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ORGANIZAÇÃO E DESAFIOS DA GESTÃO ESCOLAR Programa de Pós-Graduação EAD UNIASSELVI-PÓS Autoria: Maria Aparecida de Oliveira Silva CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Ozinil Martins de Souza Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Prof.ª Hiandra B. Götzinger Montibeller Prof.ª Izilene Conceição Amaro Ewald Prof.ª Jociane Stolf Revisão de Conteúdo: Prof.ª Célia Regina Appio Revisão Gramatical: Prof.ª Sandra Pottmeier Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI 371.2 S586o Silva, Maria Aparecida de Oliveira. Organização e desafios da gestão escolar / Maria Aparecida de Oliveira Silva. Indaial : Uniasselvi, 2013. 204 p. : il ISBN 978-85-7830- 665-6 1. Administração escolar. 2. Gestão escolar. I. Centro Universitário Leonardo da Vinci. Copyright © UNIASSELVI 2013 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Maria Aparecida de Oliveira Silva Possui graduação em Pedagogia - Administração Escolar (1997) e mestrado em Educação (2002) ambos pela Fundação Universidade Regional de Blumenau. Tem experiência na área de Gestão Escolar, Memória da Educação e na área de Formação Continuada da Educação com trabalhos e publicações nesta área e áreas afins entre eles: repetição – sugiro rever a escrita. Poderia ser assim, Tem experiência em Gestão Escolar, Memória da Educação, bem como em Formação Continuada na Educação com trabalhos e publicações nesta área e ligadas a ela. Sumário APRESENTAÇÃO ......................................................................7 CAPÍTULO 1 O Desenvolvimento da Democracia Participativa ...............9 CAPÍTULO 2 A Gestão Pública Escolar ...................................................23 CAPÍTULO 3 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência ...................................59 CAPÍTULO 4 A Construção de Regras na Escola ...................................91 CAPÍTULO 5 Indisciplina e o Cotidiano Escolar ...................................107 CAPÍTULO 6 Relações Humanas e Liderança .........................................123 CAPÍTULO7 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação .........................................................149 CAPÍTULO 8 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem ..................................................................181 APRESENTAÇÃO Caro(a) pós-graduando(a): Você está iniciando a disciplina Organização e Desafios da Gestão Escolar e juntos iremos pensar sobre questões relacionadas à gestão democrática, discutindo desde conceitos mais amplos até a especificidade do espaço escolar, que envolve diretamente a ação docente e a participação de toda a comunidade escolar no processo educativo. Neste caderno de estudos, assumimos o termo comunidade escolar como: docentes, funcionários, alunos, pais de alunos e as pessoas do entorno da unidade escolar (escola de educação básica e de educação infantil). Numa relação democrática, onde diferentes concepções, ideias e ações são manifestadas, emergem conflitos que necessitam ser discutidos no coletivo. Também será trabalhado o conflito nas suas diferentes formas (velado e o explícito) suas origens e como lidar com os mesmos, assim como a violência que acontece quando a gestão de conflitos não é eficiente ou suficiente para impedir que eventos trágicos ocorram. Para abordarmos melhor o proposto nesta disciplina dividimos o caderno de estudo e em 8 (oito) capítulos, a saber: O primeiro capítulo tratará da conceituação de democracia participativa e sua constituição histórica num aspecto mais amplo para em seguida abordarmos o processo democrático na educação escolar, os desafios, seus limites e as possibilidades nesta perspectiva da gestão democrática. No 2º capítulo, na perspectiva de gestão democrática na educação nosso objetivo é desenvolvermos um estudo sobre a participação efetiva e organizada da sociedade na educação (Associação de Pais e Professores – APPs, Assembleias Escolares, Conselhos de Educação, Conselho Escolar, Fóruns de Educação e outros) a partir do regime de colaboração entre os entes federados, proposto pela legislação brasileira. Com objetivos de analisar os aspectos que interferem na unidade escolar e que propiciam ou não sucesso da aprendizagem e a superação dos entraves detectados, no 3º capítulo, vamos abordar o papel das Tecnologias de Informação e Comunicação TICs, no espaço escolar como ferramentas, dando um significado ao aprendizado das crianças e adolescentes, garantindo um diálogo efetivo nas relações educativas. Assim, a vivência histórica construída no convívio familiar e comunitário e o acesso as informações atuais, como ponto de partida da aprendizagem escolar, possibilita abrir para questões mais universais, pois, através dos meios de comunicação os alunos são sensibilizados para os problemas ambientais globais, as questões econômicas mundiais e principalmente para a questão relacional que envolve crianças e adolescentes permitindo que aprendam a lidar com as situações conflitantes e a violência no seu dia a dia. Mas, ao mesmo tempo propiciar espaços significativos, envolventes de aprendizagem e ter um “olhar observador” permite ao gestor escolar, numa concepção de compartilhamento de responsabilidades, definidos no Projeto Político Pedagógico, com a efetiva participação de todo o coletivo, o enfrentamento de situações de conflito antevendo-se os possíveis eventos de violência ou pelo menos minimizando seus efeitos nocivos para o grupo, assunto este, que será abordado no 4º capítulo. No capítulo 5º trataremos da indisciplina numa perspectiva pedagógica, onde não devem prevalecer nas discussões, as particularidades e os desejos individuais, mas, o interesse do coletivo escolar. Para trabalharmos as questões apontadas no 6º capítulo é necessário conhecermos o instigante campo das relações humanas na educação e o processo de mobilização e organização coletiva para atingir os objetivos educacionais propostos na instituição de ensino. Temas como diversidade, autonomia, cidadania, dialogicidade são trabalhados neste capítulo assim, como é ampliada a discussão sobre o papel do gestor como líder na ação efetiva da gestão escolar, suas competências e habilidades a serem desenvolvidas para o exercício de liderança no espaço escolar. Com base nestes pressupostos, no 7º capítulo, apresentamos uma das propostas para gerir os conflitos escolares que é a mediação de conflitos. Tendo como objetivo demonstrar a importância dessa ferramenta na gestão do conflito, que poderá contribuir como construto de valorização humana, estimulando a criatividade pessoal e coletiva, propondo intervenções em nível individual e de grupo. No 8º capítulo, com a fundamentação propiciada nos capítulos anteriores, numa perspectiva da gestão escolar democrática, apontamos o aprimoramento das relações internas e externas no espaço escolar e a necessidade do envolvimento e participação da comunidade nas decisões escolares. A ressignificação dos espaços de educação escolar, que tendo como objetivo comum a aprendizagem significativa das crianças e adolescentes, possibilita rever concepções e adquirir novos conhecimentos de maneira a intervir na realidade e odifica-la. Desejamos que, com acesso as informações e conceitos disponibilizados e os questionamentos levantados neste caderno, você estabeleça uma relação dialógica e que possibilite construir novos conhecimentos e atuar como profissional da educação e gestor competente, com compromisso de possibilitar a construçãode uma escola de qualidade social para todos. A autora. CAPÍTULO 1 O Desenvolvimento da Democracia Participativa A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Mapear os termos políticos e administrativos utilizados historicamente para definir democracia participativa e suas implicações pedagógicas. Constatar as ações políticas e administrativas da gestão pública e as reper- cussões na ação pedagógica. 10 Organização e Desafios da Gestão Escolar 11 O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 Contextualização Caro Pós-Graduando, Você certamente já ouviu muitas vezes em discursos e textos o termo democracia participativa. Mas o que significa democracia participativa? Muitas vezes utilizamos determinadas palavras e não temos noção do que elas realmente significam etimológica e culturalmente falando. A palavra democracia tem sua origem na Grécia e é constituída a partir dos vocábulos “demos” que significa povo e “kratós” que é poder, governo. Isto é: poder popular ou governo do povo. A evolução histórica do conceito de democracia ocorreu como resultado dos diferentes tipos de governo que eram ou se declaravam democráticos. Uma definição mais recente de democracia é a forma de governo e de organização política de uma sociedade, onde o poder reside na vontade da totalidade dos participantes. Quando a democracia foi pensada pelos filósofos gregos defendia três direitos essenciais: igualdade, liberdade e participação, sem distinção de grupos ou classes sociais. Uma sociedade pode considerar-se realmente democrática, quando institui direitos e não apenas supre necessidade, carência ou interesse específicos de determinados grupos ou indivíduos, pois estes são tantos, quantos os grupos sociais representados no país. Direito é, portanto geral e universal, válido para todos os indivíduos, independentes de grupos e classes sociais. É por isso, que a democracia é um termo difícil de ser definido, pois está fundamentado na noção de que toda pessoa tem o direito de participar do processo político, de discutir e decidir as ações políticas de forma igualitária. Chauí (1994) nos diz que, na prática, a democracia tem uma verdade ideológica quase sempre invisível para a grande maioria da população, ou seja, temos uma democracia formal e não concreta. No Brasil a democracia foi implantada na década de 1930, por Getúlio Dorneles Vargas e vem avançando, segundo Mafra Filho (s.d., p.3) na busca da opinião das pessoas que estão na base na implementação das políticas dos municípios, universidades e empresas públicas, estabelecendo-se a democracia participativa. 12 Organização e Desafios da Gestão Escolar Em virtude do movimento de redemocratização ocorrido no Brasil após o regime militar de 1964-1985, a Constituição Brasileira (1988) e outras leis “apresentam dispositivos relativos direta ou indiretamente à democracia participativa.” (MAFRA FILHO, s.d., p.3). As mudanças no quadro político, econômico e social ocorridas a partir da década de 1980 e, particularmente, de 1990 alteraram os conceitos e objetivos da educação brasileira. Você sabe por quê? Qual a relação entre política, economia e educação? Saiba que todas as ações e mudanças planejadas para um determinado campo influenciam direta ou indiretamente outras áreas. Neste capítulo, iremos iniciar uma caminhada em busca de elementos para fundamentar a ação pedagógica, numa concepção de gestão democrática. Entender alguns conceitos, reafirmar outros, para possibilitar a você, assumir seu papel de líder competente que busca a participação da comunidade escolar, para efetivamente fazer parte do movimento de educação escolar. Etimologia - palavra vinda do grego e parte da gramática que estuda a história e a origem das palavras. Além disso, as palavras mudam o significado, nos diferentes espaços e nos diversos tempos históricos. Democracia e Educação Entendendo-se educação como prática social, a escola como uma instituição social, tem sua organização e suas finalidades demarcadas pelos fins político-pedagógicos que vão além das demandas econômicas, como acontece nas empresas. O planejamento e o desenvolvimento da educação e da escola nessa perspectiva implica diretamente sobre a natureza e finalidade das unidades escolares. As prioridades institucionais, os processos de As mudanças no quadro político, econômico e social ocorridas a partir da década de 1980 e, particularmente, de 1990 alteraram os conceitos e objetivos da educação brasileira. O planejamento e o desenvolvimento da educação e da escola nessa perspectiva implica diretamente sobre a natureza e finalidade das unidades escolares. 13 O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 participação e decisão, em âmbito nacional, nos sistemas de ensino e nas escolas refletem esta especificidade. No campo educacional, a luta de educadores e dos movimentos sociais por uma educação de qualidade social e democrática, frente às mudanças sociais e econômicas, nos anos 1980 e intensificadas na década de 1990, advindas do processo de globalização resultaram na inclusão do princípio de gestão democrática participativa na educação, na Constituição Federal (1988). No seu art. 206, a lei estabelece princípios para a educação brasileira, dentre eles: obrigatoriedade, gratuidade, liberdade, igualdade e gestão democrática, sendo esses regulamentados através de leis complementares. Caro Pós – Graduando, para aprofundar seus estudos sobre a democracia e a educação sugerimos o livro FERREIRA, Naura SyriaCarapeto (Org.). Gestão democrática da educação: atuais tendências, novos desafios. São Paulo: Cortez, 2011. Atividade de Estudos: A educação como prática social, a escola como uma instituição social, tem sua organização e suas finalidades demarcadas pelos fins político-pedagógicos que vão além das demandas econômicas, como acontece nas empresas. 1) Sintetize em poucas palavras, por que a educação é uma prática social diferente de uma empresa ou fábrica? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ No seu art. 206, a lei estabelece princípios para a educação brasileira, dentre eles: obrigatoriedade, gratuidade, liberdade, igualdade e gestão democrática, sendo esses regulamentados através de leis complementares. 14 Organização e Desafios da Gestão Escolar A globalização é um fenômeno social que tem na área econômica o principal responsável pelas mudanças ocorridas. “A globalização econômica significa unificação econômica, mas também significa uma crescente fragmentação econômica, social e política que se reflete tanto uma quanto a outra, em toda a população terrestre, afetando as mentes e os corações dos seres humanos, desde os que têm acesso aos bens culturais como os que deles são privados tornando-se cada vez mais excluídos” (FERREIRA, 2004, p.1228). Desafios, Limites e Possibilidades A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96), lei complementar da educação, estabelece e regulamenta as diretrizes gerais para a educação e seus respectivos sistemas de ensino. O art. 214 da Constituição Federal (1988), dispõe sobre a elaboração do Plano Nacional de Educação – PNE (art. 9º), que mantemos princípios determinados pela lei maior, inclusive, o da gestão democrática do ensino público. O PNE, aprovado em 2001 - Lei nº 10.172/2001, conforme os textoslegais, tem como objetivo apontar e desvelar os problemas referentes à qualidade do ensino e à gestão democrática decorrentes das diferenças socioeconômicas, políticas e regionais. Traz diagnósticos, diretrizes e metas para serem discutidas, avaliadas e implementadas tendo em vista a democratização da educação nacional. O PNE, também diz respeito aos diferentes níveis e modalidades da educação escolar, da gestão, do financiamento e dos profissionais da educação. Figura 1 - Plano Nacional de Educação Fonte: Disponível em:<http://www.blogeducacao.org.br/plano-nacional-de- educacao-dobra-verba-do-pib-destinada-ao-setor/>. Acesso em: 06 jul. 2012. O PNE, aprovado em 2001 - Lei nº 10.172/2001, conforme os textos legais, tem como objetivo apontar e desvelar os problemas referentes à qualidade do ensino e à gestão democrática decorrentes das diferenças socioeconômicas, políticas e regionais. http://www.blogeducacao.org.br/plano-nacional-de-educacao-dobra-verba-do-pib-destinada-ao-setor/ http://www.blogeducacao.org.br/plano-nacional-de-educacao-dobra-verba-do-pib-destinada-ao-setor/ 15 O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 A LDB nº 9.394/96 estabelece alguns princípios para a gestão democrática. No art. 3 sinaliza que o ensino será ministrado com base em diversos princípios e, entre eles, encontra-se a gestão democrática do ensino público, seguindo os preceitos dessa lei e da legislação dos sistemas de ensino. Nos artigos 14 e 22 da (LDB nº 9.394/96), assim como no Plano Nacional de Educação, está expresso que os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica com a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e organizando a comunidade escolar e segmentos da sociedade local em conselhos escolares. Contudo, a democracia nas unidades escolares precisa estar vinculada a democratização dos vários segmentos sociais existentes, o que quase sempre é uma tarefa difícil. Figura 2 - Organizando a participação da comunidade escolar Fonte: Disponível em:<http://www.leandrofranceschini. com.br/>. Acesso em: 13 jul. 2012. http://www.leandrofranceschini.com.br/ http://www.leandrofranceschini.com.br/ 16 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) Relacione a coluna 1 com a coluna 2. Coluna 1 1. Participação 2. Democracia 3. Gestão Democrática 4. Projeto Político Pedagógico Coluna 2 ( ) definida na LDB nº 9394/96, requer mudanças de concepção para além de reorganizações burocráticas estruturais. ( ) A sua elaboração requer a participação de toda a comunidade escolar (pais, alunos, professores, funcionários equipe gestora e comunidade local). ( ) é a forma de governo e de organização política de uma sociedade, onde o poder reside na vontade da totalidade dos participantes. ( ) Segundo Libâneo (p. 102, 2004), “[...] é o principal meio de assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar. A gestão democrática posta na LDB nº 9394/96, requer mudança de concepção para além de reorganizações burocráticas estruturais. Rupturas acentuadas, com um novo ‘olhar’ em relação à educação escolar, possibilitando a construção coletiva de uma proposta pedagógica e a efetiva participação no processo educacional. Figura 3 - Construção Coletiva do Projeto Político Pedagógico da Unidade Escolar Fonte: Disponível em: <http://educadorasdeexcelencias.blogspot.com. br/2011/04/livro-i-conselhos-escolares.html>. Acesso em: 20 mai. 2012. A gestão democrática posta na LDB nº 9394/96, requer mudança de concepção para além de reorganizações burocráticas estruturais. http://educadorasdeexcelencias.blogspot.com.br/2011/04/livro-i-conselhos-escolares.html http://educadorasdeexcelencias.blogspot.com.br/2011/04/livro-i-conselhos-escolares.html 17 O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 Nos artigos 12 e 13, a LDB 9394/96 incentiva o trabalho coletivo, articulado e dialógico e Cury (2002) acrescenta a necessidade de intensificação das novas relações que devem ser estabelecidas, entre as instâncias de poder quando nos diz: Mas por implicar tanto as unidades escolares como os sistemas de ensino, a gestão vai além do estabelecimento e se coloca como um desafio de novas relações (democráticas) de poder entre o Estado, o sistema educacional e os agentes deste sistema nos estabelecimentos de ensino (CURY, 2002, p. 173). Regina Vinhaes Gracindo (2007) amplia o ‘olhar’ quando sinaliza, que o texto contido na LDB 9394/96, fala somente da gestão democrática da escola e não dos sistemas de ensino, mas [...] se entendemos que o ensino público envolve tanto as escolas, como os sistemas de ensino, isto é, as redes e Secretarias de Educação, então, podemos falar também em gestão dos sistemas de ensino. E é assim que aqui encaramos o processo de gestão democrática: nas escolas e nos sistemas de ensino (GRACINDO, 2007, p.12). O Ministério da Educação - MEC apresenta um conjunto de programas (alimentação, transporte escolar, PDDE/Programa Dinheiro Direto na Escola etc.) e disponibiliza a todas as escolas ou redes de ensino do Brasil previstos em lei ou em medida provisória. Todos os outros programas não obrigatórios, por força da norma legal de serem cumpridos, podem ter seu acesso condicionado à elaboração do Plano de Ações Articuladas - PAR. Assim, os estados e municípios somente terão a assistência técnica e financeira envolvendo os programas de transferência voluntária do MEC, via PAR. As escolas estão se organizando buscando a participação de toda a comunidade escolar desde a elaboração do Projeto Político Pedagógico, até a constituição do Conselho Escolar, Grêmio Estudantil, Associação de Pais e Professores etc. e a sua efetiva atuação, junto aos outros conselhos ligados direta ou indiretamente a unidade escolar. Libâneo (2004, p. 102) reforça esta necessidade, pois “A participação é o principal meio de assegurar a gestão democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar”. 18 Organização e Desafios da Gestão Escolar E isto, segundo o referido autor citado anteriormente, só é possível com um trabalho de equipe. Esta forma de gestão que [...] por meio da distribuição de responsabilidades, da cooperação, do diálogo, do compartilhamento de atitudes e modos de agir, favorece a convivência, possibilita encarar as mudanças necessárias, rompe com as práticas individualistas e leva a produzir melhores resultados de aprendizagem dos alunos (LIBÂNEO, 2004, p.103). Nesse movimento, não é apenas o aluno que aprende. Todos aprendem, pois “Na lógica da participação se aprende, porque a própria participação é um processo de vivência e aprendizagens coletivas” (WITTMANN; NAVARRO; DOURADO; AGUIAR e GRACINDO, 2006, p. 16). O panorama da educação brasileira demonstra um quadro em transição na busca da superação das dificuldades e na procura de caminhos alternativos requerendo o envolvimento dos educadores e, sobretudo, da sociedade em geral. As Secretarias de Educação devem organizar a sua participação junto aos diferentes conselhos da comunidade local e também propiciar e incentivar o envolvimento das escolas para que haja efetiva participação de toda a comunidade escolar (pais, alunos, profissionais da educação e comunidade local) na delimitação das políticas de educação que se desenvolvem em ambos os locais – escolas e sistemas (NÓVOA, 1999, p. 27). A participação na educação escolar segundo Lück (2008, p. 29), [...] caracteriza-se por uma força de atuação consciente pela qual os membros de uma unidade social reconhecem e assumem seu poder de exercer influênciana determinação da dinâmica dessa unidade, de sua cultura e de seus resultados, poder esse resultante de sua competência e vontade de compreender, decidir e agir sobre questões que lhe são afetas, dando-lhe unidade, vigor e direcionamento firme. A ação pedagógica desenvolvida no espaço escolar nessa perspectiva está diretamente vinculada à formação humana, ao exercício da democracia (com a gestão democrática) e consequentemente à democratização da sociedade e “[...] à universalização das condições objetivas de educação” (WITTMANN, et. al., 2006, p.12). Na lógica da participação se aprende, porque a própria participação é um processo de vivência e aprendizagens coletivas (WITTMANN; NAVARRO; DOURADO; AGUIAR e GRACINDO, 2006, p. 16). 19 O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 Atividade de Estudos: 1) Relendo o texto assinale as alternativas corretas nas frases abaixo: ( ) Na perspectiva de uma gestão democrática, todos têm a possibilidade de participar da ação educacional escolar, mas somente os alunos é que aprendem. ( ) A ação pedagógica desenvolvida no espaço escolar, na perspectiva apontada neste texto, contribui diretamente com a formação humana do coletivo escolar. ( ) O exercício da democracia é possibilitado à sociedade somente no período eleitoral. ( ) A efetiva participação da comunidade escolar é um exercício de democracia. Para saber mais sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional acesse o site - Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/ CCIVIL_03/LEIS/L9394.htm>. Acesso em: 20 jun. 2012. Naura Syrya Carapeto Ferreira (2004), nos seus escritos em “Repensando e ressignificando a gestão democrática na “cultura globalizada” nos diz: Não é tarefa fácil, mas necessária! É um compromisso de quem toma decisões – a gestão –, de quem tem consciência do coletivo – democrática –, de quem tem a responsabilidade de formar seres humanos por meio da educação. Assim se configura a gestão democrática da educação que necessita ser pensada e ressignificada na “cultura globalizada”, imprimindo-lhe um outro sentido (2004, p.1241). Na lógica da participação se aprende, porque a própria participação é um processo de vivência e aprendizagens coletivas (WITTMANN; NAVARRO; DOURADO; AGUIAR e GRACINDO, 2006, p. 16). 20 Organização e Desafios da Gestão Escolar Ferreira (2004) acrescenta que tudo se globalizou e continua a se globalizar: capital, tecnologia, gestão, informação, mercados internos, terrorismo, racismo e violência, crueldade, competição, coisificação, banalização, ocasionando, em extensividade e em intensividade, uma revolução no mundo do trabalho e na sua organização, na produção de bens e serviços, nas relações internacionais e nas culturas locais, transformando o próprio princípio das relações humanas e da vida social (FERREIRA, 2004, p.1230). Assim, a instituição de ensino, nos tempos atuais de globalização - econômica, cultural, social, tecnológica etc., necessita assumir-se como espaço social procurando, propiciar as crianças e jovens uma educação intencional de qualidade social, investindo na formação humana e possibilitando o sucesso, não para poucos, mas para todos. Algumas Considerações Prezado Pós-Graduando, neste primeiro capítulo iniciamos a discussão sobre a Gestão Escolar abordando um dos princípios básicos definidos na Constituição Nacional (1988), a democracia participativa e também a gestão escolar democrática preceito firmado na Lei de Diretrizes e Bases – LDB nº 9394/96 e no Plano Nacional de Educação - PNE. Sabemos que essa nova perspectiva de educação escolar é um processo e, por isso, está em mudanças constantes e que exige dos profissionais da educação conhecimento, comprometimento e responsabilidade, para que de fato esse preceito seja cumprido. A participação de toda a comunidade escolar é fator imprescindível para uma gestão democrática no espaço institucional da educação possibilitando a formação humana para todos. O exercício da democracia nas instituições de ensino, buscando a participação da comunidade escolar, permite que, atentos às mudanças sociais, as pessoas ampliem esse movimento, atuando de forma responsável também na sociedade como cidadãos conscientes. No capítulo a seguir, vamos a partir da conceituação de gestão democrática escolar, apresentar a organização e ordenamento da educação nacional, tendo como suporte, os preceitos legais da educação brasileira, que estabelecem o regime de colaboração que é a base na organização dos sistemas de educação nacional, nos seus diferentes níveis. 21 O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1998. Disponível em: <www.mec.gov.br/legis/default.shtm>. Acesso em: 20 mai. 2012. _____. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei n. 9.394/ 96. Disponível em: <www.mec.gov.br/legis/default.shtm>. Acesso em: 20 mai. 2012. _____. Lei nº. 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10. jan. 2001. Seção 1, p. 01. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ leis_2001/l10172.htm>. Acesso em: 12 ago. 2012. _____. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Conselho Escolar como espaço de formação humana: círculo de cultura e qualidade da educação. WITTMANN, Lauro Carlos; NAVARRO, Ignez Pinto; DOURADO, Luiz Fernandes; AGUIAR, Márcia Ângela da Silva; GRACINDO, Regina Vinhaes. Brasília: MEC, 2006. Disponível em: <www.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ Consescol/cad%206.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2012. CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994. CURY, Carlos Roberto Jamil. Gestão Democrática da Educação: exigência e desafios. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação, v. 18, nº 2 (jul./dez. 2002). São Bernardo do Campo: ANPAE, 2002. FERREIRA, Naura Syrya Carapeto. REPENSANDO E RESSIGNIFICANDO A GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO NA “CULTURA GLOBALIZADA”. Educação & Sociedade, vol. 25, núm. 89, setembro-dezembro, 2004, p. 1227-1249. Disponível em:<http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ArtPdfRed. jsp?iCve=87314213008>. Acesso em: 20 de jun. 2012. GRACINDO, Regina Vinhaes. Gestão democrática nos sistemas e na escola. Brasília: Universidade de Brasília, 2007. Disponível em: <www.mec.gov.br>. Acesso em: 18 jun. 2012. LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: Teoria e Prática. Goiânia: Editora Alternativa, 2004. http://www.mec.gov.br/legis/default.shtm http://www.mec.gov.br/legis/default.shtm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10172.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10172.htm http://www.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/cad%206.pdf http://www.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/cad%206.pdf http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ArtPdfRed.jsp?iCve=87314213008 http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ArtPdfRed.jsp?iCve=87314213008 http://www.mec.gov.br 22 Organização e Desafios da Gestão Escolar LÜCK, Heloísa. A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2008. MAFRA FILHO, Francisco de Salles. A Constituição e a Democracia Participativa: plebiscito, referendo e iniciativa popular.[s.d.]. Disponível em:<http://sisnet.aduaneiras.com.br/lex/doutrinas/arquivos/plebiscito.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2012. NÓVOA, António. Para uma análise das instituições escolares. In. NÓVOA, António. (Coord.). As organizações escolares em análise. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1999. http://sisnet.aduaneiras.com.br/lex/doutrinas/arquivos/plebiscito.pdf CAPÍTULO 2 A Gestão Pública Escolar A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Identificar as novas práticas de participação sistemática e efetiva da sociedade no processo de formulação,avaliação e fiscalização da política de educação através de mecanismos institucionais (Conselhos). � Selecionar os mecanismos que viabilizam a gestão participativa na escola e diferenciar os avanços e dificuldades da gestão pública da escola. 24 Organização e Desafios da Gestão Escolar 25 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 Contextualização A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988, apresenta, no art. 206, a gestão democrática da educação como um de seus princípios fundamentais e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9493/96) que confirma os preceitos constitucionais e especifica, entre outros aspectos, a organização do sistema de ensino no Brasil e estabelece que os sistemas de ensino definam as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica de acordo com as suas peculiaridades, com a participação dos profissionais da educação e da comunidade escolar e local na elaboração do projeto pedagógico da escola e, na atuação em conselhos escolares ou equivalentes. Assim a gestão democrática é ao mesmo tempo um objetivo e um caminho das escolas públicas. É um objetivo, pois é uma meta a ser alcançada e sempre aprimorada. É um caminho, porque é processo, com avanços e retrocessos, com possibilidades e dificuldades necessitando de avaliação permanente e de reorganização contínua do seu processo de construção. Neste capítulo desenvolvemos um estudo sobre a participação organizada da sociedade na educação; o regime de colaboração entre municípios, estados e governo federal; os diversos órgãos colegiados; os conselhos de educação no Brasil e sistemas de ensino. Desejamos que, com acesso as informações e conceitos disponibilizados e os questionamentos levantados neste texto, você estabeleça uma relação dialógica e que possibilite construir novos conhecimentos. Uma excelente leitura! Um ótimo estudo! O que é Gestão? Voltamos a buscar na origem da palavra, o seu significado construído historicamente e que como movimento adquire diferentes tratamentos, mas nunca perdendo sua raiz etimológica. Etimologicamente, gestão vem do latim gestio, gerere, gerire, gestum, com o significa de levar sobre si, realizar, chamar a si, executar, exercer, gerar, ato de administrar, de gerenciar. Desde os primórdios a palavra traz um significado de envolver o sujeito, visto que, um dos substantivos derivados deste verbo é gestatio - que quer dizer gestação: um novo ser. “Ger” (raiz etimológica) significa fazer brotar, fazer nascer, como na gestação humana (CURY, 2002). Etimologicamente, gestão vem do latim gestio, gerere, gerire, gestum, com o significa de levar sobre si, realizar, chamar a si, executar, exercer, gerar, ato de administrar, de gerenciar. 26 Organização e Desafios da Gestão Escolar Gestão implica na participação de pessoas, dialogando, interrogando, buscando respostas para os conflitos, conforme nos diz Cury (2002). Para reafirmar seu pensamento, o autor traz o pensamento do filósofo Antônio Gramsci, “[...] por vezes, é mais notável (e algumas vezes corajoso) difundir uma verdade já conhecida, mas pouco socializada, do que descobrir uma realidade original (CURY, 2002, p. 165). Antônio Gramsci (1891 a 1937), filósofo italiano, cientista social e político, que muito contribuiu para a humanidade com suas ideais. Figura 4 - Antônio Gramsci Fonte: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/ Antonio_Gramsci>. Acesso em: 20 mai. 2012. Assim, seguindo este pensamento, a gestão na educação é uma nova maneira de administrar democraticamente, com a efetiva participação e envolvimento coletivo e o permanente diálogo com seus membros. A Gestão Democrática na Educação Prezado Pós-Graduando, Alertamos para que diferenciem gestão na educação escolar de gestão empresarial, mesmo que a primeira seja fruto das teorias administrativas econômicas (SILVA, 2009), mas contrapondo-se a lógica empresarial no campo da educação (PARO, 2008). As análises e discussões sobre políticas e gestão da educação sobre as formas de organização social, decorrentes da reestruturação econômica http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Gramsci http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Gramsci 27 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 tem sido debatida por estudiosos como Cury (2002; 2004), Dourado (2007), Ferreira (2000; 2004; 2011), Lück (2000; 2006), Nóvoa (1999), Paro (2008) e Wittmann (2000), decorrente dos questionamentos e das investigações sobre a natureza, os impactos e as influências do mercado na educação. As mudanças na concepção de gestão na educação no Brasil vêm evoluindo a cada dia, mas faz-se necessário reconhecer, segundo Dourado (2007, p. 923), que “[...]a discussão sobre a gestão da educação básica apresenta-se a partir de várias proposições, bem como concepções e cenários complexos, articulados aos sistemas de ensino”. Considerando a especificidade do sistema educacional brasileiro, percebemos que muitas das transformações que ocorreram no cenário nacional adotaram ações democráticas, de interação e participação da comunidade, buscando a troca de experiência para solucionar os problemas do coletivo. Figura 5 - No coletivo a resolução dos problemas escolares Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/img/ conselhos/cabecalho.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2012. Sabemos que a gestão democrática efetivamente acontece, quando as ações geradas são advindas da participação de todos, contrariando a cultura escolar cristalizada da lógica hierárquica existente quase sempre na gestão das escolas. Atividade de Estudos: 1) Leia as alternativas a seguir sobre a participação, conceito relevante para a gestão democrática na educação. I. A participação na gestão escolar da comunidade leva a conquista da autonomia da unidade escolar tanto pedagógica, quanto financeira, administrativa e cultural. Considerando a especificidade do sistema educacional brasileiro, percebemos que muitas das transformações que ocorreram no cenário nacional adotaram ações democráticas, de interação e participação da comunidade, buscando a troca de experiência para solucionar os problemas do coletivo. http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg 28 Organização e Desafios da Gestão Escolar II. A possibilidade de abrir espaços de participação para envolver a comunidade escolar e local impede que iniciativas solidárias e criativas sejam manifestadas. III. A gestão democrática efetivamente acontece, quando as ações geradas são advindas da participação de todos, contrariando a cultura escolar cristalizada, da lógica hierárquica existentes quase sempre, na gestão das instituições de ensino. Assinale a resposta correta: a) ( ) As alternativas I e II estão corretas. b) ( ) As alternativas I e III estão corretas. c) ( ) As alternativas II e III estão corretas. d) ( ) Nenhuma alternativa está correta. A evolução da conceituação da gestão da educação, entendida como processo tanto administrativo como político e movimento histórico, extrapola os muros escolares e revela um novo modo de relação de poder entre governo e população e precisa ser compreendida a partir dos conceitos mais amplos da área educacional. A Gestão Democrática como Espaço de Formação Na história da educação brasileira, a democratização da escola púbica é uma discussão presente e permanente. Até a promulgação da Constituição Federal (1988), o Estado exercia poder supremo e as decisões políticas brasileiras, tinham cunho técnico e especializado. Como vimos no capítulo anterior, a partir da Constituição Federal em 1988, foram elaboradas e promulgadas legislações complementares com ênfase na gestão democrática com a participação da sociedade civil. Especificamente na área da educação, a LDB nº 9394/1996 e outras diretrizes normativas, transparecem as intençõespara a promoção da gestão participativa na rede de ensino público. A Lei Magna - Constituição Federal em seu art. 205, prevê que a educação seja promovida e incentivada com a colaboração da sociedade e estabelece no art. 206, alguns princípios para o ensino entre eles, a gestão democrática do ensino público. Na história da educação brasileira, a democratização da escola púbica é uma discussão presente e permanente. 29 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 A lei acima citada diz que, como condição para o estabelecimento da gestão democrática é preciso que os sistemas de ensino assegurem às unidades escolares públicas de educação básica que as integram, progressivos graus de autonomia pedagógica, administrativa e financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público (LDB nº 9394/96, art. 15). A LDB nº 9394/1996, abrindo espaço para a autonomia dos entes federados determina, no art. 14, que os sistemas de ensino definam as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: a) participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; b) participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Figura 6 - A participação dos profissionais da educação na elaboração do PPP Fonte: Raizes e Asas. Trabalho coletivo na escola. CENPEC, 1994. Essa possibilidade de abrir espaços para envolver a comunidade escolar e local permite que iniciativas solidárias e criativas sejam manifestadas. Além disso, no diálogo, na troca de experiências, buscar a solução para suprir as necessidades e resolver os problemas dentro de um consenso coletivo. Contudo, participação e autonomia têm significados diferentes dependendo das concepções pessoais. Guterrez e Catani (2011) trazem essa preocupação também presente nas diferentes linhas teóricas em compreender e classificar, “a ideia de participação como alternativa administrativa e estratégica” (GUTERREZ; CATANI, 2011, p. 74) estabelecendo-se critérios consensuais. Os autores contribuem trazendo o filósofo alemão Jürgen Habermas que diz: “Participar significa que todos podem contribuir, com igualdade de oportunidades, nos processos de formação discursiva da vontade”. Ou seja, segundo os autores “ajudar a construir comunicativamente o consenso quanto a um plano de ação coletivo” (GUTERREZ; CATANI, 2011, p. 76). No diálogo, na troca de experiências, buscar a solução para suprir as necessidades e resolver os problemas dentro de um consenso coletivo. 30 Organização e Desafios da Gestão Escolar Falando sobre a autonomia na educação, Maria Beatriz Luce e Isabel Letícia Pedroso de Medeiros (2008), no texto Gestão Democrática Pensar a autonomia é uma tarefa que se apresenta de forma complexa, pois se pode crer na ideia de liberdade total ou independência, quando temos de considerar os diferentes agentes sociais e as muitas interfaces e interdependências que fazem parte da organização educacional. Por isso, deve ser muito bem trabalhada, a fim de equacionar a possibilidade de direcionamento camuflado das decisões, ou a desarticulação total entre as diferentes esferas, ou o domínio de um determinado grupo, ou, ainda, a desconsideração das questões mais amplas que envolvem a escola (LUCE; MEDEIROS, 2008, p. 2). Nóvoa (1999) analisa em um de seus textos os determinantes para a eficiência da organização das escolas, entre eles a “colaboração das famílias na vida escolar” e que [...] é preciso romper, de uma vez por todas, com a ideia de que as escolas pertencem (grifo do autor) à corporação docente. Os pais enquanto grupo interveniente no processo educativo, podem dar um apoio activo às escolas e devem participar num conjunto de decisões que lhes dizem directamente respeito (NÓVOA, 1999, p. 28). O autor aponta para outro conceito importante que leva a atuação efetiva da comunidade escolar que é o da “imagem pública da escola”. As escolas são diferentes umas das outras e a busca da identidade de cada uma delas só é possível com a participação de todos os envolvidos. “Sem renunciar aos seus próprios valores e ideologias, cada membro de escola deve procurar a identificação a um conjunto de valores comuns que edificam a identidade da organização (NÓVOA, 1999, p. 29). A eficiência implica na efetivação concreta de deveres e na satisfação dos cidadãos nos seus direitos, efetivados com padrão de qualidade que atendam às normas técnicas, sem duplicação de meios para mesmos fins e uso de recursos contemporâneos de administração e gestão. Ela deve buscar o grau máximo de realização dos objetivos de um setor. A eficiência exige tanto conhecimentos especializados, complexos que postulam uma formação própria, mas cujos conteúdos não são mistérios ou segredos intransponíveis quanto meios existentes para os efetivar (CURY, 2002, p. 168). Pensar a autonomia é uma tarefa que se apresenta de forma complexa, pois se pode crer na ideia de liberdade total ou independência, quando temos de considerar os diferentes agentes sociais e as muitas interfaces e interdependências que fazem parte da organização educacional. Sem renunciar aos seus próprios valores e ideologias, cada membro de escola deve procurar a identificação a um conjunto de valores comuns que edificam a identidade da organização (NÓVOA, 1999, p. 29). 