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Síndrome do Impacto (Síndrome do Manguito Rotador)

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Júlia Figueirêdo – LOCOMOÇÃO E APREENSÃO 
SÍNDROME DO MANGUITO ROTADOR: 
A síndrome do manguito rotador, também 
conhecida como síndrome do impacto, é 
uma forma de tendinite desencadeada por 
lesões ao ombro, comprometendo a 
funcionalidade e a mobilidade do paciente. 
O manguito rotador (MR) é formado pelos 
músculos supraespinal, infraespinal, 
redondo menor e subescapular, que tem 
origem na escápula e se inserem nos 
tubérculos do úmero. 
 
Topografia anterior do manguito rotador 
Os tendões supra e infraespinal estão 
situados entre o acrômio e o úmero, o que 
faz com que sejam constantemente 
comprimido durante a movimentação dessa 
articulação. 
Como forma de minimizar esse atrito 
se insere a bursa subacromial, uma 
cápsula de líquido sinovial com papel 
lubrificante. 
 
Disposição do tendão supraespinal no manguito 
rotador 
ETIOPATOGENIA: 
O desenvolvimento de lesões aos tendões 
que circundam o MR se dá principalmente 
após os 30 anos, em decorrência de causas 
intrínsecas (processos degenerativos, 
alterações metabólicas e vasculares) ou 
extrínsecas (traumas agudos ou de 
repetição). 
Desse modo, destacam-se como 
fatores de risco a idade > 50 anos e 
a prática de esportes com rotação 
contínua do ombro, como vôlei e 
natação, e atividades repetitivas, a 
exemplo de pintar e limpar janelas. 
A conformação anatômica do acrômio 
também afeta a susceptibilidade de um 
indivíduo a tendinites. Em estruturas planas 
(tipo I), há um maior espaço para 
movimentação dessa articulação, ao passo 
que nas apresentações de tipos II e III a 
angulação é menor, favorecendo o 
desgaste das estruturas adjacentes. 
 
 
Variações anatômicas e radiológicas do acrômio 
Com a instalação à lesão do MR, esta se 
estratifica em três etapas distintas, a saber: 
Júlia Figueirêdo – LOCOMOÇÃO E APREENSÃO 
 Fase 1: presente em indivíduos com 
menos de 25 anos, cursa com edema, 
hemorragia e inflamação; 
 Fase 2: se estendendo entre os 25 e 40 
anos, tem como característica a 
presença de fibrose e tendinite/bursite, 
podendo ou não haver lesões parciais; 
 Fase 3: representa a ruptura do tendão 
(parcial ou completa), associada à 
artrose acrômio-clavicular, sendo 
observada em > 40 anos. 
 
Representação dos estágios da síndrome do impacto 
QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO: 
Tipicamente, a síndrome do manguito 
rotador cura com dor localizada, além de 
limitações à mobilidade e incapacidade 
funcional, com intensidade proporcional ao 
estágio de comprometimento. 
A presença de edema pode sinalizar 
a inflamação do tendão ou da 
bursa, além de possível 
extravasamento de líquido. 
 
 
 
O diagnóstico dessa condição é feito por 
meio da história clínica (atentando-se a 
fatores de risco) e do exame físico, este 
último baseado em manobras específicas, 
tais como: 
 Teste de Neer: o paciente é colocado de 
pé e de cosas para o examinador, que 
promove a elevação passiva do membro 
superior até sua amplitude máxima, 
simulando o impacto entre o tubérculo 
maior e a face anteroinferior do 
acrômio. 
Quando positivo, o indivíduo irá referir 
dor entre a região anterolateral do 
ombro e o cotovelo. 
 
Realização do teste de Neer 
O teste de Neer pode ser precedido pela 
aplicação de 8-10 mL de lidocaína no 
espaço subacromial, questionando o 
paciente quanto a intensidade da dor 
Se o desconforto for ausente, esse novo 
exercício se revela um bom preditor de 
sucesso a descompressão 
artroscópica da região infiltrada. 
 Teste de Hawkins-Kennedy: o 
examinador apoia uma de suas mãos no 
ombro do indivíduo, enquanto conduz, 
com a outra o cotovelo flexionado (90º), 
de rotação externa para rotação 
interna. 
Nessa situação, o resultado positivo se 
relaciona à dor irradiada para a face 
anterolateral do braço. 
 
Posicionamento durante o teste de hawkins-Kennedy 
 
Quadros de restrição total do movimento 
do ombro são mais comumente associados 
à lesões agudas. 
 
Júlia Figueirêdo – LOCOMOÇÃO E APREENSÃO 
 
 
 
Dentre os exames de imagem, a 
radiografia deve ser realizada em 
incidências anteroposterior e axiliar, em 
rotações e inclinações variadas. 
Os achados mais comuns são o 
esporão subacromial e a 
diminuição desse espaço. 
 
