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DERMATOLOGIA CAMILA QUEVEDO vitiligo Definição: · Dermatose crônica, adquirida, caracterizada por máculas acrômicas/hipocrômicas (no início as manchas pode ser hipocrômicas, mas depois tornam-se acrômicas) assintomáticas. Epidemiologia: · Afeta 1% da pop. Mundial; · Afeta qualquer raça, sexo e idade (geralmente < 21 anos); · 30-40% com história familiar; · Há relação com fator genético, mas não se sabe qual (herança poligênica? autossômica dominante com penetração variável?); · Queimaduras solares, trauma e estresse psicológico podem ser fatores desencadeantes. Fenômeno de Koebner. Etiopatogenia: 3 teorias 1. Autoimune: teoria mais importante. Ocorre por um componente misto, humoral (anticorpos anti-melanócito) e celular (linfócitos T citotóxicos CD8 + perilesional). Associação com doenças autoimunes. Os autoanticorpos anti-melanócitos vão até a camada basal da epiderme, onde os melanócitos estão, e lesam essas céls. os linfócitos T são detectados nas margens das lesões. 2. Neural: substâncias tóxicas são liberadas por terminações nervosas e inibem ou destroem melanócitos. Essa teoria explica o vitiligo segmentar (dermátomo). 3. Citotóxica: produtos intermediários da melanogênese são tóxicos para o melanócito e inibem ou destroem melanócitos (fenol? Radicais livres?). Doenças autoimunes associadas: tireoidite, anemia perniciosa, doença de Addison, diabetes mellitus, esclerodermia localizada, alopecia areata, miastenia gravis, pênfigo vulgar e nevus halo. Quadro clínico: · Máculas acrômicas, a perda de pigmento pode ser parcial ou completa; · Instalação rápida, em alguns meses OU gradual; · Distribuição: geralmente simétrica, às vezes segue um dermátomo (segmentar); · Localização: áreas mais ricas em melanócitos e de maior atrito (fenômeno de Koebner) – face, axilas, regiões inguinais e genitais, dorso das mãos, aréolas mamárias, pés, cotovelos, joelhos e tornozelos. · As margens das Lesões podem apresentar hiperpigmentação: aspect tricolor – pele normal, pele com hipercromia perolesional e a acromia. · Os pelos nas áreas afetadas podem despigmentar-se com a evolução da doença. Quando os pelos são acrômicos, o prognóstivo é pior pois há mais dificuldade de tratar. Quando os pelos são pretos a pigmentação pode ocorrer pelos melanócitos do folículo piloso. Classificação: 3 1. Vitiligo não segmentar: Pode ser dos tipos: focal, acrofacial, generalizado, universal e de mucosa. Focal: 1 ou + Lesões em determinada área sem distribuição específica (não segue dermátomo). Acrofacial: máculas na parte distal das extremidades, face (gerlamente periorificial) e genitálias. Universal: despigmentação >50% da pele e/ou mucosa. De mucosa. 2. Vitiligo segmentar: · Pode ser focal, uni/bi/ multissegmentar e de mucosa. · 1 ou + máculas num segmento unilateral, frequentemente seguindo um dermátomo (não ultrapassa a linha media). Explicado pela teoria neural. 3. Vitiligo misto: · Vitiligo segmentar que evolui para não segmentar. Diagnóstico: clínico · Clínico: EF e lâmpada de Wood; · Lâmpada de Wood: as Lesões ficam mais evidentes. · Biópsia para exame histopatológico: em caso de dúvida ou para excluir outra doença, não é feita sempre. · Ausência de melanócitos funcionais na camada basal. Nem sempre no corte com HE é possível fechar o diagnóstico, sendo necessário fazer uma coloração com Fontana-Masson (afinidade por melanina/melanócitos).Corado com HE (a) Fontana-Masson – pele normal: melanina e melanócitos na epiderme (400 X). (b) Fontana-Masson - vitiligo: ausência de melanina e melanócitos na epiderme (400x). · Investigar outras doenças autimunes (tireoidite, anemia perniciosa, doença de Addison, DM, alopecia areata, etc). · Diagnóstico diferencial: outras Lesões brancas. · Piebaldismo (congênito) – mais importante, diferencial para vitiligo segmentar. · Líquen escleroso (textura da pele); · Pitiríase alba (descamação fina e componente follicular) hipocromia; · Pitiríase versicolor (flueorescência amarela na luz de Wood e descamação característica) hipocromia; · Hanseníase (anestesia e anidrose). Tratamento: difícil, melhores resultados no início e em crianças. · Corticosteroides tópicos ou outros imunossupressores calcipotriol, tacrolimo ou picrolimo. Usados para controlar a alteração imunológica local. · Psoralênicos tópicos ou VO + sol ou fontes de luz UVA ou UVB. Usado para aumentar a sensibilidade da pele ao sol, usado com a exposição solar para estimular a melanogênese. · UVB narrow band isoladamente fototerapia isolada que ajuda na repigmentação. · Corticoide sistêmico: apenas nas fases ativas (quando aumenta muito as Lesões em pouco tempo); · Outros imunossupressores nos casos graves (methotrexate, ciclofosfamida, ciclosporina e imunobiológicos). · Vit. D VO? Alguns trabalhos mostram eficácia, é uma alternativa; · Camuflagem com maquiagem corretiva, autobronzeadores, tatuagem (porém o trauma pode desencadear novas Lesões); · Áreas extensas: no caso como de vitiligo generalizado pode-se fazer a despigmentação da pele normal com monobenzil éter de hidroquinona 20% ou metoxifenol tópico; · Vitiligo localizado, segmentar ou estável: enxertia de pele visando adicionar melanócitos que vão repigmentar o local pelas bordas das lesões; · Suplementação com agentes orais antioxidantes: vit C ou E, Polypodium leucotomus. Diminuem o dano solar, como a pele com vitiligo não tem a melanina para proteger do sol ela tem mais chances de CA de pele. Mecanismo de repigmentação: Ocorre pela borda da lesão ou pelo folículo piloso. Locais com ausência de pelos é mais difícil a repigmentação. Evolução: · Pode estacionar; · Pode repigmentar espontaneamente (10-20%), particularmente nos + jovens; · Pode progredir ou reativar após período estável.