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Conta Vinclulada

Apostila sobre gestão e controle de conta vinculada em contratos de terceirização: explica objetivos e procedimentos de implantação e operacionalização, responsabilidades da Administração, quadro legal federal e do DF, exemplos, cálculos, exercícios e sugestões de planilhas.

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Curso
Apostila
Gestão e controle de conta vinculada 
aos contratos de terceirização
Governador do Distrito Federal
Ibaneis Rocha
Secretário de Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão
André Clemente Lara de Oliveira
Diretor-Executivo da Escola de Governo do Distrito Federal
Alex Costa Almeida 
Escola de Governo do Distrito Federal
Endereço: SGON Quadra 1 Área Especial 1 – Brasília/DF – CEP: 70.610-610
Telefones: (61) 3344-0074 / 3344-0063
www.egov.df.gov.br
 
 
APRESENTAÇÃO 
A utilização de conta vinculada aos contratos de prestação de serviços contínuos mediante cessão de 
mão de obra (terceirização) é um procedimento de fiscalização de contratos administrativos que tem 
como principal objetivo mitigar a responsabilização da Administração Pública, garantindo os 
recursos necessários para o cumprimento de obrigações sociais e trabalhistas, em caso de 
inadimplemento da contratada durante a execução do contrato bem como de extinção ou de rescisão 
do contrato administrativo. 
Apesar dos benefícios que o emprego de conta vinculada pode trazer para a Administração Pública 
contratante, a implementação e o gerenciamento necessário para sua adequada operacionalização 
não é uma tarefa simples. O êxito no procedimento depende de: planejamento interno para utilização 
de conta vinculada; controle eficiente dos valores depositados e liberados; e o conhecimento da 
legislação trabalhista e previdenciária necessárias para o correto pagamento de verbas trabalhista, e 
liberação de valores bloqueados. 
Nesse sentido, este treinamento foi desenvolvido para: mostrar os procedimentos necessários à 
implementação e à operacionalização de conta vinculada aos contratos de terceirização, utilizando 
exemplos, cálculos e exercícios; compartilhar boas práticas de controle e acompanhamento dos 
valores de conta vinculada; solucionar problemas do cotidiano dos participantes; bem como 
apresentar sugestão de planilhas de acompanhamento. 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................................. 9 
2 TERCEIRIZAÇÃO....................................................................................................................................... 9 
2.1 Contrato de terceirização................................................................................................................... 9 
2.2 Responsabilidade da Administração Pública na terceirização de serviços.......... 11 
2.2.1 Responsabilidade solidária por encargos previdenciários.......................................................... 11 
2.2.1.1 Substituição Tributária do INSS........................................................................................................... 11 
2.2.2 Responsabilidade subsidiária por encargos trabalhistas............................................................ 12 
2.2.2.1 Divergência entre a Lei nº 8.666/1993 e a Súmula 331 do TST............................................ 13 
2.2.2.2 ADC-16 – STF e a nova redação da Súmula 331 do TST............................................................ 14 
3 CONTA VINCULADA................................................................................................................................. 17 
3.1 Origem........................................................................................................................... ................................. 17 
3.2 Regulamentação da conta vinculada na esfera Federal.................................................... 17 
3.2.1 Instrução Normativa CNJ nº 1/2008 – criação e utilização de conta vinculada pelo CNJ. 17 
3.2.2 Resolução CNJ nº 98/2009 – criação da conta vinculada Poder Judiciário.......................... 17 
3.2.3 IN nº 2/2008 (alterada pela IN nº 3/2009) – previsão da conta vinculada........................ 18 
3.2.4 Acórdão TCU nº 1.214/2013 – não recomendação da conta vinculada................................ 18 
3.2.5 Parecer nº 73/2013/DECOR/CGU/AGU – Licitude da conta vinculada................................. 19 
3.2.6 IN nº 2/2008 (alterada pela IN 6/2013) obrigatoriedade da conta vinculada.................. 20 
3.2.7 Acórdão TCU nº 2328/2015 – estudo custo-benefício da conta vinculada........................... 21 
3.2.8 IN nº 5/2017 (revogou a IN nº 2/2008) – inclusão pagamento pelo fato gerador........... 21 
3.3 Legislação da conta vinculada no âmbito do Distrito Federal....................................... 24 
3.3.1 A Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 4831-DF.............................................................. 24 
3.3.2 Decisão TCDF Nº 3209/2017.................................................................................................................. 25 
4 CONTA VINCULADA NO ÂMBITO DO DISTRITO FEDERAL................................................ 26 
4.1 O que é a conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação?................... 26 
4.2 Depósitos...................................................................................................................................................... 26 
4.3 Saques/Liberações............................................................................................................................. ..... 27 
4.4 Aspecto positivo e aspectos negativos para utilização de conta vinculada........... 27 
4.5 Bloqueio judicial............................................................................................................................. ......... 27 
5 PLANEJAMENTO PARA IMPLANTAÇÃO DE CONTA VINCULADA................................... 28 
5.1 Providências preliminares para a implantação de conta vinculada......................... 28 
5.1.1 Acordo de Cooperação Técnica com o BRB....................................................................................... 28 
5.1.2 Designação de unidades administrativas para gestão das contas vinculadas.................... 28 
5.1.3 Disposições obrigatórias no edital e no contrato administrativo............................................ 28 
 
 
5.2 Encargos trabalhistas e sociais que são objeto de provisão........................................... 28 
6 IMPLEMENTAÇÃO DE CONTA VINCULADA................................................................................ 29 
6.1 Abertura de conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação.............. 29 
6.1.1 Fluxo operacional para abertura da conta vinculada.................................................................. 30 
6.1.2 Comprovante de abertura da conta corrente vinculada.............................................................. 31 
6.2 Abertura de contas-salário dos empregados.......................................................................... 34 
6.2.1 O que é conta-salário?............................................................................................................................. .. 34 
6.2.2 Portabilidade do salário........................................................................................................................... 34 
6.2.3 Pode a instituição financeira descontar empréstimo na conta-salário?............................... 34 
6.2.4 Podem ser cobradas tarifas pela utilização da conta-salário?.................................................. 34 
6.3 Retenção de valores e depósito em conta vinculada........................................................... 35 
6.4 Passo a passo para depósito das provisões em conta vinculada.................................. 35 
7 BASE DE CÁLCULO DOS ENCARGOS............................................................................................... 35 
7.1 Composição da provisão mensal destinada à conta vinculada..................................... 35 
7.2 Base de cálculo............................................................................................................................. .............36 
7.2.1 Salário............................................................................................................................. ................................. 36 
7.2.2 Remuneração................................................................................................................................................ 36 
7.2.3 Base de cálculo pelo Decreto nº 34.649/2013................................................................................. 36 
7.3 Percentual............................................................................................................................. ....................... 37 
8 ENCARGOS TRABALHISTAS................................................................................................................ 37 
8.1 13º Salário............................................................................................................................ ....................... 37 
8.1.1 Direito do trabalhador ao 13º salário................................................................................................. 37 
8.1.2 13º salário proporcional.......................................................................................................................... 38 
8.1.3 Metodologia de cálculo............................................................................................................................. 38 
8.1.4 Percentual para depósito na conta vinculada................................................................................. 38 
8.1.5 Parcelamento do 13º salário e prazo de pagamento.................................................................... 38 
8.1.5.1 Requerimento de adiantamento do 13º salário pelo empregado......................................... 38 
8.1.6 Contribuição Previdenciária (INSS) e FGTS sobre o 13º salário............................................... 39 
8.1.7 Perda de direito ao 13o salário............................................................................................................... 40 
8.2 Férias............................................................................................................................. ................................. 40 
8.2.1 Direito do trabalhador às férias............................................................................................................ 40 
8.2.2 Adicional de férias....................................................................................................................................... 40 
8.2.3 Período aquisitivo de férias..................................................................................................................... 40 
8.2.4 Período concessivo de férias.................................................................................................................... 40 
8.2.5 Aviso de férias............................................................................................................................................... 41 
 
 
8.2.6 Férias vencidas............................................................................................................................................. 41 
8.2.7 Férias proporcionais.................................................................................................................................. 41 
8.2.8 Metodologia de cálculo............................................................................................................................. 42 
8.2.9 Percentual para depósito na conta vinculada................................................................................. 42 
8.2.10 Parcelamento de férias............................................................................................................................. . 43 
8.2.11 Prazo para pagamento das férias......................................................................................................... 43 
8.2.12 Contribuição Previdenciária e FGTS sobre férias e abono de férias........................................ 44 
8.2.13 Abono pecuniário............................................................................................................................. ........... 45 
8.2.14 Redução e perda do direito às férias.................................................................................................... 46 
8.2.14.1 Faltas injustificadas............................................................................................................................. ...... 46 
8.2.14.2 Demissão por justa causa........................................................................................................................ 47 
8.2.14.3 Rescisão por culpa recíproca................................................................................................................. 47 
8.3 Multa sobre o FGTS e Contribuição Social................................................................................. 47 
8.3.1 Direito do empregado à multa do FGTS............................................................................................. 47 
8.3.2 Contribuição social............................................................................................................................. ........ 48 
8.3.3 Percentual para depósito na conta vinculada................................................................................. 48 
8.3.4 Redução ou perda do direito à multa do FGTS................................................................................ 49 
8.3.4.1 Redução da multa do FGTS pela metade (20%)............................................................................ 49 
8.3.4.2 Perda do direito à multa do FGTS....................................................................................................... 49 
8.4 Percentual mensal dos encargos trabalhistas para a conta vinculada..................... 50 
9 ENCARGOS SOCIAIS............................................................................................................................. .... 50 
9.1 Contribuições previdenciárias........................................................................................................ 50 
9.1.1 Contribuição Previdenciária Patronal (INSS).................................................................................. 50 
9.1.2 Contribuição adicional – RAT ajustado (RAT X FAP).................................................................... 51 
9.1.2.1 RAT e atividade preponderante da empresa.................................................................................. 51 
9.1.2.2 FAP............................................................................................................................. ....................................... 52 
9.2 Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)................................................................... 55 
9.3 Contribuições para outras entidades (terceiros)................................................................. 57 
9.4 Percentual mensal dos encargos sociais para a conta vinculada................................ 60 
9.5 Itens da Planilha de Custo e Formação de Preços................................................................. 60 
9.6 Situações diferenciadas de tributação........................................................................................ 62 
9.6.1 ME e EPP optantes pelo SIMPLES......................................................................................................... 62 
9.6.2 CPRB............................................................................................................................. .................................... 63 
9.7 Percentual estabelecido pela legislação do DF...................................................................... 64 
10 VALORES PARA DEPÓSITO MENSAL NA CONTA VINCULADA......................................... 66 
 
 
10.1 Cálculodo valor mensal destinado à conta vinculada....................................................... 66 
10.2 Alteração do valor mensal destinado à conta vinculada.................................................. 66 
10.2.1 Aumento do salário dos empregados................................................................................................... 66 
10.2.2 Alteração da quantidade de empregados.......................................................................................... 67 
10.2.3 Alteração do percentual........................................................................................................................... 67 
11 CONTROLE MENSAL DE CONTA VINCULADA............................................................................ 67 
11.1 Autuação de processo específico.................................................................................................... 67 
11.2 Controle dos empregados................................................................................................................... 68 
11.3 Conciliação bancária............................................................................................................... ............... 68 
11.4 Ferramenta para controle de valores por empregado e por provisão..................... 70 
12 LIBERAÇÃO PARCIAL DE VALORES................................................................................................ 75 
12.1 Liberação conta-salário empregado X Conta corrente da empresa........................... 75 
12.2 Passo a passo para a liberação de valores da conta vinculada..................................... 77 
13 DOCUMENTAÇÃO PARA LIBERAR 13º SALÁRIO E FÉRIAS................................................ 77 
13.1 Liberação de 13º salário...................................................................................................................... 77 
13.1.1 Documentação para liberação de 13º salário.................................................................................. 77 
13.1.2 Roteiro para verificação – pagamento 13º salário........................................................................ 78 
13.2 Liberação de férias e abono de férias.......................................................................................... 83 
13.2.1 Documentação para liberação de férias e abono de férias......................................................... 83 
13.2.2 Roteiro de verificação – férias e abono de férias............................................................................. 83 
14 RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.................................................................................. 87 
14.1 Direitos do trabalhador em rescisão de contrato de trabalho...................................... 87 
14.2 Aviso prévio............................................................................................................................. ................... 87 
14.2.1 Prazo início aviso prévio........................................................................................................................... 87 
14.2.2 Aviso prévio trabalhado............................................................................................................................ 87 
14.2.3 Aviso prévio indenizado............................................................................................................................ 88 
14.2.4 Renúncia ao aviso prévio.......................................................................................................................... 88 
14.2.5 Indenização adicional X Data base...................................................................................................... 89 
14.2.6 Aviso prévio proporcional........................................................................................................................ 90 
14.3 Tipos de contrato de trabalho.......................................................................................................... 91 
14.4 Formas de rescisão............................................................................................................................. .... 92 
14.5 Contrato de trabalho por prazo determinado com rescisão antecipada................ 93 
14.6 Verbas rescisórias............................................................................................................................. ...... 94 
14.7 Prazo para pagamento das verbas rescisórias....................................................................... 95 
14.8 Exame médico demissional............................................................................................................... 95 
 
 
14.9 Tipos de Contrato X Formas de Rescisão X Verbas rescisórias devidas.................. 96 
15 DOCUMENTAÇÃO PARA LIBERAR VERBAS RESCISÓRIAS................................................. 98 
15.1 Documentação para liberação – rescisão de contrato de trabalho............................ 98 
15.2 Roteiro de verificação – rescisão de contrato de trabalho.............................................. 98 
16 LIBERAÇÃO DE ENCARGOS SOCIAIS SOBRE 13º SALÁRIO E FÉRIAS........................... 122 
16.1 Liberação de encargos sociais sobre o 13º salário e as férias....................................... 122 
16.1.1 Encargos sociais sobre o 13º salário.................................................................................................... 122 
16.1.1.1 Documentação para liberação dos encargos sociais sobre o 13º salário........................... 122 
16.1.1.2 Roteiro de verificação – encargos sociais sobre o 13º salário................................................ 122 
16.1.2 Encargos sociais sobre as férias............................................................................................................. 125 
16.1.2.1 Documentação para liberação dos encargos sociais sobre as férias.................................... 125 
16.1.2.2 Roteiro de verificação – encargos sociais sobre as férias......................................................... 125 
16.2 Valor a liberar de cada provisão..................................................................................................... 125 
16.2.1 13º salário e férias durante a vigência do contrato de trabalho.............................................. 125 
16.2.2 Verbas rescisórias........................................................................................................................................ 126 
16.2.3 Encargos sociais sobre 13º salário....................................................................................................... 126 
16.2.4 Encargos sociais sobre as férias............................................................................................................. 126 
17 LIBERAÇÃO DE SALDO REMANESCENTE DE CONTA VINCULADA................................. 126 
17.1 Liberação de saldo remanescente durante a vigência do contrato............................ 126 
17.1.1 13º salário............................................................................................................................. ......................... 126 
17.1.2 Férias............................................................................................................................. ................................... 127 
17.2 Liberação no encerramento do contrato administrativo................................................. 127 
18 ANEXOS............................................................................................................................. ............................. 127 
18.1 Lei Distrital nº 4.636 de 23 de agosto de 2011 alterada.................................................. 127 
18.2 Decreto Distrital nº 34.649, de 10 de setembro de 2013................................................. 129 
18.3 Decreto Distrital nº 36.164, de 18 de dezembro de2014................................................ 132 
18.4 Minuta de Acordo de Cooperação Técnica BRB..................................................................... 133 
19 REFERÊNCIAS............................................................................................................................. ................ 137 
 
 
 
 
 
 
9 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
Nesta apostila serão apresentados os conceitos básicos, a fundamentação normativa e 
jurisprudencial, a metodologia de cálculo dos encargos cujos valores são objeto de provisão, para 
depósito em conta vinculada aos contratos de terceirização, documentação comprobatória do 
pagamento das obrigações bem como os procedimentos para a gestão e o controle da conta vinculada, 
em observância à Lei Distrital nº 4.636/2011 e ao Decreto Distrital nº 34.649/2013. 
O instituto da conta vinculada aos contratos de terceirização foi criado com a finalidade de mitigar 
os riscos relacionados aos contratos de serviços, com dedicação exclusiva de mão de obra, bem como 
evitar as condenações judiciais da Administração Pública, frente às obrigações previdenciárias e 
trabalhistas nesses tipos de contrato. 
Nesse sentido, antes de se abordar sobre a conta vinculada propriamente dita, é importante 
compreender o que é um contrato de terceirização e os riscos inerentes a este tipo de contrato. 
2 TERCEIRIZAÇÃO 
Terceirização em sentido amplo significa entregar a terceiros, um intermediário, mediante contrato, 
a execução de serviços para satisfazer as necessidades do contratante. 
A terceirização aqui abordada será aquela em sentido estrito, realizada pela Administração Pública, 
na qual há a contratação de mão de obra terceirizada para a execução de atividades auxiliares, 
acessórias e de apoio à missão institucional, com base nos princípios da eficiência e eficácia, visando 
ao interesse público. 
Segundo Vólia Bomfim Cassar1, a terceirização é a relação trilateral formada entre trabalhador, 
intermediador de mão de obra e empresa tomadora de serviços, na qual a empresa prestadora de 
mão de obra coloca seus trabalhadores nas empresas tomadoras, ou seja, a tomadora contrata mão 
de obra por meio de outra pessoa, que serve de intermediadora entre o tomador e os trabalhadores. 
O modelo trilateral de relação econômica de trabalho (firmada com a empresa tomadora) e jurídica 
empregatícia (firmada com a empresa intermediadora de mão de obra), que surge com o processo 
terceirizante, é francamente distinto do clássico modelo empregatício, que se funda em relação de 
caráter essencialmente bilateral.2 
Na terceirização regular, o vínculo empregatício, por meio do contrato de trabalho, se forma entre o 
empregado e o empregador, que é a empresa prestadora de mão de obra. Já o vínculo jurídico do 
tomador, ocorre com a empresa prestadora de serviços e não com os empregados desta. 
Entretanto, se existir a pessoalidade e a subordinação direta entre o trabalhador terceirizado e o 
tomador de serviços, a terceirização será considerada ilegal e terá como efeito jurídico o 
reconhecimento do vínculo empregatício com o tomador de serviços. 
Em razão da exigência constitucional, art. 37, inciso II, de prévia aprovação em concurso público 
como requisito para a investidura em cargo ou emprego público, a contratação de trabalhadores 
terceirizados, mesmo de forma irregular e contrária à lei, pelos órgãos da Administração Pública não 
gera o reconhecimento de vínculo empregatício com o tomador público. 
2.1 Contrato de terceirização 
O contrato de terceirização é qualificado pela presença de dois elementos: 
 O objeto do contrato é a prestação de serviços de natureza continuada; e 
 A execução dos serviços ocorre mediante cessão de mão de obra pela empresa contratada. 
Entende-se por serviços de natureza continuada aqueles serviços considerados essenciais e 
perenes para o alcance da missão pública institucional. A essencialidade está relacionada a danos e 
prejuízos que podem ser causados à Administração Pública ou à coletividade, em caso de eventual 
paralisação do serviço, comprometendo o cumprimento da missão institucional. 
 
1 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho: de acordo com a reforma trabalhista. Lei no 13.467/2017. 15. ed. São Paulo: 
Método, 2018, p. 474. 
2 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 17. ed. São Paulo: LTr, 2018, p. 534. 
10 
 
 
Já a perenidade, está associada ao atendimento de necessidades públicas permanentes do serviço, 
voltadas para o funcionamento da Administração Pública. 
O conceito apresentado está em consonância com a IN nº 5/2017 – SEGES/MP: 
IN No 05/2017 
Art. 15. Os serviços prestados de forma contínua são aqueles que, pela sua essencialidade, 
visam atender à necessidade pública de forma permanente e contínua, por mais de um 
exercício financeiro, assegurando a integridade do patrimônio público ou o funcionamento 
das atividades finalísticas do órgão ou entidade, de modo que sua interrupção possa 
comprometer a prestação de um serviço público ou o cumprimento da missão 
institucional. 
Observa-se, então, a existência de 2 elementos, os quais caracterizam os serviços de natureza 
continuada: 
 Essencialidade – a falta do serviço pode comprometer a missão institucional; e 
 Perenidade – necessidade permanente do serviço. 
Não existe em nosso ordenamento jurídico um rol taxativo de atividades que podem ou não ser 
contratadas de forma continuada, essa classificação é casuística, ou seja, o serviço deve ser analisado 
no caso concreto para ser ou não considerado como serviço de natureza continuada. Vários são os 
serviços que podem ser considerados continuados, basta que estejam presentes os requisitos da 
essencialidade e da perenidade. 
Quanto à cessão da mão de obra, esta ocorre quando a empresa contratada (prestadora de serviços) 
tem que disponibilizar seus empregados para a execução de serviços, de forma exclusiva, nas 
dependências do contratante (tomador dos serviços) ou em outro lugar por este indicado. 
Este é o conceito de cessão da mão de obra previsto na IN nº 5/2017 – SEGES/MP e na legislação 
previdenciária, conforme dispositivos abaixo parcialmente transcritos: 
IN Nº 5/2017 – SEGES/MP 
Dos Serviços com Regime de Dedicação Exclusiva de Mão de Obra 
Art. 17. Os serviços com regime de dedicação exclusiva de mão de obra são aqueles em que o 
modelo de execução contratual exija, dentre outros requisitos, que: 
I – os empregados da contratada fiquem à disposição nas dependências da contratante 
para a prestação dos serviços; 
II – a contratada não compartilhe os recursos humanos e materiais disponíveis de uma 
contratação para execução simultânea de outros contratos; e 
III – a contratada possibilite a fiscalização pela contratante quanto à distribuição, controle e 
supervisão dos recursos humanos alocados aos seus contratos. 
Parágrafo único. Os serviços de que trata o caput poderão ser prestados fora das 
dependências do órgão ou entidade, desde que não seja nas dependências da contratada e 
presentes os requisitos dos incisos II e III. 
LEI Nº 8.212/1991 – LEI DE CUSTEIO 
Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, [...]. 
§ 3º Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão de obra a colocação à 
disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que 
realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, 
quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. 
REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL 
Art. 219. .................... 
[...] 
§ 1o Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende-se como cessão de mão de obra 
a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de 
segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da 
empresa, independentemente danatureza e da forma de contratação, inclusive por meio de 
trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. 
11 
 
 
Sendo assim, se o objeto do contrato for um serviço essencial e permanente para o cumprimento da 
missão institucional do órgão público e, se houver a execução por meio de disponibilização de mão 
de obra, de forma exclusiva, pela empresa contratada, estaremos diante de um contrato de 
terceirização. 
2.2 Responsabilidade da Administração Pública na terceirização de serviços 
Como todo e qualquer negócio jurídico, o contrato de terceirização envolve riscos ao contratante, 
sendo o maior deles a inadimplência das empresas terceirizadas com os trabalhadores ao fim do 
contrato. 
A inadimplência das empresas prestadoras de serviço com os trabalhadores terceirizados pode 
atribuir responsabilidade à Administração Pública, de forma solidária ou subsidiária, em relação aos 
encargos previdenciários e às verbas trabalhistas, respectivamente. 
2.2.1 Responsabilidade solidária por encargos previdenciários 
O primeiro dos riscos é a possibilidade de responsabilização da Administração Pública quanto aos 
encargos previdenciários inadimplidos pela contratada. 
Conforme artigo 71 da Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993 (Lei de Licitações que regulamentou o 
artigo 37, XXI da CF/88), a empresa contratada é responsável pelos encargos trabalhistas, 
previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato, sendo vedada a 
transferência dessa responsabilidade para a Administração Pública contratante, em caso de 
inadimplência da contratada. 
LEI Nº 8.666/1993 
Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e 
comerciais resultantes da execução do contrato. 
§ 1º A inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e 
comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu 
pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das 
obras e edificações, inclusive perante o registro de imóveis. 
§ 2º A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos 
previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei 
nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 
Todavia, em razão do disposto no § 2º do artigo 71 da Lei nº 8.666/1993 (redação incluída em 
28/4/1995 pela Lei nº 9.032/1995), a Administração Pública contratante pode vir a ser 
responsabilizada solidariamente, caso a contratada deixe de cumprir suas obrigações 
previdenciárias, decorrentes da execução de contratos com cessão de mão de obra. 
De acordo com os artigos 264 e 265 do Código Civil (CC), “há solidariedade, quando na mesma 
obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, 
à dívida toda” e “a solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes”. 
Como a lei estabeleceu que os encargos previdenciários são uma obrigação solidária, significa dizer 
que o credor poderá cobrar a dívida integralmente tanto do empregador quanto do tomador público, 
pois ambos são responsáveis pela obrigação. 
2.2.1.1 Substituição Tributária do INSS 
Em razão de determinação contida no artigo 31 da Lei nº 8.212/1991 (lei de custeio), o tomador de 
serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá efetuar a retenção de 11% (onze por 
cento) sobre o valor da nota fiscal, a título de antecipação de pagamento da contribuição 
previdenciária, atuando como substituto tributário: 
LEI Nº 8.212/1991 
Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, 
inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto 
da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente 
da mão de obra, a importância retida até o dia vinte do mês subsequente ao da emissão da 
respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver 
expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5º do art. 33 desta Lei. 
12 
 
 
Em razão da norma vigente, somente é aplicável a responsabilidade solidária da Administração 
Pública na hipótese prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/1991 (contratos de serviços executados 
mediante cessão de mão de obra / contratos de terceirização). 
Esse foi o entendimento considerado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 
[...] seja do ponto de vista da literalidade do disposto no art. 71, § 2o, na redação dada pela Lei 
9.032/1995, que faz expressa remissão ao art. 31, da Lei no 8.212/1991, seja do ponto de vista 
da interpretação histórica e teleológica deste dispositivo, combinado com o disposto no art. 
30, inciso VI, da mesma lei, a única conclusão possível é aquela segundo a qual a 
atribuição da responsabilidade por débitos previdenciários ao Poder Público 
restringiu-se aos contratos de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, 
de sorte que é incabível a responsabilização da Administração Pública nas hipóteses de 
contratos que tiverem por objeto a realização de obra pública, cuja previsão encontra-se 
no art. 30, inciso VI, da Lei no 8.212/1991. 
(Medida Cautelar 15.410/RJ, DJe 8/10/2009) 
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 
TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. CONTRIBUIÇÕES 
PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. 
INEXISTÊNCIA. REVISÃO. FATOS. SÚMULA 7/STJ. 
1.Nos contratos de cessão de mão-de-obra, a responsabilidade do tomador do serviço 
pelas contribuições previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação 
original do art. 31 da Lei no 8.212/1991, não comportando benefício de ordem, nos 
termos do art. 124 do Código Tributário Nacional. Precedentes. 
2.O Tribunal de origem negou a existência de cessão de mão-obra, no caso vertente, sendo 
vedado revolver tal quadro fático, sob pena de indevida incursão no arcabouço probatório 
dos autos. Inteligência da Súmula 7/STJ. 
(AgRg no REsp 1213709/SC, SEGUNDA TURMA, DJe 8/2/2013) 
No tocante à substituição tributária da Administração Pública, com a simples retenção na fonte de 
11% (onze por cento) sobre a nota fiscal da contratada, entende-se que não elimina a 
responsabilidade solidária da Administração prevista no artigo 71, § 2º, da Lei nº 8.666/1993 
pelas seguintes razões: 
 A retenção realizada pelo tomador dos serviços é mero adiantamento parcial de contribuição 
previdenciária, compensado quando do recolhimento da contribuição devida pela empresa 
contratada no mês seguinte; e 
 Não se pode afirmar pela simples retenção, que as contribuições dos empregados tenham sido 
corretamente retidas e devidamente recolhidas, tampouco que a contribuição patronal e demais 
encargos sociais tenham sido recolhidos. Para se assegurar disso, a Administração deve exigir e 
examinar documentos específicos, tais como: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do 
Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a folha de pagamento específica e a 
Guia da Previdência Social (GPS). 
Assim sendo, a Administração somente afastará a responsabilidade solidária caso se certifique, 
antes de cada pagamento devido à contratada, que o empregador prestou as devidas informações por 
meio da GFIP, com o correto recolhimento por meio da GPS, tanto das contribuições 
previdenciárias retidas dos funcionários vinculados ao contrato de prestação de serviços, 
quanto da respectiva contribuição patronal e encargos sociais incidentes sobre a folha de 
pagamento. 
2.2.2 Responsabilidade subsidiária por encargos trabalhistas 
Além do risco da responsabilização da Administração Pública quanto aos encargos previdenciários, 
há a possibilidade de a Administração responder de forma subsidiária em relação às obrigações 
trabalhistas, este é entendimento predominante da jurisprudência. 
Aresponsabilidade subsidiária na terceirização significa que o tomador/contratante somente será 
responsabilizado pela obrigação quando esgotadas todas as possibilidades de cobrar do principal 
responsável (empregador/contratada) a dívida trabalhista judicialmente reconhecida. 
13 
 
 
2.2.2.1 Divergência entre a Lei nº 8.666/1993 e a Súmula 331 do TST 
Conforme acima abordado, a inadimplência da contratada, em relação aos encargos decorrentes da 
execução do contrato, não transfere a responsabilidade para a Administração Pública, conforme 
expressamente previsto no artigo 71, § 1º da Lei nº 8.666/1993, in verbis: 
LEI Nº 8.666/1993 
Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e 
comerciais resultantes da execução do contrato. 
§ 1º A inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e 
comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu 
pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das 
obras e edificações, inclusive perante o registro de imóveis. 
Todavia, mesmo com o disposto no artigo 71 e § 1º, acima, antigamente, o tema era objeto do inciso 
IV da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), com a redação determinada pela 
Resolução nº 96/2000 (atualmente modificada), cujo entendimento era de que a Administração 
Pública, tomadora dos serviços, responderia de forma subsidiária e objetiva, no caso de 
inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador. 
Esse era o entendimento consolidado na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), 
item IV, com redação alterada no ano 2000: 
JURISPRUDÊNCIA DO TST 
Súmula 331 (redação anterior) 
IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a 
responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, 
inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações 
públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam 
participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da 
Lei nº 8.666, de 21.6.1993). 
A alteração da redação da Súmula 331, que incluiu, de forma expressa no seu tópico IV, a 
responsabilidade subsidiária dos órgãos da Administração Pública, derivou do julgamento do 
Incidente de Uniformização de Jurisprudência nº TST-IUJ-RR- 297.751/96, cuja ementa está abaixo 
parcialmente transcrita: 
JURISPRUDÊNCIA DO TST 
INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA – ENUNCIADO Nº 331 DO TST – 
RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – ART. 71 DA LEI 
Nº 8.666/1993. 
Embora o artigo 71 da Lei nº 8.666/1993 contemple a ausência de responsabilidade da 
Administração Pública pelo pagamento dos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e 
comerciais resultantes da execução do contrato, é de se consignar que a aplicação do referido 
dispositivo somente se verifica na hipótese em que o contratado agiu dentro de regras e 
procedimentos normais de desenvolvimento de suas atividades, assim como de que o próprio 
órgão da administração que o contratou pautou-se nos estritos limites e padrões da 
normatividade pertinente. Com efeito, evidenciado, posteriormente, o descumprimento 
de obrigações, por parte do contratado, entre elas as relativas aos encargos 
trabalhistas, deve ser imposta à contratante a responsabilidade subsidiária. Realmente, 
nessa hipótese, não se pode deixar de lhe imputar, em decorrência desse seu 
comportamento omisso ou irregular, ao não fiscalizar o cumprimento das obrigações 
contratuais assumidas pelo contratado, em típica culpa in vigilando, a responsabilidade 
subsidiária e, consequentemente, seu dever de responder, igualmente, pelas consequências 
do inadimplemento do contrato. Admitir-se o contrário, seria menosprezar todo um 
arcabouço jurídico de proteção ao empregado e, mais do que isso, olvidar que a 
Administração Pública deve pautar seus atos não apenas atenta aos princípios da 
legalidade, da impessoalidade, mas sobretudo, pelo da moralidade pública, que não 
aceita e não pode aceitar, num contexto de evidente ação omissiva ou comissiva, geradora de 
prejuízos a terceiro, que possa estar ao largo de qualquer corresponsabilidade do ato 
administrativo que pratica. Registre-se, por outro lado, que o art. 37, § 6º, da Constituição 
Federal consagra a responsabilidade objetiva da Administração, sob a modalidade de 
risco administrativo, estabelecendo, portanto, sua obrigação de indenizar sempre que 
cause danos a terceiro. Pouco importa que esse dano se origine diretamente da 
Administração, ou, indiretamente, de terceiro que com ela contratou e executou a obra ou 
serviço, por força ou decorrência de ato administrativo. 
(TST-IUJ-RR-297.751/96, DJ 20/10/2000) 
14 
 
 
Percebe-se que, segundo esse Incidente de Uniformização do TST, a atribuição da responsabilidade 
subsidiária decorre da culpa in vigilando da Administração na fiscalização dos contratos de 
terceirização, isto é, quando há uma fiscalização omissa ou negligente em relação ao cumprimento 
das obrigações trabalhistas pela contratada. 
Além disso, o TST entendeu que como o tomador dos serviços é beneficiário direito do trabalho 
executado pela mão de obra terceirizada, deverá ser responsabilizado subsdiariamente: 
JURISPRUDÊNCIA DO TST 
Agravo de instrumento em recurso de revista. Ente público. Responsabilização trabalhista 
de entes estatais terceirizantes. Súmula 331, IV/TST. A Súmula 331, IV/TST, ao estabelecer 
a responsabilidade subsidiária da entidade tomadora de serviços, tem o mérito de buscar 
alternativas para que o ilícito trabalhista não favoreça aquele que já foi beneficiário do 
trabalho perpetrado. Realiza, ainda, de forma implícita, o preceito isonômico, 
consubstanciado no art. 5º, caput e I, da CF. Agravo de Instrumento desprovido. 
(AIRR – 139440-31.1998.5.02.0315, DJ 13/6/2008) 
2.2.2.2 ADC-16 – STF e a nova redação da Súmula 331 do TST 
O judiciário trabalhista passou a condenar reiteradamente os órgãos públicos tomadores de serviço 
de mão de obra terceirizada, ocasionando em diversas Reclamações propostas ao Supremo Tribunal 
Federal (STF) contra as decisões da justiça do trabalho que aplicavam a Súmula 331 do TST, a qual 
negava vigência ao comando normativo expresso no artigo 71, § 1º da Lei no 8.666/1993. 
Tais reclamações arguiam basicamente que a aplicação do item IV da Súmula 331 do TST, por órgão 
fracionário de Tribunal, resultaria em desrespeito à Súmula Vinculante nº 10 do STF, pois, quando os 
juízes aplicavam a Súmula 331 do TST, havia a negativa implićita de vigência do § 1º do art. 71 da Lei 
nº 8.666/1993, uma vez que ocorria a declaração tácita de inconstitucionalidade do dispositivo, sem 
manifestação do Plenário ou do Órgão Especial, em observância ao artigo 97 da Constituição Federal. 
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 
Súmula Vinculante nº 10 
Viola a cláusula de reserva de Plenário (CF, artigo 97), a decisão de órgão fracionário de 
tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato 
normativo do poder público, afasta sua incidência no todo ou em parte 
Em 24/11/2010, o STF julgou a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 16, ajuizada pelo 
então Governador do Distrito Federal, em 7/3/2007, com o objetivo de impedir a aplicação da 
Súmula 331 do TST, e declarou a constitucionalidade do artigo 71, § 1º da Lei nº 8.666/1993, 
afastando a responsabilidade objetiva do Estado em casos de terceirização. 
JURISPRUDÊNCIA DO STF 
Responsabilidade contratual. Subsidiária. Contrato com a administração pública. 
Inadimplência negocial do outro contraente. Transferência consequente e automática dos 
seus encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, resultantes da execução do contrato, à 
administração. Impossibilidade jurídica. Consequência proibida pelo art., 71, § 1º, da Lei 
federal nº 8.666/1993.Constitucionalidade reconhecida dessa norma. Ação direta de 
constitucionalidade julgada, nesse sentido, procedente. Voto vencido. É constitucional a 
norma inscrita no art. 71, § 1º, da Lei federal nº 8.666, de 26 de junho de 1993, com a redação 
dada pela Lei nº 9.032, de 1995. 
(ADC 16, julgamento 24.11.2010; DJe 08-09-2011) 
Ao decidir, houve o entendimento entre os ministros no sentido de que o TST não poderia generalizar 
os casos e teria que investigar com mais rigor se a inadimplência tinha como causa principal a falha 
ou falta de fiscalização pelo órgão público contratante. 
Portanto, o STF vedou a responsabilização subsidiária dos órgãos públicos de modo 
automático, pelo simples inadimplemento trabalhista da empresa prestadora de serviços 
terceirizados, baseada em uma culpa presumida. Para que a responsabilização seja atribuída ao 
Poder Público, deve restar comprovada, no caso concreto, a presença da culpa in vigilando da 
entidade estatal, ou seja, sua desídia fiscalizatória quanto ao preciso cumprimento das obrigações 
trabalhistas da empresa terceirizante (responsabilidade subjetiva, derivada de culpa)3. 
 
