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AUDITORIA DA QUALIDADE Prof. Esp. MAYCON SOARES DE FRANÇA FERREIRA Reitor Márcio Mesquita Serva Vice-reitora Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva Pró-Reitor Acadêmico Prof. José Roberto Marques de Castro Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitor Administrativo Marco Antonio Teixeira Direção do Núcleo de Educação a Distância Paulo Pardo Coordenadora Pedagógica do Curso Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico B42 Design *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Universidade de Marília Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 CEP 17.525–902- Marília-SP Imagens, ícones e capa: ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia G915b Sobrenome, Nome autor Titulo Disciplina [livro eletrônico] / Nome completo autor. - Marília: Unimar, 2020. PDF (XXX p.) : il. color. ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X 1. palavra 2. palavra 3. palavra 4. palavra 5. palavra 6. palavra 7. palavra 8. palavra I. Título. CDD – 610.6952017 Introdução Garantir a qualidade de um determinado produto ou serviço requer muita dedicação de uma organização. Em um mundo cada vez mais competitivo, a busca pela qualidade virou uma questão de sobrevivência de qualquer empresa. Uma das ferramentas imprescindíveis para garantir tal qualidade são, de fato, as auditorias de qualidade. Através deste processo sistematizado e documentado, é possível avaliar a conformidade dos produtos e serviços e promover a melhoria contínua dos processos de qualquer organização. A auditoria de qualidade é uma ferramenta gerencial usada para avaliar, confirmar ou verificar as atividades de um determinado processo. Uma auditoria da qualidade bem conduzida constitui um processo positivo e construtivo e identifica as atividades capazes de criar problemas futuros. Em algumas ocasiões, esses problemas surgem em função da ineficiência ou inadequação de uma determinada operação. Ao longo desta disciplina, vamos abordar os principais aspectos sobre o modelo de gestão da qualidade, a visão de abordagem por processos nas auditorias, conceituação e interpretação dos requisitos normativos da qualidade. Bons estudos! Prof. Maycon Soares. 3 005 Aula 01: 011 Aula 02: 020 Aula 03: 027 Aula 04: 035 Aula 05: 044 Aula 06: 055 Aula 07: 064 Aula 08: 073 Aula 09: 085 Aula 10: 094 Aula 11: 110 Aula 12: 119 Aula 13: 126 Aula 14: 141 Aula 15: 152 Aula 16: Entendendo a Gestão da Qualidade e Auditoria Gerenciando um Programa de Auditoria Implementando um Programa de Auditoria Planejamento das Auditorias Condução das Auditorias de Qualidade Competências e Avaliação dos Auditores Visão Geral da NBR ISO 9001 e Abordagem por Processos Auditando o Item 4 – Contexto da Organização Auditando o Item 5 – Liderança Auditando o Item 6 – Planejamento Auditando o Item 7 – Apoio Auditando o Item 8 – Operação Auditando o Item 8.3 – Projeto e Desenvolvimento de Produtos e Serviços Auditando o Item 8.4 – Controle de Processos Auditando o Item 9 – Avaliação de Desempenho Auditando o Item 10 – Melhoria 01 Entendendo a Gestão da Qualidade e Auditoria “Qualidade é desenvolver, projetar, produzir e comercializar um produto que seja sempre mais econômico, mas útil e sempre satisfaça o consumidor” (JURAN, 2003, p. 15) A Gestão da Qualidade Um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) é um sistema elaborado para dirigir e controlar uma organização, no que diz respeito à qualidade. É um conjunto de requisitos normativos que tem como objetivo, orientar cada parte de uma determinada organização para que ela execute corretamente os seus processos garantindo a qualidade dos seus produtos e serviços. De acordo com Mello (2009, p.1), “sistema de gestão refere-se a tudo o que a organização faz para gerenciar seus processos ou atividades”. Na verdade, cada autor define qualidade de uma maneira, porém, pode-se perceber que todas as definições levam para uma característica comum da qualidade: a satisfação do cliente e do mercado. Em Paladini (2012, p. 9), são apresentadas diferentes definições de qualidade de acordo com o tipo de abordagem, veja a tabela 1 abaixo. 6 Tabela 1 – Definições de qualidade Fonte: Paladini (2012, p. 9). Abordagem Conceito Transcendental Qualidade é sinônimo de excelência inata, para a qual não existe definição e só se reconhece pela experiência. Baseada no produto Qualidade é mensurável em função de atributos pré-definidos. Baseada no usuário Qualidade está relacionada com as necessidades do consumidor e a capacidade de um bem ou serviço. Baseada no processo Qualidade está vinculada ao atendimento de especificações. Baseada no valor Qualidade é função de o preço ser acessível ao consumidor, independentemente da excelência do produto. A qualidade consiste nas características dos produtos que vão ao encontro das necessidades dos clientes, e dessa forma proporcionam satisfação em relação ao produto. Em outras palavras, a qualidade é a ausência de falhas. (JURAN, 2003, p. 14) No entanto, um dos fatores que auxiliam as organizações a buscarem a excelência operacional são as auditorias de qualidade. Por meio desta ferramenta, é possível verificar a conformidade dos produtos e serviços em relação aos requisitos normativos e, principalmente, dos clientes. 7 As auditorias da qualidade são um complemento de qualquer sistema de gestão da qualidade. Sem elas, não seria possível medir os resultados bem como promover a melhoria contínua dos processos, produtos e serviços. As Auditorias de Qualidade De acordo com a ABNT NBR ISO 19011 (2018, p. 1), “A auditoria é um processo sistemático, independente e documentado para obter evidência objetiva e avaliá-la objetivamente, para determinar a extensão na qual os critérios de auditoria são atendidos”. Ainda segundo a norma, existem pelo menos três tipos de auditorias. Veja a tabela 2: Diferentes tipos de auditorias fonte: ABNT NBR ISO 19011 (2018, p. 8). Auditoria de 1ª parte Auditoria de 2ª parte Auditoria de 3ª parte Auditoria interna Auditoria de fornecedor externo Auditoria de certificação e/ ou acreditação - Outra auditoria de parte interessada externa Auditoria estatutária, regulamentar e similar 8 Auditorias internas São chamadas de auditorias de primeira parte, são conduzidas por pessoas pela própria empresa e que são capacitadas para realizarem esta atividade. Auditorias externas São chamadas de auditorias de segunda parte e terceira parte. Auditorias de segunda parte são conduzidas por partes que têm um interesse na organização, como clientes, ou por outras pessoas em seu nome. Auditorias de terceira parte são conduzidas por organizações de auditoria independentes, como aquelas que fornecem certificação/ registro de conformidade, ou por agências governamentais. Sejam as auditorias internas ou externas, as duas possuem apenas um único objetivo: buscar a melhoria contínua de qualquer organização. Podemos dizer que toda auditoria é composta por três elementos-chave: evidência objetiva, critérios de auditoria e constatações. Veja o detalhamento abaixo: Evidência Objetiva Registros, documentos, observações do auditor durante as auditorias conforme critérios. Critérios de Auditoria Requisitos de uma norma ou de uma instrução de trabalho ou documento 9 elaborado por uma organização e que estes deverão ser seguidos. Constatações de Auditoria Confirmação da conformidade ou não conformidade de um determinado requisito, de acordo com a evidência objetiva encontrada. Transparência de informações, alinhamento ao planejamento estratégico, maior organização, redução dos riscos e otimização dos processos são alguns dos motivospara realizar as auditorias em uma empresa. Através dessa ferramenta, é possível implementar ações corretivas para minimizar os erros, prevenir falhas e obter processos mais eficazes e transparentes. São muitas as possibilidades, mas o essencial é que todos podem ajudar a arrumar a casa e oferecer uma visão real sobre a situação da organização, trazendo maior clareza para os resultados operacionais. Acesse o link: Disponível aqui Compreender a essência de uma auditoria da qualidade é fundamental para os profissionais da área de gestão. Leia um artigo sobre o tema. Fonte: Disponível aqui Avaliar um modelo de gestão de qualquer organização requer um trabalho bem estruturado, ainda mais quando se tem dois tipos de modelos de gestão implementados na mesma organização. Entender a importância desses modelos é fundamental para gerir qualquer conceito abordado sobre gestão da qualidade. 10 https://www.banasqualidade.com.br/artigos/2013/09/auditorias-de-gestao-de-acordo-com-a-norma-tecnica.php https://www.ufjf.br/engenhariadeproducao/files/2014/09/2010_1_Margarida.pdf 02 Gerenciando um Programa de Auditoria “Auditoria, processo sistemático, independente e documentado para obter evidência objetiva e avaliá-la objetivamente, para determinar a extensão na qual os critérios de auditoria são atendidos”. (ABNT 19011, 2018, p. 1) Principais Elementos da Auditoria e Definições Para compreender o processo de auditoria de uma forma clara e objetiva, é essencial conhecer as definições apresentadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas. Conforme destacado por MORAES (2014 p.101), listamos os principais componentes sendo: Auditado: Organização que está sendo auditada. Auditor: Pessoa com a competência para realizar uma auditoria. Competência: Atributos pessoais e capacidade para aplicar conhecimento e habilidades. Constatações de auditoria: Resultados da avaliação de evidência de auditoria coletada, comparando com os critérios de auditoria. Conclusão de auditoria: Resultado apresentado pela equipe de auditoria após considerar os objetivos e todas as constatações nela ocorridas. Cliente de auditoria: Organização ou pessoa que solicitou uma auditoria. Critérios de auditoria: Conjunto de políticas, procedimentos ou requisitos. São usados como uma referência com a qual a evidência de auditoria é comparada. Equipe de auditoria: Um ou mais auditores que realizam uma auditoria apoiados, se necessário, por especialistas ou por outras funções que se façam necessárias. Um auditor da equipe de auditoria deve ser indicado como o líder. Ressalta-se que a equipe pode incluir auditores em treinamento. Escopo da auditoria: Abrangência e limites de uma auditoria. O escopo da auditoria deve incluir uma descrição de localizações físicas, unidades organizacionais, atividades e processos, bem como o período de tempo coberto. Cabe lembrar que a auditoria é uma avaliação realizada segundo um recorte de tempo e espaço físico específico. 12 Evidência de auditoria: Registros, apresentação de fatos ou outras informações pertinentes aos critérios de auditoria (e verificáveis). A evidência de auditoria é a comprovação do cumprimento ou não de um requisito verificado na auditoria. Melhoria contínua: Processo recorrente de amadurecer um sistema de gestão geral a fim de aprimorar o desempenho de uma determinada organização. Objetivos da auditoria: O que se pretende alcançar ou atingir com a auditoria. Por exemplo: auditoria interna para avaliação da conformidade da empresa a uma norma, auditoria de certificação e auditoria de manutenção da certificação. Plano de auditoria: Descrição de atividades e arranjos para uma auditoria cujo objetivo é garantir o cumprimento do escopo. Princípios de Auditoria Segundo a ABNT 19011 (2018 p. 6), A auditoria é caracterizada pela confiança em diversos princípios. Convém que estes princípios ajudem a tornar a auditoria uma ferramenta eficaz e confiável, em apoio às políticas e controles de 13 gestão, fornecendo informações sobre as quais uma organização pode agir para melhorar seu desempenho. Aderência a estes princípios é um pré-requisito para serem fornecidas conclusões de auditoria que sejam pertinentes e suficientes, e para permitir que auditores trabalhando independentemente entre si cheguem a conclusões similares em circunstâncias similares. Complementando, de acordo com Moraes (2014 p.109), em todo o processo de auditoria cinco personagens diferentes são exigidos para que ocorra de forma eficaz, sendo estes: Auditor líder: É o principal elemento no processo de condução da auditoria, responsável por assegurar ao cliente a eficácia da auditoria de acordo com o escopo e o plano de trabalho. Algumas de suas responsabilidades são: determinar os critérios e o escopo da auditoria em conjunto com o cliente e, se for o caso, com o auditado; elaborar o plano de auditoria, consultando o cliente, o auditado e a equipe de auditoria, para depois comunicá-los aos envolvidos; obter informações necessárias e suficientes para atingir os objetivos da auditoria, incluindo detalhes de atividades, produtos e serviços do auditado, localidade, imediações e detalhes de auditorias anteriores; representar a equipe de auditoria nas discussões com o auditado, antes, durante e depois da auditoria, formar a equipe de auditoria, evitando conflitos de interesses e submetendo sua composição à concordância do cliente; notificar o auditado e/ou cliente acerca de constatações de não conformidades críticas durante a execução da auditoria; avaliar e aprovar a versão final do relatório de auditoria; e relatar ao cliente os resultados da auditoria, de forma clara e conclusiva, dentro do prazo acordado no plano de auditoria. Auditor: Compõe com o auditor líder a equipe de auditoria. Uma equipe de auditoria pode ter um ou mais auditores, dependendo das características da empresa a ser auditada. Algumas das responsabilidades do auditor são: seguir as instruções do auditor líder, dando-lhe suporte e apoio; planejar e executar as tarefas que lhe foram incumbidas dentro do escopo da auditoria, coletar e analisar evidências de auditoria, relevantes e suficientes, para definir as constatações de auditoria; resguardar os documentos relativos à auditoria; e auxiliar na redação do relatório de auditoria. Na equipe de auditoria pode haver também especialistas, técnicos e auditores em treinamento, desde que sejam aceitos pelo cliente, pelo auditado e pelo auditor líder. Cliente: É a organização que solicita e paga a auditoria. Consideram-se responsabilidades do cliente: determinar a necessidade da auditoria; definir seus objetivos; selecionar o auditor líder ou a organização auditora e, quando necessário, 14 aprovar a composição da equipe de auditoria; determinar o escopo da auditoria com o auditor líder; prover recursos apropriados para permitir a condução da auditoria; e contratar o auditado para obter sua concordância e cooperação, quando o auditado e o cliente não forem a mesma organização. Auditado: É a organização ou o local onde será realizada a auditoria. O cliente e o auditado podem ser a mesma empresa. São atribuições e responsabilidades do auditado: informar aos funcionários os objetivos e o escopo da auditoria, prover à equipe de auditoria recursos necessários para a condução da auditoria; prover acesso às instalações, ao pessoal e às informações e/ou registros pertinentes, conforme solicitado pelos auditores, designar pessoal responsável e competente para acompanhar os membros da equipe de auditoria, e cooperar com a equipe de auditoria para que os objetivos da ação sejam alcançados. Compreendemos até aqui, os elementos fundamentais do processo de auditoria e suas definições. Neste sentido, abordaremos a primeira tarefa essencial de um auditor que é gerenciar um programa de auditoria. 15 A conduta dos auditores deve ser baseada em alguns princípios: ética, apresentação justa, cuidado profissional, independência e abordagem baseada em evidências. Gerenciando um Programa de Auditoria O planode auditoria remete a uma agenda de auditoria em que os processos a serem auditados serão descritos, além da duração da auditoria, os horários da auditoria e outras informações relevantes de cada auditoria. Esse plano facilitará a programação e a coordenação das atividades da auditoria. Ainda que o plano de auditoria seja suficientemente flexível para permitir alterações, tais como mudanças no escopo, que podem se tornar necessárias na medida em que as atividades de auditoria progridam. Segundo a ABNT 19011 (2018, p. 7), “convém que um programa de auditoria seja estabelecido, o qual pode incluir auditorias que abordem uma ou mais normas de sistema de gestão ou outros requisitos, conduzidas separadamente ou em combinação (auditoria combinada).” Para construir um programa de auditoria de forma eficaz, leve em consideração as seguintes informações: 16 Fonte: Adaptado de ABNT ISO 19011 (2018, p. 8). Após a implementação do programa de auditoria, assegure-se de que os objetivos foram alcançados. O auditor deverá fazer uma análise crítica para identificar as necessidades de mudança e possíveis oportunidades de melhorias. Estabelecendo Objetivos do Programa de Auditoria Assim como uma bússola, os objetivos do programa de auditoria servirão como um norteador para uma boa condução das auditorias. A ABNT 19011 (2018, p. 10) determina que o cliente da auditoria, assegure que os objetivos do programa de auditoria sejam estabelecidos para direcionar o planejamento e a condução de auditorias, e convém que assegure que o programa de auditoria seja implementado eficazmente. Convém que os objetivos do programa de auditoria sejam coerentes com a direção estratégica do cliente da auditoria e apoiem a política e os objetivos do sistema de gestão. 17 Fonte: Adaptado de ABNT ISO 19011 (2018, p. 10). Leve em consideração os exemplos: De uma forma geral, podemos dizer que o objetivo da auditoria está inserido dentro das atividades de planejamento e é responsável por identificar os recursos necessários para realizar uma boa auditoria. É importante destacar que, dentro deste processo, as pessoas que realizarão o gerenciamento de um programa de auditoria, precisam conhecer os objetivos da organização, determinar as questões internas e externas que poderão afetar as atividades das auditorias, assegurar as competências necessárias dos auditores, verificar quais processos serão auditados e os recursos que serão disponibilizados. 18 Acesse o link: Disponível aqui A aplicação do processo de auditoria é compatível em diversas áreas de uma determinada organização. Já imaginou auditar a área de projetos? O objetivo da auditoria do projeto é garantir que os projetos proporcionem os resultados desejados, produzindo os produtos corretos com as restrições de qualidade, custo e tempo combinados. Acesse o link: Disponível aqui Papel e caneta na mão! Anote alguns lembretes essenciais para fazer um bom planejamento de auditoria. 19 https://www.banasqualidade.com.br/artigos/2014/05/a-auditoria-de-projetos.php https://auditoriaoperacional.com.br/plano-e-preparacao-da-auditoria-interna/ 03 Implementando um Programa de Auditoria “Uma vez que o programa de auditoria tenha sido estabelecido e os recursos relacionados tenham sidos determinados, é necessário implementar o planejamento operacional e a coordenação de todas as atividades do programa”. (ABNT 19011, 2018, p. 14) Principais Componentes do Programa de Auditoria Como vimos no capítulo anterior, o gerenciamento de um programa de auditoria é essencial para abordar todos os aspectos funcionais e lógicos deste processo. Neste sentido, abordaremos os principais elementos contidos em um programa de auditoria e como eles sustentam o processo de avaliação nas organizações. Um programa de auditoria é construído fora de uma determinada organização e necessita da coleta de dados relevantes para que seja verificada a conformidade dos produtos ou serviços a serem auditados. Nesta etapa, um auditor deverá levar em consideração três atividades chaves que o ajudará a implementar um programa de auditoria. Vamos considerar cada um deles. Definição dos Objetivos e Escopo O objetivo se define pelo tipo de auditoria que será realizada em uma determinada organização. Se o objetivo for a certificação de um sistema de gestão da qualidade, a auditoria será de certificação, e se for para identificar apenas o atendimento dos requisitos dos clientes, a auditoria será de segunda parte. Em relação ao escopo, trata-se dos limites dentro dos quais a auditoria percorrerá em uma determinada empresa. Segundo Campos e Lerípio (2009), “o escopo irá delimitar os limites e a extensão [da auditoria] em termos de fatores como a localização física e as atividades da organização”. Veja o exemplo na Tabela 1. 21 Tabela 1 – Exemplo de objetivo e escopo de auditoria. Objetivo da Auditoria Obtenção da certificação NBR ISO 9001:2015 para o processo de fabricação de itens fundidos da empresa XYZ. Escopo Processos: fabricação, usinagem e expedição. Plantas: Matriz XYZ de São Paulo-SP e filial XYZ do Paraná-PR. As atividades de definição dos objetivos da auditoria e o escopo deverão ser definidos pela própria organização. O papel do auditor nesse processo inicial será apenas para orientar o auditado quanto ao resultado que se espera. Definição dos Critérios de Auditoria Os critérios de auditoria nada mais são do que um composto de requisitos que serão avaliados pelo auditor. Neste sentido, o critério de auditoria deverá ter coerência com a descrição do objetivo da auditoria. Por exemplo, imaginamos que uma determinada organização pretende obter uma certificação do sistema de gestão da qualidade, e no momento da definição dos critérios da auditoria, não é mencionada a utilização dos requisitos normativos da NBR ISO 9001, neste caso, não há coerência entre objetivo e critério. Podemos definir critério de auditoria conforme exemplos descritos na Tabela 2. 