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Unidade 3 - Infância: lugar,
conceito e história
Ana Cristina Bassler
Iniciar
Introdução
Seja bem vindo(a) a mais uma unidade de ensino.  Você já ouviu falar em
aprendizagem signi�cativa? Tem alguma ideia de como ela contribui para o ensino?
Vamos conhecer um pouco mais desta teoria desenvolvida por David Ausubel.
Diante dos teóricos pelos quais já estudamos até aqui, percebe-se a importância para
a vida de uma infância construída com bases sólidas em todas as áreas do
desenvolvimento, seja ela físico, social, emocional e cognitivo. Os aprendizados desta
fase serão utilizados em todos os campos de vida do indivíduo.
Falaremos também da importância da linguagem como mediadora com o mundo. No
d i i ã d i f bi
processo de exteriorização de pensamentos e sentimentos faz com que o ambiente
em que estamos inseridos vá se modi�cando, gerando uma transição de cultura e de
costumes.
O último tópico deste nosso estudo será sobre o processo de desenvolvimento da
criança de 2 e 6 anos.
1. David Ausubel: os desafios
de uma aprendizagem
significativa
David Ausubel tem uma frase clássica que representa como a aprendizagem
signi�cativa deve ser entendida:
Se tivesse que reduzir toda a psicologia educacional a um só princípio, diria o seguinte: o fator
isolado mais importante que in�uencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já sabe.
 Averigue isso e ensine-o de acordo. ( Ausubel, 1978 apud Moreira, 2006, pg 13 ).
A interpretação desta frase requer um olhar aprofundado sobre algumas questões:
O que o aprendiz já sabe?
Como averiguar este aprendizado?
Como ensiná-lo de acordo?
De acordo com o que ele deve ser ensinado?
Diante destas questões vamos conhecer os principais conceitos da Teoria da
Aprendizagem Signi�cativa e como utilizá-la em sala de aula. Mas para entender esta
teoria existem alguns conceitos fundamentais que precisam ser apresentados:
estrutura cognitiva e subsunçor.
Moreira (2006) a�rma que o conteúdo total e organização das ideias do indivíduo, ou,
no contexto da aprendizagem de determinado assunto é o que constitui a estrutura
cognitiva. Podemos entender como uma estrutura hierárquica de conceitos que são
abstrações da experiência do indivíduo Por exemplo para aprender uma operação
abstrações da experiência do indivíduo. Por exemplo, para aprender uma operação
de multiplicação o aluno deve, primeiramente, ter conhecimento de como acontece a
soma dos números.
Subsunçor é um conceito de algo que já existe e serve de ancoradouro a uma nova
informação de modo que esta adquira signi�cado ao indivíduo. Ou seja, um novo
conhecimento se forma a partir do momento que o aprendiz relaciona este novo
assunto a algum já existente.  Mas não é um conhecimento prévio qualquer e sim de
um conhecimento especi�camente relevante para a nova informação, o qual interage
com ela em um processo que promove a aprendizagem signi�cativa desse novo
conhecimento.
Vamos supor que o professor vai ensinar sobre aparelho fonador e como a voz é
produzida. Neste contexto, utilizar a relevância do falar e da comunicação pode ser
entendido como um subsunçor ao aprendizado.
No decorrer da aprendizagem signi�cativa as novas informações vão se conectando
aquelas que já existem na estrutura cognitiva, integrando o novo por meio da
percepção e da facilitação da passagem de informações importantes. Os conceitos de
estrutura cognitiva e de subsunçor são fundamentais para o processo de
aprendizagem signi�cativa, conceito este que será de�nido melhor no item a seguir.
1.1. Por que aprendizagem significativa?
Com base nesta questão, é fundamental considerar que o aluno encontre sentido no
que está aprendendo, para que signi�cativamente possa aprender. O sentido do
aprendizado se faz por meio de conexões que acontecem quando há uma interação
das informações de forma integrada e acabam por diferenciar, elaborar  e estabilizar
as subsunções preexistentes, modi�cando sua estrutura (Moreira, 2006).