3 DELGADO, Maurício Godinho, op. cit., p. 565. 
15 
 
 
O STF afastou dois fundamentos tradicionais para a responsabilização das entidades estatais: a 
responsabilidade objetiva e a responsabilidade subjetiva por culpa in eligendo, desde que havendo 
processo licitatório – circunstância que elidiria a ideia de culpa na escolha do contratante 
terceirizado.4 
Apesar de a ADC 16 ter sido julgada em 24/11/2010, a publicação do acórdão somente ocorreu em 
8/9/2011. Neste ínterim, o TST, ciente da tese aprovada pelo STF, e em razão dela, decidiu por meio 
da Resolução TST nº 174, de 24/5/2011, modificar novamente a Súmula 331, atribuindo nova 
redação ao seu item IV (aplicado à comunidade em geral) e acrescentando-lhe os itens V (aplicável 
às entidades estatais) e VI, conforme abaixo: 
JURISPRUDÊNCIA DO TST 
Súmula 331 (redação atual) 
I – A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo 
diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, 
de 3.1.1974). 
II – A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de 
emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, 
da CF/1988). 
III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância 
(Lei nº 7.102, de 20.6.1983) e de conservação e limpeza bem como a de serviços 
especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a 
subordinação direta. 
IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica 
a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, 
desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo 
judicial. 
V – Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem 
subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta 
culposa no cumprimento das obrigações da Lei nº 8.666, de 21.6.1993, especialmente na 
fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço 
como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das 
obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. 
VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas 
decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. 
Na essência, a responsabilidade subsidiária da Administração Pública foi mantida, acrescentando-se 
a necessidade de demonstração de sua conduta culposa. Ou seja, a responsabilidade passou da 
modalidade objetiva para subjetiva. 
Como consequência imediata da nova redação da Súmula 331 do TST, o judiciário trabalhista passou 
a verificar, no caso em concreto, a existência de conduta culposa da entidade estatal, caracterizada 
pela fiscalização omissa ou negligente, ou seja, culpa in vigilando. 
Logo, se o Poder Público não se desincumbe de seu dever-poder de fiscalizar, sendo omisso ou 
negligente nessa tarefa, a ponto de permitir que a empresa contratada descumpra livremente as 
obrigações legais e contratuais por ela assumidas e, assim, venha a causar prejuízos aos seus próprios 
trabalhadores, ele também é, nessa hipótese, responsável subsidiariamente pelas verbas trabalhistas 
que tiveram seu pagamento frustrado, nos termos expressos da Súmula 331 do TST. 
Em síntese, com base na nova redação da Súmula 331 do TST, no que diz respeito à gestão e 
fiscalização dos contratos de terceirização, tem-se a seguinte situação: 
 Haverá a responsabilidade subsidiária da Administração Pública, em que pese a redação do artigo 
71, § 1º da Lei de Licitações isentá-la; 5 
 A responsabilidade somente será possível quando houver culpa comprovada da Administração 
(fiscalização omissa ou negligente durante o curso do contrato administrativo e no seu 
encerramento, sem a plena observância dos direitos trabalhistas do empregado); 
 A culpa será analisada no caso concreto; 
 
4 DELGADO, Maurício Godinho, op. cit., p. 565. 
5 SANTOS, Diogo Palau Flores dos. Terceirização de serviços pela Administração Pública: estudo da responsabilidade 
subsidiária. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 116. 
16 
 
 
 Não havendo culpa da Administração, não lhe será imputada responsabilidade subsidiária; e 
 Havendo culpa, atribui-se a responsabilidade subsidiária; o gestor pode vir a ser responsabilizado 
em ação regressiva, em tomada de contas especial e no âmbito administrativo. 
Conforme item VI da nova redação da Súmula 331, a responsabilidade da Administração, como 
tomadora dos serviços, envolve todas as parcelas reclamadas pelo trabalhador, sejam encargos 
diretos ou indiretos, decorrentes da relação de emprego, referente ao período da prestação laboral. 
Destaca-se que o STF, em 26/4/2017, no RE 760.931, fixou a seguinte tese de repercussão geral: 
“O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere 
automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja 
em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei no 8.666/1993”. 
JURISPRUDÊNCIA DO STF 
7. O art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/1993, ao definir que a inadimplência do contratado, 
com referência aos encargos trabalhistas, não transfere à Administração Pública a 
responsabilidade por seu pagamento, representa legítima escolha do legislador, máxime 
porque a Lei nº 9.032/1995 incluiu no dispositivo exceção à regra de não responsabilização 
com referência a encargos trabalhistas. 
8. Constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/1993 já reconhecida por esta 
Corte em caráter erga omnes e vinculante: ADC 16, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal 
Pleno, julgado em 24/11/2010. 
Recurso Extraordinário parcialmente conhecido e, na parte admitida, julgado procedente 
para fixar a seguinte tese para casos semelhantes: “O inadimplemento dos encargos 
trabalhistas dos empregados do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público 
contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, 
nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/1993”. 
(RE 760.931/DF. Julgamento: 26.4.2017. DJe PUBLIC 12-09-2017) 
Desse modo, prevalece o entendimento de ser vedada a responsabilização automática da 
Administração Pública, só cabendo a sua condenação se houver prova inequívoca de sua conduta 
omissiva ou comissiva na fiscalização dos contratos.6 
Conclui-se, assim, que para a Administração Pública evitar a responsabilização nos contratos de 
terceirização, deverá se certificar, por meio de controles eficientes, de que a contratada cumpre todas 
as obrigaçõesprevidenciárias e trabalhistas, decorrentes da sua condição de empregador. 
Importante destacar que, na iniciativa privada, a empresa tomadora dos serviços e a empresa 
intermediadora de mão de obra estabelecem transação contratual com base na reputação das 
organizações, aumentando, assim, o grau de confiança entre os contratantes, levando, muitas vezes, 
a uma verdadeira parceria. 
Porém, essa não é a realidade no âmbito das contratações públicas, em razão da obrigatoriedade legal 
de prévio procedimento licitatório, para assegurar igualdade de condições a todos os interessados. 
Sendo assim, em observância ao princípio constitucional da impessoalidade, não é possível aos 
órgãos da Administração Pública escolherem os seus parceiros, de modo a reduzir o nível do risco 
contratual. 
Apesar disso, com o intuito de reduzir o nível do risco da contratação para a Administração Pública 
bem como inibir um possível comportamento oportunista das empresas contratadas, a própria Lei 
de Licitações exigiu a estipulação de cláusulas contratuais e garantias.7 
Na prática, a Administração Pública deve estabelecer as garantias para assegurar a plena execução 
contratual, podendo a empresa contratada escolher entre as seguintes modalidades: caução em 
dinheiro, títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária, conforme artigo 56, § 1º da 
Lei nº 8.666/1993. Para fins de segurança, exige-se, também, que a contratada mantenha todas as 
condições de habilitação e qualificação requeridas na licitação, durante toda a execução contratual. 
 
6 GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa; ALVARENGA, Rúbia Zanotelli de (Coord.). Terceirização de serviços e direitos sociais 
trabalhistas. São Paulo: LTr, 2017, p. 29. 
7 SANTOS, Diogo Palau Flores dos. Terceirização de serviços pela Administração Pública: estudo da responsabilidade 
subsidiária. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 53. 
17 
 
 
A necessidade de proteção varia conforme o nível do risco contratual. No caso dos contratos de 
terceirização, pode-se considerar que esse risco é alto, em razão da possibilidade de 
responsabilização da Administração Pública pela inadimplência da contratada quanto às obrigações 
trabalhistas e sociais dos empregados terceirizados. 
Consequentemente, quanto maior o risco, maiores devem ser as garantias estabelecidas, objetivando 
evitar o comportamento oportunista da empresa contratada. 
Observa-se que foi exatamente isso que fez com que a Administração Pública buscasse outros 
métodos, visando evitar não só a sua responsabilização, mas também eventual prejuízo econômico 
ao final do contrato. 
Dentre as práticas administrativas, destaca-se a criação da “Conta Vinculada”, como forma de elidir a 
responsabilidade subsidiária da Administração Pública. 
3 CONTA VINCULADA 
3.1 Origem 
Em razão da necessidade de controles para mitigar a responsabilidade solidária e subsidiária da 
Administração Pública, frente à eventual inadimplência da contratada quanto às obrigações 
previdenciárias e trabalhistas bem como em decorrência do conteúdo da Súmula 331 do TST, foi 
criada a conta vinculada específica para depósito de verbas previdenciárias e trabalhistas, referentes 
aos contratos de terceirização. 
3.2 Regulamentação da conta vinculada na esfera Federal 
3.2.1 Instrução Normativa CNJ nº 1/2008 – criação e utilização de conta vinculada pelo CNJ 
Em 8 de agosto de 2008, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de forma pioneira, editou a IN nº 
1/2008, criando um mecanismo de provisão dos direitos trabalhistas, aplicável somente às 
contratações do CNJ. 
Esse mecanisco foi a “Conta Vinculada”, criada com a finalidade explícita de mitigar os riscos 
associados aos contratos de terceirização, conforme revela o próprio preâmbulo da norma: 
CONSIDERANDO que o inadimplemento das obrigações trabalhistas pela empresa 
contratada para prestar serviços, mediante locação de mão de obra, implica a 
responsabilidade subsidiária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conforme julgados 
dos tribunais trabalhistas; 
CONSIDERANDO que os valores referentes às provisões de encargos trabalhistas são pagos 
mensalmente à empresa, a título de reserva, para utilização nas situações previstas em lei; 
Tal norma foi revogada em 5/4/2013 pela Instrução Normativa CNJ nº 49, em razão de 
regulamentação da mesma matéria por meio da Resolução CNJ nº 169/2013 (alterada pelas 
Resoluções CNJ nº 183/2013 e nº 248/2018). 
3.2.2 Resolução CNJ nº 98/2009 – criação da conta vinculada Poder Judiciário 
Em 10 de novembro de 2009, no intuito de preservar os órgãos do Poder Judiciário de possíveis ações 
trabalhistas, o Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução CNJ nº 98, criando a figura da conta 
corrente vinculada – bloqueada para movimentação, para utilização por todos os órgãos do 
Poder Judiciário Nacional (com exceção do STF, que não se submete às normas baixadas pelo CNJ), 
na qual deveria ser efetuado, mensalmente, o depósito de provisões de encargos trabalhistas 
relativos a férias, 13º salário, multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e encargos 
sobre as férias e 13º salário, valores esses glosados do valor mensal pago às empresas contratadas 
para prestar serviços de forma contínua, com cessão de mão de obra. 
Em 31 de janeiro de 2013, a Resolução CNJ nº 98/2009 foi revogada pela Resolução CNJ nº 169/2013 
(posteriormente alterada pelas Resoluções CNJ nº 183, de 24/10/2013 e nº 248, de 24/5/2018), a 
qual é atualmente utilizada pelos órgãos jurisdicionados aos CNJ e cujos atos e procedimentos 
necessários à sua aplicação no âmbito do CJF e da Justiça Federal de primeiro e segundo graus são 
padronizados pela Instrução Normativa do Conselho da Justiça Federal – CJF nº 1 de 11/4/2013. 
18 
 
 
RESOLUÇÃO Nº 98/2009 – CNJ (Revogada p/ Res nº 169/2013) 
Art. 1º Determinar que as provisões de encargos trabalhistas relativas a férias, 13º 
salário e multa do FGTS por dispensa sem justa causa, a serem pagas pelos Tribunais e 
Conselhos às empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua, sejam glosadas 
do valor mensal do contrato e depositadas exclusivamente em banco público oficial. 
Parágrafo único. Os depósitos de que trata o caput deste artigo devem ser efetivados em 
conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – aberta em nome da 
empresa, unicamente para essa finalidade e com movimentação somente por ordem do 
Tribunal ou Conselho Contratante. 
[...] 
Art. 4º O montante do depósito vinculado será igual ao somatório dos valores das 
seguintes provisões previstas para o período de contratação: 
I – 13º salário; 
II – Férias e Abono de Férias; 
III – Impacto sobre férias e 13º salário; 
IV – multa do FGTS. 
Parágrafo único: Os valores provisionados para o atendimento deste artigo serão obtidos pela 
aplicação de percentuais e valores constantes da proposta. 
3.2.3 IN nº 2/2008 (alterada pela IN nº 3/2009) – previsão da conta vinculada 
Em 15 de outubro de 2009, visando criar mecanismos de proteção e gestão de riscos na execução de 
contratos de prestação de serviço com dedicação exclusiva de mão de obra, contribuindo para 
assegurar os recursos necessários para o cumprimento das obrigações sociais e trabalhistas em caso 
de inadimplemento da contratada, a então Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), 
do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), editou a IN nº 3/2009, alterando a IN 
nº 2/2008, e incorporou a possibilidade de utilização da conta depósito vinculada – bloqueada 
para movimentação aos contratos de terceirização, incluindo o artigo 19-A, como forma de 
responder aos preceitos contidos na Súmula 331 do TST. 
IN Nº 3/2009 – alterou a IN nº 2/2008 
“Art. 19-A Em razão da súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o edital poderá 
conter ainda as seguintes regras para a garantia do cumprimento das obrigações trabalhistas 
nas contratações de serviços continuados comdedicação exclusiva da mão de obra: 
I – previsão de que os valores provisionados para o pagamento das férias, 13º salário e 
rescisão contratual dos trabalhadores da contratada serão depositados pela 
Administração em conta vinculada específica, conforme o disposto no anexo VII desta 
Instrução Normativa, que somente será liberada para o pagamento direto dessas verbas aos 
trabalhadores, nas seguintes condições: 
3.2.4 Acórdão TCU nº 1.214/2013 – não recomendação da conta vinculada 
Porém, em meados de 2010, em virtude dos inúmeros problemas na execução dos contratos 
administrativos de terceirização firmados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), causados pela 
incapacidade das empresas em cumprir o contrato e consequentemente honrar com os encargos 
trabalhistas decorrentes, o TCU criou um grupo de trabalho com a participação de representantes de 
vários órgãos da Administração Pública, cujo objetivo era tentar reduzir esses problemas. 
Este grupo, ao fim dos trabalhos, elaborou várias propostas para garantir a idoneidade das licitações, 
da execução e fiscalização dos contratos, as quais foram posteriormente objeto de discussão pelo 
Tribunal, culminando no Acórdão TCU nº 1.214/2013 – Plenário, de 22/5/2013, o qual endossou 
todas as recomendações e também determinou à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação 
do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SLTI/MP) a incorporação das recomendações 
apontadas pelo Grupo de Estudos na IN nº 2/2008. 
Dentre os assuntos discutidos pelo grupo, houve a não recomendação para utilização da conta 
vinculada, por considerar que a retenção dos valores, relativos a férias, décimo terceiro e multa sobre 
o FGTS das faturas das contratadas, seria ilegal, por constituir garantia excessiva à fixada pela 
Lei de Licitações. 
19 
 
 
Além da questão legal, o grupo de trabalho considerou também que o custo de operacionalização 
e controle das contas vinculadas seria muito oneroso para a Administração Pública, pois a 
grande maioria dos órgãos públicos não possuía condições técnicas e administrativas para executar 
as operações referentes à conta vinculada, em razão dos cálculos complexos e da rotatividade dos 
funcionários terceirizados, além do que, a adoção desse procedimento representaria 
interferência direta da Administração Pública na gestão da empresa contratada. 
Concluiu, então, o TCU que em razão da boa prática de gestão e os princípios do controle, que 
preconizam que “o custo do controle não deve exceder aos benefícios que dele decorram", 
não seria recomendável a utilização da conta vinculada, conforme previsão contida na IN 
nº 2/2008, alterada pela IN nº 3/2009. 
ACORDÃO TCU Nº 1214-17/2013 – Plenário 
I.g – Conta vinculada 
68. Além do rol de documentos fixados na IN/SLTI/MP nº 02/2008, um novo procedimento, 
com o objetivo de resguardar o Erário, está sendo introduzido na contratação de empresas 
terceirizadas pela Administração Pública: a retenção dos valores relativos a férias, décimo 
terceiro e multa sobre o FGTS, das faturas das contratadas, conforme orientação da Instrução 
Normativa mencionada. 
69. A respeito desse procedimento, cumpre destacar que o TCU já se manifestou sobre a 
questão, conforme Acórdãos nos 1937/2009-2ª Câmara e 4.720/2009-2ª Câmara. Na 
primeira oportunidade, orientou o Banco do Brasil a respeito da pertinência de se reter parte 
das faturas como garantia de pagamento de verbas trabalhistas. Na segunda, em grau de 
pedido de reexame interposto pela instituição bancária, o TCU compreendeu que a retenção 
desses valores é ilegal, pois constitui garantia excessiva àquela fixada pela Lei nº 8.666/1993. 
70. Além do aspecto legal do problema, há que se considerar que o processo de 
operacionalização dessas contas representa acréscimos ainda maiores aos custos de controle 
dos contratos terceirizados, pois são milhares de contas com infindáveis operações a serem 
realizadas. Os riscos são altos, especialmente para os servidores responsáveis por essas 
tarefas – é comum que os fiscais dos contratos não possuam os conhecimentos do sistema 
bancários necessários para o desempenho dessa atribuição. 
71. Por outro lado, o representante do Ministério da Fazenda no Grupo de Estudos acentuou 
que a operacionalização desse procedimento é simples. Segundo informa, os valores retidos 
são liberados sempre que a empresa demonstra que realizou algum pagamento com base nas 
parcelas que originaram a retenção, sem entrar em detalhes a respeito da fidedignidade dos 
cálculos realizados. 
72. Há que se considerar que, além do controle sobre cada uma dessas contas, a adoção desse 
procedimento representa interferência direta da Administração na gestão da empresa 
contratada. Sendo assim, nos parece que contribui ainda mais para que a Justiça do Trabalho 
mantenha o entendimento de que a União é responsável subsidiária pelas contribuições 
previdenciárias, FGTS e demais verbas trabalhistas. 
73. Por todo o exposto, o Grupo de Estudos conclui que a gestão dos contratos deve ser 
realizada da forma menos onerosa possível para o erário; compatível com os conhecimentos 
dos fiscais desses contratos; com critérios estatísticos e focados em atos que tenham impactos 
significativos sobre o contrato e não sobre erros esporádicos no pagamento de alguma 
vantagem. Nesse sentido, a utilização da conta bancária vinculada prevista na IN/SLTI/MP 
Nº 2/2008 não é indicada. 
3.2.5 Parecer nº 73/2013/DECOR/CGU/AGU – Licitude da conta vinculada 
Todavia, a Advocacia-Geral da União (AGU) por meio do Parecer nº 73/2013/DECOR/CGU/AGU, 
aprovado pelo Consultor-Geral da União em 10/12/2013, considerou imprescindível que a conta 
vinculada fosse prevista de forma expressa nos editais e contratos de fornecimento de mão de obra 
terceirizada, por entender que seria um mecanismo lícito e apto a contribuir para o 
afastamento da responsabilidade subsidiária no âmbito da Administração Pública Federal: 
PARECER Nº 73/2013/DECOR/CGU/AGU 
DIREITO ADMINISTRATIVO E DIREITO DO TRABALHO. LICITAÇÕES E CONTRATOS DE 
TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL. 
RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO PODER PÚBLICO PELO INADIMPLEMENTO DE 
VERBAS TRABALHISTAS A CARGO DA EMPRESA INTERPOSTA. JULGAMENTO DA ADC No 
16/DF E NOVA REDAÇÃO DO ENUNCIADO No 331, DA SÚMULA DO EG. TST. NECESSIDADE 
DE COMPROVAÇÃO DE CULPA IN ELlGENDO OU IN VIGILANDO. LICITUDE DOS INSTITUTOS 
20 
 
 
DA CONTA VINCULADA E DO PAGAMENTO DIRETO, PRECONIZADOS NO ART. 19-A, 
DA IN SLTI/MP Nº 2/2008. MECANISMOS QUE CONTRIBUEM PARA AFASTAR A 
RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA UNIÃO, SUAS AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES. 
DETERMINAÇÕES CONTIDAS NO ACÓRDÃO Nº 1214/2013 – TCU – PLENÁRIO. PREVISÃO 
OBRIGATÓRIA NOS EDITAIS E CONTRATOS. MEDIDAS A SEREM ADOTADAS PELAS 
UNIDADES CONSULTIVAS DA AGU JUNTO A SEUS ASSESSORADOS PARA EVITAR A 
RESPONSABILlZAÇÃO FULCRADA NO REFERIDO ENTENDIMENTO SUMULADO. 
I – Em face do decidido no julgamento da ADC nº 16/DF e da nova redação conferida ao 
Enunciado nº 331, da Súmula do eg. TST, é atualmente necessário que se comprove a culpa in 
eligendo ou in vigilando do Poder Público para que se possa responsabilizá-lo 
subsidiariamente pelo inadimplemento de verbas trabalhistas a cargo de empresa de 
terceirização de mão de obra por ele contratada; 
II – Constituem mecanismos lícitos e aptos a contribuir sobremaneira para o 
afastamento da sobredita responsabilidade subsidiária no âmbito da Administração 
Pública Federal direta, autárquica e fundacional os institutos da conta vinculada e do 
pagamento direto, hospedados no art. 19-A, I e IV, da IN SLTI/MP no 2/2008, considerando-
se, por isso mesmo, imprescindível sua expressa previsão nos editais e contratos de 
fornecimento de mão de obra terceirizada; 
III – Visando a evitar que a União e seus entes sejam condenados com fulcro no Enunciado nº 
331, da Súmula do eg. TST, as unidades consultivas da AGU deverão orientar seus 
assessorados a observar rigorosamenteos ditames da IN SLTI/MP nº 2/2008 e as 
determinações expedidas no Acórdão nº 1214/2013 – TCU – Plenário, não só realizando 
efetiva fiscalização da execução dos contratos de fornecimento de mão de obra terceirizada, 
mas também documentando todos os atos praticados no exercício desse dever-poder, e, em 
conjunto com as unidades contenciosas, realizar encontros em que seja esclarecida a 
necessidade de elidir a responsabilização trabalhista subsidiária do ente público e 
apresentados os meios adequados para alcançar esse propósito. 
O entendimento da AGU foi de que a conta vinculada não equivale a um fundo de reserva e, por 
conseguinte, não representa uma garantia imprevista na legislação, o que a tornaria inexigível, mas 
uma forma diferenciada de pagamento, na qual os valores que se destinam ao pagamento de 13º 
salário, férias e rescisão contratual aos trabalhadores terceirizados são separados, pelo ente público 
contratante, dos valores de outras verbas trabalhistas e, depositados em uma conta bancária distinta, 
que só poderá ser movimentada pela empresa contratada quando da ocorrência dos eventos 
previstos nas alíneas “a” e “b” do inciso I do artigo 19-A da IN nº 2/2008. 
3.2.6 IN nº 2/2008 (alterada pela IN 6/2013) obrigatoriedade da conta vinculada 
Em acolhimento ao Acórdão nº 1.214/2013 do TCU, o Ministério do Planejamento editou, em 
23/12/2013, a Instrução Normativa nº 6/2013, alterando a IN nº 2/2008 para incluir em seu texto 
as recomendações do TCU. 
Não obstante a manifestação e recomendação do TCU pela não utilização da conta vinculada, o 
Ministério do Planejamento julgou pertinente a continuidade de utilização da ferramenta, e, ao editar 
a IN nº 6/2013, não só manteve a conta vinculada, como ajustou a redação do dispositivo: modificou 
a possibilidade de utilização para uma obrigação de utilização da conta vinculada. Entretanto, 
fez constar no Art. 19-A, § 2º, a possibilidade de não utilização da conta vinculada, desde que 
devidamente comprovada e justificada a sua inviabilidade. 
IN Nº 6/2013 – alterou a IN nº 2/2008 
“Art. 19-A. O edital deverá conter ainda as seguintes regras para a garantia do 
cumprimento das obrigações trabalhistas nas contratações de serviços continuados com 
dedicação exclusiva de mão de obra: 
I – previsão de provisionamento de valores para o pagamento das férias, 13o (décimo 
terceiro) salário e verbas rescisórias aos trabalhadores da contratada, que serão 
depositados pela Administração em conta vinculada específica, conforme o disposto no 
Anexo VII desta Instrução Normativa; 
[...] 
§ 2o Os casos de comprovada inviabilidade de utilização da conta vinculada deverão ser 
justificados pela autoridade competente. 
 
21 
 
 
3.2.7 Acórdão TCU nº 2328/2015 – estudo custo-benefício da conta vinculada 
O próprio TCU se manifestou posteriormente quanto à necessidade de avaliação do custo-benefício 
na utilização da conta vinculada e recomendou à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação 
(SLTI/MPOG) que reavaliasse a obrigatoriedade de utilização da conta vinculada. 
ACORDÃO TCU Nº 2328- 37/2015 – Plenário 
9.1. recomendar, com fundamento no art. 43, inciso I, da Lei no 8.443/1992, c/c o art. 250, 
inciso III, do RI/TCU, à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI/MP) 
que: 
[...] 
9.1.2. elabore estudo de avaliação de custo-benefício e de riscos relacionados à 
utilização da conta vinculada e, com base nos resultados obtidos, verifique as 
possibilidades de manter, ou não, o procedimento e de prever a adoção de outras formas de 
controle, como, por exemplo, aquelas suscitadas no Acórdão 1.214/2013-Plenário; 
VOTO 
[...] 
V.2 – Utilização da Conta Vinculada 
52. A conta vinculada consiste em instrumento de controle utilizado para retenção dos 
valores relativos a férias, décimo terceiro e multa sobre o FGTS, das faturas das empresas de 
terceirização de serviços, com liberação das quantias após comprovação de adimplemento 
das respectivas obrigações pela contratada. Tal procedimento visa a resguardar a União, na 
condição de responsável subsidiária, em caso de não recolhimento das parcelas trabalhistas 
pelas empresas. No âmbito da APF, a obrigatoriedade de adoção da conta vinculada encontra-
se prevista no art. 1º da Resolução/CNJ 169/2013 e no art. 19-A, inciso I, da IN/SLTI 2/2008. 
53. Quando da prolação do Acórdão 1.214/2013-Plenário, foi levantada questão no sentido 
de que o procedimento possa se constituir em prática excessivamente onerosa em 
confronto com outras formas de fiscalização, tendo em vista dificuldades para 
operacionalizar o controle da conta vinculada, especialmente dificuldades no cálculo 
de valores a serem liberados, e ações judiciais relativas a outros contratos que bloqueiam 
os recursos depositados. Todavia, não houve a formulação de providência específica sobre o 
assunto. 
54. Neste trabalho, a equipe retomou a questão para argumentar que esse mecanismo 
deveria ser submetido a avaliação de risco e de custo-benefício em face de indícios de 
onerosidade em sua aplicação. Consequentemente, foi proposto recomendar à SLTI que 
reavaliasse a obrigação da utilização da conta vinculada, levando em consideração o 
custo do procedimento e outras alternativas de fiscalização suscitadas pelo Acórdão 
1.214/2013-Plenário (combinação de controles, amostragem, supervisão, etc.). 
55. Em sua manifestação, a SLTI informou que está em processo de revisão o normativo 
que trata da contratação dos serviços terceirizados, com avaliação da possibilidade de 
definir as situações passíveis, ou não, de adoção da referida conta, em conjunto com a inclusão 
de requisitos mais rigorosos na qualificação técnica e econômico-financeira. 
56. Segundo avalio, a questão da utilização realmente precisa ser estudada com maior 
profundidade. De fato, há indícios de que, em determinadas situações, o procedimento possa 
se afigurar oneroso. Todavia, há que se admitir que podem ocorrer outras situações em que 
o procedimento seja o mais apropriado, considerando os recursos humanos disponíveis e as 
condições específicas de cada contratação. De todo modo, não se pode esquecer que a conta 
vinculada oferece ao gestor segurança no gerenciamento do contrato, assegurando que ele 
não será responsabilizado e a Administração não será onerada, caso a empresa contratada 
não honre com suas obrigações trabalhistas. 
57. Em vista da intenção da SLTI de revisar as normas a respeito do tema, penso que se possa 
alterar a proposta da equipe no sentido de formular recomendação para que a unidade 
jurisdicionada elabore estudo de avaliação de custo-benefício e de riscos relacionados à 
utilização da conta vinculada e, com base nos resultados obtidos, verifique as possibilidades 
de manter, ou não, o procedimento e de prever a adoção de outras formas de controle, como, 
por exemplo, aquelas suscitadas no Acórdão 1.214/2013-Plenário. 
3.2.8 IN nº 5/2017 (revogou a IN nº 2/2008) – inclusão pagamento pelo fato gerador 
Após reestruturação ocorrida em 2017 no Governo Federal, com consequente alteração da estrutura 
do então Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MP), a competência para as 
atividades de gestão dos recursos de logística sustentável passou a ser da Secretaria de Gestão – 
SEGES/MP, a qual efetuou uma revisão da IN nº 2/2008, culminando, em 26/5/2017, na edição da 
Instrução Normativa nº 5/2017, que revogou a IN nº 2/2008 e renovou a possibilidade de 
utilização da conta-depósito vinculada – bloqueada para movimentação. 
22 
 
 
Esta nova IN assim tratou sobre o gerenciamento de riscos referentes à responsabilidade solidária e 
subsidiária da Administração Pública nos contratos de terceirização: 
IN Nº 5/2017 
Art. 18. Para as contratações de que trata o art. 17, o procedimento sobre Gerenciamento de 
Riscos, conforme especificado nos arts. 25 e 26, obrigatoriamente contemplará o risco de 
descumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e com FGTS da contratada. 
§ 1º Parao tratamento dos riscos previstos no caput, poderão ser adotados os seguintes 
controles internos: 
I – Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação, conforme disposto em 
Caderno de Logística, elaborado pela Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento, 
Desenvolvimento e Gestão; ou 
II – Pagamento pelo Fato Gerador, conforme disposto em Caderno de Logística, elaborado 
pela Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. 
§ 2º A adoção de um dos critérios previstos nos incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser 
justificada com base na avaliação da relação custo-benefício. 
§ 3º Só será admitida a adoção do Pagamento pelo Fato Gerador após a publicação do Caderno 
de Logística a que faz referência o inciso II do § 1º deste artigo. 
§ 4º Os procedimentos de que tratam os incisos do § 1º deste artigo estão disciplinados 
no item 1 do Anexo VII-B. 
O item 1 do Anexo VII-B da IN nº 5/2017 trouxe dois mecanismos de controle interno para mitigar o 
risco de descumprimento das obrigações previdenciárias, trabalhistas e com o FGTS pela contratada, 
quais sejam: Conta-Depósito Vinculada – bloqueada para movimentação e Pagamento pelo 
Fato Gerador, devendo a Administração escolher um dos dois mecanismos para fazer constar as 
regras do procedimento escolhido no edital do procedimento licitatório. 
A escolha de um dos mecanismos deverá ser justificada pela Administração com base na avaliação da 
relação custo-benefício. 
Apesar disso, a própria IN nº 5/2017 trouxe um efeito suspensivo à aplicação do mecanismo de 
controle “Pagamento pelo Fato Gerador”, pois condicionou a sua utilização à publicação do 
Caderno de Logística. A publicação do mencionado caderno somente ocorreu em 7/11/2018. 
ANEXO VII-B – DIRETRIZES ESPECÍFICAS PARA ELABORAÇÃO DO ATO CONVOCATÓRIO 
1. Dos mecanismos de controle interno: 
1.1. Para atendimento do disposto no art. 18, o ato convocatório deverá conter uma das 
seguintes regras: 
a) Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação; ou 
b) Pagamento pelo Fato Gerador; 
1.1.1.A adoção do Pagamento pelo Fato Gerador só é admitida após publicação do Caderno de 
Logística a que faz referência o inciso II do § 1° do art. 18, desta Instrução Normativa. 
1.2. No caso da Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação, os órgãos e 
entidades deverão adotar: 
a) provisionamento de valores para o pagamento das férias, 13º (décimo terceiro) salário e 
verbas rescisórias aos trabalhadores da contratada, que serão depositados pela 
Administração em Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação, conforme 
Anexos XII e XII-A; 
b) previsão de que o pagamento dos salários dos empregados pela empresa contratada 
deverá ser feito por depósito bancário, na conta dos empregados, em agências situadas na 
localidade ou região metropolitana em que ocorre a prestação dos serviços; 
c) a obrigação da contratada de, no momento da assinatura do contrato, autorizar a 
Administração contratante a reter, a qualquer tempo, a garantia na forma prevista no subitem 
3.1 do Anexo VII-F desta Instrução Normativa; 
d) a obrigação da contratada de, no momento da assinatura do contrato, autorizar a 
Administração contratante a fazer o desconto nas faturas e realizar os pagamentos dos 
salários e demais verbas trabalhistas diretamente aos trabalhadores bem como das 
contribuições previdenciárias e do FGTS, quando estes não forem adimplidos; 
e) disposição prevendo que a contratada deverá viabilizar, no prazo de 60 (sessenta) dias, 
contados do início da prestação dos serviços, a emissão do Cartão Cidadão expedido pela 
Caixa Econômica Federal para todos os empregados; 
23 
 
 
f) disposição prevendo que a contratada deverá viabilizar, no prazo de 60 (sessenta) dias, 
contados do início da prestação dos serviços, o acesso de seus empregados, via internet, por 
meio de senha própria, ao sistema da Previdência Social, com o objetivo de verificar se as suas 
contribuições previdenciárias foram recolhidas; 
g) disposição prevendo que a contratada deverá oferecer todos os meios necessários aos seus 
empregados para obtenção de extrato de recolhimento sempre que solicitado pela 
fiscalização. 
1.3. Quando não for possível a realização dos pagamentos a que se refere o item “d” do 
subitem 1.2 acima pela própria Administração, esses valores retidos cautelarmente serão 
depositados junto à Justiça do Trabalho, com o objetivo de serem utilizados exclusivamente 
no pagamento de salários e das demais verbas trabalhistas bem como das contribuições 
sociais e FGTS. 
1.4. Em caso de impossibilidade de cumprimento do disposto no item “b” do subitem 1.2 
acima, a contratada deverá apresentar justificativa, a fim de que a Administração possa 
verificar a realização do pagamento. 
1.5. Os valores provisionados na forma do item “a” do subitem 1.2 acima, somente serão 
liberados nas seguintes condições: 
a) parcial e anualmente, pelo valor correspondente ao 13º (décimo terceiro) salário dos 
empregados vinculados ao contrato, quando devido; 
b) parcialmente, pelo valor correspondente às férias e a 1/3 (um terço) de férias previsto na 
Constituição, quando do gozo de férias pelos empregados vinculados ao contrato; 
c) parcialmente, pelo valor correspondente ao 13º (décimo terceiro) salário proporcional, às 
férias proporcionais e à indenização compensatória porventura devida sobre o FGTS, quando 
da dispensa de empregado vinculado ao contrato; e 
d) ao final da vigência do contrato, para o pagamento das verbas rescisórias. 
1.6. O saldo existente na Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação apenas 
será liberado com a execução completa do contrato, após a comprovação, por parte da 
empresa, da quitação de todos os encargos trabalhistas e previdenciários relativos ao serviço 
contratado. 
1.7. No caso do Pagamento pelo Fato Gerador, os órgãos e entidades deverão adotar os 
seguintes procedimentos: 
a) Serão objeto de pagamento mensal pela Administração à contratada, a depender da 
especificidade da contratação, o somatório dos seguintes módulos que compõem a planilha 
de custos e formação de preços, disposta no Anexo VII – D: 
1. Módulo 1: Composição da Remuneração; 
2. Submódulo 2.2: Encargos Previdenciários e FGTS; 
3. Submódulo 2.3: Benefícios Mensais e Diários; 
4. Submódulo 4.2: Intrajornada; 
5. Módulo 5: Insumos; e 
6. Módulo 6: Custos Indiretos, Tributos e Lucro (CITL), que será calculado tendo por base as 
alíneas acima. 
b) Os valores referentes a férias, 1/3 (um terço) de férias previsto na Constituição, 13º 
(décimo terceiro) salários, ausências legais, verbas rescisórias, devidos aos trabalhadores 
bem como outros de evento futuro e incerto não serão parte integrante dos pagamentos 
mensais à contratada, devendo ser pagos pela Administração à contratada somente na 
ocorrência do seu fato gerador; 
c) As verbas discriminadas na forma da alínea “b” acima somente serão liberadas nas 
seguintes condições: 
c.1. pelo valor correspondente ao 13º (décimo terceiro) salário dos empregados vinculados 
ao contrato, quando devido; 
c.2. pelo valor correspondente às férias e a 1/3 (um terço) de férias previsto na Constituição, 
quando do gozo de férias pelos empregados vinculados ao contrato; 
c.3. pelo valor correspondente ao 13º (décimo terceiro) salário proporcional, férias 
proporcionais e à indenização compensatória porventura devida sobre o FGTS, quando da 
dispensa de empregado vinculado ao contrato; 
c.4. pelos valores correspondentes às ausências legais efetivamente ocorridas dos 
empregados vinculados ao contrato; e 
c.5. outras de evento futuro e incerto, após efetivamente ocorridas, pelos seus valores 
correspondentes. 
24 
 
 
1.8. A não ocorrência dos fatos geradores discriminados na alínea “b” acima não gera 
direito adquirido para a contratada das referidas verbas ao final da vigência do 
contrato, devendo o pagamento seguir as regras previstas no instrumento contratual e 
anexos.Como o órgão que expediu a IN nº 5/2017 é da estrutura do Poder Executivo Federal, comumente 
questiona-se: “A área administrativa dos órgãos e entidades dos demais Poderes da União, dos 
Estados e dos Municípios está obrigada a observar as prescrições dessa Instrução Normativa? 
Apesar de os órgãos e as entidades dos Poderes Legislativo e Judiciário da União Federal, do Ministério 
Público bem como dos demais entes federados (Estados, DF e Municípios) poderem ter normas 
próprias, é recomendável que, na inexistência de norma interna, ou lacuna na norma existente, tais 
órgãos e entidades adotem e apliquem as disposições das instruções normativas emanadas do MP. 
Não obstante, no âmbito do Distrito Federal, foi editado, em 15 de março de 2018, o Decreto 
nº 38.934 que determinou a adoção da IN nº 5/2017: 
DECRETO DF Nº 38.934, DE 15 DE MARÇO DE 2018 
Art. 1º Aplicam-se às contratações de serviços, continuados ou não, no âmbito da 
Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal, no que couber, as 
disposições da Instrução Normativa nº 5, de 25 de maio de 2017, da Secretaria de Gestão 
do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. 
Art. 2º Os contratos formalizados anteriormente à publicação deste Decreto e que não se 
conformem com o disposto no Anexo VI-B da Instrução Normativa de que trata o artigo 
anterior, podem ser renovados em conformidade com as regras editalícias e a legislação de 
regência. 
Art. 3º Este Decreto entra em vigor 90 dias após a data de sua publicação. 
Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário, em especial o Decreto nº 36.063, de 26 de 
novembro de 2014. 
Pelo que parece, todo esse imbróglio acerca da utilização ou não da conta vinculada pelo Poder 
Público Federal ainda está longe de ser resolvido. Enquanto isso, esse instrumento continua sendo 
utilizado pelo Poder Judiciário Federal e por vários órgãos públicos. 
Observa-se que a conta vinculada na área federal não é regulamentada por lei em sentido 
estrito, pois não existe uma lei emanada do Poder Legislativo disciplinando a matéria. A conta 
vinculada é regulamentada por uma Instrução Normativa do Ministério do Planejamento e uma 
Resolução do CNJ, esta para o âmbito do Poder Judiciário. 
3.3 Legislação da conta vinculada no âmbito do Distrito Federal 
Diferentemente da esfera federal, no Distrito Federal a conta corrente vinculada – bloqueada para 
movimentação foi criada pela Lei Distrital nº 4.436, de 23 de agosto de 2011 (alterada pela Lei 
Distrital nº 5.313/2014) e regulamentada pelo Decreto Distrital nº 34.649, de 10 de setembro de 
2013 (alterado pelo Decreto Distrital nº 36.164/2014). 
3.3.1 A Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 4831-DF 
Em 10 de agosto de 2012, a Lei Distrital nº 4.636/2011 foi objeto de ação direita de 
inconstitucionalidade – ADI 4831 – DF, proposta pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, 
Serviços e Turismo (CNC). 
A autora da ADI alegou que o diploma legal violava o disposto no artigo 37, inciso XXI, da Constituição 
Federal de 1988 – CF/88, que somente permitiria nos processos de licitação, o estabelecimento das 
exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das 
obrigações. 
Além disso, a requerente sustentou que a lei distrital em exame ofendia a competência da União para 
dispor sobre normas gerais em matéria de licitação e contratação, prevista no artigo 22, inciso XXVII, 
da CF/88. 
25 
 
