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CERVICITES Definida como inflamação do colo uterino; podendo ser causada por processos infecciosos e não infecciosos. · Chlamydia trachomatis; · Neisseria gonorhoeae. Clínica variável; As cervicites possuem alta morbidade em longo prazo: · Alterações na fertilidade; · Complicações obstétricas; · Facilitação para o contágio de outras IST HPV e HIV. Cervicites não infecciosas: Normalmente, diagnóstico de exclusão; Relacionada com os efeitos dos hormônios femininos: · Manutenção da integralidade da mucosa cervicovaginal; · O estrogênio aumenta a resposta inflamatória local; · O estrogênio diminui a resposta inflamatória local. · OBS: Vaginite atrófica: Mulheres menopausada. Cervicites causadas por clamídias e gonococo: · Representam de um terço a metade dos casos; · Chlamydia trachomatis o principal agente implicado. · Acometem principalmente jovens de 15-25 anos de idade, com prevalência semelhante entre os sexos; · Forma de transmissão: Sexo vaginal, oral e anal. Via vertical (durante o parto) e por via parenteral. Cervite por gonococo: · Neisseria gonorrhoeae: diplococo gram-negativo. · Transmissão sexual; · Incubação: 4 a 7 dias; · Clínica: 60-80% assintomáticas. Resto com secreção cervical e/ou uretral purulenta. · OBS: Homens: Descarga uretral purulenta (leite condensado). · OBS: O gonococo pode causar bartolinite e esquenite (abaulamento doloroso, paciente não consegue sentar) Drenagem. · Diagnóstico: Clínico (somente). Se dúvida: · Gram; · Cultura; · PCR (NAAT) do canal cervical (maior acurácia). Cervite por clamídia: · Chlamydia trachomatis: Bactéria gram-negativa intracelular obrigotório; · Transmissão sexual; · Clínica: 60-75% assintomáticas. Resto Leucorreia vindo colo (mesma coisa do gonococo); · Diagnóstico: Clínico, na dúvida: · Elisa (IgM e IgG) Não utilizar, mais confunde do que ajuda; · Cultura demorado, caro, pode dar falso-negativo; · PCR (NAAT) do canal cervical (padrão ouro). Cervicites infecciosas não causadas por clamídias e gonococos: Trichomonas vaginalis: Causa normalmente vaginites, mas pode acometer o colo. · Colo com aspecto de framboesa no exame especular; · Pode haver desde pequenas petéquias até grandes hemorragias no epitélio ectocervical. Mycoplasma genitalium: Causa inportamente de uretrite infecciosa no sexo masculino. Tem associação com cervicite, DIPA, parto pré-termo, risco de abortamento e infertilidade. Apresentação clínica: 70% são assintomáticas; Sintomas: · Corrimento vaginal anormal; · Sangramento intermenstrual; · Sinusorragia; · Dispareunia. Exame físico especular: · Mucorreia purulenta ou não, se exteriorizando pelo orifício do colo; · Sinais flogísticos (colo hiperemiado e edemaciado); · Dor na mobilização ao toque vaginal; · Friabilidade do colo. · OBS: Vesículas e úlceras, podem sugerir Herpes. Diagnóstico clínico: · Presença de exsudato purulento visível na endocérvice ou no swab endocervical; OU · Sangramento cervical sustentado induzido por delicada introdução com swab de algodão no canal cervical. OBS: Leucorreia Alta sensibilidade e alto valor preditivo negativo, sendo a cervicite improvável na ausência de leucorreia. · Pode ser confirmada pela quantificação de polimorfonucleares (PMN) pelo método de Gram (10 a 30 PMN por campo). Diagnóstico etiológico: Clamídia: Bactéria intracelular obrigatória, só cresce em cultura em meio celular (pouca sensibilidade, maior dificuldade técnica); Gonococo: Método de gram (baixa sensibilidade e especificidade). Padrão-ouro: NAAT (Amplificação de ácido nucleicos) Alta sensibilidade (>90%) e alta especificidade (>99%). · Pode ser coletado em primeiro jato de urina, swab uretral, cervical e vaginal. OBS: Para o diagnóstico etiológico coleta de amostras de secreção vaginal e endocervical durante o exame especular. Deve ser coletado pelo menos 2 amostras década região: · Uma destinada a microscopia e cultura; · Outra para os testes de amplificação (NAAT). Tratamento Deve ser baseado no agente etiológico. Pode ser feito empírico se NAAT indisponível ou em populações de alto risco (mulheres com menos de 25 anos ou história pregressa de IST ou DIP. Tratamento empírico: Ceftriaxone 500mg IM dose única + Azitromicina 1g VO dose única. Tratamento especifico: Chlamydia trachomatis: · Azitromicina 1g VO dose única (1ª escolha). · Doxiciclina 100mg VO 12/12h por 7 dias (contraindicado em gestantes no 2º e 3º trimestres de gestação). · Amoxicilina 500mg VO, 8/8hh, por 7 dias (alternativa para gestantes). Neisseria gonorrhoeae: · Ceftriaxone 500mg IM dose única + azitromicina 1g VO dose única (1ª escolha). · Cefotaxima 1g IM dose única. Micoplasmas e ureaplasmas: · Azitromicina 1g VO dose única (1ª escolha). · Doxiciclina 100mg VO 12/12h por 7 dias. Orientações: · Abstinência sexual até completar o esquema terapêutico ou 7 dias após dose única; · Solicitar sorologia para ISTs (Hepatites B e C, HIV, sífilis); · Convocar parceiro e se diagnosticado, tratar com mesmo esquema; · Retorno com 3 meses. Complicações: · A infecção por clamídia ou gonococo pode ascender e causar endometrite, salpingite e DIP. · Aumentam as chances de transmissão de outras IST. · Gestação: risco para parto pré-termo, PIG e corioamnionite; aborto, RPMO. · RN expostos: Risco de conjuntivite; pneumonia afebril do lactente. · Artrite: Causada pelo gonococo artrite séptica gonocócica. · Síndrome de Reiter: Causada por infecção por clamídia; tríade Uretrite + conjuntivite + artrite (oligoartrite assimétrica). · Síndrome ureral: Causada por infecção por clamídia. Piúria, sintomas urinários, com cultura de urina negativa.