31 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 Autores como Paro (2008), Lück (2000; 2006), Wittmann (2000) reafirmam essa concepção dizendo que a participação na gestão escolar da comunidade leva a conquista da autonomia da unidade tanto pedagógica, quanto financeira, administrativa e cultural. Através da autonomia, são geridas novas relações sociais opostas às autoritárias existentes, que respeite a diversidade e a individualidade do outro, buscando o intercâmbio com outras experiências sociais o que leva a democratização do sistema público de ensino. Autonomia, conforme cita Heloísa Lück (2000) [...] no contexto da educação, consiste na ampliação do espaço de decisão, voltada para o fortalecimento da escola como organização social comprometida reciprocamente com a sociedade, tendo como objetivo a melhoria da qualidade do ensino. Autonomia é a característica de um processo de gestão participativa que se expressa, quando se assume com competência a responsabilidade social de promover a formação de jovens adequada às demandas de uma sociedade democrática em desenvolvimento, mediante aprendizagens significativas (LÜCK, 2000, p. 21). Outro conceito imprescindível numa concepção democrática de gestão escolar é o da descentralização, que é um meio e não um fim, na construção da autonomia. A gestão democrática pressupõe a descentralização do poder para as escolas, permitindo que haja uma comunicação direta com a mesma, eliminando as instâncias de poder intermediárias. Entretanto, Lück (2000), aponta que muitas vezes a descentralização é aplicada para gerenciamento de processos e recursos numa perspectiva de mercado ou para dividir com os órgãos centrais as responsabilidades do sistema educativo que nos últimos anos se expandiu. Ou ainda, Quando se observa que alguns sistemas de ensino descentralizam, centralizando, isto é, dando um espaço com uma mão, ao mesmo tempo que tirando outro espaço, com outra, pode-se concluir que o princípio que adotam não é o da democratização, mas o de maior racionalidade no emprego de recursos e o de busca de maior rapidez na solução dos problemas (LÜCK, 2000, p. 17). A descentralização, a autonomia e a participação da comunidade escolar contribuem para a formação não apenas dos alunos, mas de todos, pois o exercício de discussão, de análise e de tomada de decisões no espaço escolar, na escolha e elaboração do projeto político pedagógico é um meio para a formação democrática, ampliando o olhar paraa atuação dos membros, no processo democrático da organização da sociedade civil. São conceitos interligados e implicam se considerarmos a escola, o centro da educação na formação da cidadania. Autonomia é a característica de um processo de gestão participativa que se expressa, quando se assume com competência a responsabilidade social de promover a formação de jovens adequada às demandas de uma sociedade democrática em desenvolvimento, mediante aprendizagens significativas (LÜCK, 2000, p. 21). 32 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) De que modo pode-se oportunizar a participação da comunidade educativa, a partir da diversidade dos diferentes atores sociais? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Sabemos que o universo escolar e suas inter-relações são especificamente complexos e que somente através do exercício do diálogo e do reconhecimento histórico dos diferentes atores deste processo, o respeito aos que não pensam como nós educadores. Diálogo, como peça fundamental desse caminho de construção coletiva como “o reconhecimento da infinita diversidade do real que se desdobra numa disposição generosa de cada pessoa para tentar incorporar ao movimento do pensamento algo da inesgotável experiência da consciência dos outros” (FERREIRA, 2000, p. 172). Historicamente, ao analisarem as políticas públicas, os teóricos entre eles: Cury (2002; 2004), Dourado (2007), Ferreira (2000; 2004; 2011) e Paro (2008), apontam que na década de 1960, as discussões giraram em torno da implementação das decisões políticas; nos anos 1970, na reorganização do Estado de bem-estar social. A década de 1980 é marcada pela discussão e promulgação da Constituição e da configuração dos sistemas e redes. Nos anos posteriores intensificou-se a influência mercadológica e os alinhamentos da concepção neoliberal com tema dominante da eficiência da gestão pública, levando a reforma administrativa nos diferentes níveis de governo, utilizando métodos e técnicas do setor empresarial para gerir o setor público. Nos anos posteriores intensificou- se a influência mercadológica e os alinhamentos da concepção neoliberal com tema dominante da eficiência da gestão pública, levando a reforma administrativa nos diferentes níveis de governo, utilizando métodos e técnicas do setor empresarial para gerir o setor público. 33 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 Estado de bem-estar social é uma forma de organização social, política e econômica, que coloca o Estado como defensor social e regulador da economia, garantindo serviços públicos e proteção a toda população. Prezado Pós-Graduando, faz-se necessário, que o processo de elaboração de uma política pública não seja superficialmente visto como ato político, administrativo ou simplesmente burocrático. As políticas públicas recebem influência do contexto social, incorporando representações e valores sociais. Programas e ações governamentais podem levar a mudanças desejadas tanto pelo governo como pela população. Contudo, é imprescindível, enquanto educadores conhecermos alguma das propostas do MEC que podem contribuir com a gestão democrática da educação escolar nacional, como veremos a seguir. O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), é um conjunto de estratégias e atos normativos para a implementação de ações articuladas entre os entes federados e a União. O PDE é considerado o plano executivo das políticas do MEC. A proposta do MEC é que os programas de transferência voluntária passem a ter acesso por meio do Plano de Ações Articuladas (PAR), instrumento de planejamento educacional integrante da principal ação do PDE: o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação. Para saber sobre o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ diretrizes_compromisso.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2012. As dimensões educacionais integrantes do PAR são: a) gestão educacional; b) formação de professores e dos profissionais de serviço e apoio escolar; c) práticas pedagógicas e avaliação; d) infraestrutura física e recursos pedagógicos http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/diretrizes_compromisso.pdf http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/diretrizes_compromisso.pdf 34 Organização e Desafios da Gestão Escolar Para saber mais sobre o PAR ver site. Disponível em: <http:// simec.mec.gov.br/cte/relatóriospublico/principal.php>. Acesso em: 20 jun. 2012. Para conhecer as 20 Metas do PNE para a educação brasileira até 2020, visite o site do MEC. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/ plano-nacional-de-educaao-2011-2020>. Acesso em: 20 jun. 2012. Também Programas como: Transporte Escolar, Gestão Escolar, Mais Educação, Escola Aberta, Saúde Escolar, Escola de Gestores da Educação Básica, PRADIME - Programa de Apoio aos Dirigentes Municipais de Educação, Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, Programa Nacional de Capacitação dos Conselheiros Municipais de Educação, Pró- Letramento, Pró-Infantil, PNBE- Programa Nacional de Bibliotecas Escolares, Gestar II, PNLD - Programa Nacional do Livro Didático, PROINFO entre outros têm contribuído para o desenvolvimento da gestão democrática e precisam ser constantemente avaliados e replanejados. Para saber mais sobre os Programas desenvolvidos pelo Governo Federal. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>. Acesso em: 20 jun. 2012. O Regime de Colaboração e a Legislação da Educação Brasileira O modelo vigente de organização de ensino no Brasil, com o movimento dos anos 1990 de democratização da educação, concretizada na LDB 9.394/96, que tem nos princípios de descentralização, da autonomia e participação suas principais características, redefine o modelo de escola exigindo mudanças expressivas no âmbito estrutural e cultural da educação escolar, principalmente da sua gestão. Segundo a professora Lucia Helena Gonçalvez Teixeira (s.d.), esse movimento, provoca mudanças http://simec.mec.gov.br/cte/relatóriospublico/principal.php http://simec.mec.gov.br/cte/relatóriospublico/principal.php http://portal.mec.gov.br/plano-nacional-de-educaao-2011-2020 http://portal.mec.gov.br/plano-nacional-de-educaao-2011-2020 http://portal.mec.gov.br/ 35 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 [...] no papel do Estado em matéria de ensino e enfatiza-se o papel da escola como espaço de concretização das mudanças pretendidas. Trata-se de um novo paradigma que rompe com a estrutura burocrática instalada e preceitua a reorganização dos sistemas de ensino e da unidade escolar do país. Esta perspectiva atual, de educação se torna mais significativa quando ela expressa um movimento histórico onde as pessoas passam a exigir esse novo modo de ser nas relações de poder existentes no sistema educacional questionando e exigindo a garantia de seus direitos enquanto cidadãos. Prezado Pós-Graduando! Para você entender o ordenamento jurídico da educação brasileira um pouco mais, vamos refletir e conceituar as terminologias atualmente utilizadas: Órgão Colegiado, Conselhos, Conselho Escolar, tendo em vista o sistema de colaboração. Sistemade Colaboração O Brasil como país, assim como outros (Canadá, Austrália, Rússia), com uma grande dimensão geográfica de regime tendem a se regular por regimes federativos. A colaboração recíproca foi o melhor modelo encontrado para dar conta de normas gerais, diretrizes, bases e autonomia federativa, pois os municípios passaram a ser entes federativos e titulares de seus sistemas de ensino. A Constituição Federal de 1988, estabelece no art. 211, que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão seus sistemas de ensino, em regime de colaboração, garantindo a autonomia constitucional de cada uma das esferas do Poder Público. Sistema de Colaboração entre os entes Federados Você certamente já leu ou ouviu falar que a responsabilidade da educação no Brasil é feita em sistema de colaboração entre os entes federados. Mas o que isso significa? Educação se torna mais significativa quando ela expressa um movimento histórico onde as pessoas passam a exigir esse novo modo de ser nas relações de poder existentes no sistema educacional questionando e exigindo a garantia de seus direitos enquanto cidadãos. 36 Organização e Desafios da Gestão Escolar Quais são as responsabilidades do município em relação à educação? Quais são as responsabilidades dos estados e do governo federal? No quadro abaixo você poderá entender esta questão. O Brasil é organizado de forma federativa, por isso é preciso saber a que governo cabe a oferta de cada nível de ensino. Essa forma de organização é importante, pois possibilita que seja considerada as características de cada região e ao mesmo tempo há o envolvimento de todos no processo educacional. Conforme define a Constituição Federal de 1988, a responsabilidade está assim definida: a) Os Municípios têm como responsabilidade a oferta da EDUCAÇÃO INFANTIL, em creches e pré-escolas. b) O ENSINO FUNDAMENTAL é competência comum, ou seja, responsabilidade compartilhada entre ESTADOS e MUNICÍPIOS. Estados e Municípios devem estabelecer “formas de colaboração” para assegurar o ensino fundamental obrigatório para todos. Para isso, devem acertar uma “distribuição proporcional de responsabilidades”, de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros que cada governo tem para aplicar na educação. c) Aos Estados brasileiros compete o ENSINO MÉDIO. d) Governo Federal Embora a União não tenha responsabilidade pelo provimento direto de Educação Básica, ainda assim a Lei determina que esta tenha a responsabilidade pela coordenação da política nacional de educação, exercendo as seguintes funções: a) redistributiva e supletiva - assistência financeira e cooperação técnica, como Fundef e outros programas do FNDE; b) normativa - leis, decretos, portarias federais e pareceres e resoluções do Conselho Nacional de Educação; 37 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 c) organização de informações e avaliação educacional- Censo Escolar, SAEB, ENEM, Prova Brasil, e outros. Atividade de Estudos: 1) Caro Pós-Graduando! Após a leitura do texto sobre o sistema de colaboração, reflita e escreva em poucas palavras por que esta é considerada a melhor forma de organizar o ensino nacional? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ a) Órgão Colegiado Na administração pública, órgão colegiado, dentro da sua atribuição definida por lei, decide um assunto ligado ao exercício de uma função pública. É um órgão dirigente, com pessoas dedicadas a mesma função. Participam de um órgão colegiado, várias pessoas, com poderes idênticos e com funções compartilhadas, pois o presidente do órgão tem a função de coordenar sessões, representar o conselho e cumprir o regimento ou estatuto. Segundo Cury (2004) o debate, diálogo e a decisão coletiva são próprios do órgão colegiado. Além da igualdade de funções entre seus membros, e a decisão coletiva, a periodicidade - sessão programada é característica desse colegiado. É importante ressaltar que ao se encerrar a sessão acaba a competência dos participantes sobre os assuntos da pauta programada. É um órgão dirigente, com pessoas dedicadas a mesma função. Participam de um órgão colegiado, várias pessoas, com poderes idênticos e com funções compartilhadas, pois o presidente do órgão tem a função de coordenar sessões, representar o conselho e cumprir o regimento ou estatuto. 38 Organização e Desafios da Gestão Escolar b) Conselhos Na perspectiva da gestão escolar democrática, o conselho escolar é uma das estratégias para efetivação de um projeto de educação que contribua para a formação humana tanto dos alunos quanto dos educadores. É um espaço de diálogo permanente onde as pessoas possam falar de si, dos seus anseios e convicções e ao mesmo tempo aprendam a ‘ouvir’ o outro, na busca de uma educação de qualidade para todos. Por isso, é preciso levar em conta que em cada instituição escolar existem indivíduos diferentes, concepções de vida diversas, diversidade cultural e ao mesmo tempo se pensar num projeto coletivo de educação. Contudo, “[...] é importante ressaltar que essa perspectiva só ganha essa dimensão quando é coordenada pelo poder público e legitimada por um acordo entre governo local e sociedade civil organizada” (CEFISA, 2009, p. 15). Mas, para entendermos o momento atual faz-se necessário, como veremos a seguir, conhecermos a constituição histórica dos conselhos, seus aspectos legais e sua estrutura organizacional no Brasil. • História dos Conselhos A origem dos conselhos é muito divergente. O que sabemos é que as instituições de cunho social se constituem historicamente. Escolhemos trazer Genuíno Bordignon (2004), que em seu texto, faz uma retrospectiva da constituição dos conselhos desde os primórdios da civilização, dizendo Os registros históricos indicam que já existiam, há quase três milênios, no povo hebreu, nos clãs visigodos e nas cidades- Estado do mundo grego-romano, conselhos como formas primitivas e originais de gestão dos grupos sociais. A Bíblia registra que a prudência aconselhara Moisés a reunir 70 “anciãos ou sábios” para ajudá-lo no governo de seu povo, dando origem ao Sinédrio, o “Conselho de Anciãos” do povo hebreu (BORDIGNON, 2004, p. 13). Segundo o autor acima citado, a constituição histórica dos conselhos passa pela “Comuna Italiana”, com as experiências dos conselhos dos operários no âmbito das fábricas; com os sovietes russos - de São Petersburgo e os conselhos da Revolução Russa; na Alemanha o conselho das fábricas e/ou de operários (1918-1923); na Espanha (1934-1937); na Hungria (1950) e na Polônia (1969- [...] é importante ressaltar que essa perspectiva só ganha essa dimensão quando é coordenada pelo poder público e legitimada por um acordo entre governo local e sociedade civil organizada (CEFISA, 2009, p. 15). 39 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 1970) se constituíram antes mesmo da organização do Estado, dando origem aos atuais Poderes Legislativo e Judiciário. [...] exerciam a democracia direta e/ou representativa como estratégia para resolver tensões e conflitos resultantes dos diferentes interessese, ao contrário dos conselhos de notáveis das cortes, eram a voz das classes que constituíam as comunidades locais, seja nas cidades-Estados grego- romanas, nas comunas italianas e de Paris, ou nas fábricas da era industrial (BORDIGNON, 2004, p. 16). Figura 7 - Soviete de Petrogrado Fonte: Disponível em: <http://www.pstu.org.br/teoria_materia. asp?id=7302&ida=61>. Acesso em: 20 ago. 2012. Dentro dessa configuração e com uma representação social e histórica, os conselhos situaram-se quase sempre, no interesse da sociedade na manutenção do “statu quo” da elite. Atualmente, os conselhos organizados legalmente, têm participação garantida, interferindo ativamente, na gestão das políticas públicas brasileiras. No Brasil, os conselhos, na perspectiva da configuração do cenário educativo atual aparecem na década de 1980 no movimento de reorganização da sociedade civil que buscava novos espaços de organização e participação. A administração da educação e das escolas públicas, especificamente ganha um novo perfil acompanhando o movimento de redemocratização do Estado brasileiro. Etimologicamente a palavra ‘conselho’ vem do latim “concilian” que provém do verbo “consulo/consulere” que significa ouvir alguém, debater, apresentar sugestões sobre determinado assunto para depois decidir sobre este (CURY, 2004, p. 12). No Brasil, os conselhos, na perspectiva da configuração do cenário educativo atual aparecem na década de 1980 no movimento de reorganização da sociedade civil que buscava novos espaços de organização e participação. http://www.pstu.org.br/teoria_materia.asp?id=7302&ida=61 http://www.pstu.org.br/teoria_materia.asp?id=7302&ida=61 40 Organização e Desafios da Gestão Escolar Cury (2002) em seu texto “Gestão Democrática da Educação: exigência e desafios”, discute esses conceitos, determinados na Lei Maior, que regem a administração pública e que dizem respeito às ações e atos que envolvem a comunidade, como é o caso dos conselhos. Os conselhos de educação são órgãos administrativos existentes na estrutura da organização da educação no Brasil, e exercem funções normativas, deliberativas, fiscalizadoras e de planejamento. Organização dos Conselhos de Educação no Brasil No Brasil, os espaços colegiados, da educação ocorrem em diferentes instâncias de poder. Temos assim os seguintes conselhos: • Conselho Nacional • Conselhos Estaduais • Conselhos Municipais • Conselhos Escolares a) Conselho Nacional O Conselho Nacional de Educação segundo o art. 9, § 1º da LDB 9394/96, tem funções normativas, deliberativas e de supervisão. É um órgão administrativo da estrutura educacional e colabora com o MEC na função consultiva e deliberativa. Tem como atribuição formular, avaliar a política nacional de educação e assegurar a participação da sociedade para o aprimoramento da mesma. Órgão Normativo - Interpreta campos específicos da legislação e aplica as normas a situações específicas. Interpreta somente as leis, mas não as cria. 41 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 Foi criado em 1931 e permaneceu até 1961 com o nome de Conselho Nacional de Educação. De 1962 a 1994, passou a ser denominado Conselho Federal de Educação, sendo recriado pela Lei 9131 de 24 de dezembro de 1995, com o nome de Conselho Nacional de Educação (CNE), tendo a participação da sociedade civil em sua composição. O CNE é composto por 24 (vinte e quatro) membros, sendo 12 (doze) indicados por associações científicas e de profissionais da educação e 2 (dois) nomeados pelo Presidente da República. Divididos em duas Câmaras autônomas, a Câmara de Educação Superior e a Câmara de Educação Básica, se reúnem mensalmente. O CNE tem o papel de articulador dos demais sistemas de ensino (Federal, Estadual e Municipal), com o compromisso da participação da sociedade civil nos destinos da educação brasileira. Os conselhos de educação estaduais, municipais e do Distrito Federal, junto com o Conselho Nacional de Educação, são órgãos de deliberação coletiva, com caráter normativo e consultivo, que segundo suas competências, interpretam e deliberam a aplicação da legislação da educação. Os conselhos também dão sugestões para o aperfeiçoamento da educação dos sistemas de ensino (CURY, 2004). b) Conselho Estadual Segundo Bordignon (2004, p. 55), os conselhos de educação dos estados e do Distrito Federal foram criados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 4.024 de 1961 e foi “[...] a estratégia para a descentralização da gestão do ensino”. Conforme, previsto na Constituição Federal de 1988, vão legislar sobre a educação, a cultura, o ensino e o desporto dos estados (art. 24 alínea IX). A esse respeito, trata o art. 10, inciso I e III da LDB nº 9394/96. O Conselho Estadual de Educação é da competência do Conselho Nacional da Educação e caracteriza-se enquanto órgão normativo e deliberativo do sistema de ensino estadual. As atribuições do Conselho Estadual de Educação, determinadas pela LDB nº 4024/61 são semelhantes as do Conselho Federal, mas relacionadas ao âmbito estadual. De 1962 a 1994, passou a ser denominado Conselho Federal de Educação, sendo recriado pela Lei 9131 de 24 de dezembro de 1995, com o nome de Conselho Nacional de Educação (CNE), tendo a participação da sociedade civil em sua composição. 42 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) De acordo com o que você já estudou neste caderno de estudos e com a sua prática docente. Quais são as atribuições do Conselho Estadual de Educação, conforme nos dizem Oliveira, Moraes, Dourado (s.d): __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Bordignon (2004, p. 56) alerta dizendo, que as mudanças que vem acontecendo desde a criação do Conselho Estadual de Educação, estão relacionadas às atribuições e a composição dos conselhos e “[...] quase sempre coincidentes com as transições de governo, o que fere a própria natureza dos mesmos”. c) Conselho Municipal Ao estabelecer o município como ente federativo autônomo, a Constituição de 1988, em seu art. 211, como já citado anteriormente, estabeleceu, que a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios “organizarão os seus sistemas de ensino”, definindo como competência desses últimos a atuação no ensino fundamental e pré-escolar. A LDB nº 9394/96, ao regulamentar tais preceitos no art. 8 reafirma essa organização explicitando o que é competência dos municípios, no seu art. 11. A descentralização do ensino público via A descentralização do ensino público via municipalização, dando atribuições de funções ao sistema municipal de ensino, sendo firmada a possibilidade, ainda dito no Parágrafo único, de optar entre compor com o estado um sistema único, ou manter-se integrado ao sistema estadual. 43 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 municipalização, dando atribuições de funções ao sistema municipal de ensino, sendo firmada a possibilidade, ainda dito no Parágrafo único, de optar entre compor com o estado um sistema único, ou manter-se integrado ao sistema estadual. • Composição: Fazem parte do Conselho Municipal de Educação representação das várias instituições e entidades municipais ligadas à área educacional, representantesindical, empresarial e de instituições privadas educacionais e pelo menos um representante da câmara de vereadores do município. • Finalidades: É finalidade do CME: buscar, fortalecer e institucionalizara participação da sociedade civil no processo de definição das políticas educacionais do município. Também consolidar planos municipais de educação, acompanhando, fiscalizando e avaliando sua aplicação. • Atribuições: Os Conselhos Municipais de Educação exercem as funções: consultiva, opinativa, deliberativa, normativa, fiscalizadora e de planejamento. • Competências: Conforme no texto: “Gestão escolar democrática: definições, princípios e mecanismos de implementação”, escrito por João Ferreira de Oliveira, Karine Nunes de Moraes e Luiz Fernandes Dourado (s.d., p. 12), a LDB nº 9394/96, determina a competência do Conselho Municipal na: a) Elaboração do plano municipal de educação com duração plurianual; b) Subsidiar a elaboração e acompanhar a execução do Plano Nacional de Educação; c) Manifestar-se sobre questões que abranjam mais de um nível ou modalidade de ensino; d) Assessorar o Ministério da Educação no diagnóstico dos problemas e deliberar sobre medidas para aperfeiçoar os sistemas de ensino, especialmente no que diz respeito à integração dos seus diferentes níveis e modalidades; e) Emitir parecer sobre assuntos da área educacional, por iniciativa de seus conselheiros ou quando solicitado pelo Ministro de Estado da Educação e do Desporto; 44 Organização e Desafios da Gestão Escolar f) Manter intercâmbio com os sistemas de ensino dos estados e do Distrito Federal; g) Analisar e emitir parecer sobre questões relativas à aplicação da legislação educacional, no que diz respeito à integração entre os diferentes níveis e modalidades de ensino; h) Analisar, anualmente, as estatísticas da educação, oferecendo subsídios ao Ministério da Educação e do Desporto; i) Promover seminários sobre os grandes temas da educação brasileira; j) Elaborar o seu regimento, a ser aprovado pelo Ministro de Estado da Educação; k) Emitir parecer sobre assuntos de natureza pedagógica e educacional que lhe forem submetidos pelo Governador do Estado, pelo Secretário da Educação, pela Assembleia Legislativa ou pelas unidades escolares; l) Interpretar, no âmbito de sua jurisdição, as disposições legais que fixem diretrizes e bases da educação; m) Manter intercâmbio com o Conselho Nacional de Educação e com os demais Conselhos Estaduais e Municipais, visando à consecução dos seus objetivos; n) Articular-se com órgãos e entidades federais, estaduais e municipais, para assegurar a coordenação, a divulgação e a execução de planos e programas educacionais. • Estrutura e funcionamento: O regimento interno é elaborado pelo Conselho Municipal estabelecendo a estrutura e funcionamento, possibilitando aos membros sempre que se faça necessário, alterações. 45 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 Atividade de Estudos: 1) Chegou a hora de pesquisar a sua realidade. Entre em contato com a secretaria municipal de educação e verifique se existe um Conselho Municipal de Educação. Se não existir, procure saber os motivos da não existência do CME. Se existir o CME investigue como é a sua atuação e a forma organizacional do sistema municipal. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ d) Conselho Escolar O Conselho Escolar é uma organização articuladora entre a escola e a comunidade. É composto por representantes de todos os segmentos da comunidade escolar e é um espaço de debates com caráter consultivo e deliberativo conforme Dourado (2007). É parte da escola e deve estar interligado aos outros conselhos entre eles: o Municipal, Estadual, Nacional, Conselho da Criança e do Adolescente, Conselho Tutelar, da Alimentação, do FUNDEB - Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica. Maria Cecília Luiz e Celso Conti (s.d.), no texto “Políticas Públicas Municipais: Os Conselhos Escolares como instrumento de gestão democrática e formação da cidadania”, apontam a necessidade da inter-relação entre a unidade escolar e o conselho escolar, pois O Conselho Escolar é uma organização articuladora entre a escola e a comunidade. 46 Organização e Desafios da Gestão Escolar conselho e escola não são entidades distintas, integrando uma única institucionalidade. Assim, o conselho escolar não atua complementarmente, nem é superestrutura, dotado de personalidade jurídica independente; insere-se na instituição e na própria estrutura de poder da escola (LUIZ; CONTI, s. d., p. 3). Este processo de construção coletiva não acontece de forma mecânica e nem sempre sem embates. É um movimento de avanços e recuos e precisa de uma avaliação constante dos pares e do suporte técnico de especialistas e das autoridades. Atividade de Estudos: 1) Complete as lacunas com as palavras abaixo: A Constituição Federal (1988) estabelece no art. 211, que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ____________________ seus sistemas de ensino, em regime de _____________________ garantindo a ______________________ constitucional de cada uma das ______________________ do Poder Público. Para entender a natureza, finalidades e atribuições dos Conselhos de Educação, você aluno (a) precisa saber mais sobre sistemas de ensino preconizados na LDB nº 4024/61 e consolidados na Constituição Federal de 1988 e na LDB nº 9394 de 20 de dezembro de 1996, numa perspectiva de gestão democrática da educação brasileira. Esclarecendo, o conceito da Constituição Brasileira atual referente ao sistema federativo, trazemos a contribuição de Cury (2002), que diz: A insistência, na cooperação, na divisão atribuições, a assinalação de objetivos comuns com normas nacionais gerais, indicam que, nesta Constituição, a acepção de sistema se dá como sistema federativo por colaboração, tanto quanto de Estado Democrático de direito. Esta abertura, contudo, no campo de interpretação do texto legal, dada a complexidade da teia de relações que se estabelecem, é também fonte de incertezas (CURY, 2002, p. 170). Caro Pós-Graduando! A seguir vamos conhecer um pouco sobre os sistemas de ensino no Brasil e como ocorre o sistema de cooperação e entendimento mútuo entre os entes federativos. 47 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 Sistemas de Ensino Atividade de Estudos: 1) O que você sabe sobre sistemas de ensino? O que você sabe sobre os sistemas municipais de educação? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ No site do MEC <http://portal.mec.gov.br/> em Publicações você encontra: Publicações dos Conselhos Escolares. A educação brasileira, seguindo os preceitos da ConstituiçãoFederal de 1988 e da LDB nº 9394 de 20 de dezembro de 1996, está organizada sob a forma de sistemas de ensino. a) O que é um sistema de ensino? Num sentido mais amplo, Bordignon (2005, p. 19), define “sistema como uma palavra retirada da física e utilizada em larga escala pelas Ciências Sociais”. Assim, sistema [...] compreende um conjunto formando um todo autônomo de partes em relação funcional, orgânica e harmônica em vista de uma finalidade, que decorre dos valores prevalentes em determinada sociedade. Sistema [...] compreende um conjunto formando um todo autônomo de partes em relação funcional, orgânica e harmônica em vista de uma finalidade, que decorre dos valores prevalentes em determinada sociedade. http://portal.mec.gov.br/ 48 Organização e Desafios da Gestão Escolar Utilizamos muito a expressão “sistema educacional”, mas na legislação que rege a educação brasileira encontramos somente a expressão “sistema de ensino” da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios (BORDIGNON, 2005). Definimos sistema de ensino como um conjunto formando um todo autônomo de partes em relação funcional, orgânica e harmônica com todos os níveis de ensino, em vista de uma educação de qualidade social e que garanta a gestão democrática preconizada na lei, respeitando-se assim as especificidades de cada região, de seus valores e representações historicamente construídas. A Constituição Brasileira de 1998, conforme cita Cury (2004, p. 16) [...] fez a sua escolha por um regime normativo e político, plural e descentralizado, em que se cruzam novos mecanismos de participação social com um modelo institucional cooperativo que amplia o número de sujeitos políticos capazes de tomar decisões. Por isso mesmo a cooperação exige entendimento mútuo entre os entes federativos, e a participação supõe a abertura de novas arenas públicas de deliberação e mesmo de decisão. b) Histórico Até a promulgação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB nº 4024 de 20 de dezembro de 1961, o sistema de ensino era centralizado sendo o modelo federal seguido pelos estados e municípios. A partir da aprovação da referida lei citada anteriormente, acontece a redefinição da estrutura de ensino, quando estabelece a existência dos sistemas federal, estadual e municipal. Ao considerarmos sistema um conjunto de instituições políticas e/ou sociais nos remetemos ao processo de institucionalização da educação brasileira que conforme Bordignon (2005) está carregado de “significações” (grifo do autor), [...] que temos como brasileiros e da cidadania que queremos”. Essa concepção sob a influência dos pioneiros da educação é alinhavada na Constituição Federal de 1934, mas somente na LDB 4024/61, [...] o Brasil passou a contar com esse projeto, representando as significações do ser brasileiro (BORDIGNON, 2005, p. 19). Sistema de ensino como um conjunto formando um todo autônomo de partes em relação funcional, orgânica e harmônica com todos os níveis de ensino, em vista de uma educação de qualidade social e que garanta a gestão democrática preconizada na lei, respeitando-se assim as especificidades de cada região, de seus valores e representações historicamente construídas. 49 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 O regime de colaboração é preconizado como já dito anteriormente na LDB atual, com base nos princípios presentes na Constituição Federal e é a base na organização dos sistemas. As competências dos sistemas estabelecidos pela lei são complementares e não concorrentes, fundamentando-se no princípio da cooperação e não da subordinação. Também dispõe no Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. No artigo seguinte define Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público. A seguir para você se situar dentro do sistema brasileiro de ensino, vamos trazer a organização deste e suas respectivas competências. Os órgãos responsáveis pela educação, em nível federal, são: O Governo Federal é responsável pelo Sistema Federal de Ensino referente a todas as instituições educacionais, aos órgãos, às leis e normas, concretizadas nos sistemas estaduais e municipais. O regime de colaboração é preconizado como já dito anteriormente na LDB atual, com base nos princípios presentes na Constituição Federal e é a base na organização dos sistemas. 50 Organização e Desafios da Gestão Escolar Conforme a LDB nº 9394/96, no seu art. 16, o Sistema Federal de Ensino compreende: I - as instituições de ensino mantidas pela União; II - as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada; III - os órgãos federais de educação. Em nível estadual, temos a Secretaria Estadual de Educação (SEE), o Conselho Estadual de Educação (CEE), a Delegacia Regional de Educação (DRE) ou Subsecretaria de Educação. A LDB nº 9394/96 define no Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: I - as instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal; II - as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal; III - as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada; IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal, respectivamente. O Sistema Estadual de Educação, atualmente em muitos estados brasileiros, ainda é responsável por grande parte dos alunos de vários graus e modalidades de ensino, professores, servidores, unidades escolares públicas e privadas, além de exercer o controle sobre o ensino supletivo e os cursos livres que ocorrem fora do âmbito escolar, assumindo também funções de manutenção do ensino nesta esfera, e exerce funções normativas, deliberativas, consultivas e fiscalizadoras nas redes oficial e particular. O Sistema Estadual de Ensino, bem como do Distrito Federal, conforme previsto na Constituição Federal de 1988, podem legislar sobre a educação, a cultura, o ensino e o desporto (Art. 24 alínea IX). A esse respeito, a LDB nº 9394/96 diz no art. 17, Parágrafo único que no Distrito Federal, as instituições de educação infantil, criadas e mantidas pela iniciativa privada, integram seu sistema de ensino. Em nível municipal, temos a Secretaria Municipal de Educação e o Conselho Municipal de Educação, com orientações na LDB nº 9394/96 no Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem: 51 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 I - as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal; II - as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada; III – os órgãos municipais de educação. A Constituição Federal de 1988 reconheceu o município como ente federativo, possibilitando-lhe, no campo educacional, a organização de seus sistemas de ensino em colaboração com a União e os Estados. Definindo as atribuições dos municípios a LDB nº 9394/96, no art.11, diz que: Os Municípios incumbir-se-ão de: I – Organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados; II – exercer ação redistributiva em relação às suas escolas; III – baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; IV – autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema deensino; V – oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com os recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. O texto, contido no material instrucional do Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares nº 5, intitulado “Conselho Escolar, gestão democrática da educação e escolha do diretor” de (NAVARRO; WITTMANN; DOURADO; AGUIAR; GRACINDO, 2004), sintetiza o que procuramos trazer para você neste capítulo. Para que a tomada de decisão seja partilhada, é necessária a implementação de vários mecanismos de participação, tais como: o aprimoramento dos processos de provimento ao cargo de diretor, a criação e consolidação de órgãos colegiados na escola (Conselhos Escolares, Conselho de A Constituição Federal de 1988 reconheceu o município como ente federativo, possibilitando- lhe, no campo educacional, a organização de seus sistemas de ensino em colaboração com a União e os Estados. 52 Organização e Desafios da Gestão Escolar Classe...), o fortalecimento da participação estudantil por meio da criação e consolidação de grêmios estudantis, a construção coletiva do projeto político-pedagógico da escola, a progressiva autonomia da escola e, consequentemente, a discussão e a implementação de novas formas de organização e de gestão escolar e a garantia de financiamento público da educação e da escola nos diferentes níveis e modalidades de ensino. Toda essa dinâmica se efetiva como um processo de aprendizado político fundamental para a construção de uma cultura de participação e de gestão democrática na escola e, consequentemente, para a instituição de uma nova cultura na escola (NAVARRO; WITTMANN; DOURADO; AGUIAR; GRACINDO 2004, p. 28-29). Neste texto, trabalhamos com os dizeres legais que regem a educação no Brasil e que se constituem elementos da construção de uma escola pública de qualidade social para todos. Maria Abadia da Silva (2009, p. 225) em seu texto “QUALIDADE SOCIAL DA EDUCAÇÃO PÚBLICA: ALGUMAS APROXIMAÇÕES”, define o que vem a ser uma escola de qualidade social nos dizendo: A escola de qualidade social é aquela que atenta para um conjunto de elementos e dimensões socioeconômicas e culturais que circundam o modo de viver e as expectativas das famílias e de estudantes em relação à educação; que busca compreender as políticas governamentais, os projetos sociais e ambientais em seu sentido político, voltados para o bem comum; que luta por financiamento adequado, pelo reconhecimento social e valorização dos trabalhadores em educação; que transforma todos os espaços físicos em lugar de aprendizagens significativas e de vivências efetivamente democráticas. DETERMINANTES QUE CONTRIBUEM PARA REFERENCIAR A QUALIDADE DE UMA ESCOLA Contribuindo e reafirmando, com o que apontamos neste texto, para uma escola de qualidade social para todos, Maria Abadia da Silva (2009, p. 224) diz que: Dentre os determinantes externos que contribuem para a referência da qualidade da educação escolar, citamos: a) Fatores socioeconômicos, como condições de moradia; situação de trabalho ou de desemprego dos responsáveis pelo estudante; renda familiar; trabalho de crianças e de adolescentes; distância dos locais de moradia e de estudo. 