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lesão corporal

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inutilização. Assim, se 
o ofendido sofre paralisia de um braço, trata-se de inutilização de 
membro. Se um dedo da mão, a hipótese é de debilidade. E se vem a 
perder todo o braço, a hipótese é de perda de membro. 
 
 
IV – Deformidade permanente 
 
É o dano estético considerável. 
 
Os requisitos para esta qualificadora são: 
a) permanência; 
b) visibilidade; 
c) irreparabilidade; 
d) dano estético de certa monta; e 
e) capacidade de causar impressão vexatória. 
 
Observações: 
 
1) A vítima não está obrigada a submeter-se a intervenção cirúrgica, 
mas se o fizer e for bem-sucedida, não incidirá a qualificadora. 
 
2) A deformidade que constitui esta qualificadora pode se situar em 
qualquer parte do corpo, mesmo que oculta pelos cabelos ou 
disfarçada pelo uso de olho de vidro, orelha de borracha ou aparelhos 
ortopédicos. 
 
3) A deformidade deverá causar, aos olhos de terceiros, 
má impressão no aspecto estético da vítima, levando-se em conta o 
seu sexo, condição social, profissão etc. 
 
 
V - Aborto 
 
É um caso de preterdolo, em que se pune a lesão corporal a título de 
dolo e aborto a título de culpa. Faz-se mister que o agente conheça o 
estado de gravidez da vítima, pois, se assim não for, a hipótese é de 
erro de tipo, que exclui o dolo. 
 
Caso o aborto tenha sido querido, o crime será a do art. 125 e não o 
do art. 129 do CP. O mesmo se diga se agiu com dolo eventual. 
 
 
→ Lesão corporal seguida de morte: § 3º 
 
Trata-se de hipótese de homicídio preterintencional ou preterdoloso. 
O evento morte não deve ser querido nem eventualmente, senão o 
crime será de homicídio, conforme entendimento jurisprudencial. 
 
Pune-se o primeiro delito (lesão corporal) pelo dolo e o segundo delito 
(morte) a título de culpa. Não será admissível tentativa, pois não há 
vontade conscientemente dirigida ao resultado morte e então será 
impossível dizê-lo não obtido a despeito da intenção do agente, em 
face da interposição de circunstâncias alheias ao seu desiderato. 
 
 
 
 
DIMINUIÇÃO DE PENA 
 
A pena será diminuída de 1/6 a 1/3 quando o crime for praticado 
por motivo de relevante valor moral ou social, ou sob o domínio de 
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação do ofendido. 
Aplica-se nos casos dos §§ 1º, 2º e 3º. 
 
A redução da pena é obrigatória, estando presentes 
as circunstâncias legais, pois é direito subjetivo do réu quando 
preenche os requisitos legais, conforme entendimento jurisprudencial. 
 
 
SUBSTITUIÇÃO DE PENA 
 
Prevista no § 5º, possibilita a substituição de detenção por multa nos 
seguintes casos: 
Inc. I – se ocorrer qualquer das hipóteses do § 4º; 
 
Inc. II – se houver reciprocidade de lesões leves, temos: 
 
a) se ambos se feriram e um deles agiu em legítima defesa: um é 
condenado com o privilégio da substituição por multa, o outro 
é absolvido. Parte significante da jurisprudência não vê óbice 
na aplicação do privilégio ao contendor que restar condenado quando 
o outro for absolvido; 
 
b) ambos se feriram e dizem estar em legítima defesa: condena-se 
os dois, com aplicação do referido privilégio (multa). 
 
 
AUMENTO DE PENA NAS LESÕES 
CULPOSAS E NAS DOLOSAS 
 
O § 7º do art. 129 remete ao art. 121, §§ 4º e 6º do CP e aumenta a 
pena das lesões corporais culposas em 1/3, ocorrendo qualquer 
daquelas hipóteses. O aumento de pena também incide nos casos de 
lesões dolosas, quando a vítima for menor de 14 anos ou maior de 
60 anos. 
 
 
 
PERDÃO JUDICIAL 
 
Ver comentários do art. 121, § 5º do CP. 
 
“§ 8º - Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121.” 
(Redação dada pela Lei nº 8.069, de 1990) 
 
 
 
 
 
 
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (INCLUÍDA 
PELA LEI 10.886/04) 
 
“§ 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, 
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva 
ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das 
relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
 
§ 10. Nos casos previstos nos §§ 1o a 3o deste artigo, se 
as circunstâncias são as indicadas no § 9o deste artigo, aumenta-se 
a pena em 1/3 (um terço). 
 
§ 11. Na hipótese do § 9º deste artigo, a pena será aumentada de 
um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora 
de deficiência.” 
 
 LEI Nº 13.142, DE 2015 
 
“§ 12. Se a lesão for praticada contra autoridade ou agente descrito 
nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema 
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da 
função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro 
ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição, 
a pena é aumentada de um a dois terços.” 
 
 
 CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
 
Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, 
pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais 
permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na 
disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e 
destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes 
constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. 
 
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito 
e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem 
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos 
seguintes órgãos: 
I - polícia federal; 
II - polícia rodoviária federal; 
III - polícia ferroviária federal; 
IV - polícias civis; 
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 LEI 14.188/2021 
 
§ 13. Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões 
da condição do sexo feminino, nos termos do § 2º-A do art. 121 
deste Código: (Incluído pela Lei nº 14.188, de 2021) 
 Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro anos). (Incluído pela 
Lei nº 14.188, de 2021) 
 
 
AÇÃO PENAL 
 
Será pública incondicionada, se a lesão for grave (§ 1º), gravíssima (§ 
2º), ou seguida de morte (§ 3º). 
 
Será pública condicionada à representação do ofendido se for leve 
(caput), ou culposa (§ 6º), de acordo com o art. 88, da Lei 
nº 9.099/95. 
 
Na hipótese de lesão corporal no contexto da violência doméstica, a 
ação penal será pública incondicionada, conforme entendimento do 
Supremo Tribunal Federal (ADI 4424). 
 
 Lei 9.099/95 – Lei dos Juizados Especiais 
 
 Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, 
dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de 
lesões corporais leves e lesões culposas. 
 
 
 Lei 11.340 – Lei Maria da Penha 
 
Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar 
contra a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica 
a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995.
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