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Livro Integrado Digital de Estudo — Displasia do Desenvolvimento do Quadril
SUMÁRIO
Definição inicial......................................................................................................................................2
CAPÍTULO 1 — ANATOMIA NORMAL DO QUADRIL...............................................................................3
CAPÍTULO 2 — EPIDEMIOLOGIA.......................................................................................................... 17
CAPÍTULO 3 — ETIOLOGIA...................................................................................................................20
CAPÍTULO 4 — FATORES DE RISCO...................................................................................................... 22
CAPÍTULO 5 — CLASSIFICAÇÃO............................................................................................................24
CAPÍTULO 6 — FISIOPATOLOGIA.........................................................................................................27
CAPÍTULO 7 — MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS.......................................................................................... 38
CAPÍTULO 8 — RED FLAGS...................................................................................................................43
CAPÍTULO 9 — DIAGNÓSTICO.............................................................................................................. 46
CAPÍTULO 10 — EXAMES COMPLEMENTARES.....................................................................................53
CAPÍTULO 11 — DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL...................................................................................... 58
CAPÍTULO 12 — TRATAMENTO............................................................................................................62
CAPÍTULO 13 — COMPLICAÇÕES E PROGNÓSTICO.............................................................................68
FICHA-RESUMO....................................................................................................................................73
REFERÊNCIAS....................................................................................................................................... 79
ANEXO — DISCUSSÃO DO PROBLEMA................................................................................................. 81
GLOSSÁRIO DE TERMOS ESSENCIAIS....................................................................................................87
MAPA DE REVISÃO............................................................................................................................... 89
ANEXO — QUESTÕES........................................................................................................................... 90
GABARITO — ANEXO DE QUESTÕES....................................................................................................94
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 1
Livro Integrado Digital de Estudo — Displasia do Desenvolvimento do Quadril
Definição inicial
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) corresponde a um espectro de alterações do 
desenvolvimento da articulação coxofemoral nas quais existe relação anatômica inadequada entre a cabeça 
femoral e o acetábulo. O espectro inclui desde um acetábulo pouco desenvolvido com quadril estável, 
passando por instabilidade e subluxação, até luxação completa da cabeça femoral.
Duas designações históricas ainda são encontradas na literatura e na prática clínica: “displasia congênita 
do quadril” e “luxação congênita do quadril”. Ambas são hoje consideradas inadequadas, porque sugerem 
uma alteração já estabelecida e definitiva ao nascimento e, no segundo caso, restringem a doença à luxação. 
Na realidade, nem todo paciente apresenta luxação e parte das alterações só se torna evidente ao longo do 
crescimento — daí o termo “desenvolvimento”. A denominação atual foi introduzida na década de 1980 e 
adotada pela European Paediatric Orthopaedic Society (EPOS) e pela Pediatric Orthopaedic Society of North 
America (POSNA) a partir de 1992, sendo hoje de uso universal. Por esse motivo, este material emprega 
exclusivamente Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ).
A compreensão da DDQ depende principalmente de um princípio:
PRINCÍPIO CENTRAL
O acetábulo e a extremidade proximal do fêmur desenvolvem-se de maneira recíproca; a presença de 
uma cabeça femoral adequadamente centrada dentro do acetábulo é fundamental para a formação de 
uma articulação congruente e estável. O crescimento acetabular resulta da interação entre crescimento 
cartilaginoso, ossificação e estímulos mecânicos produzidos pela articulação.
Vídeo complementar: como introdução visual ao tema, antes da leitura, recomenda-se assistir ao vídeo 
de apoio abaixo, que traz um panorama geral da DDQ — incluindo o dado de que a condição pode afetar até 
5% das crianças — e ilustra de forma simples o espectro de gravidade (quadril displásico, subluxado e luxado), 
além do papel do formato do teto acetabular na progressão da doença.
 VÍDEO COMPLEMENTAR — ▶ Panorama e Espectro de Gravidade da DDQ
Assista em: https://youtu.be/_zLQ9U40mek
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 2
https://youtu.be/_zLQ9U40mek
https://youtu.be/_zLQ9U40mek
Livro Integrado Digital de Estudo — Displasia do Desenvolvimento do Quadril
CAPÍTULO 1 — ANATOMIA NORMAL DO QUADRIL
1.1 Visão geral
O quadril é uma região anatômica especializada na transmissão de cargas entre o tronco e os membros 
inferiores, combinando grande estabilidade com mobilidade multiplanar.
Sua principal articulação é a articulação coxofemoral, formada pela:
cabeça do fêmur (componente esférico) → acetábulo (componente côncavo)
Essa configuração caracteriza uma articulação sinovial esferoide ou enartrose, permitindo movimentos 
nos três planos do espaço.
A estabilidade normal não depende de uma única estrutura. Ela resulta da integração entre:
geometria óssea → profundidade acetabular → labrum → cápsula → ligamentos → pressão intra-
articular → músculos periarticulares
Essa integração é especialmente importante na DDQ, porque pequenas alterações durante o 
crescimento podem modificar progressivamente a congruência da articulação.
1.2 Particularidades do quadril pediátrico
A anatomia do quadril infantil não corresponde simplesmente a uma versão menor do quadril adulto.
No recém-nascido e lactente, grande parte da cabeça femoral e do acetábulo ainda é cartilaginosa. O 
crescimento e a ossificação modificam continuamente a forma da articulação. Essa característica explica por 
que a DDQ deve ser compreendida como uma alteração dinâmica do desenvolvimento.
Acetábulo em crescimento
O acetábulo é constituído pela participação de três ossos:
• Ílio — superior
• Ísquio — posteroinferior
• Púbis — anteroinferior
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Livro Integrado Digital de Estudo — Displasia do Desenvolvimento do Quadril
Osso do quadril: vistas anatômicas lateral e medial, com destaque para ílio, ísquio e púbis.
Na criança, essas estruturas encontram-se através da cartilagem trirradiada, uma placa cartilaginosa 
em forma de “Y”, que funciona como importante região de crescimento da pelve e do acetábulo.
 VÍDEO COMPLEMENTAR — ▶ Anatomia Óssea da Pelve e Formação do Acetábulo
Assista em: https://youtu.be/xacYf937Geo
Durante o desenvolvimento normal, o aprofundamento acetabular ocorre pela combinação de:
crescimento da cartilagem acetabular → crescimento da cartilagem trirradiada → crescimento aposicional 
periférico → ossificação progressiva
A relação mecânica com a cabeça femoral também influencia esse processo:
cabeça femoral centrada → estímulo mecânico adequado → desenvolvimento acetabular progressivo
Esse conceito será fundamental posteriormente para compreender a fisiopatologia da DDQ (Capítulo 6).
1.3 Componentes ósseos
1.3.1 AcetábuloBarlow/Ortolani
LACTENTE MAIOR → abdução limitada + Galeazzi + assimetrias
APÓS INÍCIO DA MARCHA → claudicação + discrepância + alteração da marcha
ADOLESCENTE/ADULTO → dor mecânica + lesão labral + degeneração articular
Ponto-chave: a DDQ neonatal geralmente não dói. O problema inicial é instabilidade e alteração do 
desenvolvimento; a dor tende a surgir posteriormente quando a biomecânica anormal provoca 
sobrecarga e dano articular.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 42
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CAPÍTULO 8 — RED FLAGS
Na Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), as red flags estão relacionadas principalmente à 
presença de instabilidade/luxação verdadeira ou ao reconhecimento tardio da doença, pois o atraso 
diagnóstico reduz o potencial de remodelamento e pode aumentar a complexidade do tratamento.
8.1 Principais sinais de alerta
Red flag O que sugere Conduta
Ortolani inequivocamente 
positivo Cabeça femoral luxada, porém redutível Encaminhamento ortopédico 
rápido
Instabilidade persistente do 
quadril Quadril deslocável/subluxável Avaliação especializada e 
imagem conforme a idade
Limitação ou assimetria 
persistente da abdução Luxação ou subluxação estabelecida Investigar DDQ
Galeazzi positivo Migração proximal unilateral do fêmur Investigar luxação unilateral
Discrepância aparente dos 
membros
Deslocamento proximal da cabeça 
femoral Avaliação ortopédica
Claudicação após início da 
marcha DDQ diagnosticada tardiamente Investigação por imagem
Marcha de Trendelenburg 
ou bamboleante
Alteração do centro de rotação e 
insuficiência mecânica dos abdutores Investigar DDQ avançada
A American Academy of Pediatrics considera quadril luxado ou Ortolani positivo indicação primária para 
encaminhamento ortopédico 2. A limitação ou assimetria da abdução após o período neonatal também é 
indicação importante de avaliação especializada.
8.2 Ortolani positivo: principal alerta neonatal
Um Ortolani verdadeiramente positivo significa que a cabeça femoral está luxada em repouso e pode ser 
reduzida ao acetábulo durante a manobra.
cabeça luxada → Ortolani positivo → DDQ estruturalmente significativa → encaminhamento 
ortopédico
O encaminhamento deve ocorrer prontamente, embora a DDQ isolada não constitua emergência vital.
8.3 Limitação da abdução
Com o passar dos meses, Barlow e Ortolani tornam-se menos úteis porque a luxação pode ficar 
progressivamente fixa. Nesse contexto:
limitação/assimetria da abdução → suspeita de luxação persistente → investigação obrigatória
A AAOS reconhece a limitação da abdução entre os achados associados à DDQ e recomenda vigilância 
seriada do quadril durante os primeiros meses, mesmo após exame inicial normal 1.
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8.4 Sinais tardios são red flags para falha de detecção
Em criança que já iniciou a marcha, devem chamar especialmente atenção: claudicação, discrepância de 
comprimento dos membros, queda pélvica, marcha bamboleante e hiperlordose compensatória nos casos 
bilaterais. Esses achados sugerem que a alteração anatômica já persistiu durante parte significativa do 
crescimento.
diagnóstico tardio → menor potencial de remodelamento → maior deformidade estrutural → tratamento 
potencialmente mais complexo
RED FLAG PRIORITÁRIO
Regra prática:
• Lactente e criança pequena com DDQ típica → geralmente indolor; o alerta é instabilidade, 
limitação/assimetria da abdução, Galeazzi, discrepância ou alteração da marcha.
• Adolescente/adulto com displasia residual → dor mecânica inguinal relacionada à atividade.
• Trauma importante, febre, sinais sistêmicos, dor aguda intensa com recusa de apoio, irritabilidade 
importante ou déficit neurológico → RED FLAG → investigar outra condição (Capítulo 11) antes de atribuir 
os sintomas à DDQ.
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Sinais de alerta na DDQ por faixa etária, diagnóstico diferencial de urgência e consequências do reconhecimento 
tardio.
PARA MEMORIZAR
Principais red flags da DDQ:
• 1. ORTOLANI POSITIVO → principal sinal de alerta neonatal.
• 2. ABDUÇÃO LIMITADA OU ASSIMÉTRICA → particularmente importante no lactente maior.
• 3. GALEAZZI POSITIVO / DISCREPÂNCIA DOS MEMBROS → pensar em luxação unilateral.
• 4. CLAUDICAÇÃO OU MARCHA ANORMAL → pensar em DDQ diagnosticada tardiamente.
RECÉM-NASCIDO: instabilidade/luxação → LACTENTE: limitação da abdução → CRIANÇA QUE 
ANDA: claudicação/discrepância → NÃO PERDER DDQ
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CAPÍTULO 9 — DIAGNÓSTICO
9.1 Princípio diagnóstico
O diagnóstico da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é estabelecido pela integração de:
idade da criança → avaliação clínica da estabilidade e mobilidade → imagem adequada à idade, quando 
indicada
A abordagem muda com o crescimento porque o quadril do recém-nascido é predominantemente 
cartilaginoso, enquanto progressivamente ocorre ossificação da cabeça femoral. Não existe um único exame 
que funcione como padrão-ouro universal em todas as idades. Na prática, o diagnóstico depende da correlação 
entre avaliação clínica e método de imagem apropriado à fase de desenvolvimento.
9.2 Diagnóstico no recém-nascido e lactente jovem
Nas primeiras semanas, o exame clínico procura principalmente identificar instabilidade da cabeça 
femoral por meio das manobras semiológicas clássicas de Barlow e Ortolani, sempre executadas com 
delicadeza e com o lactente relaxado.
 VÍDEO COMPLEMENTAR — ▶ Demonstração Prática Unilateral de Ortolani e Barlow
Assista em: https://www.youtube.com/watch?v=mEUqxUjU_Cw
 VÍDEO COMPLEMENTAR — ▶ Diretrizes Clínicas para Exame Físico de Barlow e Ortolani
Assista em: https://youtu.be/fBq9LaCEOic
Barlow
Manobra de avaliação da instabilidade/deslocabilidade. Com o lactente relaxado, em decúbito dorsal, 
quadris e joelhos flexionados aproximadamente a 90°, estabiliza-se a pelve e aduz-se suavemente o quadril, 
avaliando com cuidado a tendência da cabeça femoral a deslocar-se posteriormente. O objetivo é reconhecer 
a deslocabilidade de um quadril inicialmente reduzido, e não provocar uma luxação mediante força. A 
descrição clássica apresenta variações técnicas entre referências — o PRONAP-SBP descreve a técnica 
ortopédica tradicional em duas etapas, com componente de posteriorização 11, enquanto a recomendação 
pediátrica contemporânea enfatiza execução mínima e delicada 2 —, mas em qualquer delas a manobra deve 
ser suave e não forçada.
Barlow positivo → percepção palpável de deslocamento da cabeça femoral em um quadril inicialmente 
reduzido, indicando instabilidade/deslocabilidade. Parte dessa instabilidade neonatal estabiliza 
espontaneamente 11; persistência e evolução devem ser consideradas no contexto clínico e de imagem.
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https://youtu.be/fBq9LaCEOic
https://youtu.be/fBq9LaCEOic
https://www.youtube.com/watch?v=mEUqxUjU_Cw
https://www.youtube.com/watch?v=mEUqxUjU_Cw
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Manobra de Barlow: posicionamento, adução e avaliação da deslocabilidade posterior da cabeça femoral em um 
quadril inicialmente reduzido.
Ortolani
Manobra de redução. Na mesma posição, o examinador abduz suavemente o quadril enquanto 
promove elevação anterior do fêmur por meio do trocânter maior, buscando reduzir a cabeça femoral luxada 
para dentro do acetábulo.
Ortolani positivo → percebe-se um “clunk” palpável de redução da cabeça femoral no acetábulo; indica 
quadril luxado, porém redutível.
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Manobra de Ortolani: abdução com elevação anterior do fêmur, reduzindo a cabeça femoral luxada para dentro 
do acetábulo.
BARLOW: quadril reduzido → avalia deslocabilidade · ORTOLANI: quadril luxado porém redutível → 
avalia a redução
ATENÇÃO
Clique ou estalido audível isolado não equivale a Barlow ou Ortolani positivo. O achado semiológico 
relevante é a percepção palpável do deslocamento ou da redução da cabeça femoral.
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Um Ortolani inequivocamente positivo é um achado clínico altamente significativo e justifica 
encaminhamento ortopédico, sem necessidade de aguardar confirmação por imagem para realizar o 
encaminhamento. A ultrassonografia pode posteriormente caracterizar a anatomia e auxiliar na condução.
PONTO-CHAVE
Valor diagnóstico das manobras: Barlow e Ortolani apresentam alta especificidade quando 
verdadeiramente positivos, porém sensibilidade limitada. Portanto, manobras negativas não excluem 
DDQ, devendo a avaliação ser complementada pela vigilância clínica seriada e por imagem quando 
indicada.
9.3 Diagnóstico no lactente maior
Com o passar dos meses, uma luxação persistente pode tornar-se progressivamente menos redutível. 
Consequentemente:
Barlow/Ortolani tornam-se menos úteis → ganha importância a limitação ou assimetria da abdução
Associada, quando unilateral, a Galeazzi positivo, discrepância aparente do comprimento dos membros 
e assimetria funcional. Após aproximadamente 3 meses, a redução assimétrica da abdução torna-se um dos 
achados clínicos mais sensíveis para luxação unilateral.
9.4 Diagnóstico após início da marcha
Na criança maior não diagnosticada anteriormente, a suspeita frequentemente surge diante de 
claudicação, discrepância de membros, queda pélvica, marcha de Trendelenburg ou marcha bamboleante nos 
casos bilaterais. Nesse estágio, a avaliação radiográfica passa a ter papel central porque grande parte das 
estruturas ósseas já apresenta ossificação suficiente para análise adequada.
9.5 Papel da ultrassonografia
A ultrassonografia do quadril é particularmente importante antes da ossificação significativa da cabeça 
femoral. Ela permite avaliar simultaneamente:
Dimensão avaliada O que é observado
Morfologia Desenvolvimento do acetábulo, cobertura da cabeça femoral, relação 
cabeça–acetábulo
Estabilidade dinâmica Deslocamento, subluxação, redução durante manobras
Em lactentes pequenos, a ultrassonografia consegue visualizar estruturas cartilaginosas que ainda não 
aparecem adequadamente na radiografia 11. A classificação morfológica mais conhecida é a classificação de 
Graf, discutida no Capítulo 5 9,11. Um quadril ultrassonograficamente imaturo não representa obrigatoriamente 
DDQ persistente; idade, estabilidade e evolução devem ser consideradas.
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9.6 Papel da radiografia
Com o crescimento e a ossificação progressiva do quadril, a radiografia torna-se mais informativa. A 
AAOS considera razoável utilizar radiografia anteroposterior da pelve a partir de aproximadamente 4 meses de 
idade, em vez da ultrassonografia, para avaliação da DDQ 1.
Na radiografia serão analisados principalmente: posição da cabeça/fêmur proximal, cobertura 
acetabular, inclinação do teto acetabular, índice acetabular, linhas de Hilgenreiner e Perkin e linha de Shenton 
11. Os detalhes e a interpretação de cada parâmetro serão desenvolvidos no Capítulo 10.
9.7 Diagnóstico conforme a idade
Idade/fase Achado clínico mais relevante Imagem predominante
Recém-nascido Barlow e Ortolani (manobras semiológicas 
clássicas) US quando indicada
 6 meses Limitação, Galeazzi, assimetrias Radiografia da pelve
Após início da marcha Claudicação, discrepância, alteração pélvica Radiografia
9.8 Criança com fatores de risco, mas exame normal
Um exame clínico neonatal normal não exclui totalmente DDQ posterior. A AAOS recomenda imagem 
antes dos 6 meses em lactentes com pelo menos um dos principais fatores 1:
• Apresentação pélvica
• História familiar
• História prévia de instabilidade clínica
Essa recomendação possui evidência classificada como forte pela diretriz. Além disso, mesmo após um 
exame inicial normal, recomenda-se avaliação clínica seriada durante os primeiros meses, pois algumas 
alterações podem tornar-se evidentes posteriormente.
Na vigilância clínica, Barlow e Ortolani predominam nos primeiros meses; depois, ganham relevância a 
limitação/assimetria da abdução, o sinal de Galeazzi e as alterações da marcha.
9.9 Rastreamento universal por ultrassonografia?
É importante separar: rastreamento ≠ diagnóstico. A ultrassonografia é excelente ferramenta 
diagnóstica quando há indicação, porém a AAOS não recomenda ultrassonografia universal de todos os recém-
nascidos, favorecendo avaliação clínica e investigação seletiva conforme risco e achados 1.
todo recém-nascido → avaliação clínica → mas não necessariamente → todo recém-nascido → 
ultrassonografia
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9.10 O que confirma o diagnóstico?
Apresentação Método de confirmação
Instabilidade clínica 
franca
Ortolani/Barlow positivos → demonstram instabilidade ou deslocamento 
clínico
Alteração morfológica Ultrassonografia → demonstra acetábulo displásico, cobertura inadequada 
e/ou relação anormal da cabeça femoral
Criança maior Radiografia → demonstra displasia acetabular, lateralização/superiorização do 
fêmur proximal e alterações dos parâmetros radiográficos
achado clínico suspeito → método de imagem adequado à idade → demonstração de instabilidade, 
displasia, subluxação ou luxação → diagnóstico de DDQ
9.11 Diagnóstico provável × diagnóstico estabelecido
Diagnóstico suspeito/provável
Fator de risco importante, abdução assimétrica, Galeazzi, alterações da marcha ou exame clínico 
duvidoso — necessita investigação apropriada.
Diagnóstico estabelecido
Demonstração convincente de uma das alterações do espectro (instabilidade verdadeira, displasia 
acetabular, subluxação ou luxação) por avaliação clínica e/ou imagem apropriada à idade.
9.12 Armadilhas diagnósticas
1. Clique no quadril ≠ Ortolani positivo — um som ou estalido isolado não corresponde necessariamente 
à entrada da cabeça femoral no acetábulo.
2. Pregas assimétricas isoladas ≠ diagnóstico — possuem baixa especificidade quando utilizadas 
isoladamente.
3. Exame neonatal normal ≠ exclusão definitiva — a DDQ pode tornar-se evidente posteriormente; por 
isso existe vigilância seriada.
4. Ultrassonografia muito precoce pode mostrar imaturidade fisiológica — alterações morfológicas em 
um quadril clinicamente estável podem amadurecer espontaneamente; a AAOS admite observação em 
lactentes clinicamente estáveis com alterações morfológicas ultrassonográficas, dependendo do 
contexto 1.
