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DIRECTOR: Serôdio Towo | Segunda-Feira, 06 de Junho de 2022 | Edição nº: 467 | Ano: 10 | Tiragem: 7500 exemplares
SAI ÀS SEGUNDAS DOSSIERSEFACTOS.COM FACEBOOK: DOSSIERS & FACTOS
Anúncio publicitário
50Mt
Pag 06
NA RENAMO FALA-SE DE DECEPÇÃO
“Saímos do CN mais desunidos”
 ·         Tirou 50 consultores que "pouco faziam"
 ·         E reduziu lucros das editoras
 ·         Seus salários variavam de USD 2500 
a USD 5000
Nyusi: 8 anos e 4 directores do 
SISE
Ministra paga
o preço da
purificação
VÍTIMA DE SABOTAGEM NO MINEDH
 SERÁ POR INSTABILIDADE?
Pag 02 e 03
Pag 05
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 20222 DOSSIERS & FACTOSEDITORIAL
Uma das grandes belezas da 
democracia reside no facto de 
permitir a existência de diferen-
tes ideias e projectos, permitin-
do ao povo escolher o que julgar 
mais adequado às suas necessi-
dades, ambições e desejos.
É bonito e encantador olhar 
para outras latitudes e assistir à 
coabitação de diferentes ideias, 
ao confronto político, à argu-
mentação aguçada e à verdadei-
ra discussão de propostas con-
cretas para a edificação de países 
e instituições fortes.
Infelizmente, parecemos tão 
distantes dessa realidade, na me-
dida em que olhamos para o nos-
so espectro político e não somos 
capazes de ver projectos ou pro-
gramas consistentes elaborados 
na perspectiva de desenvolver o 
país. A crise ideológica é de tal 
ordem que nem é possível des-
cortinar as linhas identitárias de 
cada movimento.
Não se sabe se o partido A ou B 
é da esquerda, direita ou centro. 
Não se percebe se seguem uma 
tendência socialista ou liberal. É 
tudo uma salada que impossibili-
ta que se trilhe um caminho claro 
e objectivo.
Em Moçambique, a democracia 
é subaproveitada. Os partidos 
políticos não passam de grupos 
de pessoas que se associam para 
“delinquir” contra o Estado, sa-
onde pensar diferente é cometer 
blasfémia. Como corolário dessa 
inutilização voluntária da mente, 
a capacidade de raciocínio vai se 
corroendo.
Percebe-se isso, por exemplo, 
pela pobreza dos debates ao ní-
vel da Assembleia da República, 
um órgão que parece ter abdi-
cado da sua prerrogativa de le-
gislar para se tornar um cartório 
cujo papel é reconhecer e auten-
ticar todas as propostas do Go-
verno. A constante fuga aos de-
bates, sobretudo em momentos 
de campanha eleitoral, também 
denuncia uma gritante falta de 
preparo para estas lides.
O povo, há vários anos desa-
pontado com a Frelimo, encon-
tra-se numa situação de clara 
falta de alternativas, porquan-
to não se vislumbra um único 
projecto capaz de fazer nascer 
a mais ténue esperança de que 
o país vá, um dia, regressar aos 
carris. A política afastou-se das 
pessoas e isso contribui para 
a indiferença, sobretudo dos 
jovens.
Lamentavelmente, esta ati-
tude – a indiferença – cria um 
ambiente propício para a perpe-
tuação da mediocridade a que 
estamos votados.
Guias precisam-se para este 
povo sem horizonte.
serodiotouo@gmail.com
tisfazendo única e exclusivamen-
te os seus interesses. As lutas in-
testinais, mais do que notórias 
nos principais partidos, denun-
ciam essa triste realidade.
Os políticos deviam ser dota-
dos de capacidade intelectual 
e de liderança, para que, estan-
do ou não no poder, orientem o 
povo, através de programas cla-
ros, ideias e pensamentos. Tal 
aponta para a necessidade de 
um forte investimento no capital 
humano, como se pode ver nou-
tras paragens. Por cá, é comple-
tamente diferente: privilegia-se 
o amiguismo, o lambe-botismo e 
outros “ismos” que desprezam a 
excelência.
Neste deserto de ideias, os pou-
cos políticos que mostram ser um 
oásis são submetidos ao assassi-
nato de carácter pelos seus pró-
prios camaradas, com o beneplá-
cito das lideranças partidárias e, 
não raras vezes, com o apoio de 
alguns órgãos de comunicação 
social. Assim, a essas figuras res-
tam duas alternativas: ou se ali-
nham à “disciplina partidária” e 
renegam as suas convicções ou 
então defendem seus princípios 
e vêem suas carreiras arruinadas.
É esta a grande realidade e há 
que assumi-la de forma clara: os 
partidos políticos não são mais 
cultores da democracia. Trans-
formaram-se em casas de culto, 
Um país que parece não ter horizonte
FICHA TÉCNICA
PROPRIEDADE DA 
S.T. PROJECTOS E 
COMUNICAÇÃO, LDA
DIRECÇÃO: 
 Serôdio Towo (Director-Geral)
ADMINISTRAÇÃO : 
Gabriel Muchanga
Registo N° 19/GABINFO-DEC/2012
REDACÇÃO, MAQUETIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO: 
Tchumene 1 | Rua Carlos tembe, Parcela Nº 696, Matola | Telf: 869744238 | Celular: 82 4753360 | 
Email: dossiereletronico@gmail.com| DIRECTOR: Serôdio Towo, serodiotouo@gmail.com, Cell: 82 4753360 
|COORDENADOR EDITORIAL: Amad Canda, candaamad@gmail.com, 846526459 | REDACÇÃO: Serôdio 
Towo, Amad Canda, Arão Nualane, Quelto Janeiro, Hélio de Carlos| FOTOGRAFIA: Albino Mahumana| 
ADMINISTRAÇÃO: Gabriel Muchanga , sebmuchanga@gmail.com, 84 228 5835|GRAFISMO: Herbigno Lote | 
CORRESPONDENTES: Eng. Aspirina (Xai-Xai) - 84 5140506) | Henriques Jimisse (Pretória)| PUBLICIDADE 
e MARKETING : Gabriel Muchanga , sebmuchanga@gmail.com, 84 228 5835|EXPANSÃO: Quidero Nhoela, 
Cell: 84 1065591, admis.factos@gmail.com| COLUNISTAS: Fernando Benzane e Rui Maquene| 
3SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS DESTAQUE
Namashulua provocou “abelhas” do 
sector e foi sabotada
MISTÉRIOS POR DETRÁS DA VERGONHA NA EDUCAÇÃO
Nas últimas semanas, a opinião pú-blica tem sido dominada por de-bates à volta dos escândalos consi-derados pela ministra da Educação 
como “vergonhosos erros” nos livros esco-
lares, sobretudo no de Ciências Sociais da 
6.ª Classe. Numa altura em que a sociedade 
pede a exoneração de Carmelita Namashu-
lua, o Dossiers & Factos traz informações 
que podem explicar algumas das razões que 
eventualmente estejam por detrás daquilo a 
que as nossas fontes chamam de sabotagem 
e pressão ao Governo.
O escândalo que tem preenchido manche-
tes de jornais e debates nas rádios e televisões 
nacionais, e não só, bem como as redes sociais 
levou o Dossiers & Factos a investigar os proble-
mas do Ministério da Educação e Desenvolvi-
mento Humano (MINEDH), particularmente os 
relacionados com a sua gestão e a produção dos 
livros escolares de distribuição gratuita.
Informações colhidas de fontes no MINEDH 
dão conta que, em 2007, o Governo moçambica-
no decidiu iniciar o processo de aquisição dos di-
reitos de autor dos livros moçambicanos do en-
sino primário, que antes pertenciam às editoras. 
Começou por atacar a 1.ª e 2.ª classes, o que ge-
rou, segundo as fontes, uma grande revolta por 
parte das empresas afectadas, na altura, a Porto 
Editora, Texto Editora, Longman e Macmillan.
Como se pode depreender, essa acção fez 
com que o Governo passasse a poupar muito 
dinheiro. A título de exemplo, no primeiro ano, 
depois de consumada a compra dos direitos dos 
livros da 1.ª e 2.ª classes, poupou mais de USD 
1.5 milhão.
 
Editoras tentaram a diplomacia
Conforme nos referimos, são quatro as edito-
ras que, na altura, trabalhavam com o MINEDH, 
nomeadamente a Porto Editora e Texto  Editora 
(de Portugal) e Longman e MacMillan (da Grã 
Bretanha). Segundo as fontes, as editoras lusita-
nas foram sempre as mais dominantes e, prova-
velmente, as que mais se sentiram “feridas” com 
a decisão de aquisição dos direitos de autor por 
parte do Governo moçambicano.
A preocupação foi de tal ordem que as edito-
ras recorreram ao governo português para in-
verter o cenário. Em 2008, Aníbal Cavaco Silva, o 
então presidente de Portugal, na sua deslocação 
a Moçambique, tinha como um dos pontos de 
agenda a discussão com o Governo de Moçam-
bique sobre essa matéria.
De acordo com as nossas fontes, para evitar 
que o assunto fosse discutido, o então ministro 
da Educação, Aires Aly, teve de viajar, proposita-
damente, para fora do país, gorando, assim, as 
intenções do então chefe de Estado português.
Ano após ano, o MINEDH vai adquirindo os di-
reitos de autor de livros de outras classes, medida 
que garante ao Estado poupar mais divisasnesse 
processo, prejudicando as editoras.
O antes e o depois em números
Antes de o Estado moçambicano adquirir os 
direitos de autor, as editoras, sobretudo as por-
tuguesas, eram “donas e senhoras” da situação. 
Dizem as nossas fontes que elas – as editoras – 
detinham o monopólio e, a cada ano, negocia-
vam novos preços – cada vez mais elevados para 
o Governo.
Nessa altura, segundo explicam as fontes, os 
gastos com os livros rondavam em média pouco 
mais de 221 milhões de meticais por ano, apenas 
para as primeiras duas classes do ensino primário.
Mais adiante, as fontes mostram que, com a 
aquisição dos direitos pelo Estado moçambica-
no, o preço dos livros caiu drasticamente para 
cerca de 130 milhões de meticais, o que vale di-
zer que se passou a poupar cerca de 92 milhões 
de meticais.
 INDE: o maior responsável
Fontes do Dossiers & Factos explicam cada 
etapa da produção do livro escolar, podendo-se 
dissipar com esta explicação a propalada exi-
gência de se crucificar a ministra do pelouro. Por 
exemplo, as nossas fontes defendem que o INDE 
é o principal responsável pela produção do livro 
escolar.
Esclarecem que esta é a instituição responsá-
vel por fornecer programas de ensino às editoras, 
verificar as provas dos livros, sugerir correcções, 
aprovar o layout e as ilustrações, em estreita 
coordenação com o autor.
No actual modelo, isto é, depois da aquisição 
dos direitos pelo Estado moçambicano, a edito-
ra contrata o autor, edita o livro, procedendo à 
revisão linguística, de conteúdo, da qualidade 
das ilustrações, de fontes bibliográficas e de ima-
gens. Através de concurso público, é contratada 
a consultoria editorial, à qual o INDE apresenta 
uma unidade didáctica que deve nortear a pro-
dução do livro. O relatório da avaliação do livro 
é apresentado à Comissão de Avaliação do Livro 
Escolar (CALE).
Assim sendo, o trabalho final é apresentado ao 
Departamento do Livro Escolar e depois segue à 
Texto: Serôdio TowoD&F
Carmelita Namashulua criou muitos inimigos no sector
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 20224 DOSSIERS & FACTOSDESTAQUE
gráfica vencedora do concurso para a impressão. 
Mesmo assim, antes da impressão, a gráfica deve 
fazer uma prova e mandá-la ao Departamento do 
Livro Escolar e ao INDE, para a competente reve-
rificação dos conteúdos e respectiva aprovação.
Tal como soubemos das fontes, no MINEDH, 
o processo para a produção do livro escolar era 
mais fácil e eficiente quando era liderado pela 
DINAME (do Estado), antes de os doadores – en-
tre eles o Banco Mundial – forçarem o Estado a 
abrir-se ao mercado.
No entender das fontes conhecedoras do sec-
tor, os argumentos acima arrolados justificam 
perfeitamente a queda do director do INDE, Is-
mael Nhêze, de quem se diz ter supostamente 
colocado os negócios à frente dos reais propósi-
tos da sua missão.
 
Os “pecados da ministra Namashulua”
A cedência de um negócio que era do Estado 
aos privados criou condições para que vários es-
quemas ilícitos fossem instalados no MINEDH e 
provavelmente com ramificações noutros sec-
tores ligados ao processo, com o objectivo de 
açambarcar fundos do Estado.
Sucede, porém, que quando chega ao cargo 
de ministra do pelouro, Carmelita Namashulua 
inicia um processo de desmantelamento dessas 
“gangues”, em clara afronta a pessoas que se sen-
tiam “donas da casa”.
Nessa altura, o ministério tinha cerca de 75 
consultores, que supostamente davam assistên-
cia técnica de curta, média e longa duração, sen-
do que a ministra reduziu 50, ficando apenas 25. 
Importa referir que, segundo as nossas fontes, o 
salário destes supostos consultores varia de USD 
2.500 a USD 5.000, dependendo do tempo de du-
ração da consultoria e do grau de exigência da 
assistência.
Por outro lado, Namashulua destituiu o chefe 
do Departamento das Aquisições [UGEA] do mi-
nistério, procurando, desta forma, pôr ordem no 
processo de procurement.
Igualmente, afastou o secretário permanente 
do MINEDH, tendo nomeado, para o seu lugar, 
um quadro da instituição, e promoveu várias per-
mutas entre os directores nacionais da casa.
Para além destes, ainda num tom de coragem, 
Carmelita Namashulua destituiu o chefe do De-
partamento de Gestão do Livro Escolar e Material 
Didáctico, tendo sido substituído por um outro 
quadro proveniente do INDE.
Entendem as fontes que estas e outras “medi-
das extremas” da ministra da Educação foram ne-
cessárias para “curar” um pelouro “doente”, ape-
sar de, com esta sabotagem, estarem já a custar 
caro ao Estado.
 
