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CUSTOSCUSTOS CONTABILIDADE de Ér ico E leuter io da Luz Código Logístico 59207 Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6589-9 9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 8 9 9 Contabilidade de Custos Érico Eleuterio da Luz IESDE BRASIL 2020 © 2020 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: bizvector/Hari Prasad Rout/Shutterstock Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ L994c Luz, Érico Eleuterio da Contabilidade de custos / Érico Eleuterio da Luz. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 86 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-6589-9 1. Contabilidade gerencial. 2. Contabilidade de custos. I. Título. 20-62261 CDD: 657.42 CDU: 657.4 Érico Eleuterio da Luz Mestre em Controladoria e Contabilidade pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar). Especialista em Finanças e Auditoria pela FAE/CDE. Contador e advogado. Atuou como contador e controller em grandes empresas. Na área acadêmica, leciona em disciplinas das áreas de contabilidade e direito em cursos de graduação e pós-graduação. Atualmente, atua como coordenador de curso de graduação em Ciências Contábeis e como consultor empresarial. É autor de diversos livros sobre contabilidade, teoria da contabilidade e controladoria. SUMÁRIO 1 Conceitos iniciais da contabilidade de custos 9 1.1 Introdução à contabilidade de custos 9 1.2 Custos, despesas, gastos e investimentos 10 1.3 Espécies de custos 16 2 Apuração e fluxo na contabilização dos custos 21 2.1 Fluxo natural dos custos 22 2.2 Custeio por absorção 23 2.3 Estoques e inventário 26 3 Classificação dos custos 34 3.1 Custos diretos e indiretos 34 3.2 Custos fixos e variáveis 40 3.3 Custos primários e secundários 43 4 Departamentalização e rateios dos custos 46 4.1 Departamentalização: conceito e objetivo 47 4.2 Vantagens da departamentalização 55 4.3 Rateios de custos 56 5 Custos para decisão 59 5.1 Custeio gerencial: conceito e objetivo 60 5.2 Relatórios gerenciais 62 5.3 Custeio por atividades: ABC 65 6 Conceitos gerenciais de custos 71 6.1 Margem de contribuição 71 6.2 Ponto de equilíbrio 74 6.3 Margem de segurança e outros conceitos gerenciais de custos 77 6.4 Estudo de caso 80 Neste livro, abordamos os conceitos relativos aos custos, sejam aqueles relacionados à atividade industrial ou aqueles que representam o consumo de recursos nas atividades de serviços. Procuramos, assim, combinar a abordagem conceitual, no que tange aos aspectos fundamentais dos custos e da contabilidade de custos, com os exemplos de aplicação desses conceitos no cotidiano da gestão estratégica de negócios, trazendo, para exemplificar, as fórmulas de margem de contribuição, ponto de equilíbrio e alavancagem operacional. Sabemos que, em um ambiente empresarial de acirrada competitividade, as organizações devem sempre buscar a melhor gestão econômica. No entanto, esse posicionamento estratégico não significa que os recursos que serão consumidos para a geração das receitas de vendas e serviços (custos) não mereçam acompanhamento, controle e análise rigorosos pelos gestores. Portanto, o conhecimento sobre os custos e sua relação com volumes e objetos de custeio (produtos e serviços) constituem-se em um imperativo estratégico para a condução dos negócios. Este livro estrutura-se de modo a abranger os assuntos de maneira lógica, a fim de facilitar a compreensão e aplicação dos temas. No Capítulo 1, abordamos os conceitos iniciais da contabilidade de custos, dentre eles, os conceitos de custo, gasto, despesa e investimento. No Capítulo 2, apresentamos um fluxo natural e lógico para a apuração e a contabilização dos custos, iniciando-se pela separação dos gastos em custos e despesas, passando para a diferenciação entre custos diretos e indiretos e fechando com a atribuição dos custos aos produtos e serviços. Além disso, abordamos, no Capítulo 3, as classificações dos custos de acordo com sua relação com os volumes de produção e vendas, que são enquadrados como fixos ou variáveis, e conforme a relação desses recursos com os objetos de custeio, cuja separação se dá entre aqueles relacionados direta ou indiretamente com os respectivos objetos. O tema tratado no Capítulo 4 refere-se à departamentalização e aos rateios dos custos, tendo como objetivo possibilitar que você compreenda a aplicação dessa técnica e o cálculo e a apropriação dos custos indiretos, mostrando a importância de se utilizar a departamentalização sempre que possível. APRESENTAÇÃO Já no Capítulo 5, abordamos o custeio gerencial ou variável, isto é, uma abordagem de custos que se vale da estrutura dos gastos fixos e variáveis para a elaboração de relatórios gerenciais. Por fim, no Capítulo 6, destacamos dois temas de grande relevância no estudo do tema. Em um primeiro momento, apresentamos os conceitos vinculados às principais técnicas de análise gerencial de custos, como a margem de contribuição, o ponto de equilíbrio e a alavancagem operacional. Em seguida, trazemos um estudo de caso que aborda o fluxo completo na contabilização dos custos. Boa leitura! Conceitos iniciais da contabilidade de custos 9 Conceitos iniciais da contabilidade de custos 1 O acompanhamento da rentabilidade de produtos e serviços depende de uma gestão de informações relativas aos custos feita de modo sistemático e eficaz. Isso torna a gestão de custos uma verdadeira ação estratégica de qualquer negócio, pois será a partir desse controle que o gestor terá a oportunidade de conhecer sua estrutura de custos e, a partir disso, poderá tomar ações para melhorar a rentabilidade de seu negócio. Uma gestão empresarial que pretenda ser moderna e competitiva necessita de uma análise sistemática de todos os custos, pois o controle e a gestão deles proporcionarão análises e decisões econômicas que resultarão em ganhos de rentabilidade para o negócio. Para que uma gestão de custos seja eficaz, ou seja, proporcione planejamento e controle desses gastos necessários para produzir um produto ou prestar um serviço, o gestor deve ter um bom conhecimento de diversos conceitos que estão atrelados aos custos. Neste capítulo, você terá a oportunidade de estudar os conceitos fundamentais para a adequada compreensão dos custos e sua aplicabilidade no cotidiano dos negócios. 1.1 Introdução à contabilidade de custos Vídeo A contabilidade de custos é uma área específica da contabilidade que tem como objetivo efetuar a identificação, a mensuração e o regis- tro contábil dos eventos que representam gastos efetuados para fabri- car um produto ou prestar um serviço. Nesse sentido, pode haver certa confusão conceitual entre a contabilidade de custos e a contabilidade gerencial, mas esse aspecto é facilmente esclarecido. 10 Contabilidade de Custos A contabilidade de custos apura valores de custos para efeito de avaliação dos estoques ou para reconhecer contabilmente o custo dos serviços prestados nas empresas cuja atividade seja a prestação de ser- viços, como um hospital. Já a contabilidade gerencial tem como propósi- to a estruturação de relatórios que contenham informações gerenciais e que serão utilizados pela gestão da empresa para efeito de planeja- mento e controle do negócio. Dessa forma, vemos que a contabilidade gerencial deve se utilizar das informações geradas pela contabilidade de custos, porém seu objetivo é outro, mais amplo e estratégico. Martins (2003, p. 21) esclarece que “devido ao crescimento das em- presas, com o consequente aumento da distância entre o administra- dor e ativos e pessoas administradas, passou a contabilidade decustos a ser encarada como uma eficiente forma de auxílio no desempenho dessa nova missão, a gerencial”. Nesse sentido, tanto a contabilidade de custos quanto a contabilidade gerencial devem ter como escopo a tare- fa de produzir informações relativas a custos, para o adequado uso por parte dos gestores empresariais, sempre lembrando que as informa- ções de custos são extremamente úteis aos gestores operacionais para que tenham o controle e o planejamento do desempenho do negócio. A finalidade da contabilidade de custos é apurar e contabilizar os custos relativos aos produtos e serviços produzidos ou prestados pela empresa, informando o valor desses custos, para que a empresa possa conhecer sua estrutura de gastos e, também, o valor dos seus esto- ques. Deve haver uma interação efetiva entre a contabilidade de cus- tos e a contabilidade financeira (aquela responsável pela elaboração e divulgação dos relatórios contábeis obrigatórios, como balanço patri- monial, demonstração do resultado e fluxo de caixa), por meio de um sistema de informação contábil que possa captar, registrar e informar os valores apurados pela contabilidade de custos. Por conta de sua forma didática, técnica e dos exemplos práticos abor- dados pelo autor, o livro Contabilidade de custos é um clássico na literatura sobre custos. Ele também é um dos primeiros livros sobre o assunto publicados no Brasil que traz de forma clara o ro- teiro a ser observado pela contabilidade de custos para a alocação destes aos produtos e serviços. Indicamos, especialmente a leitura do capítulo 2. Um clássico que vale a leitura! MARTINS, E. São Paulo: Atlas, 2003. Livro Explique a função da contabili- dade de custos. Atividade 1 1.2 Custos, despesas, gastos e investimentos Vídeo Para que possamos dominar os conceitos referentes à contabilida- de de custos, é necessário que antes façamos uma breve retrospectiva de diversos conceitos que têm uma relação muito próxima com cus- tos e, de certa forma, estão vinculados à dinâmica da gestão empre- sarial. Você deve conhecer e dominar os aspectos mais relevantes em Conceitos iniciais da contabilidade de custos 11 relação a esses elementos, pois serão úteis no estudo da contabilida- de de custos. O objetivo do estudo desses termos é uniformizar o entendimento deles, pois serão utilizados ao longo desta disciplina e no cotidiano profissional da área contábil. 1.2.1 Gastos Gasto pode ser considerado um conceito mais amplo, que desig- na um gênero composto das espécies custo, despesa ou investimentos. Ribeiro (2009, p. 24) ensina que “toda vez que a empresa industrial pre- tende obter bens – seja para uso, troca, transformação ou consumo – ou utilizar algum tipo de serviço, ela efetua um gasto”. O autor destaca que esses gastos se classificam como investimentos, custos e despesas. É importante destacar que os gastos também são próprios das ati- vidades de comércio e serviços e se efetivam quando ocorre transação envolvendo pagamento ou recebimento de ativos, custos ou despesas por parte da empresa. No dia a dia das atividades empresariais, temos a ocorrência de gastos de diversas naturezas, como a compra de mer- cadorias, os gastos com mão de obra ou até mesmo a aquisição de máquinas e equipamentos. 1.2.2 Investimentos Os investimentos são gastos efetuados na aquisição de ativos de longa duração, que integrarão o imobilizado da empresa, ou de giro rápido, como os estoques de mercadorias, os componentes e as ma- térias-primas que comporão os estoques à disposição da produção. A característica fundamental desses elementos é que eles são investi- mentos cujo uso se prolonga no tempo, portanto não são consumidos imediatamente após a compra. Martins (2003, p. 25) afirma que “to- dos os sacrifícios havidos pela aquisição de bens ou serviços (gastos) que são ‘estocados’ nos Ativos da empresa para baixa ou amortização quando de sua venda, de seu consumo, de seu desaparecimento ou de sua desvalorização são especificamente chamados de investimentos”. Veja que é intrínseco ao conceito de investimento o fato de que os be- nefícios econômicos que dele extraímos estendem-se por vários períodos. 12 Contabilidade de Custos 1.2.3 Custo ou despesa A contabilidade se utiliza de dois conceitos que representam gastos de recursos vinculados à formação do resultado empresarial: os custos e as despesas. Essas terminologias, embora relacionadas com o lucro ou o prejuízo do exercício, têm funções distintas e, portanto, classificações contábeis diferentes. Para efeito de nosso estudo, vamos nos fixar mais atentamente no conceito de custos, pois a despesa é objeto de estudo de outra perspectiva contábil, a contabilidade financeira. Para a contabilidade de custos, o conceito de custo equivale ao valor pago tanto nas mercadorias que serão vendidas, no caso das empresas comerciais, quanto nas matérias-primas adquiridas pelas empresas in- dustriais. Enquanto tais mercadorias e insumos permanecem em esto- que – seja como mercadorias ou materiais, seja como produto acabado ou em processo –, o valor desembolsado ou incorrido para a obtenção deles não é despesa, e sim custo. 1.2.3.1 Custo Considera-se custo todos os gastos incorridos para produzir um produto ou prestar um serviço. Os custos são representados pelo con- sumo de matéria-prima na produção, pela mão de obra direta, pelas depreciações dos equipamentos da fábrica, pelos aluguéis e por outros recursos consumidos nesses processos. Leone (2000, p. 46) explica que custo “é o valor dos fatores de produção consumidos por uma firma para produzir ou distribuir produtos ou serviços, ou ambos”. Custo, portanto, é um gasto relativo a um bem ou serviço utilizado na produ- ção de outros bens ou serviços. Para Maher (2001, p. 46), “custo representa um sacrifício de recur- sos, independentemente de ser contabilizado como um ativo ou como uma despesa”. Se o custo estiver vinculado a um ativo a ser consumido, ficará como investimento; a partir do seu uso (consumo), será apropria- do como custo de produção. A matéria-prima é um exemplo desse con- ceito, pois, no momento de sua aquisição, é considerada contabilmente como um ativo (investimento no estoque), porém, com sua transferên- cia para a produção (para ser incorporada ao produto que está sendo fabricado), seu valor passa a ser considerado custo de produção, e, fi- nalmente, quando ocorre a venda do produto, torna-se uma despesa, Conceitos iniciais da contabilidade de custos 13 compondo o valor do lucro bruto na demonstração do resultado do exercício. Entretanto, a matéria-prima incorporada aos produtos aca- bados em estoques que ainda não foram vendidos continua a ser um investimento, classificada no ativo. A Demonstração do Resultado do Exercício é um relatório de elabo- ração obrigatória para todas as entidades. Ao analisarmos sua estrutura, construída de forma a destacar o processo de geração de receitas, custos e despesas, fica fácil a compreensão dos conceitos inerentes a custo. Configuração a partir da Demonstração do Resultado 1. Receita de vendas 2. (-) Custos dos produtos vendidos ⇒ Gastos para o período (valor re- lativo aos custos das unidades fabricadas e vendidas), cujos componentes são: 2.1 Matéria-prima utilizada na produção dos produtos vendidos 2.2 Mão de obra direta consumida no período 2.3 Gastos gerais de fabricação relativos aos produtos terminados e vendidos 3. = Lucro bruto 4. (-) Despesas operacionais ⇒ Gastos para o período 4.1 Despesas administrativas 4.2 Despesas comerciais 5. = Lucro líquido do exercício Atente-se para o fato de que todos os recursos cujo consumo é ne- cessário para fabricar um produto são considerados custos, ao passo que os sacrifícios de recursos realizados após a fabricação, mas relacio- nados com as atividades referentes às áreas administrativa e comer- cial, são despesas, e essa é uma distinção bem relevante. Nas empresas prestadoras de serviços, como destacar o recur- so queé consumido como custo daquele que deve ser considerado despesa? A regra a ser utilizada deverá ser a mesma que destacamos anteriormente na Demonstração do Resultado. Ou seja, todo recurso consumido para executar direta ou indiretamente um serviço será con- siderado custo. De outra forma, o recurso consumido nas atividades de apoio administrativo e comercial será classificado como despesa. Em 14 Contabilidade de Custos um hotel, por exemplo, o valor despendido para colocar as unidades de serviços (quartos, suítes etc.) à disposição de uso será custo. Os ser- viços de recepção, contabilidade, financeiros e outros serão despesas. 1.2.3.2 Despesa As despesas representam gastos efetuados pela empresa no seu es- forço de geração das receitas e, portanto, são classificadas diretamente no resultado do período em que foram geradas, sendo computadas na Demonstração do Resultado do Exercício. Nesse sentido, Martins (2003, p. 25) conceitua despesa como sendo “um bem ou serviço consu- mido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas”. As comis- sões de vendas, por exemplo, são despesas vinculadas diretamente à geração da receita, ao passo que o salário do vendedor é uma despesa cuja relação com a receita é indireta. Por que isso? Porque enquanto a despesa de comissão tem como fato gerador a própria receita de ven- da, a despesa de salário existirá independentemente de haver ou não a respectiva receita de venda, pois tem como fato gerador o trabalho do funcionário para a empresa. Despesa, portanto, é um gasto de um recurso não vinculado à finalidade de produzir um produto. Em termos práticos, não é tarefa fácil distinguir custos e despesas. O que normalmente se adota para essa distinção é considerar como cus- to todos os gastos efetuados até o produto estar pronto, e como des- pesa os gastos efetuados após essa etapa. Maher (2001, p. 64) destaca que “é importante distinguir custo de despesa. Uma despesa represen- ta um custo lançado contra a receita de determinado período contábil; assim, as despesas são deduzidas das receitas do período em questão”. Um exemplo característico de um item que poderá ser considerado como custo ou despesa, dependendo de sua relação com a produção, é a embalagem. Quando esse elemento é incorporado durante o proces- so produtivo, é considerado custo (pois é parte integrante do produto), porém se o produto é embalado após sua fabricação, o valor da emba- lagem será considerado despesa de vendas. 1.2.4 Prejuízo Prejuízo é o resultado negativo de uma atividade, operação ou em- presa como um todo. Quando os custos e as despesas superam as re- Atividade 2 Despesa e custo são dois ele- mentos de extrema importância para a compreensão do valor gerado por um negócio, porém têm classificações diferentes. Dessa forma, diferencie esses dois conceitos, destacando a função de cada um. Conceitos iniciais da contabilidade de custos 15 ceitas, há um déficit, denominado prejuízo, que implica uma redução da riqueza da empresa. Esse conceito também é aplicado quando se analisa a rentabilidade de um produto ou serviço especificamente, e, nesse caso, normalmente se trata de uma margem de contribuição ne- gativa. Os prejuízos são indicados na Demonstração do Resultado do Exercício, que, pela sua estrutura, permite-nos saber quais componen- tes do resultado causaram o prejuízo, por exemplo, se foi insuficiência de receita ou um aumento não planejado de despesa. O fato é que um prejuízo gerado em um produto compromete o resultado da empresa; por isso, deve-se ter o máximo de cuidado com o consumo de recursos na produção. 1.2.5 Perda Perda é um gasto extraordinário, não intencional e que afeta ne- gativamente o resultado do exercício relativo à atividade empresarial. Martins (2003) destaca que perdas são itens que vão diretamente para o resultado, assim como as despesas, mas não representam sacrifícios normais ou derivados de forma voluntária das atividades destinadas à obtenção da receita. Quando ocorrem desperdícios de recursos, como gastos anormais de materiais diretos decorrentes de fatos não planejados, temos a ocorrência de uma perda. As perdas devem ser evitadas, pois encare- cem os custos e comprometem o lucro da atividade. 