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PARA MEMORIZAR
Diagnóstico da DDQ = idade + clínica + imagem.
0–3 MESES: Barlow + Ortolani → US quando indicada
>3 MESES: limitação da abdução + Galeazzi
Diagnóstico da DDQ: idade da criança + avaliação clínica + método de imagem adequado.
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CAPÍTULO 10 — EXAMES COMPLEMENTARES
Na Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), os exames complementares têm três objetivos 
principais:
1. Demonstrar a relação cabeça femoral–acetábulo
2. Avaliar a morfologia e a estabilidade do quadril
3. Acompanhar a resposta ao tratamento
A escolha do método depende principalmente da idade e do grau de ossificação da cabeça femoral. A 
ultrassonografia é preferida no quadril imaturo, enquanto a radiografia ganha importância com a ossificação.
10.1 Exames laboratoriais
Não existem exames laboratoriais específicos para confirmar DDQ. Hemograma, marcadores 
inflamatórios, cálcio, fósforo ou outros exames bioquímicos não fazem parte da investigação rotineira da DDQ 
isolada. Devem ser solicitados apenas quando houver suspeita de outra condição, como artrite séptica, 
osteomielite, doença inflamatória ou doença metabólica óssea.
DDQ → diagnóstico clínico + imagem → e não laboratorial
10.2 Ultrassonografia do quadril
É o principal método de imagem do quadril ainda predominantemente cartilaginoso. Permite visualizar 
diretamente estruturas que ainda não aparecem adequadamente na radiografia: cabeça femoral cartilaginosa, 
acetábulo, labrum, cartilagem trirradiada e a relação cabeça–acetábulo. Além disso, permite avaliação 
dinâmica da estabilidade.
10.2.1 Quando é mais útil?
A ultrassonografia é particularmente indicada em:
• Exame físico anormal ou duvidoso
• Apresentação pélvica
• História familiar relevante
• Acompanhamento de DDQ conhecida
• Monitoramento durante tratamento com órtese
Devido à frouxidão fisiológica do período neonatal, exames de rastreamento geralmente não são 
realizados antes de aproximadamente 6 semanas, exceto quando existe exame físico anormal.
10.2.2 Avaliação morfológica — método de Graf
Na visão coronal padronizada são avaliados principalmente 9:
Ângulo α
Representa o desenvolvimento do teto ósseo acetabular. α ≥ 60° → morfologia óssea madura, no 
método padronizado de Graf. Quanto menor o ângulo α, menor o desenvolvimento do teto ósseo e maior o 
grau de displasia.
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Ângulo β
Relaciona-se ao componente cartilaginoso/labral do teto acetabular. Os ângulos α e β participam da 
classificação de Graf, apresentada no Capítulo 5.
 VÍDEO COMPLEMENTAR — ▶ Análise de Imagem: O Quadril Normal, Displásico e Luxado no Ultrassom
Assista em: https://youtu.be/FequajYgvic
10.2.3 Ultrassonografia dinâmica
Além da morfologia, pode-se aplicar delicadamente estresse semelhante às manobras de Barlow e 
Ortolani. A ultrassonografia permite observar a cabeça centrada ou, progressivamente, subluxável, subluxada, 
luxável ou luxada. Uma mudança da posição da cabeça femoral em relação ao acetábulo posterior durante o 
estresse indica instabilidade.
Graf avalia predominantemente a morfologia → a avaliação dinâmica acrescenta informação sobre 
estabilidade
10.3 Radiografia da pelve
Em lactentes com quadril predominantemente cartilaginoso, a ultrassonografia é o principal método de 
imagem. Com a progressão da ossificação, a radiografia anteroposterior da pelve torna-se progressivamente 
mais informativa, podendo ser utilizada a partir de aproximadamente 4 meses conforme o contexto clínico — 
entre 4 e 6 meses a escolha entre US e radiografia pode variar, e após 6 meses a radiografia costuma ser 
preferida na avaliação inicial. A projeção básica é a radiografia anteroposterior da pelve.
10.3.1 Linha de Hilgenreiner
Linha horizontal traçada através das cartilagens trirradiadas. Serve como referência para a posição 
vertical do fêmur proximal, o índice acetabular e outras medidas radiográficas.
10.3.2 Linha de Perkin
Linha vertical perpendicular à Hilgenreiner, traçada através da região lateral do acetábulo. As duas 
linhas formam quatro quadrantes. No quadril adequadamente reduzido, após visualização do núcleo de 
ossificação, o núcleo da cabeça femoral situa-se no quadrante inferomedial. Na DDQ, ocorre progressivamente 
lateralização e/ou superiorização.
10.3.3 Índice acetabular
É o ângulo formado entre a linha de Hilgenreiner e a linha do teto acetabular; representa a inclinação do 
acetábulo.
Situação Comportamento do índice acetabular
Normal Com o crescimento, o acetábulo aprofunda, o teto torna-se menos inclinado e o 
índice acetabular diminui
Na DDQ Acetábulo raso e oblíquo → índice acetabular aumentado para a idade
A interpretação deve considerar idade e desenvolvimento esquelético, não sendo adequado utilizar um 
único valor de corte para todas as crianças.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 54
https://youtu.be/FequajYgvic
https://youtu.be/FequajYgvic
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10.3.4 Linha de Shenton
É um arco imaginário contínuo formado pela borda inferior do ramo púbico superior e pela borda 
inferomedial do colo femoral.
normal: arco contínuo e regular → subluxação/luxação: interrupção da linha de Shenton
É um sinal auxiliar, e não um critério diagnóstico isolado.
Comparação radiográfica: quadril normal × quadril displásico (DDQ) — linhas de Hilgenreiner, Perkin e Shenton, e 
ângulo acetabular.
10.3.5 Aparência radiográfica da progressão
Estágio Achados radiográficos
Displasia leve Acetábulo raso; aumento do índice acetabular; cobertura reduzida
Subluxação Lateralização da cabeça/fêmur proximal; menor cobertura; alteração progressiva da 
linha de Shenton
Luxação Migração superior e lateral; perda da relação anatômica com o acetábulo 
verdadeiro; deformidades secundárias nos casos tardios
10.4 Classificação radiográfica
As radiografias também permitem graduar a gravidade.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 55
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Sistema Graus Observação
Tönnis I → II → III → IV
Quanto maior o grau, maior o deslocamento da cabeça femoral; 
limitado quando o núcleo de ossificação ainda não é 
adequadamente visível
IHDI I → II → III → IV
Utiliza referências metafisárias; pode ser utilizada mesmo 
quando o núcleo de ossificação ainda não está claramente 
presente 10
10.5 Ressonância magnética
A ressonância magnética (RM) não é exame inicial de rotina para rastreamento da DDQ. Sua principal 
vantagem é visualizar cabeça femoral cartilaginosa, labrum, cápsula, acetábulo, partes moles e a relação 
tridimensional após redução. É particularmente útil na avaliação pós-redução, para confirmar se a cabeça 
femoral encontra-se concentricamente posicionada dentro do acetábulo, especialmente quando a 
imobilização dificulta a avaliação convencional. Por não utilizar radiação ionizante, apresenta vantagem sobre 
a tomografia em determinadas situações pediátricas.
10.6 Tomografia computadorizada
A tomografia computadorizada (TC) também não é utilizada como método primário de diagnóstico. 
Pode ser empregada seletivamente para avaliação tridimensional óssea, planejamento cirúrgico e avaliação da 
posição da cabeça femoral após redução em determinadas circunstâncias. Sua principal limitação em crianças 
é a radiação ionizante; por isso, US, radiografia e, em determinadas situações, RM geralmente são priorizadas.
10.7 Artrografia
A artrografia é um procedimento invasivo no qual contraste é introduzido na articulação. Seu papel é 
principalmente intraoperatório, durante procedimentos de redução, permitindo avaliar posição da cabeça 
femoral, profundidade da redução, estabilidade, contorno cartilaginoso e obstáculos intra-articulares à 
redução — podendo demonstrar alterações como labrum invertido, cápsula alterada e estruturas intra-articulares interpostas.
artrografia não é método de rastreamento → é uma ferramenta complementar durante o tratamento de 
casos selecionados
10.8 Exames funcionais
Não existe exame funcional instrumental específico necessário para confirmar DDQ na infância. Análise 
de marcha, plataformas de força ou estudos biomecânicos podem ser empregados em pesquisa, avaliação de 
sequelas, crianças maiores, adolescentes ou adultos com displasia residual — mas não fazem parte do 
diagnóstico rotineiro da DDQ neonatal.
10.9 Histopatologia e biópsia
Biópsia não possui indicação no diagnóstico rotineiro da DDQ. A DDQ é uma alteração desenvolvimental, 
morfológica e biomecânica, e não uma doença em que seja necessário demonstrar um padrão histológico para 
estabelecer o diagnóstico.
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10.10 Escolha do exame conforme a idade
Situação Exame principal O que procura
Lactente pequeno Ultrassonografia Morfologia + estabilidade
 6 meses Radiografia AP da pelve Displasia, subluxação ou luxação
Durante tratamento com 
órtese US em situações apropriadas Posição e evolução
Após redução / dúvida 
anatômica RM ou TC seletivamente Concentricidade da redução
Redução operatória Artrografia em casos selecionados Estabilidade e obstáculos à redução
PARA MEMORIZAR
DDQ — a imagem depende da idade.
QUADRIL CARTILAGINOSO → ULTRASSONOGRAFIA → avalia morfologia + posição + estabilidade → 
Graf: ângulos α e β
QUADRIL MAIS OSSIFICADO → RADIOGRAFIA AP DA PELVE → Hilgenreiner + Perkin + índice 
acetabular + Shenton + posição da cabeça femoral
Exames avançados: RM/TC → situações selecionadas, planejamento ou confirmação de redução. 
Artrografia → principalmente durante procedimentos de redução. Laboratório → não diagnostica DDQ. 
Biópsia → não indicada.
 6 MESES → RX
O exame de escolha não depende apenas da suspeita de DDQ; depende de qual parte do quadril — 
cartilaginosa ou óssea — pode ser melhor demonstrada naquela fase do desenvolvimento.
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CAPÍTULO 11 — DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
O diagnóstico diferencial da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) varia conforme a idade e a 
apresentação. No lactente, o principal desafio é distinguir uma DDQ verdadeira de imaturidade transitória ou 
luxações de outra etiologia; na criança maior, deve-se diferenciar DDQ de outras causas de claudicação, 
limitação do quadril e discrepância dos membros. A presença de dor aguda, febre ou recusa para apoiar o 
membro é pouco compatível com a apresentação típica da DDQ e exige investigação de outras doenças, 
especialmente infecção.
11.1 Principais diagnósticos diferenciais
Diagnóstico diferencial Achado que favorece o diagnóstico 
alternativo Exame discriminador
Imaturidade fisiológica do 
quadril
Quadril estável e maturação espontânea 
com o crescimento US seriada
Luxação teratológica do 
quadril
Luxação rígida/fixa desde o nascimento, 
frequentemente associada a outras 
anomalias
US/RX + contexto clínico
Deslocamento neuromuscular 
do quadril
Doença neurológica, espasticidade ou 
desequilíbrio muscular RX + avaliação neurológica
Coxa vara 
congênita/desenvolvimental Alteração predominante do colo femoral Radiografia
Artrite séptica do quadril Dor aguda, febre, importante limitação 
dolorosa
Laboratório + US + punção 
articular
Sinovite transitória Quadro agudo, criança geralmente bem, 
evolução autolimitada
Diagnóstico clínico após 
exclusão de causas graves
Doença de Legg-Calvé-Perthes Alterações adquiridas da cabeça femoral 
em criança previamente normal Radiografia/RM
Epifisiólise proximal do fêmur 
(SCFE)
Adolescente, perda de rotação interna e 
deslizamento epifisário Radiografia
Deficiência focal proximal do 
fêmur
Defeito estrutural predominante do fêmur 
proximal Radiografia
Displasia esquelética Comprometimento esquelético 
multifocal/sistêmico
Radiografias do esqueleto 
conforme o fenótipo
Displasia epifisária de Meyer Alteração epifisária sem padrão típico de 
instabilidade acetabular Radiografia
Osteomielite proximal do 
fêmur/pelve
Quadro infeccioso/inflamatório, 
frequentemente agudo
Laboratório + imagem 
conforme suspeita
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 58
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11.2 Imaturidade fisiológica × DDQ
Nos primeiros meses pode haver um quadril morfologicamente imaturo, especialmente em avaliações 
ultrassonográficas muito precoces.
Situação Evolução
Imaturidade fisiológica Quadril estável + acetábulo ainda em maturação → normalização progressiva
DDQ persistente Displasia significativa e/ou instabilidade → persistência da alteração → 
necessidade de acompanhamento ou tratamento
Por esse motivo, uma alteração ultrassonográfica isolada em recém-nascido muito jovem não deve ser 
interpretada automaticamente como doença estrutural definitiva.
11.3 Luxação teratológica × DDQ típica
Essa distinção é especialmente importante. A DDQ típica ocorre em criança geralmente saudável e 
apresenta espectro de instabilidade, displasia, subluxação ou luxação durante o desenvolvimento. A luxação 
teratológica apresenta alterações estruturais muito mais precoces e graves: quadril frequentemente luxado e 
rígido já ao nascimento, redução difícil, deformidades anatômicas estabelecidas precocemente e associação 
frequente com síndromes, artrogripose ou doenças neuromusculares.
A AAOS diferencia a luxação teratológica da DDQ típica justamente pela presença de alterações 
articulares avançadas desde o nascimento 1.
DDQ típica: quadril inicialmente mais móvel → luxação teratológica: luxação fixa e estruturalmente 
estabelecida
11.4 Artrite séptica — diferencial que não pode ser perdido
A artrite séptica do quadril pode produzir limitação intensa da mobilidade, claudicação e recusa para 
apoiar o membro. Entretanto, diferentemente da DDQ, costuma apresentar quadro agudo e doloroso, 
frequentemente acompanhado de febre e importante irritabilidade ou recusa de movimento. Infecção da 
articulação do quadril em crianças é considerada uma condição de avaliação e tratamento urgentes.
Característica DDQ infantil típica Artrite séptica
Dor Geralmente indolor Dor aguda
Febre Ausente Pode estar presente
Natureza Alteração do desenvolvimento Processo infeccioso
RED FLAG
Criança com febre + dor importante no quadril + recusa de apoio não deve ser considerada simplesmente 
portadora de DDQ.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 59
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11.5 Sinovite transitória
A sinovite transitória do quadril é importante principalmente na criança que apresenta claudicação 
dolorosa de início agudo. Pode causar dor no quadril, redução transitória da mobilidade e claudicação. Ao 
contrário da DDQ, não existe deformidade estrutural primária do acetábulo nem deslocamento 
desenvolvimental da cabeça femoral. O principal desafio inicial é diferenciá-la de artrite séptica, 
particularmente quando a apresentação é dolorosa.
11.6 Doença de Legg-Calvé-Perthes
É um diferencial particularmente importante na criança maior com claudicação e limitação dos 
movimentos do quadril. Na DDQ, o problema fundamental é o desenvolvimento inadequado da relação 
acetábulo–cabeça femoral. Na doença de Perthes, ocorre uma alteração adquirida da cabeça femoral, levando 
posteriormente a deformação e alterações mecânicas. Clinicamente, ambas podem produzir claudicação,limitação da abdução e alteração da marcha; a diferença torna-se clara pela história e pelos achados 
radiográficos da cabeça femoral.
A doença é retomada de forma específica e resumida no Anexo — Discussão do Problema, ao final deste 
material.
11.7 Epifisiólise proximal do fêmur
A epifisiólise proximal do fêmur (SCFE) deve ser lembrada principalmente em adolescentes com 
claudicação, dor no quadril, coxa ou joelho e perda da mobilidade do quadril. Diferentemente da DDQ, existe 
um deslizamento através da região fisária proximal do fêmur, e não uma falha primária de desenvolvimento 
acetabular.
DDQ: problema de cobertura/congruência do quadril em desenvolvimento → SCFE: alteração da placa de 
crescimento proximal do fêmur
11.8 Condições que não são propriamente diagnósticos diferenciais
Duas condições merecem distinção conceitual.
Torcicolo muscular congênito
Possui associação reconhecida com DDQ, mas não é um diagnóstico diferencial direto: acomete 
predominantemente a musculatura cervical e pode coexistir com alterações ortopédicas do quadril.
Osteogênese imperfeita
É uma doença sistêmica de fragilidade óssea e não constitui um dos principais mímicos da DDQ. Seu 
quadro é dominado por alterações da resistência óssea, especialmente fraturas e deformidades.
Ambas são discutidas separadamente no Anexo — Discussão do Problema, ao final deste material, 
evitando misturá-las artificialmente ao diagnóstico diferencial da DDQ.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 60
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PARA MEMORIZAR
Lactente com quadril instável/displásico → DDQ
Quadril rígido e luxado desde o nascimento + síndrome/neuromuscular → luxação teratológica
Claudicação indolor + discrepância → pensar em DDQ tardia
Dor aguda + febre + recusa de apoio → pensar primeiro em ARTRITE SÉPTICA
Dor aguda sem toxicidade sistêmica → considerar SINOVITE TRANSITÓRIA
Claudicação crônica + alteração da cabeça femoral → considerar LEGG-CALVÉ-PERTHES
Adolescente + dor/claudicação + alteração fisária → considerar SCFE
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 61
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CAPÍTULO 12 — TRATAMENTO
12.1 Princípio fundamental
O objetivo do tratamento da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é restabelecer e manter 
uma relação concêntrica e estável entre a cabeça femoral e o acetábulo, permitindo que o crescimento da 
criança promova remodelamento progressivo da articulação. Em termos fisiopatológicos:
Cabeça femoral descentralizada
↓
Redução concêntrica
↓
Cabeça femoral novamente posicionada no acetábulo
↓
Restabelecimento dos estímulos mecânicos fisiológicos
↓
Crescimento e aprofundamento acetabular
↓
Melhora progressiva da estabilidade
Quanto mais precoce a correção, maior é, em geral, o potencial de remodelamento acetabular. O 
tratamento é escolhido conforme idade, estabilidade, redutibilidade e gravidade da displasia.
12.2 Quadril estável com displasia leve
Nem toda alteração ultrassonográfica neonatal necessita tratamento imediato. Em lactentes com 
exame clínico estável, alterações ultrassonográficas morfológicas leves e ausência de luxação, pode ser 
realizada observação com acompanhamento clínico e ultrassonográfico, pois parte dos quadris imaturos 
amadurece espontaneamente.
displasia leve + quadril estável → vigilância
...e não necessariamente órtese imediata.
12.3 Órtese de abdução — suspensório de Pavlik
No lactente jovem com quadril clinicamente instável, subluxável ou luxado porém redutível, o 
tratamento não operatório com órtese é a estratégia clássica inicial. O dispositivo mais conhecido é o 
suspensório de Pavlik.
Seu princípio não é “forçar” mecanicamente a cabeça femoral para dentro do acetábulo. É um 
dispositivo dinâmico: mantém o quadril em posição funcional de flexão com abdução espontânea e 
controlada, permitindo movimentos ativos do lactente e monitorização clínica e ultrassonográfica durante o 
tratamento 11.
posição funcional do quadril → favorece centralização da cabeça femoral → mantém contato cabeça–
acetábulo → restabelece estímulo mecânico fisiológico → favorece remodelamento acetabular
Outras órteses e dispositivos de abdução descritos na literatura incluem o splint de von Rosen, o splint 
de Craig e o travesseiro de Frejka. Sua utilização varia conforme protocolo, características do quadril e 
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 62
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experiência do serviço. Neste material, o suspensório de Pavlik permanece como o dispositivo principal para 
detalhamento 13.
12.4 Por que não se deve forçar a abdução?
A cabeça femoral infantil possui vascularização vulnerável (Seção 1.14). A abdução excessiva pode 
comprometer a circulação da epífise femoral e aumentar o risco de osteonecrose; a hiperflexão, por sua vez, 
associa-se a lesão cutânea e a neuropraxia do nervo femoral 11. Por isso:
ATENÇÃO
Objetivo = redução estável e atraumática, não abdução máxima.
Principais complicações do Pavlik:
Complicação Mecanismo principal
Osteonecrose da cabeça femoral Comprometimento vascular, especialmente com posicionamento 
inadequado
Neuropraxia do nervo femoral Flexão excessiva/compressão neural
Luxação inferior Posicionamento inadequado
Irritação cutânea Contato e pressão da órtese
Falha de redução Cabeça femoral não permanece concentricamente reduzida
Uma cabeça femoral que permanece luxada apesar da órtese não deve permanecer indefinidamente no 
suspensório de Pavlik. A redução deve ser demonstrada clínica e ultrassonograficamente; se não houver 
redução concêntrica da cabeça femoral dentro de aproximadamente 3–4 semanas de uso adequadamente 
ajustado e monitorado, o método deve ser interrompido e a estratégia terapêutica reavaliada, evitando a 
permanência prolongada de um quadril luxado na órtese 14.
