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MINISTÉRIO PÚBLICO

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MINISTÉRIO PÚBLICO
➔ Considerações iniciais
O MP não é órgão integrante de qualquer dos Poderes (Executivo, Legislativo
e Judiciário), mas função essencial à Justiça (princípio da essencialidade), detendo
autonomia e independência, sendo incumbido de zelar pela defesa da ordem jurídica,
do regime democrático de Direito, e dos interesses sociais e individuais
indisponíveis.
➔ Ingresso no MP
Ocorre por meio de concurso público de provas e títulos, com a participação
da OAB, exigindo-se do bacharel em Direito, no mínimo, três anos de atividade
jurídica, observada a ordem de classificação nas nomeações.
➔ Funções institucionais do Ministério Público
As funções institucionais do MP estão relacionadas no art. 129 da CF, quais
sejam:
(a) Promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei.
(b) Zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância
pública aos direitos assegurados na Constituição, promovendo as medidas
necessárias a sua garantia.
(c) Promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio
público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.
(d) Promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de
intervenção da União e dos estados, nos casos previstos na Constituição.
(e) Defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas.
(f) Expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência,
requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei
complementar respectiva.
(g) Exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei
complementar.
(h) Requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial,
indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais.
(i) Exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com
sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria
jurídica de entidades públicas.
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➔ Estrutura do Ministério Público
O Ministério Público é dividido em Ministério Público da União (que tem
como chefe o Procurador-Geral da República, nomeado pelo Presidente da
República entre integrantes da carreira, maiores de 35 anos, após a aprovação de
seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal, para mandato de
dois anos, permitida a recondução) e em Ministério Público dos Estados (cujo
chefe é o Procurador-Geral, incluído em lista tríplice pelos integrantes da carreira e
nomeado pelo Chefe do Poder Executivo, para mandato de dois anos, permitida uma
recondução, regra extensiva ao Ministério Público do Distrito Federal e territórios).
O Ministério Público da União é subdividido da seguinte forma:
MP Chefe Quem escolhe Mandato
Da União Procurador-geral da
República
Presidente da
República
2 anos
Dos Estados Procurador-geral Chefe do Poder
Executivo
2 anos
Do Distrito Federal Procurador-geral Chefe do Poder
Executivo
2 anos
Dos territórios Procurador-geral Chefe do Poder
Executivo
2 anos
➔ Princípios institucionais do Ministério Público
Os princípios institucionais do Ministério Público são os seguintes:
(a) Unidade, razão pela qual a manifestação de um órgão do MP é entendida
como manifestação da instituição.
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(b) Indivisibilidade, razão pela qual o entendimento manifestado por um órgão
do MP é visto como entendimento da própria instituição, não do órgão.
(c) Independência funcional dos seus órgãos, o que significa dizer que um
órgão do MP não está vinculado ao entendimento de outro órgão (um
promotor pode divergir de um ato processual praticado por outro promotor,
por exemplo).
➔ Legitimidade extraordinária conferida ao Ministério Público
O MP pode propor ação em nome próprio, na tutela de direito alheio, o que é
denominado legitimidade extraordinária. Nessa condição, atua como substituto
processual, propondo a chamada ação civil pública, disciplinada pela Lei 7.347/1985,
de competência do foro do lugar onde ocorreu o dano, podendo ter por objeto a
condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou de não fazer
(ver Capítulo 25), como:
(a) Na defesa do meio ambiente, do consumidor, dos bens e direitos de valor
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, da ordem econômica e da
economia popular, da ordem urbanística e de todos os demais direitos difusos
ou coletivos.
(b) Para a proteção de interesses coletivos ou difusos de pessoas com
deficiência.
(c) Para obter ressarcimento de danos causados aos titulares de valores
mobiliários e aos investidores do mercado.
(d) Para solicitar a indisponibilidade dos bens do agente ou do terceiro que tenha
enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público.
(e) Para requerer a condenação do réu ao pagamento de alimentos.
(f) Para requerer a suspensão e a destituição do poder familiar, a nomeação e a
remoção de tutores, curadores e guardiães.
(g) Para a proteção dos interesses individuais, difusos ou coletivos, individuais e
indisponíveis e individuais homogêneos do idoso.
➔ Prerrogativas processuais conferidas ao Ministério Público
O MP tem as seguintes prerrogativas:
(a) Legitimidade para arguir o conflito negativo ou positivo de competência
(art. 951).
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(b) Contagem dos prazos em dobro (art. 180), a partir da sua intimação
pessoal.
(c) Legitimidade para ajuizar ação rescisória (inciso III do art. 967).
(d) Legitimidade para interpor recursos, como parte ou como fiscal da ordem
jurídica, neste caso, mesmo que a parte principal não recorra (art. 996,
caput).
(e) Legitimidade para requerer a instauração do incidente de resolução de
demandas repetitivas (inciso III do art. 977).
(f) Legitimidade para instaurar a execução após o encerramento da ação civil
pública, no caso de inércia da associação (art. 15 da Lei 7.347/1985).
➔ Nulidade do processo em decorrência do não aperfeiçoamento da intimação do
MP
O art. 279 do CPC apresenta a seguinte redação:
Art. 279. É nulo o processo quando o membro do Ministério Público não for intimado
a acompanhar o feito em que deva intervir. § 1º Se o processo tiver tramitado sem
conhecimento do membro do Ministério Público, o juiz invalidará os atos praticados a
partir do momento em que dele deveria ter sido intimado. § 2º A nulidade só pode ser
decretada após a intimação do Ministério Público, que se manifestará sobre a
existência ou a inexistência de prejuízo.
OBS.:
A nulidade referida na norma não decorre do fato de o MP não ter atuado no
processo, mas de não ter sido intimado, e, mesmo assim, quando o MP comprovar
a existência de prejuízo.
➔ O MP atua como fiscal da ordem jurídica nos processos que envolvam:
(a) interesse público ou social, o primeiro não configurado, por si só, pela
participação da Fazenda Pública no processo.
(b) interesse de incapazes, prevendo o art. 698 do CPC que, “nas ações de
família, o MP somente intervirá quando houver interesse de incapaz e deverá
ser ouvido previamente à homologação do acordo”.
(c) litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.
Nesses casos, o MP:
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(a) Terá vista dos autos depois das partes, sendo intimado de todos os atos do
processo.
(b) Poderá produzir provas, requerer a adoção das medidas processuais
pertinentes e recorrer, repita-se, mesmo que a parte principal não recorra.
➔ Responsabilidade civil do MP
O membro do MP é civil e regressivamente responsável quando agir com
dolo ou fraude no exercício de suas funções.
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