Figura 1 - Brainstorming. Fonte: Pixabay, 2019 
Quais as diferenças entre a Teoria da Aprendizagem Signi�cativa para as demais
teorias estudadas anteriormente? Veja no quadro abaixo.
Quadro 1 - Comparativo entre Teoria de aprendizagem signi�cativa e as demais teorias 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2019 
Em todos os autores acima percebemos que existe a preocupação com o
desenvolvimento e amplitude dos seus conhecimentos, partindo do pressuposto que
já existem conteúdos internos apreendidos durante sua história e crescimento. No
próximo tópico veremos como se processa o aprendizado em sala de aula, de acordo
com a Teoria da Aprendizagem Signi�cativa.
1.2. A aprendizagem significativa e o
ensino centrado no aprendiz
Dentro de sala de aula a aprendizagem pode ocorrer de duas maneiras. De acordo
com MOREIRA (2006), a mais tradicional é chamada por Ausubel como Aprendizagem
Mecânica. Ela ocorre sem uma correlação com aquilo que o aprendiz já traz, não há
atribuição a nenhum signi�cado pessoal. Por isso, o novo conhecimento �ca
acondicionado na mente do sujeito de maneira aleatória. Se necessário e por um
certo período de tempo a pessoa reproduz o que aprendeu, mas aquilo não faz
sentido para ele. Ou seja, por esta via pode-se dizer que o aprendizado não
aconteceu de fato.
Vamos pensar na seguinte situação: na aula de inglês do 1º ano do ensino
fundamental a professora pede para as crianças que repitam a palavra “apple” (maçã)
sem correlacionar a um objeto ou a uma imagem e pede para todos repetirem a
palavra sucessivamente até conseguirem repetir sozinhas.  Ao chegar em casa a mãe
pergunta o que o �lho aprendeu na aula de inglês... qual a resposta? Bem provável
que a criança não lembrará mais.
Figura 2 - Criança. Fonte: Pixabay, 2019. 
Em contrapartida, a Aprendizagem Signi�cativa é determinada quando uma nova
ideia ou entendimento adquire signi�cados para o aprendiz através de uma espécie
de ancoragem em aspectos relevantes da estrutura cognitiva preexistente do
indivíduo seja em conceitos, ideias, proposições já existentes em sua estrutura de
conhecimentos com determinado grau de clareza, estabilidade e diferenciação
(MOREIRA, 2006).
Usando o mesmo exemplo da aula de inglês, imagine agora que a professora leva
maçãs cortadas em pequenos pedaços e dá aos alunos para provar. Depois
apresenta uma maçã inteira e pede para eles nomearem a fruta. Por �m faz a
correlação da palavra em português com a palavra em inglês.  Nesta situação talvez
nem seja necessário a mãe perguntar o que o �lho aprendeu. Ele vai responder
espontaneamente, pois de alguma forma todo este aprendizado lhe foi signi�cativo.
Os conteúdos que serão abordados em sala serão de�nidos após uma avaliação
daquilo que o aluno previamente já sabe. Incentiva o uso de organizadores prévios
que sirvam de âncora para a nova aprendizagem. De acordo com a sua teoria,
surgem con�itos cognitivos quando ocorrem contraposição de esquemas prévios e
conceitos novos. Não somente a nova informação, mas também o antigo conceito
acaba sofrendo modi�cações pela interação entre ambos.
A utilização de materiais que sejam apresentados antes do conteúdo que será
aprendido (como no caso da maçã) são chamados de organizadores prévios e servem
para facilitar a aprendizagem, na medida em que funcionam como pontes cognitivas.
De acordo com MOREIRA (2006, pg 23) os “organizadores prévios servem para
facilitar a aprendizagem, na medida em que funcionam como "pontes cognitivas".
A construção de um organizador depende, sempre, da natureza  do material da
aprendizagem, da idade do aprendiz e do grau de familiaridade que este já tem com
o assunto a ser aprendido e podem ser apresentados de diferentes formas, como
�lmes, cartões com ilustrações, textos escritos, etc.
