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Farmacologia I – Nicole Brandão 3 Processos farmacocinéticos Assim que o fármaco chega ao sangue pode ir para o local de ação terapêutica, reservatórios teciduais, locais inesperados, excretado nos rins, biotransformados nos rins. Principais órgãos que são reservatórios de medicamentos: tecido adiposo e músculos. Nesse esquema o efeito de primeira passagem está entre a absorção e o fármaco livre. O reservatório serve como fornecedor do fármaco livre. Na maioria das vezes vão prolongar o tempo de ação no nosso organismo. Depende se quando ele se soltar e for para o sangue se ele consegue uma ação terapêutica. Medicamentos que vão pouco para tecido e gordura ficam mais no sangue, então vai ser filtrado pelos rins, logo a tendência é ficar menos no corpo. Substâncias lipossolúveis entram nas células. Tem grande volume de distribuição. Normalmente a concentração deles no sangue é baixa. Volume de distribuição: facilidade que o medicamento tem de se distribuir no nosso organismo. Melhores: lipossolúveis. � medida do espaço aparentemente disponível no organismo para conter o fármaco. Nosso organismo se especializou para eliminar todas as coisas estranhas � xenobiótico. O fígado tem a função de transformar um medicamento lipossolúvel em hidrossolúvel. Não tem importância em medicamentos hidrossolúveis, pois eles são excretados pelos rins. Ele faz essa transformação que pode ser excretado pela bile ou urina. A concentração plasmática pode atingir níveis tóxicos se passar a terapêutica. Esse gráfico não é por via intravenosa (VI), pois a concentração aumentou gradativamente, e na VI tem o máximo da concentração que se aplica. Grande lipossolubilidade � a curva seria menos inclinada, ficando mais tempo na concentração livre, tendo ação terapêutica. Absorção VO: uma cápsula ao chegar ao intestino ela abriu e o fármaco pode ser absorvido dos enterócitos, entretanto, nosso organismo possui processos que impedem a entrada do medicamento na circulação sistêmica. VI: 100% estarão na circulação sistêmica � não tem o fenômeno de absorção. O fígado produz metabólitos hidrossolúveis que vão ser excretados na bile e pelos rins. MEMBRANA PLASMÁTICA: Farmacologia I – Nicole Brandão 4 As maiorias dos medicamentos não precisam atravessar a MP para terem seu efeito, pois tem receptores na MP. Se o medicamento tem que atravessar a membrana lipídica ele tem que ser APOLAR (hidrofóbico), pois a MP é relativamente impermeável às moléculas polares. Medicamento polar: temos ácidos e bases. Administramos base e ácidos fracos e eles podem sofrer dissociação (receber ou doar prótons). Toda substancia ionizada é hidrossolúvel BARREIRA HEMATOCEFALICA Ela impede a passagem de substancia ate o SNC. 98% dos medicamentos que teriam o potencial de tratar doenças no SNC in vitro, in vivo ele não funciona. Para atravessar, deve ser um medicamento extremamente lipossolúvel. PLACENTA O medicamento também deve ser lipossolúvel. Mecanismos para o transporte através da membrana A maioria entra através dessa difusão. Para atravessar essa membrana ele deve ser lipossolúvel. Lei da difusão: Rate = C¹ - C² X coeficiente de permeabilidade/ espessura da membra X área de passagem do medicamento Coeficiente de permeabilidade depende da lipossolubilidade ou hidrossolubilidade Farmacologia I – Nicole Brandão 5 Base protonada: ionizada. � hidrossolúvel. Acido protonado: não ionizado. � lipossolúvel. Toda molécula carregada com + ou – apresenta caráter hidrossolúvel. Lipossolúvel = quando a base perde seu próton. O acido quando recebe o próton ele é protonado e sem carga � lipossolúvel. Quando ele perde seu H ele passa a ser carregador. Base protonada: hidrossolúvel. Base: forma protonada = carregada Acido: forma protonada = não esta carregado Log (protonado/ não protonado) = pka – pH. 4,4 – 1,4 = 3 10³ = 1000 3 = 1000/1 Razão do protonado para o não protonado é 1000/1 Anti log de 3: 1000 4,4 – 7,4 = -3 10 elevado a -3 = 1/1000 1 parte lipossolúvel (protonado) para 1000 partes hidrossolúveis (não protonado). Duodeno é diferente do estomago pela área. A área no duodeno é maios. 