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PEDAGOGIA DO ESPORTE Suziane Ungari Cayres Santos Abordagens críticas no esporte escolar Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Descrever as abordagens crítico-superadora e crítico-emancipatória no esporte escolar. � Aplicar o esporte na escola com uma abordagem crítica do ensino. � Analisar o papel do esporte escolar na formação do aluno crítico-reflexivo. Introdução Desde os primórdios da história da educação física escolar no Brasil até hoje, muitos profissionais têm se questionado quanto à relevância da disciplina, inclusive no que tange ao seu objeto de estudo. E, não por acaso, as aulas dessa matéria muitas das vezes acabam sendo confundidas com um dos seus conteúdos (ANVERSA et al., 2018). O esporte no Brasil, apesar de ter um “[…] passado controverso, um presente contraditório e um futuro incerto […]” (REIS et al., 2015, p. 710), ainda é tido como a prefe- rência de uma grande parcela de alunos, além de parte dos educadores. Os críticos a esse modelo postulam que o ensino do esporte não deve se restringir apenas ao saber fazer e muito menos servir a um adestra- mento de ideias e conformismo com a realidade histórica, social e política. Somado a isso, e uma vez ciente de que a manifestação do esporte escolar tem um caráter educativo intrínseco, emergiram abordagens críticas no início dos anos 1990 (IORA; SOUZA, 2015), especificamente a crítico-superadora e a crítico-emancipatória, que objetivam instigar os alunos a superarem as problemáticas da realidade escolar e a transporem tal panorama de atuação para a sociedade, munidos da problematização, da instrumentalização e do pensamento crítico em prol da emancipação humana. Neste capítulo, você será apresentado(a) às características atreladas às abordagens crítico-superadora e crítico-emancipatória, entenderá a aplicação do esporte escolar sob a óptica do ensino crítico e reconhecerá a importância do esporte na formação do aluno crítico-reflexivo. 1 Educação física escolar sob a óptica do ensino crítico Nas últimas décadas, o papel da educação física tem sido constantemente debatido (DARIDO, 2012), sobretudo a escolar, que, de acordo com Betti e Zuliani (2002), “parece” não se enquadrar aos limites do saber científico e erudito em comparação às demais disciplinas da escola — para os autores, a educação física ocupa hoje um lugar incômodo na escola, o que leva a tanto a seu próprio questionamento quanto da educação escolarizada e de suas finalidades. Nessa perspectiva, o objeto de estudo da disciplina não ficou aquém do panorama reformista. Atualmente, os conteúdos que englobam a educação física escolar compõem a cultura corporal de movimento, cuja primeira menção na língua vernácula em textos oficiais data da década de 1980, tendo- -se considerado o professor Valter Bracht um dos primeiros a sistematizar seu conceito. De acordo com Bracht (1989, p. 13 apud NEIRA; GRAMORELLI, 2015, p. 2), a cultura corporal de movimento tendo como base duas dimensões: No seu sentido restrito o termo Educação Física abrange as atividades pedagó- gicas tendo como tema o movimento corporal que tomam lugar na instituição educacional. No seu sentido amplo tem sido utilizado para designar, inadequa- damente a meu ver, todas as manifestações culturais ligadas à ludomotricidade humana, que no seu conjunto parece-me serem melhor abarcadas com termos como cultura corporal ou cultura de movimento. Diante desse cenário, o esporte escolar, objeto de estudo deste capítulo, é considerado um dos elementos da cultural corporal de movimento (DARIDO, 2012), e, como tal, sua imperativa implementação no ambiente escolar perpassa a “saudável” convivência nas aulas de educação física escolar com a dança, os jogos, as lutas e a ginástica (Figura 1). Abordagens críticas no esporte escolar2 Confira no link a seguir as diferentes abordagens pedagógicas aplicadas no contexto da educação física escolar desde o início do século XX até os nossos dias. https://qrgo.page.link/J1YXx Figura 1. Distintas manifestações da cultura corporal de movimento na escola. Fonte: GraphicsRF/Shutterstock.com. 