 
A Relatora da ADI, Ministra Rosa Weber, solicitou informações à Câmara Legislativa do Distrito 
Federal e ao Governador do DF bem como determinou a oitiva do Advogado Geral da União (AGU) e 
do Procurador Geral da República (PGR). 
Tanto o AGU quanto o PGR manifestaram-se pela improcedência do pedido da requerente, 
sugerindo a declaração de constitucionalidade da Lei nº 4.636/2011 – DF. 
O AGU defendeu a compatibilidade do diploma legal impugnado com os parâmetros constitucionais 
mencionados pela requerente, uma vez que a competência legislativa da União se restringe à 
definição de normas gerais sobre licitação e contratação, sendo permitido, por consequência, aos 
Estados-membros, ao Distrito Federal e aos Municípios a edição de normas específicas sobre o 
assunto, para adaptar a legislação federal às suas realidades locais. 
Quanto ao exercício de referida competência legislativa pelo Distrito Federal, destacou o AGU, 
“compatibiliza-se com a autonomia conferida a esse ente pelo artigo 32, caput e § 1o, da Carta Maior, 
que lhe assegura a capacidade de autolegislação”. 
Quanto à ofensa ao artigo 37, XXI da CF/88, alegada pelo autor, o AGU concluiu que a Lei Distrital não 
contempla requisito de ordem econômica para a participação no processo licitatório, mas apenas 
prevê forma de remuneração dos contratos, que contribui para evitar a responsabilização da 
Administração Pública quanto aos encargos trabalhistas devidos pelas empresas contratadas. 
A ADI 4831- DF ainda não foi julgada pelo STF, e o processo encontra-se concluso à Relatora, desde 
29/4/2016. 
3.3.2 Decisão TCDF Nº 3209/2017 
Em abril de 2016, o TCDF realizou auditoria cujo o objeto abrangeu os contratos de prestação de 
serviços continuados, no âmbito da Administração Direta e Indireta do Distrito Federal, referente à 
fiscalização da Administração Pública quanto aos encargos trabalhistas devidos pelas contratadas. 
Um dos objetivos da auditoria foi avaliar a suficiência das medidas adotadas pelo GDF para mitigar a 
responsabilidade subsidiária da Administração Pública prevista na Súmula 331 do TST, em relação 
aos contratos de prestação de serviços continuados no âmbito dos órgãos e entidades do Distrito 
Federal. 
A equipe de auditoria do TCDF constatou que, em contraposição ao disposto na Lei Distrital 
nº 4.636/2011, regulamentada pelo Decreto Distrital nº 34.649/2013, “nenhum ente da 
Administração Direta e Indireta do DF firmou Acordo de Cooperação Técnica com o BRB, com 
vistas a operacionalizar as contas vinculadas para retenção dos encargos trabalhistas devidos 
pelas empresas contratadas para prestação de serviços continuados”, ou seja, não havia contas 
vinculadas em funcionamento no complexo administrativo distrital, embora a regulamentação do 
decreto supracitado tenha iniciado sua vigência em 9/12/2013, possibilitando que os recursos pagos 
pelo poder público distrital, relativos aos encargos trabalhistas, fossem utilizados pelas contratadas 
para fim diverso. 
Em razão do Relatório Final de Auditoria, o Plenário do TCDF, em 6/7/2017, proferiu a Decisão 
nº 3.209/2017, na qual estabeleceu prazo para que o BRB e todo o complexo administrativo 
do DF adotassem providências para a imediata operacionalização de contas vinculadas aos 
contratos de terceirização, visando dar cumprimento à Lei Distrital nº 4.636/2011. 
DECISÃO TCDF Nº 3.209/2017 
[...] 
II – determinar: 
a) ao Banco de Brasília S.A. (BRB) que: 
1) no prazo de 90 (noventa) dias, adote providências para a imediata operacionalização de 
contas vinculadas para provisionar os encargos trabalhistas dos contratos de prestação de 
serviços continuados firmados pelo Complexo Administrativo do Distrito Federal, nos termos 
do Decreto nº 34.649/2013, informando a esta Corte as medidas adotadas e/ou em curso, no 
mesmo prazo (Achado 01); 
2) informar a todo o complexo administrativo do Distrito Federal o cumprimento do item 1 
acima, imediatamente após a operacionalização demandada; 
26 
 
 
b) ao Complexo Administrativo do Distrito Federal que: 
1) no prazo de 60 (sessenta) dias, a contar do efetivo cumprimento da diligência constante do 
item “II-a-2” pelo Banco de Brasília S.A. (BRB), adotem providências com vistas à formalização 
de Acordo de Cooperação Técnica com o BRB, com o objetivo de operacionalizar as contas 
vinculadas para provisão de encargos trabalhistas, informando as medidas adotadas e/ou em 
curso (Achado 01), enviando a esta Corte a documentação comprobatória;2) doravante façam constar da rotina de fiscalização de contratos de prestação de serviços 
continuados com dedicação de mão de obra exclusiva, procedimentos documentados de 
controle do cumprimento de obrigações trabalhistas pelos contratados previstos na IN 
nº 02/2008-SLTI/MPOG, recepcionada pelo Distrito Federal pelo Decreto Distrital 
nº 36.063/2014, especialmente no diz respeito ao Anexo IV, desde a assinatura do contrato, 
ou de sua renovação, até sua extinção ou rescisão (Achado 02); 
3) inclua nas próximas contratações bem como nas prorrogações de contratos vigentes, no 
termo de contrato ou em seus aditivos cláusulas relativas à retenção provisória e mensal de 
provisões trabalhistas em conta vinculada aberta no BRB, em atenção ao parágrafo único do 
art. 1º do Decreto Distrital nº 34.649/2013 (Achado 01); 
III – recomendar: 
a) à Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) que, no âmbito de suas competências, 
inclua nas tomadas e prestações de contas anuais dos órgãos e entidades da Administração 
Direta e Indireta do Distrito Federal o exame dos mecanismos de controle destinados a 
mitigar a responsabilidade subsidiária da Administração Pública distrital nos contratos para 
prestação de serviços continuados com exclusividade de mão de obra, em atenção ao Decreto 
Distrital nº 36.063/2014 e à IN nº 02/2008-SLTI/MPOG (Achado 2); 
4 CONTA VINCULADA NO ÂMBITO DO DISTRITO FEDERAL 
A partir desse ponto da apostila, serão abordados os procedimentos visando à implantação e 
operacionalização da conta vinculada no âmbito do Distrito Federal, com base na Lei nº 4.636/ 
2011, alterada pela Lei nº 5.313/2014 e no Decreto nº 34.649/2013, alterado pelo Decreto 
nº 36.164/2014, anexos ao final da apostila. 
4.1 O que é a conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação? 
A conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação, aqui chamada somente de conta 
vinculada, é um instrumento de gestão e gerenciamento de riscos para as contratações de 
serviços continuados com dedicação exclusiva de mão de obra pela Administração Pública, 
contribuindo para assegurar os recursos necessários ao cumprimento das obrigações sociais e 
trabalhistas, em caso de inadimplemento da contratada. 
O principal objetivo da conta vinculada é garantir a existência de recursos financeiros para fazer 
face à parte significativa dos encargos e direitos trabalhistas dos empregados terceirizados 
em atividade no Poder Público do Distrito Federal. 
4.2 Depósitos 
A empresa contratada em vez de receber o valor total mensal previsto contratualmente, terá 
destacado, desse montante, rubricas relativas a alguns encargos trabalhistas, que serão depositados 
na conta vinculada. 
A conta vinculada é destinada exclusivamente à provisão de valores referentes às rubricas para 
pagamento de férias, abono de férias, 13º salário, multa do FGTS e encargos sociais sobre férias e 13º 
salário dos trabalhadores da empresa contratada, que se encontram alocados no órgão. 
A conta vinculada é aberta em nome da contratada e as verbas depositadas pertencem à empresa. 
Contudo, a contratada não poderá movimentar o dinheiro sem autorização da Administração 
contratante.8 
 
8 VIANNA, Flavia Daniel. Contratos administrativos de serviços continuados com dedicação exclusiva de mão 
de obra e a “conta-depósito vinculada – bloqueada para movimentação”. Fórum de Contratação e Gestão 
Pública – FCGP, Belo Horizonte, ano 15, n. 177, p. 34-36, set. 2016. 
27 
 
 
Cabe destacar que os valores destinados a essa conta referem-se à despesa pública incorrida, uma 
vez que a conta é de titularidade da contratada para execução de serviços terceirizados, sendo que a 
remuneração financeira dos valores depositados, ao final da vigência do contrato administrativo, 
pertencerá legitimamente à prestadora dos serviços. 
4.3 Saques/Liberações 
Os recursos provisionados na conta vinculada ficam resguardados e somente serão liberados com 
expressa autorização do órgão contratante, nas seguintes hipóteses: 
1) para pagamento de verbas trabalhistas referentes às férias e 13º salário dos terceirizados; 
2) para pagamento dos encargos sociais sobre férias e 13º salário; 
3) para pagamento de verbas rescisórias, inclusive a multa do FGTS por demissão sem justa causa, 
em caso de desligamento de trabalhadores alocados no órgão; ou 
4) ao final da vigência do contrato administrativo. 
A autorização da Administração para saque/liberação de valores da conta vinculada somente 
ocorrerá com a apresentação dos documentos comprobatórios da ocorrência das obrigações 
trabalhistas ou sociais pela empresa contratada. 
4.4 Aspecto positivo e aspectos negativos para utilização de conta vinculada 
O aspecto positivo para utilização da conta vinculada pela Administração Pública é a segurança que 
este instrumento oferece ao gestor de contratos de terceirização, pois assegura que a Administração 
não será onerada, caso a empresa contratada não honre com as suas obrigações trabalhistas e 
previdenciárias. 
Quanto aos aspectos negativos, trazidos pelo grupo de trabalho coordenado pelo TCU, em que 
culminou o Acórdão 1.214/2013, são os seguintes: 
1) Custo de transação: cálculos das retenções e das liberações de valores retidos; extensa 
documentação para conferência, que demanda considerável esforço dos servidores; e falta de 
servidores qualificados nos diversos órgãos para efetuar os cálculos necessários e conferência 
de documentação trabalhista e previdenciária; 
2) Ações judiciais relativas a outros contratos que bloqueiam os recursos depositados, 
ocasionando a ineficácia do dispositivo. 
4.5 Bloqueio judicial 
Apesar de constar no nome da conta vinculada “bloqueada para movimentação”, este bloqueio se 
refere apenas à impossibilidade de a empresa contratada, titular da conta, efetuar saques nesta conta 
corrente, pois as liberações somente serão efetuadas com a autorização da contratante. Esta conta 
também não permite outros tipos de depósito. 
Apesar de informação do BRB de que esta conta não está sujeita a bloqueios judiciais, não há 
segurança absoluta de que esta conta está totalmente isenta de sofrer bloqueios pela justiça do 
trabalho, para pagamento de reclamações trabalhistas da empresa contratada, principalmente em 
relação a trabalhadores de outros contratos, prejudicando a eficácia desse mecanismo de controle. 
Na esfera federal, as contas vinculadas, administradas pelo Banco do Brasil (BB), eram objeto de 
bloqueios da justiça do trabalho, inclusive via BACEN-JUD, prejudicando a finalidade da conta 
vinculada aberta pelo órgão contratante. Com o objetivo de trazer maior segurança para as contas 
vinculadas aos contratos de terceirização, em novembro/2013, o BB criou uma conta específica, que 
não é visualizada no BANCEN-JUD, denominada “Depósito em Garantia”, substituindo a antiga conta 
vinculada. 
 
28 
 
 
5 PLANEJAMENTO PARA IMPLANTAÇÃO DE CONTA VINCULADA 
5.1 Providências preliminares para a implantação de conta vinculada 
Para a implantação e operacionalização das contas vinculadas aos contratos de terceirização, há 
necessidade de providências preliminares pelos órgãos contratantes, visando a sua efetiva utilização. 
Dentre as providências, temos as seguintes: 
a) Formalizar Acordo de Cooperação Técnica com instituição financeira; 
b) Designar as unidades administrativas responsáveis pela gestão e controle das contas vinculadas; 
c) Estabelecer e prever em ato convocatório as diretrizes específicas quanto ao funcionamento da 
conta vinculada. 
5.1.1 Acordo de Cooperação Técnica com o BRB 
O primeiro passo para a implantação das contas vinculadas é a formalização do Acordo de 
Cooperação Técnica com uma instituição financeira. 
Em razão do que consta no artigo 7º do Decreto nº 34.649/2013, os órgãos públicos do DF deverão 
formalizar esse Acordo de Cooperação Técnica com o Banco de Brasília (BRB), pormeio de minuta-
padrão fornecida pelo BRB, anexa ao final da apostila. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 7º Os órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal 
deverão formalizar Acordo de Cooperação Técnica com o BRB, no prazo de 30 (trinta) 
dias a contar da publicação deste Decreto, para sua operacionalização. 
5.1.2 Designação de unidades administrativas para gestão das contas vinculadas 
Há necessidade de os órgãos designarem as unidades administrativas que farão a gestão e o controle 
da conta vinculada, estabelecendo as rotinas e fluxo operacional para: as retenções mensais; as 
conferências mensais de saldo; as liberações parciais com a apuração de valores e conferência de 
documentação; e a liberação do saldo ao encerramento do contrato. 
5.1.3 Disposições obrigatórias no edital e no contrato administrativo 
Há necessidade de fazer constar nos editais licitatórios e nos contratos de prestação de serviço 
continuados, com cessão de mão de obra, cláusulas relativas à operacionalização da conta vinculada, 
conforme diretrizes constantes na Lei nº 4.636/2011e Decreto nº 34.649/2013. 
Deverão ser incluídas informações sobre: 
a) Procedimentos para abertura da conta vinculada junto ao BRB; 
b) Despesas para abertura e manutenção da conta vinculada; 
c) As rubricas e valores que serão retidos e destinados à conta vinculada; 
d) Procedimentos para liberação de valores durante a execução do contrato; e 
e) Providências para liberação do saldo da conta vinculada quando do encerramento do contrato. 
5.2 Encargos trabalhistas e sociais que são objeto de provisão 
Os encargos sociais e trabalhistas que deverão ser objeto de provisão e depositados na conta corrente 
vinculada – bloqueada para movimentação são: 13º salário; férias e abono de férias (1/3 
constitucional); encargos sociais sobre 13º salário e férias; e multa do FGTS, conforme previsão 
contida no artigo 2º do Decreto nº 34.649/2013: 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 2º Para os fins deste Decreto são consideradas as seguintes provisões trabalhistas: 
I – 13º salário; 
II – férias e abono de férias; 
III – impacto sobre férias e 13º salário; e 
IV – multa do FGTS. 
29 
 
 
Cada um desses encargos será analisado detalhadamente nos itens 8 e 9 desta apostila, oportunidade 
em que se abordará a origem legal, a metodologia de cálculo, os dispositivos relevantes e questões 
controversas sobre os encargos. 
Também será apresentada, nos itens 13, 15 e 16 desta apostila, a documentação hábil para 
comprovar o adimplemento desses encargos, com destaque para o que se deve conferir. O 
conhecimento dessa documentação é fundamental tanto para os servidores que atuam no 
gerenciamento da conta vinculada, quanto na fiscalização dos contratos de terceirização. 
6 IMPLEMENTAÇÃO DE CONTA VINCULADA 
Após a homologação do procedimento licitatório referente à contratação de empresa para prestação 
de serviços continuados com cessão de mão de obra, e a adjudicação do objeto à empresa vencedora 
do certame, o órgão deverá adotar providências necessárias à implementação da conta vinculada ao 
contrato de terceirização. 
6.1 Abertura de conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação 
A abertura da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação deverá ser solicitada pelo 
órgão contratante, mediante ofício direcionado ao BRB, antes da assinatura do contrato de prestação 
de serviços, de acordo com o artigo 7º da Lei Distrital nº 4.636/2011. 
Conforme disciplina o artigo 2º, parágrafo único, da mencionada lei, a conta vinculada deverá ser 
aberta em nome da empresa, unicamente para a finalidade de depósito das provisões sociais e 
trabalhistas e com movimentação somente por ordem do órgão contratante. 
No momento da abertura da conta vinculada, a empresa contratada deverá assinar termo específico 
junto ao BRB, que permita ao órgão contratante ter acesso aos saldos e extratos e vincule a 
movimentação dos valores depositados à sua autorização. 
LEI DF Nº 4.636/2011 
Art. 2º As provisões de encargos trabalhistas relativas a férias, décimo-terceiro salário e 
multa do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por dispensa sem justa causa, a 
serem pagas pelos órgãos e entidades dos Poderes Públicos do Distrito Federal a empresas 
contratadas para prestar serviços de forma contínua, serão glosadas do valor mensal do 
contrato e depositadas exclusivamente em banco público oficial. 
Parágrafo único. Os depósitos de que trata o caput devem ser efetivados em conta corrente 
vinculada – bloqueada para movimentação – aberta em nome da empresa, unicamente 
para essa finalidade e com movimentação somente por ordem do órgão ou entidade 
contratante. 
[...] 
Art. 7º A assinatura do contrato de prestação de serviços entre o órgão contratante e a 
empresa vencedora do certame será precedida dos seguintes atos: 
I – solicitação pelo órgão contratante, mediante ofício, de abertura de conta corrente 
vinculada – bloqueada para movimentação – no nome da empresa, conforme disposto no art. 
2º desta Lei, na forma do regulamento; 
II – assinatura, pela empresa a ser contratada, no ato da regularização da conta corrente 
vinculada – bloqueada para movimentação –, de termo específico da instituição financeira 
oficial que permita ao órgão contratante ter acesso aos saldos e extratos e vincule a 
movimentação dos valores depositados à sua autorização, na forma do regulamento. 
Conforme artigo 5º do Decreto Distrital nº 34.649/2013, para cada contrato, deverá haver uma conta 
vinculada equivalente, aberta em nome da empresa. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 5º Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o total mensal pago, sendo que 
o montante retido representará a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, na 
forma do anexo deste Decreto. 
§ 1º As provisões retidas do valor mensal do contrato serão depositadas exclusivamente em 
conta corrente vinculada, aberta em nome da empresa, unicamente para essa finalidade e com 
movimentação mediante prévia e expressa autorização do órgão ou entidade contratante. 
30 
 
 
§ 2º Para cada contrato formalizado com os órgãos e entidades da Administração Pública 
Direta e Indireta do Distrito Federal, haverá uma conta vinculada aberta em nome da 
empresa. 
[...] 
Art. 9º A assinatura ou renovação do contrato de prestação de serviços será precedida de: 
I – solicitação formal do órgão ou entidade contratante da abertura de conta corrente 
vinculada, em nome da empresa; 
II – assinatura pela contratada de termo específico do BRB que permita ao órgão ou 
entidade contratante ter acesso aos extratos diários e mensais; 
III – autorização da contratada para que a conta vinculada somente seja movimentada 
após determinação do órgão ou entidade contratante; 
Conforme a redação dos dispositivos legais, antes mesmo da assinatura do contrato entre o órgão e 
a empresa vencedora do certame, o órgão deverá encaminhar ofício solicitando ao BRB a abertura da 
conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação. 
Em qual agência do BRB a empresa deverá abrir a conta vinculada? Na agência que o órgão 
escolher ou na agência que a contratada escolher? 
Conforme consta na minuta do Acordo de Cooperação Técnica do BRB, a agência do BRB para 
abertura da conta vinculada será a de preferência da empresa contratada, uma vez que a 
empresa também deverá providenciar nesta agência, além da conta vinculada, a abertura de conta-
corrente de relacionamento, na qual será efetuado o pagamento da folha dos seus funcionários, em 
razão do que consta no artigo 9º, V do Decreto nº 34.649/2013, bem como abertura de contas-salário 
dos empregados vinculados ao contrato de prestação de serviço, conforme artigo 9º, IV do mesmo 
Decreto. 
MINUTA ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA BRB 
CLÁUSULA TERCEIRA – DO FLUXO OPERACIONAL 
A abertura, captação e movimentação dos recursos dar-se-ão conforme o fluxo operacional a 
seguir: 
I – O Órgão ou Entidade firma o Contratocom a EMPRESA CONTRATADA; 
II – O Órgão ou Entidade providencia confecção de ofício endereçada ao BRB Banco de Brasília 
S/A, direcionado ao Gerente Geral da Agência de preferência da EMPRESA 
CONTRATADA, com o propósito de autorizar a abertura da Conta Vinculada de cada contrato. 
III – O Banco providencia: 
a) Abertura da Conta Vinculada; 
b) Comunicação ao Órgão ou Entidade sobre o número da Conta Vinculada aberta conforme 
solicitação bem como eventuais rejeições indicando seus motivos; 
c) Documento autorizativo, de cada EMPRESA CONTRATADA, para que o Órgão ou 
Entidade tenha acesso aos saldos e extratos de sua conta vinculada para movimentar a 
conta com a finalidade de pagamento dos encargos previstos na regulamentação da Lei 
Distrital nº 4.636/2011. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 9º A assinatura ou renovação do contrato de prestação de serviços será precedida de: 
[...] 
IV – autorização da contratada para que o BRB somente efetue o pagamento das provisões 
definidas no art. 2º deste Decreto em conta-salário do trabalhador, aberta no BRB; 
V – termo de compromisso firmado pela empresa de que os pagamentos de salário e 
similares serão realizados exclusivamente por meio do BRB. 
6.1.1 Fluxo operacional para abertura da conta vinculada 
1º) O órgão encaminhará ofício à empresa vencedora da licitação para que providencie a abertura e 
indique conta-corrente de relacionamento junto ao BRB; 
2º) O órgão encaminhará ofício endereçado à agência do BRB (escolhida pela futura contratada), 
solicitando a abertura de conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação, em nome 
da empresa (conforme modelo constante no Acordo de Cooperação Técnica); 
31 
 
 
3º) O BRB deverá encaminhar ao órgão contratante, o comprovante de abertura da conta corrente 
vinculada, no qual deverão constar os dados necessários à sua movimentação bancária. 
4º) Caberá ao BRB adotar as providências necessárias à regularização da abertura da conta 
vinculada, convocando a empresa para fornecer os documentos necessários e autorizar o acesso 
irrestrito do órgão contratante aos saldos, aos extratos e às movimentações. 
5º) O órgão providenciará a assinatura do contrato. 
6º) Os dados bancários referentes à conta vinculada deverão ser informados à área financeira, ao 
executor do contrato e à unidade que fará a gestão e controle da conta vinculada. 
6.1.2 Comprovante de abertura da conta corrente vinculada 
 
ATENÇÃO! 
Ao receber o comprovante de abertura da conta, conferir se realmente é “Comprovante Abertura de 
Conta Vinculada”, pois só esta é bloqueada para movimentação, enquanto a conta corrente simples 
não é bloqueada. 
 
A seguir, são apresentados 2 modelos de comprovante de abertura de conta corrente utilizado pelo 
BRB: o 1º modelo é o que deve ser recebido pelo órgão, referente à abertura de conta corrente 
vinculada – bloqueada para movimentação, conforme estabelece a Lei nº 4.636/2011. Já o 2º 
modelo, é um comprovante de abertura de conta corrente simples. 
 
32 
 
 
Comprovante de abertura de conta vinculada 
 
 
 
 
33 
 
 
Comprovante de abertura de conta corrente sem bloqueio 
 
 
 
34 
 
 
6.2 Abertura de contas-salário dos empregados 
Em razão do artigo 9º, IV e V do Decreto nº 34.649/2013, a empresa contratada deverá efetuar o 
pagamento dos salários dos funcionários, via BRB, por meio de conta-salário, uma vez que deverá 
firmar termo de compromisso junto àquela instituição bancária. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 9º A assinatura ou renovação do contrato de prestação de serviços será precedida de: 
[...] 
IV – autorização da contratada para que o BRB somente efetue o pagamento das provisões 
definidas no art. 2º deste Decreto em conta-salário do trabalhador, aberta no BRB; 
V – termo de compromisso firmado pela empresa de que os pagamentos de salário e 
similares serão realizados exclusivamente por meio do BRB. 
Para melhor entender o que é a conta-salário e o seu funcionamento, destacam-se algumas 
informações obtidas junto ao site do Banco Central do Brasil. 
6.2.1 O que é conta-salário? 
A conta-salário9 é uma conta aberta por iniciativa e solicitação do empregador para efetuar o 
pagamento de salários aos seus empregados. Essa conta não é uma conta de depósitos à vista, pois 
somente admite créditos efetuados pelo empregador que abriu a conta, não sendo admitidos 
depósitos de quaisquer outras fontes. 
A conta-salário não é aberta por iniciativa do empregado. Para abertura da conta-salário é necessário 
que o empregador contrate um banco para prestar o serviço de pagamento dos salários de seus 
empregados. Além disso, o empregador é responsável pela identificação dos beneficiários. 
O banco contratado, visando assegurar a entrega dos recursos ao real beneficiário pode solicitar 
informações adicionais e documentos comprobatórios do próprio beneficiário para fins de 
identificação. 
6.2.2 Portabilidade do salário 
O empregado pode solicitar a transferência automática dos recursos creditados pelo empregador na 
conta-salário para uma conta de depósitos de sua titularidade em outro banco, sem custos. Esse 
mecanismo assegura a “portabilidade do salário”. Essa transferência automática deve ser realizada 
no mesmo dia do crédito feito pelo empregador, até às 12h. Outra opção é a transferência do salário 
para conta de depósitos à vista, de titularidade do empregado, no próprio banco contratado pelo 
empregador, caso o empregado opte por abrir uma conta de depósitos nesse banco ou já tenha uma 
conta aberta no banco escolhido por seu empregador para abertura da conta-salário. 
6.2.3 Pode a instituição financeira descontar empréstimo na conta-salário? 
O desconto de prestações de operações de crédito diretamente na conta-salário somente é admitido 
se o empregado beneficiário do pagamento autorizar, prévia e formalmente, a sua realização. No 
caso da transferência automática para a conta de depósitos indicada pelo beneficiário (portabilidade 
do salário), a transferência deverá ser realizada pelo valor líquido, após o desconto do valor da 
prestação da operação de crédito, autorizado pelo empregado. 
6.2.4 Podem ser cobradas tarifas pela utilização da conta-salário? 
É vedada a cobrança de tarifas pela utilização da conta-salário para a transferência automática dos 
recursos para conta de depósitos no próprio ou em outro banco (portabilidade do salário) e para: 
a) fornecimento de cartão magnético, a não ser nos casos de pedidos de reposição decorrentes de 
perda, roubo, danificação e outros motivos não imputáveis à instituição financeira; 
b) realização de até cinco saques, por evento de crédito; 
c) acesso a pelo menos duas consultas mensais ao saldo nos terminais de autoatendimento ou 
diretamente no guichê de caixa; 
 
9 Regulamentada pela Resolução CMN nº 3.402/2006, alterada pelas Resoluções nº 3.424/2006 e nº 4.684/ 
2018. 
35 
 
 
d) fornecimento, por meio dos terminais de autoatendimento ou diretamente no guichê de caixa, 
de pelo menos dois extratos contendo toda a movimentação da conta nos últimos trinta dias; 
e) manutenção da conta, inclusive no caso de não haver movimentação. 
O empregado beneficiário dos pagamentos pode optar por não abrir conta de depósitos à vista ou de 
poupança e utilizar a conta-salário para usufruir de outros serviços bancários. Nesse caso, é admitida 
a cobrança de tarifas por esses serviços ou pela realização de saques e consultas acima da quantidade 
gratuita prevista. A realização de transferências de valores, em situações que não configurem 
portabilidade automática dos créditos, também pode acarretar a cobrança de tarifas. 
6.3 Retenção de valores e depósito em conta vinculada 
As provisões mensais realizadas pelo órgão contratante para pagamento dos encargos sociais e 
trabalhistas dos empregados da empresa contratada, serão retidas do valor mensal do contrato e 
depositadas na conta vinculada aberta em nomeda contratada. 
O valor do depósito mensal à conta vinculada será igual ao somatório dos valores das seguintes 
provisões: 
a) 13º salário; 
b) Férias e abono de férias (1/3 constitucional); 
c) Multa do FGTS; e 
d) Encargos previdenciários e FGTS sobre o 13º salário e as férias. 
6.4 Passo a passo para depósito das provisões em conta vinculada 
1º) O executor do contrato, mensalmente, receberá a nota fiscal referente aos serviços prestados 
pela contratada no mês anterior; 
2º) Emitirá o Relatório circunstanciado atestando a execução dos serviços e informará qual o valor 
a ser destinado à conta vinculada; 
3º) O executor encaminhará a nota fiscal para pagamento; 
4º) A área financeira providenciará o pagamento da nota fiscal com a retenção do valor informado 
pelo executor; 
5º) A área financeira emitirá uma Ordem Bancária (OB) destinada à conta corrente vinculada, aberta 
em nome da empresa contratada. 
Qual o valor de cada provisão a ser retido da fatura mensal da empresa contratada e 
depositado na conta vinculada? 
7 BASE DE CÁLCULO DOS ENCARGOS 
A empresa contratada, no momento da assinatura do contrato, deve conhecer o valor que será retido 
mensalmente do seu pagamento e depositado na conta vinculada aberta em seu nome. Para tanto, 
precisa-se compreender a composição dos encargos que serão destinados à conta vinculada. 
7.1 Composição da provisão mensal destinada à conta vinculada 
Apresentam-se os seguintes questionamentos em relação às dúvidas existentes quanto à 
metodologia de cálculo, utilizada pelo órgão contratante, para apurar o valor da provisão mensal 
destinada à conta vinculada: 
1) Qual a base de cálculo a ser utilizada para apurar as verbas objeto de provisão? 
a. Remuneração do empregado? 
b. Salário do empregado? 
2) Qual o percentual de cada encargo a ser provisionado? 
a. Percentual fixo e estabelecido na licitação? 
b. Percentual constante na planilha de custo e formação de preços apresentada pela contratada? 
36 
 
 
3) O percentual é o mesmo para todos os contratos de terceirização ou varia de empresa para 
empresa? 
Em razão desses questionamentos, serão abordados alguns pontos importantes para melhor 
entender a composição da provisão e a metodologia utilizada para calcular o valor a ser destinado 
mensalmente à conta vinculada. 
7.2 Base de cálculo 
Para identificar qual a base de cálculo a ser utilizada para apurar o valor mensal a ser destinado à 
conta vinculada, primeiramente, é importante distinguir salário de remuneração. 
7.2.1 Salário 
Salário é o montante fixo de dinheiro que o empregador paga ao empregado mensalmente, como 
contraprestação pelos serviços prestados, em decorrência do contrato de trabalho. O salário base do 
trabalhador é definido em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 
ou por Sentença proferida em Dissídio Coletivo. 
7.2.2 Remuneração 
Já a remuneração é um termo mais amplo do que salário, pois representa o conjunto das prestações 
recebidas habitualmente pelo empregado, pela prestação de serviços. A remuneração é composta, 
além do salário, por: horas-extras, adicional noturno, adicional de insalubridade, adicional de 
periculosidade, Descanso Semanal Remunerado (DSR), intrajornada, comissões, prêmios habituais, 
entre outros. 
 
ATENÇÃO! 
A remuneração (e não o salário) é que deverá ser utilizada como base de cálculo para apurar o valor 
devido ao empregado (direito trabalhista), referente ao 13º salário, às férias e à rescisão contratual. 
 
7.2.3 Base de cálculo pelo Decreto nº 34.649/2013 
Apesar de a remuneração do trabalhador ser a base de cálculo de seus direitos trabalhistas, o artigo 
5º do Decreto nº 34.649/2013, inicialmente, estabeleceu que o percentual de retenção das provisões 
para a conta vinculada deveria incidir sobre o valor total mensal pago à contratante, ou seja, sobre o 
valor total da nota fiscal do mês. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 5º Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o total mensal pago, sendo 
que o montante retido representará a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, 
na forma do anexo deste Decreto. 
Posteriormente, houve alteração da redação do artigo 5º por meio do Decreto nº 36.164/2014, no 
qual estabeleceu que o percentual de retenção das provisões deveria incidir sobre o valor do 
salário bruto dos empregados vinculados ao contrato de terceirização. 
DECRETO DF Nº 36.164/2014 
Art. 5º – Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o valor do salário bruto, e 
considerar-se-á como montante retido a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, 
na forma do anexo deste Decreto. 
[...] 
§ 3º – Não serão considerados para efeitos de cálculo os reflexos de hora-extra. 
Todavia, de forma inusitada, ocorreu, simultaneamente, a inclusão do § 3º no artigo 5º, estabelecendo 
que não deveria ser considerado para efeito de cálculo os reflexos de hora-extra. Pergunta-se: como 
a hora-extra pode vir a refletir no cálculo da retenção, já que a base de cálculo da retenção é o valor 
do salário bruto e a hora-extra faz parte da remuneração do empregado? 
Outra contradição expressa no Decreto nº 34.649/2013, consta em seu anexo, cujo título da tabela 
consta “Percentuais incidentes sobre a remuneração para contingenciamento de encargos 
trabalhistas”. Tal incoerência permaneceu no Decreto nº 36.164/2014, que apesar de alterar os 
percentuais da tabela, não alterou o seu título. 
37 
 
 
 
Diante disso, conclui-se que havendo contradição entre o anexo e o texto do Decreto, prevalece este 
último como regra primeira, pois os anexos têm a função de complementar ou particularizar os 
preceitos contidos na norma e nunca se opor aos seus ditames. 
Logo, a remuneração é a base de cálculo para apurar o valor das verbas trabalhistas, enquanto 
o salário é a base de cálculo para as provisões trabalhistas destinadas à conta vinculada, 
conforme previsão normativa. 
Posto isso, percebe-se que os valores retidos a título de 13º salário, férias e multa do FGTS trata-se 
de mera antecipação, sendo que quando houver a ocorrência do fato gerador de tais direitos, o valor 
definitivo a ser pago ao terceirizado deverá ser de acordo com a legislação trabalhista e 
previdenciária. 
7.3 Percentual 
Para compreender o percentual que pode vir a ser aplicado sobre a base de cálculo definida, e apurar 
o valor da provisão a ser destinada mensalmente à conta vinculada, deve-se, inicialmente, diferenciar 
os encargos trabalhistas dos encargos sociais (previdenciários, FGTS e demais contribuições) e 
conhecer algumas informações pontuais importantes para a gestão da conta vinculada. 
8 ENCARGOS TRABALHISTAS 
As provisões trabalhistas resguardadas pela conta vinculada correspondem às parcelas de 
13º salário, férias e abono de férias de cada trabalhador vinculado ao contrato de prestação de 
serviços com cessão de mão de obra. 
8.1 13º Salário 
8.1.1 Direito do trabalhador ao 13º salário 
O 13º salário é um direito do trabalhador com origem na Constituição da República Federativa do 
Brasil de 1988 (CF/88) e consiste no pagamento de um salário extra ao trabalhador, na proporção 
de 1/12 por mês trabalhado, sobre a remuneração percebida no mês de dezembro, também 
conhecido como gratificação natalina. 
CF/88 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria 
de sua condição social. 
[...] 
VIII – décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da 
aposentadoria. 
A reforma trabalhista promovida pela Lei nº 13.467/2017 não afetou em nada afetou esse direito do 
trabalhador, pelo contrário, prescreveu a vedação para que tal direito seja suprimido ou reduzido 
por norma coletiva de trabalho, conforme artigo 611-B. 
 
