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Material do Estudante Paisagismo: Técnicas e Projeto Material do Estudante Paisagismo: Técnicas e Projeto Editora Senac Rio – Rio de Janeiro – 2019 Material do Estudante Paisagismo: Técnicas e Projeto Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC ARRJ Créditos Paisagismo – Técnicas e Projeto © Senac, 2019 Direitos desta edição reservados ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – Administração Regional do Rio de Janeiro. Vedada, nos termos da lei, a reprodução total ou parcial deste livro. Senac RJ Presidente do Conselho Regional: Antonio Florêncio de Queiroz Júnior Diretora Regional: Ana Cláudia Martins Maia Alencar Diretor Administrativo-financeiro: Sylvio Britto Diretora de Educação Profissional: Wilma Bulhões Almeida de Freitas Editora Senac Rio Rua Pompeu Loureiro, 45/11 andar Copacabana – Rio de Janeiro – CEP: 22061-000 – RJ comercial.editora@rj.senac.br editora@rj.senac.br www.rj.senac.br/editora CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ___________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ____________ __________________________________________________________________ S477p SENAC Rio Paisagismo : técnicas e projeto : material do estudante / SENAC Rio. - 1. ed. - Rio de Janeiro : SENAC Rio, 2019. 256 p. : il. ; 28 cm. Inclui bibliografia anexos ISBN 978-85-7756-459-0 1. Jardinagem paisagística. 2. Jardins - Projetos. I. Título. 19-56732 CDU: 712 CDU: 712 ___________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ____________ __________________________________________________________________ Conhecendo os Estilos de Jardins Conteúdo: Flavia Nunes Silva Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Gomes Vieira Validação Técnica: Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Vieira Gomes Vieira Desenho Básico Aplicado a Paisagismo Conteúdo: Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Gomes Vieira Tulio Galvão Vidal Correa Validação Técnica: Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Vieira Gomes Vieira Princípios Agronômicos e Botânicos Aplicados ao Paisagismo Conteúdo: Flavia Nunes Silva Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Gomes Vieira Cláudio da Silva Teixeira Validação Técnica: Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Vieira Gomes Vieira Cláudio da Silva Teixeira Compondo com a Vegetação Paisagística Conteúdo: Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Gomes Vieira Tulio Galvão Vidal Correa Validação Técnica: Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Vieira Gomes Vieira Projeto Integrador: Desenho Paisagístico Conteúdo: Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Gomes Vieira Tulio Galvão Vidal Correa Validação Técnica: Padma Ferreira Kukel Maria de Fátima Gomes Vieira Material adaptado: Curso Básico em Paisagismo Senac Rio conteúdo: Eng, Agrôn. e Paisagista Sheila Cavalcante Paisagista: Luiz Cancio Desenho Instrucional: Gabriela Dantas Juliana Garcia Tuane Oliveira Copidesque: Aline Ferreira Projeto Gráfico: Mônica Vaz Diagramação: Victor Willemsens Ilustração: Michele Antonio Validação Técnica: Fabiana Zveiter Mônica Vaz Produção Editorial: Andréa Regina Almeida Gypsi Canetti Michele Paiva Impressão: Edigráfica Gráfica e Editora Ltda. 1ª edição: junho de 2019 As imagens de uso contratualmente licenciado, aqui inseridas, pertencem à G & S Imagens do Brasil Ltda. e são utilizadas para fins meramente ilustrativos, o que se aplica, inclusive, a todos os exemplos, modelos e/ou indivíduos constantes deste material. Bem-vindo(a)! Caro(a) estudante, Parabéns pela iniciativa de buscar seu aprimoramento profissional! Você está participando do curso Paisagismo: Técnicas e Projeto, desenvolvido pelo Senac. Serão 140 horas presenciais, durante as quais você terá a oportunidade de aprimorar, em grupo, técnicas que farão a diferença em sua atuação na área. No curso, você encontrará contribuições valiosas para aprender a elaborar desenhos paisagísticos, seja organizando, seja identifican- do e especificando os tipos de plantas mais adequados à execução e à manutenção da beleza de jardins. Este material didático foi elaborado para orientar e complementar sua participação nos encontros presenciais do curso, além de garan- tir um processo de aprendizagem dinâmico e objetivo. Ele está orga- nizado em cinco unidades curriculares, que contemplam um conjun- to de informações e orientações relevantes a fim de contribuir para seu desenvolvimento e sucesso profissionais. Aproveite bastante esta oportunidade. 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Paisagismo: Técnicas e Projeto Unidades Curriculares Princípios Agronômicos e Botânicos Aplicados ao Paisagismo Compondo com a Vegetação Paisagística Projeto Integrador: Desenho Paisagístico Conhecendo os Estilos de Jardins Ic o n o g ra fi a Em todo o material, nos momentos oportunos, você encontrará íco- nes que o ajudarão em seus estudos. São eles: Saiba mais Informações acrescidas ao texto com o objetivo de auxiliar a sua reflexão sobre o assunto estudado. Dicas Este ícone sugere práticas que facilitarão seu trabalho no dia a dia. Atenção Este ícone assinala/destaca uma informação de extrema importância. Exemplificando Indica um exemplo ou uma situação (case) para que você entenda melhor o assunto tratado. O que é? Apresenta o significado de palavras utilizadas no texto, a fim de facilitar sua compreensão do texto. S u m á ri o Unidade Curricular Conhecendo os Estilos de Jardins 17 Definições 19 História dos Jardins 62 Estilos de Jardins 79 Desenhos Técnicos Unidade Curricular Desenho Básico Aplicado a Paisagismo 119 Noções de Botânica 103 Conhecendo as Plantas 128 Clima 141 Adubação 135 Solo 92 Vistas Técnicas 88 Desenhos Paisagísticos 97 Tipos de Espécies Vegetais em Desenhos Paisagísticos 99 Perspectiva Unidade Curricular Princípios Agronômicos e Botânicos Aplicados ao Paisagismo 148 Irrigação e Drenagem 152 Controle de Pragas Paisagismo: Técnicas e Projeto 193 Elementos Compositores 165 Paisagismo e os Cinco Sentidos 171 Princípios de Composição 179 Estratos Vegetais na Composição de Jardins 186 Plantas na Composição de Jardins 196 Compondo em Varandas e Jardins de Inverno em Áreas Internas 213 Iluminação 227 Etapas do Projeto Unidade Curricular Compondo com a Vegetação Paisagística Unidade Curricular Projeto Integrador: Desenho Paisagístico Unidade Curricular Conhecendo os Estilos de Jardins A Unidade Curricular Conhecendo os Estilos de Jardins está desenvolvida em três temas. Veja. Definições 1. Paisagem 2. Paisagismo 3. Jardim História dos Jardins 1. O jardim desde os tempos de Adão e Eva 2. Jardins do Mundo Antigo 3. Jardim italiano – Renascimento 4. Jardim francês – Racionalismo 5. Jardim inglês – Paisagístico 6. Jardim japonês 7. Breve história brasileira Estilos de Jardins 1. Jardim clássico ou formal 2. Jardim rochoso ou rústico 3. Jardim oriental ou japonês 4. Jardim tropical 5. Jardim contemporâneo Definições 18 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. Paisagem Refere-se ao espaço ou à extensãoterritorial abrangida em um lan- ce de vista. Corresponde a uma vista natural, agradável, ou sua re- presentação por meio de uma figura, como um desenho, uma pin- tura ou uma fotografia. 2. Paisagismo É uma atividade também denominada planejamento paisagístico ou arquitetura paisagística. Considera-se arte porque as plantas, pela sua diversidade de formas, cores e texturas, têm grande rique- za plástica que, quando harmonizadas, tornam possível criar com- posições de valor estético. 3. Jardim Lugar que transmite harmonia, beleza e satisfação. É dinâmico, uma vez que os elementos são modificados pelo clima ou de acordo com as estações do ano. Deve sempre atender aos cinco sentidos: visão, tato, olfato, audição e paladar. Saiba mais Jardim é uma palavra de origem hebraica. As junções de GAN (pro- teger, defender) e EDEN (prazer, satisfação, encan- to, delícia) resultam na palavra inglesa GARDEN, que significa jardim. Material do Estudante 19 História dos Jardins 20 Paisagismo: Técnicas e Projeto Observar a história dos jardins é essencial, pois ela é o espelho do relacionamento humano com a natureza. 1. O jardim desde os tempos de Adão e Eva No início da Bíblia encontramos o ponto de partida para o estu- do dos jardins. Diferentemente da arquitetura, os jardins desa- pareceram sem deixar marcas, então não dispomos de “ruínas de jardins”. O conceito bíblico de jardim, de algum modo, per- maneceu em nosso subcons- ciente como um bem perdido. Dizemos que um lugar é paradi- síaco quando apresenta vege- tação exuberante, frutos, água, clima suave e está resguardado de certos perigos. Culturas e ci- vilizações, ainda que diferentes entre si, concebem de maneira semelhante, quase universal, ideias como o paraíso terrenal e o Jardim do Éden. Maomé descreve ainda mais detalha- damente o jardim para os fiéis islâmicos. Nesse primeiro jardim bíblico, encontramos a maior parte dos elementos presentes nos jar- dins posteriores. Os rios mar- cam o desenho cruciforme, a água é abundante, as árvores embelezam e dão frutos, os ani- mais vivem em perfeita harmo- nia, toda a criação é exuberan- te e perfeita, paraíso terrenal. Material do Estudante 21 A maneira como o homem se relacionava com os recursos naturais mudou com o passar do tempo. Observe essa evolução na linha do tempo a seguir. Nesse jardim surgiram os primeiros cercados pré-históricos, em for- mato de círculo, com a sua carga simbólica e mágica (o sol, a lua e a fertilidade). Do círculo, passaram facilmente para o quadrado e para o retângulo. Existe, aqui, um princípio da geometria religiosa, processo em que o homem começa a atribuir poderes sobrenaturais às linhas traçadas com critérios geométricos e que também atribuía caráter sobrenatu- ral a certos lugares. Os bosques sagrados abundaram na época pré- -histórica e sua influência no jardim chegou até os nossos dias. Ao longo da história, o jardim se expôs como uma composição artís- tica, sendo complemento da casa ou parte integrante da cidade de acordo com diferentes civilizações e culturas. 60.000.000 anos a.C Começaram as glaciações, obrigando o homem a mudar seu estilo de vida. O homem já usava a pedra como utensílio, como arma, conhecia o fogo, era um esperto caçador e colhia alguns vegetais. O homem passa de caçador nômade a pastor, momento em que surgem os primeiros modos de agricultura (final do Mesolítico). 10.000 anos antes da nossa era ao final do Paleolítico 5.000 anos (- 4.000 a.C.) Saiba mais Surgimento da agricultura Os animais eram impedi- dos de fugir e protegidos contra a entrada de preda- dores e inimigos por meio de cercas feitas de roche- dos, pedras empilhadas, entre outros. Nesse con- texto, de algum galho ou semente brotaram novas plantas, e foi a observa- ção desse fenômeno pelo homem que deu origem à agricultura. 22 Paisagismo: Técnicas e Projeto Nesse período, apareceram: 2. Jardins do Mundo Antigo No Mundo Antigo notava-se a presença de alguns tipos de jardins, que eram considerados uma das maravilhas desse período históri- co. Nesse contexto, destacam-se os seguintes tipos de jardins: Cercas vivas Parterres Grutas Lagos Canais Fontes Quiosques Pavilhões Pérgulas Esculturas Topiárias Saiba mais Árvore da Vida No Gênesis aparece “a árvore da vida”, daí sur- ge a presença da árvore como um caráter religio- so ou mágico. A renova- ção rítmica do Cosmos se expressa simbolicamen- te pela vida, morte e re- generação da árvore. Jardim egípcio Jardim da Mesopotâmia Jardim persa Jardim grego Jardim romano Jardim islâmico Jardins islâmicos na Ásia Jardins hispano- -muçulmanos Jardim medieval Material do Estudante 23 2.1 Jardim egípcio Em linhas gerais, o jardim egípcio desenvolveu-se de acordo com a topografia do Vale do Rio Sagrado (Nilo) e estendia-se em grandes planos horizontais, livres de acidentes naturais. 2.1.1 Formato A estilização geométrica e a rigidez retilínea, tão características dos monumentos egípcios, tiveram sua correspondência nos jar- dins por meio da simetrização rigorosa dos extensos planos que os compunham. Exemplificando Tanques, caminhos, can- teiros, perímetro do jar- dim, tudo se baseava em um traçado retilíneo, se- gundo proporções numé- ricas tomadas de acordo com os costumes e cren- ças nas relações entre os números e as proporções astronômicas. 2.1.2 Plantas que constituíam o jardim egípcio As plantas mais comuns eram: - Palmeiras. - Lótus. - Papiros. - Sicômoros. - Figueiras. - Parreiras. 24 Paisagismo: Técnicas e Projeto De modo positivo, a natureza viva existiu no Egito por vários milê- nios. As coleções de sementes encontradas nas tumbas reais nos convencem da abundância de vegetais que cultivavam. As regas eram realizadas com frequência nos jardins, que se localizavam em alturas não atingidas pelas cheias, com água proveniente dos tan- ques e canais construídos ao nível do rio Nilo. Entre os elementos construídos podemos citar quiosques e pérgu- las, estas suportadas por colunas de madeira que eram pintadas com cores vivas. 2.2 Jardim da Mesopotâmia A antiga região que os gregos chamavam de Mesopotâmia ficava si- tuada entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje se localiza o Iraque. Apesar de ter sido uma potente civilização, comparável apenas ao antigo Egito, o jardim mesopotâmico é muito menos conhecido do que o egípcio. 2.2.1 Plantas que constituíam o Jardim da Mesopotâmia As enchentes e inundações violentas arrastavam água, pedras e bar- ro, fazendo desaparecer as construções que, geralmente, eram fei- tas de adobe. Nos baixos-relevos, no entanto, era possível encontrar plantas e jardins esquematizados. Cultivava-se cevada e trigo desde os tempos remotos. Cultivos irriga- dos por fabulosos sistemas de canais transformavam a Mesopotâmia em um imenso jardim agrícola. As plantas estavam relacionadas com a religião e eram alvo de adoração como se fossem pequenas deusas. Material do Estudante 25 2.2.2 Os Jardins Suspensos da Babilônia O filósofo Estrabão e o imperador Nabucodonosor exerceram impor- tante influência nesse tipo de jardim. Veja. Nabucodonosor II (604 – 562 a.C.) Criador de obras de engenharia e hidráulica, Nabucodonosor foi também o fundador dos famosos Jardins Suspensos da Babilônia, obra executada sobre terraços escalonados. Existem algumas interpretações para a razão dos jardins suspensos: • Moradia dos deuses (lugares sagrados ou elevados). • A esposa persa de Nabucodonosor estaria com nostalgia de seu país montanhoso. • A estrutura em forma de terrações apresentava proteção con- tra as enchentes dos rios. Em qualquer caso, o zigurate era comum nessa época. Esse jardim foi famoso na antiguidade, nos relatos bíblicos e nas descrições dos historiadores gregos, que o incluíam entre as Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Estrabão (sec. I d.C.) Descreve o jardim suspenso como uma construção em terraços ele- vados sobre uma plantaquadrada (com 40 metros de comprimento lateral, aproximadamente). Os terraços superpostos formavam vá- rios andares (com até 25 metros de altura, mais ou menos). Cada terraço repousava sobre arcadas formadas por sólidos pilares ocos, preenchidos com terra vegetal. Máquinas hidráulicas subiam a água para cada andar, e o acesso das pessoas era feito por esca- das em espiral que abraçavam os pilares. O que é? Zigurate Era uma espécie de tem- plo construído pelos as- sírios, babilônios e su- mérios, povos da Antiga Mesopotâmia. Essa cons- trução tinha o formato de pirâmide, porém com a presença de “degraus”. 26 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2.3 Jardim persa A jardinagem persa está resumida em três elementos: O betume era um dos elementos principais para manter a im- permeabilização dos terraços, acompanhado de uma “capa” dupla de tijolos e outra “capa” de chumbo, no qual finalmen- te se colocava o substrato para o cultivo. 1 2 3 A grande admiração pela árvore, talvez pela aridez da terra e pela falta de vegetação. As plantações de árvores realizadas em forma de parques de caça, pos- sivelmente em linhas, que formam largas avenidas para cavalgar ou passear de carro (o Jardim de Ciro). A valorização da água e a grande tradição hidráu- lica dos persas, criadores das canalizações subterrâneas – transportavam água dos aquíferos das colinas até zonas distantes, evitando as perdas pela areia do deserto e a evaporação. Algumas dessas canalizações ainda estão sendo utilizadas no atual Irã. Material do Estudante 27 2.3.1 Formato O jardim persa é constituído por um recinto fechado retangular, com dois eixos perpendiculares em cujo cruzamento existe uma fonte. Cada eixo é um grande canal com coníferas plantadas no seu borde. Os retângulos resultantes inferiores estão divididos em par- terres, localizados um nível abaixo das avenidas e dos canais, para facilitar a irrigação. Nos parterres existem diversas flores e árvores frutíferas, como romanzeiro, laranjeira e limoeiro. Os muros estão cobertos com rosas trepadeiras. A análise de um tapete persa torna possível reconstruir um jardim. Relembrando... Com Adão e Eva o conceito de jardim surge como o paraíso, unindo o reino vegetal e animal, além de considerar ainda os aspectos envolvi- dos na geometria mística. 28 Paisagismo: Técnicas e Projeto Esse tipo de jardim, dividido em quatro zonas, é a descrição bíblica do paraíso terrenal, cujos quatro rios marcam o desenho crucifor- me. É a representação do cosmos, o mundo partido em quatro zo- nas, por quatro rios diferentes. Na interseção se construía um palá- cio, um pavilhão ou uma fonte, e para isso eram utilizados azulejos coloridos que revestiam as paredes e o fundo dos canais e tanques. Esses jardins exerceram uma influência decisiva nos traçados poste- riores, especialmente na estética do mundo muçulmano. 2.4 Jardim grego Com a Grécia inaugura-se o período clássico. Desaparece o colossa- lismo, o homem passa a ser a medida de todas as coisas e a arqui- tetura é projetada em harmonia com os homens. Nesse país de civi- lização avançada, os jardins se caracterizavam por horto-pomares e parques arborizados. 2.4.1 Formato Concebido com certa despreocupação, sua estrutura apresentava formas naturais adaptadas à vegetação e à topografia. Tais formas Material do Estudante 29 seguiam as curvas de níveis e integravam o entorno com as cons- truções em um tipo de bosque salpicado de estátuas e construções de gênero sagrado ou mítico, em uma espécie de paisagismo primi- tivo. Fugiam da simetria e da regularidade matemática tão comum aos jardins construídos no Egito. Os jardins, por suas próprias características, não suportam os maus-tratos do tempo. Por isso, dos jardins cultivados na Antiga Grécia restaram apenas as descrições lendárias, mitológicas e ou- tras de valor histórico que foram documentadas. Da mitologia, temos o Jardim das Hes- pérides, no qual eram cultivadas ár- vores que produziam ricos “pomos de ouro”. Outro jardim foi o de Academus, ponto de reunião de professores e fi- lósofos, germe das futuras Academias. 30 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2.4.2 Como eram as plantas do jardim grego Segundo Homero e outros autores, o jardim grego era fechado, uti- litário; as plantas cultivadas eram dispostas, regular ou irregular- mente, de acordo com o gosto do proprietário. A descrição de Homero do Jardim de Alcino reproduz a horta e o pomar que cons- tituíam, em conjunto, os jardins gregos. Eles apresentavam carac- terísticas simples, naturais e não tinham a simetria dos jardins egípcios. Esses jardins eram um prolonga- mento das casas, e a construção de colunas e pórticos fazia uma ligação entre o ambiente interior e o exterior. Neles eram culti- vadas plantas para consumo, como: maçãs, peras, azeitonas, uvas e hortas. O que é? Botânica É a parte da biologia que estuda as plantas. Con- siste no estudo da mor- fologia e da fisiologia dos vegetais. Material do Estudante 31 Os jardins, também presentes na mitologia grega, são mencionados como lugares onde os deuses e deusas visitavam a Terra. Podemos afirmar que tudo na paisagem da Grécia é um jardim cheio de grutas, fontes, bosques com árvores sagradas, estátuas, templos, passeios etc. 2.5 Jardim romano Os romanos reuniram, em apenas um, os três tipos de jardins ante- riores: dos egípcios, a geometria; dos gregos, um pouco de huma- nismo; e dos asiáticos, os perfumes, jogos de água e pavilhões. Os jardins aparecem nas ruínas romanas – essa é a primeira vez que se dispõe de descrições escritas, planos e ruínas físicas. 2.5.1 Origem do jardim de pequena escala, próximo à residência O desenvolvimento desse jardim indica, provavelmente, a ideia de pá- tio, um recinto protegido e seguro, uma tradição entre os povos medi- terrâneos. Temos de levar em conta ainda o modelo do bosque sagra- do persa (para a caça), o passeio meditativo e a invocação religiosa. Saiba mais Os gregos e a botânica Os gregos não se destaca- ram como jardineiros mas como botânicos e natura- listas. Teofrasto escreveu dez tomos de uma História das plantas (372-287 a.C.); podendo ser considerado o pai da Botânica. Escre- veu, também, sobre téc- nicas de horticultura, pro- cedimentos para superar condições negativas do meio, pragas e doenças. Saiba mais As obras dos renascen- tistas e dos ilustradores do séc. XVIII são modifi- cações do traçado básico do jardim romano, assim como na atualidade o jardim paisagístico recebe a mesma influência, com evocações a paisagens, simbolismos, arquitetura, escultura (muitas delas saqueadas da Grécia) etc. 32 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2.5.2 Origem do jardim de grande escala O bosque sagrado e o pátio são estruturas do jardim romano, com todas as variantes e modificações que ocorreram no transcurso do tempo. Essas são as estruturas básicas dos jardins adotadas por toda a humanidade. Com a introdução de colunas e pórticos, as vivendas romanas se abrem para o jardim. O horto tradicional perde seu caráter religioso e econômico, passa a orientar-se para o naturalismo e para a sa- tisfação das novas necessidades de luxo e exotismo. A casa vai se transformando progressivamente até se converter em uma vila. 2.5.3 Formato • Estátuas isoladas que formam grupos distribuídos pela com- posição paisagística, muitas delas saqueadas da Grécia. • A arte da topiaria representava elementos decorativos (es- tátuas, animais etc.) esculpidos em plantas. Eram utilizadas flores do campo, mas predominavam as plantas verdes. • A água afigurava-se em fontes, cascatas, lagos e com um sis- tema completo de irrigação. Nos pátios ajardinados de pe- quenas proporções das cidades romanas surgiu uma forma decorativa de pintura ilusionista/naturalista. Eram executa- das nos muros, com a técnica da perspectiva e representa- vam áreas com gramados, árvores, flores, arbustos, fontes e animais, dandoaos olhos a ilusão de ampliação do espaço. 2.5.4 Desenvolvimentos no período • Estrutura urbana de tipo regular, na qual aparecem espaços destacados para um tratamento com jardins públicos. • Vilas rurais, como a Villa Adriana em Tivoli e as Villas de Plinio em Roma, longe das cidades, que íam um retiro para a recep- ção de amigos, produção de obras literárias ou apenas para contemplação. Essas propriedades eram naturalmente patri- mônio das classes dominantes. Plinio possuía, no séc. I d.C., mais de quinhentos escravos e três propriedades, uma na ci- dade e duas no campo. Material do Estudante 33 A forma de vida se desenvolvia nas terras secas e áridas da Arábia, onde a população era, principalmente, nômade. Para o homem do deserto, o oásis marca um conceito fundamental para a compreensão do paraíso corânico, mas com a insegurança diante dos animais ferozes ou tribos inimigas. 2.6 Jardim islâmico Voltamos à ideia paradisíaca como a origem da formação dos jar- dins e a integração ideológica entre os povos diferentes que assimi- laram o maometismo. O Corão é a revelação divina por meio de Ma- omé e, para o crente, o paraíso corânico é uma fonte de inspiração artística e uma meta desejável, mas inalcançável na terra. 2.6.1 Formato No jardim muçulmano, encontram-se água abundante, vegetação, frutos, aromas, cores, sombra, som das águas, arquitetura e pers- pectiva. É mantida a tradição do jardim para o prazer e o espaço é tido como puro, geométrico, regular e fechado. Desde o Gênesis, vemos o mundo dividido em quatro partes por dois eixos perpendiculares. O pátio é considerado característica essencial do jardim islâmico. 