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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA – UVA CURSO LETRAS PORTUGUÊS/LITERATURA CHRISTAL GUIMARÃES LINGUÍSTICA CONTEMPORÂNEA - AVA 2 RIO DE JANEIRO 2021 À luz dos estudos da linguística na contemporaneidade, são diversas as propostas para definir o que é gramática e, como aponta Neves (2011, p. 160), essas concepções variam em grau de especificidade e normatividade. Porém, se tomarmos como ponto de partida até a mais genérica delas, por exemplo neste trecho em que Suassuna (2012, p. 20) inicia sua conceituação “uma lógica que toda língua histórica segue [...]”, percebemos que, independentemente de qual tipo de gramática estamos falando, todas elas têm uma intrínseca relação com a língua. Assim, podemos corroborar com as afirmações presentes no enunciado deste trabalho: "não existe língua sem gramática" e "não existe apenas uma gramática". Como pincelado anteriormente, as diferentes visões sobre gramática surgem na dependência do viés teórico escolhido para analisar os fenômenos linguísticos. Neste trabalho, daremos foco às gramáticas normativa, gerativa e sistêmico-funcional, bem como suas aplicações em sala de aula. No que diz respeito à gramática normativa, é ela que prescreve as regras do bem falar e do bem escrever e define o "certo" e "errado", tendo a norma-padrão da língua como métrica. Como apontam Faraco e Zilles (2017, p. 19), esse tipo de gramática visa a padronização dos discursos em certos contextos comunicativos e, no âmbito escolar, ela contribui para a educação formal e possibilita a adequação das produções dos falantes nas situações em que ela é exigida. Em seguida, temos a gramática gerativa que considera todos os falantes competentes para fazer uso da língua com propriedade, pois eles já possuem, de forma internalizada, as estruturas linguísticas necessárias para a construção de enunciados. O professor, quando trabalha com a gramática gerativa em sala de aula, enxerga seus educandos como proficientes na língua de antemão, e leva em consideração as competências internalizadas e as que ainda precisam ser desenvolvidas e aprimoradas para refletirem no desempenho linguístico dos alunos. Por fim, a gramática sistêmico-funcional é aquela que entende as estruturas linguísticas como ferramentas para a construção de discursos significativos e relevantes para a comunicação interativa e social. Utilizar os gêneros textuais como subsídio para as aulas de gramática e fazer com que elas estejam constantemente contextualizadas e em permanente diálogo com a realidade de uso linguístico dos alunos é a sua principal contribuição na escola. Apesar de os três tipos de gramática apresentados trazerem perspectivas distintas sobre o que é gramática e como trabalhá-la em sala de aula, elas não são visões mutuamente excludentes e podem se complementar na atuação do professor de língua portuguesa. O ensino da norma-padrão da língua, que tem extrema importância no âmbito escolar e geralmente é transmitido através da gramática normativa, pode ser repensado e abordado de outras maneiras; pelo olhar gerativista e/ou sistêmico-funcional, por exemplo. Realizar atividades que busquem o aprimoramento de habilidades já adquiridas — como a expansão e enriquecimento do léxico — e atividades que tragam os significados do contexto extralinguístico para o interior dos textos — como analisar produções que tenham sido influenciadas pelo seu momento histórico — articulam a necessidade de se dominar as estruturas linguísticas com práticas de reflexão sobre o uso delas. Deste modo, teremos alunos mais aptos para usar a língua em qualquer situação de comunicação e mais bem preparados para exercer sua cidadania. Referências: FARACO, C. A.; ZILLES, A. M. Para conhecer norma linguística. São Paulo: Contexto, 2017. NEVES, Maria Helena de Moura. Que gramática estudar na escola?. 4.ed. São Paulo: Contexto, 2011. SUASSUNA, Lívia. Ensino de análise linguística: situando a discussão. In: SILVA, A.; PESSOA, A. C.; LIMA, A. (Org.). Ensino de gramática: reflexões sobre a língua portuguesa na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.