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PRÁTICAS DE LUDICIDADE E MOVIMENTO 
Me. Lucimara Acosta 
GUIA DA 
DISCIPLINA 
 2022 
 
 
1 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA SOBRE A CONCEPÇÃO ACERCA DO QUE 
É SER CRIANÇA 
 
Eu não sei se eu classificaria como mais superficiais, mas elas são mais 
numerosas, mais imagéticas. Para dizer que elas são mais superficiais eu estou 
contrapondo um passado onde as pessoas se conheciam mais, era mais denso, e 
assim por diante. Um passado pacífico contra um presente de atrito, eu acho que 
isso é uma construção em geral da 3ª idade. Nós, a medida que envelhecemos, 
vamos criando uma sensação de que o passado era idealizado; então era como 
dizia a minha vó imigrante: 
 - Na minha época tudo era muito melhor, era mais pacífico. 
 - Mas vó, você fugiu da Europa, durante a 2ª guerra, 55 milhões de mortos 
 - Não, todo mundo se respeitava. 
A ideia do passado como melhor, perfeito e onde há harmonia passa por cima das 
grandes violências do passado. Agora, sem dúvida, o tipo de relação que causa 
prazer nos jovens de hoje provavelmente não é o tipo de relação das pessoas 
como eu com mais de 50 anos. Há uma diferença de concepção e sociabilidade. 
Por exemplo, para mim, um amigo virtual não existe. Para mim só existem amigos 
reais, isso é uma diferença. Assim que eu morrer vai predominar, numericamente, 
o outro sistema: a virtualidade. (Leandro Karnal em entrevisto à Isto É, s/d.) 
 
Começamos esta disciplina partindo de Leandro Karnal fazendo uma releitura de 
seu próprio passado e das pessoas que lhe cercam onde as construções do imaginário 
coletivo acabam por criar verdades que, se olhadas as luzes das ciências, não serão de 
fato verdades absolutas. Esta provocação de Karnal nos serve para que possamos 
compreender que somos produtos e produtores de conhecimento histórico e justamente 
por isso também produzido e construímos olhares. 
 
O entendimento de infância começou a ser melhor delimitado a partir do séc. XVIII, 
visto que anteriormente a esta época, entendia-se a criança como um pequeno adulto 
onde toda a desigualdade de gênero já estava presente – exemplo da Inglaterra que 
quando nascia um menino a igreja fazia 3 badaladas em um sino grande e quando nascia 
uma menina a mesma igreja fazia 2 badaladas em um sino menor. 
 
Após o século XVIII passou a ocorrer toda uma formação discursiva sobre os 
corpos com o objetivo de discipliná-lo e normatizá-lo. Para tanto, uma série de 
dispositivos passaram a serem acionados na família, sociedade, igreja, escola, etc. 
 
O entendimento acerca da infância nos tempos de hoje é referenciado por uma 
série de documentos oficiais que delimitam a faixa etária, quais desenvolvimentos devem 
ser estimulados e quais conteúdos devem ser ministrados: toda uma prática disciplinadora 
é imposta à estas pessoas. 
 
 
2 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e 
estarem no mundo é o grande desafio da educação infantil e de seus profissionais. 
Embora os conhecimentos derivados da psicologia, antropologia, sociologia, 
medicina etc. possam ser de grande valia para desvelar o universo infantil 
apontando algumas características comuns de ser das crianças, elas permanecem 
únicas em suas individualidades e diferenças. (BRASIL, 1998: 22) 
 
 
As políticas públicas voltadas para a criança foram necessárias para que a escola 
tivesse um objetivo mais específico a trabalhar com estas pessoas e assim obter 
melhores resultados dentro daquilo que passou a ser traçado como essencial. No Brasil 
temos a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), a Constituição Federal (CF), o Estatuto da 
Criança e Adolescente (ECA), e diversos outros documentos oficiais que trabalham as 
especificidades do desenvolvimento social. Mais recentemente tivemos o Plano Nacional 
da Educação (PNE) onde, afirma-se: 
 