34 Paisagismo: Técnicas e Projeto Saiba mais As cidades de Agra e Délhi foram os principais cen- tros da arte muçulmana na Índia. Saiba mais O mausoléu A Tumba de Humayún é o mais antigo da Índia (1508-56). Outro importante mauso- léu é o Taj Mahal, obra de Shah Jahan (1592-1666). Esse monumento foi re- sultado de seu grande amor pela esposa persa Mumtaz Mahal. Segundo a lenda, a imperatriz es- colheu o lugar com base em um sonho, e o impera- dor, um ano após a mor- te trágica da esposa, deu início às obras no lugar escolhido. O Taj Mahal foi construído em 22 anos, de 1632 a 1654. 2.7 Jardins islâmicos na Ásia Na Índia, o islamismo foi adotado no século XI. Com isso, houve um choque de tendências. • Corrente vinda do deserto (esquemática). • Corrente adaptada a uma natureza excessiva. A arquitetura e a influência do paraíso persa são destaques no jar- dim islâmico desenvolvido pelos mongóis. Havia três tipos: 1. Palácios. 2. Jardins em torno dos mausoléus. 3. Jardins do paraíso (char bagh). Os mausoléus O esquema do mausoléu era condizente com um grande recinto quadrado, dividido com precisão geométrica, à imagem do univer- so ordenado. No centro, a tumba levantava-se sobre os quatro rios representados por canais. O jardim paraíso era um paralelogramo com quatro quadros em cada plano. A água dominava todos os jar- dins. No núcleo do char bagh havia um canal central e muros altos que o protegiam dos ventos. 2.8 Jardins hispano-muçulmanos Os muçulmanos conquistaram a Espanha no ano 711 e permanece- ram na península sete séculos, até serem expulsos pelos reis cató- licos. O jardim era tido como um paraíso e um isolamento, e a vegetação, considerada produtora de alimento ou puro prazer. Esses jardins apresentam: • Ordenação do espaço como contraposição à extensão aberta do deserto. • Essência romana do pátio. • Forma fechada e íntima que compõe parte do conceito total do edifício. Material do Estudante 35 2.8.1 Formato Eram utilizados materiais pobres, que combinavam as cores e as texturas. A água é o eixo da composição: tanques fontes, aspersores e cascatas, cuja evaporação aliviava o clima quente. Coexistiam a simetria e a assimetria. Córdoba O Pátio de los Naranjos (ano 786), na mesquita de Córdoba, é, talvez, o jardim de estrutura mais antiga de todos os hispano-muçulmanos. Os jardins dos Nazaríes de Granada, os de Alhambra e o Generalife são os mais conhecidos. Esses jardins tiveram acréscimos com as con- quistas cristãs e nos períodos renascentista, romântico e moderno. 36 Paisagismo: Técnicas e Projeto Alhambra Em Alhambra destaca-se seu recinto amuralhado, compos- to de quatro pátios-jardins: o Adarve, o Machuca, o dos Ar- rayanes (ou Comares) e o dos Leões. O Pátio dos Arrayanes é um perfeito exemplo de pátio-jar- dim retangular. Forma-se pela geometrização e pela síntese da linha reta. Em torno desse eixo, organiza-se o espaço con- templativo, com água, pedra e vegetação linear. O Pátio dos Leões, ao contrá- rio, apresenta um aspecto mais íntimo e privado. Tem dimen- sões reduzidas e pouca vege- tação. No centro, há uma fon- te da qual saem quatro canais com doze leões. Nele, centra-se todo o conjunto de Alhambra, que é uma representação do jardim corânico. Material do Estudante 37 Pátio da Acequia O Pátio da Acequia é o melhor exemplo existente de pátio-jardim islâmico. A vegetação acompanha um eixo definido que serve como centro unificador de toda a composição. Generalife O jardim de Generalife é um palácio-jardim (século XV) com aspecto de vila campestre. Está estruturado em vários pátios de níveis distintos, o que facilita a irrigação e as perspectivas. Cada recinto tem uma personalidade própria, sem deixar de formar uma sequência global. 38 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2.9 Jardim medieval Depois da queda do Império Romano, o luxo e o requinte foram abandonados; tornou-se a viver a economia rural e a simplicidade de hábitos. As igrejas e os mosteiros constituíram-se em centros de toda a ati- vidade social, qualquer espaço útil recebia seu uso funcional, como a obtenção de alimentos ou ervas. O que era necessário para a subsistência dos monges deveria ser obtido no próprio convento. A água e o horto passaram a ocupar o primeiro lugar. A arte dos jardins, como também outras manifestações culturais ficaram adormecidas com o fim do Império Romano. As plantas medicinais eram valorizadas e apareceram os jardins botânicos, como o de Carlos IV de Praga. Escritas de destaque: • 1260: São Alberto de Magno escreve De Vegetabilibus como um testemunho de época. • 1304: surge o Opus Ruralium de Petrus Crescencius, que abor- da a manutenção dos gramados. • 1467: Colonna escreve O sonho de Polifilo, no qual descreve, em detalhes, um jardim imaginário. Esse livro aparece como um estandarte dos humanistas do século XV e será a base dos novos jardins do Renascimento. Material do Estudante 39 2.9.1 Vegetação e formato As características básicas do jardim medieval são: • Planta quadrangular. • Espaço fechado. • Sentido utilitário das plantas. O centro do jardim é ocupado pelo elemento água, por meio de uma fonte ou poço que simboliza o centro da vida e facilita a irrigação em qualquer parte. Em torno desse centro simbólico e funcional há quatro canteiros geométricos separados entre si por caminhos. Alguns desses ca- minhos exibiam plantas trepadeiras que formavam túneis. Cultiva- vam-se ervas aromáticas e medicinais, temperos, algumas plantas frutíferas, uma pequena horticultura e também algumas flores. O simbolismo tinha grande importância e acreditava-se que plantas medicinais guardavam propriedades químicas e mágicas. Algumas flores representavam o simbolismo religioso, como as rosas verme- lhas, que remetiam ao amor divino. Saiba mais • Na Idade Média os jardins quase desapare- ceram, ficando reduzidos a áreas confinadas em claustros destinadas ao cultivo. • O banco com grama surge como uma evolução do banco de pedra. • O labirinto aparece no século XII. Algumas ve- zes aberto, em outras fe- chado, simboliza sempre a busca. • O jardim urbano não existe e, espontaneamen- te, surgem espaços onde o povo se encontra. 40 Paisagismo: Técnicas e Projeto 3. Jardim italiano – Renascimento O Renascimentosignifica uma oposição à Idade Média e traz de volta os tempos clássicos. Da Grécia herdou o espírito; de Roma, as formas artísticas. Tem como características o cul- to à vida, ao amor e à natureza, como na época clássica. 3.1 Formato O jardim do Renascimento é uma interação de várias cor- rentes complexas e numerosas, cujas ideias vêm de Florença a Roma. O século XIV é o princí- pio desse movimento na Itália, haja vista que uma vida urbana se desenvolve nas suas cida- des-estados e a sociedade se distancia do conceito medieval. Na segunda metade do século XIV foi surgindo uma ligação en- tre a edificação e a vegetação, expressa nos pórticos e galerias com arcos. Houve tentativa de unificação de várias perspecti- vas em uma só linha visual, um primeiro domínio dos desníveis do terreno e das escadarias. Alberti escreveu De re aedifica- toria, um tratado de arquitetu- ra que analisa a coordenação do jardim e da paisagem. Nele, estão resumidos os escritos de Plínio sobre parterres, estatuá- ria e plantação de árvores que se uniam entre si. A obra apre- senta características para esse tipo de jardim. Vila D’este Material do Estudante 41 São elas: • Implantação de regras matemáticas sobre como ordenar um jardim (Alberti e Francisco de Giorgio). • Transferência para o jardim das regras guiadas para a cons- trução do Palácio. • Desenho de uma planta para o jardim, como feito para a casa. • Perspectiva sempre linear, em busca da direção mais favorá- vel e precisa, sempre com um ponto de princípio e outro de término. • O jardim como transição entre a arquitetura e a natureza. • A vegetação sempre verde, perene, compacta, com aspecto definitivo (cipreste, pinus), massa uniforme que pode ser con- trolada. As flores ficam reduzidas aos jardins secretos. • A água aparece de modo artificial ( jogos de água), como fon- tes, cascatas e espelhos d’água. Tem representação escultóri- ca, sendo Netuno a mais comum. • A estatuária tem importância na decoração: bustos, colunas, baixo-relevo, balaustradas, jarros, grutas etc. Exemplificando Locais em que aparecem o jardim italiano: • Villa Caprarola. • Villa Lante. • Projetos de Giacomo da Vignola. • Villa Medici de Miche- lozzo. • Jardins de Boboli (Pa- lácio Pitti) de Amman- nati. • Villa d’Este, em Tivoli, construída pelo Car- deal Hipólito d’Este. Villa D’este. O terreno, em níveis, facilita um jogo de vistas em uma grande exten- são, ordenado por parterres e em torno de um eixo principal, que unia o palácio, e outro transversal, que separava a parte plana da mais acidentada. O resultado é uma composição fechada, harmonicamente organiza- da em terraços onde todos os espaços ficam definidos. O jardim, fragmentado e concebido como uma verdadeira composi- ção arquitetônica, é um complemento do palácio. 42 Paisagismo: Técnicas e Projeto Saiba mais Vicino Orsini Homem interessado em ciências ocultas, filosofia, mitologia clássica e outras matérias, que claramente se baseiam no jardim. As linhas do desenho se perderam, restaram al- guns grupos de estátuas e massa de vegetação. Seu traçado fugia às regras de harmonia que dominavam o Renascimento italiano. A vegetação era plantada de maneira desordenada. Ao subir uma colina, cabeças decapitadas emergiam do solo, chegando ao plano no qual existe um templo renascentista dedicado à sua mulher. Encontra-se, também, uma grande cabeça com a boca aberta para simu- lar a entrada do inferno. Ao que tudo indica, o pro- jeto baseia-se na fábula dos gigantes que atacam o Olimpo. O jardim está mais próximo de um bos- que sagrado do que de um jardim renascentista. 3.1.1 Localização do jardim italiano Villa Orsini A Villa Orsini é denominada O inferno da Bomarzo, no norte de Roma. Seu proprietário, Vicino Orsini, é, possivelmente, o autor do projeto. 3.1.2 Fim do jardim italiano Com a morte de Giacomo Barozzi Vignola, começa a desaparecer o jardim italiano como arte nacional e diferenciada. O contato com outras nações faz com que seu período inicie com esplendor, co- piando e produzindo um ecletismo que se desvirtua do original (um barroco inicial). Como exemplo desse estilo de jardim temos Villa Aldobrandini e Villa Borghese. 4. Jardim francês – Racionalismo No século XVI, as pequenas propriedades da França conservam a associação utilitário-ornamental. Numerosos tratados de agricul- tura, que dedicam um capítulo ao jardim ornamental, aparecem nesse período. Os jardineiros aprendem a desenhar parterres de boj e de plantas aromáticas, modelam árvores e arbustos em formas geométricas ou figurativas. Tudo segundo o ritmo e a harmonia inspirados nas regras descritas por Alberti. Mudança nos jardins Amboise, Blois e Gaillon Seduzido pelos jardins de Poggioreale, perto de Nápoles, Carlos VIII regressa à França com um grupo de artistas italianos e transforma os jardins Amboise, Blois e Gaillon. Os jardins, ainda fechados, não têm relação com a arquitetura dos palácios e castelos. Material do Estudante 43 O jardim de Villers-Cotterêts O jardim de Villers-Cotterêts apresenta, pela primeira vez na França, uma avenida de árvores de grande porte, formada pelos italianos residentes no país. Os artistas franceses inauguram uma tradição de viagem de formação à Itália, regressando com um conhecimento teórico e referências das obras visitadas. 4.1 Formato O relevo na França, menos acidentado que na Itália, deixava os platôs com pequenos desníveis, o que possibilitava uma vista do- minante de todo o conjunto de parterres. A água formava grandes espelhos em canais sobre os eixos ou em canais transversais. Nos cenários dos jardins de Vaux-le-Vicomte, cada visitante tinha direito aos efeitos surpreendentes dos princípios ópticos. Le Nôtre colocou, no extremo de cada parterre, um grande espelho d’água quadrado, com o objetivo de conseguir uma ilusão. Versalhes: a influência do rei sobre os aspectos do jardim O rei Luís XIV, monarca absoluto conhecido como rei Sol, tinha três preocupações: • Manter o poder. • Distrair a corte e dominá-la. • Organizar suas aventuras amorosas. Saiba mais André Le Nôtre era filho de jardineiros que traba- lhavam com os melhores especialistas da França nos jardins do Palácio das Tulherias. Le Nôtre passou a fre- quentar os ateliês do Louvre e tinha grande ha- bilidade com o desenho. Passou seis anos com Si- mon Vouet – artista de Luís XIII –, dominava os problemas e teorias da perspectiva e estudava as Leçons de perspective positive, de Jacques du Cerceau. Nesse tratado, o autor representava os edifícios e as paisagens segundo as regras de uma ciência absoluta. A construção de grutas nos jardins se popularizou na França, assim elas passaram a ser apreciadas por muitas pessoas e construídas com maior frequência. Aquele que viesse do edifício, enxergaria como se as grutas re- pousassem sobre os espelhos. Chegando ao canal, o observador voltaria a vista para contemplar o palácio e receberia outra surpre- sa: a fachada seria inteiramente refletida no espelho d’água. 44 Paisagismo: Técnicas e Projeto O jardim do rei absoluto não de- veria ter limites ou, ao menos, não deveria demonstrá-lo. A cidade de Versalhes constituiu um salto qualitativo na história, superando Vaux-le-Vicomte. Le Nôtre obteve uma importância mais expressiva do que os ar- quitetos Le Vau e Mansart. Versalhes tinha um terreno com vários desníveis, pouca vegeta- ção e áreas constantemente inundadas. Material do Estudante 45 Em síntese, podemos descrever Versalhes do seguinte modo: • Terraço com extensos gramados, composto de grande espe- lho d’água fronteiriço à longa fachada de 670 m do palácio e pelo magnífico tapete de relva (tapete verde). • Enquadrado entre dois maciços de árvores, entrecortadas por fontes e pequenos e frondosos bosques, que se dividem em avenidas em forma de estrelas. • Grande canal ao fundo em formato de cruz. • Perspectiva retilínea com visão panorâmicados terraços e es- cadas, que se desdobram suavemente e acompanham o de- clive do terreno. • A vista encontra a natureza livre e canalizada pelas árvores, perdendo-se ao fundo do canal sobre um horizonte de prada- rias. Outras perspectivas secundárias também são observa- das do castelo. • O jardim se completa com a decoração escultórica (jarros, vasos de bronze, taças de mármore com baixo-relevo alegórico etc.). Além de Versalhes, existem outros locais que apresentam essas ca- racterísticas de jardim, tais quais: Trianon, Clagny, Chantilly, Fon- tainebleau, Meudon, Saint-Cloud e Sceaux. Fontainebleau 46 Paisagismo: Técnicas e Projeto 5. Jardim inglês – Paisagístico Compreende-se o jardim inglês como uma reação imediata/ins- tantânea contrária aos excessos do racionalismo do jardim francês logo que termina a “era Le Nôtre”. O jardim inglês recebeu grande influência do jardim oriental (chi- nês), praticado de maneira espontânea. O Conselheiro Bacon é considerado a primeira pedra do jardim in- glês, apesar do seu ecletismo. O plano de mudança para o jardim inglês resume-se à obtenção de um visual agradável para cada mês, não somente pelas formas das flores ou frutos, mas também pelas folhas, pelas cores em contraste, pela textura etc., que representam a base do paisagismo moderno. Saiba mais Francis Bacon Filósofo e ensaísta inglês, conhecido como Bacon de Verulâmio, barão de Veru- lam (ou Verulamo, ou ain- da Verulâmio) e Visconde de Saint Alban. Material do Estudante 47 5.1 Influências no formato do jardim inglês Observe a evolução do jardim inglês no esquema a seguir. John Parkinson A Garden of Pleasant Flowers (Um jardim de flores agradáveis), pri- meiro grande livro sobre jardins da Inglaterra. Descreve quase mil flores, ervas, vegetais e árvores frutíferas. Inclui mais de 800 xilo- gravuras, nomes de plantas latinos e familiares, descrição física e indicação das origens das plantas. Mais adiante, outras publicações de botânica aplicada e obras dedi- cadas ao cultivo de plantas com uma grande parte descritiva foram tornando-se comuns em razão dos descobrimentos dos botânicos nas colônias, que eram cada vez mais numerosas. No princípio do século XVIII, surgiram condições para uma nova for- ma radicalmente distinta: • Inglaterra obteve poderio marítimo e sua monarquia constitu- cional correspondia a uma bandeira de liberdade diante das monarquias absolutistas de outros países europeus (França e Espanha) que, do ponto de vista colonial e comercial, eram seus grandes rivais. • O local tinha condições climáticas, geográficas e culturais da Inglaterra, portanto bastante diferentes da francesa e italiana. • Com o custo elevado da manutenção e conservação de jardins recortados, compostos por desenhos e formatos artificiais, os ingleses propuseram o jardim paisagístico, que deveria imitar a natureza em seu traçado livre e sinuoso. O jardim inglês imita a paisagem natural, logo o desenho é simplificado. John Parkinson 1567 1650 1685 1748 1682 1745 Stephen Switzer 1715 1783 William Kent Lancelot Brown 48 Paisagismo: Técnicas e Projeto Stephen Switzer Abordava que “(...) a arte do desenho de jardim consista em que as formas se ajustem ao conjunto, e o conjunto se adapte à natureza e aos usos do lugar”. Em sua atuação, conservava certas normas de regularidades e for- mas geométricas, segundo as quais o jardim deveria utilizar curvas e a plantação das árvores deveria ser irregular. William Kent Era pintor, jardineiro e reformou o parque Stowe. Apropriou-se do ha-ha e de construções clássicas distribuídas na paisagem que re- cordavam as vistas dos pintores. Considerava a natureza um jardim que necessitava de um leve retoque. O jardim inglês é descrito como um desenho livre, que possibilita à imaginação seguir os meandros das correntes de água, colinas e sinuosas plantações espontâneas. Material do Estudante 49 Lancelot Brown Foi considerado pelos seus admiradores o melhor representante do paisagismo. Não participa do paisagismo pitoresco de Kent nem do jardinismo de Humphry Repton, paisagista inglês que pintava a pai- sagem antes de implantá-la. Aos 24 anos, responsável pelos jardins de Stowe, ele modificou os planos de Kent e foi contratado para novos projetos, como Warwi- ck Castle, Croome Court – este último durou 25 anos e ambos se mostraram bons exemplos de projetos que duravam vários anos. O serviço, em geral, tratava-se de uma remodelação do terreno, novas plantações e recondução da água. Os projetos de Brown reduzem a diferença entre o natural e o cria- do pelo paisagista. Nesse sentido, os pintores, inicialmente, con- templavam vistas naturais, reproduziam-nas nas telas e serviam de inspiração para os paisagistas, que planejavam paisagens que dife- riam cada vez menos do natural e passavam a ser referência para esses mesmos pintores. Warwick Castle 50 Paisagismo: Técnicas e Projeto 6. Jardim japonês O jardim chino-japonês tem início aproximado em 1.200 a.C. e apre- senta mudanças de estilo que não são tão aparentes como as produ- zidas nos jardins do Ocidente. A observação da natureza deriva da doutrina budista e é vinculada, diretamente, à residência, lugar de contemplação. O jardim é um espaço estético de evolução histórica, dividido em diferentes etapas. O jardim reproduz a ideia do paraíso; influência chinesa. 1185 1332 1615 1888 1332 1615 A influência zen, favorecida pela chegada ao poder dos samurais Shogun-Ashikaga, com o surgimento dos jardins de areia e dos jardins do chá. Época de YEDO-HEDO, jardim paisagístico. Características gerais: • Pintura como base de inspiração. • Abstração, que pode estar vinculada a diferentes objetivos: místico, contemplativo e de recriação. • Elementos da paisagem (pedra, água, vegetação, modulação do terreno, casa etc.) são incorporados ao jardim com uma reflexão filosófica sobre seu caráter ou procedência. Material do Estudante 51 6.1 Jardim-paraíso Na cidade de Quioto, esse tipo de jardim passa por alterações no seu formato em momentos históricos. Veja. O jardim Ryoan-ji, no mosteiro de Daiju, é um jardim de meditação. Situa-se no interior de um recinto arquitetônico (dois lados com- postos de edifícios e dois lados compostos de muros), tem uma su- perfície de 30 m x 10 m e está integrado por 15 pedras, agrupadas em formação de 5, 2, 3, 2, 3. Foi desenhado por Senshui e Soami. O jardim Kinkaku-ji é o reflexo da consideração japonesa e respei- to ao paraíso. O pavilhão está situado sobre a água e é um obser- vatório do lago, dividido em duas partes: paisagem próxima e pai- sagem distante. Já o jardim Daisen-in, em Quioto, atribuído a Saomi, em forma de L (9,14 m x 4, 50 m), almeja a recriação de uma paisagem miniatura por meio da colocação das pedras sobre uma base de areia. 6.2 Jardins secos Ainda em Quioto, registram-se os seguintes acontecimentos: Muso Soseki foi o criador do jardim de Saiho-ji, que significa a mu- dança e a aparição do jardim-paraíso. Conhecido como jardim do musgo, contém, em sua parte inferior, um jardim seco. O conjunto do jardim evoca a eternidade. É um caminho de pregação e medi- tação, é o paraíso que representa o Sanzen Sekai (mundo eterno). 1339 1394 1450 1513 52 Paisagismo: Técnicas e Projeto Material do Estudante 53 6.3 Jardins do chá Em 1583, a democracia da época Momoyama é responsável pela di- fusão da cerimônia do chá. Na realidade, a cerimônia consiste em um pavilhão e um espaço anexo a ele, cujo percurso se faz indivi- dualmente. 6.3.1 Formatos O Katsura (1579-1647), obra de Kobori Enshu, tem extensão de 4 ha (quatro hectares), sendo que um sexto dele é ocupado por um lago. Apresenta caminhos sinuosos, diversificação e importantes elementos ornamentais. Em 1770, pedras marcam diversos cami- nhos do jardim. O conjunto contém diversos pavilhões de chá com seus jardins cor- respondentes. Os elementos vegetais são tratados para valorizarsuas qualidades estéticas individuais. 7. Breve história brasileira Principais acontecimentos: • Na primeira metade do século XVII, o príncipe Maurício de Nassau ordenou que se providenciasse a urbanização dos nú- cleos de Olinda e Recife. Nas casas, a única preocupação em relação às plantas era com sua utilidade como alimento, com características aromáticas ou na medicina caseira. • No período colonial, em ambiente rural, um quintal rodeava a casa-sede da propriedade agrícola. A parte frontal quase sempre era um grande terreiro limpo e varrido, onde se seca- va café e se realizavam festas e danças. O pomar situava-se nos fundos e tinha dimensões pequenas. • Nos engenhos de açúcar de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Sergipe e Bahia, o tratamento paisagístico marcava o conjun- to como o coração da propriedade rural, pelo contraste esta- belecido entre diversas variedades de frutas dos pomares e, também, pela presença de plantas embelezadoras para que- brar a monotonia dos canaviais circundantes. • Surgem alguns jardins ligados à arquitetura religiosa nos claustros dos mosteiros e conventos. 54 Paisagismo: Técnicas e Projeto 7.1 Jardins públicos Os primeiros jardins públicos surgiram no fim do período colonial. Um bom exemplo é o Passeio Público do Rio de Janeiro, o primeiro deles a ser construído por Mestre Valentim durante o vice-reinado de D. Luís de Vasconcelos. O jardim sofreu profundas modificações na segunda metade do século passado pelas mãos do botânico fran- cês Auguste François Marie Glaziou, que veio para o Brasil a convite de Dom Pedro II, ocupou o cargo de diretor de Parques e Jardins da Casa Imperial e inspetor dos jardins municipais do Rio de Janeiro. Reformou o Passeio Público, os jardins da Quinta da Boa Vista e do Campo de Santana. Logo após a chegada da corte, foi criado o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, inicialmente um horto de aclimatação de espécies asso- ciado às plantações de chá. Nessa época, chega ao Brasil a palmeira imperial (Roystonea regia), originária das Antilhas. Nesse período, surgem outros locais com jardins públicos, como: • Belém. • Olinda. • Ouro Preto. • São Paulo. Em princípios do século XIX, por meio de D. João VI, é dada autori- zação para abrir os portos a outras nações. Paralelamente, na Eu- ropa, iniciava-se a ampliação do conhecimento humano no campo das ciências naturais. 