1.2.6 Desembolso Desembolso é a efetivação do pagamento decorrente da aquisição de um bem ou serviço, independentemente da sua classificação como custo, despesa ou investimento. Embora existam gastos que não são desembolsáveis (cujo melhor exemplo é a despesa ou o custo com depreciação), a maioria dos gastos impactam no caixa da empresa como saída (desembolso) de recursos financeiros. Vale ressaltar que os desembolsos são registrados pelo regime de caixa (sendo con- tabilizados na efetiva saída do numerário do caixa ou banco). Já os gastos serão contabilizados pelo regime de competência, ou seja, as despesas e os custos serão reconhecidos pela contabilidade quando seus respectivos fatos geradores ocorrerem, independentemente do desembolso respectivo. Atividade 3 Explique o conceito de perda. Outro texto de qualidade extraordinária, mas de escrita simples e objetiva, é o livro Contabilidade de custos, do professor Osni Moura Ribeiro. Nesse livro, o professor ressalta de forma bem técnica e profunda os conceitos re- lativos à contabilidade de custos, abordando temas não tão destacados em outras obras do gênero. Boa leitura! RIBEIRO, O. M. São Paulo: Saraiva, 2009. Livro 16 Contabilidade de Custos 1.3 Espécies de custos Vídeo No estudo e na aplicação dos conceitos referentes a custos, é im- portante que façamos uma breve reflexão sobre as espécies de cus- tos, principalmente nestes tempos de sofisticação da tecnologia e dos processos responsáveis pela fabricação de um dado produto ou pela prestação de um serviço. As espécies e as classificações de custos ob- servam alguns critérios, como a relação do custo com a sua identifica- ção direta ou indireta com o produto ou serviço e sua relação com o volume produzido. De qualquer forma, elementos como mão de obra direta (seja para produzir um produto ou prestar um serviço), material direto e gastos gerais e indiretos compõem as espécies de custos que devem ser de domínio dos gestores de negócios. Alguns conceitos também são relevantes para que possamos com- preender os elementos que compõem a contabilidade de custos, os quais destacamos a seguir. 1.3.1 Custo de produção Compõem os custos da produção ou do serviço prestado todos os fatores que concorrem direta ou indiretamente para a fabricação das unidades ou para a execução efetiva do serviço. Esses fatores são re- presentados pela matéria-prima, pela mão de obra (direta e indireta) e pelos gastos gerais relativos a recursos consumidos para finalização do produto ou serviço. 1.3.2 Custo da matéria-prima O custo do material direto, comumente chamado de matéria-prima, compreende o valor de aquisição do material mais os gastos neces- sários para colocá-lo à disposição de uso da produção, sendo os mais comuns o frete e o seguro, pagos na compra. Se houver impostos não recuperáveis, estes também são incluídos no valor do custo. Os ma- teriais e componentes (matéria-prima), assim que adquiridos, são co- locados no almoxarifado e classificados contabilmente em contas do estoque no ativo circulante; posteriormente, assim que a produção efe- tuar as requisições, esses itens são transferidos para a produção, para serem transformados em produtos acabados. Conceitos iniciais da contabilidade de custos 17 1.3.3 Custo de mão de obra O custo da mão de obra (tanto a direta quanto a indireta) com- preende o valor relativo ao salário pago ao trabalhador mais os en- cargos trabalhistas que incidem sobre esse salário, sendo os mais comuns o décimo terceiro salário, as férias acrescidas de um terço, o fundo de garantia por tempo de serviço, a contribuição sobre a fo- lha de salários (INSS), entre outros. Esses valores são contabilizados mensalmente como custos de produçãoà medida que a folha de pa- gamento é elaborada. 1.3.4 Gastos gerais de fabricação Para transformar a matéria-prima em um produto acabado, é ne- cessário o uso de recursos como combustíveis, lubrificantes, energia elétrica, pessoal técnico, engenheiros e tantos outros que se fazem necessários, além da mão de obra que opera diretamente sobre o material (mão de obra direta). Esses gastos são denominados gastos gerais, pois se referem a recursos consumidos por toda a estrutura fabril mensalmente. 1.3.5 Custo do produto em processo Por custo dos produtos em processo compreendem-se todos os re- cursos consumidos com mão de obra direta, material direto e demais gastos gerais de fabricação e que se encontram em produção em de- terminado período. 1.3.6 Custo dos produtos acabados O custo dos produtos acabados é representado pelo custo total das unidades terminadas no período que passaram pelo processo e compreendem os custos de produção utilizados para deixar os esto- ques à disposição das vendas. Podemos utilizar fórmula a seguir para melhor visualização: 18 Contabilidade de Custos Figura 1 Apuração do custo do produto acabado Custo do Produto Acabado CPA Estoque Inicial de Produto em Processo EIPP Custo de Produção do Mês CP MP + MOD + GGF Estoque Final de Produtos em Processo EFPP Unidades não terminadas no mês anterior Mais Menos Fonte: Elaborada pelo autor. O esquema demonstra o fluxo no ambiente de produção com o objetivo de fabricação de unidades a serem disponibilizadas para ven- da. O processo se inicia com as unidades que estavam em processo no início do período (Estoque Inicial de Produtos em Processo). Em seguida, tem início a produção, com a incorporação de fatores como mão de obra direta (MOD), materiais requisitados do almoxarifado (matéria-prima (MP)) e gastos gerais de fabricação (GGF) do mês. Para finalizar, basta verificarmos o custo das unidades que ainda perma- necem em processamento no final do período (iniciadas e não termi- nadas) e teremos o custo relativo às unidades fabricadas no período. Conceitos iniciais da contabilidade de custos 19 1.3.7 Custo dos produtos vendidos O valor do custo das unidades vendidas do período será obtido ao verificarmos o valor relativo ao custo das unidades fabricadas e baixadas por venda no período. Para melhor visualização, observe a Figura 2 ao lado. Você sabe que o valor do custo do produto vendido vai compor a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício, como de- monstrado anteriormente; essa é uma atribuição da contabilidade de custos. Observe também que as figuras ilustram o fluxo natural e lógi- co do processo de fabricação, que modernamente é executado pela tecnologia da informação, com o uso de softwares especialistas que integram todas as áreas da empresa. No entanto, uma dúvida ainda pode persistir: e o custo dos serviços prestados relativos às empre- sas que executam atividades nessa área? Veja que os conceitos dos fatores (recursos) utilizados são rigo- rosamente os mesmos, apenas com a ressalva de que as empresas prestadoras de serviços não se utilizam (com exceções, claro!) de ma- teriais diretos, portanto não necessitam de controles de estoques. No restante, devem utilizar todos os conceitos e processos destacados neste capítulo. Figura 2 Apuração do custo do produto vendido Custo do Produto Vendido CPV Custo do Produto Acabado CPA Estoque Inicial de Produto Acabado FIPA Estoque Final de Produtos Acabados EFPA Fonte: Elaborada pelo autor. Mais Menos CONSIDERAÇÕES FINAIS A contabilidade de custos tem por objetivo identificar e mensurar os custos, alocando-os aos produtos produzidos ou serviços prestados pe- las organizações. Para atingir adequadamente esse objetivo, o sistema de cálculo e reconhecimento dos custos deve estar integrado com o sistema contábil tradicional da empresa, aquele que proporciona a identificação e o reconhecimento contábil de todos os fatos econômicos que ocorrem e causam um efeito no patrimônio da entidade. Sendo assim, o contador responsável pela contabilidade de custos deve estar em permanente busca de formas mais modernas de contabilização dos custos incorridos em dado período. Cabe ao gestor de negócios domi- nar os conceitos inerentes a custo para que, ao receber os relatórios, saiba em que situação se encontra o negócio no que diz respeito aos custos. 20 Contabilidade de Custos REFERÊNCIAS LEONE, G. S. G. Curso de contabilidade de custos: livro de exercícios. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. MAHER, M. Contabilidade de custos: criando calor para a administração. São Paulo: Atlas, 2001. MARTINS, E. Contabilidade de custos: livro-texto. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos. São Paulo: Saraiva, 2009. GABARITO 1. A contabilidade de custos tem como função o reconhecimento e a mensuração dos custos, alocando-os aos produtos produzidos ou serviços prestados. 2. Embora estejam relacionados com a formação do resultado empresarial, despesas e custos têm conceitos e classificações bem distintas. A despesa tem como função gerar a receita (por exemplo, a despesa de comissões de vendas), portanto é classificada diretamente na Demonstração do Resultado do Exercício; já os custos estão relacionados aos esforços da empresa para produzir um produto ou prestar diretamente um serviço. 3. Perda se constitui no consumo de um recurso além da quantidade necessária para produzir ou prestar um serviço. Caracteriza-se como um desperdício e deve sempre ser evitada. Apuração e fluxo na contabilização dos custos 21 Neste capítulo, você terá a oportunidade de ter contato com diversos conceitos de grande relevância para uma compreensão dos custos no que diz respeito ao seu reconhecimento contábil, à sua apropriação dos produtos produzidos e serviços prestados e ao seu controle. Para isso, apresentamos um roteiro que é objeto de estudo em praticamente todos os livros de contabilidade de custos e retrata um caminho, um fluxo natural que deve ser observado pelo sistema contábil para reconhecimento e apropriação dos custos, sejam diretos, indiretos, fixos ou variáveis. É importante observar que para produzir e vender seus produtos, uma empresa incorrerá, necessariamente, em um conjunto de custos. De fato, para produzir e vender, a empresa utiliza: • recursos financeiros; • mão de obra; • bens de capital; • matérias-primas; • outros insumos. Além do fluxo natural dos custos no sistema de produção da empresa, você estudará o famoso custeio por absorção, um método de alocação de custos muito utilizado. Encerraremos o capítulo destacando os métodos de controle de estoques mais comuns. Os custos são, justamente, os valores monetários que a empresa tem que pagar pela utilização de elementos indispensáveis às suas atividades de produção e vendas. É evidente que, enquanto a empresa se utilizar de fatores de produção, deverá pagar por eles. Vale dizer que durante toda a sua existência, a empresa incorrerá em custos. Daí a importância que se dá ao controle, planejamento e estudo do comportamento dos custos nas atividades empresariais. Apuração e fluxo na contabilização dos custos 2 22 Contabilidade de Custos 2.1 Fluxo natural dos custos Vídeo As atividades empresariais devem ser organizadas de modo que os gastos efetuados em cada uma das áreas – na forma de despesas ou de custos – sejam adequadamente mensurados e alocados a essas áreas e, por fim, aos produtos produzidos e serviços prestados pelas empresas. No caso do nosso estudo, destacaremos os custos, que re- presentam recursos consumidos para produzir um produto. Ocorre que para o cálculo, a quantificação, a identificação e a alocação desses custos aos produtos e serviços, deve-se observar um fluxo natural que represente desde a etapa da ocorrência do gasto até sua atribuição aos objetos de custos. Perceba, portanto, que a atribuição de custos aos produtos e ser- viços não é uma atividade arbitrária,mas que observa uma lógica que leva em conta vários aspectos. Os mais importantes são a análise dos sistemas de apropriação, de rateio ou de distribuição e a análise dos custos indiretos e fixos aos produtos. Para essa análise, os mais tra- dicionais são os sistemas de custeamento por absorção, direto ou va- riável e, com menos ênfase, o custo padrão, utilizado pelas empresas que trabalham com orçamento prévio de seus custos e suas despe- sas. Claro que todo esse fluxo deve estar plenamente ajustado a um sistema de informação que contemple o cálculo, a identificação e a contabilização de todos os recursos consumidos e que se vincule à produção de um produto ou à prestação de um serviço. Para ilustrar o que pode ser considerado um fluxo natural para identificação, reconhecimento e apropriação dos custos, é necessário que tenhamos um domínio sobre os conceitos de despesa, custo, ra- teio, centro de custos, entre outros elementos. A partir desses conceitos, teremos um roteiro que deve ser observado no sistema para que os custos sejam distribuídos de modo correto e os relatórios possam ser elaborados e utilizados de maneira adequada. Esse roteiro, que nor- malmente é contemplado quando se estuda o método do custeio por absorção, deve observar o seguinte fluxo: 1. Distinção entre o gasto que é despesa e o gasto que se classifica como custo, ou seja, identificação de custos e despesas. As despesas irão compor a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), sendo apropriadas por competência. Apuração e fluxo na contabilização dos custos 23 2. Identificados os custos, devem ser separados os que são diretos dos indiretos. a. Os diretos, como mão de obra e material direto (matéria-prima e componentes), serão alocados diretamente a cada unidade, pois são claramente identificáveis em cada produto. Por exemplo: o parafuso utilizado para fabricar uma geladeira. b. Os indiretos serão distribuídos conforme o rateio feito pela contabilidade de custos; esse rateio pode ser feito em uma empresa com departamentalização ou sem departamentalização. 3. Esses custos diretos e indiretos serão absorvidos pelas unidades de estoque de produtos em processo e, depois, pelas unidades acabadas. 4. Quando ocorre a venda desses produtos, esses custos comporão o custo dos produtos vendidos e, finalmente, serão transferidos para o resultado, compondo a Demonstração do Resultado do Exercício. Veja que esse fluxo representa, com adaptações para cada tipo de empresa, uma lógica na forma como a atividade de fabricação é execu- tada. Um olhar atento para um processo produtivo real demonstrará que primeiro são consumidos os custos diretos e depois os indiretos, e o processo é finalizado com a transferência das unidades acabadas para o estoque à espera da venda. 2.2 Custeio por absorção Vídeo Primeiramente, vamos entender o que significa método de custeio. Esse conceito está relacionado à forma como a empresa irá identificar e apropriar os gastos necessários para a produção de um produto ou prestação direta de um serviço. Cada método de custeio tem sua finalidade e importância, dependendo do objetivo da contabilidade de custos no ato da apropriação. Se há necessidade de informações gerenciais de custos, deve ser utilizado o custeio direto ou variável, por exemplo. Então, o que é e para que serve o denominado custeio por absorção? Nesse método de apropriação de custos aos produtos e serviços, todos os custos que estão relacionados direta ou indiretamente às unidades 24 Contabilidade de Custos produzidas serão “absorvidos”, via apropriação, a todas as unidades produzidas e a todos os serviços prestados. O custo por absorção implica, portanto, na atribuição de todos os custos aos produtos (ou seja, os gastos necessários para fabricar o pro- duto ou prestar diretamente o serviço). Esses custos são separados das despesas, porque estas serão reconhecidas como gastos do período e contabilizadas pelo regime de competência. Os gastos diretos relacionados à produção são de fácil identificação com as unidades produzidas, portanto são alocados de forma clara e objetiva. São os casos da mão de obra e do material direto, por exem- plo. Perceba que, nesse caso, as unidades absorvem (recebem) esses valores de forma direta e sem muita dificuldade. Veja que os custos diretos são alocados conforme o consumo dos recursos pelos produtos. A empresa sabe o custo para produzir uma garrafa de 300 ml de água, por exemplo. Basta que a contabilidade calcule o valor dessa quantidade de água para contabilizar o valor do material direto em cada unidade produzida. Mas e em relação aos custos indiretos? Embora estejam relaciona- dos a determinado objeto de custo, há uma dificuldade para identificar esses custos de maneira viável, fazendo-se necessária uma distribuição por meio de rateios. É o caso da energia elétrica consumida no período no setor de fabricação. O total de energia consumida está relacionado ao total de volume produzido, não sendo possível identificar a quanti- dade de energia consumida em cada unidade fabricada. Por isso, esses custos são denominados indiretos, pois sua relação com as unidades se dá de modo indireto. É importante destacar que o custeio por absorção é o único método permitido pela legislação federal relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Física, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no caso das empresas que optam ou são obrigadas a utilizar a sistemática do lucro real para tributação do seu resul- tado. A auditoria externa também exige a utilização do custeio por absor- ção,pelo fato de que esse método está em consonância com os enunciados contábeis da competência, compreendidos como realização da receita e confronto da receita com as despesas e custos e os períodos contábeis. Em referência a essa finalidade contábil e fiscal de absorção, Horngren, Foster e Datar (2004, p. 269) observam que “o custeio por absorção é o método No capítulo 4 do livro Cur- so de contabilidade de cus- tos, do professor George S. G. Leone, é destacado o critério do custeio por absorção de modo bem explicativo. Merece uma atenta leitura! LEONE, G. S. G. São Paulo: Atlas, 2009. Livro Apuração e fluxo na contabilização dos custos 25 utilizado sob princípios contábeis geralmente aceitos para relatórios para fins externos e declarações fiscais na maioria dos países”. Veja que, ao utilizar esse método, a contabilidade apropria aos es- toques todos os recursos direta e indiretamente usados na sua produ- ção; portanto, eles irão para o resultado (DRE) apenas no momento da venda dos produtos. Vamos relembrar aqui os conceitos dos enunciados relativos à com- petência de exercícios, destacando o que afirma Leone (2009, p. 27) ao discorrer sobre as características da contabilidade de custos que são semelhantes às da contabilidade geral: “a contabilidade de custos é um instrumento disponível poderoso porque utiliza, em seu desen- volvimento os princípios, os critérios e os procedimentos fundamentais da ciência contábil”. O princípio da competência, também conhecido como regime de competência, orienta que as receitas e despesas deverão ser reconheci- das pela contabilidade (registradas nas contas contábeis de resultado) quando seus respectivos fatos geradores ocorrerem. Sendo assim, de acordo com esse enunciado (obrigatório para todas as entidades), as receitas serão reconhecidas como tal quando houver a transferência de propriedade dos bens aos adquirentes ou prestadores (no todo ou em parte) de serviços, e as despesas serão contabilizadas quando hou- ver o consumo dos recursos. Desse modo, independentemente de te- rem sido recebidos (receitas) ou pa- gos (despesas), esses elementos devem ser registrados no período a que pertencem ou competem. Portanto, a observância desses enunciados pela contabilidade é determinante para que se saiba qual a contabilização correta dos custos e em queperíodo deve ocor- rer esse reconhecimento contábil. Para relembrar o custeio por absorção, observe o esquema da Figura 1 ao lado. Atividade 1 Explique qual a principal carac- terística do custeio por absorção e qual a sua finalidade. Gastos = Recursos consumidos Figura 1 Custeio por absorção DRE Custos Estoques Vendas Diretos Receita Indiretos CPV Rateios Despesas Fonte: Elaborada pelo autor. 