22 Tabela 2 – Exemplos de critérios de auditoria. Critérios de auditoria Requisitos normativos da NBR ISO 9001:2015. Requisitos normativos. (Ex: legislações, INMETRO, etc) Requisitos compulsórios. (Ex: Certificações de outros países para exportação) Requisitos de clientes. (Ex: Exigências técnicas declaradas pelos clientes) Definição dos Recursos de Auditoria Uma vez definidos os objetivos, escopo e critérios, é chegada a etapa da definição dos recursos necessários para a realização da auditoria. Leve em consideração os fatores internos e externos da organização. Os recursos sempre estão associados à infraestrutura, deslocamentos, equipamentos eletrônicos, entre outros. Abaixo, listamos alguns exemplos de recursos: Tabela 3 – Exemplos de recursos de auditoria. Recursos de auditoria Salas de reuniões, computadores, telefones. Autorizações de acessos restritos dentro da empresa. Logística (interna e externa). Hospedagens e refeições. 23 Tabela 4 – Exemplo de um programa de auditoria (documento). Em suma, os recursos serão aqueles que sustentarão uma auditoria para que ela realmente aconteça. Ao mapear todos os recursos, leve em consideração as características da organização que será auditada, bem como a dimensão dos processos existentes. Assim como uma bússola que orienta um viajante ou até mesmo capitães, o plano de auditoria servirá como um guia para os auditores e auditados. Sem o planejamento, não existe rumo, muito menos destino. Para ajudar a visualizar um programa de auditoria como um todo, elaboramos abaixo um modelo de programa de auditoria com todos os elementos-chave. Veja a tabela 4. De uma forma geral, os principais componentes de um programa de auditoria serão fundamentais para a realização de uma auditoria em qualquer organização. Através do programa de auditoria, será possível mapear todos os processos existentes de uma determinada organização e verificar o tempo disponível para auditá-los. 24 a. Verificar se os agendamentos estão sendo cumpridos e se os objetivos do programa de auditoria estãosendo alcançados; b. Avaliar o desempenho dos membros da equipe de auditoria, incluindo o líder da equipe de auditoria e os especialistas; c. Avaliar a capacidade das equipes de auditoria de implementar o plano de auditoria; d. Dar feedback para clientes de auditoria, auditados, auditores, especialistas e outras partes interessadas pertinentes e e. Conferir a suficiência e adequação de informação documentada em todos os processos de auditoria. Vale lembrar que cada auditor, construirá o plano de auditoria em conjunto com a organização a ser auditada. Normalmente, as pessoas-chave que auxiliarão nesse processo serão aquelas das áreas de Gestão Integrada ou Administração Geral devido à facilidade de acesso às informações relacionadas ao Sistema de Gestão da Qualidade. Durante a realização de uma determinada auditoria, tanto as pessoas que gerenciam o programa de auditoria como os auditores deverão monitorá-lo a fim de cumprirem o que foi planejado. Abaixo, seguem alguns lembretes conforme destacado pela ABNT 19011 (2018, p. 19): É importante destacar que, durante a realização das auditorias, pode haver a necessidade de modificar o programa de auditoria devido alguns fatores como: 25 Após a construção do documento em questão, ainda é possível encontrar inconsistências nas atividades de planejamento e de execução da auditoria. Portanto, recomendamos que todo auditor realize uma análise crítica do Programa de Auditoria junto com o auditado e com a equipe auditora e elabore um plano de correção caso necessário. Acesse o link: Disponível aqui A profissão de qualidade evoluiu e ela assumiu uma variedade de funções e responsabilidades dentro das organizações inclusive dos auditores. No entanto, existem várias qualidades principais que definem essas profissões. 26 https://www.banasqualidade.com.br/artigos/2014/09/o-desafio-da-profissao-da-qualidade.php 04 Planejamento das Auditorias “Convém que a viabilidade da auditoria seja determinada para fornecer confiança razoável de que os objetivos da auditoria podem ser alcançados”. (ABNT 19011, 2018, p. 22) Preparação das Auditorias Segundo Moraes (2014, p.119), a preparação da auditoria é realizada fora das instalações do auditado e se caracteriza pela definição dos profissionais que farão parte da equipe auditora, a análise preliminar dos documentos do auditado e a elaboração do plano de auditoria. Também se procede com a elaboração ou a adaptação dos instrumentos de trabalho dos auditores e o estudo de normas e legislações específicas da área do auditado. Conforme apresentado, após a definição dos principais recursos descritos no programa de auditoria (objetivo, escopo e recursos), é chegado o momento de definir quem serão os auditores e quais profissionais devem ser externos para não haver imparcialidade nos processos a serem auditados. Ainda segundo Moraes (2014, p.120), não é recomendável que a auditoria seja realizada por um único profissional (auditor), pois a discussão das evidências coletadas e as conclusões tendem a ser mais bem analisadas com a contribuição de um número maior de pessoas habilitadas. Para que a equipe estabeleça um Plano de Auditoria, ela deve solicitar ao auditado alguns documentos, a fim de que conheça melhor a estrutura da empresa e possa avaliar, em especial, os documentos que compõe um sistema de gestão da organização. A análise preliminar de documentos visa não apenas minimizar e objetivar o tempo despendido pelos auditores na etapa de coleta de evidências na unidade auditada, mas também conhecer o negócio da empresa, ou seja, o que e como ela faz. A equipe auditora normalmente adota uma listagem de documentos ou questionários pré- auditoria para a coleta das informações necessárias nos auditados. A partir disso, tal equipe elaborará protocolos ou listas de verificação para serem utilizados na auditoria nas instalações do auditado. 28 Dentro do processo de planejamento da auditoria, todo auditor desprenderá a maior parte do tempo dos trabalhos fora da organização como, por exemplo: analisando documentações da organização, alinhamento com a equipe auditora, preparação das listas de verificação, preparação da logística e entre outras atividades. O que Verificar na Pré-auditoria? Normalmente, os documentos listados abaixo são utilizados no processo da pré- auditoria: Relatórios de auditorias anteriores (Se houver) Fluxogramas Principais normas e procedimentos Dados de registro da empresa (CNPJ, razão social, endereço) Organograma funcional Principais registros de funcionamento (Ex: Licença de Operação) A ABNT 19011 (2018, p. 22) declara que convém que a informação documentada inclua, mas não se limite a: documentos e registros de sistemas de gestão, assim como relatórios 29 de auditorias anteriores. Convém que a análise crítica leve em conta o contexto da organização do auditado, incluindo seu tamanho, natureza e complexidade, e seus riscos e oportunidades relacionados. Convém que ela também leve em conta o escopo, critérios e objetivos da auditoria. A listagem de documentos é normalmente utilizada pela equipe para conhecer a estrutura da empresa e os documentos complementares que podem auxiliar no delineamento das atividades da auditoria (MORAES, 2014 p.121). Após reunir todas as informações acima, a equipe de auditoria terá dados suficientes para elaborar o Plano de Auditoria. Lembre-se que este plano deverá ser compartilhado com a organização a ser auditada, pelo menos, com um mês de antecedência, para que as áreas se organizem a fim de receber os auditores. Detalhes do Planejamento da Auditoria A dimensão e o conteúdo do planejamento da auditoria podem variar, por exemplo, entre auditorias iniciais e subsequentes, assim como entre auditorias internas e externas. Convém que o planejamento de auditoria seja suficientemente flexível para permitir mudanças que possam se tornar necessárias conforme as atividades de auditoria progridam (ANBT 19001, 2018, p. 23). Todo auditor deverá abordar os seguintes itens: 30 Conforme mencionado anteriormente, é recomendável que o plano de auditoria seja compartilhado com antecedência para a organização a ser auditada, e qualquer questão relacionada ao plano deve ser tratada entre o auditor líder e as pessoas que gerenciam o programa de auditoria. a. Objetivos da auditoria; b. Escopo da auditoria, incluindo identificação da organização e suas funções, assim como os processos a serem auditados; c. Critérios de auditoria e qualquer informação documentada de referência; d. Locais (físicos e virtuais), datas, tempo e duração estimados das atividades de auditoria a serem conduzidas, incluindo reuniões com a direção do auditado; e. Necessidade de a equipe de auditoria se familiarizar com as instalações e processos do auditado (por exemplo, conduzindo uma visita ao(s) local(is) físico(s) ou analisando criticamente tecnologia de informação e comunicação); f. Métodos de auditoria a serem usados, incluindo a extensão na qual a amostragem de auditoria seja necessária para obter evidências suficientes de auditoria; g. Papéis e responsabilidades dos membros da equipe de auditoria, assim como dos guias e observadores ou intérpretes; h. Alocação de recursos apropriados, baseada na consideração dos riscos e oportunidades relacionados às atividades que serão auditadas. 31 Trabalho da Equipe e Documentos para a Execução da Auditoria Segundo a ABNT 19011 (2018, p. 24), o líder da equipe de auditoria, em consulta à equipe de auditoria, atribuía responsabilidade a cada membro da equipe para auditar processos, atividades, funções ou locais específicos e, conforme apropriado, autoridade para tomar decisão. Convém que as atribuições levem em conta a imparcialidade, objetividade e competência dos auditores, e o uso eficaz de recursos, assim como diferentes funções e responsabilidades dos auditores, auditores em treinamento e especialistas. Nesse sentido, o auditor deverá levar em consideração o segmento da organização e os processos que serão auditados.Por exemplo, suponhamos que você irá auditar uma empresa que realiza a fabricação de produtos fundidos. Necessariamente, você deverá ter no mínimo um conhecimento básico sobre fundição ou metalurgia básica. Quando a organização a ser auditada tiver mais de um site (local físico), leve em consideração o tempo que será necessário para realizar o deslocamento. Em algumas organizações, por exemplo, possuem fábricas em diversos estados, e neste caso, os auditores deverão considerar a logística aérea e a auditoria poderá levar muito mais tempo para ser concluída. Em relação aos documentos para executar uma determinada auditoria, a ABNT 19011 (2018, p. 25) explica que os membros da equipe de auditoria coletem e analisem criticamente a informação pertinente às suas atribuições de auditoria e preparem informação documentada para a auditoria, usando qualquer meio apropriado. A informação documentada para a auditoria pode incluir, mas não está limitada a: a. lista de verificações físicas ou digitais; 32 b. detalhes de amostragem de auditoria e c. informação audiovisual. O auditor líder, junto com a equipe de auditores, ao preparar documentos de trabalho de auditoria, deve considerar as questões abaixo para cada documento: a. Qual registro de auditoria será criado usando este documento de trabalho? b. Qual atividade de auditoria está ligada a este documento de trabalho específico? c. Quem será o usuário deste documento de trabalho? d. Qual informação é necessária para preparar este documento de trabalho? Contudo, os auditores terão um grande trabalho na condução do planejamento das auditorias do sistema de gestão. É importante que toda a equipe de auditoria conheça os processos e o segmento de atuação de uma determinada organização antes de realizar a auditoria no local. Aplicando essas ferramentas, com certeza o resultado será satisfatório. 33 Acesse o link: Disponível aqui Graças à tecnologia, muitas das limitações de confinamento causadas pela pandemia do ano de 2020 podem ser minimizadas ou até mesmo mitigadas com o uso de recursos e de análises disponíveis nos bancos de dados das empresas. Os chamados programas Analytics usados nas principais auditorias têm revolucionado a profissão, inclusive quando o assunto é planejamento. Fonte: Disponível aqui Vale a pena ler de novo! Uma explanação simples sobre as auditorias do sistema de gestão e metodologias de aplicação nas organizações. 34 https://www.banasqualidade.com.br/artigos/2020/07/auditoria-em-tempos-de-confinamento.php https://www.banasqualidade.com.br/artigos/2018/02/os-principios-de-auditoria-de-sistemas-de-gestao.php 05 Condução das Auditorias de Qualidade “Esta fase é caracterizada pela execução da auditoria propriamente dita, constituindo-se na reunião de abertura, na coleta e avaliação das evidências, nas constatações de auditoria e na reunião de encerramento e apresentação dos resultados”. (MORAES, 2012). Executando uma Auditoria A ABNT 19011 (2018) ressalta que a auditoria é caracterizada pela confiança em alguns princípios: Integridade: profissionalismo Apresentação justa: veracidade e exatidão Devido cuidado profissional: julgamento adequado Confidencialidade: segurança da informação Independência: imparcialidade e objetividade Abordagem baseada em evidências: método racional e sistemático Campos e Lerípio (2009) consideram que o objetivo dessa fase é a obtenção, a análise e avaliação de evidências em relação ao cumprimento dos critérios estabelecidos pela auditoria por meio da verificação dos procedimentos, das responsabilidades e dos processos produtivos a fim de averiguar se o padrão estabelecido como referencial está sendo atingido. Para verificar o cumprimento dos critérios no auditado, devem-se realizar análises de documentos, observações diretas das atividades do auditado, entrevistas e, ainda, testes amostrais. Todas essas informações serão formalizadas como constatações de auditoria a partir das quais a conformidade da empresa aos critérios da auditoria será avaliada – resultados da avaliação comparativa entre as evidências e os critérios de auditoria. 36 Ainda segundo Moraes (2014 p. 123), a execução de uma auditoria nas instalações do auditado tem início com a reunião de abertura, sendo finalizada com a reunião de encerramento. A principal finalidade da reunião de abertura é apresentar a equipe auditora aos auditados e também informá-los sobre o escopo, os objetivos, o plano de auditoria, os métodos empregados na realização da auditoria, os critérios de confiabilidade e a confirmação dos recursos necessários para a boa condução do processo. Além disso, deve ser aberto um espaço para o auditado esclarecer as dúvidas remanescentes. Detalhamento da Condução de uma Auditoria Uma auditoria é confidencial entre as duas partes. Qualquer informação levantada durante o programa completo de auditoria deve ser vinculada por um Código de Ética, que pode ser elaborado e declarado pelo auditor líder nas reuniões de abertura e fechamento. De toda maneira, os auditores devem salvaguardar a confidencialidade da informação. Um exemplo genérico pode ser seguido da seguinte maneira: 1. Realizar a reunião de abertura com o objetivo de apresentar a equipe de auditoria, afirmar o acordo com todos os envolvidos e verificar se as atividades do plano de auditoria, previamente encaminhado à organização, podem ser desenvolvidas. Esta é a oportunidade de realizar questionamentos iniciais. 2. Verificação da documentação, que podem ser as convencionais e/ou obrigatórias, evidenciando a conformidade do sistema baseado nos critérios da auditoria. Os envolvidos são questionados a apresentar informações e evidências que possam ser verificáveis e registrá-las. 3. O próximo passo seria o momento de fazer as análises pertinentes, envolvendo o critério de auditoria em busca das constatações, que variam entre as não conformidades e as conformidades. Podem ser posteriormente reanalisadas visando à obtenção de reconhecimento verídico das informações. 4. As constatações evidenciadas na auditoria devem ser analisadas e discutidas entre a equipe de auditoria. 5. Apontar conclusões sobre assuntos da implementação, manutenção e melhoria contínua do sistema de gestão, além da explanação sobre as oportunidades de melhoria que a organização pode absorver. 6. Execução da reunião de encerramento comandada pelo auditor líder que apresenta as constatações e as conclusões. Essas conclusões podem indicar necessidades de ações corretivas e preventivas, que devem ser tratadas pelo auditado em um período estipulado e acordado. 37 Conforme destacado pela ABNT 19011 (2018, p. 26), o propósito da reunião de abertura é: a. Confirmar o acordo de todos os participantes (por exemplo, auditado, equipe de auditoria) com o plano de auditoria; b. Apresentar a equipe de auditoria e suas funções e c. Assegurar que todas as atividades planejadas de auditoria possam ser realizadas. Na reunião de encerramento, apresentam-se os resultados da auditoria realizada e o auditado é informado das não conformidades identificadas. Caso sejam detectadas oportunidades de melhoria no auditado, elas deverão ser comunicadas. As evidências coletadas na auditoria podem ser classificadas em quatro tipos, veja o quadro 1: Exemplo de itens obrigatórios no relatório de auditoria Fonte: Adaptado de MORAES, 2014. Evidências físicas Referentes a objetos ou atividades fora dos padrões especificados nos procedimentos, equipamentos de medição sem calibração. Evidências documentais Referentes a documentos ou a outros materiais impressos que possam ser rastreados, como documentos incompletos, cadastros incorretos ou incompletos, registros e manuais. Evidências comportamentais Devem ser considerados como observações e caracterizam desvios comportamentais ou fora do padrão, como falta de padronização em relação ao padrão adotado pela empresa, falta de comprometimento e motivação. Evidências verbais É uma evidência obtida em uma entrevista e deve ser acompanhadade uma evidência física ou documental para se tornar objetiva. 38 Acesse o link: Disponível aqui Dicas e informações importantes na hora de executar uma auditoria do sistema de gestão. Elaboração do Relatório Final Moraes (2014, p. 125) afirma que o relatório de auditoria é o registro formal do resultado de todo o processo e será a evidência da presença da equipe auditora e da realização da auditoria. Esse documento apresenta as evidências de conformidade e de não conformidade da empresa auditada de acordo com os critérios de auditoria. A estrutura básica de um relatório deve incluir pelo menos seis itens obrigatórios. Veja o quadro 2: 39 https://isotecconsultoria.com.br/passo-a-passo-para-a-realizacao-de-uma-auditoria-interna/ Exemplo de itens obrigatórios no relatório de auditoria Fonte: Adaptado de MORAES, 2014. Introdução Identificação da empresa auditada, cliente, local de auditoria, data da realização da auditoria, membros da equipe auditora, escopo e objetivos. Sumário Apresentação resumida das evidências detectadas durante a auditoria. Corpo do relatório Dados sobre a empresa, critérios de auditoria utilizados, evidências objetivas identificadas. No corpo do relatório, ocorre o registro das não conformidades, as evidências correspondentes e os requisitos não atendidos da norma de referência. Caso seja utilizado um checklist na auditoria, ele poderá compor essa parte do documento ou ser considerado um anexo. Confidencialidade e lista de distribuição Declaração da confidencialidade do conteúdo do relatório e listagem de pessoas e empresas que deverão receber cópias do relatório. Conclusão Apresentação das conclusões sobre as constatações da auditoria, a qual pode conter uma lista das principais evidências detectadas. Anexos Fotos, documentos, croquis, mapas, listas de verificação e qualquer documento complementar que possa servir como evidência de auditoria e subsidiar o entendimento do relatório de auditoria. A linguagem utilizada no relatório deverá ser adequada ao público-alvo. A terminologia técnica deve ser empregada com cautela, principalmente quando o documento for destinado à alta direção da empresa. Se a auditoria for realizada internamente e o relatório destinar-se à própria unidade de produção auditada, é 40 possível usar termos técnicos. Nesse caso, as evidências objetivas das não conformidades detectadas podem ser mais detalhadas, fornecendo subsídios às ações de tratamento das não conformidades. Dependendo do acordo, a equipe auditora poderá elaborar um plano de ação, que consiste no planejamento e no acompanhamento das ações corretivas após a entrega do relatório final. É recomendável que o plano seja elaborado pela empresa auditada, que determinará e iniciará as ações corretivas necessárias para eliminar as não conformidades. Caso a empresa sinta dificuldades para traçar tais ações, deverá contratar uma consultoria para auxiliá-la nesse processo. 41 Não Conformidades e o Tratamento Pós- auditoria (Melhoria Contínua) A intenção de uma auditoria sempre deve ser a busca por conformidades solicitadas nas cláusulas das normas. Os desvios ocorridos são tratados como não conformidades. As descobertas positivas de uma auditoria podem ser o cumprimento dos requisitos de critérios solicitados ou mesmo as boas práticas observadas. Outro ponto que merece destaque no tratamento pós- auditoria são as chamadas oportunidades de melhoria, em que se sugere um processo que seja mais eficiente do que tem se demonstrado ser. Uma não conformidade é caracterizada como o não cumprimento de um requisito exigido na norma, ou mesmo em algum aspecto legal aplicado. Pode haver uma não conformidade se um critério de auditoria não foi cumprido principalmente se: a. O processo não está em conformidade com os requisitos dos critérios; b. O processo não foi implementado e c. O processo (que será efetivamente realizado) não é eficaz, ou seja, a sua saída não é produzida. As não conformidades são parte importante e essencial em um relatório final de auditoria. É importante que sejam apresentadas com base nos dados que foram evidenciados e descritos aos responsáveis no momento da evidência em campo. Uma não conformidade menor pode ser caracterizada como uma pequena falha ou lapso identificado, que por si só não possibilitou o sistema alcançar o resultado pretendido, por exemplo, a falta de treinamento para determinada função que requer a formação necessária para a competência. 