53 A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 b) Fatores socioculturais, como escolaridade da família; tempo dedicado pela família à formação cultural dos filhos; hábitos de leitura em casa; viagens, recursos tecnológicos em casa; espaços sociais frequentados pela família; formas de lazer e de aproveitamento do tempo livre; expectativas dos familiares em relação aos estudos e ao futuro das crianças e dos jovens. c) Financiamento público adequado, com recursos previstos e executados; decisões coletivas referentes aos recursos da escola; conduta ética no uso dos recursos e transparência financeira e administrativa. d) Compromisso dos gestores centrais com a boa formação dos docentes e funcionários da educação, propiciando o seu ingresso por concurso público, a sua formação continuada e a valorização da carreira; ambiente e condições propícias ao bom trabalho pedagógico; conhecimento e domínio de processos de avaliação que reorientem as ações. No interior da escola, outros elementos sinalizam a qualidade social da educação, entre eles, • a organização do trabalho pedagógico e gestão da escola; • os projetos escolares; • as formas de interlocução da escola com as famílias; • o ambiente saudável; a política de inclusão efetiva; • o respeito às diferenças e o diálogo como premissa básica; • o trabalho colaborativo e as práticas efetivas de funcionamento dos colegiados e/ou dos conselhos escolares. Fonte: SILVA, Maria Abadia da. QUALIDADE SOCIAL DA EDUCAÇÃO PÚBLICA: ALGUMAS APROXIMAÇÕES. Cad. Cedes, Campinas, vol. 29, n. 78, p. 216-226, maio/ago. 2009. Disponível em:<http:// www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 14 ago. 2012. http://www.cedes.unicamp.br http://www.cedes.unicamp.br 54 Organização e Desafios da Gestão Escolar Já temos o acesso e a permanência de todas as crianças e adolescentes firmados por lei. O que buscamos com o exercício da democracia é o sucesso de todos na vida escolar com aprendizagens significativas formando cidadãos conscientes não somente de seus direitos, mas também responsáveis e cumpridores de seus deveres. Algumas Considerações Neste texto trabalhamos conceitos complexos, que devem ser entendidos como processo, pois historicamente foram mudando e continuam se constituindo na rede de relações sociais. E como parte do coletivo, esses conceitos têm significados diferentes, conotações e concepções individuais. A riqueza dessas interações trazida para o palco das discussões é que possibilitará a construção de uma gestão democrática da educação. Autonomia, participação, descentralização são princípios que regem a LDB nº 9.394/1996, e que permearam o teor desta discussão. É indiscutível a importância da gestão democrática na formação humana e na construção da cidadania. A gestão democrática da educação é, hoje, uma realidade no Brasil, embora saibamos, ainda não totalmente incorporada à prática educacional. As temáticas apresentadas neste capítulo não dão conta de todas as questões relacionadas à gestão democrática na educação. Outras questões, entre elas, a eleição de diretores que não foi especificamente abordada, mas que certamente está intrinsecamente ligada aos temas por hora discutidos. Caro Pós-Graduando no próximo capítulo vamos dar continuidade a essa discussão abordando a gestão numa prática inovadora utilizando as tecnologias em prol da formação da juventude. Outro tema atual e problemático da atualidade é a violência, que pode ser explícita ou velada como veremos a seguir. Referências BORDIGNON, Genuíno. NATUREZA DOS CONSELHOS DE EDUCAÇÃO. Programa Nacional de Capacitação de Conselheiros Municipais de Educação Pró-Conselho: guia de consulta/coordenação geral e fortalecimento institucional dos sistemas de ensino. 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Brasília, INEP/MEC, v. 17, nº 72, p. 88- 96, 2000. http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad5.pdf http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad5.pdf http://www.escoladegestores.mec.gov.br/site/4...gestao_escolar/pdf http://www.escoladegestores.mec.gov.br/site/4...gestao_escolar/pdf http://www.cedes.unicamp.br http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/EDU/edu2009.htm 58 Organização e Desafios da Gestão Escolar CAPÍTULO 3 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Identificar aspectos da gestão democrática escolar, que contribuem (ou não) na criação de condições para possibilitar uma aprendizagem significativa para os alunos. � Analisar os aspectos que interferem na aprendizagem escolar, e as possibilidades de superação dos entraves detectados nesse processo. 60 Organização e Desafios da Gestão Escolar 61 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 Contextualização Prezado aluno (a) da Pós-Graduação, Você percebeu que nos capítulos anteriores apresentamos alguns conceitos imprescindíveis na gestão democrática da educação, entre eles: a participação do coletivo no processo da educação escolar, autonomia, descentralização, e que certamente não esgotamos o assunto, mas nossa intenção é estimular você a buscar aprofundamento nesta temática, tendo como sugestão de leitura as referências bibliográficas disponibilizadas em cada um dos capítulos deste caderno. A importância da gestão democrática na formação humana como cidadãos e cidadãs é o de provocar a sociedade para que reveja e reconstrua as suas concepções de mundo, de homem, de conhecimento. O exercício de participação na gestão de uma instituição pública de ensino possibilita que os direitos sejam exercidos, mas também faz-se necessário a conscientização de que temos deveres a cumprir enquanto sujeitos, como parte de uma comunidade. Trabalhamos com alguns dos preceitos legais que regem nosso país, mostrando que a cidadania está garantida na lei, mas sabemos que na realidade isso ainda não acontece. Essa construção conceitual é histórica e as mudanças só acontecerão a partir do ”chão das instituições públicas”, pois é aí, que as desigualdades são mais gritantes. Neste capítulo, abordaremos temáticas presentes no dia a dia das pessoas mais especificamentena vida das crianças e dos adolescentes, como as tecnologias da informação e da comunicação, a violência serão discutidas dentro da perspectiva do exercício da cidadania, no cotidiano escolar e que pretendem contribuir com a gestão escolar, que busca nos preceitos da democracia, a formação humana. As Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICS –) na Gestão Escolar A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Estamos na era planetária; uma aventura comum conduz os seres humanos, onde quer que se encontrem. Estes devem reconhecer-se em sua humanidade comum e ao mesmo tempo reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo que é humano (MORIN, 2000, p. 47). 62 Organização e Desafios da Gestão Escolar Para falarmos sobre tecnologias e educação trazemos inicialmente a citação de Edgar Morin, que é um dos maiores expoentes da cultura francesa e considerado o pai da ‘Teoria da Complexidade’. Nos seus escritos, Morin, critica o reducionismo do conhecimento e defende a interligação de todos os saberes. Essas considerações presentes no dia a dia das unidades escolares muitas vezes são ignoradas ou deixadas à parte dos debates locais e das políticas públicas para a educação. Defendendo a incorporação dos problemas do cotidiano ao currículo escolar e a interligação dos saberes, faz uma critica veemente ao ensino fragmentado, individualizado e deslocado do contexto social. Figura 8 - Edgar Morin Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/ search?q=FIGURA+EDGAR+MORIN>. Acesso em: 20 jun. 2012. Edgar Morin, sociólogo francês cujas ideias subsidiaram esse capítulo como veremos a seguir. Autor de mais de trinta livros, entre eles: Figura 9 – Os Sete Saberes Necessários À Educação Do Futuro Fonte: Disponível em: <http://www.aquivoceenoticia.com/2011/07/ os-sete-saberes-necessarios-educacao- do.html>. Acesso em: 20 jul. 2012. Esta obra sistematizou, a pedido da UNESCO, suas reflexões para servirem de ponto de partida para se repensar a educação do século XXI. http://www.google.com.br/search?q=FIGURA+EDGAR+MORIN%3e.%20Acesso http://www.google.com.br/search?q=FIGURA+EDGAR+MORIN%3e.%20Acesso http://www.aquivoceenoticia.com/2011/07/os-sete-saberes-necessarios-educacao-do.html http://www.aquivoceenoticia.com/2011/07/os-sete-saberes-necessarios-educacao-do.html http://www.aquivoceenoticia.com/2011/07/os-sete-saberes-necessarios-educacao-do.html 63 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 Figura10 - A Religação dos Saberes Fonte: Disponível em: <http://200.135.4.10/cgi/ Demetrios.exe/busca_avancada?usa_ sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_ OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20 BY%20TITULO>. Acesso em: 20 jul. 2012. Esta obra, Religação dos Saberes (2010), é a compilação dos textos das temáticas apresentadas nas Jornadas Temáticas, eventos idealizados e dirigidos por Morin. As Jornadas serviram de base para repensar o ensino na França. Figura 11 - A Cabeça Bem Feita Fonte: Disponível em: <http://desenvolvimento emquestao.blogspot.com.br/2010/05/cabeca- bem-feita-repensar-reforma.html>. Acesso em: 20 jul. 2012. A exigência dos tempos que estamos vivendo, denominado a era planetária, segundo Morin (2000), exige mudanças de concepções e de desenvolvermos aptidões de contextualizar e de globalizar o conhecimento. Mas, como bem lembra Morin (2009, p. 14) “[...] o desafio da globalidade é também um desafio da complexidade”. A escola como espaço de aprendizagem, e parte deste contexto, necessita buscar novas formas de aquisição do conhecimento. Conhecimento este, que precisa ser entendido na sua dimensão multidimensional, global, complexa e que se inter-relaciona: relação todo/partes. Lembrando que os componentes que compõem um todo são: o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico (MORIN, 2000; 2009). A escola precisa propiciar ferramentas para o jovem poder enfrentar os problemas do cotidiano, considerando-os como parte de um complexo mundo. Para isso é necessário [...] pensar o problema do ensino, considerando, por um lado, os efeitos cada vez mais graves da compartimentalização dos saberes e da incapacidade de articulá-los, uns aos outros; por outro lado, considerando que a aptidão para contextualizar e integrar é uma qualidade fundamental da mente humana, que precisa ser desenvolvida e, não atrofiada (MORIN, 2009, p. 16). A exigência dos tempos que estamos vivendo, denominado a era planetária, segundo Morin (2000), exige mudanças de concepções e de desenvolvermos aptidões de contextualizar e de globalizar o conhecimento. http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO http://desenvolvimentoemquestao.blogspot.com.br/2010/05/cabeca-bem-feita-repensar-reforma.html http://desenvolvimentoemquestao.blogspot.com.br/2010/05/cabeca-bem-feita-repensar-reforma.html http://desenvolvimentoemquestao.blogspot.com.br/2010/05/cabeca-bem-feita-repensar-reforma.html 64 Organização e Desafios da Gestão Escolar E quanto mais desenvolvida essa capacidade de contextualizar e integrar as diversas disciplinas curriculares, maior a capacidade de resolver problemas de áreas específicas, utilizando a inteligência. E frisando que não nascemos inteligentes. Tornamo-nos inteligentes nas inter-relações que estabelecemos que nos são propiciadas no dia a dia, “pelo exercício da faculdade mais comum e mais ativa na infância e na adolescência, a curiosidade, que, muito frequentemente, é aniquilada pela instrução, quando ao contrário, trata- se de estimulá-la ou despertá-la, se estiver adormecida” (MORIN, 2009, p. 22). Para que isso aconteça, precisamos trabalhar com o erro. As TICs e, principalmente a informática, trazem essa possibilidade de trabalhar com o erro sem que o aluno principalmente o jovem, seja ridicularizado, desconsiderado e recriminado. Entrevista de Ladislau Dowbor. mai., 2004. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=szNSCklQnWY>. Acesso em: 30 jun. 2012. Segundo Ladislau Dowbor, em entrevista concedida a TV em maio de 2004, o espaço do conhecimento está se ampliando, ou seja, precisamos cada vez mais de novos conhecimentos. Como diz o referido teórico “[...] a densidade do conhecimento em todas as nossas atividades está mudando” e é preciso que os educadores percebam que apenas mudar o currículo não é suficiente. É necessário revermos as nossas concepções sobre o processo de aprendizagem. A gestão da unidade escolar deve conduzir a escola para que esta seja a articuladora do processo educativo e não apenas “repetir a cada ano os mesmos conteúdos” (DOWBOR, 2004). Mesmo assim, encontramos escolas, cuja gestão, com concepções de ensino aprendizagem equivocadas, estão preocupadas em preparar os jovens para o mundo do trabalho, oferecendo um ensino acrítico, numa “concepção bancária”, segundo Paulo Freire (1996) e muito distante das exigências da sociedade do conhecimento e dos preceitos legais. Encontramos escolas, cuja gestão, com concepções de ensino aprendizagem equivocadas, estão preocupadas em preparar os jovens para o mundo do trabalho, oferecendo um ensino acrítico, numa “concepção bancária”. http://www.youtube.com/watch?v=szNSCklQnWY 65 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3Você já deve ter percebido que estamos questionando a cultura escolar, principalmente do ensino básico, que muitas vezes apenas considera os conteúdos definidos pelo professor/autoridade como único e o correto. Não estamos dizendo, que os conteúdos básicos para os alunos e adolescentes do ensino fundamental devam ser esquecidos. Eles são muito importantes para instrumentalizar os alunos na construção de novos conhecimentos. A forma como são ministrados, desvinculados da realidade das crianças e dos jovens é que necessita ser discutida. As necessidades trazidas por essa demanda social levam para o espaço escolar, conflitos, dúvidas e equívocos, em relação à formação humana do coletivo, fazendo-se imperativo a atuação da gestão escolar, na organização da instituição, numa perspectiva de educação democrática. Figura12 – Paulo Freire Fonte: Disponível em: <http://anapaula.pbworks.com/w/page/11605792/ SEMIN%C3%81RIO%20PAULO%20FREIRE>. Acesso em: 30 jun. 2012. Quando isso acontece, quase sempre deparamo-nos com jovens despreparados tanto para atuarem, no mercado de trabalho, frente às exigências postas, ou como cidadãos na sua comunidade. Esta forma mecanicista de educação, seguindo o modelo tradicional de ensino, opõe-se as determinações da LDB nº 9394/96, que estabelece no art. 1º Inciso 2º: que a educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social e não dando condições aos jovens de apropriarem-se do saber. http://anapaula.pbworks.com/w/page/11605792/SEMIN%C3%81RIO%20PAULO%20FREIRE http://anapaula.pbworks.com/w/page/11605792/SEMIN%C3%81RIO%20PAULO%20FREIRE 66 Organização e Desafios da Gestão Escolar Entendermos que o acesso às informações e a possibilidade da aquisição de novos conhecimentos são imprescindíveis para a uma escola democrática. O desenvolvimento crítico e criativo numa perspectiva de formação humana, nas instituições públicas de ensino, somente vai ocorrer quando através da gestão escolar, entendida como processo histórico, administrativo, financeiro e político, buscar a participação e envolvimento de toda a comunidade escolar (equipe gestora, professores, funcionários, pais, alunos e comunidade local), através dos Conselhos Escolares, Associação de Pais e Mestres, e outras formas de organização institucional. Além da consonância com a legislação vigente e o suporte técnico e financeiro da entidade mantenedora (município, estado) a escola poderá implementar novas possibilidades que irão auxiliar o processo de ensino e aprendizagem, entre elas a utilização das TICs - novas tecnologias da informação e comunicação para seus alunos e para sua comunidade. Figura 13 - Escola Democrática Fonte: Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seb/img/ conselhos/cabecalho.jp>. Acesso em: 20 jun. 2012. A utilização das TICs, na educação são ferramentas imprescindíveis do processo pedagógico. Mas, esse acesso as tecnologias, só é válido quando for meio e resultado das aprendizagens significativas para todos. O Ministério da Educação (MEC), no Guia de Tecnologias Educacionais 2011/2012 reforça este pensar quando diz que: Embora se considere importante o uso de uma tecnologia, vale lembrar que esse uso se torna desprovido de sentido se não estiver aliado a uma perspectiva educacional comprometida com o desenvolvimento humano, com a formação de cidadãos, com a gestão democrática, com o respeito à profissão do professor e com a qualidade social da educação (BRASIL, 2011, p. 15). 67 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 Não se questiona mais a incorporação nos espaços escolares, dessa importante ferramenta, como aconteceu no início dos anos 1980. Contudo, ainda neste início do século XXI permanecem as dúvidas em relação ao desenvolvimento deste processo e muitos equívocos quanto à utilização deste suporte pedagógico. Assim, a metodologia tem de ser a questão central em todo este processo. Esse alerta é dado pelo MEC que assim se manifesta: Sabe-se que o emprego deste ou daquele recurso tecnológico de forma isolada não é garantia de melhoria da qualidade da educação. A conjunção de diversos fatores e a inserção da tecnologia no processo pedagógico da escola e do sistema é que favorecem um processo de ensino-aprendizagem de qualidade (BRASIL, 2009, p. 17). Para garantir os preceitos legais, os governos, têm investido em programas como: Transporte Escolar, Gestão Escolar, Mais Educação, Escola Aberta, Saúde Escolar, Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, Programa Nacional de Capacitação dos Conselheiros Municipais de Educação, PROINFO entre outros programas oferecidos pelo Governo Federal, como vimos no capítulo anterior. A utilização das novas tecnologias de informação e comunicação ainda é uma realidade do cotidiano de uma parte da população brasileira. Dentro da proposta de garantia de igualdade de condições, o MEC vem possibilitando a todas as unidades escolares públicas, meios para a democratização da educação na busca de um ensino de qualidade. O acesso a esta ferramenta pedagógica - TICs, enquanto política pública, considera-se o pacto federativo, com o princípio da divisão de responsabilidades dos governos federais, estaduais e municipais na educação escolar. O processo pedagógico, com a integração das TICs, que é possibilitado desde a educação infantil e ao longo da vida escolar, suscita questões importantes deste movimento como: a) Necessidade de termos conhecimento sobre tecnologias e o conhecimento de tecnologias “(ou seja, com e por meio de)” (PRATA, 2005, p. 14). É necessário o professore saber usar as ferramentas das novas tecnologias. Não se questiona mais a incorporação nos espaços escolares, dessa importante ferramenta, como aconteceu no início dos anos 1980. Dentro da proposta de garantia de igualdade de condições, o MEC vem possibilitando a todas as unidades escolares públicas, meios para a democratização da educação na busca de um ensino de qualidade. 68 Organização e Desafios da Gestão Escolar Isso é possível através de formação continuada. É questão técnica. Mas como educador o tecnicamente não basta. A metodologia de utilização das TICsé a discussão maior hoje. Estamos passando no Brasil num momento de definições metodológicas. Esse é um dos grandes desafios para a educação nacional, no que se refere ao uso das TICs: a metodologia tem que ser o centro das discussões. Procure no endereço eletrônico abaixo e assista ao vídeo: NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO. Disponível em:<www. youtube.com/watch?v=-FoX50_ZORQ>. Acesso em: 20 jun. 2012. Atividade de Estudos: 1) A partir da sua vivência reflita sobre a necessidade do conhecimento e o conhecimento das novas tecnologias. Qual foi a sua maior dificuldade em relação a utilização das TICs na educação? Como você superou esse impasse? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ http://www.youtube.com/watch?v=-FoX50_ZORQ http://www.youtube.com/watch?v=-FoX50_ZORQ 69 GestãoInovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 b) A organização da gestão das TICs no espaço escolar tem que ser numa perspectiva democrática. Já sinalizamos nos capítulos iniciais a importância da gestão escolar democrática no processo educativo. As instituições de ensino têm de ser encaradas como uma comunidade educativa, permitindo a participação do coletivo escolar em torno do projeto comum da Unidade – Projeto Político Pedagógico e a organização metodológica (uso, disponibilização, espaço e tempo) das TICs nas instituições escolares é, sem dúvida, parte deste processo educativo. Se a organização, a gestão do espaço e tempo escolar é um fator preponderante na democratização das instituições públicas, especificamente em relação as TICs, sabemos que muitas escolas já vem realizado este trabalho. Muitas unidades escolares têm socializado seus espaços e organizado os mesmos, conforme sua realidade e necessidade. Como por exemplo, para que a sala de informática/multimídia possa ser utilizada tanto pelos alunos e professores como pela comunidade, é organizado rodízio entre as salas, entre as disciplinas, enfim há um planejamento para o uso da sala de informática/multimídia. Este planejamento deve estar definido no Projeto Político Pedagógico, e por isso, considerado como uma ação democrática de conhecimento da comunidade escolar. Além disso, a questão metodológica em relação as TICs, como já citamos anteriormente, ainda é um entrave na gestão escolar democrática, pois como diz Nogueira (2010) muitas vezes, os professores fazem “o velho com o novo”. O educador no vídeo ainda exemplifica como é comum isso ocorrer. Imaginem uma sala informatizada, onde cada aluno tem o seu computador para utilizar e o professor tem um laptop na sua mesa acoplado a um projetor multimídia. Ele aperta um botão e o projetor multimídia desce e na tela projetada aparece a tabuada. O exemplo demonstra a utilização de toda uma tecnologia para uma velha metodologia que não necessita dessas ferramentas. Ou ainda, os alunos irem para a sala informatizada e copiarem texto, ou elaborarem um texto como poderiam fazer usando o caderno. As TICs possibilitam a criatividade, desenvolvem o raciocínio, o pensamento e a pesquisa. Mas isso depende do planejamento do professor e de possibilitar a autoria aos alunos utilizando as ferramentas disponíveis na sua linguagem usual. As instituições de ensino têm de ser encaradas como uma comunidade educativa, permitindo a participação do coletivo escolar em torno do projeto comum da Unidade – Projeto Político Pedagógico e a organização metodológica. 70 Organização e Desafios da Gestão Escolar Figura14 - Sala de informática Fonte: Disponível em:<http://portal sme.prefeitura.sp.gov.br>. Acesso 30 jul. 2012. c) A necessidade de mudanças e de se rever as concepções de ensino e aprendizagem. Moran (2004, p. 29) sintetiza este ponto quando defende “Ensinar e aprender exigem hoje muito mais flexibilidade espaço- temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação”. Segundo o autor, uma das maiores dificuldades atualmente, com o uso das tecnologias, especificamente o computador e a Internet, é a de filtrar as informações, obtidas nas mais diversas fontes de acesso. Para um maior entendimento e compreensão, do aluno, num processo que permite escolhas o “papel do professor – o principal papel – é ajudar o aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los” (MORAN, 2004, p. 30). Precisamos de escolas que possibilitem que auxiliem seus alunos a filtrarem e selecionarem as informações obtidas através dos meios de comunicação; a organizarem a memória do que aprenderam; a aprenderem como se organizam arquivos e como se organizam as pesquisa para obter as informações necessárias e significativas. Assim, conforme Wittmann (2000, p. 90) “As novas descobertas sobre o aprender e a evolução teórico-prática da educação e de sua administração constituem fundantes histórico educativos da autonomia da escola e da democratização de sua gestão”. A necessidade de mudanças e de se rever as concepções de ensino e aprendizagem. 71 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 d) a urgência de entender-se o contexto escolar público numa macro abrangência sócio política e econômica (NÓVOA, 1999, ). Considerando a educação como uma prática social, a sua ação está interligada a outras áreas como: economia, política, financeiro, histórico, sócio antropológico, sendo influenciada e influenciando a realidade historicamente construída pela humanidade. Dowbor, (2011) instiga e acrescenta nosso pensamento quando diz: Nesta rearticulação da sociedade, hoje urbanizada e coexistindo em “vizinhanças”, e frente ao novo papel do conhecimento no nosso cotidiano, as estruturas de ensino poderiam evoluir, por exemplo, para um papel muito mais organizador de espaços culturais e científicos do que propriamente de “lecionador” no sentido tradicional. De toda forma o espaço urbano abre possibilidades para a organização de redes culturais interativas que colocam novos desafios ao próprio conceito de educação (DOWBOR, 2011, p. 15). É importante ressaltar que já encontramos no contexto escolar movimentos que têm possibilitado a participação da comunidade escolar, trocando experiências, ouvindo e acatando sugestões e buscando a interação com outros espaços, sejam eles virtuais ou geograficamente diferentes. Ao entender que o processo educativo vai além dos muros da escola, os educadores buscam interagir com o aluno permitindo que ele se manifeste de diferentes formas (música, teatro, vídeos, desenho, imagens, e outros) e se expresse na linguagem que lhe é mais aprazível. O papel da escola é o de “ponte” entre os conhecimentos historicamente acumulado pela humanidade e que estão em constante movimento e transformação e os saberes da realidade do aluno, trabalhando na formação do humano (afetivo, moral, ético, histórico etc.). Assim, a escola vai se afirmando como espaço sócio educativo de formação humana, considerando que A inteligência não consiste num depósito a priorístico da verdade a ser explicitada. Nem consiste num depósito vazio no qual a ‘verdade’, ou as informações serão depositadas. A inteligência constitui-se um processo construtivo. Como processo construtivo ela é universal, presente em cada pessoa. Ela constitui uma base comum, uma vez que não é predeterminada, inatamente, nem depende do privilégio do acesso ao saber. Constitui-se, assim, o elemento fundante da democracia. Ela é a garantia universal do acesso ao saber (WITTMANN, 2000, p. 92). Considerando a educação como uma prática social, a sua ação está interligada a outras áreas como: economia, política, financeiro, histórico, sócio antropológico, sendo influenciada e influenciando a realidade historicamente construída pela humanidade. O papel da escola é o de “ponte” entre os conhecimentos historicamente acumulado pela humanidade e que estão em constante movimento e transformação e os saberes da realidade do aluno, trabalhando na formação do humano (afetivo, moral, ético, histórico etc.). 72 Organização e Desafios da Gestão Escolar Entender que a escola é parte de um contexto mais amplo que envolve ações e decisões econômicas, políticas, sociais, ética, morais etc “[...] enquanto totalidade da prática educativa, ela é a concretização da dinâmica integradora de todos os atos pedagógicos, desde a relação professor aluno até o clima ou cultura da escola.” (WITTMANN, 2000, p. 95). Envolve pais, comunidade, recebe influencias e contribui para a construção histórica da sociedade. Pensar acontecimentos como fatos isolados, como a violência, especificamente no espaço escolar, não dá conta da amplitude da situação, na busca de soluçõespara a problemática como veremos a seguir, após a atividade proposta para você Pós- Graduando, refletir sobre a temática abordada. Atividade de Estudos: 1) Assinale a alternativa correta. Conforme José Manuel Moran - Ensino e aprendizagem inovadora com tecnologias audiovisuais e telemáticas. In: Moran, José Manuel, MASETTO, Marcos Tarciso, BEHRENS, Marilda A. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 8. ed. Campinas: Papirus, 2004. “Ensinar e aprender exigem hoje muito mais flexibilidade espaço- temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais abertos de pesquisa e de comunicação” (MORAN, 2004, p. 29). De acordo com o autor, a escola atual, precisa: ( ) de um ensino rígido dentro dos parâmetros do ensino tradicional; ( ) de um ensino que favoreça a aptidão natural em formular e resolver problemas contextualizados; ( ) organizar o tempo respeitando as necessidades individuais e as do grupo; ( ) trabalhar os conteúdos dentro de uma nova metodologia, permitindo a manifestação individual. 73 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 Violência Escolar: Uma Construção Social e Histórica Dia após dia nega-se às crianças o direito de serem crianças. Os fatos, que zombam desse direito, ostentam seus ensinamentos na vida cotidiana. O mundo trata os meninos ricos como se fossem dinheiro, para que se acostumem a atuar como o dinheiro atua. O mundo trata os meninos pobres como se fossem lixo, para que se transformem em lixo. E os do meio, os que não são ricos nem pobres, conserva-os atados à mesa do televisor, para que aceitem desde cedo, como destino, a vida prisioneira. Muita magia e muita sorte têm as crianças que conseguem ser crianças (GALEANO, 1999, p.11). Entendemos a violência como uma questão social, e não um fenômeno, advindo de uma ação individual, mas sim resultado de problemas mais amplos que afetam a sociedade. José Vicente Tavares dos Santos (2001) completa este pensar dizendo: Como efeito dos processos de fragmentação social e de exclusão econômica e social, emergem as práticas de violência como norma social particular de amplos grupos da sociedade presentes em múltiplas dimensões da violência social e política contemporânea (SANTOS, 2001, p. 107). Muitos estudos têm sido realizados sobre violência, registrados na literatura internacional e trabalhos que falam da realidade brasileira. Entre eles, os do Instituto Sangari, que vem realizando pesquisa sobre violência há mais de três décadas, sob a responsabilidade do sociólogo, Julio Jacobo Waiselfisz. No relatório 2011, cuja temática é Jovens do Brasil, especificamente tratando da violência homicida, os dados servem, como um alerta e questionamos a partir dos mesmos: o que a sociedade (entenda-se: nós) contribuiu ou não para que isto continue a acontecer? Vejamos, na pesquisa realizada em 2008 cuja análise dos dados aponta fatos alarmantes: a) “A partir dos 13 anos, o número de vítimas de homicídio vai crescendo rapidamente, até atingir o pico de 2.304 na idade de 20 anos. b) É na faixa “jovem”, dos 15 aos 24 anos, que os homicídios atingem sua máxima expressão, principalmente na faixa dos 20 aos 24 anos de idade, com taxas em torno de 63 homicídios por 100 mil jovens. c) As taxas mais elevadas, acima de 60 homicídios em 100 mil jovens, encontram-se dos 19 aos 23 anos de idade” (WAISELFISZ, 2011, p. 53). 74 Organização e Desafios da Gestão Escolar Mais adiante o relatório traz que Muito preocupante, também, é a constatação de que esse índice de vitimização vem crescendo historicamente de forma lenta, mas gradual e sistemática. No início da década analisada, o Índice de Vitimização Juvenil era de 220 (duzentos e vinte) (2,2 homicídios de jovens por cada homicídio de não jovem). Em 2008, esse índice aumentou para 258 (duzentos e cinquenta e oito), o que representa um crescimento de 17,3% no índice, que inicialmente já era muito elevado (WAISELFISZ, 2011, p. 72). A violência, a partir de 2008, tem seu índice diminuindo, mas ainda é preocupante. Apesar das campanhas, estratégias e as políticas desencadeadas, há necessidade de “[...] aprofundar os caminhos percorridos e diagramar novas iniciativas de enfrentamento” (WAISELFISZ, 2011, p. 157). Atividade de Estudos: 1) Prezado Pós- Graduando, mas, o que pode ser considerado ‘violência’? Você deve ter usado este vocábulo muitas e muitas vezes. Você poderia definir o que é violência? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Iniciamos buscando a etimologia do termo e em seguida trazemos algumas definições procurando trabalhar a especificidade neste texto. Conforme Michaud (1989, p. 8), “Violência (grifo do autor) vem do latim violentia, que significa violência, caráter violento ou bravio, força. O verbo violare significa tratar com violência, profanar, transgredir. “[...] no âmago da noção de violência, a ideia de uma força, de uma potência natural cujo exercício contra alguma coisa ou contra alguém torna o caráter violento. [...] ela deixa marcas” (MICHAUD,1989, p. 8). A violência, a partir de 2008, tem seu índice diminuindo, mas ainda é preocupante. Apesar das campanhas, estratégias e as políticas desencadeadas, há necessidade de “[...] aprofundar os caminhos percorridos e diagramar novas iniciativas de enfrentamento” (WAISELFISZ, 2011, p. 157). 75 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 Definir e categorizar a palavra ‘violência’ é difícil, pois é um termo muito amplo. O autor citado anteriormente (MICHAUD, 1989, p. 10), se expressa bem quando diz: Há violência quando, em uma situação de interação, um ou vários atores agem de maneira direta ou indireta, maciça ou esparsa, causando danos a uma ou a mais pessoas em graus variáveis, seja em sua integridade física, seja em sua integridade moral, em suas posses, ou em suas participações simbólicas e culturais. A violência, portanto, não é caracterizada somente como agressão física como muitas vezes equivocadamente isto acontece, e nem está limitada a determinada faixa etária. Ou seja, a violência está presente em todas as idades e muito mais camuflada pelas normas culturais de cada região, nas primeiras idades até a adolescência. Para proteger especificamente crianças e adolescentes, foi instituído em 13 de julho de 1990 o Estatuto da Criança e do Adolescente. Seguindo os preceitos da Constituição Federal (1988), foi promulgada a Lei 8069 - Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA que é um conjunto de normas que visam à proteção das crianças e adolescentes. A lei define como criança toda a pessoa que tenha 12 (doze) anos incompletos e adolescentes dos 12 (doze) anos até 18 (dezoito) anos. Para saber mais acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/l8069.htm>. Acesso em: 30 jun. 2012. Contudo, apesar de amparo legal, hoje ainda, a violência infanto-juvenil é uma realidade na nossa sociedade e os dados não são verídicos, pois muitas vezes os abusos não são denunciados, tanto pelo agredido como pelos familiares e comunidade por medo, vergonha ou por falta de conhecimento da lei e de seus trâmites legais. Buscamos também, subsídios para tratar a temática do texto no recorte: escola, no trabalho socializado na literatura como “Violência na Escola: Um guia para pais e professores” (2006), resultado de pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade deSão Paulo. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm 76 Organização e Desafios da Gestão Escolar Este material, também está disponível em: <www.nevusp.org/ downloads /down235.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2012. No texto de Viviane de Oliveira Cubas, “Violência nas escolas: como defini- la” (RUOTTI, 2006), cita que: [...] violência nas escolas é uma tarefa que exige cuidado e precisão. Cuidado para não estigmatizar os atores envolvidos e atribuir uma dimensão exagerada aos casos do cotidiano e precisão para não ignorar as sutilezas que afetam de forma negativa a comunidade escolar (CUBAS, 2006, p. 23). Além da dificuldade de definir este fenômeno no espaço escolar, identificar o que seria um ato violento e como evitá-lo não é tarefa simples. A autora dentre outros teóricos de diferentes nacionalidades, traz com Bernad Charlot (A violência na escola: como sociólogos franceses abordam essa questão. Sociologias. Porto Alegre, ano 4, nº 8, jul/dez 2002), a contribuição dos estudos franceses. O autor considera essencial para se pensar estratégias de atendimento, determinar os tipos de violência escolar. Assim, divide a violência escolar em categorias, a saber: a) quando a violência tem origem externa - um grupo invade a escola para brigar com alguém que está nos recintos dela; b) violência contra a instituição - depredação do prédio escolar; c) violência contra os próprios alunos - relação entre docentes e alunos - desde agressão verbal até a avaliação institucional, que caracterizam preconceitos sem estarem ligados diretamente aos objetivos educacionais relacionados ao desempenho escolar. Cubas (2006, p. 28) afirma, contudo, que Apesar dos esforços em trabalhar esses conceitos, a tentativa de delimitar fronteiras às ações violentas que ocorrem no ambiente escolar não deve encobrir as especificidades do fenômeno, isso porque a violência não tem um significado único, mas varia de acordo com o contexto em que ocorre e conforme os atores envolvidos. http://www.nevusp.org/downloads/down235.pdf http://www.nevusp.org/downloads/down235.pdf 77 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 Outro cuidado, que devemos tomar é o de pensar a violência escolar, segundo a autora, é o de apresentar a escola como vítima ou a individualizar o ato de violência. Essa discussão, também é feita por Abramovay e Rua (2004), que nos alertam sobre essa questão, quando afirmam em seu texto, analisando os dados da pesquisa realizada: Em busca de pistas para políticas e programas contra violência nas escolas é importante cuidar das diferenças entre universos simbólicos que permite melhor compreensão de como se comportam os membros da comunidade escolar em face da violência. Como vem-se destacando, são comuns as discrepâncias entre o que registram os alunos e os membros do corpo técnico-pedagógico. Isto pode significar a presença de barreiras na comunicação, divergência de perspectivas e de concepções da realidade, possivelmente expressando conflitos entre tais sujeitos (ABRAMOVAY; RUA, 2004, p. 240). José Vicente Tavares dos Santos (2001), também quando da análise dos dados de sua pesquisa – “A violência no espaço escolar, na cidade de Porto Alegre, entre 1996 e 2000”, vai além desse pensamento estabelecendo relação entre os acontecimentos de violência e as intrínsecas relações entre escola, família e comunidade. Diz que: A compreensão das relações entre escola e as práticas da violência passa pela reconstrução da complexidade das relações sociais que estão presentes no espaço social da escola. [...] serão exatamente as combinações entre as relações de classe entre grupos culturais que permitirão uma abordagem explicativa da presença na instituição escolar, de práticas de violência (SANTOS, 2001, p. 107). O movimento da rede de relações, da qual a instituição escolar faz parte, é explicitado, quando o aluno muitas vezes age de forma agressiva nos seus relacionamentos escolares, reproduzindo o comportamento visto pelos educadores, quando em contato com a sua família. Em relação a esta questão, Santos (2001) escreve que Desse modo, temos que entender a violência como relação de sociabilidade presente na escola, trazida ao espaço escolar por uma dupla fonte: ou como expressão de um autoritarismo pedagógico ou como transferência de uma norma social. A primeira afirmando uma fórmula repressiva de conduta professoral na sala de aula; a segunda marcada pela violência que rege as relações interpessoais em grupos sociais particulares, as quais se manifestam como normalidade no cotidiano dos alunos e de suas famílias e, por este entendimento, esta violência domestica se transfere para o espaço escolar (SANTOS, 2001, p. 115). Ruotti (2006) nos seus escritos, também refletindo sobre violência escolar, aponta, segundo os dados da pesquisa realizada, conforme citado anteriormente, que: 78 Organização e Desafios da Gestão Escolar Embora não possamos negar que haja certas manifestações de violência nas escolas, essas são, predominantemente, de natureza não criminosa. De fato, o que se percebe, em grande medida, são ocorrências mais sutis ou declaradas de intimidação, preconceitos, desrespeitos, que indicam problemas na própria dinâmica escolar e a ausência de atitudes que favoreçam resoluções negociadas dos conflitos. Nesse sentido, não só os profissionais de educação sentem-se vitimas da violência, mas também os próprios alunos que, não obstante, sofrem de agressões e desrespeito por parte dos próprios alunos ou mesmo dos demais membros escolares (RUOTTI, 2006, p. 155) Na pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, nas escolas da Zona Leste e Sul da capital paulista de 2001 a 2002, os dados apontam que há muito mais violência no entorno da escola do que propriamente nos recintos escolares. O que nos leva a refletir sobre as afirmações que relacionam os ambientes sociais violentos e com taxas elevadas de criminalidade e os conflitos que ocorrem na escola, daquela comunidade (RUOTTI, 2006). Caro Pós-Graduando, As colocações a partir da análise de dados de pesquisas realizadas sobre a violência no Brasil e no mundo, mais especificamente no espaço educacional apontam para as diversas formas de expressão da agressão seja ela, física, psicológica ou moral de forma velada ou explícita. Figura 14 - Bullying Fonte: Disponível em:<http://hypescience.com/como-garantir- que-seu-filho-nao-faca-bullying/>. Acesso em: 01 jul.2012. As colocações a partir da análise de dados de pesquisas realizadas sobre a violência no Brasil e no mundo, mais especificamente no espaço educacional apontam para as diversas formas de expressão da agressão seja ela, física, psicológica ou moral de forma velada ou explícita. http://hypescience.com/como-garantir-que-seu-filho-nao-faca-bullying/ http://hypescience.com/como-garantir-que-seu-filho-nao-faca-bullying/ 79 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 Uma das temáticas mais discutidas, relacionadas da violência escolar é o bullying que pode ser definido como: “[...] um tipo de violência física e/ou psicológica, caracterizada pela repetição de atos e pelo desequilíbrio de poder entre agressor e vítima” (CUBAS, 2006, p. 175). O Bullying é um fenômeno antigo, mas somente nos últimos anos tem-se dado relevância a esta forma de violência muito presente na nossa sociedade. Reconhecer as principais manifestações deste fenômeno é de suma importância para trabalharmos com os alunos e a comunidade na prevenção desta manifestação de violência. As diferentes formas de Bullying foram abordadas na palestra proferida por Liane Koffke, por ocasião do Seminário Regional de Formação Continuada de Professores e I Mostra de Experiências e Vivências Pedagógicas. AMOP/UNIOESTE (2010),como segue abaixo: Texto adaptado da Palestra Proferida por KOFFEK (2010) Bullying “[...] Existe uma enorme diferença entre: “rir com alguém” e “rir de alguém”. As principais formas de maus-tratos envolvendo o Bullying são: Físico (bater, chutar, beliscar, empurrar, socar). Verbal (apelidar, falar mal, zoar). Moral (difamar, caluniar, discriminar, espalhar boatos). Quando um adulto sofre assédio moral (Mobbing) ele recorre à Justiça. E as crianças e adolescentes? Alguém precisa ajudar orientar, mediar e encaminhar as providências. Sexual (abusar, assediar, insinuar). Psicológico (intimidar, ameaçar, perseguir). Material (furtar, roubar, destroçar pertences). Virtual (zoar, discriminar, difamar, por meio da Internet e celular). O Cyberbullying é a utilização de ferramentas da Internet e outras tecnologias de informação e comunicação, móveis ou fixas, 80 Organização e Desafios da Gestão Escolar para praticar Bullying. E-mails, torpedos, blogs, fotoblogs, Orkut, Facebook, Twitter, Messenger e outros são montados para divulgar imagens e assediar. O que fazer? A vítima de cyberbullying deve recolher as evidências da agressão, imprimindo as telas em que aparecem as ofensas. Com esse material em mãos, a vítima e os pais devem procurar uma delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência. A polícia encaminha esse documento para uma delegacia de crimes virtuais responsável por rastrear o IP (Internet Protocol) para chegar ao agressor. Tem o Mobile Bullying - com o celular fotografam, fazem montagens com piadinhas, gozações e comentários cruéis, torpedos. Existe o Happy Slapping - que é gravar nos celulares ataques ou humilhações para difundir na Internet. Sexting - que é a união das palavras em inglês sex (sexo) e texting (envio de mensagens) e servem para textos e fotos sensuais (nus ou seminus) enviados por celular, e-mail, webcam, geralmente para paqueras, ficantes, namorados (as), maridos (esposas). A prática do Bullying se dá através de textos e mensagens sexuais ou eróticos com imagens pessoais utilizando-se de qualquer meio eletrônico” (KOFFEK, 2010). Para ilustrar as questões apresentadas neste texto e provocar reflexões sugerimos alguns filmes como: 81 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 Ponte para Terabítia (2007) Terabítia é um filme que trabalha a imaginação infantil. É um lugar criado pelas crianças. Jess (Josh Hutcherson) e Leslie (Anna Sophia Robb) para esquecerem os problemas que a realidade lhes impõe, como a falta de dinheiro em casa, as brigas do pai, a rejeição dos colegas de escola ao qual são expostos, assim como muitas outras crianças e jovens. O filme Tomboy ganha importância ao mostrar como nascem o preconceito e a intolerância. Fonte: Disponível em:<http://www.cineclick.com.br/criticas>. Acesso em: 16 mai. 2012. Direção: Gabor Csupo • Roteiro: Jeff Stockwell, David Paterson • Gênero: Aventura/Drama/Fantasia • Origem: Estados Unidos • Duração: 95 minutos • Tipo: Longa-metragem Diretor: Céline Sciamma • Roteiro: Céline Sciamma • Gênero: Drama • Origem: França • Duração: 82 min. • Tipo: Longa-metragem • Ano: 2011 http://www.cineclick.com.br/criticas http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=15000 http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=15001 http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=15002 http://www.cineplayers.com/top_genero.php?id=9 http://www.cineplayers.com/top_genero.php?id=4 http://www.cineplayers.com/top_genero.php?id=10 82 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) Preencha as lacunas com as palavras em destaque: A violência, portanto, não é ___________________________ somente como agressão __________________________ como muitas vezes equivocadamente isto acontece, e nem está ___________________________ a determinada faixa ___________________________. Escola na Busca da Prevenção da Violência Entre Crianças e Jovens As discussões teóricas e o estado da arte sobre violência nas escolas têm se modificado historicamente e intensificado os estudos, contribuindo, segundo Cubas (RUOTTI, 2006); Abramovay (2004), Santos (2001), Routti (2006) e outros, para a concretização de ações, tanto pelo poder público, como pelas unidades de ensino. Nessa proposta o objetivo é fortalecer as instituições, criando regras livremente consentidas e levando em conta os conflitos de forma a organizar meios para sua resolução: contra a palavra emparedada impõem-se restaurar a autoridade legítima do professor e a mediação da linguagem mediante uma enunciação legítima, na qual se afirma a pedagogia do desejo das forças da vida, percebendo-se a instituição escolar como uma rede de relações (SANTOS, 2001, p. 109). Contudo, sabemos que ações isoladas não dão conta da amplitude do problema da violência nas escolas se estas não estiverem relacionadas à implementação de políticas públicas nas três esferas do poder: federal, estadual e municipal dentro do regime de cooperação federativa. Muitas ações vêm sendo desenvolvidas nesta perspectiva e algumas indicadas abaixo. Ações isoladas não dão conta da amplitude do problema da violência nas escolas se estas não estiverem relacionadas à implementação de políticas públicas nas três esferas do poder: federal, estadual e municipal dentro do regime de cooperação federativa. 