7.2 Plantas do jardim brasileiro Nos primeiros anos do século XIX, houve um intenso trânsito pelo interior do país, quando botânicos, zoólogos, geólogos e diversos outros cientistas ligados à natureza cruzavam o Brasil em todas as direções. Nesse movimento, estavam envolvidos: Spix e Martius (Ba- viera), George Gardner (Escócia), Georg Langsdorff (Prússia), Augus- te de Saint-Hilaire (França) e o príncipe Wied-Neuwied (Alemanha). Material do Estudante 55 Jardim Botânico - Rio de Janeiro 56 Paisagismo: Técnicas e Projeto O que é? Autóctone Que é natural da região onde habita ou se encontra. Algumas plantas levadas para a Europa retornaram ao Brasil mais tarde como “novidades importadas”, tais quais as buganvílias, que foram descobertas nas ilhas da Guanabara, e outras plantas exóti- cas, de origem asiática, africana, do Caribe e da América Central. Algumas, como a amendoeira e espatódea, passaram a fazer parte das nossas paisagens. 7.3 Parques e jardins Rio de Janeiro Em meados do século passado, como parte integrante da missão artística e científica francesa, chega ao Rio de Janeiro o engenheiro hidráulico Auguste Marie François Glaziou, convidado por D. Pedro II para ocupar o lugar de diretor-geral de matas e jardins. Nesse período, destacam-se os parques do Campo de Santana e da Quinta da Boa Vista, projetos situados no Rio de Janeiro, com clara inspiração no jardim paisagístico. Ainda no século passado destacou-se o trabalho do Parque Lage (1840), obra do paisagista inglês John Tyndale. O Rio de Janeiro foi o primeiro a utilizar, com propósitos intencio- nalmente plásticos, elementos da flora autóctone em uma compo- sição artística. Em meados do século XX, Roberto Burle Marx valorizou, de maneira nunca antes lograda, a utilização do elemento vegetal nativo. O reflorestamento das áreas da Tijuca e das Paineiras com árvores autóctones, em sua maioria, seria outro exemplo se a preocupação não tivesse sido apenas de proteção aos mananciais, com vistas ao abastecimento de água para o Rio de Janeiro. Desse modo, o reflo- restamento configura uma preocupação técnica, não paisagística. Georg Marcgraf (1638 e 1644) No Brasil Holandês, Herbarium Vivum Brasiliense reuniu uma coleção de plantas secas, hoje guardadas no Museu Botânico de Copenhague. Alexandre Rodrigues Ferreira (1783 e 1792) Viajou ao Brasil durante o reinado de D. Maria I, “com a missão de recolher e aprontar todos os produtos dos três reinos da natureza que encontrasse e remetê- -los ao Real Museu de Lisboa”. Frei Leandro do Sacramento (Por volta de 1788) Coordenou os trabalhos de levantamento da flora fluminense, que resulta em uma coleção de 1.640 desenhos e descrições de plantas dessa região. Material do Estudante 57 Campo de Santana Quinta da Boa Vista 58 Paisagismo: Técnicas e Projeto Material do Estudante 59 Parque Lage 60 Paisagismo: Técnicas e Projeto Fatos históricos importantes desse período: • Os jardineiros portugueses, franceses e alemães tentaram trazer para os jardins um pouco da terra natal com rosas, dá- lias, crisântemos etc. • A Praça Paris, no Rio de Janeiro, de influência europeia, ser- viu de modelo para a maioria das cidades. • A simetria se tornou quase obrigatória na composição das praças do interior. • Roberto Burle Marx retornou ao Brasil em 1929, no momento em que construíam os jardins da Praça Paris. Foi convidado para fazer os jardins da casa da família Schwartz ( já demo- lidos), na Rua Tonelero, Rio de Janeiro, projetada por Lucio Costa e Gregori Warchavchik. Jardins tropicais A residência modernista de Gregori Warchavchik, em São Paulo, foi o primeiro jardim tropical brasileiro, elaborado por Nina Klabin. No período de 1934 a 1937, Burle Marx exerce as funções de diretor de parques de Recife, projeta e executa os primeiros jardins com um sentido ecológico, relacionando diversas formações fitogeográficas do Brasil. Em 1943, sua associação com o botânico Mello Barreto acentuou e consolidou essa tendência. Nesse período, ele realizou diversas excursões pelo interior do país e definiu as diretrizes bási- cas para o estabelecimento de uma nova solução de uso da vegeta- ção tropical em projetos de paisagismo. Material do Estudante 61 Aterro de Copacabana Vista aérea de Copacabana Alargamento da Av. Atlântica, Rio de Janeiro-RJ, 1970 62 Paisagismo: Técnicas e Projeto Estilos de Jardins Material do Estudante 63 1. Jardim clássico ou formal 1.1 Características gerais • Linhas geométricas e simetria de traçado. • Estilos francês e italiano. • Plantas monocromáticas ou de cores vibrantes e diversificadas. 64 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1.2 Composição vegetal • Ciprestes. • Arbóreas. • Buxos recortados. • Roseira. • Glicínia e hera. • Plantas de forração anuais, responsáveis pela cor do jardim. Material do Estudante 65 1.3 Materiais e elementos de composição • Figuras de topiaria (esculturas vegetais). • Estátuas, chafarizes e fontes. • Jarros e vasos com plantas recortadas. • Escadarias. • Acessos marcados por arcos e pérgolas. • Mobiliário rebuscado. • Cercas de ferro e balaustradas de concreto. 66 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2. Jardim rochoso ou rústico 2.1 Características gerais • Jardim monocromático, porém rico em texturas. • Traçado de formas livres. • Terrenos acidentados, pois são considerados os mais apro- priados para implantação. • Paisagem árida com presença de sol e pouca água. • Gramas utilizadas como contenção do terreno. Material do Estudante 67 2.2 Composição vegetal • Árvoresirregulares, disformes e com ramos retorcidos. • Algumas palmeiras de regiões áridas, como carnaúba e urucuri. • Flores anuais responsáveis pela cor nesse tipo de jardim: on- ze-horas, flor-da-fortuna, dedo-de-moça, cactáceas, suculen- tas, iúcas, gazânia, echevéria, agaves e babosas. 68 Paisagismo: Técnicas e Projeto Saiba mais A presença da madeira também se evidencia no mobiliário e nos elemen- tos construtivos, que po- dem ser compostos até mesmo de pedaços de troncos sem nenhum tra- tamento. 2.3 Materiais e elementos de composição • Pedras, pedriscos, seixos, manchas de areia, tijolo e argila ex- pandida. • Cascas de árvore e serragem. • Madeira em toras, bolachas, painéis e decks. • Vasos de barro. 3. Jardim oriental ou japonês 3.1 Características gerais • Os aspectos visuais, como texturas e cores, são tidos como menos importantes. • A reflexão filosófica e o culto à natureza, sem se preocupar com a simetria, são uns dos seus principais fundamentos. • Reúne muitos simbolismos que transmitem paz e espirituali- dade, fazendo, com isso, um convite à contemplação. • Seus caminhos são sempre tortuosos para não quebrar a inte- gração. Material do Estudante 69 • Pedras dispostas em número ímpar, preferivelmente três, cin- co ou sete (considerados os números da felicidade), sugerem que a própria natureza as colocou ali. • Laguinhos, riachos ou cascatas simbolizam a superação. • Luminárias de pedra representam o espírito bom e iluminado. • Plantas de grande beleza ocupam lugares de destaque. 3.2 Composição vegetal • Arbóreas, como cerejeira-do-japão, macieiras e extremosas rosa, lilás e branca, bambu, grama-preta, camélias, azáleas arbustivas e anãs, magnólia arbustiva branca, bordo japonês, ardísia, jasmim, íris, glicínias, tuias e nandinas. • Ondulações no terreno. • Grama-japonesa (zoysia tenuifolia) ou areia bem grossa e branca para integrar o conjunto. 3.3 Materiais e elementos de composição • Pequenos lagos, cascatas, riachos com seixos e tanques. • Pontes de madeira, passarelas de tronco ou de pedra. • Cercas de bambu e/ou madeira. • Lanternas de pedra. • Pedriscos brancos e pedras. • Carpas em lagos, dando colorido ao jardim. • Rochedos, areias penteadas, cascalho e seixos. 70 Paisagismo: Técnicas e Projeto 4. Jardim tropical 4.1 Características gerais • Integração perfeita com a arquitetura modernista. • Caracterizado pelo traçado informal, com caminhos sinuosos e pouco marcados, avessos à poda e à simetria. • Principal elemento de composição: plantas exuberantes, de cores vibrantes que se adaptam a pleno sol ou à meia sombra, atuando o gramado como elemento fundamental na integra- ção dos diversos espaços verdes. Material do Estudante 71 4.2 Composição vegetal • Árvores frondosas, como flamboyant, jasmim-manga e pal- meira. • Plantas arbustivas, como filodendro, bananeira ornamental, helicônia, costela-de-adão, hibisco, estrelítzia, dracena, pri- mavera, gardênia, beri, orquídeas, bromélias, samambaias e avencas. HelicôniaStrelitzia Costela-de-adão Jasmim Samambaia 72 4.3 Materiais e elementos de composição • Presença de água em piscinas, lagos, espelhos d’água, fontes, cascatas e riachos. • Pedras em manchas e arremates de lagos. • Revestimento em tijolos, seixos, madeiras, pedras, placas de concreto e grama. • Pérgolas em madeira com a função de sustentar a vegetação. • Decks de madeira. • Mobiliário em madeira ou pedra. • Vasos de barro e fibra de coco, substituindo o xaxim. Paisagismo — Ténicas e Projeto Material do Estudante 73 5. Jardim contemporâneo 5.1 Características gerais • Forte influência dos jardins japoneses, franceses e america- nos. • Elementos formais de correntes ecléticas e modernistas. • Liberdade de composição, com traçado que pode ser simétri- co ou assimétrico. • Integração entre jardim e edificação, formando simbologias. • Em muitos casos, a vegetação é empregada em pequena quantidade, de modo a destacar-se quase como uma escultu- ra, tais quais as topiarias. Ela também pode compor com ma- ciços de vegetação, criando um impacto visual que depende dos cenários projetados. • O mobiliário tem destaque na composição do cenário, sendo mais utilizados os de madeira, aço e plástico. 74 Paisagismo: Técnicas e Projeto 5.2 Composição vegetal • Arbóreas, como jasmim-manga, palmeiras, bambu-mossô, estrelítzia, bromélia, agapanto, lança e espada-de-são-jorge, buxo e fícus recortados, cicas e fórmio. • Vegetação com afinidades e compensação, ou seja, florescem em diferentes épocas do ano. Material do Estudante 75 5.3 Materiais e elementos de composição • Revestimentos em cerâmica, seixos (principalmente bran- cos), vidro, madeira, pedras e pastilhas de vidro. • Fontes e espelhos d’água com formas geométricas. • Vasos de formas geométricas com topiaria ou plantas escul- tóricas. • Esculturas de aço, pedra e concreto. • Iluminação direcionada, marcando a vegetação. 76 Paisagismo: Técnicas e Projeto Unidade Curricular Desenho Básico Aplicado a Paisagismo A Unidade Curricular Desenho Básico Aplicado a Paisagismo está desenvolvida em cinco temas. Veja. Desenhos Técnicos 1. O desenho e o traço à mão livre 2. Desenho aplicado a paisagismo Desenhos Paisagísticos 1. Planta de situação 2. Planta de localização Vistas Técnicas 1. Caminhos e pisos Tipos de Espécies Vegetais em Desenhos Paisagísticos 1. Espécies vegetais em desenhos paisagísticos 2. Estudando a vegetação: técnicas de representação gráfica Perspectiva 1. O que é perspectiva Material do Estudante 79 Desenhos Técnicos 80 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. O desenho e o traço à mão livre Para o paisagista, é fundamental o trabalho com desenho à mão livre. Ele deve ser treinado para representar em esboços/croquis as ideias de projetos, para que se aproximem cada vez mais do que foi pensado. Nesse processo, é necessário ter uma precisão objetiva e representar, o mais próximo possível, o objeto observado. Para o desenvolvimento de traços, é preciso observar, além da pre- cisão, a espessura, a hierarquia e os grafites. • Espessura: está relacionada ao peso que se deseja atribuir ao traço para representar um objeto ou expressar uma ideia de projeto. • Hierarquia: propicia utilizar intensidades diferentes de tra- ços para conferir maior realidade ao desenho e diferenciar planos em distâncias distintas do observador. • Grafites: a existência de grafites de vários tipos possibilita, por meio da escolha, chegar ao resultado desejado. Os grafites variam quanto a sua dureza em categorias classificadas nas séries H e B, acompanhados de numeração que indica sua intensi- dade nessa classificação, sendo H o mais duro e B o mais macio. Os grafites mais usados em desenhos de interiores são H, HB e B; HB é o mais comum entre os profissionais da área por ser um grafite intermediário. Veja a tabela de grafites das séries B e H mostrados na figura a seguir. Fonte: PPT da aula de Des. Básico da Prof. Carla Canella. O hábito de desenhar ajuda o aluno a perceber melhor os detalhes do que está observando. O que é? Croquis São desenhos feitos à mão, sem instrumentos específicos, para repre- sentar uma ideia, um ob- jeto ou um ambiente da maneira mais clara pos- sível. Em um croqui não importa a precisão da informação, e sim a pre- cisão da ideia. Material do Estudante 81 2. Desenho aplicado a paisagismo O projeto paisagístico é composto de várias etapas que são consi- deradas muito importantes em todo o seu desenvolvimento. Veja quais são. Nas pranchas estão as representações gráficas que constituirão o pro- jeto paisagístico, nas plantas constam as espécies vegetais que serão usadas e no memorial descritivo emprega-se o detalhamento, com justificativas e instruções para implantação e manutenção do jardim. 2.1 Instrumentos de desenho Além do croqui e do desenho de observação, são utilizadas algumas ferramentas e regras na elaboração dedesenhos técnicos. Para o projeto paisagístico, não esgotaremos todas as informações relati- vas a desenho técnico, mas vamos nos munir de informações, fer- ramentas e técnicas que são fundamentais para a representação de um projeto paisagístico. Pranchas com desenhos Plantas Memorial descritivo 82 Paisagismo: Técnicas e Projeto Algumas dessas ferramentas são: Folha de papel-manteiga ou vegetal A3 Lápis de desenho com grafites H, HB, 2B, 4B e 6B Borracha branca macia Apontador Gabaritos e curva francesa Régua paralela Material do Estudante 83 Transferidor e compasso Lápis de cor Guache Giz pastel Canetas hidrocor Escalímetro 84 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2.1.1 Régua T e esquadros Como utilizar Observe a posição correta da lapi- seira para obter um desenho com maior precisão. PUXE, NÃO EMPURRE Material do Estudante 85 2.1.2 Escalímetro Como utilizar 2.1.3 Traços e linhas Linhas de contorno • Contínuas. • Utilizadas para representar artefatos no interior da planta. • A espessura varia com a escala e a natureza do desenho. • Representação: Linhas internas • Contínuas. • Firmes, porém de menor valor que as linhas de contorno. • Representação: 30 29 28 27 26 25 10 5 01:20 0 1m 1m 86 Paisagismo: Técnicas e Projeto Linhas situadas além do plano do desenho • Tracejadas. • Têm o mesmo valor que as linhas de eixo. • Representação: Linhas de projeção • Compostas de traço e dois pontos. • Indicadas para representar projeções de pavimentos superiores, mar- quises, balanços, entre outros. • Em projeções importantes, devem ter o mesmo valor que as linhas de contorno. • Representação: Linhas de eixo ou coordenadas • Utilizadas para indicação de zonas em plantas muito grandes, indi- cação de eixos de simetria e eixos de peças em desenhos de detalha- mento. • Compostas de traço e ponto. • Firmes, definidas, com espessura igual ou inferior às linhas internas e com traços longos. • Representação: Linhas de cotas • Contínuas. • Firmes, definidas, com espessura igual ou inferior à linha de eixo ou coordenada. • Representação: Linhas auxiliares • Utilizadas para auxiliar a realização de desenhos, além de suporte à representação de letras e números nas cotas e no preenchimento de pranchas. • Contínuas. • Indicadas para construção de desenho, guia de letras e números. • Podem ser mantidas ou apagadas após serem utilizadas. • O traço é o mais leve possível. • Representação: Fonte: Adaptação do Prof. Luís Greno. Atenção Fique atento às normas: • NBR 8403/1984: apli- cação de linhas em dese- nhos (tipos e larguras das linhas). • NBR 6492/1994: re- presentação de projetos de arquitetura. • NBR 10068/1987: fo- lha de desenho layout. Material do Estudante 87 2.1.4 Carimbo Veja, a seguir, um exemplo de carimbo. A figura abaixo apresenta a localização do carimbo na folha: (ALTURA DA LETRA DO CARIMBO = 3 mm) 185 01 01 20 54 Quadro da folha (Margem do desenho) Limite da folha (Margem da folha) Carimbo Número da folha Número do projeto 543535 7 178 CENTRO POLITÉCNICO SENAC – TÉCNICO EM DESIGN DE INTERIORES NOME DO ALUNO NOME DA DISCIPLINA TRABALHO EXECUTADO ESCALA: ....... DATA: ..../..../.... MÓDULO NOME DO PROFESSOR 10 10 10 10 10 7 50 carimbo 88 Paisagismo: Técnicas e Projeto Desenhos Paisagísticos Material do Estudante 89 Desenhos Paisagísticos 1. Planta de situação A planta de situação é a locação do terreno dentro de uma área, seja loteamento urbano, seja rural. Sua finalidade básica é repre- sentar o formato do lote e os elementos que identifiquem a confor- mação da quadra. 2. Planta de localização A planta de localização tem sua importância para o entendimen- to da locação de nossa edificação e demais elementos no terreno. Nela, determinamos os limites do terreno com o passeio e a rua, o contorno externo da edificação no terreno ou, ainda, inserimos a vista da planta de cobertura que abrange sempre a vista superior. Nessa prancha, informamos: • Cotas gerais do terreno e cota da rua. • Indicação geográfica do norte. • Nome das ruas. • Número do lote e indicação de elementos topográficos. 90 Paisagismo: Técnicas e Projeto Nessa planta aparecem todos os elementos que compõem a implan- tação do terreno, como áreas de lazer, passeios, acessos, muros, equi- pamentos etc. Nunca esquecer a indicação da posição do norte. O que devemos representar em um desenho paisagístico? Relacionamos, a seguir, elementos que deverão aparecer na repre- sentação gráfica de um desenho paisagístico. • Linhas de delimitação do terreno. • Linhas de delimitação do passeio. • Contorno do perímetro da edificação – quando utilizada a planta de cobertura, as linhas do perímetro da cobertura e edificação devem ser tracejadas. • Desenho de muros, acessos, elementos construtivos, calça- das, canteiros, árvores, arbustos, cercamentos, entre outros. Material do Estudante 91 Em relação às informações que farão parte do desenho, sempre evi- denciar: • Cotas gerais do terreno. • Cotas gerais e parciais da edificação, bem como suas distân- cias em relação ao terreno. • Indicação geográfica do norte. • Indicação dos canteiros e espécies vegetais. • Indicação de acessos de veículos e pedestres. • Título do desenho, nome da planta e escala indicada. • Outros dados que se fizerem necessários. Atenção • Igualmente ao que foi estudado em uma fase anterior, a hierarquia dos traços deve obede- cer à posição de cada elemento e sua distância em relação ao campo de visão do observador. • Quando possível, po- sicionar cotas na parte externa do desenho. Caso contrário, elas poluem o projeto e confundem as infor- mações. • Os elementos proje- tados no terreno po- dem receber hachuras, texturas e colorização para diferenciar cada tratamento ou mate- rial que os constituem. 92 Paisagismo: Técnicas e Projeto Vistas Técnicas Material do Estudante 93 As vistas técnicas destinam-se a informar a posição relativa à altura de elementos no ambiente a ser estudado. Pode-se utilizar o croqui de uma vista para realizar um levantamento. Veja, a seguir, exemplos de vistas técnicas. Saiba mais As vistas técnicas também podem ser chamadas de elevações. 94 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. Caminhos e pisos O que é preciso saber sobre desenho de pisos e texturas O projeto técnico utiliza texturas para definir pisos e materiais uti- lizados. As mesmas texturas podem ser reproduzidas nas paredes para representar diferentes situações. Quais são os tipos de pisos usados em paisagismo? • Pedras em diferentes formatos e paginações, como ardósia, quartzos, granitos, pedras portuguesas (de cor branca, preta, bege e vermelha), pedriscos, britas e areias. • Madeiras e cascas. • Decks. • Cerâmicas. • Porcelanatos. • Pisos cimentícios. • Vidros. • Pisos intertravados. • Pisos emborrachados. Material do Estudante 95 96 Paisagismo: Técnicas e Projeto Tipos de Espécies Vegetais em Desenhos Paisagísticos 98 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. Espécies vegetais em desenhos paisagísticos • Árvores de copa rala. • Árvores de copa densa. • Coníferas. • Palmeiras. • Maciços de flores. • Arbustos diversos. • Maciço de cerca viva. • Forrações e gramados. 2. Estudando a vegetação: técnicas de representação gráfica Nessa parte dos seus estudos, você vai realizar um conjunto de ativi- dades com auxílio do instrutor. Fique atento a todas as orientações. Perspectiva 100 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. O que é perspectiva A perspectiva é uma maneira de representação que mostra o objeto como ele é, com suas três dimensões, proporcionando uma visão da volumetria. Unidade Curricular Princípios Agronômicos e Botânicos Aplicados ao Paisagismo A Unidade Curricular Princípios Agronômicos e Botânicos Aplicados ao Paisagismo está desenvolvida em sete temas. Veja. Conhecendo as Plantas 1. Botânica 2. A evolução do reino vegetalNoções de Botânica 1. Sistemática vegetal 2. Nomenclatura botânica 3. Fitogeografia Clima 1. Clima e luminosidade 2. O mapeamento das sombras 3. Maquete esquemática Solo 1. Tipos de solo 2. Perfil do solo com suas camadas 3. Coleta e análise do solo 4. Correção do solo 5. Composição para plantio em vasos ou jardineiras: misturas de solo Adubação 1. Adubação orgânica 2. Adubação verde Irrigação e Drenagem 1. Irrigação 2. Drenagem Controle de Pragas 1. Controle natural de pragas 2. Inseticidas caseiros Material do Estudante 103 Conhecendo as Plantas 104 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. Botânica É a parte da biologia que estuda as plantas, ou seja, é o estudo da morfologia e da fisiologia dos vegetais. As partes que compõem uma planta são: Conheça, a seguir, cada uma dessas partes detalhadamente. 1.1 Raiz É um órgão, subterrâneo ou não, que tem função de fixação e absorção. Folha Fruto Flor Caule Raiz Material do Estudante 105 1.1.1 Tipos de raízes Pivotante: a planta tem uma raiz principal, da qual partem raízes laterais que, por sua vez, também ramificam. Exemplo: feijão, laranjeira, goiabeira e outras. 106 Paisagismo: Técnicas e Projeto Fasciculada: a raiz parte de um mesmo ponto e tem formato de cabeleira. Exemplo: milho, grama e outros. Material do Estudante 107 1.1.2 Especialização de raízes Velame: armazena a água que não pode retirar do solo. Exemplo: orquídea. Adventícia: nasce nos caules e folhas e é independente da raiz primária. Exemplo: unha-de-gato. 108 Paisagismo: Técnicas e Projeto Escora: são raízes a princípio adventícias, que servem posterior- mente de sustentáculos. Sua principal função é aumentar a susten- tação da planta, com sua penetração no solo. Exemplo: certas espécies do gênero Pandanus. Tabular: raízes compostas por ramos muito longos para suportar o peso da planta. Auxiliam a fixação da planta no solo e, por meio de seus poros, possibilitam a absorção de oxigênio. Exemplo: sumaúma da Amazônia. Material do Estudante 109 Tuberosa: especializada no armazenamento de grandes quantida- des de substâncias nutritivas. Exemplo: cenoura. Respiratória: garante a aeração em pântanos e terrenos pouco arejados. Exemplo: siriúba Avicennia tomentosa, planta comum nos manguezais. 110 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1.2 Caule É um órgão vegetal, normalmente aéreo, cuja função é dar suporte às folhas, aos órgãos reprodutores e à condução da seiva bruta e elaborada. Veja os tipos a seguir. Tronco: caule com ramificação. Exemplo: amendoeira. Estipe: caule sem ramificação. Exemplo: coqueiro. Material do Estudante 111 Colmo: caule com nós e entre-nós aparentes. Exemplo: bambu. 1.2.1 Especialização do caule São variações caulinares com a finalidade de manter a sobrevivência do vegetal. Veja exemplos. Trepadeiras (volúvel e sarmentosa) 112 Paisagismo: Técnicas e Projeto Rizoma (samambaias, avencas e outras) Bulbo (tulipas, açucena, cebola e outras) Tubérculo (batata-inglesa) Material do Estudante 113 1.3 Folha As folhas têm as funções de respiração, proteção e fotossíntese. Veja ao lado as partes que compõem a folha. 1.4 Flor É responsável pela reprodução sexuada dos vegetais superiores. Conheça as partes de uma flor. Limbo Pecíolo Bainha Corola (Pétalas) Cálice (Sépalas) Pedúnculo Androceu (Estames) Receptáculo Gineceu (Carpelos) 114 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1.5 Fruto O fruto é o ovário após a fecundação, com as sementes já formadas pelo desenvolvimento dos óvulos. Tem a função de facilitar a dis- persão das sementes. Conheça as partes de um fruto. Endocarpo Semente Epicarpo Mesocarpo Material do Estudante 115 Semente 1.6 Semente A semente é o óvulo desenvolvido após a fecundação, que contém o embrião, com ou sem reservas nutritivas, e é protegido pelo tegu- mento. A semente tem a função de reprodução de plantas que produzem flores. 