Prévia do material em texto
1 Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências da Saúde Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas Bioquímica Clínica I URINÁLISE Prof. Dr. Rafael Noal Moresco 2022 RINS • Órgãos pares localizados no espaço retroperitoneal. • Cada rim apresenta cerca de 1 a 1,5 milhão de néfrons, que estão localizados principalmente no córtex renal. • Principais funções: - Excretora - Reguladora - Endócrina NÉFRON EQU (Exame Qualitativo de Urina) • Também conhecido por: - EAS (Elementos Anormais e Sedimento) - ECU (Exame Comum de Urina) - PEAS (Pesquisa dos Elementos Anormais e Sedimento) - Urina de Rotina - Sumário de Urina - Urina do Tipo 1 • ABNT NBR 15268:2005 - Requisitos e recomendações para exame de urina • Recomendações da SBPC/ML: Realização de Exames em urina EQU (Exame Qualitativo de Urina) http://www.bibliotecasbpc.org.br/?P=4&ID=&C=0.2 EQU (Exame Qualitativo de Urina) • Exame laboratorial realizado para: - auxiliar no diagnóstico de doenças; - realizar a triagem de uma população para constatar a presença de doenças assintomáticas, congênitas, hereditárias e de origem renal; - monitorar o curso de uma doença; - monitorar a eficácia ou complicações resultantes de terapias. 2 EQU (Exame Qualitativo de Urina) • Permite a detecção de doenças em qualquer parte do trato urinário. • Auxilia na investigação de doenças metabólicas ou sistêmicas não relacionadas diretamente ao rim. • Inclui a verificação da cor e do aspecto da amostra, determinação do pH e densidade, pesquisa de proteínas, glicose, corpos cetônicos, urobilinogênio, bilirrubina, sangue, nitrito e estearase leucocitária. • Também é realizada a sedimentoscopia. EQU (Exame Qualitativo de Urina) • Os genitais devem ser limpos com água e sabão antes da coleta. • Recomenda-se a primeira urina da manhã (mais concentrada). • Deve-se desprezar o primeiro jato e recolher o jato médio. • O recipiente utilizado para colheita deve ser descartável. • A análise da urina deve ser realizada em até 4 horas após a coleta. • Caso haja impossibilidade de realizar a análise dentro deste prazo, a amostra deve ser refrigerada à temperatura de 2°C a 8°C. • Período menstrual: recomenda-se a coleta após 5 dias do término do sangramento menstrual. Colheita da amostra de urina: informações gerais EQU (Exame Qualitativo de Urina) Recomendações da SBPC/ML: Coleta e Preparo da Amostra Biológica Orientações para pacientes do sexo masculino EQU (Exame Qualitativo de Urina) Recomendações da SBPC/ML: Coleta e Preparo da Amostra Biológica Orientações para pacientes do sexo feminino EQU (Exame Qualitativo de Urina) Recomendações da SBPC/ML: Coleta e Preparo da Amostra Biológica Orientações para pacientes do sexo feminino EQU (Exame Qualitativo de Urina) Alguns exemplos ilustrativos para a coleta 3 EQU (Exame Qualitativo de Urina) • Amostra aleatória: pode ser colhida a qualquer hora, dependendo da necessidade do exame e da decisão médica. Também, por decisão médica, pode ser necessária a retenção urinária por um período de tempo antes da coleta para a obtenção de uma amostra específica para análise. • Primeira amostra da manhã: amostra coletada pelo paciente após levantar do leito, desde que respeitado um prazo mínimo de 2 horas de retenção urinária. • Amostra com hora marcada: amostra colhida em um horário específico, conforme solicitação médica. • Amostra de cateter: amostra colhida através de sonda vesical. • Amostra suprapúbica: amostra coletada mediante aspiração da bexiga distendida, através da parede abdominal. Tipos de amostras de urina EQU (Exame Qualitativo de Urina) Tiras reagentes • Sistema analítico