42 Já a não conformidade maior é uma falta no cumprimento de um ou mais requisitos do sistema de gestão da norma ou alguma situação que possa deixar em dúvida a capacidade da organização em alcançar o resultado pretendido com o sistema, por exemplo, a falta de informação documentada em áreas como projetos e desenvolvimento de produtos. O auditado deve ter a oportunidade de solicitar mais esclarecimentos e debater sobre as não conformidades. A organização deve formalizar propostas de ações corretivas (ação para eliminar a causa de uma não conformidade e para prevenir a recorrência) que serão avaliadas posteriormente pela equipe de auditoria. Finalizando, o processo de execução de uma auditoria é bem extenso e requer bastante diligência da equipe de auditoria. Há uma carga de trabalho muito grande, porém, com um bom planejamento, o resultado será surpreendente. A norma NBR ISO 9001 teve alteração em 2015 e os principais focos da norma passaram a ser: a. Maior envolvimento da alta administração; b. Gestão de risco e oportunidades (melhoria contínua sistemática); c. Gestão do ciclo de vida (melhoria de produtos) e d. Aumento da responsabilidade corporativa e atenção às partes interessadas. 43 06 Competências e Avaliação dos Auditores “Equipe de auditoria é uma ou mais pessoas que realizam uma auditoria, apoiadas, se necessário, por especialistas”. (ABNT 19011, 2018, p. 4) Responsabilidades de um Auditor Moraes (2014, p.109) afirma que em todo processo de auditoria, alguns personagens diferentes são exigidos para que ocorra de forma eficaz. Em relação a esses personagens, existe a figura do auditor, do qual já falamos aqui, que é classificado em dois tipos, sendo: Auditor líder: É o principal elemento no processo de condução da auditoria, responsável por assegurar ao cliente a eficácia da auditoria de acordo com o escopo e o plano de trabalho. Algumas de suas responsabilidades são: determinar os critérios e o escopo da auditoria em conjunto com o cliente e, se for o caso, com o auditado; elaborar o plano de auditoria, consultando o cliente, o auditado e a equipe de auditoria, para depois comunicá-los aos envolvidos; obter informações necessárias e suficientes para atingir os objetivos da auditoria, incluindo detalhes de atividades, produtos e serviços do auditado, localidade, imediações e detalhes de auditorias anteriores; representar a equipe de auditoria nas discussões com o auditado, antes, durante e depois da auditoria, formar a equipe de auditoria, evitando conflitos de interesses e submetendo sua composição à concordância do cliente; notificar o auditado e/ou cliente acerca de constatações de não conformidades críticas durante a execução da auditoria; avaliar e aprovar a versão final do relatório de auditoria; e relatar ao cliente os resultados da auditoria, de forma clara e conclusiva, dentro do prazo acordado no plano de auditoria. Auditor: Compõe com o auditor líder a equipe de auditoria. Uma equipe de auditoria pode ter um ou mais auditores, dependendo das características da empresa a ser auditada. Algumas das responsabilidades do auditor são: seguir as instruções do auditor líder, dando-lhe suporte e apoio; planejar e executar as tarefas que lhe foram incumbidas dentro do escopo da auditoria, coletar e analisar evidências de auditoria, relevantes e suficientes, para definir as constatações de auditoria; resguardar os 45 documentos relativos à auditoria; e auxiliar na redação do relatório de auditoria. Na equipe de auditoria pode haver também especialistas, técnicos e auditoresem treinamento, desde que sejam aceitos pelo cliente, pelo auditado e pelo auditor líder. A ABNT 19011 (2018, P.33) ressalta que a confiança no processo de auditoria e na capacidade para alavancar seus objetivos depende da competência daquelas pessoas que estão envolvidas na realização de auditorias, incluindo auditores e líderes da equipe de auditoria. Convém que a competência seja avaliada regularmente por meio de um processo que considere o comportamento pessoal e a capacidade para aplicar conhecimento e habilidades obtidos por meio de educação, experiência de trabalho, treinamento de auditor e experiência de auditoria. Ainda é recomendável que este processo leve em consideração as necessidades do programa de auditoria e seus objetivos. Alguns dos conhecimentos e habilidades são comuns para auditores de qualquer disciplina de sistema de gestão, outros são específicos para disciplinas particulares de sistemas de gestão. Não é necessário que cada auditor na equipe de auditoria tenha a mesma competência. Entretanto, o principal dever dos auditores é olhar para processos de uma organização, para que eles possam determinar a conformidade e a eficácia com o resultado da organização. Etapas no Processo de Avaliação dos Auditores Antes de realizar a avaliação da competência de um auditor, é recomendável que esse processo seja planejado, implementado e documentado para fornecer um resultado que seja coerente, justo e confiável. Veja no quadro 1 os principais passos e resultados esperados no processo de avaliação dos auditores. 46 Avaliação de auditores e resultados esperados Fonte: Adaptado de ABNT NBR ISO 19011, 2018. A Competência dos Auditores Para decidir a competência e as habilidades de um auditor, a ABNT 19011 (2018, p. 34) determina que os requisitos abaixo sejam levados em consideração: 47 O Comportamento Pessoal dos Auditores Conforme já abordamos, todo processo de auditoria possui alguns princípios e estes, devem ser mantidos do início ao fim na condução de uma auditoria. Portanto, tais atributos pessoais de um determinado auditor, deverão estar alinhados a estes princípios. A ABNT 19011 (2018, P. 35) determina que os auditores demonstrem comportamento profissional durante o desempenho das atividades de auditoria. Veja alguns comportamentos profissionais desejados no auditor: a. ético: ser justo, verdadeiro, sincero, honesto e discreto; b. mente aberta: estar disposto a considerar ideias ou pontos de vista alternativos; c. diplomático: ser sensível ao lidar com pessoas; d. observador: observar ativamente o ambiente físico e as atividades; e. perceptivo: estar consciente e ser capaz de entender situações; f. versátil: ser capaz de prontamente se adaptar a diferentes situações; g. tenaz: ser persistente focado em alcançar objetivos; a. tamanho, natureza, complexidade, produtos, serviços e processos de auditados; b. métodos para auditar; c. disciplinas do sistema de gestão a serem auditadas; d. complexidade e processos do sistema de gestão a sem auditados; e. tipos e níveis de riscos e oportunidades abordados pelo sistema de gestão; f. objetivos e extensão do programa de auditoria; g. Incerteza de alcançar os objetivos de auditoria e h. outros requisitos, como aqueles impostos pelo cliente de auditoria ou outras partes interessadas pertinentes, onde apropriado. 48 h. decisivo: ser capaz de alcançar conclusões em tempo hábil com base em raciocínio lógico e análise; i. autoconfiante: ser capaz de agir e funcionar independentemente enquanto interage eficazmente com outros; j. agir com firmeza: ser capaz de atuar responsavelmente e eticamente, mesmo que essas ações possam não ser sempre populares e possam algumas vezes resultar em desacordo ou confrontação; k. aberto a melhorias: estar disposto a aprender com situações; l. culturalmente sensível: ser observador e respeitoso com a cultura do auditado e m. colaborativo: interagir eficazmente com outros, incluindo os membros da equipe de auditoria e o pessoal do auditado. Conhecimentos e Habilidades de um Auditor A ABNT 19011 (2018, p. 36) determina que os auditores tenham conhecimento e habilidades em pelo menos quatro áreas significativas, sendo estas: a) Princípios, processos e métodos de auditoria Conhecimento e habilidades nesta área possibilitam o auditor a assegurar que as auditorias sejam desempenhadas de maneira coerente e sistemática. 49 O auditor deve ser capaz de: Entender os tipos de riscos e oportunidades associados à auditoria e os princípios da abordagem baseada em risco para auditar; Planejar e organizar o trabalho eficazmente; Desempenhar a auditoria dentro do calendário acordado; Priorizar e focar assuntos de significância; Comunicar-se eficazmente oralmente e por escrito (pessoalmente ou com uso de intérpretes); Coletar informações por meio de entrevistas, escuta, observação e análise crítica de informações documentadas eficazes, incluindo registros e dados; Entender a propriedade e consequências de usar técnica de amostragem para auditar; Entender e considerar opiniões de especialistas; Auditar um processo do início ao fim, incluindo as inter-relações com outros processos e diferentes funções, onde apropriado; Verificar a relevância e a exatidão da informação coletada; Confirmar a suficiência e a propriedade da evidência de auditoria para apoiar constatações e conclusões de auditoria; Avaliar aqueles fatores que possam afetar a confiabilidade das constatações e conclusões de auditoria; Documentar atividades de auditoria e constatações de auditoria e preparar relatórios; Manter a confidencialidade e a segurança da informação. b) Normas de sistema de gestão e outras referências Conhecimento e habilidades nesta área possibilitam o auditor a entender o escopo da auditoria e aplicar critérios de auditoria. 50 O auditor deve compreender: Normas de sistema de gestão ou outros documentos normativos ou de orientação/ apoio usados para estabelecer critérios ou métodos de auditoria; Aplicação de normas de sistema de gestão pelo auditado e outras organizações; Relacionamentos e interações entre os processos do(s) sistemas(s) de gestão; Entendimento da importância e prioridade de normas ou referências múltiplas; Aplicação de normas ou referências a diferentes situações de auditoria. c) A organização e seu contexto Conhecimento e habilidades nesta área possibilitam o auditor a entender a estrutura, propósito e práticas de gestão do auditado, e convém que abranjam o seguinte: O auditor deve abranger: Necessidades e expectativas de partes interessadas pertinentes que impactam o sistema de gestão; Tipo de organização, governança, tamanho, estrutura, funções e relacionamentos; Conceitos gerais de gestão e negócios, processos e terminologia relacionada, incluindo planejamento, orçamento e gestão de pessoas; Aspectos culturais e sociais do auditado. d) Requisitos regulamentares e estatutários aplicáveis e outros requisitos: Conhecimento e habilidades nesta área possibilitam o auditor a estar consciente de trabalhar de acordo com os requisitos da organização. Convém que conhecimento e habilidades específicos para a jurisdição ou para as atividades, processos, produtos e serviços do auditado abranjam o seguinte: 51 O auditor deve abranger: Requisitos estatutários e regulamentares e suas agências governamentais; Terminologia legal básica; Contratação e responsabilidade. A principal função de um auditor é buscar a conformidade do sistema de gestão da qualidade e o seu papel no processo de auditoria é fundamental para que a empresa auditada alcance a melhoria contínua e conquiste a certificação. Vale a pena ressaltar que a consciência dos requisitos estatutários e regulamentares não implica a especialização em leis e não convém que uma auditoria de sistema de gestão seja tratada como uma auditoria de compliance. Em suma, um bom auditor deve se aperfeiçoar continuamente por meio de treinamento, estudo, prática de auditorias conhecimento de normas e desenvolvimento de atributos pessoais e habilidades.Ademais, para se tronar um auditor, o Registro de Auditores Credenciados (RAC) estabelece alguns procedimentos: aprovação em curso reconhecido e experiência profissional específica em auditoria. O auditor registrado é o profissional que atende aos requisitos de um Organismo de Certificação de Pessoal (OCP). No Brasil, o RAC é o operacionalizado pelo Centro para Inovação e Competitividade (CIC). Internacionalmente, o organismo de certificação de pessoal é o International Register of Certificated Auditors (IRCA). 52 A NBR ISO 19001 é uma norma que fornece orientações sobre auditorias de sistemas de gestão, incluindo os princípios de auditoria, a gestão de um programa de auditoria e a realização de auditoria de sistema de gestão, bem como orientação sobre a avaliação da competência de pessoas envolvidas no processo de auditoria, incluindo o indivíduo que gerencia o programa de auditoria, os auditores e a própria equipe. As competências necessárias para um auditor estão descritas no quadro 2: Competências necessárias a auditores baseadas na norma NBR ISO 19011. Fonte: Adaptado de ABNT NBR ISO 19011, 2018. Parâmetro ISO 19011 Auditor Auditor Líder Educação Ensino médio. O mesmo solicitado para auditor. Experiência profissional total 5 anos. O mesmo solicitado para auditor. Experiência profissional nos campos de gestão da qualidade No mínimo 2 anos do total de 5 anos. O mesmo solicitado para auditor. Treinamento em auditoria 40h de treinamento em auditoria. O mesmo solicitado para auditor. Experiência em auditoria 4 auditorias completas num total de, no mínimo, 20 dias de experiência como auditor em treinamento sob a orientação de um auditor competente como líder de equipe de auditoria. 3 auditorias completas, num total de, no mínimo, 15 dias de experiência como líder de equipe na segunda disciplina como auditor em treinamento sob a orientação de um auditor competente como líder de equipe de auditoria. 53 Acesse o link: Disponível aqui O processo de auditoria é responsável por promover a melhoria contínua de uma organização e o papel do auditor nesta jornada é fundamental para garantir tal resultado. Compreender as melhorias de processos deve ser um dever de todo auditor da qualidade. 54 https://www.banasqualidade.com.br/artigos/2016/06/falando-sobre-melhorias-de-processos-e-pessoas.php 07 Visão Geral da NBR ISO 9001 e Abordagem por Processos “Sistema de gestão é o conjunto de elementos inter-relacionados ou interativos de uma organização, para estabelecer políticas, objetivos e processos para alcançar estes objetivos”. (ABNT 19011, 2018, p. 4) Fundamentos da Gestão da Qualidade Abordagem de Processo Aqui é onde vemos a maior mudança e de onde é “retirado” um dos princípios com a nova versão da ISO. Em relação à versão 2008, o título segue igual, mas a Norma juntou Abordagem de processos com Abordagem sistêmica de gestão. Processos são encontrados no decorrer de toda a ISSO, e é evidente que os resultados desejados são alcançados mais facilmente quando as atividades e os recursos relacionados são gerenciados como processos dentro do Sistema de Gestão da Qualidade. A NBR ISO 9001 (2015) define que a abordagem de processo envolve a definição e a gestão sistemáticas de processos e suas interações para alcançar os resultados pretendidos de acordo com a política da qualidade e com o direcionamento estratégico da organização. A gestão dos processos e do sistema como um todo pode ser conseguida usando o ciclo PDCA com um foco geral na mentalidade de risco, visando tirar proveito das oportunidades e prevenir resultados indesejáveis. A aplicação da abordagem de processo em um sistema de gestão da qualidade proporciona: a. entender a consistência no atendimento a requisitos; 56 b. considerar processos em termos de valor agregado; c. atingir um desempenho eficaz de processo e d. melhorar os processos com base na avaliação de dados e informação. A figura 1 mostra uma representação esquemática de qualquer processo e das interações de seus elementos. Os pontos de monitoramento e medição necessários para controle são específicos de cada processo e variam dependendo dos riscos relacionados. Representação esquemática dos elementos de um processo individual Fonte: ABNT NBR ISO 9001 (2015). Melhoria O princípio de melhoria, que era conhecido na versão anterior como melhoria contínua, traz a mensagem de que as organizações que estão sempre em busca de soluções para aumentar o resultado conseguem se destacar. Essa mudança vem mais esclarecida quando entendemos o requisito 10 da NBR ISO 9001. Tal processo de melhoria deve se estender a todas as áreas de uma empresa que deseja implementar o sistema de gestão da qualidade. 57 Tomada de Decisão Baseada em E�dências De acordo com a declaração da ISO 9000:2015: “as decisões com base na análise e avaliação de dados e informações são mais propensas a produzir resultados desejados”. Podemos detalhar tal terminologia da seguinte forma: Fato: coisa cuja realidade pode ser comprovada. Evidenciar é mostrar evidência, é tornar incontestável qualquer argumentação, é não deixar dúvidas, é assumir uma afirmação. Gestão das Relações Uma boa relação serve para que a organização consiga crescer e manter uma parceria com todos que agregam valor à organização, desde clientes até a sociedade. Tem muito a ver com o que se espera de cada parte interessada e como você deve se comunicar com elas para extrair o melhor das relações. Gestão de Riscos Na última atualização da NBR ISO 9001, versão 2015, foi incorporada a mentalidade de riscos e, ao mesmo tempo, as ações preventivas foram substituídas. Como o assunto “risco” não é tão discutido e disseminado no Brasil, de repente começamos a ouvir e falar vários termos que não éramos habituados, que são citados na ISO 9001:2015: mentalidade de risco, gerenciamento de riscos, pensamento baseado em risco, entre outros. Considerando a definição da ISO 9001:2015, risco é o efeito sobre a incerteza, ou seja, o desvio positivo ou negativo relacionado ao resultado esperado de um processo, projeto, ou qualquer outro objetivo. Desta forma, gestão de risco é um processo que visa identificar, analisar e planejar ações a fim de evitar situações indesejadas ou potencializar oportunidades. 58 Na gestão da qualidade é muito comum discutir o porquê de algo ter acontecido, e estamos continuamente procurando a causa raiz de uma determinada ocorrência. A gestão de riscos busca identificar os “e se?” dos processos: e se isso acontecer? E se isso não acontecer? E se algo der errado? E se der certo? O trabalho consiste em encontrar o máximo de “e se?” possível e gerenciá-los a fim de ter a possibilidade de prevenir a empresa contra ameaças e prepará-la para oportunidades. Mentalidade de Risco de Acordo com a ISO 9001 Logo na introdução da ISO 9001:2015, encontramos o item 0.3.3 – Mentalidade de Risco com a ênfase de que é algo essencial para conseguir um sistema de gestão da qualidade eficaz. A mentalidade de risco já existia nas versões anteriores da ISO, mas estava implícita no termo ação preventiva, que era utilizado para eliminar não conformidades potenciais e prevenir recorrências. Com a implementação da mentalidade de riscos, fica evidente que terá uma abordagem muito mais ampla envolvendo todos os processos. Isso envolve não só os conceitos técnicos de como fazer, mas também uma comunicação efetiva para fazer as pessoas adotarem o pensamento baseado em riscos, analisando sempre as possibilidades de algo dar errado nas suas ações, afinal, o papel da gestão da qualidade dentro da organização sempre foi a prevenção. A ISO 9001 não tem um requisito que implica implantar métodos formais ou um processo de gestão de risco, deixando a critério da empresa decidir desenvolver ou não uma metodologia condizente a sua realidade, mas é importante entender que ao se estabelecer um processo, tornará mais tangível o conceito “risco” na organização, deixando mais claro para as pessoas o que é abordar e considerarriscos nas rotinas, ajudando a disseminar a cultura. Incentivar uma mentalidade de risco na organização significa orientar a empresa para um pensamento sobre quais ameaças e oportunidades existem ao fazer algo, e que é preciso agir sobre essas situações para se prevenir em relação aos efeitos, tornando a empresa mais preparada, mais forte e que tenha bons resultados em longo prazo. 59 Fonte: Disponível aqui Compreender as principais mudanças da nova versão da ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade) é fundamental para todo profissional da área de qualidade. Visão Geral da NBR ISO 9001 A NBR ISO 9001 especifica requisitos para um sistema de gestão da qualidade quando uma organização necessita demonstrar sua capacidade para prover consistentemente produtos e serviços que atendam aos requisitos do cliente e aos requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis. Visa também ao aumento da satisfação do cliente por meio da aplicação eficaz do sistema, incluindo processos para a melhoria do sistema e para a garantia da conformidade com os requisitos do cliente e com os requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis. Todos os requisitos da NBR 9001 são genéricos e destinados a serem aplicáveis a todas as organizações, independentemente de seu tipo, tamanho e do produto e serviço que provê. A estrutura da norma de sistema de gestão da qualidade está baseada no ciclo do PDCA. E este mesmo ciclo pode ser aplicado para todos os processos e para o sistema de gestão da qualidade como um todo. A Figura 2 ilustra como as Seções 4 a 10 podem ser agrupadas em relação ao ciclo PDCA. 60 http://www.ciespsorocaba.com.br/documentos/palestras/workshop_iso_9001_14001.pdf Representação da estrutura (9001) no ciclo PDCA. Fonte: Adaptado NBR ISO 9001 (2015). O ciclo do PDCA pode ser resumido como: Plan (planejar) Estabelecer os objetivos do sistema e seus processos e os recursos necessários para entregar resultados de acordo com os requisitos dos clientes e com as políticas da organização. Do (fazer) Implementar o que foi planejado. Check (checar) Monitorar e (onde aplicável) medir os processos e os produtos e serviços resultantes em relação a políticas, objetivos e requisitos, e reportar os resultados. Act (agir) Executar ações para melhorar desempenho, conforme necessário. 