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A educação passou por muitas transformações ao longo dos anos, foi pensada e repensada. Podemos dizer que o seu conceito é amplo e baseado em muitas teorias fundamentadas. Devemos enxergar esse tema também como um ato científico e não somente um ato de amor e vocação. Por meio das trocas de experiências entre professores e estudantes, é possível ter em mente o que mais define essa palavra. Portanto, educação não é somente um ato de amor, mas de experiências vivas dentro de sala de aula e o que essas experiências podem trazer para os nossos alunos. Muitos movimentos históricos foram responsáveis para que essa definição sobre o que é educação, fosse pensada e repensada. Além disso, outras ciências foram importantes nesse processo e tiveram um papel fundamental para que pudéssemos chegar a uma definição sobre o que é educação, atualmente. Para quem está estudando pedagogia, é importante ter domínio dessa ciência teórico-prática, pois ela oferece noções sobre o indivíduo em seu processo de formação e desenvolvimento no mundo e na cultura que está inserido. Somente na prática é que conseguimos ter uma maior definição sobre o que é educação, para que ela serve e a quem. A importância histórica no processo educativo Na Grécia Antiga, os paidagogos eram escravos que tinham como tarefa única levar os filhos dos senhores feudais até à escola, ou seja, essa vigilância e acompanhamento era denominada de paidagogia. Nos dias atuais, o termo pedagogia possui outras definições bastante diferenciadas dos paidagogos daquela época. Pode-se dizer que três tradições de estudos educacionais foram responsáveis para que chegássemos ao nosso cenário atual, vamos conhecê-las! Tradição francesa – sob o pensamento sociológico de Émile Durkheim (1858-1917), que é considerado um dos pais da sociologia e fundou a escola francesa. Durkheim considerava que poderia haver combinação entre a pesquisa empírica e a teoria sociológica. Muito conhecido como um dos melhores teóricos sociais. Tradição alemã – sob as fundamentações filosóficas de Johann Friedrich Herbart (1776-1841), que foi psicólogo, filósofo, pedagogista e fundador da pedagogia como uma disciplina acadêmica. Tradição americana – sob a reflexão de John Dewey (1859-1952), que foi pedagogista, pedagogo e filósofo. Nesse caso, o termo é definido segundo podemos notar nas reflexões de (GHIRALDELLI, 2006, p. 48): “[...] o fato social pelo qual uma sociedade transmite seu patrimônio cultural e suas experiências de uma geração mais velha para uma mais nova, garantindo sua continuidade histórica”. Diante dessa afirmação, podemos dizer que o termo pedagogia é um tanto complexo, ou seja, não existe uma única definição sobre o conceito de educação. O termo é muito mais abrangente e complexo do que podemos imaginar e, muitas vezes, não é de fácil compreensão. Portanto, quando pensamos em educação, temos que ir muito além de uma definição curta e simples. Concepção de Pedagogia O termo pedagogia está intrinsecamente ligado à educação e didática, tanto histórica quanto funcionalmente. Em seu sentido mais amplo, a pedagogia engloba muitos termos e não podemos nos ater simplesmente a um único conceito. Antigamente, sua definição estava mais próxima da escolha dos estudos e da maneira de pensar. Dessa maneira, o termo pedagogia vem sendo cunhado no decorrer da história, sendo associado com a educação e as práticas teóricas-metodológicas. Como explica Saviani: a pedagogia se desenvolveu em íntima relação com a prática educativa, constituindo-se como a teoria ou ciência dessa prática sendo, em determinados contextos, identificada com o próprio modo intencional de realizar a educação. (SAVIANI, 2007, p. 100) Com uma visão mais construtivista, Libâneo (2001) remete à ideia de que a pedagogia não está somente ligada ao professor, ao aluno ou ao saber, mas à junção desses três elementos. O objeto de estudo principal é a relação entre aluno e professor por meio de suas experiências e seus conhecimentos compartilhados. Para o autor a pedagogia é: o campo do conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educação, do