38 
 
 
CLT 
Art. 611-B. Constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, 
exclusivamente, a supressão ou a redução dos seguintes direitos: (Incluído pelaLei nº 13.467, 
de 2017) 
[...] 
V – valor nominal do décimo terceiro salário; 
Os valores relativos ao 13º salário possuem natureza salarial e são de pagamento obrigatório a todos 
os trabalhadores legalmente registrados, proporcionalmente ao período trabalhado naquele 
exercício financeiro. 
8.1.2 13º salário proporcional 
Exclusivamente em casos de o trabalhador não haver completado os 12 (doze) meses de efetivo 
trabalho, poderá o valor ser pago proporcionalmente na ordem de 1/12 avos por mês trabalhado. 
A fração do mês trabalhado igual ou superior a 15 dias será considerado como o mês na 
integralidade, conforme previsto no § 2º do artigo 1º da Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, que 
instituiu a gratificação natalina. 
LEI Nº 4.090/1962 
Art. 1º – No mês de dezembro de cada ano, a todo empregado será paga, pelo empregador, 
uma gratificação salarial, independentemente da remuneração a que fizer jus. 
§ 1º – A gratificação corresponderá a 1/12 avos da remuneração devida em dezembro, 
por mês de serviço, do ano correspondente. 
§ 2º – A fração igual ou superior a 15 (quinze) dias de trabalho será havida como mês 
integral para os efeitos do parágrafo anterior. 
[...] 
Art. 2º – As faltas legais e justificadas ao serviço não serão deduzidas para os fins previstos 
no § 1º do art. 1º desta Lei. 
Art. 3º – Ocorrendo rescisão, sem justa causa, do contrato de trabalho, o empregado receberá 
a gratificação devida nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 1º desta Lei, calculada sobre a 
remuneração do mês da rescisão. 
8.1.3 Metodologia de cálculo 
Deve-se considerar a remuneração mensal devida ao empregado no mês de dezembro, e será pago o 
valor equivalente a 1/12 dessa remuneração por mês trabalhado no ano correspondente, 
observando que a fração do mês igual ou superior a 15 dias deverá ser considerada como mês 
integral, conforme esclarecido no item 8.1.2 dessa apostila. 
No caso de rescisão contratual, deverá ser considerada a remuneração do mês do desligamento do 
empregado e feito o cálculo de forma proporcional. 
8.1.4 Percentual para depósito na conta vinculada 
O percentual para contingenciamento mensal, para assegurar o direito do 13º salário ao trabalhador, 
equivale a 8,33% (1/12 por mês). 
8.1.5 Parcelamento do 13º salário e prazo de pagamento 
Em regra, o pagamento do 13º salário é realizado em 2 parcelas, devendo a 1ª parcela ser paga até 
o fim do mês de novembro, a título de adiantamento, cujo valor corresponderá à metade do valor da 
remuneração do trabalhador, sem descontos. 
Já a 2ª parcela, equivale à remuneração do mês de dezembro, descontados os encargos 
previdenciários, imposto de renda e o valor antecipado na 1ª parcela, devendo ser paga até o dia 
20 de dezembro, conforme artigo 1º da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965, que versou sobre o 
pagamento da gratificação natalina e artigo 1º do Decreto nº 57.155, de 3 de novembro de 1965, que 
regulamentou a gratificação natalina. 
8.1.5.1 Requerimento de adiantamento do 13º salário pelo empregado 
O empregado poderá requerer o adiantamento da 1ª parcela do 13º salário por ocasião de 
suas férias, conforme § 2º do artigo 2º da Lei º 4.749/1965, desde que solicite até o dia 31 de 
janeiro do ano correspondente, sendo o valor equivalente à metade do seu salário no mês anterior 
ao gozo das férias. 
39 
 
 
8.1.6 Contribuição Previdenciária (INSS) e FGTS sobre o 13º salário 
Destaca-se que a incidência da contribuição previdenciária somente ocorrerá sobre o valor 
total a título de 13º salário, sendo calculada em separado do salário do empregado. 
Por esse motivo, é que não há incidência do INSS na parcela antecipada, sendo aplicada a contribuição 
previdenciária somente quando ocorre o pagamento da 2ª parcela ou da parcela única do 13º salário. 
Como a tabela de contribuição do INSS é progressiva, se o cálculo do INSS sobre o 13º salário for 
realizado em conjunto com o salário mensal do trabalhador, pode acontecer de ser utilizada uma 
alíquota maior. 
LEI Nº 4.749/1965 
Art. 1º – A gratificação salarial instituída pela Lei no 4.090, de 13 de julho de 1962, será paga 
pelo empregador até o dia 20 de dezembro de cada ano, compensada a importância 
que, a título de adiantamento, o empregado houver recebido na forma do artigo seguinte. 
Parágrafo único. (Vetado). 
Art. 2º – Entre os meses de fevereiro e novembro de cada ano, o empregador pagará, 
como adiantamento da gratificação referida no artigo precedente, de uma só vez, metade 
do salário recebido pelo respectivo empregado no mês anterior. 
§ 1º – O empregador não estará obrigado a pagar o adiantamento, no mesmo mês, a todos os 
seus empregados. 
§ 2º – O adiantamento será pago ao ensejo das férias do empregado, sempre que este o 
requerer no mês de janeiro do correspondente ano. 
Art. 3º – Ocorrendo a extinção do contrato de trabalho antes do pagamento de que trata o Art. 
1º desta Lei, o empregador poderá compensar o adiantamento mencionado com a gratificação 
devida nos termos do Art. 3º da Lei no 4.090, de 13 de julho de 1962, e, se não bastar, com 
outro crédito de natureza trabalhista que possua o respectivo empregado. 
Art. 4º – As contribuições devidas ao Instituto Nacional de Previdência Social, que incidem 
sobre a gratificação salarial referida nesta Lei, ficam sujeitas ao limite estabelecido na 
legislação da Previdência Social. 
DECRETO Nº 57.155/1965 
Art. 1º O pagamento da gratificação salarial, instituída pela Lei nº 4.090, de 13 de julho de 
1962, com as alterações constantes da Lei nº 4.749, de 12 de agôsto de 1965, será efetuado 
pelo empregador até o dia 20 de dezembro de cada ano, tomando-se por base a 
remuneração devida nesse mês de acôrdo com o tempo de serviço do empregado no ano 
em curso. 
Parágrafo único. A gratificação corresponderá a 1/12 (um doze avos) da remuneração 
devida em dezembro, por mês de serviço, do ano correspondente, sendo que a fração 
igual ou superior a 15 (quinze) dias de trabalho será havida como mês integral. 
[...] 
Art. 3º Entre os meses de fevereiro e novembro de cada ano, o empregador pagará, como 
adiantamento da gratificação, de uma só vez, metade do salário recebido pelo empregado no 
mês anterior. 
[...] 
§ 3º A importância que o empregado houver recebido a título de adiantamento será deduzida 
do valor da gratificação devida. 
Art. 4º o adiantamento será pago ao ensejo das férias do empregado, sempre que êste o 
requerer no mês de janeiro do correspondente ano. 
[...] 
Art. 6º As faltas legais e as justificadas ao serviço não serão deduzidas para os fins previstos 
no art. 2º dêste decreto. 
Art. 7º Ocorrendo a extinção do contrato de trabalho, salvo na hipótese de rescisão com 
justa causa, o empregado receberá a gratificação devida, nos têrmos do art. 1º, calculada 
sôbre a remuneração do respectivo mês. 
Parágrafo único. Se a extinção do contrato de trabalho ocorrer antes do pagamento de que se 
trata o art. 1º, o empregador poderá compensar o adiantamento mencionado no art. 3º, com 
o valor da gratificação devida na hipótese de rescisão. 
Diferentemente do INSS, o FGTS deverá ser recolhido no momento em que houver o pagamento da 
obrigação, independentemente se houve ou não parcelamento do 13º salário. 
40 
 
 
8.1.7 Perda de direito ao 13º salário 
Em caso de rescisão do contrato de trabalho, por justa causa, o empregado não tem direito a 
receber o 13º salário, conforme previsão contida no artigo 3º da Lei nº 4.090/1962 e artigo 7º do 
Decreto nº 57.155/1965. 
8.2 Férias 
8.2.1 Direito do trabalhador às férias 
As férias consistem em um direito do trabalhador, igualmente previsto no artigo 7º da CF/88, de se 
afastar por 30 (trinta) dias, sem prejuízo da sua remuneração, após o período de 12 (doze) meses de 
vigência do seu contrato de trabalho. 
CF/88 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria 
de sua condição social. 
[...] 
XVII – gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, umterço a mais do que o 
salário normal. 
8.2.2 Adicional de férias 
Além das férias remuneradas, o trabalhador tem direito ao acréscimo de 1/3 (um terço) sobre o 
valor do seu salário normal, habitualmente denominado de adicional de férias ou abono de 
férias ou terço constitucional de férias. 
O adicional de férias é a verba remuneratória devida ao trabalhador que usufrui o seu direito às férias 
anuais. 
8.2.3 Período aquisitivo de férias 
Para que o trabalhador tenha o direito às férias, com o abono de férias, ele deve cumprir o período 
aquisitivo correspondente a 12 (doze) meses, a partir do início da vigência de seu contrato de 
trabalho, conforme dispõe o artigo 130 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). 
CLT 
Art. 129 – Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um período de férias, sem 
prejuízo da remuneração. 
Art. 130 – Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o 
empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: 
I – 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes; 
[...] 
Logo, o período aquisitivo é o período em que o trabalhador adquire o direito às férias, ou seja, 
a cada 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado adquire o direito a 30 
(trinta) dias de repouso remunerado. 
8.2.4 Período concessivo de férias 
Já o período concessivo, é o período em que o empregador (a empresa) tem para conceder os 
30 (trinta) dias de repouso remunerado ao funcionário, que deve ocorrer nos 12 (doze) meses 
subsequentes à data em que o trabalhador adquiriu o direito às férias, conforme artigo 134 da CLT. 
Apesar de as férias serem um direito do trabalhador, é o empregador quem escolhe, com base nos 
interesses da empresa, quando ele as gozará., conforme artigo 136 da CLT. 
CLT 
Art. 134 – As férias serão concedidas por ato do empregador, em um só período, nos 12 (doze) 
meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito. 
[...] 
Art. 136 – A época da concessão das férias será a que melhor consulte os interesses do 
empregador. 
41 
 
 
 
8.2.5 Aviso de férias 
Para conceder as férias, o empregador dará aviso, por escrito, ao empregado, com pelo menos 
30 (trinta) dias antes do início do período de gozo, conforme artigo 135 da CLT. 
CLT 
Art. 135 – A concessão das férias será participada, por escrito, ao empregado, com 
antecedência de, no mínimo, 30 (trinta) dias. Dessa participação o interessado dará recibo. 
8.2.6 Férias vencidas 
São consideradas férias vencidas aquelas férias cujo período adquirido foi completado, mas não foi 
concedido o descanso de 30 dias ao trabalhador dentro do período concessivo (12 meses seguintes 
ao período aquisitivo). Ou seja, o vencimento das férias ocorre quando o trabalhador ganha o direito 
a novas férias antes de ter gozado as férias do ano anterior. 
As férias vencidas geram o direito ao trabalhador de receber a sua remuneração em dobro, 
conforme artigo 137 da CLT e são devidas em todas as hipóteses de dispensa: por justa causa, sem 
justa causa, na aposentadoria, no pedido de demissão, na dispensa indireta e no término do contrato 
de trabalho com prazo determinado. 
CLT 
Art. 134 – As férias serão concedidas por ato do empregador, em um só período, nos 12 
(doze) meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito. 
[...] 
Art. 137 – Sempre que as férias forem concedidas após o prazo de que trata o art. 134, 
o empregador pagará em dobro a respectiva remuneração. 
8.2.7 Férias proporcionais 
As férias proporcionais, geralmente, são devidas nas hipóteses de demissão sem justa causa, pedido 
de demissão pelo empregado ou término de contrato a prazo. O empregado perceberá 
remuneração relativa ao período aquisitivo incompleto de férias, na proporção de 1/12 por 
mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias de trabalho, observando-se as faltas 
injustificadas no período aquisitivo, conforme disciplina os artigos 146 e 147 da CLT. 
CLT 
Art. 146 – Na cessação do contrato de trabalho, qualquer que seja a sua causa, será devida 
ao empregado a remuneração simples ou em dobro, conforme o caso, correspondente ao 
período de férias cujo direito tenha adquirido. 
Parágrafo único – Na cessação do contrato de trabalho, após 12 (doze) meses de serviço, o 
empregado, desde que não haja sido demitido por justa causa, terá direito à remuneração 
relativa ao período incompleto de férias, de acordo com o art. 130, na proporção de 1/12 
(um doze avos) por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias. 
Art. 147 – O empregado que for despedido sem justa causa, ou cujo contrato de trabalho 
se extinguir em prazo predeterminado, antes de completar 12 (doze) meses de serviço, 
terá direito à remuneração relativa ao período incompleto de férias, de conformidade 
com o disposto no artigo anterior. 
42 
 
 
No caso de rescisão do contrato de trabalho, após 12 (doze) meses de vigência, o trabalhador terá 
direito a receber o valor correspondente às férias vencidas (remuneração em dobro) e às férias 
adquiridas e não gozadas (remuneração simples), independentemente do motivo da rescisão, pois se 
trata de direito já adquirido do trabalhador, conforme o caput do artigo 146 da CLT. Esse trabalhador 
também terá direito ao valor relativo às férias proporcionais, referentes ao período incompleto, 
desde que não tenha sido demitido por justa causa, conforme artigo 146, parágrafo único da CLT. 
Ocorrendo a rescisão do contrato de trabalho antes de completado os 12 (doze) meses, o trabalhador 
terá direito a receber o valor relativo às férias proporcionais, referentes ao período incompleto, 
desde que não tenha sido demitido por justa causa, conforme artigo 147 da CLT. 
O pagamento de férias proporcionais também pode ocorrer em caso de férias coletivas para os 
empregados que ainda não possuam 12 (doze) meses de trabalho. Esses trabalhadores receberão as 
férias proporcionais e iniciarão novo período aquisitivo, conforme artigo 140 da CLT. 
CLT 
Art. 139 – Poderão ser concedidas férias coletivas a todos os empregados de uma empresa ou 
de determinados estabelecimentos ou setores da empresa. 
[...] 
Art. 140 – Os empregados contratados há menos de 12 (doze) meses gozarão, na 
oportunidade, férias proporcionais, iniciando-se, então, novo período aquisitivo. (Redação 
dada pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977) 
8.2.8 Metodologia de cálculo 
O cálculo de férias é bem simples, basta somar a remuneração que é devida ao trabalhador na 
data da concessão de suas férias, devendo ser considerado os adicionais a que o trabalhador tenha 
direito, conforme disposto nos §§ 5º e 6º do artigo 142 da CLT, acrescido de 1/3 sobre esse 
montante, conforme previsão constitucional. 
CLT 
Art. 142 – O empregado perceberá, durante as férias, a remuneração que lhe for devida 
na data da sua concessão 
[...] 
§ 5º – Os adicionais por trabalho extraordinário, noturno, insalubre ou perigoso serão 
computados no salário que servirá de base ao cálculo da remuneração das férias 
§ 6º – Se, no momento das férias, o empregado não estiver percebendo o mesmo adicional do 
período aquisitivo, ou quando o valor deste não tiver sido uniforme será computada a média 
duodecimal recebida naquele período, após a atualização das importâncias pagas, mediante 
incidência dos percentuais dos reajustamentos salariais supervenientes 
 
ATENÇÃO! 
A remuneração que deve ser considerada para fins de cálculo do valor das férias e do adicional 
constitucional deve ser a referente ao período de concessão do direito e não a remuneração do mês 
do pagamento das férias. 
 
Em caso de rescisão do contrato de trabalho, havendo férias vencidas e/ou proporcionais, o valor a 
ser considerado para fins de cálculo, será a remuneração do mês da rescisão contratual. 
8.2.9 Percentual para depósito na conta vinculada 
Como o trabalhador adquire mensalmente o direito a 1/12 de suas férias,o percentual de 
contingenciamento para assegurar o direito de 30 dias de férias ao trabalhador, equivale a 8,33% 
(1/12 por mês). 
Além das férias remuneradas, como o trabalhador tem direito ao abono de férias, que equivale a 1/3 
sobre o valor recebido nas férias, deverá ser contingenciado o percentual equivalente a 2,78% 
(1/3 de 1/12 por mês), para assegurar o terço constitucional de férias do trabalhador. 
43 
 
 
Sendo assim, o percentual total a ser contingenciado, referente às férias e abono de férias deverá 
corresponder à 11,11% (8,33% + 2,78%). 
8.2.10 Parcelamento de férias 
Em razão da reforma trabalhista, por meio da Lei nº 13.467/2017, o trabalhador poderá parcelar as 
suas férias em até 3 (três) períodos, sendo que um deles deve ser de, no mínimo, 14 (quatorze) 
dias corridos e os demais períodos devem ser de, no mínimo, 5 (cinco) dias corridos, cada um, 
conforme § 1º do artigo 134 da CLT, atualizada. 
CLT 
Art. 134 – As férias serão concedidas por ato do empregador, em um só período, nos 12 (doze) 
meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito. 
§ 1o Desde que haja concordância do empregado, as férias poderão ser usufruídas em até 
três períodos, sendo que um deles não poderá ser inferior a quatorze dias corridos e 
os demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um. (Redação dada pela 
Lei nº 13.467, de 2017) 
§ 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) 
§ 3o É vedado o início das férias no período de dois dias que antecede feriado ou dia de 
repouso semanal remunerado. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
Art. 135 – A concessão das férias será participada, por escrito, ao empregado, com 
antecedência de, no mínimo, 30 (trinta) dias. Dessa participação o interessado dará recibo. 
(Redação dada pela Lei nº 7.414, de 9.12.1985) 
Não é obrigatório que o primeiro período de férias seja o de maior quantidade de dias. 
Ressalta-se que os 3 períodos de gozo deverão ser concedidos dentro do período concessivo, sob 
pena de não o fazendo, gerar o pagamento em dobro. 
Em nenhuma hipótese a empresa pode fazer o fracionamento sem o consentimento do trabalhador, 
afinal, a decisão de parcelar as férias é exclusivamente dele. 
As férias devem começar em dias úteis e de acordo com a alteração incluída pela reforma trabalhista, 
é proibido que as férias se iniciem dois dias antes de feriado ou do repouso semanal 
remunerado (geralmente gozado aos domingos), conforme § 3º do artigo 134, incluído pela Lei nº 
13.467/2017 na CLT. 
8.2.11 Prazo para pagamento das férias 
A CLT prevê em seu artigo 145 que o pagamento das férias e abono de férias deve ser realizado 
com no mínimo 2 (dois) dias de antecedência ao início das férias. 
CLT 
Art. 145 – O pagamento da remuneração das férias e, se for o caso, o do abono referido no 
art. 143 serão efetuados até 2 (dois) dias antes do início do respectivo período. 
Parágrafo único – O empregado dará quitação do pagamento, com indicação do início e do 
termo das férias. 
O pagamento das férias parceladas deverá ser efetuado de acordo com cada período gozado, ou seja, 
o pagamento de cada parcela de férias, com o respectivo adicional e 1/3, deverá ocorrer até 2 (dois) 
dias antes do início de cada período de gozo. 
Importante destacar que os valores das férias e do abono de férias deverão ser calculados com base 
na remuneração do período de concessão, de cada parcela de férias. 
 
ATENÇÃO! 
Se após o pagamento das férias houver aumento da remuneração do empregado, cujos reflexos 
atinjam o seu período de férias, o empregador deverá efetuar o ajuste e pagar a diferença de férias 
na próxima folha de pagamento, não havendo obrigatoriedade legal para que faça a complementação 
de forma imediata. 
 
44 
 
 
Com base em entendimento jurisprudencial do TST, Súmula 450, o empregador que efetuar o 
pagamento do valor das férias com atraso, será obrigado a pagar o valor em dobro ao 
empregado. 
SÚMULA Nº 450 – TST 
FÉRIAS. GOZO NA ÉPOCA PRÓPRIA. PAGAMENTO FORA DO PRAZO. DOBRA DEVIDA. 
ARTS. 137 E 145 DA CLT. (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 386 da SBDI-1) – 
Res. 194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e 23.5.2014. 
É devido o pagamento em dobro da remuneração de férias, incluído o terço constitucional, 
com base no art. 137 da CLT, quando, ainda que gozadas na época própria, o empregador 
tenha descumprido o prazo previsto no art. 145 do mesmo diploma legal. 
Entretanto, o TST, em decisões recentes e reiteradas (como o Acórdão abaixo transcrito), tem 
efetuado uma interpretação casuística da sua própria súmula, afastando o direito à dobra de férias 
nos casos em que o atraso no pagamento foi ínfimo e que não há provas concretas de que a 
inadimplência do empregador causou prejuízos ao trabalhador. 
ACÓRDÃO (5ª Turma) 
AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA 
VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. RITO SUMARÍSSIMO. FÉRIAS. PAGAMENTO FORA DO 
PRAZO LEGAL. ATRASO DE DOIS DIAS. DOBRA INDEVIDA. SÚMULA 450 DO TST. 
INAPLICABILIDADE. Considerando a peculiaridade do caso concreto e, tendo em vista a 
possibilidade de má aplicação da Súmula 450 do TST, merece ser provido o agravo, para 
melhor exame do agravo do instrumento. 
TST-RR-10475-44.2016.5.15.0088 – 11/12/2018 
8.2.12 Contribuição Previdenciária e FGTS sobre férias e abono de férias 
As férias interrompem o contrato de trabalho, mas sem prejuízo da remuneração, e esse período é 
contabilizado como tempo de serviço para todos os fins, conforme § 2º, artigo 130 da CLT. 
CLT 
Art. 130... 
[...] 
§ 2º – O período das férias será computado, para todos os efeitos, como tempo de 
serviço. 
Sendo assim, sobre a remuneração das férias e o abono de férias de 1/3, haverá a incidência do 
FGTS e da contribuição previdenciária no mês a que se referirem, mesmo quando pagas 
antecipadamente, conforme § 14 do artigo 214 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 – 
Regulamento da Previdência Social. 
DECRETO Nº 3.048/1999 
Art. 214. Entende-se por salário de contribuição: 
[...] 
§ 14. A incidência da contribuição sobre a remuneração das férias ocorrerá no mês a 
que elas se referirem, mesmo quando pagas antecipadamente na forma da legislação 
trabalhista. 
As férias dos empregados deverão ser contabilizadas na folha de pagamento do mês de sua 
concessão, mesmo que sejam pagas em mês anterior. 
Como o pagamento das férias deve ocorrer de forma antecipada, conforme veremos abaixo, o 
empregado recebe o valor das férias por meio de um “Recibo de Férias”, no qual são efetuados os 
cálculos de suas férias, com base na sua remuneração no momento do pagamento. 
Posteriormente, será efetuada a contabilização das férias bem como os devidos ajustes na folha de 
pagamento do mês de competência das férias. 
Dessa forma, o INSS e o FGTS incidirão sobre a folha de pagamento do mês da concessão das férias. 
 
45 
 
 
Destaca-se que as verbas trabalhistas referentes às férias vencidas (que não foram gozadas na 
vigência do contrato de trabalho) bem como as férias proporcionais e o equivalente de 1/3 
constitucional, pagas ao empregado no momento da rescisão contratual, são considerados 
como verbas de natureza indenizatória e, conforme § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho 
de 1991 (plano de custeio da seguridade social), não integram o salário de contribuição para fins de 
incidência da contribuição previdenciária do segurado e INSS patronal. 
Sobre essas verbas, também não incide o percentual de 8% do FGTS, segundo previsto no § 6º do 
artigo 15 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, que dispõe sobre o FGTS. 
LEI Nº 8.212/1991 
Art. 28. Entende-se por salário de contribuição: 
[...] 
§ 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: 
(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997) 
[...] 
d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional 
constitucional, inclusive o valor correspondenteà dobra da remuneração de férias de que 
trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT); (Redação dada pela Lei nº 9.528, 
de 10.12.1997). 
LEI Nº 8.036/1990 
Art. 15. Para os fins previstos nesta lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, 
até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 
8 (oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, 
incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a gratificação 
de Natal a que se refere a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei 
nº 4.749, de 12 de agosto de 1965. (Vide Lei nº 13.189, de 2015) Vigência 
[...] 
§ 6º Não se incluem na remuneração, para os fins desta Lei, as parcelas elencadas no § 
9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998) 
8.2.13 Abono pecuniário 
O abono pecuniário, popularmente conhecido como “venda das férias” é a opção que o trabalhador 
faz de converter em dinheiro a fração de 1/3 de suas férias anuais, ou seja, o empregado pode 
vender, no máximo, 10 (dez) dias, conforme prevê o artigo 143 da CLT. 
Logo, é facultado ao empregado converter 1/3 do período de férias a que tiver direito em dinheiro, 
desde que requerido em até 15 (quinze) dias antes do término do período aquisitivo, conforme artigo 
143 da CLT. 
CLT 
Art. 143 – É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver 
direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias 
correspondentes. 
§ 1º – O abono de férias deverá ser requerido até 15 (quinze) dias antes do término do período 
aquisitivo. 
Havendo o requerimento tempestivo do empregado, com exceção aos trabalhadores que gozam de 
férias coletivas, não poderá o empregador se recusar a comprá-las, pois se trata de direito 
potestativo, cujo exercício depende apenas da vontade do declarante.10 
O abono pecuniário é calculado sobre o valor global das férias, isto é, considera-se inclusive o terço 
constitucional de férias, conforme Súmula 328 do TST: 
Súmula 328 do TST 
FÉRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. 
O pagamento das férias, integrais ou proporcionais, gozadas ou não, na vigência da CF/1988, 
sujeita-se ao acréscimo do terço previsto no respectivo art. 7º, XVII. 
 
10 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho: de acordo com a reforma trabalhista Lei no 13.467/2017. 15. ed. São Paulo: 
Método, 2018, p. 747. 
46 
 
 
Entretanto, até 2014 havia divergências entre os diversos Tribunais Regionais do Trabalho, quanto 
à incidência ou não do adicional de férias (1/3 constitucional) sobre os 10 dias não gozados e pagos 
pelo empregador. 
Havia 3 entendimentos: 1º) calculava-se o terço constitucional sobre os 20 dias de férias gozadas e 
não havia a incidência do terço sobre os 10 dias de abono pecuniário, pois entendia-se que essa verba 
convertida deixava de ter natureza original de férias; 2º) calculava-se o terço constitucional sobre os 
30 dias de férias e, para fins de abono pecuniário, era considerado os 10 dias de abono pecuniário já 
com a incidência do terço constitucional – como se tratasse de 40 dias de férias; 3º) calculava-se o 
terço constitucional sobre os 20 dias de férias gozadas e também sobre os 10 dias de abono 
pecuniário – equivalente ao total de 30 dias. 
O TST uniformizou o entendimento de que o empregado não tem direito ao pagamento do terço 
constitucional sobre o abono de que trata o artigo 143 da CLT, quando as férias de 30 dias já foram 
pagas com acréscimo de um terço, sob pena e bis in idem. 
ACÓRDÃO SDI – 1 
RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI No 11.496/2007. FÉRIAS. 
ABONO PECUNIÁRIO. CÁLCULO. TERÇO CONSTITUCIONAL. Esta Corte uniformizadora, a 
partir da exegese da norma expressa no artigo 143 da Consolidação das Leis do Trabalho, vem 
firmando entendimento no sentido de que, uma vez constatado o pagamento do terço 
constitucional sobre os 30 dias de férias, resulta indevido o pagamento de 1/3 sobre o abono 
pecuniário de férias. Precedentes. Recurso de embargos conhecido e não provido. 
PROCESSO No TST-RR-102-98.2011.5.07.0007 – 3/4/2014. 
Sobre o abono pecuniário não haverá a incidência do FGTS e nem da contribuição providenciaria 
(INSS), pois essa parcela não integra a remuneração dos empregados para os efeitos da legislação do 
trabalho, conforme o artigo 144 da CLT, pois representa uma verba de natureza indenizatória. 
8.2.14 Redução e perda do direito às férias 
8.2.14.1 Faltas injustificadas 
O trabalhador pode ter redução do período de férias na hipótese de faltas injustificadas, 
conforme limites previstos no artigo 130 da CLT. 
Se o empregado tiver mais de 32 faltas injustificadas no período de 12 meses, perderá o direito ao 
gozo das férias. 
Outras hipóteses em que o trabalhador poderá perder o seu direito a férias estão previstas nos incisos 
I a IV do artigo 133 da CLT. 
Quando o trabalhador perder o direito ao gozo das férias, terá início uma nova contagem de 
período aquisitivo com seu retorno ao serviço, conforme estabelecido no § 2º do artigo 133 da CLT. 
CLT 
Art. 130 – Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o 
empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: 
I – 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes; 
II – 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) faltas; 
III – 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas; 
IV – 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) 
faltas. 
§ 1º – É vedado descontar, do período de férias, as faltas do empregado ao serviço. 
[...] 
Art. 133 – Não terá direito a férias o empregado que, no curso do período aquisitivo: 
I – deixar o emprego e não for readmitido dentro de 60 (sessenta) dias subsequentes à sua 
saída; 
II – permanecer em gozo de licença, com percepção de salários, por mais de 30 (trinta) dias; 
III – deixar de trabalhar, com percepção do salário, por mais de 30 (trinta) dias, em virtude 
de paralisação parcial ou total dos serviços da empresa; e 
IV – tiver percebido da Previdência Social prestações de acidente de trabalho ou de auxílio-
doença por mais de 6 (seis) meses, embora descontínuos. 
47 
 
 
§ 1º – A interrupção da prestação de serviços deverá ser anotada na Carteira de Trabalho e 
Previdência Social. 
§ 2º – Iniciar-se-á o decurso de novo período aquisitivo quando o empregado, após o 
implemento de qualquer das condições previstas neste artigo, retornar ao serviço. 
8.2.14.2 Demissão por justa causa 
Em caso de demissão por justa causa, o trabalhador perde o direito às suas férias proporcionais, 
referentes ao período aquisitivo incompleto, conforme parágrafo único do artigo 146 da CLT 
entendimento contido na Súmula 171 do TST. 
CLT 
Art. 146 – [...] 
Parágrafo único – Na cessação do contrato de trabalho, após 12 (doze) meses de serviço, o 
empregado, desde que não haja sido demitido por justa causa, terá direito à remuneração 
relativa ao período incompleto de férias, de acordo com o art. 130, na proporção de 1/12 
(um doze avos) por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias. 
SÚMULA 171 do TST 
FÉRIAS PROPORCIONAIS. CONTRATO DE TRABALHO. EXTINÇÃO (republicada em razão de 
erro material no registro da referência legislativa), DJ 5.5.2004 
Salvo na hipótese de dispensa do empregado por justa causa, a extinção do contrato de 
trabalho sujeita o empregador ao pagamento da remuneração das férias 
proporcionais, ainda que incompleto o período aquisitivo de 12 (doze) meses (art. 147 
da CLT) (ex-Prejulgado nº 51). 
8.2.14.3 Rescisão por culpa recíproca 
Existem, ainda, os casos nos quais há rescisão por culpa recíproca do empregadoe empregador. 
Nessa situação, o empregado fará jus a 50% das férias proporcionais, conforme previsto no artigo 
484 da CLT. 
CLT 
Art. 484 – Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de 
trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa 
exclusiva do empregador, por metade. 
Com base no entendimento da Súmula 14 do TST, para fins da indenização da culpa recíproca, não 
existe distinção se o período do contrato de trabalho é mais de 12 (doze) meses ou menos de 12 
(doze) meses. 
SÚMULA 14 do TST 
CULPA RECÍPROCA (nova redação) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 
Reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (art. 484 da CLT), o 
empregado tem direito a 50% (cinquenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo 
terceiro salário e das férias proporcionais. 
E no caso de pedido de demissão pelo funcionário, ele tem direito às férias proporcionais? 
Conforme entendimento jurisprudencial do TST, por meio da Súmula 261, o empregado tem sim o 
direito às férias proporcionais em caso de pedido de demissão, mesmo que o contrato de trabalho 
esteja em vigor há menos de 12 (doze) meses. 
SÚMULA 261 do TST 
FÉRIAS PROPORCIONAIS. PEDIDO DE DEMISSÃO. CONTRATO VIGENTE HÁ MENOS DE UM 
ANO (nova redação) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 
O empregado que se demite antes de complementar 12 (doze) meses de serviço tem 
direito a férias proporcionais. 
8.3 Multa sobre o FGTS e Contribuição Social 
8.3.1 Direito do empregado à multa do FGTS 
Todo empregado dispensado, sem justa causa, tem direito a receber uma multa equivalente a 40% 
sobre o saldo existente em sua conta do FGTS, referente ao contrato de trabalho rescindido pelo 
empregador, conforme previsão contida no § 1º do artigo 18 da Lei nº 8.036, de 11/5/1990 
(disciplinou o FGTS). 
48 
 
 
LEI Nº 8.036/1990 
Art. 18. Ocorrendo rescisão do contrato de trabalho, por parte do empregador, ficará este 
obrigado a depositar na conta vinculada do trabalhador no FGTS os valores relativos aos 
depósitos referentes ao mês da rescisão e ao imediatamente anterior, que ainda não houver 
sido recolhido, sem prejuízo das cominações legais. (Redação dada pela Lei nº 9.491, de 1997) 
§ 1º Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na 
conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do 
montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do 
contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. 
(Redação dada pela Lei nº 9.491, de 1997) 
Sendo assim, nos casos de demissão sem justa causa, o empregador deverá realizar o pagamento 
de 40%, a título de multa, sobre todos os depósitos realizados durante a vigência do contrato 
de trabalho, acrescidos de atualização monetária e juros. A multa do FGTS será depositada na conta 
vinculada do FGTS do trabalhador. 
8.3.2 Contribuição social 
Além dos 40% de multa do FGTS, o empregador também deverá realizar o pagamento de mais 
10%, a título de Contribuição Social, igualmente sobre o saldo existente na conta vinculada do 
FGTS do trabalhador, conforme artigo 1º da Lei Complementar nº 110, de 29/6/2001 (instituiu a 
contribuição social). Entretanto, esse valor não é destinado à conta do FGTS do trabalhador, e sim 
aos cofres públicos. 
LEI COMPLEMENTAR Nº 110/2001 
Art. 1o Fica instituída contribuição social devida pelos empregadores em caso de 
despedida de empregado sem justa causa, à alíquota de dez por cento sobre o montante 
de todos os depósitos devidos, referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – 
FGTS, durante a vigência do contrato de trabalho, acrescido das remunerações aplicáveis às 
contas vinculadas. 
Parágrafo único. Ficam isentos da contribuição social instituída neste artigo os empregadores 
domésticos. 
Existem discussões judiciais quanto à constitucionalidade desse adicional de 10%, o qual foi criado 
para cobrir o rombo do FGTS em razão dos expurgos inflacionários dos planos Verão (1989) e Collor 
I (1990), uma vez que havia uma defasagem entre a correção monetária aplicada aos depósitos na 
conta do FGTS e a real inflação do período. 
Uma das teses, que aguarda pronunciamento do STF, defende que houve o exaurimento do objeto da 
criação do tributo, havendo assim a perda da finalidade da contribuição social. 
8.3.3 Percentual para depósito na conta vinculada 
A conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação estabelece a provisão referente aos 
encargos em caso de demissão do trabalhador sem justa causa, ou seja, custos relativos ao pagamento 
da multa e contribuição social sobre o saldo do FGTS, 
Portanto, para resguardar o direito do trabalhador no momento de uma rescisão contratual, sem 
justa causa, deverá ser provisionado na conta vinculada – bloqueada para movimentação, o 
percentual de 50% do depósito mensal destinado à conta do FGTS do trabalhador. 
Logo, o percentual mensal a ser destinado à conta vinculada para assegurar, no momento da 
rescisão contratual sem justa causa, a multa do FGTS (40%) e a Contribuição Social (10%), sobre os 
8% de FGTS depositados mensalmente na conta do FGTS do trabalhador (não considerando os 
depósitos de 13º salário e 1/3 de férias), equivale a 4%. 
Multa sobre FGTS e contribuição social Percentual 
Multa sobre FGTS e contribuição social (40% +10%)*8% = 4% 
Se fosse considerada a incidência da multa e da contribuição social sobre o 13º salário e 1/3 de férias, 
o percentual da provisão seria de aproximadamente 4,45% = (0,08*0,5*(1+1/12+1/12*1/3)*100%. 
49 
 
 
8.3.4 Redução ou perda do direito à multa do FGTS 
8.3.4.1 Redução da multa do FGTS pela metade (20%) 
Nas seguintes hipóteses a multa do FGTS devida pelo empregador será reduzida pela metade 
(20%): 
a) Rescisão dos contratos de trabalho por motivo de culpa recíproca (§ 2º do artigo 18 da Lei nº 
8.036/1990 e artigo 484 da CLT); e 
b) Rescisão com demissão por comum acordo (artigo 484-A da CLT– forma de rescisão incluída 
pela Lei nº 13.467/2017 – Reforma do Trabalho). 
LEI Nº 8.036/1990 
Art. 18.[...] 
§ 1º Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na 
conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do 
montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do 
contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. 
(Redação dada pela Lei nº 9.491, de 1997) 
§ 2º Quando ocorrer despedida por culpa recíproca ou força maior, reconhecida pela Justiça 
do Trabalho, o percentual de que trata o § 1º será de 20 (vinte) por cento. 
CLT 
Art. 484 – Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de 
trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa 
exclusiva do empregador, por metade. 
Art. 484-A. O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e 
empregador, caso em que serão devidas as seguintes verbas trabalhistas: (Incluído pela Lei 
nº 13.467, de 2017) 
I – por metade: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
a) o aviso prévio, se indenizado; e (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, prevista no § 
1o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
II – na integralidade, as demais verbas trabalhistas. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
§ 1o A extinção do contrato prevista no caput deste artigo permite a movimentação da conta 
vinculada do trabalhador no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na forma do inciso 
I-A do art. 20 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, limitada até 80% (oitenta por cento) 
do valor dos depósitos. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
§ 2o A extinção do contrato por acordo prevista no caput deste artigo não autoriza o ingresso 
no Programa de Seguro-Desemprego. (Incluído pela Leinº 13.467, de 2017) 
Como a Lei nº 13.467/2017 (reforma trabalhista) não trouxe qualquer orientação sobre a 
contribuição social de 10% (FGTS) para os casos de rescisão em comum acordo, a Caixa Econômica 
Federal (CEF), publicou a Circular nº 789/2017, na qual orientou que, nos casos de rescisão por 
acordo entre empregado e empregador, a multa rescisória seria de 20% e não seria devida a 
contribuição social de que trata o artigo 1º da Lei Complementar nº 110/2001. 
CIRCULAR Nº 789/2017 – CEF 
2.2.3.3.1 Para a rescisão por acordo entre empregado e empregador, não é devida a 
contribuição social de que trata o Art. 1º da Lei Complementar nº 110/2001. 
8.3.4.2 Perda do direito à multa do FGTS 
O empregado não tem direito à multa do FGTS nas seguintes situações: 
a) demissão por justa causa (art. 482 CLT); 
b) demissão a pedido; 
c) término de contrato por prazo determinado; e 
d) contrato por prazo determinado, rescindido antecipadamente por iniciativa do empregado. 
Apesar de existirem hipóteses em que a multa do FGTS não será devida ao empregado ou então será 
reduzida de 40% para 20%, mesmo assim, será provisionado na conta vinculada o percentual de 4% 
do salário do empregado, para garantir, em caso de demissão sem justa causa, a multa de 40% do 
FGTS mais a contribuição social de 10%. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
50 
 
 
8.4 Percentual mensal dos encargos trabalhistas para a conta vinculada 
Posto isto, verifica-se que o percentual mensal dos encargos trabalhistas a ser depositado na 
conta vinculada para garantir os encargos trabalhistas relativos às rubricas de 13º salário, 
férias com abono de férias e multa FGTS com contribuição social é de 23,44%, conforme quadro 
resumo abaixo: 
Encargos trabalhistas Percentual 
13º salário 8,33% 
Férias (8,33%) + abono de férias (2,78%) 11,11% 
%TOTAL (13% SAL. + FÉRIAS + ABONO DE FÉRIAS) 19,44% 
Multa sobre o FGTS + Contribuição Social 4% 
% TOTAL (13º SAL. + FÉRIAS + ABONO FÉRIAS + MULTA FGTS) 23,44% 
9 ENCARGOS SOCIAIS 
Os encargos sociais são pagos pelo empregador sobre a folha de pagamento e destinam-se ao custeio 
da seguridade social que, conforme artigo 195 da CF/88, deverá ser financiada por toda a sociedade. 
CF/88 
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e 
indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: 
I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, 
incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer 
título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 
Esses encargos sociais fazem parte da planilha de preços e composição de custos apresentada pela 
contatada no momento da licitação, e englobam: 
 Contribuições previdenciárias: INSS patronal e RAT ajustado; 
 FGTS; 
 Contribuições para entidades paraestatais (“terceiras entidades”/integrantes do Sistema “S”): 
Serviço Social da Indústria (SESI), do Comércio (SESC), do Transporte (SEST); Serviço Nacional de 
Aprendizagem Industrial (SENAI), Comercial (SENAC), do Transporte (SENAT); Serviço Brasileiro 
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma 
Agrária (INCRA); e 
 Salário-educação. 
Os percentuais dos encargos sociais são estabelecidos em legislação específica e incidem sobre as 
verbas remuneratórias dos empregados, inclusive sobre as parcelas de 13º salário, férias e 
abono de férias. 
9.1 Contribuições previdenciárias 
9.1.1 Contribuição Previdenciária Patronal (INSS) 
A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabeleceu em seu artigo 22 a contribuição a cargo da 
empresa, destinada à Seguridade Social, no percentual de 20% sobre o total das remunerações 
pagas ou devidas aos empregados, a qualquer título (INSS patronal). 
LEI Nº 8.212/1991 – Plano de Custeio 
Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do 
disposto no art. 23, é de: 
 
