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Gastrotomia, enterotomia e enterectomia Mv. Dr. Leonardo Dias Mamão Anatomia cirúrgica do estômago Cárdia Artérias gástricas Artérias gástrica curta e gastroepiplóicas Gastrotomia • Incisão cirúrgica do estomago; • Órgão muscular com pH ácido; - Acidez contribui para a diminuição da concentração bacteriana; • Capacidade estomacal: 50 ml/Kg; • Tempo de esvaziamento: - Variável de acordo com a alimentação; - 20 minutos para líquido e 2 – 3 horas sólido; Corpos estranhos gástricos Corpos estranhos gástricos Corpos estranhos gástricos Corpos estranhos gástricos Corpos estranhos gástricos Corpos estranhos gástricos Neoplasia gástrica Neoplasia gástrica Dilatação vólvulo gástrica Dilatação vólvulo gástrica Cuidados pré-operatórios • Sinal clínico mais comum: Vômito; - Intermitente ou contínuo; - Desidratação e hipocalemia; - Desequilíbrios ácido-base (alcalose ou acidose metabólica); - CORRIGIR antes do procedimento cirúrgico; • Hematêmese: - Isquemia e ulceração ou distúrbios de coagulação; - Urgência; Cuidados pré-operatórios • Peritonite (perfurações gástricas); • Esofagite; - Decorrente do vômito; - Grau leve tratada com dieta alimentar e jejum 24 horas; - Casos graves, jejum por 7 – 10 dias. - Alimentação via tubos de gastrostomia; • Antagonistas dos receptores H2 (Ranitidina, famotidina, cimetidina); Cuidados pré-operatórios • Antieméticos (metoclopramida, ondansetrona, maropitant,...); • Antibióticos (amoxicilina, metronidazol,...); • Jejum: - 8 – 12 horas; - Filhotes: 4 – 8 (risco de hipoglicemia); Cuidados transoperatórios • Risco de contaminação; - Proteção com compressas; - Lavagem da cavidade abdominal; - Soro fisiológico ou Ringer Lactato aquecido; - Lavar abundantemente até que o soro sair límpido (como entrou); Técnica cirúrgica: Gastrotomia - Decúbito dorsal; - Preparação do paciente (tricotomia, antissepsia e colocação dos panos de campo,...); - Incisão abdominal na linha média ventral, pré-umbilical; - Divulsão do subcutâneo e incisão da linha alba; - Exposição do estômago por tração aplicada na curvatura maior; - Inspecione o trato gastrointestinal antes de incisar o estômago; - Isole o estômago com compressas umedecidas; - Coloque suturas de fixação (auxiliar na manipulação do estômago e também evita vazamento do conteúdo gástrico); Técnica cirúrgica: Gastrotomia - Incisão em estocada com o bisturi em uma área hipovascularizada do estômago, entre a curvatura maior e menor (após, amplie a incisão com tesoura); - Use sucção para aspirar o conteúdo gástrico e reduzir risco de vazamento; - Após realizar a remoção do corpo estranho, ou inspeção da víscera ou retirada de material para biópsia, realiza-se a gastrorrafia em dois planos de sutura invaginante (Lembert e/ou cushing), com fios absorvíveis (Caprofyl, Vicryl,...) 2-0 ou 3-0; Técnica cirúrgica: Gastrotomia - Testar a vedação da sutura gástrica com SF estéril aquecido; - Lavagem local e/ ou abdominal (se necessário); - Trocar luvas e material; - Realizar omentopexia; - Sutura musculatura (reverdin ou sultan), subcutâneo (simples contínua) fios absorvíveis (caprofyl, p/ex.); - Dermorrafia (simples separado ou intradérmico) fio inabsorvível 3-0; Técnica cirúrgica: Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Gastrotomia Pós-operatório - Manter o animal internado em monitoração (correção do equilíbrio hídrico, eletrolítico e de ácido-base); - Se apresentando vômito (ondansetrona, maropitant, omeprazol, ranitidina,...); - Manter jejum nas primeiras 12 – 24 horas após a cirurgia (e iniciar uma dieta líquida após); Pós-operatório - Analgesia (Tramadol: 5 mg/Kg cães; 1-2 mg Kg gatos; 5 dias); - Antibióticoterapia: Enrofloxacina, Metronidazol, Amoxicilina,... - Antiinflamatório: Maxicam (0,1 mg/Kg, 5 dias p cães/3 dias p gatos); - Remoção da sutura cutânea com 10 dias; Complicações - Deiscência; - Extravasamento de conteúdo gástrico no abdômen; - Hemorragia; Prognóstico - Dependente da doença de base; - Bom sem perfuração