Plano é derrubar Namashulua
Dizem as fontes deste Jornal que Carmelita 
Namashulua provocou “abelhas” do Ministério da 
Educação, e os escândalos recentes são uma res-
posta clara a isso. Ao mesmo tempo, o escândalo 
serve para pressionar o Presidente da República 
no sentido de destituí-la, para que no lugar dela 
seja colocado alguém que possa facilitar a vida 
às “gangues”.
Segundo as nossas fontes, o ninho que viu 
nascer, crescer e até gerir as supostas gangues 
chama-se INDE, e não descartam também que 
todos os prejudicados pelas decisões da ministra 
tenham se sentido magoados.
 Ismael Nhêze, ex-diretor do INDE (O Pais)
Parece cada vez mais evidente que os erros são fruto de uma sabotagem (O Pais)
5SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS DESTAQUE
Nyusi ainda procura o seu “homem de 
confiança” no SISE
AO OITAVO ANO NO PODER
Na última semana, o Presiden-te da República, Filipe Jacinto Nyusi, voltou a operar mexi-das no topo da hierarquia do 
Serviço de Informação e Segurança de 
Estado (SISE), ao exonerar Júlio Jane do 
cargo de director-geral e nomear para 
o seu lugar Bernardo Lidimba. Este é o 
quarto homem forte dos serviços secre-
tos na era Nyusi, o que em alguns círcu-
los de opinião é entendido como sinal 
de insatisfação por parte do PR.
Filipe Nyusi está a cumprir o seu oitavo 
ano no comando dos destinos de Moçam-
bique, e já vai no seu quarto director-geral 
do SISE. Feitas as contas, em média, cada 
director dura apenas dois anos no mais alto 
posto dos serviços secretos.
O primeiro director-geral que esteve às 
ordens de Filipe Nyusi foi Gregório Leão 
José, que transitou da era Guebuza. Dois 
anos após a tomada de posse do novo ti-
moneiro da nação, Gregório Leão foi exo-
nerado e, para o seu lugar, foi nomeado o 
general Lagos Henriques Lidimo, um ex-co-
mandante das Forças Populares de Liberta-
ção de Moçambique.
Lagos Lidimo já tinha sido chefe do Es-
tado Maior-General, mas, à data da sua 
nomeação, estava na reserva, para onde 
voltaria apenas 10 meses depois, abrindo 
espaço para a ascensão de Júlio dos San-
tos Jane, que era, à data da sua nomeação, 
comandante-geral da Polícia da República 
de Moçambique.
Com aproximadamente quatro anos no 
cargo, Júlio Jane foi o director-geral com o 
reinado mais longo na era Nyusi, seguido 
de Gregório Leão, que durou dois anos. O 
reinado mais curto pertence a Lagos Lidi-
mo, que não completou sequer um ano.
 
Sinal de falta de lealdade?
Os serviços secretos revestem-se de ca-
pital importância, dado o papel que de-
sempenham na garantia da segurança do 
Estado e da soberania. Para especialistas 
ouvidos pelo Dossiers & Factos, é um sector 
que, pela sua sensibilidade, demanda esta-
bilidade, não sendo, por isso, comum que 
seja palco de tantas mexidas em tão curto 
espaço de tempo.
Questionados sobre o que estará por de-
trás deste fenómeno, nossas fontes, que 
preferem não ser identificadas, indicam que 
o Presidente da República, na sua qualidade 
de Comandante em Chefe das Forças de De-
fesa e Segurança, poderá não estar convicto 
da lealdade dos líderes que tem nomeado.
As fontes acrescentam ainda que o de-
sempenho da “secreta” nos últimos anos 
terá deixado a desejar, uma vez que, no seu 
entender, não foi capaz de se antecipar aos 
insurgentes, que, desde 2017, efectuam 
ataques terroristas na província de Cabo 
Delgado, tendo em certos momentos che-
gado a “banalizar o Estado”.
 
Um contraste com a era Guebuza
Se a dois anos do fimdo seu segundo ci-
clo de governação Filipe Nyusi parece ainda 
não ter encontrado o seu “homem de con-
fiança” para liderar a “secreta” moçambicana 
– a avaliar pela longevidade, só Júlio Jane 
parece ter-se aproximado disso – o mesmo 
não se pode dizer do seu antecessor, Ar-
mando Emílio Guebuza.
Guebuza chegou ao poder em 2005, su-
cedendo a Joaquim Alberto Chissano, que 
liderou o país por 18 anos consecutivos – os 
oito primeiros na era do monopartidarismo.
Dois meses depois de chegar à Ponta Ver-
melha, Guebuza viu o então director-geral 
do SISE, José Zumbire, morrer. Para preen-
cher a vacatura, o antigo presidente foi a 
Lisboa buscar Gregório Leão, que, na altura, 
exercia o cargo de embaixador de Moçam-
bique em Portugal.
Agora preso em conexão com o escânda-
lo das dívidas ocultas, Leão permaneceu no 
comando do SISE durante pouco mais de 
11 anos, até ser exonerado por Filipe Nyusi, 
no dia 20 de Janeiro de 2017. As contas são 
fáceis: na administração de Guebuza, não 
houve mexidas no mais alto cargo dos ser-
viços secretos.
Declarante do caso “dívidas ocultas” 
nomeado director-geral adjunto
 
 Na nova estrutura do SISE, um dado 
curioso chama atenção: a nomeação 
de Joia Haquirene para o cargo de 
director-geral adjunto. Joia Haquire-
ne foi o primeiro declarante ouvido 
no âmbito do julgamento do Processo 
18/2019-C, conhecido como caso “dívi-
das ocultas”.
No seu depoimento, Haquirene deu 
algumas informações potencialmente 
comprometedoras para os seus pares 
constituídos réus. A título de exemplo, 
disse ter assinado, na qualidade de ad-
ministrador da GIPS, vários cheques a 
mando de Gregório Leão para a ProIn-
dicus e Ematum.
Alguma imprensa interpreta a sua 
nomeação a número dois do SISE 
como uma espécie de “prémio” pelos 
“serviços prestados” na tenda da B.O.
 Bernardo Lidimba foi empossado na semana passada
Texto: Dossiers & FactosD&F
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 20226 DOSSIERS & FACTOSDESTAQUE
“Saímos mais desunidos”
CN DA RENAMO NÃO SAROU AS FERIDAS
Com o partido Frelimo fragilizado, a Renamo parece incapaz de apro-veitar o momento para alcançar melhores resultados nos próximos 
pleitos eleitorais. A perdiz está a ser diri-
gida por um líder que, na opinião de boa 
franja dos membros, não tem capacidade 
para o efeito. Esta situação está a dividir os 
militantes, pois, nem o Conselho Nacional, 
realizado na semana finda, foi capaz de os 
reaproximar.
Uma decepção. É assim que é descrito o últi-
mo Conselho Nacional da Renamo, que decor-
reu na segunda-feira, 31 de Maio. Uma fonte do 
partido que participou da reunião, na condição 
de convidado, disse ao Dossiers & Factos que 
o encontro não correspondeu às expectativas, 
supostamente por não ter alcançado os seus 
objectivos.
O primeiro dos objectivos que caiu por ter-
ra foi a união. É pública, embora não seja ofi-
cialmente reconhecida a existência de alas no 
partido e os membros esperavam que esta si-
tuação fosse ultrapassada no Conselho Nacio-
nal, um desejo que não se concretizou. “Saímos 
ainda mais desunidos”, sintetiza a fonte.
 