51 
 
 
I – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a 
qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe 
prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive 
as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de 
reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição 
do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de 
convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei 
nº 9.876, de 1999). (Vide Lei nº 13.189, de 2015) Vigência 
Dessa forma, toda e qualquer parcela remuneratória paga ao empregado sofre incidência da 
contribuição previdenciária. 
9.1.2 Contribuição adicional – RAT ajustado (RAT X FAP) 
Esta contribuição adicional à Previdência Social tem o objetivo de financiar as aposentadorias 
especiais e benefícios concedidos pelo INSS, por incapacidade, em razão do Grau de Incidência de 
Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIIL-RAT) – antigo 
Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). 
9.1.2.1 RAT e atividade preponderante da empresa 
O percentual da contribuição adicional se modifica em razão do grau de risco de acidente de trabalho 
relativo à atividade preponderante da empresa, estabelecida pelo código de Classificação Nacional 
de Atividades Econômicas (CNAE)11, e corresponde aos seguintes graus de risco, conforme inciso II 
do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e artigo 202 do Decreto nº 3.048/1999. 
 Leve – contribuição adicional de 1%; 
 Médio – contribuição adicional de 2%; ou 
 Grave – contribuição adicional de 3%. 
LEI Nº 8.212/1991 – Plano de Custeio 
Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto 
no art. 23, é de: 
[...] 
II – para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho 
de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade 
laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das 
remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e 
trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). 
a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de 
acidentes do trabalho seja considerado leve; 
b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco 
seja considerado médio; 
c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco 
seja considerado grave. 
De acordo com o § 3º do artigo 202 do Regulamento da Previdência Social12, considera-se atividade 
preponderante da empresa, aquela que possui o maior número de empregados e trabalhadores 
avulsos, sendo de responsabilidade da empresa o seu correto enquadramento. 
Para saber qual o enquadramento, a partir da atividade econômica preponderante informada pela 
empresa, deve-se consultar a atividade da Relação de Atividades Preponderante e Correspondentes 
Graus de Risco, constante do Anexo V do Regulamento da Previdência Social – Classificação Nacional 
de Atividades Econômicas (CNAE). 
DECRETO Nº 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social 
Art. 202. A contribuiçãoda empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, 
nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de 
incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à 
aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou 
creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: 
 
11 Decreto nº 3.048/1999, alterado pelo Decreto nº 6.957/2009 – nova tabela CNAE 2.0 – RAT ANEXO V. 
12 Decreto nº 3.048/1999. 
52 
 
 
I – um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do 
trabalho seja considerado leve; 
II – dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do 
trabalho seja considerado médio; ou 
III – três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do 
trabalho seja considerado grave. 
[...] 
§ 3º Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número 
de segurados empregados e trabalhadores avulsos. 
§ 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes 
do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de 
Risco, prevista no Anexo V. 
§ 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade 
preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência 
Social revê-lo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007) 
O GIIL-RAT é uma contribuição previdenciária paga pelo empregador, uma espécie de seguro pago 
pela empresa, mediante uma contribuição adicional, a qual se destina a cobrir eventuais custos da 
Previdência Social, com trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais. 
9.1.2.2 FAP 
Todavia, em virtude do artigo 10 da Lei nº 10.666/2003, as alíquotas do RAT podem oscilar entre 
0,5% a 6% em função do FAP- Fator Acidentário de Prevenção. O FAP é um sistema bonus x malus 
que pode reduzir em até 50% a alíquota de contribuição do RAT, como também pode aumentá-la em 
até 100%, a depender do desempenho da empresa em relação à prevenção de acidentes de trabalho, 
em relação à sua respectiva atividade econômica. 
LEI Nº 10.666/2003 
Art. 10. A alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento 
do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de 
incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá 
ser reduzida, em até cinquenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento, conforme 
dispuser o regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva 
atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos 
índices de frequência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo 
Conselho Nacional de Previdência Social. 
O FAP a ser utilizado pela empresa é individualizado, ou seja, é aplicável somente para ela, e é 
calculado anualmente, de acordo com a gravidade, frequência e os custos de acidente de trabalho em 
determinado período. Ele é divulgado às empresas pelo sítio do Ministério da Previdência Social, no 
mês de setembro, para utilização no exercício financeiro seguinte. 
DECRETO Nº 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social 
Art. 202-A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até 
cinquenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho 
da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de 
Prevenção (FAP). (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). 
§ 1o O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco 
décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, 
considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à 
respectiva alíquota. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) 
§ 2o Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, proceder-se-á à discriminação 
do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação 
de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera 
os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de 
quinze por cento, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) 
§ 5o O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no 
Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse 
da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e divulgará na rede mundial 
de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de frequência, 
gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo 
desempenho dentro da sua CNAE-Subclasse. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) 
53 
 
 
§ 6o O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês 
subsequente ao de sua divulgação. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). 
§ 7o Para o cálculo anual do FAP, serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de 
cada ano, até completar o período de dois anos, a partir do qual os dados do ano inicial 
serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados. (Redação dada pelo Decreto nº 
6.957, de 2009). 
54 
 
 
Modelo de documento de apuração do FAP 
 
55 
 
 
Se a empresa adota todos os cuidados necessários para evitar os acidentes de trabalho e possui uma 
baixa frequência de acidentes, a alíquota do FAP poderá ser menor do que 1 e, consequentemente, 
reduzirá o valor do GIIL-RAT. 
Em contrapartida, se são frequentes os acidentes de trabalho na empresa, gerando altos custos para 
o INSS, o valor do FAP será maior do que 1, aumentando o valor do GIIL-RAT e, por conseguinte, os 
custos da empresa. 
Assim, ao mesmo tempo em que o FAP pode beneficiar as empresas que tomam as devidas 
precauções, estimulando os cuidados com os empregados, o referido fator também serve como 
punição para as empresas que não respeitam as normas de segurança, gerando para o trabalhador 
elevados riscos de acidente de trabalho. 
O FAP da empresa é aplicado à alíquota do GIIL-RAT básico, podendo reduzir ou majorar a 
contribuição devida pela empresa em razão do seu desempenho em relação à respectiva 
atividade econômica. 
Com a multiplicação do RAT (1%, 2% ou 3%) pelo FAP (0,5000% a 2%) – aplicado com 4 casas 
decimais, se obtém o chamado RAT ajustado, entre 0,500% a 6%, sendo este o percentual da 
contribuição adicional devida, a qual deverá ser aplicada sobre a folha de pagamento da empresa e 
utilizada para o cálculo da Guia da Previdência Social (GPS). 
Apesar de o FAP ser divulgado com 4 casas decimais, o Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e 
Informações à Previdência Social (SEFIP) somente aceita 2 casas decimais. Em razão disso, a Receita 
Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório Executivo CODAC nº 3 de 18/1/2010, orientou às 
empresas a informarem no SEFIP o FAP com 2 casas decimais, sem arredondamento (truncamento). 
Porém, para fins de recolhimento correto, a Guia da Previdência Social (GPS) gerada pelo SEFIP 
deverá ser desprezada, e emitida uma GPS com o valor apurado pelo sistema da folha de 
pagamento, no qual deverá ser utilizado o multiplicador do FAP com 4 casas decimais. 
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO CODAC Nº 3/2010 
Art. 1º Para a operacionalização do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) no Sistema 
Empresa de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à 
Previdência Social (SEFIP), o preenchimento do campo "FAP" deverá ser feito com 2 (duas) 
casas decimais, sem arredondamento (truncamento). 
§ 1º Até a adequação do SEFIP, a Guia da Previdência Social (GPS) gerada pelo sistema 
deverá ser desprezada e preenchida manualmente, observandoo disposto no § 2º. 
§ 2º Conforme dispõe o § 1º do art. 202-A do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 – 
Regulamento da Previdência Social (RPS), o FAP a ser aplicado sobre as alíquotas previstas 
nos incisos I a III do art. 202 do RPS deverá conter 4 (quatro) casas decimais e, portanto, 
para o cálculo correto da contribuição de que trata o art. 202 do RPS, as alíquotas a serem 
utilizadas após a aplicação do FAP também deverão conter 4 (quatro) casas decimais. 
9.2 Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) 
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um pecúlio formado compulsoriamente pelo 
empregador, em nome do empregado, depositado em conta vinculada e administrado por um 
Conselho Curador Nacional, tendo como agente operador a Caixa Econômica Federal (CEF). O 
percentual do encargo estabelecido no artigo 15 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, é de 8% 
sobre o valor total da remuneração do trabalhador. 
A conta do FGTS poderá ser movimentada nas situações previstas no artigo 20 da Lei nº 8.036/1990, 
como: no caso de dispensa imotivada (sem justa causa) pelo empregador, na demissão de comum 
acordo, na aposentadoria concedida pelo INSS, no falecimento do empregado, na conta inativa por 3 
anos, no caso de trabalhador com 70 anos ou mais, além de outras situações excepcionais, previstas 
no artigo 20 da Lei nº 8.036/1990. 
LEI Nº 8.036/1990 
Art. 15. Para os fins previstos nesta lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, 
até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente 
a 8 (oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, 
incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a gratificação 
de Natal a que se refere a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei 
nº 4.749, de 12 de agosto de 1965. (Vide Lei nº 13.189, de 2015) 
56 
 
 
[...] 
Art. 20. A conta vinculada do trabalhador no FGTS poderá ser movimentada nas seguintes 
situações: 
I – despedida sem justa causa, inclusive a indireta, de culpa recíproca e de força maior; 
(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.197-43, de 2001) 
I-A – extinção do contrato de trabalho prevista no art. 484-A da Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-lei no 5.452, de 1o de maio de 1943; (Incluído pela Lei 
nº 13.467, de 2017) 
II – extinção total da empresa, fechamento de quaisquer de seus estabelecimentos, filiais ou 
agências, supressão de parte de suas atividades, declaração de nulidade do contrato de 
trabalho nas condições do art. 19-A, ou ainda falecimento do empregador individual sempre 
que qualquer dessas ocorrências implique rescisão de contrato de trabalho, comprovada por 
declaração escrita da empresa, suprida, quando for o caso, por decisão judicial transitada em 
julgado; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.164-41, de 2001) 
III – aposentadoria concedida pela Previdência Social; 
IV – falecimento do trabalhador, sendo o saldo pago a seus dependentes, para esse fim 
habilitados perante a Previdência Social, segundo o critério adotado para a concessão de 
pensões por morte. Na falta de dependentes, farão jus ao recebimento do saldo da conta 
vinculada os seus sucessores previstos na lei civil, indicados em alvará judicial, expedido a 
requerimento do interessado, independente de inventário ou arrolamento; 
V – pagamento de parte das prestações decorrentes de financiamento habitacional concedido 
no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), desde que: 
a) o mutuário conte com o mínimo de 3 (três) anos de trabalho sob o regime do FGTS, na 
mesma empresa ou em empresas diferentes; 
b) o valor bloqueado seja utilizado, no mínimo, durante o prazo de 12 (doze) meses; 
c) o valor do abatimento atinja, no máximo, 80 (oitenta) por cento do montante da prestação; 
VI – liquidação ou amortização extraordinária do saldo devedor de financiamento imobiliário, 
observadas as condições estabelecidas pelo Conselho Curador, dentre elas a de que o 
financiamento seja concedido no âmbito do SFH e haja interstício mínimo de 2 (dois) anos 
para cada movimentação; 
VII – pagamento total ou parcial do preço de aquisição de moradia própria, ou lote urbanizado 
de interesse social não construído, observadas as seguintes condições: (Redação dada pela 
Lei nº 11.977, de 2009) 
a) o mutuário deverá contar com o mínimo de 3 (três) anos de trabalho sob o regime do FGTS, 
na mesma empresa ou empresas diferentes; 
b) seja a operação financiável nas condições vigentes para o SFH; 
VIII – quando o trabalhador permanecer três anos ininterruptos, a partir de 1º de junho de 
1990, fora do regime do FGTS, podendo o saque, neste caso, ser efetuado a partir do mês de 
aniversário do titular da conta. (Redação dada pela Lei nº 8.678, de 1993) 
IX – extinção normal do contrato a termo, inclusive o dos trabalhadores temporários regidos 
pela Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974; 
X – suspensão total do trabalho avulso por período igual ou superior a 90 (noventa) dias, 
comprovada por declaração do sindicato representativo da categoria profissional. 
XI – quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes for acometido de neoplasia 
maligna. (Incluído pela Lei nº 8.922, de 1994) 
XII – aplicação em quotas de Fundos Mútuos de Privatização, regidos pela Lei no 6.385, de 7 
de dezembro de 1976, permitida a utilização máxima de 50 % (cinquenta por cento) do 
saldo existente e disponível em sua conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo 
de Serviço, na data em que exercer a opção. (Incluído pela Lei nº 9.491, de 1997) 
XIII – quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes for portador do vírus HIV; 
(Incluído pela Medida Provisória nº 2.164-41, de 2001) 
XIV – quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes estiver em estágio terminal, em 
razão de doença grave, nos termos do regulamento; (Incluído pela Medida Provisória nº 
2.164-41, de 2001) 
XV – quando o trabalhador tiver idade igual ou superior a setenta anos. (Incluído pela Medida 
Provisória nº 2.164-41, de 2001) 
XVI – necessidade pessoal, cuja urgência e gravidade decorra de desastre natural, conforme 
disposto em regulamento, observadas as seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 10.878, 
de 2004) 
57 
 
 
a) o trabalhador deverá ser residente em áreas comprovadamente atingidas de Município ou 
do Distrito Federal em situação de emergência ou em estado de calamidade pública, 
formalmente reconhecidos pelo Governo Federal; (Incluído pela Lei nº 10.878, de 2004) 
b) a solicitação de movimentação da conta vinculada será admitida até 90 (noventa) dias após 
a publicação do ato de reconhecimento, pelo Governo Federal, da situação de emergência ou 
de estado de calamidade pública; e (Incluído pela Lei nº 10.878, de 2004) 
c) o valor máximo do saque da conta vinculada será definido na forma do regulamento. 
(Incluído pela Lei nº 10.878, de 2004) 
XVII – integralização de cotas do FI-FGTS, respeitado o disposto na alínea i do inciso XIII do 
art. 5o desta Lei, permitida a utilização máxima de 30% (trinta por cento) do saldo existente 
e disponível na data em que exercer a opção. (Redação dada pela Lei nº 12.087, de 2009) 
XVIII – quando o trabalhador com deficiência, por prescrição, necessite adquirir órtese ou 
prótese para promoção de acessibilidade e de inclusão social. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 
2015) 
XIX – pagamento total ou parcial do preço de aquisição de imóveis da União inscritos em 
regime de ocupação ou aforamento, a que se referem o art. 4o da Lei no 13.240, de 30 de 
dezembro de 2015, e o art. 16-A da Lei no 9.636, de 15 de maio de 1998, respectivamente, 
observadas as seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
a) o mutuário deverá contar com o mínimo de três anos de trabalho sob o regime do FGTS, na 
mesma empresa ou em empresas diferentes; (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
b) seja a operação financiávelnas condições vigentes para o Sistema Financeiro da Habitação 
(SFH) ou ainda por intermédio de parcelamento efetuado pela Secretaria do Patrimônio da 
União (SPU), mediante a contratação da Caixa Econômica Federal como agente financeiro dos 
contratos de parcelamento; (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 
c) sejam observadas as demais regras e condições estabelecidas para uso do FGTS. (Incluído 
pela Lei nº 13.465, de 2017) 
9.3 Contribuições para outras entidades (terceiros) 
Além das Contribuições Previdenciárias e do FGTS, também incidem sobre a folha de pagamento 
mensal as contribuições sociais destinadas a outras entidades: entidades do sistema “S”, INCRA e 
Salário-educação. 
O Sistema “S” é o termo que define o conjunto de organizações das entidades corporativas voltadas 
para o treinamento profissional, assistência social, bem-estar, saúde, educação, lazer, consultoria, 
pesquisa e assistência técnica, que além de terem seu nome iniciado com a letra S, têm raízes comuns 
e características organizacionais similares. 
Fazem parte do sistema “S”: Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Social do Comércio (SESC), 
Serviço Social do Transporte (SEST), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Serviço 
Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), do Transporte (SENAT), Serviço Brasileiro de Apoio 
às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e 
Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOOP). 
Para o cálculo das contribuições para outras entidades, a própria empresa faz o seu 
enquadramento, utilizando o Anexo II da Instrução Normativa nº 971/2009 da Receita Federal do 
Brasil (RFB), em um dos códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS), de acordo 
com as atividades por ela desenvolvidas, e, com base nesse código, saberá qual a alíquota de 
recolhimento a que estará sujeita. 
IN RFB Nº 971/2009 
Art. 109-B. Cabe à pessoa jurídica, para fins de recolhimento da contribuição devida a 
terceiros, classificar a atividade por ela desenvolvida e atribuir-lhe o código FPAS 
correspondente, sem prejuízo da atuação, de ofício, da autoridade administrativa. 
[...] 
Art. 109-C. A classificação de que trata o art. 109-B terá por base a principal atividade 
desenvolvida pela empresa, assim considerada a que constitui seu objeto social, conforme 
declarado nos atos constitutivos e no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, observadas 
as regras abaixo, na ordem em que apresentadas: 
[...] 
§ 2º Classificada a atividade na forma deste artigo, ser-lhe-ão atribuídos o código FPAS e as 
alíquotas de contribuição correspondentes, de acordo com as seguintes tabelas (Quadros 1 a 
58 
 
 
6), considerado o grupo econômico como indicativo das diversas atividades em que se 
decompõe: 
O FPAS é um código que identifica a atividade econômica que a empresa exerce. É através do FPAS 
indicado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência (GFIP) que a RFB, entidade 
responsável pelo recolhimento, cobrança, arrecadação e fiscalização da contribuição social, saberá 
quais as entidades beneficiadas com as contribuições sociais. 
De acordo com a atividade econômica identificada, a empresa tem a responsabilidade de se 
enquadrar em um dos códigos do FPAS, de acordo com a tabela a seguir: 
59 
 
 
 
60 
 
 
Deste modo, os percentuais referentes aos encargos sociais aplicados sobre a folha de pagamento das 
empresas, considerando a alíquota de 5,8% (encargos outras entidades) para as empresas em 
geral, são os seguintes: 
Encargos sociais Percentual 
INSS 20% 
FGTS 8% 
SESI/SESC 1,5% 
SENAI/SENAC 1% 
SEBRAE 0,60% 5,8% 
INCRA 0,20% 
SALÁRIO-EDUCAÇÃO 2,5% 
GIIL-RAT (antigo SAT)* 1%, 2% ou 3% 
RAT Ajustado (RAT x FAP)** de 0,5% a 6% 
% TOTAL ENCARGOS SOCIAIS de 34,3% a 39,8%*** 
* Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho. 
** O multiplicador do FAP varia de 0,5% a 2%. 
*** Percentual mínimo de 34,3% (se RAT 1% com FAP 0,5%) e percentual máximo de 39,8% (se RAT 3% com 
FAP 2%). 
9.4 Percentual mensal dos encargos sociais para a conta vinculada 
Por conseguinte, para identificar o percentual que deveria ser provisionado à conta vinculada, 
referente aos encargos sociais incidentes sobre as férias com o abono e sobre o 13º salário, conforme 
item III artigo 2º do Decreto nº 34.649/2013, deveria ser aplicado o percentual total dos encargos 
sociais acima apurados (de 34,3% a 39,8% a depender do RAT ajustado da empresa), sobre o 
percentual total de 19,44%, referente às obrigações trabalhistas de 13º salário, férias e abono de 
férias, conforme quadro no item 8.4 desta apostila. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 2º Para os fins deste Decreto são consideradas as seguintes provisões trabalhistas: 
I – 13º salário; 
II – férias e abono de férias; 
III – impacto sobre férias e 13º salário; e 
IV – multa do FGTS. 
Importante destacar que todos esses encargos trabalhistas e sociais constam na planilha de 
custo e formação de preços apresentada pela empresa, nos contratos de prestação de serviços 
mediante cessão de mão de obra. 
9.5 Itens da Planilha de Custo e Formação de Preços 
A Planilha de Custo e Formação de Preços compreende o custo total com o trabalhador e deve conter 
em sua composição as seguintes rubricas: 
1) Remuneração; 
2) Benefícios anuais, mensais e diários; 
3) Encargos Previdenciários, do FGTS e outras contribuições; 
4) Provisão para rescisão; 
5) Custo de reposição do profissional ausente; 
6) Insumos diversos; e 
61 
 
 
7) Custos indiretos, tributos e lucro. 
A título de demonstração, anexou-se, a seguir, uma planilha de custo e formação de preços para 
analisar os encargos sociais destacados. 
 
 
62 
 
 
9.6 Situações diferenciadas de tributação 
9.6.1 ME e EPP optantes pelo SIMPLES 
Cabe ressaltar que as microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), que optarem por 
aderir ao SIMPLES NACIONAL, terão tratamento jurídico diverso, dado pela Lei Complementar 
nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e terão custos diferenciados referentes aos encargos 
previdenciários, pois estas empresas efetuam recolhimento mensal único com diversos tributos e 
contribuições, conforme artigo 13 da citada lei. 
LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006 
Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único 
de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: 
I – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); 
II – Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), observado o disposto no inciso XII do § 1º 
deste artigo; 
III – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); 
IV – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), observado o disposto 
no inciso XII do § 1º deste artigo; 
V – Contribuição para o PIS/Pasep, observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; 
VI – Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) para a Seguridade Social, a cargo da 
pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso 
da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de 
prestação de serviços referidas no § 5º-C do art. 18 desta Lei Complementar; 
VII – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de 
Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); 
VIII – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). 
[...] 
§ 3º As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam 
dispensadas do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, inclusive as 
contribuições para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional 
vinculadas ao sistema sindical, de que trata o art. 240 da Constituição Federal, e demais 
entidades de serviço social autônomo. 
As micro e pequenas empresas, optantes pelo SIMPLES, conforme previsão contida no § 3º do artigo13 da Lei Complementar nº 123/2006, ficam dispensadas do pagamento das demais 
contribuições instituídas pela União, inclusive as contribuições para as entidades privadas de 
serviço social e de formação profissional e demais entidades de serviço social autônomo 
(Sistema “S”, INCRA, Salário-educação). 
Entretanto, permanece para as microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo 
SIMPLES, a incidência do FGTS, conforme o § 1º, inciso VIII do artigo 13 da Lei Complementar 
nº 123/2006: 
LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006 
Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de 
arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: 
[...] 
§ 1º O recolhimento na forma deste artigo não exclui a incidência dos seguintes impostos ou 
contribuições, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais 
será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: 
[...] 
VIII – Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); 
Importante destacar que a Lei Complementar nº 123/2006 vedou em seu artigo 17, inciso XII, o 
recolhimento de impostos e contribuições na forma do SIMPLES às microempresas e empresas de 
pequeno porte que realizem cessão ou locação de mão de obra. Porém, a lei trouxe como exceção a 
esta vedação os serviços de vigilância, limpeza ou conservação, nos termos do § 1º do artigo 17 
e § 5º-C do artigo 18 da mencionada lei. 
 
63 
 
 
LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006 
Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples 
Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: 
[...] 
XII – que realize cessão ou locação de mão de obra; 
[...] 
§ 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não 
se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades 
referidas nos §§ 5º-B a 5º-E do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em 
conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste 
artigo. 
[...] 
Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte 
optante pelo Simples Nacional será determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas, 
calculadas a partir das alíquotas nominais constantes das tabelas dos Anexos I a V desta Lei 
Complementar, sobre a base de cálculo de que trata o § 3o deste artigo, observado o disposto 
no § 15 do art. 3o. (Redação dada pela Lei Complementar nº 155, de 2016) 
[...] 
§ 5º-C Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades 
de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo IV desta Lei 
Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a 
contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo 
ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou 
responsáveis: 
[...] 
VI – serviço de vigilância, limpeza ou conservação. 
Conforme previsto no artigo acima, nota-se que ME e EPP que prestam serviços de vigilância, limpeza 
ou conservação, podem optar pelo SIMPLES, mas não recolhem a Contribuição Patronal 
Previdenciária (CPP – INSS e RAT – artigo 22 da Lei nº 8.212/1991) por meio do Simples Nacional, e 
sim, segundo a legislação aplicável aos demais contribuintes. 
9.6.2 CPRB 
A sigla CPRB corresponde à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta, instituída pelo artigo 
7º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, em substituição à contribuição previdenciária sobre 
a folha de pagamento (INSS patronal), para alguns setores da economia, dentre eles, empresas do 
setor da construção civil, do setor de Tecnologia da Informação (TI) e do setor de Tecnologia da 
Informação e Comunicação (TIC). 
LEI nº 12.546/2011 
Art. 7º Poderão contribuir sobre o valor da receita bruta, excluídos as vendas canceladas 
e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos 
incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: (Redação dada pela 
Lei nº 13.161, de 2015) 
I – as empresas que prestam os serviços referidos nos §§ 4º e 5º do art. 14 da Lei no 11.774, 
de 17 de setembro de 2008; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) 
[...] 
IV – as empresas do setor de construção civil, enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 
da CNAE 2.0; 
Utiliza-se também o termo "Desoneração da Folha de Pagamento" para caracterizar o tributo, pois, 
em tese, a CPRB tende a ser menor que a contribuição previdenciária calculada sobre a folha. 
Em tese, porque há atividades em que o faturamento é alto e a utilização de mão de obra é baixa 
(como as empresas de programação que terceirizam a pesquisa, produção, implementação e outras 
fases do produto). 
O cálculo e recolhimento da CPRB era obrigatório até 30/11/2015 para as atividades a ela sujeitas. 
A partir de 1º/12/2015, com a edição da Lei nº 13.161, de 31 de agosto de 2015, passou a ser 
opcional, com alíquota de até 4,5% sobre o valor da receita bruta, em substituição à contribuição 
do INSS patronal, cuja alíquota é de 20% sobre o total das remunerações pagas aos funcionários. 
64 
 
 
LEI Nº 12.546/2011 
Art. 7o-A. A alíquota da contribuição sobre a receita bruta prevista no art. 7o será de 4,5% 
(quatro inteiros e cinco décimos por cento), exceto para as empresas de call center referidas 
no inciso I, que contribuirão à alíquota de 3% (três por cento), e para as empresas 
identificadas nos incisos III, V e VI, todos do caput do art. 7o, que contribuirão à alíquota de 
2% (dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 13.202, de 2015) 
Art. 9º [...] 
§ 13. A opção pela tributação substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º será manifestada 
mediante o pagamento da contribuição incidente sobre a receita bruta relativa a 
janeiro de cada ano, ou à primeira competência subsequente para a qual haja receita 
bruta apurada, e será irretratável para todo o ano calendário. (Incluído pela Lei 
nº 13.161, de 2015) 
O parágrafo 6º do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011 determina que o tomador/contratante efetue a 
retenção de 3,5% sobre o valor da nota fiscal dos serviços executados mediante cessão de mão 
de obra (em vez dos 11%), para os casos das contratadas optantes pela CPRB, a título de antecipação 
de pagamento da contribuição previdenciária: 
LEI Nº 12.546/2011 
Art. 7º Poderão contribuir sobre o valor da receita bruta, excluídos as vendas canceladas 
e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos 
incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: (Redação dada pela 
Lei nº 13.161, de 2015) 
[...] 
§ 6º No caso de contratação de empresas para a execução dos serviços referidos no 
caput, mediante cessão de mão de obra, na forma definida pelo art. 31 da Lei no 8.212, de 
24 de julho de 1991, e para fins de elisão da responsabilidade solidária prevista no inciso 
VI do art. 30 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante deverá reter 
3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura 
de prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014) 
Em razão de todo o exposto, verifica-se que os encargos sociais devidos pelas empresas não são 
fixos, pois variam de acordo com o código CNAE, GIIL- RAT, FAP, opção pelo SIMPLES e opção 
pela CPRB. 
Sendo assim, os encargos sociais devidos sobre o 13º salário, férias e abono de férias, para fins de 
depósito na conta vinculada, visando ilidir a responsabilidade da Administração, deveria ser 
variável de acordo com a atividade econômica e opções tributárias da empresa contratada, levando-
se em consideração os encargos existentes em sua planilha de custo e formação de preços. 
9.7 Percentual estabelecido pela legislação do DF 
O Decreto nº 34.649/2013, inicialmente, estabeleceu em seu Anexo os percentuais parciais para o 
contingenciamento à conta vinculada, sendo o percentual total definido em 32,82%:Anexo do Decreto nº 34.649 de 10/9/2013 
Posteriormente, por meio do Decreto nº 36.164/2014, houve alteração dos percentuais das 
provisões de férias e multa FGTS, passando o percentual total de contingenciamento para 
30,83%, conforme tabela a seguir: 
65 
 
 
Anexo do Decreto nº 36.164, de 18/12/2014 
 
Sendo assim, atualmente, com base do Decreto DF nº 34.649/2013, alterado pelo Decreto DF 
nº 36.164/2014, o percentual total a ser utilizado, para retenção das provisões trabalhistas 
destinadas à conta vinculada, é de 30,83% sobre o salário do empregado, para assegurar os 
recursos destinados ao 13º salário, férias, abono de férias, multa do FGTS bem como os encargos 
sobre o 13º salário, férias e abono de férias. 
O referido Decreto fixou em 7,39% os encargos sociais incidentes sobre o 13º salário e férias, 
semelhante ao que é aplicado na IN nº 5/2017 (Anexo XII), cuja memória de cálculo é a seguinte: 
 13º salário = aprox. 9,09% (1/11) 
 Férias + adicional de férias = aprox. 12,10% (1/11 +1/11 X 1/3)) 
 Total Encargos de 13º salário e férias = aprox. 21,19% (9,09% + 12,10%) 
 Encargos sociais considerados = 34,8% (RAT ajustado de 1%); 
 Encargos sociais sobre 13º salário e férias c/ adicional= 34,8% X 21,19% = aprox. 7,39%. 
Se fossem considerados os encargos sociais de 34,8% sobre os percentuais de 13º salário e férias do 
próprio anexo do Decreto Distrital, o percentual seria de aproximadamente 6,77%. 
Para identificar a parcela de encargos depositados na conta vinculada relativa ao 13º e relativa às 
férias, aplica-se uma regra de 3, e encontram-se os seguintes percentuais: 
 3,17% (8,33% / 19,44% X 7,39%) = encargos de 13º salário; e 
 4,22% (11,11% / 19,44% X 7,39%) = encargos de férias e abono de férias. 
Conclui-se, assim, que o percentual total das rubricas para a conta vinculada deveria variar de 
empresa para empresa, porém, conforme previsto no Decreto nº 34.649/2013, alterado pelo Decreto 
nº 36.164/2014, o percentual é fixo para todas as empresas, o que transforma essas rubricas em 
uma aproximação desses encargos, e não o montante efetivamente a ser pago ao trabalhador a título 
de férias, 13º e multa do FGTS, ou, ao estado a título de contribuição social sobre a folha de 
pagamentos de 13º e férias. 
Portanto, conforme estabelece o artigo 1º, inciso I, do Decreto nº 34.649/2013, com alteração 
posterior, deverão constar nos editais de licitação e nos contratos de prestação de serviços de 
terceirização, os percentuais das rubricas que serão provisionadas e depositadas em conta vinculada. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 1º Os editais licitatórios e os contratos de prestação de serviços continuados, com 
dedicação exclusiva de mão de obra, formalizados pelos órgãos e entidades da Administração 
Pública Direta e Indireta do Distrito Federal, deverão conter cláusulas relativas à retenção 
provisória e mensal de provisões trabalhistas, constando especialmente: 
I – os percentuais das rubricas indicadas no art. 2º deste Decreto, para fins de 
provisionamento; 
 
66 
 
 
10 VALORES PARA DEPÓSITO MENSAL NA CONTA VINCULADA 
10.1 Cálculo do valor mensal destinado à conta vinculada 
Para apurar o valor mensal a ser destinado à conta vinculada de cada contrato, deve-se efetuar a 
seguinte operação: 
Salário do funcionário X Percentual (%) X Nº de funcionários 
Havendo mais de uma categoria de funcionários, é necessário fazer essa mesma operação para cada 
categoria, apurando-se, assim, o valor total mensal a ser retido da fatura mensal da empresa 
contratada e destinado à conta vinculada da empresa. Apurado o valor total mensal destinado à 
conta vinculada, este será fixado no contrato e observado pela área competente pela retenção, 
conforme planilha modelo a seguir: 
 
10.2 Alteração do valor mensal destinado à conta vinculada 
Segundo averiguou-se, após calculado o valor mensal destinado à conta vinculada, este será 
estabelecido no termo de contrato, retido mensalmente da nota fiscal da empresa contratada e 
depositado na conta vinculada da empresa junto ao BRB. 
Em regra, este valor é fixo, ou seja, será retido mensalmente durante toda a vigência do contrato. 
Contudo, poderá ser alterado, tanto para mais quanto para menos, nas seguintes situações: 
 Alteração do valor do salário dos empregados; 
 Alteração da quantidade de postos de trabalho; e 
 Alteração do percentual de incidência. 
Havendo apuração de um novo valor a ser destinado à conta vinculada, este deverá constar no 
contrato, por meio de termo aditivo ou termo de apostilamento. 
10.2.1 Aumento do salário dos empregados 
Umas das hipóteses de alteração do valor mensal destinado à conta vinculada, é o aumento do salário 
dos empregados, por meio de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), Acordo Coletivo de Trabalho 
(ACT) ou Dissídio Coletivo. Essa situação é muito comum de ocorrer, uma vez que a maioria das 
categorias realiza negociação para alterar os salários dos empregados uma vez por ano. 
Nesse caso, tão logo ocorra a solicitação de repactuação do contrato pela empresa contratada, a 
Administração deverá providenciar o termo aditivo ao contrato ou o seu apostilamento. 
 
ATENÇÃO! 
Em caso de diferença a pagar à empresa contratada, no momento do pagamento da nota fiscal 
referente ao retroativo da diferença da repactuação, deverá ser apurada a parcela 
correspondente para retenção e depósito na conta vinculada. 
 
67 
 
 
10.2.2 Alteração da quantidade de empregados 
Outra hipótese que pode vir a alterar o valor mensal destinado à conta vinculada, é a alteração da 
quantidade de funcionários terceirizados, por meio de acréscimo ou decréscimo, em razão de 
necessidade da Administração Pública. 
Nessa situação, a Administração deverá promover a alteração contratual mediante termo aditivo ao 
contrato, no qual constará o cálculo do novo valor mensal a ser destinado à conta vinculada, a partir 
da data em que houver o acréscimo ou decréscimo do posto. 
10.2.3 Alteração do percentual 
A terceira hipótese que pode ocasionar a alteração do valor mensal a ser destinado à conta 
vinculada, é a alteração do percentual de retenção, sendo esta a possibilidade mais difícil de 
acontecer, uma vez que exige uma alteração legislativa, já que o percentual é estabelecido por meio 
do Decreto nº 34.649/2013, alterado pelo Decreto nº 36.164/2014. 
Contudo, ocorrendo a modificação legislativa, deverá ser efetuado o aditamento do contrato para 
indicar o novo valor mensal destinado à conta vinculada. 
11 CONTROLE MENSAL DE CONTA VINCULADA 
A gestão e o controle da conta vinculada se destinam a garantir os recursos necessários para o 
cumprimento das obrigações previdenciárias e trabalhistas, em caso de inadimplemento da empresa 
contratada durante a execução contratual bem como de extinção ou de rescisão do contrato 
administrativo. 
Para que a conta vincula alcance o objetivo pretendido, há necessidade de instrumentos de controle 
eficientes, desde o início de sua implementação e durante toda a execução do contrato. 
A gestão eficiente da conta vinculada envolve: 
 acompanhamento da correção do valor depositados mensalmente na conta vinculada; 
 acompanhamento de alterações contratuais que modifiquem a quantidade de mão de obra 
contratada; 
 acompanhamento de repactuação contratual, em relação à alteração do valor do salário dos 
funcionários; 
 conciliação bancária; 
 controle dos valores individualizados, por empregado, e por provisão; e 
 conferência de documentos, confirmação das verbas devidas aos trabalhadores e apuração do 
montante passível de liberação. 
11.1 Autuação de processo específico 
É necessário providenciar a abertura de processo específico para cada conta vinculada, no qual 
tramitarão os procedimentos relativos: aos pedidos de liberação de valores durante a execução do 
contrato; à conciliação bancária; ao controle de pessoal e de valores; e à liberação do saldo residual 
no encerramento do contrato. 
Paratanto, sugere-se que, ao início do contrato, seja incluída no processo a seguinte documentação: 
 Comprovante de abertura da conta vinculada da empresa; 
 Cópia do contrato; e 
 Relação da mão de obra com os dados importantes. 
E, durante a execução contratual, recomenda-se juntar ao processo da conta vinculada, os seguintes 
documentos, dentre outros: 
 Ordens Bancárias dos depósitos mensais; 
 Extratos mensais da conta vinculada; 
68 
 
 
 Termos Aditivos e de Apostilamento ao Contrato; 
 Relatórios do executor com as alterações da mão de obra; 
 Pedidos de liberação, com a documentação devida; 
 Instrução processual referente à análise do pedido de liberação, com a apuração dos valores a 
liberar; 
 Autorização de liberação de valores (ofício ao BRB). 
11.2 Controle dos empregados 
Ao início do contrato, deve-se solicitar ao executor do contrato a relação dos empregados com os 
seguintes dados: nome completo, CPF, cargo/função, data de admissão na empresa, data de admissão 
no contrato de terceirização, salário-base, entre outros, para criar uma planilha de controle, visando 
acompanhar as movimentações individualizadas de valores da conta vinculada por funcionário e por 
provisão. 
Mensalmente, faz-se necessário que o executor do contrato informe as alterações de pessoal: férias, 
desligamentos, licença maternidade, licença médica, entre outras. 
O gestor da conta vinculada também deve acompanhar os aditamentos contratuais com acréscimo e 
decréscimo de mão de obra, pois isto impacta em seu controle individualizado por funcionário, além 
do controle dos valores. 
11.3 Conciliação bancária 
Mensalmente, é necessário solicitar os extratos das contas vinculadas ao BRB, para efetuar a 
conciliação bancária das contas, conferindo os depósitos efetuados bem como os eventuais saques 
autorizados. 
Deve-se observar nos extratos bancários: 
 Se o montante mensal depositado pelo órgão, referente à retenção de valor da nota fiscal da 
contratada, foi creditado corretamente, observando a data e o valor do depósito. 
 Se os débitos existentes na conta foram devidamente autorizados e se guardam conformidade 
com a data e valor autorizados. 
Em razão da obrigatoriedade de a instituição financeira remunerar os valores depositados em conta 
vinculada, conforme disposto no artigo 6º do Decreto nº 34.649/2013, e conforme previsão contida 
no Acordo de Cooperação Técnica, o BRB aplica os recursos depositados na conta vinculada em 
investimentos de renda fixa, por meio do Certificado de Depósito Bancário (CDB) de 30 dias. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 6º Os valores retidos mensalmente serão depositados na conta vinculada respectiva no 
Banco de Brasília S/A (BRB) e remunerados pelo índice da poupança ou outro definido 
no Acordo de Cooperação Técnica, previsto no art. 7º deste Decreto, adotando-se o índice 
de maior rentabilidade. 
À primeira vista, seria fácil realizar a conferência desses extratos bancários, se não fossem os 
inúmeros lançamentos mensais de débito e crédito existentes, em razão das aplicações e resgates (do 
principal e do rendimento) no CDB. 
A título de curiosidade, apresenta-se, a seguir, um extrato mensal de conta vinculada, no qual 
somente há um depósito mensal e uma liberação de valor para a contratada, sendo os demais 
lançamentos relativos à aplicação dos recursos pela instituição bancária. 
 