E então, o que achou desta teoria? Bastante interessante não é mesmo?
No próximo tópico falaremos sobre a infância e seus desa�os.
2. Infância, uma construção
hi ó i
histórica
De acordo com Coll (2007) a infância o período que vai dos 0 aos12 anos, quando
então se dá início a adolescência. Acontece porém que dentro deste período não há
unanimidade sobre as fases.  Para nosso estudo vamos considerar 2 estágios: dos 0
aos 6 anos e dos 6 aos 12 anos.
Mas o que é infância?  Para Piletti, Rossato e Rossato (2015) infância não é sinônimo
de criança.  É um conceito construído ao longo de um percurso histórico no qual a
criança foi signi�cada na sociedade a partir de múltiplas perspectivas políticas,
�losó�cas e sociais que são vivenciadas em cada cenário e contexto cultural.
Este primeiro momento na vida de um indivíduo é o momento do “tornar-se algo” ou
“vir a ser”. Há tanto por aprender e descobrir que as crianças precisam passar do
estágio de não conseguir realizar uma atividade ou uma ação para a fase do realizar.
Qual a importância da infância para o futuro do ser humano?
2.1. O lugar da infância na história
A maneira como vemos hoje a infância e as relações das crianças com o meio
ambiente são relativamente novas. De acordo com Coll (2007), durante muitos
séculos a relação entre pais e �lhos era pouco social e quase sem nenhum tipo de
direito. Bebês eram criados por terceiros e não tinham o signi�cado que tem hoje.
Logo muito cedo já precisavam ajudar nas atividades produtivas que muitas vezes
exigiam grande esforço físico. A partir do século XX a educação começou a se tornar
obrigatória e as transformações a favor das crianças foram acontecendo,
principalmente depois da segunda guerra mundial. A partir de então as teorias do
desenvolvimento humano foram sendo estabelecidas por diferentes teóricos, alguns
dos quais já falamos anteriormente.
A criança, percebida como frágil desde os primórdios vai ganhando um novo olhar.
 Com a contínua mudança nas concepções desta fase, a criança torna-se o ponto
t l t d dê i d ó i f ili tit íd
central para estudos acadêmicos, pedagógicos e familiares constituídos na
modernidade.  Como parte desta nova consideração está a  percepção da maneira
como a criança se socializa e como isto determina o seu papel de adulto na
sociedade.
Outra visão importante é que as crianças contribuem ativamente para a preservação
e para a mudança social, visto que já desde muito cedo compartilham e criam cultura
com os adultos e com outras crianças. Assim, contribuem ativamente para uma
mudança cultural.  Em contrapartida são impactadas pela sociedade e cultura em
que vivem. Basta pensar em uma criança que nasce em uma região rural e outra que
nasce em uma região urbana. Mesmo com a globalização e fácil acesso às
tecnologias, uma realidade é totalmente diversa da outra.  (CORSARO, 2011).
Figura 3 - Realidade rural. Fonte: PIXABAY, 2019. 
Condições demográ�cas, formação de povos e mudanças sociais e econômicas
contribuem para as construções sociais produzidas tanto pelos interesses adultos
quanto pelo que representam as crianças.
As brincadeiras infantis, que durante muito tempo foram considerados apenas como
“passatempo”, passam a ser estudados e compreendidos como instrumento de
desenvolvimento. Adultos também se utilizam de atividades lúdicas para aprender
competências como trabalho em equipe, relacionamento interpessoal e
comunicação.
2.2. Infância e a Psicologia do
Desenvolvimento
O desenvolvimento é um processo vitalício que acontece durante todo o tempo que
O desenvolvimento é um processo vitalício que acontece durante todo o tempo que
estamos vivos e envolve ganhos, perdas e mudanças na maneira como o ser mobiliza
seus recursos pessoais de forma a se adaptar ao longo da vida.  Tais mudanças são
decorrentes das interações do indivíduo com sua história e contexto particulares. De
acordo com Corrêa (2016) a evolução infantil está relacionada dentro do contexto
biológico e psicológico determinando a construção das estruturas do conhecimento.
