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CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA IZABELA HENDRIX CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO HUGO MARTINS OLIVEIRA Aparência moderna: análise da arquitetura modernista no hipercentro de Belo Horizonte Belo Horizonte 2022 CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA IZABELA HENDRIX CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO HUGO MARTINS OLIVEIRA Aparência moderna: análise da arquitetura modernista no hipercentro de Belo Horizonte Monografia apresentada ao Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix como pré-requisito para a obtenção do Título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientador Prof.: Lizandro Edmundo Cordeiro de Melo Franco. Belo Horizonte 2022 AGRADECIMENTOS Inicialmente, agradeço a minha mãe e ao meu pai que são meus principais incentivadores aos estudos e a minha vida acadêmica. Agradeço ao meu companheiro Raul por estar sempre ao meu lado, compartilhando comigo meus momentos de alegria e tristeza, minhas vitórias e minhas derrotas. Agradeço a coordenadora e professora Josana Matedi Prates Dias que me encantou e me inspirou desde o primeiro semestre. Sempre solícita, foi fundamental na minha trajetória dentro da instituição. Agradeço, também, aos demais professores, principalmente à Marcia Maria Cavalieri e ao Bernardo Nogueira Capute que despertaram ainda mais minha paixão pela história das artes e da arquitetura. Agradeço a professora Sandra Lemos Coelho Bontempo que me orientou durante a primeira etapa desse trabalho, compreendendo e abraçando minhas intenções. Sou profundamente grato ao professor Lizandro Edmundo Cordeiro de Melo Franco, orientador desse trabalho, por me instigar a aprimorar meu trabalho, me questionando e me sugestionando direções. Agradeço também ao Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte pelo importante trabalho realizado de guarda e divulgação da memória da cidade com uma equipe competente e sempre disponível, sendo fundamental para o desenvolvimento desse trabalho. RESUMO Este trabalho estuda as edificações modernistas do hipercentro de Belo Horizonte projetadas entre as décadas de 1950 e 60. Partindo da ideia de que a arquitetura é a expressão dos anseios e desejos de um povo, buscamos compreender a relação entre a população e a modernidade a partir das edificações e através de uma revisão bibliográfica sobre a arquitetura moderna no Brasil e no mundo. Além disso, são investigadas as obras de três grandes mestres modernistas nas esferas global, nacional e local buscando compreender a ortodoxia do movimento moderno - Le Corbusier, Lúcio Costa e Sylvio de Vasconcellos, respectivamente. A estreita relação de Belo Horizonte com os ideários de modernidade é abordada a partir do cadastro de 432 edifícios com características modernistas, de forma a identificar os principais elementos arquitetônicos utilizados a partir do preenchimento de um questionário padrão de elaboração própria. Pretende-se um banco de dados contendo informações básicas sobre cada uma das edificações, como nome, endereço, projetista e ano, e os principais elementos característicos do modernismo identificados. Sob a ótica dos conceitos de modernismo popular e modernismo de fachada faz-se uma análise quantitativa e qualitativa dos edifícios buscando apurar a maneira como o léxico modernista se apresenta. São seis exemplares para análise individual mais aprofundada a partir de uma pesquisa documental no APCBH levantando os desenhos arquitetônicos originais apresentados à prefeitura para aprovação da obra. Por fim, é discutida a ideia de aparência em arquitetura a partir de Maria Lucia Malard, a função do ornamento e as críticas de Robert Venturi ao movimento moderno em busca das contradições de um povo expressas na arquitetura. Palavras-Chave: Arquitetura Moderna. Modernismo. Belo Horizonte. Modernismo Popular. Modernismo de Fachada. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Área de Análise, hipercentro de Belo Horizonte ............................................ 15 Figura 2 - Bauhaus, Walter Gropius ............................................................................... 21 Figura 3 - Casa da rua Santa Cruz, Gregori Warchavchik .............................................. 23 Figura 4 - Sede do MES, Lúcio Costa e equipe .............................................................. 24 Figura 5 - Projeto para sede do MES, Archimedes Memória ......................................... 25 Figura 6 - Pavilhão Brasileiro, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer ...................................... 26 Figura 7 - Casa do Baile, Oscar Niemeyer ...................................................................... 26 Figura 8 - Villa Fallet, Le Corbusier ............................................................................... 27 Figura 9 - Maison Dom-Ino, Le Corbusier...................................................................... 28 Figura 10 - Villa Schwob, Le Corbusier .......................................................................... 28 Figura 11 - Villa Savoye, Le Corbusier ........................................................................... 30 Figura 12 - Os cinco pontos de uma nova arquitetura, Le Corbusier ............................. 31 Figura 13 - Maison de week-end, Le Corbusier .............................................................. 32 Figura 14 - Pavillon des Temps Nouveaux, Le Corbusier ............................................... 32 Figura 15 - Unite d' Habitation, Le Corbusier ................................................................ 33 Figura 16 - Capela de Ronchamp, Le Corbusier ............................................................. 34 Figura 17 - Vila operária da Gamboa, Gregori Warchavchik e Lúcio Costa .................. 36 Figura 18 - A casa sem dono 1, Lúcio Costa .................................................................. 36 Figura 19 - Vila Monlevade, Lúcio Costa ....................................................................... 37 Figura 20 - Sede do MES, Lúcio Costa e equipe ............................................................ 40 Figura 21 - Sede do MES, Lúcio Costa e equipe ............................................................ 40 Figura 22 - Pavilhão Brasileiro, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer .................................... 42 Figura 23 - Residência Barão de Saavedra, Lúcio Costa ................................................ 42 Figura 24 - Parque Guinle, Lúcio Costa.......................................................................... 43 Figura 25 - Parque Guinle, Lúcio Costa.......................................................................... 43 Figura 26 - Casa na rua Caldas, nº 47, Sylvio de Vasconcellos ...................................... 45 Figura 27 - Casa na rua Olímpio de Assis, n° 77 Sylvio de Vasconcellos .................... 46 Figura 28 - Casa na rua Sinval de Sá, nº 586, Sylvio de Vasconcellos .......................... 47 Figura 29 - Casa na avenida do Contorno, nº 7871 ......................................................... 47 Figura 30 - Cine Belas Artes, Sylvio de Vasconcellos ................................................... 49 Figura 31 - Capela Verda Farrar, Sylvio de Vasconcellos .............................................. 49 Figura 32 - MAPE, Sylvio de Vasconcellos ................................................................... 49 Figura 33 - Planta Geral de Belo Horizonte .................................................................... 59 Figura 34 - Fachada de secretarias .................................................................................. 60 Figura 35 - Prédio da Secretaria da Educação em construção ........................................ 60 Figura 36 - Detalhes da fachada principal Escola Estadual PedroII .............................. 61 Figura 37 - Viaduto Santa Tereza após sua inauguração ................................................ 62 Figura 38 - Edifício Ibaté ................................................................................................ 62 Figura 39 - Hotel Madrid ................................................................................................ 63 Figura 40 - IAPI .............................................................................................................. 64 Figura 41 - Edifício Acaiaca ........................................................................................... 64 Figura 42 - Edifício Chagas Dória .................................................................................. 64 Figura 43 - Colégio Batista Mineiro ............................................................................... 65 Figura 44 - Edifício Itatiaia ............................................................................................. 65 Figura 45 - Museu de Arte da Pampulha, antigo casino ................................................. 67 Figura 46 - Iate Tênis Clube............................................................................................ 67 Figura 47 - Casa do Baile ................................................................................................ 68 Figura 48 - Igreja de São Francisco de Assis .................................................................. 68 Figura 49 - Casa JK ......................................................................................................... 69 Figura 50 - Edifício JK .................................................................................................... 70 Figura 51 – Edifício Helena Passig e Sede do BEMGE ................................................. 70 Figura 52 - Edifício Niemeyer ........................................................................................ 70 Figura 53 - Mapa dos edifícios modernistas no hipercentro de Belo Horizonte ............. 73 Figura 54 - Mapa de altimetria das edificações levantadas............................................. 75 Figura 55 - Mapa de usos das edificações levantadas ..................................................... 76 Figura 56 - Edifício Pilar, Geraldo Ferreira Lima, 1961. Av. Afonso Pena, 1626 ......... 77 Figura 57 - Edifício Nossa Senhora de Lourdes, Hélio Ferreira Pinto, 1955. Av. Augusto de Lima, 609 .............................................................................................................. 77 Figura 58 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1965. R. dos Guajajaras, 420 ................... 77 Figura 59 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1965. R. dos Guajajaras, 420 ................... 78 Figura 60 - Edifício Maria Inez. R. dos Guajajaras, 65 .................................................. 78 Figura 61 - Edifício Maria Inez. R. dos Guajajaras, 65 .................................................. 78 Figura 62 - Edifício Esther, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1959. Av. Augusto de Lima, 463 .............................................................................................................. 79 Figura 63 - Edifício Esther, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1959. Av. Augusto de Lima, 463 .............................................................................................................. 79 Figura 64 - Edifício na rua Espirito Santo, nº 238 .......................................................... 80 Figura 65 - Edifício Mantiqueira, Antônio Botelho Pereira e Jefferson José Lodi, 1952. R. dos Tupinambás, 190 ........................................................................................................... 80 Figura 66 - Edifício Mantiqueira, Antônio Botelho Pereira e Jefferson José Lodi, 1952. R. dos Tupinambás, 190 ........................................................................................................... 80 Figura 67 - Edifício Clemente Faria / Banco da Lavoura, Álvaro Vital Brazil, 1951. Av. Afonso Pena, 726 ...................................................................................................................... 81 Figura 68 - Edifício Clemente Faria / Banco da Lavoura, Álvaro Vital Brazil, 1951. Av. Afonso Pena, 726 ...................................................................................................................... 81 Figura 69 - Edifício Tupigua, Ulpiano Nunes Muniz, 1956. R. Guarani, 241 ................ 82 Figura 70 - Edifício Tupigua, Ulpiano Nunes Muniz, 1956. R. Guarani, 241 ................ 82 Figura 71 - Edifício Nossa Senhora de Lourdes, Hélio Ferreira Pinto, 1955. Av. Augusto de Lima, 609 .............................................................................................................. 83 Figura 72 - Edifício na rua Guaicurus, nº 481................................................................. 83 Figura 73 - Edifício na rua dos Tamoios, nº 523 ............................................................ 83 Figura 74 - Edifício na rua São Paulo, esquina com rua Guaicurus ............................... 84 Figura 75 - Hotel Magnata. R. Guarani, 124................................................................... 84 Figura 76 - Hotel Real Park. Av. Olegário Maciel, 421 ................................................. 84 Figura 77 - Edifício Francisco Cardoso, Claudio Jorge Gomes de Souza, 1954. R. Espírito Santo, 1100 ................................................................................................................. 85 Figura 78 - Edifício Francisco Cardoso, Claudio Jorge Gomes de Souza, 1954. R. Espírito Santo, 1100 ................................................................................................................. 85 Figura 79 - Edifício Solar, Ulpiano Nunes Muniz, 1955. Av. João Pinheiro, 85 ........... 86 Figura 80 - Edifício Solar, Ulpiano Nunes Muniz, 1955. Av. João Pinheiro, 85 ........... 86 Figura 81 - Edifício Pilar, Geraldo Ferreira Lima, 1961. Av. Afonso Pena, 1626 ......... 87 Figura 82 - Edifício Hazan, Abram Zyman, 1957. R. Guaranis, 578 ............................. 87 Figura 83 - Edifício Marcelo Líbano. Av. Augusto de Lima, 444 .................................. 88 Figura 84 - Edifício Nicolina Teixeira. R. São Paulo, 925 ............................................. 88 Figura 85 - Edifício Rochedo. R. Goitacazes, 470 .......................................................... 88 Figura 86 - Edifício Arcângelo Maletta, Oswaldo Santa Cruz Nery, 1958. Av. Augusto de Lima, 233 ............................................................................................................................. 89 Figura 87 - Mercado Central, Marcio Gomes dos Santos, 1967. Av. Augusto de Lima, 744 ............................................................................................................................................ 89 Figura 88 - Mercado Novo, Fernando Graça e Sandoval Azevedo Filho, 1962. Av. Olegário Maciel, 742 ................................................................................................................ 90 Figura 89 - Faculdade de Direito da UFMG, Oswaldo Santa Cruz Nery, Decio Machado e Rodrigo Moreira, 1958. Av. João Pinheiro, 100 .................................................................... 90 Figura 90 - Edifício São Luiz, Raphael Hardy Filho, 1952. R. Espírito Santo, 980 ....... 91 Figura 91 - Edifício São Luiz, Raphael Hardy Filho, 1952. R. Espírito Santo, 980 ....... 91 Figura 92 - Edifício Brasília. R. Carijós, 558 ................................................................. 91 Figura 93 - Edifício Brasília. R. Carijós, 558 ................................................................. 92 Figura 94 - Edifício Wanda Maria. R. Tamoios, 699......................................................92 Figura 95 - Edifício Wanda Maria. R. Tamoios, 699...................................................... 92 Figura 96 - Edifício Florença. R. Guaranis, 555 ............................................................. 93 Figura 97 - Edifício Florença. R. Guaranis, 555 ............................................................. 93 Figura 98 - Edifício Palácio Tiradentes. R. Rio de Janeiro, 985 ..................................... 93 Figura 99 - Edifício Palácio Tiradentes. R. Rio de Janeiro, 985 ..................................... 94 Figura 100 - Edifício Vicente de Araújo / Banco Mercantil do Brasil, Raul de Lagos Cirne, 1960. R. Rio de Janeiro 654........................................................................................... 95 Figura 101 - Edifício Minas Oeste, Álvaro Benício de Paiva Filho, 1966. R. da Bahia, 1033 .......................................................................................................................................... 95 Figura 102 - Edifício Trianon. R. da Bahia, 905 ............................................................. 96 Figura 103 - Edifício Trianon. R. da Bahia, 905 ............................................................. 96 Figura 104 - Sede do BEMGE, Oscar Niemeyer, 1953. R. Rio de Janeiro, 471 ............ 96 Figura 105 - Edifício na rua dos Guaranis, nº 311 .......................................................... 97 Figura 106 - Edifício Eliza Levy, Tarcísio Silva, 1958. R. Rio de Janeiro, 243............. 97 Figura 107 - Edifício Eliza Levy, Tarcísio Silva, 1958. R. Rio de Janeiro, 243............. 97 Figura 108 - Edifício Claudionor Ferreira Pinto. Av Augusto de Lima, 345 ................. 98 Figura 109 - Edifício Claudionor Ferreira Pinto. Av Augusto de Lima, 345 ................. 98 Figura 110 - Edifício na rua Rio Grande do Sul, nº 320 ................................................. 99 Figura 111 - Edifício na rua Rio Grande do Sul, nº 320 ................................................. 99 Figura 112 - Edifício na avenida Paraná, nº 214 ............................................................. 99 Figura 113 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino, 1959. R. São Paulo, 1190 ......... 100 Figura 114 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino, 1959. R. São Paulo, 1190 ......... 100 Figura 115 - Edifício Rotary, Luiz Pinto Coelho e Arturo Garcia Loayza, 1965. R. Guajajaras, 410 ....................................................................................................................... 101 Figura 116 - Edifício Rotary, Luiz Pinto Coelho e Arturo Garcia Loayza, 1965. R. Guajajaras, 410 ....................................................................................................................... 101 Figura 117 - Edifício Nossa Senhora de Fatima, Raphael Hardy Filho, 1954. R. Tupis, 225 .......................................................................................................................................... 102 Figura 118 - Edifício Baalbeck. R. Caetés, 461 ............................................................ 102 Figura 119 - Edifício na rua dos Tupinambás, nº 1069 ................................................. 102 Figura 120 - Edifício Victor Purri, Paulo Mourão Monteiro, 1963. R. da Bahia, 486 . 103 Figura 121 - Edifício Miraci, Eurípedes Santos Zumpano, 1956. R. Rio de Janeiro, 1023 ................................................................................................................................................ 103 Figura 122 - Edifício Arthur Guimarães, 1953. R. Espírito Santo, 35 .......................... 104 Figura 123 - Edifício Helena Passig, Rafael Hardy Filho, 1957. R. Rio de Janeiro, 462 ................................................................................................................................................ 104 Figura 124 - Edifício Bady Salum. R. São Paulo, 57 .................................................... 104 Figura 125 - Edifício Codó, Tarcísio Silva, 1955. Av. Amazonas, 135 ....................... 105 Figura 126 - Edifício Cidade de Belo Horizonte, Hélio Marques Gontijo, 1962. R. Curitiba, 1022 ......................................................................................................................... 105 Figura 127 - Edifício Sobrado, Fernando de Oliveira Graça, Nelson de Couto e Silva Marques Lisboa, 1962. Av. Augusto de Lima, 486 ................................................................ 106 Figura 128 - Edifício Bradesco. Av. Amazonas, 298 ................................................... 106 Figura 129 - Edifício Bradesco. Av. Amazonas, 298 ................................................... 107 Figura 130 - Edifício Mercantil. R. Bahia, 916............................................................. 107 Figura 131 - Edifício Mercantil. R. Bahia, 916............................................................. 107 Figura 132 - Edifício na avenida Olegário Maciel, nº 591 ........................................... 108 Figura 133 - Hotel Serrana Palace. R Goitacazes 450 .................................................. 108 Figura 134 - Hotel Serrana Palace. R Goitacazes 450 .................................................. 108 Figura 135 - Edifício Francisco Cardoso, Claudio Jorge Gomes de Souza, 1954. R. Espírito Santo, 1100 ............................................................................................................... 109 Figura 136 - Edifício Levy Coelho da Rocha. R. Goiás, 335 ....................................... 109 Figura 137 - Edifício João Gomes. R. Guajajaras, 365 ................................................. 110 Figura 138 - Edifício João Gomes. R. Guajajaras, 365 ................................................. 110 Figura 139 - Edifício Topázio, Luciano Alfredo Santiago e Raul de Lagos Cirne, 1955. R. Tupis, 207 .......................................................................................................................... 111 Figura 140 - Edifício Topázio, Luciano Alfredo Santiago e Raul de Lagos Cirne, 1955. R. Tupis, 207 .......................................................................................................................... 111 Figura 141 - Edifício Ceci. R. Caetés, 484 ................................................................... 111 Figura 142 - Edifício na rua Espírito Santo, nº 221 ...................................................... 112 Figura 143 - Edifício Juiz de Fora, Henrique Batista de Oliveira, 1956 (Original); Ribeiro de Oliveira em 1962 (Alterações). R. Tupis, 167 ...................................................... 112 Figura 144 - Edifício Juiz de Fora, Henrique Batista de Oliveira, 1956 (Original); Ribeiro de Oliveira em 1962 (Alterações). R. Tupis, 167 ...................................................... 113 Figura 145 - Edifício Príncipe de Gales. R. Tupinambás, 179 ..................................... 113 Figura 146 - Edifício Príncipe de Gales. R. Tupinambás, 179 ..................................... 113 Figura 147 - Edifício na rua dos Caetés, n° 395 ........................................................... 114 Figura 148 - Edifício Rio Tapajós, Tarcísio Silva, 1958. R. Bahia, 325 ...................... 114 Figura 149 - Edifício Rio Tapajós, Tarcísio Silva, 1958. R. Bahia, 325 ...................... 115 Figura 150 - Edifício Coimbra. R. Tupis, 435 .............................................................. 115 Figura 151 - Edifício Coimbra. R. Tupis, 435 .............................................................. 116 Figura 152 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962. R. Bahia, 360 .................. 116 Figura 153 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962. R. Bahia, 360 .................. 116 Figura 154 - Edifício Avenida, Tarcísio Silva, 1962. R. São Paulo, 409 ..................... 117 Figura 155 - Edifício Avenida,Tarcísio Silva, 1962. R. São Paulo, 409 ..................... 117 Figura 156 - Edifício Rozen. R. Curitiba, 778 .............................................................. 118 Figura 157 - Edifício Rozen. R. Curitiba, 778 .............................................................. 118 Figura 158 - Edifício Nereu de Almeida, Edilson Maranhão, 1966. R. Guaranis, 276 118 Figura 159 - Edifício Nereu de Almeida, Edilson Maranhão, 1966. R. Guaranis, 276 119 Figura 160 - Centro da Comunidade Luso Brasileira. R. Curitiba, 746........................ 120 Figura 161 - Centro da Comunidade Luso Brasileira. R. Curitiba, 746........................ 120 Figura 162 - Edifício na avenida Olegário Maciel, n° 358 ........................................... 120 Figura 163 - Edifício Soberano. R. Tupinambás, 454................................................... 121 Figura 164 - Edifício Ferreira Leite, Luís Paulo Carrieri e Gilberto Andrade, 1953. R. Goitacazes, 152 ....................................................................................................................... 122 Figura 165 - Edifício Araguaia. Av. Augusto de Lima, 134 ......................................... 122 Figura 166 - Edifício Araguaia. Av. Augusto de Lima, 134 ......................................... 122 Figura 167 - Edifício Christiano Guimarães / Sede do Banco Nacional, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1952. R. Espírito Santo, 593 .......................................... 123 Figura 168 - Edifício Nossa Senhora de Fatima, Raphael Hardy Filho, 1954. R. Tupis, 225 .......................................................................................................................................... 123 Figura 169 - Edifício Santa Monica, Raphael Hardy Filho. R. Espírito Santo, 977 ..... 124 Figura 170 - Edifício Santa Monica, Raphael Hardy Filho. R. Espírito Santo, 977 ..... 124 Figura 171 - Edifício Bom Jardim, Raphael Hardy Filho. R. Goitacazes, 172 ............. 125 Figura 172 - Edifício Bom Jardim, Raphael Hardy Filho. R. Goitacazes, 172 ............. 125 Figura 173 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 ...................................................... 129 Figura 174 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 ...................................................... 129 Figura 175 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 ...................................................... 129 Figura 176 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 ...................................................... 130 Figura 177 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 ...................................................... 130 Figura 178 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 ...................................................... 130 Figura 179 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 ...................................................... 131 Figura 180 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 ...................................................... 131 Figura 181- Edifício Tunísia, “Planta de Situação e Orientação” ................................. 131 Figura 182 - Edifício Tunísia, "Planta de Locação" ..................................................... 132 Figura 183 - Edifício Tunísia, Planta Subsolo .............................................................. 132 Figura 184 - Edifício Tunísia, Planta Lojas .................................................................. 133 Figura 185 - Edifício Tunísia, Planta Sobrelojas .......................................................... 134 Figura 186 - Edifício Tunísia, Planta 2º Pavimento ...................................................... 135 Figura 187 - Edifício Tunísia, Planta Pavimento Tipo ................................................. 136 Figura 188 - Edifício Tunísia, Planta 10º Pavimento .................................................... 137 Figura 189 - Edifício Tunísia, Planta 11º Pavimento .................................................... 138 Figura 190 - Edifício Tunísia, Telhado ......................................................................... 138 Figura 191 - Edifício Tunísia, Cortes ............................................................................ 139 Figura 192 - Edifício Tunísia, Gabarito ........................................................................ 139 Figura 193 - Edifício Tunísia, Fachada ......................................................................... 140 Figura 194 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 ........................ 143 Figura 195 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 ........................ 143 Figura 196 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 ........................ 144 Figura 197 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 ........................ 144 Figura 198 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 ........................ 144 Figura 199 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 ........................ 145 Figura 200 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 ........................ 145 Figura 201 - Edifício Santa Rita, Planta de Locação .................................................... 145 Figura 202 - Edifício Santa Rita, Planta 1º Pavimento ................................................. 146 Figura 203 - Edifício Santa Rita, Planta Parte do 2º Pavimento ................................... 147 Figura 204 - Edifício Santa Rita, Planta Parte do 2º Pavimento ................................... 148 Figura 205 - Edifício Santa Rita, Diagrama de Telhado ............................................... 149 Figura 206 - Edifício Santa Rita, Corte AB .................................................................. 150 Figura 207 - Edifício Santa Rita, Corte CD .................................................................. 151 Figura 208 - Edifício Santa Rita, Corte EF ................................................................... 151 Figura 209 - Edifício Santa Rita, Fachada .................................................................... 152 Figura 210 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959............................... 155 Figura 211 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959............................... 155 Figura 212 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959............................... 155 Figura 213 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959............................... 156 Figura 214 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959............................... 156 Figura 215 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959............................... 156 Figura 216 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959............................... 157 Figura 217 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959............................... 157 Figura 218 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959............................... 157 Figura 219 - Edifício Contagem, Implantação .............................................................. 158 Figura 220 - Edifício Contagem, Planta Pavimento Tipo ............................................. 158 Figura 221 - Edifício Contagem, Corte ......................................................................... 159 Figura 222 - Edifício Contagem, Gabarito .................................................................... 160 Figura 223 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 ........................................................................................................................................ 163 Figura 224 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 ........................................................................................................................................ 163 Figura225 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 ........................................................................................................................................ 164 Figura 226 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 ........................................................................................................................................ 164 Figura 227 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 ........................................................................................................................................ 164 Figura 228 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 ........................................................................................................................................ 165 Figura 229 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 ........................................................................................................................................ 165 Figura 230 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 ........................................................................................................................................ 165 Figura 231 - Edifício Bom Destino, "Planta de Situação e Orientação" ....................... 166 Figura 232 - Edifício Bom Destino, Planta 1º Pavimento ............................................ 166 Figura 233 - Edifício Bom Destino, Planta Sobreloja................................................... 167 Figura 234 - Edifício Bom Destino, Planta Subsolo ..................................................... 167 Figura 235 - Edifício Bom Destino, Planta Pavimento Tipo ........................................ 168 Figura 236 - Edifício Bom Destino, Planta 13º Pavimento .......................................... 168 Figura 237 - Edifício Bom Destino, Planta 14º Pavimento .......................................... 169 Figura 238 - Edifício Bom Destino, Planta Casa de Máquinas e Caixa dÁgua ............ 169 Figura 239 - Edifício Bom Destino, Planta da Cobertura ............................................. 170 Figura 240 - Edifício Bom Destino, Corte GH ............................................................. 170 Figura 241 - Edifício Bom Destino, Corte AB ............................................................. 171 Figura 242 - Edifício Bom Destino, Corte CD ............................................................. 172 Figura 243 - Edifício Bom Destino, Fachada Rua dos Goitacazes ............................... 173 Figura 244 - Edifício Bom Destino, Fachada Rua da Bahia ......................................... 174 Figura 245 - Edifício Bom Destino, Croqui do Conjunto Rua da Bahia ...................... 175 Figura 246 - Edifício Bom Destino, Croqui do Conjunto Rua da os Goitacazes.......... 175 Figura 247 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954........................................ 178 Figura 248 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954........................................ 178 Figura 249 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954........................................ 178 Figura 250 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954........................................ 179 Figura 251 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954........................................ 179 Figura 252 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954........................................ 179 Figura 253 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954........................................ 180 Figura 254 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954........................................ 180 Figura 255 - Edifício Josephina, Planta de “Situação e Orientação” ............................ 181 Figura 256 - Edifício Josephina, Planta 1º Pavimento .................................................. 181 Figura 257 - Edifício Josephina, Planta Sobreloja ........................................................ 182 Figura 258 - Edifício Josephina, Planta dos 2º e 3º Pavimentos ................................... 182 Figura 259 - Edifício Josephina, Diagrama de Cobertura ............................................. 182 Figura 260 - Edifício Josephina, Corte AB ................................................................... 183 Figura 261 - Edifício Josephina, Corte CD ................................................................... 183 Figura 262 - Edifício Josephina, Fachada Praça Raul Soares ....................................... 184 Figura 263 - Edifício Josephina, Fachada Rua Santa Catarina ..................................... 185 Figura 264 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 .......................................... 187 Figura 265 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 .......................................... 188 Figura 266 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 .......................................... 188 Figura 267 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 .......................................... 188 Figura 268 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 .......................................... 189 Figura 269 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 .......................................... 189 Figura 270 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 .......................................... 189 Figura 271 - Edifício Farinha, Planta de “Situação e Orientação” ............................... 190 Figura 272 - Edifício Farinha, Planta 1º Pavimento ..................................................... 191 Figura 273 - Edifício Farinha, Planta do 2º ao 6º Pavimento ....................................... 192 Figura 274 - Edifício Farinha, Planta do 7º ao 12º Pavimento ..................................... 193 Figura 275 - Edifício Farinha, Planta do 13º Pavimento .............................................. 194 Figura 276 - Edifício Farinha, Planta do 14º Pavimento .............................................. 195 Figura 277 - Edifício Farinha, Planta da Cobertura ...................................................... 196 Figura 278 - Edifício Farinha, Corte AA ...................................................................... 197 Figura 279 - Edifício Farinha, Corte BB ....................................................................... 198 Figura 280 - Edifício Farinha, Gabarito ........................................................................ 199 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS APCBH - Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte APM – Arquivo Público Mineiro DIPC - Diretoria de Patrimônio Cultural EA-BH – Escola de Arquitetura de Belo Horizonte ENBA - Escala Nacional de Belas Artes IAB - Instituto dos Arquitetos do Brasil Iepha - Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais IL – Illinois Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional JK - Juscelino Kubitschek MES - Ministério da Educação e Saúde MG – Minas Gerais MHAB - Museu Histórico Abílio Barreto NSA – Não se aplica PB – Paraíba PI – Piauí PR – Paraná RN – Rio Grande do Norte UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 12 1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA 12 1.2 JUSTIFICATIVA 13 1.3 OBJETIVOS E METODOLOGIA 14 1.3.1 Objetivo Geral 14 1.3.2 Objetivos Específicos 14 1.3.3 Metodologia 14 2 ARQUITETURA MODERNA ....................................................................................... 18 2.1 LE CORBUSIER 27 2.2 LÚCIO COSTA 34 2.3 SYLVIO DE VASCONCELLOS 44 2.4 MODERNISMO POPULAR E MODERNISMO DE FACHADA 50 3 BELO HORIZONTE E A MODERNIDADE ...............................................................58 4 MODERNISMO NO HIPERCENTRO DE BELO HORIZONTE ............................ 72 4.1 EDIFÍCIO TUNÍSIA, TARCÍSIO SILVA, 1959 126 4.2 EDIFÍCIO SANTA RITA, FRANCISCO SALOMÉ DE OLIVEIRA, 1951 141 4.3 EDIFÍCIO CONTAGEM, ANGILBERTO SABINO SANTOS, 1959 152 4.4 EDIFÍCIO BOM DESTINO, RAUL DE LAGOS CIRNE E LUCIANO ALFREDO SANTIAGO, 1953 160 4.5 EDIFÍCIO JOSEPHINA, GILBERTO C. ANDRADE, 1954 176 4.6 EDIFÍCIO FARINHA, HILMAR TOSCANO RIOS, 1962 185 5 RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................................ 200 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 204 7 REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 206 8 REFERÊNCIAS IMAGENS ........................................................................................ 211 9 APÊNDICE I – TABELA LEVANTAMENTO DE EDIFICAÇÕES MODERNISTAS ........................................................................................................... 224 10 ANEXO 1 – EDIFÍCIO TUNISIA, TARCÍSIO SILVA, 1957 .................................. 248 11 ANEXO 2 – EDIFÍCIO SANTA RITA, FRANCISCO SALOMÉ DE OLIVEIRA, 1951 255 12 ANEXO 3 – EDIFÍCIO CONTAGEM, ANGILBERTO SABINO SANTOS, 1959 260 13 ANEXO 4 – EDIFÍCIO BOM DESTINO, RAUL DE LAGOS CIRNE E LUCIANO ALFREDO SANTIAGO, 1953 ..................................................................................... 262 14 ANEXO 5 – EDIFÍCIO JOSEPHINA, GILBERTO C. ANDRADE, 1954 .............. 269 15 ANEXO 6 – EDIFÍCIO FARINHA, HILMAR TOSCANO RIOS, 1962 ................. 272 16 ANEXO 7 - EDIFÍCIO MIRACI, EURIPEDES SANTOS ZUMPANO, 1956........ 276 17 ANEXO 8 - RUA GUAICURUS, Nº 507, VICTOR SIGNORELLI, 1956 ............... 282 18 ANEXO 9 – EDIFÍCIO HAZAN, ABRAM ZYMAN, 1957 ...................................... 285 19 ANEXO 10 – HOTEL ESPLANADA, RAIMUNDO LACERDA, 1960 .................. 292 20 ANEXO 11 – EDIFÍCIO PIGNATARO, HENRI FRIEDLAENDER, 1957 ........... 299 21 ANEXO 12 - RUA DOS GUARANIS, Nº 115-121, CARLOS HENRIQUE DE SOUZA GROSSI, 1966 ................................................................................................. 305 22 ANEXO 13 - ALBERTO H. LEVY, TARCÍSIO SILVA, 1960................................. 309 23 ANEXO 14 - EDIFÍCIO ROTARY, LUIZ PINTO COELHO E ARTURO GARCIA LOAYZA, 1965 .............................................................................................................. 315 24 ANEXO 15 – MANTIQUEIRA, ANTONIO BOTELHO PEREIRA E JEFFERSON JOSE LODI, 1952 .......................................................................................................... 