116 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2. A evolução do reino vegetal Sem dúvida, o conhecimento da sistemática botânica não é indis- pensável ao paisagismo, mas existem alguns grandes grupos cuja identificação na prática é interessante para entender melhor o de- senvolvimento da planta, enraizamento, estrutura aérea, obtenção de mudas, sementes etc. Conheça esses grupos e suas classificações a seguir. Briófitas (musgos) As briófitas (ou musgos) são grupos de plantas verdes, sem raízes (mas com um rizoide composto de absorventes) e também sem um verda- deiro caule ou folhas. São desprovidas de um sistema vascular, motivo pelo qual se desenvolvem preferencialmente em locais úmidos. Material do Estudante 117 Pteridófitas (samambaias) As pteridófitas foram os primeiros vegetais vasculares, isto é, do- tados de vasos e divididos em raiz, caule e folhas. Essas caracterís- ticas possibilitaram a elas atingir maiores dimensões do que qual- quer outra planta terrestre existente até então, transformando-as nas primeiras plantas a abandonar por completo o meio aquático. Angiospermas e gimnospermas Diferenciam-se quanto ao posicionamento dos órgãos reproduto- res, produzem flores e frutos com características próprias. 118 Paisagismo: Técnicas e Projeto Angiospermas (mono e dicotiledônia) Plantas que produzem flor com fruto protegido, atualmente desig- nadas Magnoliophytas (mais de 200 mil espécies). Gimnospermas Plantas com “sementes nuas” ou sem flores verdadeiras, como os pinheiros (cerca de 700 espécies conhecidas). Hoje em dia, as gimnospermas são designadas Pinophytas. Monocotiledôneas e dicotiledôneas Têm características diferentes ainda na fase embrionária (dentro das sementes) que vão determinar o tipo de raiz, as estruturas aére- as (caules e ramos) e certas características das folhas, importantes na composição de jardins. Monocotiledôneas (liliopsida) Dicotiledôneas (magnoliopsida) As monocotiledoneas costumam ter um só cotilédone, raiz fasciculada (cabeleireira) e folhas paralelinérveas. Pertencentes à divisão Magnoliophyta, ou plantas com flor, que têm dois ou mais cotilédones. Outras características incluem raiz axial e folhas com nervação reticulada. Material do Estudante 119 Noções de Botânica 120 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. Sistemática vegetal É a parte da botânica que tem por finalidade agrupar as plantas den- tro de um sistema, levando em conta suas características morfológi- cas externas, suas relações genéticas e suas afinidades. Classificação em botânica É a ordenação das plantas em categorias hierárquicas, conforme suas afinidades ou seu grau de parentesco. Cada espécie é classi- ficada dentro de um gênero, cada gênero dentro de uma família, as famílias estão subordinadas a uma ordem, cada ordem a uma classe e cada classe a uma divisão. Toda essa organização em hierarquia corresponde a um reino. Veja. Saiba mais Lineu (1707-1778) É considerado o “pai” da botânica moderna e autor de Species Plantarum, em 1753. Reino Divisão Classe Ordem Família Gênero Espécie Material do Estudante 121 A seguir, você conhecerá os elementos principais dessa classificação. • Família: os gêneros estão contidos em um grupo mais abran- gente denominado família. Esse agrupamento é feito em fun- ção das características botânicas de cada planta. A família é composta de vários gêneros, embora algumas delas possam apresentar apenas um. As palavras que denominam as famí- lias de plantas quase sempre terminam em “aceae”. Exemplo: Bromeliaceae (família das bromélias). • Gênero: é caracterizado dentro de uma família de plantas por uma hierarquia maior e quase sempre homogênea nos seus caracteres. Exemplo: Bromélia. • Espécie: as diferentes plantas de um gênero denominam-se espécies e estabelecem distinções dentro de uma hierarquia menor. O nome da espécie vem logo após o do gênero, for- mando com este um binômio. Exemplo: Aechmea chantinii (espécie). 122 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2. Nomenclatura botânicaÉ definida como o conjunto de normas, recomendações e princípios contidos no Código Internacional de Nomenclatura Botânica para determinar um vegetal. 2.1 Importância do nome botânico Todas as plantas têm um nome botânico ou científico. Algumas plantas, porém, são conhecidas pelo seu nome popular. O nome científico das plantas tornou-se conhecido mundialmente e passou a constituir uma linguagem universal. Exemplo: Violeta (Saintpaulia ionantha). Atenção Sobre a nomenclatura botânica é importante sa- ber que: • A língua utilizada é o latim. • O nome da espécie é binominal. • O primeiro nome re- presenta o gênero (letra maiúscula) e o segundo, o epíteto específico (letra mi- núscula). • O nome da espécie deve ser escrito em destaque, como itá- lico, sublinhado ou negrito. Exemplo: Croton sonde- rianus/Croton sonderia- nus. Material do Estudante 123 Veja algumas famílias e gêneros. Família Gênero Acanthaceae Aphelandra, Barleria, Beloperone, Graptophyllum, Hemigraphis, Pachystachys, Sanchezia, Thunbergia Amaryllidaceae Agave, Crinum, Furcraea Apocynaceae Allamanda, Catharanthus, Ervatamia, Nerium, Plumeria Araceae Aglaonema, Alocasia, Anthurium, Dieffenbachia, Monstera, Philodendron, Spathiphyllum Bignoniaceae Tabebuia, Podranea, Pyrostegia, Tecomaria Bromeliaceae Aechmea, Ananas, Billbergia, Guzmania, Bromelia, Neoregelia, Vriesea Cactaceae Cereus, Melocactus, Opuntia, Pereskia, Rhipsalis Commelinaceae Rhoeo , Setcreasea, Tradescantia Crassulaceae Kalanchoe, Sedum Euphorbiaceae Acalypha, Codiaeum, Euphorbia, Jatropha Iridaceae Dietes, Neomarica Liliaceae Agapanthus, Aloe, Asparagus, Beaucarnea, Chlorophytum, Cordyline, Dracaena, Hemerocallis, Ophiopogon, Pleomele, Sansevieria, Tulbaghia, Yucca Malvaceae Abutilon, Hibiscus, Malvaviscus Marantaceae Calathea, Ctenanthe, Maranta Moraceae Ficus Musaceae Ravenala, Musa, Strelitzia Heliconiaceae Heliconia Oleaceae Jasminum Orquidaceae Cattleya, Arundina, Oncidium Portulacaceae Portulacaria, Portulaca Palmaceae Syagrus, Cocos, Acrocomia, Bactris, Butia, Bismarckia, Chamaedorea, Corypha, Cyrtostachys, Euterpe, Dypsis, Licuala, Livistona, Phoenix, Rhapis, Roystonea, Washingtonia Rubiaceae Gardenia, Ixora, Mussaenda, Pentas Solanaceae Brunfelsia, Cestrum, Petunia Verbenaceae Clerodendrum, Congea, Duranta, Lantana, Petrea, Verbena Zingiberaceae Alpinia, Costus, Hedychium 124 Paisagismo: Técnicas e Projeto Ficha botânica Nome científico Caesalpinia echinata Nome popular Pau-brasil Família Leguminosae Clima Tropical e subtropical Altura da planta Aproximadamente 10 metros Raízes Pivotantes Floração Outubro a dezembro Cor da floração Amarela Folhas (persistência) Permanentes Copa (forma) Arredondada Diâmetro da copa Aproximadamente 6 metros Propagação Semente Origem Nativa Observação: muito ornamental, tronco e ramos com espinhos. 3. Fitogeografia Ramo que estuda a distribuição vegetal pelo planeta, ou seja, a dis- tribuição natural das espécies. O Brasil apresenta uma grande varie- dade de clima e solo, o que possibilita a existência de vários tipos de biomas (grandes comunidades adaptadas a diferentes regiões do pla- neta) característicos das diferentes regiões brasileiras. São eles: Ca- atinga, Cerrado, Mata Atlântica, Mata de Araucária, Mata de Cocais e Pantanal. 3.1 Caatinga Sua vegetação é constituída de árvores baixas e arbustos que per- dem as folhas nas estações secas. Existe também uma vegetação típica de cactáceas, adaptada ao clima quente e com baixo índice de chuvas. Material do Estudante 125 3.2 Cerrado São tipos de savanas cuja vegetação é esparsa, formada por pou- cas árvores e muitos arbustos. As árvores do cerrado têm, em geral, casca grossa e troncos retorcidos. É encontrado, principalmente, nos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Gros- so do Sul e em certas regiões de São Paulo e do Paraná. Estende-se pelos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco, Sergipe, Ala- goas, da Bahia e pelo norte de Minas Gerais. 126 Paisagismo: Técnicas e Projeto 3.3 Mata Atlântica É formada por árvores de grande porte, cujo estrato superior, loca- lizado entre 30 e 35 metros de altura, forma o teto da floresta e dá um aspecto compacto à mata, quando vista de cima. 3.4 Mata de araucárias Região em que há predominância do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), embora possam ser encontradas outras espécies de coníferas. Situa-se nas montanhas e planícies costeiras, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Cobre grande parte dos esta- dos do Paraná e Santa Catari- na, além do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Material do Estudante 127 3.5 Matas dos cocais A espécie predominante é a palmeira conhecida como babaçu (Or- bignya martiana). 3.6 Pantanal É uma vasta planície de inundação cortada por inúmeros cursos de água e que apresenta uma das mais ricas reservas da vida selvagem do mundo. Localizam-se em certas partes dos estados do Maranhão e Piauí. Ocupa a parte oeste dos esta- dos do Mato Grosso do Sul, es- tendendo-se ainda pelo Para- guai, pela Bolívia e Argentina. 128 Paisagismo: Técnicas e Projeto Clima Material do Estudante 129 1. Clima e luminosidade 1.1 Clima É necessário fazer o levantamento do tipo de clima predominante na região, pois este poderá influenciar o desenvolvimento e a so- brevivência das plantas. Sobre o clima • Vento: é importante conhecer a velocidade e a direção predo- minantes. • Umidade e precipitação pluvial: as chuvas influenciam di- retamente as plantas que ficam ao ar livre. A quantidade de chuva varia muito de uma região para outra. Verificam-se os percentuais de flutuação ao longo do ano. Devem ser obser- vadas as mudanças climáticas que ocorrem como resultado do aquecimento global. • Temperatura: podem ocorrer variações grandes durante o ano. Caso se eleve ou diminua bruscamente, isso exige pro- videncias especiais e planejamento, limitando a escolha das espécies vegetais. Em termos genéricos, podemos dizer que o clima local (interessan- te para o tipo de trabalho a ser desenvolvido pelo paisagista) é o resultado de três fatores, que são: Vegetação TopografiaSuperfície do solo 130 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1.2 Vegetação É importante saber que: • A vegetação contribui de maneira significativa para o estabe- lecimento dos microclimas. • O processo de fotossíntese colabora para a umidificação do ar (liberação de vapor d’água). • A vegetação diminui a temperatura do ar, absorve energia e favorece a manutenção do ciclo oxigênio/gás carbônico, es- sencial para a renovação do ar. • Um espaço gramado absorve maior quantidade de radiação solar do que qualquer superfície construída, portanto emite uma quantidade menor de calor para o ambiente. 1.3 Topografia A inclinação do solo é um dado importante para o planejamento paisagístico, como também para a determinação do contorno, da dimensão e posição de um terreno. É a base de qualquer planeja- mento e de qualquer obra executada por paisagistas. Logo, é fun- damental o conhecimento pormenorizado desse terreno, desde o planejamento inicial até a sua construção ou execução. 1.3.1 Superfície do solo Devemos elaborar um levantamento completo do terreno onde se vai implantar o jardim. Isso requer uma análise dos fatores climá- ticos, da topografia, da vegetação existente e das propriedades do solo. A observação cuidadosa do local de implantação do jardim, como da topografia, do conjunto da vegetação existente nas proximida- des, do potencial da paisagem e principalmente do caminho do sol contribui muito para o resultado positivo. Saiba mais Classificação da vegetação Para avaliar o material ve- getativo que entra em um planejamento paisagísti- co, a vegetação é classifi- cada em três tipos: Vegetação nativa: já exis- tente no terreno e em suas vizinhanças, varia confor- me o clima e a topografia. Vegetação provenien- te da agricultura:como a vegetação nativa, ela depende do clima e das condições do solo da re- gião. Exemplo: árvores e arbustos frutíferos, hortas etc. Vegetação ornamental: é desenvolvida para resolver problemas funcionais, como quebra-ventos e estética. Atenção Sobre a topografia, é im- prescindível saber que: • A forma da superfície terrestre afeta direta- mente o clima. • As regiões acidentadas têm microclimas mais variados. • Na topografia, devem ser consideradas a de- clividade, a orientação, a exposição solar e a elevação das ondula- ções da superfície. Material do Estudante 131 O que é? Curvas de nível São linhas que ligam pontos, na superfície do terreno, que tenham a mesma cota (mesma al- titude). É uma represen- tação gráfica de extrema importância. As curvas de nível serão representadas na planta com abrangência de uma área, o que nos possibili- ta uma visão imaginária geral do relevo do terre- no. Elas também são as- sociadas a valores de al- titude em metros (m). 132 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1.4 Luminosidade As plantas necessitam de luminosidade para realizar a fotossíntese. Algumas espécies precisam de pouca luz, outras não suportam o ex- cesso de luminosidade. Ao planejar um jardim, devemos observar com cuidado a necessidade de luz de cada espécie vegetal. Imagem: José Ricardo Alves da Silva. Material do Estudante 133 2. O mapeamento das sombras No mapeamento de sombras o raciocínio para as exigências das plantas é o mesmo utilizado em relação à luminosidade. Algumas vezes, a planta de sombra até se adapta ao sol pleno e vice-versa, mas sempre cobra um preço em termos de viço, vigor e velocidade de desenvolvimento. O levantamento das áreas sombreadas será de suma importância para o desenvolvimento e a execução de um paisagismo compatível com as necessidades do espaço a ser trabalhado. Assim, para des- cobrir onde cada planta poderá ser plantada, é necessário anotar no nosso projeto a posição da sombra provocada pela casa e por outras construções, como muros e árvores, considerando os perío- dos da manhã, do meio-dia e da tarde. Seguir corretamente esse procedimento torna possível chegar a uma decisão acertada para a área em questão. 134 Paisagismo — Ténicas e Projeto A figura a seguir é um esquema de mapeamento das sombras de uma residência situada no hemisfério sul, em um dia de inverno, às 8 h, 12 h e 16 h. 3. Maquete esquemática É utilizada no meio acadêmico como um exercício didático e no meio profissional como mais um artifício de representação de pro- jetos de engenharia, arquitetura, design de interiores e paisagismo. É um recurso tridimensional de representação fiel em escala redu- zida de um projeto, que demonstra de maneira clara a noção de forma e espaço. Pode ser confeccionada com os mais diversos materiais e escalas adequadas ao grau de detalhamento pretendido. Sua utilização possibilita compreender com facilidade qual será o resultado final da proposta apresentada, além de propiciar o desenvolvimento da percepção do espaço. O que é maquete? Quando e por que utilizá-la? Material do Estudante 135 Solo 136 Paisagismo: Técnicas e Projeto O solo está relacionado diretamente com o clima e apresenta três propriedades básicas, que são: • Textura. • Fertilidade. • Consistência. As texturas vão das areias grossas às argilas bem finas, passando pelas texturas médias. A fertilidade diz respeito às quantidades e proporções de nutrientes químicos disponíveis e também com a quantidade de húmus existente em sua camada superficial. A con- sistência do solo determina a absorção e retenção da água. O tipo de solo ideal depende, sobretudo, do tipo de planta a ser cultivada. Além de fornecer sustentação para as plantas, o solo lhes oferece água e nutrientes. Usualmente, são 13 elementos que o compõem: 1. Nitrogênio 3. Potássio 7. Ferro 11. Cobre 13. Molibdênio 9. Zinco8. Manganês6. Enxofre5. Magnésio 2. Fósforo 10. Boro 4. Cálcio 12. Cloro Material do Estudante 137 Na medida certa, esses elementos se unem para garantir a saúde das plantas do seu jardim nas seguintes formas: • Sólida (mineral/orgânica). • Líquida (água). • Gasosa (ar e gases do solo). O solo também é um sistema vivo já que, além dos minerais e da matéria orgânica em diferentes estágios de transformação, nele encontra-se material orgânico vivo constituído pelos diferentes or- ganismos que ali vivem e pela porção viva do sistema radicular das plantas. 1. Tipos de solo Análises precisas de composição de solo podem ser feitas somente em laboratórios especializados. Os solos, de modo geral, podem ser divididos em três grupos: Arenosos Têm altíssima capacidade de drenagem, apresentam dificuldade na retenção de água, adubos e nutrientes. Para compensar a deficiência, vale a pena acrescentar a esses solos matéria orgânica e terra argilosa. Argilosos Quanto mais argiloso o solo, mais favorável para o acúmulo de matéria orgânica. Sua baixa permeabilidade, no entanto, dificulta a drenagem da água e torna-o propenso a encharcar, comprometendo as raízes nos períodos de chuva. Mistos (argiloarenoso) O solo misto consiste na combinação da capacidade de drenagem da areia, com a facilidade de retenção de água e nutrientes da argila (é o mais indicado para jardins). 138 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2. Perfil do solo com suas camadas 3. Coleta e análise do solo A coleta de solo não é uma tarefa muito simples. Essa é uma etapa muito importante para a avaliação da fertilidade do solo pertencen- te à área que se pretende modificar paisagisticamente. Por esse mo- tivo, deverá ser coletada uma amostra correta e significativa da área em questão. É por meio dos resultados da análise desse material que faremos a correção (adição de calcário) e adubação. Camada orgânica Solo do topo Solo subterrâneo Matéria original Rocha matriz Material do Estudante 139 Como deverá ser feita a coleta do solo? A coleta deverá ser feita retirando-se a terra de uma profundidade aproximada de 20 centímetros. Para cada região homogênea, deve- rão ser retiradas em torno de 10 cm a 20 cm de amostras simples. Essas serão misturadas e delas será retirada uma amostra única, chamada de composta. Recomenda-se colocá-la em saco plástico bem limpo e solicitar ao laboratório o nível de pH, as propriedades químicas (macro e micronutrientes), as propriedades físicas (granu- lometria) e a indicação das correções necessárias. 4. Correção do solo A análise do solo determina a necessidade ou não da prática da cala- gem, que consiste na incorporação ao solo de carbonatos, hidróxidos e óxidos de cálcio e magnésio, com o objetivo de proporcionar maior suprimento desses nutrientes às plantas e eliminar os efeitos nocivos da acidez. O pH (concentração de íons de hidrogênio em uma solução) indica o grau de acidez e varia em uma escala que vai de 1,0 a 14,0. Na maioria dos nossos solos, o pH varia de 3,0 a 9,0 ficando o ideal entre 6,0 e 6,5 para a maioria das plantas ornamentais. Atenção Como algumas plantas têm o sistema radicu- lar mais profundo que outras, é necessário au- mentar a profundidade de coleta das amostras e separá-las conforme sua profundidade. 140 Paisagismo: Técnicas e Projeto 5. Composição para plantio em vasos ou jardineiras: misturas de solo Mistura rica em matéria orgânica: • Uma parte de terra comum de jardim. • Uma parte de terra vegetal. • Duas partes de composto orgânico. Mistura argilosa: • Duas partes de terra comum de jardim. • Duas partes de terra vegetal. • Uma parte de areia. Mistura arenosa: • Uma parte de terra comum de jardim. • Uma parte de terra vegetal. • Duas partes de areia. Mistura arenoargilosa: • Uma parte de terra comum de jardim. • Uma parte de terra vegetal. • Uma parte de composto orgânico. • Uma parte de areia. Material do Estudante 141 Adubação 142 Paisagismo: Técnicas e Projeto A adubação serve para adicionar ao solo os nutrientes quelhe fal- tam para proporcionar melhor desenvolvimento das plantas. As adubações visam tanto corrigir deficiências naturais do solo como compensar os nutrientes que são removidos pelas culturas. A maneira mais comum de comercialização da maior parte dos fer- tilizantes consumidos no país é o NPK (adubos inorgânicos). A re- presentação é dada em porcentagem dos três macroelementos pri- mários. Assim, “4-14-8” significa um produto que contém 4% de N (nitrogênio), 14% de P2O5 (fósforo) e 8% de K2O (potássio). Existem no mercado várias formulações de NPK, sendo que algumas delas contêm microelementos. N Nitrogênio Garante o crescimento vegetativo de caules e folhas. P Fósforo Assegura o surgimento e a exuberância das flores. K Potássio Fortifica as plantas para que possam resistir ao ataque de pragas e doenças. 1. Adubação orgânica Constitui a reposição de nutrientes ao solo e às plantas por meio da incorporação de restos vegetais, animais e mistos (compostos orgânicos). Os adubos orgânicos são capazes de melhorar as propriedades quí- micas, físicas e biológicas do solo. O que é? Adubo ou fertilizante É todo material que con- tém um ou mais nutrien- tes que, aplicado no solo ou nas plantas, traz, como resultado, o au- mento da produtividade das culturas. Os macro- elementos são exigidos em maiores quantidades e os microelementos, em quantidades reduzidas. Exemplificando Exemplos de adubos inorgânicos • N: salitre do Chile, salitre potássico, sul- fato de amônia e a ureia. • P: superfosfato de cálcio, superfosfato simples e superfosfa- to triplo. • K: cloreto de potássio e sulfato de potássio. Exemplificando Farinha de osso, farinha de peixe, farinha de san- gue, torta de mamona, estercos etc. Material do Estudante 143 1.1 Composto orgânico/Compostagem O composto é formado por uma pilha de camadas intercaladas: pri- meiro, finas com uma parte de material rico em nitrogênio de fácil decomposição; depois, grossas com três partes de material rico em celulose, de difícil decomposição. Os primeiros servem de estopim, iniciando a proliferação das bactérias que atuam na decomposição da matéria orgânica. Pilha da Compostagem Camadas de fácil e difícil decomposição Camadas grossas (difícil composição) Camadas finas (fácil decomposição) Grama de jardim Matos em geral Folhas de árvores Restos de verdura Restos de comida Frutas estragadas Todo tipo de esterco A pilha deverá esquentar em dois dias, dependendo da época do ano. Para controlar a temperatura, introduza um vergalhão e ele servirá de termômetro; quando não for mais possível segurá-lo com as mãos, significa que a temperatura estará alta, o que exigirá far- tas regas. Sempre que a pilha esfriar, ela deverá ser revirada para uma boa manutenção da aeração. A umidade deverá ser controlada, reali- zando as regas tantas vezes quantas forem necessárias. Quando todo material da pilha não mais esquentar e estiver escuro, homogêneo e fofo, o composto estará pronto. A base do processo de decomposição é o oxigênio. Uma boa indica- ção de que está faltando ar é o mau cheiro e a presença de moscas. Nesses casos, mesmo que a pilha esteja quente, deveremos revirá-la. 2. Adubação verde A adubação verde é o nome dado ao método de adubação do solo com plantas que crescem sobre ele. É feito com plantas, principal- mente da família das leguminosas. Saiba mais Utilização de fertilizan- tes orgânicos líquidos A aplicação é feita por solo, sistemas de irrigação ou pulverizações sobre as plantas, constituindo al- ternativa de suplementa- ção de nutrientes na pro- dução orgânica. Exemplo: biofertilizantes. 