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Apostila Introduçao a saude coletiva

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Introdução à 
Saúde Coletiva
• Conceituação de Saúde Coletiva
• Conceituação de Odontologia em Saúde Coletiva 
• Evolução Histórica do Conceito de Saúde 
• Organização Mundial da Saúde
• Visão Ampliada de Saúde
 · Compreender sobre a saúde coletiva, histórico, conceitos básicos, bem 
como sua inter-relação com a saúde bucal, levando em consideração 
os determinantes sociais, econômicos, políticos e culturais de saúde 
das populações. 
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Introdução à Saúde Coletiva
UNIDADE Introdução à Saúde Coletiva
Conceituação de Saúde Coletiva 
Entende-se saúde coletiva como um novo paradigma no âmbito da saúde pública 
e é definida como sendo um campo científico no qual se produzem saberes e 
conhecimentos sobre saúde e na área de práticas, efetivando ações em vários 
espaços que são identificados como setores de saúde. 
O desenvolvimento da área sofreu influência direta dos movimentos sociais, 
democratização e da reforma sanitária principalmente no nosso país. Nessa 
perspectiva, o marco conceitual da saúde coletiva se deu na década de 1970, quando 
ocorreram os principais projetos de reformas políticas e de saúde, relacionados aos 
movimentos sociais. 
A composição da saúde coletiva ainda está em construção, se concretizando ao 
longo das últimas décadas com um entendimento conjunto a outras áreas como a 
medicina social e a saúde pública. 
Relacionada à esfera do conhecimento, a saúde coletiva baseia-se no estudo de 
processos saúde/doença das populações, investigando a evolução e distribuição das 
enfermidades na sociedade. Analisa as ações em saúde na conjuntura das práticas 
sociais e procura compreender e identificar os reais problemas e necessidades em 
saúde da sociedade.
Importante!
O domínio da saúde coletiva apresenta um caráter interdisciplinar no campo da saúde, 
que preconiza uma integração de conhecimentos, reunindo vários profissionais com 
diferentes formações em saúde, favorecendo o desenvolvimento da área do saber. 
Contempla o desenvolvimento das práticas de investigação sobre a condição sanitária 
da população, estuda o universo das políticas de saúde, a associação entre os processos 
de trabalho e enfermidades, bem como as intervenções de grupos e classes sociais 
relacionados à saúde. 
Em Síntese
Referente as práticas, engloba um conjunto de ações baseadas na ciência, ideo-
logia, cultura, política e economia que podem ser desenvolvidas em diversos espa-
ços com o intuito de desenvolver pesquisas ou projetos de reestruturação da saúde. 
Atualmente, o fenômeno saúde tem sido considerado também como expressão 
do modo de vida dos indivíduos, englobando estilo e condições de vida, associadas 
às condições de trabalho, perfil epidemiológico da população e meio ambiente. 
O conhecimento sobre as condições de saúde, analisando a condição de vida 
do indivíduo, favorece o estudo de quatro dimensões sociais: herança genética, 
interação dos indivíduos com o meio ambiente, cultura e comportamento e 
condições econômicas. Com base nos estudos das necessidades relacionadas às 
quatro dimensões, é possível traçar estratégias de intervenções sanitárias individuais 
ou coletivas, por grupo de risco ou grupos sociais.
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Conceituação de Odontologia
em Saúde Coletiva 
A odontologia em saúde coletiva pode ser conceituada como uma esfera de 
conhecimentos e ações que compõem um grupo mais amplo, denominado saúde 
coletiva, integrando também a área da odontologia. A saúde bucal coletiva defende 
que a saúde bucal do indivíduo ou coletividade não depende apenas de práticas 
odontológicas, mas também de concepções e práticas sociais.
Importante!
A saúde bucal coletiva tem como pretensão a substituição de atitudes tecnicistas muito 
presentes na área odontológica, elaborando a reestruturação teórica, de modo vinculado 
à concepção e práticas relacionadas à saúde coletiva, intensifi cando o comprometimento 
com a promoção da saúde e qualidade de vida da população. 
Importante!
Para que seja possível essas transformações, o campo de odontologia em saúde 
coletiva necessita organizar programas que levem em consideração acontecimen-
tos importantes nessa área específica.
A construção do novo sistema de saúde no Brasil, o SUS, que é uma importante 
conquista social, possibilitou a realização de ações e práticas em saúde que propor-
cionaram atender às necessidades de toda a população, respeitando o princípio de 
universalidade. Viabilizou o acesso a todos os procedimentos odontológicos consi-
derando a integralidade e, organizou o atendimento aos indivíduos de acordo com 
as suas necessidades, evidenciando a equidade. 
O destaque na promoção da equidade de atenção à saúde, no contexto da edu-
cação e construção da cidadania, reduziu as desigualdades e ampliou a oferta de 
ações e práticas de saúde, assegurando a universalidade do acesso aos mais sus-
ceptíveis às desigualdades sociais. Nesse sentido, espera-se que o direito à saúde, 
incluindo a saúde bucal, deixe de ser apenas uma política e passe a compor a vida 
das pessoas, facilitando o acesso integral aos serviços odontológicos. 
Com o objetivo de exercer o maior controle social e gestão participativa, houve 
a necessidade de indicar a constituição de mecanismos que ampliassem a participa-
ção dos gestores, usuários e profissionais da saúde, gerando cenários solidários e a 
possibilidade de formação de vínculos entre as instituições.
9
UNIDADE Introdução à Saúde Coletiva
Importante!
As práticas de saúde bucal coletiva, sejam elas de assistência odontológica, ou de 
educação em saúde, precisam ser direcionadas aos Programas de Saúde Bucal. 
Considera-se a saúde bucal como parte integrante da saúde geral dos indivíduos, sendo 
assim, os programas educativos, ou de atenção odontológica, precisam ser considerados 
componentes fundamentais para os programas de saúde geral. 
Importante!
Evolução Histórica do Conceito de Saúde 
Desde o princípio das civilizações e história da humanidade, o conceito de saúde 
vem sendo desenvolvido, organizado e inspirado pelas características de cada 
período histórico. O indivíduo, a todo momento, questionou sobre o princípio da 
vida, as bases da sua existência e a importância de se ter saúde.
Nos primórdios da sociedade, para esclarecer os eventos de sua vida, os povos 
acreditavam em magia e eventos sobrenaturais. Consideravam ter saúde como 
recompensa por boa conduta, enquanto a doença era consequente de fatores 
externos, devido a desconsideração das suas crenças. 
O desenvolvimento do conceito de saúde se fez importante com a cultura 
grega, pois eles aceitavam uma explicação racional para os fatos e consideravam a 
importância do ambiente, posição social e trabalho do indivíduo.
Durante a Idade Média, houve um período de paralização e recessão devido à 
ação do cristianismo, que atribuía as doenças aos pecados. A partir da introdução 
da máquina a vapor nas fábricas durante a Idade Moderna, houve um aumento 
expressivo de mão de obra, e as grandes cidades avançaram nas periferias, atraindo 
a atenção dos dirigentes para as péssimas condições de moradia e trabalho, 
propiciando o surgimento das primeiras políticas e regulações em saúde. 
Por meio do progresso da medicina, devido à descoberta do microscópio e 
da ascensão da bacteriologia nos séculos XVII e XVIII, foi eleita como política 
de saúde a polícia sanitária. Nesse tipo de política, a autoridade policial obrigava 
os indivíduos sadios a terem uma atuação mais adequada com relação à saúde, 
enquanto os doentes deviam se separar dos indivíduos sãos. Esse período facilitou 
o desenvolvimento e estabelecimento da medicina científica, investigando-se a 
causa das doenças e buscando-se explicar os fenômenos naturais.
No século XIX teve destaque a Revolução Industrial, e os progressos científicos 
prosseguiram, essencialmente nas áreas de fisiologia, microbiologia, patologia 
e medicina clínica. Com o aumento da mortalidade infantil e geral, surgiram os 
primeiros conceitos de saúde coletivae medicina social. No final desse século, os 
laboratórios revelaram a existência de microorganismos que produziam algumas 
doenças, o que viabilizou a incorporação de vacinas e soros, resultando em uma 
enorme evolução denominada Revolução Pasteuriana.
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Historicamente, antes da Segunda Guerra Mundial e formação da Organização 
das Nações Unidas (ONU) e Organização Mundial da Saúde (OMS), não havia 
uma concepção geral relacionada à saúde. Somente em abril de 1948, com a 
publicação da carta de princípios da OMS, esta foi estabelecida como sendo: o 
completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não meramente ausência 
de doença ou enfermidade, o que implicou no reconhecimento do direito à saúde 
e a obrigação do estado na promoção e proteção da saúde.
Com o processo de globalização e mudanças econômicas consequentes do 
capitalismo, passou-se a considerar a competição e o individualismo, o que também 
influenciou na concepção de saúde com acentuada crítica ao modelo biomédico. 
Foram destacados os conceitos propostos pela Promoção da Saúde, expondo 
uma visão holística e completamente relacionada aos direitos dos cidadãos, com a 
atuação popular na gestão em saúde, consolidando o poder dos usuários.
As transformações que ocorreram no decorrer do tempo na sociedade 
influenciaram fundamentalmente o pensar e agir sobre vários assuntos, incluindo a 
saúde. Os serviços de saúde mostram-se cada vez mais atentos para a importância 
da subjetividade e empoderamento dos usuários. Admite-se a interferência do 
indivíduo no ambiente em que vive, e também a ação do ambiente sobre sua saúde 
geral. O que define o resultado dessa interação depende do que o indivíduo tem 
feito para si e para com o meio onde ele vive. 
Dispor de saúde não implica apenas em ausência de doenças, indo além até 
mesmo do conceito proposto pela Organização Mundial da Saúde. Faz-se necessário 
atribuir a concepção proposta pela promoção da saúde como estratégia de 
reorientação do modelo de saúde, introduzindo o indivíduo e coletividade conforme 
suas necessidades, determinantes e condicionantes em saúde e, seu modo de viver. 
A promoção da saúde conduz para novas propostas de políticas públicas de 
saúde, com o envolvimento estruturado entre governo e população, pressupondo 
que a participação social é decisiva no desenvolvimento de ações que possibilitem 
o atendimento das reais necessidades dos usuários e que atuem no meio ambiente, 
nas condições de saúde e na qualidade de vida das pessoas. 
Importante!
Na atualidade, o conceito de saúde é extremamente abrangente e, representa as 
condições sociais, econômicas, políticas e culturais. Irá depender, portanto, da época, 
lugar, classe social, valores individuais e concepções científi cas, religiosas, fi losófi cas. 
