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Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Conhecer a anatomia do encéfalo O encéfalo controla e coordena quase todas as funções do corpo. É o órgão que tornou a espécie humana diferente dos outros animais. Trata-se de uma estrutura delicada envolta por um crânio rígido, contudo, o encéfalo pode ser lesionado por um traumatismo craniano, pode ser comprimido por um tumor ou privado de oxigênio por uma ruptura ou um coágulo em uma das artérias cerebrais; No sistema nervoso central há regiões com alta concentração de corpos celulares de neurônios e regiões com alta concentração de prolongamentos de neurônios, principalmente axônios; As regiões com grande concentração de corpos celulares de neurônios têm coloração acinzentada, sendo por isso denominadas substância cinzenta do sistema nervoso central. Por outro lado, as regiões com uma grande quantidade de prolongamentos de neurônios (axônios) possuem grande quantidade de fibras nervosas mielinizadas e por essa razão apresentam coloração esbranquiçada. Constituem a substância branca do sistema nervoso central; Enquanto que a substância cinzenta é o local de recepção e de integração de informações e respostas, a substância branca constitui as vias de comunicação entre o sistema nervoso central e os locais externos ao sistema nervoso central. É também via de comunicação entre diferentes regiões do sistema nervoso central. A substância cinzenta está presente principalmente na periferia do órgão, logo abaixo de sua superfície, formando o córtex cerebral; e no interior do cérebro, em aglomerados de diferentes tamanhos denominados núcleos. A substância branca ocupa o interior do órgão, abaixo do córtex e em torno dos núcleos; Divisões: O encéfalo (envolto pelo neurocrânio) é formado pelo telencéfalo (cérebro) e diencéfalo, cerebelo e tronco encefálico. Depois da remoção da calvária e da dura- máter, são vistos giros, sulcos e fissuras do córtex cerebral através das delicadas lâminas aracnoide-máter e pia-máter. Enquanto os giros e sulcos exibem muita variação, as outras características do encéfalo, inclusive as suas dimensões gerais, são bastante uniformes entre os indivíduos; Cérebro Telencéfalo: O telencéfalo ou cérebro inclui os hemisférios cerebrais e os núcleos da base. Os hemisférios cerebrais, separados pela foice do cérebro na fissura longitudinal do cérebro, são os elementos dominantes do encéfalo (Figura 8.36A a C); Para fins descritivos, cada hemisfério cerebral é dividido em quatro lobos; cada um deles está relacionado com os ossos sobrejacentes de mesmo nome, mas seus limites não correspondem a esses ossos. De uma vista superior, o cérebro é praticamente dividido em quartos pela fissura longitudinal do cérebro, em posição mediana, e pelo sulco central, coronal; O sulco central separa os lobos frontais (anteriormente) dos lobos parietais (posteriormente). Em vista lateral, esses lobos situam-se superiormente ao sulco lateral transverso e ao lobo temporal inferior a ele. Os lobos occipitais posicionados posteriormente são separados dos lobos parietal e temporal pelo plano do sulco parietoccipital, visível na face medial do cérebro em uma hemissecção do encéfalo; Os pontos mais anteriores dos lobos frontal e temporal, projetados anteriormente, são os polos frontal e temporal. O ponto posterior extremo do lobo occipital, que se projeta posteriormente, é o polo occipital. Os hemisférios ocupam toda a parte supratentorial da cavidade do crânio; Os lobos frontais ocupam as fossas anteriores do crânio, os lobos temporais ocupam as partes laterais das fossas médias do crânio, e os lobos occipitais estendem-se posteriormente sobre o tentório do cerebelo; Diencéfalo: O diencéfalo, ou “entre-encéfalo”, situa-se entre o tronco encéfalico e o cérebro. É composto de duas porções principais, o tálamo e o hipotálamo, e duas estruturas endócrinas, as glândulas hipófise e pineal; É formado por: Epitálamo: Relacionado com a sincronização do ritmo circadiano; Tálamo: Recebe fibras sensoriais do trato óptico, das orelhas e da medula espinal, bem como informação motora do cerebelo. Ele envia fibras para o cérebro, onde a Tutoria 1 – Módulo 2 Trauma Crânio-Encefálico https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter08.html#fig8-36 https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter08.html#fig8-36 Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina informação é processada. O tálamo, muitas vezes, é descrito como uma estação de retransmissão, pois a maioria das informações sensoriais provenientes de partes inferiores do SNC cruza por ele. Assim como a medula espinal, o tálamo pode modificar a informação que cruza por ele, o que o torna um centro integrador, bem como uma estação de retransmissão; Um grande centro de retransmissão de fibras entre o nosso córtex e estruturas subcorticais; Tem a função de centro de integração e retransmissão para as informações sensorial e motora; Hipotálamo: Encontra-se abaixo do tálamo. Embora o hipotálamo ocupe menos de 1% do volume total do encéfalo, ele é o centro da homeostasia e contém centros que controlam vários comportamentos motivados, como fome e sede. As eferências do hipotálamo também influenciam muitas funções da divisão autônoma do sistema nervoso, bem como uma variedade de funções endócrinas; O hipotálamo recebe informações de múltiplas origens, incluindo o cérebro, a formação reticular e vários receptores sensoriais. Comandos do hipotálamo vão primeiro ao tálamo e, por fim, para múltiplas vias efetoras; Duas estruturas endócrinas importantes estão localizadas no diencéfalo: a glândula hipófise e a glândula pineal; Função: Grande regulador da homeostase e impulsos comportamentais, e forma o núcleo central do encéfalo; Hipófise: Secreção hormonal; Tronco: Já como estrutura mais caudal do encéfalo, temos o tronco encefálico, também sendo a porção mais primitiva dentre as outras. O tronco está intimamente relacionado com o funcionamento da homeostase do corpo, sendo de extrema importância para manutenção da vida. Podemos evidenciar isso, por exemplo, através dos exames feitos para diagnosticar morte encefálica, que testam se o tronco está funcionante ou não. Profundamente a ele, temos diversos núcleos de pares cranianos, além da formação reticular; O tronco encefálico pode ser dividido em substância branca e substância cinzenta, sendo que, em alguns aspectos, a sua anatomia é similar à da medula espinal. Alguns tratos ascendentes da