144 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2.1 Minhocultura/Vermicompostagem • Minhocultura: criação racional de minhocas, que envolve um conjunto de técnicas utilizadas pelo homem. • Vermicultura: produção de minhocas. • Vermicompostagem: produção de húmus. A minhoca é o maior e o melhor produtor biológico de hú- mus, pois transforma a matéria orgânica encontrada na natureza no mais rico adubo orgânico. Material do Estudante 145 2.2 Recomendações Quando não se dispõe da análise de solo, algumas recomendações são sugeridas para plantas ornamentais. Recomendação de adubação orgânica para plantio em canteiros: Adubos Dosagem p/m² Composto orgânico 10 litros Esterco de gado 6,5 litros Esterco de coelho 10 litros Esterco de galinha 1 litros Farinha de osso 100 a 300 gramas Farinha de peixe 100 a 300 gramas Farinha de sangue 100 a 300 gramas Recomendação de adubação inorgânica para plantio em canteiros: Fonte Dose (g/m²) Superfosfato simples 250 gramas NPK 4-14-08 300 gramas NPK 6-30-06 150 gramas 146 Paisagismo: Técnicas e Projeto Recomendação de adubação para canteiros em cobertura: Fonte Dose (g/m²) Sulfato de amônio (50 g) + cloreto de potássio (15 g) 65 gramas Ureia (25 g) + Cloreto de potássio (15 g) 40 gramas NPK 20-05-20 50 gramas Recomendação para preparo de substrato: Fonte Dose (g/m²) Superfosfato simples 2,5 quilos NPK 4-14-08 3,0 quilos NPK 6-30-06 1,5 quilos Recomendação de adubação para plantio em covas de acordo com seu tamanho: Fonte Dose (g) em função do tamanho da cova (30 x 30 x 30 cm) (50 x 50 x 50 cm) Superfosfato simples 200 600 NPK 04-14-08 250 750 NPK 6-30-06 120 360 Material do Estudante 147 Recomendação de adubação de cobertura para manutenção na área de projeção da copa de acordo com o tamanho da planta: Fonte Dose (g) em função do tamanho da planta Árvores pequenas e arbustos Árvores adultas NPK 20-05-20 100 200 NPK 10-15-30 65 130 Sulfato de amônia (74%) + Cloreto de potássio (26%) 135 270 Ureia (56%) + Cloreto de potássio (44%) 80 160 Atenção As doses vão variar con- forme o tamanho das plantas. No caso de plan- tas pequenas, devem-se reduzir essas doses reco- mendadas. É importante que haja um parcelamen- to das doses sugeridas. 148 Paisagismo: Técnicas e Projeto Irrigação e Drenagem Material do Estudante 149 1. Irrigação É um meio de fornecer água artificialmente para as plantas e suprir, assim, suas necessidades hídricas. A quantidade de água a ser apli- cada no jardim vai depender do tipo de solo, clima e local onde as plantas se encontram. É uma tarefa muito importante para o desenvolvimento saudável de um jardim e deve ser planejada desde o início de sua elaboração, não esquecendo que a água é que transporta os nutrientes para as raízes. Existem vários modos de fazer a irrigação do jardim. Veja. • Mangueiras ou regadores: apesar de gastarem muita água, não favorecem uniformidade na irrigação, o que poderá influenciar diretamente no desenvolvimento da espécie vegetal. • Sistema de irrigação: sem dúvida nenhuma, é o melhor sis- tema para irrigar o jardim com uniformidade, favorecendo o pleno desenvolvimento das espécies. Atenção O tipo de sistema de irri- gação a ser utilizado vai depender da necessidade e do porte das plantas. Podem ser utilizados os métodos de aspersão e localizada. Todo esse sis- tema é feito com um bom índice tecnológico, ainda mais no que se refere à automação, em virtude da grande variedade de espécies no jardim. 150 Paisagismo: Técnicas e Projeto Pelo projeto hidráulico, o projetista precisa dimensionar o sistema de irrigação de modo a proporcionar uma boa qualidade e, em con- sequência, um bom desenvolvimento das plantas. Os fabricantes oferecem equipamentos muito eficientes para serem utilizados em irrigação de jardim, que vão de pulverizadores (spray) e aspersores rotacionais a aparelhos para automação. O sistema de irrigação subterrâneo é bastante simples e pode ser instalado em jardins já prontos. Deve ser bem planejado para inter- ferir o mínimo possível nas áreas plantadas. 1.1 Sistema de irrigação mais utilizado nos jardins • Gotejamento: a água é aplicada de maneira pontual por meio de gotas diretamente ao solo. Essas gotas, ao infiltrarem, for- mam um padrão de umedecimento denominado “bulbo úmi- do”. Esses bulbospodem ou não se encontrar com a conti- nuidade da irrigação e formar uma faixa úmida, outro termo técnico utilizado em irrigação localizada por gotejamento. • Aspersão convencional: jatos de água lançados ao ar caem sobre o jardim como se fossem chuva. Estas são as principais vantagens dos sistemas de irrigação por aspersão: – Facilidade de adaptação às diversas condições de solo e topografia. – Maior eficiência na distribuição de água. – Facilidade de completa automação. – Possibilidade de transporte para outras áreas. • Microaspersão: representa a evolução da irrigação tradicio- nal em grande escala com aspersores de alta vazão, alta pres- são e longo alcance. É utilizada, em especial, para pomares, nas estufas e zonas não produtivas. A aspersão é direcionada para a base da planta. Material do Estudante 151 2. Drenagem A drenagem é muito importante, pois tem a finalidade de facilitar o escoamento do excesso de água da área onde será implantado o jardim. Essa quantidade de água excedente poderá provocar o aparecimento de doenças, principalmente pelo apodrecimento das raízes de plantas que toleram solo encharcado, o que favorecerá o surgimento de pragas. A ausência da drenagem também poderá provocar infiltração em áreas de cultivo suspenso, como jardinei- ras, jardins verticais, telhados verdes etc. 152 Paisagismo: Técnicas e Projeto Controle de Pragas Material do Estudante 153 As doenças, em sua maioria, são causadas pelo ataque de alguns ti- pos de fungos, bactérias, vírus ou nematoides. Em outros casos, um desequilíbrio nutricional pode causar o que chamamos de doenças provenientes de carências. Existem estudos segundo os quais uma planta malnutrida tende a ser mais atacada por pragas e doenças do que outras bem nutridas. 1. Controle natural de pragas A maioria das pragas costuma atacar na primavera, período de fertilidade e de grande atividade na natureza. Elas causam vários estragos nas plantas, além de favorecer o surgimento de doenças, principalmente fúngicas. As pragas acabam por se tornar um pro- blema mais sério quando há um desequilíbrio ecológico no sistema no qual a planta está inserida. Outras situações podem favorecer o seu surgimento, como dese- quilíbrios térmicos, excesso ou escassez de água e insolação ina- dequada. 2. Principais pragas e algumas dicas naturais de controle Pulgões O que é? Nematoides ou nematódeo São vermes cilíndricos, alongados, com as ex- tremidades afiladas. En- contrados em todos os habitats (terrestre, mari- nho e água doce), infes- tam as raízes das plantas, havendo a presença de nódulos visíveis. As plan- tas atacadas apresentam baixo vigor e pouco de- senvolvimento da parte aérea. 154 Paisagismo: Técnicas e Projeto Podem ser pretos, marrons, cinza ou verdes. Alojam-se nas folhas mais tenras, nos brotos e caules, sugando a seiva e deixando as fo- lhas amareladas e enrugadas. Em grande quantidade, é provável que deixem a planta debilitada demais e até transmitam doenças perigosas. Podem aparecer em qualquer época do ano, mas os pe- ríodos mais propícios são a primavera, o verão e o início do outo- no. Precisam ser controlados logo que notados, pois se multiplicam com rapidez. Como eliminar? As joaninhas são predadoras naturais dos pulgões. Um chumaço de algodão embebido em uma mistura de água e álcool em partes iguais ajuda a retirar os pulgões das folhas e isso pode ser feito se- manalmente. Para o controle, aplique calda de fumo. Cochonilhas São insetos minúsculos, em geral marrons ou amarelos, que se alo- jam principalmente na parte inferior das folhas e nas fendas. Além de sugar a seiva da planta, as cochonilhas liberam uma substância pegajosa que facilita o ataque de fungos, em especial o fungo fuligi- noso (fumagina). Dá para perceber sua presença quando as folhas apresentam uma crosta com consistência de cera. Algumas cocho- nilhas têm uma espécie de carapaça dura que impede a ação de inseticidas em spray. Nesse caso, é normal produtos à base de óleo darem melhores resultados, pois formam uma capa sobre a carapa- ça que impede a respiração do inseto. A calda de fumo costuma dar bons resultados também. Material do Estudante 155 Como eliminar? As joaninhas também são suas predadoras naturais, além de certos tipos de vespas. A calda de fumo e a emulsão de óleo são os mé- todos naturais mais eficientes para combatê-las. Deve-se evitar o controle químico, mas quando necessário, em casos extremos, são usados óleo mineral e inseticida organofosforado. Moscas-brancas São insetos pequenos e, como diz o nome, de coloração branca. Não é difícil notar sua presença ao esbarrar em uma planta que es- teja infestada. Costumam localizar-se na parte inferior das folhas e ali liberam um líquido pegajoso que deixa a folhagem viscosa e favorece o ataque de fungos. Alimentam-se da seiva da planta. As larvas desse inseto, praticamente imperceptíveis, alojam-se igualmente na parte infe- rior das folhas e, em pouco tempo, causam grande infestação. Como eliminar? É difícil eliminá-las, por isso muitas vezes é preciso aplicar inseti- cidas específicos para plantas. Quando o ataque é pequeno, o uso de plantas repelentes como tagetes ou cravo-de-defunto (Tagetes sp.), hortelã (Mentha sp.), calêndula (Calendula officinalis) e arruda (Ruta graveolens) dá bons resultados na maioria das ocasiões. 156 Paisagismo: Técnicas e Projeto Lesmas e caracóis Normalmente atacam à noite, quando furam e devoram folhas, caules e botões florais, mas também podem atingir as raízes subterrâneas. Como eliminar? Besouros e passarinhos são seus predadores naturais. Uma boa maneira de eliminá-los é usar armadilhas feitas com isca de cerveja para atraí-los. Tire a tampa de uma lata de azeite e enterre-a, deixando a abertura no nível do solo. Coloque dentro um pouco de cerveja misturada com sal. As lesmas e os caracóis são atraídos pela cerveja, caem na lata e morrem desidratados pelo sal. Material do Estudante 157 Lagartas Atacam mais as plantas de jardim, mas em alguns casos também podem danificar as plantas de interior. Fáceis de ser reconhecidas, as lagartas costumam enrolar-se nas folhas jovens e comem brotos, hastes e folhas novas, formando uma espécie de teia para se prote- ger. Todas as plantas que têm folhas macias estão sujeitas ao seu ataque. Caso o ataque não seja maciço, recomenda-se fazer o controle das lagartas manualmente, ou seja, elas devem ser retiradas e destruí- das uma a uma – lembrando que é importante usar uma proteção para que a lagarta não toque na pele. A calda de angico ajuda a afastar as lagartas e não prejudica a planta. O uso de plantas repe- lentes, como a arruda, pode ajudar a mantê-las afastadas. Como eliminar? Aves e pequenas vespas são suas inimigas naturais. É preciso lem- brar que sem lagartas não há borboletas. Ao eliminá-las, priva-se da beleza e graça desses belos seres alados. Mais uma vez, o equi- líbrio é a chave. Saiba mais As chamadas taturanas são lagartas com pelos e algumas espécies podem queimar a pele de quem as toca. 158 Paisagismo: Técnicas e Projeto Ácaros O tipo de ácaro mais comum, conhecido como ácaro vermelho, tem a aparência de uma aranha de cor avermelhada. Ataca flores, folhas e brotos, deixando marcas semelhantes à ferrugem. O ataque de ácaros diminui o ritmo de crescimento, favorece a má-formação de brotos e, em caso de grande infestação, pode matar a planta. Am- bientes quentes e secos favorecem o desenvolvimento dessa praga. Apesar de quase invisíveis a olho nu, sua presença é denunciada pelo aparecimento de uma teia fina. Costuma atacar mais as plan- tas em vaso do que as que estão em canteiros. Como eliminar? Uma boa dica é borrifar a planta com água regularmente, já que esse inseto não gosta de umidade. Casos severos exigem que as partes mais atacadas sejam retiradas. A calda de fumo ajuda a con- trolar o ataque. Material do Estudante 159 Percevejos São mais conhecidos como maria-fedida,pois exalam um odor de- sagradável quando se sentem ameaçados. Seu ataque, que costuma provocar a queda de flores, folhas e frutos, prejudica novas brotações. Como eliminar? Vespas são suas predadoras naturais. Percevejos devem ser removi- dos manualmente, um a um. Se o controle manual não surtir efeito, a calda de fumo pode funcionar como um repelente natural. Tatuzinhos São muito comuns nos jardins com umidade excessiva. Também co- nhecidos como tatus-bolinhas, eles se enrolam como uma bolinha quando tocados. Vivem escondidos e alimentam-se de folhas, cau- les e brotos tenros, além de transmitirem doenças às plantas. Como eliminar? Evitar a umidade excessiva em vasos e canteiros. Devem ser retira- dos manualmente e eliminados um a um. 160 Paisagismo: Técnicas e Projeto Formigas As formigas cortadeiras (Atta spp. e Acromyrmex spp.) são as que mais causam estragos. Elas cortam as folhas para levá-las ao for- migueiro, onde servem de nutrição para os fungos, os verdadeiros alimentos das formigas. Como eliminar? Um bom método natural para espantar as formigas é espalhar se- mentes de gergelim em torno dos canteiros. Além disso, o gergelim colocado sobre o formigueiro intoxica o tal fungo e ajuda a eliminar o ninho das formigas. Em ataques maciços, recomenda-se o uso de iscas formicidas (à venda em casas especializadas) que são carrega- das pelas formigas para o formigueiro. Material do Estudante 161 2.1 Inseticidas caseiros • Solução de água e fumo: colocar 100 gramas de fumo de corda picado de molho por 24 horas em 1 litro de álcool. De- pois, guardar em um recipiente. Para pulverizar os focos de pragas, diluir de 3 a 5 colheres de sopa da solução em 1 litro de água. • Solução de água e sabão: misturar em 5 litros de água 1 colher de sopa de sabão de coco raspado. Agitar bem até dis- solver todo o sabão e pulverizar as plantas com a solução. 162 Paisagismo: Técnicas e Projeto Unidade Curricular Compondo com a Vegetação Paisagística A Unidade Curricular Compondo com a Vegetação Paisagística está desenvolvida em sete temas. Veja. Paisagismo e os Cinco Sentidos 1. Aspectos estéticos na composição paisagística Princípios de Composição 1. Desenho paisagístico 2. Elaboração do projeto paisagístico Estratos Vegetais na Composição de Jardins 1. Compondo com estratos vegetais Plantas na Composição de Jardins 1. Compondo com plantas aquáticas e palustres 2. Compondo com plantas tóxicas 3. Compondo em jardins verticais 4. Compondo com caminhos e circulações 5. Tabela de espécies vegetais Elementos Compositores 1. Elementos compositores ornamentais 2. Elementos compositores construtivos Compondo em Varandas e Jardins de Inverno em Áreas Internas 1. Escolhendo o que cultivar em ambiente Interno 2. Plantas para vaso 3. Sólidos geométricos Iluminação 1. Equipamentos 2. Efeitos Material do Estudante 165 Paisagismo e os Cinco Sentidos 166 Paisagismo: Técnicas e Projeto O paisagismo é uma expressão artística da qual participam os cinco sentidos do ser humano. Veja. Visão: é um dos sentidos mais complexos. Quando a visão focaliza os elementos vegetais, percebe as formas das copas, flores e folhas, dos caules e galhos; investiga as inúmeras cores das florações, folhas e folhagens e informa também as texturas presentes em folhas e flores. Audição: faz conhecer o murmúrio das águas, o farfalhar das folhas, o sacudir dos ramos nos galhos e o canto dos pássaros. Tudo é som nos jardins. Olfato: propicia sentir o cheiro das plantas no frescor da manhã, no cair da tarde ou em dia de chuva. Podemos apreciar os perfumes de diversas flores, folhas, cascas e ramos que exalam os seus aromas em vários momentos do dia. Paladar: possibilita conhecer os jardins de maneira diferente. Faz a boca regalar-se com diversas frutas e flores comestíveis e faculta saborear os temperos, especiarias, chás de folhas e sementes que acalmam e estimulam. Tato: precisa do contato direto com os elementos naturais, de modo a perceber se sua temperatura é quente ou fria. Percebe se há rugosidade, lisura, aspereza, maciez ou dureza. Material do Estudante 167 1. Aspectos estéticos na composição paisagística 1.1 Cor Um belo jardim não é fruto do acaso, ele depende de um planeja- mento minucioso capaz de integrar seus diferentes componentes entre si e com o meio circundante. As plantas apresentam grande riqueza plástica graças à diversidade de suas formas, seu colorido e suas texturas originais. O uso ade- quado das espécies vegetais quanto às cores, formas e texturas é fundamental para um projeto. A maneira de combinar esses aspectos requer uma série de prin- cípios de composição que facilitam o bom uso de cada um deles no plano paisagístico. A utilização harmônica das cores é um dos segredos do paisagismo. As cores do jardim estão presentes na vegetação, na água, nas pe- dras e nos elementos construídos. Essa característica, quando bem trabalhada, pode criar efeitos sur- preendentes no decorrer do ano. Na verdade, a vegetação e toda a paisagem são transformadas, o que possibilita sensações comple- tamente diferentes a cada tempo. Saiba mais O efeito das cores deve ser muito bem estudado em todos os elementos de composição do jardim, mas principalmente na vegetação que, ao contrá- rio dos outros elementos, sofre variação de cores nas diferentes estações climáticas. 168 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1.2 Círculos cromáticos Cores primárias Cores secundárias Cores terciárias Cores complementares e cores análogas Cores complementares: utilizam-se as cores opostas no círculo cromático. Cores análogas: utilizam-se cores adjacentes no círculo cromático. 1.3 Harmonia por temperatura Ambiente quente x Ambiente frio É a capacidade de aquecer ou esfriar um ambiente. Cada cor tem uma temperatura própria. Veja. Cores quentes Do amarelo ao vermelho-avioletado/rosado. Cores frias Do violeta ao verde-limão. Formas A forma das plantas deve ser compatível com o ambiente e atender às necessidades gerais de uso da área; já a das árvores e dos arbus- tos, delineia a estrutura básica dos jardins. Material do Estudante 169 170 Paisagismo: Técnicas e Projeto Texturas Recomenda-se usar texturas de maneira eficiente. Isso requer mui- to cuidado, critério e sensibilidade. Como elaborar uma prancha de ambientação? Pode ser feita por meio de uma representação gráfica com cola- gens, recortes, imagens que representem as escolhas das massas vegetais, dos mobiliários, caminhos, acessórios e paleta de cores para a elaboração do desenho paisagístico de acordo com o tema e o perfil do cliente. A prancha de ambientação deve ser usada para passar a sensação geral de um projeto; por esse motivo, reúne imagens e objetos que inspirem e auxiliem no processo criativo. São bastante usadas nas fases iniciais de um projeto como guia para mostrar aos clientes e obter aprovação antes de prosseguir com uma ideia. Material do Estudante 171 Princípios de Composição 172 Paisagismo: Técnicas e Projeto A maneira de combinar os diversos elementos de um jardim faz su- por alguns princípios de composição que facilitam o bom enqua- dramento deles no desenho paisagístico. Contraste Predominar não significa chamar mais a atenção. O elemento de contraste chama a atenção para si e, ao mesmo tempo, para outro, acentuando a diferença entre ambos. Equilíbrio Essencial para qualquer projeto, é responsável pela sensação de estabilidade oferecida por uma composição presente no campo visual. O equilíbrio se classifica em: simétrico ou assimétrico e es- tático ou dinâmico. Assim, devemos buscar, a todo momento, que nosso jardim fique equilibrado. Ritmo Esse é o princípio que distingue a paisagem de um mero cenário: indica movimento, resultado da repetição de elementos iguais ou parecidos. Proporção e escala Proporção é a relação harmoniosa entre as partes e os elementos que compõem o jardim. Escala é a relaçãoque se estabelece entre o tamanho dos espaços, sejam estes lugares ou não, e as pessoas. No princípio da escala, nossa preocupação é com a harmonia entre as distâncias e/ou medidas verticais e horizontais. Por ser a paisa- gem em três dimensões, essa harmonia influenciará nas sensações diferentes que teremos. Saiba mais Os princípios de compo- sição representam um elemento ou composição de grande peso visual ou conceitual. É um pon- to para o qual se deseja atrair a atenção do obser- vador. Vários centros de interes- se de peso visual, seme- lhantes quando visíveis ao mesmo tempo, podem causar confusão e divisão, por isso o número de fo- cos ou destaques obser- vados de cada ponto de vista deve ser cuidadosa- mente planejado. Material do Estudante 173 1. Desenho paisagístico A implantação de um desenho paisagístico requer um planejamen- to completo, elaborado com base na planta do terreno e em uma listagem das necessidades e dos desejos do cliente. 1.1 Estudo paisagístico – conhecendo o terreno A figura a seguir mostra a relação de aspectos que devem ser obser- vados para o bom desenvolvimento do desenho paisagístico. Atenção Durante a observação, lembre-se: • do sombreamento; • da topografia; • do clima; • do estilo e função da edificação existente; • do levantamento das espécies vegetais existentes que vão permanecer no de- senho paisagístico (assuntos vistos nas Unidades Curriculares anteriores). 174 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1.2 Estudo paisagístico – definindo caminhos e forrações A figura a seguir apresenta aspectos importantes para a definição de caminhos e forrações. Material do Estudante 175 Agora, observe a tabela com o detalhamento desses aspectos: O indivíduo – comunidade O terreno • Condições socioeconômi- co-culturais. • Composição etária. • Composição de grupos. • Desenvolvimento físico e psíquico. • Levantamento topográfico: conferir todos os elementos, rele- vo, trilhas, rochas e outros. • Equipamentos: máquina fotográfica, trena, metro e gravador. • Clima: - Insolação. - Precipitação. - Temperaturas. - Ventos. - Umidade. • Topografia: - Formas do terreno. - Declividade. - Drenagem natural. - Dimensão. • Solo: - Argiloso. - Arenoso. • Vegetação: - Existente no terreno. - Natural do local. - Disponível e adequada para a utilização. • Estruturas: - Edificações aparentes. - Edificações subterrâneas. - Acessos. • Paisagem local: - O entorno próximo (a rua, os vizinhos). - Os visuais (de dentro para fora, de fora para dentro). • Serviços urbanos: - Água. - Esgoto. - Águas pluviais. - Luz. - Lixo. 176 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2. Elaboração do projeto paisagístico Para a elaboração de um projeto paisagístico, é necessário realizar as seguintes etapas: • Análise: define-se um programa. • Distribuição espacial do zoneamento: circulação, manchas das áreas. • Dimensionamento: proposta com base em uma ideia, função e forma, vários croquis, composição/desenho – “natural”, or- gânico/geométrico. • Detalhes construtivos (mais frequentes): - Separação canteiro/canteiro. - Separação canteiro/piso. - Paginação – detalhes diversos: pedra portuguesa. - Farofa – areia/cimento 3:1, placas de granito e cimentado. - Escadas e rampas. - Canteiros aquáticos – caixa de Nymphaeas, canteiros para Nyperus e outras espécies aquáticas. - Jardins verticais. - Canteiro sobre laje. Atenção Para a concepção de um bom projeto é preciso ter claros e bem definidos: • Desejos. • Necessidades. • Gostos. • Hábitos. • Expectativas do cliente. Material do Estudante 177 2.1 Elaboração de desenho paisagístico: estudo preliminar Após ter levantado e estudado todas as condições relativas ao ter- reno e à edificação, vamos colocar em prática o estudo preliminar do desenho paisagístico. O que é? Programa de necessidades É o fruto de uma série de respostas que obteremos com base em perguntas como: necessidades a serem satisfeitas, fun- ção do local em questão, possibilidade de adequa- ção, grau de liberdade de ação, fatores determi- nantes de ordem física e psicológica. 1. Desenho da planta de localização do terreno. 2. Elaboração do programa de necessidades segundo o perfil do cliente. 3. Estudo das relações entre áreas ou setores de zoneamento: mapa de círculos. 4. Estudo funcional (especificação funcional da área externa): divisão dos espaços, separados uns dos outros de acordo com o uso. 5. Estudo técnico: definição das massas vegetais com delimi- tação dos locais de espécies arbóreas, arbustos, cercas vi- vas, canteiros, gramados etc. circulações e elementos cons- trutivos (fontes, lagos e outros), mobiliários e acessórios. 