322 25 ANEXO 16 - NOSSA SENHORA DE LOURDES, HÉLIO FERREIRA PINTO, 1955 328 12 1 INTRODUÇÃO 1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA Ao considerarmos que “a arquitetura não se desvincula da realidade social, mas é, antes de tudo sua expressão física, resultado dos desejos e da vida do povo de um lugar” (CARSALADE, 2017, p.10), analisar as construções de uma cidade pode ser fundamental para a compreensão da sociedade com todas suas complexidades e contradições inerentes à vida urbana. É desta forma que, buscando compreender as relações dos cidadãos de Belo Horizonte com a sua cidade, sua história e sua identidade, propõe-se nesse trabalho a análise da arquitetura modernista da cidade para além de seus exemplares extraordinários projetados por arquitetos já extensamente estudados, mas buscar na arquitetura costumeira produzida nas décadas de 1950 e 60 manifestações dos valores e da identidade mineira e belorizontina. A luz dos conceitos de “modernismo popular” e “modernismo de fachada” (LARA, 2002) as obras arquitetônicas de Belo Horizonte em meados do século XX muitas vezes assumiu a arquitetura moderna não como uma estratégia de projeto, mas como um estilo decorativo ou um esquema de composição de fachada, no qual a prática se mostra incoerente com a ortodoxia moderna ditada pelos grandes mestres internacionais, nacionais e locais como Le Corbusier, Lúcio Costa e Sylvio de Vasconcellos, respectivamente. A modernidade é um tema caro a Belo Horizonte, como bem pontuado por Carsalade (2017, p.10) “a cidade nasce e cresce sob a égide da transformação e da modernidade”, desta forma, desde a sua concepção, a nova capital de Minas Gerais vem sendo vanguarda na arquitetura e no urbanismo, porém a população nem sempre assimilava efetivamente tais movimentos. No final do século XIX foi construída a capital mais moderna para um dos estados reconhecidamente mais conservadores do país, parte-se, então, da hipótese que essa seja uma das principais contradições de Belo Horizonte que perpassa por sua arquitetura. A ampla aceitação de projetos com uma fachada moderna para um edifício convencional reflete uma capital moderna para uma população apegada a tradições. Tal contradição acompanha a história da cidade e se expressa até os dias atuais, não só na arquitetura, mas em todas as suas manifestações culturais, artísticas e socias. O presente estudo se propõe a abrir um campo de discussão e incentivar a pesquisa na área da arquitetura costumeira em decorrência da escassa produção sobre a arquitetura de 13 Belo Horizonte que não os exemplares extraordinários, monumentais ou notórios e também sobre o “modernismo de fachada” para além das residências unifamiliares. 1.2 JUSTIFICATIVA O objeto arquitetônico é “um lugar construído em uma situação espaço-temporal específica, a partir de demandas socioambientais e de uma atividade projetual característica dessa situação” (PASSOS, 1998, p.15), desta forma “tanto a cidade como a arquitetura devem ser entendidas como construções sócio-históricas que envolvem relações diversas e assumem sentidos culturais complexos” (CASTRO e SILVA, 2016). Assim, os edifícios podem ser incorporados como fonte histórica e nos ajudar na compreensão dos problemas enfrentados nas cidades atualmente e também contribuir para a criação de uma identidade dos indivíduos e da coletividade para com a sua cidade. Considerando que “todos os edifícios são arquitetura, e, independente do juízo que deles possamos fazer, representativos de uma realidade social” (PASSOS, 1998, p.16), e que “nosso patrimônio moderno é imenso e é fundamental estudar as obras paradigmáticas como também é urgente abrir o leque de investigação para a totalidade de nosso ambiente construído moderno” (LARA, 2005a) analisaremos a arquitetura cotidiana das décadas de 1950 e 60 buscando um alinhamento com a Carta de Amsterdã (1975) que considera o espaço urbano como um espaço simbólico e que “todas as intervenções estilísticas e períodos históricos têm interesse para a preservação, sempre que reforcem uma ambiência e contribuam para a coesão e manutenção dos valores identificados em um conjunto urbano” (SOUZA e CAJAZEIRO, 2009). Assim, valorizando todas as representações artísticas e sociais independentemente da notabilidade da obra ou do autor. Apesar dos trabalhos de Lara (2002) em “Modernismo de fachada? Considerações sobre a apropriação popular da estética modernista”, de Passos (1998) em “Edifícios de apartamentos Belo Horizonte, 1939-1976” e de outras obras como “Arquitetura da modernidade” organizada por Castriota (2017), o estudo da arquitetura modernista de Belo Horizonte ainda é muito focado nos exemplares extraordinários, monumentais ou notórios havendo pouco espaço para discussões sobre a arquitetura costumeira. Assim, o presente estudo visa contribuir para o debate teórico sobre a arquitetura “popular”, aqui entendido não só pelas obras construídas sem um projeto de um profissional habilitado, mas também aquelas obras projetadas por arquitetos e engenheiros, mas que não se destacam do conjunto urbano ou não tem autoria de um profissional de grande notoriedade. 14 1.3 OBJETIVOS E METODOLOGIA1.3.1 Objetivo Geral O objetivo desta monografia é compreender a relação entre o espaço edificado e seus aspectos simbólicos com os valores da sociedade, a partir da análise da arquitetura modernista das décadas de 1950 e 60 no hipercentro de Belo Horizonte. 1.3.2 Objetivos Específicos Os objetivos específicos são: 1- Discutir a arquitetura moderna a partir da obra de Le Corbusier, Lúcio Costa e Sylvio de Vasconcellos; 2- Revisar o conceito de “modernismo popular” e “modernismo de fachada”; 3- Discutir a história de Belo Horizonte; 4- Discutir a história da arquitetura moderna no mundo, no Brasil e em Belo Horizonte; 5- Identificar as edificações do hipercentro de Belo Horizonte construídas durante as décadas de 1950 e 60 que possuem características modernistas; 6- Verificar quantitativamente a ocorrência de determinados elementos arquitetônicos, decorativos e ornamentais; 7- Comparar a arquitetura edificada com os projetos originais; 8- Contrastar a arquitetura edificada com a teoria arquitetônica moderna; 9- Investigar e discutir os valores sociais representados na arquitetura; 10- Contribuir no debate sobre a arquitetura de Belo Horizonte. 1.3.3 Metodologia Em um primeiro momento foi feita uma revisão bibliográfica buscando entender a arquitetura moderna nas esferas local, nacional e global e, também, os conceitos de “modernismo popular” e “modernismo de fachada”. Além disso, buscar-se-á na literatura compreender a história de Belo Horizonte e sua relação com a modernidade. Em um segundo momento foi utilizado o método de pesquisa quantitativa percorrendo todo a área correspondida ao hipercentro de Belo Horizonte, estabelecida pela lei municipal 7.166/1996, identificando e mapeando as edificações que apresentam características do estilo modernista. Em seguida será realizada uma pesquisa descritiva fotografando e analisando as edificações com base em um questionário padrão (Tabela 1) de elaboração própria. 15 Para a elaboração do questionário será feita uma revisão bibliográfica buscando identificar nas obras de Le Corbusier, Lúcio Costa e Sylvio de Vasconcellos os elementos e estratégias projetuais que compõem uma obra arquitetônica de caráter moderno, além disso, também será usado, como base as principais características identificadas nas próprias construções do período na cidade durante a pesquisa de campo. O questionário busca criar um banco de dados no qual será possível analisar quantitativamente a ocorrência dos elementos identificados. Em um terceiro momento foram selecionadas algumas obras para serem analisadas qualitativamente e individualmente, para isso, além da observação externa, será feita uma pesquisa documental na Diretoria de Patrimônio Cultural e no Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH) para encontrar os projetos arquitetônicos originais apresentados para aprovação na prefeitura e outros documentos. Por fim, em um quarto momento, foi realizada uma análise qualitativa a partir do banco de dados e das análises individuais buscando comprovar ou refutar a hipótese elaborada. Figura 1 - Área de Análise, hipercentro de Belo Horizonte Fonte: Stamen Maps, adaptado pelo autor, 2022 16 Quadro 1 – Correspondência entre os Objetivos Específicos e a Metodologia de Pesquisa CAPÍTULO Nº OBJETIVO ESPECÍFICO METODOLOGIA ARQUITETURA MODERNA 2 Discutir a história da arquitetura moderna no mundo, no Brasil Revisão bibliográfica LE CORBUSIER 2.1 Discutir a arquitetura moderna a partir da obra de Le Corbusier Revisão bibliográfica LÚCIO COSTA 2.2 Discutir a arquitetura moderna a partir da obra de Lúcio Costa Revisão bibliográfica SYLVIO DE VASCOCENLLOS 2.3 Discutir a arquitetura moderna a partir da obra de Sylvio de Vasconcellos Revisão bibliográfica MODERNISMO POPULAR E MODERNISMO DE FACHADA 2.4 Revisar o conceito de “modernismo popular” e “modernismo de fachada” Revisão bibliográfica BREVE HISTÓRIA DE BELO HORIZONTE 3.1 Discutir a história de Belo Horizonte Revisão bibliográfica A ARQUITETURA MODERNA EM BELO HORIZONTE 3.2 Discutir a história da arquitetura moderna em Belo Horizonte Revisão bibliográfica MODERNISMO NO HIPER CENTRO DE BELO HORIZONTE 4 Identificar as edificações do hipercentro de Belo Horizonte construídas durante as décadas de 1950 e 60 que possuem características modernistas Pesquisa quantitativa in loco e mapeamento Verificar quantitativamente a ocorrência de determinados elementos arquitetônicos, decorativos e ornamentais Pesquisa e análise descritiva Comparar a arquitetura edificada com os projetos originais Pesquisa documental e análise comparativa Contrastar a arquitetura edificada com a teoria arquitetônica moderna Análise comparativa Investigar e discutir os valores sociais representados na arquitetura Análise qualitativa Fonte: Elaborado pelo autor, 2021 17 Tabela 1 - Questionário padrão Nome Endereço Arquitetos Ano Uso Altimetria Janela em fita Pano de vidro Brise Pilotis Cobogó Friso vertical Friso horizontal Moldura Marquise / Laje Marquise / Laje vazada Formas curvas Volume em projeção sobre a via Cobertura Pastilha Revestime ntos cerâmicos Afastamen to frontal Afastamen to lateral Outros Nome da edificação. Endereço da edificação. Autores do projeto da edificação. Ano de projeto ou construção. Uso da edificação: Residencial; comercio e serviço; institucional ou misto. Térreo; médio (até seis pavimentos); alto (a partir de sete pavimentos). Ocorrência de janela em fita. Ocorrência de pano de vidro. Ocorrência de brises. Ocorrência e característica de pilotis. Ocorrência de cobogó. Ocorrência de frisos verticais. Ocorrência de frisos horizontais. Ocorrência de molduras (combinação de frisos horizontais e verticais) Ocorrência de marquises ou lajes em projeção. Ocorrência de marquises ou lajes em projeção vazadas. Ocorrência de formas curvas. Ocorrência de volumes em projeção sobre a via pública. Característic a da cobertura. Ocorrência de pastilhas. Ocorrência de outros revestimento s cerâmicos. Ocorrência de afastamento frontal. Ocorrência de afastamento lateral. Ocorrência de outras característica s relevantes. Fonte: Elaborado pelo autor, 2022 18 2 ARQUITETURA MODERNA A arquitetura moderna não se trata apenas de um único movimento ou estilo, mas de um conjunto heterogêneo de arquiteturas produzidas ao longo de grande parte do século XX. Sua origem está relacionada à revolução industrial que ocorreu durante o século XIX na Europa e nos EUA que trouxe uma nova lógica de vida urbana para a sociedade, e a partir dos avanços tecnológicos e os novos materiais surgiam propostas urbanísticas e arquitetônicas mais interessadas nas demandas sociais do que nas questões estéticas (COELHO e ODEBRECHT, 2007). As demandas manufatureiras e de redes de comunicação e distribuição expandiram consideravelmente, exigindo a construção de novas fábricas, estações ferroviárias, mercados e lojas de departamento com dimensões cada vez maiores. Além disso, o estabelecimento dos estados-nações demandava a construção de novos palácios governamentais e parlamentos, aliados a isso a intensificação das políticas penais, sanitárias e de educação se materializavam em novas prisões, escolas, universidades, hospitais e sanatórios. Tudo isso, ao mesmo tempo que nos EUA proliferava um novo tipo de construção, os edifícios verticais de escritórios (COHEN, 2013, p.23) possibilitado por instrumentos de comunicação interna como o elevador, o telefone e o correio pneumático (BENEVOLO, 1976, p.372). Essas novas demandas de programas arquitetônicos foram, ao longo do século XIX, exigindo o empregode novas tecnologias e materiais, principalmente o aço, que até então eram empregados na emergente indústria. A partir de 1851 esses avanços da engenharia podem ser seguidos através das Exposições Universais (BENEVOLO, 1976, p.129) que se destacavam não só pelos produtos exibidos, mas também pelos palácios que os abrigavam. Para a realização de cada exposição era projetados edifícios, quase sempre de ferro e vidro, que após o evento seriam desmontados e reaproveitados, assim, o resultado arquitetônico era marcado pela “aceitação franca dos produtos fabricados em série” (BENEVOLO, 1976, p.134). Ao mesmo tempo que as construções de ferro alcançam seu ápice nas Exposições Universais o concreto armado, produto exibido na segunda exposição de Paris de 1867, passa a ser amplamente usado nas edificações comuns, principalmente em países que começaram sua industrialização já no final do século XIX (BENEVOLO, 1976, p.148). Porém, “enquanto a técnica das construções aperfeiçoa-se com tanta rapidez, a cultura artística tradicional entra em sua crise definitiva” (BENEVOLO, 1976, p.148). Nesse período estavam acontecendo intensas discussões na França sobre racionalismo, sobre a tecnificação 19 do ensino e sobre a profissionalização da arquitetura. Desta forma surge, já no final do século XIX, uma nova linguagem arquitetônica independente dos modelos históricos, lançando mão dos princípios de liberdade individual e da prevalência da fantasia (BENEVOLO, 1976, p.152) que ficou conhecida como “Art Nouvau”. Esse novo movimento manifestado a partir da década de 1890 apresentou uma série de tendencias e peculiaridades que variavam conforme o local e o arquiteto, porém Os artistas da "Art Nouveau" tinham um objetivo comum: criar um ambiente "moderno" que atendesse às demandas da vida contemporânea e abolisse a divisão entre estrutura interna e aparência externa, tarefa que seria realizada respeitando as propriedades intrínsecas dos materiais usados (TAHARA; THIEBAUT; GIRVEAU, 2000, p.13, tradução do autor).1 Do outro lado do oceano Atlântico, nos Estados Unidos, um outro movimento surgia em consequência da construção de prédios cada vez mais altos. Após um incêndio que destruiu grande parte de Chicago/IL em 1871 a reconstrução da cidade se intensifica nas décadas de 1880 e 1890 com edifícios de escritórios, hotéis e grandes lojas de departamentos empregando novos sistemas de construção (BENEVOLO, 1976, p.233), principalmente a estrutura em esqueleto de aço. Dentre os muitos profissionais que trabalhavam para edificar a nova cidade, Louis Sullivan se destacou por propor uma nova abordagem, o autor da famigerada frase “a forma segue a função” defendia “uma arquitetura regulada pelas necessidades objetivas, deixando a fantasia somente a tarefa de acentuar subjetivamente os caracteres fundamentais do edifício” (BENEVOLO, 1976, p.252), assim, ainda que ele não condenasse a ornamentação, já apresentava problematizações quanto aos seus motivos e aplicações. Em 1887 um jovem arquiteto chamado Frank Lloyd Wright entra para o estúdio de Adler e Sullivan, ele possuía as mesmas ambições do seu mestre de criar uma “arquitetura nova independente dos estilos tradicionais e aderente a vida moderna” (BENEVOLO, 1976, p.254), mas ao contrário de Sullivan, Wright não buscava uma construção racional, mas “fazia do ornamento o ponto de partida de suas configurações arquitetônicas e adaptava a estrutura de forma a alcançar as metas do projeto” (COHEN, 2013, p.63). Grande aliado da indústria Wright ficou conhecido como um dos mais célebres arquitetos estadunidenses de todos os 1 Art Nouveau artists did have one common goal:to create a "modern" environment that satisfied the demands of contemporary life and abolished the division between inner structure and outer apperence, a task wich would be accomplished by respecting the intrinsic properties of the materials used. 20 tempos, foi responsável pela constituição do “estilo pradaria2” e, apesar de não se associar diretamente ao movimento moderno, ele foi uma grande influência na formação de uma nova linguagem, atingindo, muito antes dos mestres europeus, uma extraordinária liberdade nas escolhas formais (BENEVOLO, 1976, p.262). Contudo, da virada do século XIX para o XX a Alemanha torna-se o centro da cultura arquitetônica (BENEVOLO, 1976, p.374). Devido ao processo de industrialização tardia se comparada com o Reino Unido, vários países da Europa continental encontravam-se em pleno crescimento econômico, desta forma, buscando competir qualitativamente no mercado mundial as empresas alemãs buscavam inovações técnicas e estéticas (COHEN, 2013, p.82). O exemplo mais impressionante de tal estratégia foi o da AEG que contratou os serviços de Peter Behrens envolvendo-o em todas as atividades da firma, de design de produtos, passando pela publicidade até o projeto de diversos edifícios. Os projetos arquitetônicos desenvolvidos por Behrens influenciaram as gerações futuras com sua linguagem industrial propondo acomodar elementos industriais com solenidade, mantendo uma entonação sóbria e maciça. Decerto o arquiteto estava bem radicado na tradição de vanguarda, contudo as formas tradicionais apresentavam-se nas suas solenes composições monumentais (BENEVOLO, 1976, p.376). Além da influência na linguagem arquitetônica Behrens, foi também, mestre de grandes nomes do que viria a ser o movimento moderno. Em seu escritório na década de 1910 empregou Walter Gropius, Ludwig Mies van der Rohe, e Le Corbusier. Essa geração de arquitetos alemães estava formando uma série de escolas e ateliês reformulando o ensinamento das artes aplicadas no país, esse movimento continuo resultou na Staatliches Bauhaus. Formada em 1919 sob a direção Walter Gropius a partir da fusão da Academia Alemã de Belas Artes e da Escola de Artes e Ofícios, a Bauhaus tinha como objetivo a obra de arte total, segundo o próprio Gropius (apud COHEN, 2013, p.153) seu programa consistia em “articular todas as formas de criação artística em um só todo, reunificar todas as disciplinas da arte prática – escultura, pintura, artesanato e ofícios – como componentes inseparáveis que são de uma nova arquitetura”. Um dos mais importantes docentes da escola, Johannes Itten - que tinha clara influência expressionista - lecionava o curso introdutório incentivando os alunos a explorarem o desenho, a cor e os materiais. Contudo, Itten e Gropius não mantinham uma boa relação, 2 O estilo pradaria é um movimento arquitetônico do final do século XIX e início do XX predominante nas residências unifamiliares suburbanas no meio oeste estadunidense. O estilo é marcado pela horizontalidade, grandes beirais, superfícies com diferentes texturas buscando uma continuidade das casas com a paisagem natural da pradaria. 21 assim em 1923 Gropius publicou uma circular aos mestres da Bauhaus defendendo a conciliação entre o design artesanal e a produção industrial que provocou a demissão imediata de Itten (FRAMPTON, 1997, p.150), a partir de então os cursos da escola tornaram-se imediatamente práticos buscando a formação de um mundo verdadeiramente moderno e funcional (GLANCEY, 2001, p.174). Em 1924 o governo da Saxônia rejeitou o programa da escola forçando-a a se mudar para Dessau, próximo a Berlin. O novo prédio (Figura 2) para abrigar a instituição foi projetado por Gropius e exprime os ideais pedagógicos de clareza funcional e de modulação (COHEN, 2013, p.156). Já em 1928 essa tendência funcionalista foi levada ao extremo com a substituição de Gropius por Hannes Meyer na direção (GLANCEY, 2001, p.175), contudo “o engajamento político de Meyer e suas relações conflituosas com muitos dos mestres da Bauhaus levaram a sua demissão em 1930, sendo substituído por Mies van der Rohe” (COHEN, 2013, p.156). Figura 2 - Bauhaus, Walter Gropius Fonte: MERIN, Gili, 2017Com a nova gestão de van der Rohe, a Bauhaus intensificou o foco na arquitetura e buscou torná-la mais prática, porém dois anos depois a prefeitura local sob domínio fascista encerrou as atividades da escola. Mies tentou no ano seguinte dar continuidade aos ensinos fundando uma instituição privada, contudo foi novamente alvo de ataques fascistas e encerrou de vez as atividades da instituição. “Esse, porém, não foi o fim da história. Os que haviam ensinado ou aprendido na Bauhaus tornaram-se refugiados culturais” (GLANCEY, 2001, p.175), espalhando o movimento moderno por escolas de arquitetura de todo o mundo. Paralelamente o arquiteto franco-suíço Le Corbusier estava formulando suas teorias sobre a estética do engenheiro e o purismo com os cinco pontos da arquitetura moderna (pilotis, planta livre, fachada livre, janelas em fita e terraço jardim). A partir da sua obra 22 bibliográfica e arquitetônica Corbusier foi um dos principais responsáveis pela divulgação do modernismo pelo mundo como veremos na seção 2.1. Desta forma o movimento moderno se consuma no mundo inteiro, entretanto não podemos fixar sua origem em um só lugar ou em um único ambiente cultural, mas devemos entendê-lo como um grande número de contribuições individuais e coletivas que conformam uma mudança profunda que atua sobre o conjunto das tendências se confrontando para fazer frente às necessidades de um mundo radicalmente transformado (BENEVOLO, 1976, p.403). Já o Brasil do final do século XIX e início do XX era um país majoritariamente rural, na virada do século a população era de 17 milhões de habitantes e apenas 36% viviam em centros urbanos (SEGAWA, 2002, p.18). Dessa maneira os desafios enfrentados na Europa e nos EUA com a expansão das cidades e a intensificação da industrialização não repercute por aqui da mesma maneira. Contudo a pequena elite urbana nacional estava atenta às tendencias europeias nas artes, assim, um movimento moderno foi surgindo nas artes brasileiras, principalmente na literatura e na pintura que culminou na Semana de Arte Moderna de 1922 que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo. A dualidade entre tradição e modernidade e as questões sobre o nacionalismo estavam no centro das discussões dos artistas modernos. Apesar de sempre em segundo plano, a arquitetura participou desse debate apresentando o estilo neocolonial presente nas obras de José Mariano Filho e Ricardo Severo como alternativa. Os primeiros passos de uma arquitetura moderna no Brasil desvinculada do estilismo e do academicismo se inicia em 1925 com a publicação de dois artigos na imprensa. O primeiro deles de autoria de Rino Levi, escrito de Roma onde cursava arquitetura e publicado em São Paulo, chamava atenção para novos materiais e novas técnicas de construção e clamava por uma arquitetura de volumes simples e poucos elementos decorativos representando um novo espirito que contrapunha o neoclassicismo. O segundo artigo foi publicado por Gregori Warchavchik (arquiteto russo emigrado no Brasil) no Rio de Janeiro no qual ele defendia a racionalidade da máquina e os princípios da economia e comodidade, além da negação dos estilos passados. Entretanto, esses textos foram escritos inspirados nas experiências estrangeiras dos dois arquitetos e em nada alterou a arquitetura corrente no Brasil (SEGAWA, 2002, p.43-44). As primeiras experiencias de arquitetura moderna construída no Brasil também foram protagonizadas por Gregori Warchavchik que em 1927 projetou sua própria casa (Figura 3) na Vila Mariana, em São Paulo, sendo, assim, considerada a primeira obra brasileira de arquitetura moderna (LIRA, 2007, p. 164-165). A casa modelo foi amplamente divulgada pela 23 imprensa assim como as ideias do arquiteto, consequentemente entre 1928 e 1931 foram encomendadas mais sete residências e dois conjuntos de moradias econômicas ao arquiteto (SEGAWA, 2002, p.44-45). Figura 3 - Casa da rua Santa Cruz, Gregori Warchavchik Fonte: ZANELLA, Hugo, 1930 Contudo, a casa da rua Santa Cruz demonstrava certa incongruência entre a obra edificada com as publicações e discursos de Warchavchik. Apesar da ruptura com a arquitetura convencional vigente visível nas paredes lisas, na ausência de ornamentação, amplo uso de vidro, continuidade espacial e a unificação entre arquitetura e design, a residência apresenta vários artifícios para simular características da arquitetura moderna. Embora a casa tenha sido erguida em alvenaria estrutural, Warchavchik traz a ilusão de uma construção em concreto armado nos revestimentos, nas aberturas de canto e na platibanda ocultando o telhado tradicional (LIRA, 2007, p. 164-165). Muitas dessas contradições vinham de limitações técnicas visto que o Brasil não dispunha de mão de obra especializada nem de elementos arquitetônicos industrializados (LIRA, 2007). Desta forma, o papel de Warchavchik foi mais importante ao mobilizar a opinião pública e promover a causa da arquitetura racionalista, sendo pioneira na ruptura com a arquitetura conservadora (SEGAWA, 2002, p.44-49). Todavia, antes mesmo das obras de Warchavchik existia uma corrente arquitetônica que viria a ser conhecida como Art Deco consolidada em várias cidades brasileiras, que apesar de não ser ortodoxamente alinhada ao racionalismo, essa tendencia manifestava uma intenção modernizante. As primeiras manifestações dessa arquitetura foram protagonizadas por imigrantes alemães e seus descendentes que projetavam inspirados na Deutscher Werkbund de Behrens, Gropius e Van der Rohe, assim como os italianos que introduziram formas inspiradas no cubismo e futurismo. Apesar de adotar algum tipo de funcionalismo e a integração da arquitetura com a estrutura, esse movimento fundava-se nos valores da Beaux- 24 Arts, porém "adotando uma linguagem distinta da boa norma acadêmica. em busca de uma arquitetura moderna" (SEGAWA, 2002, p.59). Desta forma, apesar de representar “no imaginário daquela época, signos de progresso e modernização” (SEGAWA, 2002, p.75) essa arquitetura, também fortemente inspirada por Auguste Perret, era uma tendência oposta aos ensinamentos de Le Corbusier que seria a principal referência para os modernistas brasileiros a partir da década de 1930. Enquanto principais as cidades brasileiras adquiriam uma nova aparência Deco o governo federal, na até então capital da república Rio de Janeiro, executa um programa de obras públicas com o objetivo prático e utilitário, mas também para servir de exemplo estilístico para as construções particulares e representar civilidade e progresso (CAVALCANTI, 2006, p.11). Outra medida do programa modernizador do governo federal em 1930 foi a reformulação da Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) nomeando Lúcio Costa como diretor, que afastou os professores academizantes e contratou mestres alinhados a conceitos da arte moderna, entre eles Warchavchik. Contudo, no ano seguinte Lúcio Costa foi exonerado do cargo por pressão de protestos estudantis. Apesar da reforma acadêmica ter durado um curto período de tempo ela, inevitavelmente, trouxe consciência na nova geração de arquitetos que se formariam sobre as transformações que ocorriam na arquitetura mundial. (SEGAWA, 2002, p.78-79). Apesar de manifestações isoladas protagonizadas por Milton Roberto, Álvaro Vital Brazil, irmãos Roberto, Affonso Eduardo Reidy e Luiz Nunes, foi a construção do prédio do Ministério da Educação e Saúde (MES) [Figura 4, 20 e 21] o grande marco inicial da arquitetura moderna brasileira. Figura 4 - Sede do MES, Lúcio Costa e equipe Fonte: KON, Nelson, s.d. 25 Comandado por Gustavo Capanema, o ministério, dentro do um programa modernizador maior, pretendia “a construção da sede que, além de congregar todos os órgãos sob sua direção, deveria simbolizar o esforço renovador, dando formas a uma ação voltada para o futuro do Brasil” (CAVALCANTI, 2006,p.20), para isso foi lançado um concurso de arquitetura no qual a banca avaliadora era composta em grande parte por técnicos academicistas, sendo alguns deles da ENBA. Desta forma vence o projeto do Archimedes Memória (Figura 5), um projeto de composição monumental com influencias “marajoara”. Entretanto Capanema estava bastante descontente com o resultado do concurso que não expressava seu desejo de traduzir em uma obra a formação de um “novo homem brasileiro” e de um futuro para o país, assim ele convoca Lúcio Costa para elaborar um novo projeto. Figura 5 - Projeto para sede do MES, Archimedes Memória Fonte: Acervo de Roberto Segre apud MDC. Revista de arquitetura e urbanismo, 1935 Lúcio Costa então monta uma equipe integrada por Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira, Ernani Vasconcelos e Oscar Niemeyer e inicia um projeto de arquitetura moderna inspirada em Le Corbusier. Assim, em 1936 é apresentado uma proposta e solicitada a consultoria do próprio Corbusier para esse projeto do MES e para outro de um centro universitário que também estava sendo executado. Desta forma, com alguma relutância e entraves burocráticos o arquiteto franco-suíço é convidado a vir ao Brasil e prontamente aceita o convite. Entre palestras ministradas Corbusier dava consultoria à equipe projetista de Lúcio Costa que apesar de elogiar o projeto inicial sugeriu a concepção de um novo. Com a partida do mestre europeu quatro semanas depois os trabalhos no projeto continuam, porém a partir de então o jovem Oscar Niemeyer se destaca dentro da equipe (CAVALCANTI, 2006, p.20- 25). Desta forma a nova sede do MES ganha uma forma que, embora incorporasse toda a sintaxe corbusiana, apresentava personalidade própria (SEGAWA, 2002, p.91). 26 A partir de então Lúcio Costa e Oscar Niemeyer adquirem um novo status e prestigio nacional e internacional e são escalados para o projeto do renomado pavilhão brasileiro na Exposição Universal de Nova Iorque em 1939 (Figura 6 e 22), consolidando o amadurecimento da arquitetura brasileira que superava o racionalismo ortodoxo dando uma nova dimensão estética ao movimento moderno (SEGAWA, 2002, p.95). Logo depois Niemeyer foi convidado pelo então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, para projetar uma série de edifícios em um novo bairro suburbano de elite às margens de uma represa. Nos projetos da Pampulha (Figura 7 e 45-48) Niemeyer apresentava uma expressão mais pessoal dos princípios corbusianos (SEGAWA, 2002, p.98), “tornando-se um manifesto de uma arquitetura lírica e livre” (COHEN, 2013, p.268). Sendo assim, a Pampulha se tornou um divisor de águas na história da arquitetura, efetivamente consolidando uma nova linguagem e marcando o início de uma nova era. Figura 6 - Pavilhão Brasileiro, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer Fonte: Acervo Lúcio Costa apud Quatro, cinco, um. s.d. Figura 7 - Casa do Baile, Oscar Niemeyer Fonte: Foto do autor, 2014 Apesar da arquitetura moderna não ser um movimento homogêneo, uma das principais características comuns de todas as vertentes era a rejeição dos estilos passados, “representada 27 pela repulsa ao ornamento e exemplificada pela obra de Adolf Loos, Ornamento é Crime (1908)” (FRANCO; FRAGA; FARIAS, 2010). Outros aspectos comuns na arquitetura moderna é o conceito de “menos é mais” introduzido por Ludwig Mies van der Rohe e a ideia de que a forma segue a função defendida por Louis Sullivan. Contudo, para a análise da arquitetura modernista do hipercentro de Belo Horizonte, vamos ainda buscar compreender aos conceitos e interpretações de arquitetura moderna de acordo com três autores de grande relevância e influência, tanto por seus projetos arquitetônicos quanto pelas publicações literárias, nas esferas global, nacional e local, sendo eles, respectivamente, Le Corbusier, Lúcio Costa e Sylvio de Vasconcellos. Desta forma, nos capítulos 2.1 a 2.3 buscaremos compreender “o que” e “como” é a arquitetura moderna para cada um dos autores, não atendo apenas às suas biografias, mas buscando interpretar também suas produções teóricas e práticas. 2.1 LE CORBUSIER Charles-Edouard Jeanneret-Gris, ou Le Corbusier, nasceu em 1887 na cidade industrial de La Chaux-de-Fonds, na Suíça, perto da fronteira com a França. Graduado pela Escola de artes aplicadas de La Chaux-de-Fonds, o início de sua carreira foi alinhado ao movimento Arts and crafts, a maneira de seus mestres de formação, como bem exemplificado pela sua primeira casa, a Villa Fallet (1905) [Figura 8], porém a percepção da arquitetura começa a mudar para ele principalmente a partir de 1908 quando muda para Paris e começa a trabalhar para Auguste Perret. Durante os quatorze meses que Corbusier esteve na capital da França ele teve a oportunidade de aprender sobre o concreto armado com seu mestre e de aumentar seu conhecimento sobre a cultura francesa e clássica em razão de visitas a museus, bibliotecas e salas de conferência (FRAMPTON, 1997, p.179-180). Figura 8 - Villa Fallet, Le Corbusier Fonte: PARE, Richard, 2008 28 Em 1910 Le Corbusier foi para a Alemanha estudar a situação das artes decorativas local para a escola de artes de La Chaux-de-Fonds, assim, manteve contato com os principais nomes da Deutsche Werkbund, tomando conhecimento dos avanços técnico-científicos da engenharia de produção. Cinco anos depois ele deixou o escritório de Behrens para retornar a sua cidade natal como docente, porém antes do retorno aproveitou para fazer uma viagem pelos Bálcãs e pela Anatólia. Já em La Chaux-de-Fonds, em 1913 ele monta seu escritório especializando em concreto armado e dois anos depois elabora junto com seu amigo de infância e engenheiro, Max du Bois, duas ideias que moldariam sua carreira, a Maison Dom- Ino (Figura 9) e a Villes Pilotis. E em 1916 ele projeta Villa Schwob (Figura 10), sintaxe de todas as suas vivências até então (FRAMPTON, 1997, p.181-182). Figura 9 - Maison Dom-Ino, Le Corbusier Fonte: LE CORBUSIER, 1914 Figura 10 - Villa Schwob, Le Corbusier Fonte: PARE, Richard, 2008 A vida e obra de Corbusier passaria por grandes mudanças a partir de 1916 quando ele se muda para Paris a trabalho (FRAMPTON, 1997, p.182). Em 1919 ele se junta ao pintor Ozenfant e fundam o movimento purista que estabelece que suas regras, como o uso da forma simples, podem ser aplicadas em qualquer das artes plásticas, seja na pintura, escultura, 29 arquitetura, etc. Além das formulações acerca do purismo, o arquiteto e o pintor começam a dirigir a revista L'Esprit Nouveau (BENEVOLO, 1976, p.428). Em 1923, Le Corbusier publica seu livro “Por uma arquitetura” que consistia na compilação de vários artigos parcialmente publicados anteriormente na L'Esprit Nouveau, nesse texto o autor articula o dualismo conceitual do qual sua obra viria a desenvolver-se: por um lado a necessidade imperiosa de atender às exigências funcionais através da forma empírica, e, por outro, o impulso de usar elementos abstratos de modo a atingir os sentidos e nutrir o intelecto (SEGAWA, 2002, p.182). Desta forma, ele se propõe a superar o contraste entre progresso técnico e a decadência artística da época, mas considerando a arte e a técnica como valores paralelos, conclamando, assim, uma revolução na arquitetura (BENEVOLO, 1976, p.430) e já esboçando algumas formas dessa nova arquitetura, como formas geométricas primárias para os volumes, superfícies reveladoras da forma e planta como geradora (CORBUSIER, 2002, p.11-40). Enquanto isso, em 1922, Le Corbusier deixa o cargo de gerente na fábrica de materiais de construção Alfortville e faz sociedade com seu primo e também arquiteto Pierre Jeanneret. Uma das primeiras atividades do escritório foi desenvolver os conceitos da Maison Dom-Ino e da Villes Pilotis elaborados por Corbusier anos antes com du Bois (FRAMPTON, 1997, p.183). A Maison Dom-Ino foi um projetoteórico e um recurso técnico para a produção no qual foi proposto um esqueleto de concreto armado exemplificava as infinitas possibilidades de configuração espacial a partir da planta livre e da modulação. O nome faz alusão ao jogo dominó pois “as colunas livres em planta podiam ser vistas como pontos de um dominó, e onde o padrão de ziguezague de um agregado dessas casas lembrava a formação de um jogo de dominó” (FRAMPTON, 1997, p.183), prototipando as ideias, desenvolvidas de forma teórica em “Por uma arquitetura”, de racionalização da construção, de produção de habitação em série e a ideia da casa como uma “máquina de morar” (CORBUSIER, 2002, p.159-188). A partir de 1925 Corbusier passa a construir uma série de casas burguesas iniciada pela Maison Cook, utilizando da modulação e da estrutura de concreto armado da Maison Dom-Ino e apresentando de maneira prática os conceitos do seu texto “Os cinco pontos de uma nova arquitetura” (Figura 12), publicado em 1926 (FRAMPTON, 1997, p.188), que se torna mais clara e objetiva na Villa Savoye (Figura 11). 30 Figura 11 - Villa Savoye, Le Corbusier Fonte: GIMPERT, Adam, 2012 Os cinco pontos desenvolvidos por Corbusier são: 1. Os “pilotis” Pesquisas assíduas e obstinadas levaram a resultados parciais que podem ser considerados como provas de laboratório. Estes resultados abrem novas perspectivas para a arquitetura, e estas se oferecem à urbanística, que ali pode encontrar os meios para resolver a grande doença das cidades atuais. A casa sobre pilotis! A casa se aprofundava no terreno: locais escuros e frequentemente úmidos. O concreto armado torna possível os pilotis. A casa fica no ar, longe do terreno; o jardim passa sob a casa, o jardim também está sobre a casa, no teto. 2. Os tetos-jardim Há séculos, um teto com vertentes tradicionais suporta normalmente o inverno com seu manto de neve, enquanto a casa é aquecida através das estufas. A partir do momento em que se instalou o sistema de aquecimento central, o teto tradicional não mais convém. O teto não deve apresentar vertentes mais sim ser escavado. Deve recolher a água para o lado interno da casa, e não jogá-la para o exterior. Verdade incontestável: os climas frios impõem a supressão dos tetos vertentes e exigem a construção de tetos-terraços escavados, com recolhimento para o interior da água. O concreto armado é o novo meio que permite a realização das coberturas homogêneas. O concreto armado dilata-se acentuadamente. A dilatação faz romper a estrutura em horas imprevistas. Ao invés de procurar evacuar rapidamente as águas pluviais, é necessário procurar, pelo contrário, manter uma umidade constante sobre o concreto do terraço, e portanto uma temperatura regulada sobre o concreto armado. Medida particular de proteção: areia recoberta por lajes de concreto, com juntas afastadas. Estas juntas são plantadas com grama. Areia e raízes não deixam que a água se infiltre rapidamente. Os jardins-terraço tornam-se opulentos: flores, arbustos e árvores, um prado. Razões técnicas, econômicas, funcionais e sentimentais levam à adoção do teto-terraço. 3. A planta livre Até então: paredes de sustentação: Partindo do subsolo, sobrepõem-se formando o andar térreo e os outros andares, até o teto. A planta se torna escrava das paredes de sustentação. O concreto armado traz, para a casa, a planta livre! Os andares não precisam mais serem encaixados um sobre os outros. Estão livres. Grande economia de volume construído, utilização rigorosa de cada centímetro. Grande economia de dinheiro. Cômoda racionalidade da nova planta! 31 4. A “fenêtre en longueur3” A janela é um dos elementos essenciais da casa. O progresso traz uma libertação. O concreto armado revoluciona a história da janela. As janelas podem correr de um lado a outro da fachada. A janela é o elemento mecânico-tipo da casa; para todos os nossos alojamentos unifamiliares, as nossas casas, as nossas casas operárias, nossos edifícios de aluguel... 5. A fachada livre As pilastras afastam-se em relação à fachada, na direção da parte interna da casa. O pavimento prossegue em falso, na direção do exterior. As fachadas são apenas frágeis membranas, de paredes isoladas oi de janelas. A fachada está livre; as janelas, sem se interromperem, podem correr de um lado a outro da fachada (LE CORBUSIER apud BENEVOLO, 1976, p.431-434). Figura 12 - Os cinco pontos de uma nova arquitetura, Le Corbusier Fonte: LE CORBUSIER, 1926 Depois de muito se dedicarem às residências, em 1927 Le Corbusier e Pierre Jeanneret fazem seu primeiro projeto para uma grande estrutura pública, o concurso para a sede da Liga das Nações em Genebra. Apesar de terem sido desclassificados do concurso por não ter apresentado o projeto no meio gráfico apropriado, esse momento foi um divisor de águas em sua carreira (FRAMPTON, 1997, p.190-191). Depois do concurso ficou clara uma diferença de abordagem das obras de Corbusier em função da escala e do uso, essa diferença é explicada pela teoria da estética purista na qual ele defende que quanto mais íntima a relação do homem com o objeto mais ele deve se aproximar da estética do engenheiro, desta forma, na construção, diferencia-se os monumentos das habitações, sendo que a segunda adquire cada vez mais um caráter racional. (FRAMPTON, 1997, p.215) Essa mudança de paradigma fica evidente na Ville Radieuse que foi projetada pensando fortemente nos critérios econômicos, propondo um apartamento flexível de nível único e extensão variável, cada centímetro da unidade é aproveitado, restringindo a área do núcleo de 3 Janela em fita. 32 serviços ao mínimo e a espessura das divisões eram ínfimas propondo, também, sua flexibilidade. De fato, as unidades de habitação proponham-se a ser tão eficientes e ergonômicas quanto um vagão-dormitório, aproximando-se cada vez mais do desenho industrial e distanciando-se da arquitetura (FRAMPTON, 1997, p.215-216). Durante a década de 1930 Le Corbusier se dedica a vários projetos residenciais. Diferentemente das casas projetadas nos anos 1920, nesse período o arquiteto passa a explorar novos sistemas de construção e novos padrões funcionais, assim, materiais rústicos como pedras e madeira passam a ser amplamente usados, valorizando processos de construção tradicionais e mais baratos (BENEVOLO, 1976, p.566). Entre as obras desse período destacam-se a Villa de Madame H. de Mandrot (1929), a Maison Errazuriz (1930), a Maison de week-end (1934) [Figura 13], e o Pavillon des Temps Nouveaux (1936) [Figura 14] que prenunciavam um futuro menos doutrinário com mais liberdade de misturar técnicas primitivas e modernas (FRAMPTON, 1997, p.221-222). Figura 13 - Maison de week-end, Le Corbusier Fonte: GODINEZ, Rudy, s.d. Figura 14 - Pavillon des Temps Nouveaux, Le Corbusier Fonte: SALAÜN, Albin, s.d. 33 A partir de então, Corbusier, aproxima-se cada vez mais da estética, tecnologia e materiais vernaculares e rompe com a estética dogmática do purismo, afrontando a tradição racionalista do movimento moderno. Em 1942 ele projeta a Unite d' Habitation (Figura 15) em Marselha na França para suprir demandas do pós guerra, apesar de não apresentar a sintaxe surrealista de suas casas de inspiração vernácula, nesse projeto é evidente o abandono da tecnologia mecânica leve do período pré segunda guerra. Além disso, apesar de fruto do princípio da “unidade de habitação de tamanho padrão e da clara inspiração na Ville Radieuse, a Unite apresenta uma organização consideravelmente mais complexa (FRAMPTON, 1997, p.271-274). Figura 15 - Unite d' Habitation, Le Corbusier Fonte: PARE, Richard, 2008 A Unite d' Habitation foi pensada como um garrafeiro de concreto no qual as unidades habitacionais são inseridas, a estrutura é apoiada em um robusto pilotis e ofereceria serviços de hotelaria além de abrigar lojas,a cobertura do conjunto é um extenso terraço destinado ao lazer a contemplação da paisagem com jardins, pista de corrida e piscina (COHEN, 2013, p.322). Esse projeto é a materialização de uma pesquisa que Corbusier vinha realizando desde a década anterior, na qual ele busca a “escala adequada, dentro da qual possa ser posta em ação uma intervenção arquitetônica global, que reúna em um organismo unitário certo número de células residenciais e seus serviços comuns” (BENEVOLO, 1976, p.680). Durante os anos 1950, Le Corbusier se ocupou principalmente dos projetos da Capela de Ronchamp (Figura 16) e do Convento de La Tourette nas quais o arquiteto utiliza de conceitos contrários. Enquanto no convento a paisagem e a arquitetura parecem estar em constante conflito na capela “as formas crustáceas que compõem o conjunto [...] estavam precisamente ajustadas de modo a responder à ‘acústica visual’ de uma paisagem ondulante” (FRAMPTON, 1997, p.275), Ronchamp, foi um grande choque tanto para os admiradores quanto para os críticos à Corbusier, principalmente por sua preocupação escultórica. 