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Cirurgia de cabeça e pescoço em pequenos e grandes 
animais
INTRODUÇÃO 
 As cirurgias realizadas em cabeça e pescoço abrangem, principalmente, 
procedimentos no trato respiratório superior, nos ouvidos e na cavidade oral. 
 
 Esses procedimentos representam um desafio para médicos veterinários, tanto pela 
diversidade de técnicas descritas como pela proximidade a estruturas nobres (nervos e 
vasos sanguíneos), exigindo uma abordagem mais precisa por parte do cirurgião e um 
profundo conhecimento das particularidades anatômicas regionais. 
 
 Dessa forma, um diagnóstico preciso da afecção presente é essencial para o 
planejamento cirúrgico e a escolha da técnica mais adequada. 
 Em cirurgias de ouvido, por exemplo, é imprescindível diferenciar a localização e a 
gravidade da otite para a escolha da técnica mais eficaz e menos invasiva para o 
paciente. Já nas afecções que acometem o trato respiratório superior, a dispneia, leve 
ou moderada, representa um sinal comum a lesões obstrutivas, traumáticas ou 
infecciosas. 
 
 Assim, são cruciais uma boa observação do histórico e um exame físico minucioso 
para a diferenciação da causa e o tratamento adequado desse sinal. As afecções de 
cavidade oral e orofaringe são comuns e apresentam uma combinação de sinais de 
vias aéreas superiores e da cavidade oral. Nesses tecidos, a cicatrização ocorre de 
forma mais rápida que na pele, devido à precocidade da atividade fagocítica e 
epitelização da mucosa. Algumas condutas gerais são comumente adotadas nesses 
diferentes procedimentos, entre elas: a preferência na utilização de fios 
monofilamentares, absorvíveis ou não, para as suturas, em decorrência da baixa 
reatividade e capilaridade; e a utilização do colar elizabetano durante todo o pós-
operatório, com o intuito de prevenir o dano ao sítio operatório e a deiscência das 
suturas. 
DESCORNA 
DESCORNA COSMÉTICA 
 Indicado para reduzir traumas ao 
animal 
 Após a amputação do corno -> a 
pele é suturada e irá cicatrizar por 
primeira intenção 
 Realizada em animais menores 
que 1 ano de idade, pois quanto 
maior o chifre, menos pele terá 
disponível 
 
 Tricotomia da cabeça, base das 
orelhas, face e até os olhos 
 Não necessita de anestesia geral 
 As orelhas são cobertas e 
tracionadas para fora do caminho 
 Bloqueio do nervo córneo 
(zogomaticotemporal) 
o Ponto entre o canto lateral 
do olho e base do corno 
o Massagem para dispersar 
o anestésico 
 Antissepsia 
 
 
 
COMO COMEÇA A CIRURGIA 
 Incisão elíptica em torno do corno 
(eminencia nucal -> crista frontal) 
 Não ultrapassar 1 cm da base do 
corno 
 Dissecção fina para aprofundar a 
incisão 
 Tomar cuidado com o músculo 
auricular 
 Serra ou arame -> direção ventral, 
logo acima do osso frontal 
 Deve retirar o osso suficiente para 
aproximar os bordos 
 
 
 
TIPOS DE SERRA: 
 Serra Starret 
 Serra Oscilatória 
 Serra Gigli 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Depois que faz a descorna irá fazer 
a lavagem com SF ou RL 
 Fechamento da ferida com fio 
inabsorvível com pontos simples 
contínuo (PSC) 
 Afim de evitar hemorragias, 
curativo com compressas 
suturadas sobre a incisão 
 
COMPLICAÇÕES MAIS COMUNS 
 Excisar grande quantidade de pele 
-> cicatrização por segunda 
intenção 
 Sinusite de grau variado devido a 
permanência do coto do osso 
 Hemorragias de grau variado 
(artéria cornual -> ramo da artéria 
facial) 
 
 
 
 
 
 
TRAQUEOSTOMIA EM PEQUENOS 
ANIMAIS 
 Abertura da traqueia, mantendo ela 
aberta se comunicando com o meio 
externo – normalmente se faz com 
o auxílio de um tubo 
 A maioria é usada em 
emergências, porém também pode-
se utiliza-la como planejada 
INDICAÇÃO 
 A indicação para a traqueostomia 
temporária com tubo é o alivio 
emergencial da obstrução das vias 
aéreas superiores, por: 
o Trauma – lesionou tecido 
traqueal superior ou faringe 
o Neoplasia – linfomas, 
aonde os linfonodos estão 
aumentados de volume 
o Cirurgia – feita em regiões 
oral ou faringe (local onde 
o animal não pode estar 
intubado) 
o Infecção 
o Reações alérgicas 
o Inchaço 
o Corpos estranhos 
o Formação de tecido 
cicatricial 
o Paralisia laríngea 
 