178 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2.1.1 Planta de localização Apresenta a indicação e representação gráfica de canteiros, maci- ços vegetais, árvores e palmeiras. Também exibe compositores or- namentais e construtivos escolhidos e adequados ao desenho pai- sagístico. Deverão usar texturas e colorização. No desenho, devem constar: • Cotas. • Textos. • Hierarquia de traços. • Planta de localização de pontos de iluminação. • Vistas com indicação e representação gráfica utilizando tex- turas e colorização. • Tabela de especificação de espécies vegetais. • Tabela de quantificação de espécies vegetais e insumos. • Memorial descritivo. Material do Estudante 179 Estratos Vegetais na Composição de Jardins 180 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. Compondo com estratos vegetais Há três tipos principais de estratos: arbóreo, arbustivo e de forração. Existem diversas possibilidades de trabalhar com árvores em paisa- gismo, mas é preciso saber, inicialmente, se a área disponível para o projeto tem condição de recebê-las. O estrato arbóreo é o “plano de teto” do jardim. Quando integrada ao jardim, a árvore valoriza o projeto, mas é pre- ciso realizar um exame minucioso de suas propriedades. Veja, a se- guir, os fatores a serem observados. • Forma das copas. • Raízes. • Beleza das folhas. • Diferentes texturas dos troncos. • Frutos ornamentais. • Flores. 1.1 Estrato arbóreo Apresenta diferentes espécies. Veja. • Eucalipto arco-íris. • Palmeiras. • Bambus. • Chorão ou salgueiro. • Pinheiros e ciprestes. • Bananeiras. • Pandanos. • Pata-de-elefante. Atenção É essencial conhecer o espaço necessário para o crescimento das raízes das árvores para evitar problemas com os ele- mentos construtivos pró- ximos. Os formatos das raízes derivam dos esfor- ços a que estão sujeitas as copas. Material do Estudante 181 1.2 Estrato arbustivo Os arbustos são elementos tão importantes quanto as árvores na elaboração do plano de massas vegetais, mas, em geral, predomi- nam graças a sua escala nos pequenos e médios jardins residen- ciais, comerciais e, principalmente, nos jardins sobre lajes. Os estratos arbustivos são o “plano de parede” do jardim. 182 Paisagismo: Técnicas e Projeto Classificação dos arbustos quanto à altura Arbustos altos Definição Os que têm copa com altura acima do olho de um observador em pé, ou seja, por volta de 1,50 m, e funcionam como anteparo, já que encobrem elementos a distância. O principal papel do arbusto é vedar e ajudar na definição de escalas e lugares acon- chegantes nos jardins. Exemplos Cercas vivas ou muros verdes – Arbustos altos mantidos com poda. Algumas espécies ve- getais usadas: • Hibisco. • Malvaviscus. • Cypressus. • Alglaia odorata. Arbustos baixos Definição São aqueles cuja altura da folhagem está abaixo da vista de um obser- vador em pé e não blo- queia cenas e panora- mas. Cumprem vários pa- péis nos jardins e es- paços urbanos: • Auxiliam na orienta- ção do fluxo de pe- destres, pois cercam os caminhos sem obstruir a visão. • Funcionam como ele- mento de proteção, impedindo a apro- ximação e advertin- do para algum peri- go. Exemplo: evitam que o caminhante se aproxime de algum talude. • Observados de cima, possibilitam criar efeitos estéticos in- teressantesocasio- nados por cores, texturas e florações variadas. Os arbustos baixos são classificados em anuais e perenes: • Anuais: vivem poucos meses, o que deman- da replante constan- te. Costumam apre- sentar floração de magnífico colorido. • Perenes: não desapa- recem após a flora- ção e seu replante se faz, geralmente, após um período maior que dois anos. Material do Estudante 183 1.3 Estrato de forração O estrato de forração é o “plano de piso do jardim”. As forrações podem ser agrupadas em dois conjuntos: • De solo. • Trepadeira. As forrações de solo podem ser subdivididas em dois grupos: as que suportam relativos pisoteios (gramas) e as que não suportam (plan- tas rasteiras). 1.3.1 Espécies de gramas que aceitam pisoteio São Carlos (Axonopus affinis) Característica: suas folhas são largas, lisas e sem pelos; é de cor verde intensa; desenvolve- -se tanto no sol como em local meio sombrea- do, úmido ou rochoso; ideal para climas quen- tes e frios; desenvolve de maneira acentuada no verão. Seu crescimento ascendente é pouco intenso, porém forma um gramado denso. Utilização: é a grama mais utilizada em todo o Brasil; tem boa resistência ao pisoteio, pra- gas, doenças e geadas; é utilizada em jardins residenciais, comerciais, beiras de piscinas e casas de campo e praia, graças a sua fácil adaptação a qualquer clima. Esmeralda (Zoysia japonica) Característica: suas folhas estreitas são de cor verde acinzentado; desenvolve-se mui- to bem em clima quente; pouco resistente a geada; apresenta ótima resistência ao piso- teio leve, isso por causa do grande desen- volvimento de suas raízes; não cresce muito para cima, então facilita a manutenção uma vez que requer pouca poda; é necessário adu- bação frequente; não tolera sombra. Utilização: jardins residenciais, comerciais, industriais, praças e campos para prática de esportes diversos, sempre a pleno sol; exce- lente também para terrenos no litoral. Atenção Grama Exige insolação quase direta para sobreviver e manutenção de poda re- lativamente constante. 184 Paisagismo: Técnicas e Projeto Batatais (Paspalum notatum) Características: embora não seja o tipo mais indicado de grama, a batatais tem algumas vantagens com relação aos outros tipos mais utilizados, entre elas: a grande adaptação a solos pobres; a boa resistência à seca; o baixo custo; a grande rusticidade. Utilização: não é muito utilizada porque, comparada aos outros tipos de grama, é bas- tante rústica e apresenta uma série de fatores negativos, como plantio mais demorado, sus- cetibilidade à infestação de ervas daninha e crescimento rápido. Plantas rasteiras Características: seus efeitos são surpreen- dentes, pois oferecem folhas e flores colori- das que podem formar relvados e tapetes com texturas e cores maravilhosas; é aconselhável à previsão de contenções, ou seja, muretas de concreto embutidas na terra ou artefatos plás- ticos, especialmente fabricados para esse fim, de modo a controlar o crescimento das raízes e limitar a propagação das plantas. Caso con- trário, o desenho dos canteiros poderá se per- der com o tempo, pois não haverá elementos de referência para os jardineiros obedecerem durante a manutenção. Utilização: não aceitam pisoteio, portanto de- vem ser utilizadas em bordaduras e relvados. 1.3.2 Forrações escadentes São caules que pendem e que podem ser usados em canteiros ele- vados ou floreiras. Material do Estudante 185 1.3.3 Trepadeiras São espécies que podem forrar praticamente qualquer superfície vertical ou inclinada. Podem ser classificadas em: • Trepadeiras sarmentosas Suas gavinhas (caules adicionais) garantem a fixação da plan- ta em paredes, árvores, estacas etc. Esse tipo de trepadeira pode ser usado para cobrir muros e só precisa de uma super- fície para subir. Exemplos: Hedera (heras), Philodendrons, Monstera deliciosa. • Trepadeiras volúveis Servem para contornar arcos, subir em troncos de árvores e estacas. Enrolam em qualquer estrutura. Para que cubram mu- ros, é preciso colocar suportes de arame para que se enrolem. • Trepadeiras cipó e arbustos escandentes Precisam ser educadas com amarrilhos para subir em algu- ma estrutura. Servem para se apoiar em arcos, pergolados, telhados e treliças, mas lembre: é preciso amarrar para que a planta suba. As trepadeiras cipó são mais maleáveis do que os arbustos escandentes, pois estes são um tipo intermedi- ário entre as trepadeiras e os arbustos; em alguns casos as trepadeiras cipó são de natureza lenhosa. 186 Paisagismo: Técnicas e Projeto Plantas na Composição de Jardins Material do Estudante 187 1. Compondo com plantas aquáticas e palustres Plantas aquáticas são plantas que pertencem à água; vivem na água ou sobre ela. Crescem com uma parte fora da água, ou totalmente fora dela, e se adaptam bem ao lugar onde vivem. Têm vários furos no fundo das folhas, dos caules e raízes, que auxi- liam a troca gasosa e a flutuação. São elas: Plantas palustres As plantas palustres são características de locais encharcados. Desenvolvem-se na proximidade de lagos e tanques; muitas vezes invadem um pouco as margens dos lagos e são confundidas com plantas marginais. Plantas marginais As plantas marginais preferem locais rasos, como margens de lagos, e permanecem com as raízes e primeira porção do caule e folhas submersos. Além disso, oferecem excelente abrigo para criaturas silvestres, como rãs, insetos e outros animais aquáticos. 188 Paisagismo: Técnicas e Projeto Plantas flutuantes São plantas que flutuam na superfície do lago, sem raízes fixadas a nenhum substrato e necessitam de sol pleno. Oferecem sombra para os seres submersos. 2. Compondo com plantas tóxicas As plantas tóxicas, muitas das quais ornamentais, podem ser encontra- das em jardins, quintais, parques, vasos, praças e terrenos baldios. Atenção Algumas dessas plantas são bastante conhecidas e bonitas, mas, quando colocadas na boca ou ma- nipuladas, podem causar graves intoxicações, prin- cipalmente em crianças menores de 5 anos. Material do Estudante 189 3. Compondo em jardins verticais Foi por meio da observação do crescimento de plantas em rochas e ár- vores de florestas e montanhas que Patrick Blanck teve a inspiração para criar seus jardins verticais. Ele percebeu que, nesses locais, as plantas cresciam sem precisar de terra e sobreviviam graças à água e aos nutrientes de uma camada de húmus. O sistema consiste em três partes: • Uma camada de PVC. • Feltro. • Moldura de metal. Dessa maneira, o jardim vertical favorece um sistema livre, autos- suficiente o bastante para ser pendurado na parede e até mesmo suspenso no ar, com peso menor que 30 kg por metro quadrado. Os jardins verticais podem usar como plantas espécies epífitas que requerem poucos nutrientes e uma pequena quantidade de água para se manter e desenvolver, pois elas conseguem retirar seus nu- trientes até da atmosfera. Em razão de sua baixa exigência e do len- to crescimento, são ideais para esse tipo de jardim. Podem ser montados em paredes que estejam disponíveis, nas quais as plantas possam receber alguma luz natural, ou mesmo luz artificial. O jardim vertical pode ser usado como um exterior impressionante, para fachadas, ou pode ser usado também dentro de casa, com o auxílio de iluminação artificial. 190 Paisagismo: Técnicas e Projeto Não importa onde você viva. Urbano ou suburbano, frio ou quente, dentro ou fora – o jardim vertical traz um pouco de verde para todos. Menor consumo de energia Melhor qualidade do ar Proporciona uma proteção natural entre o clima e os habitantes As vantagens naturais do jardim vertical são muitas; veja algumas: Material do Estudante 191 4. Compondo com caminhos e circulações Existem as circulações planas e as inclinadas. O traçado, as formas e os materiais de revestimento devem sempre compor com as espé- cies vegetais e atender às necessidades do cliente. Caminhos e passarelassão comuns em quintais, jardins e em tor- no de propriedades. Eles levam para lugares-chave no local, como uma fonte ou área de estar. Seu propósito é tão funcional quanto estético na paisagem. Saiba mais Caminhos de acesso, tais como entradas de pedes- tres e veículos (garagens), devem ser projetados sem- pre para integrar todos os componentes do jardim. Caminhos inclinados, como escadas e rampas, devem ser suaves e inte- grados com o entorno, aproveitando ao máximo a topografia natural do terreno. A melhor opção para os caminhos de jardins de- pende do seu estilo, do or- çamento e dos materiais disponíveis em sua área. 192 Paisagismo: Técnicas e Projeto 5. Tabela de espécies vegetais A tabela de espécies vegetais auxilia o profissional na escolha cor- reta das espécies vegetais. Ela deve constar do estudo preliminar como fonte de armazenamento e coleta de dados. Observe o modelo de tabela a seguir. Imagem Legenda Nome Botânico Nome Comum Origem Porte Folhagem Florescimento Raiz Exótica Nativa P M G Decidual Semi decidual Perene Época Cor Superficial Profunda Bauhinia forficata Pata- -de- -vaca X X X P-V B X Legenda: Porte Época Cor Arbóreas • P – Pequeno (até 6 m de altura) • M – Médio (de 6 m até 10 m) • G – Grande (a partir de 10 m) Palmeiras Alta – mais de 6 m Baixa – menos de 6 m P – Primavera V – Verão O – Outono I – Inverno VE – Várias épocas do ano A – Amarelo AZ – Azul A – Branco A- – Creme L – Laranja PE – Pouco expressivo R – Rosa V – Vermelho VC – Várias cores VI – Violeta VE – Verde Material do Estudante 193 Imagem Legenda Nome Botânico Nome Comum Origem Porte Folhagem Florescimento Raiz Exótica Nativa P M G Decidual Semi decidual Perene Época Cor Superficial Profunda Bauhinia forficata Pata- -de- -vaca X X X P-V B X Elementos Compositores 194 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. Elementos compositores ornamentais Depois de projetar com atenção os elementos básicos do seu jardim, as espécies vegetais que vão compor “teto, paredes e piso” deve- rão complementá-lo com elementos ornamentais conforme a lista de necessidades que relacionamos no início do estudo paisagístico, tais quais: áreas de sol e de brincar, horta, área de leitura etc. Cada recanto do jardim deve ser minuciosamente projetado para receber peças ornamentais que constituirão o material de transição entre interior e exterior. Entre os elementos que poderemos utilizar estão os naturais e os fabricados ou artificiais. Elementos naturais Elementos fabricados ou artificiais • Pedras. • Troncos. • Espelhos d’agua. • Mobiliários. • Fontes. • Estátuas. • Obras de arte. • Brinquedos para jardim. • Gaiolas para pássaros. • Toldos e equipamento para jogos. Lembrete O jardim deverá ser com- posto de acordo com o perfil do cliente. Material do Estudante 195 1.1 Uso de água na composição de jardim A água, tanto a usada em espelhos d’água naturais quanto a usada em fontes e lagos artificiais, proporciona ao ambiente quietude e sensação de repouso. A água imóvel em poços ou piscinas funcio- na como espelho, refletindo a tonalidade do céu e da paisagem ao redor. As águas em movimento, rios e riachos oferecem um dina- mismo visual e sonoro. Pode funcionar também como elemento de ligação ou separação em um jardim, substituindo uma cerca ou um canteiro, desde que não impeça a visão. 2. Elementos compositores construtivos Para ampliarmos as áreas de lazer e aumentar o prazer de desfrutar o jardim, podemos criar alguns espaços: • Decks, área para sol com espreguiçadeiras e ombrelones. • Pérgolas para relaxar enquanto nos protegemos um pouco do sol. • Piscinas para refrescar e relaxar, além de nos exercitar. • Churrasqueiras e gazebos que podem promover saborosos e confortáveis momentos de confraternização com os familia- res e amigos. 196 Paisagismo: Técnicas e Projeto Compondo em Varandas e Jardins de Inverno em Áreas Internas Material do Estudante 197 Quando vamos desenhar um jardim nessas áreas é necessário um planejamento especial. Como já estudamos, o primeiro passo é fazer um inventário minu- cioso de todas as condições físicas para depois elaborar a lista de necessidades conforme o perfil do cliente. Na sala, na copa, na varanda ou no corredor, em qualquer ambiente da casa, a presença de plantas modifica completamente o tom da sua decoração. As linhas geométricas dos móveis, a superfície lisa e uniforme das paredes e do teto, enfim, todo o lado funcional e im- pessoal do ambiente ganha nova vida com elas. As plantas formam contrastes, realçam, integram, equilibram e dão calor ao ambiente. 1. Escolhendo o que cultivar em ambiente interno Para essa escolha, deve-se observar muito bem o ambiente no qual a planta ficará. Alguns aspectos são importantes para a escolha ideal: 1. Luminosidade: é o aspecto que mais deve ser levado em consideração. Em geral, é muito menor do que nos ambien- tes externos, assim como o número de horas de luz é muito reduzido. 2. Espaço limitado para crescimento de raízes: isso ocorre em consequência do espaço reduzido, já que, normalmente, são cultivadas em vasos e jardineiras. 3. Harmonia com o ambiente: é fundamental observarmos qual planta ficará mais de acordo com o ambiente. As plantas podem ser classificadas como: pleno sol, meia-sombra e sombra. Algumas se adaptam bem a mais de uma situação. Cada categoria tem um número extenso de plantas, em particular as de pleno sol e meia-sombra. 198 Paisagismo: Técnicas e Projeto Veja a seguir alguns exemplos de plantas mais comuns. Pleno sol Meia-sombra Sombra Buxinho Antúrio Zamiocuca Ixora Maria-sem-vergonha Palmeira ráfia Azálea Lírio da paz Singônio Murta Begônia Camedórea Relação de plantas Pleno sol Meia-sombra Açafates (Alyssum maritimum) Amor-perfeito (Viola tricolor) Acálifa (Acalypha spp.) Antúrio (Anthurium andraeanum) Agave (Agave spp.) Azálea (Rhododendron simsii) Areca Bambu (Chrysalidocarpus lutescens) Begônia (Begonia spp.) Azálea (Rhododendron simsii) Brinco-de-princesa (Fuchsia spp.) Babosa (Aloe spp.) Camélia (Camellia japonica) Bambusa (Phyllostachys aurea) Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia spp.) Bananeira-de-jardim (Musa zebrina) Coqueiro-de-vênus (Cordyline terminalis) Bananeira-do-mato (Heliconia spp.) Costela-de-adão (Monstera deliciosa) Cacto (Cactus spp.) Dinheiro-em-penca (Muehlenbeckia complexa) Flor-da-fortuna (Kalanchoe spp.) Dólar (Plectranthus spp.) Camarão amarelo (Pachystachys lutea) Dracena (dracaena spp.) Cana-da-índia (Canna generalis spp.) Espada-de-são-jorge (Sansevieiria spp.) Capim-palmeira (Curculigo capitulata) Ixora (Ixora coccinea) Capim-dos-pampas (Cortaderia selloana) Fênix (Phoenix roebelenii) Cóleo (Coleus spp.) Figueira (Ficus spp.) Copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica) Gazânia (Gazania ringers) Dracena (Dracaena spp.) Guaimbé (Philodendron bipinnatifidum) Ixora (Ixora coccinea) Hera (Hedera helix) Filodentro (Philodendron spp.) Hortênsia (Hydrangea macrophylla) Material do Estudante 199 Gerânio (Pelargonium zonale) Inhame (Alocasia spp.) Hera (Hedera helix) Íris (Iris spp.) Hibisco lanterninha (Hibiscus rosa sinensis) Jiboia (Scindapsus aureus) Hortênsia (Hydrangea macrophylla) Latânia (Livistona chinensis) Lantânia (Livistona chinensis) Lírio-do-brejo (Hedychium spp.) Lírio (Lilium Longiflorum) Maranta (Maranta spp.) Lágrima-de-cristo (Clerodendrum thomsonae) Palmito (Euterpe edulis) Magnólia roxa (Magnólia soulangeana) Petúnia (Hybrida) Margarida (Chrysanthemum leucanthemum) Pílea (Pilea nummulariifolia) Onze-horas (Lampranthus spp.) Prímula (Primula spp.) Palmeira-real (Seaphortia elegans) Ráfia (Rhapis excelsa) Pandano (Pandanus spp.) Róio (Rhoeo spp.) Papiro (Papaver orientale) Samambaia (Nephrolepis spp.) Periquito (Alternanthera spp.) Violeta (Viola odorata) Petúnia (Alternanthera spp.) Violeta africana (Saintpaulia spp.) Ráfia (Rhapis excelsa) Xaxim (Dicksonia sellowiana) Romã (Punica granatum)Cheflera (Schefflera arboricola) Tinhorão (Caladium spp.) Zínia (Zinnia spp.) Sombra Obscuridade Aglaonema (Aglaonema spp.) Aspargo (Asparagus spp.) Ardísia (Ardisia crenata) Avenca (Adiantum spp.) Árvore do paraíso (Polysseia spp.) Feto (Blechnum gibbum) Aspargo (Asparagus spp.) Figueira (Ficus spp.) Aspidistra (Aspidistra elatior) Grafita (Hemigraphis alternata) Asplênio (Asplenium nioum) Hera (Hedera helix) Avenca (Adiantum spp.) Hera gigante (X-fatschedera) 200 Paisagismo: Técnicas e Projeto Brinco-de-princesa (Fuchsia spp.) Hera real (Rhoicicsus capensis) Bromélia (Aechmea spp.) Maranta (Maranta spp.) Cisso (Cissus spp.) Musgo (Selaginella spp.) Costela-de-adão (Monstera deliciosa) Palmeirinha (Howea forsteriana) Camedórea (Chamaedorea elegans) Samambaia (Nephrolepis spp.) Clorofito (Chlorophytum comosum) Palmito (Euterpe edulis) Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia spp.) Singônio (Syngonium spp.) Coqueiro-de-vênus (Cordyline terminalis) Xaxim (Dicksonia sellowiana) Criptanto (Cryptanthus spp.) Dracena (Dracaena spp.) Feto (Blechnum gibbum) Figueira (Ficus spp.) Fitônia (Fittonia spp.) Filodendro (Philodendron spp.) Grama-preta (Ophiopogon japonicus) Hera (Hedera helix) Hera gigante (X-fastchedra) Inhame (Alocasia spp.) Maranta (Calathea spp.) Musgo (Selaginella spp.) Piperônia (Peperonia spp.) Pílea (Pilea spp.) Prímula (Primula spp.) Guaimbê-sulcado (Rhaphidophora decursiva) Cheflera (Schefflera arboricola) Singônio (Syngonium angustatum) Material do Estudante 201 Calendário de Floração 202 Paisagismo: Técnicas e Projeto Inverno • Acácia-mimosa. • Alamanda. • Antúrio. • Caliandra. • Camélia. • Cravo. • Hibisco. • Hemerocale. • Lantana. • Malvavisco. • Plumbago. • Azálea. • Rododendro. • Russélia. • Violeta-africana. • Sálvia. • Ipê-amarelo. Material do Estudante 203 Primavera • Alamanda. • Antúrio. • Amor-agarradinho. • Afelandra. • Begônia. • Pau-brasil. • Manacá de cheiro ou de jardim. 204 Paisagismo: Técnicas e Projeto Verão • Agapanto. • Alamanda. • Antúrio. • Afelandra. • Begônia-sempre-florida. • Camarão. • Bougainvíllea. • Caliandra. • Chuva-de-ouro. • Cássia-imperial. • Crista-de-galo. • Crisântemo. • Dália. • Coroa-de-cristo. • Asa ou bico-de-papagaio. • Brinco-de-princesa. • Girassol. • Hibisco. • Hemerocale. • Helicônia. • Hortênsia. • Campainha (Ipomoea purpurea). • Estremosa. • Lantana. • Malvavisco. • Ninfeia. • Jasmim-manga. • Onze-horas. • Ruissélia. • Violeta-africana. • Strelitzia. • Thumbergia azil. • Sibipiruna. • Caliandra. • Cabelo-de-anjo. • Diadema. • Espuminha. Material do Estudante 205 Outono • Alamanda. • Antúrio. • Caliandra. • Dália. • Cravo. • Coroa-de-cristo. • Asa ou bico-de-papagaio. • Hibisco. • Hemerocale. • Lantana. • Malvavisco. • Plumbago. • Violeta-africana. • Russélia. • Espatifilo. • Estrelítzia. • Quaresmeira. 206 Paisagismo: Técnicas e Projeto 2. Plantas para vaso É indiscutível que uma das principais funções de um vaso com plan- tas está ligada à ornamentação decorativa do ambiente. Para que seja conseguido tal intento, é preciso haver uma harmonia no rela- cionamento do vaso com os vários elementos onde está localizado. Veja. • Cor e textura das paredes. • Tamanho em relação à área do local. • Formato que se harmonize com o estilo arquitetônico. • Posicionamento do vaso e localização. 2.1 Tipos de materiais com que são feitos os vasos Material do Estudante 207 Barro Vantagens: porosidade, equilíbrio térmico estável à temperatura ambiente, permeabilidade, que possibilita a transpiração do exces- so de umidade do substrato. Desvantagem: menor resistência ao impacto. Xaxim O material de que é feito o vaso de xaxim é obtido pela extração de partes do caule de uma espécie de planta nativa nas regiões de Mata Atlântica da costa brasileira, conhecida como samambaiaçu (Diksonia selloviana), que est á em avançado processo de extinção. Vantagens: são voltadas apenas para o cultivo das espécies que requerem um substrato de umidade elevada. Desvantagens: estão direcionados ás espécies de plantas que não suportam uma umidade elevada no substrato. Não são apropriadas para espécies de plantas que não suportam umidade. Observação: após a resolução Cona- ma 278/1 de 24 de maio de 2001, que proibiu a extração do xaxim, ameaça- do de extinção, hoje temos uma alterna- tiva promissora: a fibra do coco verde. 208 Paisagismo: Técnicas e Projeto Fibra de coco “A fibra reciclada do fruto tem se mostrado um substituto altamen- te satisfatório para o cultivo de flores e plantas ornamentais. (...) Pesquisas demonstram que a fibra de coco tem boas característi- cas físicas – como retenção de água, porosidade, densidade – e, quando usada em mistura com substrato comercial, melhora es- sas características, inclusive tornando o material mais leve. (...) Os experimentos realizados têm mostrado um bom crescimento das plantas cultivadas em fibra de coco quando comparadas àquelas cultivadas em materiais convencionalmente usados”. Trecho retirado do site: http://www.faperj.br/?id=484.2.8 Madeira É de bela aparência e de pouca durabilidade. Muito usada como ca- chepô apenas como decoração. Material do Estudante 209 Cimento É um dos materiais mais utilizados para a fabricação de vasos. Vantagens: boa porosidade e alta resistência a impactos. Desvantagens: baixo equilíbrio térmico e peso elevado. Plástico (PVC) Uma vez que suas paredes são totalmente impermeáveis, servem apenas como recipientes de cultivo transitório. 