26 Contabilidade de Custos Vale lembrar que o roteiro compreende a separação clara entre des- pesas e custos, sendo que despesas serão reconhecidas diretamente no resultado do período e os custos serão separados em diretos e in- diretos. Os diretos serão direcionados às unidades a que pertencem e os indiretos serão alocados após os rateios. Pronto! Os custos estão contabilizados e, até serem vendidos, ficarão nos estoques, no ativo circulante. Após a venda, o valor do estoque baixado comporá o Custo do Produto Vendido (CPV), sendo confrontado na Demonstração do Re- sultado do Exercício com a receita de venda. É relevante destacar que na atividade de serviços o roteiro é prati- camente o mesmo, com a diferença de que nessa atividade não há a etapa relativa aos estoques. Esse roteiro, que Martins (2003) denomina de esquema básico da contabilidade de custos, deve ser observado sempre que tratamos do custeio por absorção e retrata, de certa forma, o fluxo que ocorre na fabricação do produto ou prestação do serviço. 2.3 Estoques e inventário Vídeo O planejamento e controle dos estoques é uma atividade fundamental na racionalização no uso dos recursos por parte de qualquer empresa. Os estoques são ativos relevantes e merecem um tratamento rigoroso no que diz respeito ao seu controle e à sua movimentação. Para isso, existem os métodos de controle de estoques, também conhecidos como tipos de in- ventários, utilizados para podermos efetuar as entradas e as baixas desses itens dos controles contábeis e elaborar fichas de estoques. 2.3.1 Controle de estoques Os valores investidos pelas empresas na aquisição de estoques, seja na atividade industrial ou na atividade comercial, representam montan- tes relevantes. Assim, possíveis erros no planejamento e controle desses itens podem resultar em perdas financeiras consideráveis. Ribeiro (2009, p. 119) leciona que “os inventários de matérias-primas, bem como dos demais materiais que serão aplicados no processo de fabricação, além dos inventários dos produtos em elaboração, são indispensáveis para que a empresa industrial possa apurar o custo de fabricação de seus produtos”. É fundamental, então, que a gestão da empresa compreenda No livro Contabilidade de custos, o professor Eliseu Martins faz uma expli- cação bastante didática sobre o esquema básico da contabilidade de custos. Vale a leitura! MARTINS, E. São Paulo: Atlas, 2003. Livro Atividade 2 Em relação ao esquema básico da contabilidade de custos, um dos seus principais proce- dimentos é a separação entre despesa e custo. Explique a finalidade dessa separação para efeito de custeamento dos produtos e serviços. Apuração e fluxo na contabilização dos custos 27 a importância de um controle adequado desses ativos, para que o tempo que eles permaneçam no ativo seja o menor possível, ou seja, para que sejam utilizados na produção (no caso de matéria-prima) ou vendidos (produtos acabados) o mais rapidamente. Lembramos também que, na indústria, o valor desses ativos será transferido para o resultado do exer- cício, contabilizando-se como custo das unidades vendidas. O entendimento é relativamente simples: até a baixa por venda, a empresa tem um investimento em um ativo, ao passo que, após a transferência desse ativo ao cliente (pela venda), ela se desfaz do ativo e seu consumo pela venda deve ser reconhecido como custo no mo- mento dessa transferência. O valor a ser atribuído aos itens baixados dependerá do critério utilizado para controle contábil de entradas e saídas dos estoques, ou seja, o tipo de inventário utilizado. 2.3.2 Tipos de inventários Inventário, aqui, refere-se ao controle que a empresa faz para infor- mar a quantidade e o valor dos itens constantes no almoxarifado de matéria-prima (estamos tratando de indústria) e, também, para saber o valor do custo do material direto incorrido no período, que será soma- do ao custo da mão de obra direta, e os custos indiretos de fabricação, que formarão o custo total de produção de determinado período. 2.3.2.1 Inventário periódico No inventário (controle) periódico, a empresa não faz registros a cada entrada e saída de itens do almoxarifado; portanto, quando ne- cessita apurar o valor do custo do material direto (CMD) utilizado na produção, ela tem que efetuar um inventário do estoque, averiguando os saldos iniciais e finais e contemplando o valor das compras efetua- das no período, de acordo com a seguinte fórmula: CMD = EI (Estoque Inicial) + Compras – EF (Estoque Final) Primeiramente, apura-se o valor do estoque inicial (que era o esto- que final do período anterior), somando-se o valor das compras efetua- das no período (utilizando-se das notas fiscais de entrada). A soma do valor do estoque inicial mais as compras resulta no valor dos itens dis- poníveis para serem utilizados na produção do período (mês, trimestre 28 Contabilidade de Custos ou ano). Após a dedução do valor dos itens que ainda permanecem no estoque (estoque final), temos o valor das unidades baixadas para produção no período (CMD). É um método pouco utilizado atualmente, porque a maioria das em- presas já possui sistemas integrados de controle de estoque, o que lhes permite saber o custo das unidades de material direto no momento da transferência para o setor de fabricação. 2.3.2.2 Inventário permanente No controle permanente de estoque, a empresa possui um sistema que lhe permite verificar e controlar cada unidade adquirida e baixada do almoxarifado. Se esse sistema estiver integrado à contabilidade de custos, será melhor, porque a cada movimentação gerada nos itens ha- verá a contabilização concomitante nas contas contábeis do ativo (esto- que) e no custo de material direto (custo de produção). Vimos que, em relação ao controle de entrada e saída da matéria-prima do estoque e, consequentemente, à transferência do seu valor para o custo de produção, temos a possibilidade da utilização de dois métodos. Porém, surge uma pergunta: que valor deve ser atribuído a cada unidade de mate- rial direto requisitado no almoxarifado? A pergunta é pertinente porque a cada compra de matéria-prima o custo dela normalmente varia, e quando a produção requisita esse material é necessário saber qual o valor de cada unidade baixada do estoque para a produção. Há alguns critérios para en- tendermos como devemos responder a essa pergunta, os quais serão des- tacados a seguir. 2.3.3 Métodos de avaliação dos estoques quando da baixa das matérias-primas para uso na produção do período Com relação ao valor atribuído às unidades adquiridas não have- rá dificuldades, pois esse será extraído das notas fiscais de compras. O problema é com relação ao valor que será atribuído a cada unidade baixada (requisitada pela produção), pois a empresa adquire quantida- des diferentes de cada item específico, em datas diversas e por valo- res diferentes. Nesses casos, podemos utilizar um dos vários métodos existentes, tais como os que veremos a seguir. Atividade 3 Em relação ao controle de esto- que de matéria-prima, explique a característica principal do mé- todo de controle denominado inventário permanente. Apuração e fluxo na contabilização dos custos 29 2.3.3.1 Preço específico Nesse caso, é preciso valorizar cada unidade adquirida para o es- toque pelo preço efetivamente pago por cada item de um determina- do produto. Esse método somente poderá ser utilizado quando for possível fazer tal determinação do preço específico de cada unidade em estoque, mediante identificação física desse material. Com efeito,é facilmente identificável o item que está sendo baixado, bem como não há muita dificuldade para identificar e atribuir o valor do custo de entrada. 2.3.3.2 PEPS – Primeiro que Entra, Primeiro que Sai Nesse critério, o valor de custo que será atribuído a cada unidade baixada será relativo ao das primeiras unidades adquiridas. Veja que o método não se refere à ordem física de baixa (a unidade entregue ao cliente será aquela escolhida por ele), mas sim ao valor que será atri- buído às unidades baixadas. À medida que ocorrerem as requisições, será dada baixa tomando como referência o valor das primeiras com- pras efetivadas. Como resultado, o estoque ficará sempre avaliado aos custos das aquisições mais distantes. 2.3.3.3 UEPS – Último que Entra, Primeiro que Sai Esse critério é inverso ao PEPS, pois a baixa dos estoques se dará pelo valor das últimas unidades adquiridas; portanto, podemos con- cluir que, em uma economia com algum nível de inflação, o custo de produção compreenderá um valor maior do que o do critério anterior, permanecendo no estoque o valor das primeiras unidades adquiri- das. Esse método não é aceito no Brasil para efeitos fiscais (a legisla- ção do Imposto de Renda proíbe sua utilização), pois resulta em um lucro menor, porém nada impede que seja feito um controle paralelo para fins gerenciais. 2.3.3.4 MPM – Média Ponderada Móvel Segundo esse critério, o valor a ser atribuído às unidades baixadas do estoque para a produção será uma média entre o saldo final em reais dividido pelo saldo físico de estoque. Esse método é o mais utiliza- do no Brasil para avaliação dos estoques, pois evita controle de custos 30 Contabilidade de Custos por lotes de compras (como nos casos dos métodos PEPS e UEPS), po- rém exige um cuidado maior no cálculo do custo médio a cada entrada de matéria-prima. 2.3.3.5 Comparação entre os métodos Para facilitar a compreensão da influência dos três métodos no va- lor do custo de produção e do estoque final de matéria-prima sobre o balanço patrimonial, será utilizado um exemplo de uma empresa que efetuou as seguintes operações de compras e requisições: 01/ 11 01/ 11 Adquire 300 unidades de determinada matéria-prima a um custo total de R$ 6.000,00. 01/ 11 04/ 11 Adquire mais 400 unidades do mesmo material direto a um valor total de R$ 8.800,00. 01/ 11 06/ 11 Baixa 350 unidades para serem utilizadas na fabricação de um determinado produto. Vamos analisar, nas tabelas a seguir, os efeitos, tanto no custo quanto no valor dos estoques finais, dos métodos de controle de es- toques estudados. No exemplo, destacam-se o método PEPS (o custo a ser atribuído às unidades baixas é relativo ao valor das primeiras entradas), o método UEPS (que considera o valor pago pelas últimas compras para atribuição de valor às unidades baixadas) e o MPM (que considera uma média e geralmente é um valor intermediário entre os dois métodos anteriores). Apuração e fluxo na contabilização dos custos 31 Tabela 1 Método PEPS Critério: Primeiro que Entra, Primeiro que Sai – PEPS Dia Entrada Saída Saldo – estoque final Qte C. unitário Total Qte C. unitário Total Qte C. unitário Total 1/jun. 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 4/jun. 400 R$ 22,00 R$ 8.800,00 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 400 R$ 22,00 R$ 8.800,00 6/jun. 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 zero 50 R$ 22,00 R$ 1.100,00 350 R$ 22,00 R$ 7.700,00 Custo da matéria-prima R$ 7.100,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observe que as baixas foram efetuadas buscando o valor das pri- meiras entradas a custo unitário de R$20,00 – nesse caso, permanecem no estoque os itens relativos às últimas entradas. Tabela 2 Método UEPS Critério: Último que Entra, Primeiro que Sai – UEPS Dia Entrada Saída Saldo – estoque final Qte C. unitário Total Qte C. unitário Total Qte C. unitário Total 1/jun. 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 4/jun. 400 R$ 22,00 R$ 8.800,00 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 400 R$ 22,00 R$ 8.800,00 6/jun. 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 350 R$ 22,00 R$ 7.700,00 50 R$ 22,00 R$ 1.100,00 Custo da matéria-prima R$ 7.700,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Na Tabela 2, as baixas foram efetuadas atribuindo aos itens o valor das últimas entradas a um custo unitário de R$ 22,00 (houve um au- mento de preço entre uma compra e outra). Nesse caso, permanecem no estoque os itens relativos às primeiras entradas. 32 Contabilidade de Custos Tabela 3 Método MPM Critério: Média Ponderada Móvel – MPM Dia Entrada Saída Saldo – estoque final Qte C. unitário Total Qte C. unitário Total Qte C. unitário Total 1/jun. 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 300 R$ 20,00 R$ 6.000,00 4/jun. 400 R$ 22,00 R$ 8.800,00 700 R$ 21,00 R$ 14.800,00 6/jun. 350 R$ 21,00 R$ 7.400,00 350 R$ 21,00 R$ 7.400,00 Custo da matéria-prima R$ 7.400,00 Fonte: Elaborada pelo autor. A MPM é o critério mais utilizado, pois considera a média do custo entre o saldo atual do estoque e o valor das compras (entradas), não sendo necessário um controle por lote de compras, como exigido nos métodos anteriores. Tabela 4 Comparação entre os métodos PEPS UEPS MPM Estoque final R$ 7.700,00 R$ 7.100,00 R$ 7.400,00 Custo da matéria-prima consumida R$ 7.100,00 R$ 7.700,00 R$ 7.400,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Comparando o efeito no ativo com o efeito no custo de produção, podemos inferir que em uma situação de leve aumento no preço dos materiais diretos teríamos: PEPS – estoque final maior – CPV menor – lucro maior. UEPS – estoque final menor – CPV maior – lucro menor. MPM – pelo próprio conceito, os valores são representativos de uma média entre aqueles gerados pelos outros dois métodos. Nesse exemplo, foi considerado que toda a produção foi vendida no período, por isso o custo da matéria foi incorporado ao Custo do Produto Acabado (CPA) e, posteriormente, transformado em Custo do Produto Vendido. Apuração e fluxo na contabilização dos custos 33 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, você compreendeu a importância da correta identificação dos custos para a apropriação às unidades produzidas e vendidas no mês. Entretanto, essa alocação dependerá do método de custeio adotado pela empresa. Também vimos o custeio por absorção, método que recebe algu- mas críticas por não contemplar características de um custeio gerencial. Mas, para isso, temos o custo direto ou variável. O custeio por absorção é útil para que possamos alocar às unidades produzidas todos os custos que sejam di- retos ou indiretos. O custo de produção, formado pelo material direto, pela mão de obra direta e por custos indiretos de fabricação, é um dos valores mais rele- vantes para a formação do resultado empresarial. Seu cálculo deve ser feito com muito critério e cuidado, para que expresse da melhor forma possível todos os recursos consumidos, que devem ser apropriados aos itens produzidos em certo período, independentemente da sua natureza ou relação com as unidades produzidas. REFERÊNCIAS HORNGREN, C. T.; FOSTER, G.; DATAR, S. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Pearson, 2004. LEONE, G. S. G. Curso de contabilidade de custos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. MARTINS, E. Contabilidade de custos: livro-texto. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos. São Paulo: Saraiva, 2009. GABARITO 1. No custeio por absorção, todos os recursos consumidos de forma direta ou indireta para fabricação dos produtos ou prestação dos serviços são “absorvidos” pelas unidades produzidas ou pelos serviços executados. São acumulados nos estoques e, depois da venda, irão compor o custo dos produtos vendidos ou serviços prestados. Portanto, a finalidade desse método de custeio é proporcionar o cálculo e apropriação dos custos conforme sua relação direta ou indireta com as unidades produzidas, servindo também como critério fiscal na tributação do lucro empresarial. 2. A separação se faz necessária porque importa calcular e acumular nos produtos e serviços somente os recursos cujo consumo é fundamental para aprodução. As despesas não são necessárias para a fabricação do produto, mas sim para a execução das atividades administrativas e comerciais da empresa, e serão contabilizadas diretamente no resultado. 3. No inventário permanente, a empresa faz o controle sistêmico e contábil das unidades adquiridas e baixadas de estoque a cada movimento de entrada e saída. 34 Contabilidade de Custos Ao estudarmos os custos que compõem a estrutura de gastos de uma determinada atividade, é necessário que conheçamos, além dos conceitos fundamentais inerentes a eles, também algumas possibilidades de classificações a que podem ser submetidos. Essas classificações levam em conta alguns aspectos, como a relação do recurso que está sendo consumido com o volume do produto produzido ou do serviço prestado e, neste caso, o custo será fixo ou variável. Podemos também classificá-lo conforme sua identificação com a unidade de produto ou serviço objeto do custeio e, neste caso, dizemos que o custo é direto ou indireto. Essas classificações são relevantes, pois favorecem a análise do impacto do custo no resultado do empreendimento, conforme destaca Leone (2000, p. 48) ao afirmar que “a contabilidade de custos olha os custos de maneira diferente para produzir informações diferentes que atendam a necessidades gerenciais diferentes”. É com este objetivo que os conceitos serão destacados nesta unidade, de forma que se possa compreendê-los e melhor analisá-los em situações concretas. Classificação dos custos 3 3.1 Custos diretos e indiretos Vídeo A primeira classificação que será estudada é aquela que avalia e aplica os conceitos de custos conforme sua identificação com cada unidade de produto fabricado ou de serviço prestado. Sim, pois uma gestão de custos eficaz deve estar alinhada com a gestão estratégica, ou seja, aquela que proporciona um planejamento e controle desses gastos necessários para se produzir um produto ou prestar um serviço, exigindo do gestor um bom conhecimento de diversos conceitos que estão atrelados aos custos. Classificação dos custos 35 O alinhamento com a gestão estratégica se dá quando a empresa utiliza a análise e o controle dos custos para se posicionar quanto a pre- ços, custos e quantidades com que vai operar seu negócio no futuro. Essas informações oriundas da contabilidade de custos são essenciais para o planejamento estratégico do negócio. Vale observar o que en- sinam Horngren, Foster e Datar (2004, p. 17) ao afirmarem que “a con- tabilidade de custos mede e relata as informações financeiras e outras informações relativas à aquisição ou ao consumo dos recursos de uma organização. A contabilidade de custos proporciona informações para a contabilidade gerencial e a contabilidade financeira”. Os autores ressaltam as vantagens de uma adequada contabilidade de custo fornecendo diversas informações relevantes para a gestão da empresa, por exemplo, como é essencial conhecer os diversos tipos de gastos da empresa, que são de diversas naturezas e atendem a vários processos de transformação desses recursos em produtos e serviços finais. Caso deseje ser moderna e competitiva, a gestão empresarial precisa de uma análise de todos os custos cotidianamente. Uma adequada gestão de custos exige que tratemos esses gastos conforme suas naturezas, o que facilitará a sua gestão, apuração e pos- terior análise e tomada de decisões econômicas. O sistema de custeio e a natureza dos custos permitem que possa- mos classificá-los conforme diversos aspectos, como: • Classificação dos custos quanto à relação deles com os volumes produzidos, tanto de produtos como de serviços. Neste critério de classificação eles podem ser fixos ou variáveis. • Classificação dos custos quanto à sua identificação em cada uni- dade de produto ou serviço executado. Por esse critério eles se- rão qualificados como diretos ou indiretos. Conhecer a identidade dos custos é muito importante, pois se constitui no primeiro conhecimento necessário para análise e acom- panhamento destes recursos na gestão da empresa. É o conceito de apropriação de custos, que para Horngren, Foster e Datar (2004, p. 26) “é um termo geral que engloba o rastreamento de custos acumulados que têm um relacionamento direto com um objeto de custo e a apro- priação de custos acumulados que têm um relacionamento indireto com o objeto de custo”. Mas o que compreende o “objeto de custo”? Leia o capítulo 2, da página 24 a 27 do livro Contabilidade de custos, de Eliseu Martins. O livro do professor Martins é um dos primeiros que aborda de forma concei- tual e técnica o roteiro natural da contabilidade de custos, vale dizer, da apuração e contabilização dos custos dos produtos e serviços. Vale a leitura! MARTINS, E. São Paulo: Atlas, 2003. Livro 36 Contabilidade de Custos Esse é o elemento mais importante, pois será aquele item ao qual serão imputados os recursos consumidos de forma direta ou indireta na sua produção. Veja graficamente como se dá essa alocação dos custos diretos e indiretos, valendo-nos, mais uma vez, de um exemplo de Horngren. Figura 1 Alocação dos custos diretos e indiretos Apropriação de custos Tipo de Custo Custos indiretos Exemplo: Aluguel do prédio sede da revista Rastream ento de custos Custos diretos Exemplo: Papel para impressão de uma revista Apropriação do Custo Objeto de Custo Exemplo: A revista que é impressa Fonte: Horngren, Foster, Datar (2004, p. 27) A Figura 1 ilustra com precisão a classificação entre direto e indireto e sua necessidade para que se possa direcionar o recurso consumido da forma mais objetiva e correta possível, sempre levando em conta o objeto de custo. Agora vamos aos conceitos de custo direto e indireto. 