medula espinal cruzam o tronco encefálico, ao passo que outros tratos ascendentes fazem sinapse neste ponto. Os tratos descendentes provenientes de centros superiores do encéfalo também cruzam o tronco encefálico em seu caminho para a medula espinal; Pares de nervos periféricos partem do tronco encefálico, de maneira similar aos nervos espinais ao longo da medula espinal. Onze dos 12 nervos cranianos (números II-XII) originam-se ao longo do tronco encefálico. (O primeiro nervo craniano, o nervo olfatório, entra no prosencéfalo.) Os nervos cranianos carregam as informações sensorial e motora relativas à cabeça e ao pescoço; Num ponto de vista anatômico, o tronco encefálico é dividido em: Mesencéfalo: A parte anterior do tronco encefálico, situa-se na junção das fossas média e posterior do crânio. Os NC III e IV estão associados ao mesencéfalo; A terceira região do tronco encefálico, o mesencéfalo, é uma área relativamente pequena, situada entre a região inferior do diencéfalo e o tronco encefálico. A principal função do mesencéfalo é controlar o movimento dos olhos, mas ele também retransmite sinais para os reflexos auditivos e visuais; Função: Movimento dos olhos; A ponte: É a parte do tronco encefálicosituada entre o mesencéfalo rostralmente e o bulbo caudalmente Situa- se na parte anterior da fossa posterior do crânio O NC V está associado à ponte; A ponte é uma saliência bulbosa na superfície ventral do tronco encefálico, acima do bulbo e abaixo do mesencéfalo. Por sua função principal de atuar como estação retransmissora de informações entre o cerebelo e o cérebro, a ponte muitas vezes é agrupada com o cerebelo. A ponte também coordena o controle da respiração junto aos centros do bulbo; Função: Estação retransmissora entre cérebro e cerebelo, coordenação da respiração; O bulbo (medula oblonga): A medula oblonga, muitas vezes chamada apenas de bulbo, representa a transição entre a medula espinal e o próprio encéfalo. A sua substância branca inclui tratos somatossensoriais ascendentes, que levam informação sensorial ao encéfalo, e o trato corticospinal descendente, que conduz informação do cérebro para a medula espinal; Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina É a subdivisão mais caudal do tronco encefálico, contínua com a medula espinal. Situa-se na fossa posterior do crânio Os NC IX, X e XII estão associados ao bulbo, ao passo que os NC VI a VIII estão associados à junção da ponte e do bulbo; Cerca de 90% das fibras dos tratos corticospinais cruzam a linha média para o lado oposto do corpo, na região do bulbo chamada de pirâmides. Como resultado desse cruzamento, cada lado do encéfalo controla o lado oposto do corpo. A substância cinzenta do bulbo inclui os núcleos que controlam muitas funções involuntárias, como pressão arterial, respiração, deglutição e vômito Função: Controle de funções involuntárias; Cerebelo: Diferente das demais estruturas já citadas, que estão localizadas no compartimento supratentorial da base do crânio, o cerebelo se encontra no compartimento infratentorial. Ele é dividido em lobo flóculo-nodular, lobo anterior e lobo posterior. Na semiologia neurológica, testamos a funcionalidade do cerebelo principalmente, durante os exames de coordenação e equilíbrio; O cerebelo: O cerebelo, por sua vez, segue uma topografia anatômica semelhante ao cérebro: possui dois hemisférios, unidos agora por um vérmis, localizado na linha mediana; É a grande massa encefálica situada posteriormente à ponte e ao bulbo e inferiormente à parte posterior do cérebro. Situa-se sob o tentório do cerebelo na fossa posterior do crânio. Consiste em dois hemisférios laterais unidos por uma parte intermediária estreita, o verme do cerebelo; O cerebelo é a segunda maior estrutura no encéfalo. Ele está localizado na base do crânio, logo acima da nuca. O nome cerebelo significa “pequeno cérebro” e, de fato, a maioria das células nervosas do encéfalo está no cerebelo. A função especializada do cerebelo é processar informações sensoriais e coordenar a execução dos movimentos. As informações sensoriais que nele chegam vêm de receptores somáticos da periferia do corpo e de receptores do equilíbrio, localizados na orelha interna. O cerebelo também recebe informações motoras de neurônios vindos do cérebro; Função: Coordenação do movimento; Córtex: Seu córtex cerebelar é percorrido por sulcos, delimitando folhas (e não giros!!); Funções: Áreas sensoriais: percepção; Áreas motoras: Movimento dos músculos esqueléticos; Áreas de associação: Integração da informação e direção do movimento voluntário; Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Figura 8.36 Estrutura do encéfalo. A. A superfície cerebral contém giros (pregas) e sulcos do córtex cerebral. B. Os lobos do cérebro são identificados por cores. Enquanto sulcos central e lateral distintos demarcam o lobo frontal e os limites anteriores dos lobos parietal e temporal do cérebro, a demarcação dos limites posteriores entre o último e o lobo occipital é menos distinta externamente. C. A face medial do cérebro e as partes mais profundas do encéfalo (diencéfalo e tronco encefálico) mostradas após a bissecção do encéfalo. O sulco parietoccipital que demarca os lobos parietal e occipital pode ser visto na face medial do cérebro. D. As partes do tronco encefálico são identificadas Sistema ventricular do encéfalo: São cavidades localizadas internamente ao encéfalo, revestidas de epitélio epididimário, por onde percorrer o líquor cefalorraquidiano (LCR). São em número de quatro cavidades, duas pares (ventrículos laterais) e duas ímpares (terceiro e quarto ventrículo), que são ligadas uma as outras por diversos canais, formando o sistema ventricular; O sistema ventricular do encéfalo consiste em dois ventrículos laterais e os terceiro e quarto ventrículos medianos unidos pelo aqueduto do mesencéfalo (cerebral) (Figuras 8.37 e 8.38). O LCS, secretado principalmente pelos plexos corióideos dos ventrículos, preenche essas cavidades encefálicas e o espaço subaracnóideo do encéfalo e da medula espinal; Ventrículos do encéfalo: Os ventrículos laterais: O primeiro e o segundo ventrículo, são as maiores cavidades do sistema ventricular e ocupam grandes áreas dos hemisférios cerebrais. Cada ventrículo lateral abre-se, através de um forame interventricular, para o terceiro ventrículo. O terceiro ventrículo, uma cavidade em forma de fenda entre as metades direita e esquerda do diencéfalo, é contínuo em sentido posteroinferior com o aqueduto do mesencéfalo, que