ato educativo, da prática educativa como componente integrante da atividade humana, como fato da vida social, inerente ao conjunto dos processos sociais. Pedagogia diz respeito a uma reflexão sistemática sobre o fenômeno educativo, sobre as práticas educativas, para poder ser uma instância orientadora do trabalho educativo. [...] A educação está ligada a processos de comunicação e interação pelos quais os membros de uma sociedade assimilam saberes, habilidades, técnicas, atitudes, valores existentes no meio culturalmente organizado e, com isso, ganham o patamar necessário para produzir outros saberes, técnicas, valores etc. (LIBÂNEO, 2001, p. 5) Para John Dewey (1899), a pedagogia é uma “reconstrução contínua” que engloba a experiência passiva das crianças e seus questionamentos e concepções. Podemos, então, afirmar que a pedagogia está relacionada às experiências no âmbito educacional. Ela pode englobar tanto o plano de ação, quanto a realização de projetos e outras facetas e características ligadas à educação. Segundo a autora Ana A. Hein, esses conhecimentos podem ser destacados. A ciência pedagógica abarca diferentes conhecimentos: condutas pedagógicas, conhecimento das disciplinas (programas e competências), conhecimento de metodologia (organização do trabalho docente), conhecimento científico (ciências da educação, do conhecimento, sociais etc.), conhecimento pedagógico e de ação para vinculação do conhecimento do aluno às condições do exercício de educar. (HEIN, 2014, p.8-9) Dessa forma, é possível concluir que o termo “pedagogia” trata de subdivisões de outros termos intrínsecos no que diz respeito à ciência pedagógica. Esses conhecimentos não estão somente em sala de aula, mas no cotidiano, no relato das experiências vividas e na cultura de cada um, ou seja, no individualismo e naquilo que nos une como seres humanos. Um ponto muito importante a ser definido nessa concepção é a individualidade histórica. Não podemos aprender as definições sem que possamos também compreender nossa história, os acontecimentos e todos os fatores que desencadearam para que chegássemos nos atuais. Com tudo o que vimos estudante, podemos perceber que o conceito de pedagogia é complexo. Agora, como futuro pedagogo (a), você já pode refletir o que é a Pedagogia e seu papel. A natureza e a especificidade da educação: educação e educações Existem muitos fatores que diferenciam o homem dos animais, um deles é o conhecimento. O ato de pensar é um fenômeno próprio da raça humana, pois o homem necessita produzir sua existência todos os dias, ao contrário dos animais, que se adaptam facilmente em seu ambiente e têm a sua existência garantida. Assim, o homem precisa utilizar de diversos recursos para que sua existência esteja intacta. Nesse pressuposto, a educação se faz necessária ao homem como afirmação do processo de trabalho, sendo que ela mesma é um processo de trabalho. Além disso, existe a subsistência material, pois os seres humanos precisam dos bens materiais. Obviamente a educação não se enquadra em bens materiais, mas favorece para que o homem os consiga por meio do trabalho e do estudo. Quando falamos a palavra “educação” não nos referimos somente ao ato de educar, passar conhecimentos ou instruir, mas a uma visão muito mais ampla. Como já vimos, a educação possui multifacetas que não podem ser desconsideradas. Lembre-se que, para sobreviver, o homem precisou utilizar diversos recursos e, muito deles, complexos – que só foram possíveis a partir da aprendizagem e da educação. Segundo Saviani (2008), a educação tem a ver com “ideias, conhecimentos, conceitos, valores, símbolos, hábitos, atitudes e habilidades”, que são elementos exteriores ao homem. Em outras palavras, ele aprende esses elementos por meio da educação e, por essa razão, não se trata somente de um fenômeno próprio do homem, mas também único, capaz de transformar valores e ideias. Nesse sentido, a funçãoda educação é transmitir os conhecimentos historicamente acumulados e sistematizados, com o objetivo de formar o ser humano. Além disso, Saviani (1984, p. 04) sugere em suas reflexões: “consequentemente, o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens”. Assim, o objeto da educação diz respeito, de um lado, à identificação dos elementos culturais que precisam ser assimilados pelos indivíduos da espécie humana para que eles se formem humanos e, do outro lado e simultaneamente, à descoberta das formas mais adequadas para atingir esse objetivo. [...] a compreensão da natureza da educação enquanto um trabalho não-material cujo produto não se separa do ato de produção nos permite situar a especificidade da educação como referida aos conhecimentos, ideias, conceitos, valores, atitudes, hábitos, símbolos sob o aspecto de elementos necessários à formação da humanidade em cada indivíduo singular, na forma de uma segunda natureza, que se produz, deliberada e intencionalmente, através de relações pedagógicas historicamente determinadas que se travam entre os homens. (SAVIANI, 1984, p. 26) A partir dessa teoria, se abriram novas perspectivas e conceitos quanto aos diferentes tipos de educação e suas especificidades por meio das seguintes ciências: As Ciências Da Educação Inicialmente, as ciências da educação são compostas pela psicologia e pela sociologia. Na fundamentação de Durkheim, a sociologia vem ao encontro da substituição da filosofia com a ideia de propor alguns fins para a educação. Já a psicologia surge para favorecer os meios e os instrumentos mais adequados na prática da didática. IMPORTANTE Para Herbart, ciência e pedagogia estão intrinsecamente ligadas e esse pressuposto está enraizado em nosso sistema até hoje, ou seja, educação e pedagogia não podem estar separadas pois fazem parte de um mesmo caminho. É o que podemos observar nas reflexões de Ana Hein: o estudo das ideias pedagógicas não é apenas uma iniciação da filosofia antiga ou contemporânea, menos ainda ao resumo do que foi dito pelos filósofos sobre a educação. Mais importante do que dar a possibilidade de ter conhecimento teórico sobre a educação, esse estudo forma nos educadores uma postura que deve passar por toda a prática pedagógica. Essa postura deve induzir o educador a refletir radicalmente diante dos problemas educacionais, levando-os a tratar desses problemas de maneira séria e atenta. (HEIN, 2014, p.05) Para nós educadores, ter o conhecimento também da filosofia, sociologia e história auxilia na prática educativa e torna as ideias mais concisas dentre o cenário atual. São elementos básicos e que podem nos oferecer recursos também na prática em sala de aula. A teoria e prática devem sempre estar em acordo, uma faz parte da outra. Por isso, não devemos nos ater somente à prática sem que tenhamos uma fundamentação teórica e, por outro lado, não existe teoria sem que exista também a sua prática. Uma complementa a outra. Prática e teoria devem estar sempre juntas em uma mesma sincronia. Para isso, é preciso fazer um exercício básico: ter acesso às fontes do pensamento pedagógico. Quando recorremos às fontes básicas do pensamento pedagógico, não estamos realizando um ato abstrato ou abstraído da realidade. [...] Estudar a teoria educacional é aceitar um convite para a ação individual e coletiva. Por isso mesmo, nenhuma questão pode ser banalizada. Pelo contrário, todos os aspectos da realidade precisam ser constantemente elaborados, trabalhados e submetidos à reflexão. Além da leitura sempre importante, o questionamento, a pergunta, o diálogo, o debate e a discussão organizada são as bases para o hábito de pensar. (HEIN, 2014, p. 6) Embora a pedagogia seja uma ciência, essencialmente prática, precisamos entender que toda prática é embasa em uma teoria, então, precisamos ter uma boa base teórica para que a nossa prática pedagógica seja efetiva e intencional. Durante muitos anos, a pedagogia foi definida como um ato de vocação. Nessa ideia, surgiu também a ligação entre pedagogia e maternidade porque ela estava relacionada ao ato de cuidar de um filho, ou seja, a pedagogia seria para aquelas pessoas que tinham tais habilidades por ser semelhante a criar e a educar um filho. Por esse motivo, essa ciência iniciou primeiramente por mulheres e até, atualmente, o número de mulheres que fazem o