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Livro - Organização e Desafios da Gestão Escolar (GEE02)

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ORGANIZAÇÃO E DESAFIOS 
DA GESTÃO ESCOLAR
Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
Autoria: Maria Aparecida de Oliveira Silva
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
Reitor: Prof. Ozinil Martins de Souza
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel
Equipe Multidisciplinar da 
Pós-Graduação EAD: Prof.ª Hiandra B. Götzinger Montibeller
 Prof.ª Izilene Conceição Amaro Ewald
 Prof.ª Jociane Stolf
 
Revisão de Conteúdo: Prof.ª Célia Regina Appio
Revisão Gramatical: Prof.ª Sandra Pottmeier
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
 371.2
 S586o Silva, Maria Aparecida de Oliveira.
 Organização e desafios da gestão escolar / Maria Aparecida 
 de Oliveira Silva. Indaial : Uniasselvi, 2013.
 204 p. : il 
 ISBN 978-85-7830- 665-6
 1. Administração escolar. 2. Gestão escolar.
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
Copyright © UNIASSELVI 2013
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
Maria Aparecida de Oliveira Silva
Possui graduação em Pedagogia - Administração 
Escolar (1997) e mestrado em Educação (2002) 
ambos pela Fundação Universidade Regional de 
Blumenau. Tem experiência na área de Gestão Escolar, 
Memória da Educação e na área de Formação Continuada 
da Educação com trabalhos e publicações nesta área e áreas 
afins entre eles: repetição – sugiro rever a escrita. Poderia 
ser assim, Tem experiência em Gestão Escolar, Memória 
da Educação, bem como em Formação Continuada na 
Educação com trabalhos e publicações nesta área e 
ligadas a ela. 
Sumário
APRESENTAÇÃO ......................................................................7
CAPÍTULO 1
O Desenvolvimento da Democracia Participativa ...............9
CAPÍTULO 2
A Gestão Pública Escolar ...................................................23
CAPÍTULO 3
Gestão Inovadora da Escola com
Tecnologias, Juventude e Violência ...................................59
CAPÍTULO 4
A Construção de Regras na Escola ...................................91
CAPÍTULO 5
Indisciplina e o Cotidiano Escolar ...................................107
CAPÍTULO 6
Relações Humanas e Liderança .........................................123
CAPÍTULO7
Gestão do Conflito Escolar:
Modelos de Mediação .........................................................149
CAPÍTULO 8
Conflitos como Oportunidades
de Aprendizagem ..................................................................181
APRESENTAÇÃO
Caro(a) pós-graduando(a):
Você está iniciando a disciplina Organização e Desafios da Gestão Escolar 
e juntos iremos pensar sobre questões relacionadas à gestão democrática, 
discutindo desde conceitos mais amplos até a especificidade do espaço escolar, 
que envolve diretamente a ação docente e a participação de toda a comunidade 
escolar no processo educativo. 
Neste caderno de estudos, assumimos o termo comunidade escolar como: 
docentes, funcionários, alunos, pais de alunos e as pessoas do entorno da 
unidade escolar (escola de educação básica e de educação infantil).
Numa relação democrática, onde diferentes concepções, ideias e ações 
são manifestadas, emergem conflitos que necessitam ser discutidos no coletivo. 
Também será trabalhado o conflito nas suas diferentes formas (velado e o 
explícito) suas origens e como lidar com os mesmos, assim como a violência que 
acontece quando a gestão de conflitos não é eficiente ou suficiente para impedir 
que eventos trágicos ocorram. 
Para abordarmos melhor o proposto nesta disciplina dividimos o caderno de 
estudo e em 8 (oito) capítulos, a saber: 
O primeiro capítulo tratará da conceituação de democracia participativa e 
sua constituição histórica num aspecto mais amplo para em seguida abordarmos 
o processo democrático na educação escolar, os desafios, seus limites e as 
possibilidades nesta perspectiva da gestão democrática. 
No 2º capítulo, na perspectiva de gestão democrática na educação nosso 
objetivo é desenvolvermos um estudo sobre a participação efetiva e organizada da 
sociedade na educação (Associação de Pais e Professores – APPs, Assembleias 
Escolares, Conselhos de Educação, Conselho Escolar, Fóruns de Educação e 
outros) a partir do regime de colaboração entre os entes federados, proposto pela 
legislação brasileira. 
Com objetivos de analisar os aspectos que interferem na unidade escolar 
e que propiciam ou não sucesso da aprendizagem e a superação dos entraves 
detectados, no 3º capítulo, vamos abordar o papel das Tecnologias de Informação 
e Comunicação TICs, no espaço escolar como ferramentas, dando um significado 
ao aprendizado das crianças e adolescentes, garantindo um diálogo efetivo nas 
relações educativas.
Assim, a vivência histórica construída no convívio familiar e comunitário e o 
acesso as informações atuais, como ponto de partida da aprendizagem escolar, 
possibilita abrir para questões mais universais, pois, através dos meios de 
comunicação os alunos são sensibilizados para os problemas ambientais globais, 
as questões econômicas mundiais e principalmente para a questão relacional 
que envolve crianças e adolescentes permitindo que aprendam a lidar com as 
situações conflitantes e a violência no seu dia a dia. 
Mas, ao mesmo tempo propiciar espaços significativos, envolventes de 
aprendizagem e ter um “olhar observador” permite ao gestor escolar, numa 
concepção de compartilhamento de responsabilidades, definidos no Projeto 
Político Pedagógico, com a efetiva participação de todo o coletivo, o enfrentamento 
de situações de conflito antevendo-se os possíveis eventos de violência ou pelo 
menos minimizando seus efeitos nocivos para o grupo, assunto este, que será 
abordado no 4º capítulo.
No capítulo 5º trataremos da indisciplina numa perspectiva pedagógica, 
onde não devem prevalecer nas discussões, as particularidades e os desejos 
individuais, mas, o interesse do coletivo escolar.
Para trabalharmos as questões apontadas no 6º capítulo é necessário 
conhecermos o instigante campo das relações humanas na educação e o 
processo de mobilização e organização coletiva para atingir os objetivos 
educacionais propostos na instituição de ensino. Temas como diversidade, 
autonomia, cidadania, dialogicidade são trabalhados neste capítulo assim, como 
é ampliada a discussão sobre o papel do gestor como líder na ação efetiva da 
gestão escolar, suas competências e habilidades a serem desenvolvidas para o 
exercício de liderança no espaço escolar. 
Com base nestes pressupostos, no 7º capítulo, apresentamos uma das 
propostas para gerir os conflitos escolares que é a mediação de conflitos. Tendo 
como objetivo demonstrar a importância dessa ferramenta na gestão do conflito, 
que poderá contribuir como construto de valorização humana, estimulando a 
criatividade pessoal e coletiva, propondo intervenções em nível individual e de grupo.
No 8º capítulo, com a fundamentação propiciada nos capítulos anteriores, 
numa perspectiva da gestão escolar democrática, apontamos o aprimoramento das 
relações internas e externas no espaço escolar e a necessidade do envolvimento 
e participação da comunidade nas decisões escolares. A ressignificação dos 
espaços de educação escolar, que tendo como objetivo comum a aprendizagem 
significativa das crianças e adolescentes, possibilita rever concepções e adquirir 
novos conhecimentos de maneira a intervir na realidade e odifica-la. 
Desejamos que, com acesso as informações e conceitos disponibilizados 
e os questionamentos levantados neste caderno, você estabeleça uma relação 
dialógica e que possibilite construir novos conhecimentos e atuar como profissional 
da educação e gestor competente, com compromisso de possibilitar a construçãode uma escola de qualidade social para todos. 
A autora. 
CAPÍTULO 1
O Desenvolvimento
da Democracia Participativa
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
	Mapear os termos políticos e administrativos utilizados historicamente para 
definir democracia participativa e suas implicações pedagógicas.
	Constatar as ações políticas e administrativas da gestão pública e as reper-
cussões na ação pedagógica.
10
Organização e Desafios da Gestão Escolar
11
O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 
Contextualização
Caro Pós-Graduando,
Você certamente já ouviu muitas vezes em discursos e textos o termo 
democracia participativa. Mas o que significa democracia participativa?
Muitas vezes utilizamos determinadas palavras e não temos noção do 
que elas realmente significam etimológica e culturalmente falando. A palavra 
democracia tem sua origem na Grécia e é constituída a partir dos vocábulos 
“demos” que significa povo e “kratós” que é poder, governo. Isto é: poder popular 
ou governo do povo. A evolução histórica do conceito de democracia ocorreu 
como resultado dos diferentes tipos de governo que eram ou se declaravam 
democráticos. 
Uma definição mais recente de democracia é a forma de governo e de 
organização política de uma sociedade, onde o poder reside na vontade da 
totalidade dos participantes. 
Quando a democracia foi pensada pelos filósofos gregos defendia três 
direitos essenciais: igualdade, liberdade e participação, sem distinção de grupos 
ou classes sociais. Uma sociedade pode considerar-se realmente democrática, 
quando institui direitos e não apenas supre necessidade, carência ou interesse 
específicos de determinados grupos ou indivíduos, pois estes são tantos, quantos 
os grupos sociais representados no país. Direito é, portanto geral e universal, 
válido para todos os indivíduos, independentes de grupos e classes sociais.
É por isso, que a democracia é um termo difícil de ser definido, pois está 
fundamentado na noção de que toda pessoa tem o direito de participar do 
processo político, de discutir e decidir as ações políticas de forma igualitária. 
Chauí (1994) nos diz que, na prática, a democracia tem uma verdade ideológica 
quase sempre invisível para a grande maioria da população, ou seja, temos uma 
democracia formal e não concreta. 
No Brasil a democracia foi implantada na década de 1930, por Getúlio 
Dorneles Vargas e vem avançando, segundo Mafra Filho (s.d., p.3) na busca 
da opinião das pessoas que estão na base na implementação das políticas dos 
municípios, universidades e empresas públicas, estabelecendo-se a democracia 
participativa.
12
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Em virtude do movimento de redemocratização ocorrido no 
Brasil após o regime militar de 1964-1985, a Constituição Brasileira 
(1988) e outras leis “apresentam dispositivos relativos direta ou 
indiretamente à democracia participativa.” (MAFRA FILHO, s.d., p.3). 
As mudanças no quadro político, econômico e social ocorridas a 
partir da década de 1980 e, particularmente, de 1990 alteraram os 
conceitos e objetivos da educação brasileira.
Você sabe por quê?
Qual a relação entre política, economia e educação? 
Saiba que todas as ações e mudanças planejadas para um determinado 
campo influenciam direta ou indiretamente outras áreas. Neste capítulo, iremos 
iniciar uma caminhada em busca de elementos para fundamentar a ação 
pedagógica, numa concepção de gestão democrática. Entender alguns conceitos, 
reafirmar outros, para possibilitar a você, assumir seu papel de líder competente 
que busca a participação da comunidade escolar, para efetivamente fazer parte 
do movimento de educação escolar.
Etimologia - palavra vinda do grego e parte da gramática que 
estuda a história e a origem das palavras. Além disso, as palavras 
mudam o significado, nos diferentes espaços e nos diversos tempos 
históricos.
Democracia e Educação
Entendendo-se educação como prática social, a escola como 
uma instituição social, tem sua organização e suas finalidades 
demarcadas pelos fins político-pedagógicos que vão além 
das demandas econômicas, como acontece nas empresas. O 
planejamento e o desenvolvimento da educação e da escola nessa 
perspectiva implica diretamente sobre a natureza e finalidade das 
unidades escolares. As prioridades institucionais, os processos de 
As mudanças no 
quadro político, 
econômico e social 
ocorridas a partir da 
década de 1980 e, 
particularmente, de 
1990 alteraram os 
conceitos e objetivos 
da educação 
brasileira.
O planejamento e o 
desenvolvimento da 
educação e da escola 
nessa perspectiva 
implica diretamente 
sobre a natureza 
e finalidade das 
unidades escolares.
13
O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 
participação e decisão, em âmbito nacional, nos sistemas de ensino e 
nas escolas refletem esta especificidade. 
No campo educacional, a luta de educadores e dos movimentos 
sociais por uma educação de qualidade social e democrática, frente 
às mudanças sociais e econômicas, nos anos 1980 e intensificadas na 
década de 1990, advindas do processo de globalização resultaram na 
inclusão do princípio de gestão democrática participativa na educação, 
na Constituição Federal (1988). No seu art. 206, a lei estabelece 
princípios para a educação brasileira, dentre eles: obrigatoriedade, 
gratuidade, liberdade, igualdade e gestão democrática, sendo esses 
regulamentados através de leis complementares.
Caro Pós – Graduando, para aprofundar seus estudos sobre 
a democracia e a educação sugerimos o livro FERREIRA, Naura 
SyriaCarapeto (Org.). Gestão democrática da educação: atuais 
tendências, novos desafios. São Paulo: Cortez, 2011.
Atividade de Estudos: 
A educação como prática social, a escola como uma instituição 
social, tem sua organização e suas finalidades demarcadas pelos 
fins político-pedagógicos que vão além das demandas econômicas, 
como acontece nas empresas.
1) Sintetize em poucas palavras, por que a educação é uma prática 
social diferente de uma empresa ou fábrica? 
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No seu art. 206, 
a lei estabelece 
princípios para a 
educação brasileira, 
dentre eles: 
obrigatoriedade, 
gratuidade, 
liberdade, 
igualdade e gestão 
democrática, 
sendo esses 
regulamentados 
através de leis 
complementares.
14
Organização e Desafios da Gestão Escolar
A globalização é um fenômeno social que tem na área econômica 
o principal responsável pelas mudanças ocorridas. “A globalização 
econômica significa unificação econômica, mas também significa 
uma crescente fragmentação econômica, social e política que se 
reflete tanto uma quanto a outra, em toda a população terrestre, 
afetando as mentes e os corações dos seres humanos, desde os 
que têm acesso aos bens culturais como os que deles são privados 
tornando-se cada vez mais excluídos” (FERREIRA, 2004, p.1228).
Desafios, Limites e Possibilidades
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96), lei 
complementar da educação, estabelece e regulamenta as diretrizes gerais para 
a educação e seus respectivos sistemas de ensino. O art. 214 da Constituição 
Federal (1988), dispõe sobre a elaboração do Plano Nacional de Educação – PNE 
(art. 9º), que mantemos princípios determinados pela lei maior, inclusive, o da 
gestão democrática do ensino público.
O PNE, aprovado em 2001 - Lei nº 10.172/2001, conforme os 
textoslegais, tem como objetivo apontar e desvelar os problemas 
referentes à qualidade do ensino e à gestão democrática decorrentes 
das diferenças socioeconômicas, políticas e regionais. Traz 
diagnósticos, diretrizes e metas para serem discutidas, avaliadas 
e implementadas tendo em vista a democratização da educação 
nacional. O PNE, também diz respeito aos diferentes níveis e 
modalidades da educação escolar, da gestão, do financiamento e 
dos profissionais da educação. 
Figura 1 - Plano Nacional de Educação 
Fonte: Disponível em:<http://www.blogeducacao.org.br/plano-nacional-de-
educacao-dobra-verba-do-pib-destinada-ao-setor/>. Acesso em: 06 jul. 2012.
O PNE, aprovado 
em 2001 - Lei 
nº 10.172/2001, 
conforme os textos 
legais, tem como 
objetivo apontar 
e desvelar os 
problemas referentes 
à qualidade do 
ensino e à gestão 
democrática 
decorrentes 
das diferenças 
socioeconômicas, 
políticas e regionais.
http://www.blogeducacao.org.br/plano-nacional-de-educacao-dobra-verba-do-pib-destinada-ao-setor/
http://www.blogeducacao.org.br/plano-nacional-de-educacao-dobra-verba-do-pib-destinada-ao-setor/
15
O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 
A LDB nº 9.394/96 estabelece alguns princípios para a gestão democrática. 
No art. 3 sinaliza que o ensino será ministrado com base em diversos princípios 
e, entre eles, encontra-se a gestão democrática do ensino público, seguindo os 
preceitos dessa lei e da legislação dos sistemas de ensino.
Nos artigos 14 e 22 da (LDB nº 9.394/96), assim como no Plano Nacional 
de Educação, está expresso que os sistemas de ensino definirão as normas da 
gestão democrática do ensino público na educação básica com a participação 
dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e 
organizando a comunidade escolar e segmentos da sociedade local em conselhos 
escolares. Contudo, a democracia nas unidades escolares precisa estar vinculada 
a democratização dos vários segmentos sociais existentes, o que quase sempre 
é uma tarefa difícil.
Figura 2 - Organizando a participação da comunidade escolar
Fonte: Disponível em:<http://www.leandrofranceschini.
com.br/>. Acesso em: 13 jul. 2012.
http://www.leandrofranceschini.com.br/
http://www.leandrofranceschini.com.br/
16
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) Relacione a coluna 1 com a coluna 2.
Coluna 1
1. Participação 
2. Democracia 
3. Gestão 
 Democrática
4. Projeto Político 
 Pedagógico
Coluna 2
( ) definida na LDB nº 9394/96, requer 
mudanças de concepção para além de 
reorganizações burocráticas estruturais.
( ) A sua elaboração requer a participação 
de toda a comunidade escolar (pais, 
alunos, professores, funcionários equipe 
gestora e comunidade local).
( ) é a forma de governo e de organização 
política de uma sociedade, onde o poder 
reside na vontade da totalidade dos 
participantes. 
( ) Segundo Libâneo (p. 102, 2004), “[...] é 
o principal meio de assegurar a gestão 
democrática da escola, possibilitando o 
envolvimento de profissionais e usuários 
no processo de tomada de decisões 
e no funcionamento da organização 
escolar. 
A gestão democrática posta na LDB nº 9394/96, requer mudança 
de concepção para além de reorganizações burocráticas estruturais. 
Rupturas acentuadas, com um novo ‘olhar’ em relação à educação 
escolar, possibilitando a construção coletiva de uma proposta 
pedagógica e a efetiva participação no processo educacional.
Figura 3 - Construção Coletiva do Projeto Político Pedagógico da Unidade Escolar 
Fonte: Disponível em: <http://educadorasdeexcelencias.blogspot.com.
br/2011/04/livro-i-conselhos-escolares.html>. Acesso em: 20 mai. 2012.
A gestão democrática 
posta na LDB nº 
9394/96, requer 
mudança de 
concepção para além 
de reorganizações 
burocráticas 
estruturais.
http://educadorasdeexcelencias.blogspot.com.br/2011/04/livro-i-conselhos-escolares.html
http://educadorasdeexcelencias.blogspot.com.br/2011/04/livro-i-conselhos-escolares.html
17
O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 
Nos artigos 12 e 13, a LDB 9394/96 incentiva o trabalho coletivo, articulado 
e dialógico e Cury (2002) acrescenta a necessidade de intensificação das novas 
relações que devem ser estabelecidas, entre as instâncias de poder quando nos 
diz:
Mas por implicar tanto as unidades escolares como os 
sistemas de ensino, a gestão vai além do estabelecimento e 
se coloca como um desafio de novas relações (democráticas) 
de poder entre o Estado, o sistema educacional e os agentes 
deste sistema nos estabelecimentos de ensino (CURY, 2002, 
p. 173).
Regina Vinhaes Gracindo (2007) amplia o ‘olhar’ quando sinaliza, que o texto 
contido na LDB 9394/96, fala somente da gestão democrática da escola e não dos 
sistemas de ensino, mas
[...] se entendemos que o ensino público envolve tanto as 
escolas, como os sistemas de ensino, isto é, as redes e 
Secretarias de Educação, então, podemos falar também em 
gestão dos sistemas de ensino. E é assim que aqui encaramos 
o processo de gestão democrática: nas escolas e nos sistemas 
de ensino (GRACINDO, 2007, p.12).
O Ministério da Educação - MEC apresenta um conjunto de 
programas (alimentação, transporte escolar, PDDE/Programa 
Dinheiro Direto na Escola etc.) e disponibiliza a todas as escolas ou 
redes de ensino do Brasil previstos em lei ou em medida provisória. 
Todos os outros programas não obrigatórios, por força da norma 
legal de serem cumpridos, podem ter seu acesso condicionado à 
elaboração do Plano de Ações Articuladas - PAR. Assim, os estados 
e municípios somente terão a assistência técnica e financeira 
envolvendo os programas de transferência voluntária do MEC, via 
PAR.
As escolas estão se organizando buscando a participação de toda a 
comunidade escolar desde a elaboração do Projeto Político Pedagógico, até 
a constituição do Conselho Escolar, Grêmio Estudantil, Associação de Pais 
e Professores etc. e a sua efetiva atuação, junto aos outros conselhos ligados 
direta ou indiretamente a unidade escolar. Libâneo (2004, p. 102) reforça esta 
necessidade, pois “A participação é o principal meio de assegurar a gestão 
democrática da escola, possibilitando o envolvimento de profissionais e usuários 
no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar”. 
18
Organização e Desafios da Gestão Escolar
E isto, segundo o referido autor citado anteriormente, só é possível com um 
trabalho de equipe. Esta forma de gestão que 
[...] por meio da distribuição de responsabilidades, da 
cooperação, do diálogo, do compartilhamento de atitudes e 
modos de agir, favorece a convivência, possibilita encarar as 
mudanças necessárias, rompe com as práticas individualistas 
e leva a produzir melhores resultados de aprendizagem dos 
alunos (LIBÂNEO, 2004, p.103).
Nesse movimento, não é apenas o aluno que aprende. Todos 
aprendem, pois “Na lógica da participação se aprende, porque a 
própria participação é um processo de vivência e aprendizagens 
coletivas” (WITTMANN; NAVARRO; DOURADO; AGUIAR e 
GRACINDO, 2006, p. 16).
O panorama da educação brasileira demonstra um quadro em 
transição na busca da superação das dificuldades e na procura de 
caminhos alternativos requerendo o envolvimento dos educadores 
e, sobretudo, da sociedade em geral. As Secretarias de Educação 
devem organizar a sua participação junto aos diferentes conselhos 
da comunidade local e também propiciar e incentivar o envolvimento 
das escolas para que haja efetiva participação de toda a comunidade escolar 
(pais, alunos, profissionais da educação e comunidade local) na delimitação 
das políticas de educação que se desenvolvem em ambos os locais – escolas e 
sistemas (NÓVOA, 1999, p. 27).
A participação na educação escolar segundo Lück (2008, p. 29),
[...] caracteriza-se por uma força de atuação consciente 
pela qual os membros de uma unidade social reconhecem e 
assumem seu poder de exercer influênciana determinação 
da dinâmica dessa unidade, de sua cultura e de seus 
resultados, poder esse resultante de sua competência e 
vontade de compreender, decidir e agir sobre questões que 
lhe são afetas, dando-lhe unidade, vigor e direcionamento 
firme. 
A ação pedagógica desenvolvida no espaço escolar nessa perspectiva está 
diretamente vinculada à formação humana, ao exercício da democracia (com a 
gestão democrática) e consequentemente à democratização da sociedade e “[...] 
à universalização das condições objetivas de educação” (WITTMANN, et. al., 
2006, p.12).
Na lógica da 
participação se 
aprende, porque a 
própria participação 
é um processo 
de vivência e 
aprendizagens 
coletivas 
(WITTMANN; 
NAVARRO; 
DOURADO; AGUIAR 
e GRACINDO, 
2006, p. 16).
19
O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 
Atividade de Estudos: 
1) Relendo o texto assinale as alternativas corretas nas frases abaixo: 
( ) Na perspectiva de uma gestão democrática, todos têm a 
possibilidade de participar da ação educacional escolar, mas 
somente os alunos é que aprendem.
( ) A ação pedagógica desenvolvida no espaço escolar, na 
perspectiva apontada neste texto, contribui diretamente com a 
formação humana do coletivo escolar.
( ) O exercício da democracia é possibilitado à sociedade somente no 
período eleitoral.
( ) A efetiva participação da comunidade escolar é um exercício de 
democracia. 
Para saber mais sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional acesse o site - Disponível em:<http://www.planalto.gov.br/
CCIVIL_03/LEIS/L9394.htm>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Naura Syrya Carapeto Ferreira (2004), nos seus escritos em 
“Repensando e ressignificando a gestão democrática na “cultura 
globalizada” nos diz:
Não é tarefa fácil, mas necessária! É um 
compromisso de quem toma decisões – a gestão –, 
de quem tem consciência do coletivo – democrática 
–, de quem tem a responsabilidade de formar 
seres humanos por meio da educação. Assim se 
configura a gestão democrática da educação que 
necessita ser pensada e ressignificada na “cultura 
globalizada”, imprimindo-lhe um outro sentido 
(2004, p.1241).
Na lógica da 
participação se 
aprende, porque a 
própria participação 
é um processo 
de vivência e 
aprendizagens 
coletivas 
(WITTMANN; 
NAVARRO; 
DOURADO; 
AGUIAR 
e GRACINDO, 
2006, p. 16).
20
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Ferreira (2004) acrescenta que
tudo se globalizou e continua a se globalizar: capital, 
tecnologia, gestão, informação, mercados internos, terrorismo, 
racismo e violência, crueldade, competição, coisificação, 
banalização, ocasionando, em extensividade e em 
intensividade, uma revolução no mundo do trabalho e na sua 
organização, na produção de bens e serviços, nas relações 
internacionais e nas culturas locais, transformando o próprio 
princípio das relações humanas e da vida social (FERREIRA, 
2004, p.1230).
Assim, a instituição de ensino, nos tempos atuais de globalização - 
econômica, cultural, social, tecnológica etc., necessita assumir-se como espaço 
social procurando, propiciar as crianças e jovens uma educação intencional de 
qualidade social, investindo na formação humana e possibilitando o sucesso, não 
para poucos, mas para todos. 
Algumas Considerações
Prezado Pós-Graduando, neste primeiro capítulo iniciamos a discussão 
sobre a Gestão Escolar abordando um dos princípios básicos definidos na 
Constituição Nacional (1988), a democracia participativa e também a gestão 
escolar democrática preceito firmado na Lei de Diretrizes e Bases – LDB nº 
9394/96 e no Plano Nacional de Educação - PNE. 
Sabemos que essa nova perspectiva de educação escolar é um processo 
e, por isso, está em mudanças constantes e que exige dos profissionais da 
educação conhecimento, comprometimento e responsabilidade, para que de fato 
esse preceito seja cumprido. A participação de toda a comunidade escolar é fator 
imprescindível para uma gestão democrática no espaço institucional da educação 
possibilitando a formação humana para todos. 
O exercício da democracia nas instituições de ensino, buscando a 
participação da comunidade escolar, permite que, atentos às mudanças sociais, 
as pessoas ampliem esse movimento, atuando de forma responsável também na 
sociedade como cidadãos conscientes. 
No capítulo a seguir, vamos a partir da conceituação de gestão democrática 
escolar, apresentar a organização e ordenamento da educação nacional, tendo 
como suporte, os preceitos legais da educação brasileira, que estabelecem o 
regime de colaboração que é a base na organização dos sistemas de educação 
nacional, nos seus diferentes níveis.
21
O Desenvolvimento da Democracia Participativa Capítulo 1 
Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de 
outubro de 1998. Disponível em: <www.mec.gov.br/legis/default.shtm>. Acesso 
em: 20 mai. 2012.
_____. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei n. 9.394/
96. Disponível em: <www.mec.gov.br/legis/default.shtm>. Acesso em:
20 mai. 2012.
_____. Lei nº. 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de 
Educação e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10. jan. 
2001. Seção 1, p. 01. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/
leis_2001/l10172.htm>. Acesso em: 12 ago. 2012.
_____. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Conselho 
Escolar como espaço de formação humana: círculo de cultura e qualidade 
da educação. WITTMANN, Lauro Carlos; NAVARRO, Ignez Pinto; DOURADO, 
Luiz Fernandes; AGUIAR, Márcia Ângela da Silva; GRACINDO, Regina Vinhaes. 
Brasília: MEC, 2006. Disponível em: <www.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/
Consescol/cad%206.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2012.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994.
CURY, Carlos Roberto Jamil. Gestão Democrática da Educação: exigência e 
desafios. Revista Brasileira de Política e Administração da Educação, v. 18, nº 2 
(jul./dez. 2002). São Bernardo do Campo: ANPAE, 2002.
FERREIRA, Naura Syrya Carapeto. REPENSANDO E RESSIGNIFICANDO A 
GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO NA “CULTURA GLOBALIZADA”. 
Educação & Sociedade, vol. 25, núm. 89, setembro-dezembro, 2004, p. 
1227-1249. Disponível em:<http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ArtPdfRed.
jsp?iCve=87314213008>. Acesso em: 20 de jun. 2012.
GRACINDO, Regina Vinhaes. Gestão democrática nos sistemas e na escola. 
Brasília: Universidade de Brasília, 2007. Disponível em: <www.mec.gov.br>. 
Acesso em: 18 jun. 2012.
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: Teoria e Prática. 
Goiânia: Editora Alternativa, 2004.
http://www.mec.gov.br/legis/default.shtm
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10172.htm
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http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ArtPdfRed.jsp?iCve=87314213008
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http://www.mec.gov.br
22
Organização e Desafios da Gestão Escolar
LÜCK, Heloísa. A GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA. Petrópolis, RJ: 
Editora Vozes, 2008.
MAFRA FILHO, Francisco de Salles. A Constituição e a Democracia 
Participativa: plebiscito, referendo e iniciativa popular.[s.d.]. Disponível 
em:<http://sisnet.aduaneiras.com.br/lex/doutrinas/arquivos/plebiscito.pdf>. 
Acesso em: 25 jun. 2012.
NÓVOA, António. Para uma análise das instituições escolares. In. NÓVOA, 
António. (Coord.). As organizações escolares em análise. Lisboa: Publicações 
Dom Quixote, 1999. 
http://sisnet.aduaneiras.com.br/lex/doutrinas/arquivos/plebiscito.pdf
CAPÍTULO 2
A Gestão Pública Escolar
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Identificar as novas práticas de participação sistemática e efetiva da sociedade 
no processo de formulação,avaliação e fiscalização da política de educação 
através de mecanismos institucionais (Conselhos).
� Selecionar os mecanismos que viabilizam a gestão participativa na escola e 
diferenciar os avanços e dificuldades da gestão pública da escola. 
24
Organização e Desafios da Gestão Escolar
25
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
Contextualização
A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 1988, 
apresenta, no art. 206, a gestão democrática da educação como um de seus 
princípios fundamentais e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB 
nº 9493/96) que confirma os preceitos constitucionais e especifica, entre outros 
aspectos, a organização do sistema de ensino no Brasil e estabelece que os 
sistemas de ensino definam as normas da gestão democrática do ensino público 
na educação básica de acordo com as suas peculiaridades, com a participação 
dos profissionais da educação e da comunidade escolar e local na elaboração 
do projeto pedagógico da escola e, na atuação em conselhos escolares ou 
equivalentes. 
Assim a gestão democrática é ao mesmo tempo um objetivo e um caminho 
das escolas públicas. É um objetivo, pois é uma meta a ser alcançada e sempre 
aprimorada. É um caminho, porque é processo, com avanços e retrocessos, 
com possibilidades e dificuldades necessitando de avaliação permanente e de 
reorganização contínua do seu processo de construção. 
Neste capítulo desenvolvemos um estudo sobre a participação organizada 
da sociedade na educação; o regime de colaboração entre municípios, estados 
e governo federal; os diversos órgãos colegiados; os conselhos de educação no 
Brasil e sistemas de ensino. 
Desejamos que, com acesso as informações e conceitos disponibilizados 
e os questionamentos levantados neste texto, você estabeleça uma relação 
dialógica e que possibilite construir novos conhecimentos.
Uma excelente leitura! Um ótimo estudo!
O que é Gestão? 
Voltamos a buscar na origem da palavra, o seu significado 
construído historicamente e que como movimento adquire diferentes 
tratamentos, mas nunca perdendo sua raiz etimológica.
Etimologicamente, gestão vem do latim gestio, gerere, gerire, 
gestum, com o significa de levar sobre si, realizar, chamar a si, executar, 
exercer, gerar, ato de administrar, de gerenciar. Desde os primórdios 
a palavra traz um significado de envolver o sujeito, visto que, um dos 
substantivos derivados deste verbo é gestatio - que quer dizer gestação: 
um novo ser. “Ger” (raiz etimológica) significa fazer brotar, fazer nascer, 
como na gestação humana (CURY, 2002).
Etimologicamente, 
gestão vem do 
latim gestio, gerere, 
gerire, gestum, 
com o significa 
de levar sobre si, 
realizar, chamar 
a si, executar, 
exercer, gerar, ato 
de administrar, de 
gerenciar.
26
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Gestão implica na participação de pessoas, dialogando, interrogando, 
buscando respostas para os conflitos, conforme nos diz Cury (2002). Para 
reafirmar seu pensamento, o autor traz o pensamento do filósofo Antônio Gramsci, 
“[...] por vezes, é mais notável (e algumas vezes corajoso) difundir uma verdade 
já conhecida, mas pouco socializada, do que descobrir uma realidade original 
(CURY, 2002, p. 165).
Antônio Gramsci (1891 a 1937), filósofo italiano, cientista social e 
político, que muito contribuiu para a humanidade com suas ideais. 
Figura 4 - Antônio Gramsci
Fonte: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/
Antonio_Gramsci>. Acesso em: 20 mai. 2012.
Assim, seguindo este pensamento, a gestão na educação é uma nova 
maneira de administrar democraticamente, com a efetiva participação e 
envolvimento coletivo e o permanente diálogo com seus membros.
A Gestão Democrática na Educação
Prezado Pós-Graduando,
Alertamos para que diferenciem gestão na educação escolar de gestão 
empresarial, mesmo que a primeira seja fruto das teorias administrativas 
econômicas (SILVA, 2009), mas contrapondo-se a lógica empresarial no campo 
da educação (PARO, 2008). 
As análises e discussões sobre políticas e gestão da educação sobre 
as formas de organização social, decorrentes da reestruturação econômica 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Gramsci
http://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Gramsci
27
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
tem sido debatida por estudiosos como Cury (2002; 2004), Dourado 
(2007), Ferreira (2000; 2004; 2011), Lück (2000; 2006), Nóvoa (1999), 
Paro (2008) e Wittmann (2000), decorrente dos questionamentos e 
das investigações sobre a natureza, os impactos e as influências do 
mercado na educação. 
As mudanças na concepção de gestão na educação no Brasil 
vêm evoluindo a cada dia, mas faz-se necessário reconhecer, segundo 
Dourado (2007, p. 923), que “[...]a discussão sobre a gestão da 
educação básica apresenta-se a partir de várias proposições, bem como 
concepções e cenários complexos, articulados aos sistemas de ensino”.
Considerando a especificidade do sistema educacional brasileiro, 
percebemos que muitas das transformações que ocorreram no cenário 
nacional adotaram ações democráticas, de interação e participação 
da comunidade, buscando a troca de experiência para solucionar os 
problemas do coletivo.
Figura 5 - No coletivo a resolução dos problemas escolares
Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/img/
conselhos/cabecalho.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Sabemos que a gestão democrática efetivamente acontece, quando as ações 
geradas são advindas da participação de todos, contrariando a cultura escolar 
cristalizada da lógica hierárquica existente quase sempre na gestão das escolas. 
Atividade de Estudos: 
1) Leia as alternativas a seguir sobre a participação, conceito 
relevante para a gestão democrática na educação.
I. A participação na gestão escolar da comunidade leva a conquista 
da autonomia da unidade escolar tanto pedagógica, quanto 
financeira, administrativa e cultural.
Considerando a 
especificidade 
do sistema 
educacional 
brasileiro, 
percebemos 
que muitas das 
transformações 
que ocorreram no 
cenário nacional 
adotaram ações 
democráticas, 
de interação e 
participação da 
comunidade, 
buscando a troca 
de experiência 
para solucionar 
os problemas do 
coletivo.
http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg
http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg
28
Organização e Desafios da Gestão Escolar
II. A possibilidade de abrir espaços de participação para envolver 
a comunidade escolar e local impede que iniciativas solidárias e 
criativas sejam manifestadas. 
III. A gestão democrática efetivamente acontece, quando as ações 
geradas são advindas da participação de todos, contrariando 
a cultura escolar cristalizada, da lógica hierárquica existentes 
quase sempre, na gestão das instituições de ensino.
 Assinale a resposta correta: 
a) ( ) As alternativas I e II estão corretas. 
b) ( ) As alternativas I e III estão corretas. 
c) ( ) As alternativas II e III estão corretas. 
d) ( ) Nenhuma alternativa está correta.
A evolução da conceituação da gestão da educação, entendida como 
processo tanto administrativo como político e movimento histórico, extrapola os 
muros escolares e revela um novo modo de relação de poder entre governo e 
população e precisa ser compreendida a partir dos conceitos mais amplos da área 
educacional.
A Gestão Democrática como Espaço 
de Formação
Na história da educação brasileira, a democratização da escola 
púbica é uma discussão presente e permanente. Até a promulgação 
da Constituição Federal (1988), o Estado exercia poder supremo e as 
decisões políticas brasileiras, tinham cunho técnico e especializado. 
Como vimos no capítulo anterior, a partir da Constituição Federal em 
1988, foram elaboradas e promulgadas legislações complementares com ênfase 
na gestão democrática com a participação da sociedade civil. Especificamente 
na área da educação, a LDB nº 9394/1996 e outras diretrizes normativas, 
transparecem as intençõespara a promoção da gestão participativa na rede de 
ensino público.
A Lei Magna - Constituição Federal em seu art. 205, prevê que 
a educação seja promovida e incentivada com a colaboração da 
sociedade e estabelece no art. 206, alguns princípios para o ensino 
entre eles, a gestão democrática do ensino público.
Na história da 
educação brasileira, 
a democratização da 
escola púbica é uma 
discussão presente e 
permanente.
29
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
A lei acima citada diz que, como condição para o estabelecimento da gestão 
democrática é preciso que os sistemas de ensino assegurem às unidades 
escolares públicas de educação básica que as integram, progressivos graus de 
autonomia pedagógica, administrativa e financeira, observadas as normas gerais 
de direito financeiro público (LDB nº 9394/96, art. 15).
A LDB nº 9394/1996, abrindo espaço para a autonomia dos entes federados 
determina, no art. 14, que os sistemas de ensino definam as normas da gestão 
democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas 
peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
a) participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto 
pedagógico da escola;
b) participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou 
equivalentes.
Figura 6 - A participação dos profissionais da educação na elaboração do PPP
Fonte: Raizes e Asas. Trabalho coletivo na escola. CENPEC, 1994.
Essa possibilidade de abrir espaços para envolver a comunidade escolar e 
local permite que iniciativas solidárias e criativas sejam manifestadas. 
Além disso, no diálogo, na troca de experiências, buscar a solução para 
suprir as necessidades e resolver os problemas dentro de um consenso 
coletivo. 
Contudo, participação e autonomia têm significados diferentes 
dependendo das concepções pessoais. Guterrez e Catani (2011) trazem 
essa preocupação também presente nas diferentes linhas teóricas em 
compreender e classificar, “a ideia de participação como alternativa administrativa 
e estratégica” (GUTERREZ; CATANI, 2011, p. 74) estabelecendo-se critérios 
consensuais. Os autores contribuem trazendo o filósofo alemão Jürgen Habermas 
que diz: “Participar significa que todos podem contribuir, com igualdade de 
oportunidades, nos processos de formação discursiva da vontade”. Ou seja, 
segundo os autores “ajudar a construir comunicativamente o consenso quanto a 
um plano de ação coletivo” (GUTERREZ; CATANI, 2011, p. 76). 
No diálogo, na troca 
de experiências, 
buscar a solução 
para suprir as 
necessidades 
e resolver os 
problemas dentro 
de um consenso 
coletivo.
30
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Falando sobre a autonomia na educação, Maria Beatriz Luce 
e Isabel Letícia Pedroso de Medeiros (2008), no texto Gestão 
Democrática 
Pensar a autonomia é uma tarefa que se apresenta de forma 
complexa, pois se pode crer na ideia de liberdade total ou 
independência, quando temos de considerar os diferentes 
agentes sociais e as muitas interfaces e interdependências 
que fazem parte da organização educacional. Por isso, 
deve ser muito bem trabalhada, a fim de equacionar a 
possibilidade de direcionamento camuflado das decisões, ou 
a desarticulação total entre as diferentes esferas, ou o domínio 
de um determinado grupo, ou, ainda, a desconsideração 
das questões mais amplas que envolvem a escola (LUCE; 
MEDEIROS, 2008, p. 2).
Nóvoa (1999) analisa em um de seus textos os determinantes 
para a eficiência da organização das escolas, entre eles a 
“colaboração das famílias na vida escolar” e que
[...] é preciso romper, de uma vez por todas, com a ideia de que 
as escolas pertencem (grifo do autor) à corporação docente. 
Os pais enquanto grupo interveniente no processo educativo, 
podem dar um apoio activo às escolas e devem participar num 
conjunto de decisões que lhes dizem directamente respeito 
(NÓVOA, 1999, p. 28).
O autor aponta para outro conceito importante que leva a 
atuação efetiva da comunidade escolar que é o da “imagem pública da escola”. 
As escolas são diferentes umas das outras e a busca da identidade de cada uma 
delas só é possível com a participação de todos os envolvidos. “Sem renunciar 
aos seus próprios valores e ideologias, cada membro de escola deve procurar 
a identificação a um conjunto de valores comuns que edificam a identidade da 
organização (NÓVOA, 1999, p. 29).
A eficiência implica na efetivação concreta de deveres e na 
satisfação dos cidadãos nos seus direitos, efetivados com padrão 
de qualidade que atendam às normas técnicas, sem duplicação 
de meios para mesmos fins e uso de recursos contemporâneos de 
administração e gestão. Ela deve buscar o grau máximo de realização 
dos objetivos de um setor. A eficiência exige tanto conhecimentos 
especializados, complexos que postulam uma formação própria, 
mas cujos conteúdos não são mistérios ou segredos intransponíveis 
quanto meios existentes para os efetivar (CURY, 2002, p. 168).
Pensar a autonomia 
é uma tarefa que se 
apresenta de forma 
complexa, pois se 
pode crer na ideia 
de liberdade total 
ou independência, 
quando temos 
de considerar os 
diferentes agentes 
sociais e as 
muitas interfaces e 
interdependências 
que fazem parte 
da organização 
educacional.
Sem renunciar aos 
seus próprios valores 
e ideologias, cada 
membro de escola 
deve procurar a 
identificação a 
um conjunto de 
valores comuns que 
edificam a identidade 
da organização 
(NÓVOA, 1999, p. 
29).
31
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
Autores como Paro (2008), Lück (2000; 2006), Wittmann (2000) 
reafirmam essa concepção dizendo que a participação na gestão 
escolar da comunidade leva a conquista da autonomia da unidade tanto 
pedagógica, quanto financeira, administrativa e cultural. Através da 
autonomia, são geridas novas relações sociais opostas às autoritárias 
existentes, que respeite a diversidade e a individualidade do outro, 
buscando o intercâmbio com outras experiências sociais o que leva a 
democratização do sistema público de ensino. 
Autonomia, conforme cita Heloísa Lück (2000)
[...] no contexto da educação, consiste na ampliação 
do espaço de decisão, voltada para o fortalecimento 
da escola como organização social comprometida 
reciprocamente com a sociedade, tendo como 
objetivo a melhoria da qualidade do ensino. 
Autonomia é a característica de um processo de 
gestão participativa que se expressa, quando se 
assume com competência a responsabilidade 
social de promover a formação de jovens adequada 
às demandas de uma sociedade democrática 
em desenvolvimento, mediante aprendizagens 
significativas (LÜCK, 2000, p. 21).
Outro conceito imprescindível numa concepção democrática de gestão 
escolar é o da descentralização, que é um meio e não um fim, na construção da 
autonomia. A gestão democrática pressupõe a descentralização do poder para as 
escolas, permitindo que haja uma comunicação direta com a mesma, eliminando 
as instâncias de poder intermediárias. 
Entretanto, Lück (2000), aponta que muitas vezes a descentralização é 
aplicada para gerenciamento de processos e recursos numa perspectiva de 
mercado ou para dividir com os órgãos centrais as responsabilidades do sistema 
educativo que nos últimos anos se expandiu. Ou ainda, 
Quando se observa que alguns sistemas de ensino 
descentralizam, centralizando, isto é, dando um espaço com 
uma mão, ao mesmo tempo que tirando outro espaço, com 
outra, pode-se concluir que o princípio que adotam não é o 
da democratização, mas o de maior racionalidade no emprego 
de recursos e o de busca de maior rapidez na solução dos 
problemas (LÜCK, 2000, p. 17).
A descentralização, a autonomia e a participação da comunidade escolar 
contribuem para a formação não apenas dos alunos, mas de todos, pois o 
exercício de discussão, de análise e de tomada de decisões no espaço escolar, na 
escolha e elaboração do projeto político pedagógico é um meio para a formação 
democrática, ampliando o olhar paraa atuação dos membros, no processo 
democrático da organização da sociedade civil. São conceitos interligados 
e implicam se considerarmos a escola, o centro da educação na formação da 
cidadania. 
Autonomia é a 
característica de 
um processo de 
gestão participativa 
que se expressa, 
quando se assume 
com competência 
a responsabilidade 
social de promover 
a formação de 
jovens adequada 
às demandas de 
uma sociedade 
democrática em 
desenvolvimento, 
mediante 
aprendizagens 
significativas 
(LÜCK, 2000, p. 
21).
32
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) De que modo pode-se oportunizar a participação da comunidade 
educativa, a partir da diversidade dos diferentes atores sociais?
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Sabemos que o universo escolar e suas inter-relações são 
especificamente complexos e que somente através do exercício do 
diálogo e do reconhecimento histórico dos diferentes atores deste 
processo, o respeito aos que não pensam como nós educadores. 
Diálogo, como peça fundamental desse caminho de construção 
coletiva como “o reconhecimento da infinita diversidade do real 
que se desdobra numa disposição generosa de cada pessoa para 
tentar incorporar ao movimento do pensamento algo da inesgotável 
experiência da consciência dos outros” (FERREIRA, 2000, p. 172). 
Historicamente, ao analisarem as políticas públicas, os teóricos 
entre eles: Cury (2002; 2004), Dourado (2007), Ferreira (2000; 
2004; 2011) e Paro (2008), apontam que na década de 1960, as 
discussões giraram em torno da implementação das decisões políticas; nos anos 
1970, na reorganização do Estado de bem-estar social. A década de 1980 é 
marcada pela discussão e promulgação da Constituição e da configuração dos 
sistemas e redes. Nos anos posteriores intensificou-se a influência mercadológica 
e os alinhamentos da concepção neoliberal com tema dominante da eficiência da 
gestão pública, levando a reforma administrativa nos diferentes níveis de governo, 
utilizando métodos e técnicas do setor empresarial para gerir o setor público. 
Nos anos posteriores 
intensificou-
se a influência 
mercadológica e os 
alinhamentos da 
concepção neoliberal 
com tema dominante 
da eficiência da 
gestão pública, 
levando a reforma 
administrativa nos 
diferentes níveis de 
governo, utilizando 
métodos e técnicas 
do setor empresarial 
para gerir o setor 
público.
33
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
Estado de bem-estar social é uma forma de organização 
social, política e econômica, que coloca o Estado como defensor 
social e regulador da economia, garantindo serviços públicos e 
proteção a toda população.
Prezado Pós-Graduando, faz-se necessário, que o processo de elaboração 
de uma política pública não seja superficialmente visto como ato político, 
administrativo ou simplesmente burocrático. As políticas públicas recebem 
influência do contexto social, incorporando representações e valores sociais. 
Programas e ações governamentais podem levar a mudanças desejadas tanto 
pelo governo como pela população. Contudo, é imprescindível, enquanto 
educadores conhecermos alguma das propostas do MEC que podem contribuir 
com a gestão democrática da educação escolar nacional, como veremos a 
seguir.
O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), é um conjunto de 
estratégias e atos normativos para a implementação de ações articuladas entre os 
entes federados e a União. O PDE é considerado o plano executivo das políticas 
do MEC. A proposta do MEC é que os programas de transferência voluntária 
passem a ter acesso por meio do Plano de Ações Articuladas (PAR), instrumento 
de planejamento educacional integrante da principal ação do PDE: o Plano de 
Metas Compromisso Todos pela Educação.
Para saber sobre o Plano de Metas Compromisso Todos pela 
Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/
diretrizes_compromisso.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2012.
As dimensões educacionais integrantes do PAR são:
a) gestão educacional; 
b) formação de professores e dos profissionais de serviço e apoio escolar;
c) práticas pedagógicas e avaliação; 
d) infraestrutura física e recursos pedagógicos
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/diretrizes_compromisso.pdf
http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/diretrizes_compromisso.pdf
34
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Para saber mais sobre o PAR ver site. Disponível em: <http://
simec.mec.gov.br/cte/relatóriospublico/principal.php>. Acesso em: 20 
jun. 2012.
Para conhecer as 20 Metas do PNE para a educação brasileira 
até 2020, visite o site do MEC. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/
plano-nacional-de-educaao-2011-2020>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Também Programas como: Transporte Escolar, Gestão Escolar, Mais 
Educação, Escola Aberta, Saúde Escolar, Escola de Gestores da Educação 
Básica, PRADIME - Programa de Apoio aos Dirigentes Municipais de Educação, 
Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, Programa 
Nacional de Capacitação dos Conselheiros Municipais de Educação, Pró-
Letramento, Pró-Infantil, PNBE- Programa Nacional de Bibliotecas Escolares, 
Gestar II, PNLD - Programa Nacional do Livro Didático, PROINFO entre outros 
têm contribuído para o desenvolvimento da gestão democrática e precisam ser 
constantemente avaliados e replanejados. 
Para saber mais sobre os Programas desenvolvidos pelo 
Governo Federal. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br>. Acesso 
em: 20 jun. 2012.
O Regime de Colaboração e a 
Legislação da Educação Brasileira
O modelo vigente de organização de ensino no Brasil, com o movimento 
dos anos 1990 de democratização da educação, concretizada na LDB 9.394/96, 
que tem nos princípios de descentralização, da autonomia e participação suas 
principais características, redefine o modelo de escola exigindo mudanças 
expressivas no âmbito estrutural e cultural da educação escolar, principalmente 
da sua gestão.
Segundo a professora Lucia Helena Gonçalvez Teixeira (s.d.), esse 
movimento, provoca mudanças
http://simec.mec.gov.br/cte/relatóriospublico/principal.php
http://simec.mec.gov.br/cte/relatóriospublico/principal.php
http://portal.mec.gov.br/plano-nacional-de-educaao-2011-2020
http://portal.mec.gov.br/plano-nacional-de-educaao-2011-2020
http://portal.mec.gov.br/
35
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
[...] no papel do Estado em matéria de ensino 
e enfatiza-se o papel da escola como espaço 
de concretização das mudanças pretendidas. 
Trata-se de um novo paradigma que rompe com 
a estrutura burocrática instalada e preceitua 
a reorganização dos sistemas de ensino e da 
unidade escolar do país.
Esta perspectiva atual, de educação se torna mais significativa 
quando ela expressa um movimento histórico onde as pessoas passam 
a exigir esse novo modo de ser nas relações de poder existentes no 
sistema educacional questionando e exigindo a garantia de seus direitos 
enquanto cidadãos. 
Prezado Pós-Graduando! 
Para você entender o ordenamento jurídico da educação 
brasileira um pouco mais, vamos refletir e conceituar as terminologias 
atualmente utilizadas: Órgão Colegiado, Conselhos, Conselho 
Escolar, tendo em vista o sistema de colaboração.
Sistemade Colaboração
O Brasil como país, assim como outros (Canadá, Austrália, Rússia), com 
uma grande dimensão geográfica de regime tendem a se regular por regimes 
federativos. A colaboração recíproca foi o melhor modelo encontrado para 
dar conta de normas gerais, diretrizes, bases e autonomia federativa, pois os 
municípios passaram a ser entes federativos e titulares de seus sistemas de 
ensino. A Constituição Federal de 1988, estabelece no art. 211, que a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão seus sistemas de ensino, 
em regime de colaboração, garantindo a autonomia constitucional de cada uma 
das esferas do Poder Público.
Sistema de Colaboração entre os 
entes Federados
Você certamente já leu ou ouviu falar que a responsabilidade da educação 
no Brasil é feita em sistema de colaboração entre os entes federados. Mas o que 
isso significa?
Educação se torna 
mais significativa 
quando ela 
expressa um 
movimento histórico 
onde as pessoas 
passam a exigir 
esse novo modo de 
ser nas relações de 
poder existentes 
no sistema 
educacional 
questionando e 
exigindo a garantia 
de seus direitos 
enquanto cidadãos.
36
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Quais são as responsabilidades do município em relação 
à educação? Quais são as responsabilidades dos estados e do 
governo federal? 
No quadro abaixo você poderá entender esta questão.
O Brasil é organizado de forma federativa, por isso é preciso saber a que 
governo cabe a oferta de cada nível de ensino. Essa forma de organização é 
importante, pois possibilita que seja considerada as características de cada região 
e ao mesmo tempo há o envolvimento de todos no processo educacional.
Conforme define a Constituição Federal de 1988, a responsabilidade está 
assim definida:
a) Os Municípios têm como responsabilidade a oferta da EDUCAÇÃO 
INFANTIL, em creches e pré-escolas.
b) O ENSINO FUNDAMENTAL é competência comum, ou seja, responsabilidade 
compartilhada entre ESTADOS e MUNICÍPIOS.
Estados e Municípios devem estabelecer “formas de colaboração” para 
assegurar o ensino fundamental obrigatório para todos. Para isso, devem acertar 
uma “distribuição proporcional de responsabilidades”, de acordo com a população 
a ser atendida e os recursos financeiros que cada governo tem para aplicar na 
educação.
c) Aos Estados brasileiros compete o ENSINO MÉDIO.
d) Governo Federal
Embora a União não tenha responsabilidade pelo provimento direto de 
Educação Básica, ainda assim a Lei determina que esta tenha a responsabilidade 
pela coordenação da política nacional de educação, exercendo as seguintes 
funções:
a) redistributiva e supletiva - assistência financeira e cooperação técnica, como 
Fundef e outros programas do FNDE; 
b) normativa - leis, decretos, portarias federais e pareceres e resoluções do 
Conselho Nacional de Educação; 
37
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
c) organização de informações e avaliação educacional- Censo Escolar, SAEB, 
ENEM, Prova Brasil, e outros.
Atividade de Estudos: 
1) Caro Pós-Graduando! Após a leitura do texto sobre o sistema de 
colaboração, reflita e escreva em poucas palavras por que esta é 
considerada a melhor forma de organizar o ensino nacional? 
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a) Órgão Colegiado
Na administração pública, órgão colegiado, dentro da sua 
atribuição definida por lei, decide um assunto ligado ao exercício de 
uma função pública. É um órgão dirigente, com pessoas dedicadas 
a mesma função. Participam de um órgão colegiado, várias pessoas, 
com poderes idênticos e com funções compartilhadas, pois o presidente 
do órgão tem a função de coordenar sessões, representar o conselho 
e cumprir o regimento ou estatuto. Segundo Cury (2004) o debate, 
diálogo e a decisão coletiva são próprios do órgão colegiado. Além 
da igualdade de funções entre seus membros, e a decisão coletiva, a 
periodicidade - sessão programada é característica desse colegiado. É 
importante ressaltar que ao se encerrar a sessão acaba a competência 
dos participantes sobre os assuntos da pauta programada. 
É um órgão 
dirigente, com 
pessoas dedicadas 
a mesma função. 
Participam de um 
órgão colegiado, 
várias pessoas, 
com poderes 
idênticos e 
com funções 
compartilhadas, 
pois o presidente 
do órgão tem 
a função de 
coordenar sessões, 
representar o 
conselho e cumprir 
o regimento ou 
estatuto.
38
Organização e Desafios da Gestão Escolar
b) Conselhos 
Na perspectiva da gestão escolar democrática, o conselho escolar é uma 
das estratégias para efetivação de um projeto de educação que contribua para 
a formação humana tanto dos alunos quanto dos educadores. É um espaço de 
diálogo permanente onde as pessoas possam falar de si, dos seus anseios e 
convicções e ao mesmo tempo aprendam a ‘ouvir’ o outro, na busca 
de uma educação de qualidade para todos. 
Por isso, é preciso levar em conta que em cada instituição 
escolar existem indivíduos diferentes, concepções de vida diversas, 
diversidade cultural e ao mesmo tempo se pensar num projeto 
coletivo de educação. Contudo, “[...] é importante ressaltar que 
essa perspectiva só ganha essa dimensão quando é coordenada 
pelo poder público e legitimada por um acordo entre governo local e 
sociedade civil organizada” (CEFISA, 2009, p. 15). 
Mas, para entendermos o momento atual faz-se necessário, como veremos a 
seguir, conhecermos a constituição histórica dos conselhos, seus aspectos legais 
e sua estrutura organizacional no Brasil. 
• História dos Conselhos 
A origem dos conselhos é muito divergente. O que sabemos é que as 
instituições de cunho social se constituem historicamente. 
Escolhemos trazer Genuíno Bordignon (2004), que em seu texto, faz uma 
retrospectiva da constituição dos conselhos desde os primórdios da civilização, 
dizendo 
Os registros históricos indicam que já existiam, há quase três 
milênios, no povo hebreu, nos clãs visigodos e nas cidades-
Estado do mundo grego-romano, conselhos como formas 
primitivas e originais de gestão dos grupos sociais. A Bíblia 
registra que a prudência aconselhara Moisés a reunir 70 
“anciãos ou sábios” para ajudá-lo no governo de seu povo, 
dando origem ao Sinédrio, o “Conselho de Anciãos” do povo 
hebreu (BORDIGNON, 2004, p. 13).
Segundo o autor acima citado, a constituição histórica dos conselhos passa 
pela “Comuna Italiana”, com as experiências dos conselhos dos operários no 
âmbito das fábricas; com os sovietes russos - de São Petersburgo e os conselhos 
da Revolução Russa; na Alemanha o conselho das fábricas e/ou de operários 
(1918-1923); na Espanha (1934-1937); na Hungria (1950) e na Polônia (1969-
[...] é importante 
ressaltar que essa 
perspectiva só ganha 
essa dimensão 
quando é coordenada 
pelo poder público 
e legitimada por um 
acordo entre governo 
local e sociedade civil 
organizada (CEFISA, 
2009, p. 15).
39
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
1970) se constituíram antes mesmo da organização do Estado, dando origem aos 
atuais Poderes Legislativo e Judiciário.
[...] exerciam a democracia direta e/ou representativa 
como estratégia para resolver tensões e conflitos resultantes 
dos diferentes interessese, ao contrário dos conselhos de 
notáveis das cortes, eram a voz das classes que constituíam 
as comunidades locais, seja nas cidades-Estados grego-
romanas, nas comunas italianas e de Paris, ou nas fábricas da 
era industrial (BORDIGNON, 2004, p. 16).
Figura 7 - Soviete de Petrogrado
Fonte: Disponível em: <http://www.pstu.org.br/teoria_materia.
asp?id=7302&ida=61>. Acesso em: 20 ago. 2012.
Dentro dessa configuração e com uma representação social e histórica, os 
conselhos situaram-se quase sempre, no interesse da sociedade na manutenção 
do “statu quo” da elite. Atualmente, os conselhos organizados legalmente, têm 
participação garantida, interferindo ativamente, na gestão das políticas públicas 
brasileiras. 
No Brasil, os conselhos, na perspectiva da configuração do 
cenário educativo atual aparecem na década de 1980 no movimento 
de reorganização da sociedade civil que buscava novos espaços 
de organização e participação. A administração da educação 
e das escolas públicas, especificamente ganha um novo perfil 
acompanhando o movimento de redemocratização do Estado 
brasileiro. 
Etimologicamente a palavra ‘conselho’ vem do latim “concilian” 
que provém do verbo “consulo/consulere” que significa ouvir alguém, 
debater, apresentar sugestões sobre determinado assunto para depois 
decidir sobre este (CURY, 2004, p. 12). 
No Brasil, os 
conselhos, na 
perspectiva da 
configuração do 
cenário educativo 
atual aparecem na 
década de 1980 
no movimento de 
reorganização 
da sociedade 
civil que buscava 
novos espaços 
de organização e 
participação.
http://www.pstu.org.br/teoria_materia.asp?id=7302&ida=61
http://www.pstu.org.br/teoria_materia.asp?id=7302&ida=61
40
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Cury (2002) em seu texto “Gestão Democrática da Educação: exigência 
e desafios”, discute esses conceitos, determinados na Lei Maior, que regem a 
administração pública e que dizem respeito às ações e atos que envolvem a 
comunidade, como é o caso dos conselhos. 
Os conselhos de educação são órgãos administrativos existentes na 
estrutura da organização da educação no Brasil, e exercem funções normativas, 
deliberativas, fiscalizadoras e de planejamento. 
Organização dos Conselhos de 
Educação no Brasil
No Brasil, os espaços colegiados, da educação ocorrem em diferentes 
instâncias de poder. Temos assim os seguintes conselhos:
• Conselho Nacional
• Conselhos Estaduais
• Conselhos Municipais 
• Conselhos Escolares
a) Conselho Nacional
O Conselho Nacional de Educação segundo o art. 9, § 1º da LDB 9394/96, tem 
funções normativas, deliberativas e de supervisão. É um órgão administrativo da 
estrutura educacional e colabora com o MEC na função consultiva e deliberativa. 
Tem como atribuição formular, avaliar a política nacional de educação e assegurar 
a participação da sociedade para o aprimoramento da mesma.
Órgão Normativo - Interpreta campos específicos da legislação 
e aplica as normas a situações específicas. Interpreta somente as 
leis, mas não as cria.
41
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
Foi criado em 1931 e permaneceu até 1961 com o nome de 
Conselho Nacional de Educação. De 1962 a 1994, passou a ser 
denominado Conselho Federal de Educação, sendo recriado pela Lei 
9131 de 24 de dezembro de 1995, com o nome de Conselho Nacional 
de Educação (CNE), tendo a participação da sociedade civil em sua 
composição.
O CNE é composto por 24 (vinte e quatro) membros, sendo 12 
(doze) indicados por associações científicas e de profissionais da 
educação e 2 (dois) nomeados pelo Presidente da República. Divididos 
em duas Câmaras autônomas, a Câmara de Educação Superior e a 
Câmara de Educação Básica, se reúnem mensalmente. 
O CNE tem o papel de articulador dos demais sistemas de ensino 
(Federal, Estadual e Municipal), com o compromisso da participação da 
sociedade civil nos destinos da educação brasileira.
Os conselhos de educação estaduais, municipais e do Distrito Federal, junto 
com o Conselho Nacional de Educação, são órgãos de deliberação coletiva, com 
caráter normativo e consultivo, que segundo suas competências, interpretam e 
deliberam a aplicação da legislação da educação. Os conselhos também dão 
sugestões para o aperfeiçoamento da educação dos sistemas de ensino (CURY, 
2004).
b) Conselho Estadual
 