Pilleti (2015) ressalta a in�uência de dois importantes paradigmas cientí�cos na
constituição do pensamento psicológico em relação ao desenvolvimento humano: o
empirismo e o inatismo. Decorrentes de visões dicotômicas, respectivamente estes
modelos atribuem ao ambiente e a hereditariedade a responsabilidade por
comportamentos e atitudes. Delval (2013) considera que o desenvolvimento humano
é um processo de extrema importância, pois é o que permite que o indivíduo
construa sua natureza social superando suas características mais primitivas e
instintivas.
2.2.1. Desenvolvimento dos 0 aos 6 anos
Descrever as características dos diversos aspectos do desenvolvimento na infância é
tema para um livro, mas vamos aqui conhecer as principais particularidades desta
evolução. O desenvolvimento infantil acontece de forma progressiva. Veja no quadro
abaixo o avanço nos diferentes aspectos.
Quadro 2 - Desenvolvimento infantil 
Fonte: Elaborado pelo autor, 2019 
Você quer ler?
O site O Começo da Vida ( ocomecodavida.com.br )  apresenta uma série de
artigos e documentos que ampliam o entendimento do desenvolvimento da
criança na primeira infância.
2.2.2 - Desenvolvimento dos 6 aos 12 anos
Dos 6 aos 12 anos, etapa denominada 3ª infância, as crianças vão em busca da sua
identidade, por meio da sua autoimagem e dos relacionamentos que vivem. O
desenvolvimento é mais lento em comparação aos estágios anteriores e proporciona
o avanço das habilidades cognitivas. As atividades propostas devem estimular a
autonomia e os comportamentos devem ser observados considerando que os
relacionamentos afetivos desenvolvidos neste período estarão constituindo a
 personalidade da criança.
No campo emocional, a criança aprende a ter maior controle dos sentimentos
negativos, cria empatia por pessoas do seu círculo de contato e passa a perceber
melhor seus próprios sentimentos bem como o das outras pessoas. Ao �nal desta
fase a criança inicia um novo ciclo com desa�os ainda mais signi�cativos para a vida
do indivíduo.
Diante de tantas transformações, a escola e o processo educativo se tornam co-
responsáveis em ensinar as habilidades características de cada estágio da criança.
Transmitir o saber de maneira organizada e intencional, de geração em geração com
o objetivo de preservar a cultura. Para isto os educadores devem conhecer
profundamente a maneira como uma criança se desenvolve em todos os campos.
No próximo tópico veremos como a linguagem tem papel de destaque no
desenvolvimento do ser humano, pois é a partir do compartilhamento de ideais e
Você quer ver?
O filme Divertidamente ( https://www.youtube.com/watch?v=ZLh-knpJKRk )
demonstra as várias emoções (alegria, tristeza, medo, raiva e nojo) na vida de
Riley, uma adolescente de 11 anos que mudou de cidade.
pensamentos que as relações se fortalecem.
3. Linguagem: a revolução da
palavra
Parece trivial falar que a �nalidade da linguagem é a comunicação, não é mesmo?
Mas durante muito tempo este assunto foi tratado apenas como uma função
primária e fundamental do desenvolvimento humano.  Progressos feitos nos estudos
da linguística e teorias da comunicação e da fala acabaram contribuindo para o
entendimento mais amplo deste assunto.
Vygotsky (2010), dentro da sua teoria histórico-cultural, a�rma que o
desenvolvimento da linguagem só é possível se houver o desenvolvimento do
pensamento. O pensamento só se torna “vivo” pelas palavras. Como base para a
teoria histórico-cultural precisamos compreender que histórico representam as
abordagens e instrumentos utilizados ao longo do avanço deste assunto. Já cultural
signi�ca a organização que uma coletividade estabelece para solucionar problemas e
tarefas. Vygostky apresenta uma série de ideias de como o desenvolvimento de
determinados aspectos (biológicos e sociais) são relevantes para a comunicação.
