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Curso Apostila Gestão e controle de conta vinculada aos contratos de terceirização Governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha Secretário de Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão André Clemente Lara de Oliveira Diretor-Executivo da Escola de Governo do Distrito Federal Alex Costa Almeida Escola de Governo do Distrito Federal Endereço: SGON Quadra 1 Área Especial 1 – Brasília/DF – CEP: 70.610-610 Telefones: (61) 3344-0074 / 3344-0063 www.egov.df.gov.br APRESENTAÇÃO A utilização de conta vinculada aos contratos de prestação de serviços contínuos mediante cessão de mão de obra (terceirização) é um procedimento de fiscalização de contratos administrativos que tem como principal objetivo mitigar a responsabilização da Administração Pública, garantindo os recursos necessários para o cumprimento de obrigações sociais e trabalhistas, em caso de inadimplemento da contratada durante a execução do contrato bem como de extinção ou de rescisão do contrato administrativo. Apesar dos benefícios que o emprego de conta vinculada pode trazer para a Administração Pública contratante, a implementação e o gerenciamento necessário para sua adequada operacionalização não é uma tarefa simples. O êxito no procedimento depende de: planejamento interno para utilização de conta vinculada; controle eficiente dos valores depositados e liberados; e o conhecimento da legislação trabalhista e previdenciária necessárias para o correto pagamento de verbas trabalhista, e liberação de valores bloqueados. Nesse sentido, este treinamento foi desenvolvido para: mostrar os procedimentos necessários à implementação e à operacionalização de conta vinculada aos contratos de terceirização, utilizando exemplos, cálculos e exercícios; compartilhar boas práticas de controle e acompanhamento dos valores de conta vinculada; solucionar problemas do cotidiano dos participantes; bem como apresentar sugestão de planilhas de acompanhamento. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................................. 9 2 TERCEIRIZAÇÃO....................................................................................................................................... 9 2.1 Contrato de terceirização................................................................................................................... 9 2.2 Responsabilidade da Administração Pública na terceirização de serviços.......... 11 2.2.1 Responsabilidade solidária por encargos previdenciários.......................................................... 11 2.2.1.1 Substituição Tributária do INSS........................................................................................................... 11 2.2.2 Responsabilidade subsidiária por encargos trabalhistas............................................................ 12 2.2.2.1 Divergência entre a Lei nº 8.666/1993 e a Súmula 331 do TST............................................ 13 2.2.2.2 ADC-16 – STF e a nova redação da Súmula 331 do TST............................................................ 14 3 CONTA VINCULADA................................................................................................................................. 17 3.1 Origem........................................................................................................................... ................................. 17 3.2 Regulamentação da conta vinculada na esfera Federal.................................................... 17 3.2.1 Instrução Normativa CNJ nº 1/2008 – criação e utilização de conta vinculada pelo CNJ. 17 3.2.2 Resolução CNJ nº 98/2009 – criação da conta vinculada Poder Judiciário.......................... 17 3.2.3 IN nº 2/2008 (alterada pela IN nº 3/2009) – previsão da conta vinculada........................ 18 3.2.4 Acórdão TCU nº 1.214/2013 – não recomendação da conta vinculada................................ 18 3.2.5 Parecer nº 73/2013/DECOR/CGU/AGU – Licitude da conta vinculada................................. 19 3.2.6 IN nº 2/2008 (alterada pela IN 6/2013) obrigatoriedade da conta vinculada.................. 20 3.2.7 Acórdão TCU nº 2328/2015 – estudo custo-benefício da conta vinculada........................... 21 3.2.8 IN nº 5/2017 (revogou a IN nº 2/2008) – inclusão pagamento pelo fato gerador........... 21 3.3 Legislação da conta vinculada no âmbito do Distrito Federal....................................... 24 3.3.1 A Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 4831-DF.............................................................. 24 3.3.2 Decisão TCDF Nº 3209/2017.................................................................................................................. 25 4 CONTA VINCULADA NO ÂMBITO DO DISTRITO FEDERAL................................................ 26 4.1 O que é a conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação?................... 26 4.2 Depósitos...................................................................................................................................................... 26 4.3 Saques/Liberações............................................................................................................................. ..... 27 4.4 Aspecto positivo e aspectos negativos para utilização de conta vinculada........... 27 4.5 Bloqueio judicial............................................................................................................................. ......... 27 5 PLANEJAMENTO PARA IMPLANTAÇÃO DE CONTA VINCULADA................................... 28 5.1 Providências preliminares para a implantação de conta vinculada......................... 28 5.1.1 Acordo de Cooperação Técnica com o BRB....................................................................................... 28 5.1.2 Designação de unidades administrativas para gestão das contas vinculadas.................... 28 5.1.3 Disposições obrigatórias no edital e no contrato administrativo............................................ 28 5.2 Encargos trabalhistas e sociais que são objeto de provisão........................................... 28 6 IMPLEMENTAÇÃO DE CONTA VINCULADA................................................................................ 29 6.1 Abertura de conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação.............. 29 6.1.1 Fluxo operacional para abertura da conta vinculada.................................................................. 30 6.1.2 Comprovante de abertura da conta corrente vinculada.............................................................. 31 6.2 Abertura de contas-salário dos empregados.......................................................................... 34 6.2.1 O que é conta-salário?............................................................................................................................. .. 34 6.2.2 Portabilidade do salário........................................................................................................................... 34 6.2.3 Pode a instituição financeira descontar empréstimo na conta-salário?............................... 34 6.2.4 Podem ser cobradas tarifas pela utilização da conta-salário?.................................................. 34 6.3 Retenção de valores e depósito em conta vinculada........................................................... 35 6.4 Passo a passo para depósito das provisões em conta vinculada.................................. 35 7 BASE DE CÁLCULO DOS ENCARGOS............................................................................................... 35 7.1 Composição da provisão mensal destinada à conta vinculada..................................... 35 7.2 Base de cálculo............................................................................................................................. .............36 7.2.1 Salário............................................................................................................................. ................................. 36 7.2.2 Remuneração................................................................................................................................................ 36 7.2.3 Base de cálculo pelo Decreto nº 34.649/2013................................................................................. 36 7.3 Percentual............................................................................................................................. ....................... 37 8 ENCARGOS TRABALHISTAS................................................................................................................ 37 8.1 13º Salário............................................................................................................................ ....................... 37 8.1.1 Direito do trabalhador ao 13º salário................................................................................................. 37 8.1.2 13º salário proporcional.......................................................................................................................... 38 8.1.3 Metodologia de cálculo............................................................................................................................. 38 8.1.4 Percentual para depósito na conta vinculada................................................................................. 38 8.1.5 Parcelamento do 13º salário e prazo de pagamento.................................................................... 38 8.1.5.1 Requerimento de adiantamento do 13º salário pelo empregado......................................... 38 8.1.6 Contribuição Previdenciária (INSS) e FGTS sobre o 13º salário............................................... 39 8.1.7 Perda de direito ao 13o salário............................................................................................................... 40 8.2 Férias............................................................................................................................. ................................. 40 8.2.1 Direito do trabalhador às férias............................................................................................................ 40 8.2.2 Adicional de férias....................................................................................................................................... 40 8.2.3 Período aquisitivo de férias..................................................................................................................... 40 8.2.4 Período concessivo de férias.................................................................................................................... 40 8.2.5 Aviso de férias............................................................................................................................................... 41 8.2.6 Férias vencidas............................................................................................................................................. 41 8.2.7 Férias proporcionais.................................................................................................................................. 41 8.2.8 Metodologia de cálculo............................................................................................................................. 42 8.2.9 Percentual para depósito na conta vinculada................................................................................. 42 8.2.10 Parcelamento de férias............................................................................................................................. . 43 8.2.11 Prazo para pagamento das férias......................................................................................................... 43 8.2.12 Contribuição Previdenciária e FGTS sobre férias e abono de férias........................................ 44 8.2.13 Abono pecuniário............................................................................................................................. ........... 45 8.2.14 Redução e perda do direito às férias.................................................................................................... 46 8.2.14.1 Faltas injustificadas............................................................................................................................. ...... 46 8.2.14.2 Demissão por justa causa........................................................................................................................ 47 8.2.14.3 Rescisão por culpa recíproca................................................................................................................. 47 8.3 Multa sobre o FGTS e Contribuição Social................................................................................. 47 8.3.1 Direito do empregado à multa do FGTS............................................................................................. 47 8.3.2 Contribuição social............................................................................................................................. ........ 48 8.3.3 Percentual para depósito na conta vinculada................................................................................. 48 8.3.4 Redução ou perda do direito à multa do FGTS................................................................................ 49 8.3.4.1 Redução da multa do FGTS pela metade (20%)............................................................................ 49 8.3.4.2 Perda do direito à multa do FGTS....................................................................................................... 49 8.4 Percentual mensal dos encargos trabalhistas para a conta vinculada..................... 50 9 ENCARGOS SOCIAIS............................................................................................................................. .... 50 9.1 Contribuições previdenciárias........................................................................................................ 50 9.1.1 Contribuição Previdenciária Patronal (INSS).................................................................................. 50 9.1.2 Contribuição adicional – RAT ajustado (RAT X FAP).................................................................... 51 9.1.2.1 RAT e atividade preponderante da empresa.................................................................................. 51 9.1.2.2 FAP............................................................................................................................. ....................................... 52 9.2 Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)................................................................... 55 9.3 Contribuições para outras entidades (terceiros)................................................................. 57 9.4 Percentual mensal dos encargos sociais para a conta vinculada................................ 60 9.5 Itens da Planilha de Custo e Formação de Preços................................................................. 60 9.6 Situações diferenciadas de tributação........................................................................................ 62 9.6.1 ME e EPP optantes pelo SIMPLES......................................................................................................... 62 9.6.2 CPRB............................................................................................................................. .................................... 63 9.7 Percentual estabelecido pela legislação do DF...................................................................... 64 10 VALORES PARA DEPÓSITO MENSAL NA CONTA VINCULADA......................................... 66 10.1 Cálculodo valor mensal destinado à conta vinculada....................................................... 66 10.2 Alteração do valor mensal destinado à conta vinculada.................................................. 66 10.2.1 Aumento do salário dos empregados................................................................................................... 66 10.2.2 Alteração da quantidade de empregados.......................................................................................... 67 10.2.3 Alteração do percentual........................................................................................................................... 67 11 CONTROLE MENSAL DE CONTA VINCULADA............................................................................ 67 11.1 Autuação de processo específico.................................................................................................... 67 11.2 Controle dos empregados................................................................................................................... 68 11.3 Conciliação bancária............................................................................................................... ............... 68 11.4 Ferramenta para controle de valores por empregado e por provisão..................... 70 12 LIBERAÇÃO PARCIAL DE VALORES................................................................................................ 75 12.1 Liberação conta-salário empregado X Conta corrente da empresa........................... 75 12.2 Passo a passo para a liberação de valores da conta vinculada..................................... 77 13 DOCUMENTAÇÃO PARA LIBERAR 13º SALÁRIO E FÉRIAS................................................ 77 13.1 Liberação de 13º salário...................................................................................................................... 77 13.1.1 Documentação para liberação de 13º salário.................................................................................. 77 13.1.2 Roteiro para verificação – pagamento 13º salário........................................................................ 78 13.2 Liberação de férias e abono de férias.......................................................................................... 83 13.2.1 Documentação para liberação de férias e abono de férias......................................................... 83 13.2.2 Roteiro de verificação – férias e abono de férias............................................................................. 83 14 RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.................................................................................. 87 14.1 Direitos do trabalhador em rescisão de contrato de trabalho...................................... 87 14.2 Aviso prévio............................................................................................................................. ................... 87 14.2.1 Prazo início aviso prévio........................................................................................................................... 87 14.2.2 Aviso prévio trabalhado............................................................................................................................ 87 14.2.3 Aviso prévio indenizado............................................................................................................................ 88 14.2.4 Renúncia ao aviso prévio.......................................................................................................................... 88 14.2.5 Indenização adicional X Data base...................................................................................................... 89 14.2.6 Aviso prévio proporcional........................................................................................................................ 90 14.3 Tipos de contrato de trabalho.......................................................................................................... 91 14.4 Formas de rescisão............................................................................................................................. .... 92 14.5 Contrato de trabalho por prazo determinado com rescisão antecipada................ 93 14.6 Verbas rescisórias............................................................................................................................. ...... 94 14.7 Prazo para pagamento das verbas rescisórias....................................................................... 95 14.8 Exame médico demissional............................................................................................................... 95 14.9 Tipos de Contrato X Formas de Rescisão X Verbas rescisórias devidas.................. 96 15 DOCUMENTAÇÃO PARA LIBERAR VERBAS RESCISÓRIAS................................................. 98 15.1 Documentação para liberação – rescisão de contrato de trabalho............................ 98 15.2 Roteiro de verificação – rescisão de contrato de trabalho.............................................. 98 16 LIBERAÇÃO DE ENCARGOS SOCIAIS SOBRE 13º SALÁRIO E FÉRIAS........................... 122 16.1 Liberação de encargos sociais sobre o 13º salário e as férias....................................... 122 16.1.1 Encargos sociais sobre o 13º salário.................................................................................................... 122 16.1.1.1 Documentação para liberação dos encargos sociais sobre o 13º salário........................... 122 16.1.1.2 Roteiro de verificação – encargos sociais sobre o 13º salário................................................ 122 16.1.2 Encargos sociais sobre as férias............................................................................................................. 125 16.1.2.1 Documentação para liberação dos encargos sociais sobre as férias.................................... 125 16.1.2.2 Roteiro de verificação – encargos sociais sobre as férias......................................................... 125 16.2 Valor a liberar de cada provisão..................................................................................................... 125 16.2.1 13º salário e férias durante a vigência do contrato de trabalho.............................................. 125 16.2.2 Verbas rescisórias........................................................................................................................................ 126 16.2.3 Encargos sociais sobre 13º salário....................................................................................................... 126 16.2.4 Encargos sociais sobre as férias............................................................................................................. 126 17 LIBERAÇÃO DE SALDO REMANESCENTE DE CONTA VINCULADA................................. 126 17.1 Liberação de saldo remanescente durante a vigência do contrato............................ 126 17.1.1 13º salário............................................................................................................................. ......................... 126 17.1.2 Férias............................................................................................................................. ................................... 127 17.2 Liberação no encerramento do contrato administrativo................................................. 127 18 ANEXOS............................................................................................................................. ............................. 127 18.1 Lei Distrital nº 4.636 de 23 de agosto de 2011 alterada.................................................. 127 18.2 Decreto Distrital nº 34.649, de 10 de setembro de 2013................................................. 129 18.3 Decreto Distrital nº 36.164, de 18 de dezembro de2014................................................ 132 18.4 Minuta de Acordo de Cooperação Técnica BRB..................................................................... 133 19 REFERÊNCIAS............................................................................................................................. ................ 137 9 1 INTRODUÇÃO Nesta apostila serão apresentados os conceitos básicos, a fundamentação normativa e jurisprudencial, a metodologia de cálculo dos encargos cujos valores são objeto de provisão, para depósito em conta vinculada aos contratos de terceirização, documentação comprobatória do pagamento das obrigações bem como os procedimentos para a gestão e o controle da conta vinculada, em observância à Lei Distrital nº 4.636/2011 e ao Decreto Distrital nº 34.649/2013. O instituto da conta vinculada aos contratos de terceirização foi criado com a finalidade de mitigar os riscos relacionados aos contratos de serviços, com dedicação exclusiva de mão de obra, bem como evitar as condenações judiciais da Administração Pública, frente às obrigações previdenciárias e trabalhistas nesses tipos de contrato. Nesse sentido, antes de se abordar sobre a conta vinculada propriamente dita, é importante compreender o que é um contrato de terceirização e os riscos inerentes a este tipo de contrato. 2 TERCEIRIZAÇÃO Terceirização em sentido amplo significa entregar a terceiros, um intermediário, mediante contrato, a execução de serviços para satisfazer as necessidades do contratante. A terceirização aqui abordada será aquela em sentido estrito, realizada pela Administração Pública, na qual há a contratação de mão de obra terceirizada para a execução de atividades auxiliares, acessórias e de apoio à missão institucional, com base nos princípios da eficiência e eficácia, visando ao interesse público. Segundo Vólia Bomfim Cassar1, a terceirização é a relação trilateral formada entre trabalhador, intermediador de mão de obra e empresa tomadora de serviços, na qual a empresa prestadora de mão de obra coloca seus trabalhadores nas empresas tomadoras, ou seja, a tomadora contrata mão de obra por meio de outra pessoa, que serve de intermediadora entre o tomador e os trabalhadores. O modelo trilateral de relação econômica de trabalho (firmada com a empresa tomadora) e jurídica empregatícia (firmada com a empresa intermediadora de mão de obra), que surge com o processo terceirizante, é francamente distinto do clássico modelo empregatício, que se funda em relação de caráter essencialmente bilateral.2 Na terceirização regular, o vínculo empregatício, por meio do contrato de trabalho, se forma entre o empregado e o empregador, que é a empresa prestadora de mão de obra. Já o vínculo jurídico do tomador, ocorre com a empresa prestadora de serviços e não com os empregados desta. Entretanto, se existir a pessoalidade e a subordinação direta entre o trabalhador terceirizado e o tomador de serviços, a terceirização será considerada ilegal e terá como efeito jurídico o reconhecimento do vínculo empregatício com o tomador de serviços. Em razão da exigência constitucional, art. 37, inciso II, de prévia aprovação em concurso público como requisito para a investidura em cargo ou emprego público, a contratação de trabalhadores terceirizados, mesmo de forma irregular e contrária à lei, pelos órgãos da Administração Pública não gera o reconhecimento de vínculo empregatício com o tomador público. 2.1 Contrato de terceirização O contrato de terceirização é qualificado pela presença de dois elementos: O objeto do contrato é a prestação de serviços de natureza continuada; e A execução dos serviços ocorre mediante cessão de mão de obra pela empresa contratada. Entende-se por serviços de natureza continuada aqueles serviços considerados essenciais e perenes para o alcance da missão pública institucional. A essencialidade está relacionada a danos e prejuízos que podem ser causados à Administração Pública ou à coletividade, em caso de eventual paralisação do serviço, comprometendo o cumprimento da missão institucional. 1 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho: de acordo com a reforma trabalhista. Lei no 13.467/2017. 15. ed. São Paulo: Método, 2018, p. 474. 2 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de direito do trabalho. 17. ed. São Paulo: LTr, 2018, p. 534. 10 Já a perenidade, está associada ao atendimento de necessidades públicas permanentes do serviço, voltadas para o funcionamento da Administração Pública. O conceito apresentado está em consonância com a IN nº 5/2017 – SEGES/MP: IN No 05/2017 Art. 15. Os serviços prestados de forma contínua são aqueles que, pela sua essencialidade, visam atender à necessidade pública de forma permanente e contínua, por mais de um exercício financeiro, assegurando a integridade do patrimônio público ou o funcionamento das atividades finalísticas do órgão ou entidade, de modo que sua interrupção possa comprometer a prestação de um serviço público ou o cumprimento da missão institucional. Observa-se, então, a existência de 2 elementos, os quais caracterizam os serviços de natureza continuada: Essencialidade – a falta do serviço pode comprometer a missão institucional; e Perenidade – necessidade permanente do serviço. Não existe em nosso ordenamento jurídico um rol taxativo de atividades que podem ou não ser contratadas de forma continuada, essa classificação é casuística, ou seja, o serviço deve ser analisado no caso concreto para ser ou não considerado como serviço de natureza continuada. Vários são os serviços que podem ser considerados continuados, basta que estejam presentes os requisitos da essencialidade e da perenidade. Quanto à cessão da mão de obra, esta ocorre quando a empresa contratada (prestadora de serviços) tem que disponibilizar seus empregados para a execução de serviços, de forma exclusiva, nas dependências do contratante (tomador dos serviços) ou em outro lugar por este indicado. Este é o conceito de cessão da mão de obra previsto na IN nº 5/2017 – SEGES/MP e na legislação previdenciária, conforme dispositivos abaixo parcialmente transcritos: IN Nº 5/2017 – SEGES/MP Dos Serviços com Regime de Dedicação Exclusiva de Mão de Obra Art. 17. Os serviços com regime de dedicação exclusiva de mão de obra são aqueles em que o modelo de execução contratual exija, dentre outros requisitos, que: I – os empregados da contratada fiquem à disposição nas dependências da contratante para a prestação dos serviços; II – a contratada não compartilhe os recursos humanos e materiais disponíveis de uma contratação para execução simultânea de outros contratos; e III – a contratada possibilite a fiscalização pela contratante quanto à distribuição, controle e supervisão dos recursos humanos alocados aos seus contratos. Parágrafo único. Os serviços de que trata o caput poderão ser prestados fora das dependências do órgão ou entidade, desde que não seja nas dependências da contratada e presentes os requisitos dos incisos II e III. LEI Nº 8.212/1991 – LEI DE CUSTEIO Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, [...]. § 3º Para os fins desta Lei, entende-se como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Art. 219. .................... [...] § 1o Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entende-se como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente danatureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. 11 Sendo assim, se o objeto do contrato for um serviço essencial e permanente para o cumprimento da missão institucional do órgão público e, se houver a execução por meio de disponibilização de mão de obra, de forma exclusiva, pela empresa contratada, estaremos diante de um contrato de terceirização. 2.2 Responsabilidade da Administração Pública na terceirização de serviços Como todo e qualquer negócio jurídico, o contrato de terceirização envolve riscos ao contratante, sendo o maior deles a inadimplência das empresas terceirizadas com os trabalhadores ao fim do contrato. A inadimplência das empresas prestadoras de serviço com os trabalhadores terceirizados pode atribuir responsabilidade à Administração Pública, de forma solidária ou subsidiária, em relação aos encargos previdenciários e às verbas trabalhistas, respectivamente. 2.2.1 Responsabilidade solidária por encargos previdenciários O primeiro dos riscos é a possibilidade de responsabilização da Administração Pública quanto aos encargos previdenciários inadimplidos pela contratada. Conforme artigo 71 da Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993 (Lei de Licitações que regulamentou o artigo 37, XXI da CF/88), a empresa contratada é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato, sendo vedada a transferência dessa responsabilidade para a Administração Pública contratante, em caso de inadimplência da contratada. LEI Nº 8.666/1993 Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1º A inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o registro de imóveis. § 2º A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Todavia, em razão do disposto no § 2º do artigo 71 da Lei nº 8.666/1993 (redação incluída em 28/4/1995 pela Lei nº 9.032/1995), a Administração Pública contratante pode vir a ser responsabilizada solidariamente, caso a contratada deixe de cumprir suas obrigações previdenciárias, decorrentes da execução de contratos com cessão de mão de obra. De acordo com os artigos 264 e 265 do Código Civil (CC), “há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda” e “a solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes”. Como a lei estabeleceu que os encargos previdenciários são uma obrigação solidária, significa dizer que o credor poderá cobrar a dívida integralmente tanto do empregador quanto do tomador público, pois ambos são responsáveis pela obrigação. 2.2.1.1 Substituição Tributária do INSS Em razão de determinação contida no artigo 31 da Lei nº 8.212/1991 (lei de custeio), o tomador de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá efetuar a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor da nota fiscal, a título de antecipação de pagamento da contribuição previdenciária, atuando como substituto tributário: LEI Nº 8.212/1991 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia vinte do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5º do art. 33 desta Lei. 12 Em razão da norma vigente, somente é aplicável a responsabilidade solidária da Administração Pública na hipótese prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/1991 (contratos de serviços executados mediante cessão de mão de obra / contratos de terceirização). Esse foi o entendimento considerado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA [...] seja do ponto de vista da literalidade do disposto no art. 71, § 2o, na redação dada pela Lei 9.032/1995, que faz expressa remissão ao art. 31, da Lei no 8.212/1991, seja do ponto de vista da interpretação histórica e teleológica deste dispositivo, combinado com o disposto no art. 30, inciso VI, da mesma lei, a única conclusão possível é aquela segundo a qual a atribuição da responsabilidade por débitos previdenciários ao Poder Público restringiu-se aos contratos de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, de sorte que é incabível a responsabilização da Administração Pública nas hipóteses de contratos que tiverem por objeto a realização de obra pública, cuja previsão encontra-se no art. 30, inciso VI, da Lei no 8.212/1991. (Medida Cautelar 15.410/RJ, DJe 8/10/2009) SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA TRIBUTÁRIO. CONTRATO DE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. FATOS. SÚMULA 7/STJ. 1.Nos contratos de cessão de mão-de-obra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei no 8.212/1991, não comportando benefício de ordem, nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional. Precedentes. 2.O Tribunal de origem negou a existência de cessão de mão-obra, no caso vertente, sendo vedado revolver tal quadro fático, sob pena de indevida incursão no arcabouço probatório dos autos. Inteligência da Súmula 7/STJ. (AgRg no REsp 1213709/SC, SEGUNDA TURMA, DJe 8/2/2013) No tocante à substituição tributária da Administração Pública, com a simples retenção na fonte de 11% (onze por cento) sobre a nota fiscal da contratada, entende-se que não elimina a responsabilidade solidária da Administração prevista no artigo 71, § 2º, da Lei nº 8.666/1993 pelas seguintes razões: A retenção realizada pelo tomador dos serviços é mero adiantamento parcial de contribuição previdenciária, compensado quando do recolhimento da contribuição devida pela empresa contratada no mês seguinte; e Não se pode afirmar pela simples retenção, que as contribuições dos empregados tenham sido corretamente retidas e devidamente recolhidas, tampouco que a contribuição patronal e demais encargos sociais tenham sido recolhidos. Para se assegurar disso, a Administração deve exigir e examinar documentos específicos, tais como: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a folha de pagamento específica e a Guia da Previdência Social (GPS). Assim sendo, a Administração somente afastará a responsabilidade solidária caso se certifique, antes de cada pagamento devido à contratada, que o empregador prestou as devidas informações por meio da GFIP, com o correto recolhimento por meio da GPS, tanto das contribuições previdenciárias retidas dos funcionários vinculados ao contrato de prestação de serviços, quanto da respectiva contribuição patronal e encargos sociais incidentes sobre a folha de pagamento. 2.2.2 Responsabilidade subsidiária por encargos trabalhistas Além do risco da responsabilização da Administração Pública quanto aos encargos previdenciários, há a possibilidade de a Administração responder de forma subsidiária em relação às obrigações trabalhistas, este é entendimento predominante da jurisprudência. Aresponsabilidade subsidiária na terceirização significa que o tomador/contratante somente será responsabilizado pela obrigação quando esgotadas todas as possibilidades de cobrar do principal responsável (empregador/contratada) a dívida trabalhista judicialmente reconhecida. 13 2.2.2.1 Divergência entre a Lei nº 8.666/1993 e a Súmula 331 do TST Conforme acima abordado, a inadimplência da contratada, em relação aos encargos decorrentes da execução do contrato, não transfere a responsabilidade para a Administração Pública, conforme expressamente previsto no artigo 71, § 1º da Lei nº 8.666/1993, in verbis: LEI Nº 8.666/1993 Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1º A inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o registro de imóveis. Todavia, mesmo com o disposto no artigo 71 e § 1º, acima, antigamente, o tema era objeto do inciso IV da Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), com a redação determinada pela Resolução nº 96/2000 (atualmente modificada), cujo entendimento era de que a Administração Pública, tomadora dos serviços, responderia de forma subsidiária e objetiva, no caso de inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador. Esse era o entendimento consolidado na Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), item IV, com redação alterada no ano 2000: JURISPRUDÊNCIA DO TST Súmula 331 (redação anterior) IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.6.1993). A alteração da redação da Súmula 331, que incluiu, de forma expressa no seu tópico IV, a responsabilidade subsidiária dos órgãos da Administração Pública, derivou do julgamento do Incidente de Uniformização de Jurisprudência nº TST-IUJ-RR- 297.751/96, cuja ementa está abaixo parcialmente transcrita: JURISPRUDÊNCIA DO TST INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA – ENUNCIADO Nº 331 DO TST – RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – ART. 71 DA LEI Nº 8.666/1993. Embora o artigo 71 da Lei nº 8.666/1993 contemple a ausência de responsabilidade da Administração Pública pelo pagamento dos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato, é de se consignar que a aplicação do referido dispositivo somente se verifica na hipótese em que o contratado agiu dentro de regras e procedimentos normais de desenvolvimento de suas atividades, assim como de que o próprio órgão da administração que o contratou pautou-se nos estritos limites e padrões da normatividade pertinente. Com efeito, evidenciado, posteriormente, o descumprimento de obrigações, por parte do contratado, entre elas as relativas aos encargos trabalhistas, deve ser imposta à contratante a responsabilidade subsidiária. Realmente, nessa hipótese, não se pode deixar de lhe imputar, em decorrência desse seu comportamento omisso ou irregular, ao não fiscalizar o cumprimento das obrigações contratuais assumidas pelo contratado, em típica culpa in vigilando, a responsabilidade subsidiária e, consequentemente, seu dever de responder, igualmente, pelas consequências do inadimplemento do contrato. Admitir-se o contrário, seria menosprezar todo um arcabouço jurídico de proteção ao empregado e, mais do que isso, olvidar que a Administração Pública deve pautar seus atos não apenas atenta aos princípios da legalidade, da impessoalidade, mas sobretudo, pelo da moralidade pública, que não aceita e não pode aceitar, num contexto de evidente ação omissiva ou comissiva, geradora de prejuízos a terceiro, que possa estar ao largo de qualquer corresponsabilidade do ato administrativo que pratica. Registre-se, por outro lado, que o art. 37, § 6º, da Constituição Federal consagra a responsabilidade objetiva da Administração, sob a modalidade de risco administrativo, estabelecendo, portanto, sua obrigação de indenizar sempre que cause danos a terceiro. Pouco importa que esse dano se origine diretamente da Administração, ou, indiretamente, de terceiro que com ela contratou e executou a obra ou serviço, por força ou decorrência de ato administrativo. (TST-IUJ-RR-297.751/96, DJ 20/10/2000) 14 Percebe-se que, segundo esse Incidente de Uniformização do TST, a atribuição da responsabilidade subsidiária decorre da culpa in vigilando da Administração na fiscalização dos contratos de terceirização, isto é, quando há uma fiscalização omissa ou negligente em relação ao cumprimento das obrigações trabalhistas pela contratada. Além disso, o TST entendeu que como o tomador dos serviços é beneficiário direito do trabalho executado pela mão de obra terceirizada, deverá ser responsabilizado subsdiariamente: JURISPRUDÊNCIA DO TST Agravo de instrumento em recurso de revista. Ente público. Responsabilização trabalhista de entes estatais terceirizantes. Súmula 331, IV/TST. A Súmula 331, IV/TST, ao estabelecer a responsabilidade subsidiária da entidade tomadora de serviços, tem o mérito de buscar alternativas para que o ilícito trabalhista não favoreça aquele que já foi beneficiário do trabalho perpetrado. Realiza, ainda, de forma implícita, o preceito isonômico, consubstanciado no art. 5º, caput e I, da CF. Agravo de Instrumento desprovido. (AIRR – 139440-31.1998.5.02.0315, DJ 13/6/2008) 2.2.2.2 ADC-16 – STF e a nova redação da Súmula 331 do TST O judiciário trabalhista passou a condenar reiteradamente os órgãos públicos tomadores de serviço de mão de obra terceirizada, ocasionando em diversas Reclamações propostas ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra as decisões da justiça do trabalho que aplicavam a Súmula 331 do TST, a qual negava vigência ao comando normativo expresso no artigo 71, § 1º da Lei no 8.666/1993. Tais reclamações arguiam basicamente que a aplicação do item IV da Súmula 331 do TST, por órgão fracionário de Tribunal, resultaria em desrespeito à Súmula Vinculante nº 10 do STF, pois, quando os juízes aplicavam a Súmula 331 do TST, havia a negativa implićita de vigência do § 1º do art. 71 da Lei nº 8.666/1993, uma vez que ocorria a declaração tácita de inconstitucionalidade do dispositivo, sem manifestação do Plenário ou do Órgão Especial, em observância ao artigo 97 da Constituição Federal. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Súmula Vinculante nº 10 Viola a cláusula de reserva de Plenário (CF, artigo 97), a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência no todo ou em parte Em 24/11/2010, o STF julgou a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 16, ajuizada pelo então Governador do Distrito Federal, em 7/3/2007, com o objetivo de impedir a aplicação da Súmula 331 do TST, e declarou a constitucionalidade do artigo 71, § 1º da Lei nº 8.666/1993, afastando a responsabilidade objetiva do Estado em casos de terceirização. JURISPRUDÊNCIA DO STF Responsabilidade contratual. Subsidiária. Contrato com a administração pública. Inadimplência negocial do outro contraente. Transferência consequente e automática dos seus encargos trabalhistas, fiscais e comerciais, resultantes da execução do contrato, à administração. Impossibilidade jurídica. Consequência proibida pelo art., 71, § 1º, da Lei federal nº 8.666/1993.Constitucionalidade reconhecida dessa norma. Ação direta de constitucionalidade julgada, nesse sentido, procedente. Voto vencido. É constitucional a norma inscrita no art. 71, § 1º, da Lei federal nº 8.666, de 26 de junho de 1993, com a redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995. (ADC 16, julgamento 24.11.2010; DJe 08-09-2011) Ao decidir, houve o entendimento entre os ministros no sentido de que o TST não poderia generalizar os casos e teria que investigar com mais rigor se a inadimplência tinha como causa principal a falha ou falta de fiscalização pelo órgão público contratante. Portanto, o STF vedou a responsabilização subsidiária dos órgãos públicos de modo automático, pelo simples inadimplemento trabalhista da empresa prestadora de serviços terceirizados, baseada em uma culpa presumida. Para que a responsabilização seja atribuída ao Poder Público, deve restar comprovada, no caso concreto, a presença da culpa in vigilando da entidade estatal, ou seja, sua desídia fiscalizatória quanto ao preciso cumprimento das obrigações trabalhistas da empresa terceirizante (responsabilidade subjetiva, derivada de culpa)3. 3 DELGADO, Maurício Godinho, op. cit., p. 565. 15 O STF afastou dois fundamentos tradicionais para a responsabilização das entidades estatais: a responsabilidade objetiva e a responsabilidade subjetiva por culpa in eligendo, desde que havendo processo licitatório – circunstância que elidiria a ideia de culpa na escolha do contratante terceirizado.4 Apesar de a ADC 16 ter sido julgada em 24/11/2010, a publicação do acórdão somente ocorreu em 8/9/2011. Neste ínterim, o TST, ciente da tese aprovada pelo STF, e em razão dela, decidiu por meio da Resolução TST nº 174, de 24/5/2011, modificar novamente a Súmula 331, atribuindo nova redação ao seu item IV (aplicado à comunidade em geral) e acrescentando-lhe os itens V (aplicável às entidades estatais) e VI, conforme abaixo: JURISPRUDÊNCIA DO TST Súmula 331 (redação atual) I – A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 3.1.1974). II – A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III – Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.6.1983) e de conservação e limpeza bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV – O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial. V – Os entes integrantes da Administração Pública direta e indireta respondem subsidiariamente, nas mesmas condições do item IV, caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei nº 8.666, de 21.6.1993, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora. A aludida responsabilidade não decorre de mero inadimplemento das obrigações trabalhistas assumidas pela empresa regularmente contratada. VI – A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação referentes ao período da prestação laboral. Na essência, a responsabilidade subsidiária da Administração Pública foi mantida, acrescentando-se a necessidade de demonstração de sua conduta culposa. Ou seja, a responsabilidade passou da modalidade objetiva para subjetiva. Como consequência imediata da nova redação da Súmula 331 do TST, o judiciário trabalhista passou a verificar, no caso em concreto, a existência de conduta culposa da entidade estatal, caracterizada pela fiscalização omissa ou negligente, ou seja, culpa in vigilando. Logo, se o Poder Público não se desincumbe de seu dever-poder de fiscalizar, sendo omisso ou negligente nessa tarefa, a ponto de permitir que a empresa contratada descumpra livremente as obrigações legais e contratuais por ela assumidas e, assim, venha a causar prejuízos aos seus próprios trabalhadores, ele também é, nessa hipótese, responsável subsidiariamente pelas verbas trabalhistas que tiveram seu pagamento frustrado, nos termos expressos da Súmula 331 do TST. Em síntese, com base na nova redação da Súmula 331 do TST, no que diz respeito à gestão e fiscalização dos contratos de terceirização, tem-se a seguinte situação: Haverá a responsabilidade subsidiária da Administração Pública, em que pese a redação do artigo 71, § 1º da Lei de Licitações isentá-la; 5 A responsabilidade somente será possível quando houver culpa comprovada da Administração (fiscalização omissa ou negligente durante o curso do contrato administrativo e no seu encerramento, sem a plena observância dos direitos trabalhistas do empregado); A culpa será analisada no caso concreto; 4 DELGADO, Maurício Godinho, op. cit., p. 565. 5 SANTOS, Diogo Palau Flores dos. Terceirização de serviços pela Administração Pública: estudo da responsabilidade subsidiária. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 116. 16 Não havendo culpa da Administração, não lhe será imputada responsabilidade subsidiária; e Havendo culpa, atribui-se a responsabilidade subsidiária; o gestor pode vir a ser responsabilizado em ação regressiva, em tomada de contas especial e no âmbito administrativo. Conforme item VI da nova redação da Súmula 331, a responsabilidade da Administração, como tomadora dos serviços, envolve todas as parcelas reclamadas pelo trabalhador, sejam encargos diretos ou indiretos, decorrentes da relação de emprego, referente ao período da prestação laboral. Destaca-se que o STF, em 26/4/2017, no RE 760.931, fixou a seguinte tese de repercussão geral: “O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei no 8.666/1993”. JURISPRUDÊNCIA DO STF 7. O art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/1993, ao definir que a inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, representa legítima escolha do legislador, máxime porque a Lei nº 9.032/1995 incluiu no dispositivo exceção à regra de não responsabilização com referência a encargos trabalhistas. 8. Constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/1993 já reconhecida por esta Corte em caráter erga omnes e vinculante: ADC 16, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 24/11/2010. Recurso Extraordinário parcialmente conhecido e, na parte admitida, julgado procedente para fixar a seguinte tese para casos semelhantes: “O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/1993”. (RE 760.931/DF. Julgamento: 26.4.2017. DJe PUBLIC 12-09-2017) Desse modo, prevalece o entendimento de ser vedada a responsabilização automática da Administração Pública, só cabendo a sua condenação se houver prova inequívoca de sua conduta omissiva ou comissiva na fiscalização dos contratos.6 Conclui-se, assim, que para a Administração Pública evitar a responsabilização nos contratos de terceirização, deverá se certificar, por meio de controles eficientes, de que a contratada cumpre todas as obrigaçõesprevidenciárias e trabalhistas, decorrentes da sua condição de empregador. Importante destacar que, na iniciativa privada, a empresa tomadora dos serviços e a empresa intermediadora de mão de obra estabelecem transação contratual com base na reputação das organizações, aumentando, assim, o grau de confiança entre os contratantes, levando, muitas vezes, a uma verdadeira parceria. Porém, essa não é a realidade no âmbito das contratações públicas, em razão da obrigatoriedade legal de prévio procedimento licitatório, para assegurar igualdade de condições a todos os interessados. Sendo assim, em observância ao princípio constitucional da impessoalidade, não é possível aos órgãos da Administração Pública escolherem os seus parceiros, de modo a reduzir o nível do risco contratual. Apesar disso, com o intuito de reduzir o nível do risco da contratação para a Administração Pública bem como inibir um possível comportamento oportunista das empresas contratadas, a própria Lei de Licitações exigiu a estipulação de cláusulas contratuais e garantias.7 Na prática, a Administração Pública deve estabelecer as garantias para assegurar a plena execução contratual, podendo a empresa contratada escolher entre as seguintes modalidades: caução em dinheiro, títulos da dívida pública, seguro-garantia ou fiança bancária, conforme artigo 56, § 1º da Lei nº 8.666/1993. Para fins de segurança, exige-se, também, que a contratada mantenha todas as condições de habilitação e qualificação requeridas na licitação, durante toda a execução contratual. 6 GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa; ALVARENGA, Rúbia Zanotelli de (Coord.). Terceirização de serviços e direitos sociais trabalhistas. São Paulo: LTr, 2017, p. 29. 7 SANTOS, Diogo Palau Flores dos. Terceirização de serviços pela Administração Pública: estudo da responsabilidade subsidiária. São Paulo: Saraiva, 2014, p. 53. 17 A necessidade de proteção varia conforme o nível do risco contratual. No caso dos contratos de terceirização, pode-se considerar que esse risco é alto, em razão da possibilidade de responsabilização da Administração Pública pela inadimplência da contratada quanto às obrigações trabalhistas e sociais dos empregados terceirizados. Consequentemente, quanto maior o risco, maiores devem ser as garantias estabelecidas, objetivando evitar o comportamento oportunista da empresa contratada. Observa-se que foi exatamente isso que fez com que a Administração Pública buscasse outros métodos, visando evitar não só a sua responsabilização, mas também eventual prejuízo econômico ao final do contrato. Dentre as práticas administrativas, destaca-se a criação da “Conta Vinculada”, como forma de elidir a responsabilidade subsidiária da Administração Pública. 3 CONTA VINCULADA 3.1 Origem Em razão da necessidade de controles para mitigar a responsabilidade solidária e subsidiária da Administração Pública, frente à eventual inadimplência da contratada quanto às obrigações previdenciárias e trabalhistas bem como em decorrência do conteúdo da Súmula 331 do TST, foi criada a conta vinculada específica para depósito de verbas previdenciárias e trabalhistas, referentes aos contratos de terceirização. 3.2 Regulamentação da conta vinculada na esfera Federal 3.2.1 Instrução Normativa CNJ nº 1/2008 – criação e utilização de conta vinculada pelo CNJ Em 8 de agosto de 2008, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de forma pioneira, editou a IN nº 1/2008, criando um mecanismo de provisão dos direitos trabalhistas, aplicável somente às contratações do CNJ. Esse mecanisco foi a “Conta Vinculada”, criada com a finalidade explícita de mitigar os riscos associados aos contratos de terceirização, conforme revela o próprio preâmbulo da norma: CONSIDERANDO que o inadimplemento das obrigações trabalhistas pela empresa contratada para prestar serviços, mediante locação de mão de obra, implica a responsabilidade subsidiária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), conforme julgados dos tribunais trabalhistas; CONSIDERANDO que os valores referentes às provisões de encargos trabalhistas são pagos mensalmente à empresa, a título de reserva, para utilização nas situações previstas em lei; Tal norma foi revogada em 5/4/2013 pela Instrução Normativa CNJ nº 49, em razão de regulamentação da mesma matéria por meio da Resolução CNJ nº 169/2013 (alterada pelas Resoluções CNJ nº 183/2013 e nº 248/2018). 3.2.2 Resolução CNJ nº 98/2009 – criação da conta vinculada Poder Judiciário Em 10 de novembro de 2009, no intuito de preservar os órgãos do Poder Judiciário de possíveis ações trabalhistas, o Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução CNJ nº 98, criando a figura da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação, para utilização por todos os órgãos do Poder Judiciário Nacional (com exceção do STF, que não se submete às normas baixadas pelo CNJ), na qual deveria ser efetuado, mensalmente, o depósito de provisões de encargos trabalhistas relativos a férias, 13º salário, multa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e encargos sobre as férias e 13º salário, valores esses glosados do valor mensal pago às empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua, com cessão de mão de obra. Em 31 de janeiro de 2013, a Resolução CNJ nº 98/2009 foi revogada pela Resolução CNJ nº 169/2013 (posteriormente alterada pelas Resoluções CNJ nº 183, de 24/10/2013 e nº 248, de 24/5/2018), a qual é atualmente utilizada pelos órgãos jurisdicionados aos CNJ e cujos atos e procedimentos necessários à sua aplicação no âmbito do CJF e da Justiça Federal de primeiro e segundo graus são padronizados pela Instrução Normativa do Conselho da Justiça Federal – CJF nº 1 de 11/4/2013. 18 RESOLUÇÃO Nº 98/2009 – CNJ (Revogada p/ Res nº 169/2013) Art. 1º Determinar que as provisões de encargos trabalhistas relativas a férias, 13º salário e multa do FGTS por dispensa sem justa causa, a serem pagas pelos Tribunais e Conselhos às empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua, sejam glosadas do valor mensal do contrato e depositadas exclusivamente em banco público oficial. Parágrafo único. Os depósitos de que trata o caput deste artigo devem ser efetivados em conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – aberta em nome da empresa, unicamente para essa finalidade e com movimentação somente por ordem do Tribunal ou Conselho Contratante. [...] Art. 4º O montante do depósito vinculado será igual ao somatório dos valores das seguintes provisões previstas para o período de contratação: I – 13º salário; II – Férias e Abono de Férias; III – Impacto sobre férias e 13º salário; IV – multa do FGTS. Parágrafo único: Os valores provisionados para o atendimento deste artigo serão obtidos pela aplicação de percentuais e valores constantes da proposta. 3.2.3 IN nº 2/2008 (alterada pela IN nº 3/2009) – previsão da conta vinculada Em 15 de outubro de 2009, visando criar mecanismos de proteção e gestão de riscos na execução de contratos de prestação de serviço com dedicação exclusiva de mão de obra, contribuindo para assegurar os recursos necessários para o cumprimento das obrigações sociais e trabalhistas em caso de inadimplemento da contratada, a então Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI), do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), editou a IN nº 3/2009, alterando a IN nº 2/2008, e incorporou a possibilidade de utilização da conta depósito vinculada – bloqueada para movimentação aos contratos de terceirização, incluindo o artigo 19-A, como forma de responder aos preceitos contidos na Súmula 331 do TST. IN Nº 3/2009 – alterou a IN nº 2/2008 “Art. 19-A Em razão da súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o edital poderá conter ainda as seguintes regras para a garantia do cumprimento das obrigações trabalhistas nas contratações de serviços continuados comdedicação exclusiva da mão de obra: I – previsão de que os valores provisionados para o pagamento das férias, 13º salário e rescisão contratual dos trabalhadores da contratada serão depositados pela Administração em conta vinculada específica, conforme o disposto no anexo VII desta Instrução Normativa, que somente será liberada para o pagamento direto dessas verbas aos trabalhadores, nas seguintes condições: 3.2.4 Acórdão TCU nº 1.214/2013 – não recomendação da conta vinculada Porém, em meados de 2010, em virtude dos inúmeros problemas na execução dos contratos administrativos de terceirização firmados pelo Tribunal de Contas da União (TCU), causados pela incapacidade das empresas em cumprir o contrato e consequentemente honrar com os encargos trabalhistas decorrentes, o TCU criou um grupo de trabalho com a participação de representantes de vários órgãos da Administração Pública, cujo objetivo era tentar reduzir esses problemas. Este grupo, ao fim dos trabalhos, elaborou várias propostas para garantir a idoneidade das licitações, da execução e fiscalização dos contratos, as quais foram posteriormente objeto de discussão pelo Tribunal, culminando no Acórdão TCU nº 1.214/2013 – Plenário, de 22/5/2013, o qual endossou todas as recomendações e também determinou à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SLTI/MP) a incorporação das recomendações apontadas pelo Grupo de Estudos na IN nº 2/2008. Dentre os assuntos discutidos pelo grupo, houve a não recomendação para utilização da conta vinculada, por considerar que a retenção dos valores, relativos a férias, décimo terceiro e multa sobre o FGTS das faturas das contratadas, seria ilegal, por constituir garantia excessiva à fixada pela Lei de Licitações. 19 Além da questão legal, o grupo de trabalho considerou também que o custo de operacionalização e controle das contas vinculadas seria muito oneroso para a Administração Pública, pois a grande maioria dos órgãos públicos não possuía condições técnicas e administrativas para executar as operações referentes à conta vinculada, em razão dos cálculos complexos e da rotatividade dos funcionários terceirizados, além do que, a adoção desse procedimento representaria interferência direta da Administração Pública na gestão da empresa contratada. Concluiu, então, o TCU que em razão da boa prática de gestão e os princípios do controle, que preconizam que “o custo do controle não deve exceder aos benefícios que dele decorram", não seria recomendável a utilização da conta vinculada, conforme previsão contida na IN nº 2/2008, alterada pela IN nº 3/2009. ACORDÃO TCU Nº 1214-17/2013 – Plenário I.g – Conta vinculada 68. Além do rol de documentos fixados na IN/SLTI/MP nº 02/2008, um novo procedimento, com o objetivo de resguardar o Erário, está sendo introduzido na contratação de empresas terceirizadas pela Administração Pública: a retenção dos valores relativos a férias, décimo terceiro e multa sobre o FGTS, das faturas das contratadas, conforme orientação da Instrução Normativa mencionada. 69. A respeito desse procedimento, cumpre destacar que o TCU já se manifestou sobre a questão, conforme Acórdãos nos 1937/2009-2ª Câmara e 4.720/2009-2ª Câmara. Na primeira oportunidade, orientou o Banco do Brasil a respeito da pertinência de se reter parte das faturas como garantia de pagamento de verbas trabalhistas. Na segunda, em grau de pedido de reexame interposto pela instituição bancária, o TCU compreendeu que a retenção desses valores é ilegal, pois constitui garantia excessiva àquela fixada pela Lei nº 8.666/1993. 70. Além do aspecto legal do problema, há que se considerar que o processo de operacionalização dessas contas representa acréscimos ainda maiores aos custos de controle dos contratos terceirizados, pois são milhares de contas com infindáveis operações a serem realizadas. Os riscos são altos, especialmente para os servidores responsáveis por essas tarefas – é comum que os fiscais dos contratos não possuam os conhecimentos do sistema bancários necessários para o desempenho dessa atribuição. 71. Por outro lado, o representante do Ministério da Fazenda no Grupo de Estudos acentuou que a operacionalização desse procedimento é simples. Segundo informa, os valores retidos são liberados sempre que a empresa demonstra que realizou algum pagamento com base nas parcelas que originaram a retenção, sem entrar em detalhes a respeito da fidedignidade dos cálculos realizados. 72. Há que se considerar que, além do controle sobre cada uma dessas contas, a adoção desse procedimento representa interferência direta da Administração na gestão da empresa contratada. Sendo assim, nos parece que contribui ainda mais para que a Justiça do Trabalho mantenha o entendimento de que a União é responsável subsidiária pelas contribuições previdenciárias, FGTS e demais verbas trabalhistas. 73. Por todo o exposto, o Grupo de Estudos conclui que a gestão dos contratos deve ser realizada da forma menos onerosa possível para o erário; compatível com os conhecimentos dos fiscais desses contratos; com critérios estatísticos e focados em atos que tenham impactos significativos sobre o contrato e não sobre erros esporádicos no pagamento de alguma vantagem. Nesse sentido, a utilização da conta bancária vinculada prevista na IN/SLTI/MP Nº 2/2008 não é indicada. 3.2.5 Parecer nº 73/2013/DECOR/CGU/AGU – Licitude da conta vinculada Todavia, a Advocacia-Geral da União (AGU) por meio do Parecer nº 73/2013/DECOR/CGU/AGU, aprovado pelo Consultor-Geral da União em 10/12/2013, considerou imprescindível que a conta vinculada fosse prevista de forma expressa nos editais e contratos de fornecimento de mão de obra terceirizada, por entender que seria um mecanismo lícito e apto a contribuir para o afastamento da responsabilidade subsidiária no âmbito da Administração Pública Federal: PARECER Nº 73/2013/DECOR/CGU/AGU DIREITO ADMINISTRATIVO E DIREITO DO TRABALHO. LICITAÇÕES E CONTRATOS DE TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO PODER PÚBLICO PELO INADIMPLEMENTO DE VERBAS TRABALHISTAS A CARGO DA EMPRESA INTERPOSTA. JULGAMENTO DA ADC No 16/DF E NOVA REDAÇÃO DO ENUNCIADO No 331, DA SÚMULA DO EG. TST. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE CULPA IN ELlGENDO OU IN VIGILANDO. LICITUDE DOS INSTITUTOS 20 DA CONTA VINCULADA E DO PAGAMENTO DIRETO, PRECONIZADOS NO ART. 19-A, DA IN SLTI/MP Nº 2/2008. MECANISMOS QUE CONTRIBUEM PARA AFASTAR A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA UNIÃO, SUAS AUTARQUIAS E FUNDAÇÕES. DETERMINAÇÕES CONTIDAS NO ACÓRDÃO Nº 1214/2013 – TCU – PLENÁRIO. PREVISÃO OBRIGATÓRIA NOS EDITAIS E CONTRATOS. MEDIDAS A SEREM ADOTADAS PELAS UNIDADES CONSULTIVAS DA AGU JUNTO A SEUS ASSESSORADOS PARA EVITAR A RESPONSABILlZAÇÃO FULCRADA NO REFERIDO ENTENDIMENTO SUMULADO. I – Em face do decidido no julgamento da ADC nº 16/DF e da nova redação conferida ao Enunciado nº 331, da Súmula do eg. TST, é atualmente necessário que se comprove a culpa in eligendo ou in vigilando do Poder Público para que se possa responsabilizá-lo subsidiariamente pelo inadimplemento de verbas trabalhistas a cargo de empresa de terceirização de mão de obra por ele contratada; II – Constituem mecanismos lícitos e aptos a contribuir sobremaneira para o afastamento da sobredita responsabilidade subsidiária no âmbito da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional os institutos da conta vinculada e do pagamento direto, hospedados no art. 19-A, I e IV, da IN SLTI/MP no 2/2008, considerando- se, por isso mesmo, imprescindível sua expressa previsão nos editais e contratos de fornecimento de mão de obra terceirizada; III – Visando a evitar que a União e seus entes sejam condenados com fulcro no Enunciado nº 331, da Súmula do eg. TST, as unidades consultivas da AGU deverão orientar seus assessorados a observar rigorosamenteos ditames da IN SLTI/MP nº 2/2008 e as determinações expedidas no Acórdão nº 1214/2013 – TCU – Plenário, não só realizando efetiva fiscalização da execução dos contratos de fornecimento de mão de obra terceirizada, mas também documentando todos os atos praticados no exercício desse dever-poder, e, em conjunto com as unidades contenciosas, realizar encontros em que seja esclarecida a necessidade de elidir a responsabilização trabalhista subsidiária do ente público e apresentados os meios adequados para alcançar esse propósito. O entendimento da AGU foi de que a conta vinculada não equivale a um fundo de reserva e, por conseguinte, não representa uma garantia imprevista na legislação, o que a tornaria inexigível, mas uma forma diferenciada de pagamento, na qual os valores que se destinam ao pagamento de 13º salário, férias e rescisão contratual aos trabalhadores terceirizados são separados, pelo ente público contratante, dos valores de outras verbas trabalhistas e, depositados em uma conta bancária distinta, que só poderá ser movimentada pela empresa contratada quando da ocorrência dos eventos previstos nas alíneas “a” e “b” do inciso I do artigo 19-A da IN nº 2/2008. 3.2.6 IN nº 2/2008 (alterada pela IN 6/2013) obrigatoriedade da conta vinculada Em acolhimento ao Acórdão nº 1.214/2013 do TCU, o Ministério do Planejamento editou, em 23/12/2013, a Instrução Normativa nº 6/2013, alterando a IN nº 2/2008 para incluir em seu texto as recomendações do TCU. Não obstante a manifestação e recomendação do TCU pela não utilização da conta vinculada, o Ministério do Planejamento julgou pertinente a continuidade de utilização da ferramenta, e, ao editar a IN nº 6/2013, não só manteve a conta vinculada, como ajustou a redação do dispositivo: modificou a possibilidade de utilização para uma obrigação de utilização da conta vinculada. Entretanto, fez constar no Art. 19-A, § 2º, a possibilidade de não utilização da conta vinculada, desde que devidamente comprovada e justificada a sua inviabilidade. IN Nº 6/2013 – alterou a IN nº 2/2008 “Art. 19-A. O edital deverá conter ainda as seguintes regras para a garantia do cumprimento das obrigações trabalhistas nas contratações de serviços continuados com dedicação exclusiva de mão de obra: I – previsão de provisionamento de valores para o pagamento das férias, 13o (décimo terceiro) salário e verbas rescisórias aos trabalhadores da contratada, que serão depositados pela Administração em conta vinculada específica, conforme o disposto no Anexo VII desta Instrução Normativa; [...] § 2o Os casos de comprovada inviabilidade de utilização da conta vinculada deverão ser justificados pela autoridade competente. 21 3.2.7 Acórdão TCU nº 2328/2015 – estudo custo-benefício da conta vinculada O próprio TCU se manifestou posteriormente quanto à necessidade de avaliação do custo-benefício na utilização da conta vinculada e recomendou à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI/MPOG) que reavaliasse a obrigatoriedade de utilização da conta vinculada. ACORDÃO TCU Nº 2328- 37/2015 – Plenário 9.1. recomendar, com fundamento no art. 43, inciso I, da Lei no 8.443/1992, c/c o art. 250, inciso III, do RI/TCU, à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI/MP) que: [...] 9.1.2. elabore estudo de avaliação de custo-benefício e de riscos relacionados à utilização da conta vinculada e, com base nos resultados obtidos, verifique as possibilidades de manter, ou não, o procedimento e de prever a adoção de outras formas de controle, como, por exemplo, aquelas suscitadas no Acórdão 1.214/2013-Plenário; VOTO [...] V.2 – Utilização da Conta Vinculada 52. A conta vinculada consiste em instrumento de controle utilizado para retenção dos valores relativos a férias, décimo terceiro e multa sobre o FGTS, das faturas das empresas de terceirização de serviços, com liberação das quantias após comprovação de adimplemento das respectivas obrigações pela contratada. Tal procedimento visa a resguardar a União, na condição de responsável subsidiária, em caso de não recolhimento das parcelas trabalhistas pelas empresas. No âmbito da APF, a obrigatoriedade de adoção da conta vinculada encontra- se prevista no art. 1º da Resolução/CNJ 169/2013 e no art. 19-A, inciso I, da IN/SLTI 2/2008. 53. Quando da prolação do Acórdão 1.214/2013-Plenário, foi levantada questão no sentido de que o procedimento possa se constituir em prática excessivamente onerosa em confronto com outras formas de fiscalização, tendo em vista dificuldades para operacionalizar o controle da conta vinculada, especialmente dificuldades no cálculo de valores a serem liberados, e ações judiciais relativas a outros contratos que bloqueiam os recursos depositados. Todavia, não houve a formulação de providência específica sobre o assunto. 54. Neste trabalho, a equipe retomou a questão para argumentar que esse mecanismo deveria ser submetido a avaliação de risco e de custo-benefício em face de indícios de onerosidade em sua aplicação. Consequentemente, foi proposto recomendar à SLTI que reavaliasse a obrigação da utilização da conta vinculada, levando em consideração o custo do procedimento e outras alternativas de fiscalização suscitadas pelo Acórdão 1.214/2013-Plenário (combinação de controles, amostragem, supervisão, etc.). 55. Em sua manifestação, a SLTI informou que está em processo de revisão o normativo que trata da contratação dos serviços terceirizados, com avaliação da possibilidade de definir as situações passíveis, ou não, de adoção da referida conta, em conjunto com a inclusão de requisitos mais rigorosos na qualificação técnica e econômico-financeira. 56. Segundo avalio, a questão da utilização realmente precisa ser estudada com maior profundidade. De fato, há indícios de que, em determinadas situações, o procedimento possa se afigurar oneroso. Todavia, há que se admitir que podem ocorrer outras situações em que o procedimento seja o mais apropriado, considerando os recursos humanos disponíveis e as condições específicas de cada contratação. De todo modo, não se pode esquecer que a conta vinculada oferece ao gestor segurança no gerenciamento do contrato, assegurando que ele não será responsabilizado e a Administração não será onerada, caso a empresa contratada não honre com suas obrigações trabalhistas. 57. Em vista da intenção da SLTI de revisar as normas a respeito do tema, penso que se possa alterar a proposta da equipe no sentido de formular recomendação para que a unidade jurisdicionada elabore estudo de avaliação de custo-benefício e de riscos relacionados à utilização da conta vinculada e, com base nos resultados obtidos, verifique as possibilidades de manter, ou não, o procedimento e de prever a adoção de outras formas de controle, como, por exemplo, aquelas suscitadas no Acórdão 1.214/2013-Plenário. 3.2.8 IN nº 5/2017 (revogou a IN nº 2/2008) – inclusão pagamento pelo fato gerador Após reestruturação ocorrida em 2017 no Governo Federal, com consequente alteração da estrutura do então Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MP), a competência para as atividades de gestão dos recursos de logística sustentável passou a ser da Secretaria de Gestão – SEGES/MP, a qual efetuou uma revisão da IN nº 2/2008, culminando, em 26/5/2017, na edição da Instrução Normativa nº 5/2017, que revogou a IN nº 2/2008 e renovou a possibilidade de utilização da conta-depósito vinculada – bloqueada para movimentação. 22 Esta nova IN assim tratou sobre o gerenciamento de riscos referentes à responsabilidade solidária e subsidiária da Administração Pública nos contratos de terceirização: IN Nº 5/2017 Art. 18. Para as contratações de que trata o art. 17, o procedimento sobre Gerenciamento de Riscos, conforme especificado nos arts. 25 e 26, obrigatoriamente contemplará o risco de descumprimento das obrigações trabalhistas, previdenciárias e com FGTS da contratada. § 1º Parao tratamento dos riscos previstos no caput, poderão ser adotados os seguintes controles internos: I – Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação, conforme disposto em Caderno de Logística, elaborado pela Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão; ou II – Pagamento pelo Fato Gerador, conforme disposto em Caderno de Logística, elaborado pela Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. § 2º A adoção de um dos critérios previstos nos incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser justificada com base na avaliação da relação custo-benefício. § 3º Só será admitida a adoção do Pagamento pelo Fato Gerador após a publicação do Caderno de Logística a que faz referência o inciso II do § 1º deste artigo. § 4º Os procedimentos de que tratam os incisos do § 1º deste artigo estão disciplinados no item 1 do Anexo VII-B. O item 1 do Anexo VII-B da IN nº 5/2017 trouxe dois mecanismos de controle interno para mitigar o risco de descumprimento das obrigações previdenciárias, trabalhistas e com o FGTS pela contratada, quais sejam: Conta-Depósito Vinculada – bloqueada para movimentação e Pagamento pelo Fato Gerador, devendo a Administração escolher um dos dois mecanismos para fazer constar as regras do procedimento escolhido no edital do procedimento licitatório. A escolha de um dos mecanismos deverá ser justificada pela Administração com base na avaliação da relação custo-benefício. Apesar disso, a própria IN nº 5/2017 trouxe um efeito suspensivo à aplicação do mecanismo de controle “Pagamento pelo Fato Gerador”, pois condicionou a sua utilização à publicação do Caderno de Logística. A publicação do mencionado caderno somente ocorreu em 7/11/2018. ANEXO VII-B – DIRETRIZES ESPECÍFICAS PARA ELABORAÇÃO DO ATO CONVOCATÓRIO 1. Dos mecanismos de controle interno: 1.1. Para atendimento do disposto no art. 18, o ato convocatório deverá conter uma das seguintes regras: a) Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação; ou b) Pagamento pelo Fato Gerador; 1.1.1.A adoção do Pagamento pelo Fato Gerador só é admitida após publicação do Caderno de Logística a que faz referência o inciso II do § 1° do art. 18, desta Instrução Normativa. 1.2. No caso da Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação, os órgãos e entidades deverão adotar: a) provisionamento de valores para o pagamento das férias, 13º (décimo terceiro) salário e verbas rescisórias aos trabalhadores da contratada, que serão depositados pela Administração em Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação, conforme Anexos XII e XII-A; b) previsão de que o pagamento dos salários dos empregados pela empresa contratada deverá ser feito por depósito bancário, na conta dos empregados, em agências situadas na localidade ou região metropolitana em que ocorre a prestação dos serviços; c) a obrigação da contratada de, no momento da assinatura do contrato, autorizar a Administração contratante a reter, a qualquer tempo, a garantia na forma prevista no subitem 3.1 do Anexo VII-F desta Instrução Normativa; d) a obrigação da contratada de, no momento da assinatura do contrato, autorizar a Administração contratante a fazer o desconto nas faturas e realizar os pagamentos dos salários e demais verbas trabalhistas diretamente aos trabalhadores bem como das contribuições previdenciárias e do FGTS, quando estes não forem adimplidos; e) disposição prevendo que a contratada deverá viabilizar, no prazo de 60 (sessenta) dias, contados do início da prestação dos serviços, a emissão do Cartão Cidadão expedido pela Caixa Econômica Federal para todos os empregados; 23 f) disposição prevendo que a contratada deverá viabilizar, no prazo de 60 (sessenta) dias, contados do início da prestação dos serviços, o acesso de seus empregados, via internet, por meio de senha própria, ao sistema da Previdência Social, com o objetivo de verificar se as suas contribuições previdenciárias foram recolhidas; g) disposição prevendo que a contratada deverá oferecer todos os meios necessários aos seus empregados para obtenção de extrato de recolhimento sempre que solicitado pela fiscalização. 1.3. Quando não for possível a realização dos pagamentos a que se refere o item “d” do subitem 1.2 acima pela própria Administração, esses valores retidos cautelarmente serão depositados junto à Justiça do Trabalho, com o objetivo de serem utilizados exclusivamente no pagamento de salários e das demais verbas trabalhistas bem como das contribuições sociais e FGTS. 1.4. Em caso de impossibilidade de cumprimento do disposto no item “b” do subitem 1.2 acima, a contratada deverá apresentar justificativa, a fim de que a Administração possa verificar a realização do pagamento. 1.5. Os valores provisionados na forma do item “a” do subitem 1.2 acima, somente serão liberados nas seguintes condições: a) parcial e anualmente, pelo valor correspondente ao 13º (décimo terceiro) salário dos empregados vinculados ao contrato, quando devido; b) parcialmente, pelo valor correspondente às férias e a 1/3 (um terço) de férias previsto na Constituição, quando do gozo de férias pelos empregados vinculados ao contrato; c) parcialmente, pelo valor correspondente ao 13º (décimo terceiro) salário proporcional, às férias proporcionais e à indenização compensatória porventura devida sobre o FGTS, quando da dispensa de empregado vinculado ao contrato; e d) ao final da vigência do contrato, para o pagamento das verbas rescisórias. 1.6. O saldo existente na Conta-Depósito Vinculada ― bloqueada para movimentação apenas será liberado com a execução completa do contrato, após a comprovação, por parte da empresa, da quitação de todos os encargos trabalhistas e previdenciários relativos ao serviço contratado. 1.7. No caso do Pagamento pelo Fato Gerador, os órgãos e entidades deverão adotar os seguintes procedimentos: a) Serão objeto de pagamento mensal pela Administração à contratada, a depender da especificidade da contratação, o somatório dos seguintes módulos que compõem a planilha de custos e formação de preços, disposta no Anexo VII – D: 1. Módulo 1: Composição da Remuneração; 2. Submódulo 2.2: Encargos Previdenciários e FGTS; 3. Submódulo 2.3: Benefícios Mensais e Diários; 4. Submódulo 4.2: Intrajornada; 5. Módulo 5: Insumos; e 6. Módulo 6: Custos Indiretos, Tributos e Lucro (CITL), que será calculado tendo por base as alíneas acima. b) Os valores referentes a férias, 1/3 (um terço) de férias previsto na Constituição, 13º (décimo terceiro) salários, ausências legais, verbas rescisórias, devidos aos trabalhadores bem como outros de evento futuro e incerto não serão parte integrante dos pagamentos mensais à contratada, devendo ser pagos pela Administração à contratada somente na ocorrência do seu fato gerador; c) As verbas discriminadas na forma da alínea “b” acima somente serão liberadas nas seguintes condições: c.1. pelo valor correspondente ao 13º (décimo terceiro) salário dos empregados vinculados ao contrato, quando devido; c.2. pelo valor correspondente às férias e a 1/3 (um terço) de férias previsto na Constituição, quando do gozo de férias pelos empregados vinculados ao contrato; c.3. pelo valor correspondente ao 13º (décimo terceiro) salário proporcional, férias proporcionais e à indenização compensatória porventura devida sobre o FGTS, quando da dispensa de empregado vinculado ao contrato; c.4. pelos valores correspondentes às ausências legais efetivamente ocorridas dos empregados vinculados ao contrato; e c.5. outras de evento futuro e incerto, após efetivamente ocorridas, pelos seus valores correspondentes. 