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• As doenças por imunodesregulação são caracterizadas por alergia, inflamação, autoimunidade, linfoproliferação ou neoplasias • As inflamações nos erros inatos da imunidade aparecem como linfohistiocitose hemofagocítica ou como doenças autoinflamatórias Linfohistiocitose hemofagocítica: • Os critérios diagnósticos de linfohistiocitose hemofagocítica primária ou secundária I incluem 5 ou 8 critérios abaixo ou dados clínicos com diagnóstico genético de doença associada com HLH o Febre >38,5ºC o Esplenomegalia o Citopenia (pelo menos 2 dos seguintes) – hemoglobina >9g/dl, plaquetas <100.000/ml, neutrófilos <1000/ml • Os critérios diagnósticos de linfohistiocitose hemofagocítica primária ou secundária II incluem 5 ou 8 critérios abaixo ou dados clínicos com diagnóstico genético de doença associada com HLH o Hipertrigliceridemia e/ou hipofibrinogenemia o Hemofagocitose identificada na medula óssea, baço, gânglio, fígado ou outros tecidos o Atividade NK diminuída ou ausente o Ferritina baixa o Aumento de CD25 solúvel Doenças autoinflamatórias: • Já em relação às doenças autoinflamatórias, caracteriza-se por um distúrbio da imunidade inata caracterizada por sintomas inflamatórios sistêmicos, não infecciosos, com provas de atividade inflamatória elevadas e sem níveis significativos de auto anticorpos ou células T autoreativas. A febre, apesar de comum, não é obrigatória e algumas síndromes não são períodas • O paciente vem no PS com quadro febril sem identificação clara da causa da febre, normalmente é dada como virose • As síndromes autoinflamatórias podem ser monogênicas ou poligênicas, podem ter herança e penetrância variável, podem ser originadas de células germinativas ou somáticas • Cerca de 40-60% dos pacientes apresentam os seguintes fenótipos → mutação desconhecida, doença autoinflamatória (DAI) sistêmicas indiferenciadas ou indefinidas • As características da autoinflamação são ausência de autoimunidade (autoanticorpos), frequentemente deflagrados por trauma/estresse/imunizações (vacinas) e em geral possuem familiares de 1º grau com sintomas semelhantes • As manifestações clínicas incluem febre, lesões de pele, inflamação de serosas (pleura, pericárdio e peritônio), aumento dos gânglios e alterações musculoesqueléticas • Diferente dos pacientes com outras doenças reumatológicas, esses pacientes não apresentam linfócitos T autoreativos, não tem autoanticorpos patogênicos e possuem defeito da imunidade inata • Fisiopatologia: um processo dentro das células desses pacientes ativam citocinas (que causam a febre, como a presença de IL-1), que levam à ativação do inflamassoma. O inflamassoma é um Erros inatos da imunidade INFLAMAÇÃO complexo proteico oligomérico implicado no sistema imunitário inato, é responsável pela ativação de processos inflamatórios e pode induzir o processo de piroptose, uma forma altamente inflamatória de morte celular programada diferente da apoptose; é expresso nas células de linhagem granulocítica o A formação do inflamassoma pode ser mediada por vários sinais diferentes, incluindo produtos microbianos, substâncias produzidas endogenamente (como colesterol e ácido úrico) ou por citocinas e quimiocinas pró-inflamatórias o O gatilho para sua ativação é por formação de ATP, influxo de potássio, ROS e urato monossódico o O inflamassoma é um complexo de proteínas distintas que, quando reunidas, servem para converter a pró-IL-1 inativa em citocina ativa IL-1-beta • As doenças mais comuns de doenças autoinflamatória são – febre familiar do mediterrâneo, síndrome de hiperimunoglobulinemia D, síndromes periódicas associadas ao receptor de TNF (TRAPS) e síndrome periódica associada a criopirina (CAPS) o PFAPA: caracterizada por febre periódica, afta e faringoamigdalite. A doença caracteriza- se pela presença de pelo menos 7 dos oito sintomas → faringotonsilite, episódios de 3-6 dias, linfadenite cervical e periodicidade. Não apresenta diarreia, dor torácica, rash cutâneo e artrite. O diagnóstico é feito através da administração de antibiótico, costuma sumir o quadro o Febre familiar do mediterrâneo: doença autoinflamatória autossômica recessiva, é mais frequente nas populações mediterrâneo como turcos, armenos, judeus e arabe; é de aparecimento precoce. Apresenta-se com febre periódica, serositose autoinflamatória (pericardites e peritonites), com sintomas prodrômicos, artrite monoarticular e lesões que lembram erisipela. As crises de febre estão associadas com um aumento nas proteínas de fase aguda, especialmente proteína C reativa (PCR), substância amiloide A e outros marcadores inflamatórios como VHS. O PCR e a substância amiloide A são marcadores utilizados para fazer o diagnóstico. Os critérios principais para diagnóstico são febre recorrente com serosite, AA amiloidose sem outras doenças predisponentes e sintomas responsivos a colchicina; ou ter pelo menos dois critérios menores que incluem episódios