Em Síntese
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UNIDADE Introdução à Saúde Coletiva
Organização Mundial da Saúde
Histórico da Organização Mundial da Saúde 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) é um órgão especializado das Nações 
Unidas que possui como objetivo tratar questões relacionadas à saúde mundial. No 
contexto da criação da ONU, havia intenção de criar uma organização mundial 
dedicada exclusivamente aos assuntos de saúde. 
A data de fundação consta de 7 de abril de 1948, quando 26 membros das 
Nações Unidas aprovaram os estatutos com o propósito básico de garantir o nível 
mais elevado de saúde para toda a população. A OMS apresenta um conceito 
sobre saúde como sendo um estado de completo bem-estar físico, mental e social, 
e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade.
Importante!
Como forma de determinar o acesso universal à saúde, a OMS promove várias atividades, 
por intermédio da cooperação técnica concomitantemente com seus membros, 
direcionadas para melhorias relacionadas às seguintes temáticas: 
- Saneamento básico; 
- Saúde familiar; 
- Capacitação de trabalhadores na área de saúde; 
- Fortalecimento dos serviços médicos; 
- Formulação de políticas sobre medicamentos e pesquisas biomédicas; 
- Luta contra as doenças. 
Você Sabia?
A Organização Mundial da Saúde também é responsável por comandar ques-
tões de saúde mundiais, definindo a agenda de pesquisas em saúde, estabelecendo 
normas e condutas, articulando opções políticas, fornecendo apoio técnico aos 
países e, monitorando e avaliando as tendências relacionadas à saúde.
A OMS conta com cerca de 8.500 pessoas trabalhando em diversos setores, representando 
mais de 150 nacionalidades que trabalham em 147 países. Dispõe de seis escritórios 
regionais, onde são reunidos os Estados-Membros, e uma sede localizada em Genebra, 
Suíça. Cada região tem um escritório regional: Américas, África, Sudeste da Ásia, Europa, 
Mediterrâneo Oriental e o Pacífico Ocidental. O Secretariado é constituído por volta de 8000 
especialistas em saúde e em outras áreas. A Organização é liderada pelo Diretor-Geral, que 
é indicado pela Assembleia Mundial da Saúde. 
Ex
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A Assembleia Mundial da Saúde é o órgão supremo de decisões da OMS. Em 
geral, as reuniões ocorrem no mês de maio, na sede em Genebra, com a participação 
de comissões dos 194 Estados-Membros. Sua função essencial é definir as políticas 
do órgão e supervisionar as políticas financeiras.
Os Estados-Membros da Constituição da Organização Mundial da Saúde decla-
ram, em concordância com a Carta das Nações Unidas, uma lista de fundamentos 
que são essenciais para o bem-estar de todos os povos, para as suas relações har-
moniosas e segurança. Nesse contexto, a OMS, tem como principais atribuições:
• Intervir como autoridade e conduzir trabalhos internacionais no âmbito da saúde; 
• Envolver-se em parcerias nas quais a ação conjunta será significativa; 
• Incentivar o desenvolvimento, tradução e divulgação de conhecimentos.
E os objetivos são:
• Determinar normas, promovendo e acompanhando a sua implementação; 
• Articular opções políticas éticas e científicas de base;
• Fornecer apoio técnico, estimulando transformações e promovendo capacita-
ção institucional sustentável;
• Acompanhar a situação de saúde e avaliar as suas tendências.
Importante!
A OMS tem como metas promover, em conjunto com outros órgãos especializados, a mel-
horia da alimentação, habitação, saneamento, condições econômicas e de trabalho dos 
povos, além de outros fatores como: o cuidado com o meio ambiente, a assistência para os 
grupos científi cos e profi ssionais que contribuem para a evolução da saúde e o desenvolvi-
mento das normas de ensino e de formação prática dos profi ssionais da saúde.
Importante!
Visão Ampliada de Saúde
Ao longo do tempo, inúmeras iniciativas têm sido realizadas na intenção de 
elaborar uma concepção mais dinâmica e integral sobre saúde, proporcionando a 
utilização das competências de cada pessoa ou população, levando em consideração 
a formação contínua do ser humano e sua habilidade de preservar a sua existência. 
Nessa perspectiva, a compreensão sobre saúde, tal como dos fatores deter-
minantes e condicionantes sociais, apresenta um alto grau de subjetividade, visto 
que a saúde depende da circunstância, condição, cenário ou do referencial que é 
atribuído. Não se consegue entender ou alterar a condição de saúde do indivíduo 
ou população sem levar em conta, que esta é estabelecida nas associações entre 
o meio físico, psíquico, econômico, político, social, cultural e ambiental de uma 
sociedade. Dentre os vários fatores determinantes da situação de saúde, integram-
-se também os condicionantes biológicos como características pessoais, condições 
geográficas e meio socioeconômico.
13
UNIDADE Introdução à Saúde Coletiva
Tabela 1
Fatores Determinantes da Saúde
Meio físico
Meio psíquico
Fatores sociais
Política
Economia
Cultura
Meio ambiente
Dentre os diversos modelos propostos para a compreensão dos fatores deter-
minantes em saúde, destaca-se o esquema de Dahlgren e Whitehead que permite 
visualizar as relações hierárquicas entres os diversos determinantes da saúde:
Figura 1
Fonte: Whitehead& Dahlgren, 2006
Tabela 2
Fatores Condicionantes da Saúde
Herança genética
Características pessoais
Idade
Sexo
Meio físico
Condições geográficas
Características da ocupação humana
Fontes de água para consumo
Disponibilidade e qualidade dos alimentos
Condições de habitação
Meio socioeconômico e cultural
Níveis de ocupação e renda
Acesso à educação formal
Acesso ao lazer
Liberdade
Hábitos e formas de relacionamento interpessoal
Possibilidade de acesso aos serviços voltados para a promoção 
e recuperação da saúde
Qualidade da atenção nos serviços prestados
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Compreende-se que, para promover saúde, é necessário que o indivíduo tenha 
acesso à educação, adote estilos de vida mais saudáveis, desenvolva habilidades 
individuais, produza um ambiente saudável e, essas medidas estão diretamente 
associadas às políticas públicas que objetivam possibilitar uma modificação positiva 
nos fatores determinantes e condicionantes de saúde, com enfoque na melhoria da 
qualidade de vida dos cidadãos.
A percepção abrangente dos fatores interferentes da saúde (determinantes e 
condicionantes) resulta de obrigações políticas e ações governamentais, sendo 
instrumentos necessários voltados às exigências e características de cada comunidade 
e são direitos estabelecidos pela constituição federal brasileira. Contudo, mesmo 
com esses direitos garantidos por lei, o Brasil ainda é um país que enfrenta grandes 
desigualdades socioeconômicas.
Nesse contexto, os serviços de saúde, após a concepção do Sistema Único de 
Saúde brasileiro, exercem um papel importante no conceito de visão ampla de 
saúde, pois tentam trabalhar os seguintes princípios: de universalidade, garantindo 
acesso à saúde a todo e qualquer cidadão; equidade, atendendo às reais necessidades 
de cada indivíduo e integralidade, relacionada à condição integral de compreensão 
do indivíduo.
Seguindo a filosofia da integralidade, no ano de 2006, o Ministério da Saúde 
lançou as bases da Política Nacional de Promoção da Saúde, objetivando promover 
o bem-estar e qualidade de vida, reduzindo os riscos e a vulnerabilidade associada 
à saúde, atuando nos aspectos relativos aos determinantes e condicionantes, 
condições sociais e de trabalho, habitação, meio ambiente, educação, cultura, lazer 
e acesso a bens e serviços fundamentais.
Devido ao seu objetivo amplo, compreende-se que apesar dos avanços científicos 
e culturais da área, a atuação profissional ainda é carente de suporte estrutural e 
humano para o desenvolvimento das ações e práticas preconizadas pela política 
de promoção da saúde. Nesse sentido, se faz necessária a participação de outros 
setores da sociedade, estimulando a participação social, educação e saúde.
A Política Nacional de Promoção da Saúde será abordada com maior profundi-
dade no conteúdo da Unidade V.
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UNIDADE Introdução à Saúde Coletiva
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Conceito de Saúde
https://youtu.be/kgomz8tiw3g
 Leitura
Conceitos de Saúde e Doença ao Longo da História Sob o Olhar Epidemiológico e Antropológico
https://goo.gl/FKz2S3
Abordagens Contemporâneas do Conceito de Saúde
https://goo.gl/sWQk81
Organização Mundial da Saúde
https://goo.gl/gsG3iG
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• Histórico da Assistência Odontológica no Brasil
• Sistema Único de Saúde (SUS) e Saúde Bucal 
• Brasil Sorridente 
• Centro de Especialidades Odontológicas - CEO
• Pactos do SUS 
• Saúde Bucal e Saúde da Família
 · Assimilar a implantação do Sistema Único de Saúde; 
 · Compreender os principais aspectos que definem a cronologia, 
fundamentos e modelos de políticas de saúde bucal no país.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Políticas Públicas de Saúde
Bucal no Brasil
UNIDADE Políticas Públicas de Saúde Bucal no Brasil
Histórico da Assistência Odontológica 
no Brasil
O desenvolvimento histórico das políticas públicas de saúde e saúde bucal 
vincula-se de modo direto com o avanço político, social e econômico da 
sociedade brasileira. 
O conceito de saúde no Brasil, assim como no mundo, ainda está sendo 
estruturado. Observa-se que desde a época do descobrimento até a metade do 
século XX, o entendimento sobre saúde era direcionado para o modelo biomédico, 
no qual existiam os hospitais filantrópicos, sustentados pela Igreja Católica, para 
acolher a população carente, e a medicina liberal, em que médicos e cirurgiões 
dentistas atendiam em consultórios particulares.
As discrepâncias sociais e econômicas historicamente vigentes entre as dife-
rentes classes sociais se definem como determinantes principais das péssimas 
condições de saúde bucal da população brasileira.
A regulamentação da odontologia no Brasil teve início no período colonial, 
quando foram estabelecidas as primeiras legislações direcionadas à profissão, pois 
os primeiros mestres e cirurgiões barbeiros portugueses, que em 1521, chegaram 
para exercer a profissão, necessitavam de uma permissão que era concedida pelo 
Cirurgião-Mor da Corte Portuguesa. No século XVII, surgiu a primeira legislação 
portuguesa referente à odontologia: a Carta Régia de Portugal, de 09 de novembro 
de 1629. Porém, somente em 1884, foram fundados os cursos de odontologia 
anexos às Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e da Bahia, dando início ao 
ensino da profissão.