Ao estudar a relação entre o pensamento e a linguagem Vygostky apresenta a ideia
de que a verdadeira trajetória de desenvolvimento do pensamento não vai no
sentido do pensamento individual para o socializado, mas do pensamento
socializado para o individual. A compreensão de que o pensamento não é formado
de formaautônoma e independente mostrou que existem determinadas condições
mediadas por símbolos e sinais que representam a realidade.
OLIVEIRA (1997) a�rma que os “sistemas de representação da realidade” são
socialmente estabelecidos, entre eles a linguagem, sistema simbólico básico que
conecta todos os seres humanos, gerando um código utilizado para a construção do
sistema de signos comuns a uma comunidade.
A linguagem é ferramenta básica para a construção de conhecimentos e atua de
forma concreta na estrutura do pensamento. Mas de que forma isto acontece? Veja
abaixo as principais ideias de Vygostky sobre a maneira de como a linguagem se
desenvolve:
A linguagem, formada por sistemas simbólicos, fornece os conceitos e as formas de
organização do real que constituem a mediação entre o sujeito e o objeto de
conhecimento. Por meio dos sistemas simbólicos se estabelece os signi�cados que
são compartilhados entre as pessoas de um grupo. A linguagem representou um
salto qualitativo na evolução da espécie e se tornou responsável pela transmissão da
cultura formada em determinada sociedade, mantendo assim sua perenidade. A
cultura provê a representação e a interpretação do mundo real, criando e recriando
as informações, os conceitos e os signi�cados.
O surgimento da linguagem imprime três mudanças essenciais: o aprendizado em
lidar com os objetos do mundo exterior mesmo quando eles estão ausentes; a
abstração e generalização de características dos objetos, eventos e situações
presentes na realidade ajudando na ordenação dos objetos reais em categorias
conceituais. A terceira mudança é a função da comunicação, assegurando a
Relação indivíduo e sociedade:
Origem cultural das funções psíquicas:
Base biológica do funcionamento psicológico:
Mediação:
Processos psicológicos:
conceituais. A terceira mudança é a função da comunicação, assegurando a
transmissão e entendimento das informações pelas pessoas.
De acordo com Vygotsky, existem três estágios do desenvolvimento da linguagem:
A linguagem tem um papel central no desenvolvimento mental e se faz necessária
para o exercício do pensamento. Como intercâmbio social contribui para a
demonstração de sentimentos e necessidades. Vygostky (2010) apresenta um
experimento feito com crianças feito por Levina, um estudioso que realizou
experiências sobre o papel organizador da fala. Ele pediu a crianças de três e quatro
anos que tentassem alcançar um objeto desejado que estava fora de alcance - um
torrão de açúcar e deixou próximo uma vara. Uma das crianças se comportou da
seguinte forma (pg 30):
"Este doce está tão alto" (neste momento, a criança sobe no sofá e pula para cima e para
baixo). "Eu tenho de chamar mamãe para que ela o pegue para mim" (pula mais algumas
vezes). "Não há maneira de alcançá-lo, ele está tão alto" (neste momento, a criança pega a
vara e olha para o doce). "O papai também tem um armário alto e às vezes ele não consegue
alcançar as coisas. Não, eu não posso alcançá-lo com a mão, eu ainda sou muito pequeno. E
melhor subir no banco" (sobe no banco, agita a vara em círculo, a qual atinge o armário).
"Pam, pam" (neste momento, a criança começa a rir. Dá uma olhada no doce, pega a vara e
atira o doce para fora do armário). "Aí está! A vara o alcançou. Tenho de levar esta vara para
casa comigo."
A linguagem como pensamento generalizante gera a imagem no pensamento
quando se ouve uma palavra mesmo que não conheça tal objeto. Nesta ocasião há a
formação de conceitos e eles vão se transformando ao longo do desenvolvimento.