61 De uma forma geral, a estrutura geral da ISO 9001 obedece a uma sequência lógica de atuação dentro de uma determinada organização e, consequentemente, os processos sob orientação de tais requisitos terão maiores resultados tanto em qualidade como em produtividade. Acesse o link: Disponível aqui Os sistemas de gestão estabelecem critérios para organizações que buscam certificar seu sistema de gestão através do atendimento aos requisitos voltados à qualidade do produto que entregam aos seus clientes. Entretanto, os modelos de gestão das empresas que necessitam adequar seus processos aos requisitos das normas, tendem a maximizar os desafios dos projetos e comprometer a eficácia dos resultados, muitas vezes, pela aplicação superficial de conceitos normativos. 62 https://www.banasqualidade.com.br/artigos/2019/11/metodos-ageis-nos-sistemas-de-gestao.php Ao auditar um determinado processo, uma boa sugestão de trilha de auditoria é começar pelo mapeamento dos processos de uma determinada organização. O documento em questão é responsável por conter informações relevantes das principais atividades e funções. 63 08 Auditando o Item 4 – Contexto da Organização “A organização deve determinar questões externas e internas que sejam pertinentes para o seu propósito e para seu direcionamento estratégico e que afetem sua capacidade de alcançar o(s) resultado(s) pretendido(s) de seu sistema de gestão da qualidade.” (ABNT 9001, 2015, p. 1) Contexto da Organização O requisito 4 da NBR ISO 9001 é o Contexto da Organização. Quando nos referimos à compreensão do contexto da organização, estamos falando basicamente sobre: a. identificar o que afeta nossas empresas, interna e externamente e b. definir quem é que pode influenciar significativamente o que a gente faz e o que essas pessoas querem. O primeiro engloba entender as condições legais, tecnologia, competitividade, mercado, culturais, sociais e ambiente econômico que a organização está inserida e questões internas como cultura, desempenho, valores, enfim, condições restritas a empresa. Podemos compreender o segundo com os famosos stakeholders. São os públicos de interesse de uma organização. São as partes interessadas e envolvidas voluntária ou involuntariamente com o objetivo específico de estabelecer relacionamentos que gerem algum tipo de lucro, tangível ou intangível. Por exemplo: clientes, acionistas, colaboradores, fornecedores, entre outros. Para estruturar essas informações de uma forma que não fique confuso, as empresas utilizam algumas ferramentas como, por exemplo, o Canvas e a Análise SWOT, mas não que isso seja obrigatório nem nada, até porque a norma não exige alguma ferramenta específica. É recomendável a utilização porque fica mais fácil visualizar as informações para tomada de decisão. 65 O novo padrão aborda três lugares que levarão em conta as informações levantadas no contexto da organização: O primeiro é um princípio da qualidade: “Tomada de decisão baseada em evidências“. Não é difícil compreender que as melhores decisões são feitas quando se baseiam em evidências e não por conjectura. A segunda referência quase informal para a tomada de decisões é encontrada na Cláusula 0.1, “Enfrentar riscos e oportunidades associados com o seu contexto e os objetivos.” Enfrentar riscos significa gerenciar proativamente as incertezas. O simples significado de “gerenciar incertezas” é que as decisões devem ser feitas com a consideração das possíveis consequências positivas e negativas que o futuro incerto pode trazer. Finalmente, na Cláusula 5.1, Liderança e Comprometimento, podemos encontrar um requisito para a gestão de topo: “assegurar que a política e os objetivos da qualidade são estabelecidos para o Sistema de Gestão da Qualidade e são compatíveis com a estratégia da direção e o contexto da organização.” O contexto da organização pode parecer ser uma informação que vamos levantar e depois engavetar, mas não deve ser, e esse é o maior cuidado que todo auditor deve tomar nesse item. As informações recolhidas por meio da definição de contexto são muito úteis para identificar melhorias estratégicas e operacionais que podem mudar completamente sua forma de visualizar a empresa, e só vão realmente ser benéficas se forem traduzidas em planos de ação na empresa. Durante a realização de uma determinada auditoria, é importante verificar se as informações levantadas para fazer o planejamento estratégico contemplam os itens citados pela ISO 9001:2015, considerando que o que a ISO pede é o básico para elaborar um planejamento. E mais interessante que isso, executar planos de ação condizentes com esse contexto. Determinando o Contexto da Organização O escopo delimita a atuação do SGQ em uma determinada organização, especificando que setores ou processos serão auditados. Com a nova versão da ISO 9001, houve algumas mudanças significativas na aplicação desse requisito, direcionando ainda 66 mais as empresas para o resultado em si, e não para a simples aplicação da norma. A ISO 9001, na verdade, estabelece um sistema de gestão para que as organizações sejam mais eficientes, satisfaçam mais seus clientes e, dessa forma, alcancem seus objetivos. A mudança na forma de determinar o escopo, por exemplo, é uma prova disso. O objetivo da ISO 9001 é melhorar o sistema de gestão e, com isso, garantir que as organizações alcancem seus objetivos, assim, tudo aquilo que estiver relacionado ao planejamento estratégico (e a Qualidade, é claro) deverá constar no escopo. Suponhamos que o principal produto comercializado por uma determinada empresa seja “peças para colheitadeiras agrícolas”, mas que no planejamento estratégico a empresa tenha decidido expandir sua participaçãode mercado, concentrando seus esforços em peças para tratores. Se essa expansão impactar a saúde financeira da empresa, se afetar o funcionamento do SGQ, nesse caso, ambos os produtos deverão constar na definição do escopo. A empresa não poderá certificar apenas uma linha de produtos, pois isso pode afetar os resultados da organização e certamente vai impactar no alcance de seus objetivos. Então, dentro do escopo, todos os itens devem ser aplicados, um requisito só não será aplicável quando tiver uma justificativa extremamente boa, ou seja, quando ele não afetar a qualidade do produto/serviço e, assim, não influenciar no resultado da empresa. Escopo, Contexto e Partes Interessadas A cláusula 4.3 da norma ISO 9001 é um subtópico do item “4 Contexto da organização” e deixa claro que o escopo precisar estar alinhado. Observe: Ao determinar esse escopo, a organização deve considerar: a) as questões externas e internas referidas em 1; b) os requisitos das partes interessadas pertinentes referidos em 2; c) os produtos e serviços da organização. (NBR ISO 900, 2015, p. 2.) 67 Observe que os itens “a” e “b” terminam citando os dois tópicos anteriores da norma, “4.1 Entendendo a organização e seu contexto” e “4.2 Entendendo as necessidades e expectativas de partes interessadas”, tornando esses requisitos fundamentais para o escopo. Com a introdução do requisito em questão, as empresas serão forçadas a analisar questões legais, tecnológicas, de competitividade ou de mercado, culturais e sociais, bem como não esquecer as expectativas do cliente, fornecedores e colaboradores, ou seja, de todas as partes interessadas. Igualmente, não é possível ignorar questões estratégicas: se algo é essencial para a sobrevivência da empresa, não é possível excluir isso do seu escopo. O item “c” é “os produtos e serviços da organização” Entendemos que este requisito tenha um aspecto mais claro da norma em relação ao resultado e à conformidade. É simples, qualquer processo que influencie no produto ou serviço fornecido pela sua empresa é aplicável à norma. Assim, toda e qualquer organização deverá estar focada na melhoria contínua do seu serviço ou produto, desde a compra de matérias primas, passando pela produção, marketing, vendas e se estendendo ao pós-vendas. Isso acontece porque a ISO 9001 está focada em fazer com que as empresas satisfaçam seus clientes e alcancem seus objetivos. Não é exagero dizer que a maior parte dos objetivos empresariais está ligada à venda de produtos ou serviços. Entretanto, para que o produto/serviço possa ser vendido, há uma série de processos que se inter-relacionam e que causam significativos impactos uns nos outros, fazendo que com seja muito complexo excluir algum sem afetar a qualidade do produto ou serviço. Então, tudo que afeta o produto/serviço afeta a qualidade e o alcance dos objetivos e, por isso, deve ser levado em consideração no escopo. Assim, esses são os fatores que uma organização precisa levar em conta quando for descrever o escopo do seu SGQ. E isso não é só para atender à norma. Analisar esses fatores ajuda a organizar sistematicamente os processos e a pensar de forma mais macro, mais abrangente, e assim, mais direcionada aos resultados que uma organização pode alcançar. 68 Auditando o Contexto da Organização O auditor deve ter em mente que todo contexto de uma determinada organização que tenha elaborado um determinado escopo deverá descrever de forma simplificada as principais informações da empresa. Assim, para descrevê-lo, é possível se orientar por algumas perguntas que, por si só, definem quem ela é no mercado. Abaixo, segue alguns exemplos: Possui a descrição da localização da empresa? A empresa descreveu quais são os produtos/serviços que são fornecidos por ela? A empresa mapeou quem são os seus principais clientes? A empresa identificou os principais processos? Ao obter as respostas a essas perguntas, um auditor poderá compreender o funcionamento do SGQ (Sistema de Gestão da Qualidade) de uma determinada organização. Vale a pena destacar que, quando uma organização mapeia o seu escopo, ela será capaz de enxergar quais são os principais aspectos que podem afetar o sistema de gestão. Para compreender o conteúdo real de um escopo, vamos analisar o exemplo abaixo. Ao determinar o escopo de uma empresa que produz peças automotivas, observe como ficariam as respostas: 69 1. Onde a empresa está localizada? Marília, São Paulo. Aqui consta o local físico em que a empresa está sediada. 2. Quais os produtos/serviços são vendidos pela empresa? Fabricamos peças injetadas para montadoras automotivas. Descrição dos produtos comercializados pela empresa, aquilo que produz com o intuito de vender aos clientes. 3. Em qual mercado (local físico) a empresa atua? Região sudeste de São Paulo, com expansão para o estado do Paraná. Descrição de qual o mercado em que a empresa atua, ou seja, onde a empresa vende ou pretende vender. 4. Para quem a empresa vende? Montadoras automotivas Descrição do tipo de clientes que a empresa atende. (neste caso, pessoas jurídicas) 5. Quais os processos do Sistema de Gestão da Qualidade? Vendas, Marketing, Projetos, Recebimento, Inspeção, Fabricação; Logística; Expedição, Recursos Humanos; Financeiro e Pós-vendas. As respostas acima serão uma base para a construção do escopo. Note que foram citados os fatores internos (quais produtos são vendidos e os processos) e foi abordado o mercado externo, delimitando onde especificamente a empresa atua e quem são os clientes. Após a coleta dos dados, normalmente as empresas elaboram uma revisão e realizam a compilação das informações em Canvas ou até mesmo no formato de diagramas. 70 Quando uma empresa não possui um determinado processo como, por exemplo, a área de projetos, ela deverá descrever o item que não se aplica e descrever o motivo pelo qual isso acontece. Para exemplificar, imagine uma gráfica que somente imprime livros para uma grande editora. Essa gráfica não desenvolve produtos, somente executa os projetos que são enviados a ela e entrega as mercadorias. Nesse caso, o item 8.3 da ISO 9001 não se aplica a gráfica do exemplo e é possível justificar a não aplicabilidade. A nova versão da ISO 9001 promoveu mudanças muito pertinentes e, com certeza, a forma de definir o escopo foi uma delas. Essa mudança surgiu para garantir que a certificação não seja mais um papel no rol de documentos da empresa, mais um certificado na parede da diretoria. Essa mudança surgiu para garantir que, cada vez mais, as organizações utilizem eficazmente a qualidade como um todo. 71 Acesse o link: Disponível aqui O escopo é a essência do sistema de gestão e deve representar a capacidade ou a responsabilidade da organização de assegurar a conformidade de seus produtos e serviços e o aumento da satisfação do cliente. Ao auditar o escopo de uma determinada organização, tenha em mente quais as ferramentas do Sistema de Gestão da Qualidade são aplicáveis para descrever tais informações. Vale pesquisar e estudar sobre CANVAS, Análise SWOT e Diagramas de Estrutura. 72 https://novofocogestao.com.br/cartilha-da-norma-iso-9001-escopo/ 09 Auditando o Item 5 – Liderança “As pessoas são recursos essenciais dentro da organização. O desempenho da organização é dependente de como as pessoas se comportam dentro do sistema em que trabalham”. ABNT 9000 (2015, p. 3) A Liderança na ISO 9001 A nova versão da ISO 9001 ganhou um foco a mais em relação ao papel da liderança dentro do Sistema de Gestão da Qualidade. A principal vantagem de tal inclusão é o engajamento da alta administração, envolvendo diretores e gerências em relação à manutenção e à sustentação do sistema de gestão de uma determinada organização. Segundo a ABNT ISO 900 (2015, p. 4), os líderes de todos os níveis estabelecem uma unidade de propósito e direcionamento e criam condições para que as pessoas estejam engajadas e alcancem os objetivos da qualidade da organização. Para compreender quais são os requisitos relacionados coma liderança, listamos os requisitos da NBR ISO 9001. Veja: 74 5 Liderança 5.1 Liderança e comprometimento 5.1.1 Generalidades A Alta Direção deve demonstrar liderança e comprometimento com relação ao sistema de gestão da qualidade: a. responsabilizando-se por prestar contas pela eficácia do sistema de gestão da qualidade; b. assegurando que a política da qualidade e os objetivos da qualidade sejam estabelecidos para o sistema de gestão da qualidade e que sejam compatíveis com o contexto e a direção estratégica da organização; c. assegurando a integração dos requisitos do sistema de gestão da qualidade nos processos de negócio da organização; d. promovendo o uso da abordagem de processo e da mentalidade de risco; e. assegurando que os recursos necessários para o sistema de gestão da qualidade estejam disponíveis; f. comunicando a importância de uma gestão da qualidade eficaz e de estar conforme com os requisitos do sistema de gestão da qualidade; g. assegurando que o sistema de gestão da qualidade alcance seus resultados pretendidos; h. engajando, dirigindo e apoiando pessoas a contribuir para a eficácia do sistema de gestão da qualidade; i. promovendo melhoria; j. apoiando outros papéis pertinentes da gestão a demonstrar como sua liderança se aplica às áreas sob sua responsabilidade. 5.1.2 Foco no cliente A Alta Direção deve demonstrar liderança e comprometimento com relação ao foco no cliente, assegurando que: 75 a. os requisitos do cliente e os requisitos estatutários e regulamentares pertinentes sejam determinados, entendidos e atendidos consistentemente; b. os riscos e oportunidades que possam afetar a conformidade de produtos e serviços e a capacidade de aumentar a satisfação do cliente sejam determinados e abordados; c. o foco no aumento da satisfação do cliente seja mantido. 5.2 Política 5.2.1. Desenvolvendo a política da qualidade A Alta Direção deve estabelecer, implementar e manter uma política da qualidade que: a. seja apropriada ao propósito e ao contexto da organização e apoie seu direcionamento estratégico; b. proveja uma estrutura para o estabelecimento dos objetivos da qualidade; c. inclua um comprometimento em satisfazer requisitos aplicáveis; d. inclua um comprometimento com a melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade. 5.2.2. Comunicando a política da qualidade A política da qualidade deve: a. estar disponível e ser mantida como informação documentada; b. ser comunicada, entendida e aplicada na organização. c. estar disponível para partes interessadas pertinentes, como apropriado. 5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais A Alta Direção deve assegurar que as responsabilidades e autoridades para papéis pertinentes sejam atribuídas, comunicadas e entendidas na organização. A Alta Direção deve atribuir a responsabilidade e autoridade para: 76 a. assegurar que o sistema de gestão da qualidade esteja conforme com os requisitos desta Norma; b. assegurar que os processos entreguem suas saídas pretendidas; c. relatar o desempenho do sistema de gestão da qualidade e as oportunidades para melhoria; d. assegurar a promoção do foco no cliente na organização; e. assegurar que a integridade do sistema de gestão da qualidade seja mantida quando forem planejadas e implementadas mudanças no sistema de gestão da qualidade. Fonte: ABNT NBR ISO 9001 (2015, p. 4-5) 77 Na versão anterior da NBR ISO 9001 (versão 2018), a responsabilidade total do Sistema de Gestão da Qualidade era desempenhada pelo RD (Representante da Direção). Na versão atual (2015), a função do RD foi excluída e a responsabilidade pelo sistema de gestão foi direcionada para a direção. Entendemos que o resultado positivo dessa alteração se dá pela manutenção e melhoria do sistema. Auditando os Requisitos Ao auditar o item 5 – Liderança, todo auditor deverá obter as evidências por meio de entrevistas com a alta administração de uma determinada organização. Quando falamos em alta administração, estamos nos referindo aos gestores, diretores ou até mesmo acionistas. 78 O que verificar no item 5.1.1. “Generalidades”? Verificar a eficácia do sistema de gestão da qualidade por meio de indicadores e resultados junto à direção da empresa; Verificar se a empresa mapeia os processos; Verificar se a empresa identificou e tratou os riscos operacionais; Como os recursos são implementados na organização em relação ao atendimento e à melhoria do SGQ (Sistema de Gestão da Qualidade). Quais documentos podem ser requeridos? Ata de análise crítica; Indicadores da Qualidade; Relatórios gerais da direção – os chamados summary report; Registros de investimentos e planilhas de orçamentos anuais; Descrição dos processos; Riscos operacionais. + Informações adicionais: Ao auditar o processo de liderança de uma organização, recomenda-se que o auditor líder conduza as entrevistas com a direção ou gerência. Por se tratar de um processo que envolve a alta gestão, um profissional altamente qualificado seria a melhor opção para conduzir a auditoria nesta área. 79 O que verificar no item 5.1.2. “ Foco no cliente ”? Verificar como a organização identificou os requisitos dos clientes e o que ela está fazendo para atendê-los; Verificar se a empresa identificou os requisitos estatutários (legislações) e o que ela está fazendo para atendê-los e monitorá-los; Verificar se a empresa identificou e tratou os riscos operacionais associados aos requisitos de clientes; Entender quais são as ações que a empresa está executando em relação à melhoria dos produtos ou serviços em relação ao atendimento dos seus clientes. Quais documentos podem ser requeridos? Riscos operacionais; Ata de análise crítica; Requisitos de clientes e regulatórios (contratos e licenças operacionais); Indicadores relacionados aos clientes (ex.: pesquisa de satisfação de clientes). + Informações adicionais: Todo auditor deve ter em mente que este requisito é extremamente importante, pois se relaciona diretamente com os clientes. É aqui que todo auditor conhece os empenhos da empresa auditada em relação ao foco em seus clientes. 80 O que verificar no item 5.2.1 e 5.2.2. “ Política da Qualidade ”? Verificar como a organização elaborou a sua política da qualidade e como ela está implementada e difundida em todas as áreas; Entrevistar funcionários em relação a conscientização da política da qualidade; Avaliar se a política da qualidade elaborada pela organização declarou o comprometimento em satisfazer requisitos aplicáveis, bem como o comprometimento com a melhoria contínua; Como a organização divulga e comunica a política da qualidade para os seus clientes, fornecedores, sociedade, acionistas, colaboradores e órgãos públicos. Quais documentos podem ser requeridos? Política da Qualidade; Listas de treinamento em relação a divulgação da política; Sites ou banners (se houver) em relação à comunicação da política com as partes interessadas externas. + Informações adicionais: Lembre-se que a política da qualidade deve estar alinhada com o propósito da organização e ter um direcionamento para os objetivos estratégicos da organização. Neste caso, entendemos que, ao auditar este processo, a direção poderá ser envolvida na obtenção das evidências necessárias. 