Outro desfio o nacional é assegurar acesso pleno de crianças e jovens de 6 a 17 
anos aos ensinos fundamental e médio, inclusive com ampliação da oferta de 
educação profissional. Esse trabalho exige colaboração entre redes estaduais e 
municipais e acompanhamento da trajetória educacional de cada estudante. O 
estado precisa fortalecer seu papel de coordenação no território, fazendo busca 
ativa e viabilizando o planejamento de matrículas de forma integrada aos 
municípios, bem como incorporando instrumentos de monitoramento e avaliação 
contínua em colaboração com os municípios e com a União. Há ainda a 
necessidade de que os estados e municípios projetem a ampliação e a 
reestruturação de suas escolas na perspectiva da educação integral, e, nesse 
contexto, é estratégico considerar a articulação da escola com os diferentes 
equipamentos públicos, espaços educativos, culturais e esportivos, revitalizando 
os projetos pedagógicos das escolas nessa direção. (BRASIL, 2014: 11) 
 
 
A sua importância se dá pelo reconhecimento da necessidade de estruturas que 
propiciem o desenvolvimento psicossocial das pessoas de 6 a 17 anos por meio da 
colaboração das instituições públicas a nível municipal e estadual, com amplo apoio 
federal para que se possa atingir as 20 metas existentes no PNE. 
 
Conforme pudemos analisar neste artigo, o conceito de criança e adolescente está 
inserido num dado momento histórico extremamente específico e a própria verdade 
construída sobre o que é ser criança e o que é ser jovem, também é um produto deste 
contexto histórico onde estamos inseridos. Logo, devemos partir do entendimento de que 
há várias formas de ser crianças e várias formas de ser jovem. Evitando, assim, a criação 
de um modelo único e padrão sobre comportamentos compreendidos como corretos e 
 
 
3 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
normais – afinal de contas, tais conceitos também são construções sociais e necessitam 
ser constantemente problematizados. 
 
Novamente caímos em algo extremamente importante “o professor” quem é este 
profissional da educação que servirá como suporte e base na formação da criança e do 
adulto de amanhã? Está preparado e qualificado para desempenhar suas funções? 
 
As respostas nós educadores estamos procurando e para isso cada vez mais 
estudando e entendendo o que é ser criança, o que é ser um “ser” em formação 
absorvendo todas as informações que para ele são relevantes para sua formação como 
um ser social, mesmo que a criança não saiba o que está fazendo ela estará usando e 
tomando como exemplo o profissional da educação. Torna-se cada vez mais importante a 
nossa função dentro da sociedade e principalmente nas transformações que estão 
ocorrendo no mundo e adequar a educação de base para esses movimentos de mudança 
no mundo em que a criança está inserida. 
 
A partir da Constituição de 1988 e do Estatuto da Criança e do Adolescente, as 
crianças brasileiras, sem distinção de raça, classe social, ou qualquer forma de 
discriminação, passaram de objetos a serem «sujeitos de direitos», considerados em sua 
«peculiar condição de pessoas em desenvolvimento» e a quem se deve assegurar 
«prioridade absoluta» na formulação de políticas públicas e destinação privilegiada de 
recursos nas dotações orçamentárias das diversas instâncias político-administrativas do 
País.(pt.wikipedia.org) 
 
Passamos a observar que o ECA tem uma preocupação mais acentuada em 
relação a saúde social, familiar e educacional das crianças sem a preocupação do menino 
ou menina. A cor, raça e credo ou qualquer outra diferença não importam, pois, criança é 
criança e professor é aquele que levará para a sala de aula para o espaço educação a 
certeza que todos nós somos iguais perante a lei de Deus e dos Homens. 
 
A escola deverá ser o espaço de abertura de novas ideias e de construçãoda 
cidadania e cabe a escola e família juntas proporcionar a educação de qualidade e 
construir um cidadão pleno de seus deveres e obrigações. 
 
A criança merece ser feliz! 
 
 
4 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
2. ASPECTOS DO SER CRIANÇA NA CONTEMPORANEIDADE 
 
Muitas vezes ouvimos as pessoas mais velhas – inclusive educadores – falando 
que as crianças de hoje em dia não são como antigamente, que a educação mudou, o 
respeito é inexistente, que elas estão mais ansiosas, mais agitadas e mais briguentas. 
Assim como, muitas professoras e professores falam que as crianças não aceitam mais 
aquilo que lhe são impostas e atividades obrigatórias que devem realizar. 
 
