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Aula- Adesão

Aula sobre adesão aos tecidos dentais: aborda definições (adesivo, aderente, falhas), fatores de molhamento e energia superficial, esmalte e condicionamento ácido (ácido fosfórico 32-38%/30s), dentina e smear layer, camada híbrida, sistemas adesivos (Bis-GMA, HEMA, solventes) e adesão úmida.

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Aula: Adesão aos tecidos dentais
Adesão:
A adesão é dada pelo contato íntimo entre superfícies, uma vez que ela está diretamente relacionada à área de contato entre as partes.
A superfície deve estar perfeitamente limpa, uma vez que esse fator influencia na capacidade de adesão. Contaminantes impedem que haja contato direto com o adesivo, prejudicando o molhamento.
Conceitos:
· Adesivo: material aplicado as superfícies das substancias capaz de uní-las, resistir a separação e transmitir os esforços:
· Aderente: Substrato
· Resistência adesiva: capacidade de uma área de união adesiva suportar uma carga que ela foi aplicada.
· Falha adesiva: ruptura na interface entre dois substratos
· Falha coesiva: ruptura em um dos substratos, sem englobar interface.
Fatores que influenciam na capacidade de molhamento dos líquidos sobre sólidos:
· Tensão superficial: atração que as moléculas internas de um líquido exercem sobre a da superfície, quanto maior, menor a possibilidade de escoamento.
· Umectação/molhamento: capacidade do líquido de molhar um sólido, quanto maior, menor o ângulo de contato e melhor o potencial de boas interações adesivas.
· Energia superficial: manifestação da atração eletrostática de um corpo sólido, que é capaz de atrair moléculas livres do meio que possuam um campo elétrico de sinal contrário. Esta característica é diretamente relacionada com a capacidade de essa superfície reagir, ser molhada/impregnada pelo líquido. Quanto mais alta a energia, melhor a capacidade do substrato de ser molhado (melhor molhabilidade) e, assim, se tornam mais favoráveis à adesão.
Corpos cristalinos/ metálicos: alta energia. Esmalte tem cristais de hidroxiapatita.
Corpos orgânicos: baixa energia.
Por esse motivo é mais fácil a adesividade em esmalte do que em dentina. 
- Pré-requisitos para uma boa adesão:
Íntimo contato entre substrato e adesivo.
Aderente com alta energia superficial, tentar melhorar essa energia do aderente. Uma forma é realizar ótima limpeza do aderente.
Adesivo com alta capacidade de umectação (menor ângulo de contato, maior capacidade de molhar a superfície).
Tensão superficial do adesivo < que energia superficial do substrato. 
-Esmalte dental:
Tecido poroso (0,1% de volume).
Alta dureza e friabilidade.
Matriz orgânica- 1-2% peso. 2% vol.
Água- 4% do peso 12% vol.
Fosfato de Cálcio95-96% peso 86% vol.
Tratamento ácido do esmalte para adesão:
CONDICIONAMENTO ÁCIDO
1-Limpeza da superfície. (Também é necessário realizar a profilaxia, o ácido apenas termina essa limpeza).
2-Aumento da área de superfície pela criação de microporosidades pela ação do ácido.
3-Aumento da energia livre de superfície.
Ácido fosfórico a 32-38%, durante 30s.
Resistência de união acima de 20Mpa.
Padrões de condicionamento (tipo I, II e III), clinicamente não escolhemos isso, a do tipo III é mais superficial e geralmente ocorre na região cervical pela menor quantidade de prismas de esmalte. 
-Dentina:
Substrato permeável, úmido e heterogêneo.
Estrutura tubular 1-22% da área.
Dentro desses túbulos temos:
· Prolongamentos dos odontoblastos.
· Fluidos tissulares.
· Fibras nervosas.
Composição:
· Hidroxiapatita.
· Matriz Orgânica (colágeno tipo1).
· Água.
Smear Layer:
Semipermeável (porosa).
0,5-10 micrometros.
Composta por colágeno desnaturado, detritos de hidroxiapatita, bactérias, saliva, ólea lubrificante.
Resistência de união 5-6Mpa.
Condicionamento ácido da dentina:
-Remoção da Smear Layer.
-Dissolução parcial da hidroxiapatita.
-Afunilamento na abertura dos túbulos.
-Exposição das fibras colágenas.
-O colágeno exposto permite a penetração de primer e resina adesiva circundando as fibras. 
Camada Híbrida é formada:
Estrutura resultante da interação dos monômeros resinosos com as fibras colágenas.
Epessura de 3-7 micrometros.
Selamento dos túbulos dentinários.
Mantem um papel importante no processo de adesão.
Os TAGS são formados no condicionamento ácido, porém a penetração da resina não significa que está totalmente aderida, uma vez que é mais fácil a adesão na dentina intertubular do que na intratubular pela diferença na composição orgânica de ambas.
-Sistemas adesivos resinosos dentais:
Combinações complexas de monômeros resinosos ambifílicos polimerizáveis e solventes orgânicos.
Monômeros: Bis-GMA e HEMA.
Solventes: acetona, etanol e água.
Monômeros hidrofílicos: compatibilidade com a umidade e fluidez.
