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DOCÊNCIA EM SAÚDE JARDINAGEM 1 Copyright © Portal Educação 2012 – Portal Educação Todos os direitos reservados R: Sete de setembro, 1686 – Centro – CEP: 79002-130 Telematrículas e Teleatendimento: 0800 707 4520 Internacional: +55 (67) 3303-4520 atendimento@portaleducacao.com.br – Campo Grande-MS Endereço Internet: http://www.portaleducacao.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - Brasil Triagem Organização LTDA ME Bibliotecário responsável: Rodrigo Pereira CRB 1/2167 Portal Educação P842j Jardinagem / Portal Educação. - Campo Grande: Portal Educação, 2012. 87p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-8241-549-8 1. Jardinagem. 2. Jardins . I. Portal Educação. II. Título. CDD 635.9 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 5 2 O QUE É JARDINAGEM? ......................................................................................................... 7 2.1 ETAPAS DA JARDINAGEM ...................................................................................................... 9 2.2 CLASSIFICAÇÕES DE JARDINS ............................................................................................. 12 3 ESTILO DE JARDINS ............................................................................................................... 15 3.1 CLÁSSICO OU FORMAL ......................................................................................................... 15 3.2 CHINÊS OU JAPONÊS ............................................................................................................. 16 3.3 EGÍPCIO .................................................................................................................................... 16 3.4 GREGO ..................................................................................................................................... 16 3.5 PERSA ..................................................................................................................................... 17 3.6 ROMANO .................................................................................................................................. 17 3.7 MEDIEVAL ................................................................................................................................ 18 3.8 SECO-DESÉRTICO-ROCHOSO ............................................................................................... 18 3.9 TROPICAL ................................................................................................................................ 18 3.10 CONTEMPORÂNEO ................................................................................................................. 19 3.11 ROMÂNTICO ............................................................................................................................. 20 4 POR QUE PLANEJAR O JARDIM? ......................................................................................... 21 4.1 O ESPAÇO ................................................................................................................................ 21 4.2 ILUMINAÇÃO ........................................................................................................................... 22 4.3 TEMPERATURA ....................................................................................................................... 23 3 4.4 UMIDADE .................................................................................................................................. 24 4.5 POSICIONAMENTO .................................................................................................................. 25 5 CORES NO JARDIM ................................................................................................................. 27 6 ESCOLHENDO AS PLANTAS ................................................................................................. 30 7 CONSTRUINDO O JARDIM ..................................................................................................... 42 7.1 MONTAGEM DO JARDIM ......................................................................................................... 42 7.1.1 Nivelamento do terreno ............................................................................................................. 42 7.1.2 Limpeza da área ......................................................................................................................... 43 7.1.3 Solo ........................................................................................................................................... 44 7.1.4 Sistema de rega ........................................................................................................................ 45 7.1.5 Plantio........................................................................................................................................ 46 7.1.5.1 Procedimento de plantio .......................................................................................................... 47 7.1.6 Vias de acesso - calçadas ou caminhos .................................................................................... 48 8 FERRAMENTAS DE JARDINAGEM ........................................................................................ 50 8.1 MANUTENÇÃO DAS FERRAMENTAS ..................................................................................... 55 9 CUIDANDO DO JARDIM .......................................................................................................... 57 9.1 REGA ........................................................................................................................................ 57 9.2 REMOÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DE PLANTAS .......................................................................... 60 9.3 PODA ........................................................................................................................................ 61 9.4 ADUBAÇÃO .............................................................................................................................. 63 9.5 TROCA DE VASOS ................................................................................................................... 67 9.5.1 Procedimento para troca de vaso .............................................................................................. 68 4 9.6 CAPINA ..................................................................................................................................... 68 10 CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS .................................................................................. 70 10.1 IDENTIFICANDO ALGUMAS PRAGAS E DOENÇAS DE JARDIM ......................................... 70 10.1.1 Pragas ...................................................................................................................................... 70 10.1.1 Doenças .................................................................................................................................... 74 11 RECEITAS CASEIRAS DE COMBATE A PRAGAS E DOENÇAS .......................................... 76 12 JARDINS DIFERENCIADOS .................................................................................................... 80 12.1 JARDIM AROMÁTICO ...............................................................................................................80 12.2 JARDIM MEDICINAL ................................................................................................................. 81 12.3 JARDIM CULINÁRIO ................................................................................................................. 83 12.4 JARDIM FRUTÍFERO ............................................................................................................... 84 REFERÊNCIAS ................................................................................................................................... 86 5 1 INTRODUÇÃO A história de criação do mundo mais difundida e, talvez, a mais aceita, permite-nos acreditar que a atividade de jardinagem é a mais antiga do mundo. Pois, encontramos nos registros mais antigos, que Deus, ao criar o Jardim do Éden, colocou ali o homem e a mulher para que cuidassem de toda a área e dela obtivesse então sua alimentação. O PARAÍSO TERRESTRE, POR HIERONYMUS_BOSCH A palavra jardim é formada pela junção das palavras hebraicas “gan” (proteger, defender) e “éden” (prazer). Tradicionalmente os jardins são locais pequenos, por vezes privativos com forte presença de vegetação e destinados a contemplação e ao lazer. 6 Percorrendo as leituras sobre a história da humanidade, lemos a respeito da existência de jardins, por onde passeavam, namoravam e emboscavam seus inimigos. É na Mesopotâmia, localizada entre os rios Tigre e Eufrates, que a história afirma a existência de jardins cultivados pelos Assírios. Conta a história que estes dominavam as técnicas de irrigação e drenagem, permitindo então que cultivassem os jardins, hortas, e grandes pomares de onde obtinham a alimentação. A descrição dos “jardins sagrados”, com plantações de ziggurats, realizada pelos Babilônicos, data dos 3.000 anos a.C. Pertence à Babilônia, inclusive, uma das sete maravilhas do mundo antigo, os Jardins Suspensos – que além das espécies cultivadas, apresentava uma arquitetura totalmente em harmonia com a natureza. Isto justifica, porque, hoje, o estudo das técnicas de jardinagem pode ser considerado tão importante como outras atividades científicas. Já é fato que a prática da jardinagem ajuda no restabelecimento de vários pacientes com patologias psicossociais, além do fator da socialização quando praticado em grupo, caso das instituições de correção e reabilitação social (ex: presídios). Nas próximas páginas será possível compreender esse papel social da jardinagem, além da sua importância no contexto histórico e, principalmente, a contribuição para a qualidade de vida e do meio ambiente que os jardins proporcionam. REPRESENTAÇÃO DOS JARDINS SUSPENSOS DA BABILÔNIA, COMO IMAGINADOS POR MARTIN HEEMSKERCK 7 2 O QUE É JARDINAGEM? O que a princípio parece uma atividade que lida simplesmente com o jardim, podemos entender que tem uma abrangência muito maior, contemplando não somente a grama, mas todo seu entorno, acessórios e situações que compõem um ambiente chamado jardim. Podemos definir a jardinagem como sendo: um dos meios, entre outros, empregado pelo homem urbano para reproduzir, no mesmo espaço que ocupa, os arranjos, a beleza e a harmonia das plantas existentes na natureza. Para tal, faz-se necessário conhecer como elas funcionam e adotar determinadas técnicas para o seu cultivo (MOTTA, 1995) A jardinagem não é apenas um conjunto de técnicas empregadas na elaboração e execução de um projeto. É também envolver-se pela emoção ao realizar uma atividade de beleza, criatividade e porque não dizer arte. Esse envolvimento tão puramente artesanal deve contemplar técnicas específicas de utilização de seres vivos, matérias orgânicas e inorgânicas, além de um terreno propício ao desenho do projeto paisagístico da área reservada ao jardim. Além da arte em si, a jardinagem promove o desenvolvimento e conhecimento da ciência e da vida. Pois, quando se 8 deposita no solo uma semente qualquer seja de flor, de