81 O que verificar no item 5.3. “Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais”? Verificar como a organização distribuiu as funções e as responsabilidades; Entender como que as saídas dos processos são medidas; Verificar como que a direção divulga a mentalidade do foco no cliente em toda a organização; Analisar indicadores relacionados ao sistema de gestão da qualidade para verificar o desempenho do sistema implementado. Quais documentos podem ser requeridos? Organograma; Matriz de versatilidade; Descrição de cargo; Mapa de processos; Indicadores dos processos (ex.: índice de satisfação dos clientes, refugo, índice de faturamento líquido e PPM de entrega). + Informações adicionais: Leve em consideração que o requisito 5.3exige que toda organização descreva quem são os responsáveis por executar, controlar e alterar determinadas atividades. Ao descrever tais responsabilidades, a organização deve estar de acordo com as funções ou cargos por ela discriminados. Entendemos que o item 5 da NBR ISO 9001 está subdividido em quatro tópicos principais: generalidades, foco no cliente, política da qualidade e responsabilidades. Ao auditar tal item, entendemos que, ao coletar as evidências de conformidade com este requisito, um bom número de evidências será coletado nas áreas da direção ou alta administração. 82 Acesse o link: Disponível aqui A gestão de riscos pode ser definida como a ciência, a arte e a função que visa à proteção dos recursos humanos, materiais e financeiros de uma empresa no que se refere à eliminação, redução ou ainda financiamento dos riscos, caso seja economicamente viável. Algumas organizações podem seguir as recomendações de boas práticas em relação ao foco no cliente por reconhecer clientes diretos e indiretos como aqueles que recebem valor da organização; entender as necessidades e expectativas atuais e futuras dos clientes; conectar os objetivos da organização com as necessidades e expectativas dos clientes, e planejar, projetar, desenvolver, produzir, entregar e dar suporte a produtos e serviços para atender às necessidades e expectativas dos clientes. Fonte: ABNT ISO 9000 (2015, p. 3). 83 https://www.banasqualidade.com.br/artigos/2012/11/as-diretrizes-para-a-gestao-de-riscos.php d MARÍLIA Universidade e 84 10 Auditando o Item 6 – Planejamento “Risco: efeito da incerteza. Um efeito é um desvio do esperado – positivo ou negativo”. ABNT 9000 (2015, p. 25) Planejamento De acordo com as últimas versões das normas de gestão, o modelo de implementação está baseado no PDCA (sigla em inglês para plan, do, check e act, ou “planejar, fazer, conferir e analisar”). Para a NBR ISO 9001, a norma de sistema de gestão da qualidade não é diferente, pois sua estrutura também está baseada no PDCA. Um dos requisitos iniciais é o planejamento, que se divide em pelo menos três itens: ações para abordar riscos e oportunidades, objetivos da qualidade e planejamento para alcançá-los e planejamento de mudanças. Um dos focos principais é a incorporação da gestão de riscos. Isso se dá porque todas as normas ISO estão se adequando ao modelo do anexo SL (estrutura de alto nível). Tal adequação tem por objetivo elevar o nível dos conceitos de ação preventiva e gestão de riscos, considerando que as organizações prevejam potenciais acontecimentos indesejáveis e implementem os controles necessários. Embora a ABNT ISO 9001 não requeira um documento que especifique o mapeamento dos riscos, é importante que toda organização que pretende implementar um sistema de gestão da qualidade mantenha os registros de tais riscos. No item 6, são abordados também a definição dos objetivos da qualidade e o planejamento para alcançá-los. Nesse item em específico, a organização precisará ter as respostas para as seguintes perguntas: 86 O que será feito? Quais recursos serão necessários para alcançar os objetivos? Quem serão os responsáveis? Qual será o prazo para conclusão? Como os resultados planejados serão avaliados? E por fim, o requisito de planejamento abordará questões relacionadas com a gestão de mudanças. Ao abordar tal assunto, a norma diz que toda alteração da estrutura do sistema de gestão da qualidade seja executada conforme o planejado. Toda e qualquer mudança poderá estar relacionada com as alterações dos processos, estrutura da organização e mudanças significativas em relação ao próprio modelo do sistema de gestão da qualidade. Para compreender quais são os requisitos relacionados com a liderança, listamos os requisitos da NBR ISO 9001. 87 6 Planejamento 6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades 6.1.1. Ao planejar o sistema de gestão da qualidade, a organização deve considerar as questões referidas em 4.1 e os requisitos referidos em 4.2, e determinar os riscos e as oportunidades que precisam ser abordados para: a. assegurar que o sistema de gestão da qualidade possa alcançar seus resultados pretendidos; b. aumentar efeitos desejáveis; c. prevenir ou reduzir efeitos indesejáveis; d. alcançar melhoria. 6.1.2 A organização deve planejar: a. ações para abordar esses riscos e oportunidades; b. como: 1) integrar e implementar as ações nos processos do seu sistema de gestão da qualidade; 2) avaliar a eficácia dessas ações. Ações tomadas para abordar riscos e oportunidades devem ser apropriadas ao impacto potencial sobre a conformidade de produtos e serviços. 6.2 Objetivos da qualidade e planejamento para alcançá-los 6.2.1 A organização deve estabelecer objetivos da qualidade nas funções, níveis e processos pertinentes necessários para o sistema de gestão da qualidade. Os objetivos da qualidade devem: a. ser coerentes com a política da qualidade; 88 b. ser mensuráveis; c. levar em conta requisitos aplicáveis; d. ser pertinentes para a conformidade de produtos e serviços e para aumentar a satisfação do cliente; e. ser monitorados; f. ser comunicados; g. ser atualizados como apropriado. A organização deve manter as informações sobre os objetivos da qualidade documentadas. 6.2.2. Ao planejar como alcançar seus objetivos da qualidade, a organização deve determinar: a. o que será feito; b. quais recursos serão requeridos; c. quem será responsável; d. quando isso será concluído; e. como os resultados serão avaliados. 6.3 Planejamento de mudanças Quando a organização determina a necessidade de mudanças no sistema de gestão da qualidade, as mudanças devem ser realizadas de uma maneira planejada e sistemática. A organização deve considerar: a. o propósito das mudanças e suas potenciais consequências; b. a integridade do sistema de gestão da qualidade; c. a disponibilidade de recursos; d. a alocação ou realocação de responsabilidades e autoridades. Fonte: ABNT ISO 9001 (2015, p. 5-6). 89 Auditando os Requisitos Normalmente, o item 6 é auditado na área de sistema de gestão da qualidade e diferente do item 5, quem irá fornecer as informações do requisito 6 serão os analistas, técnicos ou responsáveis pelo sistema de gestão. O que verificar no item 6.1. “ Riscos ”? Verificar como a organização mapeou e identificou os riscos relacionados aos processos; Analisar se todos os processos da organização possuem a identificação dos riscos. Quais documentos podem ser requeridos? Riscos operacionais (embora a NBR ISO 9001 não solicite a informação documentada dos riscos, é recomendável que toda organização realize o registro); Plano de ações para mitigar, eliminar ou transferir os riscos operacionais; Critérios para avaliação dos riscos e tomadas de decisão. + Informações adicionais: É importante que todo auditor conheça sobre fundamentos básicos de gerenciamento de riscos e suas relações. Como a norma não especifica o modelo de como identificar os riscos, toda e qualquer organização poderá escolher o melhor modelo que se adeque ao seu modelo de gestão. 90 O que verificar no item 6.2. “ Objetivos da qualidade ”? Verificar se a organização definiu os objetivos da qualidade e como eles estão relacionados com a direção estratégica; Analisar os resultados dos indicadores e verificar a existência de plano de ação, se necessário; Verificar como os objetivos da qualidade estão correlacionados com os processos existentes da organização; Verificar a frequência de análise dos objetivos e como eles são comunicados; Verificar se a empresa definiu um orçamento (planejamento de recursos) para o atendimento dos objetivos da qualidade. Quais documentos podem ser requeridos? Registro dos objetivos da qualidade (indicadores mensuráveis); Planos de ações corretivas em relação aos resultados dos objetivos da qualidade; Plano de recursos/ investimentos em relação ao planejamento dos objetivos da qualidade; Atas de análise crítica (análise dos resultados e indicadores); Relatóriosgerenciais. + Informações adicionais: Ao auditar o requisito 6.2, é importante que o auditor saiba analisar indicadores complexos, bem como avaliar os resultados. Nesse sentido, é importante conhecer as metodologias de análise e síntese de dados. 91 O que verificar no item 6.3. “ Planejamento de mudanças ”? Verificar se a empresa implementou um programa de gerenciamento de mudanças; Avaliar como a empresa gerencia as mudanças relacionadas ao sistema de gestão da qualidade. Quais documentos podem ser requeridos? Ata de análise crítica (este documento pode conter informações relevantes sobre as mudanças relacionadas ao sistema de gestão da qualidade); Documento de registro das mudanças realizadas (embora a norma não exija). + Informações adicionais: Questões que podem ser entendidas como mudanças nas organizações: grandes alterações de layout, substituição de supervisores, aquisição de novos equipamentos e implementação de novos projetos, entre outros. Ao auditar os três itens do requisito 6 da ABNT ISO 9001, todo auditor terá que ter no mínimo habilidades e conhecimentos básicos em gestão de riscos e indicadores. Neste sentido, é recomendável que o auditor líder conduza as entrevistas deste requisito para obter as evidências em relação aos riscos, objetivos da qualidade e gestão de mudanças. 92 Acesse o link: Disponível aqui Gerenciar riscos quando conhecidos é muito mais fácil, pois estamos mais preparados e temos possíveis soluções – mas nem sempre é simples mensurar e identificar os riscos e as soluções. Afinal, muitos fatores estão envolvidos, tais como pessoas, sistemas, recursos financeiros, processos, leis e regulamentos, entre outros. Quais são os benefícios de atender ao requisito 6 da ABNT ISO 9001? Entendemos que os principais benefícios estão relacionados à eliminação das ocorrências indesejadas por meio da identificação de possíveis riscos para os processos, gestão dos indicadores de forma eficaz e gestão de mudanças que planeja toda e qualquer alteração significativa no sistema de gestão da qualidade. 93 https://www.banasqualidade.com.br/artigos/2009/10/preocupacao-na-gestao-de-riscos.php 11 Auditando o Item 7 – Apoio “O apoio da Alta Direção no SGQ e o engajamento das pessoas permite: provisão de recursos humanos e outros recursos adequados, monitoramento de processos e resultados, determinação e avaliação dos riscos e oportunidades, implementação de ações apropriadas”. ABNT 9001 (2015, p. 3) Apoio na Gestão da Qualidade O requisito 7 - Apoio, como o próprio nome já diz, fornece apoio para garantir que o sistema de gestão da qualidade se mantenha e alcance os seus resultados por meio do planejamento e fornecimento de recursos essenciais. Uma das primeiras informações que a norma solicita em relação ao requisito 7 é a consideração das capacidades e restrições em relação aos recursos internos e o que precisa ser adquirido externamente. 7.1 – Recursos Pessoas Toda organização necessita de pessoas para que executem as atividades. Sem a interação de pessoas, não existem processos e resultados. Infraestrutura A norma não especifica uma lista de recursos necessários que toda organização tenha que disponibilizar, até porque os processos e os segmentos podem variar de uma empresa para outra. A norma apresenta alguns exemplos de recursos de infraestrutura tais como edifícios, equipamentos, materiais, máquinas, softwares, transporte e tecnologia da informação. Ambiente para operação de processos Para ajudar no entendimento deste item, suponhamos que você irá auditar um laticínio. O que você poderia verificar sobre como a empresa está atendendo ao requisito de ambiente para operação de processos? Basicamente, todo laticínio deve 95 ter refrigeradores e ambiente climatizado para manter a qualidade dos produtos. Além disso, a norma faz uma referência deste requisito com os fatores humanos sociais, psicológicos e físicos. Recursos de monitoramento e medição Alguns processos precisam ser medidos, e este item da norma requer que todo equipamento de medição que a organização utiliza nos processos deva estar calibrado e dentro dos parâmetros de rastreabilidade. Alguns equipamentos de medição podem incluir: paquímetro, balança, trena, espectrômetro, micrômetro e termômetro, entre outros. Conhecimento organizacional Já ouviu falar que toda vó faz uma receita que só ela sabe fazer? Em outras palavras, dentro de uma organização isso não pode acontecer. As “receitas” – que na verdade são as atividades da organização – não podem estar somente na cabeça das pessoas, mas precisam estar descritas e compartilhadas. Suponhamos que no setor de Manutenção de uma empresa haja três manutentores, porém, somente um consegue realizar a manutenção de um determinado equipamento justamente porque só ele sabe fazer. O que aconteceria se esse funcionário se desligasse da empresa? Com certeza, o resultado não seria nada bom. Este requisito ajuda a eliminar esse tipo de problema. 96 7.2 – Competências As pessoas que trabalham em uma organização e executam atividades que necessitam de conhecimentos específicos devem atender a determinadas competências de acordo com a área. Toda empresa necessariamente tem que identificar as necessidades de competências para os processos e assim capacitar as pessoas e, por fim, avaliar se as competências desenvolvidas foram eficazes. A norma ressalta que a organização pode garantir a competência de pessoas em pelo menos três pontos: Educação – uma formação escolar mínima Treinamento – capacitações que poderão ocorrer dentro ou fora da empresa Experiência – tempo de atuação em uma determinada área Fonte: ABNT ISO 9001 (2015, p. 9). 7.3 – Conscientização Este item requer que todas as pessoas que trabalhem sob o controle da organização tenham conscientização em relação à importância do sistema de gestão da qualidade e como elas contribuem para os resultados. Necessariamente, as pessoas devem ter conhecimento sobre: 97 Política da qualidade Objetivos da qualidade Contribuição para a eficácia do sistema de gestão da qualidade, incluindo os benefícios de desempenho As implicações de não estar em conforme com os requisitos do SGQ Fonte: ABNT ISO 9001 (2015, p. 9). 7.4 – Comunicação As informações que circulam dentro e fora de uma organização precisam ser definidas e controladas, pois podem interferir no sistema de gestão da qualidade. Para este requisito em específico, toda empresa precisa se perguntar: O que comunicar? Quando comunicar? Com quem se comunicar? Como comunicar? Quem comunica? Entendemos que uma boa comunicação, com certeza, serve como apoio para a manutenção do sistema de gestão da qualidade. 7.4 e 7.5 – Informação documentada e controle Seja uma pequena ou grande empresa, todas elas possuem algo em comum: documentos e registros. E o item 7.4 irá exigir que as empresas tenham no mínimo um controle sobre essas informações, sejam elas em meios físicos ou digitais. Ao definir tal controle, toda empresa deverá levar em consideração: Identificação e descrição; Formato e meio; Análise crítica e aprovação quanto à adequação e suficiência; 98 O requisito ainda exige que essas informações, estejam disponíveis e adequadas para uso. Requisitos de Apoio Abaixo, listamos os requisitos do item 7 da ABNT NBR ISO 9001, versão 2015. 7 Apoio 7.1 Recursos 7.1.1 Generalidades A organização deve determinar e prover os recursos necessários para o estabelecimento, implementação, manutenção e melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade. A organização deve considerar: a. as capacidades e restrições de recursos internos existentes; b. o que precisa ser obtido de provedores externos. 7.1.2 Pessoas A organização deve determinar e prover as pessoas necessárias para a implementação eficaz do seu sistema de gestão da qualidade e para a operação e controle de seus processos. 7.1.3 Infraestrutura A organização deve determinar, prover e manter a infraestrutura necessária para a operação dos seus processos e para alcançar a conformidadede produtos e serviços. NOTA: a infraestrutura pode incluir: a. edifícios e utilidades associadas; b. equipamento, incluindo materiais, máquinas, ferramentas, etc. e software; c. recursos para transporte; d. tecnologia da informação e de comunicação. 99 A organização deve determinar, prover e manter um ambiente necessário para a operação de seus processos e para alcançar a conformidade de produtos e serviços. a. social (por exemplo, não discriminatório, calmo, não confrontante); b. psicológico (por exemplo, redutor de estresse, preventivo quanto à exaustão, emocionalmente protetor); c. físico (por exemplo, temperatura, calor, umidade, luz, fluxo de ar, higiene, ruído). Esses fatores podem diferir substancialmente, dependendo dos produtos e serviços providos. 7.1.5 Recursos de monitoramento e medição 7.1.5.1 Generalidades A organização deve determinar e prover os recursos necessários para assegurar resultados válidos e confiáveis quando monitoramento ou medição for usado para verificar a conformidade de produtos e serviços com requisitos. A organização deve assegurar que os recursos providos: a. sejam adequados para o tipo específico de atividades de monitoramento e medição assumidas; b. sejam mantidos para assegurar que estejam continuamente apropriados aos seus propósitos. A organização deve reter informação documentada apropriada como evidência de que os recursos de monitoramento e medição sejam apropriados para os seus propósitos. 7.1.5.2 Rastreabilidade de medição Quando a rastreabilidade de medição for um requisito ou for considerada pela organização uma parte essencial da provisão de confiança na validade de resultados de medição, os equipamentos 7.1.4 Ambiente para a operação dos processos 100 de medição devem ser: a. verificados ou calibrados, ou ambos, a intervalos especificados, ou antes do uso, contra padrões de medição rastreáveis a padrões de medição internacionais ou nacionais; quando tais padrões não existirem, a base usada para calibração ou verificação deve ser retida como informação documentada; b. identificados para determinar sua situação; c. salvaguardados contra ajustes, danos ou deterioração que invalidariam a situação de calibração e resultados de medições subsequentes. A organização deve determinar se a validade de resultados de medição anteriores foi adversamente afetada quando o equipamento de medição for constatado inapropriado para seu propósito pretendido e deve tomar ação apropriada, como necessário. 7.1.6 Conhecimento organizacional A organização deve determinar o conhecimento necessário para a operação de seus processos e para alcançar a conformidade de produtos e serviços. Esse conhecimento deve ser mantido e estar disponível na extensão necessária. Ao abordar necessidades e tendências de mudanças, a organização deve considerar seu conhecimento no momento e determinar como adquirir ou acessar qualquer conhecimento adicional necessário e atualizações requeridas. 7.2 Competência A organização deve: a. determinar a competência necessária de pessoa(s) que realize(m) trabalho sob o seu controle que afete o desempenho e a eficácia do sistema de gestão da qualidade; b. assegurar que essas pessoas sejam competentes, com base em educação, treinamento ou experiência apropriados; 101 c. onde aplicável, tomar ações para adquirir a competência necessária e avaliar a eficácia das ações tomadas; d. reter informação documentada, apropriada como evidência de competência. 7.3 Conscientização A organização deve assegurar que pessoas que realizam trabalho sob o controle da organização estejam conscientes: a. da política da qualidade; b. dos objetivos da qualidade pertinentes; c. da sua contribuição para a eficácia do sistema de gestão da qualidade, incluindo os benefícios de desempenho melhorado; d. das implicações de não estar conforme com os requisitos do sistema de gestão da qualidade. 7.4 Comunicação A organização deve determinar as comunicações internas e externas pertinentes para o sistema de gestão da qualidade, incluindo: a. sobre o que comunicar; b. quando comunicar; c. com quem se comunicar; d. como comunicar; e. a quem comunicar. 7.5 Informação documentada 7.5.1 Generalidades O sistema de gestão da qualidade da organização deve incluir: a. informação documentada requerida por esta Norma; b. informação documentada determinada pela organização como sendo necessária para a eficácia do sistema de gestão da qualidade. 7.5.2 Criando e atualizando 102 Ao criar e atualizar informação documentada, a organização deve assegurar apropriados(as): a. identificação e descrição (por exemplo, um título, data, autor ou número de referência); b. formato (por exemplo, linguagem, versão de software, gráficos) e meio (por exemplo, papel, eletrônico); c. análise crítica e aprovação quanto à adequação e suficiência. 