3.1.1 Custos diretos Chamamos de diretos aqueles custos que podem ser alocados dire- ta e objetivamente aos produtos fabricados ou que estão relacionados diretamente com a execução de um serviço. Por exemplo, a matéria prima utilizada em cada unidade é um custo direto, pois está relacionada diretamente com cada unidade produzida, assim como a mão de obra direta. Exemplo em serviços: gastos com comissões. A característica fundamental do custo direto é sua facilidade na atri- buição ao objeto de custo, pois há uma relação direta entre o recurso consumido e a unidade produzida ou o serviço prestado. Com relação ao custo direto, portanto, não deve haver dificuldades na mensuração Classificação dos custos 37 de sua quantidade em moeda e em outra medida (tempo, quantidade de material etc.) para que seja identificado e alocado ao respectivo objeto de custo. É o que ocorre, por exemplo, com a matéria-prima e outros materiais diretos que fazem parte da estrutura de um produto, como os parafusos na fabricação de um móvel de cozinha. A mão de obra direta é outro elemento de custo que pode ser facilmente identificado em cada unidade ou objeto de custo, como a mão de obra executada pelo operador na fabricação do móvel de cozinha. O tempo que ele trabalhou na confecção do móvel pode ser mensurado e alocado dire- tamente no custo do objeto, de forma direta e objetiva. Ribeiro (2009) destaca como exemplo de custo direto os gastos com materiais, mão- -de-obra e gastos gerais de fabricação aplicados diretamente na fabri- cação dos produtos. Embora o autor não faça referência aos serviços nesta atividade, também é necessário e possível separar os custos diretos dos indiretos. Veja graficamente: Figura 2 Separação dos custos diretos e indiretos e seus reflexos nos produtos Custos Produto B Produto A Produto C Despesas Resultado Vendas Indiretos Diretos Rateio Estoque Custo dos produtos vendidos Fonte: Martins; Rocha, 2006. p. 57 38 Contabilidade de Custos Compreendido o conceito de custo direto, vamos verificar agora o conceito e outros aspectos relevantes dos custos indiretos. 3.1.2 Custos indiretos Os custos indiretos são aqueles gastos relacionados com atividade industrial que não podem seralocados diretamente ou de forma ob- jetiva aos produtos fabricados, necessitando, para isso, de um rateio. Não se referem a apenas uma unidade, mas sim a todos os itens produzidos em um dado período. Por exemplo, o aluguel da fábrica, a energia elétrica referente à fábrica, o salário do supervisor etc. Vamos relembrar de forma gráfica: Figura 3 Separação do custo direto e indireto Custo Identificação direta e específica com a unidade produzida Identificação com toda a área industrial Custo direto Custo indireto Mão de obra direta; matéria-prima Energia elétrica; depreciação; aluguel etc. Fonte: Elaborada pelo autor. Os custos indiretos referem-se ao consumo de recursos que es- tão vinculados à toda a estrutura fabril da empresa e não somente a um produto ou serviço específico. Neste caso, já se percebe que sua alocação às unidades produzidas não se dará de forma tão objetiva e clara como no caso dos custos diretos. Com relação a esses custos, Ribeiro (2009, p. 33) leciona que Classificação dos custos 39 compreendem os gastos com materiais, mão-de-obra e gastos ge- rais de fabricação aplicados indiretamente na fabricação dos pro- dutos. São assim denominados porque, além de não integrarem os produtos, é impossível uma segura identificação de suas quan- tidades e de seus valores em relação a cada produto fabricado. Veja que o autor destaca que a impossibilidade de alocação dire- ta está relacionada à insegurança com relação aos valores que se- rão alocados, pois, normalmente, não se tem certeza se o critério a ser utilizado para essa distribuição tem realmente a força de medir a exata quantidade de recurso consumido. Ribeiro (2009, p. 33) afirma que “a impossibilidade de identificação desses gastos em relação aos produtos ocorre porque beneficiam a fabricação de vários produtos ao mesmo tempo”. Por exemplo, o gasto com energia elétrica da fá- brica compreende a energia total consumida para iluminação e força e, neste caso, é muito difícil, para não se dizer impossível, sabermos exatamente quanto de energia elétrica foi utilizada para produzir cada unidade de produto. A característica que destaca o custo indireto em relação aos gas- tos diretos é sua dificuldade de identificação com um produto ou serviço específico, pois esses custos referem-se a recursos consumi- dos por um departamento ou por toda a fábrica. Sendo, portanto, sua relação indireta com os itens fabricados. É o caso, por exemplo, do aluguel pago pela locação do espaço fabril ou os salários e encar- gos do pessoal da manutenção, diretoria da fábrica, ferramentaria e outros setores que prestam serviços a todos os produtos produzi- dos ou serviços prestados. Podemos considerar que a maioria dos recursos consumidos na fabricação são indiretos, porém não necessariamente representam o maior valor entre estes e os custos diretos. Mas então o que fazer para alocar esses custos aos produtos fabri- cados e serviços prestados? Para os custos indiretos se utiliza o rateio, que é um critério de distribuição de custos conforme alguns parâme- tros estabelecidos pelas empresas. 40 Contabilidade de Custos 3.2 Custos fixos e variáveis Vídeo Vamos agora aprimorar um pouco mais nosso conhecimento dos custos e sua relação com o volume produzido. Nestes casos, os custos serão classificados como fixos ou variáveis, conforme seja seu compor- tamento em relação aos aumentos e reduções no volume de atividade. É importante esclarecer que quando fazemos a separação dos custos em direto e indireto, estamos nos utilizando de uma classificação im- portante para a contabilidade financeira avaliar os estoques e apurar o resultado contábil do período. Já a classificação em fixo e variável é fundamental para a contabilidade gerencial verificar a variabilidade do resultado empresarial em relação às diferentes taxas de ocupação da estrutura da fábrica ou, melhor dizendo, à sua capacidade instalada. 3.2.1 Custos fixos Dizemos fixo quando o recurso consumido se mantém estável a despeito de alterações que ocorram na quantidade de produtos pro- duzidos. Ou seja, são os custos representados por todos os recursos (mão de obra indireta, aluguel da fábrica, materiais indiretos etc.) que serão consumidos pela produção, independentemente de haver pro- dução de unidades ou não no período. Se aplicam, claro, também às atividades de serviços. Então podemos considerar como fixo aquele custo cujo valor se mantém constante mesmo que a empresa aumente ou diminua sua produção ou prestação de serviços. Vamos imaginar uma escola em que determinado curso comporte uma capacidade de 50 alunos em sala. Te- remos custo com o professor, materiais de apoio, energia elétrica e ou- tros gastos fixos independentemente do número de alunos ser 1 ou 50. Embora exista a possibilidade da classificação de gastos como cus- tos fixos, é importante salientar que qualquer custo está sujeito a mu- danças. No entanto, aqueles que tendem a manter-se constantes em possíveis alterações do volume das atividades operacionais são consi- derados custos fixos. Estes custos e despesas são necessários para a manutenção do nível mínimo de atividade operacional, e, por isso, são denominados custos da capacidade instalada. Atividade 1 Qual é a finalidade da classi- ficação dos custos em fixos e variáveis? Classificação dos custos 41 Os custos serão fixos considerando um intervalo de produção, ou seja, uma dada capacidade instalada, pois se a empresa precisar au- mentar sua capacidade, aumentará esses custos até o limite do aumen- to da capacidade. Vejamos, por exemplo, no caso de uma empresa que tem capacidade para produzir e vender 100.000 unidades de determi- nado produto e esta estrutura tem um custo fixo de R$ 1.000.000,00. Perceba que essa empresa poderá produzir e vender até o limite de sua capacidade total (100.000 unidades) gastando o mesmo valor em relação à energia elétrica, depreciação, salários indiretos, aluguel da fábrica etc. Porém, se resolver aumentar sua capacidade instalada para 120.000 unidades, terá maiores gastos com os elementos de custos in- dicados anteriormente. Daí se conclui que o custo é fíxo dentro de de- terminado intervalo de produção. É muito importante destacar que o custo fixo poderá até apresentar certas variações, porém essas oscilações não serão em proporção di- reta com as variações de volume a ponto de torná-los custos variáveis. Vejamos, por exemplo, o custo com o aluguel de um galpão que uma industria contrata para executar sua atividade de produção de ventiladores. O gasto com aluguel poderá aumentar todos os meses, porém, mais uma vez destacamos: essa variabilidade no valor mone- tário do aluguel não o torna um custo variável, pois seu aumento não decorre das variações na quantidade produzida e vendida ou do ser- viço prestado. Aqui é importante uma explicação interessante sobre o comportamento do custo fixo. Esses gastos são fixos quando relacio- nados com as flutuações no volume de produção, porém são variáveis em cada unidade produzida. Como assim? Vamos ver um exemplo para esclarecer melhor. Imagine uma fábrica de armários que tem um custo fixo de R$ 10.000,00 e produz 1.000 unidades desse produto. Vamos considerar que a empresa tem uma capacidade instalada para produzir 2.000 ar- mários. Nesse caso, você percebe que a empresa está trabalhando com ociosidade, certo? Até o limite de 2.000 unidades ela poderá produzir sem aumentar os custos fixos. Mas e o comportamento desses custos em cada unidade produzida? Veja que produzindo apenas 1.000 uni- dades, cada uma delas vai assumir R$ 10,00 de custo fixo unitário (R$ 10.000,00 dividido por 1.000 unidades). Entretanto, quando produzir 2.000 unidades seu custo fixo unitário será de R$ 5,00 (custo fixo to- tal de R$10.000,00 dividido por 2.000 unidades). A isso chamamos de O livro Curso de conta- bilidade de custos, do professor Guerra Leone, aborda tanto os concei- tos contábeis tradicionais de custos, como custo diretoe indireto, departa- mentalização, custos fixos e variáveis, como trata de forma profunda e objetiva as noções fundamen- tais do custeamento variável, muito útil nas decisões econômicas que envolvem custo. Leia e aproveite! LEONE, G. S. G. São Paulo: Atlas, 2009. Livro 42 Contabilidade de Custos ganho de escala. Conclusão: em cada unidade produzida, o custo fixo é variável, pois quanto maior a produção menor a proporção de custo fixo em cada unidade. 3.2.2 Custos variáveis Vamos estudar agora os custos variáveis. Esses custos variam pro- porcionalmente com a produção e/ou com as vendas. São, portanto, valores aplicados que têm o seu crescimento ou decréscimo dependen- te do volume produzido e/ou vendido. Os custos variáveis são aqueles cujo comportamento é diretamente proporcional às variações no volume de atividades da empresa. Quan- to maior o volume de produtos e mercadorias vendidas ou de serviços prestados, maior o valor incorrido pela empresa com os custos e as despesas variáveis. Em uma indústria, podemos ver o comportamento da matéria-prima ou material direto aplicado no produto. Se para pro- duzir um automóvel utiliza-se um motor, quanto maior for a produção deste item, maior será o gasto com motores. O custo variável afeta di- retamente o custo total, porém é fixo em cada unidade produzida. Graficamente podemos representar os custos variáveis e fixos e seus respectivos comportamentos da seguinte forma: Figura 4 Comportamento dos custos fixos e variáveis Padrões de comportamento de custos Objeto de custo: veículo Custo fixo Salário do supervisor na linha de montagem Custo variável Pneus usados na montagem do automóvel Varia conforme a produção dos veículos Mantém-se estável nas variações da produção Comportamento dos custos Fonte: Horngren, Foster, Datar (2004, p. 32) Classificação dos custos 43 A compreensão sobre os comportamentos dos gastos considerados como custos em relação aos volumes de produção e vendas é uma das atribuições mais importantes dos gestores e dos proprietários de negó- cios, os quais tomam decisões como redução ou aumento de capacidade de produção, retirada de um produto ou serviço de linha, atendimen- to ou não de pedidos especiais de clientes, entre outras que requeiram uma verificação do impacto dos custos na decisão a ser tomada. Atividade 2 Em vista do que você estudou, podemos afirmar que todo custo direto é variável? Funda- mente sua resposta. 3.3 Custos primários e secundários Vídeo A classificação como custo primário ou secundário (de transfor- mação) está vinculada à função do elemento de custo na produção do produto. Horngren, Foster e Datar (2004, p. 37) afirmam que “dois termos usados para descrever classificações de custos em sistemas de custeio de produção são os custos primários e custos de conversão”. Custo de conversão é sinônimo de custo de transformação. Nesse sen- tido, a classificação como um ou outro conceito vincula-se à participa- ção do recurso na fabricação do item ou na prestação do serviço. 3.3.1 Custos primários São os recursos relativos a custos com o material ainda em estado bruto, antes de sua transformação em um produto ou em um com- ponente que será utilizado no produto. Dizemos primário porque o recurso está em seu estado original (uma peça ou componente, por exemplo) e será transformado em produto quando os demais recur- sos (de transformação) forem utilizados no sistema produtivo. Hor- ngren, Foster e Datar (2004) ensinam que os custos primários são todos os custos diretos de fabricação. Atualmente, a alta tecnologia de produção utilizada pelas indústrias tem permitido que a transformação do material direto em produto acabado seja realizada com menor proporção de custo direto (mão de obra direta) e com maior proporção do custo de depreciação, ou seja, a conversão da matéria-prima em produto acabado é objeto de maior participação da tecnologia do que a intervenção humana. Veja que o propósito das organizações é a racionalização dos custos reduzindo os custos de transformação, o que melhora a rentabilidade do produto. 44 Contabilidade de Custos 3.3.2 Custos secundários ou custos de transformação São os custos utilizados para transformar o custo primário (mate- rial direto ou matéria-prima) em um componente ou em um produ- to pronto para venda. Horngren (2004, p. 38) comenta que “custos de conversão são todos os custos de produção incorridos para converter materiais diretos em produtos acabados”. Na verdade, deve-se desta- car o papel e a importância também de um controle adequado sobre o montante de custo de conversão, pois quanto mais baixo seu valor (mantendo sempre a qualidade dos produtos), maiores serão os ga- nhos de eficiência na fabricação do produto e maiores as rentabilida- des obtidas. Graficamente podemos compreender melhor: Figura 5 Custos primários e de conversão Gastos gerais de fabricação e mão de obra direta Material direto ou Matéria-prima Produto acabado Custos primários Custos de conversão Fonte: Elaborada pelo autor Martins (2003, p. 51) destaca que os custos de transformação re- presentam “o valor do esforço da empresa no processo de elabora- ção de um determinado item”. É fundamental o conhecimento desses conceitos pela contabilidade de custos e pela alta gestão da empresa, pois proporcionará o acompanhamento cotidiano visando seu ade- quado controle. CONSIDERAÇÕES FINAIS As classificações relativas aos custos estudadas neste capítulo têm sua relevância a depender do interesse do usuário da informação contábil e de custo ou do gestor que fará a tomada de decisão utilizando-se dos relatórios de custos. Atividade 3 Qual a finalidade dos custos de transformação? Classificação dos custos 45 Neste sentido, é importante para o leitor saber as principais classifi- cações, pois elas ajudarão no seu dia a dia na condução e na análise dos negócios. Afinal, compreender o conceito de custo fixo e custo variável e sua relação com os volumes de produtos fabricados ou serviços presta- dos é condição essencial para uma compreensão do conceito de custeio gerencial. Igualmente, a compreensão dos conceitos atinentes a custo di- reto e indireto é necessária e útil nos casos em que se necessite saber a alocação ou não de determinado custo a certo objeto. Enfim, o domínio desses conceitos é extremamente relevante para o aprimoramento do conhecimento de custos para todos aqueles envol- vidos com o estudo, a análise, o controle e o planejamento empresarial. REFERÊNCIAS MARTINS, E. Contabilidade de custos: Livro texto. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MARTINS, E.; ROCHA, W. Contabilidade de custos: livro de exercícios. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2006. HORNGREN, C. T.; FOSTER, G. DATAR, S. Contabilidade de custos. Vol.1. 11.Ed. São Paulo: Pearson, 2004. LEONE, G. S. G. Curso de contabilidade de custos. Livro de exercícios. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos. São Paulo: Saraiva, 2009. GABARITO 1. A classificação dos fatores de produção em fixos e variáveis é essencial para podermos estudar o comportamento desses custos em relação às variações do volume do produto ou serviço executado no período. 