simplificado capaz de fornecer rapidamente uma série de parâmetros. • Tira plástica contendo substâncias químicas que revelam o grau de positividade de acordo com a modificação da cor. • Tira múltipla (vários parâmetros) e tira simples (único parâmetro). Exame físico-químico da urina • Vários fatores e constituintes podem alterar a cor da urina, incluindo substâncias ingeridas, atividade física, bem como diversos compostos presentes em estados patológicos. • Indivíduos saudáveis: urina de cor amarelo-citrino a amarelo âmbar fraco. COR Exame físico-químico da urina COR COR VERMELHA: Comum em situações em que ocorre: hematúria, hemoglobinúria, mioglobinúria, icterícias hemolíticas, porfiria e no emprego de fenolftaleína. ATENÇÃO: contaminação menstrual. COR CASTANHA: Frequente no quadro inicial de icterícia, estados febris. COR LARANJA-ESCURO: Característica da eliminação de bilirrubina ou do tratamento realizado com Pyridium. Exame físico-químico da urina COR COR MARRON-ESCURO: Ocorre no carcinoma de bexiga, glomerulonefrire aguda, meta-hemoglobinúria, melanoma maligno, uso de metildopa ou levodopa. COR ESBRANQUIÇADA OU BRANCO LEITOSO: Presente principalmente na lipidúria maciça e nas enfermidades purulentas do trato urinário. COR AZUL-ESVERDEADA: Utilização do azul de Evans ou azul de metileno. Exame físico-químico da urina COR Recomendações da SBPC/ML: Realização de Exames em Urina 4 Exame físico-químico da urina COR Exame físico-químico da urina COR Exame físico-químico da urina ASPECTO • A urina normal geralmente é límpida e transparente. • URINAS ALCALINAS: geralmente apresentam opacidade devido à precipitação de fosfatos amorfos e carbonato. Ácido Acético turvação desaparace • URINAS ÁCIDAS: podem apresentar opacidade na presença de uratos amorfos, cristais de oxalato de cálcio ou de ácido úrico. Aquecimento turvação desaparace Límpida Turva Exame físico-químico da urina ASPECTO A turvação também pode ocorrer pela presença de: • Leucócitos • Hemáceas • Células epiteliais • Bactérias • Leveduras • Lipídeos • Coágulos • Pedaços de tecidos • Contaminação por material fecal Exame físico-químico da urina VOLUME • NORMAL: 1500 mL/24 horas (750 - 2000 mL/24 horas) • POLIÚRIA: aumento da excreção de urina • OLIGÚRIA: redução da excreção de urina • ANÚRIA: interrupção completa do fluxo urinário • DISÚRIA: micção acompanhada de dor Exame físico-químico da urina DENSIDADE • Parâmetro de avaliação da função tubular renal. • Densidade do filtrado plasmático: 1,010 - Urina isoestenúrica: densidade = 1,010 - Urina hipoestenúrica: densidade 1,010 - Urina hiperestenúrica: densidade 1,010 • NORMAL: 1015 a 1025 (24 horas) 1002 a 1030 (urina ao acaso) • DENSIDADE DIMINUÍDA: deficiência do HAD, diabete insípido, hiperhidratação, nefropatias,... • DENSIDADE AUMENTADA: hipersecreção do hormônio antidiurético (ADH), desidratação, síndrome nefrótica,... 5 Exame físico-químico da urina DENSIDADE • URODENSÍMETRO: dispositivo flutuador com escala graduada que fornece a densidade diretamente. • REFRATÔMETRO: mede o índice de refração de acordo com o número de partículas dissolvidas na urina. Calibração com água destilada (1,000) ou NaCl 5% (1,022). • TIRA REAGENTE: avalia a concentração de íons na urina. Baseia-se na modificação da constante de dissociação de certos poliácidos (polimetil vinil/anidro maléico) que reagem com os íons positivos da urina, ocorrendo a liberação de H+ que reage com o azul de bromotimol presente na tira. Exame físico-químico da urina DENSIDADE Exame físico-químico da urina pH • pH NORMAL: 5,0 a 6,0 • Variação possível: entre 4,5 e 8,0 • Tiras reagentes: apresentam os