6,4 – 6,4 = 0 10 elevado a 0 = 1 NH3+/ NH2 = 1 50% lipossolúvel e 50% hidrossolúvel. Aspirina: pka de 3,5. Quando ela se encontra no suco gástrico e na urina. A partir do momento que aumento o ph do suco gástrico para a urina, tem uma maior ionização desses acido fraco em ph alcalino � aumenta a porção do aníon (ou seja, a porção hidrossolúvel) reduzindo a porção não dissociada ou a porção que é lipossolúvel. Petidina: pka de 8,6. Quando ela se encontra na urina sua maior parte estão não protonada (lipossolúvel), mas ela vai aumentando o grau de ionização a partir que vai sendo colocada em um ambiente mais acido. A acidificação da urina vai acelerar a eliminação de bases fracas e retardar a eliminação de ácidos fracos e a alcalinização da urina tem o efeito oposto. Quando a base encontra o meio acido ocorre a dissociação. Farmacologia I – Nicole Brandão 6 Oral: maior facilidade de administração e poucos efeitos colaterais A VI tem o pico de concentração mais rápido. A VO ao longo do tempo permite uma concentração no sangue por um período maior. O que pode interferir no processo de absorção Reações de precipitação: tetraciclina – cátions | tetraciclina – sais de alumínio ou magnésio Neutralização (tampões): ácidos e bases fracas. Adsorção: carvão ativado + alcaloides. Reações de oxi-redução: vitamina C + sulfato ferroso Alteração de pH: antiácidos + barbitúricos | antiácidos + anfetaminas Turvação e precipitação: anfoteriena B – soro fisiológico. Na intravenosa já chega 100% do fármaco na circulação sistêmica. Na via oral vai ter Farmacologia I – Nicole Brandão 7 que absorver e gerar um pico. O medicamento da via sublingual deve ser farmacologicamente ativo, pois se ele precisar do fígado não da, pois o medicamento já entra na circulação sistêmica de forma inativa. Na parede intestinal esse fármaco pode ser biotransformado no próprio sangue do sistema porta Se o fármaco atingir o fígado, ele terá uma biotransormação diminuindo a quantidade de medicamento que vai atingir a circulação sistêmica podendo ser excretado na bile. . Absorção: medicamento conseguir entrar na circulação. Efeito de primeira passagem é evitado por preparações transdermicas e pela via sublingual. Depuração ou clearence Limpar, retirar. Retirada do fármaco do nosso organismo. Órgãos responsáveis: rins, bile. O rim elimina o medicamento através da urina. O fígado participa, mas a participação do fígado é importante quando o metabolito dele for inativo. Quando converte A em B e o B for inativo. Ele depurou o A. No fígado temos um conjunto de enzimas que são capazes de reduzir, oxidar, hidrolisar e conjugar os compostos dos fármacos. Conjugação: juntar com uma substancia para deixar ele mais hidrossolúvel. Produto final da degradação da He � bilirrubina. Precisa ser conjugada no fígado para ser excretada na bile. Uma pessoa com icterícia esta acumulando bilirrubina no sangue do paciente. Se essa conjugação chegando ao intestino quebrará, a substancia volta a ser lipossolúvel então será reabsorvida. Depuração de clearence: descreve a eficiência da eliminação irreversível de um fármaco da circulação sistêmica. É um parâmetro independente e o mais importante a ser conhecido para qualquer fármaco Volume do sangue que não contem mais esse medicamentonuma unidade de tempo Farmacologia I – Nicole Brandão 8 Determina o esquema de manutenção da dose necessária para atingir a concentração plasmática desejada no estado de equilíbrio. → Iremos repor a quantidade de medicamento que foi perdida na depuração para que possa manter uma concentração desejada em níveis aproximadamente constantes. Manter a concentração constante dentro de uma faixa de tratamento: dose de manutenção � compensa a depuração. A cada hora, tem determinada depuração. Os medicamentos são descritos com horários diferentes (4 em 4 horas/ 6 em 6 horas), pois a taxa de depuração de medicamento que gasta mais horas é maior. � dose de manutenção. A via mais eficaz e mais próxima de uma concentração dentro da realidade é a via intravenosa. Infusão continua intravenosa. Depuração renal: a eliminação de fármacos pelos rins é mais bem quantificada pela depuração renal, definida como o volume de plasma que contem a quantidade da substancia removida pelos rins na unidade de tempo. Ela é calculada a partir da concentração plasmática, da concentração urinaria. E da velocidade do fluxo urinário. Reabsorção: fármacos polares não são reabsorvidos, pois eles têm carga, então é hidrossolúvel. Só são reabsorvidos medicamentos lipossolúveis. Filtração do rim: macromoléculas não são filtradas PM: peso molecular Medicamento apolar ou lipossolúvel