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CURSO: ARQUITETURA E URBANISMO ATIVIDADE 3 - ARQ – TEORIA DO URBANISMO - 53/2022 ALUNO: GEORGE MARTINS MARIANI - RA: 21068587-5 A Revolução Industrial, que começa na Inglaterra, causou uma intensa migração, onde as pessoas que se mudaram dos campos para as cidades em busca de trabalho viviam em condições insalubres, aglomeradas em cortiços e expostas a várias doenças. É neste momento que os pensadores percebem a necessidade do urbanismo nas cidades industriais, conforme conta Françoise Choay em “O Urbanismo”, delineando a história das ideias urbanistas até o desenvolvimento do Urbanismo e as suas propostas. Choay nomeia o período anterior ao urbanismo como pré-urbanismo, definindo-o como um conjunto de textos e de realizações de pensadores políticos sociais do século XIX. A autora classifica as correntes de pensamento em dois modelos, o culturalista e o progressista. No modelo Culturalista, os pensadores tem a ideia de que a cidade é o reflexo cultural local, em que a cidade e seus habitantes constituem uma unidade orgânica ameaçada pelas consequências negativas do desenvolvimento industrial. Os pensadores do modelo culturalista voltam-se para o passado, reivindicando a nostalgia e destacando as necessidades espirituais como precedentes da matéria. Defendem ainda um planejamento dos espaços menos rigorosamente determinados, evitando o geometrismo e tendo como preferência uma cidade circunscrita com limites precisos. O ponto de partida do modelo culturalista é o agrupamento humano, a cidade. Entre os teóricos do modelo culturalista, destacam-se John Ruskin, sociólogo que propõe uma cidade ideal através de uma análise crítica da sociedade em que vive, defendendo uma cidade em contato estreito com a natureza e espaços verdes, edifícios belos e originais, valorizando seus elementos arquitetônicos, com assimetria e traçado espontâneo; e William Morris, arquiteto que buscava a volta do ideal criador medieval, em que havia unidade de estilo entre as edificações mais diferentes. Ao contrário do culturalista, o modelo progressista era inspirado no racionalismo da filosofia das luzes, tendo como base a concepção abstrata do homem, indivíduo mutável no tempo e no espaço. No modelo progressista, os pensadores condenavam a noção tradicional de cidade, buscando elaborar modelos que pudessem permitir reencontrar a ordem perturbada pelo maquinismo. Dentro deste pensamento, defendiam que a ciência permitiria alcançar um modelo urbano perfeito para qualquer grupo humano independente das diferenças entre lugares e histórias. O modelo progressista se resumia em racionalidade dos espaços e na lógica funcional, definindo lógica e beleza como coincidente e, com apelo à geometria, o espaço urbano deveria ser traçado conforme análise das funções humanas. Entre os diversos pensadores do modelo progressista, cita-se Charles Fourier, político francês que propunha a reestruturação da sociedade, a qual adotaria a associação e a cooperação, o que resolveria os problemas de salubridade e embelezamento das cidades. Charles Fourier foi fonte de inspiração de diversos projetos urbanísticos como o Familistério de Godin, criado por Jean- Batiste Godin, empresário e inventor, que se baseou nos Falanstérios propostos por Fourier. As filosofias do pré-urbanismo influenciaram as primeiras teorias urbanas, elaboradas por arquitetos-urbanistas. Dentre os arquitetos-urbanistas que se inspiraram no modelo culturalista, temos Camillo Sitte – arquiteto austríaco; Ebenezer Howard – urbanista inglês criador das Cidades Jardins; e Raymond Unwin – urbanista britânico que construiu a primeira cidade jardim criada por Howard. O Urbanismo progressista teve dentre os arquitetos-urbanistas em destaque Tony Garnier – arquiteto francês que lançou um plano de um novo espaço urbano denominado 'A Cidade Industrial'; Walter Gropius – arquiteto alemão criador da Escola de Arte Bauhaus; e Charles Edouard Jeanneret – conhecido pelo pseudônimo Le Corbusier, arquiteto franco-suíço criador da teoria dos cinco pontos da arquitetura moderna. Por fim, destaca-se a importância do período pré-urbanista estudado por Choay, principalmente ao verificarmos como os pensadores, tanto do modelo progressista quanto do culturalista, influenciaram o desenvolvimento dos pensamentos dos urbanistas, os quais são praticados ainda em dias atuais, nas diversas formas de aplicação permitidas e exigidas nos espaços urbanos contemporâneos.