24 1.8. A não ocorrência dos fatos geradores discriminados na alínea “b” acima não gera direito adquirido para a contratada das referidas verbas ao final da vigência do contrato, devendo o pagamento seguir as regras previstas no instrumento contratual e anexos.Como o órgão que expediu a IN nº 5/2017 é da estrutura do Poder Executivo Federal, comumente questiona-se: “A área administrativa dos órgãos e entidades dos demais Poderes da União, dos Estados e dos Municípios está obrigada a observar as prescrições dessa Instrução Normativa? Apesar de os órgãos e as entidades dos Poderes Legislativo e Judiciário da União Federal, do Ministério Público bem como dos demais entes federados (Estados, DF e Municípios) poderem ter normas próprias, é recomendável que, na inexistência de norma interna, ou lacuna na norma existente, tais órgãos e entidades adotem e apliquem as disposições das instruções normativas emanadas do MP. Não obstante, no âmbito do Distrito Federal, foi editado, em 15 de março de 2018, o Decreto nº 38.934 que determinou a adoção da IN nº 5/2017: DECRETO DF Nº 38.934, DE 15 DE MARÇO DE 2018 Art. 1º Aplicam-se às contratações de serviços, continuados ou não, no âmbito da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal, no que couber, as disposições da Instrução Normativa nº 5, de 25 de maio de 2017, da Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Art. 2º Os contratos formalizados anteriormente à publicação deste Decreto e que não se conformem com o disposto no Anexo VI-B da Instrução Normativa de que trata o artigo anterior, podem ser renovados em conformidade com as regras editalícias e a legislação de regência. Art. 3º Este Decreto entra em vigor 90 dias após a data de sua publicação. Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário, em especial o Decreto nº 36.063, de 26 de novembro de 2014. Pelo que parece, todo esse imbróglio acerca da utilização ou não da conta vinculada pelo Poder Público Federal ainda está longe de ser resolvido. Enquanto isso, esse instrumento continua sendo utilizado pelo Poder Judiciário Federal e por vários órgãos públicos. Observa-se que a conta vinculada na área federal não é regulamentada por lei em sentido estrito, pois não existe uma lei emanada do Poder Legislativo disciplinando a matéria. A conta vinculada é regulamentada por uma Instrução Normativa do Ministério do Planejamento e uma Resolução do CNJ, esta para o âmbito do Poder Judiciário. 3.3 Legislação da conta vinculada no âmbito do Distrito Federal Diferentemente da esfera federal, no Distrito Federal a conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação foi criada pela Lei Distrital nº 4.436, de 23 de agosto de 2011 (alterada pela Lei Distrital nº 5.313/2014) e regulamentada pelo Decreto Distrital nº 34.649, de 10 de setembro de 2013 (alterado pelo Decreto Distrital nº 36.164/2014). 3.3.1 A Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 4831-DF Em 10 de agosto de 2012, a Lei Distrital nº 4.636/2011 foi objeto de ação direita de inconstitucionalidade – ADI 4831 – DF, proposta pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A autora da ADI alegou que o diploma legal violava o disposto no artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal de 1988 – CF/88, que somente permitiria nos processos de licitação, o estabelecimento das exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. Além disso, a requerente sustentou que a lei distrital em exame ofendia a competência da União para dispor sobre normas gerais em matéria de licitação e contratação, prevista no artigo 22, inciso XXVII, da CF/88. 25 A Relatora da ADI, Ministra Rosa Weber, solicitou informações à Câmara Legislativa do Distrito Federal e ao Governador do DF bem como determinou a oitiva do Advogado Geral da União (AGU) e do Procurador Geral da República (PGR). Tanto o AGU quanto o PGR manifestaram-se pela improcedência do pedido da requerente, sugerindo a declaração de constitucionalidade da Lei nº 4.636/2011 – DF. O AGU defendeu a compatibilidade do diploma legal impugnado com os parâmetros constitucionais mencionados pela requerente, uma vez que a competência legislativa da União se restringe à definição de normas gerais sobre licitação e contratação, sendo permitido, por consequência, aos Estados-membros, ao Distrito Federal e aos Municípios a edição de normas específicas sobre o assunto, para adaptar a legislação federal às suas realidades locais. Quanto ao exercício de referida competência legislativa pelo Distrito Federal, destacou o AGU, “compatibiliza-se com a autonomia conferida a esse ente pelo artigo 32, caput e § 1o, da Carta Maior, que lhe assegura a capacidade de autolegislação”. Quanto à ofensa ao artigo 37, XXI da CF/88, alegada pelo autor, o AGU concluiu que a Lei Distrital não contempla requisito de ordem econômica para a participação no processo licitatório, mas apenas prevê forma de remuneração dos contratos, que contribui para evitar a responsabilização da Administração Pública quanto aos encargos trabalhistas devidos pelas empresas contratadas. A ADI 4831- DF ainda não foi julgada pelo STF, e o processo encontra-se concluso à Relatora, desde 29/4/2016. 3.3.2 Decisão TCDF Nº 3209/2017 Em abril de 2016, o TCDF realizou auditoria cujo o objeto abrangeu os contratos de prestação de serviços continuados, no âmbito da Administração Direta e Indireta do Distrito Federal, referente à fiscalização da Administração Pública quanto aos encargos trabalhistas devidos pelas contratadas. Um dos objetivos da auditoria foi avaliar a suficiência das medidas adotadas pelo GDF para mitigar a responsabilidade subsidiária da Administração Pública prevista na Súmula 331 do TST, em relação aos contratos de prestação de serviços continuados no âmbito dos órgãos e entidades do Distrito Federal. A equipe de auditoria do TCDF constatou que, em contraposição ao disposto na Lei Distrital nº 4.636/2011, regulamentada pelo Decreto Distrital nº 34.649/2013, “nenhum ente da Administração Direta e Indireta do DF firmou Acordo de Cooperação Técnica com o BRB, com vistas a operacionalizar as contas vinculadas para retenção dos encargos trabalhistas devidos pelas empresas contratadas para prestação de serviços continuados”, ou seja, não havia contas vinculadas em funcionamento no complexo administrativo distrital, embora a regulamentação do decreto supracitado tenha iniciado sua vigência em 9/12/2013, possibilitando que os recursos pagos pelo poder público distrital, relativos aos encargos trabalhistas, fossem utilizados pelas contratadas para fim diverso. Em razão do Relatório Final de Auditoria, o Plenário do TCDF, em 6/7/2017, proferiu a Decisão nº 3.209/2017, na qual estabeleceu prazo para que o BRB e todo o complexo administrativo do DF adotassem providências para a imediata operacionalização de contas vinculadas aos contratos de terceirização, visando dar cumprimento à Lei Distrital nº 4.636/2011. DECISÃO TCDF Nº 3.209/2017 [...] II – determinar: a) ao Banco de Brasília S.A. (BRB) que: 1) no prazo de 90 (noventa) dias, adote providências para a imediata operacionalização de contas vinculadas para provisionar os encargos trabalhistas dos contratos de prestação de serviços continuados firmados pelo Complexo Administrativo do Distrito Federal, nos termos do Decreto nº 34.649/2013, informando a esta Corte as medidas adotadas e/ou em curso, no mesmo prazo (Achado 01); 2) informar a todo o complexo administrativo do Distrito Federal o cumprimento do item 1 acima, imediatamente após a operacionalização demandada; 26 b) ao Complexo Administrativo do Distrito Federal que: 1) no prazo de 60 (sessenta) dias, a contar do efetivo cumprimento da diligência constante do item “II-a-2” pelo Banco de Brasília S.A. (BRB), adotem providências com vistas à formalização de Acordo de Cooperação Técnica com o BRB, com o objetivo de operacionalizar as contas vinculadas para provisão de encargos trabalhistas, informando as medidas adotadas e/ou em curso (Achado 01), enviando a esta Corte a documentação comprobatória;2) doravante façam constar da rotina de fiscalização de contratos de prestação de serviços continuados com dedicação de mão de obra exclusiva, procedimentos documentados de controle do cumprimento de obrigações trabalhistas pelos contratados previstos na IN nº 02/2008-SLTI/MPOG, recepcionada pelo Distrito Federal pelo Decreto Distrital nº 36.063/2014, especialmente no diz respeito ao Anexo IV, desde a assinatura do contrato, ou de sua renovação, até sua extinção ou rescisão (Achado 02); 3) inclua nas próximas contratações bem como nas prorrogações de contratos vigentes, no termo de contrato ou em seus aditivos cláusulas relativas à retenção provisória e mensal de provisões trabalhistas em conta vinculada aberta no BRB, em atenção ao parágrafo único do art. 1º do Decreto Distrital nº 34.649/2013 (Achado 01); III – recomendar: a) à Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) que, no âmbito de suas competências, inclua nas tomadas e prestações de contas anuais dos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta do Distrito Federal o exame dos mecanismos de controle destinados a mitigar a responsabilidade subsidiária da Administração Pública distrital nos contratos para prestação de serviços continuados com exclusividade de mão de obra, em atenção ao Decreto Distrital nº 36.063/2014 e à IN nº 02/2008-SLTI/MPOG (Achado 2); 4 CONTA VINCULADA NO ÂMBITO DO DISTRITO FEDERAL A partir desse ponto da apostila, serão abordados os procedimentos visando à implantação e operacionalização da conta vinculada no âmbito do Distrito Federal, com base na Lei nº 4.636/ 2011, alterada pela Lei nº 5.313/2014 e no Decreto nº 34.649/2013, alterado pelo Decreto nº 36.164/2014, anexos ao final da apostila. 4.1 O que é a conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação? A conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação, aqui chamada somente de conta vinculada, é um instrumento de gestão e gerenciamento de riscos para as contratações de serviços continuados com dedicação exclusiva de mão de obra pela Administração Pública, contribuindo para assegurar os recursos necessários ao cumprimento das obrigações sociais e trabalhistas, em caso de inadimplemento da contratada. O principal objetivo da conta vinculada é garantir a existência de recursos financeiros para fazer face à parte significativa dos encargos e direitos trabalhistas dos empregados terceirizados em atividade no Poder Público do Distrito Federal. 4.2 Depósitos A empresa contratada em vez de receber o valor total mensal previsto contratualmente, terá destacado, desse montante, rubricas relativas a alguns encargos trabalhistas, que serão depositados na conta vinculada. A conta vinculada é destinada exclusivamente à provisão de valores referentes às rubricas para pagamento de férias, abono de férias, 13º salário, multa do FGTS e encargos sociais sobre férias e 13º salário dos trabalhadores da empresa contratada, que se encontram alocados no órgão. A conta vinculada é aberta em nome da contratada e as verbas depositadas pertencem à empresa. Contudo, a contratada não poderá movimentar o dinheiro sem autorização da Administração contratante.8 8 VIANNA, Flavia Daniel. Contratos administrativos de serviços continuados com dedicação exclusiva de mão de obra e a “conta-depósito vinculada – bloqueada para movimentação”. Fórum de Contratação e Gestão Pública – FCGP, Belo Horizonte, ano 15, n. 177, p. 34-36, set. 2016. 27 Cabe destacar que os valores destinados a essa conta referem-se à despesa pública incorrida, uma vez que a conta é de titularidade da contratada para execução de serviços terceirizados, sendo que a remuneração financeira dos valores depositados, ao final da vigência do contrato administrativo, pertencerá legitimamente à prestadora dos serviços. 4.3 Saques/Liberações Os recursos provisionados na conta vinculada ficam resguardados e somente serão liberados com expressa autorização do órgão contratante, nas seguintes hipóteses: 1) para pagamento de verbas trabalhistas referentes às férias e 13º salário dos terceirizados; 2) para pagamento dos encargos sociais sobre férias e 13º salário; 3) para pagamento de verbas rescisórias, inclusive a multa do FGTS por demissão sem justa causa, em caso de desligamento de trabalhadores alocados no órgão; ou 4) ao final da vigência do contrato administrativo. A autorização da Administração para saque/liberação de valores da conta vinculada somente ocorrerá com a apresentação dos documentos comprobatórios da ocorrência das obrigações trabalhistas ou sociais pela empresa contratada. 4.4 Aspecto positivo e aspectos negativos para utilização de conta vinculada O aspecto positivo para utilização da conta vinculada pela Administração Pública é a segurança que este instrumento oferece ao gestor de contratos de terceirização, pois assegura que a Administração não será onerada, caso a empresa contratada não honre com as suas obrigações trabalhistas e previdenciárias. Quanto aos aspectos negativos, trazidos pelo grupo de trabalho coordenado pelo TCU, em que culminou o Acórdão 1.214/2013, são os seguintes: 1) Custo de transação: cálculos das retenções e das liberações de valores retidos; extensa documentação para conferência, que demanda considerável esforço dos servidores; e falta de servidores qualificados nos diversos órgãos para efetuar os cálculos necessários e conferência de documentação trabalhista e previdenciária; 2) Ações judiciais relativas a outros contratos que bloqueiam os recursos depositados, ocasionando a ineficácia do dispositivo. 4.5 Bloqueio judicial Apesar de constar no nome da conta vinculada “bloqueada para movimentação”, este bloqueio se refere apenas à impossibilidade de a empresa contratada, titular da conta, efetuar saques nesta conta corrente, pois as liberações somente serão efetuadas com a autorização da contratante. Esta conta também não permite outros tipos de depósito. Apesar de informação do BRB de que esta conta não está sujeita a bloqueios judiciais, não há segurança absoluta de que esta conta está totalmente isenta de sofrer bloqueios pela justiça do trabalho, para pagamento de reclamações trabalhistas da empresa contratada, principalmente em relação a trabalhadores de outros contratos, prejudicando a eficácia desse mecanismo de controle. Na esfera federal, as contas vinculadas, administradas pelo Banco do Brasil (BB), eram objeto de bloqueios da justiça do trabalho, inclusive via BACEN-JUD, prejudicando a finalidade da conta vinculada aberta pelo órgão contratante. Com o objetivo de trazer maior segurança para as contas vinculadas aos contratos de terceirização, em novembro/2013, o BB criou uma conta específica, que não é visualizada no BANCEN-JUD, denominada “Depósito em Garantia”, substituindo a antiga conta vinculada. 28 5 PLANEJAMENTO PARA IMPLANTAÇÃO DE CONTA VINCULADA 5.1 Providências preliminares para a implantação de conta vinculada Para a implantação e operacionalização das contas vinculadas aos contratos de terceirização, há necessidade de providências preliminares pelos órgãos contratantes, visando a sua efetiva utilização. Dentre as providências, temos as seguintes: a) Formalizar Acordo de Cooperação Técnica com instituição financeira; b) Designar as unidades administrativas responsáveis pela gestão e controle das contas vinculadas; c) Estabelecer e prever em ato convocatório as diretrizes específicas quanto ao funcionamento da conta vinculada. 5.1.1 Acordo de Cooperação Técnica com o BRB O primeiro passo para a implantação das contas vinculadas é a formalização do Acordo de Cooperação Técnica com uma instituição financeira. Em razão do que consta no artigo 7º do Decreto nº 34.649/2013, os órgãos públicos do DF deverão formalizar esse Acordo de Cooperação Técnica com o Banco de Brasília (BRB), pormeio de minuta- padrão fornecida pelo BRB, anexa ao final da apostila. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 7º Os órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal deverão formalizar Acordo de Cooperação Técnica com o BRB, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da publicação deste Decreto, para sua operacionalização. 5.1.2 Designação de unidades administrativas para gestão das contas vinculadas Há necessidade de os órgãos designarem as unidades administrativas que farão a gestão e o controle da conta vinculada, estabelecendo as rotinas e fluxo operacional para: as retenções mensais; as conferências mensais de saldo; as liberações parciais com a apuração de valores e conferência de documentação; e a liberação do saldo ao encerramento do contrato. 5.1.3 Disposições obrigatórias no edital e no contrato administrativo Há necessidade de fazer constar nos editais licitatórios e nos contratos de prestação de serviço continuados, com cessão de mão de obra, cláusulas relativas à operacionalização da conta vinculada, conforme diretrizes constantes na Lei nº 4.636/2011e Decreto nº 34.649/2013. Deverão ser incluídas informações sobre: a) Procedimentos para abertura da conta vinculada junto ao BRB; b) Despesas para abertura e manutenção da conta vinculada; c) As rubricas e valores que serão retidos e destinados à conta vinculada; d) Procedimentos para liberação de valores durante a execução do contrato; e e) Providências para liberação do saldo da conta vinculada quando do encerramento do contrato. 5.2 Encargos trabalhistas e sociais que são objeto de provisão Os encargos sociais e trabalhistas que deverão ser objeto de provisão e depositados na conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação são: 13º salário; férias e abono de férias (1/3 constitucional); encargos sociais sobre 13º salário e férias; e multa do FGTS, conforme previsão contida no artigo 2º do Decreto nº 34.649/2013: DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 2º Para os fins deste Decreto são consideradas as seguintes provisões trabalhistas: I – 13º salário; II – férias e abono de férias; III – impacto sobre férias e 13º salário; e IV – multa do FGTS. 29 Cada um desses encargos será analisado detalhadamente nos itens 8 e 9 desta apostila, oportunidade em que se abordará a origem legal, a metodologia de cálculo, os dispositivos relevantes e questões controversas sobre os encargos. Também será apresentada, nos itens 13, 15 e 16 desta apostila, a documentação hábil para comprovar o adimplemento desses encargos, com destaque para o que se deve conferir. O conhecimento dessa documentação é fundamental tanto para os servidores que atuam no gerenciamento da conta vinculada, quanto na fiscalização dos contratos de terceirização. 6 IMPLEMENTAÇÃO DE CONTA VINCULADA Após a homologação do procedimento licitatório referente à contratação de empresa para prestação de serviços continuados com cessão de mão de obra, e a adjudicação do objeto à empresa vencedora do certame, o órgão deverá adotar providências necessárias à implementação da conta vinculada ao contrato de terceirização. 6.1 Abertura de conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação A abertura da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação deverá ser solicitada pelo órgão contratante, mediante ofício direcionado ao BRB, antes da assinatura do contrato de prestação de serviços, de acordo com o artigo 7º da Lei Distrital nº 4.636/2011. Conforme disciplina o artigo 2º, parágrafo único, da mencionada lei, a conta vinculada deverá ser aberta em nome da empresa, unicamente para a finalidade de depósito das provisões sociais e trabalhistas e com movimentação somente por ordem do órgão contratante. No momento da abertura da conta vinculada, a empresa contratada deverá assinar termo específico junto ao BRB, que permita ao órgão contratante ter acesso aos saldos e extratos e vincule a movimentação dos valores depositados à sua autorização. LEI DF Nº 4.636/2011 Art. 2º As provisões de encargos trabalhistas relativas a férias, décimo-terceiro salário e multa do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por dispensa sem justa causa, a serem pagas pelos órgãos e entidades dos Poderes Públicos do Distrito Federal a empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua, serão glosadas do valor mensal do contrato e depositadas exclusivamente em banco público oficial. Parágrafo único. Os depósitos de que trata o caput devem ser efetivados em conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – aberta em nome da empresa, unicamente para essa finalidade e com movimentação somente por ordem do órgão ou entidade contratante. [...] Art. 7º A assinatura do contrato de prestação de serviços entre o órgão contratante e a empresa vencedora do certame será precedida dos seguintes atos: I – solicitação pelo órgão contratante, mediante ofício, de abertura de conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – no nome da empresa, conforme disposto no art. 2º desta Lei, na forma do regulamento; II – assinatura, pela empresa a ser contratada, no ato da regularização da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação –, de termo específico da instituição financeira oficial que permita ao órgão contratante ter acesso aos saldos e extratos e vincule a movimentação dos valores depositados à sua autorização, na forma do regulamento. Conforme artigo 5º do Decreto Distrital nº 34.649/2013, para cada contrato, deverá haver uma conta vinculada equivalente, aberta em nome da empresa. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 5º Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o total mensal pago, sendo que o montante retido representará a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, na forma do anexo deste Decreto. § 1º As provisões retidas do valor mensal do contrato serão depositadas exclusivamente em conta corrente vinculada, aberta em nome da empresa, unicamente para essa finalidade e com movimentação mediante prévia e expressa autorização do órgão ou entidade contratante. 30 § 2º Para cada contrato formalizado com os órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal, haverá uma conta vinculada aberta em nome da empresa. [...] Art. 9º A assinatura ou renovação do contrato de prestação de serviços será precedida de: I – solicitação formal do órgão ou entidade contratante da abertura de conta corrente vinculada, em nome da empresa; II – assinatura pela contratada de termo específico do BRB que permita ao órgão ou entidade contratante ter acesso aos extratos diários e mensais; III – autorização da contratada para que a conta vinculada somente seja movimentada após determinação do órgão ou entidade contratante; Conforme a redação dos dispositivos legais, antes mesmo da assinatura do contrato entre o órgão e a empresa vencedora do certame, o órgão deverá encaminhar ofício solicitando ao BRB a abertura da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação. Em qual agência do BRB a empresa deverá abrir a conta vinculada? Na agência que o órgão escolher ou na agência que a contratada escolher? Conforme consta na minuta do Acordo de Cooperação Técnica do BRB, a agência do BRB para abertura da conta vinculada será a de preferência da empresa contratada, uma vez que a empresa também deverá providenciar nesta agência, além da conta vinculada, a abertura de conta- corrente de relacionamento, na qual será efetuado o pagamento da folha dos seus funcionários, em razão do que consta no artigo 9º, V do Decreto nº 34.649/2013, bem como abertura de contas-salário dos empregados vinculados ao contrato de prestação de serviço, conforme artigo 9º, IV do mesmo Decreto. MINUTA ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA BRB CLÁUSULA TERCEIRA – DO FLUXO OPERACIONAL A abertura, captação e movimentação dos recursos dar-se-ão conforme o fluxo operacional a seguir: I – O Órgão ou Entidade firma o Contratocom a EMPRESA CONTRATADA; II – O Órgão ou Entidade providencia confecção de ofício endereçada ao BRB Banco de Brasília S/A, direcionado ao Gerente Geral da Agência de preferência da EMPRESA CONTRATADA, com o propósito de autorizar a abertura da Conta Vinculada de cada contrato. III – O Banco providencia: a) Abertura da Conta Vinculada; b) Comunicação ao Órgão ou Entidade sobre o número da Conta Vinculada aberta conforme solicitação bem como eventuais rejeições indicando seus motivos; c) Documento autorizativo, de cada EMPRESA CONTRATADA, para que o Órgão ou Entidade tenha acesso aos saldos e extratos de sua conta vinculada para movimentar a conta com a finalidade de pagamento dos encargos previstos na regulamentação da Lei Distrital nº 4.636/2011. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 9º A assinatura ou renovação do contrato de prestação de serviços será precedida de: [...] IV – autorização da contratada para que o BRB somente efetue o pagamento das provisões definidas no art. 2º deste Decreto em conta-salário do trabalhador, aberta no BRB; V – termo de compromisso firmado pela empresa de que os pagamentos de salário e similares serão realizados exclusivamente por meio do BRB. 6.1.1 Fluxo operacional para abertura da conta vinculada 1º) O órgão encaminhará ofício à empresa vencedora da licitação para que providencie a abertura e indique conta-corrente de relacionamento junto ao BRB; 2º) O órgão encaminhará ofício endereçado à agência do BRB (escolhida pela futura contratada), solicitando a abertura de conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação, em nome da empresa (conforme modelo constante no Acordo de Cooperação Técnica); 31 3º) O BRB deverá encaminhar ao órgão contratante, o comprovante de abertura da conta corrente vinculada, no qual deverão constar os dados necessários à sua movimentação bancária. 4º) Caberá ao BRB adotar as providências necessárias à regularização da abertura da conta vinculada, convocando a empresa para fornecer os documentos necessários e autorizar o acesso irrestrito do órgão contratante aos saldos, aos extratos e às movimentações. 5º) O órgão providenciará a assinatura do contrato. 6º) Os dados bancários referentes à conta vinculada deverão ser informados à área financeira, ao executor do contrato e à unidade que fará a gestão e controle da conta vinculada. 6.1.2 Comprovante de abertura da conta corrente vinculada ATENÇÃO! Ao receber o comprovante de abertura da conta, conferir se realmente é “Comprovante Abertura de Conta Vinculada”, pois só esta é bloqueada para movimentação, enquanto a conta corrente simples não é bloqueada. A seguir, são apresentados 2 modelos de comprovante de abertura de conta corrente utilizado pelo BRB: o 1º modelo é o que deve ser recebido pelo órgão, referente à abertura de conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação, conforme estabelece a Lei nº 4.636/2011. Já o 2º modelo, é um comprovante de abertura de conta corrente simples. 32 Comprovante de abertura de conta vinculada 33 Comprovante de abertura de conta corrente sem bloqueio 34 6.2 Abertura de contas-salário dos empregados Em razão do artigo 9º, IV e V do Decreto nº 34.649/2013, a empresa contratada deverá efetuar o pagamento dos salários dos funcionários, via BRB, por meio de conta-salário, uma vez que deverá firmar termo de compromisso junto àquela instituição bancária. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 9º A assinatura ou renovação do contrato de prestação de serviços será precedida de: [...] IV – autorização da contratada para que o BRB somente efetue o pagamento das provisões definidas no art. 2º deste Decreto em conta-salário do trabalhador, aberta no BRB; V – termo de compromisso firmado pela empresa de que os pagamentos de salário e similares serão realizados exclusivamente por meio do BRB. Para melhor entender o que é a conta-salário e o seu funcionamento, destacam-se algumas informações obtidas junto ao site do Banco Central do Brasil. 6.2.1 O que é conta-salário? A conta-salário9 é uma conta aberta por iniciativa e solicitação do empregador para efetuar o pagamento de salários aos seus empregados. Essa conta não é uma conta de depósitos à vista, pois somente admite créditos efetuados pelo empregador que abriu a conta, não sendo admitidos depósitos de quaisquer outras fontes. A conta-salário não é aberta por iniciativa do empregado. Para abertura da conta-salário é necessário que o empregador contrate um banco para prestar o serviço de pagamento dos salários de seus empregados. Além disso, o empregador é responsável pela identificação dos beneficiários. O banco contratado, visando assegurar a entrega dos recursos ao real beneficiário pode solicitar informações adicionais e documentos comprobatórios do próprio beneficiário para fins de identificação. 6.2.2 Portabilidade do salário O empregado pode solicitar a transferência automática dos recursos creditados pelo empregador na conta-salário para uma conta de depósitos de sua titularidade em outro banco, sem custos. Esse mecanismo assegura a “portabilidade do salário”. Essa transferência automática deve ser realizada no mesmo dia do crédito feito pelo empregador, até às 12h. Outra opção é a transferência do salário para conta de depósitos à vista, de titularidade do empregado, no próprio banco contratado pelo empregador, caso o empregado opte por abrir uma conta de depósitos nesse banco ou já tenha uma conta aberta no banco escolhido por seu empregador para abertura da conta-salário. 6.2.3 Pode a instituição financeira descontar empréstimo na conta-salário? O desconto de prestações de operações de crédito diretamente na conta-salário somente é admitido se o empregado beneficiário do pagamento autorizar, prévia e formalmente, a sua realização. No caso da transferência automática para a conta de depósitos indicada pelo beneficiário (portabilidade do salário), a transferência deverá ser realizada pelo valor líquido, após o desconto do valor da prestação da operação de crédito, autorizado pelo empregado. 6.2.4 Podem ser cobradas tarifas pela utilização da conta-salário? É vedada a cobrança de tarifas pela utilização da conta-salário para a transferência automática dos recursos para conta de depósitos no próprio ou em outro banco (portabilidade do salário) e para: a) fornecimento de cartão magnético, a não ser nos casos de pedidos de reposição decorrentes de perda, roubo, danificação e outros motivos não imputáveis à instituição financeira; b) realização de até cinco saques, por evento de crédito; c) acesso a pelo menos duas consultas mensais ao saldo nos terminais de autoatendimento ou diretamente no guichê de caixa; 9 Regulamentada pela Resolução CMN nº 3.402/2006, alterada pelas Resoluções nº 3.424/2006 e nº 4.684/ 2018. 35 d) fornecimento, por meio dos terminais de autoatendimento ou diretamente no guichê de caixa, de pelo menos dois extratos contendo toda a movimentação da conta nos últimos trinta dias; e) manutenção da conta, inclusive no caso de não haver movimentação. O empregado beneficiário dos pagamentos pode optar por não abrir conta de depósitos à vista ou de poupança e utilizar a conta-salário para usufruir de outros serviços bancários. Nesse caso, é admitida a cobrança de tarifas por esses serviços ou pela realização de saques e consultas acima da quantidade gratuita prevista. A realização de transferências de valores, em situações que não configurem portabilidade automática dos créditos, também pode acarretar a cobrança de tarifas. 6.3 Retenção de valores e depósito em conta vinculada As provisões mensais realizadas pelo órgão contratante para pagamento dos encargos sociais e trabalhistas dos empregados da empresa contratada, serão retidas do valor mensal do contrato e depositadas na conta vinculada aberta em nomeda contratada. O valor do depósito mensal à conta vinculada será igual ao somatório dos valores das seguintes provisões: a) 13º salário; b) Férias e abono de férias (1/3 constitucional); c) Multa do FGTS; e d) Encargos previdenciários e FGTS sobre o 13º salário e as férias. 6.4 Passo a passo para depósito das provisões em conta vinculada 1º) O executor do contrato, mensalmente, receberá a nota fiscal referente aos serviços prestados pela contratada no mês anterior; 2º) Emitirá o Relatório circunstanciado atestando a execução dos serviços e informará qual o valor a ser destinado à conta vinculada; 3º) O executor encaminhará a nota fiscal para pagamento; 4º) A área financeira providenciará o pagamento da nota fiscal com a retenção do valor informado pelo executor; 5º) A área financeira emitirá uma Ordem Bancária (OB) destinada à conta corrente vinculada, aberta em nome da empresa contratada. Qual o valor de cada provisão a ser retido da fatura mensal da empresa contratada e depositado na conta vinculada? 7 BASE DE CÁLCULO DOS ENCARGOS A empresa contratada, no momento da assinatura do contrato, deve conhecer o valor que será retido mensalmente do seu pagamento e depositado na conta vinculada aberta em seu nome. Para tanto, precisa-se compreender a composição dos encargos que serão destinados à conta vinculada. 7.1 Composição da provisão mensal destinada à conta vinculada Apresentam-se os seguintes questionamentos em relação às dúvidas existentes quanto à metodologia de cálculo, utilizada pelo órgão contratante, para apurar o valor da provisão mensal destinada à conta vinculada: 1) Qual a base de cálculo a ser utilizada para apurar as verbas objeto de provisão? a. Remuneração do empregado? b. Salário do empregado? 2) Qual o percentual de cada encargo a ser provisionado? a. Percentual fixo e estabelecido na licitação? b. Percentual constante na planilha de custo e formação de preços apresentada pela contratada? 36 3) O percentual é o mesmo para todos os contratos de terceirização ou varia de empresa para empresa? Em razão desses questionamentos, serão abordados alguns pontos importantes para melhor entender a composição da provisão e a metodologia utilizada para calcular o valor a ser destinado mensalmente à conta vinculada. 7.2 Base de cálculo Para identificar qual a base de cálculo a ser utilizada para apurar o valor mensal a ser destinado à conta vinculada, primeiramente, é importante distinguir salário de remuneração. 7.2.1 Salário Salário é o montante fixo de dinheiro que o empregador paga ao empregado mensalmente, como contraprestação pelos serviços prestados, em decorrência do contrato de trabalho. O salário base do trabalhador é definido em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) ou por Sentença proferida em Dissídio Coletivo. 7.2.2 Remuneração Já a remuneração é um termo mais amplo do que salário, pois representa o conjunto das prestações recebidas habitualmente pelo empregado, pela prestação de serviços. A remuneração é composta, além do salário, por: horas-extras, adicional noturno, adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, Descanso Semanal Remunerado (DSR), intrajornada, comissões, prêmios habituais, entre outros. ATENÇÃO! A remuneração (e não o salário) é que deverá ser utilizada como base de cálculo para apurar o valor devido ao empregado (direito trabalhista), referente ao 13º salário, às férias e à rescisão contratual. 7.2.3 Base de cálculo pelo Decreto nº 34.649/2013 Apesar de a remuneração do trabalhador ser a base de cálculo de seus direitos trabalhistas, o artigo 5º do Decreto nº 34.649/2013, inicialmente, estabeleceu que o percentual de retenção das provisões para a conta vinculada deveria incidir sobre o valor total mensal pago à contratante, ou seja, sobre o valor total da nota fiscal do mês. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 5º Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o total mensal pago, sendo que o montante retido representará a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, na forma do anexo deste Decreto. Posteriormente, houve alteração da redação do artigo 5º por meio do Decreto nº 36.164/2014, no qual estabeleceu que o percentual de retenção das provisões deveria incidir sobre o valor do salário bruto dos empregados vinculados ao contrato de terceirização. DECRETO DF Nº 36.164/2014 Art. 5º – Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o valor do salário bruto, e considerar-se-á como montante retido a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, na forma do anexo deste Decreto. [...] § 3º – Não serão considerados para efeitos de cálculo os reflexos de hora-extra. Todavia, de forma inusitada, ocorreu, simultaneamente, a inclusão do § 3º no artigo 5º, estabelecendo que não deveria ser considerado para efeito de cálculo os reflexos de hora-extra. Pergunta-se: como a hora-extra pode vir a refletir no cálculo da retenção, já que a base de cálculo da retenção é o valor do salário bruto e a hora-extra faz parte da remuneração do empregado? Outra contradição expressa no Decreto nº 34.649/2013, consta em seu anexo, cujo título da tabela consta “Percentuais incidentes sobre a remuneração para contingenciamento de encargos trabalhistas”. Tal incoerência permaneceu no Decreto nº 36.164/2014, que apesar de alterar os percentuais da tabela, não alterou o seu título. 37 Diante disso, conclui-se que havendo contradição entre o anexo e o texto do Decreto, prevalece este último como regra primeira, pois os anexos têm a função de complementar ou particularizar os preceitos contidos na norma e nunca se opor aos seus ditames. Logo, a remuneração é a base de cálculo para apurar o valor das verbas trabalhistas, enquanto o salário é a base de cálculo para as provisões trabalhistas destinadas à conta vinculada, conforme previsão normativa. Posto isso, percebe-se que os valores retidos a título de 13º salário, férias e multa do FGTS trata-se de mera antecipação, sendo que quando houver a ocorrência do fato gerador de tais direitos, o valor definitivo a ser pago ao terceirizado deverá ser de acordo com a legislação trabalhista e previdenciária. 7.3 Percentual Para compreender o percentual que pode vir a ser aplicado sobre a base de cálculo definida, e apurar o valor da provisão a ser destinada mensalmente à conta vinculada, deve-se, inicialmente, diferenciar os encargos trabalhistas dos encargos sociais (previdenciários, FGTS e demais contribuições) e conhecer algumas informações pontuais importantes para a gestão da conta vinculada. 8 ENCARGOS TRABALHISTAS As provisões trabalhistas resguardadas pela conta vinculada correspondem às parcelas de 13º salário, férias e abono de férias de cada trabalhador vinculado ao contrato de prestação de serviços com cessão de mão de obra. 8.1 13º Salário 8.1.1 Direito do trabalhador ao 13º salário O 13º salário é um direito do trabalhador com origem na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF/88) e consiste no pagamento de um salário extra ao trabalhador, na proporção de 1/12 por mês trabalhado, sobre a remuneração percebida no mês de dezembro, também conhecido como gratificação natalina. CF/88 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social. [...] VIII – décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria. A reforma trabalhista promovida pela Lei nº 13.467/2017 não afetou em nada afetou esse direito do trabalhador, pelo contrário, prescreveu a vedação para que tal direito seja suprimido ou reduzido por norma coletiva de trabalho, conforme artigo 611-B. 38 CLT Art. 611-B. Constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução dos seguintes direitos: (Incluído pelaLei nº 13.467, de 2017) [...] V – valor nominal do décimo terceiro salário; Os valores relativos ao 13º salário possuem natureza salarial e são de pagamento obrigatório a todos os trabalhadores legalmente registrados, proporcionalmente ao período trabalhado naquele exercício financeiro. 8.1.2 13º salário proporcional Exclusivamente em casos de o trabalhador não haver completado os 12 (doze) meses de efetivo trabalho, poderá o valor ser pago proporcionalmente na ordem de 1/12 avos por mês trabalhado. A fração do mês trabalhado igual ou superior a 15 dias será considerado como o mês na integralidade, conforme previsto no § 2º do artigo 1º da Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, que instituiu a gratificação natalina. LEI Nº 4.090/1962 Art. 1º – No mês de dezembro de cada ano, a todo empregado será paga, pelo empregador, uma gratificação salarial, independentemente da remuneração a que fizer jus. § 1º – A gratificação corresponderá a 1/12 avos da remuneração devida em dezembro, por mês de serviço, do ano correspondente. § 2º – A fração igual ou superior a 15 (quinze) dias de trabalho será havida como mês integral para os efeitos do parágrafo anterior. [...] Art. 2º – As faltas legais e justificadas ao serviço não serão deduzidas para os fins previstos no § 1º do art. 1º desta Lei. Art. 3º – Ocorrendo rescisão, sem justa causa, do contrato de trabalho, o empregado receberá a gratificação devida nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 1º desta Lei, calculada sobre a remuneração do mês da rescisão. 8.1.3 Metodologia de cálculo Deve-se considerar a remuneração mensal devida ao empregado no mês de dezembro, e será pago o valor equivalente a 1/12 dessa remuneração por mês trabalhado no ano correspondente, observando que a fração do mês igual ou superior a 15 dias deverá ser considerada como mês integral, conforme esclarecido no item 8.1.2 dessa apostila. No caso de rescisão contratual, deverá ser considerada a remuneração do mês do desligamento do empregado e feito o cálculo de forma proporcional. 8.1.4 Percentual para depósito na conta vinculada O percentual para contingenciamento mensal, para assegurar o direito do 13º salário ao trabalhador, equivale a 8,33% (1/12 por mês). 8.1.5 Parcelamento do 13º salário e prazo de pagamento Em regra, o pagamento do 13º salário é realizado em 2 parcelas, devendo a 1ª parcela ser paga até o fim do mês de novembro, a título de adiantamento, cujo valor corresponderá à metade do valor da remuneração do trabalhador, sem descontos. Já a 2ª parcela, equivale à remuneração do mês de dezembro, descontados os encargos previdenciários, imposto de renda e o valor antecipado na 1ª parcela, devendo ser paga até o dia 20 de dezembro, conforme artigo 1º da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965, que versou sobre o pagamento da gratificação natalina e artigo 1º do Decreto nº 57.155, de 3 de novembro de 1965, que regulamentou a gratificação natalina. 