2. Tendo em vista a natureza e as características dos elementos classificados como custos diretos e variáveis, podemos afirmar que nem todos os diretos possuem a característica de variabilidade em relação ao volume produzido. É o caso da mão de obra direta, que é um custo direto, mas também é fixo, sendo ilustrativo dessa afirmativa. 3. Os custos de transformação, representados pela mão de obra direta e gastos gerais de produção, tem como finalidade “transformar” um componente, material direto (matéria-prima) em um produto acabado. Veja que a mão de obra direta e a energia elétrica (para citar apenas dois exemplos) são recursos consumidos para fazer da matéria-prima (custo primário) um elemento acabado e pronto para ser vendido. 46 Contabilidade de Custos Neste capítulo,você terá contato com um dos conceitos mais importantes para a contabilidade de custos, a departamentaliza- ção. Essa técnica é essencial para adequado controle, mensura- ção e alocação dos custos. Ela promove a divisão da empresa em partes, que podem ser setores, seções, diretorias e outras, e que devem ser identificadas (codificadas) pelo sistema de contabilidade. A importância da departamentalização para o controle de cus- tos é verificada pela possibilidade que os gestores têm, por meio dela, de saber o quanto se consumiu de recursos, não só pela na- tureza destes, mas também pelo local (departamento) onde foram consumidos. Como podemos saber o quanto de custo deve ser alocado a cada departamento? A resposta a essa pergunta será dada de acordo com os critérios de mensuração dos custos que serão distribuídos para cada departamento. Os rateios nos auxi- liam nessa tarefa. Com a identificação dos departamentos e sua respectiva codificação pelo sistema de informação contábil, preci- samos quantificar os custos que serão alocados direta ou indire- tamente a eles. Genericamente, damos a esses departamentos a denominação de centros de custos. Como a alocação dos custos aos departamentos, produtos e serviços exige a distribuição daqueles recursos consumidos de forma geral pelas áreas e que se constituem em custos comuns a elas, é necessário que se observe o seguinte roteiro: I. identificar os custos; II. identificar os beneficiários (podem ser um departa- mento ou produto, ou qualquer objeto de custeio); III. selecionar um método ou base para relacionar os custos comuns ao objeto de custeio. Departamentalização e rateios dos custos 4 Departamentalização e rateios dos custos 47 4.1 Departamentalização: conceito e objetivo Vídeo Para identificar e, posteriormente, alocar os gastos comuns aos ob- jetos de custeio, seja um produto ou um serviço, precisamos nos utilizar dos centros de custos, que consistem no menor segmento da atividade ou da área de responsabilidade em que são realizados ou executados os trabalhos. Um centro de custo, ou centro de despesa, normalmente é um setor da empresa que executa determinada atividade, como o setor de compras ou o almoxarifado. Ribeiro (2009, p. 333) ensina que “quando os gastos gerados nos departamentos beneficiam a produção, eles são classificados como custos. Por esse motivo, os departamen- tos são também denominados de ‘centros de geração de custos’ ou simplesmente ‘centros de custos’”. A contabilidade de custos atribui a esses centros a responsabilidade pelos recursos consumidos (mão de obra, energia elétrica etc.), de modo que eles assumam os custos gera- dos em sua unidade. A definição de centro de custo como classificação de uma deter- minada área da empresa ocorre quando essa área apenas consome recursos e não gera receitas específicas. O setor de contabilidade de custos, por exemplo, gera o consumo de recursos para prestar seu ser- viço e não gera receita, posto que é uma área prestadora de serviços in- ternos. Centro de custo é o conceito de área de responsabilidade mais comum e representa a menor fração de atividade para a qual é feita a acumulação de custos. Martins e Rocha (2006, p. 72) definem centro de custos como sendo “a unidade mínima de acumulação de custos indiretos de fabricação”. É recomendável que a responsabilidade sobre o volume de recur- sos consumidos no centro de custos seja atribuída ao gestor da área, conforme os custos se classifiquem em controláveis e não controláveis. Pode-se dizer que a longo prazo e no âmbito global da empresa, to- dos os custos são controláveis, ou seja, sempre há um responsável por qualquer custo incorrido em determinado período. Essa distinção clara entre custos controláveis e não controláveis é necessária para que não seja cobrada do gestor da área a responsabilidade referente a custos sobre os quais ele não tenha autoridade para estabelecer seu montante e controle. Um exemplo seria o custo com a mão de obra (que é parte 48 Contabilidade de Custos da política global da empresa, pois se refere à política de remuneração da força de trabalho). Em uma empresa industrial ou de serviços, por exemplo, poderíamos considerar como áreas de apoio o setor de recursos humanos, a tesou- raria, as contas a pagar, entre outras, que, por suas características de geradoras de custos, caracterizam-se facilmente como centro de custos. Mas e a departamentalização? Esse conceito está vinculado direta- mente ao conceito de centro de custos, pois esses centros são definidos exatamente quando a empresa estuda e decide se organizar por área ou departamento e estão ligados ao processo ou roteiro de fabricação e à necessidade de alocar corretamente os custos, sejam os diretos ou os indiretos. Ribeiro (2009) utiliza o conceito de custeio departamental ao se referir à departamentalização, comentando que é um sistema de atribuição de custos indiretos aos produtos por meio de departamen- tos. O autor ainda classifica departamento como sendo as divisões, as seções ou os setores que compõem um estabelecimento comercial, in- dustrial, bancário, prestador de serviços etc. Para Leone (2000, p. 113), “a departamentalização é resultado de um estudo feito pela adminis- tração da empresa, que leva em conta as várias especialidades e as diversas atividades ou funções”. Veja que departamentalizar, portanto, é dividir a empresa em partes conforme as tarefas executadas em cada uma delas. Para complementar seu aprendizado, indicamos a leitura do artigo Análise da departamentalização de uma empresa hospitalar – um estudo de caso, da especialista em controladoria Luciane de Ambrósio Beltrame. No artigo, são destacados diversos conceitos relacionados a custo, com ênfase, porém, para a importância da departamentalização, não só como técnica de organização da atividade, mas também como um atributo, muito necessário, para uma alo- cação de custos indiretos que cause menos distorção no custo dos serviços. Vale uma leitura atenta! Acesso em: 6 mar. 2020. https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/1156/Beltrame_Luciane_Dambrosio.pdf?sequence=3&isAllowed=y Artigo Como os produtos em processo de fabricação passam por diversas fases, e essas fases normalmente estão caracterizadas por setores es- pecializados dentro do processo, torna-se necessária a apuração dos gastos para cada fase do processo de fabricação. Atividade 1 Explique no que se constitui a técnica denominada departamentalização. Departamentalização e rateios dos custos 49 A contabilidade recebe a informação dos gastos dos setores e os acumula por centros de custos, dentro das contas contábeis. Ela recebe os valores relativos à folha de pagamento por setor, obtendo os dados para cálculo do custo horário médio de fabricação por centro de custo. No Quadro 1, a seguir, exemplificamos, por meio de uma planilha modelo, uma forma de apropriação dos custos indiretos. Quadro 1 Modelo de rateio dos custos indiretos Rateio dos custos indiretos Unitários Totais Total Banquetas Cadeiras Mesas Banquetas Cadeiras Mesas Geral Mão de obra indireta Energia elétrica Depreciação Aluguel Fonte: Elaborado pelo autor. Veja que, em relação aos custos indiretos, precisaremos fazer os rateios para sabermos o quanto de custo de energia elétrica, por exem- plo, será apropriado em cada produto fabricado. Como atividade na estrutura organizacional entendemos a menor parte de uma área cuja responsabilidade é executar um serviço ou pro- duzir um produto e que, para atingir esse objetivo, necessita consumir recursos, ou seja, custos. Dessa forma, o conceito de centro de custo pode ser desenvolvido para se obter o conceito de atividade, que irá fa- zer a acumulação dos gastos setoriais, tanto por departamento quanto por atividades dentro do departamento. A estrutura empresarial, majoritariamente, está dividida em departa- mentos fabris e administrativos. Existem departamentos dentro dessa estrutura, como o de recursoshumanos, que exercem atividade tipica- mente administrativa, mas, em função do número de empregados, têm seu esforço operacional voltado mais para a fábrica. 50 Contabilidade de Custos Também é possível que alguns setores ou departamentos da em- presa, em vista de executarem serviços tanto para a área administrativa e comercial quanto para a área industrial, apresentem certa dificulda- de de enquadramento, seja como área industrial ou como área admi- nistrativa, como a contabilidade de custos, uma área da contabilidade financeira. Nesse caso, será necessária uma análise para saber com qual parte da empresa (industrial ou administrativa) essa área se ocupa mais na prestação de seus serviços. No sistema contábil de qualquer entidade, deve-se criar um plano de contas que contemple um código para as contas contábeis e um código para os centros de custo ou despesa. Para Ribeiro (2009, p. 60), “plano de contas é um conjunto de contas, diretrizes e normas que disciplinam as tarefas do setor de contabilidade, objetivando a unifor- mização dos registros contábeis”. Então, vamos pensar em uma conta contábil de número 511.0001 para despesa de alimentação. O código 511.001 identifica o gasto (alimentação) que será classificado na con- ta, porém precisamos identificar a área em que ocorreu o consumo de recursos com despesas com alimentação, então devem ser criados códigos para identificação contábil de cada centro de custo ou centro de despesa. No caso, imaginemos que o centro de custo 11.100 seja aquele que representa o setor de contabilidade. Sendo assim, quando o pessoal da contabilidade consumir recursos com alimentação, será lançada uma despesa na conta 511.001 e no código 11.100. Atualmente, os sistemas de contabilidade existentes no mercado já estão preparados para executar essa dupla classificação, por conta contábil e por centro de custo. A contabilização por centros de custos é feita de forma direta, ou seja, para cada lançamento contábil a ser feito, deve ser identificado o setor a que se refere, seja pela identificação e relaciona mento com um funcionário do setor ou pela identificação e relacionamento com algum outro recurso desse setor. A identificação dos gastos com salários e encargos é feita por meio do número de registro dos funcionários – lotados em cada departa- mento, centro de custos ou setor –, normalmente codificado e constan- te do sistema de folha de pagamento. O sistema de folha de pagamento envia os dados para a contabilidade no formato previamente definido, pois a sua estrutura também deve incorporar as mesmas áreas defini- Departamentalização e rateios dos custos 51 das pela departamentalização; dessa forma, economizamos trabalho administrativo na sua separação. Igualmente, os encargos sociais específicos de cada funcionário são contabilizados também por meio do sistema de folha de pagamento, por centro de custo. Os materiais indiretos são contabilizados pela requisição de mate- riais, no sistema de controle de estoques, por alocação direta, ou seja, o sistema de controle de estoques deve exigir que cada requisição de material tenha a identificação do departamento, centro de custo ou setor, do funcionário ou do equipamento a que se destina o material, para que seja feita a alocação do custo relativo. A grande parte dos gastos gerais também é contabilizada por meio de alocação direta, pois cada lançamento via caixa, banco ou forneci- mento de serviços e materiais exige a identificação do setor, pessoa ou recurso sob o qual incorre a despesa, como as despesas de comunica- ção, viagens, aluguel de equipa mentos, fretes, treinamentos etc. Já os gastos de caráter genérico, como energia elétrica, água, esgoto, aluguéis de imóveis, telefone, correio, licenças e licenciamentos espe- cíficos etc., em muitos casos, quando não utilizados no processo pro- dutivo de algum produto, possibilitam duas formas de contabilização: a. em um único centro de custo; b. com rateio para os principais centros de custos consumidores, por meio de critérios associados à lógica do consumo em cada um dos setores. Para as depreciações, os critérios são similares aos gastos gerais, pois a maior parte delas são identificáveis aos setores em que estão alocados os bens geradores da depreciação. Assim, o controle patrimo- nial dos equipamentos, das máquinas, das instalações etc. pode e deve ser feito por departamento ou setor, sendo a contabilização direta. A depreciação de alguns bens de utilização genérica poderá ser atribuída a um setor ou sofrer um processo de rateio ou distribuição. A departamentalização auxilia muito no esforço da contabilidade em distribuir custos indiretos aos produtos, sendo que essa alocação acontece da seguinte forma: 1. Identificam-se os departamentos e sua respectiva hierarquia no setor de fabricação. 52 Contabilidade de Custos 2. Transferem-se os custos dos departamentos auxiliares para os de produção. 3. Somam-se todos os custos, tanto dos departamentos auxiliares quanto os de produção, distribuindo-os aos produtos. Tabela 1 Mapa de rateio de custos com departamentalização Mapa de rateio dos Custos Indiretos de Fabricação (CIFs) Custos com departamentalização Custos indiretos Usinagem Cromeação Montagem Qualidade Almox. Manut. Adm. geral Total Aluguel 150.000,00 150.000,00 Energia 30.000,00 10.000,00 10.000,00 40.000,00 90.000,00 Mat. indiretos 6.000,00 4.000,00 8.000,00 5.000,00 10.000,00 9.000,00 18.000,00 60.000,00 Mão de obra indireta 40.000,00 30.000,00 50.000,00 30.000,00 60.000,00 60.000,00 80.000,00 350.000,00 Depreciação 21.000,00 13.000,00 2.000,00 10.000,00 - 16.000,00 8.000,00 70.000,00 Soma 97.000,00 57.000,00 70.000,00 45.000,00 70.000,00 85.000,00 296.000,00 720.000,00 Rateio adm. geral 30.000,00 20.000,00 40.000,00 15.000,00 20.000,00 25.000,00 4.000,00 2.000,00 7.000,00 8.000,00 6.000,00 13.000,00 19.000,00 16.000,00 21.000,00 19.000,00 9.000,00 22.000,00 Soma 150.000,00 95.000,00 138.000,00 87.000,00 105.000,00 145.000,00 - 720.000,00 Rateios complementares 50.000,00 40.000,00 - 40.000,00 15.000,00 - 145.000,00 40.000,00 40.000,00 40.000,00 - - 120.000,00 - 68.000,00 44.000,00 15.000,00 - 127.000,00 - - CIF 308.000,00 219.000,00 193.000,00 - - - 720.000,00 Produto G 132.000,00 87.600,00 80.000,00 299.600,00 Produto H 105.600,00 87.600,00 70.000,00 263.200,00 Produto I 70.400,00 43.800,00 43.000,00 157.200,00 Total 308.000,00 219.000,00 193.000,00 720.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Veja na Tabela 1 que a empresa tem um total de custos indiretos a ser alocado aos produtos no total de R$ 720.000,00. Primeiramente, ela indica no mapa de rateio o valor contabilizado como gastos por de- partamento (aluguel, energia etc.). Em seguida, o contador de custos identifica o primeiro departamento que terá seus custos rateados (no Departamentalização e rateios dos custos 53 caso é o de administração geral da fábrica, pois presta serviços para todos os departamentos). Depois, é feito o rateio do custo do departamento de manutenção (agora já com o custo rateado da administração geral) e, em seguida, do setor de almoxarifado. Veja que são esses três setores que primeiramen- te terão seus custos distribuídos aos demais departamentos, pois eles prestam serviços aos departamentos produtivos, como a montagem. Do custo mensal do departamento, identifica-se o que será rateado para os departamentos que a manutenção prestou serviços. Assim, su- cessivamente, cada departamento “descarrega” seus custos aos demais, até chegar aos setores produtivos. Depois, por um critério de distribuição definido pela empresa, esses custos serão alocados aos produtos G, H, I. Ficou claro para você que, com a departamentalização, os custos indiretos são distribuídos em uma lógica de atividades? Quem presta serviços a todos os departamentos será o primeiro a ratear, e, depois, os demaisfarão a distribuição até o valor ser absorvido pelos produtos. No mapa ou planilha de rateio de custos, as espécies de custos são locadas nas linhas e os centros de custos, nas colunas. Nesse mapa, são registrados todos os custos operacionais, administrativos e indire- tos relativos à produção e às vendas, ocorridos em um determinado período. O registro é efetuado de acordo com a natureza do custo (es- pécie) e o local onde ocorre (centro de custo). Os custos diretos com as matérias-primas e com as vendas são incluídos na planilha. Há, porém, a possibilidade de lançá-los em campo à parte, obtendo-se, então, um panorama global dos custos ocorridos durante o período com as ma- térias-primas e com as vendas, desde que sejam eles altamente signi- ficativos, estabelecendo-se as relações que se pretende. As principais fontes de dados para o preenchimento dos mapas são: • Folha de pagamento, classificada por centro de custos ou, ainda, boletins de mão de obra. • Tabelas de registros das quotas de depreciação por centro de custos. • Controle de estoque, dados relativos aos insumos auxiliares. • Contabilidade financeira, fonte mais ponderável de dados para o mapa de localização de custos. Assim, ela nos fornece os va- lores referentes aos impostos, seguros e custos bancários e de financiamentos, viagens e estadas, representação, comunicação, serviços de terceiros e outros. 54 Contabilidade de Custos Na sequência, a caracterização dos centros de custos é uma das primeiras atividades para a implantação do sistema de custeamento por absorção e o consequente desenho do mapa. Para tal, os cen- tros de custos podem ser caracterizados de diversas maneiras, por exemplo: • locais físicos (salas, pavilhões, repartições, prédios etc.); • agrupamento de atividades afins (estampagem, pintura, galvani- zação, niquelagem, moldagem etc.); • tipos semelhantes de maquinaria (tornos, frezadeiras) ou apenas uma (torno revólver, furadeira radial, secador contínuo de lâmi- nas etc.); • áreas de responsabilidade. Após identificados, os centros de custos recebem uma denominação e/ou um código, com o propósito de facilitar o processo de apropriação dos custos gerados em cada centro. A atenção do analista deve estar voltada para a flexibilidade dessa identificação, para que, ocorrendo qualquer alteração no equipamento, prédio ou processo produtivo, ela possa ser imediatamente readequada às suas finalidades. Os centros de custos são classificados em: Centros produtivos Centros administrativos Centros auxiliares Centros de vendas Aqueles cujas atividades internas estão volta- das notadamente para a produção de bens ou serviços. Têm características gerais dos centros auxiliares, porém com a atividade primordial de reunir os custos relativos às funções administrativas de ordem geral. Via de regra, esses custos não possuem relação direta com a produção. Destinados à prestação de serviços ou ao apoio aos centros produtivos, por exemplo: o almoxa- rifado, a casa de força, a casa dos compresso- res, as caldeiras etc. Como o nome indica, são os centros geradores de custos ligados às vendas. É claro que essa classificação é meramente indicativa, pois cada empresa poderá estabelecer a classificação que melhor atenda a sua necessidade de organização das atividades e alocação dos custos. Atividade 2 Explique qual a utilidade de organizar a empresa em torno do centro de custo. Departamentalização e rateios dos custos 55 4.2 Vantagens da departamentalização Vídeo Após compreendermos o conceito e a finalidade da departamen- talização, vamos destacar alguns pontos positivos dessa técnica, para consolidar suas vantagens adequadamente. 