Essas mudanças comportamentais costumeiramente relatadas fazem parte da 
própria mudança da estrutura da sociedade contemporânea: a criança não tem mais um 
acompanhamento individual de seus responsáveis, é colocado nas creches e escolas de 
ensino infantil ainda muito cedo e seus desenvolvimentos e amadurecimento fazem com 
que sintam a necessidade de se tornarem independente de si (Narodowski, 1995) – 
obviamente com toda a limitação existente para uma criança com essa fase de idade. 
 
Portanto, entende-se que a infância também é uma construção social, cultural e 
histórica, onde as subjetividades a respeito do que é ser criança e também sobre o que é 
a infância na contemporaneidade são produtos destas formações discursivas reiteradas 
constantemente em nossos próprios cotidianos. 
 
A construção social da infância se concretiza pelo estabelecimento de valores morais e 
expectativas de conduta para ela. Podemos falar de uma invenção social da infância a partir do 
século XVIII, em que há uma fundação de um estatuto para essa faixa etária [...] Assim, a criança, 
já neste século, viu-se integrada em uma noção de desenvolvimento, a qual passou a mostrá-la 
como um ser cujo crescimento é um desdobrar- se numa sucessão de fases intelectuais e 
emocionais. (OLVEIRA, BRANCHER, NASCIMENTO, 2008: 09) 
 
A virada do século passado foi decisiva para mudarmos os discursos a respeito da 
criança e infância na sociedade atual. Isto porque o dinamismo social pós-revoluções 
industriais modificaram o seio familiar, onde estas mudanças favoreceram para que a 
responsabilidade sobre a criação das crianças não ficasse apenas com a família. Para 
tanto, a escola passou a ter um papel de grande influência na formação das crianças e 
necessitamos repensar nossos discursos quando falamos que cabe apenas à família a 
educação das crianças. 
 
 
5 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Obviamente que não cabe a nós, professores, o papel exclusivo da educação das 
crianças e jovens, mas também partilhamos desta responsabilidade a partir do momento 
em que optamos em sermos professores e nos dedicarmos à prática docente no geral e, 
portanto, não podemos fazer discursos de que não cabe a nós a educação e sim apenas 
aos pais; o dinamismo social mudou, as relações sociais mudaram e a estruturação social 
também mudou. 
 
Temos que entender, acima de tudo, que não existe um conceito universal sobre o 
que é ser criança e como deve ser uma criança – principalmente se problematizarmos o 
conceito da normalidade (e necessitamos problematiza-lo!) – sim que devemos pensar 
nas mais variadas crianças e formas de sê-las, pois, assim, poderemos compreender as 
pluralidades e diferenças existentes no ser criança. 
 
Dessa forma, é necessário se estar atento para a o fato de que comportamentos 
considerados patológicos podem estar sendo erroneamente classificados assim devido ao 
olhar isolado sobre eles, sem levar em consideração todos os possíveis fatores que 
levarem a criança a tomar tal conduta. Uma atitude vista como anormal, pode, na 
verdade, ser a melhor forma que a criança encontrou para resolver um conflito que a esta 
incomodando. Não se quer dizer com isto que atitudes hostis da criança, como, por 
exemplo, comportamentos agressivos não devam ser cuidadosamente analisados, 
entretanto deve-se tomar a precaução de que tal análise não seja superficial, tornando-a 
taxativa para a criança. (DELATORRE, SANTOS, DIAS, 2011: 325) 
 
Reconhece-se, então, que os próprios conceitos de normalidade, anormalidade e 
psicopatológico são construções sociais que ora podem estar relacionados a 
comportamentos compreendidos como corretos, ora com comportamentos 
compreendidos como incorretos. Para isso, devemos ter um elevado grau de criticidade 
para, inclusive, pensar sobre estas conceituações que buscam normatizar o 
comportamento humano e, em muitos casos, medicalizar suas sensações e expressões. 
Vale lembrar que o Brasil teve um crescimento1 de 775% no consumo de ritalina, nos 
últimos 10 anos. A ritalina é um remédio desenvolvido para crianças com transtornos de 
atenção durante a década de 1950 e muito utilizadas nos tempos atuais para “acalmar” as 
 
