Prévia do material em texto
Questionário Psicopatologia 1) Explique e exemplifique os seguintes fenômenos clínicos estudados em sala de aula: sinal e sintoma. R: Os sinais são as manifestações que outra pessoa nota na pessoa que está doente, e os sintomas são as queixas do paciente em relação ao que ele está sentindo no momento. 2) Quando se estuda os sintomas psicopatológicos, costuma-se enfocar dois aspectos básicos dos mesmos. Quais aspectos são esses? Explique cada um deles. R: Forma dos sintomas: sua estrutura básica, que é relativamente semelhante nos diversos pacientes. Ex.: alucinação, delírio, ideia obsessiva, labilidade emocional) Conteúdo dos sintomas: aquilo que preenche a alteração estrutural. Geralmente é mais pessoal, dependendo da história de vida do paciente, de seu universo cultural e personalidade prévia ao adoecimento. Geralmente, esses conteúdos estão relacionados aos temas centrais da existência humana. Ex.: sexualidade, segurança, sobrevivência etc. Forma: características básicas do sintoma. X Conteúdo: tema do sintoma. 3) Explique os seguintes critérios de normalidade, citando um exemplo para cada um deles: normalidade subjetiva, normalidade funcional, normalidade como processo e normalidade ideal . R: · O conceito de normalidade em psicopatologia é uma questão de grande controvérsia. Quando se trata de casos extremos, o delineamento entre o normal e o patológico não é tão problemático. Nos casos limítrofes a delimitação entre comportamentos e formas de sentir normais e patológicas é bastante difícil. · O conceito de normalidade em psicopatologia também implica a própria definição do que é saúde e doença mental. Normalidade como ausência de doença: –A pessoa que não é portador de um transtorno mental definido. Os critérios principais de normalidade utilizados em psicopatologia são: Normalidade como liberdade Conforme Vieira (2018), alguns autores existencialistas tratam que saúde está vinculada à possibilidade de transitar com graus de liberdade sobre o mundo, isto é, a doença é a fossilização destas possibilidades existenciais. Normalidade como ausência de doença Conforme esta concepção, normal, do ponto de vista psicopatológico, seria, então, aquele indivíduo que simplesmente não é portador de um transtorno mental definido. Este critério é redundante e baseia-se em uma “definição negativa”, ou seja, define-se a normalidade não por aquilo que ela supostamente é, mas, sim, por aquilo que ela não é, pelo que lhe falta (ALMEIDA FILHO; JUCÁ, 2002 apud DALGALARRONDO, 2008). Embora num determinado caso possa ser um avanço do conhecimento saber o que uma coisa não é quando não se sabe o que é, nesse caso essa definição é considerada precária e falha. Normalidade funcional Baseados em aspectos funcionais, o fenômeno é considerado patológico quando produz sofrimento para o indivíduo e/ou para o seu grupo social (VIEIRA, 2018). Normalidade como bem-estar A Organização Mundial da Saúde definiu a saúde como o complemento entre o bem-estar físico, mental e social e não somente como ausência de doença. Conforme Dalgalarrondo (2008), esse é um conceito criticável por ser muito vasto e impreciso, pois bem-estar é algo difícil de definir objetivamente. Além disso, esse completo bem-estar físico, mental e social é tão utópico que poucas pessoas se encaixariam na categoria “saudáveis”. Normalidade subjetiva O que vale aqui é a percepção subjetiva do sujeito sobre seu próprio estado de saúde. Dalgalarrondo (2008) diz que o ponto falho desse critério é que muitas pessoas que se sentem bem, “muito saudáveis e felizes”, como no caso de sujeitos em fase maníaca, apresentam, de fato, um transtorno mental. Normalidade estatística Segundo Dalgalarrondo (2008), trata-se de um conceito de normalidade que se aplica especialmente a fenômenos quantitativos, com determinada distribuição estatística na população geral (como peso, altura, tensão arterial, horas de sono, quantidade de sintomas ansiosos, etc.). O normal passa a ser aquilo que se observa com mais frequência. Os indivíduos que se situam estatisticamente fora (ou no extremo) de uma curva de distribuição normal passam, por exemplo, a ser considerados anormais ou doentes. É um critério muitas vezes falho em saúde geral e mental, pois nem tudo o que é frequente é necessariamente “saudável”, e nem tudo que é raro ou infrequente é patológico. Normalidade operacional Na normalidade operacional define-se a priori o que é normal e opera-se conforme estas definições. Normalidade ideal Estabelece-se uma norma ideal do que, supostamente, é um sujeito sadio. Normal é aquilo adequado a determinado padrão funcional considerado ótimo ou ideal. A crítica que se faz a esse critério é que ele se baseia em normas socioculturais arbitrárias, as quais podem variar de um local para outro e se modificarem através dos tempos (VIEIRA, 2018). Normalidade como processo Conforme Dalgalarrondo (2008), neste caso, mais que uma visão estática, consideram-se os aspectos dinâmicos do desenvolvimento psicossocial, das desestruturações e das reestruturações ao longo do tempo, de crises, de mudanças próprias a certos períodos etários. Esse conceito é particularmente útil em psiquiatria infantil, de adolescentes e geriátrica. 