34 Figura 16 - Capela de Ronchamp, Le Corbusier Fonte: GURAK, Wojtek, 2017 Até o final de sua vida em 1965, Le Corbusier projetou várias outras obras, destacando entre elas os projetos para Chandigarh na Índia, porém suas obras já não representavam mais um corpo coeso e heterogêneo, suas formulações sobre racionalismo, purismo e industrialização já não eram mais rigorosamente seguidas, o movimento moderno internacional já se encontrava em crise na década de 1960, assim, novas linguagens e abordagens arquitetônicas ganhavam espaço dentro da obra dos próprios idealizadores do modernismo. 2.2 LÚCIO COSTA Lúcio Costa nasceu em 1902 em Toulon, na França, e como filho de almirante passou grande parte de sua infância percorrendo vários países diferentes, apenas no ano de 1917 que ele se estabelece definitivamente no Brasil e se matricula na ENBA. Durante sua formação e o início de sua carreira, Lúcio Costa vincula-se ao movimento neocolonial, de modo que, antes mesmo de sua formação, foi convidado por José Marianno Filho a realizar uma viagem de documentação à cidade de Mariana/MG, devido ao seu destaque acadêmico (LEONÍDIO, 2007, p.30-34). A partir da viagem à Minas Gerais Costa descobre uma nova arquitetura colonial, a arquitetura civil que impacta fortemente na sua produção. Em artigo publicado após a viagem, em 1924, para o jornal “A noite” o arquiteto deixa claro essa nova visão sobra a arquitetura, ele passa a defender a beleza nas proporções e nas formas das residências mineiras, além de valorizar a finalidade e a sinceridade dos elementos arquitetônicos, condenando as incoerências presentes em muitos exemplares do estilo neocolonial no Rio de Janeiro, reproduzindo elementos coloniais, mas desviando-os de seus usos e funções a pretexto de 35 efeito decorativo (LEONÍDIO, 2007, p.34-37). Contudo, Costa não se desvincula do movimento neocolonial, e mantem durante a década de 1920 uma dualidade. Por uma lado ele avança na elaboração de seus conceitos da arquitetura neocolonial, rejeitando a arquitetura moderna, a qual ele caracterizou, em publicação ao “O jornal” de 1928, como uma moda passageira que não deveria ser aplicada em edificações de caráter permanente, ao mesmo tempo que evoca a razão e a lógica no projeto de arranha-céus, defendendo a verdade estrutural, que a forma segue a função e que o estilo deveria corresponder à sua época, quando questionado sobre os novos edifício verticais pelo “O país” também em 1928 (LEONÍDIO, 2007, p.39-44). O rompimento de Lúcio Costa com o movimento neocolonial e a concordância com a arquitetura moderna fica clara a partir de 1930 com a nomeação para a direção da ENBA. (LEONÍDIO, 2007, p.56-57). Com a tomada do governo federal em 1930 por Getúlio Vargas, foi criado o MES chefiado por Rodrigo Mello Franco de Andrade, intelectual mineiro ligado ao modernismo, entre as ações do nomo ministério estava a nomeação de Lúcio Costa para a direção da ENBA com o intuito de se fazer uma reforma no ensino acadêmico da instituição (SEGAWA, 2002, p.78). Durante o processo de transformação da ENBA todos os professores academicistas foram afastados e um novo corpo docente foi convocado, para o curso de arquitetura, Costa convidou o Warchavchik, o Reidy e o Buddeus, todos de alguma maneira vinculados ao movimento moderno (SEGAWA, 2002, p.78-79). Apesar de Lúcio defender a reforma de toda a escola, o curso de arquitetura recebia uma atenção especial, pois ele considerava a orientação geral do ensino falha principalmente pela divergência entre a arquitetura e a estrutura, assim a meta principal com a nova escola seria tornar o curso mais técnico e científico, buscando a harmonia entre a construção e a arte. (LEONÍDIO, 2007, p.57 e 60). Contudo, essa reorganização da escola causou reação dos tradicionalistas, inclusive dos adeptos da arquitetura neocolonial, desta forma vários protestos estudantis pressionaram Costa até sua exoneração em setembro de 1931. Apesar de curto e de não ter restado nada da reestruturação, o período de Lúcio Costa sob direção da ENBA foi responsável por introduzir a uma geração de futuros arquitetos o movimento moderno internacional e os conceitos do funcionalismo e do racionalismo (SEGAWA, 2002, p.78-79). Após o desligamento com a ENBA, Lúcio Costa se associa com Gregori Warchavchik em um escritório durante três anos, entretanto a sociedade só rendeu o projeto de três casas, sendo duas executadas, e da vila operária da Gamboa (Figura 17). Apesar de poucos trabalhos elaborados, a parceria entre Costa e Warchavchik foi responsável pelos primeiros projetos de 36 traços modernos de Lúcio, sendo o início de uma extensa produção arquitetônica que influenciaria todo o país (SEGAWA, 2002, p.79). Já em 1935, a sociedade com Warchavchik é cessada, e Costa passa a trabalhar com Carlos Leão em uma parceria que duraria apenas um ano (LEONÍDIO, 2007, p.117-118). Figura 17 - Vila operária da Gamboa, Gregori Warchavchik e Lúcio Costa Fonte: Itaú Cultural, 2019 Apesar dos anos que se sucederam à direção da ENBA terem sido de pouca atividade projetual, “eles foram especialmente produtivos no que respeita à reflexão teórica” (LEONÍDIO, 2007, p.118). Em meio a textos sobre questões sociais e econômicas, o mais notório dos experimentos de Lúcio Costa nesse período foi a série de casas (Figura 18) projetadas para lotes de tamanho padrão do Rio de Janeiro da época, sem um programa, demanda ou cliente específico, sendo apenas exercícios. Nessas casas é possível observar a aproximação de Costa com o funcionalismo de Le Corbusier (como no emprego das janelas em fita, terraços, fachada livre e pilotis), autor o qual Costa já conhecia, mas só foi se aprofunda no período pós ENBA em razão da disponibilidade de tempo para se dedicar aos estudos, e que influencio fortemente sua produção desde então (LEONÍDIO, 2007, p.118- 123). Figura 18 - A casa sem dono 1, Lúcio Costa Fonte: COSTA, Lúcio, s.d. 37 Contudo “a primeira grande oportunidade para que, através da prática projetual, Lúcio Costa verificasse a pertinência dos pontos de vista defendidos [...] só iria acontecer em 1934” (LEONÍDIO, 2007, p.123) na concepção do projeto Vila Monlevade (Figura 19), para um concurso público promovido para a construção de casas operárias para uma companhia mineradora. Esse projeto é notadamente influenciado pelas obras de Le Corbusier, como mencionado no memorial descritivo, os pilotis são norteadores de toda a concepção, pois dispensa movimentação de terra, permite a implantação em todo o terreno que tinha declividade acentuada e cria área de lazer para os moradores. Apesar disso, a principal referência para a Vila Monlevade foi a Maison Dom-Ino, na qual Costa vale-se das formulações sobra a independênciaentre a estrutura e os demais elementos constituintes do edifício e sobre a produção em série, assim, ele compreende que apesar de limitações técnicas, o sistema construtivo moderno poderia se adequar a qualquer tipo de situação, conciliando o desejo de incorporar novos sistemas e materiais de construção com a realidade social e da construção civil nacional (LEONÍDIO, 2007, p.123-131). Figura 19 - Vila Monlevade, Lúcio Costa Fonte: COSTA, Lúcio apud NATAL, Caion Meneguello A partir da Vila Monlevade, Lúcio Costa evidencia “as possibilidades da técnica moderna” que ele iria referir-se por toda a vida, a técnica moderna era um caminho no qual ele poderia fazer conviver o moderno e o tradicional (LEONÍDIO, 2007, p.133). No projeto “o arquiteto buscava insistentemente incorporar a seu projeto [...] um aspecto fundamental da cultura local: o fazer local, a tradição construtiva ou técnica, os materiais, sistemas construtivos e habilidades específicas da mão de obra local” (LEONÍDIO, 2007, p.134). 38 No ano seguinte ao concurso da Vila Monlevade, em 1935, Lúcio Costa estaria envolvido no desenvolvimento de dois projetos no Rio de Janeiro, um para a Universidade do Distrito Federal e outro para a sede do MES (Figura 4, 20 e 21). É nesse contexto que ele escreve seu célebre texto “Razões da nova arquitetura” que foi publicado em janeiro de 1936 na “Revista da Diretoria de engenharia da prefeitura do Distrito Federal” (LEONÍDIO, 2007, p.141-144). “Razões da nova arquitetura” se destaca entre a produção textual de Lúcio Costa publicada até então pois “se constitui na primeira tentativa de estabelecimento [...] de uma verdadeira arquitetura [...] que desse conta da arquitetura contemporânea de maneira abrangente e definitiva” (LEONÍDIO, 2007, p.146). O primeiro ponto defendido no texto é de que a história da arquitetura, colocada pelo autor como “evolução da arquitetura”, é cíclica, contudo, entre as fases de equilíbrio existe um turbulento período de transição que é marcado pela “incapacidade dos contemporâneos no julgar do vulto e alcance da nova realidade” (COSTA, 1936), pela incompreensão do momento histórico vigente, resultando na resistência das novas formas de expressão que aos poucos vai se consolidando e configurando um novo período de equilíbrio. Desta forma, para Costa, ele estava “vivendo, precisamente, um desses períodos de transição” (COSTA, 1936), resultado de um processo de transformação social que ocorrera ao longo do século XIX e início do século XX, todavia o período histórico testemunhado se diferenciava de todos os antecessores pelo advento da máquina. Segundo Costa, do início da humanidade até a revolução industrial, apesar de constantes transformações, toda a produção humana era marcada pela limitação do trabalho manual ou animal, porém nesse período a máquina transforma toda a lógica de produção, assim, ele defende que “a crise da arquitetura contemporânea o que observa em outros terrenos – é o efeito de uma causa comum: o advento da máquina” (COSTA, 1936). Apesar da crise estética não ser exclusiva da arquitetura, alguns produtos da humanidade já apresentavam de forma clara e objetiva uma nova forma de expressão, como por exemplo os meios de transporte4. No que tange a arquitetura, o que “comanda a transformação radical de todos os antigos processos de construção é a ossatura independente” (COSTA, 1936), assim, as paredes que antes possuíam função estrutural, configuram-se apenas como elementos de vedação, sendo possível reduzi-las ao mínimo, e inclusive, devidamente orientada, serem substituídas por simples lâminas de vidro. 4 Essa constatação de Lúcio Costa é notadamente inspirada no capítulo “Os olhos que não vêem...” da obra “Por uma arquitetura” de Le Corbusier. 39 A partir da compreensão dos novos sistemas construtivos, Costa defende que a arquitetura deve estar em acordo com a sociedade de sua época e sempre pautada pela técnica. Assim, o autor estabelece uma série de características da nova arquitetura como a fachada livre, a liberdade na planta, os pilotis, as janelas corridas, e a pureza dos volumes, assim, condenando a ornamentação e a decoração sem, contudo, reprovar a colaboração entre as artes. “A publicação de ‘Razões da nova arquitetura’, em janeiro de 1936, não haveria de ser todavia o único ato de Lúcio Costa em favor da implantação no Brasil, de uma arquitetura moderna” (LEONÍDIO, 2007, p.167). Desde o ano anterior Costa estava envolvido nos projetos para a cidade universitária e para a sede do MES (Figura 4, 20 e 21). “Em 1935, era aberto o concurso para anteprojetos da nova sede do MES, em terreno na esplanada do Castelo, centro do Rio de Janeiro” (SEGAWA, 2002, p.89), apesar de Archimedes Memória, então diretor da ENBA, ter vencido o concurso, o ministro Gustavo Capanema não estava satisfeito com os resultados, assim, ele convida Lúcio Costa em setembro de 1935 para projetar a nova sede de seu ministério (SEGAWA, 2002, p.89). Costa, então, monta uma equipe com todos os participantes do concurso que apresentaram projetos de caráter moderno, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão e Jorge Moreira, além de Ernani Vasconcello, assistente de Moreira, e Oscar Niemeyer, assistente do próprio Costa. Em maio de 1936 quando uma primeira versão do projeto para a sede do MES estava pronta e a disputa para a escolha do projeto para a cidade universitária estava acirrada Lúcio Costa vislumbra a possibilidade de Le Corbusier vir ao Brasil prestar consultoria aos dois projetos, principalmente da cidade universitária, e dar uma série de palestras (LEONÍDIO, 2007, p.168-170). Chegando no Rio de Janeiro o arquiteto franco-suíço sugere descartar o projeto desenvolvido para o MES e projeta um edifício totalmente novo em um outro local, contudo, não seria possível a construção no terreno sugerido por Le Corbusier, assim, na véspera de sua partida, ele traça alguns croquis que serviram como base para o projeto que foi desenvolvido por Lúcio Costa e equipe posteriormente. O projeto final, apesar de baseado nos desenhos de Le Corbusier, “evoluiu para uma solução com personalidade própria” (SEGAWA, 2002, p.91), apresentando como solução uma implantação até então única no Rio de Janeiro, isolando-o do terreno e criando uma grande praça, em partes coberta por um grande e monumental pilotis. O volume é composto por dois blocos baixos e um lamelar, todos de formas simples e com preocupações quanto a orientação solar no tratamento de suas superfícies, a fachada norte é protegida com brises 40 soleil horizontais, a fachada sul é um pano de vidro integral, assim, possibilitando a entrada de luz natural e a ventilação cruzada. Além das soluções de implantação e fachadas, o prédio foi todo concebido com estrutura independente, e buscava utilizar e valorizar materiais locais e, também, buscava-se integrar várias manifestações artísticas à arquitetura, com pinturas de Cándido Portinari, esculturas de Celso Antonio, Bruno Giorgi e Jacques Lipchitz e paisagismo de Roberto Burle Marx. Figura 20 - Sede do MES, Lúcio Costa e equipe Fonte: KON, Nelson, s.d. Figura 21 - Sede do MES, Lúcio Costa e equipe Fonte: KON, Nelson, s.d. A sede do MES projetada por Lúcio Costa e equipe, apesar de certa resistência inicial, “é considerado o ponto inicial de uma arquitetura moderna de feitio brasileiro” (SEGAWA, 2002, p.92), sendo internacionalmente reconhecida. Contudo a cidade universitária não teve a mesma sorte, apesar de apelos, inclusive na imprensa, o projeto foi rejeitado pela comissão avaliadora, contudo foi fundamental para a articulação entre Lúcio Costa e Le Corbusier e na formulação do repertório moderno na arquitetura nacional. 41 Após o episódio da cidade universitária, Lúcio Costa fica claramente frustrado e se afasta das formulações acerca da arquitetura moderna, ocupando-se da causado Patrimônio (LEONÍDIO, 2007, p.192-196). Contudo não abandona a prática projetual e em 1938 participa do concurso para a construção do pavilhão que representaria o Brasil na Feira Mundial de Nova Iorque de 1939 (Figura 6 e 22). Saindo vitorioso ele renuncia o projeto original e convida Niemeyer, que ficou em segundo lugar e já haviam trabalhado juntos na sede do MES, para colaborar em um novo projeto (SEGAWA, 2002, p.93). Desta forma, o projeto definitivo para o pavilhão resultava da combinação de alguns aspectos da proposta inicial de Costa os pilotis, a rampa de acesso e os elementos vazados de fachada, a título de brise-soleil - com a de Niemeyer- a curvatura da parede acompanhando o terreno, o jardim na parte posterior (SEGAWA, 2002, p.93). O projeto possui um bloco maior com planta em “L” e três blocos pequenos isolados no jardim, no bloco principal uma rampa sinuosa e escultural emerge dando acesso direto ao pavimento superior com um auditório e espaço para exibição. Os ambientes, sempre que possível, era integrados entre si e o tratamento da fachada foi feito levando em consideração a orientação solar, criando fachadas cegas ou com elementos de proteção, como cobogós e brises, nas orientações menos favorecidas e abrindo a edificação para o exterior nas faces mais favorecidas. A curva natural do terreno foi incorporada no desenho da planta do bloco principal, repetindo a estratégia em vários elementos da construção como marquises, coberturas, balcões e já citada rampa, configurando originalidade para a obra. Além disso Costa e Niemeyer repetiam o esquema de integração das artes, incorporando novamente a escultura, a pintura e o paisagismo (CAVALCANTI, 2006, p.96). No pavilhão brasileiro para a Feira Mundial de Nova Iorque o arquiteto aperfeiçoou e consolidou a vocabulário brasileiro da arquitetura moderna, que apesar de fortemente inspirado pelos mestres europeus, principalmente Le Corbusier, estabeleceu uma linguagem própria que influenciaria toda a produção arquitetônica no Brasil a partir de então. 42 Figura 22 - Pavilhão Brasileiro, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer Fonte: Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York: Catálogo Durante a década de 1940 Lúcio Costa se encontra envolvido nos projetos residenciais para Barão de Saavedra (1941-42) [Figura 23], Hungria Machado (1942), Heloísa Marinho (1942-1944), e Pedro Paes de Carvalho (1944), além do Park Hotel, Nova Friburgo (1944) e do famigerado Parque Guinle (1948-1954) [Figura 24 e 25] (CARLUCCI, 2005, p.49-51, 53 e 59). Nos projetos residenciais, cada um com sua especificidade, “um partido arquitetônico se define e toma corpo em Costa” (CARLUCCI, 2005, p.53), no qual a racionalidade da planta e a pureza das formas se combinam com releituras de elementos arquitetônicos coloniais brasileiros como treliças, balaustradas de madeira, elementos vazados de tijolo, e esquadrias azuis (CARLUCCI, 2005, p.53), compondo uma arquitetura moderna em sua estratégia projetual e sistema construtivo, porém de caráter local. Figura 23 - Residência Barão de Saavedra, Lúcio Costa Fonte: Acervo Gilda Saavedra apud Casas Brasileiras. Os projetos dos edifícios no Parque Guinle, no Rio de Janeiro, do final da década de 1940, representam a síntese dos valores projetuais implementados ao longo de toda a década (CARLUCCI, 2005, p.59). A planta dos apartamentos é consequência tanto da planta livre apresentada por Le Corbusier quanto das casas tradicionais brasileiras, além disso a 43 arquitetura colonial brasileira também é reinterpretada nos elementos de proteção solar, empregados nas fachadas desfavoráveis intercalando o uso de brises e cobogós, em contraponto com a fachada de orientação sul que é formada por um grande pano de vidro. Observa-se então que Costa, em sua prática projetual, buscava ponderar a tecnologia e a lógica projetual moderna com uma montagem de planta e a utilização de elementos arquitetônicos que fazem referência ao precedente (ALVES, 2011, p.176-180). Figura 24 - Parque Guinle, Lúcio Costa Fonte: KON, Nelson, s.d. Figura 25 - Parque Guinle, Lúcio Costa Fonte: KON, Nelson, s.d. Ao longo da década de 1950, Lúcio Costa continuou desenvolvendo projetos arquitetônicos como a Sede Social do Jockey Club Brasileiro e a Maison du Bresil novamente em parceria com Le Corbusier, sem deixar de lado, também, sua produção teórica e textual. Contudo, em 1957 Costa tem a oportunidade de traduzir suas formulações arquitetônicas na escala urbana com o desenvolvimento do plano piloto de Brasília, que seriam novamente experimentadas dez anos depois no plano piloto para a Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Nas décadas seguintes Lúcio Costa não interrompe seu trabalho, porém diminui o ritmo de produção, além de se manter mais recluso. Nesse período entre as décadas de 1970 e 1990 44 ele projeta as residências Thiago de Mello e Helena Costa e pública no final de sua vida o livro “Lucio Costa: Registro de uma Vivência”, obra autobiográfica reunindo textos, depoimentos, cartas, desenhos, croquis, projetos e fotografias que transcorre por todas as fases do autor. 2.3 SYLVIO DE VASCONCELLOS Sylvio de Vasconcellos nasceu em Belo Horizonte/MG em 14 de outubro de 1916, em meio a umas das famílias mais tradicionais de Minas Gerais. Filho de mãe professora de música e pai funcionário público e historiador, e neto de Diogo Luís de Almeida Pereira de Vasconcellos, deputado geral do Império e presidente da câmara de vereadores de Ouro Preto durante a República. Durante sua infância e adolescência Sylvio estudou em renomadas instituições na capital e em outras cidades de Minas Gerais, porém não ingressou na faculdade logo após a conclusão do ginásio. Antes mesmo de se graduar, em 1939 Sylvio começou a trabalhar no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), chegando posteriormente ao cargo de chefe do distrito de Minas Gerais. Em 1944 conclui o curso de arquitetura na Escola de Arquitetura e em 1951 adquire o título de urbanista, ambas as formações concluídas com louvor (BRASILEIRO, 2008, p.41). A Escola de Arquitetura foi fundada em 1930, desta forma Sylvio compôs uma das primeiras turmas da faculdade. Durante sua graduação os “professores apresentava uma forma de ensino tradicional, com pouca participação dos estudantes” (BICALHO; BRANDÃO e OLIVEIRA, 2006, p.11), entretanto, com a inauguração do conjunto arquitetônico da Pampulha, os alunos tiveram as obras de Oscar Niemeyer e as formulações modernistas como referência. Contudo, o perfil dos professores da Escola de Arquitetura começa a mudar quando a primeira geração de alunos retorna à instituição para lecionar. Nesse contexto de transformação e conflito Sylvio de Vasconcellos ingressa no corpo docente em 1948, e em 1953, após concluir o curso de urbanismo, conquista o título de professor catedrático. Durante seu período de atuação acadêmica, Sylvio se destacou como um professor competente e inovador, além disso, se notabilizou, também, pelo trabalho de pesquisa sobre o patrimônio histórico e as artes (BICALHO; BRANDÃO e OLIVEIRA, 2006, p.12-14). Além de docente, Sylvio de Vasconcellos teve importante atuação pública em várias instituições e projetos. Em 1955 foi presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, seção 45 Minas Gerais (IAB/MG) e participou, também, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. Além disso, Sylvio também foi curador do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e da IV Bienal de Arte de São Paulo e crítico de arte membro das Associação Brasileira de Críticos de Arte e Associação Internacional de Críticos de Arte (BRASILEIRO, 2008, p.42). Simultaneamente ao trabalho docente e atuação pública, Sylvio realizou diversos projetos arquitetônicos em Belo Horizonte durante as décadas de 1940 e 50, compondo "um amplo quadro de trinta e oito projetosde edificações institucionais, religiosas e, principalmente, residenciais" (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.84), nos quais “Sylvio leu, interpretou e construiu uma visão particular de modernidade” (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.85). Sua primeira obra foi sua própria casa na rua Caldas, nº 47 (Figura 26), projetada em 1942, antes mesmo de se formar, com ajuda de Raphael Hardy Filho. Três anos depois foi projetado por Juscelino Ribeiro da Fonseca um segundo pavimento (BICALHO; BRANDÃO e OLIVEIRA, 2006, p.35). Nesse projeto fica claro a fusão da arquitetura colonial mineira com a arquitetura moderna, elementos como a treliça de madeira no guarda corpo, fazendo uma releitura dos muxarabis, as vergas em pedra aparente, as esquadrias de madeira e o galbo do telhado são combinados com a funcionalidade da distribuição dos ambientes (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.75), compondo uma nova linguagem de caráter moderno. Figura 26 - Casa na rua Caldas, nº 47, Sylvio de Vasconcellos Fonte: LABORATÓRIO DE FOTODOCUMENTAÇÃO SYLVIO DE VASCONCELLOS apud BICALHO e ARAÚJO, 2015 Durante sua atuação como arquiteto fica evidente a orientação funcionalista corbusiana de Sylvio de Vasconcellos, além de fortes preocupações com questões ambientais como iluminação e conforto térmico. Para solucionar essas questões, o arquiteto libera a casa dos limites do lote, provendo jardim frontal e quintais aos fundos, quando as dimensões dos lotes não eram favoráveis ele buscava soluções incorporando jardins de inverno. Aliado às questões 46 de implantação, Vasconcellos usualmente adotava duas soluções de arranjo de varanda na fachada frontal das casas, “a primeira solução usa um espaço de transição, ao rés do chão ou sob a forma assobradada, coberto e protegido por elementos de obstrução da visibilidade que resguardam o morador: tubos metálicos verticais, painéis e treliças (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.86), por outro lado, a segunda solução projeta o segundo pavimento sobre o térreo, criando ali o ambiente de transição, e adotando no pavimento superior janelas em fita. A residência na rua Olímpio de Assis nº 77 (Figura 27), projetada em 1947, evidencia a primeira estratégia de arranjo de varanda (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.65), criando uma varanda no segundo pavimento coberta por uma laje projetada a frente do corpo da edificação e sustentada por esbeltas colunas de concreto armado de seção circular, criando um ambiente de transição entre o jardim frontal e a sala de estar, vedada por um pano de vidro. Figura 27 - Casa na rua Olímpio de Assis, n° 77 Sylvio de Vasconcellos Fonte: DIPC apud BICALHO e ARAÚJO, 2015 Já na casa da rua Sinval de Sá nº 586 (Figura 28), de 1953, o arquiteto experimenta a segunda solução de varanda. A volumetria da casa é composta por dois paralelepípedos sobrepostos, sendo o superior avançado sobre o inferior, criando no térreo uma varanda como um ambiente de transição e também como garagem, além disso ele usa da fachada livre para criar um pano de vidro interrompido por uma faca de cobogós. 47 Figura 28 - Casa na rua Sinval de Sá, nº 586, Sylvio de Vasconcellos Fonte: DIPC apud BICALHO e ARAÚJO, 2015 Quanto as soluções de planta, em seus projetos residenciais, Sylvio busca integrar o interior com o exterior e integrar os espaços, contudo reserva parcialmente a intimidade da família na sala de jantar, conjugando-a com a sala de estar, mas conferindo-a certa independência. Para responder uma melhor organização funcional e integrar a vida familiar, a cozinha torna-se o centro da casa, interseccionando os setores sociais e de serviço. No tocante a volumes e planos Sylvio de Vasconcellos adota uma postura alinhada ao neoplasticismo e ao cubismo. Em suas obras os volumes são compostos de formas primárias justapostas, utilizando-se de contraste entre cheios e vazios e materiais diversos para intensificar essa percepção (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.91), como aplicada na residência projetada na avenida do Contorno em 1954 (Figura 29) na qual as cores dos materiais, o avanço do segundo pavimento e o recuo dos pilares em relação a fachada intensificam a percepção de dois prismas um sobre o outro. Figura 29 - Casa na avenida do Contorno, nº 7871 Fonte: DIPC apud BICALHO e ARAÚJO, 2015 O referencial funcionalista de Vasconcellos também fica explícito em sua obra teórica, como no prescritivo texto “Como saber se sua casa é boa ou ruim” no qual Vasconcellos 48 considera os banheiros cômodos de uso esporádico. Dessa forma, “não adianta possuírem áreas imensas. Devem apenas ser suficientemente proporcionados para que neles caibam as peças indispensáveis e espaço para sua utilização” (apud BRASIL, 2008, p.92). Assim também as cozinhas deveriam passar por maior rigor funcional, segundo suas recomendações o ambiente deve possuir de preferência uma única porta, quando necessário duas, elas não devem criar um fluxo na área de trabalho, além disso, os armários não devem ser nem altos nem baixos, para que o acesso a eles ocorra de maneira eficiente, ademais, a geladeira deve ficar entre a sala e a cozinha facilitando o acesso por todos os membros da casa, e, por fim, os materiais devem ser pensados na praticidade de limpeza e manuseio, assim, com exceção do aço inox, os metais devem ser evitados e os plásticos preferenciados. (VASCONCELLOS apud BRASIL, 2008, p.127-128). Ao analisar a obra do Sylvio de Vasconcellos, Brasileiro (2008, p.103) identifica o que nomeou de “os dez pontos da arquitetura moderna mineira”, fazendo alusão aos “Cinco pontos de uma nova arquitetura” de Le Corbusier, que seriam: volumes prismáticos, grandes afastamentos ajardinados, quintais transformados em espaço de lazer da família, cozinha equipada, incorporação do setor de serviços ao volume da residência, garagem de dupla-função, dormitórios amplos, quarto de costura e guardados, aberturas amplas e corrediças permitindo interiores claros e a conexão com o exterior, cores nas fachadas. Apesar da prevalência da arquitetura residencial unifamiliar, a obra do Sylvio também abrange outras áreas. O atual Cine Belas Artes (Figura 30), foi projetado em 1953 para abrigar o DCE da UFMG, porém na década de 1990 passou por uma grande reforma para transformá- lo em um cinema. (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.72). O edifício é marcado pelos volumes prismáticos justapostos e pelo pilotis formado pelo recuo do primeiro pavimento. Os esbeltos pilares de seção circular dão leveza a obra. Além disso, Vasconcellos projetou a Capela Verda Farrar (Figura 31) em 1957. O templo é definido pelas paredes laterais com formas curvas projetando a parte superior sobre a calçada. A obra é anexa ao Instituto Metodista Izabela Hendrix e configura um salão livre no nível da rua e um grande pilotis no nível inferior. No ano seguinte o arquiteto projeta o Edifício MAPE (Figura 32) localizado na Praça da Liberdade, o prédio é de uso misto, comercial no térreo e apartamentos a partir do segundo pavimento, o volume é assimétrico e escalonado, os volumes são marcados por avanços na 49 fachada e pelas cores contrastantes, além disso utilizou-se a solução plástica de pilares em Y para o pilotis. Figura 30 - Cine Belas Artes, Sylvio de Vasconcellos Fonte: PINHEIRO, Rafael Lemieszek, 2016 Figura 31 - Capela Verda Farrar, Sylvio de Vasconcellos Fonte: HANSEN, Eugenio, 2010 Figura 32 - MAPE, Sylvio de Vasconcellos Fonte: Foto do autor, 2015 50 Contudo, Vasconcellos não seguia os preceitos do funcionalismo ortodoxamente. Para ele, além de funcional a casa deveria apresentar comodidade, considerando que o caráter universalizante da arquitetura moderna carece de interpretações da cultura local (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.87-88), além disso, como característico do modernismo brasileiro, o arquiteto não negava o passado, pelo contrário, incorporava em seus projetos diversos elementos da arquiteturacolonial, porém sendo fervoroso crítico dos estilos do século XIX e início do século XX, considerando-os anacrônicos e incoerentes, desta forma, Sylvio também não substitui o artesanato pelos produtos industrializados, mas muitas das vezes tenta conciliar as duas técnicas de produção (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.92). Já na década de 1960, Sylvio de Vasconcellos assume a direção da Escola de Arquitetura. Porém em 1964, pouco mais de um ano após assumir o cargo, é afastado do cargo por um inquérito da Polícia Militar. Assim, o arquiteto vai para o Chile e depois de um ano retorna para a docência na Escola de Arquitetura após ser absolvido do inquérito. Entretanto em 1969 com a promulgação do Ato Institucional n. 5, Sylvio foi compulsoriamente aposentado, interrompendo sua atuação no Brasil e levando-o a se exilar em Washington nos Estado Unidos (BRASILEIRO, 2008, p.42). Durante seu exilio Vasconcellos continuou com sua produção teórica, escrevendo vários artigos para a imprensa que reunidos formariam o livro “Noções sobre arquitetura” de 1968 e o póstumo “Crônicas do Exílio” (BICALHO; BRANDÃO e OLIVEIRA, 2006, p.22). A partir da década de 1960 até a sua morte em 1979 é notória uma mudança de pensamento de Sylvio, em textos publicado já em exílio ele revê suas críticas ao ecletismo reconhecendo o apagamento de um período da história da arquitetura no Brasil (BICALHO; BRANDÃO e OLIVEIRA, 2006, p.25-26). Além disso, sua concepção arquitetônica desvincula do funcionalismo e aproxima do organicismo, defendendo que a natureza, o homem e o edifício são uma coisa só (BICALHO e ARAÚJO, 2015, p.92). 2.4 MODERNISMO POPULAR E MODERNISMO DE FACHADA Os conceitos de “modernismo popular” ou de “modernismo de fachada” não foram ainda amplamente discutidos, portanto, não existe uma formulação clara e convencionada. Desta forma, foi feito um levantamento de artigos, livros, teses e resumos em anais que exploram o assunto. O modernismo popular e de fachada é identificado em vários estudos, principalmente sobre residências unifamiliares, predominantemente suburbanas e de classe média, em cidades 51 de todo o Brasil, como os estudos de Lara (2002, 2005a, 2005b) e de Passos (1998) em Belo Horizonte/MG; de Rego e Delmonico (2003), de Delmonico e Pelegrini (2009), e de Brito e Alves (2016) em Maringá/PR, de Silva, Bezerra, Pinto e Bezerra (2009), de Trigueiro, Cappi e Nascimento (2010) e de Lima e Ferreira (2016) em Natal/RN; e de Costa (2017) em João Pessoa. Sobre a arquitetura popular de característica moderna em Belém do Pará há vários estudos devido ao fenômeno do “raio-que-o-parta”, entre eles as obras de Cardoso (2012), de Carvalho e Miranda (2009) e de Costa, Pamplona e Miranda (2014). Já Oliveira e Loddi (2020) buscaram investigar a apropriação da coluna do Palácio da Alvorada por todo o Brasil. O caso de Belém é representativo nos estudos do modernismo de fachada e popular devido ao fenômeno que ficou conhecido como o “raio que o parta”. A arquitetura moderna foi introduzida na cidade de Belém do Pará por projetistas e engenheiros, devido à ausência do curso de arquitetura no estado (CARVALHO e MIRANDA, 2009), ali a arquitetura moderna se manifestou em “modelos alternativos, onde modernista seria a aparência física da construção e nem sempre a concepção projetual” (CARDOSO, 2012, p.68). Ao longo da década de 1950 novas residências das classes mais abastadas em bairros afastados eram construídas fortemente inspiradas pelas obras de Niemeyer, utilizando-se de marquises, telhados borboleta, coberturas abobadadas e, principalmente, mosaicos cerâmicos, executados em sua maioria por Ruy Bastos Meira (CARDOSO, 2012). A “Arquitetura Moderna encontrou ressonância também nas classes populares, não ficando restrita àquelas de maior poder aquisitivo” (CARDOSO, 2012, p.74), resultando na manifestação do “raio que o parta” que “consiste em apliques ou painéis de mosaicos de azulejos que eram, geralmente, utilizados para decorar a fachada de residências populares” (CARDOSO, 2012, p.74), provavelmente inspirados pelas obras de Ruy Meira. Em sua revisão bibliográfica acerca do tema, Laura Caroline Costa, Karina Pamplona e Cybelle S. Miranda (2014) identificam outras possíveis origens para o “raio que o parta”, além da apropriação da estética dos projetos de Ruy Meira. Acredita-se que, devido às más condições das estradas que chegavam às cidades, muitas cerâmicas quebravam no caminho e eram vendidas mais baratas por comerciantes locais. Além disso, é possível que fossem usadas sobras de construções, entretanto há relatos de moradores afirmando que eles próprios quebravam as cerâmicas para a execução dos mosaicos (COSTA, PAMPLONA e MIRANDA, 2014). Para além do mosaico, outras características eram recorrentes nas residências populares como molduras de janelas; cobogós; telhados ocultos por platibandas; telhado borboleta; marquises de cobertura; colunas V; entre outros. Entretanto esses elementos da arquitetura 52 moderna eram empregados sem a utilização de novas técnicas ou materiais construtivos tornando-se “tipos ornamentais que viriam a dotar de modernidade as residências das décadas de 50 a 60 em Belém, segundo o gosto de engenheiros, desenhistas e dos proprietários” (CARVALHO e MIRANDA, 2009), evidenciando “a vontade de inserção das camadas populares num novo repertório arquitetônico” (CARDOSO, 2012, p.84). Do outro lado do país, Renato Delmonico e Sandra C. A. Pelegrini (2009) se dedicam a pesquisar o conjunto de casas modernistas espalhadas pela paisagem urbana de Maringá/PR construídas entre as décadas de 1950 e 1980, buscando compreender a penetração do movimento moderno na arquitetura do interior do país “pela ótica da recepção e da apropriação populares de seu vocabulário formal” (DELMONICO e PELEGRINI, 2009). Os autores seguem uma abordagem de que a partir da arquitetura é possível compreender os hábitos e as tradições culturais de uma população, recorrendo ao cotidiano e à imaterialidade nos estudos. É observado então que em várias residências na cidade as características do modernismo brasileiro aparecem superficialmente nas fachadas, não apresentando no interior os preceitos modernos (DELMONICO e PELEGRINI, 2009). Outro estudo de Renato Delmonico junto com Renato Leão Rego (2003) também conclui que as características formais do movimento moderno “são encontradas nas residências maringaenses estudadas; entretanto, muitas delas apenas reproduzem a imagem da arquitetura moderna, desconsiderando seus princípios, suas justificativas e seus pré-requisitos” (DELMONICO e REGO, 2003, p.57). Apesar da maioria dos estudos priorizarem a análise de residências unifamiliares, um movimento semelhante foi identificado por Ana Carolina Pussi de Brito e André Augusto de Almeida Alves (2016) em obras emblemáticas projetadas por arquitetos reconhecidos, como o caso da Agência do Banco Sul Americano do Brasil, projeto de Rino Levi e Roberto Cerqueira César, e do Grande Hotel Maringá e do Paço Municipal, projetos de José Augusto Bellucci. Apesar da proposta inicial moderna, seguindo seus preceitos e parâmetros técnicos e construtivos, os projetos eram reprovados ou modificados, “diante disso, eles [os arquitetos] acabavam recorrendo a soluções baseadas na conciliação de modernidade e tradição” (DELMONICO e REGO, 2003, p.143). O caso de Maringá expõe a complexidade e a contradição do processo modernizador das cidades e o descompasso entre a elite cultural e artística e a população. Roberta Xavier da Costa (2017) em sua tese “Que modernidades são essas? Estudo da arquitetura moderna nas casas da orla marítima de João Pessoa” nos traça um panorama histórico das residências modernistas da orla de João Pessoa/PB. Ao fazer uma extensa análise de vários exemplares, Costa constata que os cinco pontos de Le Corbusier não foram 53 adotados e queeram comuns soluções arquitetônicas que simulam técnicas construtivas vinculadas ao movimento moderno, como platibandas ocultando telhados cerâmicos de quatro águas, concluindo que, principalmente durante a década de 1960, era recorrente o que foi denominado “modernismo de fachada” (COSTA, 2017). No estado lindeiro à norte da Paraíba, Edja Trigueiro, Fernanda Cappi e Maíra Nascimento (2010) traçam um panorama histórico da arquitetura moderna do Rio Grande do Norte, principalmente da capital Natal, e constatam que a partir da década de 1950, multiplicam-se construções “cujas relações com o lote e composição volumétrica se assemelham a das casas coloniais e ecléticas, exceto pela ausência ou comedimento na utilização de ornamentos” (TRIGUEIRO, CAPPI e NASCIMENTO, 2010). Esse fenômeno esteve fortemente presente no bairro das Rocas, predominantemente residencial de classe média-baixa, como identificado por Marcela da Silva, Carolina Bezerra, Karen Pinto e Andressa Bezerra (2009), segundo os autores, as residências construídas ou reformadas nas décadas de 1950 e 60 “apresentam características da arquitetura modernista da primeira metade do século, apropriando-se do vocabulário formal do estilo e adaptando-o às circunstâncias” (SILVA et al., 2009). Os principais elementos arquitetônicos modernistas identificados foram as marquises e lajes cumprindo o papel das varandas; a platibanda ocultando os telhados e transmitindo a sensação da cobertura plana, frisos marcando a horizontalidade, falsas aberturas, cobogós, brises e outros elementos vazados, e revestimento cerâmicos (SILVA et al., 2009). Entretanto, a apropriação do léxico modernista em Natal não se restringiu às residências populares, no edifício da Reitoria da UFRN, projetado por Carlos Bross na década de 1970, apesar da filiação com o brutalismo, “a ênfase dada a elementos ornamentais apostos às fachadas distancia-se dos princípios norteadores do movimento (moderno) na origem” (TRIGUEIRO, CAPPI e NASCIMENTO, 2010). Dessa forma, é evidente que na capital potiguar, assim como em todo o Brasil, houve uma “dissolução conceitual e amaneiramento estilístico, dos processos de disseminação de movimentos de vanguarda” (TRIGUEIRO, CAPPI e NASCIMENTO, 2010), transformando princípios em ornamentos, influenciados pela divulgação de grandes monumentos modernos, tal qual “a inauguração de Brasília, cujos edifícios serviram, imediatamente, de referência em Natal, ainda que fosse apenas a inserção de uma pilastra prosaicamente copiada dos apoios do Palácio Alvorada” (TRIGUEIRO, CAPPI e NASCIMENTO, 2010). Essa apropriação do léxico da arquitetura oficial de Brasília é explorada por Talles Lopes de Oliveira e Laila Beatriz da Rocha Loddi (2020) que apresentam uma investigação acerca da apropriação da colunata do Palácio da Alvorada em construções nos centros urbanos 54 e no interior do país projetadas por desenhistas, pedreiros, mestres-de-obras, engenheiros ou pelos próprios usuários apresentadas na obra “Construção Brasileira: Arquitetura moderna e antiga” de Talles Lopes de Oliveira. Segundo os autores, a construção de Brasília foi um acontecimento singular na história do Brasil e a sua legitimação estava intrinsecamente “relacionada a um jogo simbólico em que as imagens e a arquitetura se tornaram signos do novo e das mudanças em curso” (OLIVEIRA e LODDI, 2020, p.216). Dessa forma, a “apropriação, revisão e replicação de elementos formais da arquitetura da capital em construções por todo país” (OLIVEIRA e LODDI, 2020, p.217) demonstram uma assimilação do ideário moderno promovido por Brasília. A partir de Brasília é identificada uma penetração da identidade modernista brasileira entre as culturas construtivas informais. Assim, elementos formais da arquitetura oficial da capital passam a ser assimilados, incorporados, apropriados e reinterpretados em obras desenvolvidas por outros agentes que não-arquitetos, demonstrando o desejo de expressão individual evidenciado pelo signo do desenvolvimento. Entretanto a relação entre interior e exterior se apresenta de maneira contraditória, sendo que a representação moderna, em muitos casos, se restringe à fachada que oculta uma distribuição interior típica das casas brasileiras. Desta forma, a produção arquitetônica é entendida como produção de narrativa (OLIVEIRA e LODDI, 2020). Um movimento semelhante também foi identificado por Renato César José de Souza em Belo Horizonte a partir da construção da Pampulha. O novo bairro suburbano representou “uma mudança de paradigma que alcançou todas as classes sociais conferindo-lhes novas aspirações no morar e no convívio social, e imprimindo-lhes o desejo de serem modernos para serem atuais” (CASTRIOTA, 2017, p.186). Assim, começaram a surgir na cidade novas casas que demonstravam o apreço da população pelo projeto moderno, sendo constatado o uso do repertório formal de Niemeyer na Pampulha em construções em novos bairros emergentes de classes alta e média, mas também em construções populares (CASTRIOTA, 2017, p.187). Segundo Passos (1998) essa arquitetura, que ele denominou de matriz racional- plasticista, como vimos, já era adotada em residências de alguns arquitetos e em edifícios institucionais nos anos 1940, porém só na década seguinte que se disseminou pela arquitetura corrente, atingindo os edifícios de apartamentos e escritórios. De acordo com o autor, os principais arquitetos atuantes em Belo Horizonte na década de 1950 eram influenciados principalmente pela arquitetura neoplasticista, além das obras emblemáticas da arquitetura moderna brasileira e das formulações de Le Corbusier, valorizando o caráter plástico e o senso de utilidade das edificações. 