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O Mercado de Cafés especiais Produto De acordo com JamesT.McLaughlin Jr, presidente da companhia Intelligent Sia Coffee, o isolamento social durante a pandemia de Covid-19 fez apreciadores de café aprenderem diferentes formas de reproduzir em casa a experiência de consumir cafés especiais em uma cafeteria. Segundo o autor, a pandemia acelerou mudanças que eram inevitáveis, como o aumento da venda de café pela internet, obrigando as marcas a criar formas de se conectar com o público. Isso porque até então os apreciadores estavam impedidos de consumir nas cafeterias, devido à quarentena, e então buscaram nas técnicas de preparo da bebida, uma alternativa para consumir um bom café mesmo durante o isolamento. Com isso, os formatos de café mais fáceis de preparar são uma grande aposta do mercado, desde que se preserve a qualidade de grãos especiais. Além disso, com a flexibilização do isolamento social e atividades em home office houve um grande aumento na procura por cafeterias em áreas residenciais e essa é outra tendência que James acredita ser permanente. No Brasil, os cafés especiais estão crescendo quatro vezes mais do que os tradicionais. Segundo a Forbes, o país é o segundo maior consumidor global da bebida e em 2021 houve um aumento de 1,75% de aumento no consumo do país. A expressão Café Especial vem do termo em inglês “Specialty coffee” ou “Speciality coffee”. Na tradução literal, a expressão significa café de especialidade, mas no Brasil ficou conhecido popularmente apenas como café especial. De acordo com a Specialty Coffee Association (SCA), associação que avalia a qualidade dos cafés especiais, para ser considerado de ótima procedência, o produto precisa estar acima de 80 pontos, conforme imagem abaixo. A embalagem cuidados com design, tecnologia embarcada e informações de rastreabilidade nas embalagens e selo com certificação socioambiental que atesta o sistema de produção e não somente a qualidade da bebida, não é encontrada com os métodos tradicionais em supermercados, por isso difere a forma de venda. De acordo com a BSCA (Brazilian Specialty Coffee Association), “os atributos de qualidade do café cobrem uma ampla gama de conceitos, que vão desde características físicas, como origens, variedades, cor e tamanho, até preocupações de ordem ambiental e social, como os sistemas de produção e as condições de trabalho da mão de obra cafeteira”. Ao contrário do que muita gente acha, as notas sensoriais não são adicionadas ao café, elas já “nascem” ali. Ou seja, o café de especialidade apresenta essas características normalmente, mas elas mudam e se potencializam de acordo com a forma em que o grão é plantado, tratado na lavoura, colhido, processado, torrado e preparado em casa. Os cafés especiais 100% arábica, geralmente, são separados antes de serem comercializados, retirando, assim, os grãos defeituosos. Quando todos esses processos do café são feitos com excelência, o resultado não tem como ser diferente. Por isso, se os passos do café forem cuidadosos, a soma disso tudo será o melhor potencial do fruto, com um sabor e aroma de extrema qualidade na xícara. Preço Devido ao alto investimento requerido na produção para atingir o grau de qualidade de um café especial, o preço praticado neste mercado é relativamente superior comparado a um café tradicional. Em contrapartida, os preços pagos pelo produto são bem maiores. Segundo levantamento do SEBRAE, os consumidores de cafés especiais no Brasil se importam mais com a origem e qualidade do café do que com o preço em si. Isto porque valorizam a experiência do consumo. Em cafeterias uma xícara desse café, pode ser encontrada por até três vezes o valor de um café tradicional. Na internet ou redes sociais, os cafés especiais são vendidos em embalagens de 250 gramas, 500 gramas e 1 quilo com selo e certificações que garantem a qualidade do produto. Há vários fabricantes e marcas oferecidas neste tipo de mercado, onde os produtos mais caros chegam a 500 reais o kg. Isto porque o público alvo desse mercado possui maior poder aquisitivo, portanto está mais interessado na qualidade do que no preço do produto. Com isso, o empresário pode explorar estratégias de preços acima do mercado de cafés tradicionais, inclusive para cobrir seus custos de produção. Praça É muito importante para o cafeicultor ou empreendedor de cafés especiais criar sua própria marca, para então introduzir o produto final diretamente ao varejo e consumidor final. São diversas as formas disponíveis para vender o produto: plataformas de venda, comércio eletrônico, loja física ou até mesmo cafeterias. O mais importante é garantir a comodidade e a qualidade do produto, atributos valorizados pelos clientes. Segundo o SEBRAE, os consumidores potenciais de cafés especiais não buscam apenas aquele café surpreendente, eles também querem saber os detalhes da sua produção, conhecer os processos desde o plantio até a colheita e a origem dos grãos. Por isso, é importante manter a história do produto disponível nos canais de venda. Segundo as pesquisas, as principais opções disponíveis para venda do produto são: · Montar uma loja física com características de cafeteria especializada. A desvantagem desse método é a necessidade de uma grande disponibilidade de recursos e estoque, o que encarece os custos do negócio. · Vender pela internet através de uma loja virtual. A principal vantagem é a estrutura de custos mais enxuta, comparado a uma loja física, e o maior alcance do produto, podendo ser vendido até mesmo em escala global através da rede. · Vender pelas redes sociais, através de parcerias, afiliados e influenciadores digitais cujo conteúdo se relaciona com o estilo de vida dos consumidores. A vantagem desse método é o maior engajamento e aceitação do mercado com o produto. · Plataformas de cafés especiais. Nesses canais, é possível utilizar a estrutura de uma grande rede para distribuir o produto e a principal vantagem é ter á disposição um site para venda com custos baixos. Promoção A ABIC Associação Brasileira da Indústria do Café, foi criada em março de 1973, para controlar e fiscalizar a qualidade de todo café produzido no país. Em 1989 criou o programa de autofiscalização da indústria do café, mais conhecido como selo de pureza ABIC. Pelo sucesso alcançado no Brasil, chamou a atenção de outras organizações internacionais que acabaram utilizando o mesmo modelo de controle de qualidade. Através desses selos da garantia de qualidade inseridos nas embalagens de café conquistada pelos melhores produtores, muitos empresários os utilizam como estratégia para divulgar e alcançar os apaixonados pelo café. Com isso, muitos consumidores escolhem a bebida com base nesse critério, buscando sentir os melhores sabores e aromas. Além disso, todos os anos, a associação lança o Cup Of Excellence, um concurso nacional de qualidade do café. Nessa competição, são escolhidos os melhores grãos do Brasil, com base em critérios como a cadeia de produção do grão, aroma, sabor, etc. A competição consiste em rigorosos processos de avaliação até que sejam classificados de melhor para pior. O objetivo é auxiliar, recompensar e reconhecer os trabalhadores que são dedicados à cafeicultura pelos seus esforços, empenho e qualidade de sua produção através do selo Cup Of Excellence. Além desses, existem outras diversas certificações que garantem e atestam a qualidade dos grãos, tais como: Selo Cafés Do Brasil, Coffee Of The Year e Certificação 4C. Todos esses reconhecimentos podem auxiliar o cafeicultor e empresário na divulgação do produto, atestando sua qualidade e excelência.