Logo Passei Direto
Buscar

leitura e escrita no ensino superior

Material educativo (UNIASSELVI, 2016) sobre expressão escrita e compreensão de textos. Unidade 1: oralidade, argumentação, retórica e comunicação (incl. internet). Unidade 2: gêneros e tipologias textuais. Unidade 3: leitura digital, hipertextualidade, internetês e leitura imagética.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

2016
Língua Portuguesa: 
exPressão escrita e 
comPreensão de texto
Prof.a Estela Maris Bogo Lorenzi
Prof.a Luciana Fiamoncini
Copyright © UNIASSELVI 2016
Elaboração:
Prof.a Estela Maris Bogo Lorenzi
Prof.a Luciana Fiamoncini
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
469.07
L869l Lorenzi; Estela Maris Bogo
 Língua Portuguesa: Expressão escrita e compreensão de texto / Estela 
Maris Bogo Lorenzi; Luciana Fiamoncini: UNIASSELVI, 2016.
 
 237 p. : il.
 ISBN 978-85-515-0036-1
 1.Língua Portuguesa – Estudo e Ensino. 
 I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. 
III
aPresentação
A compreensão plena de um texto, bem como a melhor forma de 
expressar-nos quando escrevemos envolvem mais do que simplesmente 
conhecer as regras da língua portuguesa. Muitas são as estratégias e 
habilidades desenvolvidas e postas em prática para realizar tais ações. O 
caderno de Língua Portuguesa: Expressão Escrita e Compreensão de Texto 
visa auxiliar você, acadêmico, a compreender as principais expressões da 
língua portuguesa no que tange à produção e à compreensão textual. Vamos 
conhecer um pouco mais sobre esta obra? 
 
A Unidade 1 aborda questões relacionadas às aplicações da oralidade e 
da escrita, a argumentação e o raciocínio. Inicialmente, você será apresentado 
aos estudos da língua como ciência, bem como ao seu contexto de uso e 
manifestação social. Nesta etapa, serão estudados alguns fenômenos que 
ocorrem quando a fala é produzida e como o ser humano produz os significados.
Ainda na Unidade 1, trataremos de assuntos relacionados aos 
fenômenos de comunicação, dentre eles, a comunicação mediada pela internet, 
que é fenômeno crescente na sociedade em que vivemos. Para aprimorar 
ainda mais suas habilidades comunicativas, também são apresentados 
neste caderno os estudos acerca da retórica e da oratória, técnicas estas que 
facilitam o uso da linguagem no ato comunicativo. 
A Unidade 2 está focada no estudo dos gêneros e tipologias textuais, 
para que você compreenda que cada um possui sua característica e, para cada 
uma das intenções de quem escreve, há um que mais de adéqua. Nesta etapa, 
você também conhecerá os gêneros mais adequados à esfera comercial, para 
que saiba identificar em que situações aplicá-los. 
Por fim, na Unidade 3, trataremos das novas formas de leitura e 
interpretação textual. Aqui, serão abordadas as questões relacionadas ao 
letramento na era digital, a partir do estudo da leitura digital e sua compreensão. 
O conceito de hipertextualidade também é abordado nesta unidade, dando a você 
a oportunidade de conhecer os gêneros digitais, os links eletrônicos e a aplicação 
dos textos virtuais em sala de aula. Nesta etapa de estudos, também trabalharemos 
com você a linguagem na era digital: o internetês e a leitura imagética, que são 
basilares para a compreensão deste novo modo de comunicação. 
A partir do estudo deste material, nós, autoras, esperamos que você 
compreenda os princípios básicos da expressão escrita e da compreensão de 
textos, sempre buscando atualizar-se e conhecer um pouco mais sobre a temática 
por meio das propostas oferecidas ao longo deste material com a ferramenta 
“UNI”. Colocamo-nos à disposição para que você esclareça suas dúvidas e nos 
dê sugestões. Desejamos a você uma ótima jornada de estudos e até a próxima! 
Prof.ª Estela Maris Bogo Lorenzi
Prof.ª Luciana Fiamoncini
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfi m, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
Bons estudos!
NOTA
Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos 
materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais 
os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais 
que possuem o código QR Code, que é um código 
que permite que você acesse um conteúdo interativo 
relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos 
e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar 
mais essa facilidade para aprimorar seus estudos!
UNI
V
VI
VII
UNIDADE 1 – APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO
 E O RACIOCÍNIO ..........................................................................................................1
TÓPICO 1 – LÍNGUA E FENÔMENOS COMUNICACIONAIS .....................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................3
2 O ESTUDO DA LÍNGUA COMO CIÊNCIA ....................................................................................4
2.1 A LÍNGUA E O SEU CONTEXTO DE USO ..................................................................................5
2.2 A LÍNGUA COMO MANIFESTAÇÃO SOCIAL ..........................................................................7
2.3 A CAPACIDADE DE ARGUMENTAÇÃO ....................................................................................8
3 O PROCESSO DE APROPRIAÇÃO DA ESCRITA ....................................................................... 10
3.1 O USO DO TEXTO PARA A APROPRIAÇÃO DA ESCRITA ................................................... 11
3.1.1 Relação autor/leitor ................................................................................................................ 14
3.2 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA ........................................................................................................... 15
3.2.1 Gírias ......................................................................................................................................... 17
3.2.2 Linguagem técnica e/ou jargão ............................................................................................. 19
4 MODALIDADES DA LÍNGUA: SUAS PARTICULARIDADES ................................................ 20
4.1 A FALA E OS ACONTECIMENTOS............................................................................................. 22
4.2 O REGISTRO ESCRITO E A CRIAÇÃO DA HISTÓRIA DOCUMENTADA ......................... 23
4.3 O SER HUMANO E A PRODUÇÃO DE SIGNIFICADOS ........................................................ 24
5 FENÔMENOS COMUNICACIONAIS: COMUNICAÇÃO DE MASSA E
 COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL................................................................................................. 25
5.1 A QUESTÃO DA INTERAÇÃO SOCIAL E ACOMUNICAÇÃO INTERPESSOAL ............ 26
5.2 A COMUNICAÇÃO NAS MULTIDÕES MEDIADA PELA INTERNET ................................ 28
5.3 CONTEXTOS INTERCULTURAIS: A COMPREENSÃO DAS DIFERENÇAS ...................... 31
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 34
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 37
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 39
TÓPICO 2 – ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO DAS PALAVRAS .............................................. 41
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 41
2 A ORATÓRIA E O DISCURSO ......................................................................................................... 43
3 COMO DESENVOLVER A RETÓRICA? ......................................................................................... 47
3.1 ASPECTOS FÍSICOS: A LINGUAGEM CORPORAL, VESTIMENTA E VOZ ........................ 47
3.2 ASPECTOS PSICOLÓGICOS: MEDO DE FALAR EM PÚBLICO, ESQUECIMENTO E 
CACOETES ....................................................................................................................................... 49
3.3 ASPECTOS INTELECTUAIS: CONHECIMENTO DO ASSUNTO E SEGURANÇA............ 50
3.4 ASPECTOS TECNOLÓGICOS: OS SUPORTES DE APOIO AO ORADOR........................... 51
4 O PAPEL DA RETÓRICA NA PRODUÇÃO TEXTUAL ............................................................... 53
4.1 A ORIGEM DA RETÓRICA ........................................................................................................... 53
4.2 PARTES DA RETÓRICA ................................................................................................................. 54
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 56
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 57
sumário
VIII
TÓPICO 3 – O TEXTO E A COMBINAÇÃO DAS PALAVRAS ..................................................... 59
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 59
2 OS SENTIDOS DO TEXTO ................................................................................................................ 59
2.1 CONCEPÇÕES DE TEXTO ............................................................................................................ 61
2.2 GÊNEROS TEXTUAIS E A PRODUÇÃO DE TEXTOS .............................................................. 61
2.3 O TEXTO E SUA INTENÇÃO ....................................................................................................... 64
2.4 FATORES QUE INTERFEREM NA INTERPRETAÇÃO TEXTUAL ........................................ 65
2.4.1 Ambiguidade e polissemia .................................................................................................... 67
3 O TEXTO COMO PRÁTICA INTERDISCIPLINAR ..................................................................... 70
3.1 ESTUDOS ACERCA DA PRODUÇÃO TEXTUAL ..................................................................... 71
3.2 A PRODUÇÃO TEXTUAL: PRÁTICAS EM SALA DE AULA ................................................. 75
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 81
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 83
UNIDADE 2 – GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS .................................................................. 85
TÓPICO 1 – A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E ANÁLISE DOS DIFERENTES
 TIPOS DE TEXTOS .......................................................................................................... 87
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 87
2 TEXTO NARRATIVO .......................................................................................................................... 87
3 TEXTO DESCRITIVO .......................................................................................................................... 91
4 TEXTO DISSERTATIVO ..................................................................................................................... 93
4.1 DISSERTAÇÃO-EXPOSIÇÃO ........................................................................................................ 94
4.2 DISSERTAÇÃO-ARGUMENTAÇÃO ........................................................................................... 94
5 TEXTO INJUNTIVO ............................................................................................................................ 95
6 TEXTO EXPOSITIVO .......................................................................................................................... 98
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................100
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................103
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................104
TÓPICO 2 – CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS DOS TEXTOS .........................................107
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................107
2 TEXTOS JORNALÍSTICOS ..............................................................................................................107
2.1 A NOTÍCIA DE JORNAL .............................................................................................................108
2.2 ARTIGO DE OPINIÃO .................................................................................................................110
2.3 REPORTAGEM E ENTREVISTA .................................................................................................116
3 TEXTOS CIENTÍFICOS ....................................................................................................................122
3.1 RESUMO .........................................................................................................................................123
3.1.1 O que é um resumo? .............................................................................................................124
3.1.2 Tipos de resumo ....................................................................................................................127
3.2 RESENHA .......................................................................................................................................131
4 TEXTOS HUMORÍSTICOS ..............................................................................................................135
4.1 HISTÓRIAS EM QUADRINHOS ................................................................................................137
4.2 ANEDOTAS ....................................................................................................................................139
5 TEXTOS PUBLICITÁRIOS ...............................................................................................................141
5.1 O ANÚNCIO E O CARTAZ PUBLICITÁRIO ...........................................................................144
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................148AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................149
IX
TÓPICO 3 – OS GÊNEROS DA ESFERA COMERCIAL ...............................................................151
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................151
2 E-MAIL ..................................................................................................................................................152
2.1 LINGUAGEM E SUGESTÕES PARA A ELABORAÇÃO DE UM E-MAIL ..........................153
3 OFÍCIO ..................................................................................................................................................156
3.1 ELABORAÇÃO E MODELO .......................................................................................................156
4 CARTA COMERCIAL ........................................................................................................................159
4.1 MODELO ........................................................................................................................................160
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................161
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................162
UNIDADE 3 – NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL ..........163
TÓPICO 1 – O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL .......................................................................165
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................165
2 A LEITURA DIGITAL: UMA INTERPRETAÇÃO TEXTUAL DIFERENCIADA ..................167
2.1 CONCEITO DE LETRAMENTO(S) ............................................................................................172
2.2.1 Novos modos de alfabetizar letrando ................................................................................178
2.2 TECNOLOGIAS DE ESCRITA E DE LETRAMENTO DIGITAL ............................................179
3 O SER HUMANO EM TRANSFORMAÇÃO ................................................................................183
3.1 CIBERCULTURA: UM UNIVERSO PEDAGÓGICO ................................................................186
3.2 AS NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: MOVIMENTOS E UTILIZAÇÃO ...........188
3.2.1 A inserção dos aparatos tecnológicos na sala de aula .....................................................190
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................192
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................193
TÓPICO 2 – A HIPERTEXTUALIDADE ...........................................................................................195
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................195
2 O HIPERTEXTO E A MULTIPLICIDADE DE DEFINIÇÕES ....................................................196
2.1 O ENSINO E APRENDIZAGEM REINVENTADOS: A MÍDIA NA EDUCAÇÃO .............198
2.2 HIPERTEXTUALIDADE VERSUS INTERTEXTUALIDADE .................................................200
3 OS GÊNEROS DIGITAIS .................................................................................................................200
3.1 OS LINKS ELETRÔNICOS NOS GÊNEROS TEXTUAIS ........................................................204
3.1.2 O internetês ............................................................................................................................205
4 A LEITURA E A ESCRITA POR MEIO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO ..........208
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................211
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................214
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................215
TÓPICO 3 – A INTERPRETAÇÃO TEXTUAL NA ERA DIGITAL .............................................217
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................217
2 OS TEXTOS VIRTUAIS E A SALA DE AULA .............................................................................217
2.1 ELEMENTOS DA INTERPRETAÇÃO .......................................................................................219
2.2 O DISCURSO ELETRÔNICO.......................................................................................................220
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................222
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................223
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................224
X
1
UNIDADE 1
APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA 
ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO
E O RACIOCÍNIO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• conhecer o uso e o funcionamento da língua, bem como os fenômenos 
comunicacionais que a permeiam;
• analisar os benefícios de uma boa oratória e aprender a bem utilizá-la;
• compreender a estrutura e a formação de um texto, assim como o uso das 
palavras.
Esta unidade de ensino contém três tópicos. No final de cada um deles você 
encontrará atividades que contribuirão para a apropriação dos conteúdos.
TÓPICO 1 – LÍNGUA E FENÔMENOS COMUNICACIONAIS
TÓPICO 2 – ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO DAS PALAVRAS
TÓPICO 3 – O TEXTO E A COMBINAÇÃO DAS PALAVRAS
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
LÍNGUA E FENÔMENOS 
COMUNICACIONAIS
1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico! Iniciaremos, a partir de agora, uma longa caminhada. 
Juntos percorreremos novos caminhos, por meio dos quais buscaremos observar as 
melhores paisagens e abstrair delas o que há de mais relevante acerca do universo 
da linguagem. Especificamente nesta unidade trabalharemos questões relacionadas 
à argumentação e ao raciocínio e sua aplicabilidade na produção textual e oral. 
Iniciaremos o Tópico 1 apresentando a você um pouco sobre a língua e 
seus fenômenos comunicacionais. Para dar início à nossa caminhada, semearemos 
algumas perguntas, que germinarão e poderão ser colhidas ao longo do trajeto: por 
que a língua é vista como uma ciência e como manifestação social? Qual a relação 
entre o autor e o leitor de um texto? Como se cria a história a partir da palavra? 
Estes são apenas alguns dos questionamentos que serão fomentados no 
decorrer do caderno de estudos. Lembre-se: aqui você não encontrará respostas, 
apenas aprenderá a refletir sobre suas perguntas, buscando você mesmo a 
resolução para elas. A pesquisa é de fundamental importância para que você 
possa aprofundar seus conhecimentos acerca dos temas aqui abordados.
No tópico que segue abordaremos a língua e seu contexto de uso, 
iniciando a partir do estudo da língua como ciência, quem foram os primeiros 
pesquisadores a introduzir estes estudos e, em seguida, trataremos a questão da 
língua como manifestação social.
Ao longo do caderno de estudos você verá que há diferença de nomenclatura 
quando nos referimos a quem produz e a quem lê ou ouve o texto. Você verá que, em 
alguns momentos, eles são chamados de interlocutores e, em outros, de emissor e receptor. 
A nomenclatura variará de acordo coma perspectiva teórica.
IMPORTANT
E
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
4
2 O ESTUDO DA LÍNGUA COMO CIÊNCIA
Mesmo sendo considerada também um fator social, conforme veremos 
adiante, a língua é objeto de estudo da ciência. Você já ouviu falar em Linguística? 
Se ainda não ouviu, em algum momento da sua vida acadêmica, no curso de 
Letras, você já deve ter ouvido falar em Saussure. Esse pesquisador é considerado 
o pai da linguística, ou seja, a partir das pesquisas desencadeadas por ele, os 
estudos acerca de língua e linguagem deram um grande salto.
A linguística é a ciência que estuda a linguagem.
NOTA
Ferdinand de Saussure foi um linguista de renome. Nascido em Genebra (Suíça), 
em 26 de novembro de 1857 e falecido em Morges em 22 de fevereiro de 1913. Suas pesquisas 
deram origem à linguística, ciência que tem como objeto de estudo a língua e seus fenômenos.
UNI
Saussure, de acordo com Rodrigues (2008), baseou-se no pensamento 
positivista, que definiu que o objeto possui caráter elementar para o 
desenvolvimento de qualquer ciência. A partir desta ideia, Saussure percebeu um 
problema, pois, nas ciências, o objeto de estudo é percebido facilmente, é visível. 
Contudo, para estudar a linguagem, o objeto é de teor abstrato. A partir desta 
problemática, Saussure fez longos estudos com a intenção de definir um objeto 
que possibilitasse o estudo desses fatores para, então, encontrar e isolar o objeto. 
Definir um objeto de estudo é um procedimento complexo e implica 
vencer inúmeros desafios. Saussure, quando em desenvolvimento de seus 
estudos, afirmou que a linguagem tem um lado individual e um lado social. O 
linguista afirma que: 
[...] qualquer que seja o lado por que se aborda a questão, em nenhuma 
parte se nos oferece integral o objeto da Linguística. Sempre encontraremos 
o dilema: ou nos aplicamos a um lado apenas de cada problema e nos 
arriscamos a não perceber as dualidades assinaladas acima, ou, se 
estudarmos a linguagem sob vários aspectos ao mesmo tempo, o objeto 
da Linguística nos aparecerá como um aglomerado confuso de coisas 
heteróclitas, sem liame entre si (SAUSSURE, 2006, p. 16).
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
5
Incontáveis foram as suas contribuições para a linguística. Mesmo 
diante de tantos desafios, ele conseguiu atingir seu objetivo. A partir de então, 
após conseguir distinguir o objeto “língua”, Saussure passou a pesquisar muito 
acerca da linguagem, desenvolvendo, assim, a linguística, que está em constante 
evolução nos dias de hoje. 
Todo o conhecimento desenvolvido sobre a linguagem produzido no 
século XX surgiu a partir do Curso de Linguística Geral (no original, Cours de 
Linguistique Générale), escrito pelos discípulos de Ferdinand de Saussure, em 
1916. Esta obra possui como cerne os conceitos básicos para a Linguística. Para 
Rodrigues (2008, p. 8), esta obra
[...] isola, ou distingue esse objeto dos demais fatos da linguagem. 
Caracteriza linguagem em oposição à língua. Caracteriza a língua em 
oposição à fala, à escrita e a outros códigos de linguagem. Ademais, 
ao estabelecer toda essa abstração teórica, suscita um método capaz 
de imprimir rigor aos estudos linguísticos, até então orientados 
pela subjetividade ou pela inadequação do método empregado nas 
ciências naturais, a saber, um método adequado aos estudos sociais, o 
estruturalismo (RODRIGUES, 2008, p. 8). 
A partir desta obra foram lançadas as bases que caracterizaram os estudos 
da língua como ciência. Estes conceitos iniciais alavancaram os estudos relacionados 
à língua de tal forma que, a cada ano, mais pesquisadores surgem, e esta ciência 
cresce continuamente em pesquisas e descobertas. Surgiram novas ramificações da 
Linguística, dentre elas a Psicolinguística, a Sociolinguística e a Neurolinguística. 
Saussure dedicou praticamente toda a sua vida de pesquisador para produzir 
uma teoria que pudesse dar aos estudos sobre a linguagem uma metodologia capaz 
de proporcionar rigor suficiente, para que eles fossem considerados ciência. Para 
tanto, delimitar o objeto dessa ciência é fundamental (RODRIGUES, 2008).
2.1 A LÍNGUA E O SEU CONTEXTO DE USO
Antes de iniciarmos nossa discussão acerca da língua e seu contexto de 
uso, gostaríamos de fazer uma pequena abordagem acerca da diferença entre 
língua e linguagem, cujos significados, apesar de parecidos, não são iguais. 
Para facilitar nossa explicação, buscamos apoio no Grande Dicionário Houaiss 
da Língua Portuguesa (HOUAISS, 2001). Segundo ele, a língua é o idioma 
nacional, o conjunto de palavras e regras que são utilizadas por uma comunidade 
linguística como principal meio de comunicação e expressão, seja ela falada ou 
escrita. Já a linguagem está definida como uma capacidade de expressão, um 
meio sistemático de expressão de ideias ou sentimentos com o uso de marcas, 
sinais ou gestos convencionados. 
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
6
A partir de tal explicação, podemos afirmar que tanto a língua quanto 
a linguagem são fenômenos humanos intrinsecamente relacionados a práticas 
sociais. A linguagem utiliza a língua como uma de suas formas de expressão, 
portanto, cabe àquele que fala delimitar o objetivo da sua comunicação ao público-
alvo. A língua é, portanto, adaptável ao seu contexto de uso. 
De acordo com Bakhtin (1997), a linguagem considera o discurso uma 
prática social e uma forma de interação. De acordo com o autor, o contexto de 
produção textual, a relação interpessoal, as diferentes situações de comunicação, 
os gêneros, a interpretação e a intenção de quem o produz são peças fundamentais. 
A linguagem é, portanto, a capacidade que o ser humano possui para 
comunicar-se com outros seres humanos. A linguagem pode estabelecer-se de forma 
verbal, por meio da palavra escrita ou falada, ou não verbal, por meio de imagens, 
gestos, sons, sinais luminosos, expressões faciais ou corporais, notas musicais etc. 
O uso da linguagem, seja ela verbal ou não, sempre terá um objetivo 
específico, por exemplo: posso comunicar-me para pedir um favor, fazer um 
alerta, apenas para lazer, a negócios, para discutir determinado assunto, para 
reclamar de algo que incomoda, para elogiar, para interagir. Inúmeros são os 
objetivos da linguagem.
FIGURA 1 - DIFERENTES CONTEXTOS DE FALA 
FONTE: Adaptado de: <http://queconceito.com.br/wp-content/uploads/2015/06/Recursos-
Humanos-400x267.jpg>. Acesso em: 27 fev. 2016.
DICAS
A obra “Conversas com Linguistas” traz definições de língua e linguagem na 
perspectiva de vários estudiosos. Que tal dar uma olhada? 
FONTE: XAVIER, Antonio Carlos; CORTEZ, Suzana (Orgs). Conversas com linguistas. São 
Paulo: Parábola Editorial, 2003.
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
7
De acordo com o objetivo da elocução e para quem ela é destinada, o 
interlocutor, automaticamente, adaptará a fala ao que chamamos de contexto 
de uso, ou seja, a fala adapta-se ao momento, à situação e às pessoas que estão 
envolvidas na conversa naquele determinado momento. Uma conversa entre 
amigos será diferente da forma como as mesmas pessoas envolvidas se dirigem ao 
seu chefe, a um padre, a uma pessoa mais idosa, aos seus filhos, e assim por diante. 
Observe:
Fala 1. Me dá um pedaço de papel pra eu escrever?
Fala 2. Julia, você poderia, por gentileza, alcançar-me o papel para que 
eu possa fazer uma anotação?
Ambas as falas abordam o mesmo pedido, porém, claramente se percebe 
que, na Fala 1, há intimidade entre os interlocutores. Pode ser um amigo, a mãe, o 
irmão. Já na Fala 2 há uma situação de maior formalidade ao pedir exatamente a 
mesma coisa. Esta fala pode ter sido dirigida a uma secretária, a algum desconhecido, 
ao chefe, ou a alguém com o qual o falante não tenha tanta intimidade.
Assim, pode-se concluir que o contexto de uso da língua varia de acordo 
com inúmeros fatores: quem fala, o que fala (objetivo) e a quem fala. Também 
o contexto no qual os interlocutores estão inseridos influenciana forma como a 
mensagem é transmitida. Portanto, não se pode afirmar que a fala é homogênea. 
Um mesmo sujeito pode transmitir a mesma mensagem de formas diferentes, de 
acordo com a situação na qual está inserido. 
2.2 A LÍNGUA COMO MANIFESTAÇÃO SOCIAL
Conforme já vimos na seção anterior, o objeto de estudo da Linguística 
é a língua. De que forma ela é vista como manifestação social? De acordo com 
Saussure (2006), a língua só é criada em vista do discurso. Assim, Saussure não 
estudava a linguagem somente a partir do seu lado científico, mas também a 
partir da sua manifestação social: a fala.
A dupla essência da linguagem (língua e fala) é também retratada nos 
estudos de Saussure (2006), que afirma que o estudo da linguagem comporta 
duas faces: a que tem por objeto de estudo a língua em seu aspecto social e 
independente do indivíduo (estudo psíquico) e a que tem por objeto a parte 
individual da linguagem, ou seja, a fala, incluindo a fonação (estudo psicofísico). 
Saussure (2006) apresenta em seus estudos a língua como fator social, 
produto da coletividade, descartando, assim, toda a possibilidade de que a língua 
pudesse ser uma descrição de mundo. A língua, de acordo com o autor, estabelece 
valores por meio da convenção social e é vista, portanto, como um sistema de 
valores, cujos pontos de partida são os valores e os sons. 
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
8
2.3 A CAPACIDADE DE ARGUMENTAÇÃO
A partir de agora estudaremos alguns conceitos básicos sobre a 
argumentação e de que modo podemos desenvolvê-la. A argumentação é, 
certamente, uma das habilidades mais difíceis de aprimorar. Ela é uma ferramenta 
importante para a aquisição e produção de conhecimento, pois, de acordo com 
Costa (2008), a teoria cognitiva atualmente permite dizer que a aprendizagem 
é um processo de construção de conhecimento, e a argumentação colabora 
significativamente para este processo. 
A produção científica é um processo, portanto, de construção, que implica 
a formulação de teorias que explicam diferentes fenômenos. Estas teorias sempre 
são postas à prova, abertas à argumentação e, se não forem coerentes, podem ser 
refutadas pelos pesquisadores. Deste modo, podemos afirmar que a ciência não 
se faz a partir de um acúmulo de fatos e ideias imutáveis, mas sim, que se forma a 
partir da discussão, da argumentação e do confronto de hipóteses (COSTA, 2008). 
Como construímos, então, o conhecimento? Lendo, inferindo e 
argumentando. Não conseguimos estudar e aprender sozinhos, sempre estamos 
em uma espécie de troca com nossos pares, sejam estes pares o professor, um 
colega de sala de aula, um tutor, um familiar ou mesmo o autor da obra que 
estamos estudando. A argumentação só se desenvolve praticando. O discurso 
científico é argumentativo, portanto, caberá a nós, professores, buscar desenvolver 
em nossos alunos o hábito de argumentar. Kuhn (apud COSTA, 2008) afirma que 
para a maioria das pessoas, a argumentação eficaz não surge naturalmente, mas é 
adquirida por meio da prática. De acordo com Costa (2008, p. 3), a argumentação é 
uma atividade “social, intelectual, verbal e não verbal, utilizada para justificar ou 
refutar uma opinião; engloba um conjunto específico de declarações dirigido para 
obter a aprovação de um ponto de vista particular por um ou mais interlocutores”. 
De qualquer forma, para não ser um estudante que apenas recebe o 
conteúdo e aceita-o sem questionar, para ter argumentos para refutar tal conteúdo 
é necessário praticar a argumentação, analisar as propostas e inferir sobre o 
texto. Uma das maiores dificuldades encontradas com o advento da tecnologia é 
justamente este: saber diferenciar qual é a informação válida e qual é a informação 
inverídica ou duvidosa. 
Grande é o leque de atividades que podem ser desenvolvidas com nossos 
alunos para que possam aprimorar a argumentação. Geralmente, aquelas que 
procuram solucionar problemas por meio de debate e de investigação são as que 
mais chamam a atenção dos alunos. Propor um problema ou um desafio e pedir 
aos alunos para que tentem resolvê-lo, refutando ou aceitando determinadas 
possibilidades, instiga neles a curiosidade e faz com que raciocinem. 
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
9
Argumentar cientificamente, conforme Costa (2008), consiste em propor, 
criticar, avaliar e sustentar ideias. A partir desse exercício, fazemos com que os 
estudantes sejam capazes não somente de constatar os fatos aos quais são expostos, 
mas também de justificar suas ideias, por que estão aceitando ou refutando 
determinado fato, mesmo diante de um possível confronto com pessoas que 
tenham ideias contrárias. 
Quer aperfeiçoar sua capacidade de argumentar? A seguir, listaremos 
algumas dicas para desenvolver uma boa argumentação. Estas dicas foram 
desenvolvidas a partir dos critérios utilizados pelo Modelo de Toulmin, 
desenvolvido em 1958. Este modelo é um instrumento que serve como parâmetro 
para compreendermos qual é a função da argumentação na construção do 
conhecimento (TOULMIN, 2001). 
• O argumento só será coerente se a pessoa conhecer muito bem sobre o que está 
falando. 
• Para que o seu raciocínio esteja correto, apresente no início do seu discurso, 
seja ele oral ou escrito, o assunto do qual falará. Evite as contradições. 
• Amarre as ideias, ou seja, faça o seu ouvinte ou leitor antecipar a conclusão. 
Assim, será mais fácil de ele concordar com o que está sendo dito/escrito. 
• Examine o que está em discussão e elimine as ideias que não sejam reais. 
• Seja persuasivo, induza o seu leitor ou ouvinte a aceitar a ideia. Não seja 
insistente, mas seja certeiro. 
• Tome cuidado com o conceito de verdade. A verdade é diferente da opinião, do 
ponto de vista ou experiências pessoais. 
• Não insista em convencer o ouvinte ou leitor de que sua opinião está 
absolutamente correta, porém, esteja seguro do que está falando e mostre que 
conhece o assunto que está abordando. 
• Use a argumentação como um processo discursivo, ou seja, disponha o 
assunto metodicamente, de forma que as ideias influenciem o raciocínio de 
quem lê ou ouve. 
O desenvolvimento da argumentação não acontece igualmente com todos 
os alunos na sala de aula (ou fora dela). Ele se desenrola de acordo com o interesse 
e com o contexto no qual o estudante está inserido. Ensinar a argumentação é, de 
fato, uma tarefa árdua, haja vista a importância de melhorar o desempenho dos 
alunos, especialmente quando se trata da argumentação oral.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
10
3 O PROCESSO DE APROPRIAÇÃO DA ESCRITA
Agora que já trabalhamos a questão da argumentação, nossa conversa 
será direcionada ao processo de apropriação da escrita. Sabemos que, desde cedo, 
a criança é exposta ao mundo das letras. Mesmo ainda não sendo alfabetizada, 
ela já compreende que a leitura proporciona lazer e auxilia na aquisição do 
conhecimento. A leitura deve ser encarada como um ato prazeroso e a criança deve 
ser instigada desde cedo a ler. Em consequência da leitura, vem a escrita (embora 
nem sempre nesta ordem, pois muitas crianças aprendem antes a escrever, depois 
a ler), que é o foco desta seção.
Apropriar-se da linguagem escrita é um processo investigado por 
pesquisadores há muito tempo por conta da sua complexidade. A nós, como 
professores, cabe compreender que somente o processo de alfabetização não é 
suficiente para formar leitores e escritores eficientes. Cabe a nós e a vocês, futuros 
professores, auxiliar nossos alunos a dar sentido ao que leem. 
De acordo com Goulart (2000), quando se trata de alfabetização, o que se 
vê nas escolas tradicionais é que a alfabetização se dá a partir da escolha de um 
método escolhido pelo professor alfabetizador. Segundo Goulart (2000, p. 158), 
“[...] esses métodos são regulados pela escolha de uma unidade linguística básica, 
que pode ser o fonema, a sílaba, a palavra, guiados por um critério de gradação 
de fonemase de padrão silábico”. 
O ato de escrever torna-se dependente da fala, ou seja, a escrita passa a ser 
vista como uma transcrição da fala, e não um processo separado dela. Deste modo, 
os textos aos quais a criança em processo de alfabetização tem acesso são palavras 
descontextualizadas, cuja troca de fonemas forma novas palavras e assim por diante. 
Este tipo de método pode criar um ambiente de alfabetização desconectado 
da realidade da criança. Os textos que a criança utiliza na sua vida social por vezes 
acabam sendo diferentes do que é ensinado na escola, o que faz com que a criança 
se desinteresse pela prática de ler/escrever. Para descontrair, leia a tirinha de Calvin: 
FIGURA 2 - TIRINHA 
FONTE: <http://escreverbem.com.br/wp-content/uploads/2013/10/calvin_red.jpg>.
Acesso em: 2 mar. 2016.
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
11
A partir da leitura da tira de Calvin, podemos inferir que a escrita 
envolve muito mais do que apenas codificar símbolos e combiná-los, mas sim, 
que é necessário organizar os pensamentos e compreender qual é o real objetivo 
da escrita. De acordo com Goulart (2000), o processo de alfabetização deveria 
garantir que a criança aprendesse de maneira a compreender o que lê e escreve, 
tornando-a, assim, usuária da linguagem escrita, não apenas decodificadora de 
sons. Este processo é uma prática que vem com o tempo. 
Para Vygotsky (1988), o aprendizado da linguagem escrita representa um 
considerável salto no desenvolvimento do ser humano. O autor faz ferrenhas 
críticas aos posicionamentos da Pedagogia e da Psicologia que veem a leitura 
apenas como processo que desenvolve a habilidade motora. Para ele, alguns 
métodos apenas ensinam as crianças a traçar letras e com elas formar palavras, 
mas não as ensina efetivamente a serem usuárias da linguagem escrita. 
A linguagem escrita é um processo que vai além do mecanismo de produzir 
palavras e frases. Para Vygotsky (1988, p. 143), aprender a escrever começa “[...] 
muito antes da primeira vez que o professor coloca um lápis na mão da criança 
e mostra como formar letras”. A linguagem escrita trata-se de um sistema de 
signos, dos quais o brinquedo, o desenho e o gesto fazem parte.
Para Vygotsky (1988), o desenho já é considerado uma forma de escrever. A 
criança só começa a desenhar quando a linguagem falada já evoluiu bastante. Os desenhos 
têm por base a linguagem verbal da criança. Lembre-se: o desenho é o primeiro estágio 
escrito da criança, que se tornará mais tarde a escrita alfabética.
UNI
Apropriar-se da escrita não significa somente saber escrever, juntar 
símbolos e formar frases. A apropriação da escrita é uma questão de treino e 
de exaustiva prática leitora. Somente aprendemos a escrever bem quando nos 
tornamos leitores assíduos.
3.1 O USO DO TEXTO PARA A APROPRIAÇÃO DA ESCRITA
Um dos métodos mais eficazes para se tornar um bom escritor é ser um 
leitor assíduo. No Brasil, a leitura é uma prática apreciada por poucos. De acordo 
com Allencastro (2012), pesquisas indicam que apenas 4,7 livros por ano são lidos 
pelos brasileiros, sendo que, desses, 3,4 são obrigatórios. Observe a tira a seguir:
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
12
FIGURA 3 - CHARLIE BROWN E A LEITURA
FONTE: <http://i44.photobucket.com/albums/f29/tiras_snoopy/peanuts130.jpg>.
Acesso em: 4 mar. 2016.
A leitura é, infelizmente, vista por algumas pessoas como secundária. 
Embora não se saiba exatamente o motivo, pode-se inferir que, hoje, com o advento 
da tecnologia, há métodos mais rápidos de se adquirir informação do que pela 
leitura. É o caso da ilustração vista na tira de Charlie Brown: assistir a um programa 
de televisão parece ao personagem muito mais atraente do que escrever. 
Cabe ressaltar que a leitura é um método eficiente para adquirirmos um bom 
vocabulário, pois estamos em contato direto com a norma culta da língua e com um 
linguajar nem sempre comum. Ler e escrever textos auxilia muito na hora de escrever, 
contribuindo para que nossa produção seja coerente ao objetivo que se propõe. 
É necessário que a leitura, desde cedo, seja estimulada para que, mais 
tarde, o processo de escrita ocorra de forma natural e sem ser forçado, pois este 
caracteriza-se por certa individualidade, já que, em certos casos, o leitor envolve-
se mais com alguns tipos específicos de leitura. Na escola, o papel do professor 
é orientar o aluno a descobrir o tipo de leitura com o qual mais se identifica e 
quebrar a imagem de que ela é maçante e cansativa.
Um dos discursos mais ouvidos com relação à leitura em ambientes 
escolares é “eu não gosto de ler” ou “li Machado de Assis porque fui obrigado na 
escola”. Parte das leituras escolares ainda é (infelizmente) imposta pelo professor 
com o intuito de avaliar o aluno. Analise: tudo o que possui caráter avaliativo 
causa certa tensão, não é mesmo? Como querer que o aluno aprecie uma leitura 
se ela é imposta, e não estimulada?
É evidente o fato de que um dos papéis da escola é proporcionar ao aluno 
condições para produzir um bom texto escrito, afinal, a maior parte dos processos 
seletivos avalia a partir da produção escrita, porém, este objetivo só é alcançado 
com muita prática. Escrever bem não é tão fácil quanto parece ser e simplesmente 
seguir as regras que dizem que você deve ser claro ou escrever frases coesas e 
coerentes não o leva a ser um bom escritor de fato. 
Apropriar-se da escrita, como o título desta seção sugere, vai além de 
simplesmente escrever, mas ousamos dizer aqui que só se aprende a escrever 
escrevendo. Saber aonde se quer chegar também é um caminho para que a escrita 
tome seus rumos. Saber qual a finalidade da sua escrita e a quem o texto se 
destinará é um bom começo para uma excelente produção. 
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
13
Outro método que auxilia na produção de bons textos é a prática de 
reescrever. Você já ouviu alguém dizer que deixou seu texto na gaveta? Isso 
significa que o que é escrito precisa ser revisto sempre. Mais uma vez, ressaltamos a 
importância de ler. Se você pretende escrever um texto sobre determinado assunto, 
leia, pesquise, junte dados para que o processo de escrita seja feito com propriedade.
DICAS
O filme “O Substituto”, de 2011, aborda questões referentes à importância da leitura 
em sala de aula. Henry Barthes (Adrien Brody) é um professor de Ensino Médio que, apesar de 
ter o dom nato para se comunicar com os jovens, só dá aulas como substituto, para não criar 
vínculos com ninguém. Contudo, quando ele é chamado para lecionar em uma escola pública, 
encontra-se em meio a professores desmotivados e adolescentes violentos e desencantados 
com a vida, que só querem encontrar um apoio para substituir seus pais negligentes ou ausentes. 
Sofrendo uma crise familiar, Henry verá três mulheres entrando em sua vida e vai começar a 
perceber como ele pode fazer a diferença, mesmo que isso tenha um alto custo.
Que tal assistir a um trecho? Acesse o endereço a seguir: <https://www.youtube.com/
watch?v=y9Zzd2sCUgk>.
Leia o texto a seguir e desenvolva três argumentos posicionando-se a 
favor do tema e três argumentos posicionando-se contra:
“A mídia é constituída pela indústria de comunicação e os profissionais que 
estão interligados a ela. Na maioria das vezes, essa associação é feita entre os 
canais de comunicação mais tradicionais, como emissoras de televisão e de 
rádio, revistas e jornais. Entretanto, ela abrange também as mídias exteriores 
(outdoor, mobiliários urbanos e frontlights), mídias on-line (banners em portais 
e post patrocinados) e o no media, que é formado pelas mídias alternativas, nas 
quais os anunciantes optam por divulgar sua marca de modo ímpar.
Com carácter cultural, de entretenimento e muitas vezes comercial, a mídia tem 
uma importância fundamental perante a sociedade, pois é por intermédio dos 
meios de comunicação e dos profissionais evolvidos que ocorre a disseminação 
de informação e a formação de opinião por meio da abordagem e domeio 
utilizado. A mídia, quando bem trabalhada, torna-se um meio de comunicação 
de impacto positivo e é por isso que há uma grande preocupação em se ter 
profissionais altamente qualificados para lidar com essa ferramenta”.
FONTE: AFINAL, o que é a mídia e para que ela serve? [s.l., s.n.], 2013. <http://nancyassad.com.
br/afinal-o-que-e-a-midia-e-para-o-que-ela-serve>. Acesso em: 9 jun. 2016.
AUTOATIVIDADE
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
14
3.1.1 Relação autor/leitor
Conforme estudamos anteriormente, para escrever bem é necessário 
também ler muito. Ler bons textos. Escrever também é uma forma de estabelecer 
vínculos. A partir do momento em que o leitor abre um livro para leitura, seja ela 
para deleite, para estudar ou para ter alguma informação que necessita, é criado 
um vínculo entre ele e o autor da obra. O texto, por mais completo que possa 
parecer, possui seus vazios, que acabam sendo preenchidos pelo leitor com as 
mais diversas significações. O leitor, a partir deste momento, apropria-se de um 
texto que foi escrito por alguém e estabelece uma conexão com o que está sendo 
lido e automaticamente entra em um “diálogo virtual” com o autor do texto, pois 
concordará, discordará e inferirá sobre o texto produzido por ele. 
Aqui está um bom motivo para afirmarmos, mais uma vez, que a leitura é 
uma ótima estratégia para aprimorar a comunicação, pois, mesmo sem estarmos 
em contato direto com o autor, podemos “conversar” com ele. No mundo 
tecnológico que hoje nos cerca, é cada vez mais difícil encontrar pessoas que 
se atenham à leitura de livros impressos, porém, o livro ainda não perdeu seu 
status perante a formação da intelectualidade. O hábito de ler também traz boas 
oportunidades de crescer profissionalmente. O contato precoce com a leitura e o 
fato de adquiri-la como um hábito contribui para que a pessoa seja bem-sucedida.
Ao autor cabe a responsabilidade de escrever um texto bom o suficiente 
para prender a atenção do leitor. É muito comum ver pessoas que começam a ler 
um livro e o abandonam na metade do caminho por não se sentirem atraídas pela 
leitura. Escrever textos curtos (como fábulas, crônicas e notícias, por exemplo) 
é diferente de escrever textos extensos (como romances, contos e novelas, por 
exemplo), mas a técnica é basicamente a mesma.
FIGURA 4 - FRANGOS DA LITERATURA 
FONTE: <http://www.ahmlk.org/wp-content/uploads/2014/06/Tirinhas-da-Mafalda-literatura.jpg>. 
Acesso em: 8 mar. 2016.
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
15
Assim como a tira de Mafalda nos sugere, a leitura encanta pelos seus 
mistérios, pelas descobertas que são feitas a partir dela. Seja para retirar alguma 
informação ou apenas para deleite, a inovação é essencial para que o leitor se 
mantenha atento à leitura, pois o previsível cansa. Cabe ao autor o papel de encantar 
a partir das palavras e, assim, conseguir manter o diálogo com seu leitor até o fim. 
Partiremos agora para o estudo da variação linguística, que é um dos 
fatores-chave para que possamos compreender o funcionamento da nossa língua. 
Assim como o estudo da relação do leitor e da leitura, que fazem parte dos estudos 
textuais da língua, o tema a seguir também traz inúmeras contribuições para que 
possamos aperfeiçoar nossos conhecimentos.
3.2 VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
Acadêmico, você sabe o que é variação linguística? Para iniciar a nossa 
conversa sobre esta temática, observe a seguinte imagem:
FIGURA 5 – VARIAÇÃO LINGUÍSTICA
FONTE: <https://diferencialenem.files.wordpress.com/2014/07/diferenc3a7a-regional.
png?w=368&h=300>. Acesso em: 3 mar. 2016. 
Na imagem, observamos dois personagens que travam um diálogo. Um 
representa um morador do Sul do país e outro do Nordeste. Além do humor 
contido na tira, fica evidente também a diferença no vocabulário utilizado por 
ambos. Esta diferença de vocabulário, apesar de morarmos no mesmo país, é 
muito comum. Este é apenas um dos tipos de variação linguística que veremos a 
partir de agora: a variação diatópica, ou seja, a variação que ocorre de acordo com 
a região do falante. Há também a variação diacrônica, a diastrática e a diamésica. 
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
16
A variação linguística é um fenômeno que ocorre em todas as línguas, 
sem exceção. Seja por causa do passar do tempo (variação diacrônica), da região 
na qual se vive (variação diatópica), pela convivência com determinados grupos 
sociais (variação diastrática) ou pela adaptação que fazemos de acordo com o 
contexto no qual estamos inseridos (variação diamésica), todos nós já passamos 
por momentos de variações linguísticas. 
O dialeto, as gírias, os jargões, os regionalismos e o popular “internetês” também 
são tipos de variações linguísticas, conforme estudaremos adiante.
UNI
Em um único país, e usaremos o Brasil como exemplo, podem ocorrer 
inúmeros tipos de variações linguísticas, conforme já observamos na imagem 
anterior. E você sabe por que isso ocorre? Porque a língua está em constante 
transformação. A língua é mutável. No Nordeste, as pessoas falam de forma 
diferente das pessoas que vivem no Sul, por exemplo, tanto no quesito vocabulário 
quanto nas questões de sotaque. Que interessante, não é mesmo? 
Observe a letra da música “Morena Rosa”, da banda gaúcha Os Serranos:
“Olha o tranco da morena rosa 
rebocada de ruge e batom 
olha o tranco da morena rosa 
rebocada de ruge e batom 
machucando a vaneira 
à sua maneira 
bombeando pro chão 
machucando a vaneira 
à sua maneira 
bombeando pro chão. 
 