1. A departamentalização promove a organização da empresa conforme as diversas especializações de tarefas e atividades que são executadas no cotidiano organizacional. Você consegue imaginar uma empresa em que os colaboradores não têm função definida e as atividades e as tarefas são realizadas aleatoriamente, inexistindo uma definição clara do lugar onde serão realizadas e por quem serão executadas? Nesse sentido, Leone (2009, p. 113) afirma que departamentalização é “a divisão do trabalho baseada na capacidade específica de cada pessoa ou grupo de pessoas”. Veja, portanto, que uma de suas vantagens é justamente a organização da empresa com base na execução dos trabalhos. 2. Outra vantagem da departamentalização consiste no fato de que ela auxilia na racionalização do uso dos recursos, pois, com sua existência, a alta gestão poderá verificar onde os recursos estão sendo consumidos e se estão ou não em linha com o que foi previamente definido no planejamento. Esse aspecto compreende o denominado controle contábil, que, conforme Leone (2009), dá- se por meio de quatro ações: a) previsão do consumo, ou seja, dos gastos; b) autorização do consumo; c) realização do consumo; d) controle dos gastos desses recursos. Perceba que esse controle de gastos por departamento é essencial para a racionalização no uso dos recursos e permite a readequação dos gastos permanentemente, caso sejam percebidas inconformidades. 3. A última vantagem a ser destacada é aquela mais relacionada com a contabilidade de custos e sua função de custear os produtos e os serviços da empresa. Essa vantagem se refere ao fato de que, existindo a departamentalização, a contabilidade de custos poderá primeiramente distribuir os custos pelos departamentos responsáveis por eles e subsequentemente atribuí-los aos produtos. O professor Maher (2001) classifica os departamentos em departamento de serviço e departamento usuário, destacando que o primeiro fornece serviço (manutenção, por exemplo) ao segundo (produção, outro exemplo), portanto parte do seu custo deverá ser absorvido pelo departamento de produção. 56 Contabilidade de Custos O esquema da Figura 1, a seguir, ilustra o conceito do professor Maher (2001) aplicado a um hospital. Figura 1 Departamentalização e controle Departamentos de serviços Departamentos usuários Informações Manutenção Raios X Pronto-socorro Fonte: Maher, 2001, p. 234. O gráfico demonstra que há uma certa hierarquia de responsabili- dade entre os departamentos de serviços e usuários. Sendo assim, o custo será de responsabilidade, primeiramente, do centro de custo que o gerou e, depois, será alocado aos produtos e serviços que se utiliza- ram dos serviços desse centro de custos. O artigo Porque departamentalizar os custos indiretos de fabricação, do profes- sor Rodrigo Fiori, aborda um exemplo muito interessante sobre a influência da técnica de departamentalização quando aplicada na distribuição dos custos. O autor faz uma simulação dos valores com e sem a aplicação da técnica. É uma leitura muito interessante como reforço sobre a relevância da departamenta- lização. Aproveite! Acesso em: 6 mar. 2020. https://www.crcpr.org.br/new/content/publicacao/revista/revista133/depart.htm Artigo 4.3 Rateios de custos Vídeo Quando tratamos de rateio de custos, estamos nos referindo aos custos indiretos, pois estes pertencem, como já visto, a toda a fábrica, e, portanto, para atribuí-los aos produtos e serviços, é preciso utilizar alguns critérios que serão definidos pela contabilidade de custos em conjunto com as áreas de planejamento, engenharia e produção. Como se sabe, os custos diretos (mão de obra direta e matéria-prima) são alocados diretamente a cada produto ou serviço, pois sua iden- https://www.crcpr.org.br/new/content/publicacao/revista/revista133/depart.htm Departamentalização e rateios dos custos 57 tificação com esses objetos é clara e objetiva. Porém, o mesmo não acontece com os custos indiretos (depreciação, aluguel, energia elétri- ca, salário do pessoal de apoio à produção etc.). Maher (2001, p. 231) comenta que “o rateio de custos representa a atribuição de um custo indireto a um objeto do custo, segundo uma certa base”. Essa base a que se refere o professor Maher é o critério que seráadotado pela empresa para distribuir os custos atribuindo-os aos diversos departa- mentos, até chegar aos produtos ou serviços. O rateio é exigido pela legislação fiscal brasileira para empresas que são tributadas pela sistemática do lucro real (relativamente ao Imposto de Ren- da de Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), pois define que os custos relativos aos produtos produzidos, mas ainda não vendidos, devem ser contabilizados como custo do estoque e mantidos no ativo até sua baixa por venda ou outro motivo. Só assim serão contabiliza- dos no resultado do exercício. No entanto, esses critérios de rateio podem carregar um grau razoável de arbitrariedade, pois são definidos pelos ges- tores sem necessariamente uma análise mais criteriosa. Essa também é a opinião de Maher (2001, p. 232) ao comentar que “essa arbitrariedade tem levado alguns críticos do rateio de custos a argumentar que ele pode levar à apresentação de informações enganadoras e, consequentemente, à tomada de decisões pobres”. Embora os critérios de rateios possam ser definidos de forma alea- tória, isto é, sem uma base científica que relacione os serviços pres- tados pelo departamento a outros departamentos e aos produtos de forma técnica, podemos citar métricas comumente utilizadas pelas empresas, como as relacionadas no Quadro 2, a seguir. Quadro 2 Bases de rateios mais usuais Recurso consumido Custo comum Base de rateio usual Mão de obra Supervisão e gerência Quantidade de empregados Máquinas Depreciação Horas-máquinas, valor do equipamento Aluguel Aluguel de imóveis Espaço ocupado Serviços Refeições Quantidade de refeições consumidas Fonte: Elaborado pelo autor. É importante ressaltar que os critérios destacados na tabela não são os únicos e sempre devem ser objetos de análise por parte da contabi- lidade de custos, para que seja verificado se ainda são adequados ou se serão necessários outros critérios. Atividade 3 Explique no que se constitui o rateio. 58 Contabilidade de Custos CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, você estudou diversos conceitos que abordam os cus- tos indiretos e sua relação com os departamentos da empresa e os produ- tos e serviços executados por ela. Não é fácil distribuir os custos indiretos a esses objetos de custos, pois não é possível vislumbrar de forma direta e lógica uma relação entre os recursos que foram por eles consumidos. Sendo assim, recorre-se à departamentalização (não só para isso, claro), conceito que auxilia muito na distribuição desses gastos aos produtos e serviços. Lembrando que, considerando-se as vantagens apresentadas pela departamentalização, é sempre melhor implantá-la e utilizá-la para rateio dos custos indiretos. REFERÊNCIAS LEONE, G. S. G. Curso de contabilidade de custos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. LEONE, G. S. G. Curso de contabilidade de custos: livro de exercícios. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. MAHER, M. Contabilidade de custos: criando calor para a administração. São Paulo: Atlas, 2001. MARTINS, E.; ROCHA, W. Contabilidade de custos: livro de exercícios. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2006. RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos. São Paulo: Saraiva, 2009. GABARITO 1. A departamentalização permite às empresas a possibilidade de se estruturarem em partes conforme as tarefas executadas em cada uma dessas partes – os departamen- tos – e efetuarem com maior assertividade a apropriação dos custos aos departamen- tos e, depois, aos produtos. 2. Os centros de custos possibilitam a condição de acumular os gastos por sua natureza (o que é feito nas contas contábeis) e identificá-los em códigos que representam as áreas em que foram consumidos. 3. O rateio é uma distribuição, de certa forma arbitrária, dos custos e das despesas indi- retas que pertencem a mais de um centro. Custos para decisão 59 Neste capítulo, serão apresentados vários conceitos de custos que remetem a uma visão gerencial de gastos, o que se configura como um aspecto de grande relevância, pois a análise gerencial de custos é uma necessidade para a gestão de qualquer tipo de negócio. O conhecimento e a aplicação das técnicas de análise que serão apresentadas deve ser uma preocupação constante dos gestores, pois eles devem avaliar, no lucro, os reflexos da variação do volume de produção e vendas e dos custos fixos e variáveis. A significativa influência das variações de custos fixos e variáveis sobre os preços de venda fica clara no estudo dos conceitos de custo, volume e lucro. O conhecimento da estrutura de custo relacionada ao preço de mercado de seus produtos proporciona aos empresários e administradores as condições necessárias para reações que incrementem ainda mais o resultado positivo ou para ações para corrigir planos que gerem resultados melhores e maiores de acordo com a estrutura da empresa. Em tempos de acirrada competitividade em mercados globalizados, o domínio dos conceitos e das técnicas inerentes às relações custo-volume-lucro se tornam um imperativo estratégico e cabe à contabilidade de custos proporcionar as informações necessárias aos gestores envolvidos nas decisões econômicas. Outro tema que será abordado é o denominado custeio ABC ou custeio baseado em atividades, que pode ser uma excelente alternativa para a gestão de custos em atividades nas quais prepondere uma estrutura de custos indiretos. Enfim, a leitura deste capítulo será de grande valia para seu aprimoramento conceitual e também servirá para dotar os relatórios de custos de conceitos e técnicas que têm grande potencial para auxiliar na gestão financeira dos negócios. Custos para decisão 5 60 Contabilidade de Custos 5.1 Custeio gerencial: conceito e objetivo Vídeo Custeio gerencial compreende a análise do comportamento de variá- veis que implicam as explicações sobre a estrutura de custos, preços e respectivas variações no resultado empresarial. Horngren, Foster e Datar (2004, p. 55) ensinam que a análise de custo-volume-lucro “examina o comportamento das receitas totais, custos totais e o lucro das operações com a ocorrência de mudanças no nível de produção, no preço de venda, no custo variável por unidade e/ou nos custos fixos de um produto”. Os gestores utilizam essa técnica de análise e acompanhamento das atividades empresariais para estudar os níveis ideais de produção e vendas, bem como para saber em que medida essas variações de custo e volume vão afetar positiva ou negativamente no resultado. Nessa abordagem de custos, é imprescindível a compreensão sobre a classifi- cação dos gastos em fixos ou variáveis, independentemente do tipo do recurso consumido, se ele se enquadra como custo ou despesa. A análise do custo-volume-lucro abrange três grandes conceitos de gerenciamento de rentabilidade de um negócio: Margem de contribuição Compreende um valor correspondente à contribuição de cada produto para cobrir os gastos fixos. Portanto, na margem de contribuição só computamos os custos e as despesas variáveis. Ponto de equilíbrio Corresponde ao nível de atividades em que a empresa deve operar para não ter prejuízo. No ponto de equilíbrio contemplam-se todos os gastos fixos divididos pela margem de contribuição. Alavancagem operacional Significa a influência da estrutura de custos fixos da empresa nas variações do lucro operacional. Para o custeio gerencial, não é relevante a separação entre custo e despesa, pois os dois são considerados gastos relacionados aos produ- tos e serviços. Portanto, é importante destacar que, na abordagem do custeio variável, deve ser aprimorada a separação de custos e despesas va- riáveis daqueles de natureza fixa. Uma leitura importante é a do capítulo 2 do livro A relevância da contabilidade de custos, dos professo- res H. Thomas Johnson e Robert S. Kaplan. Nes- se capítulo, os autores fazem uma abordagem histórico-conceitual da gestão de custos, porém elencam uma série de as- pectos que, segundo eles, não favorece o usodas ferramentas gerenciais de custos pelas empresas. Uma leitura muito inte- ressante. JOHNSON, H. T.; KAPLAN, R. S. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1996. Livro Custos para decisão 61 Gasto variável se refere ao recurso que é consumido de forma pro- porcional à cada unidade de produto ou serviço vendido, ou seja, ele se modifica proporcionalmente às alterações nos volumes vendidos. Já os gastos fixos não têm essa relação de proporcionalidade com os volumes, mantendo-se constantes mesmo que ocorram aumentos ou reduções nos volumes de produtos vendidos ou serviços prestados aos clientes. Para ilustrar a explicação, vamos observar a Demonstração de Re- sultado a seguir, que traz uma estrutura gerencial na qual é possível que o gestor acompanhe o resultado e verifique qual produto ou servi- ço está causando prejuízo ou proporcionando o maior lucro. Tabela 1 DRE gerencial Demonstração do Resultado Custeio direto e variável Prod A Prod B Prod C Prod D Prod E Prod F Total Receita de vendas 13.000,00 11.000,00 14.000,00 15.000,00 12.000,00 14.000,00 79.000,00 Preço unitário 650,00 550,00 700,00 750,00 600,00 700,00 Quantidade 20 20 20 20 20 20 120 Custos variáveis Materiais diretos 200,00 300,00 450,00 400,00 150,00 100,00 1.600,00 Materiais secundários 50,00 80,00 90,00 120,00 100,00 150,00 590,00 Embalagem 10,00 10,00 15,00 10,00 20,00 10,00 75,00 Mão de obra direta 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 600,00 Encargos sobre MOD 80,00 80,00 80,00 80,00 80,00 80,00 480,00 Custos variáveis unitários 440,00 570,00 735,00 710,00 450,00 440,00 Total custos variáveis 8.800,00 11.400,00 14.700,00 14.200,00 9.000,00 8.800,00 66.900,00 Margem de contribuição unitária 210,00 -20,00 -35,00 40,00 150,00 260,00 Margem de contribuição total 4.200,00 -400,00 -700,00 800,00 3.000,00 5.200,00 12.100,00 Margem de contribuição % 32,31% -3,64% -5,00% 5,33% 25,00% 37,14% (Continua) 62 Contabilidade de Custos Demonstração do Resultado Custeio direto e variável Prod A Prod B Prod C Prod D Prod E Prod F Total Custos fixos Energia elétrica 800,00 Depreciação 1.500,00 Aluguel 2.500,00 Mão de obra indireta 4.500,00 Outros 7.700,00 Total de custos fixos 17.000,00 Resultado operacional -6.900,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Como o objetivo da análise gerencial de custos é orientar as deci- sões sobre vendas, volume de produção, precificação etc., os relatórios contábeis devem ser elaborados destacando as variáveis mais impor- tantes que se relacionam com o resultado. A Demonstração do Resul- tado exposta anteriormente permite saber a composição dos preços e custos específicos de cada produto, sendo que o tratamento dado aos custos fixos os considera como gastos do período. 5.2 Relatórios gerenciais Vídeo Os relatórios gerenciais representam o produto final da contabili- dade gerencial e expõem, de forma sintética e analítica, os valores re- sultantes dos eventos econômicos já reconhecidos pela contabilidade financeira. Como qualquer relatório contábil, esses demonstrativos re- presentam modelos que retratam os reflexos econômicos e financeiros das operações que ocorreram em determinado período e causaram impacto no custo e no resultado da empresa. Os relatórios gerenciais de custos não precisam atender a fins legais ou tributários, sendo, por- tanto, de utilidade específica para a comunicação de informações para fins decisórios internos. Explique o que cmpreende o custeio gerencial. Atividade 1 Custos para decisão 63 Dessa forma, os relatórios gerenciais devem produzir e distribuir informações relativas a custos, margens e lucratividade de produtos e serviços, independentemente de padrões ou parâmetros definidos pelas normas contábeis, pois seu objetivo é apoiar os gestores em suas decisões econômicas. Sendo assim, fica a cargo da contabilidade e da gestão da empresa definir quais relatórios serão criados, seus for- matos e respectivos conteúdos. Porém, lembre-se de que, na falta de informação gerencial, vale o uso dos relatórios tradicionais, pois uma informação simples esclarece mais do que qualquer outra informação. Vamos a um exemplo: você sabe que a Demonstração do Resultado do Exercício divulga o valor do custo total, não destacando, necessaria- mente, o custo por elemento, como matéria prima, mão de obra direta e gastos gerais. Essa informação é melhor que o desconhecimento do usuário sobre o valor do custo da atividade. Porém, podemos melho- rar essa informação solicitando à contabilidade de custos que elabore uma Demonstração do Resultado do Exercício destacando o valor des- ses custos de forma individual. Claro que, nesse caso, devemos fazer constar no relatório também a receita por produto ou serviço. Assim teremos o conceito gerencial de informação denominado margem de contribuição. Perceba que uma simples alteração no relatório tradicio- nal (abertura da receita bruta e dos custos das vendas) já melhorou de forma significativa a informação sobre o resultado, deixando-a mais clara para o gestor. Isso é relatório gerencial. Li (1977) esclarece que os relatórios administrativos gerenciais objeti- vam fornecer pistas úteis para responder às seguintes perguntas: • Nossos custos estão sob controle? • Em caso negativo, em que ponto o custo saiu da linha e onde é necessária atenção? • Quem é o responsável? • Como podemos remediar a situação? • Quem está trabalhando melhor do que o esperado e merece re- conhecimento financeiro ou de outra espécie? (LI, 1977, p. 319) Devemos sempre verificar se o relatório gerencial que temos à nossa disposição contém as características que o qualificam como gerencial, na sua essência. A confirmação dessas qualidades é simples. Por exem- 64 Contabilidade de Custos plo, os relatórios são oportunos, ou seja, estão à nossa disposição no momento certo? Permitem a comparação de um período com o outro? Dão destaques a aspectos importantes, como variações significativas e valores fora do padrão? Dessa forma, outros elementos também se tor- nam, com a experiência do gestor, objetos de análise. Anthony (1974) afirma que o período adequado de controle é o mais curto período de tempo em que a administração pode intervir de modo útil e em que as mudanças significativas no desempenho sejam prová- veis. Segundo o autor, o período é diferente para centros de responsa- bilidades distintos e para itens diferentes nesse centros. Os relatórios sobre a execução total, especialmente aqueles que são encaminhados para os altos níveis da administração, muitas vezes são mensais ou trimestrais, mas, em certos casos, devem ser diários, como os relatórios