8.1.5.1 Requerimento de adiantamento do 13º salário pelo empregado O empregado poderá requerer o adiantamento da 1ª parcela do 13º salário por ocasião de suas férias, conforme § 2º do artigo 2º da Lei º 4.749/1965, desde que solicite até o dia 31 de janeiro do ano correspondente, sendo o valor equivalente à metade do seu salário no mês anterior ao gozo das férias. 39 8.1.6 Contribuição Previdenciária (INSS) e FGTS sobre o 13º salário Destaca-se que a incidência da contribuição previdenciária somente ocorrerá sobre o valor total a título de 13º salário, sendo calculada em separado do salário do empregado. Por esse motivo, é que não há incidência do INSS na parcela antecipada, sendo aplicada a contribuição previdenciária somente quando ocorre o pagamento da 2ª parcela ou da parcela única do 13º salário. Como a tabela de contribuição do INSS é progressiva, se o cálculo do INSS sobre o 13º salário for realizado em conjunto com o salário mensal do trabalhador, pode acontecer de ser utilizada uma alíquota maior. LEI Nº 4.749/1965 Art. 1º – A gratificação salarial instituída pela Lei no 4.090, de 13 de julho de 1962, será paga pelo empregador até o dia 20 de dezembro de cada ano, compensada a importância que, a título de adiantamento, o empregado houver recebido na forma do artigo seguinte. Parágrafo único. (Vetado). Art. 2º – Entre os meses de fevereiro e novembro de cada ano, o empregador pagará, como adiantamento da gratificação referida no artigo precedente, de uma só vez, metade do salário recebido pelo respectivo empregado no mês anterior. § 1º – O empregador não estará obrigado a pagar o adiantamento, no mesmo mês, a todos os seus empregados. § 2º – O adiantamento será pago ao ensejo das férias do empregado, sempre que este o requerer no mês de janeiro do correspondente ano. Art. 3º – Ocorrendo a extinção do contrato de trabalho antes do pagamento de que trata o Art. 1º desta Lei, o empregador poderá compensar o adiantamento mencionado com a gratificação devida nos termos do Art. 3º da Lei no 4.090, de 13 de julho de 1962, e, se não bastar, com outro crédito de natureza trabalhista que possua o respectivo empregado. Art. 4º – As contribuições devidas ao Instituto Nacional de Previdência Social, que incidem sobre a gratificação salarial referida nesta Lei, ficam sujeitas ao limite estabelecido na legislação da Previdência Social. DECRETO Nº 57.155/1965 Art. 1º O pagamento da gratificação salarial, instituída pela Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as alterações constantes da Lei nº 4.749, de 12 de agôsto de 1965, será efetuado pelo empregador até o dia 20 de dezembro de cada ano, tomando-se por base a remuneração devida nesse mês de acôrdo com o tempo de serviço do empregado no ano em curso. Parágrafo único. A gratificação corresponderá a 1/12 (um doze avos) da remuneração devida em dezembro, por mês de serviço, do ano correspondente, sendo que a fração igual ou superior a 15 (quinze) dias de trabalho será havida como mês integral. [...] Art. 3º Entre os meses de fevereiro e novembro de cada ano, o empregador pagará, como adiantamento da gratificação, de uma só vez, metade do salário recebido pelo empregado no mês anterior. [...] § 3º A importância que o empregado houver recebido a título de adiantamento será deduzida do valor da gratificação devida. Art. 4º o adiantamento será pago ao ensejo das férias do empregado, sempre que êste o requerer no mês de janeiro do correspondente ano. [...] Art. 6º As faltas legais e as justificadas ao serviço não serão deduzidas para os fins previstos no art. 2º dêste decreto. Art. 7º Ocorrendo a extinção do contrato de trabalho, salvo na hipótese de rescisão com justa causa, o empregado receberá a gratificação devida, nos têrmos do art. 1º, calculada sôbre a remuneração do respectivo mês. Parágrafo único. Se a extinção do contrato de trabalho ocorrer antes do pagamento de que se trata o art. 1º, o empregador poderá compensar o adiantamento mencionado no art. 3º, com o valor da gratificação devida na hipótese de rescisão. Diferentemente do INSS, o FGTS deverá ser recolhido no momento em que houver o pagamento da obrigação, independentemente se houve ou não parcelamento do 13º salário. 40 8.1.7 Perda de direito ao 13º salário Em caso de rescisão do contrato de trabalho, por justa causa, o empregado não tem direito a receber o 13º salário, conforme previsão contida no artigo 3º da Lei nº 4.090/1962 e artigo 7º do Decreto nº 57.155/1965. 8.2 Férias 8.2.1 Direito do trabalhador às férias As férias consistem em um direito do trabalhador, igualmente previsto no artigo 7º da CF/88, de se afastar por 30 (trinta) dias, sem prejuízo da sua remuneração, após o período de 12 (doze) meses de vigência do seu contrato de trabalho. CF/88 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social. [...] XVII – gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, umterço a mais do que o salário normal. 8.2.2 Adicional de férias Além das férias remuneradas, o trabalhador tem direito ao acréscimo de 1/3 (um terço) sobre o valor do seu salário normal, habitualmente denominado de adicional de férias ou abono de férias ou terço constitucional de férias. O adicional de férias é a verba remuneratória devida ao trabalhador que usufrui o seu direito às férias anuais. 8.2.3 Período aquisitivo de férias Para que o trabalhador tenha o direito às férias, com o abono de férias, ele deve cumprir o período aquisitivo correspondente a 12 (doze) meses, a partir do início da vigência de seu contrato de trabalho, conforme dispõe o artigo 130 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). CLT Art. 129 – Todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um período de férias, sem prejuízo da remuneração. Art. 130 – Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: I – 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes; [...] Logo, o período aquisitivo é o período em que o trabalhador adquire o direito às férias, ou seja, a cada 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado adquire o direito a 30 (trinta) dias de repouso remunerado. 8.2.4 Período concessivo de férias Já o período concessivo, é o período em que o empregador (a empresa) tem para conceder os 30 (trinta) dias de repouso remunerado ao funcionário, que deve ocorrer nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que o trabalhador adquiriu o direito às férias, conforme artigo 134 da CLT. Apesar de as férias serem um direito do trabalhador, é o empregador quem escolhe, com base nos interesses da empresa, quando ele as gozará., conforme artigo 136 da CLT. CLT Art. 134 – As férias serão concedidas por ato do empregador, em um só período, nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito. [...] Art. 136 – A época da concessão das férias será a que melhor consulte os interesses do empregador. 41 8.2.5 Aviso de férias Para conceder as férias, o empregador dará aviso, por escrito, ao empregado, com pelo menos 30 (trinta) dias antes do início do período de gozo, conforme artigo 135 da CLT. CLT Art. 135 – A concessão das férias será participada, por escrito, ao empregado, com antecedência de, no mínimo, 30 (trinta) dias. Dessa participação o interessado dará recibo. 8.2.6 Férias vencidas São consideradas férias vencidas aquelas férias cujo período adquirido foi completado, mas não foi concedido o descanso de 30 dias ao trabalhador dentro do período concessivo (12 meses seguintes ao período aquisitivo). Ou seja, o vencimento das férias ocorre quando o trabalhador ganha o direito a novas férias antes de ter gozado as férias do ano anterior. As férias vencidas geram o direito ao trabalhador de receber a sua remuneração em dobro, conforme artigo 137 da CLT e são devidas em todas as hipóteses de dispensa: por justa causa, sem justa causa, na aposentadoria, no pedido de demissão, na dispensa indireta e no término do contrato de trabalho com prazo determinado. CLT Art. 134 – As férias serão concedidas por ato do empregador, em um só período, nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito. [...] Art. 137 – Sempre que as férias forem concedidas após o prazo de que trata o art. 134, o empregador pagará em dobro a respectiva remuneração. 8.2.7 Férias proporcionais As férias proporcionais, geralmente, são devidas nas hipóteses de demissão sem justa causa, pedido de demissão pelo empregado ou término de contrato a prazo. O empregado perceberá remuneração relativa ao período aquisitivo incompleto de férias, na proporção de 1/12 por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias de trabalho, observando-se as faltas injustificadas no período aquisitivo, conforme disciplina os artigos 146 e 147 da CLT. CLT Art. 146 – Na cessação do contrato de trabalho, qualquer que seja a sua causa, será devida ao empregado a remuneração simples ou em dobro, conforme o caso, correspondente ao período de férias cujo direito tenha adquirido. Parágrafo único – Na cessação do contrato de trabalho, após 12 (doze) meses de serviço, o empregado, desde que não haja sido demitido por justa causa, terá direito à remuneração relativa ao período incompleto de férias, de acordo com o art. 130, na proporção de 1/12 (um doze avos) por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias. Art. 147 – O empregado que for despedido sem justa causa, ou cujo contrato de trabalho se extinguir em prazo predeterminado, antes de completar 12 (doze) meses de serviço, terá direito à remuneração relativa ao período incompleto de férias, de conformidade com o disposto no artigo anterior. 42 No caso de rescisão do contrato de trabalho, após 12 (doze) meses de vigência, o trabalhador terá direito a receber o valor correspondente às férias vencidas (remuneração em dobro) e às férias adquiridas e não gozadas (remuneração simples), independentemente do motivo da rescisão, pois se trata de direito já adquirido do trabalhador, conforme o caput do artigo 146 da CLT. Esse trabalhador também terá direito ao valor relativo às férias proporcionais, referentes ao período incompleto, desde que não tenha sido demitido por justa causa, conforme artigo 146, parágrafo único da CLT. Ocorrendo a rescisão do contrato de trabalho antes de completado os 12 (doze) meses, o trabalhador terá direito a receber o valor relativo às férias proporcionais, referentes ao período incompleto, desde que não tenha sido demitido por justa causa, conforme artigo 147 da CLT. O pagamento de férias proporcionais também pode ocorrer em caso de férias coletivas para os empregados que ainda não possuam 12 (doze) meses de trabalho. Esses trabalhadores receberão as férias proporcionais e iniciarão novo período aquisitivo, conforme artigo 140 da CLT. CLT Art. 139 – Poderão ser concedidas férias coletivas a todos os empregados de uma empresa ou de determinados estabelecimentos ou setores da empresa. [...] Art. 140 – Os empregados contratados há menos de 12 (doze) meses gozarão, na oportunidade, férias proporcionais, iniciando-se, então, novo período aquisitivo. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.535, de 13.4.1977) 8.2.8 Metodologia de cálculo O cálculo de férias é bem simples, basta somar a remuneração que é devida ao trabalhador na data da concessão de suas férias, devendo ser considerado os adicionais a que o trabalhador tenha direito, conforme disposto nos §§ 5º e 6º do artigo 142 da CLT, acrescido de 1/3 sobre esse montante, conforme previsão constitucional. CLT Art. 142 – O empregado perceberá, durante as férias, a remuneração que lhe for devida na data da sua concessão [...] § 5º – Os adicionais por trabalho extraordinário, noturno, insalubre ou perigoso serão computados no salário que servirá de base ao cálculo da remuneração das férias § 6º – Se, no momento das férias, o empregado não estiver percebendo o mesmo adicional do período aquisitivo, ou quando o valor deste não tiver sido uniforme será computada a média duodecimal recebida naquele período, após a atualização das importâncias pagas, mediante incidência dos percentuais dos reajustamentos salariais supervenientes ATENÇÃO! A remuneração que deve ser considerada para fins de cálculo do valor das férias e do adicional constitucional deve ser a referente ao período de concessão do direito e não a remuneração do mês do pagamento das férias. Em caso de rescisão do contrato de trabalho, havendo férias vencidas e/ou proporcionais, o valor a ser considerado para fins de cálculo, será a remuneração do mês da rescisão contratual. 8.2.9 Percentual para depósito na conta vinculada Como o trabalhador adquire mensalmente o direito a 1/12 de suas férias,o percentual de contingenciamento para assegurar o direito de 30 dias de férias ao trabalhador, equivale a 8,33% (1/12 por mês). Além das férias remuneradas, como o trabalhador tem direito ao abono de férias, que equivale a 1/3 sobre o valor recebido nas férias, deverá ser contingenciado o percentual equivalente a 2,78% (1/3 de 1/12 por mês), para assegurar o terço constitucional de férias do trabalhador. 43 Sendo assim, o percentual total a ser contingenciado, referente às férias e abono de férias deverá corresponder à 11,11% (8,33% + 2,78%). 8.2.10 Parcelamento de férias Em razão da reforma trabalhista, por meio da Lei nº 13.467/2017, o trabalhador poderá parcelar as suas férias em até 3 (três) períodos, sendo que um deles deve ser de, no mínimo, 14 (quatorze) dias corridos e os demais períodos devem ser de, no mínimo, 5 (cinco) dias corridos, cada um, conforme § 1º do artigo 134 da CLT, atualizada. CLT Art. 134 – As férias serão concedidas por ato do empregador, em um só período, nos 12 (doze) meses subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido o direito. § 1o Desde que haja concordância do empregado, as férias poderão ser usufruídas em até três períodos, sendo que um deles não poderá ser inferior a quatorze dias corridos e os demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) § 3o É vedado o início das férias no período de dois dias que antecede feriado ou dia de repouso semanal remunerado. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Art. 135 – A concessão das férias será participada, por escrito, ao empregado, com antecedência de, no mínimo, 30 (trinta) dias. Dessa participação o interessado dará recibo. (Redação dada pela Lei nº 7.414, de 9.12.1985) Não é obrigatório que o primeiro período de férias seja o de maior quantidade de dias. Ressalta-se que os 3 períodos de gozo deverão ser concedidos dentro do período concessivo, sob pena de não o fazendo, gerar o pagamento em dobro. Em nenhuma hipótese a empresa pode fazer o fracionamento sem o consentimento do trabalhador, afinal, a decisão de parcelar as férias é exclusivamente dele. As férias devem começar em dias úteis e de acordo com a alteração incluída pela reforma trabalhista, é proibido que as férias se iniciem dois dias antes de feriado ou do repouso semanal remunerado (geralmente gozado aos domingos), conforme § 3º do artigo 134, incluído pela Lei nº 13.467/2017 na CLT. 8.2.11 Prazo para pagamento das férias A CLT prevê em seu artigo 145 que o pagamento das férias e abono de férias deve ser realizado com no mínimo 2 (dois) dias de antecedência ao início das férias. CLT Art. 145 – O pagamento da remuneração das férias e, se for o caso, o do abono referido no art. 143 serão efetuados até 2 (dois) dias antes do início do respectivo período. Parágrafo único – O empregado dará quitação do pagamento, com indicação do início e do termo das férias. O pagamento das férias parceladas deverá ser efetuado de acordo com cada período gozado, ou seja, o pagamento de cada parcela de férias, com o respectivo adicional e 1/3, deverá ocorrer até 2 (dois) dias antes do início de cada período de gozo. Importante destacar que os valores das férias e do abono de férias deverão ser calculados com base na remuneração do período de concessão, de cada parcela de férias. ATENÇÃO! Se após o pagamento das férias houver aumento da remuneração do empregado, cujos reflexos atinjam o seu período de férias, o empregador deverá efetuar o ajuste e pagar a diferença de férias na próxima folha de pagamento, não havendo obrigatoriedade legal para que faça a complementação de forma imediata. 44 Com base em entendimento jurisprudencial do TST, Súmula 450, o empregador que efetuar o pagamento do valor das férias com atraso, será obrigado a pagar o valor em dobro ao empregado. SÚMULA Nº 450 – TST FÉRIAS. GOZO NA ÉPOCA PRÓPRIA. PAGAMENTO FORA DO PRAZO. DOBRA DEVIDA. ARTS. 137 E 145 DA CLT. (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 386 da SBDI-1) – Res. 194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e 23.5.2014. É devido o pagamento em dobro da remuneração de férias, incluído o terço constitucional, com base no art. 137 da CLT, quando, ainda que gozadas na época própria, o empregador tenha descumprido o prazo previsto no art. 145 do mesmo diploma legal. Entretanto, o TST, em decisões recentes e reiteradas (como o Acórdão abaixo transcrito), tem efetuado uma interpretação casuística da sua própria súmula, afastando o direito à dobra de férias nos casos em que o atraso no pagamento foi ínfimo e que não há provas concretas de que a inadimplência do empregador causou prejuízos ao trabalhador. ACÓRDÃO (5ª Turma) AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. RITO SUMARÍSSIMO. FÉRIAS. PAGAMENTO FORA DO PRAZO LEGAL. ATRASO DE DOIS DIAS. DOBRA INDEVIDA. SÚMULA 450 DO TST. INAPLICABILIDADE. Considerando a peculiaridade do caso concreto e, tendo em vista a possibilidade de má aplicação da Súmula 450 do TST, merece ser provido o agravo, para melhor exame do agravo do instrumento. TST-RR-10475-44.2016.5.15.0088 – 11/12/2018 8.2.12 Contribuição Previdenciária e FGTS sobre férias e abono de férias As férias interrompem o contrato de trabalho, mas sem prejuízo da remuneração, e esse período é contabilizado como tempo de serviço para todos os fins, conforme § 2º, artigo 130 da CLT. CLT Art. 130... [...] § 2º – O período das férias será computado, para todos os efeitos, como tempo de serviço. Sendo assim, sobre a remuneração das férias e o abono de férias de 1/3, haverá a incidência do FGTS e da contribuição previdenciária no mês a que se referirem, mesmo quando pagas antecipadamente, conforme § 14 do artigo 214 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 – Regulamento da Previdência Social. DECRETO Nº 3.048/1999 Art. 214. Entende-se por salário de contribuição: [...] § 14. A incidência da contribuição sobre a remuneração das férias ocorrerá no mês a que elas se referirem, mesmo quando pagas antecipadamente na forma da legislação trabalhista. As férias dos empregados deverão ser contabilizadas na folha de pagamento do mês de sua concessão, mesmo que sejam pagas em mês anterior. Como o pagamento das férias deve ocorrer de forma antecipada, conforme veremos abaixo, o empregado recebe o valor das férias por meio de um “Recibo de Férias”, no qual são efetuados os cálculos de suas férias, com base na sua remuneração no momento do pagamento. Posteriormente, será efetuada a contabilização das férias bem como os devidos ajustes na folha de pagamento do mês de competência das férias. Dessa forma, o INSS e o FGTS incidirão sobre a folha de pagamento do mês da concessão das férias. 45 Destaca-se que as verbas trabalhistas referentes às férias vencidas (que não foram gozadas na vigência do contrato de trabalho) bem como as férias proporcionais e o equivalente de 1/3 constitucional, pagas ao empregado no momento da rescisão contratual, são considerados como verbas de natureza indenizatória e, conforme § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (plano de custeio da seguridade social), não integram o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária do segurado e INSS patronal. Sobre essas verbas, também não incide o percentual de 8% do FGTS, segundo previsto no § 6º do artigo 15 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, que dispõe sobre o FGTS. LEI Nº 8.212/1991 Art. 28. Entende-se por salário de contribuição: [...] § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997) [...] d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondenteà dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT); (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). LEI Nº 8.036/1990 Art. 15. Para os fins previstos nesta lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8 (oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a gratificação de Natal a que se refere a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965. (Vide Lei nº 13.189, de 2015) Vigência [...] § 6º Não se incluem na remuneração, para os fins desta Lei, as parcelas elencadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998) 8.2.13 Abono pecuniário O abono pecuniário, popularmente conhecido como “venda das férias” é a opção que o trabalhador faz de converter em dinheiro a fração de 1/3 de suas férias anuais, ou seja, o empregado pode vender, no máximo, 10 (dez) dias, conforme prevê o artigo 143 da CLT. Logo, é facultado ao empregado converter 1/3 do período de férias a que tiver direito em dinheiro, desde que requerido em até 15 (quinze) dias antes do término do período aquisitivo, conforme artigo 143 da CLT. CLT Art. 143 – É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. § 1º – O abono de férias deverá ser requerido até 15 (quinze) dias antes do término do período aquisitivo. Havendo o requerimento tempestivo do empregado, com exceção aos trabalhadores que gozam de férias coletivas, não poderá o empregador se recusar a comprá-las, pois se trata de direito potestativo, cujo exercício depende apenas da vontade do declarante.10 O abono pecuniário é calculado sobre o valor global das férias, isto é, considera-se inclusive o terço constitucional de férias, conforme Súmula 328 do TST: Súmula 328 do TST FÉRIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003. O pagamento das férias, integrais ou proporcionais, gozadas ou não, na vigência da CF/1988, sujeita-se ao acréscimo do terço previsto no respectivo art. 7º, XVII. 10 CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do trabalho: de acordo com a reforma trabalhista Lei no 13.467/2017. 15. ed. São Paulo: Método, 2018, p. 747. 46 Entretanto, até 2014 havia divergências entre os diversos Tribunais Regionais do Trabalho, quanto à incidência ou não do adicional de férias (1/3 constitucional) sobre os 10 dias não gozados e pagos pelo empregador. Havia 3 entendimentos: 1º) calculava-se o terço constitucional sobre os 20 dias de férias gozadas e não havia a incidência do terço sobre os 10 dias de abono pecuniário, pois entendia-se que essa verba convertida deixava de ter natureza original de férias; 2º) calculava-se o terço constitucional sobre os 30 dias de férias e, para fins de abono pecuniário, era considerado os 10 dias de abono pecuniário já com a incidência do terço constitucional – como se tratasse de 40 dias de férias; 3º) calculava-se o terço constitucional sobre os 20 dias de férias gozadas e também sobre os 10 dias de abono pecuniário – equivalente ao total de 30 dias. O TST uniformizou o entendimento de que o empregado não tem direito ao pagamento do terço constitucional sobre o abono de que trata o artigo 143 da CLT, quando as férias de 30 dias já foram pagas com acréscimo de um terço, sob pena e bis in idem. ACÓRDÃO SDI – 1 RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI No 11.496/2007. FÉRIAS. ABONO PECUNIÁRIO. CÁLCULO. TERÇO CONSTITUCIONAL. Esta Corte uniformizadora, a partir da exegese da norma expressa no artigo 143 da Consolidação das Leis do Trabalho, vem firmando entendimento no sentido de que, uma vez constatado o pagamento do terço constitucional sobre os 30 dias de férias, resulta indevido o pagamento de 1/3 sobre o abono pecuniário de férias. Precedentes. Recurso de embargos conhecido e não provido. PROCESSO No TST-RR-102-98.2011.5.07.0007 – 3/4/2014. Sobre o abono pecuniário não haverá a incidência do FGTS e nem da contribuição providenciaria (INSS), pois essa parcela não integra a remuneração dos empregados para os efeitos da legislação do trabalho, conforme o artigo 144 da CLT, pois representa uma verba de natureza indenizatória. 8.2.14 Redução e perda do direito às férias 8.2.14.1 Faltas injustificadas O trabalhador pode ter redução do período de férias na hipótese de faltas injustificadas, conforme limites previstos no artigo 130 da CLT. Se o empregado tiver mais de 32 faltas injustificadas no período de 12 meses, perderá o direito ao gozo das férias. Outras hipóteses em que o trabalhador poderá perder o seu direito a férias estão previstas nos incisos I a IV do artigo 133 da CLT. Quando o trabalhador perder o direito ao gozo das férias, terá início uma nova contagem de período aquisitivo com seu retorno ao serviço, conforme estabelecido no § 2º do artigo 133 da CLT. CLT Art. 130 – Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção: I – 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) vezes; II – 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) faltas; III – 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas; IV – 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) faltas. § 1º – É vedado descontar, do período de férias, as faltas do empregado ao serviço. [...] Art. 133 – Não terá direito a férias o empregado que, no curso do período aquisitivo: I – deixar o emprego e não for readmitido dentro de 60 (sessenta) dias subsequentes à sua saída; II – permanecer em gozo de licença, com percepção de salários, por mais de 30 (trinta) dias; III – deixar de trabalhar, com percepção do salário, por mais de 30 (trinta) dias, em virtude de paralisação parcial ou total dos serviços da empresa; e IV – tiver percebido da Previdência Social prestações de acidente de trabalho ou de auxílio- doença por mais de 6 (seis) meses, embora descontínuos. 47 § 1º – A interrupção da prestação de serviços deverá ser anotada na Carteira de Trabalho e Previdência Social. § 2º – Iniciar-se-á o decurso de novo período aquisitivo quando o empregado, após o implemento de qualquer das condições previstas neste artigo, retornar ao serviço. 8.2.14.2 Demissão por justa causa Em caso de demissão por justa causa, o trabalhador perde o direito às suas férias proporcionais, referentes ao período aquisitivo incompleto, conforme parágrafo único do artigo 146 da CLT entendimento contido na Súmula 171 do TST. CLT Art. 146 – [...] Parágrafo único – Na cessação do contrato de trabalho, após 12 (doze) meses de serviço, o empregado, desde que não haja sido demitido por justa causa, terá direito à remuneração relativa ao período incompleto de férias, de acordo com o art. 130, na proporção de 1/12 (um doze avos) por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias. SÚMULA 171 do TST FÉRIAS PROPORCIONAIS. CONTRATO DE TRABALHO. EXTINÇÃO (republicada em razão de erro material no registro da referência legislativa), DJ 5.5.2004 Salvo na hipótese de dispensa do empregado por justa causa, a extinção do contrato de trabalho sujeita o empregador ao pagamento da remuneração das férias proporcionais, ainda que incompleto o período aquisitivo de 12 (doze) meses (art. 147 da CLT) (ex-Prejulgado nº 51). 8.2.14.3 Rescisão por culpa recíproca Existem, ainda, os casos nos quais há rescisão por culpa recíproca do empregadoe empregador. Nessa situação, o empregado fará jus a 50% das férias proporcionais, conforme previsto no artigo 484 da CLT. CLT Art. 484 – Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade. Com base no entendimento da Súmula 14 do TST, para fins da indenização da culpa recíproca, não existe distinção se o período do contrato de trabalho é mais de 12 (doze) meses ou menos de 12 (doze) meses. SÚMULA 14 do TST CULPA RECÍPROCA (nova redação) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Reconhecida a culpa recíproca na rescisão do contrato de trabalho (art. 484 da CLT), o empregado tem direito a 50% (cinquenta por cento) do valor do aviso prévio, do décimo terceiro salário e das férias proporcionais. E no caso de pedido de demissão pelo funcionário, ele tem direito às férias proporcionais? Conforme entendimento jurisprudencial do TST, por meio da Súmula 261, o empregado tem sim o direito às férias proporcionais em caso de pedido de demissão, mesmo que o contrato de trabalho esteja em vigor há menos de 12 (doze) meses. SÚMULA 261 do TST FÉRIAS PROPORCIONAIS. PEDIDO DE DEMISSÃO. CONTRATO VIGENTE HÁ MENOS DE UM ANO (nova redação) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O empregado que se demite antes de complementar 12 (doze) meses de serviço tem direito a férias proporcionais. 8.3 Multa sobre o FGTS e Contribuição Social 8.3.1 Direito do empregado à multa do FGTS Todo empregado dispensado, sem justa causa, tem direito a receber uma multa equivalente a 40% sobre o saldo existente em sua conta do FGTS, referente ao contrato de trabalho rescindido pelo empregador, conforme previsão contida no § 1º do artigo 18 da Lei nº 8.036, de 11/5/1990 (disciplinou o FGTS). 48 LEI Nº 8.036/1990 Art. 18. Ocorrendo rescisão do contrato de trabalho, por parte do empregador, ficará este obrigado a depositar na conta vinculada do trabalhador no FGTS os valores relativos aos depósitos referentes ao mês da rescisão e ao imediatamente anterior, que ainda não houver sido recolhido, sem prejuízo das cominações legais. (Redação dada pela Lei nº 9.491, de 1997) § 1º Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. (Redação dada pela Lei nº 9.491, de 1997) Sendo assim, nos casos de demissão sem justa causa, o empregador deverá realizar o pagamento de 40%, a título de multa, sobre todos os depósitos realizados durante a vigência do contrato de trabalho, acrescidos de atualização monetária e juros. A multa do FGTS será depositada na conta vinculada do FGTS do trabalhador. 8.3.2 Contribuição social Além dos 40% de multa do FGTS, o empregador também deverá realizar o pagamento de mais 10%, a título de Contribuição Social, igualmente sobre o saldo existente na conta vinculada do FGTS do trabalhador, conforme artigo 1º da Lei Complementar nº 110, de 29/6/2001 (instituiu a contribuição social). Entretanto, esse valor não é destinado à conta do FGTS do trabalhador, e sim aos cofres públicos. LEI COMPLEMENTAR Nº 110/2001 Art. 1o Fica instituída contribuição social devida pelos empregadores em caso de despedida de empregado sem justa causa, à alíquota de dez por cento sobre o montante de todos os depósitos devidos, referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, durante a vigência do contrato de trabalho, acrescido das remunerações aplicáveis às contas vinculadas. Parágrafo único. Ficam isentos da contribuição social instituída neste artigo os empregadores domésticos. Existem discussões judiciais quanto à constitucionalidade desse adicional de 10%, o qual foi criado para cobrir o rombo do FGTS em razão dos expurgos inflacionários dos planos Verão (1989) e Collor I (1990), uma vez que havia uma defasagem entre a correção monetária aplicada aos depósitos na conta do FGTS e a real inflação do período. Uma das teses, que aguarda pronunciamento do STF, defende que houve o exaurimento do objeto da criação do tributo, havendo assim a perda da finalidade da contribuição social. 8.3.3 Percentual para depósito na conta vinculada A conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação estabelece a provisão referente aos encargos em caso de demissão do trabalhador sem justa causa, ou seja, custos relativos ao pagamento da multa e contribuição social sobre o saldo do FGTS, Portanto, para resguardar o direito do trabalhador no momento de uma rescisão contratual, sem justa causa, deverá ser provisionado na conta vinculada – bloqueada para movimentação, o percentual de 50% do depósito mensal destinado à conta do FGTS do trabalhador. Logo, o percentual mensal a ser destinado à conta vinculada para assegurar, no momento da rescisão contratual sem justa causa, a multa do FGTS (40%) e a Contribuição Social (10%), sobre os 8% de FGTS depositados mensalmente na conta do FGTS do trabalhador (não considerando os depósitos de 13º salário e 1/3 de férias), equivale a 4%. Multa sobre FGTS e contribuição social Percentual Multa sobre FGTS e contribuição social (40% +10%)*8% = 4% Se fosse considerada a incidência da multa e da contribuição social sobre o 13º salário e 1/3 de férias, o percentual da provisão seria de aproximadamente 4,45% = (0,08*0,5*(1+1/12+1/12*1/3)*100%. 49 8.3.4 Redução ou perda do direito à multa do FGTS 8.3.4.1 Redução da multa do FGTS pela metade (20%) Nas seguintes hipóteses a multa do FGTS devida pelo empregador será reduzida pela metade (20%): a) Rescisão dos contratos de trabalho por motivo de culpa recíproca (§ 2º do artigo 18 da Lei nº 8.036/1990 e artigo 484 da CLT); e b) Rescisão com demissão por comum acordo (artigo 484-A da CLT– forma de rescisão incluída pela Lei nº 13.467/2017 – Reforma do Trabalho). LEI Nº 8.036/1990 Art. 18.[...] § 1º Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros. (Redação dada pela Lei nº 9.491, de 1997) § 2º Quando ocorrer despedida por culpa recíproca ou força maior, reconhecida pela Justiça do Trabalho, o percentual de que trata o § 1º será de 20 (vinte) por cento. CLT Art. 484 – Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade. Art. 484-A. O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e empregador, caso em que serão devidas as seguintes verbas trabalhistas: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) I – por metade: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) a) o aviso prévio, se indenizado; e (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, prevista no § 1o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) II – na integralidade, as demais verbas trabalhistas. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) § 1o A extinção do contrato prevista no caput deste artigo permite a movimentação da conta vinculada do trabalhador no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na forma do inciso I-A do art. 20 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, limitada até 80% (oitenta por cento) do valor dos depósitos. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) § 2o A extinção do contrato por acordo prevista no caput deste artigo não autoriza o ingresso no Programa de Seguro-Desemprego. (Incluído pela Leinº 13.467, de 2017) Como a Lei nº 13.467/2017 (reforma trabalhista) não trouxe qualquer orientação sobre a contribuição social de 10% (FGTS) para os casos de rescisão em comum acordo, a Caixa Econômica Federal (CEF), publicou a Circular nº 789/2017, na qual orientou que, nos casos de rescisão por acordo entre empregado e empregador, a multa rescisória seria de 20% e não seria devida a contribuição social de que trata o artigo 1º da Lei Complementar nº 110/2001. CIRCULAR Nº 789/2017 – CEF 2.2.3.3.1 Para a rescisão por acordo entre empregado e empregador, não é devida a contribuição social de que trata o Art. 1º da Lei Complementar nº 110/2001. 8.3.4.2 Perda do direito à multa do FGTS O empregado não tem direito à multa do FGTS nas seguintes situações: a) demissão por justa causa (art. 482 CLT); b) demissão a pedido; c) término de contrato por prazo determinado; e d) contrato por prazo determinado, rescindido antecipadamente por iniciativa do empregado. Apesar de existirem hipóteses em que a multa do FGTS não será devida ao empregado ou então será reduzida de 40% para 20%, mesmo assim, será provisionado na conta vinculada o percentual de 4% do salário do empregado, para garantir, em caso de demissão sem justa causa, a multa de 40% do FGTS mais a contribuição social de 10%. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 50 8.4 Percentual mensal dos encargos trabalhistas para a conta vinculada Posto isto, verifica-se que o percentual mensal dos encargos trabalhistas a ser depositado na conta vinculada para garantir os encargos trabalhistas relativos às rubricas de 13º salário, férias com abono de férias e multa FGTS com contribuição social é de 23,44%, conforme quadro resumo abaixo: Encargos trabalhistas Percentual 13º salário 8,33% Férias (8,33%) + abono de férias (2,78%) 11,11% %TOTAL (13% SAL. + FÉRIAS + ABONO DE FÉRIAS) 19,44% Multa sobre o FGTS + Contribuição Social 4% % TOTAL (13º SAL. + FÉRIAS + ABONO FÉRIAS + MULTA FGTS) 23,44% 9 ENCARGOS SOCIAIS Os encargos sociais são pagos pelo empregador sobre a folha de pagamento e destinam-se ao custeio da seguridade social que, conforme artigo 195 da CF/88, deverá ser financiada por toda a sociedade. CF/88 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Esses encargos sociais fazem parte da planilha de preços e composição de custos apresentada pela contatada no momento da licitação, e englobam: Contribuições previdenciárias: INSS patronal e RAT ajustado; FGTS; Contribuições para entidades paraestatais (“terceiras entidades”/integrantes do Sistema “S”): Serviço Social da Indústria (SESI), do Comércio (SESC), do Transporte (SEST); Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Comercial (SENAC), do Transporte (SENAT); Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA); e Salário-educação. Os percentuais dos encargos sociais são estabelecidos em legislação específica e incidem sobre as verbas remuneratórias dos empregados, inclusive sobre as parcelas de 13º salário, férias e abono de férias. 9.1 Contribuições previdenciárias 9.1.1 Contribuição Previdenciária Patronal (INSS) A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, estabeleceu em seu artigo 22 a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, no percentual de 20% sobre o total das remunerações pagas ou devidas aos empregados, a qualquer título (INSS patronal). LEI Nº 8.212/1991 – Plano de Custeio Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 51 I – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Lei nº 13.189, de 2015) Vigência Dessa forma, toda e qualquer parcela remuneratória paga ao empregado sofre incidência da contribuição previdenciária. 9.1.2 Contribuição adicional – RAT ajustado (RAT X FAP) Esta contribuição adicional à Previdência Social tem o objetivo de financiar as aposentadorias especiais e benefícios concedidos pelo INSS, por incapacidade, em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIIL-RAT) – antigo Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). 9.1.2.1 RAT e atividade preponderante da empresa O percentual da contribuição adicional se modifica em razão do grau de risco de acidente de trabalho relativo à atividade preponderante da empresa, estabelecida pelo código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE)11, e corresponde aos seguintes graus de risco, conforme inciso II do artigo 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e artigo 202 do Decreto nº 3.048/1999. Leve – contribuição adicional de 1%; Médio – contribuição adicional de 2%; ou Grave – contribuição adicional de 3%. LEI Nº 8.212/1991 – Plano de Custeio Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] II – para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. De acordo com o § 3º do artigo 202 do Regulamento da Previdência Social12, considera-se atividade preponderante da empresa, aquela que possui o maior número de empregados e trabalhadores avulsos, sendo de responsabilidade da empresa o seu correto enquadramento. Para saber qual o enquadramento, a partir da atividade econômica preponderante informada pela empresa, deve-se consultar a atividade da Relação de Atividades Preponderante e Correspondentes Graus de Risco, constante do Anexo V do Regulamento da Previdência Social – Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). DECRETO Nº 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social Art. 202. A contribuiçãoda empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: 11 Decreto nº 3.048/1999, alterado pelo Decreto nº 6.957/2009 – nova tabela CNAE 2.0 – RAT ANEXO V. 12 Decreto nº 3.048/1999. 52 I – um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II – dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III – três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. [...] § 3º Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5o É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revê-lo a qualquer tempo. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007) O GIIL-RAT é uma contribuição previdenciária paga pelo empregador, uma espécie de seguro pago pela empresa, mediante uma contribuição adicional, a qual se destina a cobrir eventuais custos da Previdência Social, com trabalhadores vítimas de acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais. 9.1.2.2 FAP Todavia, em virtude do artigo 10 da Lei nº 10.666/2003, as alíquotas do RAT podem oscilar entre 0,5% a 6% em função do FAP- Fator Acidentário de Prevenção. O FAP é um sistema bonus x malus que pode reduzir em até 50% a alíquota de contribuição do RAT, como também pode aumentá-la em até 100%, a depender do desempenho da empresa em relação à prevenção de acidentes de trabalho, em relação à sua respectiva atividade econômica. LEI Nº 10.666/2003 Art. 10. A alíquota de contribuição de um, dois ou três por cento, destinada ao financiamento do benefício de aposentadoria especial ou daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, poderá ser reduzida, em até cinquenta por cento, ou aumentada, em até cem por cento, conforme dispuser o regulamento, em razão do desempenho da empresa em relação à respectiva atividade econômica, apurado em conformidade com os resultados obtidos a partir dos índices de frequência, gravidade e custo, calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. O FAP a ser utilizado pela empresa é individualizado, ou seja, é aplicável somente para ela, e é calculado anualmente, de acordo com a gravidade, frequência e os custos de acidente de trabalho em determinado período. Ele é divulgado às empresas pelo sítio do Ministério da Previdência Social, no mês de setembro, para utilização no exercício financeiro seguinte. DECRETO Nº 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social Art. 202-A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinquenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP). (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). § 1o O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 2o Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, proceder-se-á à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 5o O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as respectivas ordens de frequência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAE-Subclasse. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) 53 § 6o O FAP produzirá efeitos tributários a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua divulgação. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). § 7o Para o cálculo anual do FAP, serão utilizados os dados de janeiro a dezembro de cada ano, até completar o período de dois anos, a partir do qual os dados do ano inicial serão substituídos pelos novos dados anuais incorporados. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009). 54 Modelo de documento de apuração do FAP 55 Se a empresa adota todos os cuidados necessários para evitar os acidentes de trabalho e possui uma baixa frequência de acidentes, a alíquota do FAP poderá ser menor do que 1 e, consequentemente, reduzirá o valor do GIIL-RAT. Em contrapartida, se são frequentes os acidentes de trabalho na empresa, gerando altos custos para o INSS, o valor do FAP será maior do que 1, aumentando o valor do GIIL-RAT e, por conseguinte, os custos da empresa. Assim, ao mesmo tempo em que o FAP pode beneficiar as empresas que tomam as devidas precauções, estimulando os cuidados com os empregados, o referido fator também serve como punição para as empresas que não respeitam as normas de segurança, gerando para o trabalhador elevados riscos de acidente de trabalho. O FAP da empresa é aplicado à alíquota do GIIL-RAT básico, podendo reduzir ou majorar a contribuição devida pela empresa em razão do seu desempenho em relação à respectiva atividade econômica. Com a multiplicação do RAT (1%, 2% ou 3%) pelo FAP (0,5000% a 2%) – aplicado com 4 casas decimais, se obtém o chamado RAT ajustado, entre 0,500% a 6%, sendo este o percentual da contribuição adicional devida, a qual deverá ser aplicada sobre a folha de pagamento da empresa e utilizada para o cálculo da Guia da Previdência Social (GPS). Apesar de o FAP ser divulgado com 4 casas decimais, o Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (SEFIP) somente aceita 2 casas decimais. Em razão disso, a Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório Executivo CODAC nº 3 de 18/1/2010, orientou às empresas a informarem no SEFIP o FAP com 2 casas decimais, sem arredondamento (truncamento). Porém, para fins de recolhimento correto, a Guia da Previdência Social (GPS) gerada pelo SEFIP deverá ser desprezada, e emitida uma GPS com o valor apurado pelo sistema da folha de pagamento, no qual deverá ser utilizado o multiplicador do FAP com 4 casas decimais. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO CODAC Nº 3/2010 Art. 1º Para a operacionalização do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) no Sistema Empresa de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (SEFIP), o preenchimento do campo "FAP" deverá ser feito com 2 (duas) casas decimais, sem arredondamento (truncamento). § 1º Até a adequação do SEFIP, a Guia da Previdência Social (GPS) gerada pelo sistema deverá ser desprezada e preenchida manualmente, observandoo disposto no § 2º. § 2º Conforme dispõe o § 1º do art. 202-A do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 – Regulamento da Previdência Social (RPS), o FAP a ser aplicado sobre as alíquotas previstas nos incisos I a III do art. 202 do RPS deverá conter 4 (quatro) casas decimais e, portanto, para o cálculo correto da contribuição de que trata o art. 202 do RPS, as alíquotas a serem utilizadas após a aplicação do FAP também deverão conter 4 (quatro) casas decimais. 9.2 Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um pecúlio formado compulsoriamente pelo empregador, em nome do empregado, depositado em conta vinculada e administrado por um Conselho Curador Nacional, tendo como agente operador a Caixa Econômica Federal (CEF). O percentual do encargo estabelecido no artigo 15 da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, é de 8% sobre o valor total da remuneração do trabalhador. A conta do FGTS poderá ser movimentada nas situações previstas no artigo 20 da Lei nº 8.036/1990, como: no caso de dispensa imotivada (sem justa causa) pelo empregador, na demissão de comum acordo, na aposentadoria concedida pelo INSS, no falecimento do empregado, na conta inativa por 3 anos, no caso de trabalhador com 70 anos ou mais, além de outras situações excepcionais, previstas no artigo 20 da Lei nº 8.036/1990. LEI Nº 8.036/1990 Art. 15. Para os fins previstos nesta lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8 (oito) por cento da remuneração paga ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os arts. 457 e 458 da CLT e a gratificação de Natal a que se refere a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei nº 4.749, de 12 de agosto de 1965. (Vide Lei nº 13.189, de 2015) 56 [...] Art. 20. A conta vinculada do trabalhador no FGTS poderá ser movimentada nas seguintes situações: I – despedida sem justa causa, inclusive a indireta, de culpa recíproca e de força maior; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.197-43, de 2001) I-A – extinção do contrato de trabalho prevista no art. 484-A da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-lei no 5.452, de 1o de maio de 1943; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) II – extinção total da empresa, fechamento de quaisquer de seus estabelecimentos, filiais ou agências, supressão de parte de suas atividades, declaração de nulidade do contrato de trabalho nas condições do art. 19-A, ou ainda falecimento do empregador individual sempre que qualquer dessas ocorrências implique rescisão de contrato de trabalho, comprovada por declaração escrita da empresa, suprida, quando for o caso, por decisão judicial transitada em julgado; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.164-41, de 2001) III – aposentadoria concedida pela Previdência Social; IV – falecimento do trabalhador, sendo o saldo pago a seus dependentes, para esse fim habilitados perante a Previdência Social, segundo o critério adotado para a concessão de pensões por morte. Na falta de dependentes, farão jus ao recebimento do saldo da conta vinculada os seus sucessores previstos na lei civil, indicados em alvará judicial, expedido a requerimento do interessado, independente de inventário ou arrolamento; V – pagamento de parte das prestações decorrentes de financiamento habitacional concedido no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), desde que: a) o mutuário conte com o mínimo de 3 (três) anos de trabalho sob o regime do FGTS, na mesma empresa ou em empresas diferentes; b) o valor bloqueado seja utilizado, no mínimo, durante o prazo de 12 (doze) meses; c) o valor do abatimento atinja, no máximo, 80 (oitenta) por cento do montante da prestação; VI – liquidação ou amortização extraordinária do saldo devedor de financiamento imobiliário, observadas as condições estabelecidas pelo Conselho Curador, dentre elas a de que o financiamento seja concedido no âmbito do SFH e haja interstício mínimo de 2 (dois) anos para cada movimentação; VII – pagamento total ou parcial do preço de aquisição de moradia própria, ou lote urbanizado de interesse social não construído, observadas as seguintes condições: (Redação dada pela Lei nº 11.977, de 2009) a) o mutuário deverá contar com o mínimo de 3 (três) anos de trabalho sob o regime do FGTS, na mesma empresa ou empresas diferentes; b) seja a operação financiável nas condições vigentes para o SFH; VIII – quando o trabalhador permanecer três anos ininterruptos, a partir de 1º de junho de 1990, fora do regime do FGTS, podendo o saque, neste caso, ser efetuado a partir do mês de aniversário do titular da conta. (Redação dada pela Lei nº 8.678, de 1993) IX – extinção normal do contrato a termo, inclusive o dos trabalhadores temporários regidos pela Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974; X – suspensão total do trabalho avulso por período igual ou superior a 90 (noventa) dias, comprovada por declaração do sindicato representativo da categoria profissional. XI – quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes for acometido de neoplasia maligna. (Incluído pela Lei nº 8.922, de 1994) XII – aplicação em quotas de Fundos Mútuos de Privatização, regidos pela Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, permitida a utilização máxima de 50 % (cinquenta por cento) do saldo existente e disponível em sua conta vinculada do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, na data em que exercer a opção. (Incluído pela Lei nº 9.491, de 1997) XIII – quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes for portador do vírus HIV; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.164-41, de 2001) XIV – quando o trabalhador ou qualquer de seus dependentes estiver em estágio terminal, em razão de doença grave, nos termos do regulamento; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.164-41, de 2001) XV – quando o trabalhador tiver idade igual ou superior a setenta anos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.164-41, de 2001) XVI – necessidade pessoal, cuja urgência e gravidade decorra de desastre natural, conforme disposto em regulamento, observadas as seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 10.878, de 2004) 57 a) o trabalhador deverá ser residente em áreas comprovadamente atingidas de Município ou do Distrito Federal em situação de emergência ou em estado de calamidade pública, formalmente reconhecidos pelo Governo Federal; (Incluído pela Lei nº 10.878, de 2004) b) a solicitação de movimentação da conta vinculada será admitida até 90 (noventa) dias após a publicação do ato de reconhecimento, pelo Governo Federal, da situação de emergência ou de estado de calamidade pública; e (Incluído pela Lei nº 10.878, de 2004) c) o valor máximo do saque da conta vinculada será definido na forma do regulamento. (Incluído pela Lei nº 10.878, de 2004) XVII – integralização de cotas do FI-FGTS, respeitado o disposto na alínea i do inciso XIII do art. 5o desta Lei, permitida a utilização máxima de 30% (trinta por cento) do saldo existente e disponível na data em que exercer a opção. (Redação dada pela Lei nº 12.087, de 2009) XVIII – quando o trabalhador com deficiência, por prescrição, necessite adquirir órtese ou prótese para promoção de acessibilidade e de inclusão social. (Incluído pela Lei nº 13.146, de 2015) XIX – pagamento total ou parcial do preço de aquisição de imóveis da União inscritos em regime de ocupação ou aforamento, a que se referem o art. 4o da Lei no 13.240, de 30 de dezembro de 2015, e o art. 16-A da Lei no 9.636, de 15 de maio de 1998, respectivamente, observadas as seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) a) o mutuário deverá contar com o mínimo de três anos de trabalho sob o regime do FGTS, na mesma empresa ou em empresas diferentes; (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) b) seja a operação financiávelnas condições vigentes para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) ou ainda por intermédio de parcelamento efetuado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), mediante a contratação da Caixa Econômica Federal como agente financeiro dos contratos de parcelamento; (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) c) sejam observadas as demais regras e condições estabelecidas para uso do FGTS. (Incluído pela Lei nº 13.465, de 2017) 9.3 Contribuições para outras entidades (terceiros) Além das Contribuições Previdenciárias e do FGTS, também incidem sobre a folha de pagamento mensal as contribuições sociais destinadas a outras entidades: entidades do sistema “S”, INCRA e Salário-educação. O Sistema “S” é o termo que define o conjunto de organizações das entidades corporativas voltadas para o treinamento profissional, assistência social, bem-estar, saúde, educação, lazer, consultoria, pesquisa e assistência técnica, que além de terem seu nome iniciado com a letra S, têm raízes comuns e características organizacionais similares. Fazem parte do sistema “S”: Serviço Social da Indústria (SESI), Serviço Social do Comércio (SESC), Serviço Social do Transporte (SEST), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), do Transporte (SENAT), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOOP). Para o cálculo das contribuições para outras entidades, a própria empresa faz o seu enquadramento, utilizando o Anexo II da Instrução Normativa nº 971/2009 da Receita Federal do Brasil (RFB), em um dos códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS), de acordo com as atividades por ela desenvolvidas, e, com base nesse código, saberá qual a alíquota de recolhimento a que estará sujeita. IN RFB Nº 971/2009 Art. 109-B. Cabe à pessoa jurídica, para fins de recolhimento da contribuição devida a terceiros, classificar a atividade por ela desenvolvida e atribuir-lhe o código FPAS correspondente, sem prejuízo da atuação, de ofício, da autoridade administrativa. [...] Art. 109-C. A classificação de que trata o art. 109-B terá por base a principal atividade desenvolvida pela empresa, assim considerada a que constitui seu objeto social, conforme declarado nos atos constitutivos e no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ, observadas as regras abaixo, na ordem em que apresentadas: [...] § 2º Classificada a atividade na forma deste artigo, ser-lhe-ão atribuídos o código FPAS e as alíquotas de contribuição correspondentes, de acordo com as seguintes tabelas (Quadros 1 a 58 6), considerado o grupo econômico como indicativo das diversas atividades em que se decompõe: O FPAS é um código que identifica a atividade econômica que a empresa exerce. É através do FPAS indicado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência (GFIP) que a RFB, entidade responsável pelo recolhimento, cobrança, arrecadação e fiscalização da contribuição social, saberá quais as entidades beneficiadas com as contribuições sociais. De acordo com a atividade econômica identificada, a empresa tem a responsabilidade de se enquadrar em um dos códigos do FPAS, de acordo com a tabela a seguir: 59 60 Deste modo, os percentuais referentes aos encargos sociais aplicados sobre a folha de pagamento das empresas, considerando a alíquota de 5,8% (encargos outras entidades) para as empresas em geral, são os seguintes: Encargos sociais Percentual INSS 20% FGTS 8% SESI/SESC 1,5% SENAI/SENAC 1% SEBRAE 0,60% 5,8% INCRA 0,20% SALÁRIO-EDUCAÇÃO 2,5% GIIL-RAT (antigo SAT)* 1%, 2% ou 3% RAT Ajustado (RAT x FAP)** de 0,5% a 6% % TOTAL ENCARGOS SOCIAIS de 34,3% a 39,8%*** * Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho. ** O multiplicador do FAP varia de 0,5% a 2%. *** Percentual mínimo de 34,3% (se RAT 1% com FAP 0,5%) e percentual máximo de 39,8% (se RAT 3% com FAP 2%). 9.4 Percentual mensal dos encargos sociais para a conta vinculada Por conseguinte, para identificar o percentual que deveria ser provisionado à conta vinculada, referente aos encargos sociais incidentes sobre as férias com o abono e sobre o 13º salário, conforme item III artigo 2º do Decreto nº 34.649/2013, deveria ser aplicado o percentual total dos encargos sociais acima apurados (de 34,3% a 39,8% a depender do RAT ajustado da empresa), sobre o percentual total de 19,44%, referente às obrigações trabalhistas de 13º salário, férias e abono de férias, conforme quadro no item 8.4 desta apostila. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 2º Para os fins deste Decreto são consideradas as seguintes provisões trabalhistas: I – 13º salário; II – férias e abono de férias; III – impacto sobre férias e 13º salário; e IV – multa do FGTS. Importante destacar que todos esses encargos trabalhistas e sociais constam na planilha de custo e formação de preços apresentada pela empresa, nos contratos de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra. 9.5 Itens da Planilha de Custo e Formação de Preços A Planilha de Custo e Formação de Preços compreende o custo total com o trabalhador e deve conter em sua composição as seguintes rubricas: 1) Remuneração; 2) Benefícios anuais, mensais e diários; 3) Encargos Previdenciários, do FGTS e outras contribuições; 4) Provisão para rescisão; 5) Custo de reposição do profissional ausente; 6) Insumos diversos; e 61 7) Custos indiretos, tributos e lucro. A título de demonstração, anexou-se, a seguir, uma planilha de custo e formação de preços para analisar os encargos sociais destacados. 62 9.6 Situações diferenciadas de tributação 9.6.1 ME e EPP optantes pelo SIMPLES Cabe ressaltar que as microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP), que optarem por aderir ao SIMPLES NACIONAL, terão tratamento jurídico diverso, dado pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e terão custos diferenciados referentes aos encargos previdenciários, pois estas empresas efetuam recolhimento mensal único com diversos tributos e contribuições, conforme artigo 13 da citada lei. LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006 Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: I – Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II – Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; III – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); IV – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; V – Contribuição para o PIS/Pasep, observado o disposto no inciso XII do § 1º deste artigo; VI – Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades de prestação de serviços referidas no § 5º-C do art. 18 desta Lei Complementar; VII – Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); VIII – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). [...] § 3º As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam dispensadas do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, inclusive as contribuições para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, de que trata o art. 240 da Constituição Federal, e demais entidades de serviço social autônomo. As micro e pequenas empresas, optantes pelo SIMPLES, conforme previsão contida no § 3º do artigo13 da Lei Complementar nº 123/2006, ficam dispensadas do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, inclusive as contribuições para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional e demais entidades de serviço social autônomo (Sistema “S”, INCRA, Salário-educação). Entretanto, permanece para as microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo SIMPLES, a incidência do FGTS, conforme o § 1º, inciso VIII do artigo 13 da Lei Complementar nº 123/2006: LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006 Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: [...] § 1º O recolhimento na forma deste artigo não exclui a incidência dos seguintes impostos ou contribuições, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: [...] VIII – Contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); Importante destacar que a Lei Complementar nº 123/2006 vedou em seu artigo 17, inciso XII, o recolhimento de impostos e contribuições na forma do SIMPLES às microempresas e empresas de pequeno porte que realizem cessão ou locação de mão de obra. Porém, a lei trouxe como exceção a esta vedação os serviços de vigilância, limpeza ou conservação, nos termos do § 1º do artigo 17 e § 5º-C do artigo 18 da mencionada lei. 63 LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] XII – que realize cessão ou locação de mão de obra; [...] § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§ 5º-B a 5º-E do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. [...] Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional será determinado mediante aplicação das alíquotas efetivas, calculadas a partir das alíquotas nominais constantes das tabelas dos Anexos I a V desta Lei Complementar, sobre a base de cálculo de que trata o § 3o deste artigo, observado o disposto no § 15 do art. 3o. (Redação dada pela Lei Complementar nº 155, de 2016) [...] § 5º-C Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, as atividades de prestação de serviços seguintes serão tributadas na forma do Anexo IV desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo ela ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis: [...] VI – serviço de vigilância, limpeza ou conservação. Conforme previsto no artigo acima, nota-se que ME e EPP que prestam serviços de vigilância, limpeza ou conservação, podem optar pelo SIMPLES, mas não recolhem a Contribuição Patronal Previdenciária (CPP – INSS e RAT – artigo 22 da Lei nº 8.212/1991) por meio do Simples Nacional, e sim, segundo a legislação aplicável aos demais contribuintes. 9.6.2 CPRB A sigla CPRB corresponde à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta, instituída pelo artigo 7º da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, em substituição à contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento (INSS patronal), para alguns setores da economia, dentre eles, empresas do setor da construção civil, do setor de Tecnologia da Informação (TI) e do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). LEI nº 12.546/2011 Art. 7º Poderão contribuir sobre o valor da receita bruta, excluídos as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: (Redação dada pela Lei nº 13.161, de 2015) I – as empresas que prestam os serviços referidos nos §§ 4º e 5º do art. 14 da Lei no 11.774, de 17 de setembro de 2008; (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) [...] IV – as empresas do setor de construção civil, enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0; Utiliza-se também o termo "Desoneração da Folha de Pagamento" para caracterizar o tributo, pois, em tese, a CPRB tende a ser menor que a contribuição previdenciária calculada sobre a folha. Em tese, porque há atividades em que o faturamento é alto e a utilização de mão de obra é baixa (como as empresas de programação que terceirizam a pesquisa, produção, implementação e outras fases do produto). O cálculo e recolhimento da CPRB era obrigatório até 30/11/2015 para as atividades a ela sujeitas. A partir de 1º/12/2015, com a edição da Lei nº 13.161, de 31 de agosto de 2015, passou a ser opcional, com alíquota de até 4,5% sobre o valor da receita bruta, em substituição à contribuição do INSS patronal, cuja alíquota é de 20% sobre o total das remunerações pagas aos funcionários. 64 LEI Nº 12.546/2011 Art. 7o-A. A alíquota da contribuição sobre a receita bruta prevista no art. 7o será de 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento), exceto para as empresas de call center referidas no inciso I, que contribuirão à alíquota de 3% (três por cento), e para as empresas identificadas nos incisos III, V e VI, todos do caput do art. 7o, que contribuirão à alíquota de 2% (dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 13.202, de 2015) Art. 9º [...] § 13. A opção pela tributação substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º será manifestada mediante o pagamento da contribuição incidente sobre a receita bruta relativa a janeiro de cada ano, ou à primeira competência subsequente para a qual haja receita bruta apurada, e será irretratável para todo o ano calendário. (Incluído pela Lei nº 13.161, de 2015) O parágrafo 6º do artigo 7º da Lei nº 12.546/2011 determina que o tomador/contratante efetue a retenção de 3,5% sobre o valor da nota fiscal dos serviços executados mediante cessão de mão de obra (em vez dos 11%), para os casos das contratadas optantes pela CPRB, a título de antecipação de pagamento da contribuição previdenciária: LEI Nº 12.546/2011 Art. 7º Poderão contribuir sobre o valor da receita bruta, excluídos as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, em substituição às contribuições previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: (Redação dada pela Lei nº 13.161, de 2015) [...] § 6º No caso de contratação de empresas para a execução dos serviços referidos no caput, mediante cessão de mão de obra, na forma definida pelo art. 31 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e para fins de elisão da responsabilidade solidária prevista no inciso VI do art. 30 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante deverá reter 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014) Em razão de todo o exposto, verifica-se que os encargos sociais devidos pelas empresas não são fixos, pois variam de acordo com o código CNAE, GIIL- RAT, FAP, opção pelo SIMPLES e opção pela CPRB. Sendo assim, os encargos sociais devidos sobre o 13º salário, férias e abono de férias, para fins de depósito na conta vinculada, visando ilidir a responsabilidade da Administração, deveria ser variável de acordo com a atividade econômica e opções tributárias da empresa contratada, levando- se em consideração os encargos existentes em sua planilha de custo e formação de preços. 9.7 Percentual estabelecido pela legislação do DF O Decreto nº 34.649/2013, inicialmente, estabeleceu em seu Anexo os percentuais parciais para o contingenciamento à conta vinculada, sendo o percentual total definido em 32,82%:Anexo do Decreto nº 34.649 de 10/9/2013 Posteriormente, por meio do Decreto nº 36.164/2014, houve alteração dos percentuais das provisões de férias e multa FGTS, passando o percentual total de contingenciamento para 30,83%, conforme tabela a seguir: 65 Anexo do Decreto nº 36.164, de 18/12/2014 Sendo assim, atualmente, com base do Decreto DF nº 34.649/2013, alterado pelo Decreto DF nº 36.164/2014, o percentual total a ser utilizado, para retenção das provisões trabalhistas destinadas à conta vinculada, é de 30,83% sobre o salário do empregado, para assegurar os recursos destinados ao 13º salário, férias, abono de férias, multa do FGTS bem como os encargos sobre o 13º salário, férias e abono de férias. O referido Decreto fixou em 7,39% os encargos sociais incidentes sobre o 13º salário e férias, semelhante ao que é aplicado na IN nº 5/2017 (Anexo XII), cuja memória de cálculo é a seguinte: 13º salário = aprox. 9,09% (1/11) Férias + adicional de férias = aprox. 12,10% (1/11 +1/11 X 1/3)) Total Encargos de 13º salário e férias = aprox. 21,19% (9,09% + 12,10%) Encargos sociais considerados = 34,8% (RAT ajustado de 1%); Encargos sociais sobre 13º salário e férias c/ adicional= 34,8% X 21,19% = aprox. 7,39%. Se fossem considerados os encargos sociais de 34,8% sobre os percentuais de 13º salário e férias do próprio anexo do Decreto Distrital, o percentual seria de aproximadamente 6,77%. Para identificar a parcela de encargos depositados na conta vinculada relativa ao 13º e relativa às férias, aplica-se uma regra de 3, e encontram-se os seguintes percentuais: 3,17% (8,33% / 19,44% X 7,39%) = encargos de 13º salário; e 4,22% (11,11% / 19,44% X 7,39%) = encargos de férias e abono de férias. Conclui-se, assim, que o percentual total das rubricas para a conta vinculada deveria variar de empresa para empresa, porém, conforme previsto no Decreto nº 34.649/2013, alterado pelo Decreto nº 36.164/2014, o percentual é fixo para todas as empresas, o que transforma essas rubricas em uma aproximação desses encargos, e não o montante efetivamente a ser pago ao trabalhador a título de férias, 13º e multa do FGTS, ou, ao estado a título de contribuição social sobre a folha de pagamentos de 13º e férias. Portanto, conforme estabelece o artigo 1º, inciso I, do Decreto nº 34.649/2013, com alteração posterior, deverão constar nos editais de licitação e nos contratos de prestação de serviços de terceirização, os percentuais das rubricas que serão provisionadas e depositadas em conta vinculada. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 1º Os editais licitatórios e os contratos de prestação de serviços continuados, com dedicação exclusiva de mão de obra, formalizados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal, deverão conter cláusulas relativas à retenção provisória e mensal de provisões trabalhistas, constando especialmente: I – os percentuais das rubricas indicadas no art. 2º deste Decreto, para fins de provisionamento; 66 10 VALORES PARA DEPÓSITO MENSAL NA CONTA VINCULADA 10.1 Cálculo do valor mensal destinado à conta vinculada Para apurar o valor mensal a ser destinado à conta vinculada de cada contrato, deve-se efetuar a seguinte operação: Salário do funcionário X Percentual (%) X Nº de funcionários Havendo mais de uma categoria de funcionários, é necessário fazer essa mesma operação para cada categoria, apurando-se, assim, o valor total mensal a ser retido da fatura mensal da empresa contratada e destinado à conta vinculada da empresa. Apurado o valor total mensal destinado à conta vinculada, este será fixado no contrato e observado pela área competente pela retenção, conforme planilha modelo a seguir: 10.2 Alteração do valor mensal destinado à conta vinculada Segundo averiguou-se, após calculado o valor mensal destinado à conta vinculada, este será estabelecido no termo de contrato, retido mensalmente da nota fiscal da empresa contratada e depositado na conta vinculada da empresa junto ao BRB. Em regra, este valor é fixo, ou seja, será retido mensalmente durante toda a vigência do contrato. Contudo, poderá ser alterado, tanto para mais quanto para menos, nas seguintes situações: Alteração do valor do salário dos empregados; Alteração da quantidade de postos de trabalho; e Alteração do percentual de incidência. Havendo apuração de um novo valor a ser destinado à conta vinculada, este deverá constar no contrato, por meio de termo aditivo ou termo de apostilamento. 10.2.1 Aumento do salário dos empregados Umas das hipóteses de alteração do valor mensal destinado à conta vinculada, é o aumento do salário dos empregados, por meio de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) ou Dissídio Coletivo. Essa situação é muito comum de ocorrer, uma vez que a maioria das categorias realiza negociação para alterar os salários dos empregados uma vez por ano. Nesse caso, tão logo ocorra a solicitação de repactuação do contrato pela empresa contratada, a Administração deverá providenciar o termo aditivo ao contrato ou o seu apostilamento. ATENÇÃO! Em caso de diferença a pagar à empresa contratada, no momento do pagamento da nota fiscal referente ao retroativo da diferença da repactuação, deverá ser apurada a parcela correspondente para retenção e depósito na conta vinculada. 67 10.2.2 Alteração da quantidade de empregados Outra hipótese que pode vir a alterar o valor mensal destinado à conta vinculada, é a alteração da quantidade de funcionários terceirizados, por meio de acréscimo ou decréscimo, em razão de necessidade da Administração Pública. Nessa situação, a Administração deverá promover a alteração contratual mediante termo aditivo ao contrato, no qual constará o cálculo do novo valor mensal a ser destinado à conta vinculada, a partir da data em que houver o acréscimo ou decréscimo do posto. 10.2.3 Alteração do percentual A terceira hipótese que pode ocasionar a alteração do valor mensal a ser destinado à conta vinculada, é a alteração do percentual de retenção, sendo esta a possibilidade mais difícil de acontecer, uma vez que exige uma alteração legislativa, já que o percentual é estabelecido por meio do Decreto nº 34.649/2013, alterado pelo Decreto nº 36.164/2014. Contudo, ocorrendo a modificação legislativa, deverá ser efetuado o aditamento do contrato para indicar o novo valor mensal destinado à conta vinculada. 11 CONTROLE MENSAL DE CONTA VINCULADA A gestão e o controle da conta vinculada se destinam a garantir os recursos necessários para o cumprimento das obrigações previdenciárias e trabalhistas, em caso de inadimplemento da empresa contratada durante a execução contratual bem como de extinção ou de rescisão do contrato administrativo. Para que a conta vincula alcance o objetivo pretendido, há necessidade de instrumentos de controle eficientes, desde o início de sua implementação e durante toda a execução do contrato. A gestão eficiente da conta vinculada envolve: acompanhamento da correção do valor depositados mensalmente na conta vinculada; acompanhamento de alterações contratuais que modifiquem a quantidade de mão de obra contratada; acompanhamento de repactuação contratual, em relação à alteração do valor do salário dos funcionários; conciliação bancária; controle dos valores individualizados, por empregado, e por provisão; e conferência de documentos, confirmação das verbas devidas aos trabalhadores e apuração do montante passível de liberação. 11.1 Autuação de processo específico É necessário providenciar a abertura de processo específico para cada conta vinculada, no qual tramitarão os procedimentos relativos: aos pedidos de liberação de valores durante a execução do contrato; à conciliação bancária; ao controle de pessoal e de valores; e à liberação do saldo residual no encerramento do contrato. Paratanto, sugere-se que, ao início do contrato, seja incluída no processo a seguinte documentação: Comprovante de abertura da conta vinculada da empresa; Cópia do contrato; e Relação da mão de obra com os dados importantes. E, durante a execução contratual, recomenda-se juntar ao processo da conta vinculada, os seguintes documentos, dentre outros: Ordens Bancárias dos depósitos mensais; Extratos mensais da conta vinculada; 68 Termos Aditivos e de Apostilamento ao Contrato; Relatórios do executor com as alterações da mão de obra; Pedidos de liberação, com a documentação devida; Instrução processual referente à análise do pedido de liberação, com a apuração dos valores a liberar; Autorização de liberação de valores (ofício ao BRB). 11.2 Controle dos empregados Ao início do contrato, deve-se solicitar ao executor do contrato a relação dos empregados com os seguintes dados: nome completo, CPF, cargo/função, data de admissão na empresa, data de admissão no contrato de terceirização, salário-base, entre outros, para criar uma planilha de controle, visando acompanhar as movimentações individualizadas de valores da conta vinculada por funcionário e por provisão. Mensalmente, faz-se necessário que o executor do contrato informe as alterações de pessoal: férias, desligamentos, licença maternidade, licença médica, entre outras. O gestor da conta vinculada também deve acompanhar os aditamentos contratuais com acréscimo e decréscimo de mão de obra, pois isto impacta em seu controle individualizado por funcionário, além do controle dos valores. 11.3 Conciliação bancária Mensalmente, é necessário solicitar os extratos das contas vinculadas ao BRB, para efetuar a conciliação bancária das contas, conferindo os depósitos efetuados bem como os eventuais saques autorizados. Deve-se observar nos extratos bancários: Se o montante mensal depositado pelo órgão, referente à retenção de valor da nota fiscal da contratada, foi creditado corretamente, observando a data e o valor do depósito. Se os débitos existentes na conta foram devidamente autorizados e se guardam conformidade com a data e valor autorizados. Em razão da obrigatoriedade de a instituição financeira remunerar os valores depositados em conta vinculada, conforme disposto no artigo 6º do Decreto nº 34.649/2013, e conforme previsão contida no Acordo de Cooperação Técnica, o BRB aplica os recursos depositados na conta vinculada em investimentos de renda fixa, por meio do Certificado de Depósito Bancário (CDB) de 30 dias. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 6º Os valores retidos mensalmente serão depositados na conta vinculada respectiva no Banco de Brasília S/A (BRB) e remunerados pelo índice da poupança ou outro definido no Acordo de Cooperação Técnica, previsto no art. 7º deste Decreto, adotando-se o índice de maior rentabilidade. À primeira vista, seria fácil realizar a conferência desses extratos bancários, se não fossem os inúmeros lançamentos mensais de débito e crédito existentes, em razão das aplicações e resgates (do principal e do rendimento) no CDB. A título de curiosidade, apresenta-se, a seguir, um extrato mensal de conta vinculada, no qual somente há um depósito mensal e uma liberação de valor para a contratada, sendo os demais lançamentos relativos à aplicação dos recursos pela instituição bancária. 69 70 11.4 Ferramenta para controle de valores por empregado e por provisão Em virtude da exigência contida no § 5º do artigo 11 do Decreto nº 34.649/2013, de que não poderão ser liberados valores superiores aos limites individuais por tipo de provisão, sendo vedado o pagamento de uma provisão com recursos destinados a outra, faz-se necessário que a Administração promova controles individualizados, por empregado e por rubrica, para cumprir a determinação legal no momento das liberações parciais solicitadas pela contratada. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal ao órgão ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado de documentos comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das provisões, atestado por profissional responsável pelos cálculos. [...] § 5º O montante da provisão a ser liberada não poderá exceder os limites individuais constituídos para cada tipo de provisão, conforme percentuais estabelecidos no anexo deste Decreto, não sendo admitido o pagamento de uma provisão com recursos constituídos para outra. § 6º O BRB e o órgão ou entidade contratante estabelecerão procedimentos de modo a aferir o cumprimento do disposto no parágrafo anterior. Com o intuito de assegurar que somente serão liberados valores de acordo com os limites individuais das provisões, o mencionado Decreto determinou que, tanto o órgão público quanto o BRB, deverão estabelecer procedimentos para mitigar os riscos e aferir a propriedade dos valores a serem liberados da conta vinculada. Em razão dessa determinação, o BRB fez constar em sua minuta padronizada do Acordo de Cooperação Técnica, as obrigações daquela instituição, das quais destacam-se: Implementar ferramenta informatizada; Estabelecer procedimentos informatizados para que os órgãos possam aferir a propriedade dos valores a serem liberados; Disponibilizar ferramenta de controle das provisões trabalhistas e de empregados; Disponibilizar acesso on line à conta vinculada para gerenciamento e acompanhamento dos recursos depositados. MINUTA ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA BRB CLÁUSULA QUARTA – DAS OBRIGAÇÕES DAS PARTES: São obrigações do BRB – Banco de Brasília S.A: I – Abrir as CONTAS, disponibilizar saldos e extratos e efetuar movimentações solicitadas ou previamente autorizadas pelo Órgão ou Entidade. II – Implementar ferramenta informatizada de modo a assegurar que os recursos da Conta Vinculada não sejam utilizados para outros fins, senão aqueles previstos no art. 2 incisos I, II, III e IV do Decreto no 34.649 de 10 de setembro de 2013. III – Estabelecer procedimentos informatizados para que o órgão ou entidade possam aferir a propriedade dos valores a serem liberados. IV – Prestar apoio técnico operacional ao Órgão ou Entidade e à EMPRESA CONTRATADA, necessário à execução dos serviços objeto deste Acordo. V – Disponibilizar ao Órgão ou Entidade ferramenta de controle das provisões trabalhistas e de empregados contratados pelas empresas prestadoras de serviços. VI – Informar ao Órgão ou Entidade qualquer ocorrência que comprometa a operacionalização de Contas Vinculadas. VII – Disponibilizar acesso on line à Conta Vinculada de modo a permitir que Órgão ou Entidade gerencie e acompanhe os recursos depositados. A elaboração e disponibilização de ferramenta de controle pelo BRB, para aferir os valores das provisões a liberar, visa diminuir o custo de transação da conta vinculada, facilitando a sua gestão pelos órgãos públicos do DF. Entretanto, o sistema de controle desenvolvido pelo BRB ainda está em fase de testes e apresenta algumas dificuldades operacionais. 