une o terceiro e o quarto ventrículos; O quarto ventrículo, piramidal, na parte posterior da ponte e bulbo, estende-se em sentido inferoposterior. Inferiormente, afila-se até formar um canal estreito que continua até a região cervical da medula espinal como o canal central (Figura 8.37A). O LCS drena do quarto ventrículo para o espaço subaracnóideo através de uma abertura mediana única e um par de aberturas laterais. Essas aberturas são os únicos meios pelos quais o LCS entra no espaço subaracnóideo. Em caso de obstrução, o LCS se acumula e os ventrículos se distendem, comprimindo os hemisférios cerebrais; https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter08.html#fig8-37 Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Figura 8.37 Ventrículos, espaços subaracnóideos e cisternas. A. O sistema ventricular e a circulação do LCS. A produção de LCS ocorre principalmente nos plexos corióideos dos ventrículos laterais e do terceiro e quarto ventrículos. Os plexos dos ventrículos laterais são os maiores e mais importantes. B. As cisternas subaracnóideas, regiões expandidas do espaço subaracnóideo, contêm maiores volumes de LCS. Cisternas subracnóideas: Embora não seja exato dizer que o encéfalo “flutua” no LCS, na verdade, a inserção do encéfalo ao neurocrânio é mínima. Em algumas áreas na base do encéfalo, a aracnoide-máter e a pia-máter estão bem separadas pelas cisternas subaracnóideas (Figura 8.37B), que contêm LCS, e estruturas dos tecidos moles que “ancoram” o encéfalo, como as trabéculas aracnóideas, a rede vascular e, em alguns casos, as raízes dos nervos cranianos. As cisternas geralmente são nomeadas de acordo com as estruturas relacionadas com elas; As principais cisternas subaracnóideas intracranianas são: Cisterna cerebelobulbar: a maior das cisternas subaracnóideas, localizada entre o cerebelo e o bulbo; recebe LCS das aberturas do quarto ventrículo. É dividida em cisterna cerebelobulbar posterior e cisterna cerebelobulbar lateral •Cisterna pontocerebelar: um amplo espaço ventral à ponte, contínuo inferiormente com o espaço subaracnóideo espinal •Cisterna interpeduncular: localizada na fossa interpeduncular entre os pedúnculos cerebrais do mesencéfalo •Cisterna quiasmática: inferior e anterior ao quiasma óptico, o ponto de cruzamento ou decussação das fibras dos nervos ópticos•Cisterna colicular:* localizada entre a parte posterior do corpo caloso e a face superior do cerebelo; contém partes da veia cerebral magna (Figuras 8.29 e 8.31A e B) •Cisterna circundante: localizada na face lateral do mesencéfalo e contínua posteriormente com a cisterna colicular Secreção de líquido cerebrospinal: O líquido cerebrospinal (LCS) é secretado (400 a 500 ml/dia) principalmente por células epiteliais coroidais (células ependimárias modificadas) dos plexos corióideos nos ventrículos laterais e nos terceiro e quarto ventrículos (Figuras 8.36C, 8.37 e 8.38). Os plexos corióideos consistem em franjas vasculares de pia-máter (tela corióidea) cobertas por células epiteliais cúbicas. Invaginam-se para os tetos dos terceiro e quarto ventrículos e nos assoalhos dos corpos e cornos inferiores dos ventrículos laterais; Circulação de líquido cerebrospinal: O LCS deixa os ventrículos laterais através dos forames interventriculares e entra no terceiro ventrículo. A partir daí, o LCS atravessa o aqueduto do mesencéfalo (cerebral) para o quarto ventrículo. Parte do LCS deixa esse ventrículo através de suas aberturas mediana e lateral e entra no espaço subaracnóideo, que é contínuo ao redor da medula espinal e na região posterossuperior sobre o cerebelo. Entretanto, a maior parte do LCS flui para as cisternas interpeduncular e colicular. O LCS das várias cisternas subaracnóideas flui superiormente pelos sulcos e fissuras nas faces medial e superolateral dos hemisférios cerebrais. O LCS também penetra nas extensões do espaço subaracnóideo ao redor dos nervos cranianos, sendo as mais importantes aquelas que circundam os nervos ópticos (NC II); Absorção de líquido cerebrospinal: Os principais locais de absorção de LCS para o sistema venoso são as granulações aracnóideas, principalmente aquelas que se projetam para o seio sagital superior e suas lacunas laterais. O espaço subaracnóideo contendo LCS estende-se para os centros das granulações aracnóideas. O LCS entra no sistema venoso por duas vias: (1) a maior parte do LCS entra no sistema venoso por transporte através das células das granulações aracnóideas para os seios venosos da dura-máter; (2) parte do LCS desloca-se entre as células que formam as granulações aracnóideas; Funções do líquido cerebrospinal: Juntamente com as meninges e a calvária, o LCS protege o encéfalo, proporcionando um amortecimento contra golpes na cabeça. O LCS no espaço subaracnóideo permite que o encéfalo flutue, o que impede que seu peso comprima as raízes dos nervos cranianos e os vasos sanguíneos contra a face interna do https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter08.html?create=true#rfn3 https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter08.html#fig8-29 https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter08.html#fig8-31 https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter08.html#fig8-36 https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter08.html#fig8-37 https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527734608/epub/OEBPS/Text/chapter08.html#fig8-38 Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina crânio. Como o encéfalo é um pouco mais pesado do que o LCS, os giros na face basal do encéfalo ficam em contato com as fossas cranianas no assoalho da cavidade do crânio na posição ereta. Em muitos locais na base do encéfalo, apenas as meninges cranianas são interpostas entre o encéfalo e os ossos do crânio. Na posição ortostática, o LCS está nas cisternas subaracnóideas e sulcos nas partes superior e lateral do encéfalo; portanto, o LCS e a dura-máter normalmente separam a parte superior do encéfalo da calvária; Os batimentos cardíacos causam alterações pequenas e rapidamente recorrentes da pressão intracraniana; as alterações recorrentes lentas resultam de causas desconhecidas. A tosse, o esforço e as mudanças de posição (ortostática vs. decúbito) causam grandes alterações momentâneas da pressão. Qualquer modificação do volume do conteúdo intracraniano, por exemplo, um tumor encefálico, acúmulo de líquido ventricular causado por bloqueio do aqueduto do mesencéfalo, ou sangue de um aneurisma (dilatação