curso de pedagogia é muito superior ao número de homens. Com o passar do tempo, a pedagogia passou a se relacionar e a exigir outras ciências para a sua prática e em sua teoria. Foi considerado um termo amplo e que não pode apresentar apenas uma ou duas definições, pois a pedagogia abrange e tem influência direta ou indireta de outras ciências, sejam elas da área da educação ou não. É o que podemos verificar em: ...] como ciência humana complexa e multifacetada, a educação forma-se a partir da contribuição das ciências humanas, que estudam o desenvolvimento humano sob diferentes óticas. A pedagogia é uma ciência que tem seu campo de atuação, metodologia, teorias etc. (HEIN, 2014, p. 38) Portanto, pela pedagogia ser uma área de diversos conhecimentos, podemos dizer que os principais campos científicos que compõem a pedagogia são: · Antropologia da Educação; Sociologia da Educação; Psicologia da Educação; Filosofia da Educação. A antropologia Compreendemos como antropologia, a ciência que estuda o homem e a humanidade no seu sentido mais amplo, ou seja, em todas as suas dimensões. É o conhecimento sobre si e sobre o ambiente em que se vive. Para os antropólogos, o que diferencia o homem dos animais é que o homem tem ciência da sua finitude, ou seja, ele sabe que irá morrer um dia. Nossa condição é marcada por características filosóficas como a transcendência, a impermanência e a finitude. Quando o ser humano pensa que um dia morrerá, a ideia de “vida eterna” acaba sendo a única alternativa e, nessa constância e crença, o ser humano segue a sua vida. No ponto de vista científico, essa ideia faz com que o homem tenha diversas ilusões porque ele busca algo que está muito além dele e que não pode ser comprovado. Além disso, outra característica antropológica é a ideia de que os seres humanos são tão dependentes da natureza quanto os animais, a diferença está como ambos agem nesse processo. Apesar de o homem influenciar fortemente na natureza, ele ainda a pode dominar, ou seja, o homem é capaz de modificá-la para atender as suas necessidades. Outra característica que diferencia o ser humano dos animais é o desenvolvimento cognitivo que faz com que o homem consiga pensar. Podemos concluir que a ciência da Antropologia estuda o homem sob dois aspectos, o biológico e o social. No aspecto biológico, procura-se entender como o homem evolui e se adapta ao meio. No aspecto social, estuda-se o homem inserido em sociedade. A Sociologia Quando pensamos no homem antropológico ligado inteiramente à questão da sua sobrevivência, passamos também a compreender esse homem em um meio social. Além da busca de suas necessidades básicas, como alimentação e abrigo, o ser humano descobre que ele deve interagir com as outras pessoas para que também possa conquistar outras necessidades. A interação com o social se faz mais do que necessária e é nesse meio que ele também acaba transformando os seus conceitos e as suas atitudes. O ser social passa a ser encarado como alguém que pode atuar com diversos papéis ao longo da sua existência para alcançar os seus objetivos. A sociologia mostra um homem totalmente enraizado com o seu meio e que também dependente dele. No coletivo, ele é capaz de fazer a mudança e a diferença para a sua sobrevivência, o homem é um ser inteiramente e integralmente social. O meio em que vivemos nos influencia, nos questiona, nos transforma e nos define como seres humanos que somos, únicos e ao mesmo tempo iguais a todos de nossa raça. Precisamos uns dos outros para que a nossa sobrevivência não sejafortemente afetada, ou seja, não existem outras maneiras de interação entre as raças sem que haja um contato social. O homem não é uma ilha, ele precisa interagir, compreender e se fazer compreendido. A capacidade humana de criar vínculos e estabelecer relações em vários níveis com a realidade, tanto no que se refere à natureza quanto ao outro, é a condição da racionalidade. É importante observarmos que, do indivíduo ao ator social e deste à pessoa, cada ser humano vivencia experiências, consigo e com os outros, que se caracterizam como um contínuo processo de aprendizagem. (HEIN, 