sobre quantidades vendidas, custo unitário, volu- me produzido, entre outros. Fundamental, também, é que o relatório administrativo ou gerencial seja analítico, pois deve esclarecer deta- lhes relevantes sobre as causas de variações significativas nos valores que compõem o resultado da empresa. O relatório gerencial também deve estar disponível para o usuário no tempo adequado; nem antes, nem depois de uma decisão com impacto econômico. Além de todas as características destacadas anteriormente, é im- portante que o relatório também contenha um grau razoável de con- cisão, informando o que é útil e necessário e não dando destaques a minúcias, pois isso consome tempo desnecessário do gestor que vai utilizá-lo para sua decisão. A contabilidade de custos deve verificar junto aos diversos usuários as necessidades deles em relação às informações gerenciais de custos, pois serão esses usuários que farão uso dos relatórios. No artigo A importância da gestão estratégica de custos para a tomada de decisão, publicado pela Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, os autores Débora M. N. Sanches et. al. abordam os conceitos fundamentais da gestão de custos com objetivos estratégicos, discorrendo sobre grande parte dos conceitos que estruturam a contabilidade de custos pelo viés gerencial. Uma leitura que vai agregarconteúdo ao seu conhecimento sobre a área. Acesso em: 5 mar. 2020. https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/gestao-estrategica-de-custos Artigo Os relatórios gerenciais destacam-se em relação àqueles elaborados pela contabilidade financeira. Explique a principal utilidade dos relatórios gerenciais no cotidiano das organizações. Atividade 2 Custos para decisão 65 5.3 Custeio por atividades: ABC Vídeo O sistema de custeio ABC diz respeito a sistema de apropriação de cus- tos baseado em atividades. Esse sistema de custeamento de produtos e serviços leva em conta que as diversas atividades executadas na empre- sa geram custos e que, portanto, os produtos e serviços as consomem. Depreende-se, dessa forma, que, se determinada atividade não está re- lacionada a um dado produto, seu custo não será absorvido por ele. Vale lembrar que o custeio por absorção parte da premissa de que produtos e serviços consomem diretamente os custos, independentemente das ativi- dades pelas quais passam. Para se utilizar do custeio baseado em atividades, a empresa deve estabelecer alguma relação entre atividades e produtos por meio do uso dos direcionadores de custos (cost drivers). Esse método de custeio é muito útil quando a empresa incorre em um volume considerável de custos indiretos, pois é sobre esses gas- tos que recaem os rateios quando se utiliza o custeio por absorção, ao passo que no custeio ABC não há necessidade de rateios, em razão da aplicação dos direcionadores para distribuir os custos indiretos aos produtos. Jiambalvo (2009, p. 118) afirma que “segundo a abordagem ABC, as empresas identificam as principais atividades que causam os custos indiretos. Algumas dessas atividades relacionam-se com o volu- me de produção, mas outras não”. No ABC, consideramos atividade como uma unidade administrativa me- nor que um setor ou departamento, ou seja, um setor pode congregar mais de uma atividade e um departamento pode desempenhar várias atividades. Quadro 1 Departamentos e atividades. Departamentos Atividades Industrial Usinagem Montagem Manutenção Administrativo Recursos Humanos Contabilidade Tesouraria Comercial Vendas Marketing Expedição Fonte: Elaborado pelo autor. Com base em Jiambalvo (2009, p. 119), demonstramos, por meio da Figura 1, o roteiro compreendido no custeio baseado em atividades. Vamos considerar um exemplo no setor de compras. 66 Contabilidade de Custos Figura 1 Custeio baseado em atividades Passo 1 Identificar as principais atividades Processar ordens de compra Passo 2 Apurar os custos das atividades em centros de custos Setor de compras Passo 3 Identificar as medidas das atividades – os direcionadores de custos Quantidade de ordens de compra processadas Passo 4 Relacionar os custos aos produtos usando os direcionadores de custos Custo da atividade de processar ordens de compra Fonte: Adadpato de Jiambalvo, 2009, p. 119. Não custa lembrar que os departamentos de serviços, também chamados de não produtivos ou auxiliares, prestam serviços aos depar- tamentos produtivos (ou seja, aqueles departamentos que atuam direta- mente nos produtos), e, na metodologia ABC de apropriação de custos, os produtos só absorverão os custos das atividades dos departamentos se estes efetivamente prestarem esses serviços; caso contrário, não. Com relação ao material direto e à mão de obra direta, não há dife- renças entre o custeio ABC e o método do custeio por absorção, pois esses custos são atribuídos diretamente a cada unidade produzida. A matéria-prima será mensurada pelo custo de cada unidade incorpo- Custos para decisão 67 rada aos produtos e a mão de obra direta será calculada e atribuída conforme a quantidade de horas trabalhadas em cada unidade pro- duzida ou prestada. Leone (2009, p. 252) entende que Uma das razões para o aparecimento do novo critério baseia-se na evolução tecnológica, que alterou bastante a composição dos custos dos fatores de produção, tornando mais significativos os custos indiretos de fabricação e menos significativos, como consequência, os custos do fator mão de obra direta. Por essa razão é que destacamos anteriormente que o custeio por atividades é muito útil para atividades em que se prepondera o custo indireto, pois este custo apresenta certa dificuldade em sua apropria- ção aos produtos, tendo em vista a falta de critérios mais assertivos para o cálculo de montante que cabe a cada produto ou serviço produ- zido ou prestado pela empresa. Como no custeio ABC, as atividades também exercem um papel relevante na alocação dos custos indiretos. Por isso, é importante que sejam identificadas todas as tarefas e os trabalhos que com- põem essas atividades, de modo que seus valores sejam claramente mensurados, para serem direcionados aos departamentos e produ- tos. Identificadas as atividades executadas em cada departamento auxiliar, necessita-se que sejam definidos os critérios que serão utilizados para incorporar os custos dessas atividades aos demais departamentos e aos produtos, utilizando, então, o conceito de dire- cionadores de custos, os denominados cost drivers. Veja graficamente: Figura 2 Visão geral ABC Objeto de custeio: Custos e despesas indiretos Alocação por meio de direcionadores de custos (Continua) Em relação ao custeio baseado em atividades, explique como se dá a alocação dos custos indiretos por esse sistema de custeamento. Atividade 3 68 Contabilidade de Custos Atividades significativas (aquelas que agregam valor aos produtos) Alocação por meio de direcionadores de custos Produtos e serviços Fonte: Leone, 2009, p. 253. De forma simplificada, utilizamos a fórmula: Custo da atividade = custo unitário da atividade x quantidade realizada da atividade Sendo assim, obtém-se o valor de custo da atividade que será dire- cionado ao produto ou serviço. De acordo com essa fórmula, podemos, por exemplo, determi- nar os direcionadores de custos do setor fiscal (como a quantidade de notas fiscais de entradas e a quantidade de itens constantes das notas), do setor de faturamento e expedição (como a quantidade de notas fiscais emitidas e a quantidade de pedidos atendidos), do setor de contabilidade (como a quantidade de lançamentos contá- beis e a quantidade de relatórios), do setor de manutenção indus- trial (como as chamadas manutenção atendidas e a quantidade de manutenções efetuadas preventivamente, podendo até ser deta- lhada por tipo de manutenção). Apresentamos, no Quadro 2, um rol dos direcionadores de ativida- des mais comuns nos departamentos. Custos para decisão 69 Quadro 2 Direcionadores de custo Departamentos de serviços Direcionadores de atividades Compras Ordens de compras Energia Consumo de energia (kwh) Capacidade instalada das máquinas Depreciação Horas de máquinas Pessoal e recrutamento Número de empregados Recebimento e expedição Unidades manuseadas Quantidade de embarques Quantidade de recebimentos m² ocupados pelos materiais Manutenção Horas de máquinas ou horas/funcionário trabalhadas Quantidade de atendimentos Pessoal e equipamentos ocupados à disposição de cada produto Planejamento e controle da produção Quantidade de ordens controladas Horas de análise técnicas trabalhadas Engenharias Horas de análise técnica trabalhadas Quantidade de partes projetadas Quantidade de processos desenvolvidos Pessoal ocupado à disposição de cada linha de produto Almoxarifado e movimentação de materiais m² ocupados Quantidade de itens estocados Volume manuseado Equipamentos à disposição das linhas de produtos Quilometragem percorrida Fonte: Padoveze, 2003, p. 209. Como você já percebeu, os critérios tradicionais de custeamento, cujo melhor exemplo é o custeio por absorção, permitem a apropria- ção dos custos diretamente aos produtos, e o fazem alocando direta- mente a mão de obra direta e a matéria-prima, mas se utilizando de rateios (distribuições por vezes arbitrárias e aleatórias de custos) para alocaros custos indiretos. Já o custeio baseado em atividades se utiliza de direcionadores para atribuir os custos indiretos primeiramente às atividades executadas, para depois atribuí-los aos produtos e serviços. Fica claro, então, que o custeio ABC procura estabelecer uma rela- ção de causa e efeito entre o custo incorrido e a atividade executada, o que lhe dá assertividade no que diz respeito aos valores de custos dos 70 Contabilidade de Custos produtos. Disso decorre outra vantagem, pois, ao se utilizar do ABC, a empresa tem a possibilidade de gerenciar melhor seus processos, pois saberá quais atividades têm maior custo ou, até mesmo, quais pode- riam ser terceirizadas por serem consumidas por poucos produtos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Você estudou neste capítulo conceitos gerenciais de custos que são comumente utilizados na gestão de negócios e teve a oportunidade de verificar a importância conceitual e prática de algumas técnicas, como mar- gem de contribuição, ponto de equilíbrio e alavancagem operacional. Teve contato, também, com um sistema de custeamento de produtos e serviços que leva em conta o consumo das atividades por esses itens, o que é de grande valia para negócios com alto valor de custos indiretos, dada a difi- culdade de apropriar esses custos de forma objetiva e racional quando se utiliza o custeio por absorção. Todos os conceitos apresentados têm como objetivo prover aos ges- tores, sejam os gerentes ou os proprietários, informações que esclareçam em que medida os custos se relacionam com os volumes para conduzirem ao tão desejado lucro empresarial. REFERÊNCIAS ANTHONY, R. N. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 1974. HORNGREN, C. T.; FOSTER, G.; DATAR, S. Contabilidade de custos. 11. ed. São Paulo: Pearson, 2004. JIAMBALVO, J. Contabilidade gerencial. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2009. LEONE, G. S. G. Curso de contabilidade de custos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009. LI, D. H. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 1977. PADOVEZE, C. L. Curso básico gerencial de custos. São Paulo: Atlas, 2003. GABARITO 1. O custeio gerencial compreende uma análise do comportamento dos custos conforme sua relação com os volumes, ou seja, esse sistema de custeio destaca o estudo e o acompanhamento dos custos fixos e variáveis, em relação a níveis diferentes de volumes, incorridos em qualquer atividade econômica. 2. Os relatórios gerenciais têm como principal utilidade o fornecimento aos gestores de informações relativas a volumes, custos e preços e seus impactos no resultado das operações, proporcionando a análise de margens de lucratividades de produtos e serviços. 3. No custeio baseado em atividades (ABC), os custos indiretos são primeiramente identificados nas atividades. Em seguida, essas atividades são direcionadas aos produtos e serviços. Sendo assim, podemos afirmar que por meio do uso dessa metodologia as atividades consomem custos e os produtos consomem as respectivas atividades. Conceitos gerenciais de custos 71 6 Conceitos gerenciais de custos Os objetivos da contabilidade de custos são mais amplos e di- versificados do que apenas fazer a apuração e a contabilização dos custos dos produtos e serviços e o controle e o informe do valor dos estoques. A realidade é que, além dessas possibilidades, po- demos e devemos nos utilizar dos conceitos da contabilidade de custos para atingir um outro patamar no seu estudo e na aplicação a casos concretos, isto é, desempenhar uma gestão estratégica de custos. Ao estudar e estabelecer a classificação dos gastos (custos e despesas) em fixos e variáveis, é possível esclarecer diversas situa- ções relativas ao resultado e ao desempenho de um negócio. É isso que se propõe este capítulo: proporcionar o domínio de con- ceitos – que permitirão o conhecimento sobre a relação entre cus- to, volume e respectivos resultados (lucros) –, que são verdadeiras ferramentas de análise, de acompanhamento e de decisões geren- ciais, visando a maximização do lucro final do empreendimento, o que caracteriza uma gestão estratégica. Neste capítulo, será apresentado, também, um caso que con- templa grande parte dos conceitos estudados em todos os capí- tulos, de modo que você consiga apreender o tema e perceber a integração entre todo o conteúdo exposto no livro. 6.1 Margem de contribuição Vídeo Das técnicas de análise gerencial com maior utilidade na gestão de negócios, a margem de contribuição se sobressai pela sua objetivida- de na orientação a decisões econômicas, as quais pretendem averiguar a performance de produtos e serviços em relação aos resultados pro- porcionados. Padoveze (2003, p. 369) destaca que “o modelo de de- cisão da margem de contribuição é o modelo decisório fundamental 72 Contabilidade de Custos para a gestão dos resultados da empresa, seja em termos de rentabi- lidade dos produtos, atividades, áreas de responsabilidade, divisões, unidades de negócios ou da empresa como um todo”. Pode-se afirmar que a margem de contribuição é a técnica mais uti- lizada nos relatórios gerenciais de custos, porque representa o lucro bruto variável, o qual compreende a diferença entre o preço de venda unitário do produto ou serviço e os custos e despesas variáveis unitários. Desse modo, ela também corresponde ao lucro obtido pela empre- sa em cada unidade vendida, uma vez que, ao multiplicar o preço de venda pela quantidade de produtos vendidos, tem-se a contribuição marginal total do produto para o resultado da empresa. Horngren, Foster e Datar (2004, p. 42) afirmam que a “margem de contribuição ou lucro marginal é o preço de vendas por unidade menos o custo variável por unidade”. A margem de contribuição proporciona um acompanhamento dos volumes de produção e vendas da empresa em vários períodos e, tam- bém, uma simulação de possíveis resultados, que seriam obtidos em determinados volumes de vendas. Tabela 1 Análise de margem de contribuição Margem de contribuição Análise por produto Elementos Produto A Produto B Produto C Total Quantidade de vendas 1.300.000 680.000 676.000 2.656.000 Preço de venda unitário 15,38 22,00 17,75 Custo variável unitário 2,77 3,31 3,55 Margem de contribuição unitária 12,61 18,69 14,20 Receita de vendas 19.994.000,00 14.960.000,00 11.999.000,00 46.953.000,00 Custos variáveis Custos de material e embalagem 2.000.000,00 1.200.000,00 1.440.000,00 4.640.000,00 Custo de expedição 1.200.000,00 750.000,00 720.000,00 2.670.000,00 Comissões de vendas 400.000,00 300.000,00 240.000,00 940.000,00 Total dos custos variáveis 3.600.000,00 2.250.000,00 2.400.000,00 8.250.000,00 (Continua) Em seu clássico livro Controladoria estratégica e operacional, o professor Clóvis Padoveze dedica o capítulo 27 para uma ex- posição sobre a margem de contribuição. Vale a leitura! PADOVEZE. C. L. 3. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2012. Livro Conceitos gerenciais de custos 73 Elementos Produto A Produto B Produto C Total Margem de contribuição total 16.394.000,00 12.710.000,00 9.599.000,00 38.703.000,00 Margem de contribuição % 82% 85% 80% Custos fixos Pesquisa de desenvolvimento 6.200.000,00 Marketing 13.500.000,00 Encargos com instalações 2.820.000,00 Salários da administração 700.000,00 Outros custos fixos 1.500.000,00 Total de custos fixos 24.720.000,00 Lucro operacional 13.983.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. No caso apresentado na Tabela 1, você percebe que o produto que proporciona a maior margem de contribuição é o “B”, pois compreende um percentual de 85% sobre o preço. Isso significa que, a cada unidade vendida do produto “B”, a empresa recebe um lucro unitário de R$ 18,69, sendo esse o valor com que o produto “B” contribui para a empresa, cobrindo todos seus demais custos e suas despesas fixas (custos de ca- pacidade) e proporcionando uma margem de lucratividade empresarial. O interessante não é apenas sabermos calcular a margem de contri- buição, mas também termos o domínio conceitual dessa técnica, paraque se possa extrair dela as análises necessárias, especialmente por- que sabe-se que, até a margem de contribuição, os valores pertencem exclusivamente ao produto ou serviço. Portanto, não há dúvida de que ela expressa efetivamente um lucro, denominado lucro bruto variável. Essa variabilidade da margem de contribuição decorre de três fatores: a. aumento ou redução nos preços de venda dos produtos ou serviços; b. aumento ou redução nos gastos variáveis como matéria-prima (ou material direto) e outros gastos (despesa ou custo) como comissões de vendas; c. aumento ou redução nos volumes de produtos ou serviços vendidos. Por que a margem de contribui- ção por produto é importante? Atividade 1 74 Contabilidade de Custos Como os relatórios gerenciais destacam tanto a margem de contri- buição unitária quanto a margem de contribuição total, é necessário que a análise desses valores se dê pelos critérios: produto, linha, seg- mento, filial etc., pois isso permitirá saber quais produtos oferecem a maior contribuição para a cobertura dos gastos fixos e quais podem apresentar até margem negativa, claro que apenas por um tempo de- terminado. Empresas que apresentam um mix de produto muito va- riado (como supermercados e grandes lojas de varejo) analisam essa margem considerando grupos ou “famílias” de produtos, dado que se- ria até improdutivo os gestores ocuparem o tempo com análises de valores que não são individualmente relevantes. Para saber mais sobre grupos ou famílias de produtos, acesse o site Nomus – Blog Industrial e leia o texto sobre a importância de classificar o cadastro de produtos em grupos e famílias. Disponível em: https://www. nomus.com.br/blog-industrial/ veja-a-importancia-de-classificar-o- -cadastro-de-produtos-em-grupos- -e-familias/. Acesso em: 6 mar. 2020. Leitura 6.2 Ponto de equilíbrio Vídeo O ponto de equilíbrio, ou ponto de ruptura, compreende a situação em que um empreendimento estabelece um equilíbrio em seus resul- tados, pois as receitas igualam-se às despesas e aos custos. Esse conceito demonstra qual a quantidade necessária de vendas para que a empresa possa chegar a uma situação de equivalência entre receita de vendas, custos e despesas fixas, considerando que os gastos variáveis já foram cobertos pela margem de contribuição. Partindo do conceito de que o ponto de equilíbrio é calculado com base na margem de contribuição, entende-se que os custos variáveis já foram absorvidos pela receita de vendas. A informação do ponto de equilíbrio de uma empresa, seja ele por produto ou global, é extremamente útil porque evidencia o nível mí- nimo de atividade em que a empresa ou departamento pode operar. 