Segundo Bordignon (2004, p. 55), os conselhos de educação dos estados 
e do Distrito Federal foram criados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional, nº 4.024 de 1961 e foi “[...] a estratégia para a descentralização da 
gestão do ensino”. 
Conforme, previsto na Constituição Federal de 1988, vão legislar sobre a 
educação, a cultura, o ensino e o desporto dos estados (art. 24 alínea IX). A esse 
respeito, trata o art. 10, inciso I e III da LDB nº 9394/96.
O Conselho Estadual de Educação é da competência do Conselho Nacional 
da Educação e caracteriza-se enquanto órgão normativo e deliberativo do sistema 
de ensino estadual. 
As atribuições do Conselho Estadual de Educação, determinadas pela LDB 
nº 4024/61 são semelhantes as do Conselho Federal, mas relacionadas ao âmbito 
estadual.
De 1962 a 1994, 
passou a ser 
denominado 
Conselho Federal 
de Educação, 
sendo recriado pela 
Lei 9131 de 24 de 
dezembro de 1995, 
com o nome de 
Conselho Nacional 
de Educação 
(CNE), tendo a 
participação da 
sociedade civil em 
sua composição.
42
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) De acordo com o que você já estudou neste caderno de estudos e 
com a sua prática docente. Quais são as atribuições do Conselho 
Estadual de Educação, conforme nos dizem Oliveira, Moraes, 
Dourado (s.d):
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 __________________________________________________
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Bordignon (2004, p. 56) alerta dizendo, que as mudanças que vem 
acontecendo desde a criação do Conselho Estadual de Educação, estão 
relacionadas às atribuições e a composição dos conselhos e “[...] quase sempre 
coincidentes com as transições de governo, o que fere a própria natureza dos 
mesmos”.
c) Conselho Municipal
Ao estabelecer o município como ente federativo autônomo, a 
Constituição de 1988, em seu art. 211, como já citado anteriormente, 
estabeleceu, que a União, os estados, o Distrito Federal e os 
municípios “organizarão os seus sistemas de ensino”, definindo 
como competência desses últimos a atuação no ensino fundamental 
e pré-escolar.
A LDB nº 9394/96, ao regulamentar tais preceitos no art. 8 
reafirma essa organização explicitando o que é competência dos 
municípios, no seu art. 11. A descentralização do ensino público via 
A descentralização 
do ensino público 
via municipalização, 
dando atribuições de 
funções ao sistema 
municipal de ensino, 
sendo firmada a 
possibilidade, ainda 
dito no Parágrafo 
único, de optar entre 
compor com o estado 
um sistema único, ou 
manter-se integrado 
ao sistema estadual.
43
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
municipalização, dando atribuições de funções ao sistema municipal de ensino, 
sendo firmada a possibilidade, ainda dito no Parágrafo único, de optar entre 
compor com o estado um sistema único, ou manter-se integrado ao sistema 
estadual.
• Composição: Fazem parte do Conselho Municipal de Educação 
representação das várias instituições e entidades municipais ligadas à área 
educacional, representantesindical, empresarial e de instituições privadas 
educacionais e pelo menos um representante da câmara de vereadores do 
município. 
• Finalidades: É finalidade do CME: buscar, fortalecer e institucionalizara 
participação da sociedade civil no processo de definição das políticas 
educacionais do município. Também consolidar planos municipais de 
educação, acompanhando, fiscalizando e avaliando sua aplicação.
• Atribuições: Os Conselhos Municipais de Educação exercem as funções: 
consultiva, opinativa, deliberativa, normativa, fiscalizadora e de planejamento.
• Competências: Conforme no texto: “Gestão escolar democrática: 
definições, princípios e mecanismos de implementação”, escrito por João 
Ferreira de Oliveira, Karine Nunes de Moraes e Luiz Fernandes Dourado 
(s.d., p. 12), a LDB nº 9394/96, determina a competência do Conselho 
Municipal na: 
a) Elaboração do plano municipal de educação com duração 
plurianual;
b) Subsidiar a elaboração e acompanhar a execução do Plano 
Nacional de Educação;
c) Manifestar-se sobre questões que abranjam mais de um nível ou 
modalidade de ensino;
d) Assessorar o Ministério da Educação no diagnóstico dos 
problemas e deliberar sobre medidas para aperfeiçoar os sistemas 
de ensino, especialmente no que diz respeito à integração dos 
seus diferentes níveis e modalidades;
e) Emitir parecer sobre assuntos da área educacional, por iniciativa 
de seus conselheiros ou quando solicitado pelo Ministro de 
Estado da Educação e do Desporto;
44
Organização e Desafios da Gestão Escolar
f) Manter intercâmbio com os sistemas de ensino dos estados e do 
Distrito Federal;
g) Analisar e emitir parecer sobre questões relativas à aplicação da 
legislação educacional, no que diz respeito à integração entre os 
diferentes níveis e modalidades de ensino;
h) Analisar, anualmente, as estatísticas da educação, oferecendo 
subsídios ao Ministério da Educação e do Desporto;
i) Promover seminários sobre os grandes temas da educação 
brasileira;
j) Elaborar o seu regimento, a ser aprovado pelo Ministro de Estado 
da Educação;
k) Emitir parecer sobre assuntos de natureza pedagógica e 
educacional que lhe forem submetidos pelo Governador do 
Estado, pelo Secretário da Educação, pela Assembleia Legislativa 
ou pelas unidades escolares;
l) Interpretar, no âmbito de sua jurisdição, as disposições legais que 
fixem diretrizes e bases da educação; 
m) Manter intercâmbio com o Conselho Nacional de Educação e 
com os demais Conselhos Estaduais e Municipais, visando à 
consecução dos seus objetivos;
n) Articular-se com órgãos e entidades federais, estaduais e 
municipais, para assegurar a coordenação, a divulgação e a 
execução de planos e programas educacionais. 
• Estrutura e funcionamento: O regimento interno é elaborado pelo Conselho 
Municipal estabelecendo a estrutura e funcionamento, possibilitando aos 
membros sempre que se faça necessário, alterações.
45
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
Atividade de Estudos: 
1) Chegou a hora de pesquisar a sua realidade. Entre em contato 
com a secretaria municipal de educação e verifique se existe 
um Conselho Municipal de Educação. Se não existir, procure 
saber os motivos da não existência do CME. Se existir o CME 
investigue como é a sua atuação e a forma organizacional do 
sistema municipal.
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d) Conselho Escolar 
O Conselho Escolar é uma organização articuladora entre a escola 
e a comunidade. É composto por representantes de todos os segmentos 
da comunidade escolar e é um espaço de debates com caráter 
consultivo e deliberativo conforme Dourado (2007). É parte da escola 
e deve estar interligado aos outros conselhos entre eles: o Municipal, 
Estadual, Nacional, Conselho da Criança e do Adolescente, Conselho Tutelar, da 
Alimentação, do FUNDEB - Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação 
Básica. 
Maria Cecília Luiz e Celso Conti (s.d.), no texto “Políticas Públicas Municipais: 
Os Conselhos Escolares como instrumento de gestão democrática e formação da 
cidadania”, apontam a necessidade da inter-relação entre a unidade escolar e o 
conselho escolar, pois 
O Conselho Escolar 
é uma organização 
articuladora entre 
a escola e a 
comunidade.
46
Organização e Desafios da Gestão Escolar
conselho e escola não são entidades distintas, integrando 
uma única institucionalidade. Assim, o conselho escolar não 
atua complementarmente, nem é superestrutura, dotado 
de personalidade jurídica independente; insere-se na 
instituição e na própria estrutura de poder da escola (LUIZ; 
CONTI, s. d., p. 3).
Este processo de construção coletiva não acontece de forma mecânica e 
nem sempre sem embates. É um movimento de avanços e recuos e precisa de 
uma avaliação constante dos pares e do suporte técnico de especialistas e das 
autoridades.
Atividade de Estudos: 
1) Complete as lacunas com as palavras abaixo: 
A Constituição Federal (1988) estabelece no art. 211, que a 
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios ____________________ 
seus sistemas de ensino, em regime de _____________________ garantindo a 
______________________ constitucional de cada uma das ______________________ do 
Poder Público.
Para entender a natureza, finalidades e atribuições dos Conselhos 
de Educação, você aluno (a) precisa saber mais sobre sistemas de ensino 
preconizados na LDB nº 4024/61 e consolidados na Constituição Federal de 
1988 e na LDB nº 9394 de 20 de dezembro de 1996, numa perspectiva de gestão 
democrática da educação brasileira. Esclarecendo, o conceito da Constituição 
Brasileira atual referente ao sistema federativo, trazemos a contribuição de Cury 
(2002), que diz: 
A insistência, na cooperação, na divisão atribuições, a 
assinalação de objetivos comuns com normas nacionais 
gerais, indicam que, nesta Constituição, a acepção de sistema 
se dá como sistema federativo por colaboração, tanto quanto 
de Estado Democrático de direito. Esta abertura, contudo, no 
campo de interpretação do texto legal, dada a complexidade 
da teia de relações que se estabelecem, é também fonte de 
incertezas (CURY, 2002, p. 170).
Caro Pós-Graduando! A seguir vamos conhecer um pouco sobre os sistemas 
de ensino no Brasil e como ocorre o sistema de cooperação e entendimento 
mútuo entre os entes federativos. 
47
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
Sistemas de Ensino
Atividade de Estudos: 
1) O que você sabe sobre sistemas de ensino? O que você sabe 
sobre os sistemas municipais de educação?
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 __________________________________________________
No site do MEC <http://portal.mec.gov.br/> em Publicações você 
encontra: Publicações dos Conselhos Escolares. 
A educação brasileira, seguindo os preceitos da ConstituiçãoFederal de 
1988 e da LDB nº 9394 de 20 de dezembro de 1996, está organizada sob a forma 
de sistemas de ensino. 
a) O que é um sistema de ensino? 
Num sentido mais amplo, Bordignon (2005, p. 19), define “sistema 
como uma palavra retirada da física e utilizada em larga escala pelas 
Ciências Sociais”. Assim, sistema [...] compreende um conjunto formando 
um todo autônomo de partes em relação funcional, orgânica e harmônica 
em vista de uma finalidade, que decorre dos valores prevalentes em 
determinada sociedade. 
Sistema [...] 
compreende um 
conjunto formando 
um todo autônomo 
de partes em 
relação funcional, 
orgânica e 
harmônica em vista 
de uma finalidade, 
que decorre dos 
valores prevalentes 
em determinada 
sociedade.
http://portal.mec.gov.br/
48
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Utilizamos muito a expressão “sistema educacional”, mas na 
legislação que rege a educação brasileira encontramos somente a 
expressão “sistema de ensino” da União, dos estados, do Distrito 
Federal e dos municípios (BORDIGNON, 2005). 
Definimos sistema de ensino como um conjunto formando um 
todo autônomo de partes em relação funcional, orgânica e harmônica 
com todos os níveis de ensino, em vista de uma educação de 
qualidade social e que garanta a gestão democrática preconizada na 
lei, respeitando-se assim as especificidades de cada região, de seus 
valores e representações historicamente construídas. 
A Constituição Brasileira de 1998, conforme cita Cury (2004, p. 
16)
[...] fez a sua escolha por um regime normativo e político, plural 
e descentralizado, em que se cruzam novos mecanismos de 
participação social com um modelo institucional cooperativo 
que amplia o número de sujeitos políticos capazes de tomar 
decisões. Por isso mesmo a cooperação exige entendimento 
mútuo entre os entes federativos, e a participação supõe a 
abertura de novas arenas públicas de deliberação e mesmo 
de decisão. 
b) Histórico
Até a promulgação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB 
nº 4024 de 20 de dezembro de 1961, o sistema de ensino era centralizado sendo 
o modelo federal seguido pelos estados e municípios. A partir da aprovação da 
referida lei citada anteriormente, acontece a redefinição da estrutura de ensino, 
quando estabelece a existência dos sistemas federal, estadual e municipal.
Ao considerarmos sistema um conjunto de instituições políticas e/ou sociais 
nos remetemos ao processo de institucionalização da educação brasileira que 
conforme Bordignon (2005) está carregado de “significações” (grifo do autor), 
[...] que temos como brasileiros e da cidadania que queremos”. 
Essa concepção sob a influência dos pioneiros da educação 
é alinhavada na Constituição Federal de 1934, mas somente 
na LDB 4024/61, [...] o Brasil passou a contar com esse 
projeto, representando as significações do ser brasileiro 
(BORDIGNON, 2005, p. 19). 
Sistema de ensino 
como um conjunto 
formando um todo 
autônomo de partes 
em relação funcional, 
orgânica e harmônica 
com todos os níveis 
de ensino, em vista 
de uma educação 
de qualidade social 
e que garanta a 
gestão democrática 
preconizada na lei, 
respeitando-se assim 
as especificidades 
de cada região, 
de seus valores 
e representações 
historicamente 
construídas.
49
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
O regime de colaboração é preconizado como já dito anteriormente 
na LDB atual, com base nos princípios presentes na Constituição 
Federal e é a base na organização dos sistemas. As competências dos 
sistemas estabelecidos pela lei são complementares e não concorrentes, 
fundamentando-se no princípio da cooperação e não da subordinação.
Também dispõe no 
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as 
normas da gestão democrática do ensino público 
na educação básica, de acordo com as suas 
peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I - participação dos profissionais da educação na 
elaboração do projeto pedagógico da escola;
II - participação das comunidades escolar e local 
em conselhos escolares ou equivalentes.
No artigo seguinte define
Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades 
escolares públicas de educação básica que os integram 
progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa 
e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito 
financeiro público.
A seguir para você se situar dentro do sistema brasileiro de ensino, vamos 
trazer a organização deste e suas respectivas competências.
Os órgãos responsáveis pela educação, em nível federal, são:
O Governo Federal é responsável pelo Sistema Federal de Ensino referente 
a todas as instituições educacionais, aos órgãos, às leis e normas, concretizadas 
nos sistemas estaduais e municipais.
O regime de 
colaboração é 
preconizado 
como já dito 
anteriormente na 
LDB atual, com 
base nos princípios 
presentes na 
Constituição 
Federal e é a base 
na organização dos 
sistemas.
50
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Conforme a LDB nº 9394/96, no seu art. 16, o Sistema Federal de Ensino 
compreende: 
I - as instituições de ensino mantidas pela União;
II - as instituições de educação superior criadas e mantidas 
pela iniciativa privada;
III - os órgãos federais de educação.
Em nível estadual, temos a Secretaria Estadual de Educação (SEE), o 
Conselho Estadual de Educação (CEE), a Delegacia Regional de Educação 
(DRE) ou Subsecretaria de Educação.
A LDB nº 9394/96 define no
Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito 
Federal compreendem:
I - as instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo 
Poder Público estadual e pelo Distrito Federal;
II - as instituições de educação superior mantidas pelo Poder 
Público municipal;
III - as instituições de ensino fundamental e médio criadas e 
mantidas pela iniciativa privada;
IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal, 
respectivamente.
O Sistema Estadual de Educação, atualmente em muitos estados brasileiros, 
ainda é responsável por grande parte dos alunos de vários graus e modalidades 
de ensino, professores, servidores, unidades escolares públicas e privadas, além 
de exercer o controle sobre o ensino supletivo e os cursos livres que ocorrem fora 
do âmbito escolar, assumindo também funções de manutenção do ensino nesta 
esfera, e exerce funções normativas, deliberativas, consultivas e fiscalizadoras 
nas redes oficial e particular. 
O Sistema Estadual de Ensino, bem como do Distrito Federal, conforme 
previsto na Constituição Federal de 1988, podem legislar sobre a educação, 
a cultura, o ensino e o desporto (Art. 24 alínea IX). A esse respeito, a LDB nº 
9394/96 diz no art. 17, Parágrafo único que no Distrito Federal, as instituições de 
educação infantil, criadas e mantidas pela iniciativa privada, integram seu sistema 
de ensino.
Em nível municipal, temos a Secretaria Municipal de Educação e o Conselho 
Municipal de Educação, com orientações na LDB nº 9394/96 no
Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem:
51
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
I - as instituições do ensino fundamental, médio e de educação 
infantil mantidas pelo Poder Público municipal;
II - as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela 
iniciativa privada;
III – os órgãos municipais de educação.
A Constituição Federal de 1988 reconheceu o município como ente 
federativo, possibilitando-lhe, no campo educacional, a organização de 
seus sistemas de ensino em colaboração com a União e os Estados.
Definindo as atribuições dos municípios a LDB nº 9394/96, no 
art.11, diz que: 
Os Municípios incumbir-se-ão de:
I – Organizar, manter e desenvolver os órgãos e 
instituições oficiais de ensino, integrando-os às 
políticas e planos educacionais da União e dos 
Estados;
II – exercer ação redistributiva em relação às suas escolas;
III – baixar normas complementares para o seu sistema de 
ensino;
IV – autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos 
do seu sistema deensino;
V – oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, 
com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação 
em outros níveis de ensino somente quando atendidas 
plenamente as necessidades de sua área de competência e 
com os recursos acima dos percentuais mínimos vinculados 
pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento 
do ensino.
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se 
integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um 
sistema único de educação básica.
O texto, contido no material instrucional do Programa Nacional de 
Fortalecimento dos Conselhos Escolares nº 5, intitulado “Conselho Escolar, gestão 
democrática da educação e escolha do diretor” de (NAVARRO; WITTMANN; 
DOURADO; AGUIAR; GRACINDO, 2004), sintetiza o que procuramos trazer para 
você neste capítulo. 
Para que a tomada de decisão seja partilhada, é necessária 
a implementação de vários mecanismos de participação, 
tais como: o aprimoramento dos processos de provimento 
ao cargo de diretor, a criação e consolidação de órgãos 
colegiados na escola (Conselhos Escolares, Conselho de 
A Constituição 
Federal de 1988 
reconheceu o 
município como 
ente federativo, 
possibilitando-
lhe, no campo 
educacional, a 
organização de 
seus sistemas 
de ensino em 
colaboração com a 
União e os Estados.
52
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Classe...), o fortalecimento da participação estudantil por 
meio da criação e consolidação de grêmios estudantis, a 
construção coletiva do projeto político-pedagógico da escola, 
a progressiva autonomia da escola e, consequentemente, a 
discussão e a implementação de novas formas de organização 
e de gestão escolar e a garantia de financiamento público da 
educação e da escola nos diferentes níveis e modalidades de 
ensino. Toda essa dinâmica se efetiva como um processo de 
aprendizado político fundamental para a construção de uma 
cultura de participação e de gestão democrática na escola e, 
consequentemente, para a instituição de uma nova cultura 
na escola (NAVARRO; WITTMANN; DOURADO; AGUIAR; 
GRACINDO 2004, p. 28-29).
Neste texto, trabalhamos com os dizeres legais que regem a educação no 
Brasil e que se constituem elementos da construção de uma escola pública de 
qualidade social para todos.
Maria Abadia da Silva (2009, p. 225) em seu texto “QUALIDADE SOCIAL DA 
EDUCAÇÃO PÚBLICA: ALGUMAS APROXIMAÇÕES”, define o que vem a ser 
uma escola de qualidade social nos dizendo: 
A escola de qualidade social é aquela que atenta para um 
conjunto de elementos e dimensões socioeconômicas e 
culturais que circundam o modo de viver e as expectativas 
das famílias e de estudantes em relação à educação; que 
busca compreender as políticas governamentais, os projetos 
sociais e ambientais em seu sentido político, voltados para 
o bem comum; que luta por financiamento adequado, pelo 
reconhecimento social e valorização dos trabalhadores 
em educação; que transforma todos os espaços físicos 
em lugar de aprendizagens significativas e de vivências 
efetivamente democráticas.
DETERMINANTES QUE CONTRIBUEM PARA REFERENCIAR 
A QUALIDADE DE UMA ESCOLA
Contribuindo e reafirmando, com o que apontamos neste texto, 
para uma escola de qualidade social para todos, Maria Abadia da 
Silva (2009, p. 224) diz que: 
Dentre os determinantes externos que contribuem para a 
referência da qualidade da educação escolar, citamos:
a) Fatores socioeconômicos, como condições de moradia; situação 
de trabalho ou de desemprego dos responsáveis pelo estudante; 
renda familiar; trabalho de crianças e de adolescentes; distância 
dos locais de moradia e de estudo.
53
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
b) Fatores socioculturais, como escolaridade da família; tempo 
dedicado pela família à formação cultural dos filhos; hábitos 
de leitura em casa; viagens, recursos tecnológicos em casa; 
espaços sociais frequentados pela família; formas de lazer e de 
aproveitamento do tempo livre; expectativas dos familiares em 
relação aos estudos e ao futuro das crianças e dos jovens.
c) Financiamento público adequado, com recursos previstos e 
executados; decisões coletivas referentes aos recursos da escola; 
conduta ética no uso dos recursos e transparência financeira e 
administrativa.
d) Compromisso dos gestores centrais com a boa formação dos 
docentes e funcionários da educação, propiciando o seu ingresso 
por concurso público, a sua formação continuada e a valorização 
da carreira; ambiente e condições propícias ao bom trabalho 
pedagógico; conhecimento e domínio de processos de avaliação 
que reorientem as ações.
No interior da escola, outros elementos sinalizam a qualidade 
social da educação, entre eles,
• a organização do trabalho pedagógico e gestão da escola;
• os projetos escolares; 
• as formas de interlocução da escola com as famílias; 
• o ambiente saudável; a política de inclusão efetiva;
• o respeito às diferenças e o diálogo como premissa básica; 
• o trabalho colaborativo e as práticas efetivas de 
funcionamento dos colegiados e/ou dos conselhos 
escolares.
Fonte: SILVA, Maria Abadia da. QUALIDADE SOCIAL DA EDUCAÇÃO 
PÚBLICA: ALGUMAS APROXIMAÇÕES. Cad. Cedes, Campinas, 
vol. 29, n. 78, p. 216-226, maio/ago. 2009. Disponível em:<http://
www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 14 ago. 2012.
http://www.cedes.unicamp.br
http://www.cedes.unicamp.br
54
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Já temos o acesso e a permanência de todas as crianças e adolescentes 
firmados por lei. O que buscamos com o exercício da democracia é o sucesso 
de todos na vida escolar com aprendizagens significativas formando cidadãos 
conscientes não somente de seus direitos, mas também responsáveis e 
cumpridores de seus deveres. 
 