indicadores vermelho de metila (4,4 a 6,2) e azul de bromotimol (6,0 a 7,6) que servem para determinar o pH da amostra de urina. • pH urinário diminuído: acidose metabólica ou respiratória, cetoacidose diabética, intoxicação por salicilato, ... • pH urinário elevado: infecções urinárias provocadas por bactérias que desdobram a uréia em amônia (Proteus mirabilis). A amostra de urina mantida em repouso à temperatura ambiente pode apresentar elevação do pH. Exame físico-químico da urina PROTEÍNAS • Em condições normais, a membranaglomerular impede a passagem da maior parte das proteínas do sangue para a urina. • A urina normal pode apresentar uma quantidade muito pequena de proteína (inferior a 10 mg/dL ou 150 mg/24 horas). • Lesões renais alteração da permeabilidade da membrana glomerular PROTEINÚRIA • ALBUMINA principal proteína encontrada na urina. Exame físico-químico da urina PROTEÍNAS • Proteína de Bence Jones: são proteínas de cadeias leves que podem ser excretadas em até 50% dos pacientes com mieloma múltiplo. NÃO é detectada na tira reagente. • Proteína de Tamm-Horsfall: produzida nos túbulos renais. Pode não ser detectada nas tiras reagentes. Principais causas patológicas de proteinúria: • Doenças glomerulares • Nefropatia diabética • Mieloma múltiplo • Pré-eclâmpsia Exame físico-químico da urina PROTEÍNAS • TIRAS REAGENTES: a presença de proteínas na urina é detectada pela modificação da cor de uma área na fita reativa impregnada com azul de tetrabromofenol tamponado. • Resultado semiquantitativo expresso em cruzes: - Negativo, traços ou positivo (1+, 2+, 3+, 4+) • FALSO POSITIVO: urinas muito alcalinas (pH > 9,0), detergentes. • FALSO NEGATIVO: proteinúria de Bence Jones. 6 Exame físico-químico da urina PROTEÍNAS • DOSAGEM QUÍMICA: precipitação de proteínas - Ácido Sulfosalicílico 3% - Ácido Tricloroacético 20% (aquecimento prévio da urina) PROTEINÚRIA DE BENCE JONES • A proteína de Bence Jones coagula em temperaturas entre 40-60°C e dissolve-se quando a temperatura atinge 100°C. • Indícios da presença de proteína de Bence Jones: amostra de urina opaca entre 40-60°C e transparente à 100°C. Exame físico-químico da urina PROTEÍNAS Sem turvação NEGATIVO <6 mg/dL Turvação leve TRAÇOS 6-30 mg/dL Turvação nítida Sem granulação 1+ 30-100 mg/dL Turvação e granulação Sem floculação 2+ 100-200 mg/dL Turvação, granulação e floculação 3+ 200-400 mg/dL Grumos 4+ >400 mg/dL Exame físico-químico da urina GLICOSE • A glicose normalmente é reabsorvida nas células tubulares proximais por mecanismos de transporte ativo. • Quando o limiar renal é excedido é possível encontrar glicose na urina. • LIMIAR RENAL: 160 a 180 mg/dL • É possível observar a presença de glicosúria nas situações onde os níveis glicêmicos são normais (distúrbios tubulares). • DIABETE MELITO: glicosúria mais comum e importante. Exame físico-químico da urina GLICOSE TESTE QUÍMICO: Método de Benedict • Baseia-se na redução do sulfato de cobre realizada por substâncias potencialmente redutoras. • NÃO é específica para a glicose. • Positivo para açúcares redutores (frutose, lactose, pentoses,...) • Alta sensibilidade e baixa especificidade. TIRA REAGENTE: Glicose oxidase • Metodologia enzimática específica para a glicose. • Utilizada na grande maioria dos laboratórios. Exame físico-químico da urina GLICOSE TIRA REAGENTE • Interferentes: contaminação da vidraria por hipoclorito de sódio; elevadas concentrações de ácido ascórbico, AAS, metildopa, certos antibióticos beta-lactâmicos em grandes doses (especialmente as cefalospoprinas); presença de uratos. • Resultado expresso em cruzes: 1+ (100 mg/dL) 2+ (300 mg/dL) 3+ (500 mg/dL) 4+ (1000 mg/dL) Exame físico-químico da urina CORPOS CETÔNICOS • Geralmente formados a partir da lipólise. • Incluem o ácido -hidroxibutírico, o ácido acetoacético e a acetona. • Distúrbios no metabolismo dos carboidratos e dos lipídeos provocam o aumento dos níveis sangüíneos de corpos cetônicos (cetonemia) e a eliminação urinária destes compostos (cetonúria). 