83 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 1. Campanha de Prevenção à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes; <http://portal.mj.gov.br/sedh/spdca/>. 2. Projeto Escola que Protege. <http://portal.mec.gov>. 3) Bullying - Justiça nas Escolas (Cartilha sobre Bullying); <www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal/Cartilhas/bullying.pdf>. 4) Programa antibullying “Educar para a Paz” da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência; <www.bullying.pro.br>. 5) Escola Segura; <http://www.soudapaz.org/Portals/0/Downloads/ Cartilha01ESCOLA_VsFINAL.pdf>. 6) Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres; <www.bysms.saude.gov.br>. 7) Protocolo de atenção às pessoas em situação de violência sexual; http://portal.mj.gov.br/sedh/spdca/ http://portal.mec.gov http://www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal/Cartilhas/bullying.pdf http://www.bullying.pro.br http://www.soudapaz.org/Portals/0/Downloads/Cartilha01ESCOLA_VsFINAL.pdf http://www.soudapaz.org/Portals/0/Downloads/Cartilha01ESCOLA_VsFINAL.pdf http://www.bysms.saude.gov.br 84 Organização e Desafios da Gestão Escolar <www.feim.org.ar/pdf/blog_violencia/protocolo_Florianopolis.pdf>. 8) Site do Observatório da Infância; <www.observatoriodainfancia. com.br>. Os diferentes programas desenvolvidos nas áreas: jurídica e da saúde também têm dado suporte teórico e têm contribuído,na prevenção da violência nas unidades de ensino. Somos responsáveis por nossas crianças e nossos jovens, como pais, educadores, cidadãos, conforme estabelece a Constituição Federal (1988) em seu art. 227, quando diz: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Também o Estatuto da Criança e do Adolescente determina no art. 18º – “É dever de todos, velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”. A escola como espaço sócio educativo de formação humana (WITTMANN, 2000), para enfrentar os problemas de violência e transgressão, necessita repensar a organização do trabalho pedagógico por meio de sua gestão. Buscar a participação e envolvimento da comunidadeé imprescindível para se buscar soluções democráticas para os conflitos escolares. Routti (2006) apresenta uma síntese de algumas iniciativas ou propostas desenvolvidas pelos governos ou instituições privadas na América Latina: 1. “desenvolvimento de atividades lúdicas, artísticas e esportivas (campeonatos, dramatizações, projetos de dança, música etc.), tendo como objetivo estimular o desenvolvimento pessoal, a construção das identidades e o favorecimento do trabalho em equipe; É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. http://www.feim.org.ar/pdf/blog_violencia/protocolo_Florianopolis.pdf http://www.observatoriodainfancia.com.br http://www.observatoriodainfancia.com.br 85 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 2. promoção dos Grêmios Escolares, a fim de propiciar a participação ativa dos alunos nas atividades e decisões escolares; 3. alteração nos currículos de formação dos professores com a inserção de matérias específicas centradas no estudo da violência, consumo de drogas, gestação e maternidade precoces, fracasso escolar, promoção da reflexão ética, importância de construir uma cultura democrática, o respeito à legalidade e aos direitos humanos; 4. preparação dos professores, já em atividade, para trabalhar com os alunos valores de tolerância, respeito mútuo e convivência pacífica. Entretanto, Furlan e Reyes (2003) alertam que devido ao constante hiato que separa projeto e ação na atividade educativa é necessário que programas destinados à formação dos professores sejam acompanhados por esforços de todos os membros escolares, para que os conhecimentos adquiridos possam ser trabalhados de forma efetiva no cotidiano escolar; 5. elaboração de manuais destinados aos profissionais de educação para tratamento da violência na escola e de materiais didáticos a serem utilizados pelos professores com seus alunos no desenvolvimento de atividades destinadas à reflexão sobre os direitos e como eles se inscrevem na vida cotidiana; 6. programa de motivação pessoal e auto estima docente, tendo como objetivos: fortalecer os valores e elevar a auto estima dos professores por meio de estratégias e processos de vivência para o crescimento pessoal e social, reconhecer a existência de atos de violência para uma mudança de atitude na comunidade educativa, motivar os professores para a utilização de métodos alternativos de solução de conflito em sua prática cotidiana; 7. atividades de sensibilização das autoridades educativas sobre a temática; 8. difusão de atividades alternativas, como cursos, conferências, encontros etc., dirigidas à comunidade escolar e público em geral; 9. programas destinados à formação de policiais em direitos humanos, ética e cidadania; 86 Organização e Desafios da Gestão Escolar 10. instauração do processo de mediação escolar, que tem como objetivo geral promover valores chaves como cooperação, comunicação, respeito à diversidade, responsabilidade e participação; 11. desenvolvimento de comitês para convivência escolar democrática: “proposta pedagógica que promove a institucionalização de um espaço permanente de reflexão acerca da gestão, da resolução pacífica e dialogada de conflitos e a participação democrática. (...) Esses funcionam como um espaço de conversação e decisão sobre os aspectos da vida escolar relacionados com a convivência e participação. Os integrantes dos comitês devem representar as distintas visões dos atores acerca das normas disciplinares, dos procedimentos de gestão, dos mecanismos de consulta e decisão, assim como das formas de canalizar e resolver os conflitos. O ponto de partida é, certamente, a construção participativa de um diagnóstico, o que posteriormente deve ser difundido e aprendido pela comunidade. O diagnóstico permite identificar o problema que o comitê abordará e que, provavelmente, implica numa etapa de ‘adequação institucional’ para revisar os procedimentos para resolver as diferenças etc. Segue a implementação do plano, com coordenação e articulação do conjunto de atividades do comitê, incluindo ações e marcos de segmento e evolução” (NAVARRO, 2003, p. 233)” Fonte: Routti (2006, p. 219). Atividade de Estudos: 1) Dentre as diversas iniciativas desenvolvidas na América Latina pelos governos e instituições particulares escolha 3 (três ) e justifique por que as considerou importantes. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ 87 Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, Juventude e Violência Capítulo 3 Algumas Considerações Neste capítulo, discutimos temáticas importantes, que fazem parte do cotidiano escolar, como as contribuições das novas tecnologias de informática e comunicação, utilizando-as, não como um fim em si mesma, mas como ferramentas que possibilitem trazer significação para os conteúdos escolares permitindo ao aluno expressar-se através de diferentes linguagens. Você deve ter percebido que há muito ainda para aprender e pesquisar sobre o processo educativo com a integração das Tecnologias de Informática e Comunicação, utilizadas como meio e resultados de aprendizagens significativas. Apontamos algumas possibilidades e os entraves deste entremeio do movimento social, que interliga a instituição de ensino à sociedade, numa rede de relações. Destacamos mais uma vez, a necessidade da participação do coletivo escolar no planejamento, nas tomadas de decisões e na avaliação do processo dos eventos conflituosos evitando os atos de violência dentro do espaço escolar e fora dele. Violência que está presente não só entre os jovens e adultos, mas em todas as idades. Algumas vezes a violência é explicita, mas quase sempre camuflada pela representação cultural das diferentes regiões do Brasil, assim como na naturalização dos acontecimentos dos episódios violentos na própria família. Atentamos para a necessidade de buscar soluções conciliatórias para os conflitos escolares, pois estes fazem parte do processo democrático. Contudo, os encaminhamentos dados aos conflitos é que podem ou não transformar-se em atos de violência. Na busca de como lidar com os conflitos nas instituições de ensino estaremos abordando no próximo capítulo, a construção das regras e normas escolares numa proposta de gestão democrática e parte do planejamento coletivo da unidade escolar. Referências ABROMOVAY, Miriam; RUA, Maria das Graças. Violência nas escolas. Brasília: 88 Organização e Desafios da Gestão Escolar UNESCO - Instituto Ayrton Senna. UNAIDS. Banco Mundial. USAID. Fundação Ford. CONSED. UNDIME, 2004. Disponível em: <http://www.google.com.br/ unesdoc.unesco.org/images/0012/001257/125791porb.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2012. BRASIL. Guia de Tecnologias Educacionais 2011/12/. Organização COGETEC. Brasília: Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica, 2011. 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Em Aberto, Brasília, INEP/MEC, v. 17, nº 72, p. 88- 96, 2000. http://tv.estadao.com.br/videos,quais-sao-os-desafios-para-aliar-tecnologia-a-educacao,96128,250,0.htm http://tv.estadao.com.br/videos,quais-sao-os-desafios-para-aliar-tecnologia-a-educacao,96128,250,0.htm http://tv.estadao.com.br/videos,quais-sao-os-desafios-para-aliar-tecnologia-a-educacao,96128,250,0.htm http://www.nevusp.org/downloads/down235.pdf http://www.nevusp.org/downloads/down235.pdf http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-97022001000100008 http://www.sangari.com/mapadaviolencia/pdf2011/MapaViolencia2011.pdf 90 Organização e Desafios da Gestão Escolar CAPÍTULO 4 A Construção de Regras na Escola A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Definir a partir do Projeto Político Pedagógico as regras escolares; � Articular a elaboração coletiva de forma democrática e participativa das regras da Escola. 92 Organização e Desafios da Gestão Escolar 93 A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 Contextualização Caro (a) aluno (a) neste capítulo, vamos trazer algumas questões referentes à construção das regras escolares, como uma proposta da gestão democrática que vem sendo discutida desde os capítulos anteriores. A LDB nº 9394/96 ao determinar o Projeto Político Pedagógico das unidades escolares, parte integrante da gestão democrática, não dispensou a necessidade de definir as regras a serem seguidas, para que esse processo se efetive. Vamos também relembrar e rever neste texto, algumas questões referentes ao Projeto Político Pedagógico da unidade escolar apontando para a necessidade da construção no seu coletivo das regras escolares, numa possibilidade de prevenção dos eventos conflituosos, próprios de espaços sociais democráticos. Discutimos essa temática com a contribuição de autores entre eles: Becchi, Bondiolo, Ferrari (2004), Nóvoa (1999), Paro (2008), Veiga (2003), Wittmann (2006) numa perspectiva de formação humana da comunidade escolar e não apenas como um instrumento de roupagem nova a serviço da manutenção do instituído no sistema escolar. Como você pode perceber, não vamos elaborar uma ‘receita’ de regras e normas escolares, mas sim como estas podem ser elaboradas trazendo elementos constitutivos de uma concepção de construção coletiva. O Projeto Político Pedagógico e a Construção Coletiva das Regras Escolares Abrimos esse texto, com a contribuição de alguns teóricos, conceituando o Projeto Político Pedagógico, na concepção da gestão democrática. O PPP construído com os atores que fazem parte da instituição escolar possibilita a formação não apenas dos alunos, mas de todos que fazem parte dessa comunidade escolar. Assim, [...] por projeto pedagógico de um contexto educativo entendemos um plano que, depois de ter indicado de maneira específica as metas formadoras que se quer alcançar - capacidade, competências, comportamentos e aprendizagens específicas que se deseja que os destinatários da proposta de formação tenham ao final do percurso suposto - declare através de que meios (experiências, atividades, estratégias) e recursos é possível realizar tais metas e especifique as modalidades de avaliação dos êxitos (BECCHI; BONDIOLO; FERRARI, 2004. p. 213). 94 Organização e Desafios da Gestão Escolar Completando o pensamento das autoras italianas e retificando a nossa concepção, Veiga (2003) nos diz: [...] o projeto é um meio de engajamento coletivo para integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho pedagógico-administrativo, desenvolver o sentimento de pertença, mobilizar os protagonistas para a explicitação de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem desencadeadas, fortalecer a construção de uma coerência comum, mas indispensável, para que a ação coletiva produza seus efeitos (VEIGA, 2003, p. 275). Ou seja, o Projeto Político Pedagógico deve ser organizado no coletivo, numa proposta de construção de um trabalho educativo, em que as pessoas são levadas a pensarem e produzirem novas formas de entendimento e ação. Onde o aluno, centro desse processo, a partir da reflexão, de visibilidade de novo pensar, produza conhecimentos. Essa concepção vai além do simples domínio de informações ou conhecimentos acumulados pela humanidade, repassados e acessíveis em textos escritos, em museus e na Internet. Nessa perspectiva inovadora, as atividades e estratégias devem possibilitar as pessoas, a saberem identificar o que realmente é relevante dentro do montante de informações recebidas constantemente. Além disso, aprender a pensar, contribui na resolução de problemas do cotidiano, na escolha criteriosa e numa tomada de posicionamento frente a situações críticas. Atividade de Estudos: 1) Assinale as alternativas verdadeiras com (V) e as falsascom (F). ( ) A instituição escolar como espaço social é um lugar de contradições e conflitos. ( ) O Projeto Político Pedagógico é uma ação consciente e organizada. ( ) Ao organizar os espaços de discussão, a escola vai burocratizar excessivamente a participação da comunidade escolar, estabelecendo regrar rígidas. ( ) A fragmentação e o trabalho pedagógico é o resultado das decisões coletivas na unidade escolar. ( ) O gestor, ao partir do diagnóstico escolar, com embasamento teórico socializado entre os demais membros da comunidade vai definir junto ao coletivo uma política interna de enfrentamento dos conflitos evitando a violência escolar. [...] o projeto é um meio de engajamento coletivo para integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho pedagógico- administrativo, desenvolver o sentimento de pertença, mobilizar os protagonistas para a explicitação de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem desencadeadas, fortalecer a construção de uma coerência comum, mas indispensável, para que a ação coletiva produza seus efeitos (VEIGA, 2003, p. 275). 95 A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 Contudo, o alerta de Veiga (2003), é pertinente, pois nos diz que a concepção de inovação do Projeto Político Pedagógico escolar não pode ser [...] uma simples rearticulação do sistema, visando à introdução a crítica do novo no velho (VEIGA, 2003, p. 270). Pensar o Projeto Político Pedagógico numa ótica de construção é buscar, a partir da análise do contexto da instituição escolar, as inter-relações com a realidade social mais ampla. Este ponto é de vital importância para se avançar na construção de um projeto político-pedagógico que supere a reprodução a crítica, a rotina, a racionalidade técnica, que considera a prática um campo de aplicação empirista, centrada nos meios. Organizar as atividades-fim e meio da instituição educativa, por meio do projeto político-pedagógico sob a ótica da inovação emancipatória e edificante, traz consigo a possibilidade de alunos, professores, servidores técnico-administrativos unirem-se e separarem-se de acordo com as necessidades do processo (VEIGA, 2003, p. 275). A autora ainda nos diz que: [...] o projeto é um meio de engajamento coletivo para integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho pedagógico-administrativo, desenvolver o sentimento de pertença, mobilizar os protagonistas para a explicitação de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem desencadeadas, fortalecer a construção de uma coerência comum, mas indispensável, para que a ação coletiva produza seus efeitos (VEIGA, 2003, p. 275). Ilma Passos Alencastro Veiga (2003, p.276) em seu texto “Inovações e Projeto Político-Pedagógico: uma relação regulatória ou emancipatória?”, nos traz, algumas questões, que vemos ditas em tantos escritos, mas que ainda nem todos consideram relevantes quando se pensa num Projeto Político Pedagógico, que são: a) É um movimento de luta em prol da democratização da escola que não esconde as dificuldades e os pessimismos da realidade educacional, mas não se deixa levar por esta, procurando enfrentar o futuro com esperança em busca de novas possibilidades e novos compromissos. É um movimento constante para orientar a reflexão e ação da escola. b) Está voltado para a inclusão a fim de atender a diversidade de alunos, sejam quais forem sua procedência social, necessidades Pensar o Projeto Político Pedagógico numa ótica de construção é buscar, a partir da análise do contexto da instituição escolar, as inter- relações com a realidade social mais ampla. 96 Organização e Desafios da Gestão Escolar e expectativas educacionais (CARBONELL, 2002); projeta-se em uma utopia cheia de incertezas ao comprometer-se com os desafios do tratamento das desigualdades educacionais e do êxito e fracasso escolar. c) Por ser coletivo e integrador, o projeto, quando elaborado, executado e avaliado, requer o desenvolvimento de um clima de confiança que favoreça o diálogo, a cooperação, a negociação e o direito das pessoas de intervirem na tomada de decisões que afetam a vida da instituição educativa e de comprometerem-se com a ação. O projeto não é apenas perpassado por sentimentos, emoções e valores. Um processo de construção coletiva fundada no princípio da gestão democrática reúne diferentes vozes, dando margem para a construção da hegemonia da vontade comum. A gestão democrática nada tem a ver com a proposta burocrática, fragmentada e excludente; ao contrário, a construção coletiva do projeto político-pedagógico inovador procura ultrapassar as práticas sociais alicerçadas na exclusão, na discriminação, que inviabilizam a construção histórico-social dos sujeitos. d) Há um vínculo muito estreito entre autonomia e projeto político- pedagógico. A autonomia possui o sentido sociopolítico e está voltada para o delineamento da identidade institucional. A identidade representa a substância de uma nova organização do trabalho pedagógico. A autonomia anula a dependência e assegura a definição de critérios para a vida escolar e acadêmica. Autonomia e gestão democrática fazem parte da especificidade do processo pedagógico. e) A legitimidade de um projeto político-pedagógico está estreitamente ligada ao grau e ao tipo de participação de todos os envolvidos com o processo educativo, o que requer continuidade de ações. f) Configura unicidade e coerência ao processo educativo, deixa claro que a preocupação com o trabalho pedagógico enfatiza não só a especificidade metodológica e técnica, mas volta-se também para as questões mais amplas, ou seja, a das relações da instituição educativa com o contexto social. 97 A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 O Projeto Político Pedagógico nessa perspectiva organiza na unidade escolar, as ações de natureza administrativa, financeira e pedagógica, embasado nas diferenças de valores, crenças, concepções do coletivo que o constituiu e no diálogo permanente entre seus membros. Figura 15 - Construção Coletiva do Projeto Político Pedagógico Fonte: Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seb/img/ conselhos/cabecalho.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2012. Atividade de Estudos: 1) Assinale com V para verdadeira e F para falso as afirmações abaixo: ( ) Participam da elaboração do Projeto Político Pedagógico apenas: direção, equipe gestora e professores. ( ) O Regimento Escolar, documento da unidade escolar, materializa o Projeto Político Pedagógico. ( ) A participação da comunidade escolar não é necessária na elaboração das regras da unidade de ensino. ( ) A elaboração do Projeto Político Pedagógico, sua organização, implantação, encaminhamentos e avaliação, nem sempre são consensuais ou sem embates. ( ) Os alunos e seus pais, não têm capacidade de participarem junto com os docentes do processo de construção do Regimento Interno da instituição de ensino. O Projeto Político Pedagógico nessa perspectiva organiza na unidade escolar, as ações de natureza administrativa, financeira e pedagógica, embasado nas diferenças de valores, crenças, concepções do coletivo que o constituiu e no diálogo permanente entre seus membros. http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg 98 Organização e Desafios da Gestão Escolar Conforme Wittmann (2006), se A instituição escolar é o espaço privilegiado de formação humana, portanto ela é o lugar de elaboração, execução e avaliação de uma proposta educativa. Esta proposta educativa deve ser historicamente relevante (um Projeto Político) e pedagogicamente integrada (um Projeto Pedagógico). Portanto, a proposta educativa é um Projeto Político- Pedagógico (WITTMANN, 2006,153). Ainda o autor nos diz que o Projeto Político Pedagógico, numa gestão democrática é a “[...] garantia da relevância social e histórica de tudo o que se faz na escola, garantindo uma formação humana criticamente inserida em seu contexto”. (WITTMANN, 2006, p. 154). E, que para ser historicamente relevante o Projeto da escola precisa ser político, isto é, deve garantir o sentido sócio-histórico da aprendizagem. O que se faz na escola deve ser significativo para o tempo e lugar, para o futuro e para a história dos estudantes e do seu entorno (WITTMANN, 2006, p.153). Entendemos que a elaboração do Projeto Político Pedagógico, sua organização, implantação, encaminhamentos e avaliação requerem espaços de discussão, nem sempre consensuais ou sem embates, mas que implicam no exercício da prática da gestão escolar democrática. Essa concepção de gestão escolar leva a reorganização das instituições públicas de educação propiciando espaços de participação e propondo ações que levem ao comprometimento e responsabilidade de todos os envolvidos no processo educativo das unidades de ensino. A participação dos pais e da comunidade na vida institucional escolar, segundo Nóvoa (1999), encontra todo um respaldo na legitimidade numa dimensão sociopolítica, sendo que a atividade dos profissionais da educação deve basear-se na legitimidade numa dimensão técnica e científica. Não é possível, hoje, pensar o espaço educativo institucional sem a participação dos pais e da comunidade, mas também é imprescindível o compromisso e a atuação pedagógica, que é competência dos profissionais da educação sob a coordenação do administrador escolar (SILVA, 2009, p.69). Assim, o processo de construção do PPP é dinâmico, exigindo envolvimento dos participantes e aprendizagem dos atores que fazem parte deste movimento, para o sucesso da gestão da unidade de ensino. No texto ‘Para uma análise das instituições escolares’, António Nóvoa (1999), nos diz que: A elaboração do Projeto Político Pedagógico, sua organização, implantação, encaminhamentos e avaliação requerem espaços de discussão, nem sempre consensuais ou sem embates, mas que implicam no exercício da prática da gestão escolar democrática. O processo de construção do PPP é dinâmico. 99 A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 [...] um dos aspectos mais importantes do esforço de criação de escolas eficazes é a co-responsabilização dos diferentes actores educativos (professores, alunos, pais, comunidades), incentivando os espaços de participação e os dispositivos de partenariado ao nível local (NÓVOA, 1999, p. 24). O partenariado socio-educativo emerge na complexidade da organização social, no desenvolvimento de valores como a participação em diferentes níveis - e também na educação, a descentralização enquanto transferência de competências e de poderes para níveis mais próximos do local e do regional. É uma modalidade de colaboração estruturada entre o sistema educativo e o sistema econômico e social, em que, nos projetos educativos se pressupõe uma interação entre o sistema educativo e o sistema econômico e social Fonte: Disponível em: <http://area.dgidc.min-edu.pt/ inovbasic/biblioteca/>. Acesso em: 10 mai. 2012. Para que a organização de uma unidade escolar funcione, segundo Nóvoa (1999, p. 25), é necessário que exista entre a estrutura formal e as interações estabelecidas no seu contexto, uma relação de compromisso e interesses comuns. A estrutura formal, segundo os estudos referentes à organicidade das instituições escolares (NOVOA, 1999; LIBÂNEO, 2004; PARO, 2008; 2003; LIMA; LÜCK, 2000) estão intrinsecamente ligados e dizem respeito à: a) estrutura física - (recursos materiais; número de turmas; organização dos espaços e tempos pedagógicos etc); b) estrutura administrativa - (gestão; interação; controle; relação com as autoridades do sistema de ensino vigente e com a comunidade; cumprimento da legislação; tomada de decisão etc); c) estrutura social – (inter-relações entre os pares; pais; alunos e comunidade; cultura organizacional etc). http://area.dgidc.min-edu.pt/inovbasic/biblioteca/ http://area.dgidc.min-edu.pt/inovbasic/biblioteca/ 100 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) São três as estruturas referentes à organização das instituições escolares. A respeito disto, relacione as colunas: a) estrutura física b) estrutura administrativa c) estrutura social ( ) cultura organizacional; ( ) gestão; ( ) relação com as autoridades do sistema de ensino vigente e com a comunidade; ( ) inter-relações entre os pares; ( ) tomada de decisão; ( ) organização dos espaços e tempos pedagógicos; ( ) pais, alunos e comunidade; A cultura organizacional escolar diz respeito comportamentos e normas sociais realizadas e também às práticas pedagógicas dos conteúdos. O Projeto Político Pedagógico, “[...] como ação consciente e organizada”. (VEIGA, 2003, p. 279) da unidade escolar, tendo como objetivo, a qualidade social para todos, deve atender aos aspectos legais e as necessidades da sua comunidade. Assim, primeiramente, deverá ser considerado na elaboração do PPP os dois níveis institucionais que constituem a instituição de ensino: a) a unidade escolar como um todo e a relação com o seu entorno sócia b) o espaço relacional da sala de aula, incluindo a prática pedagógica do professor. Com este entendimento da instituição escolar, numa visão macro, mas ao mesmo tempo percebendo as partes que compõem o todo, o gestor, como líder, vai a partir do diagnóstico escolar, com embasamento teórico socializado, pertinente à perspectiva assumida de gestão escolar propor os seguintes Qualidade social para todos, deve atender aos aspectos legais e as necessidades da sua comunidade. 101 A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 encaminhamentos: a) analisar os conflitos apontados no diagnóstico, possibilitando espaços para os debates, propondo, acatando ou rejeitando sugestões para gestão dos mesmos; b) neutralizar as ações autoritárias e corporativistas possibilitando a participação de todos. Se estão definidas e registradas as atitudes a serem tomadas, quando dos eventos de conflito, deverão estar de acordo com o documento elaborado coletivamente e de conhecimento de todos; c) sistematizar espaços de discussão o que não equivale a burocratizar excessivamente a participação da comunidade escolar, estabelecendo regrar rígidas. A organização de espaços de discussões, na unidade escolar deve propiciar ambientes com atividades prazerosas e ao mesmo tempo de trabalho consciente e coletivo; d) abrir espaços coletivos de decisões e encaminhamentos, mas também reformular a divisão de trabalho, minimizando a fragmentação da ação pedagógica, mas permitindo a atuação na especificidade do trabalho de cada um dos participantes da comunidade escolar. Veiga (2003) contribui com esse pensar quando nos diz: Organizar as atividades-fim e meio da instituição educativa, por meio do projeto político-pedagógico sob a ótica da inovação emancipatória e edificante, traz consigo a possibilidade de alunos, professores, servidores técnico-administrativos unirem-se e separarem-se de acordo com as necessidades do processo (VEIGA, 2003, p. 205). Também contribuindo com essa proposta Gracindo (2007) quando nos diz: Nesse processo, todos os segmentos planejam, garantindo a visão do todo, e todos executam, mesmo que apenas parte desse todo. Com isso, de posse do conhecimento de todo o trabalho escolar, os diversos profissionais e segmentos envolvidos (gestores, funcionários, docentes, discentes, pais e comunidade local) cumprem seus papéis específicos, sem torná-los estanques e fragmentados (GRACINDO, 2007, p. 64). Essa estruturação, explicitada no Projeto Político Pedagógico, deve conter a compreensão e concepção das normas e das regras escolares. Contudo,a elaboração dessas regras não pode ser feita apenas num grupo restrito de pessoas, sejam elas gestores, equipe gestora, professores ou determinadas pelas autoridades competentes. Elas precisam dentro de um processo democrático, ser elaboradas num coletivo representativo dos diferentes segmentos que fazem parte da instituição escolar. Essa estruturação, explicitada no Projeto Político Pedagógico, deve conter a compreensão e concepção das normas e das regras escolares. 102 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) Assinale a alternativa verdadeira com (V) e as falsas com (F). ( ) A instituição escolar como espaço social é um lugar de contradições e conflitos. ( ) O Projeto Político Pedagógico é uma ação consciente e organizada. ( ) Ao organizar os espaços de discussão, a escola vai burocratizar excessivamente a participação da comunidade escolar, estabelecendo regrar rígidas. ( ) A fragmentação do trabalho pedagógico é o resultado das decisões coletivas na unidade escolar. ( ) O gestor, ao partir do diagnóstico escolar, com embasamento teórico socializado entre os demais membros da comunidade vai definir junto ao coletivo uma política interna de enfrentamento dos conflitos evitando a violência escolar. Regimento Escolar e as Regras Escolares As regras surgem a partir das necessidades e problemas apresentados no primeiro momento do processo de elaboração do PPP, como já citamos anteriormente neste texto, na análise dos dados obtidos no diagnóstico da realidade escolar e farão parte do Regimento Escolar. Em seguida, estabelecida as prioridades, discuti-las e estabelecer democraticamente ações de prevenção e não apenas de punição com o coletivo escolar. O objetivo maior é o de desenvolver políticas internas evitando atitudes imediatas, que podem gerar novos conflitos ou atos de violência. As diretrizes voltadas para o estabelecimento das regras devem conter orientações precisas, claras e transparentes – todos devem ter conhecimento delas. A socialização dessas diretrizes e das regras/normas da unidade escolar pode ser feita em assembleia, em grupos de estudo, em reuniões e na própria sala de aula com os alunos, como uma atividade escolar. A confecção de murais pelos diferentes segmentos da comunidade escolar, possibilita 103 A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 um maior entendimento e entrosamento assim como a utilização dos recursos das tecnologias de informática e comunicação, para a divulgação (como o site da instituição). O Regimento Escolar é um instrumento legal que tem como finalidade organizar a unidade de ensino, para que os objetivos pedagógicos possam ser alcançados e para o bom funcionamento da instituição. Como documento da unidade escolar, materializa o Projeto Político Pedagógico tornando explícitas as decisões institucionais e, portanto, deve ser elaborado e reconhecido pelo coletivo da instituição como imprescindíveis à organização escolar. Contudo, o Regimento teve inicialmente ênfase na estrutura administrativa e disciplinar. Somente com a LDB nº 9394/96, que institui a obrigatoriedade do Projeto Político Pedagógico em cada unidade de ensino e que o coloca como eixo central da educação escolar, é que a organização pedagógica passou a ser parte também do Regimento Escolar, da instituição de ensino. As representações sociais, os desejos individuais, as concepções divergentes, não podem estar acima ou substituir as regras institucionais, estabelecidas coletivamente, assim como estas não podem contrapor- se à lei maior. Figura 16 - Estabelecimento das regras escolares Fonte: Disponível em: <www.alienado.net/>. Acesso em: 27 jun. 2012. Referente aos casos omissos, especificamente dos eventos de conflitos e de violência, o que não está dito e previstos no Regimento Escolar, deverá estar explicitado, qual o encaminhamento a ser dado pela unidade de ensino, como por exemplo: o Conselho Escolar ou APP decidem; uma comissão instituída para este fim é que vai atuar etc). O Regimento Escolar é um instrumento legal que tem como finalidade organizar a unidade de ensino, para que os objetivos pedagógicos possam ser alcançados e para o bom funcionamento da instituição. As representações sociais, os desejos individuais, as concepções divergentes, não podem estar acima ou substituir as regras institucionais, estabelecidas coletivamente, assim como estas não podem contrapor-se à lei maior. 104 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) Assinale as frases VERDADEIRAS que dizem respeito ao Regimento Escolar. ( ) é o documento da unidade escolar que materializa as decisões do Projeto Político Pedagógico. ( ) deve ser de conhecimento somente da equipe gestora e dos professores. ( ) explicitam as decisões institucionais. ( ) deve ser elaborado pelo coletivo e socializado com todos os componentes da unidade de ensino. ( ) os alunos não precisam ter conhecimento do regimento interno. ( ) deve seguir a legislação vigente em nível federal, estadual e municipal. A unidade escolar é um espaço importante no processo de integração da comunidade, embora por ser democrático existam contradições, pressões internas e externas emergindo o tempo todo, provenientes de diferentes culturas e saberes sociais historicamente acumulados. Por isso é necessário estimular a utilização de várias formas de expressão do conhecimento eliminando a discriminação e também o que historicamente vem ocorrendo que é o fracasso escolar. O fracasso esse, que segundo Carvalho; Silva (2001, p. 8) [...] é uma forma de violência pedagógica que atinge o estudante nos planos moral, humano e social. O regimento escolar é o resultado da reflexão feita pelo coletivo da instituição educacional sobre si mesma e segue a legislação e ordens aplicadas no país, nos estados e nos municípios. Algumas Considerações Neste capítulo destacamos o Projeto Político Pedagógico e a Regimento Escolar como 2 (dois) instrumentos indispensáveis como espaços para a construção de uma educação democrática. 105 A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 Este preceito está estabelecido na LDB nº 9394/96 em seu art. 12, inciso 1, quando determina que as unidades de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão como incumbência elaborar e executar sua proposta pedagógica. O Projeto Político Pedagógico dentro dos preceitos legais, como espaço de construção de uma escola pública democrática, necessita de regulamentação das ações, com normas específicas delineando os caminhos a serem seguidos. Somente o exercício da participação, numa gestão democrática escolar vai levar ao respeito às regras da instituição, que certamente não atendem as particularidades e os desejos individuais, mas que ao serem elaboradas, debatidas e de conhecimento de todos devem ser acatadas. E esse processo quase sempre é conflitante e muitas vezes exaustivo e desgastante para quem dele faz parte. Um dos grandes desafios da gestão democrática está em construir e desenvolver na instituição escolar um ambiente propício a novas aprendizagens respeitando as diferenças e muitas vezes antevendo ações conflitantes, neutralizando a discriminações e o preconceito, através do estabelecimento de diretrizes e normativas construídas coletivamente. Sabemos que em muitas unidades de ensino o Regimento Escolar ainda é apenas um documento que contém um rol de normas prontas, sem discussão. Nossa pretensão, neste texto, é o de trazer questões, para que o Regimento Escolar se torne efetivamente, um documento consensual, por ter-se constituído no coletivo escolar e que sirva de suporte e apoio na resolução dos eventos conflituosos. Com regras claras, e encaminhamentos precisos sabendo que, por ser um espaço social a contradição e as diferenças estarão sempre presentes no cotidiano escolar.Prezado Pós-Graduando, a seguir, no próximo capítulo, iremos abordar uma das questões polêmicas da atualidade, a indisciplina das crianças e dos jovens, especificamente no espaço escolar. Referências BECCHI, Egle; BONDIOLO Anna; FERRARI. Mônica. Por um projeto pedagógico da creche. In: BONDIOLO, Anna (Org.). O projeto pedagógico da creche e sua avaliação: a qualidade negociada. Campinas (SP): Autores Associados, 2004. p. 83-115. 