • Exemplo: calcular o calor de reação padrão para CO2 (g) + H2 (g) → CO (g) + H2O (g) Dadas as reações C (s) + O2 (g) → CO2 (g) ΔH°f298 = −393,5 kJ C (s) + ½ O2 (g) → CO (g) ΔH°f298 = −110,5 kJ H2 (g) + ½ O2 (g) → H2O (g) ΔH°f298 = −241,8 kJ 40 Calor padrão de formação • Pela equação ΔH°298 = Σ H°f298 (prod.) – Σ H°f298 (reag.): ΔH°298 = H°f298 (CO) + H°f298 (H2O) – H°f298 (CO2) – H°f298 (H2) ΔH°298 = (−110,5 − 241,8) – (-393,5 – 0) ΔH°298 = + 41,2 kJ • Pela Lei de Hess: CO2 (g) → C (s) + O2 (g) ΔH°f298 = +393,5 kJ H2 (g) + ½ O2 (g) → H2O (g) ΔH°f298 = −241,8 kJ C (s) + ½ O2 (g) → CO (g) ΔH°f298 = −110,5 kJ CO2 (g) + H2 (g) → CO (g) + H2O (g) ΔH°298 = + 41,2 kJ Obs. - Este segundo método é mais útil quando as reações parciais não são reações de formação. Dependência do ΔHº com a temperatura • 41 Dependência do ΔHº com a temperatura • 42 Dependência do ΔHº com a temperatura • 43 Equações de estado para gases reais ❑ Características dos gases reais em comparação com os gases ideais 1. O volume das moléculas não é desprezível em relação ao volume total ocupado pelo gás. Por isso, é necessária uma correção nos cálculos do volume. 2. As moléculas estão suficientemente próximas para interagir (isto é, elas estão submetidas a forças de atração e de repulsão entre si), o que origina a necessidade de correção em relação aos cálculos de pressão. 3. Os gases reais se desviam mais intensamente do comportamento ideal a pressões altas, pois as moléculas estão mais próximas. Semelhante efeito se observa para os gases reais a baixas temperaturas. 4. Sob baixas pressões (inclusive na pressão atmosférica), as forças intermoleculares são desprezíveis, o desvio diminui e eles tendem ao comportamento ideal. 44 ❑ Efeito das forças intermoleculares sobre a pressão exercida por um gás ❑ A velocidade de uma molécula que se move até a parede do recipiente diminui devido às forças de atração exercidas pelas moléculas vizinhas. ❑ Em consequência, o impacto desta molécula contra a parede não é tão grande como seria se não estivessem presentes tais forças. ❑ O resultado, em geral, é que a pressão medida do gás real é efetivamente menor que a prevista pela equação dos gases ideais. 45 Equações de estado para gases reais Equações de estado para gases reais • Equações de estado para gases reais • Fator de compressibilidade Z: – para gases reais a baixas pressões, nos quais as moléculas estão muito afastadas umas das outras e praticamente não há ação das forças intermoleculares: Z ≅ 1. – geralmente, quanto mais o valor de Z estiver afastado de 1, menos o gás se comporta de modo ideal: à medida que P aumenta, as moléculas ficam mais próximas e as forças de atração intermolecular tornam-se dominantes ⇒ V diminui mais do que deveria diminuir se não existissem forças de atração intermolecular ⇒ sob pressões moderadamente altas, Z < 1. – a pressões muito altas, as moléculasficam muito próximas umas das outras, de tal forma que as forças repulsivas superam as forças atrativas ⇒ o volume aumenta e Z > 1 Equações de estado para gases reais • Equação de Van der Waals – Existem propostas que procuram descrever o comportamento dos gases face aos desvios da idealidade. – Uma das mais famosas é a Equação de Estado dos Gases Reais de Van der Waals (abreviadamente, equação de VDW), mostrada abaixo para 1 mol de gás: Equações de estado para gases reais • Equação de Van der Waals – A partir daquela equação, pode-se calcular a pressão facilmente: – Para qualquer número de mols n > 1, podem-se usar as mesmas equações, apenas substituindo-se V por Vt / n. – Em qualquer das formas, é fácil notar que, quando os termos a e b são nulos, tem-se outra vez a equação do gás ideal. Equações de estado para gases reais • Equações de estado para gases reais • A equação de Van der Waals na forma cúbica, depois de alguns rearranjos, pode