1 D isponíve l em: h t tp : / /www.car t acap i t a l . com.br /saude/min is te r io -da-saude- rec omenda- res t r i cao -
ao-uso-de - r i t a l ina-9208.h tml 
Acesso em: 12/07/2017. 
http://www.cartacapital.com.br/saude/ministerio-da-saude-recomenda-restricao-ao-uso-de-ritalina-9208.html
http://www.cartacapital.com.br/saude/ministerio-da-saude-recomenda-restricao-ao-uso-de-ritalina-9208.html
 
 
6 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
crianças. A medicalização das sensações humanas necessita ser repensada de forma 
emergencial para que as crianças possam ser crianças sem a necessidade de impor 
ações medicamentosas sem uma real necessidade para tal. Afinal de contas, o que é 
normal e anormal? 
 
A necessidade do constante debate sobre o normal e o patológico se dá para que 
possamos pensar sobre o que esperamos que as crianças absorvam e aprendam em 
nossas aulas, assim como os motivos para que o desinteresse na escola esteja presente 
ainda muito cedo. Afinal de contas, a arquitetura escolar de hoje em dia é a mesma do 
século XVIII, mas as crianças não são mais as mesmas, os jovens não são, a sociedade 
não é e, ainda assim, a escola busca disciplinar e normatizar. 
 
O comportamento inquieto da criança pode estar associado aos mais diversos 
fatores sem que exista um motivo específico para tais comportamentos, necessitamos 
olhar para a sala de aula, compreender as suas especificidades para então criarmos 
métodos e metodologias específicas para que possamos trabalhar com seus cotidianos e 
necessidades. 
 
Agora entendemos o papel de currículos e programas de ensino melhores 
adaptados e elaborados para um desenvolvimento pleno das atividades propostas em 
sala e melhoria das ações dos professores nas escolas. 
 
Ainda assim deparamos com alguns problemas de qualidade de escolas que se 
propõem a ensinar a “educação de base”, escolas que nitidamente não se adéquam as 
novas necessidades da sociedade como um todo. 
 
Então surge o papel do professor com suas metodologias e propostas pedagógicas 
que facilitem a aprendizagem no todo, pois para cada criança e cada escola deverá haver 
um diferencial de ensino e, portanto, um diferencial de aprendizagem. Cabe a nós 
educadores\professores\mediadores entendermos a necessidade de conhecermos o 
nosso público o nosso aluno não só como um ser que irá aprender, mas como uma 
“cabeça pensante” e que está buscando algo diferente do que tem em casa, mas nós 
temos que lembrar que o respeito, a qualidade e a dedicação deverá ser igualitária. Não 
existem diferenças entre crianças o que existe são condições e ferramentas de apoio e de 
materiais para o desenvolvimento pleno de suas capacidades de aprendizagem. 
 
 
7 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
3. O DESENVOLVIMENTO HUMANO E A INFÂNCIAJá aprendemos que o entendimento acerca do que é a infância e como ela se 
constitui são construções sociais onde o ser criança em uma determinada região é 
diferente do ser criança em outra região – do mesmo país ou até mesmo de países 
diferentes. Portanto, buscou-se universalizar este entendimento para que uma série de 
estudos pudessem ser desenvolvidos e assim melhorar nossas práticas pedagógicas 
cotidianas para com elas. 
 
Não podemos olhar para uma criança e partir de um entendimento único, 
referenciado pelas questões biológicas e genéticas, esquecendo o meio no qual ela está 
inserida e em qual contexto ela se refere. Olhar para a criança é olhar para o contexto: 
quando olhamos para a criança de outras gerações, estamos ancorados num olhar 
contemporâneo e por isso muitas vezes olhamos para o passado e falamos que no nosso 
tempo era melhor, que a escola era melhor e assim por diante; por isso devemos tomar 
muito cuidado com o anacronismo. 
 
Nós estamos constantemente imersos em uma determinada cultura onde somos 
sujeitos e sujeitados por ela e, por isso, muitas das nossas construções e entendimentos 
se dão a partir deste local onde estamos imersos/inseridos. O contexto social passa a ser 
não apenas coadjuvante no processo de construção das identidades como também de 
fundamental importância em influenciar os sujeitos a que nele estão inseridos. 
 