55 Entretanto, ao analisar os edifícios de apartamentos construídos nesse período, Passos (1998, p.81) se questiona “em que medida a adoção desta estratégia na prática projetual corrente era consciente de suas origens ou se tratava apenas de um recurso compositivo em voga”. Foram identificados vários elementos arquitetônicos e estratégias projetuais em conformidade com o modernismo aplicados de modo mais virtual do que efetivo, principalmente nas fachadas, como por exemplo, breves recuos no térreo simulando o pilotis, porém com vedação, o que foi denominado “pseudo-pilotis”; platibandas ocultando telhados convencionais, transmitindo a sensação de um terraço; composições de fachadas simétricas dissimulando interiores assimétricos e vice-versa; placas que aparentam brises de efeito apenas plástico; tratamento volumétrico e cromático apenas da fachada frontal; entre outros (PASSOS, 1998). Conclui-se então que os edifícios modernistas tinham sua configuração externa composta de modo a sugerir uma construção pré-fabricada a partir da montagem de planos independentes, constituindo-se efetivamente apenas de um motivo ornamental, não sendo compatível com os processos construtivos adotados. Essa simulação evidencia que “o modernismo arquitetônico corrente não se instaurou, portanto, como um projeto assumido plenamente pela sociedade, mas como um novo recurso compositivo, assimilado as práticas anteriores de construção, sem transformá-las totalmente” (PASSOS, 1998, p.81). Esse debate é ampliado pelos estudos de Fernando Luiz Lara (2002, 2005a, 2005b) que se dedicou à análise de residências unifamiliares dos bairros Prado e Carlos Prates da década de 1950, investigando “a recepção e apropriação populares do vocabulário formal modernista brasileiro” (LARA, 2002), contrapondo a tese de que o movimento moderno nunca foi popular. Lara observa, então, que muitos elementos utilizados nas casas projetadas na Pampulha e na zona sul da cidade são replicados pelas classes médias, tais como telhado borboleta; marquises e lajes desempenhando a função das varandas sustentadas por esbeltas colunas metálicas; brises, cobogós e outros elementos vazados;pastilhas e azulejos decorados; entre outros. Entretanto, as residências analisadas “apresentam planta muito semelhante a todas as anteriores” (LARA, 2005b, p.177), ficando a modernidade restrita a fachada. Essa contradição entre a planta e a fachada, entre a forma e a função dos elementos arquitetônicos é encarada por Lara como um descompasso entre o “desejo de modernidade e a 56 efetiva modernização” (LARA, 2002), entretanto considera esse fenômeno não menos moderno do que a arquitetura oficial, apenas uma modernidade diferente e singular (LARA, 2002). Observamos, então, que de norte a sul do país foram identificados fenômenos semelhantes de apropriação do vocabulário formal da arquitetura moderna desprovido de seu significado ou função original. É notório que a grande maioria dos estudos sobre “modernismo popular” e “modernismo de fachada” se restringem a análises de residências unifamiliares de classes médias e baixas, entretanto observamos que edifícios altos nos centros das cidades e a arquitetura institucional não estavam isentos do fachadismo. Outra questão a ser observada é que, apesar de mais comum na autoconstrução ou em projetos de engenheiros, projetistas e mestres de obra, obras de arquitetos, renomados ou não, também se enquadram no fenômeno, expondo, muitas vezes, um descompasso entre teoria e aplicação. Além disso, observamos também, que em muitos casos o modernismo popular culminou em criar um regionalismo ou um movimento com características muito particulares em cada localidade, revelando que a modernidade chegou de maneiras diferentes e em tempos diferentes nas diversas regiões do país, resultando em distintas manifestações do moderno na arquitetura, além da adaptação às condições socioeconômicas locais. Não cabe aqui julgar ou reprovar o modernismo popular e de fachada como inferiores reforçando a dicotomia entre cultura erudita e popular, pelo contrário, entendemos qualquer manifestação artístico-cultural como expressão de um grupo em um determinado momento, assim sendo todas igualmente dignas e relevantes. Dessa forma, buscamos compreender um fenômeno com todas as suas complexidades e contradições. Constatamos que parte do acervo modernista edificado no Brasil não rompe com a lógica projetual de momentos anteriores, não havendo grandes diferenças com o ecletismo além dos motivos das ornamentações, contrariando os pilares fundamentais do movimento moderno na arquitetura, como vimos ao longo do capítulo. Isso posto, a ampla aceitação dessa modernidade deve ser objeto de questionamento, se por um lado temos uma aparência moderna, por outro temos o fachadismo, o ornamento, o falseamento. Como levantado por Lara (2005a), a arquitetura moderna não é popular com exceção do caso brasileiro, o que de fato é observado, porém o principal motivo para a popularidade do modernismo no Brasil provavelmente seja, justamente, o fato de ele ser menos moderno, abrindo espaço para o regionalismo e para signos e símbolos, sem a rigorosidade evidenciada no norte global, o que, em circunstância alguma, torna essa manifestação inferior que outras, 57 mas iminentemente distinta e, por tanto, relevante na sua “não modernidade”, não necessitando do status de moderno para firmar seu valor. 58 3 BELO HORIZONTE E A MODERNIDADE Com a Proclamação da República, em 1889, passa a dominar entre as elites políticas e econômicas o desejo de “redefinição do quadro econômico e a constituição de uma nova sociedade urbana” (CASTRIOTA, 2017, p.74) pautadas na ideologia positivista, visando o desenvolvimento econômico e a industrialização do país, desta forma, a ideia de transferência da capital de Minas Gerais entra em debate (RABÊLO, 2013, p.45). Minas Gerais, no final do século XIX, era um dos estados mais importantes do Brasil, tanto política quanto economicamente, entretanto, Ouro Preto, então capital do estado, era a síntese do passado colonial, evidenciado pela arquitetura barroca e pela forma da cidade, com ruas estreitas e sinuosas. À vista disso, pretendia-se romper com a tradição colonial e monárquica projetando uma nova cidade de concepção moderna (RABÊLO, 2013, p.45). Foi, então, criada pelo governador Afonso Pena uma comissão técnica comandada pelo engenheiro Aarão Leal de Carvalho Reis para avaliar e dar um parecer sobre cinco localidades que poderiam receber o projeto da nova capital, Belo Horizonte, Paraúna, Barbacena, Várzea do Marçal e Juiz de Fora. Em meio a uma fervorosa disputa política, em dezembro de 1893 foi aprovada a indicação de Belo Horizonte sob a denominação de “Cidade de Minas” (RABÊLO, 2013, p.46-48). Em 1894 a comissão construtora da nova capital inicia seus trabalhos, o engenheiro- chefe Aarão Reis era um prestigiado profissional formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro sob uma matriz moderna e cientifica, e adepto das ideias positivistas (RABÊLO, 2013, p.49). Assim é projetada uma cidade para abrigar uma população de duzentos mil habitantes, fundamentada nos valores do racionalismo e da ordem, com uma clara setorização das zonas urbana, suburbana e rural. A zona urbana era delimitada por um boulevard “cinturão” (RABÊLO, 2013, p.50) e traçada a partir de duas malhas ortogonais sobrepostas a 45 graus de ruas e avenidas com vinte e trinta e cinco metros de largura, respectivamente, possibilitando a arborização, a confortável circulação de veículos e beleza estética, compondo quarteirões regulares de 120 por 120 metros (CASTRIOTA, 2013, p.173). Desse modo a nova capital representa a antítese das cidades históricas de Minas Gerais (RABÊLO, 2013, p.50). Esse traçado ortogonal tinha a mesma concepção de outras cidades administrativas concebidas no século XIX, como La Plata na Argentina, fortemente inspiradas pela remodelação de Haussmann para Paris da década de 1850, pautados em questões sanitárias e higiênicas, além de facilitar a contenção de revoltas e motins (RABÊLO, 2013, p.50-51), valendo-se de referências urbanísticas barrocas, restituídas pelo neoclassicismo, na concepção 59 de eixos monumentais e na criação de perspectivas artificiais articuladas à natural disposta pela Serra do Curral que emoldura a cidade (CASTRIOTA, 2017, p.77-79). Além disso, buscando a “perfeita eficácia perspéctica e funcional” (CASTRIOTA, 2017, p.77), o espaço urbano foi hierarquizado também topograficamente, desta forma, o centro administrativo para o governo estadual foi minuciosamente pensado em uma imponente praça no ponto topográfico mais alto da zona urbana, reforçando a ideologia positivista conferindo a imagem de ordem, centralização e monumentalidade (RABÊLO, 2013, p.50-51). O plano de Aarão Reis inseriu Belo Horizonte na vanguarda da arquitetura e urbanismo mundial, sendo a expressão das transformações ocorridas no Brasil nos fins de século XIX, com o fim da escravidão, a expansão da indústria e da agricultura, a ampliação do sistema ferroviário, o crescimento urbano e a Proclamação da República, criando uma cidade modelo, voltada para o futuro e para a modernidade (RABÊLO, 2013, p.50-52). Figura 33 - Planta Geral de Belo Horizonte Fonte: Comissão Construtora de Belo Horizonte, 1895. Acervo do APCBH O repertório arquitetônico eclético das edificações concebidas pela Comissão Construtora vinha reforçar as intenções do urbanismo (CASTRIOTA, 2017, p.77), “como um artifício simbólico de base racional” (CASTRIOTA, 2017, p.82). Desta forma, os prédios enfatizavam simbolicamente o processo de modernização, representando certa unidade nacional de valores republicanos e a glória da industrialização (CASTRIOTA, 2017, p.81). 60 Figura 34 - Fachada de secretarias Fonte: Acervo do MHAB Com grandes dificuldades técnicas e políticas, envolvendo inclusive a renúncia de Aarão Reis em 1895, em 12 de dezembro de 1897 Belo Horizonte era oficialmente inaugurada, entretanto a cidade encontrava-seincompleta (RABÊLO, 2013, p. 54 e 58), com grande parte das edificações inacabadas ou a iniciar, sendo que a urbanização da zona urbana só se concluiria décadas depois. Já nos primeiros anos da cidade fica claro os limites do planejamento urbano, sendo que a ocupação do espaço urbano é mais intensa na zona suburbana, não planejada, do que na zona urbana, planejada, expondo a complexidade da relação entre estado e mercado imobiliária e contrariando o pressuposto de que o estado seria o agente principal de construção do espaço urbano como defendido pelos positivistas (CASTRIOTA, 2013, p.175). Figura 35 - Prédio da Secretaria da Educação em construção Fonte: PINTO, Raimundo Alves, s.d.. Acervo do APCBH Desta forma, devido ao elevado preço dos terrenos e das muitas exigências do poder público para com os proprietários, a população das classes mais baixas ocupava os bairros externos à avenida do Contorno, como Floresta, Carlos Prates, Calafate e Serra, enquanto a zona urbana era ocupada na região do bairro Funcionários pela elite burocrata do estado 61 (CASTRIOTA, 2013, p.176). No Centro predominava comércios e serviços, principalmente nos eixos de ligação à estação ferroviária como a rua da Bahia, a avenida do Comércio (atual Santos Dumont), e a rua dos Caetés, já na região do Barro Preto instalavam-se industrias principalmente para abastecer o comércio local (RABÊLO, 2013, p. 71 e 75-76). Somente no período entre as décadas de 1920 e 1940 que Belo Horizonte se consolidada de fato, sendo um período de grande crescimento populacional já com serviços urbanos dispostos apesar de ainda relativa limitação (RABÊLO, 2013, p.75), ultrapassando em 1940 a projeção de duzentos mil habitantes estipulada pela comissão construtora (RABÊLO, 2013, p.77). Esse período também foi de grande importância cultural para a cidade. Em 1924 uma caravana e artistas paulistas vinculados ao modernismo, incluindo Mário de Andrade, Oswaldo de Andrade e Tarsila do Amaral, desembarca na capital mineira e encontram com intelectuais locais, influenciando e intensificando a produção cultural e artística na cidade. A partir desse encontro entre paulistas e mineiros foram editadas novas revistas de apelo moderno, além de publicações nos periódicos já em circulação, revelando vários talentos como Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava (RABÊLO, 2013, p. 80-81). Também de influência paulista, chega na Belo Horizonte da década de 1920, o movimento arquitetônico neocolonial, sendo pioneiramente representado pelo Grupo Escolar Dom Pedro II (Figura 36), projeto do arquiteto Carlos Santos de 1926, e pela Pontifícia Universidade Católica, projetada por J. Polny, mas só na década de 1930 o estilo se popularizou e passou a ser amplamente adotado, principalmente em residências unifamiliares (CASTRIOTA, 2013, p.112-117). Figura 36 - Detalhes da fachada principal Escola Estadual Pedro II Fonte: Iepha, s.d. Durante a década de 1930, Belo Horizonte já expressava vitalidade cultural e comercial, superando o caráter essencialmente administrativo para o qual tinha sido fundada, entretanto, apesar de sempre otimistas, os arquitetos locais julgavam que a cidade ainda não tinha feição de metrópole (CASTRIOTA, 2013, p.177-178). Assim, os governos municipais e estaduais 62 passam a tomar uma série de medidas burocráticas e fiscais para incentivar a industrialização, além disso as obras públicas passam a remodelar a cidade, como a criação do sistema de bondes; a inauguração do serviço de auto-ônibus; a construção do primeiro viaduto da cidade, o Santa Tereza (Figura 37); e a obra da avenida Pampulha, atual Antônio Carlos (CASTRIOTA, 2013, p.178). Junto a isso surgem os primeiros edifícios verticais da cidade o Ibaté (Figura 38) e o Guimarães de 1935 e o Mariana de 1937; inauguram novas instituições de ensino, como a Escola de Arquitetura; e realizam a primeira exposição de artistas modernistas de Belo Horizonte (RABÊLO, 2013, p. 77). Figura 37 - Viaduto Santa Tereza após sua inauguração Fonte: acervo do APM, s.d. Figura 38 - Edifício Ibaté Fonte: Foto do autor. 2022 É também nos anos 1930 que a arquitetura da cidade deixa as feições ecléticas de lado e adquire um caráter mais moderno como os movimentos Art Decó. Art Decó, é um termo empregado a partir da década de 1960 para classificar diversos estilos correntes entre os anos 1920 e 1940, principalmente nos EUA e na América Latina, que apesar de não enquadrarem estritamente no movimento moderno, havia assimilado vários de seus elementos e combinado 63 a outros de diversas origens (PASSOS, 1998, p.28). Desta forma, em Belo Horizonte destacava-se três grupo estilísticos, o racionalismo, o futurismo e expressionismo e o classicismo moderno (PASSOS, 1998, p.30). O primeiro grupo, racionalismo, era fortemente vinculado ao movimento cubista e inspirado na primeira geração de arquitetos modernistas, caracterizando-se pela geometrização dos volumes, pela assimetria, pela carência de ornamento, e pela repetição de elementos (PASSOS, 1998, p.31), alguns exemplos dessa tendencia são o Hotel Madrid (Figura 39), projeto de Romeo de Paoli, e o conjunto IAPI (Figura 40), projeto de White Lírio da Silva (CASTRIOTA, 2013, p.185). Já o futurismo e expressionismo resultavam menos da racionalização da arquitetura, buscava-se o efeito escultórico e dramático a partir de volumes sólidos e imponentes, era comummente simétrico e marcados por elementos verticais e diagonais salientes (PASSOS, 1998, p.31-32), o Edifício Acaiaca (Figura 41), de autoria de Luiz Pinto Coelho (CASTRIOTA, 2013, p.184) e o Edifício Chagas Dória (Figura 42), do arquiteto Alfredo Carneiro Santiago, são importantes exemplares dessa corrente. Por sim, o classicismo moderno, mantinha a tradição neoclássica, principalmente no esquema básico de composição, simetria e monumentalidade, porém despido de elementos decorativos clássicos (PASSOS, 1998, p.32), esse estilo foi amplamente empregado em Belo Horizonte pelo arquiteto Raffaello Berti, como no Colégio Batista Mineiro (Figura 43) e no Edifício Itatiaia (Figura 44). Figura 39 - Hotel Madrid Fonte: MACEDO, Tiago, 2012 64 Figura 40 - IAPI Fonte: Quanto tempo dura um bairro, 2020 Figura 41 - Edifício Acaiaca Fonte: Foto do autor, 2014 Figura 42 - Edifício Chagas Dória Fonte: Foto do autor, 2022 65 Figura 43 - Colégio Batista Mineiro Fonte: Blog Rede Batista de Educação, s.d. Figura 44 - Edifício Itatiaia Fonte: Foto do autor, 2019 A década de 1940 consolida a industrialização e a modernização da cidade, iniciadas na década anterior, tendo como marco definidor a criação da Cidade Industrial no município de Contagem em 1941 e a construção do conjunto arquitetônico da Pampulha em 1942 (RABÊLO, 2013, p. 96). O grande articulador desse processo de transformação na cidade foi Juscelino Kubitschek (JK) nomeado prefeito de Belo Horizonte em abril de 1940 pelo interventor do estado Benedito Valadares (CASTRIOTA, 2017, p.176-177). A administração de JK à frente da prefeitura de Belo Horizonte foi marcada pela grande quantidade e velocidade com que se realizavam obras na cidade apesar da falta de recursos financeiros, contornada a partir de financiamentos com bancos. A primeira obra realizada pelo prefeito foi o asfaltamento da avenida Afonso Pena, seguida pela renovação da pavimentação de toda a área central, posteriormente concluiu mais doze quilômetros de abertura da avenida do contorno, permitindo o tráfego em toda sua extensão. Além disso foi criado um novo sistema viário que dava acesso a várias regiões do estado; foram instaladas novas redes de água, luz e telefonia; foram feitas obras de embelezamento do parque municipal; e foi 66 construído o primeiro conjunto habitacional de interesse social da cidade, o IAPI (CASTRIOTA, 2017, p.178-179). Em meio a tantas obrasde modernização em Belo Horizonte, a gestão de JK ficaria marcada pela construção do conjunto arquitetônico da Pampulha. Otacílio Negrão de Lima, prefeito antecessor à JK, havia iniciado a construção de uma barragem represando vários córregos na região do Arraial de Santo Antônio da Pampulha a norte da cidade. Apesar do represamento ter um objetivo prático muito bem definido, o abastecimento de água da cidade, a imprensa vislumbrava ali um potencial turístico e de lazer (CASTRIOTA, 2017, p.180). Desta forma, JK empreende o projeto de prover a Belo Horizonte um novo bairro suburbano de luxo com grandes lotes e um conjunto de edificações de lazer abrindo um concurso nacional. Entretanto, os anteprojetos recebidos causaram um desapontamento em JK que não agradou de nenhuma das propostas apresentadas, ressaltando o caráter convencional dos estilos (CASTRIOTA, 2017, p.180). Em vista do fracasso do concurso, JK se encontra com Oscar Niemeyer, que estava em Belo Horizonte para projetar uma outra obra, e leva o arquiteto para a Pampulha onde o prefeito expôs o que havia idealizado para o recanto. Na manhã do dia seguinte Niemeyer mostra à JK uma série de croquis com as ideias para as edificações do conjunto, surpreendendo o prefeito que fica encantado com a originalidade da proposta (CASTRIOTA, 2017, p.180-181), firmando naquele momento uma parceria duradoura. O conjunto seria composto por um cassino, um restaurante/casa de bailes, uma capela, um clube e um hotel, sendo que o último nunca foi construído (SEGAWA, 2002, p.98). O cassino (Figura 45) foi edificado em um promontório nas margens da lagoa, no qual é evidenciada a orientação corbusiana de Niemeyer. A marquise em forma livre sinaliza a entrada em uma fachada envidraçada, o saguão principal possui pé direito duplo e planta livre evidenciada por pilares de seção cilíndrica revestidos de alumínio, e rampa de acesso ao segundo pavimento, refletida nas paredes de espelho. Atrás do volume principal prismático, encontra-se um volume cilíndrico com bar, restaurante e pista de dança. O prédio do casino é, dessa forma, fortemente marcado por contrastes entre transparência e opacidade, ortogonalidade e curva, cheios e vazios, leveza e peso, o real e o reflexo (CAVALCANTI, 2006, p.110). A construção do cassino colocava Belo Horizonte a par da moda mundial, apesar de a Comissão Construtora ter previsto a construção de uma casa de jogos dentro do Parque Municipal que nunca foi concluída (CASTRIOTA, 2017, p.183). Entretanto, poucos anos depois em 1946, os jogos foram proibidos no Brasil, fazendo com que o prédio ficasse 67 onze anos fechado, reabrindo depois como museu de arte moderna (CAVALCANTI, 2006, p.110). Figura 45 - Museu de Arte da Pampulha, antigo casino Fonte: Foto do autor, 2019 No projeto para o Iate Clube (Figura 46), localizado na margem oposta ao casino, Niemeyer lança mão de uma planta retangular e de volume prismático que é quebrado pelo “telhado borboleta”, também de inspiração corbusiana. O clube seria como os demais, contando com quadras para esporte, e piscinas. A novidade se encontrava nos equipamentos para a realização de esportes náuticos (CASTRIOTA, 2017, p.183). Figura 46 - Iate Tênis Clube Fonte: LUCASVINIROSA. 2019 Já a Casa do Baile (Figura 7 e 47) foi implantada em uma pequena ilha próxima ao clube, em sua concepção as linhas retas foram banidas, o bloco tinha a planta cilíndrica e abrigava o restaurante, cozinha, banheiros e pista de dança, na fachada variavam vidro, azulejos e cobogós segundo a orientação solar (CAVALCANTI, 2006, p.111), na área externa encontra-se uma marquise de formas curvas seguindo a linha da represa (CASTRIOTA, 2017, p.184). A casa do baile contrastava com o casino e com o clube não apenas por sua arquitetura 68 completamente curva, mas também pelo seu uso destinado a uma população de renda mais baixa, assinalando “uma faceta mais popular do conjunto” (CAVALCANTI, 2006, p.109). Figura 47 - Casa do Baile Fonte: Foto do autor, 2014 A Capela de São Francisco de Assis (Figura 48), obra mais marcante do conjunto, foi a primeira igreja de traços modernos do Brasil. Todos os elementos faziam alusão a tradição da arquitetura religiosa mineira, porém desenhadas de maneira inesperada, causando espanto da população e das autoridades religiosas (CASTRIOTA, 2017, p.184). Neste projeto Oscar Niemeyer faz uma fusão completa entre arquitetura, estrutura e arte. Nenhuma dessas disciplinas compunham elementos isoladamente, sendo elas interdependentes entre si. O projeto evidencia, também, as possibilidades plásticas e estruturais do concreto armado, sendo todo o corpo da edificação composto por parábolas autoportantes (CAVALCANTI, 2006, p.109). Figura 48 - Igreja de São Francisco de Assis Fonte: Foto do autor, 2014 O conjunto arquitetônico da Pampulha foi responsável pela implantação da arquitetura moderna em Belo Horizonte e pela sua consolidação no cenário nacional (CASTRIOTA, 2017, p.186). Nos anos seguintes, principalmente a partir da década de 1950, novas 69 construções na cidade, sobretudo em bairros em expansão, como Serra, Sion, Santo Agostinho, Cidade Jardim ou na própria região da Pampulha, adotavam as formas inovadoras e arrojadas de Niemeyer em seu vocabulário, desta forma telhados borboleta, pilares de cano de ferro, azulejos azul e branco, mosaicos em pastilha, fachadas inclinadas, panos de vidro, rampas e jardins tropicais eram comumente vistos em edificações de todos os tipos e de todas as classes espalhadas pela cidade (CASTRIOTA, 2017, p.188). O legado da Pampulha não se restringiu ao campo arquitetônico e artístico. A partir de então “houve uma mudança de paradigma que alcançou todas as classes sociais conferindo- lhes novas aspirações no morar e no convívio social, e imprimindo-lhes o desejo de serem modernos para serem atuais” (CASTRIOTA, 2017, p.186). Foram inseridos na cena belorizontina novas modalidade de lazer e convívio social de maneira inédita, chegando a influência de modernidade inclusive nos hábitos alimentares, sendo introduzindo pelos restaurantes do cassino e da casa do baile pratos que passaram a compor a dieta da cidade como a maionese (CASTRIOTA, 2017, p.186-187). Depois da Pampulha, Oscar Niemeyer realizou vários outros projetos em Belo Horizonte, tanto públicos quanto particulares, sendo vários deles novamente encomendas de JK, rivalizando na paisagem da cidade com grandes edifícios de aparência Art Decó, estilo predominante até a década de 1950. Destacam-se entre eles o Teatro Municipal (1941), não edificado; a casa JK (1943) [Figura 49]; o edifício JK (1951) [Figura 50]; a sede do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) [1953] (Figura 51 e 104); o Colégio Estadual Central (1954); A Biblioteca Pública (1954); e o edifício Niemeyer (1955) [Figura 52]. Figura 49 - Casa JK Fonte: Foto do autor, 2019 70 Figura 50 - Edifício JK Fonte: Foto do autor, 2014 Figura 51 – Edifício Helena Passig e Sede do BEMGE Fonte: Foto do autor, 2015 Figura 52 - Edifício Niemeyer Fonte: Foto do autor, 2014 71 Apesar de todos os avanços e iniciativas empreendidas pelos poderes públicos na década de 1940, somente na década seguinte que a população efetivamente assimilaria a modernidade como costume e como estética (CASTRIOTA, 2017, p.200). Durante a década de 1950 o Brasil, assim como Belo Horizonte, vivia um intenso processo de urbanização, marcado pelo crescimento acelerado da população das principais cidades. No início da década Belo Horizonte tinha pouco mais de 530 mil habitantes e a terminaria com quase 700 mil. Para atender à demanda dessa nova população o parque industrial da cidade expande significativamente e novas avenidas abertas anteriormente são invadidas pelo comércio (CASTRIOTA, 2017, p.200-201). Como consequência desse crescimento caótico e denegligências das gestões municipais, em Belo Horizonte dos anos 1950, 47% da população vivia em condições subumanas, os serviços básicos eram insuficientes para atender à demanda, haviam graves problemas de abastecimento de água, de trânsito e, principalmente, déficit habitacional (CASTRIOTA, 2017, p.201). Paralelamente à crise urbana, a cidade vivia seu momento de maior investimento imobiliário, a fisionomia do centro da cidade assumia a verticalidade e se aproxima das grandes metrópoles (CASTRIOTA, 2017, p.212), enquanto nos bairros próximos edifícios residenciais de menor altura surgiam e novos subúrbios eram incorporados à malha urbana, consolidando nesse processo a linguagem da arquitetura moderna. Entretanto, todo esse empreendimento modernizante de Belo Horizonte não acontecia alheio a conflitos ideológicos. Um dos principais confrontos entre os conservadores e os modernizadores foi protagonizado pela igrejinha da Pampulha, o arcebispo D. Cabral se recusou a sagrar a capela, alegando a inadequação da arquitetura e da arte moderna para a construção de igrejas (CASTRIOTA, 2017, p.192). O conflito em torno da igreja era apenas a manifestação de conflitos de valores entre a tradição mineira e as forças modernizadoras, sendo a modernidade “apenas a aparência, permanecendo a essência conservadora” (CASTRIOTA, 2017, p.215), como ponderado por Bias Fortes. É nesse contexto de crescimento urbano acelerado, de consolidação da arquitetura moderna como linguagem predominante, de conflitos ideológicos e de valores e de desordem urbana que as edificações a serem analisadas foram construídas, dessa maneira não escaparia a elas serem testemunhas do momento histórico, possibilitando, a partir de sua análise, compreender as contradições entre modernidade e tradição. 72 4 MODERNISMO NO HIPERCENTRO DE BELO HORIZONTE Com esse trabalho mapeei todas as edificações modernistas do centro de Belo Horizonte. Para isso foi percorrida, in loco e via Google Street View, toda a área correspondida ao hipercentro estabelecida pela lei municipal 7.166/1996 identificando as construções que apresentavam características da arquitetura moderna conforme discutida no capítulo dois. Para isso foi elaborado um questionário padrão (Tabela 1) preenchido para cada um dos edifícios, constatando a ocorrência de determinados elementos arquitetônicos ou ornamentais típicos do movimento moderno. O recorte temporal estabelecido foi as décadas de 1950 e 1960 por ser o período no qual o modernismo na arquitetura se propaga por todas as tipologias arquitetônicas das várias classes sociais, tal como defendido por Castriota que considera que a presença generalizada do movimento moderno “aconteceu definitivamente nos anos 1950” (CASTRIOTA, 2013, p.183). Além disso, entra-se em concordância com os estudos de Luís Mauro Passos (1992) que estabelece o período entre os anos de 1953 e 1962 como a fase de produção arquitetônica vinculada ao movimento moderno e a pesquisa de Fernando Luiz Lara (2002, 2005a, 2005b) que tem como recorte temporal os anos 50. O questionário padrão (Tabela 1), de elaboração própria, possui 24 itens formulados em conformidade com as principais características identificadas na arquitetura moderna conforme a análise feita no segundo capítulo, mesclando elementos utilizados pelos três autores estudados, Le Corbusier, Lúcio Costa e Sylvio de Vasconcellos, além dos identificados nos estudos sobre modernismo popular e de fachada. Desta forma, o primeiro campo é preenchido com o nome do edifício, identificado em letreiros nas portarias; o segundo campo corresponde ao endereço da edificação; Seguidamente se identifica o autor e o ano do projeto, quando identificado na bibliografia ou na pesquisa documental; o quarto campo aponta o uso do edifício, podendo ser de comércio e serviços, institucional para os edifícios de uso exclusivo dos governos e seus órgãos, residencial ou misto quando há a fusão do uso comercial, de serviços ou institucional com o residencial; o quinto campo é sobre a altimetria dos prédios, eles foram divididos entre térreo, quando há apenas um pavimento, médio quando há entre dois e seis pavimentos e alto quando há sete ou mais pavimentos; a partir do quinto campo são identificados os elementos arquitetônicos, sendo eles janela em fita; pano de vidro; pilotis, sendo aqui considerado como pilotis integro aquele em conformidade com as formulações de Le Corbusier, ou seja, a construção se eleva do térreo, criando uma integração entre o exterior com o interior, não considerando, então, pavimentos térreos de planta livre, mas que são vedados com relação à 73 via. Além disso, foram identificadas variações do pilotis, como recuos no térreo, exibindo a estrutura, mas com vedação imediatamente atrás dela; outros elementos do questionário são cobogós; frisos verticais; frisos horizontais; molduras; marquises e lajes; marquises e lajes vazadas; a utilização de formas curvas; volumes em projeção sobre a via; a característica da cobertura, podendo ser telhado embutido, aparente, cascas, entre outros; o uso de pastilhas; o uso de outros revestimentos cerâmicos; a ocorrência de afastamento frontal e lateral, considerando que há afastamento mesmo quando a base do prédio se encontra rente às divisas; e, por fim, o último campo é dedicado a identificação de outros elementos relevantes não contemplados pelos itens anteriores. Foram catalogados, então, 432 edifícios, resultando em um mapa (Figura 53), elaborado na ferramenta QGIS, com a localização de cada uma das obras e uma planilha georreferenciada (Apêndice 1) com as informações individuais das construções. Figura 53 - Mapa dos edifícios modernistas no hipercentro de Belo Horizonte Fonte: Stamen Maps, adaptado pelo autor, 2022 É importante, entretanto, ressaltar as fragilidades do levantamento realizado. Devido ao processo de descaracterização que boa parte das edificações sofrem no centro de Belo Horizonte, muitas obras que se enquadrariam na presente análise podem não ter sido contempladas pela dificuldade de identificação de elementos arquitetônicos e, 74 consequentemente, do estilo, além disso, prédios construídos anteriormente, mas que passaram por reformas no período estudado podem ter sido contemplados na pesquisa. Outra fragilidade a ser apontada é quanto ao recorte temporal, apesar de a arquitetura de um determinado período e estilo seguir um padrão, podem ocorrer variações, além da existência dos edifícios pioneiros e dos tardios. Dessa forma, apesar de todas as obras levantadas apresentarem algumas características do movimento moderno, alguns deles podem ser de períodos anteriores ou posteriores. Todos os edifícios que possuíam informações na bibliografia foram devidamente identificados, entretanto, a grande maioria deles ainda não foi contemplada na literatura. Ademais, pela grande quantidade não é viável buscar os projetos arquitetônicos originais junto aos órgãos da prefeitura de todos os prédios para verificar se enquadram ou não no recorte temporal, dessa forma, essa pesquisa não se apresenta como um levantamento definitivo da arquitetura moderna do hipercentro de Belo Horizonte. Os anos de 1950 e 60 foram marcados, em Belo Horizonte, por um acentuado crescimento econômico e demográfico. A cidade possuía 270 mil habitantes em 1945, cinco anos depois atinge a marca de 350 mil, em 1960 a população chega a 700 mil e em 1964 a cidade passa do primeiro milhão de habitantes (CASTRIOTA, 2013). Todo esse crescimento, aliado com o desenvolvimento industrial, faz com que a cidade não apenas se expandisse, mas crescesse sobre sim mesma, intensificando o processo de verticalização e de reconstrução da cidade (CASTRIOTA, 2013). O hipercentro é então o principal palco dessa transformação, sendo esse também o momento de consolidação da arquitetura moderna. Dessa forma, afeição da cidade se transforma e assume novos traços. Além do interesse do mercado imobiliário em adensar a região central da cidade pelo valor dos imóveis, há uma clara intenção da própria prefeitura nessa verticalização. A altura das edificações era regulada pelo Decreto n° 30 de 1938, na qual a altura se dava com base em “um plano com a inclinação de 50º sobre a horizontal, passando a 5m,00 (cinco metros) de altura na sua interseção com o plano de alinhamento da face oppostta da rua” (Belo Horizonte (MG), 1938), permitindo prédios altos, com relação aos praticados até então. Além disso, a prefeitura determinou, para algumas vias da zona comercial da cidade, a altura mínima de dois pavimentos para as edificações, sendo que “na Avenida Affonso Pena entre Praça Rio Branco e Rua Guajajaras, assim como nas praças Rio Branco, 7 de Setembro e ruas que contornam os quarteirões 23-A e 31-A da 1ª Secção urbana, os predios novos deverão ter tres pavimentos, no mínimo” (Belo Horizonte (MG), 1933). É possível observar tal processo de verticalização a partir do levantamento realizado dos edifícios modernistas do hipercentro (Figura 54). Dos 432 apenas 3,7% são edificações 75 térreas; 45,6% são construções de médio porte, entre dois e seis pavimentos; e 50,7% são edifícios altos com sete ou mais pavimentos. Nota-se uma maior concentração dos edifícios altos nas porções sul e leste da área estudada e dos médios nas porções norte e oeste, corroborando com Castriota (2013) ao afirmar que a verticalização da cidade acompanhou, nesse período, o adensamento da população das classes mais altas no vetor sudeste, surgindo novos edifícios de apartamento e de comércio e serviços para suprir a demanda dessa população. Figura 54 - Mapa de altimetria das edificações levantadas Fonte: Stamen Maps, adaptado pelo autor, 2022 Em concordância com as altimetrias, observamos que os usos seguem o mesmo padrão de concentração. Todos os 11 edifícios exclusivamente residenciais identificados se encontram na porção sudeste da área estudada. Os edifícios de uso misto correspondem a 28,2% do total e se concentram na porção sul, leste e oeste do hipercentro, não sendo identificado nenhum exemplar mais ao norte. Entretanto, a maior parte dos edifícios identificados são de uso do comércio e prestação de serviços, 65,5%, reforçando o centro como a zona comercial da cidade. 76 Figura 55 - Mapa de usos das edificações levantadas Fonte: Stamen Maps, adaptado pelo autor, 2022 Os edifícios identificados apresentam, quanto à configuração externa, algumas características típicas do modernismo na arquitetura, tais como janelas em fita, brises, panos de vidro, pilotis, cobogós, marcações e frisos horizontais e verticais, molduras, marquises e lajes, lajes vazadas, formas curvas, volumes em balanço, revestimentos cerâmicos, entre outros. A influência de Le Corbusier na arquitetura moderna de Belo Horizonte é notória nos exemplares levantados. A janela em fita está presente em 41 dos edifícios, como no edifício Pilar (Figura 56 e 81), projeto de Geraldo Ferreira Lima, 1961 (NORONHA, 2001) e no edifício Nossa Senhora de Lourdes (Figura 57 e 71), de Hélio Ferreira Pinto, 1955 (NORONHA, 2001). Entretanto, muitos outros projetos buscam diversos artifícios para simular as janelas corbusianas: dez edificações apresentam breves recuos nos pilares e alvenarias entre as janelas, criando a sensação de continuidade entre as aberturas, tal como no edifício Tunísia (Figura 58 e 59), de autoria de Tarcísio Silva, 1965 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012). Além disso, outro recurso, que resulta em efeito semelhante, presente em sete dos edifícios analisados é a utilização de um revestimento diferente, seja quanto ao material ou à cor, no alinhamento horizontal entre as janelas, como no edifício Maria Inez (Figura 60 e 61). 77 Figura 56 - Edifício Pilar, Geraldo Ferreira Lima, 1961. Av. Afonso Pena, 1626 Fonte: Foto do autor, 2021 Figura 57 - Edifício Nossa Senhora de Lourdes, Hélio Ferreira Pinto, 1955. Av. Augusto de Lima, 609 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 58 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1965. R. dos Guajajaras, 420 Fonte: Foto do autor, 2022 78 Figura 59 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1965. R. dos Guajajaras, 420 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 60 - Edifício Maria Inez. R. dos Guajajaras, 65 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 61 - Edifício Maria Inez. R. dos Guajajaras, 65 Fonte: Foto do autor, 2022 79 A preocupação em destacar a horizontalidade da edificação também fica evidente no emprego de frisos e molduras. Os frisos e marcações horizontais estão presentes em 26,9% das obras levantadas, tal como no edifício Esther (Figura 62 e 63) de autoria de Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1959 (PASSOS, 1998), no qual a laje é projetada sobre o alinhamento da alvenaria, sobressaindo na fachada. Todavia, em vários casos essa marcação horizontal não se trata da estrutura interna do edifício sendo evidenciada no seu exterior, mas de mero elemento ornamental, como fica evidente no edifício localizado na rua Espirito Santo, 238 (Figura 64) o qual o friso é usado para enquadrar as janelas, mas sem a preocupação com a correspondência da fachada com o interior do edifício ou com a funcionalidade do elemento. O edifício Mantiqueira (Figura 65 e 66), de Antônio Botelho Pereira e Jefferson José Lodi, 1952, também possui frisos, porém de menor espessura, amarrando horizontalmente todas as aberturas fazendo alusão a janela em fita. Figura 62 - Edifício Esther, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1959. Av. Augusto de Lima, 463 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 63 - Edifício Esther, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1959. Av. Augusto de Lima, 463 Fonte: Foto do autor, 2022 80 Figura 64 - Edifício na rua Espirito Santo, nº 238 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 65 - Edifício Mantiqueira, Antônio Botelho Pereira e Jefferson José Lodi, 1952. R. dos Tupinambás, 190 Fonte: Foto do autor, 2019 Figura 66 - Edifício Mantiqueira, Antônio Botelho Pereira e Jefferson José Lodi, 1952. R. dos Tupinambás, 190 Fonte: Foto do autor, 2022 81 Além dos frisos horizontais, as molduras também são recursos muito utilizados para reforçar a horizontalidade da edificação, estando presente em 39,6% das obras levantadas. A combinação das marcações horizontais e verticais podem se apresentar de várias maneiras: uma comumente empregada para enfatizar a horizontalidade é emoldurando cada um dos pavimentos, como no edifício Clemente Faria / Banco da Lavoura (Figura 67 e 68), projeto de Álvaro Vital Brazil, 1951 (CASTRIOTA, 2013), no qual esse recurso é utilizado como sustentação para os brises verticais móveis, assim como no edifício Tupigua (Figura 69 e 70), de autoria de Ulpiano Nunes Muniz, 1956 (NORONHA, 2001), no qual a moldura é utilizada para sustentação dos cobogós. Figura 67 - Edifício Clemente Faria / Banco da Lavoura, Álvaro Vital Brazil, 1951. Av. Afonso Pena, 726 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 68 - Edifício Clemente Faria / Banco da Lavoura, Álvaro Vital Brazil, 1951. Av. Afonso Pena, 726 Fonte: Foto do autor, 2021 82 Figura 69 - Edifício Tupigua, Ulpiano Nunes Muniz, 1956. R. Guarani, 241 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 70 - Edifício Tupigua, Ulpiano Nunes Muniz, 1956. R. Guarani, 241 Fonte: Foto do autor, 2022 Entretanto, é frequente a utilização de frisos emoldurando os pavimentos da edificação, tendo, exclusivamente, função decorativa na composição da fachada, tal como no edifício Nossa Senhora de Lourdes (Figura 57 e 71), de Hélio Ferreira Pinto, 1955, no edifício da rua Guaicurus, nº 481 (Figura 72), e no edifício da rua dos Tamoios, nº 523 (Figura 73). 