São os signi�cados que o sujeito dá ao pensamento que faz com que ele compreenda
o mundo. De acordo com Taille (2019, pg 41) “uma palavra sem signi�cado é um som
vazio; o signi�cado portanto é um critério da palavra”
1° Estágio – Linguagem social
2° Estágio – Linguagem egocêntrica
3° Estágio – Linguagem interna
vazio; o signi�cado portanto é um critério da palavra .
4. Infância escolarizada
Existe um tempo ideal a criança ingressar na escola? O mundo moderno transformou
esta relação em decorrência da necessidade de pais e mães que precisam trabalhar
fora de casa. Atualmente o ingresso das crianças no ambiente escolar ocorre cada
vez mais cedo. A partir do 4º mês de vida já é possível deixar um bebê em uma
instituição.
A Educação Infantil se transformou em um espaço de aprendizagem que deve
contribuir com o futuro do educando, deixando de ser apenas um local onde as
crianças eram cuidadas sem receber estímulos educacionais. Mas o que é possível
ensinar a um bebê que traga re�exos positivos em um horizonte a longo prazo?
No Brasil, desde a época da colonização se impôs uma educação por valores –
naquele tempo valores religiosos. O Estado torna-se responsável por assumir a
educação, conforme estabelece o artigo 205 da Constituição Brasileira
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com
a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua quali�cação para o trabalho.
Outras leis foram criadas pensando em crianças de até seis anos de idade, além da
formação especí�ca dos pro�ssionais dedicados a esta faixa etária.
Mas a que se propõe a Educação Infantil - educar, cuidar ou brincar?
4.1. O processo de desenvolvimento da
criança na educação infantil
Quando brincam as crianças manifestam sua singularidade demonstrando como
Quando brincam as crianças manifestam sua singularidade demonstrando como
pensam e agem nas relações internas e externas. Já vimos em estudos anteriores que
o brincar é uma atividade fundamental para o desenvolvimento infantil. Este
processo natural e involuntário representa uma maneira para a criança se apropriar
do mundo a sua volta.
O mundo da imaginação e do faz de conta re�etem a maneira como ela entende o
contexto social e cultural que está inserida.  Ao imitar um adulto não signi�ca um
processo para se constituir precocemente enquanto tal e isso porque no instante da
brincadeira, ela apenas representa aquele contexto, sem qualquer preocupação com
o resultado �nal.
Figura 4 - Crianças felizes. Fonte: Pixabay, 2019 
Quando as crianças são privadas da função do brincar e vivem com atribuição de
passar demasiadamente por atividades cognitivas, a educação pode �car
prejudicada. De acordo com Holt (2006, p. 171) “crianças são apaixonadamente
ávidas por aprender, para extrair tanto sentido do mundo a seu redor quanto lhes
seja possível”.  Perguntam e por meio da observação e das descobertas encontram as
respostas. O aprendizado ocorre o tempo todo e o brincar torna esta aquisição mais
fácil.
Já no Ensino Fundamental, quando a criança tem entre 6 a 10 anos,, o que acontece?
4.2. A Psicologia histórico-cultural e a
atividade de estudo no ensino
fundamental
u da e tal
Na fase do ensino fundamental as crianças começam a buscar signi�cado do motivo
de acordar cedo, colocar o uniforme e ir para a escola. De acordo com o que
encontram no ambiente escolar, nem sempre a resposta é simples de entender. A
visão dos pais, no sentido de que é preciso ir para aprender algo e se tornar alguém
na vida não é a mesma que o aluno tem, até porque nos anos iniciais a criança ainda
não possui claramente o entendimento de futuro.
Não bastasse a escola e seus deveres, com o objetivo de instruir a criança para o
futuro, atividades extraclasses como línguas, esportes, música acabam reduzindo
cada vez mais o tempo do brincar.
De acordo com Vygotsky (2010), o primeiro ano na escola imprime uma referência
para o resto da vida do aprendiz, podendo até modi�car de forma radical sua
personalidade. Diante da família, dos amigos e da sociedade em geral ela passa a ser
considerada alguém que começa a ter responsabilidades.
