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EXAME NEUROLÓGICO Profa. Dra. Edina Araújo UFPI 2022.1 INTRODUÇÃO o OBJETIVOS DA AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA: estabelecer o exame neurológico inicial na admissão do paciente; identificar disfunções presentes no sistema nervoso; determinar os efeitos dessas disfunções na vida diária do mesmo e; detectar situações de risco de vida. o A frequência da realização desse exame dependerá das condições de admissão e da estabilidade do paciente. SISTEMA NERVOSO Pode ser dividido em duas partes: - Central - Periférico O Sistema Nervoso Central (SNC) inclui o cérebro e a medula espinhal. Os Sistema Nervoso Periférico inclui os 12 pares de nervos cranianos e os 31 pares de nervos espinhais; os gânglios e as terminações nervosas ESTRUTURAS ANATÔMICAS CEREBRAIS E FUNÇÕES CORRELATAS CEREBELO COORDENAÇÃO MOVIMENTOS FINOS EQUILÍBRIO NERVOS CRANIANOS FUNÇÕES ESPECÍFICAS MEDULA TRATOS SENSORIAIS E MOTORES LOBO FRONTAL LOBO TEMPORAL LOBO PARIETAL LOBO OCCIPITAL CEREBELO AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA CONSCIÊNCIA É definida como o conhecimento de si mesmo e do ambiente; É a capacidade do indivíduo de reagir quando está em perigo ou de satisfazer suas necessidades biológicas e psicossociais; É o indicador mais sensível de disfunção ou insuficiência cerebral. ESTÍMULOS AUDITIVOS E TÁTEIS A avaliação do nível de consciência depende da correta utilização de estímulos para gerar respostas, esses estímulos devem ser inicialmente auditivos e depois táteis; No estímulo auditivo, começa-se pelo tom de voz normal, obtendo resposta verbal do paciente, o enfermeiro deve avaliar: o nível de orientação (no tempo, no espaço e em relação a si mesmo); a função cognitiva (memória, atenção, concentração, linguagem, resolução de problemas, etc.) Nos casos em que o paciente não apresenta respostas estímulos auditivos, deve-se tentar o estímulo tátil. Inicia-se com um leve toque sobre o braço do paciente, chamando-o pelo nome. Se não ocorrer resposta, o estímulo doloroso deve ser aplicado. A aplicação do estímulo doloroso deve ser realizada preferencialmente: leito ungueal - por meio da aplicação de uma pressão sobre as unhas das mãos e dos pés; trapézio – compressão do músculo com o indicador e o polegar; supraorbital - compressão da região supra- orbital com o polegar. A resposta observada após a aplicação do estímulo doloroso é o tipo motor. Estimulação dolorosa As respostas motoras podem ser: Respostas apropriadas - ocorrem quando o paciente retira o membro após o estímulo e/ou empurra a mão do examinador, indicando integridade de vias sensitivas e corticoespinhais; Respostas inapropriadas – (decorticação e descerebração) dependem do nível da lesão e indicam reações primitivas. A decorticação é indicativa de lesões hemisféricas do córtex cerebral. As respostas motoras podem ser: Respostas inapropriadas – (decorticação e descerebração) dependem do nível da lesão e indicam reações primitivas. A decorticação é indicativa de lesões hemisféricas do córtex cerebral. A descerebração relaciona-se a lesões diencéfalo-mesencefálicas, estruturas do tronco cerebral. É considerada como sinal de maior disfunção cerebral. A ausência da resposta motora (arreflexia) pode significar uma lesão, atingindo a porção inferior do tronco encefálico ou depressão intensa, causada por substância tóxica ou drogas sedativas. NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA Entre os estado de consciência e coma existem vários estados intermediários a de alteração da consciência, representando depressões menores ou maiores do sistema reticular ativador ascendente e/ou do córtex cerebral. A consciência e o coma são definições amplamente aceitas e que não geram contradições na sua interpretação. O paciente consciente é aquele que está acordado, alerta, que responde adequadamente ao estímulo verbal, que está orientado