83 Figura 71 - Edifício Nossa Senhora de Lourdes, Hélio Ferreira Pinto, 1955. Av. Augusto de Lima, 609Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 72 - Edifício na rua Guaicurus, nº 481 Foto do autor, 2022 Figura 73 - Edifício na rua dos Tamoios, nº 523 Fonte: Foto do autor, 2022 84 Além das molduras nos pavimentos, elas foram utilizadas agrupando um conjunto de janelas, outra estratégia utilizada para reforçar a horizontalidade das edificações e simular aberturas maiores, tal como no edifício da rua São Paulo, esquina com rua Guaicurus (Figura 74) e nos hotéis Magnata (Figura 75) e Real Park (Figura 76). Figura 74 - Edifício na rua São Paulo, esquina com rua Guaicurus Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 75 - Hotel Magnata. R. Guarani, 124 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 76 - Hotel Real Park. Av. Olegário Maciel, 421 Fonte: Foto do autor, 2022 85 Outro dos cinco pontos de Le Corbusier presente na arquitetura moderna do centro de Belo Horizonte é o pilotis. Apenas 3,2% dos edifícios analisados apresentam o pavimento térreo tal como defendido pelo arquiteto franco-suíço, elevando o corpo do edifício do solo e criando uma integração entre o interior e o exterior, entre eles se destacam os edifícios Francisco Cardoso (Figura 77, 78 e 135), de Claudio Jorge Gomes de Souza, 1954 (NORONHA, 2001) e Solar (Figura 79 e 80) de Ulpiano Nunes Muniz, 1955 (NORONHA, 2001). Figura 77 - Edifício Francisco Cardoso, Claudio Jorge Gomes de Souza, 1954. R. Espírito Santo, 1100 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 78 - Edifício Francisco Cardoso, Claudio Jorge Gomes de Souza, 1954. R. Espírito Santo, 1100 Fonte: Foto do autor, 2022 86 Figura 79 - Edifício Solar, Ulpiano Nunes Muniz, 1955. Av. João Pinheiro, 85 Fonte: Foto do autor, 2019 Figura 80 - Edifício Solar, Ulpiano Nunes Muniz, 1955. Av. João Pinheiro, 85 Fonte: Foto do autor, 2019 Entretanto, a influência do pilotis corbusiano se apresenta de outras formas nos edifícios em estudo. 5,8% do total utilizam do recurso já identificado por Passos (1998) no qual as colunas do primeiro pavimento são destacadas da vedação que ocorre em um plano imediatamente posterior, podendo ser em alvenaria, cobogó ou esquadria. Sendo assim, o pilotis se torna apenas um efeito visual, tal como no edifício Nossa Senhora de Lourdes (Figura 57 e 71), Pilar (Figura 56 e 81) e Hazan (Figura 82), de autoria de Abram Zyman, 1957. 87 Figura 81 - Edifício Pilar, Geraldo Ferreira Lima, 1961. Av. Afonso Pena, 1626 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 82 - Edifício Hazan, Abram Zyman, 1957. R. Guaranis, 578 Fonte: Foto do autor, 2022 Há, também, uma solução intermediária entre a solução corbusiana e o pseudo-pilotis dos casos anteriores. 3,9% dos edifícios também recuam a vedação do pavimento térreo, mas ela não ocorre em um plano imediatamente posterior à estrutura, havendo espaço para a circulação. Na maioria dos casos esse recurso está associado com o uso comercial criando, assim, pequenas galerias com acesso no nível do pedestre, como nos edifícios Marcelo Líbano (Figura 83), Nicolina Teixeira (Figura 84) e Rochedo (Figura 85). Além disso, 2,3% dos edifícios possuem no nível térreo galerias comerciais com acesso é livre ao pedestre. Entretanto, em nenhum deles a integração do interior e exterior é plenamente estabelecida em conformidade com os cinco pontos de Corbusier como, por exemplo, no edifício Arcângelo Maletta (Figura 86), projeto de Oswaldo Santa Cruz Nery, 1958 (NORONHA, 2001). 88 Figura 83 - Edifício Marcelo Líbano. Av. Augusto de Lima, 444 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 84 - Edifício Nicolina Teixeira. R. São Paulo, 925 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 85 - Edifício Rochedo. R. Goitacazes, 470 Fonte: Foto do autor, 2022 89 Figura 86 - Edifício Arcângelo Maletta, Oswaldo Santa Cruz Nery, 1958. Av. Augusto de Lima, 233 Fonte: Foto do autor, 2022 Além de Le Corbusier, a arquitetura moderna do centro de Belo Horizonte também foi marcadamente influenciada por Lúcio Costa. Os cobogós são elementos que foram amplamente explorados por Costa em sua arquitetura e seu uso reverberou na capital mineira, estando presente em 6,9% dos edifícios modernistas do centro da cidade. Nos edifícios do Mercado Central (Figura 87) de autoria de Marcio Gomes dos Santos, 1967 (ARQBH) e do Mercado Novo (Figura 88) de Fernando Graça e Sandoval Azevedo Filho, 1962 (ARQBH) os elementos vazados são predominantes na vedação de todas as fachadas. Outros casos como os edifícios Tupigua (Figura 69 e 70) e da Faculdade de Direito da UFMG (Figura 89), projeto de Oswaldo Santa Cruz Nery, Decio Machado e Rodrigo Moreira, 1958 (ARQBH), os cobogós cobrem a superfície de uma das fachadas do edifício. Figura 87 - Mercado Central, Marcio Gomes dos Santos, 1967. Av. Augusto de Lima, 744 Fonte: Foto do autor, 2022 90 Figura 88 - Mercado Novo, Fernando Graça e Sandoval Azevedo Filho, 1962. Av. Olegário Maciel, 742 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 89 - Faculdade de Direito da UFMG, Oswaldo Santa Cruz Nery, Decio Machado e Rodrigo Moreira, 1958. Av. João Pinheiro, 100 Fonte: Foto do autor, 2022 Além disso, o cobogó também foi empregado como vedação para o pilotis como nos edifícios Pilar (Figura 56 e 81) e no edifício São Luiz (Figura 90 e 91), projeto de Raphael Hardy Filho, 1952 (PASSOS, 1998). Outro uso recorrente para os elementos vazados é o emprego mais localizado como vedação acima das portas de entrada como nos edifícios Brasília (Figura 92 e 93) e Wanda Maria (Figura 94 e 95). Entretanto, o uso mais comum para os cobogós na arquitetura modernista do centro de Belo Horizonte é o de vedação de algumas aberturas específicas, geralmente associado a áreas de serviço, como no edifício Mantiqueira (Figura 65 e 66), no edifício Florença (Figura 96 e 97) e no edifício Palácio Tiradentes (Figura 98 e 99). 91 Figura 90 - Edifício São Luiz, Raphael Hardy Filho, 1952. R. Espírito Santo, 980 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 91 - Edifício São Luiz, Raphael Hardy Filho, 1952. R. Espírito Santo, 980 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 92 - Edifício Brasília. R. Carijós, 558 Fonte: Foto do autor, 2022 92 Figura 93 - Edifício Brasília. R. Carijós, 558 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 94 - Edifício Wanda Maria. R. Tamoios, 699 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 95 - Edifício Wanda Maria. R. Tamoios, 699 Fonte: Foto do autor, 2022 93 Figura 96 - Edifício Florença. R. Guaranis, 555 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 97 - Edifício Florença. R. Guaranis, 555 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 98 - Edifício Palácio Tiradentes. R. Rio de Janeiro, 985 Fonte: Foto do autor, 2022 94 Figura 99 - Edifício Palácio Tiradentes. R. Rio de Janeiro, 985 Fonte: Foto do autor, 2022 Além dos cobogós, Lúcio Costa também utilizava, em sua arquitetura, grande abertura, incluindo panos de vidro, elemento esse que se encontra em 6,7% dos edifícios analisados5, como no edifício Vicente de Araújo / Banco Mercantil do Brasil (Figura 100), projeto de Raul de Lagos Cirne, 1960 (ARQBH); e edifício Minas Oeste (Figura 101), de Álvaro Benício de Paiva Filho, 1966 (NORONHA, 2001). É importante destacar que para Lúcio Costa o emprego do pano de vidro deveria seguir uma avaliação das condições ambientais da região de implantação do projeto, de maneira que as fachadas que recebem maior insolação, principalmente durante o verão, deveriam ser protegidas, tal como foi empregado na sede do MES (Figura 4, 20 e 21). Entretanto, em muitas das edificações levantadas não havia tal preocupação com as condicionantes climáticas, sendo muito comum fachadas envidraçadas de orientação norte ou oeste sem nenhum tipo de proteção, como no próprio edifício Minas Oeste (Figura 101), nos levando a inferir que as questões estéticas eram mais relevantes que as funcionais. 5 Foi considerado pano de vidro apenas edifícios com esquadria metálica com vidro instaladasexternamente a estrutura ocultando-a, da maneira como foi empregado por Lúcio Costa e equipe na sede do MES (Figura 4, 20 e 21). Assim edifícios com janelas de piso a teto com as lajes e vigas evidentes na fachada não foram enquadrados. 95 Figura 100 - Edifício Vicente de Araújo / Banco Mercantil do Brasil, Raul de Lagos Cirne, 1960. R. Rio de Janeiro 654 Fonte: Foto do autor, 2021 Figura 101 - Edifício Minas Oeste, Álvaro Benício de Paiva Filho, 1966. R. da Bahia, 1033 Fonte: Foto do autor, 2022 Quanto à proteção das aberturas que recebem muita incidência de radiação solar, além dos cobogós, Lúcio Costa utilizava os brises soleil. Esse dispositivo arquitetônico também estava presente na arquitetura moderna da região central de Belo Horizonte, sendo identificado em 7,4% dos edifícios levantados. As fachadas que necessitam de maior proteção solar em Belo Horizonte, devido às condições ambientais, são voltadas as norte, oeste e noroeste, pois recebem muita incidência de radiação, principalmente no período da tarde. Para solucionar essa questão, muitos edifícios como o Clemente Faria (Figura 67 e 68) e o Trianon (Figura 102 e 103) utilizam brises verticais móveis na fachada oeste, outros como o Banco Mineiro de Produção (Figura 51 e 104) e o edifício na rua dos Guaranis, nº 311 (Figura 105) utilizam da proteção horizontal na fachada de mesma orientação. Ocorreu, também, o caso exclusivo do edifício Eliza Levy (Figura 106 e 107), projeto de Tarcísio Silva, 1958 96 (NORONHA, 2001), no qual é utilizado o brise misto, vertical e horizontal combinados, igualmente na fachada oeste. Figura 102 - Edifício Trianon. R. da Bahia, 905 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 103 - Edifício Trianon. R. da Bahia, 905 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 104 - Sede do BEMGE, Oscar Niemeyer, 1953. R. Rio de Janeiro, 471 Fonte: Foto do autor, 2021 97 Figura 105 - Edifício na rua dos Guaranis, nº 311 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 106 - Edifício Eliza Levy, Tarcísio Silva, 1958. R. Rio de Janeiro, 243 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 107 - Edifício Eliza Levy, Tarcísio Silva, 1958. R. Rio de Janeiro, 243 Fonte: Foto do autor, 2022 98 Por outro lado, as fachadas voltadas para norte dos edifícios em estudo receberam menos proteção, no entanto ainda é possível verificar a utilização de brises verticais como no edifício Claudionor Ferreira Pinto (Figura 108 e 109), na qual a proteção foi empregada apenas em algumas aberturas em específico. Figura 108 - Edifício Claudionor Ferreira Pinto. Av Augusto de Lima, 345 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 109 - Edifício Claudionor Ferreira Pinto. Av Augusto de Lima, 345 Fonte: Foto do autor, 2022 Todavia, foram identificados, não raros, casos do inesperado emprego de proteção solar nas fachadas sul e leste, muitas vezes, em edifícios com fachadas norte e oeste desprotegidas, como é o caso dos edifícios na rua Rio Grande do Sul, nº320 (Figura 110 e 111) e na avenida Paraná, nº214 (Figura 112). 99 Figura 110 - Edifício na rua Rio Grande do Sul, nº 320 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 111 - Edifício na rua Rio Grande do Sul, nº 320 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 112 - Edifício na avenida Paraná, nº 214 Fonte: Foto do autor, 2022 100 Há ainda, com relação à proteção solar, notáveis casos de brises exclusivamente ornamentais, como é o caso do edifício Contagem (Figura 113 e 114), projeto de Angilberto Sabino, 1959, no qual há placas horizontais na fachada leste em trecho onde não há uma abertura sequer, configurando um elemento de efeito meramente estético. Ademais, no edifício Rotary (Figura 115 e 116), de autoria de Luiz Pinto Coelho e Arturo Garcia Loayza, 1965, os brises horizontais são utilizados apenas nos últimos pavimentos técnicos, no qual há poucas aberturas e os ambientes são de curta permanência, sendo assim, elementos de coroamento do prédio. Figura 113 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino, 1959. R. São Paulo, 1190 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 114 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino, 1959. R. São Paulo, 1190 Fonte: Foto do autor, 2022 101 Figura 115 - Edifício Rotary, Luiz Pinto Coelho e Arturo Garcia Loayza, 1965. R. Guajajaras, 410 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 116 - Edifício Rotary, Luiz Pinto Coelho e Arturo Garcia Loayza, 1965. R. Guajajaras, 410 Fonte: Foto do autor, 2015 Além da influência de Le Corbusier e Lúcio Costa, a arquitetura modernista no hipercentro de Belo Horizonte, também utilizou de recursos amplamente usados por Sylvio de Vasconcellos, um dos principais nomes do movimento moderno em Minas Gerais. Cores vibrantes nas fachadas era uma das principais características da obra de Vasconcellos, muitas vezes aplicando revestimentos cerâmicos, principalmente pastilhas. Dessa forma, as pastilhas estão presentes em 31% da amostragem, como no edifício Nossa Senhora de Fatima (Figura 117 e 168), projetado por Raphael Hardy Filho em 1954 (PASSOS, 1998) e no edifício Baalbeck (Figura 118). Além das pastilhas, outros revestimentos cerâmicos também foram identificados em 13,4% dos edifícios levantados, como no Hotel Real Park (Figura 76) e no edifício da rua dos Tupinambás, nº1069 (Figura 119). Ademais, há 20 edifícios que combinam as pastilhas com outros revestimentos cerâmicos, como é o caso dos edifícios 102 Rotary (Figura 115 e 116) e Victor Purri (Figura 120) projeto de Paulo Mourão Monteiro, 1963. Figura 117 - Edifício Nossa Senhora de Fatima, Raphael Hardy Filho, 1954. R. Tupis, 225 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 118 - Edifício Baalbeck. R. Caetés, 461 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 119 - Edifício na rua dos Tupinambás, nº 1069 Fonte: Foto do autor, 2022 103 Figura 120 - Edifício Victor Purri, Paulo Mourão Monteiro, 1963. R. da Bahia, 486 Fonte: Foto do autor, 2019 Além dos grandes arquitetos de repercussão nas escalas global, nacional e local, a produção arquitetônica moderna em Belo Horizonte, como vimos no capítulo três, também foi fortemente influenciada pela construção do conjunto modernista da Pampulha. À vista disso, foram identificados em 10% dos edifícios formas curvas, como no edifício Miraci (Figura 121), projetado por Eurípedes Santos Zumpano em 1956 e no edifício Arthur Guimarães (Figura 122) de 1953 (NORONHA, 2001) que abrigou a escola de engenharia da UFMG. Entretanto, a maioria dos casos de formas curvas correspondem a arredondamentos em prédios de esquina, podendo ser convexo de maneira convencional como no edifício Helena Passig (Figura 123) de Rafael Hardy Filho, 1957 (NORONHA, 2001), e no edifício Bady Salum (Figura 124), ou concava como nos edifícios Clemente Faria (Figura 67 e 68) e Codó (Figura 125) projeto de Tarcísio Silva, 1955 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012). Figura 121 - Edifício Miraci, Eurípedes Santos Zumpano, 1956. R. Rio de Janeiro, 1023 Fonte: Foto do autor, 2022 104 Figura 122 - Edifício Arthur Guimarães, 1953. R. Espírito Santo, 35 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 123 - Edifício Helena Passig, Rafael Hardy Filho, 1957. R. Rio de Janeiro, 462 Fonte: Foto do autor, 2021 Figura 124 - Edifício Bady Salum. R. São Paulo, 57 Fonte: Foto do autor, 2022 105 Figura 125 - Edifício Codó, Tarcísio Silva, 1955. Av. Amazonas, 135 Fonte: Foto do autor, 2022 Os prédios levantados no presente estudo foram construídos em um período de intensificação da verticalização da cidade, portanto, muitos deles buscam artifícios arquitetônicos para reforçar a verticalidade da edificação. Foram identificados frisos e marcações no sentido vertical em 22% das obras analisadas, como no edifício Cidade de Belo Horizonte (Figura 126), projetado por Hélio Marques Gontijo em 1962 (NORONHA, 2001), no qual as alvenarias internas avançam sobre a externa, ressaltando sobre a fachada, assim como no edifício Sobrado(Figura 127), de Fernando de Oliveira Graça, Nelson de Couto e Silva Marques Lisboa, 1962 (NORONHA, 2001), no qual situação semelhante é observada. Figura 126 - Edifício Cidade de Belo Horizonte, Hélio Marques Gontijo, 1962. R. Curitiba, 1022 Fonte: Foto do autor, 2016 106 Figura 127 - Edifício Sobrado, Fernando de Oliveira Graça, Nelson de Couto e Silva Marques Lisboa, 1962. Av. Augusto de Lima, 486 Fonte: Foto do autor, 2022 Outra forma na qual as marcações verticais aparecem é como suporte para esquadrias de edifícios com pano de vidro ou aberturas de piso ao teto, tal como nos edifícios Bradesco (Figura 128 e 129) e Mercantil (Figura 130 e 131). Entretanto, é bastante comum esses elementos estarem presentes nas fachadas sem necessariamente corresponderem à conformação interna do edifício, sendo elementos plásticos sem outra funcionalidade além da estética, como é o caso do edifício na avenida Olegário Maciel, nº591 (Figura 132) e do Hotel Serrana Palace (Figura 133 e 134). Figura 128 - Edifício Bradesco. Av. Amazonas, 298 Fonte: Foto do autor, 2022 107 Figura 129 - Edifício Bradesco. Av. Amazonas, 298 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 130 - Edifício Mercantil. R. Bahia, 916 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 131 - Edifício Mercantil. R. Bahia, 916 Fonte: Foto do autor, 2022 108 Figura 132 - Edifício na avenida Olegário Maciel, nº 591 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 133 - Hotel Serrana Palace. R Goitacazes 450 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 134 - Hotel Serrana Palace. R Goitacazes 450 Fonte: Foto do autor, 2022 109 A verticalidade das edificações também pode ser acentuada com o uso de molduras que percorrem todo o perímetro da fachada, o que ocorre no edifício Francisco Cardoso (Figura 77, 78 e 135) no qual há um relevo, revestido com material diferenciado, em parte da fachada voltada para a venida Augusto de Lima emoldurando todas as aberturas, assim como no edifício Levy Coelho da Rocha (Figura 136) no qual o relevo emoldura todo o volume em projeção. Outra maneira na qual o elemento se apresenta é conforme o edifício Florença (Figura 96 e 97), havendo o sobressalto de alvenarias nas laterais e laje no topo do edifício agrupando todas as aberturas. Figura 135 - Edifício Francisco Cardoso, Claudio Jorge Gomes de Souza, 1954. R. Espírito Santo, 1100 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 136 - Edifício Levy Coelho da Rocha. R. Goiás, 335 Fonte: Foto do autor, 2022 Outra forma na qual as molduras aparecem é a qual foi intitulada para esse trabalho de “grelha” que consiste em frisos, relevos ou marcações verticais e horizontais conjugadas formando uma grelha em toda ou parte da fachada do edifício. Essas marcações, comumente, correspondem as lajes, pilares e alvenarias internas da edificação, evidenciando a estrutura 110 independente da vedação externa, configurando uma fachada livre. Esse elemento pode se apresentar emoldurando individualmente aberturas convencionais com parapeito, como é o caso dos edifícios João Gomes (Figura 137 e 138) e Topázio (Figura 139 e 140) projetado por Luciano Alfredo Santiago e Raul de Lagos Cirne em 1955 (NORONHA, 2001). Além disso, a grelha também foi usada agrupando mais de uma abertura de dimensões menores, como no edifício Ceci (Figura 141) e no edifício da rua Espírito Santo, nº 221 (Figura 142). Figura 137 - Edifício João Gomes. R. Guajajaras, 365 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 138 - Edifício João Gomes. R. Guajajaras, 365 Fonte: Foto do autor, 2015 111 Figura 139 - Edifício Topázio, Luciano Alfredo Santiago e Raul de Lagos Cirne, 1955. R. Tupis, 207 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 140 - Edifício Topázio, Luciano Alfredo Santiago e Raul de Lagos Cirne, 1955. R. Tupis, 207 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 141 - Edifício Ceci. R. Caetés, 484 Fonte: Foto do autor, 2022 112 Figura 142 - Edifício na rua Espírito Santo, nº 221 Fonte: Foto do autor, 2022 Outras maneiras nas quais a grelha foi empregada que evidenciam ainda mais a independência da estrutura é conforme o edifício Juiz de Fora (Figura 143 e 144), projeto de Henrique Batista de Oliveira, 1956 e modificado por Ribeiro de Oliveira em 1962 (ARQBH), no qual o elemento emoldura além das janelas convencionais varandas projetadas em balanço; e conforme o edifício Príncipe de Gales (Figura 145 e 146) onde a grelha estrutura emoldura aberturas de piso a teto ocupando todo o vão entre as estruturas. Figura 143 - Edifício Juiz de Fora, Henrique Batista de Oliveira, 1956 (Original); Ribeiro de Oliveira em 1962 (Alterações). R. Tupis, 167 Fonte: Foto do autor, 2022 113 Figura 144 - Edifício Juiz de Fora, Henrique Batista de Oliveira, 1956 (Original); Ribeiro de Oliveira em 1962 (Alterações). R. Tupis, 167 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 145 - Edifício Príncipe de Gales. R. Tupinambás, 179 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 146 - Edifício Príncipe de Gales. R. Tupinambás, 179 Fonte: Foto do autor, 2022 114 Um elemento de caráter funcional presente em 80,3% das edificações levantadas é a marquise, em conformidade com as determinações do Regulamento de Construções da Prefeitura de Belo Horizonte de 1940, que determina, no artigo 144, a construção obrigatória das marquises nos edifícios da zona comercial, criando uma proteção contra o sol e a chuva para pedestres, como no caso do edifício Príncipe de Gales (Figura 145 e 146). Entretanto, esses elementos foram utilizados, também, protegendo varandas como no edifício Bady Salum (Figura 124). Há, também edifícios com placas horizontais sobrepostas à fachada com forma e dimensão semelhante às marquises, aplicados em sequência, porém sem a finalidade de proteger o pedestre, podendo ser um elemento de proteção das aberturas ou meramente estético, como no edifício na rua dos Caetés, nº395 (Figura 147) e no edifício Rio Tapajós (Figura 148 e 149) projetado por Tarcísio Silva em 1958 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012). Figura 147 - Edifício na rua dos Caetés, n° 395 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 148 - Edifício Rio Tapajós, Tarcísio Silva, 1958. R. Bahia, 325 Fonte: Foto do autor, 2022 115 Figura 149 - Edifício Rio Tapajós, Tarcísio Silva, 1958. R. Bahia, 325 Fonte: Foto do autor, 2022 Há dois casos excepcionais muito semelhantes do uso de placas horizontais na fachada, se tratam dos edifícios Coimbra (Figura 150 e 151) e Farinha (Figura 152 e 153) projetado por Hilmar Toscano Rios em 1962 (RODRIGUES, 2007), em que as placas não são alocadas de forma linear ao longo de toda a fachada no sentido transversal, mas são postas de maneira intercalada. No edifício Coimbra todas as placas fazem proteção para aberturas diferentes que não foram posicionadas de maneira alinhada, por outro lado, no edifício Farinha apenas algumas placas estão posicionadas sobre aberturas, sendo as outras elementos decorativos, utilizados na composição da fachada sem nenhuma função prática. Figura 150 - Edifício Coimbra. R. Tupis, 435 Fonte: Foto do autor, 2022 116 Figura 151 - Edifício Coimbra. R. Tupis, 435 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 152 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962. R. Bahia, 360 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 153 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962. R. Bahia, 360 Fonte: Foto do autor, 2022 117 Além das placas intercaladas, foram identificadas também marquises vazadas em sete edifícios, podendo elas ter a forma circular como no edifício Avenida (Figura 154 e 155), projetado por Tarcísio Silva em 1962 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012); forma oval, como no edifício Rozen (Figura 156 e 157); ou forma retangular como no edifício Nereu de Almeida (Figura 158 e 159), projeto de Edilson Maranhão, 1966 (NORONHA, 2001). Tais elementos, se assemelham com pergolados constatados em terraços de 13 edifícios, como no Farinha (Figura152 e 153). Figura 154 - Edifício Avenida, Tarcísio Silva, 1962. R. São Paulo, 409 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 155 - Edifício Avenida, Tarcísio Silva, 1962. R. São Paulo, 409 Fonte: Foto do autor, 2022 118 Figura 156 - Edifício Rozen. R. Curitiba, 778 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 157 - Edifício Rozen. R. Curitiba, 778 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 158 - Edifício Nereu de Almeida, Edilson Maranhão, 1966. R. Guaranis, 276 Fonte: Foto do autor, 2022 119 Figura 159 - Edifício Nereu de Almeida, Edilson Maranhão, 1966. R. Guaranis, 276 Fonte: Foto do autor, 2022 Devido à permissividade da legislação vigente a época, algumas características se apresentam comuns para a muitos dos edifícios levantados, como é o caso de volumes em projeção sobre a via pública, o que ocorre em 40,5% deles. De acordo com o Regulamento de Construções da Prefeitura de Belo Horizonte de 1940, no artigo 141, “As construções em balanço, nas fachadas construídas no alinhamento, só serão permitidas acima do pavimento térreo” devendo ficar pelo menos três metros acima do passeio. Além disso, a largura da saliência não poderia ultrapassar 5% da largura da via, limitada a 1,2 metros. Ademais, a área desses balanços também era regulamentada, “a soma das projeções das construções em balanço, formando recinto fechado, sobre plano vertical, paralelo à frente, não poderá exceder a ⅓ (um terço) da superfície da fachada, em cada pavimento” (Belo Horizonte (MG), 1940), não mencionando os balanços não vedados, permitindo edificações com varandas em projeção sobre toda a superfície da fachada, como no Centro da Comunidade Luso Brasileira (Figura 160 e 161). Esses volumes em balanço contribuem para a composição da fachada de matriz neoplasticista sugerindo a sobreposição e montagem de planos distintos, sendo eles manifestados de formas diversas, havendo casos nos quais apenas varandas são projetadas sobre a via, como no Centro da Comunidade Luso Brasileira (Figura 160 e 161); outra forma seria a projeção da varanda conjugada com um volume vedado, tal como no edifício na Avenida Olegário Maciel, nº358 (Figura 162); ou então o volume projetado sem estar associado a uma varanda, como no edifício Soberano (Figura 163). 120 Figura 160 - Centro da Comunidade Luso Brasileira. R. Curitiba, 746 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 161 - Centro da Comunidade Luso Brasileira. R. Curitiba, 746 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 162 - Edifício na avenida Olegário Maciel, n° 358 Fonte: Foto do autor, 2022 121 Figura 163 - Edifício Soberano. R. Tupinambás, 454 Fonte: Foto do autor, 2022 Além dos volumes em projeção sobre a via, a legislação também regulava os afastamentos das edificações. O Regulamento Geral de Construcções em Bello Horizonte, de 1933, exigia que os edifícios da zona central fossem implantados sem “áreas de frente” (Belo Horizonte (MG), 1933), além de permitir a construção encostada nas divisas laterais. Dessa forma, apesar da recomendação dos afastamentos pelos grandes nomes do movimento moderno na arquitetura, apenas 9,7% dos edifícios levantados apresentam alguma forma de afastamento. O afastamento lateral foi identificado em 25 edificações, sendo que nove possuem o afastamento em apenas uma das laterais, como é o caso do edifício Ferreira Leite (Figura 164), projetado por Luís Paulo Carrieri e Gilberto Andrade em 1953 (NORONHA, 2001). Por outro lado, o afastamento frontal foi identificado, também, em 25 dos edifícios levantados, sendo que ele pode ocorrer apenas no bloco principal, mantendo a base do edifício no alinhamento da via, como na Faculdade de Direito da UFMG (Figura 89), ou então afastamento ocorre apenas em parte do bloco principal, como no edifício Araguaia (Figura 165 e 166). 122 Figura 164 - Edifício Ferreira Leite, Luís Paulo Carrieri e Gilberto Andrade, 1953. R. Goitacazes, 152 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 165 - Edifício Araguaia. Av. Augusto de Lima, 134 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 166 - Edifício Araguaia. Av. Augusto de Lima, 134 Fonte: Foto do autor, 2022 A cobertura dos edifícios levantados é, em grande maioria, 98,8% dos casos, solucionada com telhado convencional oculto por platibandas. Esse recurso permite simular 123 os terraços, amplamente difundidos por Le Corbusier, mas não muito adequado ao clima local, devido à alta incidência de chuvas e às temperaturas elevadas durante o período de primavera/verão, além de se adequar às exigências da Regulamento de Construções da Prefeitura de Belo Horizonte de 1940 que decretava que “os edifícios construídos no alinhamento da via pública devem ter a fachada provida de platibanda” (Belo Horizonte (MG), 1940). Entretanto, há alguns casos de outras soluções para cobertura, normalmente associados ao telhado embutido, como no edifício Christiano Guimarães (Figura 167), sede do Banco Nacional, no qual os arquitetos Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago (NORONHA, 2001) solucionam a cobertura do volume principal com o telhado embutido, porém utilizam de cascas abobadadas associadas a um telhado de uma água. Outra solução associada ao telhado embutido foi identificada no edifício Nossa Senhora de Fatima (Figura 117 e 168), no qual parte da cobertura é solucionado com um telhado borboleta, semelhante aos utilizados por Oscar Niemeyer na Pampulha, porém interrompido ao centro pelo volume da caixa d’água e áreas técnicas. Figura 167 - Edifício Christiano Guimarães / Sede do Banco Nacional, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1952. R. Espírito Santo, 593 Fonte: Foto do autor, 2019 Figura 168 - Edifício Nossa Senhora de Fatima, Raphael Hardy Filho, 1954. R. Tupis, 225 Fonte: Foto do autor, 2022 124 Outros elementos do repertório formal do modernismo também foram identificados nos edifícios do hipercentro de Belo Horizonte, porém menos expressivamente, como a integração da arquitetura com as outras artes, presente no edifício Clemente Faria (Figura 67 e 68), com uma escultura na fachada e no edifício Santa Monica (Figura 169 e 170), de Raphael Hardy Filho (RAPHAEL Hardy Filho, [s.d.]) com um mosaico na fachada próximo à entrada. Painéis ripados de madeira, também foram identificados, como no edifício Bom Jardim (Figura 171 e 172), também de Raphael Hardy Filho (RAPHAEL Hardy Filho, [s.d.]). Figura 169 - Edifício Santa Monica, Raphael Hardy Filho. R. Espírito Santo, 977 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 170 - Edifício Santa Monica, Raphael Hardy Filho. R. Espírito Santo, 977 Fonte: Foto do autor, 2022 125 Figura 171 - Edifício Bom Jardim, Raphael Hardy Filho. R. Goitacazes, 172 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 172 - Edifício Bom Jardim, Raphael Hardy Filho. R. Goitacazes, 172 Fonte: Foto do autor, 2022 A partir do levantamento das edificações com características modernistas no hipercentro de Belo Horizonte, é possível observar vários elementos arquitetônicos característicos do movimento moderno na arquitetura, porém a grande maioria dos edifícios analisados recorrem ao fachadismo, de modo que as fachadas voltadas para as vias públicas são mais valorizadas, recebendo um tratamento plástico diferenciado das demais, pratica essa condenada pelos modernos, principalmente nas duras críticas ao período eclético. Associado a isso, muitos dos elementos, como vimos, são emulações do reportório formal do modernismo, relegando seus usos e sentidos originais. O presente trabalho se propõem a analisar a arquitetura moderna do hipercentro de Belo Horizonte a partir do conjunto, buscando identificar um fenômeno que não se afirma a partir de exemplres isolados. Entretanto, para ampliar a análise, não se restringindo apenas à configuração externa presente, foram pré selecionados alguns exemplares para se fazer uma 126 pesquisa documental no APCBH e na DIPC6,buscando levantar os projetos arquitetônicos apresentados à prefeitura para a aprovação da construção, sendo possível investigar as instenções no projeto de modo mais aprofundado. Após a consulta dos desenhos arquitetônicos, foram selecionados, seis exemplares para compor as análises individuais, sendo três de uso residencial ou misto e três de uso do comérico e serviços, com altimetrias diferentes buscando representar a diversidade dos edifícios modernos do centro da cidade. Dessa forma, os edifícios que serão analisados a seguir, correspondem a exemplares de um todo, e não devem ser entendidos isoladamente do conjunto. 4.1 EDIFÍCIO TUNÍSIA, TARCÍSIO SILVA, 1959 O edifício Tunísia (Anexo 1) está localizado na rua dos Guajajaras, nº 420, entre rua da Bahia e Espírito Santo. É um edifício de uso misto, com lojas no térreo, e apartamentos a partir do segundo pavimento. O projeto foi enviado para aprovação da prefeitura em outubro de 1959 e é de autoria de Tarcísio Silva, arquiteto formado pela EA-BH em 1938 (MASINI, 2015), responsável por vários edifícios emblemáticos em Belo Horizonte, como o abrigo de bondes e o edifício Guanabara, ambos na avenida Afonso Pena. Além da produção arquitetônica Silva foi membro do conselho diretor da revista Arquitetura e Engenharia, grande divulgadora da arquitetura moderna em Belo Horizonte e no Brasil. A fachada principal do edifício segue, tal como a planta, uma composição simétrica com linhas claras e objetivas. Há uma saliência, emoldurando todo o edifício, no sentido transversal, destacando a verticalidade da obra, correspondendo ao prolongamento das lajes do segundo e do nono pavimento, conforme projeto apresentado à prefeitura. A platibanda, imediatamente acima da moldura, não deveria existir, pois o topo do corpo principal do edifício deveria ser uma laje com leve inclinação, funcionando como uma espécie de calha para o telhado convencional posterior, como é possível observar em corte. No sentido longitudinal a saliência não corresponde à nenhuma alvenaria ou divisão interna, sendo elemento meramente estético, utilizado para a composição da fachada. A partir da análise do projeto arquitetônico é possível observar a intenção de Silva de aplicar o conceito de janela em fita corbusiano, entretanto, observando o projeto edificado, constatamos que as janelas continuas não foram plenamente implantadas, sendo reduzidas à um recurso visual obtido a partir do recuo das alvenarias entre as janelas com relação ao plano 6 Os projetos arquitetônicos levantados se encontram nos anexos 127 da fachada, porém mantendo-as aparentes. Ademais, há nos desenhos outro elemento não identificado a baixo das janelas na área que corresponde à abertura das salas, possivelmente uma outra abertura não construída. Na base do prédio, há quatro pilares de seção circular alinhados à via que, em planta, aparecem levemente recuados, além das esquadrias, que também não estão instaladas, atualmente, no mesmo plano previsto em projeto. A pesar de não aplicar o pilotis, o arquiteto tinha a clara intenção de criar visualmente o efeito de um e de melhorar a interação do edifício com a rua. O único elemento de revestimento identificado na fachada é a pastilha cerâmica que se apresenta, atualmente, com tons diferentes de verde na superfície da fachada e na moldura, contudo, ela aparentemente foi pintada posteriormente, não sendo possível identificar as cores originais, também por não constarem em projeto. As fachadas laterais e de fundo, são em grande extensão cegas e encostadas nos alinhamentos das divisas, tendo alguns pontos de recuo para a criação de áreas de iluminação e ventilação, entretanto essas áreas não recebem nenhum tipo de tratamento. Todavia, há previsto no projeto a sequência da linguagem da janela em fita e grandes aberturas também nessas fachadas, o que não foi executado, sendo observado, atualmente, aberturas de pequenas dimensões dispostas de maneira convencional. A planta do pavimento térreo é bem simples. Com exceção do pequeno hall de entrada e dos banheiros, não há divisões internas, sendo a planta livre para o uso de duas lojas, tendo elas um mezanino de sobreloja. A planta dos apartamentos do pavimento tipo seguem a lógica da planta burguesa francesa, havendo uma setorização tripartida dos setores social, íntimo e de serviços, no qual a cozinha, a área de serviço, o banheiro de serviço e o depósito compõem um setor; os quartos e o banheiro principal configuram o setor íntimo e a sala configura o setor social. Dos quatro apartamentos por pavimento, apenas um não possui acesso independente para o setor de serviços. A distribuição dos setores segue a tradição herdada dos hôtels franceses no quais “as aberturas das dependências de prestígio – salas e, eventualmente, quartos – estão, em geral, situadas na face nobre do edifício, o que no caso dos novos apartamentos significa, em pestanejar, a que está voltada para rua, seja lá qual for a sua orientação” (TRAMONTANO, 1998, p.75-76), de forma que, o setor de serviços seja iluminado e ventilado pelos fossos, sendo que, nos apartamentos de fundo, a cozinha é iluminada indiretamente pela área de serviço. 128 A herança dos hôtels na lógica projetual, também se apresenta verticalmente. O penúltimo pavimento, sem acesso por elevadores, é destinado ao apartamento do zelador, assim como os “quartos de empregada - as chambres de bonne - localizadas sempre no último andar, sob o telhado” (TRAMONTANO, 1998, p.76). Os apartamentos do segundo pavimento, possuem basicamente a mesma planta do pavimento tipo, porém acrescido de terraços que, nos apartamentos de frente são incorporados ao setor de serviços e nos apartamentos de fundo ao setor social. A única variação na setorização ocorre nos apartamentos do nono pavimento, o último de apartamentos, no qual há apenas três unidades, havendo um terraço, intitulado jardim de inverno, incorporado ao setor social e um quarto quarto com terraço com acesso pelo setor de serviços. O edifício é implantado de modo a ocupar grande parte do terreno, deixando livre apenas pequenas áreas para iluminação e ventilação. Não há afastamento frontal, em conformidade com o Regulamento Geral de Construcções em Bello Horizonte, nem lateral, apenas breves recuos para os fossos, decisão projetual, essa, tomada mesmo o arquiteto estando a par de toda a discussão acerca da salubridade das edificações levantada pelos arquitetos modernos. A altura do edifício não atinge o limite máximo permitido pelo gabarito, evidenciando uma não intenção de utilização máxima do potencial comercial do terreno, reforçando que a ventilação e iluminação exercida através de fossos é uma decisão projetual. Observamos então, que o edifício Tunísia apresenta algumas características da arquitetura moderna, mesmo que algumas delas se apresentem mais como uma intenção do que como uma implementação. Comparando o projeto edificado com os desenhos arquitetônicos, constatamos, também, que muitas das propostas de Silva não foram plenamente executadas, possivelmente por dificuldades técnicas ou para baratear o custo da construção. A prática do fachadismo é notória, sendo apenas a fachada principal minimamente tratada. As plantas não apresentam nenhuma inovação, seguindo a mesma lógica adotada em períodos anteriores. 129 Figura 173 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 174 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 175 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 130 Figura 176 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 177 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 178 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 131 Figura 179- Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 180 - Edifício Tunísia, Tarcísio Silva, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 181- Edifício Tunísia, “Planta de Situação e Orientação” Fonte: Acervo do APCBH 132 Figura 182 - Edifício Tunísia, "Planta de Locação" Fonte: Acervo do APCBH Figura 183 - Edifício Tunísia, Planta Subsolo Fonte: Acervo do APCBH 133 Figura 184 - Edifício Tunísia, Planta Lojas Fonte: Acervo do APCBH 134 Figura 185 - Edifício Tunísia, Planta Sobrelojas Fonte: Acervo do APCBH 135 Figura 186 - Edifício Tunísia, Planta 2º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 136 Figura 187 - Edifício Tunísia, Planta Pavimento Tipo Fonte: Acervo do APCBH 137 Figura 188 - Edifício Tunísia, Planta 10º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 138 Figura 189 - Edifício Tunísia, Planta 11º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH Figura 190 - Edifício Tunísia, Telhado Fonte: Acervo do APCBH 139 Figura 191 - Edifício Tunísia, Cortes Fonte: Acervo do APCBH Figura 192 - Edifício Tunísia, Gabarito Fonte: Acervo do APCBH 140 Figura 193 - Edifício Tunísia, Fachada Fonte: Acervo do APCBH 141 4.2 EDIFÍCIO SANTA RITA, FRANCISCO SALOMÉ DE OLIVEIRA, 1951 O Edifício Santa Rita (Anexo 2) está localizado na Rua dos Tamoios, nº 486, entre as ruas São Paulo e Curitiba. É um edifício de uso comercial e de serviços projetado por Francisco Salomé de Oliveira em 1951. Francisco foi um dos graduados da primeira turma da EA-BH em 1937 (KRAWCTSCHUK, 2011) e também possui projetos em Divinópolis. Nesse projeto, são grandes as divergências entre o projeto arquitetônico consultado no APCBH e o edificado. Nos desenhos arquitetônicos, constam, no bloco principal, um pavimento de loja, com pé direito duplo e mezanino, e um segundo pavimento com salas, entretanto, observando a fachada identificamos um pavimento de lojas, aparentemente mais baixo, e dois pavimentos superiores, totalizando três. Essas alterações, consequentemente, comprometeram a configuração da fachada. A fachada principal, voltada para a rua, segue uma composição simétrica com planos e volumes distintos com frisos e marcações, sugestionando a montagem e sobreposição de elementos. Há saliências emoldurando os planos sinalizando a independência da estrutura quanto à vedação, correspondendo verticalmente aos pilares e horizontalmente na marcação inferior à laje do segundo pavimento, contudo a marcação superior é apenas ornamental, não refletindo nenhum aspecto estrutural. Há, também na fachada, frisos horizontais nos alinhamentos inferior e superior das aberturas, agrupando-as e simulando aberturas de maiores dimensões, fazendo uma alusão às janelas em fita corbusianas. Há duas marquises na edificação, uma, inferior, acima da porta das lojas de forma convencional e contínua em toda a fachada, e outra, superior, no alinhamento da laje do segundo pavimento e de menor dimensão, de caráter mais plástico, sendo composta de uma série de abóbadas de pequenas dimensões em sequência, remetendo as cascas muito utilizadas pela arquitetura moderna, principalmente após os projetos de Niemeyer para a Pampulha. Observando os desenhos arquitetônicos observamos que muitas das intenções de Oliveira não foram materializadas. As aberturas foram, inicialmente, propostas de forma contínua configurando janelas em fita, entretanto elas foram reduzidas a um recurso visual obtido através de frisos. Foi idealizado, também, aberturas sobre as portas das lojas, recebendo vedação com esquadria e vidro. Além disso, o pavimento térreo foi concebido com pilares de face curva evidenciados na fachada, referenciando os pilotis. As marquises também teriam configurações distintas das implantadas, a marquise superior, teria forma ondulada, diferente da sequência de abóbodas 142 como executada, e a inferior seria seccionada e interrompida no alinhamento da superior, que coincidiram com um dos pilares citados. Ademais, a porta de entrada não apresenta nenhuma moldura da forma como se apresenta no desenho, assim como o aparente revestimento cerâmico presente nos desenhos não é constatado na edificação. As fachadas laterais e de fundo são em grande parte encostadas nas divisas, configurando fachadas cegas. No bloco principal, nos pavimentos superiores há um breve recuo em parte das fachadas laterais para a criação de fossos de ventilação e iluminação e na fachada posterior há uma grande janela em todo o vão da escada. As demais aberturas são de pequena dimensão e alocadas de maneira convencional. No bloco dos fundos, as fachadas laterais são afastadas da divisa um metro e meio, porém não recebem tratamento e têm aberturas pequenas e convencionas. A planta do pavimento térreo é composta, no bloco principal, por quatro lojas de dimensões semelhantes dispostas simetricamente com um extenso corredor no meio que dá acesso ao bloco dos fundos e à circulação vertical. As lojas são consideravelmente compridas e possuem cada uma delas banheiros individuas e uma sobreloja com mezanino com planta em forma curva. O bloco dos fundos está em um nível abaixo e possui 10 depósitos dispostos, também, simetricamente. A ligação entre os blocos se dá por uma caixa de escada com instalações sanitárias compartilhadas entre os depósitos e salas. O pavimento superior do bloco principal abriga um conjunto de 14 salas, sendo quatro voltadas para a rua e o restante com abertura das janelas para os fossos ou para o fundo do lote. Destaca-se no edifício a escolha de não haver banheiros individuais para cada unidade, estratégia característica de períodos anteriores, porém superada a época. O pavimento superior do bloco dos fundos repete a mesma configuração do andar inferior, porém a nomenclatura “depósito” é substituída por “sala”. O prédio é implantado de forma a ocupar grande parte da superfície do terreno, entretanto, foi utilizado, no bloco dos fundos o afastamento lateral para a iluminação e ventilação, contrapondo a estratégia usual da criação de fossos, tal como no bloco principal. A cobertura é resolvida com um telhado embutido por platibandas, em concordância com o exigido pelo Regulamento Geral de Construcções em Bello Horizonte e, também, referenciando as lajes planas e terraços difundidos pelo movimento moderno na arquitetura. A altura do edifício é inferior à grande parte dos edifícios de escritórios contemporâneos a ele, demonstrando que a aproveitamento máximo do potencial mercadológico do terreno não estava no programa. 