2014, p. 40) A partir disso, podemos compreender os processos de socialização. Denominamos de socialização, o processo responsável pela integração de todos os indivíduos em um grupo e no convívio social que passarão a estabelecer com os demais indivíduos que integram esse grupo. O ser humano precisa da interação com o outro. Existe a necessidade da relação e do convívio social para que o homem aprenda e compreenda o mundo em que ele vive. A Psicologia A psicologia da educação começou a ser pensada no fim do século XIX e início do século XX, se fundamentando a partir de três conceitos: · o indivíduo que não consegue aprender; · o indivíduo que não tem disciplina; · o indivíduo que é um ser único. Nessa perspectiva, existe uma reflexão isolada de cada um, o homem passou a ser visto como único e, a partir de então, muitas pesquisas foram realizadas. Existia a intenção de medir a inteligência das pessoas para poder classificá-las como seres capazes de aprender. Pesquisadores, como Alfred Binet (1857-1911) e outros nomeados da época, fundamentaram um indivíduo que tinha capacidade para o aprendizado e cada um era classificado dentro de uma “escala da inteligência”, ou seja, havíamos que não aprendiam e outros que aprendiam. A ideia de “higienização da mente” partiu dessa época, em que se acreditava que as pessoas deviam passar por higienes mentais para que pudessem ter uma vida mais objetivada. Nesse sentido, a educação seria apenas para as pessoas que seriam capazes de aprender e não para indivíduos com dificuldades ou indisciplinados. Ao longo dos anos, a psicologia passou a ser vista como algo que pudesse avaliar os alunos e auxiliá-los em suas dificuldades. Muitos psicólogos trabalhavam nas escolas e atribuíam diagnósticos e tratamentos para crianças com problemas na aprendizagem. As crianças eram submetidas a testes e exames, porém os problemas relacionados à família não eram considerados. Em sua totalidade, acreditava- se que as famílias pobres não podiam subsidiar os estudos dos seus filhos de uma forma adequada, dessa maneira as crianças não tinham melhores oportunidades e os pais não eram desprovidos das mínimas condições. A família e o aluno eram totalmente responsáveis pelo fracasso escolar. A psicologia da educação começou a ser bastante questionada, os problemas do fracasso escolar poderiam estar também em outros lugares e as dificuldades de aprendizado passaram a ser vistas de uma maneira mais constante. IMPORTANTE Nesse sentido, não existe um indivíduo que simplesmente não aprende ou que é totalmente desajustado no ambiente educacional. O que existe é uma gama de possibilidades acerca dos problemas, ou seja, o fracasso escolar passou a ser repensado e compreendido na sua complexidade. Não existe apenas um único fator, mas diversos que podem desencadear os problemas que as crianças enfrentam, até mesmo, atualmente. Alguns fenômenos educacionais foram analisados no sentido das relações entre si, como: · relações entre escola e família; · relações entre coordenadores e professores; · relações entre alunos e professores; · relações entre professores e professores; · relações entre alunos e alunos; · relações entre pais e alunos; · relações entre pais e professores. Perceba que cada relação é um questionamento. Não podemos fazer qualquer tipo de avaliação sem analisar a importância dessas relações. Nesse aspecto, a escola é compreendida como parte integrante do ambiente social em que os alunos estão inseridos. Portanto, a psicologia da educação tem uma visão muito mais ampla da realidade e visa estabelecer a importância de integrar as relações dentro e fora de aula. É o que podemos notar nas reflexões de Hein: a psicologia da educação não perde a vista dos fenômenos educacionais localizado na sala de aula. Aliás, é nesse espaço que podemos verificar uma das grandes contribuições da psicologia da educação, ao oferecer subsídios ao professor em seu trabalho pedagógico com os alunos, ao investigar aprendizagem e desenvolvimento e ao ampliar nosso conhecimento acerca dos problemas na aprendizagem escolar, mas sofrem um recorte mais amplo, abrangendo questões sociais