pode ser reabsorvido e dificulta sua excreção renal. O fígado transforma medicamentos apolares em polares (hidrossolúveis) que podem ser excretados pelos rins e não serão reabsorvidos pelos túbulos renais. Glicuronídeo: reação de conjugação. Quando chega ao intestino existem bactérias que podem degradar a conjugação então a substancia deixa de ser hidrofílica Farmacologia I – Nicole Brandão 9 Distribuição Após alcançar a circulação sistêmica, a passagem do fármaco ou sua captação por qualquer tecido depende de vários fatores: propriedades físico-químicas, tamanho molecular, solubilidade e tamanho do tecido e fluxo sanguíneo tecidual. Quanto maior o volume de distribuição, maior a meia vida do medicamento. 60% do peso é agua. Essa agua está presente no lic e no lec. Lic: 40% Lec: 20% 5% esta no vaso 15% interstício 20% lec 40% intracelular. Cinética de ordem zero/ saturação A velocidade de transferência da droga não depende da concentração. A velocidade de transferência do compartimento para 2 é constante, em relação ao tempo. Ex: etanol, aas, glicerina. Medicamento que vou administrar 100mg e tem cinética de ordem 0. A cada hora deixa de existir no organismo 50mg do medicamento. Depois de 1h tem 50mg no organismo. Mas o paciente tomou outra dose de 100mg No tempo 0: 100mg No tempo 1: 50mg Nova administração. Tempo 1: 150mg Tempo 2: 100mg Mais chance de se intoxicar com o medicamento. Tem medicamento que as enzimas responsáveis por sua degradação são limitadas. Se não tem mais enzimas à velocidade chegam ao máximo, não consigo biotransformar o medicamento e ele acumula. Existe um processo de ordem 0 nas concentrações mais elevadas do fármaco. E um processo de primeira ordem nas concentrações menos elevadas = cinética de Michaelis-menten. Cinética de primeira ordem A velocidade com que a droga sai de um compartimento do organismo é proporcional a sua concentração. Ex: absorção, distribuição, clearence e biotransformaçao. Farmacologia I – Nicole Brandão 10 Uma fração constante do fármaco é eliminado em uma quantidade de tempo uma vez que o sistema não é saturado. O metabolismo hepático e a secreção tubular são fenômenos importantes para a eliminação por cinética de primeira ordem. Taxa constante. Tem uma fração Se dobra a dose, dobra a depuração. Dei 100mg e depuração de 50% a cada hora. Tempo 0: 100mg Tempo 1: 50mg Nova administração tempo 1: 150mg Tempo 2: 75mg Se dobra a admistração, também dobra o processo de depuração. Meia vida do gráfico 1: 4h � cinética de 1º ordem. Quanto maior o clearence, menor será a meia vida. Se o meu medicamento é excretado pelos rins e o paciente tem insuficiência renal o clearence diminui, então a meia vida do medicamento aumenta. Diminui a dose. Medicamento que tem cinética de 1º ordem à meia vida sempre será igual. � Constante a meia vida Medicamento de cinética de ordem zero a meia vida é variável, pois depende da dose. � Inconstante Foi pela via intravenosa. A queda da concentração é descrita devido a duas fases (eliminação e distribuição) Fase de distribuição; bem rápida. É distribuída para os tecidos, rins, fígado. Medicamento ainda esta se distribuindo então a concentração vai caindo. Fase de eliminação. Demora mais. Calculo da meia vida. Farmacologia I – Nicole Brandão 11 Está indo mais rápido para tecidos ricamente vascularizado. Esses tecidos recebem mais rápidos o medicamento. A gordura demora mais, pois tem pouca vascularização. Como a massa do compartimento muscular é maior que a do compartimento vascularizado o muscular tem uma maior capacidade de receber esse fármaco. Mas os músculos são menos perfundidos que o compartimento vascular. Esse efeito só vai começar a manifestar quando esse fármaco se distribuir do tecido altamente vascularizado para o musculo. Quando terminamos a administração de um fármaco, ele vai deixar em primeiro lugar o compartimento vascular, depois muscular e depois tc adiposo. Dessa forma o musculo e o tecido adiposo são como depósitos. Se a biotransformação desse fármaco no fígado ou nos rins for extremamente pequena esse impacto do retorno do medicamento no tc adiposo e no musculo será maior, pois a redução das concentrações plasmáticas será bem mais lenta. Por outro lado se a biotransformação for rápida, mesmo o medicamento que sai do musc e tc adiposo não consegue acumular no sangue, pois assim que penetra a circulação sanguínea, é biotransformado no fígado ou eliminado pelos rins. A distribuição de um vaso para o interstício da célula depende de fatores como: permeabilidade, ligação, participação pelo ph e partição óleo-agua. Isso fara com que um fármaco sairá para o interstício e para diferentes células Determina o volume de distribuição de um fármaco É o parâmetro que quantifica a extensão de um fármaco. Primeiro retângulo é célula, segundo é interstício e o terceiro é o vaso. 1º medicamento: está distribuído no vaso. Pode ser hidrossolúvel ou macromolécula. Se não vai para a célula não consegue saber se vai para a célula, pois é alto peso molecular. 