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OFICINA 2 - EPIDEMIOLOGIA DOS PROBLEMAS DE SAÚDE MENTAL (RANSTORNOS MENTAIS, IMPORTÂNCIA DA APS, DESAFIOS PARA OS CUIDADOS EM SAÚDE MENTAL NO BRASIL, O IMPACTO DO SOFRIMENTO MENTAL NA CARGA GLOBAL DE

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OFICINA 2 - EPIDEMIOLOGIA DOS PROBLEMAS DE SAÚDE MENTAL 
 
1. DEFINIR EPIDEMIOLOGIA E FATORES DE RISCO 
DOS TRANSTORNOS MENTAIS. (DEPRESSÃO, 
ANSIEDADE, SUICÍDIO, BURNOUT, TOC, 
TRANSTORNO BIPOLAR E ESQUIZOFRENIA) 
 
DEPRESSÃO 
Segundo o relatório Mundial de Saúde da OMS 
(organização Mundial da Saúde), em 2020, a 
depressão seria a segunda doença que causaria 
maior ônus entre todas as doenças, perdendo 
apenas para a doença isquêmica cardíaca 
Dados publicados pela OMS, em 2017, revelam cerca 
de 332 milhões de casos de depressão no mundo, 
enquanto no Brasil, são registrados cerca de 12 
milhões de casos, sendo considerada a maior taxa de 
depressão da América Latina. Ademais, a doença 
afeta mais mulheres do que homens e pode estar 
presente em diferentes faixas etárias (infância e 
adolescência, vida adulta e idosos). 
O percentual de brasileiros que declara ter recebido 
diagnóstico de depressão por profissional de saúde 
mental subiu 34,2% em seis anos, mostram dados do 
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 
A PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) 2019 aponta que 
10,2% (16,3 milhões) das pessoas com mais de 18 
anos sofrem da doença. Quando o levantamento 
anterior foi realizado, em 2013, eram 7,6% (11,2 
milhões) — um adicional de 5,1 milhões de casos no 
período. As regiões urbanas registram a maior 
prevalência de casos de depressão (10,7%), enquanto 
nas áreas rurais o índice é de 7,6%. 
Estados do Sul e Sudeste têm 15,2% e 11,5%, 
respectivamente, de adultos com diagnóstico 
confirmado de depressão, segundo a pesquisa. Em 
seguida aparecem, Centro-Oeste (10,4%), Nordeste 
(6,9%) e Norte (5%). 
Quando analisados os dados por sexo, as mulheres 
são as que mais sofrem de depressão: 14,7%, versus 
5,1% entre os homens. Os idosos entre 60 e 64 anos 
representam a faixa etária com maior incidência: 
13,2%. 
 
 
Sexo 
Uma observação quase universal, 
independentemente de país ou cultura, é a 
prevalência duas vezes maior de transtorno 
depressivo maior em mulheres do que em homens. 
 
Idade 
A idade média de início para transtorno depressivo 
maior é em torno dos 40 anos, com 50% de todos os 
pacientes tendo início entre os 20 e os 50 anos. Esse 
transtorno também pode iniciar na infância ou na 
velhice. 
Dados epidemiológicos recentes revelam que a 
incidência de transtorno depressivo maior pode estar 
aumentando entre pessoas com menos de 20 anos. É 
possível que isso esteja relacionado ao aumento do 
uso de álcool e do abuso de drogas nessa faixa etária. 
 
Estado civil 
O transtorno depressivo maior ocorre mais 
frequentemente em pessoas sem relacionamentos 
interpessoais íntimos e naquelas que são divorciadas 
ou separadas 
Não foi encontrada correlação entre condição 
socioeconômica e transtorno depressivo maior. A 
depressão é mais comum em áreas rurais do que em 
áreas urbanas. A prevalência de transtorno do humor 
não difere entre as raças. 
 
 
FONTE: Folha de São Paulo 
(https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2
022/07/brasil-vive-2a-pandemia-na-saude-mental-
com-multidao-de-deprimidos-e-ansiosos.shtml) 
 
FATORES DE RISCO 
 Histórico familiar; 
 Transtornos psiquiátricos correlatos; 
 Estresse crônico; 
 Ansiedade crônica; 
 Disfunções hormonais; 
 Dependência de álcool e drogas ilícitas; 
 Traumas psicológicos; 
 Doenças cardiovasculares, endocrinológicas, 
neurológicas, neoplasias entre outras; 
 Conflitos conjugais; 
 Mudança brusca de condições financeiras e 
desemprego. 
 
