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HÉRNIAS
Protrusão anormal de um órgão ou tecido por um defeito em suas paredes
circundantes.As hérnias da parede abdominal ocorrem apenas em locais onde a
aponeurose e a fáscia não são cobertas por músculo estriado.
Acomete mais comumente: região inguinal, região femoral, região umbilical, linha alba,
porção inferior da linha semilunar, locais de incisões anteriores
- Diferença entre inguinal e femoral é porque a femoral é abaixo do ligamento
inguinal
- Hérnia de Spiegel é na linha semilunar
HÉRNIA INGUINAL:
Direta → O saco de uma hérnia inguinal direta faz protrusão para fora e para adiante e
é medial ao anel inguinal interno e aos vasos epigástricos inferiores
- direto para o epigástrio e vai para frente
Indireta → O saco herniário inguinal indireto passa do anel inguinal interno
obliquamente em direção ao anel inguinal externo e, por fim, para a bolsa escrotal.
- vai para o orifício interno, externo e chega até o escroto
Hérnias diretas ocorrem no triângulo de Hesselbach, enquanto hérnias inguinais
indiretas originam-se lateralmente ao triângulo.
Cerca de 75% de todas as hérnias ocorrem na região inguinal
Hérnia inguinal indireta é mais comum
Geralmente são as maiores hérnias e assintomáticas, a não ser que tenha ocorrido
estrangulamento ou encarceramento
Complicações:
Estrangulamento
- A maioria das hérnias estranguladas são hérnias inguinais indiretas
- Hérnias femorais têm a maior taxa de estrangulamento (15% a 20%)
Diagnóstico:
- associada ou vago desconforto na região
- saliência na região inguinal
Observa: assimetria, abaulamentos ou presença de uma massa. Solicitar ao paciente que
faça o esforço da tosse ou realize a manobra de Valsalva
1. O examinador inspeciona visualmente e palpa a região inguinal
2. O examinador coloca a ponta de um dedo sobre o canal inguinal e repete o exame.
Uma protuberância movendo-se de lateral para medial no canal inguinal sugere
uma hérnia indireta. Se a protuberância progredir de profunda para superficial
através do assoalho inguinal, suspeita-se de uma hérnia direta. Uma
protuberância identificada abaixo do ligamento inguinal é compatível com uma
hérnia femoral
3. USG
Diagnósticos diferenciais: Hérnia inguinal, hidrocele, varicocele, testículo ectópico,
epididimite, torção testicular, lipoma, hematoma, cisto sebáceo, hidradenite das
glândulas apócrinas inguinais, linfadenopatia inguinal, linfoma, neoplasia metastática,
hérnia femoral, linfadenopatia femoral, aneurisma ou pseudoaneurisma da artéria
femoral
Classificação de Nyhus da hérnia da inguinal:
Tratamento:
Não cirúrgico
- Funda para hérnia inguinal (segura para pacientes idosos com hérnias inguinais
assintomáticas; não deve ser usada em mulheres)
Cirúrgico → reparo livre de tensão - uso de telas
- Trato iliopúbico
- Técnica de Shouldice = associada a uma taxa de recidiva muito baixa e a um alto
grau de satisfação em pacientes que são altamente selecionados
- Bassini
- McVay = utilizado para hérnias femorais estranguladas porque ele proporciona
obliteração do espaço femoral sem o uso de tela
Reparo laparoscópico → método de reparo com tela livre de tensão
- vantagens para pacientes com reparo de hérnias bilaterais
HÉRNIAS FEMORAIS:
Ocorre pelo canal femoral. A hérnia femoral produz uma tumoração ou protuberância
abaixo do ligamento inguinal
- incidência de estrangulamento nas hérnias femorais é alta
Tratamento: reparo do ligamento de Cooper, abordagem pré-peritoneal, abordagem
laparoscópica
- técnica de McVay
HÉRNIA POR DESLIZAMENTO:
Ocorre quando um órgão interno integra uma porção da parede do saco herniário. As
vísceras envolvidas são: cólon e bexiga.
Geralmente são variantes de hérnias inguinais indiretas.
Tratamento: reparo aberto ou laparoscopia
HÉRNIAS VENTRAIS:
Protrusão através da fáscia da parede abdominal anterior.
15% a 20% de todas as hérnias da parede abdominal.
Hérnias epigástricas→ entre o processo xifóide e o umbigo = menores e causam dor
- Os defeitos são pequenos e, em geral, produzem dor fora de proporção para seu
tamanho, em virtude do encarceramento de gordura pré-peritoneal
Tratamento: reparo cirúrgico
Hérnias umbilicais→ ocorrem na cicatriz umbilical
- pode ocorrer em crianças e adultos
Tratamento:
- defeitos maiores que 3 cm são fechados usando telas como prótese
- laparoscopia
Hérnias hipogástricas→ ocorrem abaixo do umbigo na linha média
Hérnia incisional → ocorre por tensão excessiva e cicatrização inadequada de uma
incisão prévia e associada a infecção do acesso cirúrgico
Fatores predisponentes: Obesidade, idade avançada, desnutrição, ascite, gravidez e
condições que aumentam a pressão intra-abdominal
Tratamento: Cirurgia com uso de telas.
Defeitos maiores (>2 a 3 cm de diâmetro) têm uma elevada taxa de recidiva se fechados
primariamente e devem ser reparados com prótese.
Classificação de estadiamento:
Fatores de risco: obesidade, idade avançada, sexo masculino, apneia do sono, enfisema,
prostatismo.
Diagnóstico: Manobra de Valsalva + USG
HÉRNIAS INCOMUNS:
Hérnia de Spiegel → ocorre através da fáscia de Spiegel
- são pequenas
- dor localizada na região, sem uma protuberância, porque a hérnia se localiza
abaixo da aponeurose do oblíquo externo
Diagnóstico: USG e TC
Tratamento:
- O defeito é fechado transversalmente por sutura simples
- Os grandes defeitos são reparados usando-se uma tela como prótese
Hérnia do obturador→ formado pela união dos ossos púbis e ísquio
Tratamento: cirurgia aberta ou laparoscópica
Hérnias lombares → podem ser congênita ou adquirida após uma operação no flanco e
ocorrem na região lombar da parede abdominal posterior
- Hérnias através do triângulo lombar superior (triângulo de Grynfeltt) são as mais
comuns. Menos comuns são as hérnias através do triângulo lombar inferior
(triângulo de Petit)
Tratamento: cirurgia aberta com uso de tela ou laparoscópica
Hérnia isquiática→ forame isquiático maior pode ser um local de formação de hérnia
Tratamento: reparo com tela
Hérnias perineais → causadas por defeitos congênitos ou adquiridos, também podem
ocorrer após ressecção abdominoperineal ou prostatectomia perineal.
Sintomas: protrusão de uma tumoração pelo defeito, que se exacerba ao sentar ou
ficar de pé
Tratamento: abordagem transabdominal ou abordagens transabdominal e perineal
combinadas.

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