7 Exame físico-químico da urina CORPOS CETÔNICOS CETONÚRIA • Freqüentemente associada a cetoacidose diabética. • Pode ser observada também: jejum muito prolongado, situações de vômito e diarréia. • DIABETE: única doença onde a cetonúria adquire uma verdadeira importância diagnóstica. TIRA REAGENTE • Baseia-se na reação do ácido acetoacético e da acetona com o nitroferrocianeto/glicina em meio alcalino. • O ácido -hidroxibutírico não reage neste ensaio. • Resultados falso-positivos: concentrações elevadas do ácido fenilpirúvico (fenilcetonúria), metabólitos da L-dopa, fenolftaleína. Exame físico-químico da urina CORPOS CETÔNICOS • Resultado expresso em cruzes: traços 1+ 2+ 3+ TESTE QUÍMICO • Emprego do cloreto férrico (Teste de Gerhardt) foi abandonado devido à baixa sensibilidade e especificidade. • Teste de Rothera: baseia-se na reação do ácido acetoacético e da acetona com o nitroprussiato de sódio. Formação de um complexo de cor violeta. Exame físico-químico da urina BILIRRUBINA Exame físico-químico da urina BILIRRUBINA • Formada principalmente a partir da degradação da hemoglobina. • Transportada no plasma ligada à albumina. • É incorporada pelas células hepáticas e conjugada a fim de produzir mono e diglicuronídeos (são mais solúveis em água do que a bilirrubina não-conjugada). • A bilirrubina conjugada normalmente não é encontrada na urina porque passa diretamente do fígado para o ducto biliar e daí para o intestino. Exame físico-químico da urina BILIRRUBINA • A bilirrubina conjugada aparece na urina nas situações de: - obstrução do ducto biliar - situações em que a integridade do fígado está comprometida (hepatite, cirrose). • A icterícia originada pela grande destruição das hemáceas não produz bilirrubinúria porque a bilirrubina sérica normalmente está presente na forma não-conjugada (não excretada pelos rins). Exame físico-químico da urina BILIRRUBINA TIRA REAGENTE • Contém um sal de diazônio que reage com a bilirrubina originando um complexo corado. • Falso-negativo: na presença de elevados teores de ácido ascórbico ou por oxidação da bilirrubina à biliverdina por exposição à luz. • Falso-positivo: pacientes que recebem altas doses de clorpromazina. Tratamento com pirídio. Presença de outros pigmentos urinários. Teste de Fouchet • O cloreto férrico, na presença do ácido tricloroacético, provoca a oxidação da bilirrubina (amarela) ou biliverdina (verde). 8 Exame físico-químico da urina UROBILINOGÊNIO • Formado no intestino a partir da redução da bilirrubina desencadeada pelas bactérias da flora intestinal. • 20% é reabsorvido no intestino, sendo que destes cerca de 3% é excretado através dos rins. • NORMAL: <1mg/dL na urina • ELEVADO: - Hepatopatias - Distúrbios hemolíticos Exame físico-químico da urina UROBILINOGÊNIO TESTES PARA DETECÇÃO • Testes para a detecção de sua presença incluem um método químico padrão e fitas reagentes (ambos baseados na reação de Ehrlich). • Reação de Ehrlich: emprega o p-dimetilaminobenzaldeído que reage com o urobilinogênio e porfobilinogênio para formar um composto corado (vermelho). Exame físico-químico da urina SANGUE • O sangue pode estar presente na urina na forma de hemáceas íntegras (hematúria) ou de hemoglobina (hemoglobinúria). • Exame microscópico distingue hematúria