3Abordagens críticas no esporte escolar Uma vez compreendida a ruptura com o modo de pensar a prática pe- dagógica na educação física escolar, na década de 1990 emergiram outras abordagens críticas (IORA; SOUZA, 2015): de um lado, a proposta crítico- -superadora defendida pelo Coletivo de Autores (1992) a partir da proposição do livro Metodologia do Ensino de Educação Física, e, de outro, a concepção crítico-emancipatória difundida no Brasil por Kunz (1994), cuja obra ampla- mente conhecida quanto a essa concepção de ensino foi publicada em 1994, com o título Transformação Didático-Pedagógica do Esporte. As cartas estão lançadas a você, caro(a) leitor(a) — sob o “jugo” de qual proposta você pretende se valer para intervir na escola? Primeiro, vamos nos ater a conhecê-las. O objetivo deste capítulo não é defender uma concepção ou subjugar a outra, mas sim sublinhar a curvatura dessas abordagens, isto é, a mando de qual percepção de mundo estão a serviço, além ressaltar suas convergências e divergências. Abordagem crítico-superadora Como dito, foi proposta pelo Coletivo de Autores em 1992, composto pelos professores Carmem Lúcia Soares, Celli Nelza Zülke Taffarel, Maria Elizabeth Medicis Pinto Varjal, Lino Castellani Filho, Micheli Ortega Escobar e Valter Bracht, tendo sido considerada um dos desdobramentos da teoria marxista na escola. De acordo com seus defensores (COLETIVO DE AUTORES, 1992), o profissional de educação física escolar deve estar consciente de que as conquistas e a produção humana são consideradas como patrimônio cultural da humanidade, o que, na prática, ocorre a partir da interação social entre sujeitos de uma mesma classe social, em que compartilham do mesmo mo- mento histórico e se apropriam da produção humana (IORA; SOUZA, 2015). A partir dessa perspectiva, a educação física escolar é convergente à pe- dagogia histórico-crítica defendida por Saviani (1989), que, em seu manus- crito, discorre a respeito da relação entre educação e sociedade, contexto no qual está imersa a “noção” de sociedade dividida em duas classes opostas (IORA; SOUZA, 2015). É interessante salientarmos que os profissionais de educação física que “beberam da fonte ideológica marxista” têm a ideia, de modo geral, de que a concepção crítico-superadora “[...] busca a articulação do conhecimento com o próprio movimento histórico das camadas sociais economicamente desprivilegiadas [...]” (IORA; SOUZA, 2015, p. 43), cenário em que a revolução do ensino do esporte escolar encapada por uma ideologia fomentará alunos críticos e capazes de superar as estruturas “opressoras” da atual da sociedade. Será? Abordagens críticas no esporte escolar4 Por um lado, os profissionais de educação física que optam conscientemente por atuar sob a óptica dessa abordagem têm a clareza de que a implementação dessa concepção apresenta dificuldades em virtude dos moldes que a socie- dade capitalista é emoldurada (IORA; SAOUZA, 2015). Com base nisso, para Iora e Souza (2015), faz-se necessária uma profunda introspecção, a fim de entender para quê e para quem o conhecimento científico está a serviço. De fato, vivemos em uma sociedade economicamente capitalista permeada de reformistas revolucionários que pretendem tomar o poder e redistribuir o capital (por vezes, “alheio”). Por outro, no que tange aos resultados educacio- nais, ainda nos defrontarmos com baixos níveis de aproveitamento escolar no Brasil. Tamanho abismo entre a utopia e a realidade pode dar vertigem, não? Na concepção crítico-superadora, as aulas devem ser estruturas em momen- tos articulados, a saber: (i) prática social; (ii) problematização; (iii) instrumen- talização; (iv) catarse; e (v) prática social (SOUZA, 2009). Especificamente, cada um desse elementos conduz os alunos à identificação dotema que será abordado na aula (prática social), ao conhecimento do contexto social e político que permeia a prática corporal em conjunto com o questionamento do modo de praticar (problematização), à verificação das possibilidades de adaptação frente à realidade escolar (instrumentalização), à execução do gesto motor a partir da transposição entre os