Radiografia evidenciando redução do espaço 
subacromial e calcificação da bursa (seta) 
 
Elevação do colo do úmero, sugerindo impacto sobre 
a articulação do acrômio 
A ultrassonografia é um exame 
comparativo (ombro são e doente), porém 
limitado a lesões < 1 cm (parciais) e com 
caráter operador-dependente. 
 
Ultrassonografias do ombro, com tendão hipoecoico 
(setas) em ruptura parcial 
A ressonância magnética, por fim, é um 
método de boa acurácia, revelando 
alterações ainda em estágios iniciais, além 
de comprometimentos ósseos e afecções 
musculares associados. 
Sua principal desvantagem recai 
sobre ser um método invasivo e 
menos disponível (maior custo). 
 
Ressonância magnética de ombro normal (esq.) e 
com evidência de lesão do manguito rotador fase III, 
com ruptura (dir.) 
A artropatia do manguito rotador surge em 
indivíduos com mais de 70 anos que 
apresentaram lesões antigas aos tendões 
do MR, gradualmente levando ao desgaste 
da cabeça do úmero. 
 
Evolução do comprometimento do MR 
Observa-se que a presença do sinal de 
Hawkins (desconforto à manobra) é mais 
específica para o tendão subescapular, 
lesionado pelo impacto ao acrômio 
 
Júlia Figueirêdo – LOCOMOÇÃO E APREENSÃO 
Como diagnósticos diferenciais, 
destacam-se a já citada artrose 
(glenoumeral e acromioclavicular) e a 
tendinite calcária. 
Nessa forma de tendinite há deposição de 
cálcio sobre o tendão supraespinal, em 
decorrência da metaplasia de fibroblastos 
ou da baixa tensão de oxigênios nos tecidos. 
Apesar de autolimitada, essa forma 
de tendinite conta com dor de longa 
evolução com períodos de melhora, 
mas que também pode aparecer 
subitamente, sem histórico prévio de 
trauma. 
TRATAMENTO: 
Na fase aguda da síndrome do impacto, com 
ausência de ruptura (ou em lesões 
parciais), o manejo se inicia com medidas 
farmacológicas, como: 
 Uso de anti-inflamatórios orais (ex.: 
Celecoxibe 400mg por até 10 dias); 
 Analgésicos simples (ex.: Dipirona 1g); 
 Relaxantes musculares 
(Ciclopenzaprina 5-10mg). 
A infiltração subacromial com anestésicos 
ou corticoides também é bastante comum, 
com benefícios a curto prazo, ainda que 
possa induzir o desenvolvimento de 
artropatia do tendão e necrose deste. 
Outras estratégias conservadoras 
que podem ser empregadas são a 
crioterapia e a acupuntura, com 
papel importante no controle da dor 
e recuperação funcional. 
Observa-se que, nesse primeiro momento, o 
objetivo terapêutico é a diminuição da dor 
e da inflamação. Assim, a reabilitação física 
é orientada para a reorientação postural e 
proteção articular de forma a ampliar o 
espaço abaixo do acrômio. 
A realização de alongamentos e 
exercícios isométricos de 
recuperação da amplitude de 
movimento, sejam eles passivos ou 
ativos, são pontos-chave nessa etapa. 
No estágio intermediário do tratamento da 
síndrome do túnel do carpo, o foco se 
direciona ao progresso do fortalecimento 
muscular, melhorando o grau de 
mobilidade, estabilidade e flexibilidade do 
manguito rotador. 
O paciente só deve “avançar” frente a 
regressão da inflamação e boa 
tolerância à etapa anterior. 
 
Exemplos de exercícios utilizados na reabilitação 
física da síndrome do MR 
Por fim, a “fase 3” da reabilitação física 
consiste no início de atividades intensivas 
de ganho de força, direcionadas, quando 
aplicável, a esportes específicos, como 
arremessos. 
Os pacientes necessitam apresentar 
desempenho de atividades diárias 
sem dor, além de amplitude de 
movimento do ombro normal. 
Júlia Figueirêdo – LOCOMOÇÃO E APREENSÃO 
Em caso de persistência dos sintomas 
após 3 meses de tratamentoconservador, é 
indicado a abordagem artroscópica 
(cirúrgica) com remoção de osteófitos e da 
bursa inflamada, com consequente 
descompressão do espaço subacromial. 
 
Procedimentos de remoção do esporão acromial 
ganchado (esq.) e sutura do manguito rotador (dir.) 
como métodos cirúrgicos na síndrome do impacto 
As principais complicações da síndrome do 
impacto são decorrentes da cronificação 
por condutas inadequadas, marcadas 
principalmente por perda significativa da 
mobilidade, espessamento articular, 
fraqueza, dor crônica e, em atletas, 
prejuízos ao desempenho esportivo. 
 
Ombro saudável (esq.) e afetado pela capsulite 
adesiva (“ombro congelado”, dir.)
Júlia Figueirêdo – LOCOMOÇÃO E APREENSÃO 
 
 
Diagnósticos diferenciais em alterações do movimento do ombro

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