143 É possível inferir, então, que o Edifício Santa Rita apresenta uma clara intenção de figurar no movimento moderno, entretanto, muitos dos elementos adotados são adaptações do repertório formal do modernismo, desfigurados do sentido original. Entretanto, é notável que o projeto inicial se apresentava mais progressista do que a obra edificada, podendo as alterações terem ocorrido por dificuldades técnicas, ou por intensão do incorporador ou contratante. Contudo, a dualidade entre a fachada com traços modernos e a planta convencional é notável no projeto. Figura 194 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 195 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 Fonte: Foto do autor, 2022 144 Figura 196 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 197 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 198 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 Fonte: Foto do autor, 2022 145 Figura 199 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 200 - Edifício Santa Rita, Francisco Salomé de Oliveira, 1951 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 201 -Edifício Santa Rita, Planta de Locação Fonte: Acervo do APCBH 146 Figura 202 - Edifício Santa Rita, Planta 1º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 147 Figura 203 - Edifício Santa Rita, Planta Parte do 2º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 148 Figura 204 - Edifício Santa Rita, Planta Parte do 2º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 149 Figura 205 - Edifício Santa Rita, Diagrama de Telhado Fonte: Acervo do APCBH 150 Figura 206 - Edifício Santa Rita, Corte AB Fonte: Acervo do APCBH 151 Figura 207 - Edifício Santa Rita, Corte CD Fonte: Acervo do APCBH Figura 208 - Edifício Santa Rita, Corte EF Fonte: Acervo do APCBH 152 Figura 209 - Edifício Santa Rita, Fachada Fonte: Acervo do APCBH 4.3 EDIFÍCIO CONTAGEM, ANGILBERTO SABINO SANTOS, 1959 O Edifício Contagem (Anexo 3) se situa na Rua São Paulo, nº 1190, esquina com avenida Augusto de Lima. É um edifício de uso misto, com lojas no térreo, e apartamentos a partir do segundo pavimento. O projeto arquitetônico é assinado por Angilberto Sabino Santos, autor de outros projetos em Belo Horizonte como o Edifício San Remo na rua da Bahia, e foi aprovado pela prefeitura em 1959. Para esse não foram localizadas todas as pranchas com os desenhos arquitetônicos no acervo do APCBH, tendo para a presente análise, apenas a planta do pavimento tipo, a implantação, um corte e o corte esquemático de demonstração do gabarito. As fachadas voltadas para a rua recebem uma composição assimétrica, utilizando-se do recurso de sobreposição de planos. As fachadas possuem lajes, com formas e dimensões semelhantes a marquises, contornando todo o edifício, correspondendo ao prolongamento das lajes de cada pavimento sobre a face externa da vedação da fachada, demarcando nitidamente 153 no exterior a estrutura da edificação. Observando os desenhos arquitetônicos, constatamos que esses prolongamentos das lajes foram projetados como elementos vazados, com recortes retangulares, de maneira semelhante à como ocorre no edifício Nereu de Almeida (Figura 158 e 159), entretanto, as aberturas foram suprimidas. Esses elementos horizontais, além de comporem a fachada, funcionam como proteção para as aberturas, evitando o escorrimento de água nas janelas e criando sombreamento nos horários de sol a pino. Entretanto, caso executado conforme projetado inicialmente, tais elementos perderiam as funções listadas, de forma a se tornarem meros ornamentos. Por outro lado, na esquina há um conjunto de placas horizontais, já projetadas sem os vazados, que se assemelham à brises, entretanto foram postos em uma parte da fachada sem nenhuma abertura, sendo elementos de efeito puramente plástico, não exercendo nenhuma função. O prédio possui volumes em balanço avançando sobre a calçada, proporcionando dinamismo e a sensação de sobreposição de planos e volumes. Na fachada da avenida Augusto de Lima, o volume em projeção corresponde a um dos quartos, alocando as aberturas nas laterais, voltadas para as placas horizontais citadas anteriormente. Já na fachada da rua São Paulo, o volume em balanço corresponde à sala, área de serviço e um quarto, todos de um único apartamento. As aberturas das fachadas principais são relativamente grandes, ocupando praticamente toda a extensão das paredes externas dos ambientes, com exceção de um quarto correspondente ao volume em balanço da avenida, no qual a iluminação e ventilação ocorre através de duas aberturas pequenas nas laterais do volume, criando externamente uma parede cega. A fachada não possui materiais de revestimento cerâmicos ou afins, sendo apenas a alvenaria rebocada e pintada. Apenas nas placas horizontais há o revestimento de pastilhas cerâmicas nas faces frontais, evidenciando a intenção de distinção clara dos planos, entretanto, atualmente tanto as faces da fachada quanto as placas estão pintadas no mesmo tom de bege, reduzindo, assim, o efeito intencionado. Dessa forma, há nas fachadas voltadas para a rua a predominância das linhas horizontais, evidenciando a influência do modernismo que valorizava a horizontalidade das edificações. Além disso a composição com a sobreposição de planos e volumes faz alusão às técnicas construtivas pré fabricadas, nas quais há a montagem dos elementos estruturais e de vedação, apesar da adoção de métodos tradicionais de construção com concreto moldado in loco e alvenaria de tijolos. 154 A fachada lateral perpendicular à rua São Paulo é totalmente cega, não havendo nenhum tipo de tratamento. Já a fachada lateral da avenida Augusto de Lima é em grande medida cega, com exceção do recuo para a criação do fosso de iluminação e ventilação que, entretanto, também, não recebe nenhum tipo de tratamento, havendo apenas aberturas de dimensões regulares dispostas de modo convencional. Com relação às plantas, os apartamentos seguem a lógica compositiva herdada das residências burguesas na França, apresentando a tripartição entre setores social, íntimo e de serviço, inclusive com acesso individual para esse último. Além da setorização, as aberturas das áreas mais nobres do apartamento, no caso a sala e os quartos, ocorrem nas faces do edifício voltadas para as vias públicas, restando aos setores de serviço a iluminação e ventilação através de fossos e de maneira indireta. Entretanto, o apartamento sem face voltada para a avenida Augusto de Lima, o mais à esquerda na planta, possui uma configuração diferente, sendo o único de um único quarto, apesar de possuir uma copa e uma sala, sendo que essa se assemelha bastante com um quarto. Nesse apartamento não há acesso independente para o setor de serviços e o único acesso se dá pela circulação do setor íntimo, sendo nesse caso menos clara a setorização. Além disso, as aberturas da copa, ambiente que compõem o setor social do apartamento, é voltada para o fosso, contrariando a lógica dos hôtels de posicionar os ambientes destinados a socialização voltados para a rua. O edifício foi implantado ocupando grande parte do terreno, deixando apenas um fosso. Conforme regimentado pelo Regulamento Geral de Construcções em Bello Horizonte, não há afastamentos frontais na edificação, nem laterais, prejudicando a iluminação e ventilação dos apartamentos, apesar de todo o debate sobre salubridade levantado pelos arquitetos modernos. Além disso, o edifício atinge, verticalmente, o limite do gabarito permitido pela prefeitura para edificação na via, recorrendo a um recuo no último pavimento, para se adequar à legislação, evidenciando, assim, a intenção de aproveitar o máximo do potencial mercadológico do terreno. Levando-se em consideração que Angilberto estava a par da produção arquitetônica do movimento moderno, o arquiteto replica aspectos de seu repertório formal no edifício Contagem, ainda que reduzidos a elementos de caráter meramente plástico. Ademais, a planta do edifício se mostra, em parte, em conformidade com a lógica projetual vigente desde o século XIX, e, quando diferenciada, apresenta uma planta confusa, sem apresentar soluções inovadoras. Além disso, o fachadismo é evidente ao priorizar o tratamento das faces voltadas para rua, negligenciando as demais, prática essa veementemente condenada pelos principais arquitetos do modernismo. 155 Figura 210 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 211 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 212 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 156 Figura 213 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 214 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 215 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 157 Figura216 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 217 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 218 - Edifício Contagem, Angilberto Sabino Santos, 1959 Fonte: Foto do autor, 2022 158 Figura 219 - Edifício Contagem, Implantação Fonte: Acervo do APCBH Figura 220 - Edifício Contagem, Planta Pavimento Tipo Fonte: Acervo do APCBH 159 Figura 221 - Edifício Contagem, Corte Fonte: Acervo do APCBH 160 Figura 222 - Edifício Contagem, Gabarito Fonte: Acervo do APCBH 4.4 EDIFÍCIO BOM DESTINO, RAUL DE LAGOS CIRNE E LUCIANO ALFREDO SANTIAGO, 1953 O Edifício Bom Destino (Anexo 4) é situado na Rua Goitacazes, nº 14, esquina com rua da Bahia. É um edifício de uso de comércio e serviços e foi projetado em por dois importantes arquitetos com atuação em Belo Horizonte, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago. Raul Cirne, nascido em Belo Horizonte, graduou-se engenheiro-arquiteto pela EA-BH em 1951, após sua formação iniciou sua carreira prestando consultoria para várias instituições como Cemig, SEEBLA, Engevix e Sudecap. Além disso, era engajado nas associações profissionais, sendo vilculado ao IAB, à SME, e ao CREA, o qual ele chegou a ser diretor (AFONSO, 2014). Cirne, deixou projetos importantes não só em Belo Horizonte, como a Sede do CREA e o Edifício Christiano Guimarães (Figura 167), mas em várias partes do país como o Estádio Ernani Sátyro em Campina Grande/PB e Monumento do Jenipapo em Campo Maior/PI. Luciano Alfredo Santiago foi autor de importantes projetos arquitetônicos em Belo 161 Horizonte, muitos deles em parceria com Raul Cirne, como os edifícios Esther e Topázio, além da já citada sede do Banco Nacional. Esse projeto é marcado pela leveza e transparência. Na fachada voltada para a rua da Bahia há a predominância da horizontalidade, marcada pelo prolongamento das lajes de cada pavimento sobre o alinhamento das vedações de vidro, destacando a independência da estrutura e criando a sensação de que os pavimentos estão pairando. Em contraposição, a fachada voltada para a rua dos Goitacazes é marcada pela verticalidade dos brises. A orientação das fachadas principais é considerada favorável quanto às questões de conforto ambiental e térmico, sendo leste a da rua da Bahia e sul a da rua dos Goitacazes. Dessa forma, a aplicação dos brises na fachada sul, a que menos recebe radiação solar, parece ser uma decisão pautada mais em questões plásticas do que funcionais. Mesmo levando em conta a grande dimensão das aberturas, o emprego dos brises não se justifica, principalmente considerando que há aberturas voltadas para as fachadas norte e oeste que não recebem nenhum tipo de proteção, por não estarem voltadas para as fachadas nobres do edifício e sim para o interior da quadra. As vedações das duas fachadas principais são grandes janelas de esquadria metálica e vidro, contribuindo para a sensação de leveza e transparência. Coroando o edifício, temos lajes vazadas que se comportam como pergolados, ambientando o terraço criado pelo afastamento do último pavimento. No lado voltado para a rua da Bahia, o vazado na laje tem a forma quadrada, já no lado da rua dos Goitacazes a forma é oval. Não foram identificados elementos de revestimento cerâmicos e afins na fachada, sendo somente a pintura em tom de vermelho e os brises em tom de amarelo. Apenas os pilares cilíndricos aparentes na fachada recebem revestimento em mármore. Alguns detalhes constatados nos desenhos arquitetônicos não foram plenamente implantados ou foram modificados ao longo do tempo, não sendo observados no edifício atualmente. Na fachada voltada para a rua da Bahia, as esquadrias em cima das portas das lojas foram projetadas para ter forma curva, envolvendo os pilares de seção circular do térreo, contudo, observamos janelas alinhadas e instaladas no eixo dos pilares. Nesse projeto, os arquitetos utilizaram de um recurso que foi identificado por Passos (1998) como pseudo- pilotis, no qual a vedação do pavimento térreo é levemente recuada com relação ao alinhamento da fachada, evidenciando os pilares. Dessa forma cria-se a sensação de um pilotis sem estar, de fato, abrindo o térreo do edifício para a rua. Em concordância com o Regulamento Geral de Construcções em Bello Horizonte, a edificação não possui afastamento frontal e as fachadas voltadas para a rua recebem 162 marquises, criando uma proteção para a calçada. Além disso, a cobertura é resolvida com telhado embutido, respeitando a exigência de platibandas nas edificações no alinhamento da via. O prédio foi implantado no limite do gabarito utilizando do recurso bastante comum na época de recuar os últimos pavimentos, escalonando o topo do edifício. Além disso, o prédio foi implantado com uma pequena área de afastamento lateral no interior do lote para a iluminação e ventilação das fachadas posteriores, ocupando, assim, grande parte do terreno, evidenciando o desejo de utilizar o máximo do potencial construtivo. Com relação às plantas, é nítida a intenção dos arquitetos de criarem movimentação nos ambientes a partir da utilização de formas curvas. Todos os pilares não embutidos nas alvenarias têm seção circular e, além disso, as escadas também têm formas curvas e o hall de entrada é resolvido com formas suaves e não ortogonais. O primeiro pavimento é dividido entre um hall de entrada e cinco lojas, sendo duas com acesso pela rua dos Goitacazes e três pela Bahia, cada uma com banheiro independente e depósito no subsolo, além disso, as três lojas da rua da Bahia possuem, também, uma sobreloja aproveitando o desnível do terreno. O pavimento tipo possui nove salas, cada uma com banheiro independente, sendo que a primeira e a última são as únicas com abertura, incluindo as dos banheiros, para o interior da quadra. É válido destacar a maneira como é resolvida a iluminação e ventilação das demais salas: na sala oito, é criado um forro falso com abertura para a fachada da rua da Bahia, disfarçada na esquadria, como é possível observar em detalhamento, os banheiros das demais salas possuem aberturas para fossos com shed na cobertura, sendo um fosso a cada dois banheiros, totalizando três. O 13º pavimento possui configuração semelhante, entretanto, devido ao escalonamento, o número de salas é reduzido para seis e é criada uma varanda rodeando as faces voltadas para as ruas. Acima, há um pavimento com um pequeno pavimento para o zelador e mais acima a caixa d’água e a casa de máquinas. No edifício Bom Destino, observamos, então, a utilização de vários elementos característicos do movimento moderno na arquitetura, como os brises, grandes aberturas, formas curvas, entre outros, entretanto constatamos que a função nem sempre estava à frente da forma. A prática do fachadismo, condenada pelos principais autores do modernismo, é notável no edifício, de forma que apenas as fachadas voltadas para as vias públicas recebem algum tipo de tratamento. Além disso, os brises foram aplicados de modo a contribuir muito pouco para o conforto térmico nas salas e comprometer a iluminação natural, conforme estudos de Ferreira e Souza (2010), evidenciando a intenção plástica ao utilizar o elemento 163 sem tanta consideração com a funcionalidade. Entretanto podemos observar alguns princípios modernistas plenamente implementados como a estrutura independente, tendo inclusive algumas salas a divisória por painel de madeira, possibilitando a união entre elas levando em consideração a reversibilidade. Figura 223 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 Fonte: Foto do autor, 2019 Figura 224 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 Fonte: Foto do autor, 2019 164 Figura 225 - Edifício Bom Destino, Raul de LagosCirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 226 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 227 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 Fonte: Foto do autor, 2022 165 Figura 228 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 229 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 230 - Edifício Bom Destino, Raul de Lagos Cirne e Luciano Alfredo Santiago, 1953 Fonte: Foto do autor, 2022 166 Figura 231 - Edifício Bom Destino, "Planta de Situação e Orientação" Fonte: Acervo do APCBH Figura 232 - Edifício Bom Destino, Planta 1º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 167 Figura 233 - Edifício Bom Destino, Planta Sobreloja Fonte: Acervo do APCBH Figura 234 - Edifício Bom Destino, Planta Subsolo Fonte: Acervo do APCBH 168 Figura 235 - Edifício Bom Destino, Planta Pavimento Tipo Fonte: Acervo do APCBH Figura 236 - Edifício Bom Destino, Planta 13º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 169 Figura 237 - Edifício Bom Destino, Planta 14º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH Figura 238 - Edifício Bom Destino, Planta Casa de Máquinas e Caixa dÁgua Fonte: Acervo do APCBH 170 Figura 239 - Edifício Bom Destino, Planta da Cobertura Fonte: Acervo do APCBH Figura 240 - Edifício Bom Destino, Corte GH Fonte: Acervo do APCBH 171 Figura 241 - Edifício Bom Destino, Corte AB Fonte: Acervo do APCBH 172 Figura 242 - Edifício Bom Destino, Corte CD Fonte: Acervo do APCBH 173 Figura 243 - Edifício Bom Destino, Fachada Rua dos Goitacazes Fonte: Acervo do APCBH 174 Figura 244 - Edifício Bom Destino, Fachada Rua da Bahia Fonte: Acervo do APCBH 175 Figura 245 - Edifício Bom Destino, Croqui do Conjunto Rua da Bahia Fonte: Acervo do APCBH Figura 246 - Edifício Bom Destino, Croqui do Conjunto Rua da os Goitacazes Fonte: Acervo do APCBH 176 4.5 EDIFÍCIO JOSEPHINA, GILBERTO C. ANDRADE, 1954 O edifício Josephina (Anexo 5) é localizado na Praça Raul Soares, nº 22, com fachada, também, para a rua Santa Catarina, nº 312. O uso da edificação é misto, sendo lojas de comércio e serviços no terreno e apartamentos nos dois andares posteriores. O projeto de 1954 é de autoria do engenheiro Gilberto C. Andrade, graduado pela Escola de Engenharia da Universidade de Minas Gerais em 1933, atuou em parceria com o construtor Sabino José Ferreira e também de maneira autônoma, foi responsável por obras de caráter eclético como modificações na Casa dos Adoradores do Santíssimo na Igreja da Boa Viagem (SOARES, 1997), uma casa na avenida João Pinheiro nº 375 (LEMOS; RODRIGUES; DANGELO, 2019) e um acréscimo onde hoje funciona o Centro de Arte Popular-Cemig (CARVALHO, 2019). Apesar da produção eclética de Andrade, o edifício Josephina apresenta características marcadamente modernas. As fachadas voltadas para a rua são idênticas tanto na praça Raul Soares quanto na rua Santa Catarina e recebe uma composição simples e simétrica, reflexo da configuração interna. O principal elemento de destaque das fachadas é a varanda de caráter plástico com as extremidades arredondadas e em planta se assemelha a duas asas de mariposa. Há, no último pavimento, uma marquise fazendo a proteção da varanda seguindo a mesma forma e no primeiro pavimento uma de forma convencional fazendo a proteção da calçada, em conformidade com a exigência do Regulamento de Construções da Prefeitura de Belo Horizonte de 1940. No primeiro pavimento os pilares externos na fachada da rua Santa Catarina são de seção circular, conforme consta em projeto, forma bastante usada nos pilares dos pilotis pelos arquitetos modernistas, entretanto na fachada da praça os pilares possuem a seção retangular, não sendo respeitada a intenção original do projetista. Além disso, nos desenhos arquitetônicos é observado que as varandas e a marquise superior receberiam o revestimento de pastilhas cerâmicas, destacando o elemento, entretanto, não é possível identificar nenhum elemento de revestimento do projeto edificado, sendo o acabamento apenas a pintura, sendo a fachada em tom de laranja e as varandas em tom de amarelo, reproduzindo a intenção de destaque do elemento a partir da variação das cores. Ademais, há na fachada da Raul Soares o revestimento de granito na entrada dos apartamentos, provavelmente aplicado em reformas posteriores. O prédio possui apenas três pavimentos, sendo o primeiro composto por seis lojas dispostas simetricamente sendo duas voltadas para a praça Raul Soares, onde há um corredor de acesso aos pavimentos superiores, e quatro voltadas para a rua Santa Catarina. As lojas 177 possuem vão livre, sobreloja e instalação sanitária individual. Os pavimentos superiores possuem quatro apartamentos cada, também dispostos simetricamente. Os apartamentos têm uma clara setorização tripartida entre os setores social, íntimo e de serviço, seguindo a lógica projetual da planta burguesa francesa característica de outros momentos históricos. O setor de serviços possui acesso independente e é composto pela cozinha, copa, área de serviço, depósito e um banheiro, sendo a copa o nucelo do setor. O setor social, é composto apenas por uma sala e é onde se dá o acesso principal dos apartamentos. Já o setor íntimo possui um banheiro e três quartos, conectados por um corredor de circulação. Apesar da setorização tripartida, a distribuição dos setores não atende rigorosamente a tradição herdada dos hôtels franceses de modo que o setor de serviços é disposto no interior do lote, entretanto o setor social não está voltado para a face nobre do edifício. Dessa forma a iluminação e ventilação da sala é feita através de um fosso, compartilhado também com o setor de serviços e com um dos quartos do setor íntimo. Ademais, há mais dois fossos de iluminação e ventilação, um para os banheiros e outro para parte do setor de serviços. O edifício não possui afastamentos frontais, conforme exigido pelo Regulamento Geral de Construcções em Bello Horizonte, de 1933, e não possui, também, afastamentos laterais, apenas pequenos fossos junto a divisa para iluminação e ventilação interna. A cobertura do edifício é resolvida com telhado embutido, respeitando as determinações da legislação de dotar de platibanda as construções no alinhamento da via. A edificação tem a altimetria muito a baixo da permitida pelo gabarito, sendo, inclusive, consideravelmente inferior aos vizinhos contemporâneos, evidenciando, assim, a não intenção de explorar, economicamente, ao máximo o terreno. Observamos, então, que o edifício Josephina, apresenta algumas características do movimento moderno, principalmente estéticas. Entretanto a tradição eclética do engenheiro projetista também está presente na edificação, expondo contradições recorrentes na produção arquitetônica moderna em Belo Horizonte. Apesar da plasticidade e da pureza das formas na fachada, o interior segue a lógica projetual praticada desde o século XIX, mesmo que de forma menos rigorosa, assim a planta das unidades habitacionais não apresenta nenhuma inovação. Além disso, outras estratégias como platibandas ocultando telhados convencionais e pilares de seção circular no primeiro pavimento fazem referência os terraços e pilotis modernos, sem implementa-los plenamente, restringindo a modernidade à aparência. 178 Figura 247 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 248 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 249 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954 Fonte: Foto do autor, 2022 179 Figura 250 - Edifício Josephina,Gilberto C. Andrade, 1954 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 251 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 252 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954 Fonte: Foto do autor, 2022 180 Figura 253 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 254 - Edifício Josephina, Gilberto C. Andrade, 1954 Fonte: Foto do autor, 2022 181 Figura 255 - Edifício Josephina, Planta de “Situação e Orientação” Fonte: Acervo do APCBH Figura 256 - Edifício Josephina, Planta 1º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 182 Figura 257 - Edifício Josephina, Planta Sobreloja Fonte: Acervo do APCBH Figura 258 - Edifício Josephina, Planta dos 2º e 3º Pavimentos Fonte: Acervo do APCBH Figura 259 - Edifício Josephina, Diagrama de Cobertura Fonte: Acervo do APCBH 183 Figura 260 - Edifício Josephina, Corte AB Fonte: Acervo do APCBH Figura 261 - Edifício Josephina, Corte CD 184 Fonte: Acervo do APCBH Figura 262 - Edifício Josephina, Fachada Praça Raul Soares Fonte: Acervo do APCBH 185 Figura 263 - Edifício Josephina, Fachada Rua Santa Catarina Fonte: Acervo do APCBH 4.6 EDIFÍCIO FARINHA, HILMAR TOSCANO RIOS, 1962 O Edifício Farinha (Anexo 6) é de uso do comércio e serviços e se situa na rua da Bahia, nº 360. Foi projetado por Hilmar Toscano Rios em 1962, arquiteto que estudou na EA- BH, e teve desenhos expostos no II Festival Universitário de Artes de 1953 (II Festival..., 1953). Autor do livro “Introdução ao Estudo da Cor” publicado em 1962 pela UMG (INTRODUÇÃO..., [s.d.]), foi responsável por projetos importantes no estado como o terminal rodoviário de Formiga (REFORMA..., 2019). O Edifício Farinha é marcado pela excentricidade da composição da fachada voltada para a rua. O plano da fachada foi dividido, verticalmente, em oito partes, sendo que em quatro dessas partes há aberturas e em quatro não, postas de maneira intercalada. As partes com as aberturas recebem uma placa horizontal, semelhante a uma marquise, seccionando a janela, já as partes sem abertura recebem a mesma placa, porém em altura diferente, formando uma serie de saliências intercaladas que criam uma fachada dinâmica. Essas placas horizontais quando instaladas sobre as janelas criam proteção contra água da chuva e contra a radiação solar direta em horários de sol mais a pino. Entretanto, ao replica-las nos trechos da 186 fachada sem nenhuma abertura inferimos que se trata de um elemento plástico usado na composição da fachada, deixando a funcionalidade em segundo plano. É nítida, também, na fachada do edifício a definição tripartida entre base, corpo e coroamento. A base é a parte a baixo da marquise, que corresponde ao primeiro pavimento, e recebe revestimento em granito, não sendo possível averiguar a originalidade do revestimento; o corpo corresponde aos pavimentos dois à doze e é onde foram aplicadas as placas horizontais; por fim, o coroamento corresponde aos pavimentos 13 e 14, recuados com relação ao alinhamento da rua e arrematados por um pergolado. A partir da análise do desenho arquitetônico, constatamos que as esquadrias das lojas e da portaria do prédio foram propostas, inicialmente, levemente recuadas com relação ao alinhamento da fachada, evidenciando os pilares e criando o pseudo-pilotis conforme definido por Passos (1998). Contudo, as esquadrias se encontram instaladas no alinhamento da via, não sendo possível averiguar se foram executadas originalmente dessa forma ou se se trata de alterações posteriores. As demais fachadas do edifício são em grande extensão nos alinhamentos laterais e de fundo, consequentemente, cegas com pequenos vãos para a criação dos fossos de iluminação e ventilação. Entretanto, observamos nos desenhos arquitetônicos que as janelas voltadas para o fosso são consideravelmente maiores do que as praticadas em situações semelhantes em outras edificações contemporâneas. As plantas do edifício são bem simples e objetivas. O primeiro pavimento possui três lojas com vãos livres e instalações sanitárias individuais, entretanto sem mezanino de sobreloja, e um pequeno hall de entrada que dá acesso às circulações verticais. Do segundo ao sexto pavimento há um grande salão de planta livre com um único banheiro. Nos pavimentos seguintes, a planta foi dividida de forma a criar duas grandes salas cada uma com sua própria instalação sanitária. O decimo terceiro pavimento é semelhante aos anteriores, porém com as dimensões reduzidas devido ao recuo na fachada. Por fim, o decimo quarto pavimento é destinado a áreas técnicas e de uso dos empregados. Em todas as configurações de planta as salas possuem aberturas voltadas para a via. No primeiro tipo de planta o salão único também tem aberturas para o fundo do lote, contudo no segundo tipo, apenas uma das salas têm o recurso da ventilação cruzada. Já a iluminação e ventilação das instalações sanitárias são todas feitas através dos fossos. A cobertura do edifício é resolvida com uma laje plana e uma pequena platibanda, obedecendo as normas do Regulamento de Construções da Prefeitura de Belo Horizonte de 1940 que determina que “os edifícios construídos no alinhamento da via pública devem ter a 187 fachada provida de platibanda” (Belo Horizonte (MG), 1940). Além disso, outras características da edificação consequentes da legislação são a marquise acima da calçada, o não afastamento frontal e o escalonamento nos últimos pavimentos, para respeitar o gabarito. Além da ocupação máxima verticalmente, o prédio também foi implantado de forma a ocupar grande área do terreno, deixando livre apenas pequenos fossos para iluminação e ventilação. Entretanto o conforto ambiental das salas não se compromete tanto, a partir da adoção dessa estratégia, pois todas possuem, também, aberturas voltadas para a fachada frontal. Concluímos, então, que o Edifício Farinha possui uma marcante intencionalidade plástica, dessa forma, alguns princípios do movimento moderno, como a funcionalidade e a racionalidade, na arquitetura são relevados em função da forma desejada. Além disso, algumas técnicas empregadas na arquitetura internacional foram aplicadas acriticamente, como a cobertura de laje plana, não muito adequada ao nosso clima. Entretanto, a planta do edifício é bem resolvida liberando grandes vãos, a partir da estrutura independente, possibilitando diversos tipos de ocupação e reocupação, alinhando-se, assim, com a vanguarda moderna. Figura 264 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 Fonte: Foto do autor, 2022 188 Figura 265 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 266 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 267 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 Fonte: Foto do autor, 2022 189 Figura 268 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 269 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 Fonte: Foto do autor, 2022 Figura 270 - Edifício Farinha, Hilmar Toscano Rios, 1962 Fonte: Foto do autor, 2022 190 Figura 271 - Edifício Farinha, Planta de “Situação e Orientação” Fonte: Acervo do APCBH 191 Figura 272 - Edifício Farinha, Planta 1º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 192 Figura 273 - Edifício Farinha, Planta do 2º ao 6º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 193 Figura 274 - Edifício Farinha, Planta do 7º ao 12º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 194 Figura 275 - Edifício Farinha, Planta do 13º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 195 Figura 276 - Edifício Farinha, Planta do 14º Pavimento Fonte: Acervo do APCBH 196 Figura 277 - Edifício Farinha, Planta da Cobertura Fonte: Acervo do APCBH 197 Figura 278 - Edifício Farinha,Corte AA Fonte: Acervo do APCBH 198 Figura 279 - Edifício Farinha, Corte BB Fonte: Acervo do APCBH 199 Figura 280 - Edifício Farinha, Gabarito Fonte: Acervo do APCBH 200 5 RESULTADOS E DISCUSSÕES A arquitetura moderna tem suas origens no século XIX, período de grande transformação na sociedade a partir da intensificação do processo de industrialização e de urbanização, entretanto, não se apresenta como um conjunto homogêneo de projetos e de formulações, pelo contrário, se expressa de maneiras diversas, muitas vezes até contraditórias. Contudo, algumas questões são fundamentais e comuns na maioria das manifestações modernas na arquitetura. A rejeição dos estilos passados, principalmente do período eclético, com os vários “neo-ismos”, era recorrente do discurso dos arquitetos modernos, sendo representados pelo célebre Adolf Loos com “Ornamento é Crime”. Aliado a repulsa do passado, o conceito de “menos é mais” introduzido por Mies van der Rohe tornava a arquitetura visualmente mais limpa e objetiva, além disso a forma das edificações passava a ser subordinada à função, tal como defendido por Louis Sullivan. Minas Gerais é um dos mais tradicionais estados do país, teve seu apogeu durante a era do ouro no século XVIII. No final do século XIX, já passado os tempos áureos do estado, entra em debate a construção de uma nova e moderna capital em substituição da colonial Ouro Preto. A partir de então, a cidade é inserida na vanguarda da arquitetura e urbanismo, sendo tal posto intensificado pela construção do conjunto moderno da Pampulha. Assim, segundo Castriota, “Belo Horizonte nasce moderna e, como tal, infiel a si mesma” (2017, p.14), testemunhando, na cidade, uma busca incansável pela modernidade, sendo construída e reconstruída inúmeras vezes ao longo dos seus pouco mais de cem anos. O repertório formal dos grandes nomes da arquitetura moderna está nitidamente presente nos 432 edifícios considerados na busca pelos exemplares modernos na região central da cidade. Todos os cinco pontos da arquitetura moderna de Le Corbusier foram identificados nas obras levantadas mesmo que, em muitos casos, não passe de artifícios de simulação dos elementos como os pseudo-pilotis, as platibandas ocultando telhados convencionais, ou as molduras e variações no revestimento figurando as janelas em fita. Além de Corbusier, a influência de Lúcio Costa é nítida na produção arquitetônica da cidade nas décadas de 1950 e 60. Elementos vazados e de proteção solar foram amplamente empregados, entretanto, nem sempre seguindo rigorosamente as recomendações relacionadas ao conforto ambiental, tornando-se elementos de caráter mais estético, deixando o sentido original de proteção em segundo plano. 201 Sylvio de Vasconcellos também se mostrou bastante influente na arquitetura local. As formas prismáticas, as cores vibrantes e contrastantes, a sobreposição de planos e grandes aberturas foram amplamente utilizadas na arquitetura modernista de Belo Horizonte, sendo Vasconcellos um dos principais arquitetos do período responsável pela divulgação dos ideais do movimento moderno na arquitetura. É, portanto, evidente que os grandes nomes da arquitetura moderna nas esferas global, nacional e local estavam influenciando diretamente a produção arquitetônica de Belo Horizonte. Entretanto a influência se mostrou mais efetiva no campo estético do que no modo de conceber e projetar os edifícios. Vários elementos como pilotis, janela em fita, pano de vidro, brises, cobogós, formas curvas, revestimentos cerâmicos, volumes em balanço e saliências nas fachadas, foram identificados nos edifícios modernistas do hipercentro de Belo Horizonte, entretanto muitos deles desapropriados de seu sentido e funcionalidade original. Foram identificadas, também, engenhosas soluções para simular elementos do movimento moderno ou dissimular características tradicionais presentes nos edifícios. Belo Horizonte não é um caso isolado, muito menos único. Fenômenos semelhantes foram identificados por todo o Brasil, identificados como “modernismo popular” ou “modernismo de fachada”. Desde as casas populares do “raio que o parta”, no extremo norte do país, em Belém do Pará até edifícios institucionais em Maringá/PR, no oposto sul do país a aparência moderna estava presente em edifícios que não, necessariamente, seguiam a ortodoxia modernista. A aparência, em qualquer uma das artes, é a representação, a imagem de semelhança, dos pensamentos de quem produziu a obra, sendo, assim, “a descrição (...) de um pensamento suscetível a se tornar visível” (MALARD, 2006, p.21). Contudo a imagem resultante, não pode ser o pensamento, é apenas uma imagem, a descrição de um pensamento em sua representação visível, dessa forma, ela não é “capaz de esconder os pensamentos, intenções, sentimentos, desejos ou outra subjetividade qualquer” (MALARD, 2006, p.22) do artista. As aparências em arquitetura podem ser o que muitas vezes é considerado como forma, plástica ou configurações volumétricas, entretanto, segundo Maria Lucia Malard (2006, p.25), aparência são os “aspectos visuais da arquitetura, ou seja, os fenômenos arquiteturais tal qual eles se nos apresentam”. Dessa forma, o conjunto de obras analisados pode ser considerado moderno na condição de representar o moderno, de ser resultado em imagem (objeto arquitetônico) do que o projetista entende como moderno. A ornamentação na arquitetura apresenta “além de um papel estético, um caráter simbólico e de identificação com o homem” (SÁ, 2004). Dessa forma, o ornamento tem a 202 função de expressão. Se ao longo da história a arquitetura foi usada como suporte para as imagens criadas pelo homem, a partir da ruptura do modernismo, a própria arquitetura se tornou a imagem, buscando formas “inovadoras, inesperadas e de grande impacto” (SÁ, 2004). Entretanto, os edifícios modernistas analisados não contemplam tal ruptura, sendo eles suportes para imagens (representações) da modernidade, constituindo uma linguagem simbólica que comunica as intenções do arquiteto ou engenheiro. Considerando que o sujeito moderno tem sua gênese nos fins da idade média, seu reencontro com o objeto arquitetônico só acontece no movimento moderno a partir da formulação de um novo estatuto totalizador, reunificando a arte, a funcionalidade e a técnica (MALARD, 2006). Essa principal qualidade da arquitetura moderna é, também, a razão de suas principais críticas. A crítica ao modernismo envolve três pontos principais: “1. A arquitetura moderna falhou por não saber dialogar com o povo. 2. A arquitetura moderna falhou porque foi reduzida a dimensão funcional. 3. A arquitetura moderna falhou por ser totalizadora” (MALARD, 2006, p.118). Contudo, a partir da análise dos edifícios modernistas do centro de Belo Horizonte constatamos que os principais pontos abordados nas críticas não se aplicam a eles. Pela sua ampla penetração nas diferentes escalas, usos e classes sociais, com um número expressivo de exemplares, a arquitetura moderna nitidamente dialogou com o povo e teve abrangente aceitação. Os edifícios levantados, definitivamente não foram reduzidos a dimensão funcional, havendo espaço para o simbólico, para o alegórico e para a improvisação a partir das simulações, falseamentos e distorções identificadas. Dessa forma, o caráter totalizador e unificador do movimento moderno não se faz presente nessa arquitetura costumeira da cidade. Assim como “nos edifícios eclesiásticos (renascentistas) às dimensões artísticas se impõem às necessidades funcionais da liturgia. Representar os ideais platônicos de beleza passa a ser a prioridade, em detrimento da ritualística do culto” (MALARD, 2006, p.14), nos edifícios analisados a representação do moderno se mostra mais importante do que atender as proposições do modernismo. Contudo, ao observarmos os desenhosarquitetônicos concebidos diretamente dos autores das obras, no movimento de descrição de seus pensamentos, das imagens de semelhança, constatamos intenções mais ortodoxamente aliadas ao movimento moderno, entretanto, contrastando com a obra edificada, muitas formulações foram suprimidas, alteradas ou reduzidas a representações estéticas do proposto. Tais alterações podem ter sido intencional e deliberadamente executadas pelos incorporadores ou serem resultado de incompreensão das intenções ou de incapacidade técnica para a execução. De qualquer foram, 203 é evidenciado que o modernismo, a pesar de promovido pelos técnicos e intelectuais, não alcançou plenamente a população leiga. Dessa forma, partimos do pressuposto de que “a arquitetura não se desvincula da realidade social, mas é, antes de tudo sua expressão física, resultado dos desejos e da vida do povo de um lugar” (CARSALADE, 2017, p.10). O conjunto da arquitetura modernista do hipercentro de Belo Horizonte expõe as complexidades e as contradições dos belo- horizontinos em seu tempo. A dualidade entre modernidade e tradição, presente desde a fundação da cidade, se expressa na contradição entre exterior e interior, entre fachada e planta. O anseio pela modernidade se expressa na aplicação de elementos de similitude com o repertório formal dos grandes arquitetos modernos, porém com sentido deturpado, reduzindo- se à ornamentos. A grande quantidade de exemplares levantados e sua ampla aceitação, por si só, descredibilizam a tese de Robert Venturi de que a arquitetura moderna nunca foi popular, tal como defendido por Lara em seus estudos sobre as residências de classe média na cidade (2002, 2005a e 2005b). Contudo, Venturi (1995, p.4) em Complexidade e Contradição em Arquitetura ao enunciar que “A tendencia dos arquitetos modernos ortodoxos tem sido reconhecer as complexidades de maneira insuficiente ou inconsistente”, assim “com raras exceções, os arquitetos modernos evitavam ambiguidades” enfatizando o caráter totalizador e simplificador do modernismo não parece se referir aos exemplares levantados na pesquisa. Sendo projetados conscientemente ou não quanto a essa dimensão, os edifícios modernistas de Belo Horizonte se apresentam suficientemente incoerentes e caricatos, assim, aceitando e reconhecendo as complexidades e contradições inerentes à vida moderna, ao mesmo tempo que não assumem integralmente o caráter purista moderno. Desse modo o nosso modernismo, no Brasil e principalmente em Belo Horizonte, foi (e é) popular justamente por ser menos moderno, o que, em hipótese alguma, o faz inferior e menos digno de estudos e de preservação. Pelo contrário, o torna único e, dessa forma, relevante em sua própria linguagem. 