no tempo e no espaço, enquanto que o paciente em coma está em sono profundo, inconsciente, com os olhos fechados, não emite som verbal, não interage consigo ou com o ambiente. ALTERAÇÃO DO NÍVEL DE CONSCIÊNCIA ALERTA – resposta correta aos estímulos. LETÁRGICO – resposta lenta e coerente aos estímulos tátil e verbal, podendo abrir os olhos, responder e voltar a dormir. OBNUBILADO – requer estímulo sensorial mais profundo, sendo obtida uma resposta lenta, obedece aos comandos simples . TORPOR – apresenta resposta ao estímulo sensorial, voltando ao estado inicial após cessar o estímulo (não apresenta resposta verbal). COMA – não interage consigo e com o ambiente. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) tem sido amplamente utilizada para determinar e avaliar a profundidade e a duração do coma e prognosticar a evolução dos pacientes com ou sem trauma cranioencefálico. A avaliação tanto da função e do dano cerebral, quanto da evolução do nível de consciência é feita com base em três indicadores: Abertura Ocular (AO); Melhor Resposta Verbal (MRV); Melhor Resposta Motora (MRM). INDICADORES RESPOSTAS PONTOS Abertura Ocular (AO) Espontânea Ao som À pressão Ausente Não testável (olhos fechados devido a fator local) 4 3 2 1 NT Resposta Verbal (RV) Orientado Confuso/desorientado Palavras impróprias Sons (apenas gemidos) Ausente Fator que interfere com a comunicação 5 4 3 2 1 NT Resposta Motora (RM) Obedece a comandos Localiza o estímulo doloroso Flexão normal Flexão anormal Extensão (descereb.) Ausente Fator que limita resposta motora 6 5 4 3 2 1 NT AVALIAÇÃO PUPILAR o Observa-se e anota o diâmetro, simetria (forma) e a reação à luz. o O diâmetro pupilar é mantido pelo sistema nervoso autônomo, tendo o simpático a função de dilatação da pupila (midríase) e o parassimpático função constrictora da pupila (miose). o O diâmetro da pupila varia de l a 9 mm, sendo liderada uma variação normal de 2 a 6 mm, com um diâmetro médio em torno de 3,5 mm. o Pupilas isocóricas – mesmo diâmetro o Pupilas anisocóricas – diâmetro diferente o Reatividade pupilar como critério para avaliar a gravidade do trauma associado à ECG (Escala de Coma de Glasgow): Fonte: Adaptado de Brennan, Murray e Teasdale (2018). o Adicionado a reatividade pupilar (RA), houve mudanças na variação da escala anteriormente estava entre 3 e 15 pontos, com o novo critério da RP, obtêm-se um novo valor variável entre 1 e 15. - 2 - 1 0 Reatividade Pupilar (RP) Não há reação das pupilas Unilateral Bilateral (as duas reagem) Nova classificação da ECG ECG = OnVnMn – RP O =abertura ocular V = resposta verbal M = resposta motora RP = reatividade pupilar ANORMALIDADES DA PUPILA AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO MOTORA A função motora depende da integridade do trato córtico-espinhal (sistema piramidal), do sistema extrapiramidal e da função cerebelar. O sistema extrapiramidal e o cerebelar modulam a função motora. A avaliação da função motora mede a força motora dos membros superiores e inferiores, com a finalidade de verificar a dependência ou independência do paciente para realizar atividades diárias. Durante a avaliação, um membro é sempre comparado com o mesmo membro do lado oposto do corpo. O exame do sistema motor inclui o tônus e a força muscular. O tônus muscular é avaliado palpando-se grupos muscularestanto em repouso como na movimentação ativa dos mesmos. As alterações no tônus incluem flacidez, rigidez e espasticidade. A flacidez reflete lesões no neurônio motor inferior, a espasticidade está associada a lesões no neurônio motor superior e a rigidez a lesões de gânglios basais. A técnica utilizada para a avaliação da força muscular depende do nível de consciência do paciente. No paciente consciente, pede-se para que estenda os membros superiores e aperte as mãos do avaliador. O aperto em cada uma das mãos deverá ser forte, firme e igual. Nos membros inferiores, pede-se ao