patológica de uma artéria) roto será refletida por alteração da pressão intracraniana. Essa regra é denominada doutrina de Monro-Kellie, que afirma que o volume do crânio é uma caixa fechada rígida e que o volume de sangue intracraniano só pode ser modificado se houver deslocamento ou substituição do LCS; Funções: Em uma visão simplista, o encéfalo é um processador de informações muito semelhante a um computador. Para muitas funções, a sequência é similar à de uma via reflexa básica. O encéfalo recebe a entrada sensorial dos ambientes interno e externo, integra e processa a informação e, se apropriado, gera uma resposta. O que torna o encéfalo mais complicado do que esta via reflexa simples, entretanto, é a sua habilidade em gerar informações e respostas na ausência de estímulo externo. Modelar essa geração de estímulos intrínsecos requer um delineamento mais complexo; Larry Swanson, da University of Southern California, apresentou uma maneira de simular as funções do encéfalo, em seu livro Brain Architecture: Understanding the Basic Plan (2nd edition, Oxford University Press, 2011) (A Arquitetura do Encéfalo: Compreendendo o Plano Básico. 2a ed., Universidade de Oxford, 2011). Ele descreve três sistemas que influenciam as respostas dos sistemas motores do corpo: (1) o sistema sensorial, o qual monitora os meios interno e externo e inicia respostas reflexas; (2) o sistema cognitivo, que reside no córtex cerebral e é capaz de iniciar respostas voluntárias; e (3) o sistema comportamental, o qual também reside no encéfalo e controla os ciclos sono-vigília e outros comportamentos intrínsecos. As informações sobre as respostas fisiológicas e os comportamentais geradas pelo sistema motor retroalimentam o sistema sensorial que, por sua vez, comunica-se com os sistemas cognitivo e comportamental; Na maioria dos sistemas fisiológicos do corpo que você estudará, as vias reflexas simples iniciadas pelo sistema sensorial e executadas pela saída motora são adequadas para explicar os mecanismos homeostáticos de controle. Entretanto, os sistemas cognitivo e comportamental sempre serão fonte potencial de influência. Em sua forma mais simples, essa influência pode ser na forma de comportamento voluntário, como prender a respiração, que supera funções automáticas. As interações mais sutis e complicadas incluem o efeito das emoções na fisiologia normal, como as palpitações cardíacas induzidas por estresse, e a importância dos ritmos circadianos no jet lag (mal-estar por mudança de fuso horário) e na inversão de turno de trabalho; Três sistemas encefálicos influenciam a saída motora: um sistema sensorial, um sistema cognitivo e um sistema de estado comportamental; As funções encefálicas superiores, como o raciocínio, originam-se no córtex cerebral. O córtex cerebral contém três especializações funcionais: áreas sensoriais, áreas motoras e áreas de associação; Cada hemisfério cerebral desenvolveu funções não compartilhadas com o outro hemisfério, uma especialização denominada lateralizarão cerebral; As áreas sensoriais recebem informações dos receptores sensoriais. O córtex somatossensorial primário processa informações sobre o tato, a temperatura e outras sensações somáticas. O córtex visual, o córtex auditivo, o córtex gustatório e o córtex olfatório recebem informações sobre a visão, o som, os sabores e os odores, respectivamente; As áreas de associação integram informações sensoriais, gerando a percepção. A percepção é a interpretação do estímulo sensorial pelo cérebro; Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - MedicinaAnna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina As respostas motoras incluem movimentos dos músculos esqueléticos, secreção neuroendócrina e respostas viscerais; As áreas motoras comandam os movimentos dos músculos esqueléticos. Cada hemisfério cerebral contém um córtex motor primário e uma área motora de associação; O sistema comportamental controla os estados de alerta e módula os sistemas sensorial e cognitivo; Os sistemas moduladores difusos da formação reticular influenciam a atenção, a motivação, a vigília, a memória, o controle motor, o humor e a homeostasia metabólica; O sistema reticular ativador mantém o encéfalo consciente, ou consciente de si e do meio ambiente. A atividade elétrica no encéfalo varia com o nível de alerta e pode ser registrada pelo eletroencefalograma; Os ritmos circadianos são controlados por um relógio interno no núcleo supraquiasmático do hipotálamo; O sono é um estado de inatividade, facilmente reversível, que apresenta estágios característicos. As duas principais fases do sono são: sono REM (movimento rápido dos olhos) e sono de ondas lentas (sono não REM). A razão fisiológica do sono é incerta; O sistema límbico é o centro da emoção no cérebro humano. Eventos emocionais influenciam funções fisiológicas; A motivação origina-se de sinais internos que determinam os comportamentos voluntários relacionados à sobrevivência ou às emoções. Os impulsos motivacionais geram comportamentos orientados por objetivos; O humor é um estado emocional de longa duração. Muitos transtornos de humor podem ser tratados alterando a neurotransmissão no encéfalo; O aprendizado é a aquisição do conhecimento sobre o mundo ao nosso redor. O aprendizado associativo ocorre quando dois estímulos estão associados entre si. O aprendizado não associativo é uma mudança de comportamento que ocorre depois da exposição repetida a um único estímulo; Na habituação, um animal apresenta uma resposta diminuída a um estímulo que se repete várias vezes. Na sensibilização, a exposição a um estímulo nocivo ou intenso gera uma resposta aumentada na exposição subsequente; FOCO CLÍNICO: Diabetes: hipoglicemia e o encéfalo Os neurônios são chatos em relação à sua comida. Na maior parte das circunstâncias, a única biomolécula que os neurônios utilizam para obter energia é a glicose. De modo surpreendente, isso pode representar um problema para pacientes diabéticos, cujo distúrbio leva a um excesso de glicose no sangue. Em face da hiperglicemia (elevação da glicose no sangue) sustentada, as células da barreira hematencefálica regulam para baixo os seus transportadores de glicose. Então, se o nível de glicose no sangue do paciente diminui abaixo do normal devido ao excesso de insulina ou pelo fato de não se alimentar, os neurônios do encéfalo podem não ser capazes de captar glicose com rapidez suficiente para manter a sua atividade elétrica. O sujeito pode apresentar confusão, irritabilidade