Algumas Considerações
Neste texto trabalhamos conceitos complexos, que devem ser entendidos 
como processo, pois historicamente foram mudando e continuam se constituindo 
na rede de relações sociais. E como parte do coletivo, esses conceitos têm 
significados diferentes, conotações e concepções individuais. A riqueza dessas 
interações trazida para o palco das discussões é que possibilitará a construção de 
uma gestão democrática da educação. Autonomia, participação, descentralização 
são princípios que regem a LDB nº 9.394/1996, e que permearam o teor desta 
discussão. 
É indiscutível a importância da gestão democrática na formação humana 
e na construção da cidadania. A gestão democrática da educação é, hoje, uma 
realidade no Brasil, embora saibamos, ainda não totalmente incorporada à prática 
educacional. 
As temáticas apresentadas neste capítulo não dão conta de todas as 
questões relacionadas à gestão democrática na educação. Outras questões, 
entre elas, a eleição de diretores que não foi especificamente abordada, mas que 
certamente está intrinsecamente ligada aos temas por hora discutidos.
Caro Pós-Graduando no próximo capítulo vamos dar continuidade a 
essa discussão abordando a gestão numa prática inovadora utilizando as 
tecnologias em prol da formação da juventude. Outro tema atual e problemático 
da atualidade é a violência, que pode ser explícita ou velada como veremos a 
seguir.
Referências
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Programa Nacional de Capacitação de Conselheiros Municipais de Educação 
Pró-Conselho: guia de consulta/coordenação geral e fortalecimento institucional 
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55
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
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E PERSPECTIVAS. Revista Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 100, out. 2007. 
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Organização e Desafios da Gestão Escolar
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http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/2666/gestao-democratica-escolar
http://www.portaleducacao.com.br/pedagogia/artigos/2666/gestao-democratica-escolar
57
A Gestão Pública Escolar Capítulo 2 
NAVARRO, Ignez Pinto; WITTMANN, Lauro Carlos; DOURADO, Luiz Fernandes; 
AGUIAR, Márcia Ângela da Silva; GRACINDO, Regina Vinhaes. Conselho 
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CONSTITUIÇÃO HISTÓRICA DO MODELO VIGENTE. s.d.. Disponível em: 
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WITTMANN, Lauro Carlos. Autonomia da escola e democratização de sua 
gestão: novas demandas para o gestor. Em Aberto. Brasília, INEP/MEC, v. 17, nº 
72, p. 88- 96, 2000.
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http://www.escoladegestores.mec.gov.br/site/4...gestao_escolar/pdf
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http://www.cedes.unicamp.br
http://www.ichs.ufop.br/conifes/anais/EDU/edu2009.htm
58
Organização e Desafios da Gestão Escolar
CAPÍTULO 3
Gestão Inovadora da Escola com 
Tecnologias, Juventude e Violência
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Identificar aspectos da gestão democrática escolar, que contribuem (ou não) na 
criação de condições para possibilitar uma aprendizagem significativa para os 
alunos.
� Analisar os aspectos que interferem na aprendizagem escolar, e as 
possibilidades de superação dos entraves detectados nesse processo.
60
Organização e Desafios da Gestão Escolar
61
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
Contextualização
Prezado aluno (a) da Pós-Graduação, 
Você percebeu que nos capítulos anteriores apresentamos alguns conceitos 
imprescindíveis na gestão democrática da educação, entre eles: a participação 
do coletivo no processo da educação escolar, autonomia, descentralização, 
e que certamente não esgotamos o assunto, mas nossa intenção é estimular 
você a buscar aprofundamento nesta temática, tendo como sugestão de leitura 
as referências bibliográficas disponibilizadas em cada um dos capítulos deste 
caderno.
A importância da gestão democrática na formação humana como cidadãos 
e cidadãs é o de provocar a sociedade para que reveja e reconstrua as suas 
concepções de mundo, de homem, de conhecimento. O exercício de participação 
na gestão de uma instituição pública de ensino possibilita que os direitos sejam 
exercidos, mas também faz-se necessário a conscientização de que temos deveres 
a cumprir enquanto sujeitos, como parte de uma comunidade. Trabalhamos com 
alguns dos preceitos legais que regem nosso país, mostrando que a cidadania 
está garantida na lei, mas sabemos que na realidade isso ainda não acontece. 
Essa construção conceitual é histórica e as mudanças só acontecerão a partir 
do ”chão das instituições públicas”, pois é aí, que as desigualdades são mais 
gritantes. 
Neste capítulo, abordaremos temáticas presentes no dia a dia das pessoas 
mais especificamentena vida das crianças e dos adolescentes, como as 
tecnologias da informação e da comunicação, a violência serão discutidas dentro 
da perspectiva do exercício da cidadania, no cotidiano escolar e que pretendem 
contribuir com a gestão escolar, que busca nos preceitos da democracia, a 
formação humana. 
As Tecnologias da Informação e 
da Comunicação (TICS –) na Gestão 
Escolar
A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, 
centrado na condição humana. Estamos na era planetária; uma 
aventura comum conduz os seres humanos, onde quer que se 
encontrem. Estes devem reconhecer-se em sua humanidade 
comum e ao mesmo tempo reconhecer a diversidade cultural 
inerente a tudo que é humano (MORIN, 2000, p. 47).
62
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Para falarmos sobre tecnologias e educação trazemos inicialmente a 
citação de Edgar Morin, que é um dos maiores expoentes da cultura francesa 
e considerado o pai da ‘Teoria da Complexidade’. Nos seus escritos, Morin, 
critica o reducionismo do conhecimento e defende a interligação de todos os 
saberes. Essas considerações presentes no dia a dia das unidades escolares 
muitas vezes são ignoradas ou deixadas à parte dos debates locais e das 
políticas públicas para a educação. Defendendo a incorporação dos problemas 
do cotidiano ao currículo escolar e a interligação dos saberes, faz uma critica 
veemente ao ensino fragmentado, individualizado e deslocado do contexto 
social.
Figura 8 - Edgar Morin
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/
search?q=FIGURA+EDGAR+MORIN>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Edgar Morin, sociólogo francês cujas ideias subsidiaram esse 
capítulo como veremos a seguir. Autor de mais de trinta livros, entre 
eles: 
Figura 9 – Os Sete Saberes Necessários 
À Educação Do Futuro
Fonte: Disponível em: 
<http://www.aquivoceenoticia.com/2011/07/
os-sete-saberes-necessarios-educacao-
do.html>. Acesso em: 20 jul. 2012. 
 
Esta obra sistematizou, a pedido da UNESCO, suas reflexões 
para servirem de ponto de partida para se repensar a educação do 
século XXI. 
http://www.google.com.br/search?q=FIGURA+EDGAR+MORIN%3e.%20Acesso
http://www.google.com.br/search?q=FIGURA+EDGAR+MORIN%3e.%20Acesso
http://www.aquivoceenoticia.com/2011/07/os-sete-saberes-necessarios-educacao-do.html
http://www.aquivoceenoticia.com/2011/07/os-sete-saberes-necessarios-educacao-do.html
http://www.aquivoceenoticia.com/2011/07/os-sete-saberes-necessarios-educacao-do.html
63
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
 Figura10 - A Religação dos Saberes 
Fonte: Disponível em: <http://200.135.4.10/cgi/
Demetrios.exe/busca_avancada?usa_
sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_
OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20
BY%20TITULO>. Acesso em: 20 jul. 2012.
Esta obra, Religação dos Saberes (2010), é 
a compilação dos textos das temáticas apresentadas nas Jornadas 
Temáticas, eventos idealizados e dirigidos por Morin. As Jornadas 
serviram de base para repensar o ensino na França.
 Figura 11 - A Cabeça Bem Feita
Fonte: Disponível em: <http://desenvolvimento
emquestao.blogspot.com.br/2010/05/cabeca-
bem-feita-repensar-reforma.html>. 
Acesso em: 20 jul. 2012. 
A exigência dos tempos que estamos vivendo, denominado a era 
planetária, segundo Morin (2000), exige mudanças de concepções 
e de desenvolvermos aptidões de contextualizar e de globalizar o 
conhecimento. Mas, como bem lembra Morin (2009, p. 14) “[...] o desafio 
da globalidade é também um desafio da complexidade”. A escola como 
espaço de aprendizagem, e parte deste contexto, necessita buscar 
novas formas de aquisição do conhecimento. Conhecimento este, 
que precisa ser entendido na sua dimensão multidimensional, global, 
complexa e que se inter-relaciona: relação todo/partes. Lembrando que 
os componentes que compõem um todo são: o econômico, o político, o 
sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico (MORIN, 2000; 2009). 
A escola precisa propiciar ferramentas para o jovem poder enfrentar os 
problemas do cotidiano, considerando-os como parte de um complexo mundo. 
Para isso é necessário
[...] pensar o problema do ensino, considerando, por um lado, 
os efeitos cada vez mais graves da compartimentalização dos 
saberes e da incapacidade de articulá-los, uns aos outros; por 
outro lado, considerando que a aptidão para contextualizar e 
integrar é uma qualidade fundamental da mente humana, que 
precisa ser desenvolvida e, não atrofiada (MORIN, 2009, p. 
16). 
A exigência dos 
tempos que 
estamos vivendo, 
denominado a era 
planetária, segundo 
Morin (2000), exige 
mudanças de 
concepções e de 
desenvolvermos 
aptidões de 
contextualizar e 
de globalizar o 
conhecimento.
http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO
http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO
http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO
http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO
http://200.135.4.10/cgi/Demetrios.exe/busca_avancada?usa_sql=SELECT%20*%20FROM%20BUSCA_OBRAS_BY_ID_AUTOR(7666)%20ORDER%20BY%20TITULO
http://desenvolvimentoemquestao.blogspot.com.br/2010/05/cabeca-bem-feita-repensar-reforma.html
http://desenvolvimentoemquestao.blogspot.com.br/2010/05/cabeca-bem-feita-repensar-reforma.html
http://desenvolvimentoemquestao.blogspot.com.br/2010/05/cabeca-bem-feita-repensar-reforma.html
64
Organização e Desafios da Gestão Escolar
E quanto mais desenvolvida essa capacidade de contextualizar e integrar 
as diversas disciplinas curriculares, maior a capacidade de resolver problemas 
de áreas específicas, utilizando a inteligência. E frisando que não nascemos 
inteligentes. Tornamo-nos inteligentes nas inter-relações que estabelecemos 
que nos são propiciadas no dia a dia, “pelo exercício da faculdade mais 
comum e mais ativa na infância e na adolescência, a curiosidade, que, muito 
frequentemente, é aniquilada pela instrução, quando ao contrário, trata-
se de estimulá-la ou despertá-la, se estiver adormecida” (MORIN, 2009, p. 
22). Para que isso aconteça, precisamos trabalhar com o erro. As TICs e, 
principalmente a informática, trazem essa possibilidade de trabalhar com o erro 
sem que o aluno principalmente o jovem, seja ridicularizado, desconsiderado 
e recriminado. 
Entrevista de Ladislau Dowbor. mai., 2004. Disponível em: 
<www.youtube.com/watch?v=szNSCklQnWY>. Acesso em: 30 jun. 
2012. 
Segundo Ladislau Dowbor, em entrevista concedida a TV em 
maio de 2004, o espaço do conhecimento está se ampliando, ou 
seja, precisamos cada vez mais de novos conhecimentos. Como 
diz o referido teórico “[...] a densidade do conhecimento em todas 
as nossas atividades está mudando” e é preciso que os educadores 
percebam que apenas mudar o currículo não é suficiente. É 
necessário revermos as nossas concepções sobre o processo de 
aprendizagem. A gestão da unidade escolar deve conduzir a escola 
para que esta seja a articuladora do processo educativo e não apenas 
“repetir a cada ano os mesmos conteúdos” (DOWBOR, 2004). 
Mesmo assim, encontramos escolas, cuja gestão, com concepções de ensino 
aprendizagem equivocadas, estão preocupadas em preparar os jovens para o 
mundo do trabalho, oferecendo um ensino acrítico, numa “concepção bancária”, 
segundo Paulo Freire (1996) e muito distante das exigências da sociedade do 
conhecimento e dos preceitos legais.
Encontramos 
escolas, cuja gestão, 
com concepções de 
ensino aprendizagem 
equivocadas, estão 
preocupadas em 
preparar os jovens 
para o mundo do 
trabalho, oferecendo 
um ensino acrítico, 
numa “concepção 
bancária”.
http://www.youtube.com/watch?v=szNSCklQnWY
65
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3Você já deve ter percebido que estamos questionando a cultura 
escolar, principalmente do ensino básico, que muitas vezes apenas 
considera os conteúdos definidos pelo professor/autoridade como 
único e o correto. Não estamos dizendo, que os conteúdos básicos 
para os alunos e adolescentes do ensino fundamental devam ser 
esquecidos. Eles são muito importantes para instrumentalizar os 
alunos na construção de novos conhecimentos. A forma como são 
ministrados, desvinculados da realidade das crianças e dos jovens é 
que necessita ser discutida. 
As necessidades trazidas por essa demanda social levam para o espaço 
escolar, conflitos, dúvidas e equívocos, em relação à formação humana do 
coletivo, fazendo-se imperativo a atuação da gestão escolar, na organização da 
instituição, numa perspectiva de educação democrática. 
Figura12 – Paulo Freire
Fonte: Disponível em: <http://anapaula.pbworks.com/w/page/11605792/
SEMIN%C3%81RIO%20PAULO%20FREIRE>. Acesso em: 30 jun. 2012.
Quando isso acontece, quase sempre deparamo-nos com jovens 
despreparados tanto para atuarem, no mercado de trabalho, frente às exigências 
postas, ou como cidadãos na sua comunidade. Esta forma mecanicista de 
educação, seguindo o modelo tradicional de ensino, opõe-se as determinações 
da LDB nº 9394/96, que estabelece no art. 1º Inciso 2º: que a educação escolar 
deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social e não dando condições 
aos jovens de apropriarem-se do saber.
http://anapaula.pbworks.com/w/page/11605792/SEMIN%C3%81RIO%20PAULO%20FREIRE
http://anapaula.pbworks.com/w/page/11605792/SEMIN%C3%81RIO%20PAULO%20FREIRE
66
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Entendermos que o acesso às informações e a possibilidade da aquisição 
de novos conhecimentos são imprescindíveis para a uma escola democrática. 
O desenvolvimento crítico e criativo numa perspectiva de formação humana, 
nas instituições públicas de ensino, somente vai ocorrer quando através da 
gestão escolar, entendida como processo histórico, administrativo, financeiro 
e político, buscar a participação e envolvimento de toda a comunidade escolar 
(equipe gestora, professores, funcionários, pais, alunos e comunidade local), 
através dos Conselhos Escolares, Associação de Pais e Mestres, e outras 
formas de organização institucional. Além da consonância com a legislação 
vigente e o suporte técnico e financeiro da entidade mantenedora (município, 
estado) a escola poderá implementar novas possibilidades que irão auxiliar 
o processo de ensino e aprendizagem, entre elas a utilização das TICs - 
novas tecnologias da informação e comunicação para seus alunos e para sua 
comunidade.
Figura 13 - Escola Democrática
Fonte: Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seb/img/
conselhos/cabecalho.jp>. Acesso em: 20 jun. 2012.
A utilização das TICs, na educação são ferramentas imprescindíveis do 
processo pedagógico. Mas, esse acesso as tecnologias, só é válido quando for 
meio e resultado das aprendizagens significativas para todos. O Ministério da 
Educação (MEC), no Guia de Tecnologias Educacionais 2011/2012 reforça este 
pensar quando diz que:
Embora se considere importante o uso de uma tecnologia, vale 
lembrar que esse uso se torna desprovido de sentido se não 
estiver aliado a uma perspectiva educacional comprometida 
com o desenvolvimento humano, com a formação de cidadãos, 
com a gestão democrática, com o respeito à profissão do 
professor e com a qualidade social da educação (BRASIL, 
2011, p. 15).
67
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
Não se questiona mais a incorporação nos espaços escolares, 
dessa importante ferramenta, como aconteceu no início dos anos 1980. 
Contudo, ainda neste início do século XXI permanecem as dúvidas em 
relação ao desenvolvimento deste processo e muitos equívocos quanto 
à utilização deste suporte pedagógico. Assim, a metodologia tem de ser 
a questão central em todo este processo. Esse alerta é dado pelo MEC 
que assim se manifesta: 
Sabe-se que o emprego deste ou daquele recurso tecnológico 
de forma isolada não é garantia de melhoria da qualidade da 
educação. A conjunção de diversos fatores e a inserção da 
tecnologia no processo pedagógico da escola e do sistema 
é que favorecem um processo de ensino-aprendizagem de 
qualidade (BRASIL, 2009, p. 17).
Para garantir os preceitos legais, os governos, têm investido 
em programas como: Transporte Escolar, Gestão Escolar, Mais 
Educação, Escola Aberta, Saúde Escolar, Programa Nacional de 
Fortalecimento dos Conselhos Escolares, Programa Nacional de 
Capacitação dos Conselheiros Municipais de Educação, PROINFO 
entre outros programas oferecidos pelo Governo Federal, como 
vimos no capítulo anterior.
A utilização das novas tecnologias de informação e comunicação 
ainda é uma realidade do cotidiano de uma parte da população brasileira. 
Dentro da proposta de garantia de igualdade de condições, o MEC 
vem possibilitando a todas as unidades escolares públicas, meios para 
a democratização da educação na busca de um ensino de qualidade. 
O acesso a esta ferramenta pedagógica - TICs, enquanto política 
pública, considera-se o pacto federativo, com o princípio da divisão de 
responsabilidades dos governos federais, estaduais e municipais na 
educação escolar. 
O processo pedagógico, com a integração das TICs, que é 
possibilitado desde a educação infantil e ao longo da vida escolar, 
suscita questões importantes deste movimento como: 
a) Necessidade de termos conhecimento sobre tecnologias e o conhecimento de 
tecnologias “(ou seja, com e por meio de)” (PRATA, 2005, p. 14).
É necessário o professore saber usar as ferramentas das novas tecnologias. 
Não se 
questiona mais a 
incorporação nos 
espaços escolares, 
dessa importante 
ferramenta, como 
aconteceu no início 
dos anos 1980.
Dentro da proposta 
de garantia de 
igualdade de 
condições, o MEC 
vem possibilitando 
a todas as unidades 
escolares públicas, 
meios para a 
democratização da 
educação na busca 
de um ensino de 
qualidade.
68
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Isso é possível através de formação continuada. É questão técnica. Mas como 
educador o tecnicamente não basta. A metodologia de utilização das TICsé a 
discussão maior hoje. Estamos passando no Brasil num momento de definições 
metodológicas. Esse é um dos grandes desafios para a educação nacional, no que 
se refere ao uso das TICs: a metodologia tem que ser o centro das discussões. 
Procure no endereço eletrônico abaixo e assista ao vídeo: 
NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO. Disponível em:<www.
youtube.com/watch?v=-FoX50_ZORQ>. Acesso em: 20 jun. 2012. 
Atividade de Estudos: 
1) A partir da sua vivência reflita sobre a necessidade do 
conhecimento e o conhecimento das novas tecnologias. Qual 
foi a sua maior dificuldade em relação a utilização das TICs na 
educação? Como você superou esse impasse? 
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http://www.youtube.com/watch?v=-FoX50_ZORQ
http://www.youtube.com/watch?v=-FoX50_ZORQ
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GestãoInovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
b) A organização da gestão das TICs no espaço escolar tem que ser 
numa perspectiva democrática.
Já sinalizamos nos capítulos iniciais a importância da gestão 
escolar democrática no processo educativo. As instituições de ensino 
têm de ser encaradas como uma comunidade educativa, permitindo a 
participação do coletivo escolar em torno do projeto comum da Unidade 
– Projeto Político Pedagógico e a organização metodológica (uso, 
disponibilização, espaço e tempo) das TICs nas instituições escolares é, 
sem dúvida, parte deste processo educativo.
Se a organização, a gestão do espaço e tempo escolar é um 
fator preponderante na democratização das instituições públicas, 
especificamente em relação as TICs, sabemos que muitas escolas já 
vem realizado este trabalho. Muitas unidades escolares têm socializado seus 
espaços e organizado os mesmos, conforme sua realidade e necessidade. Como 
por exemplo, para que a sala de informática/multimídia possa ser utilizada tanto 
pelos alunos e professores como pela comunidade, é organizado rodízio entre 
as salas, entre as disciplinas, enfim há um planejamento para o uso da sala 
de informática/multimídia. Este planejamento deve estar definido no Projeto 
Político Pedagógico, e por isso, considerado como uma ação democrática de 
conhecimento da comunidade escolar.
Além disso, a questão metodológica em relação as TICs, como já citamos 
anteriormente, ainda é um entrave na gestão escolar democrática, pois como 
diz Nogueira (2010) muitas vezes, os professores fazem “o velho com o novo”. 
O educador no vídeo ainda exemplifica como é comum isso ocorrer. Imaginem 
uma sala informatizada, onde cada aluno tem o seu computador para utilizar e 
o professor tem um laptop na sua mesa acoplado a um projetor multimídia. Ele 
aperta um botão e o projetor multimídia desce e na tela projetada aparece a 
tabuada. O exemplo demonstra a utilização de toda uma tecnologia para uma 
velha metodologia que não necessita dessas ferramentas. Ou ainda, os alunos 
irem para a sala informatizada e copiarem texto, ou elaborarem um texto 
como poderiam fazer usando o caderno. As TICs possibilitam a criatividade, 
desenvolvem o raciocínio, o pensamento e a pesquisa. Mas isso depende do 
planejamento do professor e de possibilitar a autoria aos alunos utilizando as 
ferramentas disponíveis na sua linguagem usual.
As instituições de 
ensino têm de ser 
encaradas como 
uma comunidade 
educativa, 
permitindo a 
participação do 
coletivo escolar 
em torno do 
projeto comum da 
Unidade – Projeto 
Político Pedagógico 
e a organização 
metodológica.
70
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Figura14 - Sala de informática
Fonte: Disponível em:<http://portal sme.prefeitura.sp.gov.br>. Acesso 30 jul. 2012.
c) A necessidade de mudanças e de se rever as concepções de 
ensino e aprendizagem.
Moran (2004, p. 29) sintetiza este ponto quando defende 
“Ensinar e aprender exigem hoje muito mais flexibilidade espaço-
temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos mais 
abertos de pesquisa e de comunicação”. Segundo o autor, uma das maiores 
dificuldades atualmente, com o uso das tecnologias, especificamente o 
computador e a Internet, é a de filtrar as informações, obtidas nas mais diversas 
fontes de acesso. Para um maior entendimento e compreensão, do aluno, num 
processo que permite escolhas o “papel do professor – o principal papel – é 
ajudar o aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los” 
(MORAN, 2004, p. 30).
Precisamos de escolas que possibilitem que auxiliem seus alunos a filtrarem 
e selecionarem as informações obtidas através dos meios de comunicação; a 
organizarem a memória do que aprenderam; a aprenderem como se organizam 
arquivos e como se organizam as pesquisa para obter as informações necessárias 
e significativas. 
Assim, conforme Wittmann (2000, p. 90) “As novas descobertas sobre 
o aprender e a evolução teórico-prática da educação e de sua administração 
constituem fundantes histórico educativos da autonomia da escola e da 
democratização de sua gestão”.
A necessidade de 
mudanças e de se 
rever as concepções 
de ensino e 
aprendizagem.
71
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
d) a urgência de entender-se o contexto escolar público numa macro 
abrangência sócio política e econômica (NÓVOA, 1999, ). 
Considerando a educação como uma prática social, a sua ação 
está interligada a outras áreas como: economia, política, financeiro, 
histórico, sócio antropológico, sendo influenciada e influenciando a 
realidade historicamente construída pela humanidade. 
Dowbor, (2011) instiga e acrescenta nosso pensamento quando diz: 
Nesta rearticulação da sociedade, hoje urbanizada 
e coexistindo em “vizinhanças”, e frente ao novo 
papel do conhecimento no nosso cotidiano, as 
estruturas de ensino poderiam evoluir, por exemplo, 
para um papel muito mais organizador de espaços culturais 
e científicos do que propriamente de “lecionador” no sentido 
tradicional. De toda forma o espaço urbano abre possibilidades 
para a organização de redes culturais interativas que colocam 
novos desafios ao próprio conceito de educação (DOWBOR, 
2011, p. 15).
É importante ressaltar que já encontramos no contexto escolar movimentos 
que têm possibilitado a participação da comunidade escolar, trocando 
experiências, ouvindo e acatando sugestões e buscando a interação com outros 
espaços, sejam eles virtuais ou geograficamente diferentes. Ao entender 
que o processo educativo vai além dos muros da escola, os educadores 
buscam interagir com o aluno permitindo que ele se manifeste de 
diferentes formas (música, teatro, vídeos, desenho, imagens, e outros) e 
se expresse na linguagem que lhe é mais aprazível.
O papel da escola é o de “ponte” entre os conhecimentos 
historicamente acumulado pela humanidade e que estão em constante 
movimento e transformação e os saberes da realidade do aluno, 
trabalhando na formação do humano (afetivo, moral, ético, histórico 
etc.).
Assim, a escola vai se afirmando como espaço sócio educativo de 
formação humana, considerando que
A inteligência não consiste num depósito a priorístico da 
verdade a ser explicitada. Nem consiste num depósito vazio 
no qual a ‘verdade’, ou as informações serão depositadas. 
A inteligência constitui-se um processo construtivo. Como 
processo construtivo ela é universal, presente em cada 
pessoa. Ela constitui uma base comum, uma vez que não é 
predeterminada, inatamente, nem depende do privilégio do 
acesso ao saber. Constitui-se, assim, o elemento fundante 
da democracia. Ela é a garantia universal do acesso ao saber 
(WITTMANN, 2000, p. 92).
Considerando a 
educação como 
uma prática social, 
a sua ação está 
interligada a outras 
áreas como: 
economia, política, 
financeiro, histórico, 
sócio antropológico, 
sendo influenciada 
e influenciando 
a realidade 
historicamente 
construída pela 
humanidade.
O papel da escola 
é o de “ponte” entre 
os conhecimentos 
historicamente 
acumulado pela 
humanidade e que 
estão em constante 
movimento e 
transformação 
e os saberes 
da realidade do 
aluno, trabalhando 
na formação do 
humano (afetivo, 
moral, ético, 
histórico etc.).
72
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Entender que a escola é parte de um contexto mais amplo que envolve 
ações e decisões econômicas, políticas, sociais, ética, morais etc “[...] enquanto 
totalidade da prática educativa, ela é a concretização da dinâmica integradora 
de todos os atos pedagógicos, desde a relação professor aluno até o clima ou 
cultura da escola.” (WITTMANN, 2000, p. 95). Envolve pais, comunidade, recebe 
influencias e contribui para a construção histórica da sociedade.
Pensar acontecimentos como fatos isolados, como a violência, especificamente 
no espaço escolar, não dá conta da amplitude da situação, na busca de soluçõespara a problemática como veremos a seguir, após a atividade proposta para você 
Pós- Graduando, refletir sobre a temática abordada.
Atividade de Estudos: 
1) Assinale a alternativa correta.
Conforme José Manuel Moran - Ensino e aprendizagem 
inovadora com tecnologias audiovisuais e telemáticas. In: Moran, 
José Manuel, MASETTO, Marcos Tarciso, BEHRENS, Marilda A. 
Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 8. ed. Campinas: 
Papirus, 2004.
“Ensinar e aprender exigem hoje muito mais flexibilidade espaço-
temporal, pessoal e de grupo, menos conteúdos fixos e processos 
mais abertos de pesquisa e de comunicação” (MORAN, 2004, p. 29).
De acordo com o autor, a escola atual, precisa:
( ) de um ensino rígido dentro dos parâmetros do ensino tradicional;
( ) de um ensino que favoreça a aptidão natural em formular e 
resolver problemas contextualizados;
( ) organizar o tempo respeitando as necessidades individuais e 
as do grupo;
( ) trabalhar os conteúdos dentro de uma nova metodologia, 
permitindo a manifestação individual.
73
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
Violência Escolar: Uma Construção 
Social e Histórica
Dia após dia nega-se às crianças o direito de serem 
crianças. Os fatos, que zombam desse direito, ostentam seus 
ensinamentos na vida cotidiana. O mundo trata os meninos 
ricos como se fossem dinheiro, para que se acostumem a 
atuar como o dinheiro atua. O mundo trata os meninos pobres 
como se fossem lixo, para que se transformem em lixo. E 
os do meio, os que não são ricos nem pobres, conserva-os 
atados à mesa do televisor, para que aceitem desde cedo, 
como destino, a vida prisioneira. Muita magia e muita sorte 
têm as crianças que conseguem ser crianças (GALEANO, 
1999, p.11).
Entendemos a violência como uma questão social, e não um fenômeno, 
advindo de uma ação individual, mas sim resultado de problemas mais amplos 
que afetam a sociedade. José Vicente Tavares dos Santos (2001) completa este 
pensar dizendo:
Como efeito dos processos de fragmentação social e de 
exclusão econômica e social, emergem as práticas de 
violência como norma social particular de amplos grupos da 
sociedade presentes em múltiplas dimensões da violência 
social e política contemporânea (SANTOS, 2001, p. 107).
Muitos estudos têm sido realizados sobre violência, registrados na literatura 
internacional e trabalhos que falam da realidade brasileira. Entre eles, os do 
Instituto Sangari, que vem realizando pesquisa sobre violência há mais de três 
décadas, sob a responsabilidade do sociólogo, Julio Jacobo Waiselfisz.
No relatório 2011, cuja temática é Jovens do Brasil, especificamente 
tratando da violência homicida, os dados servem, como um alerta e questionamos 
a partir dos mesmos: o que a sociedade (entenda-se: nós) contribuiu ou não para 
que isto continue a acontecer? Vejamos, na pesquisa realizada em 2008 cuja 
análise dos dados aponta fatos alarmantes: 
a) “A partir dos 13 anos, o número de vítimas de homicídio 
vai crescendo rapidamente, até atingir o pico de 2.304 na 
idade de 20 anos.
b) É na faixa “jovem”, dos 15 aos 24 anos, que os homicídios 
atingem sua máxima expressão, principalmente na faixa 
dos 20 aos 24 anos de idade, com taxas em torno de 63 
homicídios por 100 mil jovens. 
c) As taxas mais elevadas, acima de 60 homicídios em 100 
mil jovens, encontram-se dos 19 aos 23 anos de idade” 
(WAISELFISZ, 2011, p. 53).
74
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Mais adiante o relatório traz que
Muito preocupante, também, é a constatação de que esse 
índice de vitimização vem crescendo historicamente de 
forma lenta, mas gradual e sistemática. No início da década 
analisada, o Índice de Vitimização Juvenil era de 220 (duzentos 
e vinte) (2,2 homicídios de jovens por cada homicídio de não 
jovem). Em 2008, esse índice aumentou para 258 (duzentos e 
cinquenta e oito), o que representa um crescimento de 17,3% 
no índice, que inicialmente já era muito elevado (WAISELFISZ, 
2011, p. 72).
A violência, a partir de 2008, tem seu índice diminuindo, mas 
ainda é preocupante. Apesar das campanhas, estratégias e as 
políticas desencadeadas, há necessidade de “[...] aprofundar os 
caminhos percorridos e diagramar novas iniciativas de enfrentamento” 
(WAISELFISZ, 2011, p. 157). 
Atividade de Estudos: 
1) Prezado Pós- Graduando, mas, o que pode ser considerado 
‘violência’? Você deve ter usado este vocábulo muitas e muitas 
vezes. Você poderia definir o que é violência? 
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Iniciamos buscando a etimologia do termo e em seguida trazemos algumas 
definições procurando trabalhar a especificidade neste texto. Conforme Michaud 
(1989, p. 8), “Violência (grifo do autor) vem do latim violentia, que significa 
violência, caráter violento ou bravio, força. O verbo violare significa tratar com 
violência, profanar, transgredir. “[...] no âmago da noção de violência, a ideia de 
uma força, de uma potência natural cujo exercício contra alguma coisa ou contra 
alguém torna o caráter violento. [...] ela deixa marcas” (MICHAUD,1989, p. 8).
A violência, a partir 
de 2008, tem seu 
índice diminuindo, 
mas ainda é 
preocupante. Apesar 
das campanhas, 
estratégias e 
as políticas 
desencadeadas, 
há necessidade de 
“[...] aprofundar os 
caminhos percorridos 
e diagramar novas 
iniciativas de 
enfrentamento” 
(WAISELFISZ, 
2011, p. 157).
75
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
Definir e categorizar a palavra ‘violência’ é difícil, pois é um termo muito 
amplo. O autor citado anteriormente (MICHAUD, 1989, p. 10), se expressa bem 
quando diz: 
Há violência quando, em uma situação de interação, um ou 
vários atores agem de maneira direta ou indireta, maciça 
ou esparsa, causando danos a uma ou a mais pessoas em 
graus variáveis, seja em sua integridade física, seja em sua 
integridade moral, em suas posses, ou em suas participações 
simbólicas e culturais. 
A violência, portanto, não é caracterizada somente como agressão física 
como muitas vezes equivocadamente isto acontece, e nem está limitada 
a determinada faixa etária. Ou seja, a violência está presente em todas as 
idades e muito mais camuflada pelas normas culturais de cada região, nas 
primeiras idades até a adolescência. Para proteger especificamente crianças e 
adolescentes, foi instituído em 13 de julho de 1990 o Estatuto da Criança e do 
Adolescente.
Seguindo os preceitos da Constituição Federal (1988), foi 
promulgada a Lei 8069 - Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA 
que é um conjunto de normas que visam à proteção das crianças e 
adolescentes. A lei define como criança toda a pessoa que tenha 12 
(doze) anos incompletos e adolescentes dos 12 (doze) anos até 18 
(dezoito) anos. 
Para saber mais acesse: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/l8069.htm>. Acesso em: 30 jun. 2012.
Contudo, apesar de amparo legal, hoje ainda, a violência infanto-juvenil é 
uma realidade na nossa sociedade e os dados não são verídicos, pois muitas 
vezes os abusos não são denunciados, tanto pelo agredido como pelos familiares 
e comunidade por medo, vergonha ou por falta de conhecimento da lei e de seus 
trâmites legais.
Buscamos também, subsídios para tratar a temática do texto no recorte: 
escola, no trabalho socializado na literatura como “Violência na Escola: Um guia 
para pais e professores” (2006), resultado de pesquisa realizada pelo Núcleo de 
Estudos da Violência da Universidade deSão Paulo. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
76
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Este material, também está disponível em: <www.nevusp.org/
downloads /down235.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2012.
No texto de Viviane de Oliveira Cubas, “Violência nas escolas: como defini-
la” (RUOTTI, 2006), cita que: 
[...] violência nas escolas é uma tarefa que exige cuidado e 
precisão. Cuidado para não estigmatizar os atores envolvidos 
e atribuir uma dimensão exagerada aos casos do cotidiano e 
precisão para não ignorar as sutilezas que afetam de forma 
negativa a comunidade escolar (CUBAS, 2006, p. 23). 
Além da dificuldade de definir este fenômeno no espaço escolar, identificar o 
que seria um ato violento e como evitá-lo não é tarefa simples. 
A autora dentre outros teóricos de diferentes nacionalidades, traz com 
Bernad Charlot (A violência na escola: como sociólogos franceses abordam essa 
questão. Sociologias. Porto Alegre, ano 4, nº 8, jul/dez 2002), a contribuição dos 
estudos franceses. O autor considera essencial para se pensar estratégias de 
atendimento, determinar os tipos de violência escolar. Assim, divide a violência 
escolar em categorias, a saber:
a) quando a violência tem origem externa - um grupo invade a escola para brigar 
com alguém que está nos recintos dela; 
b) violência contra a instituição - depredação do prédio escolar;
c) violência contra os próprios alunos - relação entre docentes e alunos - desde 
agressão verbal até a avaliação institucional, que caracterizam preconceitos 
sem estarem ligados diretamente aos objetivos educacionais relacionados ao 
desempenho escolar.
Cubas (2006, p. 28) afirma, contudo, que
Apesar dos esforços em trabalhar esses conceitos, a tentativa 
de delimitar fronteiras às ações violentas que ocorrem no 
ambiente escolar não deve encobrir as especificidades do 
fenômeno, isso porque a violência não tem um significado 
único, mas varia de acordo com o contexto em que ocorre e 
conforme os atores envolvidos.
http://www.nevusp.org/downloads/down235.pdf
http://www.nevusp.org/downloads/down235.pdf
77
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
Outro cuidado, que devemos tomar é o de pensar a violência escolar, 
segundo a autora, é o de apresentar a escola como vítima ou a individualizar o ato 
de violência. Essa discussão, também é feita por Abramovay e Rua (2004), que 
nos alertam sobre essa questão, quando afirmam em seu texto, analisando os 
dados da pesquisa realizada: 
Em busca de pistas para políticas e programas contra 
violência nas escolas é importante cuidar das diferenças entre 
universos simbólicos que permite melhor compreensão de 
como se comportam os membros da comunidade escolar em 
face da violência. Como vem-se destacando, são comuns as 
discrepâncias entre o que registram os alunos e os membros 
do corpo técnico-pedagógico. Isto pode significar a presença 
de barreiras na comunicação, divergência de perspectivas 
e de concepções da realidade, possivelmente expressando 
conflitos entre tais sujeitos (ABRAMOVAY; RUA, 2004, p. 240).
José Vicente Tavares dos Santos (2001), também quando da análise dos 
dados de sua pesquisa – “A violência no espaço escolar, na cidade de Porto 
Alegre, entre 1996 e 2000”, vai além desse pensamento estabelecendo relação 
entre os acontecimentos de violência e as intrínsecas relações entre escola, 
família e comunidade. Diz que:
A compreensão das relações entre escola e as práticas da 
violência passa pela reconstrução da complexidade das 
relações sociais que estão presentes no espaço social da 
escola. [...] serão exatamente as combinações entre as 
relações de classe entre grupos culturais que permitirão uma 
abordagem explicativa da presença na instituição escolar, de 
práticas de violência (SANTOS, 2001, p. 107).
O movimento da rede de relações, da qual a instituição escolar faz parte, 
é explicitado, quando o aluno muitas vezes age de forma agressiva nos 
seus relacionamentos escolares, reproduzindo o comportamento visto pelos 
educadores, quando em contato com a sua família. Em relação a esta questão, 
Santos (2001) escreve que 
Desse modo, temos que entender a violência como relação 
de sociabilidade presente na escola, trazida ao espaço 
escolar por uma dupla fonte: ou como expressão de um 
autoritarismo pedagógico ou como transferência de uma 
norma social. A primeira afirmando uma fórmula repressiva 
de conduta professoral na sala de aula; a segunda marcada 
pela violência que rege as relações interpessoais em 
grupos sociais particulares, as quais se manifestam como 
normalidade no cotidiano dos alunos e de suas famílias e, por 
este entendimento, esta violência domestica se transfere para 
o espaço escolar (SANTOS, 2001, p. 115).
Ruotti (2006) nos seus escritos, também refletindo sobre violência escolar, 
aponta, segundo os dados da pesquisa realizada, conforme citado anteriormente, 
que: 
78
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Embora não possamos negar que haja certas manifestações 
de violência nas escolas, essas são, predominantemente, 
de natureza não criminosa. De fato, o que se percebe, em 
grande medida, são ocorrências mais sutis ou declaradas 
de intimidação, preconceitos, desrespeitos, que indicam 
problemas na própria dinâmica escolar e a ausência de 
atitudes que favoreçam resoluções negociadas dos conflitos. 
Nesse sentido, não só os profissionais de educação sentem-se 
vitimas da violência, mas também os próprios alunos que, não 
obstante, sofrem de agressões e desrespeito por parte dos 
próprios alunos ou mesmo dos demais membros escolares 
(RUOTTI, 2006, p. 155)
Na pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos da Violência da 
Universidade de São Paulo, nas escolas da Zona Leste e Sul da 
capital paulista de 2001 a 2002, os dados apontam que há muito 
mais violência no entorno da escola do que propriamente nos 
recintos escolares. O que nos leva a refletir sobre as afirmações que 
relacionam os ambientes sociais violentos e com taxas elevadas 
de criminalidade e os conflitos que ocorrem na escola, daquela 
comunidade (RUOTTI, 2006). 
 
Caro Pós-Graduando, 
As colocações a partir da análise de dados de pesquisas 
realizadas sobre a violência no Brasil e no mundo, mais 
especificamente no espaço educacional apontam para as diversas 
formas de expressão da agressão seja ela, física, psicológica ou 
moral de forma velada ou explícita.
Figura 14 - Bullying
Fonte: Disponível em:<http://hypescience.com/como-garantir-
que-seu-filho-nao-faca-bullying/>. Acesso em: 01 jul.2012.
As colocações a 
partir da análise de 
dados de pesquisas 
realizadas sobre a 
violência no Brasil 
e no mundo, mais 
especificamente no 
espaço educacional 
apontam para as 
diversas formas 
de expressão da 
agressão seja ela, 
física, psicológica 
ou moral de forma 
velada ou explícita.
http://hypescience.com/como-garantir-que-seu-filho-nao-faca-bullying/
http://hypescience.com/como-garantir-que-seu-filho-nao-faca-bullying/
79
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
Uma das temáticas mais discutidas, relacionadas da violência escolar 
é o bullying que pode ser definido como: “[...] um tipo de violência física e/ou 
psicológica, caracterizada pela repetição de atos e pelo desequilíbrio de poder 
entre agressor e vítima” (CUBAS, 2006, p. 175).
O Bullying é um fenômeno antigo, mas somente nos últimos anos tem-se 
dado relevância a esta forma de violência muito presente na nossa sociedade. 
Reconhecer as principais manifestações deste fenômeno é de suma importância 
para trabalharmos com os alunos e a comunidade na prevenção desta 
manifestação de violência. 
As diferentes formas de Bullying foram abordadas na palestra 
proferida por Liane Koffke, por ocasião do Seminário Regional de 
Formação Continuada de Professores e I Mostra de Experiências 
e Vivências Pedagógicas. AMOP/UNIOESTE (2010),como segue 
abaixo: 
Texto adaptado da Palestra Proferida por KOFFEK (2010)
Bullying
“[...] Existe uma enorme diferença entre: “rir com alguém” e 
“rir de alguém”. As principais formas de maus-tratos envolvendo o 
Bullying são: 
Físico (bater, chutar, beliscar, empurrar, socar). 
Verbal (apelidar, falar mal, zoar). Moral (difamar, caluniar, 
discriminar, espalhar boatos). Quando um adulto sofre assédio moral 
(Mobbing) ele recorre à Justiça. E as crianças e adolescentes? 
Alguém precisa ajudar orientar, mediar e encaminhar as providências. 
Sexual (abusar, assediar, insinuar). 
Psicológico (intimidar, ameaçar, perseguir). Material (furtar, 
roubar, destroçar pertences).
Virtual (zoar, discriminar, difamar, por meio da Internet e celular).
 O Cyberbullying é a utilização de ferramentas da Internet e 
outras tecnologias de informação e comunicação, móveis ou fixas, 
80
Organização e Desafios da Gestão Escolar
para praticar Bullying. E-mails, torpedos, blogs, fotoblogs, Orkut, 
Facebook, Twitter, Messenger e outros são montados para divulgar 
imagens e assediar.
O que fazer? 
A vítima de cyberbullying deve recolher as evidências da 
agressão, imprimindo as telas em que aparecem as ofensas. 
Com esse material em mãos, a vítima e os pais devem procurar 
uma delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência. A polícia 
encaminha esse documento para uma delegacia de crimes virtuais 
responsável por rastrear o IP (Internet Protocol) para chegar ao 
agressor. 
Tem o Mobile Bullying - com o celular fotografam, fazem 
montagens com piadinhas, gozações e comentários cruéis, torpedos. 
Existe o Happy Slapping - que é gravar nos celulares ataques 
ou humilhações para difundir na Internet.
Sexting - que é a união das palavras em inglês sex (sexo) e 
texting (envio de mensagens) e servem para textos e fotos sensuais 
(nus ou seminus) enviados por celular, e-mail, webcam, geralmente 
para paqueras, ficantes, namorados (as), maridos (esposas). A 
prática do Bullying se dá através de textos e mensagens sexuais 
ou eróticos com imagens pessoais utilizando-se de qualquer meio 
eletrônico” (KOFFEK, 2010). 
	