71 Importante salientar que a Administração Pública também está obrigada a estabelecer procedimentos visando gerenciar a conta vinculada, de forma a assegurar que somente sejam liberados valores relativos à determinada provisão. Deste modo, faz-se indispensável que a Administração utilize ferramenta de controle informatizado, para que possa gerenciar os valores depositados e os valores liberados, referentes a cada provisão e a cada empregado. As ferramentas de controle a serem utilizadas para gerenciar as contas vinculadas são de discricionariedade de cada órgão, em razão de suas peculiaridades. Apresentam-se, a seguir, a título de exemplo, telas do controle atualmente utilizado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). O controle foi desenvolvido no Excel e utiliza-se a ferramenta da tabeladinâmica para emissão de relatórios, visando apurar os depósitos e os saques, por mês, por funcionário e por rubrica, e identificar o valor possível de ser liberado pela Administração. Figura 1 – Tabela com filtro em uma determinada empresa e em determinado mês, na qual constam as seguintes informações: relação dos empregados, com os dados pessoais; valores depositados e sacados no mês, por provisão. Figura 2 – Tabela dinâmica com valores depositados, mês a mês, nas rubricas de 13º salário, férias, multa FGTS, encargos sobre 13º salário e encargos sobre férias, referente a 1 funcionário selecionado. Figura 3 – Tabela dinâmica com valores depositados e saques realizados, mês a mês, nas rubricas de 13º salário e férias, referente a 1 funcionário selecionado. 72 Figura 1 An o/M ês No me Em pr es a Da ta de Ad mi ss ão Da ta De sli ga me nt o Si tu aç ão Fu nç ão CP F Sa lár io Ba se Va lor M en sa l de sti na do à co nt a vin cu lad a (30 ,83 % ) Va lor 13 º S alá rio (27 ,02 % de 30 ,83 % ) Va lor Fé ria s (36 ,04 % de 30 ,83 % ) Va lor FG TS (12 ,97 % de 30 ,83 % ) Va lor E nc ar go s s / 13 º s al (10 ,28 % de 30 ,83 % ) Va lor E nc ar go s s / Fé ria s ( 13 ,69 % de 30 ,83 % ) Sa qu e 1 3º Sa lár io (8, 33 % ) Sa qu e F ér ias (11 ,11 % ) Sa qu e F GT S (4% ) Sa qu e En ca rg os s/ 13 º s al (3, 17 % ) Sa qu e En ca rg os s/ Fé ria s ( 4,2 2% ) 20 18 /03 Ja qu eli ne O live ira A lve s INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO En ca rre ga do 02 4.7 57 .18 1-4 5 3.9 01 ,83 R$ 1.2 02 ,93 R$ 32 5,0 3 R$ 43 3,5 4 R$ 15 6,0 2 R$ 12 3,6 6 R$ 16 4,6 8 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Je hm es C ura do S an tos INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO En ca rre ga do 81 3.7 96 .17 1-2 0 3.9 01 ,83 R$ 1.2 02 ,93 R$ 32 5,0 3 R$ 43 3,5 4 R$ 15 6,0 2 R$ 12 3,6 6 R$ 16 4,6 8 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Fr an cis co Lo pe s d a C ruz INV ES TC AR 12 /06 /20 17 14 /08 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a d e S erv iço 15 0.1 62 .69 1-4 9 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ad elm ir V en an ça da S ilva INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 97 1.2 89 .10 3-8 7 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 -R $ 2 .35 9,7 9 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ag en or Te ixe ira M art ins INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 68 9.6 73 .57 1-6 8 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ag ild o d os S an tos C ez ar INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 78 8.5 99 .21 4-4 9 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ale ss an dro S an tan a d os S an tos INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO / F EIR IST A MO T E XE C Mo tor ist a d e S erv iço 83 6.8 93 .62 1-7 2 1.9 50 ,00 R$ 22 0,4 3 R$ 59 ,56 R$ 79 ,44 R$ 28 ,59 R$ 22 ,66 R$ 30 ,18 R$ R$ 0, 00 -R $ 2 .33 1,3 5 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Cl au dim ar Ed ua rdo de O live ira INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 37 1.9 74 .60 1-1 5 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 De us im ar Be ze rra M art ins INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 31 3.3 40 .32 1-4 9 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ev era ldo G om es B ras il INV ES TC AR 28 /10 /20 16 05 /11 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a d e S erv iço 50 4.8 67 .72 1-8 7 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Iza ias A lve s M ari nh o INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 57 8.6 58 .25 1-5 3 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Le on ard o L uc as V ita lin o INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 61 9.1 56 .02 1-4 9 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ma uri lio Fe rre ira do s S an tos INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 74 4.8 25 .05 6-6 8 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ro be rto H en riq ue de O live ira INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 22 6.9 11 .97 1-1 5 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Af on so A luís io de P ád ua INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o4 14 .02 9.0 11 -00 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,56 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ala cíli o O live ira P rad o INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o2 40 .04 3.5 91 -04 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ala n P ere ira G om es INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o0 11 .31 2.2 31 -44 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ald o C un ha S ou sa INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o7 11 .24 4.2 01 -00 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 An tôn io Ma rtin s d e A qu ino INV ES TC AR 28 /10 /20 16 21 /03 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a E xe cu tiv o2 68 .60 6.5 11 -72 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Br un no B arr os Li ma S ou za O live ira INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o0 23 .23 9.8 11 -96 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Da nil o R en e P ere da INV ES TC AR 28 /10 /20 16 01 /08 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a E xe cu tiv o0 06 .06 7.9 91 -33 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Hu mb ert o A lve s d os S an tos INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o6 91 .19 0.1 51 -00 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Iza ac Ju vê nc io M. de Fi gu eir ed o N eto INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o0 01 .65 2.2 71 -09 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Jo aq uim A nto nio Lo pe s INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o2 56 .57 0.8 08 -40 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Jo rda n L en no n P . C on rad o D an tas INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o0 36 .53 1.8 01 -98 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 -R $ 3 .69 9,0 3 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Jo sé C ân did o d e S á INV ES TC AR 28 /10 /20 16 01 /08 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a E xe cu tiv o2 61 .87 1.6 71 -04 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Jo sé Fr an cis co de S ou sa INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o2 73 .25 8.7 33 -87 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Jo sé Le an do de S ou sa Fi lho INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o7 26 .97 0.2 41 -15 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ra im un do Jo sé S ilva C os ta INV ES TC AR 28 /10 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o1 85 .56 9.7 31 -91 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Uly ss es A ntô nio G om es de O live ira INV ES TC AR 28 /10 /20 16 01 /08 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a E xe cu tiv o7 31 .48 7.9 21 -49 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 St ev on D ou gla s N un es de Li ma S ilva no INV ES TC AR 01 /12 /20 16 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 71 9.8 91 .45 1-9 1 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ed so n N un es da S ilva INV ES TC AR 23 /03 /20 17 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o4 18 .37 3.0 45 -75 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ad em ils on A lve s d e B arr os INV ES TC AR 12 /06 /20 17 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 45 3.7 56 .07 1-1 5 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Jo sé M ilto n A lve s d a L uz INV ES TC AR 12 /06 /20 1720 /11 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a d e S erv iço 84 3.5 40 .97 6-7 2 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 An de rso n F err eir a d a S ilva INV ES TC AR 12 /06 /20 17 25 /07 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a d e S erv iço 69 0.0 90 .40 1-7 8 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ly el Me sq uit a C oe lho INV ES TC AR 12 /07 /20 17 28 /09 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a d e S erv iço 03 7.3 18 .02 1-7 1 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ale ss an dro O live ira INV ES TC AR 26 /07 /20 17 28 /07 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a d e S erv iço 00 6.1 18 .22 1-4 8 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Jo rge A ntô nio de N az aré INV ES TC AR 02 /08 /20 17 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o3 86 .68 4.9 11 -72 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ja rba s B ati sta C oq ue iro INV ES TC AR 02 /08 /20 17 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o3 93 .33 3.0 21 -15 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Mi ch ae l D ou gla s d os S an tos S ou za INV ES TC AR 02 /08 /20 17 n/a AT IVO Mo tor ist a E xe cu tiv o0 06 .06 8.1 81 -03 3.3 30 ,44 R$ 1.0 26 ,77 R$ 27 7,4 3 R$ 37 0,0 5 R$ 13 3,1 7 R$ 10 5,5 5 R$ 14 0,5 6 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Be atr iz Ca tar ina Ib arr a E ch eb arr ie INV ES TC AR 15 /08 /20 17 07 /02 /20 18 DE SL IG AD O Mo tor ist a d e S erv iço 04 7.2 93 .62 1-2 8 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ma rcu s P hil ipi Ib arr a E ch eb arr ie INV ES TC AR 29 /09 /20 17 01 /12 /20 17 DE SL IG AD O Mo tor ist a d e S erv iço 01 0.2 95 .88 1-5 5 - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ - R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ca rlo s F err eir a d os S an tos INV ES TC AR 06 /11 /20 17 n/a FE IRI ST A MO T S ER V Mo tor ist a d e S erv iço 02 3.5 53 .11 1-1 0 1.9 50 ,00 R$ 38 0,7 6 R$ 10 2,8 8 R$ 13 7,2 3 R$ 49 ,38 R$ 39 ,14 R$ 52 ,13 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Br un o H en riq ue R ibe iro do s S an tos INV ES TC AR 06 /11 /20 17 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 03 7.7 64 .36 4-5 0 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ale ss an dro de Je su s D ini z INV ES TC AR 14 /12 /20 17 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 84 8.2 79 .71 1-5 3 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 20 18 /03 Ma rco s L op es Te ixe ira INV ES TC AR 08 /02 /20 18 n/a AT IVO Mo tor ist a d e S erv iço 15 2.3 91 .01 1-9 1 1.9 50 ,00 R$ 60 1,1 9 R$ 16 2,4 4 R$ 21 6,6 7 R$ 77 ,97 R$ 61 ,80 R$ 82 ,30 R$ R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 R$ 0, 00 73 Figura 2 Ró tul os de Lin ha So ma de Va lor M en sal de sti na do à c on ta vin cul ad a ( 30, 83% ) So ma de Va lor 13 º S alá rio (27 ,02 % d e 3 0,8 3% ) So ma de Va lor Fé ria s (3 6,0 4% de 30, 83% ) So ma de Va lor FG TS (12 ,97 % d e 30, 83% ) So ma de Va lor En car go s s / 1 3º sal (10 ,28 % d e 3 0,8 3% ) So ma de Va lor En car go s s / F éri as (13 ,69 % d e 3 0,8 3% ) Jeh me s C ura do Sa nto s 21. 617 ,07 R$ 5.8 40, 98 R$ 7.7 90, 76 R$ 2.8 03, 76 R$ 2.2 22, 27 R$ 2.9 59, 30 R$ 201 6/1 0 112 ,85 R$ 30, 49 R$ 40, 67 R$ 14, 64 R$ 11, 60 R$ 15, 45 R$ 201 6/1 1 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 6/1 2 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$154 ,51 R$ 201 7/0 1 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/0 2 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/0 3 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/0 4 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/0 5 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/0 6 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/0 7 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/0 8 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/0 9 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/1 0 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/1 1 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 7/1 2 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 8/0 1 1.1 28, 67 R$ 304 ,97 R$ 406 ,77 R$ 146 ,39 R$ 116 ,03 R$ 154 ,51 R$ 201 8/0 2 1.2 02, 93 R$ 325 ,03 R$ 433 ,54 R$ 156 ,02 R$ 123 ,66 R$ 164 ,68 R$ 201 8/0 2/R EP AC T20 17 965 ,38 R$ 260 ,85 R$ 347 ,92 R$ 125 ,21 R$ 99, 24 R$ 132 ,16 R$ 201 8/0 3 1.2 02, 93 R$ 325 ,03 R$ 433 ,54 R$ 156 ,02 R$ 123 ,66 R$ 164 ,68 R$ 201 8/0 4 1.2 02, 93 R$ 325 ,03 R$ 433 ,54 R$ 156 ,02 R$ 123 ,66 R$ 164 ,68 R$ To tal Ge ral 21. 617 ,07 R$5.8 40, 98 R$ 7.7 90, 76 R$ 2.8 03, 76 R$ 2.2 22, 27 R$ 2.9 59, 30 R$ 74 Figura 3 Ró tu lo s d e L in ha So m a d e V alo r M en sa l de sti na do à co nt a v in cu lad a (3 0,8 3% ) So m a d e V alo r 1 3º Sa lár io (2 7,0 2% de 30 ,83 %) So m a d e S aq ue 13 º Sa lár io (8 ,33 %) So m a d e V alo r F ér ias (3 6,0 4% de 30 ,83 %) So m a d e S aq ue Fé ria s (1 1,1 1% ) Je hm es Cu ra do Sa nt os 21 .61 7,0 7 R$ 5.8 40 ,98 R$ 3.3 63 ,41 -R $ 7.7 90 ,76 R$ 4.3 09 ,83 -R $ 20 16 /1 0 11 2,8 5 R$ 30 ,49 R$ - R$ 40 ,67 R$ - R$ 20 16 /1 1 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 16 /1 2 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /0 1 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /0 2 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /0 3 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /0 4 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /0 5 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /0 6 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /0 7 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /0 8 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /0 9 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /1 0 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ 3.3 63 ,41 -R $ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /1 1 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 17 /1 2 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ 4.3 09 ,83 -R $ 20 18 /0 1 1.1 28 ,67 R$ 30 4,9 7 R$ - R$ 40 6,7 7 R$ - R$ 20 18 /0 2 1.2 02 ,93 R$ 32 5,0 3 R$ - R$ 43 3,5 4 R$ - R$ 20 18 /0 2/ RE PA CT 20 17 96 5,3 8 R$ 26 0,8 5 R$ - R$ 34 7,9 2 R$ - R$ 20 18 /0 3 1.2 02 ,93 R$ 32 5,0 3 R$ - R$ 43 3,5 4 R$ - R$ 20 18 /0 4 1.2 02 ,93 R$32 5,0 3 R$ - R$ 43 3,5 4 R$ - R$ To ta l G er al 21 .61 7,0 7 R$ 5.8 40 ,98 R$ 3.3 63 ,41 -R $ 7.7 90 ,76 R$ 4.3 09 ,83 -R $ 75 12 LIBERAÇÃO PARCIAL DE VALORES Durante a execução do contrato, as empresas contratadas poderão solicitar a liberação de valores da conta vinculada em razão de: pagamento de 13º salário; pagamento de férias com o abono de férias; e rescisões de contratos de trabalho. Os valores provisionados poderão ser liberados parcialmente ou anualmente, mediante comprovação da ocorrência de 13º salário, de férias com abono de 1/3 ou de dispensa de empregado vinculado ao contrato, ou, então, os valores serão liberados ao final da vigência do contrato, quando houver o pagamento das verbas rescisórias. 12.1 Liberação conta-salário empregado X Conta corrente da empresa Em razão do que consta no § 1º do artigo 12 do Decreto nº 34.649/2013, os valores liberados pelo Órgão deverão ser depositados diretamente na conta-salário dos empregados. Entretanto, o Decreto nº 36.164/2014 incluiu a possibilidade de a liberação dos valores ser efetuada diretamente à conta corrente da empresa contratada, caso a contratada já tenha efetuado o pagamento das verbas rescisórias ao empregado, conforme § 8º ao artigo 11 abaixo. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal ao órgão ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado de documentos comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das provisões, atestado por profissional responsável pelos cálculos. [...] § 8º – No caso da empresa contratada vir a efetuar o pagamento das verbas rescisórias antes da liberação dos recursos pelo BRB, esta poderá resgatar junto ao banco os valores despendidos para a quitação das provisões trabalhistas, após autorização do órgão ou entidade da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal. (incluído pelo Decreto nº 36.164/2014) Art. 12. Protocolado o pedido de autorização para movimentação da conta vinculada pela empresa contratada, o órgão ou entidade contratante terá o prazo de 3 (três) dias úteis, a contar da data de apresentação dos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, para autorizar o BRB a desbloquear os valores retidos. § 1º – Os valores liberados serão depositados diretamente na conta-salário dos empregados da contratada, no prazo de 1 (um) dia útil a contar da data de autorização do órgão ou entidade contratante. (redação alterada pelo Decreto nº 36.164/2014) Em que pese o Decreto ter contemplado somente a hipótese de “pagamento de verbas rescisórias” como possibilidade de liberação direta à empresa, em razão de a contratada vir a efetuar pagamento a seu funcionário antes da liberação dos recursos da conta vinculada, pode-se, s.m.j., por analogia in bonam partem, estender esta possibilidade às demais rubricas: 13º salário, férias e abono de férias. A norma não comtemplou a possibilidade de a empresa optar por pagar as verbas de 13º salário, férias e abono de férias diretamente aos seus funcionários e, somente depois, solicitar a liberação desses recursos da conta vinculada, a título de restituição. Importante destacar que a obrigação originária para pagar as verbas trabalhistas é da empresa contratada e, considerando que há prazos para pagamento dessas verbas, que se não observados ensejam multas ao empregador, a contratada pode preferir quitar diretamente o 13º salário e férias com abono de férias aos seus empregados, para não incorrer em possíveis atrasos nas liberações à conta-salário do trabalhador, por parte da Administração Pública. Como a objetivo da conta vinculada é assegurar a existência de recursos financeiros para dar cumprimento às obrigações trabalhistas e sociais, em caso de inadimplemento da contratada, deduz- se que havendo a comprovação do pagamento devido ao trabalhador, poderá a Administração restituir o valor correspondente à contratada. 76 Assim sendo, ante a omissão da norma, que não trouxe previsão para o caso concreto acima exposto, e visando disciplinar situações similares à prevista no Decreto, entende-se que, por analogia, poderia ser utilizado o § 8º do artigo 11 do Decreto nº 34.649/2013, para as hipóteses de pagamento do 13º salário e das férias com 1/3 constitucional. Consequentemente, registram-se 2 possibilidades para liberação parcial de valores da conta vinculada: 1ª) a contratada solicita que o pagamento seja efetuado diretamente na conta-salário dos funcionários e, para tanto, encaminha, além da documentação devida, a relação com as contas- salário dos funcionários e os valores devidos; 2ª) a contratada primeiro paga as verbas trabalhistas aos funcionários e solicita a restituição, encaminhando a documentação comprobatória para liberação dos valores da conta vinculada. O valor será transferido diretamente à conta-corrente da empresa. Dentre as hipóteses acima, o pedido de restituição de valores é mais usual, em razão do seguinte cenário: Existem prazos legais para pagamento das verbas trabalhistas e atrasos podem ocasionar multas ao empregador; A Administração pode solicitar outras informações e documentação complementar, conforme disposto no § 4º do artigo 11 do Decreto nº 34.649/2103; Havendo inconsistência na documentação apresentada pela contratada, o prazo de 3 dias úteis para a liberação dos valores será suspenso até a devida correção, conforme § 2º do artigo 12 do Decreto nº 34.649/2013; e O montante a ser liberado ao trabalhador poderá ser menor do que o valor do direto que lhe é devido, em razão do que consta no § 5º do artigo 11 do Decreto nº 34.649/2013. Logo, o empregador precisará efetuar o pagamento da diferença ao trabalhador, e encaminhar, posteriormente, o comprovante ao Órgão contratante. DECRETO DF nº 34.649/2013 Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal ao órgão ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado de documentos comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das provisões, atestado por profissional responsável pelos cálculos. [...] § 4º O órgão ou entidade contratante poderá requerer, a seu critério, outros dados e informações e estabelecer leiautes para a remessa dos relatórios. § 5º O montante da provisão a ser liberada não poderá exceder os limites individuais constituídos para cada tipo de provisão, conforme percentuais estabelecidos no anexo deste Decreto, não sendo admitido o pagamento de uma provisão com recursos constituídos para outra. Art. 12. Protocolado o pedido de autorização para movimentação da conta vinculada pela empresa contratada, o órgão ou entidade contratante terá o prazo de 3 (três) dias úteis, a contar da data de apresentação dos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, para autorizar o BRB a desbloquear os valores retidos. [...] § 2º Constatadas inconsistências nos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, a contagem de prazo será suspensa até a apresentação das correções devidas. Em razão do cenário acima, as empresas contratadas, habitualmente, optam por pagar as verbas trabalhistas aos seus empregados e, somente depois, solicitar a liberação dos recursos da conta vinculada. Se a empresa optar por solicitar que os valores sejam liberados à conta-salário do empregado, faz-se necessário que o pedido seja efetuado coma devida antecedência, possibilitando o cumprimento dos prazos de pagamento da legislação trabalhista, em razão dos procedimentos necessários pela Administração antes da liberação. 77 12.2 Passo a passo para a liberação de valores da conta vinculada 1º) Receber a solicitação da contratada para liberação de valores da conta vinculada; 2º) Confirmar se de fato houve a ocorrência declarada (férias e rescisão contratual); 3º) Verificar se a documentação encaminhada pela contratada é suficiente para a liberação da provisão solicitada e requisitar documentação complementar, se for o caso; 4º) Conferir a documentação para identificar se as obrigações trabalhistas foram devidamente cumpridas (para liberação das provisões de 13º salário e férias com o abono de 1/3); 5º) Conferir a documentação para verificar se as obrigações sociais foram devidamente cumpridas (para liberação das provisões de encargos sobre o 13º salário, encargos sobre as férias e a multa do FGTS); 6º) Apurar o valor existente na conta vinculada que poderá ser liberado à contratada, referente à rubrica solicitada e ao funcionário em questão. ATENÇÃO! Para que seja possível liberar valores da conta vinculada referente à determinada provisão, primeiramente, deverá ser confirmado pela Administração se o direito do trabalhador foi devidamente respeitado bem como, quando for o caso, se os encargos foram adequadamente recolhidos. Então, quando a Administração receber a solicitação para liberação de valores da conta vinculada, devem ser respondidas as seguintes questões: Quais os documentos devem ser exigidos da contratada para verificar cada tipo de provisão? O que conferir nesses documentos para identificar se a contratada cumpriu com as suas obrigações trabalhistas e sociais? Qual valor liberar? 13 DOCUMENTAÇÃO PARA LIBERAR 13º SALÁRIO E FÉRIAS 13.1 Liberação de 13º salário 13.1.1 Documentação para liberação de 13º salário A documentação a ser encaminhada pela contratada, juntamente com a solicitação de liberação do 13º salário, vai depender da opção de liberação, conforme abaixo: Havendo opção pela restituição do valor já pago pela contratada aos seus empregados, a empresa deverá apresentar a seguinte documentação: Contracheques dos empregados, com a descrição do salário base, data de admissão na empresa e cálculo do valor do 13º salário; Folha de pagamento; e Comprovantes dos pagamentos efetuados aos empregados (recibo ou depósito/ transferência.) Havendo opção para que o órgão efetue a liberação e depósito diretamente à conta salário dos empregados, a empresa deverá apresentar a seguinte documentação: Contracheques dos empregados, com a descrição do salário base, data de admissão na empresa e cálculo do valor do 13º salário; Folha de pagamento; e Dados bancários referentes às contas-salário dos empregados. Com a documentação em mãos, cabe à Administração verificar se o empregado recebeu o seu direito ao 13º salário de acordo com a legislação vigente, conforme abordado no item 8.1 desta apostila. Apresentamos sugestão de um roteiro para verificação. 78 13.1.2 Roteiro para verificação – pagamento 13º salário 1) Verifique se o nome e o CNPJ da contratada constam na folha de pagamento; 2) Confira se a folha de pagamento indica o órgão contratante como tomador dos serviços. É obrigação legal da empresa elaborar a folha de pagamento por tomador dos serviços; 3) Verifique se a folha de pagamento é da competência 13; 4) Confirme se todos os terceirizados que estão na folha de pagamento também estão no controle da conta vinculada (planilha com dados informados pelo executor). Confira nome por nome e a função de cada terceirizado; 5) Verifique se os salários constantes na folha de pagamento estão de acordo com o salário normativo fixado em CCT, ACT, sentença normativa ou com o fixado no contrato administrativo, se este for maior que o salário normativo; 6) Confira se os contracheques possuem as mesmas informações acima; 7) Confirme a data de admissão do empregado, pois se o empregado houver sido admitido no exercício financeiro em questão, deve-se verificar se o cálculo proporcional de gratificação natalina está correto; e 8) Verifique se a contribuição previdenciária do segurado – INSS – foi retida no valor correto (se houver um número muito grande de funcionários, pode ser por amostragem). A contribuição é percentual incidente sobre o salário de contribuição (remuneração do empregado) e esses dados são definidos anualmente por Portaria e divulgados, em janeiro, na página da Previdência Social na internet. Segue a tabela atual: Tabela de contribuição dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, para pagamento de remuneração a partir de 1º de janeiro de 2019 Salário de contribuição (R$) Alíquota para fins de recolhimento ao INSS (%) até 1.751,81 8,00 de 1.751,81 até 2.919,72 9,00 de 2.919,72 até 5.839,45 11,00 Portaria Ministério Economia- ME nº 9, de 15 de janeiro de 2018 (DOU 16.1.2018) 9) Verifique se o imposto de renda do empregado foi calculado corretamente (pode ser por amostragem), aplicando a tabela progressiva disponibilizada pela Receita Federal. Segue a tabela atual: Rendimento Alíquotas (%) Dedução até R$ 1.903,98 Isento – de R$ 1.903,99 até R$ 2.826,65 7,50 R$ 142,80 de R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05 15,00 R$ 354,80 de R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68 22,50 R$ 636,13 acima de R$ 4.664,69 27,50 R$ 869,36 Dedução por dependente: R$ 189,59 10) Confirme se o pagamento foi realizado no prazo legal, no caso de já ter sido efetuado, ou se haverá tempo hábil para a Administração realizar o depósito no prazo legal. A seguir, apresentamos alguns modelos de contracheque, folha de pagamento, e recibo de pagamento de 13ª salário. 79 80 Havendo opção para a liberação diretamente à conta-salário dos empregados, a empresa deverá apresentar os dados bancários dos empregados, conforme modelo abaixo: 81 Havendo opção pela restituição do valor já pago pela contratada aos seus empregados, a empresa deverá apresentar comprovante do pagamento efetuado ao empregado, conforme modelo abaixo. ATENÇÃO! Em caso de recibo de transferência eletrônica, não aceitar agendamentos. 82 83 13.2 Liberação de férias e abono de férias 13.2.1 Documentação para liberação de férias e abono de férias A documentação a ser encaminhada pela contratada, juntamente com a solicitação de liberação de férias, vai depender da opção de liberação, conforme abaixo: Havendo opção pela restituição do valor já pago pela contratada ao empregado, a empresa deverá apresentar a seguinte documentação: Aviso de férias; Recibo de férias (esse documento é o contracheque das férias), com a descrição do salário base, período aquisitivo ou data de admissão e cálculo do valor das férias; e Comprovante do pagamento efetuado ao empregado. Havendo opção para que o órgão efetue a liberação e depósito diretamente à conta salário do empregado, a empresa deverá apresentar a seguinte documentação: Aviso de férias; Recibo de férias (esse documento é o contracheque das férias), com a descrição do salário base, período aquisitivo ou data de admissão e cálculo do valor das férias; e Dados bancários referentes à conta-salário do empregado. Com a documentação em mãos, cabe à Administração verificar se o empregado recebeu o seu direito às férias de acordo com a legislação vigente, conforme abordado no item 8.2 desta apostila. Apresentamos sugestão de um roteiro para verificação. 13.2.2 Roteiro de verificação – férias e abono de férias 1) Verifique se o nome e o CNPJ da contratada estão no aviso de férias e no recibo de pagamento de férias; 2) Confira se os documentos indicam o órgão contratante como tomador dos serviços. 3) Confirme se o terceirizado está no controle da conta vinculada(planilha com dados informados pelo executor) – é importante também que o executor do contrato ratifique a informação quanto ao afastamento do empregado; 4) Verifique a data de admissão do empregado, para confirmar o período aquisitivo e concessivo; 5) Confira se o aviso de férias ocorreu com 30 dias de antecedência; 6) Verifique se o salário do período de férias (adiantamento ao empregado) está correto, ou seja, está de acordo com o salário normativo fixado em CCT, ACT, Dissídio coletivo ou com o fixado no contrato administrativo, se este for maior que o salário normativo; 7) Verifique se o Recibo de Férias retrata o salário pago referente ao período das férias e se o adicional de férias (1/3 do abono de férias) foi calculado corretamente; 8) Confirme se a contribuição previdenciária do segurado (INSS) foi retida no valor correto, de acordo com a tabela do INSS; 9) Verifique se o imposto de renda do empregado foi calculado corretamente, de acordo com a tabela da Receita Federal: 10) Identifique se houve parcelamento de férias; abono pecuniário (venda de férias); desconto de faltas injustificadas que tenham ocasionado redução dos dias de férias; e férias vencidas, identificando, em cada caso, se os valores calculados estão corretos, inclusive quanto à contribuição do INSS retida do empregado; e 11) Confirme se o pagamento foi realizado no prazo legal, no caso de já ter sido efetuado, ou se haverá tempo hábil para a Administração efetuar o depósito no prazo legal. A seguir, apresentamos alguns modelos de aviso de férias, contracheque de férias e recibo de férias. 84 85 86 87 14 RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO 14.1 Direitos do trabalhador em rescisão de contrato de trabalho Quando há rescisão do contrato de trabalho, o empregado tem direito a receber as seguintes verbas: saldo de salário; férias vencidas; férias proporcionais; 13º salário proporcional; aviso prévio indenizado (se empregado não tiver sido notificado no prazo legal); multa do FGTS e indenização por rescisão antecipada, dependendo do tipo de contrato de trabalho e a forma de rescisão contratual. 14.2 Aviso prévio O aviso prévio é um direito recíproco, com a finalidade de evitar a surpresa na ruptura do contrato de trabalho, possibilitando ao empregador procurar outro empregado para o preenchimento do cargo vago e, ao empregado a sua recolocação no mercado de trabalho. A rescisão do contrato de trabalho precisa ser previamente comunicada pela parte que deseja por fim à relação, mediante notificação prévia, com antecedência de no mínimo 30 dias do efetivo desligamento, denominada de “aviso prévio”, conforme disposto no artigo 487 da CLT. Se a notificação for para rescisão imediata do contrato de trabalho, é considerada “sem aviso prévio”. CLT Art. 487 – Não havendo prazo estipulado, a parte que, sem justo motivo, quiser rescindir o contrato deverá avisar a outra da sua resolução com a antecedência mínima de: [...] II – trinta dias aos que perceberem por quinzena ou mês, ou que tenham mais de 12 (doze) meses de serviço na empresa. (Redação dada pela Lei nº 1.530, de 26.12.1951) 14.2.1 Prazo início aviso prévio Conforme Súmula 380 do TST e artigo 20 da Instrução Normativa da Secretaria de Relações do Trabalho – SRT nº 15 de 14 de julho/2010, o prazo de 30 (trinta) dias, correspondente ao aviso- prévio, conta-se a partir do dia seguinte ao recebimento da comunicação, que deverá ser formalizada por escrito. Isso quer dizer que, a contagem exclui o dia do aviso e inclui o dia final. SÚMULA 380 DO TST AVISO PRÉVIO. INÍCIO DA CONTAGEM. ART. 132 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002 (conversão da Orientação Jurisprudencial nº 122 da SBDI-1) – Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 25.4.2005 Aplica-se a regra prevista no caput do art. 132 do Código Civil de 2002 à contagem do prazo do aviso prévio, excluindo-se o dia do começo e incluindo o do vencimento. (ex-OJ nº 122 da SBDI-1 – inserida em 20.4.1998) INSTRUÇÃO NORMATIVA SRT Nº 15/2010 Art. 20. O prazo de trinta dias correspondente ao aviso prévio conta-se a partir do dia seguinte ao da comunicação, que deverá ser formalizada por escrito. 14.2.2 Aviso prévio trabalhado O aviso prévio trabalhado é aquele em que o trabalhador continua trabalhando após o recebimento da notificação, até a data do término do contrato. Durante o período de cumprimento do aviso prévio, o trabalhador poderá escolher reduzir a sua jornada de trabalho diária em 2 horas ou deixar de trabalhar nos últimos 7 dias do prazo, sem prejuízo do salário, em qualquer um dos dois casos. CLT Art. 488 – O horário normal de trabalho do empregado, durante o prazo do aviso, e se a rescisão tiver sido promovida pelo empregador, será reduzido de 2 (duas) horas diárias, sem prejuízo do salário integral. Parágrafo único – É facultado ao empregado trabalhar sem a redução das 2 (duas) horas diárias previstas neste artigo, caso em que poderá faltar ao serviço, sem prejuízo do salário integral, por 1 (um) dia, na hipótese do inciso l, e por 7 (sete) dias corridos, na hipótese do inciso lI do art. 487 desta Consolidação. 88 A notificação tanto pode ser dada pelo empregado, no caso de pedido de demissão, quanto pelo empregador, devendo este apontar a causa da rescisão, se demissão motivada (por justa causa) ou imotivada (sem justa causa). 14.2.3 Aviso prévio indenizado No caso de demissão imediata, sem o cumprimento do aviso prévio, o empregado terá direito ao salário correspondente ao período do aviso prévio não concedido, denominado de “aviso prévio indenizado”, o qual será computado como tempo de serviço para todos os efeitos legais, conforme § 1º do artigo 487 da CLT. CLT Art. 487 [...] § 1º – A falta do aviso prévio por parte do empregador dá ao empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço. Se a iniciativa da rescisão for do empregado, e este não quiser cumprir o aviso prévio, a empresa terá o direito de descontar o equivalente a 1 (um) mês de salário das verbas rescisórias do empregado, conforme disciplina o § 2º do artigo 487 da CLT. CLT Art. 487 [...] § 2º – A falta de aviso prévio por parte do empregado dá ao empregador o direito de descontar os salários correspondentes ao prazo respectivo. 14.2.4 Renúncia ao aviso prévio No caso de pedido de demissão, o empregador pode dispensar o empregado do cumprimento do aviso prévio, havendo ou não a solicitação da dispensa pelo empregado. Nessa situação, o empregador não paga o aviso prévio, mas também não pode descontar o aviso prévio do empregado. Já o direito ao aviso prévio do empregado, em regra, é irrenunciável pelo empregado, não podendo o empregador alegar que o funcionário não fez questão de cumprir o aviso prévio, quando na verdade era o empregador que queria se eximir de pagar a multa. Nos termos da Súmula 276 do TST, o empregado somente pode renunciar esse direito se encontrar novo emprego para início imediato, pois impor a obrigação de que o empregado cumpra a totalidade do aviso, poderia gerar a perda daquela oportunidade de trabalho. SÚMULA 276 DO TST AVISO PRÉVIO. RENÚNCIA PELO EMPREGADO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O direito ao aviso prévio é irrenunciável pelo empregado. O pedido de dispensa de cumprimento não exime o empregador de pagar o respectivo valor, salvo comprovação de haver o prestador dos serviços obtido novo emprego. Importante destacar que, em novembro/2018, a 7ª Turma do TST julgou inválida renúncia a aviso prévio estabelecida por normas coletivas, por implicar afronta a direito trabalhista constitucionalmente assegurado e irrenunciável. O entendimento daquele Tribunal é de que mesmo que o trabalhador tenha sido imediatamente admitido por novo empregador, a renúncia ao aviso prévio deve ser formulada pelo empregado de forma expressa.TST AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE – APELO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014 – AVISO-PRÉVIO – RENÚNCIA POR MEIO DE NORMA COLETIVA – INVALIDADE – SÚMULA Nº 276 DO TST. Constatada possível violação dos arts. 7º, XXI e XXVI, da Constituição Federal de 1988, e 487, § 1º, da CLT, merece provimento o agravo de instrumento para melhor exame do recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido para determinar o processamento do recurso de revista. RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE – APELO INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014 – AVISO PRÉVIO – RENÚNCIA POR MEIO DE NORMA COLETIVA – INVALIDADE – SÚMULA Nº 276 DO TST. Conforme entendimento consolidado nesta Corte superior, as negociações coletivas não podem ser exercidas de forma a implicar renúncia, pelos trabalhadores individualmente considerados nem por suas 89 respectivas entidades sindicais, dos direitos fundamentais sociais assegurados pela própria Constituição da República e pelas normas infraconstitucionais trabalhistas de ordem pública, como ocorre no caso ora em exame, que cuida do direito constitucional ao aviso- prévio. Ademais, nos termos da Súmula nº 276 do TST, o direito ao aviso-prévio é irrenunciável pelo empregado, sendo que o pedido de dispensa de cumprimento não exime o empregador de pagar o respectivo valor, salvo comprovação de haver o prestador dos serviços obtido novo emprego. No caso, embora o trabalhador tenha sido imediatamente admitido por novo empregador, não formulou renúncia expressa ao aviso prévio, sendo inválida a renúncia praticada pela via negocial coletiva. Recurso de revista conhecido e provido. TST RR:1317920145090657 Dt Julgamento: 7/11/2018 – 7ª Turma 14.2.5 Indenização adicional X Data base Se o empregado é dispensado sem justa causa no período de 30 dias que antecede a sua data-base, tem direito a uma indenização adicional equivalente a 1 (um) salário mensal, conforme dispõe o artigo 9º da Lei nº 6.708/1979. LEI Nº 6.708/1979 Art. 9º O empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 (trinta) dias que antecede a data de sua correção salarial, terá direito à indenização adicional equivalente a um salário mensal, seja ele, ou não, optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Em razão de questionamento quanto à validade da Lei nº 6.708/1979, anterior à CF/88, houve o pronunciamento do TST, por meio da Súmula 306, de que a referida lei não foi revogada, permanecendo válido o seu artigo 9º. SÚMULA 306 DO TST INDENIZAÇÃO ADICIONAL. PAGAMENTO DEVIDO COM FUNDAMENTO NOS ARTIGOS 9º DA LEI Nº 6.708/1979 E 9º DA LEI Nº 7.238/1984 (cancelada) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 É devido o pagamento da indenização adicional na hipótese de dispensa injusta do empregado, ocorrida no trintídio que antecede a data-base. A legislação posterior não revogou os arts. 9º da Lei nº 6.708/1979 e 9º da Lei nº 7.238/1984. Essa indenização também é devida na projeção do aviso prévio indenizado, pois o aviso prévio, trabalhado ou indenizado, integra o tempo de serviço para todos os efeitos legais, conforme § 1º do artigo 487 da CLT, e a rescisão contratual somente se efetiva depois de expirado o respectivo prazo. Esse é o entendimento jurisprudencial do TST, conforme Súmula 182. SÚMULA 182 DO TST AVISO PRÉVIO. INDENIZAÇÃO COMPENSATÓRIA. LEI Nº 6.708, DE 30.10.1979 (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O tempo do aviso prévio, mesmo indenizado, conta-se para efeito da indenização adicional prevista no art. 9º da Lei nº 6.708, de 30.10.1979. Desta forma, quando rescindido o contrato de trabalho, sem justa causa, no prazo de 60 (sessenta) até 30 (trinta) dias anteriores à data base, sendo o aviso prévio indenizado ou não, é devida a indenização adicional.13 Se a rescisão contratual ocorrer no período de 30 (trinta) dias que antecede à data-base, mesmo que o pagamento das verbas rescisórias seja efetuado com base no novo salário já corrigido (data-base), não afasta o direito à indenização adicional, em razão da Súmula 314 do TST. SÚMULA 314 DO TST INDENIZAÇÃO ADICIONAL. VERBAS RESCISÓRIAS. SALÁRIO CORRIGIDO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 Se ocorrer a rescisão contratual no período de 30 (trinta) dias que antecede à data-base, observado a Súmula nº 182 do TST, o pagamento das verbas rescisórias com o salário já corrigido não afasta o direito à indenização adicional prevista nas Leis nºs 6.708, de 30.10.1979 e 7.238, de 28.10.1984. 