Os fatores de risco relacionados com a depressão 
entre estudantes de Medicina: 
 Estresse 
 A frequência de atividades de lazer 
 A satisfação com o desempenho acadêmico e 
 Falta de apoio emocional no ambiente 
 
 
ANSIEDADE 
Os transtornos de ansiedade constituem um dos 
grupos mais comuns de doenças psiquiátricas. O 
Estudo Americano de Comorbidade (National 
Comorbidity Study) relatou que 1 em cada 4 pessoas 
satisfaz o critério diagnóstico de pelo menos um 
transtorno de ansiedade e que há uma taxa de 
prevalência em 12 meses de 17,7%. As mulheres 
(com prevalência durante a vida de 30,5%) têm mais 
probabilidade de ter um transtorno de ansiedade do 
que os homens (prevalência durante a vida de 
19,2%). Por fim, sua prevalência diminui com o status 
socioeconômico mais alto. 
Uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio 
Grande do Sul (UFRGS) nos meses de maio, junho e 
julho de 2021, revela que 80% da população 
brasileira tornou-se mais ansiosa na pandemia do 
novo coronavírus. “Percentual, que é de 30% em 
alguns países, chega a 80% no Brasil” disse à Agência 
Brasil a professora da UFRGS Adriane Ribeiro Rosa, 
coordenadora da pesquisa. Acesso disponível em: 
(https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/202
0-10/pesquisa-revela-aumento-da-ansiedade-entre-
brasileiros-na-pandemia) 
Há estudos que apontam uma prevalência geral de 
transtornos de ansiedade em cerca de 27%. Dentre 
eles, o TAG apresenta uma prevalência em 12 meses 
que varia de 0,4 a 3,6% entre países, e uma 
prevalência ao longo da vida na casa dos 9%. 
 
FATORES DE RISCO 
Quando se analisa os fatores de risco, observa-se 
maior prevalência do Transtorno de Ansiedade 
Generalizada em determinados grupos, como 
mulheres, pessoas com mais idade, indivíduos com 
menor quantidade de anos de estudo, pessoas de 
baixa renda, fumantes, etilistas e aqueles que 
apresentam comorbidades crônicas. 
 
 
SUICÍDIO 
O suicídio é um importante problema de saúde 
pública, com impactos na sociedade como um todo. 
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 
estima-se que no mundo, mais de 700 mil pessoas 
morrem por suicídio anualmente, sendo a quarta 
maior causa de mortes de jovens de 15 a 29 anos de 
idade. 
 
Entre 2010 e 2019, ocorreram no Brasil 112.230 
mortes por suicídio, com um aumento de 43% no 
número anual de mortes, de 9.454 em 2010, para 
13.523 em 2019. A taxa nacional em 2019 foi de 6,6 
por 100 mil habitantes. Destacam-se as Regiões Sul e 
Centro-Oeste, com as maiores taxas de suicídio 
entre as regiões brasileiras (Figura 1). 
Homens apresentaram um risco 3,8 vezes maior de 
morte por suicídio que mulheres. Comparando os 
anos de 2010 e 2019, verificou-se um aumento de 
29% nas taxas de suicídios de mulheres, e 26% das 
taxas entre homens (Figura 2) 
 
A diferença entre os sexos configura um fator 
marcante no risco de suicídio, uma vez que, 
globalmente, homens apresentam um maior risco de 
morte por suicídio em relação às mulheres. Não 
obstante, mulheres apresentam maiores 
prevalências de ideação e tentativas de suicídio. 
Essas diferenças têm sido associadas à maior 
agressividade e uma maior intenção de morrer entre 
homens, levando ao emprego de métodos mais 
letais, maior acesso a armas de fogo e outros objetos 
letais, e maior suscetibilidade aos impactos de 
instabilidades econômicas entre homens. 
Mulheres tentam mais, porém homens morrem mais. 
Isso porque os homens usam de formas mais letais 
(como arma de fogo), enquanto que mulheres tentam 
de formas que as pessoas em sua volta não percebam 
(como abuso de medicamentos) 
Ao analisar a distribuição do risco de morte por 
suicídio segundo faixa etária entre as regiões 
brasileiras, em 2019, observou-se que as Regiões Sul, 
Norte e Centro-Oeste apresentaram as maiores taxas 
de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos 
(Figura 4). 
 
 
Chama a atenção o acelerado aumento das taxas de 
suicídio de adolescentes e jovens no Brasil. Nesse 
sentido, o suicídio configura a quarta maior causa de 
morte entre jovens de 15 a 29 anos de idade. Há uma 
conjunção de fatores relacionados ao 
comportamento suicida na juventude. Alguns fatores 
que se destacam são os sentimentos de tristeza, 
desesperança e a depressão, ansiedade, baixa 
autoestima, experiências adversas pregressas, como 
abusos físicos e sexuais pelos paisou outras pessoas 
próximas, falta de amigos e suporte de parentes, 
exposição à violência e discriminação no ambiente 
escolar e o uso de substâncias psicoativas. 
Analisando a mortalidade por suicídio entre os 
estados brasileiros, observou-se que todos os 
estados da Região Sul do País apresentaram taxas de 
suicídio superiores à média nacional. Destacam-se os 
estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com 
as maiores taxas de suicídio do país, respectivamente 
11,8 e 11,0 por 100 mil habitantes (Figura 5). 
 
As evidências têm demonstrado ainda maiores riscos 
de suicídio entre grupos em situação de maior 
vulnerabilidade, como migrantes e refugiados, 
população LGBT e povos indígenas. Nesse ponto, 
destaca-se a Região Norte, onde se concentra a maior 
proporção da população indígena do País. Um estudo 
em Roraima demonstrou um risco de suicídio 74% 
maior entre indígenas, comparados a não indígenas. 
 