e fala arrastada, pois o funcionamento do cérebro começa a falhar. A administração imediata de açúcar, seja por via oral ou infusão intravenosa, é necessária para evitar danos permanentes. Em casos extremos, a hipoglicemia pode causar coma ou até mesmo morte; Conhecer o sistema límbico e suas alterações A terceira região do cérebro é o sistema límbico, que circunda o tronco encefálico. O sistema límbico representa provavelmente a região mais primitiva do cérebro. Ele age como uma ligação entre as funções cognitivas superiores, como o raciocínio, e as respostas emocionais mais primitivas, como o medo. As principais áreas do sistema límbico são a amígdala e o giro do cíngulo, relacionados à emoção e à memória, e o hipocampo, associado ao aprendizado e à memória; A palavra “límbico” significa “borda”. Originalmente, o termo “límbico” era usado para descrever as estruturas da borda, ao redor das regiões basais do prosencéfalo; porém, conforme aprendemos mais sobre as funções do sistema límbico, o termo sistema límbico foi expandido para significar todo o circuito neuronal que controla o comportamento emocional e as forças motivacionais; Uma parte importante do sistema límbico é o hipotálamo e suas estruturas relacionadas. Além de seu papel no controle comportamental essas áreas controlam muitas condições internas do corpo, como a temperatura corporal, osmolalidade dos líquidos corporais, e os desejos de comer e beber e o controle do peso corporal. Essas funções do meio interno são coletivamente chamadas funções vegetativas do cérebro, e seu controle está intimamente relacionado ao comportamento; Anatomia funcional do sistema límbico; Posição-chave do hipotálamo A Figura 59-4 mostra as estruturas anatômicas do sistema límbico, demonstrando que formam complexo interconectado de elementos da região basal do cérebro. Situado no meio de todas essas estruturas, fica o extremamente pequeno hipotálamo, que, do ponto de vista fisiológico, é um dos elementos centrais do sistema límbico. A Figura 59-5 ilustra, esquematicamente, essa posição-chave do hipotálamo no sistema límbico e mostra, a seu redor, outras estruturas subcorticais do sistema límbico, incluindo a área septal, a área paraolfatória, o núcleo anterior do tálamo, partes dos gânglios da base, o hipocampo e a amígdala; https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788595151567/epub/OEBPS/Text/cap-59.xhtml?brand=vitalsource&create=true&favre=brett#fig-59-5 Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina E, ao redor das áreas límbicas subcorticais, fica o córtex límbico, composto por anel de córtex cerebral, em cada um dos hemisférios cerebrais, (1) começando na área orbitofrontal, na superfície ventral do lobo frontal; (2) se stendendo-se para cima para o giro subcaloso; (3) então, de cima do corpo caloso para a região medial do hemisfério cerebral, para o giro cingulado e, por fim; e (4) passando por trás do corpo caloso e para baixo, pela superfície ventromedial do lobo temporal para o giro para-hipocâmpico e para o unco; Consequentemente, nas superfícies medial e ventral de cada hemisfério cerebral existe anel principalmente de paleocórtex, que envolve o grupo de estruturas profundas intimamente associadas ao comportamento geral e às emoções. Por sua vez, esse anel de córtex límbico funciona como via de mão dupla de comunicação e de associação entre o neocórtex e as estruturas límbicas inferiores; Muitas das funções comportamentais, promovidas pelo hipotálamo e por outras estruturas límbicas, são também mediadas pelos núcleos reticulares do tronco cerebral e por seus núcleos associados. a estimulação de porções excitatórias da formação reticular pode causar altos graus de excitabilidade cerebral, enquanto também aumenta a excitabilidade da maioria das sinapses da medula espinal; Via importante de comunicação entre o sistema límbico e o tronco cerebral é o fascículo prosencefálico medial, que se estende das regiões septal e orbitofrontal do córtex cerebral para baixo pela região média do hipotálamo para a formação reticular do tronco cerebral. Esse feixe carreia fibras em ambas as direções, formando um sistema troncular de comunicação. A segunda via de comunicação é por meio de vias curtas, entre a formação reticular do tronco cerebral, tálamo, hipotálamo e a maioria das outras áreas contíguas da parte basal do encéfalo; Figura 59-4. Anatomia do sistema límbico, mostrado na área rosa-escura. (Modificada de Warwick R, Williams PL: Gray’s Anatomy, 35th ed. London: Longman Group Ltd, 1973.) Figura 59-5. Sistema límbico, mostrando a posição-chave do hipotálamo Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Figura acima: O sistema límbico. O sistema límbico inclui a amígdala, o hipocampo e o giro do cíngulo. Anatomicamente, o sistema límbico é parte da substância cinzenta do cérebro.O tálamo não é parte do sistema límbico e está representado na figura com o propósito de orientação. FUNÇÕES DE “RECOMPENSA” E “PUNIÇÃO” DO SISTEMA LÍMBICO Da discussão até o momento já ficou claro que diversas estruturas límbicas estão, de modo particular, envolvidas com a natureza afetiva das sensações sensoriais — isto é, se as sensações são agradáveis ou desagradáveis. Essas qualidades afetivas são também chamadas recompensa ou punição, ou satisfação ou aversão. A estimulação elétrica de certas áreas límbicas agrada ou satisfaz o animal, enquanto a estimulação elétrica de outras regiões causa terror, dor, medo, defesa, reações de escape e todos os outros elementos da punição. Os graus de estimulação desses dois sistemas opostos de resposta influenciam muito o com-portamento do animal; Centros de recompensa: Estudos experimentais em macacos usaram estimuladores elétricos para mapear os centros de recompensa e punição do cérebro. A técnica usada é a de implantar eletródios em diferentes áreas do cérebro, de modo que o animal possa estimular essa área pressionando a alavanca que faz contato elétrico com o estimulador. Se o estímulo dessa área particular dá ao animal sentimento de recompensa, então ele vai pressionar a alavanca de novo e de novo, com frequência de centenas ou até mesmo milhares de vezes por hora. Além disso, quando oferecida a chance de comer alguma iguaria, em oposição à oportunidade de estimular o centro de recompensa, o animal em geral escolhe a estimulação elétrica. Pelo uso desse procedimento, os principais centros de recompensa foram localizados ao longo do curso do fascículo prosencefálico medial, especialmente nos núcleos