Na penumbra do rancho costeiro 
do rancho costeiro 
polvadeira à meia costela 
à meia costela. [...]”
FONTE: FREITAS, T. L. Morena Rosa. <https://www.letras.mus.br/os-serranos/1470449/>. Acesso 
em: 8 ago. 2016.
Nesta letra podemos perceber um linguajar bastante peculiar, específico do 
Estado do Rio Grande do Sul. Há aqui uma boa sugestão de como trabalhar em sala 
de aula com seus alunos a variação linguística: a partir da música. Que tal?
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
17
DICAS
Muitas músicas abordam a questão da variação linguística: Samba do 
Arnesto, de Adoniran Barbosa; Love Song, de Legião Urbana; Chopis Centis, dos Mamonas 
Assassinas; Documento de Matuto, de Luiz Gonzaga, e muitas outras. Pesquise e torne 
suas aulas mais interessantes.
Estas diferentes formas de variação linguística não devem ser consideradas 
erros, mas sim, formas diferentes de falar. De acordo com Bagno (2007, p. 40),
O preconceito linguístico se baseia na crença de que só existe [...] uma 
única língua portuguesa digna deste nome e que seria a língua ensinada 
nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários. 
Qualquer manifestação linguística que escape desse triângulo escola-
gramática-dicionário é considerada, sob a ótica do preconceito 
linguístico, “errada, feia, estropiada, rudimentar, deficiente”, e não é 
raro a gente ouvir que “isso não é português”. 
Portanto, quando tratamos as variações como erros, caímos no preconceito 
linguístico, o que faz com que a língua seja vista como um qualificador, ou seja, 
quem fala o português “correto” possui mais status do que quem não o fala. 
Contudo, as variações ocorrem porque vivemos em uma sociedade complexa, na 
qual inúmeros grupos sociais vivem. 
Na escrita também ocorrem as variações linguísticas. Elas podem acontecer 
devido a inúmeros fatores, que incluem os objetivos do autor, para que público 
o texto se destina, qual sua intenção de uso, a que região será destinado, enfim. 
O gênero textual, que estudaremos mais adiante, é o que determinará a variante 
linguística mais adequada a ser usada em determinado momento. 
Em hipótese alguma podemos afirmar que alguma pessoa não sabe 
falar português. Bagno (2007, p. 19) afirma que “[...] todo falante nativo de uma 
língua sabe essa língua. Saber uma língua, no sentido científico do verbo saber, 
significa conhecer intuitivamente e empregar com naturalidade as regras básicas 
de funcionamentodela”. Assim, apesar de muitas das variações que ocorrem 
no Brasil não serem consideradas de prestígio por muitos, não devemos fazer 
com que a língua seja um mecanismo de segregação social nem contribuir para o 
preconceito linguístico.
3.2.1 Gírias
Conforme vimos nas sessões anteriores, a variação diastrática é aquela que 
ocorre a partir do convívio com determinados grupos sociais. Esse convívio acaba 
criando formas de linguagem específicas para estes grupos. Há, basicamente, dois tipos 
de variações popularmente conhecidas, e as estudaremos agora: as gírias e os jargões.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
18
Você, em algum momento de sua vida, já deve ter ouvido algum grupo 
específico de pessoas utilizando gírias, correto? A gíria é uma manifestação 
linguística caracterizada justamente por sua natureza específica. Restringe-se a um 
pequeno grupo de falantes que adotam a gíria como sua marca registrada. Por ter 
sido durante muito tempo relacionada a classes sociais de menor prestígio social, 
a gíria sempre foi permeada por grande preconceito linguístico e nunca mereceu 
estudos específicos a seu respeito, o que vem mudando há algum tempo. 
Bagno (2007) observa que o uso da gíria perdeu um pouco sua qualificação 
de desprestigiada. Mesmo sendo criada para ser utilizada por pequenos grupos 
de falantes, a gíria é cada vez mais popular e aparece na língua falada por toda a 
comunidade, independente do seu nível social, econômico, cultural ou faixa etária. 
FIGURA 6 - GÍRIAS 
FONTE: <http://www.estudopratico.com.br/wp-content/uploads/2013/11/linguagem-formal-e-
informal.jpg>. Acesso em: 4 mar. 2016. 
Observando a figura, podemos perceber que não estamos em um mundo 
tão diferente deste, correto? Os alunos cada vez mais utilizam gírias em seu 
vocabulário. Por ser uma marca linguística de grande volatilidade, modifica-se 
muito rapidamente, e nós, professores, nem sempre conseguimos acompanhar 
tais mudanças, flagrando-nos, muitas vezes, como a personagem da tira. 
Diante do que estudamos, afinal, podemos ou não podemos utilizar 
gírias em nosso dia a dia? Bagno (2007, p. 129) nos esclarece essa dúvida: “Falar 
gíria vale? Claro que vale: no lugar certo, no contexto adequado, com as pessoas 
certas”. Portanto, cabe ao falante observar a quem fala, quando fala e onde fala 
e, a partir disso, ter o bom senso de utilizá-la somente em contextos adequados.
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
19
3.2.2 Linguagem técnica e/ou jargão
O jargão, assim como a gíria, é um modo de falar utilizado em pequenos 
grupos, estes, diferentemente da gíria, geralmente ligados a alguma profissão 
específica. É a linguagem científica trazida para o cotidiano. Existe o jargão dos 
médicos, dos advogados, dos técnicos em informática, entre outros. 
FIGURA 7 - JARGÕES
FONTE: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/images/sps12_capa3.jpg>.
Acesso em: 8 mar. 2016. 
Assim como a imagem nos sugere, é complicado compreender o jargão 
quando não fazemos parte do grupo que o utiliza. Observe outra situação: 
Imagine que você está em uma loja de produtos de informática e quer adquirir 
um produto. O atendente mostra o que foi pedido e diz:
- A mochila vem com um mouse ótico USB com scrolling de quatro direções 
e conexão Plug&Play.
Certamente, você compreendeu pouco do que ele quis dizer, correto? Isso 
porque o jargão profissional é um discurso de difícil compreensão para quem não 
faz parte do meio onde ele é falado. É claro que, sendo um bom vendedor, este 
atendente compreende que deverá utilizar um linguajar mais simples para que a 
mensagem possa ser compreendida. 
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
20
4 MODALIDADES DA LÍNGUA: SUAS PARTICULARIDADES
Agora que você já sabe o que é a variação linguística, vamos estudar um 
pouco sobre as particularidades da linguagem oral e escrita. Conforme nossos 
estudos anteriores, você já deve ter percebido que muito do preconceito linguístico 
ocorre pelo fato de algumas pessoas acreditarem que a fala deve ser igual à 
escrita. Ledo engano! Aqui, abordaremos brevemente sobre as particularidades 
da língua oral e da língua escrita e você compreenderá que, apesar de fazerem 
parte do mesmo idioma, são bem diferentes. 
A escrita, diante da fala, possui uma grande vantagem, que é a possibilidade 
de planejamento. Desta forma, não se pode dizer que a fala “correta” deve ser 
como a escrita, pois muitas são as características da escrita que não podem ser 
contempladas na fala. A escrita necessita de regras, enquanto a fala é mais natural, 
sendo este um dos motivos pelos quais aprendemos a falar antes de escrever. A 
fala é adquirida a partir da imitação do que ouvimos. A escrita não é apenas 
a transcrição fonética do que ouvimos. Requer conhecimentos gramaticais. 
Além disso, a escrita é considerada registro, ou seja, pode permanecer por anos 
inalterada, enquanto a fala possui característica efêmera.
Cabe aqui salientar que a língua falada e a língua escrita apresentam 
algumas características que as diferenciam potencialmente, mas não o suficiente 
para separá-las em segmentos diferentes. Embora façam parte do mesmo idioma, 
a escrita não deve ser vista como uma transcrição da fala, bem como a fala não 
pode ser considerada uma reprodução da escrita. A partir de agora, estudaremos 
mais especificamente as características de cada uma. 
De acordo com Marcuschi (2001), tanto a fala quanto a escrita são vistas 
como práticas sociais. Elas não devem, de acordo com o autor, ser vistas de forma 
dicotômica, mas sim, como parte de um processo que visa à comunicação tanto 
formal quanto informal. Portanto, podemos afirmar que a fala e a escrita são usos 
da língua, sendo que as formas buscam adequar-se ao uso. 
Você sabe o que quer dizer a palavra dicotomia dentro do contexto da língua? 
É a divisão de algum elemento em duas partes. Ferdinand de Saussure estudou, no contexto 
da língua, quatro dicotomias: sincronia e diacronia, língua e fala, significado e significante, 
sintagma e paradigma. 
UNI
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
21
Para Marcuschi (2001), cada uma delas possui modalidades discursivas e 
características particulares. As diferentes pesquisas feitas ao longo dos anos costumam 
representar a língua oral e a escrita como completamente diferentes, mas deve-se 
levar em conta que as modalidades analisadas pertencem a diferentes fenômenos 
discursivos, bem como a gêneros diferentes, cujos objetivos são muito variados. 
Você já pensou em comparar, por exemplo, um artigo científico e uma conversa 
entre mãe e filho? É lógico que as diferenças são gritantes, pois as características e os 
objetivos dos textos são os mais diversos possíveis. Marcuschi (2001) propõe, em seus 
estudos, a análise das formas textuais a partir de um contínuo tipológico. 
No contínuo tipológico proposto por Marcuschi (2001), há gêneros orais 
e escritos que se assemelham muito e outros que divergem significativamente. 
Um artigo científico e uma conferência, por exemplo, são gêneros muito 
parecidos, embora um seja escrito e outro oral. Já um bilhete (escrito) difere 
muito de uma conferência (oral). 
Para ilustrar o contínuo tipológico, Marcuschi (2001) desenvolve um gráfico 
esquematizando sua teoria. Ele afirma que a fala é vista como um fenômeno mutável, 
que varia com frequência, já a escrita é vista como um fenômeno estável e pouco variável. 
A noção do contínuo tipológico proposto pelo autor deixa claro que há mais 
semelhanças do que diferenças entre a fala e a escrita. Observe o quadro que segue:
QUADRO 1 - REPRESENTAÇÃO DO CONTÍNUO DOS GÊNEROS TEXTUAIS
NA FALA E NA ESCRITA
FONTE: Marcuschi (2010, p. 41)
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
22
4.1 A FALA E OS ACONTECIMENTOS
A fala é um dos contatos mais próximos do ser humano em sociedade. Há, 
na fala, alguns elementos específicos que não ocorrem na escrita. Vamos a eles?• Marcadores conversacionais: são os elementos que não fazem parte do 
conteúdo, mas que estão presentes na fala. Exemplo: Bem, eu acho que... 
entende? 
• Marcas de prosódia: significa entonar mais uma sílaba que queremos destacar 
dentro da palavra, ou mesmo uma palavra inteira. Exemplo: Eu não faLEI que 
seria inútil? 
• Repetição de itens: como o nome já diz, ocorre quando o falante repete alguma 
informação. Exemplo: Eu chamei a menina e a menina, ela não veio. 
Além desses elementos, podemos ainda citar os gestos corporais, as 
expressões faciais e a entonação de voz. Os truncamentos, as pausas e as 
hesitações também são comuns em processos de fala. 
O evento de fala ocorre sempre em um tempo e em uma situação social, 
seja ela face a face, por telefone ou pela internet, e é comum em nossa sociedade. 
Embora os meios sejam diferentes, há interatividade em todos, o que caracteriza 
esse evento como um acontecimento. É durante esse acontecimento que ocorre, 
segundo Andrade (2011), a constituição de um fluxo, ou seja, um movimento de 
avanço e recuo, de produção textual organizado.
Ainda de acordo com Andrade (2011, p. 6), a produção de um texto falado 
exige esforços de ambos os participantes da conversa para “alinhar” os objetivos. 
Além disso, são também necessárias habilidades e conhecimentos além da 
gramática, pois o falante deve saber decodificar mensagens isoladas, “dado que as 
atividades conversacionais apresentam propriedades dialógicas que diferem das 
propriedades dos enunciados ou dos textos escritos”. A autora ainda afirma que: 
De fato, para interagir em uma conversação, é preciso que os 
participantes consigam inferir do que se trata o evento e o que 
se espera de cada interlocutor. As características apresentadas 
permitem afirmar que o texto conversacional é criação coletiva, 
pois é produzido não só interacionalmente, mas também de forma 
organizada (ANDRADE, 2011, p. 11). 
Portanto, a fala não é individual. A organização a que nos referimos é, de 
certa forma, imprevisível. Por este motivo, podemos prever sua estrutura, porém, 
não exatamente como ela ocorrerá. Há na fala cortes, retomadas, interrupções e 
desvios de assunto que podem “mudar o rumo” do que era antes planejado para 
determinado evento de fala. Estas ocorrências fazem parte do processo.
A partir deste estudo é possível compreender que as diferenças entre o oral 
e o escrito ocorrem durante a produção deles, ou seja, é necessário observar que é no 
uso que a língua acontece, tanto na escrita quanto na fala. É no uso que as formas de 
produção discursiva se efetivam. Vamos às especificidades de cada uma?
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
23
4.2 O REGISTRO ESCRITO E A CRIAÇÃO DA HISTÓRIA 
DOCUMENTADA
A escrita na nossa sociedade passou a ser vista como um bem indispensável 
para a sociedade, haja vista a sua utilidade. Marcuschi (2001) afirma que a prática 
da escrita passou a ter mais status que a fala, pois representa a educação e a 
civilização das pessoas. Embora a fala possua características que não possam ser 
representadas pela escrita, a escrita também possibilita ações que não podem ser 
efetuadas pela fala. Uma destas ações é o registro.
Você já parou para pensar quantos registros pessoais há sobre você? 
Podemos começar citando a impressão digital, por exemplo, que é um registro 
que possibilita identificar-nos nos mais diferentes tipos de situações. Há também 
o nosso RG (Registro Geral), que é um documento obrigatório a todos os cidadãos 
e que nos identifica perante a lei. O CPF, a Certidão de Nascimento, as fotografias, 
o passaporte, a carteira de habilitação e a carteira de trabalho são apenas mais 
alguns exemplos de registros que contam um pouco da nossa história. 
Além dos registros pessoais, há também os registros documentais e 
históricos, a partir dos quais podemos conhecer, além da nossa história pessoal, 
também a história da nossa sociedade, o que contribui imensuravelmente para 
a constituição da nossa identidade. Graças a esses documentos registrados por 
escrito, podemos compreender fatos ocorridos no passado.
Os documentos históricos dividem-se em: escritos, iconográficos, sonoros, 
orais, materiais e visuais. 
• Escritos e iconográficos: desde crianças, convivemos com muitos documentos que 
trazem informações sobre nós. Essas informações estão em imagens e textos. Podemos 
entender por documentos escritos as cartas, as certidões, textos de jornais e revistas. 
As fotografias, ilustrações, desenhos, obras de arte, gravuras são documentos históricos 
iconográficos. As imagens são importantes fontes de informação para conhecermos não 
só a nossa história, mas a história de toda uma sociedade, um país, uma nação.
• Sonoros: músicas e gravações são documentos que lembram, em algum momento de 
nossas vidas, fatos importantes. Determinadas músicas são perfeitos hinos de expressão 
de liberdade, de democracia, que fizeram parte da história do país, ou, simplesmente, 
lembram épocas importantes.
• Orais: fatos que alguém conta e que ajudam a identificar uma história são considerados 
documentos históricos orais.
• Visuais: os filmes e desenhos animados vistos na televisão ou no cinema são exemplos 
de documentos históricos visuais.
• Materiais: as roupas, os brinquedos, os móveis, os cadernos, livros, automóveis e 
construções são considerados documentos históricos materiais.
FONTE: O QUE são documentos históricos? [s.l.: s.n.], 2014. <http://www.colegioweb.com.
br/historia/documentos-historicos.html>. Acesso em: 11 mar. 2016.
UNI
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
24
Do mesmo modo que a fala, o ato de escrever necessita de um objetivo, 
porém, o alcance deste objetivo não cabe somente ao escritor. A compreensão 
do texto pelo leitor não depende somente da semântica, mas também das pistas 
deixadas pelo escritor ao longo do texto. Elas orientam o leitor a encontrar o 
sentido que o escritor pretende que se atribua no ato da leitura. Por este motivo, 
ressaltamos a necessidade de escrever de forma clara, deixando as pistas à mostra 
para que o leitor possa compreender o sentido que o escritor quis dar ao texto. 
4.3 O SER HUMANO E A PRODUÇÃO DE SIGNIFICADOS
A produção de significado é constante na vida do ser humano. Quando 
observamos um anúncio, olhamos para uma fotografia, ouvimos uma canção ou 
jogamos, produzimos significados. Pode-se afirmar que, quando lemos, também 
produzimos significados. A leitura é, de acordo com Lerner (2002), um ato 
concentrado na construção de significado.
A criança, quando começa a ler, passa a compreender que um determinado 
grupo de letras forma palavras e estas, juntas, formam textos que possuem 
diferentes objetivos. Um texto pode ter como finalidade informar, distrair, 
denunciar, anunciar, divertir, orientar e inúmeras outras funções. A cada uma 
delas, a criança atribuirá significados específicos.
Desde o início do processo de aprendizagem da leitura, o objetivo do 
professor deve ser, conforme Lerner (2002), ensinar a criança na construção do 
significado. Para que isso possa ocorrer, é importante ter contato com o mundo 
escrito para poder “senti-lo” e, assim, ir aumentando cada vez mais a competência 
linguística com relação à escrita.
As situações de leitura e de escrita devem ser muito presentes na escola 
e tornar-se rotineiras, para que as crianças possam percebê-las como comuns no 
meio em que vivem. Deixar à disposição das crianças materiais escritos para que 
possam manuseá-los, observar suas figuras e fazer as previsões necessárias para 
a construção de significados são estratégias a serem utilizadas para desenvolver 
nas crianças o hábito.
Lerner (2002) ainda afirma que a produção de texto oral também é uma 
grande alavanca para aprimorar a construção de significados na criança. O desafio, 
segundo a autora, é dar à criança uma situação-problema para que ela possa sugerir 
soluções, uma maneira prática de verificar se a criança está realmente produzindo 
significados.Quanto antes a criança for estimulada a ler produzindo significados, 
antes ela perceberá a importância dos usos sociais da leitura e da escrita.
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
25
DICAS
Ser letrado significa ler e compreender o que está sendo lido de forma 
a conseguir fazer inferências no texto. Estudaremos o conceito de letramento mais 
profundamente na Unidade 3.
5 FENÔMENOS COMUNICACIONAIS: COMUNICAÇÃO 
DE MASSA E COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL
Acadêmico, nesta etapa da Unidade 1 abordaremos dois fenômenos 
comunicacionais de grande relevância para a compreensão da finalidade do texto: 
a comunicação de massa e a comunicação interpessoal. Ambas se complementam, 
conforme veremos adiante, mas, antes de prosseguirmos, vamos estudar o que 
cada um desses tipos de comunicação significa?
Iniciaremos explicando como ocorre a comunicação. Ela envolve três 
elementos básicos: emissor, mensagem e receptor. É a partir deles que a 
comunicação se efetiva. Para compreender o caminho percorrido pela mensagem e 
os processos pelos quais ela passa até chegar ao receptor, observe a figura a seguir:
FIGURA 8 - PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO
FONTE: <http://image.slidesharecdn.com/gestoelideranadepessoas1e2-140917071734-phpapp01/95/
gesto-e-liderana-de-pessoas-aulas-1-e-2-19-638.jpg?cb=1411220532>. Acesso em: 17 mar. 2016.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
26
Nesta imagem, há no topo do gráfico a mensagem, que é codificada pelo 
emissor de acordo com o canal que se deseja utilizar para transmiti-la. Por exemplo, 
se a mensagem for enviada por carta, deverá ser codificada a partir da escrita. Se 
for via telefone, deverá ser codificada pela fala. O receptor é a pessoa que recebe 
a mensagem e a decodifica. A compreensão ou não da mensagem vem através do 
feedback, que é a devolutiva que o emissor recebe da mensagem que enviou.
Fique atento! De acordo com a corrente teórica adotada, a nomenclatura de 
cada um dos elementos da comunicação pode variar. O emissor pode também ser chamado 
de falante e o receptor, de ouvinte. Note também que o processo de comunicação é um 
ciclo que se repete a cada mensagem emitida.
UNI
O ruído é uma interferência que pode ocorrer em qualquer uma das etapas 
da comunicação, por exemplo: pode ocorrer o uso inadequado do vocabulário 
pelo emissor, pode ocorrer uma falha na ligação e o receptor não compreender 
corretamente a mensagem, pode ocorrer ambiguidade e o receptor compreender 
de forma equivocada a mensagem, e inúmeros outros ruídos que possam 
prejudicar a compreensão plena da mensagem.
5.1 A QUESTÃO DA INTERAÇÃO SOCIAL E A 
COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL
Por mais que o ser humano seja independente, em algum momento de sua 
vida ele precisará (sim, ele precisará!) comunicar-se com outro para que possa 
sobreviver. A troca de informações entre as pessoas é uma das necessidades básicas 
de sobrevivência, seja para conseguir alimento, para adquirir conhecimento ou 
simplesmente para socializar suas experiências com o outro. 
Há muitas pessoas que possuem mais facilidade de comunicar-se com 
outras, são as que chamamos de extrovertidas, já outras são mais recatadas e de 
“poucas palavras”. Se a comunicação fosse uma prática fácil, não haveria tantos 
problemas de comunicação entre as pessoas que, muitas vezes, acabam gerando 
sérios problemas para os envolvidos.
A troca de informações entre duas ou mais pessoas, de acordo com Oliveira 
(s.d.), chama-se comunicação interpessoal. Esta troca tem a intenção de motivar 
ou influenciar um determinado comportamento. As informações transmitidas 
entre os falantes são permeadas pelos costumes, pela formação escolar, pelas 
vivências e pelas emoções do emissor, que é aquele que transmite a mensagem. 
Chamamos estas particularidades de filtro cultural.
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
27
A comunicação interpessoal pode ocorrer a partir da mímica, da conversação, 
da internet, do telefone, da televisão e do rádio. Cada mensagem enviada possui 
uma finalidade e o emissor espera que o receptor consiga compreendê-la de forma 
plena, para assim conseguir atingir os objetivos que pretende alcançar. Cada 
receptor, de acordo com Oliveira (s.d.), processa a mensagem de acordo com os 
seus objetivos e a transforma em informação/conhecimento.
Na comunicação interpessoal, para que a comunicação seja bem-sucedida, 
é necessário que, além de uma boa transmissão, também haja uma boa aceitação 
da mensagem. A grande diversidade cultural na qual vivemos, muitas vezes, 
nos engana, e o que parece estar óbvio para nós não é tão claro assim para o 
interlocutor que recebe a mensagem. 
Almeida (2013) nos apresenta dez razões pelas quais devemos investir 
na comunicação interpessoal. Nós as apresentaremos a você de forma 
resumida. Vejamos: 
1- Conhecer novas culturas. A comunicação interpessoal proporciona a você 
conhecer culturas que jamais você conheceria se não se comunicasse com 
outras pessoas. 
2- Aprender. Se você é uma pessoa aberta à comunicação, está sempre 
aprendendo algo novo. 
3- Quebrar os paradigmas formados ao longo de sua vida também pode ser 
uma ação proporcionada a partir da comunicação, que possibilita a sua 
evolução pessoal. 
4- Exercitar a comunicação possibilita mostrar suas ideias. A pessoa tímida, muitas 
vezes, acaba perdendo a oportunidade de pronunciar-se quando possível. 
5- Ampliar a rede de relacionamentos, fazer novas amizades. 
6- Praticar a comunicação também demonstra seus sentimentos. Por meio do 
tom da sua voz, por exemplo, podemos saber se você está com raiva ou feliz. 
7- A partir da comunicação interpessoal, você mostra aos outros que existe e 
tem opinião própria. 
8- A troca de ideias evita conflitos. 
9- Uma equipe eficaz não fica em silêncio. O desempenho se dá pela troca. 
10- Saber como os outros nos percebem. A partir disso, desenvolvemos o 
autoconhecimento.
 
 Agora, já sabemos um pouco mais sobre o que é a comunicação interpessoal 
e para que ela serve, correto? Vamos adiante, pois temos muito a estudar.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
28
5.2 A COMUNICAÇÃO NAS MULTIDÕES MEDIADA PELA 
INTERNET
Os meios de comunicação em massa são canais que veiculam informações 
a uma grande quantidade de pessoas ao mesmo tempo. Podemos citar como 
exemplos a televisão, o rádio, o jornal e a internet, que é o foco desta seção. A mídia 
utiliza os meios de comunicação em massa para informar, entreter, persuadir, 
comercializar, entre outros. A comunicação em massa tem seus benefícios, mas 
também deve ser analisada criticamente de acordo com alguns aspectos. 
Observe a tira de Quino: 
FIGURA 9 - TIRINHA DE QUINO 
FONTE: <http://s5.static.brasilescola.com/img/2014/02/mafalda-poliss%C3%AAmica.jpg>. 
Acesso em: 10 maio 2016. 
Mafalda e seu amigo Filipe, nesta tira de Quino, afirmam que a televisão é 
um veículo de cultura. A questão levantada por Mafalda é justamente que tipo de 
cultura a mídia veicula, já que ela está assistindo a um programa aparentemente 
violento, com tiros. A personagem parece não compreender a finalidade do 
programa que está assistindo, e não concorda com o conceito de cultura ali 
exposto. Por este motivo, ela utiliza a palavra veículo no seu sentido denotativo e 
afirma que se fosse a cultura, saltaria do veículo e iria a pé. 
Kellner (2001) afirma que os meios de comunicação, muitas vezes, acabam 
por transgredir as convenções, fazendo com que haja posições conflitantes de 
acordo com a exposição de determinados produtos/serviços. Os meios de 
comunicação massiva podem tanto divulgar ideias de uma classe controladora 
quanto promover “forças de resistência e progresso” (KELLNER, 2001, p. 27). 
Com o advento da tecnologia, a internet ocupou grande parte do espaço 
na mídia social. As pessoas acessam o que quiserem ler, na hora que desejarem. 
A internet tornou-se prática, de rápido acesso e proporciona grande comodidade 
para seus usuários. Outro aspecto que chama a atenção é arapidez com que a 
internet expandiu seus horizontes. Com o acesso a dados móveis, o usuário pode 
acessar a internet também por smartphones e tablets.
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
29
FIGURA 10 - A EVOLUÇÃO DA COMUNICAÇÃO PELA INTERNET
FONTE: <https://johnb711.files.wordpress.com/2015/03/fb43f87fbe30039052dd7a7167d63694.
jpg?w=279&h=300>. Acesso em: 20 mar. 2016. 
A imagem representa a evolução da comunicação mediada pela internet. 
Com uma dose de humor, ela mostra que há algum tempo era incomum as 
pessoas receberem e-mails, pois as cartas eram o meio de comunicação mais eficaz 
até então. Em pouco tempo, a situação inverteu-se: as pessoas quase não recebem 
mais cartas, pois a facilidade, a rapidez e a gratuidade do e-mail facilitaram muito 
a troca de informações. 
Além do e-mail, também podemos citar as redes sociais, a partir das quais 
podemos criar grupos e nos comunicar de acordo com o objetivo de cada um. As 
pessoas têm acesso a fotos, informações pessoais e podem, inclusive, comentar 
acerca de algum acontecimento. Por este motivo, é necessário tomar cuidado, 
pois, ao mesmo tempo em que a comunicação mediada pela internet auxilia e 
facilita muitos processos, ela pode também expor informações importantes a seu 
respeito que podem ser utilizadas para diversas finalidades.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
30
1 A internet, ao passo que aproximou as pessoas facilitando o contato a partir 
das redes sociais, também as distanciou, pois o diálogo face a face diminuiu, 
as pessoas visitam-se com menor frequência e saem menos de casa. Esse 
fato ocorre com mais intensidade entre a população jovem, que aprendeu a 
conviver com a tecnologia desde o nascimento. Acadêmico, leia o texto que 
segue e crie uma carta como se fosse enviá-la ao jornal que publicou o texto. 
Nela, você poderá posicionar-se a favor ou contra o tema. 
A tecnologia e a internet aproximam ou afastam as pessoas? 
O avanço tecnológico na comunicação durante as últimas décadas é indiscutível. 
Nos dias de hoje, é difícil encontrar alguém que não tenha um celular com 
3G no bolso, um computador com internet em casa ou algum outro aparelho 
eletrônico também com acesso à internet. Todo esse aparato tecnológico trouxe 
muitos benefícios para as pessoas. Com alguns toques no celular, você pode 
conversar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Pelas redes 
sociais, você fica sabendo das novidades de todas as pessoas do seu círculo 
de amizade. Procurar emprego se tornou mais fácil. Vender os seus produtos 
também. Resumindo: o acesso à informação se tornou muito mais rápido e 
fácil. A internet democratizou o acesso à informação. Em contrapartida, muito 
se questiona sobre a mudança que toda essa tecnologia trouxe para a forma 
como nos relacionamos. O contato visual, a conversa, o contato físico, muitas 
vezes, é deixado de lado e acaba sendo trocado por uma conversa virtual, um 
jogo on-line ou então uma busca em um site de busca.
FONTE: A TECNOLOGIA e a internet aproximam ou afastam as pessoas? [s.l.: s.n., s.d.]. <http://
www.opolemico.com.br/Polemicas/tecnologia/74-a-tecnologia-e-a-internet-aproximam-ou-
afastam-as-pessoas#sthash.5yOA7j8E.dpuf>. Acesso em: 9 jun. 2016.
2 Qual é a primeira coisa que você faz quando entra na internet? Checa seu 
e-mail, dá uma olhadinha no Twitter, confere as atualizações dos seus contatos 
no Orkut ou no Facebook? Há diversos estudos comprovando que interagir 
com outras pessoas, principalmente com amigos, é o que mais fazemos na 
internet. Só o Facebook já tem mais de 500 milhões de usuários, que, juntos, 
passam 700 bilhões de minutos por mês conectados ao site - que chegou a 
superar o Google em número de acessos diários. [...] e está transformando 
nossas relações: tornou muito mais fácil manter contato com os amigos e 
conhecer gente nova. Mas será que as amizades on-line não fazem com que as 
pessoas acabem se isolando e tenham menos amigos off-line, “de verdade”? 
Essa tese, geralmente citada nos debates sobre o assunto, foi criada em 1995 
pelo sociólogo americano Robert Putnam. E provavelmente está errada. 
Uma pesquisa feita pela Universidade de Toronto constatou que a internet 
faz você ter mais amigos - dentro e fora da rede. Durante a década passada, 
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
31
período de surgimento e ascensão dos sites de rede social, o número médio 
de amizades das pessoas cresceu. E os chamados heavy users, que passam 
mais tempo na internet, foram os que ganharam mais amigos no mundo real 
- 38% mais. Já quem não usava a internet ampliou suas amizades em apenas 
4,6%. Como a internet está mudando a amizade. 
Superinteressante, n. 288, fev./2011 (com adaptações). 
No texto, o trecho entre colchetes foi suprimido. Assinale a opção que 
contém uma frase que completa coerentemente o período em que o trecho 
omitido estava inserido.
a) ( ) A internet é a ferramenta mais poderosa já inventada no que diz respeito 
à amizade.
b) ( ) A internet garante que as diferenças de caráter ou as dificuldades 
interpessoais sejam “obscurecidas” pelo anonimato e pela cumplicidade 
recíproca. 
c) ( ) A internet faz com que você “consiga desacelerar o processo, mas não 
salva as relações”, acredita o antropólogo Robin Dunbar.
d) ( ) A internet raramente cria amizades do zero - na maior parte dos casos, ela 
funciona como potencializadora de relações que já haviam se insinuado 
na vida real. 
e) ( ) A internet inova (e é uma enorme inovação, diga-se de passagem) 
quando torna realidade a “cauda longa”, que é a capacidade de elevar 
ao infinito as possibilidades de interação.
FONTE: INEP - ENADE 2011. <http://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/
provas/2011/LETRAS.pdf>. Acesso em: 3 jul. 2016.
5.3 CONTEXTOS INTERCULTURAIS: A COMPREENSÃO DAS 
DIFERENÇAS
Conforme já estudamos, a tecnologia evoluiu rapidamente e continua 
evoluindo a cada dia que passa. Com ela, evoluíram também os processos de 
comunicação e, sem sombra de dúvidas, também a cultura. Seja por causa de 
conflitos ou por causa da própria evolução, as relações humanas intensificaram-se 
após a ampliação do mercado global e da disseminação da internet pelo mundo. 
Com base nestas constatações, os estudos acerca da diversidade cultural 
ampliaram-se e muitos antropólogos passaram a dedicar-se aos estudos da 
interculturalidade. De acordo com Pierobon (2006), durante muito tempo, os 
próprios estudiosos não conseguiam diferenciar o termo interculturalidade 
de multiculturalidade. Para Alsina (apud PIEROBON, 2006, p. 8), “[...] o 
multiculturalismo corresponde à coexistência de distintas culturas em um mesmo 
espaço real, enquanto que a interculturalidade representa as relações efetivadas 
entre elas próprias”.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
32
O intercultural, segundo Pierobon (2006), parte do pressuposto de que as 
culturas não são isoladas, podendo encontrar-se manifestadas de três maneiras:
A primeira mostra que o contato entre diferentes culturas não deve conter 
uma relação de dominação e de não reconhecimento da cultura alheia. Já 
a segunda diz que, ao entrar em contato com uma cultura, é necessário 
que haja um diálogo, respeito e reconhecimento das particularidades 
dessas culturas, o que pode vir a modificar alguns símbolos existentes 
nessas culturas, devido à interação. E a última forma define a 
interculturalidade como uma relação entre duas ou mais culturas, porém 
com o reconhecimento de que o resultado de um diálogo não irá afetar ou 
modificar as diferentes culturas (PIEROBON, 2006, p. 10). 
A interculturalidade tem por desafio acabar com a dificuldade de 
aproximação das diferentes culturas, fazendo com que não sejam apenas 
toleradas ou respeitadas, mas sim interagir “em vista da busca de convergências 
que possam fundamentar a construção de uma sociedade intercultural, onde 
todos, com suas diversidades, tenham direito de cidadania”(MARINUCCI apud 
PIEROBON, 2006, p. 2).
Cabe inferir aqui que muitas foram as dificuldades encontradas ao longo das 
pesquisas acerca da interculturalidade. Alguns exemplos são o etnocentrismo, o choque 
cultural, os estereótipos e os mitos, que acabam por dificultar que a aplicação do estudo seja 
efetivada em algumas realidades.
IMPORTANT
E
A linguagem também é um dos principais fatores de interação intercultural. 
Para Pierobon (2006), somente é possível conhecer outras culturas caso haja um 
mínimo de compreensão acerca da língua desta cultura, pois é a partir dela que se 
trocam ideias, emoções são expostas. A linguagem também identifica a que grupo 
determinada pessoa pertence. De qualquer forma, pode-se inferir que apenas 
conhecer o idioma não é o suficiente para que se possa conhecer a fundo a cultura 
de determinada nação. 
Para que haja o conhecimento de outra cultura é necessário, além de 
conhecer o idioma, também compreender que não deve haver estereótipos acerca da 
cultura que se quer conhecer, o choque diante da diversidade apresentada deve ser 
minimizado e as generalizações devem ser evitadas. Para que a interculturalidade 
seja posta em prática e para que possamos compreender as diferentes culturas, 
devemos adentrá-las livres de qualquer tipo de preconceito, para que o contato 
inicial seja puramente de igualdade. Que tal praticar um pouco? 
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
33
Já é de praxe ouvir falar que para ser um bom escritor é necessário 
ser um bom leitor. Este parece ser um dos princípios do ensino da língua 
portuguesa: formar bons leitores e exímios escritores. Este é um dos motivos 
pelos quais os professores (não só de língua portuguesa) enchem seus alunos 
de leituras e, mesmo lendo muitos e muitos livros, por vezes, o aluno ainda 
não consegue produzir seus textos. Com base no exposto, classifique V para as 
sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) A leitura é um dos processos principais para o letramento da criança, 
portanto, a prática da leitura não deve ser abolida da sala de aula.
( ) Além de simplesmente ler esperando que o processo de produção da escrita 
aconteça naturalmente, deve haver por parte do professor a apresentação 
de uma sequência de atividades que ensinem ao aluno a estrutura do texto, 
suas funções e especialmente para que (e para quem) ele está escrevendo.
( ) Formar bons leitores é de responsabilidade única e exclusiva da escola, 
pois a família não tem a responsabilidade de fazer com que a criança 
desenvolva o gosto pela leitura. 
( ) O processo de escrita e de leitura não acontece naturalmente. Ele deve ser, 
de certa forma, estimulado, ou seja, a criança necessita estar exposta a um 
ambiente que proporcione a ela o estímulo à leitura. 
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V- F- F- V.
b) ( ) V- V- F- V. 
c) ( ) F- V- F- F. 
d) ( ) F- F- V- V.
AUTOATIVIDADE
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
34
A LEITURA E A CONSTRUÇÃO DO LEITOR EM POTENCIAL
Patrícia Ferreira Bianchini Borges
A leitura é um dos grandes, senão o maior, elemento da civilização. 
De acordo com Bakthin (apud BRANDÃO, 1997), o ato de ler é um processo 
abrangente e complexo de compreensão e intelecção do mundo que envolve 
uma característica essencial e singular ao homem: a sua capacidade simbólica de 
interagir com o outro pela manifestação da palavra. 
Com base na declaração de Bakthin, pode-se afirmar que ler não é 
unicamente decodificar os símbolos gráficos, é também interpretar o mundo 
em que vivemos. É, ao mesmo tempo, uma atividade ampla e livre, embora 
não seja uma prática neutra, pois, no contato de um leitor com um texto, estão 
envolvidas questões culturais, políticas, históricas e sociais presentes nas várias 
formas de tradição. Deste modo, quando lemos, associamos as informações lidas 
à grande bagagem de conhecimentos que temos armazenada em nosso cérebro e, 
naturalmente, somos capazes de interpretar, criar, imaginar e sonhar. 
Para que isso aconteça é necessário que haja maturidade para a compreensão 
do material lido, senão tudo cairá no esquecimento ou ficará armazenado em nossa 
memória sem uso, até que tenhamos condições cognitivas para utilizá-lo. A leitura 
representa, para o leitor, a ponte entre o mundo linguístico e o real, além de que o 
convívio com a literatura permite ao homem desvelar novos propósitos de reflexão e 
uma apuração estética que aguça as preferências por determinadas opções de leitura.
Bom leitor, no entanto, é aquele que lê fazendo observações, analisando e 
aprofundando-se nas ideias apresentadas pelo autor do texto, compreendendo e 
construindo mentalmente sua síntese ou resumo e que, por outro lado, aperfeiçoa-
se no vocabulário, nas variações semânticas das palavras, no sentido denotativo 
e conotativo das expressões de nossa língua, além de aprender a construir 
gramaticalmente correto o seu texto.
Segundo Zilberman (1987), é a posse dos códigos de leitura que muda o 
status da criança e a integra num universo maior de signos, o que nem a simples 
audição, nem o deciframento das imagens visuais permitem. Apesar dos obstáculos 
em torno da importância da construção do leitor em potencial, tais como a falta de 
acesso a livros pelas camadas populares ou a presença constante da televisão em 
nossas vidas (sem exigir quaisquer esforços do recebedor), é imprescindível sua 
existência e seu poder na construção da consciência crítica do indivíduo-leitor.
Questiona-se, então: por que é importante criar o hábito de leitura? De 
acordo com a consultora Maria José Nóbrega, de São Paulo, além de ser uma 
forma de entretenimento e de lazer, a leitura é um meio de aprendizado em 
qualquer área. “Lendo também nos mantemos atualizados sobre assuntos do 
nosso bairro, da nossa cidade, do nosso país”, afirma ela.
LEITURA COMPLEMENTAR
TÓPICO 1 | LÍNGUA E FENÔMENOS 
35
De acordo com Cunha (1994), a leitura é uma forma altamente ativa de lazer. 
Em vez de propiciar, sobretudo, repouso e alienação, como ocorre com formas 
passivas de lazer, a leitura exige não só um grau maior de consciência e atenção, 
como também uma participação efetiva do recebedor-leitor. Na atualidade, cabe, 
sobretudo à escola, o papel de mostrar o valor da leitura e o prazer que um bom 
texto pode trazer. Entretanto, a família e a sociedade, do mesmo modo, devem 
assumir o papel de desenvolver nas crianças formas ativas de lazer - que as tornem 
indivíduos críticos e criativos tanto quanto conscientes e produtivos. 
Partindo desses pressupostos, retoma-se o sujeito - o aluno ou leitor em 
potencial - e o objeto de estudo - o livro - como desencadeadores do estímulo à leitura, 
por meio de uma íntima relação do indivíduo com sua língua materna. E estimular 
esse leitor em potencial é investir em sua habilidade de mergulhar e envolver-se na 
magia e sabedoria dos livros que alimentam e embelezam. Ouvir e ler histórias é 
entrar em um mundo encantador, cheio ou não de mistérios e surpresas, mas sempre 
muito interessante, curioso, que diverte e ensina. É na relação lúdica e prazerosa da 
criança com a obra literária que temos uma das possibilidades de formação do leitor 
em potencial. É também na exploração da fantasia e da imaginação que se instiga a 
criatividade e se fortalece a interação entre texto e leitor.
A literatura infantil não pode ser utilizada como um “pretexto” para o 
ensino da leitura e para o incentivo à formação do hábito de ler. Para que a obra 
literária seja utilizada como um objeto mediador de conhecimento, ela necessita 
estabelecer relações entre teoria e prática. Sabendo-se que a leitura é um dos mais 
importantes meios de se chegar ao conhecimento, torna-se necessário aprender a 
ler, entretanto interessa mais ler com profundidade do que em quantidade, visto 
que ler é dar sentido às palavras.
Assim, saber ler é o ponto de partida para dominar toda a riqueza que um 
texto, literário ou não, pode transmitir, consequentemente,bom leitor é aquele 
que faz uma análise do texto lido, aprofundando-se na compreensão dos detalhes 
a fim de poder construir o seu próprio entendimento daquilo que leu. Para Lajolo e 
Zilberman (1996), ao espessamento das práticas de leitura, ainda que intermitente 
e cheio de recuos, corresponde um amadurecimento do leitor que, na inevitável 
interação com os múltiplos elementos de práticas mais complexas de leitura, 
rompe restrições, libera-se da tutela, enfim, alcança a emancipação possível. 
A suposição de que não se lê porque não se conhecem os segredos 
maravilhosos do mundo da leitura, porque não se tem o estímulo apropriado 
ou não se tomou o gosto pela leitura, não resiste à análise isenta e sincera. O que 
parece necessário - mais do que campanhas promocionais de prática de leitura - é 
indagar, sem pré-juízos, quem, o quê, como, em que condições, por que razões ou 
não se lê isto ou aquilo. 
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
36
Em outras palavras, trata-se de verificar que fatores sociais, políticos, 
econômicos e culturais promovem ou desfavorecem esta ou aquela leitura. Trata-
se de abandonar a postura magistral de quem sabe o que outro deve ser ou fazer 
e permitir que aflorem as contradições, os interesses, os valores que corroboram 
para as práticas leitoras na sociedade contemporânea. Trata-se, enfim, de pôr em 
questão tanto as leituras quanto os discursos sobre leitura, permitindo que se 
manifestem as práticas veladas, desautorizadas e desconsideradas. 
Partindo da ideia de que o acesso democrático ao material escrito é condição 
básica para o incentivo à leitura, a biblioteca pública e/ou escolar apresenta-se 
como um espaço de sua realização e deve ser compreendida como um direito do 
cidadão. Na década de 50, ao definir a criança como seu público-alvo, Monteiro 
Lobato já se antecipava ao que passou a ser a tônica internacional da promoção da 
leitura: a base sólida para um adulto leitor se constrói desde a infância, por meio 
do contato com as histórias contadas pelos adultos, do contato com os livros, sem 
moralismos, com variedade e qualidade de temas, expressando respeito à criança 
e à sua inteligência.
A sua preocupação em fazer com que o livro estivesse próximo aos seus 
leitores o colocou à frente de seu tempo. Do mesmo modo se antecipou, quando 
apresentou o livro como um produto a ser oferecido onde o potencial leitor 
estivesse, facilitando o seu acesso. E o fez, tanto diretamente na escola, como no 
comércio em geral, independente das livrarias. Embora, nos dias atuais, se tenha 
mais acesso à palavra escrita do que antes, seja através da escola, dos produtos de 
consumo ou dos meios de comunicação, a ausência desse material escrito, no dia 
a dia das pessoas, na verdade, é o empecilho mais concreto para a construção de 
uma sociedade leitora. Portanto, pode-se dizer que ser leitor não é uma questão 
de opção, mas de oportunidade. 
Parafraseando Alceu Amoroso Lima, é preciso fazer compreender às 
crianças que a leitura é o mais movimentado, variado, engraçado e cativante dos 
mundos, para que se tornem leitores em potencial e se entreguem ao encantamento 
proveniente da leitura de um livro, e quiçá difundir-se-ão aos quatro ventos os 
admiráveis versos de Castro Alves retirados de “O livro e a América”:
“Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto –
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar.”
FONTE: BORGES, Patrícia Ferreira Bianchini. A leitura e a construção do leitor em potencial. 2015. 
http://www.amigosdolivro.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=4016. Acesso em: 28 jun. 2016.
37
Neste tópico, você aprendeu que:
• A língua é o idioma nacional, o conjunto de palavras e regras que são utilizadas 
por uma comunidade linguística como principal meio de comunicação e 
expressão, seja ela falada ou escrita.
• A linguagem está definida como uma capacidade de expressão, um meio 
sistemático de expressão de ideias ou sentimentos com o uso de marcas, sinais 
ou gestos convencionados. 
• Tanto a língua quanto a linguagem são fenômenos humanos intrinsecamente 
relacionados a práticas sociais. 
• A linguagem é a capacidade que o ser humano possui para comunicar-se com 
outros seres humanos.
• O contexto de uso da língua variará de acordo com inúmeros fatores: quem 
fala (emissor), o que fala (mensagem) e a quem fala (receptor).
• Mesmo sendo considerada também um fator social, conforme veremos adiante, 
a língua é objeto de estudo da ciência.
• A partir da obra de Saussure foram lançadas as bases que caracterizaram os 
estudos da língua como ciência.
• Muitas são as ramificações da linguística, dentre elas, a psicolinguística, a 
sociolinguística e a neurolinguística. 
• O signo linguístico é a união entre significante e significado.
• A língua é um fenômeno social, pois é a principal forma de interação na 
sociedade.
• Argumentar é propor, criticar, avaliar e sustentar ideias. 
• O desenvolvimento da argumentação não acontece de forma igual com todos 
os alunos na sala de aula (ou fora dela). Ele se desenrola de acordo com o 
interesse e com o contexto no qual o estudante está inserido.
• O ato de escrever torna-se dependente da fala, ou seja, a escrita passa a ser vista 
como uma transcrição da fala, e não um processo separado dela.
RESUMO DO TÓPICO 1
38
• Para Vygotsky (1988), o aprendizado da linguagem escrita representa um 
considerável salto no desenvolvimento do ser humano. 
• Apropriar-se da escrita não significa somente saber escrever, juntar símbolos e 
formar frases. A apropriação da escrita é uma questão de treino e de exaustiva 
prática leitora. Somente aprendemos a escrever bem quando nos tornamos 
leitores assíduos. 
• A variação linguística é um fenômeno que ocorre em todas as línguas, sem 
exceção. Ela pode ser diacrônica, diatópica, diastrática ou diamésica. 
• A gíria, muitas vezes, restringe-se a um pequeno grupo de falantes que a 
adotam como sua “marca registrada”.
• O jargão é um tipo de linguagem utilizada por profissionais. 
• O evento de fala ocorre sempre a um tempo e a uma situação social, seja ela 
face a face, por telefone ou pela internet, e é comum em nossa sociedade.
• O ato de comunicar, seja ele pela escrita ou pela fala, necessita de um objetivo, 
porém, o alcance deste objetivo depende dos interlocutores. 
• A comunicação envolve os seguintes elementos: emissor, mensagem e receptor, 
mas outros itens são envolvidos na transmissão da mensagem: o ruído, o canal, 
a codificação e a decodificação e o feedback. 
• Se a comunicação fosse uma prática fácil, não haveria tantos problemas de 
comunicação entre as pessoas, os quais, muitas vezes, acabam gerando sérios 
problemas para os envolvidos.
• Com o advento da tecnologia, a internet ocupou grande parte do espaço na 
mídia social. As pessoas acessam o que quiserem ler, na hora que desejarem.
39
1 Acerca dos processos de fala e escrita, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas e justifique as que forem falsas: 
a) ( ) A fala tem mais importância do que a escrita. 
b) ( ) O uso da linguagem, seja ela verbal ou não, sempre terá um objetivo 
específico.
c) ( ) Uma conversa entre amigos e uma reunião de negócios serão realizadas 
no mesmo linguajar, se o objetivo da conversa for o mesmo. 
d) ( ) A língua é um fator social, portanto, não pode ser considerada objeto de 
estudo da ciência.
e) ( ) Saussure apresenta em seus estudos a língua como fator social, produto 
da coletividade. 
f) ( ) Argumentar cientificamente consiste em apenas propor ideias. 
g) ( ) A leitura deve ser encarada como um ato prazeroso e a criança deve ser 
instigada desde cedo a ler. A escrita sempre é aprendida antes da leitura. 
h) ( ) A linguagem escrita é um processo que vai além do mecanicismode 
produzir palavras e frases.
i) ( ) O autor não tem a responsabilidade de escrever um texto para prender 
a atenção do leitor. 
2 Observe as imagens a seguir e marque-as com o seguinte código: 
A- Gíria.
B- Jargão. 
C- Variação Linguística.
Fonte: <https://curseduca.com/blog/jargoes-corporativos-e-seus
 significados/>. Acesso em 21 mar. 2016.
AUTOATIVIDADE
A resposta é (_____)
a)
40
Fonte: <https://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.
 html?aula=19746>. Acesso em: 21 mar 2016.
Fonte: Adaptado de: <https://estudandoapsicologia.wordpress.com/2012/01/09/girias-9/>.
Acesso em 21 mar. 2016.
A resposta é (_____)
A resposta é (_____)
b)
c)
41
TÓPICO 2
ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO 
DAS PALAVRAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Há muitos anos, a oratória e a retórica são assuntos que causam fascínio 
a muitas pessoas. Falar bem e conseguir convencer a partir da fala é uma técnica 
que poucas pessoas dominam, sendo necessária muita prática para tornar-se um 
bom orador. Desde a Grécia antiga, as pessoas com as posições sociais de maior 
destaque eram excelentes oradores.
A oratória e a retórica são definições muito parecidas. A oratória define-se 
como o conjunto de regras aplicadas para falar bem. Já a retórica é o uso da boa 
argumentação para o convencimento do outro. A persuasão e o debate fazem 
parte da retórica. De acordo com Moura (2011),
A oratória se refere ao conjunto de técnicas, gestos, maneiras, formas 
de dizer, que podem ser adquiridas por intermédio de cursos, de 
leituras, de práticas. Ela é indispensável para quem almeja ser um 
grande comunicador. A retórica refere-se mais à argumentação sólida 
do conteúdo, à associação e à disposição de ideias, à força da lógica, da 
dialética, que também se adquire com muita leitura, exigindo amplo e 
profundo conhecimento. 
Você sabia que a oratória já é uma prática que surgiu ainda antes de 
Cristo? De acordo com Abreu (2001), foi em Siracusa que tudo começou. Siracusa 
era uma cidade da Sicília. O primeiro manual de retórica surgiu no século V a.C. 
De acordo com o autor, o manual foi escrito por Córax e Tísias, dois siracusianos. 
A finalidade da escrita do manual foi orientar os advogados que iriam tentar 
reaver os bens de Córax, que haviam sido tomados por tiranos. 
Perceba, caro acadêmico, que a retórica e a oratória já eram muito levadas 
em consideração ainda na Grécia antiga, pois a civilização grega considerava 
muito os bons oradores. Da Grécia nasceram grandes oradores, como Aristóteles, 
que escreveu o livro A Arte da Retórica. Apesar de escrever sobre o assunto, ele 
não proferia discursos. 
Já Demóstenes, também grego, ficou famoso por suas palestras e discursos. 
Há quem diga que Demóstenes, pensando em aperfeiçoar sua dicção e pronúncia, 
colocava pedras na boca e corria contra o vento enquanto recitava versos.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
42
DICAS
Caso queira ler um bom livro sobre oratória, indicamos a seleção das cinco 
melhores obras acerca de oratória, indicadas pela Revista Exame. 
Arte de Falar em Público
José Carlos Leal
Impetus. Rio de Janeiro. 2003
O livro de José Carlos Leal é o mais didático da lista - e também é bastante ligado à área 
do Direito. Em suas páginas, ele conta exemplos de debates e defesas (algumas polêmicas). 
“Esse livro é mais polido, tem uma linguagem um pouco mais complexa e valoriza o ‘falar 
bonito’”, explica Cavalli.
A Arte de Argumentar
Antonio Suarez Abreu
Ateliê. São Paulo. 2001
“Esse livro é indicado em praticamente todos os cursos que já vi ou frequentei”, diz Cavalli. É 
um dos clássicos didáticos de argumentação - e o autor já publicou diversos artigos e livros 
sobre o tema.
Como Falar Corretamente e Sem Inibições
Reinaldo Polito
São Paulo. Editora Saraiva. 1998
“Polito escreveu quase uma bíblia da oratória”, diz Cavalli. Segundo ele, o autor escreveu os 
padrões do falar em público com base em décadas de experiência. Muito do que está nas 
páginas do livro pode ser encontrado na internet - em entrevistas e artigos publicados pelo autor.
Como Falar em Público e Influenciar Pessoas no Mundo dos Negócios
Dale Carnegie
São Paulo. Record. 1996
Segundo Cavalli, o livro é um clássico na área. “Dale tem muita propriedade no que fala, o 
livro é um exemplo nos cursos”, diz. O especialista ainda conta que o diferencial do livro 
está na linguagem simples: “O autor conta exemplos cotidianos da vida dele mesmo, numa 
linguagem acessível”.
Como Conquistar Falando
Oliveira Marques
Ed. Ouro. São Paulo. 1980
“O tempo de vida do livro pode indicar muita coisa”, comenta Cavalli. Há décadas ainda 
sendo usado como referência para quem quer aprender dicas e táticas de oratória, o livro de 
Oliveira Marques já pode ser considerado um clássico da área.
FONTE: <http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/5-livros-com-dicas-para-falar-bem-em-pu-
blico>. Acesso em: 28 mar. 2016.
Agora que já sabemos a diferença da oratória e da retórica, estudaremos 
algumas particularidades tanto da oratória quanto da retórica. 
TÓPICO 2 | ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO 
43
2 A ORATÓRIA E O DISCURSO
Para que possamos ser bons oradores, é necessário que alguns cuidados 
sejam tomados na hora de preparar um discurso. Antes de preparar o discurso, 
é necessário fazer algumas perguntas. Alguns exemplos são: qual é o tema do 
discurso? Para que esta apresentação servirá? A quem ela se destina? Quanto 
tempo devo utilizar? A partir destas poucas perguntas já é possível preparar um 
discurso com uma linguagem própria para o público presente e que não se torne 
cansativo ou desnecessário para quem está ouvindo. 
Ser um bom orador não ocorre da noite para o dia. Para isso é necessária 
muita preparação, estudo e dedicação. Uma das alternativas para quem deseja ser 
um bom orador e não nasceu com este dom é buscar opções de cursos que visam 
desenvolver as habilidades que um bom orador deve ter (estas que já vimos 
anteriormente e que reforçaremos mais adiante).
Três são os pilares que sustentam a oratória: são eles: a linguagem, o 
conteúdo e a estrutura. A linguagem é uma das principais ferramentas utilizadas 
na elocução de um discurso, portanto, dominá-la é essencial. O correto uso da 
gramática, bem como um amplo e diversificado vocabulário, pode contribuir (e 
muito!) na hora de falar em público. 
Os erros de português, principalmente de concordância e de pronúncia, 
chamam muito a atenção de quem ouve, e fazem com que o orador perca tanto a 
credibilidade que seu conhecimento pode ser posto em questão. Portanto, se você 
deseja tornar-se um bom orador, leia muito e aperfeiçoe seu português. 
Quanto ao conteúdo, não é preciso falar muito. Se o orador falará em 
público, é necessário conhecer (muito bem) o assunto. Se ele não tem segurança 
o suficiente para falar sobre, não deve colocar sua imagem à prova. É melhor não 
arriscar. Ler, estudar e aprofundar-se são palavras de ordem.
Já a estrutura lógica vem como consequência das duas anteriores. Se o 
orador domina a língua e conhece o assunto sobre o qual falará, a sequência 
vem automaticamente. Vale lembrar sempre que é necessário saber quem é o seu 
público, o que facilita a estruturação da fala.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
44
DICAS
Assista ao filme INVICTUS. Nele, você compreenderá como 
a oratória é importante para definir rumos. Este filme, cujo personagem 
principal é Nelson Mandela, fala sobre a conquista da Copa do Mundo 
de Rugby pela seleção nacional da África do Sul. Esta vitória teve grande 
influência de Mandela. Líder nato e dono de uma oratória irrepreensível, 
Mandela sempre lutou pela igualdade em seu país e conseguiu ajudar 
a equipe mostrando a força do coletivo e da liderança. O seu poder de 
convencimento em seus discursos era tamanho que ele influenciava 
até mesmo as pessoas mais céticas. A conquista fez a nação mais unida 
naquele momento, mostrando como um grande líder podemudar o rumo 
de um povo.
FONTE: 5 FILMES que te ensinarão uma lição sobre discurso e oratória. [s.l.: s.n.], 2015. <http://
www.smartalk.com.br/5-filmes-que-te-ensinarao-uma-licao-sobre-discurso-e-oratoria/>. 
Acesso em: 23 mar. 2016.
Brassi (2015) afirma que repetir pode parecer desnecessário na escrita, 
porém, na fala é necessário. Portanto, preparar sua apresentação é essencial. Caso 
use tópicos para sua organização, é necessário lembrar que, para cada tópico, 
várias ideias devem ser trabalhadas. Você sabia que para 30 minutos de discurso 
são necessárias aproximadamente 4.800 palavras?
Elaborar um discurso também necessita de uma estrutura lógica. Para 
que você consiga levar sua apresentação até o fim, é necessário estruturá-la em 
introdução, corpo e conclusão. Podemos dizer que esta estrutura se assemelha à 
estrutura de um texto escrito, porém, com algumas particularidades. 
A introdução é a principal etapa do discurso, pois, a partir dela, você 
despertará ou não o interesse do seu ouvinte. Nesta etapa, é necessário envolver 
quem o ouve e despertar a curiosidade. A apresentação pessoal também ocorre 
nesta etapa. Para ganhar a plateia, deve haver, em primeiro lugar, o respeito. Ser 
pontual, não demonstrar superioridade e reagir de acordo com a faixa etária da 
plateia são alguns exemplos. 
Já o corpo do discurso traz efetivamente a exposição do assunto a ser 
tratado. Não leia, pois isso demonstra insegurança e falta de preparo. Utilize as 
notas que fez, caso tenha, mas não as leia. Nesta etapa é necessário que o orador 
seja claro e que os argumentos sejam ordenados. Antes de começar a expor o 
assunto, peça para que a plateia faça perguntas apenas ao final da exposição, para 
não prejudicar a ordem da sua fala. 
TÓPICO 2 | ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO 
45
Já a conclusão é a finalização do seu discurso. Ali, você deverá fazer um 
resumo geral do que foi abordado na palestra. Agradecer a atenção do público 
também é importante nesse momento. Aqui também é interessante finalizar com 
uma história bem-humorada e adequada à temática da palestra. Terminar a fala 
com uma frase de efeito auxilia a não deixar o famoso vácuo ao final da fala. Por 
fim, após as palmas, peça se alguém tem alguma dúvida ou colocação e esclareça-
as. Jamais termine sua fala com “por hoje é só” ou “por hoje era isso”. Despeça-se 
com um caloroso “boa noite”. 
Observaremos agora o texto de Michelle Veronese acerca do pensamento 
positivo para identificarmos a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. 
Muito se fala que a mente move montanhas. Você seria um ímã e atrairia tudo o 
que desejasse. A boa fortuna estaria ao alcance de suas mãos (ou melhor, da sua cabeça). 
Será? Uma atitude otimista faz um bem danado, sim. Mas ninguém consegue ficar rico só 
com a força do pensamento. Saiba como isso funciona!
Esta parte do texto é a introdução, pois aqui são elencadas todas as ideias 
que posteriormente serão apresentadas ao leitor no texto. Elas estão organizadas 
de maneira clara e simples. 
Pense. Em qualquer coisa. Numa casa, por exemplo. Imagine-a pintada de branco, 
com janelas azuis e cercada por um terraço com escadas que levam a um jardim. Ali estão 
margaridas, girassóis e uma árvore frondosa. Nos 10 segundos que você levou para chegar 
até aqui, uma avalanche de sinais nervosos ocorreu no seu cérebro. No córtex (camada 
periférica dos hemisférios cerebrais), milhares de neurônios foram acionados e trocaram 
informações em frações de segundo. Arquivos de memória foram vasculhados e, sem que 
você pudesse controlar ou prever, a imagem de uma casa surgiu em sua mente. Por isso, 
você deve ter sentido um bem-estar, uma vontade de possuir essa casa de verdade. Dentro 
de nossa caixa craniana ocorrem milhares de outros processos – esse que você acabou de 
perceber é o que podemos chamar de pensamento positivo, uma ideia que, nas prateleiras 
das livrarias, vem ganhando contornos de magia. Basta ter uma atitude otimista para 
atrair o que deseja. Dinheiro, amor, saúde, sucesso. Tudo. Qualquer coisa pode estar ao 
seu alcance se você pensar positivamente, com firmeza, dizem os autores de autoajuda. 
“Aquilo em que você mais pensa ou se concentra se manifestará”, garante Rhonda Byrne. 
Essa australiana de 52 anos alega ter desenterrado uma verdade preservada a sete chaves 
por sábios, filósofos, cientistas e gente de sucesso. E revelou sua descoberta no filme O 
Segredo, que vendeu mais de 2 milhões de cópias em DVD no mundo inteiro.
Aqui, as ideias são desenvolvidas, inclusive com citação de uma autoridade 
acerca do tema. É nesta etapa do texto que ocorre a persuasão. 
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
46
Peça, acredite e receba. Simples assim é a fórmula apresentada por Rhonda Byrne, 
autora de O Segredo. “No momento em que você pede alguma coisa, e acredita, e sabe que 
já a tem no invisível, o Universo inteiro se move para deixá-la visível”, diz. No livro e no 
filme de mesmo nome, não faltam relatos de gente que conseguiu a cura de doenças, o amor 
ideal ou até um colar de diamantes como num passe de mágica. O segredo ensinado por 
Byrne é observar o Universo como uma lâmpada mágica – e se comportar como o Aladim. 
Ao esfregar a lâmpada – ou seja, ao pensar positivamente – seus desejos se materializariam.
Na conclusão, a autora do texto finaliza sua ideia. A conclusão não é menos 
importante do que o restante do texto. Pelo contrário. A conclusão deve ser coerente 
com tudo o que foi anteriormente abordado e dar um fechamento à fala. 
FONTE: VERONESE, Michelle. Pensamento Positivo. [s.l.: s.n.], 2007. Disponível em: <http://super.
abril.com.br/historia/pensamento-positivo>. Acesso em: 25 jun. 2016.
Agora que você já sabe como estruturar seu discurso, preste atenção a estas 
três dicas importantes para facilitar a elaboração do texto que será a base do discurso, 
fazendo com que ele seja coerente e dentro dos padrões esperados. Vamos lá? 
1- Pesquise! Para falar sobre determinado assunto, é necessário saber o que está 
falando. Leia e informe-se o máximo que puder e isso trará segurança na hora 
de falar. 
2- Seja certeiro: fale o que as pessoas desejam escutar. Encontre um meio-termo a 
partir do qual você possa transmitir a sua mensagem e, ao mesmo tempo, falar 
o que as pessoas esperam ouvir. 
3- Seja interessante. Procure histórias legais sobre o que está falando, conte piadas 
(sem excessos!) e descontraia seu público. 
Atente para o fato de que nem todos os públicos vão aceitar piadas ou 
desejam escutar algo que as agrade. Observe o contexto na qual sua fala estará 
inserida. Marcuschi (2007, p. 40) afirma que
A fala seria uma forma de produção textual-discursiva oral, sem a 
necessidade de uma tecnologia além do aparato disponível pelo próprio ser 
humano. Mas pode envolver aspectos muito complexos, como ainda veremos, 
em especial quando se trata da fala em contextos muito particulares em que a 
oralidade é uma prática bem desenvolvida, como, por exemplo, na hora de fazer 
um discurso em público ou se submeter a uma entrevista de emprego.
TÓPICO 2 | ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO 
47
Você sabe quais são os maiores oradores da humanidade? Que tal conhecê-los? 
Muitos políticos, líderes religiosos, artistas e revolucionários con-
quistaram destaque por meio de suas habilidades com a oratória. Um mau exemplo foi Adolf 
Hitler, que, ao longo de seu mandato político, utilizou a propaganda estatal e sua oratória 
carismática para persuadir o povo alemão, ressaltando o nacionalismo daquele povo que 
sofria com as severas restrições da derrota na Primeira Guerra Mundial.
Por outro lado, Mahatma Gandhi conseguiu liderar a revolução que levou a Índia a 
conquistar sua independência por meio de seu discurso pacifista da ‘não violência’ e da 
‘verdade’. Muitos reconhecem que ele inspirou outros líderes importantes, como Martin 
Luther King e Nelson Mandela. 
Recentemente, Barack Obama ganhou fama de excelente orador com seus discursosna 
campanha presidencial dos EUA. Sua argumentação elegante, lógica e escolha precisa de 
palavras conquistaram o povo americano e praticamente todo o mundo, que torceu por sua 
vitória. Seu discurso da vitória é exemplo da simplicidade eficaz de suas falas.
FONTE: VALENTE, Luciano. Oratória e retórica: falar bem e persuadir. [s.l.: s.n.], 2010. <http://
www.scrittaonline.com.br/oratoria-e-retorica-falar-bem-e-persuadir/>. Acesso em: 27 mar. 2016.
UNI
3 COMO DESENVOLVER A RETÓRICA?
Conforme estudamos anteriormente, percebemos que, para tornar-se um 
bom orador é necessário muito estudo, treinamento e dedicação. Nesta etapa 
estudaremos um pouco sobre os principais aspectos a serem observados na hora 
de discursar ou apresentar-se em público. Vamos lá?
3.1 ASPECTOS FÍSICOS: A LINGUAGEM CORPORAL, 
VESTIMENTA E VOZ
Você já ouviu aquela expressão que diz que uma boa aparência é o cartão de 
visitas da pessoa? Exatamente. A aparência é essencial para uma boa apresentação 
ao público, em especial para as profissões que se expõem diretamente a ele. A 
imagem é o reflexo da pessoa e, por meio da maneira de se vestir, da maquiagem 
e os acessórios utilizados, podemos traçar um breve perfil de cada indivíduo.
 