FATORES DE RISCO 
 Família de origem disfuncional 
 Histórico de suicídio na família 
 Transtornos psicológicos 
 Instabilidade econômica 
 Experiências de violência física/sexual 
 Vivência em comunidades violentas e 
 Condições de trabalho insalubres 
 Comportamentos de risco, como o uso de 
drogas e sexo desprotegido também podem 
ser considerados fatores de risco. 
 
 
 
BURNOUT 
Como a síndrome não exige notificação compulsória, 
o Ministério da Saúde não consegue contabilizar com 
precisão o número de brasileiros que são afetados 
por ela. Mas, uma pesquisa realizada pela 
International Stress Management Association (Isma-
BR) em 2018 calcula-se que 32% dos trabalhadores no 
país padecem dela, seriam mais de 33 milhões de 
cidadãos. Em um ranking de oito países, os brasileiros 
ganham de chineses e americanos, só ficando atrás 
dos japoneses, com 70% da população atingida. 
Policiais, professores, jornalistas, médicos e 
enfermeiros estão entre as profissões mais afetadas 
pela pane física e mental. 
A Síndrome de Burnout foi oficializada recentemente 
pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma 
síndrome crônica. Enquanto um “fenômeno ligado ao 
trabalho”, a OMS incluiu o Burnout na nova 
Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que 
entrou em vigor em 1º de janeiro de 2022. 
 
FATORES DE RISCO 
 Sobrecarga de trabalho, 
 Estresse, 
 Esgotamento físico, 
 Depressão e 
 Interação social comprometida 
 
TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC) 
É um transtorno que pode ser confundido com a 
esquizofrenia e é relativamente comum (2 a 4%). 
Possui incidência semelhante em ambos os sexos e 
geralmente tem seu início na infância. Muitas vezes 
subdiagnosticadas: não procura atendimento médico 
e os familiares acabam se acostumando; 
Possui uma evolução crônica, apenas 20% tem 
remissão total. Existem períodos de atenuação, mas 
não há cura. Em torno de 90% das pessoas 
acometidas por essa doença possuem comorbidades 
– quase regra no TOC, sobretudo comorbidade 
psiquiátricas, principalmente depressão; 
As taxas de TOC são bastante consistentes, com uma 
prevalência vitalícia na população em geral estimada 
em 2 a 3%. Alguns pesquisadores avaliaram que o 
transtorno é encontrado em até 10% dos pacientes 
ambulatoriais de clínicas psiquiátricas. Esses números 
fazem do TOC o quarto diagnóstico psiquiátrico mais 
comum depois da fobia, de transtornos relacionados 
a substâncias e do transtorno depressivo maior. 
Entre adultos, homens e mulheres são igualmente 
afetados, mas, entre adolescentes, os meninos 
costumam ser mais afetados do que as garotas. 
A idade média de início é por volta dos 20 anos, 
apesar de os homens apresentarem uma idade um 
pouco menor de início (média de 19 anos, 
aproximadamente) do que as mulheres (média de 22 
anos, aproximadamente). 
Em geral, os sintomas de cerca de dois terços das 
pessoas afetadas têm início antes dos 25 anos, e os 
sintomas de menos de 15% têm início após os 35 
anos. O início do transtorno pode ocorrer na 
adolescência e na infância, em alguns casos até aos 2 
anos de idade. 
Pessoas solteiras costumam ser mais afetadas por 
TOC do que as casadas, apesar de esse achado 
provavelmente refletir a dificuldade de pessoas com 
o transtorno de manter um relacionamento. 
O TOC ocorre com menor frequência entre negros do 
que entre brancos, mas é possível que o acesso à 
assistência médica, e não diferenças de prevalência, 
explique essa variação. 
 
FATORES DE RISCO 
Os principais fatores capazes de aumentar o risco de 
uma pessoa desenvolver o transtorno obsessivo-
compulsiva incluem histórico familiar, como ter 
algum membro próximo da família com diagnóstico 
positivo de TOC ou outras doenças psiquiátricas, e 
acontecimentos traumáticos e estressantes que 
tenham ocorrido na vida da pessoa, como a morte de 
um ente querido ou um acidente grave. 
 
TRANSTORNO BIPOLAR 
Em um estudo brasileiro, foi feita a reanálise dos 
dados do Estudo de Área de Captação 
Epidemiológica, e a prevalência, ao longo da vida, de 
subgrupos TAB, incluindo presença de hipomania 
subsindrômica e sintomas maníacos, foi de 8,3%. 
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o 
TAB é a sexta causa de incapacidade e a terceira 
entre as doenças mentais, após depressão unipolar e 
esquizofrenia, que cursam com maior carga. 
A carga da doença é causada pelas comorbidades 
psiquiátricas e físicas e pela baixa adesão ao 
tratamento. Os custos da doença são decorrentes, 
principalmente, dos custos indiretos da doença. A 
incapacidade funcional ocasionada pelo TAB é 
comparável à de muitas doenças crônicas. 
Como, em geral, os portadores do transtorno têm 
rotinas desregradas e a doença é detectada 
tardiamente, muitas vezes também há problemas 
cardiovasculares envolvidos, como colesterol e 
triglicérides, diabetes tipo 2, abuso de álcool e drogas 
(de 40% a 60% dos casos) e até suicídios (de 5% e 15% 
do total). 
Em 30% a 70% dos casos de bipolaridade, ainda há 
algum outro distúrbio psiquiátrico relacionado, como 
fobias, síndrome do pânico, transtorno obsessivo-
compulsivo (TOC), transtorno de personalidade e 
transtorno do deficit de atenção e hiperatividade 
(TDAH). 
A incidência anual de doença bipolar é geralmente 
considerada inferior a 1%, mas ela é difícil de estimar, 
porque formas mais leves desse transtorno muitas 
vezes passam despercebidas 
 