lateral e ventromedial do hipotálamo. É estranho que o núcleo lateral deva ser incluído nas áreas de recompensa — realmente, é um dos mais potentes — porque mesmo estímulos fortes nessa área podem causar raiva. Entretanto, esse fenômeno tem lugar em muitas áreas, cujos estímulos fracos dão a sensação de recompensa, e estímulos fortes, a sensação de punição. Centros de recompensa, menos potentes, que são provavelmente secundários aos principais do hipotálamo, são encontrados na área septal, na amígdala, em certas áreas do tálamo e nos gânglios da base, e estendem-se para baixo pelo tegmento basal do mesencéfalo; Centros de punição: O aparelho estimulador, discutido anteriormente, também pode ser conectado de tal forma que o estímulo para o cérebro sempre continue, exceto quando a alavanca é pressionada. Nesse caso, o animal não vai pressionar a alavanca para desligar o estímulo se o eletródio estiver em uma das áreas de recompensa; mas, quando está em certas áreas, o animal aprende rapidamente a desligá-lo. A estimulação nessas áreas faz com que o animal mostre todos os sinais de desprazer, medo, terror, dor, punição e até mesmo doença; Por meio dessa técnica, as áreas mais potentes para as tendências de punição e fuga foram encontradas na substância cinzenta circundando o aqueduto de Sylvius, no mesencéfalo, e se estendendo para cima, para as zonas periventriculares do hipotálamo e tálamo. Áreas de punição menos potentes foram encontradas em algumas localizações da amígdala e do hipocampo. É particularmente interessante que a estimulação dos centros de punição pode, muitas vezes, inibir por completo os centros de recompensa e prazer, mostrando que punição e medo podem prevalecer sobre prazer e recompensa; Associação da fúria com centros de punição: O padrão emocional que envolve os centros de punição do hipotálamo e de outras estruturas límbicas, e que também foi bem caracterizado, é o padrão de fúria, descrito a seguir; A estimulação forte dos centros de punição do cérebro, especialmente na zona periventricular e na região lateral do hipotálamo, faz o animal (1) desenvolver postura defensiva; (2) estender as garras; (3) levantar sua cauda; (4) sibilar; (5) cuspir; (6) rosnar; e (7) desenvolver piloereção, olhos arregalados e pupilas dilatadas. Além disso, até a menor provocação causa ataque selvagem imediato. Esse é aproximadamente o comportamento que se esperaria do animal que está sendo gravemente punido, sendo o padrão de comportamento chamado fúria ou ira; Felizmente, no animal normal, o fenômeno de raiva é freado principalmente por sinais inibitórios dos núcleos ventromediais do hipotálamo. Além disso, porções dos hipocampos e do córtex límbico anterior, especialmente Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina nos giros cingulados anteriores e giros subcalosos, ajudam a suprimir o fenômeno de raiva; / Entender o Trauma Crânio-Encefálico O TCE é uma importante causa de morte e incapacidade. Suas complicações incluem hemorragia, infecção e lesão do encéfalo (p. ex., concussão) e dos nervos cranianos. O comprometimento do nível de consciência é a manifestação mais comum. É responsável por quase 10% das mortes nos EUA, e cerca de metade das mortes por traumatismo se acompanham de lesão do encéfalo (Louis et al., 2016). Os TCE são mais frequentes em jovens, entre 15 e 24 anos. As causas de TCE variam, mas destacam- se os acidentes com automóveis e motocicletas; Fisiopatologia: Para entendermos a fisiopatologia envolvida por trás de um TCE, nós precisamos trabalhar 2 pontos: • Pressão Intracraniana (PIC): A primeira coisa que precisamos ter em mente é de que o crânio é como uma caixa óssea e, portanto, incapaz de se expandir. A partir disso, o volume de conteúdo no seu interior acaba determinando o valor da PIC - que, quando normal, fica em torno de 10mmHg; Em cima disso daí, podemos supor que caso o volume de conteúdo aumente, a PIC também irá aumentar. E esse raciocínio está certo, no entanto, existe um mecanismo compensatório que precisa ser “vencido” antes de notarmos qualquer alteração na PIC. Então vamos entender qual é ele. Bem...esse mecanismo é explicado através da Doutrina Monro-Kellie, que distribui o conteúdo intracraniano em 4 categorias: sangue venoso, sangue arterial, cérebro e LCR (Líquido Cefalorraquidiano). Então, a partir do momento em que alguma coisa começa a aumentar o volume dentro do crânio, a compensação é feita comprimindo o sangue venoso e o LCR para fora, de modo a manter o volume constante e a PIC normal; Se o volume extra continuar crescendo, no entanto, haverá um momento em que esse mecanismo já não será mais suficiente e a PIC começará a aumentar vertiginosamente podendo levar, inclusive, a herniação da massa encefálica. A partir daí, o paciente começa a apresentar um quadro de hipertensão intracraniana (HIC) que pode progredir e se tornar grave, a partir de quando ele costuma se apresentar através da chamada Tríade de Cushing; • Fluxo Sanguíneo Cerebral (FSC): A outra questão com relação à fisiopatologia do TCE é o fluxo sanguíneo cerebral (FSC), que pode sofrer reduções por conta do trauma, podendo até mesmo levar o paciente a um estado de coma; No final das contas, o importante é termos em mente que baixos níveis de fluxo sanguíneo cerebral podem não ser adequados para suprir as demandas metabólicas do cérebro e aí isso vai ter uma série de repercussões sobre o paciente; Mas será que também não há um mecanismo compensatório aqui? Até tem, mas agora a compensação é feita pelos capilares, que são capazes de fazer vasoconstrição e vasodilatação de acordo com o valor da PAM; No entanto, pode acontecer de a lesão ser tão grave que acaba impossibilitando esse mecanismos compensatório e aí, nesses casos, a dinâmica será diferente: • PAM elevada = Aumento da PIC • PAM diminuída = Infarto/Isquemia Com base nisso, o nosso grande objetivo no atendimento inicial de um paciente com TCE é aumentar o FSC pela redução da PIC elevada, mantendo uma PAM normal, uma oxigenação normal e a normocapnia. Para que? Para dessa forma conseguirmos evitar a ocorrência de lesões cerebraissecundárias (normalmente decorrentes de hipotensão, hipóxia ou hiper/ hipocapnia). Ainda relacionado a sua fisiopatologia, é importante saber que os traumatismos cranioencefálicos podem ser provocados por diversos mecanismos, se destacando os acidentes de variados tipos: de trânsito, de trabalho, desportivos, domésticos, entre outros. Contudo, a maioria dos casos graves é provocada por