paciente que deite sobre a cama, estendendo e flexionando, bem como elevando e abaixando um membro de cada vez, observando-se a força realizada pelo paciente para realizar esses movimentos. Deve-se, também, observar o modo de caminhar do paciente, os movimentos de balanço dos braços e a firmeza na deambulação. Nos pacientes inconscientes, é aplicado o estímulo doloroso e avaliada a resposta motora, considerando principalmente sinais de decorticação e de descerebração. O comprometimento da força é denominado de fraqueza ou paresia. A ausência de força é chamada de paralisia ou plegia. A hemiparesia consiste na diminuição da força muscular de uma metade do corpo, enquanto a hemiplegia é a paralisia de uma metade do corpo. A paraplegia é ausência de força muscular dos membros inferiores, e tetraplegia significa paralisia dos quatro membros. AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO SENSITIVA O exame da sensibilidade superficial inclui o tato, a dor e a temperatura. É subjetivo e necessita da colaboração do paciente, bem como do conhecimento pelo examinador dos dermátomos, que representam a distribuição dos nervos periféricos, originários da medula espinhal Durante o exame sensitivo, peça ao paciente para fechar os olhos. Pesquise a sensibilidade nos membros superiores, no tronco e nos membros inferiores, de maneira comparativa, comparando-se um hemicorpo com o outro. Para testar a sensibilidade tátil do paciente, utiliza-se uma gaze, ou algodão seco, comparando um lado do corpo com o outro. Para a sensibilidade à dor superficial, utiliza-se um objeto de ponta romba. Para a sensibilidade térmica, utilizam-se tubos de ensaio contendo água fria e água quente. SENSIBILIDADE À DOR Analgesia consiste em ausência de sensação de dor; Hipoalgesia, em diminuição da sensação de dor; Hiperalgia, em aumento da sensação de dor. SENSIBILIDADE TÁTIL A anestesia consiste na ausência de sensibilidade, sendo mais frequentemente utilizada para a perda da sensibilidade tátil; A hipoestesia é a diminuição da sensibilidade e a hiperestesia é o aumento da sensibilidade. A parestesia é a sensação de formigamento ou adormecimento referida pelo paciente. AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO CEREBELAR O paciente com disfunção cerebelar apresenta incoordenação motora, caracterizada por irregularidade ou incapacidade de realização correta e sincrônica de um movimento. Apresenta instabilidade na marcha, incoordenações nos movimentos dos membros superiores, da fala ou da movimentação do olhar. Para testar a marcha, peça ao paciente que ande em linha reta, com um pé após o outro . Marcha: - Postura rígida, imóvel. Cambaleia ou tropeça. Ampla base de apoio. - Ausência de oscilação dos braços ou braços rígidos. - Ritmo desigual das passadas. Pés arrastados. A ponta do sapato é esfregada no chão. - Ataxia – marcha descoordenada ou instável, ocorre a perda da coordenação Andar em Fila Indiana: - Linha de caminhada irregular. - Alarga a base para manter o equilíbrio. - Tropeços, cambaleia, perda do equilíbrio. O teste de Romberg visa detectar o comprometimento do sentido de posição do paciente. Solicita-se ao paciente que permaneça em posição ereta, com os pés juntos, com os olhos abertos e depois fechados, observando-se a presença de algum balanço ou perda de equilíbrio . Teste de Romberg Andar em Fila COORDENAÇÃO DOS MOVIMENTOS Na execução dos movimentos, por mais simples que sejam, entram em jogo mecanismos reguladores de sua direção, velocidade e medida adequadas, que os tornam econômicos, precisos e harmônicos; Além da força suficiente para a execução do movimento, é necessário que haja coordenação na atividade motora. Provas para o exame da coordenação: Prova dedo-nariz : com o membro superior estendido lateralmente, o paciente é solicitado a tocar a ponta do nariz com o indicador; repete-se a prova algumas vezes, primeiro com os olhos abertos, depois, fechados; Prova