Sexo 
O transtorno bipolar I tem uma prevalência igual 
entre homens e mulheres. Episódios maníacos são 
mais comuns em homens, e episódios depressivos 
são mais comuns em mulheres. Quando episódios 
maníacos ocorrem em mulheres, elas têm mais 
probabilidade do que os homens de apresentar um 
quadro misto (p. ex., mania e depressão). As 
mulheres também têm uma taxa mais alta de 
ciclagem rápida, definida como quatro ou mais 
episódios maníacos no período de um ano. 
 
Idade 
A idade de início do transtorno bipolar I é mais 
precoce, variando da infância (a partir dos 5 ou 6 
anos) aos 50 anos, ou até mais, em casos raros, com 
idade média de 30 anos. 
 
Estado civil 
O transtorno bipolar I é mais comum em pessoas 
divorciadas e solteiras do que entre as casadas, mas 
essa diferença pode refletir o início precoce e a 
discórdia conjugal resultante característica do 
transtorno. 
 
Fatores socioeconômicos e culturais 
Uma incidência mais alta do que a média de 
transtorno bipolar I é encontrada entre os grupos 
socioeconômicos mais altos; entretanto, ele é mais 
comum em pessoas que não têm curso superior do 
que naquelas com diploma universitário, o que 
também pode refletir a idade de início relativamente 
precoce para o transtorno. 
 
FATORES DE RISCO 
 Histórico familiar da doença; 
 Estresse intenso; 
 Uso e abuso de drogas recreativas e/ou 
álcool; 
 Mudanças de vida e experiências 
traumáticas; 
 Ter entre 15 e 25 anos, uma vez que homens 
e mulheres possuem as mesmas chances dedesenvolver a doença. 
 
ESQUIZOFRENIA 
Pesquisas recentes mostram que a esquizofrenia 
afeta 1% da população mundial e ocorre na mesma 
proporção em homens e mulheres, mas pode ter um 
início mais precoce e pior evolução no sexo 
masculino. Pessoas com esquizofrenia são mais 
propensas a morrer mais jovens do que a população 
em geral. Sua frequência na população em geral é da 
ordem de 1 para cada 100 pessoas. No Brasil, estima-
se que há cerca de 1,6 milhão de esquizofrênicos. 
São muito frequentes condições médicas 
concomitantes, como obesidade, diabetes e doenças 
cardiovasculares. Dentre os esquizofrénicos, há 
uma prevalência aumentada de tabagismo e uso de 
substâncias. 
A esquizofrenia é igualmente prevalente em homens 
e mulheres. Ambos os sexos diferem, no entanto, 
quanto ao início e ao curso da doença. O início é mais 
precoce entre homens. Mais da metade dos 
pacientes com esquizofrenia do sexo masculino, e 
apenas um terço dos pacientes do sexo feminino, têm 
sua primeira internação em hospital psiquiátrico 
antes dos 25 anos de idade. 
As idades de pico do início são entre 10 e 25 anos para 
os homens e entre 25 e 35 anos para as mulheres. O 
início da esquizofrenia antes dos 10 anos ou após os 
60 anos é extremamente raro. 
Alguns estudos indicaram que os homens têm maior 
probabilidade de sofrer sintomas negativos do que as 
mulheres, e que estas têm maior probabilidade de ter 
melhor funcionamento social antes do início da 
doença. 
Em geral, o resultado para os pacientes do sexo 
feminino é melhor do que para os do sexo masculino. 
Quando o início ocorre após os 45 anos, o transtorno 
é caracterizado como esquizofrenia de início tardio. 
 
FATORES DE RISCO 
Os pesquisadores acreditam que vários fatores 
genéticos e ambientais contribuem para a causa, e os 
estressores da vida podem desempenhar um papel 
no início dos sintomas e no seu curso. Como vários 
fatores podem contribuir, os cientistas ainda não 
podem ser específicos sobre a causa exata em cada 
caso individual. 
Embora a causa precisa da esquizofrenia não seja 
conhecida, certos fatores parecem aumentar o risco 
de desenvolver ou desencadear a esquizofrenia, 
incluindo: 
 Ter uma história familiar de esquizofrenia 
 Algumas complicações na gravidez e no 
parto, como desnutrição ou exposição a 
toxinas ou vírus que podem afetar o 
desenvolvimento do cérebro 
 Tomar drogas que alteram a mente 
(psicoativas ou psicotrópicas) durante a 
adolescência e a idade adulta jovem 
 