uma árvore frutífera ou até de uma planta medicinal, o desejo mais intenso é ver com o passar dos dias o seu crescimento. Ou seja, contemplar a complexidade da natureza, quando, a partir de uma semente, observa-se a harmonia entre as cores, a delicadeza e o perfume de uma flor; a grandeza e diversidade de frutos que uma árvore pode produzir; ou simplesmente apreciar o aroma suave e o efeito de chazinho feito de uma planta medicinal, plantada e colhida no quintal de casa. Estas ações da natureza podem ser definidas como germinação, ou seja, “o processo inicial do crescimento de uma planta, a partir de um corpo em estado de vida latente, que pode ser uma semente ou um esporo (WIKIPÉDIA, 2008). Assim, temos alguns elementos importantes, os seres vivos – neste caso, as plantas de uma forma geral, os pequenos insetos e micro-organismos presentes na terra, na água e no ar. Este conjunto de seres viventes contribui para a possibilidade de desenvolvimento da vida em um jardim. E este é um dos fatores, pode-se dizer, que gera mais motivação no cultivo de um jardim. E o que dizer, então, da prática “esportiva”?! Afinal, ao executar um projeto de jardinagem, todo o nosso corpo é trabalhado e calorias são queimadas, visto que, ora nos levantamos para pegar ou carregar algo, ora 9 empregamos muita força para abrir um buraco bem fundo para depositar uma muda, sem falar no quanto andamos para buscar água para nos refrescar. Podemos, então, afirmar que jardinagem é uma complexa e completa atividade que envolve nossas emoções (prazer, alegria, satisfação), nossa inteligência (movida pela curiosidade e aprendizado) e força física (ao realizarmos inúmeras atividades para a concretização de um projeto). Desta forma, pode-se concluir que jardinagem é muito mais que plantar uma grama, uma flor, uma planta, mas é todo processo de planejar, executar e manter uma área com seres vivos fixados na terra. 2.1 ETAPAS DA JARDINAGEM Os jardins são considerados a moldura de uma casa, pois integram a harmonia e a beleza cênica ao projeto arquitetônico, criando um ambiente aprazível. Portanto, um projeto paisagístico é igualmente importante assim como o projeto arquitetônico, o que torna a sua inclusão junto à arquitetura moderna cada vez mais frequente, pois favorece a integração harmoniosa com o meio ambiente, o que resulta, também, em uma maior valorização do imóvel. Sendo assim, a jardinagem inicia-se pelo desenvolvimento do projeto paisagístico voltado para área onde será implantado o jardim, conciliando outras duas etapas: a implantação e a manutenção dele. Durante o projeto paisagístico, alguns detalhes são observados, de forma a contribuir para o ambiente disponível: o melhor visual e condições favoráveis são observações essenciais para o desenvolvimento das plantas a inserir neste local. 10 Dentro do aspecto visual, deve-se atentar para: Área total Toda a área onde será localizado o jardim, cada metro quadrado disponível para o projeto; Topografia do terreno Todo aclive e declive natural do terreno; Construções no entorno Casas, calçadas, prédios, muros, piscina, etc.; Ambiente nativo Plantas originalmente do ambiente, como árvores, flores, gramíneas, etc. Já no aspecto das condições, devem ser observados: Oferta hídrica Se o terreno possui um solo irrigado naturalmente por nascentes próximas ou se a oferta de água é pequena, necessitando de irrigação; Posicionamento A posição em relação ao sol, para verificar que tipos de plantas farão sombra às outras; Luminosidade Observar se a área possui bastante luminosidade ou é transformada por construções ao redor, interferindo no desenvolvimento da planta; Condições do solo Verificar se o solo está com condições favoráveisao plantio, necessitando ou não de um tratamento químico ou orgânico; Clima Influencia diretamente na escolha da composição das flores. 11 Outro aspecto importante contemplado no projeto é a integração do jardim com áreas que permitem o acesso, ou seja, a circulação de crianças, adultos e animais domésticos no jardim. Já na fase de implantação são observadas as condições existentes na área de plantio e as correções necessárias para garantir o sucesso na execução do jardim – fatores que já foram estudados e decididos durante o planejamento. A escolha de instrumentos adequados pode representar o sucesso do jardim. Para isto, é prudente consultar um engenheiro agrônomo, que poderá indicar quais produtos devem ser utilizados na correção do solo quanto à acidez, fertilidade, tipo de solo, etc. Nesta fase, são retiradas as ervas daninhas e o solo devidamente tratado para receber as novas plantas. A escolha das plantas deve seguir o planejamento, considerando não somente o aspecto visual, mas também a adaptabilidade das novas plantas. É preciso verificar se o período do plantio também é o adequado e o mais propício ao desenvolvimento. O período das chuvas, no verão, é o mais adequado, pois a terra recebe água e sol em abundância. Já na fase de manutenção são empregadas técnicas que promovem o desenvolvimento adequado do jardim, como: remoção de ervas daninhas e outras plantas indesejadas, podas diversas, corte de grama, replantio de mudas, dentre outras técnicas. Convém ao jardineiro tomar alguns cuidados, pois, a remoção de algumas plantas também pode prejudicar o desenvolvimento de outras que se deseja manter no local. Por isso, é importante verificar se as raízes da planta a ser arrancada não estão em contato direto ou muito próximo das raízes das plantas que se deseja manter. Arrancar uma planta de maneira descuidada pode trazer junto partes de outras raízes, e em alguns casos, até mesmo outra planta inteira. As plantas que serão retiradas devem ter suas raízes totalmente arrancadas do solo, evitando assim, que esta se desenvolva a partir dos nutrientes que serão depositados no solo. O uso inadequado de produtos químicos pode causar danos à saúde da pessoa que envolvida na jardinagem, como também às plantas que não encontrarão um ambiente favorável ao desenvolvimento. 12 É por meio da adoção das técnicas empregadas nestas fases que se garante o sucesso na implantação do jardim, bem como o seu desenvolvimento. 2.2 CLASSIFICAÇÕES DE JARDINS Os jardins são classificados segundo as suas finalidades, formas, utilizações, localizações, etc. Esta classificação auxilia na compreensão da importância do planejamento da jardinagem, pois, conforme for sua aplicabilidade, os resultados poderão ser positivos ou negativos. Santos (1974) classifica os jardins em dois grupos: Públicos: são aqueles cuja manutenção é executada pelo poder público e destinam-se ao uso do povo; Particulares: são de propriedade privada, portanto sua manutenção está a cargo de entidades particulares. Cada um destes grupos apresenta subdivisões e divisões entre si, quanto à finalidade e a forma, além de outros aspectos que podem ser visualizados no esquema a seguir: 13 CLASSIFICAÇÃO DE JARDINS Públicos Quanto à finalidade Recreativos Culturais Botânicos Zoológicos Defesa da fauna e flora Econômicos Aclimação Hortos Florestais Quanto à forma Regulares Paisagísticos Mistos Particulares Propriedades Individuais ou residenciais Quanto à finalidade Recreativos Econômicos Quanto à situação Urbanos Suburbanos Rurais Quanto à forma Regulares Paisagísticos Mistos Propriedade coletiva Quanto à finalidade Escolares Hospitalares 14 Para sociedades Conventuais Cemitérios Quanto à situação Urbanos Suburbanos Quanto à forma Regulares Paisagísticos Mistos FONTE: Santos, 1974. Os jardins recreativos têm maior destaque em virtude do número expressivo destes nas cidades. Os jardins residenciais apresentam estilos próprios, valorizando a arquitetura do imóvel. 15 3 ESTILO DE JARDINS Muitos jardins são caracterizados como uma extensão de seus idealizadores e até mesmo de seus proprietários. Com estilos próprios – e muitos desenhados sob uma perspectiva temporal, os jardins são símbolos até de status e condições financeiras. Um jardim é considerado uma estrutura espacial, geralmente localizado ao ar livre. É construído e projetado pelo homem, inserido como uma micropaisagem num contexto próprio. A principal característica do jardim é a forte presença da vegetação. Um dos mais conhecidos do Brasil é o Jardim Botânico, no Rio de Janeiro – um exemplo da diversidade da flora brasileira e estrangeira, onde é possível observar cerca de 6.500 espécies, sendo algumas ameaçadas de extinção, numa área de 54 hectares, sem estufas, ao ar livre. Assim como o Jardim Botânico do RJ teve sua origem na chegada da Família Real ao Brasil, os jardins públicos e privados são criados com uma finalidade, seja ornamental, funcional ou de preservação. Todavia, independente de sua finalidade, o jardim tem um estilo, que segue tendências, inspirações em regiões e culturas, e até mesmo temporal. Entre os principais estilos, temos: 3.1 CLÁSSICO OU FORMAL Considerado um estilo organizado e equilibrado, apresenta paisagem delineada por simetria no traçado e figuras geométricas bem definidas (círculos, retângulos, triângulos e semicírculos). 16 Emprego da técnica ou arte da topiaria que consiste em esculpir formatos geométricos, figuras humanas, de animais, e outros em plantas vivas. Conhecido também como jardim francês. 3.2 CHINÊS OU JAPONÊS Constitui o estilo oriental marcado pelo simbolismo e pelo culto à natureza. O jardim japonês propicia a contemplação e fortalece a espiritualidade, transmitindo paz. Sua composição é marcada pelo uso de pedras, água, plantas de diferentes espécies, além de acessórios de decoração próprios para jardins. 3.3 EGÍPCIO Possui desenho em linhas retas e formas geométricas em perfeita simetria, além de seguir orientação dos quatro pontos cardeais. Apresenta grande influência religiosa. Utilizavam palmeiras, videiras, plantas aquáticas, dentre outras espécies. 3.4 GREGO 17 Marcados pelos fabulosos encontros entre professores e filósofos (acadêmicos), os jardins gregos não seguem a simetria e a regularização matemática, aproximando suas características às formas naturais. Nota-se a utilização de plantas frutíferas. 3.5 PERSA Estes jardins receberam influências dos gregos e egípcios, mas diferenciam-se pela introdução de plantas aromáticas. 3.6 ROMANO Influenciado pelo estilo grego, nota-se neste estilo de jardim a presença de pérgulas, bancos, tanques, colunas e estátuas em mármore que os deixavam luxuosos. O plantio era feito de maneira retilínea e com pouca variedade de plantas, com a realização da atividade de topiaria. É observada também a integração da casa com o meio ambiente. 18 3.7 MEDIEVAL Com estilo extremamente simples, nestes jardins eram utilizados para o plantio de legumes, frutas e plantas medicinais. Localizados no interior de grandes construções medievais (mosteiros, castelos e terrenos particulares). 3.8 SECO-DESÉRTICO-ROCHOSO Reproduz uma paisagem árida ou pequenos oásis, utilizando pedras e areia na sua composição, o que não requer muita manutenção. Observa-se a presença de cactos, rosa-de- pedra, lírio-tocha, dentre outras espécies. 3.9 TROPICAL Neste estilo, o jardim reproduz o ambiente paradisíaco de uma ilha tropical, cercada de muitoverde e flores, bem como o gramado. É notada a existência de área sombreada e cascata 19 ou lâmina d’água. Presença acentuada de samambaias, palmeiras, bromélias, hibisco, dentre outras espécies. 3.10 CONTEMPORÂNEO É o mais utilizado atualmente, apresentando uma paisagem simples e livre, integrando o jardim à residência. 