Para ilustrar as questões apresentadas neste texto e provocar reflexões 
sugerimos alguns filmes como: 
81
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
Ponte para Terabítia (2007)
 
 
Terabítia é um filme que trabalha a imaginação infantil. É um lugar 
criado pelas crianças. Jess (Josh Hutcherson) e Leslie (Anna 
Sophia Robb) para esquecerem os problemas que a realidade 
lhes impõe, como a falta de dinheiro em casa, as brigas do pai, a 
rejeição dos colegas de escola ao qual são expostos, assim como 
muitas outras crianças e jovens. 
 
O filme Tomboy ganha importância ao mostrar como nascem 
o preconceito e a intolerância.
Fonte: Disponível em:<http://www.cineclick.com.br/criticas>. 
Acesso em: 16 mai. 2012.
Direção: Gabor Csupo 
• Roteiro: Jeff Stockwell, David Paterson 
• Gênero: Aventura/Drama/Fantasia 
• Origem: Estados Unidos 
• Duração: 95 minutos 
• Tipo: Longa-metragem
Diretor: Céline Sciamma
• Roteiro: Céline Sciamma
• Gênero: Drama
• Origem: França
• Duração: 82 min.
• Tipo: Longa-metragem
• Ano: 2011
http://www.cineclick.com.br/criticas
http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=15000
http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=15001
http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=15002
http://www.cineplayers.com/top_genero.php?id=9
http://www.cineplayers.com/top_genero.php?id=4
http://www.cineplayers.com/top_genero.php?id=10
82
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) Preencha as lacunas com as palavras em destaque:
A violência, portanto, não é ___________________________ somente como 
agressão __________________________ como muitas vezes equivocadamente 
isto acontece, e nem está ___________________________ a determinada faixa 
___________________________. 
Escola na Busca da Prevenção da 
Violência Entre Crianças e Jovens
As discussões teóricas e o estado da arte sobre violência nas escolas têm 
se modificado historicamente e intensificado os estudos, contribuindo, segundo 
Cubas (RUOTTI, 2006); Abramovay (2004), Santos (2001), Routti (2006) e outros, 
para a concretização de ações, tanto pelo poder público, como pelas unidades de 
ensino.
Nessa proposta o objetivo é fortalecer as instituições, criando 
regras livremente consentidas e levando em conta os conflitos 
de forma a organizar meios para sua resolução: contra a 
palavra emparedada impõem-se restaurar a autoridade 
legítima do professor e a mediação da linguagem mediante 
uma enunciação legítima, na qual se afirma a pedagogia do 
desejo das forças da vida, percebendo-se a instituição escolar 
como uma rede de relações (SANTOS, 2001, p. 109). 
Contudo, sabemos que ações isoladas não dão conta da 
amplitude do problema da violência nas escolas se estas não 
estiverem relacionadas à implementação de políticas públicas nas 
três esferas do poder: federal, estadual e municipal dentro do regime 
de cooperação federativa. Muitas ações vêm sendo desenvolvidas 
nesta perspectiva e algumas indicadas abaixo.
Ações isoladas 
não dão conta 
da amplitude do 
problema da violência 
nas escolas se 
estas não estiverem 
relacionadas à 
implementação de 
políticas públicas 
nas três esferas 
do poder: federal, 
estadual e municipal 
dentro do regime 
de cooperação 
federativa.
83
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
1. Campanha de Prevenção à Violência Sexual contra Crianças e 
Adolescentes; <http://portal.mj.gov.br/sedh/spdca/>.
2. Projeto Escola que Protege.
 <http://portal.mec.gov>.
3) Bullying - Justiça nas Escolas (Cartilha sobre Bullying);
 <www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal/Cartilhas/bullying.pdf>.
4) Programa antibullying “Educar para a Paz” da Associação 
Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a 
Adolescência; <www.bullying.pro.br>.
5) Escola Segura; <http://www.soudapaz.org/Portals/0/Downloads/
Cartilha01ESCOLA_VsFINAL.pdf>.
6) Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as 
Mulheres; <www.bysms.saude.gov.br>.
7) Protocolo de atenção às pessoas em situação de violência sexual; 
http://portal.mj.gov.br/sedh/spdca/
http://portal.mec.gov
http://www.mp.sp.gov.br/portal/page/portal/Cartilhas/bullying.pdf
http://www.bullying.pro.br
http://www.soudapaz.org/Portals/0/Downloads/Cartilha01ESCOLA_VsFINAL.pdf
http://www.soudapaz.org/Portals/0/Downloads/Cartilha01ESCOLA_VsFINAL.pdf
http://www.bysms.saude.gov.br
84
Organização e Desafios da Gestão Escolar
<www.feim.org.ar/pdf/blog_violencia/protocolo_Florianopolis.pdf>.
8) Site do Observatório da Infância; <www.observatoriodainfancia.
com.br>.
Os diferentes programas desenvolvidos nas áreas: jurídica e 
da saúde também têm dado suporte teórico e têm contribuído,na 
prevenção da violência nas unidades de ensino. 
Somos responsáveis por nossas crianças e nossos jovens, como 
pais, educadores, cidadãos, conforme estabelece a Constituição 
Federal (1988) em seu art. 227, quando diz: 
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à 
criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito 
à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à 
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à 
liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de 
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, 
exploração, violência, crueldade e opressão. 
Também o Estatuto da Criança e do Adolescente determina no 
art. 18º – “É dever de todos, velar pela dignidade da criança e do 
adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, 
violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”.
A escola como espaço sócio educativo de formação humana 
(WITTMANN, 2000), para enfrentar os problemas de violência e transgressão, 
necessita repensar a organização do trabalho pedagógico por meio de sua 
gestão. Buscar a participação e envolvimento da comunidadeé imprescindível 
para se buscar soluções democráticas para os conflitos escolares.
Routti (2006) apresenta uma síntese de algumas iniciativas ou 
propostas desenvolvidas pelos governos ou instituições privadas na 
América Latina:
1. “desenvolvimento de atividades lúdicas, artísticas e esportivas 
(campeonatos, dramatizações, projetos de dança, música etc.), 
tendo como objetivo estimular o desenvolvimento pessoal, a 
construção das identidades e o favorecimento do trabalho em 
equipe;
É dever da família, 
da sociedade e do 
Estado assegurar 
à criança e ao 
adolescente, 
com absoluta 
prioridade, o direito 
à vida, à saúde, 
à alimentação, à 
educação, ao lazer, à 
profissionalização, à 
cultura, à dignidade, 
ao respeito, à 
liberdade e à 
convivência familiar 
e comunitária, além 
de colocá-los a 
salvo de toda forma 
de negligência, 
discriminação, 
exploração, violência, 
crueldade e 
opressão.
http://www.feim.org.ar/pdf/blog_violencia/protocolo_Florianopolis.pdf
http://www.observatoriodainfancia.com.br
http://www.observatoriodainfancia.com.br
85
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
2. promoção dos Grêmios Escolares, a fim de propiciar a participação 
ativa dos alunos nas atividades e decisões escolares;
3. alteração nos currículos de formação dos professores com 
a inserção de matérias específicas centradas no estudo da 
violência, consumo de drogas, gestação e maternidade precoces, 
fracasso escolar, promoção da reflexão ética, importância de 
construir uma cultura democrática, o respeito à legalidade e aos 
direitos humanos;
4. preparação dos professores, já em atividade, para trabalhar com 
os alunos valores de tolerância, respeito mútuo e convivência 
pacífica. Entretanto, Furlan e Reyes (2003) alertam que devido 
ao constante hiato que separa projeto e ação na atividade 
educativa é necessário que programas destinados à formação 
dos professores sejam acompanhados por esforços de todos 
os membros escolares, para que os conhecimentos adquiridos 
possam ser trabalhados de forma efetiva no cotidiano escolar;
5. elaboração de manuais destinados aos profissionais de educação 
para tratamento da violência na escola e de materiais didáticos 
a serem utilizados pelos professores com seus alunos no 
desenvolvimento de atividades destinadas à reflexão sobre os 
direitos e como eles se inscrevem na vida cotidiana;
6. programa de motivação pessoal e auto estima docente, tendo 
como objetivos: fortalecer os valores e elevar a auto estima dos 
professores por meio de estratégias e processos de vivência 
para o crescimento pessoal e social, reconhecer a existência de 
atos de violência para uma mudança de atitude na comunidade 
educativa, motivar os professores para a utilização de métodos 
alternativos de solução de conflito em sua prática cotidiana;
7. atividades de sensibilização das autoridades educativas sobre a 
temática;
8. difusão de atividades alternativas, como cursos, conferências, 
encontros etc., dirigidas à comunidade escolar e público em geral;
9. programas destinados à formação de policiais em direitos 
humanos, ética e cidadania;
86
Organização e Desafios da Gestão Escolar
10. instauração do processo de mediação escolar, que tem como 
objetivo geral promover valores chaves como cooperação, 
comunicação, respeito à diversidade, responsabilidade e 
participação;
11. desenvolvimento de comitês para convivência escolar democrática: 
“proposta pedagógica que promove a institucionalização de um 
espaço permanente de reflexão acerca da gestão, da resolução 
pacífica e dialogada de conflitos e a participação democrática. 
(...) Esses funcionam como um espaço de conversação e decisão 
sobre os aspectos da vida escolar relacionados com a convivência 
e participação. Os integrantes dos comitês devem representar as 
distintas visões dos atores acerca das normas disciplinares, dos 
procedimentos de gestão, dos mecanismos de consulta e decisão, 
assim como das formas de canalizar e resolver os conflitos. O 
ponto de partida é, certamente, a construção participativa de um 
diagnóstico, o que posteriormente deve ser difundido e aprendido 
pela comunidade. O diagnóstico permite identificar o problema 
que o comitê abordará e que, provavelmente, implica numa etapa 
de ‘adequação institucional’ para revisar os procedimentos para 
resolver as diferenças etc. Segue a implementação do plano, com 
coordenação e articulação do conjunto de atividades do comitê, 
incluindo ações e marcos de segmento e evolução” (NAVARRO, 
2003, p. 233)”
Fonte: Routti (2006, p. 219).
Atividade de Estudos: 
1) Dentre as diversas iniciativas desenvolvidas na América Latina 
pelos governos e instituições particulares escolha 3 (três ) e 
justifique por que as considerou importantes.
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
87
Gestão Inovadora da Escola com Tecnologias, 
Juventude e Violência Capítulo 3 
Algumas Considerações 
Neste capítulo, discutimos temáticas importantes, que fazem parte do 
cotidiano escolar, como as contribuições das novas tecnologias de informática 
e comunicação, utilizando-as, não como um fim em si mesma, mas como 
ferramentas que possibilitem trazer significação para os conteúdos escolares 
permitindo ao aluno expressar-se através de diferentes linguagens. 
Você deve ter percebido que há muito ainda para aprender e pesquisar 
sobre o processo educativo com a integração das Tecnologias de Informática e 
Comunicação, utilizadas como meio e resultados de aprendizagens significativas. 
Apontamos algumas possibilidades e os entraves deste entremeio do 
movimento social, que interliga a instituição de ensino à sociedade, numa rede de 
relações. 
Destacamos mais uma vez, a necessidade da participação do coletivo 
escolar no planejamento, nas tomadas de decisões e na avaliação do processo 
dos eventos conflituosos evitando os atos de violência dentro do espaço escolar 
e fora dele. Violência que está presente não só entre os jovens e adultos, mas 
em todas as idades. Algumas vezes a violência é explicita, mas quase sempre 
camuflada pela representação cultural das diferentes regiões do Brasil, assim 
como na naturalização dos acontecimentos dos episódios violentos na própria 
família. 
Atentamos para a necessidade de buscar soluções conciliatórias para os 
conflitos escolares, pois estes fazem parte do processo democrático. Contudo, 
os encaminhamentos dados aos conflitos é que podem ou não transformar-se em 
atos de violência. 
Na busca de como lidar com os conflitos nas instituições de ensino estaremos 
abordando no próximo capítulo, a construção das regras e normas escolares 
numa proposta de gestão democrática e parte do planejamento coletivo da 
unidade escolar.
Referências
ABROMOVAY, Miriam; RUA, Maria das Graças. Violência nas escolas. Brasília: 
88
Organização e Desafios da Gestão Escolar
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http://www.sangari.com/mapadaviolencia/pdf2011/MapaViolencia2011.pdf
90
Organização e Desafios da Gestão Escolar
CAPÍTULO 4
A Construção de Regras na Escola
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Definir a partir do Projeto Político Pedagógico as regras escolares;
� Articular a elaboração coletiva de forma democrática e participativa das regras 
da Escola.
92
Organização e Desafios da Gestão Escolar
93
A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 
Contextualização 
Caro (a) aluno (a) neste capítulo, vamos trazer algumas questões referentes 
à construção das regras escolares, como uma proposta da gestão democrática 
que vem sendo discutida desde os capítulos anteriores. A LDB nº 9394/96 ao 
determinar o Projeto Político Pedagógico das unidades escolares, parte integrante 
da gestão democrática, não dispensou a necessidade de definir as regras a serem 
seguidas, para que esse processo se efetive. 
Vamos também relembrar e rever neste texto, algumas questões referentes 
ao Projeto Político Pedagógico da unidade escolar apontando para a necessidade 
da construção no seu coletivo das regras escolares, numa possibilidade de 
prevenção dos eventos conflituosos, próprios de espaços sociais democráticos. 
Discutimos essa temática com a contribuição de autores entre eles: Becchi, 
Bondiolo, Ferrari (2004), Nóvoa (1999), Paro (2008), Veiga (2003), Wittmann 
(2006) numa perspectiva de formação humana da comunidade escolar e não 
apenas como um instrumento de roupagem nova a serviço da manutenção do 
instituído no sistema escolar.
Como você pode perceber, não vamos elaborar uma ‘receita’ de regras e 
normas escolares, mas sim como estas podem ser elaboradas trazendo elementos 
constitutivos de uma concepção de construção coletiva.
O Projeto Político Pedagógico e a 
Construção Coletiva das Regras 
Escolares
Abrimos esse texto, com a contribuição de alguns teóricos, conceituando 
o Projeto Político Pedagógico, na concepção da gestão democrática. O PPP 
construído com os atores que fazem parte da instituição escolar possibilita 
a formação não apenas dos alunos, mas de todos que fazem parte dessa 
comunidade escolar. Assim, 
[...] por projeto pedagógico de um contexto educativo 
entendemos um plano que, depois de ter indicado de maneira 
específica as metas formadoras que se quer alcançar - 
capacidade, competências, comportamentos e aprendizagens 
específicas que se deseja que os destinatários da proposta 
de formação tenham ao final do percurso suposto - declare 
através de que meios (experiências, atividades, estratégias) 
e recursos é possível realizar tais metas e especifique as 
modalidades de avaliação dos êxitos (BECCHI; BONDIOLO; 
FERRARI, 2004. p. 213).
94
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Completando o pensamento das autoras italianas e retificando a 
nossa concepção, Veiga (2003) nos diz: 
[...] o projeto é um meio de engajamento coletivo para 
integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar 
soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho 
pedagógico-administrativo, desenvolver o sentimento de 
pertença, mobilizar os protagonistas para a explicitação 
de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem 
desencadeadas, fortalecer a construção de uma coerência 
comum, mas indispensável, para que a ação coletiva produza 
seus efeitos (VEIGA, 2003, p. 275). 
Ou seja, o Projeto Político Pedagógico deve ser organizado no 
coletivo, numa proposta de construção de um trabalho educativo, em 
que as pessoas são levadas a pensarem e produzirem novas formas 
de entendimento e ação. Onde o aluno, centro desse processo, a partir 
da reflexão, de visibilidade de novo pensar, produza conhecimentos. 
Essa concepção vai além do simples domínio de informações 
ou conhecimentos acumulados pela humanidade, repassados e 
acessíveis em textos escritos, em museus e na Internet. Nessa 
perspectiva inovadora, as atividades e estratégias devem possibilitar 
as pessoas, a saberem identificar o que realmente é relevante dentro 
do montante de informações recebidas constantemente. Além disso, 
aprender a pensar, contribui na resolução de problemas do cotidiano, 
na escolha criteriosa e numa tomada de posicionamento frente a 
situações críticas.
Atividade de Estudos: 
1) Assinale as alternativas verdadeiras com (V) e as falsascom (F).
( ) A instituição escolar como espaço social é um lugar de 
contradições e conflitos.
( ) O Projeto Político Pedagógico é uma ação consciente e 
organizada.
( ) Ao organizar os espaços de discussão, a escola vai burocratizar 
excessivamente a participação da comunidade escolar, 
estabelecendo regrar rígidas. 
( ) A fragmentação e o trabalho pedagógico é o resultado das 
decisões coletivas na unidade escolar.
( ) O gestor, ao partir do diagnóstico escolar, com embasamento 
teórico socializado entre os demais membros da comunidade vai 
definir junto ao coletivo uma política interna de enfrentamento 
dos conflitos evitando a violência escolar.
[...] o projeto é um 
meio de engajamento 
coletivo para integrar 
ações dispersas, 
criar sinergias no 
sentido de buscar 
soluções alternativas 
para diferentes 
momentos do 
trabalho pedagógico-
administrativo, 
desenvolver o 
sentimento de 
pertença, mobilizar 
os protagonistas 
para a explicitação 
de objetivos comuns 
definindo o norte 
das ações a serem 
desencadeadas, 
fortalecer a 
construção de uma 
coerência comum, 
mas indispensável, 
para que a ação 
coletiva produza seus 
efeitos (VEIGA, 2003, 
p. 275).
95
A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 
Contudo, o alerta de Veiga (2003), é pertinente, pois nos diz que a 
concepção de inovação do Projeto Político Pedagógico escolar não pode 
ser [...] uma simples rearticulação do sistema, visando à introdução a 
crítica do novo no velho (VEIGA, 2003, p. 270). Pensar o Projeto Político 
Pedagógico numa ótica de construção é buscar, a partir da análise do 
contexto da instituição escolar, as inter-relações com a realidade social 
mais ampla.
Este ponto é de vital importância para se avançar 
na construção de um projeto político-pedagógico 
que supere a reprodução a crítica, a rotina, a 
racionalidade técnica, que considera a prática um 
campo de aplicação empirista, centrada nos meios.
Organizar as atividades-fim e meio da instituição educativa, por 
meio do projeto político-pedagógico sob a ótica da inovação 
emancipatória e edificante, traz consigo a possibilidade 
de alunos, professores, servidores técnico-administrativos 
unirem-se e separarem-se de acordo com as necessidades do 
processo (VEIGA, 2003, p. 275).
A autora ainda nos diz que: 
[...] o projeto é um meio de engajamento coletivo para 
integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar 
soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho 
pedagógico-administrativo, desenvolver o sentimento de 
pertença, mobilizar os protagonistas para a explicitação 
de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem 
desencadeadas, fortalecer a construção de uma coerência 
comum, mas indispensável, para que a ação coletiva produza 
seus efeitos (VEIGA, 2003, p. 275).
Ilma Passos Alencastro Veiga (2003, p.276) em seu texto 
“Inovações e Projeto Político-Pedagógico: uma relação regulatória 
ou emancipatória?”, nos traz, algumas questões, que vemos ditas 
em tantos escritos, mas que ainda nem todos consideram relevantes 
quando se pensa num Projeto Político Pedagógico, que são: 
a) É um movimento de luta em prol da democratização da 
escola que não esconde as dificuldades e os pessimismos 
da realidade educacional, mas não se deixa levar por esta, 
procurando enfrentar o futuro com esperança em busca de 
novas possibilidades e novos compromissos. É um movimento 
constante para orientar a reflexão e ação da escola.
b) Está voltado para a inclusão a fim de atender a diversidade de 
alunos, sejam quais forem sua procedência social, necessidades 
Pensar o Projeto 
Político Pedagógico 
numa ótica de 
construção é 
buscar, a partir da 
análise do contexto 
da instituição 
escolar, as inter-
relações com a 
realidade social 
mais ampla.
96
Organização e Desafios da Gestão Escolar
e expectativas educacionais (CARBONELL, 2002); projeta-se 
em uma utopia cheia de incertezas ao comprometer-se com os 
desafios do tratamento das desigualdades educacionais e do 
êxito e fracasso escolar.
c) Por ser coletivo e integrador, o projeto, quando elaborado, 
executado e avaliado, requer o desenvolvimento de um clima de 
confiança que favoreça o diálogo, a cooperação, a negociação e 
o direito das pessoas de intervirem na tomada de decisões que 
afetam a vida da instituição educativa e de comprometerem-se 
com a ação. O projeto não é apenas perpassado por sentimentos, 
emoções e valores. Um processo de construção coletiva fundada 
no princípio da gestão democrática reúne diferentes vozes, dando 
margem para a construção da hegemonia da vontade comum. A 
gestão democrática nada tem a ver com a proposta burocrática, 
fragmentada e excludente; ao contrário, a construção coletiva 
do projeto político-pedagógico inovador procura ultrapassar as 
práticas sociais alicerçadas na exclusão, na discriminação, que 
inviabilizam a construção histórico-social dos sujeitos.
d) Há um vínculo muito estreito entre autonomia e projeto político- 
pedagógico. A autonomia possui o sentido sociopolítico e está 
voltada para o delineamento da identidade institucional. A 
identidade representa a substância de uma nova organização 
do trabalho pedagógico. A autonomia anula a dependência e 
assegura a definição de critérios para a vida escolar e acadêmica. 
Autonomia e gestão democrática fazem parte da especificidade 
do processo pedagógico. 
e) A legitimidade de um projeto político-pedagógico está 
estreitamente ligada ao grau e ao tipo de participação de todos os 
envolvidos com o processo educativo, o que requer continuidade 
de ações.
f) Configura unicidade e coerência ao processo educativo, deixa 
claro que a preocupação com o trabalho pedagógico enfatiza 
não só a especificidade metodológica e técnica, mas volta-se 
também para as questões mais amplas, ou seja, a das relações 
da instituição educativa com o contexto social.
97
A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 
O Projeto Político Pedagógico nessa perspectiva organiza na 
unidade escolar, as ações de natureza administrativa, financeira e 
pedagógica, embasado nas diferenças de valores, crenças, concepções 
do coletivo que o constituiu e no diálogo permanente entre seus 
membros. 
Figura 15 - Construção Coletiva do Projeto Político Pedagógico
Fonte: Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seb/img/
conselhos/cabecalho.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Atividade de Estudos: 
1) Assinale com V para verdadeira e F para falso as afirmações 
abaixo:
( ) Participam da elaboração do Projeto Político Pedagógico 
apenas: direção, equipe gestora e professores.
( ) O Regimento Escolar, documento da unidade escolar, 
materializa o Projeto Político Pedagógico.
( ) A participação da comunidade escolar não é necessária na 
elaboração das regras da unidade de ensino.
( ) A elaboração do Projeto Político Pedagógico, sua organização, 
implantação, encaminhamentos e avaliação, nem sempre são 
consensuais ou sem embates.
( ) Os alunos e seus pais, não têm capacidade de participarem 
junto com os docentes do processo de construção do Regimento 
Interno da instituição de ensino.
O Projeto Político 
Pedagógico 
nessa perspectiva 
organiza na 
unidade escolar, as 
ações de natureza 
administrativa, 
financeira e 
pedagógica, 
embasado nas 
diferenças de 
valores, crenças, 
concepções do 
coletivo que o 
constituiu e no 
diálogo permanente 
entre seus 
membros.
http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg
http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg
98
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Conforme Wittmann (2006), se
A instituição escolar é o espaço privilegiado de formação 
humana, portanto ela é o lugar de elaboração, execução e 
avaliação de uma proposta educativa. Esta proposta educativa 
deve ser historicamente relevante (um Projeto Político) 
e pedagogicamente integrada (um Projeto Pedagógico). 
Portanto, a proposta educativa é um Projeto Político-
Pedagógico (WITTMANN, 2006,153).
Ainda o autor nos diz que o Projeto Político Pedagógico, numa 
gestão democrática é a “[...] garantia da relevância social e histórica 
de tudo o que se faz na escola, garantindo uma formação humana 
criticamente inserida em seu contexto”. (WITTMANN, 2006, p. 154). 
E, que
para ser historicamente relevante o Projeto da escola precisa 
ser político, isto é, deve garantir o sentido sócio-histórico da 
aprendizagem. O que se faz na escola deve ser significativo 
para o tempo e lugar, para o futuro e para a história dos 
estudantes e do seu entorno (WITTMANN, 2006, p.153).
Entendemos que a elaboração do Projeto Político Pedagógico, 
sua organização, implantação, encaminhamentos e avaliação 
requerem espaços de discussão, nem sempre consensuais ou sem 
embates, mas que implicam no exercício da prática da gestão escolar 
democrática. 
Essa concepção de gestão escolar leva a reorganização das instituições 
públicas de educação propiciando espaços de participação e propondo ações 
que levem ao comprometimento e responsabilidade de todos os envolvidos no 
processo educativo das unidades de ensino. 
A participação dos pais e da comunidade na vida institucional 
escolar, segundo Nóvoa (1999), encontra todo um respaldo 
na legitimidade numa dimensão sociopolítica, sendo que 
a atividade dos profissionais da educação deve basear-se 
na legitimidade numa dimensão técnica e científica. Não é 
possível, hoje, pensar o espaço educativo institucional sem 
a participação dos pais e da comunidade, mas também é 
imprescindível o compromisso e a atuação pedagógica, 
que é competência dos profissionais da educação sob a 
coordenação do administrador escolar (SILVA, 2009, p.69).
Assim, o processo de construção do PPP é dinâmico, exigindo 
envolvimento dos participantes e aprendizagem dos atores que 
fazem parte deste movimento, para o sucesso da gestão da unidade 
de ensino.
No texto ‘Para uma análise das instituições escolares’, António Nóvoa (1999), 
nos diz que: 
A elaboração do 
Projeto Político 
Pedagógico, sua 
organização, 
implantação, 
encaminhamentos 
e avaliação 
requerem espaços 
de discussão, nem 
sempre consensuais 
ou sem embates, 
mas que implicam no 
exercício da prática 
da gestão escolar 
democrática.
O processo de 
construção do PPP é 
dinâmico.
99
A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 
[...] um dos aspectos mais importantes do esforço de criação 
de escolas eficazes é a co-responsabilização dos diferentes 
actores educativos (professores, alunos, pais, comunidades), 
incentivando os espaços de participação e os dispositivos de 
partenariado ao nível local (NÓVOA, 1999, p. 24).
O partenariado socio-educativo emerge na complexidade 
da organização social, no desenvolvimento de valores como a 
participação em diferentes níveis - e também na educação, a 
descentralização enquanto transferência de competências e de 
poderes para níveis mais próximos do local e do regional. 
É uma modalidade de colaboração estruturada entre o sistema 
educativo e o sistema econômico e social, em que, nos projetos 
educativos se pressupõe uma interação entre o sistema educativo e 
o sistema econômico e social 
Fonte: Disponível em: <http://area.dgidc.min-edu.pt/
inovbasic/biblioteca/>. Acesso em: 10 mai. 2012. 
Para que a organização de uma unidade escolar funcione, segundo Nóvoa 
(1999, p. 25), é necessário que exista entre a estrutura formal e as interações 
estabelecidas no seu contexto, uma relação de compromisso e interesses comuns. 
A estrutura formal, segundo os estudos referentes à organicidade das 
instituições escolares (NOVOA, 1999; LIBÂNEO, 2004; PARO, 2008; 2003; LIMA; 
LÜCK, 2000) estão intrinsecamente ligados e dizem respeito à: 
a) estrutura física - (recursos materiais; número de turmas; organização dos 
espaços e tempos pedagógicos etc); 
b) estrutura administrativa - (gestão; interação; controle; relação com as 
autoridades do sistema de ensino vigente e com a comunidade; cumprimento 
da legislação; tomada de decisão etc);
c) estrutura social – (inter-relações entre os pares; pais; alunos e comunidade; 
cultura organizacional etc).
http://area.dgidc.min-edu.pt/inovbasic/biblioteca/
http://area.dgidc.min-edu.pt/inovbasic/biblioteca/
100
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) São três as estruturas referentes à organização das instituições 
escolares. A respeito disto, relacione as colunas:
 a) estrutura física
 b) estrutura administrativa 
 c) estrutura social 
 ( ) cultura organizacional;
 ( ) gestão; 
 ( ) relação com as autoridades do sistema de ensino vigente e 
com a comunidade; 
( ) inter-relações entre os pares;
( ) tomada de decisão;
( ) organização dos espaços e tempos pedagógicos; 
( ) pais, alunos e comunidade;
A cultura organizacional escolar diz respeito comportamentos 
e normas sociais realizadas e também às práticas pedagógicas dos 
conteúdos.
O Projeto Político Pedagógico, “[...] como ação consciente e 
organizada”. (VEIGA, 2003, p. 279) da unidade escolar, tendo como 
objetivo, a qualidade social para todos, deve atender aos aspectos 
legais e as necessidades da sua comunidade. Assim, primeiramente, 
deverá ser considerado na elaboração do PPP os dois níveis 
institucionais que constituem a instituição de ensino: 
a) a unidade escolar como um todo e a relação com o seu entorno sócia
b) o espaço relacional da sala de aula, incluindo a prática pedagógica do professor.
Com este entendimento da instituição escolar, numa visão macro, mas 
ao mesmo tempo percebendo as partes que compõem o todo, o gestor, como 
líder, vai a partir do diagnóstico escolar, com embasamento teórico socializado, 
pertinente à perspectiva assumida de gestão escolar propor os seguintes 
Qualidade social para 
todos, deve atender 
aos aspectos legais e 
as necessidades da 
sua comunidade.
101
A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 
encaminhamentos: 
a) analisar os conflitos apontados no diagnóstico, possibilitando espaços para 
os debates, propondo, acatando ou rejeitando sugestões para gestão dos 
mesmos;
b) neutralizar as ações autoritárias e corporativistas possibilitando a participação 
de todos. Se estão definidas e registradas as atitudes a serem tomadas, 
quando dos eventos de conflito, deverão estar de acordo com o documento 
elaborado coletivamente e de conhecimento de todos; 
c) sistematizar espaços de discussão o que não equivale a burocratizar 
excessivamente a participação da comunidade escolar, estabelecendo regrar 
rígidas. A organização de espaços de discussões, na unidade escolar deve 
propiciar ambientes com atividades prazerosas e ao mesmo tempo de trabalho 
consciente e coletivo;
d) abrir espaços coletivos de decisões e encaminhamentos, mas também 
reformular a divisão de trabalho, minimizando a fragmentação da ação 
pedagógica, mas permitindo a atuação na especificidade do trabalho de cada 
um dos participantes da comunidade escolar. Veiga (2003) contribui com esse 
pensar quando nos diz: 
Organizar as atividades-fim e meio da instituição educativa, por 
meio do projeto político-pedagógico sob a ótica da inovação 
emancipatória e edificante, traz consigo a possibilidade 
de alunos, professores, servidores técnico-administrativos 
unirem-se e separarem-se de acordo com as necessidades do 
processo (VEIGA, 2003, p. 205).
Também contribuindo com essa proposta Gracindo (2007) quando nos diz: 
Nesse processo, todos os segmentos planejam, garantindo 
a visão do todo, e todos executam, mesmo que apenas parte 
desse todo. Com isso, de posse do conhecimento de todo 
o trabalho escolar, os diversos profissionais e segmentos 
envolvidos (gestores, funcionários, docentes, discentes, 
pais e comunidade local) cumprem seus papéis específicos, 
sem torná-los estanques e fragmentados (GRACINDO, 
2007, p. 64).
Essa estruturação, explicitada no Projeto Político Pedagógico, 
deve conter a compreensão e concepção das normas e das regras 
escolares. Contudo,a elaboração dessas regras não pode ser feita 
apenas num grupo restrito de pessoas, sejam elas gestores, equipe 
gestora, professores ou determinadas pelas autoridades competentes. 
Elas precisam dentro de um processo democrático, ser elaboradas num 
coletivo representativo dos diferentes segmentos que fazem parte da 
instituição escolar. 
Essa estruturação, 
explicitada no 
Projeto Político 
Pedagógico, 
deve conter a 
compreensão e 
concepção das 
normas e das 
regras escolares.
102
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) Assinale a alternativa verdadeira com (V) e as falsas com (F).
( ) A instituição escolar como espaço social é um lugar de 
contradições e conflitos.
( ) O Projeto Político Pedagógico é uma ação consciente e 
organizada.
( ) Ao organizar os espaços de discussão, a escola vai burocratizar 
excessivamente a participação da comunidade escolar, 
estabelecendo regrar rígidas. 
( ) A fragmentação do trabalho pedagógico é o resultado das 
decisões coletivas na unidade escolar.
( ) O gestor, ao partir do diagnóstico escolar, com embasamento 
teórico socializado entre os demais membros da comunidade vai 
definir junto ao coletivo uma política interna de enfrentamento 
dos conflitos evitando a violência escolar.
Regimento Escolar e as Regras 
Escolares
As regras surgem a partir das necessidades e problemas apresentados 
no primeiro momento do processo de elaboração do PPP, como já citamos 
anteriormente neste texto, na análise dos dados obtidos no diagnóstico da 
realidade escolar e farão parte do Regimento Escolar. Em seguida, estabelecida 
as prioridades, discuti-las e estabelecer democraticamente ações de prevenção e 
não apenas de punição com o coletivo escolar. O objetivo maior é o de desenvolver 
políticas internas evitando atitudes imediatas, que podem gerar novos conflitos ou 
atos de violência.
As diretrizes voltadas para o estabelecimento das regras devem conter 
orientações precisas, claras e transparentes – todos devem ter conhecimento 
delas. A socialização dessas diretrizes e das regras/normas da unidade 
escolar pode ser feita em assembleia, em grupos de estudo, em reuniões e na 
própria sala de aula com os alunos, como uma atividade escolar. A confecção 
de murais pelos diferentes segmentos da comunidade escolar, possibilita 
103
A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 
um maior entendimento e entrosamento assim como a utilização 
dos recursos das tecnologias de informática e comunicação, para a 
divulgação (como o site da instituição). 
O Regimento Escolar é um instrumento legal que tem como 
finalidade organizar a unidade de ensino, para que os objetivos 
pedagógicos possam ser alcançados e para o bom funcionamento da 
instituição. Como documento da unidade escolar, materializa o Projeto 
Político Pedagógico tornando explícitas as decisões institucionais e, 
portanto, deve ser elaborado e reconhecido pelo coletivo da instituição 
como imprescindíveis à organização escolar.
Contudo, o Regimento teve inicialmente ênfase na estrutura 
administrativa e disciplinar. Somente com a LDB nº 9394/96, que institui 
a obrigatoriedade do Projeto Político Pedagógico em cada unidade de 
ensino e que o coloca como eixo central da educação escolar, é que 
a organização pedagógica passou a ser parte também do Regimento 
Escolar, da instituição de ensino. 
As representações sociais, os desejos individuais, as concepções 
divergentes, não podem estar acima ou substituir as regras institucionais, 
estabelecidas coletivamente, assim como estas não podem contrapor-
se à lei maior.
Figura 16 - Estabelecimento das regras escolares 
Fonte: Disponível em: <www.alienado.net/>. Acesso em: 27 jun. 2012.
Referente aos casos omissos, especificamente dos eventos de conflitos e 
de violência, o que não está dito e previstos no Regimento Escolar, deverá estar 
explicitado, qual o encaminhamento a ser dado pela unidade de ensino, como por 
exemplo: o Conselho Escolar ou APP decidem; uma comissão instituída para este 
fim é que vai atuar etc). 
O Regimento 
Escolar é um 
instrumento legal 
que tem como 
finalidade organizar 
a unidade de 
ensino, para 
que os objetivos 
pedagógicos 
possam ser 
alcançados 
e para o bom 
funcionamento da 
instituição.
As representações 
sociais, os desejos 
individuais, as 
concepções 
divergentes, 
não podem 
estar acima ou 
substituir as regras 
institucionais, 
estabelecidas 
coletivamente, 
assim como 
estas não podem 
contrapor-se à lei 
maior.
104
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) Assinale as frases VERDADEIRAS que dizem respeito ao 
Regimento Escolar.
( ) é o documento da unidade escolar que materializa as decisões 
do Projeto Político Pedagógico.
( ) deve ser de conhecimento somente da equipe gestora e dos 
professores.
( ) explicitam as decisões institucionais. 
( ) deve ser elaborado pelo coletivo e socializado com todos os 
componentes da unidade de ensino. 
( ) os alunos não precisam ter conhecimento do regimento interno.
( ) deve seguir a legislação vigente em nível federal, estadual e 
municipal. 
A unidade escolar é um espaço importante no processo de integração da 
comunidade, embora por ser democrático existam contradições, pressões internas 
e externas emergindo o tempo todo, provenientes de diferentes culturas e saberes 
sociais historicamente acumulados.
Por isso é necessário estimular a utilização de várias formas de expressão 
do conhecimento eliminando a discriminação e também o que historicamente vem 
ocorrendo que é o fracasso escolar. O fracasso esse, que segundo Carvalho; 
Silva (2001, p. 8) [...] é uma forma de violência pedagógica que atinge o estudante 
nos planos moral, humano e social. 
O regimento escolar é o resultado da reflexão feita pelo coletivo 
da instituição educacional sobre si mesma e segue a legislação e 
ordens aplicadas no país, nos estados e nos municípios.
Algumas Considerações
Neste capítulo destacamos o Projeto Político Pedagógico e a Regimento 
Escolar como 2 (dois) instrumentos indispensáveis como espaços para a 
construção de uma educação democrática. 
105
A Construção de Regras na Escola Capítulo 4 
Este preceito está estabelecido na LDB nº 9394/96 em seu art. 12, inciso 1, 
quando determina que as unidades de ensino, respeitadas as normas comuns e 
as do seu sistema de ensino, terão como incumbência elaborar e executar sua 
proposta pedagógica. O Projeto Político Pedagógico dentro dos preceitos legais, 
como espaço de construção de uma escola pública democrática, necessita de 
regulamentação das ações, com normas específicas delineando os caminhos a 
serem seguidos.
Somente o exercício da participação, numa gestão democrática escolar 
vai levar ao respeito às regras da instituição, que certamente não atendem as 
particularidades e os desejos individuais, mas que ao serem elaboradas, debatidas 
e de conhecimento de todos devem ser acatadas. E esse processo quase sempre 
é conflitante e muitas vezes exaustivo e desgastante para quem dele faz parte. 
Um dos grandes desafios da gestão democrática está em construir e 
desenvolver na instituição escolar um ambiente propício a novas aprendizagens 
respeitando as diferenças e muitas vezes antevendo ações conflitantes, 
neutralizando a discriminações e o preconceito, através do estabelecimento de 
diretrizes e normativas construídas coletivamente.
Sabemos que em muitas unidades de ensino o Regimento Escolar ainda é 
apenas um documento que contém um rol de normas prontas, sem discussão. 
Nossa pretensão, neste texto, é o de trazer questões, para que o Regimento 
Escolar se torne efetivamente, um documento consensual, por ter-se constituído 
no coletivo escolar e que sirva de suporte e apoio na resolução dos eventos 
conflituosos. Com regras claras, e encaminhamentos precisos sabendo que, por 
ser um espaço social a contradição e as diferenças estarão sempre presentes no 
cotidiano escolar.Prezado Pós-Graduando, a seguir, no próximo capítulo, iremos abordar uma 
das questões polêmicas da atualidade, a indisciplina das crianças e dos jovens, 
especificamente no espaço escolar. 
Referências
BECCHI, Egle; BONDIOLO Anna; FERRARI. Mônica. Por um projeto pedagógico 
da creche. In: BONDIOLO, Anna (Org.). O projeto pedagógico da creche e sua 
avaliação: a qualidade negociada. Campinas (SP): Autores Associados, 2004. p. 
83-115.
106
Organização e Desafios da Gestão Escolar
CARVALHO, Maria Celeste da Silva; SILVA, Ana Célia Bahia. Como construir e 
desenvolver os princípios de conveniência democrática na escola? Brasília: 
Consed – Conselho Nacional de Secretários de Educação, 2001. Disponível em: 
<www.crmariocovas.sp.gov.br/Downloads/ccs/Modulo05_CE.pdf>. Acesso em: 30 
mai. 2012. 
CURY, Carlos Jamil. Entrevista. Revista Positivo/marco 2001, Ano 2, nº 14
GRACINDO, Regina Vinhaes. Gestão democrática nos sistemas e na escola. 
Brasília, 2007. Disponível em: <portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/11gesdem.
pdf>. Acesso em: 20 jun. 2012.
LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 
Goiânia: Alternativa, 2004. 
LÜCK, Heloisa. Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto à 
Formação de seus Gestores. Em Aberto: Brasília, INEP/MEC, v. 17, nº 72, p. 
11- 33, 2000. 
NÓVOA, António. Para uma análise das instituições escolares. In: NÓVOA, 
António (Coord.). As organizações escolares em análise. Lisboa: Publicações 
Dom Quixote. 1999. 
PARO, Vitor. Administração escolar: introdução crítica. 12. ed. São Paulo: 
Cortez, 2003.
_____. Gestão democrática da escola pública. 3. ed. São Paulo: Ática, 2008. 
SILVA, Maria Aparecida de Oliveira. Administração Escolar. Caderno de 
Estudos - Centro Universitário Leonardo Da Vinci. Indaial: UNIASSELVI, 2009. 
VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Inovações e Projeto Político-Pedagógico: 
uma relação regulatória ou emancipatória? Cad. Cedes, Campinas, v. 23, n. 61, 
p. 267-281, dezembro 2003. Também disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/
ccedes/v23n61/a02v2361.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2012.
WITTMANN, Lauro Carlos. Formação Humana: O PPP e o tempo pedagógico. In: 
Anais XVIII Simpósio Catarinense de Administração da Educação e VI Seminário 
Estadual de Política e Administração da Educação – Políticas Educacionais e 
Gestão da Escola. Balneário Camboriú: SC, 2006. 
http://www.crmariocovas.sp.gov.br/Downloads/ccs/Modulo05_CE.pdf
http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a02v2361.pdf
http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a02v2361.pdf
CAPÍTULO 5
Indisciplina e o Cotidiano Escolar
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Apresentar historicamente a evolução conceitual do termo indisciplina na 
educação escolar.
� Constatar que a indisciplina escolar é quase sempre uma questão pedagógica.
� Organizar discussões e debates dos problemas de indisciplina que ocorrem na 
escola com a comunidade escolar (pais, alunos, professores, funcionários e 
equipe gestora).
108
Organização e Desafios da Gestão Escolar
109
Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 
Contextualização
Rememorando com você.....
No capítulo anterior, apontamos a necessidade, de definir no Projeto Político 
Pedagógico as regras na unidade escolar e o encaminhamento a ser assumido 
por toda a comunidade escolar. 
Mas, somente definir as regras da instituição, no coletivo, dentro de um 
processo democrático, não garante o cumprimento das mesmas. A educação 
escolar, como prática social é um espaço do exercício da democracia que envolve 
contradições e conflitos e, por isso, tem que haver diálogo permanente. 
Neste capítulo iremos abordar a temática da indisciplina numa perspectiva 
pedagógica, como dissemos anteriormente, que não pretende atender as 
particularidades e a desejos individuais, mas, o coletivo escolar. Buscamos 
suporte em autores que trabalham essa temática como: Aquino (1996), Garcia 
(1999; 2008a; 2008b); Parrat-Dayan (2008) e Taille (1996).
A indisciplina não pode ser considerada como um fenômeno sócio cultural 
novo, contudo, nas últimas décadas está sendo dada uma maior relevância. 
Historicamente (portanto, como movimento), esta manifestação social tem-
se apresentado com diferentes características cada vez mais complexas e 
que necessitam de uma reflexão individual e coletiva para o entendimento e 
convivência, cujo ponto principal é o estabelecimento da comunicação entre os 
diferentes segmentos da instituição. 
Atualmente, a indisciplina é apontada como uma das maiores dificuldades 
tanto pela direção, coordenação pedagógica, como pelos professores, afetando 
o convívio e as relações interpessoais entre professores e alunos, alunos e 
seus pares, consequentemente prejudicando a qualidade do processo ensino e 
aprendizagem no espaço escolar.
Contudo, numa perspectiva de gestão democrática, com um planejamento 
coletivo das ações a serem desenvolvidas, buscando a participação e envolvimento 
de toda a comunidade escolar, certamente não iremos eliminar a indisciplina (até 
por que a manifestação das experiências leva a pequenos tumultos e desordens), 
mas, provocar mudanças pedagógicas que se fazem necessárias no processo 
educacional escolar.
110
Organização e Desafios da Gestão Escolar
O que Entendemos por Indisciplina
Você, já deve ter presenciado ou talvez vivido casos de 
indisciplina, ocorrido em ambiente escolar ou mesmo em ambiente 
familiar. Como você define indisciplina? Quem é o responsável pelo 
ato da indisciplina?
Figura 17 – Indisciplina escolar
Fonte: Disponível em:<http://umaeducadora.blogspot.com.br/2009/08/
indisciplina-na-sala-de-aula-outra.html>. Acesso em: 12 jul. 2012. 
Se considerarmos a indisciplina como um fenômeno social, agir 
de maneira passiva e acatar toda e qualquer ordem é um equívoco. 
Assim, a indisciplina “[...] não se identifica com ordem e sim com 
práticas que têm diferentes tipos de exigência.” (PARRAT-DAYAN, 
2008, p. 20). É preciso também considerar para vencer os desafios 
postos aos educadores, que refletir sobre esse evento social, vai 
muito além, de utilizar diferentes estratégias de ensino pontuais e 
agir isoladamente. É necessário que o assunto seja tratado coletivamente numa 
abordagem conceitual contemporânea. 
A manifestação de indisciplina “[...] pode estar indicando o impacto do 
ingresso de um novo sujeito histórico, com outras demandas e valores, numa 
ordem arcaica e despreparada para absorvê-lo plenamente.” (AQUINO, 1996, 
p. 45). Parrat-Dayan (2008) refletindo nesta mesma direção, diz que há nas 
instituições de ensino, alunos de diferentes culturas, normas, costumes, maneiras 
de ser e que desconhecem as normas culturais do professor entrando em embates 
de pensamento e muitas vezes em confronto. 
A indisciplina “[...] 
não se identifica com 
ordem e sim com 
práticas que têm 
diferentes tipos de 
exigência.” (PARRAT-
DAYAN, 2008, p. 20).
http://umaeducadora.blogspot.com.br/2009/08/indisciplina-na-sala-de-aula-outra.html
http://umaeducadora.blogspot.com.br/2009/08/indisciplina-na-sala-de-aula-outra.html
111
Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 
Garcia (2008a, p. 370), propõe a “reconceitualização da própria 
noção de indisciplina” por parte dos educadores. Ou seja, rever a 
concepção tradicional, onde o problema era tido, como comportamental 
e o aluno era o único culpado, baseada na repressão e na lógica de 
controle social. 
Como bem coloca Garcia (2008a),
Assim, o trabalho pedagógico relativo às questões 
de indisciplina nas escolas deveria ter por base 
a perspectiva mais ampla de gestão dos seus processos 
pedagógicos, e inicia no projeto pedagógico, que se constitui o 
elemento central do processo de gestão da educação escolar. 
Aqui temos, então, um primeiro desafio a considerar, relativo 
à elaboração de uma visão compartilhada sobre disciplina e 
indisciplina na escola (GARCIA, 2008a, p. 373).
Para isso é preciso fundamentar-senos escritos teóricos em abordagens 
com ‘olhar mais amplo’, buscando identificar o que ocasiona a indisciplina e no 
coletivo, na troca de experiências, buscar soluções ou alternativas para tratar 
o problema. Outra sugestão é dialogar com a comunidade escolar, não apenas 
buscando sugestões, mas propiciando espaços de se pensar no ambiente familiar 
como isso ocorre. 
Atividade de Estudos: 
1) Coloque (V) para verdadeiro e (F) para falso nas afirmações 
abaixo acerca do pensamento de Garcia (2008a, p. 370), 
quando este propõe a “reconceitualização da própria noção de 
indisciplina” por parte dos educadores, ele está afirmando que:
a) ( ) os educadores devem rever a concepção tradicional de 
indisciplina no espaço escolar;
b) ( ) os educadores devem com absoluta certeza, culpar os 
alunos exclusivamente, pela indisciplina escolar;
c) ( ) os educadores devem incentivam a repressão, como única 
solução para buscar soluções para os conflitos eliminando a 
indisciplina escolar;
d) ( ) os educadores numa concepção de formação humana 
devem pensar a indisciplina, numa lógica diferente da lógica 
de controle e coerção social existente na sociedade.
Rever a concepção 
tradicional, onde 
o problema 
era tido, como 
comportamental e 
o aluno era o único 
culpado, baseada 
na repressão e na 
lógica de controle 
social.
112
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Figura 18 - Manifestações de Indisciplina e as regras estabelecidas
Fonte: Disponível em: <http://www.fotolog.com.br/mafalda_
tiras/99423589/#profile_start>. Acesso em: 3 de jun. 2012.
Causas e Determinantes da 
Indisciplina Escolar: Fatores 
Psicossociais e Fatores 
Pedagógicos
Para Joe Garcia (1999) as várias causas da indisciplina escolar podem ser 
reunidas em dois grupos: 
1. causas externas ao espaço escolar (violência social, influência dos meios de 
comunicação – novas tecnologias e a televisão, e o ambiente familiar); 
2. causas internas da escola - processo ensino-aprendizagem, modos de 
relacionamento (entre aluno e professor/funcionário, entre aluno-aluno). 
Assim, na própria relação entre professores e alunos habitam 
motivos para a indisciplina, e as formas de intervenção 
disciplinar que os professores praticam podem reforçar ou 
mesmo gerar modos de indisciplina (GARCIA, 1999, p. 104).
113
Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 
A escola como espaço do exercício dos preceitos da democracia 
contidos na Constituição Brasileira, tendo reconhecida sua função sócio 
educativa, constrói e reconstrói o conhecimento no cotidiano, nas redes 
de relações, não apenas com a comunidade que compõe a escola, mas 
com o mundo. 
O diálogo, o respeito, o afeto e o comprometimento coletivo na 
construção de regras e limites no espaço escolar, permite entender a 
indisciplina dos alunos como uma reação que precisa ser interpretada 
em um contexto social mais amplo e não apenas como uma afronta aos 
educadores e a própria instituição. Sabemos, entretanto, que mesmo 
com discursos teóricos dos educadores, que apontam haver no espaço 
escolar, relação afetuosa e de respeito com as crianças e os jovens, o 
que muitas vezes ocorre são práticas autoritárias e não ações enquanto 
autoridades. Uma relação baseada na hierarquia e no poder legitimado 
apenas por quem o detém, podem gerar injustiças e quase sempre leva 
a desobediência das regras impostas (TAILLE, 1996).
 