12.5 Monitoramento durante a órtese
A criança deve ser acompanhada com avaliação clínica seriada e imagem periódica conforme a idade — 
ultrassonografia no lactente pequeno; radiografia posteriormente. O objetivo é demonstrar redução da 
cabeça femoral, estabilidade, melhora progressiva da morfologia acetabular e ausência de complicações.
12.6 Falha da órtese ou diagnóstico mais tardio
Quando não é possível conseguir redução adequada com órtese, ou quando a criança chega em idade na 
qual essa estratégia apresenta menor probabilidade de sucesso, é necessário escalonar o tratamento.
PONTO-CHAVE
Critério prático: a redução deve ser demonstrada clínica e ultrassonograficamente. A ausência de redução 
concêntrica após aproximadamente 3–4 semanas de tratamento ortótico adequadamente conduzido 
caracteriza falha do método e exige reavaliação e escalonamento terapêutico 14.
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órtese → (se falha ou apresentação tardia) redução fechada → (se não obtém redução concêntrica) 
redução aberta → (se deformidade óssea residual) osteotomias
12.7 Redução fechada
Na redução fechada, a cabeça femoral é reposicionada no acetábulo sem abertura cirúrgica direta da 
articulação. É geralmente realizada sob anestesia, com redução da cabeça femoral, confirmação da 
concentricidade e imobilização em gesso pelvipodálico (spica).
A redução fechada, eventualmente associada à tenotomia dos adutores, seguida por gesso 
pelvipodálico, é uma estratégia estabelecida para crianças que se apresentam mais tardiamente ou que não 
obtiveram redução satisfatória com órtese.
ATENÇÃO
Não basta “colocar o quadril no lugar”. É necessário obter redução concêntrica + estável + sem tensão 
vascular excessiva.
12.8 Tenotomia dos adutores
Na DDQ mais estabelecida, os músculos adutorespodem estar encurtados e dificultar uma posição 
segura de redução. Nesses casos, pode ser realizada tenotomia do adutor, permitindo maior abdução sem 
necessidade de aplicar força excessiva.
contratura dos adutores → abdução limitada → redução exige força excessiva → tenotomia selecionada 
→ redução com menor tensão
A indicação depende da avaliação ortopédica durante a redução.
12.9 Gesso pelvipodálico
Após redução fechada ou aberta, o gesso pelvipodálico (hip spica) mantém a cabeça femoral dentro do 
acetábulo durante o processo de estabilização e remodelamento.
redução obtida → imobilização → impede nova lateralização/luxação → mantém contato concêntrico → 
permite remodelamento acetabular
Novamente, a posição deve preservar a circulação da cabeça femoral.
12.10 Redução aberta
Quando a cabeça femoral não pode ser reduzida adequadamente por métodos fechados, pode ser 
necessária redução cirúrgica aberta. Isso ocorre porque, com a progressão da DDQ, podem surgir obstáculos 
anatômicos: cápsula deformada, labrum alterado, pulvinar hipertrofiado, ligamento da cabeça femoral 
hipertrofiado e retrações musculares (ver Seção 6.3, Etapa 5). A cirurgia permite remover ou corrigir esses 
obstáculos e posicionar diretamente a cabeça femoral dentro do acetábulo.
12.11 Osteotomias
Nas crianças maiores, apenas recolocar a cabeça femoral no acetábulo pode não ser suficiente, pois já 
podem existir deformidades ósseas estabelecidas. Nesse contexto podem ser necessárias osteotomias.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 64
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Osteotomia pélvica
Tem como objetivo modificar a orientação e/ou geometria acetabular para aumentar a cobertura da 
cabeça femoral, melhorar a congruência e reduzir a concentração de carga. Existem diferentes técnicas, 
escolhidas conforme idade, morfologia e potencial de crescimento.
Osteotomia femoral
Pode ser utilizada quando a geometria proximal do fêmur dificulta a centralização adequada, 
modificando versão femoral, angulação ou comprimento relativo, com o objetivo de facilitar o posicionamento 
concêntrico da cabeça femoral dentro do acetábulo.
12.12 Displasia residual no adolescente
Quando existe displasia acetabular residual sintomática, mas a cabeça femoral permanece congruente e 
a cartilagem ainda está relativamente preservada, procedimentos de reorientação acetabular podem ser 
considerados — como a osteotomia periacetabular, cujo objetivo é reorientar o acetábulo, aumentar a 
cobertura da cabeça, reduzir a sobrecarga do labrum, melhorar a biomecânica e retardar a degeneração 
articular.
12.13 Tratamento farmacológico
ATENÇÃO
Não existe farmacoterapia específica para DDQ. Nenhum fármaco aprofunda o acetábulo, reduz a 
luxação, centraliza a cabeça femoral, substitui a órtese ou corrige deformidade óssea.
Os medicamentos são adjuvantes, utilizados principalmente para controle da dor associada a 
procedimentos, imobilização ou cirurgia.
12.14 Paracetamol
Aspecto Descrição
Classe Analgésico e antitérmico não opioide
Papel na DDQ Controle de dor leve a moderada, particularmente em contexto perioperatório ou 
pós-procedimento
Mecanismo Ação predominantemente central, ainda não completamente estabelecida; 
responsável pelos efeitos analgésico e antipirético
Efeitos adversos Náuseas, vômitos, constipação, prurido; evento grave mais importante: 
hepatotoxicidade, especialmente com superdosagem
ATENÇÃO
Paracetamol trata a dor; não trata a fisiopatologia da DDQ.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 65
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12.15 Ibuprofeno
Aspecto Descrição
Classe Anti-inflamatório não esteroidal (AINE)
Papel Analgesia em pacientes pediátricos selecionados, conforme idade, procedimento, 
condição clínica e protocolo assistencial
Mecanismo Inibição da ciclo-oxigenase/prostaglandina-sintetase → ↓ síntese de 
prostaglandinas → ↓ sensibilização nociceptiva + ↓ resposta inflamatória
Efeitos adversos
Dispepsia, dor abdominal, náuseas, gastrite e sangramento gastrointestinal, 
alteração da função renal, retenção hidrossalina, aumento do tempo de 
sangramento, reações cutâneas, broncoespasmo/hipersensibilidade em indivíduos 
suscetíveis
AINE → analgesia → mas AINE ≠ tratamento corretivo da DDQ
12.16 Opioides — exemplo: morfina
Opioides podem ser necessários em dor pós-operatória moderada ou intensa, particularmente após 
procedimentos ortopédicos maiores. Não fazem parte do tratamento rotineiro da DDQ não operada.
Mecanismo de ação: a morfina é um agonista opioide completo, predominantemente do receptor μ 
(mu):
morfina → receptor μ no SNC → redução da transmissão nociceptiva → analgesia potente
Principais efeitos adversos: sedação, náuseas e vômitos, constipação, prurido, retenção urinária, 
hipotensão e depressão respiratória.
RED FLAG
A complicação aguda mais importante é a depressão respiratória, podendo ocorrer apneia em situações 
graves. O medicamento exige indicação criteriosa, titulação e monitoramento clínico.
12.17 Visão integrada dos medicamentos
Fármaco Mecanismo Finalidade na DDQ Principais efeitos adversos
Paracetamol
Ação analgésica 
predominantemente 
central
Dor leve–moderada Náusea, vômito; 
hepatotoxicidade em excesso
Ibuprofeno Inibição de COX → ↓ 
prostaglandinas
Analgesia/anti-
inflamatório em 
pacientes selecionados
GI, renal, sangramento, 
hipersensibilidade
Morfina Agonismo de receptor μ Dor pós-operatória 
intensa
Depressão respiratória, 
sedação, náusea, constipação
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Nenhum deles modifica a doença:
fármaco → controle dos sintomas do tratamento → órtese/cirurgia → correção da fisiopatologia da DDQ
12.18 Tratamentos inadequados
“Fralda dupla” — a utilização de duas ou mais fraldas para manter os quadris em abdução não 
constitui tratamento adequado de uma DDQ verdadeira. A AAP considera essa medida ineficaz para a 
doença estabelecida 2, e a literatura ortopédico-pediátrica brasileira também não a recomenda, por não 
manter a cabeça femoral centrada no acetábulo 11. Da mesma forma, fisioterapia isolada ou exercícios não 
conseguem reduzir uma luxação estrutural do quadril infantil.
12.19 Algoritmo terapêutico simplificado
Quadril estável + displasia leve → observação selecionada + acompanhamento
↓
Lactente jovem + instabilidade/luxação redutível → órtese/Pavlik
↓
Reduziu e estabilizou? SIM → acompanhar remodelamento
↓
NÃO → redução fechada ± tenotomia dos adutores → gesso pelvipodálico
↓
Redução concêntrica possível? SIM → acompanhar crescimento
↓
NÃO → redução aberta
↓
Displasia/deformidade óssea residual importante? → osteotomia pélvica e/ou femoral
Seguimento: deve ser individualizado e mantido até que o desenvolvimento acetabular satisfatório seja 
documentado. Casos graves, displasia residual, reluxação, osteonecrose ou tratamento cirúrgico necessitam 
acompanhamento prolongado, que pode estender-se até a maturidade esquelética.
PARA MEMORIZAR
O tratamento da DDQ possui uma lógica simples: quanto mais cedo, menos invasivo.
LACTENTE JOVEM: Pavlik/órtese
FALHA DA ÓRTESE OU APRESENTAÇÃO MAIS TARDIA: redução fechada ± tenotomia + gesso
REDUÇÃO FECHADA IMPOSSÍVEL OU NÃO CONCÊNTRICA/ESTÁVEL: redução aberta
DEFORMIDADE ESTRUTURAL RESIDUAL: osteotomia
CENTRALIZAR A CABEÇA FEMORAL → mantê-la no acetábulo → restaurar carga fisiológica → 
permitir remodelamento → formar quadril estável e congruente
Farmacologicamente: não existe medicamento modificador da DDQ. Paracetamol, AINEs ou opioides são 
apenas adjuvantes para analgesia relacionada aos procedimentos; mecanismo de ação e efeitos adversos 
devem ser estudados, mas não confundidos com o tratamento etiológico da doença.
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CAPÍTULO 13 — COMPLICAÇÕES E PROGNÓSTICO
13.1 Visão geral
O prognóstico da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) depende principalmente de três 
elementos:
idade ao diagnóstico → redução concêntrica e estável → desenvolvimento acetabular posterior
Quando diagnosticada precocemente e tratada com sucesso, a criança pode desenvolver uma 
articulação funcionalmente normal. Quando a incongruência persiste, ocorre alteração progressiva da 
biomecânica, com possibilidade de dor, deformidade e osteoartrose precoce.
13.2 Displasia acetabular residual
É uma das complicações mais importantes. Mesmo após a cabeça femoral ter sido reduzida, o acetábulo 
pode permanecer raso, oblíquo e com cobertura insuficiente — o que é denominado displasia acetabular 
residual.
desenvolvimento anormal prévio → remodelamento insuficiente após a redução → cobertura inadequada 
da cabeça femoral → persistência da biomecânica anormal
Mesmo crianças tratadas podem permanecer com acetábulo raso e necessitar posteriormente de 
cirurgia para restaurar melhor a anatomia.
13.3 Subluxação ou reluxação
Após uma redução inicialmente obtida, pode ocorrer perda da centralização da cabeça femoral:
redução inadequadamente estável → lateralização progressiva → subluxação ou nova luxação
Isso compromete novamente o estímulo mecânico necessário ao crescimento acetabular e pode exigir 
novo tratamento.
13.4 Discrepância do comprimento dos membros
É mais característica das formas unilaterais persistentes ou diagnosticadas tardiamente:
migração superior da cabeça femoral → encurtamento funcional do membro → assimetria pélvica → 
claudicação e mecanismos compensatórios
A DDQ não tratada pode produzir diferença de comprimento entre os membros e redução da agilidade 
funcional.
13.5 Insuficiência mecânica dos abdutores
A lateralização ou superiorização do centro de rotação modifica o braço de alavanca do glúteo médio e 
mínimo:
centro do quadril anormal → menor eficiência dos abdutores → maior esforço muscular → queda pélvica 
→ Trendelenburg/claudicação
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 68
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Nos pacientes com displasia residual na adolescência, a mecânica anormal também pode produzir 
sobrecarga muscular e fadiga dos abdutores.
13.6 Lesão labral e condral
Na displasia residual:
acetábulo raso → menor cobertura da cabeça femoral → maior concentração das forças no rebordo 
acetabular → sobrecarga do labrum → lesão labral → lesão progressiva da cartilagem
A morfologia acetabular inadequada pode produzir instabilidade, sobrecarga muscular e dano 
progressivo à cabeça femoral, ao acetábulo e ao labrum.
13.7 Osteoartrose secundária precoce
É uma das principais consequências de longo prazo da DDQ persistente:
Displasia residual
↓
Menor cobertura
↓
Sobrecarga labrocondral
↓
Dano da cartilagem
↓
Alteração do osso subcondral
↓
Degeneração articular
↓
Osteoartrose do quadril
A displasia acetabular é reconhecida como importante causa de osteoartrose do quadril, podendo 
produzir manifestações já na vida adulta jovem.
13.8 Osteonecrose da cabeça femoral relacionada ao tratamento
A osteonecrose, historicamente denominada necrose avascular, é uma das complicações ortopédicas 
mais temidas do tratamento da DDQ. Pode ocorrer quando há comprometimento da vascularização da epífise 
femoral durante determinadas intervenções ou posicionamentos.
compressão/comprometimento dos vasos epifisários → redução da perfusão → isquemia → lesão do 
núcleo de crescimento → distúrbio do crescimento do fêmur proximal
Consequências possíveis incluem deformidades da cabeça femoral, do colo femoral e da relação 
cabeça–acetábulo, resultando posteriormente em incongruência e pior prognóstico biomecânico.
13.9 Neuropraxia do nervo femoral
Pode ocorrer durante tratamento com órteses, especialmente se o quadril permanecer em flexão 
excessiva:
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flexão excessiva → compressão/estiramento do nervo femoral → neuropraxia → redução temporária da 
movimentação do membro
É uma complicação incomum e geralmente reversível após ajuste ou retirada do dispositivo.
13.10 “Doença do arnês de Pavlik”
Quando a cabeça femoral permanece de forma prolongada sem redução concêntrica, apoiada contra o 
rebordo acetabular posterior, pode ocorrer embotamento acetabular ou agravamento da displasia. Essa 
situação é descrita como “doença do arnês de Pavlik”.
ATENÇÃO
O conceito não contraindica o uso do suspensório; reforça a necessidade de monitoramento clínico e 
ultrassonográfico precoce e de interrupção ou mudança do método quando a redução não é obtida em 
tempo adequado.
13.11 Complicações menores das órteses e imobilizações
• Órtese → irritação cutânea
• Gesso pelvipodálico → atraso temporário na aquisição da marcha
O atraso relacionado ao período de imobilização tende a ser temporário, com progressão normal da 
marcha após retirada do gesso. Esses eventos possuem importância muito menor que osteonecrose, falha da 
redução ou displasia residual.
13.12 Prognóstico
O melhor cenário é:
Diagnóstico precoce
↓
Redução concêntrica
↓
Manutenção da redução
↓
Cabeça femoral funcionando como molde
↓
Remodelamento acetabular
↓
Quadril estável e funcional
Crianças diagnosticadas precocemente e tratadas com sucesso geralmente conseguem desenvolver um 
quadril funcionalmente normal e realizar atividades habituais.
13.13 Fatores associados a melhor prognóstico
diagnóstico precoce → quadril redutível → redução concêntrica e estável → acetábulo com bom 
potencial de remodelamento → ausência de osteonecrose → ausência de displasia residual importante
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 70
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PONTO-CHAVE
Não basta conseguir reduzir o quadril; é necessário que ele permaneça reduzido e continue 
desenvolvendo-se adequadamente. Por isso, o acompanhamento radiográfico continua mesmo após 
aparente sucesso inicial.
13.14 Fatores associados a pior prognóstico
O prognóstico tende a piorar quando existe:
diagnóstico tardio → luxação persistente → deformidade acetabular estabelecida → dificuldade de obter 
redução concêntrica → displasia residual → osteonecrose/distúrbio de crescimento proximal do fêmur
O tratamento iniciado após os primeiros anos de vida apresenta maior probabilidade de deformidade 
residual e desenvolvimento posterior de artrite.
13.15 Integração das principais complicações
Complicação Origem Consequência
Displasia acetabular residual Remodelamento insuficiente Cobertura inadequada
Subluxação/reluxação Perda da redução Retorno da incongruência
Discrepância dos membros Migração proximal unilateral Claudicação
Insuficiência abdutora Centro de rotação alterado Trendelenburg
Lesão labral Sobrecarga do rebordo Dor mecânica
Lesão condral Distribuição anormal de carga Degeneração
Osteoartrose precoce Dano biomecânico crônico Dor e incapacidade
Osteonecrose Comprometimento vascular 
relacionado ao tratamento Deformidade do fêmur proximal
Neuropraxia femoral Posicionamento inadequado em órtese Déficit motor geralmente 
transitório
“Doença do arnês de Pavlik” Cabeça femoral não concêntrica contra 
o rebordo posterior
Embotamento/agravamento 
acetabular
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PARA MEMORIZAR
Complicação da doença que mais importa a longo prazo:
DISPLASIA RESIDUAL → SOBRECARGA LABRAL E CONDRAL → OSTEOARTROSE PRECOCE
Complicação importante do tratamento:
COMPROMETIMENTO VASCULAR → OSTEONECROSE/DISTÚRBIODE CRESCIMENTO DO FÊMUR 
PROXIMAL
Principal determinante prognóstico: diagnóstico e centralização precoces da cabeça femoral.
• Precoce + redução concêntrica + estável → maior potencial de remodelamento → melhor 
prognóstico.
• Tardio + deformidade estabelecida → maior necessidade de cirurgia → maior risco de deformidade 
residual → maior risco de osteoartrose.
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FICHA-RESUMO — DISPLASIA DO DESENVOLVIMENTO DO 
QUADRIL
1. Definição
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é um espectro de alterações do desenvolvimento da 
articulação coxofemoral caracterizado por relação anormal entre a cabeça femoral e o acetábulo, podendo 
variar de displasia acetabular a instabilidade, subluxação e luxação. O termo “luxação congênita do quadril” é 
limitado, pois nem todos os casos estão luxados ao nascimento e algumas alterações surgem ou tornam-se 
evidentes durante o desenvolvimento.
2. Anatomia essencial
A articulação coxofemoral é uma articulação sinovial esferoide, formada por cabeça femoral e 
acetábulo.
• Acetábulo — formado por ílio, ísquio e púbis.
• Cartilagem trirradiada — importante para o crescimento acetabular.
• Cabeça femoral — deve permanecer centralizada para favorecer o desenvolvimento do acetábulo.
• Labrum — aumenta a profundidade funcional e contribui para o selo articular.
• Cápsula e ligamentos — estabilizadores passivos.
• Glúteo médio e mínimo — principais estabilizadores da pelve durante apoio unipodal.
• Artéria circunflexa femoral medial — principal fonte vascular da cabeça femoral na anatomia madura.
cabeça femoral centralizada → estímulo mecânico normal → desenvolvimento e aprofundamento do 
acetábulo
3. Epidemiologia
Características clássicas: sexo feminino predominante; quadril esquerdo mais frequentemente 
acometido; apresentação unilateral mais comum que bilateral; incidência varia amplamente conforme o 
método de rastreamento. A ultrassonografia detecta mais alterações que o exame clínico, inclusive quadris 
imaturos que podem normalizar espontaneamente.
Brasil: não existe uma taxa nacional única e robusta de prevalência; os estudos disponíveis apresentam 
grande heterogeneidade metodológica e regional.
4. Etiologia
A DDQ possui etiologia multifatorial, com três componentes principais:
predisposição genética → suscetibilidade capsuloligamentar → forças mecânicas desfavoráveis
instabilidade/descentralização da cabeça femoral → desenvolvimento acetabular anormal
5. Principais fatores de risco
• Maior importância: apresentação pélvica; história familiar positiva.
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• Outros fatores importantes: sexo feminino; oligodrâmnio/restrição intrauterina; alto peso ao 
nascer/feto grande; posicionamento pós-natal com quadris mantidos rigidamente em extensão e 
adução.
• Principal fator modificável: enfaixamento inadequado do lactente.
Primiparidade isolada não deve ser apresentada como fator de risco principal, pois a associação é 
inconsistente. Prevenção: evitar enfaixamento rígido em extensão e adução, permitindo flexão, abdução 
fisiológica e mobilidade dos membros inferiores.
6. Classificação
DDQ = espectro anatomofuncional (não uma sequência evolutiva obrigatória):
Displasia acetabular → Instabilidade → Subluxação → Luxação
Esses padrões podem coexistir e nem todo quadril percorre necessariamente todas as etapas. Contexto 
clínico: típica/idiopática | teratológica | neuromuscular.
Graf 
(ultrassonografia) Interpretação simplificada
I Maduro/normal
IIa Imaturidade fisiológica em lactente jovem
IIb Atraso de maturação
IIc Displasia importante
D Descentração
III Displasia grave com descentração/subluxação
IV Luxação grave/completa
Radiografia: Tönnis (graus I–IV) e IHDI (graus I–IV, com vantagem de poder ser utilizada mesmo sem 
núcleo de ossificação visível).