De acordo com Abreu (2001), estes detalhes, com os gestos e a postura, 
influenciam na impressão que as pessoas terão sobre o orador. Em situações de 
entrevistas, reuniões, palestras ou outras apresentações é, portanto, imprescindível 
cuidar da imagem que se deseja transmitir. Algumas dicas fáceis de seguir evitam 
maiores problemas. 
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
48
 As roupas, por exemplo, devem ser adequadas à situação e estar 
limpas, bem passadas e sem manchas ou pelos. O orador deve observar, 
também, se não há nenhum botão solto ou rasgo que passe despercebido. É 
importante lembrar-se de ser discreto e evitar o excesso de cores. Os tecidos 
que não amassam são uma boa pedida.
 
Deve haver também cuidado com os movimentos. Eles devem apenas 
completar a mensagem, então, precisam ser leves. Os movimentos durante 
a apresentação devem ser naturais. Há pessoas, porém, que têm como 
particularidade fazer gestos expressivos. Nestes casos, o orador pode controlá-
los a partir de exercícios e da prática cotidiana.
 
 O gesto pode, segundo Abreu (2001), tanto auxiliar quanto prejudicar uma 
fala, pois o gesto expansivo caracteriza pessoas desinibidas, porém, dependendo 
da finalidade da fala, estes podem tornar-se inadequados e deselegantes. O 
contrário também pode ocorrer: pessoas mais tímidas tendem a fazer menos 
movimentos, o que, em determinados contextos, pode indicar insegurança ou 
demonstrar que a pessoa não consegue expressar suas ideias.
DICAS
Para não errar na hora de falar ao público, eis o que deve ser evitado quanto 
aos gestos:
• ajeitar a gravata;
• manusear canetas, chaves ou outros objetos pessoais;
• passar a mão nos cabelos excessivamente;
• coçar a cabeça, o nariz ou as orelhas;
• colocar a mão na boca, bem como roer as unhas;
• cruzar os braços ou colocar as mãos para trás;
• deixar as mãos nos bolsos;
• ficar com as mãos na cintura;
• segurar o microfone com as duas mãos;
• apoiar-se sobre a mesa.
 
Lembre-se de deixar sempre as mãos livres e à mostra. Mantenha-as no nível da cintura, pois 
assim gesticulará normalmente.
 
FONTE: A ARTE de falar em público sem medo. [s.l.: s.n.], 2015. Adaptado de: <http://artedefalar.
com.br/category/um-curso-revolucionario-rapido-e-eficaz/>. Acesso em: 29 mar. 2016.
TÓPICO 2 | ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO 
49
3.2 ASPECTOS PSICOLÓGICOS: MEDO DE FALAR EM 
PÚBLICO, ESQUECIMENTO E CACOETES
O medo de falar em público é um dos principais fantasmas que assustam 
aqueles que precisam realizar esta tarefa. Poucas são as pessoas que nascem com 
o dom de expressar-se de maneira natural e sem medo da exposição. Sabemos 
que, no mundo dos negócios, cada vez mais se exigem profissionais habilidosos e 
preparados para comunicar-se de maneira eficaz. 
 
As grandes corporações exigem no currículo de seus funcionários a 
habilidade de se comunicar. Falar com elegância e maestria e parecer natural 
diante desta situação é uma tarefa difícil, porém, necessária, pois é por meio 
de palestras, apresentações, reuniões, cursos e descontraídos bate-papos que 
mantemos a maior parte dos nossos contatos, sejam eles pessoais ou profissionais.
 
De acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal inglês Sunday Times 
(apud FRUTUOSO, 2013), em uma pesquisa com três mil entrevistados, constatou-
se que 41% deles tinha receio de falar em público, seguido por problemas 
financeiros (22%), e doenças e morte (19%). Sabemos que o medo provoca 
reações físicas diversas, como taquicardia, boca seca, sudorese, mãos trêmulas e 
outras sensações extremamente desconfortáveis para a pessoa que está exposta à 
situação. A timidez é, de acordo com alguns especialistas, definida como sendo a 
ansiedade ocasionada pela presença de uma situação nova, especialmente se esta 
situação leva a algum tipo de avaliação.
 
Sentir medo é, portanto, consequência da timidez ou de alguma experiência 
ruim do passado. Muitas vezes, não conhecer o assunto ou não estar preparado 
para falar em determinado momento pode ocasionar o desconforto e piorar ainda 
mais a situação, pois, nestes momentos, pode ocorrer o esquecimento.
 
De acordo com Oliveira (2014), o esquecimento não é culpa da memória, 
mas sim, falta de atenção. O lobo frontal, que é a parte do cérebro responsável 
pela memória transitória, tem pouca capacidade de armazenamento. Só fica ali 
armazenado o que a nossa atenção julgou ser necessária para ir para a memória 
de longo prazo. O que não foi memorizado será apagado, caso não haja estímulos 
para que ele seja relembrado.
 
O esquecimento é causado, dentre outros fatores, pela ansiedade. Daí a 
explicação de as pessoas com medo de falar em público terem esses esquecimentos. 
O cérebro vê o nervosismo como uma ameaça e concentra-se em eliminá-lo, 
esquecendo, portanto, do assunto que deveria ser lembrado no momento.
 
Já os cacoetes vêm como consequência deste mesmo nervosismo. 
Geralmente, as pessoas que têm cacoetes não sabem que o fazem. Piscar os olhos 
excessivamente, tamborilar com os dedos, gaguejar e repuxar os músculos da 
face são os cacoetes mais comuns.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
50
Estas dificuldades são minimizadas a partir de muito treino, o que traz 
segurança ao orador, conforme abordaremos na seção a seguir. Apesar das 
dificuldades ocasionadas pelo medo de falar em público, 
[...] é possível desenvolver, aperfeiçoar e valorizar a comunicação oral 
aplicando técnicas e exercícios de dicção, voz e oratória, fortalecendo 
a autoestima, aprimorando a capacidade de comunicar-se em público 
com desembaraço, eficiência e naturalidade, eliminando bloqueios e 
inibições (CLUBE DA FALA, s.d., s.p.).
 
Portanto, a pessoa que deseja tornar-se oradora necessita primeiramente 
autoconhecer-se para, em seguida, poder trabalhar e aperfeiçoar suas 
potencialidades e minimizar suas fragilidades. A próxima seção auxiliará a 
reduzir os medos e as dificuldades de falar em público.
3.3 ASPECTOS INTELECTUAIS: CONHECIMENTO DO 
ASSUNTO E SEGURANÇA
A segurança é, sem dúvida, atrelada ao conhecimento do assunto que será 
abordado. Não existe a possibilidade de ser orador sem conhecer profundamente 
o assunto que será abordado. É necessário conhecer além do que se vai falar, pois 
podem surgir dúvidas ao longo da palestra, que precisam ser esclarecidas ao público.
 
Você, acadêmico, já pensou que a socialização do seu trabalho de 
graduação e dos seus estágios também são apresentações em público? Que tal 
utilizar um pouco das dicas para a sua própria apresentação? Elencamos algumas 
ideias que podem tornar sua apresentação mais segura.
 
Estude e domine o conteúdo que vai apresentar.
Pense positivo.
Responsabilize-se pelo bem-estar dos seusouvintes.
Apresente os benefícios que as pessoas terão ouvindo você.
Respire fundo e tranquilamente.
Fale devagar, porém, atenha-se ao tempo que lhe foi dado.
Mantenha um tom de voz agradável: não fale muito baixo nem grite.
Ambiente-se com o local: observe as pessoas, o que estão fazendo e 
acalme-se.
Evite situações de estresse antes da sua fala.
Prepare-se para responder as dúvidas sem medo.
Pronuncie bem as palavras.
Se der branco, não se desespere. Pare, respire e repita a última frase 
que disse.
Conclua de forma segura e evite o “por hoje é só” (ABREU, 2001, p. 3).
Se todas estas dicas, simples e de fácil memorização, forem postas em 
prática, certamente as situações de fala serão bem-sucedidas, pois um público 
tranquilo depende exclusivamente de um orador bem preparado. O orador deve 
sempre ser autêntico, pois nenhuma técnica é tão eficaz quanto ser natural.
TÓPICO 2 | ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO 
51
3.4 ASPECTOS TECNOLÓGICOS: OS SUPORTES DE 
APOIO AO ORADOR
Além da capacidade intelectual, alguns aparatos tecnológicos também 
auxiliam o orador na hora da sua apresentação. Dentre eles, podemos citar o 
microfone e o projetor multimídia. Hoje em dia seria difícil imaginarmos um 
palestrante ter que falar para uma plateia em um local grande sem o auxílio 
de um microfone, não é mesmo? Então, falaremos agora um pouco sobre estes 
aparatos tecnológicos e de que forma eles podem ser úteis ao orador. 
Primeiramente, ninguém gosta de ter que ouvir uma pessoa gritando, 
correto? O microfone faz com que a comunicação do orador possa ser mais 
espontânea e natural, pois ele pode falar como se estivesse falando com apenas 
uma pessoa, possibilitando que todos ouçam o que está sendo dito. Outro benefício 
deste aparato é para o próprio orador, pois o microfone preserva a garganta dos 
excessos cometidos por falarmos alto demais (ABREU, 2001). Há três tipos básicos 
de microfones: o de pedestal, o de lapela e o head-set. Veremos como o orador 
deve se comportar com cada um dos tipos de microfone apresentados. 
Microfone de pedestal: este tipo de microfone é o mais comum em 
auditórios. Primeiramente, o orador deve conhecer tanto o microfone quanto 
o pedestal que o sustenta antes de começar a falar. Muitos são sensíveis e é 
necessário que o orador fale com a boca mais afastada para não agredir os ouvidos 
do público, outros já são menos sensíveis e é necessário aproximar mais a boca do 
aparelho. O pedestal também é importante para não dar vexame na hora de tentar 
retirar ou colocar o microfone. Também é importante evitar afastar e aproximar 
muito o microfone da boca, pois a oscilação de som é irritante para quem ouve. 
Microfone de lapela: é o microfone preso à roupa do orador. Este tipo 
de microfone é mais sensível e capta o som com maior facilidade, portanto, 
colocá-lo à altura do peito é suficiente. Evitar mexer no fio é importante para 
não ocasionar ruídos desagradáveis. Também é importante ressaltar que, como 
o microfone capta a voz, ele também capta palmas, batidas e tosse. Quando for 
fazê-las, cuidado com o microfone. O orador deve sempre lembrar-se de retirar o 
microfone assim que acabar de falar, pois seria muito desagradável se o público 
continuasse a ouvi-lo dos bastidores. 
Head-set: é o microfone preso à cabeça ou às orelhas. Como é também 
altamente sensível, deve-se tomar com ele os mesmos cuidados que com o de 
lapela. Nestes casos, é mais comum ocorrer estouros, ruídos e chiados, por isso, 
deve-se sempre mantê-lo a uma distância adequada da boca. Testá-lo antes de 
começar a falar é o necessário para evitar estes tipos de problemas. 
O projetor multimídia, segundo suporte que mencionamos, é importante 
para que o orador possa trazer imagens, músicas, vídeos e outros subsídios para 
complementar sua fala. Além disso, ele pode servir como guia para que o orador 
não se perca no meio do caminho a partir do uso de slides ou do Prezi, por exemplo.
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
52
Alguns cuidados, de acordo com Abreu (2001), são necessários também 
para seu uso. Caso o orador use slides, não é recomendado que se usem textos 
muito longos, apenas palavras-chave, pequenas frases ou informações adicionais. 
Muitas animações nos slides também não são recomendadas, pois tiram a atenção 
do ouvinte na hora do discurso/palestra.
Observe:
FIGURA 11 - EXEMPLO DE SLIDES
FONTE: Fiamoncini (2015, p. 35)
TÓPICO 2 | ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO 
53
Apesar dos cuidados que devem ser tomados com os aparatos tecnológicos 
de apoio, o uso deles é imprescindível para dar suporte ao orador na hora da 
sua fala. Portanto, utilizá-los pode facilitar muito o trabalho e o desempenho da 
pessoa que os utiliza. 
4 O PAPEL DA RETÓRICA NA PRODUÇÃO TEXTUAL
Acadêmico, se analisarmos a produção textual, podemos inferir que o 
processo da fala está relacionado com a escrita e com a leitura, correto? A palavra 
retórica origina-se do grego rhetorikee e significa a arte do falar bem. Como a fala 
é também considerada uma produção textual, podemos afirmar que uma pessoa 
com boa retórica também é uma boa produtora de textos (o texto não necessita ser 
escrito para ser considerado como tal). 
De acordo com Reboul (2004), por ser relacionada com a oratória e com a 
dialética, a retórica nos remete a um grupo de regras que faz com que o orador fale 
com sutileza, de forma eficaz e que consiga ser persuasivo. Formular um pensamento 
e transmiti-lo por meio da fala, mesmo que preparada antecipadamente, requer 
grande habilidade em produção textual por parte do orador. 
Por ser pautada em regras, a retórica auxilia as pessoas que não são 
oradoras natas a organizarem seus pensamentos, fazendo com que, desta forma, 
consigam ser bons produtores textuais. Mesmo que o texto seja verbalizado 
oralmente, esta prática potencializa também a produção escrita, haja vista o 
vínculo existente entre ambos.
4.1 A ORIGEM DA RETÓRICA
A retórica, de acordo com pesquisadores, surgiu como uma necessidade 
de preparar as pessoas para participar ativamente do governo da cidade de 
Atenas, na Grécia. Não há como precisar exatamente a data na qual a retórica foi 
criada, porém, sabe-se que os sofistas, durante o século V a.C., foram prestigiados 
por serem considerados grandes professores de retórica. 
Durante longos anos, a retórica foi utilizada para ensinar os jovens, sendo 
inclusive ensinada em universidades. Junto com a lógica e com a gramática, ela 
fazia parte das três artes liberais, citadas como grandes influenciadoras das áreas 
poéticas e políticas (REBOUL, 2004). 
A linguagem corporal também era tratada como de fundamental 
importância para o orador, assim como o é hoje. Na Grécia Clássica, quem 
mais auxiliou a propagação da retórica foram Tísias e Protágoras. Já na Idade 
Média, ela passou a ser estudada somente para o estudo de textos. Ao longo do 
Renascimento, a retórica passou a ser essencial para os estudos da gramática e da 
filosofia (PLEBE; EMANUELE,1992).
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
54
E hoje? Para que a retórica é importante? O que há de tão desejado nas 
competências e habilidades de qualquer profissional? Cabe aqui salientar que a 
retórica é essencial para o progresso profissional porque é uma das habilidades 
que mais auxilia no processo de comunicação. Vivemos em uma era na qual o 
consumismo é alto, a concorrência cresce a cada dia, portanto, saber comunicar 
é saber vender, é persuadir, é conquistar. É manter-se no mercado em evidência, 
seja pela oferta de produtos ou de serviços.
4.2 PARTES DA RETÓRICA
 De acordo com Tringali (2014), hoje em dia lidamos com várias retóricas. 
A retórica antiga, aqui considerada, é representada por Aristóteles, Cícero e 
Quintiliano. A retórica, segundo Tringali (2014), não pode ser definida como uma 
mera arte de bem falar, nem menos como uma mera arte de ensinar a verdade. 
Ela vai além disso: é permeada pela semiótica. Esta enriquecea compreensão e dá 
continuidade à retórica antiga. Portanto, a retórica antiga torna-se metalinguagem.
Você sabe quem são Aristóteles, Cícero e Quintiliano?
• Aristóteles era um filósofo  grego e foi aluno de Platão. Junto a seus companheiros 
Platão  e  Sócrates, ele é considerado um dos fundadores da  filosofia ocidental. Era 
considerado um grande orador da Grécia e, em Atenas, fundou o Liceu. 
• Cícero era um político da República Romana. Foi eleito cônsul em 63 a.C., junto a Caio. Teve 
grande influência na língua latina, tanto que se acredita que toda a história subsequente da 
prosa, não apenas no latim, como nas línguas europeias, no século XIX, seja ou uma reação 
contra seu estilo ou uma tentativa de retornar a ele. Foi um grande orador. 
• Quintiliano foi orador e professor de retórica em Roma, sendo que muitos de seus 
alunos foram grandes personalidades romanas. Suas habilidades como orador foram 
aprimoradas, pois atuou durante muitos anos como advogado. Quintiliano escreveu 
sobre retórica e oratória, sendo que a mais famosa de suas obras é a Institutio Oratoria.
UNI
A retórica antiga, a retórica por excelência, divide-se em cinco partes. 
São elas: a invenção, a disposição, a elocução, a memória e a ação. Nesta 
etapa abordaremos quais são as partes da retórica de acordo com Reboul 
(2004). Utilizaremos uma palestra para exemplificar cada uma das etapas. 
Observe o quadro a seguir: 
TÓPICO 2 | ORATÓRIA E RETÓRICA: O USO 
55
QUADRO 2 – ETAPAS DA RETÓRICA
FONTE: Reboul (2004)
Invenção
Quando um palestrante se prepara para proferir sua palestra, ele reúne o material 
para seus estudos. Esta é a invenção. Trata-se do conjunto de todos os princípios 
relacionados com o conteúdo.
Disposição Quando ele começa a organizar-se, ou seja, seleciona o que utilizará, ele passa para a fase da disposição. Esta fase corresponde à estruturação das formas de conteúdo.
Elocução Quando ele prepara o seu suporte (slides ou pauta), ocorre a elocução. É a expressão do conteúdo de acordo com o estilo apropriado.
Memória Quando ele ensaia o conteúdo a ser apresentado ocorre a fase da memória. Ela consiste na memorização do discurso em questão.
Ação Por fim, quando ele profere a palestra e expõe seu discurso, ele entra na fase da ação.
56
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você estudou que:
• A oratória define-se como o conjunto de regras aplicadas para falar bem. Já a 
retórica é o uso da boa argumentação para o convencimento do outro.
• Para que o orador seja bem-sucedido, é necessário preparar a apresentação.
• Para elaborar um discurso é necessária uma estrutura: introdução, 
desenvolvimento e conclusão.
• A oratória já é uma prática do século V a.C., com os siracusianos Córax e Tísias.
• Três são os pilares que sustentam a oratória: a linguagem, o conteúdo e a 
estrutura.
• A linguagem é uma das principais ferramentas utilizadas na elocução de um 
discurso, portanto, dominá-la é essencial.
• O correto uso da gramática, bem como um amplo e diversificado vocabulário, 
podem contribuir (e muito!) na hora de falar em público.
• A aparência é essencial para uma boa apresentação ao público, em especial 
para as profissões que se expõem diretamente a ele.
• As roupas, a postura e o tom de voz devem ser observados na hora de proferir 
uma fala, discurso ou palestra.
• O medo de falar em público é muito comum entre as pessoas.
• O esquecimento é causado, dentre outros fatores, pela ansiedade e os cacoetes 
vêm como consequência do nervosismo.
• A segurança é transmitida ao público pelo orador a partir do conhecimento 
dele acerca do assunto.
• Há, para auxiliar o orador, inúmeros aparatos tecnológicos, dentre eles, o 
projetor multimídia e os microfones (de lapela, pedestal ou head-set).
• A retórica surgiu como uma necessidade de preparar as pessoas para participar 
ativamente do governo da cidade de Atenas, na Grécia. 
• A retórica antiga divide-se em cinco partes: invenção, disposição, elocução, 
memória e ação.
57
1 Observe as imagens a seguir:
a)
De acordo com o que foi estudado e utilizando as imagens, desenvolva 
um pequeno texto acerca da postura do orador. 
2 De acordo com o que foi estudado até aqui, crie, a partir dos seus 
conhecimentos, uma palestra. Imagine que você foi convocado a palestrar 
acerca de uma temática que seja de seu domínio e desenvolva um roteiro. 
Lembre-se das orientações que você recebeu ao longo desta unidade.
b)
FONTE: <http://i.istockimg.com/file_thumbview_approve/6310491/6/stock-illustration-
6310491-speakericon.jpg>. Acesso em 5 maio 2016.
FONTE: <https://psicologia.iorigen.com/wp-content/uploads/sites/12/2011/04/
Comunicaci%C3%B3n-persuasiva.jpg>. Acesso em: 5 maio 2016.
AUTOATIVIDADE
58
59
TÓPICO 3
O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
DAS PALAVRAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Placas de trânsito, comunicados, notícias, revistas, outdoors, redes 
sociais, editais, manuais de instrução. Para onde quer que possamos ir, estaremos 
rodeados de textos, sejam eles verbais ou não, orais ou escritos. Os textos fazem 
parte da vida de qualquer ser humano em qualquer país do mundo, pois são o 
princípio básico da comunicação humana. 
Neste tópico abordaremos o conceito de texto, suas definições e suas 
funções. Estudaremos também quais são os principais gêneros textuais, buscando 
compreender os seus sentidos. O texto como prática interdisciplinar, tema de 
fundamental importância para você, que será professor de Língua Portuguesa, é 
também abordado neste tópico. Vamos adiante que ainda temos muito o que estudar.
2 OS SENTIDOS DO TEXTO
Quando nos propomos a produzir um texto escrito, temos a consciência de 
que ele será lido por alguém, em um determinado lugar e em determinado momento. 
O texto, para que possa ser compreendido, necessita de coerência. Mesmo que o 
emissor não saiba exatamente o que esta palavra significa, ele, intuitivamente, a 
utiliza ao escrever textos que possam ser compreendidos ao serem lidos.
A coerência textual, princípio básico para a produção de textos com sentido, 
é o processo de articulação de ideias. A coerência textual é fundamental para que o 
leitor possa atribuir sentidos ao que está sendo lido. Observe o texto a seguir: 
Esta semana aconteceu um episódio interessante na cidade em que 
moro, pois está cada vez mais difícil conseguir emprego. Os pais da criança se 
revoltaram e o prefeito não terminou de concluir a obra que havia prometido. Ao 
mesmo tempo, ocorria a manifestação pelo aumento de salário dos funcionários 
públicos e os animais estavam estressados, pois era primavera. 
Este texto está confuso, pois, apesar de apresentar sequências frasais 
lógicas e coesão (ligação entre as partes do texto), não está coerente. Qualquer 
pessoa com conhecimento linguístico básico compreende que não há sentido 
algum no texto apresentado. Como você pode observar, a coerência não é algo que 
possa ser visualizado no texto. A coerência do texto só pode ser compreendida 
quando o texto é lido, ou seja, ela é implícita. 
60
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
Um mesmo texto pode também apresentar múltiplas interpretações, 
dependendo do ponto de vista do leitor e de qual contexto ele está inserido no 
momento da leitura. O leitor, no ato da leitura, utiliza-se de seus conhecimentos 
prévios. O sentido do texto está também ligado a esse fator. Observe a seguir o 
excerto de um texto extraído de um site especializado em eletrônicos: 
Os chips eletrônicos são fabricados com polímeros como a polianilina e o 
polipirrol. Filmes produzidos com esses materiais, em escala nanométrica, 
têm propriedades semicondutoras e podem substituir os trilhos de metal 
dos chips. Camadas desses polímeros podem proteger circuitos contra 
problemas de eletrostática, além disso, podem proteger elementos de 
prata, cobre e aço contra a corrosão (FUNDACENTRO, s.d.).
Caso a pessoa que esteja lendo este excerto não tenha nenhum 
conhecimento prévio acerca desta temática,não compreenderá do que se trata. 
De acordo com Perez (s.d.), três são os princípios básicos para que possamos 
compreender melhor o que é coerência textual. Vejamos: 
O princípio da não contradição: as ideias não devem em momento algum 
contradizerem-se dentro do texto.
Exemplo de um texto contraditório: Enquanto retornava à casa, percebi 
que havia alguém atrás de nós. Sem olhar para trás, vi que os bandidos estavam 
com uma faca e renderam meu amigo. Embora desarmados, foi um momento 
de muito pânico. 
Observe que, no exemplo, há duas contradições: a primeira quando o 
personagem afirma que não olhou para trás, mas viu que estavam com uma 
faca. A segunda, quando ele afirma que estava com uma faca e depois diz que 
estavam desarmados. 
O princípio da não tautologia: não é necessário repetir as ideias inúmeras 
vezes para não comprometer a compreensão do texto.
Exemplo de um texto tautológico: Minha mãe está feliz, pois não é todo 
dia que se ganha tanto dinheiro. Mesmo tendo agora todo este dinheiro na sua 
conta, ela quer trabalhar meio período, pois tem agora mais dinheiro. 
O texto torna-se cansativo, pois repete a ideia. A compreensão do texto 
não ocorre de acordo com a repetição, mas de acordo com a coerência da 
informação que é dada. 
O princípio da relevância: afirma que as ideias dentro do texto devem 
dialogar. Caso sejam fragmentadas, não devem constituir um texto.
Exemplo de uma informação irrelevante: Durante a onda de frio que se 
aproxima do Sul do Brasil, recomenda-se o uso de agasalhos para evitar hipotermia. 
A hipotermia é muito comum em alpinistas que não utilizam roupas apropriadas. 
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
61
A informação contida no segundo período é irrelevante, pois a notícia 
trata do frio no Sul do Brasil, uma região na qual não se pratica alpinismo. 
Cabe aqui salientar que a coesão, ou seja, o uso adequado dos conectores 
textuais, também é de suma importância para que o texto seja estruturado e 
possua sentido. A coerência é um princípio de interpretação, ou seja, o sentido do 
texto é sempre depreendido pelo leitor.
2.1 CONCEPÇÕES DE TEXTO
Muitos são os estudos acerca do texto e de suas concepções. Com o avanço 
das pesquisas nesta área, o texto passou a ser visto não mais como um emaranhado 
de palavras e frases, mas como algo vivo e dinâmico, que toma forma e sentido de 
acordo com a sua intencionalidade.
O texto, segundo Fiorin e Platão (2000), está presente em todas as camadas 
da sociedade e serve para, basicamente, comunicar. Mas qual é o real sentido 
da palavra texto? Derivado do latim, textum, significa tecido, ou seja, é um 
entrelaçamento de orações que funcionam como fios que, costurados, formam 
algo maior e com mais corpo, ou seja, o texto em si. No entanto, podemos afirmar 
que não somente de palavras um texto se constitui. 
Ainda de acordo com Fiorin e Platão (2000), é difícil dar uma definição 
exata do que é o texto. Os autores citados, porém, afirmam que todo texto, para 
caracterizar-se como tal, deve apresentar coerência e coesão. A ideia central do texto 
não pode de forma alguma ser comprometida, portanto, é de responsabilidade 
do autor utilizar os conectivos adequados para transmitir a ideia que pretende. O 
contexto no qual o texto é produzido também interfere no resultado.
O texto é uma forma de comunicação coerente, que possui um sentido e 
um determinado objetivo. Assim sendo, podemos considerar que, ao escrevermos, 
produzimos textos dentro de determinados estilos, que cumprem funções 
comunicativas. A partir dessas intencionalidades, surgem os gêneros textuais, 
que estudaremos a seguir.
2.2 GÊNEROS TEXTUAIS E A PRODUÇÃO DE TEXTOS
Conforme já estudado, cada texto produzido tem um objetivo definido. 
De acordo com o objetivo que se pretende alcançar, dá-se forma ao texto, 
enquadrando-o, assim, dentro de um determinado gênero textual. Muitas são as 
dúvidas que surgem quando nos referimos aos gêneros textuais, especialmente 
quando se trata das diferenças entre um e outro, já que muitas acabam sendo sutis.
62
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
Para embasar esta etapa de estudos, utilizaremos como base teórica os 
estudos de Marcuschi (2010). De acordo com o autor, os gêneros textuais são 
maleáveis e feitos para serem utilizados de acordo com o objetivo que o autor 
pretende alcançar com seu texto.
É importante salientar que gênero textual é diferente de tipo textual. Os tipos 
textuais são a narração, a descrição, a dissertação, a injunção e a exposição. Dentro dos tipos 
textuais encaixam-se os gêneros textuais.
IMPORTANT
E
Em todas as situações comunicacionais que nos cercam, encontraremos 
textos classificados dentro de determinado gênero textual. Podemos citar muitos 
exemplos de gêneros, como, por exemplo, piada, carta, receita, manual de 
instruções, artigo científico, bilhete, poema, anúncio publicitário, ofício, circular, 
anedota, fábula e inúmeros outros. Com o advento da tecnologia, muitos são os 
gêneros que vêm surgindo. O e-mail é um exemplo disso. 
Cada gênero textual poderá trazer em sua composição características dos 
tipos textuais. Veja, no exemplo a seguir, a fábula A lebre e a tartaruga: 
Um dia, uma Lebre ridicularizou as pernas curtas e a lentidão da 
Tartaruga. A Tartaruga sorriu e disse: "Pensa você ser rápida como o 
vento, mas acredito que eu a venceria numa corrida." A Lebre, claro, 
considerou aquela insinuação como algo impossível de acontecer, e 
aceitou o desafio na hora. Convidaram então a Raposa para servir de 
juiz, escolher o trajeto, e o ponto de chegada. E no dia marcado, do 
ponto inicial, partiram juntas. A Tartaruga, com seu passo lento, 
mas firme, determinada, concentrada, em momento algum parou 
de caminhar rumo ao seu objetivo. Mas a Lebre, confiante de sua 
velocidade, despreocupada com a corrida, deitou à margem da 
estrada para um rápido cochilo. Ao despertar, embora corresse o mais 
rápido que suas pernas o permitissem, não mais conseguiu alcançar 
a Tartaruga, que já cruzara a linha de chegada, e agora descansava 
tranquila num canto (ESOPO, s.d., s.p.).
O texto apresentado pertence ao gênero fábula, pois tem em sua composição 
características que o enquadram neste gênero (os personagens são animais, há moral 
da história etc.). Podemos dizer também que ele pertence à sequência tipológica de 
narração, pois a fábula é um gênero especificamente narrativo (possui narrador, 
personagens, tempo, espaço e foco narrativo na sua estrutura). 
Veja outro exemplo: 
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
63
Creme de abacate
Ingredientes: 
3 xícaras de polpa de abacate 
suco de 1 limão 
3 colheres de sopa de açúcar
Modo de fazer:
Bata o abacate, ligeiramente, no liquidificador com o suco de limão. 
Acrescente o açúcar e bata levemente de novo. Leve à geladeira apenas por 30 
minutos e sirva.
O texto apresentado é uma receita. Este gênero (receita) enquadra-se na 
sequência tipológica de base injunção, pois os textos injuntivos têm por objetivo 
instruir quem os lê e geralmente usam verbos no imperativo para atingir seu 
intuito (bata, acrescente, leve, sirva).
Marcuschi (2010) ainda afirma que o gênero textual constitui textos que 
são empiricamente realizados para cumprir determinadas funções em situações 
comunicativas específicas. Pode-se afirmar que há um número praticamente 
ilimitado de gêneros, organizados dentro de um conjunto aberto e determinados 
pela composição, função, estilo e canal de comunicação por meio do qual ele é 
veiculado. Já o tipo textual possui características mais fáceis de identificar e é mais 
restrito. De acordo com Marcuschi (2010, p. 83), “[...] os gêneros textuais funcionam 
como paradigmas porque nos oferecem modelos de comunicação para que esta 
seja eficaz, não só verbalmente como também através da produção escrita”.
Quando o autor decide que vai produzir um texto, ele tem que escolher de 
que forma deseja transmitir a mensagem, por exemplo, se ele decidir comunicaralgo a alguém que mora em outro país, ou ele enviará um e-mail ou enviará uma 
carta. Suponhamos que ele decida escrever uma carta. Para esta carta haverá 
uma estrutura que, no caso, é o tipo textual, que se apresentará em forma de 
gênero, a carta em si. Marcuschi (2010) afirma que, mesmo que essa carta não 
fosse assinada ou datada, por exemplo, ela não deixaria de ser uma carta, pois 
cumpre sua função dentro da comunicação.
DICAS
Para que você, futuro professor de Língua Portuguesa, possa utilizar os gêneros 
textuais com seus alunos em sala de aula, é de fundamental importância que seja feito um 
levantamento a partir da realidade dos alunos para poder trabalhar os gêneros que mais 
estão próximos à realidade deles. Este levantamento é necessário para saber o que é ou não 
importante que eles saibam. Um exemplo: o gênero textual carta quase não é mais trabalhado, 
pois cedeu lugar ao gênero textual e-mail. Você, professor, precisa estar atualizado também 
com relação às redes sociais, que a cada dia evoluem. Elas também são gêneros textuais.
64
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998), o 
aluno precisa ser levado a produzir textos a partir dos gêneros, portanto, não 
basta apenas que ele seja um bom escritor, mas também um bom leitor, pois 
necessita aprimorar e reescrever seu próprio texto. O trabalho com o gênero 
textual é, portanto, muito benéfico, tanto para o aluno quanto para o professor. 
O trabalho com o gênero proporciona também o trabalho interdisciplinar, 
pois a integração entre as demais disciplinas é importante para a formação integral do 
aluno. Os gêneros estão presentes em praticamente todas as esferas sociais humanas, 
pois tudo o que comunicamos encaixa-se dentro de um determinado gênero. 
Trabalhar, portanto, o gênero dentro da parte de produção textual proporciona ao 
aluno a elaboração e a análise de textos com significado (BAKHTIN, 1997).
2.3 O TEXTO E SUA INTENÇÃO
Todas as produções textuais, sejam elas orais ou escritas, possuem uma 
intenção. Antes de produzir o texto é necessário avaliar quem vai lê-lo, quando, 
onde, em que situação. Dependendo da nossa intenção ao escrever o texto, 
mudará o tipo textual, o gênero, a função de linguagem, ou seja, toda a estrutura 
se modifica de acordo com a intenção. Observe os exemplos a seguir:
RIO REGISTRA DIA MAIS FRIO DO ANO NESTE OUTONO
Em meio a uma frente fria que atingiu o Rio nesta quarta-feira (27), a 
cidade teve o seu dia mais frio em 2016 nesta quinta-feira (28) em pleno 
outono. Segundo o Alerta Rio, foram registrados 16,6º C na estação do 
Alto da Boa Vista, na Zona Norte do Rio. Já a maior temperatura foi 
registrada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, com 25,4º C.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foram 
registrados 17,2º C também no Alto da Boa Vista. A máxima do 
dia divulgada pelo instituto foi registrada na Saúde: 23,6º C. Os 
ventos fortes causaram ressaca em vários pontos do litoral carioca, 
incluindo Arpoador, na Zona Sul, e Piratininga, em Niterói, na Região 
Metropolitana (G1, 2016, s.p.).
A intenção do texto apresentado é informar o leitor sobre algo que ocorreu. 
Os gêneros textuais que têm por finalidade informar podem variar muito, indo 
da notícia à reportagem, por exemplo. Este tipo de texto consiste em um linguajar 
simples e direto. Veja outro exemplo:
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
65
MATO OU MORRO
Um comandante pergunta a seu soldado que se preparava para partir 
para a guerra:
– Qual é o seu lema?
– O meu lema é: mato ou morro, meu comandante! – responde o 
soldado sem hesitar.
O comandante, em dúvida, pergunta: 
– Matar ou morrer, você quer dizer…
– Não, meu comandante. É mesmo mato ou morro! – Responde o 
soldado. 
– Explique-se melhor… – ordena o comandante.
E o soldado explica: 
– Simples! Se as balas forem para o mato eu fujo para o morro, se as 
balas forem para o morro eu fujo para o mato… (ANEDOTA DO DIA, 
2016, s.p.)
Já este texto tem por intenção criar humor. Não há aí intenção de transmitir 
uma mensagem ou de informar algo, apenas divertir o leitor.
Muitos textos possuem mais de uma intenção. Veja o exemplo da charge a 
seguir: além de fazer uma crítica implícita à situação do Aedes Egypti no país, tem por 
finalidade divertir o leitor.
FONTE: <http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/02/charge-cabo-de-guerra.html>. 
Acesso em: 4 ago. 2016.
UNI
2.4 FATORES QUE INTERFEREM NA INTERPRETAÇÃO 
TEXTUAL
Quando um texto é lido e consequentemente interpretado, ocorre o 
envolvimento do leitor com o texto a partir do conhecimento de mundo linguístico 
que ele possui. O processo da comunicação não é somente criado a partir do leitor 
com o texto, mas sim, com a natureza, com a intenção, com a linguagem que é 
utilizada no texto e com os conhecimentos que ele objetiva transmitir. Conforme 
estudamos anteriormente, não é possível compreender um texto se não sabemos 
um mínimo acerca do conteúdo que ele aborda. 
66
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
Existem alguns fatores que interferem na compreensão e/ou interpretação 
da mensagem que o texto quer transmitir. É necessário compreender, antes 
de veicular um texto a determinado público, qual é a estrutura dele, qual é a 
linguagem utilizada para seu desenvolvimento, qual é o conteúdo que deseja 
transmitir. Um texto que parece simples para determinados leitores pode ser de 
extrema complexidade para outros. Tudo dependerá da época na qual foi escrito, 
para que público, com que intenção, a partir de que cultura etc.
Portanto, estes vários fatores juntos formam a complexidade linguística 
do texto, que varia de leitor para leitor. No ato da leitura, o leitor deve trazer à 
tona as informações que já tem sobre o assunto e aplicá-las ao que está sendo lido. 
Observe os textos a seguir:
TEXTO 1
Outro paradigma típico, que coaduna com a simplicidade do objeto 
é o reducionismo. Dele decorre a operação da redução, que procura 
reduzir o objeto complexo a um outro mais simples e bem conhecido, 
submetendo o entendimento do conjunto do objeto à suas partes 
constituintes, como é o caso, por exemplo, de se reduzir a vida às suas 
características bioquímicas, ou o indivíduo aos processos sociais. Segue-
se a 'objetividade' científica que buscou, nesta esteira, sob referências 
absolutas, conhecer a realidade livre de qualquer subjetividade ou 
influência ideológica, confiando obter um conhecimento seguro e 
verdadeiro, e que fomentou a pretensão de constituir a ciência, um saber 
monístico, o único e verdadeiro do mundo (GOMES, VITTE, 2010, s.p.).
TEXTO 2
A Geografia Física é a área dos estudos geográficos relacionada às 
manifestações terrestres naturais, envolvendo os processos superficiais 
e os elementos do interior do planeta que possuem direta relação 
com as formas e as alterações do relevo. Através de suas diversas 
abordagens – como a Climatologia, a Geomorfologia, a Hidrologia, a 
Biografia, a Pedologia, a Glaciologia e muitos outras –, a Geografia 
Física aborda temas que se aglutinam, geralmente, em torno de quatro 
temas: a litosfera, a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera. Para isso, 
mantém diretas relações com inúmeras outras áreas do conhecimento, 
como a Geologia e a Biologia (PENA, s.d., s.p.).
Ambos os textos tratam da geografia física, porém, o Texto 1 é de maior 
complexidade se comparado ao Texto 2. Podemos analisar os textos da seguinte 
forma: o Texto 1 utiliza termos técnicos específicos da área, cujo conhecimento 
do leitor já deve ser mais avançado para que o texto possa ser compreendido. 
É um texto publicado em um periódico de universidade, portanto, é necessário 
ter relevante conhecimento prévio para que se possa compreender o texto, que é 
destinado a estudiosos da área e apresenta uma pesquisa específica. 
Já o Texto 2 é justamente para explicar o que vem a ser a geografia física. 
A compreensão do texto torna-semais fácil, pois a linguagem é coloquial e não 
utiliza termos específicos da área. O site no qual foi publicado destina-se a um 
público-alvo com menos conhecimento específico da área, que queira aprender 
sobre. Alunos de Ensino Fundamental e Médio são um exemplo. 
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
67
Há, além destes, outros fatores que interferem na compreensão textual. 
A própria construção do texto pode ocasionar este tipo de problema. Vamos ver 
quais são estas interferências?
2.4.1 Ambiguidade e polissemia
A ambiguidade ocorre quando um texto apresenta possibilidade de dupla 
interpretação. A ambiguidade, em muitos casos, é utilizada propositalmente, 
especialmente em textos de teor literário. Observe: 
Emergência (Mário Quintana) 
Quem faz um poema abre uma janela. 
Respira, tu que estás numa cela 
abafada, 
esse ar que entra por ela. 
Por isso é que os poemas têm ritmo — 
para que possas profundamente respirar. 
Quem faz um poema salva um afogado.
A linguagem utilizada no poema é metafórica e possibilita a dupla 
interpretação. É claro que este tipo de linguagem é justamente utilizado com o 
intuito de fazer com que o leitor reflita e compreenda que as palavras ali colocadas 
não devem ser interpretadas com seu sentido literal, mas a ambiguidade está ali 
presente ao longo de todo o texto. 
Há também a ambiguidade utilizada para dar caráter humorístico a 
determinados textos. Observe a tira de Mafalda:
FIGURA 12 - MAFALDA
FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/_SekuPoIqqTo/TUxAMg45zqI/AAAAAAAAA0w/atupKgthj8Q/
s640/Mafalda+-+05+-+Dedo+Importante+2.jpg>. Acesso em: 10 maio 2016.
68
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
Neste caso, Mafalda usa a palavra indicador com duplo significado: o dedo 
indicador X o indicador do desemprego, o que atribui humor à tira. Neste caso, a 
palavra indicador possui mais de um significado, desencadeando, portanto, um 
fenômeno chamado polissemia. A polissemia ocorre quando uma palavra possui 
mais de um significado, dependendo do contexto no qual ela está inserida. Por 
exemplo: a palavra manga pode ser de uma camisa ou a fruta da mangueira. 
Na publicidade também é comum encontrarmos a ambiguidade proposital. 
Observe o anúncio a seguir:
FIGURA 13 - ANÚNCIO
FONTE: <http://portugues.uol.com.br/public/conteudo/images/anuncio-publicitario(1).jpg>. 
Acesso em: 25 abr. 2016.
Aqui, o anúncio utiliza a expressão “sorrisinho amarelo” no sentido 
denotativo, fazendo com que o público entenda que o creme dental anunciado 
clareia os dentes, porém, não deixa de fazer alusão à expressão no seu sentido 
conotativo, que quer dizer sorriso forçado. Se seus dentes estão brancos, você não 
precisará forçar seu sorriso. 
Nestes casos, a ambiguidade auxilia o autor a atingir seu objetivo com o 
texto, porém, em textos de teor informativo ou científico, a ambiguidade pode 
tornar-se um problema, pois o que deve ser interpretado com precisão não pode 
causar dúvidas ao leitor. Veja:
A noite de domingo foi turbulenta para os moradores da cidade de 
Divinópolis. Após intensa luta, houve tiroteio na rua. Os suspeitos fugiram, mas 
foram perseguidos. Por fim, o policial deteve um dos bandidos em sua casa. 
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
69
Onde, afinal, o bandido foi capturado? Na casa dele ou na casa do policial? 
Embora a ambiguidade possa ser empregada intencionalmente pelo enunciador, 
uma leitura cuidadosa geralmente acaba evitando muitos dos problemas com 
ambiguidade dentro do texto.
E em sala de aula, como podemos trabalhar essa temática? Que tal um 
exemplo de sequência didática para trabalhar as questões da ambiguidade?
Tema: a ambiguidade nos textos
1 Apresentação da proposta: o professor propõe aos alunos criar um fôlder de 
cunho humorístico, utilizando piadas e textos ambíguos. 
2 Partir do conhecimento prévio dos alunos: o professor poderá, antes de iniciar 
a explanação acerca do que é ambiguidade, mostrar aos alunos frases ambíguas 
e pedir para os alunos se sabem o que significa a ambiguidade e que expliquem 
a partir das frases apresentadas. 
3 Contato inicial com o tema em estudo: passar aos alunos uma explicação detalhada 
da ambiguidade, a partir de textos de autores que trabalhem com a temática. 
4 Pesquisa inicial: os alunos iniciam a pesquisa de textos ambíguos para a 
composição do fôlder e, quando se sentirem preparados, iniciam a produção 
de seus próprios textos.
5 Organização e sistematização do conhecimento sobre ambiguidade: 
estudo detalhado de situação de produção, quais são as principais dúvidas e 
dificuldades durante a pesquisa e produção de textos ambíguos. 
6 Produção individual ou em duplas: cada aluno, de maneira individual ou em 
dupla, produzirá ou selecionará um texto para o fôlder. 
7 Revisão e reescrita: os alunos deverão trocar os textos selecionados para que 
cada um corrija o do colega. Assim que revisados e, se for o caso, reescritos, o 
professor deverá preparar os textos para a impressão dos fôlderes.
8 Divulgação: após impressos, os fôlderes serão distribuídos pela escola para 
que outros alunos possam apreciá-los. Os fôlderes também poderão ser 
distribuídos em instituições próximas à escola, como comércio, por exemplo, 
para a apreciação da comunidade.
70
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
3 O TEXTO COMO PRÁTICA INTERDISCIPLINAR
Acadêmico: com base em tudo o que já foi estudado ao longo do curso de 
Letras, você já parou para pensar qual é a função social do professor? A discussão 
frequente das práticas pedagógicas executadas em sala de aula nas mais diversas 
disciplinas nos dá a oportunidade de parar para refletir um pouco mais sobre o 
tema, não é mesmo? 
De acordo com Fazenda (2011), a interdisciplinaridade é uma atitude 
de busca, de inclusão e de sintonia com o conhecimento. Assim, é evidente a 
globalização do conhecimento, o que pressupõe a quebra das fronteiras diante 
das disciplinas. A interdisciplinaridade é, portanto, uma área educativa que nos 
permite conceber o conhecimento como algo aberto, evitando, assim, classificá-la 
nas gavetas que chamamos de disciplinas.
Cabe ressaltar aqui que a interdisciplinaridade não consiste em acabar com 
as disciplinas, mas sim, promover a cooperação entre elas. Para que essa cooperação 
ocorra, é necessário que haja de fato uma interação entre elas. Há aí um grande 
desafio: buscar um método de fazer isto acontecer. A função social do professor 
é, dentre tantas outras, encontrar maneiras de fazer com que o aluno seja capaz 
de estabelecer relações entre estes fragmentos estudados, fazendo com que os 
conhecimentos adquiridos em todas as disciplinas se unam em determinado ponto.
A partir das práticas pedagógicas, cabe ao professor instigar os alunos 
a compreenderem e relacionarem estes diferentes segmentos. O trabalho com 
textos é um grande aliado neste caso. Este método exige muito comprometimento, 
pois é uma intervenção necessária para que o aluno compreenda a realidade de 
maneira crítica e consciente. 
O ponto de partida para o preparo de um trabalho interdisciplinar 
a partir de textos é a realidade do aluno. Cada projeto interdisciplinar possui 
estratégias próprias, portanto, ele deve ser pensado partindo do pressuposto 
de que a finalidade do processo educativo é fazer com que o aluno realmente 
aprenda. O papel do professor neste projeto é ajudar a produzir o conhecimento. 
Por este motivo é necessário que os professores, antes de trabalhar com o projeto, 
conversem entre si e verifiquem de que forma trabalharão. 
Com base nos estudos de Domingues (2015), elencaremos algumas estratégias 
para que os professores consigam elaborar bons projetos interdisciplinares.
• Estude. A interdisciplinaridade exige muito estudo por parte do professor. É 
necessário que o professor tenha conhecimento aprofundado acerca de sua 
disciplina, dos conceitos, dos conteúdos e dos métodos da sua área de atuação 
para que possa dialogare argumentar com seus colegas de outras disciplinas 
(DOMINGUES, 2015). 
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
71
• Escolha. Com seus colegas de disciplinas diferentes, escolham um tema que 
atinja os objetivos propostos por todos os envolvidos. Como o aluno é o ponto 
de partida, escolham temas que tenham a ver com a prática e com o cotidiano 
dos alunos.
• Seja flexível. Como é um trabalho de cooperação, cabe a vocês negociar as 
expectativas e ser flexíveis quanto a mudanças e adaptações necessárias. 
• Estabeleça objetivos. Eles devem ficar claros aos alunos e demonstrarem que cada 
conhecimento apresentado possui sua importância. O aluno deve compreender 
que nada no projeto é em vão: tudo tem uma razão para ser estudado. 
• Discuta a avaliação. Ela deve mostrar que o aluno foi ou não capaz de 
compreender o todo, inclusive o objetivo da interdisciplinaridade, a partir da 
fusão dos conteúdos estudados.
3.1 ESTUDOS ACERCA DA PRODUÇÃO TEXTUAL
Os primeiros estudos efetuados acerca da finalidade do texto, de acordo 
com Koch e Travaglia (1990), informavam que a boa formação do texto escrito 
eram os fatores de contextualização. Estes estudos eram fundamentados na 
linguística textual. De acordo com os autores, os estudos eram pautados em 
seis itens: situacionalidade, informatividade, focalização, intertextualidade, 
intencionalidade e relevância. Vejamos o que querem dizer estes termos, com 
base nos estudos de Koch e Travaglia (1990). 
• Situacionalidade: é o fator responsável pela situação comunicativa. Este fator 
interfere de forma direta na produção e na recepção do texto: a forma como ele 
foi produzido, se é formal ou informal, se há uso de dialetos etc.
• Informatividade: é o fator que analisa a importância das informações a serem 
transmitidas por determinado texto. 
• Focalização: tem relação com o conhecimento partilhado, ou seja, de acordo 
com o leitor o texto poderá ser compreendido de diferentes maneiras. 
• Intertextualidade: trata-se da interferência de outros textos na produção. 
• Intencionalidade: é a intenção que temos ao escrever.
• Relevância: conforme o nome já diz, refere-se à importância da temática.
Um texto, para abarcar todos estes termos, deve ser coerente e coeso. As ideias 
apresentadas no início não devem ser contraditórias. O texto que flui automaticamente 
abarca todos estes processos.
UNI
72
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
Ateremo-nos aqui à intertextualidade, que é um dos itens mais mencionados 
quando se trata de pesquisa sobre o tema. A intertextualidade pode ser analisada 
a partir de duas vertentes: o conteúdo e a forma. O conteúdo é quando os textos 
são contemporâneos e da mesma área de conhecimento. Neste caso, os textos 
dialogam entre si. A forma é quando temos conhecimentos armazenados na 
memória em determinados esquemas mentais que se referem aos gêneros. 
Cabe salientar que a intertextualidade não ocorre somente com textos 
verbais. As imagens também podem ser intertextuais. Observe a seguir os 
exemplos de intertextualidade: 
TEXTO 1
Vou-me embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira) 
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei 
Lá tenho a mulher que eu quero 
Na cama que escolherei
[...] 
Em Pasárgada tem tudo 
É outra civilização 
Tem um processo seguro 
De impedir a concepção 
Tem telefone automático 
Tem alcaloide à vontade 
Tem prostitutas bonitas 
Para a gente namorar
[...]
TEXTO 2
Vou-me embora de Pasárgada (Millôr Fernandes)
Vou-me embora de Pasárgada 
Sou inimigo do Rei 
Não tenho nada que eu quero 
Não tenho e nunca terei 
Aqui eu não sou feliz 
A existência é tão dura 
As elites tão senis 
Que Joana, a louca da Espanha, 
Ainda é mais coerente 
Do que os donos do país. 
[...] 
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
73
Pasárgada já não tem nada 
Nem mesmo recordação 
E nem fome nem doença 
Impedem a concepção 
Telefone não telefona 
Drogas são falsificadas 
E prostitutas aidéticas 
São as nossas namoradas. 
[...]
TEXTO 3
O léxico no poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel 
Bandeira (Luci Mary Melo Leon)
“Vou-me Embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação 
em toda a minha obra. Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando 
tinha os meus dezesseis anos e foi num autor grego. Estava certo de ter sido 
em Xenofonte, mas já vasculhei duas ou três vezes a Ciropedia e não encontrei 
a passagem. O douto Frei Damião Berge informou-me que Estrabão e Arriano, 
autores que nunca li, falam na famosa cidade fundada por Ciro, o antigo, no 
local preciso em que vencera a Astíages. Ficava a sueste de Persépolis.
Esse nome de Pasárgada, que significa “campo dos persas” ou “tesouro 
dos persas”, suscitou na imaginação uma paisagem fabulosa, um país de 
delícias como o “L’Invitationau Voyage” de Baudelaire. Mais de vinte anos 
quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo, num momento de 
fundo desânimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não tinha feito na 
minha vida por motivo da doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse 
grito estapafúrdio: “Vou-me Embora pra Pasárgada!” Senti na redondilha a 
primeira célula de um poema e tentei realizá-lo, mas fracassei. Abandonei a 
ideia. Alguns anos depois, em idênticas circunstâncias de desalento e tédio, me 
ocorreu o mesmo desabafo de evasão da “vida besta”.
Desta vez, o poema saiu sem esforço, como se já estivesse pronto dentro 
de mim. Gosto desse poema porque vejo nele, em escorço, toda a minha vida; 
e também porque parece que nele soube transmitir a tantas outras pessoas a 
visão e promessa da minha adolescência - essa Pasárgada onde podemos viver 
pelo sonho o que a vida madrasta não nos quis dar. Não sou arquiteto, como 
meu pai desejava, não fiz nenhuma casa, mas reconstruí, e “não como forma 
imperfeita neste mundo de aparências”, uma cidade ilustre, que hoje não é 
mais a Pasárgada de Ciro e sim a “minha” Pasárgada. [...]
FONTE: LEON, L. M. M. O léxico no poema Vou-me embora pra Pasárgada de Manuel Bandeira. 
[s.l: s.n., s.d.]. <http://www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno06-12.html>. Acesso em: 10 ago. 2016.
74
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
TEXTO 4
Pasárgada era uma cidade da antiga Pérsia, atualmente um sítio arqueológico na 
província de Fars, no Irã, situada a 87 quilômetros a nordeste de Persépolis. Foi a 
primeira capital da Pérsia Aqueménida, no tempo de Ciro II e coexistiu com as demais, 
dado que era costume persa manter várias capitais em simultâneo, em função da 
vastidão do seu império: Persépolis, Ecbátana, Susa ou Sardes. Hoje é um Patrimônio 
Mundial da Unesco.
FONTE: Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Pas%C3%A1rgada>. Acesso em: 14 nov. 2016
Os quatro textos apresentados possuem intertextualidade entre si, pois 
todos possuem como tema em comum “Pasárgada”. Pode-se afirmar, portanto, 
que os quatro textos “conversam entre si”, mesmo que o objetivo deles não seja o 
mesmo. Observe que o Texto 1 e o Texto 2 são poemas, sendo o primeiro o texto 
original e o segundo, uma paródia dele. Os textos têm como público-alvo pessoas 
de diferentes épocas, haja vista o segundo ser publicado muito tempo após a 
publicação do primeiro. O Texto 3 é um trecho de um artigo científico intitulado 
“O léxico no poema Vou-me embora pra Pasárgada, de Manuel Bandeira”, cujo 
público-alvo são estudiosos da língua portuguesa. O Texto 4, por fim, é uma 
descrição retirada da Wikipedia, cujo público-alvo são pessoas que pretendem 
realizar uma pesquisa breve e menos aprofundada acerca do tema. 
Agora, veja como ocorre a intertextualidade entre imagens:
FIGURA 14 - O GRITO, DE EDWARD MUNCH, E UMA RELEITURA DA OBRA COM O 
PERSONAGEM HOMMER SIMPSON
FONTE: <https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/09/31/35/0931357eb99bea019f-
3f403a7856a872.jpg>. Acesso em: 21 mar. 2016.
A imagem com o personagem Hommer é uma paródia humorística da 
obra “O Grito”, de Edward Munch. As imagens são, neste caso,intertextuais, pois 
a releitura da obra original, seja ela com finalidade humorística, publicitária ou 
crítica, possui intertextualidade. Neste caso, a intertextualidade tem finalidade 
humorística, mas, em muitos casos, a intertextualidade é muito utilizada na 
publicidade, como a imagem que segue, na qual a obra Monalisa foi parodiada 
para um comercial de produtos de limpeza. Veja:
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
75
FIGURA 15 - MONALISA
FONTE: <http://2.bp.blogspot.com/-_wQYtbqX2u4/Uml4psRTFDI/AAAAAAAAY1E/q9sANnlo_-c/
s1600/mon+bijou+bombril+carlos+moreno+monalisa+em+1998.jpg>. Acesso em: 28 jun. 2016. 
De acordo com Koch e Travaglia (1990), cabe ressaltar que os fatores citados 
sempre aparecerão no texto inter-relacionados e estabelecendo a coerência textual. 
Assim, o texto é visto como uma organização de elementos que permite que o emissor 
transmita uma mensagem de forma eficaz ao seu receptor. Para que o emissor consiga 
colocar estes fatores todos no texto, é necessário observar o gênero textual.
3.2 A PRODUÇÃO TEXTUAL: PRÁTICAS EM SALA DE AULA
O trabalho com produção de textos em sala de aula é uma das principais 
atividades desenvolvidas pelos professores de Língua Portuguesa. Quando 
realizada a partir de propostas pedagógicas que visem tornar o aluno um leitor e 
produtor, esta atividade ganha importância considerável. 
A produção em sala de aula não deve ser restrita a apenas escrever 
redações sem sentido, mas sim, fazer com que o aluno interaja com outros textos 
e dialogue com eles. Para que esta interação ocorra é necessário que ele seja, antes 
de escritor, um bom leitor. Provocar o aluno a ler textos que o instiguem faz parte 
do processo da produção textual. 
Aqui entra em questão novamente o professor como mediador do 
conhecimento: é ele que precisa fazer com que as aulas de produção textual sejam 
uma maneira de inserir o aluno no mundo da escrita. Embora o aluno possa 
ter acesso à leitura e à escrita em outros locais, é na escola que ele manterá este 
vínculo. É a escola que, a partir do seu papel social, fará com que ele compreenda 
que, a partir da linguagem, ele poderá transformar a sociedade em que vive. 
76
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
De que forma o professor poderá instigar seu aluno a escrever? Infelizmente 
não há uma fórmula pronta para isto. Cada aluno responderá aos estímulos de 
forma diferente, assim como ocorre na matemática, nas ciências, nas artes. O que 
nós, como professores, podemos (e devemos) fazer, é conscientizar o aluno de 
que a produção do texto é algo pessoal. 
Uma leitura curiosa do gênero que se pretende trabalhar em sala de 
aula pode ser um bom começo. A leitura, seja ela individual ou em voz alta, faz 
com que o aluno se familiarize com a linguagem utilizada. Não ler apenas um 
texto, mas sim, vários do mesmo gênero, para que a estrutura, o vocabulário e a 
construção textual sejam internalizados. 
Vamos a um exemplo prático. Suponhamos que o professor queira trabalhar 
com a produção textual de sonetos. Ele pode iniciar com uma leitura simples. 
Batatinha quando nasce
espalha a rama pelo chão.
Menininha quando dorme,
põe a mão no coração.
A partir deste pequeno e conhecido poema, o professor pode fazer com 
que os alunos observem a rima, que é parte estruturante do poema. Após explicar 
o que é a rima e que ela se faz presente na maior parte dos poemas, ele pode ler 
outro, com mais de uma estrofe. 
A Foca (Vinícius de Moraes)
Quer ver a foca 
Ficar feliz? 
É por uma bola 
No seu nariz. 
 