 
3. ELUCIDAR A IMPORTÂNCIA DA APS NA 
PREVENÇÃO, TRATAMENTO E APOIO NOS 
PACIENTES COM TRANSTORNOS MENTAIS; 
De acordo com a Portaria de Consolidação nº 3 de 
2017, fica instituída, no âmbito do Sistema Único de 
Saúde (SUS), a Equipe Multiprofissional 
Especializada em Saúde Mental. 
Essas Equipes têm por objetivo prestar atenção 
multiprofissional em saúde mental, respondendo à 
necessidade de atendimento especializado, 
integrando-se aos demais serviços das redes de 
atenção à saúde, amparada nos comandos da Lei 
federal nº 10.216 de 2001. 
A assistência será organizada a partir da APS, que 
identificará a necessidade de referenciamento à 
equipe especializada, podendo-se utilizar a 
ferramenta da estratificação de risco, para embasar a 
avaliação de casos a serem referenciados levando-se 
em consideração as especificidades e 
individualidades de cada caso. 
A APS como ordenadora das ações e serviços 
disponibilizados na rede deve coordenar o cuidado, 
prestando o atendimento ao usuário e fazendo o 
seguimento compartilhado com a RAPS, elaborando, 
acompanhando e criando projetos terapêuticos 
singulares, bem como acompanhando e organizando 
o fluxos dos usuários entre os pontos de atenção da 
RAS, assim como as outras estruturas das redes de 
saúde e intersetoriais, públicas, comunitárias e 
sociais. 
Não existe modelo único para a saúde mental na 
APS. Todos os envolvidos devem ser considerados na 
organização do serviço (usuários, familiares, 
profissionais da APS, profissionais de saúde mental e 
gestores). 
Nas situações estratificadas como de baixo risco, 
como as que apresentam sintomas leves a 
moderados de depressão, ansiedade e somatização, 
os sintomas tendem a se sobrepor, além de 
compartilharem os mesmos fatores de risco e 
padrões de evolução. Recomenda-se iniciar com 
cuidados de baixa intensidade (atividade física em 
grupo, panfletos de autoajuda, grupos de apoio), 
passando por grupos psicoeducacionais e de apoio 
que explorem questões como autoestima ou 
resiliência, evoluindo para o uso de terapia 
medicamentosa com supervisão especializada e 
psicoterapia em grupo ou individual, caso necessário. 
Atendimentos individuais, ou consultas 
compartilhadas em saúde mental, também podem 
ocorrer quando identificada a necessidade pela APS, 
e juntamente com os NASF, nos municípios que 
possuem tais equipes. 
Nas situações estratificadas como de médio a alto 
risco, a APS desempenha papel importante no 
diagnóstico precoce, no início rápido do tratamento 
com intervenções rápidas e efetivas na crise, na 
manutenção do tratamento farmacológico e nos 
programas de reabilitação psicossocial para os 
quadros psicóticos crônicos estáveis. Os 
atendimentos em domicílio e os vínculos com as 
famílias facilitam estas intervenções. 
Conforme for a rede municipal, as equipes de APS 
devem contar com capacitação, supervisão e apoio 
matricial de profissionais do Núcleo Ampliado de 
Saúde da Família (NASF), e dos pontos de atenção 
secundária, como os Centros de Atenção Psicossocial 
(CAPS) e das equipes multiprofissionais 
especializadas em saúde mental. 
O usuário sempre continuará vinculado a APS de 
referência, onde o cuidado compartilhado tem se 
mostrado mais eficaz. Salienta-se, ainda, a 
necessidade de prover o cuidado para as 
comorbidades clínicas frequentes, não se limitando 
apenas ao fornecimento de medicação. 
Nos problemas de saúde mental que se manifestam 
na infância e/ou na adolescência, a APS exerce 
importante função de proteção da vida, respeito à 
dignidade, à liberdade e à convivência familiar, social 
e cultural. Os profissionais devem estar atentos para 
reconhecer os principais fatores de risco da saúde 
infanto juvenis, tais como: o contato precoce com 
substâncias químicas, álcool e suas complicações, as 
doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez 
precoce. As ações vão desde a detecção dos sinais e 
sintomas precoces das comorbidades mais 
frequentes, intervenções iniciais para estabilização e, 
se possível, reversão dos problemas; tendo como 
principal apoiador os profissionais especializados 
dos CAPS e/ou dos NASFs e/ou equipes 
multiprofissionais de atenção especializada em saúde 
mental. 
Dependência de álcool e outras drogas. O álcool é a 
droga de abuso com maior prevalência em usuários 
atendidos na APS. A identificação do padrão de 
consumo da bebida alcoólica e de outras drogas 
possibilita reconhecer sinais e sintomas de seu uso 
abusivo. Mediante isto, os cuidados e ações 
propostas incluem intervenções no sentido de 
mostrar claramente as consequências clínicas, 
psicológicas e sociais do uso contínuo de álcool e de 
outras drogas, discutir o risco envolvido, assim como 
encaminhar os usuários para serviços especializados, 
quando necessário. Podem ser programados na APS 
atendimentos em grupos ou encaminhamento para 
grupos de ajuda mútua e a promoção de ações 
intersetoriais, visando a redução de danos, bem como 
a manutenção da abstinência e prevenção de 
recaídas. 
 