de hemoglobinúria. • Achado de grande importância clínica. HEMATÚRIA • Infecções do trato urinário • Cálculos renais • Tumores • Exposição a produtos ou drogas tóxicas • Exercício físico intenso Exame físico-químico da urina SANGUE HEMOGLOBINÚRIA • Reações transfusionais • Anemia hemolítica • Infecções • Síndrome urêmica hemolítica: anemia hemolítica com a formação de microtrombos localizados primariamente nos rins, evoluindo para um quadro de IRA. • Hemoglobinúria paroxística noturna: doença hematopoética adquirida caracterizada por anemia hemolítica crônica e episódios trombóticos. É uma desordem clonal, causada por mutação somática do gene PIG-A ligado ao cromossomo X. • Malária • Exercício físico intenso Exame físico-químico da urina SANGUE MIOGLOBINÚRIA • Proteína muscular que reage positivamente com a tira reagente e produz coloração vermelha na urina. • Traumatismo muscular, convulsões, doenças musculares atróficas, entre outros. TIRA REAGENTE • Detecção através da reação de um peróxido orgânico com o cromógeno tetrametilbenzidina.• Falso positivo: contaminação menstrual, bacteriúria intensa (peroxidases bacterianas). • Falso negativo: níveis elevados de ácido ascórbico. Exame físico-químico da urina LEUCÓCITOS (ESTEARASE) • Os leucócitos (neutrófilos) apresentam a enzima estearase que causa a hidrólise do reativo impregnado na tira reagente. • O nível de estearase na urina está associado ao número de neutrófilos presente na amostra. • Teste deve ser confirmado pela análise microscópica do sedimento urinário. • Teste detecta cerca de 85-95% dos pacientes com números anormais de leucócitos no sedimento urinário. 9 Exame físico-químico da urina LEUCÓCITOS (ESTEARASE) TIRA REAGENTE • Ocorre a hidrólise de um éster do ácido carbônico com indoxil. O indoxil reage com um sal diazônio e ocorre a formação de uma cor púrpura (a intensidade é proporcional ao número de leucócitos na amostra). • Falso-positivo: presença de agentes oxidantes, contaminação da amostra com secreção vaginal, Trichomonas sp. • Falso-negativo: grandes quantidades de ácido ascórbico. Exame físico-químico da urina NITRITO • Método rápido para detectar ITU. • Avalia eficácia do tratamento com antibióticos. • Muitas bactérias possuem uma enzima (redutase) que tem a capacidade de reduzir os nitratos urinários a nitrito. • Escherichia coli, Enterobacter, Klebsiella reduzem o nitrato a nitrito. • Resultados negativos não afastam a presença de bacteriúria. • Nitrito versus Cultura de urina: sensibilidade de 50%. Exame físico-químico da urina NITRITO TIRA REAGENTE • O nitrito reage com o ácido p-arsanílico ou com a sulfanilamida ocorrendo a formação de uma cor rósea. • Falso-positivo: alguns fármacos (fenazopiridina). • Falso-negativo: bactérias Gram +, concentrações elevadas de ácido ascórbico e urobilinogênio. EXAME FÍSICO-QUÍMICO DA URINA • Cor • Aspecto • Densidade • pH • Glicose • Proteínas • Nitrito • Cetonas • Urobilinogênio • Bilirrubina • Sangue • Leucócitos (Estearase) EXAME FÍSICO-QUÍMICO DA URINA MICROSCOPIA DO SEDIMENTO URINÁRIO • A contagem dos elementos figurados na urina foi introduzida por Addis em 1926. • Sujeita a diversas variações metodológicas. • Normalmente é realizada com o uso de montagens úmidas, entre lâmina e lamínula, em campo claro. • O uso de coloração pode ser extremamente útil na identificação de células e cilindros. • Corantes comuns supravitais utilizados incluem: - Sternheimer Malbin (Violeta cristal e Safranina O) - Azul tolueno a 0,5% - Eosina-Azul de metileno Exame microscópico da urina 10 MICROSCOPIA DO SEDIMENTO URINÁRIO • Padronização do exame microscópico: ABNT NBR 15268 • Volume de urina: 10 mL em tubo cônico - Para volumes inferiores (pediatria, neonatos, anúricos) é necessário recalcular a concentração dos elementos figurados e fazer este relato. • Centrifugação: 5 minutos com força de centrifugação relativa de aproximadamente 400 FCR (1500 a 2000 rpm) • Desprezar o sobrenadante deixando 0,20 mL do sedimento • Ressuspender o sedimento Exame microscópico da urina 400 X Hemáceas e leucócitos 100 X Células epiteliais e cilindros MICROSCOPIA DO SEDIMENTO URINÁRIO • Transferir 20 L (0,020 mL) do sedimento para uma lâmina de microscopia • Cobrir com uma lamínula-padrão (22 x 22 mm) • Observar no MÍNIMO 10 campos microscópicos, calcular a média e expressar os resultados de acordo com os procedimentos implantados (número de elementos por campo ou por mililitro) Exame microscópico da urina EXPRESSÃO DOS RESULTADOS • Devem ser observados e identificados (cilindros) com aumento de 100 X, sendo expressos em: - RARAS: até 3 por campo - ALGUMAS: de 4 a 10 por campo - NUMEROSAS: acima de 10 por campo Exame microscópico da urina CÉLULAS EPITELIAIS E CILINDROS • Devem ser observados no mínimo 10 campos microscópicos com aumento de 400 X e expressos em número de elementos por campo ou por mililitro. LEUCÓCITOS E HEMÁCEAS AUTOMAÇÃO EM URINÁLISE Miditron® M (Roche Diagnóstica) • Leitor de tiras • Fotômetro de reflectância • Análise físico-química da urina • 300 tiras teste/hora UF-100 ® (Roche Diagnóstica) • 5 parâmetros quantificados: hemáceas, leucócitos, células epiteliais, cilindros e bactérias. • Investiga a morfologia eritrocitária. • Alertas: leveduras, cilindros patológicos, cristais, células epiteliais redondas, espermatozóides. • 100 amostras/hora • Volume de amostra aspirado: 800 L • Princípios de medição: citometria de fluxo, fluorescência, impedância http://www.rochediagnostica.com.br/lab_system/web/p_v_uroanalise.asp AUTOMAÇÃO EM URINÁLISE ADVIA® Urinalysis WorkCell (Siemens Healthcare) AUTOMAÇÃO EM URINÁLISE 11 AUTOMAÇÃO EM URINÁLISE Cobas 6500® Urine Analyzer (Roche Diagnostics) – Fully Automated Urine System HEMÁCEAS • NORMAL: 0 a 2 por campo (400x) • Aumento do número de hemáceas geralmente associado à: - Cálculos renais - Lesão glomerular - Infecções agudas - Neoplasias - Lesão vascular do trato urinário - Contaminação menstrual - Atividade física intensa • Hemáceas dismórficas: indício de hemorragia glomerular • ATENÇÃO: podem ser confundidas com leveduras! HEMÁCEAS Leveduras HEMÁCEAS DISMÓRFICAS Wandel E, Köhler H. Nephrol Dial Transplant 1998;13:206-207. LEUCÓCITOS • NORMAL: 0 a 5 por campo (400x) • Podem provir de qualquer parte do trato urinário. • Apresentam grânulos citoplasmáticos: refringência. • Aumento de leucócitos geralmente associado às infecções das vias urinárias, glomerulonefrite, lúpus eritematoso, tumores. • Geralmente a piúria de origem renal está associada à proteinúria. • Cerca de 25-30% dos pacientes apresentam um número normal de leucócitos na urina e resultados positivos na urocultura. LEUCÓCITOS Leucócitos, hemáceas e células epiteliais tubulares 12 CÉLULAS EPITELIAIS • São encontradas em urinas normais em número variável, principalmente em urinas de mulher, ocorrendo em maior intensidade durante a gestação. • São originadas da descamação do sistema genito-urinário. • Na análise do sedimento normalmente não é relatada a diferenciação das células quanto aos diferentes tipos (pavimentosas, transicionais e tubulares). CÉLULAS EPITELIAIS • Células pavimentosas (vagina e uretra): são grandes e mais freqüentes na mulher. • Células transicionais (pelve renal): tamanho intermediário. • Células tubulares: pequenas e podem ser