A partir de 1900, as campanhas de saúde pública seguiam modelos militares, 
totalmente opressores. Tanto que no ano de 1904, Dr. Oswaldo Cruz, Diretor Geral 
de Saúde Pública da época, determinou a vacinação em massa obrigatória contra 
varíola, provocando uma insatisfação geral na população, resultando na intitulada 
Revolta da Vacina. Seguindo esse mesmo modelo, há alguns escassos registros de 
atuações odontológicas em 1910, relativas aos serviços sanitários então existentes, 
ou a faculdades públicas com os cirurgiões dentistas ocupando cargos de inspetores 
dentários ou de higiene escolar. 
Nos anos seguintes, houve várias situações de greves operárias, porém, em 1923, 
foi idealizada a Lei Elói Chaves, que regulamentava as caixas de aposentadorias e 
pensões, financiadas pelas empresas, trabalhadores e união. Através dessa lei, os 
trabalhadores do mercado formal passaram a ter assistência médica e, após alguns 
anos de trabalho, poderiam se aposentar com dignidade.
8
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No governo de Getúlio Vargas, em 1930, houve uma ampliação do sistema 
de proteção social com a criação do Instituto de Aposentadorias e Pensões (IAP), 
por categorias profissionais, para trabalhadores do mercado formal fracionados 
por grupo ocupacional, possibilitando assistência médica e aposentadoria. 
Entretanto, esse sistema era extremamente fragmentado e desproporcional. A 
assistência médica no Brasil era essencialmente curativista, com ênfase em médicos 
especialistas. Após o afastamento de Vargas em 1945, ocorreu um período de 
grande vulnerabilidade democrática, em um cenário político de governos liberais 
e populistas, que resultou, em 1953, na criação do Ministério da Saúde, com a 
finalidade de consolidar as ações da saúde pública e de medicina preventiva. 
Com o golpe militar em 1964, em um cenário político de reforma administrativa, 
crise política e abertura lenta e gradual, os Institutos de Aposentadorias e Pensões 
foram unificados no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e, com a 
privatização da assistência médica, foi instituído o Instituto Nacional de Assistência 
Médica da Previdência Social (INAMPS), centralizando o sistema de saúde e 
beneficiando o setor privado. A partir de 1976, houve o consentimento para a 
criação do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde, relacionados a movimentos 
sociais e, em 1979, a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, 
originou o movimento sanitário nas universidades públicas.
Em relação à assistência pública odontológica, desde o seu surgimento, na década 
de 1950, até por volta de 1970, as práticas em saúde bucal eram esporádicas, e se 
equiparavam mais a campanhas do que a programas, caracterizadaspor ações de 
baixa complexidade. A população brasileira tinha um acesso restrito aos serviços 
odontológicos. Devido às crises econômicas, sociais e à inadequação do método de 
atenção clínica e preventiva, a odontologia se configurava como uma das áreas da 
saúde com extrema exclusão social.
Com o desenvolvimento industrial no século XX, a inconstância política e o 
processo de redemocratização, a idealização de reforma sanitária no país se fez 
presente, motivada pela sociedade civil, com uma concepção política e ideológica 
que defendia a saúde como questão social e política a ser discutida nos espaços 
públicos e, em 1986, durante a VIII Conferência Nacional da Saúde, foi estruturado 
um novo conceito de saúde como sendo um direito do cidadão, lançando as bases 
para a criação de um Sistema Único de Saúde (SUS), homologado em 1988, com 
a promulgação da Constituição Federal Brasileira.
9
UNIDADE Políticas Públicas de Saúde Bucal no Brasil
Sistema Único de Saúde (SUS) 
e Saúde Bucal 
O SUS, em vigor em nosso país, é uma nova elaboração política e organizacional 
para a estruturação dos serviços e práticas em saúde, instituído pela Constituição 
Federal de 1988. Foi aprovado e regulamentado em 19 de setembro de 1990, com 
a Lei Orgânica da Saúde de número 8080, estabelecendo “saúde direito de todos 
e dever do Estado”. Tem por diretrizes: a universalidade, que assegura atenção à 
saúde por parte do sistema a todo e qualquer cidadão; a equidade, que garante 
ações e serviços de todos os níveis de acordo com a complexidade de cada caso; e 
a integralidade, que certifica assistência completa a cada indivíduo. 
Os princípios que regem a organização do SUS são a regionalização e hierarquiza-
ção, com níveis de complexidade tecnológica sempre crescentes, constituindo o nível 
primário de atenção os postos de saúde. Resolutividade com um serviço capacitado 
a enfrentar e atender às necessidades de saúde da população. Descentralização, re-
distribuindo a responsabilidade dos serviços de saúde e complementariedade do setor 
privado. E em destaque, o controle social com a participação popular.
A oferta dos serviços de saúde no SUS possui três níveis: primário ou básico, secundário e terciário 
ou hospitalar. O nível primário ocorre nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que têm como propósi-
to disponibilizar ingresso a todo e qualquer cidadão, além de estruturar e aumentar a cobertura 
para os níveis mais complexos de atenção e desempenhar ações de promoção à saúde e prevenção 
de doenças. A atenção secundária, com a prestação de serviços especializados é mais difícil, pois 
a oferta nos municípios é limitada. E, o nível terciário ou hospitalar, abrange os procedimentos de 
alto custo, realizados em hospitais públicos. 
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A introdução da saúde bucal no SUS ocorreu em 1989, com a elaboração da 
Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB), sugerindo diretrizes de universalidade 
e integralidade de atenção e com prioridades políticas indicadas por grupos 
populacionais, tipos de serviços, recursos humanos, financiamento do setor e 
modelos de organização. Porém, os governos posteriores, não adotaram a política. 
Com a finalidade de estender a atenção primária, em 1994, no final do governo 
de Itamar Franco, o Ministério da Saúde desenvolveu o Programa Saúde da Família 
(PSF), sob a influência da medicina familiar elaborada em Cuba. 
Apenas no ano 2000, 12 anos após a constituição do Sistema Único de Saúde 
(SUS), com a Portaria número 1.444 do Ministério da Saúde, foi determinada 
uma nova compreensão sobre a Política Nacional de Saúde Bucal, que tinha como 
pressuposto a atuação centrada na vigilância à saúde, garantia da integralidade das 
ações, utilização da epidemiologia e informações subsidiando o planejamento e 
acompanhamento do impacto das ações através dos indicadores e, com estímulo 
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financeiro, inserindo Equipes de Saúde Bucal (ESB) por meio do Programa Saúde 
da Família (PSF), permitindo uma postura mais satisfatória de atenção primária em 
saúde bucal. 
Essa portaria regulamentava duas modalidades de Equipe de Saúde Bucal no 
PSF: a modalidade I composta por 01 cirurgião dentista (CD) e 01 auxiliar de 
consultório dentário (ACD) e a modalidade II com 01 cirurgião dentista, 01 auxiliar 
de consultório dentário e 01 técnico em higiene dentária (THD). 
A partir de 2006, o programa passou a ser intitulado Estratégia Saúde da 
Família (ESF), no qual foram introduzidas equipes multiprofissionais em Unidades 
Básicas de Saúde, para trabalharem com práticas de promoção, prevenção, 
recuperação, reabilitação e na conservação da saúde da população. Em 2008, 
para aumentar ainda mais o acesso e contribuir com o progresso das redes de 
referência e contra-referência regional, foram desenvolvidos os Núcleos de Apoio 
a Saúde da Família (NASF).
Importante!
Brasil: um século de história
1900 - Sanitarismo Campanhista
1904 - Revolta da Vacina – Dr. Oswaldo Cruz
1923 - Criação das CAPs (Caixas de Aposentadorias e Pensões - organizadas por empresas, 
sendo mantidas e geridas pelos patrões e empregados).
1933 - Constituição dos IAPs (Institutos de Aposentadorias e Pensões)
1964 – Golpe militar - Ditadura
1966 - Unifi cação dos IAPs e formação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS)
1975 - Lei 6.229 que cria o Sistema Nacional de Saúde (O SINPAS = IAPAS parte fi nanceira 
da Previdência) + INAMPS (assistência médica)
1986 – VIII Conferência Nacional da Saúde
1988 – Constituição Federal: Sistema Único de Saúde (SUS)
1989 – Elaboração da Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB)
1994 – Criação do Programa Saúde da Família (PSF)
2000 – Inclusão da Equipe de Saúde Bucal no PSF
2004 – Programa Brasil Sorridente
Em Síntese
Brasil Sorridente 
Conforme discutido anteriormente, por muito tempo, a odontologia esteve à 
margem das políticas públicas de saúde. O acesso dos brasileiros à Saúde Bucal era 
bastante limitado, com isso as pessoas só procuravam atendimento odontológico 
em casos de dor. A demora para o atendimento, associada aos poucos serviços 
odontológicos ofertados, fazia com que o principal tratamento oferecido pela rede 
pública fosse a exodontia, mantendo a visão da odontologia mutiladora e curativista. 
11
UNIDADE Políticas Públicas de Saúde Bucal no Brasil
No ano de 2003, foi realizado no país um Levantamento Nacional de Saúde Bucal 
(SB 2003) e, segundo dados coletados, aproximadamente 13% dos adolescentes 
do país nunca haviam ido ao dentista, 20% da população já havia perdido todos os 
dentes e 45% dos brasileiros não possuíam acesso à escova dental. 
Para transformar esse panorama, em 17 de março de 2004, o Ministério da 
Saúde lançou a Política Nacional de Saúde Bucal – Programa Brasil Sorridente. 
Importante!
O Programa procurou solucionar a desigualdade em saúde bucal através da reestru-
turação da ação assistencial e da qualificação dos serviços concedidos, associou o 
conceito de Atenção Primária à Saúde, relacionado à Estratégia Saúde da Família e 
ampliou o acesso a atenção à saúde bucal em todo o território nacional, seguindo os 
princípios do SUS de universalidade, equidade e integralidade e, com o acréscimo de 
gestão participativa, ética, acesso à toda demanda, acolhimento, vínculo e responsa-
bilidade profissional, oferta de atenção secundária e também a viabilização da adição 
de flúor nas estações de tratamento de águas de abastecimento público. 
Importante!
O Brasil Sorridente fundamenta-se em várias medidas que objetivam assegurar 
ações de promoção e proteção da saúde que se destinam a reduzir os fatores 
de risco à saúde, com atividades de natureza educativo-preventivas individuais ou 
coletivas e, com a construção de políticas públicas saudáveis, estabelecendo um 
ambiente propício para que as pessoas possam viver vidas saudáveis, como por 
exemplo, o acesso à água fluoretada, a prevenção através de educação em saúde 
bucal para o indivíduo ou coletividade e a recuperação da saúde bucal envolvendo 
o diagnóstico e tratamentodas doenças bucais da população brasileira. 