Faz-se necessário, as devidas interferências da gestão escolar 
refletindo com o coletivo, sobre os eventos ocorridos, pois esses 
embates podem causar danos tanto para a criança ou adolescente como 
para o professor. Encontramos atualmente na literatura, vários estudos 
sobre o ‘mal-estar’ que vem provocando nos educadores desânimo, 
stress, cansaço, a chamada “Síndrome da Desistência” ou “Síndrome 
de Burnout” como Codo (1999), Benevides-Pereira (2002a; 2002b). 
Figura 19 - Manifestações pessoais 
Fonte: Disponível em: <http://www.peanuts.com>. Acesso em: 15 jul. 2012. 
Pensar o cotidiano escolar, nesse contexto, leva-nos à necessidade de 
coletivamente, refletir sobre o papel da escola enquanto instituição, a partir 
da concepção de educação enquanto formação humana e a necessidade de 
repensar a identidade docente e de recuperar o nosso “ofício de mestres”, como 
nos diz Arroyo (2000, p. 63) “[...] quando tentamos fazer da escola um espaço e 
tempo de direitos, de humanização e não de mercantilização, nos encontramos 
como educadores. Recuperamos nosso ofício”. 
A escola como 
espaço do exercício 
dos preceitos 
da democracia 
contidos na 
Constituição 
Brasileira, tendo 
reconhecida sua 
função sócio 
educativa, constrói 
e reconstrói o 
conhecimento no 
cotidiano, nas 
redes de relações, 
não apenas com a 
comunidade que 
compõe a escola, 
mas com o mundo.
Faz-se necessário, 
as devidas 
interferências da 
gestão escolar 
refletindo com o 
coletivo, sobre os 
eventos ocorridos, 
pois esses embates 
podem causar 
danos tanto para 
a criança ou 
adolescente como 
para o professor.
http://www.peanuts.com
114
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Podemos também, situar as diversas manifestações de indisciplina escolar 
em relação aos alunos em 3 (três) aspectos: 
1. As desencadeadas nas atividades pedagógicas - dentro e fora de sala;
A forma severa do professor se manifestar perante os alunos, a organização 
das atividades pedagógicas em sala de aula ou nos motivos pessoais originados 
na família e na comunidade.
2. As advindas dos processos de socialização e de relacionamento no espaço 
escolar;
As manifestações de indisciplina, podem ser reflexo do sentimento de 
inferioridade do aluno, ou o desejo de ser aceito pelo grupo. 
3. As provenientes do desenvolvimento cognitivo dos estudantes.
O insucesso - fracasso escolar - pode levar o aluno a investir pouco nas 
atividades escolares, desinteressar-se nas atividades realizadas em sala de aula e 
ter reações que perturbem o andamento do trabalho pedagógico com brincadeiras, 
chacotas, conversas e utilização de materiais alheios ao espaço escolar como o 
uso do celular (mensagens, jogos...), aparelhos de jogos interativos etc.
Garcia (2008a) reafirma o pensamento acima e acrescenta, 
quando se fala indisciplina estamos nos referindo 
[...] como algo relativo às condutas, às atitudes, aos modos 
de socialização, aos relacionamentos e ao desenvolvimento 
cognitivo, que os estudantes demonstram e que tendem a não 
reproduzir, ou mesmo negar, as orientações ou oportunidades 
apresentadas pela escola, ou simplesmente divergir de suas 
expectativas. Neste sentido, um aluno indisciplinado seria 
não somente aquele cujas ações rompem com as regras da 
escola, mas também aquele que não está desenvolvendo 
suas próprias possibilidades cognitivas, atitudinais e morais 
(GARCIA, 2008a, p. 370).
Um dado significativo, segundo Aquino (1996, p. 40) “[...] refere-
se ao fato de a indisciplina atravessar indistintamente as escolas 
públicas e privadas. Enganam-se aqueles que a supõe mais ou 
menos presentes apenas em determinados contextos”. 
Um aluno 
indisciplinado seria 
não somente aquele 
cujas ações rompem 
com as regras da 
escola, mas também 
aquele que não 
está desenvolvendo 
suas próprias 
possibilidades 
cognitivas, atitudinais 
e morais (GARCIA, 
2008a, p. 370).
115
Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 
Prezado Pós- Graduando, você já deve ter escutado, ou lido muitas vezes 
que a indisciplina é associada também a ideia de carência psíquica do aluno, 
ideia esta, decorrente de uma análise genérica da Psicologia. Além disso, é 
senso comum entre os educadores que a indisciplina dos alunos é resultado 
da falta de parâmetro moral e de ausência de infraestrutura psicológica, 
causados pela fragmentação da família. Certamente, as crianças e jovens 
reproduzem no ambiente escolar o que vivenciam no convívio familiar e na 
vizinhança e a educação escolar não substitui ou supre a responsabilidade 
da família.Sabemos que legalmente, Constituição Federal (1988, art. 227), é 
dever da família a educação de seus filhos, possibilitando que valores como: 
ética, solidariedade, responsabilidade etc. sejam construídos e incutidos os 
limites necessários para o convívio social. Aquino (1996, p. 46) afirma “[...] 
que não há possibilidade da escola assumir a tarefa de estruturação psíquica 
prévia ao trabalho pedagógico; ela é de responsabilidade do âmbito familiar, 
primordialmente”. 
Mas o autor acima citado, alerta de que este fenômeno não pode 
ser considerado um acontecimento individual, [...] mas de acordo 
com seus determinantes psicossociais, cujas raízes encontram-se no 
advento, no sujeito, da noção de autoridade (AQUINO, 1996, p. 45). 
Ou seja, para ser reconhecido como pessoa (identidade pessoal) e 
para ser aceito como parte de um grupo, muitas vezes, o adolescente, 
transgride as regras e comete atos de indisciplina. 
Atividade de Estudos: 
1) Aponte três causas da indisciplina escolar na sua ‘visão’ e fale 
sobre cada uma delas.
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
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 __________________________________________________
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 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Para ser 
reconhecido como 
pessoa (identidade 
pessoal) e para 
ser aceito como 
parte de um grupo, 
muitas vezes, 
o adolescente, 
transgride as regras 
e comete atos de 
indisciplina.
116
Organização e Desafios da Gestão Escolar
As Transformações Pedagógicas e 
as Mudanças no Entendimento da 
Indisciplina Escolar
A escola enquanto espaço de convivência, tem no seu cotidiano um 
movimento de relações e poder ambíguo: de um lado as normas e regras ditadas 
pelos órgãos centrais e por outro pelas relações e interações estabelecidas 
pelos grupos internos numa dinâmica que possibilita troca de ideias, culturas e 
sentimentos. Ambos influenciam e são influenciadas neste processo coletivo. Por 
isso, conforme Guimarães (1996, p. 77),
[...] não significa abstraí-la a indisciplina (grifo nosso) de um 
contexto histórico e social, mas apontá-la como um fenômeno 
que coloca à mostra a intensidade das experiências coletivas, 
permitindo a manifestação das pequenas desordens da vida 
cotidiana.
A indisciplina aparece aqui sob todas as formas de conflito 
que incorporam uma capacidade de resistência dos pequenos 
grupos e expressam-se quer sob uma aparente submissão, 
quer através de excessos de todos os tipos: depredação, 
pichações, zombarias, risos, ironia, tagarelice. 
Figura 20 - Manifestações de Indisciplina ‘o silêncio’
Fonte: Disponível em: <http://partilhandoideiasideais.blogspot.com.
br/2010/03/projeto-recreio-dirigido.html>. Acesso em: 3 de ago. 2012.
http://partilhandoideiasideais.blogspot.com.br/2010/03/projeto-recreio-dirigido.html
http://partilhandoideiasideais.blogspot.com.br/2010/03/projeto-recreio-dirigido.html
117
Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 
A autora citada anteriormente traz uma questão de suma 
importância, também discutida por teóricos como Orlandi (1996), 
Arroyo (2007), Garcia (2008; 2008b), o ‘silêncio’ como forma de 
indisciplina velada, mas que deve ser considerada, analisada e ter 
propostas de enfrentamento, como situação problemática. 
A sensibilidade, o estar atento, um olhar observador, segundo 
Arroyo (2007) para reconhecer as mudanças significativas dos 
educandos só é possível, se os educadores tiverem sensibilidade 
em reconhecer as suas próprias mudanças sobre si mesmos e sobre 
suas identidades enquanto profissionais. 
Essa sensibilidade é necessária evitando criar-se no ambiente 
escolar situações de constrangimento, ao confundir atos de indisciplina 
com violência, estigmatizando crianças e jovens, como nos alerta Miguel 
Arroyo (2007b),
[...] o conjunto de condutas indisciplinadas que 
sempre aconteceram nas escolas passou a ser 
interpretado e classificado como violências (grifo 
do autor), elevando a diversidade de condutas 
desviantes a essa condição e segregando os alunos 
antes tidos como indisciplinados na categoria mais 
temida, segregadora e estigmatizante de violentos 
(grifo do autor) (ARROYO, 2007b, p. 789).
Quando falamos no processo da construção das regras e normas 
escolares, baseado no diálogo, na afetividade, no respeito mútuo, estamos 
nos referindo a valorização do educador, dos funcionários e principalmente do 
aluno (a) como ser humano, possibilitando seu desenvolvimento integral (social, 
cognitivos, afetivo...). Esse movimento de constituição do cidadão permite ao 
aluno “[...] entrar na cultura da responsabilidade e compreender que as nossas 
ações têm consequências.” (PARRAT-DAYAN, 2008, p. 8).
A sensibilidade, o 
estar atento, um 
olhar observador, 
segundo Arroyo 
(2007) para 
reconhecer 
as mudanças 
significativas dos 
educandos só é 
possível, se os 
educadores tiverem 
sensibilidade em 
reconhecer as 
suas próprias 
mudanças sobre 
si mesmos e sobre 
suas identidades 
enquanto 
profissionais.
118
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Figura 21 - Diálogo e as regras escolares
Fonte: Disponível em: <http://rovedacris.wordpress.
com/>. Acesso em: 10 jul. 2012.
É preciso nas instituições de ensino, estabelecer uma relação de 
diálogo, disponibilizando espaços para que os alunos se expressem 
nas mais diferentes formas de linguagem (principalmente a sua usual) 
e falem de suas experiências, de suas dúvidas, do seu cotidiano. 
Entender a escola, como lugar de diversidade cultural, de confronto e 
embates e ao mesmo tempo de superação dessas diferenças e diversidades, 
possibilita desenvolver o humano como ser social e como ser individual. 
http://rovedacris.wordpress.com/
http://rovedacris.wordpress.com/
119
Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 
Há, pois, uma estreita articulação entre as relações 
de convívio social instituídas pela escola e a 
cidadania. Ou seja, é no exercício da vivência entre 
os seres diferentes que se aprendem normas sem 
as quais não sobrevive a sociedade (VIEIRA, 2011, 
p. 130).
Por isso é preciso que para compreendermos o movimento gerado 
nas instituições de ensino, como parte do todo, mas como nos fala 
Guimarães (1996)
[...] deslocando do global para o local, tentando 
detectar, através de uma outra forma de análise, 
como a sociedade vive e se organiza também através 
dos reencontros, das experiências, das situações 
dentro dos diferentes grupos aos quais pertence cada 
indivíduo (GUIMARÃES, 1996, p. 74).
Primeiro temos que pensar, planejar e refletir sob dois aspectos da 
indisciplina:
• em relação ao indivíduo indisciplinado, buscando ações de 
intervenção mais individualizadas, trabalhando competências 
cognitivas e condutas educativas de convívio;
• em relação ao contexto escolar. As situações problemas devem ser 
tratadas no coletivo e tendo suporte legal no Projeto Político Pedagógico 
da unidade escolar (grifo nosso). Garcia (2008a, p. 372) aponta para “[...]a 
relação ausente entre disciplina e o projeto pedagógico”. O autor completa 
dizendo:
[...] argumentamos, que entre as diretrizes do projeto 
pedagógico deveríamos encontrar, entre outros elementos, 
princípios ou fundamentos capazes de fornecer orientações 
aos educadores em relação às questões de indisciplina. Tais 
princípios iriam sustentar uma visão compartilhada sobre 
indisciplina, comumente ausente nas escolas [...] (GARCIA, 
2008a, p. 372).
É imprescindível, também a escola trabalhar com conhecimentos significativos 
para os alunos, permitindo as manifestações e formas de expressões culturais 
como proposta de ensino e aprendizagem,possibilitando a manifestação dos 
alunos de diferentes formas. 
Sabemos que não é uma tarefa fácil, frente à realidade vivenciada pelos 
educadores, mas o diálogo coletivo e o apoio da gestão escolar darão suporte a 
essa empreitada. Como já vimos discutindo nos capítulos anteriores, a construção 
da gestão democrática, com a participação da comunidade escolar busca o 
exercício da cidadania, um dos preceitos da democracia.
Há, pois, uma 
estreita articulação 
entre as relações 
de convívio 
social instituídas 
pela escola e a 
cidadania. Ou seja, 
é no exercício da 
vivência entre os 
seres diferentes 
que se aprendem 
normas sem as 
quais não sobrevive 
a sociedade 
(VIEIRA, 2011, p. 
130).
As situações 
problemas devem 
ser tratadas no 
coletivo e tendo 
suporte legal no 
Projeto Político 
Pedagógico da 
unidade escolar
120
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) Complete o sentido da frase, utilizando as palavras abaixo, 
preenchendo os parênteses corretamente.
a) Quando falamos no processo da construção das regras e normas 
escolares, baseado no diálogo, na afetividade, no respeito mútuo, 
estamos nos referindo a .................................. do educador, dos 
funcionários e principalmente do aluno. 
b) O ........................... é uma forma de indisciplina velada.
c) Atualmente a ................................... é apontada como uma das 
maiores dificuldades no processo ensino aprendizagem. 
d) Os ........................................................... entre adultos, crianças 
e adolescentes nos espaços de aprendizagem gerando a 
indisciplina.
 ( ) ‘silêncio’
 ( ) indisciplina escolar
 ( ) processos de convivência
 ( ) valorização
O que é possível fazer, em relação à indisciplina, frente a tantas 
questões apontadas e tantas outras não abordadas neste texto? 
Algumas Considerações
A questão ‘indisciplina’ gera muitas controvérsias e são vários aspectos 
a serem abordados. Neste texto utilizamos o pensamento de autores, que 
consideram a indisciplina escolar, um fenômeno social, que necessita ser 
encarado não apenas como atos de enfretamento à autoridade (no caso da 
121
Indisciplina e o Cotidiano Escolar Capítulo 5 
escola os educadores e funcionários), mas sim, também como uma questão 
pedagógica.
A questão da indisciplina na escola é considerada pelos educadores como 
um problema grave. Tanto a agressão física, como a verbal, o desrespeito 
pelas pessoas e a depredação de ambientes e objetos de uso público estão 
naturalizados no cotidiano, não apenas no espaço escolar, como algo consolidado 
como modo de ser dos jovens.
As ações das unidades escolares desenvolvidas, para lidar com as 
manifestações de indisciplina, devem ter orientações claras e legitimadas nos 
documentos elaborados no coletivo e socializadas com toda a comunidade 
envolvida com a instituição. 
Ainda há muito para saber sobre indisciplina escolar. Se você aluno (a) quiser 
se inteirar mais do assunto, a bibliografia deste capítulo possibilita acessar textos 
muito consistentes teoricamente, mas de fácil entendimento. 
Para conseguir trabalhar as questões apontadas neste capítulo é necessário 
conhecermos o instigante campo das relações humanas na educação e o processo 
de mobilização e organização coletiva para atingir os objetivos educacionais 
propostos, que veremos a seguir. 
Referências
AQUINO, Julio. A desordem na relação professor-aluno: Indisciplina, oralidade e 
conhecimento. In: AQUINO, Julio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas 
teóricas e práticas. São Paulo: Grupo Editorial Summus, 1996.
ARROYO, Miguel Gonzáles. Ofício de Mestre. Imagens e auto-imagens. 
Petrópolis/RJ: Vozes. 2000. 
_____. Indagações sobre currículo: educandos e educadores: seus direitos e 
o currículo. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 
2007a.
_____. QUANDO A VIOLÊNCIA INFANTO-JUVENIL INDAGA A PEDAGOGIA. 
Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 100 - Especial, p. 787-807, out. 2007b. 
Disponível em:<http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 20 jul. 2012.
BENEVIDES-PEREIRA, Ana Maria T. O processo de adoecer pelo trabalho. 
In: BENEVIDES-PEREIRA, Ana Maria T. (Org.). Burnout: quando o trabalho 
ameaça o bem-estar do trabalhador. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2002.
http://www.cedes.unicamp.br
122
Organização e Desafios da Gestão Escolar
_____. O Estado da Arte do Burnout no Brasil. Disponível em: <http://www.
saudeetrabalho.com.br/download_2/burnout-benevides.pdf>. Acesso em: 12 jul. 
2012. 
CODO, Wanderley (coord.). Educação: carinho e trabalho. Ed. Vozes: Petrópolis, 
1999.
GARCIA. Joe. Indisciplina na Escola: uma reflexão sobre a dimensão 
preventiva. Revista Paranaense e Desenvolvimento. Curitiba, n. 95, jan./abr. 
1999, p. 101-108. 
_____. Indisciplina na escola: Questões sobre mudanças de paradigma. 
Revista Contrapontos, Itajai: UNIVALLE. vol. 8, n.3, set./dez. 2008a, p. 367-380. 
Disponível em: <www.univali.br/seer/index.php/rc/article/download/959/815>. 
Acesso em: 20 mai. 2012.
_____. Indisciplina na escola: Questões sobre mudanças de paradigma. 2008b 
Disponível em: <www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/418_440.
pdf>. Acesso em: 20 mai. 2012.
GUIMARÃES, Áurea Maria. Indisciplina e violência: a ambiguidade dos conflitos 
na escola. In: AQUINO, Julio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas 
teóricas e práticas. São Paulo: Grupo Editorial Summus, 1996.
ORLANDI, Eni Puccinelli. A Linguagem e seu Funcionamento: as formas do 
discurso. São Paulo: Pontes, 1996.
PARRAT-DAYAN, Silvia. Como enfrentar a indisciplina na escola. Editora 
Contexto. 2008.
TAILLE, Yves de. A Indisciplina e o sentimento de vergonha. In: AQUINO, Julio 
Groppa. Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: 
Grupo Editorial Summus, 1996.
VIEIRA, Sônia Lerche. A função social, gestão e política educacional. In: 
FERREIRA, Naura Syrya Carapeto ; AGUIAR, Márcia Ângela da Silva. GESTÃO 
DA EDUCAÇÃO: Impasses, Perspectivas e compromissos. 8. ed. São Paulo: 
Cortez, 2011. 
http://www.saudeetrabalho.com.br/download_2/burnout-benevides.pdf
http://www.saudeetrabalho.com.br/download_2/burnout-benevides.pdf
http://www.univali.br/seer/index.php/rc/article/download/959/815
http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/418_440.pdf
http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2008/anais/pdf/418_440.pdf
CAPÍTULO 6
Relações Humanas e Liderança
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Apontar como as relações humanas interferem na dinâmica do trabalho 
pedagógico diversidade, conflitos e tensões e nas interações dentro e fora da 
escola.
� Reconhecer o papel do gestor escolar como líder para a efetivação da gestão 
da escola.
� Conhecer as características, possibilidades e espaços da liderança do gestor 
escolar.
� Constatar a importância da liderança na gestão escolar nas relações humanas.
� Investigar e mapear as estratégias de liderança mais comumente utilizadas 
para o sucesso das inter-relações pessoais. 
� Organizar um plano de ação de acordo com as orientações e diretrizes para o 
exercício da liderança na escola.
124
Organização e Desafios da Gestão Escolar
125
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
Contextualização 
Quem fia e enfia? 
Quem carda e corta 
Quem tece e trança? 
Quem toca e torce? 
A moça o menino. 
A velha o homem. 
Eles são artistas, 
parte do trabalho coletivo 
que faz a trama da rede 
e a rede pronta: 
o objeto bonito do descanso
que inventa a necessidade 
da servidão do trabalho 
do corpo produtivo.
(trabalho exercido por homens e mulheres, 
velhos, moças e crianças, tornados servos do 
trabalho coletivo que produz a rede) 
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A TRAMA DA REDE. 
Caro pós-graduando (a)
Como na poesia de Carlos Rodrigues Brandão, a gestão democrática da 
educação só será possível, quando o coletivo da instituição deensino, tem clareza 
da necessidade da intencionalidade e organização do trabalho pedagógico, num 
processo de interação, de reflexão e comprometimento com os objetivos propostos 
no PPP da unidade escolar.
Reconhecer e respeitar a experiência, a vivência de cada membro da unidade 
escolar, não significa compactuar com ações individualistas e fragmentadas que 
não consideram e nem respeitam o outro, seja ele diretor, professor, funcionário, 
aluno, pai ou membro da comunidade. É imprescindível, como gestor escolar, 
trabalhar os conflitos e tensões e repensar no coletivo, o processo educacional 
dentro do contexto onde está inserida a instituição, com seus ritos, normas 
e rotinas para que não se perpetuem práticas pedagógicas, que impedem o 
processo de humanização e desenvolvimento da cidadania. 
As temáticas tratadas anteriormente sinalizam, para a necessidade da 
participação, comprometimento, responsabilidade e formação permanente da 
comunidade escolar, que passam desde:
• o conhecimento da especificidade da organização escolar;
• do reconhecimento das diferentes formas de aprendizagem com as 
contribuições das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação);
126
Organização e Desafios da Gestão Escolar
• do entendimento de que os acontecimentos na escola não estão desvinculados 
dos eventos mundiais, como as transformações propiciadas pelas tecnologias, 
violência, indisciplina. 
Iniciando este capitulo, destacamos, uma vez mais, que a concepção 
de gestão escolar que partilhamos que é uma nova forma de administrar uma 
unidade escolar num processo coletivo de partilhamento permanente. 
Abordaremos a partir das relações interpessoais na escola, a diversidade, 
os conflitos e tensões no processo de mobilização e organização coletiva para 
atingir os objetivos educacionais propostos. Também estaremos falando, sobre as 
concepções historicamente construídas e os diferentes significados da liderança. 
Abordaremos também a relação entre liderança (concepções mais amplas da 
teoria da comunicação) e gestão escolar. Propomos levantar questões sobre o 
papel do gestor como líder, as competências necessárias, habilidades e atitudes a 
serem desenvolvidas para o exercício de liderança no espaço escolar. 
Diversidade, Conflitos e Tensões 
no Processo de Mobilização e 
Organização Coletiva para Atingir os 
Objetivos Educacionais Propostos
Você saberia dizer quem na instituição escolar vai organizar 
o coletivo, propor ações, sugerir mudanças, provocar o olhar 
observador, interagir com o coletivo, incentivar novas buscas e 
novas práticas, sugerir o que pode ser mudado, apontar equívocos? 
E ainda manter o grupo de profissionais coesos e trabalhando para 
que os objetivos da escola sejam alcançados? Quem possibilita a 
participação da comunidade e é ‘ponte’ entre as instâncias maiores 
da educação e a unidade de ensino?
Certamente você apontou o diretor, que é o gestor escolar, que 
impreterivelmente tem que ter espírito de liderança e que necessita, 
para exercer sua função atualmente, de novas competências 
e habilidades na coordenação de grupo, na administração dos 
conflitos, divergências e embates existentes no convívio humano, 
para atingir os objetivos educacionais propostos coletivamente na 
unidade de ensino. 
É o gestor 
escolar, que 
impreterivelmente 
tem que ter espírito 
de liderança e que 
necessita, para 
exercer sua função 
atualmente, de 
novas competências 
e habilidades 
na coordenação 
de grupo, na 
administração 
dos conflitos, 
divergências e 
embates existentes 
no convívio 
humano, para 
atingir os objetivos 
educacionais 
propostos 
coletivamente na 
unidade de ensino.
127
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
Você deve ter percebido, nas questões tratadas anteriormente, falamos das 
mudanças que vem acontecendo no mundo, nos levam a rever as concepções 
e a buscar uma nova maneira de gestar na educação, como nos diz Bordignon 
e Gracindo (2011, p. 148) “[...] baseada nos paradigmas emergentes da nova 
sociedade do conhecimento, que, por sua vez, fundamentam a concepção de 
qualidade na educação e definem também a finalidade da escola”. 
Paradigma representa uma visão de mundo, uma filosofia 
social, um sistema de ideias construído e adotado por determinado 
grupo social.” (BORDIGNON; GRACINDO, 2011 p. 148). Ainda dos 
mesmos autores “[...] mais que um padrão ou modelo, é um conjunto 
de ideias que permite formular ou aceitar determinados padrões ou 
modelos de ação social.” (2011, p. 150).
Ver vídeo Como nascem os Paradigmas - Grupo dos Macacos. 
Disponível em:<http://www.youtube.com/watch?v=g5G0qE7Lf0A>. 
Acesso em: 20 mai. 2012.
Se partilhamos a mesma concepção de educação como formação humana, 
contida no texto da LDB nº 9394/1996, como isso acontece na prática nas 
unidades escolares? É fundamental possibilitar espaços, encontros, reuniões, com 
o intuito de ouvir da comunidade escolar sugestões de como isso será possível. 
Uma instituição onde as pessoas trabalham para atingir o mesmo objetivo que é 
uma educação de qualidade para todos os alunos. Os problemas não vão acabar, 
mas certamente teremos mais contribuições, mais ideias para solucioná-los. 
Figura 22 - Possibilitar espaços para dividir responsabilidades
Fonte: Disponível em: <http://www.only1.com.br/artigo/a-importancia-
da-diversidade-nas-empresas/>. Acesso em: 13 mai. 2012.
http://www.youtube.com/watch?v=g5G0qE7Lf0A
http://www.only1.com.br/artigo/a-importancia-da-diversidade-nas-empresas/
http://www.only1.com.br/artigo/a-importancia-da-diversidade-nas-empresas/
128
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Nos preceitos da Lei de Diretrizes e Bases – LDB nº 9394/96 e na perspectiva 
da sociedade do conhecimento, a gestão escolar está pautada, portanto, no fazer 
coletivo onde o poder é compartilhado e não centralizado; onde os diferentes 
atores assumem responsabilidades diferentes, mas com objetivos comuns.Os 
autores citados anteriormente contribuem dizendo:
[...] o poder não se situa em níveis hierárquicos, mas 
nas diferentes esferas de responsabilidade, garantindo 
relações interpessoais entre sujeitos iguais e ao mesmo 
tempo diferentes. Essa diferença dos sujeitos, no entanto, 
não significa que um seja mais que o outro, pior ou melhor, 
mais ou menos importante, nem concebe espaços para a 
dominação e a subserviência, pois estas são atitudes que 
negam radicalmente a cidadania. As relações de poder não 
se realizam na particularidade, mas na intersubjetividade da 
comunicação entre atores sociais. Nesse sentido, o poder 
decisório necessita ser desenvolvido com base em colegiados 
consultivos e deliberativos (BORDIGNON; GRACINDO, 2011, 
p. 152). 
Rever paradigmas requer, primeiramente uma mudança 
individual, em diferentes níveis, envolvendo interações com outras 
pessoas, divisão e redistribuição de responsabilidades, o que gera 
divergências, tensão e situações conflitantes na unidade escolar.
Acrescentando este pensar, trazemos a contribuição de Del 
Prette (2011) que assim se manifesta: 
Essas mudanças imprimem demandas para habilidades como 
as de coordenação de grupo, liderança de equipes, manejo 
de estresse e de conflitos interpessoais e inter-grupais, 
organização de tarefas, resolução de problemas e tomada 
de decisões, promoção da criatividade do grupo, etc (DEL 
PRETTE, 2011, p. 57).
Na perspectiva de uma gestão democrática, surgem necessidades de 
formação continuada dos profissionais que atuam na educação, para dar conta 
das novas habilidades requeridas e para poder transitar frente às exigências e 
demandas de um efetivo trabalho coletivo. 
As várias dinâmicas sociais como classe social, gênero, etnia, sexualidade, 
cultura e religião; as representações de mundo, as concepções de homem, de 
educação e suas vivências, trazem para dentro das instituições de ensino, as 
diferenças multiculturais e o pluralismo de ideias. Conforme, o documento do 
Ministério da Educação, Parâmetros Curriculares Nacionais - PluralidadeCultural 
(BRASIL, 1997, p. 123), “A criança na escola convive com a diversidade e poderá 
aprender com ela. Singularidades presentes nas características de cultura, de 
etnias, de regiões, de famílias, são de fato percebidas com mais clareza quando 
colocadas junto a outras”.
A diversidade é, portanto, um elemento constituinte não só do desenvolvimento 
Rever paradigmas 
requer, 
primeiramente uma 
mudança individual, 
em diferentes 
níveis, envolvendo 
interações com 
outras pessoas, 
divisão e 
redistribuição de 
responsabilidades, 
o que gera 
divergências, 
tensão e situações 
conflitantes na 
unidade escolar.
129
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
cultural da humanidade, mas também do desenvolvimento biológico. Contudo, 
perceber a diversidade ultrapassa ver as diferenças das características biológicas 
visíveis. Essa é uma questão social importante, pois historicamente no Brasil foi 
construído, naturalizado e difundido nos livros didáticos um conceito equivocado 
de um país com diferenças negadas “[...] formado originalmente pelas três raças 
— o índio, o branco e o negro — que se dissolveram. [...] Divulgou-se, então, 
uma concepção de cultura uniforme, depreciando as diversas contribuições que 
compuseram e compõem a identidade nacional (BRASIL, 1997, p. 126). 
Esses olhar para a diversidade foi e é retratado nas Artes, nas suas 
diversas formas de expressão. Trazemos alguns exemplos dando uma pequena 
demonstração do que estamos nos referindo, sem desmerecer as outras 
manifestações de linguagens ou outros artistas.
Figura 23- A diversidade em Cândido Portinari - O café 
Fonte: Disponível em: <http://marciliomedeiros.zip.net/arch2009-
01-11_2009-01-17.html>. Acesso em: 12 jul. 2012.
Figura 24 - A diversidade em Cândido Portinari - Marias
Fonte: Disponível em: <http://impressoespornorma.blogspot.com.
br/2011/07/no-atelie-de-portinari.html>. Acesso em: 3 jun. 2012.
http://marciliomedeiros.zip.net/arch2009-01-11_2009-01-17.html
http://marciliomedeiros.zip.net/arch2009-01-11_2009-01-17.html
http://impressoespornorma.blogspot.com.br/2011/07/no-atelie-de-portinari.html
http://impressoespornorma.blogspot.com.br/2011/07/no-atelie-de-portinari.html
130
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Figura 25 - A diversidade em Di Cavalcanti - Cinco Moças de Guaratinguetá
Fonte: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/
fichaTecnicaAula.html?aula=2349>. Acesso em: 3 jun. 2012.
Figura 26 - A diversidade em Di Cavalcanti - Aldeia de Pescadores 
Fonte: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/
fichaTecnicaAula.html?aula=27070>. Acesso em: 3 jun. 2012.
Figura 27 - A diversidade em TARSILA DO AMARAL - Morro da Favela
Fonte: Disponível em: <http://www.fotolog.com/
paoleb/62100480/>. Acesso em: 5 jun. 2012.
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=2349
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=2349
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=27070
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=27070
http://www.fotolog.com/paoleb/62100480/
http://www.fotolog.com/paoleb/62100480/
131
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
Figura 28 - A diversidade em TARSILA DO AMARAL - Operários
Fonte: Disponível em: <http://artefontedeconhecimento.blogspot.com.
br/2010/07/operarios-de-tarsila-do-amaral.html>. Acesso em: 3 jun. 2012.
Figura 29 - A diversidade na literatura - JOÃO GUIMARÃES ROSA
Fonte: Disponível em: <http://livroecafe.com/2011/10/31/diario-de-
leitura-grande-sertao-veredas-3/>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Figura 30 - A diversidade na literatura - GILBERTO FREIRE
Fonte: Disponível em: <http://www.imil.org.br/divulgacao/livros-
indicados/casa-grande-senzala/>. Acesso em: 20 jun. 2012.
http://artefontedeconhecimento.blogspot.com.br/2010/07/operarios-de-tarsila-do-amaral.html
http://artefontedeconhecimento.blogspot.com.br/2010/07/operarios-de-tarsila-do-amaral.html
http://livroecafe.com/2011/10/31/diario-de-leitura-grande-sertao-veredas-3/
http://livroecafe.com/2011/10/31/diario-de-leitura-grande-sertao-veredas-3/
http://www.imil.org.br/divulgacao/livros-indicados/casa-grande-senzala/
http://www.imil.org.br/divulgacao/livros-indicados/casa-grande-senzala/
132
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Figura 31 - A diversidade nas artes visuais - O QUATRILHO 
 
Fonte: Disponível em: <http://cameralenta.com/2012/09/05/o-
quatrilho-fabio-barreto-1995/>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Figura 32 - A diversidade nas artes visuais - LIXO EXTRAORDINÁRIO
Fonte: Disponível em: <http://jornambientalunifor.blogspot.com.br/2011/09/
analise-do-filme-lixo-extraordinario-e.html>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Essa diversidade cultural que, muitas vezes não é entendida e 
nem respeitada nas instituições de ensino, pode gerar os conflitos, 
atos de indisciplina, situações que necessitam de intervenção com 
sugestões e propostas buscadas do coletivo tendo a frente o gestor 
escolar. O respeito à riqueza da pluralidade cultural, no espaço das 
instituições escolares refere-se não apenas aos alunos, mas também 
aos educadores e a todos que fazem parte da comunidade escolar. 
Nossas ações, muito mais que as palavras expressam a 
concepção que construímos. Assim, no trabalho pedagógico 
desenvolvido na instituição escolar, os paradigmas do educador se 
manifestam nas atividades e na sua atuação. Gomes (2007) nos fala 
que a ação pedagógica do educador é o reflexo da sua concepção de educação. 
Assim, “Há uma relação estreita entre o olhar e o trato pedagógico da diversidade 
e a concepção de educação que informa as práticas educativas” (GOMES, 2007, 
p. 18). 
Essa diversidade 
cultural que, 
muitas vezes não 
é entendida e nem 
respeitada nas 
instituições de 
ensino, pode gerar 
os conflitos, atos de 
indisciplina, situações 
que necessitam 
de intervenção 
com sugestões e 
propostas buscadas 
do coletivo tendo 
a frente o gestor 
escolar.
http://cameralenta.com/2012/09/05/o-quatrilho-fabio-barreto-1995/
http://cameralenta.com/2012/09/05/o-quatrilho-fabio-barreto-1995/
http://jornambientalunifor.blogspot.com.br/2011/09/analise-do-filme-lixo-extraordinario-e.html
http://jornambientalunifor.blogspot.com.br/2011/09/analise-do-filme-lixo-extraordinario-e.html
133
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
Figura 33 - Diversidade
Fonte: Disponível em: <http://bibliblogue.wordpress.com/2010/03/29/
actividades-no-ambito-da-diversidade-cultural/>. Acesso em: 20 jun. 2012. 
Mas será que temos reservado tempo e espaço suficientes, 
enquanto gestores e professores para que essas discussões 
aconteçam nas unidades escolares e no seu entorno? Ao discutir a 
elaboração do Projeto Político Pedagógico temos tido a preocupação 
de incorporar nos debates essas questões?
A escola como espaço social traz no seu bojo contradições e 
manifestações das mais diversas formas de expressão. 
Levando em consideração que o processo 
educativo é complexo e fortemente marcado pelas 
variáveis pedagógicas e sociais, entendemos que 
esse não pode ser analisado fora de interação 
dialógica entre escola e vida, considerando o 
desenvolvimento humano, o conhecimento e a 
cultura (GOMES, 2007, p. 6). 
Faz-se necessário abordarmos a diversidade aí, questionando o modelo 
tradicional de homogeneidade da instituição escolar, pensando em seus 
atores como sujeitos históricos e culturais.
Como Podemos Lidar 
Pedagogicamente com a 
Diversidade?
Não é tarefa fácil entendermos os conflitos e tensões no processo escolar, 
desde o que ocasionou esses eventos conflitantes, como se constituíram e quais 
ações são mais apropriadas a serem realizadas tendo como suporte o Projeto 
A escola como 
espaço social 
traz no seu bojo 
contradições e 
manifestações 
das mais diversas 
formas de 
expressão.
http://bibliblogue.wordpress.com/2010/03/29/actividades-no-ambito-da-diversidade-cultural/http://bibliblogue.wordpress.com/2010/03/29/actividades-no-ambito-da-diversidade-cultural/
134
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Político Pedagógico. É preciso a participação coletiva, o comprometimento e 
a disponibilidade de ouvir ‘o outro’, mesmo que sejam opiniões contrárias ou 
concepções equivocadas. O diálogo como um instrumento de aprendizagem, 
possibilita a construção coletiva do processo educacional escolar e permite novas 
formas de convivência nos espaços vivenciais dos alunos, com o entendimento de 
que a diversidade é uma contribuição e não um entrave ou dificuldade nas inter-
relações. 
O estado de tensão, segundo Weil (2008) é parte de nossa vida e está ligado 
diretamente aos objetivos que nos propomos a alcançar. Como não vivemos sem 
ter objetivos (desde os mais primitivos de sobrevivência até os mais supérfluos 
e extravagantes), “A tensão é a mola mestra da evolução; isto vale tanto para os 
indivíduos como para as coletividades” (WEIL, 2008, p. 131). 
A tensão nas unidades escolares necessita ser vista como um 
momento a ser ultrapassado e não transformar-se num jogo de 
disputa de poder. As pessoas convivem e interagem no seu grupo 
de trabalho ou familiar e a partir da comunicação estabelecida 
vão se aproximando ou se afastando, vão entrar em conflito, 
cooperarem ou não. A interação social é um conceito trazido por 
Vygotsky (1998), que tem como concepção de homem um ser 
social, e nos diz que é através da linguagem que nos relacionamos com outras 
pessoas, nos constituímos e nos desenvolvemos como humanos. Davis (1989) 
contribuindo, com os estudos realizados, a partir deste teórico referenciado 
anteriormente, escreve:
A importância da dimensão interativa vem sendo, desde 
há muito tempo ressaltada pela psicologia (MEAD, 1934; 
PIAGET, 1977; WALON, 1945), deixando claro que a 
cooperação intelectual em torno de um problema comum 
é fator fundamental no desenvolvimento, As trocas entre 
parceiros- adultos/crianças e criança/criança – são não só 
valorizadas como incentivadas na medida em que resultam, 
na experiência humana, em conhecimento do outro e em 
conhecimentos construídos com os outros (DAVIS, 1989, p. 
51). 
 