7. Fisiopatologia
Mecanismo central da DDQ:
Predisposição
↓
Instabilidade
↓
Descentralização da cabeça femoral
↓
Perda do estímulo mecânico fisiológico sobre o acetábulo
↓
Menor aprofundamento acetabular (acetábulo raso e oblíquo)
↓
Menor cobertura da cabeça
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↓
Maior instabilidade
↓
Subluxação/luxação
↓
Remodelamento patológico de cápsula, labrum e partes moles
↓
Alteração biomecânica
↓
Sobrecarga labrocondral
↓
Osteoartrose secundária
Ciclo fundamental: descentralização → displasia → maior descentralização.
8. Manifestações clínicas
Fase Achados
Recém-nascido Instabilidade; Barlow positivo; Ortolani positivo
Lactente maior Limitação/assimetria da abdução; Galeazzi positivo; discrepância aparente 
dos membros
Após início da marcha Claudicação; discrepância dos membros; Trendelenburg; marcha 
bamboleante em casos bilaterais; hiperlordose compensatória
Adolescente/adulto com 
displasia residual
Dor inguinal mecânica; fadiga; sintomas labrais; redução funcional; 
osteoartrose precoce
9. Red flags
• Ortolani positivo → quadril luxado redutível.
• Abdução persistentemente limitada ou assimétrica → suspeitar luxação estabelecida.
• Galeazzi positivo → suspeitar migração proximal unilateral.
• Claudicação/Trendelenburg/discrepância → pensar em diagnóstico tardio.
RED FLAG
Febre + dor intensa + recusa de movimentar ou apoiar o membro não correspondem à apresentação 
típica da DDQ e obrigam investigação de condições graves, especialmente artrite séptica.
10. Diagnóstico
Não existe um único padrão-ouro aplicável a todas as idades. O diagnóstico resulta de:
idade → exame clínico → imagem apropriada
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• Recém-nascido/lactente jovem — Barlow (avalia a deslocabilidade de um quadril inicialmente 
reduzido); Ortolani (reduz uma cabeça femoral luxada porém redutível); ultrassonografia quando 
indicada.
• Lactente maior — limitação da abdução; Galeazzi; imagem.
• Criança maior — alteração da marcha; discrepância; radiografia.
11. Exames complementares
Ultrassonografia — principal método no quadril ainda predominantemente cartilaginoso; avalia 
morfologia, cobertura, posição e estabilidade dinâmica; principal parâmetro: ângulo α (desenvolvimento do 
teto ósseo acetabular).
Radiografia AP da pelve — torna-se progressivamente mais útil com a ossificação; principais 
referências: linha de Hilgenreiner, linha de Perkin, índice acetabular, linha de Shenton, posição da cabeça 
femoral.
PONTO-CHAVE
Regra prática de imagem: 6 meses → 
radiografia geralmente predominante. RM, TC e artrografia ficam reservadas para situações selecionadas, 
planejamento ou avaliação do tratamento; exames laboratoriais e biópsia não possuem papel rotineiro no 
diagnóstico inicial.
12. Principais diagnósticos diferenciais
Diagnóstico Principal elemento discriminador
Imaturidade fisiológica do quadril Quadril estável e maturação espontânea
Luxação teratológica Luxação rígida/fixa desde o nascimento + outras anomalias
Artrite séptica Dor intensa, febre e limitação dolorosa
Sinovite transitória Claudicação dolorosa aguda e autolimitada
Legg-Calvé-Perthes Alteração adquirida da cabeça femoral em criança maior
Coxa vara Alteração predominante do colo femoral
Epifisiólise proximal do fêmur Adolescente + deslizamento epifisário
13. Tratamento
Objetivo fundamental:
obter e manter redução concêntrica da cabeça femoral → permitir remodelamento acetabular
Situação Conduta
Quadril estável + alteração 
leve Observação selecionada + acompanhamento
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Situação Conduta
Lactente jovem + 
instabilidade/luxação 
redutível
Suspensório de Pavlik ou outra órtese apropriada (flexão + abdução 
controlada)
Falha da órtese / 
apresentação mais tardia
Se não houver redução concêntrica em ≈ 3–4 semanas de tratamento 
adequadamente monitorado: redução fechada ± tenotomia dos adutores 
→ gesso pelvipodálico
Redução fechada impossível Redução aberta
Deformidade residual Osteotomia pélvica e/ou femoral, conforme anatomia e idade
14. Tratamento farmacológico
Não existe medicamento modificador da DDQ. Fármacos são utilizados apenas como analgésicos 
adjuvantes, sobretudo relacionados a procedimentos ou cirurgia.
Fármaco Mecanismo Principais efeitos adversos
Paracetamol Analgesia predominantemente central Hepatotoxicidade em superdose
Ibuprofeno Inibe COX → ↓ prostaglandinas Sangramento/irritação GI, lesão renal, 
hipersensibilidade
Morfina Agonista de receptor opioide μ Depressão respiratória, sedação, náusea, 
constipação
analgésico → controla dor → órtese/cirurgia → corrige a alteração mecânica da DDQ
15. Principais complicações
• Da própria doença — displasia acetabular residual; subluxação/reluxação; discrepância do comprimento 
dos membros; insuficiência dos abdutores; lesão labral; lesão condral; osteoartrose secundária precoce.
• Relacionadas ao tratamento — osteonecrose/distúrbio de crescimento da cabeça femoral; neuropraxia 
do nervo femoral; irritação cutânea; falha da redução; displasia/embotamento acetabular associada à 
redução inadequada prolongada no suspensório de Pavlik.
16. Prognóstico
diagnóstico precoce + redução concêntrica + estabilidade + remodelamento acetabular adequado → 
quadril funcional
diagnóstico tardio + luxação prolongada + deformidade estabelecida + displasia residual + osteonecrose 
→ maior risco de cirurgia e degeneração articular
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PARA MEMORIZAR
FICHA DE MEMORIZAÇÃO RÁPIDA
• Doença: Displasia do Desenvolvimento do Quadril — DDQ.
• Defeito central: relação inadequada entre cabeça femoral e acetábulo.
• Fatores de risco clássicos: apresentação pélvica + história familiar + sexo feminino.
• Quadril mais acometido: esquerdo.
• Mecanismo: descentralização → falha do desenvolvimento acetabular → maior instabilidade.
• RN: Barlow/Ortolani. Lactente maior: limitação da abdução + Galeazzi. Após marcha: 
claudicação/Trendelenburg/discrepância.
• Imagem no lactente jovem: ultrassonografia. Imagem na criança maior: radiografia AP da pelve. 
Classificação da US: Graf.
• Tratamento precoce clássico: Pavlik. Falha/apresentação tardia: redução fechada → redução aberta 
→ osteotomias quando necessárias.
• Medicamento específico: nenhum.
• Complicação tardia da doença: osteoartrose precoce por displasia residual.
• Complicação temida do tratamento: osteonecrose/distúrbio do crescimento femoral proximal.
PONTO-CHAVE
RESUMO EM UMA LINHA
DDQ = predisposição + mecânica desfavorável → cabeça femoral descentralizada → acetábulo não se 
desenvolve adequadamente → maior instabilidade → subluxação/luxação → sobrecarga articular → 
degeneração; o tratamento precoce busca restaurar a centralização para permitir o remodelamento 
normal.
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REFERÊNCIAS
As referências numeradas ao longo do texto (em sobrescrito) remetem à lista abaixo.
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hip/
[2] Shaw BA, Segal LS; American Academy of Pediatrics Section on Orthopaedics. Evaluation and Referral for 
Developmental Dysplasia of the Hip in Infants. Pediatrics. 2016;138(6):e20163107. Disponível em: 
https://publications.aap.org/pediatrics/article/138/6/e20163107
[3] Kuitunen I, Uimonen MM, Haapanen M, Sund R, Helenius I, Ponkilainen VT. Incidence of Neonatal Developmental 
Dysplasia of the Hip and Late Detection Rates Based on Screening Strategy: A Systematic Review and Meta-analysis. 
JAMA Netw Open. 2022;5(8):e2227638. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9389349/
[4] Tao Z, Wang J, Li Y, Zhou Y, Yan X, Yang J, Liu H, Li B, Ling J, Pei Y, et al. Prevalence of developmental dysplasia of the 
hip (DDH) in infants: a systematic review and meta-analysis. BMJ Paediatr Open. 2023;7(1):e002080. Disponível em: 
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developmental dysplasia of the hip in Brazilian population: a scoping review. BMJ Open. 2025;15(2):e094660. 
Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13059842/
[6] Guarniero R, Montenegro NB, Vieira PB, Peixinho M. Sinal de Ortolani: resultado do exame ortopédico em 9.171 
recém-nascidos na Associação Maternidade de São Paulo. Rev Bras Ortop. 1988;23(5):125-128.
[7] Motta GGB, Chiovatto ARS, Chiovatto ED, et al. Prevalência de displasia do desenvolvimento do quadril em uma 
maternidade de São Paulo, Brasil. Rev Bras Ortop. 2021;56(5):664-670. Disponível em: https://doi.org/10.1055/s-
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[8] Ponseti IV. Growth and development of the acetabulum in the normal child. Anatomical, histological, and 
roentgenographic studies. J Bone Joint Surg Am. 1978;60(5):575-585.
[9] Graf R. The diagnosis of congenital hip-joint dislocation by the ultrasonic combound treatment. Arch Orthop Trauma 
Surg. 1980;97(2):117-133.
[10] Narayanan U, Mulpuri K, Sankar WN, Clarke NMP, Hosalkar H, Price CT; International Hip Dysplasia Institute. 
Reliability of a New Radiographic Classification for Developmental Dysplasia of the Hip. J Pediatr Orthop. 
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[11] Dobashi ET. Displasia do desenvolvimento do quadril. PRONAP-SBP — Programa Nacional de Atualização em 
Pediatria. Ciclo XXVII, nº 4, Tema 1. Sociedade Brasileira de Pediatria; 2025. p. 18-42.
[12] Loder RT, Skopelja EN. The epidemiology and demographics of hip dysplasia. ISRN Orthop. 2011;2011:238607.
[13] Pavone V, de Cristo C, Vescio A, Lucenti L, Sapienza M, Sessa G, Pavone P, Testa G. Dynamic and Static Splinting for 
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https://www.aaos.org/quality/quality-programs/pediatric-developmental-dysplasia-of-the-hip/
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Nota sobre a natureza das referências: elas têm funções distintas. [1] é diretriz baseada em evidências 
(AAOS) e [2], relatório clínico da AAP — ambas sustentam recomendações de rastreamento, diagnóstico e 
encaminhamento. [3], [4] e [13] são revisões sistemáticas; [5], revisão de escopo. [6] e [7] são estudos 
observacionais brasileiros, decontextualização nacional. [8] e [9] (Ponseti e Graf) são fontes clássicas/fundacionais 
e [12], revisão epidemiológica/demográfica clássica. [10] é estudo de confiabilidade da classificação IHDI e [14], 
consenso de especialistas sobre o manejo do suspensório de Pavlik. [11] é referência brasileira de atualização e 
ensino, usada para contexto nacional e semiologia clássica.
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ANEXO — DISCUSSÃO DO PROBLEMA
1. Discussão do caso clínico
Este item retoma, de forma consolidada, um problema clínico utilizado como ponto de partida para o 
estudo da Displasia do Desenvolvimento do Quadril em uma atividade de aprendizagem baseada em 
problemas. Os dados de identificação foram alterados; os achados clínicos foram mantidos exatamente como 
apresentados originalmente. A discussão a seguir percorre o problema parte por parte, articulando cada 
achado aos conceitos desenvolvidos nos capítulos anteriores.
O problema
Em uma consulta de rotina, a mãe do pequeno Théo, três meses de idade, relata que uma das pernas do 
bebê se movimenta menos e que ele demonstra desconforto ao abri-las. Ela também percebe um “clique” 
ocasional durante o banho.
No exame físico, a pediatra Dra. Beatriz nota assimetria nas pregas glúteas, limitação da abdução e 
discreta diferença no comprimento aparente dos membros inferiores.
Diante dos achados, a equipe decide discutir o caso antes de solicitar exames complementares de 
imagem, a fim de confirmar uma possível alteração no desenvolvimento e descartar outras causas. A pediatra 
orienta a mãe sobre a importância de uma avaliação precoce e de um acompanhamento adequado para 
prevenir futuras complicações no crescimento e na função motora.
Por que a idade já direciona o raciocínio
Théo tem três meses — momento de transição clinicamente importante. Nos primeiros dias de vida, o 
achado mais valorizado seria a instabilidade demonstrável por Barlow e Ortolani; por volta dos três meses, 
porém, essas manobras já começam a perder sensibilidade, e a limitação/assimetria da abdução passa a ser o 
sinal clínico mais relevante para luxação unilateral (Seção 7.2). O caso já reflete exatamente essa transição: 
não há relato de manobra de redução com “clunk”, e sim limitação da abdução associada a assimetria de 
pregas — o quadro típico do lactente maior, e não mais do período neonatal imediato.
O “clique” relatado pela mãe
Esse é um dos pontos mais importantes do caso do ponto de vista didático. Um clique ou estalido 
ocasional, percebido pela mãe durante o banho, não equivale a um Ortolani positivo: o achado 
semiologicamente relevante é a percepção palpável de deslocamento ou redução da cabeça femoral por um 
examinador treinado, e não um som isolado relatado pelos cuidadores (Seções 9.2 e 9.12). O relato deve ser 
valorizado como motivo para avaliação cuidadosa, mas não deve, isoladamente, ser interpretado como sinal 
patognomônic de instabilidade franca — e também não deve ser prematuramente descartado sem exame 
físico dirigido.
Assimetria de pregas glúteas
A assimetria de pregas é um achado frequentemente citado por cuidadores e por vezes pelo próprio 
exame físico inicial, mas possui baixa especificidade quando isolada: pode estar presente em quadris normais 
e ausente em alguns quadris displásicos (armadilha diagnóstica discutida na Seção 9.12). No caso de Théo, ela 
aparece associada a limitação da abdução e a diferença de comprimento aparente — e é justamente essa 
associação de achados, e não um sinal isolado, que eleva a suspeita clínica de DDQ.
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Limitação da abdução e diferença de comprimento
Esses dois achados são os mais valiosos do exame físico de Théo. A limitação/assimetria da abdução 
reflete luxação ou subluxação já parcialmente estabelecida, com retração progressiva das partes moles (Seção 
6.3, Etapa 5); a diferença aparente de comprimento dos membros sugere migração proximal da cabeça 
femoral do lado acometido, o mesmo mecanismo que fundamenta o sinal de Galeazzi (Seção 7.3). Juntos, 
esses achados são suficientemente relevantes para justificar investigação por imagem, independentemente da 
presença ou ausência de um Ortolani positivo nesse momento.
Por que discutir o caso antes de pedir a imagem
A conduta da equipe — discutir o caso clinicamente antes de solicitar exames — está alinhada ao 
princípio diagnóstico central deste material:
idade da criança → avaliação clínica da estabilidade e mobilidade → método de imagem adequado à 
idade → diagnóstico de DDQ
Aos três meses, Théo está dentro da janela em que a ultrassonografia é o exame de escolha, por 
permitir avaliar tanto a morfologia acetabular (método de Graf) quanto a estabilidade dinâmica do quadril, 
sem expor o lactente à radiação (Seções 9.2, 10.2 e 10.4). A discussão prévia do caso também é o momento 
apropriado para investigar fatores de risco não mencionados no relato inicial — como apresentação pélvica, 
história familiar de DDQ e eventuais práticas de enfaixamento — que reforçariam ainda mais a indicação de 
imagem (Capítulo 4).
Diagnósticos que não podem ser esquecidos
Antes de atribuir o quadro exclusivamente à DDQ, vale revisar rapidamente o que afastaria essa 
hipótese: o caso de Théo não apresenta febre, dor aguda intensa, recusa de movimento ou sinais sistêmicos — 
elementos que, se presentes, deveriam redirecionar a investigação para artrite séptica ou outra emergência 
ortopédica (Capítulo 8, Red Flags). Também não há relato de rigidez cervical associada (que sugeriria torcicolo 
muscular congênito) nem de fraturas prévias ou fragilidade óssea (que sugeririam osteogênese imperfeita) — 
ambas discutidas adiante neste anexo. O quadro de Théo é, portanto, compatível com a apresentação típica de 
DDQ em lactente maior, sem elementos de alarme.
Por que a orientação sobre avaliação precoce importa
A orientação final da pediatra — reforçar a importância de avaliação precoce e acompanhamento 
adequado — não é uma formalidade: reflete diretamente a lógica fisiopatológica e prognóstica discutida ao 
longo deste material. Quanto mais cedo a cabeça femoral for centralizada de forma estável, maior o potencial 
de remodelamento acetabular (Seções 6.1 e 6.8); e quanto mais precoce o diagnóstico, menor a probabilidade 
de deformidade estrutural estabelecida, de necessidade de cirurgia mais invasiva e de osteoartrose secundária 
na vida adulta (Capítulo 13). A conduta da equipe no caso de Théo — suspeitar, examinar sistematicamente, 
discutir e só então investigar — é exatamente o modelo de raciocínio clínico que este livro procura consolidar.
Síntese do raciocínio
Lactente de 3 meses + relato materno de menor movimentação e desconforto
↓
Exame físico: assimetria de pregas + limitação da abdução + diferença de comprimento aparente
↓
Ausência de red flags (sem febre, sem dor aguda, sem recusa de movimento)
↓
Suspeita clínica de DDQ típica em lactente maior
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Livro Integrado Digital de Estudo — Displasia do Desenvolvimento do Quadril
↓
Investigação por imagem adequada à idade: ultrassonografia (método de Graf)
↓
Conduta conforme achado + acompanhamento precoce
2. Integração da Displasia do Desenvolvimento do Quadril
A DDQ é uma alteração dinâmica do crescimento da articulação coxofemoral. O fenômeno fundamental 
é:
Perda ou insuficiência da centralização da cabeça femoral
↓
Alteração dos estímulos mecânicos sobre o acetábulo em crescimento
↓
Desenvolvimento acetabular insuficiente
↓
Menor cobertura da cabeça femoral
↓
Maior instabilidade
↓
Subluxação/luxação
↓
Deformação progressiva
↓
Sobrecarga labrocondral e osteoartrose secundária na doença residual
O tratamento segue exatamente essa lógica: quanto mais cedo a cabeçaO acetábulo é uma cavidade aproximadamente hemisférica localizada na superfície lateral da pelve, e 
apresenta três regiões fundamentais.
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https://youtu.be/xacYf937Geo
https://youtu.be/xacYf937Geo
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Superfície semilunar
É a região periférica recoberta por cartilagem articular e responsável pela maior parte do contato com a 
cabeça femoral.
Fossa acetabular
Região central não articular, contendo tecido fibroadiposo e estruturas relacionadas ao ligamento da 
cabeça do fêmur.
Incisura acetabular
Interrupção inferior do rebordo acetabular. Sobre a incisura passa o ligamento transverso do 
acetábulo, completando inferiormente o contorno acetabular.
O teto e as regiões superior e superolateral do acetábulo participam de maneira particularmente 
importante da sustentação e distribuição das cargas.
1.4 Fêmur proximal
O fêmur proximal é constituído por: cabeça femoral, colo femoral, trocânter maior, trocânter menor e 
região intertrocantérica.
Cabeça femoral
A cabeça femoral apresenta formato aproximadamente esférico e é recoberta predominantemente por 
cartilagem hialina. Existe uma pequena depressão em sua região medial chamada fóvea da cabeça do fêmur, 
na qual se insere o ligamento da cabeça do fêmur — ligamento redondo ou ligamentum teres.
Colo femoral
O colo conecta a cabeça femoral à região trocantérica. Sua orientação espacial é determinada 
principalmente por:
• Ângulo cervicodiafisário
• Versão femoral
Esses parâmetros não são estáticos durante o desenvolvimento: o fêmur proximal sofre 
remodelamento progressivo ao longo do crescimento, modificando sua orientação de acordo com maturação 
esquelética e estímulos mecânicos. A orientação adequada do colo permite que a cabeça permaneça 
direcionada para dentro do acetábulo durante carga e movimento.
1.5 Cartilagem articular
As superfícies articulares da cabeça femoral e da superfície semilunar acetabular são revestidas por 
cartilagem hialina, cuja função é:
• Proporcionar superfície de baixo atrito
• Distribuir cargas
• Absorver forças compressivas
• Proteger o osso subcondral
• Permitir movimento articular suave
A distribuição de carga é favorecida quando existe congruência adequada entre cabeça femoral e 
acetábulo. Quando a superfície de contato é grande:
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carga distribuída por maior área → menor pressão localizada
Esse princípio biomecânico será essencial para compreender, mais adiante, por que a cobertura 
insuficiente da cabeça femoral na DDQ aumenta a concentração de cargas (Capítulo 6).