20 3.11 ROMÂNTICO Neste estilo prevalece o colorido, por meio do emprego de plantas com épocas distintas de floração nos tons vermelho, púrpuro e rosa. Presença de bancos e namoradeiras. 21 4 POR QUE PLANEJAR O JARDIM? É essencial que o jardim seja cuidadosamente planejado antes da execução, evitando gastos desnecessários e surpresas desagradáveis. A partir do planejamento de um jardim é possível determinar a frequência com que um profissional especializado faça a manutenção necessária para que não ocorra o surgimento e desenvolvimento de plantas daninhas, crescimento exagerado e desordenado das plantas, bem como do gramado. Com o planejamento é possível observar uma maior integração entre as áreas internas e externas de uma construção, além das inúmeras vantagens, como: o controle da temperatura e luminosidade nos ambientes internos, valor estético, escolha adequada das áreas destinadas ao lazer, dentre outros benefícios. Além disso, com o planejamento pode-se determinar a escolha das plantas quanto as suas necessidades específicas, o que reforça a importância da realização e execução dos projetos paisagísticos. 4.1 O ESPAÇO A escolha do espaço (localização no terreno) e as dimensões da área destinada ao jardim são essenciais durante a fase de planejamento do projeto paisagístico, pois influenciarão na escolha das plantas quanto ao seu porte, exigências biológicas e outros. 22 No entanto, alguns fatores determinantes devem ser observados antes da sua implantação, como: dimensões da área, umidade, intensidade de luz solar, temperatura e adubação. É importante ressaltar que estes fatores são fundamentais para o apropriado desenvolvimento das plantas, bem como alcançar o objetivo principal que é a integração entre o meio ambiente e o projeto arquitetônico - harmonia e beleza. E, a partir dos dados sobre as dimensões da área destinada ao jardim, serão selecionadas as espécies vegetais para o plantio, devendo ser considerado o tamanho destas na fase adulta, detalhe este geralmente esquecido. 4.2 ILUMINAÇÃO A luz é fonte de vida para todo ser vivente e, sendo as plantas também seres com vida, concluímos que a luz é indispensável. Quando a luz é insuficiente, os caules se tornam longos e fracos. Isto acontece pelo fato de crescerem em busca da luz, com suas folhas pálidas e sem qualquer produção de flores, podendo inclusive chegar à morte da planta, nos casos mais críticos. Existem dois fatores que influenciam o desenvolvimento das plantas: Intensidade do brilho ou a potência dessa luz. Duração: o período de tempo em que estas plantas são expostas à luz. 23 Ao determinar um local onde a planta será instalada, devemos considerar os fatores solares, verificando se é em sol pleno, com uma intensa radiação solar direta, ou se estará em meia-sombra, com pequena intensidade solar. Ou seja, em momento algum uma planta poderá sobreviver num local totalmente escuro, pois, sem a luz, não há como sobreviver. Cada planta tem uma necessidade distinta de luminosidade. A oferta de luz fará com que a planta se desenvolva naturalmente, de acordo com a luminosidade que é oferecida, adaptando-se assim às condições locais. Porém, a planta sofrerá nesse processo de desenvolvimento, pois o ambiente não está plenamente favorável. Os ramos fracos, finos, esticados e sem cor sofreram um processo chamado de estiolamento, que é provocado pela falta de luminosidade suficiente. O oposto disto são folhas queimadas e amareladas. Algumas plantas ainda não toleram a luz direta do sol, pois sua característica é a sobrevivência sob as sombras das árvores e outras plantas. E, quando colocadas sob uma luz direta, geralmente suas folhas se tornam crespa e podem até surgir manchas marrons, que são sinais claros de queimaduras na planta. 4.3 TEMPERATURA A temperatura ambiente também é um fator importante no cultivo de plantas. Se a planta é regada com regularidade, bem iluminada, com umidade propícia, mas se estiver num ambiente onde a temperatura não é a ideal, consequentemente morrerá ou ficará com aspecto de doente. 24 Ou seja, a temperatura influencia diretamente na absorção da água pela planta. Há ainda uma relação direta com a respiração e transpiração da planta. Por isso, é importante escolher a planta de acordo com o ambiente no qual ela será introduzida. Não é recomendável escolher uma planta que deve ficar mais exposta ao sol e com altas temperaturas para ser plantada num ambiente fechado, com pouca luz e muito úmido. A variação climática da região também interfere no resultado do desenvolvimento da planta. Nas regiões onde há ampla variação de temperatura devem ser plantadas as espécies que se adaptam facilmente a estas mudanças. Caso contrário, será necessário criar um ambiente artificial, que compensará o clima natural. A escolha da planta associada ao ambiente é o segredo de uma planta saudável e bonita. 4.4 UMIDADE Tão importante como a umidade do solo para o bom desenvolvimento da planta, deve- se observar a umidade do ar. A umidade do ar é a quantidade de vapor de água presente no ar, ou seja, a porcentagem de umidade relativa do ar influencia no desenvolvimento das plantas. Esta Dica Quando o clima esfriar, coloque lâmpadas incandescentes no ambiente, protegendo-as do frio. No verão, pulverize água diariamente. 25 porcentagem de umidade está relacionada com o tipo de vegetação, altitude, dentre outros aspectos geográficos característicos de cada região. Portanto, para que suas plantas tenham aspecto saudável e exuberante é importante observar a umidade relativa do ar onde será cultivada. 4.5 POSICIONAMENTO O local onde a planta é posicionada também interfere no seu desenvolvimento. Se dentro ou fora de casa, próximo ou longe da janela, com corrente de ar ou não, enfim, são fatores que devem ser levados em conta. Os jardins de interiores são mais suscetíveis à interferência do homem e por isso devem ser bem planejados. O local mais propício é próximo a janelas e que possuam ventilação natural. Além disso, dependendo da estação do ano e sua posição geográfica, o desenvolvimento da planta será influenciado, levando-se em conta a inclinação do sol e sua duração nas janelas. Se for instalar uma planta ou jardim interno, veja de que maneira o sol influencia: Dica As plantas de interiores, especialmente onde estão presentes aparelhos de ar-condicionado, devem receber pulverizações diárias (água com temperatura ambiente), pois são mais secas e necessitam equilibrar com a falta de umidade do ar. 26 Face norte: é a janela que sofre a maior variação de luminosidade à medida que as estações mudam. No inverno, quando o sol é baixo, a luz penetra por essa janela a maior parte do dia. No verão, quando o sol está alto, a penetração é boa pelo menos metade do dia; Face leste: é a janela que tem a menor insolação no verão, época em que o sol nasce diretamente no leste e atinge seu ponto máximo ao meio dia e põe-se no oeste. Mas à medida que o sol sobe na parte da manhã, fica num ângulo mais agudo em relação à janela deixando o ambiente mais frio e menos ensolarado que uma janela da face norte ou oeste; Face oeste: é a janela mais quente durante o verão e muitasplantas não resistem quando expostas a ela. Os cactos e as suculentas aceitam bem, mas as plantas mais delicadas provavelmente sofrerão até a morte. Para compensar o calor utilize cortinas e aumente a circulação de ar no ambiente; Face sul: é a que tem pior luminosidade, inclusive no verão. Só coloque nessas janelas plantas que aceitam baixa luminosidade e baixas temperaturas, Esse ambiente vai ficar muito frio no inverno. FONTE: Disponível em: < http://www.biomix.com.br/pdf/manual_cuidados_plantas.pdf>. Acesso em 01/12/2009. 27 5 CORES NO JARDIM Além da escolha adequada das plantas para o espaço destinado ao jardim, outro aspecto importante que deve ser considerado é a combinação das cores. Pois, as cores influenciam nosso comportamento, estimulando ou relaxando. De acordo com a ABAP (Associação Brasileira dos Arquitetos Paisagistas), as cores influenciam também o ambiente, especialmente por intermédio da percepção visual estimulado pelo padrão de cores: frias ou quentes. As cores classificadas como “quentes” são consideradas vibrantes, excitantes e alegres, transmitindo sensação de calor. São provenientes do amarelo, laranja e vermelho. Já as cores “frias” estão associadas à tranquilidade, à paz e à harmonia, transmitindo sensações de calma e melancolia. São provenientes do violeta, azul e verde. Existem outras cores consideradas frias (roxo, lilás, bege, azul claro, etc.), assim como há outras cores quentes (vermelho escuro, verde, amarelo forte, etc.). 28 SENSAÇÕES ASSOCIADAS ÀS CORES DAS FLORES. CORES SENSAÇÕES FLORES Violeta Relacionada com a intuição e a espiritualidade, própria para locais de meditação. tumbérgia, violeta, petúnia, prímula. Verde Cor protetora, terapêutica, inspira sentimentos de paz e harmonia. É a cor do equilíbrio, não agita nem relaxa demais. hera, avenca. Laranja Cor quente, radiante, dá energia, estimula o otimismo, a generosidade. Influencia a atividade física e intelectual. azaleia, tagete, lírio, gérbera Amarelo Ligado à criatividade, estimula o raciocínio e a comunicação. Relacionada sempre com o sol, representa a força. margarida, amor-perfeito, gérbera, lírio, junquilho. Azul Cor da paz, indicada para meditação, relacionada com confiança. agapanto, hortênsia, lobélia. Vermelho Cor do fogo, altamente energizante. Produz nos jardins um efeito fantástico, impossível de não ser admirado. Símbolo de força e vitalidade. rosa, hibisco, kalanchoe, antúrio. Branco Dá origem a todas as cores. Cor da pureza, relacionada também com a espiritualidade. azaleia, rosa, hibisco, copo-de-leite, lírio-da-paz. Rosa Relacionada com as emoções, cor do amor espiritual. Estimula relações afetivas. rosa, azaleia, hibisco, ciclame, prímula. FONTE: ABAP, 2008. Na escolha da planta deve ser levando em consideração o tratamento paisagístico do ambiente, observando suas cores, formatos e tamanhos. Por exemplo, em uma clínica médica 29 ou um ambiente de repouso, as plantas devem ser de cores frias, que ajudam a harmonizar o ambiente. Já um local com fluxo de pessoas, onde a animação deve acontecer, é melhor utilizar as plantas com cores quentes. Isto é possível com a associação de plantas com folhagens, e plantas com flores. Lembrando que as flores são sazonais, ou seja, florescem por períodos. Por isso, ao escolher uma planta com flores, observe que em determinados períodos do ano não haverá flores. Neste caso, analise também as folhas e caules destas plantas, pois é o que ficará exposto na falta das flores. As plantas, com suas cores e formatos, também podem ser utilizadas para camuflar algum objeto no ambiente, como uma câmera, um equipamento, lixeiras, etc., e ainda indicar um local de acesso (entrada/saída) por meio de corredor de flores ou folhagens. Dica Utilize plantas com floradas em períodos diferentes. Assim, terá o ambiente florido e colorido por mais tempo. Dica Combine apenas duas cores, no máximo três. O uso de muitas cores no ambiente poderá carregar visualmente e causar desconforto com o excesso do colorido. 