6.2.1 Análise do ponto de equilíbrio Assim como na análise da margem de contribuição, o ponto de equi- líbrio também é uma ferramenta que auxilia na gestão de curto prazo da empresa. Esse enfoque é importante porque o ponto de equilíbrio demonstra o ponto mínimo em que a empresa deve operar, ou seja, aquele no qual o lucro é zero. Conceitos gerenciais de custos 75 Nesse nível de capacidade de operação, o ponto mínimo e as re- ceitas da empresa conseguem cobrir todos os custos de capacidade, isto é, os custos fixos. Jiambalvo (2002, p. 82) esclarece que o ponto de equilíbrio “é o número de unidades que precisam ser vendidas para uma empresa não ter lucro nem prejuízo”. No entanto, essa técnica deve ser utilizada como ferramenta de cur- to prazo, pois nenhum negócio prospera operando no ponto de equilí- brio, com lucro zero ou pouco acima do resultado. 6.2.2 Cálculo do ponto de equilíbrio em quantidade O cálculo do ponto de equilíbrio inicia-se com o cálculo da margem de contribuição, lembrando que essa margem representa a participa- ção de cada produto ou serviço na cobertura dos gastos fixos. Dessa maneira, a fórmula para o cálculo do ponto de equilíbrio é a seguinte: Vendas = Custos Variáveis + Custos Fixos + Lucros como os lucros são iguais a zero, a equação fica: Vendas = Custos Variáveis + Custos Fixos em que: Vendas = Preço de Venda Unitário (PVu) X Quantidade Vendida no Ponto de Equilíbrio (Q); Custo Variável = Custo Variável Unitário (CVu) X Quantidade Vendida no Ponto de Equilíbrio (Q); Custos Fixos = Total dos Custos e Despesas fixas; Margem de Contribuição (MC) = Preço de Venda (PV) - Custo Variável (CV) Ponto de equilíbrio é, então: Custos e Despesas Fixas Totais (CF) Margem de Contribuição (PVu-CVu) Veja um exemplo: 9.360 720 PE (Q) = PE (Q) = 13 Nesse caso, a empresa precisa vender 13 unidades de seu produ- to para poder zerar seus custos totais e, com base nessa quantidade Na obra Contabilidade gerencial, o professor Ja- mes Jiambalvo expõe, de maneira muito didática, no capítulo 4, os elemen- tos conceituais da relação custo, volume e lucro. Outra leitura de apoio para sua compreensão do tema. JIAMBALVO. J. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2002. Livro 76 Contabilidade de Custos mínima vendida, começar a ter lucro. Isso significa que da 14ª unidade vendida em diante a empresa apresenta lucro, já quando vende menos de 13 unidades, ela incorre em prejuízos operacionais. Não se pode esquecer que, dificilmente, uma empresa vende apenas um produto, pois é normal possuir um mix de produtos com relativa variedade. Ge- ralmente, quando se utiliza um produto apenas para esse cálculo, há o alerta, também, para o fato de que a empresa tem uma dependência desse produto, o que faz crer que os demais, que compõem o mix, não apresentam volumes de vendas significativos. 6.2.3 Cálculo do ponto de equilíbrio em valor Frequentemente, a empresa opera com um número (mix) muito grande de produtos e, por isso, apresenta dificuldade para identificar o valor dos custos e das despesas fixas de cada produto. Nessas situações, devemos calcular o ponto de equilíbrio global, ex- presso em valor. Assim, obtemos o ponto de equilíbrio em valor total de vendas, ou seja, qual o valor mínimo de vendas que a empresa deve obter para zerar todos os seus gastos. Para realizar esse cálculo, necessitamos saber a margem de contri- buição percentual sobre o preço de venda: Preço de Venda Unitário R$ 1.700 100% Custo Variável Unitário R$ 1.080 60% Margem de Contribuição Unitária R$ 720 40% Fórmula: Custos Fixos Totais Margem de Contrib. Percentual PE em valor: 9.360 0,40 (40% : 100) = 23.400 PE em valor é R$ 23.400, sendo este o valor mínimo que a empresa deve ven- der para cobrir seus custos fixos e variáveis. Nesses casos, em que se calcula o ponto de equilíbrio em valor, o ideal é que se possa calcular uma margem de contribuição média dos principais produtos, pois ela será relevante para a aplicação dessa técni- ca. Com a informação do valor mínimo de receita que a empresa deverá obter, a gestão poderá gerenciar melhor as próprias margens, ora alte- rando os preços, ora revendo sua estrutura de custos fixos e variáveis. Conceitos gerenciais de custos 77 6.3 Margem de segurança e outros conceitos gerenciais de custos Vídeo A margem de segurança é um conceito de extrema importância para a análise de custo, volume e lucro, pois indica uma espécie de “folga” obtida pela empresa na diferença positiva entre as vendas totais e as vendas no ponto de equilíbrio. Vale, aqui, a observação de que essa análise pode se dar tanto em rela- ção ao volume real de vendas quanto ao volume orçado para o período. Assim, quanto mais distante estiver o volume de vendas (reais ou orçadas) daquela constante no ponto de equi- líbrio, maior será a segurança e a tranquilidade, por par- te da empresa, de que terá resultados positivos. 6.3.1 Alavancagem operacional Para compreender o conceito de alavancagem operacional é útil en- tendermos o conceito e a finalidade de uma alavanca. Esse instrumento tem como objetivo auxiliar na elevação de um objeto, em uma extremi- dade, por meio de uma força exercida em sua outra extremidade. Essa força mecânica da alavanca é que proporciona um efeito, na elevaçãodo objeto, maior do que a força daquele que opera a alavanca. Ao se falar em alavancagem operacional, busca-se expressar o poten- cial da empresa em aumentar os lucros líquidos em percentual acima da- queles lucros planejados. Isso ocorre sempre em função da participação dos custos fixos na estrutura de custos da empresa. Qualquer negócio apresenta uma estrutura de gastos que são clas- sificados em fixos e variáveis. Enquanto os variáveis têm uma relação direta e proporcional com os volumes de produção e vendas, os fixos não se comportam dessa mesma forma, pois mantêm-se constantes a despeito de variações que ocorram nesses volumes. Portanto, em si- tuações que ocorram alterações na capacidade utilizada pela empre- sa (aumentos ou reduções na produção e vendas), os gastos variáveis crescem de maneira proporcional, ao passo que os gastos fixos perma- necem no mesmo patamar. Quando houver aumentos nas vendas, haverá um aumento, pro- porcionalmente maior, no resultado operacional, posto que os gastos O que compreende a margem de segurança e qual a sua relação com o ponto de equilíbrio? Atividade 2 78 Contabilidade de Custos fixos não aumentarão na mesma proporção. Mas esse efeito depende, também, da estrutura de custos da empresa, pois quanto maior for o percentual de participação dos custos fixos em relação aos custos totais, maior será o respectivo grau de alavancagem operacional. Po- rém, devemos tomar cuidado. O efeito da alavancagem é um problema quando há queda nas vendas, pois, nesse caso, o efeito no prejuízo será maior que a redução nos volumes de vendas. Então, sabemos que a alavancagem operacional representa a capaci- dade da empresa em usar a estrutura de custos fixos para aumentar os efeitos das variações em vendas sobre os resultados positivos da empre- sa. É a medida da extensão de quantos custos fixos estão sendo usados dentro da organização, utilizando-se a seguinte fórmula: Contribuição Marginal ou Margem de Contribuição Total = Grau de Alavancagem Operacional 6.3.2 Resultado operacional Quanto maior for a participação dos custos fixos no total, maior será a variação proporcional do resultado operacional, dada uma alteração no volume. Jiambalvo (2002, p. 87) ressalta esse aspecto quando ensina que “o nível de alavancagem operacional é importante porque afeta a variação no lucro quando das oscilações de vendas”. Como modelo, te- mos na Tabela 2, a seguir, duas empresas com o mesmo nível de lucro, mas com diferentes estruturas de custos. Tabela 2 Análise da alavancagem operacional Alavancagem operacional Análise Empresa 1 Empresa 2 Receita de vendas 10.000.000,00 10.000.000,00 Preço unitário 20,00 22,00 Quantidade 500.000 454.545 Custos variáveis 10,00 15,40 Total custos variáveis 5.000.000,00 7.000.000,00 (Continua) Qual a relação dos custos fixos com a alavancagem operacional? Atividade 3 Conceitos gerenciais de custos 79 Margem de contribuição unitária 10,00 6,60 Margem de contribuição total 5.000.000,00 3.000.000,00 Margem de contribuição % 50% 30% Custos fixos 3.000.000,00 1.000.000,00 Resultado operacional 2.000.000,00 2.000.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Agora, vamos supor que haja um aumento de 20% nas vendas. Qual empresa terá maior aumento no lucro? Tabela 3 Efeito do aumento nas vendas Considere aumento de 20% nas vendas Empresa 1 Empresa 2 Receita de vendas 12.000.000,00 12.000.000,00 Preço unitário 20,00 22,00 Quantidade 600.000 545.455 Custos variáveis 10,00 15,40 Total custos variáveis 6.000.000,00 8.400.000,00 Margem de contribuição unitária 10,00 6,60 Margem de contribuição total 6.000.000,00 3.600.000,00 Margem de contribuição % 50% 30% Custos fixos 3.000.000,00 1.000.000,00 Resultado operacional 3.000.000,00 2.600.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Com o aumento de 20% nas vendas, a empresa 1 terá um aumento, no seu lucro, no valor de R$ 1.000.000,00 (isto é, 20% multiplicado pela margem de contribuição), o que representa um aumento de 50% no lu- cro. A empresa 2, por outro lado, terá um aumento no lucro de apenas R$ 600.000,00, ou seja, 30%. 80 Contabilidade de Custos 6.4 Estudo de caso Vídeo Nesta seção, vamos destacar um exemplo de como podem ser aplica- dos os conceitos estudados e, para isso, vamos nos valer de um estudo de caso. Assim, torna-se relevante relembrar qual o roteiro que deve ser observado para o cálculo e contabilização dos custos: 1. A primeira etapa é a separação clara entre custos e despesas, que forma a totalidade de gastos incorridos no período. Com isso, o tratamento das despesas será o reconhecimento direto na Demonstração do Exercício. 2. O tratamento dos custos depende de sua classificação como direto ou indireto: 2.1 Os diretos, como mão de obra e outros materiais diretos (matéria-prima e componentes) serão alocados diretamente a cada unidade, pois são facilmente identificáveis em cada produto. 2.2 Já os custos indiretos serão atribuídos aos produtos conforme critérios de rateios definidos pela empresa. A Indústria Bom Sabor Ltda. produz dois produtos cujo volume de produção é o indicado na Tabela 4, a seguir: Tabela 4 Informações de volume de produção Volume de produção Produto A 489.786 Produto B 163.362 Fonte: Elaborada pelo autor. O primeiro passo do contador foi identificar o total de custos, separando-os em custos diretos e custos indiretos. Veja que nessa etapa já houve a separação dos gastos do pe- ríodo em despesas e custos, sendo que as despesas já foram reconhecidas na Demons- tração do Resultado do Exercício, como exposto anteriormente. É importante destacar que a empresa possui os seguintes departamentos na sua área industrial: • Montagem: onde se executam os serviços de produção direta, de onde saem os produtos acabados para serem embalados e colocados em condições de venda. Estudo de caso Conceitos gerenciais de custos 81 • Embalagem: acondiciona os produtos, portanto é um centro de custo produtivo. • Manutenção: departamento que presta serviços às demais áreas no conserto e nos pequenos ajustes em equipamentos fabris. • Administração da produção: responsável pelo planejamento e controle da produção, engenharia e outros serviços auxiliares da produção. Os custos diretos e indiretos, relativos à produção do mês, são os informados na Tabela 5, a seguir: Tabela 5 Custos diretos e indiretos Estrutura de custos Custos diretos Produto A 87.800,00 Produto B 50.400,00 Custos indiretos Aluguel 8.500,00 Material 5.200,00 Depreciação 4.720,00 Outros 6.600,00 Energia eletrica 7.300,00 Total Indiretos 32.320,00 Fonte: Elaborada pelo autor. De posse das informações sobre a produção do período e seus respectivos custos diretos e indiretos, o trabalho da contabilidade é alocar os custos aos produtos de maneira que se saiba não apenas o custo total por produto, mas também o custo unitário. Como a atribuição dos custos diretos não apresentará nenhuma dificuldade porque já foram calculados e informados na Tabela 5, a preocupação neste momento é a apropria- ção dos custos indiretos. Para isso, teremos que saber seus respectivos critérios de rateio. Os critérios a serem utilizados são informados na Tabela 6, a seguir: Tabela 6 Informações complementares sobre a área industrial Informação complementares Montagem Embalagem Manutenção Administração da fábrica Área m² 1.100 955 170 275 Consumo energia 17.000 14.280 1.700 1.020 Horas MOD 24.000 12.000 2.000 2.000 Fonte: Elaborada pelo autor. 82 Contabilidade de Custos Veja que, na Tabela 6, o contador tem as informações que servirão de base para os ra- teios, como o total das áreas ocupadas pelos departamentos, o total de energia consu- mida e a quantidade de horas de mão de obra direta utilizadas na montagem. Os critérios que a empresa irá utilizar para apropriar os custos indiretos aos departamen- tos serão os demonstrados na Tabela 7, a seguir: Tabela 7 Critérios de rateio Rateios Custode aluguel Por área Custo de material Horas MOD Custo de depreciação Horas MOD Outros custos indiretos Horas MOD Departamento Funcionários Montagem 12 Embalagem 12 Manutenção 6 Total de funcionários 30 Fonte: Elaborada pelo autor. Você está percebendo o porquê das informações anteriores apresentadas nos quadros? Vamos esclarecer: 1. O custo do aluguel, de R$ 8.500,00, será rateado por metro quadrado de cada área. Coerente, não acha? 2. O custo do material utilizado (materiais de expediente, formulários etc.) será apropriado para cada área, segundo a quantidade de MOD. A empresa entende que quanto maior a quantidade de mão de obra direta utilizada, mais materiais serão consumidos. 3. Os custos de depreciação das máquinas e outros itens depreciáveis, bem como os outros custos indiretos, serão rateados conforme a quantidade de mão de obra direta. Por fim, o último passo é distribuirmos os custos aos departamentos e, depois, aos pro- dutos. Para isso, veja a Tabela 8, a seguir: Tabela 8 Mapa de apropriação dos custos Custos indiretos Montagem Embalagem Manutenção Adm. produção Base rateio Total M² 1.100 955 170 275 2.500 KWH 17.000 14.280 1.700 1.020 34.000 Hora MOD 24.000 12.000 2.000 2.000 40.000 (Continua) Conceitos gerenciais de custos 83 Custos indiretos Montagem Embalagem Manutenção Adm. produção Base rateio Total Aluguel 3.740,00 3.247,00 578,00 935,00 M2 8.500,00 Material 3.120,00 1.560,00 260,00 260,00 Hora MOD 5.200,00 Energia elétrica 3.650,00 3.066,00 365,00 219,00 KWH 7.300,00 Depreciação 2.832,00 1.416,00 236,00 236,00 Hora MOD 4.720,00 Outros 3.960,00 1.980,00 330,00 330,00 Hora MOD 6.600,00 Total 17.302,00 11.269,00 1.769,00 1.980,00 32.320,00 Rateio da adm. 792,00 792,00 396,00 (1.980,00) - Total 18.094,00 12.061,00 2.165,00 - Rateio da manutenção 1.732,00 433,00 (2.165,00) Total 19.826,00 12.494,00 - 32.320,00 Produto A 489.786 Produto B 163.362 Total processamento 653.148 Fonte: Elaborada pelo autor. Custo total Produto A 112.036,29 0,23 Produto B 58.483,71 0,36 Custo total 170.520,00 Custo Unitário Importante! A alocação do custo do departamento de produção aos produtos é feita conforme o volume de produtos produzidos. Você percebeu que os custos totais de R$ 170.520,00 foram distribuídos aos produtos, certo? Porém, vamos às explicações para você compreender a absorção dos custos in- diretos, primeiramente pelos departamentos e, em seguida, pela sua apropriação aos dois produtos. 1. Com base nos rateios, aplicando os critérios já indicados para o departamento de Administração da produção, apurou-se um custo no mês de R$ 1.980,00, que foram distribuídos aos demais departamentos. 2. Para o departamento de manutenção, houve a apuração de seus custos espe- cíficos (recebidos conforme os critérios de rateio), somados à parte dos custos transferidos pela Administração da produção. 84 Contabilidade de Custos 3. O custo total do departamento de manutenção é apropriado aos departamentos de montagem e embalagem, que são departamentos produtivos e não auxiliares, (como manutenção e administração da produção). 4. Veja que os departamentos produtivos já absorveram todo o custo indireto (R$ 12.494,00 para embalagem e R$ 19.826,00 para montagem, totalizando R$ 32.320,00, o custo total indireto). Para finalizar, os dois produtos absorveram o custo total de produção do período (R$ 170.520,00), na proporção de R$ 112.036,29 para produto “A” e R$ 58.483,71 para o produto “B”. Esses valores poderiam ser diferentes? Sim, se os critérios de rateio fossem outros que não aqueles definidos pela empresa. Veja que, nesse contexto, reside um problema em utilizar o custeio por absorção para decisões gerenciais, pois, ao depender dos critérios de rateio, os custos dos produtos podem ficar distorcidos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, você estudou três conceitos fundamentais para uma análise apurada da performance de um negócio, o qual se apresenta como a margem de contribuição, o ponto de equilíbrio e a alavancagem operacional. São conceitos oriundos da contabilidade gerencial e esclare- cem muitos aspectos relativos à relação custo, volume e lucro. Portanto, pode-se afirmar que são conceitos imprescindíveis para uma gestão de resultado empresarial eficaz. Não devemos esquecer que essas ferramentas gerenciais devem ser utilizadas em conjunto, pois são interdependentes como meios de avalia- ção de um negócio. Além disso, é responsabilidade da contabilidade de custos elaborar os relatórios que as contemplem para que sirvam como apoio nas decisões econômicas. REFERÊNCIAS HORNGREN, C. T. FOSTER, G. DATAR, S. Contabilidade de custos. Vol. 1. 11.Ed. São Paulo: Pearson, 2004. HORNGREN, C. T. SUNDEM, G. L.; STRATTON, W. O. Contabilidade gerencial. São Paulo: Pearson, 2004. JIAMBALVO, J. Contabilidade gerencial. Rio de Janeiro: Editora LTC, 2002. PADOVEZE, C. L. Controladoria estratégica e operacional. São Paulo: Thomson, 2003. Conceitos gerenciais de custos 85 GABARITO 1. A margem de contribuição permite a análise sobre o quanto cada produto contribui para a cobertura dos gastos fixos, pois, com seu cálculo (preço de venda menos gastos variáveis), já temos a cobertura dos custos e das despesas variáveis. 2. A margem de segurança compreende a diferença entre a quantidade de vendas reais e aquela quantidade estabelecida no ponto de equilíbrio. Portanto, quanto maior e mais distante ela estiver do ponto de equilíbrio, mais garantia há de que a empresa irá obter resultados positivos. 3. Os custos fixos, também chamados de custos de capacidade, são aqueles recursos cujo consumo não está relacionado de modo proporcional com o volume de vendas. Quanto maior for a proporção desses custos fixos na estrutura de custos da empre- sa, maior será a variação do lucro operacional em relação às variações que possam ocorrer nas vendas. CUSTOSCUSTOS CONTABILIDADE de Ér ico E leuter io da Luz Código Logístico 59207 Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6589-9 9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 8 9 9 Página em branco Página em branco