2º medicamento: Vaso e interstício. Tem razoável lipossolubilidade. 3º medicamento: Todos. Não tem grande peso molecular e boa lipossolubilidade. 4º medicamento: Todos, mas está mais concentrado na célula. � célula adiposa. medicamento muito lipossolúvel. As concentrações no sangue foram decrescentes, pois o fármaco foi se distribuindo para mais lugares do corpo. Farmacologia I – Nicole Brandão 12 O ultimo tem grande volume de distribuição e gerou baixa concentração no sangue. Medicamento muito lipossolúvel. Medicamentos hidrossolúveis tem grande concentração no sangue. → Um fármaco captado em grandes quantidades pelo musculo e gordura será em grande parte removido pela circulação no estado de equilíbrio → Estes tecidos precisam estar saturados para que os níveis plasmáticos aumentem a ponto de afetar o órgão- alvo → Fármacos de igual potencia: aquele com maior distribuição necessitara de dose inicial maior para estabelecer uma concentração plasmática terapêutica. O uso simultâneo de um fármaco que também liga muito as proteínas, se isso aumentaria aquantidade do fármaco que se ligaria a ação farmacológica. Se 2 fármacos se ligam muito as proteínas eles vão competir por essa proteínas. Mas, uma maior fração livre do fármaco esta disponível para ser eliminada pelo órgãos de depuração = pode parece que uma maior quantidade do fármaco conseguira ligar ao receptor, mas ele também esta susceptível a ser eliminado. MODELOS FARMACOCINÉTICOS 1. Corpo é imaginado como um só compartimento, onde a droga penetra e onde é eliminada. 2. Corpo formado por 2 compartimentos: um central – representado pelo sangue; e o periférico – tecidos. Se assemelha mais a situação real que ocorre no nosso organismo. Vd: volume de distribuição Kel: constante de taxa de eliminação Diazepan administrado por via oral e ele tem exatamente um modelo bioexponencial em que tem uma fase rápida de decaimento da concentração, seguida de uma fase lenta de eliminação do fármaco. Farmacologia I – Nicole Brandão 13 A velocidade da queda não varia com o aumento da dose Nestes casos, o fármaco é removido a uma taxa constante, que é independente da concentração plasmática devido a seu metabolismo por enzimas depender de um substrato limitado. Amarelo: taxa terapêutica. A de cima: toxica. Vamos supor que essas curvas representem o mesmo medicamento com a mesma dose. O que explica que um medicamento atinja a taxa toxica e não a terapêutica: intervalo, biodisponibilidade. Pico: nova dose administrada. Vale: depuração. Medicamento com meia vida de 8h, a partir de 32-40 horas ele está com picos e vales na mesma faixa. CONCENTRAÇÃO NO ESTADO DE EQUILÍBRIO Concentração após a participação de todos os processos farmacocinéticos. Dose de manutenção: depuração (Vol/L) X concentração do estado de equilíbrio. Farmacologia I – Nicole Brandão 14 A maioria dos esquemas de administração dos fármacos tem como objetivo manter o fármaco na concentração dentro da sua faixa terapêutica. Biotransformação Todos os organismos são expostos a compostos químicos chamado de xenobióticos. Para garantir uma eliminação ativa deles e diminuir a ação dessas substâncias, temos diversas vias metabólicas que vão alterar esses compostos e também torna-los susceptíveis a excreção. Farmacologia I – Nicole Brandão 15 Questões: 5,4 – 7,4 = -2 10 elevado a -2 = 1/100 � HÁ/A- A- É não ionizado Resposta: 1/100 7,4 – 8,4 = -1 10 elevado a -1 = 1/10 � B/BH+ BH+/B Resposta: 10:1 Farmacologia I – Nicole Brandão 16 L= mg/mg/L 8mcg/1ml 80mcg/10ml 800mcg/100ml 8000mcg/1000ml � 8mg/1L VD= 300mg/ 8mg/L VD= 37,4 7L = X/10mg/L Dose: 70mg VD: dose/ concentração T1/2 = 0,7 X vd/clearence. A meia vida é 4h VD = 12/3 = 4L 4 = 0,7 x 4L/c 4 = 2,8/cle Clearence x 4h = 2,8 Clearence = 0,7 h/L