1.6 Labrum acetabular
O labrum acetabular é uma estrutura fibrocartilaginosa inserida ao redor do rebordo acetabular. Ele 
funciona como uma extensão do acetábulo, e suas principais funções são:
1. Aumentar funcionalmente a profundidade do acetábulo
2. Ampliar a superfície efetiva de contato
3. Contribuir para a estabilidade
4. Manter o líquido sinovial dentro da articulação
5. Participar do chamado selo de sucção
6. Auxiliar na distribuição das cargas
O contato circunferencial entre labrum e cabeça femoral cria um sistema de vedação capaz de gerar 
pressão intra-articular negativa durante distração, aumentando a estabilidade da articulação. Inferiormente, o 
labrum relaciona-se com o ligamento transverso do acetábulo, que atravessa a incisura acetabular.
Importância para a DDQ
acetábulo profundo + labrum preservado → contenção adequada da cabeça femoral
Portanto, o labrum deve ser entendido como estabilizador complementar, e não como substituto de 
uma cobertura óssea adequada.
1.7 Cápsula articular
A articulação coxofemoral encontra-se envolvida por uma cápsula fibrosa resistente. Proximalmente, 
fixa-se ao redor do rebordo acetabular e do ligamento transverso; distalmente, envolve o colo femoral. Na 
região anterior, estende-se aproximadamente até a linha intertrocantérica; posteriormente, sua inserção 
ocorre mais proximalmente no colo femoral.
A cápsula possui fibras longitudinais, fibras oblíquas e fibras circulares. As fibras circulares profundas 
formam a chamada:
Zona orbicular
A zona orbicular circunda o colo femoral como um anel e contribui para limitar a distração da cabeça 
femoral. A cápsula não funciona como um envoltório passivo: sua tensão varia conforme a posição do quadril e 
participa ativamente da estabilidade.
1.8 Ligamentos capsulares
Três grandes reforços ligamentares estabilizam a articulação.
1.8.1 Ligamento iliofemoral
Localizado anteriormente. Origina-se predominantemente na região da espinha ilíaca anteroinferior e 
distribui-se para a região intertrocantérica do fêmur, apresentando configuração aproximadamente em “Y”. É 
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particularmente importante na resistência à hiperextensão, à rotação externa excessiva e à translação anterior 
da cabeça femoral.
1.8.2 Ligamento pubofemoral
Localiza-se predominantemente na região anteroinferior. Origina-se na região púbica do acetábulo e 
integra-se à cápsula, contribuindo principalmente para limitar extensão excessiva, abdução excessiva e 
determinadas combinações de rotação. Sua participação na estabilidade varia de acordo com a posição 
articular.
1.8.3 Ligamento isquiofemoral
É predominantemente posterior. Origina-se na região isquiática do acetábulo e suas fibras seguem em 
direção ao colo femoral, participando principalmente do controle da rotação interna, da extensão e da 
translação excessiva da cabeça femoral.
Integração ligamentar
Os ligamentos capsulares apresentam orientação parcialmente espiral. Assim:
extensão do quadril → aumento progressivo da tensão capsuloligamentar → maior estabilidade passiva
Na flexão, parte dessas estruturas torna-se relativamente menos tensionada, permitindo maior 
mobilidade.
Ligamentos da articulação coxofemoral: vistas anatômicas anterior e posterior.
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1.9 Ligamento da cabeça do fêmur
Também chamado ligamentum teres, ligamento redondo ou ligamento da cabeça femoral. Estende-se 
da região da fóvea da cabeça femoral à região da incisura acetabular e do ligamento transverso, e possui duas 
funções relevantes:
Mecânica
Participa secundariamente da estabilidade, especialmente em determinadas posições extremas.
Vascular
Conduz vasos destinados à cabeça femoral. Sua contribuição vascular relativa modifica-se com a idade e 
é particularmente relevante durante fases precoces do desenvolvimento.
Articulação coxofemoral em vista lateral: cabeça femoral, acetábulo, cartilagem articular, labrum e ligamento da 
cabeça do fêmur.
1.10 Membrana sinovial e líquido sinovial
A superfície interna da cápsula é revestida pela membrana sinovial, exceto onde há cartilagem articular. 
Ela produz líquido sinovial, que participa de lubrificação, redução do atrito, nutrição da cartilagem articular e 
manutenção do ambiente intra-articular. O líquido sinovial, associado à integridade do labrum, também 
contribui para a biomecânica de pressurização da articulação.
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1.11 Músculos e tendões periarticulares
A musculatura do quadril produz movimento e fornece estabilidade dinâmica.
Flexores
Principais: iliopsoas, reto femoral, sartório, tensor da fáscia lata e pectíneo.
Iliopsoas
É formado principalmente pelo psoas maior e pelo ilíaco, que convergem no tendão do iliopsoas, 
inserido no trocânter menor. É o principal flexor do quadril e passa anteriormente à articulação.femoral é centralizada de forma 
estável, maior o potencial de remodelamento do acetábulo. Esse princípio constitui a base do tratamento com 
órteses, redução fechada ou aberta e, quando necessário, osteotomias.
3. Osteogênese imperfeita — resumo
A osteogênese imperfeita (OI) constitui um grupo de doenças genéticas caracterizadas principalmente 
por fragilidade óssea e predisposição a fraturas. As formas clássicas estão frequentemente relacionadas a 
variantes patogênicas nos genes COL1A1 e COL1A2, responsáveis pela síntese das cadeias do colágeno tipo I, 
principal colágeno do tecido ósseo. Essas formas representam a maior parte dos casos nos países ocidentais.
Fisiopatologia simplificada
alteração genética → defeito quantitativo ou qualitativo do colágeno tipo I → matriz osteoide 
estruturalmente inadequada → redução da resistência mecânica óssea → fraturas com trauma mínimo + 
deformidades
Manifestações clássicas
• Fraturas recorrentes
• Deformidades ósseas
• Baixa estatura
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• Escleras azuladas em algumas formas
• Dentinogênese imperfeita
• Frouxidão ligamentar
• Perda auditiva, principalmente ao longo da vida
A apresentação é extremamente variável, desde formas leves até doença perinatal letal.
Diagnóstico
fenótipo clínico → história familiar → radiografia → investigação genética quando indicada
Tratamento
É multidisciplinar e pode envolver:
• Prevenção e tratamento das fraturas
• Fisioterapia e reabilitação
• Tratamento ortopédico das deformidades
• Procedimentos intramedulares em casos selecionados
• Tratamento farmacológico da fragilidade óssea, especialmente com agentes antirreabsortivos em 
determinados pacientes
Relação com a DDQ
A OI não é uma forma de DDQ:
Condição Natureza
DDQ Alteração do desenvolvimento/congruência articular
Osteogênese imperfeita Doença sistêmica da matriz óssea e do colágeno
4. Torcicolo muscular congênito — resumo
O torcicolo muscular congênito (TMC) é uma deformidade postural do lactente associada 
principalmente a encurtamento, alteração de mobilidade ou comprometimento do músculo 
esternocleidomastoideo (ECM). A postura típica combina inclinação da cabeça para o lado acometido e 
rotação do mento para o lado oposto.
Exemplo: ECM direito comprometido → inclinação cervical para a direita + rotação do mento para a 
esquerda.
Pode estar associado a assimetria craniana/plagiocefalia, limitação da amplitude cervical e assimetrias 
posturais.
Tratamento
A abordagem de primeira linha é predominantemente fisioterapêutica, incluindo:
• Ganho progressivo da amplitude cervical
• Alongamentos apropriados
• Estímulo de movimento ativo
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• Posicionamento
• Orientação dos cuidadores
• Fortalecimento e desenvolvimento motor simétrico
A intervenção precoce está associada a melhores resultados.
Relação com a DDQ
TMC e DDQ podem coexistir como alterações musculoesqueléticas do lactente; por isso, a presença de 
torcicolo deve aumentar a atenção para uma avaliação completa do sistema musculoesquelético, incluindo os 
quadris.
5. Doença de Legg-Calvé-Perthes — resumo
A doença de Legg-Calvé-Perthes (DLCP) é uma doença da infância causada por interrupção temporária 
da vascularização da epífise da cabeça femoral, produzindo osteonecrose e posterior processo de 
revascularização e remodelamento. Sua etiologia permanece incompletamente esclarecida.
Sequência fisiopatológica
Interrupção da perfusão da epífise femoral
↓
Isquemia
↓
Morte óssea
↓
Enfraquecimento estrutural
↓
Risco de achatamento/fragmentação da cabeça femoral
↓
Revascularização
↓
Reossificação e remodelamento
Manifestações
A criança pode apresentar claudicação, dor no quadril, na coxa ou eventualmente no joelho, limitação 
da abdução e redução da rotação interna.
Diagnóstico
A radiografia é fundamental. A ressonância magnética pode demonstrar alterações mais precocemente 
em situações selecionadas.
Tratamento
O objetivo central é preservar mobilidade, esfericidade e contenção da cabeça femoral dentro do 
acetábulo. As estratégias dependem principalmente de idade, estágio, extensão do comprometimento, 
mobilidade e grau de extrusão/deformidade, podendo incluir observação, modificação de atividade, 
fisioterapia e procedimentos de contenção cirúrgica em casos selecionados.
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6. DDQ × Perthes — diferença fundamental
Característica DDQ Legg-Calvé-Perthes
Problema inicial Desenvolvimento/congruência 
inadequados Isquemia da cabeça femoral
Estrutura crítica inicial Acetábulo–cabeça femoral Epífise da cabeça femoral
Momento típico Lactente/infância precoce Criança maior
Dor neonatal Geralmente ausente Não se aplica
Claudicação Casos tardios Frequente
Fisiopatologia Descentralização → displasia Isquemia → necrose → 
remodelamento
Exame central no início US no lactente Radiografia
Tratamento 
fundamental Centralizar e estabilizar a cabeça Manter mobilidade e contenção
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GLOSSÁRIO DE TERMOS ESSENCIAIS
Reúne os termos técnicos mais relevantes para compreender a Displasia do Desenvolvimento do 
Quadril, com definição curta e contextualizada. Não substitui a explicação completa apresentada em cada 
capítulo.
• Acetábulo — cavidade da pelve que recebe a cabeça femoral (Seção 1.3.1).
• Anteversão femoral — orientação anterior do colo e da cabeça femorais em relação aos côndilos distais 
(Seção 6.3).
• Artrografia — procedimento invasivo com contraste intra-articular, utilizado principalmente durante 
procedimentos de redução (Seção 10.7).
• Barlow — manobra clínica que avalia a deslocabilidade/instabilidade de um quadril inicialmente 
reduzido (Seções 7.1 e 9.2).
• Cartilagem trirradiada — região cartilaginosa em “Y” entre ílio, ísquio e púbis, fundamental para o 
crescimento acetabular infantil (Seção 1.2).
• Congruência — correspondência anatômica adequada entre as superfícies articulares (Seção 1.19).
• DDQ — Displasia do Desenvolvimento do Quadril.
• Displasia acetabular — desenvolvimento insuficiente do acetábulo, com redução da cobertura da 
cabeça femoral (Seção 5.1).
• “Doença do arnês de Pavlik” — embotamento ou agravamento da displasia acetabular por cabeça 
femoral mantida cronicamente contra o rebordo posterior, sem redução concêntrica (Seção 13.10).
• Galeazzi — sinal de diferença aparente na altura dos joelhos relacionado ao encurtamento funcional 
unilateral do membro (Seção 7.3).
• Graf — classificação ultrassonográfica da maturidade/displasia do quadril infantil, baseada nos ângulos 
α e β (Seção 5.3).
• Índice acetabular — medida radiográfica da inclinação do teto acetabular (Seção 10.3.3).
• IHDI — International Hip Dysplasia Institute; sistema radiográfico de graduação do deslocamento 
femoral que não depende necessariamente do núcleo de ossificação (Seção 5.5).
• Labrum acetabular — estrutura fibrocartilaginosa que circunda o acetábulo e aumenta sua 
profundidade funcional (Seção 1.6).
• Linha de Hilgenreiner — linha horizontal radiográfica traçada através das cartilagens trirradiadas (Seção 
10.3.1).
• Linha de Perkin — linha vertical perpendicular à Hilgenreiner junto à borda lateral acetabular (Seção 
10.3.2).
• Linha de Shenton — arco radiográfico formado pela borda inferior do ramo púbico superior e pela 
região inferomedial do colo femoral (Seção 10.3.4).
• Luxação — perda completa da relação articular normal entre a cabeça femoral e o acetábulo.
• Ortolani — manobra utilizada para detectar a reduçãode uma cabeça femoral luxada, porém redutível 
(Seções 7.1 e 9.2).
• Osteonecrose — morte do tecido ósseo decorrente de comprometimento vascular (Seção 13.8).
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• Pavlik — órtese dinâmica utilizada principalmente em lactentes jovens para favorecer redução e 
estabilização do quadril (Seção 12.3).
• Pulvinar — tecido fibroadiposo localizado no fundo do acetábulo, que pode hipertrofiar em luxações 
persistentes (Seção 6.3).
• Redução concêntrica — posicionamento da cabeça femoral adequadamente centrada no acetábulo.
• Subluxação — perda parcial da relação normal entre a cabeça femoral e o acetábulo.
• Tönnis — classificação radiográfica utilizada para graduar o deslocamento na DDQ (Seção 5.4).
• Trendelenburg — queda da pelve contralateral durante apoio unipodal por insuficiência mecânica do 
mecanismo abdutor (Seção 7.4).
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MAPA DE REVISÃO
Revisão ultracondensada da Displasia do Desenvolvimento do Quadril, pensada para ser percorrida em 
cerca de 2 a 3 minutos antes de uma prova, APG ou apresentação.
PONTO-CHAVE
DISPLASIA DO DESENVOLVIMENTO DO QUADRIL
• → Estrutura normal envolvida: articulação coxofemoral — cabeça femoral + acetábulo (ílio, ísquio, 
púbis) + cartilagem trirradiada + labrum (Capítulo 1).
• → Princípio anatômico central: a cabeça femoral centralizada é o estímulo mecânico necessário para 
o aprofundamento do acetábulo (Seção 1.23).
• → Epidemiologia: predomínio feminino, quadril esquerdo, forte dependência da estratégia de 
rastreamento (Capítulo 2).
• → Etiologia: multifatorial — predisposição genética + suscetibilidade capsuloligamentar + forças 
mecânicas desfavoráveis (Capítulo 3).
• → Principais fatores de risco: apresentação pélvica e história familiar positiva (Capítulo 4).
• → Classificação: espectro anatomofuncional — displasia acetabular, instabilidade, subluxação e 
luxação, padrões que podem coexistir e não formam sequência obrigatória; Graf na ultrassonografia; 
Tönnis/IHDI na radiografia (Capítulo 5).
• → Mecanismo fisiopatológico central: perda da centralização → menor estímulo acetabular → 
displasia → maior descentralização (ciclo vicioso, Capítulo 6).
• → Manifestação característica: instabilidade neonatal (Barlow/Ortolani) → limitação da abdução e 
Galeazzi no lactente maior → claudicação após a marcha → dor mecânica tardia (Capítulo 7).
• → Principal red flag: febre, dor aguda intensa e recusa de apoio não são típicas de DDQ — pensar 
em artrite séptica (Capítulo 8).
• → Diagnóstico: idade + exame clínico + imagem apropriada; não há padrão-ouro único (Capítulo 9).
• → Principal exame: ultrassonografia ( 6 meses) (Capítulo 10).
• → Principal diferencial: artrite séptica (dor aguda + febre); ver também luxação teratológica e Legg-
Calvé-Perthes (Capítulo 11).
• → Tratamento de primeira linha: suspensório de Pavlik no lactente jovem com quadril redutível; 
escalonamento para redução fechada, aberta e osteotomias conforme idade e resposta (Capítulo 
12).
• → Principal complicação da doença: osteoartrose secundária por displasia residual. Principal 
complicação do tratamento: osteonecrose por comprometimento vascular (Capítulo 13).
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ANEXO — QUESTÕES
Questões de múltipla escolha sobre a Displasia do Desenvolvimento do Quadril. Cada questão apresenta 
quatro alternativas, das quais apenas uma é correta. O gabarito encontra-se ao final de todas as questões.
1. Lactente do sexo feminino, com 4 meses de idade, nascida em apresentação pélvica, é encaminhada à ortopedia 
após identificação de limitação assimétrica da abdução do quadril esquerdo. A ultrassonografia realizada 
previamente demonstrava cobertura acetabular reduzida e descentralização da cabeça femoral. Durante o 
acompanhamento, observa-se persistência da alteração, com acetábulo progressivamente raso e oblíquo.
Considerando a fisiopatologia da Displasia do Desenvolvimento do Quadril, qual sequência explica melhor a 
progressão estrutural observada nessa criança?
(A) Aumento inicial da profundidade acetabular → compressão excessiva da cabeça femoral → redução da 
mobilidade articular → retração capsular → lateralização secundária do fêmur proximal.
(B) Laxidade capsuloligamentar → aumento da pressão concêntrica sobre o acetábulo → crescimento 
exagerado do teto acetabular → redução da cobertura femoral → luxação progressiva.
(C) Descentralização da cabeça femoral → aumento compensatório do estímulo sobre a cartilagem trirradiada 
→ crescimento excessivo do rebordo acetabular → perda progressiva da congruência.
(D) Descentralização persistente da cabeça femoral → redução do estímulo mecânico fisiológico sobre o 
acetábulo → desenvolvimento acetabular insuficiente → menor cobertura da cabeça femoral → aumento 
da instabilidade.
2. Menina de 18 meses apresenta claudicação desde o início da marcha e limitação importante da abdução do 
quadril direito. A radiografia evidencia luxação superior e lateral da cabeça femoral. Durante tentativa de 
redução sob anestesia, não se obtém posicionamento concêntrico adequado da cabeça femoral no acetábulo. 
O ortopedista considera que a permanência prolongada da luxação produziu alterações secundárias nas partes 
moles periarticulares.
Qual conjunto de alterações anatomopatológicas melhor explica a dificuldade de redução observada?
(A) Hipertrofia e possível inversão do labrum, aumento do tecido fibroadiposo do pulvinar, espessamento do 
ligamento da cabeça femoral e alterações capsulares que podem funcionar como obstáculos mecânicos à 
redução.
(B) Atrofia do labrum, desaparecimento do pulvinar, ruptura precoce do ligamento da cabeça femoral e 
distensão irreversível da cartilagem trirradiada, produzindo aumento do espaço acetabular.
(C) Calcificação primária do labrum, necrose obrigatória da cabeça femoral, hipertrofia da cartilagem articular 
e alongamento dos adutores, facilitando a migração inferior da cabeça femoral.
(D) Fibrose exclusiva da membrana sinovial, hipertrofia do glúteo médio, redução da anteversão femoral e 
aumento da profundidade acetabular, impedindo mecanicamente a centralização da cabeça.
3. Criança de 3 anos com DDQ diagnosticada tardiamente é submetida a redução aberta e imobilização com gesso 
pelvipodálico. No pós-operatório imediato, apresenta dor intensa e recebe morfina. Após aumento da dose 
analgésica, torna-se progressivamente sonolenta, com redução da frequência respiratória e hipoventilação.
Considerando o papel dos medicamentos utilizados no tratamento da DDQ e a farmacologia do fármaco 
administrado, a interpretação mais adequada é:
(A) A morfina inibe predominantemente a ciclo-oxigenase periférica, reduzindo prostaglandinas; a 
hipoventilação indica reação idiossincrática sem relação com seu mecanismo farmacológico.
(B) A morfina apresenta ação analgésica predominantemente central não opioide e, além do controle da dor, 
favorece diretamente o remodelamento acetabular durante o pós-operatório.
(C) A morfina atua principalmente como agonista de receptores opioides μ no sistema nervoso central; 
depressão respiratória é uma complicação potencialmente grave, e o fármaco possui função analgésica, 
não corretiva da fisiopatologia da DDQ.
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(D) A morfina bloqueia a síntese periférica de prostaglandinas e reduz a inflamação acetabular responsável 
pela displasia, sendo a depressão respiratória consequência esperada da correção anatômica do quadril.
4. Adolescentede 15 anos, tratada tardiamente por Displasia do Desenvolvimento do Quadril, apresenta displasia 
acetabular residual. Refere dor inguinal progressiva durante corrida e permanência prolongada em 
ortostatismo. A radiografia demonstra acetábulo raso, cobertura superolateral insuficiente da cabeça femoral e 
lateralização do centro de rotação. A ressonância magnética evidencia alterações degenerativas iniciais do 
labrum anterossuperior, sem osteoartrose avançada.
Considerando a biomecânica e a fisiopatologia responsáveis pela evolução desse quadro, qual mecanismo melhor 
integra os achados?
(A) A menor cobertura acetabular amplia a área de contato entre cabeça femoral e acetábulo, reduz a carga 
transmitida ao labrum e desloca predominantemente as forças para a região inferomedial da articulação.
(B) A menor cobertura acetabular reduz a área efetiva de contato, concentra cargas próximas ao rebordo, 
aumenta a participação mecânica do labrum e favorece lesão labrocondral progressiva e osteoartrose 
secundária.
(C) A lateralização da cabeça femoral aumenta o braço de momento dos abdutores, diminui a força necessária 
para estabilizar a pelve e transfere a maior parte da sobrecarga para a cápsula posterior.
(D) A displasia acetabular produz inicialmente ausência quase completa de carga sobre o labrum, seguida por 
degeneração primária da cabeça femoral, que posteriormente determina insuficiência acetabular 
secundária.