30 6 ESCOLHENDO AS PLANTAS A escolha das plantas que darão vida ao projeto paisagístico do jardim envolve dois elementos importantes, sendo eles: a beleza e a harmonia. Porém, a partir de um planejamento prévio do projeto é possível determinar o custo para implantação do jardim ou até mesmo ajustá-lo a um orçamento. Dessa forma, esta escolha influenciará nos custos, assim como na manutenção do mesmo. Por estes motivos recomenda-se observar as características e exigências de cada planta em relação ao espaço disponível, para depois efetuar a compra. Além de analisar o tempo disponível para a realização dos cuidados necessários com a manutenção. Outro item igualmente importante a se analisar é a finalidade com que se será empregado este jardim: decorativo (contemplação); harmonização e divisão de ambientes; terapêutico (cultivo de plantas medicinais); hobby ou ocupacional (horta). Durante esta etapa procure observar as exigências e características de cada planta, quanto ao: 1 Tamanho: como as plantas são seres vivos e, portanto irão crescer, é importante que a escolha das mudas esteja de acordo com o espaço disponível quando atingirem a altura máxima; 2 Luminosidade: cada espécie de planta possui uma exigência específica quanto à intensidade de luz solar (ensolarada ou meia sombra); 3 Época de floração: cada planta tem sua época de floração; 4 Habitat: o plantio no habitat adequado promove um melhor desenvolvimento para as plantas devido à nutrição específica de cada planta; 5 Solo: fatores como o pH (ácido, neutro ou alcalino) influenciam no desenvolvimento ideal de cada planta; textura (arenosa ou argilosa) está relacionada com a drenagem da água; adubação (adubos minerais simples ou mistos, adubos orgânicos – oriundo 31 de material vegetal ou animal, e composto orgânico – oriundo somente da decomposição de material vegetal) refere-se à reposição de nutrientes para manter plantas saudáveis; 6 Água: a reposição é feita por “regas” e cada planta possui uma necessidade diferente, principalmente com relação à estação do ano vigente. Porém, o excesso de água causa apodrecimento das raízes; 7 Poda: favorece o crescimento e melhora a qualidade das plantas e também dos frutos; induz novas brotações; auxilia no controle de doenças e pragas, dentre outras melhorias e controles. Quando os cuidados pontuados acima são observados durante as fases de planejamento e implantação do projeto paisagístico, a garantia de sucesso na execução do projeto é maior, pois promove o adequado desenvolvimento das plantas e a satisfação do proprietário do jardim. Veja na tabela abaixo exemplos de plantas e suas características, levando em consideração o planejamento do jardim: Plantas Características Cuidados Agave Dentre as várias espécies de Agaves, três são mais comuns em jardins: americana, angustifólia e atenuata. De fácil multiplicação (bulbilhos na base), são semilenhosas, que chegam a ter 1 a 2 metros de altura. Pode ser cultivada em pleno sol, sozinha ou em composição com outras plantas. Como são pontiagudas, deve-se tomar cuidado no plantio, evitando grande fluxo de pessoas. 32 Bromélia Muito utilizada com finalidade decorativa, pode chegar a 30 cm de altura. A floração acontece principalmente no verão, com pétalas vivas e coloridas. A planta do abacaxi é um tipo de bromélia, com fruto. Pode ser cultivada em vasos, canteiros ou diretamente no solo. Pode ser utilizado extrato de xaxim com húmus. As folhas são pontiagudas e deve ser cultivada em locais com ventilação e abrigada com luz difusaou direta. Buxinha Tipo de arbusto que cresce vagarosamente, chegando até 5 m de altura. Muito utilizada para ornamentação com podas decorativas. Seus galhos permitem moldar esculturas. Os bonsais geralmente são produzidos com buxinhas. Também utilizada para bordas de muros e jardins. Exige poucos cuidados de manutenção, podendo ser cultivada diretamente no solo ou em vasos grandes. A folha é tóxica se ingerida. 33 Bambu-mossô Tipo de bambu ereto e que não produz touceiras. Com técnicas de amarração, criam- se curvas com flexões do caule. Possui folhas delicadas. Muito utilizado em jardins internos, diretamente no solo ou em vasos e jardineiras. Deve ser cultivado em terreno fértil, com permeabilização. A irrigação é feita em intervalos. Jiboia Com folhas coloridas de verde e amarelo, é muito utilizada para ornamentar ambientes externos e com alta temperatura. Preferencialmente deve ser cultivada com xaxim, em meia- sombra ou em pleno sol. Sem suporte, a planta segue como forração do terreno, com folhas pequenas. Não apoiar a planta em palmeiras ou árvores, pois pode sufocá-las, levando a morte. Antúrio Muito utilizado para decoração de interiores. Ficou conhecida por uma novela, utilizado como símbolo da sensualidade. Há uma rica variedade de portes e cores. Sobrevive à meia-sombra, em substratos com matéria orgânica e úmidos, com regas frequentes e adubação adequada para florescer. 34 Pingo-de-ouro Planta utilizada para desenhar jardins, podendo ser podada para formar desenhos. Arbusto lenhoso amarelo-esverdeado, que suporta o sol. No outono produz pequenos frutos amarelos que atraem pássaros. Como cresce muito rápido, são indicadas constantes podas, podendo ser ornamentais. Palmeira-ráfis Palmeira ereta de troncos finos e revestimento de fibras. Excelente para cultivo em vasos ou jardineiras; em ambientes internos com iluminação. Deve ser cultivada à meia- sombra ou em pleno sol, com boa drenagem. Espada-de-são-jorge A crença popular diz que deve ser plantada na entrada, servindo como proteção contra os “maus-olhados”. Apresenta- se em variadas formas e cores de folhagens, podendo ser cultivada em vasos ou diretamente no solo. De fácil manutenção, é resistente a solos áridos e ao calor e frio. Daí a origem da superstição, pela sua resistência. 35 Roseira É uma das plantas mais cultivadas no mundo, devido ao simbolismo (amor) e apresentar flores exuberantes e variadas em cores. Apresenta-se em arbustos ou trepadeiras, com flores geralmente solitárias. Quando o arbusto ficar com poucas folhas é o momento de podar, removendo as rosas danificadas e doentes. A poda estimula o crescimento da roseira e melhora o controle de doenças e pragas. Comigo-ninguém-pode É uma planta muito utilizada como ornamental de interiores. Suas folhas, em tom verde e amarelo, possuem aparência lustrosa e duradoura. Popularmente é conhecida por afastar “mau-olhado”. Pode ser cultivada em ambientes fechados, com baixa luminosidade. Orquídea Existem inúmeras espécies com variações de cores, formas e tamanhos. Seu crescimento é em árvores, troncos e substratos, os utilizando como apoio para buscar a luz. Ou ainda, algumas espécies são cultivadas no solo ou em vasos. Evite a luz direta e prefira o contato com o sol pela manhã, bem cedo, ou no final da tarde. Opte por ambientes com temperatura amena, variando entre 15 ºC e 25 ºC. 36 Areca Uma das mais conhecidas palmeiras, chega a formar touceiras na base. Combina com jardins no estilo tropical, podendo ser cultivado diretamente no solo, ou em vasos para compor ambientes internos. Possui boa tolerância ao sol, porém suas folhas podem apresentar a cor amarelada. Para manter as folhas vistosas, prefira ambientes com meia- sombra. Samambaia Uma das plantas mais antigas do mundo, com inúmeras variações de espécies. As mais conhecidas são a samambaia-de-metro, a avenca, entre outras. O ideal é o cultivo em vasos de fibra de coco. O cuidado das samambaias é simples, porém constante. Regue diariamente sem encharcar, posicione-a no ambiente com luz indireta, e o mais importante: nunca deixa-a exposta ao vento. 37 Lírio-da-paz Planta muito utilizada para decoração de interiores e canteiros. Pode ser cultivada diretamente no solo ou em vasos. Suas flores brancas podem aparecer durante todo o ano, mais abundantes na primavera e verão. Deve ser cultivado à meia- sobra, sem incidência direta do sol. A planta resiste ao frio, até 5 ºC. A rega deve manter a planta úmida, sem encharcar. Copo de Leite Uma planta bastante valorizada em arranjos, chegando a medir até 1,5 m de altura. Está associada a elementos sagrados, simbolizando a paz, a pureza e a inocência. O principal cuidado é com as crianças e animais, pois suas partes são tóxicas. Escolha solos com boa drenagem. O excesso de umidade ocasiona o aparecimento de fungos e bactérias. Girassol Planta que pode chegar a 3 m de altura. Existe também a miniatura, com crescimento máximo de 1 m de altura. O cultivo deve ser em local com muito sol. As regas devem ocorrer sempre que o solo estiver seco, mantendo-o úmido, sem encharcar. 38 Begônia Plantas ornamentais com folhagem atraente e extremamente colorida. Cultivadas em canteiros sombreados ou vasos. Podem alcançar 1,5 m de altura. Devem ser protegidas de fortes correntes de ar e da incidência direta da luz solar. As regas devem ser frequentes, mas sem encharcar o solo. Amarílis Planta que apresenta diversas cores. Também é conhecida como açucena. Sua reprodução se dá por divisão de bulbos. Deve ser cultivada em local claro, com iluminação moderada. As regas devem ocorrer duas vezes ao dia. Recomenda-se adubação uma vez por mês. Margarida Existem várias espécies de plantas conhecidas como “margaridas”, em sua maioria híbrida. Muito utilizada em canteiros e jardineiras. Há uma variedade de cores e tamanhos. Regue regularmente sem exageros, arrancando as flores secas para favorecer uma nova florada. 39 Amor-perfeito Conhecidas também como violetas são pequenas flores em plantas que podem chegar a 25 cm. Muito cultivadas em pequenos vasos ou em jardineiras. Cuidado com o excesso de água e com o solo encharcado. Coloque água apenas duas vezes por semana no verão e uma vez no inverno. Não utilize água com cloro e deixe próxima à luz, sem incidência direta do sol. Flor-de-lis Possuem flores de cores vivas e muito atrativas, chegando a ser confundida com as orquídeas. Deve ser plantada em locais úmidos ou constantemente regada, podendo ser plantada em vasos. Plante em solo fértil rico em matéria orgânica, com incidência de sol pleno. Importante manter o terreno sempre úmido. Primavera Conhecida também como Três-marias, muito cultivadas formando parreiras entorno de grades e muros. Pode ser plantada diretamente no solo, ou em vasos. Neste caso, exige cuidados especiais com a terra. Pode ser plantada em local de sol pleno, suportando até os solos mais secos. Regue a cada 15 dias, podendo aumentar a frequência nos primeiros meses após o plantio, ou durante o verão intenso. 40 Hera Tipo de trepadeira utilizada para fechamento total de muros. Não é recomendado o uso em paredes da residência por reter muita umidade. Pode ser plantada sob solpleno ou em meia-sombra. Ideal que receba incidência de luz solar durante algumas horas para o bom desenvolvimento da planta. Hibisco Também conhecida pelo seu poder terapêutico, e como símbolo do Havaí, a planta pode chegar a 5 m de altura, com inúmeras variações nas espécies. A florada acontece várias vezes durante o ano. Planta para climas tropicais e que não suporta as geadas ou inverno rigoroso, devendo receber incidência solar. Jasmim Assemelha-se à trepadeira, porém como arbusto de ramos longos. As flores são extremamente perfumadas e muito utilizadas para criação de perfumes. Não suporta o inverno intenso e as geadas. Plantar sob pleno sol, próximo de grades ou cercas, facilitando seu desenvolvimento. 41 Dama-da-noite Muito apreciada pelo seu perfume que exala durante toda a noite. Deve-se evitar plantar próximo a janelas e portas, pois seu perfume pode causar enjoos e alergias. Plante em local de sol pleno ou à meia-sombra. O solo deve ser fértil em matéria orgânica, com boa irrigação e drenagem. Não suporta o frio e as geadas. 