gástrica; - Com perfuração, prognóstico reservado; Enterotomia e enterectomia Anatomia cirúrgica do intestino Estômago Duodeno descendente Flexura caudal Duodeno ascendente Ceco Cólon ascendente Cólon Transverso Cólon Descendente Reto Jejuno Íleo Anatomia cirúrgica do intestino • Parede intestinal é comporta por 4 camadas: - Mucosa; - Submucosa; - Muscular; - Serosa; ➢Submucosa é a camada responsável pela força mecânica; ➢Muscular é responsável pela motilidade; Anatomia cirúrgica do intestino Anatomia cirúrgica do intestino Definições • Enterotomia: - Incisão do intestino; • Enterorrafia: - Sutura do intestino; • Enterectomia: - Remoção de um segmento do intestino; • Enteroanastomose: - Restabelecimento da continuidade entre dois segmentos separados por enterectomia; Principais afecções intestinais - Corpo estranho intestinal; - Neoplasia intestinal; - Vólvulo intestinal; - Intussuscepção; - Megacólon; - Traumatismos (perfurações e isquemia); - Infecções; Diagnóstico - Anamnese; ➢Averiguar a dieta, uso de medicações, eventos estressantes e resposta à terapia anterior; - Exame físico; - Raio x; - Ultrassom; - Exames laboratoriais; - Biópsias; Corpo estranho intestinal Corpo estranho linear Corpo estranho intestinal Sinais clínicos - Inespecíficos; - Vômito, diarreia, perda de peso, anorexia, depressão são comuns; - Dor e choque (casos de traumatismos, obstrução intestinal completa, oclusão vascular); - Abdômen agudo (sugere mal posicionamento, isquemia, perfuração ou obstrução intestinal); - Desidratação, anormalidades eletrolíticas e ácido-base (vômito, diarreia e sequestro hídrico); Cuidados pré-operatórios • Risco cirúrgico: - Hemograma, perfil bioquímico, urinálise, perfil de coagulação; - Eletrocardiograma; • Localização da lesão (palpação abdominal, raio x, ultrassom, endoscopia); - Repetir o raio x imediatamente antes da cirurgia (para avaliar se o CE não foi empurrado ou eliminado); ➢CUIDADO COM RAIO X CONTRASTADO EM SUSPEITA DE PERFURAÇÃO INTESTINAL (Bário); Cuidados pré-operatórios • Estabilizar o paciente: - Desequilíbrios hidroeletrolíticos e ácido-base; - CORRIGIR antes do procedimento cirúrgico; • Não é recomendado uso de antagonistas H2 (Ex. ranitidina) e plasil; - Medicações prócinéticas - aumentam o peristaltismo; Cuidados pré-operatórios • Antieméticos (ondansetrona, maropitant,...); • Antibióticos (amoxicilina, metronidazol,...); • Analgésicos (se necessário); • Jejum: 8 – 12 horas; - Filhotes: 4 – 8 (risco de hipoglicemia); Técnica cirúrgica: Enterotomia - Decúbito dorsal; - Preparação do paciente (tricotomia, antissepsia e colocação dos panos de campo,...); - Incisão abdominal na linha média ventral, pré – retroumbilical; - Divulsão do subcutâneo e incisão da linha alba; - Realize uma inspeção completa no trato gastrointestinal; Técnica cirúrgica: Enterotomia - Isole o segmento desejado com compressas umedecidas; - Remova o conteúdo intestinal do segmento e oclua o lúmen (pinça de doyen, fitas ou com os dedos); - Faça uma incisão em estocada de espessura completa no interior do lúmen intestinal, sobre a borda antimesentérica; - Enterorrafia longitudinal em um único plano, com fio absorvível monofilamentar 3-0 ou 4-0 (simples interrompido); Técnica cirúrgica: Enterotomia - Caso haja risco de estenose intestinal, realizar a sutura na transversal; - Testar a vedação da sutura (instilar SF estéril no lúmen e realizar leve pressão); - Lavar o local/abdômen e realizar a omentopexia,; - Trocar de luvas e instrumentais antes da celiorrafia;Técnica cirúrgica: Enterotomia - Sutura musculatura abdominal, fio absorvível monofilamentar (Ex. caprofyl), padrão sultan ou reverdin; - Sutura subcutâneo, fio absorvível monofilamentar (Ex. caprofyl), padrão simples continuo (OBS: ancorar o subcutâneo na musculatura para reduzir o espaço morto); - Dermorrafia com fio monofilamentar inabsorvível (Ex. Nylon), padrão simples separado ou intradérmico; Enterotomia Enterotomia Enterotomia Corpo estranho intestinal Corpo estranho intestinal Técnica