Monômeros hidrofóbicos: resistência mecânica e estabilidade.
Solventes: Fluidez.
Adesão úmida:
Implicações no desempenho dos adesivos:
· Manutenção dos espaços interfibrilares. 
· Favorecimento da infiltração das resinas adesivas.
· Deve ser removida antes da polimerização do sistema adesivo, de uma forma suave para que não colabe as fibras.
-Classificação dos sistemas adesivos convencionais quanto ao solvente:
Só água, água e acetona, água com etanol, só etanol e só acetona, isso influencia na forma de aplicação e uso desses sistemas.
-Protocolo clínico:
Condicionamento com ácido fosfórico de 32-38%, durante 30s esmalte e 15s no máximo em dentina, pois quando o ácido penetra mais profundamente na dentina por prolongamento do tempo essa dentina não será completamente selada pela penetração da resina e com o tempo essa área vazia pode sofrer uma degradação hidrolítica.
Lavagem: por 30s, para remoção do ácido não reagido e dos subprodutos do condicionamento.
Secagem: O excesso de água é mais prejudicial do que a falta de umidade.
Só em esmalte: vigorosa.
Dentina: depende do sistema adesivo.
-Adesivos com água: dentina sem brilho de superfície, mas sem ressecamento.
-Adesivos sem água: dentina mais úmida com brilho, mas sem excessos e empoçamentos de água.
-Pode ser seca com um breve jato de ar, mas sempre dar preferencia para métodos de absorção (papel absorvente ou bolinhas de algodão). 
Aplicação: 
Adesivos com água: aplicação ativa.
Adesivos sem água: aplicação passiva.
Saturar os tecidos dentais com o primer (sistema de 3 passos) ou com primer-adesivo
 (sistema de 2 passos) no mínimo 2 camadas. 
Jato de ar para secar adesivo: 
-De forma incorreta, forte-
Diminuição da espessura da camada.
Diminuição do grau de polimerização. 
Poças podem gerar problemas estéticos e/ou periodontais. 
 -Forma correta-
Espera de 30s para evaporação residual ou remoção do solvente com jato de ar FRACO à distância.
Verificação do “brilho superficial”.
Fotoativação durante 10s.
-Qual deve ser a espessura da camada de adesivo?
Camada de adesivo deve ser fina o suficiente para apenas preencher espaços interfibrilares.
Deve ser espessa o suficiente para que não tenha sua polimerização inibida pelo oxigênio.
-50-150 micrometros(0,1mm) para desempenhar uma boa função.
Primer:
Primer é o agente promotor de adesão e é composto por monômeros resinosos diluídos em solventes (função hidrofílica do sistema adesivo).
Permite formação de camada híbrida com fibrilas de colágeno. 
Em esmalte não precisa de primer por ele ser quase todo mineral.
No sistema de 2 passos o primer está junto com o adesivo.
Podemos usar marcas diferentes de resina e adesivo? 
Necessário consultar a bula de cada material.
-Adesão à dentina afetada por cárie:
-Alterações morfológicas/histológicas, decorrentes do processo DES-RE.
-Menor conteúdo mineral.
 -Bloqueio parcial dos túbulos dentinários.
-Diminuição do diâmetro. 
-A resistência adesiva é menor que a dentina normal, independente do adesivo.
-Ác. Fosfórico penetra mais profundamente, pois o tecido está menos mineralizado e mais poroso.
-Camada híbrida mais espessa, porém mais porosa e em menor grau de conversão dos monômeros. 
-Infiltração dos monômeros resinosos no lúmen dos túbulos é obstruída.
-Depósitos minerais são resistentes ao ataque ácido, atuando como barreira.
· Diminuição da infiltração do ácido.
· Diminuição da infiltração do adesivo.
Cristais ainda são resistentes à dissolução.
Longo período de condicionamento apenas produz uma camada desmineralizada mais profunda na dentina intertubular.
Uso de CIV sobre esta camada hipermineralizada, o qual propicia maiores forças de união à dentinaesclerótica, por apresentar adesão química e mecânica à estrutura dentária. 
-Adesão à dentina esclerótica:
Camada superficial hipermineralizada.
· Cristais de hidroxiapatita
· Colágeno Desnaturado.
· Bactérias.
A resistência adesiva dessa região é 30% menor que dentina normal, independente do adesivo. 
Presença de colágeno com bactérias.
Incapacidade do àcido/primer acídico de penetrar além da zona hipermineralizada.
Presença de colágeno desnaturado.
Presença de depósitos minerais residuais dentro dos túbulos.
Uso de ácidos de maior concentração? Remoção da dentina hipermineralizada?
O condicionamento ácido é seletivo do esmalte e a restauração feita com resina composta, por devolver o comportamento biomecânico do dente hígido.
-Sistemas adesivos autocondicionantes.
Não requerem condicionamento ácido prévio.
A aplicação deve ser em substrato seco, mas sem ressecamento.
Não requerem controle da umidade e não podem ser lavados.
· Classificação quanto ao PH:
Fortes: <=1
Moderados: 1< ph < 2
Suaves: 2< pH <2,5
Ultrabrandos: pH> 2,5.

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