e relacionadas às interações presentes na vida do aluno. (HEIN, 2014, p. 48) A Filosofia Para que possamos compreender a dimensão da filosofia, primeiramente, precisamos entender a questão da epistemologia. Entende-se por epistemologia, a teoria do conhecimento, ou seja, a origem de tudo, a parte central em que apoiamos os conceitos, os métodos e as teorias. A filosofia teve seu início nos pensamentos de Sócrates, de Platão e de Aristóteles. O homem começou a ser considerado um indivíduo que podia refletir e que existia por meio dos seus pensamentos. Para o filósofo alemão Kant, alguns questionamentos filosóficos devem ser repensados, que são: 1“o que posso saber?” (teoria do conhecimento); 2“o que devo fazer?” (teoria do agir ético); 3“o que devo esperar?” (filosofia da religião); 4“o que é o homem?” (antropologia filosófica); 5“o que devo ser?” (ontologia filosófica). Os ensinamentos de alguns filósofos, principalmente Platão e Aristóteles, marcaram a nossa cultura e as concepções que temos até hoje. O homem nunca mais foi visto de uma maneira superficial, muito pelo contrário, ele passou a ser visto com um indivíduo completo, sempre na busca do desenvolvimento. A filosofia da educação passou, então, a ser estudada e todos os seus questionamentos não somente a respeito do comportamento, mas também acerca dos conceitos que permeiam a existência humana. Existir não é somente pensar, mas agir, indagar, modificar e interagir. Mas o que a filosofia tem a ver com a educação? Porque ela baseia sua prática no questionamento do sentido da educação, nas práticas desenvolvidas no processo de ensino e aprendizagem, análise e busca de soluções para problemas educacionais, além de embasar o repensar da prática educacional dos professores. Acabamos de estudar os principais campos que compõem a pedagogia. Na sua opinião, qual é a importância de cada um deles na prática pedagógica? Pense e reflita! Pedagogia e Andragogia Para finalizar, vamos entender sobre algo que muitos teóricos estudam e discutem a respeito dos conceitos de pedagogia e de andragogia. Em alguns estudos, pode-se encontrar até rivalidade entre as duas ciências, porém, iremos tratar esses conceitos como especialidades que podem se complementar e favorecer um melhor desenvolvimento de educação. Veja o quadro a seguir que traz algumas definições sob as perspectivas dos dois campos: CONCEITOS PEDAGOGIA ANDRAGOGIA Aprendiz O papel do aluno é, por definição, dependente. A sociedade espera que o professor assuma toda a responsabilidade e determine o que, como e quando será aprendido, além de verificar se foi aprendido. É um aspecto do processo de maturação de uma pessoa, de mudar a aparência para a autodireção, mas em diferentes etapas que variam para cada indivíduo em diferentes dimensões da vida. Os professores têm a responsabilidade de incentivar e nutrir esse movimento. Os adultos têm uma profunda necessidade psicológica de, normalmente, serem dependentes em situações particulares ou temporárias. Papel das experiências dos alunos A experiência aprendida traz pouco valor para a situação de aprendizagem. Pode ser usada como um ponto de partida, mas a experiência que os alunos receberão, na maior parte das vezes, é do professor, da escrita, dos livros didáticos,do audiovisual e de outras referências. Consequentemente, a técnica primária de educação é a de transmissão, de leitura atribuída e de exposição do conteúdo. À medida que as pessoas crescem e desenvolvem, acumulam um reservatório de experiências que se torna um recurso cada vez mais rico para a aprendizagem, tanto para eles como para os outros. Além disso, as pessoas dão mais significado para os aprendizados quando eles geram experiências, do que aqueles que os recebem passivamente. Adequadamente, as técnicas primárias são experienciais (experimentos laboratoriais, discussões, estudos de casos, resolução de problemas, exercícios de simulações, experiências de campo etc.). Prontidão para aprender As pessoas estão prontas para aprender o que a sociedade, especialmente a escola, diz que deveriam ensinar, fornecem pressões sobre elas (como o medo do fracasso) para