conhecimentos teóricos e a prática (catarse) e, por fim, à avaliação com o intuito de verificar sua participação ativa a fim de superar a realidade “complexa e contraditória” (prática social) (SOUZA, 2009). Nesse sentido, a organização da implementação do ensino em ciclos, e a intervenção docente tendo como norte a realidade social, requer do profissional dessa disciplina um constante reinventar-se. Abordagem crítico-emancipatória Em paralelo, encontra-se a abordagem crítico-emancipatória, defendida no Brasil, entre outros, pelo pedagogo Kunz (1994), que aponta que, por meio do ensino crítico, os alunos seriam capazes de “[...] compreender a estrutura autoritária dos processos institucionalizados da sociedade e que formam as falsas convicções, interesses e desejos [...]” (DARIDO, 2001, p. 13 apud TA- FFAREL; MORSCHBACHER, 2013, p. 48). E não somente isso, já que o cerne da questão está centrado na necessidade de traçar intervenções no ambiente escolar, tendo como base as práticas corporais dedicadas a “[...] promover condições para que essas estruturas autoritárias pudessem ser suspensas e o ensino caminhe no sentido da emancipação, possibilitado pelo uso da linguagem [...]” (TAFFAREL; MORSCHBACHER, 2013, p. 48). 5Abordagens críticas no esporte escolar No ensino crítico-emancipatório, o profissional de educação física entende o aluno como um ser crítico, capaz de atender aos desafios que o mundo apresenta (KUNZ, 2005). Além disso, durante as aulas o professor-mediador busca oportunizar desafios nos quais os alunos consigam ser protagonistas do processo. E, de maneira mais abrangente, toda a prática docente deve estar envolta pelo olhar atento do professor no potencial crítico dos seus alunos (KUNZ, 2005). Tendo como base o pensamento de Kunz, para Taffarel e Morschbacher (2013, p. 49), [...] O fenômeno social do esporte deve ter a capacidade de colocar o praticante na situação dos outros participantes no esporte; ser capaz de propiciar a visua- lização dos componentes sociais que influenciam todas as ações socioculturais no campo esportivo; além de poder desenvolver as competências da autonomia, da interação social, bem como da competência objetiva. Nesse sentido, para que a prática pedagógica se concretize tendo como base o ensino crítico-emancipatório, o profissional de educação física escolar, ao abordar o conteúdo do esporte como manifestação da cultura corporal de movimento, deve ter em mente as competências que precisam ser traba- lhadas — a objetiva, a social e a comunicativa (KUNZ, 2001) —, cada uma das quais salientando aspectos intrínsecos a fim de formar sujeitos “menos sujeitos a outrem”. Em outras palavras, mais capazes de pensar de maneira crítica, ter autonomia nas escolhas e independência na execução das propostas, caracterizando a busca da “emancipação humana” abordada por Taffarel e Morschbacher (2013). Abordagens críticas: convergências e divergências As duas abordagens apresentadas nasceram juntas? E o que as diferenciam? De fato, as abordagens críticas são concepções de ensino que emergiram em um mesmo período histórico no país, durante o processo de redemocratiza- ção política (IORA; SOUZA, 2015), trazendo traços engendrados em suas percepções de mundo, suas finalidades, saberes e dissabores. De acordo com Iora e Souza (2015), elas têm como pilar a racionalidade, óptica sob a qual instigam os alunos a desenvolverem a capacidade de construir novas formas esportivas (crítico-emancipatória) (KUNZ, 1994) e outras condições sociais (crítico-superadora) (COLETIVO DE AUTORES, 1992). Abordagens críticas no esporte escolar6 Distintamente da abordagem crítico-superadora, a concepção crítico- -emancipatória não tem como base explicitamente as relações entre lutas de classes (burguesia e proletariado), mas propor a desconstrução e a reconstru- ção do esporte em um olhar contra-hegemônico, cuja complementariedade poderia ser destacada em um ponto convergente: formar alunos capazes de problematizar o objeto de estudo, frente ao contexto social, histórico e político. Para uns, esticar a corda que tenciona a luta de classes (crítico-superadora), enquanto, para outros, almeja-se transpor as barreiras do sistema vigente por meio da emancipação humana fundada na autonomia e na criticidade (crítico-emancipatória). Diante disso, qual caminho trilhar? A resposta será fruto, caro(a) leitor(a), de seus aprofundamentos na temática aqui exposta, deixando aqui apenas uma caricatura — o belo quadro da sua intervenção docente, que pressupõem as tintas da “Verdade” e a moldura do “Bem”, somente você poderá pintar. 