106 Organização e Desafios da Gestão Escolar CARVALHO, Maria Celeste da Silva; SILVA, Ana Célia Bahia. Como construir e desenvolver os princípios de conveniência democrática na escola? Brasília: Consed – Conselho Nacional de Secretários de Educação, 2001. Disponível em: <www.crmariocovas.sp.gov.br/Downloads/ccs/Modulo05_CE.pdf>. Acesso em: 30 mai. 2012. CURY, Carlos Jamil. Entrevista. Revista Positivo/marco 2001, Ano 2, nº 14 GRACINDO, Regina Vinhaes. Gestão democrática nos sistemas e na escola. Brasília, 2007. Disponível em: <portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/11gesdem. pdf>. Acesso em: 20 jun. 2012. LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Alternativa, 2004. LÜCK, Heloisa. Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto à Formação de seus Gestores. Em Aberto: Brasília, INEP/MEC, v. 17, nº 72, p. 11- 33, 2000. NÓVOA, António. Para uma análise das instituições escolares. In: NÓVOA, António (Coord.). As organizações escolares em análise. Lisboa: Publicações Dom Quixote. 1999. PARO, Vitor. Administração escolar: introdução crítica. 12. ed. 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Balneário Camboriú: SC, 2006. http://www.crmariocovas.sp.gov.br/Downloads/ccs/Modulo05_CE.pdf http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a02v2361.pdf http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a02v2361.pdf CAPÍTULO 5 Indisciplina e o Cotidiano Escolar A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Apresentar historicamente a evolução conceitual do termo indisciplina na educação escolar. � Constatar que a indisciplina escolar é quase sempre uma questão pedagógica. � Organizar discussões e debates dos problemas de indisciplina que ocorrem na escola com a comunidade escolar (pais, alunos, professores, funcionários e equipe gestora). 108 Organização e Desafios da Gestão Escolar 109 Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 Contextualização Rememorando com você..... No capítulo anterior, apontamos a necessidade, de definir no Projeto Político Pedagógico as regras na unidade escolar e o encaminhamento a ser assumido por toda a comunidade escolar. Mas, somente definir as regras da instituição, no coletivo, dentro de um processo democrático, não garante o cumprimento das mesmas. A educação escolar, como prática social é um espaço do exercício da democracia que envolve contradições e conflitos e, por isso, tem que haver diálogo permanente. Neste capítulo iremos abordar a temática da indisciplina numa perspectiva pedagógica, como dissemos anteriormente, que não pretende atender as particularidades e a desejos individuais, mas, o coletivo escolar. Buscamos suporte em autores que trabalham essa temática como: Aquino (1996), Garcia (1999; 2008a; 2008b); Parrat-Dayan (2008) e Taille (1996). A indisciplina não pode ser considerada como um fenômeno sócio cultural novo, contudo, nas últimas décadas está sendo dada uma maior relevância. Historicamente (portanto, como movimento), esta manifestação social tem- se apresentado com diferentes características cada vez mais complexas e que necessitam de uma reflexão individual e coletiva para o entendimento e convivência, cujo ponto principal é o estabelecimento da comunicação entre os diferentes segmentos da instituição. Atualmente, a indisciplina é apontada como uma das maiores dificuldades tanto pela direção, coordenação pedagógica, como pelos professores, afetando o convívio e as relações interpessoais entre professores e alunos, alunos e seus pares, consequentemente prejudicando a qualidade do processo ensino e aprendizagem no espaço escolar. Contudo, numa perspectiva de gestão democrática, com um planejamento coletivo das ações a serem desenvolvidas, buscando a participação e envolvimento de toda a comunidade escolar, certamente não iremos eliminar a indisciplina (até por que a manifestação das experiências leva a pequenos tumultos e desordens), mas, provocar mudanças pedagógicas que se fazem necessárias no processo educacional escolar. 110 Organização e Desafios da Gestão Escolar O que Entendemos por Indisciplina Você, já deve ter presenciado ou talvez vivido casos de indisciplina, ocorrido em ambiente escolar ou mesmo em ambiente familiar. Como você define indisciplina? Quem é o responsável pelo ato da indisciplina? Figura 17 – Indisciplina escolar Fonte: Disponível em:<http://umaeducadora.blogspot.com.br/2009/08/ indisciplina-na-sala-de-aula-outra.html>. Acesso em: 12 jul. 2012. Se considerarmos a indisciplina como um fenômeno social, agir de maneira passiva e acatar toda e qualquer ordem é um equívoco. Assim, a indisciplina “[...] não se identifica com ordem e sim com práticas que têm diferentes tipos de exigência.” (PARRAT-DAYAN, 2008, p. 20). É preciso também considerar para vencer os desafios postos aos educadores, que refletir sobre esse evento social, vai muito além, de utilizar diferentes estratégias de ensino pontuais e agir isoladamente. É necessário que o assunto seja tratado coletivamente numa abordagem conceitual contemporânea. A manifestação de indisciplina “[...] pode estar indicando o impacto do ingresso de um novo sujeito histórico, com outras demandas e valores, numa ordem arcaica e despreparada para absorvê-lo plenamente.” (AQUINO, 1996, p. 45). Parrat-Dayan (2008) refletindo nesta mesma direção, diz que há nas instituições de ensino, alunos de diferentes culturas, normas, costumes, maneiras de ser e que desconhecem as normas culturais do professor entrando em embates de pensamento e muitas vezes em confronto. A indisciplina “[...] não se identifica com ordem e sim com práticas que têm diferentes tipos de exigência.” (PARRAT- DAYAN, 2008, p. 20). http://umaeducadora.blogspot.com.br/2009/08/indisciplina-na-sala-de-aula-outra.html http://umaeducadora.blogspot.com.br/2009/08/indisciplina-na-sala-de-aula-outra.html 111 Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 Garcia (2008a, p. 370), propõe a “reconceitualização da própria noção de indisciplina” por parte dos educadores. Ou seja, rever a concepção tradicional, onde o problema era tido, como comportamental e o aluno era o único culpado, baseada na repressão e na lógica de controle social. Como bem coloca Garcia (2008a), Assim, o trabalho pedagógico relativo às questões de indisciplina nas escolas deveria ter por base a perspectiva mais ampla de gestão dos seus processos pedagógicos, e inicia no projeto pedagógico, que se constitui o elemento central do processo de gestão da educação escolar. Aqui temos, então, um primeiro desafio a considerar, relativo à elaboração de uma visão compartilhada sobre disciplina e indisciplina na escola (GARCIA, 2008a, p. 373). Para isso é preciso fundamentar-senos escritos teóricos em abordagens com ‘olhar mais amplo’, buscando identificar o que ocasiona a indisciplina e no coletivo, na troca de experiências, buscar soluções ou alternativas para tratar o problema. Outra sugestão é dialogar com a comunidade escolar, não apenas buscando sugestões, mas propiciando espaços de se pensar no ambiente familiar como isso ocorre. Atividade de Estudos: 1) Coloque (V) para verdadeiro e (F) para falso nas afirmações abaixo acerca do pensamento de Garcia (2008a, p. 370), quando este propõe a “reconceitualização da própria noção de indisciplina” por parte dos educadores, ele está afirmando que: a) ( ) os educadores devem rever a concepção tradicional de indisciplina no espaço escolar; b) ( ) os educadores devem com absoluta certeza, culpar os alunos exclusivamente, pela indisciplina escolar; c) ( ) os educadores devem incentivam a repressão, como única solução para buscar soluções para os conflitos eliminando a indisciplina escolar; d) ( ) os educadores numa concepção de formação humana devem pensar a indisciplina, numa lógica diferente da lógica de controle e coerção social existente na sociedade. Rever a concepção tradicional, onde o problema era tido, como comportamental e o aluno era o único culpado, baseada na repressão e na lógica de controle social. 112 Organização e Desafios da Gestão Escolar Figura 18 - Manifestações de Indisciplina e as regras estabelecidas Fonte: Disponível em: <http://www.fotolog.com.br/mafalda_ tiras/99423589/#profile_start>. Acesso em: 3 de jun. 2012. Causas e Determinantes da Indisciplina Escolar: Fatores Psicossociais e Fatores Pedagógicos Para Joe Garcia (1999) as várias causas da indisciplina escolar podem ser reunidas em dois grupos: 1. causas externas ao espaço escolar (violência social, influência dos meios de comunicação – novas tecnologias e a televisão, e o ambiente familiar); 2. causas internas da escola - processo ensino-aprendizagem, modos de relacionamento (entre aluno e professor/funcionário, entre aluno-aluno). Assim, na própria relação entre professores e alunos habitam motivos para a indisciplina, e as formas de intervenção disciplinar que os professores praticam podem reforçar ou mesmo gerar modos de indisciplina (GARCIA, 1999, p. 104). 113 Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 A escola como espaço do exercício dos preceitos da democracia contidos na Constituição Brasileira, tendo reconhecida sua função sócio educativa, constrói e reconstrói o conhecimento no cotidiano, nas redes de relações, não apenas com a comunidade que compõe a escola, mas com o mundo. O diálogo, o respeito, o afeto e o comprometimento coletivo na construção de regras e limites no espaço escolar, permite entender a indisciplina dos alunos como uma reação que precisa ser interpretada em um contexto social mais amplo e não apenas como uma afronta aos educadores e a própria instituição. Sabemos, entretanto, que mesmo com discursos teóricos dos educadores, que apontam haver no espaço escolar, relação afetuosa e de respeito com as crianças e os jovens, o que muitas vezes ocorre são práticas autoritárias e não ações enquanto autoridades. Uma relação baseada na hierarquia e no poder legitimado apenas por quem o detém, podem gerar injustiças e quase sempre leva a desobediência das regras impostas (TAILLE, 1996). Faz-se necessário, as devidas interferências da gestão escolar refletindo com o coletivo, sobre os eventos ocorridos, pois esses embates podem causar danos tanto para a criança ou adolescente como para o professor. Encontramos atualmente na literatura, vários estudos sobre o ‘mal-estar’ que vem provocando nos educadores desânimo, stress, cansaço, a chamada “Síndrome da Desistência” ou “Síndrome de Burnout” como Codo (1999), Benevides-Pereira (2002a; 2002b). Figura 19 - Manifestações pessoais Fonte: Disponível em: <http://www.peanuts.com>. Acesso em: 15 jul. 2012. Pensar o cotidiano escolar, nesse contexto, leva-nos à necessidade de coletivamente, refletir sobre o papel da escola enquanto instituição, a partir da concepção de educação enquanto formação humana e a necessidade de repensar a identidade docente e de recuperar o nosso “ofício de mestres”, como nos diz Arroyo (2000, p. 63) “[...] quando tentamos fazer da escola um espaço e tempo de direitos, de humanização e não de mercantilização, nos encontramos como educadores. Recuperamos nosso ofício”. A escola como espaço do exercício dos preceitos da democracia contidos na Constituição Brasileira, tendo reconhecida sua função sócio educativa, constrói e reconstrói o conhecimento no cotidiano, nas redes de relações, não apenas com a comunidade que compõe a escola, mas com o mundo. Faz-se necessário, as devidas interferências da gestão escolar refletindo com o coletivo, sobre os eventos ocorridos, pois esses embates podem causar danos tanto para a criança ou adolescente como para o professor. http://www.peanuts.com 114 Organização e Desafios da Gestão Escolar Podemos também, situar as diversas manifestações de indisciplina escolar em relação aos alunos em 3 (três) aspectos: 1. As desencadeadas nas atividades pedagógicas - dentro e fora de sala; A forma severa do professor se manifestar perante os alunos, a organização das atividades pedagógicas em sala de aula ou nos motivos pessoais originados na família e na comunidade. 2. As advindas dos processos de socialização e de relacionamento no espaço escolar; As manifestações de indisciplina, podem ser reflexo do sentimento de inferioridade do aluno, ou o desejo de ser aceito pelo grupo. 3. As provenientes do desenvolvimento cognitivo dos estudantes. O insucesso - fracasso escolar - pode levar o aluno a investir pouco nas atividades escolares, desinteressar-se nas atividades realizadas em sala de aula e ter reações que perturbem o andamento do trabalho pedagógico com brincadeiras, chacotas, conversas e utilização de materiais alheios ao espaço escolar como o uso do celular (mensagens, jogos...), aparelhos de jogos interativos etc. Garcia (2008a) reafirma o pensamento acima e acrescenta, quando se fala indisciplina estamos nos referindo [...] como algo relativo às condutas, às atitudes, aos modos de socialização, aos relacionamentos e ao desenvolvimento cognitivo, que os estudantes demonstram e que tendem a não reproduzir, ou mesmo negar, as orientações ou oportunidades apresentadas pela escola, ou simplesmente divergir de suas expectativas. Neste sentido, um aluno indisciplinado seria não somente aquele cujas ações rompem com as regras da escola, mas também aquele que não está desenvolvendo suas próprias possibilidades cognitivas, atitudinais e morais (GARCIA, 2008a, p. 370). Um dado significativo, segundo Aquino (1996, p. 40) “[...] refere- se ao fato de a indisciplina atravessar indistintamente as escolas públicas e privadas. Enganam-se aqueles que a supõe mais ou menos presentes apenas em determinados contextos”. Um aluno indisciplinado seria não somente aquele cujas ações rompem com as regras da escola, mas também aquele que não está desenvolvendo suas próprias possibilidades cognitivas, atitudinais e morais (GARCIA, 2008a, p. 370). 115 Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 Prezado Pós- Graduando, você já deve ter escutado, ou lido muitas vezes que a indisciplina é associada também a ideia de carência psíquica do aluno, ideia esta, decorrente de uma análise genérica da Psicologia. Além disso, é senso comum entre os educadores que a indisciplina dos alunos é resultado da falta de parâmetro moral e de ausência de infraestrutura psicológica, causados pela fragmentação da família. Certamente, as crianças e jovens reproduzem no ambiente escolar o que vivenciam no convívio familiar e na vizinhança e a educação escolar não substitui ou supre a responsabilidade da família.Sabemos que legalmente, Constituição Federal (1988, art. 227), é dever da família a educação de seus filhos, possibilitando que valores como: ética, solidariedade, responsabilidade etc. sejam construídos e incutidos os limites necessários para o convívio social. Aquino (1996, p. 46) afirma “[...] que não há possibilidade da escola assumir a tarefa de estruturação psíquica prévia ao trabalho pedagógico; ela é de responsabilidade do âmbito familiar, primordialmente”. Mas o autor acima citado, alerta de que este fenômeno não pode ser considerado um acontecimento individual, [...] mas de acordo com seus determinantes psicossociais, cujas raízes encontram-se no advento, no sujeito, da noção de autoridade (AQUINO, 1996, p. 45). Ou seja, para ser reconhecido como pessoa (identidade pessoal) e para ser aceito como parte de um grupo, muitas vezes, o adolescente, transgride as regras e comete atos de indisciplina. Atividade de Estudos: 1) Aponte três causas da indisciplina escolar na sua ‘visão’ e fale sobre cada uma delas. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Para ser reconhecido como pessoa (identidade pessoal) e para ser aceito como parte de um grupo, muitas vezes, o adolescente, transgride as regras e comete atos de indisciplina. 116 Organização e Desafios da Gestão Escolar As Transformações Pedagógicas e as Mudanças no Entendimento da Indisciplina Escolar A escola enquanto espaço de convivência, tem no seu cotidiano um movimento de relações e poder ambíguo: de um lado as normas e regras ditadas pelos órgãos centrais e por outro pelas relações e interações estabelecidas pelos grupos internos numa dinâmica que possibilita troca de ideias, culturas e sentimentos. Ambos influenciam e são influenciadas neste processo coletivo. Por isso, conforme Guimarães (1996, p. 77), [...] não significa abstraí-la a indisciplina (grifo nosso) de um contexto histórico e social, mas apontá-la como um fenômeno que coloca à mostra a intensidade das experiências coletivas, permitindo a manifestação das pequenas desordens da vida cotidiana. A indisciplina aparece aqui sob todas as formas de conflito que incorporam uma capacidade de resistência dos pequenos grupos e expressam-se quer sob uma aparente submissão, quer através de excessos de todos os tipos: depredação, pichações, zombarias, risos, ironia, tagarelice. Figura 20 - Manifestações de Indisciplina ‘o silêncio’ Fonte: Disponível em: <http://partilhandoideiasideais.blogspot.com. br/2010/03/projeto-recreio-dirigido.html>. Acesso em: 3 de ago. 2012. http://partilhandoideiasideais.blogspot.com.br/2010/03/projeto-recreio-dirigido.html http://partilhandoideiasideais.blogspot.com.br/2010/03/projeto-recreio-dirigido.html 117 Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 A autora citada anteriormente traz uma questão de suma importância, também discutida por teóricos como Orlandi (1996), Arroyo (2007), Garcia (2008; 2008b), o ‘silêncio’ como forma de indisciplina velada, mas que deve ser considerada, analisada e ter propostas de enfrentamento, como situação problemática. A sensibilidade, o estar atento, um olhar observador, segundo Arroyo (2007) para reconhecer as mudanças significativas dos educandos só é possível, se os educadores tiverem sensibilidade em reconhecer as suas próprias mudanças sobre si mesmos e sobre suas identidades enquanto profissionais. Essa sensibilidade é necessária evitando criar-se no ambiente escolar situações de constrangimento, ao confundir atos de indisciplina com violência, estigmatizando crianças e jovens, como nos alerta Miguel Arroyo (2007b), [...] o conjunto de condutas indisciplinadas que sempre aconteceram nas escolas passou a ser interpretado e classificado como violências (grifo do autor), elevando a diversidade de condutas desviantes a essa condição e segregando os alunos antes tidos como indisciplinados na categoria mais temida, segregadora e estigmatizante de violentos (grifo do autor) (ARROYO, 2007b, p. 789). Quando falamos no processo da construção das regras e normas escolares, baseado no diálogo, na afetividade, no respeito mútuo, estamos nos referindo a valorização do educador, dos funcionários e principalmente do aluno (a) como ser humano, possibilitando seu desenvolvimento integral (social, cognitivos, afetivo...). Esse movimento de constituição do cidadão permite ao aluno “[...] entrar na cultura da responsabilidade e compreender que as nossas ações têm consequências.” (PARRAT-DAYAN, 2008, p. 8). A sensibilidade, o estar atento, um olhar observador, segundo Arroyo (2007) para reconhecer as mudanças significativas dos educandos só é possível, se os educadores tiverem sensibilidade em reconhecer as suas próprias mudanças sobre si mesmos e sobre suas identidades enquanto profissionais. 118 Organização e Desafios da Gestão Escolar Figura 21 - Diálogo e as regras escolares Fonte: Disponível em: <http://rovedacris.wordpress. com/>. Acesso em: 10 jul. 2012. É preciso nas instituições de ensino, estabelecer uma relação de diálogo, disponibilizando espaços para que os alunos se expressem nas mais diferentes formas de linguagem (principalmente a sua usual) e falem de suas experiências, de suas dúvidas, do seu cotidiano. Entender a escola, como lugar de diversidade cultural, de confronto e embates e ao mesmo tempo de superação dessas diferenças e diversidades, possibilita desenvolver o humano como ser social e como ser individual. http://rovedacris.wordpress.com/ http://rovedacris.wordpress.com/ 119 Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 Há, pois, uma estreita articulação entre as relações de convívio social instituídas pela escola e a cidadania. Ou seja, é no exercício da vivência entre os seres diferentes que se aprendem normas sem as quais não sobrevive a sociedade (VIEIRA, 2011, p. 130). Por isso é preciso que para compreendermos o movimento gerado nas instituições de ensino, como parte do todo, mas como nos fala Guimarães (1996) [...] deslocando do global para o local, tentando detectar, através de uma outra forma de análise, como a sociedade vive e se organiza também através dos reencontros, das experiências, das situações dentro dos diferentes grupos aos quais pertence cada indivíduo (GUIMARÃES, 1996, p. 74). Primeiro temos que pensar, planejar e refletir sob dois aspectos da indisciplina: • em relação ao indivíduo indisciplinado, buscando ações de intervenção mais individualizadas, trabalhando competências cognitivas e condutas educativas de convívio; • em relação ao contexto escolar. As situações problemas devem ser tratadas no coletivo e tendo suporte legal no Projeto Político Pedagógico da unidade escolar (grifo nosso). Garcia (2008a, p. 372) aponta para “[...]a relação ausente entre disciplina e o projeto pedagógico”. O autor completa dizendo: [...] argumentamos, que entre as diretrizes do projeto pedagógico deveríamos encontrar, entre outros elementos, princípios ou fundamentos capazes de fornecer orientações aos educadores em relação às questões de indisciplina. Tais princípios iriam sustentar uma visão compartilhada sobre indisciplina, comumente ausente nas escolas [...] (GARCIA, 2008a, p. 372). É imprescindível, também a escola trabalhar com conhecimentos significativos para os alunos, permitindo as manifestações e formas de expressões culturais como proposta de ensino e aprendizagem,possibilitando a manifestação dos alunos de diferentes formas. Sabemos que não é uma tarefa fácil, frente à realidade vivenciada pelos educadores, mas o diálogo coletivo e o apoio da gestão escolar darão suporte a essa empreitada. Como já vimos discutindo nos capítulos anteriores, a construção da gestão democrática, com a participação da comunidade escolar busca o exercício da cidadania, um dos preceitos da democracia. Há, pois, uma estreita articulação entre as relações de convívio social instituídas pela escola e a cidadania. Ou seja, é no exercício da vivência entre os seres diferentes que se aprendem normas sem as quais não sobrevive a sociedade (VIEIRA, 2011, p. 130). As situações problemas devem ser tratadas no coletivo e tendo suporte legal no Projeto Político Pedagógico da unidade escolar 120 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) Complete o sentido da frase, utilizando as palavras abaixo, preenchendo os parênteses corretamente. a) Quando falamos no processo da construção das regras e normas escolares, baseado no diálogo, na afetividade, no respeito mútuo, estamos nos referindo a .................................. do educador, dos funcionários e principalmente do aluno. b) O ........................... é uma forma de indisciplina velada. c) Atualmente a ................................... é apontada como uma das maiores dificuldades no processo ensino aprendizagem. d) Os ........................................................... entre adultos, crianças e adolescentes nos espaços de aprendizagem gerando a indisciplina. ( ) ‘silêncio’ ( ) indisciplina escolar ( ) processos de convivência ( ) valorização O que é possível fazer, em relação à indisciplina, frente a tantas questões apontadas e tantas outras não abordadas neste texto? Algumas Considerações A questão ‘indisciplina’ gera muitas controvérsias e são vários aspectos a serem abordados. Neste texto utilizamos o pensamento de autores, que consideram a indisciplina escolar, um fenômeno social, que necessita ser encarado não apenas como atos de enfretamento à autoridade (no caso da 121 Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 escola os educadores e funcionários), mas sim, também como uma questão pedagógica. A questão da indisciplina na escola é considerada pelos educadores como um problema grave. Tanto a agressão física, como a verbal, o desrespeito pelas pessoas e a depredação de ambientes e objetos de uso público estão naturalizados no cotidiano, não apenas no espaço escolar, como algo consolidado como modo de ser dos jovens. As ações das unidades escolares desenvolvidas, para lidar com as manifestações de indisciplina, devem ter orientações claras e legitimadas nos documentos elaborados no coletivo e socializadas com toda a comunidade envolvida com a instituição. Ainda há muito para saber sobre indisciplina escolar. Se você aluno (a) quiser se inteirar mais do assunto, a bibliografia deste capítulo possibilita acessar textos muito consistentes teoricamente, mas de fácil entendimento. Para conseguir trabalhar as questões apontadas neste capítulo é necessário conhecermos o instigante campo das relações humanas na educação e o processo de mobilização e organização coletiva para atingir os objetivos educacionais propostos, que veremos a seguir. Referências AQUINO, Julio. A desordem na relação professor-aluno: Indisciplina, oralidade e conhecimento. In: AQUINO, Julio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Grupo Editorial Summus, 1996. ARROYO, Miguel Gonzáles. 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Quem carda e corta Quem tece e trança? Quem toca e torce? A moça o menino. A velha o homem. Eles são artistas, parte do trabalho coletivo que faz a trama da rede e a rede pronta: o objeto bonito do descanso que inventa a necessidade da servidão do trabalho do corpo produtivo. (trabalho exercido por homens e mulheres, velhos, moças e crianças, tornados servos do trabalho coletivo que produz a rede) BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A TRAMA DA REDE. Caro pós-graduando (a) Como na poesia de Carlos Rodrigues Brandão, a gestão democrática da educação só será possível, quando o coletivo da instituição deensino, tem clareza da necessidade da intencionalidade e organização do trabalho pedagógico, num processo de interação, de reflexão e comprometimento com os objetivos propostos no PPP da unidade escolar. Reconhecer e respeitar a experiência, a vivência de cada membro da unidade escolar, não significa compactuar com ações individualistas e fragmentadas que não consideram e nem respeitam o outro, seja ele diretor, professor, funcionário, aluno, pai ou membro da comunidade. É imprescindível, como gestor escolar, trabalhar os conflitos e tensões e repensar no coletivo, o processo educacional dentro do contexto onde está inserida a instituição, com seus ritos, normas e rotinas para que não se perpetuem práticas pedagógicas, que impedem o processo de humanização e desenvolvimento da cidadania. As temáticas tratadas anteriormente sinalizam, para a necessidade da participação, comprometimento, responsabilidade e formação permanente da comunidade escolar, que passam desde: • o conhecimento da especificidade da organização escolar; • do reconhecimento das diferentes formas de aprendizagem com as contribuições das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação); 126 Organização e Desafios da Gestão Escolar • do entendimento de que os acontecimentos na escola não estão desvinculados dos eventos mundiais, como as transformações propiciadas pelas tecnologias, violência, indisciplina. Iniciando este capitulo, destacamos, uma vez mais, que a concepção de gestão escolar que partilhamos que é uma nova forma de administrar uma unidade escolar num processo coletivo de partilhamento permanente. Abordaremos a partir das relações interpessoais na escola, a diversidade, os conflitos e tensões no processo de mobilização e organização coletiva para atingir os objetivos educacionais propostos. Também estaremos falando, sobre as concepções historicamente construídas e os diferentes significados da liderança. Abordaremos também a relação entre liderança (concepções mais amplas da teoria da comunicação) e gestão escolar. Propomos levantar questões sobre o papel do gestor como líder, as competências necessárias, habilidades e atitudes a serem desenvolvidas para o exercício de liderança no espaço escolar. Diversidade, Conflitos e Tensões no Processo de Mobilização e Organização Coletiva para Atingir os Objetivos Educacionais Propostos Você saberia dizer quem na instituição escolar vai organizar o coletivo, propor ações, sugerir mudanças, provocar o olhar observador, interagir com o coletivo, incentivar novas buscas e novas práticas, sugerir o que pode ser mudado, apontar equívocos? E ainda manter o grupo de profissionais coesos e trabalhando para que os objetivos da escola sejam alcançados? Quem possibilita a participação da comunidade e é ‘ponte’ entre as instâncias maiores da educação e a unidade de ensino? Certamente você apontou o diretor, que é o gestor escolar, que impreterivelmente tem que ter espírito de liderança e que necessita, para exercer sua função atualmente, de novas competências e habilidades na coordenação de grupo, na administração dos conflitos, divergências e embates existentes no convívio humano, para atingir os objetivos educacionais propostos coletivamente na unidade de ensino. É o gestor escolar, que impreterivelmente tem que ter espírito de liderança e que necessita, para exercer sua função atualmente, de novas competências e habilidades na coordenação de grupo, na administração dos conflitos, divergências e embates existentes no convívio humano, para atingir os objetivos educacionais propostos coletivamente na unidade de ensino. 127 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 Você deve ter percebido, nas questões tratadas anteriormente, falamos das mudanças que vem acontecendo no mundo, nos levam a rever as concepções e a buscar uma nova maneira de gestar na educação, como nos diz Bordignon e Gracindo (2011, p. 148) “[...] baseada nos paradigmas emergentes da nova sociedade do conhecimento, que, por sua vez, fundamentam a concepção de qualidade na educação e definem também a finalidade da escola”. Paradigma representa uma visão de mundo, uma filosofia social, um sistema de ideias construído e adotado por determinado grupo social.” (BORDIGNON; GRACINDO, 2011 p. 148). Ainda dos mesmos autores “[...] mais que um padrão ou modelo, é um conjunto de ideias que permite formular ou aceitar determinados padrões ou modelos de ação social.” (2011, p. 150). Ver vídeo Como nascem os Paradigmas - Grupo dos Macacos. Disponível em:<http://www.youtube.com/watch?v=g5G0qE7Lf0A>. Acesso em: 20 mai. 2012. Se partilhamos a mesma concepção de educação como formação humana, contida no texto da LDB nº 9394/1996, como isso acontece na prática nas unidades escolares? É fundamental possibilitar espaços, encontros, reuniões, com o intuito de ouvir da comunidade escolar sugestões de como isso será possível. Uma instituição onde as pessoas trabalham para atingir o mesmo objetivo que é uma educação de qualidade para todos os alunos. Os problemas não vão acabar, mas certamente teremos mais contribuições, mais ideias para solucioná-los. Figura 22 - Possibilitar espaços para dividir responsabilidades Fonte: Disponível em: <http://www.only1.com.br/artigo/a-importancia- da-diversidade-nas-empresas/>. Acesso em: 13 mai. 2012. http://www.youtube.com/watch?v=g5G0qE7Lf0A http://www.only1.com.br/artigo/a-importancia-da-diversidade-nas-empresas/ http://www.only1.com.br/artigo/a-importancia-da-diversidade-nas-empresas/ 128 Organização e Desafios da Gestão Escolar Nos preceitos da Lei de Diretrizes e Bases – LDB nº 9394/96 e na perspectiva da sociedade do conhecimento, a gestão escolar está pautada, portanto, no fazer coletivo onde o poder é compartilhado e não centralizado; onde os diferentes atores assumem responsabilidades diferentes, mas com objetivos comuns.Os autores citados anteriormente contribuem dizendo: [...] o poder não se situa em níveis hierárquicos, mas nas diferentes esferas de responsabilidade, garantindo relações interpessoais entre sujeitos iguais e ao mesmo tempo diferentes. Essa diferença dos sujeitos, no entanto, não significa que um seja mais que o outro, pior ou melhor, mais ou menos importante, nem concebe espaços para a dominação e a subserviência, pois estas são atitudes que negam radicalmente a cidadania. As relações de poder não se realizam na particularidade, mas na intersubjetividade da comunicação entre atores sociais. Nesse sentido, o poder decisório necessita ser desenvolvido com base em colegiados consultivos e deliberativos (BORDIGNON; GRACINDO, 2011, p. 152). Rever paradigmas requer, primeiramente uma mudança individual, em diferentes níveis, envolvendo interações com outras pessoas, divisão e redistribuição de responsabilidades, o que gera divergências, tensão e situações conflitantes na unidade escolar. Acrescentando este pensar, trazemos a contribuição de Del Prette (2011) que assim se manifesta: Essas mudanças imprimem demandas para habilidades como as de coordenação de grupo, liderança de equipes, manejo de estresse e de conflitos interpessoais e inter-grupais, organização de tarefas, resolução de problemas e tomada de decisões, promoção da criatividade do grupo, etc (DEL PRETTE, 2011, p. 57). Na perspectiva de uma gestão democrática, surgem necessidades de formação continuada dos profissionais que atuam na educação, para dar conta das novas habilidades requeridas e para poder transitar frente às exigências e demandas de um efetivo trabalho coletivo. As várias dinâmicas sociais como classe social, gênero, etnia, sexualidade, cultura e religião; as representações de mundo, as concepções de homem, de educação e suas vivências, trazem para dentro das instituições de ensino, as diferenças multiculturais e o pluralismo de ideias. Conforme, o documento do Ministério da Educação, Parâmetros Curriculares Nacionais - PluralidadeCultural (BRASIL, 1997, p. 123), “A criança na escola convive com a diversidade e poderá aprender com ela. Singularidades presentes nas características de cultura, de etnias, de regiões, de famílias, são de fato percebidas com mais clareza quando colocadas junto a outras”. A diversidade é, portanto, um elemento constituinte não só do desenvolvimento Rever paradigmas requer, primeiramente uma mudança individual, em diferentes níveis, envolvendo interações com outras pessoas, divisão e redistribuição de responsabilidades, o que gera divergências, tensão e situações conflitantes na unidade escolar. 129 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 cultural da humanidade, mas também do desenvolvimento biológico. Contudo, perceber a diversidade ultrapassa ver as diferenças das características biológicas visíveis. Essa é uma questão social importante, pois historicamente no Brasil foi construído, naturalizado e difundido nos livros didáticos um conceito equivocado de um país com diferenças negadas “[...] formado originalmente pelas três raças — o índio, o branco e o negro — que se dissolveram. [...] Divulgou-se, então, uma concepção de cultura uniforme, depreciando as diversas contribuições que compuseram e compõem a identidade nacional (BRASIL, 1997, p. 126). Esses olhar para a diversidade foi e é retratado nas Artes, nas suas diversas formas de expressão. Trazemos alguns exemplos dando uma pequena demonstração do que estamos nos referindo, sem desmerecer as outras manifestações de linguagens ou outros artistas. Figura 23- A diversidade em Cândido Portinari - O café Fonte: Disponível em: <http://marciliomedeiros.zip.net/arch2009- 01-11_2009-01-17.html>. Acesso em: 12 jul. 2012. Figura 24 - A diversidade em Cândido Portinari - Marias Fonte: Disponível em: <http://impressoespornorma.blogspot.com. br/2011/07/no-atelie-de-portinari.html>. Acesso em: 3 jun. 2012. http://marciliomedeiros.zip.net/arch2009-01-11_2009-01-17.html http://marciliomedeiros.zip.net/arch2009-01-11_2009-01-17.html http://impressoespornorma.blogspot.com.br/2011/07/no-atelie-de-portinari.html http://impressoespornorma.blogspot.com.br/2011/07/no-atelie-de-portinari.html 130 Organização e Desafios da Gestão Escolar Figura 25 - A diversidade em Di Cavalcanti - Cinco Moças de Guaratinguetá Fonte: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/ fichaTecnicaAula.html?aula=2349>. Acesso em: 3 jun. 2012. Figura 26 - A diversidade em Di Cavalcanti - Aldeia de Pescadores Fonte: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/ fichaTecnicaAula.html?aula=27070>. Acesso em: 3 jun. 2012. Figura 27 - A diversidade em TARSILA DO AMARAL - Morro da Favela Fonte: Disponível em: <http://www.fotolog.com/ paoleb/62100480/>. Acesso em: 5 jun. 2012. http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=2349 http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=2349 http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=27070 http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=27070 http://www.fotolog.com/paoleb/62100480/ http://www.fotolog.com/paoleb/62100480/ 131 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 Figura 28 - A diversidade em TARSILA DO AMARAL - Operários Fonte: Disponível em: <http://artefontedeconhecimento.blogspot.com. br/2010/07/operarios-de-tarsila-do-amaral.html>. Acesso em: 3 jun. 2012. Figura 29 - A diversidade na literatura - JOÃO GUIMARÃES ROSA Fonte: Disponível em: <http://livroecafe.com/2011/10/31/diario-de- leitura-grande-sertao-veredas-3/>. Acesso em: 20 jun. 2012. Figura 30 - A diversidade na literatura - GILBERTO FREIRE Fonte: Disponível em: <http://www.imil.org.br/divulgacao/livros- indicados/casa-grande-senzala/>. Acesso em: 20 jun. 2012. http://artefontedeconhecimento.blogspot.com.br/2010/07/operarios-de-tarsila-do-amaral.html http://artefontedeconhecimento.blogspot.com.br/2010/07/operarios-de-tarsila-do-amaral.html http://livroecafe.com/2011/10/31/diario-de-leitura-grande-sertao-veredas-3/ http://livroecafe.com/2011/10/31/diario-de-leitura-grande-sertao-veredas-3/ http://www.imil.org.br/divulgacao/livros-indicados/casa-grande-senzala/ http://www.imil.org.br/divulgacao/livros-indicados/casa-grande-senzala/ 132 Organização e Desafios da Gestão Escolar Figura 31 - A diversidade nas artes visuais - O QUATRILHO Fonte: Disponível em: <http://cameralenta.com/2012/09/05/o- quatrilho-fabio-barreto-1995/>. Acesso em: 20 jun. 2012. Figura 32 - A diversidade nas artes visuais - LIXO EXTRAORDINÁRIO Fonte: Disponível em: <http://jornambientalunifor.blogspot.com.br/2011/09/ analise-do-filme-lixo-extraordinario-e.html>. Acesso em: 20 jun. 2012. Essa diversidade cultural que, muitas vezes não é entendida e nem respeitada nas instituições de ensino, pode gerar os conflitos, atos de indisciplina, situações que necessitam de intervenção com sugestões e propostas buscadas do coletivo tendo a frente o gestor escolar. O respeito à riqueza da pluralidade cultural, no espaço das instituições escolares refere-se não apenas aos alunos, mas também aos educadores e a todos que fazem parte da comunidade escolar. Nossas ações, muito mais que as palavras expressam a concepção que construímos. Assim, no trabalho pedagógico desenvolvido na instituição escolar, os paradigmas do educador se manifestam nas atividades e na sua atuação. Gomes (2007) nos fala que a ação pedagógica do educador é o reflexo da sua concepção de educação. Assim, “Há uma relação estreita entre o olhar e o trato pedagógico da diversidade e a concepção de educação que informa as práticas educativas” (GOMES, 2007, p. 18). Essa diversidade cultural que, muitas vezes não é entendida e nem respeitada nas instituições de ensino, pode gerar os conflitos, atos de indisciplina, situações que necessitam de intervenção com sugestões e propostas buscadas do coletivo tendo a frente o gestor escolar. http://cameralenta.com/2012/09/05/o-quatrilho-fabio-barreto-1995/ http://cameralenta.com/2012/09/05/o-quatrilho-fabio-barreto-1995/ http://jornambientalunifor.blogspot.com.br/2011/09/analise-do-filme-lixo-extraordinario-e.html http://jornambientalunifor.blogspot.com.br/2011/09/analise-do-filme-lixo-extraordinario-e.html 133 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 Figura 33 - Diversidade Fonte: Disponível em: <http://bibliblogue.wordpress.com/2010/03/29/ actividades-no-ambito-da-diversidade-cultural/>. Acesso em: 20 jun. 2012. Mas será que temos reservado tempo e espaço suficientes, enquanto gestores e professores para que essas discussões aconteçam nas unidades escolares e no seu entorno? Ao discutir a elaboração do Projeto Político Pedagógico temos tido a preocupação de incorporar nos debates essas questões? A escola como espaço social traz no seu bojo contradições e manifestações das mais diversas formas de expressão. Levando em consideração que o processo educativo é complexo e fortemente marcado pelas variáveis pedagógicas e sociais, entendemos que esse não pode ser analisado fora de interação dialógica entre escola e vida, considerando o desenvolvimento humano, o conhecimento e a cultura (GOMES, 2007, p. 6). Faz-se necessário abordarmos a diversidade aí, questionando o modelo tradicional de homogeneidade da instituição escolar, pensando em seus atores como sujeitos históricos e culturais. Como Podemos Lidar Pedagogicamente com a Diversidade? Não é tarefa fácil entendermos os conflitos e tensões no processo escolar, desde o que ocasionou esses eventos conflitantes, como se constituíram e quais ações são mais apropriadas a serem realizadas tendo como suporte o Projeto A escola como espaço social traz no seu bojo contradições e manifestações das mais diversas formas de expressão. http://bibliblogue.wordpress.com/2010/03/29/actividades-no-ambito-da-diversidade-cultural/http://bibliblogue.wordpress.com/2010/03/29/actividades-no-ambito-da-diversidade-cultural/ 134 Organização e Desafios da Gestão Escolar Político Pedagógico. É preciso a participação coletiva, o comprometimento e a disponibilidade de ouvir ‘o outro’, mesmo que sejam opiniões contrárias ou concepções equivocadas. O diálogo como um instrumento de aprendizagem, possibilita a construção coletiva do processo educacional escolar e permite novas formas de convivência nos espaços vivenciais dos alunos, com o entendimento de que a diversidade é uma contribuição e não um entrave ou dificuldade nas inter- relações. O estado de tensão, segundo Weil (2008) é parte de nossa vida e está ligado diretamente aos objetivos que nos propomos a alcançar. Como não vivemos sem ter objetivos (desde os mais primitivos de sobrevivência até os mais supérfluos e extravagantes), “A tensão é a mola mestra da evolução; isto vale tanto para os indivíduos como para as coletividades” (WEIL, 2008, p. 131). A tensão nas unidades escolares necessita ser vista como um momento a ser ultrapassado e não transformar-se num jogo de disputa de poder. As pessoas convivem e interagem no seu grupo de trabalho ou familiar e a partir da comunicação estabelecida vão se aproximando ou se afastando, vão entrar em conflito, cooperarem ou não. A interação social é um conceito trazido por Vygotsky (1998), que tem como concepção de homem um ser social, e nos diz que é através da linguagem que nos relacionamos com outras pessoas, nos constituímos e nos desenvolvemos como humanos. Davis (1989) contribuindo, com os estudos realizados, a partir deste teórico referenciado anteriormente, escreve: A importância da dimensão interativa vem sendo, desde há muito tempo ressaltada pela psicologia (MEAD, 1934; PIAGET, 1977; WALON, 1945), deixando claro que a cooperação intelectual em torno de um problema comum é fator fundamental no desenvolvimento, As trocas entre parceiros- adultos/crianças e criança/criança – são não só valorizadas como incentivadas na medida em que resultam, na experiência humana, em conhecimento do outro e em conhecimentos construídos com os outros (DAVIS, 1989, p. 51). Considerando, o ser humano essencialmente social tem sua identidade, individual constituída, portanto nas interações sociais que estabelece com os humanos que convive. Este processo complexo pode ser manifestado sob a forma de expressões verbais, um olhar, um gesto, ou até mesmo o silenciar, que traduzem uma mensagem, uma ideia, um sentimento. Essa troca é uma constante no processo de interação sendo assim, somos sempre correponsáveis pelo sucesso ou fracasso de uma relação humana. A tensão nas unidades escolares necessita ser vista como um momento a ser ultrapassado e não transformar-se num jogo de disputa de poder. O ser humano essencialmente social tem sua identidade, individual constituída, portanto nas interações sociais que estabelece com os humanos que convive. 