69 
 
 
 
 
 
 
70 
 
 
11.4 Ferramenta para controle de valores por empregado e por provisão 
Em virtude da exigência contida no § 5º do artigo 11 do Decreto nº 34.649/2013, de que não 
poderão ser liberados valores superiores aos limites individuais por tipo de provisão, sendo 
vedado o pagamento de uma provisão com recursos destinados a outra, faz-se necessário que a 
Administração promova controles individualizados, por empregado e por rubrica, para cumprir a 
determinação legal no momento das liberações parciais solicitadas pela contratada. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal ao 
órgão ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado de 
documentos comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das provisões, 
atestado por profissional responsável pelos cálculos. 
[...] 
§ 5º O montante da provisão a ser liberada não poderá exceder os limites individuais 
constituídos para cada tipo de provisão, conforme percentuais estabelecidos no anexo 
deste Decreto, não sendo admitido o pagamento de uma provisão com recursos 
constituídos para outra. 
§ 6º O BRB e o órgão ou entidade contratante estabelecerão procedimentos de modo a 
aferir o cumprimento do disposto no parágrafo anterior. 
Com o intuito de assegurar que somente serão liberados valores de acordo com os limites individuais 
das provisões, o mencionado Decreto determinou que, tanto o órgão público quanto o BRB, 
deverão estabelecer procedimentos para mitigar os riscos e aferir a propriedade dos valores 
a serem liberados da conta vinculada. 
Em razão dessa determinação, o BRB fez constar em sua minuta padronizada do Acordo de 
Cooperação Técnica, as obrigações daquela instituição, das quais destacam-se: 
 Implementar ferramenta informatizada; 
 Estabelecer procedimentos informatizados para que os órgãos possam aferir a propriedade dos 
valores a serem liberados; 
 Disponibilizar ferramenta de controle das provisões trabalhistas e de empregados; 
 Disponibilizar acesso on line à conta vinculada para gerenciamento e acompanhamento dos 
recursos depositados. 
MINUTA ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA BRB 
CLÁUSULA QUARTA – DAS OBRIGAÇÕES DAS PARTES: 
São obrigações do BRB – Banco de Brasília S.A: 
I – Abrir as CONTAS, disponibilizar saldos e extratos e efetuar movimentações solicitadas ou 
previamente autorizadas pelo Órgão ou Entidade. 
II – Implementar ferramenta informatizada de modo a assegurar que os recursos da 
Conta Vinculada não sejam utilizados para outros fins, senão aqueles previstos no art. 2 
incisos I, II, III e IV do Decreto no 34.649 de 10 de setembro de 2013. 
III – Estabelecer procedimentos informatizados para que o órgão ou entidade possam 
aferir a propriedade dos valores a serem liberados. 
IV – Prestar apoio técnico operacional ao Órgão ou Entidade e à EMPRESA CONTRATADA, 
necessário à execução dos serviços objeto deste Acordo. 
V – Disponibilizar ao Órgão ou Entidade ferramenta de controle das provisões 
trabalhistas e de empregados contratados pelas empresas prestadoras de serviços. 
VI – Informar ao Órgão ou Entidade qualquer ocorrência que comprometa a 
operacionalização de Contas Vinculadas. 
VII – Disponibilizar acesso on line à Conta Vinculada de modo a permitir que Órgão ou 
Entidade gerencie e acompanhe os recursos depositados. 
A elaboração e disponibilização de ferramenta de controle pelo BRB, para aferir os valores das 
provisões a liberar, visa diminuir o custo de transação da conta vinculada, facilitando a sua gestão 
pelos órgãos públicos do DF. Entretanto, o sistema de controle desenvolvido pelo BRB ainda está em 
fase de testes e apresenta algumas dificuldades operacionais. 
71 
 
 
Importante salientar que a Administração Pública também está obrigada a estabelecer 
procedimentos visando gerenciar a conta vinculada, de forma a assegurar que somente sejam 
liberados valores relativos à determinada provisão. 
Deste modo, faz-se indispensável que a Administração utilize ferramenta de controle informatizado, 
para que possa gerenciar os valores depositados e os valores liberados, referentes a cada provisão e 
a cada empregado. 
As ferramentas de controle a serem utilizadas para gerenciar as contas vinculadas são de 
discricionariedade de cada órgão, em razão de suas peculiaridades. 
Apresentam-se, a seguir, a título de exemplo, telas do controle atualmente utilizado pelo Tribunal de 
Contas do Distrito Federal (TCDF). O controle foi desenvolvido no Excel e utiliza-se a ferramenta da 
tabeladinâmica para emissão de relatórios, visando apurar os depósitos e os saques, por mês, por 
funcionário e por rubrica, e identificar o valor possível de ser liberado pela Administração. 
Figura 1 – Tabela com filtro em uma determinada empresa e em determinado mês, na qual constam 
as seguintes informações: relação dos empregados, com os dados pessoais; valores depositados e 
sacados no mês, por provisão. 
Figura 2 – Tabela dinâmica com valores depositados, mês a mês, nas rubricas de 13º salário, férias, 
multa FGTS, encargos sobre 13º salário e encargos sobre férias, referente a 1 funcionário selecionado. 
Figura 3 – Tabela dinâmica com valores depositados e saques realizados, mês a mês, nas rubricas de 
13º salário e férias, referente a 1 funcionário selecionado. 
 
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Figura 1 
 
 
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74 
 
 
Figura 3 
 
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75 
 
 
12 LIBERAÇÃO PARCIAL DE VALORES 
Durante a execução do contrato, as empresas contratadas poderão solicitar a liberação de valores da 
conta vinculada em razão de: 
 pagamento de 13º salário; 
 pagamento de férias com o abono de férias; e 
 rescisões de contratos de trabalho. 
Os valores provisionados poderão ser liberados parcialmente ou anualmente, mediante 
comprovação da ocorrência de 13º salário, de férias com abono de 1/3 ou de dispensa de empregado 
vinculado ao contrato, ou, então, os valores serão liberados ao final da vigência do contrato, quando 
houver o pagamento das verbas rescisórias. 
12.1 Liberação conta-salário empregado X Conta corrente da empresa 
Em razão do que consta no § 1º do artigo 12 do Decreto nº 34.649/2013, os valores liberados pelo 
Órgão deverão ser depositados diretamente na conta-salário dos empregados. 
Entretanto, o Decreto nº 36.164/2014 incluiu a possibilidade de a liberação dos valores ser 
efetuada diretamente à conta corrente da empresa contratada, caso a contratada já tenha 
efetuado o pagamento das verbas rescisórias ao empregado, conforme § 8º ao artigo 11 abaixo. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal ao 
órgão ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado de 
documentos comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das 
provisões, atestado por profissional responsável pelos cálculos. 
[...] 
§ 8º – No caso da empresa contratada vir a efetuar o pagamento das verbas rescisórias 
antes da liberação dos recursos pelo BRB, esta poderá resgatar junto ao banco os 
valores despendidos para a quitação das provisões trabalhistas, após autorização do 
órgão ou entidade da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal. (incluído 
pelo Decreto nº 36.164/2014) 
Art. 12. Protocolado o pedido de autorização para movimentação da conta vinculada pela 
empresa contratada, o órgão ou entidade contratante terá o prazo de 3 (três) dias úteis, a 
contar da data de apresentação dos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, para 
autorizar o BRB a desbloquear os valores retidos. 
§ 1º – Os valores liberados serão depositados diretamente na conta-salário dos 
empregados da contratada, no prazo de 1 (um) dia útil a contar da data de autorização do 
órgão ou entidade contratante. (redação alterada pelo Decreto nº 36.164/2014) 
Em que pese o Decreto ter contemplado somente a hipótese de “pagamento de verbas rescisórias” 
como possibilidade de liberação direta à empresa, em razão de a contratada vir a efetuar pagamento 
a seu funcionário antes da liberação dos recursos da conta vinculada, pode-se, s.m.j., por analogia in 
bonam partem, estender esta possibilidade às demais rubricas: 13º salário, férias e abono de férias. 
A norma não comtemplou a possibilidade de a empresa optar por pagar as verbas de 13º salário, 
férias e abono de férias diretamente aos seus funcionários e, somente depois, solicitar a liberação 
desses recursos da conta vinculada, a título de restituição. 
Importante destacar que a obrigação originária para pagar as verbas trabalhistas é da empresa 
contratada e, considerando que há prazos para pagamento dessas verbas, que se não observados 
ensejam multas ao empregador, a contratada pode preferir quitar diretamente o 13º salário e férias 
com abono de férias aos seus empregados, para não incorrer em possíveis atrasos nas liberações à 
conta-salário do trabalhador, por parte da Administração Pública. 
Como a objetivo da conta vinculada é assegurar a existência de recursos financeiros para dar 
cumprimento às obrigações trabalhistas e sociais, em caso de inadimplemento da contratada, deduz-
se que havendo a comprovação do pagamento devido ao trabalhador, poderá a Administração 
restituir o valor correspondente à contratada. 
76 
 
 
Assim sendo, ante a omissão da norma, que não trouxe previsão para o caso concreto acima exposto, 
e visando disciplinar situações similares à prevista no Decreto, entende-se que, por analogia, poderia 
ser utilizado o § 8º do artigo 11 do Decreto nº 34.649/2013, para as hipóteses de pagamento do 13º 
salário e das férias com 1/3 constitucional. 
Consequentemente, registram-se 2 possibilidades para liberação parcial de valores da conta 
vinculada: 
1ª) a contratada solicita que o pagamento seja efetuado diretamente na conta-salário dos 
funcionários e, para tanto, encaminha, além da documentação devida, a relação com as contas-
salário dos funcionários e os valores devidos; 
2ª) a contratada primeiro paga as verbas trabalhistas aos funcionários e solicita a restituição, 
encaminhando a documentação comprobatória para liberação dos valores da conta vinculada. O 
valor será transferido diretamente à conta-corrente da empresa. 
Dentre as hipóteses acima, o pedido de restituição de valores é mais usual, em razão do seguinte 
cenário: 
 Existem prazos legais para pagamento das verbas trabalhistas e atrasos podem ocasionar multas 
ao empregador; 
 A Administração pode solicitar outras informações e documentação complementar, conforme 
disposto no § 4º do artigo 11 do Decreto nº 34.649/2103; 
 Havendo inconsistência na documentação apresentada pela contratada, o prazo de 3 dias úteis 
para a liberação dos valores será suspenso até a devida correção, conforme § 2º do artigo 12 do 
Decreto nº 34.649/2013; e 
 O montante a ser liberado ao trabalhador poderá ser menor do que o valor do direto que lhe é 
devido, em razão do que consta no § 5º do artigo 11 do Decreto nº 34.649/2013. Logo, o 
empregador precisará efetuar o pagamento da diferença ao trabalhador, e encaminhar, 
posteriormente, o comprovante ao Órgão contratante. 
DECRETO DF nº 34.649/2013 
Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal 
ao órgão ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado 
de documentos comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das 
provisões, atestado por profissional responsável pelos cálculos. 
[...] 
§ 4º O órgão ou entidade contratante poderá requerer, a seu critério, outros dados e 
informações e estabelecer leiautes para a remessa dos relatórios. 
§ 5º O montante da provisão a ser liberada não poderá exceder os limites individuais 
constituídos para cada tipo de provisão, conforme percentuais estabelecidos no anexo 
deste Decreto, não sendo admitido o pagamento de uma provisão com recursos constituídos 
para outra. 
Art. 12. Protocolado o pedido de autorização para movimentação da conta vinculada pela 
empresa contratada, o órgão ou entidade contratante terá o prazo de 3 (três) dias úteis, a 
contar da data de apresentação dos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, para 
autorizar o BRB a desbloquear os valores retidos. 
[...] 
§ 2º Constatadas inconsistências nos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, a 
contagem de prazo será suspensa até a apresentação das correções devidas. 
Em razão do cenário acima, as empresas contratadas, habitualmente, optam por pagar as verbas 
trabalhistas aos seus empregados e, somente depois, solicitar a liberação dos recursos da conta 
vinculada. 
Se a empresa optar por solicitar que os valores sejam liberados à conta-salário do empregado, faz-se 
necessário que o pedido seja efetuado coma devida antecedência, possibilitando o cumprimento dos 
prazos de pagamento da legislação trabalhista, em razão dos procedimentos necessários pela 
Administração antes da liberação. 
 
77 
 
 
12.2 Passo a passo para a liberação de valores da conta vinculada 
1º) Receber a solicitação da contratada para liberação de valores da conta vinculada; 
2º) Confirmar se de fato houve a ocorrência declarada (férias e rescisão contratual); 
3º) Verificar se a documentação encaminhada pela contratada é suficiente para a liberação da 
provisão solicitada e requisitar documentação complementar, se for o caso; 
4º) Conferir a documentação para identificar se as obrigações trabalhistas foram devidamente 
cumpridas (para liberação das provisões de 13º salário e férias com o abono de 1/3); 
5º) Conferir a documentação para verificar se as obrigações sociais foram devidamente cumpridas 
(para liberação das provisões de encargos sobre o 13º salário, encargos sobre as férias e a multa 
do FGTS); 
6º) Apurar o valor existente na conta vinculada que poderá ser liberado à contratada, referente à 
rubrica solicitada e ao funcionário em questão. 
 
ATENÇÃO! 
Para que seja possível liberar valores da conta vinculada referente à determinada provisão, 
primeiramente, deverá ser confirmado pela Administração se o direito do trabalhador foi 
devidamente respeitado bem como, quando for o caso, se os encargos foram adequadamente 
recolhidos. 
 
Então, quando a Administração receber a solicitação para liberação de valores da conta vinculada, 
devem ser respondidas as seguintes questões: 
Quais os documentos devem ser exigidos da contratada para verificar cada tipo de provisão? 
O que conferir nesses documentos para identificar se a contratada cumpriu com as suas 
obrigações trabalhistas e sociais? 
Qual valor liberar? 
13 DOCUMENTAÇÃO PARA LIBERAR 13º SALÁRIO E FÉRIAS 
13.1 Liberação de 13º salário 
13.1.1 Documentação para liberação de 13º salário 
A documentação a ser encaminhada pela contratada, juntamente com a solicitação de liberação do 
13º salário, vai depender da opção de liberação, conforme abaixo: 
Havendo opção pela restituição do valor já pago pela contratada aos seus empregados, a empresa 
deverá apresentar a seguinte documentação: 
 Contracheques dos empregados, com a descrição do salário base, data de admissão na empresa e 
cálculo do valor do 13º salário; 
 Folha de pagamento; e 
 Comprovantes dos pagamentos efetuados aos empregados (recibo ou depósito/ transferência.) 
Havendo opção para que o órgão efetue a liberação e depósito diretamente à conta salário dos 
empregados, a empresa deverá apresentar a seguinte documentação: 
 Contracheques dos empregados, com a descrição do salário base, data de admissão na empresa e 
cálculo do valor do 13º salário; 
 Folha de pagamento; e 
 Dados bancários referentes às contas-salário dos empregados. 
Com a documentação em mãos, cabe à Administração verificar se o empregado recebeu o seu direito 
ao 13º salário de acordo com a legislação vigente, conforme abordado no item 8.1 desta apostila. 
Apresentamos sugestão de um roteiro para verificação. 
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13.1.2 Roteiro para verificação – pagamento 13º salário 
1) Verifique se o nome e o CNPJ da contratada constam na folha de pagamento; 
2) Confira se a folha de pagamento indica o órgão contratante como tomador dos serviços. 
É obrigação legal da empresa elaborar a folha de pagamento por tomador dos serviços; 
3) Verifique se a folha de pagamento é da competência 13; 
4) Confirme se todos os terceirizados que estão na folha de pagamento também estão no controle 
da conta vinculada (planilha com dados informados pelo executor). Confira nome por nome e 
a função de cada terceirizado; 
5) Verifique se os salários constantes na folha de pagamento estão de acordo com o salário 
normativo fixado em CCT, ACT, sentença normativa ou com o fixado no contrato administrativo, 
se este for maior que o salário normativo; 
6) Confira se os contracheques possuem as mesmas informações acima; 
7) Confirme a data de admissão do empregado, pois se o empregado houver sido admitido no 
exercício financeiro em questão, deve-se verificar se o cálculo proporcional de gratificação 
natalina está correto; e 
8) Verifique se a contribuição previdenciária do segurado – INSS – foi retida no valor correto 
(se houver um número muito grande de funcionários, pode ser por amostragem). A contribuição 
é percentual incidente sobre o salário de contribuição (remuneração do empregado) e esses 
dados são definidos anualmente por Portaria e divulgados, em janeiro, na página da Previdência 
Social na internet. Segue a tabela atual: 
Tabela de contribuição dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador 
avulso, para pagamento de remuneração a partir de 
1º de janeiro de 2019 
Salário de contribuição (R$) Alíquota para fins de recolhimento ao INSS (%) 
até 1.751,81 8,00 
de 1.751,81 até 2.919,72 9,00 
de 2.919,72 até 5.839,45 11,00 
Portaria Ministério Economia- ME nº 9, de 15 de janeiro de 2018 (DOU 16.1.2018) 
9) Verifique se o imposto de renda do empregado foi calculado corretamente (pode ser por 
amostragem), aplicando a tabela progressiva disponibilizada pela Receita Federal. Segue a tabela 
atual: 
Rendimento Alíquotas (%) Dedução 
até R$ 1.903,98 Isento – 
de R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65 7,50 R$ 142,80 
de R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 15,00 R$ 354,80 
de R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 22,50 R$ 636,13 
acima de R$ 4.664,69 27,50 R$ 869,36 
 Dedução por dependente: R$ 189,59 
10) Confirme se o pagamento foi realizado no prazo legal, no caso de já ter sido efetuado, ou se 
haverá tempo hábil para a Administração realizar o depósito no prazo legal. 
A seguir, apresentamos alguns modelos de contracheque, folha de pagamento, e recibo de pagamento 
de 13ª salário. 
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Havendo opção para a liberação diretamente à conta-salário dos empregados, a empresa deverá 
apresentar os dados bancários dos empregados, conforme modelo abaixo: 
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Havendo opção pela restituição do valor já pago pela contratada aos seus empregados, a empresa 
deverá apresentar comprovante do pagamento efetuado ao empregado, conforme modelo abaixo. 
 
ATENÇÃO! 
Em caso de recibo de transferência eletrônica, não aceitar agendamentos. 
 
 
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13.2 Liberação de férias e abono de férias 
13.2.1 Documentação para liberação de férias e abono de férias 
A documentação a ser encaminhada pela contratada, juntamente com a solicitação de liberação de 
férias, vai depender da opção de liberação, conforme abaixo: 
Havendo opção pela restituição do valor já pago pela contratada ao empregado, a empresa deverá 
apresentar a seguinte documentação: 
 Aviso de férias; 
 Recibo de férias (esse documento é o contracheque das férias), com a descrição do salário base, 
período aquisitivo ou data de admissão e cálculo do valor das férias; e 
 Comprovante do pagamento efetuado ao empregado. 
Havendo opção para que o órgão efetue a liberação e depósito diretamente à conta salário do 
empregado, a empresa deverá apresentar a seguinte documentação: 
 Aviso de férias; 
 Recibo de férias (esse documento é o contracheque das férias), com a descrição do salário base, 
período aquisitivo ou data de admissão e cálculo do valor das férias; e 
 Dados bancários referentes à conta-salário do empregado. 
Com a documentação em mãos, cabe à Administração verificar se o empregado recebeu o seu direito 
às férias de acordo com a legislação vigente, conforme abordado no item 8.2 desta apostila. 
Apresentamos sugestão de um roteiro para verificação. 
13.2.2 Roteiro de verificação – férias e abono de férias 
1) Verifique se o nome e o CNPJ da contratada estão no aviso de férias e no recibo de pagamento 
de férias; 
2) Confira se os documentos indicam o órgão contratante como tomador dos serviços. 
3) Confirme se o terceirizado está no controle da conta vinculada(planilha com dados 
informados pelo executor) – é importante também que o executor do contrato ratifique a 
informação quanto ao afastamento do empregado; 
4) Verifique a data de admissão do empregado, para confirmar o período aquisitivo e concessivo; 
5) Confira se o aviso de férias ocorreu com 30 dias de antecedência; 
6) Verifique se o salário do período de férias (adiantamento ao empregado) está correto, ou 
seja, está de acordo com o salário normativo fixado em CCT, ACT, Dissídio coletivo ou com o 
fixado no contrato administrativo, se este for maior que o salário normativo; 
7) Verifique se o Recibo de Férias retrata o salário pago referente ao período das férias e se o 
adicional de férias (1/3 do abono de férias) foi calculado corretamente; 
8) Confirme se a contribuição previdenciária do segurado (INSS) foi retida no valor correto, 
de acordo com a tabela do INSS; 
9) Verifique se o imposto de renda do empregado foi calculado corretamente, de acordo com a 
tabela da Receita Federal: 
10) Identifique se houve parcelamento de férias; abono pecuniário (venda de férias); desconto 
de faltas injustificadas que tenham ocasionado redução dos dias de férias; e férias vencidas, 
identificando, em cada caso, se os valores calculados estão corretos, inclusive quanto à 
contribuição do INSS retida do empregado; e 
11) Confirme se o pagamento foi realizado no prazo legal, no caso de já ter sido efetuado, ou se 
haverá tempo hábil para a Administração efetuar o depósito no prazo legal. 
A seguir, apresentamos alguns modelos de aviso de férias, contracheque de férias e recibo de férias. 
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14 RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO 
14.1 Direitos do trabalhador em rescisão de contrato de trabalho 
Quando há rescisão do contrato de trabalho, o empregado tem direito a receber as seguintes verbas: 
saldo de salário; férias vencidas; férias proporcionais; 13º salário proporcional; aviso prévio 
indenizado (se empregado não tiver sido notificado no prazo legal); multa do FGTS e indenização 
por rescisão antecipada, dependendo do tipo de contrato de trabalho e a forma de rescisão 
contratual. 
14.2 Aviso prévio 
O aviso prévio é um direito recíproco, com a finalidade de evitar a surpresa na ruptura do contrato 
de trabalho, possibilitando ao empregador procurar outro empregado para o preenchimento do 
cargo vago e, ao empregado a sua recolocação no mercado de trabalho. 
A rescisão do contrato de trabalho precisa ser previamente comunicada pela parte que deseja por 
fim à relação, mediante notificação prévia, com antecedência de no mínimo 30 dias do efetivo 
desligamento, denominada de “aviso prévio”, conforme disposto no artigo 487 da CLT. 
Se a notificação for para rescisão imediata do contrato de trabalho, é considerada “sem aviso prévio”. 
CLT 
Art. 487 – Não havendo prazo estipulado, a parte que, sem justo motivo, quiser rescindir o 
contrato deverá avisar a outra da sua resolução com a antecedência mínima de: 
[...] 
II – trinta dias aos que perceberem por quinzena ou mês, ou que tenham mais de 12 (doze) 
meses de serviço na empresa. (Redação dada pela Lei nº 1.530, de 26.12.1951) 
14.2.1 Prazo início aviso prévio 
Conforme Súmula 380 do TST e artigo 20 da Instrução Normativa da Secretaria de Relações do 
Trabalho – SRT nº 15 de 14 de julho/2010, o prazo de 30 (trinta) dias, correspondente ao aviso-
prévio, conta-se a partir do dia seguinte ao recebimento da comunicação, que deverá ser 
formalizada por escrito. Isso quer dizer que, a contagem exclui o dia do aviso e inclui o dia final. 
SÚMULA 380 DO TST 
AVISO PRÉVIO. INÍCIO DA CONTAGEM. ART. 132 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002 (conversão da 
Orientação Jurisprudencial nº 122 da SBDI-1) – Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.4.2005 
Aplica-se a regra prevista no caput do art. 132 do Código Civil de 2002 à contagem do prazo 
do aviso prévio, excluindo-se o dia do começo e incluindo o do vencimento. (ex-OJ nº 122 
da SBDI-1 – inserida em 20.4.1998) 
INSTRUÇÃO NORMATIVA SRT Nº 15/2010 
Art. 20. O prazo de trinta dias correspondente ao aviso prévio conta-se a partir do dia 
seguinte ao da comunicação, que deverá ser formalizada por escrito. 
14.2.2 Aviso prévio trabalhado 
O aviso prévio trabalhado é aquele em que o trabalhador continua trabalhando após o recebimento 
da notificação, até a data do término do contrato. 
Durante o período de cumprimento do aviso prévio, o trabalhador poderá escolher reduzir a sua 
jornada de trabalho diária em 2 horas ou deixar de trabalhar nos últimos 7 dias do prazo, sem 
prejuízo do salário, em qualquer um dos dois casos. 
CLT 
Art. 488 – O horário normal de trabalho do empregado, durante o prazo do aviso, e se a 
rescisão tiver sido promovida pelo empregador, será reduzido de 2 (duas) horas diárias, sem 
prejuízo do salário integral. 
Parágrafo único – É facultado ao empregado trabalhar sem a redução das 2 (duas) horas 
diárias previstas neste artigo, caso em que poderá faltar ao serviço, sem prejuízo do salário 
integral, por 1 (um) dia, na hipótese do inciso l, e por 7 (sete) dias corridos, na hipótese do 
inciso lI do art. 487 desta Consolidação. 
88 
 
 
A notificação tanto pode ser dada pelo empregado, no caso de pedido de demissão, quanto pelo 
empregador, devendo este apontar a causa da rescisão, se demissão motivada (por justa causa) ou 
imotivada (sem justa causa). 
14.2.3 Aviso prévio indenizado 
No caso de demissão imediata, sem o cumprimento do aviso prévio, o empregado terá direito ao 
salário correspondente ao período do aviso prévio não concedido, denominado de “aviso prévio 
indenizado”, o qual será computado como tempo de serviço para todos os efeitos legais, 
conforme § 1º do artigo 487 da CLT. 
CLT 
Art. 487 [...] 
§ 1º – A falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos 
salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse 
período no seu tempo de serviço. 
Se a iniciativa da rescisão for do empregado, e este não quiser cumprir o aviso prévio, a empresa terá 
o direito de descontar o equivalente a 1 (um) mês de salário das verbas rescisórias do empregado, 
conforme disciplina o § 2º do artigo 487 da CLT. 
CLT 
Art. 487 [...] 
§ 2º – A falta de aviso prévio por parte do empregado dá ao empregador o direito de 
descontar os salários correspondentes ao prazo respectivo. 
14.2.4 Renúncia ao aviso prévio 
No caso de pedido de demissão, o empregador pode dispensar o empregado do cumprimento do 
aviso prévio, havendo ou não a solicitação da dispensa pelo empregado. Nessa situação, o 
empregador não paga o aviso prévio, mas também não pode descontar o aviso prévio do empregado. 
Já o direito ao aviso prévio do empregado, em regra, é irrenunciável pelo empregado, não podendo o 
empregador alegar que o funcionário não fez questão de cumprir o aviso prévio, quando na verdade 
era o empregador que queria se eximir de pagar a multa. 
Nos termos da Súmula 276 do TST, o empregado somente pode renunciar esse direito se encontrar 
novo emprego para início imediato, pois impor a obrigação de que o empregado cumpra a totalidade 
do aviso, poderia gerar a perda daquela oportunidade de trabalho. 
SÚMULA 276 DO TST 
AVISO PRÉVIO. RENÚNCIA PELO EMPREGADO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 
21.11.2003 
O direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo empregado. O pedido de dispensa de 
cumprimento não exime o empregador de pagar o respectivo valor, salvo comprovação de 
haver o prestador dos serviços obtido novo emprego. 
Importante destacar que, em novembro/2018, a 7ª Turma do TST julgou inválida renúncia a aviso 
prévio estabelecida por normas coletivas, por implicar afronta a direito trabalhista 
constitucionalmente assegurado e irrenunciável. O entendimento daquele Tribunal é de que mesmo 
que o trabalhador tenha sido imediatamente admitido por novo empregador, a renúncia ao aviso 
prévio deve ser formulada pelo empregado de forma expressa.TST 
AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE – APELO 
INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014 – AVISO-PRÉVIO – RENÚNCIA POR MEIO 
DE NORMA COLETIVA – INVALIDADE – SÚMULA Nº 276 DO TST. Constatada possível 
violação dos arts. 7º, XXI e XXVI, da Constituição Federal de 1988, e 487, § 1º, da CLT, merece 
provimento o agravo de instrumento para melhor exame do recurso de revista. Agravo de 
instrumento conhecido e provido para determinar o processamento do recurso de revista. 
RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE – APELO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI 
Nº 13.015/2014 – AVISO PRÉVIO – RENÚNCIA POR MEIO DE NORMA COLETIVA – 
INVALIDADE – SÚMULA Nº 276 DO TST. Conforme entendimento consolidado nesta Corte 
superior, as negociações coletivas não podem ser exercidas de forma a implicar 
renúncia, pelos trabalhadores individualmente considerados nem por suas 
89 
 
 
respectivas entidades sindicais, dos direitos fundamentais sociais assegurados pela 
própria Constituição da República e pelas normas infraconstitucionais trabalhistas de ordem 
pública, como ocorre no caso ora em exame, que cuida do direito constitucional ao aviso-
prévio. Ademais, nos termos da Súmula nº 276 do TST, o direito ao aviso-prévio é 
irrenunciável pelo empregado, sendo que o pedido de dispensa de cumprimento não exime o 
empregador de pagar o respectivo valor, salvo comprovação de haver o prestador dos 
serviços obtido novo emprego. No caso, embora o trabalhador tenha sido imediatamente 
admitido por novo empregador, não formulou renúncia expressa ao aviso prévio, 
sendo inválida a renúncia praticada pela via negocial coletiva. Recurso de revista 
conhecido e provido. 
TST RR:1317920145090657 Dt Julgamento: 7/11/2018 – 7ª Turma 
14.2.5 Indenização adicional X Data base 
Se o empregado é dispensado sem justa causa no período de 30 dias que antecede a sua data-base, 
tem direito a uma indenização adicional equivalente a 1 (um) salário mensal, conforme dispõe o 
artigo 9º da Lei nº 6.708/1979. 
LEI Nº 6.708/1979 
Art. 9º O empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 (trinta) dias que antecede 
a data de sua correção salarial, terá direito à indenização adicional equivalente a um salário 
mensal, seja ele, ou não, optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. 
Em razão de questionamento quanto à validade da Lei nº 6.708/1979, anterior à CF/88, houve o 
pronunciamento do TST, por meio da Súmula 306, de que a referida lei não foi revogada, 
permanecendo válido o seu artigo 9º. 
SÚMULA 306 DO TST 
INDENIZAÇÃO ADICIONAL. PAGAMENTO DEVIDO COM FUNDAMENTO NOS ARTIGOS 9º DA 
LEI Nº 6.708/1979 E 9º DA LEI Nº 7.238/1984 (cancelada) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 
21.11.2003 
É devido o pagamento da indenização adicional na hipótese de dispensa injusta do 
empregado, ocorrida no trintídio que antecede a data-base. A legislação posterior não 
revogou os arts. 9º da Lei nº 6.708/1979 e 9º da Lei nº 7.238/1984. 
Essa indenização também é devida na projeção do aviso prévio indenizado, pois o aviso prévio, 
trabalhado ou indenizado, integra o tempo de serviço para todos os efeitos legais, conforme § 1º do 
artigo 487 da CLT, e a rescisão contratual somente se efetiva depois de expirado o respectivo prazo. 
Esse é o entendimento jurisprudencial do TST, conforme Súmula 182. 
SÚMULA 182 DO TST 
AVISO PRÉVIO. INDENIZAÇÃO COMPENSATÓRIA. LEI Nº 6.708, DE 30.10.1979 (mantida) – 
Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 
O tempo do aviso prévio, mesmo indenizado, conta-se para efeito da indenização adicional 
prevista no art. 9º da Lei nº 6.708, de 30.10.1979. 
Desta forma, quando rescindido o contrato de trabalho, sem justa causa, no prazo de 60 (sessenta) 
até 30 (trinta) dias anteriores à data base, sendo o aviso prévio indenizado ou não, é devida a 
indenização adicional.13 
Se a rescisão contratual ocorrer no período de 30 (trinta) dias que antecede à data-base, mesmo 
que o pagamento das verbas rescisórias seja efetuado com base no novo salário já corrigido 
(data-base), não afasta o direito à indenização adicional, em razão da Súmula 314 do TST. 
SÚMULA 314 DO TST 
INDENIZAÇÃO ADICIONAL. VERBAS RESCISÓRIAS. SALÁRIO CORRIGIDO (mantida) – Res. 
121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 
Se ocorrer a rescisão contratual no período de 30 (trinta) dias que antecede à data-base, 
observado a Súmula nº 182 do TST, o pagamento das verbas rescisórias com o salário já 
corrigido não afasta o direito à indenização adicional prevista nas Leis nºs 6.708, de 
30.10.1979 e 7.238, de 28.10.1984. 
 