Membros perderam confiança no 
presidente
Os membros da Renamo também espera-
vam por um Conselho Nacional que reflectisse 
à volta da vida do partido nos últimos anos e 
esclarecesse aos militantes sobre certos aspec-
tos. Uma das questões colocadas pelos conse-
lheiros na reunião prende-se com o abandono 
dos membros da Renamo das assembleias de 
voto nas eleições gerais de 2019, precisamen-
te no momento da contagem dos votos, o que 
terá facilitado uma suposta fraude da Frelimo.
Segundo a nossa fonte, a resposta a esta 
questão não foi dada por quem é de direito, 
o que gerou ainda mais desilusão no seio dos 
membros. No entanto, cimentou a percepção 
de que terá sido o próprio Ossufo Momade a 
dar a ordem para tal.
 A fonte revela que os membros ficaram ain-
da mais indignados quando um grupo do par-
tido saiu em defesa da figura a quem cabia dar 
resposta a esta inquietação, cujo nome não 
revelou. Os supostos defensores disseram que 
aquele acontecimento não é inédito no partido, 
alegando que Afonso Dhlakama fez o mesmo 
nas eleições de 1994. Aliás, os defensores são, 
segundo a fonte, os mesmos “indisciplinados” 
que chegaram a tomar posse na Assembleia da 
República à revelia do carismático líder.
“Mas Dhlakama não mandou os membros 
das assembleias de voto abandonarem os seus 
postos. Mandou parar todo o processo”, rebate 
a fonte, acrescentando que, mesmo que a or-
dem dada tenha sido a de abandonar as assem-
bleias, “o que está errado não se imita”.
“Momade traiu e não tem interesse de 
ganhar”
No seio dos membros do partido, é cada vez 
mais cristalina a ideia de que Ossufo Momade 
está, quase que de forma umbilical, ligado ao 
partido Frelimo e ao seu líder, Filipe Jacinto 
Nyusi. Por conta disso, acredita-se que o suces-
sor do histórico Afonso Dhlakama sequer tem 
interesse em vencer as eleições presidenciais e 
assumir o comando dos destinos do país.
Nossa fonte assegura que a única preocupa-
ção de Momade é manter-se como o líder do 
segundo partido mais votado para continuar a 
beneficiar das mordomias que lhe são conferi-
das por lei.
Ainda falando com o Dossiers & Factos, a 
fonte que temos vindo a citar lembra que o ac-
tual presidente da perdiz prometera não tomar 
posse do cargo de membro do Conselho de Es-
tado, diante de Filipe Nyusi, a quem não reco-
nhecia legitimidade. “Mas tomou posse diante 
dele. Se a ideia é imitar Afonso Dhlakama, não 
teria feito isso, porque Dhlakama nunca acei-
tou tomar posse”, refere a fonte.
Outra das grandes desilusões do Conselho 
Nacional foi o relatório da Comissão Política, 
que, na opinião da nossa fonte, confessa ter 
abandonado os trabalhos de tão agastada, foi 
superficial. O documento deveria versar so-
bre as actividades desenvolvidas desde 2019 
a 2021, mas, para a fonte, fê-lo de forma le-
viana, limitando-se a descrever aquilo a que 
chama de “actividades esporádicas”, sem dizer 
que resultados tais acções terão gerado para a 
“perdiz”.
Temas candentes, tais como os membros 
mortos/assassinados, os que abandonaram 
o partido e o processo DDR mereceram ape-
nas leves considerações. Em relação ao DDR, a 
fonte refere que a direcção do partido até jus-
tificou o não pagamento de pensões aos ex-
-guerrilheiros com o facto de estes não terem 
descontado para a Segurança Social.
“Só agora descobriram isso”? Questiona, an-
tes de acusar: “Ossufo traiu os combatentes”.
A fonte critica também o secretário-geral 
do partido, André Magibire, por considerar 
que este não ajuda o presidente. Questionada 
sobre o caminho que a Renamo deve seguir 
doravante, a fonte é peremptória: “Com Ossu-
fo Momade, a Renamo não avança”. A fechar, 
avisa: “Se não vencermos a Frelimo agora, tere-
mos de esperar mais 45 anos para voltar a estar 
fragilizada”.
Texto: Dossiers & FactosD&F
Ossufo Momade cada vez mais contestado pelos seus pares
• Com Ossufo, o partido não avança
7SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS OPINIÃO
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Muitas vezes paramos para pensar se 
somos capazes de seguir e realizar os nos-
sos sonhos. Às vezes, o maior elemento 
que nos enfraquece é o medo, o medo de 
inovarmos e o medo de cairmos e nunca 
conseguirmos levantar daquele degrau 
que nos humilhou no meio de tanta mul-
tidão. Mas, por vezes, é nas derrotas que 
sentimos a sensação de sermos vence-
dores, quando no fundo do nosso peito 
uma gota de esperança nos galvaniza e, 
de repente, paramos para reflectir con-
nosco mesmos e chegamos ao ponto de 
dizer: Eu sou um bom lutador. 
Porque bons lutadores nem sempre 
vencem as batalhas, bons lutadores não 
temem falhar, bons lutadores vão a guer-
ra sabendo que se não vencerem, com 
certeza vão falhar, bons lutadores não 
dormem, sempre esquematizando e in-
vestigando as fraquezas do seu oponente. 
Mas qual é a graça nisso? A graça é que 
mais vale perder com classe, com estilo, 
do que nos escondermos no medo de pelo 
menos tentarmos.
Muitasvezes olhamos ao mundo e pa-
ramos para indagar o porquê de sermos 
os únicos que não vencem, mas poucas 
vezes olhamos ao mundo para questionar 
como vencer.
Estás preocupado em saber como foi 
inventada a lâmpada? Queres saber como 
é possivel mandar uma mensagem de um 
telefone para o outro? Queres saber como 
a rádio faz chegar tua voz ao ouvinte? 
Chega de brincadeiras. Chega de ergofo-
bia. Levante e crie suas próprias ideias e 
deixe de questioanr sobre o que já existe. 
Questione sobre o que não existe. Se que-
res pensar na lâmpada, pense no que não 
foi feito para que a lâmpada brilhe mais 
ou seja amiga do ambiente e não no que 
já foi definido.
Te preocupas porque o mundo diz que 
tudo já foi inventado? Não se preocupe, 
porque essa é a ideia de quem não tem 
muito por criar e fica se acomodando nas 
ideias dos outros. Você pode sim mudar 
o mundo, você pode ser você, você pode 
tranformar a fome em alegria, você pode 
mostrar que as raças não são nenhum 
cartão de crédito para que os Homens 
se respeitem, você pode ser mais do que 
pensa que está limitado a ser. Você pode 
ser a diferença que o mundo espera ver 
um dia. Mas tudo… tudo depende de ti e 
do que fazes para chegar lá.
Muitas vezes podemos nos questionar 
sobre como chegar lá. Às vezes o caminho 
é longo, não duvide disso. Mas muitas ve-
zes, no meio do caminho, encontramos 
grandes prémios, grandes realizações que 
nos fazem correr com mais vontade e com 
mais sede da vitória. Mas isto não se con-
segue com um sorriso, não se consegue 
somente em querer que o mundo sinta 
pena de si, porque as pessoas querem te 
ver batalhando, querem ver mais frutos 
do teu cérebro.
Muitas vezes, pensamos que ninguém 
está a controlar os nossos passos. Pensa-
mos simplesmente que estamos numa ca-
minhada solitária, onde lutamos sem que 
alguém acompanhe a nossa trilha de de-
safios, mas não se engane. Há sim pessoas 
que, mesmo te vendo a sofrer e a perder 
esperanças, ainda sonham em te ver ga-
tinhando, caindo, levantando, chorando 
até que um dia consigas por si mesmo di-
zer o quanto és capaz e que podes merecer 
uma fatia do grande bolo que é o sucesso.
Mesmo que o teu amigo seja o dono da 
torre dos diamantes, que seja o proprieta-
rio das torres gêmeas, nem que seja o Bill 
Gates, às vezes as pessoas querem ver do 
que és capaz para te ajudarem.
Achas que o carpinteiro lhe vai dar em-
prego sem mostrares que gostas da ma-
deira? Achas que o empresário lhe vai dar 
um cargo na empresa se não tens noção 
da contabilidade, secretariado ou amor 
a inovações? Deixa de ficar a lamentar. 
Voe mais alto e mostre o seu potencial. 
Seja tu mesmo. Afinal, o que te impede de 
viver…de sonhar e de mostrar o mundo 
que estás vivo? É a sua pobreza? É por não 
teres de comer? Deixa de ser o coitado, 
deixa de ser a vítima. Faça mais de ti que 
verás o teu futuro abraçar-te fortemente 
e, com certeza, serás feliz por teres sido 
tu a conquistar o teu prémio. Não espe-
re que a bola seja jogada aos seus pés, vá 
ao encontro da bola, seja lesionado, seja 
derrubado, mas, acima de tudo, seja um 
vencedor.
Saiba definir o seu valor
ACTIVISIONISMOACTIVISIONISMO
Sérgio dos Céus Nelson
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 20228 DOSSIERS & FACTOS
Na Estética Nudez de Cabo 
Delegado, livro que venho es-
crevendo, o caos da guerra é a 
semente do mal progressivo. 
Ela [a nudez] é representada 
de forma realista, as pessoas 
são marionetas da guerra e 
sentem a fome dela. Inala-se 
o mais forte cheiro do sofri-
mento, pressentindo-se o sen-
timento da morte que paira 
no canto das armas e na ponta 
aguçada da catana. 
Da miséria, os olhos cônca-
vos suplicam por paz, por li-
bertação “da má governação, 
da falta do existencial que tira 
a vontade de ser e o dever de 
existir”. Esta situação gera im-
potência, tensão e nervosismo, 
que se articulam ocasionando 
as chamadas lamúrias. 
A falta de estrutura e clareza 
numa guerra falhada contra o 
bando do Daesh EIPAC-Kati-
ba de Moçambique, que trou-
xe ao povo moçambicano uma 
mancha de sangue indelével, 
com sucessivas carnificinas, 
destruição de infra-estrutu-
ras públicas, pilhagens, des-
truição de casas nos povoados 
considerados infiéis, uso de 
escudos humanos, raptos, re-
presálias, vinganças.
 Estamos numa situação de-
licada, em que parte da guerri-
lha islâmica primitiva pertence 
aos filhos da terra, convertidos 
e formados pelo califado como 
guias da sua própria desgraça, 
numa heroicidade perversa de 
dar angústia à alma. Sem dúvi-
da que estamos perante a vio-
lência do rio que tudo arrasta 
em sua fúria, mas cabe a quem 
governa o nosso país não dei-
xar o povo sucumbir à fome, à 
morte e à desgraça de um fu-
turo incerto.
Vezes sem conta os milita-
res deixaram o povo à mercê 
da sua sorte. Aquando dos úl-
timos ataques, o povo foi di-
zimado sem protecção, nem 
ajuda nas suas pacatas aldeias. 
Para se proteger do crime e de 
actos de violência, a socieda-
de exige um vasto e complexo 
sistema de ajuda emergente 
do Estado moçambicano, que 
demora chegar, numa guerra 
onde se jogam amigos ocul-
tos e está prenhe de uma ini-
mizade transfronteiriça não 
declarada.
Embora o mundo se debata 
com a crise aguda de um vírus 
chinês que desestabiliza finan-
ceiramente todas as superpo-
tências, com enriquecimento 
do mercado farmacêutico sen-
do o maior e nunca visto em 
todos os tempos, além de uma 
guerra entre Rússia e Ucrânia, 
que é um verdadeiro mode-
lo de guerra para exposição e 
venda de armas à custa de mi-
lhares de vidas inocentes. Mo-
çambique precisa de se centrar 
nos seus problemas, especifi-
camente Cabo Delgado.
 A saturação do tecido social 
torna-se um grande problema, 
com o aparecimento de novas 
doenças psicológicas e uma 
grande impotência dos povos 
perante a sua liderança em fase 
de crises cíclicas. Moçambique 
não é uma excepção nesta nu-
dez de problemas globais.
No auge do limite da satura-
ção social, militar e política, 
questiona-se a violência brutal 
das Forças de Defesa em Cabo 
Delgado, no estresse pragmá-
tico de definir com clarividên-
cia os lados da inimizade, dos 
infiltrados e dos presumíveis 
malfeitores infiltrados nos 
seios dos deslocados.
Chove pólvora por tudo 
que é lado, a guerra reclama 
fome de tudo e todo, o povo 
divorcia-se da razão e do seu 
eu, das suas conquistas e dos 
seus amores, e vê a existência 
e o sentido a serem-lhes nega-
dos por irmãos que vendem 
a pátria em troca de falsas 
profecias.
OPINIÃO
O Falso Patriotismo e a Guerra no Norte
PRIMEIRO PONTOPRIMEIRO PONTO
 Nobre Rassul
9SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS OPINIÃO
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Ministra Carmelita Namashulua tomou boas 
medidas, mas faltou uma: a demissão.
Por: NkassanaWaka-Tembe–nkassana@gmail.com.org
Foi muito bom ver e ouvir a ministra da 
Educação e Desenvolvimento Humano a 
se pronunciar em relação àquele escânda-
lo do livro da sexta classe. Não se sabe ao 
certo o porquê deste posicionamento ter 
acontecido apenas depois daquele teatro 
barato da porta-voz do ministério. Nossa 
porta-voz foi infeliz porque quando todos 
pensávamos ser esta uma oportunidade de 
ouvirmos um posicionamento firme e con-
sensual sobre medidas a serem tomadas 
em relação ao livro da sexta classe, veio ao 
público com medidas tão insustentáveis.
  Num discurso que parece não ter sido 
concertado com os demais membros do 
ministério, ficou claro que a porta-voz es-
tava à margem daqueles que são os reais 
problemas deste instrumento de ensino. 
Minimizou a correcção, ao sugerir um 
simples exercício de errata, o que veio agu-
dizar a crítica pública.
Para aquele tipo de problema, conside-
rando o papel e responsabilidade que a ins-
tituição tem na formação do homem novo, 
o informe à nação transcendia a capacida-
de da porta-voz, pelo que fez bem a minis-
tra da Educação ao descer à base, sentar-
-se junto com os alunos, conversar com os 
professores, assim como com a máquina 
administrativa para melhor compreender 
a complexidade do problemae daí tomar 
tais decisões, que foram acompanhadas 
por todos.
A ministra, e concordamos plenamente 
com ela, tomou a melhor decisão, a de re-
tirar imediatamente o livro da sexta classe 
em todas as escolas. Isto é o que queríamos 
ter ouvido da porta-voz naquele domingo 
que, ao invés de nos deixar descansar, cha-
mou nossa atenção só para ouvirmos aque-
la dissonância. A ministra apontou ainda 
o afastamento do director do INDE, o que 
não constitui nenhum mal se considerar-
mos que a tal comissão de inquérito preci-
sa de um espaço livre de qualquer tipo de 
interferência no trabalho de investigação.
 A ministra ordenou a criação de um co-
mité científico para proceder à análise de 
todos os livros produzidos desde o período 
de 2019 até ao presente. Este é um reconhe-
cimento de que nossa atenção não pode es-
tar apenas focada no livro do problema. O 
sistema em si está doente. O sector da edu-
cação tem estado a sofrer duras críticas da 
opinião pública e não passam nem sequer 
três meses depois de o próprio sector ter 
estado na boca do povo, isto por conta do 
atraso na entrega e distribuição do livro 
escolar.
É quase uma opinião unânime que a 
qualidade de ensino decresceu, nossas 
crianças mal escrevem, têm dificuldades de 
leitura, não têm o mínimo domínio de con-
tas, os professores não se cansam de apre-
sentar problemas sérios de falta de meios 
e equipamentos de trabalho. As crianças 
continuam sentadas debaixo das árvores, 
há falta de carteiras em boa parte das esco-
las, continuamos com directores que se en-
volvem em roubo de energia eléctrica para 
alimentar os seus gabinetes de trabalho, as 
cobranças do tal valor do guarda estão ao 
rubro. Estes e outros males fazem da Edu-
cação um epicentro de problemas.
Os erros contidos no livro da sexta clas-
se chamam a atenção para que outro tipo 
de reflexão seja aqui feito. Há aqui ques-
tões que precisam de respostas de quem de 
direito. Por exemplo, qual foi a empresa 
responsável pela produção do livro? O que 
isto terá custado em termos de valor aos 
cofres do Estado? Aliás, seria também bom 
saber que procedimentos administrativos 
serão tomados para que se evite proble-
mas do género? Que medidas legais serão 
tomadas para responsabilizar as pessoas 
e instituições envolvidas nesse escândalo? 
Enfim, estas são questões que esperamos 
ver esclarecidas no relatório da comissão 
de inquérito, porque só assim teremos ele-
mentos suficientes para inocentar a quem 
quer que seja.
Dissemos no título que estas medidas 
foram bem tomadas, tendo apenas faltado 
a medida mais importante neste todo exer-
cício. Nos actos de governação, tem sido 
hábito termos a corda a romper-se sempre 
do lado mais fraco. Os nossos dirigentes 
pouco se apresentam em público para as-
sumir efectivamente erros de governação 
e usar o princípio de demissão como sinal 
de quem reconhece os erros.
Moçambique precisa de avançar seria-
mente na responsabilização individual 
das pessoas que nos dirigem. A ministra 
perdeu aqui oportunidade de dizer aos 
moçambicanos que, como pessoa íntegra, 
responsável pelos seus actos, julga que o 
atraso do livro por um período de cerca 
de cinco meses, as cobranças ilícitas, assim 
como o caso deste último episódio (erros 
no livro da sexta classe) são problemas da 
responsabilidade da dirigente máxima do 
pelouro da Educação.
Esta é a coragem que falta no nosso sis-
tema de governação. O director do INDE 
foi demitido, a porta-voz entrou de férias 
compulsivas, mas a cabeça de todos estes 
problemas continua fresca, dirigindo sem 
contemplações este ministério.
A todos os dirigentes comprometi-
dos com a causa do bem servir, um forte 
abraço.
MAYITABASSA!MAYITABASSA!
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202210 DOSSIERS & FACTOSANUNCIO PUBLICITÁRIO
RELATÓRIO E CONTAS 2021
Página 1
Mensagem do Presidente da Comissão Executiva
O Banco Nacional de Investimento. SA (BNI), fundado em 2010 e tendo iniciado as suas operações em 2011, tem a elevada 
honra de apresentar o Relatório e Contas do exercício económico de 2021, um ano particularmente especial, em que o 
Banco completou 10 anos de operação. Os resultados de 2021 apresentados no presente relatório, são bastante positivos 
e satisfatórios tendo em conta que os mesmos foram produzidos num ano conturbado, onde o crescimento da actividade 
bancária em particular, e da actividade económica no geral, foi comprometido pelas incertezas impostas pelo surgimento 
de novas vagas da pandemia da COVID-19, pela intensificação da instabilidade militar na região Norte do País que levou 
à suspensão do projecto Mozambique LNG da Total, pelos impactos de fenómenos naturais e pelas acentuadas variações 
abruptas do Metical face às suas principais contrapartes, particularmente o Dólar Americano.
O BNI, sendo um Banco de Desenvolvimento e de Investimento do Estado cuja missão é promover o desenvolvimento 
socioeconómico e sustentável da economia moçambicana através do financiamento a projectos de investimento 
infraestruturantes e do sector produtivo e da assessoria e estruturação de empresas e projectos com impactos relevantes 
na melhoria das condições de vida dos moçambicanos, em 2021 continuou focado na sua consolidação como um instrumento 
de implementação da política de desenvolvimento do Governo. Neste sentido, o Banco planificou e desenvolveu as suas 
actividades (Plano de Actividades 2021) baseado no Plano Quinquenal do Governo 2020-2024 assim como, e principalmente, 
no Plano do Estratégico BNI 2018-2022. 
Para assegurar o enquadramento das suas actividades nos instrumentos de planificação descritos acima, o Banco assentou 
a sua actuação nos três pilares estratégicos constantes do seu Plano Estratégico 2018-2022, nomeadamente, (i) Pilar I - 
Promoção e financiamento ao desenvolvimento; (ii) Pilar II - Competitividade e sustentabilidade; e (iii) Pilar III - Governação 
corporativa, competências e relacionamento institucional (com objectivos estratégicos para cada pilar), o que permitiu que 
em 2021, o Banco continuasse demonstrando a sua tendência lucrativa, sua robustez e excelente saúde financeira, registando 
confortáveis indicadores de rendibilidade, de solvabilidade e de eficiência operacional, designadamente, um lucro líquido 
positivo de MT 115,7 milhões, rácio de solvabilidade regulamentar de 33% (contra 12% de mínimo regulamentar), rácio 
de liquidez regulamentar de 40% (contra 25% de mínimo regulamentar) e um rácio de eficiência operacional (custos de 
transformação/produto bancário) de 70%. 
Tal como já tinha referido nas minhas primeiras palavras da presente mensagem, este desempenho do Banco em 2021, 
foi conseguido num ambiente macroeconómico doméstico com muitas adversidades que limitaram a normal expansão 
da actividade económica. Contudo, o País, através da adopção, pelo Governo, de medidas de política macroeconómica 
apropriadas, conseguiu evitar a desaceleração registada em 2020 (-1,23%), tendo registado um crescimento do Produto 
Interno Bruto (PIB) de 2,16% (em linha com a previsão de 2,10%), de acordo com as previsões do Instituto Nacional de 
Estatística (INE). Em relação à economia global, o FMI, citado na publicação “World Economic Outlook”, de Janeiro de 
2022, indicam para um crescimento do PIB global de 5,90% para o ano de 2021, o que representa uma tendência de reversão 
à queda registada em 2020 (-3,10%). A tendência de recuperação da economia global deveu-se, no geral, às medidas e 