42 7 CONSTRUINDO O JARDIM Como vimos no Módulo I, a partir da elaboração do projeto paisagístico, é possível aproveitar melhor a topografia e o formato do terreno em que será construído o jardim, permitindo, dessa forma, criar ambientes aprazíveis, interligados com as áreas internas e externas da residência, além de conciliar os fatores que irão promover o bom desenvolvimento das plantas por considerar suas características e exigências naturais. É importante ressaltar que o projeto arquitetônico também influencia na composição e construção do jardim, pois o mesmo segue o estilo empregado na construção existente no terreno, mantendo um aspecto equilibrado e harmonioso. 7.1 MONTAGEM DO JARDIM Para a construção de um jardim é necessário adotar técnicas iniciais que irão garantir o sucesso na implantação deste, as quais serão descritas abaixo: 7.1.1 Nivelamento do terreno 43 Este procedimento consiste em ajustar um terreno irregular através de aterro ou desterro da superfície do solo para facilitar o plantio e o crescimento uniforme das plantas, além de promover o escoamento das águas de chuva, evitando poças ou alagamento em determinados pontos do terreno. Outro aspecto importante obtido com o nivelamento é o acompanhamento da forração do terreno com o calçamento que deve ser 5 cm abaixo da altura do calçamento já existente. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 7.1.2 Limpeza da área Consiste em retirar da área todo e qualquer material existente no solo que impeçam ou dificultem a fixação das plantas, tais como: ervas daninhas, plantas mortas, pedras, galhos, torrões de terra, resíduos de material de construção (telhas, tijolos quebrados, cimento etc.). FONTE: arquivo pessoal 44 Ao arrancar as plantas indesejadas da área onde será construído o jardim, deve-se remover caules e raízes subterrâneas, pois estas podem favorecer a propagação destas plantas. No entanto, quando se deseja preservar espécimes já existentes na área, esta limpeza deve ser orientada e cuidadosa, a fim de evitar que estes espécimes que irão compor o projeto paisagístico sejam danificados. 7.1.3 Solo O solo é uma camada superficial formada por partículas minerais e orgânicas, caracterizado em horizontes de profundidade diferentes, sujeito ao desgaste natural decorrente de processos erosivos, perda de fertilidade, compactação, dentre outros fatores. Também é constituído por camadas de naturezas diferentes, sendo elas: física, química e biológica –, e estão sujeitos ao desgaste natural decorrente de processos erosivos, perda de fertilidade, compactação etc. Após a limpeza do terreno é necessário que seja feito a descompactação do solo, ou seja, que o solo seja revolvido tornando suas partículas soltas para que as raízes das plantas penetrem profundamente, permitindo um desenvolvimento adequado das plantas. Também é importante realizar uma análise do solo para avaliar a fertilidade e o pH, e, assim, determinar as doses adequadas de calcário e adubo, garantindo melhor desenvolvimento das plantas. 45 FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 7.1.4 Sistema de rega O desenvolvimento e a manutenção das plantas também dependem de um sistema de regas eficiente, sendo importante a observação, pois cada espécie ou grupo de plantas necessita de quantidade diferente de água. Outro fator que determina a quantidade de água para a planta é a estação do ano. No verão os dias são mais quentes e secos fazendo com que as plantas necessitem de maior oferta hídrica. Já no inverno, os dias são frios e úmidos, exigindo menor quantidade de água. Esta atividade se tornará diária, pois é indispensável regar as plantas do seu jardim, de preferência nas primeiras horas do dia. Evite molhá-las quando o sol estiver forte. Para jardins FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 46 e canteiros use mangueiras com irrigadores de pressão. Pode ser utilizada tecnologia avançada de regas automáticas com aspersores ou irrigadores giratórios, dentre outros equipamentos, ou até mesmo manualmente, utilizando mangueiras comuns ou com pequenos furos. O mais importante é adequar a quantidade de água destinada para a rega nas diferentes regiões do país, pois, além da influência das estações do ano, também são observadas períodos bem definidos de seca (estiagem) ou de chuvas (oferta hídrica excessiva). 7.1.5 Plantio Para esta etapa devem ser abertas covas para o plantio de mudas, devendo ser respeitadas as medidas de cada muda selecionada. Ou seja, cada cova deve possuir diâmetro, profundidade e largura adequada para a muda que será depositada. Para o melhor estabelecimento das plantas é indicado que o plantio seja feito na época das chuvas, antes ou depois da ocorrência deste fenômeno natural; de preferência ao entardecer, ou serem irrigadas antes da colocação da muda. Dica Lembre-se a água deve ser fornecida sempre que o solo começar a secar. Atenção 47 7.1.5.1 Procedimento de plantio Árvores, arbustos e palmeiras: após depositar a muda com o torrão na cova, deve-se devolver a terra retirada ao abrir a cova em volta do torrão, socando bem para que a muda permaneça firme e proporcione o maior contato possível entre a terra e o torrão. Caso o plantio seja feito em época de seca, recomenda-se molhar bem o fundo da cova antes de colocar a muda; Em canteiros: após o preparo do canteiro, distribuir as mudas nas covas seguindo o espaçamento indicado para cada espécie e proporcional aos torrões. Recomenda-se que as covas sejam completadas com terra repetindo o mesmo cuidado citado no item anterior. Faça rega abundante no canteiro recém-plantado; Em vasos e jardineiras: primeiramente coloque uma camada de brita fina no fundo da jardineira ou vaso para facilitar a drenagem, mas certifique-se que o orifício de drenagem está desobstruído. Use substrato de boa qualidade com uma boa mistura de matéria orgânica. No caso de jardineiras, deve haver espaçamento adequado entre as mudas de acordo com a espécie; enquanto que nos vasos, a cova deve ser no centro e proporcional a muda. O plantio em vasos pode ser utilizado na composição do jardim externo ou interno (jardim de inverno), ou mesmo ser utilizado na decoração de interiores pela ausência de espaço para implantação de um jardim. A opção de plantio em vasos é versátil e decorativa, desde que sejam consideradas as devidas precauções (manutenção).Atenção As mudas devem ser retiradas do recipiente atual com sacos plásticos, latas, e outros. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 48 FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 Em sementeiras: umedeça o substrato e coloque-o preenchendo completamente as células das bandejas de mudas – de plástico ou isopor. Certifique-se que o substrato esteja bem firme nas células. Em seguida, faça pequenas covas no centro de cada célula, deposite as sementes e cubra com o mesmo substrato, e então regue. Mantenha a bandeja em local arejado e sombreado, e regue diariamente. Assim que as sementes germinarem, faça o transplante das mudas para vasos ou canteiros. 7.1.6 Vias de acesso - calçadas ou caminhos A construção de calçadas ou caminhos nos jardins é contemplada no projeto paisagístico e tem por objetivo facilitar o acesso das pessoas para atravessá-lo ou mesmo para apreciá-lo; bem como evitar o desgaste da grama e exposição do solo. Além disso, a existência destas vias de acesso nos jardins proporciona passeios contemplativos e relaxantes. Dica Numa mesma bandeja podem ser semeadas espécies diferentes de plantas, desde que seja feita a identificação prévia com plaquinhas fixadas na primeira célula de cada fileira. 49 As vias de acesso podem ser construídas em linha reta ou em curvas, com espaço suficiente para que até duas pessoas caminhem lado a lado. Existem várias opções de materiais que podem ser empregados na construção destas vias de acesso, tais como: pedras irregulares, quadradas ou retangulares; de materiais distintos: tijolos planos e largos, dormentes ou toras de madeira, placas de granito ou fulget (granito lavado), e até mesmo concreto. Nos materiais que apresentam variedades de tons e cores é possível trabalhar alternando-os, resultando numa mesclagem, o que irá valorizar o efeito paisagístico do projeto destinado a área verde da sua residência. A escolha do material a ser utilizado depende do estilo adotado no projeto paisagístico, que é influenciado pelo preço, aparência, além da facilidade de instalação e manutenção. Dica É importante o uso de um piso antiderrapante nestas vias de acesso a fim de evitar acidentes. 50 8 FERRAMENTAS DE JARDINAGEM FONTE: Disponível em: <http://www.istockphoto.com/index.php>. Acesso em: 01.12.2009 As ferramentas são preciosos equipamentos que auxiliam no desenvolvimento das diversas tarefas relacionadas à montagem, manutenção ou restauração de um jardim, tais como: Ancinho com dentes fixos ou flexíveis: utilizados para a limpeza do jardim, além do preparo do solo para semeadura. Também é conhecido por rastelo; Arrancador de inço: usado para remover ervas daninhas em locais difíceis; Carrinho de mão: utilizado para transportar pesos (terra, adubo ou vasos); FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 51 Cavadeira: utilizada para perfurar o solo para o plantio em diferentes profundidades; Cortador de grama: ferramenta utilizada para cortar o gramado; Enxada: são empregadas na capina, na escavação e revolvimento do solo, além de misturar e espalhar adubos, dentre outras tarefas; FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 Enxadão: ferramenta com características mais resistentes, porém diferentes da enxada, pois apresenta lâmina estreita e espessa, cabo menor formando com a lâmina um ângulo reto; Escarificador ou garfo: usado para afofar a terra, quebrar superfícies duras do terreno e nivelar pequenas áreas para plantio ou transplante; Foice: destinada à limpeza de terrenos realiza cortes baixos o que facilita capina futura; FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 52 Forcado: ferramenta em forma de um grande garfo é empregado na remoção de capinado ou roçado; Kit de jardinagem (garfo e colher de cabo curto): ferramentas pequenas utilizadas para plantar e remover plantas; FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 Luvas de borracha; Mangueira: tubo de borracha flexível utilizado para regar as plantas; Pá: utilizada para revolver a terra e também pode ser empregada no plantio para abrir covas. Pode ter tamanho variado dependendo da necessidade; FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 53 Pá-direita: ferramenta que possui uma lâmina plana, curta, estreita e espessa diferente da pá comum. Utilizada para revolver e escavar a terra, arrancar plantas, etc.; Podão: utilizado para realizar podas; FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 Pulverizador: recipiente utilizado para lançar sobre as plantas soluções que irão prevenir ou afugentar pragas e insetos nocivos as mesmas; FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 54 Regador: recipiente empregado na rega que simula chuva, pela presença do crivo, sobre plantas, vasos e canteiros; pode regar água ou outros líquidos. Crivo ou chuveiro dispersa líquidos em gotas; FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 Sacho com dentes e lâminas: utilizado para cavar, abrir sulcos, nivelar e limpar o terreno; Tesoura de poda: há vários modelos específicos para uso determinados; FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 55 Vassoura para grama: usada para remover qualquer tipo de sujeira do gramado, podendo ser de material metálico ou plástico; FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 No mercado, há uma grande variedade de modelos e marcas de ferramentas usadas na construção e/ ou manutenção de jardins. No entanto, para a escolha e aquisição destas ferramentas deve-se considerar a serventia das mesmas. 