calcanhar-joelho: na posição decúbito dorsal, o paciente é solicitado a tocar o joelho com o calcanhar do membro a ser examinado; nos casos de discutível alteração, “sensibiliza- se” a prova mediante o deslizamento do calcanhar pela crista tibial, após tocar o joelho. Prova dos movimentos alternados: determina-se ao paciente realizar movimentos rápidos e alternados, tais como abrir e fechar a mão, movimento de supinação e pronação, extensão e flexão dos pés. Diadococinesia = denominação desses movimentos; Eudiadococinesia = a capacidade de realizá-los; Disdiadococinesia = a dificuldade de realizá-los; Adiadococinesia = a incapacidade de realizá-los. AVALIAÇÃO DA COLUNA CERVICAL E LOMBOSSACRAL RIGIDEZ DA NUCA Paciente em decúbito dorsal, o examinador coloca uma das mãos na região occipital e, suavemente, tenta fletir a cabeça do paciente. Se o movimento for fácil e amplo, não há rigidez nucal, ou seja, a nuca é livre. A rigidez da nuca é encontrada na meningite e na hemorragia subaracnóidea. PROVA DE BRUDZINSKI O paciente em decúbito dorsal e membros estendidos, o examinador repousa uma das mãos sobre o tórax do paciente e, com a outra colocada na região occipital, executa uma flexão forçada da cabeça. A PROVA É POSITIVA quando o paciente flete os membros inferiores, havendo casos nos quais se observam flexão dos joelhos e expressão fisionômica de dor. SINAL DE LASÈGUE* O paciente em decúbito dorsal, com a perna em completa extensão, fazendo-se a flexão da coxa sobre a bacia. A PROVA É POSITIVA quando o paciente reclama de dor na face posterior do membro examinado, logo no início da prova (cerca de 30° de elevação). SINAL DE KERNIG* Paciente em decúbito dorsal, flexionando a coxa sobre a bacia, em ângulo reto, e depois, realizando extensão da perna sobre a coxa. A PROVA É POSITIVA quando o paciente sentir dor ao longo do trajeto do nervo ciático e tenta impedir o movimento. *São provas utilizadas para diagnóstico da meningite, da hemorragia subaracnóidea. SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO Os nervos periféricos : levam estímulos ao SNC → fibras sensoriais aferentes e recebem estímulos do SNC → fibras eferentes Nervos Cranianos Nervos Espinhais originam-se de toda extensão da medula espinhal são nervos mistos = fibras sensoriais + motoras são designados de acordo com a região da coluna de que se originam: 08 cervicais 12 torácicos 05 lombares 05 sacros 01 coccígeo NERVOS CRANIANOS NERVOS ESPINHAIS Cada nervo inerva um segmento específico do corpo; Segmentação dérmica = é a distribuição cutânea dos diversos nervos espinhais; Dermátomo = é área circunscrita da pele que é suprida principalmente por um segmento da medula espinhal, através de um nervo espinhal específico; Principais dermátomos: Polegar, dedo médio e quinto dedo = C6, C7 e C8 Mamilo = T4 Umbigo = T10 Virilha = L1 LOCALIZAÇÃO DOS DERMÁTOMOS ARCO REFLEXO Avaliaçãodos reflexos superficiais Reflexo cutâneo plantar Pesquisa-se estimulando a região plantar próximo à borda lateral. A resposta normal é a flexão dos dedos. Avaliação dos reflexos superficiais Reflexo cutâneo abdominal Com o paciente em decúbito dorsal e com a parede abdominal relaxada, o examinador estimula o abdome no sentido da linha mediana em três níveis: superior, médio e inferior. A resposta normal é a contração dos músculos abdominais. REFERÊNCIAS BARROS, A. L. B. L. de et al. Anamnese e exame físico: avaliação diagnóstica de enfermagem no adulto. Porto Alegre: Artmed, 2016. (Cap. 07) JARVIS, C. Exame físico e avaliação de saúde. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012. PORTO, C.C. Exame Clínico: bases para a prática médica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. SOUSA, L.M.; SANTOS, M.V.F. Aplicação da escala de coma de Glasgow: uma análise bibliométrica acerca das publicações no âmbito da Enfermagem. Research, Society and Development, v. 10, n. 14, e48101421643, 2021.