serem ótimos ou suficientes. A maioria das crianças da mesma idade estão prontas para aprender as mesmas coisas. Portanto, a aprendizagem deve ser organizada de forma padronizada, por currículos, com uma progressão uniforme (passo a passo) para todos os alunos. As pessoas se tornam prontas para aprender algo quando elas experimentam uma necessidade de aprendizagem a fim de lidar, satisfatoriamente, com a vida real, tarefas ou problemas. O educador tem a responsabilidade de criar condições, procedimentos e fornecer as ferramentas para ajudar os alunos a descobrirem a “necessidade do saber”. Os programas de aprendizagem devem ser organizados em torno da aplicação na vida, categorizados e sequenciados de acordo com o aprendizado. Orientação para aprendizagem Os alunos enxergam a educação como um processo de aquisição de um assunto ou conteúdo, a maioria dos quais eles entendem ser úteis apenas em um momento posterior da vida. Consequentemente, o currículo deve ser organizado em unidades (cursos) que sigam a lógica do assunto (ex: história antiga para moderna, matemática ou ciências simples à complexa). As pessoas estão sujeitas à orientação centrada para a aprendizagem. Os alunos enxergam a educação como um processo de desenvolvimento que aumenta as suas competências para atingir o seu pleno potencial de vida. Assim, eles querem ser capazes de aplicar qualquer conhecimento e habilidade que eles ganham atualmente, para viver mais eficazmente amanhã. Consequentemente, as experiências de aprendizagem devem ser organizadas em torno das categorias de desenvolvimento de competências. As pessoas são centradas no desempenho durante a orientação da aprendizagem. Compreendemos que cada uma dessas ciências é voltada para um público em específico. Uma das principais diferenças é que, enquanto a pedagogia se destina para um público mais jovem, ou seja, crianças e adolescentes, a andragogia está direcionada para a educação de jovens e adultos. Os métodos da pedagogia tradicional não são muito eficazes para o aprendizado de jovens e adultos, ou seja, não são direcionados para tal. Temos que entender que a metodologia de quem ensina para jovens e adultos é diferente da metodologia de quem ensina para crianças e adolescentes. Na pedagogia, cabe ao educador direcionar o aprendizado de como as crianças vão aprender. Os alunos não têm muita autonomia e acabam aceitando tudo o que lhes é passado em sala de aula como verdade. Não há questionamentos. Já os adultos são coautores do processo de sua aprendizagem, eles não aceitam tudo como verdade e questionam. Parabéns, aluno! Você concluiu esta etapa de estudos! Aprendemos ao longo dessa unidade que a pedagogia está interligada com outras ciências que tem como objeto de estudo a educação. Assim, vimos que o conceito de educação é complexo e exige um estudo amplo e aprofundado, por isso, estamos estudando os fundamentos da Educação. Nesse sentido, conhecemos as ciências da educação que podem auxiliar a compreender o vasto campo do conhecimento que é a pedagogia. Entre elas, podemos citar a filosofia, antropologia, sociologia e psicologia. Assim, vimos que cada uma dessas ciências tem a sua especificidade de estudo que contribui para os aspectos educacionais como as relações sociais ligadas à educação, os processos de aprendizagem, os métodos de ensino, as teorias da educação e a formação integral do ser humano. Além disso, aprendemos sobre a natureza e a especificidade da educação, entendendo que esta é responsável pela transmissão do conhecimento historicamente acumulado e sistematizado. A partir dessa educação é que se dá a formação dos sujeitos sociais. Por fim, discutimos sobre a relação que existe entre pedagogia e andragogia. Esta última, é uma ciência que tem como foco de estudo a educação de adultos, entendida aqui, não apenas como alfabetização, mas como os processos educativos que envolvem todos os tipos de ensino para adultos. Assim, espero que você tenha conseguido compreender os conceitos, concepções e a relações que existem entre as ciências sociais e a educação. Esse entendimento servirá de base para a sua prática pedagógica.