4) Cite e explique três alterações patológicas da consciência. R: · A psicopatologia da consciência inclui transtornos de déficit de comportamento. Podemos caracterizá-los como condições do cérebro em que a pessoa apresenta dificuldades para “acordar”, orientar-se e responder à estimulação sensorial. Ela parece perdida no tempo ou letárgica. · Os quadros patológicos de alteração da consciência envolvem alterações quantitativas e qualitativas da consciência. · Nas alterações patológicas têm-se os seguintes estados: obnubilação, coma, delírio oniróide, amência ou confusão mental, estados crepusculares e onirismo. · Dentre as etiologias comuns que ocasionam essa alteração estão as causas metabólicas, tóxicas e infecciosas. Ex: 1- Coma: · grau mais profundo de rebaixamento do nível da consciência. · não é possível qualquer atividade voluntária consciente 2- Dissociação da consciência: · fragmentação ou divisão do campo da consciência, ocorrendo perda da unidade psíquica comum do ser humano. · o indivíduo “desliga” da realidade para parar de sofrer. · ocorre nos quadros de crises histéricas de tipo dissociativo, podendo ocorrer também em quadros de ansiedade intensa. 3- Obnubilação ou turvação da consciência: · rebaixamento da consciência em grau leve a moderado. · o paciente pode já estar claramente sonolento ou parecer desperto. · diminuição do grau de clareza do sensório, com lentidão da compreensão e dificuldade de concentração. · o paciente tem dificuldade para integrar as informações sensoriais oriundas do ambiente, encontrando-se um tanto perplexo, com a compreensão dificultada e podendo estar com o pensamento ligeiramente confuso. 5) A distração e a distratibilidade consistem em alterações da atenção. Estabeleça uma distinção entre esses dois tipos de alteração. R: Distração: concentração num assunto impede a apreensão do mesmo, sem caráter patológico. Ex: sábio ou estudioso concentrado. Distraibilidade: incapacidade de fixar a atenção, de caráter patológico. Ex: estudante que desvia atenção para qualquer ruído. · É importante frisar a diferença entre distraibilidade e distração, já que diferente da primeira, esta dá-se não como uma patologia, mas sim por uma superconcentração ativa da atenção sobre determinado objeto, inibindo os demais estímulos. Incapacidade de concentração. · Significado de Distratibilidade: Facilidade demasiada de se desviar a atenção por estímulos externos insignificantes. Exemplo do uso da palavra Distratibilidade: A distratibilidade é um dos sintomas do quadro da síndrome da alteração de humor. Distratibilidade: a atenção é facilmente desviada de um objeto para outro. É um estado patológico que se exprime por instabilidade marcante e mobilidade acentuada da atenção voluntária, com dificuldade ou incapacidade para se fixarou se manter em qualquer coisa que implique esforço produtivo. 6) Cite três perguntas que podem ser feitas ao paciente para investigar sua capacidade de orientação: autopsíquica, temporal e espacial. R: Autopsíquica: É a orientação do indivíduo em relação a si mesmo. Revela se o indivíduo sabe quem ele é, como se chama, que idade tem, qual a sua nacionalidade, estado civil, religião, etc. · Quem é o senhor(a)? Qual o seu nome? O que faz? Qual a sua profissão? Quem são seus pais? Qual a sua idade? Temporal: É a capacidade de orientar-se quanto ao tempo. Indica se o paciente sabe em que momento cronológico estamos vivendo. · Que dia é hoje (semana, mês, ano)? Que horas do dia são agora? Espacial: É a capacidade de orientar-se quanto ao espaço. Indica se o paciente sabe o lugar onde ele se encontra, a instituição, o andar do prédio, o bairro, a cidade, o estado, o país etc. · Onde estamos? Em que cidade estamos? E o bairro? Quanto tempo leva para vir de sua casa até aqui? Qual o caminho? Que edifício é este? Qual o andar? 7) Orientação é a capacidade de situar-se quanto a si mesmo e ao ambiente. Mas essa capacidade pode apresentar alterações patológicas. Cite e explique quatro tipos de alteração da orientação. R: - Desorientação delirante: desorientação resultante de um pensamento delirante. – Dupla orientação: a orientação anormal coexiste juntamente com a orientação normal. – Desorientação apática: a pessoa está lúcida e percebe com clareza e nitidez tudo que se passa à sua volta, porém não tem interesse por si e nem pelo que se passa à sua volta. – Desorientação amnésica: é a incapacidade da pessoa em fixar os acontecimentos e de orientar-se no tempo, no espaço e em suas relações. – Desorientação amencial: ocorre quando da turvação da consciência. – Desorientação oligofrênica: desorientação em virtude da deficiência de inteligência.