Podemos partir de uma gama de teóricos que nos dão suportes para pensar a 
sociedade e principalmente o desenvolvimento humano. Citemos alguns exemplos: 
• Skinner e Watson afirmam que as crianças vão aprendendo a serem que são 
por meio de um intenso processo de repetição dos mais velhos, são 
verdadeiras tabulas rosas. 
• Chomsky afirma que as crianças já nascem com condições biológicas 
suficientes para se desenvolverem onde o ambiente não influencia diretamente 
o seu desenvolvimento. 
• Piaget afirma que a formação da criança se dá a partir da interação entre o 
desenvolvimento do biológico conjuntamente com o meio no qual ela está 
inserida. 
 
 
8 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
• Vygostky afirma que o desenvolvimento da criança se dá a partir da interação 
com o meio no qual ela está inserida por meio de intensos processes entre a 
própria interação com a mediação. 
• Fodor afirma que as características individuais se dão a partir do 
desenvolvimento humano por meio da relação com o local onde ela está 
inserida e o desenvolvimento genético e ecológico. 
 
Freud e outros teóricos psicanalíticos compreendem que o desenvolvimento 
humano está ancorado a partir de sua fase infantil, por manifestações do consciente e 
inconsciente, através dos conflitos internos. 
 
Se levarmos em consideração o que vem a ser uma criança teremos que entender 
que primeiramente é um “ser humano” em processo de crescimento físico, psicológico e 
emocional. Como fazer então para que seja um crescimento pleno de realizações e que 
futuramente seja um adulto capaz de desenvolver suas ideias e atitudes em prol de uma 
sociedade maior e melhor? 
 
Não é uma receita de bolo que já vem pronto, mas uma visão de um mundo maior 
do que ela está habituada a conviver e entender que o mundo é maior que a escola e que 
sua casa e principalmente que todos os habitantes deste suposto mundo possuem 
direitos e deveres. 
 
Começa então a compreensão do que é o mundo real e qual o espaço que a 
criança tem como seu e o espaço que ela terá que compartilhar com os outros, importante 
entender o papel da escola como um agente transformador de ideias, opiniões e 
principalmente transformador de condição de vida. 
 
Um dos aspectos importantes a ser observado é o raciocínio lógico que envolve a 
formação e a construção do conhecimento de forma mais elaborada, pensar.... pensar… 
pensar... e aí sim tomar atitudes, gestos e entender que através da compreensão dos 
fatos é que decisões devem ser tomadas de forma a trabalhar por uma sociedade mais 
gratificante e menos opressora. Começamos então a construção do cidadão. Se a escola 
é o local de junção do conhecimento e formação do cidadão, qual é o papel do professor? 
MEDIAR. 
 
 
 
9 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Levamos para a escola o nosso conhecimento adquirido durante a nossa existência 
(crianças, professores...), então se percebe que a construção do conhecimento 
matemático ou das linguagens, por exemplo, de um modo geral é feita através de práticas 
educacionais realizadas em conjunto e não somente partindo de uma ou outra pessoa. 
Dizem que a matemática é uma ciência de exclusão, mas como de exclusão se todos os 
dias quando acordamos já acordamos vivenciando a matemática?... Para isso observa-se 
a necessidade de entendimento do que irá aprender e para que serve o que irá aprender 
nas escolas, o professor novamente aparece com o papel de intermediar o conhecimento 
prévio ao conhecimento necessário para o desenvolvimento da criança como um todo. 
 
A matemática e suas linguagens de aplicação são exemplos utilizados neste 
momento para demonstrar que a interação do homem com o mundo é realizada através 
de lógica e aplicações de conceitos pré-concebidos e novos conceitos formados ao longo 
de sua história de vida. 
 