Os incentivos financeiros oferecidos pelo governo federal para a inserção das 
Equipes de Saúde Bucal na Estratégia Saúde da Família são: 
Mod. I ou II: R$7.000,00
Parcela única
Mod. I: 1 Consultório
Mod. II: 2 Consultórios
Doação Indireta
Mod. I: R$2.230,00
Mod. II: R$2.980,00
Doação Indireta
Recurso de Implantação Doação de Equipamentos Custeio Mensal
Fonte: Passo a Passo das Ações da Política Nacional de Saúde Bucal – Ministério da Saúde
Centro de Especialidades Odontológicas - CEO
Devido à ampliação do conceito de atenção básica e aumento na oferta de 
tratamentos, foi necessário organizar a atenção secundária para atender a demanda 
de média e alta complexidade, respeitando o princípio de integralidade do SUS, 
isso se fez através de Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), que foram 
constituídos por intermédio das Portarias no. 1.570/GM de 29/07/04 e 283/
GM de 22/02/05, que estenderam a proposta de atendimentos especializados 
12
13
de endodontia, periodontia, a pacientes com necessidades especiais, cirurgia oral 
menor dos tecidos duros e moles e diagnóstico bucal com ênfase na detecção do 
câncer bucal. 
Existem três tipos de CEO: o CEO Tipo I com 03 cadeiras odontológicas, 
CEO Tipo II com 04 a 06 cadeiras e o CEO Tipo III com 07 ou mais cadeiras 
odontológicas e, cada um deles recebe um valor de incentivo para implantação e 
custeio, repassado pelo Ministério da Saúde. 
PASSO 1 PASSO 2
Contrução, ampliação, reforma, aquisição de instrumental
e equipamentos odontológicos: (parcela única)
R$ 60.000,00 por CEO
Tipo I para implantação
R$ 75.000,00
Tipo II para implantação
R$ 120.000,00
por Tipo III para implantação
Recurso Mensal de Custeio:
R$ 8.250,00
por mês para CEO Tipo I
R$ 11.000,00
por mês para CEO Tipo II
R$ 19.250,00
por mês para CEO Tipo III
Fonte: Passo a Passo das Ações da Política Nacional de Saúde Bucal – Ministério da Saúde
Adesão do CEO à Rede de Cuidados à Pessoa com Defi ciência
Em 2012, houve a adesão do CEO à Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, 
pela Portaria MS/GM nº 793, de 24 de abril. A Rede de Cuidados à Pessoa com 
Deficiência (RCPD), na esfera da saúde bucal, recomenda garantir o atendimento 
odontológico especializado a todos os pacientes com deficiência.
O atendimento desses pacientes deve ser iniciado na atenção básica, que 
referenciará para o nível secundário (CEO), ou terciário (atendimento hospitalar) 
os casos que apresentarem necessidades especiais para o atendimento. Os CEOs 
cadastrados, independentemente do tipo, terão que oferecer no mínimo 40 horas 
semanais para assistência à pessoa com deficiência. 
A Portaria Ministerial nº 1.341, de 29 de junho de 2012, instituiu incentivos 
extras para os CEOs que aderirem à Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência 
(RCPD). Os incentivos são: 
TIPO I TIPO II TIPO III
R$ 1.650,00
por mês
R$ 2.200,00
por mês
R$ 3.850,00
por mês
Fonte: Passo a Passo das Ações da Política Nacional de Saúde Bucal – Ministério da Saúde
13
UNIDADE Políticas Públicas de Saúde Bucal no Brasil
Ortodontia/Ortopedia e Implante Dentário no CEO
A Portaria MS/SAS nº 718 de 20 de dezembro de 2010, estabeleceu novos 
tratamentos na tabela SUS: aparelhos ortodônticos/ortopédicos e implantes 
dentários osteointegrados (incluindo a prótese sobre o implante). Esses proce-
dimentos poderão ser realizados nos Centros de Especialidades Odontológicas 
e os pagamentos são liberados conforme a produção. 
Laboratório Regional de Prótese Dentária (LRPD)
Os laboratórios de prótese dentária são estabelecimentos que servem para 
confeccionar próteses totais, removíveis ou fixas unitárias. Os municípios podem 
cadastrar unidades próprias, ou terceirizadas, e receber incentivos financeiros para a 
produção de próteses dentárias que passam a receber em conformidade com a sua 
produção mensal. 
Entre 20 e 50 próteses por mês:
R$ 7.500,00
Entre 51 e 80 próteses por mês:
R$ 12.00,00
Entre 81 e 120 próteses por mês:
R$ 18.000,00
Acima de 120 próteses por mês:
R$ 22.000,00
Fonte: Passo a Passo das Ações da Política Nacional de Saúde Bucal – Ministério da Saúde
Brasil Sorridente Indígena 
Em 2011, a Coordenação de Saúde Bucal do Ministério da Saúde lançou o 
programa Brasil Sorridente Indígena, que teve como propósito expandir o aten-
dimento odontológico para as populações indígenas nas aldeias.
Importante!
Através do Brasil Sorridente, houve a expansão da assistência odontológica e a 
organização do modelo assistencial. Iniciou-se a introdução de uma rede assistencial de 
saúde bucal articulada aos três níveis de atenção e também com ações multidisciplinares 
e intersetoriais. As ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde, individuais ou 
coletivas são desenvolvidas por meio de práticas democráticas e participativas, através 
do trabalho em equipe e destinadas a populações que se comprometem com o cuidado 
com a saúde bucal, assimilando que esta é de fundamental importância para a saúde 
geral e qualidade de vida.
Em Síntese
14
15
Em síntese, atualmente, a Política Nacional de Saúde Bucal se organiza em seis 
componentes estruturantes conforme o quadro abaixo: 
Política Nacional de Saúde Bucal
Reorganização da
Atenção Básica em
Saúde Bucal
Equipe de saúde
bucal - Estratégia
saúde da família
Unidade
odontológica
móvel
Centros de
especialidades
odontológicas
Laboratórios
regionais de
prótese dentária
Fluoretação
das águas de
abastecimento público
Kits de
higiene bucal
Doação de
equipamentos
odontológicos
Incentivo à pesquisa
em saúde
bucal coletiva
Centros colaboradores
de vigilância em
saúde bucal
Emissão pelo cirurgião-
-dentista da autorização
de internação hospitalar
Tratamento odontológico
para pacientes
com de�ciência
Atenção odontológica
no credenciamento
de CACON e UNACON
Ampliação e
Quali�cação da
Atenção Especializada
Assistência da
Atenção Terciária
Promoção
e Prevenção
Restauração
e Quali�cação
Vigilância
e Monitoramento
Pactos do SUS 
A relevância das estratégias do Sistema Único de Saúde (SUS) vem progredindo 
no Brasil, sob a perspectiva referente à conquista de direitos individuais e coletivos 
e, do campo das práticas, ressaltando a valorização dos fatores que envolvem a ação 
popular nos processos determinantes em saúde. As tentativas de desenvolvimento 
de estratégias que levem ao aperfeiçoamento dos serviços públicos de saúde no 
acesso dos usuários aos três níveis de atenção são muitas, porém as desigualdades 
sociais, econômicas, culturais e geográficas são questões extremamente complexas 
a serem consideradas. 
Apesar do êxito de um fundamento jurídico consistente para o reconhecimento do 
SUS, através das leis orgânicas, foi necessária a regulamentação prática do sistema. 
Inicialmente ocorreram as normas reguladoras, intituladas Normas Operacionais 
Básicas (NOB), elaboradas para atuar nas alterações previstas na Constituição e na 
Lei Orgânica da Saúde. 
Após consideráveis iniciativas de mudança dos obstáculos operacionais no SUS, 
mediante a luta pela descentralização, regionalização e hierarquização das práticas e 
serviços, há um constante processo em busca da equidade social na saúde, com isso 
o Pacto pela Saúde surge em um momento histórico da saúde pública no Brasil. 
O Pacto pela Saúde, de 2006, pretende qualificar e implementar o processo 
de descentralização, organização e gestão do SUS, através do desenvolvimento 
e aperfeiçoamento do pacto entre os gestores. Objetiva destacar, aprimorar 
e estabelecer compromissos sanitários e de gestão através de três elementos 
importantes: o Pacto pela Vida, o Pacto em Defesa do SUS e o Pacto de Gestão. 
15
UNIDADE Políticas Públicas de Saúde Bucal no Brasil
Pacto pela Vida
O Pacto pela Vida é composto por um conjunto de acordos sanitários, expressos 
em propósitos de métodos e resultados sobre a análise da situação de saúde no 
Brasil e das prioridades estabelecidas pelas esferas federais, estaduais e municipais. 
É expressosobre a ação prioritária relacionada à saúde que deverá ser realizada 
com base em resultados dos compromissos orçamentários e financeiros. 
Pacto em Defesa do SUS
Envolve práticas concretas e estruturadas pelos governos federal, estaduais e 
municipais, na perspectiva de fortalecer o SUS, e preservar os princípios dessa 
política de saúde. A efetivação do Pacto pela Saúde é uma estratégia de mobilização 
social com envolvimento da comunidade brasileira e relacionada ao processo de 
organização da saúde como direito dos cidadãos, apresentando o financiamento 
público como ponto principal. 
Pacto de Gestão 
Estabelece as responsabilidades de cada governo, contribuindo para a consolida-
ção da gestão compartilhada da política de saúde do país. Descentraliza e fortalece 
a territorialização da saúde como eixo para organização dos sistemas, constituindo 
colegiados de gestão regional. Reconhece a relevância da participação e do con-
trole social e evidencia as diretrizes para o sistema de financiamento público tripar-
tite. Por fim, determina diretrizes para a gestão do Sistema Único de Saúde, com 
destaque na descentralização, regionalização, financiamento, regulação, controle 
social e planejamento.
Pactos do SUS e a Saúde Bucal 
Com relação à saúde bucal, a partir do Pacto pela Saúde, em 2006, as receitas 
destinadas às equipes de saúde bucal na estratégia Saúde da Família foram englo-
badas no financiamento da atenção básica. 
Resumidamente, no que se refere ao financiamento, as inovações ocasionadas 
pelo Pacto de Gestão 2006 foram capazes de estabelecer maior independência ao 
gestor local com relação aos recursos financeiros. Porém, com relação à atenção 
à saúde bucal, essas modificações não alteraram as linhas existentes de financia-
mento federal.