políticas governamentais, bem como à administração das vacinas contra a COVID-19 a nível global.
Relativamente ao negócio, para lograr alcançar resultados positivos mesmo num contexto de adversidades, o Banco teve 
que adoptar uma estratégia assente em três eixos, designadamente, a eficiência operacional, a gestão prudente de riscos e 
a diversificação das fontes de receita. 
Assim, relativamente ao segmento de Banca de Investimento, através da sua Direcção de Assessoria e Estruturação 
Financeira, o Banco continuou a assessorar empresas e projectos na mobilizaçãode financiamentos e parceiros nas praças 
internacionais, onde destaca-se o estabelecimento de parcerias com investidores da área de energias renováveis dos 
Emirados Árabes Unidos, o que resultou em acordos de investimento e financiamento de plantas de geração de energia 
fotovoltaica de cerca de 60 MW no total, cujos fechos financeiros e provavelmente o início da construção poderão ocorrer 
no corrente ano de 2022. 
Quanto ao segmento de Banca de Desenvolvimento, as acções do BNI em 2021 estiveram, igualmente, orientadas para apoio 
ao tecido empresarial através de financiamento a projectos de investimento e do sector produtivo, onde foi desembolsado 
um montante global de MT 1.376,72 milhões, tendo sido privilegiadas, em grande medida, iniciativas ligadas ao sector da 
indústria, agricultura, comercialização e exportação. Estas operações permitiram o aumento da carteira de clientes, por 
meio da diversificação de sectores, gerando maior impacto na melhoria das condições de vida das populações. 
Quanto à performance financeira, a conjugação dos três eixos de actuação do Banco referidos anteriormente, nomeadamente, 
a eficiência operacional, a gestão prudente de riscos e a diversificação das fontes de receita, permitiu ao Banco alcançar 
uma performance positiva, com indicadores de rendibilidade e de solvabilidade bem confortáveis. Com efeito, quanto aos 
resultados, o Banco registou um lucro líquido de MT 115,74 milhões em 2021, próximo do resultado alcançado em 2020 de MT 
137,51 milhões. Este resultado só foi possível devido a uma forte expansão da carteira de crédito em 40%, com realce para 
o primeiro semestre do ano. Mais especificamente, foram determinantes para o alcance deste resultado, (i) o incremento 
da margem financeira em 68%, passando de MT 415,36 milhões em 2020 para MT 696,07 milhões em 2021 e (ii) o registo de 
resultados positivos de comissões líquidas no valor de MT 107,15 milhões, acima de MT 88,66 milhões registados no período 
homólogo, reflectindo uma maior dinâmica na busca de novos negócios de operações fora do balanço, em particular para a 
emissão de garantias bancárias e prestação de serviços de gestão de linhas de crédito.
De notar que os resultados de 2021 podiam ter sido melhores, se não tivesse havido a actuação de alguns factores exógenos 
com impacto negativo no negócio, nomeadamente, (i) acentuada e abrupta apreciação do Metical face ao Dólar americano, 
causando perdas de reavaliação cambial sobre as exposições em moeda externa, (ii) o contexto macroeconómico mais 
complexo e caracterizado pelo incremento de riscos bancários que levou o Banco a pautar por uma postura mais defensiva 
e conservadora, reforçando significativamente as imparidades e provisões, que penalizaram a rentabilidade mas que 
reforçaram a robustez do Balanço e, (iii) o incremento dos custos operacionais em 21%, associados, principalmente, à 
revisão da estrutura governativa e investimentos necessários para a prossecução das ambições de crescimento do Banco, e 
gastos extraordinários relacionados com a Covid-19.
Para terminar, gostaria de endereçar os meus agradecimentos a todos os membros da Comissão Executiva e do Conselho 
de Administração, pelo apoio e colaboração prestados ao longo do ano de 2021. Os meus agradecimentos vão ainda para 
todos Colaboradores do BNI, os principais actores que permitiram a concretização de tudo quanto apresentamos neste 
relatório, pela sua entrega abnegada, sentido de pertença, comprometimento, trabalho em equipa, sinergia, integridade e 
alinhamento perfeito com a missão, visão e valores do Banco. Estendo os agradecimentos ao Governo, pelo apoio prestado 
através do accionista, o IGEPE – Instituto de Gestão das Participações do Estado, do Ministério de Economia e Finanças e do 
próprio Presidente da República na qualidade de Chefe do Governo. Reconheço e agradeço a colaboração e contribuição de 
todos nossos clientes, que nos deram a oportunidade de mostrar e provar que temos capacidade de lhes prestar e fornecer 
serviços e produtos de qualidade e, foi essa a chave para o alcance dos resultados que hoje apresentamos. E aos nossos 
parceiros de financiamento, que financiaram o nosso Balanço e ajudaram-nos a financiar projectos que com o nosso balanço 
não seria possível, endereçamos nos nossos carinhosos agradecimentos pela confiança de, mesmo com as adversidades que a 
economia esteve a atravessar, aceitaram investir o seu dinheiro no País e financiar projectos que nós indicamos. Finalmente, 
cumprimento e agradeço a todos os stakeholders que directa ou indirectamente contribuíram para o desenvolvimento das 
actividade do BNI em 2021 e, comprometemo-nos a fazer sempre o nosso melhor para maximizar cada vez mais o valor do 
Banco e contribuir efectivamente para a melhoria das condições de vida dos moçambicanos.
Tomás Rodrigues Matola
Presidente da Comissão Executiva
1. Principais indicadores.
2. Desempenho Operacional e Financeiro.
2.1. Áreas de Negócio
Num contexto de desafios macroeconómicos, o BNI como banco de desenvolvimento e de investimento do Estado com missão 
de Promover o Desenvolvimento Socioeconómico e Sustentável para a Melhoria das Condições de Vida dos Moçambicanos, 
procurou intervir com maior profundidade na economia, explorando as oportunidades de negócio emergentes nesta fase, 
enquanto continua a apoiar o sector empresarial em todos os segmentos para minimizar o impacto da Covid-19 na saúde 
financeira das empresas. De forma resumida, são de realce as seguintes actividades:
Financiamento à Industrialização e Comércio Externo
As acções do BNI em 2021 estiveram, igualmente, orientadas no apoio ao tecido empresarial através de financiamento 
a projectos de investimento e do sector produtivo no montante global de MT 1.376,72 milhões, tendo sido privilegiadas 
em grande medida iniciativas ligadas ao sector da indústria, agricultura, comercialização e exportação. Estas operações 
permitiram o aumento da carteira de clientes, por meio da diversificação de sectores, gerando maior impacto positivo 
socioeconómico.
Financiamento por sector
Constituem referências para o BNI os seguintes projectos financiados em 2021 que têm impacto multiplicador na economia 
no que tange à geração de emprego, aumento do PIB, aumento da renda familiar, incremento da eficiência operacional 
institucional, entre outros:
.  Instalação de uma unidade fabril de processamento de oleaginosa na zona norte do País que passou a agregar maior valor na economia com a
exportação de produto acabado em detrimento da situação anterior em que se exportava matéria-prima com menor valor, incluindo o de
venda, para além da geração de emprego e de receita para o Estado; 
.  Aquisição de equipamentos para instalação de uma gráfica industrial, criando capacidade interna de produção gráfica, incluindo livros
escolares, permitindo assim a minimização do tempo e de custos que se incorria na importação de material gráfico de qualidade; 
.  Viabilização de um conjunto de iniciativas desde a instalação fabril, aquisição de maquinaria, e apoio à tesouraria, permitindo a melhoria
na oferta de bens e serviços no País, contribuindo para geração de emprego, de divisas e de receita para o Estado.
.  Fomento, processamento e exportação de cereais e grãos, com maior destaque para castanha de caju, feijão bóer, milho e gergelim,
contribuindo para a geração de divisas para o País. Esta iniciativa tem proporcionado o aumento da produção agrícola de pequenos
agricultores ao nível da região Norte do País, funcionando como garantia de mercado para a produção daqueles;
.  A nível de operações de crédito por assinatura, o Banco teve uma actuação extraordinária com a intervenção na estrutura de importação de
produtos petrolíferos refinados para Moçambique, através da emissão de garantias bancárias. A intervenção do Banco na estrutura de
importação de combustível centrou-se em acções de cobertura dos processos de importação e acompanhamento até à liquidação das facturas
de aquisição destesprodutos para o abastecimento do mercado local, com impacto significativo na sua disponibilidade.
.  Fomento da actividade pesqueira e processamento do pescado essencialmente para exportação, contribuindo para a geração de emprego,
de divisa e de receita para o Estado;
.  Viabilização de um conjunto de iniciativas de agronegócio na modernização e expansão, contribuindo para a melhoria da bolsa alimentar,
geração de emprego, redução do deficit de matéria-prima para a indústria face aos impactos sobre as exportações causados pela Covid-19.
Indústria
Comércio
Agricultura e 
Pesca
Apoio às Pequenas e Médias Empresas (PME´s) com fundos Covid-19 do Estado e parceiros
Em 2021, o Banco demonstrou uma vez mais estar comprometido com as causas da economia, com a contínua disponibilização 
de soluções financeiras especificas com condições de prazo e pricing adequados para a retoma da economia desestabilizada 
pela pandemia COVID-19, a saber:
Linha de Crédito Descrição Impacto
Esta linha tem apresentado resultados positivos 
na economia e nas empresas nos seguintes 
domínios:
§ Financiamento a 151 projectos do total 
224 aprovados;
§ Manutenção de um total de 5.197 postos 
de trabalho e geração de emprego para um 
total 772 pessoas;
§ Geração de um total 338 novos negócios;
§ Geração de receita para o Estado no valor 
global de cerca de MT 1,05 mil milhões.
Linha para o sector de 
transporte
Em 2021, estruturou-se uma linha de crédito, em parceria com o 
Ministério de Transportes e Comunicações, no valor de MT 423,0 
milhões, destinado ao apoio à resposta da crise do sector de 
transporte na área metropolitana de Maputo que ficou agudizada 
com a propagação da covid-19, obrigando o Governo a reduzir para 
1/3 (33%) a lotação dos autocarros, como forma de minimizar os 
riscos de propagação do coronavírus.
O impacto da linha será observado a partir 
do ano de 2022 com a entrada em circulação 
de 80 novos autocarros com capacidade de 
lotação de 90 lugares, respondendo à crise de 
transporte de pelo menos 100.800 
passageiros por dia.
Linha de Financiamento GOV 
Covid-19 e BNI Covid-19
Estruturadas no ano de 2020, sendo a linha GOV Covid-19 com 
parceria do Governo da República de Moçambique, aprovada através 
do Decreto n.º 37/2020, de 02 de Junho.
As linhas estão orçadas em MT 1,6 mil milhões, tendo as primeiras 
solicitações e aprovações sido iniciadas em Setembro de 2020. 
Porém, a sua implementação estendeu-se até 2021, pelo facto de os 
projectos terem necessitado de mais tempo para cumprirem com os 
requisitos de elegibilidade.
Criação de linha de crédito para o apoio a projectos que visam a massificação de gás natural veicular
O Banco desenvolveu uma linha de crédito no valor de USD 5,0 milhões, em parceria com a SASOL e o Ministério dos Recursos 
Minerais e Energia, para o financiamento da cadeia de valor do sector de gás natural veicular, cuja implementação está 
prevista para a primeira parte do ano de 2022. Esta linha de crédito vai permitir a construção de bombas de abastecimento 
a gás para automóveis, de modo a viabilizar a mobilidade no troço entre as províncias de Maputo e Inhambane, incluindo o 
financiamento para a transformação de veículos para uso a gás, permitindo deste modo a redução do custo de combustível na 
estrutura de funcionamento dos veículos com maior destaque para os autocarros comerciais.
11SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS ANUNCIO PUBLICITÁRIO
Página 2
Relatório e Contas 2021
Estabelecimento de Parcerias Estratégicas
O BNI cumpriu um programa de desenvolvimento de parcerias ao nível de Emirados Árabes Unidos (Dubai) na GBF Global 
Business Fórum Africa 2021, promovido pelo Governo de Dubai, onde foram firmadas manifestações de interesse para a 
carteira de projectos de energias renováveis, com parceiros institucionais de Dubai com credenciais comprovados ao nível 
de alguns países africanos. Foram também identificados parceiros financeiros estratégicos para o financiamento de infra-
estruturas na área de hidroeléctricas, linhas férreas, estradas e pontes, incluindo os projectos imobiliários em carteira do 
Banco.
2.2. Análise financeira
O desempenho do BNI em 2021 foi satisfatório embora tenha sido um ano conturbado para as empresas em geral, em que o 
crescimento da actividade bancária foi comprometido pelas incertezas impostas pelo surgimento de novas vagas da pandemia 
da COVID-19, a intensificação da instabilidade militar na região Norte do País, a suspensão do projecto Mozambique LNG da 
Total, impactos de fenómenos naturais, e a fortes variações do Metical face às moedas mais relevantes para a Balança de 
Pagamentos, particularmente o Dólar Americano.
Neste quadro sombrio, o Banco teve que adoptar uma estratégia assente em três eixos, designadamente, a eficiência 
operacional, a gestão prudente de riscos e a diversificação das fontes de receita. A conjugação destes três aspectos permitiu 
que o Banco mantivesse a sua trajectória de lucros positivos com estabilidade e solidez financeira, evidenciado pelo Rácio de 
Capital Tier 1 de 35,89% (41,70% em 2020), pelo Rácio de Solvabilidade de 33,38% (40,43% em 2020) e pelo rácio de liquidez de 
40,02% (54,52% em 2020), estando os indicadores acima dos requisitos regulamentares e dos benchmarks, permitindo melhor 
cobertura dos riscos actuais e futuros advenientes dos choques adversos da conjuntura de mercado.
Em termos de rentabilidade, o Banco logrou um resultado líquido de MT 115,74 milhões em 2021, próximo do resultado 
alcançado em 2020 de MT 137,51 milhões. Este resultado só foi possível devido a uma forte expansão da carteira de crédito 
em 40%, com realce para o primeiro semestre do ano, o que foi determinante para o alcance do lucro de MT 115,74 milhões 
através das seguintes rubricas:
• Incremento da margem financeira em 68%, de MT 415,36 milhões em 2020 para MT 696,07 milhões em 2021, conjugado 
com a revisão pontual e oportuna do pricing de acordo com o risco e o consumo de capital, num cenário de pouca 
liquidez e subida contínua do custo de captação/mobilização de recursos;
• Resultados positivos de comissões líquidas no valor de MT 107,15 milhões, acima de MT 88,66 milhões registados no 
período homólogo, reflectindo a maior dinâmica na busca de novos negócios de operações fora do balanço, em particular 
para a emissão de garantias bancárias e prestação de serviços de gestão de linhas de crédito.
Devido à ocorrência de factores exógenos, a performance do Banco foi marcadamente afectada, limitando o lucro líquido que 
teria fechado acima dos MT 200,0 milhões, nomeadamente:
• Acentuada apreciação da moeda nacional face às principais moedas de transacção, com maior destaque para o Dólar 
Americano, causando perdas de reavaliação cambial sobre as exposições em moeda externa, o que absorveu na totalidade 
os ganhos de trading de moeda, resultando num efeito líquido negativo de MT 87,82 milhões contra o resultado positivo 
de MT 195,05 milhões registado no período homólogo;
• Contexto económico mais complexo e caracterizado pelo incremento de riscos bancários, pautando o Banco pelo reforço 
significativo de imparidades e provisões, que penalizaram a rentabilidade e reforçaram a robustez do Balanço. Com esta 
postura de prudência na avaliação do risco do negócio, o Banco reforçou as imparidades e provisões no valor global de MT 
77,20 milhões, representado uma evolução de MT 53,37 milhões (+ 224%) face ao período homólogo (MT 23,84 milhões);
• Incremento dos custos operacionais em 21%, de MT 381,39 milhões em 2020 para MT 460,21 milhões em 2021, associados, 
principalmente, à revisão da estrutura governativa e investimentos necessários para a prossecução das ambições de 
crescimento do Banco, e gastos extraordinários relacionados com a Covid-19.
Os impostos sobre o rendimento caíram de MT 79,1 milhões em 2020 para MT 39,80 milhões, justificado, por um lado, pela 
redução das retenções na fonte devido à queda do volume de operações tributadas à taxa liberatória(títulos de dívida e 
operações do MMI), e, por outro, devido à variação favorável dos impostos diferidos impulsionada pela significativa redução 
de resultados não realizáveis.
Resultados líquidos (Milhões de MT)
137,51 
(79,10)
216,61 
(23,84)
(381,39)
206,48 
415,36 
115,74 
(39,80)
155,54 
(77,20)
(460,21)
(3,12)
696,07 
Resultados líquidos
Impostos
Resultados antes de impostos
Privisões e Imparidades
Custos de Estrutura
Margem Complementar
Margem Financeira
2021 2020
Produto bancário
O produto bancário, que inclui a margem financeira e a margem complementar, registou um incremento de 11%, ascendendo 
a MT 692,95 milhões em 2021 contra MT 621,83 milhões de 2020, propiciado pela evolução da margem financeira que cresceu 
em MT 263,29 milhões (+ 65%), variação suficiente para compensar a redução na margem complementar em MT 209,60 
milhões, consequência das perdas de reavaliação cambial.
A margem financeira representou 101% do produto bancário (2020: 67%), enquanto a margem complementar se cifrou em -1% 
(2020: 33%), conforme os gráficos que se seguem:
Produto bancário (Milhões de MT)
415,36|67%
696,07|101%
206,48|33%
-3,12|-1%
621,8
692,9
2020 2021
Margem financeira Margem complementar
+11%
Margem Financeira
Face à conjuntura económica adversa, em 2021, o Banco de Moçambique pautou por uma política monetária mais prudente e 
com um teor restritivo até ao primeiro trimestre do ano, com incremento nas taxas directoras em 300 pontos bases, com vista 
a alinhar as taxas de juro de referência às condições de mercado e torná-las positivas em termos reais. A partir do segundo 
trimestre mantiveram-se constantes, nomeadamente, a MIMO a 13,25%, a FPD a 10,25% e a FPC a 16,25%. A Prime Rate 
registou um ligeiro relaxamento ao sair de 18,90% em Setembro de 2021 para 18,60% até Dezembro de 2021, e os Coeficientes 
de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional e estrangeira a partir de Setembro de 2021 apresentaram níveis 
de 10,50% e 11,50%, respectivamente, ao saírem de 11,50% e 34,50%, respectivamente, com o intuito de proporcionar maior 
liquidez ao sistema financeiro, visando impulsionar o crescimento económico e conter o provável aumento do custo de vida 
dos moçambicanos.
Este cenário, conjugado com as medidas que o Banco implementou para mitigação do risco de taxa de juro no balanço, 
através da correcta gestão de activos e passivos financeiros, principalmente no que tange à prudente gestão do funding, e à 
oferta selectiva de crédito focado na qualidade num contexto de mercado que apresenta risco acrescido, permitiu o Banco 
encaixar uma margem financeira na ordem de MT 696,07 milhões acima do valor de MT 415,36 milhões registado em igual 
período de 2020. Este desvio favorável é, em grande medida, sustentado pelos seguintes factos:
• Aumento dos juros de crédito em MT 443,97 milhões (+131%), atingindo o montante de MT 783,95 milhões, propiciado 
pela evolução favorável da carteira de crédito em MT 1,69 mil milhões (+ 40%). Este objectivo estratégico garantiu 
sustentabilidade e melhoria dos resultados do Banco;
• Melhoria do cost of funding do Banco de 11,3% em 2020 para 9,3% em 2021, em resultado da mobilização de recursos em 
condições mais favoráveis em termos de taxa de juro efectiva e prazos. Contudo, os custos com juros observaram um 
incremento de MT 24,29 milhões (+ 9%) em resultado do maior volume de mobilização de recursos no mercado local para 
o financiamento de projectos de investimentos.
Os proveitos de operações de gestão de tesouraria, composta por aplicações em instituições de crédito e investimentos em 
títulos de dívida, registram uma queda de MT 133,53 milhões (-37%), totalizando o montante de MT 225,03 milhões contra MT 
358,55 milhões de 2020, em resultado da redução do volume de transacções com a realocação da tesouraria no financiamento 
economia, cujos retornos são relativamente mais atractivos.
Margem Financeira (Milhões de MT)
23
5,
57
 33
9,
98
 