confundidas com os leucócitos. Número aumentado associado à necrose tubular. • O número de células epiteliais escamosas é útil como índice de possível contaminação por secreção vaginal. CÉLULAS EPITELIAIS Células pavimentosas Célula transicional Células tubulares CÉLULAS DECOY Fogazzi GB, Cantú M, Saglimbeni L. “Decoy cells” in the urine due to polyomavirus BK infection: easily seen by phase-contrast microscopy. Nephrol Dial Transplant 2001;16:1496-1498. CILINDROS • São conglomerados protéicos que adquirem a forma dos túbulos renais onde são formados. • São constituídos pela glicoproteína de Tamm-Horsfall. • Proteína de Tamm-Horsfallnão detectável na tira reagente. • São classificados quanto à sua composição em: - Cilindros hialinos - Cilindros hemáticos - Cilindros leucocitários - Cilindros de células epiteliais - Cilindros de granulosos - Cilindros adiposos - Cilindros céreos CILINDROS 13 CILINDROS HIALINOS • São os cilindros mais frequentes. • A presença de 0 a 2 por campo (100x) é considerada normal. • São quase transparentes e refletem pouco a luz. • Quantidade elevada após exercícios físicos intensos. • Significado clínico quando seu número está aumentado devido à glomerulonefrite, pielonefrite, doença renal crônica e insuficiência cardíaca congestiva. • Pode ocorrer a presença de elementos celulares degenerados em seu interior (cilindros hialino-granulosos). CILINDROS HIALINOS Cilindro hialino Cilindro hialino-granuloso CILINDROS HEMÁTICOS • São formados nos túbulos por aglutinação das hemáceas. • Presença associada a sangramentos no interior do néfron e com a glomerulonefrite. CILINDROSLEUCOCITÁRIOS • Formados por leucócitos acoplados à uma matriz protéica. • Indicam infecção ou inflamação no interior do néfron. CILINDROS DE CÉLULAS EPITELIAIS • Constituídos por células tubulares aderidas à uma matriz protéica. • Presente nas situações caracterizadas por lesão tubular. CILINDROS GRANULOSOS • Formados a partir da desintegração celular. • Podem apresentar ou não significado clínico. • Apresenta granulação grosseira ou fina. • Podem estar presentes nas infecções do trato urinário. 14 CILINDROS ADIPOSOS • Encontrados em distúrbios que provocam lipidúria. • Formados a partir de uma matriz protéica acoplada a gotículas lipídicas. • São ligeiramente refringentes. • Podem estar presentes na síndrome nefrótica, nefropatia diabética e doenças renais crônicas. CILINDROS CÉREOS • Apresenta elevada refringência. • Geralmente associado à proteinúria elevada. • Presença indica estase MUITO GRAVE nos túbulos renais. • Encontrado especialmente na síndrome nefrótica, IRC, glomerulonefrite aguda. CRISTAIS • Formados pela precipitação dos sais da urina. • Na maioria das vezes sua presença não tem significado clínico. • Devem ser identificados e mencionados no laudo laboratorial. • O pH da urina é útil na identificação dos cristais, uma vez que ele determina o tipo de substâncias químicas precipitadas. • A presença de alguns tipos de cristais pode estar associada a algumas doenças metabólicas ou outros distúrbios. CRISTAIS • URINAS ÁCIDAS: - Ácido úrico - Urato amorfo - Oxalato de cálcio (pode aparecer em pH neutro) - Cistina, tirosina, leucina, ácido hipúrico • URINAS ALCALINAS: - Fosfato amorfo - Fosfato triplo - Carbonato de cálcio - Fosfato de cálcio (pode aparecer em pH neutro) - Biurato de amônio CRISTAIS • CRISTAIS NORMAIS: urinas ácidas ou alcalinas - Ácido úrico - Urato amorfo - Oxalato de cálcio - Fosfato amorfo, fosfato triplo - Carbonato de cálcio, fosfato de cálcio - Biurato de amônio • CRISTAIS ANORMAIS: urinas ácidas ou neutras - Cistina, tirosina, leucina, ácido hipúrico, colesterol, bilirrubina - Medicamentos - Contraste radiográfico CRISTAIS DE ÁCIDO ÚRICO • Podem aparecer nas leucemias e na gota 15 CRISTAIS DE OXALATO DE CÁLCIO • Podem aparecer na urina de pessoas que ingerem alimentos ricos em ácido oxálico ou elevadas doses de ácido ascórbico. URATO AMORFO CRISTAIS DE FOSFATO TRIPLO CRISTAIS DE FOSFATO DE CÁLCIO CRISTAIS DE BIURATO DE AMÔNIO CRISTAIS DE CISTINA • Encontrados nos casos de erro metabólico congênito que impede a reabsorção de cistina no túbulo contorcido proximal. 