4. ABORDAR OS DESAFIOS PARA OS CUIDADOS EM 
SAÚDE MENTAL NO BRASIL; 
Há vários desafios para a saúde mental, que vão 
desde a dificuldade de acesso à informação até os 
problemas assistenciais. 
Muitas pessoas não sabem quais são as doenças 
mentais e os seus sintomas. Com isso, não são 
capazes de perceber que estão com um problemapotencialmente grave, caso não seja tratado 
adequadamente. 
As doenças mentais são condições extremamente 
complexas, portanto, podem exigir o 
acompanhamento por vários profissionais de saúde, 
como psicólogos, enfermeiros terapeutas 
ocupacionais, nutricionistas, fonoaudiólogos, 
farmacêuticos, entre outros. 
Isso não significa que todas as pessoas diagnosticadas 
com algum transtorno psíquico deverão se consultar 
com todos esses especialistas. Na verdade, o 
tratamento deve ser individualizado para cada pessoa 
dentro de uma perspectiva de atenção integral à 
saúde. 
Os desafios são grandes, em especial em relação à 
assistência que ainda é deficitária. Problema que 
compromete a reabilitação do paciente, em especial 
em instituições públicas. 
A falta de uma política séria e programas eficientes 
são os maiores desafios a serem ultrapassados. 
Aliado a isso, o preconceito ainda é outro grande 
entrave. Muitas pessoas simplesmente são chamadas 
de loucas e afastadas do convívio social. 
Por outro lado, a pessoa doente se sente 
envergonhada ou tem medo de buscar ajuda 
psiquiátrica. Desinformação, falta de programas 
educativos preventivos e falta de conhecimento 
sobre a realidade do problema completam o quadro. 
O Ministério da Saúde reconhece o agravamento da 
situação, em especial, pelo aumento no número de 
doenças psicossomáticas e suicídios. 
Praticamente 20% dos brasileiros têm, teve ou terá 
algum distúrbio emocional, como ansiedade, 
depressão ou síndrome do pânico. Por outro lado, o 
declínio no número de leitos para internação só vem 
caindo nos últimos anos. 
Em 1980 eram 120 mil e hoje em dia, não passam de 
12 mil em todo país. No trabalho o problema é 
grande, agravado por jornadas de trabalho 
exaustivas, cobranças incabíveis e metas 
inalcançáveis. 
O primeiro desafio aqui listado diz respeito ao 
fortalecimento da capacidade da atenção primária 
para exercer seu protagonismo no cuidado em 
relação à saúde mental, tanto em termos técnicos, 
quanto institucionais. Pode-se dizer que a 
responsabilidade sanitária específica da APS é 
realizada no cuidado efetivo e eficaz relativo aos 
quadros de alta prevalência, como os transtornos 
depressivos–ansiosos e os problemas referentes ao 
uso nocivo de álcool. Para tanto, são fundamentais a 
devida capacitação dos profissionais, a garantia de 
acesso à medicação básica e o desenvolvimento de 
intervenções terapêuticas não-medicamentosas. A 
disponibilização do Manual de Intervenções do 
Programa para Reduzir as Lacunas em Saúde Mental 
2.0 de 2016 é uma das alternativas existentes para 
superar tais limitações. Nesse contexto, a 
necessidade de integração da ESF com os outros 
dispositivos e instâncias do sistema de saúde é 
indispensável, para superar ações isoladas e construir 
redes de cuidado. 
No que diz respeito ao avanço da cobertura dos CAPS, 
é possível observar que o ritmo de abertura de novos 
serviços fora de mais de 120 novas unidades por ano 
até 2017, a partir do que se registra queda, não 
chegando hoje sequer a 100 novos CAPS anuais. Em 
2016, a Emenda Constitucional estabeleceu um teto, 
a ser mantido por 20 anos, que inibe o crescimento 
de gastos com saúde. Ao mesmo tempo, ocorreu 
reajuste substancial nos valores pagos em diárias nos 
hospitais psiquiátricos, em claro detrimento dos 
serviços comunitários. Pode-se entender, assim, que 
o limite imposto pelo contexto de restrição 
orçamentária, concomitante à reorientação da 
política de saúde mental, privilegiando investimentos 
em hospitais psiquiátricos, constitui uma autêntica 
ameaça à expansão da cobertura de serviços de base 
territorial. E estes, como é amplamente 
demonstrado em todo o mundo, são decisivos para a 
qualidade da assistência, para o enfrentamento dos 
casos mais graves e para a ampliação do alcance dos 
cuidados em saúde mental, devido a sua maior 
capilaridade no tecido social e articulação com a 
atenção primária e outros setores das políticas 
públicas. 
 