2 Problematização do esporte escolar sob a óptica das abordagens críticas De acordo com Betti e Zuliani (2002), a educação física escolar deve instigar os alunos a uma reflexão crítica que os conduza à autonomia no usufruto da cultural corporal de movimento, processo que pode ser auxiliado pelo esporte na escola, considerado um importante elemento das práticas corporais vinculadas à cultura corporal, se abordado criticamente (DARIDO, 2012). Com base nesses pressupostos, confira a seguinte entrevista extraída na íntegra dos escritos de Pereira (1984, p. 38): [...] Inusitado diálogo [...] • Os jogos escolares servem para a fraternidade! Para a socialização dos participantes! Para a prática salutar das atividades gimnodesportivas! Para a educação, enfim... • Seu Diretor, a sua escola participa dos Jogos Escolares? • Claro! Somos uma instituição educacional. • E quais foram os resultados educacionais da participação do seu colégio? • — Duas medalhas de ouro, cinco de prata, três terceiros lugares, e nosso time de basquete tava massacrando o inimigo quando foi desclassificado por um juiz ladrão. • Ah!!! [...]. 7Abordagens críticas no esporte escolar Como você pode notar, o cenário dos resultados educacionais advindos do esporte ainda está nublado pelas perspectivas não somente dos gestores escolares, mas também, muitas das vezes, dos especialistas da área. Sob o ponto de vista das abordagens críticas, os professores durante as aulas devem constantemente se questionar: � Por que ensinar “esse” esporte? � Como jogar? � Com quem jogar? � Para que serve o jogo? � Qual a importância desse jogo no contexto social, histórico e político? Tendo como base o pensamento de Kunz, um dos defensores da concep- ção crítico-emancipatória, as autoras Taffarel e Morschbacher (2013, p. 49), constatam que: [...] o esporte é realizado predominantemente de forma cada vez mais norma- tizada e padronizada visando atender ao rendimento cobrado pelas sociedades industriais. Para que o esporte possa ser praticado na escola, é preciso analisar quais os interesses, desejos e necessidades que formam a instituição [...]. Nesse sentido, para alcançar tal proposição a fim de que o esporte na escola esteja a serviço da formação de sujeitos críticos, as aulas de educação física escolar devem estar pautadas em roteiros que facilitem a formação da autonomia, da independência e da emancipação humana (TAFFAREL; MORSCHBACHER, 2013), elementos inter-relacionados como na Figura 2. Cabe ao profissional de educação física escolar estruturar atividades que conduzam os alunos a serem capazes de tomar e executar decisões (autonomia e independência, respectivamente), almejando a emancipação e tornando-se ator do seu processo de formação. Abordagens críticas no esporte escolar8 Figura 2. Inter-relação entre autonomia, independência e emancipação. Autonomia Independência Emancipação Para isso, de acordo com Betti e Zuliani (2002), não basta apenas o aluno aprender o gestomotor, desenvolver habilidades e capacidades físicas, tendo seu entendimento restrito à técnica e à tática, mas também aprender a organizar-se socialmente para praticar o esporte (BETTI; ZULLIANI, 2002), o que implica superar a mera compreensão das regras e aprender a respeitar o adversário como um companheiro, e não um inimigo, pois sem parceria não existiria competição esportiva. Sob a óptica da abordagem crítico-emancipatória, a aula de educação física pode ser organizada em etapas a fim de favorecer a compreensão, a problematização e a implementação de atividades teóricas e práticas em prol da formação do aluno crítico e emancipado, proposição que, na perspectiva de Kunz (1994), engloba os seguintes fatores. � Introdução da aula: o professor apresenta aos alunos a modalidade esportiva que será vivenciada, suas regras, histórico, gestos motores e material didático. � Transcendência de limites pela experimentação: os alunos reconhe- cem os elementos que compõem a modalidade esportiva (p. ex., bola, cone, fitas, etc.) e quais deles a escola não dispõe, sendo convidados a adaptar as regras do jogo e a elaborar os materiais didáticos com os materiais/adaptações fornecidos pelo professor. 