12
2,
98
 
(2
83
,1
8)
68
,9
7 
77
8,
52
 
15
6,
06
 
(3
07
,4
8)
Juros de operações no MMI Juros de crédito Juros de títulos de dívida Juros e encargos similares
2020 2021
A margem financeira apresenta perspectivas animadoras para os próximos exercícios económicos, em grande parte, por 
conta da expressiva evolução da carteira de crédito, assumindo que não haja impactos expressivos sobre as taxas de juro do 
mercado e sobre o risco de crédito.
Margem Complementar
A margem complementar, que inclui o resultado líquido de taxas e comissões, receitas de assessoria financeira, resultados 
de operações financeiras e rendimentos de capital, registou uma queda ao sair de MT 206,48 milhões em 2021 para MT 3,12 
milhões negativo em 2020.
Este desvio desfavorável da margem complementar é explicado em grande medida, pelos seguintes factos:
• Resultados negativos de operações cambiais na ordem de MT 87,82 milhões (MT 195,05 milhões positivo em 2020), 
reflectindo o efeito conjugado entre a redução do volume de operações cambiais e o registo de resultados de reavaliação 
cambial negativos em consequência da expressiva apreciação da moeda nacional em relação às principais moedas de 
transacção nos primeiros dois meses do ano de 2021, com impacto desfavorável para a posição cambial detida pelo Banco;
• Menos-valias nas transacções em títulos de dívida no montante de MT 32,90 milhões (MT 10,75 milhões em 2020), explicado 
pelo efeito da revisão em alta das taxas de juro do mercado em resposta à sinalização do Banco de Moçambique, o que 
culminou em perdas de valor de mercado dos instrumentos financeiros em balanço de renda fixa.
À excepção dos resultados de operações financeiras, as outras componentes da margem complementar registaram um 
crescimento satisfatório quando comparado com o ano de 2020: (i) receita de comissão de gestão de linhas de crédito no 
valor de MT 64,70 milhões acima de MT 43,11 milhões de 2020; (ii) receita líquida de comissões sobre os serviços bancários, em 
particular para a emissão de garantias bancárias, na ordem de MT 42,45 milhões, acima de MT 34,50 milhões de 2020; e (iii) ganhos 
de dividendos da participação financeira no capital social da TDB Bank na ordem de MT 18,90 milhões (2020: MT 21,29 milhões).
Margem Complementar (Milhões de MT)
21,29 
88,66 
195,05 
(98,53)
18,90 
107,15 
(87,82)
(41,35)
Rendimentos de intrumentos de
capital
Resultado líquido de taxas e
comissões
Resultado líquido de operações
cambiais
Outros proveitos e custos
operacionais
2020 2021
Custos de estrutura
Os custos de estrutura do Banco incluem os custos com pessoal, gastos gerais administrativos e amortizações. Estes são 
essencialmente correlacionados com a estrutura de negócio e de suporte à estratégia de crescimento do Banco, conjugados 
com gastos extraordinários relacionados com a Covid-19.
Em 2021, o Banco levou a cabo esforços consideráveis para o controlo e contenção da base de custos, e na obtenção de ganhos 
de eficiência, por via da optimização de processos, revisão contínua de contratos, selecção criteriosa dos fornecedores de bens 
e serviços e cumprimento das medidas de restrição orçamental. Não obstante, devido à realização de alguns investimentos 
com o propósito de melhorar as condições de trabalho, de segurança e bem como motivar o quadro de Colaboradores, os 
custos operacionais aumentaram em MT 78,82 milhões (+ 21%), ao saírem de MT 381,739 milhões em 2020 para MT 460,21 
milhões em 2021, conforme a tabela que se segue:
2020 2021
MT MT MT %
Gastos com pessoal 225.072.344,35 287.388.664 62.316.320 28%
Outros gastos administrativos 134.630.287,63 130.122.583 -4.507.705 -3%
Depreciação e Amortizações 21.685.232,59 42.697.201 21.011.968 97%
Total de Custos Operacionais 381.387.864,57 460.208.448 78.820.583 21%
Produto bancário 621.831.608,12 692.948.377 71.116.769 11%
Rácio de eficência (Cost-to-income) 61% 66% - 5pp
Desvio
Em termosagregados, os custos com pessoal foram responsáveis por 62% do total de custos (59% em 2020), os outros 
gastos administrativos apresentaram o peso de 28% (35% em 2020), enquanto os custos com amortizações e depreciações 
apresentaram a proporção de 9% (6% em 2020).
Custos com pessoal
Os custos com pessoal cifraram-se em MT 287,39 milhões em 2021, face a um valor de MT 225,07 milhões registados em 
igual período de 2020, representando um crescimento de MT 62,32 milhões (+ 28%), estando 40% desta evolução associada 
à revisão da estrutura dos Órgãos Sociais com o objectivo de fortalecer o papel do Conselho de Administração na gestão de 
riscos e na fiscalização do negócio do Banco. Em termos concretos, houve um aumento do número de vogais não executivos e 
da respectiva remuneração, para além do seu papel mais reforçado e independente do executivo.
Os custos com pessoal do Banco foram também influenciados pelos seguintes factos: (i) reforço do quadro de Colaboradores 
no âmbito da gestão das linhas de crédito para apoio às operações Covid-19 e do reforço de pessoal em áreas estratégicas, 
com maior destaque para as áreas de Controlo Interno; (ii) actualização da tabela salarial anual; e (iii) ajustamentos salariais 
incontornáveis, decorrentes das promoções e progressões por mérito.
Gastos Gerais Administrativos
Os Gastos Gerais Administrativos situaram-se em MT 130,12 milhões em 2021, observando uma redução de 3% face ao valor de 
MT 134,63 milhões registados no período homólogo. Esta redução reflecte o impacto das medidas de controlo e racionalização 
de custos, por via da optimização de processos e revisão de contratos de fornecimentos de bens e serviços de terceiros. A 
redução dos custos reflectiu, em grande medida, os custos com Marketing que caíram de MT 36,42 milhões em 2020 para 
MT 15,91 milhões em 2021, derivado da consolidação do investimento em marketing efectuado em exercícios anteriores 
que permitiu a capitalização da imagem e dos produtos e serviços do banco no mercado, conjugado com a redefinição da 
estratégia de comunicação e imagem através da abordagem de aposta em recursos internos em detrimento da terceirização. 
415,36|67%
696,07|101%
206,48|33%
-3,12|-1%
621,8
692,9
2020 2021
Margem financeira Margem complementar
+11%
415,36|67%
696,07|101%
206,48|33%
-3,12|-1%
621,8
692,9
2020 2021
Margem financeira Margem complementar
+11%
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202212 DOSSIERS & FACTOSANUNCIO PUBLICITÁRIO
RELATÓRIO E CONTAS 2021
Página 3
Não obstante, a estrutura de custos do Banco sofreu um agravamento por conta da inflação, aumento do volume de actividades, 
medidas implementadas para a mitigação de riscos associados à propagação da pandemia, conjugado com os seguintes 
aspectos: (i) contratação de serviços de seguros adicionais para a cobertura do aumento da infra-estrutura operacional; (ii) 
aumento do nível de deslocações e estadias associados, em grande parte, à busca de oportunidades de negócio e à monitoria 
dos projectos de investimentos financiados pelo Banco como procedimento de mitigação do risco de crédito; (iii) aumento 
de consumíveis de escritórios em resposta ao aumento do volume de actividades; (iv) aumento do investimento em formação 
com vista a imprimir mais dinamismo no trabalho e na absorção das oportunidades de negócio; e (v) maior nível de despesas 
de comunicação no âmbito de criação de condições para o teletrabalho imposto pela Covid-19.
Gastos Gerais Administrativos (Milhões de MT)
10
,6
7
6,
18
36
,4
2
15
,7
3
8,
98
9,
07
2,
05
8,
38
3,
18
1,
67 2,
41 4,
24
3,
66
3,
90
18
,1
0
11
,7
0
9,
94
15
,9
1 21
,5
2
7,
66
2,
10 3,
31
8,
52
5,
63
3,
17 4,
03 5,
71
3,
40 4,
39
23
,1
3
Com
unicações
Deslocações e estadias
M
arketing
Seguros
Auditoria e Consultoria
Despesas judiciais
Licenças
Conectividade e dados
M
aterial de escritório
Form
ação
Conservação e reparação
 Gestão de condom
ínio
 Segurança e vigilância
Água, energia e
com
bustíveis
O
utros custos
2020 2021
Amortizações e Depreciações do Exercício
As amortizações do exercício cifraram-se em MT 42,70 milhões, evidenciando um aumento de MT 21,01 milhões (+ 97%) face 
ao valor de MT 21,69 milhões registado no período homólogo. Esta evolução reflecte, essencialmente, o investimento de 
customização e de apetrechamento do segundo bloco do escritório e a investimentos em equipamento de transporte, com 
vista a melhorar as condições de trabalho dos Colaboradores e a contribuir para a sua motivação e retenção no Banco.
Imparidade de Crédito Líquida e Provisões Líquidas
As imparidades líquidas do exercício (líquida de recuperações de crédito) totalizaram o montante de MT 77,20 milhões em 
2021, representando uma evolução de MT 53,37 milhões (+ 224%) face ao valor de MT 23,84 milhões registado em 2020.
Esta evolução traduz a prudência levada a cabo pelo Banco, visando mitigar os efeitos adversos da actual envolvente 
macroeconómico nos seus indicadores de risco, não só pelo incremento da carteira de crédito e dos mutuários em 
incumprimento, como também em resultado das estimativas de perdas de crédito alinhadas com a metodologia IFRS, 
considerando a informação forward – looking.
Posição Financeira
As adversidades macroeconómicas internas e externas condicionaram o desempenho do Banco no que tange às metas de 
crescimento do volume de negócio, sobretudo no que se refere às restrições das fontes de financiamento para dinamizar a 
actividade, em particular para o financiamento de projectos de investimento. Ainda assim, o activo do Banco registou um 
aumento ainda que tímido de 3%, ao sair de MT 9.154,23 milhões em 2020 para MT 9.454,41 milhões em 2021.
Num quadro de balanço diminuto, o Banco adoptou uma estratégia que assegura a sustentabilidade e contribui para o alcance 
dos objectivos estabelecidos no plano estratégico, orientado na realocação da tesouraria para o financiamento de projectos 
de investimento que apresentam parâmetros de risco e retorno aceitáveis. Com efeito, registou-se uma alteração estrutural 
da carteira dos activos do Banco, tendo o peso da carteira de crédito na estrutura dos activos aumentado em 16 pp, de 45% 
em 2020 para 61% em 2021. Em contrapeso, os investimentos em títulos e as aplicações em Outras Instituições de Crédito 
reduziram o seu contributo em 3 pp e 12 pp, respectivamente.
Estrutura do activo (Milhões de MT)
54
4,
72
 
1.
32
2,
28
 4
.1
17
,1
0 
1.
74
8,
66
 
27
2,
01
 
47
4,
68
 
67
4,
80
 
40
7,
68
 
24
4,
27
 
5.
73
9,
78
 
1.
48
2,
20
 
27
2,
01
 
57
7,
40
 
73
1,
08
 
Di
sp
on
ib
ili
da
de
s
Ap
lic
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ve
nd
a
M
ei
os
 im
ob
ili
za
do
s
O
ut
ro
s a
ct
iv
os
2020 2021
A redução das aplicações em instituições de crédito, deriva da realocação da tesouraria no financiamento à economia, por 
decisão estratégica, para, por um lado, apoiar a economia fragilizada pela pandemia, e, por outro, assegurar o crescimento 
da actividade do Banco de forma consistente e sustentável.
Os níveis de liquidez do Banco, mensurados pelo rácio de liquidez regulamentar, encontram-se dentro dos paramentos internos 
e das instruções do Regulador.
Empréstimos a Clientes
Num contexto de pandemia vivida ao longo do ano de 2021, com efeito no agravamento do risco bancário, o Banco manteve a sua 
abordagem de financiamento à economia, orientada na selecção de sectores e segmentos prioritários para o desenvolvimento 
da economia, combinado com o rigor e prudência na selecção das operações em função do risco e rentabilidade esperados, 
bem como, da redução de grandes concentrações do risco de crédito a sectores afectados pela Covid-19.
A carteira de crédito (bruto) totalizou MT 5.939,69 milhões em 2021, um incremento de MT 1.692,04 milhões (+ 40%) face ao 
montante de MT 4.247,65milhões apresentado em igual período de 2020, tendo esta evolução sido maior em moeda nacional 
(57%), totalizando MT 4.649,50 milhões em 2021. Esta evolução é justificada, em grande parte, por um crescimento no 
crédito ao financiamento de operações da indústria alimentar, tendo em conta o papel vital que este sector desempenha na 
dinamização da economia e no suprimento ao deficit alimentar no País.
A carteira de crédito em moeda estrangeira registou um aumento de USD 17,25 milhões em 2020 para USD 20,21 milhões em 
2021, como resultado de novas operações financiadas, sobretudo, na importação e exportação de commodities. No entanto, 
a reavaliação do metical face ao Dólar Americano (Câmbio de 31 de Dezembro de 2020 MT/USD 74,90 contra MT/USD 63,83 
de Câmbio de 31 de Dezembro de 2021), anulou o aumento do contravalor em moeda nacional da carteira de crédito em 
moeda externa.
Evolução da carteira de crédito por moeda (Milhões de MT)
3.057 
1.536 1.512 1.618 
2.961 
4.650 
-
-
460 
645 
1.287 
1.290 
3.057 
1.536 
1.972 
2.263 
4.248 
5.940 
2016 2017 2018 2019 2020 2021
Moeda nacional Moeda externaA carteira de crédito do Banco apresentou maior nível de concentração no financiamento ao sector da indústria, com peso 
de 34% (2020: 35%), tendo desta proporção, 87% incidido sobre a indústria alimentar. As operações com maturidade de longo 
prazo apresentam um peso de 47% (2020: 53%), conforme o gráfico que se segue:
 Composição Sectorial da Carteira de Crédito Composição do Carteira por produto
 