ser escrita como • Ao se resolver a equação acima (ou qualquer equação cúbica de estado), são encontradas, para o volume molar, três raízes, duas das quais podem ser complexas, dependendo das condições, tendo significado físico apenas os valores reais, positivos e maiores do que o parâmetro b. Equações de estado para gases reais • Equação de Redlich-Kwong (ERK): adequada para o cálculo de propriedades em fase gasosa para determinadas faixas de temperatura e pressão. • Os termos a e b da equação de Redlich-Kwong são dados por Equações de estado para gases reais • Para o cálculo do volume molar, pela ERK, mais uma vez temos uma equação cúbica: • Outras equações: – Equações de Peng-Robinson e de Soave-Redlich-Kwong: aplicáveis a sistemas com líquido e vapor em equilíbrio. Equações de estado para gases reais • Cálculo do fator de compressibilidade Z: equações do virial PV/RT = Z = 1 + (B/V) + (C/V2) + (D/V3) + ... PV/RT = Z = 1 + B’ P + C’ P2 + D’ P3 + … – Possuem, em princípio, infinitos termos. Na prática, são utilizadas na forma truncada, apresentando só até o terceiro coeficiente, ou mesmo o segundo. Equações de estado para gases reais • Relações entre os coeficientes da equações do virial – Essas relações também seriam exatas somente para expansões das duas equações do virial em séries infinitas, mas mesmo as formas truncadas resultam em aproximações aceitáveis. Equações de estado para gases reais • O truncamento da equação do virial de pressão no segundo termo, levando-se em conta a relação entre B’ e B, resulta em PV/(R T) = Z = 1 + B P / (R T) • Rearranjando a expressão acima, tem-se V = (R T / P) + B • Truncando-se a equação do virial de volume também no segundo termo, tem-se PV/RT = Z = 1 + (B/V) • Ambas as equações são suficientemente exatas para gases a baixas pressões, mas a equação do volume é mais adequada para a maioria das aplicações. Equações de estado para gases reais • Para pressões entre 15 e 50 bar, as equações do virial truncadas no terceiro termo fornecem geralmente excelentes resultados, Neste caso, a equação do virial do volume se aplica melhor que a da pressão: PV/RT = Z = 1 + (B/V) + (C/V2) • Para determinar a pressão, o cálculo se faz diretamente, mas para o volume a equação é cúbica (de 3º grau) e se resolve iterativamente. As equações do virial com mais de três termos raramente são usadas, inclusive seus coeficientes não são facilmente encontrados na literatura. Equações de estado para gases reais • A resolução dessas equações, como também da equação do virial truncada no terceiro termo, que têm a forma de uma equação do 3º grau, pode ser feita: – por cálculo iterativo, usando ferramentas como o Mathcad, ou – por métodos adequados para resolver equações cúbicas, algumas das quais disponíveis on line na internet, como no site http://www.gyplan.com.br/pt/ eqcubic_pt.html. Equações de estado para gases reais • Raízes das equações cúbicas nas regiões do diagrama de fases. Equações de estado para gases reais • Na região supercrítica (T > Tc), para qualquer pressão, há apenas uma raiz real positiva (e geralmente duas raízes complexas). • à temperatura crítica (T = Tc), ocorrem três raízes reais, sendo duas iguais, exceto na pressão crítica (P = Pc), na qual essas três raízes reais são todas iguais (no caso, iguais ao volume crítico, Vc). Equações de estado para gases reais • na região subcrítica (T < Tc), para pressões muito altas ou muito baixas, têm-se, mais uma vez, apenas uma raiz real e positiva; e, em determinado intervalo de pressões intermediárias, há três raízes positivas, sendo que a intermediária não tem significado físico, a maior corresponde ao volume de vapor (ou ao volume do vapor saturado, se P for igual à pressão de vapor do fluido, Psat) e a menor raiz é o volume de líquido (ou o volume do líquido saturado, se P = Psat).