16
17
Saúde Bucal e Saúde da Família
O modelo de atenção básica em saúde bucal no nosso país possui como estratégia 
de atuação a saúde da família, cujas diretrizes levam à reorientação do modelo 
assistencial da política de saúde em vigor. Com isso há a previsão de expansão 
e qualificação da atenção básica, viabilizando o acesso a todos os indivíduos e a 
oferta de serviços, o que possibilita atendimentos nos níveis secundário e terciário, 
de modo a alcançar a integralidade da atenção, além da equidade e universalização 
do acesso às práticas e serviços de saúde bucal. 
Conforme as diretrizes do SUS e a Política Nacional de Saúde Bucal, a linha de 
cuidado abrange o conceito de integralidade dos serviços, agrupando as ações de 
prevenção, práticas curativas e de reabilitação, proporcionando ao usuário todos 
os recursos necessários, desde visitas domiciliares, à procedimentos hospitalares de 
alta complexidade. Com isso, os profissionais da Equipe de Saúde Bucal possuem o 
compromisso de coordenar o cuidado e planejar ações para todas as faixas etárias: 
crianças, adolescentes, adultos e idosos. 
17
• Epidemiologia em Saúde Bucal
• Epidemiologia da Cárie Dentária
• Epidemiologia da Doença Periodontal
• Epidemiologia do Câncer Bucal
• Epidemiologia do Traumatismo Dentário
• Epidemiologia da Fluorose Dentária
• Epidemiologia do Edentulismo
• Epidemiologia da Má-Oclusão
 · Entender a importância da epidemiologia no conhecimento e 
enfrentamento dos principais problemas de saúde bucal da população.
 · Para maiores informações sobre esses assuntos e para aprofundar 
seus conhecimentos, a sugestão é a leitura do capítulo 3 do livro 
Saúde Coletiva: Políticas, Epidemiologia da Saúde Bucal e Redes de 
Atenção Odontológica, do autor Samuel Jorge Moysés, e do capítulo 
5 do livro Saúde Bucal Coletiva, do autor Vitor Gomes Pinto.
 · Também, é muito importante que você leia e assista aos vídeos do 
material complementar sugeridos para esta unidade.
 · Durante a realização desta Unidade, não esqueça:
 · Fique atento à realização da Atividade de Sistematização, não 
deixe para resolvê-la na última hora, e, caso necessite de ajuda, 
entre em contato com seu professor tutor.
 · Realize a atividade de Reflexão, que é uma produção de texto.
 · Participe do Fórum de Discussão. Ele é uma ferramenta importante 
de interação entre você, seus colegas e seu professor tutor.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Epidemiologia em Saúde Bucal
UNIDADE Epidemiologia em Saúde Bucal
Epidemiologia em Saúde Bucal
Epidemiologia, sua origem deriva do grego, onde epi=sobre, demos=povo e 
logos =estudo, portanto, a definição mais aceita é a proposta por Last (1988) 
como o estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes de estados ou 
eventos relacionados à saúde em populações específicas, e a aplicação desses 
estudos no controle dos problemas de saúde.
A epidemiologia no SUS (Sistema Único de Saúde) está prevista na Lei 8080 
de 1990, em seu capítulo II, artigo 7, onde enfatiza: “a utilização da epidemiologia 
para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação 
programática”
A Epidemiologia em saúde bucal, portanto, é o estudo das doenças bucais 
numa população, identificando mudanças na distribuição de doenças no tempo ou 
espaço, além de reconhecer os grupos populacionais com maior necessidade em 
saúde. Através desse estudo busca-se conhecer todos os aspectos dessas doenças 
e sua inter-relação com os determinantes biopsicossociais para que seja possível 
alcançar os princípios do SUS de universalidade, integralidade e equidade.
Importante!
A epidemiologia favorece a tomada de decisões para que sejam realizadas ações de 
saúde pautadas na realidade local, apontando os grupos que necessitam de priori-
dade de atenção, possibilitando, assim, a avaliação dos impactos das ações que 
foram desenvolvidas.
Em Síntese
É importante definir alguns conceitos relacionados à epidemiologia:
• Índices: são expressados em valores numéricos precisos. Os índices geralmente 
são empregados em estudos de prevalência e incidência.
• Prevalência: é o número de casos da doença em um determinado local e em 
determinado período de tempo. É definida pela fórmula:
Nº de casos existentes de uma doença ocorridos numa população em determinado período x 10n
Total da população
• Incidência: número de casos novos da doença que surgiram em determinado 
período de tempo em determinada população. É definida pela fórmula:
Nº de casos novos de uma doença ocorridos numa população em determinado período x 10n
Total da população
8
9
• Indicadores: possuem um sentido mais amplo e podem incluir tanto alguns 
índices, quanto informações qualitativas como condições de vida, acesso a 
serviços de saúde etc. São os dados já analisados.
Uma mesma doença pode apresentar:
• Baixa incidência e alta prevalência – como na hipertensão.
• Alta incidência e baixa prevalência – como no surto recente de febre amarela.
Ex
pl
or
Algumas doenças bucais são identificadas como problemas de saúde pública, 
por isso, merecem destaque em sua epidemiologia. Dentre elas: a cárie, uma das 
doenças mais prevalentes em todo o mundo; a doença periodontal; alterações de 
oclusão dentária e outros agravos de saúde bucal que serão comentados a seguir.
Epidemiologia da Cárie Dentária
Cárie dentária é uma condição multifatorial dependente de biofilme-açúcar, na 
qual a lesão do esmalte é decorrente do acúmulo de bactérias sobre os dentes e da 
ingestão frequente de açúcar, provocada pelo desequilíbrio de fatores considerados 
fisiológicos, pertencentes à biodiversidade da cavidade bucal.
A presença de biofilme sobre os dentes é um fator necessário para ocorrência da 
cárie, a ingestão de açúcares na dieta e a sua frequência são fatores determinantes 
positivos para o aparecimento da lesão. Pode-se, ainda, enfatizar os fatores 
moduladores, dentre eles os salivares e os comportamentais que podem alterar o 
processo de des-remineralização, levando ao início da desmineralização.
O sucesso na prevenção da cárie está diretamente relacionado ao conhecimento 
do ambiente e à realidade da população estudada, o que explica e justifica a 
necessidade do conhecimento de suaepidemiologia.
Os fatores que interferem na Epidemiologia da Cárie Dental são: Idade: há uma 
possível correlação positiva entre a doença e a idade; Sexo: maior prevalência no 
sexo feminino até os 18 anos, provavelmente porque nas mulheres a dentição 
erupciona mais cedo; Grupo étnico: a prevalência independe do grupo étnico.
Indíces de cárie:
• Knust: Divide-se os indivíduos em dois grupos: aqueles que já apresentaram 
ou apresentam lesões de cárie e os livres de cárie. O resultado é expresso 
em percentual.
• CPO-D: Esse índice mede o ataque de cárie. Foi formulado por Klein e Palmer 
em 1937, e ainda é considerado o índice mais utilizado para o diagnóstico das 
condições dentais, e para criação e avaliação de programas de saúde bucal. 
Suas iniciais CPO significam (Cariado, Perdido, Obturado). 
9
UNIDADE Epidemiologia em Saúde Bucal
• ceo-d: Para a dentição decídua são utilizados as letras minúsculas c cariado, 
e extração indicada e o obturado. A extração indicada é utilizada devido às 
perdas dentárias que ocorrem naturalmente pela esfoliação.
Para obtenção do CPO-D e ceo-d, faz-se necessário a realização de um 
levantamento epidemiológico no qual as condições apresentadas são anotadas em 
um formulário, disponibilizado pela OMS, na 4ª. edição do Manual de Instruções 
para Levantamento Epidemiológico Básico em Saúde Bucal (WHO, 1997).
São utilizados letras (dentes decíduos) e números (dentes permanentes) para o 
registro da cárie dentária, recebendo cada dente apenas uma codificação. Quando 
há, simultaneamente, a presença de decíduos e permanentes, só a condição do 
permanente deve ser considerada.
Tabela 1
Código
Condição/EstadoDentes Decíduos Dentes Permanentes
Coroa Coroa Raiz
A 0 0 Hígido
B 1 1 Cariado
C 2 2 Restaurado mas com cárie
D 3 3 Restaurado e sem cárie
E 4 Não se aplica Perdido devido à cárie
F 5 Não se aplica Perdido por outras razões
G 6 Não se aplica Apresenta selante
H 7 7 Apoio de ponte ou coroa
K 8 8 Não erupcionado – Raiz não exposta
T T Não se aplica Trauma (fratura)
L 9 9 Dente excluído
Os critérios de diagnóstico e sua codificação são os que seguem abaixo, extraídos 
na íntegra do Manual de equipe de campo do último levantamento epidemiológico 
realizado no Brasil, SB BRASIL 2010.
0(A) – Coroa Hígida. Não há evidência de cárie. Estágios iniciais da doença 
não são levados em consideração. Os seguintes sinais devem ser codificados como 
hígidos: • manchas esbranquiçadas; • manchas rugosas resistentes à pressão da 
sonda OMS; • sulcos e fissuras do esmalte manchados, mas que não apresentam 
sinais visuais de base amolecida, esmalte socavado, ou amolecimento das paredes, 
detectáveis com a sonda OMS; • áreas escuras, brilhantes, duras e fissuradas do 
esmalte de um dente com fluorose moderada ou severa; • lesões que, com base 
na sua distribuição ou história, ou exame táctil/visual, resultem de abrasão. Raiz 
Hígida. A raiz está exposta e não há evidência de cárie ou de restauração (raízes não 
expostas são codificadas como “8”). Nota: Todas as lesões questionáveis devem ser 
codificadas como dente hígido.
10
11
1(B) – Coroa Cariada Sulco, fissura ou superfície lisa apresenta cavidade 
evidente, ou tecido amolecido na base, ou descoloração do esmalte, ou de parede, 
ou há uma restauração temporária (exceto ionômero de vidro). A sonda OMS deve 
ser empregada para confirmar evidências visuais de cárie nas superfícies oclusal, 
vestibular e lingual. Na dúvida, considerar o dente hígido. Na presença de cavidade 
originada por cárie, mesmo sem doença no momento do exame, deve-se, como 
regra de decisão, considerar o dente atacado por cárie, registrando-se cariado. 
Entretanto, este enfoque epidemiológico não implica admitir que há necessidade 
de uma restauração. Raiz Cariada. A lesão pode ser detectada com a sonda OMS. 
2(C) – Coroa Restaurada, mas cariada. Há uma ou mais restaurações e, ao 
mesmo tempo, uma ou mais áreas estão cariadas. Não há distinção entre cáries 
primárias e secundárias, ou seja, se as lesões estão, ou não, em associação física 
com a(s) restauração(-ões). Raiz Restaurada, mas cariada. Idem coroa restaurada, 
mas cariada.