acidentes de trânsito, em que o TCE constitui uma das principais causas de morte. Existem vários mecanismos que podem provocar lesões encefálicas. O mais comum corresponde a um golpe direto sobre o crânio, provocando, independentemente da eventual fratura óssea, o choque das estruturas nervosas subjacentes contra o osso no ponto de impacto ou no lado oposto. Para além disso, um golpe forte sobre uma outra parte do corpo, uma queda de uma grande altura sobre os pés ou nádegas, a onda expansiva de uma explosão ou uma outra causa indireta também podem provocar a deslocação das estruturas encefálicas no interior do crânio e o consequente choque violento contra as suas paredes. É por isso que os contragolpes (o denominado “efeito chicote”) nos acidentes de trânsito, quando não se leva o cinto de segurança, são tão perigosos; Morfologia: Fraturas; Lesões intracranianas: Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina 1. Lesão difusa; 2. Lesão focal: Já quando falamos em lesões focais, estamos nos referindo, basicamente, aos vários hematomas que podem ocorrer; Hematoma epidural, hematoma subdural, contusão e hematoma intracerebral; Especificar a escala de Glasgow A escala de coma de Glasgow, instrumento mais utilizado para determinar alterações de nível de consciência, consiste na análise de três parâmetros: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora; Os extremos da escala, ou seja, valores próximos a 15 ou 3 pontos, caracterizam a normalidade (15 pontos) ou o estado de coma grave (3 pontos); Entre os dois extremos, encontram-se vários graus de comprometimento de nível de consciência, sendo que abaixo de 8 pontos, corresponde ao estado de coma; Leve (13-15); Moderado (9-12); Grave (3-8); Escala de coma de Glasgow Abertura ocular Espontânea 4 Ao comando verbal 3 À dor 2 Sem resposta 1 Resposta motora Ao comando verbal 6 À dor – localizar 5 Flexão normal do membro estimulado 4 Flexão anormal 3 Extensão 2 Sem resposta 1 Resposta verbal Orientada 5 Confusa 4 Palavras inapropriada 3 Incompreensível 2 Sem resposta 1 Reatividade pupilar Nenhuma reatividade em ambas as pupilas Sem reação em apenas uma das pupilas Caso as duas pupilas estejam funcionando normalmente Escore final = Abertura ocular [1 a 4] + Resposta verbal [1 a 5] + Resposta motora [1 a 6] – Reatividade Pupilar [0 a 2] Sabemos que nem todos os pacientes são susceptíveis a serem avaliados da forma como a antiga Escala de Glasgow propõe. Por exemplo: pacientes amputados não necessariamente terão uma avaliação fidedigna da resposta motora; pacientes que apresentam surdez podem não ser responsivos a comandos verbais; pacientes com algum quadro de afasia não necessariamente conseguirão emitir respostas verbais adequadas. Considerando essas necessidades tão individuais, além das pontuações nos critérios previamente estabelecidos, podemos agora marcá-los como “NÃO TESTÁVEL” (NT); Explicar a fisiologia da memória (longo e curto prazo) A memória é a habilidade de reter e evocar informações. A memória é uma função bastante complexa, mas os cientistas vêm tentando classificá-la de diferentes maneiras. Pensamos em vários tipos de memória: de curto prazo e de longo prazo, reflexivas e declarativas. O processamento de diferentes tipos de memória parece ocorrer por meio de diferentes vias. Com técnicas de imagem não invasivas, como a ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons, os pesquisadores têm sido capazes de rastrear a atividade do encéfalo à medida que os indivíduos aprendem a realizar tarefas; A memória é armazenada por todo o córtex cerebral em vias conhecidas como traços da memória. Alguns componentes da memória são armazenados no córtex sensorial, onde são processados. Por exemplo, as imagens são armazenadas no córtex visual, e os sons no córtex auditivo; Aprender uma tarefa ou lembrar de uma tarefa já aprendida pode envolver múltiplos circuitos encefálicos funcionando em paralelo. Este processamento em paralelo ajuda a fornecer um backup caso um dos circuitos for danificado. Acredita-se que, assim, memórias específicas são generalizadas, permitindo a comparação de novas informações às informações previamente armazenadas. Por exemplo, uma pessoa que nunca viu uma bola de vôlei a reconhecerá como bola, pois ela tem as mesmas características gerais de todas as outras bolas que a pessoa já viu; Nos seres humanos, o hipocampo parece ser uma estrutura importante no aprendizado e na memória. Os pacientes com uma parte do hipocampo destruída para aliviar um determinado tipo de epilepsia também apresentam dificuldades para lembrar de novas informações. Quando lhes é dada uma lista de palavras para repetir, eles lembram as palavras, contanto que a sua atenção permaneça focada na tarefa. No entanto, se eles estiverem distraídos, a memória das palavras desaparece, e precisarão aprender a lista novamente. As informações armazenadas na memória de longo prazo antes da operação não são afetadas com o procedimento cirúrgico. A incapacidade de lembrar informações recém--adquiridas é um defeito chamado de amnésia anterógrada; Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina A memória tem múltiplos níveis de armazenamento, e o nosso banco de memória está em constante mutação. Quando um estímulo chega ao SNC, primeiro vai para a memória de curta duração, uma área de armazenamento limitado que pode reter somente cerca de 7 a 12 partes da informação por vez. As informações na memória de curta duração desaparecem, a não ser que um esforço seja feito, como a repetição, para armazená-la em uma forma mais permanente; Memória a curto prazo é ilustrada pela memória que se tem de 7 a 10 dígitos, no número de telefone (ou 7 a 10 outros fatos distintos), por alguns segundos, até alguns minutos de cada vez, mas que dura somente enquanto a pessoa continua a pensar nos números ou nos fatos; Muitos fisiologistas sugeriram que essa memória a curto prazo seja causada por atividade neural contínua, resultando de sinais neurais que se propagam em círculos em traço de memória temporária de circuito de neurônios reverberantes. Ainda não foi possível provar essa teoria. Outra explicação possível para a memória a curto prazo é a facilitação ou inibição pré-sináptica, o que ocorre em sinapses que ficam em fibras nervosas terminais, imediatamente antes que formem sinapses com o neurônio subsequente. As substâncias neurotransmissoras, liberadas em tais terminais frequentemente causam facilitação ou inibição, que duram segundos ou até vários minutos. Circuitos