Transporte e 
Comunicações; 
629,52 ; 11%
Indústria 
transformadora; 
2 008,84 ; 34%
Agricultura; 
820,18 ; 14%
Comércio e 
Serviços; 1 208,48 ; 
20%
Petróleo e Gás; 
732,28 ; 12%
Sector Financeiro; 
247,66 ; 4%
Outros ; 292,73 ; 
5%
 
Longo Prazo ; 
2 790 ; 47%
Curto Prazo ; 
3 150 ; 53%
 
Qualidade da Carteira de Crédito
A qualidade da Carteira de Crédito, avaliada pela proporção de crédito vencido há mais de 90 dias em função do crédito 
total, apresentou uma deterioração, ao situar-se em 6,83% em 2021, comparativamente a 2,50% registada em 2020, devido 
ao agravamento do risco bancário por conta da crise pandémica que tem conduzido à paralisação parcial das actividades 
económicas, levando parte dos tomadores de créditos a não conseguirem gerar fluxos de caixas suficientes para honrar com 
o serviço da dívida.
Em geral, as operações que apresentaram inadimplência estão relacionadas com o financiamento de pequenas e médias 
empresas (PMEs) financiadas por linhas de crédito específicas e sociais desenvolvidas em parceria com o Governo para 
fomentar a agricultura, avicultura, pecuária e o comércio. O risco do Banco nestas operações está mitigado pela existência 
de fundos de garantia específicos que cobrem entre 40% a 80% da sinistralidade, para além de outros colaterais.
No contexto de agravamento do risco bancário, o BNI mantém vigilância acrescida sobre a carteira de crédito, com maior enfâse 
para as operações afectadas pela pandemia e para exposições significativas, com o objectivo de melhorar continuamente a 
qualidade do crédito e prevenção da sinistralidade.
O montante de imparidade acumulada cifrou-se em MT 175,64 milhões em 2021, um incremento de MT 64,19 milhões (+58%) 
face ao montante 111,45 milhões registado no período homólogo, evidenciando uma postura de aprovisionamento prudente 
e criteriosa face ao actual contexto operacional caracterizada pelo agravamento do risco bancário.
Passivo e Fundos Próprios
O passivo do Banco situou-se em MT 5.902,75 milhões no final de 2021, apresentando um crescimento de 3%, relativamente 
aos MT 5.748,46 milhões assinalados no período homólogo, reflectindo, sobretudo, os seguintes factores:
• Incremento de empréstimos representados por títulos em MT 962,78 milhões (+67%), totalizando MT 2.395,96 milhões em 
2021, associado à emissão de novos títulos de dívida no valor global de MT 1.453,0 milhões; 
• Aumento dos recursos consignados em MT 185,22 milhões (+ 17%), ao se cifrar em MT 1.2449,66 milhões no final de 2021, 
explicado pela estruturação de um fundo no valor de USD 5,0 milhões para o financiamento da cadeia de valor de gás 
natural veicular.
Em contrapeso, registou-se a redução da carteira de recursos de clientes e de recursos de outras instituições de crédito 
em MT 890,47 milhões e MT 128,44 milhões, respectivamente, em resposta à estratégia comercial adoptada, de apostar 
em recursos que apresentam condições mais favorável para o modelo de banca de desenvolvimento, em particular no que 
tange ao período de maturidade e taxa de juro, adequado para o financiamento de projectos de investimentos cujo retorno 
é mensurado pelo impacto económico e social no mercado. 
A estratégia de funding adoptada em 2021 permitiu a melhoria do peso da contribuição de recursos de médio e longo prazos 
no passivo total, de 22% em 2020 para 48% em 2021, reduzindo o nível de stress de liquidez de curto prazo.
Evolução do Passivo (Milhões de MT)
1.
27
6,
08
 1.
81
7,
95
 
1.
43
3,
18
 
1.
06
7,
44
 
15
3,
81
 
1.
14
7,
64
 
92
7,
48
 
2.
39
5,
96
 
1.
24
9,
66
 
18
2,
00
 
Recursos de outras
instituições de crédito
Recursos de clientes Recursos representados
por títulos
Recursos consignados Outras exigibilidades
2020 2021Os fundos próprios totalizaram o montante de MT 3.551,66 milhões no final de 2021, representando uma evolução de 4% 
face ao montante de MT 3.405,76 milhões registado em 2020, explicado pela retenção de parte dos resultados do exercício 
anterior e aumento da reserva do justo valor com a valorização dos investimentos em títulos.
3. Proposta de Aplicação de resultados.
Considerando a necessidade de reforçar a autonomia financeira do Banco, bem como reforçar a robustez financeira e dos 
níveis de adequação dos fundos próprios, o Conselho de Administração propõe, para aprovação da Assembleia Geral, a 
retenção de 30% dos Resultados líquidos apurados em 31 de Dezembro de 2021, após a observância da reserva legal (30,00% 
sobre o Resultado líquido) e distribuição de dividendos ao accionista de 40% de Resultados líquidos, no montante de MT 
46.295.309,00 (2020: MT 48.129.323,71), conforme apresentado na tabela que se segue:
MT
Reserva Legal (30% do Resultado Líquido do exercício) 34.721.482 
Distribuição de dividendos (40% do Resultado Líquido do exercício) 46.295.309 
Resultados Transitados (30% do Resultado Líquido do exercício) 34.721.482 
 115.738.272 
4. Demonstrações Financeiras.
4.1. Demonstração das Alterações na Situação Líquida para os exercícios findos em 31 de Dezembro de 2021 e 2020
Capital Reserva de justo valor Reserva Legal
Resultados 
transitados
Resultado líquido do 
exercício
Total do capital 
próprio
MT MT MT MT MT MT
Saldo em 1 de Janeiro de 2020 2 240 000 000 32 125 320 179 328 983 799 358 176 64 454 391 3 315 266 870 
Rendimento integral
 Outro rendimento integral - 
 Alterações de justo valor de activos financeiros - 4 390 148 - - - 4 390 148 
 Impostos diferidos (1 404 847) - - - (1 404 847)
Lucro do exercício - - - - 137 512 353 137 512 353 
Total de rendimento integral reconhecido no exercício 2 240 000 000 35 110 621 179 328 983799 358 176 201 966 744 3 455 764 524 
Reforço da reserva legal - - 9 668 159 - (9 668 159) - 
Dividendos aos accionistas - - - - (50 000 000) (50 000 000)
Transferência de resultados para resultados acumulados - - - 4 786 232 (4 786 232) - 
Saldo em 31 de Dezembro de 2020 2 240 000 000 35 110 621 188 997 142 804 144 408 137 512 353 3 405 764 524 
Rendimento integral
 Outro rendimento integral
 Alterações de justo valor de activos financeiros - 115 128 220 - - - 115 128 220 
 Alterações de impostos diferidos - (36 841 031) - - - (36 841 031)
Lucro do exercício - - - - 115 738 272 115 738 272 
Total de rendimento integral reconhecido no exercício 2 240 000 000 113 397 810 188 997 142 804 144 408 253 250 625 3 599 789 985 
Reforço da reserva legal - - 41 253 706 - (41 253 706) - 
Dividendos aos accionistas - - - - (48 129 324) (48 129 324)
Transferência de resultados para resultados acumulados - - - 48 129 323 (48 129 323) - 
Saldo em 31 de Dezembro de 2021 2 240 000 000 113 397 810 230 250 848 852 273 731 115 738 272 3 551 660 661 
3.057 
1.536 1.512 1.618 
2.961 
4.650 
-
-
460 
645 
1.287 
1.290 
3.057 
1.536 
1.972 
2.263 
4.248 
5.940 
2016 2017 2018 2019 2020 2021
Moeda nacional Moeda externa
3.057 
1.536 1.512 1.618 
2.961 
4.650 
-
-
460 
645 
1.287 
1.290 
3.057 
1.536 
1.972 
2.263 
4.248 
5.940 
2016 2017 2018 2019 2020 2021
Moeda nacional Moeda externa
3.057
1.536 1.512 1.618
2.961
4.650
1.
27
6,
08
 1.
81
7,
95
 