13 Havendo o aviso prévio proporcional, conforme item 14.2.5.1 desta apostila, esse prazo aumenta. 
90 
 
 
Contudo, se o aviso prévio ocorrer em período inferior a 30 dias da data-base, projetando-se a 
rescisão do contrato para o mês seguinte, o empregado terá direito ao cálculo de suas verbas 
rescisórias com o novo salário e não terá direito ao pagamento da indenização adicional. 
TST 
INDENIZAÇÃO ADICIONAL – ENUNCIADOS 182 E 314/TST. Havendo a rescisão contratual 
ocorrido posteriormente à data-base da categoria, considerando a projeção do aviso 
prévio, a indenização adicional prevista nas Leis nº 6.708/79 e 7.238/84 é indevida, nos 
termos dos Enunciados 306 e 182/TST. Embargos providos. (TST – SBDI 1 – Embargos em 
Recurso de Revista nº 640.814/2000.7 – Rel. Min. Rider de Brito – DJ 31/1/2004). 
14.2.6 Aviso prévio proporcional 
O prazo de antecedência para a notificação do aviso prévio, conforme artigo 1º da Lei nº 12.506, de 
11 de outubro de 2011, depende do número de anos que o empregado presta serviço ao empregador. 
O prazo mínimo é de 30 (trinta) dias, para os trabalhadores que têm até 1 (um) ano de serviço 
na empresa, sendo acrescido em 3 (três) dias por ano de serviço prestado, podendo chegar ao 
máximo de 90 (noventa) dias. 
LEI Nº 12.506/2011 
Art. 1o O aviso prévio, de que trata o Capítulo VI do Título IV da Consolidação das Leis do 
Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, será concedido 
na proporção de 30 (trinta) dias aos empregados que contem até 1 (um) ano de serviço 
na mesma empresa. 
Parágrafo único. Ao aviso prévio previsto neste artigo serão acrescidos 3 (três) dias por 
ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, 
perfazendo um total de até 90 (noventa) dias. 
Contudo, o aviso prévio proporcional é direito exclusivo do empregado, ou seja, aplica-se somente 
aos casos em que o empregador toma a iniciativa de rescindir o contrato de trabalho, ou seja, o 
cumprimento do aviso prévio superior a 30 (trinta) dias não é exigível pelo empregador, quando a 
rescisão tiver origem por parte do empregado. 
Esse foi o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho, em decisão da Subseção 1 Especializada 
em Dissídios Individuais (SDI-1), de que o acréscimo de 3 (três) dias por ano trabalhado não é 
bilateral, pois tal direito seria exclusivo do empregado, quando se tratar de demissão, pelo 
empregador, sem justa causa. 
Segundo avaliação do relator do processo no TST, Ministro Hugo Carlos Scheuermann, 
“a proporcionalidade do aviso prévio a que se refere a Lei no 12.506/2001 apenas pode ser exigida 
da empresa, uma vez que entendimento em contrário, qual seja, exigir que também o trabalhador 
cumpra aviso prévio superior aos originários 30 dias, constituiria alteração legislativa prejudicial ao 
empregado, o que, pelos princípios que norteiam o ordenamento jurídico trabalhista, não se pode 
admitir.” 
E o aviso prévio proporcional pode ser integralmente trabalhado? 
A possibilidade de o empregador exigir que o empregado trabalhe por todo o período do aviso prévio 
proporcional, sempre despertou polêmicas, desde a edição da lei que o criou, já que a lei não 
estabeleceu se os dias, além dos 30 (trinta) dias, deveriam ser trabalhados ou indenizados. Será que 
o empregador, ao dispensar o empregado, podeexigir dele que cumpra integralmente o aviso prévio 
trabalhado, e não somente os primeiros 30 dias, indenizando os restantes? 
Conforme jurisprudência do TST, o aviso prévio proporcional é direito exclusivo do empregado 
dispensado imotivadamente a partir de 13/10/2011, pois não guarda a mesma bilateralidade 
caracterítica da exigência de 30 (trinta) dias de aviso prévio, a qual é obrigatória a qualquer das 
partes que intentarem rescindir o contrato de trabalho. 
ACÓRDÃO TST SDI – 1 
RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI 
No 13.015/2014. AVISO PRÉVIO PROPORCIONAL. ALTERAÇÃO DA LEI No 12.506/2011. 
OBRIGAÇÃO LIMITADA AO EMPREGADOR. AUSÊNCIA DE RECIPROCIDADE. 
A proporcionalidade do aviso prévio a que se refere a Lei no 12.506/2001 apenas pode ser 
exigida da empresa, uma vez que entendimento em contrário, qual seja, exigir que também o 
91 
 
 
trabalhador cumpra aviso prévio superior aos originários 30 dias, constituiria alteração 
legislativa prejudicial ao empregado, o que, pelos princípios que norteiam o ordenamento 
jurídico trabalhista, não se pode admitir. Dessarte, conclui-se que a norma relativa ao aviso 
prévio proporcional não guarda a mesma bilateralidade característica da exigência de 30 dias, 
essa sim obrigatória a qualquer das partes que intentarem resilir o contrato de emprego. 
Recurso de embargos conhecido e provido. 
TST-E-RR-1964-73.2013.5.09.0009 – data julgamento 21/9/2017 
Sendo assim, pelo entendimento atual do TST, os dias de aviso prévio além dos 30 (trinta) 
dias deverão ser indenizados pelo empregador. 
Sobre o aviso prévio, trabalhado ou indenizado, incidirá o FGTS, conforme entendimento do TST, por 
meio da Súmula nº 305. Contudo, se o aviso prévio for indenizado, não haverá incidência da 
contribuição previdenciária do segurado nem o INSS patronal, por se tratar de verba de natureza 
indenizatória. 
SÚMULA Nº 305 DO TST 
FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA SOBRE O AVISO PRÉVIO 
(mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 
O pagamento relativo ao período de aviso prévio, trabalhado ou não, está sujeito a 
contribuição para o FGTS. 
Quando o funcionário é demitido por justa causa, a demissão é sem aviso prévio. Isto é, o 
funcionário não pode continuar a trabalhar e também não recebe o pagamento do aviso prévio. 
14.3 Tipos de contrato de trabalho 
É importante conhecer os tipos de contrato de trabalho para verificar se foram respeitados os 
direitos trabalhistas do empregado. Entre os tipos de contrato, destacam-se 2 (dois): 
O contrato de trabalho por tempo indeterminado é o mais usual, sendo aquele em que é definida 
apenas uma data de início para as atividades profissionais, mas não tem data certa para terminar o 
vínculo empregatício, pois não existe um período pré-estabelecido de vigência. A rescisão do contrato 
pode acontecer a qualquer momento, desde que ocorra o aviso prévio de uma das partes. 
Já o contrato de trabalho por prazo determinado, estabelece um período inicial e final do vínculo 
empregatício, ou seja, tem existência pré-fixada, e pode ter duração máxima de 2 (dois) anos. Em 
se tratando de contrato de experiência, não poderá ultrapassar 90 (noventa) dias, conforme previsão 
contida no artigo 445 da CLT. Após esses prazos, ou se for prorrogado por mais de uma vez, o contrato 
passa a ser por prazo indeterminado. Essa modalidade de contrato só pode ser utilizada em 3 (três) 
situações: atividades temporárias; atividades transitórias; e contrato de experiência, de acordo com 
o § 1º do artigo 443 da CLT. 
CLT 
Art. 443. O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, 
verbalmente ou por escrito, por prazo determinado ou indeterminado, ou para prestação 
de trabalho intermitente. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) 
§ 1º – Considera-se como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência 
dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da 
realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. (Parágrafo único 
renumerado pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) 
§ 2º – O contrato por prazo determinado só será válido em se tratando: (Incluído pelo 
Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) 
a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; 
(Incluída pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) 
b) de atividades empresariais de caráter transitório; (Incluída pelo Decreto-lei nº 229, de 
28.2.1967) 
c) de contrato de experiência. (Incluída pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) 
[...] 
Art. 445 – O contrato de trabalho por prazo determinado não poderá ser estipulado por 
mais de 2 (dois) anos, observada a regra do art. 451. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, 
de 28.2.1967) 
92 
 
 
Parágrafo único. O contrato de experiência não poderá exceder de 90 (noventa) dias. 
(Incluído pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) 
[...] 
Art. 451 – O contrato de trabalho por prazo determinado que, tácita ou expressamente, 
for prorrogado mais de uma vez passará a vigorar sem determinação de prazo. (Vide Lei 
nº 9.601, de 1998) 
14.4 Formas de rescisão 
As formas de rescisão do contrato de trabalho podem ser: 
 Rescisão por demissão sem justa causa – o empregador desliga o empregado, concedendo a ele 
todos os direitos estabelecidos por lei, isto é, o trabalhador será dispensado com o cumprimento 
de aviso prévio e terá direito ao recebimento de: seu salário proporcional aos dias trabalhados, 
férias já vencidas, férias proporcionais mais 1/3, 13º salário proporcional, multa de 40% do FGTS, 
recebimento do FGTS e seguro-desemprego; 
 Rescisão com demissão por justa causa (artigo 482 CLT) – o empregado age de má fé 
(geralmente vem acompanhada de faltas graves e conduta antiprofissional). O trabalhador irá 
receber somente o valor do salário proporcional aos dias trabalhados e das férias já vencidas. Ele 
não irá cumprir o aviso prévio e perderá: o 13º salário proporcional, as férias proporcionais mais 
1/3, os 40% da multa do FGTS e o seguro-desemprego. O FGTS depositado ficará retido e só 
poderá ser sacado conforme as regras de saque do FGTS; 
 Rescisão por pedido de demissão – o empregado é desligado devido a sua própria decisão. O 
trabalhador tem direito ao salário proporcional aos dias trabalhados, férias vencidas, férias 
proporcionais mais 1/3, 13º salário proporcional. Contudo, o empregado não tem direito à multa 
de 40% do FGTS, perde direito sobre o seguro-desemprego e o FGTS passa a ficar retido; 
 Rescisão indireta (artigo 483 CLT) – o empregador comete faltas graves. O trabalhador irá 
receber todos os direitos da rescisão sem justa causa. Somente a Justiça do Trabalho tem poder 
de demitir um empregador por justa causa em casos de rescisão indireta; 
 Rescisão por motivo de culpa recíproca (art. 484 CLT) – diversas infrações trabalhistas são 
constatadas pelo empregado e pelo empregador. Neste caso, há justa causa das duas partes. 
Somente a Justiça do Trabalho tem o poder incumbido de dar este tipo de sentença. Quando isso 
ocorre, as verbas rescisórias são divididas em partes iguais entre empregado e empregador. Nesse 
caso, o trabalhador recebe a metade: do aviso prévio; do 13º proporcional; das férias 
proporcionais mais 1/3; e da multa do FGTS; e 
 Rescisão com demissão por comum acordo (artigo 484-A CLT – forma incluída pela Lei nº 
13.467 de 13 de julho de /2017) – empregador e empregado negociam a demissão. O trabalhador 
receberá o seu salário proporcional aos dias trabalhados, férias já vencidas, férias proporcionais 
mais 1/3, 13º salário proporcional, metade do aviso prévio e metade da multa do FGTS. 
CLT 
Art. 482 – Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo 
empregador: 
a) ato de improbidade; 
b) incontinência de conduta ou mau procedimento; 
c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador,e quando 
constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado, ou for prejudicial 
ao serviço; 
d) condenação criminal do empregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão 
da execução da pena; 
e) desídia no desempenho das respectivas funções; 
f) embriaguez habitual ou em serviço; 
g) violação de segredo da empresa; 
h) ato de indisciplina ou de insubordinação; 
i) abandono de emprego; 
j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas 
físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; 
93 
 
 
k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e 
superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; 
l) prática constante de jogos de azar. 
m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, 
em decorrência de conduta dolosa do empregado. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
Parágrafo único – Constitui igualmente justa causa para dispensa de empregado a prática, 
devidamente comprovada em inquérito administrativo, de atos atentatórios à segurança 
nacional. (Incluído pelo Decreto-lei nº 3, de 27.1.1966) 
Art. 483 – O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida 
indenização quando: 
a) forem exigidos serviços superiores às suas forças, defesos por lei, contrários aos bons 
costumes, ou alheios ao contrato; 
b) for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor excessivo; 
c) correr perigo manifesto de mal considerável; 
d) não cumprir o empregador as obrigações do contrato; 
e) praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato lesivo 
da honra e boa fama; 
f) o empregador ou seus prepostos ofenderem-no fisicamente, salvo em caso de legítima 
defesa, própria ou de outrem; 
g) o empregador reduzir o seu trabalho, sendo este por peça ou tarefa, de forma a afetar 
sensivelmente a importância dos salários. 
§ 1º – O empregado poderá suspender a prestação dos serviços ou rescindir o contrato, 
quando tiver de desempenhar obrigações legais, incompatíveis com a continuação do serviço. 
§ 2º – No caso de morte do empregador constituído em empresa individual, é facultado ao 
empregado rescindir o contrato de trabalho. 
§ 3º – Nas hipóteses das letras "d" e "g", poderá o empregado pleitear a rescisão de seu 
contrato de trabalho e o pagamento das respectivas indenizações, permanecendo ou não no 
serviço até final decisão do processo. (Incluído pela Lei nº 4.825, de 5.11.1965) 
Art. 484 – Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de 
trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de 
culpa exclusiva do empregador, por metade. 
Art. 484-A. O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e 
empregador, caso em que serão devidas as seguintes verbas trabalhistas: (Incluído pela Lei 
nº 13.467, de 2017) 
I – por metade: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
a) o aviso prévio, se indenizado; e (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, prevista no § 
1o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
II – na integralidade, as demais verbas trabalhistas. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
§ 1º A extinção do contrato prevista no caput deste artigo permite a movimentação da conta 
vinculada do trabalhador no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na forma do inciso I-A 
do art. 20 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, limitada até 80% (oitenta por cento) do 
valor dos depósitos. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
§ 2º A extinção do contrato por acordo prevista no caput deste artigo não autoriza o ingresso 
no Programa de Seguro-Desemprego. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
OBS: a rescisão de comum acordo foi criada para evitar a fraude de “acordos de demissão” ou 
também chamada de “falsa demissão”, em que o empregado solicita ao empregador que o 
demita sem justa causa para poder ter direito ao seguro desemprego e sacar o FGTS. Para 
tanto, o empregado se compromete a devolver o valor correspondente à multa de 40% sobre 
FGTS, devida no momento da saída. 
14.5 Contrato de trabalho por prazo determinado com rescisão antecipada 
Ao término do contrato de trabalho por prazo determinado, o empregado terá direito ao saldo de 
salário proporcional aos dias trabalhados, férias já vencidas, férias proporcionais mais 1/3, 13º 
salário proporcional e poderá sacar o saldo do FGTS. Porém, não terá direito ao aviso prévio nem à 
multa sobre o FGTS, uma vez que o trabalhador já sabia, de antemão, que o contrato terminaria 
naquela data. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L4825.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1
94 
 
 
Apesar de o contrato de trabalho por prazo determinado estabelecer uma data determinada para 
encerrar o vínculo trabalhista, poderá ocorrer a rescisão antecipada deste tipo de contrato, tanto por 
parte do empregador, quanto do próprio empregado. 
Se a rescisão do contrato for antecipada e sem justa causa por iniciativa do empregador, o 
trabalhador fará jus à metade da remuneração que teria direito até o final do contrato, conforme 
artigo 479 da CLT. Contudo, se a rescisão for pela vontade do empregado antes do término 
compactuado, este deverá indenizar o empregador pelos prejuízos que causar pela rescisão 
antecipada, limitado o valor ao que o empregado teria direito na mesma situação, conforme artigo 
480 da CLT. Entretanto, há a possibilidade de uma cláusula que assegure o direito recíproco de 
rescisão. 
A cláusula assecuratória de direito recíproco dá direito ao empregado contratado a prazo 
determinado, que tiver a rescisão contratual feita antecipadamente, seja pelo empregador ou pelo 
próprio empregado, às verbas rescisórias de uma rescisão contratual sem justa causa, ou seja, a 
cláusula assecuratória prevê a aplicação das regras do contrato por prazo indeterminado, 
conforme artigo 481 da CLT. 
Conforme se observa, o contrato por prazo determinado prevê mais de uma modalidade de rescisão, 
com direitos e deveres distintos, por isso, deve estar estabelecido expressamente no contrato de 
trabalho se este terá ou não a “cláusula assecuratórias de direito recíproco de rescisão antecipada”. 
Sendo assim, em caso de dispensa sem justa causa pelo empregador, o trabalhador terá direito às 
seguintes verbas rescisórias, dependendo se há ou não cláusula asseguratória de direito recíproco: 
 com cláusula assecuratória – saldo de salário, aviso prévio, férias vencidas e proporcionais 
acrescidas de 1/3, 13º salário e multa do FGTS. 
 sem cláusula assecuratória – saldo de salário, indenização do art. 479 da CLT (metade da 
remuneração a que o empregado teria direito até o fim do contrato), férias vencidas e 
proporcionais acrescidas de 1/3, 13º salário e multa do FGTS. 
CLT 
Art. 479 – Nos contratos que tenham termo estipulado, o empregador que, sem justa causa, 
despedir o empregado será obrigado a pagar-lhe, a título de indenização, e por metade, a 
remuneração a que teria direito até o termo do contrato. (Vide Lei nº 9.601, de 1998) 
Art. 480 – Havendo termo estipulado, o empregado não se poderá desligar do contrato, sem 
justa causa, sob penade ser obrigado a indenizar o empregador dos prejuízos que 
desse fato lhe resultarem. (Vide Lei nº 9.601, de 1998) 
§ 1º – A indenização, porém, não poderá exceder àquela a que teria direito o empregado em 
idênticas condições. (Renumerado do parágrafo único pelo Decreto-lei nº 6.353, de 
20.3.1944) 
Art. 481 – Aos contratos por prazo determinado, que contiverem cláusula asseguratória do 
direito recíproco de rescisão antes de expirado o termo ajustado, aplicam-se, caso seja 
exercido tal direito por qualquer das partes, os princípios que regem a rescisão dos 
contratos por prazo indeterminado. 
A multa do FGTS é devida nos 2 (dois) casos de rescisão antecipada pelo empregador, sem justa causa, 
conforme entendimento do TST por meio da Súmula 125, que interpretou que seria possível o 
trabalhador acumular a multa sobre o FGTS com a indenização prevista no artigo 479 da CLT. 
SÚMULA 125 DO TST 
CONTRATO DE TRABALHO. ART. 479 DA CLT (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 
21.11.2003 
O art. 479 da CLT aplica-se ao trabalhador optante pelo FGTS admitido mediante contrato por 
prazo determinado, nos termos do art. 30, § 3º, do Decreto nº 59.820, de 20.12.1966. 
14.6 Verbas rescisórias 
Na rescisão de contrato de trabalho, desde que devidamente comprovado o pagamento das 
obrigações trabalhistas e sociais pela contratada, em regra, serão liberados os saldos totais de todas 
as provisões destinadas àquele empregado (13º salário, férias com o abono de férias, multa FGTS, 
encargos sobre 13º salário e encargos sobre férias). 
95 
 
 
Entretanto, para liberar as provisões, é necessário que, previamente, sejam conferidos os cálculos 
dos Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT) para verificar se os direitos do empregado 
foram assegurados. 
14.7 Prazo para pagamento das verbas rescisórias 
A CLT prevê em seu § 6º do artigo 477 que o pagamento das verbas rescisórias deve ocorrer em 
até 10 (dez) dias, a partir do término do contrato de trabalho. 
CLT 
Art. 477. Na extinção do contrato de trabalho, o empregador deverá proceder à anotação 
na Carteira de Trabalho e Previdência Social, comunicar a dispensa aos órgãos competentes 
e realizar o pagamento das verbas rescisórias no prazo e na forma estabelecidos neste 
artigo. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) 
§ 2º – O instrumento de rescisão ou recibo de quitação, qualquer que seja a causa ou forma 
de dissolução do contrato, deve ter especificada a natureza de cada parcela paga ao 
empregado e discriminado o seu valor, sendo válida a quitação, apenas, relativamente às 
mesmas parcelas. (Redação dada pela Lei nº 5.584, de 26.6.1970) 
§ 4o O pagamento a que fizer jus o empregado será efetuado: (Redação dada pela Lei 
nº 13.467, de 2017) 
I – em dinheiro, depósito bancário ou cheque visado, conforme acordem as partes; ou 
(Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) 
II – em dinheiro ou depósito bancário quando o empregado for analfabeto. (Incluído pela Lei 
nº 13.467, de 2017) 
§ 5º – Qualquer compensação no pagamento de que trata o parágrafo anterior não poderá 
exceder o equivalente a um mês de remuneração do empregado. (Redação dada pela Lei 
nº 5.584, de 26.6.1970) 
§ 6o A entrega ao empregado de documentos que comprovem a comunicação da extinção 
contratual aos órgãos competentes bem como o pagamento dos valores constantes do 
instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão ser efetuados até dez dias 
contados a partir do término do contrato. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) 
§ 8º – A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa de 160 
BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor 
equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo índice de variação do BTN, salvo 
quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 
24.10.1989) 
Caso o empregador efetue o pagamento da rescisão com atraso, será obrigado a pagar ao empregado, 
a título de multa, o valor equivalente ao seu salário, desde que a culpa da mora não tenha sido causada 
pelo empregado, conforme § 8º do artigo 477 da CLT. 
O pagamento das verbas rescisórias não precisa ser depositado pela contratada na conta-salário do 
empregado, pois de acordo com o inciso I, § 4º do artigo 477 da CLT, o pagamento poderá ser efetuado 
em dinheiro, cheque ou depósito bancário. 
14.8 Exame médico demissional 
O exame demissional é realizado durante o processo de desligamento do empregado na empresa e é 
obrigatório, conforme previsão contida no artigo 168 da CLT. Ele é exigido tanto na dispensa por 
parte da empresa quanto no pedido de demissão pelo empregado. 
DECRETO-LEI Nº 5.452/1943 – CLT 
Art. 168 – Será obrigatório exame médico, por conta do empregador, nas condições 
estabelecidas neste artigo e nas instruções complementares a serem expedidas pelo 
Ministério do Trabalho: (Redação dada pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) 
I – a admissão; (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) 
II – na demissão; (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) 
III – periodicamente. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) 
§ 1º – O Ministério do Trabalho baixará instruções relativas aos casos em que serão exigíveis 
exames: (Redação dada pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) 
a) por ocasião da demissão; (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) 
b) complementares. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) 
96 
 
 
Esse exame é uma garantia, tanto para a empresa como para o empregado. Com isso, caso seja 
atestado que o trabalhador goza de boa saúde, a empresa possui uma prova de que, no momento da 
dispensa, ele não apresentava nenhum sintoma de doença relacionada ao trabalho. 
Já sob o ponto de vista do trabalhador, o exame demissional lhe protege de ser dispensado caso seja 
diagnosticado com alguma doença relacionada ao trabalho ou se estiver inapto para trabalhar. Isso 
porque, se o exame atestar a existência de alguma doença desse tipo, a empresa não pode dispensá-
lo até que se recupere, caso contrário, o trabalhador terá direito à reintegração ao emprego. 
Vale acrescentar que, se for considerado inapto para trabalhar, o empregado deverá ser afastado e 
encaminhando para o INSS, para receber auxílio-doença ou se aposentar por invalidez. 
Assim, em resumo, o empregado que no exame demissional for considerado inapto para o 
trabalho ou diagnosticado com alguma doença relacionada à função, não poderá ser demitido e 
deverá ser conduzido a tratamento médico. 
14.9 Tipos de Contrato X Formas de Rescisão X Verbas rescisórias devidas 
Para facilitar a identificação das verbas rescisórias devidas ao empregado, por tipo de contrato de 
trabalho e pelas formas de rescisão, apresenta-se a tabela a seguir: 
 
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Tipos de contrato de trabalho X Formas de rescisão X Verbas devidas 
 
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98 
 
 
15 DOCUMENTAÇÃO PARA LIBERAR VERBAS RESCISÓRIAS 
15.1 Documentação para liberação – rescisão de contrato de trabalho 
Qual a documentação necessária que deverá ser apresentada pela empresa para liberação de saldo 
da conta vinculada, em caso de pagamento de verbas rescisórias? 
1) Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) devidamente anotada (figura 1); 
2) Notificação de aviso prévio (figura 2); 
3) Exame médico demissional (figura 3); 
4) Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT) (figura 4); 
5) Em caso de contrato por prazo determinado: Contrato de trabalho ou de experiência (figura 6); 
6) Comprovante de pagamento das verbas ao empregado (figura 5); 
7) Em caso de despedida sem justa causa: Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS (GRRF), com o 
comprovante de pagamento (figura 8), devendo ser acompanhada do Demonstrativo do 
Trabalhador de Recolhimento FGTS Rescisório (figura 7); 
8) Relatórios da GFIP referentes ao mês de competência do desligamento – para conferência dos 
encargos previdenciários sobre a verbas rescisórias do empregado desligado (figura 9); e 
9) GPS do mês de competência do desligamento (figura 10). 
Com a documentação em mãos, cabe à Administração verificar se o empregado recebeu o seu direito 
às verbas rescisórias, de acordo com a legislação vigente, para tanto segue abaixo um roteiro para 
verificação. 
15.2 Roteiro de verificação – rescisão de contrato de trabalho 
1) Verifique se foi devidamente anotada na CTPS a data de desligamento do empregado no 
campo “data saída”. Essa é a data de rescisão do contrato de trabalho e deve coincidir com a data 
lançada no TRCT; 
2) Confira o preenchimento do Aviso Prévio para identificar se ocorreu dentro do prazo legal. 
Atenção com a data de admissão, para verificar se haverá o aviso prévio proporcional (Lei 
nº 12.546/2011); 
3) Examine se o nome e a função do terceirizado estão corretos no exame demissional bem como 
se o resultado foi “APTO”; 
4) Confira o TRCT (esse é o principal documento), que deve ser assinado pelas partes. Atenção aos 
seguintes campos, que são numerados: 
Campo Informação/Observação 
11 Nome do terceirizado. 
21 
Tipo de contrato – ATENÇÃO: se o contrato for por prazo determinado, deverá ser 
conferida a data de admissão do empregado no documento que fixou o prazo (ex.: 
contrato de experiência). 
22 
Causa do afastamento – ATENÇÃO: se for sem justa causa, deverá ser paga a multa 
do FGTS. 
23 
Remuneração mês anterior ao afastamento – ATENÇÃO: em regra, essa é a 
remuneração base que será considerada para os cálculos das verbas rescisórias. 
24 Data de admissão. 
25 
Data do aviso prévio – ATENÇÃO: a data é preenchida com o início do aviso prévio 
(dia seguinte à notificação de aviso prévio). Se o aviso não foi concedido pela 
empresa, a indenização deve ser paga e registrada no campo 69 do TRCT. No caso de 
o empregado ter pedido a demissão e não tiver concedido o aviso prévio à empresa, 
será descontado o valor correspondente das verbas rescisórias e registrado no 
campo 103 do TRCT. 
99 
 
 
Campo Informação/Observação 
26 
Data do afastamento – ATENÇÃO: esta é a data do último dia trabalhado pelo 
empregado. Deve ser considerada esta data para apurar todas as verbas devidas ao 
trabalhador, como: saldo de salário, férias proporcionais, 13º salário proporcional. 
50 
Saldo de salário – verifique os dias trabalhados no mês da rescisão e o salário 
correspondente. 
60 
Multa paga pelo empregador em caso de atraso no pagamento das verbas rescisórias 
(até 10 dias após o encerramento do contrato de trabalho). 
61 
Multa pela rescisão antecipada pelo empregador, sem justa causa, do contrato por 
prazo determinado SEM cláusula assecuratória de direito recíproco de rescisão 
antecipada (metade da remuneração que o empregado teria direito até o término do 
contrato). 
63 
13º salário proporcional – deve ser proporcional aos meses trabalhados no ano da 
rescisão. 
65 
Férias proporcionais – deve ser proporcional aos meses trabalhados no ano da 
rescisão. 
66 
Férias vencidas – são as férias adquiridas, mas não gozadas, deve ser igual a 1 
remuneração 
68 1/3 constitucional de férias 
69 
Aviso prévio indenizado – se não for concedido o aviso prévio pelo empregador ou o 
número de dias que ultrapassar os 30 (trinta) dias de aviso prévio. 
70 13º salário sobre o aviso prévio indenizado. 
71 Férias sobre o aviso prévio indenizado. 
103 Débito por aviso prévio indenizado (não concedido pelo empregado). 
104 
Multa pela rescisão antecipada pelo empregado, sem justa causa, do contrato por 
prazo determinado SEM cláusula assecuratória de direito recíproco de rescisão 
antecipada (prejuízos causados ao empregador. Valor máximo = metade da 
remuneração que o empregado teria direito até o término do contrato). 
112.1 
INSS – ATENÇÃO: percentual aplicado conforme tabela de contribuição dos 
segurados. Não considerar as verbas indenizatórias. 
112.2 
INSS sobre o 13º salário – ATENÇÃO: percentual aplicado conforme tabela de 
contribuição dos segurados. Não considerar as verbas indenizatórias. O INSS sobre o 
13º salário tem base de cálculo separada das demais verbas. 
5) Se o contrato for por prazo determinado, confira a data de início e o prazo de vigência no 
contrato de trabalho ou de experiência bem como se houve prorrogação, e se foi observada a 
duração máxima; 
6) Confirme se o terceirizado está no controle da conta vinculada (planilha com dados 
informados pelo executor) – é importante também que o executor do contrato ratifique a 
informação referente ao desligamento do empregado; 
7) Verifique se o pagamento das verbas rescisórias foi realizado no prazo legal; 
8) Em caso de demissão sem justa causa, confira os valores do “Demonstrativo do Trabalhador 
de Recolhimento FGTS Rescisório” e a GRRF, para verificar a conformidade no recolhimento 
da multa sobre o FGTS e a contribuição social. Devem ser conferidas as seguintes informações no 
documento: 
 
100 
 
 
Linha Coluna Representa 
“remuneração 
/ saldo” 
“mês 
rescisão” 
Remuneração devida no mês da rescisão, inclusive o 13º 
proporcional. 
“remuneração 
/ saldo 
“aviso 
prévio 
indenizado” 
Valor do aviso prévio indenizado, incluindo o reflexo de 13º salário 
sobre o aviso prévio indenizado, caso devido. 
“remuneração 
/ saldo 
“multa 
rescisória” 
Saldo da conta vinculada individual do trabalhador no FGTS; é o 
valor total dos depósitos que foram efetuados pela empresa 
durante a relação de emprego. 
“depósito” 
“mês 
rescisão” 
Valor do depósito do FGTS incidente sobre a remuneração devida 
por ocasião da rescisão. 
“depósito” 
“aviso 
prévioindenizado” 
depósito do FGTS incidente sobre o aviso prévio indenizado. 
“depósito” 
“multa 
rescisória” 
Valor da multa pela rescisão sem justa causa, equivalente a 40% 
do valor do saldo da conta vinculada individual do FGTS do 
trabalhador. 
“contribuição 
social” 
“multa 
rescisória” 
Valor da contribuição social, equivalente a 10% do valor do saldo 
da conta vinculada individual do FGTS do trabalhado. 
“valor trabalhador Depósito de 8% do mês + a multa de 40%. 
“valor devido pela empresa” 
“Valor trabalhador” + contribuição social de 10%. Esse valor 
apurado é o que deve ser recolhido pelo empregador por meio da 
GRRF. 
9) Confira a GFIP e a GPS para verificar se os encargos sociais incidentes sobre o saldo de salário e 
o 13º salário foram recolhidos corretamente. 
Relatórios da GFIP 
Como a GFIP é um conjunto de informações destinadas ao FGTS e à Previdência Social, ela é 
composta pelos seguintes relatórios: 
1) Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP (somente dos trabalhadores que 
prestam serviço ao tomador) – RE; 
2) Resumo das Informações à Previdência Social Constantes no Arquivo SEFIP –Tomador de 
Serviços/Obra; 
3) Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do Fechamento – Empresa; 
4) Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do Fechamento – Empresa – 
FGTS; 
5) Resumo das Informações à Previdência Social Constantes no Arquivo SEFIP – Empresa; 
6) Relação de Tomador/Obra – RET; 
7) Resumo – Relação de Tomador/Obra – RET; 
8) Relatório Analítico da GPS; 
9) Relatório Analítico de GRF; 
10) Comprovante de Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e a Outras 
Entidades e Fundos por FPAS – Empresa; 
11) Protocolo de Envio de Arquivos, emitido pelo Sistema Conectividade Social; 
E o que deve ser observado na GFIP, na GPS e na GRF? 
 
101 
 
 
Análise do RE 
Campo “EMPRESA” Constam dados da contratada. 
Campo 
“TOMADOR/OBRA” 
Consta o órgão contratante. 
Campo “COMP” Competência é a do mês objeto de análise. 
Todos 
terceirizados 
lançados no RE 
Também constam no controle da conta vinculada. 
Campo “REM SEM 
13º SAL” 
Salário contribuição = corresponde à remuneração do empregado. Esse 
valor se encontra abaixo do nome do trabalhador. 
Campo “REM 13º 
SAL” 
Valores do 13º salário pago no mês de competência da GFIP. 
Campo “CONTRIB 
SEG DEVIDA” 
Se a remuneração for lançada corretamente, a contribuição do segurado 
estará correta, pois o sistema calcula automaticamente. 
Campo 
“DEPÓSITO” 
Valor do FGTS, calculado automaticamente pelo sistema. Se o valor da 
remuneração estiver correto, o valor do FGTS estará correto (8% da 
remuneração). 
Campo 
“MODALIDADE” 
“BRANCO” – Recolhimento ao FGTS e Declaração à Previdência = situação 
normal com pagamento do FGTS e pagamento do INSS. 
“1” – Declaração ao FGTS e à Previdência = sem pagamento do FGTS (ex.: 
GFIP mês 13 – 13º salário). 
“9” – Confirmação/Retificação de Informações Anteriores – Recolhimento/ 
Declaração ao FGTS e Declaração à Previdência = retificação e confirma 
relação funcionários que não foram modificados. 
Análise do RET 
Campo “Nº 
ARQUIVO” 
Indica o código da GFIP, gerado eletronicamente pelo sistema. Esse código é 
também chamado de “NRA”. 
O código NRA da GFIP deve ser o mesmo do Protocolo de Envio de 
Arquivos – Conectividade Social, no campo “Informações 
Complementares – NRA”, para comprovar que esses relatórios foram 
enviados à Receita Federal do Brasil. 
Código de barras 
da GRF 
Número com 4 conjunto de 12 números, localizado na parte superior do 
documento, à direita. Esse número corresponde ao código de barras da GRF 
a ser recolhida. 
Análise da Guia da Previdência Social (GPS) 
Campo “1” Constam dados da contratada. 
Campo “4” Competência é a do mês objeto de análise. 
Campo “5” CNPJ da contratada. 
Campo “6” 
“Valor do INSS” = deve corresponder ao valor constante no campo “VALOR 
A RECOLHER – PREVIDÊNCIA SOCIAL” do relatório “Comprovante de 
Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e a 
Outras Entidades e Fundos por FPAS – EMPRESA”, que também é igual ao 
valor constante no “Relatório Analítico de GPS”. 
102 
 
 
Campo “9” 
“Vlr outras entidades” = deve corresponder ao valor constante no campo 
“VALOR A RECOLHER – OUTRAS ENTIDADES” do relatório “Comprovante 
de Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e a 
Outras Entidades e Fundos por FPAS – EMPRESA”. 
Confirmar o pagamento da GPS com o recibo de pagamento – PRAZO P/ PGTO ATÉ DIA 20. 
Análise da Guia de Recolhimento do FGTS (GRF) 
Campo “1” Constam dados da contratada. 
Campo “5” 
“Remuneração” = deve corresponder ao valor constante no “Relatório 
Analítico da GRF”, que também é igual ao relatório “Relação dos 
Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do Fechamento 
– Empresa – FGTS” e no relatório “Relação de Tomador (RET)”. 
Campo “6” 
“Qtde Trabalhadores” = deve corresponder à quantidade constante no 
“Relatório Analítico da GRF”, que também é igual ao relatório “Relação 
dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do 
Fechamento – Empresa – FGTS” e no relatório “Relação de Tomador 
(RET)”. 
Campo “10” CNPJ da contratada. 
Campo “11” Competência é a do mês objeto de análise. 
Campo “15” 
“TOTAL A RECOLHER” = deve corresponder ao valor constante no campo 
“VALOR A RECOLHER” do relatório “Relação dos Trabalhadores 
Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do Fechamento – EMPRESA – 
FGTS”, que também é igual ao valor constante no “Relatório Analítico da 
GRF”. 
Confirmar o pagamento da GRF com o recibo de pagamento – PRAZO P/ PGTO ATÉ DIA 7. 
Importante ressaltar que a GFIP, a GPS e a GRF serão substituídas por outros documentos quando da 
implantação total do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e 
Trabalhistas (eSocial), instituído pelo Decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014, que substituirá 
a GFIP, GPS e GRF. 
A implantação do eSocial será efetuada gradualmente, por grupos de empresas e em 5 (cinco) fases, 
conforme cronograma de implantação a seguir: 
103 
 
 
 
104 
 
 
Figura 1 
 
 
 
105 
 
 
Figura 2 
 
106 
 
 
Figura 3 
 
107 
 
 
Figura 4 
 
108 
 
 
Figura 5 
 
109 
 
 
Figura 6 
 
 
110 
 
 
Figura 7 
 
 
111 
 
 
Figura 8 
 
 
112 
 
 
Figura 9 
 
113 
 
 
 
 
 
 
 
114 
 
 
 
 
 
 
 
115 
 
 
 
 
 
 
116 
 
 
 
 
 
 
 
117 
 
 
 
 
 
 
118 
 
 
 
119 
 
 
 
 
120 
 
 
Figura 10 
 
 
 
 
121 
 
 
Figura 11 
 
 
 
122 
 
 
16 LIBERAÇÃO DE ENCARGOS SOCIAIS SOBRE 13º SALÁRIO E FÉRIAS 
16.1 Liberação de encargos sociais sobre o 13º salário e as férias 
Quando o empregador paga as verbas trabalhistas de 13º salário e férias ao empregado, durante a 
vigência do contrato de trabalho, há incidência de encargos sociais sobre essas verbas. Esses 
encargos sociais compõem a provisão “impacto sobre férias e 13º salário” prevista no Decreto DF 
nº 34.649/2013. 
Então, poderá ser liberado para a contratada o valor provisionado para os encargos sociais sobre o 
13º salário e às férias, tão logo ela apresente a documentação comprobatória de quitação dessas 
obrigações. 
16.1.1 Encargos sociais sobre o 13º salário 
Os encargos sociais sobre o 13º salário incidem sobre a folha de pagamento da seguinte forma: 
 FGTS = folha do mês de competência em que ocorreu o pagamento da obrigação; e 
 Contribuição previdenciária (INSS retido do empregado, INSS patronal, RAT ajustado e percentual 
de recolhimento para outras entidades) = folha da competência 13. 
16.1.1.1 Documentação para liberação dos encargos sociais sobre o 13º salário 
Para comprovar o recolhimento dos encargos sociais sobre o 13º salário e solicitar a liberação da 
respectiva provisão, a contratada deverá apresentar a documentação a seguir: 
 GFIP competênciado mês que houve o pagamento do 13º salário, com as respectivas GRF e GPS e 
comprovação dos pagamentos; e 
 GFIP competência 13 (GFIP 13), com a respectiva GPS (GPS 13) e recibo de pagamento. 
Com a documentação em mãos, cabe à Administração conferir os campos das GFIPs bem como 
verificar se os valores referentes aos encargos sociais foram devidamente recolhidos via GPS e GRF. 
Para facilitar a conferência, segue roteiro para verificação. 
16.1.1.2 Roteiro de verificação – encargos sociais sobre o 13º salário 
A análise da GFIP, GPS e GRF do mês de competência do pagamento do 13º salário deve seguir o 
mesmo roteio de verificação constante no item 15.2 desta apostila (liberação de verbas rescisórias). 
A GFIP 13 destina-se exclusivamente à Previdência Social e deve ser transmitida até o dia 31 de 
janeiro do ano seguinte ao da referida competência. O objetivo da entrega desta GFIP é declarar e 
informar à Previdência Social a base de cálculo do 13º salário, ou seja, as remunerações que geraram 
a contribuição previdenciária sobre o 13º salário pago aos empregados e recolhida em 20 de 
dezembro do ano anterior (GPS 13). Esta GFIP é merante declaratória e obrigatória a todas as 
empresas. 
Apresentam-se os detalhes referentes à GFIP competência 13: 
Análise do RE 
Campo “COMP” Deve estar preenchido com 13/20XX 
Campo “BASE CÁLC 
13º SAL PREV SOC” 
Valores do 13º salário que foram pagos aos trabalhadores. Valor total (1ª e 
2ª parcela) = base de cálculo das contribuições previdenciárias 
Campo “CONTRIB 
SEG DEVIDA” 
Contribuição social do segurado sobre o valor do 13º salário. O sistema 
calcula automaticamente 
Campo “DEPÓSITO” 
O valor do FGTS estará em branco, pois já foi calculado e recolhido no mês 
de competência em que ocorreu o pagamento de cada parcela 
Campo 
“MODALIDADE” 
Como o FGTS já foi recolhido no mês do pagamento, a modalidade NÃO pode 
ser “BRANCO”. 
A modalidade será “1” para o 1º envio da GFIP competência 13 ou “9”, no 
caso de retificação ou confirmação (novo envio). 
http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/base_de_calculo
123 
 
 
 
 
124 
 
 
 
125 
 
 
16.1.2 Encargos sociais sobre as férias 
Os encargos sociais sobre as férias, tanto o FGTS quanto a contribuição previdenciária (contribuição 
do segurado, INSS patronal, RAT ajustado e outras entidades), incidem sobre a folha de pagamento 
do mês ou dos meses – o período de gozo pode atingir 2 (dois) meses – de competência do gozo das 
férias, independentemente de a remuneração das férias ter sido paga antecipadamente, conforme § 
14 do artigo 214 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 – Regulamento da Previdência Social. 
DECRETO DF nº 3.048/1999 
Art. 214. Entende-se por salário de contribuição: 
[...] 
§ 14. A incidência da contribuição sobre a remuneração das férias ocorrerá no mês a 
que elas se referirem, mesmo quando pagas antecipadamente na forma da legislação 
trabalhista. 
16.1.2.1 Documentação para liberação dos encargos sociais sobre as férias 
Para fins de liberação dos encargos sociais sobre as férias, a contratada deverá apresentar a seguinte 
documentação: 
 Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) da competência do(s) 
mês(es) do gozo das férias; 
 Guia de Recolhimento do FGTS (GRF) da(s) competência(s) do(s) mês(es) do gozo das férias, com 
o recibo de pagamento; e 
 Guia da Previdência Social (GPS) da(s) competência(s) do(s) mês(es) do gozo das férias, com o 
recibo de pagamento. 
Com a documentação em mãos, cabe à Administração conferir os campos da GFIP bem como verificar 
se os valores referentes aos encargos sociais foram devidamente recolhidos via GRF e GPS. Para 
facilitar a conferência, segue roteiro para verificação. 
16.1.2.2 Roteiro de verificação – encargos sociais sobre as férias 
A análise da GFIP, GPS e GRF do mês de competência do gozo das férias deve seguir o mesmo roteiro 
de verificação constante no item 15.2 desta apostila (liberação de verbas rescisórias). 
16.2 Valor a liberar de cada provisão 
Ressalta-se que após a devida análise da documentação pela área competente, havendo a 
confirmação de que o empregado recebeu (opção de restituição à contratada) ou irá receber (opção 
de depósito pela Administração na conta-salário do empregado) o seu direito às verbas trabalhistas 
de 13º salário ou férias ou rescisórias, de acordo com a legislação vigente, a Administração 
autorizará a liberação parcial da conta vinculada, observando o limite individual existente no 
saldo de cada provisão e de cada funcionário, conforme artigo previsto no § 5º do artigo 11 do 
Decreto nº 34.649/2013. 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal 
ao órgão ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado de 
documentos comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das provisões, 
atestado por profissional responsável pelos cálculos. 
§ 5º O montante da provisão a ser liberada não poderá exceder os limites individuais 
constituídos para cada tipo de provisão, conforme percentuais estabelecidos no anexo 
deste Decreto, não sendo admitido o pagamento de uma provisão com recursos constituídos 
para outra. 
16.2.1 13º salário e férias durante a vigência do contrato de trabalho 
A Administração poderá liberar por funcionário no máximo o valor existente em cada provisão, ou 
seja, as rubricas de férias e 13º salário poderão ser liberadas em valor inferior ao saldo existente 
na conta vinculada, quando o valor pago pela contratada ao funcionário for inferior a este saldo. 
126 
 
 
Em síntese, as liberações de 13º salário e férias durante a vigência do contrato de trabalho deverão 
observar as seguintes situações: 
1) Se o valor da provisão trabalhista que a contratada pagou ao funcionário (valor líquido) for 
maior que o saldo existente na conta vinculada, referente àquela provisão e àquele funcionário, 
será liberado da conta vinculada o saldo existente naquela provisão; ou 
2) Se o valor da provisão trabalhista que a contratada pagou ao funcionário (valor líquido) for 
menor que o saldo existente na conta vinculada, destinado àquela provisão e àquele funcionário, 
será liberado o valor pago pela contratada. 
Se a opção da empresa foi pela liberação diretamente às contas-salário dos empregados e, caso o 
saldo da rubrica seja insuficiente para pagamento do valor devido ao empregado, a contratada deverá 
providenciar o pagamento complementar e encaminhar o comprovante ao órgão contratante. 
 