Considerando, o ser humano essencialmente social tem sua 
identidade, individual constituída, portanto nas interações sociais que 
estabelece com os humanos que convive. Este processo complexo 
pode ser manifestado sob a forma de expressões verbais, um olhar, 
um gesto, ou até mesmo o silenciar, que traduzem uma mensagem, 
uma ideia, um sentimento. Essa troca é uma constante no processo 
de interação sendo assim, somos sempre correponsáveis pelo 
sucesso ou fracasso de uma relação humana. 
A tensão nas 
unidades escolares 
necessita ser vista 
como um momento 
a ser ultrapassado e 
não transformar-se 
num jogo de disputa 
de poder.
O ser humano 
essencialmente 
social tem sua 
identidade, individual 
constituída, portanto 
nas interações 
sociais que 
estabelece com 
os humanos que 
convive.
135
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
A interação num grupo, como na escola, não acontece somente na troca de 
ideias ou na divisão de tarefas no cotidiano, mas principalmente na superação de 
divergências e no enfrentamento dos problemas. A diversidade existente nestes 
espaços de educação nos leva a novas formas de pensar e a questionar nossas 
certezas possibilitando mudanças enquanto indivíduo e enquanto coletivo.
Atividade de Estudos: 
1) Destaque no espaço abaixo qual das competências você 
considerada mais de maior dificuldade a ser atingida pelo gestor/
líder na instituição de ensino? Por quê? Justifique.
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Concepções e Significados da 
Liderança na Gestão Democrática 
Participativa: Diferentes Teorias 
Sobre Liderança
“Lider é todo indivíduo que, graças à sua personalidade, dirige 
um grupo social, com a participação espontânea dos seus membros” 
(WEIL, 2008, p. 63). Contudo, sabemos com os avanços produzidos 
pelas Ciências Sociais, que a liderança não é uma característica que 
nasce com os indivíduos, apesar de alguns, serem mais expansivos, 
comunicativos. Essa característica é construída através da aquisição 
de habilidades e competências, buscadas na formação continuada pelo 
profissional. 
Contudo, sabemos 
com os avanços 
produzidos pelas 
Ciências Sociais, 
que a liderança 
não é uma 
característica que 
nasce com os 
indivíduos, apesar 
de alguns, serem 
mais expansivos, 
comunicativos.
136
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Figura 34 – O líder
Fonte: Disponível em: <http://www.peanuts.com>.Acesso em: 20 jun. 2012.
As teorias de dirigir um grupo - liderança é baseada na forma e ênfase dado 
com que o poder é centralizado ou redistribuído. Segundo os autores Lück (2008, 
p. 75) e Weil (2008, p. 64) é possível apontar 3 (três) estilos de liderança:
1. Autocrática ou ditatorial
O poder é centralizado e o líder não se preocupa com a opinião ou diferentes 
concepções do grupo. Ele determina as ordens que devem ser cumpridas a 
risca. O líder é o pensador e planejador das ações e seus subordinados apenas 
executam. Nesta perspectiva há uma separação entre quem pensa e quem faz. 
2. Laissez faire
Cada membro faz o que quer. Este estilo é marcado pela falta da atuação 
da liderança e de um rumo demarcado, ou seja, não é definido como os objetivos 
serão alcançados. Nesta forma de liderança considera-se que cada um é 
competente o suficiente para fazer o que quiser, muitas vezes trabalhando no 
oposto do grupo. Laissez faire, não pode ser definido como um estilo de liderança, 
mas sim como exemplo da falta de liderança.
3. Direção liderada ou liderança democrática
É o tipo de liderança que busca a participação efetiva de todo o coletivo. 
Conforme Lück (2008, p. 79), “Este estilo de liderança é marcado pelo 
fortalecimento da escola como um todo, de tal modo que, diante da eventual 
saída do gestor, não ocorreria um vácuo que resultaria em um retrocesso na 
escola”. 
A Constituição Nacional e a LDB nº 9394, determinam que a gestão escolar 
seja democrática como apontamos nos capítulos anteriores e continuamos 
relevando este fator primordial de construção da cidadania e autonomia da 
educação escolar. 
http://www
137
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
Abaixo apresentamos um quadro sobre os dois estilos de liderança 
encontrados nas instituições de ensino registrado por Lück (2008, p. 85) :
Tabela 1 – Estilos de liderança
Estilo Autoritário
Liderança centralizada
Estilo Democrático
 Liderança compartilhada
INICIATIVA
Centrada no dirigente. Pesso-
as esperam permissão para 
tomar iniciativa.
Compartilhada entre os 
membros da organização e 
determinada coletivamente.
CULTURA 
ORGANIZACIO-
NAL
Considerada como secun-
dária. Mais forte é o culto ao 
dirigente e suas decisões.
Fortalecida mediante o de-
senvolvimento de competên-
cias pelo compartilhamento 
de decisões e ações, que 
transformam positivamente 
o modo de ser e de fazer na 
escola.
TOMADA DE
 DECISÃO
Centralizada e baseada em 
processos formais.
Distribuída, mediante proces-
sos de reflexão e dissemina-
ção de informações.
SENTIDO DE 
MISSÃO E VISÃO
Definido e assumido pelo 
dirigente, que se torna seu 
arauto.
Definido e assumido pe-
los membros da escola e 
incorporado no ideário de 
suas ações, mediante sua 
iniciativa para implementá-lo. 
Continuamente revisto à luz 
das ações e reflexões.
CRÉDITO DESUCESSO Atribuído ao dirigente.
Atribuído ao trabalho de 
conjunto.
PAPÉIS E FUN-
ÇÕES
Assumidos de acordo com 
cargos e respectiva definição.
Assumidos de forma compar-
tilhada, segundo o sentido de 
responsabilidade comum. De-
senvolvem-se em associação 
com o desenvolvimento das 
competências das pessoas.
Fonte: Lück (2008, p. 85)
Os estilos de liderança estão assim definidos pelos estudos desenvolvidos, 
mas é preciso percebê-los numa visão mais flexível, pois o que em alguns 
momentos parece ser ou pode ser entendido como um ato arbitrário em outros, 
138
Organização e Desafios da Gestão Escolar
isso já não ocorre. Por isso, essa configuração dos diferentes estilos não pode 
ser estanque e pronta. Como todo o processo de inter-relações é um movimento 
e se constitui com a contribuição dos indivíduos e dos acontecimentos. 
Atividade de Estudos: 
1) Complete o quadro abaixo com as seguintes frases: Liderança 
centrada no dirigente
a) Liderança compartilhada
b) Tomada de decisão baseada em processos formais
c) Tomada de decisão mediante reflexão e decisão conjunta 
d) Sucesso atribuído ao líder.
e) Sucesso atribuído ao coletivo.
f) Papéis e funções de acordo com o cargo.
g) Papéis e funções de conforme responsabilidade do coletivo 
associado às competências individuais.
Estilo autoritário Estilo democrático
A Relação Entre Liderança e 
Gestão: o Papel do Gestor Escolar 
como Líder na Ação Efetiva da 
Gestão Escolar
“A liderança na escola é uma característica inerente à gestão 
escolar [...], conforme nos diz Lück (2008, p. 20). É pela capacidade 
influenciar e de envolver a comunidade escolar, em prol de um 
projeto pedagógico da instituição escolar, planejado no coletivo, que 
podemos considerar o gestor como um líder. 
Considerando a gestão escolar como um processo de 
É pela capacidade 
influenciar e 
de envolver a 
comunidade escolar, 
em prol de um 
projeto pedagógico 
da instituição escolar, 
planejado no coletivo, 
que podemos 
considerar o gestor 
como um líder.
139
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
compartilhamento, temos que buscar a construção de uma nova visão de liderança 
que delega poderes com os outros participantes do coletivo escolar (professores, 
alunos, funcionários) na tomada de decisões e de também manifestar-se como 
líder sempre que se fizer necessário. 
A escola sendo um espaço social de construção do humano, frente aos 
avanços e exigências da sociedade, necessita de uma nova configuração na sua 
organização tanto administrativa como pedagogicamente buscando no coletivo 
contribuições e parcerias: 
A escola se reinventa como um espaço social de formação 
humana, para além da socialização do saber. O sentido 
radical da escola é constituir o espaço especializado de 
formação humana, porque é a instituição social onde as 
pessoas produzem a educação básica. Este espaço social de 
formação humana traz exigências e demandas para o trabalho 
pedagógico como mediação desta formação e para sua gestão 
(WITTMANN, 2008, s.p).
Para que a instituição escolar realize um trabalho pedagógico com objetivos 
claros e uma organização, é necessário que alguém seja o articulador do 
processo grupal e incentive, avalie e reorganize o trabalho coletivo. Esse papel 
cabe ao gestor escolar que ao assumir a direção da unidade escolar é imbuído 
de autoridade - base da legitimidade e que vai constituir-se e aperfeiçoar-se como 
líder. 
Contudo é certo que nem sempre todo o gestor é líder. Também sabemos 
que não basta querer e ter pretensão de ser um líder. Não é uma tarefa fácil e 
exige muito esforço, estudo e entendimento das diversas áreas do conhecimento 
sob a formação humana. 
Competências, Habilidades e 
Atitudes a Serem Desenvolvidas 
para o Exercício de Liderança 
no Espaço Escolar 
Líderes não nascem feitos eles se constroem, no exercício diário 
de auto análise, na busca de aperfeiçoamento profissional, na aquisição 
de novas habilidades e competências necessárias para sua atuação no 
grupo onde se está gestor. 
Líderes não 
nascem feitos eles 
se constroem, no 
exercício diário 
de auto análise, 
na busca de 
aperfeiçoamento 
profissional, na 
aquisição de 
novas habilidades 
e competências 
necessárias para 
sua atuação no 
grupo onde se está 
gestor.
140
Organização e Desafios da Gestão Escolar
O gestor escolar, como líder deste processo coletivo, necessita de 
competências especificas, pois
as inovações constantes e o desenvolvimento organizacional 
no mundo do trabalho requerem, ainda, competências para 
falar em público, argumentar e convencer na exposição 
de ideias, planos e estratégias. O trabalho em pequenos 
grupos mostra a necessidade de habilidades de supervisão 
e monitoramento de tarefas [...] exigem competência 
em requisitos como os de observar, ouvir, dar feedback, 
descrever, pedir mudança de comportamento, perguntar e 
responder perguntas entre outras (DEL PRETTE, 2011, p. 
57).
 
Heloísa Lück (2008, p.121) aponta algumas competências necessárias para 
uma liderança na educação que são: 
a) Conhecer os seus talentos e valores pessoais
Conhecer a si mesmo permite aperfeiçoar o que fazemos de melhor, cada 
vez mais. Também nos possibilita saber as nossas fraquezas e “defeitos” o que 
nos leva a superação dos mesmos. Portanto, é necessário que o líder reconheça 
os seus valores aonde pretende chegar e como trilhar este caminho. Ter um 
norte permite que, mesmo nos momentos de tensão e o surgimento de novas 
oportunidades não deixe a parte os encaminhamentos dos trabalhos pretendidos 
e assumidos com o coletivo. A avaliação pessoal do seu desempenho deve ser 
uma constante na vida do gestor, assim como a avaliação do grupo que está sob 
sua liderança.
A análise das informações sobre o desempenho possibilitará 
certamente, novas aprendizagens. Prover “feedback” sempre ao 
grupo mencionando os pontos fortes observados vai contribuir 
para que as pessoas invistam mais nas suas habilidades. Apontar 
as falhas e os equívocos ocorridos e dar sugestões de melhoria 
possibilitará que o ocorrido não aconteça novamente. 
A análise das 
informações sobre 
o desempenho 
possibilitará 
certamente, novas 
aprendizagens.
141
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
Figura 35 – Auto conhecimento
Fonte: Disponível em: <http://www.quino.com.ar/>. Acesso em: 20 jun. 2012.
b) Desenvolver competências específicas para sua atuação na sua área 
 profissional
Lück (2008, p. 126) sintetiza esse pensamento quando diz “A competência 
associada ao comprometimento, permite à pessoa que exerce liderança tornar-
se confiável e ser reconhecida por sua credibilidade, uma condição fundamental 
para que possa exercer influencia sobre os outros”. Saber obter a cooperação 
e a confiança da comunidade onde atua é uma característica de um líder e que 
também não deve privilegiar alguns participantes em detrimento de outros; todos 
devem receber o mesmo tratamento. Quando houver necessidade de intervenção, 
esta deve acontecer logo após o ocorrido. A comunicação clara, direta e 
objetiva é fator decisivo na coordenação e organização do trabalho do líder.
c) Desenvolver competências para administrar as situações de 
 conflito e tensões 
Sabemos que todo processo social tem na sua dinâmica 
características como embates, tensões, discussões, contradições, 
discordâncias e enfrentamentos. Ao desconsiderar ou mesmo abafar as 
desavenças, como algo que deve ser evitado, perde-se a oportunidade 
de exercitarmos a democracia e de provocarmos mudanças individuais 
e/ou do grupo. 
Na unidade escolar podem ocorrer diversos tipos de conflito. Nessas 
situações, um líder deve procurar antecipar as reações e entender as emoções 
dos participantes. Uma maneira de intervenção do líder é questionar e promover 
a reflexão para que o participante tenha controle de suas emoções e assumir 
comportamentos mais adequados. 
Sabemos que todo 
processo social tem 
na sua dinâmica 
características 
como embates,tensões, 
discussões, 
contradições, 
discordâncias e 
enfrentamentos.
http://www.quino.com.ar/
142
Organização e Desafios da Gestão Escolar
A tarefa do líder está em manter ou melhorar a qualidade das relações 
interpessoais (DEL PRETTE, 2011), sendo necessário entender a dinâmica 
interpessoal e seus desdobramentos (LÜCK, 2008,). Parolin (2010) contribui nos 
trazendo uma reflexão: 
[...] reporta-nos a compreender as nossas semelhanças e, ao 
mesmo tempo, as nossas diferenças. Cada um de nós é único 
em sua forma de emocionar-se, de expressar-se, de aprender, 
apesar de sermos semelhantes em muitos aspectos da nossa 
estrutura orgânica e de nos reconhecermos como semelhantes 
em nossa cultura (PAROLIN (2010, p. 86).
Nas relações interpessoais é preciso ver como o outro vê e 
sente os acontecimentos. Temos que nos colocar no lugar do outro. 
Conhecer e valorizar a perspectiva do outro sem perder a nossa 
singularidade.
O filme ‘O Mestre da Vida’ baseado numa história real é um 
convite à partilha de experiências de vida, aos ensinamentos e 
aprendizados, que enriquecem as relações interpessoais.
O Mestre da Vida (2006)
 
 
 
Fonte: Disponível em: <http://.arlequim.com.br>. 
Acesso em: 20 mai. 2012. 
•Direção: George Gallo
• Roteiro: George Gallo
• Gênero: Drama
• Origem: Estados Unidos
• Duração: 107 minutos
• Tipo: Longa-metragem
http://.arlequim.com.br
143
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
d) Desenvolver uma atitude de trabalho compartilhado e em equipe
Ser líder requer a competência em administrar o trabalho na 
instituição, delegando responsabilidade para o grupo. Mas o poder é 
compartilhado e as pessoas recebem diferentes tarefas para atingir o 
objetivo maior da unidade escolar. 
Genuíno Bordignon e Regina Vinhaes Gracindo (2011) contribuem 
com suas reflexões em relação ao poder compartilhado na gestão 
democrática da educação, que o líder precisa desenvolver dizendo
:
Gestão democrática é o processo de coordenação das 
estratégias de ação para alcançar os objetivos definidos 
e requer liderança centrada na competência, legitimidade 
e credibilidade. A gestão da escola ou do município, por 
natureza, é um processo de coordenação de iguais, não de 
subordinados (BORDIGNON, 2011, p. 165).
Portanto, 
[...] o poder não se situa em níveis hierárquicos, mas nas 
diferentes esferas de responsabilidade, garantindo relações 
interpessoais entre sujeitos iguais e ao mesmo tempo 
diferentes. Essa diferença dos sujeitos, no entanto, não 
significa que um seja mais que o outro, pior ou melhor, 
mais ou menos importante, nem concebe espaços para a 
dominação e a subserviência, pois estas são atitudes que 
negam radicalmente a cidadania. As relações de poder não 
se realizam na particularidade, mas na intersubjetividade 
da comunicação entre atores sociais, Nesse sentido, o 
poder decisório necessita ser desenvolvido com base em 
colegiados consultivos e deliberativos” (BORDIGNON, 
2011, p. 152).
O trabalho de um líder é o de organizar o grupo. Isto significa dizer, 
que cada participante tem seu tempo para falar, opinar, defender seu ponto 
de vista e descobrir que mesmo tendo objetivos comuns. Cada um tem uma 
identidade própria, mas no inter-relacionamento do grupo influencia e recebe 
contribuições para sua formação enquanto humano. Por isso, as informações 
relacionadas ao trabalho e a entidade escolar devem ser compartilhadas por 
todos.
e) Conhecer a natureza do trabalho da educação e da aprendizagem
Além da sua convicção nas suas potencialidades e habilidades é necessário 
que tenha conhecimento do sentido político e social da educação e sua 
organização pedagógica, na construção de uma educação de qualidade social 
Ser líder requer 
a competência 
em administrar 
o trabalho na 
instituição, 
delegando 
responsabilidade 
para o grupo. 
Mas o poder é 
compartilhado e as 
pessoas recebem 
diferentes tarefas 
para atingir o 
objetivo maior da 
unidade escolar.
144
Organização e Desafios da Gestão Escolar
para todos. O gestor, sendo líder e tendo este conhecimento e metas específicas, 
pode desenvolver seu potencial de acordo com as expectativas e necessidades 
da comunidade escolar, tomando decisões rapidamente nas questões tratadas. 
Manter atitudes coerentes, sensatas e com segurança, intensificam a autoridade 
que o cargo lhe confere e cria um ambiente de responsabilidade do coletivo para 
com a instituição de ensino. Mas, como nos coloca Silva (1994, p. 7), 
Esse processo é lento, demanda tempo, iniciando-se muitas 
vezes pela adesão de dois ou três elementos em torno de uma 
ideia comum. É preciso propor situações de trabalho coletivo 
que, de alguma forma, respeitem o momento de cada um, sem 
perder de vista os objetivos que o grupo se propõe alcançar. 
f) Desenvolver expectativas elevadas em relação ao seu trabalho, 
 como líder da escola
O gestor como líder numa unidade de ensino, vai mobilizar, 
orientar, coordenar e incentivar cada membro do coletivo escolar, 
a exercerem com eficiência suas atividades pedagógicas com o 
compromisso de propiciarem as crianças e jovens uma aprendizagem 
significativa, pautadas nos princípios da educação de qualidade 
social para todos os alunos. A capacidade de mobilizar a comunidade 
escolar de compartilhar e desenvolver parcerias é inerente ao papel do líder.
As atitudes proativas do gestor, seu entusiasmo e sua capacidade de 
influenciar o grupo permite obter-se resultados que contribuem com o sucesso 
de todos. Trabalhar tendo o foco nos objetivos estabelecidos no Projeto Político 
Pedagógico e não apenas controlar a rotina dos participantes da equipe. 
Atitudes proativas referem-se à disponibilidade de uma pessoa 
à frente dos demais membros do grupo. Essa habilidade permite ao 
indivíduo buscar soluções ao invés de se concentrar nos problemas 
e onde os outros só enxergam dificuldades e problemas ver as 
possibilidades. Em vez de ficar reclamando dos problemas, agir de 
maneira criativa, inovadora. Fazer a diferença.
A capacidade 
de mobilizar a 
comunidade escolar 
de compartilhar 
e desenvolver 
parcerias é inerente 
ao papel 
do líder.
145
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
Atividade de Estudos: 
1) Atitude proativa é:
 a) disponibilidade na resolução de ações;
 b) dificuldades em tomar iniciativas. 
 c) resolver os problemas de maneira rápida e eficiente.
 d) agir de maneira criativa e inovadora.
 Assinale a alternativa correta
 ( ) a, b, c estão corretas. 
 ( ) a, c, d estão corretas.
 ( ) a, b estão corretas.
 ( ) todas as respostas estão corretas.
A educação escolar, com objetivos consistentes e baseados nos pressupostos 
propostos pela UNESCO (DELOR, 1998), que são: aprender para conhecer, 
aprender para saber fazer, aprender a ser e aprender a conviver, permite que as 
crianças e adolescentes que fazem parte da instituição aprendam pela vivência e 
através de conteúdos e propostas didáticas significativas. 
Figura 36 – Saberes
Fonte: Disponível em:<http://ferinhasdosaber.blogspot.com.br/2009/12/
os-4-pilares-da-educacao.html>. Acesso em: 20 jun. 2012. 
http://ferinhasdosaber.blogspot.com.br/2009/12/os-4-pilares-da-educacao.html
http://ferinhasdosaber.blogspot.com.br/2009/12/os-4-pilares-da-educacao.html
146
Organização e Desafios da Gestão Escolar
g) Focar a atenção no desenvolvimento de uma ótica de um agente 
 de mudança
Com uma atuação embasada em estudos teóricos recentes com reflexões 
e intercâmbio de aprendizagens, o líder compartilha responsabilidades e o poder 
com o coletivo da instituição escolar. Esse é “[...], um dos grandes desafios da 
liderança escolar nos dias atuais, consiste em atuar como agente de mudança 
visando a continua renovação dos processos sócio educacionais” (LÜCK, 2008, 
p. 129). 
Lauro Carlos Wittmann (2008, s. p.), na apresentação do II Simpósio 
Internacional e V Fórum Nacional de Educação reafirma seus escritos dizendo 
que o gestor como líder, tem como base da legitimidade“[...] além da competência 
técnica, conhecimentos e atitudes necessárias, e da competência política, 
compromisso público com o programa da educação do Estado, o agente deve ter 
representatividade comunitária, liderança na comunidade escolar e local”. 
Atividade de Estudos: 
1) São três as competências do gestor/líder segundo Wittmann 
(2008). Relacione as colunas correlacionando as competências 
as suas respectivas peculiaridades. 
 a) competência técnica
 b) competência política
 c) representatividade comunitária
 ( ) compromisso público com os projetos e programas do Estado.
 ( ) liderança na comunidade.
 ( ) conhecimentos, habilidades e atitudes pertinentes ao líder.
Essas questões são importantes, pois o líder como agente de 
mudanças, tem que desenvolver competências além da autoridade 
que lhe é dada pelo o cargo que ocupa. Como autoridade competente 
tem que considerar e incentivar a participação de todos os que fazem 
parte da comunidade escolar buscando sugestões e incentivando 
as novas ideias. É importante salientar que essa participação não 
precisa ser necessariamente presencial, mas o objetivo deve ser o 
mesmo: uma educação de qualidade social para todos. 
Como autoridade 
competente tem 
que considerar 
e incentivar a 
participação de todos 
os que fazem parte 
da comunidade 
escolar buscando 
sugestões e 
incentivando as 
novas ideias.
147
Relações Humanas e Liderança Capítulo 6 
Algumas Considerações
O líder precisa ter consciência da sua responsabilidade e por isso tem que 
ter comprometido com o seu papel dentro da unidade escolar, que se reflete em 
um trabalho efetivamente coletivo e com um grupo coeso. Numa perspectiva 
de gestão democrática os embates e conflitos vão sempre surgir e devem ser 
considerados não como entraves, mas sim como alavanca para vencer novos 
desafios. 
Outras questões não abordadas aqui, mas de suma importância devem ser 
estudadas e analisadas, pois a partir da concepção de cada líder/gestor tem 
encaminhamentos diferentes. 
Entender a diversidade como riqueza e não como empecilho só vai acontecer 
se cada um perceber-se como indivíduo único, mas ao mesmo tempo parte da 
humanidade, recebendo influências e influenciando o seu entorno. A autoridade 
que é conferida ao líder, abordada neste texto está fundamentada, num paradigma 
de educação como prática social, que não diminui a sua importância conferida 
pelo cargo, mas destaca sua competência técnica, política e administrativa no 
âmbito social. 
Entendemos que é a partir do diálogo nas relações interpessoais que os 
indivíduos compartilham suas ideias, desejos, valores, necessidades e podem 
refletir, revendo concepções e reorganizando o pensamento e construindo novos 
conhecimentos. 
Contudo, muitas vezes há divergências sérias no espaço escolar difíceis 
de serem superadas gerando conflitos, fazendo-se necessário que a instituição 
escolar planeje coletivamente e desenvolva ações não somente para prevenir, 
mas também, quando necessário, para sanar por meio da prática, do diálogo 
e da mediação dos conflitos uma das possibilidades de ajuda especializada 
para solucionar ou amenizar os conflitos escolares como veremos no próximo 
capítulo.
Referências
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EDUCAÇÃO: O município e a Escola. In: FERREIRA, Naura Syria Carapeto; 
AGUIAR, Márcia Ângela da Silva (Orgs.). GESTÃO DA EDUCAÇÃO. Impasses, 
perspectivas e compromissos. São Paulo: Cortez, 2011.
148
Organização e Desafios da Gestão Escolar
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares. Pluralidade Cultural. 
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdf>. 
Acesso em: 20 jul. 2012. 
DAVIS, Claudia; SILVA, Maria Alice Setúbal; ESPÓSITO, Yara. PAPEL E VALOR 
DAS INTERAÇÕES SOCIAIS EM SALA DE AULA. Caderno de Pesquisa, nº 
71. nov. 1989. Disponível em:<http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/
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DELORS, J. Educação: um Tesouro a Descobrir. São Paulo: 
Cortez; Brasília: MEC/UNESCO, 1998.
DEL PRETE, Almir; DEL PRETE, Zilda Aparecida Pereira. Psicologia das 
relações interpessoais. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.
GOMES, Nilma Lino. Diversidade e Currículo. Brasília: Ministério da Educação, 
Secretaria de Educação Básica, 2007.
LÜCK, Heloísa. LIDERANÇA EM GESTÃO ESCOLAR. Petrópolis, RJ: Editora 
Vozes, 2008.
PAROLIN, Isabel Cristina Hierro. Pais e educadores: quem tem tempo de 
educar. Porto Alegre: Mediação, 2010. 
REGINATO Maria José; GROSBAUM, Marta Wolak; BRUSTEIN, Raquel Léa; 
PIMENTEL, Rita Porto. Asas e raízes: trabalho coletivo na escola. Ministério da 
Educação e Cultura. UNICEF:ITAÚ.1994. 
SILVA, Maria Alice Setúbal Souza; QUADRADO, Alice Davanço; MANSUTTI, 
Maria Amábile; SAMPAIO, Maria das Mercês Ferreira; BERGAMIM, Maria Estela; 
RIBEIRO, 
VIGOTSKY, Lev Semenovitch. (Trad. Jefferson Luiz Camargo). Pensamento e 
Linguagem. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. Relações Humanas na Família e no 
Trabalho. 54. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. 
WITTMANN, Lauro Carlos. PEDAGOGIA DA GESTÃO. II Simpósio Internacional 
e V Fórum Nacional de Educação. Torres, RS: ULBRA, 2008. Disponível em: 
<http://forum.ulbratorres.com.br>. Acesso em: 03 jul. 2012.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pluralidade.pdf
http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/arquivos/812.pdf
http://www.fcc.org.br/pesquisa/publicacoes/cp/arquivos/812.pdf
http://forum.ulbratorres.com.br
CAPÍTULO 7
Gestão do Conflito Escolar: 
Modelos de Mediação
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Definir conflito e conflito escolar.
� Distinguir os estilos de gestão dos conflitos escolares.
� Apresentar os conflitos escolares como desencadeadores do processo de 
resolução de problemas.
� Demonstrar a gestão do conflito como construto de valorização humana 
estimulando a criatividade pessoal e coletiva.
� Investigar as situações de conflito a partir do diagnóstico propondo intervenções 
em nível individual e de grupo.
150
Organização e Desafios da Gestão Escolar
151
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
ESTATUTO DO HOMEM
(Ato Institucional Permanente) 
A Carlos Heitor Cony 
 
Artigo I 
Fica decretado que ago-
ra vale a verdade. 
agora vale a vida, 
e de mãos dadas, 
marcharemos todos pela 
vida verdadeira.
Artigo II
Fique todos os dias 
da semana, inclusive 
as terças-feiras mais 
cinzentas, têm direito 
a converter-se em 
manhãs de domingo. 
Artigo III
Fica decretado 
que, a partir deste 
instante, 
haverá girassóis em 
todas as janelas, 
que os girassóis 
terão direito a 
abrir-se dentro 
da sombra; e que 
as janelas devem 
permanecer, o dia 
inteiro, abertas para 
o verde onde cresce 
a esperança. 
Artigo IV 
Fica decretado que o 
homem não precisará 
nunca mais duvidar do 
homem. 
Que o homem confia-
rá no homem como 
a palmeira confia no 
vento, como o vento 
confia no ar, como o ar 
confia no campo azul 
do céu.
Parágrafo único: 
O homem confiará 
no homem como um 
menino confia em outro 
menino.
Artigo V
Fica decretado que os 
homens estão livres 
do jugo da mentira.
Nunca mais será 
preciso usar a couraça 
do silêncio nem a ar-
madura de palavras.
O homem se senta-
rá à mesa com seu 
olhar limpo porque a 
verdade passará a ser 
servida
antes da sobremesa. 
152
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Artigo VI 
Fica estabelecida, du-
rante dez séculos, 
a prática sonhada pelo 
profeta Isaías, e o lobo 
e o cordeiro pastarão 
juntos e a comida de 
ambos terá o mesmo 
gosto de aurora. 
Artigo VII
Por decreto irrevogá-
vel fica estabelecido o 
reinado permanente da 
justiça e da claridade, 
e a alegria será uma 
bandeira generosa 
para sempre desfralda-
da na alma do povo. 
Artigo VIII 
Fica decretado que 
a maior dor sempre 
foi e será sempre 
não poder dar-se 
amor a quem seama e saber que 
é a água que dá à 
planta o milagre da 
flor. 
Artigo IX
Fica permitido que o 
pão de cada dia tenha 
no homem o sinal de 
seu suor. 
Mas que, sobretudo 
tenha sempre o quente 
sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qual-
quer pessoa, qualquer 
hora da vida, o uso do 
traje branco. 
Artigo XI 
Fica decretado, por 
definição, que o ho-
mem é um animal que 
ama e que por isso é 
belo, 
muito mais belo que a 
estrela da manhã. 
Artigo XII 
Decreta-se que 
nada será obriga-
do nem proibido, 
tudo será permitido, 
inclusive brincar 
com o rinocerontes 
e caminhar pelas 
tardes com uma 
imensa begônia na 
lapela.
Parágrafo único: 
Só uma coisa fica proi-
bida: amar sem amor. 
153
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
Artigo XIII 
Fica decretado que o 
dinheiro não poderá 
nunca mais comprar o 
sol das manhãs vindou-
ras. 
Expulso do grande baú 
do medo, o dinheiro 
se transformará em uma 
espada fraternal para 
defender o direito de 
cantar e a festa do dia 
que chegou. 
Artigo Final 
Fica proibido o uso da 
palavra liberdade, a 
qual será suprimida 
dos dicionários e do 
pântano enganoso 
das bocas. 
A partir deste instante 
a liberdade será 
algo vivo e transpa-
rente como um fogo 
ou um rio, e a sua 
morada será sempre o 
coração do homem.
 