Quer ver a foca 
Bater palminha? 
É dar a ela 
Uma sardinha. 
 
Quer ver a foca 
Fazer uma briga? 
É espetar ela 
Bem na barriga!
Aqui, o professor já pode pedir para que os alunos observem que há mais 
de uma rima, e que elas sempre aparecem de forma sequencial. Se for o caso, o 
professor já pode explicar os tipos de rimas (interpolada, encadeada). O aluno já 
deve ter observado que um poema se estrutura em estrofes. Como o objetivo é 
trabalhar com sonetos, ele poderá ler com eles um soneto. 
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
77
Soneto do Amor Total (Vinícius de Moraes)
Amo-te tanto, meu amor... não cante 
O humano coração com mais verdade... 
Amo-te como amigo e como amante 
Numa sempre diversa realidade 
 
Amo-te afim, de um calmo amor prestante, 
E te amo além, presente na saudade. 
Amo-te, enfim, com grande liberdade 
Dentro da eternidade e a cada instante. 
 
Amo-te como um bicho, simplesmente, 
De um amor sem mistério e sem virtude 
Com um desejo maciço e permanente. 
 
E de te amar assim muito e amiúde, 
É que um dia em teu corpo de repente 
Hei de morrer de amar mais do que pude.
A estrutura do soneto agora já foi apresentada ao aluno. A partir daqui, 
muitos sonetos podem ser lidos. O professor poderá levá-los a pesquisar na 
internet, na biblioteca etc. Pode ser realizada uma exposição com os sonetos que 
os alunos acharam mais interessantes, por exemplo. Eles podem criar sua própria 
coletânea de sonetos, escolhendo seus favoritos e montando um portfólio.
Pronto. Agora que o aluno já conhece a estrutura do soneto, é hora de 
colocar seu conhecimento em prática. A proposta inicial pode ser desenvolver 
apenas uma estrofe e, a partir daí, trocar com os colegas. Pode também ser feita 
a leitura em voz alta para que o aluno sinta o ritmo do seu poema. Quando o 
professor perceber que sua turma está pronta para produzir o poema completo, 
poderá fazê-lo com toda tranquilidade. 
Como você pode perceber, algumas atividades se destacam mais que 
outras. Cabe salientar que o aluno precisa saber por que está escrevendo e para 
quem está escrevendo. Toda escrita tem uma função, e o escritor deve conhecê-la. 
Trabalhar considerando a realidade dos alunos também é importante para que 
eles cultivem o interesse pela produção.
Para os alunos menores, por exemplo, um trabalho em dupla pode ser 
um bom incentivo para começar uma produção. Leia com eles uma história e 
peça para que eles a reescrevam. Eles podem também narrar e você, professor, 
escreve no quadro os principais tópicos. Em seguida, eles apenas montam o texto. 
Recolha os textos e dê sugestões, faça com que eles reescrevam muitas e muitas 
vezes até que cada texto ganhe suas peculiaridades. Ao final, mostre para eles a 
evolução que tiveram na sua escrita. Desta maneira, eles compreenderão que um 
texto não se produz em uma única tentativa.
78
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
Que tal uma sequência didática para incrementar suas aulas de produção 
textual? Veja esta sugestão de sequência para a produção de Histórias em 
Quadrinhos.
Tema: Produção de uma história em quadrinhos 
1 Produção inicial
Objetivo: Estabelecer o primeiro contato com o gênero textual. 
Procedimentos: i. Conduzir os estudantes até a biblioteca da escola. ii. Orientá-
los a escolher gibis, conforme o título que mais chamar a atenção e fazerem 
a leitura. iii. Promover um momento de socialização, no qual cada estudante 
contará de forma resumida a história lida.
Recursos: Gibis 
Tempo previsto: 1 aula (50 minutos)
2 Sensibilização para as atividades 
Objetivo: Sensibilizar os estudantes para leitura e escrita de HQs na escola. 
Procedimentos: i. Estabelecer uma roda de conversa com os estudantes, 
perguntando se eles costumam ler HQs, com que frequência fazem isso e 
onde? ii. Perguntar quais critérios utilizam para identificar uma história em 
quadrinho e se acreditam que atividades envolvendo este gênero textual podem 
contribuir para a formação leitora deles, justificando a opinião. iii. Explicar 
aos alunos que, visando produzir uma coletânea de HQs criadas por alunos 
da escola, eles estarão desenvolvendo atividades voltadas para este gênero, a 
fim de que entendam melhor este gênero e possam produzir seus textos. iv. 
Distribuir para os estudantes a cópia do conto fabuloso “A verdadeira história 
dos três porquinhos”. v. Solicitar que façama leitura e identifiquem as principais 
diferenças entre o texto lido e a história que eles conhecem, a partir dos seguintes 
questionamentos: Quais as consequências da história estar sendo narrada pelo 
lobo? Se fosse narrada por um dos porquinhos, a história seria a mesma? 
Recursos: fotocópia dos textos.
Tempo previsto: 1 aula (50 minutos)
3 Comparação de textos 
Objetivo: Estabelecer a diferença entre um texto em prosa e uma HQ.
Procedimentos: i. Apresentar para os estudantes a HQ “Cascão – Os 3 
Porquinhos”, de Maurício de Sousa. ii. Fazer uma leitura coletiva, cada pessoa 
lê um quadrinho. iii. Estabelecer uma conversa informal sobre o texto lido, 
indicando quais os aspectos que mais chamaram atenção. iv. Perguntar aos 
estudantes quais as diferenças percebidas entre o conto lido na aula anterior e 
o quadrinho em estudo. A diferença se dá apenas na forma como a história é 
contada? E a estética do texto, em que se diferenciam? v. Em seguida, propor 
uma interpretação escrita do texto, estabelecendo um paralelo entre o conto e a 
HQ. vi. Correção da interpretação escrita. 
Recursos: fotocópias 
Tempo previsto: 2 aulas (100 minutos) 
TÓPICO 3 | O TEXTO E A COMBINAÇÃO 
79
4 Caracterizando a história em quadrinhos
Objetivo: Identificar as características textuais da história em quadrinhos.
Procedimentos: i. Distribuir uma apostila-resumo sobre as características da 
história em quadrinhos. ii. Fazer a leitura com os estudantes e estimulá-los a 
identificar os elementos textuais (legenda, balão, expressão fisionômica etc.) na 
história em quadrinhos lida na aula anterior. 
Recursos: Texto da aula anterior e apostila
Tempo previsto: 1 aula 
5 Compreendendo as variedades linguísticas 
Objetivo: Compreender e respeitar as variedades linguísticas. 
Procedimentos: i. Levar tirinhas de Chico Bento para a sala de aula. ii. 
Conversar com os estudantes sobre os personagens da tirinha. Já conhecem? 
Qual a característica marcante? iii. Junto com os estudantes, identificar na 
tirinha palavras ou expressões que fogem da norma padrão, esclarecendo os 
fatores que propiciam a existência da variedade linguística. iv. Sensibilizar os 
estudantes para o respeito à variedade linguística, explicando que nenhuma 
variedade é superior a outra, embora alguma seja mais adequada que outra em 
determinadas situações. v. Propor uma entrevista para ser realizada em casa 
com familiares, vizinhos etc., sobre o preconceito linguístico.
Recursos: fotocópias
Tempo previsto: 1 aula 
6 Discutindo o preconceito linguístico
Objetivo: Socializar as entrevistas, identificando os pontos em comum, respeitar 
as variações, evitando o preconceito linguístico.
Procedimentos: i. Com a turma organizada em semicírculo, incentivar os 
estudantes a socializarem as entrevistas. ii. Identificar com eles expressões 
próprias da linguagem popular. Estabelecer os seguintes questionamentos: 
Vocês já usaram ou já ouviram alguém usando? A que expressão da norma 
padrão elas correspondem? Qual a sua opinião sobre as pessoas que tratam 
com deboche aqueles que falam de um jeito diferente? iii. Esclarecer para os 
estudantes que a atitude de criticar os que usam uma linguagem diferenciada 
constitui um preconceito linguístico. Não existe uma língua superior a outra, 
mas devemos dar conta da linguagem padrão, visto que em algumas situações 
do cotidiano ela é exigida.
Recursos: Lousa, pincel
Tempo previsto: 1 aula 
7 Analisando vídeos
Objetivo: Analisar os vídeos, verificando os diferentes valores entre quem mora 
no campo e quem mora na cidade.
Procedimentos: i. Sensibilizar a turma para apreciação dos vídeos. ii. Exibir 
os vídeos “Na roça é diferente” e “Chico Bento na roça”. iii. Estimular os 
estudantes a explicitarem o que mais chamou atenção no vídeo (linguagem, 
80
UNIDADE 1 | APLICAÇÕES DA ORALIDADE E DA ESCRITA: A ARGUMENTAÇÃO E O RACIOCÍNIO
ambiente, modo de vida, valores). iv. Discutir com os estudantes as diferenças 
de valores sociais, culturais entre os moradores do campo e os moradores da 
cidade, mostrando como elas interferem no nosso estilo de vida.
Recursos: Projetor multimídia, notebook, pen-drive.
Tempo previsto: 1 aula 
8 Produzindo a história em quadrinhos 
Objetivo: Fazer uma transposição textual, transformando um conto fabuloso 
numa história em quadrinhos.
Procedimentos: i. Distribuir o livro “Um porco vem morar aqui” (conto 
fabuloso), de Cláudia Fries. ii. Fazer a leitura coletiva com os estudantes, 
refletindo as atitudes preconceituosas de cada animal presente na obra quanto 
ao novo vizinho (o porco). iii. Ressaltar a importância de não julgar as pessoas, 
sem conhecê-las, mostrando que, mesmo diferentes, cada ser tem características 
positivas e negativas. iv. Distribuir papel ofício para os estudantes e solicitar 
que façam a transposição textual, transformando o conto lido em história em 
quadrinhos. v. Chamar a atenção para a necessidade de fazer uso dos elementos 
estruturais e gráficos da HQ (balão, legenda, onomatopeia etc.) 
Recursos: Livro, papel ofício, lápis 
Tempo previsto: 1 aula 
9 Revisando a produção textual 
Objetivo: Verificar se o texto atende aos pré-requisitos da HQ, fazendo os 
devidos ajustes através da reescrita.
Procedimentos: i. Propor que os estudantes troquem entre si as suas produções 
textuais. ii. Pedir que sinalizem no texto do colega os possíveis erros para que 
sejam corrigidos. iii. Fazer a devolução dos textos para que o colega analise as 
correções e faça a reescrita, inclusive colorindo os quadrinhos. iv. Recolher os 
textos dos alunos para que sejam encadernados e posteriormente divulgados e 
publicados na biblioteca da escola.
Recursos: Papel ofício, caneta, lápis de cor
Tempo previsto: 2 aulas
FONTE: SANTOS, Elane et al. A sequência didática como faclitadora do ensino de leitura e escrita 
a partir de gêneros textuais. Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos. Cadernos do 
CNLF, Vol. XVII, n. 3 - Minicursos e Oficinas. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2013.
O incentivo, o elogio e a curiosidade são grandes aliados nestas horas. 
Lembre-se de que eles têm dúvidas, e cabe a você fazer com que eles as esclareçam. 
A atividade de produção textual, quando acompanhada, faz sentido para os alunos. 
Assim, eles entenderão porque devem escrever e de que forma devem escrever. 
81
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você viu que:
• Estamos rodeados por textos de todos os gêneros.
• O texto é o princípio básico da comunicação.
• O texto sempre será escrito com alguma finalidade (de alguém, para alguém 
que está em determinado lugar, em determinado contexto).
• A coerência é o princípio básico da produção textual e é ela que articula as 
ideias.
• A coesão é o uso adequado dos conectores textuais.
• O texto é um conjunto de palavras com sentido.
• Cada texto possui um objetivo específico.
• Há cinco tipos textuais (descrição, dissertação, narração, injunção e exposição). 
Por outro lado, há um número ilimitado de gêneros textuais.
• Para ser um bom escritor é necessário ser um bom leitor.
• O trabalho a partir de gêneros textuais proporciona o trabalho interdisciplinar.
• Existem alguns fatores que interferem na compreensão e/ou interpretação da 
mensagem que o texto quer transmitir: o conhecimento prévio do assunto a ser 
abordado, a ambiguidade e a polissemia são exemplos.
• Ambiguidade ocorre quando um texto apresenta possibilidade de dupla 
interpretação.
• Polissemia é quando uma mesma palavra é empregada com diferentes 
significados, de acordo com o contexto.
• O texto é um grande aliado na prática interdisciplinar.
• O ponto de partida para o preparo de um trabalho interdisciplinar a partir de 
textos deve ser a realidade do aluno.
• A situacionalidade é o fator responsável pela situação comunicativa.
82
• A informatividade é o fator que analisa a importância das informações a serem 
transmitidas por determinado texto.
• A focalização tem relação com o conhecimento partilhado, ou seja, de acordo 
com o leitoro texto poderá ser compreendido de diferentes maneiras.
• A intertextualidade trata da interferência de outros textos na produção.
• A intencionalidade é a intenção que temos ao escrever e a relevância, conforme 
o nome já diz, refere-se à importância da temática.
83
1 Reescreva a frase a seguir de modo que ela não fique ambígua: 
“A mãe pediu à filha que arrumasse o seu guarda-roupas.”
2 A partir das frases a seguir, explique o conceito de polissemia. 
A manga da camiseta manchou com a tinta. 
e
Bebi um delicioso suco de manga no quiosque. 
3 (ENEM – 2003) Observe a imagem e o texto a seguir:
FONTE: Operários, 1933, óleo sobre tela, 150x205 cm, (P122), Acervo Artístico-Cultural dos 
Palácios do Governo do Estado de São Paulo
“Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura 
identidade peculiar, são iguais enquanto frente de trabalho. Num dos cantos, 
as chaminés das indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo o quadro, 
rostos colados, um ao lado do outro, em pirâmide que tende a se prolongar 
infinitamente, como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora”. 
(Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.)
O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se 
encontra nos versos transcritos em:
a) “Pensem nas meninas/ Cegas inexatas/ Pensem nas mulheres/ Rotas 
alteradas.” (Vinícius de Moraes)
b) “Somos muitos severinos/ iguais em tudo e na sina:/ a de abrandar estas 
pedras/ suando-se muito em cima.” (João Cabral de Melo Neto)
c) “O funcionário público não cabe no poema/ com seu salário de fome/ sua 
vida fechada em arquivos.” (Ferreira Gullar)
d) “Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./ À parte 
isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa)
e) “Os inocentes do Leblon/ Não viram o navio entrar (...)/ Os inocentes, 
definitivamente inocentes/ tudo ignoravam,/ mas a areia é quente, e há um óleo 
suave que eles passam pelas costas, e aquecem.” (Carlos Drummond de Andrade)
AUTOATIVIDADE
84
85
UNIDADE 2
GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Ao final desta unidade, você será capaz de:
• saber diferenciar os tipos textuais, bem como analisá-los;
• conhecer as principais características linguísticas dos textos;
• compreender o uso dos diferentes gêneros textuais relacionados à esfera 
comercial.
Esta unidade de ensino contém três tópicos. No final de cada um deles, você 
encontrará atividades que contribuirão para a apropriação dos conteúdos.
TÓPICO 1 – A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E ANÁLISE DOS 
 DIFERENTES TIPOS DE TEXTOS
TÓPICO 2 – CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS DOS TEXTOS
TÓPICO 3 – OS GÊNEROS DA ESFERA COMERCIAL
86
87
TÓPICO 1
A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E 
ANÁLISE DOS DIFERENTES 
TIPOS DE TEXTOS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Olá, acadêmico. A partir desta unidade, mais especificamente neste 
tópico, estudaremos de modo mais aprofundado os tipos textuais e os gêneros. 
Ao longo desta etapa de seus estudos você conhecerá as principais características 
e compreenderá o funcionamento de cada um dos tipos textuais. A partir desta 
análise, você compreenderá que cada um possui determinada função dentro da 
língua portuguesa. 
O conhecimento das características que constituem os tipos textuais dá ao 
autor a possibilidade de deixar mais claras as suas intenções ao escrever o texto. 
Desejamos a você uma ótima jornada de estudos!
2 TEXTO NARRATIVO
Quem nunca ouviu ou contou uma história? Seja na escola, no ambiente 
familiar ou entre amigos, sempre ouvimos e contamos histórias. Quando 
realizamos esta ação, estamos narrando algo, ou seja, mesmo que informalmente, 
estamos produzindo um texto narrativo. De acordo com Andrade e Medeiros 
(2001), a narrativa estrutura-se em quatro fases. A primeira é a criação da 
expectativa, ou seja, o momento no qual são apresentados o espaço, o tempo, os 
personagens. Em seguida, há a quebra da expectativa, que é, conforme Andrade 
e Medeiros (2001), resultado da movimentação dos personagens. A terceira fase é 
a tentativa de resolução do conflito, que busca solucionar o problema do enredo, 
e a avaliação constitui a última fase, que é uma lição de moral ou uma conclusão 
acerca do que ocorreu ao longo da narrativa. 
A narrativa também é composta por elementos, e para que possamos 
compreender melhor o que é o texto narrativo e o que o caracteriza como tal, 
os estudaremos a partir de agora. Os elementos da narrativa dividem-se em 
narrador, personagens, tempo, espaço e enredo. Vamos conhecê-los em detalhes? 
a) Narrador: é aquele que conta a história. O narrador pode ser onisciente neutro, 
onisciente intruso ou personagem. 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
88
O narrador onisciente neutro conhece o que se passa na história, porém, 
não participa diretamente dela. Conhece as ações, mas não tão intimamente. De 
acordo com Andrade e Medeiros (2001, p. 149), “[...] a neutralidade do narrador 
onisciente é aparente, visto que todo discurso é ideológico, manifesta um ponto de 
vista a respeito dos fatos”. Veja o exemplo de um trecho cujo narrador é onisciente 
neutro. Neste exemplo, não há fala de personagens e o narrador não emite opiniões 
acerca do que está ocorrendo, o que o caracteriza como onisciente neutro: 
Já era dia quando os irmãos decidiram voltar para casa. O trajeto era longo, mas 
eles permaneceram acordados, conversando e mantiveram-se atentos ao caminho. Quando 
chegaram em casa, a mãe aflita ainda os esperava acordada. 
O narrador onisciente intruso conhece a história muito bem. Utiliza a 
narrativa em terceira pessoa, mas narra também em primeira pessoa, sendo que 
sua voz é, às vezes, confundida com as dos personagens. O narrador onisciente 
intruso aparece onde deseja na trama. Ele pode fazer comentários acerca da trama 
com prazer e da forma como desejar. Andrade e Medeiros (2001) afirmam que, por 
vezes, o narrador onisciente intruso emite opiniões acerca dos fatos que estão sendo 
narrados. Quincas Borba, de Machado de Assis, é um bom exemplo de narrador 
onisciente intruso. Observe e veja como há mistura dos dois discursos na narração:
“Rubião conheceu-o também; e respondeu-lhe que não era nada. 
Capturara o rei da Prússia, não sabendo ainda se o mandaria fuzilar ou não; era 
certo, porém, que exigiria uma indenização pecuniária enorme, - cinco bilhões de 
francos. Ao vencedor, as batatas! - concluiu rindo” (ASSIS, 1891, p. 157). 
Já o narrador personagem participa da história que está contando, ou seja, 
ele narra sua própria história. Segundo Andrade e Medeiros (2001, p. 150), 
A narrativa em primeira pessoa não significa que o narrador seja a 
personagem principal dos acontecimentos. Contudo, como ele também 
participa da história, é possível perceber que a análise fica impregnada 
de subjetividade. Tudo o que disser será como participante e não 
alcançará a objetividade que alguns relatos requerem. 
O narrador personagem conhece, portanto, de maneira limitada o restante 
do enredo, pois participa dele. Observe o exemplo e perceba que o narrador apenas 
conta o que ele está vivendo, sem saber o que se passa no restante do enredo. 
Estava eu imersa em meus pensamentos, lendo minhas anotações, quando 
fui violentamente despertada pelo grito ensurdecedor. Quando voltei a mim, não 
me dei conta da situação. Apenas lembrei-me de correr para o quarto de minha 
mãe, que dormia. 
b) Personagem: é aquele que compõe a história que está sendo narrada. De 
acordo com Andrade e Medeiros (2001), os personagens dividem-se em: 
a) protagonista, que é o herói, ou a figura de maior importância dentro da 
narrativa; b) antagonista, que se opõe ao protagonista, ou seja, o vilão; c) 
narrador, que é aquele cuja responsabilidade é apresentar os fatos; d) e as 
personagens secundárias, que têm pouco relevo na narrativa. Há também os 
coadjuvantes e figurantes. 
TÓPICO 1 | A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E 
89
Os personagens principais são fundamentais para o desenrolarda 
narração. O protagonista é aquele que deseja algo, que tenta. É, geralmente, o 
personagem principal “bonzinho” da história. Já o antagonista é aquele que 
atrapalha os planos, que dificulta. É o personagem “malvado” da história. Já os 
personagens secundários ocupam espaços de menor destaque nas narrativas, 
sendo divididos em coadjuvantes, que sempre participam junto ao personagem 
principal em cenas de menos destaque, e figurantes, que ajudam na caracterização 
de um determinado ambiente. 
Pode-se analisar os personagens a partir das características psicológicas 
(feliz, triste, mau, bom, deprimido, vingativo) e físicas (alto, gordo, ruivo, moreno, 
de estatura mediana, belo, de olhos luminosos). Nem sempre essas características 
são explicitadas pelo narrador. Muitas vezes, elas podem estar implícitas e serem 
descobertas a partir de atitudes do personagem em questão. 
c) Tempo: é o tempo de duração de cada uma das cenas da narrativa. Marca 
também o momento em que ela se passa. O tempo pode ser cronológico (horas, 
dias, meses, anos) ou psicológico (lembranças dos personagens). Os verbos, 
segundo Andrade e Medeiros (2001), são fundamentais para o desenvolvimento 
da narração, pois é a partir do jogo presente/passado/futuro que a consciência 
narrativa se desenvolve. 
Leia o excerto a seguir: “Eram duas da tarde de sexta-feira quando o trem 
partiu. Aquela tarde morna de novembro trazia muitas lembranças, como o cheiro 
de café que minha avó fazia no fogão à lenha”. No excerto, há a descrição do 
tempo cronológico (duas da tarde de sexta-feira) e do tempo psicológico (aquela 
tarde morna de novembro trazia muitas lembranças). 
d) Espaço: é o local no qual a narração ocorre. É onde se passa a história. O 
espaço pode ser físico: “No quarto, a anfitriã arrumava-se para a festa”; 
psicológico: “O menino viajava em seus pensamentos enquanto a mãe 
ordenava que ele se aprontasse”; e social: “Por entre os convidados, ele 
sentia-se perdido”. De acordo com Andrade e Medeiros (2001), não é 
necessário descrever minuciosamente o local, a não ser que isso seja 
fundamental para que se compreenda o enredo da trama. 
e) Enredo: é a história em si. É a ação vivida pelos personagens e narrada pelo 
narrador. As ações ocorrem, geralmente, de forma sucessiva e ordenada. 
Há também, dentro da narrativa, os tipos de discurso. São eles o discurso 
direto, o discurso indireto e o discurso indireto livre. Observe as diferenças 
entre cada um dos tipos de texto apresentados. A partir deles, explicaremos os 
tipos de discurso. 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
90
Texto 1
Durante a reunião, o funcionário questionou:
- Quando teremos acesso às novas planilhas de gestão?
Nervoso com a interrupção, o gerente respondeu:
- Assim que estiverem prontas, as disponibilizaremos. 
Texto 2 
Durante a reunião, o funcionário perguntou quando teriam acesso às novas 
planilhas de gestão. O gerente, nervoso com a interrupção, respondeu que, assim que 
estiverem prontas, eles as disponibilizarão. 
Texto 3
Durante a reunião, o funcionário perguntou quando teriam acesso às novas 
planilhas de gestão. – Assim que prontas, as disponibilizaremos – disse o gerente, nervoso 
com a interrupção. 
O Texto 1 está escrito no discurso direto. Este tipo de discurso ocorre 
quando o próprio personagem fala, ou seja, o que está escrito é a transcrição do que 
o personagem disse. Observe que há uso de travessão e que não há interferência 
do narrador. Já o Texto 2 está escrito em discurso indireto. Neste caso, o narrador 
reproduz a fala do personagem com suas próprias palavras. A narração em 
discurso indireto ocorre em terceira pessoa. O Texto 3, por fim, está escrito em 
discurso indireto livre, que nada mais é do que uma mistura do discurso direto 
com o discurso indireto. Este tipo de narração permite que o personagem fale e 
ao mesmo tempo que haja a interferência do narrador na fala. 
A narrativa, assim como os demais tipos textuais, é dividida em introdução, 
desenvolvimento e conclusão. A introdução situa o leitor quanto ao assunto que 
será abordado. Nela, já são especificados o tempo, o espaço e os personagens 
começam a ser apresentados. No desenvolvimento ocorrem os conflitos, o 
desenrolar do enredo e o clímax, que consiste na etapa mais tensa da história. A 
conclusão é o desfecho da história. É a parte na qual o conflito é solucionado e a 
história ganha um fim (ANDRADE; MEDEIROS, 2001). Veja a seguir o exemplo: 
Além do espelho, lembranças
Um dia, quando encerrava meu trabalho, fixei a atenção em um simples 
objeto de minha sala. Caminhei, paulatinamente, ao seu encontro e, à medida 
que me aproximava, sentia meu ego explodir em sensações indescritíveis.
Ali, diante dele, parei. Meu reflexo testemunhava as marcas do passado 
e trazia à tona as lembranças da infância e da adolescência. As imagens, agora, 
misturavam-se, comprometendo minha lucidez. Senti meu corpo flutuar e minha 
visão apagar-se, de forma que eu me concentrava em recordações, apenas.
Assim, momentos depois, revia meus irmãos e vizinhos correndo em 
volta da mesa, mamãe fazendo o jantar, papai lendo o jornal, os cães brincando 
no jardim e, também, meus amigos de colégio, antigos casos amorosos.
TÓPICO 1 | A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E 
91
Recuperei o bom senso, por um instante, mas não durou mais que isso, 
pois, novamente, brotam outros pensamentos: o nascimento dos filhos e a 
ascensão profissional.
Minutos depois, tudo acabara. Diante de mim havia só um espelho, 
cujo reflexo já não era de um cenário fantasioso de minha mente.
FONTE: MEDEIROS, Luana. <https://www.algosobre.com.br/redacao/narracao-com-exemplos.
html>. Acesso em: 10 set. 2016.
O primeiro parágrafo do texto constitui a introdução, ou seja, a etapa 
na qual a autora explica do que tratará o texto. O segundo, terceiro e quarto 
parágrafos constituem o desenvolvimento do texto. Ali são apresentadas as 
informações principais da narrativa, inclusive o clímax, que é o ponto máximo 
da história. Na conclusão, que está no último parágrafo, ocorre o desfecho. Ali se 
soluciona o problema exposto no desenvolvimento da narrativa.
A partir de agora, estudaremos outro tipo textual, o descritivo, cujos 
detalhes você estudará conosco a partir de agora. Preparado? Então vamos lá! 
3 TEXTO DESCRITIVO
Descrever. Este é o verbo que caracteriza o texto descritivo. Observe o 
texto que segue:
Na praia, vimos um belo pássaro. Ele era grande, acinzentado. Com patas grandes, 
que se destacavam do restante do corpo. Seu bico, curvado e longo, era interessante de se 
observar. O pássaro voava com as asas abertas em círculos e, de vez em quando, vinha ao 
chão, mas por pouco tempo. Andava de um lado para outro, e logo levantava voo. Depois 
de um tempo, descobrimos que o pássaro era uma bela gaivota.
Você deve ter observado que há muitas características sobre o pássaro no 
texto. Isso ocorre porque ele se classifica como um texto descritivo, e possibilita 
ao autor descrever uma pessoa, um animal, um objeto. Ele transmite, a partir do 
olhar de quem escreve, as impressões acerca do que está sendo descrito, e pode 
revelar aspectos físicos e psicológicos. 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
92
Quanto mais detalhado for o texto descritivo, melhores serão as chances de 
alcançar os objetivos pretendidos com ele. Por exemplo: imagine uma pessoa com os olhos 
vendados ouvindo a seguinte descrição:
- O carro é preto e grande. 
Agora, imagine a mesma pessoa com os olhos vendados ouvindo a seguinte descrição:
- O carro é da marca Ford, tipo Fusion, ano e modelo de fabricação 2012. De grande 
porte, possui quatro portas laterais e uma traseira. É de cor preta brilhante, sendo seus 
bancos em couro também preto. No carro, cabem cinco pessoas. O carro não é novo, 
mas é bem cuidado.
Perceba que, na segunda descrição, há possibilidade de se chegar mais próximo à imagem 
real do veículo.
UNI
De acordo com Travaglia (2002), as características de um texto descritivo 
são inúmeras,portanto, citaremos aqui as mais relevantes. Inicialmente, pode-se 
afirmar que o texto descritivo não possui relação de anterioridade e posterioridade 
nas frases. Há uso predominante de substantivos e adjetivos, pois como o texto 
visa fornecer um “retrato verbal”, é necessário que haja esta especificação. 
No texto utilizado no UNI há vários substantivos, como portas, bancos, cor, 
acompanhados dos adjetivos laterais, de couro e preta.
A descrição pode, também, de acordo com Schneuwly e Dolz (2004), 
ser classificada como subjetiva ou objetiva. No caso da descrição subjetiva, as 
impressões do autor estão claramente expostas, enquanto na descrição objetiva 
não: a descrição é exata e não há atribuição de juízos de valor. Vamos ver um 
exemplo de cada?
O homem era alto, aproximadamente 1,70m. Pele morena-clara. Cabelos 
encaracolados, acima do ombro, pretos. Olhos castanho-escuros e cicatriz abaixo do olho 
esquerdo. O homem vestia casaco azul marinho de moletom e calça jeans desbotada, com o 
joelho direito rasgado. Chinelos de dedo de cor preta. 
Que tipo de descrição você acha que é esta? Acertou quem disse objetiva. 
Aqui, estão sendo dadas informações precisas acerca de um determinado homem. 
Não são expostas as impressões do autor do texto. Agora, observe a descrição do 
mesmo homem:
O homem era alto e moreno. Pele ressecada pelo vento, cabelos lindos, encaracolados, 
que lhe cobriam a nuca. Seus olhos eram da cor da madeira, e uma marca no olho mostrava 
que, no passado, ele lutou. Sua roupa descrevia sua humildade: casaco, calça rasgada e 
chinelos de dedo. 
TÓPICO 1 | A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E 
93
Neste caso, foi feita a descrição do mesmo homem, porém, aqui estão 
colocadas as impressões do autor. Em uma descrição rica em detalhes, podem 
aparecer características de ambos os tipos de descrição. Este recurso a torna mais 
completa e facilita o alcance do objetivo proposto.
Observe o quadro a seguir, baseado nos estudos de Marcuschi (2002):
QUADRO 3 - DESCRIÇÃO
FONTE: Marcuschi (2002)
Descrição objetiva Descrição subjetiva
Exata Subjetiva
Descreve a realidade Descreve a impressão do autor
Não expõe opiniões Rica em impressões pessoais
Linguagem clara e direta Linguagem rebuscada e emocional
Linguagem denotativa Linguagem figurada/metafórica
Há ainda a descrição sensorial, que desperta no leitor sensações visuais 
(saia curta, tecido listrado, blusa florida), auditivas (buzina ensurdecedora, 
mulher barulhenta, quarto silencioso), gustativas (rapadura doce, bebida 
amarga, arroz salgado), olfativas (odor agradável, esgoto fétido) ou táteis 
(coberta macia, pele áspera).
Assim como cada tipologia caracteriza-se por exercer uma função social 
específica (TRAVAGLIA, 1991), a descrição também possui suas funções. Devemos 
saber utilizar corretamente cada um dos tipos de descrição no momento específico 
de interação, por exemplo, descrever uma pessoa pela qual nós sentimos afeto 
não é o mesmo que descrever uma pessoa para a elaboração de um retrato falado. 
4 TEXTO DISSERTATIVO
Vamos lá, acadêmico! Você já estudou dois dos cinco tipos textuais, que, 
de acordo com Travaglia (1991), definem-se como aqueles que podem instaurar 
um modo de interação, de acordo com perspectivas que podem variar. Que tal 
estudarmos mais um deles? 
Dissertar, de acordo com Houaiss (2012, p. 249), significa “expor algum 
assunto de modo sistemático, abrangente e profundo, oralmente ou por escrito; 
discorrer, discretear”. A dissertação é, portanto, um texto que expõe. Este tipo 
de texto pode ainda subdividir-se em dissertação-exposição ou dissertação-
argumentação (abordaremos mais especificamente a seguir).
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
94
4.1 DISSERTAÇÃO-EXPOSIÇÃO
A dissertação-exposição, conforme o nome já nos sugere, expõe temas 
que estejam sendo veiculados e discutidos amplamente na mídia. Os fatos são 
apenas apresentados, não havendo uma discussão acerca do que está sendo 
abordado. Isso ocorre porque, como os fatos são conhecidos por todos, pois 
já foram divulgados através dos veículos de comunicação, não há muito a ser 
argumentado. A seguir, apresentamos um excerto de uma dissertação-exposição. 
Os Relatórios das Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre a 
gestão e desenvolvimento dos recursos hídricos alertam para a preservação e 
proteção dos recursos naturais do planeta, sobretudo da água. Sendo assim, as 
estatísticas apontam para uma enorme crise mundial da falta de água a partir de 
2025, de forma que atingirá cerca de 3 bilhões de pessoas, e que pode provocar 
diversos problemas sociais e de saúde pública.
Um dos maiores problemas apresentados pela ONU é a “escassez de 
água” que já atinge cerca de 20 países no mundo, ou seja, 40% da população do 
planeta. Os estudos completam que a água doce do planeta está em risco, visto 
as mudanças climáticas registradas nas últimas décadas.
FONTE: <http://www.todamateria.com.br/texto-dissertativo/>. Acesso em: 1º jun. 2016.
Observe que, no fragmento, não há discussão do assunto. Apenas é exposto 
do que se trata, de forma a apresentar os dados/fatos. Este excerto deixa claro que 
a intenção do texto é apenas informar o leitor, não abrindo possibilidade para que 
haja discussão do que está sendo exposto. 
4.2 DISSERTAÇÃO-ARGUMENTAÇÃO
Agora, observe a diferença que há na composição de uma dissertação-
argumentação: enquanto a dissertação-exposição apenas expõe, a dissertação-
argumentação nos leva a refletir mais acerca do tema que está sendo abordado. 
Seu principal foco é formar a opinião do leitor. Este tipo de texto abre para uma 
discussão maior, sendo que argumentos são desenvolvidos para defender a ideia 
exposta. Observe a seguir um exemplo de dissertação-argumentação:
É frequente ouvirmos falar sobre os atos violentos na escola. Não bastasse 
a sua presença nas ruas, os ambientes supostamente seguros - nomeadamente 
as escolas - são mais do que nunca alvo de ações de violência.
Os valores se perdem a ponto de não só entre alunos, mas entre alunos 
e professores, ou vice-versa, serem inúmeros os casos de agressões noticiados 
frequentemente.
TÓPICO 1 | A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E 
95
A força é tomada em detrimento da razão e os conflitos são resolvidos 
de forma irracional desde a infância, cujas crianças absorvem cedo esse tipo 
de comportamento por influência da sociedade cada vez mais violenta em 
que vivemos.
A participação dos pais na vida escolar dos filhos é fundamental para 
estabelecer normas e restaurar valores que vêm se perdendo. A aproximação entre 
pais e escola é um dos principais propulsores para a mitigação desse problema.
FONTE: <https://www.todamateria.com.br/texto-dissertativo-argumentativo/>. Acesso em: 11 set. 
2015.
O texto, além de expor o problema dos atos violentos na escola, ainda 
emite a opinião do autor sobre os motivos que causam estes atos violentos. 
Utiliza-se de argumentos para fazer com que o leitor compreenda seu ponto de 
vista, classificando-se, portanto, como uma dissertação-argumentação. 
DICAS
Para escrever bem uma dissertação argumentativa, deve haver planejamento 
para que os argumentos sejam coerentes e para que as opiniões expostas não se excedam. 
Buscar exemplos, provas e fatos concretos sempre é útil na hora de elaborar um argumento.
5 TEXTO INJUNTIVO
O tipo textual injuntivo tem por intenção, de acordo com Duarte (2015), 
orientar e, em alguns casos, ordenar, sendo marcado pelo caráter instrucional. No 
gênero injuntivo, podemos citar como exemplos a bula de medicamentos, o manual 
de instruções, textos de autoajuda e outros textos que tenham como finalidade 
a orientação acerca de como utilizar algum produto, montar algum objeto ou 
manusear algum eletrônico ou, ainda, de como agir em determinada situação.
Em cartazes de conscientização também é comum encontrarmos a 
tipologia injuntiva. Veja a tira a seguir: 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
96
FIGURA 16 – DICA PARA COMBATER O MOSQUITO AEDES AEGIPTY
FONTE: <www.pmsmj.es.gov.br>.Acesso em: 3 jun. 2016.
Neste caso, o texto injuntivo está posto como um pedido em forma de 
conscientização. Note que os verbos no imperativo estão presentes em cada uma 
das instruções dadas (guarde, entregue, coloque, mantenha). O uso de vocativos 
também aparece no texto injuntivo. Observe o exemplo a seguir:
Você Mesmo
Lembre-se de que você mesmo é o melhor secretário de sua tarefa, o 
mais eficiente propagandista de seus ideais, a mais clara demonstração de seus 
princípios, o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a 
mensagem viva das elevadas noções que você transmite aos outros. Não se 
esqueça, igualmente, de que o maior inimigo de suas realizações mais nobres, 
a completa ou incompleta negação do idealismo sublime que você apregoa, a 
nota discordante da sinfonia do bem que pretende executar, o arquiteto de suas 
aflições e o destruidor de suas oportunidades de elevação - é você mesmo.
FONTE: <www.refletirpararefletir.com.br/textos-do-chico-xavier>. Acesso em: 4 jun. 2016.
aquáticas
sabão
TÓPICO 1 | A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E 
97
A função do texto injuntivo vai além de informar, por isso, difere muito do 
texto jornalístico. Ele, além de informar, ensina, orienta, explica e não tem como 
objetivo convencer o leitor acerca de algo. Outra característica do texto injuntivo 
é que ele deve ser escrito em uma linguagem simples e direta, para que o leitor 
consiga compreender o que está escrito sem haver maiores problemas. Um manual 
de uma máquina de lavar, por exemplo, deve ser escrito levando em consideração 
que o leitor pode não ter conhecimento algum sobre instalação. Veja:
Manual de Instruções
Instalação: Prefira sempre os serviços da Rede de Assistência Técnica 
Brastemp para realizar desde a instalação até a manutenção de seus produtos 
com tranquilidade e segurança.
1° passo: Veja se a tomada onde o produto será instalado tem o novo padrão 
plugue, segundo o INMETRO.
2° passo: Verifique se a tensão da rede elétrica no local de instalação é a mesma 
indicada na etiqueta do plugue da sua lavadora.
3° passo: Nunca altere ou use o cabo de força de maneira diferente da 
recomendada. Se o cabo de força estiver danificado, chame a Rede de Serviços 
Brastemp para substituí-lo.
4° passo: Verifique se o local de instalação possui as condições adequadas 
indicadas no Manual do Consumidor: 
- A pressão da água para abastecimento deve corresponder a um nível de 2 a 
80 m acima do nível da torneira;
- Recomenda-se que haja uma torneira exclusiva para a correta instalação da 
mangueira de entrada;
- É obrigatória a utilização de uma torneira com rosca ¾ de polegada para 
a instalação da mangueira de entrada de água, a não utilização dela pode 
gerar vazamentos.
- A mangueira de saída deve ser instalada no tanque (utilizando a curva 
plástica) ou em um cano exclusivo para o escoamento, com diâmetro mínimo 
de 5 cm. O final da mangueira deve estar a uma altura de 0,85 a 1,20 m para 
o correto funcionamento da Lavadora.
Caso o local de instalação não tenha as condições adequadas, providencie 
as modificações, consultando um profissional de sua confiança.”
FONTE: <http://www.todamateria.com.br/texto-injuntivo/>. Acesso em: 3 jun. 2016.
Você conseguiu perceber a importância de um texto injuntivo? Então, 
vamos exercitar! Faça a autoatividade a seguir e até a próxima seção!
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
98
AUTOATIVIDADE
Leia o texto a seguir e identifique as marcas ali presentes que o 
caracterizam como um texto injuntivo. 
BOLO DE FELICIDADE
Ingredientes: 
 