13 Havendo o aviso prévio proporcional, conforme item 14.2.5.1 desta apostila, esse prazo aumenta. 90 Contudo, se o aviso prévio ocorrer em período inferior a 30 dias da data-base, projetando-se a rescisão do contrato para o mês seguinte, o empregado terá direito ao cálculo de suas verbas rescisórias com o novo salário e não terá direito ao pagamento da indenização adicional. TST INDENIZAÇÃO ADICIONAL – ENUNCIADOS 182 E 314/TST. Havendo a rescisão contratual ocorrido posteriormente à data-base da categoria, considerando a projeção do aviso prévio, a indenização adicional prevista nas Leis nº 6.708/79 e 7.238/84 é indevida, nos termos dos Enunciados 306 e 182/TST. Embargos providos. (TST – SBDI 1 – Embargos em Recurso de Revista nº 640.814/2000.7 – Rel. Min. Rider de Brito – DJ 31/1/2004). 14.2.6 Aviso prévio proporcional O prazo de antecedência para a notificação do aviso prévio, conforme artigo 1º da Lei nº 12.506, de 11 de outubro de 2011, depende do número de anos que o empregado presta serviço ao empregador. O prazo mínimo é de 30 (trinta) dias, para os trabalhadores que têm até 1 (um) ano de serviço na empresa, sendo acrescido em 3 (três) dias por ano de serviço prestado, podendo chegar ao máximo de 90 (noventa) dias. LEI Nº 12.506/2011 Art. 1o O aviso prévio, de que trata o Capítulo VI do Título IV da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-lei no 5.452, de 1o de maio de 1943, será concedido na proporção de 30 (trinta) dias aos empregados que contem até 1 (um) ano de serviço na mesma empresa. Parágrafo único. Ao aviso prévio previsto neste artigo serão acrescidos 3 (três) dias por ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 (sessenta) dias, perfazendo um total de até 90 (noventa) dias. Contudo, o aviso prévio proporcional é direito exclusivo do empregado, ou seja, aplica-se somente aos casos em que o empregador toma a iniciativa de rescindir o contrato de trabalho, ou seja, o cumprimento do aviso prévio superior a 30 (trinta) dias não é exigível pelo empregador, quando a rescisão tiver origem por parte do empregado. Esse foi o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho, em decisão da Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1), de que o acréscimo de 3 (três) dias por ano trabalhado não é bilateral, pois tal direito seria exclusivo do empregado, quando se tratar de demissão, pelo empregador, sem justa causa. Segundo avaliação do relator do processo no TST, Ministro Hugo Carlos Scheuermann, “a proporcionalidade do aviso prévio a que se refere a Lei no 12.506/2001 apenas pode ser exigida da empresa, uma vez que entendimento em contrário, qual seja, exigir que também o trabalhador cumpra aviso prévio superior aos originários 30 dias, constituiria alteração legislativa prejudicial ao empregado, o que, pelos princípios que norteiam o ordenamento jurídico trabalhista, não se pode admitir.” E o aviso prévio proporcional pode ser integralmente trabalhado? A possibilidade de o empregador exigir que o empregado trabalhe por todo o período do aviso prévio proporcional, sempre despertou polêmicas, desde a edição da lei que o criou, já que a lei não estabeleceu se os dias, além dos 30 (trinta) dias, deveriam ser trabalhados ou indenizados. Será que o empregador, ao dispensar o empregado, podeexigir dele que cumpra integralmente o aviso prévio trabalhado, e não somente os primeiros 30 dias, indenizando os restantes? Conforme jurisprudência do TST, o aviso prévio proporcional é direito exclusivo do empregado dispensado imotivadamente a partir de 13/10/2011, pois não guarda a mesma bilateralidade caracterítica da exigência de 30 (trinta) dias de aviso prévio, a qual é obrigatória a qualquer das partes que intentarem rescindir o contrato de trabalho. ACÓRDÃO TST SDI – 1 RECURSO DE EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. INTERPOSIÇÃO SOB A ÉGIDE DA LEI No 13.015/2014. AVISO PRÉVIO PROPORCIONAL. ALTERAÇÃO DA LEI No 12.506/2011. OBRIGAÇÃO LIMITADA AO EMPREGADOR. AUSÊNCIA DE RECIPROCIDADE. A proporcionalidade do aviso prévio a que se refere a Lei no 12.506/2001 apenas pode ser exigida da empresa, uma vez que entendimento em contrário, qual seja, exigir que também o 91 trabalhador cumpra aviso prévio superior aos originários 30 dias, constituiria alteração legislativa prejudicial ao empregado, o que, pelos princípios que norteiam o ordenamento jurídico trabalhista, não se pode admitir. Dessarte, conclui-se que a norma relativa ao aviso prévio proporcional não guarda a mesma bilateralidade característica da exigência de 30 dias, essa sim obrigatória a qualquer das partes que intentarem resilir o contrato de emprego. Recurso de embargos conhecido e provido. TST-E-RR-1964-73.2013.5.09.0009 – data julgamento 21/9/2017 Sendo assim, pelo entendimento atual do TST, os dias de aviso prévio além dos 30 (trinta) dias deverão ser indenizados pelo empregador. Sobre o aviso prévio, trabalhado ou indenizado, incidirá o FGTS, conforme entendimento do TST, por meio da Súmula nº 305. Contudo, se o aviso prévio for indenizado, não haverá incidência da contribuição previdenciária do segurado nem o INSS patronal, por se tratar de verba de natureza indenizatória. SÚMULA Nº 305 DO TST FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA SOBRE O AVISO PRÉVIO (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O pagamento relativo ao período de aviso prévio, trabalhado ou não, está sujeito a contribuição para o FGTS. Quando o funcionário é demitido por justa causa, a demissão é sem aviso prévio. Isto é, o funcionário não pode continuar a trabalhar e também não recebe o pagamento do aviso prévio. 14.3 Tipos de contrato de trabalho É importante conhecer os tipos de contrato de trabalho para verificar se foram respeitados os direitos trabalhistas do empregado. Entre os tipos de contrato, destacam-se 2 (dois): O contrato de trabalho por tempo indeterminado é o mais usual, sendo aquele em que é definida apenas uma data de início para as atividades profissionais, mas não tem data certa para terminar o vínculo empregatício, pois não existe um período pré-estabelecido de vigência. A rescisão do contrato pode acontecer a qualquer momento, desde que ocorra o aviso prévio de uma das partes. Já o contrato de trabalho por prazo determinado, estabelece um período inicial e final do vínculo empregatício, ou seja, tem existência pré-fixada, e pode ter duração máxima de 2 (dois) anos. Em se tratando de contrato de experiência, não poderá ultrapassar 90 (noventa) dias, conforme previsão contida no artigo 445 da CLT. Após esses prazos, ou se for prorrogado por mais de uma vez, o contrato passa a ser por prazo indeterminado. Essa modalidade de contrato só pode ser utilizada em 3 (três) situações: atividades temporárias; atividades transitórias; e contrato de experiência, de acordo com o § 1º do artigo 443 da CLT. CLT Art. 443. O contrato individual de trabalho poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito, por prazo determinado ou indeterminado, ou para prestação de trabalho intermitente. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) § 1º – Considera-se como de prazo determinado o contrato de trabalho cuja vigência dependa de termo prefixado ou da execução de serviços especificados ou ainda da realização de certo acontecimento suscetível de previsão aproximada. (Parágrafo único renumerado pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) § 2º – O contrato por prazo determinado só será válido em se tratando: (Incluído pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) a) de serviço cuja natureza ou transitoriedade justifique a predeterminação do prazo; (Incluída pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) b) de atividades empresariais de caráter transitório; (Incluída pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) c) de contrato de experiência. (Incluída pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) [...] Art. 445 – O contrato de trabalho por prazo determinado não poderá ser estipulado por mais de 2 (dois) anos, observada a regra do art. 451. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) 92 Parágrafo único. O contrato de experiência não poderá exceder de 90 (noventa) dias. (Incluído pelo Decreto-lei nº 229, de 28.2.1967) [...] Art. 451 – O contrato de trabalho por prazo determinado que, tácita ou expressamente, for prorrogado mais de uma vez passará a vigorar sem determinação de prazo. (Vide Lei nº 9.601, de 1998) 14.4 Formas de rescisão As formas de rescisão do contrato de trabalho podem ser: Rescisão por demissão sem justa causa – o empregador desliga o empregado, concedendo a ele todos os direitos estabelecidos por lei, isto é, o trabalhador será dispensado com o cumprimento de aviso prévio e terá direito ao recebimento de: seu salário proporcional aos dias trabalhados, férias já vencidas, férias proporcionais mais 1/3, 13º salário proporcional, multa de 40% do FGTS, recebimento do FGTS e seguro-desemprego; Rescisão com demissão por justa causa (artigo 482 CLT) – o empregado age de má fé (geralmente vem acompanhada de faltas graves e conduta antiprofissional). O trabalhador irá receber somente o valor do salário proporcional aos dias trabalhados e das férias já vencidas. Ele não irá cumprir o aviso prévio e perderá: o 13º salário proporcional, as férias proporcionais mais 1/3, os 40% da multa do FGTS e o seguro-desemprego. O FGTS depositado ficará retido e só poderá ser sacado conforme as regras de saque do FGTS; Rescisão por pedido de demissão – o empregado é desligado devido a sua própria decisão. O trabalhador tem direito ao salário proporcional aos dias trabalhados, férias vencidas, férias proporcionais mais 1/3, 13º salário proporcional. Contudo, o empregado não tem direito à multa de 40% do FGTS, perde direito sobre o seguro-desemprego e o FGTS passa a ficar retido; Rescisão indireta (artigo 483 CLT) – o empregador comete faltas graves. O trabalhador irá receber todos os direitos da rescisão sem justa causa. Somente a Justiça do Trabalho tem poder de demitir um empregador por justa causa em casos de rescisão indireta; Rescisão por motivo de culpa recíproca (art. 484 CLT) – diversas infrações trabalhistas são constatadas pelo empregado e pelo empregador. Neste caso, há justa causa das duas partes. Somente a Justiça do Trabalho tem o poder incumbido de dar este tipo de sentença. Quando isso ocorre, as verbas rescisórias são divididas em partes iguais entre empregado e empregador. Nesse caso, o trabalhador recebe a metade: do aviso prévio; do 13º proporcional; das férias proporcionais mais 1/3; e da multa do FGTS; e Rescisão com demissão por comum acordo (artigo 484-A CLT – forma incluída pela Lei nº 13.467 de 13 de julho de /2017) – empregador e empregado negociam a demissão. O trabalhador receberá o seu salário proporcional aos dias trabalhados, férias já vencidas, férias proporcionais mais 1/3, 13º salário proporcional, metade do aviso prévio e metade da multa do FGTS. CLT Art. 482 – Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: a) ato de improbidade; b) incontinência de conduta ou mau procedimento; c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador,e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado, ou for prejudicial ao serviço; d) condenação criminal do empregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão da execução da pena; e) desídia no desempenho das respectivas funções; f) embriaguez habitual ou em serviço; g) violação de segredo da empresa; h) ato de indisciplina ou de insubordinação; i) abandono de emprego; j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; 93 k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; l) prática constante de jogos de azar. m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) Parágrafo único – Constitui igualmente justa causa para dispensa de empregado a prática, devidamente comprovada em inquérito administrativo, de atos atentatórios à segurança nacional. (Incluído pelo Decreto-lei nº 3, de 27.1.1966) Art. 483 – O empregado poderá considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenização quando: a) forem exigidos serviços superiores às suas forças, defesos por lei, contrários aos bons costumes, ou alheios ao contrato; b) for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor excessivo; c) correr perigo manifesto de mal considerável; d) não cumprir o empregador as obrigações do contrato; e) praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato lesivo da honra e boa fama; f) o empregador ou seus prepostos ofenderem-no fisicamente, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; g) o empregador reduzir o seu trabalho, sendo este por peça ou tarefa, de forma a afetar sensivelmente a importância dos salários. § 1º – O empregado poderá suspender a prestação dos serviços ou rescindir o contrato, quando tiver de desempenhar obrigações legais, incompatíveis com a continuação do serviço. § 2º – No caso de morte do empregador constituído em empresa individual, é facultado ao empregado rescindir o contrato de trabalho. § 3º – Nas hipóteses das letras "d" e "g", poderá o empregado pleitear a rescisão de seu contrato de trabalho e o pagamento das respectivas indenizações, permanecendo ou não no serviço até final decisão do processo. (Incluído pela Lei nº 4.825, de 5.11.1965) Art. 484 – Havendo culpa recíproca no ato que determinou a rescisão do contrato de trabalho, o tribunal de trabalho reduzirá a indenização à que seria devida em caso de culpa exclusiva do empregador, por metade. Art. 484-A. O contrato de trabalho poderá ser extinto por acordo entre empregado e empregador, caso em que serão devidas as seguintes verbas trabalhistas: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) I – por metade: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) a) o aviso prévio, se indenizado; e (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) b) a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, prevista no § 1o do art. 18 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990; (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) II – na integralidade, as demais verbas trabalhistas. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) § 1º A extinção do contrato prevista no caput deste artigo permite a movimentação da conta vinculada do trabalhador no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na forma do inciso I-A do art. 20 da Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, limitada até 80% (oitenta por cento) do valor dos depósitos. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) § 2º A extinção do contrato por acordo prevista no caput deste artigo não autoriza o ingresso no Programa de Seguro-Desemprego. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) OBS: a rescisão de comum acordo foi criada para evitar a fraude de “acordos de demissão” ou também chamada de “falsa demissão”, em que o empregado solicita ao empregador que o demita sem justa causa para poder ter direito ao seguro desemprego e sacar o FGTS. Para tanto, o empregado se compromete a devolver o valor correspondente à multa de 40% sobre FGTS, devida no momento da saída. 14.5 Contrato de trabalho por prazo determinado com rescisão antecipada Ao término do contrato de trabalho por prazo determinado, o empregado terá direito ao saldo de salário proporcional aos dias trabalhados, férias já vencidas, férias proporcionais mais 1/3, 13º salário proporcional e poderá sacar o saldo do FGTS. Porém, não terá direito ao aviso prévio nem à multa sobre o FGTS, uma vez que o trabalhador já sabia, de antemão, que o contrato terminaria naquela data. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L4825.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13467.htm#art1 94 Apesar de o contrato de trabalho por prazo determinado estabelecer uma data determinada para encerrar o vínculo trabalhista, poderá ocorrer a rescisão antecipada deste tipo de contrato, tanto por parte do empregador, quanto do próprio empregado. Se a rescisão do contrato for antecipada e sem justa causa por iniciativa do empregador, o trabalhador fará jus à metade da remuneração que teria direito até o final do contrato, conforme artigo 479 da CLT. Contudo, se a rescisão for pela vontade do empregado antes do término compactuado, este deverá indenizar o empregador pelos prejuízos que causar pela rescisão antecipada, limitado o valor ao que o empregado teria direito na mesma situação, conforme artigo 480 da CLT. Entretanto, há a possibilidade de uma cláusula que assegure o direito recíproco de rescisão. A cláusula assecuratória de direito recíproco dá direito ao empregado contratado a prazo determinado, que tiver a rescisão contratual feita antecipadamente, seja pelo empregador ou pelo próprio empregado, às verbas rescisórias de uma rescisão contratual sem justa causa, ou seja, a cláusula assecuratória prevê a aplicação das regras do contrato por prazo indeterminado, conforme artigo 481 da CLT. Conforme se observa, o contrato por prazo determinado prevê mais de uma modalidade de rescisão, com direitos e deveres distintos, por isso, deve estar estabelecido expressamente no contrato de trabalho se este terá ou não a “cláusula assecuratórias de direito recíproco de rescisão antecipada”. Sendo assim, em caso de dispensa sem justa causa pelo empregador, o trabalhador terá direito às seguintes verbas rescisórias, dependendo se há ou não cláusula asseguratória de direito recíproco: com cláusula assecuratória – saldo de salário, aviso prévio, férias vencidas e proporcionais acrescidas de 1/3, 13º salário e multa do FGTS. sem cláusula assecuratória – saldo de salário, indenização do art. 479 da CLT (metade da remuneração a que o empregado teria direito até o fim do contrato), férias vencidas e proporcionais acrescidas de 1/3, 13º salário e multa do FGTS. CLT Art. 479 – Nos contratos que tenham termo estipulado, o empregador que, sem justa causa, despedir o empregado será obrigado a pagar-lhe, a título de indenização, e por metade, a remuneração a que teria direito até o termo do contrato. (Vide Lei nº 9.601, de 1998) Art. 480 – Havendo termo estipulado, o empregado não se poderá desligar do contrato, sem justa causa, sob penade ser obrigado a indenizar o empregador dos prejuízos que desse fato lhe resultarem. (Vide Lei nº 9.601, de 1998) § 1º – A indenização, porém, não poderá exceder àquela a que teria direito o empregado em idênticas condições. (Renumerado do parágrafo único pelo Decreto-lei nº 6.353, de 20.3.1944) Art. 481 – Aos contratos por prazo determinado, que contiverem cláusula asseguratória do direito recíproco de rescisão antes de expirado o termo ajustado, aplicam-se, caso seja exercido tal direito por qualquer das partes, os princípios que regem a rescisão dos contratos por prazo indeterminado. A multa do FGTS é devida nos 2 (dois) casos de rescisão antecipada pelo empregador, sem justa causa, conforme entendimento do TST por meio da Súmula 125, que interpretou que seria possível o trabalhador acumular a multa sobre o FGTS com a indenização prevista no artigo 479 da CLT. SÚMULA 125 DO TST CONTRATO DE TRABALHO. ART. 479 DA CLT (mantida) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 O art. 479 da CLT aplica-se ao trabalhador optante pelo FGTS admitido mediante contrato por prazo determinado, nos termos do art. 30, § 3º, do Decreto nº 59.820, de 20.12.1966. 14.6 Verbas rescisórias Na rescisão de contrato de trabalho, desde que devidamente comprovado o pagamento das obrigações trabalhistas e sociais pela contratada, em regra, serão liberados os saldos totais de todas as provisões destinadas àquele empregado (13º salário, férias com o abono de férias, multa FGTS, encargos sobre 13º salário e encargos sobre férias). 95 Entretanto, para liberar as provisões, é necessário que, previamente, sejam conferidos os cálculos dos Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT) para verificar se os direitos do empregado foram assegurados. 14.7 Prazo para pagamento das verbas rescisórias A CLT prevê em seu § 6º do artigo 477 que o pagamento das verbas rescisórias deve ocorrer em até 10 (dez) dias, a partir do término do contrato de trabalho. CLT Art. 477. Na extinção do contrato de trabalho, o empregador deverá proceder à anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, comunicar a dispensa aos órgãos competentes e realizar o pagamento das verbas rescisórias no prazo e na forma estabelecidos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) § 2º – O instrumento de rescisão ou recibo de quitação, qualquer que seja a causa ou forma de dissolução do contrato, deve ter especificada a natureza de cada parcela paga ao empregado e discriminado o seu valor, sendo válida a quitação, apenas, relativamente às mesmas parcelas. (Redação dada pela Lei nº 5.584, de 26.6.1970) § 4o O pagamento a que fizer jus o empregado será efetuado: (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) I – em dinheiro, depósito bancário ou cheque visado, conforme acordem as partes; ou (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) II – em dinheiro ou depósito bancário quando o empregado for analfabeto. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) § 5º – Qualquer compensação no pagamento de que trata o parágrafo anterior não poderá exceder o equivalente a um mês de remuneração do empregado. (Redação dada pela Lei nº 5.584, de 26.6.1970) § 6o A entrega ao empregado de documentos que comprovem a comunicação da extinção contratual aos órgãos competentes bem como o pagamento dos valores constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão ser efetuados até dez dias contados a partir do término do contrato. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) § 8º – A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) Caso o empregador efetue o pagamento da rescisão com atraso, será obrigado a pagar ao empregado, a título de multa, o valor equivalente ao seu salário, desde que a culpa da mora não tenha sido causada pelo empregado, conforme § 8º do artigo 477 da CLT. O pagamento das verbas rescisórias não precisa ser depositado pela contratada na conta-salário do empregado, pois de acordo com o inciso I, § 4º do artigo 477 da CLT, o pagamento poderá ser efetuado em dinheiro, cheque ou depósito bancário. 14.8 Exame médico demissional O exame demissional é realizado durante o processo de desligamento do empregado na empresa e é obrigatório, conforme previsão contida no artigo 168 da CLT. Ele é exigido tanto na dispensa por parte da empresa quanto no pedido de demissão pelo empregado. DECRETO-LEI Nº 5.452/1943 – CLT Art. 168 – Será obrigatório exame médico, por conta do empregador, nas condições estabelecidas neste artigo e nas instruções complementares a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho: (Redação dada pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) I – a admissão; (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) II – na demissão; (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) III – periodicamente. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) § 1º – O Ministério do Trabalho baixará instruções relativas aos casos em que serão exigíveis exames: (Redação dada pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) a) por ocasião da demissão; (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) b) complementares. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) 96 Esse exame é uma garantia, tanto para a empresa como para o empregado. Com isso, caso seja atestado que o trabalhador goza de boa saúde, a empresa possui uma prova de que, no momento da dispensa, ele não apresentava nenhum sintoma de doença relacionada ao trabalho. Já sob o ponto de vista do trabalhador, o exame demissional lhe protege de ser dispensado caso seja diagnosticado com alguma doença relacionada ao trabalho ou se estiver inapto para trabalhar. Isso porque, se o exame atestar a existência de alguma doença desse tipo, a empresa não pode dispensá- lo até que se recupere, caso contrário, o trabalhador terá direito à reintegração ao emprego. Vale acrescentar que, se for considerado inapto para trabalhar, o empregado deverá ser afastado e encaminhando para o INSS, para receber auxílio-doença ou se aposentar por invalidez. Assim, em resumo, o empregado que no exame demissional for considerado inapto para o trabalho ou diagnosticado com alguma doença relacionada à função, não poderá ser demitido e deverá ser conduzido a tratamento médico. 14.9 Tipos de Contrato X Formas de Rescisão X Verbas rescisórias devidas Para facilitar a identificação das verbas rescisórias devidas ao empregado, por tipo de contrato de trabalho e pelas formas de rescisão, apresenta-se a tabela a seguir: 97 Tipos de contrato de trabalho X Formas de rescisão X Verbas devidas TI PO S DE C O NT RA TO DE T RA BA LH O AV IS O P RÉ VI O SA LD O D O SA LÁ RI O 13 º S AL ÁR IO PR O PO RC IO NA L FÉ RI AS V EN CI DA S FÉ RI AS PR O PO RC IO NA IS M UL TA F GT S IN DE NI ZA ÇÃ O SI M SI M SI M SI M SI M 40 % NÃ O SI M NÃ O SI M NÃ O NÃ O SI M SI M SI M SI M SI M 40 % SI M SI M SI M SI M SI M NÃ O 50 % SI M 50 % SI M 50 % 20 % 50 % SI M SI M SI M SI M 20 % NÃ O SI M SI M SI M SI M NÃ O CO M C LÁ U SU LA AS SE C U R AT Ó R IA D O D IR EI TO R EC ÍP R O C O D E R ES C IS ÃO AN TE C IP AD A SI M SI M SI M SI M SI M 40 % 4 SE M C LÁ U SU LA AS SE C U R AT Ó R IA D O D IR EI TO R EC ÍP R O C O D E R ES C IS ÃO AN TE C IP AD A NÃ O SI M SI M SI M SI M 40 % M ET AD E D AS R EM U N ER AÇ Õ ES Q U E SE R IA M D EV ID AS A TÉ O TÉ R M IN O D O C O N TR AT O CO M C LÁ U SU LA AS SE C U R AT Ó R IA D O D IR EI TO R EC ÍP R O C O D E R ES C IS ÃO ANTE C IP AD A SI M SI M SI M SI M SI M NÃ O SE M C LÁ U SU LA AS SE C U R AT Ó R IA D O D IR EI TO R EC ÍP R O C O D E R ES C IS ÃO AN TE C IP AD A NÃ O SI M SI M SI M SI M NÃ O IN D EN IZ AR O EM PR EG AD O R PE LO S PR EJ U ÍZ O S C AU SA D O S, C O M PR O VA D O S 5 ² S Ó J US TI ÇA D O T R A B A LH O P O D E D EC LA R A R ³IN C LU SÃ O P EL A R EF O R M A T R A B A LH IS TA 5 V A LO R A TÉ M ET A D E D A S R EM UN ER A ÇÕ ES Q UE S ER IA M D EV ID A S A TÉ O T ÉR M IN O D O C O N TR A TO PO R P R AZ O D ET ER M IN AD O PO R P R AZ O IN D ET ER M IN AD O 4 SÚ M UL A 12 5 TS T ¹ A ÇÃ O T R A B A LH IS TA PO R C U LP A R EC ÍP R O C A² D EM IS SÃ O D E C O M U M A C O R D O ³ AO T ÉR M IN O AN TE C IP AD AM EN TE PO R IN IC IA TI VA D O EM PR EG AD O R AN TE C IP AD AM EN TE PO R IN IC IA TI VA D O EM PR EG AD O FO RM AS D E RE SC IS ÃO SE M J U ST A C AU SA C O M J U ST A C AU SA IN IC IA TI VA D O E M PR EG AD O , C O M J U ST A C AU SA (R ES C IS ÃO IN D IR ET A) ¹ D EM IS SÃ O A P ED ID O 98 15 DOCUMENTAÇÃO PARA LIBERAR VERBAS RESCISÓRIAS 15.1 Documentação para liberação – rescisão de contrato de trabalho Qual a documentação necessária que deverá ser apresentada pela empresa para liberação de saldo da conta vinculada, em caso de pagamento de verbas rescisórias? 1) Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) devidamente anotada (figura 1); 2) Notificação de aviso prévio (figura 2); 3) Exame médico demissional (figura 3); 4) Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (TRCT) (figura 4); 5) Em caso de contrato por prazo determinado: Contrato de trabalho ou de experiência (figura 6); 6) Comprovante de pagamento das verbas ao empregado (figura 5); 7) Em caso de despedida sem justa causa: Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS (GRRF), com o comprovante de pagamento (figura 8), devendo ser acompanhada do Demonstrativo do Trabalhador de Recolhimento FGTS Rescisório (figura 7); 8) Relatórios da GFIP referentes ao mês de competência do desligamento – para conferência dos encargos previdenciários sobre a verbas rescisórias do empregado desligado (figura 9); e 9) GPS do mês de competência do desligamento (figura 10). Com a documentação em mãos, cabe à Administração verificar se o empregado recebeu o seu direito às verbas rescisórias, de acordo com a legislação vigente, para tanto segue abaixo um roteiro para verificação. 15.2 Roteiro de verificação – rescisão de contrato de trabalho 1) Verifique se foi devidamente anotada na CTPS a data de desligamento do empregado no campo “data saída”. Essa é a data de rescisão do contrato de trabalho e deve coincidir com a data lançada no TRCT; 2) Confira o preenchimento do Aviso Prévio para identificar se ocorreu dentro do prazo legal. Atenção com a data de admissão, para verificar se haverá o aviso prévio proporcional (Lei nº 12.546/2011); 3) Examine se o nome e a função do terceirizado estão corretos no exame demissional bem como se o resultado foi “APTO”; 4) Confira o TRCT (esse é o principal documento), que deve ser assinado pelas partes. Atenção aos seguintes campos, que são numerados: Campo Informação/Observação 11 Nome do terceirizado. 21 Tipo de contrato – ATENÇÃO: se o contrato for por prazo determinado, deverá ser conferida a data de admissão do empregado no documento que fixou o prazo (ex.: contrato de experiência). 22 Causa do afastamento – ATENÇÃO: se for sem justa causa, deverá ser paga a multa do FGTS. 23 Remuneração mês anterior ao afastamento – ATENÇÃO: em regra, essa é a remuneração base que será considerada para os cálculos das verbas rescisórias. 24 Data de admissão. 25 Data do aviso prévio – ATENÇÃO: a data é preenchida com o início do aviso prévio (dia seguinte à notificação de aviso prévio). Se o aviso não foi concedido pela empresa, a indenização deve ser paga e registrada no campo 69 do TRCT. No caso de o empregado ter pedido a demissão e não tiver concedido o aviso prévio à empresa, será descontado o valor correspondente das verbas rescisórias e registrado no campo 103 do TRCT. 99 Campo Informação/Observação 26 Data do afastamento – ATENÇÃO: esta é a data do último dia trabalhado pelo empregado. Deve ser considerada esta data para apurar todas as verbas devidas ao trabalhador, como: saldo de salário, férias proporcionais, 13º salário proporcional. 50 Saldo de salário – verifique os dias trabalhados no mês da rescisão e o salário correspondente. 60 Multa paga pelo empregador em caso de atraso no pagamento das verbas rescisórias (até 10 dias após o encerramento do contrato de trabalho). 61 Multa pela rescisão antecipada pelo empregador, sem justa causa, do contrato por prazo determinado SEM cláusula assecuratória de direito recíproco de rescisão antecipada (metade da remuneração que o empregado teria direito até o término do contrato). 63 13º salário proporcional – deve ser proporcional aos meses trabalhados no ano da rescisão. 65 Férias proporcionais – deve ser proporcional aos meses trabalhados no ano da rescisão. 66 Férias vencidas – são as férias adquiridas, mas não gozadas, deve ser igual a 1 remuneração 68 1/3 constitucional de férias 69 Aviso prévio indenizado – se não for concedido o aviso prévio pelo empregador ou o número de dias que ultrapassar os 30 (trinta) dias de aviso prévio. 70 13º salário sobre o aviso prévio indenizado. 71 Férias sobre o aviso prévio indenizado. 103 Débito por aviso prévio indenizado (não concedido pelo empregado). 104 Multa pela rescisão antecipada pelo empregado, sem justa causa, do contrato por prazo determinado SEM cláusula assecuratória de direito recíproco de rescisão antecipada (prejuízos causados ao empregador. Valor máximo = metade da remuneração que o empregado teria direito até o término do contrato). 112.1 INSS – ATENÇÃO: percentual aplicado conforme tabela de contribuição dos segurados. Não considerar as verbas indenizatórias. 112.2 INSS sobre o 13º salário – ATENÇÃO: percentual aplicado conforme tabela de contribuição dos segurados. Não considerar as verbas indenizatórias. O INSS sobre o 13º salário tem base de cálculo separada das demais verbas. 5) Se o contrato for por prazo determinado, confira a data de início e o prazo de vigência no contrato de trabalho ou de experiência bem como se houve prorrogação, e se foi observada a duração máxima; 6) Confirme se o terceirizado está no controle da conta vinculada (planilha com dados informados pelo executor) – é importante também que o executor do contrato ratifique a informação referente ao desligamento do empregado; 7) Verifique se o pagamento das verbas rescisórias foi realizado no prazo legal; 8) Em caso de demissão sem justa causa, confira os valores do “Demonstrativo do Trabalhador de Recolhimento FGTS Rescisório” e a GRRF, para verificar a conformidade no recolhimento da multa sobre o FGTS e a contribuição social. Devem ser conferidas as seguintes informações no documento: 100 Linha Coluna Representa “remuneração / saldo” “mês rescisão” Remuneração devida no mês da rescisão, inclusive o 13º proporcional. “remuneração / saldo “aviso prévio indenizado” Valor do aviso prévio indenizado, incluindo o reflexo de 13º salário sobre o aviso prévio indenizado, caso devido. “remuneração / saldo “multa rescisória” Saldo da conta vinculada individual do trabalhador no FGTS; é o valor total dos depósitos que foram efetuados pela empresa durante a relação de emprego. “depósito” “mês rescisão” Valor do depósito do FGTS incidente sobre a remuneração devida por ocasião da rescisão. “depósito” “aviso prévioindenizado” depósito do FGTS incidente sobre o aviso prévio indenizado. “depósito” “multa rescisória” Valor da multa pela rescisão sem justa causa, equivalente a 40% do valor do saldo da conta vinculada individual do FGTS do trabalhador. “contribuição social” “multa rescisória” Valor da contribuição social, equivalente a 10% do valor do saldo da conta vinculada individual do FGTS do trabalhado. “valor trabalhador Depósito de 8% do mês + a multa de 40%. “valor devido pela empresa” “Valor trabalhador” + contribuição social de 10%. Esse valor apurado é o que deve ser recolhido pelo empregador por meio da GRRF. 9) Confira a GFIP e a GPS para verificar se os encargos sociais incidentes sobre o saldo de salário e o 13º salário foram recolhidos corretamente. Relatórios da GFIP Como a GFIP é um conjunto de informações destinadas ao FGTS e à Previdência Social, ela é composta pelos seguintes relatórios: 1) Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP (somente dos trabalhadores que prestam serviço ao tomador) – RE; 2) Resumo das Informações à Previdência Social Constantes no Arquivo SEFIP –Tomador de Serviços/Obra; 3) Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do Fechamento – Empresa; 4) Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do Fechamento – Empresa – FGTS; 5) Resumo das Informações à Previdência Social Constantes no Arquivo SEFIP – Empresa; 6) Relação de Tomador/Obra – RET; 7) Resumo – Relação de Tomador/Obra – RET; 8) Relatório Analítico da GPS; 9) Relatório Analítico de GRF; 10) Comprovante de Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos por FPAS – Empresa; 11) Protocolo de Envio de Arquivos, emitido pelo Sistema Conectividade Social; E o que deve ser observado na GFIP, na GPS e na GRF? 101 Análise do RE Campo “EMPRESA” Constam dados da contratada. Campo “TOMADOR/OBRA” Consta o órgão contratante. Campo “COMP” Competência é a do mês objeto de análise. Todos terceirizados lançados no RE Também constam no controle da conta vinculada. Campo “REM SEM 13º SAL” Salário contribuição = corresponde à remuneração do empregado. Esse valor se encontra abaixo do nome do trabalhador. Campo “REM 13º SAL” Valores do 13º salário pago no mês de competência da GFIP. Campo “CONTRIB SEG DEVIDA” Se a remuneração for lançada corretamente, a contribuição do segurado estará correta, pois o sistema calcula automaticamente. Campo “DEPÓSITO” Valor do FGTS, calculado automaticamente pelo sistema. Se o valor da remuneração estiver correto, o valor do FGTS estará correto (8% da remuneração). Campo “MODALIDADE” “BRANCO” – Recolhimento ao FGTS e Declaração à Previdência = situação normal com pagamento do FGTS e pagamento do INSS. “1” – Declaração ao FGTS e à Previdência = sem pagamento do FGTS (ex.: GFIP mês 13 – 13º salário). “9” – Confirmação/Retificação de Informações Anteriores – Recolhimento/ Declaração ao FGTS e Declaração à Previdência = retificação e confirma relação funcionários que não foram modificados. Análise do RET Campo “Nº ARQUIVO” Indica o código da GFIP, gerado eletronicamente pelo sistema. Esse código é também chamado de “NRA”. O código NRA da GFIP deve ser o mesmo do Protocolo de Envio de Arquivos – Conectividade Social, no campo “Informações Complementares – NRA”, para comprovar que esses relatórios foram enviados à Receita Federal do Brasil. Código de barras da GRF Número com 4 conjunto de 12 números, localizado na parte superior do documento, à direita. Esse número corresponde ao código de barras da GRF a ser recolhida. Análise da Guia da Previdência Social (GPS) Campo “1” Constam dados da contratada. Campo “4” Competência é a do mês objeto de análise. Campo “5” CNPJ da contratada. Campo “6” “Valor do INSS” = deve corresponder ao valor constante no campo “VALOR A RECOLHER – PREVIDÊNCIA SOCIAL” do relatório “Comprovante de Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos por FPAS – EMPRESA”, que também é igual ao valor constante no “Relatório Analítico de GPS”. 102 Campo “9” “Vlr outras entidades” = deve corresponder ao valor constante no campo “VALOR A RECOLHER – OUTRAS ENTIDADES” do relatório “Comprovante de Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos por FPAS – EMPRESA”. Confirmar o pagamento da GPS com o recibo de pagamento – PRAZO P/ PGTO ATÉ DIA 20. Análise da Guia de Recolhimento do FGTS (GRF) Campo “1” Constam dados da contratada. Campo “5” “Remuneração” = deve corresponder ao valor constante no “Relatório Analítico da GRF”, que também é igual ao relatório “Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do Fechamento – Empresa – FGTS” e no relatório “Relação de Tomador (RET)”. Campo “6” “Qtde Trabalhadores” = deve corresponder à quantidade constante no “Relatório Analítico da GRF”, que também é igual ao relatório “Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do Fechamento – Empresa – FGTS” e no relatório “Relação de Tomador (RET)”. Campo “10” CNPJ da contratada. Campo “11” Competência é a do mês objeto de análise. Campo “15” “TOTAL A RECOLHER” = deve corresponder ao valor constante no campo “VALOR A RECOLHER” do relatório “Relação dos Trabalhadores Constantes no Arquivo SEFIP – Resumo do Fechamento – EMPRESA – FGTS”, que também é igual ao valor constante no “Relatório Analítico da GRF”. Confirmar o pagamento da GRF com o recibo de pagamento – PRAZO P/ PGTO ATÉ DIA 7. Importante ressaltar que a GFIP, a GPS e a GRF serão substituídas por outros documentos quando da implantação total do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial), instituído pelo Decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014, que substituirá a GFIP, GPS e GRF. A implantação do eSocial será efetuada gradualmente, por grupos de empresas e em 5 (cinco) fases, conforme cronograma de implantação a seguir: 103 104 Figura 1 105 Figura 2 106 Figura 3 107 Figura 4 108 Figura 5 109 Figura 6 110 Figura 7 111 Figura 8 112 Figura 9 113 114 115 116 117 118 119 120 Figura 10 121 Figura 11 122 16 LIBERAÇÃO DE ENCARGOS SOCIAIS SOBRE 13º SALÁRIO E FÉRIAS 16.1 Liberação de encargos sociais sobre o 13º salário e as férias Quando o empregador paga as verbas trabalhistas de 13º salário e férias ao empregado, durante a vigência do contrato de trabalho, há incidência de encargos sociais sobre essas verbas. Esses encargos sociais compõem a provisão “impacto sobre férias e 13º salário” prevista no Decreto DF nº 34.649/2013. Então, poderá ser liberado para a contratada o valor provisionado para os encargos sociais sobre o 13º salário e às férias, tão logo ela apresente a documentação comprobatória de quitação dessas obrigações. 16.1.1 Encargos sociais sobre o 13º salário Os encargos sociais sobre o 13º salário incidem sobre a folha de pagamento da seguinte forma: FGTS = folha do mês de competência em que ocorreu o pagamento da obrigação; e Contribuição previdenciária (INSS retido do empregado, INSS patronal, RAT ajustado e percentual de recolhimento para outras entidades) = folha da competência 13. 16.1.1.1 Documentação para liberação dos encargos sociais sobre o 13º salário Para comprovar o recolhimento dos encargos sociais sobre o 13º salário e solicitar a liberação da respectiva provisão, a contratada deverá apresentar a documentação a seguir: GFIP competênciado mês que houve o pagamento do 13º salário, com as respectivas GRF e GPS e comprovação dos pagamentos; e GFIP competência 13 (GFIP 13), com a respectiva GPS (GPS 13) e recibo de pagamento. Com a documentação em mãos, cabe à Administração conferir os campos das GFIPs bem como verificar se os valores referentes aos encargos sociais foram devidamente recolhidos via GPS e GRF. Para facilitar a conferência, segue roteiro para verificação. 