204 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esse estudo buscou analisar a arquitetura modernista do hipercentro de Belo Horizonte para além dos exemplares notórios e extraordinários, evidenciando a arquitetura costumeira e o conjunto arquitetônico. Considerando que a arquitetura é uma construção sócio-histórica, a expressão dos valores e desejos de um povo, buscou-se compreender a relação da população com a cidade edificada sob a luz dos conceitos de “modernismo popular” e “modernismo de fachada” evidenciando, assim, as contradições entre tradição e modernidade. Tendo em vista a escassa produção sobre a arquitetura de Belo Horizonte, para além das obras monumentais e dos arquitetos de renome, esse trabalho propôs ampliar o debate sobre a arquitetura moderna e costumeira da cidade, contribuindo com pesquisas anteriores como a de Passos (1998) e as de Lara (2002, 2005a e 2005b). Dessa forma, valoriza manifestações arquitetônicas pouco reconhecidas, contribuindo para a construção da história da cidade e, consequentemente, para a construção de uma identidade local. O objetivo desse trabalho foi compreender a relação entre o espaço edificado e seus aspectos simbólicos com os valores da sociedade, a partir da análise da arquitetura modernista das décadas de 1950 e 60 no hipercentro de Belo Horizonte. Com isso foi possível responder ao questionamento levantado sobre a relação contraditória entre a modernidade e tradição em Belo Horizonte e sua população. Foram mapeados 432 edifícios que apresentam características modernistas dentro do recorte espacial estabelecido. Em todos eles, em menor ou maior intensidade, o léxico dos grandes arquitetos do movimento moderno foi observado. Entretanto, notou-se que grande parte dos edifícios levantados se apropriam do repertório formal modernista, mas o desvincula do seu sentido original, reduzindo elementos de caráter funcional a expressões estéticas. Dessa forma, aferimos que a arquitetura modernista em Belo Horizonte não rompe totalmente com a tradição arquitetônica. A relação entre interior e exterior dos edifícios se apresenta, muitas vezes, de maneira contraditória, havendo uma fachada moderna encobrindo uma distribuição espacial convencional. Além disso, apesar da abolição da ornamentação historicista, observou-se a aplicação de elementos arquitetônicos próprios do modernismo ignorando suas funções práticas, conferindo-lhes um caráter ornamental. A arquitetura é historicamente usada como suporte para a ornamentação objetivando transmitir uma mensagem tendo, assim, a função de expressão. Contudo, o movimento moderno na arquitetura rompeu com essa prática de modo que a própria arquitetura se tornou uma imagem, não mais o suporte. Entretanto, os edifícios analisados, apesar da aparência 205 moderna, ainda são usados como suporte para a ornamentação, porém uma ornamentação que simula o repertório formal modernista. Dessa forma, fica evidente o desejo pela expressão de modernidade, mesmo que a modernidade ainda não tenha sido plenamente introduzida no cotidiano e nas relações interpessoais da população. Como limitação desse estudo destaca-se a impossibilidade de elaboração do banco de dados de maneira definitiva tendo em vista a dificuldade de identificação das obras dentro do estilo e do recorte temporal proposto. Um dos principais dificultadores dessa identificação é o processo de descaracterização da arquitetura; além disso, a grande maioria das obras não são contempladas na bibliografia, impossibilitando, assim, a identificação do período de projeto e da autoria, sendo que por limitação de tempo, também não foi possível fazer a busca documental no APCBH de todas as obras. Tendo em vista que nenhum conhecimento se finda, recomenda-se o aprofundamento nos estudos sobre a arquitetura moderna de Belo Horizonte, deixando como contribuição o banco de dados elaborado e os desenhos arquitetônicos buscados que podem servir de ponto de partida para novos estudos. Por fim, sugerimos pesquisas sobre um arquiteto ou uma tipologia específicos, sendo possível, dessa forma, fazer uma abordagem mais apurada sobre cada uma das obras e, consequentemente, uma análise mais objetiva e aprofundada. 206 7 REFERÊNCIAS 1 AFONSO, Alcilia. Raul de Lagos Cirne. A presença mineira na arquitetura piauiense. 1971-1975. Fortaleza: Anais do 5º Seminário Docomomo Norte nordeste. UFCE. 2014. Disponível em: https://docomomoceara.wixsite.com/docomomoceara/eixo-a. Acesso em: 01 maio 2022. 2 ALVES, Taís Maria Peixoto. Razões da tradição: O papel do precedente na concepção arquitetônica de Lucio Costa. Orientador: Rogerio de Castro Oliveira. 2011. Tese (Doutorado) - Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, XXX. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/36817. Acesso em: 19 maio 2021. 3 ARQBH. Belo Horizonte, [s.d.]. Disponível em: http://www.arqbh.com.br/. Acesso em: 17 abr. 2022. 4 ARQUITETOS MINEIROS. Arquiteto Tarcísio Silva. 04 jan, 2012. Facebook: Arquitetos-Mineiros- 109854889121509. Disponível em https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=165116020262062&id=109854889121509&locale=pt_BR. Acesso em: 17 abr. 2022. 5 BELO HORIZONTE. Decreto nº 30, de 1 de agosto de 1938. Modifica os Artigos 64 E 303 do Regulamento de Construções. 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Sede do BEMGE. 2015. Figura 52: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Niemeyer. 2014. Figura 53: Stamen Maps, adaptado pelo autor. Mapa dos edifícios modernistas no hipercentro de Belo Horizonte. 2022. 214 Figura 54: Stamen Maps, adaptado pelo autor. Mapa de altimetria das edificações levantadas. 2022. Figura 55: Stamen Maps, adaptado pelo autor. Mapa de usos das edificações levantadas. 2022. Figura 56: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Pilar. 2021. Figura 57: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Nossa Senhora de Lourdes. 2022. Figura 58: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 59: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 60: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Maria Inez. 2022. Figura 61: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Maria Inez. 2022. Figura 62: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Esther. 2022. Figura 63: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Esther. 2022. Figura 64: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua Espirito Santo, 238. 2022. Figura 65: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Mantiqueira. 2019. Figura 66: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Mantiqueira. 2022. Figura 67: OLIVEIRA, Hugo Martins. Praça Sete. 2022. Figura 68: OLIVEIRA, Hugo Martins. Banco da Lavoura. 2021. Figura 69: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tupigua. 2022. Figura 70: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tupigua. 2022. Figura 71: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Nossa Senhora de Lourdes. 2022. Figura 72: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua Guaicurus, 481. 2022. Figura 73: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua dos Tamoios, 523. 2022. Figura 74: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua São Paulo com Guaicurus. 2022. Figura 75: OLIVEIRA, Hugo Martins. Hotel Magnata. 2022. Figura 76: OLIVEIRA, Hugo Martins. Hotel Real Park. 2022. Figura 77: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Francisco Cardoso. 2022. Figura 78: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Francisco Cardoso. 2022. Figura 79: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Solar. 2019. 215 Figura 80: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Solar. 2019. Figura 81: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Pilar. 2022. Figura 82: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Hazan. 2022. Figura 83: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Marcelo Líbano. 2022. Figura 84: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Nicolina Teixeira. 2022. Figura 85: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Rochedo. 2022. Figura 86: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Maletta. 2022. Figura 87: OLIVEIRA, Hugo Martins. Mercado Central. 2022. Figura 88: OLIVEIRA, Hugo Martins. Mercado Novo. 2022. Figura 89: OLIVEIRA, Hugo Martins. Faculdade de Direito. 2022. Figura 90: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício São Luiz. 2022. Figura 91: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício São Luiz. 2022. Figura 92: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Brasília. 2022. Figura 93: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Brasília. 2022. Figura 94: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Wanda Maria. 2022. Figura 95: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Wanda Maria. 2022. Figura 96: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Florença. 2022. Figura 97: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Florença. 2022. Figura 98: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Palácio Tiradentes. 2022. Figura 99: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Palácio Tiradentes. 2022. Figura 100: OLIVEIRA, Hugo Martins. Banco Mercantil do Brasil. 2021. Figura 101: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Minas Oeste. 2021. Figura 102: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Trianon. 2021. Figura 103: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Trianon. 2021. Figura 104: OLIVEIRA, Hugo Martins. BEMGE. 2021. Figura 105: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua dos Guaranis, 311. 2021. 216 Figura 106: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Eliza Levy. 2021. Figura 107: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Eliza Levy. 2021. Figura 108: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Claudionor Ferreira Pinto. 2021. Figura 109: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Claudionor Ferreira Pinto. 2021. Figura 110: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua Rio Grande do Sul, 320. 2021. Figura 111: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua Rio Grande do Sul, 320. 2021. Figura 112: OLIVEIRA, Hugo Martins. Avenida Paraná, 214. 2021. Figura 113: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 114: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 115: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Rotary. 2012. Figura 116: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Rotary. 2015. Figura 117: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Nossa Senhora de Fatima. 2015. Figura 118: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Baalbeck. 2015. Figura 119: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua dos Tupinambás, 1069. 2015. Figura 120: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Victor Purri. 2019. Figura 121: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Miraci. 2022. Figura 122: OLIVEIRA, Hugo Martins. Escola de Engenharia da UFMG. 2022. Figura 123: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Helena Passig. 2015. Figura 124: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bady Salum. 2015. Figura 125: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Codó. 2022. Figura 126: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Cidade de Belo Horizonte. 2016. Figura 127: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Sobrado. 2022. Figura 128: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bradesco. 2022. Figura 129: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bradesco. 2022. Figura 130: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Mercantil. 2022. Figura 131: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Mercantil. 2022. 217 Figura 132: OLIVEIRA, Hugo Martins. Avenida Olegário Maciel, 591. 2022. Figura 133: OLIVEIRA, Hugo Martins. Hotel Serrana Palace. 2022. Figura 134: OLIVEIRA, Hugo Martins. Hotel Serrana Palace. 2022. Figura 135: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Francisco Cardoso. 2022. Figura 136: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Levy Coelho da Rocha. 2022. Figura 137: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício João Gomes. 2022. Figura 138: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício João Gomes. 2015. Figura 139: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Topázio. 2022. Figura 140: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Topázio. 2022. Figura 141: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Ceci. 2022. Figura 142: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua Espírito Santo, 221. 2022. Figura 143: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Juiz de Fora. 2022. Figura 144: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Juiz de Fora. 2022. Figura 145: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Príncipe de Gales. 2022. Figura 146: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Príncipe de Gales. 2022. Figura 147: OLIVEIRA, Hugo Martins. Rua dos Caetés, 395. 2022. Figura 148: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Rio Tapajós. 2022. Figura 149: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Rio Tapajós. 2022. Figura 150: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Coimbra. 2022. Figura 151: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Coimbra. 2022. Figura 152: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Farinha. 2022. Figura 153: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Farinha. 2022. Figura 154: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Avenida. 2022. Figura 155: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Avenida. 2022. Figura 156: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Rozen. 2022. Figura 157: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Rozen. 2022. 218 Figura 158: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Nereu de Almeida. 2022. Figura 159: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Nereu de Almeida. 2022. Figura 160: OLIVEIRA, Hugo Martins. Centro da Comunidade Luso Brasileira. 2022. Figura 161: OLIVEIRA, Hugo Martins. Centro da Comunidade Luso Brasileira. 2022. Figura 162: OLIVEIRA, Hugo Martins. Avenida Olegário Maciel, 358. 2022. Figura 163: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Soberano. 2022. Figura 164: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Ferreira Leite. 2022. Figura 165: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Araguaia. 2022. Figura 166: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Araguaia. 2022. Figura 167: OLIVEIRA,Hugo Martins. Banco Nacional. 2019. Figura 168: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Nossa Senhora de Fatima. 2019. Figura 169: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Santa Monica. 2022. Figura 170: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Santa Monica. 2022. Figura 171: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Jardim. 2022. Figura 172: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Jardim. 2022. Figura 173: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 174: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 175: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 176: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 177: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 178: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 179: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 180: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Tunísia. 2022. Figura 181: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Planta de Situação e Orientação. 1957. Acervo do APCBH. Figura 182: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Planta de Locação. 1957. Acervo do APCBH. Figura 183: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Planta do Subsolo. 1957. Acervo do APCBH. 219 Figura 184: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Planta Lojas. 1957. Acervo do APCBH. Figura 185: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Planta Sobrelojas. 1957. Acervo do APCBH. Figura 186: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Planta 2º Pavimento. 1957. Acervo do APCBH. Figura 187: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Planta Pavimento Tipo. 1957. Acervo do APCBH. Figura 188: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Planta 10º Pavimento. 1957. Acervo do APCBH. Figura 189: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Planta 11º Pavimento. 1957. Acervo do APCBH. Figura 190: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Telhado. 1957. Acervo do APCBH. Figura 191: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Cortes. 1957. Acervo do APCBH. Figura 192: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Gabarito. 1957. Acervo do APCBH. Figura 193: SILVA, Tarcísio. Edifício Tunísia: Fachada. 1957. Acervo do APCBH. Figura 194: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Santa Rita. 2022. Figura 195: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Santa Rita. 2022. Figura 196: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Santa Rita. 2022. Figura 197: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Santa Rita. 2022. Figura 198: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Santa Rita. 2022. Figura 199: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Santa Rita. 2022. Figura 200: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Santa Rita. 2022. Figura 201: OLIVEIRA, Francisco Salomé de. Edifício Santa Rita: Planta de Locação. 1951. Figura 202: OLIVEIRA, Francisco Salomé de. Edifício Santa Rita: Planta 1º Pavimento. 1951. Figura 203 OLIVEIRA, Francisco Salomé de. Edifício Santa Rita: Planta Parte do 2º Pavimento. 1951. Figura 204: OLIVEIRA, Francisco Salomé de. Edifício Santa Rita: Planta Parte do 2º Pavimento. 1951. Figura 205: OLIVEIRA, Francisco Salomé de. Edifício Santa Rita: Diagrama de Telhado. 1951. Figura 206: OLIVEIRA, Francisco Salomé de. Edifício Santa Rita: Corte AB. 1951. 220 Figura 207: OLIVEIRA, Francisco Salomé de. Edifício Santa Rita: Corte CD. 1951. Figura 208: OLIVEIRA, Francisco Salomé de. Edifício Santa Rita: Corte EF. 1951. Figura 209: OLIVEIRA, Francisco Salomé de. Edifício Santa Rita: Fachada. 1951. Figura 210: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 211: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 212: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 213: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 214: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 215: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 216: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 217: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 218: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Contagem. 2022. Figura 219: SANTOS, Angilberto Sabino. Edifício Contagem: Implantação. 1959. Acervo do APCBH. Figura 220: SANTOS, Angilberto Sabino. Edifício Contagem: Planta Pavimento Tipo. 1959. Acervo do APCBH. Figura 221: SANTOS, Angilberto Sabino. Edifício Contagem: Corte. 1959. Acervo do APCBH. Figura 222: SANTOS, Angilberto Sabino. Edifício Contagem: Gabarito. 1959. Acervo do APCBH. Figura 223: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Destino. 2019. Figura 224: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Destino. 2019. Figura 225: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Destino. 2022. Figura 226: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Destino. 2022. Figura 227: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Destino. 2022. Figura 228: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Destino. 2022. Figura 229: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Destino. 2022. Figura 230: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Bom Destino. 2022. Figura 231: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Planta de Situação e Orientação. 1953. Acervo do APCBH. 221 Figura 232: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Planta 1º Pavimento. 1953. Acervo do APCBH. Figura 233: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Planta Sobreloja. 1953. Acervo do APCBH. Figura 234: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Planta Subsolo. 1953. Acervo do APCBH. Figura 235: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Planta Pavimento Tipo. 1953. Acervo do APCBH. Figura 236: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Planta 13º Pavimento. 1953. Acervo do APCBH. Figura 237: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Planta 14º Pavimento. 1953. Acervo do APCBH. Figura 238: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Planta Casa de Máquinas e Caixa dÁgua. 1953. Acervo do APCBH. Figura 239: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Planta da Cobertura. 1953. Acervo do APCBH. Figura 240: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Corte GH. 1953. Acervo do APCBH. Figura 241: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Corte AB. 1953. Acervo do APCBH. Figura 242: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Corte CD. 1953. Acervo do APCBH. Figura 243: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Fachada Rua dos Goitacazes. 1953. Acervo do APCBH. Figura 244: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Fachada Rua da Bahia. 1953. Acervo do APCBH. Figura 245: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Croqui do Conjunto Rua da Bahia. 1953. Acervo do APCBH. Figura 246: CIRNE, Raul de Lagos; SANTIAGO, Luciano Alfredo. Edifício Bom Destino: Croqui do Conjunto Rua da os Goitacazes. 1953. Acervo do APCBH. Figura 247: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Josephina. 2022. Figura 248: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Josephina. 2022. Figura 249: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Josephina. 2022. Figura 250: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Josephina. 2022. Figura 251: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Josephina. 2022. 222 Figura 252: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Josephina. 2022. Figura 253: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Josephina. 2022. Figura 254: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Josephina. 2022. Figura 255: ANDRADE, Gilberto C.. Edifício Josephina: Planta de Situação e Orientação. 1954. Acervo do APCBH. Figura 256: ANDRADE, Gilberto C.. Edifício Josephina: Planta 1º Pavimento. 1954. Acervo do APCBH. Figura 257: ANDRADE, Gilberto C.. Edifício Josephina: Planta Sobreloja. 1954. Acervo do APCBH. Figura 258: ANDRADE, Gilberto C.. Edifício Josephina: Planta dos 2º e 3º Pavimentos. 1954. Acervo do APCBH. Figura 259: ANDRADE, Gilberto C.. Edifício Josephina: Diagrama de Cobertura. 1954. Acervo do APCBH. Figura 260: ANDRADE, Gilberto C.. Edifício Josephina: CorteAB. 1954. Acervo do APCBH. Figura 261: ANDRADE, Gilberto C.. Edifício Josephina: Corte CD. 1954. Acervo do APCBH. Figura 262: ANDRADE, Gilberto C.. Edifício Josephina: Fachada Praça Raul Soares. 1954. Acervo do APCBH. Figura 263: ANDRADE, Gilberto C.. Edifício Josephina: Fachada Rua Santa Catarina. 1954. Acervo do APCBH. Figura 264: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Farinha. 2022. Figura 265: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Farinha. 2022. Figura 266: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Farinha. 2022. Figura 267: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Farinha. 2022. Figura 268: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Farinha. 2022. Figura 269: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Farinha. 2022. Figura 270: OLIVEIRA, Hugo Martins. Edifício Farinha. 2022. Figura 271: RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Planta de Situação e Orientação. 1962. Acervo do APCBH. Figura 272: RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Planta 1º Pavimento. 1962. Acervo do APCBH. Figura 273: RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Planta do 2º ao 6º Pavimento. 1962. Acervo do APCBH. Figura 274: RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Planta do 7º ao 12º Pavimento. 1962. Acervo do APCBH. Figura 275: RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Planta do 13º Pavimento. 1962. Acervo do APCBH. 223 Figura 276: RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Planta do 14º Pavimento. 1962. Acervo do APCBH. Figura 277: RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Planta da Cobertura. 1962. Acervo do APCBH. Figura 278: RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Corte AA. 1962. Acervo do APCBH. Figura 279: RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Corte BB. 1962. Acervo do APCBH. Figura 280:RIOS, Hilmar Toscano. Edifício Farinha: Gabarito. 1962. Acervo do APCBH. 224 9 APÊNDICE I – TABELA LEVANTAMENTO DE EDIFICAÇÕES MODERNISTAS Nome Endereço Arquitetos Ano Uso Altimetria Janela em fita Pano de vidro Brise Pilotis Cobogó Moldura Friso horizontal Friso vertical Marquise / Laje Marquise / Laje vazada Formas curvas Volume em projeção sobre a via Cobertura Pastilha Revestimentos cerâmicos Afastamento frontal Afastamento lateral Outros Othon Palace Hotel Avenida Afonso Pena, 1050 Raul de Lagos Cirne; Luciano A. Santiago (NORONHA, 2001) 1969 - 1978 Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não Terraço Palacio da Fazenda (Receita Federal e Ministério da Fazenda) Avenida Afonso Pena, 1316 Maria Laura Pinheiro e divisão de obras do Ministério da Fazenda (NORONHA, 2001) 1969 (NORONHA, 2001) Institucional Alto Não Não Não Recuo vedado com alvenaria Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício São José Avenida Afonso Pena, 1456 Não identificado 1956 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Banlavoura Avenida Afonso Pena, 1500 Álvaro Vital Brazil (BRAZIL, 1986) 1963 (BRAZIL, 1986) Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Integro Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Pilar Avenida Afonso Pena, 1626 Geraldo Ferreira Lima (NORONHA, 2001) 1961 (NORONHA, 2001) Misto Alto Sim Não Não Recuo vedado com cobogó Sim Pavimento Sim Sim 1 pavimento Não Sim Não Embutido Sim Sim Não Não NSA Edifício Mesbla Avenida Afonso Pena, 262 Ibsen Rocha Villaça (NORONHA, 2001) 1963 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Alto Sim Não Vertical fachadas leste e nordeste Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Afonso Pena, 323 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela Não Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Afonso Pena, 328 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não Janela de canto Não identificado Avenida Afonso Pena, 362 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Sim Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA ACMinas Avenida Afonso Pena, 372 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Sim Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Cine Royal Avenida Afonso Pena, 381 Oty da Costa Lage (NORONHA, 2001) 1949 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela Sim Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não Volume inclinado Não identificado Avenida Afonso Pena, 550 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Vertical fachada nordeste Não Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Sim Não Terraço Edifício Antônio Braga Avenida Afonso Pena, 578 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Não Sim Varanda Não Não Varanda galeria Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Clemente Faria / Banco da Lavoura Avenida Afonso Pena, 726 Álvaro Vital Brazil (CASTRIOTA, 2013) 1951 (CASTRIOTA, 2013) Comercio / Serviço Alto Sim Não Vertical fachada oeste Não Não Pavimento Não Não Entrada Não Sim Não Embutido Sim Não Não Não Escultura Edifício Balbina Camila de Araújo Avenida Afonso Pena, 738 Não identificado 1967 (Fundação Balbina Camila de Araújo, [s.d.]) Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Super Building Valente Avenida Afonso Pena, 748 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Grelha Sim Não Varanda Não Sim Varanda galeria Embutido Sim Não Não Não Escalonamento Não identificado Avenida Afonso Pena, 749 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 e ultimo pavimento Não Não Varanda Embutido Não Não Não Sim NSA 225 (varanda) Edifício Previminas Avenida Alvares Cabral, 200 Geraldo Ferreira Lima (ARQBH) 1970 (ARQBH) Comercio / Serviço Alto Não Sim Vertical fachadas sudeste, nordeste e noroeste Recuo vedado com vidro Não Não Sim Não Não Não Não Volume Embutido Não Não Sim Não NSA Edifício Mario Magalhaes Avenida Alvares Cabral, 217 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Duarte Avenida Alvares Cabral, 361 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Amazonas Avenida Amazonas, 100 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Sim Não Não Não Prédio Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Paris Avenida Amazonas, 1044 Tarcísio Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1958 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Misto Alto Não Não Não Não Sim Prédio Não Não 1 pavimento Não Sim Volume Embutido Sim Não Não Não Escalonamento Galeria São Vicente Avenida Amazonas, 1049 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não Ultimo pavimento (varanda) Não Sim Varanda galeria Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Leblon Avenida Amazonas, 1054 Raphael Hardy Filho (RAPHAEL Hardy Filho, [s.d.]) Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Sim 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugado Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Caxias Avenida Amazonas, 115 Tarcísio Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1960 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não Varanda Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Codó AvenidaAmazonas, 135 Tarcísio Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1955 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Comercio / Serviço Alto Sim Não Vertical fachada noroeste Recuo grande vedado com alvenaria e esquadria Não Não Não Não Varanda Não Sim Varanda Embutido Sim Não Não Não Varanda rasgo Edifício Bradesco Avenida Amazonas, 298 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não Terraço; Escalonamento Edifício Londres Avenida Amazonas, 311 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Pavimento Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Belbanco Avenida Amazonas, 314 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Marena Avenida Amazonas, 61 Eurípedes Santos Zumpano (RODRIGUES, 2007) 1959 (RODRIGUES, 2007) Misto Alto Não Não Não Não Sim Não Não Não Varanda Não Sim Varanda galeria; varanda; volume e varanda conjugado Embutido Sim Não Não Não Escalonamento Edifício Gauguin Avenida Amazonas, 641 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Horizontal fachada noroeste Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Suzette Saul Mirai Avenida Amazonas, 669 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Lourdes Avenida Amazonas, 699 Tarcísio Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1962 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Amazonia Avenida Amazonas, 713 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA 226 Edifício Levy Avenida Amazonas, 718 Tarciso Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1958 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Misto Alto Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 e ultimo pavimento Não Não Varanda; Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Cidade de Belo Horizonte Avenida Amazonas, 885 Hélio Marques Gontijo (NORONHA, 2001) 1962 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Galeria Não Janela Sim Não Varanda Não Sim Varanda galeria Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Felício Rocho Avenida Andradas, 326 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Revestimento diferente alinhado verticalmente com as janelas Não identificado Avenida Andradas, 344 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Central Avenida Andradas, 367 Mardonio Santos Guimaraes (NORONHA, 2001) 1962 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Médio Não Não Não Galeria Não Não Não Não Não Não Não Varanda galeria Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Araguaia Avenida Augusto de Lima, 134 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Janela; Grelha Não Sim Varanda Não Não Varanda Embutido Não Não Parcial Não Janelas não alinhadas Edifício Ambassador Avenida Augusto de Lima, 152 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício São Bento Avenida Augusto de Lima, 170 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Galeria Não Grelha; janela Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Arcangelo Maletta Avenida Augusto de Lima, 245 Oswaldo Santa Cruz Nery (NORONHA, 2001) 1958 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Galeria Não Grelha Não Sim 1 pavimento Não Sim Não Embutido Sim Não Não Não Escalonamento Edifício Avenida Augusto de Lima Avenida Augusto de Lima, 263 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Baixo relevo entre janelas horizontalmente Hotel del Rei Avenida Augusto de Lima, 30 Raul de Lagos Cirne; Luciano Santiago (ARQBH) 1961 (ARQBH) Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Vedado com vidro Não Prédio Sim Não 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não Pergolado Edifício Claudionor Ferreira Pinto Avenida Augusto de Lima, 345 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Vertical fachada norte Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Paraopeba Avenida Augusto de Lima, 361 Oswaldo Santa Cruz Nery (NORONHA, 2001) 1953 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Recuo vedado com esquadria Não Janela Sim Não 1 e ultimo pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Robertão Avenida Augusto de Lima, 385 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Integro Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Marcelo Líbano Avenida Augusto de Lima, 444 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo grande vedado com esquadria e vidro Não Grelha Não Não Não Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Argélia Avenida Augusto de Lima, 46 Tarcísio Silva (NORONHA, 2001) 1957 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Integro Sim Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume; Varanda Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Esther Avenida Augusto de Lima, 463 Raul de Lagos Cirne; Luciano Alfredo Santiago (PASSOS, 1998) 1959 (PASSOS, 1998) Misto Alto Não Não Não Não Não Não Sim Sim Sequentes Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Carmelita Avenida Augusto de Eduardo Mendes 1956 Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Sim Não Não Não Continuação da viga 227 Lima, 468 Guimaraes Junior (NORONHA, 2001) (NORONHA, 2001) das varandas Edifício Sobrado Avenida Augusto de Lima, 486 Fernando de Oliveira Graça; Nelson de Couto; Silva Marques Lisboa (NORONHA, 2001) 1962 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Não Sim Não Sim Não Não Não Não Varanda galeria Embutido Sim Não Não Não Escalonamento; Terraço; Pergolado Edifício Ouro Verde Avenida Augusto de Lima, 527 Não identificado Não identificado Misto Alto Sim Não Não Recuo grande vedado com vidro Não Prédio Sim Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Augusto de Lima, 552 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Sim Não Não NSA Não identificado Avenida Augusto de Lima, 566 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Augusto de Lima, 580 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não NSA Edifício Nossa Senhora de Lourdes Avenida Augusto de Lima, 609 Hélio Ferreira Pinto 1955 Residencial Alto Sim Não Não Recuo vedado com alvenaria e vidro Não Pavimento Não Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Avenida Augusto de Lima, 695 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Mercado Central Avenida Augusto de Lima, 744 Marcio Gomes dos Santos (ARQBH) 1967 (ARQBH)Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Sim Grelha Não Não Não Não Sim Não Metálico Arqueado Sim Sim Não Não NSA Edifício Pignataro Avenida Augusto de Lima, 869 Henri Friedlaender 1957 Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Oval Não Volume; varanda Embutido Sim Sim Não Não NSA Não identificado Avenida Bias Fortes, 1526 - 1650 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Contorno 11144 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida do Contorno, 11190 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Conjunto de janelas vertical Não Não 1 e ultimo pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Relógio Edifício Álvaro da Silveira (Escola de Engenharia da UFMG) Avenida do Contorno, 842 Não identificado 1965 Institucional Alto Sim Não Não Não Não Não Não Sim Sequentes Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Faculdade de Direito da UFMG Avenida João Pinheiro, 100 Oswaldo Santa Cruz Nery; Décio Machado; Rodrigo Moreira (ARQBH) 1958 - 1960 (ARQBH) Institucional Alto Sim Sim Não Recuo vedado com vidro Sim Não Não Sim Não Não Não Não Embutido Sim Sim Sim Sim Terraço; Mosaico Edifício Joao Pinheiro Avenida João Pinheiro, 146 Nelson Marques Lisboa; Fernando Graça; Flávio Almada (ARQBH) 1967 (ARQBH) Comercio / Serviço Alto Não Sim Vertical fachada norte Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Windsor Avenida Joao Pinheiro, 39 Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Varanda galeria Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Solar Avenida João Pinheiro, 85 Ulpiano Nunes Muniz (NORONHA, 2001) 1955 (NORONHA, 2001) Residencial Alto Sim Não Não Integro Sim Não Não Não Não Não Não Não Embutido Sim Sim Parcial Não Pilares de formas não convencionais 228 Hotel São Cristóvão Avenida Oiapoque, 284 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Sim 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Olegário Maciel, 113 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Olegário Maciel, 151 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Hotel Brasília Palace Avenida Olegário Maciel, 157 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Rio Solimões Avenida Olegário Maciel, 274 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Jardineira Embutido Não Não Não Escalonado Terraço; Pergolado; Escalonamento Não identificado Avenida Olegário Maciel, 283 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Prédio Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Hotel Gmatos Avenida Olegário Maciel, 320 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Avenida Olegário Maciel, 341 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não NSA Não identificado Avenida Olegário Maciel, 358 Não identificado Não identificado Misto Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Avenida Olegário Maciel, 405 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Hotel Real Park Avenida Olegário Maciel, 421 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Conjunto de janelas horizontal Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não NSA Não identificado Avenida Olegário Maciel, 441 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Jose Costa Avenida Olegário Maciel, 516 Não identificado Não identificado Misto Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Uma das laterais NSA Não identificado Avenida Olegário Maciel, 591 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Vara da Infância e da Juventude do TJ Avenida Olegário Maciel, 600 Não identificado Não identificado Institucional Médio Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Baixo relevo entre janelas horizontalmente Não identificado Avenida Olegário Maciel, 70 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Mercado Novo Avenida Olegário Maciel, 742 Fernando Graça; Sandoval Azevedo Filho (ARQBH) 1962 (ARQBH) Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Sim Não Não Sim Não Não Não Não Embutido Sim Sim Não Não NSA Não identificado Avenida Olegário Maciel, 810 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha baixo relevo Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 12 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 214 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Vertical fachada leste Não Não Pavimento Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 219 Não identificado Não identificado Comercio / Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA 229 Serviço Não identificado Avenida Paraná, 236 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 301 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 344 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Roma Avenida Paraná, 466 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Sim Prédio Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 477 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Vertical fachada oeste Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 482 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Sim Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não NSA Edifício Capemi Avenida Paraná, 485 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não NãoEmbutido Não Sim Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 514 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Sim Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 577 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não Varanda Não Não Volume; Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Paraná, 75 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 208 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio; conjunto de janelas horizontal Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Hotel Esplanada Avenida Santos Dumont, 304 Raimundo Lacerda 1960 Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Sim 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados; Volume Embutido Não Sim Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 307 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Janela grade Não identificado Avenida Santos Dumont, 334 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 364 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Junta Comercial do Estado de Minas Gerais Avenida Santos Dumont, 380 Não identificado Não identificado Institucional Alto Não Sim Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Passarela ligando blocos Não identificado Avenida Santos Dumont, 390 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 406 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 436 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido inclinado Não Não Não Não NSA Shopping Popular Caetés Avenida Santos Dumont, 443 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 474 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 482 