1 xícara de Amizade; 
1 xícara de Paciência; 
2 xícaras de Compreensão; 
1 xícara de Humildade; 
1 copo grande (transbordando) de Alegria; 
1 pitada de Bom Humor; 
1 colher de sopa de Fé. 
 
Modo de fazer: 
 
Mexa as palavras cuidadosamente, acrescente a Compreensão, a Humildade 
e a Paciência, misturando tudo com muito jeito. 
Use fogo brando, nunca ferva.
Tempere com a Alegria, o Bom Humor e a Fé. 
Sirva porções generosas, sempre com muito Amor. 
Não deixe esfriar.
FONTE: <http://www.mulheresescritas.com/2015/08/bolo-da-felicidade.html>. Acesso em: 
4 jun. 2016.
6 TEXTO EXPOSITIVO
Este tipo textual é escrito com a intenção de apresentar um conceito ou 
ideia. Colóquios, seminários, artigos, palestras podem ser inclusos nesta sequência 
tipológica de base. Como recursos linguísticos, geralmente o autor utiliza a 
definição, a comparação, a informação e a enumeração. Os textos expositivos 
podem classificar-se em expositivo-argumentativo e expositivo-informativo. 
No texto expositivo-argumentativo, o autor busca teorias e outros autores 
para defender sua ideia e embasá-la. De acordo com Magalhães (2015), o texto 
expositivo argumentativo consiste em partir de uma afirmação e desenvolvê-
la, tendo como foco apresentar um juízo claro acerca de determinado conteúdo. 
Já no texto expositivo-informativo, a intenção é apenas repassar informações, 
sem muitas argumentações e com o máximo de neutralidade possível. Neste 
tipo de texto, Magalhães (2005) afirma que é essencial que o autor possua total 
domínio do assunto, já que se trata de transmissão de conhecimento teórico. Veja 
a diferença entre ambos: 
TÓPICO 1 | A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E 
99
Exemplo 1 - Texto expositivo-informativo: 
A picada do mosquito Aedes aegypti tem demonstrado grande 
preocupação, uma vez que o aumento de mortes no país por motivo de dengue 
tem aumentado consideravelmente nos últimos meses. Para tanto, a melhor 
maneira de combater a doença é explorar a única arma: a prevenção. Dessa 
forma, projetos de conscientização têm alertado a população dos perigos da 
proliferação do mosquito e os métodos necessários para combater os focos de 
acúmulo de água nas casas, locais propícios para a proliferação do mosquito 
transmissor da doença.
 
Exemplo 2 - Texto expositivo-argumentativo: 
O governo deve imediatamente proibir toda e qualquer forma de 
propaganda de cigarro, porque ele gasta, todos os anos, bilhões de reais no 
tratamento das mais diversas doenças relacionadas ao tabagismo; e, muito 
embora os ganhos com os impostos sejam vultosos, nem de longe eles 
compensam o dinheiro gasto com essas doenças.
FONTE: <http://educacao.globo.com/portugues/assunto/textoargumentativo/argumentacao.
html>. Acesso em: 12 jul. 2016.
Observe que, no Exemplo 1, que traz um texto expositivo-informativo, 
há apenas informações acerca do tema, como orientações sobre como prevenir o 
mosquito, por exemplo. Não são dadas opiniões sobre o tema. Já o Exemplo 2 traz 
um texto expositivo-argumentativo, ou seja, podemos perceber que há ali uma 
opinião sobre o motivo pelo qual o governo deve proibir a propaganda de cigarros. 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
100
LEITURA COMPLEMENTAR
VEJA QUATRO TÉCNICAS PARA VIRAR UM ESPECIALISTA EM 
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Carolina Vellei
Quantas vezes você já leu um texto e não entendeu nada do que estava 
escrito ali? Leu, releu e, mesmo assim, ainda ficou com um nó na cabeça? Eu 
mesma já fiquei assim muitas vezes! Pensando nisso, listamos quatro técnicas para 
fazer de você um mestre na interpretação! Depois disso, vai ficar fácil entender 
até os mais complexos manuais de instrução (ok, talvez nem tanto, mas você vai 
arrebentar no vestibular!).
Antes de tudo, vamos explicar como se dá o processo de interpretação. 
A hermenêutica, a área da filosofia que estuda isso, diz que é preciso seguir três 
etapas para se obter uma leitura ou uma abordagem eficaz de um texto:
a) Pré-compreensão: toda leitura supõe que o leitor entre no texto já com 
conhecimentos prévios sobre o assunto ou área específica. Isso significa 
dizer, por exemplo, que se você pegar um texto do 3º ano do curso de Direito 
estando ainda no 1º ano, vai encontrar dificuldades para entender o assunto, 
porque você não tem conhecimentos prévios que possam embasar a leitura.
b) Compreensão: já com a pré-compreensão ao entrar no texto, o leitor vai se 
deparar com informações novas ou reconhecer asque já sabia. Por meio da 
pré-compreensão, o leitor “prende” a informação nova com a dele e “agarra” 
(compreende) a intencionalidade do texto. É costume dizer: “Eu entendi, mas 
não compreendi”. Isso significa dizer que quem leu entendeu o significado das 
palavras, a explicação, mas não as justificativas ou o alcance social do texto.
c) Interpretação: agora sim. A interpretação é a resposta que você dará ao 
texto, depois de compreendê-lo (sim, é preciso “conversar” com o texto para 
haver a interpretação de fato). É formada então o que se chama “fusão de 
horizontes”: o do texto e o do leitor. A interpretação supõe um novo texto. 
Significa abertura, o crescimento e a ampliação para novos sentidos.
Sabendo disso, aqui vão quatro dicas para fazer com que você consiga 
atingir essas três etapas! Confira a seguir:
1) Leia com um dicionário por perto
Não existe mágica para atingir a primeira etapa, a da pré-compreensão. 
O único jeito é ter um bom nível de leituras. Além de ler bastante, você pode 
potencializar essa leitura se estiver com um dicionário por perto. Viu uma palavra 
esquisita, que você não conhece? Pegue um caderninho (vale a pena separar um 
TÓPICO 1 | A TIPOLOGIA TEXTUAL: PRÁTICA E 
101
só pra isso) e anote-a. Em seguida, vá ao dicionário e marque o significado ao 
lado da palavra. Com o tempo o seu vocabulário irá crescer e não vai ser mais 
preciso ficar recorrendo ao dicionário toda hora.
2) Faça paráfrases
Para chegar ao nível da compreensão, é recomendável fazer paráfrases, 
que é uma explicação ou uma nova apresentação do texto, seguindo as ideias 
do autor, mas sem copiar fielmente as palavras dele. Existem diversos tipos de 
paráfrase, só que as mais interessantes para quem está estudando para o vestibular 
são três: a paráfrase-resumo, a paráfrase-resenha e a paráfrase-esquema.
– Paráfrase-resumo: comece sublinhando as ideias principais, selecione as 
palavras-chave que identificar no texto e parta para o resumo. Atente-se ao 
fato de que resumir não é copiar partes, mas sim fazer uma indicação, com suas 
próprias palavras, das ideias básicas do que estava escrito.
– Paráfrase-resenha: esse outro tipo, além dos passos do resumo, também inclui a 
sua participação com um comentário sobre o texto. Você deve pensar sobre as 
qualidades e defeitos da produção, justificando o porquê.
– Paráfrase-esquema: depois de encontrar as ideias ou palavras básicas de um 
texto, esse tipo de paráfrase apresenta o esqueleto do texto em tópicos ou em 
pequenas frases. Você pode usar setinhas, canetas coloridas para diferenciar as 
palavras do seu esquema… Vai do seu gosto!
3) Leia no papel
Um estudo feito em 2014 descobriu que leitores de pequenas histórias 
de mistério em um Kindle, um tipo de leitor digital, foram significantemente 
piores na hora de elencar a ordem dos eventos do que aqueles que leram a mesma 
história em papel. Os pesquisadores justificam que a falta de possibilidade de virar 
as páginas pra frente e pra trás ou controlar o texto fisicamente (fazendo notas 
e dobrando as páginas) limita a experiência sensorial e reduz a memória de longo 
prazo do texto e, portanto, a sua capacidade de interpretar o que aprendemos. Ou 
seja, sempre que possível, estude por livros de papel ou imprima as explicações 
(claro, fazendo um uso sábio do papel, sem desperdícios!). Vale fazer notas em 
cadernos, pois já foi provado também que quem faz anotações à mão consegue 
lembrar melhor do que estuda.
4) Reserve um tempo do seu dia para ler devagar
Uma das maiores dificuldades de quem precisa ler muito é a falta de 
concentração. Quem tem dificuldades para interpretar textos e fica lendo e 
relendo sem entender nada pode estar sofrendo de um mal que vem crescendo 
na população da era digital. Antes da internet, o nosso cérebro lia de forma 
linear, aproveitando a vantagem de detalhes sensoriais (a própria distribuição do 
desenho da página) para lembrar de informações-chave de um livro. Conforme 
nós aumentamos a nossa frequência de leitura em telas, os nossos hábitos de leitura 
se adaptaram aos textos resumidos e superficiais (afinal, muitas vezes você tem 
links em que poderá “ler mais” – a internet é isso) e essa leitura rasa fez com que 
a gente tivesse muito mais dificuldade de entender textos longos. Os especialistas 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
102
explicam que essa capacidade de ler longas sentenças (principalmente as sem 
links e distrações) é uma capacidade que você perde se não a usar. Os defensores 
do slow-reading (em tradução literal, da leitura lenta) dizem que o recomendável 
é que você reserve de 30 a 45 minutos do seu dia longe de distrações tecnológicas 
para ler. Fazendo isso, o seu cérebro poderá recuperar a capacidade de fazer a 
leitura linear. Os benefícios da leitura lenta vão bem além. Ela ajuda a reduzir o 
estresse e a melhorar a sua concentração!
Depois de treinar bastante e ler muito, você estará pronto para interpretar 
os mais diversos tipos de texto! Mãos à obra! 
FONTE: <http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/dicas-estudo/2015/03/13/veja-4-tecnicas-para-
virar-um-especialista-em-interpretacao-de-texto/>. Acesso em: 12 jul. 2016.
103
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• O bom uso dos tipos textuais dá ao autor a possibilidade de deixar mais claras 
as suas intenções ao escrever o texto.
• O texto narrativo conta uma história. 
• Os elementos da narrativa são narrador, personagens, tempo, espaço e enredo. 
• O foco narrativo se divide em discurso direto e indireto.
• A narrativa é dividida em introdução, desenvolvimento e conclusão.
• No texto descritivo, o autor escreve suas impressões acerca do que está sendo 
descrito e revela aspectos físicos e psicológicos. 
• A descrição pode ser também classificada como subjetiva ou objetiva.
• O texto dissertativo expõe um assunto e deve estruturar-se de forma coerente 
e coesa.
• O texto injuntivo tem por intenção orientar e, em alguns casos, ordenar, sendo 
marcado pelo caráter instrucional.
104
AUTOATIVIDADE
1 Para responder a esta questão, leia atentamente o texto que segue: 
Câncer 21/06 a 21/07
O eclipse em seu signo vai desencadear mudanças na sua autoestima e no 
seu modo de agir. O corpo indicará onde você falha – se anda engolindo 
sapos, a área gástrica se ressentirá. O que ficou guardado virá à tona, pois 
este novo ciclo exige uma “desintoxicação”. Seja comedida em suas ações, já 
que precisará de energia para se recompor. Há preocupação com a família, e a 
comunicação entre os irmãos trava. Lembre-se: palavra preciosa é palavra dita 
na hora certa. Isso ajuda também na vida amorosa, que será testada. Melhor 
conter as expectativas e ter calma, avaliando as próprias carências de modo 
maduro. Sentirá vontade de olhar além das questões materiais – sua confiança 
virá da intimidade com os assuntos da alma.
Revista Cláudia. Nº 7, ano 48, jul. 2009.
O reconhecimento dos diferentes gêneros textuais, seu contexto de 
uso, sua função específica, seu objetivo comunicativo e seu formato mais 
comum relacionam-se com os conhecimentos construídos socioculturalmente. 
A análise dos elementos constitutivos desse texto demonstra que sua função é:
a) vender um produto;
b) ensinar um procedimento;
c) fazer humor;
d) expor uma opinião;
e) informar e aconselhar.
2 Leia o texto a seguir, identifique se ele é um texto expositivo-informativo ou 
expositivo-argumentativo e destaque no texto elementos que comprovem 
sua resposta. 
O papel da televisão na vida dos jovens
A televisão difunde programas educativos edificantes, tais como 
o ZigZag, os documentários sobre história, ciências, informação sobre a 
atualidade, divulgação de novos produtos… Todavia, a televisão exerce 
também uma influência negativa, ao exibir modelos cujas características são 
inatingíveis pelas crianças e jovens em geral. As suas qualidades físicas são 
amplificadas, os defeitos esbatidos, criando-se a imagem do herói/heroína 
perfeitos. Esta construção produz sentimentosde insatisfação do eu consigo 
mesmo e de menosprezo pelo outro.
105
A violência é outro aspeto negativo da televisão, em geral. As crianças 
e os jovens tendem a imitar os comportamentos violentos dos heróis, o que 
pode colocar em risco a vida deles. O mesmo acontece com o visionamento de 
cenas de sexo. As crianças formam uma imagem distorcida da sua sexualidade, 
potenciando a prática precoce de sexo e suscitando distúrbios afetivos.
Em jeito de conclusão, é legítimo que se imponha às estações de 
televisão uma restrição de exibição de material violento ou desajustado à faixa 
etária nas suas grelhas de programação, dado que a exposição a este tipo de 
conteúdos é extremamente prejudicial no desenvolvimento das crianças e dos 
jovens, pois, tal como diz o povo, “violência só gera violência”.
FONTE: <http://bastaexistirparasesercompleto.blogspot.com.br/2014/01/texto-expositivo.
html>. Acesso em: 21 ago. 2016.
106
107
TÓPICO 2
CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
DOS TEXTOS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Nesta etapa de estudos, você conhecerá quais são as principais características 
linguísticas dos textos e o que faz com que se classifiquem em determinados gêneros. 
Conforme já estudamos, dependendo da intenção de cada texto, são necessários 
alguns cuidados para que se consiga alcançar os objetivos propostos. Está pronto 
para estudar alguns dos gêneros textuais mais utilizados no dia a dia? 
2 TEXTOS JORNALÍSTICOS
Todos nós, em algum momento de nossas vidas, já lemos um jornal 
impresso, assistimos a um pela televisão, ouvimos pelo rádio ou o lemos pela 
internet. Os jornais são veículos de comunicação muito presentes no dia a dia de 
todas as pessoas, pois sua função básica é comunicar. Através dos jornais, podemos 
saber o que ocorre na nossa comunidade, no nosso país e no restante do mundo. 
Um jornal traz em seu conteúdo os mais diversos tipos de informações, que 
são divididas dentro das sessões. Geralmente, há a seção de esportes, diversão, humor, 
culinária, reportagens, página policial, utilidade pública e inúmeras outras sessões, 
dependendo do jornal. Cada uma destas sessões traz em si textos com características 
particulares. Contudo, embora haja no jornal inúmeros tipos de textos, o carro-chefe 
do jornal são os textos jornalísticos, que estudaremos a partir de agora. 
Quanto ao uso da linguagem, Lage (2006a) compreende que é preciso pensar 
nela não apenas como código e domínio do idioma, especialmente no que se refere à 
utilização da norma culta, como descrevem os linguistas. A linguagem compreende 
todo o processo comunicacional. Andrade e Medeiros (2001) ainda contribuem 
afirmando que a linguagem deve ser simples para que a compreensão seja facilitada: 
[...] a redação jornalística segue regra primordial de narrar o fato 
rapidamente e de forma simples, tendo sempre em vista que o 
essencial em comunicação é escrever de modo que se faça entender. 
Portanto, evitam-se o vocabulário raro, a linguagem rebuscada e de 
difícil entendimento (ANDRADE; MEDEIROS, 2001, p. 94).
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
108
No que tange à ordem das informações apresentadas em um texto de 
cunho jornalístico, estas devem ser distribuídas de acordo com a relevância da 
informação para o momento ou para informar algum acontecimento recente 
(LAGE, 2006a). Vamos agora conhecer os principais gêneros textuais que se 
caracterizam como textos jornalísticos, bem como seus fatores de textualidade. 
Você está pronto? 
2.1 A NOTÍCIA DE JORNAL
A notícia é o mais conhecido dos gêneros textuais relacionados ao 
jornalismo. Apesar de os gêneros jornalísticos como a notícia serem considerados 
essenciais para o ensino, Bonini (2003, p. 205) afirma que "[...] ainda são pouco 
conhecidos, em termos acadêmicos, os mecanismos linguísticos/sociais que 
caracterizam esses gêneros textuais". Muito comum em jornais impressos, 
televisivos, transmitidos via rádio e pela internet, é comum que já tenhamos lido 
ou ouvido notícias, mas será que conhecemos as características que as constituem? 
Andrade e Medeiros (2001, p. 104) afirmam que: 
[...] para a publicação de uma notícia, leva-se em conta: proximidade do 
fato, impacto, proeminência, aventura, conflito, consequências, humor, 
raridade, sexo, idade, interesse pessoal. Interesse humano, importância, 
utilidade, oportunidade, suspense, originalidade, repercussão. 
A informação (o que), a interpretação (por quê) e a opinião (juízos de 
valor) devem ser reconhecidas durante a divulgação de um fato noticioso. Usa-
se, geralmente, a terceira pessoa para a redação da notícia, pois como há intenção 
apenas de relatar o que ocorreu, esta narração deve ser impessoal. 
A notícia é estruturada em partes específicas: manchete, título auxiliar, 
lide (também chamado de lead) e corpo da notícia. A manchete é o título principal. 
Geralmente aparece em caixa alta e bem destacado do restante do texto. O título 
auxiliar vem em seguida, para especificar alguma informação que não foi dita 
na manchete. O primeiro parágrafo da notícia á chamado de lide e é nele que 
se encontram as principais informações acerca do fato que está sendo noticiado. 
Os parágrafos que seguem constituem o corpo da notícia e nele são dados 
maiores detalhes, de acordo com a relevância e com a necessidade de informá-los 
(ANDRADE; MEDEIROS, 2001). Veja a seguir:
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
109
Criança de dois anos é sequestrada em Salgueiro, no Sertão de PE
Possível sequestro foi realizado por mototaxista. Criança foi encontrada. 
Uma criança de dois anos foi sequestrada na madrugada desta terça-
feira (12), em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco. Segundo a mãe da criança, 
uma cabeleireira de 24 anos, o crime foi praticado por um mototaxista.
Ainda de acordo com a mãe, o homem, de 33 anos, teria levado ela e 
o filho até a BR-116, deixando a mulher no local e seguindo com a criança. A 
mãe do menor de idade foi encaminhada para a Delegacia de Polícia Civil (PC), 
onde prestou depoimento.
A criança foi encontrada na manhã desta terça-feira. Segundo a PC, o 
mototaxista deixou a criança em um sítio na Zona Rural de Salgueiro, ligou 
para a família para avisar onde o menino estava e depois fugiu.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o suspeito prestava serviço de 
mototáxi à família há algum tempo. O menino de dois anos está com a família 
e está bem. A polícia segue investigando o caso.
FONTE: <http://g1.globo.com/pe/petrolina-regiao/noticia/2016/04/crianca-de-dois-anos-e-
sequestrada-em-salgueiro-no-sertao-de-pe.html>. Acesso em: 27 maio 2016.
Nesta notícia, o lide, que é o primeiro parágrafo após a manchete, “Criança 
de dois anos é sequestrada em Salgueiro, sertão de PE”, traz as informações 
principais acerca do fato: o que (uma criança de dois anos foi sequestrada); 
quando (na madrugada desta terça-feira – 12); onde (em Salgueiro, no Sertão de 
Pernambuco); e por quem (pelo mototaxista). O título auxiliar, neste caso, resume o 
desfecho da história. Nos demais parágrafos são dadas informações adicionais, que 
são importantes, porém apenas revelam detalhes do ocorrido. Se o leitor lesse apenas 
o lide, já compreenderia do que se trata.
Cada jornal atinge um determinado público-alvo, o que faz com que sua 
estrutura seja direcionada a este determinado público. Por exemplo, a notícia lida 
se trata de uma notícia de âmbito policial, ou seja, informa os leitores acerca de um 
sequestro. Certamente, ela interessará mais a pessoas adultas, que procuram manter-se 
informadas acerca dos acontecimentos da região e do mundo. Veja esta outra notícia:
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
110
FOOD TRUCKS PARA CRIANÇAS SÃO ATRAÇÃO EM SHOPPINGS 
DE SÃO PAULO
Dois shoppings de São Paulo resolveram aproveitar a onda dos restaurantes 
sobre rodas, os Food Trucks, para atrair crianças. Na última quinta (13) o Shopping 
Ibirapuera instalou em um de seus pisos o Food Park, um local com “caminhões” 
que só oferecem cupcakes. Mas os doces, na verdade, são gratuitos.A brincadeira funciona assim: as crianças recebem um dinheiro fictício 
em um caixa de entrada e têm que optar por apenas uma das três opções do 
doce, de acordo com seu custo e benefício. A intenção, segundo a assessoria do 
shopping, é promover a educação financeira.
FONTE: <http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2015/08/1669001-food-trucks-para-
criancas-sao-atracao-em-shoppings-de-sao-paulo.shtml>. Acesso em: 21 ago. 2016.
Neste caso, a notícia é direcionada a adultos que têm filhos ou convívio 
com crianças, pois o veículo no qual ela está publicada direciona-se a este público. 
A notícia possui linguagem simples e direta, com informações precisas e breves 
para que seu público consiga compreendê-la. De estrutura mais simples, ela 
apresenta apenas a manchete e o lide (que neste caso se constitui como corpo da 
notícia, já que é o único parágrafo). 
A Folhinha de São Paulo é uma seção do jornal Folha de são Paulo dedicada a 
notícias relacionadas ao público infantil. Existem, hoje, vários outros jornais especificamente 
direcionados ao público infantil e adolescente, nos quais todas as notícias e reportagens são 
adaptadas ao seu linguajar.
UNI
2.2 ARTIGO DE OPINIÃO
Os artigos de opinião são gêneros textuais comumente encontrados em 
jornais e revistas. Hoje em dia, é muito comum encontrarmos textos cuja finalidade 
seja opinar em relação a algum assunto que esteja em alta na mídia, porém, o 
artigo de opinião possui algumas características específicas que o diferenciam de 
outros textos de cunho opinativo. Vamos conhecer quais são estas características? 
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
111
Diferente da reportagem e da notícia, o artigo de opinião é escrito 
normalmente em primeira pessoa, já que o autor expõe seu posicionamento 
diante do tema que está sendo debatido. As opiniões e ideias defendidas em um 
artigo de opinião são de responsabilidade do seu autor, portanto, é necessária 
muita cautela na hora de escrever um texto desse gênero. Deve-se, antes de tudo, 
averiguar se as informações que se pretende defender são verdadeiras e se o texto 
não causará nenhum tipo de alusão ou preconceito. 
É necessário, também, domínio do conteúdo para que se possa tecer um 
argumento coerente sobre ele. Faraco e Tezza (2001) reforçam a ideia de que sem 
conhecimento não se sustenta uma opinião ao afirmarem que a opinião requer 
provas ou argumentos. Para que o texto seja bom, os autores sugerem que se 
apresentem ambos os lados da versão e, em seguida, se defenda apenas um. 
Quando se escreve um artigo de opinião, é necessário também, de acordo 
com Faraco e Tezza (2001), que o autor esteja ciente de que já existem outras 
pessoas com opiniões formadas acerca do que está sendo tratado e que estas 
opiniões devem ser levadas em consideração, ou seja, “em qualquer caso, ele 
assume um ponto de vista, que, é claro, vai se chocar com outros pontos de vista” 
(FARACO; TEZZA, 2001, p. 234). 
No artigo de opinião, há alguns tipos de argumentos que devem ser 
utilizados para reforçar ainda mais a tese que está sendo defendida pelo autor. 
Vamos conhecê-los?
Tipos de argumento
Argumento de autoridade: No argumento de autoridade, o auditório 
é levado a aceitar a validade da tese ou conclusão defendida a respeito de 
certos dados, pela credibilidade atribuída à palavra de alguém publicamente 
considerado autoridade na área.
Argumento por evidência: No argumento por evidência, pretende-
se levar o auditório a admitir a tese ou conclusão, justificando-a por meio de 
evidências de que ela se aplica aos dados considerados.
Argumento por comparação (analogia): No argumento por comparação, 
o argumentador pretende levar o auditório a aderir à tese ou conclusão com base 
em fatores de semelhança ou analogia evidenciados pelos dados apresentados. 
Argumento por exemplificação: No argumento por exemplificação, 
o argumentador baseia a tese ou conclusão em exemplos representativos, os 
quais, por si sós, já são suficientes para justificá-la. 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
112
Argumento de princípio: No argumento de princípio, a justificativa é 
um princípio, ou seja, uma crença pessoal baseada numa constatação (lógica, 
científica, ética, estética etc.) aceita como verdadeira e de validade universal. 
Os dados apresentados, por sua vez, dizem respeito a um fato isolado, mas, 
aparentemente, relacionado ao princípio em que se acredita. Ambos ajudam o 
leitor a chegar a uma tese, ou conclusão, por meio de dedução.
Argumento por causa e consequência: No argumento por causa e 
consequência, a tese, ou conclusão, é aceita justamente por ser uma causa ou 
uma consequência dos dados. 
 