8.1 MANUTENÇÃO DAS FERRAMENTAS A manutenção das ferramentas de jardim envolve desde o adequado manuseio até a troca de cabos, armazenagem em local apropriado, dentre outras práticas. Ou seja, os cuidados empregados na manutenção das ferramentas após o uso diminuem os danos e a deterioração 56 dos equipamentos, pois irão prolongar seu tempo de uso. Para tanto, é necessário o emprego de algumas práticas, como: Remoção de torrões de terra; Lavagem: para que seja retirado o resíduo de material orgânico; Secagem: para evitar que enferrujem; Lubrificação: aplicação de óleo nas ferramentas que necessitem; Afiação de lâminas; Armazenamento: guardar em local apropriado (protegido de sol e chuvas), longe do alcance de crianças e animais de estimação; Suporte para ferramentas: além de promover a organização e melhor aproveitamento do espaço destinado para a armazenagem, ajuda a evitar acidentes e a deterioração dos equipamentos pelo contato com a umidade; Caixa de ferramentas: facilita o transporte e a organização. 57 9 CUIDANDO DO JARDIM Um lindo jardim só é possível com cuidados diários. Suas plantas e flores merecem atenção especial, de acordo com suas características e funcionalidades. Por isso, o planejamento do jardim compreende também a sua manutenção. Regas, podas, adubações e transplantes; enfim, tudo que for necessário para que esse jardim esteja frondoso, colorido e radiante todos os dias do ano. Jardins secos e sem vida representam descaso ou falta de cuidados especiais. E, por mais que se cuide do jardim, ele ainda pode sofrer com as intempéries da natureza, ataques de pragas e doenças, ações prejudiciais ao seu desenvolvimento. Vamos listar algumas destas situações no cuidado comas plantas, e como resolvê-las para se ter um belo e admirado jardim. 9.1 REGA Cada planta possui uma necessidade específica quanto à quantidade de água para o seu bom desenvolvimento. Recomenda-se que a rega das plantas seja realizada pela manhã garantindo maior eficácia e reduzindo o desperdício. Esta recomendação se dá devido às perdas por evaporação causada pelas elevadas temperaturas nos demais horários do dia. Sendo assim, faz sentido a informação que regar no horário de meio-dia cause o “cozimento” das raízes e folhas. 58 Assim como as exigências hídricas para cada planta são diferentes, também o modo de regar pode ser diferente. As regas por cima podem ser feitas com auxílio de um regador; neste caso, a água penetra pela superfície do solo até sair pelo furo de drenagem existente no vaso. A rega por cima é direcionada no substrato evitando molhar as folhas. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 Dica O regime de regas diárias deve ser intensificado nos períodos longos de estiagem. Dica Utilize a rega como um momento de prazer e integração da família. 59 Já a rega por baixo consiste em encher com água o prato que fica sob o vaso, sendo absorvida pelo furo de drenagem. Esta técnica de rega é recomendada para as espécies que cobrem toda a superfície do vaso, como as folhagens. A técnica da imersão é indicada para plantas que sofreram com a falta excessiva de água, e também para regar orquídeas e samambaias fixadas em placas de fibra. A técnica consiste em deixar o vaso ou a placa de fibra submersa numa vasilha cheia de água por alguns minutos; em seguida, retire o vaso ou a placa e deixe escorrer o excesso de água. Nos jardins, a rega pode ser feita utilizando mangueira com pequenos furos, mas é importante que seja feita uma boa rega e que a mangueira seja distribuída no sistema de zig- zag. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 Cuidados com as regas: Sempre regar as plantas nas primeiras horas do dia ou no fim da tarde, evitando as folhas; Não use regador ou mangueira com jatos fortes e sob o sol forte; Cuide da frequência e da quantidade de água nas regas. Lembre-se que a falta e 60 o excesso de água são prejudiciais; Em dias quentes, pulverizar água nas folhas de plantas como samambaias; Prefira utilizar água da chuva, recolhendo nas calhas com baldes e tambores. Além da economia na conta de água, também é ecologicamente correto. 9.2 REMOÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DE PLANTAS É um procedimento necessário quando se observa nas plantas aspecto de envelhecimento, doença ou morte da planta, sendo estas substituídas por novas espécies. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 A remoção de plantas também pode ser necessária para proteger aquelas que estão próximas das doentes, podendo ser afetadas pelo mesmo mal. Em algumas situações, o tratamento deve ser em todo o jardim, com todas as plantas, dependendo da praga que assola o ambiente. Veremos isso mais adiante, quando tratarmos do controle de pragas e doenças. 61 No caso de remoção de plantas doentes, a retirada deve ser pela raiz, evitando o contato direto com as demais plantas no jardim. Elimine de vez as plantas doentes. Antes de replantar uma nova espécie ou da mesma anterior, verifique se as plantas próximas também foram contaminadas. O ideal é trocar parte da terra onde estava a planta doente, evitando assim o contágio para a nova que será plantada no local. Antes de arrancar a planta, verifique se é possível algum tratamento. Para isso, consulte um engenheiro agrônomo e um profissional de jardinagem. 9.3 PODA A poda pode ser assim descrita: “remoção metódica das partes de uma planta com o objetivo de melhorá-la em algum aspecto para os interesses do cultivador” (Bailey apud Souza, 1986). Tal procedimento tem várias funções, podendo ser: estético, incremento da produtividade (ramos, flores e frutos) e medida de controle fitossanitário. Para se obter o resultado esperado após a realização de uma poda é importante que esta seja feita na época certa e com as ferramentas indicadas, afiadas e limpas (serrotes, tesouras e podões). TIPOS DE PODAS Poda de limpeza: Trata-se de uma poda leve com remoção de ramos ou galhos secos, doentes e/ou quebrados ou mal localizados; Poda de formação: Consiste em dar uma forma adequada à 62 planta; Poda de condução ou de educação: Tem por finalidade conduzir a planta em determinado sentido e sobre um suporte; Poda decorativa: Cortes na planta para efeitos estéticos e decorativos. Um detalhe importante é observar o melhor período de poda de cada espécie. Na maioria dos casos a poda deve acontecer após a florada ou frutificação. No final do inverno é mais indicado realizar as podas de rejuvenescimento, período de crescimento vegetativo. Durante a lua minguante, a seiva das plantas volta para as raízes, ou seja, a poda neste período evita o desperdício de seiva pelos galhos e folhas. Uma curiosidade é realizar as podas nos fins de tarde. O motivo é que, por ter vida, a planta terá os cortes cicatrizados no período da noite. Por fim, no caso de árvores, veja se há outros seres vivos presentes, como lagartas, pássaros, abelhas, etc. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 Atenção A poda mal feita pode danificar ou condenar determinada planta. 63 9.4 ADUBAÇÃO Prática que consiste na reposição de nutrientes (macro e micronutrientes) que foram absorvidos pelas plantas para auxiliarem nos processos de crescimento, floração, frutificação e multiplicação. Os macros e micronutrientes são essenciais para as plantas, pois atuam sobre os processos fundamentais de desenvolvimento. A diferença entre eles está na quantidade em que são requeridos pela planta. Vejamos nas tabelas abaixo os efeitos relacionados aos macro e micronutrientes sobre as plantas. Dica Utilize procedimentos de segurança para podas de árvores e plantas altas ou próximas a redes de energia. Atenção Verifique na prefeitura de sua cidade os procedimentos para podas de árvores em calçadas externas. 64 RELAÇÃO DE MACRONUTRIENTES NO SOLO E SUA FUNÇÃO NAS PLANTAS MACRONUTRIENTES FUNÇÃO NAS PLANTAS Nitrogênio (N) Crescimento da parte aérea (brotação e enfolhamento); Fósforo (P) Floração e frutificação; Potássio (K) Crescimento das raízes e resistência a pragas e doenças; Cálcio (Ca) Crescimento das raízes e fecundação; Magnésio (Mg) Composição da clorofila e ativados de enzimas; Enxofre (S) Síntese de clorofila e absorção de CO2. FONTE: Motta (1995) RELAÇÃO DE MICRONUTRIENTES NO SOLO E SUA FUNÇÃO NAS PLANTAS MICRONUTRIENTES FUNÇÃO NAS PLANTAS Boro (B) Desenvolvimento de raízes, frutos e sementes; Cloro (Cl) Decomposição da água na fotossíntese; Cobre (Cu) Respiração, síntese de clorofila; Cobalto (Co) Absorção de N na fixação simbiótica; Ferro (Fe) Respiração, síntese de clorofila, fixação de N; Manganês (Mn) Absorção de CO2, fotossíntese; Molibdênio (Mo) Fixação de N; Zinco (Zn) Produção e maturação de sementes. Fonte: Motta (1995) 65 Existem diferentes tipos de adubos: orgânicos, inorgânicos e composto orgânico. Os orgânicos são resíduos de origem animal ou vegetal, como esterco, folhas em decomposição, palha de arroz, bagaço de cana, dentre outros. Já os inorgânicos são obtidos da extração mineral ou derivados do petróleo, apresentam-se concentrados e possuem rápida absorção. Os compostos orgânicos são uma alternativa para a destinação de resíduos, pois libera fontes de nutrientes para o solo, beneficiando-o. Osnutrientes são liberados gradativamente de acordo com a necessidade ou fase em que se encontra a planta (desenvolvimento). A decomposição do material se dá pela ação de microorganismos que é influenciado pela temperatura (Campbell, 1999). FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 66 Quando uma planta precisa ser adubada? Saiba como identificar quando uma planta necessita de alguns nutrientes, geralmente determinado por carências nutricionais: Nitrogênio Observa-se que as folhas novas não se desenvolvem e/ou folhas velhas ficam amareladas; Enxofre Nota-se que as folhas novas ficam amareladas; Ferro e manganês Verifica-se que as bordas das folhas mais velhas ficam amareladas; Potássio Nota-se que as bordas das folhas mais velhas ficam queimadas; Fósforo Observa-se que o crescimento é lento e a floração fraca; Zinco Verifica-se que os entrenós dos caules ficam mais próximos. QUAL A MELHOR ÉPOCA PARA APLICAR O ADUBO? Os adubos líquidos podem ser utilizados mensalmente, seguindo as orientações do fabricante quanto à diluição necessária. Evite adubar no período do inverno, pois as plantas encontram-se na época de dormência. COMO PREPARAR UM COMPOSTO ORGÂNICO? Empilhar o material vegetal intercalando com camadas de restos vegetais e esterco animal, umedecendo cada camada. É importante que o material fique úmido e não molhado; Faça o teste apertando nas mãos o material e certifique-se que não está escorrendo água; Mantenha o material sempre úmido, molhando uma vez na semana; Revolva o material nos primeiros 15 dias, a cada cinco dias, e após, a cada 10 dias. Este procedimento impede o aparecimento de mau cheiro e moscas, além de acelerar o processo; Depois de noventa dias o material estará pronto e terá coloração escura, cheiro de terra, rico em húmus e moldável quando esfregado nas mãos. Para aplicar o composto incorpore – o ao solo antes de realizar o plantio FONTE: Trani, Berton, 2008 67 FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009. 