210 Paisagismo: Técnicas e Projeto Metal Podem ser de estanho, bronze, latão ou cobre. São totalmente ina- dequados a essa finalidade, pois provocam reações químicas ad- versas. Devem ser usados como cachepô. Vidro São apropriados para flores de corte. Material do Estudante 211 2.2 A importância da drenagem nos vasos O furo que deve existir no fundo dos vasos é responsável pelo escoa- mento do excesso de água das regas, evitando o encharcamento e um consequente apodrecimento das raízes. Para evitar entupimento do furo de drenagem, são colocados, no fundo dos vasos, manta de dre- nagem, cacos de telha, de blocos ou brita, para que só depois sejam colocados o substrato e a espécie botânica com a devida forração. Tabela de quantificação de espécies vegetais e insumos para as espécies vegetais escolhidas a) Canteiros e áreas ajardinadas: esses cálculos devem ter, como base, as áreas das figuras geométricas conhecidas, so- bretudo se a área a ser calculada for uma forma orgânica (ir- regular). b) Gramado: a grama é comprada em m², então, o cálculo é direto, ou seja, deve-se saber quantos m² serão forrados com grama c) Os arbustos e plantas maiores, como já estarão represen- tados em escala no projeto, poderão ser contados individual- mente. Caso estejam representados em maciço, é necessário saber o espaço ocupado por cada planta. d) As forrações são contabilizadas por m², ou seja, utiliza-se 25 plantas por m² (com espaçamento de 20 cm entre as plantas). e) Insumos: 1. Sacos de pedrisco de 10 kg forram uma área de 1 m². 2. Casca de pinus ou casca de árvore tem o seguinte rendimen- to: 1 saco de 8 kg cobre 1 m² com 2,5 cm de espessura. A equi- valência em kg/litros é de 8 kg (40 l), 20 kg (100 l) e 40 kg (200 l). 212 Paisagismo: Técnicas e Projeto 3. Sólidos geométricos 3.1 Figuras geométricas Material do Estudante 213 Iluminação 214 Paisagismo: Técnicas e Projeto Especificação da iluminação no projeto paisagístico: • Tem a finalidade de aumentar a segurança para possibilitar a melhor utilização do espaço externo pelo usuário criando condições para o uso, pelos moradores, por meio do lazer e da sua socialização. • Deve-se prever iluminação nos acessos, nas áreas de circula- ção, de lazer, de esportes, otimizando a localização dos pon- tos de luz. • O projeto de iluminação específico precisa fazer parte do pro- jeto de elétricageral do empreendimento. • Deve-se fornecer os padrões ou referências para as luminá- rias e postes de luz indicando caminhos perto ou sobre pon- tes, pedras, borda de água, piscinas e bancos, áreas abertas como terraços, áreas, caminhos pavimentados ou gramados, obstáculos, árvores próximas a caminhos, galhos ou caules altos, áreas de pedestres, caminhos, áreas específicas, chur- rasqueiras, equipamentos e playgrounds. 1. Equipamentos Devemos usar luminárias produzidas para áreas externas. Essas lu- minárias têm condições de resistir à umidade, terra etc. Veja, a se- guir, a aparelhagem utilizada para iluminação externa. Spots e projetores São indicados para criar efeitos especiais como o da iluminação fo- cal. Devem ser posicionados a uma distância de 1/3 da altura do elemento a ser iluminado. Material do Estudante 215 Projetor ou refletor A luz é dirigida formando um facho de luz mais ou menos concen- trado. O projetor cria contrastes de claro e escuro e destaca objetos ou áreas. Pode ser fixo ou móvel. Balizador Serve para iluminar caminhos no jardim e forrações, demarcar de- graus e divisas de taludes. Dão luz suficiente ao espaço, mas sem excessos. Devem ter cerca de 50 cm de altura para não causar ofus- camentos. Fibra óptica É um filamento flexível e transparente, fabricado à base de vidro ou plástico, e que é utilizado como condutor de elevado rendimento de luz, imagens ou impulsos codificados. Têm diâmetro de alguns micrómetros, ligeiramente superior ao de um cabelo humano. Observe o grau de proteção IP da luminária escolhida para ficar ao tempo, ele indica o nível de proteção da luminária quanto à entrada de água e poeira. 216 2. Efeitos Direta É orientada diretamente para o alvo a ser iluminado. O facho pode variar conforme o ângulo da lâmpada escolhida, que pode ter um facho mais fechado ou mais aberto. Paisagismo — Ténicas e Projeto Indireta A luz bate em um ponto e é refletida. É uma luz de integração de espaços. Semidireta Meio-termo entre as anteriores, uma parte da luz reflete e a outra vai direto ao ponto a ser iluminado. Material do Estudante 217 218 Paisagismo — Ténicas e Projeto Geral-difusa Contribui de maneira uniforme para a luz no ambiente. Downlighting (luz dirigida para baixo) Mesmo sendo um termo geral, que engloba muitas técnicas de iluminação, ela é a mais natural, é como percebemos a luz solar. O downlighting inclui as iluminações de segurança e caminhos e abrange aspectos funcionais. A estética desse tipo de iluminação é de cima para baixo. O downlighting pode utilizar as lâmpadas halógenas comuns ou as mais recentes lâmpadas LED, energeticamente eficientes. Material do Estudante 219 Upligthing (luz dirigida para cima) É de iluminação mais simples, mas dramática, colocada sob um obje- to, como uma árvore ou escultura. Seu efeito atrai a atenção imediata. 220 Paisagismo: Técnicas e Projeto Spotlighting É uma técnica muito direta. Serve para iluminar características im- portantes e pontos focais, como estátuas. É puramente estético. Volta sua atenção à determinada direção. Deve ser usado com mo- deração, pois o uso excessivo pode desviar o olhar em várias dire- ções e causar confusão visual. Material do Estudante 221 Low-level wash/Path lighting Implica, predominantemente, a iluminação de uma planície hori- zontal ao longo de caminhos. Ela dá a direção e pontua as mudan- ças de nível, evitando os riscos de acidentes como degraus e água. 222 Silhouetting and wall washing (luz que “lava” a parede) Iluminação colocada atrás da vegetação e direcionada para um muro ou uma parede clara, que reflita a luz e destaque a silhueta da vegetação. Não é direcionada para a vegetação. Paisagismo — Ténicas e Projeto Material do Estudante 223 Moon lighting Consiste na instalação de uma luminária no meio da copa de uma árvore alta. Utiliza-se uma fonte de luz branca azulada que simule a luz do luar. Mirror lighting Utiliza-se a característica refletiva da água de uma piscina, um lago ou uma lagoa. 224 Paisagismo: Técnicas e Projeto Energia solar Energia proveniente da luz e do calor do sol, a energia solar é apro- veitada e utilizada por meio de diferentes tecnologias, como aque- cimento solar, energia solar fotovoltaica, energia heliotérmica e ar- quitetura solar. A energia solar é considerada uma fonte de energia renovável e sustentável. Projeto Integrador: Desenho Paisagístico Unidade Curricular A Unidade Curricular Projeto Integrador: Desenho Paisagístico está desenvolvida em um tema. Veja. Etapas do Projeto 1. Micropaisagismo e macropaisagismo 2. Etapas do projeto paisagístico (resumo geral) 3. Etapas do estudo preliminar 4. Elaboração do anteprojeto 5. O projeto executivo 6. Desenvolvimento de orçamento 7. Execução e manutenção do projeto Material do Estudante 227 Etapas do Projeto 228 Paisagismo: Técnicas e Projeto 1. Micropaisagismo e macropaisagismo 1.1 Micropaisagismo Destina-se a criar jardins em terrenos com área inferior a 1.000 m. Jardins residenciais e comerciais As residências, sejam casas, sejam edifícios, podem apresentar na sua composição jardins internos ou externos. Os jardins são defini- dos de acordo com o estilo da construção, dos desejos do proprie- tário, das cores das paredes, da localização, da paisagem do local e do clima. 1.2 Macropaisagismo Refere-se aos trabalhos de projeto e planejamento, manejo e con- servação da paisagem em grandes áreas, públicas ou não. Nestas estão incluídas as praças, os parques, paisagismo rodoviário e pai- sagismo rural nas suas diferentes modalidades. As áreas urbanas são constituídas de três sistemas: a) Sistemas de espaços como construções. b) Sistema de espaços livres de construções. c) Sistema de espaços de integração urbana. 2. Etapas do projeto paisagístico (resumo geral) Estudo preliminar (cor) • Planta geral (partido adotado): distribuição de vegetação sem especificações definidas (volumes e massas). Material do Estudante 229 Anteprojeto (cor) • Definição dos materiais especificados. • Disposição da vegetação (sugestão, opções das espécies a se- rem especificadas). Projeto executivo (p/b) – detalhamento da proposta • Plano de cotas – planta de construção com todas as medidas (muretas, pisos, desníveis etc.) e indicação dos detalhes. • Planta com os detalhes construtivos, cortes. • Planta com a lista das espécies especificadas, legenda (es- pécies propostas, preservadas, transplantadas etc.), quadro com a lista das espécies (nome científico, nome popular, altu- ra mínima para plantio e quantidade total do projeto). Projetos complementares • Irrigação. • Iluminação. • Obras de arte. Outros • Perspectivas. • Maquetes, planta de locação do plantio. • Memorial descritivo. • Recomendações. • Especificações técnicas. • Orçamento. Escalas usuais • Detalhes: 1/5 – 1/10 – 1/20 – 1/25. • Projetos residenciais: 1/50 – 1/100. • Projetos urbanos: 1/100 – 1/200 – 1/250. • Grandes áreas: 1/500 – 1/1000 – 1/2000. 230 Paisagismo: Técnicas e Projeto 3. Etapas do estudo preliminar 1ª. Avaliação da população e das características dos proprietários Na fase de estudos preliminares, é fundamental avaliar e conhecer os gostos e necessidades dos usuários do jardim. Esse levantamento é feito ainda quando o projeto é de um jardim público. Uma avalia- ção socioeconômica e um amplo cadastro da paisagem circundante também enriquecerão o projeto. Com base nesses levantamentos preliminares é que serão traçados os primeiros detalhes do jardim. 2ª. Elementos arquitetônicos Os elementos arquitetônicos podem ser existentes ou construídos. Os caminhos do jardim Somente após a definição dos acessos é que se pode pensar na alocação das plantas. Para caminhar pelo jardim, é necessário que haja um estudo prévio dos caminhos adequados aos diversos tipos de movimentação das pessoas entre as plantas e pelo gramado. Como largura padrão para os caminhos do jardim,adotaremos as medidas entre 0,60 m e 1,20 m, conforme o tamanho da área. 3ª. Elementos vegetais Podem ser: • Alamandas. • Flores-de-corte. • Horta (verduras e condimentos). • Palmeiras. • Plantas floríferas. • Arbustos com trabalhos de topiaria. • Arbustos isolados. • Árvores de sombra. • Árvores que dão flores. • Cercas vivas. Exemplificando • Armações para trepa- deiras. • Bancos no jardim. • Caixa de areia para as crianças. • Caminhos (de pedra rústica, dormentes, ci- mentados, tijolinhos). • Jardineiras e vasos. Exemplificando Caminho sinuoso e cami- nho reto. Material do Estudante 231 4ª. Análise dos elementos ambientais Todos os elementos devem ser previamente analisados para que possamos aproveitar o que já existe na área. 5ª. Levantamento planialtimétrico e cadastral O levantamento planialtimétrico corresponde a uma detalhada avaliação da área a ser trabalhada. Trata-se de um trabalho realiza- do na fase inicial e que vai resultar em um desenho em escala. Esse serviço deve reproduzir o ambiente como se fosse um retrato: tudo o que existir no terreno deve ser registrado. Em grandes projetos, costuma ser feito por um topógrafo. A planta planialtimétrica é a representação do jardim como se pu- desse ser visto inteiro de cima, sem as deformações que a vista provoca. Já o cadastro reforça o mapeamento – indica onde estão torneiras, luminárias ou pontos de luz, fiações, fossas, galerias de águas pluviais e encanamentos subterrâneos etc. Para fazer o seu levantamento, portanto, tudo o que você precisa é de pontos de referência, como um muro, uma parede, um poste da rua (alguma coisa fixa). Depois, é só tomar as medidas (pelo menos duas) daí em diante. Análise do solo Tendo em mãos a lista dos elementos arquitetônicos e vegetais de- sejados, bem como o levantamento planialtimétrico e cadastral, é hora de analisar as condições do solo. Isso é decisivo se quisermos, no futuro, uma vegetação de fato vistosa e saudável. Não podemos esquecer que o segredo da beleza do jardim está principalmente no solo, que deverá ser de boa qualidade para o perfeito desenvolvi- mento das espécies vegetais. Clima e luminosidade Na distribuição das plantas pelo globo terrestre, observa-se uma nítida diversificação de acordo com as zonas climáticas. É o clima, o solo e até a topografia de cada região que, em última instância, determinam o tipo de vegetação nativa que se encontra em cada região. Essas informações devem ser minuciosamente levantadas para o total sucesso do projeto paisagístico. Exemplificando • Recursos hídricos (que protegem nascentes, rios, riachos, córregos, lagos e cachoeiras). • Formações rochosas (estas nunca deverão ser retiradas sem a pré- via avaliação de um geó- logo, paleontólogo ou arqueólogo). • Flora nativa (estas nun- ca devem ser retiradas). 232 Paisagismo: Técnicas e Projeto 4. Elaboração do anteprojeto Quando o paisagista estiver com todos os dados já citados, têm-se condições seguras de elaborar um anteprojeto. Pode ser feito nas seguintes etapas: O que é? Anteprojeto Consiste em expor a so- lução conceitual e físi- ca do problema, com as definições, distribuição das funções e das áreas de intervenção com seus elementos principais, na- turais e/ou edificáveis, em escala adequada, sob forma de desenhos e cor- tes esquemáticos. Lançar em planta planialtimétrica da obra as áreas de uso pré-dimen- sionadas e a circulação. Resolver os problemas de divisão dessas áreas de uso. Compor a proteção aos ventos sul e noroeste, a proteção ao sol da tarde e a criação do espaço necessário ao livre acesso do sol nascente. Elaborar a organização final dos diversos espaços verdes que compõem a obra. Apresentar e discutir o desenho com o cliente. Na verdade, essas etapas se sobrepõem, pois, no processo glo- bal, à medida que os problemas vão sendo resolvidos, é necessá- rio reconsiderar parcialmente ideias anteriores em benefício do conjunto. Material do Estudante 233 O anteprojeto vai definir os seguintes itens: Distribuição espacial Deverá ser feito um zoneamento da área, ou seja, dividir a área total em espaços menores de acordo com os anseios e desejos dos pro- prietários e a viabilidade técnica da proposta. Levantamento geral do anteprojeto Antes de começar a distribuição das plantas, deve-se fazer um le- vantamento geral, certificando-se, pelo menos, destes itens: • Não reserve espaço para árvores de grande porte muito perto da casa. • O espaço destinado a canteiros floridos deve, preferencial- mente, ser deixado em local que possa ter destaque, quando visto de dentro das áreas mais nobres da casa. • Evite canteiros com formas geométricas rígidas. • Não se preocupe muito em perseguir a chamada simetria. For- mas simétricas são mais apropriadas para grandes jardins. • Jardineiras de alvenaria devem ter, no mínimo, 40 cm de lar- gura por 60 cm de profundidade (dimensões internas). • Evite utilizar plantas tóxicas ou espinhosas em locais de fácil alcance pelas crianças. • Não exagere na utilização de elementos decorativos, como estátuas e fontes. 5. O projeto executivo O projeto executivo é o projeto final que compreende os desenhos, cortes, detalhamentos e memoriais descritivos, desenvolvidos com base no anteprojeto aprovado. a) Prancha ilustrada: é a planta que será usada para executar o jardim. Por isso mesmo, precisa definir com clareza a exata lo- calização de árvores, palmeiras, arbustos, canteiros de plantas rasteiras e áreas gramadas. Nela, para facilitar a leitura visual do projeto, cada tipo de planta tem uma representação gráfica distinta. b) Memorial botânico: é a relação das plantas que serão usadas e as quantidades de cada uma. Quando bem feita, essa lista acom- 234 Paisagismo: Técnicas e Projeto panha outras informações, como porte e diâmetro da copa, épo- ca e cor do florescimento e espaçamento recomendado, além das exigências de solo, regas e luminosidade de cada planta. c) Manual técnico de implantação e manutenção: define a época de adubação, de poda, de revolvimento da terra, o tamanho das covas etc. Inclui também orientação para a eventualidade de as plantas serem atacadas por pragas e doenças. Enfim, é o manual técnico de implantação e manutenção que fecha com chave de ouro um projeto paisagístico de gabarito. Devem estar relaciona- dos e descritos todos os serviços necessários à implantação do projeto, como: • Preparo das áreas, limpeza do terreno e movimentos de terra. • Locação de obras: vias de circulação, jardineiras, bancos, pér- golas, espelho d’água etc. • Instalações hidráulicas. • Instalações elétricas. • Preparo para o plantio: calagem, adubação, abertura de co- vas, construção de canteiro, entre outras. • Plantio propriamente dito. • Limpeza geral após a implantação. • Manutenção. Sugestão de itens que devem estar em um memorial descritivo: 1) Cabeçalho Deve conter as mesmas informações constantes na legenda das pranchas: nome do projeto, nome do cliente, endereço da propriedade, nome e número de registro profissional do pro- jetista, data. 2) Apresentação Neste item, são exibidos os tipos de projetos e suas caracte- rísticas, os problemas a serem solucionados, os objetivos e justificativas do projetista. Os critérios utilizados para a ela- boração do projeto ainda são mencionados e correlacionam estilo, ambiente (paisagem e clima), necessidades e desejos dos proprietários. Material do Estudante 235 3) Caracterização da área • Localização: endereço, cidade, estado e coordenadas geográficas. • Dimensões: área do terreno a ser ajardinado. • Clima: definição das características climáticas do local de implantação do projeto. • Tipo de solo: definido com base em análises química e física. • Características do terreno: referem-se, em particular, à topografia, definida de acordo com o levantamento to- pográfico da área. 4) Características vegetais Discriminação da paisagem da região e das espécies já existen-tes na área (quando for o caso). A descrição da paisagem da região é feita com base em observações realizadas no local ou em referências como documentos, textos ou, ainda, informa- ções verbais. Quanto à vegetação existente, esta pode ser des- crita ou representada em um desenho, especialmente se for aproveitada para o projeto. Neste caso, recebe uma simbolo- gia diferenciada, sempre com a referência de espécie existen- te. Outros elementos existentes (bancos, outras construções etc.) também deverão ser levantados e descritos. 5) Informações sobre a construção de estruturas físicas Este item deve ser feito por um profissional especializado. É preciso discriminar detalhes da construção, da estrutura pla- nejada, com as devidas descrições e apresentações de justi- ficativas quando for necessário. A relação de materiais, bem como o orçamento e as instruções para a implantação devem ser incluídos nesse memorial. 6) Lista e orçamento das espécies Neste item são listadas as espécies necessárias e o orçamento correspondente. A relação de plantas deve conter nome co- mum, nome científico, número de mudas, tamanho da muda e alguma observação que for relevante. O orçamento deve men- cionar nome ou nomes das firmas consultadas, telefone e en- dereço para contato e data em que os preços foram fornecidos, bem como o período no qual os valores deverão vigorar. 236 Paisagismo: Técnicas e Projeto 7) Instruções para plantio e manutenção das espécies vegetais O memorial deve conter todas as instruções necessárias para plantio das espécies vegetais, como também informações re- levantes para sua manutenção. As informações para manuten- ção são de grande importância, pois quando uma ou mais mu- das morrem estas necessitam ser substituídas, e as despesas podem ser de responsabilidade da empresa de implantação (nesse caso, a qualidade da muda fornecida não foi satisfa- tória) ou do proprietário, quando este não tiver executado as práticas de manutenção necessárias. 8) Mão de obra e outros materiais Para a implantação do projeto, devem ser listados todos os materiais necessários e que deverão ser adquiridos, como es- tacas, adubos, estercos etc., além das despesas com a mão de obra necessária. 9) Orçamento geral Finalmente se apresenta um orçamento geral do projeto, in- cluindo as despesas com construções de estruturas físicas, material vegetal, mão de obra e outros materiais necessários e honorários dos profissionais envolvidos. 10) Contrato O contrato poderá vir acompanhado ou não do projeto. Deve- rão estar contidas as obrigações do contratante e contratada, bem como prazo de execução e formas de pagamento. Material do Estudante 237 6. Desenvolvimento de orçamento A construção de um jardim em grandes ou pequenas áreas necessi- ta de um estudo de viabilidade técnica e econômica, e não depende somente da vontade do proprietário. Até o momento final da execu- ção do projeto, várias etapas deverão ser cumpridas, o que deman- da recursos financeiros. Fornecedores Estes devem ser os mais idôneos possível, pois é preciso que as plantas sejam entregues no prazo estipulado e estejam bonitas e viçosas (sem doenças e pragas), pois, caso ocorra alguma perda por alguns desses motivos, o paisagista terá de fazer a reposição. Custos x Cliente O custo do projeto deve estar de acordo com as condições finan- ceiras do cliente; caso contrário, o projeto se tornará inviável. Não adianta querer fazer um projeto das arábias em uma área de 100 m² se o cliente não dispuser de recursos financeiros para custear o projeto. 6.1 Plano de trabalho ou cronograma físico- -financeiro Independentemente do porte da obra, um plano de trabalho é essencial. Esse plano deve conter uma previsão de prazo para a execução e considerar todas as operações a serem executadas, or- ganizadas em uma sequência lógica e que levem em conta as pecu- liaridades locais e disponibilidade de recursos. O ponto final desse plano é a entrega da obra finalizada. O tempo requerido para a execução – a parte física é a primeira a ser estabelecida no cronograma – é calculado com base em uma equipe formada pelos profissionais necessários: jardineiros, pedreiros, car- pinteiros, auxiliares e outros. Uma dificuldade nesse ponto é o levan- tamento de índices técnicos, os quais têm sido estimados pelo exe- cutor, em sua maioria, conforme suas próprias observações práticas. Os custos das operações são, então, distribuídos e adicionados os eventuais (10%) e a administração (20% ou conforme contrato). Após essa distribuição, calcula-se a previsão de faturamento mensal. 238 Paisagismo: Técnicas e Projeto 6.2 Preparando o orçamento Para a elaboração de um orçamento de custos, o cronograma físico- -financeiro precisa ser muito bem elaborado. Alterações estruturais, serviços de irrigação e drenagem, arquitetura, vegetação, materiais de construção, mão de obra e acompanhamento de execução de- vem ter seus custos expostos com o maior nível de detalhamento possível. Não podemos esquecer que quanto mais claro e justo for o orçamento, mais rápida será a aprovação dos serviços pelo clien- te. Os custos indiretos envolvidos também terão de ser previstos já que se transformam em encargos diversos, tais como os sociais, trabalhistas, financeiros, seguros, impostos, taxas e administração. É comum os valores individualizados de plantas não serem forneci- dos (orçamento fechado), mas é normal que sejam cuidadosamen- te controlados pelo projetista e pelo executor. Existem itens de custo que são fixos e de custo variável, ambos in- fluindo de maneira decisiva no orçamento de cada projeto. Como custos fixos considerem-se os seguintes itens: • Aluguéis. • Impostos. • Despesas de escritório. • Publicidade. • Água, luz e telefone. • Manutenção de veículos, máquinas e ferramentas. • Despesas diversas. Como custos variáveis, ou diretos, encontram-se as despesas efetua- das em relação direta a cada projeto: • Mão de obra. • Materiais. • Locomoção e fretes. • Despesas diversas. 6.2.1 Honorários Muitas vezes, antes do desenvolvimento do projeto em sua totali- dade, apresenta-se ao cliente uma previsão de custos, com o valor dos honorários do projetista incluído ou à parte. Esse valor pode ser determinado por cálculo de área trabalhada, horas de serviço previstas ou porcentagem de administração sobre o valor dos ma- Material do Estudante 239 teriais e serviços empregados. O valor cobrado por unidade de área varia em função do mercado. Pode-se ainda cobrar separadamente a direção, o acompanhamento da execução da obra e a aquisição dos materiais (administração), visita técnica e quilometragem ro- dada até o local do projeto. Nesse momento é preciso ser justo, honesto e profissional, pois qualquer erro poderá ser fatal para você, paisagista, no mercado futuro. O trabalho do paisagista exige um alto grau de conhecimen- to e este deverá se sentir recompensado em termos financeiros. A seguir, sugestões para o cálculo dos honorários: • Tempo dedicado: estimativa do número de pranchas de desenho, avaliação de sua complexidade, nome no mer- cado etc. • Por valor orçado: avaliação preliminar do custo da obra e cobrança de honorário em função de percentual, como é feito em obras de engenharia civil (15 a 20% para obras pequenas, 10% para obras de porte médio e 8% para obras maiores, como parques, acima de 5.000 m²). • Por área: (m²). 