de febres recorrentes, presença de eritema semelhante a erisipela e história familiar de FFM. Alguns pacientes podem desenvolver problemas urinários como pielonefrite recorrente, anormalidades urinárias tais como hematúria e/ou proteinúria, envolvimento glomerular com nefropatia por IgA, nefropatia membranosa, glomerulonefrite mesangioproliferativa ou rapidamente progressiva e vasculite o Hiper IgD: ocorre por uma atividade deficiente ou aberrante da mevalonatoquinase, a segunda enzima na via de biossíntese do colesterol (serve como marcador da doença), é uma doença autossômica recessiva com perda de função. Costuma ocorrer no primeiro ano de vida, caracterizada por febres altas a cada mês, com dor articular, linfadenopatia, sintomas gastrointestinais, úlceras de mucosa e rash cutâneo que se mantém durante a vida (podendo diminuir na vida adulta). Esses pacientes pode ter hepatoesplenomegalia, diarreia, vasculite cutânea, dor articular, pode ter poliartrite, a amiloidose pode acontecer (mas é menos comum) Da esquerda para a direta ocorre piora do quadro, maior a gravidade o CAPS: em relação à fisiopatologia do CAPS, ocorre a formação de inflamassoma do tipo NLRP3. Os pacientes apresentam febre recorrente ou contínua, cefaleia, meningite crônica, problemas sensoriais, linfadenopatia, amiloidose, dor abdominal, rash máculo- papilar, urticária, mialgia, artralgia, artrite e problemas patelares o TRAPS: essa doença costuma aparecer na 2ª infância, caracterizada por crises febris de longa duração que persistem por 2-3 semanas, as crises recorrem em intervalos variáveis, cursam com dor articular, rash cutâneo migratório. Os pacientes cursam com febre, conjuntivite, pleurite, linfadenopatia, amiloidose, esplenomegalia, peritonite e diarreia, rash cutâneo, mialgia e artrite. A doença pericárdica é o sinal cardiovascular mais comum, tanto nas crises de TRAPS, como na FF • A substância amiloide é um material amorfo e insolúvel, resistente a proteólise, derivado da agregação espontânea de fibrilas compostas de protofilamentos torcidos (derivam de proteínas mal dobradas, chamadas de precursores amiloides e compartilham uma impressão digital comum de digração de raio X) • Os diferentes tipos são agrupados em formas localizadas e sistêmicas. Os quatro tipos mais comum são → amiloidose AL (primária, cadeia leve), amiloidose AA (secundária), amiloidose A-beta2-M (associada à diálise) e amiloidose ATTR (amiloidose sistêmica senil) AA amiloidose: • A amiloidose pode complicar qualquer doença inflamatória crônica • É caracterizada por deposição extracelular patogênica de proteína • Em amiloide AA as fibrilas são derivadas da proteína sérica amiloide A (SAA), um reagente de fase aguda sintetizado intensamente por hepatócitos sob regulação transcricional de citocinas proinflamatórias • O rim é o principal órgão envolvido e a proteinúria representa a primeira manifestação clínica. A extensão do danorenal determina o prognóstico do paciente • A AA amiloidose pode ser induzida por síndromes febris recorrentes, artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal, fibrose cística e infecções crônicas • Defeito em STAT3 com perda de função (LOF): AMILOIDOSE ALERGIA • Quando suspeitar: início muito precoce, manifestações mais graves e/ou atípicas e/ou manifestações alérgicas associadas, história familiar de autoimunidade e/ou infecções repetidas mesmo na ausência de alergia, presença de características como atraso no desenvolvimento geral + comprometimento cognitivo + hipermobilidade articular + escoliose e outros • Pode aparecer em todos os erros inatos da imunidade. Costuma ser mais comum na imunideficiência comum variável ou imunidodeficiências celulares • As doenças autoimunes de aparecimento precoce ou múltiplas devem levantar a hipótese de erro da imunidade inata, principalmente se associada a infecções • As doenças autoimunes mais frequentes em erros da imunidade inata são anemia, trombocitopenia, neutropenia e Síndrome de Evans (anemia e trombocitopenia) • Supõe-se que o risco de citopenia autoimune seja cerca de 120x maior em indivíduos com EII do que na população geral, crianças diagnosticadas com EII são 80x mais propensas a ter doença inflamatória intestina e 40x mais propensas a ter artrite que a população prediátrica geral • As doenças mais comuns são: o ALPS-like – síndrome linfoproliferativa autoimune: citopenias autoimunes e linfoproliferativas o CVID-like – imunodeficiência comum variável: hipogamaglobulinemia, infecções e autoimunidade hematológica e de órgãos sólidos o IPEX-like: enteropatia, endocrinopatias autoimunes, eczema e vasculites o DII: doença inflamatória intestinal o Doenças reumatológicas: Behçet, lúpus e artrite idiopática juvenil monogênica AUTOIMUNIDADE • Diagnóstico: PFAPA • Diagnóstico: anemia sideroblástica, imunideficiência, febre e atraso do desenvolvimento (SIFD) CASOS CLÍNICOS • Diagnóstico: febre familiar do mediterrâneo • Diagnóstico: hiper IgD