16.1.1.2 Roteiro de verificação – encargos sociais sobre o 13º salário A análise da GFIP, GPS e GRF do mês de competência do pagamento do 13º salário deve seguir o mesmo roteio de verificação constante no item 15.2 desta apostila (liberação de verbas rescisórias). A GFIP 13 destina-se exclusivamente à Previdência Social e deve ser transmitida até o dia 31 de janeiro do ano seguinte ao da referida competência. O objetivo da entrega desta GFIP é declarar e informar à Previdência Social a base de cálculo do 13º salário, ou seja, as remunerações que geraram a contribuição previdenciária sobre o 13º salário pago aos empregados e recolhida em 20 de dezembro do ano anterior (GPS 13). Esta GFIP é merante declaratória e obrigatória a todas as empresas. Apresentam-se os detalhes referentes à GFIP competência 13: Análise do RE Campo “COMP” Deve estar preenchido com 13/20XX Campo “BASE CÁLC 13º SAL PREV SOC” Valores do 13º salário que foram pagos aos trabalhadores. Valor total (1ª e 2ª parcela) = base de cálculo das contribuições previdenciárias Campo “CONTRIB SEG DEVIDA” Contribuição social do segurado sobre o valor do 13º salário. O sistema calcula automaticamente Campo “DEPÓSITO” O valor do FGTS estará em branco, pois já foi calculado e recolhido no mês de competência em que ocorreu o pagamento de cada parcela Campo “MODALIDADE” Como o FGTS já foi recolhido no mês do pagamento, a modalidade NÃO pode ser “BRANCO”. A modalidade será “1” para o 1º envio da GFIP competência 13 ou “9”, no caso de retificação ou confirmação (novo envio). http://www.contabeis.com.br/termos-contabeis/base_de_calculo 123 124 125 16.1.2 Encargos sociais sobre as férias Os encargos sociais sobre as férias, tanto o FGTS quanto a contribuição previdenciária (contribuição do segurado, INSS patronal, RAT ajustado e outras entidades), incidem sobre a folha de pagamento do mês ou dos meses – o período de gozo pode atingir 2 (dois) meses – de competência do gozo das férias, independentemente de a remuneração das férias ter sido paga antecipadamente, conforme § 14 do artigo 214 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 – Regulamento da Previdência Social. DECRETO DF nº 3.048/1999 Art. 214. Entende-se por salário de contribuição: [...] § 14. A incidência da contribuição sobre a remuneração das férias ocorrerá no mês a que elas se referirem, mesmo quando pagas antecipadamente na forma da legislação trabalhista. 16.1.2.1 Documentação para liberação dos encargos sociais sobre as férias Para fins de liberação dos encargos sociais sobre as férias, a contratada deverá apresentar a seguinte documentação: Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) da competência do(s) mês(es) do gozo das férias; Guia de Recolhimento do FGTS (GRF) da(s) competência(s) do(s) mês(es) do gozo das férias, com o recibo de pagamento; e Guia da Previdência Social (GPS) da(s) competência(s) do(s) mês(es) do gozo das férias, com o recibo de pagamento. Com a documentação em mãos, cabe à Administração conferir os campos da GFIP bem como verificar se os valores referentes aos encargos sociais foram devidamente recolhidos via GRF e GPS. Para facilitar a conferência, segue roteiro para verificação. 16.1.2.2 Roteiro de verificação – encargos sociais sobre as férias A análise da GFIP, GPS e GRF do mês de competência do gozo das férias deve seguir o mesmo roteiro de verificação constante no item 15.2 desta apostila (liberação de verbas rescisórias). 16.2 Valor a liberar de cada provisão Ressalta-se que após a devida análise da documentação pela área competente, havendo a confirmação de que o empregado recebeu (opção de restituição à contratada) ou irá receber (opção de depósito pela Administração na conta-salário do empregado) o seu direito às verbas trabalhistas de 13º salário ou férias ou rescisórias, de acordo com a legislação vigente, a Administração autorizará a liberação parcial da conta vinculada, observando o limite individual existente no saldo de cada provisão e de cada funcionário, conforme artigo previsto no § 5º do artigo 11 do Decreto nº 34.649/2013. DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal ao órgão ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado de documentos comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das provisões, atestado por profissional responsável pelos cálculos. § 5º O montante da provisão a ser liberada não poderá exceder os limites individuais constituídos para cada tipo de provisão, conforme percentuais estabelecidos no anexo deste Decreto, não sendo admitido o pagamento de uma provisão com recursos constituídos para outra. 16.2.1 13º salário e férias durante a vigência do contrato de trabalho A Administração poderá liberar por funcionário no máximo o valor existente em cada provisão, ou seja, as rubricas de férias e 13º salário poderão ser liberadas em valor inferior ao saldo existente na conta vinculada, quando o valor pago pela contratada ao funcionário for inferior a este saldo. 126 Em síntese, as liberações de 13º salário e férias durante a vigência do contrato de trabalho deverão observar as seguintes situações: 1) Se o valor da provisão trabalhista que a contratada pagou ao funcionário (valor líquido) for maior que o saldo existente na conta vinculada, referente àquela provisão e àquele funcionário, será liberado da conta vinculada o saldo existente naquela provisão; ou 2) Se o valor da provisão trabalhista que a contratada pagou ao funcionário (valor líquido) for menor que o saldo existente na conta vinculada, destinado àquela provisão e àquele funcionário, será liberado o valor pago pela contratada. Se a opção da empresa foi pela liberação diretamente às contas-salário dos empregados e, caso o saldo da rubrica seja insuficiente para pagamento do valor devido ao empregado, a contratada deverá providenciar o pagamento complementar e encaminhar o comprovante ao órgão contratante. ATENÇÃO! Ao apurar o saldo da rubrica de férias para liberação, observar o período de 12 meses (período aquisitivo) e não o valor disponível na rubrica no momento do pedido, para não liberar valor maior do que o devido. 16.2.2 Verbas rescisórias Após a devida comprovação de quitação das verbas trabalhistas e encargos sociais referentes ao empregado desligado, poderá ser liberado da conta vinculada todo o saldo correspondente ao 13º salário, férias e encargos sobre 13º salário e férias, em relação àquele funcionário. No tocante ao saldo da provisão de multa do FGTS, somente será liberado se a contratada comprovar haver tido despesa com esse encargo, em relação ao funcionário demitido. No caso de o funcionário não ter direito à multa do FGTS, o saldo desta rubrica somente será liberado no encerramento do contrato. 16.2.3 Encargos sociais sobre 13º salário Após a devida comprovação de quitação dos encargos sociais sobre o 13º salário, poderá ser liberado da conta vinculada todo o saldo correspondente aos encargos sobre 13º salário, referente ao exercício financeiro findo, e em relação aos funcionários constantes na GFIP 13. 16.2.4 Encargos sociais sobre as férias Após a devida comprovação de quitação dos encargos sociais sobre as férias do trabalhador, poderá ser liberado da conta vinculada todo o saldo correspondente aos encargos sobre as férias, em relação àquele funcionário.Importante destacar que para efetuar a liberação dos valores de forma adequada, por rubrica e por funcionário, em relação às ocorrências de liberação solicitadas durante a execução contratual, visando mitigar a responsabilização da Administração Pública em eventuais demandas trabalhistas, é imprescindível que o controle existente no órgão, referente aos depósitos e saques na conta vinculada, seja eficiente. 17 LIBERAÇÃO DE SALDO REMANESCENTE DE CONTA VINCULADA 17.1 Liberação de saldo remanescente durante a vigência do contrato 17.1.1 13º salário Referente ao 13º salário, esclarece-se que os saldos remanescentes da rubrica do 13º salário, poderão ser liberados à conta corrente da empresa contratada, conforme disciplina o § 4º do artigo 12 do Decreto Distrital nº 34.649/2013, alterado, devendo a empresa solicitar a liberação a partir do exercício subsequente. 127 DECRETO DF Nº 34.649/2013 Art. 12. Protocolado o pedido de autorização para movimentação da conta vinculada pela empresa contratada, o órgão ou entidade contratante terá o prazo de 3 (três) dias úteis, a contar da data de apresentação dos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, para autorizar o BRB a desbloquear os valores retidos. § 4º Devolver-se-á a empresa eventuais saldos remanescentes da rubrica referente ao 13º (décimo terceiro) salário, após a comprovação da quitação da verba trabalhista para os trabalhadores. (redação incluída pelo Decreto nº 36.164/2014) Para tanto, é necessário que a contratada apresente a comprovação de quitação das verbas trabalhistas, referente à rubrica em questão, com a correspondente comprovação de recolhimento dos encargos previdenciários e do FGTS sobre o 13º salário. 17.1.2 Férias A provisão de férias não tem a mesma previsão legal, então, eventuais saldos remanescentes somente serão liberados no encerramento do contrato. 17.2 Liberação no encerramento do contrato administrativo Por ocasião do término do contrato, é comum que todo o pessoal da contratada, empregado na execução dos serviços, seja demitido. Assim, os procedimentos a serem observados antes da liberação de todo o saldo existente na conta vinculada são os mesmos já abordados no item 15 desta apostila (rescisão contratual), para verificar o cumprimento das obrigações trabalhistas, o correto pagamento das verbas trabalhistas bem como o pagamento dos respectivos encargos sociais, por meio da GFIP, GRRF e GPS. 18 ANEXOS 18.1 Lei Distrital nº 4.636 de 23 de agosto de 2011 alterada Institui mecanismo de controle do patrimônio público do Distrito Federal, dispondo sobre provisões de encargos trabalhistas a serem pagos às empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua, no âmbito dos Poderes Públicos do Distrito Federal. Art. 1º Os editais de licitação e contratos de serviços continuados no âmbito dos Poderes Públicos do Distrito Federal, sem prejuízo das disposições legais aplicáveis, observarão as normas desta Lei, para a garantia do cumprimento das obrigações trabalhistas nas contratações. Parágrafo único. Os editais referentes às contratações de empresas para prestação de serviços contínuos aos órgãos públicos do Distrito Federal deverão conter expressamente o disposto no art. 9º desta Lei bem como disposição sobre a obrigatoriedade de observância de todos os seus termos. Art. 2º As provisões de encargos trabalhistas relativas a férias, décimo-terceiro salário e multa do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) por dispensa sem justa causa, a serem pagas pelos órgãos e entidades dos Poderes Públicos do Distrito Federal a empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua, serão glosadas do valor mensal do contrato e depositadas exclusivamente em banco público oficial. Parágrafo único. Os depósitos de que trata o caput devem ser efetivados em conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – aberta em nome da empresa, unicamente para essa finalidade e com movimentação somente por ordem do órgão ou entidade contratante. Art. 3º A solicitação de abertura e a autorização para movimentar a conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – serão providenciadas pelo setor responsável do respectivo órgão, na forma do regulamento. Art. 4º (Artigo revogado pela Lei no 5.313, de 18/2/2014) Art. 5º O montante do depósito vinculado será igual ao somatório dos valores das seguintes provisões previstas para o período de contratação: 128 I – décimo-terceiro salário; II – férias e abono de férias; III – impacto sobre férias e décimo-terceiro salário; IV – multa do FGTS. Parágrafo único. Os valores provisionados para o atendimento deste artigo serão obtidos pela aplicação de percentuais e valores constantes da proposta. Art. 6º Os órgãos contratantes deverão firmar acordo de cooperação com banco público oficial, que terá efeito subsidiário à presente Lei, determinando os termos para a abertura da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação –, na forma do regulamento. Art. 7º A assinatura do contrato de prestação de serviços entre o órgão contratante e a empresa vencedora do certame será precedida dos seguintes atos: I – solicitação pelo órgão contratante, mediante ofício, de abertura de conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – no nome da empresa, conforme disposto no art. 2º desta Lei, na forma do regulamento; II – assinatura, pela empresa a ser contratada, no ato da regularização da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação –, de termo específico da instituição financeira oficial que permita ao órgão contratante ter acesso aos saldos e extratos e vincule a movimentação dos valores depositados à sua autorização, na forma do regulamento. Art. 8º Os saldos da conta vinculada – bloqueada para movimentação – serão remunerados pelo índice da poupança ou outro definido no acordo de cooperação previsto no art. 6º desta Lei, sempre escolhido o de maior rentabilidade. Art. 9º Os valores referentes às provisões de encargos trabalhistas mencionados no art. 5º depositados na conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – deixarão de compor o valor do pagamento mensal à empresa. Art. 10. No âmbito dos órgãos públicos, a autoridade competente disporá sobre o setor encarregado de definir, inicialmente, os percentuais a serem aplicados para os descontos e depósitos, como também o setor encarregado de conferir a aplicação sobre as folhas de salário mensais das empresas e realizar as demais verificações pertinentes. Art. 11. A empresa contratada poderá solicitar autorização do órgão competente para resgatar os valores referentes a despesas com o pagamento de eventuais indenizações trabalhistas dos empregados que prestam os serviços contratados, ocorridas durante a vigência do contrato. § 1º Para a liberação dos recursos da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação –, a empresa deverá apresentar ao setor responsável os documentos comprobatórios da ocorrência de indenizações trabalhistas, conforme regulamento. § 2º Os órgãos públicos, por meio dos setores competentes, expedirão, após a confirmação da ocorrência da indenização trabalhista e a conferência dos cálculos pela unidade de auditoria, a autorização de que trata o caput, que será encaminhada à instituição financeira oficial no prazo máximo de cinco dias úteis, a contar da data da apresentação dos documentos comprobatórios pela empresa, na forma do regulamento. § 3º A empresa deverá apresentar ao setor competente, no prazo máximo de três dias, o comprovante de quitação das indenizações trabalhistas, contados da data do pagamento ou da homologação. Art. 11-A. Determinada a movimentação da conta vinculada pelo órgão contratante, em caso de inadimplemento ou atraso quanto à liberação do saldo, será aplicada à instituição financeira oficial a responsabilidade objetiva quanto aos danos causados ao contratado. (Artigo acrescido pela Lei no5.313, de 18/2/2014.) Art. 12. O saldo total da conta corrente vinculada – bloqueada para movimentação – será liberado à empresa, no momento do encerramento do contrato, mediante declaração do sindicato da categoria correspondente aos serviços contratados que confirme a quitação das indenizações trabalhistas, ocorrendo ou não o desligamento dos empregados. Parágrafo único. A execução completa do contrato só acontecerá quando o contratado comprovar o pagamento de todas as obrigações trabalhistas e previdenciárias referentes aos empregados. 129 Art. 12-A. O órgão contratante entenderá como aceitação tácita da quitação de todos os direitos trabalhistas quando o Sindicato não se manifestar no prazo de cinco dias a contar da data de encerramento do contrato. (Artigo acrescido pela Lei no 5.313, de 18/2/2014) Art. 13. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de trinta dias contados de sua publicação. Art. 14. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 23 de agosto de 2011 123º da República e 52º de Brasília AGNELO QUEIROZ 18.2 Decreto Distrital nº 34.649, de 10 de setembro de 2013 Regulamenta a Lei nº 4.636, de 25 de agosto de 2011, e dá outras providências. O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o art. 100, inciso VII, da Lei Orgânica do Distrito Federal, e tendo em vista o disposto no art. 13 da Lei nº 4.636, de 25 de agosto de 2011, DECRETA: Art. 1º Os editais licitatórios e os contratos de prestação de serviços continuados, com dedicação exclusiva de mão de obra, formalizados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal, deverão conter cláusulas relativas à retenção provisória e mensal de provisões trabalhistas. Parágrafo único. Os contratos vigentes deverão se adequar às regras deste Decreto quando da renovação contratual porventura formalizada. Art. 2º Para os fins deste Decreto são consideradas as seguintes provisões trabalhistas: I – 13º salário; II – férias e abono de férias; III – impacto sobre férias e 13º salário; e IV – multa do FGTS. Art. 3º Os depósitos de que trata o artigo anterior serão efetuados com acréscimo do lucro proposto pela contratada. Art. 4º Para fins de contabilidade pública, as provisões trabalhistas retidas serão consideradas como despesa liquidada. Art. 5º Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o total mensal pago, sendo que o montante retido representará a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, na forma do anexo deste Decreto. § 1º As provisões retidas do valor mensal do contrato serão depositadas exclusivamente em conta corrente vinculada, aberta em nome da empresa, unicamente para essa finalidade e com movimentação mediante prévia e expressa autorização do órgão ou entidade contratante. § 2º Para cada contrato formalizado com os órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal, haverá uma conta vinculada aberta em nome da empresa. Art. 6º Os valores retidos mensalmente serão depositados na conta vinculada respectiva no Banco de Brasília S/A (BRB) e remunerados pelo índice da poupança ou outro definido no Acordo de Cooperação Técnica, previsto no art. 7º deste Decreto, adotando-se o índice de maior rentabilidade. Parágrafo único. O BRB liberará os valores retidos após autorização do órgão ou entidade contratante da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal. Art. 7º Os órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal deverão formalizar Acordo de Cooperação Técnica com o BRB, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da publicação deste Decreto, para sua operacionalização. Parágrafo único. Para fins de cumprimento do disposto no § 2º do art. 11 da Lei nº 4.636, de 25 de agosto de 2011, o BRB e o órgão ou entidade contratante estabelecerão procedimentos como forma de mitigar riscos e aferir a propriedade dos valores a serem liberados. 130 Art. 8º Os órgãos e entidades contratantes deverão encaminhar ao BRB, mensalmente, relatório de execução do contrato, devendo constar, obrigatoriamente: I – salário individual dos empregados; II – período que cada empregado permanece vinculado ao contrato específico. Art. 9º A assinatura ou renovação do contrato de prestação de serviços será precedida de: I – solicitação formal do órgão ou entidade contratante da abertura de conta corrente vinculada, em nome da empresa; II – assinatura pela contratada de termo específico do BRB que permita ao órgão ou entidade contratante ter acesso aos extratos diários e mensais; III – autorização da contratada para que a conta vinculada somente seja movimentada após determinação do órgão ou entidade contratante; IV – autorização da contratada para que o BRB somente efetue o pagamento das provisões definidas no art. 2º deste Decreto em conta-salário do trabalhador, aberta no BRB; V – termo de compromisso firmado pela empresa de que os pagamentos de salário e similares serão realizados exclusivamente por meio do BRB. Art. 10. O montante depositado na conta vinculada somente poderá ser movimentado após a autorização do órgão ou entidade contratante, mediante comprovação da ocorrência de qualquer situação que gere o pagamento das provisões previstas no art. 2º deste Decreto. Art. 11. Para a liberação parcial dos valores retidos, a empresa apresentará pedido formal ao órgão ou entidade contratante no qual conste o montante a ser liberado, acompanhado de documentos comprobatórios da ocorrência da situação que gere o pagamento das provisões, atestado por profissional responsável pelos cálculos. § 1º O pedido formal de liberação sempre deverá ser acompanhado de tabela em meio magnético, na qual devem constar os seguintes dados: I – nome e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do empregado beneficiado; II – período da vinculação do empregado na empresa; III – período da vinculação do empregado no órgão ou entidade contratante; IV – base salarial que alicerça o montante a ser liberado, por empregado e somatório; e V – memória de cálculo individualizada por tipo de provisão. § 2º Para a movimentação da conta vinculada nos casos em que ocorra demissão de empregado com mais de 1 (um) ano de serviço, será obrigatória a apresentação de documento de validação dos valores devidos, atestado pelo respectivo Sindicato da Categoria ou perante a autoridade do Ministério do Trabalho, conforme estabelece o § 1º do art. 477 da Consolidação das Leis do Trabalho. § 3º Na hipótese de o empregado ser desligado da empresa com menos de 1 (um) ano de serviço, a empresa deverá apresentar documento comprobatório dos cálculos dos valores indenizatórios a que o trabalhador faça jus, devidamente assinado pelo profissional responsável pelo cálculo, pelo empregador e pelo empregado. § 4º O órgão ou entidade contratante poderá requerer, a seu critério, outros dados e informações e estabelecer leiautes para a remessa dos relatórios. § 5º O montante da provisão a ser liberada não poderá exceder os limites individuais constituídos para cada tipo de provisão, conforme percentuais estabelecidos no anexo deste Decreto, não sendo admitido o pagamento de uma provisão com recursos constituídos para outra. § 6º O BRB e o órgão ou entidade contratante estabelecerão procedimentos de modo a aferir o cumprimento do disposto no parágrafo anterior. § 7º Na hipótese de o empregado deixar de prestar serviços ao órgão ou entidade contratante, ainda que permaneça vinculado à empresa contratada, as provisões serão liberadas proporcionalmente ao tempo que tenha prestado serviços ao órgão ou entidade contratante. Art. 12. Protocolado o pedido de autorização para movimentação da conta vinculada pela empresa contratada, o órgão ou entidade contratante terá o prazo de 3 (três) dias úteis, a contar da data de apresentação dos documentos de que trata o art. 11 desteDecreto, para autorizar o BRB a desbloquear os valores retidos. 131 § 1º Os valores liberados serão depositados diretamente na conta-salário dos empregados da contratada, no prazo de 3 (três) dias úteis a contar da data de autorização do órgão ou entidade contratante. § 2º Constatadas inconsistências nos documentos de que trata o art. 11 deste Decreto, a contagem de prazo será suspensa até a apresentação das correções devidas. Art. 13. Quando do encerramento do contrato, o saldo da conta vinculada somente será liberado à empresa contratada mediante autorização do órgão ou entidade contratante. § 1º Para a liberação do saldo da conta vinculada a empresa deverá, obrigatoriamente, comprovar a quitação de todas as provisões objeto deste Decreto e apresentar declaração formal do Sindicato da Categoria correspondente aos serviços contratados, que ateste a quitação de todos os direitos trabalhistas. § 2º O órgão contratante entenderá como aceitação tácita da quitação de todos os direitos trabalhistas quando o Sindicato não se manifestar no prazo de 5 (cinco) dias a contar da data de encerramento do contrato. § 3º O órgão ou entidade contratante terá prazo de 48 (quarenta e oito) horas para liberar o saldo dos recursos provisionados na respectiva conta vinculada da empresa contratada, contado da apresentação dos documentos exigidos no § 1º deste artigo ou do decurso do prazo para manifestação do Sindicato. Art. 14. A Secretaria de Estado de Planejamento e Orçamento do Distrito Federal poderá editar normas complementares necessárias à implementação deste Decreto e estabelecer padronização do Acordo de Cooperação Técnica com o BRB e dos demais documentos julgados pertinentes. Art. 15. Este Decreto entra em vigor 90 (noventa) dias após a data de sua publicação. Art. 16. Revogam-se as disposições em contrário. Brasília, 10 de setembro de 2013. 125º da República e 54º de Brasília AGNELO QUEIROZ ANEXO RESERVA MENSAL PARA O PAGAMENTO DE ENCARGOS TRABALHISTAS 132 18.3 Decreto Distrital nº 36.164, de 18 de dezembro de 2014 Altera o Decreto nº 34.649, de 10 de setembro de 2013, o qual regulamenta a Lei nº 4.636, de 25 de agosto de 2011, que Institui mecanismo de controle do patrimônio público do Distrito Federal, dispondo sobre provisões de encargos trabalhistas a serem pagos às empresas contratadas para prestar serviços de forma contínua, no âmbito dos Poderes Públicos do Distrito Federal, alterada pela Lei nº 5.313, de 18 de fevereiro de 2014. O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o art. 100, inciso VII, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA: Art. 1o O Decreto nº 34.649, de 10 de setembro de 2013, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 1º Os editais licitatórios e os contratos de prestação de serviços continuados, com dedicação exclusiva de mão de obra, formalizados pelos órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal, deverão conter cláusulas relativas à retenção provisória e mensal de provisões trabalhistas, constando especialmente: I – os percentuais das rubricas indicadas no art. 2º deste Decreto, para fins de provisionamento; II – a indicação de que eventuais despesas para abertura e manutenção da conta vinculada deverão ser suportadas pela própria empresa. Parágrafo único.......................................................................... Art. 3º – (REVOGADO) Art. 5º – Cada provisão constituirá percentual de retenção sobre o valor do salário bruto, e considerar-se-á como montante retido a soma dos percentuais individuais de cada uma delas, na forma do anexo deste Decreto. § 1º – .............................................................................. § 2º – .............................................................................. § 3º – Não serão considerados para efeitos de cálculo os reflexos de hora-extra. Art. 11 – ......................................................................... § 1º – ............................................................................. § 2º – ............................................................................. § 3º – ............................................................................. § 4º – ............................................................................. § 5º – ............................................................................. § 6º – ............................................................................. § 7º – ............................................................................. § 8º – No caso de a empresa contratada vir a efetuar o pagamento das verbas rescisórias antes da liberação dos recursos pelo BRB, esta poderá resgatar junto ao banco os valores despendidos para a quitação das provisões trabalhistas, após autorização do órgão ou entidade da Administração Pública Direta e Indireta do Distrito Federal. Art. 12 ....................................................................... § 1º – Os valores liberados serão depositados diretamente na conta-salário dos empregados da contratada, no prazo de 1 (um) dia útil a contar da data de autorização do órgão ou entidade contratante. § 2º ............................................................................ § 3º A empresa deverá aportar, imediatamente, na conta vinculada eventual diferença entre o estoque e o valor previsto para quitação, quando do efetivo pagamento da respectiva rubrica. § 4º Devolver-se-á a empresa eventuais saldos remanescentes da rubrica referente ao 13º (décimo terceiro) salário, após a comprovação da quitação da verba trabalhista para os trabalhadores. § 5º O saldo da rubrica referente ao FGTS somente será repassada ao trabalhador em caso de demissão e, conforme as regras determinadas em lei.” 133 Art. 2º Este Decreto entrará em vigor 15 dias após a data de sua publicação. Brasília, 18 de dezembro de 2014. 127º da República e 55º de Brasília AGNELO QUEIROZ 18.4 Minuta de Acordo de Cooperação Técnica BRB ACORDO DE COOPERAÇÃO TÉCNICA XX/20XX, PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ABERTURA DE CONTAS ESPECÍFICAS DESTINADAS A ABRIGAR OS RECURSOS CAPTADOS RELATIVOS À EXECUÇÃO DOS ENCARGOS TRABALHISTAS, QUE CELEBRAM ENTRE SI O “cada Órgão da Administração...” E O BRB – BANCO DE BRASÍLIA S/A. As partes abaixo qualificadas celebram o presente Acordo de Cooperação Técnica, conforme preceitos da Lei Distrital no 4.636, de 26 de agosto de 2011 e regulamentações, conforme fundamento na Lei no 8.666/1993 e demais disposições regulamentares e mediante as seguintes cláusulas e condições: ______(Qualificação do órgão, nome, CNPJ e endereço), doravante denominada simplesmente ÓRGÃO, neste ato representado pelo seu ______(cargo do representante), Sr.______ (nome, nacionalidade, estado civil, CPF e documento de identidade) nomeado pelo:______ (documento de nomeação), e o BANCO DE BRASILIA S.A., sociedade de economia mista, inscrito no CNPJ/MF sob o nº 00.000.208/0001-00, com sede no Setor Bancário Sul, Quadra 01, Bloco “E”, Edifício Brasília, Brasília (DF), doravante denominado simplesmente BANCO, neste ato representado pelo Diretor de Desenvolvimento, Governo, Crédito Imobiliário e Agronegócio, Sr. XXXXXXXXXXXXXXXXX, CPF: XXXXXXXXXXX, RG: XXXXXXX SSP/XX, resolvem celebrar o presente Acordo de Cooperação Técnica, doravante denominado simplesmente ACORDO, para a prestação dos serviços de abertura de contas específicas destinadas as Provisões Trabalhistas nos termos da Lei Distrital nº 4.636, de 26 de agosto de 2011, e regulamentações – denominada CONTA VINCULADA, e as demais normas pertinentes, mediante as seguintes condições: CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO O presente instrumento tem por objetivo regulamentar a prestação, pelo BANCO, dos serviços de abertura de contas específicas destinadas a abrigar os recursos retidos na forma da Lei nº 4.636/2011 e regulamentaçõesbem como viabilizar o acesso do ÓRGÃO aos saldos, extratos e movimentação dos recursos das referidas CONTAS. 134 CLÁUSULA SEGUNDA – DOS PROCEDIMENTOS a. Para cada contrato será aberta uma Conta Vinculada em nome da Pessoa Jurídica que possui contrato firmado com a Administração Pública, doravante denominada Contratada, à ordem do ÓRGÃO, mediante solicitação ou autorização formal emitida por este. b. A conta será aberta exclusivamente para recebimento de depósitos dos recursos na forma da Lei nº 4.636/2011 e regulamentações. c. A movimentação dos recursos da Conta Vinculada se dará mediante autorização do ÓRGÃO. CLÁUSULA TERCEIRA – DO FLUXO OPERACIONAL A abertura, captação e movimentação dos recursos dar-se-ão conforme o fluxo operacional a seguir: I – O Órgão ou Entidade firma o Contrato com a EMPRESA CONTRATADA. II – O Órgão ou Entidade providencia confecção de ofício endereçada ao BRB Banco de Brasília S/A, direcionado ao Gerente Geral da Agência de preferência da EMPRESA CONTRATADA, com o propósito de autorizar a abertura da Conta Vinculada de cada contrato. III – O Banco providencia: a. Abertura da Conta Vinculada; b. Comunicação ao Órgão ou Entidade sobre o número da Conta Vinculada aberta conforme solicitação bem como eventuais rejeições indicando seus motivos. c. Documento autorizativo, de cada EMPRESA CONTRATADA, para que o Órgão ou Entidade tenha acesso aos saldos e extratos de sua conta vinculada para movimentar a conta com a finalidade de pagamento dos encargos previstos na regulamentação da Lei Distrital nº 4636/2011; d. O acesso às CONTAS VINCULADAS, pelo ÓRGÃO, fica condicionado à expressa autorização, em caráter irrevogável e irretratável, nos termos do Anexo deste ACORDO, junto a CONTRATADA. IV – O Órgão ou Entidade credita os recursos objeto deste instrumento na Conta Vinculada de cada EMPRESA CONTRATADA mediante emissão de Ordem Bancária para essa finalidade V – O Órgão ou Entidade solicita ao Banco, mediante autorização expressa, a movimentação dos recursos, com a finalidade exclusiva de pagamento dos encargos objeto desse Acordo de Cooperação Técnica, por meio de crédito em conta de titularidade dos empregados da EMPRESA CONTRATADA indicados. VI – Os recursos depositados em cada Conta Vinculada deverão ser aplicados em investimentos de renda fixa. CLÁUSULA QUARTA – DAS OBRIGAÇÕES DAS PARTES: São Obrigações do Órgão ou Entidade: I – Enviar ao BANCO Ofício, requerimento de abertura das Contas Vinculadas, conforme Anexo I; II – Zelar pela guarda e sigilo das informações encaminhadas, utilizando-as exclusivamente para o fim especificado na Lei nº 4.636/2011 e regulamentações. São obrigações do BRB – Banco de Brasília S.A: I – Abrir as CONTAS, disponibilizar saldos e extratos e efetuar movimentações solicitadas ou previamente autorizadas pelo Órgão ou Entidade. II – Implementar ferramenta informatizada de modo a assegurar que os recursos da Conta Vinculada não sejam utilizados para outros fins, senão aqueles previstos no art. 2 incisos I, II, III e IV do Decreto no 34.649 de 10 de setembro de 2013. III – Estabelecer procedimentos informatizados para que o órgão ou entidade possam aferir a propriedade dos valores a serem liberados. IV – Prestar apoio técnico operacional ao Órgão ou Entidade e à EMPRESA CONTRATADA, necessário à execução dos serviços objeto deste Acordo. V – Disponibilizar ao Órgão ou Entidade ferramenta de controle das provisões trabalhistas e de empregados contratados pelas empresas prestadoras de serviços. VI – Informar ao Órgão ou Entidade qualquer ocorrência que comprometa a operacionalização de Contas Vinculadas. 135 VII – Disponibilizar acesso on line à Conta Vinculada de modo a permitir que Órgão ou Entidade gerencie e acompanhe os recursos depositados. CLAÚSULA QUINTA – DOS RECURSOS FINANCEIROS A celebração deste Acordo de Cooperação Técnica não implica desembolso de recursos financeiros por parte de qualquer uma das partes. CLÁUSULA SEXTA – VIGÊNCIA Este ACORDO terá eficácia a partir da data de sua assinatura e vigência de sessenta meses, podendo ser prorrogado. CLÁUSULA SÉTIMA – DAS ALTERAÇÕES As cláusulas deste Acordo de Cooperação Técnica, exceto a que trata do objetivo, poderão ser alteradas mediante Acordo Aditivo, desde que em comum acordo entre as partes e em consonância com a Lei nº 4.636, de 23 de agosto de 2011 e o Decreto nº 34.649, de 10 de setembro de 2013, e suas eventuais alterações. CLÁUSULA OITAVA – DA RESCISÃO Este Acordo de Cooperação Técnica poderá ser rescindido por qualquer uma das partes em razão do descumprimento de qualquer das obrigações ou condições pactuadas bem como pela superveniência de norma legal ou fato administrativo que o torne formal ou materialmente inexequível ou, ainda, por ato unilateral, mediante comunicação prévia à outra Parte, com antecedência mínima de 90 (noventa) dias, ficando as partes responsáveis pelas obrigações anteriormente assumidas. CLÁUSULA NONA – DA PUBLICAÇÃO A publicação de extrato do presente instrumento no Diário Oficial do Distrito Federal será providenciada pelo Governo do Distrito Federal, às suas expensas até o 5º dia útil do mês subsequente de sua assinatura. CLÁUSULA DÉCIMA – DO FORO Os casos omissos ou situações contraditórias deste Acordo de Cooperação Técnica deverão ser resolvidos mediante conciliação entre as partes, com prévia comunicação por escrito da ocorrência, consignando prazo para resposta, sempre com foco na busca de uma solução pacífica e no entendimento mútuo. Os gestores responsáveis pela execução e acompanhamento dos processos pertinentes a este Acordo, serão escolhidos pelas partes. Assim, por estarem as partes de pleno acordo quanto ao teor deste instrumento, assinam o referido Acordo em 03 vias, para todos os fins de direito. Brasília, de dezembro de 2014. ______________________________ BRB BANCO DE BRASÍLIA S/A _______________________________ Órgão ou Entidade 136 ANEXO I Ofício nº ____/20___ – (Nome do Órgão) (Cidade) (UF), ___ de ____________ de 20___. Ao BRB – Banco de Brasília S.A. Assunto: Abertura de Conta Corrente Vinculada – Bloqueada para movimentação Senhor(a) Gerente, Solicitamos providenciar abertura de Conta-Corrente Vinculada – Bloqueada para movimentação – destinada unicamente a receber créditos conforme especificado na Lei no 4.636, de 23 de agosto de 2011, e no Decreto no 34.649, de 10 de setembro de 2013, da consolidação das leis do trabalho a título de provisão para encargos trabalhistas do Contrato firmado em nome do Proponente a seguir indicado: Contrato: _____/_______ Vigência: ____/____/_____ à ____/____/_____ Publicação no Diário Oficial do Distrito Federal no dia ____/____/_____, página n° ____ Razão Social: ________________________________________________________ CNPJ: _________________________ Nome Fantasia: __________________________________________________ Endereço: ______________________________________________________ Representante Legal: _____________________________________________ CPF/CNPJ do Representante Legal: __________________________________ Atenciosamente, 137 19 REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Presidência da República Federativa do Brasil. Brasília, 10 out. 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 10 mar. 2019. ______. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 98, de 10 de novembro de 2009. Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/images/atos_normativos/resolucao/resolucao_98_10112009_1010201219 3007.pdf> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 169, de 31 de janeiro de 2013. Disponível em: <http://www.cnj.jus.br/images/resol_gp_169_2013.pdf> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Decreto nº 3.048, de6 de maio de 1999. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3048.htm> Acesso em: 10 mar. 2019 ______. Decreto nº 57.155, de 3 de novembro de 1965. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D57155.htm> Acesso em: 10 mar. 2019 ______. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. 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Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1970-1979/L6708.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. ______. Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8036consol.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. ______. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8212cons.htm Acesso em: 10 mar. 2019. ______. Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8666cons.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. ______. Lei nº 10.666, de 8 de maio de 2003. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.666.htm> ______. Lei nº 12.506, de 11 de outubro de 2011. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12506.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. 138 BRASIL. Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12546.htm> ______. Lei Complementar nº 110, de 29 de junho de 2001. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp110.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. ______. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LCP/Lcp123.htm> Acesso em: 10 mar. 2019. ______. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante nº 10. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menusumario.asp?sumula=1216> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 14. Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_1_50.html#SUM-14> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 125. Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_101_150.html#SUM- 125> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 171. Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_151_200.html#SUM- 171> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 182. Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_151_200.html#SUM- 182> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 261. Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_251_300.html#SUM- 261> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 276. Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_251_300.html#SUM- 276> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 305. Disponível em: <http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_301_350.html#SUM- 305> Acesso em: 18 mar. 2019. ______. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula nº 305. 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São Paulo: LTr, 2017. JACOBY FERNANDES, Jorge Ulisses; JACOBY FERNANDES, Murilo (Coord.). Terceirização: legislação, doutrina e jurisprudência. Belo Horizonte: Fórum, 2018. SANTOS, Diogo Palau Flores dos. Terceirização de serviços pela Administração Pública: estudo da responsabilidade subsidiária. São Paulo: Saraiva, 2014. VIANNA, Flavia Daniel. Contratos administrativos de serviços continuados com dedicação exclusiva de mão de obra e a “conta-depósito vinculada – bloqueada para movimentação”. Revista Fórum de Contratação e Gestão Pública – FCGP, Belo Horizonte, ano 15, n. 177, p. 34-36, set. 2016. Capa apostila.pdf Página 1 Página 2 Página 3