135 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 A interação num grupo, como na escola, não acontece somente na troca de ideias ou na divisão de tarefas no cotidiano, mas principalmente na superação de divergências e no enfrentamento dos problemas. A diversidade existente nestes espaços de educação nos leva a novas formas de pensar e a questionar nossas certezas possibilitando mudanças enquanto indivíduo e enquanto coletivo. Atividade de Estudos: 1) Destaque no espaço abaixo qual das competências você considerada mais de maior dificuldade a ser atingida pelo gestor/ líder na instituição de ensino? Por quê? Justifique. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Concepções e Significados da Liderança na Gestão Democrática Participativa: Diferentes Teorias Sobre Liderança “Lider é todo indivíduo que, graças à sua personalidade, dirige um grupo social, com a participação espontânea dos seus membros” (WEIL, 2008, p. 63). Contudo, sabemos com os avanços produzidos pelas Ciências Sociais, que a liderança não é uma característica que nasce com os indivíduos, apesar de alguns, serem mais expansivos, comunicativos. Essa característica é construída através da aquisição de habilidades e competências, buscadas na formação continuada pelo profissional. Contudo, sabemos com os avanços produzidos pelas Ciências Sociais, que a liderança não é uma característica que nasce com os indivíduos, apesar de alguns, serem mais expansivos, comunicativos. 136 Organização e Desafios da Gestão Escolar Figura 34 – O líder Fonte: Disponível em: <http://www.peanuts.com>.Acesso em: 20 jun. 2012. As teorias de dirigir um grupo - liderança é baseada na forma e ênfase dado com que o poder é centralizado ou redistribuído. Segundo os autores Lück (2008, p. 75) e Weil (2008, p. 64) é possível apontar 3 (três) estilos de liderança: 1. Autocrática ou ditatorial O poder é centralizado e o líder não se preocupa com a opinião ou diferentes concepções do grupo. Ele determina as ordens que devem ser cumpridas a risca. O líder é o pensador e planejador das ações e seus subordinados apenas executam. Nesta perspectiva há uma separação entre quem pensa e quem faz. 2. Laissez faire Cada membro faz o que quer. Este estilo é marcado pela falta da atuação da liderança e de um rumo demarcado, ou seja, não é definido como os objetivos serão alcançados. Nesta forma de liderança considera-se que cada um é competente o suficiente para fazer o que quiser, muitas vezes trabalhando no oposto do grupo. Laissez faire, não pode ser definido como um estilo de liderança, mas sim como exemplo da falta de liderança. 3. Direção liderada ou liderança democrática É o tipo de liderança que busca a participação efetiva de todo o coletivo. Conforme Lück (2008, p. 79), “Este estilo de liderança é marcado pelo fortalecimento da escola como um todo, de tal modo que, diante da eventual saída do gestor, não ocorreria um vácuo que resultaria em um retrocesso na escola”. A Constituição Nacional e a LDB nº 9394, determinam que a gestão escolar seja democrática como apontamos nos capítulos anteriores e continuamos relevando este fator primordial de construção da cidadania e autonomia da educação escolar. http://www 137 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 Abaixo apresentamos um quadro sobre os dois estilos de liderança encontrados nas instituições de ensino registrado por Lück (2008, p. 85) : Tabela 1 – Estilos de liderança Estilo Autoritário Liderança centralizada Estilo Democrático Liderança compartilhada INICIATIVA Centrada no dirigente. Pesso- as esperam permissão para tomar iniciativa. Compartilhada entre os membros da organização e determinada coletivamente. CULTURA ORGANIZACIO- NAL Considerada como secun- dária. Mais forte é o culto ao dirigente e suas decisões. Fortalecida mediante o de- senvolvimento de competên- cias pelo compartilhamento de decisões e ações, que transformam positivamente o modo de ser e de fazer na escola. TOMADA DE DECISÃO Centralizada e baseada em processos formais. Distribuída, mediante proces- sos de reflexão e dissemina- ção de informações. SENTIDO DE MISSÃO E VISÃO Definido e assumido pelo dirigente, que se torna seu arauto. Definido e assumido pe- los membros da escola e incorporado no ideário de suas ações, mediante sua iniciativa para implementá-lo. Continuamente revisto à luz das ações e reflexões. CRÉDITO DESUCESSO Atribuído ao dirigente. Atribuído ao trabalho de conjunto. PAPÉIS E FUN- ÇÕES Assumidos de acordo com cargos e respectiva definição. Assumidos de forma compar- tilhada, segundo o sentido de responsabilidade comum. De- senvolvem-se em associação com o desenvolvimento das competências das pessoas. Fonte: Lück (2008, p. 85) Os estilos de liderança estão assim definidos pelos estudos desenvolvidos, mas é preciso percebê-los numa visão mais flexível, pois o que em alguns momentos parece ser ou pode ser entendido como um ato arbitrário em outros, 138 Organização e Desafios da Gestão Escolar isso já não ocorre. Por isso, essa configuração dos diferentes estilos não pode ser estanque e pronta. Como todo o processo de inter-relações é um movimento e se constitui com a contribuição dos indivíduos e dos acontecimentos. Atividade de Estudos: 1) Complete o quadro abaixo com as seguintes frases: Liderança centrada no dirigente a) Liderança compartilhada b) Tomada de decisão baseada em processos formais c) Tomada de decisão mediante reflexão e decisão conjunta d) Sucesso atribuído ao líder. e) Sucesso atribuído ao coletivo. f) Papéis e funções de acordo com o cargo. g) Papéis e funções de conforme responsabilidade do coletivo associado às competências individuais. Estilo autoritário Estilo democrático A Relação Entre Liderança e Gestão: o Papel do Gestor Escolar como Líder na Ação Efetiva da Gestão Escolar “A liderança na escola é uma característica inerente à gestão escolar [...], conforme nos diz Lück (2008, p. 20). É pela capacidade influenciar e de envolver a comunidade escolar, em prol de um projeto pedagógico da instituição escolar, planejado no coletivo, que podemos considerar o gestor como um líder. Considerando a gestão escolar como um processo de É pela capacidade influenciar e de envolver a comunidade escolar, em prol de um projeto pedagógico da instituição escolar, planejado no coletivo, que podemos considerar o gestor como um líder. 139 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 compartilhamento, temos que buscar a construção de uma nova visão de liderança que delega poderes com os outros participantes do coletivo escolar (professores, alunos, funcionários) na tomada de decisões e de também manifestar-se como líder sempre que se fizer necessário. A escola sendo um espaço social de construção do humano, frente aos avanços e exigências da sociedade, necessita de uma nova configuração na sua organização tanto administrativa como pedagogicamente buscando no coletivo contribuições e parcerias: A escola se reinventa como um espaço social de formação humana, para além da socialização do saber. O sentido radical da escola é constituir o espaço especializado de formação humana, porque é a instituição social onde as pessoas produzem a educação básica. Este espaço social de formação humana traz exigências e demandas para o trabalho pedagógico como mediação desta formação e para sua gestão (WITTMANN, 2008, s.p). Para que a instituição escolar realize um trabalho pedagógico com objetivos claros e uma organização, é necessário que alguém seja o articulador do processo grupal e incentive, avalie e reorganize o trabalho coletivo. Esse papel cabe ao gestor escolar que ao assumir a direção da unidade escolar é imbuído de autoridade - base da legitimidade e que vai constituir-se e aperfeiçoar-se como líder. Contudo é certo que nem sempre todo o gestor é líder. Também sabemos que não basta querer e ter pretensão de ser um líder. Não é uma tarefa fácil e exige muito esforço, estudo e entendimento das diversas áreas do conhecimento sob a formação humana. Competências, Habilidades e Atitudes a Serem Desenvolvidas para o Exercício de Liderança no Espaço Escolar Líderes não nascem feitos eles se constroem, no exercício diário de auto análise, na busca de aperfeiçoamento profissional, na aquisição de novas habilidades e competências necessárias para sua atuação no grupo onde se está gestor. Líderes não nascem feitos eles se constroem, no exercício diário de auto análise, na busca de aperfeiçoamento profissional, na aquisição de novas habilidades e competências necessárias para sua atuação no grupo onde se está gestor. 140 Organização e Desafios da Gestão Escolar O gestor escolar, como líder deste processo coletivo, necessita de competências especificas, pois as inovações constantes e o desenvolvimento organizacional no mundo do trabalho requerem, ainda, competências para falar em público, argumentar e convencer na exposição de ideias, planos e estratégias. O trabalho em pequenos grupos mostra a necessidade de habilidades de supervisão e monitoramento de tarefas [...] exigem competência em requisitos como os de observar, ouvir, dar feedback, descrever, pedir mudança de comportamento, perguntar e responder perguntas entre outras (DEL PRETTE, 2011, p. 57). Heloísa Lück (2008, p.121) aponta algumas competências necessárias para uma liderança na educação que são: a) Conhecer os seus talentos e valores pessoais Conhecer a si mesmo permite aperfeiçoar o que fazemos de melhor, cada vez mais. Também nos possibilita saber as nossas fraquezas e “defeitos” o que nos leva a superação dos mesmos. Portanto, é necessário que o líder reconheça os seus valores aonde pretende chegar e como trilhar este caminho. Ter um norte permite que, mesmo nos momentos de tensão e o surgimento de novas oportunidades não deixe a parte os encaminhamentos dos trabalhos pretendidos e assumidos com o coletivo. A avaliação pessoal do seu desempenho deve ser uma constante na vida do gestor, assim como a avaliação do grupo que está sob sua liderança. A análise das informações sobre o desempenho possibilitará certamente, novas aprendizagens. Prover “feedback” sempre ao grupo mencionando os pontos fortes observados vai contribuir para que as pessoas invistam mais nas suas habilidades. Apontar as falhas e os equívocos ocorridos e dar sugestões de melhoria possibilitará que o ocorrido não aconteça novamente. A análise das informações sobre o desempenho possibilitará certamente, novas aprendizagens. 141 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 Figura 35 – Auto conhecimento Fonte: Disponível em: <http://www.quino.com.ar/>. Acesso em: 20 jun. 2012. b) Desenvolver competências específicas para sua atuação na sua área profissional Lück (2008, p. 126) sintetiza esse pensamento quando diz “A competência associada ao comprometimento, permite à pessoa que exerce liderança tornar- se confiável e ser reconhecida por sua credibilidade, uma condição fundamental para que possa exercer influencia sobre os outros”. Saber obter a cooperação e a confiança da comunidade onde atua é uma característica de um líder e que também não deve privilegiar alguns participantes em detrimento de outros; todos devem receber o mesmo tratamento. Quando houver necessidade de intervenção, esta deve acontecer logo após o ocorrido. A comunicação clara, direta e objetiva é fator decisivo na coordenação e organização do trabalho do líder. c) Desenvolver competências para administrar as situações de conflito e tensões Sabemos que todo processo social tem na sua dinâmica características como embates, tensões, discussões, contradições, discordâncias e enfrentamentos. Ao desconsiderar ou mesmo abafar as desavenças, como algo que deve ser evitado, perde-se a oportunidade de exercitarmos a democracia e de provocarmos mudanças individuais e/ou do grupo. Na unidade escolar podem ocorrer diversos tipos de conflito. Nessas situações, um líder deve procurar antecipar as reações e entender as emoções dos participantes. Uma maneira de intervenção do líder é questionar e promover a reflexão para que o participante tenha controle de suas emoções e assumir comportamentos mais adequados. Sabemos que todo processo social tem na sua dinâmica características como embates,tensões, discussões, contradições, discordâncias e enfrentamentos. http://www.quino.com.ar/ 142 Organização e Desafios da Gestão Escolar A tarefa do líder está em manter ou melhorar a qualidade das relações interpessoais (DEL PRETTE, 2011), sendo necessário entender a dinâmica interpessoal e seus desdobramentos (LÜCK, 2008,). Parolin (2010) contribui nos trazendo uma reflexão: [...] reporta-nos a compreender as nossas semelhanças e, ao mesmo tempo, as nossas diferenças. Cada um de nós é único em sua forma de emocionar-se, de expressar-se, de aprender, apesar de sermos semelhantes em muitos aspectos da nossa estrutura orgânica e de nos reconhecermos como semelhantes em nossa cultura (PAROLIN (2010, p. 86). Nas relações interpessoais é preciso ver como o outro vê e sente os acontecimentos. Temos que nos colocar no lugar do outro. Conhecer e valorizar a perspectiva do outro sem perder a nossa singularidade. O filme ‘O Mestre da Vida’ baseado numa história real é um convite à partilha de experiências de vida, aos ensinamentos e aprendizados, que enriquecem as relações interpessoais. O Mestre da Vida (2006) Fonte: Disponível em: <http://.arlequim.com.br>. Acesso em: 20 mai. 2012. •Direção: George Gallo • Roteiro: George Gallo • Gênero: Drama • Origem: Estados Unidos • Duração: 107 minutos • Tipo: Longa-metragem http://.arlequim.com.br 143 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 d) Desenvolver uma atitude de trabalho compartilhado e em equipe Ser líder requer a competência em administrar o trabalho na instituição, delegando responsabilidade para o grupo. Mas o poder é compartilhado e as pessoas recebem diferentes tarefas para atingir o objetivo maior da unidade escolar. Genuíno Bordignon e Regina Vinhaes Gracindo (2011) contribuem com suas reflexões em relação ao poder compartilhado na gestão democrática da educação, que o líder precisa desenvolver dizendo : Gestão democrática é o processo de coordenação das estratégias de ação para alcançar os objetivos definidos e requer liderança centrada na competência, legitimidade e credibilidade. A gestão da escola ou do município, por natureza, é um processo de coordenação de iguais, não de subordinados (BORDIGNON, 2011, p. 165). Portanto, [...] o poder não se situa em níveis hierárquicos, mas nas diferentes esferas de responsabilidade, garantindo relações interpessoais entre sujeitos iguais e ao mesmo tempo diferentes. Essa diferença dos sujeitos, no entanto, não significa que um seja mais que o outro, pior ou melhor, mais ou menos importante, nem concebe espaços para a dominação e a subserviência, pois estas são atitudes que negam radicalmente a cidadania. As relações de poder não se realizam na particularidade, mas na intersubjetividade da comunicação entre atores sociais, Nesse sentido, o poder decisório necessita ser desenvolvido com base em colegiados consultivos e deliberativos” (BORDIGNON, 2011, p. 152). O trabalho de um líder é o de organizar o grupo. Isto significa dizer, que cada participante tem seu tempo para falar, opinar, defender seu ponto de vista e descobrir que mesmo tendo objetivos comuns. Cada um tem uma identidade própria, mas no inter-relacionamento do grupo influencia e recebe contribuições para sua formação enquanto humano. Por isso, as informações relacionadas ao trabalho e a entidade escolar devem ser compartilhadas por todos. e) Conhecer a natureza do trabalho da educação e da aprendizagem Além da sua convicção nas suas potencialidades e habilidades é necessário que tenha conhecimento do sentido político e social da educação e sua organização pedagógica, na construção de uma educação de qualidade social Ser líder requer a competência em administrar o trabalho na instituição, delegando responsabilidade para o grupo. Mas o poder é compartilhado e as pessoas recebem diferentes tarefas para atingir o objetivo maior da unidade escolar. 144 Organização e Desafios da Gestão Escolar para todos. O gestor, sendo líder e tendo este conhecimento e metas específicas, pode desenvolver seu potencial de acordo com as expectativas e necessidades da comunidade escolar, tomando decisões rapidamente nas questões tratadas. Manter atitudes coerentes, sensatas e com segurança, intensificam a autoridade que o cargo lhe confere e cria um ambiente de responsabilidade do coletivo para com a instituição de ensino. Mas, como nos coloca Silva (1994, p. 7), Esse processo é lento, demanda tempo, iniciando-se muitas vezes pela adesão de dois ou três elementos em torno de uma ideia comum. É preciso propor situações de trabalho coletivo que, de alguma forma, respeitem o momento de cada um, sem perder de vista os objetivos que o grupo se propõe alcançar. f) Desenvolver expectativas elevadas em relação ao seu trabalho, como líder da escola O gestor como líder numa unidade de ensino, vai mobilizar, orientar, coordenar e incentivar cada membro do coletivo escolar, a exercerem com eficiência suas atividades pedagógicas com o compromisso de propiciarem as crianças e jovens uma aprendizagem significativa, pautadas nos princípios da educação de qualidade social para todos os alunos. A capacidade de mobilizar a comunidade escolar de compartilhar e desenvolver parcerias é inerente ao papel do líder. As atitudes proativas do gestor, seu entusiasmo e sua capacidade de influenciar o grupo permite obter-se resultados que contribuem com o sucesso de todos. Trabalhar tendo o foco nos objetivos estabelecidos no Projeto Político Pedagógico e não apenas controlar a rotina dos participantes da equipe. Atitudes proativas referem-se à disponibilidade de uma pessoa à frente dos demais membros do grupo. Essa habilidade permite ao indivíduo buscar soluções ao invés de se concentrar nos problemas e onde os outros só enxergam dificuldades e problemas ver as possibilidades. Em vez de ficar reclamando dos problemas, agir de maneira criativa, inovadora. Fazer a diferença. A capacidade de mobilizar a comunidade escolar de compartilhar e desenvolver parcerias é inerente ao papel do líder. 145 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 Atividade de Estudos: 1) Atitude proativa é: a) disponibilidade na resolução de ações; b) dificuldades em tomar iniciativas. c) resolver os problemas de maneira rápida e eficiente. d) agir de maneira criativa e inovadora. Assinale a alternativa correta ( ) a, b, c estão corretas. ( ) a, c, d estão corretas. ( ) a, b estão corretas. ( ) todas as respostas estão corretas. A educação escolar, com objetivos consistentes e baseados nos pressupostos propostos pela UNESCO (DELOR, 1998), que são: aprender para conhecer, aprender para saber fazer, aprender a ser e aprender a conviver, permite que as crianças e adolescentes que fazem parte da instituição aprendam pela vivência e através de conteúdos e propostas didáticas significativas. Figura 36 – Saberes Fonte: Disponível em:<http://ferinhasdosaber.blogspot.com.br/2009/12/ os-4-pilares-da-educacao.html>. Acesso em: 20 jun. 2012. http://ferinhasdosaber.blogspot.com.br/2009/12/os-4-pilares-da-educacao.html http://ferinhasdosaber.blogspot.com.br/2009/12/os-4-pilares-da-educacao.html 146 Organização e Desafios da Gestão Escolar g) Focar a atenção no desenvolvimento de uma ótica de um agente de mudança Com uma atuação embasada em estudos teóricos recentes com reflexões e intercâmbio de aprendizagens, o líder compartilha responsabilidades e o poder com o coletivo da instituição escolar. Esse é “[...], um dos grandes desafios da liderança escolar nos dias atuais, consiste em atuar como agente de mudança visando a continua renovação dos processos sócio educacionais” (LÜCK, 2008, p. 129). Lauro Carlos Wittmann (2008, s. p.), na apresentação do II Simpósio Internacional e V Fórum Nacional de Educação reafirma seus escritos dizendo que o gestor como líder, tem como base da legitimidade“[...] além da competência técnica, conhecimentos e atitudes necessárias, e da competência política, compromisso público com o programa da educação do Estado, o agente deve ter representatividade comunitária, liderança na comunidade escolar e local”. Atividade de Estudos: 1) São três as competências do gestor/líder segundo Wittmann (2008). Relacione as colunas correlacionando as competências as suas respectivas peculiaridades. a) competência técnica b) competência política c) representatividade comunitária ( ) compromisso público com os projetos e programas do Estado. ( ) liderança na comunidade. ( ) conhecimentos, habilidades e atitudes pertinentes ao líder. Essas questões são importantes, pois o líder como agente de mudanças, tem que desenvolver competências além da autoridade que lhe é dada pelo o cargo que ocupa. Como autoridade competente tem que considerar e incentivar a participação de todos os que fazem parte da comunidade escolar buscando sugestões e incentivando as novas ideias. É importante salientar que essa participação não precisa ser necessariamente presencial, mas o objetivo deve ser o mesmo: uma educação de qualidade social para todos. Como autoridade competente tem que considerar e incentivar a participação de todos os que fazem parte da comunidade escolar buscando sugestões e incentivando as novas ideias. 147 Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 Algumas Considerações O líder precisa ter consciência da sua responsabilidade e por isso tem que ter comprometido com o seu papel dentro da unidade escolar, que se reflete em um trabalho efetivamente coletivo e com um grupo coeso. Numa perspectiva de gestão democrática os embates e conflitos vão sempre surgir e devem ser considerados não como entraves, mas sim como alavanca para vencer novos desafios. Outras questões não abordadas aqui, mas de suma importância devem ser estudadas e analisadas, pois a partir da concepção de cada líder/gestor tem encaminhamentos diferentes. Entender a diversidade como riqueza e não como empecilho só vai acontecer se cada um perceber-se como indivíduo único, mas ao mesmo tempo parte da humanidade, recebendo influências e influenciando o seu entorno. A autoridade que é conferida ao líder, abordada neste texto está fundamentada, num paradigma de educação como prática social, que não diminui a sua importância conferida pelo cargo, mas destaca sua competência técnica, política e administrativa no âmbito social. Entendemos que é a partir do diálogo nas relações interpessoais que os indivíduos compartilham suas ideias, desejos, valores, necessidades e podem refletir, revendo concepções e reorganizando o pensamento e construindo novos conhecimentos. Contudo, muitas vezes há divergências sérias no espaço escolar difíceis de serem superadas gerando conflitos, fazendo-se necessário que a instituição escolar planeje coletivamente e desenvolva ações não somente para prevenir, mas também, quando necessário, para sanar por meio da prática, do diálogo e da mediação dos conflitos uma das possibilidades de ajuda especializada para solucionar ou amenizar os conflitos escolares como veremos no próximo capítulo. Referências BORDIGNON, Genuíno ; GRACINDO, Regina Vinhaes. GESTÃO DA EDUCAÇÃO: O município e a Escola. In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto; AGUIAR, Márcia Ângela da Silva (Orgs.). GESTÃO DA EDUCAÇÃO. Impasses, perspectivas e compromissos. São Paulo: Cortez, 2011. 148 Organização e Desafios da Gestão Escolar BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares. Pluralidade Cultural. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2012. DAVIS, Claudia; SILVA, Maria Alice Setúbal; ESPÓSITO, Yara. PAPEL E VALOR DAS INTERAÇÕES SOCIAIS EM SALA DE AULA. Caderno de Pesquisa, nº 71. nov. 1989. Disponível em:<http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/ arquivos/812.pdf>. Acesso em: 03 jul. 2012. DELORS, J. Educação: um Tesouro a Descobrir. São Paulo: Cortez; Brasília: MEC/UNESCO, 1998. DEL PRETE, Almir; DEL PRETE, Zilda Aparecida Pereira. Psicologia das relações interpessoais. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. GOMES, Nilma Lino. Diversidade e Currículo. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. LÜCK, Heloísa. LIDERANÇA EM GESTÃO ESCOLAR. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2008. PAROLIN, Isabel Cristina Hierro. Pais e educadores: quem tem tempo de educar. Porto Alegre: Mediação, 2010. REGINATO Maria José; GROSBAUM, Marta Wolak; BRUSTEIN, Raquel Léa; PIMENTEL, Rita Porto. Asas e raízes: trabalho coletivo na escola. Ministério da Educação e Cultura. UNICEF:ITAÚ.1994. SILVA, Maria Alice Setúbal Souza; QUADRADO, Alice Davanço; MANSUTTI, Maria Amábile; SAMPAIO, Maria das Mercês Ferreira; BERGAMIM, Maria Estela; RIBEIRO, VIGOTSKY, Lev Semenovitch. (Trad. Jefferson Luiz Camargo). Pensamento e Linguagem. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. Relações Humanas na Família e no Trabalho. 54. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. WITTMANN, Lauro Carlos. PEDAGOGIA DA GESTÃO. II Simpósio Internacional e V Fórum Nacional de Educação. Torres, RS: ULBRA, 2008. Disponível em: <http://forum.ulbratorres.com.br>. Acesso em: 03 jul. 2012. http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdf http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/arquivos/812.pdf http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/arquivos/812.pdf http://forum.ulbratorres.com.br CAPÍTULO 7 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Definir conflito e conflito escolar. � Distinguir os estilos de gestão dos conflitos escolares. � Apresentar os conflitos escolares como desencadeadores do processo de resolução de problemas. � Demonstrar a gestão do conflito como construto de valorização humana estimulando a criatividade pessoal e coletiva. � Investigar as situações de conflito a partir do diagnóstico propondo intervenções em nível individual e de grupo. 150 Organização e Desafios da Gestão Escolar 151 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 ESTATUTO DO HOMEM (Ato Institucional Permanente) A Carlos Heitor Cony Artigo I Fica decretado que ago- ra vale a verdade. agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II Fique todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo. Artigo III Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança. Artigo IV Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confia- rá no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu. Parágrafo único: O homem confiará no homem como um menino confia em outro menino. Artigo V Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a ar- madura de palavras. O homem se senta- rá à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa. 152 Organização e Desafios da Gestão Escolar Artigo VI Fica estabelecida, du- rante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora. Artigo VII Por decreto irrevogá- vel fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfralda- da na alma do povo. Artigo VIII Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem seama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor. Artigo IX Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que, sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura. Artigo X Fica permitido a qual- quer pessoa, qualquer hora da vida, o uso do traje branco. Artigo XI Fica decretado, por definição, que o ho- mem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã. Artigo XII Decreta-se que nada será obriga- do nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com o rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único: Só uma coisa fica proi- bida: amar sem amor. 153 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 Artigo XIII Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindou- ras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou. Artigo Final Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transpa- rente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem. Thiago de Mello Santiago do Chile, abril de 1964 Contextualização Iniciamos este capítulo com o poeta Thiago de Mello, ‘cantador do Amazonas’ cujas palavras, fala do mundo e daquilo que é próprio do humano - as relações sociais, o respeito, a não violência, a confiança.... ilustrando bem o que vamos tratar em seguida cuja temática é o conflito. Partirmos do entendimento que conflitos sempre estiveram presentes na nossa sociedade e que podem ser conflitos interpessoais, que são os que ocorrem entre duas pessoas ou grupos, ou estruturais ou ainda os culturais gerando situações de discriminação, humilhação, medo e vitimização. Especificamente, os conflitos no espaço escolar têm despontado nos últimos anos no mundo inteiro, gerando eventos de violência, determinando a necessidade urgente de estudos, da área educacional para prevenção e mediação das ações de violência, assim como a implantação de políticas públicas. Muitos países como Estados Unidos, França, Espanha, Inglaterra, Argentina, Chile entre outros, já vem desenvolvendo ações políticas “[...] mais ou menos eficientes, dirigidas aos diversos atores que compõe este complexo sistema que é o fenômeno violência escolar.” (CHRISPINO, 2007, p.12). Percebemos que somente nos últimos anos essa temática tem sido abordada, no Brasil, mais diretamente nas instituições sociais entre elas as escolares. 154 Organização e Desafios da Gestão Escolar O conflito que vamos abordar referem-se às relações entre pessoas, no espaço escolar, entendidas como situações de confronto nas interações sociais, desavenças de opiniões, embates ideológicos que podem ser resolvidos tanto de forma agressiva e violenta ou no diálogo pacificamente, dependendo da organização da unidade de ensino onde ocorrem e da formação pessoal (estruturas cognitivas e afetivas) dos envolvidos no processo pedagógico. A tomada de decisão nas mais diversas situações são reflexos das nossas concepções, emoções e dos nossos construtos mentais. Essa questão, ainda pouco investigada segundo Maria Isabel da Silva Leme (2004, p. 367 apud SASTRE; MORENO, 2002): “É interessante observar ainda que cognição e afetividade têm sido pouco investigadas em uma perspectiva de funcionamento integrado até recentemente pela Psicologia”. A proposta deste capítulo é trazer algumas questões para contribuir numa perspectiva democrática, para que os conflitos no espaço da educação escolar, sejam abordados de forma inovadora. Vamos também discutir as diferentes concepções de conflito, construídas historicamente; os tipos de conflitos e suas possíveis causas e mais especificamente, o conflito na educação escolar: sua gestão e a resolução dos mesmos através da mediação. O que é Conflito? E, você, quando aparece uma situação problema em sua vida, no seu trabalho qual a primeira atitude que costuma tomar? Geralmente a solução buscada costuma ter um resultado positivo? Você faz uma análise depois sobre o ocorrido? Muitas vezes acha que poderia agir de outra maneira ou estava correta a atitude tomada? Às vezes, agimos de determinada maneira e nos arrependeremos depois. Para entendermos a realidade atual é importante situar que considerando o conflito um fenômeno social, as diferentes concepções acerca deste, foram sendo construídas historicamente. Isto quer dizer que a forma de ‘ver’, entender e abordar o conflito são diferentes (não podendo ser julgadas se certas ou erradas) dependendo no tempo e espaço onde ocorrem e precisam ser analisadas neste contexto, como veremos a seguir. 155 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 Numa abordagem tradicional o conflito normalmente tem conotação negativa, associado à agressividade, à violência, ao embate físico e verbal, a comportamentos negativos e que prejudicam o grupo ou organização. É um mal a ser evitado e não existir o conflito nas relações é um exemplo de competência. Portanto, na gestão dos conflitos nesta perspectiva, o objetivo é a eliminação do mesmo. Já, numa concepção comportamentalista o conflito é tido como inevitável, pois cada pessoa é diferente da outra. A gestão do conflito tem como estratégia após ser detectado, procurar resolver as causas iniciais e apontar as diferenças entre as partes. É uma maneira de camuflar as desavenças, pois não há discussão para chegar-se a um consenso. Considerando que o conflito, dependendo do contexto onde ocorre, tanto pode ser positivo, como negativo; bom ou mau; funcional ou não; a abordagem interacionista, apenas reconhece a situação conflituosa. Aponta também, que em determinadas ocasiões o conflito deve ser estimulado para surgirem ideias inovadoras e criativas promovendo mudanças consideráveis. Numa abordagem atual, as novas ideias e as mudanças ocorrem a partir de discussões de pontos de vista conflituosos. É reconhecida a utilidade dos conflitos trazendo renovação para os grupos e organizações e para as relações interpessoais. O conflito surge a partir das diferenças “[...] de interesses, de desejos e de aspirações. Percebe-se que não existe aqui a noção estrita de erro e de acerto, mas de posições que são defendidas frente a outras, diferentes”. (CHRISPINO, 2007, p. 16). Outra contribuição relevante, para o entendimento e a conceituação numa perspectiva atual, do conflito é a de Maria Tereza Maldonado (2008, p.13): “Os conflitos fazem parte da vida de todos nós e acontecem até nos relacionamentos mais harmônicos”. Diz também que “Das diferenças entre as pessoas surgem os conflitos no cotidiano das famílias, das escolas, da vizinhança, do ambiente de trabalho”. Quando mais democrática for uma relação ou organização, mais conflitos haverá. Nesta perspectiva o conflito começa a ser visto como algo “[...] mais natural e, por conseguinte, necessária às relações entre pessoas, grupos sociais, organismos políticos e Estado” (CHRISPINO, 2007, p. 16). O conflito, portanto, aparece, como uma situação de confronto de opiniões, que revela oposição de Numa abordagem tradicional o conflito normalmente tem conotação negativa, associado à agressividade, à violência, ao embate físico e verbal, a comportamentos negativos e que prejudicam o grupo ou organização. Numa abordagem atual, as novas ideias e as mudanças ocorrem a partir de discussões de pontos de vista conflituosos. É reconhecida a utilidade dos conflitos trazendo renovação para os grupos e organizações e para as relações interpessoais. 156 Organização e Desafios da Gestão Escolar ideias por si só não provoca açõesde violência. A forma de resolver um conflito, essa sim, pode ser às vezes violenta. Por isso equivocadamente, muitos consideram o conflito como algo ruim. Mas como bem coloca Chrispino (2007, p. 17): O conflito é inegável e não se deve suprir seus motivos, até porque ele possui inúmeras vantagens dificilmente percebidas por aqueles que veem nele algo a ser evitado: • Ajuda a regular as relações sociais; • Ensina a ver o mundo pela perspectiva do outro; • Permite o reconhecimento das diferenças, que não são ameaça, mas resultado natural de uma situação em que há recursos escassos; • Ajuda a definir as identidades das partes que defendem suas posições; • Permite perceber que o outro possui uma percepção diferente; • Racionaliza as estratégias de competências e de cooperação; • Ensina que a controvérsia é uma oportunidade de crescimento e de amadurecimento social. Outra questão importante apontada pelo autor acima citado, é que o conflito não vai contra a ordem. “[...] o conflito é a manifestação da ordem em que ele próprio se produz e da qual derivam suas consequências principais O conflito é a manifestação da ordem democrática que o garante e o sustenta” (CHRISPINO 2007, p. 17). Ainda sinaliza: “A ordem, em toda sociedade humana, não é outra coisa senão uma normatização do conflito” (CHRISPINO, 2007, p. 17). Os indivíduos frente a um conflito assumem quase sempre 3 (três) tipos de atitudes: a) ignoram os conflitos; b) respondem de forma violenta aos conflitos; c) lidam com os conflitos por meio do diálogo. Enquanto educadores e numa proposta de gestão democrática dos conflitos a opção nossa é pelo diálogo constante, contínuo e permanente nos espaços das instituições de ensino. Diálogo, que segundo Freire (1975, p. 98) “[...] implica num pensar crítico capaz, também de gerá-lo. Sem ele, não há comunicação e sem esta não há verdadeira educação”. Rosário Ortega e Rosário del Rey também atentam para a questão da abordagem dos conflitos “[...] embora, em muitas ocasiões, quando não abordado de forma adequada, pode chegar a deteriorar o clima de convivência pacífica e gerar uma violência multiforme Enquanto educadores e numa proposta de gestão democrática dos conflitos a opção nossa é pelo diálogo constante, contínuo e permanente nos espaços das instituições de ensino. 157 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 na qual é difícil reconhecer a origem e a natureza do problema”(ORTEGA; REY, 2002, p. 143). A escola, como espaço social e numa perspectiva de gestão democrática inevitavelmente vai gerar conflito, mas não necessariamente ação de violência, se os gestores e o coletivo (educadores, pais e comunidade) estiverem atentos, com olhar observador captando as mudanças expressivas de comportamento da criança ou do adolescente. Estar atento permite também, aos educadores detectaremas expressões maldosas e situações constrangedoras que se repetem com determinado aluno ou grupo. Como espaço social, a instituição escolar, convive com a diversidade cultural o que pode gerar conflito. E, segundo Arroyo (2007, p. 792) O reconhecimento da escola como tempo-espaço público e as tentativas de sua configuração como pública têm sido uma das marcas dos embates político-pedagógicos das últimas décadas. Dois fatos contribuíram nessa configuração: a afirmação da educação como direito de todo cidadão, bandeira dos anos de 1980, e o reconhecimento da infância- adolescência como sujeito de direitos, bandeira dos anos de 1990, com o Estatuto da Infância e da Adolescência (ECA). Numa concepção de gestão democrática, a manifestação de ideias muitas vezes divergentes no grupo é constantemente explicitada, pois o respeito ao diferente é um dos princípios da democracia. O conflito surge, como parte da vida humana, onde há concepções divergentes e diferentes opiniões. Pode (ou não) ser resolvido, mesmo dentro de um sistema de poder e de normas sociais democraticamente, no diálogo permanente. Para você, Pós-graduando refletir!!!! O conflito é parte da constituição da humanidade desde os primórdios. Também é importante considerarmos se numa relação, não há divergência de opiniões, de concepções e ideais, é por que alguém manda, impondo-se e o outro obedece. Entretanto, é preciso também estar atentos, pois o conflito como não está isento de risco “[...] pode ser o responsável por um processo destrutivo ao induzir as partes num ciclo vicioso que se autoperpetua limitando os recursos disponíveis e colocando em questão todo o processo de resolução do problema” (MARQUES; Numa concepção de gestão democrática, a manifestação de ideias muitas vezes divergentes no grupo é constantemente explicitada, pois o respeito ao diferente é um dos princípios da democracia. 