9.5 TROCA DE VASOS À medida que cresce, a planta necessita de mais espaço para o seu desenvolvimento. No entanto, quando se observa as raízes saindo pelo furo de drenagem, ou surgindo da superfície da terra, é hora de realizar a troca do vaso por um maior. Outros indicativos de que é necessária a realização deste procedimento é o florescimento escasso ou inexistente, surgimento de folhas pequenas ou defeituosas, dentre outros. 68 9.5.1 Procedimento para troca de vaso Escolha um local com sombra e que disponha de uma bancada para realizar esta atividade; Depois de selecionados os vasos que precisam ser substituídos, tenha à mão todas as ferramentas necessárias para realizar o procedimento, além de deixar preparada a mistura de terra para os vasos novos; Prepare o vaso que irá receber a planta com os procedimentos recomendados para o plantio em vasos, já mencionados anteriormente; Para desprender o bolo de terra sem danificar as raízes, umedeça bem o vaso. Deslize uma colher de cabo curto ou uma faca entre o vaso e o torrão. Em seguida deite o vaso e bata levemente para que o torrão se desprenda. Passe o caule da planta entre dois dedos e mantenha a mão bem aberta, desta forma toda a superfície do torrão ficará protegida na palma da mão, depois é puxar a planta delicadamente; Deposite o torrão envolvendo as raízes no centro da mistura de terra e preencha o espaço restante, pressionando bem. Acrescente mais terra até alcançar a superfície do vaso e alise com as mãos. 9.6 CAPINA É um procedimento que visa eliminar plantas invasoras dos canteiros, vasos ou gramados. Pode ser feita manualmente arrancando a planta invasora, de preferência com a raiz; ou ainda, com o auxílio de ferramentas como o sacho com dentes ou colher de cabo curto. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 69 A capina deve ser realizada com frequência, sempre que for identificada alguma planta invasora ou erva daninha no jardim. Quando for arrancar os matos invasores com as mãos, utilize luvas de proteção, pois algumas daninhas apresentam espinhos, característicos para sua proteção. 70 10 CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS De maneira geral, as plantas são vulneráveis a pragas e doenças, mesmo aquelas que recebem cultivo e cuidados adequados. O surgimento destes males ocorre, especialmente, nos períodos de chuvas ou elevada umidade. No entanto, precisamos saber diferenciar os ataques causados pelas pragas ou pelas doenças para melhor combatê-los. Os ataques causados por pragas são de origem animal (pulgões, lagartas, cochonilhas e outros), enquanto que as doenças podem ser causadas por fungos, bactérias ou vírus. Nos dois tipos de ataque, as plantas sofrem prejuízos no seu desenvolvimento podendo afetar as folhas, os frutos, as raízes ou causar a morte da mesma. É importante inspecionar as plantas do jardim periodicamente, com o intuito de adotar medidas preventivas no combate a pragas e doenças, ou de fazer uso de receitas caseiras que eliminem os possíveis danos as plantas. 10.1 IDENTIFICANDO ALGUMAS PRAGAS E DOENÇAS DE JARDIM 10.1.1 Pragas 71 Pulgões: são animais pequenos, porém multiplicam- se com rapidez. Apresentam variação na sua coloração podendo ser verde, preto, marrom, branco ou amarelo. Eles se instalam nas folhas, brotos e caules, sugando a seiva e deixando as folhas amareladas e enrugadas. Podem transmitir doenças e debilitar excessivamente a planta, se encontrado em grande quantidade. Podem ser combatidos com o uso de macerado de alho, água com sabão, cinza de madeira, calda de fumo, infusão de folhas de tomate e lavagem com jato d’água. Formigas: as espécies que causam maior prejuízo as plantas de hortas e jardins são as cortadeiras, saúvas e quenquéns. Não há controle natural 100% eficaz, porém, é possível controlá-las por meio de métodos eficientes. Podem ser combatidas com o uso de iscas atrativas, plantio de hortelã/gergelim e cinta plástica com graxa. Lesmas e caracóis: sua ação destruidora se dá normalmente à noite, furando e devorando folhas, caules, botões florais e até raízes subterrâneas. Podem ser combatidas com o uso de iscas atrativas, aplicação de cal e cinzas, armadilhas e coleta manual. Fonte: DowAgroSciences FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009. 72 Cochonilhas: são insetos de tamanho minúsculo, que apresentam coloração marrom ou amarela. Instalam-se na parte inferior das folhas sugando a seiva da planta, além de liberar uma substância pegajosa que facilita o ataque de fungos. Podem ser combatidos com o uso de calda de fumo, emulsão de óleo, controle químico e inseticidas. Ácaros: embora visíveis somente com auxílio de um microscópio, possuem aparência de pequenas aranhas vermelhas. O sinal característico do ataque as plantas é o aparecimento de minúsculas teias prateadas na parte de baixo das folhas, causando a murcha das folhas, bem como o enrolamento das mesmas. Podem ser combatidos com o uso da calda bordalesa e limpeza das folhas com algodão embebido em álcool. Tatuzinhos-de-jardim ou “tatus-bolinha”: são comuns em jardins que apresentam umidade elevada. Vivem escondidos, alimentam-se de folhas, caules e brotos tenros, e podem transmitir doenças as plantas. Podem ser combatidos com uso de folhas de tabaco trituradas na terra; evitados diminuindo a umidade em vasos e canteiros e retirados por coletamanual. FONTE: Disponível em: < http://br.olhares.com/>. Acesso em: 01.12.2009. FONTE: Disponível em: < http://www.pragas.com.br/pragas/g eral/images/cochonilha4.jpg> Acesso em: 01.12.2009. FONTE: Disponível em: http://www.plantiodireto.com.br/. Acesso em: 01.12.2009. http://www.pragas.com.br/pragas/geral/images/cochonilha4.jpg http://www.pragas.com.br/pragas/geral/images/cochonilha4.jpg http://www.plantiodireto.com.br/ 73 Lagartas: são grandes, medindo de seis a sete cm, portanto, facilmente reconhecidas quando estão presentes nas plantas, pois se alimentam, deixam furos nas folhas, hastes, raízes e brotos. Além disso, produz teia como proteção natural. Podem ser combatidas com aplicação de lagarticida biológico, calda de angico ou fumo, mistura de cal e repelentes naturais, como manjerona, tomilho ou camomila, além da coleta manual. Percevejos: também conhecidos como marias-fedidas por exalarem odor forte e desagradável. O resultado da sua infestação nas plantas é a queda de flores, folhas e frutos, prejudicando novas brotações. Podem ser combatidos com aplicação de repelente natural e remoção manual. Besouros: são pequenos insetos que costumam deixar buracos nas folhas. Suas larvas alimentam-se de raízes. A estação do ano que mais favorece a proliferação desta praga é verão (quente e seco). Podem ser controlados com o uso de armadilhas e exposição do solo ao antes do plantio. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009. FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 FONTE: Disponível em: <http://www.sxc.hu/>. Acesso em: 01.12.2009 74 Moscas-brancas: insetos de pequeno porte, com coloração branca, que se alimentam da seiva da planta. Instalam-se na parte inferior das folhas, onde liberam uma substância pegajosa favorecendo o acometimento por fungos. Podem ser controladas com a aplicação de inseticidas e uso de plantas como repelentes naturais, como o cravo-de- defunto, hortelã, calêndula e arruda. 10.1.2 Doenças As principais doenças nas plantas são causadas pela presença de micro-organismos, tais como: bactérias, fungos ou vírus. Estes também são conhecidos por agentes patogênicos ou patógenos. Estes patógenos são responsáveis por causarem doenças fúngicas (causadas por fungos), bacterianas (causadas por bactérias) ou viroses (por vírus). Estas alterações causadas por estes patógenos podem ser morfológicas ou fisiológicas, resultando num conjunto de sintomas que podem estar presentes nas folhas, no caule e nos frutos. Fungos: são o principal agente patogênico causador de doenças em plantas. Tornam-se visíveis somente com auxílio de microscópio, no entanto produzem esporos que podem ser propagados pelo vento, água, insetos, dentre outras formas de dispersão. Por apresentarem uma estratégia de sobrevivência bastante eficaz – que é a dormência dos esporos FONTE: Disponível em: < http://www.fiocruz.br/biosseguranca/ Bis/infantil/mosca_branca.jpg>. Acesso em: 01.12.2009. http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/mosca_branca.jpg http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/mosca_branca.jpg 75 no solo –, eliminar completamente estes micro-organismos é difícil. E, ao encontrar condições climáticas perfeitas, voltam a contaminar novas plantas perpetuando o ciclo. Vírus: menores que as bactérias, só se reproduzem a partir das células da própria planta. Penetram nas mesmas por meio de ferimentos já existentes. Bactérias: as doenças causadas por bactérias são menos frequentes, pois necessitam de água e clima quente para crescerem e assim contaminarem as plantas. Podem causar danos superficiais, ou seja, lesões, além de murcha e até a morte. Deficit nutricional: pode causar doença nas plantas devido a uma alimentação pobre, ou seja, deficiência de nutrientes. Neste caso, as plantas podem apresentar folhas pálidas e vasos vasculares amarelados. 76 11 RECEITAS CASEIRAS DE COMBATE A PRAGAS E DOENÇAS Antigamente, os agricultores faziam uso de receitas naturais para controlar as doenças em suas lavouras. Mas, com o advento da agricultura moderna e o uso de produtos químicos específicos para combater os agentes patogênicos causadores de doenças nas plantas, este conhecimento sobre a aplicabilidade de receitas naturais no controle de doenças foi se perdendo. O resgate destas informações e o uso no controle de doenças tornaram-se uma necessidade urgente, devido ao surgimento de doenças e agentes patogênicos mais resistentes. Vejamos algumas receitas que podem ser utilizadas: Calda bordalesa: utilizada no tratamento de plantas infectadas por fungos. Ingredientes: um saco de pano; 200 g de sulfato de cobre; 200 g de cal virgem; 20 litros de água. Modo de fazer: no saco de pano coloque um sachê com o sulfato de cobre. Mergulhe o sachê em 18 de litros de água por três ou quatro horas até que o sulfato seja totalmente dissolvido. À parte, misture a cal em dois litros de água e despeje na solução preparada com o sulfato dissolvido. Mexa bem. Antes de usar a calda bordalesa, faça um teste de acidez: mergulhe uma lâmina de ferro no preparado. Se ela escurecer, não aplique ainda a calda no gramado. Acrescente um pouco mais de cal e faça o teste novamente. Caso a lâmina continue saindo manchada, adicione mais cal até que a lâmina saia sem escurecer. A calda bordalesa deve ser usada no máximo até o terceiro dia após o 77 preparo. Em plantas pequenas ou em fase de brotação, não é recomendável a aplicação da solução em concentração forte. Calda de fumo: utilizado como fungicida eficaz no controle de manchas nas folhagens. Ingredientes: dez cm de fumo de rolo; 50 g de sabão de coco ou neutro; um litro de água. Modo de fazer: pique o fumo e o sabão em pedaços, junte a água e misture bem. Deixe curtir por 24 horas. Coe e pulverize as plantas atacadas. Calda sulfocálcica: além de inseticida, ajuda a combater as lagartas. Ingredientes: 100 ml de solução sulfocálcica a venda em lojas de produtos agropecuários; dez litros de água. Modo de fazer: misture bem e pulverize nas plantas atacadas uma vez a cada 15 dias. Na época das chuvas, deve-se aplicar uma vez por semana. Emulsão de óleo: indicada no combate a ácaros e à ferrugem. Ingredientes: dois litros de água; um kg de sabão comum (em pedra ou líquido); oito litros de óleo mineral. Modo de fazer: pique o sabão, caso seja em pedra. Misture com o óleo e a água e leve ao fogo, 78 mexendo sempre, até que levante fervura. A mistura vai adquirir a consistência de uma pasta. Guarde em um pote bem tampado e na hora da aplicação, dissolva cerca de 50 g da pasta em água morna e dilua tudo em três litros de água. Macerado de urtiga: é utilizada no combate a cochonilhas. Ingredientes: 11 litros de água; 100 g de folhas frescas de urtiga (use luvas para manusear a planta, pois ela causa irritações na pele). Modo de fazer: deixe as folhas de urtiga em infusão por três dias em um litro de água, mantendo- a em um local seco e à meia-sombra. Coe e dilua o extrato em dez litros de água. Este preparado pode ser armazenado por alguns dias em local seco e arejado para pulverizações preventivas nas plantas a cada 15 dias. Chá de angico: combate pulgões e lagartas. Ingredientes: 100 g de folhas de angico um litro de água Modo de fazer: coloque as folhas de angico de molho na água por cerca de dez dias, misturando diariamente. Coe o chá e guarde em uma garrafa tampada. Quando for utilizar em pulverizações, dilua uma parte do extrato em 10 partes de água. Chá de camomila: controla doenças fúngicas e estimula o crescimento das plantas. 79 Ingredientes:flor de camomila; água. Modo de fazer: deixar em infusão um punhado de flores de camomila em água fria por um ou dois dias. Pulverizar as plantas, principalmente as mudas na sementeira. Cal: combate a ação das formigas. Ingredientes: cal; água. Modo de fazer: preparar uma pasta de cal e pincelar sobre o tronco. Com isso, evita-se a subida de formigas e ajuda a controlar a barba das frutíferas. Pasta de argila, esterco, areia fina e chá de camomila: utilizado na proteção de cortes feitos por podas, troncos e ramos doentes. Modo de fazer: misturar partes iguais de argila (barro), esterco, areia fina e chá de camomila, de modo a formar uma pasta. Passar nas partes afetadas. Pode-se usar para tratamento no outono, após queda das folhas e antes da floração e brotação. FONTE: Disponível em: <http://www.jardimdeflores.com.br/DICAS/caldo.html> Acesso em: 01.12.2009. Coordenadoria de Assistência Técnica – CATI http://www.jardimdeflores.com.br/DICAS/caldo.html 80 12 JARDINS DIFERENCIADOS Para encerrar o conteúdo, optamos pelos jardins que são diferentes de tudo que vemos por aí. Além da beleza, o jardim pode proporcionar muito mais. A presença de um jardim em uma residência pode ser mais do que um convite a contemplação e ao relaxamento. Destina-se também ao consumo, por exemplo, as hortas –, como também para fins farmacêuticos, como as ervas medicinais ou para uso cosmético. A seguir, veremos um pouco das características desses jardins, que podem representar muito além do belo, trazendo consigo alguns atributos que podem fazer a diferença num espaço destinado ao jardim. 12.1 JARDIM AROMÁTICO Um jardim aromático pode ser cultivado diretamente na terra ou em jardineiras e vasos. Sua principal característica são os perfumes que exalam das plantas, por meio de suas folhas, flores e frutos. O importante num jardim aromático é não misturar os perfumes que exalam. Por exemplo, se preferir plantas com cheiros mais cítricos, como a laranjeira, atente para não plantar muito próximo uma planta de cheiro mais concentrado, como no caso do jatobá, que exala um perfume pesado e forte com seus frutos. Vejamos alguns exemplos de plantas aromáticas para compor um jardim atrativo: 81 Alecrim Muito utilizado como purificador de ambiente. Possui características esterilizantes e defumadoras. São pequenos arbustos, com um odor próximo ao da cânfora. Cuidado com o excesso da umidade e de adubo. Prefira plantar o alecrim num local com maior presença do sol. Lavanda Possui um aroma de frescor, que invade toda a área. Pode ser utilizada para dar um toque de perfume em banheiras e ofurôs. Seu aspecto é de um pequeno arbusto, com flores azuis ou violetas. Prefira o plantio em ambientes ensolarados, que estejam protegidos de vento. Se a terra estiver com aparência compacta, é o momento de dar uma arada, facilitando assim o desenvolvimento da planta. Após a floração, realize a poda para uma nova florada. Capim-limão Possui um aroma muito parecido com a erva-cidreira. Cresce em forma de touceira, com folhas longas e estreitas nas pontas e agradável aroma de limão. Retire as folhas secas estimulando, assim, o crescimento dos brotos novos. Não é necessário adubar o terreno, preferindo os ambientes mais ensolarados e com pouca umidade (com exceção após o plantio). É possível encontrar ainda muitas outras variedades de plantas aromáticas, como a erva-doce, arnica, arruda, erva-cidreira, hortelã, etc. Veremos, a seguir, que algumas plantas aromáticas também são utilizadas para efeito medicinal. 12.2 JARDIM MEDICINAL 82 O jardim medicinal tem como característica a utilização das plantas com efeito terapêutico, seja para doenças mais simples, como resfriado e males do estômago –, ou até mesmo para o controle de colesterol e peso. Porém, vale ressaltar, que todo e qualquer medicamento, seja ele natural ou químico, deve ser ingerido sob recomendação médica. No entanto, a cultura popular já comprovou que algumas plantas são capazes de amenizar alguns quadros negativos de saúde, como veremos nestes exemplos: Boldo Por mais que alguns não acreditem, o boldo tem flores. Pequenas flores de cor azulada que predominam em algumas espécies e quase não são vistas devido ao uso dos brotos e galhos da planta para males do estômago. As folhas possuem um cheiro muito característico e com sabor que chega ao amargo. É muito resistente, porém, nos períodos mais frios, deve ser protegida. Cuidado com o uso intenso, pois causa irritação gástrica. Camomila Planta que se desenvolve melhor nos climas amenos. Com pequenas flores brancas, parecidas com margaridas. Possui um aroma doce intenso. As flores são utilizadas secas, com propriedades calmantes e digestivas; combatem aos vermes, insônias, e até mesmo na estética, como cosmético para os cabelos. Suas flores devem ser colhidas logo após a florada, fazendo o replantio para garantir um novo ciclo da planta. Gengibre Planta que cultivada em solo fértil e bem drenado pode alcançar um metro de altura. Embora exija muita água, o solo não deve ser encharcado. Possui uma diversidade de aplicações que varia do combate a gripes, tosse e resfriados, até a utilização como compressas para aliviar dores de cabeça e coluna, dentre outros sintomas. Também é conhecido pela sua ação bactericida, desintoxicante e afrodisíaco natural. 83 Além das propriedades medicinais e aromáticas, algumas dessas plantas também são utilizadas na culinária e como fitoterápicas, com deliciosos chás consumidos frios ou quentes, como veremos a seguir. 12.3 JARDIM CULINÁRIO O jardim pode ser mais prazeroso, quando cultivado com plantas que podem ser utilizadas na culinária. Citamos aqui, apenas algumas delas, mas que com certeza, você já deve ter ouvido falar no coentro, salsa, cebolinha, que são os formatos mais simplistas, que lembram mais a horta. Mas, é possível associar ao jardim as plantas com propriedade culinárias e servir comidas com ervas em folhas e flores que fazem a diferença em receitas. Canela Porte de árvore, com a parte interna das cascas do tronco com aroma intenso. Utilizada na culinária, seja como condimento, pelo seu aroma em pratos doces; e no preparo de bebidas, como licores e chocolate. O consumo pode ser em raspas, pedaços de rama (canela em pau) ou ainda em pó. Manjericão Utilizado em receitas para dar um aroma e sabor diferenciado aos pratos. No cultivo, prefira ambientes com luminosidade e regas regulares. A variedade na espécie permite encontrar fragrâncias doces, assemelhadas ao limão, cânfora, cravo ou canela. Hortelã Com aroma muito característico, a hortelã tem propriedades medicinais e culinárias, além de ser um excelente perfume refrescante. Deve ser 84 plantado em solo sem adubo, pois quanto menor for a planta, mais concentrado é seu aroma. Deve ser mantida sob abrigo do sol intenso, mas sem abster da luz solar. Muito utilizado na cozinha árabe e descoberto a cada dia em novas receitas brasileiras. Misturado ao tereré (bebida típica da fronteira com o Paraguai, “o chimarrão gelado”), ou ainda batido com abacaxi, é altamente refrescante em dias quentes. 12.4 JARDIM FRUTÍFERO A principal característica do jardim frutífero é o cultivo de plantas que incrementam a alimentação humana por apresentar baixo valor calórico, propriedades nutricionais e medicinais. O consumo das frutas pode ser feito in natura ou no preparo de sucos, doces, etc. Goiaba Planta de porte arbustivo, pode atingir até sete metros de altura. A fruta possui alto valor nutritivo por apresentar várias vitaminas, teores de cálcio, fósforo, ferro e fibras, além da baixa quantidade de açúcar, gordura ecalorias. Podem ser consumidas in natura, suco, em forma de doce (compotas ou geleias), molhos salgados substituindo o tomate e agridoces. Auxilia no combate de diarreias, fortifica os ossos, melhora a cicatrização e regula o aparelho digestivo. Mas deve ser evitada por pessoas com problemas de intestino preso. Mamão O mamoeiro é uma árvore de crescimento rápido que pode atingir oito metros de altura; com vida produtiva curta, devendo ser renovadas suas mudas a cada três anos. O fruto possui polpa macia, casca lisa e fina. Quando maduro, o fruto apresenta coloração variando entre o amarelo e o vermelho, e verde na ocasião da colheita. O consumo pode ser in natura, 85 sucos, saladas, doces e outras receitas. É um fruto sensível que deve ser transportado e armazenado cuidadosamente para que não seja inviabilizado o seu consumo e comercialização. Possui propriedades de interesse medicinal (laxante, prisão de ventre, diabete, asma e outros) e na indústria (amaciante de carnes, tratamento de couros e na composição de cosméticos). Laranja Planta de porte médio, com folhas aromáticas, flores pequenas e perfumadas. Suas flores simbolizam a pureza sendo muito utilizadas em casamentos campestres. A laranja é uma fruta cítrica com sabor variando entre o doce e o levemente azedo, dependendo da espécie. São consumidas in natura, sucos ou em receitas culinárias para realçar sabores (bolos, caldas, molhos, geleias, chás e outras). Possui baixo valor calórico, vitaminas A, B e C, fibras, além de outros compostos igualmente importantes. Mas deve ser consumida assim que cortada para não perder suas propriedades. Da casca são extraídos óleos essenciais utilizados na produção de perfumes, produtos de limpeza. 86 REFERÊNCIAS ABAP. Associação Brasileira dos Arquitetos Paisagistas. Disponível em: <www.abap.org.br>. Acesso em: 01.12.2009. CAMPBELL, S. Manual de compostagem para hortas e jardins: como aproveitar bem o lixo orgânico doméstico. São Paulo: Nobel, 1999. MOTTA, E. P. Técnicas de Jardinagem: uma parceria com a natureza. Porto Alegre: Agropecuária, 1995. Co 188p. SOUZA, J. S. I. Poda das Plantas Frutíferas. São Paulo: Nobel, 1986, 224 p.: il. TRANI, P. E.; BERTON, R. S. Preparo do composto a partir do bagaço de cana com esterco animal. Disponível em: < http://www.iac.sp.gov.br/Tecnologias/compostagem/compostagem.htm>. Acesso em: 12 set. 2008. http://www.iac.sp.gov.br/Tecnologias/compostagem/compostagem.htm