7. Execução e manutenção do projeto 1. Execução do projeto A execução de um projeto paisagístico exige conhecimento e prá- tica para que surpresas indesejáveis não ocorram nessa etapa tão importante do projeto. Por esse motivo, alguns procedimentos de- vem ser seguidos à risca, tais quais: Etapa 1: dimensionamento geral de todos os itens presentes no projeto, de acordo com as proporções e a necessidade da área em questão. Etapa 2: elaboração de um cronograma detalhado de todas as ati- vidades que serão desenvolvidas até a etapa final do projeto. Afinal, temos de calcularquantos dias e quais tarefas serão desenvolvidas no período de execução e deixar o cliente ciente desse período. 240 Paisagismo: Técnicas e Projeto Etapa 3: seleção das espécies para o projeto, cuja entrega tem de constar no cronograma de execução. Todas as plantas deverão es- tar em perfeito estado de vigor e sanidade. Etapa 4: limpeza prévia da área onde será implantado o projeto. Para a limpeza deverão ser retiradas plantas invasoras e restos de obra que porventura tenham ficado na área após reforma ou cons- trução do local. Etapa 5: nesta fase, após a limpeza da área, serão feitas constru- ções, implantação de sistema de irrigação, iluminação etc., se hou- ver necessidade, após a limpeza da área. Etapa 6: preparo do terreno, que deverá ser bem revolvido (esca- rificado). O solo será revolvido para que se promova sua descom- pactação e aeração. Após esse processo, é feito o nivelamento do terreno, com incorporação de areia ou outro material. Ainda serão feitas as correções e adubações necessárias. Após esse processo, o solo poderá ser nivelado em definitivo. Etapa 7: locação das plantas. É uma fase de muita importância, pois o projeto está prestes a sair do papel e se tornar realidade. As primeiras espécies a ser plantadas deverão ser as maiores, como as árvores e palmeiras, depois os arbustos, plantas entouceiran- tes, forrações e, por fim, o gramado. Após o plantio das plantas maiores, faz-se a marcação dos canteiros para reproduzir na área as formas desenhadas no projeto. Nessa marcação, poderão ser utilizados vários tipos de materiais, como: estacas de madeira ou bambu, barbante (para interligar as estacas), mangueira, marcas feitas com cal etc. 2. Plantio das espécies Como foi dito anteriormente, após a marcação dos canteiros e co- vas, é iniciado o plantio. Algumas plantas poderão precisar ser tuto- radas, como mudas de árvores e algumas palmeiras. O plantio poderá ser feito de forma agrupada ou isolada de acordo com a concepção paisagística para o local. Em qualquer espécie de muda, no momento de plantá-la, deixa-se a base do seu caule ao nível do solo, ou seja, nunca enterrando-o demais nem deixando as raízes aparentes. Caso contrário, poderão ocorrer perdas de espé- cies após o plantio. As espécies também deverão ser bem irrigadas depois de plantadas. As covas para o plantio de árvores e palmeiras devem ser abertas e preparadas pelo menos 30 dias antes do plantio para que os nutrientes fiquem disponíveis para as plantas. Atenção No momento que ante- cede o plantio, não de- vemos esquecer de ter à mão a planta baixa, o me- morial botânico e o ma- nual técnico de implanta- ção e manutenção. Atenção Se o jardim tiver áreas com seixos, pedriscos, casca de pinus, areia etc., estes poderão ser colo- cados antes ou após o plantio da grama. Geral- mente, os seixos são co- locados antes do plantio do gramado, e a areia e a casca de pinus, após. Material do Estudante 241 As dimensões de covas para plantio dependem das mudas a serem plantadas: a) Muda de árvores de grande porte e palmeiras: variam de 0,40 m x 0,40 m x 0,40 m a 1,0 m x 1,0 m x 1,0 m. Esse momento é o ideal para aplicar o calcário e fazer a aduba- ção em cova de acordo com a análise de solo. b) Mudas de arbustos: variam de 0,40 m x 0,40 m x 0,40 m a 0,60 m x 0,60 m x 0,60 m, podendo ser utilizado ainda o espaçamento de 0,80 m x 0,80 m x 0,80 m. c) Mudas de arbustos pequenos, trepadeiras e cercas vivas: va- riam de 0,30 m x 0,30 m x 0,30 m a 0,40 x 0,40 m x 0,40 m. d) Mudas de forrações e espécies herbáceas: são, geralmente, plantadas em canteiros, e a profundidade das covas varia entre 0,15 m e 0,20 m. e) Gramados: após a escolha do tipo de grama, que será feita con- forme com as condições climáticas da região, finalidades do gra- mado e razões estéticas, vem a etapa do plantio. Nesse momen- to, mais do que nunca, a área deverá estar livre de invasoras, o solo deverá ser descompactado, estar com boa aeração e nivela- do. É importante verificar as áreas de caídas de água, pois o ter- reno deverá ser um pouco inclinado nesses pontos para facilitar o escoamento da água. O nível do terreno deverá estar sempre uns 5 cm a 7 cm abaixo dos pisos e meios-fios. Após o crescimento da grama, ela ficará no nível do calçamento. Para o gramado existem três formas de implantação: semeadura, placas ou tapetes ou plugs. Após a colocação das placas ou tape- tes, o gramado deverá ser “socado” com o auxílio de tábuas ou prensado com rolo compactador para um melhor ajuste. f) Preparação e plantio de vasos e jardineiras: o plantio em va- sos e jardineiras exige técnica e atenção de quem o executa. Para que as plantas tenham um desenvolvimento adequado e atinjam o seu clímax de beleza, o ideal é plantá-las em vasos ou jardi- neiras adequados ao seu desenvolvimento. Portanto, o formato e o tamanho dos vasos ou jardineiras também devem estar de acordo com a decoração. O tipo de material vai depender das espécies que serão plantadas. A terra a ser utilizada precisa ser de boa qualidade e livre de in- vasoras. Antes de colocar a terra nos vasos e jardineiras, porém, deverá ser colocada uma camada de brita, argila expandida, ca- cos de telhas etc. para não haver entupimento do dreno do reci- piente. Recomenda-se que essa camada de material tenha, em média, 20% da altura do vaso. Dicas B. Covas em zigue-zague. Espaçamento entre plan- tas: aproximadamente 30 cm (porte pequeno)/ 30 cm a 50 cm (porte médio)/50 cm a 80 cm (porte grande). A. Trincheira ou cova indi- vidual. Para fazer uma cerca viva de arbustos, o espaça- mento ideal gira em torno de 40 cm a 80 cm entre as mudas, dependendo do porte das plantas. Isso proporciona um bom fe- chamento, ao mesmo tempo que facilita a ma- nutenção de cada planta. 242 Paisagismo: Técnicas e Projeto 3. Manutenção A manutenção de um jardim se resume basicamente a corte do gra- mado, poda dos arbustos e árvores, adubações em geral, plantio, replantio, irrigação, eliminação de invasoras, controle de pragas e doenças etc. Mesmo parecendo uma coisa simples, é necessário que seja feita por pessoas qualificadas para o serviço. Caso contrá- rio, o jardim poderá não atingir o seu auge de beleza e desenvolvi- mento, e também o paisagismo poderá ficar descaracterizado com uma manutenção inadequada. A manutenção é uma etapa muito importante para a conservação tanto dos jardins quanto das plantas de interior, devendo ser feita por jardineiro experiente. A poda do gramado em específico vai depender do tipo de grama, época do ano, adubação e regime de regas. 4. Tipos de poda As podas têm várias funções. Podem ser usadas para fins estéticos, para estimular a floração, a produção de ramos e frutos, e ainda como medida de controle fitossanitário. • Podas de formação: tudo o que for brotação deve ser elimina- do (lateral, apical etc.). Após o primeiro ano não pode passar de 60 cm. No segundo ano, deve atingir no máximo 1,20 m. • Poda de conformação ou aparação: feita em forma de talude (com tesoura de tosa). • Poda de limpeza ou manutenção: este tipo de poda é utiliza- do para remoção de partes indesejadas da planta, como: ga- lhos velhos ou doentes, ramos e partes da planta que estejam mortos, ramos e partes infestadas por insetos, ramos partidos em consequência de ventos, ramos que raspam um no outro. 5. Controle de pragas As doenças, em sua maioria, são causadas pelo ataque de alguns ti- pos de fungos, bactérias, vírus ou nematoides. Em outros casos, um desequilíbrio nutricional pode causar o que chamamos de doenças provenientes de carências. Existem estudos segundo os quais uma planta mal nutrida tende a ser mais atacada por pragas e doenças que outras bem nutridas. 5.1 Controle natural de pragas A maioria das pragas ataca na primavera, período de fertilidade e de grande atividade na natureza. Elas causam vários estragosnas Atenção A poda de formação é fei- ta para a constituição da saia da cerca (parte de baixo). Com uma tesoura de poda, cortam-se todos os ramos que estiverem crescendo. Continua-se podando os ramos até o segundo ano, até que a planta atinja 1,20 m de altura no máximo. Após o segundo ano, não se podam mais os ramos. Agora a planta é tosada para obter o formato de- sejado. Essa tosa deve ser feita com muito cuidado para que a saia da cerca não se abra com o tempo. A tosa de prumo (delimi- tando-se planos verti- cais) contribui para abrir a saia da cerca. A saída para evitar que a região inferior das plantas se abra é fazer a tosa em ta- lude. A murta, o buxinho e a falsa murta são muito boas para cercas vivas, pois suportam bem po- das mal feitas. As mudas para cercas vivas devem ter no máximo um palmo de comprimento. Atenção A drenagem é fundamental para que haja o escoamen- to de água do recipiente. Caso contrário, as raízes podem apodrecer. Material do Estudante 243 plantas, além de favorecer o surgimento de doenças, principalmen- te fúngicas. As pragas acabam se tornando um problema mais sério quando há um desequilíbrio ecológico no sistema em que a planta está inserida. Outras situações podem favorecer o seu surgimento, como desequilíbrios térmicos, excesso ou escassez de água e inso- lação inadequada. 5.2 Principais pragas e algumas dicas naturais de controle Pulgões Os pulgões podem ser pretos, marrons, cinzas e até verdes. Alo- jam-se nas folhas mais tenras, nos brotos e caules, sugando a seiva e deixando as raízes amareladas e enrugadas. Em grande quan- tidade são capazes de debilitar demais a planta e até transmitir doenças perigosas. Podem aparecer em qualquer época do ano, mas os períodos mais propícios são a primavera, o verão e o iní- cio do outono. Precisam ser controlados logo que notados, pois se multiplicam com rapidez. Como eliminá-los: as joaninhas são predadoras naturais dos pul- gões. Um chumaço de algodão embebido em uma mistura de água e álcool em partes iguais ajuda a retirar os pulgões das folhas, e isso pode ser feito semanalmente; aplique calda de fumo para controle. Cochonilhas As cochonilhas são insetos minúsculos, em geral marrons ou ama- relos, que se alojam principalmente na parte inferior das folhas e nas fendas. Além de sugar a seiva da planta, as cochonilhas libe- ram uma substância pegajosa que facilita o ataque de fungos, em especial o fungo fuliginoso (fumagina). Dá para perceber sua pre- sença quando as folhas apresentam uma crosta com consistência de cera. Algumas cochonilhas têm uma espécie de carapaça dura, que impede a ação de inseticidas em spray. Nesse caso, é normal produtos à base de óleo darem melhores resultados, pois formam uma capa sobre a carapaça que impede a respiração do inseto. A calda de fumo costuma dar bons resultados do mesmo modo. Como eliminá-las: as joaninhas também são suas predadoras na- turais, além de certos tipos de vespas; calda de fumo e emulsão de óleo são os métodos naturais mais eficientes para combatê-las; de- ve-se evitar o controle químico, mas quando necessário, em casos extremos, são usados óleo mineral e inseticida organofosforado. 244 Paisagismo: Técnicas e Projeto Moscas-brancas São insetos pequenos e, como diz o nome, de coloração branca. Não é difícil notar a sua presença. Ao esbarrar em uma planta in- festada por moscas brancas, dá para ver uma pequena revoada de minúsculos insetos brancos. Costumam instalar-se na parte infe- rior das folhas, onde liberam um líquido pegajoso que deixa a fo- lhagem viscosa e favorece o ataque de fungos. Alimentam-se da seiva da planta. As larvas desse inseto, praticamente imperceptí- veis, também se alojam na parte inferior das folhas e, em pouco tempo, causam grande infestação. Como eliminá-las: de difícil eliminação, muitas vezes é preciso aplicar inseticidas específicos para plantas. Quando o ataque é pequeno, o uso de plantas repelentes como tagetes ou cravo-de- -defunto (Tagetes sp), hortelã (Mentha sp.), calêndula (Calendula officinalis), arruda (Ruta graveolens) dá bons resultados na maioria das ocasiões. Lesmas e caracóis Atacam mais à noite, quando furam e devoram folhas, caules e bo- tões florais, mas podem atingir as raízes subterrâneas. Como eliminá-las: besouros e passarinhos são seus predadores naturais. Uma boa forma de eliminá-los é atraí-los para armadi- lhas, feitas com isca de cerveja. Faça assim: tire a tampa de uma lata de azeite e enterre-a, deixan- do a abertura no nível do solo. Coloque dentro um pouco de cerve- ja misturada com sal. As lesmas e os caracóis caem na lata atraídos pela cerveja e morrem desidratados pelo sal. Lagartas Atacam mais as plantas de jardim, mas, em alguns casos, também podem danificar as plantas de interior. Fáceis de ser reconhecidas, as lagartas costumam enrolar-se nas folhas jovens e literalmente comem brotos, hastes e folhas novas, formando uma espécie de teia para proteger-se. Todas as plantas que apresentam folhas ma- cias estão sujeitas ao seu ataque. As chamadas taturanas são la- gartas com pelos, e algumas espécies podem queimar a pele de quem as toca. Caso não haja ataque maciço, o controle das lagar- tas deve ser manual, ou seja, elas devem ser retiradas e destruídas uma a uma, lembrando a importância de usar uma proteção para que a lagarta não toque na pele. A calda de angico ajuda a afastar as lagartas e não prejudica a planta. O uso de plantas repelentes, como a arruda, pode ajudar a mantê-las afastadas. Como eliminá-las: aves e pequenas vespas são suas inimigas natu- rais. É preciso lembrar que sem as lagartas não existem borboletas. Ao eliminá-las, priva-se da beleza e da graça desses belos seres ala- dos. De novo, o equilíbrio é a chave. Material do Estudante 245 Ácaros O tipo de ácaro mais comum, conhecido como ácaro-vermelho, tem a aparência de uma aranha de cor avermelhada. Ataca flores, folhas e brotos, deixando marcas semelhantes à ferrugem. O ata- que de ácaros diminui o ritmo de crescimento, favorece a má for- mação de brotos e, em caso de grande infestação, pode matar a planta. Ambientes quentes e secos favorecem o desenvolvimento dessa praga. Apesar de quase invisíveis a olho nu, sua presença é denunciada pelo aparecimento de uma teia fina. Ataca mais as plantas em vaso do que as que estão em canteiros. Como eliminá-los: uma boa dica é borrifar a planta com água re- gularmente, já que esse inseto não gosta de umidade. Casos mais severos exigem que as partes bem atacadas sejam retiradas. A cal- da de fumo ajuda a controlar o ataque. Percevejos São mais conhecidos como maria-fedida, pois exalam um odor desagradável quando se sentem ameaçados. Seu ataque costuma provocar a queda de flores, folhas e frutos, prejudicando novas brotações. Como eliminá-los: vespas são suas predadoras naturais. Os perce- vejos devem ser removidos manualmente, um a um; se o controle manual não surtir efeito, a calda de fumo pode funcionar como re- pelente natural. Tatuzinhos Os tatuzinhos, muito comuns nos jardins com umidade excessiva, são também conhecidos como tatus-bolinha, pois se enrolam como uma bolinha quando tocados. Vivem escondidos; alimentam-se de folhas, caules e brotos tenros; e transmitem doenças às plantas. Como eliminá-los: evitar a umidade excessiva em vasos e cantei- ros. Devem ser retirados manualmente e eliminados um a um. Formigas As formigas cortadeiras (Atta spp. e Acromyrmex spp.) são as que mais causam estragos. Elas cortam as folhas para levá-las ao for- migueiro, onde servem de nutrição para os fungos, os verdadeiros alimentos das formigas. Como eliminá-las: um bom método natural para espantar as for- migas é espalhar sementes de gergelim em torno dos canteiros. O gergelim colocado sobre o formigueiro intoxica o tal fungo e ajuda a eliminar o ninho das formigas. Em ataques maciços, recomenda- -se o uso de iscas formicidas, à venda em casas especializadas em produtos parajardinagem. As formigas carregam a isca fatal para o formigueiro. 5.3 Inseticidas caseiros • Solução de água e fumo: colocar 100 g de fumo de corda pi- cado de molho por 24 h em 1 litro de álcool. Depois, guardar em um recipiente. Para pulverizar os focos de pragas, diluir de 3 a 5 colheres de sopa da solução em 1 litro de água. • Solução de água e sabão: misturar em 5 litros de água uma colher de sopa de sabão de coco raspado. Agitar bem até dis- solver todo o sabão e pulverizar as plantas com a solução. ANEXOS 248 Paisagismo: Técnicas e Projeto PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE PROJETO – MODELO 1 Rio de Janeiro, xx de xxx de 201X Ref. 0001-15 Ao _________________ A/c Sr(a). _________________ Rua _________________________________/RJ. Caro(a) Sr(a). ___________________________, Conforme entendimentos verbais mantidos anteriormente, venho apresentar-lhe proposta para a ela- boração de um projeto paisagístico para a residência localizada no endereço acima descrito, com refe- rência ao que se segue: 1. OBJETO DA PROPOSTA Esta proposta tem por fim, a elaboração de projeto de tratamento paisagístico, de maneira integrada, respeitando os conceitos lançados originalmente no projeto de arquitetura. 2. DETALHAMENTO DO OBJETO 2.1 Levantamento das áreas a serem tratadas. 2.2 Anteprojeto com base no levantamento. Plano geral que introduz o conceito do projeto: as “massas“ das vegetações arbóreas, arbustivas e herbáceas e os detalhes esquemáticos As modificações que se fizerem necessárias serão efetuadas de comum acordo com V.Sa. 2.3 Projeto final segundo o anteprojeto aprovado, o qual se constitui de: a) Plano geral com indicações de detalhes, muretas e outros itens que se façam necessários, relaciona- dos ao projeto. b) Planta com os detalhes esquemáticos (cortes, perfis, elevações etc.) c) Plano geral com especificação da vegetação a ser utilizada, com a devida localização. 3. PRAZOS DE ENTREGA 3.1 Anteprojeto, 20 dias a partir da aprovação da presente proposta. 3.2 Projeto final, 30 dias a partir da aprovação do anteprojeto. 4. HONORÁRIOS R$ y.000,00 (xxxxx mil reais) a serem pagos do seguinte modo: R$ x.000,00 (xxxx reais) de sinal no aceite da proposta. R$ x.000,00 (xxxx reais) na entrega do Anteprojeto. R$ x.0 00,00 (xxxx reais) na entrega do Projeto final. 5. CONDIÇÕES GERAIS a) O projeto será entregue em duas cópias de cada planta. b) Da presente proposta estão excluídos todos e quaisquer cálculos ou projeto complementares, quer sejam de concreto, quer sejam de iluminação, ou irrigação, bem como obras de arte, esculturas e maquetes. c) As modificações solicitadas após a entrega do Projeto final serão objeto de uma nova proposta. Com validade de 30 (trinta) dias, a presente proposta é apresentada em duas vias e, se aprovada, deverá ser devolvida a segunda via assinada. Atenciosamente, De acordo ________________________________ em / / . MMMMM Material do Estudante 249 Rio de Janeiro, xx de xxx de 201X N/Ref.xxxxx Rua _________________/RJ. Prezado (a) _________________, De acordo com o projeto paisagístico, formulamos proposta para tratar das condições que regerão a prestação de nossos serviços profissionais para a execução dos jardins. 1. OBJETIVO DOS SERVIÇOS 1.1 Fornecimento de plantas conforme projeto, exceto as espécies números 24 e 26 (palmeiras Laca e Fênix, respectivamente), que serão fornecidas pelo Horto das Palmeiras/Coqueiral Guaratiba. 1.2 Fornecimento de terra adubada necessária para o plantio, 10 sacos (25 kg aprox.) com húmus de minhoca e 20 sacos (25 kg aprox.) de esterco bovino curtido. 1.3 Fornecimento de brita zero e placas de granito. 1.4 Preparação do terreno. 1.5 Poda leve na árvore existente próximo ao vizinho. 1.6 Plantio das espécies vegetais. 1.7 Fornecimento de mão de obra especializada. 1.8 Supervisão durante a obra. 2. PRAZO E INÍCIO DOS SERVIÇOS Os serviços acima descritos serão executados em um prazo máximo de 10 (dez) dias, sem contar os dias chuvosos, com início a ser combinado entre as partes, uma vez satisfeitas as condições de pagamento. 3. CUSTOS 3.1 Plantas Horto do ........: R$ 1.950,00 (um mil, novecentos e cinquenta reais). 3.2 Plantas restantes: R$ 4.320,00 (quatro mil, trezentos e vinte reais). 3.3 Materiais/terra, húmus, esterco, brita, placas de granito: R$ 430,00 (quatrocentos e trinta reais). 3.4 Mão de obra/administração: R$ 3.700,00 (três mil e setecentos reais). Os serviços acima descritos importam um total de R$ 10.400,00 (dez mil e quatrocentos reais), e as condições de pagamento são: Horto do ............. – R$ 1.950,00 em 3 (três) parcelas iguais. A segunda e a terceira com vencimento para 30 e 60 dias, respectivamente. O restante, R$ 8.450,00 (oito mil, quatrocentos e cinquenta reais), será parcelado do seguinte modo: R$ 1.450,00 (um mil, quatrocentos e cinquenta reais) na aprovação da presente proposta. R$ 3.000,00 (três mil reais), ao término dos serviços. R$ 4.000,00 (quatro mil reais), 30 dias após o término dos serviços. 4. OBRIGAÇÕES DA CONTRATANTE 4.1 Sistema de irrigação com água desde o início do plantio (torneiras e mangueira). 4.2 Manutenção do jardim. 4.3 Local para guardar ferramentas e equipamentos. 4.4 Local para armazenar plantas durante a execução do serviço. 4.5 Vestiário com sanitário para ser utilizado pelos jardineiros. 5. DISPOSIÇÕES GERAIS 5.1 As plantas que não vingarem em um prazo de 30 (trinta) dias serão substituídas. 5.2 Problemas com a vegetação causados por falta de manutenção e/ou predadores serão objeto de um novo orçamento. 5.3 Durante o prazo de garantia, serão feitas supervisões técnicas. A presente proposta é apresentada em duas vias e, se aprovada, deverá ser devolvida a segunda via assinada. Sem mais, e ao dispor para qualquer esclarecimento. Atenciosamente, De acordo ________________________________ em / / . MMMMM PROPOSTA DE EXECUÇÃO DE JARDIM – MODELO 2 REFERÊNCIAS 252 Paisagismo: Técnicas e Projeto Este material foi adaptado da apostila Curso Básico em Paisagismo, Senac Rio, autores Sheila Cavalcante e Luiz Cancio. BARBOSA, A.C.S. Paisagismo, jardinagem, plantas ornamentais. 4. ed. São Paulo: Editora Iglu, 1989. CADENA, FR. P. de la. História de los estilos em jardineria. Madrid: Ed. Istmo, 1982. DE POLLI, Helvécio Manual de adubação para o Rio de Janeiro. (Co- ord.: Dejair Lopes de Almeida et al.) Itaguaí: Ed. Universidade Rural, 1999. FILHO, J.A.L.; PAIVA, H.N.; GONÇALVES, W. Paisagismo: princípios básicos. Viçosa: Aprenda fácil, 2001. FERRI, M.G. Botânica – Morfologia externa das plantas (organogra- fia). São Paulo: Ed. Nobel, 1983. GATTO, A.; PAIVA, H.N.; GONÇALVES, W. Implantação de jardins em áreas verdes. Viçosa: Aprenda fácil, 2002. _______. Paisagismo: elementos de composição e estética. Viçosa: Aprenda Fácil, 2002. _______. Paisagismo: Elaboração de projetos de jardins. Viçosa: Aprenda Fácil, 2003. KIEFFER, L.B. A realização de um jardim. São Paulo: Melhoramentos, 1991. JELLICOE, G. y S. El paisaje del hombre. Barcelona: Ed. Gustavo Gili, 1995. LORENZI, H.; SOUZA, H.M. Plantas ornamentais do Brasil: arbusti- vas, herbáceas e trepadeiras. São Paulo: Plantarum, 1995. MOTTA, Fl.L. Roberto Burle Marx e a nova visão da paisagem. São Paulo: Ed. Nobel, 1984. PAIVA, P.D.O. Implantação e manutenção de jardins. Lavras: Ufla / Faep, 2001. _______. Paisagismo II: macro e micropaisagismo. Lavras: Ufla / Faep, 2001. _______. Plantas ornamentais: classificação e uso em paisagismo. Lavras: Faep, 2001. _______. Projeto paisagístico. Lavras: Ufla / Faep, 2001. REVISTA NATUREZA. 1001 Plantas – Enciclopédia em CD-ROM. São Paulo: Europa, 1995. Material do Estudante 253 RIBEIRO, L.W. Jardim e jardinagem. Brasília: Emater/Embrapa, 1994. SANTOS, M.C. Manual de jardinagem. Rio de janeiro: Livraria Freitas Bastos S. A., 1968. TABACOW, J. Roberto Burle Marx – Arte e paisagem.2. Ed. São Paulo: Studio Nobel, 2004. ______. O mundo dos jardins – O jardim do Brasil. São Paulo: Ed. Salamandra, 2004. ZUIN, A.H.L. Estudos para projetos em paisagismo. 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