3(D) – Coroa Restaurada e Sem Cárie. Há uma ou mais restaurações definitivas 
e inexiste cárie primária ou recorrente. Um dente com coroa colocada devido 
à cárie inclui-se nesta categoria. Se a coroa resulta de outras causas, como 
suporte de prótese, é codificada como 7 (H). Raiz Restaurada e Sem Cárie. Idem 
coroa restaurada e sem cárie. Em situações onde coroa e raiz estão envolvidas, 
a localização mais provável da lesão primária é registrada como restaurada. 
Quando não é possível avaliar essa probabilidade, tanto a coroa quanto a raiz são 
registradas como restauradas. Nota: Com relação aos códigos 2(C) e 3(D), apesar 
de ainda não ser uma prática consensual, a presença de ionômero de vidro em 
qualquer elemento dentário será considerada, neste estudo, como condição para 
elemento restaurado.
4(E) – Dente Perdido Devido à Cárie. Um dente permanente ou decíduo foi 
extraído por causa de cárie e não por outras razões. Essa condição é registrada 
na casela correspondente à coroa. No caso de dentes decíduos, deve-se aplicar 
apenas quando o indivíduo está numa faixa etária na qual a esfoliação normal não 
constitui justificativa suficiente para a ausência. Nesses casos, o código registrado 
na casela correspondente à raiz é 9 ou 7 (quando tiver um implante no lugar). Em 
algumas idades pode ser difícil distinguir entre dente não irrompido (código 8) e 
dente perdido (códigos 4 ou 5). Fazer relações (cronologia da erupção, experiência 
de cárie etc.) pode ajudar na tomada de decisão.
5(F) – Dente Perdido por Outra Razão. A ausência se deve a razões ortodônticas, 
periodontais, traumáticas ou congênitas. Nesses casos, o código registrado na 
casela correspondente à raiz é “7” ou “9”. O código para decíduos (F) nestes 
casos, deverá ser utilizado com certa cautela, uma vez que, a partir dos 5 anos, 
geralmente o espaço vazio se deve à exfoliação natural, devendo ser codificado 
como coroa não erupcionada (código “8”).
11
UNIDADE Epidemiologia em Saúde Bucal
6(G) – Selante. Há um selante de fissura ou a fissura oclusal foi alargada para 
receber um compósito. Se o dente possui selante e está cariado, prevalece o código 
1 ou B (cárie).
7(H) – Apoio de Ponte ou Coroa. Indica um dente que é parte de uma prótese 
fixa. Este código é também utilizado para coroas instaladas por outras razões que 
não a cárie, ou para dentes com facetas estéticas. Dentes extraídos e substituídos 
por um elemento de ponte fixa são codificados, na casela da condição da coroa, 
como 4 ou 5, enquanto o código 9 deve ser lançado na casela da raiz. Implante: 
Registrar este código (7) na casela da raiz.
8(K) – Coroa Não Erupcionada. Quando o dente permanente ou decíduo 
ainda não foi erupcionado, atendendo à cronologia da erupção. Não inclui dentes 
perdidos por problemas congênitos, trauma etc. Raiz Não Exposta. Não há 
exposição da superfície radicular, isto é, não há retração gengival para além da 
junção cemento-esmalte.
T(T) – Trauma (Fratura). Parte da superfície coronária foi perdida em 
consequência de trauma e não há evidência de cárie. Restaurações decorrentes de 
fratura coronária devem ser registrados como Trauma (T).
9(L) – Dente Excluído. Aplicado a qualquer dente permanente que não possa ser 
examinado (bandas ortodônticas, hipoplasias severas etc.). Quando há 5 ou mais 
dentes com bandas o portador será excluído da amostra. Braquetes, em qualquer 
número, não inviabilizam os exames e, assim, não constituem obstáculo para 
aproveitamento do elemento amostral.
 Indica-se ainda que, junto com a análise das condições dentárias, sejam realizadas 
as necessidades de tratamento, conforme a tabela abaixo:
Tabela 2
Código Tratamento
0 Nenhum
1 Restauração de 1 superfície
2 Restauração de 2 ou mais superfícies
3 Coroa por qualquer razão
4 Faceta estética
5 Tratamento pulpar e restauração
6 Extração7 Remineralização de mancha branca
8 Selante
9 Sem informação
12
13
Importante!
O CPO-d será a somatória da quantidade de dentes com os números: 1+2+3+4.
O ceo-d será a somatória da quantidade de dentes com as letras: B+C+D+E.
Trocando ideias...
Nos gráficos abaixo é possível avaliar a situação epidemiológica frente à doença 
cárie. Os dados foram obtidos durante o último levantamento epidemiológico 
realizado no Brasil, SB-2010.
3,5 3,16
2,63
1,72
2,06
2,63
2,07
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil
3,0
2,5
2,0
1,5
1,0
0,5
0,0
Cariado Obt/Cariado Obturado Perdido
CPO-D e componentes aos 12 anos, segundo a região
Figura 1
2,43 2,07
4,25
16,75
27,53
5 anos 12 anos 15 a 19 anos 35 a 44 anos 65 a 74 anos
5,0
10,0
15,0
20,0
25,0
30,0
0,0
Cariado Obt/Cariado Obturado Perdido
Média do CEO/CPO e respectivos componentes, segunto o grupe etário
Figura 2
13
UNIDADE Epidemiologia em Saúde Bucal
Importante!
No final de 1993, durante o “4° Congresso Mundial de Odontologia Preventiva”, 
realizado em Umea (Suécia), a OMS propôs novas metas para o ano 2010 em 
relação à saúde bucal:
• 90% de pessoas sem cárie na idade de 5 a 6 anos; 
• CPOD menor que 1 aos 12 anos de idade;
• Não haver perda dental aos 18 anos de idade;
• Entre as idades de 35 a 44 anos não haver mais que 2% de desdentados.
Você Sabia?
Epidemiologia da Doença Periodontal
A doença periodontal é caracterizada por ser uma condição inflamatória, de 
caráter crônico e de origem bacteriana. Sua extensão pode ser limitada ao tecido 
de suporte (gengiva), ou avançar e atingir os tecidos de sustentação (cemento, 
ligamento periodontal e osso) dos dentes envolvidos.
O índice mais utilizado para avaliar a condição periodontal é o CPI (Índice 
Periodontal Comunitário), proposto pela OMS, que é complementado pelo exame 
da Perda de Inserção Periodontal (PIP) para a população adulta e idosa.
• Índice Periodontal Comunitário: 
permite avaliar a condição perio-
dontal quanto à higidez, sangra-
mento e presença de cálculo ou 
bolsa. Para realização dos exames 
utiliza-se a sonda da OMS.
• Dentes-Índices – Até 19 anos: 16, 
11, 26, 36, 31 e 46. - 20 anos ou 
mais: 17, 16, 11, 26, 27, 37, 36, 
31, 46 e 47.
 
3,5 mm
5,5 mm
8,5 mm
11,5 mm
3,5 mm
5,5 mm
8,5 mm
11,5 mm
Figura 3
Fonte: saude.gov.br
O registro das condições deve ser feito de forma separada para sangramento, 
cálculo e bolsa, do seguinte modo:
Tabela 3
0 1 2 X 9
Sangramento Normal Presença ---- Sextante excluído Não examinado
Cálculo Dentário Normal Presença ---- Sextante excluído Não examinado
Bolsa Periodontal Normal Presença de Bolsa 
Rasa (entre 4 e 5 
mm)
Presença de Bolsa 
Profunda (maior 
que 6 mm)
Sextante excluído Não examinado
• Índice de Perda de Inserção Periodontal: permite avaliar a condição da 
inserção periodontal, tomando como base a visibilidade da junção cemento-
esmalte (JCE).
14
15
Tabela 4
 oirétirC oãçidnoC ogidóC
0 Perda de inserção entre 0 e 3 mm JCE não visível e CPI entre 0 e 3. 
1 Perda de inserção entre 4 mm e 5 mm JCE visível na área preta da sonda CPI. 
2 Perda de inserção entre 6 mm e 8 mm JCE visível entre limite superior da área preta da sonda CPI 
e a marca de 8,5 mm. 
3 Perda de inserção entre 9 mm e 11 mm JCE visível entre as marcas de 8,5 mm e 11,5 mm. 
4 Perda de inserção de 12 mm ou mais JCE visível além da marca de 11,5 mm 
X setneserp oãtse sianoicnuf setned siod ed sonem odnauQ odíulcxE etnatxeS
9 oãtseuq me edadi à acilpa es oãn odnauQ odanimaxe oãN
Exemplos 
 
 
 
00 1 2 3 4
W
H
O
 9
62
20
Fonte: saude.gov.br
No SB Brasil 2010, notou-se que a presença de cálculo foi a condição mais 
expressiva, presente em 28,6% dos adultos examinados. E que 19,4% tinham 
bolsas periodontais, sendo 15,2% rasas e 4,2% profundas.
Outra condição que merece destaque é a presença de sangramento gengival, 
que foi apresentada por um quarto dos adolescentes de 12 anos de idade, um terço 
dos adolescentes de 15 a 19 anos, aproximadamente a metade dos adultos entre 
35 a 44 anos de idade e menos de um quinto dos idosos.
Doença Periodontal: https://youtu.be/zryZWS_PDrk
Ex
pl
or
Epidemiologia do Câncer Bucal
O câncer bucal é aquele que afeta lábios e o interior da cavidade oral. Dentre 
os fatores de risco destaca-se o tabagismo, sendo relatado pelo INCA que 90% 
dos portadores desse tipo de tumor são fumantes. Outros fatores que devem ser 
levados em consideração são: hábito de ingerir bebidas alcoólicas, radiação solar 
e o vírus HPV (papilomavírus humano).
15
UNIDADE Epidemiologia em Saúde Bucal
O câncer bucal representa o 6º câncer mais comum no mundo, constituindo-se 
em um grande problema de saúde pública. A estimativa do INCA (Instituto Nacional 
de Câncer) para 2016 é de 15.490 casos novos da doença, sendo 11.140 homens 
e 4.350 mulheres. No ano de 2013 foram registradas 5.401 mortes.
Figura 5
Fonte: Acervo do conteudista
Epidemiologia do Traumatismo Dentário
O trauma dentário pode ser de natureza térmica, química ou mecânica. Um 
dente traumatizado não possui reparo biológico, o que o diferencia de qualquer 
outro órgão do organismo.
No último levantamento epidemiológico, o SB-2010, foi inédita a avaliação 
da presença de traumatismo na idade de 12 anos, sendo utilizados critérios para 
identificar sinais de fratura coronária e avulsão dentária em incisivos superiores e 
inferiores permanentes. Os códigos utilizados encontram-se na tabela abaixo:
Tabela 5
 oãçircseD oirétirC ogidóC
0 Nenhum traumatismo Nenhum sinal de fratura ou ausência dentária devido a 
traumatismo 
1 Fratura de esmalte Perda de pequena porção da coroa envolvendo apenas esmalte, 
ou fratura envolvendo esmalte. 