7.5.3 Controle de informação documentada 7.5.3.1 A informação documentada requerida pelo sistema de gestão da qualidade e por esta Norma deve ser controlada para assegurar que: a. ela esteja disponível e adequada para uso onde e quando ela for necessária; b. ela esteja protegida suficientemente (por exemplo, contra perda de confidencialidade, uso impróprio ou perda de integridade). 7.5.3.2 Para o controle de informação documentada, a organização deve abordar as seguintes atividades, como aplicável: a. distribuição, acesso, recuperação e uso; b. armazenamento e preservação, incluindo preservação de legibilidade; c. controle de alterações (por exemplo, controle de versão); d. retenção e disposição. A informação documentada de origem externa determinada pela organização como necessária para o planejamento e operação do sistema de gestão da qualidade deve ser identificada, como apropriado, e controlada. Informação documentada retida como evidência de conformidade deve ser protegida contra alterações não intencionais. Fonte: ABNT ISO 9001. 103 Auditando os Requisitos de Apoio O que verificar no item 7.1. “Recursos”? Verificar como a organização identificou as necessidades de recursos internos e externos; Analisar como estão as condições de trabalho (ambiente físico, ferramentas e equipamentos); Verificar se os processos necessitam de medição e se os equipamentos de medição estão calibrados/ aferidos e identificados; Verificar como a empresa definiu o conhecimento organizacional; Quais documentos podem ser requeridos? Certificados de calibração dos instrumentos de medição; Ficha de registro da empresa (avaliar o número de funcionários disponíveis); Manual da qualidade (se aplicável). + Informações adicionais Ao avaliar as questões de infraestrutura, é importante que o auditor saiba quais são os itens obrigatórios para executar uma determinada atividade. Vale lembrar que, para algumas atividades, é requerido o atendimento mínimo de legislação, e essas informações devem ser de conhecimento da equipe de auditoria. 104 O que verificar no item 7.2. “Competência”? Avaliar como a empresa determinou os requisitos de competência para cada função/ atividade chave e operacional; Avaliar registros de ações para o atendimento das competências. Quais documentos podem ser requeridos? Histórico escolar, certificados e diplomas; Listas de treinamento; Plano de habilidade (se aplicável); Currículos. + Informações adicionais: Este requisito faz um elo com a identificação dos processos da organização, pois, por meio do entendimento dos processos, o auditor pode avaliar se as competências disponíveis estão de acordo com o nível de complexidade de cada atividade. 105 O que verificar no item 7.3. “Conscientização”? Verificar em entrevista com os funcionários da organização sobre a política da qualidade, objetivos e as responsabilidades por cumprir os requisitos do sistema de gestão da qualidade; Quais documentos podem ser requeridos? Neste requisito em específico, não há evidências físicas. Os resultados do cumprimento do requisito 7.3 deverão ser obtidos por meio de entrevistas. + Informações adicionais:Ao conduzir entrevistas em relação à conscientização da política, objetivos e da contribuição com o sistema de gestão da qualidade, leve em consideração as pessoas que trabalham nos diversos departamentos. (Ex: direção, almoxarifado, montagem, administração, etc.) 106 O que verificar no item 7.4. “Comunicação”? Verificar quais foram as informações que a empresa decidiu comunicar (interna e externamente); Verificar como a empresa definiu os controles de comunicação. Quais documentos podem ser requeridos? Planilha de comunicação interna e externa (embora não seja exigido pela ISO); + Informações adicionais: Ao auditar o requisito 7.4, leve em consideração de que forma a organização definiu sobre o que comunicar para as partes interessadas envolvidas, governo, colaboradores, fornecedores, acionistas e clientes. 107 O que verificar no item 7.5. Informação documentada? Verificar se todos os documentos apresentados durante a auditoria estão controlados; Verificar se os modelos de documentos utilizados pela organização possuem rastreabilidade e aprovação para uso. Quais documentos podem ser requeridos? Planilha de controle de documentos e registros; Documentações do próprio sistema de gestão da qualidade; + Informações adicionais: Normalmente, o controle de documentos e registros é verificado no departamento de sistema de gestão da qualidade, em que a organização determina um responsável pela atualização, distribuição e controle de todos os documentos. Acesse o link: Disponível aqui Já se perguntou quais são os benefícios da ISO 9001 e quem ganha com a sua gestão? Veja 10 motivos para implementar um sistema de gestão de qualidade. 108 https://onclick.com.br/artigos/10-motivos-para-implantar-um-sistema-de-gestao-da-qualidade/ Os itens descritos pelo requisito de apoio servem como uma base sólida para a manutenção e continuidade do sistema de gestão da qualidade. 109 12 Auditando o Item 8 – Operação Indústria de eletricidade no Maranhão, Brasil Fonte: Pixabay. “Cliente: pessoa ou organização que poderia receber ou que recebe um produto ou um serviço destinado para, ou solicitado por essa pessoa ou organização.” ABNT 9000 (2015, p. 14) O Item 8 no Sistema de Gestão da Qualidade Hora de colocar a mão na massa! O item 8 da norma trará requisitos relacionados à execução das atividades das organizações e quais controles necessários deverão ser implementados. Na verdade, este requisito aborda desde a coleta dos requisitos do cliente até a execução da operação e as saídas esperadas de cada processo. 111 8.1 Planejamento e controle operacionais Este item em específico garante que toda organização realize o planejamento referente à execução da operação e determine quais serão as fases em que haverá a interação direta com o cliente. Além disso, o requisito exige que toda organização identifique e disponibilize os recursos necessários para apoiar os processos de operação e serviço. 8.2 Requisitos para produtos e ser�ços Comunicação com o cliente Toda organização, deverá registrar a forma como interage com os seus clientes e como os requisitos por eles informados serão atendidos. Neste sentido, para que a organização realize tal comunicação, é importante que ela use ferramentas que de interação com os clientes, tais como páginas na web, catálogos e redes sociais. O importante é a facilidade que os clientes terão em buscar as informações dos serviços e produtos da organização. Determinação de requisitos relativos a produtos e serviços Após identificar a comunicação com o cliente, toda organização tem que definir as informações necessárias referentes ao produto ou serviço que ela fornece de acordo com os requisitos dos clientes. Ainda nesta etapa, as organizações devem avaliar se há requisitos estatutários aos quais deverão atender. Exemplos de requisitos de produtos podem ser cor, tamanho e material a ser utilizado na confecção, entre outros. Análise crítica de requisitos relativos a produtos e serviços Toda organização deve registrar uma análise sobre os requisitos dos clientes e como ela irá se planejar para atendê-los. Por exemplo, suponhamos que uma empresa de calçados acabe de fechar um pedido de cinco mil pares de sapatos masculinos. Será que ela conseguirá atender o prazo de entrega estipulado pelo cliente? Neste caso, ela deverá fazer uma análise crítica do pedido para verificar se há recursos disponíveis para atender ao cliente. Assim, a análise crítica deve ser realizada antes de confirmar com o cliente. Mudanças nos requisitos para produtos e serviços Alterações. Toda empresa deverá estar preparada para solicitações de alteração provindas dos seus clientes. Seja na confecção de um produto ou na prestação de um serviço, toda empresa está à mercê deste tipo de situação. Neste sentido, toda organização deverá criar mecanismos de controle de alterações de pedidos, sejam eles pontuais ou sistêmicos (quando envolve uma linha inteira de produção). 112 Requisitos de Operação Abaixo, listamos os requisitos do item 8 da ABNT NBR ISO 9001, versão 2015. 8 Operação 8.1 Planejamento e controle operacionais A organização deve planejar, implementar e controlar os processos (ver 4.4) necessários para atender aos requisitos para a provisão de produtos e serviços e para implementar as ações determinadas na Seção 6 ao: a. determinar os requisitos para os produtos e serviços; b. estabelecer critérios para: 1) planejar os processos; 2) aceitar produtos e serviços; c. determinar os recursos necessários para alcançar conformidade com os requisitos do produto e serviço; d. implementar controle de processos de acordo com critérios; e. determinar e conservar informação documentada na extensão necessária para: 1) ter confiança em que os processos foram conduzidos como planejado; 2) demonstrar a conformidade de produtos e serviços com seus requisitos. A saída desse planejamento deve ser adequada para as operações da organização, que deve controlar mudanças planejadas e analisar criticamente as consequências de mudanças não intencionais, tomando ações para mitigar quaisquer efeitos adversos, como necessário. A organização deve assegurar que os processos terceirizados sejam controlados (ver 8.4). 8.2 Requisitos para produtos e serviços 8.2.1 Comunicação com o cliente A comunicação com clientes deve incluir: a. prover informação relativa a produtos e serviços; 113 b. lidar com consultas, contratos ou pedidos, incluindo mudanças; c. obter retroalimentação do cliente relativa a produtos e serviços, incluindo reclamações do cliente; d. lidar ou controlar propriedade do cliente; e. estabelecer requisitos específicos para ações de contingência, quando pertinente. 8.2.2 Determinação de requisitos relativos a produtos e serviços Ao determinar os requisitos para os produtos e serviços a serem oferecidos para clientes, a organização deve assegurar que: a. os requisitos para os produtos e serviços sejam definidos, incluindo: 1) quaisquer requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis; 2) aqueles considerados necessários pela organização; b. a organização possa atender aos pleitos para os produtos e serviços que ela oferece. 8.2.3 Análise crítica de requisitos relativos a produtos e serviços 8.2.3.1 A organização deve assegurar que ela tenha a capacidade de atender aos requisitos para produtos e serviços a serem oferecidos a clientes. A organização deve conduzir uma análise crítica antes de se comprometer a fornecer produtos e serviços a um cliente, para incluir: a. requisitos especificados pelo cliente, incluindo os requisitos para atividades de entrega e pós-entrega; b. requisitos não declarados pelo cliente, mas necessários para o uso especificado ou pretendido, quando conhecido; c. requisitos especificados pela organização; d. requisitos estatutários e regulamentares aplicáveis a produtos e serviços; e. requisitos de contrato ou pedido diferentes daqueles previamente expressos. 114 A organização deve assegurar que requisitos de contrato ou pedidodivergentes daqueles previamente definidos sejam resolvidos. Os requisitos do cliente devem ser confirmados pela organização antes da aceitação quando o cliente não prover uma declaração documentada de seus requisitos. NOTA: Em algumas situações, como vendas pela internet, uma análise crítica formal para cada pedido é impraticável. Nesses casos, a análise crítica pode compreender as informações pertinentes ao produto, como catálogos. 8.2.3.2 A organização deve reter informação documentada, como aplicável, sobre: a. os resultados da análise crítica; b. quaisquer novos requisitos para os produtos e serviços. 8.2.4 Mudanças nos requisitos para produtos e serviços A organização deve assegurar que informação documentada pertinente seja emendada, e que pessoas pertinentes sejam alertadas dos requisitos mudados, quando os requisitos para produtos e serviços forem mudados. Fonte: ABNT NBR ISO 9001 (2015). 115 Auditando os Requisitos de Operação O que verificar no item 8.1. “Planejamento e controle operacionais”? Verificar como a organização controla os processos em relação à operação e/ou à prestação de serviço; Analisar os critérios que a organização definiu em relação aos produtos e serviços; Verificar como os recursos estão disponíveis para a realização dos produtos e serviços. Quais documentos podem ser requeridos? Controle dos processos operacionais; Lista técnica (embora a norma não exija); Ordem de produção (embora a norma não exija); Registros de compras (insumos e matérias-primas). + Informações adicionais Ao auditar este requisito, normalmente o auditor encontra as evidências na área de programação e no controle de produção ou administração geral de uma determinada organização. 116 O que verificar no item 8.2. “Requisitos para produtos e serviços”? Verificar como a organização determinou os meios de comunicação com os clientes; Verificar como os requisitos regulamentares são analisados e definidos no momento da análise crítica do produto ou serviço; Analisar como a organização realiza a análise crítica dos requisitos dos clientes; Verificar como as alterações de pedidos ou contratos são registrados pela organização. Quais documentos podem ser requeridos? Catálogos, revistas, sites e redes sociais; Pedidos de compras; Contratos de fornecimentos; Sistema de remessa eletrônico; Solicitações por e-mail; Ordens de produção ou fabricação. + Informações adicionais: O item 8.2 normalmente pode ser auditado nas áreas de planejamento de produção e comercial. Todo auditor que for auditar este requisito deve ter em mente que essas áreas dentro de uma organização serão as únicas a ter o contato primário com os requisitos e necessidades dos clientes. Entendemos que os itens 8.1 e 8.2 da ABNT ISO 9001 funcionam como um coração dentro de um sistema de gestão da qualidade. Neste momento, todo auditor deverá se desprender um tempo maior ao auditar tais requisitos. Sempre quando há um setor ou área específica que possui a interação direta com os clientes, o nível de profundidade com a conformidade dos requisitos deve ser maior. 117 Acesse o link: Disponível aqui Muitos fatores podem contribuir ou até mesmo ser fundamentais para a obtenção de um negócio bem-sucedido. Independentemente do tamanho das empresas, a definição de sucesso pode estar diretamente ligada a pontos como a estrutura, as habilidades da equipe e o uso de novas tecnologias, entre outros. No entanto, algo que está sempre presente, sem exceções, é a experiência do cliente. Como o item 8.2 está totalmente interligado com a área comercial, é importante que todo auditor saiba o que é a fidelização de cliente e a sua relação com os resultados da organização. Garantir que os requisitos e as necessidades dos clientes sejam atendidos é uma missão de toda organização. O requisito 8.1 e 8.2 auxilia as organizações a definirem as melhores práticas para coletar, armazenar e atender tais requisitos, mesmo quando eles forem alterados pelos próprios clientes. 118 https://comercioemacao.cdlbh.com.br/2018/08/28/descubra-9-boas-praticas-para-melhorar-a-experiencia-do-cliente/ 13 Auditando o Item 8.3 – Projeto e Desenvolvimento de Produtos e Serviços “Projeto: processo único que consiste em um conjunto de atividades controladas e coordenadas, com datas de início e conclusão, realizado para alcançar um objetivo em conformidade com requisitos especificados, incluindo as limitações de prazo, custo e recursos”. ABNT 9000 (2015, p. 18) Requisitos de Projetos no Sistema de Gestão da Qualidade As organizações que tiverem processos relacionados à área de desenvolvimento devem atender ao item 8.3 da ABNT ISO 9001. Sendo assim, elas devem elaborar uma sistemática para gerenciar todas as atividades relacionadas com o desenvolvimento de produtos que basicamente incluirá o projeto, alterações, verificações e validações. Neste sentido, todo auditor que auditar este requisito deve ter um conhecimento na área de projetos, pois os níveis de informações nesta área são mais complexos. Geralmente, todo projeto tem o seu início com os requisitos dos clientes bem como os requisitos estatutários. Além de a organização definir os procedimentos relacionados à área de projetos, ela deve determinar também como os projetos serão verificados de acordo com o atendimento dos requisitos dos clientes. A verificação é uma atividade em que o projeto desenvolvido passa por um crivo de análise feita por especialistas e áreas correlatas. Uma vez que a norma de sistema de gestão da qualidade requerer que os projetos sejam verificados e validados, entende-se que o objetivo seja o atendimento das especificações do produto desenvolvido em relação ao projeto inicial. Por exemplo, teste de tração em uma amostra de ferro fundido para garantir que a dureza do material esteja de acordo com os requisitos do cliente. As validações de projetos não se limitam apenas a testes, e podem estar incluídos protótipos, croquis e teste com usuários, entre outros. Sempre quando houver alterações de projetos, estas devem ser registradas e informadas ao cliente. 120 8.3 Projeto e desenvol�mento de produtos e ser�ços 8.3.1 Generalidades A organização deve estabelecer, implementar e manter um processo de projeto e desenvolvimento que seja apropriado para assegurar a subsequente provisão de produtos e serviços. 8.3.2 Planejamento de projeto e desenvolvimento Na determinação dos estágios e controles para projeto e desenvolvimento, a organização deve considerar: a. a natureza, duração e complexidade das atividades de projeto e do desenvolvimento; b. os estágios de processo requeridos, incluindo análises críticas de projeto e desenvolvimento aplicáveis; c. as atividades de verificação e validação de projeto e desenvolvimento requeridos; d. as responsabilidades e autoridades envolvidas no processo de projeto e desenvolvimento; e. os recursos internos e externos necessários para o projeto e para o desenvolvimento de produtos e serviços; f. a necessidade de controlar interfaces entre pessoas envolvidas no processo de projeto e de desenvolvimento; g. a necessidade de envolvimento de clientes e usuários no processo de projeto e de desenvolvimento; h. os requisitos para a provisão subsequente de produtos e serviços; i. o nível de controle esperado para o processo de projeto e desenvolvimento por clientes e outras partes interessadas pertinentes; j. a informação documentada necessária para demonstrar que os requisitos de projeto e desenvolvimento foram atendidos. Requisitos de Projetos e Desenvol�mento Abaixo, listamos os requisitos do item 8.3 da ABNT NBR ISO 9001, versão 2015. 121 A organização deve determinar os requisitos essenciais para os tipos específicos de produtos e serviços a serem projetados e desenvolvidos. A organização deve considerar: a. requisitos funcionais e de desempenho; b. informação derivada de atividades similares de projeto e desenvolvimento anteriores; c. requisitos estatutários e regulamentares; d. normas ou códigos de prática que a organizaçãotenha se comprometido a implementar; e. consequências potenciais de falhas devidas à natureza de produtos e serviços. Entradas devem ser adequadas aos propósitos de projeto e do desenvolvimento, completas e sem ambiguidades. Entradas conflitantes de projeto e desenvolvimento devem ser resolvidas. A organização deve reter informação documentada de entradas de projeto e desenvolvimento. 8.3.4 Controles de projeto e desenvolvimento A organização deve aplicar controles para o processo de projeto e desenvolvimento para assegurar que: a. os resultados a serem alcançados estejam definidos; b. análises críticas sejam conduzidas para avaliar a capacidade de os resultados de projeto e desenvolvimento atenderem a requisitos; c. atividades de verificação sejam conduzidas para assegurar que as saídas de projeto e desenvolvimento atendam aos requisitos de entrada; d. atividades de validação sejam conduzidas para assegurar que os produtos e serviços resultantes atendam aos requisitos para a aplicação especificada ou uso pretendido; e. quaisquer ações necessárias sejam tomadas sobre os problemas determinados durante as análises críticas ou atividades de verificação e validação; f. informação documentada sobre essas atividades seja retida. 8.3.3 Entradas de projeto e desenvolvimento 122 NOTA: Análises críticas de projeto e desenvolvimento, verificação e validação têm propósitos distintos. Elas podem ser conduzidas separadamente ou em qualquer combinação, como for adequado para os produtos e serviços da organização. 8.3.5 Saídas de projeto e desenvolvimento A organização deve assegurar que saídas de projeto e desenvolvimento: a. atendam aos requisitos de entrada; b. sejam adequadas para os processos subsequentes para a provisão de produtos e serviços; c. incluam ou referenciem requisitos de monitoramento e medição, como apropriado, e critérios de aceitação; d. especifiquem as características dos produtos e serviços que sejam essenciais para o propósito pretendido e sua provisão segura e apropriada. A organização deve reter informação documentada sobre as saídas de projeto e desenvolvimento. 8.3.6 Mudanças de projeto e desenvolvimento A organização deve identificar, analisar criticamente e controlar mudanças feitas durante, ou subsequentemente a, o projeto e o desenvolvimento de produtos e serviços, na extensão necessária para assegurar que não haja impacto adverso sobre a conformidade com requisitos. A organização deve reter informação documentada sobre: a. as mudanças de projeto e desenvolvimento; b. os resultados de análises críticas; c. a autorização das mudanças; d. as ações tomadas para prevenir impactos adversos. Fonte: ABNT ISO 9001, 2015. 