5. ENTENDER O IMPACTO DO SOFRIMENTO MENTAL 
NA CARGA GLOBAL DE DOENÇA E SUA RELAÇÃO 
COM A MORTALIDADE PRECOCE; 
Para estimar o impacto das doenças crônicas e 
incapacitantes na saúde pública, como é o caso das 
doenças mentais e comportamentais, para além da 
prevalência e mortalidade recorre-se a aos 
indicadores, como o DALY ( Diseability Adjusted Life 
Years) e o YLD ( Years of Life lived with Diseability), 
que integram também a incapacidade associada às 
doenças em estudo e através do seu conjunto é 
construído um indicador global, designado por Carga 
Global de Doença (Global Burden of Disease - GBD). 
Os DALYs, anos de vida ajustados à incapacidade, 
correspondem ao somatório dos anos de vida 
saudável perdidos devido a uma doença, ou conjunto 
de doenças. 
De acordo com a OMS, em 1990 as doenças mentais 
e comportamentais terão originado cerca de 10,5 por 
cento do total de DALYs perdidos devido a todas as 
doenças e lesões, estimando que em 2000 aquele 
valor teria sido de 12,3 por cento e que em 2020 
atingirá 15 por cento do total de DALYs. A OMS 
estimou ainda que, em 2000, o número de anos vivido 
com incapacidade (YLD) associada às doenças 
mentais e comportamentais terá sido de 31 por 
centro do total de YLD provocados por todas as 
causas. 
A depressão unipolar é a perturbação 
neuropsiquiátrica que origina uma maior proporção 
de DALYs, particularmente no sexo feminino. A OMS 
indica que as perturbações depressivas unipolares 
representam um encargo enorme para a sociedade, 
sendo classificadas como a quarta entidade 
nosológica que maior carga de doença origina, sendo 
responsável por 4,3 por cento do total de DALYS e a 
principal causa de YLDs, representando 11,9 por 
cento do total YLDs na população em geral. No grupo 
etário dos 15 aos 44 anos a depressão foi a segunda 
maior causa de carga de doença, originando 8,6 por 
cento de DALYS perdidos. 
Estima-se ainda que, caso se mantenham até 2030 as 
tendências de evolução demográfica e 
epidemiológica a carga de doença associada à 
depressão aumentará para 6,2 por cento do total de 
DALYs tornando-se a primeira maior causa de carga 
de doença. 
O abuso do álcool encontra-se no 18º lugar do 
ranking entre as causas de maior proporção de DALYs 
perdidos na população total e no 5º lugar do ranking 
da população masculina do grupo etário de 15 aos 44 
anos. Estima-se que o álcool seja responsável por 1,5 
por cento de todas as mortes e 3,5 por cento do total 
de DALYs. Essa carga de doença inclui não só 
perturbações físicas, como a cirrose, mas também 
lesões e acidentes rodoviários e de trabalho 
imputáveis ao álcool. 
A esquizofrenia figura no 8º lugar do ranking entre 
as causas de maior proporção de DALYs perdidos no 
grupo etário dos 15 aos 44 anos devido ao elevado 
grau de incapacidade que provoca, a qual muitas 
vezes é permanente. Estima-se que a esquizofrenia 
reduza em média 10 anos no tempo de vida do 
doente. 
 
DEPRESSÃO 
Os resultados sugerem que o transtorno depressivo 
afeta todas as dimensões da qualidade de vida, 
mesmo quando controlado com outras variáveis 
como a idade. 
Segundo o Epidemiological Catchment Area (ECA), 
sujeitos com depressão maior ou subssindrômica 
apresentam níveis maiores de tensão em atividades 
domésticas, assim como irritabilidade social, estresse 
financeiro, limitações no funcionamento ocupacional, 
pior status de saúde e mais dias perdidos de trabalho 
do que sujeitos sem sintomas. 
Em relação a outras condições médicas crônicas, a 
depressão pode acarretar maiores prejuízos na 
qualidade de vida e no funcionamento social, com um 
comprometimento que pode ser considerado 23 
vezes maior do que aquele causado por outras 
doenças físicas 
 
TOC 
Este estudo verificou que indivíduos com TOC 
apresentaram médias inferiores em todos os 
domínios da qualidade de vida, corroborando com os 
dadosda OMS que mencionam este transtorno como 
um dos mais incapacitantes. Diversos estudos 
também mostram menores médias de qualidade de 
vida no TOC quando comparados à população em 
geral. Os impactos negativos deste transtorno trazem 
diversos prejuízos na vida dos sujeitos, afetando 
diversas áreas, como, por exemplo, a capacidade de 
trabalhar e desempenhar atividades diárias, de se 
relacionar com outras pessoas e de desfrutar das 
atividades de lazer. A partir disso, os indivíduos 
relatam tais prejuízos, demonstrando a piora em sua 
qualidade de vida. 
 
TRANSTORNO BIPOLAR 
Os pacientes com TB têm escore significativamente 
mais baixo, quando comparados com a população 
geral. Além disso, os sintomas depressivos parecem 
ser o determinante primário de qualidade de vida no 
TB, embora outros fatores possam estar associados à 
depressão e à qualidade de vida reduzida no TAB. 
Tal achado também foi encontrado por autores que 
verificaram que os sintomas depressivos eram mais 
frequentes que os maníacos e causaram maior 
distúrbio de funcionamento social, familiar e 
ocupacional. 
O impacto do TB no funcionamento social, 
ocupacional e familiar também foi examinado em 
nosso meio, em trabalho realizado por Moreno e 
Andrade, no qual foi possível observar que o número 
de separações, divórcios, problemas acadêmicos e 
ocupacionais, acidentes e outras doenças clínicas são 
mais comuns entre os indivíduos acometidos da 
doença. 
 