2 Fratura de esmalte e dentina Perda de porção maior da coroa envolvendo esmalte e dentina 
(nota-se a diferença de coloração, sendo mais amarelada para a 
estrutura dentinária) ou fratura envolvendo esmalte e dentina 
3 Fratura de esmalte e dentina com 
exposição pulpar 
Perda de porção maior da coroa envolvendo esmalte, dentina 
(nota-se a diferença de coloração, sendo mais amarelada para a 
estrutura dentinária) e exposição da polpa, sangramento ou 
ponto escuro na porção central da estrutura de dentina exposta 
ou fratura envolvendo esmalte, dentina e polpa 
4 Ausência do dente devido a 
traumatismo 
Ausência do dente devido à avulsão ou dente perdido devido a 
traumatismo 
9 Exame não realizado O dente não pode ser examinado devido a uso de aparelho 
ortodôntico ou outro motivo. 
 
Fonte: saude.gov.br
16
17
Para o Brasil, a prevalência de traumatismo dentário foi 20,5%. O tipo de 
lesão mais frequente foi a fratura de esmalte. A fratura de esmalte e dentina foi 
identificada em 4,0% das amostras, e somente 0,2% dos examinados apresentaram 
fratura de esmalte e dentina com exposição pulpar. A perda dentária causada por 
um traumatismo foi de 0,1%. Confira na tabela abaixo:
Tabela 6
Região n
Nenhum traumatismo Fratura de esmalte
Fratura de esmalte / 
dentina
Fratura c/ exposição 
pulpar
Ausência devida a trauma
%
IC (95%)
%
IC (95%)
%
IC (95%)
%
IC (95%)
%
IC (95%)
L.I. L.S. L.I. L.S. L.I. L.S. L.I. L.S. L.I. L.S.
Norte 1.695 74,7 69,8 79,0 21,8 18,3 25,8 2,9 1,8 4,9 0,5 0,1 1,7 0,1 0,0 0,2
Nordeste 2.014 77,6 73,6 81,1 17,7 14,8 21,0 4,2 3,1 5,8 0,2 0,1 0,7 0,3 0,1 1,2
Sudeste 1.331 81,2 78,7 83,5 14,7 12,5 17,2 4,0 2,4 6,6 0,0 0,0 0,0 0,1 0,0 0,3
Sul 998 79,0 72,9 84,0 17,6 13,4 22,8 2,8 1,1 6,9 0,6 0,1 2,5 0,0 0,0 0,2
Centro-Oeste 1.170 75,5 71,6 79,0 21,1 17,7 25,0 3,0 1,9 4,6 0,4 0,1 1,5 0,1 0,0 0,4
Brasil 7.208 79,5 77,7 81,3 16,5 14,9 18,3 3,7 2,6 5,2 0,2 0,1 0,3 0,1 0,0 0,2 
Fonte: saude.gov.br
Epidemiologia da Fluorose Dentária
A fluorose dentária é caracterizada pela presença de manchas brancas, ou de 
defeitos de maior grau de severidade, que acontecem na mineralização do esmalte, 
causada pela exposição crônica à altas concentrações de flúor durante o processo 
de formação do germe dentário.
As pesquisas epidemiológicas sobre fluorosedentária são importantes para 
avaliarem as medidas de saúde pública de prevenção à cárie, dentre elas, a 
fluoretação das águas e o uso de creme dental fluoretado.
A Fluorose Dentária, no SB BRASIL 2010, foi avaliada em crianças de 12 
anos. A análise foi feita através da classificação conhecida como Índice de Dean 
onde, seguindo as recomendações da OMS, anota-se o escore dos dois dentes mais 
afetados. Os critérios e códigos para registro estão descritos no quadro a seguir:
Tabela 7
Classificação Valor Critério de diagnóstico 
Normal 0 O esmalte apresenta translucidez usual com estrutura semi-vitriforme. A superfície é 
lisa, polida, cor creme clara. 
Questionável 1 O esmalte revela pequena diferença em relação à translucidez normal, com 
ocasionais manchas esbranquiçadas. Usar este código quando a classificação “normal” 
não se justifica. 
Muito Leve 2 Áreas esbranquiçadas, opacas, pequenas manchas espalhadas irregularmente pelo 
dente, mas envolvendo não mais que 25% da superfície. Inclui opacidades claras com 
1mm a 2 mm na ponta das cúspides de molares (picos nevados). 
Leve 3 A opacidade é mais extensa, mas não envolve mais que 50% da superfície. 
Moderada 4 Todo o esmalte dentário está afetado e as superfícies sujeitas à atrição mostram-se 
desgastadas. Pode haver manchas castanhas ou amareladas freqüentemente 
desfigurantes. 
Grave 5 A hipoplasia está generalizada e a própria forma do dente pode ser afetada. O sinal 
mais evidente é a presença de depressões no esmalte, que parece corroído. Manchas 
castanhas generalizadas. 
Sem Informação 9 Quando, por alguma razão (próteses, p. ex.), um indivíduo não puder ser avaliado 
quanto à fluorose dentária. Utilizar este código também nas situações em que o 
exame não estiver indicado (65 a 74 anos, p.ex.). 
Fonte: saude.gov.br
17
UNIDADE Epidemiologia em Saúde Bucal
Figura 6
Fonte: fluoridesandhealth.ie
Epidemiologia do Edentulismo
O edentulismo, em sua definição, é a ausência parcial ou total de dentes, sendo 
considerado como problema de saúde pública de suma importância, devido à sua 
alta prevalência e por acarretar danos estéticos, funcionais, psicológicos e sociais.
A importância de avaliar o edentulismo, em levantamentos epidemiológicos, é 
tanto para analisar a gravidade do problema como para realizar o planejamento a 
partir da análise das necessidades. 
O edentulismo, no SB Brasil 2010, foi avaliado nos grupos etários de 15 a 19, 
35 a 44 e 65 a 74 anos. Foram avaliadas as próteses presentes e as necessidades 
de prótese, seja por ausência, ou por troca de uma antiga que não estivesse mais 
adequada para o uso. Os resultados em relação à necessidade de prótese estão 
apresentados na tabela abaixo:
Tabela 8
Região n
Não Necessita
Necessidade de Prótese
Parcial 1 maxilar Parcial 2 maxilar Total 1 maxilar Parcial + Total Total 2 maxilar
%
IC (95%)
%
IC (95%)
%
IC (95%)
%
IC (95%)
%
IC (95%)
%
IC (95%)
L.I. L.S. L.I. L.S. L.I. L.S. L.I. L.S. L.I. L.S. L.I. L.S.
15
 a
 1
9 
an
os
Norte 1.342 71,0 63,9 77,1 21,7 16,2 28,5 7,3 4,8 11,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Nordeste 1.409 83,0 79,2 86,3 12,5 9,9 15,8 4,4 2,9 6,6 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Sudeste 900 88,1 83,1 91,7 8,9 6,1 12,8 3,1 1,7 5,5 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Sul 808 90,8 86,3 93,9 6,8 4,3 10,3 2,5 1,2 5,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Centro-Oeste 878 88,5 84,2 91,7 10,3 7,1 14,9 1,2 0,7 2,1 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Brasil 5.337 86,3 83,3 88,9 10,3 8,3 12,6 3,4 2,4 4,7 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
35
 a
 4
4 
an
os
Norte 2.275 16,7 13,5 20,5 47,5 40,9 54,2 34,0 26,6 42,3 0,4 0,2 1,0 1,1 0,5 2,4 0,3 0,1 1,4
Nordeste 2.204 21,1 18,4 24,1 45,6 42,5 48,7 31,2 28,4 34,1 0,7 0,4 1,4 1,1 0,6 2,2 0,3 0,1 0,6
Sudeste 1.471 33,2 28,2 38,6 39,5 35,1 44,1 26,1 22,6 29,8 0,7 0,3 1,6 0,2 0,1 0,9 0,3 0,1 0,7
Sul 1.489 37,1 30,3 44,6 41,8 35,7 48,2 19,9 16,8 23,5 0,4 0,1 1,2 0,4 0,1 1,2 0,3 0,1 1,4
Centro-Oeste 1.297 26,6 22,4 31,4 44,0 40,1 48,0 27,9 24,5 31,6 0,5 0,2 1,2 0,8 0,4 1,9 0,1 0,0 0,7
Brasil 8.736 31,2 27,9 34,8 41,3 38,3 44,3 26,1 23,8 28,6 0,6 0,3 1,1 0,4 0,3 0,7 0,3 0,2 0,5
65
 a
 7
4 
an
os
Norte 985 2,8 1,3 5,6 36,3 28,8 44,5 15,4 11,2 20,9 23,4 17,2 30,9 4,6 3,1 6,7 17,6 13,4 22,8
Nordeste 1.303 3,9 2,6 5,8 29,0 25,3 33,1 26,0 22,0 30,5 18,3 14,5 22,8 6,7 4,9 9,0 16,1 12,6 20,4
Sudeste 613 7,3 4,4 11,7 33,0 25,4 41,6 20,8 15,0 27,9 17,9 14,2 22,4 4,2 1,8 9,2 16,9 11,5 24,2
Sul 523 12,7 8,6 18,4 45,7 39,3 52,1 14,3 10,3 19,5 14,3 9,4 21,1 6,1 3,0 12,1 6,9 3,8 12,1
Centro-Oeste 501 5,2 3,2 8,5 26,9 21,5 33,2 21,3 15,4 28,8 20,3 15,3 26,5 8,2 5,2 12,6 18,0 12,2 25,9
Brasil 3.925 7,3 5,3 9,9 34,2 29,3 39,5 20,1 16,4 24,4 17,9 15,4 20,8 5,0 3,3 7,7 15,4 11,9 19,8
Fonte: saude.gov.br
18
19
As desigualdades regionais relativas às perdas dentárias são marcantes, 
principalmente entre jovens e adultos. De maneira geral, residentes nas regiões 
Norte e Nordeste apresentam maiores perdas e, portanto, maiores necessidades 
de prótese dentária. Esses dados refletem a diferença das ações de prevenção e o 
acesso ao tratamento dentário entre as diferentes regiões do país.