1.
43
3,
18
 
1.
06
7,
44
 
15
3,
81
 
1.
14
7,
64
 
92
7,
48
 
2.
39
5,
96
 
1.
24
9,
66
 
18
2,
00
 
Recursos de outras
instituições de crédito
Recursos de clientes Recursos representados
por títulos
Recursos consignados Outras exigibilidades
2020 2021
13SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS ANUNCIO PUBLICITÁRIO
Página 4
Relatório e Contas 2021
4.2. Demonstração do Rendimento Integral para os exercícios findos em 31 de Dezembro de 2021 e 2020
2021 2020
MT MT
Juros e proveitos similares 1 003 543 675 698 531 440
Juros e encargos similares (307 475 140) (283 176 281)
Margem Financeira 696 068 535 415 355 159
Rendimentos de intrumentos de capital 18 897 839 21 292 901
Resultado líquido de serviços e comissões 107 154 635 88 658 034
Resultado líquido de operações cambiais (87 822 184) 195 051 861
Outros rendimentos e gastos operacionais (41 350 448) (98 526 347)
Produto bancário 692 948 377 621 831 608
Imparidade de crédito (64 192 650) (26 135 839)
Imparidade de outros activos financeiros 744 508 3 899 779
Gastos com pessoal (287 388 664) (225 072 344)
Outros gastos administrativos (130 122 584) (134 630 288)
Depreciação e Amortizações (42 697 201) (21 685 233)
Provisões líquidas (13 753 964) (1 599 004)
Custos operacionais (537 410 555) (405 222 929)
Resultados antes de impostos 155 537 822 216 608 679
Imposto sobre o rendimento (39 799 550) (79 096 326)
 Impostos correntes (37 935 174) (55 400 584)
 Impostos diferidos (1 864 376) (23 695 742)
Lucro do exercício 115 738 272 137 512 353
Outro rendimento integral
Itens que podem ser posteriormente reclassificados para resultados
 Alterações nas reservas dos activos financeiros ao justo valor através de outro rendimento integral 115 128 220 4 390 148
 Impostos diferidos (36 841 031) (1 404 847)
Total de rendimento integral do exercício 194 025 461 140 497 654
4.3. Demonstração da Posição Financeira para os exercícios findos em 31 de Dezembro de 2021 e 2020
2021 2020
Activo
Caixa e Depósitos no Banco Central 116 449 956 212 353 985
Disponibilidades em instituições de crédito 291 225 208 332 363 010
Aplicações em instituições de crédito 244 269 616 1 322 275 232
Empréstimos a clientes 5 739 779 624 4 117 096 788
Investimentos em títulos 1 482 195 116 1 748 657 774
Outros activos 621 448 557 569 453 646
Activos não correntes detidos para venda 272 006 100 272 006 100
Activos tangíveis 576 651 757 473 171 421
Activos intangíveis 752 463 1 505 423
Activos por impostos correntes 109 629 074 105 344 517
Total do Activo 9 454 407 471 9 154 227 896
Capital Próprio e Passivo
Capital Próprio
Capital social ordinário 2 240 000 000 2 240 000 000
Resultados transitados 852 273 731 804 144 408
Reservas de justo valor 113 397 810 35 110 621
Reserva legal 230 250 848 188 997 142
Resultado do exercício 115 738 272 137 512 353
Total do Capital Próprio 3 551 660 661 3 405 764 524
Passivo
Recursos de Outras Instituições de crédito 1 147 643 135 1 276 079 705
Recursos de clientes 927 482 406 1 817 948 582
Responsabilidades representadas por títulos 2 395 964 343 1 433 182 067
Recursos consignados 1 249 661 103 1 067 441 805
Outros passivos 38 702 240 62 977 001
Passivos por impostos diferidos 122 545 186 83 839 780
Provisões 20 748 397 6 994 432
Total do Passivo 5 902 746 810 5 748 463 372
Total do Passivo e Capital Próprio 9 454 407 471 9 154 227 896
4.4. Demonstração de Fluxos de Caixa para os exercícios findos em 31 de Dezembro de 2021 e 2020
2021 2020
MT MT
 Fluxo de caixa de actividades operacionais
Juros, Comissões e outros rendimentos recebidos 985 084 206 710 192 245
Juros, comissões e outros gastos pagos (334 625 188) (285 505 794)
Pagamento a empregados e fornecedores (399 619 886) (457 152 651)
 Fluxo líquido proveniente de rendimentos e gastos 250 839 132 (32 466 200)
 Variação nos activos e passivos operacionais
 Diminuições/Aumentos em:
 Variação do liminte mínimo de reservas obrigatórias 112 846 304 47 661 480
 Investimento em títulos 316 619 371 (621 392 465)
 Crédito á clientes (1 590 837 474) (2 376 058 719)
 Recursos de Clientes (877 718 906) 995 271 044
 Recursos de outras instituições de crédito (141 274 809) 872 377 036
 Responsabilidades representadas por títulos 953 000 000 600 000 000 
 Recursos consignados 173 895 801 547 284 086 
 Outros activos (24 908 671)29 939 647
 Impostos Pagos (6 614 939) (15 459 791)
 Imposto pago sobre juros de aplicações e títulos (37 935 174) (55 400 584)
 Fluxo líquido proveniente de activos e passivos operacionais (1 122 928 497) 24 221 734
Fluxo de caixa líquido de actividades operacionais (872 089 365) (8 244 466)
 Fluxo de caixa de actividades de investimento
Aquisições de activos tangíveis e activos intangíveis (146 830 829) (26 223 244)
Receita da venda de activos tangíveis 4 816 865 128 085 405
 Fluxo de caixa líquido das actividades de investimento (142 013 964) 101 862 161
 Fluxo de caixa de actividades de financiamento
 Dividendos pagos (48 129 324) (50 000 000)
 Fluxo de caixa de actividades de financiamento (48 129 324) (50 000 000)
 Variação líquida em caixa e equivalentes de caixa (1 062 232 653) 43 617 695
 Efeitos da alteração da taxa de câmbio em caixa e equivalentes de caixa (39 968 491) 127 191 599
 Caixa e equivalentes de caixa no início do período 1 654 659 018 1 483 849 724
 Caixa e equivalentes de caixa no fim do período 552 457 874 1 654 659 018
 Reconciliação de caixa e equivalentes de caixa
Caixa e depósitos no Banco Central 116 449 956 212 353 985
Disponibilidade sobre instituíções de crédito 291 225 208 332 363 010
Aplicações em instituíções de crédito excluíndo juros a receber 244 269 615 1 322 275 232
Reservas no Banco Central (99 486 905) (212 333 209)
 Total 552 457 874 1 654 659 018
5. Relatório dos Auditores Externos.
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202214 DOSSIERS & FACTOSANUNCIO PUBLICITÁRIO
RELATÓRIO E CONTAS 2021
Página 5
15SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS POLÍTICA 
José Manteigas, porta-voz da Renamo
Ossufo Momade ao lado do embaixador americano.
Renamo denuncia excessivas violações dos 
direitos humanos
Estados Unidos garantem apoio directo ao 
DDR
POR PARTE DA POLÍCIA
SEGUNDO A RENAMO
A RENAMO, segundo maior partido da oposição em Moçambique, veio a público, na semana finda, denun-ciar aquilo que considera ser vio-
lação dos direitos humanos, protagonizado 
pelos agentes da lei e ordem, que sob olhar 
impávido do Ministério do Interior, matam 
cidadãos indefesos que realizam manifes-
tações ou outras formas de expressão. Os 
casos mais recentes foram registados nas 
províncias de Maputo e Zambézia.
Os Estados Unidos da América terão garantido apoio directo ao complicado processo de De-sarmamento, Desmobilização e 
Reintegração dos guerrilheiros da Renamo. 
Quem o diz é a Renamo, cujo presidente 
manteve, na semana passada, um encon-
tro com o embaixador norte-americano em 
Moçambique, Peter Vrooman.
Segundo José Manteigas, porta-voz da Renamo e de-
putado da Assembleia da República, é papel da polícia zelar 
pela segurança de todo cidadão, independentemente da 
sua raça, cor ou religião. Por isso, nenhum cidadão deve ser 
impedido de realizar manifestações dentro do seu próprio 
país.
 "Um dos pressupostos de um estado direito é a liberda-
de de expressão e de se manifestar. De forma clara e inten-
cional, esse direito foi retirado aos moçambicanos, sobretu-
do nesta governação que iniciou em 2015, o que representa 
e recorda a ditadura implantada pelo regime desde 1975".
A polícia, recorrendo ao uso da sua força, e de forma 
recorrentemente, tem impedido a realização de manifesta-
ções ou outras formas de expressão dos cidadãos, com o fal-
so argumento de falta de autorização, uma atitude que para 
A Renamo anuncia a predisposição dos EUA para 
apoiar o DDR em uma nota enviada à nossa redacção, 
através da qual também reforça o seu próprio com-
prometimento com a agenda de pacificação do país, 
citando como exemplo a desmobilização de mais de 
3500 homens.
No entanto, “não deixamos de lamentar o facto 
de o Governo não estar a cumprir integralmente com 
as suas obrigações, de acordo com os entendimen-
tos assinados na mesa de diálogo. Denunciamos, por 
exemplo, a não afectação, até ao momento, dos 10 
oficiais no Comando-Geral da Polícia”. 
A fixação de pensões, tida como “chave” no pro-
Texto: Anastácio Chirrute, em 
Inhambane
D&F
Texto: Dossiers & FactosD&F
a Renamo deve ser combatida.
  “Senhora ministra do In-
terior, dispõe a Constituição 
da República que os direitos e 
liberdades individuais são di-
rectamente aplicáveis, por isso 
os moçambicanos questio-
nam por que razão a polícia re-
correntemente tem impedido 
a realização de manifestações 
ou outras formas de expres-
são dos cidadãos com base 
no falso argumento de falta de 
autorização?"
Manteiga questiona igual-
mente o fundamento legal 
que leva a polícia da Repúbli-
ca de Moçambique a matar 
cruelmente cidadãos indefe-
sos em plenas manifestações, 
mesmo sabendo que em Mo-
çambique não existe pena de 
morte. Os casos mais recentes 
registaram-se nas províncias 
de Maputo e Zambézia.
"Por que razão a polícia 
assassinou a tiros cidadãos 
indefesos no distrito de Murrumbala, província da Zam-
bézia? Será que é apenas nessa fronteira do país que é usa-
da a moeda estrangeira?” Questionou, acrescentando que 
"ainda muito recentemente, a polícia envolveu-se agressi-
vamente contra trabalhadores manifestantes em Xinava-
cesso, também mereceu espaço no encontro. Segun-
do a Renamo, o embaixador dos EUA assegurou que, 
doravante, o seu país irá apoiar o processo, que está 
a caminho do fim.
Renamo e EUA estão juntos neste processo e tam-
bém falam a mesma linguagem em relação à guerra 
ne, onde inclusivamente foram destruídas infra-estruturas 
de uma empresa, e, como reacção do Comando-Geral da 
Polícia, houve destituições dos comandantes subalternos. 
Sublinho, neste incidente a polícia não matou nenhum ci-
dadão". Concluiu
na Ucrânia. “Em relação à Ucrânia, fomos unânimes 
em condenar a invasão Russa a um país soberano, 
violando desta forma a Carta das Nações Unidas e 
o Direito Internacional. Aliás, esta foi sempre a nos-
sa posição, desde o primeiro dia da invasão Russa à 
Ucrânia”. 
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202216 DOSSIERS & FACTOSANUNCIO PUBLICITÁRIO
17SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS DESPORTO
Mutola diz que há falta de 
líderes no atletismo
Lurdes Mutola considera que há ausência de líde-res no atletismo moçam-bicano, facto que contri-
bui para a baixa da modalidade, 
aliada à falta de competições re-
gulares. Para reverter o cenário, 
a campeã olímpica dos 800 me-
tros sugere que se direccionem 
mais apoios à modalidade.
Lurdes Mutola é uma das vozes 
autorizadas quando se fala do atle-
tismo, não só moçambicano, assim 
como mundial, pois, com o seu ta-
lento, deixou a sua marca nas pistas, 
ganhando vários prémios, com des-
taque para a conquista olímpica dos 
800 metros, em Sidney, Austrália, em 
2000.
Mas é sobre o atletismo moçam-
bicano que estão viradas as suas 
atenções, daí que faz uma radiogra-
fia da modalidade. Mutola entende 
que há, no atletismo moçambicano, 
ausência de líderes capazes de leva-
rem a modalidade a bom porto.
Esse facto, segundo disse, concor-
re para que os resultados não sejam 
animadores e sugere que as pessoas 
que estão a dirigir os destinos da mo-
dalidade, bem assim outras forças vi-
vas, desenvolvam um trabalho abne-
gado, com vista a dar outro brilho ao 
atletismo.
“É preciso que haja um trabalho 
sério para reverter o cenário. A qua-
lidade baixou muito, razão pela qual 
os resultados têm sido desastrosos”, 
diz Lurdes Mutola, sublinhando que 
há muita coisa que está a falhar.
 
Atletismo carece de apoio
Com o actual estágio da moda-
lidade, para Lurdes Mutola, dificil-
mente o país terá atletas de alto 
nível, capazes de darem alegria aos 
moçambicanos que tanto precisam. 
Para ela, é preciso também que se 
mudem os paradigmas, sendo que 
uma das saídas passa por direccio-
nar mais apoios à modalidade, tare-
fa que cabe a todos.Mutola, que falava à margem do 
lançamento da corrida do Centená-
rio de José Craveirinha, organizada 
pela Fundação Lurdes Mutola, diz 
que tem feito a sua parte como for-
ma de dar o seu contributo à moda-
lidade que a colocou nos píncaros 
da fama.
“Tenho feito a minha parte, atra-
vés de muitas iniciativas. É verdade 
que não é o suficiente, mas já é um 
passo significativo”, explica Muto-
la, para quem, se cada um fizesse a 
sua parte, o atletismo moçambica-
no não estaria a viver de memórias, 
mas sim de acções relevantes do 
presente. O País
Texto: CortesiaD&F
Lurdes Mutola é tida como a maior atleta da história do país
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SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202218 DOSSIERS & FACTOSMAPUTO PROVÍNCIA
NO DISTRITO DA MOABA
ALUSIVO AO 1 DE JUNHO
Administradora defende respeito pelos 
direitos das crianças
Calisto Cossa almoça com crianças na Matola
A administradora do distrito de Moamba, Teresa Mauaie, de-fende o respeito integral dos direitos da criança, citando 
como exemplo o direito à nacionalida-
de, à protecção, ao auxílio e à educação.
O presidente do Conselho Munici-pal da Cidade da Matola, Calisto Cossa, almoçou na última sema-na com mais de 300 crianças num 
dos salões de festas da Matola, no âmbito 
da celebração do dia 1 de Junho, Dia Inter-
nacional da Criança.
A dirigente, que falava no dia 1 de Junho, dia interna-
cional da criança, disse ainda que a criança não pode ser 
submetida ao trabalho infantil, ser objecto de tráfico e de 
abuso sexual ou de casamentos prematuros, tendo apelado 
para que a sociedade civil, pais e todos os intervenientes da 
O evento decorreu no bairro Infulene A, Posto Ad-
ministrativo da Machava.
Para além de brindes oferecidos pelo edil, as crian-
ças foram abrilhantadas com actuações de canto, dan-
ça e poesia, proporcionando-lhes um dia inesquecível.
 Calisto Cossa felicitou todas as crianças e incenti-
vou-as a focar-se nos estudos em prol de um futuro 
melhor.
  Em 1950, a Federação Democrática Internacional 
das Mulheres apresentou uma proposta às Nações 
Unidas para que se dedicasse um dia alusivo a todas as 
crianças do Mundo. Os Estados Membros das Nações 
Unidas – ONU – reconhecendo que as crianças, inde-
pendentemente da raça, cor, sexo, religião e origem 
nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções 
 Crianças enaltecidas em Moamba
Teresa Mauaie - Administradora da Moamba
Edil proporcionou um dia inesquecível às crianças
Texto: cortesiaD&F
Texto: cortesiaD&F
comunidade se juntem incansavelmente na protecção dos 
direitos da criança.
Mauaie dirigia-se às crianças que fazem parte do par-
lamento infantil, que visitavam o gabinete do executivo 
administrativo da Moamba com o objectivo de conhecer o 
local de trabalho da dirigente e inteirar-se das actividades 
da mesma no seu dia-a-dia.
No mesmo dia, a dirigente recebeu no seu gabinete 30 
crianças, em representação das crianças desta parcela do 
país, acompanhadas pela Counterpart Internacional, parcei-
especiais, compreensão, preparação e educação de 
modo a terem possibilidades de usufruir de um futu-
ro responsável pelo projecto de alimentação escolar.
No dia 01 de Junho, comemorou-se igualmente o dia 
de elevação de Moamba à categoria de Vila. Alusivo a esta 
efeméride, a dirigente teceu comentários elogiosos à vila, 
que, na sua opinião, vem registando crescimento e cami-
nha a passos galopantes rumo ao seu desenvolvimento 
socioeconómico.
De seguida, enalteceu o empenho de todos os agentes 
económicos e da população do distrito em geral pelo con-
tributo que vem dando para o crescimento da vila
ro condigno e risonho, assinalaram o dia 1º de Junho 
como Dia Internacional da Criança.
19SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS POLÍTICA
“A Renamo foi aldrabada”, defende 
Sibindy
ELEIÇÕES DISTRITAIS
O líder do PIMO afirma ser muito perigo-
sa a atitude do Governo, a que classifica de 
“brincadeira que não se faz”. Sibindy diz que 
não tem autoridade material para dar razão 
ou não ao Governo, que parece pretender 
adiar as eleições por falta de recursos finan-
ceiros e logísticos, mas chama atenção para 
as consequências que o incumprimento de 
uma medida acordada no âmbito da nego-
ciação de paz pode trazer.
 De resto, a negociação visava pôr fim a 
um conflito armado que teve sua génese 
em 2014, depois de umas eleições contes-
tadas pela perdiz.
  “O falecido presidente da Renamo esta-
va a fazer a sua digressão pelo país no seu 
direito cívico de se comunicar com os elei-
tores. No meio daquela comunicação, ma-
nifestou a vontade de o Governo deixar que 
as zonas em que ganhou sejam da Renamo”, 
recordou o presidente do PIMO, esclarecen-
do igualmente que “durante este processo 
surgiu o fenómeno de emboscadas sem 
cara, porque ninguém as assumia, e final-
mente o presidente da Renamo acabou pa-
rando no mato, começando desta forma as 
hostilidades entre o Governo e a Renamo”.
 Yakub Sibindy conta que depois da fuga 
de Dhlakama para as matas, houve diálogo 
entre ele e o Presidente da República, o que 
resultou numa trégua. Na sequência, acres-
centa Sibindy, houve um acordo que dizia 
que a Renamo podia continuar a reivindi-
car a nomeação dos governadores, mas por 
vias legais, daí que se criou a lei das eleições 
distritais.
  “Combinou-se que a Renamo podia 
deixar a Frelimo acomodar a sua banca-
da maioritária, e, amigavelmente, seriam 
acomodadas as exigências da oposição, 
não por indicação a dedo, mas sim por via 
de uma legislação, por uma lei que permi-
te eleições provinciais e distritais. Mas em 
O assunto das eleições distri-tais ainda promete “mui-to pano para manga”, uma vez que divide opiniões. 
A título de exemplo, o presidente do 
Partido Independente de Moçambique 
(PIMO) diz que o Governo aldrabou a 
Renamo para que entregasse as armas 
e agora manda-lhe “passear”.
Yakuby Sibindy diz que é uma brincadeira não se realizar eleições distritais
Texto: Arão NualaneD&F
troca o Governo pediu garantias de se parar 
com a guerra”, frisou. 
De acordo com Sibindy, para se ter a cer-
teza de que a guerra tinha acabado, a Re-
namo devia desarmar os homens, exigência 
que foi aceite e deu azo àquilo que hoje é 
conhecido como Desmilitarização, Desmo-
bilização e Reintegração (DDR).
  O interlocutor do Dossiers & Factos diz 
recuperar este contexto para os moçambi-
canos perceberem que a ideia das eleições 
distritais veio como uma proposta para apa-
gar a fogueira de guerra que existia entre a 
Renamo e o Governo.
 O que se pede, defende, é que haja res-
ponsabilidade. Ou seja, o Governo não se 
pode armar em esperto, porque quando fez 
o acordo já sabia que não havia dinheiro”. O 
aparente recuo é, para Sibindy, sinal de que 
o Governo aceitou a exigência da Renamo 
para aldrabrá-la, fazendo com que esta en-
tregasse as armas, e não propriamente pela 
democracia.
  “Chamo atenção ao Presidente da Repú-
blica, ao país e ao partido Frelimo, que isto 
é uma brincadeira e não se faz”. O presiden-
te do PIMO diz que a honestidade faz parte 
da cultura de um líder, pelo que o Governo 
não pode ser “ganguesterista”. “Prometeu 
e deve cumprir, e não procurar desculpas”, 
remata.
 “O Presidente da República, mediante o 
estágio actual da economia do país, vê que 
não há condições para realizar as eleições 
distritais. Deve devolver este debate para a 
génese. Convocar a Renamo e dizer “amigo, 
tivemos uma decisão amigável, mas nes-
te momento não há dinheiro, o que você 
acha?”
 Aliás, Sibindy sugere que, uma vez que 
não é possível levar o país às eleições distri-
tais, é melhor o Presidente aceitar indicar os 
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202220 DOSSIERS & FACTOSPOLÍTICA
administradores a dedo. 
“Neste caso, a Renamo indica uma parte 
dos administradores, principalmente nas 
províncias onde reivindicavam vitória. A 
Frelimo, que é o Governo, também indica 
uma parte, porque o povo quer a paz, en-
quanto se espera que o dinheiro apareça”.
 