cirúrgica: Enterectomia e enteroanastomose - Decúbito dorsal; - Preparação do paciente (tricotomia, antissepsia e colocação dos panos de campo,...); - Incisão abdominal na linha média ventral, pré – retroumbilical; - Divulsão do subcutâneo e incisão da linha alba; - Realize uma inspeção completa no trato gastrointestinal; - Isole o segmento desejado com compressas umedecidas; - Avalie a viabilidade intestinal e determine a quantidade de intestino que é preciso remover; - Realize ligadura dupla nos vasos mesentéricos referentes ao segmento intestinal que terá que ser removido; - Retire o conteúdo intestinal do segmento e oclua o lúmen nas extremidades do segmento (pinça de doyen, fita ou com os dedos); Técnica cirúrgica: Enterectomia e enteroanastomose - Transceccione o intestino com bisturi ou tesoura; - Enteroanastomose em um único plano, com fio absorvível monofilamentar 3-0 ou 4-0 (simples interrompido); - Se houver peritonite, usar fio inabsorvível (Ex. nylon); - Diâmetros luminais desiguais (incisão oblíqua no intestino com o diâmetro luminal menor ou ressecção “em cunha” no intestino com lúmen menor); Técnica cirúrgica: Enterectomia e enteroanastomose - Iniciar a sutura na borda mesentérica e em seguida, na borda antimesentérica (após, sutura por toda a borda com distância aproximada de 2 – 3 mm de intervalo); - Testar a vedação da sutura; - Lavar o local operado e/ ou abdômen e realizar a omentopexia; - Trocar de luvas e instrumentais antes da celiorrafia; Técnica cirúrgica: Enterectomia e enteroanastomose Técnica cirúrgica: Enterotomia - Sutura musculatura abdominal, fio absorvível monofilamentar (Ex. caprofyl), padrão sultan ou reverdin; - Sutura subcutâneo, fio absorvível monofilamentar (Ex. caprofyl), padrão simples continuo (OBS: ancorar o subcutâneo na musculatura para reduzir o espaço morto); - Dermorrafia com fio monofilamentar inabsorvível (Ex. Nylon), padrão simples separado ou intradérmico; Enterectomia e enteroanastomose Enterectomia e enteroanastomose Enterectomia e enteroanastomose Corpo estranho intestinal Corpo estranho intestinal Corpo estranho intestinal Corpo estranho intestinal Pós operatório - Depende do tipo de intervenção e do paciente; - Analgésicos (dipirona, tramadol, morfina,...); - Antibióticoterapia (Metronidazol, Enrofloxacina, ceftriaxona,...); - Antiinflamatório (meloxicam, carproflan,...); - Fluidoterapia (monitorar e corrigir desequilíbrios); Pós operatório - Jejum por 12 – 24 horas (se debilitado, parenteral); - Reintrodução gradual de alimento e água; - Monitorar os parâmetros do paciente; - Antieméticos (ondansetrona, ranitidina, omeprazol,...); - Febre, dor abdominal, depressão, vômito,... (sinais de peritonite); Complicações - Deiscência, vazamento ou perfuração intestinal; - Peritonite, choque, morte; - Íleo paralítico; - Estenoses; - Perda de peso, diarreia e desnutrição (síndrome do intestino curto); Cicatrização intestinal - Cicatrização ideal depende do bom suprimento sanguíneo, aproximação de mucosa precisa e mínimo traumatismo cirúrgico; - Padrões de sutura de aposição facilitam a rápida cicatrização (invaginantes ou evaginantes retarda a cicatrização); - Cicatrização intestinal é rápida (dependendo de fatores locais e sistêmicos); - Existem três fases de cicatrização intestinal; Cicatrização intestinal ➢Intervalar: • Até o 4° dia; • Associa com inflamação e edema do intestino em cicatrização; • Selagem de fibrina durante as primeiras horas (fibrina ajuda, mas neste momento o responsável pela força do ferimento é a sutura); • No final desta fase, a cicatrização fica funcionalmente mais fraca devido à fibrinólise (descência pode ocorrer 3 – 5 dias pós cirúrgico); Cicatrização intestinal ➢Proliferativa: • Entre o 3° e o 14° dia; • Reparo fibroso, acompanhado por um rápido ganho na força do ferimento; • A força local de reparo se aproxima da do intestino normal 10 – 17 dias após a cirurgia; Cicatrização intestinal ➢Maturação: • Entre 10 e 180 dias; • O colágeno se reorganiza e remodela; Dúvidas???