Thiago de Mello 
 
Santiago do Chile, abril de 1964
 
Contextualização 
Iniciamos este capítulo com o poeta Thiago de Mello, ‘cantador do Amazonas’ 
cujas palavras, fala do mundo e daquilo que é próprio do humano - as relações 
sociais, o respeito, a não violência, a confiança.... ilustrando bem o que vamos 
tratar em seguida cuja temática é o conflito. 
Partirmos do entendimento que conflitos sempre estiveram presentes na 
nossa sociedade e que podem ser conflitos interpessoais, que são os que ocorrem 
entre duas pessoas ou grupos, ou estruturais ou ainda os culturais gerando 
situações de discriminação, humilhação, medo e vitimização. Especificamente, os 
conflitos no espaço escolar têm despontado nos últimos anos no mundo inteiro, 
gerando eventos de violência, determinando a necessidade urgente de estudos, 
da área educacional para prevenção e mediação das ações de violência, assim 
como a implantação de políticas públicas.
Muitos países como Estados Unidos, França, Espanha, Inglaterra, Argentina, 
Chile entre outros, já vem desenvolvendo ações políticas “[...] mais ou menos 
eficientes, dirigidas aos diversos atores que compõe este complexo sistema 
que é o fenômeno violência escolar.” (CHRISPINO, 2007, p.12). Percebemos 
que somente nos últimos anos essa temática tem sido abordada, no Brasil, mais 
diretamente nas instituições sociais entre elas as escolares. 
154
Organização e Desafios da Gestão Escolar
O conflito que vamos abordar referem-se às relações entre pessoas, 
no espaço escolar, entendidas como situações de confronto nas interações 
sociais, desavenças de opiniões, embates ideológicos que podem ser resolvidos 
tanto de forma agressiva e violenta ou no diálogo pacificamente, dependendo 
da organização da unidade de ensino onde ocorrem e da formação pessoal 
(estruturas cognitivas e afetivas) dos envolvidos no processo pedagógico. 
A tomada de decisão nas mais diversas situações são reflexos das nossas 
concepções, emoções e dos nossos construtos mentais. Essa questão, ainda 
pouco investigada segundo Maria Isabel da Silva Leme (2004, p. 367 apud 
SASTRE; MORENO, 2002): “É interessante observar ainda que cognição e 
afetividade têm sido pouco investigadas em uma perspectiva de funcionamento 
integrado até recentemente pela Psicologia”. 
A proposta deste capítulo é trazer algumas questões para contribuir numa 
perspectiva democrática, para que os conflitos no espaço da educação escolar, 
sejam abordados de forma inovadora. Vamos também discutir as diferentes 
concepções de conflito, construídas historicamente; os tipos de conflitos e suas 
possíveis causas e mais especificamente, o conflito na educação escolar: sua 
gestão e a resolução dos mesmos através da mediação. 
O que é Conflito? 
E, você, quando aparece uma situação problema em sua vida, no 
seu trabalho qual a primeira atitude que costuma tomar? Geralmente 
a solução buscada costuma ter um resultado positivo? Você faz uma 
análise depois sobre o ocorrido? Muitas vezes acha que poderia 
agir de outra maneira ou estava correta a atitude tomada? Às vezes, 
agimos de determinada maneira e nos arrependeremos depois.
Para entendermos a realidade atual é importante situar que considerando 
o conflito um fenômeno social, as diferentes concepções acerca deste, foram 
sendo construídas historicamente. Isto quer dizer que a forma de ‘ver’, entender e 
abordar o conflito são diferentes (não podendo ser julgadas se certas ou erradas) 
dependendo no tempo e espaço onde ocorrem e precisam ser analisadas neste 
contexto, como veremos a seguir. 
155
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
Numa abordagem tradicional o conflito normalmente tem conotação 
negativa, associado à agressividade, à violência, ao embate físico 
e verbal, a comportamentos negativos e que prejudicam o grupo ou 
organização. É um mal a ser evitado e não existir o conflito nas relações 
é um exemplo de competência. Portanto, na gestão dos conflitos nesta 
perspectiva, o objetivo é a eliminação do mesmo. 
Já, numa concepção comportamentalista o conflito é tido como 
inevitável, pois cada pessoa é diferente da outra. A gestão do conflito 
tem como estratégia após ser detectado, procurar resolver as causas 
iniciais e apontar as diferenças entre as partes. É uma maneira de 
camuflar as desavenças, pois não há discussão para chegar-se a um 
consenso. 
Considerando que o conflito, dependendo do contexto onde ocorre, 
tanto pode ser positivo, como negativo; bom ou mau; funcional ou não; 
a abordagem interacionista, apenas reconhece a situação conflituosa. 
Aponta também, que em determinadas ocasiões o conflito deve ser 
estimulado para surgirem ideias inovadoras e criativas promovendo 
mudanças consideráveis. 
Numa abordagem atual, as novas ideias e as mudanças ocorrem 
a partir de discussões de pontos de vista conflituosos. É reconhecida 
a utilidade dos conflitos trazendo renovação para os grupos e 
organizações e para as relações interpessoais. 
O conflito surge a partir das diferenças “[...] de interesses, de 
desejos e de aspirações. Percebe-se que não existe aqui a noção estrita 
de erro e de acerto, mas de posições que são defendidas frente a outras, 
diferentes”. (CHRISPINO, 2007, p. 16).
Outra contribuição relevante, para o entendimento e a conceituação numa 
perspectiva atual, do conflito é a de Maria Tereza Maldonado (2008, p.13): “Os 
conflitos fazem parte da vida de todos nós e acontecem até nos relacionamentos 
mais harmônicos”. Diz também que “Das diferenças entre as pessoas surgem os 
conflitos no cotidiano das famílias, das escolas, da vizinhança, do ambiente de 
trabalho”.
Quando mais democrática for uma relação ou organização, mais conflitos 
haverá. Nesta perspectiva o conflito começa a ser visto como algo “[...] mais 
natural e, por conseguinte, necessária às relações entre pessoas, grupos sociais, 
organismos políticos e Estado” (CHRISPINO, 2007, p. 16). O conflito, portanto, 
aparece, como uma situação de confronto de opiniões, que revela oposição de 
Numa abordagem 
tradicional o conflito 
normalmente 
tem conotação 
negativa, associado 
à agressividade, 
à violência, ao 
embate físico 
e verbal, a 
comportamentos 
negativos e que 
prejudicam o grupo 
ou organização.
Numa abordagem 
atual, as novas 
ideias e as 
mudanças 
ocorrem a partir 
de discussões de 
pontos de vista 
conflituosos. É 
reconhecida a 
utilidade dos 
conflitos trazendo 
renovação para 
os grupos e 
organizações e 
para as relações 
interpessoais.
156
Organização e Desafios da Gestão Escolar
ideias por si só não provoca açõesde violência. A forma de resolver um conflito, 
essa sim, pode ser às vezes violenta. Por isso equivocadamente, muitos 
consideram o conflito como algo ruim. Mas como bem coloca Chrispino (2007, p. 
17):
O conflito é inegável e não se deve suprir seus motivos, até 
porque ele possui inúmeras vantagens dificilmente percebidas 
por aqueles que veem nele algo a ser evitado: 
• Ajuda a regular as relações sociais;
• Ensina a ver o mundo pela perspectiva do outro;
• Permite o reconhecimento das diferenças, que não são 
ameaça, mas resultado natural de uma situação em que há 
recursos escassos;
• Ajuda a definir as identidades das partes que defendem 
suas posições;
• Permite perceber que o outro possui uma percepção 
diferente;
• Racionaliza as estratégias de competências e de 
cooperação;
• Ensina que a controvérsia é uma oportunidade de 
crescimento e de amadurecimento social.
Outra questão importante apontada pelo autor acima citado, é que o conflito 
não vai contra a ordem. “[...] o conflito é a manifestação da ordem em que ele 
próprio se produz e da qual derivam suas consequências principais O conflito é 
a manifestação da ordem democrática que o garante e o sustenta” (CHRISPINO 
2007, p. 17). Ainda sinaliza: “A ordem, em toda sociedade humana, não é outra 
coisa senão uma normatização do conflito” (CHRISPINO, 2007, p. 17).
Os indivíduos frente a um conflito assumem quase sempre 3 (três) tipos de 
atitudes:
a) ignoram os conflitos;
b) respondem de forma violenta aos conflitos;
c) lidam com os conflitos por meio do diálogo.
Enquanto educadores e numa proposta de gestão democrática 
dos conflitos a opção nossa é pelo diálogo constante, contínuo e 
permanente nos espaços das instituições de ensino. Diálogo, que 
segundo Freire (1975, p. 98) “[...] implica num pensar crítico capaz, 
também de gerá-lo. Sem ele, não há comunicação e sem esta não 
há verdadeira educação”.
Rosário Ortega e Rosário del Rey também atentam para a 
questão da abordagem dos conflitos “[...] embora, em muitas ocasiões, 
quando não abordado de forma adequada, pode chegar a deteriorar 
o clima de convivência pacífica e gerar uma violência multiforme 
Enquanto 
educadores e numa 
proposta de gestão 
democrática dos 
conflitos a opção 
nossa é pelo diálogo 
constante, contínuo 
e permanente 
nos espaços das 
instituições de 
ensino.
157
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
na qual é difícil reconhecer a origem e a natureza do problema”(ORTEGA; REY, 
2002, p. 143).
A escola, como espaço social e numa perspectiva de gestão democrática 
inevitavelmente vai gerar conflito, mas não necessariamente ação de violência, 
se os gestores e o coletivo (educadores, pais e comunidade) estiverem atentos, 
com olhar observador captando as mudanças expressivas de comportamento 
da criança ou do adolescente. Estar atento permite também, aos educadores 
detectaremas expressões maldosas e situações constrangedoras que se repetem 
com determinado aluno ou grupo.
Como espaço social, a instituição escolar, convive com a diversidade cultural 
o que pode gerar conflito. E, segundo Arroyo (2007, p. 792)
O reconhecimento da escola como tempo-espaço público e 
as tentativas de sua configuração como pública têm sido uma 
das marcas dos embates político-pedagógicos das últimas 
décadas. Dois fatos contribuíram nessa configuração: a 
afirmação da educação como direito de todo cidadão, bandeira 
dos anos de 1980, e o reconhecimento da infância-
adolescência como sujeito de direitos, bandeira 
dos anos de 1990, com o Estatuto da Infância e da 
Adolescência (ECA).
Numa concepção de gestão democrática, a manifestação de ideias 
muitas vezes divergentes no grupo é constantemente explicitada, pois 
o respeito ao diferente é um dos princípios da democracia. O conflito 
surge, como parte da vida humana, onde há concepções divergentes e 
diferentes opiniões. Pode (ou não) ser resolvido, mesmo dentro de um 
sistema de poder e de normas sociais democraticamente, no diálogo 
permanente. 
Para você, Pós-graduando refletir!!!! O conflito é parte da 
constituição da humanidade desde os primórdios. Também é 
importante considerarmos se numa relação, não há divergência 
de opiniões, de concepções e ideais, é por que alguém manda, 
impondo-se e o outro obedece. 
Entretanto, é preciso também estar atentos, pois o conflito como não está 
isento de risco “[...] pode ser o responsável por um processo destrutivo ao induzir 
as partes num ciclo vicioso que se autoperpetua limitando os recursos disponíveis 
e colocando em questão todo o processo de resolução do problema” (MARQUES; 
 Numa concepção 
de gestão 
democrática, a 
manifestação 
de ideias muitas 
vezes divergentes 
no grupo é 
constantemente 
explicitada, pois 
o respeito ao 
diferente é um 
dos princípios da 
democracia.
158
Organização e Desafios da Gestão Escolar
CUNHA, 2012 ). Ainda os autores nos alertam dizendo: “Há que não negligenciar 
os aspectos menos positivos decorrentes das situações conflituosas, pois 
estas por si só estimulam situações de força e fomentam percepções, atitudes 
e condutas hostis entre pessoas, grupos e comunidades” (MARQUES; CUNHA, 
2012). 
Tipologia dos Conflitos e suas 
Possíveis Causas
Os teóricos, entre eles Morgan (1996, p. 160), para uma melhor compreensão 
deste fenômeno social estabelecem alguns níveis de conflito e como destaca: 
“Algumas vezes, os conflitos gerados serão bem explícitos e abertos para 
quer todos vejam, enquanto outras vezes permanecerão sob a superfície dos 
acontecimentos do dia a dia” (MORGAN, 1996, p. 162). 
Os conflitos podem ser divididos em níveis:
• nível pessoal ou intrapessoal – São os que ocorrem internamente e a 
pessoa tem que optar, excluindo uma ou outra resposta, uma vez que as duas 
alternativas não podem acontecer simultaneamente. Esse tipo de conflito está 
relacionado a valores individuais. A situação conflituosa pode ser por opção 
de objetivos ou situações de:
 – atração atração
 – repulsão repulsão
 – atração repulsão
• nível interpessoal – Os conflitos interpessoais são aqueles que ocorrem 
entre duas pessoas. Esses embates surgem por:
 – diferenças individuais - de idade, sexo, concepções, valores e 
experiências. São as chamadas divergências de ponto de vista.
 – limitação dos recursos - quase sempre os recursos financeiros e 
humanos são limitados e a divisão deles nem sempre satisfaz a todos 
gerando insatisfação e conflitos. 
 – diferenciação dos papéis - tanto nas relações do trabalho como 
nas relações familiares. “Mesmo quando as pessoas reconhecem a 
importância de se trabalhar junto, a natureza de qualquer trabalho 
159
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
específico frequentemente combina elementos contraditórios que criam 
vários tipos de conflitos de papel” (MORGAN, 1996, p. 162). 
• nível organizacional – Os conflitos intragrupal e intergrupal são aqueles que 
ocorrem entre grupos rivais e coalizações. 
Álvaro Chrispino (2007), em seu texto “Gestão do conflito escolar: da 
classificação dos conflitos aos modelos de mediação”, traz a contribuição de 
alguns autores que dividem os conflitos em vários tipos e suas possíveis causas e 
que nos auxiliam na busca do entendimento dos mesmos. Destacamos no quadro 
abaixo para conhecimento o trabalho de Redorta (2004): 
Tabela 2 – Tipos de conflitos
TIPOS DE CONFLITOS O CONFLITO OCORRE QUANDO...
De recursos escassos Disputamos por algo que não existe suficientemente para todos.
De poder Disputamos porque algum de nós quer mandar, dirigir ou contro-
lar o outro.
De auto-estima Disputamos porque meu orgulho pessoal se sente ferido.
De valores Disputamos porque meus valores ou crenças fundamentais. 
De estrutura Disputamos por um problema cuja solução requer longo prazo, 
esforços importantes de muitos e os meios estão além da minha 
possibilidade pessoal.
De identidade Disputamos porque o problema afeta minha maneira íntimade 
ser o que sou.
De norma Disputamos porque meus valores e crenças fundamentais estão 
em jogo.
De expectativa Disputamos porque não se cumpriu ou se fraudou o que um 
esperava do outro.
De inadaptação Disputamos porque modificar as coisas produz uma tensão que 
não desejo.
De informação Disputamos por alo que se disse ou não se disse ou se entendeu 
de forma errada.
De interesse Disputamos porque meus interesses ou desejos são contrários 
aos do outro.
De atribuição Disputamos porque o outro não assume a sua culpa ou respon-
sabilidade em determinada situação. 
De relações pessoais Disputamos porque habitualmente não nos entendemos como 
pessoas.
De inibição Disputamos porque claramente a solução do problema depende 
do outro.
De legitimação Disputamos porque o outro não está de alguma maneira autori-
zado a atuar como o faz, ou tem feito ou pretende fazer.
Fonte: Chrispino (2007, p. 19 apud REDORTA, 2004, 27).
160
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Moore (1998) classifica os conflitos em:
Tabela 3 – Tipos de conflitos 
TIPOS DE CONFLITOS CAUSAS DOS CONFLITOS
Estruturais
 Padrões destrutivos de comportamento ou interação; controle, 
posse ou distribuição desigual de recursos; poder e autoridade 
desiguais; fatores geográficos, físicos ou ambientais que impeçam 
a cooperação; pressões do tempo.
De valor 
Critérios diferentes para avaliar ideias ou comportamentos; objeti-
vos exclusivos intrinsecamente valiosos; modos de vida, ideologia 
ou religião diferente.
De relacionamento
Emoções fortes: percepções equivocadas ou estereótipos; co-
municação inadequada ou deficiente; comportamento negativo 
– repetitivo.
De interesse
Competição percebida ou real sobre interesses fundamentais 
(conteúdo); interesses quanto a procedimentos;
interesses psicológicos.
Quanto aos dados 
Falta de informação, informação errada; pontos de vista diferentes 
sobre o que é importante; interpretações diferentes dos dados; 
procedimentos de avaliação diferentes. 
Fonte: Chrispino (2007, p. 18 apud MOORE, 1998, 32). 
Para um melhor entendimento, os conflitos foram apresentados conforme 
sua tipologia. Essas informações didaticamente separadas, permite que você, 
como gestor possa identificar no seu espaço de trabalho, as situações de conflito 
possibilitando, através da discussão coletiva, superar os impasses com seus 
pares. Entretanto, nem sempre a identificação dos diferentes níveis dos conflitos 
é perceptível.
Alguns autores, segundo Chrispino (2007, p. 21), estudam os conflitos na 
especificidade da educação, identificando os que ocorrem com maior frequência 
nas unidades escolares, como o teórico Martinez Zampa (2005, p.31-32), que fala 
das causas dos conflitos que ocorrem com maior frequência entre docentes, entre 
alunos, entre docentes e os alunos e entre pais, docentes e gestores. Chrispino 
(2007, p. 21), faz uma organização destas contribuições como veremos a seguir.
161
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
Tabela 4 – Causas dos conflitos entre docentes e entre docentes e alunos
Causas dos conflitos 
entre docentes
• falta de comunicação;
• interesses pessoais;
• questões de poder;
• conflitos anteriores;
• valores diferentes;
• busca de posição de destaque;
• conceito anual entre docentes;
• não-indicação para cargos de
• ascensão hierárquica;
• divergência em posições políticas 
ou ideológicas.
Causas dos conflitos 
entre docentes e alunos
• não entender o que os professores explicam;
• notas arbitrárias;
• divergência sobre critério de avaliação;
• avaliação inadequada (na visão do aluno);
• discriminação;
• falta de material didático;
• não serem ouvidos (queixa tanto dos alunos quanto 
dos docentes);
• desinteresse pela matéria de estudo.
Causas dos conflitos 
entre os alunos
• mal entendidos;
 - brigas;
 - rivalidade entre grupos;
 - discriminação;
 - bullying;
 - uso de espaços e bens;
 - namoro;
• assédio sexual;
 - perda ou dano de bens escolares;
 - viagens e festas;
• eleições (de variadas espécies).
Causas dos conflitos entre pais, 
docentes e gestores
• agressões ocorridas entre alunos e entre 
os professores;
• perda de material de trabalho;
• associação de pais e amigos;
• cantina escolar ou similar;
• falta ao serviço pelos professores;
• falta de assistência pedagógica pelos professores;
• critérios de avaliação, aprovação e reprovação;
• uso de uniforme escolar;
• não atendimento a requisitos “burocráticos” e 
administrativos da gestão.
Fonte: Chrispino (2007, p. 21).
A convivência no espaço escolar, as diferentes intervenções nas 
relações interpessoais criam conflitos que necessitam ser resolvidos. 
Conforme (ORTEGA; REY, 2002, p. 47)
[...] a dinâmica de aparição e dissolução de 
conflitos entre as pessoas, entre as pessoas e 
suas atividades e tarefas, entre as metas e as 
condições e recursos para abordá-las; o que 
proporciona a rede social departicipação em 
que se inscrevem a vida quotidiana das salas de 
aula e o estabelecimento escolar. É necessário 
exibir uma atitude compreensiva e solidária, mas 
também firme e afetivamente coerente.
A dinâmica 
de aparição e 
dissolução de 
conflitos entre as 
pessoas, entre as 
pessoas e suas 
atividades e tarefas, 
entre as metas 
e as condições 
e recursos para 
abordá-las.
162
Organização e Desafios da Gestão Escolar
O exercício constante e persistente do diálogo possibilita que concepções 
diferentes sejam expressas e que os impasses sejam negociados e transpostos. 
Sabemos que é uma tarefa difícil e extenuante, mas que deve ser incentivada a 
partir da gestão democrática, onde as responsabilidades são compartilhadas.
Para que seja possível a resolução dos conflitos nas instituições de ensino, 
é necessário que todos estejam conscientes e sensibilizados de que o problema 
existe. Isto pode ser realizado a partir do planejamento coletivo da unidade 
de ensino o seu projeto político pedagógico (VEIGA, 2003; 2002) e através de 
encontros sistematizados, buscado alternativas para lidar com os conflitos como 
as Assembleias Escolares (ARAÚJO, 2008), Seminários Permanentes (ORTEGA; 
REY, 2002) com a participação de toda a comunidade escolar - equipe diretiva, 
docentes, funcionários, pais, alunos e comunidade onde está inserida a instituição 
escolar.
Possíveis Causas do Conflito 
Escolar
Inicialmente faz-se necessário na gestão do conflito, que sejam conhecidas 
as possíveis causas que levaram ao surgimento do mesmo. Dentre as possíveis 
causas, além das citadas anteriormente, destacamos: 
a) Impossibilidade de atingir um ou mais objetivos/metas e/ou de realizar e 
satisfazer os seus desejos, por algum tipo de interferência ou limitação 
pessoal, técnica ou comportamental- Experiência frustrada de uma ou ambas 
as partes;
b) Diferença de personalidade entre as partes envolvidas podem provocar 
conflito - Características pessoais;
c) Muitas vezes as pessoas têm objetivos e metas diferentes ou divergentes 
na realização de uma tarefa/ação que pode gerar um conflito - Diferença de 
metas e objetivos;
d) A forma e maneiras diferentes de ‘ver’ uma realidade podem provocar 
desavenças. Diferentes concepções;
e) A formação do conhecimento humano é pessoal e única. A maneira 
como lidamos com os acontecimentos depende da nossa formação e dos 
conhecimentos construídos nas diferentes relações. Diferentes conhecimentos 
e informações.
163
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
Assim, compreender que o conflito é parte do humano, pois somos 
diferentes uns dos outros é o primeiro passo para a sua resolução. 
É importante ter sempre presente que a forma de encará-lo é que 
fará a diferença, pois as consequências de um conflito podem ser 
construtivas ou destrutivas. Uma das manifestações de violência e que 
vem provocado conflitos na sociedade e nas instituições de ensino é o 
bullying como veremos a seguir.
Os Conflitos e Bullying em Contexto 
Escolar
Apesar do bullying escolarser considerado um fenômeno antigo e 
bastante conhecido e vivenciado pelos educadores, não era considerado 
importante e nem dada sua devida atenção às consequências na 
formação pessoal e social dos alunos. Hoje, sabendo da necessidade 
da prevenção e do cuidado de não permitir que os conflitos, resultado da 
diversidade humana se transformem em atos de violência. 
Prevenir e combater o bullying na escola é responsabilidade de toda 
a comunidade escolar, envolvendo desde funcionários, professores, 
gestores alunos e pais. Portanto, faz-se necessário planejar no coletivo 
a prevenção do bullying no espaço escolar e consequentemente 
a toda forma de agressão às crianças, jovens e adultos. E quando 
mencionamos o planejamento de prevenção, especificamente neste 
caso do bullying, estamos prevendo a atenção não apenas às vítimas, mas 
também as testemunhas, que quase sempre são ‘silenciosas’ e àqueles que 
praticam o ato de agressão, que conforme pesquisas amplamente divulgada pela 
mídia, já foram vítimas. 
O bullying, pode muitas vezes, parecer ser uma simples 
brincadeira, para os desatentes. Contudo, a agressão moral, verbal 
e até corporal sofrida por algumas crianças e jovens provoca 
sofrimento na vítima, que se não abordado convenientemente, pode 
até levar a doenças como a depressão. O bullying viola o direito à 
integridade física e psicológica e à dignidade humana. Ameaça o 
direito à educação, ao desenvolvimento, à saúde e à sobrevivência. 
Disque 100 para denunciar o bullying.
Compreender que 
o conflito é parte 
do humano, pois 
somos diferentes 
uns dos outros é o 
primeiro passo para 
a sua resolução.
Apesar do bullying 
escolar ser 
considerado um 
fenômeno antigo e 
bastante conhecido 
e vivenciado pelos 
educadores, não 
era considerado 
importante e 
nem dada sua 
devida atenção às 
consequências na 
formação pessoal e 
social dos alunos.
164
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) Caro(a) aluno(a) como você define bullying? Escreva em poucas 
palavras o que significa para você esta agressão, hoje tão 
combatida na sociedade?
 __________________________________________________
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 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
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 _______________________________________________
 _______________________________________________
 _______________________________________________
 _______________________________________________
Se você considera bullying todo comportamento dentro de uma 
relação de desigualdade de poder, seja por idade, desenvolvimento 
físico ou relações com o grupo, como os atos repetitivos de empurrar, 
bater, colocar apelidos ofensivos, fazer gestos ameaçadores, 
humilhar, rejeitar e até mesmo ameaçar sexualmente um colega, 
você está correto no seu pensar. 
Legislação que protegem a criança e o adolescente inclusive 
das práticas de Bullying
1. Código Penal (1940);
2. Declaração Universal dos Direitos da Criança (1959);
3. Constituição da República Federativa do Brasil (1988);
4. Lei contra o Racismo- Lei nº 7.716 /89;
5. Estatuto da Criança e do Adolescente - Lei nº. 8069/90;
6. LDBEN – Lei nº 9394/96;
7. Lei Federal nº. 11.525/07 que dispõe sobre a 
obrigatoriedade do conteúdo que trate dos direitos das crianças 
e dos adolescentes no currículo do ensino fundamental.
Se você considera 
bullying todo 
comportamento 
dentro de uma 
relação de 
desigualdade de 
poder, seja por idade, 
desenvolvimento 
físico ou relações 
com o grupo, como 
os atos repetitivos 
de empurrar, bater, 
colocar apelidos 
ofensivos, fazer 
gestos ameaçadores, 
humilhar, rejeitar e 
até mesmo ameaçar 
sexualmente um 
colega, você está 
correto no seu pensar.
165
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
Quem é que nunca zoou ou foi zoado na escola? Quem nunca 
conheceu “um quatro olho”?, Rolha de poço?, Esquisito?, Olho 
gordo?, Olívia Palito?, Baleia assassina? - Quem tem lembranças de 
ter sofrido algum tipo de Bullying na escola?, Algum apelido que o 
chateou?, Boas lembranças?, Alguma que queira esquecer?, Alguém 
ajudou? (KOFFEK, 2010).
Hoje, sabendo da necessidade da prevenção e do cuidado de não permitir 
que os conflitos, resultado da diversidade humana se transformem em atos de 
violência. 
Prevenir e combater o bullying na escola é responsabilidade de toda a 
comunidade escolar, envolvendo desde funcionários, professores, gestores 
alunos e pais. Portanto, faz-se necessário planejar no coletivo a prevenção do 
bullying no espaço escolar e consequentemente a toda forma de agressão às 
crianças, jovens e adultos. E quando mencionamos o planejamento de prevenção 
especificamente neste caso do bullying, estamos prevendo a atenção não apenas 
às vítimas, mas também as testemunhas, que quase sempre são ‘silenciosas’ e 
àqueles que praticam o ato de agressão, que conforme pesquisas amplamente 
divulgada pela mídia, já foram vítimas. 
O Conflito Escolar e a Gestão de 
Conflito
Para dar suporte aos educadores frente ao quadro de conflitos cada vez mais 
constantes e com desfechos trágicos e traumáticos, estão sendo desenvolvidas 
ações e programas, entre eles alguns já citados no capítulo 3 como: Projeto 
Escola que Protege; Bullying- Justiça nas Escolas; Educar para a Paz; Escola 
Segura; Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres; 
Protocolo de atenção às pessoas em situação de violência sexual. Além destes, 
existem outros programas/projetos como: Projeto Escola de Mediadores; Projetos 
de Redes de Proteção na Educação - Prefeitura de São Paulo; experiências no 
Mestrado da Universidade Católica de Brasília - Observatório da Violência; Grupos 
de Pesquisa registrados na Plataforma Lattes sobre violência escolar; pesquisas 
com algum foco na violência escolar etc., que têm trazido valiosa contribuição no 
entendimento e atendimento deste fenômeno social. 
166
Organização e Desafios da Gestão Escolar
a) http://www.lite.fae.unicamp.br/grupos/links/linkindisc.htm que 
tratam da Indisciplina e violência na escola da Faculdade de 
Educação da Universidade de Campinas, que traz artigos e 
estudos sobre o tema.
b) http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas do Programa Paz nas 
Escolas, Desenvolvido pela secretaria de Estado de Direitos 
Humanos, do Ministério da Justiça, tem por objetivo contribuir 
para redução da violência nas escolas e construir uma cultura de 
paz.
c) http://www.unesco.org.br Projeto Escolas de Paz (Unesco), 
tem como objetivo oferecer oportunidades de acesso à cultura, 
esporte, arte e lazer para jovens emsituação de vulnerabilidade 
social. Em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) 
(Observatório Nacional de Violência Escolar). 
Prezado (a) aluno (a), é importante você ter conhecimento 
de que estas e outras instituições citadas neste texto podem 
oferecer ajuda material de apoio para educadores e informações 
de modo geral para aprofundar a discussão e combater a violência 
contracrianças e jovens, dentro e fora da escola.
O Papel do Gestor Escolar na 
Administração dos Conflitos 
Escolares
Ressaltamos que o movimento de prevenção da violência nos espaços 
educacionais, vem acontecendo no mundo inteiro e intensificados seu estudo no 
Brasil, a partir da década de 1990. Como bem diz Chrispino (2007, p. 12) saber 
dos caminhos já trilhados, nos faz perceber que a
http://www.lite.fae.unicamp.br/grupos/links/linkindisc.htm
http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas
http://www.unesco.org.br
167
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
[...]dificuldade brasileira pela qual já passara noutrospaíses, o que seria, por si só, um convite para a 
reflexão de educadores e de gestores políticos, 
visto que o movimento mundial em educação indica 
semelhança de acontecimentos mesmo que em 
momentos diferentes da linha de tempo.
Nas relações que se estabelecem, nas instituições de ensino, que é 
um espaço de socialização e elo com a família, muitas das dificuldades 
vivenciadas pelas crianças, jovens e adultos tem ressonância no 
quotidiano escolar. O conflito, especificamente o conflito em contexto 
escolar é uma característica sem dúvida também, da realidade brasileira 
e precisa ser abordado e discutido com toda a comunidade escolar. 
É importante o gestor escolar, propor estratégias que envolvam 
e mobilizam a comunidade escolar buscando o envolvimento das 
diferentes instâncias de gestão democrática (Conselho Deliberativo, 
Conselho Escolar, Grêmio Estudantil, A. P. P. etc.) para discutir/estudar 
os motivos dos conflitos na escola e instituir o diálogo de modo a qualificar o 
processo de ensino e aprendizagem. Como isso é possível? Organizando 
diferentes espaços de debates, de sensibilização, de formação etc., com 
temáticas advindas tanto dos problemas apontados na elaboração do Projeto 
Político Pedagógico da instituição, como de outros que poderão aparecer. 
Encenações teatrais envolvendo alunos, professores, pais; apresentação de 
trabalhos elaborados pelos alunos para diferentes turmas na unidade escolar; 
esclarecimento de assuntos com profissionais especializados nas temáticas de 
necessidade do coletivo escolar; reuniões com pais, docentes e alunos onde são 
apresentadas situações e em pequenos grupos são buscadas sugestões para 
abordagem do problema. Estas são algumas possibilidades de se instaurar o 
diálogo para a resolução dos conflitos escolares. 
Quando ocorre algum conflito, que necessita diretamente a intervenção do 
gestor escolar, este deve seguir, as determinações dos documentos da instituição, 
como o Projeto Político Pedagógico, as normas escolares, o regimento interno e 
a legislação vigente (Constituição Federal, LDB, ECA e outras leis relacionadas 
à educação). É imprescindível, também, ter conhecimento teórico adquirido na 
formação pessoal e profissional. Esses requisitos de formação do gestor escolar 
vão permitir que este dialogue e transmita confiança a todos os envolvidos nos 
eventos conflitantes do contexto da unidade escolar. 
[...] dificuldade 
brasileira pela 
qual já passara 
noutros países, 
o que seria, por 
si só, um convite 
para a reflexão de 
educadores e de 
gestores políticos, 
visto que o 
movimento mundial 
em educação indica 
semelhança de 
acontecimentos 
mesmo que 
em momentos 
diferentes da linha 
de tempo.
168
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Figura 37 – Tirinha 
Fonte: Disponível em: <http://www.peanuts.com>. Acesso em: 12 jul. 2012.
A gestão do conflito, essencialmente consiste na escolha criteriosa e na 
implementação das estratégias condizentes com cada tipo de situação. Os 
encaminhamentos para a resolução de um conflito precisam ser criteriosos, 
pois “Um conflito não é necessariamente um fenômeno da violência, embora, 
em muitas ocasiões, quando não abordado de forma adequada, pode chegar 
a deteriorar o clima de convivência pacífica e gerar violência multiforme na 
qual é difícil reconhecer a origem e a natureza do problema” (ORTEGA; REY, 
2002).
Para lidar com os conflitos faz-se necessário primeiramente conhecê-los e 
situá-los, para ter conhecimento da sua amplitude e como trabalhar com eles. 
Envolve, portanto, o diagnóstico e a intervenção das situações divergentes e 
conflituosas. 
Modelos de Mediação dos Conflitos 
Com o entendimento do conflito como “resultado da diferença” (CHRISPINO, 
2007, p. 16), no espaço escolar, haverá sempre divergência de concepções, 
opiniões, de culturas (ver capítulo 6), entre os alunos, entre professores e alunos, 
professores e seus pares, entre direção e alunos, direção e professores, funcionários 
e alunos, funcionários e professores, funcionários e direção, professores e pais e/
ou comunidade, direção e pais e/ou comunidade. A divergência (de concepções, 
ideias, conceitos, encaminhamentos etc.) seria, conforme (CHRISPINO, 2007), a 
primeira causa dos conflitos nas escolas. A segunda causa apontada pelo autor 
é a dificuldade da comunicação, a impossibilidade de se estabelecer um diálogo 
entre as partes conflituosas. Diálogo, que segundo Paulo Freire (2005, p. 89)
169
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
[...] nos revela como algo que já poderemos dizer 
ser ele mesmo: a palavra. Mas, ao encontrarmos 
a palavra, na análise do diálogo, como algo mais 
que um meio para que ele se faça, se nos impõe 
buscar, também seus elementos constitutivos. 
O diálogo estabelece uma ‘ponte’, permitindo que as desavenças, 
as diferentes percepções sobre a questão conflitante, as concepções 
divergentes e/ou antagônicas possam interagir chegando-se a um 
consenso. A clareza e a precisão da comunicação também são fatores 
preponderantes na resolução dos conflitos. 
A base fundamental é saber escutar com sensibilidade e 
atenção, transmitindo à outra parte que entendemos suas 
mensagens. Com isso construímos um diálogo fértil, que 
forma uma relação de confiança e de respeito apesar das 
discordâncias (MALDONADO, 2008, p.115).
Frisamos, de que a forma dos encaminhamentos para a resolução dos conflitos, 
dentro da instituição escolar, apontam quais as concepções que os educadores 
têm sobre estes eventos. Por isso a importância de buscar democraticamente a 
gestão dos conflitos, discutindo as atitudes, ações e encaminhamentos dados, 
provenientes de construções epistemológicas individuais. A gestão dos conflitos 
consiste exatamente na escolha e implementação das estratégias mais adequadas 
para se lidar com cada tipo de situação.
Figura 38 – Reunião 
Fonte: Disponível em: <www.empresassa.
com.br>. Acesso em: 10 mai. 2012
Como já mencionamos anteriormente, os conflitos sociais, 
especificamente os conflitos escolares não são um fenômeno da 
atualidade e gestão destes, também é uma prática antiga. Nos últimos 
anos, frente à realidade das instituições de ensino e a incidência 
provocada pelas mudanças sociais nos valores, na ética e nas 
relações humanas têm suscitado estudos mais aprofundados que vem 
contribuindo na reflexão dos eventos de violência escolares, e na busca 
da resolução e prevenção dos mesmos. 
A importância 
de buscar 
democraticamente 
a gestão dos 
conflitos, discutindo 
as atitudes, ações e 
encaminhamentos 
dados, 
provenientes 
de construções 
epistemológicas 
individuais.
Nos últimos anos, 
frente à realidade 
das instituições 
de ensino e 
a incidência 
provocada pelas 
mudanças sociais 
nos valores, 
na ética e nas 
relações humanas 
têm suscitado 
estudos mais 
aprofundados que 
vem contribuindo 
na reflexão 
dos eventos de 
violência escolares, 
e na busca da 
resolução e 
prevenção dos 
mesmos.
170
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Uma grande maioria das instituições escolares tem buscado 
mecanismos alternativos para lidar com os conflitos como 
as diversas formas de Assembleias Escolares (ARAÚJO, 
2008), Seminários Permanentes (ORTEGA e REY, 2002)
o planejamento da unidade de ensino- projeto político 
pedagógico (VEIGA, 2003, 2002)e a proposta da mediação 
escolar (ORTEGA e REY, 2002) que veremos a seguir.
a) O que vem a ser Mediação dos Conflitos? 
Chrispino (2007, p. 22), diz que mediação de conflito é “[...] o procedimento 
no qual os participantes com a assistência de uma pessoa imparcial – o 
mediador - colocam as questões em disputa com o objetivo de desenvolver 
opções, considerar alternativas e chegar a um acordo que seja mutuamente 
aceitável”. 
Numa abordagem de resolução de conflitos familiares, Lília Maia de Morais 
Sales (2011), contribui para o nosso viés apontando a mediação como
[...] um meio consensual de solução de conflitos no qual duasou mais pessoas, com o auxílio de um mediador – terceiro 
imparcial e capacitado, facilitador de diálogo – discutem 
pacificamente, buscando alcançar uma solução satisfatória 
para o problema. As pessoas que vivenciam a controvérsia 
são as responsáveis por sua administração e solução. O poder 
de decisão é das partes e não do mediador.
ORTEGA e REY (2002, p.147) definem a mediação como
[...] intervenção, profissional ou profissionalizada, de um 
terceiro, um especialista, no conflito travado entre duas partes 
que não alcançam, por si mesmas, um acordo nos aspectos 
mínimos necessários para restaurarem uma comunicação, 
um diálogo que, por outro lado, é necessário para ambas. 
Contudo, não é imprescindível que esta intervenção se 
conclua com o desfecho de amor ou de amizade íntima, que 
será bem-vinda, se assim acontecer, mas, simplesmente, com 
o reconhecimento da responsabilidade individual de cada um 
no conflito e o acordo sobre como agir para eliminar a situação 
de crise, com o menor custo de prejuízo psicológico, social ou 
moral para ambos os protagonistas e suas repercussões em 
relação a terceiros envolvidos.
É importante lembrar que, mesmo a instituição de ensino ter 
estabelecido as normas e regras disciplinares este procedimento 
nem sempre é suficiente, pois: nem sempre é elaborado no coletivo, 
não é de conhecimento/entendimento de todos, nem consideram o 
conflito. Outra questão a ser ressaltada é de que nem tudo pode ser 
regulamentado e esse espaço necessário para a espontaneidade 
é que permite o surgimento do conflito (ORTEGA; REY, 2002). 
É importante lembrar 
que, mesmo a 
instituição de ensino 
ter estabelecido as 
normas e regras 
disciplinares este 
procedimento nem 
sempre é suficiente, 
pois: nem sempre 
é elaborado no 
coletivo, não é de 
conhecimento/
entendimento 
de todos, nem 
consideram o conflito.
171
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
Estabelecer uma cultura do diálogo e da negociação é a maneira mais viável para 
que “[...] os conflitos interpessoais não se fixam nem paralisam a convivência” 
(ORTEGA; REY, 2002, p. 146).
 
A unidade escolar, ao assumir que existem conflitos e na busca da superação 
dos mesmos, para implantar um projeto de mediação deve primeiramente:
a) “Perceber se há interesse real de um ou mais segmentos da comunidade 
escolar em particular da direção, mas também dos professores, alunos, pais, 
funcionários”. [...] qualquer um dos interessados pode propor a aplicação do 
projeto [...] (BRANDÃO et al., 2002). 
b) Como citamos anteriormente, o coletivo deve ter um suporte teórico e ter 
critérios de ação definidos em conjunto (o grupo onde há o conflito e o(s) 
mediador (es), para poderem desenvolver as seguintes ações conforme 
sugestão de Ortega e Rey (2002, p. 149):
• Ter delimitado os objetivos de forma clara e precisa com regras previamente 
determinadas e devem ser do conhecimento de todos, aceitas e estabelecido 
acordo para o cumprimento do mesmo pelas partes envolvidas; 
 – Os protagonistas devem querer participar deste processo;
 – O processo de mediação deve estar limitado em determinado tempo e 
espaço sem perturbar a dinâmica organizacional da entidade escolar;
 – Deve limitar-se a uma situação específica de conflito; 
 – Dispor de condições físicas e ambientais suficientes para que os trabalhos 
de mediação sejam realizados. 
Na proposta da mediação dos conflitos o espaço, o tempo e as regras devem 
ser respeitados. As mudanças que se fizerem necessárias devem ser feitas em 
conjunto (mediadores e equipe de apoio) e socializadas com o coletivo para que o 
programa/projeto de MEDIAÇÃO tenha êxito.
As normas mesmo elaboradas de forma competente e de conhecimento de 
todo o coletivo, é impreterível ter os seguintes elementos na mediação, conforme 
apontam Ortega e Rey (2002, p. 151)
172
Organização e Desafios da Gestão Escolar
• “Confidencialidade: o (a) mediador (a) se compromete, diante das pessoas 
às quais presta ajuda, a guardar sigilo sobre o conteúdo das conversações.
• Intimidade: os protagonistas do conflito não serão forçados a falar mais do 
que considerem parte de sua intimidade; se bem que se comprometem a ser 
sinceros e a responder, com honestidade, às perguntas de seu interlocutor.
• Liberdade de expressão: os protagonistas se comprometem a expressar-se 
com liberdade, mas assumindo que, nos diálogos, estão proibidos os insultos 
eataques verbais, físicos ou psicológicos. 
• Imparcialidade: o (a) mediador (a) se compromete a não tomar partido 
em nenhuma das partes em conflito. Embora perceba que, mais do que 
um conflito, é um problema de maus tratos, assédio, ameaça, perseguição 
ou qualquer tipo de violência interpessoal, deve ter a liberdade de levar ao 
conhecimento dos responsáveis pelo programa a natureza do suposto conflito 
e, caso necessário, mudar ou abandonar a mediação e propor outra estratégia 
de intervenção ou outro(a) mediador(a).
• Compromisso de diálogo: os protagonistas se comprometem a falar de suas 
dificuldades e conflitos nas sessões de trabalho, assumindo que a oferta de 
ajuda é limitada no tempo e que é sua responsabilidade tentar, cada um em 
separado, aportar esforços para resolver a situação”.
Todos esses cuidados são necessários para que os papéis (mediador (a) 
os atores do conflito) na mediação estejam claros, para que não haja conflitos 
posteriores, tanto a nível pessoal como no nível de grupo. 
No Projeto Escola de Mediadores (BRANDÃO et al., 2002) uma das primeiras 
etapas propostas é a de constituir uma equipe de apoio que atuará junto ao 
mediador. A ideia é interessante, se a função principal da equipe de apoio, for a 
debuscar a participação de toda a comunidade escolar desde o planejamento das 
ações, nas discussões das alternativas para a resolução do conflito e na avaliação 
do processo.
Esse grupo terá como funções: 
• Acompanhar o projeto de mediação desde o inicio;
• Participar da formação propiciada pelo mediador (es) externos;
• Ter definido seus limites de ação;
• Monitorar e dar apoio aos trabalhos de mediação quando necessário. 
173
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
(BRANDÃO et al., 2002).
 – Quem pode fazer parte deste grupo?
A direção da unidade escolar, docentes, funcionários, alunos pais 
e comunidade em geral, voluntariamente, escolhidos conforme critérios 
estabelecidos entre a gestão escolar e o (s) mediador (es) e deve ser renovado 
periodicamente. 
 – Primeiras atividades da equipe de apoio
Após a escolha dos que participarão da equipe de apoio estes auxiliarão no: 
- levantamento dos dados através de questionários, entrevistas...;
- planejamento das ações a serem realizadas;
- sensibilização;
- seleção de alunos “mediadores” (grupo de apoio);
- capacitação;
- prática da mediação;
- monitoramento das atividades;
- avaliação das atividades do projeto.
Chrispino (2007, p. 26 apud PORRO, 2004) apresenta 7 (sete) motivos para 
realizar o programa/projeto de mediação que são: 
a) resolver conflitos valoriza o tempo;
b) resolver conflitos ensina várias estratégias úteis;
c) resolver conflitos ensina aos alunos consideração e respeito para 
com os demais;
d) resolver conflitos reduz o estresse;
e) possibilidade de aplicar as novas técnicas em casa, com 
familiares e amigos;
f) resolver conflitos que podem contribuir para a prevenção do uso 
do álcool e de drogas;
g) possibilidade de sentir a satisfação de estar contribuindo com a 
paz do mundo.
174
Organização e Desafios da Gestão Escolar
É importante considerar-se um programa/projeto de 
mediação como um instrumento a mais para se tratar os conflitos, 
que resistiram a soluções espontâneas (o diálogo, uma rede 
de interação, propiciadas pela gestão escolar democrática) e 
desativá-los. Os autores na sua proposta de trabalho nos dizem, 
que a mediação é um trabalho de especialistas, a pedido ou com o 
consentimento das pessoas envolvidas e que alémda ajuda externa 
tem como compromisso assumir as regras das atividades.
Dado o caráter especialista do trabalho mediador, a mediação 
não deve ser desempenhada pela direção institucional nem 
pelos (as) professores (as), nem pelas pessoas não formadas 
expressamente para isso, já que a mediação requer o domínio 
de habilidades e capacidades que tanto os protagonistas como 
o ambiente social devem reconhecer no (a) mediador (a). 
(ORTEGA; REY, 2002, p. 149).
O Projeto Escola de Mediadores - Cartilha de Medicadores: Como montar 
este Projeto na minha escola?, desenvolvido por uma equipe multidisciplinar e com 
subsídios de diversas entidades (Viva Rio, Balcão de Direitos, Mediare, NOOS) 
e apoio do governo – Ministério da Justiça, Secretaria do Estado de Direitos 
Humanos, Projeto Paz na Escola, traz informações para a implementação deste 
projeto nas unidades escolares. O texto apresenta passo a passo, a implantação 
de um projeto de mediação que pode ser implantado nas instituições de ensino, 
desde a formação da equipe de apoio dos mediadores até atividades a serem 
desenvolvidas na unidade.
Figura 39 – Projeto escola de Mediadores
Fonte: Disponível em: <www.mj.gov.br/sedh/
paznasescolas>. Acesso em: 25 mai. 2012. 
É importante 
considerar-se um 
programa/projeto 
de mediação como 
um instrumento a 
mais para se tratar 
os conflitos, que 
resistiram a soluções 
espontâneas (o 
diálogo, uma rede 
de interação, 
propiciadas pela 
gestão escolar 
democrática) e 
desativá-los.
http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas
http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas
175
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
O Projeto Escola de Mediadores - Cartilha de Medicadores: 
Como montar este Projeto na minha escola? Está disponível no site 
do Programa Paz nas Escolas www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas
O Projeto Escola de Mediadores é uma proposta de construção 
de uma cultura de paz no ambiente escolar - tradicional 
formador de opiniões e senso crítico nos jovens - numa 
tentativa de se revertes o quadro de violência crescente. Com 
ele busca-se também alcançar uma reflexão sobre o mundo 
que nos cerca. (BRANDÃO et al., 2012, p. 5)
Rosário Ruiz Ortega e Rosário Del Rey, teóricos espanhóis elaboraram o 
texto: Estratégias educativas para a prevenção da violência, contribuindo com 
elementos importantes para entendimento da proposta de mediação no ambiente 
escolar, além das questões apontadas neste texto e outras importantes de ser 
vistas, trazem os conflitos em sala de aula e as possibilidades da resolução dos 
mesmos, com propostas de trabalho para o estabelecimento do diálogo.
Os conflitos na relação professor – aluno são os mais difíceis de ser 
assumidos e os mais urgentes de serem resolvidos, pois o processo de 
ensino aprendizagem fica comprometido quando estes se instalam no 
ambiente de sala de aula. Se de um lado o professor tem medo que, ao 
admitir o conflito tenha sua autoridade comprometida e de “reconhecer 
seus problemas como docente” (ORTEGA; REY, 2002, p. 109), o 
aluno, ou o grupo de alunos ao terem a dificuldade de estabelecerem 
a comunicação com o professor, se desinteressam das atividades 
propostas e se afastam afetuosamente do mesmo. Quando o conflito 
é percebido para restabelecer o diálogo entre professor e aluno, os 
autores trazem algumas sugestões de atividades pautadas no respeito 
e na dialogicidade. Se isso não for suficiente ou mesmo inicialmente se 
não houver possibilidade de diálogo o melhor é buscar ajuda externa, 
numa proposta de mediação.
Os conflitos na 
relação professor 
– aluno são os 
mais difíceis de ser 
assumidos e os 
mais urgentes de 
serem resolvidos, 
pois o processo 
de ensino 
aprendizagem 
fica comprometido 
quando estes 
se instalam no 
ambiente de sala 
de aula.
http://www.mj.gov.br/sedh/paznasescolas
176
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Atividade de Estudos: 
1) Para cada frase citada abaixo, você irá refletir e assinalar se 
concorda ou discorda.
a) A comunicação clara e precisa é um dos fatores preponderantes 
na resolução dos conflitos escolares.
 ( ) concordo ( ) discordo
b) O movimento de prevenção da violência nos espaços 
educacionais vem acontecendo no mundo inteiro, mas no Brasil 
é uma preocupação muito recente, pois ainda não temos este 
fenômeno ocorrendo nas nossas instituições de ensino. 
 ( ) concordo ( ) discordo
c) O bullying na escola é um fenômeno social que extrapola os 
muros da escola e, portanto, é somente responsabilidade 
das autoridades competentes. A direção da escola, ao ter 
conhecimento, deve encaminhar os casos aos setores 
específicos, que farão os procedimentos necessários. 
 ( ) concordo ( ) discordo
d) A escola, como espaço social e numa perspectiva de gestão 
democrática inevitavelmente vai gerar conflito, mas não 
necessariamente ação de violência.
 ( ) concordo ( ) discordo
2) Qual o significado para você de “conflito escolar” e por que ele 
ocorre? 
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177
Gestão do Conflito Escolar: Modelos de Mediação Capítulo 7 
3) No que confere à definição de conflito, pode-se dizer que:
( ) É sinônimo de desentendimento violento, com agressão física e/
ou psicológica.
( ) É uma ação que ocorre somente nas escolas públicas.
( ) Desentendimento entre pessoas sobre um mesmo tema.
( ) É a forma violenta de resolver um mesmo assunto.
4) Assinale a alternativa correta. Dentre as possíveis causas do 
conflito escolar podemos citar:
I. Diferença de metas e divergência nos objetivos de uma 
determinada atividade.
II. Forma e maneira diferente de ‘ver’ uma realidade.
III. Ser uma instituição de ensino público.
IV. Ser uma unidade de ensino com uma gestão democrática, 
onde há diálogo e discussão coletiva.
( ) III e IV estão corretas.
( ) I e II estão corretas.
( ) Todas as respostas estão corretas.
( ) Nenhuma das respostas estão corretas.
Algumas Considerações
Neste capítulo trouxemos algumas questões para a reflexão trazendo autores 
e entidades de renome internacional, que vêm pesquisando e contribuindo com 
a educação na resolução de conflitos, para evitar e minimizar a violência nos 
espaços sociais especialmente nas instituições escolares.
A instituição escolar, como espaço social e de exercício da democracia, 
com a gestão democrática, tem os problemas de confronto e de conflitos 
acentuados e necessita buscar através da dialogicidade a resolução dos 
mesmos.
Entretanto, mesmo a unidade escolar trabalhando numa proposta de gestão 
democrática, com uma concepção dialógica para a resolução dos conflitos, quando 
178
Organização e Desafios da Gestão Escolar
surgem eventos conflituosos em que o gestor e sua equipe tem dificuldades 
em entender o que está acontecendo, o que está provocando o surgimento do 
empasse, quem são os envolvidos, se o diálogo e as discussões democráticas - 
reuniões, assembleias, grupos de trabalho e atividades comuns ao currículo, não 
estão surtindo os efeitos desejados, é preciso planejar outras estratégias.
Os estudos e investigação em torno de iniciativas para a resolução dos 
conflitos especificamente tratadas neste trabalho a mediação escolar, constituídas 
por mediadores adultos, sejam eles professores ou técnicos especializados 
(ORTEGA; REY, 2002), ou por alunos, docentes,funcionários, pais e comunidade 
num trabalho voluntário, previamente preparados (BRANDÃO et al., 2002; 
CHRISPINO (2007; 2004; 2002), têm contribuído com a sistematização todo um 
conjunto de princípios e de ações que poderão ajudar a tornar estas iniciativas 
mais eficazes e possíveis de serem socializadas abrangendo um número maior 
de unidades escolares. 
A primeira ação a ser realizada segundo Rosário Ortega e Rosário del 
Rey (2002, p. 144) é a de conhecer os diferentes procedimentos existentes que 
possam auxiliar na resolução dos impasses interpessoais que as pessoas não 
dão conta de resolver. Atualmente, já existe um grande número de bibliografias 
referentes à mediação de conflitos e é de suma importância ter conhecimentos 
referentes às metodologias possíveis de serem utilizadas na resolução dos 
conflitos que podem ocorrer no espaço escolar. Contudo, segundo os autores, 
alguns cuidados são necessários para não estabelecer modelos padrões clínicos 
que não são convenientes.
A mediação está indicada para situações de conflito persistentes e 
crítico, mas nunca para casos de violência, abuso, maus tratos, assédio, 
hostilidade ou perseguição de uns para com outros. Nos casos, em que se 
tenha conhecimento destes casos é preciso entrar em contato com a direção 
da unidade de ensino e com o grupo de apoio, para que as providências sejam 
tomadas. 
Perceber os conflitos escolares como oportunidades de aprendizagem, 
buscando a superação dos mesmos com a melhoria das relações interpessoais é 
a proposta para o próximo capítulo deste caderno de estudo. 
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CAPÍTULO 8
Gestão do Conflito Escolar: 
Modelos de Mediação
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
� Localizar os tipos de conflitos mais frequentes atualmente nos contextos 
escolares, bem como apontar as formas usuais de gestão/resolução dos 
mesmos.
� Implementar alternativas para a gestão dos conflitos (físicos, verbais e morais), 
com estratégias de mediação e aprendizagem como forma de gerir os eventos 
conflitantes no espaço escolar.
182
Organização e Desafios da Gestão Escolar
183
Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
Contextualização 
Os conflitos estão presentes na nossa sociedade desde o início da civilização 
humana, tanto os provenientes dos relacionamentos interpessoais, como os 
de eventos sociais que provocam a exclusão, humilhação, discriminação e 
vitimização, podendo transformar-se em violência estrutural e cultural se não 
houver uma mediação intencional.
Este fenômeno social está presente também nos espaços de educação 
escolar e vem afetando e comprometendo o processo ensino aprendizagem, 
quando não abordado dialogicamente, onde o respeito pelo diferente é o ponto 
principal. 
Figura 40- As inter-relações e o conflito
Fonte: Disponível em<http://www.quino.com.ar/> Acesso em: 14 de ago. de 2012.
A instituição escolar como espaço social que é, tem valorizado as inter-
relações que se estabelecem na sua comunidade escolar, pelas diversas 
interações: entre alunos, entre professores, professores e alunos, entre direção e 
alunos, direção e professores, funcionários e alunos, funcionários e professores, 
funcionários e direção, professores e pais e/ou comunidade,direção e pais e/
ou comunidade. E quanto mais democrática for a gestão escolar, mais conflito 
haverá, pela possibilidade, nesta perspectiva de administração, de cada 
integrante do grupo poder expor as suas opiniões e as suas concepções; de 
manifestar as divergências conceituais, as diversidades culturais e de discordarem 
dos encaminhamentos feitos. Contudo, não é preciso que os conflitos e as 
diversidades e diferenças nas unidades escolares sejam vistos negativamente, 
mas pelo contrário que sejam vistos como construções individuais. Assim, numa 
abordagem atual, o conflito é visto como natural e não como obstáculo. A resolução 
do mesmo pode ser de forma positiva ou negativa, violenta ou construtiva. 
Nos textos anteriores discutimos diversos conceitos, que fundamentam as 
discussões deste capítulo. Na perspectiva da gestão escolar democrática como 
questão essencial, para o aprimoramento das relações internas e externas da 
instituição escolar, o envolvimento e participação da comunidade nas decisões 
http://www.quino.com.ar/
184
Organização e Desafios da Gestão Escolar
escolares através da constituição dos conselhos é fundamental para termos uma 
educação de qualidade para todos, preceito legitimado na LDB nº 9394/96. Os 
espaços de educação escolar devem ser vistos como um grupo formado pelo 
coletivo - toda a comunidade escolar - com o objetivo comum a aprendizagem 
significativa dos alunos, possibilitando intervir na realidade e modificá-la. 
A participação sistemática e efetiva da comunidade no processo de 
formulação, avaliação e fiscalização das políticas de educação possibilitará 
que através de mecanismos institucionais, ocorram as mudanças necessárias 
na educação escolar propiciando, as crianças e jovens a uma aprendizagem 
significativa prevenindo eventos de violência. As TIC utilizadas como ferramentas, 
para a concretização de propostas pedagógicas inovadoras, possibilitam 
mudanças pessoais, nas relações coletivas e do mundo do trabalho frente 
aos acontecimentos em nível global que interferem no espaço local. Também, 
abordamos sobre a necessidade do planejamento, da unidade escolar - PPP, para 
direcionar o trabalho coletivo prevenindo os eventos de indisciplina e os conflitos, 
refletindo sobre os mesmos buscando nas suas origens, a resolução dos mesmos 
evitando consequências maiores. 
Prezado Pós-graduando, quando falamos das relações humanas, os conflitos 
e tensões no processo de gestão escolar e a organização coletiva através da 
administração dos conflitos para atingir as metas propostas no Projeto Político 
Pedagógico, estamos focando, no objetivo maior da educação escolar, que é a 
aprendizagem. Neste capítulo vamos abordar como as relações interpessoais 
interferem na aprendizagem escolar e como elas ocorrem neste espaço educativo, 
tendo como pano de fundo a afetividade como suporte para a superação das 
dificuldades e a ressignificação do conflito. 
As Relações Interpessoais e as 
Influências na Aprendizagem
O movimento de constituição da formação humana é constante e se faz no 
seu esforço individual e nas inter-relações coletivas. Para que haja melhoria 
de qualidade de vida através da educação, conceitos como democratização e 
autonomia no espaço escolar, tem que ser considerados e exercitados, para a 
construção da cidadania das crianças e adolescentes. Apesar de sabermos que 
nem tudo depende do nosso empenho enquanto educadores, muitas coisas 
podem ser alteradas, mudadas, controladas, entre elas as relações, suas redes 
que se entremeiam e estabelecem conexões contribuindo para o sucesso ou 
fracasso do processo ensino aprendizagem. Encontramos assim, não apenas a 
185
Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
origem, como também a possibilidade de resolução de muitos dos problemas do 
cotidiano humano.
Neste sentido, adotar uma posição teórica comunitária não 
é um privilégio sofisticado; é arrancar de uma base – a da 
necessidade de progresso e de melhoria da vida, em todos os 
cenários - e ir em busca de melhoria daquilo que, por ser parte 
de nossa identidade pessoal e coletiva, sempre é um recurso 
do qual disporemos (ORTEGA; REY, 2002, p. 17).
A família como o grupo relacional mais próximo inicialmente e depois a escola, 
e outros grupos escolhidos, mostram que o ser humano vive constantemente 
em um cenário de convivência que irá contribuir para a formação pessoal. A 
medida que vamos adquirindo consciência de como essas relações interpessoais 
acontecem e como podem ser aprimoradas, é possível constatar que somos 
diretamente influenciados por sentimentos e emoções vividos no cotidiano. 
Como humanos, estamos em permanente processo de construção, a 
partir das nossas necessidades individuais e de todas as influências externas, 
perceptíveis ou não, como nos dizem Ortega e Rey (2002, p. 21):
Conflitos de toda ordem, problemas conjunturais ou 
permanentes, tensões, mal entendidos, paixões pouco 
reflexivas, amores e ódios, assim como amizades e altruísmos 
são o próprio molho onde se cozinha a vida social interpessoal. 
A forma como interpretamos os conflitos e problemas, que, 
necessariamente, vão surgir em nossa vida social, será um 
dos fatores mais importantes para ir avançando com boas ou 
más relações sociais.
Assim, muito mais que apenas um espaço de aprendizagens cognitivas, as 
instituições escolares são espaços de múltiplas aprendizagens, para a constituição 
dos indivíduos em todos os aspectos para a sua formação individual e social. Isso 
somente será possível se no contexto escolar houver integração das diferentes 
funções e áreas do saber. As relações interpessoais serão efetivadas a partir 
da superação do abismo existente entre quem sabe e quem faz e as atividades 
educativas busquem a cooperação e não a competição. Espaços de diálogo 
devem ser propiciados, onde a participação do coletivo escolar seja efetivada 
e que os desafios postos à educação escolar sejam discutidos e provoquem a 
reflexão acerca da participação efetiva do coletivo escolar no processo ensino e 
aprendizagem. 
186
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Figura 41 - Reunião na instituição escolar com a participação da comunidade escolar
Fonte: Disponível em: <http://www.google.com.br/Images for 
figurasde reunião de pais>. Acesso em: 16 ago. 2012.
A participação da comunidade escolar deve ser possibilitada através de 
atividades que levem pais, alunos, professores e funcionários a perceberem 
que a unidade escolar quer a sua presença e contribuição no processo ensino 
aprendizagem. É preciso promover na instituição de ensino, atividade que 
possibilitem a construção de conhecimentos e de novos saberes. E é importante os 
pais terem acesso e poderem visualizar a metodologia utilizada para entenderem 
como os professores ensinam oportunizando a aprendizagem e como os alunos 
interagem neste processo.
 