FONTE: Olimpíada de Língua Portuguesa. Na Ponta do Lápis, ano VI, n. 14, jun. 2010.
Os argumentos citados devem ser utilizados pelo autor de acordo com 
a necessidade e conforme a relevância do assunto tratado. Como é veiculado 
principalmente em revistas e jornais, o artigo de opinião normalmente não é muito 
extenso. A leitura é leve e a linguagem geralmente é formal, mas não rebuscada.
Outra característica deste gênero, segundo Faraco e Tezza (2001), é o 
modo como o autor escreve: ele deve ser persuasivo, pois é importante convencer 
o leitor acerca do que está sendo defendido no texto. Alguns autores optam por 
utilizar nos artigos tom irônico, satírico, emotivo ou humorístico, a depender do 
assunto, público e momento histórico.
É importante lembrarmos que o artigo de opinião deve ser estruturado e as 
fontes de informação devem ser seguras. Algumas marcas textuais que aparecem 
nos artigos de opinião são as orações no imperativo, o uso de muitos pontos de 
exclamação e o uso de conjunções para que o texto possa ter uma sequência. 
A intertextualidade também ocorre com bastante frequência nos artigos de 
opinião, pois estes são formados a partir de outras leituras. A intertextualidade, 
de acordo com Dionísio (2007), é a influência de um texto sobre outro texto. 
Ela pode ocorrer de maneira implícita e explícita, em maior ou menor grau. No 
caso da intertextualidade explícita, ficam claras as bases nas quais o texto está 
construído, sendo a percepção da intertextualidade muito clara, pois este tipo de 
intertextualidade ocorre intencionalmente.
A intertextualidade implícita, por sua vez, é um pouco mais difícil de ser 
percebida. Este tipo de intertextualidade requer um pouco mais de análise por parte 
do leitor, pois não aparece claramente no texto. Nos artigos de opinião, é comum 
encontrarmos a intertextualidade implícita. Veja o exemplo de um artigo de opinião:
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
113
Preços de passagens aéreas
A elevação nos preços das passagens aéreas foi notável no ano passado. 
Elas ficaram 53% mais caras. Isso se deu porque a demanda foi maior do que 
a oferta, dessa forma, as empresas perceberam que a renda também havia se 
elevado. O número de pessoas que passaram a optar pela viagem de avião para 
se locomover dentro do país cresceu consideravelmente. De janeiro a novembro 
de 2011, 16,63% foi o aumento no número de passageiros em relação ao mesmo 
período de 2010.
Isso ocorre porque a condição financeira da família brasileira melhorou 
e a facilitação na compra de passagens aéreas também, com melhores condições 
de crédito. Sendo assim, há espaço para os preços subirem, pois por mais que 
encareçam, ainda é possível comprá-las mesmo em parcelas. Nunca voar de 
aviãozinho pra buscar o seu benzinho foi tão fácil! [...]
FONTE: Adaptado de: <http://portalbrasil10.com.br/alta-nos-precos-de-passagens-
aereas>. Acesso em: 8 out. 2016.
Observe que ocorre intertextualidade implícita quando são citados os 
percentuais relacionados aos números de passageiros de 2010 e 2011. Estes são 
considerados fontes de referência implícita porque o autor certamente consultou 
órgãos de pesquisa para saber tais números e poder citá-los. Há também 
intertextualidade implícita na última frase do artigo, “nunca voar de aviãozinho pra 
buscar o seu benzinho valeu tantoa pena”, que se refere à música Aviãozinho, que 
possui em sua letra a frase “voa, voa aviãozinho, vai buscar o meu benzinho”. Caso 
o leitor não conheça a música, não se dará conta da intertextualidade ali presente. 
Quanto à sua estrutura, ele deve possuir um título, bem como um 
parágrafo introdutório. Por se tratar de um texto dissertativo, o corpo do texto 
é o espaço no qual o autor defende suas ideias, e a conclusão é o fechamento do 
texto, no qual ele encerra, baseado em informações sólidas e de boa procedência, 
as ideias trabalhadas no texto (ANDRADE; MEDEIROS, 2001).
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
114
AUTOATIVIDADE
Vamos, agora, fazer uma atividade de observação. Leia o artigo de 
opinião que segue e identifique qual(is) o(s) tipo(s) de argumento(s) utilizado(s) 
pelos autores e discuta-os. Observe também onde o artigo foi publicado e quem 
é seu público-alvo. 
Facilitar porte de armas não melhora defesa pessoal
Ivan Marques 
Carolina Ricardo
 Em novembro do ano passado, ganhou força o debate sobre a revogação 
do Estatuto do Desarmamento. Deputados financiados pela indústria das 
armas se articularam e, sorrateiramente, no momento em que a reta final das 
eleições tirava a atenção sobre o Congresso, montaram uma Comissão Especial 
para apreciar o projeto de lei 3.722/12, que estabelece a revogação do estatuto. 
Na ocasião, o PL acabou sendo arquivado.
 Nessa nova legislatura, a Comissão Especial voltou a ser instalada no 
dia 14 de abril, na Câmara dos Deputados. Novamente, parte dos deputados 
que a compõem foi financiada pela indústria de armas. Além disso, os mesmos 
argumentos falaciosos apresentados anteriormente seguem sendo defendidos.
 A primeira justificativa usada para defender a revogação é de que 
a população rejeitou o desarmamento no referendo realizado em 2005 e a 
manutenção do estatuto, portanto, estaria contrariando a vontade da maioria. 
Impossível pensar em um argumento mais falso.
 O que a população rejeitou em 2005 foi a proibição da venda de armas 
e munições, o que vem sendo amplamente respeitado desde então. Aliás, 
mais de 72 mil novos registros foram autorizados a civis que cumpriram os 
requisitos da nova lei desde 2004. Todo o restante do estatuto estabelece uma 
ampla política de controle de armas no país. Ninguém em sã consciência pode 
ser contrário à correta regulação da circulação e uso das armas de fogo. A 
menos que haja interesses de outras naturezas envolvidos.
 Atualmente, o estatuto permite que cidadãos tenham armas em casa e 
estabelece que para portá-las nas ruas é preciso ser profissional de segurança ou 
extremamente habilitado. Em um país no qual parte significativa dos homicídios 
acontece por motivo fútil, em brigas cotidianas, quando a presença da arma torna o 
conflito letal, nada justifica que a atual lei seja revogada. Novamente, fica a pergunta 
sobre quais interesses movem tamanha sanha pela revogação do estatuto.
 Outro argumento usado por quem é contra o controle de armas no Brasil 
é de que esse controle apenas desarma o cidadão de bem, enquanto bandidos 
seguem fortemente armados. Ora, se é fato que o Brasil vive um problema de 
violência armada, mais certo ainda é o fato de que o mercado legal, ou seja, as 
armas dos cidadãos de bem, é que abastece parte significativa desse mercado 
ilegal. Armas não são plantadas em fundos de quintal, elas são fabricadas e 
entram legais no mercado.
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
115
 Recente pesquisa realizada pelo Sou da Paz com mais de 14 mil armas 
apreendidas pela polícia na cidade de São Paulo demonstra que 80% delas têm 
origem nacional, tendo entrado legalmente no mercado e, em algum momento, 
foram desviadas para a mão de criminosos. Essa mesma pesquisa aponta que 
64% das armas apreendidas nas mãos de criminosos foram fabricadas antes do 
estatuto, o que comprova que o descontrole sobre as armas é nocivo até hoje 
para a segurança pública.
 Quem defende a revogação do estatuto diz ainda que o controle atual 
sobre as armas é falho. Mas como explicar que o novo projeto de lei apresentado 
passa a permitir que civis andem armados nas ruas, que mais de 600 munições 
possam ser compradas anualmente e por arma, que se reduza a idade mínima 
para o porte de armas para 21 anos e que se reduzam penas de crimes como o 
"comércio ilegal de arma de fogo"?
 Tudo indica que quem quer a revogação do estatuto quer mesmo é que 
se amplie o mercado da poderosa indústria de armas no Brasil, ainda que à 
custa de mais mortes. Por fim, há o grande argumento do direito à defesa. 
Ninguém é contra o direito individual das pessoas se defenderem. O ponto é 
que as armas não defendem. Elas matam. É possível contar nos dedos os casos 
em que as armas foram usadas com sucesso para a defesa pessoal.
 Em todos os outros casos, elas foram parar nas mãos dos criminosos 
ou, pior, usadas para encerrar, de forma fatal, discussões banais em conflitos 
entre pessoas que se conheciam. Estamos diante de interesses pouco claros, 
que buscam a revogação da lei que estabelece o controle de armas no país. Ou 
a sociedade brasileira se posiciona diante deste fato, ou corremos o risco de 
voltar à década de 90, com pessoas armadas em cada esquina, acreditando em 
sua defesa, mas sem capacidade para usá-las. 
FONTE: MARQUES, Ivan. Facilitar porte de armas não melhora defesa pessoal. 24 de abril de 
2015. Disponível em <http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2015/04/24/facilitar-porte-de-
armas-nao-melhora-defesa-pessoal.htm>. Acesso em: 27 maio 2016.
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
116
DICAS
Sugerimos que você pesquise em revistas e jornais as sessões nas quais se 
encontram os artigos de opinião. Aprimore seu conhecimento através da pesquisa!
Assim, finalizamos esta etapa de estudo. Vamos para mais um gênero 
textual jornalístico? 
2.3 REPORTAGEM E ENTREVISTA
A reportagem e a entrevista também são muito comuns em revistas 
e jornais. Abordaremos primeiramente a reportagem, que tem por principal 
característica descrever determinado fato. 
A reportagem busca observar, de acordo com Faria (2002), também os 
desdobramentos e raízes do fato, não apenas informá-lo, como é a função da 
notícia. Para que a estrutura da reportagem seja formada, é necessário responder 
algumas perguntas básicas: o quê, quem, quando, como e por quê. A partir destas 
questões, estrutura-se o corpo da reportagem. Veja a reportagem a seguir: 
Bullying: é preciso levar a sério ao primeiro sinal. Esse tipo de violência 
tem sido cada vez mais noticiado e precisa de educadores atentos para evitarem 
consequências desastrosas.
Andréia Barros
Entre os tantos desafios já existentes na rotina escolar, está posto mais um. 
O bullying escolar - termo sem tradução exata para o português - tem sido cada 
vez mais reportado. É um tipo de agressão que pode ser física ou psicológica, 
ocorre repetidamente e intencionalmente e ridiculariza, humilha e intimida suas 
vítimas. "Ninguém sabe como agir", sentencia a promotora Soraya Escorel, que 
compõe a comissão organizadora do I Seminário Paraibano sobre Bullying Escolar, 
que reuniu educadores, profissionais da Justiça e representantes de governos nos 
dias 28 e 29 de março, em João Pessoa, na Paraíba. "As escolas geralmente se 
omitem. Os pais não sabem lidar corretamente. As vítimas e as testemunhas se 
calam. O grande desafio é convocar todos para trabalhar no incentivo a uma 
cultura de paz e respeito às diferenças individuais", complementa.
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
117
A partir dos casos graves, o assunto começou a ganhar espaço em 
estudos desenvolvidos por pedagogos e psicólogos que lidam com Educação. 
Para Lélio Braga Calhau, promotor de Justiça de Minas Gerais, a imprensa 
também ajudou a dar visibilidade à importância de se combater o bullying e, por 
consequência, a criminalidade. "Não se tratam aqui de pequenas brincadeiras 
próprias da infância, mas de casos de violência, em muitos casos de forma 
velada. Essas agressõesmorais ou até físicas podem causar danos psicológicos 
para a criança e o adolescente, facilitando posteriormente a entrada destes no 
mundo do crime", avalia o especialista no assunto. Ele concorda que o bullying 
estimula a delinquência e induz a outras formas de violência explícita.
O Seminário organizado pela Promotoria de Justiça da Infância e da 
Adolescência da Paraíba, em parceria com os governos municipal e estadual 
e apoio do Colégio Motiva, teve como objetivo, além de debater o assunto, 
orientar profissionais da Educação e do Judiciário sobre como lidar com esse 
problema. A Promotoria de Justiça elaborou um requerimento para acrescentar 
os casos de bullying ao Disque 100, número nacional criado para denunciar 
crimes contra a criança e o adolescente. O documento será enviado para o 
Ministério da Justiça e à Secretaria Especial de Direitos Humanos.
Durante o encontro também foi lançada uma publicação a ser distribuída 
para as escolas paraibanas, com o objetivo de evidenciar a importância de 
um trabalho educativo em todos os cenários em que o bullying possa estar 
presente - na escola, no ambiente de trabalho ou mesmo entre vizinhos. Nesse 
manual são apresentados os sintomas mais comuns de vítima desse tipo de 
agressão, algumas pistas de como identificar os agressores, conselhos para pais 
e professores sobre como prevenir esse tipo de situação e mostram-se, ainda, 
quais as consequências para os envolvidos.
Em parceria com a Universidade Maurício de Nassau, a organização do 
evento registrou as palestras e as discussões - o material se transformará em 
um vídeo-documentário educativo que será exibido nas escolas da Paraíba, da 
Bahia e de Pernambuco.
FONTE: <http://revistaescola.abril.com.br/formacao/bullying-preciso-levar-serio-431385.shtml>. 
Acesso em: 27 maio 2016.
Ao observar o texto, podemos perceber que se trata da agressão a partir de 
bullying, cujo praticante é o agressor e quem sofre as consequências é a vítima. O 
bullying ocorre quando o agressor emite ofensas e palavras que desmoralizem ou 
humilhem a vítima, que sofre a agressão geralmente em idade escolar. Assim, já 
temos as respostas às perguntas básicas que compõem a reportagem. 
Como você observou no exemplo, a reportagem trata de assuntos que 
sejam de interesse da população, mas não necessariamente que estejam ocorrendo 
pontualmente, o que não é o caso da notícia. A reportagem citada, por exemplo, 
fala sobre o bullying, que é um tema que permeia a sociedade desde muito tempo 
e ainda está em pauta. 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
118
A notícia aborda um fato específico, que está ocorrendo em um determinado 
momento. A rapidez da veiculação de uma notícia é uma característica marcante 
dela (você já viu na televisão algum caso de notícia de plantão? A programação 
é interrompida para transmitir, em primeira mão, a notícia de algo que tenha 
ocorrido e que seja de grande relevância para a sociedade). Já a reportagem é 
mais elaborada e demanda mais tempo para ser escrita. O conteúdo apresentado 
na reportagem é mais longo e traz mais informações, com maiores detalhes. Há a 
consulta a diversos materiais, para que a veracidade dos fatos seja comprovada. 
Quando o assunto é polêmico, geralmente são apresentadas mais de uma fonte, 
para que mais opiniões sejam ouvidas e respeitadas (LAGE, 2006b). 
Para diferenciar a reportagem da notícia, Lage (2006b) caracteriza a 
reportagem a partir de alguns aspectos: 
1- Linguagem: a reportagem é composta por um estilo menos rígido que a notícia. 
Isso possibilita ao autor usar a primeira pessoa. Também é possível interpretar 
os fatos, além de simplesmente apresentá-los. 
2- Produção: a reportagem considera a "oportunidade jornalística", ou seja, o fato 
gerador de interesse. 
3- Na reportagem, há necessidade de pautas que considerem o fato gerador de 
interesse, a natureza da matéria e o contexto. Lage (2006b) afirma que é o fato 
gerador que torna a reportagem um gênero independente.
A reportagem, como você pode observar no exemplo que foi dado 
anteriormente, possui um título, um título auxiliar, um lide e o corpo do texto, 
portanto, estrutura-se do mesmo modo que a notícia, anteriormente estudada. No 
corpo do texto, o autor da reportagem geralmente traz depoimentos e entrevistas 
das pessoas envolvidas ou de autoridades no assunto. 
Para que a reportagem seja bem elaborada, deve ser tomado muito 
cuidado com a linguagem utilizada, que deve ser clara, objetiva e direta, sem 
muitos rodeios. É um texto que deve ser compreendido por todos os que o lerem, 
portanto, a linguagem deve ser acessível. Neste caso, diferentemente do artigo de 
opinião, o autor deve ser totalmente imparcial, e somente informar, sem emitir 
opinião sobre o assunto. Andrade e Medeiros (2001) afirmam que é o leitor que 
deve tirar suas próprias conclusões.
No caso de reportagens publicadas em revistas, Faria (2002, p. 49) afirma 
que “a matéria da revista é geralmente uma reportagem descompromissada com 
o factual e com os gêneros rotineiros, objetivando muito mais uma interpretação 
dos fatos e a análise de suas consequências”. Deve-se levar em consideração 
novamente o público-alvo a que cada revista visa, a fim de compreender as 
escolhas dos assuntos que são abordados. 
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
119
Pronto para uma nova abordagem? Agora, partiremos para o estudo da 
entrevista. Este é um tipo de texto que também tem por objetivo informar, mas 
através da descrição ou opinião da pessoa entrevistada. Geralmente, o entrevistado 
é um conhecedor do assunto a ser tratado ou, no caso de algum acontecimento, uma 
pessoa que estava envolvida. De acordo com Faria (2002), a entrevista de cunho 
jornalístico é uma excelente ferramenta para ser trabalhada também em sala de 
aula, pois desenvolve uma série de habilidades, tais como contatos entre as pessoas, 
compreensão da relevância de temas, perfil da linguagem adotada e outros. 
O entrevistador, que é aquele que faz as perguntas ao entrevistado, deve 
estruturar a entrevista de acordo com o que deseja saber. Quanto à postura, 
ambos devem manter uma boa aparência e pronunciar bem as palavras, para que 
o receptor compreenda o que está sendo dito. No caso da entrevista por escrito, a 
linguagem deve também ser clara e as perguntas diretas e objetivas.
Faria (2002) afirma que há alguns tipos de entrevistas. Vamos conhecê-las? 
1- Entrevista complementar genérica: ocorre quando a entrevista está baseada em 
relatos de testemunhas de um fato que será noticiado, por exemplo, quando ocorre 
um atentado em um determinado local e o entrevistador faz perguntas a alguém 
que estava próximo no momento, ou que é amigo ou parente de algum envolvido. 
Neste caso, os entrevistados não precisam ser identificados, caso não queiram. 
Exemplo: 
“De acordo com os familiares, a menina encontra-se bem, após o acidente. 
Os pedestres que passavam no local e viram o acidente, afirmam que a menina 
não atravessava na faixa de pedestres quando foi atingida pelo veículo”. 
2- Entrevista complementar caracterizada: Caracteriza-se como a inserção 
de uma ou duas questões no meio de uma notícia, que faz com que o leitor 
compreenda melhor um episódio. Neste caso, o entrevistado ou a instituição 
representada são identificados, pois têm relevância. O discurso é indireto. Veja 
o exemplo a seguir: 
Educação no Brasil melhora, mas país continua entre os piores do mundo
Saiu novo relatório internacional sobre o rendimento escolar no mundo. 
O Brasil melhorou o desempenho, mas ainda está entre os 10 piores países.
Pedimos a um representante da Organização para a Cooperação e 
Desenvolvimento Econômico (OCDE) se o Brasil aparece entre as pesquisas e ele 
afirmou que o Brasil aparece entre os 10 países que têm mais alunos com baixo 
rendimento escolar em matemática, leitura e ciências. Na América Latina, além do 
Brasil, Peru, Colômbia e Argentina também tiveram resultados ruins.
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS120
A OCDE avaliou 64 países. Nos países pesquisados, 4,5 milhões de 
estudantes até 15 anos de idade não atingiram o nível básico de aprendizado. 
Isso equivale a um em cada quatro estudantes. O Peru e a Indonésia são os 
países com maior porcentagem de estudantes neste quesito.
Uma boa notícia em relação ao Brasil é que o país conseguiu reduzir a 
quantidade de estudantes com baixo rendimento no período entre 2003 a 2012.
Os orientais, como de costume, conseguiram os melhores resultados. 
China, Cingapura e Coreia do Sul estão no topo da lista, com as melhores notas.
FONTE: Adaptado de: MALAN, Cecília. G1. Educação no Brasil melhora, mas país continua entre os 
piores do mundo. <http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2016/02/educacao-no-brasil-melhora-
mas-pais-continua-entre-os-piores-do-mundo.html>. Acesso em: 22 out. 2016.
Observe que o trecho sublinhado sinaliza uma fala que procede de uma 
conversa realizada com um representante da Organização para a Cooperação e 
Desenvolvimento Econômico (OCDE). Assim, esta reportagem possui em seu 
complemento uma entrevista complementar caracterizada, com a finalidade de 
que o leitor compreenda melhor o episódio. A instituição é identificada, pois tem 
relevância (observe que se caracteriza como um argumento de autoridade). O 
discurso é indireto. 
3- Entrevista individual: é a entrevista mais conhecida popularmente, pois 
constitui-se de perguntas e respostas. De acordo com Faria (2002, p. 58), “na 
imprensa, são reservadas a personalidades, astros ou autoridades competentes 
para explicar determinado fato ou assunto”. Neste tipo de entrevista pode 
haver a opinião do entrevistado e geralmente a entrevista é publicada em 
discurso direto. 
Vamos ler uma entrevista individual e observar como ela se estrutura? 
Entrevista Marcos Bagno
Por Marcos Nunes Carreiro e Elder Dias
“O Português Brasileiro precisa ser reconhecido como uma nova língua. 
E isso é uma decisão política”. 
Doutor em Filologia e Língua Portuguesa pela Universidade de 
São Paulo (USP), Marcos Bagno é professor do Departamento de Línguas 
Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasília (UnB). Em 2012, seu 
romance “As Memórias de Eugênia” ganhou o Prêmio Jabuti, considerado o 
maior da literatura brasileira. Ele também escreve uma coluna sobre língua 
portuguesa na revista “Caros Amigos”.
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
121
Por que o senhor defende que deve existir uma gramática brasileira? 
Pela necessidade que vimos detectando, há muito tempo, de que 
tenhamos no Brasil instrumentos descritivos, e até mesmo normativos, 
que apresentem, da maneira mais honesta e real possível, a nossa língua: o 
português brasileiro. Mesmo as variedades urbanas de prestígio são muito 
diferentes da norma padrão veiculada pela tradição gramatical da língua. Faço 
a citação de um linguista português, o professor Ivo Castro [da Faculdade de 
Letras da Universidade de Lisboa, com doutorado em Linguística Portugue sa]. 
Ele diz o seguinte (lendo): “Minha opinião de que a separação estrutural entre 
a língua de Portugal e a do Brasil é um fenômeno lento e de águas profundas, 
que é fácil e, a muitos, desejável não observar, assenta-se no convencimento 
de que a fratura do sistema linguístico existe, mas não é aparente a todos os 
observadores nem é agradável a todos os saudosistas”.
Mas como fica a proposta de uma união linguística entre os países 
chamados lusófonos?
 
Essa ideia de que exista uma coisa chamada “lusofonia”, com vários países de 
língua portuguesa, é uma bobagem. É uma posição absolutamente neocolonial 
e que não tem nada a ver com a realidade. Não é nada mais do que um projeto 
profundamente português. Aqui no Brasil, quando se fala em lusofonia, as 
pessoas nem sabem o que é. Somos, no Brasil, 90% dos falantes de português 
no mundo. Então, se alguém tem de mandar na língua somos nós, embora 
os portugueses achem isso terrível (risos). Eles não têm a menor importância 
numérica no mundo, comparando-os ao Brasil, mas ainda têm esse saudosismo 
imperial de querer mandar na língua. Mas a coisa é diferente.
E a partir de que o senhor afirma que já temos um português brasileiro 
como língua?
Todos os exemplos que trago são extraídos da escrita de gêneros mais 
monitorados. Por quê? Porque, quando as inovações linguísticas atingem esse 
extremo [de estar aparente em textos mais formais, como jornais e revistas 
científicas], isso significa que a mudança linguística já se completou e se constitui 
então uma regra da gramática da língua. O professor Marcuschi [Luiz Antonio 
Marcuschi], linguista, professor titular da Uni versidade Federal de Pernambuco 
e com doutorado na Universitat Erlangen-Nurnberg (Friedrich-Alexander), 
Alemanha, de quem eu tive a honra de ser aluno no Recife, estabeleceu, já há algum 
tempo, esse continuum de gêneros, do mais falado ao mais escrito, mostrando 
que não há essa separação rígida que as pessoas há dois mil e quinhentos anos 
acreditam que exista. Na verdade, temos uma língua só e duas modalidades de 
uso [fala e escrita] com um continuum de gêneros.
A mudança linguística ocorre na língua falada mais espontânea. À 
medida que essas inovações linguísticas vão sendo adotadas por mais falantes, 
vão progredindo até chegar à escrita mais monitorada.
[...]
FONTE: <http://www.jornalopcao.com.br/entrevistas/o-portugues-brasileiro-precisa-ser-reconhecido-
como-uma-nova-lingua-e-isso-e-uma-decisao-politica-37991/>. Acesso em: 27 maio 2016. 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
122
Observe que Marcos Bagno é um renomado linguista brasileiro com 
inúmeras publicações que tratam do tema que está sendo discutido e que o jornal 
que o entrevistou tem uma coluna chamada “Língua Portuguesa”, cujo tema 
era, na ocasião, “O português brasileiro precisa ser reconhecido como uma nova 
língua e isso é uma decisão política”. A entrevista a ser publicada ou gravada 
deve sempre observar o público-alvo a ser atingido.
Há entrevistas que são feitas para publicação impressa em revistas ou jornais 
e há entrevistas feitas para matérias exibidas através de rádio, televisão ou internet. Cada 
entrevistador adaptará suas perguntas de acordo com o veículo de comunicação através do 
qual pretende publicar sua entrevista e de acordo com a intenção da entrevista.
IMPORTANT
E
No caso das entrevistas por escrito, como você pôde também observar, elas 
geralmente possuem um título bem definido (chamado também de manchete). 
Neste caso, o título é uma parte da fala do entrevistado. Há também uma 
apresentação breve do entrevistado e que pontos serão abordados na entrevista. 
Em seguida, são apresentadas ao leitor as perguntas e as respostas, que são 
redigidas fielmente ao que foi respondido. As entrevistas (ou parte delas) são 
muito usadas nas reportagens.
3 TEXTOS CIENTÍFICOS
A partir de agora, passaremos a estudar um pouco acerca dos textos 
científicos. Este tipo de texto busca abordar alguma teoria ou conceito, sempre com 
base científica. A linguagem do texto de caráter científico deve ser cuidadosamente 
planejada, pois além de clara, não pode dar espaço para duplas interpretações. A 
linguagem, por ser científica, muitas vezes possui termos específicos que tornam 
este tipo de texto mais voltado ao público-alvo, que varia conforme a área de 
conhecimento. Muitas vezes, o texto científico é uma produção que resulta de 
alguma experiência ou de pesquisa, conforme veremos adiante. 
O artigo científico é o gênero mais utilizado quando se trata de produções 
científicas. Este tipo de produção deve seguir um padrão, que é determinado 
no Brasil pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (NBR 6022). 
O padrão determinado por estas normas refere-se à formatação, número de 
páginas, tipo e tamanho da fonte, citações, referências e outros itens que devem 
ser padronizados para que haja regularidade nos artigos.
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
123
Por ser um gênero textual que abrange textos de extensão maior do que os 
demaistrabalhados aqui, não colocaremos nenhum exemplo de artigo científico aqui, mas 
sugerimos que você visite a página SCIELO e acesse os artigos que lá estão disponibilizados.
IMPORTANT
E
Para que o leitor consiga compreender o que está sendo lido em um texto 
científico, é necessário que haja conhecimento prévio do assunto tratado, através 
da leitura de textos menos complexos. Isto ocorre porque no texto científico a 
teoria é tratada de modo mais aprofundado. Quando se trata, por exemplo, de 
um texto científico acerca do degelo das calotas polares, este tema será abordado 
de forma científica, com amplo aprofundamento no tema e uso de conceitos 
específicos da área científica. É diferente, por exemplo, de uma reportagem acerca 
do tema, que trará apenas informações relevantes. 
Quanto à estrutura, o texto científico compõe-se basicamente por 
introdução, desenvolvimento e conclusão. Pode haver também elementos pós-
textuais, como anexos ou apêndices, que visam complementar o texto que foi 
trabalhado. Agora, vamos conhecer alguns tipos de textos científicos: o resumo e 
a resenha. Vamos lá? 
3.1 RESUMO
Acadêmico, você deve estar se perguntando: por que resumir um texto? 
Qual a finalidade? Bom, a verdade é que se resumo não fosse bom, nossos 
professores não insistiriam tanto em nos ensinar ou aconselhar que fosse feito e, 
as revistas, eventos e trabalhos não exigiriam um, não é mesmo?
Assim, resumir é o ato de ler, analisar e traçar em poucas linhas o que de 
fato é essencial e mais importante no texto. Ele se torna um instrumento útil para 
quem irá ler o trabalho, isto é, o leitor.
Desde o início de nossos estudos, muitas vezes já no Ensino Fundamental, 
há professores que fazem conosco esse exercício escolar chamado resumo. 
Compreendemos, dessa maneira, que escrever um texto em poucas linhas nos 
auxilia a desenvolver a capacidade de síntese, objetividade e clareza: três fatores 
que serão muito importantes ao longo da nossa vida escolar, profissional e, por 
que não, pessoal?
Você deve estar pensando que não é muito fácil expor o texto em um 
número reduzido de linhas. Mas, não se preocupe, existem inúmeras dicas a 
serem seguidas para que um bom resumo possa ser elaborado. 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
124
No Brasil, as normas em vigor para os resumos incluídos em trabalhos científicos 
e acadêmicos são de autoria da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Não deixe 
de visitar o site e verificar as novidades acerca dessa temática: <http://www.abnt.org.br/>.
NOTA
Dentre as dicas mais comuns, 
podemos utilizar as de Lousada e Abreu-
Tardelli (2004) que nos ensinam que 
compreender o texto que será resumido é o 
primeiro passo, pois auxilia a compreensão 
sobre o autor, bem como suas escolhas 
ideológicas e teóricas. Uma segunda dica é 
detectar as ideias mais relevantes que o autor 
expõe, procurando identificar, se o gênero for 
o argumentativo, por exemplo, qual a questão 
discutida, as posições do autor, isto é, se ele rejeita, sustenta e os argumentos que ele utiliza 
para firmar seu ponto de vista e, ainda, observar a conclusão final.
IMPORTANT
E
Difícil? Calma, adiante vamos explicar e construir conceitos mais 
elaborados e claros acerca do resumo. Continue conosco!
3.1.1 O que é um resumo?
Vamos iniciar conversando sobre um possível conceito de resumo. O 
resumo é uma maneira de reunir e apresentar por escrito, de maneira concisa, 
coerente e, frequentemente, seletiva, as informações básicas de um texto 
preexistente. De acordo com Savioli e Fiorin (1998, p. 420), o “resumo é uma 
condensação fiel das ideias ou dos fatos contidos no texto. Resumir um texto 
significa reduzi-lo ao seu esqueleto essencial”.
Assim, fazer um resumo significa apresentar o conteúdo de forma sintética, 
destacando as informações essenciais do conteúdo de um livro, artigo, argumento 
de filme, peça teatral, entre outros. A elaboração de um resumo exige análise e 
interpretação do conteúdo para que sejam transmitidas as ideias mais importantes. 
Para tanto, alguns elementos necessitam ser considerados. Vamos descobrir quais?
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
125
Segundo Savioli e Fiorin (1998), quando elaboramos um resumo, 
necessitamos identificar as partes essenciais do texto, observando, especialmente, 
a progressão com que elas são apresentadas e a correlação existente entre elas. 
Assim, quando resumimos, necessitamos observar, segundo os 
ensinamentos de Lousada e Abreu-Tardelli (2004), que as ideias expostas no 
resumo não pertencem a quem está produzindo o texto, mas são da autoria de 
um escritor/autor advindas de um texto maior, detalhado e rico de informações. 
Portanto, ao resumir, faça a indicação de dados sobre o texto resumido, apresente 
as ideias principais e, se possível, faça relações entre elas.
 Não se esqueça de mencionar o autor do texto original e apresentar os 
posicionamentos dele perante as ideias destacadas. Você pode utilizar o recurso 
das marcas linguísticas que evidenciam e/ou retomam o discurso do outro: 
segundo Fulano, para Beltrano, conforme, de acordo com, entre outros. Os verbos 
atribuídos ao autor também necessitam de atenção, verbos como: o autor disse 
ou o autor fala, fragilizam o texto. Explore novos termos que remetem o leitor 
às ações estabelecidas no texto original, como: o autor apresenta, o autor postula, 
Fulano defende, Beltrano compara, entre outros. Por fim, observe se o seu resumo 
tem correção gramatical e se está compreensível, isto é, se o resumo permite um 
entendimento global na articulação das ideias expostas.
Ainda não conseguiu captar a estrutura? Vamos, então, verificar onde está 
a dificuldade no processo de resumir?
AUTOATIVIDADE
1) Leia os resumos a seguir do artigo “A cultura da paz”, de Leonardo Boff, 
e, mesmo sem ter lido o texto na íntegra, assinale o resumo que acredita 
ser o melhor:
( ) Resumo 1
No artigo “A cultura da paz”, Leonardo Boff defende a necessidade de 
construirmos a cultura da paz a partir de nós mesmos. O autor considera que isso 
é possível, uma vez que o homem é dotado de características genéticas especiais 
que lhe permitiriam vencer a violência.
( ) Resumo 2
Leonardo Boff inicia o artigo “A cultura da paz” apontando o fato de que vivemos 
em uma cultura que se caracteriza fundamentalmente pela violência. Diante disso, 
o autor levanta a questão da possibilidade de essa violência poder ser superada 
ou não. Inicialmente, ele apresenta argumentos que sustentam a tese de que seria 
possível, pois as próprias características psicológicas humanas e um conjunto de 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
126
forças naturais e sociais reforçariam essa cultura da violência, tornando difícil 
sua superação. Mas, mesmo reconhecendo o poder dessas forças, Boff considera 
que, nesse momento, é indispensável estabelecermos uma cultura de paz contra 
a violência, pois esta estaria nos levando à extinção da vida humana no planeta. 
Segundo o autor, seria possível construir essa cultura, pelo fato de que os seres 
humanos são providos de componentes genéticos que nos permitem sermos 
sociais, cooperativos, criadores e dotados de recursos para limitar a violência e 
de que a essência de ser humano seria o cuidado, definido pelo autor como sendo 
uma relação amorosa com a realidade, que poderia levar à superação da violência. 
A partir dessas constatações, o teólogo conclui, incitando-nos a despertar as 
potencialidades humanas para a paz, construindo a cultura da paz a partir de nós 
mesmos, tomando a paz como projeto pessoal e coletivo.
FONTE: <www.leonardoboff.com>. Acesso em: 8 ago. 2016.
Savioli e Fiorin (1998) nos ensinam que a complexidade do texto a ser 
resumido (vocabulário, estrutura sintático-semântica, relações, assunto etc.) 
ou o conhecimento do leitor acerca do assunto tratado pode, sim, trazer certa 
dificuldade na hora da seleção e organização das ideias. Torna-se imprescindível 
o entendimento do texto a ser resumido, levando em consideraçãoos diversos 
aspectos que apresenta, para então prosseguir com a escrita.
Vamos verificar tudo isso na prática? Adiante você conhecerá os 
tipos de resumos, mas antes, vamos retomar o resumo escolhido por você, na 
autoatividade anterior, como o melhor e aplicar as características que, segundo 
Lousada e Abreu-Tardelli (2004), são essenciais em um resumo. Acompanhe-nos, 
lendo o texto e seguindo a legenda apresentada:
(a) corresponde à indicação de dados sobre o texto resumido, no mínimo autor 
e título;
(b) corresponde à seleção das informações consideradas importantes pelo 
leitor e autor do resumo;
(c) corresponde à menção ao autor do texto original em diferentes partes do 
resumo e de formas diferentes;
(d) corresponde à apresentação das ideias principais do texto e de suas relações;
(e) corresponde aos comentários pessoais misturados às ideias do texto;
(f) corresponde ao texto compreensível por si mesmo;
(g) corresponde à correção gramatical e léxico adequado à situação escolar/
acadêmica.
Leonardo Boff inicia o artigo “A cultura da paz” (a) apontando o fato de 
que vivemos em uma cultura que se caracteriza fundamentalmente pela violência. 
Diante disso, o autor (a; c) levanta a questão da possibilidade de essa violência 
poder ser superada ou não (b). Inicialmente, ele (c) apresenta argumentos que 
sustentam a tese de que seria possível, pois as próprias características psicológicas 
humanas e um conjunto de forças naturais e sociais reforçariam essa cultura da 
violência, tornando difícil sua superação (b, g). Mas, mesmo reconhecendo o 
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
127
poder dessas forças, Boff (a, c) considera que, nesse momento, é indispensável 
estabelecermos uma cultura de paz contra a violência, pois esta estaria nos 
levando à extinção da vida humana no planeta (e; g). Segundo o autor, (c) seria 
possível construir essa cultura, pelo fato de que os seres humanos são providos 
de componentes genéticos que nos permitem sermos sociais, cooperativos, 
criadores e dotados de recursos para limitar a violência e de que a essência 
de ser humano seria o cuidado (f, g), definido pelo autor (c) como sendo uma 
relação amorosa com a realidade, que poderia levar à superação da violência (d, 
g). A partir dessas constatações, o teólogo (c) conclui, incitando-nos a despertar 
as potencialidades humanas para a paz, construindo a cultura da paz a partir de 
nós mesmos, tomando a paz como projeto pessoal e coletivo (e, f, g).
FONTE: <www.leonardoboff.com>. Acesso em: 8 ago. 2016.
3.1.2 Tipos de resumo
Como estamos na academia, escolhemos três resumos que são de suma 
importância nesta fase de nossas vidas, pois saber resumir na academia não é tão 
simples assim, não é?
É claro que compreendemos que um resumo pode variar conforme o 
destinatário, autor, gênero, local de circulação, objetivo, mas vamos aprender 
pontos essenciais de três diferentes tipos de resumo, apontados por Savioli e Fiorin 
(1998), que são: o resumo de estudo, resumo de trabalho e resumo para evento.
O resumo de estudo se dá no processo de resumir para a produção de um 
texto acadêmico. Este resumo busca informar alguém a respeito do conteúdo de 
um texto. Ele também pode englobar a ideia de resumo pessoal, que é utilizado 
para estudo e/ou compreensão particular.
No resumo de estudo, fazemos a leitura de um texto ou de um livro e 
buscamos pelas informações principais, a fim de mostrar que compreendemos 
o que foi lido. Algumas vezes esse tipo de resumo é solicitado pelos nossos 
professores e, em outros casos, o fazemos para estudar e fixar um conteúdo.
Observe um exemplo de resumo de estudo:
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
128
Marcelo Leite inicia o artigo Truculência na internet relatando a 
determinação da indústria fonográfica norte-americana para processar pessoas 
que baixam da internet músicas protegidas por direitos autorais. O autor, no 
entanto, reconhece que, na prática, todo direito enfrenta limitações. A primeira 
delas, admite, está na impossibilidade de processar milhares de pessoas que 
praticam ilegalmente essa atividade. Em segundo lugar, acredita que a medida 
poderzá sustentar uma reação contestadora entre os jovens consumidores de 
CDs, tornando os fabricantes e produtores de discos ainda mais impopulares 
entre os adolescentes. Entretanto, mesmo apoiando o direito autoral e a 
atitude empresarial de atacar os mais conectados, Marcelo Leite observa que 
a maioria dos usuários que pratica a distribuição das músicas, não a faz como 
meio para ganhar dinheiro, mas como forma de diversão. Segundo o autor, 
controlar ou impedir o intercâmbio de músicas e outros produtos culturais 
pela internet torna-se uma prática inviável devido à crescente popularização 
dos computadores e à facilidade de acesso à internet. O editor conclui o artigo 
desafiando o mercado publicitário a explorar a versatilidade das novas redes, 
propondo o desenvolvimento de ações criativas que permitam gerar ganhos 
financeiros (SILVEIRA, 2006).
FONTE: <https://www.passeidireto.com/arquivo/1700628/resumo-sobre-o-texto-truculencia-
na-internet>. Acesso em: 29 maio 2016.
Outro resumo a ser estudado é o resumo de trabalho. Os trabalhos acadêmicos, 
em sua maioria (artigo, paper, monografia, dissertação, tese), vêm acompanhados de 
um resumo que busca mostrar ao leitor o que ele encontrará ao ler tal trabalho. Ele é 
uma apresentação concisa acerca do que nós desenvolvemos e “encapsula a essência 
do artigo que se seguirá” (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010, p. 152). 
Leia um resumo de trabalho:
Esta pesquisa [...] visa à compreensão dos movimentos políticos, 
nacionais e locais, acerca do ensino do italiano no sistema de ensino do município 
de Rodeio, SC, antiga zona de imigração. Quanto à metodologia, a pesquisa 
compreende a análise de leis, normas e documentos orientadores nacionais, 
estaduais e municipais relacionados às políticas linguísticas, bem como a análise 
dos enunciados de um professor colaborador no que diz respeito à elaboração 
de documentos para inserção do italiano como disciplina obrigatória em escolas 
no município de Rodeio. A investigação é de cunho qualitativo/interpretativo e 
o corpus compõe-se da transcrição da entrevista semiestruturada com o referido 
professor, bem como das leis, normas e documentos orientadores das três 
esferas: a nacional, como LDB, PCN, OCEM e Resoluções; documentos estaduais 
como PC-SC, Projeto MAGISTER e edital de concurso público para efetivação de 
professores, e os municipais, como leis municipais, Projeto O ensino de língua 
italiana e a ata da implantação do italiano nas escolas. Para a contextualização 
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
129
da pesquisa, discute-se a imigração em massa nas últimas décadas do século 
XIX, além de um recorte histórico da colonização italiana no Vale do Itajaí. O 
capítulo de análise é teoricamente fundamentado nas áreas da Educação e da 
Linguística Aplicada, no tocante aos estudos sobre a escolarização em contextos 
de línguas minoritárias. A análise dos registros foi feita a partir de divergências 
e convergências entre os enunciados das leis, normas e documentos orientadores 
e do sujeito entrevistado. Como resultados, depreendem-se movimentos 
político-linguísticos em torno do ensino da língua italiana que ora divergem, 
ora convergem com as representações de língua e dialeto presentes tanto nas 
leis, normas e nos documentos como na voz do sujeito. No que diz respeito à 
questão do reconhecimento da língua de imigração, como disciplina no currículo 
escolar, há a abertura da lei e movimentos locais de instituição de uma política 
linguística a favor da língua de imigração para a manutenção da identidade local. 
No entanto, no contexto desta pesquisa, observou-se que houve, novamente, 
na rede estadual, a adoção de uma política monolíngue, retirando o italiano 
do currículo das escolas. Há de se considerar que nenhum documento ou lei 
expressa a retirada de uma língua para que outra ocupe seu lugar.O que há é 
uma discussão na LDB, PC-SC, entre outras leis, normas e documentos, acerca 
do ensino de línguas, que pode ser interpretado de diferentes maneiras pelos que 
decidem, por exemplo, que disciplinas ocuparão o currículo de cada escola em 
cada comunidade, em cada momento histórico.
Palavras-chave: Políticas linguísticas. Língua italiana. Educação em 
contexto de imigração.
FONTE: LORENZI, E. M. B. Políticas linguísticas para o ensino de línguas em um cenário de 
imigração italiana no Vale do Itajaí, SC. Dissertação (Mestrado). Universidade Regional de 
Blumenau (FURB). Blumenau, 2014. 102 p.
Em muitos eventos, enviamos um resumo para apresentar o trabalho e/ou 
pesquisa que pretendemos submeter. Neste caso, o resumo não vem acompanhado 
de um texto, por isso será um pouco mais detalhado e deverá convencer o 
interlocutor de que o estudo é relevante. Leia o resumo para um evento: 
Nos olhos de cada um dos sujeitos entrevistados, o brilho da nostalgia 
se faz presente ao relembrar a infância: a casa, o trabalho na roça e a escola 
multisseriada eram os ambientes nos quais estas crianças passavam a maior parte 
de seu tempo. Na década de 1960, no sistema de ensino do Brasil, este modelo 
escolar era a única oportunidade para que as crianças do campo estudassem. O 
objetivo desta apresentação é socializar os resultados parciais da dissertação de 
mestrado em andamento referente ao sentido de corpo para alunos que estudaram 
na década de 1960 em uma escola multisseriada no interior do município de 
Rodeio-SC. A pesquisa apresentada é qualitativa e a geração de dados deu-se a 
partir de uma entrevista semiestruturada realizada com 11 sujeitos que estudaram 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
130
na Escola Multisseriada Diamante I. A memória de corpo, de disciplina e de espaço 
escolar é bastante presente na memória destes sujeitos, hoje adultos. No ambiente 
da roça, o trabalho na agricultura era comum mesmo para as crianças, que, 
desde cedo, estavam destinadas a trabalhar no plantio e na lida com os animais. 
A disciplina em casa era rigorosa e obedecer era a palavra de ordem. Na escola, 
espaço no qual as crianças estudavam, não era diferente: embora multisseriada, 
era aplicado o modelo de currículo das escolas seriadas, predominantemente 
urbanas, com a homogeneização da cultura, individualismo e imposição do 
conhecimento científico. Mesmo não previsto pelo currículo e pelos objetivos 
disciplinares da escola, nela, pelo fato de ser multisseriada, formava-se um espaço 
de multipossibilidades: alunos de diferentes séries e idades num mesmo ambiente 
realizam troca de experiências e saberes que não ocorrem nas escolas divididas 
por séries. A análise dos dados parte dos princípios da análise genealógica em 
Foucault. A base teórica para a pesquisa fundamenta-se em Michel Foucault, 
Carmem Lucia Soares, Maria Bernadete Ramos Flores, Cássia Ferri, Paul Ricoeur 
e outros autores que seguem a linha foucaultiana de análise de corpo, escola e 
memória. Os resultados parciais da pesquisa chamam a atenção para o fato de os 
11 sujeitos relembrarem e descreverem a escola como um local de liberdade, ao 
passo que a escola atual é alvo de severas críticas em suas falas.
FONTE: FIAMONCINI, L. Memórias do campo e da escola multisseriada: o sentido de corpo para 
estudantes rurais da década de 1960. In: Anped Sul, 10º, 2014, Florianópolis.
Compreendemos que, para elaborar um bom resumo, é essencial, antes 
de tudo, que se compreenda todo o conteúdo do texto e torna-se necessária a 
leitura e o entendimento do texto na íntegra. Se o resumo apresentar a simples 
reprodução de frases do texto original, será um claro indício de que ele não foi 
devidamente compreendido.
DICAS
Na nossa instituição, há, anualmente, a JOIA – Jornada de Integração 
Acadêmica, que, em amplas linhas, é um evento promovido pelo Centro Universitário 
Leonardo da Vinci - UNIASSELVI - que incentiva e estimula a iniciação científica, o debate 
virtual em grupo e a socialização de trabalhos. Se você ainda não participou, organize-se! 
Você pode iniciar elaborando ou reformulando um resumo de algum paper já socializado 
com sua turma. Vale muito a pena participar!
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
131
AUTOATIVIDADE
Agora, escolha uma reportagem atual de uma revista renomeada e/ou 
um artigo, escrito por você, para a disciplina de Seminário da Prática e resuma-o 
a partir dos conhecimentos adquiridos nesta etapa do caderno de estudos.
3.2 RESENHA
A resenha é um texto em forma de síntese que expressa a opinião do 
autor sobre um fato, que pode ser um livro, um filme, peças teatrais, exposições, 
shows, entre outros. Ao escrever uma resenha, você deve levar em consideração 
que estará escrevendo para seu professor e/ou tutor que, se indicou a leitura, deve 
conhecer a obra. Portanto, ele avaliará não só sua leitura, através do resumo que 
faz parte da resenha, mas também sua capacidade de opinar sobre ela (LOUSADA; 
ABREU-TARDELLI, 2004).
Apesar de ela expressar a opinião do escritor, a resenha é a maneira de 
escrever com uma organização própria. Assim, é importante, nos seus escritos, 
guiar o leitor para que ele possa entender as diferentes relações que se quer 
estabelecer. A resenha deve ir direto ao ponto, mesclando ora momentos de 
descrição ora momentos de crítica direta. O resenhista que conseguir equilibrar 
perfeitamente esses dois pontos terá escrito uma resenha ideal (LOUSANA; 
ABREU-TARDELLI, 2004).
Podemos dizer que há dois tipos principais de resenha, a resenha resumo e 
a resenha crítica. A resenha resumo limita-se a resumir o conteúdo de um capítulo 
de livro, de um filme, peça de teatro, espetáculo ou de um livro completo, sem 
haver uma crítica ou um julgamento de valor. Neste tipo de resenha, objetiva-se 
informar o leitor, logo trata-se de um texto informativo (DIDIO, 2013).
A resenha classificada em crítica, além de resumir, faz uma avaliação sobre 
o objeto, uma crítica, apresentando os aspectos que tanto podem ser negativos 
como positivos (DIDIO, 2013). O texto é informativo e também de opinião.
Independentemente do tipo, a resenha deve possuir as mesmas qualidades 
de estilo básicas que todo o texto escrito necessita apresentar, como simplicidade, 
clareza, concisão, propriedade vocabular, precisão vocabular, objetividade e 
impessoalidade.
Lembre-se de que, antes de iniciar a produção de qualquer texto, 
especialmente de uma resenha, há alguns passos importantes que você necessita 
considerar para que a qualidade do seu trabalho atinja um patamar de excelência.
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
132
A leitura da obra a ser resenhada é um item essencial. Então, o primeiro 
passo é conhecer o objeto que será resenhado. Se você não tem muito tempo, 
fique tranquilo, essa primeira leitura deve ser rápida, objetivando conhecer a obra 
como um todo (DIDIO, 2013). Portanto, você não precisa fazer anotações e nem 
sublinhar nada.
A releitura é um segundo item que necessitamos levar em conta. A primeira 
leitura que fazemos é rápida e há muitos elementos que passam despercebidos. 
É nessa etapa que devemos analisar alguns elementos mais pontuais da obra. 
Agora sim, utilize a técnica de sublinhar, fazer esquemas com as ideias principais, 
estabelecendo relações entre tudo isso (DIDIO, 2013). Aqui, você pode fazer 
perguntas e anotá-las no canto das páginas, por exemplo. Essa prática força você 
a pensar sobre o material que tem em mãos.
O parar para pensar e repensar é um item importante. É interessante você 
parar um tempo para pensar e repensar suas anotações, formando uma opinião 
e até buscando em outras fontes com contrapontos para seu texto (DIDIO, 2013). 
A pausa deve durar mais de 24h e não ultrapasse 72h para que as ideias não lhe 
fujam da memória.
Pronto para resenhar?
Mas antes de se aventurar, leia a resenha crítica que segue e acompanhe a 
legenda com alguns dos elementos que, segundo Lousada e Abreu-Tardelli (2004), são 
essenciais nas resenhas:
(a)corresponde à indicação do autor;
(b) corresponde à função social do autor;
(c) corresponde ao destinatário real;
(d) corresponde à imagem que o autor tem que ter de seu destinatário;
(e) corresponde ao tema e/ou objeto;
(f) corresponde ao objetivo do autor do texto;
(g) corresponde a aspectos para valorizar o artigo;
(h) corresponde ao resumo de uma parte do livro;
(i) corresponde ao momento da produção;
(j) corresponde aos locais e/ou veículos onde o texto possivelmente circulará;
(k) corresponde à conclusão.
 Recentemente, J. K. Rowling (a), a criadora de Harry Potter, lançou Os Contos de 
Beedle, o Bardo (Rio de Janeiro: Rocco) (b), mesmo após ter declarado que “Harry Potter 
e as Relíquias da Morte”, o sétimo livro da série, encerraria a saga do bruxo. De fato, neste 
livro não sabemos nada mais de Harry, já que nem mesmo ele é citado na obra. Entretanto, 
Beedle nos leva de volta ao mundo dos bruxos, ao universo de Harry Potter; além disso, seus 
contos, como se sabe, foram citados e lidos por seus colegas de escola (c). A propósito, 
segundo Rowling, (a) o que a levou a publicar essa coletânea de histórias (já foram publicados 
NOTA
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
133
“Animais fantásticos e onde habitam” e “Quadribol através dos séculos”) foi uma “novíssima 
tradução dos contos feita por Hermione Granger”, a amiga sabida de Harry Potter (d). O livro 
de Rowling (a) traz cinco “histórias populares para jovens bruxos e bruxas”, mas que, com as 
notas explicativas da autora, podem ser perfeitamente lidas pelos “trouxas” (como Rowling 
se refere às pessoas sem poderes mágicos, como nós). Nessas notas, Rowling (a) esclarece 
alguns termos próprios do mundo dos bruxos, por exemplo, “inferi”, que “são cadáveres 
reanimados por magia” (e). 
 No mundo dos bruxos, Beedle, poder-se-ia dizer, tem a importância do escritor 
dinamarquês Hans Christian Andersen e suas histórias se assemelham em muitos aspectos aos 
nossos contos de fada. Aliás, seus contos tiveram o mesmo destino dos nossos contos de fadas, 
ou seja, caíram no gosto das crianças e, como lemos no prefácio do livro, são usualmente 
contadas antes de dormir. Ademais, como afirma Rowling, nesses contos, assim como costuma 
acontecer nos contos de fadas, “a virtude é normalmente premiada e o vício castigado”. 
 Nos contos de Beedle, no entanto, a magia nem sempre é tão poderosa quanto se 
pensa: seus personagens, apesar de serem dotados de poderes mágicos, não conseguem 
resolver seus problemas somente com magia. As histórias mostram, desse modo, que, ao 
contrário do que se pensa, a mágica pode tanto resolver quanto causar problemas ou pode 
também não ter efeito nenhum (f).
 Quanto às heroínas do livro, elas são em geral bem diferentes daquelas dos contos 
de fada “tradicionais”, ou seja, ao invés de esperarem por um príncipe que as venham 
salvar, elas enfrentam o próprio destino. No conto “A Fonte da Sorte”, por exemplo, são 
as três bruxas, Asha, Altheda e Amata, que procuram (juntas) a solução para seus próprios 
problemas. Elas buscam amor, esperança e a cura para uma doença na chamada “fonte 
da sorte”. Ao final da estória, elas alcançam aquilo que desejam, muito mais por méritos 
próprios do que pela magia das águas da fonte que, mesmo sem saberem, “não possuíam 
encanto algum” (g). 
 Na verdade, os heróis dos contos não são aqueles com maiores poderes mágicos, 
mas sim aqueles que demonstram bom senso e que agem com gentileza. Um exemplo 
é “O conto dos três irmãos”, em que o irmão mais novo, ao se confrontar com a Morte 
“em pessoa”, não tenta trapaceá-la nem fazer mal a alguém. Desse modo, ao contrário dos 
seus irmãos, ele tem um final feliz, pois “acolheu, então, a Morte como uma velha amiga e 
acompanhou-a de bom grado, e, iguais, partiram desta vida” (g). 
 Para aqueles que sentiam falta de Dumbledore, o poderoso mago Diretor 
de Hogwarts, J. K. Rowling (a) mata um pouco da saudade: no final de cada conto, há 
explicações e comentários do bruxo, os quais foram encontrados após sua morte. Suas 
explanações são bem pertinentes: elas mostram, por exemplo, que no mundo dos bruxos 
existia um preconceito contra os não bruxos (os “trouxas”), a ponto de excluí-los dos contos, 
ou dar-lhes apenas o papel de vilões, e também alertam para o fato de que alguns dos contos 
foram censurados ao longo da história e adaptados para que se tornassem “adequados para 
as crianças”. (g) Isso se assemelha muito àquilo que aconteceu com os contos de fada de 
um modo geral, os quais sofreram mudanças no enredo para que pudessem se adequar 
melhor à escola e ao mundo da criança. No entanto, os contos que nos são apresentados 
no livro são, segundo Dumbledore, os originais, ou seja, são os contos escritos por Beedle 
há muito tempo, sem adaptações (g). Outras questões são trazidas à tona nos contos: 
amor, tolerância, sentimentos e, como se viu, até mesmo a morte. Isso porque as histórias 
mostram como a magia não pode resolver tudo e o quão inútil é lutar contra a morte. Sabe-
se que a mágica não é capaz de restituir o bem mais precioso: a vida (h). 
 Os contos, traduzidos por Hermione Granger das runas, são inéditos, com exceção 
de “O conto dos três irmãos”, uma história contada para Harry, Rony e Hermione no sétimo 
livro da série de aventuras de Harry Potter (no capítulo 21, que leva o mesmo título do 
conto), que tem papel crucial no fim da saga do jovem bruxo (i). 
 Quanto às ilustrações do livro, quem as assina é a própria J. K. Rowling (a), que 
doou parte do lucro obtido com a venda de Os Contos de Beedle, o Bardo para o “Children’s 
High Level Group”, uma organização responsável por ajudar cerca de um quarto de milhão 
de crianças a cada ano (i, j). 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
134
 Em Os Contos de Beedle, o Bardo, sentimo-nos de volta ao “mundo mágico de 
Harry Potter”. Pena que as 103 páginas do livro acabem tão rápido: para o leitor entusiasta 
do mago inglês e acostumado com as suas aventuras narradas ao longo de mais de 700 
páginas fica um gostinho de “quero mais” (d). Depois de Beedle, resta aos fãs da magia de 
Rowling esperar até julho de 2009, quando será lançada a primeira parte do sexto filme 
baseado na saga de Harry Potter, “Harry Potter e o Príncipe Mestiço” (j). 
 No mundo dos livros, no entanto, parece que finalmente (e infelizmente), a saga de 
Potter ganhou seu ponto final (k). Será?
FONTE: <http://cdn3.lendo.org/wp-content/uploads/2009/04/modelo-resenha-critica.pdf>. 
Acesso em: 4 jun. 2016.
AUTOATIVIDADE
Agora é sua vez! Tenha em mãos uma obra, livro/jornal/revista, em que o 
texto que você escolheu para resenhar foi publicado ou a referência bibliográfica. 
Antes de resenhar, você necessita ter claro para quem está escrevendo. Observe 
as informações que seguem com as possíveis características de produção de 
uma resenha, conforme os ensinamentos de Lousada e Abreu-Tardelli (2004):
Autor
Função social do autor
Destinatário real
Imagem que o autor tem que ter de seu destinatário
Tema/objeto
Locais e/ou veículos onde o texto possivelmente circulará
Momento da produção
Objetivo do autor do texto
Aspectos para valorizar o artigo
Restrições em relação ao artigo
Resuma as principais etapas do texto lido, para tanto, inicie escrevendo: O 
artigo de (nome do autor), (...). O objetivo do autor (...). Para isso (...). O artigo 
divide-se em (...). Primeiro (...). No item seguinte (...). Finalmente (...). O autor 
conclui (...).
Feito isso, elabore sua resenha! 
Finalizada, releia seus escritos e verifique se o texto está adequado ao objetivo 
de uma resenha e ao destinatário; se o texto transmite a imagem que você quer 
passar de si mesmo; se as informações que o autor do texto original coloca como 
relevantes são por você abordadas e, ainda, além do conteúdo propriamente dito, 
você ofereceu dados sobre o autor; você expôs o conhecimento do autor em relação 
ao assunto; há uma organização global do texto; há adequação da linguagem 
usada no texto para o público ao qual se dirige; teveuma argumentação polida.
Agora, troque sua resenha com a de um colega e observe se os itens mencionados 
aparecem nos escritos dele e ele fará o mesmo com a sua resenha.
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
135
4 TEXTOS HUMORÍSTICOS
Acadêmico, será que é possível aprender a língua portuguesa através da 
leitura de textos humorísticos? As piadas, as tirinhas humorísticas, as histórias 
em quadrinhos, as charges são bons exemplos desse gênero.
O objetivo desse gênero é fazer uso da graça, ou seja, é utilizado como 
um recurso expressivo, não apenas como um simples meio de comunicação. 
Acerca da temática do uso de diferentes textos nas aulas de português, Simões 
(2009, p. 52) afirma que os
Estudos e pesquisas contemporâneos voltados para o ensino da língua 
portuguesa têm promovido uma integração dialógica entre áreas, com 
vista não só ao aprofundamento da análise do sistema linguístico e de 
sua potencialidade estrutural, mas também à combinação de dados 
extraídos de áreas afins que participam dos processos discursivo-
comunicativos. Estes, por sua vez, emoldurados pelos recursos 
digitais, vêm abrindo novas discussões em relação ao texto e à leitura. 
Essas discussões destacam a relevância da preparação dos sujeitos 
para interagir com múltiplos códigos.
Podemos compreender que diferentes estratégias empregadas para a 
leitura de textos de humor podem ser utilizadas também para a leitura de textos 
de outra natureza. A leitura e o estudo de textos humorísticos nos permitem que 
se explorem o duplo sentido, a ambiguidade provocada pela homonímia, pela 
polissemia e pela paronímia, conforme mostra a tirinha a seguir:
FIGURA 17 - HUMOR 
FONTE:<http://ginasiocoreau.blogspot.com.br/2013/11/ambiguidade-em-generos-textuais-do.html>. 
Acesso em: 19 jun. 2016.
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
136
AUTOATIVIDADE
Esse assunto foi abordado na avaliação do ENADE em 2014. Reflita 
sobre essa temática respondendo à Questão 13 do ENADE/2014 - Letras:
FONTE: <http://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/provas/2014/30_letras_
portugues_licenciatura.pdf>. Acesso em: 15 ago. 2016.
Assim, a melhor maneira de se aprender uma língua é pelo seu uso, 
seja falando, ouvindo, lendo ou escrevendo. Então, respondendo nosso 
questionamento inicial, é possível aprender português por meio da leitura de 
textos de humor. Acreditamos que os textos de humor oferecem material sobre o 
uso da língua portuguesa. A língua é uma fonte de recursos expressivos, e estes 
últimos podem ser empregados em diversas situações. 
Dessa maneira, permita que seus alunos tenham acesso aos mais variados 
gêneros textuais, incluindo os textos humorísticos.
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
137
4.1 HISTÓRIAS EM QUADRINHOS
As histórias em quadrinhos, ou também conhecidas como HQs, são 
associadas à narração, pois apresentam texto e imagem que estabelecem uma 
ideia de complementaridade. Esse gênero popular entre crianças e adolescentes, 
por muito tempo, era visto como um “subgênero”. Portanto, as HQs ganharam 
espaço, demonstrando que grandes histórias podem ser contadas através da arte 
sequencial. Acevedo (1990, p. 33) postula que os
[...] quadrinhos são uma sequência. O que faz do bloco de imagens 
uma série é o fato de que cada quadro ganha sentido apenas depois de 
visto o anterior; a ação contínua estabelece a ligação entre as diferentes 
figuras. Existem cortes de tempo e espaço, mas estão ligados a uma 
rede de ação logicamente coerente.
Nos quadrinhos podemos observar a utilização de dois códigos: o 
linguístico e o das imagens. Elementos importantes para que nossos alunos 
tenham uma interpretação e compreensão plena das HQs e de outros gêneros. 
Os balões que apresentam a fala das personagens também são elementos 
importantes nas HQs. No entanto, uma personagem pode estar cochichando, 
chorando, sonhando, pensando, gritando e muito mais, não é mesmo? 
Assim, para que o leitor entenda melhor o que está acontecendo nas HQs, 
há um balão de acordo com cada caso, que objetiva deixar a história com mais 
vida e clareza. Observe os principais balões de diálogo:
FIGURA 18 – TIPOS DE BALÕES
FONTE: <http://www.eraumavezbrasil.com.br/voce-sabia-que-existem-diversos-tipos-de-
baloes/>. Acesso em: 19 jun. 2016.
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
138
A primeira história em quadrinhos de que se tem notícia no mundo foi 
criada pelo artista americano Richard Outcault, em 1895. A linguagem das HQs, tal qual 
conhecemos hoje, com personagens fixos, ações fragmentadas e diálogos dispostos em 
balõezinhos de texto, foi inaugurada nos jornais de Nova York com uma tirinha de Outcault, 
chamada The Yellow Kid, e fez tanto sucesso que acabou sendo disputada por jornais de 
renome. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/historia-historia-
quadrinhos.htm>. Acesso em: 19 jun. 2016.
FONTE: <http://www.tvsinopse.kinghost.net/art/y/yellow-kid_arquivos/yellow1995.jpg>. Acesso 
em: 19 jun. 2016.
NOTA
Podemos citar como principais escritores brasileiros de histórias em quadrinhos: 
Ângelo Agostini, um italiano radicado no Brasil, que criou os quadrinhos As Aventuras de 
Nhô Quim. J. Carlos e Luiz Sá criaram a revista Tico-Tico. Vitor Civita foi o primeiro escritor 
brasileiro a publicar as versões das histórias da Disney. Flavio Colin estreou uma das mais 
duradouras revistas em quadrinhos totalmente produzidas no Brasil: As Aventuras do Anjo. 
Gedeone Malagola criou o primeiro super-herói das revistas em quadrinhos do Brasil: o 
Capitão 7. Ziraldo criou a Turma do Pererê. Uma de suas obras mais famosas foi Menino 
Maluquinho. Mauricio de Sousa é um dos mais famosos cartunistas, criador do cachorrinho 
Bidu, Mônica, Cebolinha, Chico Bento, Cascão, Magali, Pelezinho.
 