desse tipo poderiam levar à memória a curto prazo; A memória de trabalho é uma forma especial de memória de curta duração processada nos lobos pré-frontais. Essa região do córtex cerebral está envolvida em manter a sequência de registros da informação tempo o suficiente para ser utilizada em uma tarefa que ocorre após a aquisição da informação. A memória de trabalho nessa região é associada à memória de longa duração armazenada, de forma que a informação recém-adquirida pode ser integrada à informação armazenada, influenciando-a; Por exemplo, suponha que você esteja tentando atravessar uma rua movimentada. Você olha para a esquerda e vê, a muitas quadras, que não há carros vindo. Olha, então, para a direita e vê que também nãohá carros vindo dessa direção. A memória de trabalho armazenou a informação de que a rua para a esquerda está vazia e, então, utilizando o conhecimento armazenado sobre segurança, você é capaz de concluir que não há trafego em nenhuma direção e é seguro atravessar a rua; Nas pessoas com dano nos lobos pré-frontais do cérebro, essas tarefas se tornam mais difíceis, pois elas são incapazes de recordar se a rua está vazia no lado esquerdo enquanto avaliam o tráfego do lado direito. A memória de trabalho permite-nos coletar uma série de fatos da memória de curta duração e da memória de longa duração e conectá-los em uma ordem lógica para solucionar problemas ou planejar ações; A memória de longa duração é uma área de armazenamento capaz de reter uma grande quantidade de informações. O processamento da informação que converte uma memória de curta duração em memória de longa duração é chamado de consolidação. A consolidação pode demorar um período de tempo variado, de segundos até minutos. A informação passa por muitos níveis intermediários de memória durante a consolidação, e em cada um desses estágios a informação pode ser localizada e evocada; Ao estudar sobre a consolidação da memória de curto prazo para a memória de longo prazo, os cientistas descobriram que o processo envolve alterações na excitabilidade neuronal e nas conexões sinápticas dos circuitos envolvidos na aprendizagem. Em alguns casos, formam-se sinapses novas; em outros, a eficácia da transmissão sináptica é alterada tanto pela potenciação de longa duração quanto pela depressão de longa duração. Essas mudanças são evidências da plasticidade, e mostram que o cérebro não é feito de conexões fixas; A memória de longo prazo é dividida em dois tipos, os quais são consolidados e armazenados utilizando diferentes vias neurais. A memória reflexiva (implícita), a qual é automática e não requer processos conscientes para ser formada ou evocada, envolve o corpo amigdaloide e o cerebelo. As informações armazenadas na memória reflexiva são adquiridas lentamente por meio da repetição. Habilidades motoras estão incluídas nessa categoria, assim como os procedimentos e os hábitos; Por exemplo, você não precisa pensar para colocar um ponto no final de cada sentença ou como Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina Anna Déborah Martins – FITS - 3º Período - Medicina pegar um garfo. A memória reflexiva (não declarativa) também tem sido chamada de memória de procedimento, uma vez que geralmente diz respeito a como fazer as coisas. As memórias não declarativas podem ser adquiridas por meio de processos de aprendizado tanto associativos como não associativos e podem ser armazenadas; A memória declarativa (explícita), por outro lado, requer atenção consciente para ser evocada. A sua criação geralmente depende do uso de habilidades cognitivas superiores, como inferência, comparação e avaliação. As vias neuronais envolvidas neste tipo de memória estão nos lobos temporais. A memória declarativa trata do conhecimento sobre nós mesmos e sobre o mundo ao nosso redor que pode ser relatado ou descrito verbalmente; Às vezes, as informações podem ser transferidas da memória declarativa para a memória não declarativa. O lançador do time de futebol americano é um bom exemplo. Quando aprendeu a lançar a bola ainda menino, ele teve de prestar muita atenção para segurar a bola e coordenar os músculos para lançá-la com precisão. Neste ponto da aprendizagem para lançar a bola, o processo ocorreu na memória declarativa e exigiu esforço consciente quando o menino analisava os seus movimentos; Com a repetição, entretanto, a mecânica de lançar a bola foi transferida para a memória não declarativa: tornou-se um reflexo que pode ser executado sem pensamento consciente. Essa transferência permite ao lançador usar a sua mente consciente para analisar a trajetória e o timing do seu passe, ao passo que a mecânica do passe se tornou automática. Os atletas muitas vezes se referem a esta automaticidade dos movimentos corporais aprendidos como memória muscula; Tipos de memória de longo prazo Memória reflexiva (implícita) Memória declarativa (explícita) A evocação é automática e não requer atenção consciente A evocação requer atenção consciente Adquirida lentamente pela repetição Depende de habilidades cognitivas superiores, como interferência, comparação e avaliação Inclui habilidades motoras e hábitos e procedimentos Memórias que podem ser relatadas verbalmente Memórias de procedimento podem ser demonstradas A importância da recompensa ou punição no aprendizado e na memória – Habituação versus Reforço: Experimentos em animais mostraram que a experiência sensorial que não cause recompensa ou punição é pouco lembrada. Registros elétricos do cérebro mostram que o estímulo sensorial, sentido pela primeira vez, quase sempre excita áreas múltiplas no córtex cerebral. Entretanto, se a experiência sensorial não provocar sensação de recompensa ou de punição, a repetição do estímulo mais e mais vezes leva à extinção quase completa da resposta do córtex cerebral, isto é, o animal se habitua a esse estímulo sensorial específico e posteriormente o ignora. Se o estímulo de fato causar recompensa ou punição, em vez de indiferença, a resposta do córtex cerebral ficará cada vez mais intensa durante estimulação repetida em vez de desaparecer, e diz-se que a resposta é reforçada. O animal acumula fortes traços de memória para sensações que são recompensadoras ou punitivas, mas por outro lado desenvolve habituação completa a estímulos sensoriais indiferentes; É evidente que os centros de recompensa e punição do sistema límbico têm muito a ver com a seleção da informação que aprendemos, em geral, descartando mais que 99% e selecionando menos que 1% para retenção;