5. Menina de 6 anos encontra-se no primeiro dia pós-operatório de procedimento corretivo para DDQ e apresenta 
dor de intensidade moderada. Foi prescrita analgesia com ibuprofeno. Algumas horas depois, apresenta 
vômitos repetidos, redução da ingestão oral e sinais clínicos de desidratação. A equipe discute a necessidade de 
reavaliar a manutenção do anti-inflamatório.
Considerando o mecanismo de ação e os possíveis efeitos adversos do ibuprofeno, qual interpretação é a mais 
adequada?
(A) O ibuprofeno estimula a síntese de prostaglandinas renais e, por isso, a desidratação aumenta 
principalmente o risco de retenção urinária por excesso de perfusão glomerular.
(B) O ibuprofeno atua como agonista de receptores opioides μ, justificando analgesia potente, porém 
aumentando o risco de depressão respiratória quando associado à redução da volemia.
(C) O ibuprofeno exerce ação analgésica predominantemente central sem interferência nas prostaglandinas, e 
sua principal toxicidade aguda esperada nesse contexto é hepatotoxicidade dose-dependente.
(D) O ibuprofeno inibe ciclo-oxigenase e reduz a síntese de prostaglandinas; em situação de hipovolemia, essa 
ação pode comprometer mecanismos de manutenção da perfusão renal, além de produzir efeitos 
gastrointestinais e hemorrágicos.
6. Lactente de 3 meses com DDQ e luxação redutível inicia tratamento com suspensório de Pavlik. Em retorno, 
observa-se que a órtese foi ajustada de modo a manter os quadris em abdução excessiva. O ortopedista 
modifica imediatamente o posicionamento e orienta os responsáveis quanto ao risco de manter a posição 
inadequada.
A principal justificativa fisiopatológica para evitar abdução excessivamente forçada é:
(A) A posição pode comprometer a circulação da epífise femoral e aumentar o risco de osteonecrose da cabeça 
femoral; o objetivo terapêutico é obter redução concêntrica e estável sem tensão vascular excessiva.
(B) A posição provoca fechamento precoce da cartilagem trirradiada, impedindo definitivamente o 
crescimento da pelve independentemente da duração do tratamento.
(C) A posição produz ruptura mecânica obrigatória do ligamento da cabeça femoral, interrompendo a única 
fonte vascular da epífise durante toda a infância.
(D) A posição aumenta a perfusão retinacular e causa hipertensão intraóssea da cabeça femoral, levando 
secundariamente à necrose por hiperemia persistente.
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7. Menina de 20 meses, com diagnóstico tardio de Displasia do Desenvolvimento do Quadril à esquerda, apresenta 
limitação acentuada da abdução e discrepância aparente entre os membros inferiores. A radiografia evidencia 
migração superior e lateral do fêmur proximal. Durante redução sob anestesia, a cabeça femoral aproxima-se 
do acetábulo verdadeiro, porém não consegue ocupar profundamente a cavidade. A avaliação intraoperatória 
demonstra tecido ocupando o acetábulo e deformação de estruturas periarticulares.
Qual conjunto de alterações anatomopatológicas é mais compatível com a persistência prolongada da luxação e 
pode contribuir diretamente para impedir uma redução concêntrica?
(A) Hipoplasia do pulvinar, afinamento do ligamento da cabeça femoral, relaxamento progressivo dos adutores 
e aprofundamento compensatório do acetábulo verdadeiro.
(B) Ossificação precoce do labrum, desaparecimento do tecido fibroadiposo acetabular, alongamento do 
iliopsoas e aumento uniforme da cobertura acetabular.
(C) Hipertrofia do pulvinar, espessamento do ligamento da cabeça femoral, deformação ou inversão do labrum 
e alterações capsulares associadas a retrações periarticulares.
(D) Necrose primária da cartilagem trirradiada, ruptura obrigatória da cápsula, atrofia dos adutores e formação 
de um acetábulo verdadeiro progressivamente mais profundo.
8. Criança de 5 anos com DDQ unilateral não reconhecida durante a lactância apresenta claudicação e queda da 
pelve contralateral durante apoio no membro acometido. O exame radiográfico demonstra lateralização do 
centro de rotação do quadril e cobertura acetabular reduzida. Não há doença neurológica nem lesão primária 
dos músculos glúteos.
Considerando a fisiologia dos abdutores e a biomecânica do quadril, qual mecanismo explica melhor o padrão de 
marcha apresentado?
(A) A lateralização do centro articular reduz a eficiência mecânica dos abdutores, exigindo maior força do 
glúteo médio e mínimo para equilibrar o momento produzido pelo peso corporal e favorecendo 
instabilidade pélvica durante o apoio unipodal.
(B) A lateralização do centro articular aumenta o braço de momento dos abdutores, reduzindo a necessidade 
de recrutamento muscular e causando queda pélvica por excesso de estabilização do lado acometido.
(C) A menor cobertura acetabular desloca o centro articular medialmente, aumenta a vantagem mecânica dos 
abdutores e produz queda da pelve exclusivamente por encurtamento do membro inferior.
(D) A alteração acetabular bloqueia diretamente a contração do glúteo médio por compressão de sua 
inervação, sendo a perda de força muscular uma neuropatia obrigatória da DDQ avançada.
9. Menino de 4 anos é submetido a procedimento cirúrgico para correção de DDQ diagnosticada tardiamente. No 
pós-operatório, recebe paracetamol para analgesia. Horas depois, os responsáveis informam que 
administraram em casa, antes da internação, várias doses adicionais do mesmo medicamento por acreditarem 
que ele também auxiliaria na correção da inflamação e da deformidade do quadril.
Considerando a farmacologia do paracetamol e seu papel na DDQ, qual interpretação é a mais adequada?
(A) O paracetamol inibe intensamente a ciclo-oxigenase periférica nos tecidos articulares e, por isso, pode 
contribuir para remodelamento acetabular, sendo a nefrotoxicidade sua principal complicação em 
superdosagem.
(B) O paracetamol exerce ação analgésica e antipirética predominantemente central, não corrige a 
fisiopatologia estrutural da DDQ e, em superdosagem, pode causar hepatotoxicidade potencialmente 
grave.
(C) O paracetamol atua como agonista parcial de receptores opioides μ e, embora não interfira no acetábulo, 
sua toxicidade característica é depressão respiratória dose-dependente.
(D) O paracetamol bloqueia a síntese periférica de prostaglandinas de modo semelhante aos AINEs e reduz 
diretamente a instabilidadecapsuloligamentar, sendo o sangramento gastrointestinal sua principal 
toxicidade.
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10. Adolescente de 16 anos, com antecedente de Displasia do Desenvolvimento do Quadril não reconhecida na 
primeira infância, apresenta dor inguinal progressiva aos esforços. A radiografia demonstra acetábulo raso, 
cobertura superolateral insuficiente e discreta lateralização da cabeça femoral. A ressonância magnética 
evidencia hipertrofia e degeneração do labrum anterossuperior, associadas a alterações iniciais da cartilagem 
adjacente, ainda sem redução radiográfica importante do espaço articular.
Considerando a progressão fisiopatológica da DDQ residual, qual sequência melhor explica os achados dessa 
paciente?
(A) Aumento da cobertura acetabular → redução da área de contato → descarga mecânica do labrum → 
degeneração primária da cartilagem → osteoartrose secundária.
(B) Medialização do centro articular → aumento do braço de momento dos abdutores → hiperpressão 
exclusivamente central → ruptura labral por tração capsular.
(C) Ausência completa de contato cabeça–acetábulo → aumento da carga fisiológica sobre toda a cartilagem 
acetabular → hipertrofia labral compensatória → aumento progressivo da congruência.
(D) Cobertura acetabular insuficiente → redução da área efetiva de contato → concentração de cargas junto ao 
rebordo → sobrecarga labral e condral → dano progressivo da cartilagem e do osso subcondral → 
osteoartrose secundária.
11. Menino de 5 anos encontra-se no pós-operatório de correção cirúrgica de DDQ. Apresenta dor moderada, 
edema relacionado ao procedimento e mantém ingestão hídrica reduzida, com episódios de vômitos. A 
prescrição analgésica inclui um fármaco que reduz a síntese de prostaglandinas pela inibição da ciclo-oxigenase. 
Durante a discussão terapêutica, a equipe destaca que o estado de hipovolemia aumenta a preocupação com 
determinado efeito adverso desse medicamento.
Qual associação entre fármaco, mecanismo e efeito adverso está correta?
(A) Paracetamol — agonismo de receptores μ — redução da transmissão nociceptiva — risco predominante de 
depressão respiratória.
(B) Ibuprofeno — inibição da ciclo-oxigenase e redução da síntese de prostaglandinas — analgesia e ação anti-
inflamatória — possibilidade de comprometimento da função renal, além de efeitos gastrointestinais e 
hemorrágicos.
(C) Morfina — inibição periférica da síntese de prostaglandinas — analgesia anti-inflamatória — risco 
predominante de hepatotoxicidade em superdosagem.
(D) Paracetamol — bloqueio periférico intenso da ciclo-oxigenase — analgesia anti-inflamatória — 
possibilidade de broncoespasmo e sangramento gastrointestinal como toxicidades características.
12. Lactente de 2 meses apresenta quadril esquerdo luxado, porém redutível, e inicia tratamento com suspensório 
de Pavlik. Após algumas semanas, a ultrassonografia demonstra manutenção concêntrica da cabeça femoral no 
acetábulo e melhora progressiva da morfologia acetabular. Os responsáveis questionam por que o simples 
reposicionamento precoce da cabeça femoral pode modificar o desenvolvimento do acetábulo.
Qual mecanismo explica melhor esse efeito terapêutico?
(A) A órtese imobiliza completamente a articulação, suprime as forças mecânicas sobre a cartilagem trirradiada 
e permite que o acetábulo se aprofunde independentemente da posição da cabeça femoral.
(B) A abdução máxima comprime mecanicamente o teto acetabular e estimula sua ossificação direta, tornando 
desnecessária a manutenção de contato concêntrico entre cabeça femoral e acetábulo.
(C) A restauração e manutenção da relação concêntrica restabelecem estímulos mecânicos fisiológicos sobre o 
acetábulo em crescimento, permitindo que a cabeça femoral volte a atuar como molde para o 
aprofundamento e remodelamento acetabular.
(D) A redução promove hipertrofia do labrum, que passa a substituir permanentemente a cobertura óssea 
insuficiente e constitui o principal responsável pelo desenvolvimento posterior do acetábulo.
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GABARITO — ANEXO DE QUESTÕES
Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5 Questão 6
D A C B D A
Questão 7 Questão 8 Questão 9 Questão 10 Questão 11 Questão 12
C A B D B C
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 94Músculos flexores do quadril: origens, inserções e ações do iliopsoas, reto femoral, sartório, tensor da fáscia lata e 
pectíneo.
Extensores
Principais: glúteo máximo, semitendíneo, semimembranáceo, cabeça longa do bíceps femoral e porção 
posterior do adutor magno. O glúteo máximo é o principal extensor potente do quadril.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 9
Livro Integrado Digital de Estudo — Displasia do Desenvolvimento do Quadril
Músculos extensores do quadril: origens, inserções e ações do glúteo máximo, semitendíneo, semimembranáceo e 
cabeça longa do bíceps femoral.
Abdutores
Principais: glúteo médio, glúteo mínimo e tensor da fáscia lata. Os músculos glúteo médio e glúteo 
mínimo são fundamentais para a estabilidade da pelve durante apoio unipodal. Durante a marcha:
peso corporal tende a inclinar a pelve → abdutores produzem momento oposto → pelve permanece 
aproximadamente nivelada
Esse mecanismo depende de um braço de alavanca adequado entre o centro de rotação do quadril e as 
inserções dos músculos abdutores.
Adutores
Principais: adutor longo, adutor curto, adutor magno, grácil e pectíneo. Além da adução, esses músculos 
participam da estabilização do membro durante diferentes fases da marcha.
Rotadores externos
Incluem piriforme, obturador interno, obturador externo, gêmeo superior, gêmeo inferior, quadrado 
femoral e glúteo máximo, contribuindo para o controle rotacional e a estabilização dinâmica da cabeça 
femoral.
Rotadores internos
Participam principalmente as fibras anteriores do glúteo médio, o glúteo mínimo e o tensor da fáscia 
lata.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 10
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1.12 Tendões particularmente relevantes
• Tendões dos glúteos médio e mínimo — inserem-se em diferentes regiões do trocânter maior; 
importantes para abdução, estabilização da pelve e controle da cabeça femoral durante a carga.
• Tendão do iliopsoas — passa anteriormente à cápsula e insere-se no trocânter menor.
• Tendão do reto femoral — relaciona-se à região anterior do acetábulo e participa da flexão do quadril e 
extensão do joelho.
• Tendões dos rotadores externos — passam posteriormente à articulação e participam do controle 
rotacional e da estabilização dinâmica.
1.13 Bursas periarticulares
As principais bursas da região são:
• Bursa iliopsoas ou iliopectínea — localizada anteriormente, entre o iliopsoas e estruturas anteriores da 
articulação.
• Bursa trocantérica — localizada na região lateral do trocânter maior, diminuindo o atrito entre 
estruturas tendíneas/fasciais e o trocânter.
• Bursa isquiática — relacionada à tuberosidade isquiática e aos tecidos adjacentes.
Essas bursas têm função predominantemente de redução do atrito entre estruturas móveis. Não 
constituem estruturas primariamente envolvidas na DDQ e, portanto, não necessitam de aprofundamento 
adicional neste capítulo.
1.14 Vascularização
A vascularização da cabeça femoral possui grande importância ortopédica porque parte de seus vasos 
percorre o colo femoral antes de penetrar na epífise.
Artéria circunflexa femoral medial
Na anatomia madura, constitui a principal fonte vascular para a cabeça femoral, sobretudo através de 
sua circulação retinacular. Seus ramos percorrem a região posterior do colo e originam vasos retinaculares que 
seguem em direção à cabeça femoral.
Artéria circunflexa femoral lateral
Fornece contribuição principalmente anterior, embora geralmente menos importante para a epífise da 
cabeça femoral que a circulação retinacular proveniente da circunflexa medial.
Artéria do ligamento da cabeça femoral
Geralmente deriva da circulação obturatória e percorre o ligamento da cabeça femoral até a fóvea. Sua 
importância é dependente da idade, sendo relativamente maior em determinadas fases iniciais do 
desenvolvimento infantil.
CONCEITO ESSENCIAL
A vascularização da cabeça femoral infantil é dinâmica e muda com o crescimento. Esse fato será 
fundamental mais adiante para compreender complicações relacionadas à DDQ e ao seu tratamento, 
especialmente a vulnerabilidade vascular da epífise femoral (Capítulos 12 e 13).
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 11
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1.15 Vascularização do acetábulo e do labrum
O acetábulo recebe contribuições de ramos provenientes principalmente das circulações glútea, 
obturatória e circunflexa femoral. O labrum possui vascularização predominantemente periférica. Isso produz 
diferenças regionais de vascularização e, consequentemente, de potencial biológico de reparação.
1.16 Drenagem venosa
A drenagem venosa acompanha aproximadamente as redes arteriais, formando plexos periarticulares 
que drenam para as veias circunflexas femorais, a veia femoral profunda e os sistemas glúteos e obturatórios. 
A circulação venosa participa da manutenção metabólica do osso subcondral, da epífise femoral, da cápsula e 
das estruturas periarticulares.
1.17 Inervação articular
A cápsula do quadril apresenta inervação sensitiva múltipla, o que explica por que a nocicepção 
proveniente da articulação não depende de um único nervo.
Região Principal inervação
Cápsula anterior Ramos articulares dos nervos femoral, obturatório e obturatório acessório 
(quando presente)
Cápsula posterior Nervo para o quadrado femoral, nervo glúteo superior e ramos articulares 
variáveis do nervo ciático
1.18 Relações anatômicas importantes
Posição Principais estruturas relacionadas
Anteriormente Iliopsoas, nervo femoral, artéria e veia femorais, pectíneo, reto femoral
Posteriormente Glúteo máximo, rotadores externos profundos, nervo ciático, estruturas glúteas
Lateralmente Trocânter maior, glúteo médio, glúteo mínimo, tensor da fáscia lata, trato iliotibial
Medialmente Musculatura adutora, obturador externo, estruturas do forame obturatório
Essas relações explicam a proximidade entre componentes osteoarticulares, vasculares, musculares e 
neurológicos do quadril.
1.19 Biomecânica normal do quadril
A biomecânica normal depende fundamentalmente de quatro elementos:
congruência → cobertura → estabilidade → mobilidade
Congruência
A cabeça femoral deve permanecer adequadamente centrada no acetábulo durante movimento e 
carga.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 12
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Cobertura
O acetábulo deve envolver uma proporção suficiente da cabeça femoral para distribuir as forças por 
ampla superfície.
Estabilidade
Resulta de dois grupos de estabilizadores:
Categoria Estruturas
Estabilizadores estáticos Profundidade acetabular, labrum, cápsula, ligamentos, pressão intra-
articular
Estabilizadores dinâmicos Glúteo médio, glúteo mínimo, glúteo máximo, iliopsoas, adutores, 
rotadores profundos
1.20 Distribuição das cargas
Durante a sustentação do peso corporal, forças provenientes do tronco são transmitidas:
pelve → acetábulo → cartilagem articular → cabeça femoral → colo femoral → diáfise femoral
Quanto maior a congruência e a área efetiva de contato:
maior distribuição da carga → menor concentração de pressão por unidade de área
O teto acetabular participa intensamente dessa transmissão de carga. O labrum complementa esse 
mecanismo ao manter a pressurização do líquido intra-articular e aumentar a estabilidade à distração.
1.21 Biomecânica dos abdutores
Durante apoio em um único membro, o peso do tronco produz um momento que tende a inclinar a 
pelve para o lado oposto. O glúteo médio e o glúteo mínimo geram momento em sentido contrário. Portanto:
peso corporal (momento de adução) → abdutores (momento de abdução) → equilíbrio: pelve 
estabilizada
A eficiência desse mecanismo depende da posição do centro de rotação do quadril e do comprimento 
funcional do braço de alavanca dos abdutores.
1.22 Movimentos fisiológicosA articulação coxofemoral permite movimentos em três planos:
Plano Movimentos
Sagital Flexão, extensão
Frontal Abdução, adução
Transversal Rotação interna, rotação externa
Além desses movimentos isolados ocorre circundução. A amplitude varia significativamente com a 
idade, a posição do joelho, a posição da pelve, a tensão capsular, a versão femoral e a orientação acetabular. 
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 13
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Nas crianças pequenas existe geralmente maior mobilidade e maior componente cartilaginoso, enquanto 
crescimento, remodelamento femoral e maturação capsulomuscular modificam progressivamente a 
cinemática.
1.23 O princípio da estabilidade concêntrica
Este é o conceito anatômico mais importante para compreender posteriormente a DDQ. Em condições 
normais:
Cabeça femoral esférica
↓
Centralizada no acetábulo
↓
Contato articular relativamente congruente
↓
Pressões distribuídas
↓
Estímulo mecânico adequado ao crescimento acetabular
↓
Aprofundamento e maturação progressivos do acetábulo
↓
Estabilidade crescente do quadril
A anatomia do quadril infantil é, portanto, moldada pela interação entre crescimento biológico e forças 
mecânicas.
1.24 Integração anatomofuncional
Estrutura Função normal Importância para a DDQ
Cabeça femoral Superfície móvel e transmissora de 
carga
Deve permanecer centrada para permitir 
desenvolvimento articular adequado
Acetábulo Cobertura e contenção da cabeça 
femoral
Sua profundidade e orientação 
determinam cobertura e estabilidade
Cartilagem 
trirradiada Crescimento da pelve e acetábulo Fundamental para remodelamento 
durante a infância
Cartilagem 
acetabular
Crescimento e formação progressiva 
do acetábulo
Permite aprofundamento durante o 
desenvolvimento
Labrum Amplia profundidade funcional e 
produz selo articular
Complementa a estabilidade quando a 
cabeça está adequadamente posicionada
Cápsula Contenção passiva Restringe translação excessiva
Ligamento 
iliofemoral Controle de extensão e rotação Importante estabilizador anterior
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 14
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Estrutura Função normal Importância para a DDQ
Ligamentos 
pubofemoral e 
isquiofemoral
Controle dos extremos de movimento Participam da estabilidade 
multidirecional
Ligamento da cabeça 
femoral
Estabilidade secundária e condução 
vascular
Contribuição vascular mais relevante 
durante o desenvolvimento
Glúteo médio e 
mínimo Abdução e estabilidade pélvica Mantêm o equilíbrio da pelve durante a 
marcha
Iliopsoas Flexão e estabilização anterior Importante relação anatômica anterior
Rotadores profundos Controle rotacional Estabilizadores dinâmicos
Circulação 
retinacular Irrigação da cabeça femoral Essencial para viabilidade da epífise 
femoral
Inervação capsular Propriocepção e nocicepção Explica a origem articular de sintomas em 
doença do quadril
1.25 Síntese anatômica essencial
Para compreender a Displasia do Desenvolvimento do Quadril, cinco conceitos anatômicos devem estar 
sólidos:
1. O quadril infantil é uma articulação em formação. Grande parte de seus componentes é inicialmente 
cartilaginosa e sofre remodelamento durante o crescimento.