FONTE: <http://todacrianaespecial.blogspot.com.br/2012/03/os-principais-autores-brasileiros-
-das.html>. Acesso em: 19 jun. 2016.
NOTA
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
139
4.2 ANEDOTAS
As anedotas são um gênero que proporciona o entretenimento ao receptor 
e/ou leitor. Em outras palavras, a anedota é um relato breve de um acontecimento 
curioso ou divertido e, muitas vezes, baseado em fatos reais (POSSENTI, 1998). 
Os gêneros humorísticos, dentre eles as anedotas, segundo Possenti (1998, 
p. 60), podem
[...] argumentar que um texto impõe a seus leitores uma leitura única, 
sob pena de não entenderem sua razão de ser, não é a mesma coisa que 
dizer que o leitor é um receptor passivo de um texto, diante do qual só 
lhe resta a mera decodificação, isto é, o agenciamento puro e simples 
de seu conhecimento linguístico (POSSENTI, 1998, p. 60).
A anedota carrega a característica de despistar o leitor, “brincando”, de 
certa maneira, com os possíveis efeitos de sentido que ela pode adquirir, levando 
o leitor e/ou ouvinte a construir diversas interpretações, para que, ao final do 
texto, apenas um sentido seja levado em conta para que a anedota produza a 
“graça” que esse gênero requer (POSSENTI, 1998).
Apesar de as anedotas serem carregadas de humor, elas não são piadas, 
isto é, além de divertir, elas podem expressar uma realidade e até evidenciar uma 
característica de uma pessoa. 
Martins e Medeiros (2008, p.1) postulam que 
Uma anedota é como um fósforo: riscado, deflagrada, foi-se a serventia. 
A anedota é a repetição do enunciado e do enunciador, do leitor e 
da leitura, do autor e do artista, do significante e do significado, da 
sintática e da semântica. Todos estes territórios podem, ou não, se 
repetir na anedota — assim como a repetição, neste texto, da frase de 
Guimarães Rosa. A anedota é a falência do ser enquanto indivíduo (ser 
indivisível) e o início do divíduo (aquele que se divide).
Aprecie algumas anedotas e tire suas próprias conclusões:
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
140
FIGURA 19 - ANEDOTA
FONTE: <https://www.pinterest.com/boutiquedoslavo/anedotas/>. Acesso em: 20 jun. 2016.
FIGURA 20 - ANEDOTA
FONTE: <http://casegas.blogspot.com.br/2006/08/anedotahomenagem-aos-senhores-dos.html>. Acesso em: 20 jun. 2016.
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
141
5 TEXTOS PUBLICITÁRIOS
Você já ouviu falar na expressão “a propaganda é a alma do negócio”? Se 
sim, já sabe do que se trata esta seção. Os textos publicitários são desenvolvidos 
para campanhas de publicidade, e podem ser escritos (anúncios, panfletos, 
flyers) ou veiculados oralmente (propagandas de rádio). Por mais que não nos 
demos conta, os textos publicitários são mais presentes em nossa vida do que 
imaginamos e aparecem por toda parte. Comece a observar ao seu redor: quantos 
textos publicitários você vê/ouve todos os dias? 
De acordo com Sant’Anna (1998, p. 75):
A palavra publicidade significa, genericamente, divulgar, tornar 
público, e propaganda compreende a ideia de implantar, de incluir 
uma ideia, uma crença na mente alheia. Comercialmente falando, 
anunciar visa promover vendas e para vender é necessário, na maior 
parte dos casos, implantar na mente da massa uma ideia sobre o 
produto. Todavia, em virtude da origem eclesiástica da palavra, 
muitos preferem usar publicidade, ao invés de propaganda; contudo, 
hoje, ambas as palavras são usadas indistintamente.
A principal finalidade do texto publicitário é, portanto, persuadir o leitor/
ouvinte a adquirir determinado produto ou serviço (por isso a apelação é tão 
comum) ou ainda fazer com que se sensibilize acerca de alguma campanha, seja 
ela privada ou pública. O texto publicitário está presente em cartazes, conforme 
veremos a seguir, e necessita de algumas regras para ser elaborado. Observe:
Texto persuasivo com verbos em geral no imperativo (função apelativa da 
linguagem) e linguagem simples.
FIGURA 21 - DENGUE
FONTE: <portaldoprofessor.mec.gov.br>. Acesso em: 16 jul. 2016.
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
142
O texto que compõe o anúncio é cartaz (adiante veremos com mais 
propriedade), é curto para que o leitor possa lê-lo rapidamente. Há nele verbos 
no imperativo acessíveis a todos, ou seja, não há complexidade na mensagem. 
Os verbos estão no singular (não deixe, cubra) e têm certa apelação, pois todos 
querem que seu verão seja divertido. 
Conotação humorística ou impactante, dependendo do objetivo. 
FIGURA 22 - PROPAGANDA DE CHOCOLATE
FONTE: Disponível em: <brunakelly2012.blogspot.com>. Acesso em: 6 jul. 2016.
Neste caso, há um texto publicitário de cunho humorístico, cujo objetivo 
é divertir o leitor e convencê-lo de que o chocolate é uma boa solução para o mau 
humor. O uso da contração “Tá” também atribui informalidade ao texto, o que é 
muito comum na publicidade, principalmente quando é veiculada a jovens, como 
é o caso (um dos indícios do público-alvo é que o texto fala em namorado). 
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
143
O publicitário é o profissional responsável por desenvolver o texto e montar o 
anúncio ou cartaz. Não é necessariamente o publicitário que os vincula na mídia.
IMPORTANT
E
O texto publicitário, por ser de alta circulação na sociedade, também é muito 
utilizado para a conscientização do público acerca de problemas da sociedade. 
Neste caso, a linguagem utilizada não busca vender uma ideia, mas sim estimular 
os leitores a mudarem de atitude. Observe o texto publicitário a seguir: 
FIGURA 23 - CARTAZ
FONTE: <uflaconsciente.ufla.br>. Acesso em: 8 jul. 2016. 
Este texto foi desenvolvido com o intuito de despertar a consciência para 
a economia de água. A palavra água, em destaque, já dá ideia geral ao leitor sobre 
o que se trata. Em seguida, há as demais informações, que buscam convencer o 
leitor a juntar-se aos demais e fazer acontecer. 
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
144
5.1 O ANÚNCIO E O CARTAZ PUBLICITÁRIO
O anúncio publicitário e o cartaz são veículos de comunicação nos quais o 
texto publicitário é empregado. Ambos são muito parecidos, porém, o anúncio pode 
ser, além de visual, também veiculado através da oralidade, como os anúncios de 
rádio, por exemplo. Tanto anúncios quanto cartazes publicitários visam convencer, 
portanto são bastante chamativos e atraentes. 
Em um anúncio de rádio, por exemplo, é comum o locutor anunciar 
acompanhado de um jingle (música específica criada para divulgar um produto) 
e o tom de voz é sempre de muita animação. Os cartazes sempre são coloridos e 
geralmente trazem imagens impactantes ou divertidas, dependendo da intenção 
da publicidade. 
Observe o cartaz a seguir: 
FIGURA 24 - CARTAZ SOBRE A DENGUE
FONTE: <https://www.todamateria.com.br/o-cartaz-como-genero-textual/>.
Acesso em: 21 ago. 2016.
Este cartaz tem por objetivo conscientizar a população acerca do controle 
da dengue e, para isso, utilizou-se de uma conotação humorística. Há, no cartaz, 
informações verídicas, como, “ele já matou muita gente e pode estar solto pelas 
ruas”, mas há também uso de linguagem figurada, como a imagem do mosquito 
como um fugitivo perigoso procurado pela polícia. A ênfase maior é na imagem, 
que, por si só, já atinge seu objetivo. Agora, observe o outro cartaz: 
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
145
FIGURA 25 - CARTAZ SOBRE DENGUE HEMORRÁGICA 
FONTE: <jconline.ne10.uol.com.br>. Acesso em: 21 ago. 2016.
Neste cartaz, a intenção é a mesma: conscientizar acerca dos cuidados 
para prevenir a proliferação do mosquito da dengue, mas aqui, ao invés de 
humorístico, o conteúdo é impactante. As imagens, embora fictícias, retratam 
como ocorre a morte pela dengue hemorrágica, de modo a causar no leitor um 
impacto visual que o faça pensar melhor sobre os cuidados a serem tomados 
com o acúmulo indevido da água. A linguagem aqui é mais séria, sem uso de 
metáforas. Há maior ênfase no texto, que visa promover o alerta.
A estrutura do anúncio publicitário, de acordo com Maingueneau (2005), é 
composta por título, imagem, corpo do texto e identificação da marca/produto. O 
título deve ser conciso e despertar o interesse de quem observa o anúncio. A imagem 
é cuidadosamente escolhida a fim de complementar o texto. Muitas vezes, o texto é 
que complementa a imagem, como é o caso do primeiro exemplo do cartaz acerca da 
dengue. O corpo do texto é o que o publicitário deseja dizer para convencer o leitor. 
Deve ser breve e preciso. O público-alvo deve ser observado para que a linguagem 
seja adequada. A identificação da marca ou do produto deve ser colocada no anúncio 
para que o leitor saiba do que se trata. Vamos exercitar?
AUTOATIVIDADE
Localize no cartaz publicitário a seguir o título, a imagem, o corpo do texto e 
a identificação da marca/produto. Observe também quem é o público-alvo do cartaz 
publicitário e encontre no texto indícios. Faça suas anotações no próprio cartaz.
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
146
FIGURA 26 - PROPAGANDA DE OMO
FONTE: <https://frasesdavida.wordpress.com/2012/09/07/omo-recruta-familias-pelo-
facebook/>. Acesso em: 21 ago. 2016.
Há também cartazes cuja função é apenas informar. Neste caso, a função 
de linguagem utilizada passa de apelativa a apenas informativa. Veja: 
FIGURA 27 - CASA DE MOISÉS 
FONTE: <www.aquiemaguaslindas.com.br>. Acesso em: 16 jul. 2016. 
Este cartaz traz informações acerca de um bazar que será realizado. Nele, 
há informações relevantes para que os interessados possam comparecer ao bazar, 
caso seja de seu interesse. 
TÓPICO 2 | CARACTERÍSTICAS LINGUÍSTICAS 
147
AUTOATIVIDADE
Agora que você já conhece um anúncio e um cartaz publicitário, é com 
você! Crie um cartaz seguindo os seguintes passos: 1) Escolha o tema; 2) Crie 
o título e o corpo do texto; 3) Selecione uma imagem; 4) Trabalhe a colocação 
da imagem e do texto no cartaz para que chame a atenção. Depois, organizem 
uma exposição em sua turma!
148
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• Os textos jornalísticos também são conhecidos como matérias, pois têm caráter 
informativo.
• As informações em um texto jornalístico são, geralmente, apresentadas de 
acordo com a relevância da informação para o momento ou para informar 
algum acontecimento recente. 
• Caracterizam-secomo textos jornalísticos a notícia, o artigo de opinião, a 
reportagem e a entrevista. 
• A notícia é o mais conhecido dos gêneros textuais relacionados ao jornalismo. 
• A notícia é estruturada em partes específicas: manchete, título auxiliar, lide 
(também chamado de lead) e corpo da notícia. 
• Diferente da reportagem e da notícia, o artigo de opinião é escrito sempre em 
primeira pessoa, já que o autor expõe seu posicionamento diante do tema que 
está sendo debatido. 
• Para que a estrutura da reportagem seja formada, é necessário responder a 
algumas perguntas básicas: O que, quem, quando, como e por quê. A partir 
destas questões, estrutura-se o corpo da reportagem. 
• A entrevista possui um título bem definido (chamado também de manchete). 
Em seguida, são apresentadas ao leitor as perguntas e as respostas, que são 
redigidas fielmente ao que foi respondido. As entrevistas (ou parte delas) são 
muito usadas nas reportagens.
• Resumir é o ato de ler, analisar e traçar em poucas linhas o que de fato é 
essencial e mais importante no texto. 
• Fazer um resumo significa apresentar o conteúdo de forma sintética, destacando 
as informações essenciais do conteúdo de um livro, artigo, argumento de filme, 
peça teatral, entre outros.
• A resenha é um texto em forma de síntese que expressa a opinião do autor 
sobre um fato, que pode ser um livro, um filme, peças teatrais, exposições, 
shows, entre outros.
• As histórias em quadrinhos, ou também conhecidas como HQs, são associadas 
à narração, pois apresentam texto e imagem que estabelecem uma ideia de 
complementaridade.
• O texto publicitário, por ser de alta circulação na sociedade, também é muito 
utilizado para a conscientização do público acerca de problemas da sociedade. 
149
AUTOATIVIDADE
1 Disponibilizamos alguns materiais que, adaptados, podem ser utilizados 
em sala de aula para diferentes atividades com gêneros. 
- História em quadrinhos:
Que tal exercitar a mente pensando? Vamos fazer uma interpretação de 
história em quadrinhos com o tema: O Vendedor.
I- Observe os dois primeiros quadros da tirinha. Podemos perceber que o 
menino:
a) aceita logo a oferta do homem.
b) discute o preço das balas com o homem.
c) negocia o preço da sua mercadoria.
d) oferece a sua mercadoria aos gritos.
II- tirinha utiliza um recurso para apresentar a fala dos personagens. Este 
recurso é:
a) o gesto.
b) a cor.
c) o tipo de letra.
d) o balão.
III- Se analisarmos com mais atenção a fala do menino, no último quadro da 
tirinha, ela sugere:
a) aborrecimento.
b) bondade.
c) preconceito.
d) inveja.
FONTE: <http://www.educarx.com/2013/09/interpretacao-de-historia-em-quadrinhos.html>. 
Acesso em 21 jun. 2016.
150
IV- No segundo quadro da tirinha, a fala do menino é marcada com um duplo 
ponto de exclamação. Isso reforça:
a) a irritação com o trabalho.
b) o desinteresse pela venda.
c) o apelo para vender.
d) a pressa em vender.
V- Na fala em que o menino diz: “Não trabalho com pedestre”, o termo 
destacado refere-se a pessoas que:
a) andam de ônibus.
b) caminham a pé.
c) passeiam de bicicleta.
d) viajam de carro.
2 Leia a tirinha da Mafalda, criação do cartunista argentino 
Quino, muito conhecida por suas opiniões ácidas e críticas 
sobre os mais variados assuntos, e assinale a alternativa que 
melhor expresse o efeito de humor:
a) O discurso de Susanita é responsável pelo efeito de humor, já que o tema 
feminismo é tratado de maneira engraçada e, de forma irônica, denotando 
certo machismo por parte do autor da tirinha.
b) A amiga Mafalda em todos os quadrinhos opõe-se ao discurso da amiga 
Susanita e, por meio de suas feições, percebe-se que ela não está nada contente.
c) A linguagem verbal não auxiliou muito para o entendimento da tirinha, pois 
todo efeito de humor está expresso na linguagem não verbal por meio da 
expressão exibida por Mafalda, especialmente, no último quadrinho.
d) Susanita expressa um discurso de acordo com as teorias feministas que 
preconizam pela libertação das práticas tradicionalmente atribuídas à 
mulher. Contudo, no último quadrinho, ela defende o uso de uma tecnologia 
que reforça os padrões tradicionais que vivemos.
FONTE: <http://exercicios.mundoeducacao.bol.uol.com.br/exercicios-redacao/exercicios-
sobre-interpretacao-charges-tirinhas.htm>. Acesso em: 19 jun. 2016.
151
TÓPICO 3
OS GÊNEROS DA ESFERA COMERCIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Uma boa leitura e escrita são elementos essenciais em qualquer área 
de atuação. Saber interpretar diferentes gêneros textuais, compreender suas 
diferentes linguagens, fazer inferências estabelecendo relações, são competências 
básicas para que o conhecimento e a progressão no seu dia a dia aconteçam de 
maneira plena.
Nesse sentido, o ato da leitura e da escrita engloba muito mais do que 
saber fazê-lo em um determinado campo ou área de atuação. A compreensão 
global desses dois elementos depende principalmente do conhecimento anterior 
que você tem sobre os assuntos, isto é, o quanto você é familiar às diferentes 
temáticas apresentadas na sociedade, na universidade, no seu trabalho, enfim, 
nas diversas esferas que se vive e convive. 
Bakhtin (1988, p. 71) explica que os gêneros “[...] são tipos de enunciados 
relativamente estáveis e normativos, que se constituem historicamente, elaborados 
pelas esferas de utilização da língua”. Nesta linha de raciocínio, compreendemos 
que esses enunciados estão ligados às diferentes situações sociais que constituem 
outros gêneros com particularidades próprias. 
Assim, a leitura, a compreensão e a interpretação, aliadas à escrita, 
ampliam o conhecimento linguístico e textual. De acordo com os dizeres de 
Geraldi (2001), torna-se essencial no dia a dia de qualquer indivíduo a execução 
perfeita de tarefas, como produzir esquemas, sínteses, criar roteiros, responder 
e-mails com clareza, interpretar e redigir ofícios, entre outros. 
Diante dessa reflexão, continue atento na hora da leitura e da escrita de um 
texto, pois saber escrever, ler e, ainda, compreender e contribuir com as diversas 
temáticas que vivemos e convivemos no nosso cotidiano, é um diferencial positivo 
para qualquer área de atuação.
Convidamos você a ler e aprender mais sobre esse assunto. Você 
aprenderá a escritura de documentos importantes e perceberá como cada um tem 
particularidades na sua forma, conteúdo e linguagem.
152
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
2 E-MAIL
O correio eletrônico, ou simplesmente o e-mail, é uma das principais, 
senão a principal, ferramenta de comunicação utilizada pelas instituições e 
pelas pessoas, tanto formalmente como informalmente, para o envio de avisos, 
documentos, recados. Tal preferência pode ter advindo pelo seu baixo custo ou 
pela sua celeridade.
FIGURA 28 - O E-MAIL
FONTE: <http://www.uhull.com.br/07/26/o-e-mail-transformou-o-mundo/>. Acesso em: 2 jul. 2016.
O principal encanto desse tipo de comunicação é sua flexibilidade, 
pois, a princípio, não há muitas regras para sua composição. Porém, como essa 
ferramenta chegou às áreas mais formais, às instituições, devemos evitar, por 
exemplo, o uso de uma linguagem incompatível com a comunicação oficial.
Dessa maneira, tanto no mundo corporativo, quanto em nossa vida 
pessoal, é importante que saibamos redigir um texto de e-mail da maneira correta 
e adequada à situação da comunicação.
A seguir, você poderá compreender melhor do que estamos falando. 
Além de dicas de uma boa escritura, sem os exageros da formalidade e o descaso 
da informalidade, você poderá visualizar exemplos dessa ferramenta.
TÓPICO 3 | OS GÊNEROS DA ESFERA COMERCIAL
153
2.1 LINGUAGEM E SUGESTÕES PARA A ELABORAÇÃO DE 
UM E-MAIL
Os fatores mais importantes para a boa escritura de um e-mail são a 
concisão, a clareza e o português correto. Quem lê um e-mail bem escrito sente, no 
mínimo, a necessidade de respondê-lo o mais breve possível.
Tanto no âmbito pessoal como profissional, é importante saber como 
redigir um e-mail, pois, muitas vezes, necessitamosenviar mensagens para uma 
empresa, para a instituição de ensino em que estudamos, situações em que não 
podemos utilizar qualquer tipo de linguagem. 
Não há uma receita para que a escrita de um e-mail seja perfeita, pois ela 
dependerá dos níveis de conhecimento e de cultura de cada um. No entanto, 
podemos prestar atenção nas dicas descritas a seguir e tentar exercitar tal prática. 
Inicialmente, pense acerca da escolha de um endereço de e-mail. Parece 
bobagem, não é? Contudo, um endereço de e-mail neutro, sem ambiguidade, 
apelidos, números ou frases é um bom começo. Opte pelo uso de seu nome 
verdadeiro, com ou sem sobrenome ou pelas letras iniciais que compõem seu 
nome e/ou sobrenome. 
O assunto do e-mail deve ser uma síntese do texto, então torne-o descritivo. 
Observe alguns exemplos: é muito vago escrever no item assunto: “Convite”; 
transforme-o em descritivo: “Convite para inauguração de filial” (GOLD, 2005).
Você pode iniciar o seu e-mail citando o nome do destinatário ou um vocativo. 
Se você achar necessário, use títulos formais como: Sr., Sra. Utilizar o “Olá” é aceitável 
quando você não sabe o nome da pessoa para quem você está escrevendo, pois o 
e-mail torna-se pessoal. Quando for o caso, é importante que você se apresente já 
no primeiro parágrafo e, se não houver necessidade, inicie escrevendo o assunto 
principal. Isso inclui dizer por que motivo você está escrevendo. Por exemplo: “O 
Meu nome é Maria. Estou entrando em contato para…”.
Realizada esta parte inicial, redija o e-mail com atenção. Utilize palavras 
educadas quando perguntar alguma coisa ou solicitar algo. Por exemplo: para pedir 
que alguém envie um formulário, escreva “gentileza encaminhar o formulário...” 
ou “por favor, encaminhe o formulário”. Nunca escreva diretamente: “encaminhe 
o formulário”. Demonstre polidez.
No corpo do e-mail escreva as informações que quer passar ao interlocutor 
ou resposta a e-mail anterior. Lembre-se de que, na escrita, o uso de clareza, da 
concisão, da objetividade e da correção gramatical necessita de atenção. Inicie a 
escrita de e-mail pela informação mais importante. É interessante restringir-se a 
uma tela e/ou página (GOLD, 2005).
154
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
O uso das gírias necessita ser evitado, pois elas podem gerar 
constrangimento. A linguagem utilizada precisa estar clara e de fácil entendimento. 
Dessa maneira, verifique a ortografia e a gramática.
Utilize termos formais e coerentes com o vocativo para o fechamento de 
sua mensagem, como “atenciosamente”, se o vocativo for “prezado”. Não esqueça 
de assinar sua mensagem com o seu nome completo, cargo, empresa e telefone, 
ou assine apenas seu nome completo e, caso ache necessário, seus telefones para 
contato (GOLD, 2005).
Se você enviar documentos anexos ao e-mail, informe no corpo da 
mensagem, não esqueça de nomear adequadamente tais anexos.
Você acredita que concluiu? Nada disso, revise tudo novamente e procure 
por erros escondidos, observando se a mensagem que pretende transmitir está 
realmente clara. Se achar necessário, você pode solicitar a confirmação de leitura, 
pois além de útil, você pode aguardar a resposta sem aflições.
Apresentamos a seguir três exemplos de e-mail, sobre o mesmo assunto. 
Observe, segundo Gold (2005), como a informalidade sofre ligeiras modificações 
de acordo com a situação e com a cultura interna da empresa e/ou instituição:
Exemplo 1:
De: Teresa
Para: Eric Chaves, Alberto Cotrim
Assunto: Reunião
Turma,
Vocês não podem se atrasar pra reunião de quinta-feira, às 14. Temos 
vários assuntos 
para analisar. Tragam esses assuntos já estudados, OK?
Até, 
Teresa
Exemplo 2:
De: Teresa
Para: Eric Chaves, Alberto Cotrim
Assunto: Reunião
Pessoal,
Estou confirmando nossa reunião de quinta-feira, às 14 horas. Não se 
atrasem, pois temos vários assuntos para analisar. Vocês estão sabendo que 
as conclusões deverão ser apresentadas à diretoria na segunda-feira, portanto, 
tragam já os assuntos estudados.
Um abraço, 
Teresa
TÓPICO 3 | OS GÊNEROS DA ESFERA COMERCIAL
155
Exemplo 3:
De: Teresa
Para: Eric Chaves, Alberto Cotrim
Assunto: Reunião
Equipe, 
Estou confirmando a reunião da próxima quinta-feira, às 14 horas. Solicito 
que não se atrasem, pois temos vários assuntos para analisar. Como as conclusões 
serão apresentadas à diretoria na próxima segunda-feira, tragam os assuntos 
devidamente 
estudados.
Atenciosamente,
Teresa Cunha
Diretora do setor I
(47) 33840000 ramal 123
De acordo com os exemplos apresentados, a padronização estética 
se mantém, bem como a estrutura da mensagem, com apresentação inicial, 
desenvolvimento e fecho. A linguagem e o grau de formalidade são determinados 
pelo conteúdo e também pelo destinatário. No Exemplo 1, o e-mail assume o papel 
de bilhete ou de contato telefônico, sua linguagem tem um grau de informalidade, 
aproximando-se da fala. O Exemplo 2, apesar de apresentar uma mensagem mais 
formalizada, utiliza uma linguagem que expõe certa rapidez de envio do contato, 
inclusive na maneira do cumprimento e da despedida. Quando o e-mail funciona 
como comunicação interna formal, verificamos um cuidado maior no planejamento 
textual das ideias e na gramática, conforme o Exemplo 3 (GOLD, 2005). 
Nas autoatividades, você reescreverá alguns e-mails ditos confusos, aplicando 
os conhecimentos aprendidos nesta parte do caderno de estudos acerca de uma boa 
escritura das correspondências eletrônicas. Contudo, antes disso, vamos lembrar alguns 
elementos importantes segundo os ensinamentos de Gold (2005). Acompanhe:
• Escolha um endereço eletrônico neutro;
• Escolha uma síntese para o assunto do e-mail;
• Inicie o e-mail escrevendo sobre o assunto principal;
• No corpo do e-mail, escreva as informações que deseja passar ao interlocutor ou resposta 
do e-mail anterior;
• Na despedida, utilize termos formais;
Assine sua mensagem e, se necessário, destaque seu cargo e/ou contato.
IMPORTANT
E
156
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
3 OFÍCIO
O ofício é uma comunicação escrita, formal, utilizada no serviço público e 
também no privado, trocada entre autoridades que exercem as mesmas funções 
ou entre funcionários com cargos inferiores, para seus superiores hierárquicos, 
com o propósito de fazer uma comunicação, solicitação e/ou reivindicação oficial. 
Os ofícios podem ser feitos para pedir alguma coisa para uma autoridade 
ou para uma troca de informações administrativas, solicitações, agradecimentos, 
ordem, entre outros.
Segundo Flores (2002, p. 19), o ofício tem como função "o tratamento de 
assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e por estes órgãos 
com particularidades”.
Dessa maneira, sendo ele uma correspondência oficial, é constituído por 
regras e sua linguagem é a formal. O ofício pode ser utilizado por associações, 
clubes e, também, como correspondência protocolar. Neste sentido, é muito 
importante prestarmos atenção ao tratamento exigido para cada cargo, já que ele 
é enviado para autoridades.
DICAS
Que tal relembrarmos os pronomes de tratamento? Acesse o site: <http://www.
soportugues.com.br/secoes/morf/morf46.php> e relembre-os. Ou, se você preferir, acesse o 
site <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm> e confira as orientações do 
Manual de Redação da Presidência da República.
3.1 ELABORAÇÃO E MODELO
Um dos pressupostos da utilização do ofício é a uniformização da 
comunicação. Nesse sentido, quando uma organização privada ou pública for 
redigir um ofício, necessita atentar para a padronização da estrutura. Seguindo 
uma estrutura padronizada, é possível comunicar mais rápido, além de facilitar o 
trabalho no caso de arquivamento para usos futuros.
Apresentamos a seguir algumas partes fundamentais de um ofício:
TÓPICO 3 | OS GÊNEROS DA ESFERA COMERCIAL
157
1- Timbre (se houver) 
2- Três espaços duplos 
3- (À esquerda) Número do ofício. (Na mesma linha, na posição centro-direita) 
Local e data 
4- Um espaço duplo 
5- Epígrafe 
6- Dois espaçosduplos 
7- Vocativo (Prezados Senhores, Excelentíssimo Senhor Ministro,) 
8- Três espaços duplos 
9- Corpo do texto 
10- Dois espaços duplos 
11- Fecho 
12- Três espaços duplos 
13- Assinatura acima do nome, abaixo do qual aparece o cargo ou função 
14- (Mais abaixo, à esquerda) Endereçamento: nome e cargo ou apenas o cargo 
do 
 destinatário, endereço postal completo 
15- Iniciais de quem redigiu e de quem digitou, separadas por barra (/). 
Agora, vamos pontuar algumas observações pertinentes à elaboração 
de um ofício:
O timbre existe quando o papel utilizado pertence à repartição oficial 
ou a uma empresa. Em se tratando de pessoa física, geralmente não aparece. 
Ele está no alto da folha e deve conter o símbolo do órgão, o nome do órgão e 
do setor, o endereço para correspondência, o telefone, o fax e o e-mail. 
O ofício é numerado quando o remetente é uma pessoa jurídica. 
Normalmente, pessoas físicas não costumam numerar correspondência. O 
número é de ordem e geralmente recomeça do 1 a cada ano civil.
O vocativo é sempre seguido de vírgula. Ele é o nome e o cargo da 
pessoa a quem é dirigida a comunicação, com alinhamento à esquerda.
A epígrafe é uma palavra ou uma expressão que resume o assunto 
de que o texto trata. Sua existência não é obrigatória, mas conveniente, pois, 
constando, agiliza a tramitação do documento no ambiente de destino: o 
recebedor, ao ver a epígrafe, poderá encaminhar de imediato o ofício ao setor 
competente. Ela costuma ser colocada à esquerda, entre a data e o vocativo.
Os parágrafos do corpo do texto podem ser numerados. Neste caso, o 
primeiro parágrafo e o que fecha o assunto do ofício não recebem número.
Modernamente, o fechamento é menos formal e mais conciso. 
158
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
Se houver anexos, será indicado com um número (Anexo: 1) entre a 
assinatura e o endereçamento. Às vezes, o anexo é volume composto de diversas 
folhas, o que é indicado pelo número de volumes e o total de folhas de que se 
compõem: Anexos: 1/10.
Se for utilizada mais de uma folha na redação do ofício, o endereço será 
indicado apenas na primeira.
FONTE: Adaptado de: FERNANDES, Paulo. Dicas de Português. Dica de no 82, 2002. <http://www.
paulohernandes.pro.br/dicas/001/dica082.html>. Acesso em: 3 jul. 2016.
DICAS
Visualize um exemplo de ofício:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RADIOEXPECIONÁRIOS (ABRA)
Of. n.º 15/02
Brasília (DF), 25 de março de 2002.
Ref.: Expedição à ilha da Coroa Vermelha
Excelentíssimo Senhor Comandante,
 Tendo em vista que nossa associação pretende realizar expedição radioamadorística 
à ilha da Coroa Vermelha, da jurisdição desse distrito naval, solicitamos-lhe a especial 
fineza de autorizar nosso desembarque e permanência naquela ilha. Seguem os dados do 
empreendimento:
· Período: de 17 a 19 de maio de 2002 
· Número de operadores: três 
· Transporte: traineira "Teixeira de Freitas", baseada no porto de Caravelas (BA) 
· Estações a serem instaladas: duas 
· Abrigo: 
- das estações - Barraca militar cedida pelo Comando Militar do Planalto, do Exército 
Brasileiro. 
- dos operadores - Três barracas do tipo canadense.
2. Informamos-lhe ainda que os indicativos de chamada das estações já foram requeridos 
junto à ANATEL. Estamos a seu dispor para mais informações, se necessário.
3. Na expectativa de resposta favorável, subscrevemo-nos
Atenciosamente,
PAULO ANTONIO OUTEIRO HERNANDES
Secretário
Ex.mo Sr. Vice-Almirante 
JOSÉ DA SILVA PEREIRA 
DD. Comandante do 2º Distrito Naval 
Rua Conceição da Praia, 335 
40015-250 - Salvador (BA)
FONTE: <http://www.paulohernandes.pro.br/dicas/001/dica082.html >. Acesso em: 3 jul. 
2016.
TÓPICO 3 | OS GÊNEROS DA ESFERA COMERCIAL
159
4 CARTA COMERCIAL
A carta comercial, apesar de ser substituída por muitas instituições pelo 
e-mail, é um documento muito comum no comércio, setor bancário, na indústria, 
setor de serviços, entre outros segmentos. Ela é um documento com o objetivo de 
se fazer uma comunicação comercial e/ou empresarial.
No que se refere ao conteúdo, ela pode ser definida por distintas intenções, 
como o agradecimento por um serviço prestado, a solicitação de um determinado 
orçamento, a cobrança na melhoria de algum serviço prestado, a cobrança 
financeira, entre outras.
 