6. COMPREENDER O IMPACTO DA PANDEMIA NO 
DESENVOLVIMENTO E AGRAVO DO SOFRIMENTO 
MENTAL 
Há alguns fatores que predispõem a doenças mentais, 
como: 
• Menos contato social com outras pessoas; 
• Falta de uma rede de apoio; 
• Pouca exposição ao sol; 
• Sedentarismo; 
• Má alimentação; 
• Desemprego; 
• Preocupações relacionadas a dificuldades 
financeiras; 
• Medo de adoecer ou de perder entes 
queridos, entre outros. 
• Falta de acesso a serviços de 
aconselhamento; 
• Queda nos atendimentos presenciais; 
De certa forma, a pandemia acaba trazendo vários 
deles à tona. O distanciamento social é um cuidado 
muito importante para a prevenção da Covid-19, mas 
traz alguns “efeitos adversos”. Ele faz com que não 
vejamos nossas famílias e amigos frequentemente, 
reduzindo nosso contato com nossa rede de apoios. 
As suas consequências financeiras desencadeiam 
preocupações e dificuldades de acessar os bens mais 
essenciais para a saúde, como a alimentação. Além 
disso, muitas pessoas param de se exercitar e de 
tomar alguns minutos de sol todos os dias. Nesse 
sentido, alguns grupos estão ainda mais vulneráveis a 
doenças psíquicas. 
Crianças: A infância é a fase em que o contato social 
é mais importante. Uma das necessidades básicas das 
crianças é a interação com amigos e com o mundo 
para o desenvolvimento pleno. As brincadeiras 
ajudam os jovens a extravasar a energia e a lidar com 
os próprios desafios. A suspensão das aulas e a 
redução de contato com seus pares etários fazem 
com que as crianças fiquem mais predispostas à 
depressão e à ansiedade. 
Idosos: Os idosos são o grupo que mais recebeu 
atenção durante toda a pandemia. A todo o 
momento, eles são expostos a informações sobre os 
riscos de consequências graves caso adoeçam de 
Covid-19. Isso faz com que eles se preocupem 
excessivamente, predispondo-os a transtornos do 
humor. Além disso, o distanciamento pode 
desencadear um afastamento da rede de suporte que 
eles têm. 
Organizações de saúde avaliam que a pandemia de 
covid-19 teve um impacto devastador na saúde 
mundial. 
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde 
(OPAS) apontam que os efeitos foram ainda maiores 
na saúde mental, bem-estar e na interrupção de 
serviços. 
Estima-se que em 2030 os transtornos mentais 
podem custar US$ 16 trilhões à economia global. 
O documento “Strengthening mental health 
responses to COVID-19 in the Americas: A health 
policy analysis and recommendations”, publicado na 
revista The Lancet Regional Health – Américas aponta 
que países da América se esforçam para entender os 
reflexos da pandemia na população. 
Quatro em cada dez brasileiros tiveram algum 
problema de ansiedade. No Peru os sintomas de 
depressão cresceram cinco vezes e a ansiedade 
quadruplicou. 
Desemprego, pobreza, insegurança alimentar, foram 
os problemas que mais agravam a saúde mental e 
física das pessoas. 
Outro dado importante que o estudo traz foi o 
aumento da violência doméstica. Três vezes mais que 
a média mundial. Além disso, pessoas contaminadas 
pelo coronavírus também foram impactadas por 
transtornos mentais ou neurológicos. 
Os resultados de uma pesquisa feita também 
demonstraram os efeitos na saúde mental da 
amostra pela exposição e tipo de informação 
acessada a respeito da pandemia. Assim sendo, os 
participantes que relataram estarem mais 
frequentemente expostos a informações sobre 
mortos e infectados possuem mais chances de risco 
de apresentarem transtornos mentais menores. 
Ainda, no cenário de uma pandemia, o 
gerenciamento político da crise tem efeitos 
socioeconômicos negativos na população local, 
aumentando o desemprego e a insegurança 
financeira. Assim, se as preocupações com a saúde 
física e com o risco de morte são as mais suscetíveis 
de acontecer nesse contexto, a diminuição da renda 
familiar também é um fator que aflige e parece 
impactar negativamente na saúde mental da 
população. 
Outros estudos, conforme referido anteriormente, 
também apontam para uma relação entre recessão 
econômica do país e prejuízos na saúde mental das 
pessoas especialmente para aquelas diretamente 
afetadas. Considerando que a saúde física e mental 
de uma população recebe influência do contexto 
socioeconômico, mercado de trabalho, assistência 
social e políticas públicas, é possível considerar que 
mudanças nessas dimensões reflitam nos indicadores 
de bem-estar da mesma, especialmente quando já há 
uma prevalência anterior de transtornos mentais.

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