123 O que verificar no item 8.3. “Projeto e Desenvolvimento”? Verificar como a organização realiza o controle das entradas de projetos (requisitos); Verificar os responsáveis pela execução e alteração de projetos; Analisar como a organização determinou os recursos necessários para a execução dos projetos; Verificar como os requisitos estatutários são analisados no momento do desenvolvimento dos projetos; Verificar como as atividades de validação são conduzidas, registradas e validadas; Analisar como a organização realiza as verificações de entrada e saídas de projetos em relação ao atendimento dos requisitos iniciais; Quais documentos podem ser requeridos? Cronogramas de projetos; Ata de análise crítica; Requisitos de clientes; Contratos e pedidos de compras; Relatórios de ensaios e testes; Lista de materiais e insumos. + Informações adicionais: A área de projetos pode ser bem ampla e conter diversas complexidades. Neste sentido, é importante que todo auditor tenha conhecimento básico ou conheça sobre: gerenciamento de projetos e softwares de desenvolvimento como, por exemplo, AutoCAD, Creo, Inventor e Microsoft Project, entre outros. Auditando os Requisitos de Projetos 124 Acesse o link: Disponível aqui Compreender uma abordagem na estrutural do requisito 8.3 – Projetos para o sistema de gestão da qualidade é fundamental para todo auditor. Você sabia que o item de projetos pode ser excluído por uma organização? Quando não há uma área de projetos em uma organização, ela poderá excluir o requisito 8.3 e informar para a certificadora que não executa atividades de desenvolvimento de projetos. 125 https://administradores.com.br/artigos/uma-abordagem-sobre-o-item-8-3-projeto-e-desenvolvimento-parte-i 14 Auditando o Item 8.4 – Controle de Processos “Processo. Conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que utilizam entradas para entregar um resultado pretendido”. ABNT 9000 (2015, p. 17) Os Requisitos de Controle de Processos Nos itens de controle de processos, a norma de sistema de gestão da qualidade aborda pelo menos quatro requisitos fundamentais, definidos por controle de processos e dos provedores externos, produção e provisão de serviços, liberação de produtos e serviços e o controle de saídas não conformes. Na verdade, o ponto em questão aqui é que a norma requer que a organização controle os seus processos, garantindo que aquilo que está sendo executado esteja de acordo com o que foi planejado. Para compreender melhor, vamos analisar cada item. Requisito 8.4 - Controle de processos, produtos e serviços providos externamente Este requisito aborda os controles que a organização implementou em relação aos provedores externos, ou seja, todos os recursos necessários que a empresa mapeou ao abordar o requisito 7 (apoio) em relação aos fornecedores. A grande questão aqui é que os fornecedores, sejam eles de produtos ou serviços, têm um grande impacto nos processos da organização e, para isso, ela deverá avaliá-los, monitorá-los e reavaliá-los a fim de obter um controle sob a qualidade do fornecimento. Cada organização determinará os critérios sobre os seus provedores, pois a norma não especifica quais critérios deverão ser utilizados. Exemplos de critérios de seleção podem incluir: possuir certificado ISO 9001 válido, sem restrições financeiras, e atendimento de requisitos estatutários, entre outros. Neste requisito, as organizações deverão identificar quais provedores poderão afetar diretamente os seus processos e principalmente os requisitos de produto ou serviço. Para os provedores que possuam tal criticidade, a organização deverá criar mecanismos de controle que podem incluir o monitoramento de desempenho e a 127 tomada de ações sobre tais provedores. Além de implementar tais controles, a organização deve implementar meios de comunicação com os seus provedores a fim de informá-los sobre o seu desempenho e sobre informações pertinentes. Requisito 8.5 - Produção e provisão de serviço Ao realizar as atividades de produção e de prestação de serviços, a norma requer que tais atividades sejam controladas. Caberá às organizações definir quais serão os controles necessários a implementar nos processos a fim de garantir a conformidade dos produtos e serviços. Um dos requisitos impostos nesta sessão é a rastreabilidade. É importante que as organizações criem mecanismos de controle de identificação quanto ao status dos produtos em processo de criação. É aqui que todo auditor deve analisar se os produtos em fabricação possuem etiquetas ou informações que permitam rastrear a sua origem. Outro ponto de atenção neste requisito é a questão dos cuidados com propriedades pertencentes aos seus clientes e fornecedores quando estiverem sob o controle da organização. Por exemplo, imagine uma oficina que fornece serviços de mecânica em automóveis leves. Ao realizar o serviço de mecânica, a organização está lidando com uma propriedade exclusiva do cliente: o automóvel. Neste sentido, ela deverá criar meios para identificar, verificar e proteger tal propriedade. E se houver algum dano? Neste caso, a empresa deverá comunicar o cliente e informar quais foram os danos bem como as medidas corretivas. Ainda sobre os cuidados com a propriedade do cliente, a organização deve criar meios de preservação interna, que podem incluir:identificação, embalagens, transporte interno e externo e manuseio, entre outros. Dependendo da organização, se houver atividades de pós-entrega, tais controles devem ser expandidos, contemplando as atividades fora da empresa. E por fim, o requisito determina também que a organização implemente o controle de mudanças, que podem incluir qualquer alteração no nível operacional ou gerencial. Quando houver alguma mudança, a organização deverá registrá-la por meio de uma análise crítica e informar as ações que serão abordadas. 128 Requisito 8.6 – Liberação de produtos e serviços Durante a execução do produto ou serviço, a norma exige que em intervalos planejados, a organização realize verificações para observar se os requisitos estão sendo atendidos. Neste requisito, podem-se observar os famosos planos de controles em que há uma frequência determinada para checar se os requisitos estão sendo atendidos. Alguns exemplos de plano de controle: verificar temperatura a cada uma hora, medir diâmetro a cada 20 peças produzidas, etc. Requisito 8.7 – Controle de saídas não conformes Para os produtos e serviços que não atenderam aos requisitos, a norma exige uma tratativa especial em relação às ações a serem tomadas. Neste sentido, é importante que a organização identifique e controle os produtos não conformes para evitar o uso indevido. Em outras palavras, este requisito da norma previne que produtos não conformes cheguem até o cliente final. Haverá casos em que produtos não conformes poderão ser enviados para os clientes desde que haja uma concessão ou aprovação formal enviada pelo próprio cliente. Ao identificar uma não conformidade, o requisito ainda exige que as organizações elaborem ações para eliminar as causas e solucionar os problemas identificados. Após a implementação das ações corretivas, a norma requer que a organização realize uma análise para comprovar se as ações foram eficazes. 129 Requisitos Controle de Processos Abaixo, listamos os requisitos do item 8.4, 8.5, 8.6 e 8.7 da ABNT NBR ISO 9001, versão 2015. 8.4 Controle de processos, produtos e ser�ços pro�dos externamente 8.4.1 Generalidades A organização deve assegurar que processos, produtos e serviços providos externamente estejam conformes com requisitos. A organização deve determinar os controles a serem aplicados para os processos, produtos e serviços providos externamente quando: a. produtos e serviços de provedores externos forem destinados à incorporação aos produtos e serviços da própria organização; b. produtos e serviços forem providos diretamente para o(s) cliente(s) por provedores externos em nome da organização; c. um processo, ou parte de um processo, for provido por um provedor externo como um resultado de uma decisão da organização. A organização deve determinar e aplicar critérios para a avaliação, seleção, monitoramento de desempenho e reavaliação de provedores externos, baseados na sua capacidade de prover processos ou produtos e serviços de acordo com requisitos. A organização deve reter informação documentada dessas atividades e de quaisquer ações necessárias decorrentes das avaliações. 8.4.2 Tipo e extensão do controle A organização deve assegurar que processos, produtos e serviços providos externamente não afetem adversamente a capacidade da organização de entregar consistentemente produtos e serviços conformes para seus clientes. A organização deve: 130 a. assegurar que processos providos externamente permaneçam sob o controle do seu sistema de gestão da qualidade; b. definir tanto os controles que ela pretende aplicar a um provedor externo como aqueles que ela pretende aplicar às saídas resultantes; c. levar em consideração: 1) o impacto potencial dos processos, produtos e serviços providos externamente sobre a capacidade da organização de atender consistentemente aos requisitos do cliente e aos requisitos estatutários e regulamentares; 2) a eficácia dos controles aplicados pelo provedor externo. d. determinar a verificação, ou outra atividade necessária para assegurar que os processos, produtos e serviços providos externamente atendam a requisitos. 8.4.3 Informação para provedores externos A organização deve assegurar a suficiência de requisitos antes de sua comunicação para o provedor externo. A organização deve comunicar para provedores externos seus requisitos para: a. os processos, produtos e serviços a serem providos; b. a aprovação de: 1) produtos e serviços; 2) métodos, processos e equipamentos; 3) liberação de produtos e serviços. c. competência, incluindo qualquer qualificação pessoal requerida; d. as interações do provedor externo com a organização; e. controle e monitoramento do desempenho do provedor externo a ser aplicado pela organização; f. atividades de verificação ou validação que a organização, ou seus clientes, pretendam desempenhar nas instalações do provedor externo. 8.5 Produção e provisão de serviço 8.5.1 Controle de produção e de provisão de serviço 131 A organização deve implementar produção e provisão de serviço sob condições controladas. Condições controladas devem incluir, como aplicável: a. a disponibilidade de informação documentada que defina: 1) as características dos produtos a serem produzidos, dos serviços a serem providos ou das atividades a serem desempenhadas; 2) os resultados a serem alcançados. b. a disponibilidade e uso de recursos de monitoramento e medição adequados; c. a implementação de atividades de monitoramento e medição em estágios apropriados para verificar que critérios para controle de processos ou saídas e critérios de aceitação para produtos e serviços foram atendidos; d. o uso de infraestrutura e ambiente adequados para a operação dos processos; e. a designação de pessoas competentes, incluindo qualquer qualificação requerida; f. a validação e revalidação periódica da capacidade de alcançar resultados planejados dos processos para produção e provisão de serviço quando não for possível verificar a saída resultante por monitoramento ou medição subsequentes; g. a implementação de ações para prevenir erro humano; h. a implementação de atividades de liberação, entrega e pós- entrega. 8.5.2 Identificação e rastreabilidade A organização deve usar meios adequados para identificar saídas quando isso for necessário assegurar a conformidade de produtos e serviços. A organização deve identificar a situação das saídas com relação aos requisitos de monitoramento e medição ao longo da produção e provisão de serviço. A organização deve controlar a identificação única das saídas quando a rastreabilidade for um requisito, e deve reter a informação documentada necessária para possibilitar rastreabilidade. 8.5.3 Propriedade pertencente a clientes ou provedores externos 132 A organização deve tomar cuidado com propriedade pertencente a clientes ou provedores externos enquanto estiver sob o controle da organização ou sendo usada pela organização. A organização deve identificar, verificar, proteger e salvaguardar a propriedade de clientes ou de provedores externos providos para uso ou incorporação nos produtos e serviços. Quando a propriedade de um cliente ou provedor externo for perdida, danificada ou de outra maneira constatada inadequada para uso, a organização deve relatar isso ao cliente ou provedor externo e reter informação documentada sobre o que ocorreu. 8.5.4 Preservação A organização deve preservar as saídas durante produção e provisão de serviço na extensão necessária para assegurar conformidade com requisitos. 8.5.5 Atividades pós-entrega A organização deve atender aos requisitos para atividades pós- entrega associadas com os produtos e serviços. Na determinação da extensão das atividades pós-entrega requeridas, a organização deve considerar: a. os requisitos estatutários e regulamentares; b. as consequências indesejáveis potenciais associadas com seus produtos e serviços; c. a natureza, uso e o tempo de vida pretendido de seus produtos e serviços; d. requisitos do cliente; e. retroalimentação de cliente.8.5.6 Controle de mudanças A organização deve analisar criticamente e controlar mudanças para produção ou provisão de serviços na extensão necessária para assegurar continuamente conformidade com requisitos. A organização deve reter informação documentada, que descreva os 133 resultados das análises críticas de mudanças, as pessoas que autorizam a mudança e quaisquer ações necessárias decorrentes da análise crítica. 8.6 Liberação de produtos e serviços A organização deve implementar arranjos planejados, em estágios apropriados, para verificar se os requisitos do produto e do serviço foram atendidos. A liberação de produtos e serviços para o cliente não pode proceder até que os arranjos planejados forem satisfatoriamente concluídos, a menos que de outra forma tenham sido aprovados por autoridade pertinente e, como aplicável, pelo cliente. A organização deve reter informação documentada sobre a liberação de produtos e serviços. A informação documentada deve incluir: a. evidência de conformidade com os critérios de aceitação; b. rastreabilidade à(s) pessoa(s) que autoriza(m) a liberação. 8.7 Controle de saídas não conformes 8.7.1 A organização deve assegurar que saídas que não estejam conformes com seus requisitos sejam identificadas e controladas para prevenir seu uso ou entrega não pretendido. A organização deve tomar ações apropriadas baseadas na natureza da não conformidade e em seus efeitos sobre a conformidade de produtos e serviços. Isso deve também se aplicar aos produtos e serviços não conformes detectados após a entrega de produtos, durante ou depois da provisão de serviços. A organização deve lidar com saídas não conformes de um ou mais dos seguintes modos: a. correção; b. segregação, contenção, retorno ou suspensão de provisão de produtos e serviços; c. informação ao cliente; d. obtenção de autorização para aceitação sob concessão. 134 A conformidade com os requisitos deve ser verificada quando saídas não conformes forem corrigidas. 8.7.2 A organização deve reter informação documentada que: a. descreva a não conformidade; b. descreva as ações tomadas; c. descreva as concessões obtidas; d. identifique a autoridade que decide a ação com relação à não conformidade. Fonte: ABNT NBR ISO 9001, 2015. 135 Auditando os Requisitos de Controle de Processos O que verificar no item 8.4. “Controle de processos, produtos e serviços providos externamente”? Verificar como a organização determinou os provedores externos e aplicou os controles necessários; Analisar se há atividades terceirizadas sob controle da organização e quais controles foram aplicados; Verificar como a organização realiza a comunicação dos requisitos junto aos provedores externos; Analisar os indicadores de performance dos provedores externos. Quais documentos podem ser requeridos? Lista de homologação de provedores externos; Lista de materiais/ insumos; Pedidos de compras da organização; Contratos; Indicadores de performance (qualidade / entrega) + Informações adicionais: Ao avaliar o requisito 8.4, o auditor deve enxergar quais são os principais elementos que compõem o produto ou o serviço e avaliar se os controles aplicados pela organização são realmente eficazes. Algumas organizações criam controles referentes ao monitoramento da entrega, índice de atrasos e índice qualidade atendida. 136 O que verificar no item 8.5. “Produção e provisão de serviço”? Verificar como a organização descreveu as características dos produtos em produção; Verificar os controles de verificação nas etapas dos processos; Verificar quais instrumentos de medição a organização determinou como obrigatórios para verificar a conformidade com os requisitos; Avaliar como a organização determinou a rastreabilidade dos produtos e serviços; Verificar os controles associados às propriedades dos clientes à sua preservação; Avaliar as atividades de pós-entrega e quais controles a organização implementou para atender os requisitos dos clientes; Verificar o controle de mudanças e quais critérios a organização utiliza para registrá-lo. Quais documentos podem ser requeridos? Folhas de processos; Instruções de trabalho; Ordens de produção; Lista de tarefas/ atividades; Plano de controle; Controle visual; Certificados de calibração de instrumentos de medição; Relatórios de entrega técnica (pós-entrega); Atas de análise crítica (registro de mudanças). + Informações adicionais: Dependendo do tipo de atividade de uma determinada organização, é possível que haja atividades de pós-entrega. Neste sentido, todo auditor deverá avaliar os controles que a empresa determinou em relação às atividades fora de sua propriedade e como ela atenderá aos requisitos dos clientes. 137 O que verificar no item 8.6. “Liberação de produtos e serviços”? Verificar quando as inspeções nos produtos e serviços são realizadas durante ou após o processo de produção; Como a organização realiza a liberação dos produtos finais. Quais documentos podem ser requeridos? Check-list de inspeção; Relatório de liberação de produto final; Fichas de materiais inspecionados/ liberados. + Informações adicionais: Normalmente, a atividade de verificação da liberação de produtos e serviços dentro de uma organização é realizada na área de inspeção. Nela, encontram-se pessoas dedicas apenas para verificar se os produtos finais estão de acordo com o especificado. 138 O que verificar no item 8.7. “Controle de saídas não conformes”? Verificar como a organização controla os produtos e serviços não conformes; Analisar as ações que a organização elaborou em relação às não conformidades de produtos e serviços. Quais documentos podem ser requeridos? Análise de não conformidades; Procedimentos relacionados com as ações relacionadas com produtos não conforme (embora a norma não exija); Autorizações e concessões de clientes. + Informações adicionais: Ao realizar as análises de saídas não conformes, toda organização precisa registrar a descrição da não conformidade, ações tomadas e concessões. Neste sentido, algumas empresas têm utilizado as ferramentas da qualidade para auxiliá-las nas análises de causa (ex.: MASP – Método de análise e solução de problemas e Relatório 8D). Entendemos que os requisitos 8.4 à 8.7, servem para garantir maior controle dos processos, acompanhamento dos provedores externos, prover a rastreabilidade dos produtos e serviços, controlar as mudanças que impactam no sistema de gestão da qualidade e as ações relacionadas com os produtos e serviços não conformes. 139 Atualmente, instruções de trabalho e procedimentos mal elaborados, desenhos e planos imprecisos, equipamentos indevidamente montados, dispositivos de produção inadequados e estações de trabalho mal concebidas estão entre alguns exemplos que refletem o erro humano. Essa documentação mal escrita adiciona complicações que podem ser evitadas. Já ouviu falar naquele velho ditado “nem sempre o executado sai conforme o planejado”? Pois bem, esse provérbio não se aplica para os requisitos de 8.3 a 8.7. Após a implementação desses requisitos, a organização tem mecanismos para corrigir possíveis desvios e eliminar produtos que estiverem fora do especificado. 140 15 Auditando o Item 9 – Avaliação de Desempenho “Desempenho. Resultado mensurável. Desempenho pode se relacionar tanto a constatações quantitativas como qualitativas.” ABNT 9000 (2015, p. 25) Os Requisitos de Avaliação de Desempenho Depois de realizadas todas as atividades de planejamento, implementação e controle, é chegada a hora de avaliar os resultados do sistema de gestão da qualidade. O requisito 9 da norma fornece uma série de normativas para que a organização se autoavalie e implemente ações de correção. Toda organização precisa definir o que será medido dentro do sistema de gestão da qualidade e determinar apenas informações relevantes. Na verdade, as organizações têm a necessidade de implementar indicadores que medem a eficácia e resultados do sistema de gestão da qualidade. Por exemplo, uma determinada organização podedefinir como indicadores de desempenho: Satisfação de clientes; Redução de retrabalhos; Redução de refugos; Redução do tempo de set up. Vale a pena ressaltar que dependendo do tipo de atividade de uma organização, os indicadores podem ser outros. Depois de definir o que será medido, será necessário implementar métodos de como a organização fará as análises e medições. Uma das maneiras de fazer análises é por meio de indicadores, pois são fáceis de implementar, monitorar, avaliar e analisar determinados processos. A norma ainda ressalta a importância da definição de uma frequência para que a organização determine a análise e informe aos respectivos responsáveis por conduzir estas atividades. 