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA 230 Não identificado Avenida Santos Dumont, 487 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 503 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 535 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 574 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Avenida Santos Dumont, 609 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Pilares de seção circular entre janelas Não identificado Avenida Santos Dumont, 612 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Galeria do Comercio Avenida Santos Dumont, 664 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Galeria Não Não Não Não Ultimo pavimento (varanda) Não Sim Varanda galeria Embutido Não Sim Não Não NSA Edifício Medeiros Cruz Praça Levi Coelho da Rocha, 9 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Sim Pavimento Não Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Josephina Praça Raul Soares, 22 Gilberto C. Andrade 1954 Misto Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Sim Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Hotel Sorrento Praça Raul Soares, 354 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Praça Raul Soares, 441 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não NSA Rodoviária Praça Rio Branco, 100 Walter Machado; Fernando Graça; Francisco Espírito Santo; Luciano Passini, Suzy de Mello, Mario Berti; Marina Wasner; Ronaldo Mazotti; Raul Cunha; Mardônio Guimarães (ARQBH) 1957 - 1971 (ARQBH) Institucional Médio Não Sim Não Recuo vedado com vidro Não Janela Não Não Não Não Não Não Concreto Não Sim Sim Sim Beiral Não identificado Rua Aarão Reis, 490 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não Ultimo pavimento (varanda) Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Aarão Reis, 504; Avenida Andradas, 479 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Aarão Reis, 528; Avenida Andradas, 485 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio Não Sim Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Mauro Ferreira Rua Aarão Reis, 538; Avenida Andradas, 504 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Sim Não Não Não Não Prédio Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Santa Fe Rua Acre, 134 Tarcísio Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1961 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Acre, 92 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim (alteração) Não Não NSA Edifício Adamian Rua Aimorés, 1820 Não identificado Não identificado Misto Médio Não Não Não Não Não Janela Não Não Não Não Não Volume triangular Embutido Sim Não Não Sim NSA 231 Edifício Santa Maria Rua Bahia 1010 e 1032 Luciano Alfredo Santiago; Raul de Lagos Cirne (NORONHA, 2001) 1961 (NORONHA, 2001) Misto Alto Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Volume Embutido Não Não Parcial Uma das laterais Escalonamento; terraço Edifício Minas Oeste Rua Bahia, 1033 Álvaro Benício de Paiva Filho (NORONHA, 2001) 1966 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Ipê Rua Bahia, 1054 Tarcísio Silva (RODRIGUES, 2007) 1958 (RODRIGUES, 2007) Comercio / Serviço Alto Não Não Vertical fachada leste Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício San RemoRua Bahia, 1176 Angilberto Sabino Santos (RODRIGUES, 2007) 1955 (RODRIGUES, 2007) Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não NSA Edifício Augusto Costa Rua Bahia, 1320 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo vedado com alvenaria, esquadria e vidro Não Não Não Não Não Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não Pilar V; Baixo relevo entre janelas horizontalmente Não identificado Rua Bahia, 1339 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Sim Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Adriana Rua Bahia, 1354 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Vedado com vidro e alvenaria e esquadria Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Sim Sim Não Revestimento diferente alinhado verticalmente com as janelas Edifício Rio Tapajós Rua Bahia, 325 Tarcísio Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1958 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento; sequentes Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Farinha Rua Bahia, 360 Hilmar Toscano Rios 1962 Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Não Não Sequentes intercaladas Não Não Não Embutido Não Não Não Não Terraço; pergolado; Escalonamento Não identificado Rua Bahia, 451 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Edifício Satélite Rua Bahia, 478 Paulo Mourão Monteiro (NORONHA, 2001) 1958 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não Escalonamento Edifício Victor Purri Rua Bahia, 484 Paulo Mourão Monteiro (NORONHA, 2001) 1963 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Não Sim Não Sim Sim 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Sim Não Não Escalonamento Edifício Amalia Taboada / Dom Oscar de Oliveira Rua Bahia, 504 Gilberto C. Andrade (RODRIGUES, 2007) 1962 (RODRIGUES, 2007) Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício São Lucas Rua Bahia, 573 Geraldo Ferreira Lima (RODRIGUES, 2007) 1958 (RODRIGUES, 2007) Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não Escalonamento Edifício Elepebe Rua Bahia, 583 Não identificado Não identificado Misto Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Lisboa Rua Bahia, 603 Paulo Zukim Figueiredo Neves (RODRIGUES, 2007) 1962 (RODRIGUES, 2007) Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Sim Não Não NSA 232 Edifício Duque de Caxias Rua Bahia, 605 U. Muniz (RODRIGUES, 2007) 1957 Misto Alto Não Não Não Galeria Sim Prédio Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Trianon Rua Bahia, 905 Não identificado 1960 (RODRIGUES, 2007) Comercio / Serviço Alto Não Não Vertical fachada oeste Não Não Prédio; Janela Não Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Mercantil Rua Bahia, 924 Não identificado 1969 (RODRIGUES, 2007) Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Rainha de Fatima Rua Bahia, 996 Não identificado 1954 (RODRIGUES, 2007) Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não Ultimo pavimento (varanda) Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 1042 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 1045 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio; Conjunto de janelas horizontal Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 1056 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 129 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não NSA Sede INSS Rua Caetés, 331 Não identificado Não identificado Institucional Alto Sim Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 343 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Vertical fachada norte Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 375 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Frisos verticais inclinados Não identificado Rua Caetés, 395 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não Sequentes Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Baalbeck Rua Caetés, 463 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 466 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Sim Não Não NSA Edifício Ceci Rua Caetés, 484 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 489 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 525 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Cartacho Rua Caetés, 530 Tarcísio Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1958 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Hotel Ambassy Rua Caetés, 633 Raphael Hardy Filho (RAPHAEL Hardy Filho, [s.d.]) 1967 Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Grelha Não Não Não Não Sim Volume Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Excelsior Rua Caetés, 753 Ulpiano Nunes Muniz (NORONHA, 2001) 1956 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Não Não Sim Sequentes Não Sim Não Embutido Não Sim Não Não Terraço Não identificado Rua Caetés, 917 Não identificado Não identificado Comercio / Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA 233 Serviço Edifício Salerno Rua Caetés, 920 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Caetés, 939 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Conjunto de janelas horizontal Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não Frontão Edifício Barros de Ribeiro Rua Carijós, 106 Ulpiano Nunes Muniz (NORONHA, 2001) 1956 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Carijós, 1099 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Aurora Rua Carijós, 121 Alfeu Martini (NORONHA, 2001) 1952 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Galeria Não Grelha Não Não 1 pavimentoNão Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Bolsa de Valores Rua Carijós, 126 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Recuo grande vedado com vidro Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Carijós, 138 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Carijós, 173 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Joaquim de Paula Rua Carijós, 424 Ulpiano Nunes Muniz; Oswaldo Santa Cruz Nery (ARQBH) 1955 - 1959 (ARQBH) Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Sim Não Embutido Sim Não Não Não Baixo relevo entre janelas horizontalmente Não identificado Rua Carijós, 55 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Sim Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Nao Embutido Não Nao Não Não Revestimento diferente alinhado verrticalmente com as janelas; Revestimento diferente guarda corpo Não identificado Rua Carijós, 550 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Sim Não Não Revestimento diferente alinhado horizontalmente com as janelas Edifício Brasília Rua Carijós, 558 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Sim Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Nao Não Não NSA Edifício Ignacio Ballesteros Rua Carijós, 561 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Carijós, 577 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Carijós, 787 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não Janela de canto Edifício Felícia Rua Carijós, 826 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não Terraço Não identificado Rua Carijós, 866 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Conjunto de janelas horizontal Não Não 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Carijós, 90 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela Não Sim Não Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Carijós, 952 Não identificado Não identificado Comercio / Médio Não Não Não Recuo grande Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA 234 Serviço vedado com esquadria Não identificado Rua Carijós, 960 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Recuo grande vedado com esquadria Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Alberto H. Levy Rua Carijós, 980 Tarcísio Silva 1960 Misto Médio Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Catetes, 409 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Janela de canto FEMETAL Minas Rua Curitiba, 1269 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Não Sim Não Escalonamento; Terraço; Pergolado Não identificado Rua Curitiba, 130 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Curitiba, 1429 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Recuo grande vedado com alvenaria e esquadria Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não Revestimento diferente alinhado verticalmente com as janelas Shopping Xavantes Rua Curitiba, 149 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Indiana Rua Curitiba, 500 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Sim 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Curitiba, 506 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Sim Não Não NSA Não identificado Rua Curitiba, 580 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Cine Art Palacio Rua Curitiba, 601 Nicola Santolina (Original) 1951 (CARLOS, 2021) Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha Sim Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Juizado Especial Cível das Relações de Consumo Rua Curitiba, 632 Não identificado Não identificado Institucional Médio Não Sim Não Vedado com vidro Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício São João de Deus Rua Curitiba, 689 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Circular Não Não Embutido Sim Sim Não Não NSA Edifício Sociedade Italiana de Beneficência e Mutuo Socorro Rua Curitiba, 705 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Centro da Comunidade Luso Brasileira Rua Curitiba, 746 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Rozen Rua Curitiba, 778 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Sim 1 pavimento Oval Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Atlântico Rua Curitiba, 786 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Lopes Coelho Rua Curitiba, 815 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Prédio Não Não 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Não Embutido Sim Não Não Não Baixo relevo entre janelas horizontalmente; Janela de canto Edifício Itacolomi Rua Curitiba, 862 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Retangular Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA 235 Não identificado Rua Curitiba, 922 Não identificado Não identificado Misto Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugado Embutido Não Não Não Não Baixo relevo entre janelas horizontalmente Não identificado Rua Curitiba, 987 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Recuo vedado com alvenaria e vidro Não Não Sim Não 1 pavimento; Sequentes Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 1001 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Marrocos Rua Espirito Santo, 1025 Tarcísio Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1954 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Misto Alto Não Não Não Galeria Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Anexo Imprensa oficial de Minas Rua Espirito Santo, 1040 Não identificado Não identificado InstitucionalTérreo Não Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Pio XII Rua Espirito Santo, 1059 Não identificado 1957 Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Edificio Francisco Cardoso Rua Espirito Santo, 1100 Claudio Jorge Gomes de Souza (NORONHA, 2001) 1954 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Integro Não Prédio; Pavimento Não Não Não Não Sim Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Parcial Não Pilar V Edificio Benjamim Moss Rua Espirito Santo, 1111 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Integro Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 1176 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Não Sim Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 127 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 1300 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Prédio Não Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Curitiba Rua Espirito Santo, 238 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Conjunto de janelas horizontal; Platibanda Não Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 221 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 237 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 307 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Sim Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Helena Maria Rua Espirito Santo, 250 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Terraço Não identificado Rua Espirito Santo, 287 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 295 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Arthur Guimaraes (Escola de Engenharia da UFMG) Rua Espirito Santo, 35 Não identificado 1953 (NORONHA, 2001) Institucional Alto Não Sim Não Integro Não Não Sim Não 1 pavimento Não Sim Não Embutido Sim Não Parcial Sim NSA 236 Edifício Pedro Dutra (Ministério da Saúde) Rua Espirito Santo, 500 Não identificado Não identificado Institucional Alto Não Não Não Recuo vedado com vidro Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Sim Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Hercules Rua Espirito Santo, 466 Sandoval Azevedo (SILVA, 2011) 1964 (SILVA, 2011) Comercio / Serviço Alto Sim Não Vertical fachada noroeste Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não Terraço; Escalonamento Não identificado Rua Espirito Santo, 480 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 490 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Sim Não Não Não Não Prédio Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Christiano Guimaraes / Banco Nacional Rua Espirito Santo, 593 Raul de Lagos Cirne; Luciano Alfredo Santiago (NORONHA, 2001) 1952 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Alto Não Não Vertical fachada oeste Recuo vedado com alvenaria e esquadria Não Janela; Prédio Não Sim Não Não Sim Não Embutido; Abóbodas; Uma agua Sim Não Parcial Não NSA Edifício Eularino Teixeira Rua Espirito Santo, 841 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Sim Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Sim Não Não NSA Edifício Guanabara Rua Espirito Santo, 616 Tarcísio Silva (ARQBH) 1954 (ARQBH) Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Janela Não Não 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não Varanda rasgo Não identificado Rua Espirito Santo, 629 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 801 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Sim Não Não NSA Edifício São Luiz Rua Espirito Santo, 980 Raphael Hardy Filho (PASSOS, 1998) 1952 - 1954 (PASSOS, 1998) Residencial Alto Não Não Não Recuo vedado com alvenaria, cogobo e vidro Sim Não Não Não Não Não Não Volume Embutido Sim Não Não Uma das laterais NSA Não identificado Rua Espirito Santo, 900 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Vertical fachada leste Não Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Sim Não NSA Edifício Paulo Batista Rua Espirito Santo, 935 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Santa Monica Rua Espirito Santo,977 Raphael Hardy Filho (RAPHAEL Hardy Filho, [s.d.]) Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não Painel de mosaico na fachada próximo a entrada; paginação da pastilha formando desenho; Elementos quadrados não identificado na fachada Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais Rua Goiás, 229 Raphael Hardy Filho (NORONHA, 2001) 1949 - 1951 Institucional Alto Não Não Vertical Fachada sudoeste Recuo vedado com vidro recuada Não Grelha Sim Não Não Não Sim Não Abóbodas Sim Não Não Não Terraço Edifício Levy Coelho da Rocha Rua Goiás, 335 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Sim Volume Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Christovam Pinheiro Rua Goiás, 272 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo vedado com esquadria e vidro Sim Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Mendes Pimentel Rua Goiás, 285 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA 237 Edifício Levy Coelho da Rocha Rua Goiás, 317 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Vera Cruz Rua Goitacazes, 103 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não Pergolado; Escalonamento Não identificado Rua Goiás, 36 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Goiás, 41 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Prédio; janela Não Não Não Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Lopes Ribeiro Rua Goitacazes, 211 Não identificado Não identificado Misto Alto NãoNão Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugado Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Bom Destino Rua Goitacazes, 14 Raul de Lagos Cirne; Luciano Alfredo Santiago 1953 Comercio / Serviço Alto Não Não Vertical fachada sul Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Ferreira Leite Rua Goitacazes, 152 Luís Paulo Carrieri; Gilberto Andrade (NORONHA, 2001) 1953 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Não Não Janela Não Não 1 pavimento Não Não Varanda Aparente Não Não Não Uma das laterais Terraço Não identificado Rua Goitacazes, 169 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Valério de Rezende Rua Goitacazes, 201 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo vedado com esquadria Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Vila Oliveira Rua Goitacazes, 300 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Conjunto de janelas horizontal Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Maria Imaculada Rua Goitacazes, 301 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo grande vedado com vidro Não Prédio Sim Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Elisa Viana Botelho Rua Goitacazes, 365 Não identificado Não identificado Residencial Alto Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Sim Não NSA Edifício da Providencia Rua Goitacazes, 322 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Volume intercalado Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Elias de Paula Andrade Rua Goitacazes, 43 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Integro Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Goitacazes, 376 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Embutido Não Sim Não Sim Revestimento diferente alinhado verticalmente com as janelas Não identificado Rua Goitacazes, 386 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Volume Embutido Não Sim Não Não NSA Não identificado Rua Guaicurus, 200 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Embutido Sim Sim Não Não NSA Hotel Serrana Palace Rua Goitacazes, 450 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não Escalonamento Edifício Rochedo Rua Goitacazes, 470 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo grande vedado com esquadria Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Colégio Rui Barbosa Rua Goitacazes, 493 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Grelha; janela Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA 238 Edifício Palacio das Industrias Rua Goitacazes, 71 Luiz Argemiro G. de Cabral (NORONHA, 2001) 1967 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Sim Parcial Não Terraço; escalonamento Edifício Bom Jardim Rua Goitacazes,172 Raphael Hardy Filho (RAPHAEL Hardy Filho, [s.d.]) Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não Ripado de madeira Edifício Sociedade Mineira Agricultura Rua Guajajaras, 176 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo grande vedado com alvenaria e esquadria Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Sim Não Não Não Pergolado; terraço Restaurante e DCE da Escola de Engenharia da UFMG Rua Guaicurus, 315 (?) Avilmar Moreira da Silva; Lineu Pereira; Gutemberg A. Rezende (NORONHA, 2001) 1970 (NORONHA, 2001) Institucional Médio Não Sim Não Integro Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Não Sim Sim Concreto aparente Não identificado Rua Guaicurus, 437 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido inclinado Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guaicurus, 481 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guaicurus, 507 Victor Signorelli 1956 Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio; Conjunto de janelas horizontal Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guaicurus, 526 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guaicurus, 527 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guaicurus, 648 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guajajaras, 1001 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Euclides Andrade Rua Guajajaras, 329 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo grande vedado com alvenaria, esquadria e vidro Não Não Não Não Não Não Não Volume Embutido Sim Sim Não Não Ripado de madeira; Edifício Britânia Rua Guajajaras, 295 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não Baixo relevo entre janelas horizontalmente Edifício Rotary Rua Guajajaras, 415 Luiz Pinto Coelho; Arturo Garcia Loayza 1965 Comercio / Serviço Alto Não Não Horizontal fachadas sul e leste Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Sim Não Não NSA Edifício Joao Gomes Rua Guajajaras, 365 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não Ripado de madeira; terraço Edifício Nazaré Rua Guajajaras, 37 Geraldo Ferreira Lima (NORONHA, 2001) 1958 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Integro Não Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Galeria Rua Guarani, 263 Rua Guaranis, 263 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Tunísia Rua Guajajaras, 420 Tarcísio Silva 1957 Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não Baixo relevo entre 239 janelas horizontalmente Edifício Bernardo Monteiro Rua Guajajaras, 457 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Sim Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não Terraço Não identificado Rua Guajajaras, 637 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não conjunto de janelas horizontal Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Maria Inez Rua Guajajaras, 65 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo grande vedado com alvenaria, esquadria e vidro Não Grelha Não Não Não Não Não Não Embutido Não Sim Não Não Pergolado; terraço; Revestimento diferente alinhado horizontalmente com as janelas Não identificado Rua Guajajaras, 762Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guaranis, 121 Carlos Henrique de Souza Grossi 1966 Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Marquise zigue zague Hotel Magnata Rua Guaranis, 124 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Conjunto de Janelas horizontal Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Tupigua Rua Guaranis, 241 Ulpiano Nunes Muniz (NORONHA, 2001) 1956 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Não Sim Pavimento Sim Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Parcial Não Terraço Edifício Hazan Rua Guaranis, 578 Abram Zyman 1957 Misto Alto Não Não Não Recuo vedado com alvenaria e esquadria Não Prédio Não Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Nereu de Almeida Rua Guaranis, 276 Edilson Maranhão (NORONHA, 2001) 1966 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Sim 1 pavimento Retangular Não Não Embutido Sim Sim Não Não NSA Não identificado Rua Guaranis, 311 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Horizontal fachada oeste Não Não Grelha Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guaranis, 320 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Ministério da Saúde Arquivo Geral / Almoxarifado Rua Guaranis, 338 e 334 Não identificado Não identificado Institucional Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Jorge A Rocha Rua Guaranis, 390 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Varanda galeria Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guaranis, 463 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Sim Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Guaranis, 525 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Revestimento diferente alinhado verticalmente com as janelas Edifício Florença Rua Guaranis, 555 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Sim Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Sim Não Não Terraço; Escalonamento Edifício Jaraguá Rua Guaranis, 564 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício JAF Rua Padre Belchior, Não identificado Não identificado Misto Médio Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Sim Não Não Não NSA 240 262 Edifício D'Avila Rua Guaranis, 590 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo vedado com alvenaria e esquadria Não Não Não Não 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não Pilar V Não identificado Rua Guaranis, 604 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Rosa Ripoli Rua Padre Belchior, 254 Não identificado Não identificado Misto Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício São João Rua Rio de Janeiro, 1010 Não identificado Não identificado Misto Alto Sim Não Não Recuo grande vedado com vidro Não Prédio Não Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Não Não Pergolado Edifício Boa Esperança Rua Rio de Janeiro, 1040 Não identificado Não identificado Misto Alto Sim Não Não Recuo grande vedado com vidro Não Prédio Não Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Miraci Rua Rio de Janeiro, 1023 Eurípedes Santos Zumpano 1956 Misto Alto Não Não Vertical fachada oeste Recuo vedado com alvenaria, esquadria e vidro Não Janela Não Não 1 pavimento Não Sim Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Cannes Rua Rio de Janeiro, 1066 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo grande vedado com vidro Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Não Não Revestimento com relevo Edifício Aristóteles Caldeira Rua Rio de Janeiro, 1472 Não identificado Não identificado Residencial Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim Ultimo pavimento Não Não Não Embutido Sim Sim Não Sim NSA Rua Rio de Janeiro, 139 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Sim 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Não Não Não Não NSA Hotel Rio Jordao Rua Rio de Janeiro, 147 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Sim Não Sim Não Não Não Não Volume Embutido Não Não Não Não Pergolado; Terraço Edifício Eliza Levy Rua Rio de Janeiro, 243 Tarcísio Silva (NORONHA, 2001) 1958 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Alto Não Não Misto fachada oeste Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio de Janeiro, 235 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Sim Não Não Não Não Janela Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio de Janeiro, 303 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Conjunto de janelas horizontal; platibanda Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio de Janeiro, 293 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Sim Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio de Janeiro, 371 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Sim Não Não Não NSA Central Tower Rua Rio de Janeiro, 37 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Não Sim Não NSA Edifício São Carlos Rua Rio de Janeiro, 441 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio de Janeiro, 41 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Hotel Turista Rua Rio de Janeiro, Não identificado Não identificado Comercio / Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento; Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA 241 423 Serviço Sequentes Edifício Helena Passig Rua Rio de Janeiro, 462 Rafael Hardy Filho (NORONHA, 2001) 1957 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Não Não Não Varanda; Sequentes Não Sim Volume; varanda galeria Embutido Sim Não Não Não Terraço Edifício Banco Mineiro da Produção Rua Rio de Janeiro, 471 Oscar Niemeyer (ARQBH) 1953 (ARQBH) Comercio / Serviço Alto Não Sim Horizontal fachada oeste Vedado com vidro Não Não Não Sim 1 pavimento Não Sim Não Embutido Sim Não Não Não Tijolo de vidro; Terraço Não identificado Rua Rio de Janeiro, 639 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não NSA Galeria Praça Sete Rua Rio de Janeiro, 622 Henri Friedlaender (NORONHA, 2001) 1962 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Médio Não Não Não Galeria NãoNão Não Não Varanda Não Não Varanda galeria Embutido Não Não Não Não Pergolado Não identificado Rua Rio de Janeiro, 725-821 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Vicente de Araújo (Banco Mercantil do Brasil) Rua Rio de Janeiro, 680 Raul de Lagos Cirne (ARQBH) 1960 (ARQBH) Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Vedado com vidro Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Faustino Assumpção Rua Rio de Janeiro, 888 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Pavimento Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Agencia Centro do Banco do Brasil Rua Rio de Janeiro, 750 Aldary Henrique Toledo (NORONHA, 2001) 1969 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Recuo vedado com vidro Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Riachuelo Rua Rio de Janeiro, 855 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Palacio Tiradentes Rua Rio de Janeiro, 985 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo vedado com esquadria e vidro Sim Não Não Sim 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Senhora do Carmo Rua Rio de Janeiro, 909 Raphael Hardy Filho (RAPHAEL Hardy Filho, [s.d.]) Não identificado Residencial Alto Não Não Não Integro Sim Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio Grande do Sul, 155 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Sim Não Não Revestimento diferente alinhado horizontalmente com as janelas Edifício Aljan Rua Rio de Janeiro, 998 Tarcísio Silva (NORONHA, 2001) 1953 (NORONHA, 2001) Misto Alto Não Não Não Recuo vedado com esquadria e vidro Não Não Não Sim 1 pavimento; ultimo pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio Grande do Sul, 198 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Sim Não Não Revestimento diferente alinhado horizontalmente com as janelas Edifício Octaviano de Almeida Rua São Paulo, 1031 Raphael Hardy Filho (RAPHAEL Hardy Filho, [s.d.]) Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Não Não Uma das laterais Escalonamento Não identificado Rua Rio Grande do Sul, 210 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio Grande do Sul, 228 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio Grande do Não identificado Não identificado Comercio / Térreo Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA 242 Sul, 238 Serviço Edifício Rio Grande do Sul Rua Rio Grande do Sul, 25 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio Grande do Sul, 259 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Janela; platibanda Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Rio Grande do Sul, 320 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Vertical fachada leste Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido inclinado Não Sim Não Não Relevo de forma não convencional Não identificado Rua Rio Grande do Sul, 389 e 397 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Entre blocos NSA Não identificado Rua Rio Grande do Sul, 401 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Shopping Tupinambás Rua Rio Grande do Sul, 94 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua São Paulo 1551 Não identificado Não identificado Misto Médio Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Sim NSA Edifício Ulysses Chaves Rua São Paulo, 1105 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Varanda Embutido Sim Sim Não Não NSA Edifício Rainha Elizabeth Rua São Paulo, 1044 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Sim Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Geraldo Dayrell Rua São Paulo, 1074 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não NSA Edifício Joel Augusto Almeida Rua São Paulo, 249 Ildeu Aguiar (original); Laercio Macedo Gontijo (alteração) [NORONHA, 2001] 1957 (original); 1963 (alteração) [NORONHA, 2001] Comercio / Serviço Alto Não Não Vertical fachada norte Não Não Não Sim Não Não Não Não Varanda galeria Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Franco Tower Rua São Paulo, 1106 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Embutido Não Não Sim Não NSA Não identificado Rua São Paulo, 114 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Conjunto de janelas horizontal Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Contagem Rua Sao Paulo, 1190 Angilberto Sabino Santos 1959 Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim Sequentes Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não Marquises simulando brise Não identificado Rua São Paulo, 1270 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Vertical fachada leste Não Não Pavimento Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua São Paulo, 151 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua São Paulo, 178 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Platibanda Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua São Paulo, 194 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Sim Não Não NSA Edifício Dina Rua São Paulo, 274 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Sim Não Não Não Não Prédio; Janela Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Bady Salum Rua São Paulo, 57 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Sim Varanda Embutido Sim Sim Não Não NSA Edifício Roberto Rua São Paulo, 390 Tarcísio Silva (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) 1954 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não Varanda Não Sim Volume; varanda galeria Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Avenida Rua São Paulo, 409 Tarcísio Silva 1962 Comercio / Alto Não Não Não Não Não Prédio Sim Não Varanda Circular Não Varanda Embutido Sim Não Não Não NSA 243 (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) (ARQUITETOS MINEIROS, 2012) Serviço Edifício Vila Rica Rua São Paulo, 684Raphael Hardy Filho (RAPHAEL Hardy Filho, [s.d.]) Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não Terraço Galeria do Ouvidor (NORONHA, 2001) Rua Sao Paulo, 656 Henri Friedlaender (NORONHA, 2001) 1962 (NORONHA, 2001) Comercio / Serviço Alto Não Não Não Galeria Não Grelha Não Não Sequentes intercaladas Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Iracema Rua São Paulo, 824 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua São Paulo, 692 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Sim Não Não Não Não Não Não 1 e ultimo pavimento (varanda) Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua São Paulo, 769 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Térreo Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Jose Marques Gontijo Rua São Paulo, 818 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Nicolina Teixeira Rua São Paulo, 925 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo grande vedado com esquadria; galeria Não Grelha Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Sim Não Escalonamento; Terraço; Pergolado Edifício Moreira Rua São Paulo, 848 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Grelha Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Borges da Costa Rua São Paulo, 893 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Vertical fachada oeste Não Não Janela Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Santo Antônio Rua São Paulo, 900 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Volume Embutido Sim Não Não Não Revestimento diferente alinhado horizontalmente com as janelas; Pergolado Edifício Cristina Belo Rua Sergipe, 12 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Não Uma das laterais Terraço Edifício Dom Joao VI Rua São Paulo, 940 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua São Paulo, 995 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim Não Não Não Volume Embutido Não Não Não Sim NSA Não identificado Rua Saturnino de Brito, 7 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Boa Viagem Rua Sergipe, 15 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Prédio Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Não Não NSA Edifício Bandeirantes Rua Tamoios, 200 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Sim Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Ministério do Trabalho Rua Tamoios, 596 Não identificado Não identificado Institucional Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Tamoios, 434 Não identificado Não identificado Comercio / Servico Medio Nao Nao Nao Nao Nao Nao Nao Nao 1 pavimento Nao Nao Volume triangular Embutido Nao Nao Nao Nao NSA Edifício Juncal Rua Tamoios, 462 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA 244 Não identificado Rua Tamoios, 481 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Revestimento diferente alinhado verticalmente com as janelas Edifício Santa Rita Rua Tamoios, 486 Francisco Salomé de Oliveira 1951 Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Prédio Sim Sim 1 pavimento Não Sim Volume Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Tamoios, 523 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Pavimento ; Conjunto de janelas horizontal Não Não Não Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Tamoios, 530 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não Baixo relevo entre janelas verticalmente Edifício Ribeiro de Rezende Rua Tamoios, 570 Euripedes Santos Zumpano (MOTTA, 2020) Não identificado Misto Alto Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Wanda Maria Rua Tamoios, 699 Não identificado Não identificado Misto Alto Não Não Não Recuo vedado com esquadria e cobogó Sim Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Não Não Não NSA Não identificado Rua Tamoios, 6 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Sim Sim 1 pavimento Não Sim Não Embutido Não Não Não Não NSA Não identificado Rua Tamoios, 606 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Sim Não Vertical fachadas oeste e sul Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Sim Não Não NSA Edifício Claudino Rua Tamoios, 666 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Não Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Não NSA Edifício São Carlos Rua Tamoios, 669 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Não 1 pavimento Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Não Não Não Não NSA Edifício Monsenhor Bicalho Belo Horizonte Rua Timbiras, 1929 Não identificado Não identificado Residencial Médio Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Volume e varanda conjugados Embutido Sim Sim Não Sim NSA 23 Promotoria de Infância e Juventude Rua Tamoios, 831 Não identificado Não identificado Institucional Médio Sim Não Vertical fachada oeste Não Não Janela Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Não NSA Não identificado Rua Tamoios, 900 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Sim Não Uma das laterais Revestimento diferente alinhado verticalmente com as janelas Não identificado Rua Tamoios, 912 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Médio Não Não Não Não Sim Pavimento Não Não 1 pavimento Não Não Não Embutido Não Não Não Entre blocos NSA Edifício Americo Renne Giannetti Rua Timbiras, 120 Não identificado Não identificado Comercio / Serviço Alto Não Sim Não Não Não Não Sim Não 1 pavimento Não Não Volume Embutido Não Não Não Sim NSA Não identificado Rua Timbiras, 1797 Não identificado Não identificado Residencial Térreo Não Não Não Não Não Prédio Não Não Não Não Não Volume Embutido Não Não Não Sim NSA Não identificado Rua Timbiras, 1817 Não identificado Não identificado Residencial Médio Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Não Embutido Não Sim Não Sim Revestimento diferente na platibanda Senac Rua Tupinambás, 1062 Antônio Gabriel Valadares; Eros de Magalhaes Soares (ARQBH) 1953 - 1956 (ARQBH) Comercio / Serviço Alto Não Não Não Recuo vedado com vidro Não Janela Sim Não Não Não Não Não Embutido Sim Não Não Não NSA 245 Edifício Santa Rita Rua Timbiras, 1958 Não identificado Não identificado Residencial Médio Não Não Não Não Não Não Não Sim Ultimo pavimento (varanda)