16 CRISTAIS DE TIROSINA E LEUCINA • Podem estar presentes nos distúrbios hepáticos graves. Cristais de tirosina Cristais de leucina OUTROS CRISTAIS Cristal de colesterol Cristais de contraste radiográfico Cristais de bilirrubina OUTROS CRISTAIS Cristais de Sulfonamida Cristais de Sulfadiazina OUTROS ELEMENTOS • Bactérias • Leveduras • Filamentos de muco • Corpos adiposos ovais • Parasitas • Espermatozóides • Artefatos (fibras, grânulos de amido,...) BACTÉRIAS • Normalmente a urina não tem bactérias mas, se as amostras não forem colhidas em condições estéreis, pode ocorrer contaminação bacteriana sem significado clínico. LEVEDURAS • Geralmente Candida albicans. • Podem ser observadas na urina de pacientes com diabete melito e de mulheres com candidíase vaginal. Blastoconídeos Hifas 17 PARASITAS • Trichomonas vaginalis • Ovos de Enterobius vermicularis (contaminação fecal) FILAMENTOS DE MUCO • O muco é um material protéico produzido por glândulas e células epiteliais do sistema urogenital. • Não é considerado clinicamente significativo e a sua quantidade é maior quando há contaminação vaginal. • Pode estar associado a processos inflamatórios CORPOS ADIPOSOS OVAIS • Os lipídeos podem aparecer na urina sob a forma de gotículas, incorporados a cilindros ou no interior de células tubulares em processo de degeneração (corpos adiposos ovais). • Os lipídeos são filtrados através do glomérulo e incorporados às células tubulares em degeneração. • Presença geralmente associada à síndrome nefrótica, podendo estar presente em outras condições (diabetes melito, glomerulonefrite crônica, traumatismo grave associado à liberação de gordura da medula de ossos longos). ESPERMATOZÓIDES • Não tem significado clínico. • NÃO relatar a presença na urina de mulheres. ARTEFATOS • Fibras, grânulos de amido, entre outros. EQU NORMAL Densidade: 1002 a 1030 pH: 5,0 a 6,0 Nitrito: Negativo Proteínas: Negativo Glicose: Negativo Corpos Cetônicos: Negativo Urobilinogênio: <1 mg/dL Bilirrubina: Negativo Sangue: Negativo Células Epiteliais: Algumas Leucócitos: 0 a 5/campo Hemáceas: 0 a 2/campo 18 EQU 1 Densidade: 1025 pH: 6,0 Nitrito: Negativo Proteínas: Negativo Glicose: 2+ Corpos Cetônicos: Negativo Urobilinogênio: Normal Bilirrubina: Negativo Sangue: Negativo Células Epiteliais: Algumas (5/campo) Leucócitos: 2/campo Hemáceas: 1/campo Observações: EQU 2 Densidade: 1015 pH: 5,0 Nitrito: Negativo Proteínas: 1+ Glicose: Negativo Corpos Cetônicos: Negativo Urobilinogênio: Excesso Bilirrubina: 2+ Sangue: Negativo Células Epiteliais: Raras (2/campo) Leucócitos: 2/campo Hemáceas: 1/campo Observações: EQU 3 Densidade: 1010 pH: 6,0 Nitrito: Negativo Proteínas: 3+ Glicose: Negativo Corpos Cetônicos: Negativo Urobilinogênio: Normal Bilirrubina: Negativo Sangue: Negativo Células Epiteliais: Raras (1/campo) Leucócitos: 4/campo Hemáceas: 2/campo Observações: EQU 4 Densidade: 1010 pH: 8,0 Nitrito: Positivo Proteínas: 1+ Glicose: Negativo Corpos Cetônicos: Negativo Urobilinogênio: Normal Bilirrubina: Negativo Sangue: Negativo Células Epiteliais: Numerosas (18/campo) Leucócitos: 8/campo Hemáceas: 2/campo Observações: