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DIRECTOR: Serôdio Towo | Segunda-Feira, 06 de Junho de 2022 | Edição nº: 467 | Ano: 10 | Tiragem: 7500 exemplares SAI ÀS SEGUNDAS DOSSIERSEFACTOS.COM FACEBOOK: DOSSIERS & FACTOS Anúncio publicitário 50Mt Pag 06 NA RENAMO FALA-SE DE DECEPÇÃO “Saímos do CN mais desunidos” · Tirou 50 consultores que "pouco faziam" · E reduziu lucros das editoras · Seus salários variavam de USD 2500 a USD 5000 Nyusi: 8 anos e 4 directores do SISE Ministra paga o preço da purificação VÍTIMA DE SABOTAGEM NO MINEDH SERÁ POR INSTABILIDADE? Pag 02 e 03 Pag 05 SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 20222 DOSSIERS & FACTOSEDITORIAL Uma das grandes belezas da democracia reside no facto de permitir a existência de diferen- tes ideias e projectos, permitin- do ao povo escolher o que julgar mais adequado às suas necessi- dades, ambições e desejos. É bonito e encantador olhar para outras latitudes e assistir à coabitação de diferentes ideias, ao confronto político, à argu- mentação aguçada e à verdadei- ra discussão de propostas con- cretas para a edificação de países e instituições fortes. Infelizmente, parecemos tão distantes dessa realidade, na me- dida em que olhamos para o nos- so espectro político e não somos capazes de ver projectos ou pro- gramas consistentes elaborados na perspectiva de desenvolver o país. A crise ideológica é de tal ordem que nem é possível des- cortinar as linhas identitárias de cada movimento. Não se sabe se o partido A ou B é da esquerda, direita ou centro. Não se percebe se seguem uma tendência socialista ou liberal. É tudo uma salada que impossibili- ta que se trilhe um caminho claro e objectivo. Em Moçambique, a democracia é subaproveitada. Os partidos políticos não passam de grupos de pessoas que se associam para “delinquir” contra o Estado, sa- onde pensar diferente é cometer blasfémia. Como corolário dessa inutilização voluntária da mente, a capacidade de raciocínio vai se corroendo. Percebe-se isso, por exemplo, pela pobreza dos debates ao ní- vel da Assembleia da República, um órgão que parece ter abdi- cado da sua prerrogativa de le- gislar para se tornar um cartório cujo papel é reconhecer e auten- ticar todas as propostas do Go- verno. A constante fuga aos de- bates, sobretudo em momentos de campanha eleitoral, também denuncia uma gritante falta de preparo para estas lides. O povo, há vários anos desa- pontado com a Frelimo, encon- tra-se numa situação de clara falta de alternativas, porquan- to não se vislumbra um único projecto capaz de fazer nascer a mais ténue esperança de que o país vá, um dia, regressar aos carris. A política afastou-se das pessoas e isso contribui para a indiferença, sobretudo dos jovens. Lamentavelmente, esta ati- tude – a indiferença – cria um ambiente propício para a perpe- tuação da mediocridade a que estamos votados. Guias precisam-se para este povo sem horizonte. serodiotouo@gmail.com tisfazendo única e exclusivamen- te os seus interesses. As lutas in- testinais, mais do que notórias nos principais partidos, denun- ciam essa triste realidade. Os políticos deviam ser dota- dos de capacidade intelectual e de liderança, para que, estan- do ou não no poder, orientem o povo, através de programas cla- ros, ideias e pensamentos. Tal aponta para a necessidade de um forte investimento no capital humano, como se pode ver nou- tras paragens. Por cá, é comple- tamente diferente: privilegia-se o amiguismo, o lambe-botismo e outros “ismos” que desprezam a excelência. Neste deserto de ideias, os pou- cos políticos que mostram ser um oásis são submetidos ao assassi- nato de carácter pelos seus pró- prios camaradas, com o beneplá- cito das lideranças partidárias e, não raras vezes, com o apoio de alguns órgãos de comunicação social. Assim, a essas figuras res- tam duas alternativas: ou se ali- nham à “disciplina partidária” e renegam as suas convicções ou então defendem seus princípios e vêem suas carreiras arruinadas. É esta a grande realidade e há que assumi-la de forma clara: os partidos políticos não são mais cultores da democracia. Trans- formaram-se em casas de culto, Um país que parece não ter horizonte FICHA TÉCNICA PROPRIEDADE DA S.T. PROJECTOS E COMUNICAÇÃO, LDA DIRECÇÃO: Serôdio Towo (Director-Geral) ADMINISTRAÇÃO : Gabriel Muchanga Registo N° 19/GABINFO-DEC/2012 REDACÇÃO, MAQUETIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO: Tchumene 1 | Rua Carlos tembe, Parcela Nº 696, Matola | Telf: 869744238 | Celular: 82 4753360 | Email: dossiereletronico@gmail.com| DIRECTOR: Serôdio Towo, serodiotouo@gmail.com, Cell: 82 4753360 |COORDENADOR EDITORIAL: Amad Canda, candaamad@gmail.com, 846526459 | REDACÇÃO: Serôdio Towo, Amad Canda, Arão Nualane, Quelto Janeiro, Hélio de Carlos| FOTOGRAFIA: Albino Mahumana| ADMINISTRAÇÃO: Gabriel Muchanga , sebmuchanga@gmail.com, 84 228 5835|GRAFISMO: Herbigno Lote | CORRESPONDENTES: Eng. Aspirina (Xai-Xai) - 84 5140506) | Henriques Jimisse (Pretória)| PUBLICIDADE e MARKETING : Gabriel Muchanga , sebmuchanga@gmail.com, 84 228 5835|EXPANSÃO: Quidero Nhoela, Cell: 84 1065591, admis.factos@gmail.com| COLUNISTAS: Fernando Benzane e Rui Maquene| 3SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS DESTAQUE Namashulua provocou “abelhas” do sector e foi sabotada MISTÉRIOS POR DETRÁS DA VERGONHA NA EDUCAÇÃO Nas últimas semanas, a opinião pú-blica tem sido dominada por de-bates à volta dos escândalos consi-derados pela ministra da Educação como “vergonhosos erros” nos livros esco- lares, sobretudo no de Ciências Sociais da 6.ª Classe. Numa altura em que a sociedade pede a exoneração de Carmelita Namashu- lua, o Dossiers & Factos traz informações que podem explicar algumas das razões que eventualmente estejam por detrás daquilo a que as nossas fontes chamam de sabotagem e pressão ao Governo. O escândalo que tem preenchido manche- tes de jornais e debates nas rádios e televisões nacionais, e não só, bem como as redes sociais levou o Dossiers & Factos a investigar os proble- mas do Ministério da Educação e Desenvolvi- mento Humano (MINEDH), particularmente os relacionados com a sua gestão e a produção dos livros escolares de distribuição gratuita. Informações colhidas de fontes no MINEDH dão conta que, em 2007, o Governo moçambica- no decidiu iniciar o processo de aquisição dos di- reitos de autor dos livros moçambicanos do en- sino primário, que antes pertenciam às editoras. Começou por atacar a 1.ª e 2.ª classes, o que ge- rou, segundo as fontes, uma grande revolta por parte das empresas afectadas, na altura, a Porto Editora, Texto Editora, Longman e Macmillan. Como se pode depreender, essa acção fez com que o Governo passasse a poupar muito dinheiro. A título de exemplo, no primeiro ano, depois de consumada a compra dos direitos dos livros da 1.ª e 2.ª classes, poupou mais de USD 1.5 milhão. Editoras tentaram a diplomacia Conforme nos referimos, são quatro as edito- ras que, na altura, trabalhavam com o MINEDH, nomeadamente a Porto Editora e Texto Editora (de Portugal) e Longman e MacMillan (da Grã Bretanha). Segundo as fontes, as editoras lusita- nas foram sempre as mais dominantes e, prova- velmente, as que mais se sentiram “feridas” com a decisão de aquisição dos direitos de autor por parte do Governo moçambicano. A preocupação foi de tal ordem que as edito- ras recorreram ao governo português para in- verter o cenário. Em 2008, Aníbal Cavaco Silva, o então presidente de Portugal, na sua deslocação a Moçambique, tinha como um dos pontos de agenda a discussão com o Governo de Moçam- bique sobre essa matéria. De acordo com as nossas fontes, para evitar que o assunto fosse discutido, o então ministro da Educação, Aires Aly, teve de viajar, proposita- damente, para fora do país, gorando, assim, as intenções do então chefe de Estado português. Ano após ano, o MINEDH vai adquirindo os di- reitos de autor de livros de outras classes, medida que garante ao Estado poupar mais divisasnesse processo, prejudicando as editoras. O antes e o depois em números Antes de o Estado moçambicano adquirir os direitos de autor, as editoras, sobretudo as por- tuguesas, eram “donas e senhoras” da situação. Dizem as nossas fontes que elas – as editoras – detinham o monopólio e, a cada ano, negocia- vam novos preços – cada vez mais elevados para o Governo. Nessa altura, segundo explicam as fontes, os gastos com os livros rondavam em média pouco mais de 221 milhões de meticais por ano, apenas para as primeiras duas classes do ensino primário. Mais adiante, as fontes mostram que, com a aquisição dos direitos pelo Estado moçambica- no, o preço dos livros caiu drasticamente para cerca de 130 milhões de meticais, o que vale di- zer que se passou a poupar cerca de 92 milhões de meticais. INDE: o maior responsável Fontes do Dossiers & Factos explicam cada etapa da produção do livro escolar, podendo-se dissipar com esta explicação a propalada exi- gência de se crucificar a ministra do pelouro. Por exemplo, as nossas fontes defendem que o INDE é o principal responsável pela produção do livro escolar. Esclarecem que esta é a instituição responsá- vel por fornecer programas de ensino às editoras, verificar as provas dos livros, sugerir correcções, aprovar o layout e as ilustrações, em estreita coordenação com o autor. No actual modelo, isto é, depois da aquisição dos direitos pelo Estado moçambicano, a edito- ra contrata o autor, edita o livro, procedendo à revisão linguística, de conteúdo, da qualidade das ilustrações, de fontes bibliográficas e de ima- gens. Através de concurso público, é contratada a consultoria editorial, à qual o INDE apresenta uma unidade didáctica que deve nortear a pro- dução do livro. O relatório da avaliação do livro é apresentado à Comissão de Avaliação do Livro Escolar (CALE). Assim sendo, o trabalho final é apresentado ao Departamento do Livro Escolar e depois segue à Texto: Serôdio TowoD&F Carmelita Namashulua criou muitos inimigos no sector SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 20224 DOSSIERS & FACTOSDESTAQUE gráfica vencedora do concurso para a impressão. Mesmo assim, antes da impressão, a gráfica deve fazer uma prova e mandá-la ao Departamento do Livro Escolar e ao INDE, para a competente reve- rificação dos conteúdos e respectiva aprovação. Tal como soubemos das fontes, no MINEDH, o processo para a produção do livro escolar era mais fácil e eficiente quando era liderado pela DINAME (do Estado), antes de os doadores – en- tre eles o Banco Mundial – forçarem o Estado a abrir-se ao mercado. No entender das fontes conhecedoras do sec- tor, os argumentos acima arrolados justificam perfeitamente a queda do director do INDE, Is- mael Nhêze, de quem se diz ter supostamente colocado os negócios à frente dos reais propósi- tos da sua missão. Os “pecados da ministra Namashulua” A cedência de um negócio que era do Estado aos privados criou condições para que vários es- quemas ilícitos fossem instalados no MINEDH e provavelmente com ramificações noutros sec- tores ligados ao processo, com o objectivo de açambarcar fundos do Estado. Sucede, porém, que quando chega ao cargo de ministra do pelouro, Carmelita Namashulua inicia um processo de desmantelamento dessas “gangues”, em clara afronta a pessoas que se sen- tiam “donas da casa”. Nessa altura, o ministério tinha cerca de 75 consultores, que supostamente davam assistên- cia técnica de curta, média e longa duração, sen- do que a ministra reduziu 50, ficando apenas 25. Importa referir que, segundo as nossas fontes, o salário destes supostos consultores varia de USD 2.500 a USD 5.000, dependendo do tempo de du- ração da consultoria e do grau de exigência da assistência. Por outro lado, Namashulua destituiu o chefe do Departamento das Aquisições [UGEA] do mi- nistério, procurando, desta forma, pôr ordem no processo de procurement. Igualmente, afastou o secretário permanente do MINEDH, tendo nomeado, para o seu lugar, um quadro da instituição, e promoveu várias per- mutas entre os directores nacionais da casa. Para além destes, ainda num tom de coragem, Carmelita Namashulua destituiu o chefe do De- partamento de Gestão do Livro Escolar e Material Didáctico, tendo sido substituído por um outro quadro proveniente do INDE. Entendem as fontes que estas e outras “medi- das extremas” da ministra da Educação foram ne- cessárias para “curar” um pelouro “doente”, ape- sar de, com esta sabotagem, estarem já a custar caro ao Estado. Plano é derrubar Namashulua Dizem as fontes deste Jornal que Carmelita Namashulua provocou “abelhas” do Ministério da Educação, e os escândalos recentes são uma res- posta clara a isso. Ao mesmo tempo, o escândalo serve para pressionar o Presidente da República no sentido de destituí-la, para que no lugar dela seja colocado alguém que possa facilitar a vida às “gangues”. Segundo as nossas fontes, o ninho que viu nascer, crescer e até gerir as supostas gangues chama-se INDE, e não descartam também que todos os prejudicados pelas decisões da ministra tenham se sentido magoados. Ismael Nhêze, ex-diretor do INDE (O Pais) Parece cada vez mais evidente que os erros são fruto de uma sabotagem (O Pais) 5SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS DESTAQUE Nyusi ainda procura o seu “homem de confiança” no SISE AO OITAVO ANO NO PODER Na última semana, o Presiden-te da República, Filipe Jacinto Nyusi, voltou a operar mexi-das no topo da hierarquia do Serviço de Informação e Segurança de Estado (SISE), ao exonerar Júlio Jane do cargo de director-geral e nomear para o seu lugar Bernardo Lidimba. Este é o quarto homem forte dos serviços secre- tos na era Nyusi, o que em alguns círcu- los de opinião é entendido como sinal de insatisfação por parte do PR. Filipe Nyusi está a cumprir o seu oitavo ano no comando dos destinos de Moçam- bique, e já vai no seu quarto director-geral do SISE. Feitas as contas, em média, cada director dura apenas dois anos no mais alto posto dos serviços secretos. O primeiro director-geral que esteve às ordens de Filipe Nyusi foi Gregório Leão José, que transitou da era Guebuza. Dois anos após a tomada de posse do novo ti- moneiro da nação, Gregório Leão foi exo- nerado e, para o seu lugar, foi nomeado o general Lagos Henriques Lidimo, um ex-co- mandante das Forças Populares de Liberta- ção de Moçambique. Lagos Lidimo já tinha sido chefe do Es- tado Maior-General, mas, à data da sua nomeação, estava na reserva, para onde voltaria apenas 10 meses depois, abrindo espaço para a ascensão de Júlio dos San- tos Jane, que era, à data da sua nomeação, comandante-geral da Polícia da República de Moçambique. Com aproximadamente quatro anos no cargo, Júlio Jane foi o director-geral com o reinado mais longo na era Nyusi, seguido de Gregório Leão, que durou dois anos. O reinado mais curto pertence a Lagos Lidi- mo, que não completou sequer um ano. Sinal de falta de lealdade? Os serviços secretos revestem-se de ca- pital importância, dado o papel que de- sempenham na garantia da segurança do Estado e da soberania. Para especialistas ouvidos pelo Dossiers & Factos, é um sector que, pela sua sensibilidade, demanda esta- bilidade, não sendo, por isso, comum que seja palco de tantas mexidas em tão curto espaço de tempo. Questionados sobre o que estará por de- trás deste fenómeno, nossas fontes, que preferem não ser identificadas, indicam que o Presidente da República, na sua qualidade de Comandante em Chefe das Forças de De- fesa e Segurança, poderá não estar convicto da lealdade dos líderes que tem nomeado. As fontes acrescentam ainda que o de- sempenho da “secreta” nos últimos anos terá deixado a desejar, uma vez que, no seu entender, não foi capaz de se antecipar aos insurgentes, que, desde 2017, efectuam ataques terroristas na província de Cabo Delgado, tendo em certos momentos che- gado a “banalizar o Estado”. Um contraste com a era Guebuza Se a dois anos do fimdo seu segundo ci- clo de governação Filipe Nyusi parece ainda não ter encontrado o seu “homem de con- fiança” para liderar a “secreta” moçambicana – a avaliar pela longevidade, só Júlio Jane parece ter-se aproximado disso – o mesmo não se pode dizer do seu antecessor, Ar- mando Emílio Guebuza. Guebuza chegou ao poder em 2005, su- cedendo a Joaquim Alberto Chissano, que liderou o país por 18 anos consecutivos – os oito primeiros na era do monopartidarismo. Dois meses depois de chegar à Ponta Ver- melha, Guebuza viu o então director-geral do SISE, José Zumbire, morrer. Para preen- cher a vacatura, o antigo presidente foi a Lisboa buscar Gregório Leão, que, na altura, exercia o cargo de embaixador de Moçam- bique em Portugal. Agora preso em conexão com o escânda- lo das dívidas ocultas, Leão permaneceu no comando do SISE durante pouco mais de 11 anos, até ser exonerado por Filipe Nyusi, no dia 20 de Janeiro de 2017. As contas são fáceis: na administração de Guebuza, não houve mexidas no mais alto cargo dos ser- viços secretos. Declarante do caso “dívidas ocultas” nomeado director-geral adjunto Na nova estrutura do SISE, um dado curioso chama atenção: a nomeação de Joia Haquirene para o cargo de director-geral adjunto. Joia Haquire- ne foi o primeiro declarante ouvido no âmbito do julgamento do Processo 18/2019-C, conhecido como caso “dívi- das ocultas”. No seu depoimento, Haquirene deu algumas informações potencialmente comprometedoras para os seus pares constituídos réus. A título de exemplo, disse ter assinado, na qualidade de ad- ministrador da GIPS, vários cheques a mando de Gregório Leão para a ProIn- dicus e Ematum. Alguma imprensa interpreta a sua nomeação a número dois do SISE como uma espécie de “prémio” pelos “serviços prestados” na tenda da B.O. Bernardo Lidimba foi empossado na semana passada Texto: Dossiers & FactosD&F SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 20226 DOSSIERS & FACTOSDESTAQUE “Saímos mais desunidos” CN DA RENAMO NÃO SAROU AS FERIDAS Com o partido Frelimo fragilizado, a Renamo parece incapaz de apro-veitar o momento para alcançar melhores resultados nos próximos pleitos eleitorais. A perdiz está a ser diri- gida por um líder que, na opinião de boa franja dos membros, não tem capacidade para o efeito. Esta situação está a dividir os militantes, pois, nem o Conselho Nacional, realizado na semana finda, foi capaz de os reaproximar. Uma decepção. É assim que é descrito o últi- mo Conselho Nacional da Renamo, que decor- reu na segunda-feira, 31 de Maio. Uma fonte do partido que participou da reunião, na condição de convidado, disse ao Dossiers & Factos que o encontro não correspondeu às expectativas, supostamente por não ter alcançado os seus objectivos. O primeiro dos objectivos que caiu por ter- ra foi a união. É pública, embora não seja ofi- cialmente reconhecida a existência de alas no partido e os membros esperavam que esta si- tuação fosse ultrapassada no Conselho Nacio- nal, um desejo que não se concretizou. “Saímos ainda mais desunidos”, sintetiza a fonte. Membros perderam confiança no presidente Os membros da Renamo também espera- vam por um Conselho Nacional que reflectisse à volta da vida do partido nos últimos anos e esclarecesse aos militantes sobre certos aspec- tos. Uma das questões colocadas pelos conse- lheiros na reunião prende-se com o abandono dos membros da Renamo das assembleias de voto nas eleições gerais de 2019, precisamen- te no momento da contagem dos votos, o que terá facilitado uma suposta fraude da Frelimo. Segundo a nossa fonte, a resposta a esta questão não foi dada por quem é de direito, o que gerou ainda mais desilusão no seio dos membros. No entanto, cimentou a percepção de que terá sido o próprio Ossufo Momade a dar a ordem para tal. A fonte revela que os membros ficaram ain- da mais indignados quando um grupo do par- tido saiu em defesa da figura a quem cabia dar resposta a esta inquietação, cujo nome não revelou. Os supostos defensores disseram que aquele acontecimento não é inédito no partido, alegando que Afonso Dhlakama fez o mesmo nas eleições de 1994. Aliás, os defensores são, segundo a fonte, os mesmos “indisciplinados” que chegaram a tomar posse na Assembleia da República à revelia do carismático líder. “Mas Dhlakama não mandou os membros das assembleias de voto abandonarem os seus postos. Mandou parar todo o processo”, rebate a fonte, acrescentando que, mesmo que a or- dem dada tenha sido a de abandonar as assem- bleias, “o que está errado não se imita”. “Momade traiu e não tem interesse de ganhar” No seio dos membros do partido, é cada vez mais cristalina a ideia de que Ossufo Momade está, quase que de forma umbilical, ligado ao partido Frelimo e ao seu líder, Filipe Jacinto Nyusi. Por conta disso, acredita-se que o suces- sor do histórico Afonso Dhlakama sequer tem interesse em vencer as eleições presidenciais e assumir o comando dos destinos do país. Nossa fonte assegura que a única preocupa- ção de Momade é manter-se como o líder do segundo partido mais votado para continuar a beneficiar das mordomias que lhe são conferi- das por lei. Ainda falando com o Dossiers & Factos, a fonte que temos vindo a citar lembra que o ac- tual presidente da perdiz prometera não tomar posse do cargo de membro do Conselho de Es- tado, diante de Filipe Nyusi, a quem não reco- nhecia legitimidade. “Mas tomou posse diante dele. Se a ideia é imitar Afonso Dhlakama, não teria feito isso, porque Dhlakama nunca acei- tou tomar posse”, refere a fonte. Outra das grandes desilusões do Conselho Nacional foi o relatório da Comissão Política, que, na opinião da nossa fonte, confessa ter abandonado os trabalhos de tão agastada, foi superficial. O documento deveria versar so- bre as actividades desenvolvidas desde 2019 a 2021, mas, para a fonte, fê-lo de forma le- viana, limitando-se a descrever aquilo a que chama de “actividades esporádicas”, sem dizer que resultados tais acções terão gerado para a “perdiz”. Temas candentes, tais como os membros mortos/assassinados, os que abandonaram o partido e o processo DDR mereceram ape- nas leves considerações. Em relação ao DDR, a fonte refere que a direcção do partido até jus- tificou o não pagamento de pensões aos ex- -guerrilheiros com o facto de estes não terem descontado para a Segurança Social. “Só agora descobriram isso”? Questiona, an- tes de acusar: “Ossufo traiu os combatentes”. A fonte critica também o secretário-geral do partido, André Magibire, por considerar que este não ajuda o presidente. Questionada sobre o caminho que a Renamo deve seguir doravante, a fonte é peremptória: “Com Ossu- fo Momade, a Renamo não avança”. A fechar, avisa: “Se não vencermos a Frelimo agora, tere- mos de esperar mais 45 anos para voltar a estar fragilizada”. Texto: Dossiers & FactosD&F Ossufo Momade cada vez mais contestado pelos seus pares • Com Ossufo, o partido não avança 7SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS OPINIÃO Anúncio publicitário Muitas vezes paramos para pensar se somos capazes de seguir e realizar os nos- sos sonhos. Às vezes, o maior elemento que nos enfraquece é o medo, o medo de inovarmos e o medo de cairmos e nunca conseguirmos levantar daquele degrau que nos humilhou no meio de tanta mul- tidão. Mas, por vezes, é nas derrotas que sentimos a sensação de sermos vence- dores, quando no fundo do nosso peito uma gota de esperança nos galvaniza e, de repente, paramos para reflectir con- nosco mesmos e chegamos ao ponto de dizer: Eu sou um bom lutador. Porque bons lutadores nem sempre vencem as batalhas, bons lutadores não temem falhar, bons lutadores vão a guer- ra sabendo que se não vencerem, com certeza vão falhar, bons lutadores não dormem, sempre esquematizando e in- vestigando as fraquezas do seu oponente. Mas qual é a graça nisso? A graça é que mais vale perder com classe, com estilo, do que nos escondermos no medo de pelo menos tentarmos. Muitasvezes olhamos ao mundo e pa- ramos para indagar o porquê de sermos os únicos que não vencem, mas poucas vezes olhamos ao mundo para questionar como vencer. Estás preocupado em saber como foi inventada a lâmpada? Queres saber como é possivel mandar uma mensagem de um telefone para o outro? Queres saber como a rádio faz chegar tua voz ao ouvinte? Chega de brincadeiras. Chega de ergofo- bia. Levante e crie suas próprias ideias e deixe de questioanr sobre o que já existe. Questione sobre o que não existe. Se que- res pensar na lâmpada, pense no que não foi feito para que a lâmpada brilhe mais ou seja amiga do ambiente e não no que já foi definido. Te preocupas porque o mundo diz que tudo já foi inventado? Não se preocupe, porque essa é a ideia de quem não tem muito por criar e fica se acomodando nas ideias dos outros. Você pode sim mudar o mundo, você pode ser você, você pode tranformar a fome em alegria, você pode mostrar que as raças não são nenhum cartão de crédito para que os Homens se respeitem, você pode ser mais do que pensa que está limitado a ser. Você pode ser a diferença que o mundo espera ver um dia. Mas tudo… tudo depende de ti e do que fazes para chegar lá. Muitas vezes podemos nos questionar sobre como chegar lá. Às vezes o caminho é longo, não duvide disso. Mas muitas ve- zes, no meio do caminho, encontramos grandes prémios, grandes realizações que nos fazem correr com mais vontade e com mais sede da vitória. Mas isto não se con- segue com um sorriso, não se consegue somente em querer que o mundo sinta pena de si, porque as pessoas querem te ver batalhando, querem ver mais frutos do teu cérebro. Muitas vezes, pensamos que ninguém está a controlar os nossos passos. Pensa- mos simplesmente que estamos numa ca- minhada solitária, onde lutamos sem que alguém acompanhe a nossa trilha de de- safios, mas não se engane. Há sim pessoas que, mesmo te vendo a sofrer e a perder esperanças, ainda sonham em te ver ga- tinhando, caindo, levantando, chorando até que um dia consigas por si mesmo di- zer o quanto és capaz e que podes merecer uma fatia do grande bolo que é o sucesso. Mesmo que o teu amigo seja o dono da torre dos diamantes, que seja o proprieta- rio das torres gêmeas, nem que seja o Bill Gates, às vezes as pessoas querem ver do que és capaz para te ajudarem. Achas que o carpinteiro lhe vai dar em- prego sem mostrares que gostas da ma- deira? Achas que o empresário lhe vai dar um cargo na empresa se não tens noção da contabilidade, secretariado ou amor a inovações? Deixa de ficar a lamentar. Voe mais alto e mostre o seu potencial. Seja tu mesmo. Afinal, o que te impede de viver…de sonhar e de mostrar o mundo que estás vivo? É a sua pobreza? É por não teres de comer? Deixa de ser o coitado, deixa de ser a vítima. Faça mais de ti que verás o teu futuro abraçar-te fortemente e, com certeza, serás feliz por teres sido tu a conquistar o teu prémio. Não espe- re que a bola seja jogada aos seus pés, vá ao encontro da bola, seja lesionado, seja derrubado, mas, acima de tudo, seja um vencedor. Saiba definir o seu valor ACTIVISIONISMOACTIVISIONISMO Sérgio dos Céus Nelson SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 20228 DOSSIERS & FACTOS Na Estética Nudez de Cabo Delegado, livro que venho es- crevendo, o caos da guerra é a semente do mal progressivo. Ela [a nudez] é representada de forma realista, as pessoas são marionetas da guerra e sentem a fome dela. Inala-se o mais forte cheiro do sofri- mento, pressentindo-se o sen- timento da morte que paira no canto das armas e na ponta aguçada da catana. Da miséria, os olhos cônca- vos suplicam por paz, por li- bertação “da má governação, da falta do existencial que tira a vontade de ser e o dever de existir”. Esta situação gera im- potência, tensão e nervosismo, que se articulam ocasionando as chamadas lamúrias. A falta de estrutura e clareza numa guerra falhada contra o bando do Daesh EIPAC-Kati- ba de Moçambique, que trou- xe ao povo moçambicano uma mancha de sangue indelével, com sucessivas carnificinas, destruição de infra-estrutu- ras públicas, pilhagens, des- truição de casas nos povoados considerados infiéis, uso de escudos humanos, raptos, re- presálias, vinganças. Estamos numa situação de- licada, em que parte da guerri- lha islâmica primitiva pertence aos filhos da terra, convertidos e formados pelo califado como guias da sua própria desgraça, numa heroicidade perversa de dar angústia à alma. Sem dúvi- da que estamos perante a vio- lência do rio que tudo arrasta em sua fúria, mas cabe a quem governa o nosso país não dei- xar o povo sucumbir à fome, à morte e à desgraça de um fu- turo incerto. Vezes sem conta os milita- res deixaram o povo à mercê da sua sorte. Aquando dos úl- timos ataques, o povo foi di- zimado sem protecção, nem ajuda nas suas pacatas aldeias. Para se proteger do crime e de actos de violência, a socieda- de exige um vasto e complexo sistema de ajuda emergente do Estado moçambicano, que demora chegar, numa guerra onde se jogam amigos ocul- tos e está prenhe de uma ini- mizade transfronteiriça não declarada. Embora o mundo se debata com a crise aguda de um vírus chinês que desestabiliza finan- ceiramente todas as superpo- tências, com enriquecimento do mercado farmacêutico sen- do o maior e nunca visto em todos os tempos, além de uma guerra entre Rússia e Ucrânia, que é um verdadeiro mode- lo de guerra para exposição e venda de armas à custa de mi- lhares de vidas inocentes. Mo- çambique precisa de se centrar nos seus problemas, especifi- camente Cabo Delgado. A saturação do tecido social torna-se um grande problema, com o aparecimento de novas doenças psicológicas e uma grande impotência dos povos perante a sua liderança em fase de crises cíclicas. Moçambique não é uma excepção nesta nu- dez de problemas globais. No auge do limite da satura- ção social, militar e política, questiona-se a violência brutal das Forças de Defesa em Cabo Delgado, no estresse pragmá- tico de definir com clarividên- cia os lados da inimizade, dos infiltrados e dos presumíveis malfeitores infiltrados nos seios dos deslocados. Chove pólvora por tudo que é lado, a guerra reclama fome de tudo e todo, o povo divorcia-se da razão e do seu eu, das suas conquistas e dos seus amores, e vê a existência e o sentido a serem-lhes nega- dos por irmãos que vendem a pátria em troca de falsas profecias. OPINIÃO O Falso Patriotismo e a Guerra no Norte PRIMEIRO PONTOPRIMEIRO PONTO Nobre Rassul 9SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS OPINIÃO Anúncio publicitário Ministra Carmelita Namashulua tomou boas medidas, mas faltou uma: a demissão. Por: NkassanaWaka-Tembe–nkassana@gmail.com.org Foi muito bom ver e ouvir a ministra da Educação e Desenvolvimento Humano a se pronunciar em relação àquele escânda- lo do livro da sexta classe. Não se sabe ao certo o porquê deste posicionamento ter acontecido apenas depois daquele teatro barato da porta-voz do ministério. Nossa porta-voz foi infeliz porque quando todos pensávamos ser esta uma oportunidade de ouvirmos um posicionamento firme e con- sensual sobre medidas a serem tomadas em relação ao livro da sexta classe, veio ao público com medidas tão insustentáveis. Num discurso que parece não ter sido concertado com os demais membros do ministério, ficou claro que a porta-voz es- tava à margem daqueles que são os reais problemas deste instrumento de ensino. Minimizou a correcção, ao sugerir um simples exercício de errata, o que veio agu- dizar a crítica pública. Para aquele tipo de problema, conside- rando o papel e responsabilidade que a ins- tituição tem na formação do homem novo, o informe à nação transcendia a capacida- de da porta-voz, pelo que fez bem a minis- tra da Educação ao descer à base, sentar- -se junto com os alunos, conversar com os professores, assim como com a máquina administrativa para melhor compreender a complexidade do problemae daí tomar tais decisões, que foram acompanhadas por todos. A ministra, e concordamos plenamente com ela, tomou a melhor decisão, a de re- tirar imediatamente o livro da sexta classe em todas as escolas. Isto é o que queríamos ter ouvido da porta-voz naquele domingo que, ao invés de nos deixar descansar, cha- mou nossa atenção só para ouvirmos aque- la dissonância. A ministra apontou ainda o afastamento do director do INDE, o que não constitui nenhum mal se considerar- mos que a tal comissão de inquérito preci- sa de um espaço livre de qualquer tipo de interferência no trabalho de investigação. A ministra ordenou a criação de um co- mité científico para proceder à análise de todos os livros produzidos desde o período de 2019 até ao presente. Este é um reconhe- cimento de que nossa atenção não pode es- tar apenas focada no livro do problema. O sistema em si está doente. O sector da edu- cação tem estado a sofrer duras críticas da opinião pública e não passam nem sequer três meses depois de o próprio sector ter estado na boca do povo, isto por conta do atraso na entrega e distribuição do livro escolar. É quase uma opinião unânime que a qualidade de ensino decresceu, nossas crianças mal escrevem, têm dificuldades de leitura, não têm o mínimo domínio de con- tas, os professores não se cansam de apre- sentar problemas sérios de falta de meios e equipamentos de trabalho. As crianças continuam sentadas debaixo das árvores, há falta de carteiras em boa parte das esco- las, continuamos com directores que se en- volvem em roubo de energia eléctrica para alimentar os seus gabinetes de trabalho, as cobranças do tal valor do guarda estão ao rubro. Estes e outros males fazem da Edu- cação um epicentro de problemas. Os erros contidos no livro da sexta clas- se chamam a atenção para que outro tipo de reflexão seja aqui feito. Há aqui ques- tões que precisam de respostas de quem de direito. Por exemplo, qual foi a empresa responsável pela produção do livro? O que isto terá custado em termos de valor aos cofres do Estado? Aliás, seria também bom saber que procedimentos administrativos serão tomados para que se evite proble- mas do género? Que medidas legais serão tomadas para responsabilizar as pessoas e instituições envolvidas nesse escândalo? Enfim, estas são questões que esperamos ver esclarecidas no relatório da comissão de inquérito, porque só assim teremos ele- mentos suficientes para inocentar a quem quer que seja. Dissemos no título que estas medidas foram bem tomadas, tendo apenas faltado a medida mais importante neste todo exer- cício. Nos actos de governação, tem sido hábito termos a corda a romper-se sempre do lado mais fraco. Os nossos dirigentes pouco se apresentam em público para as- sumir efectivamente erros de governação e usar o princípio de demissão como sinal de quem reconhece os erros. Moçambique precisa de avançar seria- mente na responsabilização individual das pessoas que nos dirigem. A ministra perdeu aqui oportunidade de dizer aos moçambicanos que, como pessoa íntegra, responsável pelos seus actos, julga que o atraso do livro por um período de cerca de cinco meses, as cobranças ilícitas, assim como o caso deste último episódio (erros no livro da sexta classe) são problemas da responsabilidade da dirigente máxima do pelouro da Educação. Esta é a coragem que falta no nosso sis- tema de governação. O director do INDE foi demitido, a porta-voz entrou de férias compulsivas, mas a cabeça de todos estes problemas continua fresca, dirigindo sem contemplações este ministério. A todos os dirigentes comprometi- dos com a causa do bem servir, um forte abraço. MAYITABASSA!MAYITABASSA! SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202210 DOSSIERS & FACTOSANUNCIO PUBLICITÁRIO RELATÓRIO E CONTAS 2021 Página 1 Mensagem do Presidente da Comissão Executiva O Banco Nacional de Investimento. SA (BNI), fundado em 2010 e tendo iniciado as suas operações em 2011, tem a elevada honra de apresentar o Relatório e Contas do exercício económico de 2021, um ano particularmente especial, em que o Banco completou 10 anos de operação. Os resultados de 2021 apresentados no presente relatório, são bastante positivos e satisfatórios tendo em conta que os mesmos foram produzidos num ano conturbado, onde o crescimento da actividade bancária em particular, e da actividade económica no geral, foi comprometido pelas incertezas impostas pelo surgimento de novas vagas da pandemia da COVID-19, pela intensificação da instabilidade militar na região Norte do País que levou à suspensão do projecto Mozambique LNG da Total, pelos impactos de fenómenos naturais e pelas acentuadas variações abruptas do Metical face às suas principais contrapartes, particularmente o Dólar Americano. O BNI, sendo um Banco de Desenvolvimento e de Investimento do Estado cuja missão é promover o desenvolvimento socioeconómico e sustentável da economia moçambicana através do financiamento a projectos de investimento infraestruturantes e do sector produtivo e da assessoria e estruturação de empresas e projectos com impactos relevantes na melhoria das condições de vida dos moçambicanos, em 2021 continuou focado na sua consolidação como um instrumento de implementação da política de desenvolvimento do Governo. Neste sentido, o Banco planificou e desenvolveu as suas actividades (Plano de Actividades 2021) baseado no Plano Quinquenal do Governo 2020-2024 assim como, e principalmente, no Plano do Estratégico BNI 2018-2022. Para assegurar o enquadramento das suas actividades nos instrumentos de planificação descritos acima, o Banco assentou a sua actuação nos três pilares estratégicos constantes do seu Plano Estratégico 2018-2022, nomeadamente, (i) Pilar I - Promoção e financiamento ao desenvolvimento; (ii) Pilar II - Competitividade e sustentabilidade; e (iii) Pilar III - Governação corporativa, competências e relacionamento institucional (com objectivos estratégicos para cada pilar), o que permitiu que em 2021, o Banco continuasse demonstrando a sua tendência lucrativa, sua robustez e excelente saúde financeira, registando confortáveis indicadores de rendibilidade, de solvabilidade e de eficiência operacional, designadamente, um lucro líquido positivo de MT 115,7 milhões, rácio de solvabilidade regulamentar de 33% (contra 12% de mínimo regulamentar), rácio de liquidez regulamentar de 40% (contra 25% de mínimo regulamentar) e um rácio de eficiência operacional (custos de transformação/produto bancário) de 70%. Tal como já tinha referido nas minhas primeiras palavras da presente mensagem, este desempenho do Banco em 2021, foi conseguido num ambiente macroeconómico doméstico com muitas adversidades que limitaram a normal expansão da actividade económica. Contudo, o País, através da adopção, pelo Governo, de medidas de política macroeconómica apropriadas, conseguiu evitar a desaceleração registada em 2020 (-1,23%), tendo registado um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,16% (em linha com a previsão de 2,10%), de acordo com as previsões do Instituto Nacional de Estatística (INE). Em relação à economia global, o FMI, citado na publicação “World Economic Outlook”, de Janeiro de 2022, indicam para um crescimento do PIB global de 5,90% para o ano de 2021, o que representa uma tendência de reversão à queda registada em 2020 (-3,10%). A tendência de recuperação da economia global deveu-se, no geral, às medidas e políticas governamentais, bem como à administração das vacinas contra a COVID-19 a nível global. Relativamente ao negócio, para lograr alcançar resultados positivos mesmo num contexto de adversidades, o Banco teve que adoptar uma estratégia assente em três eixos, designadamente, a eficiência operacional, a gestão prudente de riscos e a diversificação das fontes de receita. Assim, relativamente ao segmento de Banca de Investimento, através da sua Direcção de Assessoria e Estruturação Financeira, o Banco continuou a assessorar empresas e projectos na mobilizaçãode financiamentos e parceiros nas praças internacionais, onde destaca-se o estabelecimento de parcerias com investidores da área de energias renováveis dos Emirados Árabes Unidos, o que resultou em acordos de investimento e financiamento de plantas de geração de energia fotovoltaica de cerca de 60 MW no total, cujos fechos financeiros e provavelmente o início da construção poderão ocorrer no corrente ano de 2022. Quanto ao segmento de Banca de Desenvolvimento, as acções do BNI em 2021 estiveram, igualmente, orientadas para apoio ao tecido empresarial através de financiamento a projectos de investimento e do sector produtivo, onde foi desembolsado um montante global de MT 1.376,72 milhões, tendo sido privilegiadas, em grande medida, iniciativas ligadas ao sector da indústria, agricultura, comercialização e exportação. Estas operações permitiram o aumento da carteira de clientes, por meio da diversificação de sectores, gerando maior impacto na melhoria das condições de vida das populações. Quanto à performance financeira, a conjugação dos três eixos de actuação do Banco referidos anteriormente, nomeadamente, a eficiência operacional, a gestão prudente de riscos e a diversificação das fontes de receita, permitiu ao Banco alcançar uma performance positiva, com indicadores de rendibilidade e de solvabilidade bem confortáveis. Com efeito, quanto aos resultados, o Banco registou um lucro líquido de MT 115,74 milhões em 2021, próximo do resultado alcançado em 2020 de MT 137,51 milhões. Este resultado só foi possível devido a uma forte expansão da carteira de crédito em 40%, com realce para o primeiro semestre do ano. Mais especificamente, foram determinantes para o alcance deste resultado, (i) o incremento da margem financeira em 68%, passando de MT 415,36 milhões em 2020 para MT 696,07 milhões em 2021 e (ii) o registo de resultados positivos de comissões líquidas no valor de MT 107,15 milhões, acima de MT 88,66 milhões registados no período homólogo, reflectindo uma maior dinâmica na busca de novos negócios de operações fora do balanço, em particular para a emissão de garantias bancárias e prestação de serviços de gestão de linhas de crédito. De notar que os resultados de 2021 podiam ter sido melhores, se não tivesse havido a actuação de alguns factores exógenos com impacto negativo no negócio, nomeadamente, (i) acentuada e abrupta apreciação do Metical face ao Dólar americano, causando perdas de reavaliação cambial sobre as exposições em moeda externa, (ii) o contexto macroeconómico mais complexo e caracterizado pelo incremento de riscos bancários que levou o Banco a pautar por uma postura mais defensiva e conservadora, reforçando significativamente as imparidades e provisões, que penalizaram a rentabilidade mas que reforçaram a robustez do Balanço e, (iii) o incremento dos custos operacionais em 21%, associados, principalmente, à revisão da estrutura governativa e investimentos necessários para a prossecução das ambições de crescimento do Banco, e gastos extraordinários relacionados com a Covid-19. Para terminar, gostaria de endereçar os meus agradecimentos a todos os membros da Comissão Executiva e do Conselho de Administração, pelo apoio e colaboração prestados ao longo do ano de 2021. Os meus agradecimentos vão ainda para todos Colaboradores do BNI, os principais actores que permitiram a concretização de tudo quanto apresentamos neste relatório, pela sua entrega abnegada, sentido de pertença, comprometimento, trabalho em equipa, sinergia, integridade e alinhamento perfeito com a missão, visão e valores do Banco. Estendo os agradecimentos ao Governo, pelo apoio prestado através do accionista, o IGEPE – Instituto de Gestão das Participações do Estado, do Ministério de Economia e Finanças e do próprio Presidente da República na qualidade de Chefe do Governo. Reconheço e agradeço a colaboração e contribuição de todos nossos clientes, que nos deram a oportunidade de mostrar e provar que temos capacidade de lhes prestar e fornecer serviços e produtos de qualidade e, foi essa a chave para o alcance dos resultados que hoje apresentamos. E aos nossos parceiros de financiamento, que financiaram o nosso Balanço e ajudaram-nos a financiar projectos que com o nosso balanço não seria possível, endereçamos nos nossos carinhosos agradecimentos pela confiança de, mesmo com as adversidades que a economia esteve a atravessar, aceitaram investir o seu dinheiro no País e financiar projectos que nós indicamos. Finalmente, cumprimento e agradeço a todos os stakeholders que directa ou indirectamente contribuíram para o desenvolvimento das actividade do BNI em 2021 e, comprometemo-nos a fazer sempre o nosso melhor para maximizar cada vez mais o valor do Banco e contribuir efectivamente para a melhoria das condições de vida dos moçambicanos. Tomás Rodrigues Matola Presidente da Comissão Executiva 1. Principais indicadores. 2. Desempenho Operacional e Financeiro. 2.1. Áreas de Negócio Num contexto de desafios macroeconómicos, o BNI como banco de desenvolvimento e de investimento do Estado com missão de Promover o Desenvolvimento Socioeconómico e Sustentável para a Melhoria das Condições de Vida dos Moçambicanos, procurou intervir com maior profundidade na economia, explorando as oportunidades de negócio emergentes nesta fase, enquanto continua a apoiar o sector empresarial em todos os segmentos para minimizar o impacto da Covid-19 na saúde financeira das empresas. De forma resumida, são de realce as seguintes actividades: Financiamento à Industrialização e Comércio Externo As acções do BNI em 2021 estiveram, igualmente, orientadas no apoio ao tecido empresarial através de financiamento a projectos de investimento e do sector produtivo no montante global de MT 1.376,72 milhões, tendo sido privilegiadas em grande medida iniciativas ligadas ao sector da indústria, agricultura, comercialização e exportação. Estas operações permitiram o aumento da carteira de clientes, por meio da diversificação de sectores, gerando maior impacto positivo socioeconómico. Financiamento por sector Constituem referências para o BNI os seguintes projectos financiados em 2021 que têm impacto multiplicador na economia no que tange à geração de emprego, aumento do PIB, aumento da renda familiar, incremento da eficiência operacional institucional, entre outros: . Instalação de uma unidade fabril de processamento de oleaginosa na zona norte do País que passou a agregar maior valor na economia com a exportação de produto acabado em detrimento da situação anterior em que se exportava matéria-prima com menor valor, incluindo o de venda, para além da geração de emprego e de receita para o Estado; . Aquisição de equipamentos para instalação de uma gráfica industrial, criando capacidade interna de produção gráfica, incluindo livros escolares, permitindo assim a minimização do tempo e de custos que se incorria na importação de material gráfico de qualidade; . Viabilização de um conjunto de iniciativas desde a instalação fabril, aquisição de maquinaria, e apoio à tesouraria, permitindo a melhoria na oferta de bens e serviços no País, contribuindo para geração de emprego, de divisas e de receita para o Estado. . Fomento, processamento e exportação de cereais e grãos, com maior destaque para castanha de caju, feijão bóer, milho e gergelim, contribuindo para a geração de divisas para o País. Esta iniciativa tem proporcionado o aumento da produção agrícola de pequenos agricultores ao nível da região Norte do País, funcionando como garantia de mercado para a produção daqueles; . A nível de operações de crédito por assinatura, o Banco teve uma actuação extraordinária com a intervenção na estrutura de importação de produtos petrolíferos refinados para Moçambique, através da emissão de garantias bancárias. A intervenção do Banco na estrutura de importação de combustível centrou-se em acções de cobertura dos processos de importação e acompanhamento até à liquidação das facturas de aquisição destesprodutos para o abastecimento do mercado local, com impacto significativo na sua disponibilidade. . Fomento da actividade pesqueira e processamento do pescado essencialmente para exportação, contribuindo para a geração de emprego, de divisa e de receita para o Estado; . Viabilização de um conjunto de iniciativas de agronegócio na modernização e expansão, contribuindo para a melhoria da bolsa alimentar, geração de emprego, redução do deficit de matéria-prima para a indústria face aos impactos sobre as exportações causados pela Covid-19. Indústria Comércio Agricultura e Pesca Apoio às Pequenas e Médias Empresas (PME´s) com fundos Covid-19 do Estado e parceiros Em 2021, o Banco demonstrou uma vez mais estar comprometido com as causas da economia, com a contínua disponibilização de soluções financeiras especificas com condições de prazo e pricing adequados para a retoma da economia desestabilizada pela pandemia COVID-19, a saber: Linha de Crédito Descrição Impacto Esta linha tem apresentado resultados positivos na economia e nas empresas nos seguintes domínios: § Financiamento a 151 projectos do total 224 aprovados; § Manutenção de um total de 5.197 postos de trabalho e geração de emprego para um total 772 pessoas; § Geração de um total 338 novos negócios; § Geração de receita para o Estado no valor global de cerca de MT 1,05 mil milhões. Linha para o sector de transporte Em 2021, estruturou-se uma linha de crédito, em parceria com o Ministério de Transportes e Comunicações, no valor de MT 423,0 milhões, destinado ao apoio à resposta da crise do sector de transporte na área metropolitana de Maputo que ficou agudizada com a propagação da covid-19, obrigando o Governo a reduzir para 1/3 (33%) a lotação dos autocarros, como forma de minimizar os riscos de propagação do coronavírus. O impacto da linha será observado a partir do ano de 2022 com a entrada em circulação de 80 novos autocarros com capacidade de lotação de 90 lugares, respondendo à crise de transporte de pelo menos 100.800 passageiros por dia. Linha de Financiamento GOV Covid-19 e BNI Covid-19 Estruturadas no ano de 2020, sendo a linha GOV Covid-19 com parceria do Governo da República de Moçambique, aprovada através do Decreto n.º 37/2020, de 02 de Junho. As linhas estão orçadas em MT 1,6 mil milhões, tendo as primeiras solicitações e aprovações sido iniciadas em Setembro de 2020. Porém, a sua implementação estendeu-se até 2021, pelo facto de os projectos terem necessitado de mais tempo para cumprirem com os requisitos de elegibilidade. Criação de linha de crédito para o apoio a projectos que visam a massificação de gás natural veicular O Banco desenvolveu uma linha de crédito no valor de USD 5,0 milhões, em parceria com a SASOL e o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, para o financiamento da cadeia de valor do sector de gás natural veicular, cuja implementação está prevista para a primeira parte do ano de 2022. Esta linha de crédito vai permitir a construção de bombas de abastecimento a gás para automóveis, de modo a viabilizar a mobilidade no troço entre as províncias de Maputo e Inhambane, incluindo o financiamento para a transformação de veículos para uso a gás, permitindo deste modo a redução do custo de combustível na estrutura de funcionamento dos veículos com maior destaque para os autocarros comerciais. 11SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS ANUNCIO PUBLICITÁRIO Página 2 Relatório e Contas 2021 Estabelecimento de Parcerias Estratégicas O BNI cumpriu um programa de desenvolvimento de parcerias ao nível de Emirados Árabes Unidos (Dubai) na GBF Global Business Fórum Africa 2021, promovido pelo Governo de Dubai, onde foram firmadas manifestações de interesse para a carteira de projectos de energias renováveis, com parceiros institucionais de Dubai com credenciais comprovados ao nível de alguns países africanos. Foram também identificados parceiros financeiros estratégicos para o financiamento de infra- estruturas na área de hidroeléctricas, linhas férreas, estradas e pontes, incluindo os projectos imobiliários em carteira do Banco. 2.2. Análise financeira O desempenho do BNI em 2021 foi satisfatório embora tenha sido um ano conturbado para as empresas em geral, em que o crescimento da actividade bancária foi comprometido pelas incertezas impostas pelo surgimento de novas vagas da pandemia da COVID-19, a intensificação da instabilidade militar na região Norte do País, a suspensão do projecto Mozambique LNG da Total, impactos de fenómenos naturais, e a fortes variações do Metical face às moedas mais relevantes para a Balança de Pagamentos, particularmente o Dólar Americano. Neste quadro sombrio, o Banco teve que adoptar uma estratégia assente em três eixos, designadamente, a eficiência operacional, a gestão prudente de riscos e a diversificação das fontes de receita. A conjugação destes três aspectos permitiu que o Banco mantivesse a sua trajectória de lucros positivos com estabilidade e solidez financeira, evidenciado pelo Rácio de Capital Tier 1 de 35,89% (41,70% em 2020), pelo Rácio de Solvabilidade de 33,38% (40,43% em 2020) e pelo rácio de liquidez de 40,02% (54,52% em 2020), estando os indicadores acima dos requisitos regulamentares e dos benchmarks, permitindo melhor cobertura dos riscos actuais e futuros advenientes dos choques adversos da conjuntura de mercado. Em termos de rentabilidade, o Banco logrou um resultado líquido de MT 115,74 milhões em 2021, próximo do resultado alcançado em 2020 de MT 137,51 milhões. Este resultado só foi possível devido a uma forte expansão da carteira de crédito em 40%, com realce para o primeiro semestre do ano, o que foi determinante para o alcance do lucro de MT 115,74 milhões através das seguintes rubricas: • Incremento da margem financeira em 68%, de MT 415,36 milhões em 2020 para MT 696,07 milhões em 2021, conjugado com a revisão pontual e oportuna do pricing de acordo com o risco e o consumo de capital, num cenário de pouca liquidez e subida contínua do custo de captação/mobilização de recursos; • Resultados positivos de comissões líquidas no valor de MT 107,15 milhões, acima de MT 88,66 milhões registados no período homólogo, reflectindo a maior dinâmica na busca de novos negócios de operações fora do balanço, em particular para a emissão de garantias bancárias e prestação de serviços de gestão de linhas de crédito. Devido à ocorrência de factores exógenos, a performance do Banco foi marcadamente afectada, limitando o lucro líquido que teria fechado acima dos MT 200,0 milhões, nomeadamente: • Acentuada apreciação da moeda nacional face às principais moedas de transacção, com maior destaque para o Dólar Americano, causando perdas de reavaliação cambial sobre as exposições em moeda externa, o que absorveu na totalidade os ganhos de trading de moeda, resultando num efeito líquido negativo de MT 87,82 milhões contra o resultado positivo de MT 195,05 milhões registado no período homólogo; • Contexto económico mais complexo e caracterizado pelo incremento de riscos bancários, pautando o Banco pelo reforço significativo de imparidades e provisões, que penalizaram a rentabilidade e reforçaram a robustez do Balanço. Com esta postura de prudência na avaliação do risco do negócio, o Banco reforçou as imparidades e provisões no valor global de MT 77,20 milhões, representado uma evolução de MT 53,37 milhões (+ 224%) face ao período homólogo (MT 23,84 milhões); • Incremento dos custos operacionais em 21%, de MT 381,39 milhões em 2020 para MT 460,21 milhões em 2021, associados, principalmente, à revisão da estrutura governativa e investimentos necessários para a prossecução das ambições de crescimento do Banco, e gastos extraordinários relacionados com a Covid-19. Os impostos sobre o rendimento caíram de MT 79,1 milhões em 2020 para MT 39,80 milhões, justificado, por um lado, pela redução das retenções na fonte devido à queda do volume de operações tributadas à taxa liberatória(títulos de dívida e operações do MMI), e, por outro, devido à variação favorável dos impostos diferidos impulsionada pela significativa redução de resultados não realizáveis. Resultados líquidos (Milhões de MT) 137,51 (79,10) 216,61 (23,84) (381,39) 206,48 415,36 115,74 (39,80) 155,54 (77,20) (460,21) (3,12) 696,07 Resultados líquidos Impostos Resultados antes de impostos Privisões e Imparidades Custos de Estrutura Margem Complementar Margem Financeira 2021 2020 Produto bancário O produto bancário, que inclui a margem financeira e a margem complementar, registou um incremento de 11%, ascendendo a MT 692,95 milhões em 2021 contra MT 621,83 milhões de 2020, propiciado pela evolução da margem financeira que cresceu em MT 263,29 milhões (+ 65%), variação suficiente para compensar a redução na margem complementar em MT 209,60 milhões, consequência das perdas de reavaliação cambial. A margem financeira representou 101% do produto bancário (2020: 67%), enquanto a margem complementar se cifrou em -1% (2020: 33%), conforme os gráficos que se seguem: Produto bancário (Milhões de MT) 415,36|67% 696,07|101% 206,48|33% -3,12|-1% 621,8 692,9 2020 2021 Margem financeira Margem complementar +11% Margem Financeira Face à conjuntura económica adversa, em 2021, o Banco de Moçambique pautou por uma política monetária mais prudente e com um teor restritivo até ao primeiro trimestre do ano, com incremento nas taxas directoras em 300 pontos bases, com vista a alinhar as taxas de juro de referência às condições de mercado e torná-las positivas em termos reais. A partir do segundo trimestre mantiveram-se constantes, nomeadamente, a MIMO a 13,25%, a FPD a 10,25% e a FPC a 16,25%. A Prime Rate registou um ligeiro relaxamento ao sair de 18,90% em Setembro de 2021 para 18,60% até Dezembro de 2021, e os Coeficientes de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional e estrangeira a partir de Setembro de 2021 apresentaram níveis de 10,50% e 11,50%, respectivamente, ao saírem de 11,50% e 34,50%, respectivamente, com o intuito de proporcionar maior liquidez ao sistema financeiro, visando impulsionar o crescimento económico e conter o provável aumento do custo de vida dos moçambicanos. Este cenário, conjugado com as medidas que o Banco implementou para mitigação do risco de taxa de juro no balanço, através da correcta gestão de activos e passivos financeiros, principalmente no que tange à prudente gestão do funding, e à oferta selectiva de crédito focado na qualidade num contexto de mercado que apresenta risco acrescido, permitiu o Banco encaixar uma margem financeira na ordem de MT 696,07 milhões acima do valor de MT 415,36 milhões registado em igual período de 2020. Este desvio favorável é, em grande medida, sustentado pelos seguintes factos: • Aumento dos juros de crédito em MT 443,97 milhões (+131%), atingindo o montante de MT 783,95 milhões, propiciado pela evolução favorável da carteira de crédito em MT 1,69 mil milhões (+ 40%). Este objectivo estratégico garantiu sustentabilidade e melhoria dos resultados do Banco; • Melhoria do cost of funding do Banco de 11,3% em 2020 para 9,3% em 2021, em resultado da mobilização de recursos em condições mais favoráveis em termos de taxa de juro efectiva e prazos. Contudo, os custos com juros observaram um incremento de MT 24,29 milhões (+ 9%) em resultado do maior volume de mobilização de recursos no mercado local para o financiamento de projectos de investimentos. Os proveitos de operações de gestão de tesouraria, composta por aplicações em instituições de crédito e investimentos em títulos de dívida, registram uma queda de MT 133,53 milhões (-37%), totalizando o montante de MT 225,03 milhões contra MT 358,55 milhões de 2020, em resultado da redução do volume de transacções com a realocação da tesouraria no financiamento economia, cujos retornos são relativamente mais atractivos. Margem Financeira (Milhões de MT) 23 5, 57 33 9, 98 12 2, 98 (2 83 ,1 8) 68 ,9 7 77 8, 52 15 6, 06 (3 07 ,4 8) Juros de operações no MMI Juros de crédito Juros de títulos de dívida Juros e encargos similares 2020 2021 A margem financeira apresenta perspectivas animadoras para os próximos exercícios económicos, em grande parte, por conta da expressiva evolução da carteira de crédito, assumindo que não haja impactos expressivos sobre as taxas de juro do mercado e sobre o risco de crédito. Margem Complementar A margem complementar, que inclui o resultado líquido de taxas e comissões, receitas de assessoria financeira, resultados de operações financeiras e rendimentos de capital, registou uma queda ao sair de MT 206,48 milhões em 2021 para MT 3,12 milhões negativo em 2020. Este desvio desfavorável da margem complementar é explicado em grande medida, pelos seguintes factos: • Resultados negativos de operações cambiais na ordem de MT 87,82 milhões (MT 195,05 milhões positivo em 2020), reflectindo o efeito conjugado entre a redução do volume de operações cambiais e o registo de resultados de reavaliação cambial negativos em consequência da expressiva apreciação da moeda nacional em relação às principais moedas de transacção nos primeiros dois meses do ano de 2021, com impacto desfavorável para a posição cambial detida pelo Banco; • Menos-valias nas transacções em títulos de dívida no montante de MT 32,90 milhões (MT 10,75 milhões em 2020), explicado pelo efeito da revisão em alta das taxas de juro do mercado em resposta à sinalização do Banco de Moçambique, o que culminou em perdas de valor de mercado dos instrumentos financeiros em balanço de renda fixa. À excepção dos resultados de operações financeiras, as outras componentes da margem complementar registaram um crescimento satisfatório quando comparado com o ano de 2020: (i) receita de comissão de gestão de linhas de crédito no valor de MT 64,70 milhões acima de MT 43,11 milhões de 2020; (ii) receita líquida de comissões sobre os serviços bancários, em particular para a emissão de garantias bancárias, na ordem de MT 42,45 milhões, acima de MT 34,50 milhões de 2020; e (iii) ganhos de dividendos da participação financeira no capital social da TDB Bank na ordem de MT 18,90 milhões (2020: MT 21,29 milhões). Margem Complementar (Milhões de MT) 21,29 88,66 195,05 (98,53) 18,90 107,15 (87,82) (41,35) Rendimentos de intrumentos de capital Resultado líquido de taxas e comissões Resultado líquido de operações cambiais Outros proveitos e custos operacionais 2020 2021 Custos de estrutura Os custos de estrutura do Banco incluem os custos com pessoal, gastos gerais administrativos e amortizações. Estes são essencialmente correlacionados com a estrutura de negócio e de suporte à estratégia de crescimento do Banco, conjugados com gastos extraordinários relacionados com a Covid-19. Em 2021, o Banco levou a cabo esforços consideráveis para o controlo e contenção da base de custos, e na obtenção de ganhos de eficiência, por via da optimização de processos, revisão contínua de contratos, selecção criteriosa dos fornecedores de bens e serviços e cumprimento das medidas de restrição orçamental. Não obstante, devido à realização de alguns investimentos com o propósito de melhorar as condições de trabalho, de segurança e bem como motivar o quadro de Colaboradores, os custos operacionais aumentaram em MT 78,82 milhões (+ 21%), ao saírem de MT 381,739 milhões em 2020 para MT 460,21 milhões em 2021, conforme a tabela que se segue: 2020 2021 MT MT MT % Gastos com pessoal 225.072.344,35 287.388.664 62.316.320 28% Outros gastos administrativos 134.630.287,63 130.122.583 -4.507.705 -3% Depreciação e Amortizações 21.685.232,59 42.697.201 21.011.968 97% Total de Custos Operacionais 381.387.864,57 460.208.448 78.820.583 21% Produto bancário 621.831.608,12 692.948.377 71.116.769 11% Rácio de eficência (Cost-to-income) 61% 66% - 5pp Desvio Em termosagregados, os custos com pessoal foram responsáveis por 62% do total de custos (59% em 2020), os outros gastos administrativos apresentaram o peso de 28% (35% em 2020), enquanto os custos com amortizações e depreciações apresentaram a proporção de 9% (6% em 2020). Custos com pessoal Os custos com pessoal cifraram-se em MT 287,39 milhões em 2021, face a um valor de MT 225,07 milhões registados em igual período de 2020, representando um crescimento de MT 62,32 milhões (+ 28%), estando 40% desta evolução associada à revisão da estrutura dos Órgãos Sociais com o objectivo de fortalecer o papel do Conselho de Administração na gestão de riscos e na fiscalização do negócio do Banco. Em termos concretos, houve um aumento do número de vogais não executivos e da respectiva remuneração, para além do seu papel mais reforçado e independente do executivo. Os custos com pessoal do Banco foram também influenciados pelos seguintes factos: (i) reforço do quadro de Colaboradores no âmbito da gestão das linhas de crédito para apoio às operações Covid-19 e do reforço de pessoal em áreas estratégicas, com maior destaque para as áreas de Controlo Interno; (ii) actualização da tabela salarial anual; e (iii) ajustamentos salariais incontornáveis, decorrentes das promoções e progressões por mérito. Gastos Gerais Administrativos Os Gastos Gerais Administrativos situaram-se em MT 130,12 milhões em 2021, observando uma redução de 3% face ao valor de MT 134,63 milhões registados no período homólogo. Esta redução reflecte o impacto das medidas de controlo e racionalização de custos, por via da optimização de processos e revisão de contratos de fornecimentos de bens e serviços de terceiros. A redução dos custos reflectiu, em grande medida, os custos com Marketing que caíram de MT 36,42 milhões em 2020 para MT 15,91 milhões em 2021, derivado da consolidação do investimento em marketing efectuado em exercícios anteriores que permitiu a capitalização da imagem e dos produtos e serviços do banco no mercado, conjugado com a redefinição da estratégia de comunicação e imagem através da abordagem de aposta em recursos internos em detrimento da terceirização. 415,36|67% 696,07|101% 206,48|33% -3,12|-1% 621,8 692,9 2020 2021 Margem financeira Margem complementar +11% 415,36|67% 696,07|101% 206,48|33% -3,12|-1% 621,8 692,9 2020 2021 Margem financeira Margem complementar +11% SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202212 DOSSIERS & FACTOSANUNCIO PUBLICITÁRIO RELATÓRIO E CONTAS 2021 Página 3 Não obstante, a estrutura de custos do Banco sofreu um agravamento por conta da inflação, aumento do volume de actividades, medidas implementadas para a mitigação de riscos associados à propagação da pandemia, conjugado com os seguintes aspectos: (i) contratação de serviços de seguros adicionais para a cobertura do aumento da infra-estrutura operacional; (ii) aumento do nível de deslocações e estadias associados, em grande parte, à busca de oportunidades de negócio e à monitoria dos projectos de investimentos financiados pelo Banco como procedimento de mitigação do risco de crédito; (iii) aumento de consumíveis de escritórios em resposta ao aumento do volume de actividades; (iv) aumento do investimento em formação com vista a imprimir mais dinamismo no trabalho e na absorção das oportunidades de negócio; e (v) maior nível de despesas de comunicação no âmbito de criação de condições para o teletrabalho imposto pela Covid-19. Gastos Gerais Administrativos (Milhões de MT) 10 ,6 7 6, 18 36 ,4 2 15 ,7 3 8, 98 9, 07 2, 05 8, 38 3, 18 1, 67 2, 41 4, 24 3, 66 3, 90 18 ,1 0 11 ,7 0 9, 94 15 ,9 1 21 ,5 2 7, 66 2, 10 3, 31 8, 52 5, 63 3, 17 4, 03 5, 71 3, 40 4, 39 23 ,1 3 Com unicações Deslocações e estadias M arketing Seguros Auditoria e Consultoria Despesas judiciais Licenças Conectividade e dados M aterial de escritório Form ação Conservação e reparação Gestão de condom ínio Segurança e vigilância Água, energia e com bustíveis O utros custos 2020 2021 Amortizações e Depreciações do Exercício As amortizações do exercício cifraram-se em MT 42,70 milhões, evidenciando um aumento de MT 21,01 milhões (+ 97%) face ao valor de MT 21,69 milhões registado no período homólogo. Esta evolução reflecte, essencialmente, o investimento de customização e de apetrechamento do segundo bloco do escritório e a investimentos em equipamento de transporte, com vista a melhorar as condições de trabalho dos Colaboradores e a contribuir para a sua motivação e retenção no Banco. Imparidade de Crédito Líquida e Provisões Líquidas As imparidades líquidas do exercício (líquida de recuperações de crédito) totalizaram o montante de MT 77,20 milhões em 2021, representando uma evolução de MT 53,37 milhões (+ 224%) face ao valor de MT 23,84 milhões registado em 2020. Esta evolução traduz a prudência levada a cabo pelo Banco, visando mitigar os efeitos adversos da actual envolvente macroeconómico nos seus indicadores de risco, não só pelo incremento da carteira de crédito e dos mutuários em incumprimento, como também em resultado das estimativas de perdas de crédito alinhadas com a metodologia IFRS, considerando a informação forward – looking. Posição Financeira As adversidades macroeconómicas internas e externas condicionaram o desempenho do Banco no que tange às metas de crescimento do volume de negócio, sobretudo no que se refere às restrições das fontes de financiamento para dinamizar a actividade, em particular para o financiamento de projectos de investimento. Ainda assim, o activo do Banco registou um aumento ainda que tímido de 3%, ao sair de MT 9.154,23 milhões em 2020 para MT 9.454,41 milhões em 2021. Num quadro de balanço diminuto, o Banco adoptou uma estratégia que assegura a sustentabilidade e contribui para o alcance dos objectivos estabelecidos no plano estratégico, orientado na realocação da tesouraria para o financiamento de projectos de investimento que apresentam parâmetros de risco e retorno aceitáveis. Com efeito, registou-se uma alteração estrutural da carteira dos activos do Banco, tendo o peso da carteira de crédito na estrutura dos activos aumentado em 16 pp, de 45% em 2020 para 61% em 2021. Em contrapeso, os investimentos em títulos e as aplicações em Outras Instituições de Crédito reduziram o seu contributo em 3 pp e 12 pp, respectivamente. Estrutura do activo (Milhões de MT) 54 4, 72 1. 32 2, 28 4 .1 17 ,1 0 1. 74 8, 66 27 2, 01 47 4, 68 67 4, 80 40 7, 68 24 4, 27 5. 73 9, 78 1. 48 2, 20 27 2, 01 57 7, 40 73 1, 08 Di sp on ib ili da de s Ap lic aç õe s e m in st itu iç õe s de c ré di to Em pr és tim os a c lie nt es In ve st im en to s e m tí tu lo s Ac tiv os n ão c or re nt es de tid os p ar a ve nd a M ei os im ob ili za do s O ut ro s a ct iv os 2020 2021 A redução das aplicações em instituições de crédito, deriva da realocação da tesouraria no financiamento à economia, por decisão estratégica, para, por um lado, apoiar a economia fragilizada pela pandemia, e, por outro, assegurar o crescimento da actividade do Banco de forma consistente e sustentável. Os níveis de liquidez do Banco, mensurados pelo rácio de liquidez regulamentar, encontram-se dentro dos paramentos internos e das instruções do Regulador. Empréstimos a Clientes Num contexto de pandemia vivida ao longo do ano de 2021, com efeito no agravamento do risco bancário, o Banco manteve a sua abordagem de financiamento à economia, orientada na selecção de sectores e segmentos prioritários para o desenvolvimento da economia, combinado com o rigor e prudência na selecção das operações em função do risco e rentabilidade esperados, bem como, da redução de grandes concentrações do risco de crédito a sectores afectados pela Covid-19. A carteira de crédito (bruto) totalizou MT 5.939,69 milhões em 2021, um incremento de MT 1.692,04 milhões (+ 40%) face ao montante de MT 4.247,65milhões apresentado em igual período de 2020, tendo esta evolução sido maior em moeda nacional (57%), totalizando MT 4.649,50 milhões em 2021. Esta evolução é justificada, em grande parte, por um crescimento no crédito ao financiamento de operações da indústria alimentar, tendo em conta o papel vital que este sector desempenha na dinamização da economia e no suprimento ao deficit alimentar no País. A carteira de crédito em moeda estrangeira registou um aumento de USD 17,25 milhões em 2020 para USD 20,21 milhões em 2021, como resultado de novas operações financiadas, sobretudo, na importação e exportação de commodities. No entanto, a reavaliação do metical face ao Dólar Americano (Câmbio de 31 de Dezembro de 2020 MT/USD 74,90 contra MT/USD 63,83 de Câmbio de 31 de Dezembro de 2021), anulou o aumento do contravalor em moeda nacional da carteira de crédito em moeda externa. Evolução da carteira de crédito por moeda (Milhões de MT) 3.057 1.536 1.512 1.618 2.961 4.650 - - 460 645 1.287 1.290 3.057 1.536 1.972 2.263 4.248 5.940 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Moeda nacional Moeda externaA carteira de crédito do Banco apresentou maior nível de concentração no financiamento ao sector da indústria, com peso de 34% (2020: 35%), tendo desta proporção, 87% incidido sobre a indústria alimentar. As operações com maturidade de longo prazo apresentam um peso de 47% (2020: 53%), conforme o gráfico que se segue: Composição Sectorial da Carteira de Crédito Composição do Carteira por produto Transporte e Comunicações; 629,52 ; 11% Indústria transformadora; 2 008,84 ; 34% Agricultura; 820,18 ; 14% Comércio e Serviços; 1 208,48 ; 20% Petróleo e Gás; 732,28 ; 12% Sector Financeiro; 247,66 ; 4% Outros ; 292,73 ; 5% Longo Prazo ; 2 790 ; 47% Curto Prazo ; 3 150 ; 53% Qualidade da Carteira de Crédito A qualidade da Carteira de Crédito, avaliada pela proporção de crédito vencido há mais de 90 dias em função do crédito total, apresentou uma deterioração, ao situar-se em 6,83% em 2021, comparativamente a 2,50% registada em 2020, devido ao agravamento do risco bancário por conta da crise pandémica que tem conduzido à paralisação parcial das actividades económicas, levando parte dos tomadores de créditos a não conseguirem gerar fluxos de caixas suficientes para honrar com o serviço da dívida. Em geral, as operações que apresentaram inadimplência estão relacionadas com o financiamento de pequenas e médias empresas (PMEs) financiadas por linhas de crédito específicas e sociais desenvolvidas em parceria com o Governo para fomentar a agricultura, avicultura, pecuária e o comércio. O risco do Banco nestas operações está mitigado pela existência de fundos de garantia específicos que cobrem entre 40% a 80% da sinistralidade, para além de outros colaterais. No contexto de agravamento do risco bancário, o BNI mantém vigilância acrescida sobre a carteira de crédito, com maior enfâse para as operações afectadas pela pandemia e para exposições significativas, com o objectivo de melhorar continuamente a qualidade do crédito e prevenção da sinistralidade. O montante de imparidade acumulada cifrou-se em MT 175,64 milhões em 2021, um incremento de MT 64,19 milhões (+58%) face ao montante 111,45 milhões registado no período homólogo, evidenciando uma postura de aprovisionamento prudente e criteriosa face ao actual contexto operacional caracterizada pelo agravamento do risco bancário. Passivo e Fundos Próprios O passivo do Banco situou-se em MT 5.902,75 milhões no final de 2021, apresentando um crescimento de 3%, relativamente aos MT 5.748,46 milhões assinalados no período homólogo, reflectindo, sobretudo, os seguintes factores: • Incremento de empréstimos representados por títulos em MT 962,78 milhões (+67%), totalizando MT 2.395,96 milhões em 2021, associado à emissão de novos títulos de dívida no valor global de MT 1.453,0 milhões; • Aumento dos recursos consignados em MT 185,22 milhões (+ 17%), ao se cifrar em MT 1.2449,66 milhões no final de 2021, explicado pela estruturação de um fundo no valor de USD 5,0 milhões para o financiamento da cadeia de valor de gás natural veicular. Em contrapeso, registou-se a redução da carteira de recursos de clientes e de recursos de outras instituições de crédito em MT 890,47 milhões e MT 128,44 milhões, respectivamente, em resposta à estratégia comercial adoptada, de apostar em recursos que apresentam condições mais favorável para o modelo de banca de desenvolvimento, em particular no que tange ao período de maturidade e taxa de juro, adequado para o financiamento de projectos de investimentos cujo retorno é mensurado pelo impacto económico e social no mercado. A estratégia de funding adoptada em 2021 permitiu a melhoria do peso da contribuição de recursos de médio e longo prazos no passivo total, de 22% em 2020 para 48% em 2021, reduzindo o nível de stress de liquidez de curto prazo. Evolução do Passivo (Milhões de MT) 1. 27 6, 08 1. 81 7, 95 1. 43 3, 18 1. 06 7, 44 15 3, 81 1. 14 7, 64 92 7, 48 2. 39 5, 96 1. 24 9, 66 18 2, 00 Recursos de outras instituições de crédito Recursos de clientes Recursos representados por títulos Recursos consignados Outras exigibilidades 2020 2021Os fundos próprios totalizaram o montante de MT 3.551,66 milhões no final de 2021, representando uma evolução de 4% face ao montante de MT 3.405,76 milhões registado em 2020, explicado pela retenção de parte dos resultados do exercício anterior e aumento da reserva do justo valor com a valorização dos investimentos em títulos. 3. Proposta de Aplicação de resultados. Considerando a necessidade de reforçar a autonomia financeira do Banco, bem como reforçar a robustez financeira e dos níveis de adequação dos fundos próprios, o Conselho de Administração propõe, para aprovação da Assembleia Geral, a retenção de 30% dos Resultados líquidos apurados em 31 de Dezembro de 2021, após a observância da reserva legal (30,00% sobre o Resultado líquido) e distribuição de dividendos ao accionista de 40% de Resultados líquidos, no montante de MT 46.295.309,00 (2020: MT 48.129.323,71), conforme apresentado na tabela que se segue: MT Reserva Legal (30% do Resultado Líquido do exercício) 34.721.482 Distribuição de dividendos (40% do Resultado Líquido do exercício) 46.295.309 Resultados Transitados (30% do Resultado Líquido do exercício) 34.721.482 115.738.272 4. Demonstrações Financeiras. 4.1. Demonstração das Alterações na Situação Líquida para os exercícios findos em 31 de Dezembro de 2021 e 2020 Capital Reserva de justo valor Reserva Legal Resultados transitados Resultado líquido do exercício Total do capital próprio MT MT MT MT MT MT Saldo em 1 de Janeiro de 2020 2 240 000 000 32 125 320 179 328 983 799 358 176 64 454 391 3 315 266 870 Rendimento integral Outro rendimento integral - Alterações de justo valor de activos financeiros - 4 390 148 - - - 4 390 148 Impostos diferidos (1 404 847) - - - (1 404 847) Lucro do exercício - - - - 137 512 353 137 512 353 Total de rendimento integral reconhecido no exercício 2 240 000 000 35 110 621 179 328 983799 358 176 201 966 744 3 455 764 524 Reforço da reserva legal - - 9 668 159 - (9 668 159) - Dividendos aos accionistas - - - - (50 000 000) (50 000 000) Transferência de resultados para resultados acumulados - - - 4 786 232 (4 786 232) - Saldo em 31 de Dezembro de 2020 2 240 000 000 35 110 621 188 997 142 804 144 408 137 512 353 3 405 764 524 Rendimento integral Outro rendimento integral Alterações de justo valor de activos financeiros - 115 128 220 - - - 115 128 220 Alterações de impostos diferidos - (36 841 031) - - - (36 841 031) Lucro do exercício - - - - 115 738 272 115 738 272 Total de rendimento integral reconhecido no exercício 2 240 000 000 113 397 810 188 997 142 804 144 408 253 250 625 3 599 789 985 Reforço da reserva legal - - 41 253 706 - (41 253 706) - Dividendos aos accionistas - - - - (48 129 324) (48 129 324) Transferência de resultados para resultados acumulados - - - 48 129 323 (48 129 323) - Saldo em 31 de Dezembro de 2021 2 240 000 000 113 397 810 230 250 848 852 273 731 115 738 272 3 551 660 661 3.057 1.536 1.512 1.618 2.961 4.650 - - 460 645 1.287 1.290 3.057 1.536 1.972 2.263 4.248 5.940 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Moeda nacional Moeda externa 3.057 1.536 1.512 1.618 2.961 4.650 - - 460 645 1.287 1.290 3.057 1.536 1.972 2.263 4.248 5.940 2016 2017 2018 2019 2020 2021 Moeda nacional Moeda externa 3.057 1.536 1.512 1.618 2.961 4.650 1. 27 6, 08 1. 81 7, 95 1. 43 3, 18 1. 06 7, 44 15 3, 81 1. 14 7, 64 92 7, 48 2. 39 5, 96 1. 24 9, 66 18 2, 00 Recursos de outras instituições de crédito Recursos de clientes Recursos representados por títulos Recursos consignados Outras exigibilidades 2020 2021 13SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS ANUNCIO PUBLICITÁRIO Página 4 Relatório e Contas 2021 4.2. Demonstração do Rendimento Integral para os exercícios findos em 31 de Dezembro de 2021 e 2020 2021 2020 MT MT Juros e proveitos similares 1 003 543 675 698 531 440 Juros e encargos similares (307 475 140) (283 176 281) Margem Financeira 696 068 535 415 355 159 Rendimentos de intrumentos de capital 18 897 839 21 292 901 Resultado líquido de serviços e comissões 107 154 635 88 658 034 Resultado líquido de operações cambiais (87 822 184) 195 051 861 Outros rendimentos e gastos operacionais (41 350 448) (98 526 347) Produto bancário 692 948 377 621 831 608 Imparidade de crédito (64 192 650) (26 135 839) Imparidade de outros activos financeiros 744 508 3 899 779 Gastos com pessoal (287 388 664) (225 072 344) Outros gastos administrativos (130 122 584) (134 630 288) Depreciação e Amortizações (42 697 201) (21 685 233) Provisões líquidas (13 753 964) (1 599 004) Custos operacionais (537 410 555) (405 222 929) Resultados antes de impostos 155 537 822 216 608 679 Imposto sobre o rendimento (39 799 550) (79 096 326) Impostos correntes (37 935 174) (55 400 584) Impostos diferidos (1 864 376) (23 695 742) Lucro do exercício 115 738 272 137 512 353 Outro rendimento integral Itens que podem ser posteriormente reclassificados para resultados Alterações nas reservas dos activos financeiros ao justo valor através de outro rendimento integral 115 128 220 4 390 148 Impostos diferidos (36 841 031) (1 404 847) Total de rendimento integral do exercício 194 025 461 140 497 654 4.3. Demonstração da Posição Financeira para os exercícios findos em 31 de Dezembro de 2021 e 2020 2021 2020 Activo Caixa e Depósitos no Banco Central 116 449 956 212 353 985 Disponibilidades em instituições de crédito 291 225 208 332 363 010 Aplicações em instituições de crédito 244 269 616 1 322 275 232 Empréstimos a clientes 5 739 779 624 4 117 096 788 Investimentos em títulos 1 482 195 116 1 748 657 774 Outros activos 621 448 557 569 453 646 Activos não correntes detidos para venda 272 006 100 272 006 100 Activos tangíveis 576 651 757 473 171 421 Activos intangíveis 752 463 1 505 423 Activos por impostos correntes 109 629 074 105 344 517 Total do Activo 9 454 407 471 9 154 227 896 Capital Próprio e Passivo Capital Próprio Capital social ordinário 2 240 000 000 2 240 000 000 Resultados transitados 852 273 731 804 144 408 Reservas de justo valor 113 397 810 35 110 621 Reserva legal 230 250 848 188 997 142 Resultado do exercício 115 738 272 137 512 353 Total do Capital Próprio 3 551 660 661 3 405 764 524 Passivo Recursos de Outras Instituições de crédito 1 147 643 135 1 276 079 705 Recursos de clientes 927 482 406 1 817 948 582 Responsabilidades representadas por títulos 2 395 964 343 1 433 182 067 Recursos consignados 1 249 661 103 1 067 441 805 Outros passivos 38 702 240 62 977 001 Passivos por impostos diferidos 122 545 186 83 839 780 Provisões 20 748 397 6 994 432 Total do Passivo 5 902 746 810 5 748 463 372 Total do Passivo e Capital Próprio 9 454 407 471 9 154 227 896 4.4. Demonstração de Fluxos de Caixa para os exercícios findos em 31 de Dezembro de 2021 e 2020 2021 2020 MT MT Fluxo de caixa de actividades operacionais Juros, Comissões e outros rendimentos recebidos 985 084 206 710 192 245 Juros, comissões e outros gastos pagos (334 625 188) (285 505 794) Pagamento a empregados e fornecedores (399 619 886) (457 152 651) Fluxo líquido proveniente de rendimentos e gastos 250 839 132 (32 466 200) Variação nos activos e passivos operacionais Diminuições/Aumentos em: Variação do liminte mínimo de reservas obrigatórias 112 846 304 47 661 480 Investimento em títulos 316 619 371 (621 392 465) Crédito á clientes (1 590 837 474) (2 376 058 719) Recursos de Clientes (877 718 906) 995 271 044 Recursos de outras instituições de crédito (141 274 809) 872 377 036 Responsabilidades representadas por títulos 953 000 000 600 000 000 Recursos consignados 173 895 801 547 284 086 Outros activos (24 908 671)29 939 647 Impostos Pagos (6 614 939) (15 459 791) Imposto pago sobre juros de aplicações e títulos (37 935 174) (55 400 584) Fluxo líquido proveniente de activos e passivos operacionais (1 122 928 497) 24 221 734 Fluxo de caixa líquido de actividades operacionais (872 089 365) (8 244 466) Fluxo de caixa de actividades de investimento Aquisições de activos tangíveis e activos intangíveis (146 830 829) (26 223 244) Receita da venda de activos tangíveis 4 816 865 128 085 405 Fluxo de caixa líquido das actividades de investimento (142 013 964) 101 862 161 Fluxo de caixa de actividades de financiamento Dividendos pagos (48 129 324) (50 000 000) Fluxo de caixa de actividades de financiamento (48 129 324) (50 000 000) Variação líquida em caixa e equivalentes de caixa (1 062 232 653) 43 617 695 Efeitos da alteração da taxa de câmbio em caixa e equivalentes de caixa (39 968 491) 127 191 599 Caixa e equivalentes de caixa no início do período 1 654 659 018 1 483 849 724 Caixa e equivalentes de caixa no fim do período 552 457 874 1 654 659 018 Reconciliação de caixa e equivalentes de caixa Caixa e depósitos no Banco Central 116 449 956 212 353 985 Disponibilidade sobre instituíções de crédito 291 225 208 332 363 010 Aplicações em instituíções de crédito excluíndo juros a receber 244 269 615 1 322 275 232 Reservas no Banco Central (99 486 905) (212 333 209) Total 552 457 874 1 654 659 018 5. Relatório dos Auditores Externos. SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202214 DOSSIERS & FACTOSANUNCIO PUBLICITÁRIO RELATÓRIO E CONTAS 2021 Página 5 15SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS POLÍTICA José Manteigas, porta-voz da Renamo Ossufo Momade ao lado do embaixador americano. Renamo denuncia excessivas violações dos direitos humanos Estados Unidos garantem apoio directo ao DDR POR PARTE DA POLÍCIA SEGUNDO A RENAMO A RENAMO, segundo maior partido da oposição em Moçambique, veio a público, na semana finda, denun-ciar aquilo que considera ser vio- lação dos direitos humanos, protagonizado pelos agentes da lei e ordem, que sob olhar impávido do Ministério do Interior, matam cidadãos indefesos que realizam manifes- tações ou outras formas de expressão. Os casos mais recentes foram registados nas províncias de Maputo e Zambézia. Os Estados Unidos da América terão garantido apoio directo ao complicado processo de De-sarmamento, Desmobilização e Reintegração dos guerrilheiros da Renamo. Quem o diz é a Renamo, cujo presidente manteve, na semana passada, um encon- tro com o embaixador norte-americano em Moçambique, Peter Vrooman. Segundo José Manteigas, porta-voz da Renamo e de- putado da Assembleia da República, é papel da polícia zelar pela segurança de todo cidadão, independentemente da sua raça, cor ou religião. Por isso, nenhum cidadão deve ser impedido de realizar manifestações dentro do seu próprio país. "Um dos pressupostos de um estado direito é a liberda- de de expressão e de se manifestar. De forma clara e inten- cional, esse direito foi retirado aos moçambicanos, sobretu- do nesta governação que iniciou em 2015, o que representa e recorda a ditadura implantada pelo regime desde 1975". A polícia, recorrendo ao uso da sua força, e de forma recorrentemente, tem impedido a realização de manifesta- ções ou outras formas de expressão dos cidadãos, com o fal- so argumento de falta de autorização, uma atitude que para A Renamo anuncia a predisposição dos EUA para apoiar o DDR em uma nota enviada à nossa redacção, através da qual também reforça o seu próprio com- prometimento com a agenda de pacificação do país, citando como exemplo a desmobilização de mais de 3500 homens. No entanto, “não deixamos de lamentar o facto de o Governo não estar a cumprir integralmente com as suas obrigações, de acordo com os entendimen- tos assinados na mesa de diálogo. Denunciamos, por exemplo, a não afectação, até ao momento, dos 10 oficiais no Comando-Geral da Polícia”. A fixação de pensões, tida como “chave” no pro- Texto: Anastácio Chirrute, em Inhambane D&F Texto: Dossiers & FactosD&F a Renamo deve ser combatida. “Senhora ministra do In- terior, dispõe a Constituição da República que os direitos e liberdades individuais são di- rectamente aplicáveis, por isso os moçambicanos questio- nam por que razão a polícia re- correntemente tem impedido a realização de manifestações ou outras formas de expres- são dos cidadãos com base no falso argumento de falta de autorização?" Manteiga questiona igual- mente o fundamento legal que leva a polícia da Repúbli- ca de Moçambique a matar cruelmente cidadãos indefe- sos em plenas manifestações, mesmo sabendo que em Mo- çambique não existe pena de morte. Os casos mais recentes registaram-se nas províncias de Maputo e Zambézia. "Por que razão a polícia assassinou a tiros cidadãos indefesos no distrito de Murrumbala, província da Zam- bézia? Será que é apenas nessa fronteira do país que é usa- da a moeda estrangeira?” Questionou, acrescentando que "ainda muito recentemente, a polícia envolveu-se agressi- vamente contra trabalhadores manifestantes em Xinava- cesso, também mereceu espaço no encontro. Segun- do a Renamo, o embaixador dos EUA assegurou que, doravante, o seu país irá apoiar o processo, que está a caminho do fim. Renamo e EUA estão juntos neste processo e tam- bém falam a mesma linguagem em relação à guerra ne, onde inclusivamente foram destruídas infra-estruturas de uma empresa, e, como reacção do Comando-Geral da Polícia, houve destituições dos comandantes subalternos. Sublinho, neste incidente a polícia não matou nenhum ci- dadão". Concluiu na Ucrânia. “Em relação à Ucrânia, fomos unânimes em condenar a invasão Russa a um país soberano, violando desta forma a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional. Aliás, esta foi sempre a nos- sa posição, desde o primeiro dia da invasão Russa à Ucrânia”. SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202216 DOSSIERS & FACTOSANUNCIO PUBLICITÁRIO 17SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS DESPORTO Mutola diz que há falta de líderes no atletismo Lurdes Mutola considera que há ausência de líde-res no atletismo moçam-bicano, facto que contri- bui para a baixa da modalidade, aliada à falta de competições re- gulares. Para reverter o cenário, a campeã olímpica dos 800 me- tros sugere que se direccionem mais apoios à modalidade. Lurdes Mutola é uma das vozes autorizadas quando se fala do atle- tismo, não só moçambicano, assim como mundial, pois, com o seu ta- lento, deixou a sua marca nas pistas, ganhando vários prémios, com des- taque para a conquista olímpica dos 800 metros, em Sidney, Austrália, em 2000. Mas é sobre o atletismo moçam- bicano que estão viradas as suas atenções, daí que faz uma radiogra- fia da modalidade. Mutola entende que há, no atletismo moçambicano, ausência de líderes capazes de leva- rem a modalidade a bom porto. Esse facto, segundo disse, concor- re para que os resultados não sejam animadores e sugere que as pessoas que estão a dirigir os destinos da mo- dalidade, bem assim outras forças vi- vas, desenvolvam um trabalho abne- gado, com vista a dar outro brilho ao atletismo. “É preciso que haja um trabalho sério para reverter o cenário. A qua- lidade baixou muito, razão pela qual os resultados têm sido desastrosos”, diz Lurdes Mutola, sublinhando que há muita coisa que está a falhar. Atletismo carece de apoio Com o actual estágio da moda- lidade, para Lurdes Mutola, dificil- mente o país terá atletas de alto nível, capazes de darem alegria aos moçambicanos que tanto precisam. Para ela, é preciso também que se mudem os paradigmas, sendo que uma das saídas passa por direccio- nar mais apoios à modalidade, tare- fa que cabe a todos.Mutola, que falava à margem do lançamento da corrida do Centená- rio de José Craveirinha, organizada pela Fundação Lurdes Mutola, diz que tem feito a sua parte como for- ma de dar o seu contributo à moda- lidade que a colocou nos píncaros da fama. “Tenho feito a minha parte, atra- vés de muitas iniciativas. É verdade que não é o suficiente, mas já é um passo significativo”, explica Muto- la, para quem, se cada um fizesse a sua parte, o atletismo moçambica- no não estaria a viver de memórias, mas sim de acções relevantes do presente. O País Texto: CortesiaD&F Lurdes Mutola é tida como a maior atleta da história do país Anúncio publicitário SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202218 DOSSIERS & FACTOSMAPUTO PROVÍNCIA NO DISTRITO DA MOABA ALUSIVO AO 1 DE JUNHO Administradora defende respeito pelos direitos das crianças Calisto Cossa almoça com crianças na Matola A administradora do distrito de Moamba, Teresa Mauaie, de-fende o respeito integral dos direitos da criança, citando como exemplo o direito à nacionalida- de, à protecção, ao auxílio e à educação. O presidente do Conselho Munici-pal da Cidade da Matola, Calisto Cossa, almoçou na última sema-na com mais de 300 crianças num dos salões de festas da Matola, no âmbito da celebração do dia 1 de Junho, Dia Inter- nacional da Criança. A dirigente, que falava no dia 1 de Junho, dia interna- cional da criança, disse ainda que a criança não pode ser submetida ao trabalho infantil, ser objecto de tráfico e de abuso sexual ou de casamentos prematuros, tendo apelado para que a sociedade civil, pais e todos os intervenientes da O evento decorreu no bairro Infulene A, Posto Ad- ministrativo da Machava. Para além de brindes oferecidos pelo edil, as crian- ças foram abrilhantadas com actuações de canto, dan- ça e poesia, proporcionando-lhes um dia inesquecível. Calisto Cossa felicitou todas as crianças e incenti- vou-as a focar-se nos estudos em prol de um futuro melhor. Em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mulheres apresentou uma proposta às Nações Unidas para que se dedicasse um dia alusivo a todas as crianças do Mundo. Os Estados Membros das Nações Unidas – ONU – reconhecendo que as crianças, inde- pendentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções Crianças enaltecidas em Moamba Teresa Mauaie - Administradora da Moamba Edil proporcionou um dia inesquecível às crianças Texto: cortesiaD&F Texto: cortesiaD&F comunidade se juntem incansavelmente na protecção dos direitos da criança. Mauaie dirigia-se às crianças que fazem parte do par- lamento infantil, que visitavam o gabinete do executivo administrativo da Moamba com o objectivo de conhecer o local de trabalho da dirigente e inteirar-se das actividades da mesma no seu dia-a-dia. No mesmo dia, a dirigente recebeu no seu gabinete 30 crianças, em representação das crianças desta parcela do país, acompanhadas pela Counterpart Internacional, parcei- especiais, compreensão, preparação e educação de modo a terem possibilidades de usufruir de um futu- ro responsável pelo projecto de alimentação escolar. No dia 01 de Junho, comemorou-se igualmente o dia de elevação de Moamba à categoria de Vila. Alusivo a esta efeméride, a dirigente teceu comentários elogiosos à vila, que, na sua opinião, vem registando crescimento e cami- nha a passos galopantes rumo ao seu desenvolvimento socioeconómico. De seguida, enalteceu o empenho de todos os agentes económicos e da população do distrito em geral pelo con- tributo que vem dando para o crescimento da vila ro condigno e risonho, assinalaram o dia 1º de Junho como Dia Internacional da Criança. 19SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS POLÍTICA “A Renamo foi aldrabada”, defende Sibindy ELEIÇÕES DISTRITAIS O líder do PIMO afirma ser muito perigo- sa a atitude do Governo, a que classifica de “brincadeira que não se faz”. Sibindy diz que não tem autoridade material para dar razão ou não ao Governo, que parece pretender adiar as eleições por falta de recursos finan- ceiros e logísticos, mas chama atenção para as consequências que o incumprimento de uma medida acordada no âmbito da nego- ciação de paz pode trazer. De resto, a negociação visava pôr fim a um conflito armado que teve sua génese em 2014, depois de umas eleições contes- tadas pela perdiz. “O falecido presidente da Renamo esta- va a fazer a sua digressão pelo país no seu direito cívico de se comunicar com os elei- tores. No meio daquela comunicação, ma- nifestou a vontade de o Governo deixar que as zonas em que ganhou sejam da Renamo”, recordou o presidente do PIMO, esclarecen- do igualmente que “durante este processo surgiu o fenómeno de emboscadas sem cara, porque ninguém as assumia, e final- mente o presidente da Renamo acabou pa- rando no mato, começando desta forma as hostilidades entre o Governo e a Renamo”. Yakub Sibindy conta que depois da fuga de Dhlakama para as matas, houve diálogo entre ele e o Presidente da República, o que resultou numa trégua. Na sequência, acres- centa Sibindy, houve um acordo que dizia que a Renamo podia continuar a reivindi- car a nomeação dos governadores, mas por vias legais, daí que se criou a lei das eleições distritais. “Combinou-se que a Renamo podia deixar a Frelimo acomodar a sua banca- da maioritária, e, amigavelmente, seriam acomodadas as exigências da oposição, não por indicação a dedo, mas sim por via de uma legislação, por uma lei que permi- te eleições provinciais e distritais. Mas em O assunto das eleições distri-tais ainda promete “mui-to pano para manga”, uma vez que divide opiniões. A título de exemplo, o presidente do Partido Independente de Moçambique (PIMO) diz que o Governo aldrabou a Renamo para que entregasse as armas e agora manda-lhe “passear”. Yakuby Sibindy diz que é uma brincadeira não se realizar eleições distritais Texto: Arão NualaneD&F troca o Governo pediu garantias de se parar com a guerra”, frisou. De acordo com Sibindy, para se ter a cer- teza de que a guerra tinha acabado, a Re- namo devia desarmar os homens, exigência que foi aceite e deu azo àquilo que hoje é conhecido como Desmilitarização, Desmo- bilização e Reintegração (DDR). O interlocutor do Dossiers & Factos diz recuperar este contexto para os moçambi- canos perceberem que a ideia das eleições distritais veio como uma proposta para apa- gar a fogueira de guerra que existia entre a Renamo e o Governo. O que se pede, defende, é que haja res- ponsabilidade. Ou seja, o Governo não se pode armar em esperto, porque quando fez o acordo já sabia que não havia dinheiro”. O aparente recuo é, para Sibindy, sinal de que o Governo aceitou a exigência da Renamo para aldrabrá-la, fazendo com que esta en- tregasse as armas, e não propriamente pela democracia. “Chamo atenção ao Presidente da Repú- blica, ao país e ao partido Frelimo, que isto é uma brincadeira e não se faz”. O presiden- te do PIMO diz que a honestidade faz parte da cultura de um líder, pelo que o Governo não pode ser “ganguesterista”. “Prometeu e deve cumprir, e não procurar desculpas”, remata. “O Presidente da República, mediante o estágio actual da economia do país, vê que não há condições para realizar as eleições distritais. Deve devolver este debate para a génese. Convocar a Renamo e dizer “amigo, tivemos uma decisão amigável, mas nes- te momento não há dinheiro, o que você acha?” Aliás, Sibindy sugere que, uma vez que não é possível levar o país às eleições distri- tais, é melhor o Presidente aceitar indicar os SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202220 DOSSIERS & FACTOSPOLÍTICA administradores a dedo. “Neste caso, a Renamo indica uma parte dos administradores, principalmente nas províncias onde reivindicavam vitória. A Frelimo, que é o Governo, também indica uma parte, porque o povo quer a paz, en- quanto se espera que o dinheiro apareça”. “PR está a desorganizar o país” – Dércio Rodrigues, porta-vozda ND Por sua vez, o porta-voz da Nova Demo- cracia (ND), Dércio Rodrigues, sustenta que é importante dizer que o “processo da des- centralização no país é um processo não inclusivo, apesar de ser um ganho de que Moçambique precisa. Não é inclusivo na medida em que não tem todos os interve- nientes que devem opinar sobre o assunto”. O porta-voz da ND diz que se “formos a ver, é um processo que foi acordado entre a Renamo e a Frelimo, mas Moçambique não é da Renamo, nem da Frelimo. É de todos os moçambicanos”. De acordo com Rodrigues, há necessida- de de haver eleições dos administradores e dos governadores, por serem pertinentes, apesar da insuficiência de fundos. “É inevitável, mas o grande debate que achamos que não está muito correcto é o Porta-voz da ND PR não pode aparecer a “desorganizar” facto do PR se pronunciar depois do térmi- no da sessão do Comité Central (CC). O que nos faz perceber que não fez uma análise política do país e que o possível adiamento é uma vontade do partido Frelimo”, consi- derou o porta-voz da ND, para de seguida sublinhar que “não se pode trazer uma reflexão do CC e depois dizer que é o PR que está a falar, pois está a perceber-se, mais uma vez, que o partido Frelimo não é diferente do Governo ou do Estado”. Mais adiante, a fonte dis- se ser importante reflectir à volta da incompatibilida- de entre os secretários de Estado nas províncias e os governadores. “Se formos a ver, os go- vernadores não têm espaço no que concerne à gover- nação. Isso é influenciado muito mais por conta de um novo elemento que está em representação do Estado nas províncias, que não se sabe exactamente qual é a sua função. Neste caso, trata-se do secretário de Estado, que faz tudo que quer sem res- peitar a Constituição”, disse, acrescentando que o PR não pode '' desorganizar `` o país como é o costume na desor- ganização da Frelimo. Foi um acordo assinado entre o presidente Dhlakama e ele próprio. As eleições distritais já estavam previstas para 2024”. “O PR, mediante o estágio actual da economia do país, vê que não há condições para realizar as eleições distritais. Deve devolver este debate para a génese. Convocar a Renamo e dizer ‘amigo, tivemos uma de- cisão amigável, mas neste mo- mento não há dinheiro, o que você acha?” 21SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS DESPORTO TENISTAS MOÇAMBICANAS EM MONTE NEGRO Atletas buscam qualificação para o grupo I no Fed Cup Selecção de Basquetebol no Internacional de Benguela Quatro atletas moçambicanas en-contram-se em Monte Negro, no Canadá, para participar da Taça das Nações em ténis feminino, denominado Fed Cup-Bellie Jean King. A Selecção de Basquetebol em se-niores masculinos vai disputar o torneio triangular de Angola entre os dias 17 e 19 do corrente mês, em Benguela. A participação de Mo- çambique é em resposta ao convite feito pela Federação Angolana de Basquete- bol, que prepara a sua presença na janela do apuramento ao Mundial. Tetra campeã nacional Ana Vassilis integra a comitiva Ben Nguenha, treinador Desempenho da selecção vem oscilando nos últimos tempos Texto: Arão NualaneD&F Texto: cortesiaD&F As tenistas moçambicanas deixa- ram o solo pátrio na última sexta-feira, 03 de Maio, com destino ao Canadá para competirem numa prova que vai decorrer de 7 a 11 de Junho. A comitiva moçambicana deslocou- -se àquele país com objectivo específi- co de participar e tentar qualificar- -se para o Grupo I, uma vez que ac- tualmente encon- tra-se no Grupo II da Euro-África Zona Irão disputar a prova, em repre- sentação de Mo- çambique, Ana Vassilis, Ilga João, Shirley Jemusse e Tânia Elísio. As jogadoras têm como se- leccionador Ben Nguenha, com quem Dossiers & Factos trocou algumas im- pressões instantes antes da partida. A Federação Angolana de Basquetebol con- vidou e a sua contraparte moçambicana disse “sim” ao convite. Benguela é o lugar que vai aco- lher o torneio triangular, entre os dias 17 e 18 de Junho, e conta com a presença de três países, nomeadamente, Moçambique, Angola e Cabo Verde. Além de o torneio servir de preparação para a selecção angolana, que vai à segunda janela de apuramento para o Campeonato do Mundo, que vai decorrer na Ásia, serve também para equili- De acordo com Nguenha, Moçambique estará integrado num dos quatro grupos que vão par- ticipar nesta competição de países africanos e europeus. brar o nível de competições entre os atletas. Miguel Guambe, técnico do Costa do Sol, foi chamado a assumir a selecção e vai contar com 16 jogadores, dos quais seis do Ferroviário da Beira, quatro do Maxaquene e Costa do Sol e dois do Ferroviário de Maputo. O País SEGUNDA-FEIRA06 de Junho de 202222 DOSSIERS & FACTOS A TERRA E OS HOMENS Fotos de Albino Mahumana As crianças têm o direito de ter educação de boa qualidade ALVOS 23SEGUNDA-FEIRA 06 de Junho de 2022 DOSSIERS & FACTOS CULTURA “No meio de homens, também me torno um” Cantar e encantar é o jeito en-contrado por Cecília Nwenha para espalhar alegria nas famí-lias moçambicanas através de melodias vibrantes. Sob influência de Dilon Djindji, Mário Timana e Malanga- tana, galvanizou as cordas vocais para dar corpo à música “Ntumbuluko”, atra- vés da qual ganhou o prémio da música mais popular no Ngoma Moçambique. Nascida em 1986, na localidade de Matala- na, no distrito de Marracuene, a nossa entre- vistada guarda boas lembranças da infância. Fazia panelas de barro, cantava e encantava, como também dançava na igreja local. “A minha avó era dançarina de Xitende, uma dança tradicional. E sempre que ela fosse dan- çar, eu a acompanhava. Por isso, facilmente essa cultura entrou-me” D&F: Quando começa a cantar? CN: Começo a cantar na igreja, em Matala- na. No período da Guerra, saímos de Matalana e passamos a viver em Maputo, e passei a can- tar na banda do Mário Timana, concretamente em 2001. D&F: Qual é o estilo das músicas que canta? CN: Canto marrabenta e afro-Muthimba e kwassa-kwassa. D&F: Qual é a tua fonte de inspiração? CN: Inspiro-me na vovô Menguilaze de Matalana. D&F: Teve influência de algum músico? CN: Sim, muita influência do Vovô Dilon Djindji, do próprio Mário Timana e do falecido Malangatana, que em vida era um grande di- namizador cultural em Matalana. D&F: Como era a tua vida em tempos de Covid-19? CN: Em geral, a Covid-19 afectou a todos, e em particular aos artistas, e não fui excep- Cecília Nwenha - cantora Texto de Albino MahumanaD&F ção. Mas para contornar essa situação, fazia os meus shows em casamentos, festas e, às vezes, ia tocar na província de Nampula. Além de can- tar, também participava em trabalhos de apoio social a famílias carenciadas, que passavam dificuldades. D&F: E agora? CN: Agora sim, as coisas tornaram-se mais fáceis. Tenho estado a trabalhar e a fazer as mi- nhas actuações em Marracuene, Matola Gare, entre outros locais. D&F: Como se sente em trabalhar no meio de homens? CN: Onde está cheio de homens, também CECÍLIA NWENHA E A CONVIVÊNCIA NUM MUNDO “MASCULINO” viro homem. D&F: Projectos? CN: Tenho tantos projectos, neste ano lan- cei o meu primeiro projecto discográfico, que se chama Família Mabjaia, onde temos Xitente, Makwaela, coral, e há também um tema que se chama Pfuka Mupendi, em homenagem ao Malangatana. D&F: Que avaliação faz da música moçambicana? CN: Na música tenho trabalhado com a velha guarda, tive a sorte de logo nos meus primeiros dias em que me envolvi na músi- ca trabalhar com artistas de grande gabarito, como Mário Timana, Xidiminguana, vovô Dilon Djindji. É uma honra para mim. Por isso posso dizer que me sinto muito bem, tenho aprendi- do muito com eles até este momento. D&F: Já ganhou algum prémio? CN: Sim, já ganhei. Com a música Ntumbu- luko ganhei o prémio da música mais popu- lar de Ngoma Moçambique. Neste momento, agradeço por termos passado a fase de Co- vid-19 e estarmos a trabalhar afincadamentepara dignificar a música moçambicana. D&F: Como está a localidade de Matala- na, está a evoluir? CN: Sim, sim. Quando faleceu o mestre Ma- langatana, ficámos muito constrangidos e tudo ficou parado, mas, neste momento, estamos a nos reerguer. Não esqueçamos que Matalana é o berço dos artistas. “A minha avó era dançarina de Xitende, uma dança tra- dicional. E sempre que ela fos- se dançar, acompanhava-a. Por isso que facilmente essa cultu- ra entrou-me.” Anúncio publicitário 50Mt Tchumene 1 | Rua Carlos Tembe, Parcela Nº 696, Matola | Telf 869744238 | Celular: 82 4753360 | Email: dossiereletronico@gmail.com INTERNACIONAL Kiev volta a ser bombardeada abalaram a cidade esta manhã, numa mensagem difundida na plataforma Telegram. "Várias explosões nos bairros de Darnytsky e Dniprovsky da cidade. Os bombeiros estão a extinguir as chamas", escreveu. Já o Estado-maior das forças armadas ucranianas salientou através da rede social Facebook que "o agressor continua a lançar mísseis e a realizar ataques aéreos contra as infra-estruturas militares e civis do nosso país, sobretudo em Kiev". DW Eleições distritais O Livro Escolar e o Colonialismo Garganta Funda tem muito medo deste assunto. É barulho que vem aí. Para Garganta, este não é um assunto de debate ou reflexão, mas sim é um caso de dar tempo ao tempo e GGT explica o porquê. A democracia é boa, muito boa, boa demais, mas democracia em excesso, hummmm, ainda não é para nós os africanos, daí que Garganta assume que isto é Nigéria. Infelizmente, olhando para o caso da Nigéria, há locais onde o Estado como tal não consegue entrar, não consegue exercer o seu poder devido ao excesso de descentralização. Há coisas que não são para africanos. Estados Unidos e Brasil têm esses modelos de descentralização, mas são países que vêm de longe e passaram por muito até chegarem ali, até porque eleições distritais são uma novidade para o mundo. Nas condições em que Moçambique se encontra hoje, principalmente em relação às insurgências, claramente não é um bom momento para se aplicar este tipo de política. É certo que Semana passada, abordámos a questão do livro escolar e dos erros nele contidos. Abordámos em voo rasante porque acreditávamos que era um pequeno erro, por isso abordámos com algum sarcasmo e, no geral, Garganta ficou agastado com a capacidade e facilidade com que cada ministro que entra naquele ministério tem de mexer no currículo. Terminamos o texto afirmando que o currículo é sagrado e não se deveria mexer de qualquer maneira. Infelizmente, não tínhamos a dimensão do estrago que foi feito, o que assistimos ao longo da semana foi um festival de erros. Quando Garganta achava que terminaram, cometeram mais erros na sequência. É tanto erro que parece que Jamanta conseguiu emprego como revisor no MINEDH. De todos os erros, há um em especial que chamou a atenção de Garganta, que dizia qualquer coisa do tipo: o colonialismo foi bom porque deixámos de ser macuas, ndaus, senas para podermos ser portugueses, franceses, ingleses. Até agora Garganta está de boca aberta, como é que uma aberração destas vai parar num livro escolar? caso de deixarmos o tempo nos moldar até chegarmos lá. Vamos lá, quando falamos de poder a três níveis: central, provincial, municipal e ainda distrital, claramente estamos a falar de um estado federal, e estados federais, a nível mundial, não chegam a 20. Em África, só existem dois estados federais em que a descentralização é a todos os níveis, um deles é a a descentralização a todos níveis foi uma das exigências do falecido líder da RENAMO, mas vamos ser práticos, aquele se foi e nós, como moçambicanos, neste momento temos que escolher o que é melhor para nós, e eleições nos distritos, divididos como estamos, somos um alvo fácil, é muito fácil que alguém nos consiga separar ainda mais, querendo. Não vale a pena. A insurgência será obra do acaso? Claro que não, aproveitaram- se das nossas fraquezas, e para Garganta, eleições nos distritos, neste momento e no contexto em que vivemos, são um exercício desnecessário e podemos pagar muito caro. Não acredito que foi um africano que escreveu isto, e se não foi, então quem foi, queria o quê com uma declaração destas? São N exemplos que se pode avançar aqui sobre o mal que o colonialismo fez aos africanos desde a escravatura, em que nossos antepassados eram levados em condições desumanas para a América, Europa e postos para fazer o trabalho forçado. A perda da nossa cultura, dos nossos valores, a pilhagem do ouro, marfim e tudo que era riqueza do nosso continente, e alguém resolveu dizer que o colonialismo foi bom. Sinceramente, algumas pessoas envolvidas neste processo merecem umas boas chambocadas, “txaia” mesmo, porque nesta declaração está patente a falta de patriotismo e querem contaminar as nossas criancinhas. Agora, espanta como estes erros não foram vistos por todo um Ministério. Lembrar que todas as políticas que possam existir naquele Ministério desaguam no livro, este é o instrumento mais importante e não faz sentido este todo desinteresse à volta dele, esta realidade é simplesmente assustadora. 1 3 GARGANTA FUNDA Dossiers Factos& GUERRA NA UCRÂNIA O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou este domingo (05.06) que várias explosões Presidente da câmara da capital ucraniana afirma que a cidade foi alvo de ataques este domingo (05.06). O presidente da Rússia adverte que Mosco- vo atacará novos alvos se Oci- dente fornecer mísseis de lon- go alcance à Ucrânia. Kiev foi muito atacada no início da guerra (foto DW)