 A redação comercial tem como características a clareza, ou seja, o texto, 
além de ser claro, necessita ser objetivo, evitando múltiplas interpretações, o 
que prejudica os comunicados e negócios. A estética da carta comercial tem o 
propósito de boa impressão, o texto deve estar bem organizado e dentro de uma 
estrutura padrão. Não pode haver rasuras.
A linguagem necessita estar concisa e objetiva, pois as informações 
precisam ser repassadas sem usufruir de recursos estilísticos. Na carta, você 
precisa ser impessoal, ou seja, não faça uso da subjetividade e de sentimentalismo. 
Por fim, observe a norma culta da língua. Nesse sentido, é importante que haja 
correção, pois um possível equívoco pode gerar desentendimento entre as partes 
e possíveis prejuízos.
Uma carta comercial necessita de uma estrutura padrão, assim, o papel 
utilizado deve ter o timbre e/ou cabeçalho, com informações como nome, 
endereço, logotipo da empresa. Isso, normalmente, já vem impresso.
O nome da localidade e data é colocado à esquerda e abaixo do timbre. 
Utilize a vírgula depois do nome da cidade. O mês deve vir em letra minúscula, o 
ano dever estar logo em seguida, sem ponto ou espaço. Use ponto final após a data.
Escreva o nome e o endereço do destinatário à esquerda e abaixo da 
localidade e data. Coloque um vocativo impessoal: Prezado(s) Senhor(es), Caro 
Cliente, Senhor Diretor, Senhor Gerente etc. Inicie o texto fazendo referência 
ao assunto, tais como: “Com relação a...”, “Em atenção à carta enviada..”, “Em 
atenção ao anúncio publicado...”, “Atendendo à solicitação...”, “Em cumprimento 
a...”, “Com relação ao pedido...”, “Solicito que...”, “Confirmamos o recebimento”, 
entre outras.
Você pode fazer abreviações do pronome de tratamento ao referir-se ao 
destinatário: V.S.ª; V. Exa.; Exmo.; Sr.; etc. Sobre o fechamento da carta, despeça-
se em tom amigável, utilizando termos como Cordialmente, Atenciosamente, 
Respeitosamente. Evite terminar a carta anunciando tal fato ou de forma muito direta.
160
UNIDADE 2 | GÊNEROS E TIPOLOGIAS TEXTUAIS
DICAS
Quer conhecer mais reduções? Acesse o site <http://www.academia.org.
br/nossa-lingua/reducoes> da Academia Brasileira de Letras e confira a escrita correta das 
abreviaturas.
4.1 MODELO
Visualize um modelo de carta comercial e tente encontrar os elementos 
que estudamos:
FONTE: <http://www.noticiasautomotivas.com.br/toyota-nos-manda-uma-carta-de-
desculpas/.>. Acesso em: 3 jul. 2016.
161
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• Tanto no âmbito pessoal como profissional, é importante saber como redigir um 
e-mail, pois, muitas vezes, necessitamos enviar mensagens para uma empresa, 
para a instituição de ensino em que estudamos, situações em que não podemos 
utilizar qualquer tipo de linguagem.
• O correio eletrônico, ou simplesmente o e-mail, é uma das principais, senão 
a principal, ferramenta de comunicação utilizada pelas instituições e pelas 
pessoas, tanto formalmente como informalmente, para o envio de avisos, 
documentos, recados. Tal preferência pode ter advindo pelo seu baixo custo ou 
pela sua celeridade.
• O ofício é uma comunicação escrita formal utilizada no serviço público e também 
no privado, trocada entre autoridades que exercem as mesmas funções ou entre 
funcionários com cargos inferiores, para seus superiores hierárquicos, com o 
propósito de fazer uma comunicação, solicitação e/ou reivindicação oficial. 
• Um dos pressupostos da utilização do ofício é a uniformização da comunicação. 
Nesse sentido, quando uma organização privada ou pública for redigir um 
ofício, necessita atentar para a padronização da estrutura. Seguindo uma 
estrutura padronizada, é possível comunicar mais rápido,além de facilitar o 
trabalho no caso de arquivamento para usos futuros.
• A carta comercial, também conhecida como carta empresarial ou, ainda, 
correspondência técnica, é um documento muito comum no comércio, setor 
bancário, na indústria, setor de serviços, entre outros segmentos. Ela é um 
documento com objetivo de se fazer uma comunicação comercial e/ou empresarial.
• A redação comercial tem como características a clareza, ou seja, o texto, além 
de ser claro, necessita ser objetivo, evitando múltiplas interpretações, o que 
prejudica os comunicados e negócios. A estética da carta comercial tem o 
propósito de boa impressão, o texto deve estar bem organizado e dentro de 
uma estruturação padrão. Não pode haver rasuras.
162
1 Agora é sua vez! Reescreva os e-mails que seguem observando as indicações 
apresentadas acerca dessa temática: 
E-mail A:
De: antonio@gmail.com
Para: joana@terra.com
Assunto: atividade - IMPORTANTE
Data: 07/07/16
Prezada acadêmica Joana,
Em primeiro lugar, desejo que esteja bem e espero que tenha uma boa semana.
Você sabe que no ensino a distância o respeito aos prazos é fundamental para 
um bom andamento do curso e, por isso, chamo a atenção para o fato de que 
você não entregou a atividade programada para o dia 05/07. Gostaria que você 
informasse o motivo da não entrega, porque se ele for justo há a possibilidade 
de estabelecer um novo prazo.
Aguardo sua resposta urgente.
Sem mais,
Antônio da Silva,
Tutor da disciplina de Metodologia Científica.
E-mail B:
ASSUNTO: Treinamento
Prezados Senhores,
Em resposta à sua gentil solicitação a nós enviada pelo digníssimo 
representante de V. Sa., Sr. Eldoro da Cunha, vimos, através desta, informar 
que já se encontram à sua disposição as salas A1 e A2 para o treinamento dos 
novos estagiários.
Conforme contato pessoal com o representante supracitado de V. Sas., as salas 
deverão ser utilizadas nos dias 28 e 29 de julho, das 8 às 17h. 
Outrossim, comunicamos que o custo total pelo uso das salas e dos 
equipamentos sofrerá um desconto de 10% (dez por cento), de acordo com o 
que ficou estabelecido em nossa última reunião, em 20-5-2016.
Sem mais que se nos possa apresentar para o momento, despedimo-nos.
Atenciosamente,
AUTOATIVIDADE
163
UNIDADE 3
NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE 
INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Ao final desta unidade, você será capaz de:
• compreender os usos do(s) letramento(s), a fim de constituir seus conceitos, 
habilidades, atitudes e maneiras de aplicabilidade na sua área de atuação;
• conhecer a hipertextualidade e suas ramificações, bem como a utilização 
dos aparatos tecnológicos para fomentar o processo de ensino e 
aprendizagem nas diversas modalidades de ensino;
• analisar os elementos acerca da interpretação na era digital e de novos 
métodos para que possam, de maneira flexível, auxiliar o êxito escolar.
Esta unidade de ensino contém três tópicos. No final de cada um deles você 
encontrará atividades que contribuirão para a apropriação dos conteúdos.
TÓPICO 1 – O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
TÓPICO 2 – A HIPERTEXTUALIDADE
TÓPICO 3 – A INTERPRETAÇÃO TEXTUAL NA ERA DIGITAL
164
165
TÓPICO 1
O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
O letramento e/ou os letramentos vieram para nos levar a pensar em um 
ensino e em uma aprendizagem além da codificação e decodificação, isto é, o(s) 
letramento(s) inicia(m) uma compreensão diferenciada, baseada nos usos sociais 
da linguagem escrita. Podemos antecipar que o(s) letramento(s) implica(m) os 
usos e práticas sociais que fazemos da escrita e não apenas o que aprendemos de 
maneira formal na escola. Devemos considerar então todas as atividades em que 
nos envolvemos, a partir da escrita, como família, escola, igreja, mídias. Dionísio 
(2007, p. 9-11) nos ensina que
O letramento é um conjunto de práticas sociais que envolvem o texto 
escrito. Esta perspectiva é diferente de perspectivas exclusivamente 
cognitivas, digamos assim, que defendem que o letramento é um 
conjunto de capacidades para usar o escrito. [...] é um conjunto de 
práticas sociais, que envolvem o texto escrito, não do ponto restrito da 
linguagem, mas de qualquer texto. O letramento, portanto, é plural, 
envolve, integra outras linguagens que não são apenas a linguagem 
verbal através dos textos. Então, o sentido plural localiza essas práticas 
na vida das pessoas, práticas que são realizadas com finalidades 
para atingir os seus fins específicos de vida, e não um conjunto de 
competências que estão armazenadas na cabeça das pessoas. [...] não 
temos mais letramento, mas letramentos.
Partindo dos dizeres de Dionísio (2007), iniciamos uma discussão, neste 
tópico, acerca de uma temática recente, porém enraizada em temas, como a 
alfabetização, as práticas de linguagem, as estratégias de leitura, entre outros. 
Sobre o tema que abordaremos: letramento digital na escola ou, como 
propõe o título que abre este tópico, o letramento na era digital, ainda temos 
muito que aprender, ler e compreender. Na realidade, cabe também aos estudos 
do letramento digital compreender questões como essas, pois de acordo com 
Braga (2007, p. 181):
Durante as décadas de 1980 e 1990, as teorias da linguagem experimentaram 
considerável avanço no conhecimento que hoje acumulamos sobre a 
escrita e as práticas letradas. A partir de meados dos anos 1990, os estudos 
do letramento ampliam o escopo de suas pesquisas, buscando entender 
também os eventos de letramento que ocorrem no contexto digital e o 
impacto dessas práticas na cultura e na sociedade em geral.
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
166
Assim, notamos que, a partir de meados de 1990 em diante, muitos 
pesquisadores na área da Educação passaram a se debruçar sobre temáticas que 
envolvem questões relacionadas a essa nova prática letrada. Embora não haja 
um consenso sobre a compreensão do termo letramento em nossa sociedade, os 
termos “letramento eletrônico” e/ou “letramento digital” já vêm sendo muito 
utilizados, pois a oferta de cursos na modalidade a distância, a inserção das 
tecnologias da informação e comunicação nas aulas presenciais e a rede mundial 
de computadores têm aumentado o número de usuários cada vez mais.
Antes de iniciarmos nossos estudos, desafiamos você a discutir com seus 
pares e/ou refletir sobre que aprendizagens se fazem necessárias para o professor diante da 
temática do(s) letramento(s) e quais desafios se colocam para a escola, como agência de 
letramento por excelência?
UNI
FIGURA 29 - A ERA DIGITAL
FONTE: <http://pibidvagnerreis.blogspot.com.br/2013/12/a-era-digital-vs-o-presente.html>. 
Acesso em: 25 fev. 2016.
A figura que aborda a era digital considera uma compreensão, mesmo que 
nas entrelinhas, desse tipo de letramento, que é relativamente recente. Por vezes, 
somos surpreendidos com o novo e necessitamos pesquisar, estudar e refletir 
sobre o uso correto e suas implicações. Este tópico visa contextualizar o letramento 
digital na temática do(s) letramentos(s) e, ainda, refletir sobre as mudanças que a 
mediação da tecnologia digital tem propiciado no campo da linguagem. 
Não perca o foco, vamos adiante!
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
167
2 A LEITURA DIGITAL: UMA INTERPRETAÇÃO TEXTUAL 
DIFERENCIADA
FIGURA 30 - LEITURA DIGITAL
FONTE: <http://vaninha1gmailcom.blogspot.com.br/2012/11/>. Acesso em: 29 fev. 2016.
Acadêmico, você alguma vez leu algum livro no formato digital? 
Afinal, o que significa ler em pleno século XXI? Ontem, líamos apenas em 
papel, hoje, lemos no papel e no digital. Será que a utilização da internet mudou 
ou mudará a nossa relação com a leitura? Vamos conversar um pouco sobre isso?
O fato de a internet ter mudado ou não a maneira da leitura e da escrita 
foi abordada na avaliação do ENADE em 2011. Reflita sobre essa temática 
respondendo à Questão 32 do ENADE/2011 - Letras:
Além de auxiliar no aprendizado, a tecnologia faz circular os textos 
de forma intensa, abertae universal e, acredito, vai criar um novo tipo de obra 
literária ou histórica. Dispomos hoje de três formas de produção, transcrição e 
transmissão de texto: a mão, por impressão e por meio eletrônico - e elas coexistem.
FONTE: <http://revistaescola.abril.uol.com.br/lingua-portuguesa/ fundamentos/roger-
chartier>. Acesso em: 20 ago. 2011.
AUTOATIVIDADE
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
168
A partir da citação de Roger Chartier reproduzida acima, o que se pode 
afirmar em relação ao uso das tecnologias da informação e da comunicação no 
ensino da escrita e da leitura?
A- A tecnologia, ao fazer circular os textos de forma intensa, aberta e universal, 
acaba instaurando outra linguagem, o “internetês”, que, devido ao grande 
alcance entre os usuários em formação escolar, vai substituindo, pouco a 
pouco, a variante culta da língua portuguesa. 
B- Os instrumentos digitais móveis cada vez mais modernos, como, por 
exemplo, os aparelhos celulares, favorecem a mobilidade da leitura, 
proporcionando aos seus usuários a liberdade tão cerceada pelas 
convenções que a leitura impressa impõe. 
C- A transformação da técnica de produção, reprodução e circulação da 
cultura escrita, provocada pela tecnologia, reforça possibilidades diversas 
de acesso à leitura, mas não descaracteriza outras formas e outros suportes. 
D- A extinção da leitura em livros impressos no Brasil é inevitável, haja vista os 
leitores hoje conviverem com repositórios digitais de leitura cada vez mais 
modernos, como os tablets. Os livros eletrônicos e os textos digitalizados, 
além de oferecerem inúmeras facilidades para a leitura e para a pesquisa, 
detêm a primazia sobre a cultura impressa.
FONTE: <http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/Ebooks/Pdf/978-85-397-0301-2.pdf>. Acesso em: 
12 jul. 2016.
Acreditamos que quem mais lê livros em suporte digital é também quem mais 
lê livros em impresso. Contudo, a leitura digital, para muitos, pode ter um conceito 
vago, isto é, ela pode restringir-se aos Tweets, e-mails, posts do Facebook, e-books, 
revistas em apps e blogues em páginas da web. Diante disso, cabe nos questionarmos 
se estamos perante novas formas de leitura ou perante novos leitores? 
Certamente estamos perante “novos leitores” de livros em formato digital, 
“novos” porque muitos leitores que liam em papel passaram a fazê-lo também 
em digital e porque outros tantos leitores que não liam ou não leriam em papel 
passaram a utilizar as ferramentas que envolvem a tecnologia para leitura. Falar 
de leitura, neste século, é aceitar o ler em formato digital e continuar, igualmente, 
a falar de leitura em papel. 
Segundo Cardoso (2013, p. 10), “Falar de leitura [...] pressupõe igualmente 
aceitar a possibilidade de identificação de um novo tipo de leitor e de leituras, 
que moldarão tanto as políticas públicas de apoio à leitura como a valorização 
social e individual sobre o que pode ser considerado como leitura hoje”.
As inovações tecnológicas modificam as relações entre a leitura, o leitor, o 
texto, a comunicação, ora alternando as práticas de linguagem, ora exigindo dos 
sujeitos sociais mais habilidades no dito letramento digital. Se há a necessidade de 
atualização, as aulas de Língua Portuguesa necessitam adequar suas metodologias 
de modo a suprir essa necessidade de constituição de novas habilidades de leitura e 
escrita por meio das mídias digitais. E você, está assumindo conosco tal compromisso?
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
169
De acordo com Koch e Elias (2010, p. 7):
[...] o texto é lugar de interação de sujeitos sociais, os quais, 
dialogicamente, nesse se constituem e são constituídos; e que, por meio 
de ações linguísticas e sociocognitivas, constroem objetos-de-discurso 
e propostas de sentido, ao operarem escolhas significativas entre as 
múltiplas formas de organização textual e as diversas possibilidades 
de seleção lexical que a língua lhes põe à disposição.
Dessa maneira, o texto vem adquirindo cada vez mais novas configurações 
e essas diferentes maneiras textuais nos dão a possibilidade de perceber que o texto 
hoje é algo multimodal. Dionísio (2007) define o texto multimodal como um processo 
de construção textual advindo da mobilização de diferentes modos de representação. 
Podemos compreender como modos de representação a imagem, a entonação, os 
efeitos visuais, os gestos, as cores, as músicas, ou, ainda, os recursos semióticos.
Os cartuns, as charges, as histórias em quadrinhos, as propagandas, 
as tirinhas etc., são exemplos de textos multimodais, pois trazem consigo a 
materialização de signos alfabéticos, como as letras, palavras e frases e os signos 
semióticos (imagéticos e visuais). 
Na figura a seguir, a linguagem multimodal é abordada e, dentre os vários 
pontos de vista, podemos discutir um em que as palavras têm poder e consequências, 
muitas vezes utilizadas sem assumir uma identidade. Com a vinda da internet e, 
consequentemente, das novas linguagens, acreditamos que não corremos o risco 
de nos identificar, e construir uma opinião torna-se fácil, pois apenas críticas 
aparecerão e não uma exata consequência disso. Observe:
FIGURA 31 – LINGUAGEM MULTIMODAL
FONTE: <http://letramento-modulo4.forumfacil.net/t16-charges-de-trabalho>.
Acesso em: 20 de fev. 2016. 
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
170
A temática que envolve a multimodalidade se fez presente na questão 
40 da avaliação do ENADE/2011, para o curso de Letras. Leia e responda:
A inserção da multimodalidade no escopo de assuntos pertinentes à 
Linguística Textual implica: um necessário alargamento do conceito de texto, 
de modo a incorporar nele elementos não verbais (imagem, cor etc.); o emprego 
de dispositivos analíticos oriundos do campo de estudo do texto, que permita 
trabalhar com tais signos.
BENTES, A. C. RAMOS, P. ALVES FILHO, F. Enfrentando desafios 
no campo dos estudos do texto. In: BENTES, A. C, LEITE, M. Q. (Orgs.). 
Linguística de texto e Análise da conversação: panorama das pesquisas no 
Brasil. São Paulo: Cortez, 2010 (com adaptações).
Considerando o texto e a tirinha de Quino, que apresenta a menina 
Mafalda e seu irmão Guille, assinale a opção em que a análise da tirinha, como 
texto multimodal, recorre a dispositivos analíticos oriundos do campo de 
estudo do texto verbal.
A- Na tira, observa-se o desapontamento de Malfada com o mundo e como 
ela cria um meio para mostrar isso ao irmão pequeno, Guille, ou seja, ela 
recorre à comparação do mundo com o conteúdo fecal da fralda. Esse 
procedimento é percebido pelo desenho do último quadro, em que os dois 
personagens olham para o conteúdo da fralda.
B- A tira possibilita uma interpretação humorística por meio do procedimento 
da inversão de conceitos, ou seja, não é comum que uma criança apresente 
intenso juízo de valor em relação ao mundo, nem seja capaz de pensar no 
jargão vulgar que é inferido pelo estado dos personagens no último quadro.
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
171
C- A tira traz um diálogo entre Mafalda e seu irmão Guille. Os personagens 
aparecem no primeiro quadrinho e tornam-se os objetos de discurso visuais 
desse quadro. Todos os quadros seguintes retomam coesivamente os dois 
personagens, mas, em cada quadro, esses objetos de discurso são reconfigurados 
pela alteração do desenho, que revela o estado dos personagens.
D- O juízo que Mafalda faz em relação ao mundo não é dito, mas inferido. 
Essa inferência é também construída pela mudança de enquadramento no 
último quadro, o que permite observar-se, com mais nitidez, a expressão 
facial dos personagens.
E- O desapontamento de Mafalda apresenta uma forte carga de ironia. A forma 
como foram utilizados os painéis atua para exprimir esse efeito. Nessa tira, 
a posição dos painéis dá pista sobre a ênfase conferida a certos aspectos da 
narrativa em que recai a ironia.
Em certos momentos, tantos modos de representação e interação com o 
texto podem gerar uma interpretação e/oucompreensão textual muito superficial, 
pois há uma sobrecarga de informações disponibilizadas, especialmente no 
material digital e, nem sempre o leitor, que é autônomo nas suas escolhas, 
consegue identificar o que é importante. 
Braga (2010, p. 183) considera a aprendizagem interativa como sendo:
[...] intuitiva [pois] conta com o inesperado e as junções não lineares; 
multissensorial, na qual múltiplas habilidades sensórias interagem; 
convencional que justapõe informações através de algum tipo de analogia, 
perfazendo roteiros não previstos, colagens, mantendo permanentemente 
abertura para novas significações e para redes de relações; ela ainda é 
acentrada, pois tem coexistência de múltiplos centros; diferenciada em 
termos de procedimento de acesso, isto é, está ancorada na navegação, 
experimentação, simulação, participação e coautoria.
Nesse sentido, a leitura e a compreensão textual não resultam apenas 
do texto verbal, mas também de elementos semióticos. O leitor dá sentido ao 
texto não apenas fazendo uso de signos alfabéticos, mas de elementos visuais e 
imagéticos, ou seja, envolve elementos tanto verbais como não verbais. Assim, a 
leitura e a escrita, consequentemente, adquirem um novo formato. 
Podemos inferir, segundo Jesus (2013), que a interpretação textual pode 
ser constituída por modalidades, em que o leitor, quando passivo, por exemplo, 
entende o sentido do texto como uma máquina fotográfica, isto é, sua interpretação 
é meramente passiva; já o leitor antecipador interpreta o texto com a visão da 
máquina fotográfica obstruída, prevalecendo assim a imagem que ele já tem em 
mente e, por fim, o leitor interativo, que compreende o texto interativamente, isto 
é, ele lê e considera as condições de produção do texto e de leitura mais atuais. É 
necessário lembrar que um texto adequado de leitura e de interpretação, seja digital 
ou não, necessita demonstrar coesão, coerência, intencionalidade, receptividade, 
informatividade, circunstancialidade e intertextualidade, entre outros elementos. 
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
172
Continue conosco e vamos trocar ideias sobre o(s) letramento(s)!
2.1 CONCEITO DE LETRAMENTO(S)
Para que você entenda melhor o(s) letramento(s) e os diversos conceitos 
que envolvem esse termo, elaboramos uma espécie de glossário que envolve 
o conceito de quatro grandes eixos, que podem ser considerados base para 
iniciarmos um estudo acerca desse tema. Os eixos são: os novos estudos do 
letramento; o(s) letramento(s); modelos de letramento: autônomo e ideológico e 
eventos e práticas de letramento.
Vamos adiante!
FIGURA 32 – LETRAMENTO
FONTE: <https://fsgeducacao.wordpress.com/2011/09/16/as-dimensoes-do-aprender-a-ler-e 
a-escrever/>. Acesso em: 23 fev. 2016.
A figura acima inicia uma discussão partindo da ideia de que a alfabetização 
não é mais vista como sendo o ensino de um sistema gráfico que equivale a sons. 
Um aspecto que necessita ser considerado na perspectiva dos letramentos é que a 
relação da escrita com a oralidade não é uma relação de dependência da primeira 
com a segunda, mas é antes uma relação de interdependência, isto é, os sistemas 
de representação se influenciam igualmente.
Para os novos estudos do letramento, o letramento é uma prática social, 
que pressupõe interação, isto é, passamos a considerar a leitura e a escrita a partir 
do contexto das práticas sociais e culturais (históricas, econômicas e políticas) 
(LANKSHEAR, 1999). Além disso, ele pode variar nas diferentes culturas, espaços, 
instituições e contextos. Dessa maneira, partindo do conceito de letramento “[...] 
como um conjunto de práticas sociais que envolvem o texto escrito” (DIONÍSIO, 
2007, p. 210), e agora com a contribuição do olhar etnográfico, que nos permite 
detectar momentos importantes da recepção e reprodução, ampliamos os conceitos 
para sair da visão de um letramento dominante e defendemos que há vários 
letramentos, sendo eles sempre influenciados por relações ideológicas e de poder. 
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
173
A etnografia é uma abordagem de investigação científica. É a coleta de dados, 
escrita, interpretação, análise e refinamento de forma explícita. A etnografia implica tentar 
entender as pessoas, não suas personalidades, aspectos psicológicos ou movimentos sociais, 
mas as pessoas como seres embutidos em redes de significado, isto é, pensar nas pessoas 
como elas se identificam. A etnografia tem, dentre seus elementos, a participação, na qual 
você entende os aspectos de outra cultura vivenciando-a, indo até lá, estando lá, fazendo as 
coisas que eles fazem e como eles fazem (CARVALHO, 1999).
NOTA
O olhar etnográfico nos permite investigar os usos e significados da leitura 
e escrita como práticas sociais em contextos reais, desvinculando-se das pesquisas 
que já vinham se preocupando com o letramento como uma habilidade, técnica 
ou competência de leitura e escrita. É justamente por esse olhar social vinculado à 
linguagem escrita que a adjetivação “novos” foi adotada nos estudos de letramento. 
Assim, essa preocupação do letramento influenciada pelos estudos etnográficos 
considera “o que as pessoas fazem” e não mais “o que elas sabem” sobre a palavra 
escrita. Esses estudos também abarcam a noção de múltiplos letramentos.
 FIGURA 33 – DEGRADAÇÃO AMBIENTAL - MULTILETRAMENTOS
FONTE: <http://www.partes.com.br/2013/09/13/letramentosmultiplos/#.VtD0BvkrJdg>.
Acesso em: 25 fev. 2016.
Analise a figura e escreva o que ela aborda em sua totalidade. Observe 
que a tirinha lança mão da junção de elementos verbais e não verbais, isto é, 
o gênero textual faz uso da linguagem escrita com a imagética. Você precisa 
focar seu olhar em todas as imagens e expressões faciais das personagens, isto 
é, você não pode se ater apenas às duas palavras que aparecem expressas na 
tirinha. Vamos lá, converse com seus colegas e elabore novos conceitos acerca 
dos novos estudos do letramento.
AUTOATIVIDADE
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
174
Para além da aquisição do código escrito do processo da alfabetização, 
entendemos letramento(s) como um conjunto de práticas sociais que têm como 
base a leitura e a escrita, produzidos por grupos específicos (KLEIMAN, 2008). 
Tendo em vista que os sujeitos se envolvem e se inserem nas práticas sociais, 
o letramento é compreendido no plural (letramentos) e sempre é situado 
historicamente. Barton e Hamilton (2000, p. 109) postulam que: 
O letramento é, antes tudo, algo que as pessoas fazem, é uma atividade 
localizada no espaço entre o pensamento e o texto. O letramento não 
reside simplesmente na mente das pessoas como um conjunto de 
habilidades para serem aprendidas, e não estão somente no papel, 
capturadas em forma de texto, para serem analisadas. Como toda 
atividade humana, o letramento é essencialmente social e se localiza 
na interação interpessoal.
Dessa maneira, letramento são práticas sociais que envolvem a leitura e 
a escrita, não apenas a codificação e decodificação tratada na alfabetização. Os 
diferentes grupos sociais e momentos históricos promovem usos sociais da escrita 
variados, por isso utilizamos o termo letramentos.
FIGURA 34 – LETRAMENTOS
FONTE: <http://www.aliancaeabc.com.br/usw/produto/alfabetizacao-e-letramento/>.
Acesso em: 28 fev. 2016.
Influenciado pelas pesquisas de cunho etnográfico (sensíveis aos usos e 
significados das práticas do letramento a partir do ponto de vista das próprias 
populações pesquisadas), o modelo ideológico de letramento entende que 
existem vários tipos de letramento e que as práticas a ele relacionadas têm base 
social (STREET, 2003). Nesta concepção, o letramento é “uma prática de cunho 
social e não meramente uma habilidade técnica e neutra”. Ainda, destaca-
se “explicitamente o fato de que todas as práticas de letramento são aspectos 
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
175
não apenas da cultura, mas também das estruturas de poder numa sociedade”(KLEIMAN, 2008, p. 38), ou seja, o modelo de letramento ideológico dá ênfase 
à interação social, à pluralidade de práticas e às relações de poder envolvidas, 
em contraponto à concepção de um letramento dominante como a do modelo 
autônomo, que veremos adiante. 
Podemos compreender que o modelo ideológico reconhece as variações 
das práticas de letramento conforme o contexto em que elas se dão. Você lembra 
que já estudamos que o letramento é uma prática social e que ele não pressupõe 
a divisão entre grupos orais e letrados, mas investiga as relações entre as práticas 
orais e as práticas letradas, assim, nesse modelo, o letramento não é por si só a 
causa do progresso e da mobilidade social.
Já o modelo autônomo, segundo Kleiman (1995, p. 21), “está associado 
quase que causalmente com o progresso, a civilização, a mobilidade social”. Dessa 
maneira, podemos compreender que esse modelo entende que o letramento por 
si só permite o acesso a outras práticas sociais e de aprendizagem, isto é, ele 
entende o letramento como garantia do progresso e da mobilidade social.
Nosso glossário finda com o entendimento dos eventos de letramento, 
que, em amplas linhas, são situações sociais em que o texto escrito se faz presente, 
tanto na interação entre os sujeitos que delas participam, quanto na interpretação 
que fazem do contexto no qual estão inseridos e, com a compreensão das práticas 
de letramento, que são formas sociais e culturais de uso da leitura e da escrita, 
permeadas por relações de poder. 
A teoria social de leitura e escrita é composta por práticas, eventos 
e textos; e por isso compreendida “como um conjunto de práticas sociais que 
podem ser inferidas a partir de eventos mediados por textos escritos” (BARTON; 
HAMILTON, 2000, p. 114). 
Em suma, podemos afirmar que, nas práticas de letramentos, abrangem-
se as questões de natureza social, cultural e identitária, relacionadas aos eventos 
de letramento. Essas práticas estão sempre sujeitas a mudanças e a questões 
ideológicas, por envolverem os sentidos que os sujeitos dão a elas. São formas mais 
abstratas, subjetivas de utilizar a linguagem escrita e, por isso, diferentemente 
dos eventos, não podem ser diretamente observadas em atividades (BARTON; 
HAMILTON, 2000). Um bom exemplo de participação em práticas letradas é 
dado por Kleiman (2008): se em uma conversa alguém fala em tom ironizado e 
com os dedos sinaliza aspas no ar, o reconhecimento desse sinal pelo interlocutor 
é uma prática social de leitura. 
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
176
FIGURA 35 – PRÁTICAS DE LETRAMENTO
FONTE: <http://mulher30.com.br/tirinhas/page/124>. Acesso em: 26 fev. 2016.
Nessa tirinha, as aspas indicam ironia, pois o ato de queimar a roupa não 
seria acidental, e sim proposital. Isso ocorre nos eventos de letramento, em que os 
textos têm papel central em atividades específicas e regulares, a linguagem escrita, 
portanto, faz parte diretamente das interações humanas (BARTON; HAMILTON, 
2000). Nesse sentido, os eventos de letramento são os episódios observáveis que 
surgem das práticas de letramento (da sua ordem ideológica, cultural e social), 
nos quais se investigam situações específicas da língua escrita, como “um evento 
de letramento acadêmico”, embora seja um conceito empregado de forma isolada 
ao deixar de contemplar os significados construídos acerca da leitura e da escrita 
na sociedade em geral (STREET, 2003).
 FIGURA 36 – EVENTOS DE LETRAMENTO
FONTE: <http://hipertextoegenerosdigitais.blogspot.com.br/2012/07/letramento-digital.html>. 
Acesso em: 26 fev. 2016.
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
177
A figura nos faz pensar que as duas senhoras são analfabetas digitais, não 
sabendo interpretar o que quer dizer o código de barras. Os letramentos, neste 
caso específico, o digital, devem estar inseridos em todas as classes sociais e em 
todas as etapas da educação, por serem de grande valia para a vida diária, já 
que não nos adianta apenas saber decodificar, necessitamos estar letrados para 
compreender as mensagens num todo. 
Esperamos que o glossário tenha ajudado na sua compreensão acerca dos 
letramentos e que os outros conceitos apresentados alicercem e instiguem ainda 
mais sua prática diária escolar. 
DICAS
Depois de tanta leitura e reflexão, que tal ver um bom filme e ainda aprender 
de maneira prazerosa? O filme O Sorriso de Monalisa apresenta em seu enredo belíssimas 
cenas acerca de um determinado tempo histórico, exemplificando aulas com conflitos entre 
os mundos do letramento. Vamos lá, pois a pipoca deve estar pronta!
FONTE: <https://cinehaus.wordpress.com/2008/12/08/o-sorriso-de-mona-lisa-2003/>. 
Acesso em: 29 fev. 2016.
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
178
2.2.1 Novos modos de alfabetizar letrando
Porque alfabetização e letramento são conceitos frequentemente 
confundidos e sobrepostos, é importante distingui-los, ao mesmo 
tempo que é importante aproximá-los: a distinção é necessária porque 
a introdução, no campo da educação, do conceito de letramento 
tem ameaçado perigosamente a especificidade do processo de 
alfabetização; por outro lado, a aproximação é necessária porque não 
só o processo de alfabetização, embora distinto e específico, altera-se 
e reconfigura-se no quadro do conceito de letramento, como também 
este é dependente daquele (SOARES, 2003, p. 19).
Compreendemos, a partir de Soares (2003), que, apesar de os termos letrar 
e alfabetizar parecerem ter o mesmo significado, aplicam-se em diferentes práticas. 
No processo de letramento, as habilidades de leitura e escrita se fazem 
presentes. Essa transmissão pode ser feita através do contato com os mais diversificados 
gêneros textuais, isto é, jornais, revistas, livros, letras de músicas, quadrinhos e/ou 
quaisquer outras fontes que permitam uma reflexão sobre o que foi lido. 
Para que a alfabetização aconteça, o aprendizado de técnicas que 
fomentem a compreensão da linguagem, voltadas para a compreensão de 
conteúdos gramaticais, necessita ser desenvolvido. Tais conteúdos geralmente 
focam a ortografia, a gramática, os sons da linguagem falada etc. 
É por este motivo que, por vezes, você deve ter ouvido que um sujeito 
alfabetizado pode não ser letrado, e isso procede, pois esse sujeito pode não possuir 
o hábito da leitura e, por este motivo, não conseguir responder às necessidades 
sociais que a escrita e a leitura demandam. 
DICAS
Que tal repensar todos esses conceitos ouvindo uma música muito 
interessante? A música de Gabriel, O Pensador: “Estudo Errado”, escrita em 1995, faz uma 
crítica ao sistema educacional da época. A música traz o olhar de um aluno frente à escola 
que atua através do ensino tradicional, provocando questionamentos sobre o estudar e os 
efeitos que isso causa na educação plena do estudante.
FONTE: <https://www.letras.mus.br/gabriel-pensador/66375/>. Acesso em: 26 fev. 2016.
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
179
Dessa maneira, podemos concluir que ser alfabetizado é saber ler e escrever. 
Já estar na condição de letrado é saber ler e ainda produzir textos, de gêneros e temas 
variados. Assim, letrar é mais que alfabetizar, e o essencial é que a alfabetização se 
desenvolva em um contexto de letramento, pois alfabetizar letrando é ensinar a ler e 
escrever, levando em conta que a linguagem é um fenômeno social.
Você, futuro professor, necessita conhecer todas essas ferramentas que 
auxiliam a construção do conhecimento, não pare! Venha conosco e aprenda 
ainda mais!
2.2 TECNOLOGIAS DE ESCRITA E DE LETRAMENTO DIGITAL
FIGURA 37 - TECNOLOGIAS DE ESCRITA
FONTE: <http://megaarquivo.com/2013/05/03/8142-mega-tecnologias-a-escrita/>.
Acesso em: 28 fev. 2016.
Podemos fazer uma analogia entre o quadrinho acima e a era digital 
na qual vivemos, não é? São muitas as possibilidades que a tecnologia e suas 
ferramentas podem nos ofertar e, de repente, ainda não estamos totalmente 
preparados, pois os avanços tecnológicos não param.Compreendemos, então, que a internet revolucionou o mundo, em 
especial, o da comunicação. Agora, temos a possibilidade de estar conectados a 
bibliotecas, livrarias, universidades, lojas, grupos de pesquisa, professores etc., 
pois aplicativos como messengers, blogs, Facebook, Whatsapp, Twitter, Snapchat e 
tantos outros de consulta, por exemplo, proporcionam a interação entre usuários 
do mundo inteiro, é só clicar, se comunicar e interagir. 
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
180
Você sabia que Whatsapp é um trocadilho com a expressão em inglês What’s 
up (E aí?)?
FONTE: <http://soemoticons.blogspot.com.br/>. Acesso em: 12 mar. 2016.
UNI
Esses aplicativos e/ou novos gêneros se caracterizam pela combinação 
de recursos que temos para nos comunicar, constituindo um falar‐escrito a uma 
conversa‐escrita. Costa (2005, p. 107-108) postula que 
[...] o chat é diferente de uma conversa face a face ou telefônica. [...] 
O e-mail não é uma carta, nem um fax, nem uma chamada telefônica 
[...]. Ele é mais rápido que a correspondência postal comum, menos 
caro que o telefone, fácil de ser utilizado. Seu tom é coloquial e direto, 
não há perda de tempo, nem fórmulas convencionais. Esse tipo de 
dispositivo permite ainda que pessoas interessadas em um mesmo 
assunto possam fazer uma discussão coletiva on-line, como nos 
fóruns. [...] os blogs são um gênero híbrido de escrita de si, gênero este 
que submete a um constante processo de definição e redefinição as 
fronteiras entre as esferas do público e do privado.
A partir da perspectiva de Costa (2005), inferimos que o ato de teclar 
difere do ato que se emprega para escrever à mão. Assim, a comunicação síncrona 
ou assíncrona resulta numa interação prazerosa e criativa, já que possibilita a 
escrita teclada que proporciona liberdade de comunicação, podendo até gerar um 
relacionamento virtual intenso. 
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
181
Você se lembra da diferença entre comunicação síncrona ou assíncrona? Na 
comunicação síncrona, o emissor e receptor, como o termo sugere, são sincronizados, isto é, o 
receptor recebe as informações no momento em que o emissor as remete. Já na comunicação 
assíncrona, a sincronização é diferente, o emissor envia os dados e, periodicamente, insere 
um elemento de sinal, um bit especial no início e no fim da transmissão de um caractere 
e assim permite que o receptor entenda o que foi realmente transmitido. Imagine uma 
sequência de dados que precisam ser transmitidos. Cada bloco de dados inclui um grupo de 
informação de controle (chamado flag), para que se saiba exatamente onde começa e acaba 
o bloco de dados e qual a sua posição na sequência de informação transmitida. Assim, o 
receptor consegue distinguir onde a informação começa e acaba. Acompanhe o exemplo de 
Reis (2011, p. 23): na "[...] comunicação síncrona, os relógios do emissor e do receptor estão 
em perfeito sincronismo e são dependentes, enquanto no tipo assíncrono os relógios do 
emissor e do receptor apenas têm que estar suficientemente próximos e são independentes." 
Ainda não entendeu? Observe a imagem que segue:
NOTA
FIGURA 38 – TIPOS DE COMUNICAÇÃO
FONTE: <http://pt.slideshare.net/Sufea/formas-de-comunicao-no-ead-estratgias-sncronas-e-
assncronas>. Acesso em: 1º mar. 2016.
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
182
Nesse mesmo viés, o letramento digital vai além de ler e apertar telas ou, 
ainda, de se utilizar programas no computador, isso pertence à inclusão digital. 
O letramento digital necessita de fluência tecnológica, isto é, ela, a fluência, se 
aproxima do conceito de letramento como prática social e não como aprendizagem 
de uma tecnologia. Isso pode se assemelhar à alfabetização, no sentido de ser 
capaz de identificar letras e não ao letramento, que engloba o ato de ler e escrever 
nas práticas sociais. Você percebe que o letramento digital atribui significados 
a informações advindas de textos constituídos por gráficos, palavras, sons e/
ou imagens, ou seja, para sermos letrados digitalmente, necessitamos dominar 
as regras que compõem essa prática social e empregá-las na produção e na 
representação de conhecimentos (ALMEIDA, 2005).
FIGURA 39 – LETRAMENTO DIGITAL
FONTE: <http://www.rioeduca.net/blogViews.php?bid=16&id=3936>. Acesso: em: 21 fev. 2016.
Conforme a figura sugere, o letramento digital participa da educação 
contemporânea e compreende o contexto social. A escola prepara para a vida, 
para o mercado de trabalho, para se ter criticidade diante dos espaços de 
informação, assim como as mídias e as ferramentas digitais. O letramento digital 
implica realizar práticas de leitura e escrita diferentes das maneiras tradicionais 
de letramento e de alfabetização. Para tanto, necessitamos de colaboração, de 
curadoria, de habilidades funcionais, de segurança digital, entre outras. Ser 
letrado digital pressupõe assumir mudanças na maneira de ler e de escrever os 
códigos e sinais verbais e não verbais, se compararmos às formas de leitura e 
escrita feitas no livro, até porque o suporte sobre o qual estão os textos digitais é 
a tela, que também é digital.
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
183
Compreendemos que, de certa maneira, o letramento digital luta contra a 
ideia de que o ensino e a aprendizagem sejam vistos como uma maneira de ocupar os 
alunos. Eles, os alunos, estão se autoletrando e desafiando os sistemas educacionais 
tradicionais, propondo um jeito novo de aprender. Essa nova maneira de 
aprendizagem é mais dinâmica, participativa, descentralizada da figura do professor 
e pautada na independência, na autonomia, nas necessidades e interesses dos alunos 
que são usuários das tecnologias de comunicação digital (XAVIER, 2002).
Frente a esta realidade, necessitamos buscar conhecimentos e nos tornar 
abertos e acessíveis aos processos tecnológicos e à cultura digital. 
3 O SER HUMANO EM TRANSFORMAÇÃO
A tecnologia é uma ferramenta que fez e faz com que o homem procure 
melhorar seu cotidiano, ou seja, ela é uma extensão do homem. Essa invenção e seu 
crescente avanço estão modificando a maneira de o ser humano compreender o 
mundo, causando uma necessidade de readaptação, reorganização e repaginação 
no seu estilo de vida.
Neste sentido, a tecnologia e a internet necessitam ser aplicadas e 
utilizadas com coerência, visto que, dentro do contexto tecnológico, há diversos 
aspectos positivos e outros tantos negativos.
FIGURA 40 – IMPACTOS TECNOLÓGICOS
FONTE: <http://exercicios.mundoeducacao.bol.uol.com.br/exercicios-geografia/exercicios-
sobre-terceira-revolucao-industrial.htm>. Acesso em: 14 mar. 2016.
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
184
Você consegue perceber que a tirinha apresentada faz uma crítica aos 
aparelhos tecnológicos que têm muitas e variadas funções, inclusive memória, 
possibilitando um acúmulo ainda maior de informações que, por fim, acabam 
não sendo absorvidas pelos seus usuários em razão da dita praticidade?
Leia o texto abaixo e responda à questão de número 15, que fez parte 
da avaliação do ENADE/2011 para o curso de Letras, repensando o que você 
estudou até o momento sobre a internet:
Qual é a primeira coisa que você faz quando entra na internet? Checa seu 
e-mail, dá uma olhadinha no Twitter, confere as atualizações dos seus contatos 
no Facebook? Há diversos estudos comprovando que interagir com outras 
pessoas, principalmente com amigos, é o que mais fazemos na internet. Só 
o Facebook já tem mais de 500 milhões de usuários, que, juntos, passam 700 
bilhões de minutos por mês conectados ao site - que chegou a superar o Google 
em número de acessos diários. [...] e está transformando nossas relações: tornou 
muito mais fácil manter contato com os amigos e conhecer gente nova. Mas será 
que as amizades on-line não fazem com que as pessoas acabem se isolando e 
tenham menos amigos off-line, “de verdade”? Essa tese, geralmente citada nos 
debates sobre o assunto, foi criadaem 1995 pelo sociólogo americano Robert 
Putnam. E provavelmente está errada. Uma pesquisa feita pela Universidade 
de Toronto constatou que a internet faz você ter mais amigos — dentro e fora 
da rede. Durante a década passada, período de surgimento e ascensão dos 
sites de rede social, o número médio de amizades das pessoas cresceu. E os 
chamados heavy users, que passam mais tempo na internet, foram os que 
ganharam mais amigos no mundo real — 38% mais. Já quem não usava a 
internet ampliou suas amizades em apenas 4,6%.
Como a internet está mudando a amizade. Superinteressante, n. 288, 
fev./2011 (com adaptações).
No texto, o trecho entre colchetes foi suprimido. Assinale a opção que 
contém uma frase que completa coerentemente o período em que o trecho 
omitido estava inserido.
A- A internet é a ferramenta mais poderosa já inventada no que diz respeito à 
amizade. 
B- A internet garante que as diferenças de caráter ou as dificuldades 
interpessoais sejam “obscurecidas” pelo anonimato e pela cumplicidade 
recíproca. 
C- A internet faz com que você “consiga desacelerar o processo, mas não salva 
as relações”, acredita o antropólogo Robin Dunbar. 
AUTOATIVIDADE
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
185
D- A internet raramente cria amizades do zero - na maior parte dos casos, ela 
funciona como potencializadora de relações que já haviam se insinuado na 
vida real. 
E- A internet inova (e é uma enorme inovação, diga-se de passagem) quando 
torna realidade a “cauda longa”, que é a capacidade de elevar ao infinito as 
possibilidades de interação.
Assim, a tecnologia veio para facilitar a vida do ser humano. Ela 
transforma(ou) o ser humano, sensibilizando-o para assuntos novos e 
diversificados, diminuindo, por vezes, a rotina e o estresse do cotidiano, trazendo 
informações que podem o levar ao conhecimento, ligando-o com o mundo, 
aumentando a interação e, ainda, fazendo com que esse mesmo ser humano 
se comunique facilmente com o outro. Tais facilidades por ela proporcionadas 
abrem tantas possibilidades, como a falsa sensação de liberdade de escolha, por 
exemplo, que imputa e coloca o ser humano diante de novos e, talvez, problemas 
muito complexos e desafiadores.
A tecnologia causou mudanças significativas em muitos setores da nossa 
vida. Ela, como já discutimos, nos oferece agilidade, conforto e eficiência na 
realização de diversos processos e procedimentos. Podemos afirmar que muitas 
coisas foram modificadas com o advento da tecnologia. Na área da comunicação, 
podemos mencionar o telefone, depois o celular, os computadores, smartphones, 
entre outros; nas atividades que realizamos em nossas casas, a tecnologia muito nos 
auxilia com a lava roupas, a lava louças, os eletrodomésticos; na área do ensino, isto 
é, nas escolas e faculdades, o computador, o tablet, a digitalização de materiais; no 
entretenimento, com a televisão, os aparelhos de som, os jogos dos computadores; 
na área industrial, podemos dizer que surgiram as máquinas que intensificam 
a produção; nos negócios, os aparelhos facilitam a comunicação como quando 
necessitamos realizar conferências com pessoas em locais diferentes, por exemplo. 
Dessa maneira, a transformação do ser humano, para com a tecnologia, 
é responsável pela criação de novas linguagens, de novos padrões de trabalho, 
de consumo e de lazer, contribuindo na modificação do ambiente natural que, 
até então, se vivia, exercendo influência no homem de maneiras diferenciadas 
(TARGINO, 1995).
Precisamos ter cuidado para não confundir o que supriu e, ainda supre, 
muitas das nossas necessidades com a perda da característica natural do ser 
humano, que é o convívio e a interação social.
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
186
FIGURA 41 – INTERAÇÃO E TECNOLOGIA
FONTE: <http://joveminterativo.com/2011/a-tecnologia-e-o-casamento-7-dicas-para-melhorar-
o-convivio/>. Acesso em: 15 mar. 2016.
Assim, a mesma ferramenta que nos serve como subsídio de ajuda pode 
nos prejudicar, tudo depende da maneira como a utilizamos. Precisamos usar 
todas as ferramentas tecnológicas com sabedoria e entendimento para que esse 
ser humano em transformação tenha resultados positivos. 
Não perca o foco, relaxe, interaja com seus colegas e continue conosco!
3.1 CIBERCULTURA: UM UNIVERSO PEDAGÓGICO
[...] o tempo da escrita mudou radicalmente a cultura porque separou 
os processos de emissão e recepção, que na oralidade aconteciam 
juntos. Isso deu margem às interpretações. Nasce a crítica textual, a 
humanidade então vive há séculos dessa cultura escrita. Mas hoje, a 
cultura não é mais apenas do texto escrito, mas do texto escrito em 
tempo real possibilitado pela informática (OLIVEIRA, 2006, p. 152).
Podemos compreender, a partir de Oliveira (2006), que a escrita é uma 
maneira de registrarmos os acontecimentos, porém uma outra maneira de registro, 
a informática, intensifica ainda mais a escrita, proporcionando um registro mais 
dinâmico e interativo.
Assim, o neologismo “cibercultura” se resume em um conjunto de técnicas 
intelectuais e materiais, de atitudes e de práticas, de modos de pensar e de valores 
que se desenvolveram com o aparecimento do ciberespaço. O ciberespaço e/ou 
rede, para tanto, é o novo meio de se comunicar, no qual a interconexão mundial 
entre os computadores se consolida. 
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
187
A cibercultura é resultado das ações sociais, que envolve elementos como 
a internet, o hipertexto, interatividade, psicologia, ciberespaço, comunicação dos 
computadores através de weblogs, bookcrossing, mailing lists, newsgroups, chats, 
fóruns, e-mails, e-learning, cibercidades, cibersociedades, entre outras ferramentas, 
possibilidades e aplicabilidades individuais e sociais (LÉVY, 1999). Ela eleva o 
usuário de mero espectador da informação e/ou da notícia para produtor e formador 
de opinião. Essa postura que a cibercultura tem ofertado para o usuário necessita 
ser levada para o contexto pedagógico, ou seja, ela não é mais uma ferramenta 
tecnológica para a educação, mas vem sendo tida como a cultura de uma geração 
que vivencia esse saber no mundo virtual, e conseguir aproveitar e lidar com isso, 
que já vem com nossos educandos, torna-se uma lei da pedagogia contemporânea.
Dessa maneira, a cibercultura desenvolveu outra maneira de leitura e de 
escrita. Tal maneira envolve, entre outras características, a ampliação do nosso 
entendimento dos termos texto, autor e leitor. O texto, agora, segundo Lévy (1999), 
“[...] é posto em movimento, envolvido em um fluxo, vetorizado, metamórfico. [...] 
torna-se análogo ao universo de processo ao qual se mistura” (LÉVY, 1999, p. 34).
A facilidade que a internet oferece ao usuário no que diz respeito à 
divulgação de uma produção faz com que o texto perca aquela identidade 
singular, pois a mediação de suportes e dispositivos modifica as posições entre 
o autor e o leitor. A interatividade na produção e na recepção da mensagem, 
por exemplo, possui caráter imediato que o texto impresso não consegue atingir. 
Nessa dinâmica, quem lê passa a escrever e vice-versa, diluindo-se as fronteiras 
entre escritor e leitor. Aquele sistema de leitura e escrita unilateral não se configura 
mais, cada usuário é um autor, um leitor e um editor em potencial.
O que precisamos é prestar atenção, pois tudo acontece de maneira 
muito rápida e essa movimentação momentânea da informação necessita ser 
uma preocupação nossa e de todos os professores. Necessitamos desenvolver 
competências junto aos alunos, que são leitores, de conseguirem fazer a 
seletividade das informações apresentadas no universo on-line. 
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
188
3.2 AS NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: MOVIMENTOS 
E UTILIZAÇÃO
FIGURA 42 – TECNOLOGIA
FONTE: <http://entci.blogspot.com.br/>. Acesso em: 26 mar. 2016.
Antes de iniciarmos nossa discussão acerca das novas tecnologias na 
educação, observe a figura e discuta com seus pares: Por que seráque as crianças 
sempre chegam primeiro às novas tecnologias? Nós, futuros ou já professores, 
corremos algum risco por chegar depois? 
Independentemente da resposta que você e seus colegas chegaram, 
devemos ter em mente que mais importante do que a internet estar na escola é a 
escola estar na internet, pois a tecnologia muda a maneira de nos relacionarmos 
com as coisas da nossa vida.
Sabemos, então, que a internet dispõe de muitos aplicativos e ela é a 
ferramenta mais completa, pois oferece informações em tempo real, possibilitando 
diversas pesquisas e interatividade. Podemos ainda acrescentar que a característica 
mais marcante da internet na vida dos seres humanos é o acesso à informação, por 
isso, diversos aplicativos podem ser utilizados no desenvolvimento de discussões 
e de tarefas através dos ícones para navegação na web. 
Observe-os:
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
189
FIGURA 43 – ÍCONES PARA NAVEGAÇÃO
FONTE: <http://www.superdownloads.com.br/download/139/web-2-icons-linux/>.
Acesso em: 27 mar. 2016.
Neste mesmo viés, as escolas têm percebido o quanto é importante o uso das 
tecnologias para a aprendizagem e para o ensino. Em pleno século XXI, pensar em 
ensinar e aprender sem o uso dos diversos aparatos tecnológicos é a mesma coisa 
que deixar de acompanhar a evolução que está na essência da humanidade. Temos 
consciência de que muitas escolas e também muitos professores ainda se baseiam em 
metodologias de ensino ultrapassadas, mesmo coexistindo, ao lado de sua sala de 
aula, um laboratório de informática com computadores de última geração. 
No entanto, nossos alunos chegam até nós, na escola, com celulares de 
última geração e preferem estar no Facebook, Twitter ou no Snapchat do que 
prestar atenção aos conteúdos ministrados pelos professores como importantes 
para sua formação. 
Neste momento, cabe refletirmos: será que as novas tecnologias são 
importantes para a aprendizagem? Elas realmente podem contribuir? Zuin (2010, 
p. 964) nos ensina que 
[...] as respostas para essas questões se referem ao fato de que tais 
transformações proporcionadas pelo desenvolvimento das forças 
produtivas, notadamente as de âmbito tecnológico, ocorrem numa 
tal velocidade que dificultam a composição de reflexões mais 
elaboradas sobre tal processo. Provavelmente, diante da rapidez do 
desenvolvimento dessas tecnologias, a expressão, tão comumente 
usada, de que estamos dentro do “olho do furacão”, não representa 
apenas uma figura de linguagem.
Apesar de a velocidade dificultar reflexões mais profundas acerca dessa 
temática, a utilização das tecnologias no ambiente educativo tornou-se uma 
ferramenta muito valiosa para a construção do conhecimento e mais interessante 
ainda por ser uma proposta prática, prazerosa, chamativa e significativa para 
aquele que aprende, e mais dinâmica para aquele que educa. 
UNIDADE 3 | NOVAS FORMAS DE LEITURA E DE INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
190
O que não deve ser esquecida é a conscientização do professor para com seus 
alunos no que diz respeito ao uso alienado das mídias e da pesquisa na internet, 
ou seja, não podemos, como professores, solicitar uma pesquisa e pedir aos alunos 
que apenas imprimam o texto e o entreguem para gerar uma nota. Necessitamos 
orientar nossos alunos à leitura reflexiva de informações diversas, nos meios 
digitais, para que eles possam fazer descobertas que venham a ser compartilhadas 
e debatidas com um posicionamento científico e crítico em sala de aula. 
Nesse contexto, a necessidade do diálogo sobre as relações entre as 
informações, o conhecimento, a tecnologia e seus meios, o ensino-aprendizagem, 
torna-se essencial para situar o professor e o aluno nesses contextos de informação. 
Para o professor, certamente, esse será um grande desafio: transformar a sala 
de aula convencional numa intermediação de vivências a partir das tecnologias. 
Para o aluno, esse será um importante momento: a aprendizagem de diversos 
conteúdos além do quadro e do giz.
É claro que a utilização da tecnologia na educação, por si só, não garantirá 
a aprendizagem dos alunos, ela necessita ser utilizada como um instrumento de 
ensino a serviço da constituição e apropriação do conhecimento. A introdução 
desse recurso na educação deve ser acompanhada de formação contínua 
dos professores, para que eles possam utilizar tal ferramenta de uma forma 
responsável e eficiente. 
3.2.1 A inserção dos aparatos tecnológicos na sala de 
aula
O uso da informática na educação implica novas maneiras de se comunicar, 
de pensar, de aprender e de ensinar. A inserção desses aparatos de informática 
na escola não deve ser concebida como mais uma disciplina da grade curricular, 
mas eles devem ser utilizados como um recurso pedagógico que objetiva auxiliar 
o professor na integração dos conteúdos curriculares. Assim, esse recurso não 
pode apenas se limitar a técnicas de digitações e em conceitos de funcionamento 
do computador, uma porção de oportunidades necessitam ser exploradas pelos 
alunos e professores.
Valente (1999) postula que o computador na escola deve instruir os alunos, 
criando condições para que eles possam descrever e desenvolver as informações, 
reconstruindo-as e materializando-as por meio de novas linguagens. Assim, nesse 
processo, o aluno é desafiado a transformar as informações em conhecimentos 
práticos para sua vida. Valente (1999, p. 4) ainda nos sugere que: 
[...] a implantação da informática como auxiliar do processo de construção 
do conhecimento implica mudanças na escola que vão além da formação 
do professor. É necessário que todos os segmentos da escola – alunos, 
professores, administradores e comunidades de pais – estejam preparados 
e suportem as mudanças educacionais necessárias para a formação de um 
novo profissional. Nesse sentido, a informática é um dos elementos que 
deverão fazer parte da mudança, porém essa mudança é mais profunda 
do que simplesmente montar laboratórios de computadores na escola e 
formar professores para utilização dos mesmos.
TÓPICO 1 | O LETRAMENTO NA ERA DIGITAL
191
Implantar laboratórios de informática nas escolas não é o suficiente para 
uma educação de qualidade, é necessário que todos os membros que constituem 
a escola, inclusive os pais, tenham seu papel redesenhado, ou seja, utilizar os 
aparatos tecnológicos, de maneira correta, implica um envolvimento da atividade 
humana em todas as esferas, principalmente na produtiva.
Antes de introduzir os aparatos tecnológicos nas aulas expositivas, faz-
se necessário entender as funcionalidades e as consequências de seu uso, pois 
somente a partir disso torna-se possível utilizá-los de maneira a transformar as 
aulas em momentos de discussão, quando a participação dos professores e alunos 
acontece propiciando, uma comunicação em que todas as partes se envolvem.
Você sabia que existe até um prêmio, reconhecido pela Microsoft, para os 
professores que melhor utilizarem a tecnologia em sala de aula? O prêmio faz parte do 
programa “Parceiros na Aprendizagem”, que está presente em 119 países e estimula a utilização 
de recursos tecnológicos para melhorar o processo de aprendizagem dos estudantes.
NOTA
192
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• O letramento é um conjunto de práticas sociais que envolvem o texto escrito.
• O letramento e/ou os letramentos vieram para nos levar a pensar em um ensino 
e em uma aprendizagem que vai além da codificação e decodificação, isto é, 
essa invenção, chamada letramento(s), inicia uma compreensão diferenciada, 
baseada nos usos sociais da linguagem escrita.
• A partir de meados dos anos 1990, os estudos do letramento ampliam o escopo 
de suas pesquisas, buscando entender também os eventos de letramento 
que ocorrem no contexto digital e o impacto dessas práticas na cultura e na 
sociedade em geral.
• As inovações tecnológicas modificam as relações entre a leitura, o leitor, o 
texto, a comunicação, ora alternando as práticas de linguagem, ora exigindo 
dos sujeitos

Mais conteúdos dessa disciplina