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Icterícia Coloração amarelada de pele e mucosas pelo acúmulo de bilirrubina no plasma e consequente deposição dos tecidos cutâneos Na nossa circulação, tem a bilirrubina indireta que provém da hemólise (hemoglobina hemólise heme biliverdina bilirrubina não conjugada) passa pelo processo de conjugação que a transforma em direta, por uma enzima (albumina). A bilirrubina direta é hidrossolúvel e é encaminhada aos ductos biliares, entra no intestino delgado e por ação bacteriana é transformada em urobilinogenio, daí 10% sai pela urina em urobilinogenio e 90% saem pelas fezes em forma de estercobilina É no fígado que ocorre a produção da bilirrubina direta. Em casos normais, a bilirrubina é rapidamente captada, metabolizada e é preparada para ser eliminada Aumento da bilirrubina indireta pode ser causada por aumento da hemólise das hemácias ou algum problema genético que não a deixa ser transformada em direta e pode causar problemas cerebrais já que ela é neurotoxica ou por diminuição da captação pelo fígado para ser transformada em direta seja por alguma infecção ou pelo uso de medicamentos ou por imaturidade do sistema RN. Assim, quando há esse aumento da bilirrubina indireta, não há excreção renal, não há coluria (urina com cor escura), não há acolia fecal (não permite a transformação em estercobilina), não há prurido (coceira) e pode haver esplenomegalia (aumento do tamanho do baço) Exames que precisam fazer com suspeita de hemólise são hemograma, eletroforese de hemoglobina, teste de coombs etc. Tem algumas doenças que não deixam a transformação em indireta para direta como a síndrome de gilbert (doença genética caracterizada pela presença de uma mutação na enzima responsável pela degradação da bilirrubina) Aumento da bilirrubina direta pode causar icterícia, coluria, acolia fecal, prurido, fadiga, náuseas etc. e ser causado por obstrução ou por problema no transporte até os ductos biliares. Hepatite é uma das principais doenças que causam esse acúmulo de bilirrubina direta por haver inflamação no fígado, leptospirose, o uso de álcool etc também podem ser causadores Na anamnese, precisa saber se o paciente teve alguma exposição em áreas endêmicas de hepatite, se há intolerância a alimentos gorduros, cólica biliar, colecolitiase, cirurgia previa de vias biliares uma vez que a obstrução em fígado pode ser uma das causas para ictéricia já que não há como fazer a conversão de bilirrubina indireta para direta por estar corrompido o local. Triade de Charcot = conjunto de 2 sinais e sintomas que levam a suspeita do diagnóstico de colangite – febre, icterícia e dor abdominal Pentade de Reynolds = febre, icterícia, dor abdominal, hipotensão e alteração do nível de consciência Patologia bilirrubina indireta = síndrome de gilbert, anemia etc. Patologia bilirrubina direta = hepatites e síndromes colestáticas (colelitíase, coledocolitiase, colangite, neoplasia, pancreatite aguda) Colelitíase Presença de pedras no interior da vesícula biliar Dor em cólica ou em quadrante superior direito ou epigástrico, dor súbita e autolimitada Pode irradiar para escapula direta ou ombro direito Pode ser precipitada por alimentos gordurosos Diagnostico: USG padrão ouro Tratamento cirúrgico Colecistite Inflamação da vesícula biliar por cálculo impactado no ducto cístico Paciente possui febre e sinal de Murphy positivo, além de náuseas e vômitos Diagnostico: USG abdome Tratamento: antibiótico IV + hidratação + analgesia Coledocolitiase Cálculo no colédoco (obstrução parcial ou total) Mesmos fatores de risco que colelitíase Clínica = icterícia fulminante Não tem como ver muito bem por USG, nesse caso é recomendável CPRE (colangiopancreatografia - o médico introduz um fino tubo com uma pequena câmera na ponta, desde a boca até ao duodeno, de forma a observar o local onde os canais biliares se ligam ao intestino.) (padrão ouro) Tratamento: endoscópico ou cirúrgico dependendo do risco Colangite Obstrução do fluxo biliar + infecção bacteriana das vias biliares Diagnóstico: clínico Tríade de charcot (febre alta com calafrios e icterícia acompanhada de coluria), pentade de Reynolds Forma mais grave, provavelmente supurativa Tumor de cabeça de pâncreas A cabeça do pâncreas é favorável à compressão mecânica do duodeno – colestase extra-hepática – interrupção do fluxo biliar Tem alta taxa de mortalidade devido a sua difícil localização Tabagismo, etilismo, sedentarismo podem ser fatores de risco Quando há detecção de sintomas, já é considerado icterícia fulminante, perda ponderal, anorexia e fraqueza. Um sintoma agravante é o aumento da glicemia uma vez que há deficiência na produção de insulina Icterícia neonatal Ocorre em 60% dos casos de recém-nascidos Na maioria das vezes, está relacionado a fatores fisiológicos como adaptação neonatal ao metabolismo da bilirrubina uma vez que o RN não possui menor capacidade de captação, conjugação e excreção hepática da bilirrubina, mas também pode ter casos patológicos onde a concentração de bilirrubina é alta podendo causar problemas lesivos ao cérebro resultando em quadro de encefalopatia bilirrubinica aguda podendo ser reversível ou levando a óbito. Esse quase causa na criança letargia, hipotonia e sucção débil nos primeiros dias de vida. Caso não haja uma intervenção terapêutica imediata, esse quadro pode evoluir para Kernicterus que é a forma crônica dessa doença onde a bilirrubina move-se da corrente sanguínea para os corpos cerebrais causando sequelas neurológicas permanentes como demora para firmar cabeça, sentar, andar, pegar objetos entre outros, atraso no início de fala e surdez.. O tratamento depende do tipo de hiperbilirrubinemia predominante. Se for indireta, o bebê fara fototerapia ou exsanguinotransfusão e se for direta vai depender da etiologia causadora