 “PR está a desorganizar o país” – Dércio 
Rodrigues, porta-vozda ND
 
Por sua vez, o porta-voz da Nova Demo-
cracia (ND), Dércio Rodrigues, sustenta que 
é importante dizer que o “processo da des-
centralização no país é um processo não 
inclusivo, apesar de ser um ganho de que 
Moçambique precisa. Não é inclusivo na 
medida em que não tem todos os interve-
nientes que devem opinar sobre o assunto”.
 O porta-voz da ND diz que se “formos a 
ver, é um processo que foi acordado entre a 
Renamo e a Frelimo, mas Moçambique não 
é da Renamo, nem da Frelimo. É de todos os 
moçambicanos”.
 De acordo com Rodrigues, há necessida-
de de haver eleições dos administradores e 
dos governadores, por serem pertinentes, 
apesar da insuficiência de fundos. 
“É inevitável, mas o grande debate que 
achamos que não está muito correcto é o 
Porta-voz da ND PR não pode aparecer a “desorganizar”
facto do PR se pronunciar depois do térmi-
no da sessão do Comité Central (CC). O que 
nos faz perceber que não fez uma análise 
política do país e que o possível adiamento 
é uma vontade do partido Frelimo”, consi-
derou o porta-voz da ND, para de seguida 
sublinhar que “não se pode 
trazer uma reflexão do CC 
e depois dizer que é o PR 
que está a falar, pois está a 
perceber-se, mais uma vez, 
que o partido Frelimo não é 
diferente do Governo ou do 
Estado”.
 Mais adiante, a fonte dis-
se ser importante reflectir 
à volta da incompatibilida-
de entre os secretários de 
Estado nas províncias e os 
governadores.
 “Se formos a ver, os go-
vernadores não têm espaço 
no que concerne à gover-
nação. Isso é influenciado 
muito mais por conta de um 
novo elemento que está em 
representação do Estado nas 
províncias, que não se sabe 
exactamente qual é a sua 
função. Neste caso, trata-se 
do secretário de Estado, que 
faz tudo que quer sem res-
peitar a Constituição”, disse, 
acrescentando que o PR não 
pode '' desorganizar `` o país 
como é o costume na desor-
ganização da Frelimo. Foi 
um acordo assinado entre o 
presidente Dhlakama e ele 
próprio. As eleições distritais 
já estavam previstas para 
2024”.
“O PR, mediante o estágio 
actual da economia do país, 
vê que não há condições para 
realizar as eleições distritais. 
Deve devolver este debate para 
a génese. Convocar a Renamo 
e dizer ‘amigo, tivemos uma de-
cisão amigável, mas neste mo-
mento não há dinheiro, o que 
você acha?”
21SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS DESPORTO
TENISTAS MOÇAMBICANAS EM MONTE NEGRO
Atletas buscam qualificação para o grupo 
I no Fed Cup
Selecção de Basquetebol no 
Internacional de Benguela
Quatro atletas moçambicanas en-contram-se em Monte Negro, no Canadá, para participar da Taça das Nações em ténis feminino, 
denominado Fed Cup-Bellie Jean King.
A Selecção de Basquetebol em se-niores masculinos vai disputar o torneio triangular de Angola entre os dias 17 e 19 do corrente 
mês, em Benguela. A participação de Mo-
çambique é em resposta ao convite feito 
pela Federação Angolana de Basquete-
bol, que prepara a sua presença na janela 
do apuramento ao Mundial.
Tetra campeã nacional Ana Vassilis integra a comitiva
Ben Nguenha, treinador
Desempenho da selecção vem oscilando nos últimos tempos
Texto: Arão NualaneD&F
Texto: cortesiaD&F
As tenistas moçambicanas deixa-
ram o solo pátrio na última sexta-feira, 
03 de Maio, com destino ao Canadá 
para competirem numa prova que vai 
decorrer de 7 a 11 de Junho.
 A comitiva moçambicana deslocou-
-se àquele país com objectivo específi-
co de participar e 
tentar qualificar-
-se para o Grupo 
I, uma vez que ac-
tualmente encon-
tra-se no Grupo 
II da Euro-África 
Zona
Irão disputar a 
prova, em repre-
sentação de Mo-
çambique, Ana 
Vassilis, Ilga João, 
Shirley Jemusse e 
Tânia Elísio.
  As jogadoras 
têm como se-
leccionador Ben 
Nguenha, com 
quem Dossiers & 
Factos trocou algumas im-
pressões instantes antes da 
partida.
A Federação Angolana de Basquetebol con-
vidou e a sua contraparte moçambicana disse 
“sim” ao convite. Benguela é o lugar que vai aco-
lher o torneio triangular, entre os dias 17 e 18 
de Junho, e conta com a presença de três países, 
nomeadamente, Moçambique, Angola e Cabo 
Verde.
Além de o torneio servir de preparação para a 
selecção angolana, que vai à segunda janela de 
apuramento para o Campeonato do Mundo, que 
vai decorrer na Ásia, serve também para equili-
De acordo com Nguenha, Moçambique estará 
integrado num dos quatro grupos que vão par-
ticipar nesta competição de países africanos e 
europeus.
brar o nível de competições entre os atletas.
Miguel Guambe, técnico do Costa do Sol, foi 
chamado a assumir a selecção e vai contar com 
16 jogadores, dos quais seis do Ferroviário da 
Beira, quatro do Maxaquene e Costa do Sol e 
dois do Ferroviário de Maputo. O País
SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202222 DOSSIERS & FACTOS
A TERRA E OS HOMENS Fotos de Albino Mahumana
As crianças têm o direito de ter educação 
de boa qualidade
ALVOS
23SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS CULTURA
“No meio de homens, também me 
torno um”
Cantar e encantar é o jeito en-contrado por Cecília Nwenha para espalhar alegria nas famí-lias moçambicanas através de 
melodias vibrantes. Sob influência de 
Dilon Djindji, Mário Timana e Malanga-
tana, galvanizou as cordas vocais para 
dar corpo à música “Ntumbuluko”, atra-
vés da qual ganhou o prémio da música 
mais popular no Ngoma Moçambique.
Nascida em 1986, na localidade de Matala-
na, no distrito de Marracuene, a nossa entre-
vistada guarda boas lembranças da infância. 
Fazia panelas de barro, cantava e encantava, 
como também dançava na igreja local.
“A minha avó era dançarina de Xitende, uma 
dança tradicional. E sempre que ela fosse dan-
çar, eu a acompanhava. Por isso, facilmente 
essa cultura entrou-me”
 D&F: Quando começa a cantar? 
CN: Começo a cantar na igreja, em Matala-
na. No período da Guerra, saímos de Matalana 
e passamos a viver em Maputo, e passei a can-
tar na banda do Mário Timana, concretamente 
em 2001. 
D&F: Qual é o estilo das músicas que 
canta?
CN: Canto marrabenta e afro-Muthimba e 
kwassa-kwassa.
 D&F: Qual é a tua fonte de inspiração?
CN: Inspiro-me na vovô Menguilaze de 
Matalana.
 D&F: Teve influência de algum músico?
CN: Sim, muita influência do Vovô Dilon 
Djindji, do próprio Mário Timana e do falecido 
Malangatana, que em vida era um grande di-
namizador cultural em Matalana.
 D&F: Como era a tua vida em tempos de 
Covid-19?
  CN: Em geral, a Covid-19 afectou a todos, 
e em particular aos artistas, e não fui excep-
Cecília Nwenha - cantora
Texto de Albino MahumanaD&F
ção. Mas para contornar essa situação, fazia os 
meus shows em casamentos, festas e, às vezes, 
ia tocar na província de Nampula. Além de can-
tar, também participava em trabalhos de apoio 
social a famílias carenciadas, que passavam 
dificuldades.
 D&F: E agora?
CN: Agora sim, as coisas tornaram-se mais 
fáceis. Tenho estado a trabalhar e a fazer as mi-
nhas actuações em Marracuene, Matola Gare, 
entre outros locais. 
D&F: Como se sente em trabalhar no meio 
de homens?
CN: Onde está cheio de homens, também 
CECÍLIA NWENHA E A CONVIVÊNCIA NUM MUNDO “MASCULINO”
viro homem.
 D&F: Projectos?
 CN: Tenho tantos projectos, neste ano lan-
cei o meu primeiro projecto discográfico, que 
se chama Família Mabjaia, onde temos Xitente, 
Makwaela, coral, e há também um tema que 
se chama Pfuka Mupendi, em homenagem ao 
Malangatana.
  D&F: Que avaliação faz da música 
moçambicana?
CN: Na música tenho trabalhado com a 
velha guarda, tive a sorte de logo nos meus 
primeiros dias em que me envolvi na músi-
ca trabalhar com artistas de grande gabarito, 
como Mário Timana, Xidiminguana, vovô Dilon 
Djindji. É uma honra para mim. Por isso posso 
dizer que me sinto muito bem, tenho aprendi-
do muito com eles até este momento.
 D&F: Já ganhou algum prémio?
 CN: Sim, já ganhei. Com a música Ntumbu-
luko ganhei o prémio da música mais popu-
lar de Ngoma Moçambique. Neste momento, 
agradeço por termos passado a fase de Co-
vid-19 e estarmos a trabalhar afincadamentepara dignificar a música moçambicana.
D&F: Como está a localidade de Matala-
na, está a evoluir?
CN: Sim, sim. Quando faleceu o mestre Ma-
langatana, ficámos muito constrangidos e tudo 
ficou parado, mas, neste momento, estamos a 
nos reerguer. Não esqueçamos que Matalana é 
o berço dos artistas.
“A minha avó era dançarina 
de Xitende, uma dança tra-
dicional. E sempre que ela fos-
se dançar, acompanhava-a. Por 
isso que facilmente essa cultu-
ra entrou-me.”
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Tchumene 1 | Rua Carlos Tembe, Parcela Nº 696, Matola | Telf 869744238 | 
Celular: 82 4753360 | Email: dossiereletronico@gmail.com
INTERNACIONAL
Kiev volta a ser
bombardeada
abalaram a cidade esta manhã, numa 
mensagem difundida na plataforma 
Telegram.
"Várias explosões nos bairros de 
Darnytsky e Dniprovsky da cidade. 
Os bombeiros estão a extinguir as 
chamas", escreveu.
Já o Estado-maior das forças 
armadas ucranianas salientou 
através da rede social Facebook que 
"o agressor continua a lançar mísseis 
e a realizar ataques aéreos contra as 
infra-estruturas militares e civis do 
nosso país, sobretudo em Kiev". DW
Eleições distritais
O Livro Escolar e o 
Colonialismo
Garganta Funda tem muito 
medo deste assunto. É barulho 
que vem aí. Para Garganta, este 
não é um assunto de debate ou 
reflexão, mas sim é um caso de dar 
tempo ao tempo e GGT explica o 
porquê. A democracia é boa, muito 
boa, boa demais, mas democracia 
em excesso, hummmm, ainda 
não é para nós os africanos, daí 
que Garganta assume que isto é 
Nigéria. Infelizmente, olhando 
para o caso da Nigéria, há locais 
onde o Estado como tal não 
consegue entrar, não consegue 
exercer o seu poder devido ao 
excesso de descentralização. Há 
coisas que não são para africanos. 
Estados Unidos e Brasil têm esses 
modelos de descentralização, 
mas são países que vêm de 
longe e passaram por muito até 
chegarem ali, até porque eleições 
distritais são uma novidade para 
o mundo. Nas condições em que 
Moçambique se encontra hoje, 
principalmente em relação às  
insurgências, claramente não é 
um bom momento para se aplicar 
este tipo de política. É certo que 
Semana passada, abordámos a 
questão do livro escolar e dos erros 
nele contidos. Abordámos  em voo 
rasante porque acreditávamos 
que era um pequeno erro, por isso 
abordámos com algum sarcasmo e, 
no geral, Garganta ficou agastado 
com a capacidade e facilidade 
com que cada ministro que entra 
naquele ministério tem de mexer 
no currículo. Terminamos o texto 
afirmando que o currículo é 
sagrado e não se deveria mexer de 
qualquer maneira. Infelizmente, 
não tínhamos a dimensão do 
estrago que foi feito, o que 
assistimos ao longo da semana 
foi um festival de erros. Quando 
Garganta achava que terminaram, 
cometeram mais erros na 
sequência. É tanto erro que parece 
que Jamanta conseguiu emprego 
como revisor no MINEDH. De todos 
os erros, há um em especial que 
chamou a atenção de Garganta, 
que dizia qualquer coisa do 
tipo: o colonialismo foi bom 
porque deixámos de ser macuas, 
ndaus, senas para podermos ser 
portugueses, franceses, ingleses. 
Até agora Garganta está de boca 
aberta, como é que uma aberração 
destas vai parar num livro escolar? 
caso de deixarmos o tempo nos 
moldar até chegarmos lá. Vamos 
lá, quando falamos de poder a 
três níveis: central, provincial, 
municipal e ainda distrital, 
claramente estamos a falar de um 
estado federal, e estados federais, 
a nível mundial, não chegam a 20. 
Em África, só existem dois estados 
federais em que a descentralização 
é a todos os níveis, um deles é a 
a descentralização a todos níveis 
foi uma das exigências do falecido 
líder da RENAMO, mas vamos ser 
práticos, aquele se foi e nós, como 
moçambicanos, neste momento 
temos que escolher o que é melhor 
para nós, e eleições nos distritos, 
divididos como estamos, somos 
um alvo fácil, é muito fácil que 
alguém nos consiga separar ainda 
mais, querendo. Não vale a pena. 
A insurgência será obra do acaso? 
Claro que não, aproveitaram-
se das nossas fraquezas, e para 
Garganta, eleições nos distritos, 
neste momento e no contexto em 
que vivemos, são um exercício 
desnecessário e podemos pagar 
muito caro.
Não acredito que foi um africano 
que escreveu isto, e se não foi, 
então quem foi, queria o quê com 
uma declaração destas? São N 
exemplos que se pode avançar aqui 
sobre o mal que o colonialismo fez 
aos africanos desde a escravatura, 
em que nossos antepassados eram 
levados em condições desumanas 
para a América, Europa e postos 
para fazer o trabalho forçado. A 
perda da nossa cultura, dos nossos 
valores, a pilhagem do ouro, 
marfim e tudo que era riqueza 
do nosso continente, e alguém 
resolveu dizer que o colonialismo 
foi bom. Sinceramente, algumas 
pessoas envolvidas neste processo 
merecem umas boas chambocadas, 
“txaia” mesmo, porque nesta 
declaração está patente a 
falta de patriotismo e querem 
contaminar as nossas criancinhas. 
Agora, espanta como estes erros 
não foram vistos por todo um 
Ministério. Lembrar que todas 
as políticas que possam existir 
naquele Ministério desaguam no 
livro, este é o instrumento mais 
importante e não faz sentido este 
todo desinteresse à volta dele, 
esta realidade é simplesmente 
assustadora.
1
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GARGANTA FUNDA Dossiers
Factos&
GUERRA NA UCRÂNIA
O presidente da câmara de 
Kiev, Vitali Klitschko, afirmou este 
domingo (05.06) que várias explosões 
Presidente da câmara da capital ucraniana afirma que a cidade foi alvo de ataques este 
domingo (05.06). O presidente 
da Rússia adverte que Mosco-
vo atacará novos alvos se Oci-
dente fornecer mísseis de lon-
go alcance à Ucrânia.
Kiev foi muito atacada no início da guerra (foto DW)

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