O IBGE realizou, em 2013, uma Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), em convênio com o 
Ministério da Saúde e visitou cerca de 80 mil domicílios, em 1.600 municípios de todo o 
país. O resultado foi que o Brasil tem 11% da sua população sem nenhum dente, o que 
corresponde a um montante de 16 milhões de pessoas. Das pessoas com 60 anos ou mais, 
41,5% já perderam todos os dentes. E 22,8% dos brasileiros sem nenhuma instrução, ou 
sem ensino fundamental concluído, estão completamente desdentados. Além disso, 23% 
dos brasileiros perderam 13 dentes ou mais, e 33% usam algum tipo de prótese dentária.
https://goo.gl/6TrQxe
Ex
pl
or
Epidemiologia da Má-Oclusão
A má-oclusão é a desarmonia das estruturas dentofaciais, bem como qualquer 
inconveniente estético ou funcional que possa interferir no relacionamento do 
indivíduo, ou na função mastigatória.
No levantamento SB-2010, a oclusão dentária foi avaliada nas idades de 12 
anos e na faixa etária entre 15 a 19 anos, através da DAI (sigla derivada da 
expressão inglesa ‘Dental Aesthetic Index’) que em seu conjunto, expressa o estado 
oclusal do indivíduo e sua respectiva necessidade de tratamento ortodôntico. Isso 
é devido à composição do índice, que considera o comprometimento estético, 
além da oclusão. Ao todo, são obtidas 11 medidas, considerando- se três grandes 
dimensões que devem ser avaliadas: a dentição, o espaço e a oclusão propriamente 
dita. A oclusão na dentição decídua foi avaliada através da Chave de caninos.
Os resultados relevantes foram:
• 77,1% das crianças de 5 anos apresentaram oclusão normal para chave de 
caninos (classe I);
• 60% das crianças, aos 12 anos de idade, apresenta a oclusão considerada normal;
• 7,1% de prevalência de oclusopatia severa aos 12 anos de idade;
• 6,6% de prevalência de oclusopatia severa dos 15 aos 19 anos de idade;
• 10,3% de prevalência de oclusopatia muito severa dos 15 aos 19 anos de idade.
19
• Introdução
• Importância da Educação em Saúde Bucal na Odontologia
• Educação em Saúde Bucal Individual e Coletiva
• Público Alvo e Educação em Saúde Bucal ao Longo
das Diferentes Fases do Ciclo de Vida
• Instrumentos Educativos, Objetivos Educacionais e Métodos
e Técnicas Utilizados
 · Perceber a importância da educação em saúde bucal no controle 
saúde-doença e contribuir para o empoderamento individual ou 
coletivo com vistas à melhoria da qualidade de vida dos indivíduos. 
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Educação em Saúde Bucal
UNIDADE Educação em Saúde Bucal
Introdução 
A concepção de saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) não 
se restringe à ausência de doença ou enfermidade, mas também considera que o 
indivíduo necessita de qualidade de vida para ser saudável. Compreendendo, assim, 
uma ideia subjetiva de bem-estar que engloba características positivas e negativas 
resultantes de aspectos sociais, políticos,econômicos e culturais da sociedade.
Desse modo, intervir nos determinantes sociais da saúde de maneira a viabilizar a 
equidade e a justiça social surge como assunto relevante na elaboração das políticas 
públicas de saúde.
Nesse contexto, as Políticas Nacionais de Promoção da Saúde e Atenção Básica 
definidas pelo Ministério da Saúde no ano de 2006 propuseram que a organização 
da atenção envolvesse ações e serviços que atuassem tanto nos determinantes da 
doença como também na conjuntura de vida dos indivíduos. 
Importância da Educação em Saúde 
Bucal na Odontologia
Gradualmente, a odontologia foi adquirindo espaço no serviço público, porém, 
suas condutas ainda permaneciam centradas em práticas mutiladoras, enfatizando 
o atendimento de urgência para alívio da dor. A odontologia, praticada no serviço 
público, reproduzia o serviço particular com a mínima atenção na prevenção das 
doenças, sem se preocupar com ações de promoção da saúde. 
Apesar do enorme desenvolvimento nas últimas décadas, a transformação dos 
paradigmas na odontologia ainda encontra resistência. A saúde bucal continua a 
ser considerada principalmente por parâmetros clínicos, não apontando os reais 
problemas que acometem a saúde geral dos indivíduos. Entretanto, na atualidade, 
faz-se necessário a avaliação do estado de saúde sob uma concepção holística, 
associando a qualidade de vida das pessoas com a saúde bucal. 
Inserida em uma perspectiva abrangente de saúde, a promoção da saúde bucal 
ultrapassa o aspecto técnico da prática odontológica, sendo incorporada às demais 
ações de saúde coletiva. As práticas de promoção e proteção à saúde destinam-se 
à diminuição dos fatores de risco das doenças bucais e a estratégias direcionadas 
para a melhoria da situação de saúde bucal, através da transformação dos padrões 
de vida da população. 
A promoção de saúde bucal deve ser assegurada por intermédio da realização de 
diversas estratégias, atuando nos determinantes sociais e em diferentes ambientes 
como, por exemplo, escolas, centros comunitários, domicílios e, nesse sentido, a 
educação em saúde tem sido apontada como um importante elemento do processo 
de promoção da saúde dos indivíduos.
8
9
Importante!
Compreende-se como educação em saúde tanto a transferência de conhecimentos, 
quanto mudanças de atitudes comportamentais. É um processo dinâmico, que ocorre 
pela busca progressiva por conhecimento, podendo ser enriquecido com base na troca 
de informações e experiências pessoais. A educação em saúde é uma ação social, sendo 
uma metodologia que auxilia na construção e evolução da consciência crítica das 
pessoas, relacionada aos problemas de saúde, além de estimular a busca por soluções e 
a organização de ações coletivas. 
Importante!
Historicamente, a finalidade da educação em saúde na odontologia sempre 
esteve pautada na prevenção da cárie dentária e doença periodontal, pois eram 
as doenças bucais de maior incidência na população. O modelo era baseado nas 
condutas de ensino do modelo curativista, visto que especialistas acreditavam existir 
um padrão de evolução das enfermidades, e medidas preventivas precisariam ser 
tomadas para evitar a manifestação, ou o agravo da doença. 
Por ser uma profissão que evoluiu com características tecnicistas marcantes, a 
odontologia ainda enfrenta problemas para promover ações coletivas relacionadas 
à educação em saúde de acordo com as necessidades da coletividade, atuando nos 
determinantes sociais da população.
Entretanto, a partir da nova organização do modelo de Atenção Básica, por 
intermédio da Estratégia Saúde da Família, a educação em saúde alcança destaque 
como estratégia de autonomia comunitária no âmbito da saúde. As alterações 
ocorridas na esfera das políticas públicas de saúde têm colocado em discussão o 
perfil de formação e as ações dos profissionais. Há a necessidade de profissionais 
capacitados para exercer a profissão com qualidade e resolutividade no campo 
da saúde pública, com o desafio de estabelecer projetos adequados à realidade da 
sociedade brasileira. 
Ao identificar a necessidade de melhorar a qualidade de vida dos indivíduos, 
especialmente relacionada à saúde bucal, a educação em saúde bucal se faz 
importante, pois se destina a estimular a participação da comunidade com 
comprometimento consciente na promoção da saúde, assegurando que forças 
políticas e sociais construam um novo paradigma de saúde.
Importante!
A educação em saúde bucal é um elemento do conceito de Promoção da Saúde de caráter 
específi co, tanto como prática, quanto como área de conhecimento, desenvolvendo 
habilidades e atitudes, e construindo valores que levem o sujeito a agir em benefício 
da própria saúde e da coletividade. É um processo destinado a preservar e elevar a 
qualidade de saúde bucal dos cidadãos. Pode ser defi nida como ações sociais que se 
estabelecem entre profi ssionais que atuam em instituições de saúde e usuários. 
Importante!
9
UNIDADE Educação em Saúde Bucal
A base da prática educativa é o conhecimento contínuo dos indivíduos, viabi-
lizado por uma escuta atenta e interessada, de forma a criar um vínculo de con-
fiança e respeito mútuo e promover a coparticipação no processo de resolução 
dos problemas.
Importante!
Existem alguns itens fundamentais para o sucesso da transmissão de conhecimentos 
relacionadas à saúde bucal como, por exemplo, um diálogo esclarecedor entre os sujeitos, 
sendo este a síntese da educação, a humanização e o desenvolvimento de uma percepção 
holística do indivíduo, trabalhando aspectos biológicos, sociais e culturais. As ações 
precisam ser dinâmicas e participativas, valorizando a aprendizagem, e desenvolvendo 
competências como criatividade, solidariedade e habilidade para solucionar problemas. 
Em Síntese
Importante!
Objetivos gerais das ações educativas em saúde bucal: 
• Ampliar conhecimentos, auxiliando na compreensão sobre os fatores protetores e 
determinantes dos processos saúde-doença, com a intenção de contribuir para a 
adoção das medidas de prevenção individuais e coletivas; 
• Enfatizar a autoestima e o autocuidado; 
• Consolidar os vínculos sociais e a participação da comunidade; 
• Desenvolver competências e habilidades para a implantação de hábitos saudáveis e 
controlar os fatores de risco às doenças bucais. 
Importante!
Educação em Saúde Bucal 
Individual e Coletiva
A sistemática educativa relacionada à saúde bucal altera conforme a população 
ou indivíduo que se pretende atingir. Pode ser destinada, por exemplo, à toda 
população, à uma comunidade limitada, a frequentadores de um centro de saúde, 
a escolares, a familiares de pacientes, ou individualmente, durante a consulta 
odontológica.
Educação em Saúde Bucal Coletiva 
Considerando que as práticas de promoção e proteção da saúde são diretrizes da 
Política Nacional de Saúde Bucal, as ações de educação em saúde bucal direcionadas 
à população objetivam a propagação do conhecimento sobre o processo saúde-
doença, que engloba os fatores de risco e de proteção relativos à saúde bucal, 
observando as diferenças sociais e peculiaridades culturais. 
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A educação em saúde bucal dispõe de um excelente potencial de transformação 
do panorama de saúde populacional, entretanto, para tal, deve inevitavelmente 
gerar novos e saudáveis comportamentos numa maioria significativa da população. 
A Organização Mundial da Saúde recomenda que a prioridade para o controle e 
prevenção das doenças bucais seja atribuída a problemas relacionados aos fatores 
de risco mais comuns na população, ligados à sua qualidade de vida. 
As estratégias direcionadas para educação em saúde bucal, com dimensões 
populacionais, precisam aumentar o interesse da sociedade e o seu apoio às políticas 
públicas saudáveis, influenciar na modificação dos hábitos e do meio ambiente, 
tornando-os mais apropriados e, além disso, prevenir e controlar a incidência das 
principais doenças bucais.
Educação em Saúde Bucal Individual
Os espaços de atendimentos