2. Cabeça femoral e acetábulo desenvolvem-se reciprocamente. A cabeça femoral adequadamente 
centrada fornece estímulos mecânicos necessários ao desenvolvimento acetabular.
3. A estabilidade resulta de várias estruturas. Osso + labrum + cápsula + ligamentos + músculos + pressão 
intra-articular.
4. A cobertura acetabular determina a distribuição das cargas. Boa cobertura → grande área de contato 
→ pressão distribuída.
5. O quadril pediátrico possui vascularização delicada e dependente da idade. A circulação epifisária da 
cabeça femoral será particularmente importante quando forem discutidos tratamento e complicações.
MAPA CONCEITUAL DA ANATOMOFISIOLOGIA NORMAL
PELVE EM CRESCIMENTO → ílio + ísquio + púbis + cartilagem trirradiada → formação e 
aprofundamento do acetábulo → cabeça femoral centralizada
congruência coxofemoral → labrum + cápsula + ligamentos → estabilidade estática + dinâmica
distribuição adequada das cargas → estímulo mecânico fisiológico → crescimento recíproco do 
acetábulo e fêmur proximal → quadril maduro, congruente e estável
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 15
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PONTO-CHAVE
Essa anatomia é exatamente a base para entender por que, na Displasia do Desenvolvimento do Quadril, 
alterações do acetábulo, da cartilagem trirradiada, do labrum, da cápsula e da centralização da cabeça 
femoral frequentemente aparecem juntas — cada capítulo seguinte deste material retoma diretamente 
uma dessas estruturas.
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CAPÍTULO 2 — EPIDEMIOLOGIA
2.1 Visão epidemiológica geral
A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) é uma das alterações ortopédicas mais relevantes da 
infância. Sua frequência não pode ser expressa por um único número universal, porque depende de quais 
alterações são incluídas no conceito de DDQ, da idade em que a criança é avaliada e, principalmente, do 
método utilizado para detecção. A frequência também varia entre populações e regiões, provavelmente pela 
interação entre predisposição genética, ambiente, práticas de cuidado pós-natal e estratégias de 
rastreamento 3,11.
Portanto, ao interpretar qualquer dado epidemiológico da DDQ, deve-se perguntar:
Qual população foi estudada? → Em que idade? → Qual método diagnóstico foi utilizado? → Qual 
definição de DDQ foi adotada?
2.2 Incidência e prevalência
Uma meta-análise abrangendo 76 estudos e aproximadamente 16,9 milhões de recém-nascidos 
demonstrou grande variação na incidência de DDQ identificada precocemente de acordo com a estratégia de 
rastreamento 3.
Estratégia de detecção DDQ identificada precocemente (por 1.000 
RN)
Rastreamento clínico 8,4
Ultrassonografia seletiva 4,4
Ultrassonografia universal 23
Esses números não significam que a ultrassonografia universal provoque maior DDQ: ela simplesmente 
identifica um número maior de quadris com alterações morfológicas ou maturacionais precoces, parte das 
quais pode evoluir espontaneamente para a normalidade. Na mesma revisão, cerca de 97% dos quadris 
ultrassonograficamente imaturos citados pelos autores normalizaram nos primeiros meses sem tratamento 3.
CONCEITO EPIDEMIOLÓGICO ESSENCIAL
Números aparentemente diferentes como 5/1.000, 10/1.000 e 20/1.000 ou mais podem coexistir na 
literatura sem necessariamente serem contraditórios, pois correspondem a populações, critérios e 
estratégias de rastreamento diferentes.
2.3 DDQ clinicamente relevante × imaturidade transitória
A distinção é particularmente importante no período neonatal. Alguns recém-nascidos apresentam 
frouxidão transitória, instabilidade discreta ou acetábulo ultrassonograficamente imaturo. Muitos desses 
quadris amadurecem espontaneamente. Por outro lado, uma parcela apresenta displasia verdadeira, 
instabilidade persistente, subluxação ou luxação, com maior possibilidade de progressão caso não seja 
reconhecida.
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 17
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alteração ultrassonográfica neonatal → ≠ necessariamente DDQ persistente clinicamente significativa
2.4 Distribuição segundo o sexo
A DDQ apresenta predomínio consistente no sexo feminino. Séries clássicas descrevem relação 
aproximada de 4:1 entre meninas e meninos 11; revisões demográficas amplas encontram cerca de 75% de 
meninas e, em grande série britânica recente, aproximadamente 86% 12. O predomínioé consistente, mas sua 
magnitude varia entre séries.
2.5 Lateralidade
A DDQ pode ser unilateral ou bilateral. Quando unilateral, predomina o quadril esquerdo, com 
percentuais próximos de 60% em séries clássicas 11. Uma revisão epidemiológica ampla encontrou 
aproximadamente 12:
• 64% de predomínio do lado esquerdo entre os casos com lateralidade definida
• 63,4% de doença unilateral
PADRÃO CLÁSSICO A MEMORIZAR
MENINAS > MENINOS
ESQUERDO > DIREITO
UNILATERAL > BILATERAL
A bilateralidade é suficientemente frequente para ter importância clínica e varia entre séries conforme 
população, definição de DDQ, idade e método de rastreamento (≈ 20% em séries clássicas 11). A explicação 
anatômica e mecânica dessa distribuição será retomada entre os fatores predisponentes (Capítulo 4).
2.6 Influência da estratégia de rastreamento
A DDQ é um exemplo clássico de doença cuja epidemiologia aparente é influenciada pela forma como se 
procura a doença. Existem três grandes estratégias descritas na literatura:
avaliação clínica → avaliação clínica + ultrassonografia seletiva → ultrassonografia universal
Entretanto, conforme a mesma meta-análise, a maior detecção precoce obtida pela ultrassonografia 
universal não se traduziu proporcionalmente em menor incidência de diagnósticos tardios ou de 
procedimentos cirúrgicos quando as diferentes estratégias foram comparadas 3.
ATENÇÃO
Taxa de detecção não é sinônimo de incidência biológica verdadeira da doença persistente.
2.7 Diagnóstico tardio
Epidemiologicamente, um dos indicadores mais importantes dos programas de detecção é a frequência 
de DDQ diagnosticada tardiamente. Na meta-análise internacional, considerando diagnóstico a partir de 12 
semanas, foram encontradas incidências agrupadas aproximadas de 3:
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Estratégia de rastreamento DDQ tardia (por 1.000 RN)
Rastreamento clínico 0,5
Ultrassonografia seletiva 0,6
Ultrassonografia universal 0,2
2.8 Epidemiologia no Brasil
O Brasil ainda não dispõe de uma estimativa nacional robusta e homogênea da incidência ou prevalência 
de DDQ. Uma revisão de escopo publicada em 2025 reuniu 52 estudos brasileiros publicados entre 1951 e 2023 
e encontrou prevalências descritas variando aproximadamente entre 0,75 e 56,4 casos por 1.000 crianças 5. 
Entretanto, essa amplitude decorre de importantes diferenças entre populações, métodos diagnósticos, 
regiões e desenhos dos estudos.
ATENÇÃO
Não é cientificamente adequado utilizar um único estudo regional como “prevalência brasileira” da DDQ.
Uma avaliação clínica neonatal brasileira de 9.171 crianças encontrou incidência aproximada de 5,01 
casos/1.000 recém-nascidos, com base principalmente na avaliação clínica neonatal pelo sinal de Ortolani 6. 
Esse número é próximo de estimativas historicamente encontradas em outras populações submetidas 
principalmente ao rastreamento clínico.
Um estudo prospectivo realizado em uma maternidade de São Paulo submeteu 678 recém-nascidos — 
1.356 quadris — à ultrassonografia pelo método de Graf nos primeiros dias de vida 7. Considerando DDQ os 
quadris classificados como Graf IIc ou mais graves, foram identificados 37 recém-nascidos afetados, 
correspondendo a prevalência de 5,46%.
2.9 Síntese epidemiológica
PARA MEMORIZAR
1. Não existe uma única incidência universal de DDQ — a frequência observada depende principalmente 
da população, da definição diagnóstica e da estratégia de rastreamento.
2. Meninas são muito mais frequentemente acometidas — o predomínio feminino é um dos achados 
epidemiológicos mais consistentes.
3. O quadril esquerdo é o mais frequentemente envolvido, especialmente nas apresentações unilaterais.
4. A ultrassonografia universal aumenta muito a detecção (≈ 23/1.000 versus ≈ 4,4/1.000 na 
ultrassonografia seletiva), sem que isso signifique que todas essas alterações evoluirão para doença 
persistente.
5. Diagnósticos tardios são muito menos frequentes que alterações detectadas no período neonatal — em 
grandes estudos, ficam na ordem de frações de um caso por 1.000 nascimentos.
6. O Brasil ainda não possui uma taxa nacional confiável — os estudos disponíveis são heterogêneos e 
fortemente concentrados nas regiões Sudeste e Sul.
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CAPÍTULO 3 — ETIOLOGIA
3.1 Etiologia multifatorial
A DDQ não possui causa única. Sua etiologia é multifatorial e resulta da interação entre predisposição 
genética/biológica e influências mecânicas sobre um quadril em desenvolvimento, cuja consequência comum 
é a perda ou insuficiência da relação concêntrica entre cabeça femoral e acetábulo.
3.2 Componente genético
A agregação familiar demonstra participação genética importante, embora a doença não apresente, na 
maioria dos casos, padrão monogênico simples. As variantes hereditárias influenciam principalmente o 
desenvolvimento acetabular, a morfologia do fêmur proximal, as propriedades do tecido conjuntivo e a 
estabilidade capsuloligamentar. Nenhum gene isolado responde pela maioria dos casos de DDQ típica.
3.3 Componente mecânico intrauterino
As forças mecânicas intrauterinas constituem um dos principais componentes etiológicos: posições 
fetais que mantêm o quadril em combinações desfavoráveis de adução, extensão ou rotação favorecem o 
deslocamento relativo da cabeça femoral.
Quando a cabeça femoral deixa de permanecer adequadamente centralizada, instala-se a seguinte 
sequência: posição mecânica desfavorável → redução da congruência cabeça–acetábulo → estímulo mecânico 
anormal sobre o acetábulo em crescimento → menor aprofundamento acetabular → instabilidade 
progressiva.
3.4 Influências mecânicas pós-natais
O desenvolvimento do quadril continua após o nascimento. Manter os quadris repetidamente em 
extensão e adução dificulta a permanência fisiológica da cabeça femoral no fundo do acetábulo; posições em 
flexão e abdução são compatíveis com a maturação normal.
3.5 Componente capsuloligamentar
Maior laxidade capsuloligamentar reduz a capacidade das estruturas passivas de manter a cabeça 
femoral centralizada. Resulta da interação entre fatores genéticos, tecido conjuntivo e influências hormonais 
— estas com participação isolada menos bem estabelecida.
ATENÇÃO
Não é adequado definir a DDQ simplesmente como uma doença causada por “excesso de hormônios 
maternos”.
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3.6 O ponto central da etiologia
Independentemente da combinação etiológica predominante, o evento fundamental é o mesmo: 
predisposição genética/biológica + ambiente mecânico desfavorável → centralização inadequada da cabeça 
femoral → desenvolvimento recíproco inadequado entre cabeça femoral e acetábulo → DDQ.
Etiologia multifatorial da DDQ: da predisposição genética/biológica e do ambiente mecânico desfavorável até a 
displasia estabelecida.
PARA MEMORIZAR
Três pilares etiológicos: predisposição genética · suscetibilidade capsuloligamentar · influências 
mecânicas desfavoráveis.
genética + suscetibilidade tecidual + mecânica desfavorável → centralização inadequada da cabeça 
femoral → desenvolvimento acetabular anormal → DDQ
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CAPÍTULO 4 — FATORES DE RISCO
A DDQ é multifatorial. Apresentação pélvica e história familiar positiva têm a associação mais 
consistente; sexo feminino e restrição mecânica intrauterina também são relevantes, e o posicionamento pós-
natal forçado em extensão e adução é o principal fator modificável. História prévia de instabilidade clínica doquadril, embora não seja fator etiológico, também motiva investigação por imagem.
4.1 Principais fatores de risco
Fator Mecanismo provável Relevância
Apresentação pélvica Posicionamento fetal desfavorável e maior restrição 
mecânica sobre os quadris Muito alta
História familiar de DDQ Predisposição genética para alterações morfológicas 
e/ou de estabilidade articular Muito alta
Sexo feminino Maior suscetibilidade biológica e capsuloligamentar Alta
Oligodrâmnio/restrição 
intrauterina
Redução da mobilidade fetal e aumento das forças 
posicionais sobre o quadril Moderada
Alto peso ao nascer/feto 
grande Potencial aumento da restrição mecânica intrauterina Associação descrita
Enfaixamento 
inadequado pós-natal Manutenção dos quadris em extensão e adução Modificável
4.2 Apresentação pélvica
É um dos fatores de risco mais importantes, sobretudo no terceiro trimestre e em configurações com 
maior restrição dos membros inferiores — por exemplo, com os joelhos estendidos 11 —, por manter o quadril 
sob forças mecânicas desfavoráveis em fase crítica de crescimento.
Sua importância é tão significativa que a AAOS recomenda investigação por imagem antes dos 6 meses 
em crianças com história de apresentação pélvica, mesmo quando o exame clínico é normal 1.
4.3 História familiar
A presença de DDQ em familiares de primeiro grau, particularmente pais ou irmãos, aumenta 
significativamente a probabilidade da doença e constitui um dos fatores de risco mais importantes 
reconhecidos pela AAOS e pela American Academy of Pediatrics (AAP) 1,2. Séries clássicas descrevem DDQ em 
aproximadamente 12–33% dos casos com história familiar positiva, com risco várias vezes maior entre irmãos 
11.
4.4 Sexo feminino
A DDQ é consideravelmente mais frequente em meninas, o que faz do sexo feminino um importante 
marcador epidemiológico de risco, classicamente associado à apresentação pélvica e à história familiar 
positiva 12. A hipótese tradicional envolve maior suscetibilidade à frouxidão ligamentar, possivelmente 
hormonal, mas esse mecanismo não está estabelecido como causa isolada.
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4.5 Restrição do espaço intrauterino
Condições que reduzem a mobilidade fetal favorecem posições inadequadas do quadril: oligodrâmnio, 
alto peso ao nascer ou feto grande, redução importante da mobilidade fetal e outras situações de restrição 
mecânica intrauterina.
Primiparidade/primogênito é associação historicamente descrita, possivelmente relacionada à maior 
restrição mecânica intrauterina, mas com importância independente menos consistente que apresentação 
pélvica e história familiar. Torcicolo muscular congênito, metatarso aduto e outras deformidades posicionais 
são condições associadas descritas — cerca de 5–20% e 1,5–10%, respectivamente, em séries 11 — e justificam 
atenção especial ao exame dos quadris, sem que devam ser tratadas como causas diretas estabelecidas.
4.6 Posicionamento pós-natal inadequado
É o principal fator modificável. Enfaixar o lactente mantendo quadris e joelhos rigidamente estendidos, 
sobretudo em adução, aumenta o risco de displasia e luxação.
A prevenção baseia-se em evitar a contenção rígida dos membros inferiores em extensão e adução: o 
lactente deve manter flexão fisiológica dos quadris, alguma abdução e liberdade de movimento.
 VÍDEO COMPLEMENTAR — ▶ Alerta sobre Enfaixamento (“Charutinho”) e Cangurus Inadequados
Assista em: https://www.youtube.com/watch?v=1SIAhp7Jy6Q
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 23
https://www.youtube.com/watch?v=1SIAhp7Jy6Q
https://www.youtube.com/watch?v=1SIAhp7Jy6Q
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CAPÍTULO 5 — CLASSIFICAÇÃO
A DDQ constitui um espectro de alterações da relação entre cabeça femoral e acetábulo, da displasia 
acetabular com cabeça centrada até a luxação completa. Como a terminologia clínica não é totalmente 
uniforme, as classificações por imagem são particularmente úteis para graduar a gravidade1.
5.1 Classificação anatomofuncional
Condição Característica
Displasia acetabular Acetábulo insuficientemente desenvolvido, geralmente com cabeça femoral 
ainda centrada
Instabilidade Cabeça femoral pode deslocar-se parcial ou completamente sob 
determinadas forças
Subluxação Perda parcial da relação normal cabeça–acetábulo
Luxação Cabeça femoral encontra-se deslocada para fora do acetábulo
Displasia acetabular → Instabilidade → Subluxação → Luxação
5.2 Classificação segundo o contexto clínico
Típica/idiopática
Ocorre em lactente sem doença neuromuscular ou síndrome malformativa e corresponde ao espectro 
clássico da DDQ.
Teratológica
Luxação já estabelecida no período intrauterino, habitualmente rígida ou pouco redutível ao 
nascimento e frequentemente associada a síndromes, artrogripose ou outras malformações.
Neuromuscular
Decorre da alteração do tônus e do equilíbrio muscular em doenças neuromusculares, podendo evoluir 
com subluxação ou luxação progressiva durante o crescimento.
5.3 Classificação ultrassonográfica de Graf
É a principal classificação morfológica da ultrassonografia do quadril infantil. Baseia-se no 
desenvolvimento do teto ósseo acetabular, medido pelo ângulo α, associado à avaliação do teto cartilaginoso 
pelo ângulo β9.
Graf Característica principal
I Quadril maduro — α ≥ 60°
IIa Imaturidade fisiológica em lactente jovem — α 50–59°
IIb Atraso de maturação após aproximadamente 3 meses — α 50–59°
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 24
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Graf Característica principal
IIc Displasia importante / “quadril crítico” — α 43–49°
D Quadril em descentração
III Quadril gravemente displásico e descentrado/subluxado, com deslocamento cranial da 
cabeça femoral e alteração do teto cartilaginoso
IV Luxação grave/completa, com cabeça femoral deslocada cranial e posteriormente para fora 
do acetábulo
5.4 Classificação radiográfica de Tönnis
Divide a DDQ em graus I a IV conforme o deslocamento do núcleo de ossificação da cabeça femoral em 
relação às linhas de Hilgenreiner e Perkin — quanto maior o grau, maior a gravidade. Sua principal limitação é 
depender desse núcleo de ossificação, que pode ainda não estar visível nos lactentes pequenos.
5.5 Classificação IHDI
A classificação do International Hip Dysplasia Institute (IHDI) também divide o deslocamento em graus I–
IV, porém utiliza um ponto da metáfise femoral proximal em vez do núcleo de ossificação 10. Por isso, pode ser 
aplicada mesmo quando o núcleo da cabeça femoral ainda não está ossificado. A gravidade aumenta 
progressivamente de I para IV.
PARA MEMORIZAR
DDQ = espectro anatomofuncional, não sequência obrigatória: displasia acetabular → instabilidade → 
subluxação → luxação. Os padrões podem coexistir.
Lactente — Graf (morfológica, ângulos α e β): I maduro · IIa imaturidade fisiológica · IIb atraso de 
maturação · IIc displasia importante · D descentração · III displasia grave · IV luxação.
Criança — Tönnis e IHDI: graus I a IV. ↑ grau = ↑ deslocamento = ↑ gravidade. A IHDI dispensa o núcleo 
de ossificação.
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Livro Integrado Digital de Estudo — Displasia do Desenvolvimento do Quadril
Classificação da DDQ: espectro anatomofuncional, contexto clínico, Graf (ultrassonografia) e Tönnis/IHDI 
(radiografia).
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 26
Livro Integrado Digital de Estudo — Displasia do Desenvolvimento do Quadril
CAPÍTULO 6 — FISIOPATOLOGIA
A fisiopatologia da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) deve ser entendida como um 
distúrbio do crescimento e da interação mecânica entre a cabeça femoral e o acetábulo. Este capítulo integra, 
em uma sequência única e nãorepetitiva, os mecanismos estruturais e biomecânicos que explicam por que a 
doença surge, como progride e por que tende a se agravar quando não corrigida precocemente, sempre no 
nível anatomofuncional relevante para a prática clínica.
6.1 Conceito central: a dependência recíproca cabeça–acetábulo
O ponto mais importante da fisiopatologia da DDQ é este:
PRINCÍPIO CENTRAL
O acetábulo infantil precisa da presença de uma cabeça femoral esférica, centralizada e submetida a 
estímulos mecânicos fisiológicos para desenvolver adequadamente sua profundidade e sua forma.
No quadril normal, o crescimento da cartilagem trirradiada e do complexo cartilaginoso acetabular 
aumenta progressivamente a cavidade, enquanto a cabeça femoral funciona como um verdadeiro molde 
biológico e mecânico do acetábulo. Essa relação é recíproca:
a cabeça femoral molda o acetábulo → o acetábulo contém a cabeça femoral
Quando essa reciprocidade se rompe, instala-se o mecanismo central de toda a doença:
perda da relação concêntrica cabeça femoral–acetábulo → estímulo mecânico anormal → 
desenvolvimento acetabular inadequado → maior instabilidade → maior descentralização
Esse mecanismo forma um ciclo de retroalimentação que será detalhado passo a passo neste capítulo e 
reunido, ao final, em uma síntese fisiopatológica única (Seção 6.8).