158 Organização e Desafios da Gestão Escolar CUNHA, 2012 ). Ainda os autores nos alertam dizendo: “Há que não negligenciar os aspectos menos positivos decorrentes das situações conflituosas, pois estas por si só estimulam situações de força e fomentam percepções, atitudes e condutas hostis entre pessoas, grupos e comunidades” (MARQUES; CUNHA, 2012). Tipologia dos Conflitos e suas Possíveis Causas Os teóricos, entre eles Morgan (1996, p. 160), para uma melhor compreensão deste fenômeno social estabelecem alguns níveis de conflito e como destaca: “Algumas vezes, os conflitos gerados serão bem explícitos e abertos para quer todos vejam, enquanto outras vezes permanecerão sob a superfície dos acontecimentos do dia a dia” (MORGAN, 1996, p. 162). Os conflitos podem ser divididos em níveis: • nível pessoal ou intrapessoal – São os que ocorrem internamente e a pessoa tem que optar, excluindo uma ou outra resposta, uma vez que as duas alternativas não podem acontecer simultaneamente. Esse tipo de conflito está relacionado a valores individuais. A situação conflituosa pode ser por opção de objetivos ou situações de: – atração atração – repulsão repulsão – atração repulsão • nível interpessoal – Os conflitos interpessoais são aqueles que ocorrem entre duas pessoas. Esses embates surgem por: – diferenças individuais - de idade, sexo, concepções, valores e experiências. São as chamadas divergências de ponto de vista. – limitação dos recursos - quase sempre os recursos financeiros e humanos são limitados e a divisão deles nem sempre satisfaz a todos gerando insatisfação e conflitos. – diferenciação dos papéis - tanto nas relações do trabalho como nas relações familiares. “Mesmo quando as pessoas reconhecem a importância de se trabalhar junto, a natureza de qualquer trabalho 159 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 específico frequentemente combina elementos contraditórios que criam vários tipos de conflitos de papel” (MORGAN, 1996, p. 162). • nível organizacional – Os conflitos intragrupal e intergrupal são aqueles que ocorrem entre grupos rivais e coalizações. Álvaro Chrispino (2007), em seu texto “Gestão do conflito escolar: da classificação dos conflitos aos modelos de mediação”, traz a contribuição de alguns autores que dividem os conflitos em vários tipos e suas possíveis causas e que nos auxiliam na busca do entendimento dos mesmos. Destacamos no quadro abaixo para conhecimento o trabalho de Redorta (2004): Tabela 2 – Tipos de conflitos TIPOS DE CONFLITOS O CONFLITO OCORRE QUANDO... De recursos escassos Disputamos por algo que não existe suficientemente para todos. De poder Disputamos porque algum de nós quer mandar, dirigir ou contro- lar o outro. De auto-estima Disputamos porque meu orgulho pessoal se sente ferido. De valores Disputamos porque meus valores ou crenças fundamentais. De estrutura Disputamos por um problema cuja solução requer longo prazo, esforços importantes de muitos e os meios estão além da minha possibilidade pessoal. De identidade Disputamos porque o problema afeta minha maneira íntimade ser o que sou. De norma Disputamos porque meus valores e crenças fundamentais estão em jogo. De expectativa Disputamos porque não se cumpriu ou se fraudou o que um esperava do outro. De inadaptação Disputamos porque modificar as coisas produz uma tensão que não desejo. De informação Disputamos por alo que se disse ou não se disse ou se entendeu de forma errada. De interesse Disputamos porque meus interesses ou desejos são contrários aos do outro. De atribuição Disputamos porque o outro não assume a sua culpa ou respon- sabilidade em determinada situação. De relações pessoais Disputamos porque habitualmente não nos entendemos como pessoas. De inibição Disputamos porque claramente a solução do problema depende do outro. De legitimação Disputamos porque o outro não está de alguma maneira autori- zado a atuar como o faz, ou tem feito ou pretende fazer. Fonte: Chrispino (2007, p. 19 apud REDORTA, 2004, 27). 160 Organização e Desafios da Gestão Escolar Moore (1998) classifica os conflitos em: Tabela 3 – Tipos de conflitos TIPOS DE CONFLITOS CAUSAS DOS CONFLITOS Estruturais Padrões destrutivos de comportamento ou interação; controle, posse ou distribuição desigual de recursos; poder e autoridade desiguais; fatores geográficos, físicos ou ambientais que impeçam a cooperação; pressões do tempo. De valor Critérios diferentes para avaliar ideias ou comportamentos; objeti- vos exclusivos intrinsecamente valiosos; modos de vida, ideologia ou religião diferente. De relacionamento Emoções fortes: percepções equivocadas ou estereótipos; co- municação inadequada ou deficiente; comportamento negativo – repetitivo. De interesse Competição percebida ou real sobre interesses fundamentais (conteúdo); interesses quanto a procedimentos; interesses psicológicos. Quanto aos dados Falta de informação, informação errada; pontos de vista diferentes sobre o que é importante; interpretações diferentes dos dados; procedimentos de avaliação diferentes. Fonte: Chrispino (2007, p. 18 apud MOORE, 1998, 32). Para um melhor entendimento, os conflitos foram apresentados conforme sua tipologia. Essas informações didaticamente separadas, permite que você, como gestor possa identificar no seu espaço de trabalho, as situações de conflito possibilitando, através da discussão coletiva, superar os impasses com seus pares. Entretanto, nem sempre a identificação dos diferentes níveis dos conflitos é perceptível. Alguns autores, segundo Chrispino (2007, p. 21), estudam os conflitos na especificidade da educação, identificando os que ocorrem com maior frequência nas unidades escolares, como o teórico Martinez Zampa (2005, p.31-32), que fala das causas dos conflitos que ocorrem com maior frequência entre docentes, entre alunos, entre docentes e os alunos e entre pais, docentes e gestores. Chrispino (2007, p. 21), faz uma organização destas contribuições como veremos a seguir. 161 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 Tabela 4 – Causas dos conflitos entre docentes e entre docentes e alunos Causas dos conflitos entre docentes • falta de comunicação; • interesses pessoais; • questões de poder; • conflitos anteriores; • valores diferentes; • busca de posição de destaque; • conceito anual entre docentes; • não-indicação para cargos de • ascensão hierárquica; • divergência em posições políticas ou ideológicas. Causas dos conflitos entre docentes e alunos • não entender o que os professores explicam; • notas arbitrárias; • divergência sobre critério de avaliação; • avaliação inadequada (na visão do aluno); • discriminação; • falta de material didático; • não serem ouvidos (queixa tanto dos alunos quanto dos docentes); • desinteresse pela matéria de estudo. Causas dos conflitos entre os alunos • mal entendidos; - brigas; - rivalidade entre grupos; - discriminação; - bullying; - uso de espaços e bens; - namoro; • assédio sexual; - perda ou dano de bens escolares; - viagens e festas; • eleições (de variadas espécies). Causas dos conflitos entre pais, docentes e gestores • agressões ocorridas entre alunos e entre os professores; • perda de material de trabalho; • associação de pais e amigos; • cantina escolar ou similar; • falta ao serviço pelos professores; • falta de assistência pedagógica pelos professores; • critérios de avaliação, aprovação e reprovação; • uso de uniforme escolar; • não atendimento a requisitos “burocráticos” e administrativos da gestão. Fonte: Chrispino (2007, p. 21). A convivência no espaço escolar, as diferentes intervenções nas relações interpessoais criam conflitos que necessitam ser resolvidos. Conforme (ORTEGA; REY, 2002, p. 47) [...] a dinâmica de aparição e dissolução de conflitos entre as pessoas, entre as pessoas e suas atividades e tarefas, entre as metas e as condições e recursos para abordá-las; o que proporciona a rede social departicipação em que se inscrevem a vida quotidiana das salas de aula e o estabelecimento escolar. É necessário exibir uma atitude compreensiva e solidária, mas também firme e afetivamente coerente. A dinâmica de aparição e dissolução de conflitos entre as pessoas, entre as pessoas e suas atividades e tarefas, entre as metas e as condições e recursos para abordá-las. 162 Organização e Desafios da Gestão Escolar O exercício constante e persistente do diálogo possibilita que concepções diferentes sejam expressas e que os impasses sejam negociados e transpostos. Sabemos que é uma tarefa difícil e extenuante, mas que deve ser incentivada a partir da gestão democrática, onde as responsabilidades são compartilhadas. Para que seja possível a resolução dos conflitos nas instituições de ensino, é necessário que todos estejam conscientes e sensibilizados de que o problema existe. Isto pode ser realizado a partir do planejamento coletivo da unidade de ensino o seu projeto político pedagógico (VEIGA, 2003; 2002) e através de encontros sistematizados, buscado alternativas para lidar com os conflitos como as Assembleias Escolares (ARAÚJO, 2008), Seminários Permanentes (ORTEGA; REY, 2002) com a participação de toda a comunidade escolar - equipe diretiva, docentes, funcionários, pais, alunos e comunidade onde está inserida a instituição escolar. Possíveis Causas do Conflito Escolar Inicialmente faz-se necessário na gestão do conflito, que sejam conhecidas as possíveis causas que levaram ao surgimento do mesmo. Dentre as possíveis causas, além das citadas anteriormente, destacamos: a) Impossibilidade de atingir um ou mais objetivos/metas e/ou de realizar e satisfazer os seus desejos, por algum tipo de interferência ou limitação pessoal, técnica ou comportamental- Experiência frustrada de uma ou ambas as partes; b) Diferença de personalidade entre as partes envolvidas podem provocar conflito - Características pessoais; c) Muitas vezes as pessoas têm objetivos e metas diferentes ou divergentes na realização de uma tarefa/ação que pode gerar um conflito - Diferença de metas e objetivos; d) A forma e maneiras diferentes de ‘ver’ uma realidade podem provocar desavenças. Diferentes concepções; e) A formação do conhecimento humano é pessoal e única. A maneira como lidamos com os acontecimentos depende da nossa formação e dos conhecimentos construídos nas diferentes relações. Diferentes conhecimentos e informações. 163 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 Assim, compreender que o conflito é parte do humano, pois somos diferentes uns dos outros é o primeiro passo para a sua resolução. É importante ter sempre presente que a forma de encará-lo é que fará a diferença, pois as consequências de um conflito podem ser construtivas ou destrutivas. Uma das manifestações de violência e que vem provocado conflitos na sociedade e nas instituições de ensino é o bullying como veremos a seguir. Os Conflitos e Bullying em Contexto Escolar Apesar do bullying escolarser considerado um fenômeno antigo e bastante conhecido e vivenciado pelos educadores, não era considerado importante e nem dada sua devida atenção às consequências na formação pessoal e social dos alunos. Hoje, sabendo da necessidade da prevenção e do cuidado de não permitir que os conflitos, resultado da diversidade humana se transformem em atos de violência. Prevenir e combater o bullying na escola é responsabilidade de toda a comunidade escolar, envolvendo desde funcionários, professores, gestores alunos e pais. Portanto, faz-se necessário planejar no coletivo a prevenção do bullying no espaço escolar e consequentemente a toda forma de agressão às crianças, jovens e adultos. E quando mencionamos o planejamento de prevenção, especificamente neste caso do bullying, estamos prevendo a atenção não apenas às vítimas, mas também as testemunhas, que quase sempre são ‘silenciosas’ e àqueles que praticam o ato de agressão, que conforme pesquisas amplamente divulgada pela mídia, já foram vítimas. O bullying, pode muitas vezes, parecer ser uma simples brincadeira, para os desatentes. Contudo, a agressão moral, verbal e até corporal sofrida por algumas crianças e jovens provoca sofrimento na vítima, que se não abordado convenientemente, pode até levar a doenças como a depressão. O bullying viola o direito à integridade física e psicológica e à dignidade humana. Ameaça o direito à educação, ao desenvolvimento, à saúde e à sobrevivência. Disque 100 para denunciar o bullying. Compreender que o conflito é parte do humano, pois somos diferentes uns dos outros é o primeiro passo para a sua resolução. Apesar do bullying escolar ser considerado um fenômeno antigo e bastante conhecido e vivenciado pelos educadores, não era considerado importante e nem dada sua devida atenção às consequências na formação pessoal e social dos alunos. 164 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) Caro(a) aluno(a) como você define bullying? Escreva em poucas palavras o que significa para você esta agressão, hoje tão combatida na sociedade? __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ Se você considera bullying todo comportamento dentro de uma relação de desigualdade de poder, seja por idade, desenvolvimento físico ou relações com o grupo, como os atos repetitivos de empurrar, bater, colocar apelidos ofensivos, fazer gestos ameaçadores, humilhar, rejeitar e até mesmo ameaçar sexualmente um colega, você está correto no seu pensar. Legislação que protegem a criança e o adolescente inclusive das práticas de Bullying 1. Código Penal (1940); 2. Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959); 3. Constituição da República Federativa do Brasil (1988); 4. Lei contra o Racismo- Lei nº 7.716 /89; 5. Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei nº. 8069/90; 6. LDBEN – Lei nº 9394/96; 7. Lei Federal nº. 11.525/07 que dispõe sobre a obrigatoriedade do conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes no currículo do ensino fundamental. Se você considera bullying todo comportamento dentro de uma relação de desigualdade de poder, seja por idade, desenvolvimento físico ou relações com o grupo, como os atos repetitivos de empurrar, bater, colocar apelidos ofensivos, fazer gestos ameaçadores, humilhar, rejeitar e até mesmo ameaçar sexualmente um colega, você está correto no seu pensar. 165 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 Quem é que nunca zoou ou foi zoado na escola? Quem nunca conheceu “um quatro olho”?, Rolha de poço?, Esquisito?, Olho gordo?, Olívia Palito?, Baleia assassina? - Quem tem lembranças de ter sofrido algum tipo de Bullying na escola?, Algum apelido que o chateou?, Boas lembranças?, Alguma que queira esquecer?, Alguém ajudou? (KOFFEK, 2010). Hoje, sabendo da necessidade da prevenção e do cuidado de não permitir que os conflitos, resultado da diversidade humana se transformem em atos de violência. Prevenir e combater o bullying na escola é responsabilidade de toda a comunidade escolar, envolvendo desde funcionários, professores, gestores alunos e pais. Portanto, faz-se necessário planejar no coletivo a prevenção do bullying no espaço escolar e consequentemente a toda forma de agressão às crianças, jovens e adultos. E quando mencionamos o planejamento de prevenção especificamente neste caso do bullying, estamos prevendo a atenção não apenas às vítimas, mas também as testemunhas, que quase sempre são ‘silenciosas’ e àqueles que praticam o ato de agressão, que conforme pesquisas amplamente divulgada pela mídia, já foram vítimas. O Conflito Escolar e a Gestão de Conflito Para dar suporte aos educadores frente ao quadro de conflitos cada vez mais constantes e com desfechos trágicos e traumáticos, estão sendo desenvolvidas ações e programas, entre eles alguns já citados no capítulo 3 como: Projeto Escola que Protege; Bullying- Justiça nas Escolas; Educar para a Paz; Escola Segura; Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres; Protocolo de atenção às pessoas em situação de violência sexual. Além destes, existem outros programas/projetos como: Projeto Escola de Mediadores; Projetos de Redes de Proteção na Educação - Prefeitura de São Paulo; experiências no Mestrado da Universidade Católica de Brasília - Observatório da Violência; Grupos de Pesquisa registrados na Plataforma Lattes sobre violência escolar; pesquisas com algum foco na violência escolar etc., que têm trazido valiosa contribuição no entendimento e atendimento deste fenômeno social. 166 Organização e Desafios da Gestão Escolar a) http://www.lite.fae.unicamp.br/grupos/links/linkindisc.htm que tratam da Indisciplina e violência na escola da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas, que traz artigos e estudos sobre o tema. b) http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas do Programa Paz nas Escolas, Desenvolvido pela secretaria de Estado de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça, tem por objetivo contribuir para redução da violência nas escolas e construir uma cultura de paz. c) http://www.unesco.org.br Projeto Escolas de Paz (Unesco), tem como objetivo oferecer oportunidades de acesso à cultura, esporte, arte e lazer para jovens emsituação de vulnerabilidade social. Em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) (Observatório Nacional de Violência Escolar). Prezado (a) aluno (a), é importante você ter conhecimento de que estas e outras instituições citadas neste texto podem oferecer ajuda material de apoio para educadores e informações de modo geral para aprofundar a discussão e combater a violência contracrianças e jovens, dentro e fora da escola. O Papel do Gestor Escolar na Administração dos Conflitos Escolares Ressaltamos que o movimento de prevenção da violência nos espaços educacionais, vem acontecendo no mundo inteiro e intensificados seu estudo no Brasil, a partir da década de 1990. Como bem diz Chrispino (2007, p. 12) saber dos caminhos já trilhados, nos faz perceber que a http://www.lite.fae.unicamp.br/grupos/links/linkindisc.htm http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas http://www.unesco.org.br 167 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 [...]dificuldade brasileira pela qual já passara noutrospaíses, o que seria, por si só, um convite para a reflexão de educadores e de gestores políticos, visto que o movimento mundial em educação indica semelhança de acontecimentos mesmo que em momentos diferentes da linha de tempo. Nas relações que se estabelecem, nas instituições de ensino, que é um espaço de socialização e elo com a família, muitas das dificuldades vivenciadas pelas crianças, jovens e adultos tem ressonância no quotidiano escolar. O conflito, especificamente o conflito em contexto escolar é uma característica sem dúvida também, da realidade brasileira e precisa ser abordado e discutido com toda a comunidade escolar. É importante o gestor escolar, propor estratégias que envolvam e mobilizam a comunidade escolar buscando o envolvimento das diferentes instâncias de gestão democrática (Conselho Deliberativo, Conselho Escolar, Grêmio Estudantil, A. P. P. etc.) para discutir/estudar os motivos dos conflitos na escola e instituir o diálogo de modo a qualificar o processo de ensino e aprendizagem. Como isso é possível? Organizando diferentes espaços de debates, de sensibilização, de formação etc., com temáticas advindas tanto dos problemas apontados na elaboração do Projeto Político Pedagógico da instituição, como de outros que poderão aparecer. Encenações teatrais envolvendo alunos, professores, pais; apresentação de trabalhos elaborados pelos alunos para diferentes turmas na unidade escolar; esclarecimento de assuntos com profissionais especializados nas temáticas de necessidade do coletivo escolar; reuniões com pais, docentes e alunos onde são apresentadas situações e em pequenos grupos são buscadas sugestões para abordagem do problema. Estas são algumas possibilidades de se instaurar o diálogo para a resolução dos conflitos escolares. Quando ocorre algum conflito, que necessita diretamente a intervenção do gestor escolar, este deve seguir, as determinações dos documentos da instituição, como o Projeto Político Pedagógico, as normas escolares, o regimento interno e a legislação vigente (Constituição Federal, LDB, ECA e outras leis relacionadas à educação). É imprescindível, também, ter conhecimento teórico adquirido na formação pessoal e profissional. Esses requisitos de formação do gestor escolar vão permitir que este dialogue e transmita confiança a todos os envolvidos nos eventos conflitantes do contexto da unidade escolar. [...] dificuldade brasileira pela qual já passara noutros países, o que seria, por si só, um convite para a reflexão de educadores e de gestores políticos, visto que o movimento mundial em educação indica semelhança de acontecimentos mesmo que em momentos diferentes da linha de tempo. 168 Organização e Desafios da Gestão Escolar Figura 37 – Tirinha Fonte: Disponível em: <http://www.peanuts.com>. Acesso em: 12 jul. 2012. A gestão do conflito, essencialmente consiste na escolha criteriosa e na implementação das estratégias condizentes com cada tipo de situação. Os encaminhamentos para a resolução de um conflito precisam ser criteriosos, pois “Um conflito não é necessariamente um fenômeno da violência, embora, em muitas ocasiões, quando não abordado de forma adequada, pode chegar a deteriorar o clima de convivência pacífica e gerar violência multiforme na qual é difícil reconhecer a origem e a natureza do problema” (ORTEGA; REY, 2002). Para lidar com os conflitos faz-se necessário primeiramente conhecê-los e situá-los, para ter conhecimento da sua amplitude e como trabalhar com eles. Envolve, portanto, o diagnóstico e a intervenção das situações divergentes e conflituosas. Modelos de Mediação dos Conflitos Com o entendimento do conflito como “resultado da diferença” (CHRISPINO, 2007, p. 16), no espaço escolar, haverá sempre divergência de concepções, opiniões, de culturas (ver capítulo 6), entre os alunos, entre professores e alunos, professores e seus pares, entre direção e alunos, direção e professores, funcionários e alunos, funcionários e professores, funcionários e direção, professores e pais e/ ou comunidade, direção e pais e/ou comunidade. A divergência (de concepções, ideias, conceitos, encaminhamentos etc.) seria, conforme (CHRISPINO, 2007), a primeira causa dos conflitos nas escolas. A segunda causa apontada pelo autor é a dificuldade da comunicação, a impossibilidade de se estabelecer um diálogo entre as partes conflituosas. Diálogo, que segundo Paulo Freire (2005, p. 89) 169 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 [...] nos revela como algo que já poderemos dizer ser ele mesmo: a palavra. Mas, ao encontrarmos a palavra, na análise do diálogo, como algo mais que um meio para que ele se faça, se nos impõe buscar, também seus elementos constitutivos. O diálogo estabelece uma ‘ponte’, permitindo que as desavenças, as diferentes percepções sobre a questão conflitante, as concepções divergentes e/ou antagônicas possam interagir chegando-se a um consenso. A clareza e a precisão da comunicação também são fatores preponderantes na resolução dos conflitos. A base fundamental é saber escutar com sensibilidade e atenção, transmitindo à outra parte que entendemos suas mensagens. Com isso construímos um diálogo fértil, que forma uma relação de confiança e de respeito apesar das discordâncias (MALDONADO, 2008, p.115). Frisamos, de que a forma dos encaminhamentos para a resolução dos conflitos, dentro da instituição escolar, apontam quais as concepções que os educadores têm sobre estes eventos. Por isso a importância de buscar democraticamente a gestão dos conflitos, discutindo as atitudes, ações e encaminhamentos dados, provenientes de construções epistemológicas individuais. A gestão dos conflitos consiste exatamente na escolha e implementação das estratégias mais adequadas para se lidar com cada tipo de situação. Figura 38 – Reunião Fonte: Disponível em: <www.empresassa. com.br>. Acesso em: 10 mai. 2012 Como já mencionamos anteriormente, os conflitos sociais, especificamente os conflitos escolares não são um fenômeno da atualidade e gestão destes, também é uma prática antiga. Nos últimos anos, frente à realidade das instituições de ensino e a incidência provocada pelas mudanças sociais nos valores, na ética e nas relações humanas têm suscitado estudos mais aprofundados que vem contribuindo na reflexão dos eventos de violência escolares, e na busca da resolução e prevenção dos mesmos. A importância de buscar democraticamente a gestão dos conflitos, discutindo as atitudes, ações e encaminhamentos dados, provenientes de construções epistemológicas individuais. Nos últimos anos, frente à realidade das instituições de ensino e a incidência provocada pelas mudanças sociais nos valores, na ética e nas relações humanas têm suscitado estudos mais aprofundados que vem contribuindo na reflexão dos eventos de violência escolares, e na busca da resolução e prevenção dos mesmos. 170 Organização e Desafios da Gestão Escolar Uma grande maioria das instituições escolares tem buscado mecanismos alternativos para lidar com os conflitos como as diversas formas de Assembleias Escolares (ARAÚJO, 2008), Seminários Permanentes (ORTEGA e REY, 2002) o planejamento da unidade de ensino- projeto político pedagógico (VEIGA, 2003, 2002)e a proposta da mediação escolar (ORTEGA e REY, 2002) que veremos a seguir. a) O que vem a ser Mediação dos Conflitos? Chrispino (2007, p. 22), diz que mediação de conflito é “[...] o procedimento no qual os participantes com a assistência de uma pessoa imparcial – o mediador - colocam as questões em disputa com o objetivo de desenvolver opções, considerar alternativas e chegar a um acordo que seja mutuamente aceitável”. Numa abordagem de resolução de conflitos familiares, Lília Maia de Morais Sales (2011), contribui para o nosso viés apontando a mediação como [...] um meio consensual de solução de conflitos no qual duasou mais pessoas, com o auxílio de um mediador – terceiro imparcial e capacitado, facilitador de diálogo – discutem pacificamente, buscando alcançar uma solução satisfatória para o problema. As pessoas que vivenciam a controvérsia são as responsáveis por sua administração e solução. O poder de decisão é das partes e não do mediador. ORTEGA e REY (2002, p.147) definem a mediação como [...] intervenção, profissional ou profissionalizada, de um terceiro, um especialista, no conflito travado entre duas partes que não alcançam, por si mesmas, um acordo nos aspectos mínimos necessários para restaurarem uma comunicação, um diálogo que, por outro lado, é necessário para ambas. Contudo, não é imprescindível que esta intervenção se conclua com o desfecho de amor ou de amizade íntima, que será bem-vinda, se assim acontecer, mas, simplesmente, com o reconhecimento da responsabilidade individual de cada um no conflito e o acordo sobre como agir para eliminar a situação de crise, com o menor custo de prejuízo psicológico, social ou moral para ambos os protagonistas e suas repercussões em relação a terceiros envolvidos. É importante lembrar que, mesmo a instituição de ensino ter estabelecido as normas e regras disciplinares este procedimento nem sempre é suficiente, pois: nem sempre é elaborado no coletivo, não é de conhecimento/entendimento de todos, nem consideram o conflito. Outra questão a ser ressaltada é de que nem tudo pode ser regulamentado e esse espaço necessário para a espontaneidade é que permite o surgimento do conflito (ORTEGA; REY, 2002). É importante lembrar que, mesmo a instituição de ensino ter estabelecido as normas e regras disciplinares este procedimento nem sempre é suficiente, pois: nem sempre é elaborado no coletivo, não é de conhecimento/ entendimento de todos, nem consideram o conflito. 171 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 Estabelecer uma cultura do diálogo e da negociação é a maneira mais viável para que “[...] os conflitos interpessoais não se fixam nem paralisam a convivência” (ORTEGA; REY, 2002, p. 146). A unidade escolar, ao assumir que existem conflitos e na busca da superação dos mesmos, para implantar um projeto de mediação deve primeiramente: a) “Perceber se há interesse real de um ou mais segmentos da comunidade escolar em particular da direção, mas também dos professores, alunos, pais, funcionários”. [...] qualquer um dos interessados pode propor a aplicação do projeto [...] (BRANDÃO et al., 2002). b) Como citamos anteriormente, o coletivo deve ter um suporte teórico e ter critérios de ação definidos em conjunto (o grupo onde há o conflito e o(s) mediador (es), para poderem desenvolver as seguintes ações conforme sugestão de Ortega e Rey (2002, p. 149): • Ter delimitado os objetivos de forma clara e precisa com regras previamente determinadas e devem ser do conhecimento de todos, aceitas e estabelecido acordo para o cumprimento do mesmo pelas partes envolvidas; – Os protagonistas devem querer participar deste processo; – O processo de mediação deve estar limitado em determinado tempo e espaço sem perturbar a dinâmica organizacional da entidade escolar; – Deve limitar-se a uma situação específica de conflito; – Dispor de condições físicas e ambientais suficientes para que os trabalhos de mediação sejam realizados. Na proposta da mediação dos conflitos o espaço, o tempo e as regras devem ser respeitados. As mudanças que se fizerem necessárias devem ser feitas em conjunto (mediadores e equipe de apoio) e socializadas com o coletivo para que o programa/projeto de MEDIAÇÃO tenha êxito. As normas mesmo elaboradas de forma competente e de conhecimento de todo o coletivo, é impreterível ter os seguintes elementos na mediação, conforme apontam Ortega e Rey (2002, p. 151) 172 Organização e Desafios da Gestão Escolar • “Confidencialidade: o (a) mediador (a) se compromete, diante das pessoas às quais presta ajuda, a guardar sigilo sobre o conteúdo das conversações. • Intimidade: os protagonistas do conflito não serão forçados a falar mais do que considerem parte de sua intimidade; se bem que se comprometem a ser sinceros e a responder, com honestidade, às perguntas de seu interlocutor. • Liberdade de expressão: os protagonistas se comprometem a expressar-se com liberdade, mas assumindo que, nos diálogos, estão proibidos os insultos eataques verbais, físicos ou psicológicos. • Imparcialidade: o (a) mediador (a) se compromete a não tomar partido em nenhuma das partes em conflito. Embora perceba que, mais do que um conflito, é um problema de maus tratos, assédio, ameaça, perseguição ou qualquer tipo de violência interpessoal, deve ter a liberdade de levar ao conhecimento dos responsáveis pelo programa a natureza do suposto conflito e, caso necessário, mudar ou abandonar a mediação e propor outra estratégia de intervenção ou outro(a) mediador(a). • Compromisso de diálogo: os protagonistas se comprometem a falar de suas dificuldades e conflitos nas sessões de trabalho, assumindo que a oferta de ajuda é limitada no tempo e que é sua responsabilidade tentar, cada um em separado, aportar esforços para resolver a situação”. Todos esses cuidados são necessários para que os papéis (mediador (a) os atores do conflito) na mediação estejam claros, para que não haja conflitos posteriores, tanto a nível pessoal como no nível de grupo. No Projeto Escola de Mediadores (BRANDÃO et al., 2002) uma das primeiras etapas propostas é a de constituir uma equipe de apoio que atuará junto ao mediador. A ideia é interessante, se a função principal da equipe de apoio, for a debuscar a participação de toda a comunidade escolar desde o planejamento das ações, nas discussões das alternativas para a resolução do conflito e na avaliação do processo. Esse grupo terá como funções: • Acompanhar o projeto de mediação desde o inicio; • Participar da formação propiciada pelo mediador (es) externos; • Ter definido seus limites de ação; • Monitorar e dar apoio aos trabalhos de mediação quando necessário. 173 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 (BRANDÃO et al., 2002). – Quem pode fazer parte deste grupo? A direção da unidade escolar, docentes, funcionários, alunos pais e comunidade em geral, voluntariamente, escolhidos conforme critérios estabelecidos entre a gestão escolar e o (s) mediador (es) e deve ser renovado periodicamente. – Primeiras atividades da equipe de apoio Após a escolha dos que participarão da equipe de apoio estes auxiliarão no: - levantamento dos dados através de questionários, entrevistas...; - planejamento das ações a serem realizadas; - sensibilização; - seleção de alunos “mediadores” (grupo de apoio); - capacitação; - prática da mediação; - monitoramento das atividades; - avaliação das atividades do projeto. Chrispino (2007, p. 26 apud PORRO, 2004) apresenta 7 (sete) motivos para realizar o programa/projeto de mediação que são: a) resolver conflitos valoriza o tempo; b) resolver conflitos ensina várias estratégias úteis; c) resolver conflitos ensina aos alunos consideração e respeito para com os demais; d) resolver conflitos reduz o estresse; e) possibilidade de aplicar as novas técnicas em casa, com familiares e amigos; f) resolver conflitos que podem contribuir para a prevenção do uso do álcool e de drogas; g) possibilidade de sentir a satisfação de estar contribuindo com a paz do mundo. 174 Organização e Desafios da Gestão Escolar É importante considerar-se um programa/projeto de mediação como um instrumento a mais para se tratar os conflitos, que resistiram a soluções espontâneas (o diálogo, uma rede de interação, propiciadas pela gestão escolar democrática) e desativá-los. Os autores na sua proposta de trabalho nos dizem, que a mediação é um trabalho de especialistas, a pedido ou com o consentimento das pessoas envolvidas e que alémda ajuda externa tem como compromisso assumir as regras das atividades. Dado o caráter especialista do trabalho mediador, a mediação não deve ser desempenhada pela direção institucional nem pelos (as) professores (as), nem pelas pessoas não formadas expressamente para isso, já que a mediação requer o domínio de habilidades e capacidades que tanto os protagonistas como o ambiente social devem reconhecer no (a) mediador (a). (ORTEGA; REY, 2002, p. 149). O Projeto Escola de Mediadores - Cartilha de Medicadores: Como montar este Projeto na minha escola?, desenvolvido por uma equipe multidisciplinar e com subsídios de diversas entidades (Viva Rio, Balcão de Direitos, Mediare, NOOS) e apoio do governo – Ministério da Justiça, Secretaria do Estado de Direitos Humanos, Projeto Paz na Escola, traz informações para a implementação deste projeto nas unidades escolares. O texto apresenta passo a passo, a implantação de um projeto de mediação que pode ser implantado nas instituições de ensino, desde a formação da equipe de apoio dos mediadores até atividades a serem desenvolvidas na unidade. Figura 39 – Projeto escola de Mediadores Fonte: Disponível em: <www.mj.gov.br/sedh/ paznasescolas>. Acesso em: 25 mai. 2012. É importante considerar-se um programa/projeto de mediação como um instrumento a mais para se tratar os conflitos, que resistiram a soluções espontâneas (o diálogo, uma rede de interação, propiciadas pela gestão escolar democrática) e desativá-los. http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas 175 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 O Projeto Escola de Mediadores - Cartilha de Medicadores: Como montar este Projeto na minha escola? Está disponível no site do Programa Paz nas Escolas www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas O Projeto Escola de Mediadores é uma proposta de construção de uma cultura de paz no ambiente escolar - tradicional formador de opiniões e senso crítico nos jovens - numa tentativa de se revertes o quadro de violência crescente. Com ele busca-se também alcançar uma reflexão sobre o mundo que nos cerca. (BRANDÃO et al., 2012, p. 5) Rosário Ruiz Ortega e Rosário Del Rey, teóricos espanhóis elaboraram o texto: Estratégias educativas para a prevenção da violência, contribuindo com elementos importantes para entendimento da proposta de mediação no ambiente escolar, além das questões apontadas neste texto e outras importantes de ser vistas, trazem os conflitos em sala de aula e as possibilidades da resolução dos mesmos, com propostas de trabalho para o estabelecimento do diálogo. Os conflitos na relação professor – aluno são os mais difíceis de ser assumidos e os mais urgentes de serem resolvidos, pois o processo de ensino aprendizagem fica comprometido quando estes se instalam no ambiente de sala de aula. Se de um lado o professor tem medo que, ao admitir o conflito tenha sua autoridade comprometida e de “reconhecer seus problemas como docente” (ORTEGA; REY, 2002, p. 109), o aluno, ou o grupo de alunos ao terem a dificuldade de estabelecerem a comunicação com o professor, se desinteressam das atividades propostas e se afastam afetuosamente do mesmo. Quando o conflito é percebido para restabelecer o diálogo entre professor e aluno, os autores trazem algumas sugestões de atividades pautadas no respeito e na dialogicidade. Se isso não for suficiente ou mesmo inicialmente se não houver possibilidade de diálogo o melhor é buscar ajuda externa, numa proposta de mediação. Os conflitos na relação professor – aluno são os mais difíceis de ser assumidos e os mais urgentes de serem resolvidos, pois o processo de ensino aprendizagem fica comprometido quando estes se instalam no ambiente de sala de aula. http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas 176 Organização e Desafios da Gestão Escolar Atividade de Estudos: 1) Para cada frase citada abaixo, você irá refletir e assinalar se concorda ou discorda. a) A comunicação clara e precisa é um dos fatores preponderantes na resolução dos conflitos escolares. ( ) concordo ( ) discordo b) O movimento de prevenção da violência nos espaços educacionais vem acontecendo no mundo inteiro, mas no Brasil é uma preocupação muito recente, pois ainda não temos este fenômeno ocorrendo nas nossas instituições de ensino. ( ) concordo ( ) discordo c) O bullying na escola é um fenômeno social que extrapola os muros da escola e, portanto, é somente responsabilidade das autoridades competentes. A direção da escola, ao ter conhecimento, deve encaminhar os casos aos setores específicos, que farão os procedimentos necessários. ( ) concordo ( ) discordo d) A escola, como espaço social e numa perspectiva de gestão democrática inevitavelmente vai gerar conflito, mas não necessariamente ação de violência. ( ) concordo ( ) discordo 2) Qual o significado para você de “conflito escolar” e por que ele ocorre? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 177 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 3) No que confere à definição de conflito, pode-se dizer que: ( ) É sinônimo de desentendimento violento, com agressão física e/ ou psicológica. ( ) É uma ação que ocorre somente nas escolas públicas. ( ) Desentendimento entre pessoas sobre um mesmo tema. ( ) É a forma violenta de resolver um mesmo assunto. 4) Assinale a alternativa correta. Dentre as possíveis causas do conflito escolar podemos citar: I. Diferença de metas e divergência nos objetivos de uma determinada atividade. II. Forma e maneira diferente de ‘ver’ uma realidade. III. Ser uma instituição de ensino público. IV. Ser uma unidade de ensino com uma gestão democrática, onde há diálogo e discussão coletiva. ( ) III e IV estão corretas. ( ) I e II estão corretas. ( ) Todas as respostas estão corretas. ( ) Nenhuma das respostas estão corretas. Algumas Considerações Neste capítulo trouxemos algumas questões para a reflexão trazendo autores e entidades de renome internacional, que vêm pesquisando e contribuindo com a educação na resolução de conflitos, para evitar e minimizar a violência nos espaços sociais especialmente nas instituições escolares. A instituição escolar, como espaço social e de exercício da democracia, com a gestão democrática, tem os problemas de confronto e de conflitos acentuados e necessita buscar através da dialogicidade a resolução dos mesmos. Entretanto, mesmo a unidade escolar trabalhando numa proposta de gestão democrática, com uma concepção dialógica para a resolução dos conflitos, quando 178 Organização e Desafios da Gestão Escolar surgem eventos conflituosos em que o gestor e sua equipe tem dificuldades em entender o que está acontecendo, o que está provocando o surgimento do empasse, quem são os envolvidos, se o diálogo e as discussões democráticas - reuniões, assembleias, grupos de trabalho e atividades comuns ao currículo, não estão surtindo os efeitos desejados, é preciso planejar outras estratégias. Os estudos e investigação em torno de iniciativas para a resolução dos conflitos especificamente tratadas neste trabalho a mediação escolar, constituídas por mediadores adultos, sejam eles professores ou técnicos especializados (ORTEGA; REY, 2002), ou por alunos, docentes,funcionários, pais e comunidade num trabalho voluntário, previamente preparados (BRANDÃO et al., 2002; CHRISPINO (2007; 2004; 2002), têm contribuído com a sistematização todo um conjunto de princípios e de ações que poderão ajudar a tornar estas iniciativas mais eficazes e possíveis de serem socializadas abrangendo um número maior de unidades escolares. A primeira ação a ser realizada segundo Rosário Ortega e Rosário del Rey (2002, p. 144) é a de conhecer os diferentes procedimentos existentes que possam auxiliar na resolução dos impasses interpessoais que as pessoas não dão conta de resolver. Atualmente, já existe um grande número de bibliografias referentes à mediação de conflitos e é de suma importância ter conhecimentos referentes às metodologias possíveis de serem utilizadas na resolução dos conflitos que podem ocorrer no espaço escolar. Contudo, segundo os autores, alguns cuidados são necessários para não estabelecer modelos padrões clínicos que não são convenientes. A mediação está indicada para situações de conflito persistentes e crítico, mas nunca para casos de violência, abuso, maus tratos, assédio, hostilidade ou perseguição de uns para com outros. Nos casos, em que se tenha conhecimento destes casos é preciso entrar em contato com a direção da unidade de ensino e com o grupo de apoio, para que as providências sejam tomadas. Perceber os conflitos escolares como oportunidades de aprendizagem, buscando a superação dos mesmos com a melhoria das relações interpessoais é a proposta para o próximo capítulo deste caderno de estudo. Referências ARAÚJO, Ulisses F. Resolução de conflitos e assembleias escolares. Cadernos de Educação. FaE/PPGE/UF. Pelotas nº 31, julho/dezembro 2008. Disponível em: <www.ufpel.edu.br/fae/caduc/downloads/n31/06.pdf>. Acesso em: 02 ago. 2012. http://www.ufpel.edu.br/fae/caduc/downloads/n31/06.pdf 179 Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 ARROYO, Miguel Gonzáles. QUANDO A VIOLÊNCIA INFANTO - JUVENIL INDAGA A PEDAGOGIA. Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 100 - Especial, p. 787-807, out. 2007b. Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 20 jul. 2012. BRANDÃO, Carlos Eduardo; STROZENBERG, Letícia; STROZENBERG, Pedro Daniel; JACKER, Sharon; ZUMA, Carlos Eduardo; BAKMAN, Gizele. PROJETO ESCOLA DE MEDIADORES. 2002. Disponível em: <www.mj.gov.br/sedh/ paznasescolas>. Acesso em: 10 jun. 2012. CHRISPINO, Álvaro. Gestão do conflito escolar: da classificação dos conflitos aos. Ensaio: Aval. Pol. Públ. Educacionais, Rio de Janeiro, v. 15, nº 54, jan./mar. 2007. 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CecíliaWhitaker Bergamini e Roberto Coda. São Paulo: Atlas. 1996. ORTEGA, Ruiz, Rosário; REY, Rosário del. Estratégias educativas para a prevenção da violência. Trad. Joaquim Ozório. Brasília: UNESCO, UCB, 2002. Disponível em: <www.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2012. PORRO, B. La resolución de conflictosenel aula. Buenos Aires: Paidós, 2004. REDORTA, Josep. Cómo analizar los conflitos: la tipologia de conflitos como herramienta de mediación. Barcelona: EdiconesPaidós Ibérica, 2004. SALES, Lília Maia de Morais. A UTILIZAÇÃO DA MEDIAÇÃO NA SOLUÇÃO DE CONFLITOS FAMILIARES – NOVOS PARADIGMAS. Disponível em: <www. mediacaobrasil.org.br/artigos_pdf/1.pdf>. Acesso em: 20 jul. 2012. VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Inovações e Projeto Político - Pedagógico: uma relação regulatória ou emancipatória? Cad. Cedes, Campinas, v. 23, n. 61, p. 267-281, dezembro 2003. Também disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a02v2361.pdf:. 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Este fenômeno social está presente também nos espaços de educação escolar e vem afetando e comprometendo o processo ensino aprendizagem, quando não abordado dialogicamente, onde o respeito pelo diferente é o ponto principal. Figura 40- As inter-relações e o conflito Fonte: Disponível em<http://www.quino.com.ar/> Acesso em: 14 de ago. de 2012. A instituição escolar como espaço social que é, tem valorizado as inter- relações que se estabelecem na sua comunidade escolar, pelas diversas interações: entre alunos, entre professores, professores e alunos, entre direção e alunos, direção e professores, funcionários e alunos, funcionários e professores, funcionários e direção, professores e pais e/ou comunidade,direção e pais e/ ou comunidade. E quanto mais democrática for a gestão escolar, mais conflito haverá, pela possibilidade, nesta perspectiva de administração, de cada integrante do grupo poder expor as suas opiniões e as suas concepções; de manifestar as divergências conceituais, as diversidades culturais e de discordarem dos encaminhamentos feitos. Contudo, não é preciso que os conflitos e as diversidades e diferenças nas unidades escolares sejam vistos negativamente, mas pelo contrário que sejam vistos como construções individuais. Assim, numa abordagem atual, o conflito é visto como natural e não como obstáculo. A resolução do mesmo pode ser de forma positiva ou negativa, violenta ou construtiva. Nos textos anteriores discutimos diversos conceitos, que fundamentam as discussões deste capítulo. Na perspectiva da gestão escolar democrática como questão essencial, para o aprimoramento das relações internas e externas da instituição escolar, o envolvimento e participação da comunidade nas decisões http://www.quino.com.ar/ 184 Organização e Desafios da Gestão Escolar escolares através da constituição dos conselhos é fundamental para termos uma educação de qualidade para todos, preceito legitimado na LDB nº 9394/96. Os espaços de educação escolar devem ser vistos como um grupo formado pelo coletivo - toda a comunidade escolar - com o objetivo comum a aprendizagem significativa dos alunos, possibilitando intervir na realidade e modificá-la. A participação sistemática e efetiva da comunidade no processo de formulação, avaliação e fiscalização das políticas de educação possibilitará que através de mecanismos institucionais, ocorram as mudanças necessárias na educação escolar propiciando, as crianças e jovens a uma aprendizagem significativa prevenindo eventos de violência. As TIC utilizadas como ferramentas, para a concretização de propostas pedagógicas inovadoras, possibilitam mudanças pessoais, nas relações coletivas e do mundo do trabalho frente aos acontecimentos em nível global que interferem no espaço local. Também, abordamos sobre a necessidade do planejamento, da unidade escolar - PPP, para direcionar o trabalho coletivo prevenindo os eventos de indisciplina e os conflitos, refletindo sobre os mesmos buscando nas suas origens, a resolução dos mesmos evitando consequências maiores. Prezado Pós-graduando, quando falamos das relações humanas, os conflitos e tensões no processo de gestão escolar e a organização coletiva através da administração dos conflitos para atingir as metas propostas no Projeto Político Pedagógico, estamos focando, no objetivo maior da educação escolar, que é a aprendizagem. Neste capítulo vamos abordar como as relações interpessoais interferem na aprendizagem escolar e como elas ocorrem neste espaço educativo, tendo como pano de fundo a afetividade como suporte para a superação das dificuldades e a ressignificação do conflito. As Relações Interpessoais e as Influências na Aprendizagem O movimento de constituição da formação humana é constante e se faz no seu esforço individual e nas inter-relações coletivas. Para que haja melhoria de qualidade de vida através da educação, conceitos como democratização e autonomia no espaço escolar, tem que ser considerados e exercitados, para a construção da cidadania das crianças e adolescentes. Apesar de sabermos que nem tudo depende do nosso empenho enquanto educadores, muitas coisas podem ser alteradas, mudadas, controladas, entre elas as relações, suas redes que se entremeiam e estabelecem conexões contribuindo para o sucesso ou fracasso do processo ensino aprendizagem. Encontramos assim, não apenas a 185 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 origem, como também a possibilidade de resolução de muitos dos problemas do cotidiano humano. Neste sentido, adotar uma posição teórica comunitária não é um privilégio sofisticado; é arrancar de uma base – a da necessidade de progresso e de melhoria da vida, em todos os cenários - e ir em busca de melhoria daquilo que, por ser parte de nossa identidade pessoal e coletiva, sempre é um recurso do qual disporemos (ORTEGA; REY, 2002, p. 17). A família como o grupo relacional mais próximo inicialmente e depois a escola, e outros grupos escolhidos, mostram que o ser humano vive constantemente em um cenário de convivência que irá contribuir para a formação pessoal. A medida que vamos adquirindo consciência de como essas relações interpessoais acontecem e como podem ser aprimoradas, é possível constatar que somos diretamente influenciados por sentimentos e emoções vividos no cotidiano. Como humanos, estamos em permanente processo de construção, a partir das nossas necessidades individuais e de todas as influências externas, perceptíveis ou não, como nos dizem Ortega e Rey (2002, p. 21): Conflitos de toda ordem, problemas conjunturais ou permanentes, tensões, mal entendidos, paixões pouco reflexivas, amores e ódios, assim como amizades e altruísmos são o próprio molho onde se cozinha a vida social interpessoal. A forma como interpretamos os conflitos e problemas, que, necessariamente, vão surgir em nossa vida social, será um dos fatores mais importantes para ir avançando com boas ou más relações sociais. Assim, muito mais que apenas um espaço de aprendizagens cognitivas, as instituições escolares são espaços de múltiplas aprendizagens, para a constituição dos indivíduos em todos os aspectos para a sua formação individual e social. Isso somente será possível se no contexto escolar houver integração das diferentes funções e áreas do saber. As relações interpessoais serão efetivadas a partir da superação do abismo existente entre quem sabe e quem faz e as atividades educativas busquem a cooperação e não a competição. Espaços de diálogo devem ser propiciados, onde a participação do coletivo escolar seja efetivada e que os desafios postos à educação escolar sejam discutidos e provoquem a reflexão acerca da participação efetiva do coletivo escolar no processo ensino e aprendizagem. 186 Organização e Desafios da Gestão Escolar Figura 41 - Reunião na instituição escolar com a participação da comunidade escolar Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/Images for figurasde reunião de pais>. Acesso em: 16 ago. 2012. A participação da comunidade escolar deve ser possibilitada através de atividades que levem pais, alunos, professores e funcionários a perceberem que a unidade escolar quer a sua presença e contribuição no processo ensino aprendizagem. É preciso promover na instituição de ensino, atividade que possibilitem a construção de conhecimentos e de novos saberes. E é importante os pais terem acesso e poderem visualizar a metodologia utilizada para entenderem como os professores ensinam oportunizando a aprendizagem e como os alunos interagem neste processo. Assim, participar de eventos, de reuniões de início do ano, de comunicação de decisões pedagógicas dos profissionais da educação em relação ao comportamento dos alunos, comparecer sempre que chamado na instituição de ensino, contribuir para com as despesas da unidade de ensino (contribuição espontânea, rifas, eventos etc.), os pais já fazem. Mas, contribuir com ideias, opiniões, sugestões para termos uma educação de qualidade ainda é um movimento tímido, mas que já está acontecendo. Caro Pós-Graduando como a participação da comunidade escolar pode ser efetivada? Isso é possível? Apesar das realidades serem diferentes, com estratégia muito simples é possível incentivar a participação do coletivo nas ações da unidade escolar. Trazemos algumas sugestões que podem contribuir nesta empreitada: 187 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 • pesquisar os horários mais propícios para os pais para poderem participar dos encontros; • organizar o espaço dos encontros – que sejam agradáveis, confortáveis...; • organizar a agenda e dar ciênciada mesma com antecedência à comunidade escolar; • planejar cada encontro, de tal forma que possibilite a todos terem “voz” e participarem dos debates. Quando pensamos na participação da comunidade: pais, alunos, professores, funcionários quase sempre nos reportamos a reuniões de tomada de decisões, de avaliações etc. Esquecemos que o lúdico faz parte do humano e é o elo maior de ligação entre as famílias. Figura 42 – O lúdico na integração da comunidade escolar Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/img/ conselhos/cabecalho.jpg>. Acesso em: 30 mai. 2012. Nas atividades prazerosas, as pessoas podem demonstrar e desenvolver outras habilidades que contribuirão na formação integral de cada indivíduo e do grupo. É outra maneira de aprender e de dar significado ao contexto social promovendo a integração do coletivo escolar. Organizar eventos que tenham atividades diversificadas e lúdicas cria um clima de harmonia, promovendo uma nova consciência social e estabelecendo novas redes de relações. http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg 188 Organização e Desafios da Gestão Escolar Gestão Educacional e Qualidade Social da Educação. LUZ, Ana Maria de Carvalho (Org.);PORTELA, Adélia Luiza; ATTA, Dilza Maria Andrade; MARTINS, Ricardo Chaves de Rezende; JESUS, Tércio Rios de. Disponível em: www.proged.ufba.br/biblioteca/ Gestão%20Educacional.pdf Atividade de Estudos: 1) Cite 3 (três) eventos que envolvam a comunidade escolar e apresente o objetivo (s) específicos de cada um deles. Evento Objetivo Específico a) b) c) Contudo, não devemos esquecer que as instituições de educação escolar devem constituir-se como espaços de aprendizagem intencional, significativa, planejada e permanente para todos os alunos, diferenciando- se de outras práticas educativas como as familiares as profissionais, de lazer e outras que ocorrem no convívio social (sindicatos, associações etc.). Mas, é possível trabalhar com conteúdos significativos a partir dos eventos promovidos ou a promover. Planejar, organizar distribuir tarefas coletivamente relacionando essa organização com o currículo escolar é uma possibilidade. Figura 43 - Conteúdos significativos Fonte: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/ coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml>. Acesso em: 16 ago. 2012. http://www.proged.ufba.br/biblioteca/Gestão%20Educacional.pdf http://www.proged.ufba.br/biblioteca/Gestão%20Educacional.pdf http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml 189 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 A função maior da instituição escolar, desde a educação infantil, é a de possibilitar e propiciar oportunidades para todos estabelecerem e desenvolverem relações interpessoais, construírem conhecimentos através de aprendizagens significativas (cognitivas, afetivas, éticas e estéticas). Que todos possam desenvolver e vivenciar suas capacidades e de serem instrumentalizados para compreenderem a realidade e contribuírem para a melhoria da mesma e não como equivocadamente algumas pessoas pensam, de preparar para a vida. Sabemos que para muitos não importa se a escola busca a aprendizagem significativa. O que querem é a segurança de que seus filhos estejam ‘guardados’ enquanto trabalham. Não participam das atividades propostas pela instituição, pois, indevidamente delegam o poder da educação de seus filhos à direção e aos professores, esquecendo o dever da família, prescrito na lei - Constituição Federal (1988, Art. 227). A escola não prepara para a vida ela é para ser vivida. A música do Grupo Biquini Cavadão expressa muito bem, o equívoco da sociedade em relação à função da escola. Escola (Biquini Cavadão) Se a escola fosse Preparar pra vida Ao invés de professores, Teria delatores Se a escola fosse Preparar pra vida Ao invés de monitores, Teria assassinos Se a escola fosse mesmo Um preparo para vida Ao invés de ser escola, Seria uma favela Num subúrbio abandonado Onde o povo relegado, Leva quase meio dia Pra chegar no seu trabalho. Se a escola fosse preparar crianças para vida Ao invés de um caderno teria uma trouxinha, Teria um revólver Ao invés de uma cadeira, Uma metralhadora ou uma escopeta No lugar da mochila, a mala preta Ou carteira adulterada, Falsificada do exército Pra poder entrar no jogo 190 Organização e Desafios da Gestão Escolar Se dar bem, Não pagar nada E gritar bem alto gol! Que seu time fez agora, Impedido e de mão! Se a escola realmente preparasse para vida Trocaria os cadernos por escudos Trocaria as canetas por espadas Trocaria os estudos por táticas de guerra: Como se defender, Como matar alguém, Como fingir de morto, Como mentir também. (2 vezes) Pra poder entrar no jogo Se dar bem, Não pagar nada E gritar bem alto gol Que seu time fez agora. Fonte: Disponível em:<www.biquini.com.br>. Acesso em: 17 ago. 2012. Atividade de Estudos: 1) Prezado Pós–Graduando, leia e reflita sobre a letra da música acima apresentada e assinale nas frases abaixo os equívocos mais presentes na sociedade sobre a função e papel da escola na atualidade. ( ) lugar apenas de guarda e segurança das crianças e jovens enquanto os pais trabalham; ( ) espaço de aprendizagens significativas; ( ) espaço de conflitos; ( ) único espaço de preparação para a vida; ( ) espaço onde a direção e os professores exercem poder absoluto sobre os alunos. http://www.biquini.com.br 191 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 A Dinâmica das Relações Interpessoais no Ambiente Escolar A dinâmica das relações interpessoais na gestão democrática escolar tem como objetivo a participação de todo o coletivo da instituição (direção, docentes, funcionários, alunos, pais de alunos e comunidade do entorno escolar), ou pelo menos dos segmentos que tenham interesse em fazer parte da rede de relações dentro de uma proposta coletiva de educação. Nessa perspectiva com o objetivo de promover uma educação de qualidade para todos os alunos possibilitando desenvolver os processos de formação humana e de convivência que ocorrem tanto na família como na vida escolar, no trabalho, na sociedade. Identificando e trazemos a reflexão sobre alguns elementos básicos que devem estar presentes na construção e no desenvolvimento do movimento das relações interpessoais no espaço de educação escolar numa proposta de gestão democrática. A instituição de ensino, nesta perspectiva deve ter: a) um projeto político pedagógico elaborado, definido, compartilhado e avaliado por todos; Como articulador de ideias e necessidades, o PPP é uma ferramenta que direciona e organiza o trabalho educacional da instituição. Veiga (2003, p. 275) assinala sua importância na atuação coletiva definindo os encaminhamentos, mobilizando e estruturando a rede de relações interpessoais da instituição escolar, quando nos diz: [...] o projeto é um meio de engajamento coletivo para integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho pedagógico-administrativo, desenvolver o sentimento de pertença, mobilizar os protagonistas para a explicitação de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem desencadeadas, fortalecer a construção de uma coerência comum, mas indispensável, para que a ação coletiva produza seus efeitos. b) conselhos ou colegiados onde docentes, alunos, funcionários, pais e comunidade atuem; A participação da comunidade deve ser incentivada e efetivamente acontece quando são criados, ativados e sustentados mecanismos como o Conselho/Colegiado Escolar, Assembleia Escolar, Grêmio Estudantil, na perspectiva de promover a integração e aconstrução de outras maneiras de gestão das instituições de ensino. Como espaços de participação, em diferentes momentos e com objetivos específicos, para cada conselho/colegiado, permitirá dar voz a comunidade escolar, 192 Organização e Desafios da Gestão Escolar buscando sugestões e encaminhamentos para as ações cotidianas (políticas, pedagógicas e/ou administrativa) da instituição. A proposta de envolver a comunidade no cotidiano escolar é legitimada na LDB nº 9394/96, quando estabelece que as escolas sejam organizadas e administradas seguindo princípios de gestão democrática. O que são os mecanismos de participação da comunidade escolar? Mecanismos de participação são maneiras ou formas, disponibilizadas na unidade escolar de atuação e participação efetiva da comunidade escolar. O sistema de ensino deve dispor essas formas que devem contar dos documentos que direcionam o trabalho da instituição (PPP, Regimento). • Assembleia Escolar- reúne um grande número de pessoas e é um importante instrumento para a formação de um sentimento de compartilhamento e solidariedade. A pauta das assembleias quase sempre podem trazer repercussão para a comunidade escolar. É um espaço do exercício da democracia e, por isso, deve ser cuidadosamente planejada. Por isso é necessário ter normas estabelecidas no regimento escolar, sobre as assembleias como: funcionamento, coordenação, direito a voto e ser votado, responsabilidade da pauta (planejamento e secretaria). Assim, como todos os outros espaços de participação da comunidade escolar é preciso que seja feita com antecedência a convocação e socializada a pauta/agenda, mencionando local, dia e hora de início e término do encontro. • Reuniões - Espaço para motivar o coletivo, dar informações importantes sobre a unidade escolar, propor e discutir encaminhamentos sobre especificidades (projetos, normas, decisões), avaliar ações desenvolvidas e planejar outras etc. • Seminário – Com funções parecidas com as reuniões tem como objetivo maior aprofundar conhecimentos sobre determinado conteúdo, com diferentes abordagens. 193 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 • Associação de pais e mestres - É mais um mecanismo disponibilizado para incentivar a participação dos pais na vida escolar de seus filhos, contribuindo para o movimento de interação interpessoal e coletivo da unidade escolar. • Colegiado ou Conselho Escolar - espaços de mediação, diálogo e compartilhamento de decisões na unidade escolar, tem como objetivo principal contribuir com a gestão democrática. Participam do colegiado ou conselho escolar representantes dos diversos segmentos da comunidade escolar (direção, docentes, alunos, funcionários, pais de alunos e comunidade onde a escola está inserida). Figura 44 - Participação dos representantes da comunidade escolar nos espaços de decisões Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/img/ conselhos/cabecalho.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2012. Paro (2008, p. 17), contudo, nos alerta: A participação da comunidade na escola, como todo processo democrático, é um caminho que se faz ao caminhar, o que não elimina a necessidade de se refletir previamente a respeito dos obstáculos e potencialidades que a realidade apresenta para a ação. c) Estabelecer parcerias com os segmentos da instituição escolar e com entidades públicas e particulares que venham a colaborar com a instituição escolar, desde a organização e participação em eventos, que contribuam na formação dos professores, funcionários, comunidade e dos alunos (palestras, oficinas). http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg%3e. http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg%3e. 194 Organização e Desafios da Gestão Escolar O que vem a ser parceria? É uma forma de colaboração mútua entre pessoas, organizações, projetos da comunidade, instituições de ensino, pais etc. As prioridades detectadas, quando da elaboração do projeto político pedagógico é que irão determinar a necessidade e o tipo de parcerias necessárias. Portanto, a parceria da instituição escolar é parte das estratégias que compõe o Projeto Político Pedagógico. No interior do Maranhão a gestão da escola na busca de solução para um problema na unidade estabeleceu parceria com os alunos. Para saber mais ver www.ne.org.br/revistaescola.abril.com. br fevereiro/maco2011 Prezado Pós-graduando, a revista Gestão Escolar traz uma reportagem bem interessante e significativa. Procure ver e reflita sobre os escritos. Destacamos desse texto uma questão de suma importância quando se estabelecem parcerias: “Entre outras coisas, esse trabalho funciona bem porque o parceiro não busca apenas visibilidade para seus produtos e serviços, preocupando-se com uma troca efetiva com a escola” (HEIDRICH, 2010, p. 22). www.ne.org.br/revistaescola.abril.com.br fevereiro/maco2011 d) Profissionais com competência para o exercício de suas funções. A formação continuada ocorre em diferentes espaços e tempos e não pode ser vista de forma linear e única. As concepções e os conhecimentos, a história que os professores trazem, as suas descobertas e as suas construções cognitivas, devem ser consideradas no processo de formação. Possibilitar espaços de reflexão a partir da prática docente pode provocar mudanças significativas na ação pedagógica. A competência profissional é constituída no exercício da função com planejamento, análise e reflexão da prática pedagógica. O ‘saber’ ou conhecer, pressupõe compreender, analisar e utilizar profissionalmente os novos dados e descobertas porque como diz Sacristán (1999, p. 25): “Aqueles que dominam o conhecimento http://www.ne.org.br/revistaescola.abril.com.br%20fevereiro/maco2011 http://www.ne.org.br/revistaescola.abril.com.br%20fevereiro/maco2011 http://www.ne.org.br/revistaescola.abril.com.br%20fevereiro/maco2011 195 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 intervêm nas relações sociais, ao fazer que um mundo determinado se aceite ou se transforme, isto é, que o domínio da teoria não pode ser desligado das práticas sociais”. Sugerir estudos, propor espaços para troca de experiência e buscar auxílio com especialistas numa parceria com outras secretarias ou entidades é uma possibilidade do gestor contribuir com a formação dos docentes. Contudo, é necessário um trabalho de sensibilização para que as questões conflitantes sejam discutidas, respeitando-se opiniões e concepções diferentes, pois como humanos e educadores, quase sempre, somos ‘sensíveis’ as avaliações do nosso trabalho pedagógico. e) Participação da família nos eventos promovidos pela unidade escolar, tanto nas equipes de trabalho, como sendo formadores nas oficinas, cursos, e nas diversas atividades. Nóvoa (1999, p. 27) contribui com essa questão nos dizendo: Os pais, enquanto grupo interveniente no processo educativo, podem dar um apoio activo às escolas e devem participar num conjunto de decisões que lhes dizem diretamente respeito. Numa perspectiva individual, os pais podem ajudar a motivar e a estimular os seus filhos, associando-se aos esforços dos profissionais do ensino. f) Ter normas democraticamente elaboradas e estabelecidas possibilita a compreensão das mesmas e o entendimento e a segurança de saber até onde ir e como. Referindo-se a essa questão, Ortega e Rey (2002, p. 44) dizem: A ausência de compreensão do papel das normas, democraticamente elaboradas e estabelecidas, produz sensação de confusão, insegurança e, às vezes, medo de não saber até onde ir com o controle próprio e alheio de tudo aquilo que, evidentemente, observamos como melhorável ou mau. O processo de convivência social nas instituições escolares é construído no dia a dia e as mudanças vão acontecer pela conscientização da comunidade escolar. A institucionalização das mudanças transformando-as em normas se faz necessária para haver continuidade do processo.O filme sugerido abaixo trabalha questões relacionadas à necessidade da disciplina, do respeito às normas e da discussão dos valores individuais e da comunidade. 196 Organização e Desafios da Gestão Escolar Treino para a vida Coach Carter (2005). Atividade de Estudos: 1) Caro Pós-graduando, você como gestor escolar, propondo ao coletivo, conhecer o interesse dos pais dos alunos, para saber como estes poderiam/gostariam de contribuir com a unidade escolar, sugere que : a) Seja elaborado em sala de aula as questões para uma pesquisa a ser realizada pelos alunos com os pais; b) Faça uma carta-convite um encontro para debaterem sobre possíveis trabalhos que os pais possam realizar junto a unidade escolar; c) Propor uma pesquisa de campo onde os alunos busquem os dados necessários para a instituição planejar ações que envolvam a comunidade escolar. Escolha um dos itens apresentados e defenda porque realizar essa atividade e como ela pode ser desenvolvida envolvendo os docentes, alunos e funcionários da instituição. __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ •Direção: Thomas Carter • Gênero: Comédia dramática Drama: Biografia • Origem: Estados Unidos • Duração: 120 minutos • Tipo: Longa-metragem 197 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ __________________________________________________ Os espaços de educação escolar são cheios de possibilidades e de contradições que exigem nossa atenção é preciso, portanto, que tenhamos critérios estabelecidos para tomar decisões. Por que, embora tendo uma concepção de gestão democrática, nem sempre conseguimos agir de acordo com ela? É importante você, pós-graduando, conscientizar-se que somos passíveis de erros e controvérsias. Dessa maneira, terá mais tolerância com as outras pessoas, no seu local de trabalho, reconhecendo as situações de divergência e buscando no diálogo a resolução das situações conflitantes. Assim, muitas vezes mesmo numa perspectiva de gestão democrática, tomamos atitudes arbitrárias e controvérsias que influenciam na rede de relações estabelecidas podendo provocar situações que podem gerar divergência de entendimento, como: a) propomos o desenvolvimento da autonomia e exigimos dos alunos e dos docentes a se submeterem a determinadas orientações e rotinas nada democráticas. Parrat-Dayan (2008, p. 8) contribui nesta questão nos dizendo que: Quando todos os participantes de um projeto institucional são considerados como pessoas tendendo a ser autônomos, forçosamente haverá pontos de vista diferentes que podem criar conflitos. Esses conflitos deveriam ser vistos como oportunidade para pensar e compreender melhor a relação entre sujeito e instituição. 198 Organização e Desafios da Gestão Escolar b) dizemos que consideramos as diferenças, mas todos são tratados de forma homogênea, [...] aplicando uma única lei para todos os casos, o coletivo se desestrutura porque as discordâncias, deixando de ser objeto de negociação, enfraquecem os vínculos da trama social e começam a ser tratados por especialistas. O diretor passa a depender, por exemplo, dos peritos (policiais, bedéis, orientadores, psicólogos, etc) que se utilizam da força física, moral e/ou psicológica para conter o movimento da violência. Contudo, a ação desses peritos será pouco eficaz, porque a violência não é eliminada, ela assume outras modulações e rompe regularmente, trazendo à tona tudo o que foi rejeitado (GUIMARÃES, 1996, p. 80). Reafirmando o pensamento a autora (GUIMARÃES, 1996, p. 76) cita Maffesoli (1987a, p. 98) que assim se manifesta: Toda vez que os poderes instituídos neutralizam as diferenças, levando à submissão, a adaptação e deixam de considerar as forças coletivas dos diferentes grupos, há efeitos de ruptura que podem ocorrer tanto frontalmente (as fúrias urbanas, os arrombamentos), como através da violência banal (grifo do autor), isto é, das resistências passivas que aparentemente se integram ao instituído. c) propomos a solidariedade, a cooperação o trabalho coletivo, mas às vezes, estimulamos a competição e o trabalho individual. d) buscamos o ensinar a aprender, mas não permitimos o erro como tentativa de acerto e descoberta e como elemento de construção do conhecimento. A Superação das Dificuldades nas Relações Interpessoais e a Construção da Afetividade Sabemos que a construção cognitiva, social, cultural, afetiva, os comportamentos, valores etc., do constituir humano acontece nas inter-relações estabelecidas pelos indivíduos no seu contexto social. A educação escolar, como uma prática social contribui muito para a formação intelectual e afetiva dos alunos, por conseguinte o sucesso ou fracasso da aprendizagem dos mesmos. Muitos teóricos entre eles, Morin (2000), apontam a estreita ligação entre a afetividade e o desenvolvimento da inteligência e as relações conflitantes que surgem, consequência da dificuldade de relacionar-se. Ele nos diz que “Há 199 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 estreita relação entre inteligência e afetividade: a faculdade de raciocinar pode ser diminuída, ou mesmo destruída, pelo déficit de emoção; o enfraquecimento da capacidade de reagir emocionalmente pode mesmo estar na raiz de comportamentos irracionais” (MORIN, 2000, p. 20). A aprendizagem escolar implica na construção e no estabelecimento ou não de vínculos afetivos, na superação das dificuldades nas relações interpessoais, possibilitados pelos docentes, sendo que esses podem propiciar ou dificultar esse processo. Assim, na instituição escolar se os educadores, estabelecem vínculos afetivos, podem promover o sucesso ou o fracasso dos alunos na aprendizagem de conteúdos escolares. Portanto, os estados afetivos no processo de construção do conhecimento, interferem no desenvolvimento cognitivo. Bernard Charlot (2000, p. 54) enriquece esse pensar quando nos diz: A educação é uma produção de si por si mesmo, mas essa auto produção só é possível pela mediação do outro e com sua ajuda. A educação é produção de si por si mesmo; é o processo através do qual a criança que nasce inacabada se constrói enquanto ser humano, social e singular. [...] a educação é impossível, se a criança não encontra no mundo o que lhe permite construir-se. Assim, a qualidade das interações promovidas no interior dos grupos, principalmente, entre professores e alunos, no espaço da sala de aula, é o que poderá levar o aluno ao desenvolvimento pleno de suas capacidades, sejam elas cognitivas, afetivas ou motoras. Entretanto, “Ninguém poderá educar-me se eu não consentir, de alguma maneira, se eu não colaborar; uma educação é impossível, se o sujeito a ser educado não investe pessoalmente no processo que o educa” (CHARLOT, 2000, p. 54). A afetividade, a solidariedade e a responsabilidade sobre as regras de convívio, são comportamentos que a maioria das crianças e adolescentes aprendem no âmbito das relações com seus pares. Entretanto, uma parcela, mesmo que mínima “[...] pode estar aprendendo exatamente o contrário: a não ser amável, a ser agressiva ou injustificadamente cruel com seus iguais” (ORTEGA; REY, 2002, p. 26). Esses comportamentos levam ao surgimento dos conflitos “[...] e deve-se aprender a resolvê-los no dia-a-dia em que aparecem” (ORTEGA; REY, 2002,p. 26). O diálogo, a discussão dos eventos conflitantes no coletivo, possibilita uma tomada de decisão coletiva, tendo como suporte os aspectos legais e as resoluções contidas nos documentos da instituição. Isso é de suma importância, pois, como nos diz Ortega e Rey (2002, p. 27), os problemas surgidos no dia a dia nos espaços de educação escolar, são percebidos de diferentes maneiras. 200 Organização e Desafios da Gestão Escolar A atitude pedagógica do educador é que faz a diferença, como já conversamos nos textos anteriores. A utilização dos recursos disponíveis e de procedimentos inovadores, a compreensão das necessidades concretas, das crianças e jovens e assumir-se como profissional reflexivo (ORTEGA; REY, 2002; MORIN, 2010; 2003; 2000; FREIRE, 1999; PERRENOUD, 2000; NÓVOA, 1999). Mas, quase sempre o conflito só é visualizado quando há manifestações de violência. E aí tentamos resolver o resultado da violência e esquecemos de buscar as causas que a produziu. E todo problema mal resolvido quase sempre se repete. O Conflito e a Atividade Criadora O conflito é um fenômeno social, e é faz parte do humano desde os tempos primórdios e “surgem a partir das diversas visões dos diferentes atores. [...] Mesmo em situações simples do cotidiano, a diferença de percepção pode resultar em impasses e conflitos” (MALDONADO, 2008, p. 22). A situação conflitante aparece, quando há necessidade de se fazer escolhas entre questões/fatos que para os envolvidos são incompatíveis. Como parte integrante do convívio social, saber lidar com o conflito, significa aceitar as diferenças, aceitar e tomar posições distintas e dialogar sempre. Este pensamento é explicitado no filme Escritores da Liberdade, onde é mostrada uma realidade próxima de muitas que conhecemos e vivenciamos. Com ênfase no papel da educação como possibilidades de mudanças pessoais e da própria comunidade, traz uma realidade preconizada por vários educadores entre eles Paulo Freire (1999). Freedom Writers • País de Origem: Alemanha/EUA; • Gênero: Drama; • Classificação etária: Livre; • Tempo de Duração: 122 minutos; • Ano de Lançamento: 2007. 201 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 Especificamente no convívio escolar, o conflito é necessário como ‘mola propulsora’ para desenvolver a criatividade contribuindo na formação integral das crianças e jovens. Isso requer mudanças a partir da reflexão sobre as concepções individuais e um diálogo permanente para superar os impasses. O processo desencadeado quando da necessidade de resolver um conflito, se estimulado e incentivado no espaço de educação escolar, possibilita que novas aprendizagens ocorram, pois como diz Morin (2009, p. 22), ao falar sobre a verdadeira finalidade das instituições de ensino: “A educação deve favorecer a aptidão natural da mente para colocar e resolver os problemas e, correlativamente, estimular o pleno emprego da inteligência geral”. O trabalho sobre convivência deve fazer parte do planejamento da instituição levando os professores/educadores a refletirem sobre sua atuação assumindo-se pesquisadores da sua prática pedagógica, e buscando novas estratégias, pois [...] a partir da compreensão das necessidades concretas dos (as) alunos (as), da utilização de recursos e procedimentos inovadores, e da tomada de decisões negociadas e valorizadas como interessantes, no contexto da equipe docente, tem alguns benefícios que não foram ainda suficientemente divulgados (ORTEGA; REY, 2002, p. 42). Inteligência geral é o desenvolvimento das aptidões da mente que permite o desenvolvimento das competências específicas ou especializadas. Quanto mais desenvolvida a inteligência geral, maior a capacidade de resolver problemas específicos. Figura 45 - Processo criativo Fonte: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/ lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml>. Acesso em: 16 ago. 2012. http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml 202 Organização e Desafios da Gestão Escolar O professor como mediador do processo educativo vai intervir em situações de conflito, como oportunidade de desenvolver através do diálogo as aptidões de seus alunos; a desenvolver a capacidade criadora de defender seu ponto de vista aceitando as opiniões contrárias, aprendendo a negociar para chegar num consenso; a buscar soluções inovadoras para problemas persistentes. No texto: Estratégias Educativas para a Prevenção da Violência de Rosário Ortega e Rosário del Rey, você vai encontrar diversas sugestões de atividades para trabalhos em grupo de conscientização e mediação dos conflitos. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001287/ 128721por.pdf>. Acesso em: 17 jul. 2012. Algumas Considerações Com este capítulo encerramos o caderno de estudos Organização e desafios da gestão escolar. Nosso objetivo foi o de apontar alguns possíveis caminhos a partir da reflexão de questões relacionadas à temática. Ainda há muito a saber, contudo esperamos que os referenciais indicados venham a contribuir ainda mais para o seu aprofundamento prezado pós–graduando. Como você pode observar, para trabalhar pedagogicamente o conflito, estimulando a criatividade e desenvolvendo a inteligência das crianças e dos jovens, e dos que fazem parte da comunidade escolar. Revendo as questões apresentadas neste capítulo é possível perceber a necessidade do planejamento coletivo, da participação da comunidade escolar na tomada de decisões e de se ter um novo olhar para os conflitos relacionais, entendendo-os como alternativas criativas de aprendizagens, mas tendo ciência que muitas das estratégias utilizadas para solucionar questões conflitantes, deverão ser repetidas periodicamente. Esperamos que este estudo venha contribuir com sua formação e a gestão da prática profissional, considerando que este caderno de estudos trata da organização e desafios da gestão escola. http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf 203 Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 Referências CHARLOT, Bernard. DA RELAÇÃO COM O SABER: Elementos para uma teoria. Trad. Bruno Magne. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. FREIRE, Paulo. PEDAGOGIA DA AUTONOMIA. Saberes necessários à prática educativa. 12. ed. São Paulo: Paz e Terra. 1999. Disponível também em: <http:// www.letras.ufmg.br/espanhol/pdf/pedagogia_da_autonomia_-_paulofreire.pdf>. Acesso em: 15 ago. 2012. GUIMARÃES, Áurea Maria. Indisciplina e violência: a ambiguidade dos conflitos na escola. In: AQUINO, Julio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Grupo Editorial Summus, 1996. MAFFESOLI, Michel.Dinâmica da violência. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1987a. MALDONADO, Maria Tereza. O BOM CONFLITO. São Paulo: Integrare Editora, 2008. MORIN, Edgar.A RELIGAÇÃO DOS SABERES: O desafio para o século XXI. Trad. Flávia Nascimento. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010. ____. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Trad. Eloá Jacobina.16. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. ____. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Trad.Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. 2. ed.. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000. NÓVOA, António. Para uma análise das instituições escolares. In. NÓVOA, António. (Coord.) As organizações escolares em análise. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1999. ORTEGA, Ruiz, Rosário; REY, Rosário del. Estratégias educativas para a prevenção da violência. Trad. Joaquim Ozório. Brasília: UNESCO, UCB, 2002. Disponível em: <www.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf>. Acesso em: 12 jul.2012. PARO, Vitor. Gestão democrática da escola pública. 3. ed. São Paulo: Ática, 2008. http://www.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf%3e.%20Acesso%20em:%2012%20jul.%20%202012 http://www.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf%3e.%20Acesso%20em:%2012%20jul.%20%202012 204 Organização e Desafios da Gestão Escolar PARRAT-DAYAN, Silvia. Como enfrentar a indisciplina na escola. Editora Contexto, 2008. PERRENOUD, Philippe. 10 Novas Competências para Ensinar. Trad. Patrícia C. Ramos. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul LTDA, 2000. PRETE, Almir del; PRETE, Zilda Aparecida Pereira del. Psicologia das relações interpessoais. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011. SACRISTAN, J. G. –Poderes Instáveis em Educação. (Trad. Beatriz Affonso Neves) Porto Alegre: Artes Médicas Sul , 1999. VEIGA, Ilma Passos Alencastro. INOVAÇÕES E PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO: UMA RELAÇÃO REGULATÓRIA OU EMANCIPATÓRIA?Cad. Cedes, Campinas, v. 23, n. 61, p. 267-281, dezembro 2003. Disponível em: <http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 23 mai. 2012. http://www.cedes.unicamp.br