 Normalmente o animais chegam 
em angustia respiratória, por isso é 
preciso utilizar: 
o Oxigenioterapia é 
administrado até a 
intubação 
o Sedativos e analgésicos 
são administrados a 
pacientes com desconforto 
respiratório 
o Glicocorticoides e 
furosemida podem induzir 
o edema local 
o Em animais intubados, 
ocorrerá vazamento de gás 
anestésico, pode ser 
necessária uma infusão 
contínua de propofol 
o Animais em decúbito dorsal 
e o pescoço estendido, 
com uma toalha enrolada 
o Tricotomia e antissepsia 
(se possível) do espaço 
intermandibular até a 
entrada torácica 
TIPOS DE INCISÃO 
 Incisão da pele, gordura 
subcutânea, e musculo causal a 
cartilagem 
 Incisão traqueal, pode ser 
horizontal ou vertical e como uma 
incisão linear (em formatos 
variáveis U,I ou H) 
 A traqueostomia transversal 
horizontal é mais fácil, rápida e 
sem risco de estenose 
 A mais comum é utilizar a traqueo 
temporária 
TIPOS DE TUBOS 
 O tubo tem que ser metade do 
diâmetro da traqueia 
 Os tubos com cânulos internas 
(tubos de lúmen duplo) são 
preferidos 
 Tubos endotraqueais regulares 
pode ser encurtado utilizados por 
via transtraqueal 
 O tubo duplo é o ideal – tem uma 
base que tem alças e normalmente 
irá suturar essas alças na pele 
o Terá um tubo que fica 
dentro do animal e um 
outro que consegue retirar 
para a limpeza 
 Quando o animal está com o 
traqueotubo irá juntando secreções 
dentro do tubo, e por isso deve-se 
limpar diariamente 
 
 
TÉCNICA 
 Incisão cutânea na linha média 
ventral de 4 a 10cm, da cartilagem 
critóide -> caudal 
 Desseque cutâneo, e músculos 
esterno-hióide 
 Separe os músculos esterno-hióide 
 Com o bisturi, irá fazer incisão 
entre o 3º e 4º ou 4º e 5º anéis de 
cartilagem (menos da metade) 
 Insira o tubo de traqueostomia 
 Resseque uma porção semicircular 
com dificuldade 
 Conecte a mangueira de oxigênio 
ao tubo de traqueostomia 
 Prenda o tubo no paciente com 
uma fita 
 Suturas interrompidas na pele 
 Cuidado: pele cervical frouxa 
 Animal que estiver com o 
traqueotubo será monitorado 
 Em animais acordados o cuff é 
mantido desinflado -> reduz a 
chance de obstrução ou dano 
traqueal 
 A pele ao redor deve ser limpa 
diariamente 
 No tubo duplo, a camada interna é 
removida, embebida em banho 
antisséptico e enxaguada 
 Se o lúmen ficar estreitado por 
secreções endurecidas, o tubo 
deve ser substituído sob sedação 
 Os tubos devem ser removidos 
assim que a obstrução das vias 
aéreas superiores for resolvido 
 Após a remoção do tubo, a ferida 
cicatriza por segunda intenção – 
coberta levemente com gaze 
 
 
 
TRAQUEOSTOMIA EM EQUINOS 
 Animal em estação e apenas 
sedado 
 Submetido a anestesia local 
subcutânea 
 Incisão pode ser na pele de 
10cm – horizontal, vertical ou 
em H 
 Técnica semelhante a 
pequenos animais 
 Se necessário excisão elíptica 
dos anéis cartilaginosos 
 
TRAQUEOSTOMIA PERMANENTE 
 Não é comum 
 Técnica semelhante 
 Incisão em formato de “H” 
 Comunicação direta com a traqueia 
 Acumula muita sujeira no tubo e 
pode haver contaminação 
 Sutura da camada mucosa apele 
 Permanece aberto 
 Limpeza constante 
COMPLICAÇÕES 
 Obstrução do tubo 
 Necrose traqueal 
 Hemorragia intraoperatória (rara) 
 Paralisia laríngea pela compressão 
neural 
 
 
 
 
 
 
 
ESOFAGOSTOMIA 
CIRURGIA DE ESÔFAGO 
 Esofagotomia: abertura do esôfago 
 Esofagectomia 
 Esofagostomia: colocação de 
sonda em animais que não estão 
se alimentando ou que precisam 
poupar a cavidade oral após algum 
procedimento cirúrgico 
 
 
 
 O esôfago transporta alimento, 
água e saliva da faringe ao 
estômago 
 A cirurgia esofágica pode ser 
indicado caso a função seja 
interrompida 
 
 Anatomia cirúrgica:o Porção cervical e torácica 
proximal – esquerda 
o Após bifurcado traqueal 
ligeiramente para direita 
ESOFAGOSTOMIA 
 Tubos de alimentação colocados 
no esôfago médio cervical 
 Extremidade fica posicionados 
rostrais a junção gastresofágicas 
para reduzir o refluxo 
 O tubo fica entre o 7º ao 9º espaço 
intercostal 
 Após retirada do tubo a incisão irá 
cicatrizar por segunda intensão 
 
COMO FUNCIONA 
 Medição do comprimento da sonda 
 Incisão esofágica 
 Passagem da sonda até o esôfago 
(7º ao 9º espaço intercostal) 
 Sutura na pele em “bailarina” 
 
 
 
 
 
ESOFAGOSTOMIA EM EQUINOS 
 Casos bem específicos, aonde o 
paciente não consiga engolir 
(paralisia de laringe) 
 Normalmente usados para a 
alimentação forçada – feita por via 
nasogástrica 
 Incisão lateral esquerda do 
pescoço 
 Técnica semelhando, porem o 
esôfago deve ser dissecado