9Abordagens críticas no esporte escolar � Transcendência de limites pela aprendizagem: os alunos vivenciam os elementos já adaptados do esporte frente à realidade escolar e executam os movimentos do esporte em atividades em grupo. � Transcendência de limites criando/inventando: os alunos, ao se de- pararem com dificuldades de execução da modalidade esportiva frente às adaptações realizadas, são convidados a se reinventarem a fim de possibilitar a adaptação do jogo para que todos os alunos participem de modo equânime, além de otimizar o aprendizado do gesto motor. Na etapa final, o professor reúne os alunos para avaliar a atividade esportiva e suas adaptações, e a instigar os alunos a se autoavaliarem frente às novas regras que os próprios elaboraram. No link a seguir, você pode conferir estratégias para o ensino do esporte escolar sob a óptica da abordagem crítico-emancipatória durante as aulas de educação física. https://qrgo.page.link/EtYcQ 3 Formação do aluno crítico-reflexivo a partir do esporte Em suas diversas facetas, o esporte permeia nossa convivência em sociedade, desde o esporte-espetáculo, perpassando o esporte-participação até a iniciação ao esporte escolar. Na escola, esse elemento da cultura corporal de movimento chega mesmo a ser confundido como sinônimo da educação física escolar (ANVERSA et al., 2018). Qual será o papel do esporte na escola? Abordagens críticas no esporte escolar10 Confira a seguir um resgate histórico da trajetória da educação física escolar no Brasil: as abordagens que permearam a intervenção docente, os objetos de estudo e a atual problematização da cultura corporal de movimento. Neste link, você reconhecerá a importância da participação do aluno como ator do processo de aquisição de conhecimento. https://qrgo.page.link/esjaZ Muitos especialistas da área têm ressalvas quanto ao “esporte na escola”, salientando a importância do “esporte da escola” (BRACHT, 1997), já que o primeiro ainda é muitas vezes tratado como instrumento para formação de novos talentos ao esporte nacional ou como ferramenta para combater doenças sob o pressuposto de promover a saúde e a qualidade de vida (BRACHT, 1997), e o segundo revestido da abordagem pedagógica, cujo ponto central é, ou ao menos deveria ser, a formação integral do aluno. Sob a óptica das abordagens críticas, essa forma de enxergar o esporte da escola perpassa o debate da manifestação esportiva sob a perspectiva social, histórica e política. Diante desse cenário, como abordar o esporte escolar para formar alunos críticos e reflexivos? De acordo com Taffarel e Morschbacher (2013, p. 49), o professor deve induzir o aluno a uma autorreflexão, isto é: [...] possibilitar aos alunos um estado de maior liberdade e conhecimento de seus verdadeiros interesses, ou esclarecimento e emancipação, entendida como o processo de libertar o jovem das condições que limitam o uso da razão crítica e todo o seu agir social, cultural e esportivo que se desenvolve pela educação [...]. Confira a seguir o exemplo de uma escola pública que oferece a possibilidade do engajamento dos alunos em diversas modalidades esportivas a fim de contribuir em sua formação integral. https://qrgo.page.link/ogUuX 11Abordagens críticas no esporte escolar ANVERSA, A. L. B. et al. Formação continuada na implementação do esporte educa- cional na educação física escolar. Pensar a Prática, Goiânia, v. 21, n. 4, p. 845–853, 2018. BETTI, M.; ZULIANI, L. R. Educação física escolar: uma proposta de diretrizes pedagógicas. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, v. 1, n. 1, p. 73–81, 2002. BRACHT, V. Educação física e aprendizagem social. 