O desenvolvimento das capacidades intelectuais e cognitivas se tornam mais
evidentes pelas atividades de estudo. Mas há outras relações que se criam no
ambiente escolar – ter novos amigos, brincar com os colegas,valorizar e ser
valorizada pelas conquistas e se sentir parte de um grupo. Participar das decisões e
da coletividade é importante para a vida de todo ser humano.
Mas o aprender e o ensinar devem estar no centro desta relação, assim como a
forma e o conteúdo do ensino, que deve mostrar além da utilidade do conhecimento
e sim a aprender por saber que o conhecimento trará a amplitude e a descoberta de
situações que até então não faziam parte da existência do aprendiz.
Descobrir que determinado objeto possui mais de uma função e que uma palavra
pode representar dois objetos são exemplos de que o aprender oportuniza novos
signi�cados. Ampliar o repertório de ideias e saber utilizá-las em seu dia a dia gera ao
ser humano a possibilidade de compreender que o mundo é repleto de perspectivas
e probabilidades.
Síntese
Chegamos ao �m de mais uma unidade de ensino, que possibilitou conhecer e
compreender diferentes assuntos:
David Ausubel e sua Teoria da Aprendizagem Signi�cativa, fazendo re�exões
importantes sobre como aprendemos baseados naquilo que já temos como
referência interna;
A necessidade de encontrar um signi�cado ao novo conhecimento para que ele se
torne aprendizado e tenha relevância na vida do aprendiz;
As principais diferenças entre o conceito de aprendizagem mecânica e aprendizagem
signi�cativa;
A importância do período da infância, sua construção, experiências, relações e
cultura na vida do indivíduo;
As características mais marcantes em cada faixa etária na infância nos campos físico,
intelectual, social, emocional e moral;
A relação da linguagem e da comunicação com o desenvolvimento infantil por meio
da expressão dos seus pensamentos e sentimentos;
As mudanças essenciais geradas pela linguagem: lidar com objetos do mundo
exterior mesmo quando estão ausentes, abstração e generalização de objetos reais e
se fazer entender por meio da comunicação.
A criança no ambiente escolar e a função da escola na educação infantil e na
educação fundamental.
Na quarta e última unidade deste módulo avançaremos em direção a próxima fase
de vida: o mundo do adolescente e suas possibilidades, o desenvolvimento integral
do indivíduo e a busca pela autonomia. Vamos conhecer um pouco mais sobre a
neurociência e sua relação com a evolução humana além das contradições no
processo de aprendizagem.
Download do PDF da unidade
Bibliografia
COLL, César [et al]. Desenvolvimento psicológico e educação. Porto Alegre : Artmed,
2007. 
CORSARO,W.A. Sociologia da infância. Porto Alegre : Artmed, 2011. 
DELVAL, Juan. O desenvolvimento humano. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013. 
 
HOLT, John. Aprendendo o tempo todo: como as crianças aprendem sem ser
ensinadas. Campinas: Verus, 2006. 
 
MOREIRA, Marco Antônio. A teoria da aprendizagem signi�cativa e sua
implementação em sala de aula. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2006. 
 
OLIVEIRA, Marta Khol de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo
sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1997. 
 
PILETTI, Nelson; ROSSATO Solange e Rossato Geovaneo. Psicologia do
Desenvolvimento. São Paulo: Contexto, 2015 
 
RIBEIRO, A. M. Curso de Formação Pro�ssional em Educação Infantil. Rio de Janeiro:
EPSJV / Creche Fiocruz, 2005. 
 
TAILLE, Yves de La. Piaget, Vigotski, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São
Paulo : Summus, 2019. 
VYGOTSKY, L.S.  Linguagem, Desenvolvimento e Aprendizagem. São Paulo: Icone,
2010. 
BRASIL. Constituição da Brasileira Federativa do Brasil (1988). Disponível em: <http:
www.planalto.gov.br="" ccivil_03="" constituicao="" constituicao.htm="">. Acesso em:
15 jul. 2019.</http:>

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