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21- MOOC - Módulo III - Introdução

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Módulo III – Imagem e alteridade 
Imagens para pensar o Outro 
 
Imagens para pensar o Outro 
Módulo III – Imagem e alteridade 
Introdução 
O que interpretamos do e sobre o Outro? Quem e o que nos diz o quem é o Outro? 
Aliás, quem é o outro que a imagem tem o poder de retratar? Estas são questões disparadas 
para pensar este Módulo III, depois do Módulo I nos levar pela incursão de refletir sobre a 
forma como os viajantes retrataram por meio de imagens as diferenças culturais entre o 
Europeu e o Indígena Brasileiro. O Módulo II, por sua vez, nos instiga a pensar o quanto 
preconceitos foram construídos e perpetrados nos olhares de quem vê a imagem que foi 
construída sobre o outro, compreendido como diferente. Eis aí a indicação de um caminho a 
trilhar neste Módulo III, quem vê, vê o quê? O diferente está nos olhos de quem vê a partir 
de quais referenciais? O que a diferença desperta? A desacomodação que gera alteridade ou 
a indiferença que gera deboche? 
Sobre a alteridade, é a sensibilidade de apreender o outro na plenitude da sua 
dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Quanto menos alteridade existe 
nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem. Isso supõe a via mais curta da 
comunicação humana, que é o diálogo e a capacidade de entender o outro a partir da sua 
experiência de vida e da sua interioridade. A prática da alteridade se conecta aos 
relacionamentos tanto entre indivíduos como entre grupos culturais, religiosos, científicos 
ou étnicos (BETTO, 2008). A “noção de outro ressalta que a diferença constitui a vida social, 
à medida que esta efetiva-se através das dinâmicas das relações sociais. Assim sendo, a 
diferença é, simultaneamente, a base da vida social e fonte permanente de tensão e conflito” 
(G. Velho, 1996, 10). Este “outro” é inseparável de mim; eu só sou o que sou na relação com 
o outro. Mas, o outro significa que, justamente, ele não sou eu, por isso é preciso 
reconhecê-lo e respeitá-lo na sua diferença. 
Situações comuns à condição humana, pelo menos naturalizada como comuns, como 
a dor e o sofrimento causados pelas mazelas da vida, colocam as imagens como veículo que 
media nossa relação com o Outro. A dor do Outro, tanto quanto o cotidiano de vida do 
homem comum possui sempre a perspectiva de quem olha e de quem sente. A imagem se 
constrói a partir da narrativa que representa a mediação entre essas perspectivas, mas 
sempre pelo olhar de quem vê. 
Módulo III – Imagem e alteridade 
Imagens para pensar o Outro 
 
A fotografia nos ensina que, a consciência que temos sobre um evento é construída, 
tecemos nossa percepção sobre determinada imagem, sobretudo, a partir da forma como a 
lente do fotógrafo registra os fatos (SONTAG, 2004), também, a partir de nossas vivências 
anteriores, mas ainda em segundo plano. A questão da construção de uma percepção sobre 
situações gera a reflexão sobre o que é visibilizado para sensibilizar o público expectador 
sobre aquilo que determinada imagem evoca. O que nos parece problemático disso são os 
extremos, como a pobreza do outro que enuncia a pena. 
Nisso, também podemos lembrar as relações sociais de dominação em que as 
tipificações são pejorativas, como nos indicam Mattos, Ferreira e Marcos (2004) ao estudar a 
tipificação de pessoas em situação de rua como vagabundas, sujas e perigosas, de modo que 
isto pode servir de referência para a construção de suas identidades. O universo simbólico 
que isto gera pode ser perverso para quem vive a situação da qual a imagem retrata, 
gerando em quem olha o olhar de pena, hostilidade ou de comoção, mas que nega a 
humanidade e a igualdade do outro nos direitos e nas capacidades, ou seja, que interrompe 
a vertente de alteridade que está nas pessoas quando se encontram. 
Neste ponto, emerge a reflexão de que, em muitos casos perdemos a ideia original 
que nos levou a pensar o outro, ou não a construímos pensando no que o outro quer 
expressar, de modo que eu expresso o outro por meio dos meus pensamentos sobre o 
outro. Qual a voz do outro? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 - 
Retrato das crianças do Êxodo, Entre o amor e a justiça, 
Sebastião Salgado, 1999. José de Souza Martins,200

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