142 Os clientes precisam ser monitorados. A norma ABNT ISO 9001, versão 2015, requer que a satisfação do cliente seja monitorada, analisada e tratada. A satisfação pode ser medida por meio de formulários de pesquisa, informações enviadas pelos próprios clientes e resultados de performance junto ao cliente. Quem paga as contas de uma empresa são os clientes e, neste sentido, é muito importante que as empresas monitorem a satisfação para que ela possa melhorar e garantir a fidelização dos clientes. As empresas podem utilizar algumas metodologias de pesquisas tais como NPS (net promote score) e CSAT (Customer satisfaction). Neste requisito, é abordado o processo de auditoria interna. O objetivo de realizar uma auditoria interna no sistema de gestão da qualidade é garantir o desempenho dos processos, produtos e serviços de uma determinada organização. A norma requer que as organizações realizem tais auditorias em intervalos planejados. É interessante notar que o processo de auditoria interna previne a identificação de não conformidades nas auditorias externas ou até mesmo nas auditorias de certificação. Além dos pontos citados acima, o requisito 9 determina que a organização realize uma análise crítica de todo o seu sistema de gestão da qualidade. Em outras palavras, o processo de análise crítica é um compilado de todos os resultados da organização e a determinação de ações estratégicas elaboradas pela própria direção. 143 9 Avaliação de desempenho 9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação 9.1.1 Generalidades A organização deve determinar: a. o que precisa ser monitorado e medido; b. os métodos para monitoramento, medição, análise e avaliação necessários para assegurar resultados válidos; c. quando o monitoramento e a medição devem ser realizados; d. quando os resultados de monitoramento e medição devem ser analisados e avaliados. A organização deve avaliar o desempenho e a eficácia do sistema de gestão da qualidade. A organização deve reter informação documentada apropriada como evidência dos resultados. 9.1.2 Satisfação do cliente A organização deve monitorar a percepção de clientes do grau em que suas necessidades e expectativas foram atendidas. A organização deve determinar os métodos para obter, monitorar e analisar criticamente essa informação. NOTA: Exemplos de monitoramento das percepções de cliente podem incluir pesquisas com o cliente, retroalimentação do cliente sobre produtos ou serviços entregues, reuniões com clientes, análise de participação de mercado, elogios, pleitos de garantia e relatórios de distribuidor. 9.1.3 Análise e avaliação Requisitos de Avaliação de Desempenho 144 A organização deve analisar e avaliar dados e informações apropriados provenientes de monitoramento e medição. Os resultados de análises devem ser usados para avaliar: a. a conformidade de produtos e serviços; b. o grau de satisfação de cliente; c. o desempenho e a eficácia do sistema de gestão da qualidade; d. se o planejamento foi implementado eficazmente; e. a eficácia das ações tomadas para abordar riscos e oportunidades; f. o desempenho de provedores externos; g. a necessidade de melhorias no sistema de gestão da qualidade. NOTA: Métodos para analisar dados podem incluir técnicas estatísticas. 9.2 Auditoria interna 9.2.1 A organização deve conduzir auditorias internas a intervalos planejados para prover informação sobre se o sistema de gestão da qualidade: a. está conforme com: 1) os requisitos da própria organização para o seu sistema de gestão da qualidade; 2) os requisitos desta norma; b. está implementado e mantido eficazmente. 9.2.2 A organização deve: a. planejar, estabelecer, implementar e manter um programa de auditoria, incluindo a frequência, métodos, responsabilidades, requisitos para planejar e para relatar, o que deve levar em consideração a importância dos processos concernentes, mudanças que afetam a organização e os resultados de auditorias anteriores; b. definir os critérios de auditoria e o escopo para cada auditoria; c. selecionar auditores e conduzir auditorias para assegurar a objetividade e a imparcialidade do processo de auditoria; 145 d. assegurar que os resultados das auditorias sejam relatados para a gerência pertinente; e. executar correções e ações corretivas apropriadas sem demora indevida; f. reter informação documentada como evidência da implementação do programa de auditoria e dos resultados de auditoria. 9.3 Análise crítica pela direção 9.3.1 Generalidades A Alta Direção deve analisar criticamente o sistema de gestão da qualidade da organização, a intervalos planejados, para assegurar sua contínua adequação, suficiência, eficácia e alinhamento com o direcionamento estratégico da organização. 9.3.2 Entradas de análise crítica pela direção A análise crítica pela direção deve ser planejada e realizada levando em consideração: a. a situação de ações provenientes de análises críticas anteriores pela direção; b. mudanças em questões externas e internas que sejam pertinentes para o sistema de gestão da qualidade; c. informação sobre o desempenho e a eficácia do sistema de gestão da qualidade, incluindo tendências relativas a: 1) satisfação do cliente e retroalimentação de partes interessadas pertinentes; 2) extensão na qual os objetivos da qualidade foram alcançados; 3) desempenho de processo e conformidade de produtos e serviços; 4) não conformidades e ações corretivas; 5) resultados de monitoramento e medição; 6) resultados de auditoria; 7) desempenho de provedores externos. d. a suficiência de recursos; e. a eficácia de ações tomadas para abordar riscos e oportunidades (ver 6.1); 146 f. oportunidades para melhoria. 9.3.3 Saídas de análise crítica pela direção As saídas da análise crítica pela direção devem incluir decisões e ações relacionadas com: a. oportunidades para melhoria; b. qualquer necessidade de mudanças no sistema de gestão da qualidade; c. necessidade de recurso. A organização deve reter informação documentada como evidência dos resultados de análises críticas pela direção. Fonte: ABNT NBR ISO 9001, 2015. 147 O que verificar no item 9.1. “Monitoramento, medição, análise e avaliação”? Como a organização avalia a eficácia do sistema de gestão da qualidade; Quais meios de medição a organização determinou para garantir os resultados; Verificar como a organização monitora a percepção dos clientes (satisfação dos clientes); Como a organização analisa os resultados das medições e toma ações necessárias para melhorar o seu sistema de gestão. Quais documentos podem ser requeridos? Avaliação de desempenho; Pesquisa de satisfação de clientes; Resultados de medições; Ações para melhorar os resultados do sistema de gestão da qualidade. + Informações adicionais: Ao auditar o requisito 9.1, é importante que os auditores conheçam ferramentas gerenciais tais como análise estratégica, entre outros. Auditando os Requisitos de Avaliação de Desempenho 148 O que verificar no item 9.2. “Auditoria interna”? Verificar como a organização definiu as atividades de auditoria interna; Avaliar os resultados obtidos na auditoria interna e se estes foram comunicados para a gerência pertinente; Avaliar a equipe de auditores internos; Verificar se a organização implementou ações de correção em relação ao resultado da auditoriainterna. Quais documentos podem ser requeridos? Relatório de auditoria interna; Certificado de auditor interno (auditores); Ações corretivas; Atas de análise crítica; Procedimento de auditoria interna. + Informações adicionais: Ao avaliar uma sistemática de auditoria interna em uma organização, é importante que não haja a parcialidade no momento da auditoria. Por exemplo, suponhamos que um funcionário que trabalha na área de qualidade avalie o processo de controle da qualidade. Neste sentido, não há a imparcialidade, pois o funcionário é responsável pelo setor auditado. O problema da parcialidade no processo de auditoria é que podem haver omissão de falhas e o não atendimento dos requisitos do sistema de gestão da qualidade. 149 O que verificar no item 9.3. “Análise crítica pela direção”? Analisar se a organização determinou as entradas e saídas da análise crítica, conforme o requisito determina; Verificar se as ações determinadas na análise crítica foram registradas e implementadas. Quais documentos podem ser requeridos? Atas de análise crítica; Relatórios gerenciais. + Informações adicionais: O requisito 9.3 é verificado com a alta gestão ou direção de uma determinada organização. Ao abordar este requisito, recomenda-se que o auditor líder avalie este item e colete informações relevantes referentes aos resultados da organização. Compreendemos que ao auditar o requisito 9 – Avaliação deDesempenho, todo auditor terá uma visão global dos resultados de umadeterminada organização. É neste requisito que se concentram os resultados doSistema de Gestão da Qualidade. Recomenda-se que o auditor líder realize acondução das atividades de avaliação neste requisito. 150 Será que a chave do negócio são produtos excelentes? Afinal, a expressão mais evidente da excelência são produtos que atraem e fascinam os clientes. Mas se tais produtos não forem bem bolados, se não houver pessoas brilhantes que saibam identificar necessidades não satisfeitas dos clientes e ter ideias inovadoras que as satisfaçam, não existe produto competitivo. O requisito de avaliação de desempenho ajuda as organizações a melhorar os seus resultados e garantir que os processos entreguem os resultados de acordo com o planejado. 151 16 Auditando o Item 10 – Melhoria “A melhoria é essencial para uma organização manter os atuais níveis de desempenho, reagir às mudanças em suas condições internas e externas e criar novas oportunidades.”. ABNT 9000 (2015, p. 7) Os Requisitos de Melhoria Nem sempre os resultados do sistema de gestão da qualidade saem conforme o planejado. Ao lidar com resultados indesejados, problemas sistêmicos e outras divergências na gestão, é importante que as organizações saibam atuar nas ações corretivas para eliminar tais anomalias. O último requisito da ABNT NBR ISO 9001, requisito 10, fala exatamente sobre isso. Logo no início do requisito, a norma pede para que a organização atenda requisitos e aumente a satisfação dos seus clientes por meio de algumas medidas, como por exemplo: Melhorar produtos e serviços para atender a requisitos assim como para abordar futuras necessidades e expectativas; Corrigir, prevenir ou reduzir efeitos indesejados; Melhorar o desempenho e a eficácia do sistema de gestão da qualidade. Fonte: ABNT ISO 9001 (2015, p. 21). Ao considerar este item, é importante que as organizações identifiquem as possíveis melhorias mencionadas acima e executem um plano de implementação. 153 O requisito ainda aborda as atividades de tratativas de não conformidades. Embora a norma não exija um procedimento documentado sobre as ações corretivas, é importante que as organizações mantenham os registros das ocorrências e das tratativas implementadas. Entende-se que registrar as não conformidades do sistema ajuda a realizar uma análise sistêmica e tomar ações que realmente sejam efetivas. Ao abordar tais ações, as organizações necessariamente devem revisar o plano de mudanças para garantir que as melhorias a serem implementadas não afetem o sistema de gestão da qualidade nem a satisfação dos clientes. E por fim, o item 10 requer que a melhoria contínua seja praticada e traga resultados para o sistema de gestão da qualidade. Neste sentido, é importante que as organizações considerem os resultados de análise e avaliação e as saídas de análise crítica pela direção para determinar se existem necessidades ou oportunidades que devem ser abordadas como parte de melhoria contínua, ABNT NBR ISO 9001 (2015, p. 22). 154 10 Melhoria 10.1 Generalidades A organização deve determinar e selecionar oportunidades para melhoria e implementar quaisquer ações necessárias para atender a requisitos do cliente e aumentar a satisfação do cliente. Essas devem incluir: a. melhorar produtos e serviços para atender a requisitos assim como para abordar futuras necessidades e expectativas; b. corrigir, prevenir ou reduzir efeitos indesejados; c. melhorar o desempenho e a eficácia do sistema de gestão da qualidade. NOTA: Exemplos de melhoria podem incluir correção, ação corretiva, melhoria contínua, mudanças revolucionárias, inovação e reorganização. 10.2 Não conformidade e ação corretiva 10.2.1 Ao ocorrer uma não conformidade, incluindo as provenientes de reclamações, a organização deve: a. reagir à não conformidade, como aplicável: 1) tomar ação para controlá-la e corrigi-la; 2) lidar com as consequências; b. avaliar a necessidade de ação para eliminar a(s) causa(s) da não conformidade, a fim de que ela não se repita ou ocorra em outro lugar: 1) analisando criticamente e analisando a não conformidade; 2) determinando as causas da não conformidade; 3) determinando se não conformidades similares existem, ou se poderiam potencialmente ocorrer. c. implementar qualquer ação necessária; Requisitos de Melhoria 155 d. analisar criticamente a eficácia de qualquer ação corretiva tomada; e. atualizar riscos e oportunidades determinados durante o planejamento, se necessário; f. realizar mudanças no sistema de gestão da qualidade, se necessário. Ações corretivas devem ser apropriadas aos efeitos das não conformidades encontradas. 10.2.2 A organização deve reter informação documentada como evidência: a. da natureza das não conformidades e quaisquer ações subsequentes tomadas; b. dos resultados de qualquer ação corretiva. 10.3 Melhoria contínua A organização deve melhorar continuamente a adequação, suficiência e eficácia do sistema de gestão da qualidade. A organização deve considerar os resultados de análise e avaliação e as saídas de análise crítica pela direção para determinar se existem necessidades ou oportunidades que devem ser abordadas como parte de melhoria contínua. 156 O que verificar no item 10. “Melhoria”? Verificar como a organização identifica e trata as oportunidades de melhorias para o sistema de gestão da qualidade; Como a organização realiza a disposição das necessidades dos clientes a fim de atendê-las; Analisar a sistemática de registro e tratativa de não conformidades; Analisar as ações tomadas com base nas análises de não conformidades; Verificar se a organização considerou oportunidades de melhorias na análise crítica. Quais documentos podem ser requeridos? Atas de análise crítica; Registros de não conformidades; Registro dos riscos e oportunidades associados aos processos; Resultados de análises de causas relacionadas às não conformidades. + Informações adicionais: Recomenda-se que, ao auditar o item 10, o auditor tenha verificado o requisito 6.1 (Ações para abordar riscos e oportunidades). Entendemos que haverá um link entre estes requisitos, pois as ações e tratativas relacionadas à eliminação dos riscos e resultados indesejados estão descritos no item 6 da norma. Ao avaliar como uma empresa trata as não conformidades, todo auditor deverá avaliar se os pontos abaixo estão sendo atendidos: 1. Identificação da não conformidade; 2. Implementação de correções (ações de contenção/disposição imediata); 3. Análise de causa-raiz; 4. Elaboração do planode ação; 5. Implementação do plano de ação; 6. Avaliação da eficácia das ações. Auditando os Requisitos de Melhoria 157 A fundamentação de todo o sistema de gestão da qualidade está baseada no ciclo do PDCA (planejar, fazer, checar e analisar), já visto aqui. É exatamente nas atividades de analisar (A) que o item 10 tem maior participação, pois podemos concluir que as atividades de melhorias estão implícitas apenas neste requisito. Seria ideal que a análise crítica do sistema da qualidade fosse realizada com intervalos planejados, e que fosse feita uma programação das reuniões para análise crítica. O período de intervalos entre elas deve ser decidido conforme a necessidade da empresa. Ademais, nas fases iniciais da implementação do programa, é aconselhável fazer as reuniões com maior frequência, como a cada dois meses, por exemplo, a fim de fazer ajustes nos processos (se necessários). 158 Compreendemos que o item 10 – Melhoria garante que as organizações alcancem os seus resultados por implementar melhorias associadas aos seus produtos e serviços, incluindo os processos e consequentemente melhorando o sistema de gestão da qualidade como um todo. 159 Conclusão No cenário atual, o Sistema de Gestão da Qualidade é uma das ferramentas essenciais para garantir o sucesso de qualquer organização. A qualidade é fundamental para organizar os processos, definir e atribuir as responsabilidades, reduzir desperdícios e reclamações, prevenir eventuais problemas e melhorar os resultados das organizações. Com o tempo, por meio das atualizações da norma ABNT NBR ISO 9001, norma de requisitos para um sistema de gestão da qualidade, houve um refinamento no foco da satisfação dos clientes e na orientação por resultados. Quando falamos em auditorias da qualidade, precisamos entender os requisitos normativos definidos pela ISO 9001 e saber aplicá-los. É importante que todo profissional comece a pensar como um auditor: compreender processos, analisar resultados e verificar a conformidade com os requisitos. O papel de um auditor da qualidade é extremamente importante para as organizações, pois por meio das atividades de verificação e acompanhamento do sistema de gestão, a auditoria contribuirá positivamente para os resultados. Espero ter contribuído para a sua formação pessoal e acadêmica. Até breve! Prof. Maycon Ferreira. 160 Material Complementar Norma ABNT NBR ISO 9001 Sistemas de gestão da qualidade - Requisitos Autor: ABNT, Rio de Janeiro Editora: N/A Sinopse: Os requisitos de sistema de gestão da qualidade especificados nesta Norma são complementares aos requisitos para produtos e serviços. Esta Norma emprega a abordagem de processo, que incorpora o ciclo Plan-Do-Check-Act (PDCA) e a mentalidade de risco. Comentário: Para aqueles que pretendem auditar produtos e serviços, é essencial conhecer todos os requisitos normativos associados a esta norma incluindo seus anexos. Norma ABNT NBR ISO 19011 Diretrizes para auditoria de sistema de gestão Autor: ABNT, Rio de Janeiro Editora: N/A Sinopse: Este documento fornece orientação para todos os tamanhos e tipos de organizações e auditorias de variados escopos e dimensões, incluindo aquelas conduzidas por grandes equipes de auditoria, usualmente de organizações maiores, e aquelas conduzidas por auditores únicos, em organizações grandes ou pequenas. Comentário: Esta norma serve como um guia para planejar, executar e gerir os resultados das auditorias do sistema de gestão. 161 Filme Ponte dos Espiões Ano: 2015 Sinopse: A defesa de um espião russo é o ponto de partida para a trama do filme indicado a seis categorias do Oscar 2016. A história de um advogado norte-americano que assume o caso de um capturado pelo FBI, em plena Guerra Fria, aborda a importância das informações e do conhecimento para uma boa gestão e o gerenciamento de crises. Comentário: Diagnosticar e compreender os reais problemas de uma organização deve ser o papel principal de um auditor. O filme retrata bem a importância de conhecer as falhas e se planejar para eliminá-las. 162 ABNT. NBR ISO 19011/Er1 – Diretrizes para auditoria de sistemas de gestão. Rio de Janeiro, 2019. ABNT. NBR ISO 9001 – Sistemas de gestão da qualidade - Requisitos. Rio de Janeiro, 2015. CAMPOS, L.M de S.; LERÍPIO, A.A. Auditoria ambiental: uma ferramenta de gestão. São Paulo: Atlas, 2009. DONAIRE, D. Gestão ambiental na empresa. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2004. JURAN, J.M. A Qualidade desde o Projeto Os novos passos para o planejamento da qualidade em produtos e serviços. São Paulo: Pioneira, 2003. MELLO, Carlos Henrique Pereira; SILVA, Carlos Eduardo Sanches; TURRIONI, João Batista; SOUZA, Luiz Gonzaga Mariano. ISO 9001:2008: Sistemas de gestão da qualidade para operações de produção e serviços. São Paulo: Atlas S.A, 2009. MORAES, Clauciana S. B; PUGLIESI Érica. Auditoria e Certificação Ambiental. Curitiba: InterSaberes, 2014. PALADINI, Edson P. Gestão da Qualidade Teoria e Casos. 2ª ed. Editora GEN LTC, 2012 QUALIEX, Blog da Qualidade. ISO 9001:2015. Disponível em: https://blogdaqualidade.com.br/iso-9001-2015// Acesso em: 18 set. 2020. TEMPLUN, Certificação ISO. ISO 9001. Disponível em: https://certificacaoiso.com.br/iso- 9001 / Acesso em: 18 set. 2020. Referências 163 Entendendo a Gestão da Qualidade e Auditoria Gerenciando um Programa de Auditoria Implementando um Programa de Auditoria Planejamento das Auditorias Condução das Auditorias de Qualidade Competências e Avaliação dos Auditores Visão Geral da NBR ISO 9001 e Abordagem por Processos Auditando o Item 4 – Contexto da Organização Auditando o Item 5 – Liderança Auditando o Item 6 – Planejamento Auditando o Item 7 – Apoio Auditando o Item 8 – Operação Auditando o Item 8.3 – Projeto e Desenvolvimento de Produtos e Serviços Auditando o Item 8.4 – Controle de Processos Auditando o Item 9 – Avaliação de Desempenho Auditando o Item 10 – Melhoria