 Assim, participar de eventos, de reuniões de início do ano, de 
comunicação de decisões pedagógicas dos profissionais da educação em relação 
ao comportamento dos alunos, comparecer sempre que chamado na instituição 
de ensino, contribuir para com as despesas da unidade de ensino (contribuição 
espontânea, rifas, eventos etc.), os pais já fazem. Mas, contribuir com ideias, 
opiniões, sugestões para termos uma educação de qualidade ainda é um 
movimento tímido, mas que já está acontecendo.
Caro Pós-Graduando como a participação da comunidade 
escolar pode ser efetivada? Isso é possível? 
Apesar das realidades serem diferentes, com estratégia muito simples é 
possível incentivar a participação do coletivo nas ações da unidade escolar. 
Trazemos algumas sugestões que podem contribuir nesta empreitada: 
187
Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
• pesquisar os horários mais propícios para os pais para poderem participar dos 
encontros;
• organizar o espaço dos encontros – que sejam agradáveis, confortáveis...;
• organizar a agenda e dar ciênciada mesma com antecedência à comunidade 
escolar;
• planejar cada encontro, de tal forma que possibilite a todos terem “voz” e 
participarem dos debates.
Quando pensamos na participação da comunidade: pais, alunos, professores, 
funcionários quase sempre nos reportamos a reuniões de tomada de decisões, de 
avaliações etc. Esquecemos que o lúdico faz parte do humano e é o elo maior de 
ligação entre as famílias. 
Figura 42 – O lúdico na integração da comunidade escolar 
Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/img/
conselhos/cabecalho.jpg>. Acesso em: 30 mai. 2012.
Nas atividades prazerosas, as pessoas podem demonstrar e desenvolver 
outras habilidades que contribuirão na formação integral de cada indivíduo e 
do grupo. É outra maneira de aprender e de dar significado ao contexto social 
promovendo a integração do coletivo escolar. Organizar eventos que tenham 
atividades diversificadas e lúdicas cria um clima de harmonia, promovendo uma 
nova consciência social e estabelecendo novas redes de relações. 
http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg
http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg
188
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Gestão Educacional e Qualidade Social da Educação. LUZ, 
Ana Maria de Carvalho (Org.);PORTELA, Adélia Luiza; ATTA, Dilza 
Maria Andrade; MARTINS, Ricardo Chaves de Rezende; JESUS, 
Tércio Rios de. Disponível em: www.proged.ufba.br/biblioteca/
Gestão%20Educacional.pdf
Atividade de Estudos: 
1) Cite 3 (três) eventos que envolvam a comunidade escolar e 
apresente o objetivo (s) específicos de cada um deles.
Evento Objetivo Específico 
a)
b)
c)
Contudo, não devemos esquecer que as instituições de educação escolar 
devem constituir-se como espaços de aprendizagem intencional, significativa, 
planejada e permanente para todos os alunos, diferenciando- se de outras práticas 
educativas como as familiares as profissionais, de lazer e outras que ocorrem 
no convívio social (sindicatos, associações etc.). Mas, é possível trabalhar com 
conteúdos significativos a partir dos eventos promovidos ou a promover. Planejar, 
organizar distribuir tarefas coletivamente relacionando essa organização com o 
currículo escolar é uma possibilidade. 
Figura 43 - Conteúdos significativos
Fonte: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/
coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml>. Acesso em: 16 ago. 2012.
http://www.proged.ufba.br/biblioteca/Gestão%20Educacional.pdf
http://www.proged.ufba.br/biblioteca/Gestão%20Educacional.pdf
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml
189
Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
A função maior da instituição escolar, desde a educação infantil, é a de 
possibilitar e propiciar oportunidades para todos estabelecerem e desenvolverem 
relações interpessoais, construírem conhecimentos através de aprendizagens 
significativas (cognitivas, afetivas, éticas e estéticas). Que todos possam 
desenvolver e vivenciar suas capacidades e de serem instrumentalizados para 
compreenderem a realidade e contribuírem para a melhoria da mesma e não 
como equivocadamente algumas pessoas pensam, de preparar para a vida. 
Sabemos que para muitos não importa se a escola busca a aprendizagem 
significativa. O que querem é a segurança de que seus filhos estejam ‘guardados’ 
enquanto trabalham. Não participam das atividades propostas pela instituição, 
pois, indevidamente delegam o poder da educação de seus filhos à direção e aos 
professores, esquecendo o dever da família, prescrito na lei - Constituição Federal 
(1988, Art. 227). A escola não prepara para a vida ela é para ser vivida. A música 
do Grupo Biquini Cavadão expressa muito bem, o equívoco da sociedade em 
relação à função da escola.
Escola
(Biquini Cavadão)
Se a escola fosse 
Preparar pra vida 
Ao invés de professores, 
Teria delatores 
Se a escola fosse 
Preparar pra vida 
Ao invés de monitores, 
Teria assassinos 
Se a escola fosse mesmo 
Um preparo para vida 
Ao invés de ser escola, 
Seria uma favela 
Num subúrbio abandonado 
Onde o povo relegado, 
Leva quase meio dia 
Pra chegar no seu trabalho.
 
Se a escola fosse preparar crianças para vida 
Ao invés de um caderno teria uma trouxinha, 
Teria um revólver 
Ao invés de uma cadeira, 
Uma metralhadora ou uma escopeta 
No lugar da mochila, a mala preta 
Ou carteira adulterada, 
Falsificada do exército 
Pra poder entrar no jogo 
190
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Se dar bem, 
Não pagar nada 
E gritar bem alto gol! 
Que seu time fez agora, 
Impedido e de mão! 
Se a escola realmente preparasse para vida 
Trocaria os cadernos por escudos 
Trocaria as canetas por espadas 
Trocaria os estudos por táticas de guerra: 
Como se defender, 
Como matar alguém, 
Como fingir de morto, 
Como mentir também. (2 vezes) 
Pra poder entrar no jogo 
Se dar bem, 
Não pagar nada 
E gritar bem alto gol 
Que seu time fez agora.
Fonte: Disponível em:<www.biquini.com.br>. 
Acesso em: 17 ago. 2012.
Atividade de Estudos: 
1) Prezado Pós–Graduando, leia e reflita sobre a letra da música 
acima apresentada e assinale nas frases abaixo os equívocos 
mais presentes na sociedade sobre a função e papel da escola 
na atualidade. 
( ) lugar apenas de guarda e segurança das crianças e jovens 
enquanto os pais trabalham;
( ) espaço de aprendizagens significativas;
( ) espaço de conflitos;
( ) único espaço de preparação para a vida;
( ) espaço onde a direção e os professores exercem poder
 absoluto sobre os alunos. 
http://www.biquini.com.br
191
Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
A Dinâmica das Relações 
Interpessoais no Ambiente Escolar 
A dinâmica das relações interpessoais na gestão democrática escolar tem 
como objetivo a participação de todo o coletivo da instituição (direção, docentes, 
funcionários, alunos, pais de alunos e comunidade do entorno escolar), ou pelo 
menos dos segmentos que tenham interesse em fazer parte da rede de relações 
dentro de uma proposta coletiva de educação. Nessa perspectiva com o objetivo 
de promover uma educação de qualidade para todos os alunos possibilitando 
desenvolver os processos de formação humana e de convivência que ocorrem 
tanto na família como na vida escolar, no trabalho, na sociedade. 
Identificando e trazemos a reflexão sobre alguns elementos básicos que 
devem estar presentes na construção e no desenvolvimento do movimento das 
relações interpessoais no espaço de educação escolar numa proposta de gestão 
democrática. A instituição de ensino, nesta perspectiva deve ter: 
a) um projeto político pedagógico elaborado, definido, compartilhado e avaliado 
por todos;
Como articulador de ideias e necessidades, o PPP é uma ferramenta que 
direciona e organiza o trabalho educacional da instituição. Veiga (2003, p. 275) 
assinala sua importância na atuação coletiva definindo os encaminhamentos, 
mobilizando e estruturando a rede de relações interpessoais da instituição escolar, 
quando nos diz:
[...] o projeto é um meio de engajamento coletivo para 
integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar 
soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho 
pedagógico-administrativo, desenvolver o sentimento de 
pertença, mobilizar os protagonistas para a explicitação 
de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem 
desencadeadas, fortalecer a construção de uma coerência 
comum, mas indispensável, para que a ação coletiva produza 
seus efeitos.
b) conselhos ou colegiados onde docentes, alunos, funcionários, pais e 
comunidade atuem; A participação da comunidade deve ser incentivada 
e efetivamente acontece quando são criados, ativados e sustentados 
mecanismos como o Conselho/Colegiado Escolar, Assembleia Escolar, 
Grêmio Estudantil, na perspectiva de promover a integração e aconstrução 
de outras maneiras de gestão das instituições de ensino. Como espaços 
de participação, em diferentes momentos e com objetivos específicos, 
para cada conselho/colegiado, permitirá dar voz a comunidade escolar, 
192
Organização e Desafios da Gestão Escolar
buscando sugestões e encaminhamentos para as ações cotidianas (políticas, 
pedagógicas e/ou administrativa) da instituição. A proposta de envolver a 
comunidade no cotidiano escolar é legitimada na LDB nº 9394/96, quando 
estabelece que as escolas sejam organizadas e administradas seguindo 
princípios de gestão democrática. 
O que são os mecanismos de participação da comunidade escolar? 
Mecanismos de participação são maneiras ou formas, 
disponibilizadas na unidade escolar de atuação e participação efetiva 
da comunidade escolar. O sistema de ensino deve dispor essas 
formas que devem contar dos documentos que direcionam o trabalho 
da instituição (PPP, Regimento).
 
• Assembleia Escolar- reúne um grande número de pessoas e é 
um importante instrumento para a formação de um sentimento de 
compartilhamento e solidariedade. A pauta das assembleias quase sempre 
podem trazer repercussão para a comunidade escolar. É um espaço do 
exercício da democracia e, por isso, deve ser cuidadosamente planejada. 
Por isso é necessário ter normas estabelecidas no regimento escolar, 
sobre as assembleias como: funcionamento, coordenação, direito a voto e 
ser votado, responsabilidade da pauta (planejamento e secretaria). Assim, 
como todos os outros espaços de participação da comunidade escolar 
é preciso que seja feita com antecedência a convocação e socializada 
a pauta/agenda, mencionando local, dia e hora de início e término do 
encontro. 
• Reuniões - Espaço para motivar o coletivo, dar informações importantes sobre 
a unidade escolar, propor e discutir encaminhamentos sobre especificidades 
(projetos, normas, decisões), avaliar ações desenvolvidas e planejar outras 
etc. 
• Seminário – Com funções parecidas com as reuniões tem como objetivo 
maior aprofundar conhecimentos sobre determinado conteúdo, com diferentes 
abordagens.
193
Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
• Associação de pais e mestres - É mais um mecanismo disponibilizado para 
incentivar a participação dos pais na vida escolar de seus filhos, contribuindo 
para o movimento de interação interpessoal e coletivo da unidade escolar.
• Colegiado ou Conselho Escolar - espaços de mediação, diálogo e 
compartilhamento de decisões na unidade escolar, tem como objetivo principal 
contribuir com a gestão democrática. Participam do colegiado ou conselho 
escolar representantes dos diversos segmentos da comunidade escolar 
(direção, docentes, alunos, funcionários, pais de alunos e comunidade onde a 
escola está inserida).
Figura 44 - Participação dos representantes da comunidade 
escolar nos espaços de decisões
Fonte: Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/img/
conselhos/cabecalho.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2012.
Paro (2008, p. 17), contudo, nos alerta:
A participação da comunidade na escola, como todo processo 
democrático, é um caminho que se faz ao caminhar, o que não 
elimina a necessidade de se refletir previamente a respeito 
dos obstáculos e potencialidades que a realidade apresenta 
para a ação.
c) Estabelecer parcerias com os segmentos da instituição escolar e com 
entidades públicas e particulares que venham a colaborar com a instituição 
escolar, desde a organização e participação em eventos, que contribuam na 
formação dos professores, funcionários, comunidade e dos alunos (palestras, 
oficinas).
http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg%3e.
http://portal.mec.gov.br/seb/img/conselhos/cabecalho.jpg%3e.
194
Organização e Desafios da Gestão Escolar
O que vem a ser parceria? 
É uma forma de colaboração mútua entre pessoas, organizações, projetos 
da comunidade, instituições de ensino, pais etc. As prioridades detectadas, 
quando da elaboração do projeto político pedagógico é que irão determinar 
a necessidade e o tipo de parcerias necessárias. Portanto, a parceria da 
instituição escolar é parte das estratégias que compõe o Projeto Político 
Pedagógico. 
No interior do Maranhão a gestão da escola na busca de 
solução para um problema na unidade estabeleceu parceria com os 
alunos. Para saber mais ver www.ne.org.br/revistaescola.abril.com.
br fevereiro/maco2011
Prezado Pós-graduando, a revista Gestão Escolar traz uma 
reportagem bem interessante e significativa. Procure ver e reflita 
sobre os escritos. Destacamos desse texto uma questão de suma 
importância quando se estabelecem parcerias: “Entre outras coisas, 
esse trabalho funciona bem porque o parceiro não busca apenas 
visibilidade para seus produtos e serviços, preocupando-se com uma 
troca efetiva com a escola” (HEIDRICH, 2010, p. 22).
www.ne.org.br/revistaescola.abril.com.br fevereiro/maco2011
d) Profissionais com competência para o exercício de suas funções. A 
formação continuada ocorre em diferentes espaços e tempos e não pode 
ser vista de forma linear e única. As concepções e os conhecimentos, 
a história que os professores trazem, as suas descobertas e as suas 
construções cognitivas, devem ser consideradas no processo de formação. 
Possibilitar espaços de reflexão a partir da prática docente pode provocar 
mudanças significativas na ação pedagógica. A competência profissional 
é constituída no exercício da função com planejamento, análise e reflexão 
da prática pedagógica. O ‘saber’ ou conhecer, pressupõe compreender, 
analisar e utilizar profissionalmente os novos dados e descobertas porque 
como diz Sacristán (1999, p. 25): “Aqueles que dominam o conhecimento 
http://www.ne.org.br/revistaescola.abril.com.br%20fevereiro/maco2011
http://www.ne.org.br/revistaescola.abril.com.br%20fevereiro/maco2011
http://www.ne.org.br/revistaescola.abril.com.br%20fevereiro/maco2011
195
Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
intervêm nas relações sociais, ao fazer que um mundo determinado 
se aceite ou se transforme, isto é, que o domínio da teoria não pode ser 
desligado das práticas sociais”.
Sugerir estudos, propor espaços para troca de experiência e buscar 
auxílio com especialistas numa parceria com outras secretarias ou entidades é 
uma possibilidade do gestor contribuir com a formação dos docentes. Contudo, 
é necessário um trabalho de sensibilização para que as questões conflitantes 
sejam discutidas, respeitando-se opiniões e concepções diferentes, pois como 
humanos e educadores, quase sempre, somos ‘sensíveis’ as avaliações do 
nosso trabalho pedagógico.
e) Participação da família nos eventos promovidos pela unidade escolar, tanto 
nas equipes de trabalho, como sendo formadores nas oficinas, cursos, e nas 
diversas atividades. Nóvoa (1999, p. 27) contribui com essa questão nos 
dizendo: 
Os pais, enquanto grupo interveniente no processo educativo, 
podem dar um apoio activo às escolas e devem participar num 
conjunto de decisões que lhes dizem diretamente respeito. 
Numa perspectiva individual, os pais podem ajudar a motivar 
e a estimular os seus filhos, associando-se aos esforços dos 
profissionais do ensino.
f) Ter normas democraticamente elaboradas e estabelecidas possibilita a 
compreensão das mesmas e o entendimento e a segurança de saber até 
onde ir e como. Referindo-se a essa questão, Ortega e Rey (2002, p. 44) 
dizem: 
A ausência de compreensão do papel das normas, 
democraticamente elaboradas e estabelecidas, produz sensação 
de confusão, insegurança e, às vezes, medo de não saber 
até onde ir com o controle próprio e alheio de tudo aquilo que, 
evidentemente, observamos como melhorável ou mau.
O processo de convivência social nas instituições escolares é construído 
no dia a dia e as mudanças vão acontecer pela conscientização da comunidade 
escolar. A institucionalização das mudanças transformando-as em normas se faz 
necessária para haver continuidade do processo.O filme sugerido abaixo trabalha questões relacionadas à necessidade da 
disciplina, do respeito às normas e da discussão dos valores individuais e da 
comunidade.
196
Organização e Desafios da Gestão Escolar
Treino para a vida Coach Carter (2005).
 
Atividade de Estudos: 
1) Caro Pós-graduando, você como gestor escolar, propondo ao 
coletivo, conhecer o interesse dos pais dos alunos, para saber 
como estes poderiam/gostariam de contribuir com a unidade 
escolar, sugere que : 
a) Seja elaborado em sala de aula as questões para uma pesquisa a 
ser realizada pelos alunos com os pais;
b) Faça uma carta-convite um encontro para debaterem sobre 
possíveis trabalhos que os pais possam realizar junto a unidade 
escolar;
c) Propor uma pesquisa de campo onde os alunos busquem os 
dados necessários para a instituição planejar ações que envolvam 
a comunidade escolar.
Escolha um dos itens apresentados e defenda porque realizar 
essa atividade e como ela pode ser desenvolvida envolvendo os 
docentes, alunos e funcionários da instituição. 
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
•Direção: Thomas Carter
• Gênero: Comédia dramática Drama: Biografia
• Origem: Estados Unidos
• Duração: 120 minutos
• Tipo: Longa-metragem
197
Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
 __________________________________________________
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 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Os espaços de educação escolar são cheios de possibilidades e de 
contradições que exigem nossa atenção é preciso, portanto, que tenhamos 
critérios estabelecidos para tomar decisões. 
Por que, embora tendo uma concepção de gestão democrática, 
nem sempre conseguimos agir de acordo com ela? É importante 
você, pós-graduando, conscientizar-se que somos passíveis de 
erros e controvérsias. Dessa maneira, terá mais tolerância com as 
outras pessoas, no seu local de trabalho, reconhecendo as situações 
de divergência e buscando no diálogo a resolução das situações 
conflitantes.
Assim, muitas vezes mesmo numa perspectiva de gestão democrática, 
tomamos atitudes arbitrárias e controvérsias que influenciam na rede de relações 
estabelecidas podendo provocar situações que podem gerar divergência de 
entendimento, como:
a) propomos o desenvolvimento da autonomia e exigimos dos alunos e dos 
docentes a se submeterem a determinadas orientações e rotinas nada 
democráticas. Parrat-Dayan (2008, p. 8) contribui nesta questão nos dizendo 
que: 
Quando todos os participantes de um projeto institucional 
são considerados como pessoas tendendo a ser autônomos, 
forçosamente haverá pontos de vista diferentes que podem 
criar conflitos. Esses conflitos deveriam ser vistos como 
oportunidade para pensar e compreender melhor a relação 
entre sujeito e instituição.
198
Organização e Desafios da Gestão Escolar
b) dizemos que consideramos as diferenças, mas todos são tratados de forma 
homogênea,
[...] aplicando uma única lei para todos os casos, o coletivo 
se desestrutura porque as discordâncias, deixando de ser 
objeto de negociação, enfraquecem os vínculos da trama 
social e começam a ser tratados por especialistas. O diretor 
passa a depender, por exemplo, dos peritos (policiais, bedéis, 
orientadores, psicólogos, etc) que se utilizam da força física, 
moral e/ou psicológica para conter o movimento da violência. 
Contudo, a ação desses peritos será pouco eficaz, porque a 
violência não é eliminada, ela assume outras modulações e 
rompe regularmente, trazendo à tona tudo o que foi rejeitado 
(GUIMARÃES, 1996, p. 80).
Reafirmando o pensamento a autora (GUIMARÃES, 1996, p. 76) cita 
Maffesoli (1987a, p. 98) que assim se manifesta:
Toda vez que os poderes instituídos neutralizam as diferenças, 
levando à submissão, a adaptação e deixam de considerar as 
forças coletivas dos diferentes grupos, há efeitos de ruptura 
que podem ocorrer tanto frontalmente (as fúrias urbanas, os 
arrombamentos), como através da violência banal (grifo do 
autor), isto é, das resistências passivas que aparentemente se 
integram ao instituído.
c) propomos a solidariedade, a cooperação o trabalho coletivo, mas às vezes, 
estimulamos a competição e o trabalho individual.
d) buscamos o ensinar a aprender, mas não permitimos o erro como tentativa de 
acerto e descoberta e como elemento de construção do conhecimento.
A Superação das Dificuldades 
nas Relações Interpessoais e a 
Construção da Afetividade
Sabemos que a construção cognitiva, social, cultural, afetiva, os 
comportamentos, valores etc., do constituir humano acontece nas inter-relações 
estabelecidas pelos indivíduos no seu contexto social. A educação escolar, como 
uma prática social contribui muito para a formação intelectual e afetiva dos alunos, 
por conseguinte o sucesso ou fracasso da aprendizagem dos mesmos. 
Muitos teóricos entre eles, Morin (2000), apontam a estreita ligação entre 
a afetividade e o desenvolvimento da inteligência e as relações conflitantes 
que surgem, consequência da dificuldade de relacionar-se. Ele nos diz que “Há 
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Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
estreita relação entre inteligência e afetividade: a faculdade de raciocinar pode 
ser diminuída, ou mesmo destruída, pelo déficit de emoção; o enfraquecimento 
da capacidade de reagir emocionalmente pode mesmo estar na raiz de 
comportamentos irracionais” (MORIN, 2000, p. 20).
A aprendizagem escolar implica na construção e no estabelecimento 
ou não de vínculos afetivos, na superação das dificuldades nas relações 
interpessoais, possibilitados pelos docentes, sendo que esses podem propiciar 
ou dificultar esse processo. Assim, na instituição escolar se os educadores, 
estabelecem vínculos afetivos, podem promover o sucesso ou o fracasso dos 
alunos na aprendizagem de conteúdos escolares. Portanto, os estados afetivos 
no processo de construção do conhecimento, interferem no desenvolvimento 
cognitivo. Bernard Charlot (2000, p. 54) enriquece esse pensar quando nos 
diz: 
A educação é uma produção de si por si mesmo, mas essa 
auto produção só é possível pela mediação do outro e com 
sua ajuda. A educação é produção de si por si mesmo; é o 
processo através do qual a criança que nasce inacabada 
se constrói enquanto ser humano, social e singular. [...] a 
educação é impossível, se a criança não encontra no mundo o 
que lhe permite construir-se. 
Assim, a qualidade das interações promovidas no interior dos grupos, 
principalmente, entre professores e alunos, no espaço da sala de aula, é o que 
poderá levar o aluno ao desenvolvimento pleno de suas capacidades, sejam 
elas cognitivas, afetivas ou motoras. Entretanto, “Ninguém poderá educar-me 
se eu não consentir, de alguma maneira, se eu não colaborar; uma educação é 
impossível, se o sujeito a ser educado não investe pessoalmente no processo que 
o educa” (CHARLOT, 2000, p. 54). 
A afetividade, a solidariedade e a responsabilidade sobre as regras 
de convívio, são comportamentos que a maioria das crianças e adolescentes 
aprendem no âmbito das relações com seus pares. Entretanto, uma parcela, 
mesmo que mínima “[...] pode estar aprendendo exatamente o contrário: a não ser 
amável, a ser agressiva ou injustificadamente cruel com seus iguais” (ORTEGA; 
REY, 2002, p. 26). Esses comportamentos levam ao surgimento dos conflitos “[...] 
e deve-se aprender a resolvê-los no dia-a-dia em que aparecem” (ORTEGA; REY, 
2002,p. 26). O diálogo, a discussão dos eventos conflitantes no coletivo, possibilita 
uma tomada de decisão coletiva, tendo como suporte os aspectos legais e as 
resoluções contidas nos documentos da instituição. Isso é de suma importância, 
pois, como nos diz Ortega e Rey (2002, p. 27), os problemas surgidos no dia a dia 
nos espaços de educação escolar, são percebidos de diferentes maneiras. 
200
Organização e Desafios da Gestão Escolar
A atitude pedagógica do educador é que faz a diferença, como já conversamos 
nos textos anteriores. A utilização dos recursos disponíveis e de procedimentos 
inovadores, a compreensão das necessidades concretas, das crianças e jovens 
e assumir-se como profissional reflexivo (ORTEGA; REY, 2002; MORIN, 2010; 
2003; 2000; FREIRE, 1999; PERRENOUD, 2000; NÓVOA, 1999).
Mas, quase sempre o conflito só é visualizado quando há 
manifestações de violência. E aí tentamos resolver o resultado da 
violência e esquecemos de buscar as causas que a produziu. E todo 
problema mal resolvido quase sempre se repete.
O Conflito e a Atividade Criadora
O conflito é um fenômeno social, e é faz parte do humano desde os tempos 
primórdios e “surgem a partir das diversas visões dos diferentes atores. [...] Mesmo 
em situações simples do cotidiano, a diferença de percepção pode resultar em 
impasses e conflitos” (MALDONADO, 2008, p. 22). A situação conflitante aparece, 
quando há necessidade de se fazer escolhas entre questões/fatos que para os 
envolvidos são incompatíveis. 
Como parte integrante do convívio social, saber lidar com o conflito, significa 
aceitar as diferenças, aceitar e tomar posições distintas e dialogar sempre. Este 
pensamento é explicitado no filme Escritores da Liberdade, onde é mostrada 
uma realidade próxima de muitas que conhecemos e vivenciamos. Com ênfase 
no papel da educação como possibilidades de mudanças pessoais e da própria 
comunidade, traz uma realidade preconizada por vários educadores entre eles 
Paulo Freire (1999).
 Freedom Writers 
• País de Origem: Alemanha/EUA; 
• Gênero: Drama; 
• Classificação etária: Livre; 
• Tempo de Duração: 122 minutos; 
• Ano de Lançamento: 2007.
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Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
Especificamente no convívio escolar, o conflito é necessário como ‘mola 
propulsora’ para desenvolver a criatividade contribuindo na formação integral das 
crianças e jovens. Isso requer mudanças a partir da reflexão sobre as concepções 
individuais e um diálogo permanente para superar os impasses. O processo 
desencadeado quando da necessidade de resolver um conflito, se estimulado e 
incentivado no espaço de educação escolar, possibilita que novas aprendizagens 
ocorram, pois como diz Morin (2009, p. 22), ao falar sobre a verdadeira finalidade 
das instituições de ensino: “A educação deve favorecer a aptidão natural da 
mente para colocar e resolver os problemas e, correlativamente, estimular o pleno 
emprego da inteligência geral”.
O trabalho sobre convivência deve fazer parte do planejamento da instituição 
levando os professores/educadores a refletirem sobre sua atuação assumindo-se 
pesquisadores da sua prática pedagógica, e buscando novas estratégias, pois
[...] a partir da compreensão das necessidades concretas dos 
(as) alunos (as), da utilização de recursos e procedimentos 
inovadores, e da tomada de decisões negociadas e valorizadas 
como interessantes, no contexto da equipe docente, tem 
alguns benefícios que não foram ainda suficientemente 
divulgados (ORTEGA; REY, 2002, p. 42). 
Inteligência geral é o desenvolvimento das aptidões da mente 
que permite o desenvolvimento das competências específicas ou 
especializadas. Quanto mais desenvolvida a inteligência geral, maior 
a capacidade de resolver problemas específicos. 
Figura 45 - Processo criativo
Fonte: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/
lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml>. 
Acesso em: 16 ago. 2012.
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml
http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/coletaneas/calvin-seus-amigos-428892.shtml
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Organização e Desafios da Gestão Escolar
O professor como mediador do processo educativo vai intervir em 
situações de conflito, como oportunidade de desenvolver através do diálogo 
as aptidões de seus alunos; a desenvolver a capacidade criadora de defender 
seu ponto de vista aceitando as opiniões contrárias, aprendendo a negociar 
para chegar num consenso; a buscar soluções inovadoras para problemas 
persistentes. 
No texto: Estratégias Educativas para a Prevenção da Violência 
de Rosário Ortega e Rosário del Rey, você vai encontrar diversas 
sugestões de atividades para trabalhos em grupo de conscientização 
e mediação dos conflitos. 
Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001287/
128721por.pdf>. Acesso em: 17 jul. 2012.
Algumas Considerações
Com este capítulo encerramos o caderno de estudos Organização e desafios 
da gestão escolar. Nosso objetivo foi o de apontar alguns possíveis caminhos a 
partir da reflexão de questões relacionadas à temática. Ainda há muito a saber, 
contudo esperamos que os referenciais indicados venham a contribuir ainda mais 
para o seu aprofundamento prezado pós–graduando. 
Como você pode observar, para trabalhar pedagogicamente o conflito, 
estimulando a criatividade e desenvolvendo a inteligência das crianças e dos 
jovens, e dos que fazem parte da comunidade escolar.
Revendo as questões apresentadas neste capítulo é possível perceber a 
necessidade do planejamento coletivo, da participação da comunidade escolar 
na tomada de decisões e de se ter um novo olhar para os conflitos relacionais, 
entendendo-os como alternativas criativas de aprendizagens, mas tendo ciência 
que muitas das estratégias utilizadas para solucionar questões conflitantes, 
deverão ser repetidas periodicamente.
Esperamos que este estudo venha contribuir com sua formação e a gestão 
da prática profissional, considerando que este caderno de estudos trata da 
organização e desafios da gestão escola.
http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf
http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf
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Conflitos como Oportunidades de Aprendizagem Capítulo 8 
Referências 
CHARLOT, Bernard. DA RELAÇÃO COM O SABER: Elementos para uma teoria. 
Trad. Bruno Magne. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
FREIRE, Paulo. PEDAGOGIA DA AUTONOMIA. Saberes necessários à prática 
educativa. 12. ed. São Paulo: Paz e Terra. 1999. Disponível também em: <http://
www.letras.ufmg.br/espanhol/pdf/pedagogia_da_autonomia_-_paulofreire.pdf>. 
Acesso em: 15 ago. 2012.
GUIMARÃES, Áurea Maria. Indisciplina e violência: a ambiguidade dos conflitos 
na escola. In: AQUINO, Julio Groppa. Indisciplina na escola: alternativas 
teóricas e práticas. São Paulo: Grupo Editorial Summus, 1996.
MAFFESOLI, Michel.Dinâmica da violência. São Paulo: Ed. Revista dos 
Tribunais, 1987a.
MALDONADO, Maria Tereza. O BOM CONFLITO. São Paulo: Integrare Editora, 
2008.
MORIN, Edgar.A RELIGAÇÃO DOS SABERES: O desafio para o século XXI. 
Trad. Flávia Nascimento. 7. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.
____. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Trad. 
Eloá Jacobina.16. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.
____. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Trad.Catarina 
Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. 2. ed.. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: 
UNESCO, 2000.
NÓVOA, António. Para uma análise das instituições escolares. In. NÓVOA, 
António. (Coord.) As organizações escolares em análise. Lisboa: Publicações 
Dom Quixote, 1999. 
ORTEGA, Ruiz, Rosário; REY, Rosário del. Estratégias educativas para a 
prevenção da violência. Trad. Joaquim Ozório. Brasília: UNESCO, UCB, 2002. 
Disponível em: <www.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf>. Acesso 
em: 12 jul.2012.
PARO, Vitor. Gestão democrática da escola pública. 3. ed. São Paulo: Ática, 
2008.
http://www.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf%3e.%20Acesso%20em:%2012%20jul.%20%202012
http://www.unesco.org/images/0012/001287/128721por.pdf%3e.%20Acesso%20em:%2012%20jul.%20%202012
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Organização e Desafios da Gestão Escolar
PARRAT-DAYAN, Silvia. Como enfrentar a indisciplina na escola. Editora 
Contexto, 2008.
PERRENOUD, Philippe. 10 Novas Competências para Ensinar. Trad. Patrícia 
C. Ramos. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul LTDA, 2000.
PRETE, Almir del; PRETE, Zilda Aparecida Pereira del. Psicologia das relações 
interpessoais. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.
SACRISTAN, J. G. –Poderes Instáveis em Educação. (Trad. Beatriz Affonso 
Neves) Porto Alegre: Artes Médicas Sul , 1999.
VEIGA, Ilma Passos Alencastro. INOVAÇÕES E PROJETO POLÍTICO 
PEDAGÓGICO: UMA RELAÇÃO REGULATÓRIA OU EMANCIPATÓRIA?Cad. 
Cedes, Campinas, v. 23, n. 61, p. 267-281, dezembro 2003. Disponível em: 
<http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 23 mai. 2012. 
http://www.cedes.unicamp.br

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