2. ed. Porto Alegre: Magister, 1997. COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de educação física. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1992. DARIDO, S. C. Diferentes concepções sobre o papel da Educação Física na escola. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Caderno de formação: formação de professores didática geral. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012. v. 16, p. 34–50. GUIMARÃES, A. A. et al. Educação física escolar: atitudes e valores. Motriz, Rio Claro, v. 7, n. 1, p. 17–22, 2001. IORA, J. A.; SOUZA, M. S. Propostas pedagógicas crítico-superadora e crítico-emanci- patória: formação em EF através dos projetos de extensão. Pensar a Prática, Goiânia, v. 18, n. 1, p. 40–51, 2015. KUNZ, E. Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: UNIJUÍ, 1994. Muitos especialistas da área que participaram do debate contra-hegemônico do esporte escolar sustentam suas intervenções nas abordagens críticas apresen- tadas, mas seriam esses os caminhos para formar o aluno crítico e reflexivo? Para Iora e Souza (2015), tanto na abordagem crítico-superadora, que vislumbra “outras condições sociais” por meio do esporte, quanto para a concepção crítico-emancipatória, que propõe “novas formas esportivas”, os alunos seriam apresentados ao esporte com o objetivo de identificar seu contexto social, histórico e político. E, mais do que isso, o que estaria em jogo não seria apenas o saber fazer ou a métrica do rendimento, mas também possibilitar meios para superar as problemáticas vigentes. De fato, o esporte representa um importante meio para ensinar valores, normas e atitudes aos alunos (GUIMARÃES et al., 2001) — desde o respeito às regras e ao próximo, perpassando a disciplina e o trabalho em equipe até o direito de acesso e a participação de todos (GUIMARÃES et al., 2001), elementos que permeiam a manifestação esportiva na escola, que possibilitarão que o professor consiga traçar a sua jornada de ensino. Abordagens críticas no esporte escolar12 Todos os links para sites da Web fornecidos neste livro foram testados, o que levou à comprovação de seu funcionamento no momento da publicação do material. No entanto, pelo fato de a rede ser extremamente dinâmica e suas páginas estarem constantemente mudando de local e conteúdo, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre a qualidade, a precisão ou a integralidade das informações referidas em tais links. KUNZ, E. Pedagogia crítico-emancipatória. In: GONZÁLES, J.; FENSTERSEIFER, P. E. (org.). Dicionário crítico de educação física. Ijuí: UNIJUÍ, 2005. p. 316–318. KUNZ, E. Fundamentos normativos para as mudanças no pensamento pedagógico em educação física no Brasil. In: CAPARRÓZ, F. (org.). Educação física escolar: política, investigação e intervenção. Vitória: Proteoria, 2001. v.1. PEREIRA, L. E. [Seção de humor]. Revista Corpo e Movimento, São Paulo, n. 3, p. 38, 1984. NEIRA, M. G.; GRAMORELLI, L. C. Embates em torno do conceito de cultura corporal: gênese e transformações. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, 19.; CONGRESSO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS DO ESPORTE, 6., 2015, Vitória.Anais [...]. Vitória: [s. n.], 2015. REIS, N. S. et al. O esporte educacional como tema da produção de conhecimento no periodismo científico brasileiro: uma revisão sistemática. Pensar a Prática, Goiânia, v. 18, n. 3, p. 709–724, 2015. SAVIANI, D. Escola e democracia. Campinas: Autores Associados, 1989. SOUZA, M. S. Esporte escolar: possibilidade superadora no plano da cultura corporal. São Paulo: Ícone, 2009. TAFFAREL, C. Z.; MORSCHBACHER, M. Crítica a teoria crítico-emancipatória: um diálogo com Elenor Kunz a partir do conceito de emancipação humana. Corpus et Scientia, Rio de Janeiro, v. 9, n. 1, p. 45–64, 2013. Leitura recomendada SILVA, E. J. Conteúdos de ensino da Educação Física na perspectiva critico emancipatória. EFDeportes.com: Revista Digital, Buenos Aires, v. 20, n. 207, 2015. Disponível em: https:// www.efdeportes.com/efd207/educacao-fisica-na-perspectiva-critico-emancipatoria. htm. Acesso em: 08 jan. 2020. 13Abordagens críticas no esporte escolar