ATENÇÃO! 
Ao apurar o saldo da rubrica de férias para liberação, observar o período de 12 meses (período 
aquisitivo) e não o valor disponível na rubrica no momento do pedido, para não liberar valor maior 
do que o devido. 
 
16.2.2 Verbas rescisórias 
Após a devida comprovação de quitação das verbas trabalhistas e encargos sociais referentes ao 
empregado desligado, poderá ser liberado da conta vinculada todo o saldo correspondente ao 13º 
salário, férias e encargos sobre 13º salário e férias, em relação àquele funcionário. 
No tocante ao saldo da provisão de multa do FGTS, somente será liberado se a contratada comprovar 
haver tido despesa com esse encargo, em relação ao funcionário demitido. 
No caso de o funcionário não ter direito à multa do FGTS, o saldo desta rubrica somente será liberado 
no encerramento do contrato. 
16.2.3 Encargos sociais sobre 13º salário 
Após a devida comprovação de quitação dos encargos sociais sobre o 13º salário, poderá ser liberado 
da conta vinculada todo o saldo correspondente aos encargos sobre 13º salário, referente ao 
exercício financeiro findo, e em relação aos funcionários constantes na GFIP 13. 
16.2.4 Encargos sociais sobre as férias 
Após a devida comprovação de quitação dos encargos sociais sobre as férias do trabalhador, poderá 
ser liberado da conta vinculada todo o saldo correspondente aos encargos sobre as férias, em relação 
àquele funcionário.Importante destacar que para efetuar a liberação dos valores de forma adequada, por rubrica e por 
funcionário, em relação às ocorrências de liberação solicitadas durante a execução contratual, 
visando mitigar a responsabilização da Administração Pública em eventuais demandas trabalhistas, 
é imprescindível que o controle existente no órgão, referente aos depósitos e saques na conta 
vinculada, seja eficiente. 
17 LIBERAÇÃO DE SALDO REMANESCENTE DE CONTA VINCULADA 
17.1 Liberação de saldo remanescente durante a vigência do contrato 
17.1.1 13º salário 
Referente ao 13º salário, esclarece-se que os saldos remanescentes da rubrica do 13º salário, poderão 
ser liberados à conta corrente da empresa contratada, conforme disciplina o § 4º do artigo 12 do 
Decreto Distrital nº 34.649/2013, alterado, devendo a empresa solicitar a liberação a partir do 
exercício subsequente. 
 
127 
 
 
DECRETO DF Nº 34.649/2013 
Art. 12. Protocolado o pedido de autorização para movimentação da conta vinculada pela 
empresa contratada, o órgão ou entidade contratante terá o prazo de 3 (três) dias úteis, a 
contar da data de apresentação dos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, para 
autorizar o BRB a desbloquear os valores retidos. 
§ 4º Devolver-se-á a empresa eventuais saldos remanescentes da rubrica referente ao 
13º (décimo terceiro) salário, após a comprovação da quitação da verba trabalhista 
para os trabalhadores. (redação incluída pelo Decreto nº 36.164/2014) 
Para tanto, é necessário que a contratada apresente a comprovação de quitação das verbas 
trabalhistas, referente à rubrica em questão, com a correspondente comprovação de recolhimento 
dos encargos previdenciários e do FGTS sobre o 13º salário. 
17.1.2 Férias 
A provisão de férias não tem a mesma previsão legal, então, eventuais saldos remanescentes somente 
serão liberados no encerramento do contrato. 
17.2 Liberação no encerramento do contrato administrativo 
Por ocasião do término do contrato, é comum que todo o pessoal da contratada, empregado na 
execução dos serviços, seja demitido. Assim, os procedimentos a serem observados antes da 
liberação de todo o saldo existente na conta vinculada são os mesmos já abordados no item 15 
desta apostila (rescisão contratual), para verificar o cumprimento das obrigações trabalhistas, o 
correto pagamento das verbas trabalhistas bem como o pagamento dos respectivos encargos sociais, 
por meio da GFIP, GRRF e GPS. 
18 ANEXOS 
18.1 Lei Distrital nº 4.636 de 23 de agosto de 2011 alterada 
Institui mecanismo de controle do patrimônio público do 
Distrito Federal, dispondo sobre provisões de encargos 
trabalhistas a serem pagos às empresas contratadas para 
prestar serviços de forma contínua, no âmbito dos 
Poderes Públicos do Distrito Federal. 
Art. 1º Os editais de licitação e contratos de serviços continuados no âmbito dos Poderes Públicos do 
Distrito Federal, sem prejuízo das disposições legais aplicáveis, observarão as normas desta Lei, para 
a garantia do cumprimento das obrigações trabalhistas nas contratações. 
Parágrafo único. Os editais referentes às contratações de empresas para prestação de serviços 
contínuos aos órgãos públicos do Distrito Federal deverão conter expressamente o disposto no art. 
9º desta Lei bem como disposição sobre a obrigatoriedade de observância de todos os seus termos. 
Art. 2º As provisões de encargos trabalhistas relativas a férias, décimo-terceiro salário e multa do 
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por dispensa sem justa causa, a serem pagas pelos 
órgãos e entidades dos Poderes Públicos do Distrito Federal a empresas contratadas para prestar 
serviços de forma contínua, serão glosadas do valor mensal do contrato e depositadas 
exclusivamente em banco público oficial. 
Parágrafo único. Os depósitos de que trata o caput devem ser efetivados em conta corrente vinculada 
– bloqueada para movimentação – aberta em nome da empresa, unicamente para essa finalidade e 
com movimentação somente por ordem do órgão ou entidade contratante. 
Art. 3º A solicitação de abertura e a autorização para movimentar a conta corrente vinculada – 
bloqueada para movimentação – serão providenciadas pelo setor responsável do respectivo órgão, 
na forma do regulamento. 
Art. 4º (Artigo revogado pela Lei no 5.313, de 18/2/2014) 
Art. 5º O montante do depósito vinculado será igual ao somatório dos valores das seguintes 
provisões previstas para o período de contratação: 
128 
 
 
I – décimo-terceiro salário; 
II – férias e abono de férias; 
III – impacto sobre férias e décimo-terceiro salário; 
IV – multa do FGTS. 
Parágrafo único. Os valores provisionados para o atendimento deste artigo serão obtidos pela 
aplicação de percentuais e valores constantes da proposta. 
Art. 6º Os órgãos contratantes deverão firmar acordo de cooperação com banco público oficial, que 
terá efeito subsidiário à presente Lei, determinando os termos para a abertura da conta corrente 
vinculada – bloqueada para movimentação –, na forma do regulamento. 
Art. 7º A assinatura do contrato de prestação de serviços entre o órgão contratante e a empresa 
vencedora do certame será precedida dos seguintes atos: 
I – solicitação pelo órgão contratante, mediante ofício, de abertura de conta corrente vinculada – 
bloqueada para movimentação – no nome da empresa, conforme disposto no art. 2º desta Lei, na 
forma do regulamento; 
II – assinatura, pela empresa a ser contratada, no ato da regularização da conta corrente vinculada – 
bloqueada para movimentação –, de termo específico da instituição financeira oficial que permita ao 
órgão contratante ter acesso aos saldos e extratos e vincule a movimentação dos valores depositados 
à sua autorização, na forma do regulamento. 
Art. 8º Os saldos da conta vinculada – bloqueada para movimentação – serão remunerados pelo 
índice da poupança ou outro definido no acordo de cooperação previsto no art. 6º desta Lei, sempre 
escolhido o de maior rentabilidade. 
Art. 9º Os valores referentes às provisões de encargos trabalhistas mencionados no art. 5º 
depositados na conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – deixarão de compor o 
valor do pagamento mensal à empresa. 
Art. 10. No âmbito dos órgãos públicos, a autoridade competente disporá sobre o setor encarregado 
de definir, inicialmente, os percentuais a serem aplicados para os descontos e depósitos, como 
também o setor encarregado de conferir a aplicação sobre as folhas de salário mensais das empresas 
e realizar as demais verificações pertinentes. 
Art. 11. A empresa contratada poderá solicitar autorização do órgão competente para resgatar os 
valores referentes a despesas com o pagamento de eventuais indenizações trabalhistas dos 
empregados que prestam os serviços contratados, ocorridas durante a vigência do contrato. 
§ 1º Para a liberação dos recursos da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação –, a 
empresa deverá apresentar ao setor responsável os documentos comprobatórios da ocorrência de 
indenizações trabalhistas, conforme regulamento. 
§ 2º Os órgãos públicos, por meio dos setores competentes, expedirão, após a confirmação da 
ocorrência da indenização trabalhista e a conferência dos cálculos pela unidade de auditoria, a 
autorização de que trata o caput, que será encaminhada à instituição financeira oficial no prazo 
máximo de cinco dias úteis, a contar da data da apresentação dos documentos comprobatórios pela 
empresa, na forma do regulamento. 
§ 3º A empresa deverá apresentar ao setor competente, no prazo máximo de três dias, o 
comprovante de quitação das indenizações trabalhistas, contados da data do pagamento ou da 
homologação. 
Art. 11-A. Determinada a movimentação da conta vinculada pelo órgão contratante, em caso de 
inadimplemento ou atraso quanto à liberação do saldo, será aplicada à instituição financeira oficial a 
responsabilidade objetiva quanto aos danos causados ao contratado. (Artigo acrescido pela Lei 
no5.313, de 18/2/2014.) 
Art. 12. O saldo total da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – será liberado à 
empresa, no momento do encerramento do contrato, mediante declaração do sindicato da categoria 
correspondente aos serviços contratados que confirme a quitação das indenizações trabalhistas, 
ocorrendo ou não o desligamento dos empregados. 
Parágrafo único. A execução completa do contrato só acontecerá quando o contratado comprovar o 
pagamento de todas as obrigações trabalhistas e previdenciárias referentes aos empregados. 
129 
 
 
Art. 12-A. O órgão contratante entenderá como aceitação tácita da quitação de todos os direitos 
trabalhistas quando o Sindicato não se manifestar no prazo de cinco dias a contar da data de 
encerramento do contrato. (Artigo acrescido pela Lei no 5.313, de 18/2/2014) 
Art. 13. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de trinta dias contados de sua publicação. 
Art. 14. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília, 23 de agosto de 2011 
123º da República e 52º de Brasília 
AGNELO QUEIROZ 
18.2 Decreto Distrital nº 34.649, de 10 de setembro de 2013 
Regulamenta a Lei nº 4.636, de 25 de agosto de 2011, e 
dá outras providências. 
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o art. 100, inciso 
VII, da Lei Orgânica do Distrito Federal, e tendo em vista o disposto no art. 13 da Lei nº 4.636, de 25 
de agosto de 2011, DECRETA: 
Art. 1º Os editais licitatórios e os contratos de prestação de serviços continuados, com dedicação 
exclusiva de mão de obra, formalizados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Direta e 
Indireta do Distrito Federal, deverão conter cláusulas relativas à retenção provisória e mensal de 
provisões trabalhistas. 
Parágrafo único. Os contratos vigentes deverão se adequar às regras deste Decreto quando da 
renovação contratual porventura formalizada. 
Art. 2º Para os fins deste Decreto são consideradas as seguintes provisões trabalhistas: 
I – 13º salário; 
II – férias e abono de férias; 
III – impacto sobre férias e 13º salário; e 
IV – multa do FGTS. 
Art. 3º Os depósitos de que trata o artigo anterior serão efetuados com acréscimo do lucro proposto 
pela contratada. 
Art. 4º Para fins de contabilidade pública, as provisões trabalhistas retidas serão consideradas como 
despesa liquidada. 
Art. 5º Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o total mensal pago, sendo que o 
montante retido representará a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, na forma do 
anexo deste Decreto. 
§ 1º As provisões retidas do valor mensal do contrato serão depositadas exclusivamente em conta 
corrente vinculada, aberta em nome da empresa, unicamente para essa finalidade e com 
movimentação mediante prévia e expressa autorização do órgão ou entidade contratante. 
§ 2º Para cada contrato formalizado com os órgãos e entidades da Administração Pública Direta e 
Indireta do Distrito Federal, haverá uma conta vinculada aberta em nome da empresa. 
Art. 6º Os valores retidos mensalmente serão depositados na conta vinculada respectiva no Banco 
de Brasília S/A (BRB) e remunerados pelo índice da poupança ou outro definido no Acordo de 
Cooperação Técnica, previsto no art. 7º deste Decreto, adotando-se o índice de maior rentabilidade. 
Parágrafo único. O BRB liberará os valores retidos após autorização do órgão ou entidade contratante 
da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal. 
Art. 7º Os órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal deverão 
formalizar Acordo de Cooperação Técnica com o BRB, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da 
publicação deste Decreto, para sua operacionalização. 
Parágrafo único. Para fins de cumprimento do disposto no § 2º do art. 11 da Lei nº 4.636, de 25 de 
agosto de 2011, o BRB e o órgão ou entidade contratante estabelecerão procedimentos como forma 
de mitigar riscos e aferir a propriedade dos valores a serem liberados. 
130 
 
 
Art. 8º Os órgãos e entidades contratantes deverão encaminhar ao BRB, mensalmente, relatório de 
execução do contrato, devendo constar, obrigatoriamente: 
I – salário individual dos empregados; 
II – período que cada empregado permanece vinculado ao contrato específico. 
Art. 9º A assinatura ou renovação do contrato de prestação de serviços será precedida de: 
I – solicitação formal do órgão ou entidade contratante da abertura de conta corrente vinculada, em 
nome da empresa; 
II – assinatura pela contratada de termo específico do BRB que permita ao órgão ou entidade 
contratante ter acesso aos extratos diários e mensais; 
III – autorização da contratada para que a conta vinculada somente seja movimentada após 
determinação do órgão ou entidade contratante; 
IV – autorização da contratada para que o BRB somente efetue o pagamento das provisões definidas 
no art. 2º deste Decreto em conta-salário do trabalhador, aberta no BRB; 
V – termo de compromisso firmado pela empresa de que os pagamentos de salário e similares serão 
realizados exclusivamente por meio do BRB. 
Art. 10. O montante depositado na conta vinculada somente poderá ser movimentado após a 
autorização do órgão ou entidade contratante, mediante comprovação da ocorrência de qualquer 
situação que gere o pagamento das provisões previstas no art. 2º deste Decreto. 
Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal ao órgão 
ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado de documentos 
comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das provisões, atestado por 
profissional responsável pelos cálculos. 
§ 1º O pedido formal de liberação sempre deverá ser acompanhado de tabela em meio magnético, na 
qual devem constar os seguintes dados: 
I – nome e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do empregado beneficiado; 
II – período da vinculação do empregado na empresa; 
III – período da vinculação do empregado no órgão ou entidade contratante; 
IV – base salarial que alicerça o montante a ser liberado, por empregado e somatório; e 
V – memória de cálculo individualizada por tipo de provisão. 
§ 2º Para a movimentação da conta vinculada nos casos em que ocorra demissão de empregado com 
mais de 1 (um) ano de serviço, será obrigatória a apresentação de documento de validação dos 
valores devidos, atestado pelo respectivo Sindicato da Categoria ou perante a autoridade do 
Ministério do Trabalho, conforme estabelece o § 1º do art. 477 da Consolidação das Leis do Trabalho. 
§ 3º Na hipótese de o empregado ser desligado da empresa com menos de 1 (um) ano de serviço, a 
empresa deverá apresentar documento comprobatório dos cálculos dos valores indenizatórios a que 
o trabalhador faça jus, devidamente assinado pelo profissional responsável pelo cálculo, pelo 
empregador e pelo empregado. 
§ 4º O órgão ou entidade contratante poderá requerer, a seu critério, outros dados e informações e 
estabelecer leiautes para a remessa dos relatórios. 
§ 5º O montante da provisão a ser liberada não poderá exceder os limites individuais constituídos 
para cada tipo de provisão, conforme percentuais estabelecidos no anexo deste Decreto, não sendo 
admitido o pagamento de uma provisão com recursos constituídos para outra. 
§ 6º O BRB e o órgão ou entidade contratante estabelecerão procedimentos de modo a aferir o 
cumprimento do disposto no parágrafo anterior. 
§ 7º Na hipótese de o empregado deixar de prestar serviços ao órgão ou entidade contratante, ainda 
que permaneça vinculado à empresa contratada, as provisões serão liberadas proporcionalmente ao 
tempo que tenha prestado serviços ao órgão ou entidade contratante. 
Art. 12. Protocolado o pedido de autorização para movimentação da conta vinculada pela empresa 
contratada, o órgão ou entidade contratante terá o prazo de 3 (três) dias úteis, a contar da data de 
apresentação dos documentos de que trata o art. 11 desteDecreto, para autorizar o BRB a 
desbloquear os valores retidos. 
131 
 
 
§ 1º Os valores liberados serão depositados diretamente na conta-salário dos empregados da 
contratada, no prazo de 3 (três) dias úteis a contar da data de autorização do órgão ou entidade 
contratante. 
§ 2º Constatadas inconsistências nos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, a contagem de 
prazo será suspensa até a apresentação das correções devidas. 
Art. 13. Quando do encerramento do contrato, o saldo da conta vinculada somente será liberado à 
empresa contratada mediante autorização do órgão ou entidade contratante. 
§ 1º Para a liberação do saldo da conta vinculada a empresa deverá, obrigatoriamente, comprovar a 
quitação de todas as provisões objeto deste Decreto e apresentar declaração formal do Sindicato da 
Categoria correspondente aos serviços contratados, que ateste a quitação de todos os direitos 
trabalhistas. 
§ 2º O órgão contratante entenderá como aceitação tácita da quitação de todos os direitos 
trabalhistas quando o Sindicato não se manifestar no prazo de 5 (cinco) dias a contar da data de 
encerramento do contrato. 
§ 3º O órgão ou entidade contratante terá prazo de 48 (quarenta e oito) horas para liberar o saldo 
dos recursos provisionados na respectiva conta vinculada da empresa contratada, contado da 
apresentação dos documentos exigidos no § 1º deste artigo ou do decurso do prazo para 
manifestação do Sindicato. 
Art. 14. A Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal poderá editar 
normas complementares necessárias à implementação deste Decreto e estabelecer padronização do 
Acordo de Cooperação Técnica com o BRB e dos demais documentos julgados pertinentes. 
Art. 15. Este Decreto entra em vigor 90 (noventa) dias após a data de sua publicação. Art. 16. 
Revogam-se as disposições em contrário. 
Brasília, 10 de setembro de 2013. 
125º da República e 54º de Brasília 
AGNELO QUEIROZ 
 
ANEXO 
RESERVA MENSAL PARA O PAGAMENTO DE ENCARGOS TRABALHISTAS 
 
132 
 
 
18.3 Decreto Distrital nº 36.164, de 18 de dezembro de 2014 
Altera o Decreto nº 34.649, de 10 de setembro de 2013, 
o qual regulamenta a Lei nº 4.636, de 25 de agosto de 
2011, que Institui mecanismo de controle do patrimônio 
público do Distrito Federal, dispondo sobre provisões de 
encargos trabalhistas a serem pagos às empresas 
contratadas para prestar serviços de forma contínua, no 
âmbito dos Poderes Públicos do Distrito Federal, 
alterada pela Lei nº 5.313, de 18 de fevereiro de 2014. 
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o art. 100, inciso 
VII, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA: 
Art. 1o O Decreto nº 34.649, de 10 de setembro de 2013, passa a vigorar com as seguintes alterações: 
“Art. 1º Os editais licitatórios e os contratos de prestação de serviços continuados, com dedicação 
exclusiva de mão de obra, formalizados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Direta e 
Indireta do Distrito Federal, deverão conter cláusulas relativas à retenção provisória e mensal de 
provisões trabalhistas, constando especialmente: 
I – os percentuais das rubricas indicadas no art. 2º deste Decreto, para fins de provisionamento; 
II – a indicação de que eventuais despesas para abertura e manutenção da conta vinculada deverão 
ser suportadas pela própria empresa. 
Parágrafo único.......................................................................... 
Art. 3º – (REVOGADO) 
Art. 5º – Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o valor do salário bruto, e 
considerar-se-á como montante retido a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, na 
forma do anexo deste Decreto. 
§ 1º – .............................................................................. 
§ 2º – .............................................................................. 
§ 3º – Não serão considerados para efeitos de cálculo os reflexos de hora-extra. 
Art. 11 – ......................................................................... 
§ 1º – ............................................................................. 
§ 2º – ............................................................................. 
§ 3º – ............................................................................. 
§ 4º – ............................................................................. 
§ 5º – ............................................................................. 
§ 6º – ............................................................................. 
§ 7º – ............................................................................. 
§ 8º – No caso de a empresa contratada vir a efetuar o pagamento das verbas rescisórias antes da 
liberação dos recursos pelo BRB, esta poderá resgatar junto ao banco os valores despendidos para a 
quitação das provisões trabalhistas, após autorização do órgão ou entidade da Administração Pública 
Direta e Indireta do Distrito Federal. 
Art. 12 ....................................................................... 
§ 1º – Os valores liberados serão depositados diretamente na conta-salário dos empregados da 
contratada, no prazo de 1 (um) dia útil a contar da data de autorização do órgão ou entidade 
contratante. 
§ 2º ............................................................................ 
§ 3º A empresa deverá aportar, imediatamente, na conta vinculada eventual diferença entre o 
estoque e o valor previsto para quitação, quando do efetivo pagamento da respectiva rubrica. 
§ 4º Devolver-se-á a empresa eventuais saldos remanescentes da rubrica referente ao 13º (décimo 
terceiro) salário, após a comprovação da quitação da verba trabalhista para os trabalhadores. 
§ 5º O saldo da rubrica referente ao FGTS somente será repassada ao trabalhador em caso de 
demissão e, conforme as regras determinadas em lei.” 
133 
 
 
Art. 2º Este Decreto entrará em vigor 15 dias após a data de sua publicação. 
Brasília, 18 de dezembro de 2014. 
127º da República e 55º de Brasília 
AGNELO QUEIROZ 
 
18.4 Minuta de Acordo de Cooperação Técnica BRB 
ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA XX/20XX, PARA 
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ABERTURA DE CONTAS 
ESPECÍFICAS DESTINADAS A ABRIGAR OS RECURSOS 
CAPTADOS RELATIVOS À EXECUÇÃO DOS ENCARGOS 
TRABALHISTAS, QUE CELEBRAM ENTRE SI O “cada 
Órgão da Administração...” E O BRB – BANCO DE 
BRASÍLIA S/A. 
As partes abaixo qualificadas celebram o presente Acordo de Cooperação Técnica, conforme 
preceitos da Lei Distrital no 4.636, de 26 de agosto de 2011 e regulamentações, conforme fundamento 
na Lei no 8.666/1993 e demais disposições regulamentares e mediante as seguintes cláusulas e 
condições: 
______(Qualificação do órgão, nome, CNPJ e endereço), doravante denominada simplesmente ÓRGÃO, 
neste ato representado pelo seu ______(cargo do representante), Sr.______ (nome, nacionalidade, 
estado civil, CPF e documento de identidade) nomeado pelo:______ (documento de nomeação), e o 
BANCO DE BRASILIA S.A., sociedade de economia mista, inscrito no CNPJ/MF sob o nº 
00.000.208/0001-00, com sede no Setor Bancário Sul, Quadra 01, Bloco “E”, Edifício Brasília, Brasília 
(DF), doravante denominado simplesmente BANCO, neste ato representado pelo Diretor de 
Desenvolvimento, Governo, Crédito Imobiliário e Agronegócio, Sr. XXXXXXXXXXXXXXXXX, CPF: 
XXXXXXXXXXX, RG: XXXXXXX SSP/XX, resolvem celebrar o presente Acordo de Cooperação Técnica, 
doravante denominado simplesmente ACORDO, para a prestação dos serviços de abertura de contas 
específicas destinadas as Provisões Trabalhistas nos termos da Lei Distrital nº 4.636, de 26 de 
agosto de 2011, e regulamentações – denominada CONTA VINCULADA, e as demais normas 
pertinentes, mediante as seguintes condições: 
CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO 
O presente instrumento tem por objetivo regulamentar a prestação, pelo BANCO, dos serviços de 
abertura de contas específicas destinadas a abrigar os recursos retidos na forma da Lei nº 
4.636/2011 e regulamentaçõesbem como viabilizar o acesso do ÓRGÃO aos saldos, extratos e 
movimentação dos recursos das referidas CONTAS. 
 
 
134 
 
 
CLÁUSULA SEGUNDA – DOS PROCEDIMENTOS 
a. Para cada contrato será aberta uma Conta Vinculada em nome da Pessoa Jurídica que possui 
contrato firmado com a Administração Pública, doravante denominada Contratada, à ordem do 
ÓRGÃO, mediante solicitação ou autorização formal emitida por este. 
b. A conta será aberta exclusivamente para recebimento de depósitos dos recursos na forma da Lei 
nº 4.636/2011 e regulamentações. 
c. A movimentação dos recursos da Conta Vinculada se dará mediante autorização do ÓRGÃO. 
CLÁUSULA TERCEIRA – DO FLUXO OPERACIONAL 
A abertura, captação e movimentação dos recursos dar-se-ão conforme o fluxo operacional a seguir: 
I – O Órgão ou Entidade firma o Contrato com a EMPRESA CONTRATADA. 
II – O Órgão ou Entidade providencia confecção de ofício endereçada ao BRB Banco de Brasília S/A, 
direcionado ao Gerente Geral da Agência de preferência da EMPRESA CONTRATADA, com o 
propósito de autorizar a abertura da Conta Vinculada de cada contrato. 
III – O Banco providencia: 
a. Abertura da Conta Vinculada; 
b. Comunicação ao Órgão ou Entidade sobre o número da Conta Vinculada aberta conforme 
solicitação bem como eventuais rejeições indicando seus motivos. 
c. Documento autorizativo, de cada EMPRESA CONTRATADA, para que o Órgão ou Entidade tenha 
acesso aos saldos e extratos de sua conta vinculada para movimentar a conta com a finalidade de 
pagamento dos encargos previstos na regulamentação da Lei Distrital nº 4636/2011; 
d. O acesso às CONTAS VINCULADAS, pelo ÓRGÃO, fica condicionado à expressa autorização, em 
caráter irrevogável e irretratável, nos termos do Anexo deste ACORDO, junto a CONTRATADA. 
IV – O Órgão ou Entidade credita os recursos objeto deste instrumento na Conta Vinculada de cada 
EMPRESA CONTRATADA mediante emissão de Ordem Bancária para essa finalidade 
V – O Órgão ou Entidade solicita ao Banco, mediante autorização expressa, a movimentação dos 
recursos, com a finalidade exclusiva de pagamento dos encargos objeto desse Acordo de Cooperação 
Técnica, por meio de crédito em conta de titularidade dos empregados da EMPRESA CONTRATADA 
indicados. 
VI – Os recursos depositados em cada Conta Vinculada deverão ser aplicados em investimentos de 
renda fixa. 
CLÁUSULA QUARTA – DAS OBRIGAÇÕES DAS PARTES: 
São Obrigações do Órgão ou Entidade: 
I – Enviar ao BANCO Ofício, requerimento de abertura das Contas Vinculadas, conforme Anexo I; 
II – Zelar pela guarda e sigilo das informações encaminhadas, utilizando-as exclusivamente para o 
fim especificado na Lei nº 4.636/2011 e regulamentações. 
São obrigações do BRB – Banco de Brasília S.A: 
I – Abrir as CONTAS, disponibilizar saldos e extratos e efetuar movimentações solicitadas ou 
previamente autorizadas pelo Órgão ou Entidade. 
II – Implementar ferramenta informatizada de modo a assegurar que os recursos da Conta Vinculada 
não sejam utilizados para outros fins, senão aqueles previstos no art. 2 incisos I, II, III e IV do Decreto 
no 34.649 de 10 de setembro de 2013. 
III – Estabelecer procedimentos informatizados para que o órgão ou entidade possam aferir a 
propriedade dos valores a serem liberados. 
IV – Prestar apoio técnico operacional ao Órgão ou Entidade e à EMPRESA CONTRATADA, necessário 
à execução dos serviços objeto deste Acordo. 
V – Disponibilizar ao Órgão ou Entidade ferramenta de controle das provisões trabalhistas e de 
empregados contratados pelas empresas prestadoras de serviços. 
VI – Informar ao Órgão ou Entidade qualquer ocorrência que comprometa a operacionalização de 
Contas Vinculadas. 
135 
 
 
VII – Disponibilizar acesso on line à Conta Vinculada de modo a permitir que Órgão ou Entidade 
gerencie e acompanhe os recursos depositados. 
CLAÚSULA QUINTA – DOS RECURSOS FINANCEIROS 
A celebração deste Acordo de Cooperação Técnica não implica desembolso de recursos financeiros 
por parte de qualquer uma das partes. 
CLÁUSULA SEXTA – VIGÊNCIA 
Este ACORDO terá eficácia a partir da data de sua assinatura e vigência de sessenta meses, podendo 
ser prorrogado. 
CLÁUSULA SÉTIMA – DAS ALTERAÇÕES 
As cláusulas deste Acordo de Cooperação Técnica, exceto a que trata do objetivo, poderão ser 
alteradas mediante Acordo Aditivo, desde que em comum acordo entre as partes e em consonância 
com a Lei nº 4.636, de 23 de agosto de 2011 e o Decreto nº 34.649, de 10 de setembro de 2013, e suas 
eventuais alterações. 
CLÁUSULA OITAVA – DA RESCISÃO 
Este Acordo de Cooperação Técnica poderá ser rescindido por qualquer uma das partes em razão do 
descumprimento de qualquer das obrigações ou condições pactuadas bem como pela superveniência 
de norma legal ou fato administrativo que o torne formal ou materialmente inexequível ou, ainda, 
por ato unilateral, mediante comunicação prévia à outra Parte, com antecedência mínima de 90 
(noventa) dias, ficando as partes responsáveis pelas obrigações anteriormente assumidas. 
CLÁUSULA NONA – DA PUBLICAÇÃO 
A publicação de extrato do presente instrumento no Diário Oficial do Distrito Federal será 
providenciada pelo Governo do Distrito Federal, às suas expensas até o 5º dia útil do mês 
subsequente de sua assinatura. 
CLÁUSULA DÉCIMA – DO FORO 
Os casos omissos ou situações contraditórias deste Acordo de Cooperação Técnica deverão ser 
resolvidos mediante conciliação entre as partes, com prévia comunicação por escrito da ocorrência, 
consignando prazo para resposta, sempre com foco na busca de uma solução pacífica e no 
entendimento mútuo. 
Os gestores responsáveis pela execução e acompanhamento dos processos pertinentes a este Acordo, 
serão escolhidos pelas partes. 
Assim, por estarem as partes de pleno acordo quanto ao teor deste instrumento, assinam o referido 
Acordo em 03 vias, para todos os fins de direito. 
Brasília, de dezembro de 2014. 
 
______________________________ 
BRB BANCO DE BRASÍLIA S/A 
 
_______________________________ 
Órgão ou Entidade 
 
136 
 
 
ANEXO I 
Ofício nº ____/20___ – (Nome do Órgão) 
(Cidade) (UF), ___ de ____________ de 20___. 
Ao 
BRB – Banco de Brasília S.A. 
 
Assunto: Abertura de Conta Corrente Vinculada – Bloqueada para movimentação 
 
Senhor(a) Gerente, 
 
Solicitamos providenciar abertura de Conta-Corrente Vinculada – Bloqueada para movimentação – 
destinada unicamente a receber créditos conforme especificado na Lei no 4.636, de 23 de agosto de 
2011, e no Decreto no 34.649, de 10 de setembro de 2013, da consolidação das leis do trabalho a título 
de provisão para encargos trabalhistas do Contrato firmado em nome do Proponente a seguir 
indicado: 
Contrato: _____/_______ 
Vigência: ____/____/_____ à ____/____/_____ 
Publicação no Diário Oficial do Distrito Federal no dia ____/____/_____, página n° ____ 
Razão Social: ________________________________________________________ 
CNPJ: _________________________ 
Nome Fantasia: __________________________________________________ 
Endereço: ______________________________________________________ 
Representante Legal: _____________________________________________ 
CPF/CNPJ do Representante Legal: __________________________________ 
Atenciosamente, 
 
137 
 
 
19 REFERÊNCIAS 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Presidência da República Federativa do 
Brasil. Brasília, 10 out. 1988. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 10 mar. 2019. 
______. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 98, de 10 de novembro de 2009. Disponível 
em: 
<http://www.cnj.jus.br/images/atos_normativos/resolucao/resolucao_98_10112009_1010201219
3007.pdf> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 169, de 31 de janeiro de 2013. Disponível em: 
<http://www.cnj.jus.br/images/resol_gp_169_2013.pdf> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Decreto nº 3.048, de6 de maio de 1999. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3048.htm> Acesso em: 10 mar. 2019 
______. Decreto nº 57.155, de 3 de novembro de 1965. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D57155.htm> Acesso em: 10 mar. 
2019 
______. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm> Acesso em: 10 
mar. 2019. 
______. Instrução Normativa nº 2, de 30 de abril de 2008. Disponível em: 
<https://www.comprasgovernamentais.gov.br/index.php/legislacao/instrucoes-normativas/417-
instrucao-normativa-n-02-de-30-de-abril-de-2008>. Acesso em: 10 mar. 2019. 
______. Instrução Normativa nº 5, de 25 de maio de 2017. Disponível em: 
<https://www.comprasgovernamentais.gov.br/images/conteudo/ArquivosCGNOR/IN-n-05-de-26-
de-maio-de-2017---Hiperlink.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2019. 
______. Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4090.htm> Acesso em: 10 mar. 2019 
______. Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/CCIVil_03/leis/L4749.htm> Acesso em: 10 mar. 2019 
______. Lei nº 6.708, de 30 de outubro de 1979. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1970-1979/L6708.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. 
______. Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8036consol.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. 
______. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8212cons.htm Acesso em: 10 mar. 2019. 
______. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8666cons.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. 
______. Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.666.htm> 
______. Lei nº 12.506, de 11 de outubro de 2011. Disponível em: 
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2019. 
138 
 
 
BRASIL. Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12546.htm> 
______. Lei Complementar nº 110, de 29 de junho de 2001. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp110.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. 
______. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. 
______. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante nº 10. Disponível em: 
<http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menusumario.asp?sumula=1216> Acesso em: 18 
mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 14. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_1_50.html#SUM-14> 
Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 125. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_101_150.html#SUM-
125> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 171. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_151_200.html#SUM-
171> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 182. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_151_200.html#SUM-
182> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 261. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_251_300.html#SUM-
261> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 276. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_251_300.html#SUM-
276> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 305. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_301_350.html#SUM-
305> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 305. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_301_350.html#SUM-
306> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 314. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_301_350.html#SUM-
314> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 328. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_301_350.html#SUM-
328> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 331. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_301_350.html#SUM-
331> Acesso em: 18 mar. 2019. 
139 
 
 
BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 380. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_351_400.html#SUM-
380> Acesso em: 18 mar. 2019. 
______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 450. Disponível em: 
<http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_401_450.html#SUM-
450> Acesso em: 18 mar. 2019. 
CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho: de acordo com a reforma trabalhista. Lei no 13.467/ 
2017. 15. ed. São Paulo: Método, 2018. 
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 17. ed. São Paulo: LTr, 2018. 
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<http://sinj.tc.df.gov.br/sinj/Norma/75015/Decreto_34649_10_09_2013.pdf> Acesso em: 10 mar. 
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<http://sinj.tc.df.gov.br/sinj/Norma/5996816c254c4686a443be3b71534c82/Decreto_38934_15_
03_2018.html>. Acesso em: 10 mar. 2019 
______. Lei nº 4.636, de 23 de agosto de 2011. Disponível em: 
<http://www.tc.df.gov.br/sinj/Norma/69257/fe039092.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2019 
GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa; ALVARENGA, Rúbia Zanotelli de (Coord.). Terceirização de 
serviços e direitos sociais trabalhistas. São Paulo: LTr, 2017. 
JACOBY FERNANDES, Jorge Ulisses; JACOBY FERNANDES, Murilo (Coord.). Terceirização: 
legislação, doutrina e jurisprudência. Belo Horizonte: Fórum, 2018. 
SANTOS, Diogo Palau Flores dos. Terceirização de serviços pela Administração Pública: estudo 
da responsabilidade subsidiária. São Paulo: Saraiva, 2014. 
VIANNA, Flavia Daniel. Contratos administrativos de serviços continuados com dedicação exclusiva 
de mão de obra e a “conta-depósito vinculada – bloqueada para movimentação”. Revista Fórum de 
Contratação e Gestão Pública – FCGP, Belo Horizonte, ano 15, n. 177, p. 34-36, set. 2016. 
 
	Capa apostila.pdf
	Página 1
	Página 2
	Página 3

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