6.2 Onde ocorre a primeira quebra da homeostase?
Não existe obrigatoriamente um único ponto inicial em todos os pacientes. Dois caminhos podem 
participar:
1. Instabilidade predominante — predisposição capsuloligamentar e/ou forças mecânicas desfavoráveis 
permitem que a cabeça femoral se desloque parcialmente.
2. Desenvolvimento acetabular insuficiente predominante — um acetábulo relativamente raso oferece 
menor cobertura para a cabeça femoral, favorecendo instabilidade.
Na prática, os dois fenômenos passam a se potencializar mutuamente:
Acetábulo raso
↓
Menor contenção
↓
Instabilidade
↓
Descentralização da cabeça
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↓
Menor estímulo para desenvolvimento do acetábulo
↓
Acetábulo ainda mais raso
Portanto, não é correto imaginar que todos os casos começam obrigatoriamente por uma única 
alteração anatômica.
6.3 Fisiopatologia em etapas progressivas
A partir da quebra inicial de homeostase, a doença evolui por etapas reconhecíveis, que se sobrepõem 
no tempo e se retroalimentam.
Etapa 1 — Predisposição
A criança pode apresentar uma combinação de suscetibilidade genética, maior laxidade 
capsuloligamentar, características morfológicas predisponentes, forças intrauterinas desfavoráveis, 
apresentação pélvica, redução dos movimentos fetais e posicionamento pós-natal inadequado.
Estudos utilizando movimentos fetais avaliados por cine-RM e modelagem biomecânica demonstraram 
menor força de movimento e alteração dos estímulos mecânicos sobre o quadril em situações como 
apresentação pélvica e oligodrâmnio, apoiando o papel da mecânica fetal na morfogênese articular.
Ainda assim: fator de risco ≠ doença. A doença aparece quando esses fatores interferem 
suficientemente na estabilidade ou no desenvolvimento concêntrico da articulação.
Etapa 2 — Instabilidade inicial
Quando a cápsula e os estabilizadores não conseguem manter a cabeça femoral perfeitamente 
centrada, surge uma microinstabilidade ou instabilidade franca. Inicialmente, a cabeça pode ainda 
permanecer no acetábulo em repouso, porém apresentar deslocamento durante determinadas posições.
laxidade/força mecânica → translação da cabeça femoral → perda intermitente da congruência → 
distribuição anormal das forças sobre o acetábulo
Se essa alteração for pequena e transitória, o quadril pode amadurecer normalmente. Se persistir, passa 
a interferir no crescimento.
Etapa 3 — Descentralização da cabeça femoral
O evento decisivo para a progressão da DDQ é a perda persistente da relação concêntrica entre a cabeça 
femoral e o acetábulo. Ela pode ocorrer em graus:
instabilidade → subluxação → luxação
Na subluxação, ainda existe contato parcial. Na luxação, a cabeça femoral perde grande parte ou 
totalmente seu contato normal com a cavidade acetabular. Quanto maior e mais prolongada a 
descentralização, menor o estímulo mecânico fisiológico recebido pelo acetábulo verdadeiro.
Etapa 4 — Falha do desenvolvimento acetabular e o ciclo vicioso
Aqui ocorre o núcleo da doença. No quadril normal, a cabeça femoral exerce forças sobre diferentes 
regiões da cartilagem acetabular durante movimentos e carga. Quando a cabeça está deslocada:
O estímulo deixa de atingir corretamente o acetábulo
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↓
O acetábulo não aprofunda adequadamente
↓
O teto acetabular permanece mais oblíquo
↓
A cavidade torna-se relativamente rasa
↓
Diminui ainda mais a cobertura da cabeça femoral
Os estudos anatômicos de Ponseti demonstraram que o crescimento acetabular depende de 
crescimento intersticial da cartilagem trirradiada, crescimento periférico e formação óssea, além da presença 
da cabeça femoral na formação da concavidade 8. Portanto: a displasia acetabular não é simplesmente um 
“acetábulo pequeno”; é um acetábulo cuja morfogênese tridimensional foi alterada.
Uma vez iniciado, esse desequilíbrio forma o principal circuito fisiopatológico da doença — o ciclo 
vicioso da DDQ:
Menor cobertura acetabular
↓
Menor estabilidade
↓
Maior lateralização/superiorização da cabeça femoral
↓
Menor contato concêntrico
↓
Menor estímulo para crescimento do acetábulo
↓
Maior displasia
↓
Menor cobertura (o ciclo se repete)
PONTO-CHAVE
É exatamente por isso que a restauração precoce de uma relação concêntrica possui tamanho potencial 
de remodelamento na criança: o crescimento ainda pode utilizar novamente a cabeça femoral como 
molde (ver Capítulo 12).
Etapa 5 — Remodelamento patológico dos tecidos moles
Quando a cabeça femoral permanece subluxada ou luxada, o organismo adapta os tecidos ao novo 
posicionamento patológico. Inicialmente essas alterações são secundárias, mas, com o tempo, podem 
contribuir para manter a luxação.
Cápsula articular
A cápsula é progressivamente distendida pela migração da cabeça femoral:
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migração da cabeça → alongamento capsular → aumento do espaço capsular superior → piora da 
estabilidade
Posteriormente, determinadas regiões podem sofrer retração e fibrose.
Labrum
O labrum inicialmente tenta aumentar a contenção da cabeça femoral. Quando submetido 
repetidamente ao deslocamento da cabeça, pode hipertrofiar, deformar-se, ser evertido ou, em quadros mais 
avançados, inverter-se. Essas alterações deixam de ser apenas consequências e podem tornar-se obstáculos 
mecânicos para uma redução concêntrica. Em estudo de crianças submetidas a redução aberta por DDQ, 
alterações como labrum invertido, tecido fibroadiposo intra-acetabular e espessamento do ligamento da 
cabeça femoral foram encontradas com frequência.
Pulvinar e tecido fibroadiposo
A região central do acetábulo contém tecido adiposo denominado pulvinar. Na luxação persistente, esse 
tecido pode tornar-se hiperplásico, fibroso e volumoso:
acetábulo não ocupado pela cabeça → preenchimento progressivo por tecido fibroadiposo → redução do 
espaço disponível para retorno profundo da cabeça femoral
O pulvinar hipertrofiado é uma das alterações observadas em quadris com luxação de longa duração.
Ligamento da cabeça femoral
Quando a cabeça migra para fora do acetábulo, o ligamentum teres é submetido a tração crônica, 
podendo sofrer alongamento, espessamento e hipertrofia/fibrose. Em quadros avançados, o próprioligamento pode ocupar espaço intra-acetabular e dificultar uma redução perfeitamente concêntrica.
Iliopsoas e musculatura periarticular
A migração superior da cabeça femoral altera a relação entre a articulação e os músculos que a 
atravessam. Com o tempo podem surgir encurtamento do iliopsoas, retração dos adutores, alteração do 
comprimento funcional dos músculos e mudança dos braços de momento. O tendão do iliopsoas passa 
anteriormente à cápsula e pode contribuir mecanicamente para a dificuldade de redução em quadris luxados 
persistentes. Assim:
alteração óssea → alteração muscular → perpetuação da alteração articular
Etapa 6 — Alterações do fêmur proximal
A cabeça e o colo femorais também estão em crescimento. Quando deixam de articular normalmente 
com o acetábulo, passam a receber estímulos mecânicos anormais, podendo ocorrer alteração da esfericidade 
da cabeça, alteração do crescimento proximal, alterações do colo femoral e variações da versão femoral.
A anteversão femoral frequentemente está aumentada em crianças com DDQ, mas apresenta grande 
variabilidade individual e não deve ser considerada obrigatoriamente aumentada em todos os pacientes. Em 
uma série pediátrica, a média foi elevada, porém os valores variaram de aproximadamente 0° a 96°.
ATENÇÃO
“DDQ = anteversão femoral aumentada” é uma simplificação inadequada. A deformidade femoral 
depende da gravidade, da duração da doença, do crescimento e de características individuais.
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Fisiopatologia da DDQ em etapas progressivas: da predisposição ao ciclo vicioso, ao remodelamento de partes 
moles e às alterações do fêmur proximal.
6.4 Progressão estrutural por fases
Com a persistência da doença, a articulação passa progressivamente de um problema 
predominantemente funcional de estabilidade para um problema estrutural estabelecido. As etapas descritas 
na Seção 6.3 podem ser agrupadas em três grandes fases evolutivas:
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Fase Achados predominantes Característica dominante
1 — 
Instabilidade
Predisposição + forças mecânicas → 
laxidade/deslocabilidade; cabeça ainda potencialmente 
centrada ou facilmente redutível
Alteração funcional da 
estabilidade
2 — Displasia e 
remodelament
o
Descentralização persistente → menor estímulo acetabular 
→ acetábulo raso e oblíquo → progressão da 
subluxação/luxação → alteração do labrum, cápsula, 
pulvinar e ligamentum teres
Alteração do crescimento e 
da anatomia
3 — 
Sobrecarga e 
degeneração
Menor cobertura → biomecânica anormal → sobrecarga do 
labrum e da cartilagem → lesão labrocondral progressiva → 
osteoartrose secundária
Falência biomecânica 
progressiva da articulação
Esse processo explica por que a idade influencia diretamente a capacidade espontânea de 
remodelamento: quanto mais precoce a intervenção, maior a chance de a articulação ainda estar na Fase 1 ou 
no início da Fase 2, nas quais o potencial de correção biológica é maior.
6.5 Alteração da biomecânica articular
Mesmo quando a cabeça permanece parcialmente dentro do acetábulo, a displasia reduz a área efetiva 
de cobertura. Imagine a mesma força corporal distribuída por uma superfície menor:
Situação Distribuição da força
Quadril normal Força distribuída por grande área de contato → pressão relativamente 
distribuída
Quadril displásico Força concentrada em pequena área de contato → maior concentração 
regional de carga
Entretanto, a biomecânica real é mais complexa do que simplesmente “toda a cartilagem recebe maior 
pressão”. Modelos específicos de pacientes mostram que o labrum passa a participar muito mais da 
transmissão das cargas no quadril displásico, chegando a sustentar proporcionalmente várias vezes mais carga 
que em quadris normais.
Sobrecarga do labrum
cobertura insuficiente → cabeça femoral tende à lateralização → maior força próxima ao rebordo 
acetabular → labrum assume função mecânica excessiva → hipertrofia e sobrecarga → lesão labral
Em quadris displásicos adultos, lesões degenerativas do labrum e da cartilagem frequentemente 
começam na região anterossuperior de carga. Assim, o labrum inicialmente funciona como mecanismo 
compensatório, mas pode posteriormente transformar-se em estrutura lesada.
Desvantagem biomecânica dos abdutores
centro do quadril lateralizado → redução relativa do braço de momento dos abdutores → glúteo médio e 
mínimo precisam produzir maior força → maior demanda muscular e força de reação articular
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Estudos biomecânicos em pacientes com DDQ demonstram centro articular mais lateralizado e redução 
dos braços de momento dos músculos abdutores, o que ajuda a explicar, nos quadros mais avançados, fadiga 
dos abdutores, instabilidade pélvica e alterações da marcha.
Consequências sobre a cartilagem
Existem dois cenários mecânicos importantes:
• Quadril subluxado/displásico — existe contato, porém a área de cobertura é inadequada: carga 
concentrada no rebordo → sobrecarga labral e condral → microdano progressivo → degeneração da 
matriz cartilaginosa.
• Quadril completamente luxado — partes do acetábulo deixam de receber o estímulo mecânico 
fisiológico produzido pela cabeça femoral: redução do carregamento dinâmico → menor estímulo para 
a manutenção do tecido cartilaginoso → alteração da matriz → atrofia/degeneração cartilaginosa.
Portanto, tanto carga excessivamente concentrada quanto ausência do estímulo mecânico normal 
podem ser prejudiciais — por mecanismos diferentes.
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Biomecânica da DDQ: distribuição de cargas, sobrecarga do labrum, desvantagem dos abdutores e os dois 
cenários de degeneração da cartilagem.
6.6 Progressão para degeneração articular
Se uma displasia acetabular persiste até a adolescência ou a vida adulta:
Cobertura insuficiente
↓
Menor área funcional de contato
↓
Sobrecarga do rebordo acetabular
↓
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Sobrecarga labral
↓
Lesão labral
↓
Dano da cartilagem adjacente
↓
Alterações do osso subcondral
↓
Osteoartrose secundária precoce
Alterações bioquímicas da cartilagem podem ser detectadas antes de redução importante do espaço 
articular convencional; estudos com técnicas de RM sensíveis à composição da cartilagem demonstraram 
associação entre integridade bioquímica da cartilagem, gravidade da displasia e sintomas.
6.7 Correlação entre fisiopatologia e manifestações clínicas
A relação entre o mecanismo fisiopatológico e a manifestação clínica esperada é fundamental para a 
prática — e será retomada em detalhe no Capítulo 7:
Alteração fisiopatológica Consequência clínica esperada
Instabilidade neonatal Cabeça femoral deslocável/redutível
Migração da cabeça femoral Assimetria anatômica
Retração de adutores/partes moles Redução progressiva da abdução
Luxação unilateral alta Encurtamento funcional do membro
Luxação bilateral Alteração simétrica da mecânica da marcha
Centro articular lateralizado Desvantagem dos abdutores
Insuficiência abdutora Queda pélvica/marcha compensatória
Sobrecarga labral Dor mecânica em adolescentes/adultos
Degeneração condral Dor, rigidez e perda funcional
Osteoartrose secundária Limitação articular progressiva
O lactente, portanto, pode apresentar alteração estrutural importante sem dor, porque o problema 
inicial é de estabilidade e desenvolvimento, e não necessariamente de destruição inflamatória dolorosa.
6.8Síntese fisiopatológica integrada
A doença piora com o tempo quando não corrigida porque existe uma transição progressiva: de um 
problema potencialmente reversível de posicionamento para uma alteração do crescimento, depois 
deformidade estrutural, depois adaptação dos tecidos moles, até uma biomecânica permanentemente 
alterada e degeneração articular. Quanto mais tempo a cabeça permanece fora da posição concêntrica, mais o 
acetábulo cresce sem o molde adequado e mais os tecidos se adaptam à posição patológica. Por isso, uma 
luxação neonatal relativamente móvel pode transformar-se em uma deformidade complexa na criança maior.
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A sequência completa, reunindo todas as etapas discutidas neste capítulo, pode ser resumida em um 
único fluxo integrado, partindo sempre da predisposição — e não da idade ou da sobrecarga tardia, que são 
moduladores e consequências, respectivamente, e não o ponto de partida do processo:
Predisposição genética/capsuloligamentar ± fatores mecânicos desfavoráveis
↓
Instabilidade e/ou centralização inadequada da cabeça femoral
↓
Descentralização persistente
↓
Redução do estímulo mecânico fisiológico sobre o acetábulo em crescimento
↓
Desenvolvimento acetabular insuficiente
↓
Acetábulo mais raso e oblíquo
↓
Menor cobertura da cabeça femoral
↓
Maior instabilidade
↓
Subluxação/luxação
↓
Remodelamento patológico de cápsula, labrum, pulvinar e ligamento da cabeça femoral
↓
Alterações do fêmur proximal e da biomecânica do quadril
↓
Sobrecarga labral e condral na displasia residual
↓
Degeneração articular/osteoartrose secundária
ATENÇÃO
A idade não é um mecanismo etiológico inicial: ela modifica a redutibilidade, o potencial de 
remodelamento, a complexidade terapêutica e o prognóstico ao longo da progressão descrita acima. A 
sobrecarga labrocondral, por sua vez, não inicia o processo — é consequência tardia da cobertura 
insuficiente e da displasia residual.
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PARA MEMORIZAR
A ideia mais importante da DDQ é: a cabeça femoral precisa permanecer centrada para o acetábulo 
desenvolver-se normalmente.
A quebra fundamental é: descentralização → menor estímulo acetabular → displasia → maior 
descentralização.
INSTABILIDADE → SUBLUXAÇÃO → ALTERAÇÃO DO CRESCIMENTO → DISPLASIA ACETABULAR
MAIOR INSTABILIDADE → LUXAÇÃO → REMODELAMENTO PATOLÓGICO → ALTERAÇÃO 
BIOMECÂNICA → DEGENERAÇÃO
DDQ não é apenas “um quadril fora do lugar”. É uma alteração dinâmica do desenvolvimento na qual a 
perda da congruência modifica o próprio crescimento da articulação.
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CAPÍTULO 7 — MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
As manifestações da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) variam principalmente com a 
idade, o grau de instabilidade e se o comprometimento é unilateral ou bilateral. Nos primeiros meses, a 
doença geralmente é indolor e manifesta-se sobretudo por sinais de instabilidade ou assimetria.
7.1 Recém-nascido e lactente jovem
Instabilidade do quadril
É a manifestação mais característica no período neonatal.
• Barlow positivo — quadril inicialmente reduzido demonstra deslocabilidade.
• Ortolani positivo — cabeça femoral luxada pode ser reduzida para dentro do acetábulo, produzindo 
sensação de “clunk” verdadeiro.
Esses achados refletem diretamente a instabilidade e a perda da relação concêntrica cabeça femoral–
acetábulo.
ATENÇÃO
“Clique” inespecífico não é sinônimo de Ortolani positivo. O achado relevante é a percepção de 
deslocamento/redução da cabeça femoral.
Nessa fase, o lactente costuma apresentar alteração estrutural importante sem dor, já que o problema 
inicial é de estabilidade e desenvolvimento, e não de destruição inflamatória dolorosa — por isso o 
rastreamento clínico ativo é indispensável.
 VÍDEO COMPLEMENTAR — ▶ O Caráter Silencioso da DDQ no Lactente
Assista em: https://www.youtube.com/watch?v=wy8PTxcvojg
7.2 Lactente maior
Com a persistência da luxação, os tecidos periarticulares adaptam-se e o quadril torna-se 
progressivamente mais fixo. Por volta dos primeiros meses de vida, Barlow e Ortolani perdem sensibilidade; 
passam a ser mais importantes a limitação e a assimetria da abdução.
Principais achados:
• Abdução limitada ou assimétrica do quadril
• Assimetria de pregas glúteas ou femorais
• Discrepância aparente do comprimento dos membros
• Sinal de Galeazzi positivo nos casos unilaterais
luxação/superiorização da cabeça femoral → encurtamento funcional do membro + retração progressiva 
dos tecidos → limitação da abdução e assimetria
Displasia do Desenvolvimento do Quadril · Página 38
https://www.youtube.com/watch?v=wy8PTxcvojg
https://www.youtube.com/watch?v=wy8PTxcvojg
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7.3 Sinal de Galeazzi
Com a criança em decúbito dorsal, quadris e joelhos flexionados, observa-se diferença na altura dos 
joelhos.
migração proximal do fêmur (lado luxado) → joelho aparentemente mais baixo → Galeazzi positivo
É particularmente útil na DDQ unilateral; na luxação bilateral simétrica pode estar ausente.
Sinal de Galeazzi: posicionamento, comparação da altura dos joelhos e base anatômica do achado na DDQ 
unilateral.
7.4 Criança após início da marcha
Quando a DDQ não é reconhecida antes da deambulação, as alterações biomecânicas tornam-se mais 
evidentes.
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Luxação unilateral
• Claudicação
• Discrepância funcional do comprimento dos membros
• Inclinação compensatória do tronco
• Queda pélvica decorrente de insuficiência mecânica dos abdutores
Luxação bilateral
• Marcha anormal bilateral
• Aumento da lordose lombar compensatória
• Marcha bamboleante
• Menor evidência de discrepância entre os membros, porque ambos estão acometidos
Essas manifestações resultam da alteração do centro de rotação do quadril e da eficiência dos músculos 
abdutores (ver Seção 6.5).
7.5 Adolescente ou adulto com displasia residual
Formas mais leves podem permanecer não diagnosticadas durante a infância e manifestar-se 
posteriormente como doença mecânica do quadril. Os principais sintomas são:
• Dor inguinal ou anterior do quadril
• Dor relacionada à atividade física
• Redução da tolerância ao esforço
• Sensação de instabilidade
• Sintomas mecânicos associados a lesões labrais
• Perda progressiva da função nos casos degenerativos
cobertura acetabular insuficiente → sobrecarga do rebordo e do labrum → lesão labrocondral → dor 
mecânica e, posteriormente, osteoartrose secundária
7.6 Manifestação × mecanismo
Manifestação Base fisiopatológica
Barlow positivo Instabilidade permite deslocamento da cabeça
Ortolani positivo Cabeça luxada ainda é redutível
Abdução limitada Luxação persistente + retração de partes moles
Galeazzi positivo Migração proximal unilateral do fêmur
Assimetria de pregas Alteração da posição relativa dos membros/pelve
Claudicação Alteração do comprimento e biomecânica do quadril
Queda pélvica Desvantagem mecânica dos abdutores
Dor tardia Sobrecarga labral e condral
Rigidez tardia Degeneração articular secundária
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Manifestações clínicas da DDQ: da instabilidade neonatal à degeneração adulta.
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PARA MEMORIZAR
RECÉM-NASCIDO → instabilidade:

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