Vejamos, se a Matemática foi elaborada a partir da atuação do homem no mundo, 
por que então nossas escolas não oferecem à criança a possibilidade de se apropriar do 
conhecimento elaborado por seus antepassados, na relação com o seu mundo? Se a 
Matemática é uma ciência simples e natural por que, então, considera-se que somente 
alguns dão conta desse saber? Ao responder essas perguntas percebe-se que é 
emergente a necessidade de a escola contemporânea propiciar um ambiente 
matematizador. Segundo Kamii (1994), o ambiente social e a situação que o professor 
cria são cruciais no desenvolvimento lógico-matemático. (KAMII. 1994:63) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
4. O ATO DE BRINCAR NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL 
 
Partindo de Vygotsky (1991, 1996), o ato de brincar é de fundamental importância 
para o desenvolvimento infantil pelo fato de que a interação com o seu meio se dá de 
forma dialética: a criança nunca está só, será por meio desta interação que o seu 
desenvolvimento se efetuará. Os laços desenvolvidos nestas vivências possibilitam à 
criança se entender enquanto sujeitos e também reconhecer o outro. Sua teoria relaciona 
o método genético ou evolutivo com a capacidade da criança de pensar o seu 
desenvolvimento social – passando do ser biológico para o sócio-histórico. 
 
Entende-se que as questões culturais influenciam diretamente no desenvolvimento 
da criança visto que será por meio das inter-relações que a criança poderá se 
desenvolver. O primeiro núcleo social onde ela está inserida – a família – darão condições 
para o seu desenvolvimento intelectual. 
 
Afirma-se que será por meio da observação do comportamento da criança durante 
o ato de brincar que poderemos ter subsídios para analisarmos as transformações 
psicológicas em que ela está vivenciando. O ato de brincar torna-se, portanto, de grande 
importância para que possamos compreender seu comportamento e para que ela mesma 
possa se reconhecer enquanto sujeito de direito. Sendo assim, ela também se reconhece 
enquanto partícipe deste desenvolvimento. Outros aspectos que não poderemos 
esquecer é que na família entra também o aspecto afetividade, alimentação e o conviver 
em sociedade, sendo a família a primeira sociedade que a criança conhece. 
 
A importância do brinquedo (Vygotsky, 1991) e do ato de brincar são centrais no 
desenvolvimento cultural daquela criança e por isso que incentivar a ludicidade, por meio 
das brincadeiras imaginativas, são fundamentais para que a criança possa sedesenvolver 
positivamente. Afinal de contas, um rolo de papel toalha para uma criança se torna uma 
espada, um lençol de uma cama se torna uma capa de heroínas e heróis e, por isso, se 
faz extremamente necessário que seus responsáveis e professoras/es estejam 
cotidianamente atendo e participem deste processo: a partir do momento que o poder 
imaginativo da criança se entrelaça com adultos dos quais ela têm afeto, possibilitará para 
que ela estabeleça relações afetivas e de empatia com terceiros. 
 
 
 
11 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Brinquedos que dificultam a possibilidade de crescimento social e cognitivo 
necessitam ser repensados e brinquedos que estimulam o consumismo e reiteram os 
padrões de belezas eurocêntricos necessitam ser problematizados para que possamos 
pensar em quais crianças estamos criando e formando para a sociedade. Necessita-se 
pensar em brinquedos que estimulem jogos cooperativos por meio do reconhecimento do 
outro e pensar na validade, ou não, de brinquedos que reiteram os padrões de beleza 
eurocêntrico – afinal de contas, invisibilizar e silenciar as diferenças de etnias, de 
gêneros, de sexualidades, etc, tornam-se uma agressão para a formação sócio-afetiva 
das crianças. Uma grande possibilidade é trabalhar com brinquedos que não imponham 
as performatividades de gênero (Butler, 1990) e estimularmos as crianças a brincarem 
com todos os tipos de brinquedos, sem qualquer distinção de gênero. Afinal de contas, o 
ato de brincar é simplesmente ato de brincar, e propicia o desenvolvimento do respeito, 
da empatia e do reconhecimento ao próximo. 
 
Há diversos relatos de meninas que usam os sapatos e roupas do pai e meninos 
que usam os saltos e roupas da mãe. Ela, enquanto criança, não atribui nenhum valor de 
gêneros ou sexualidades à vestimenta, o que ela atribui, na verdade, é um espelho da 
imagem de seus pais onde o se vestir com as roupas deles, busca-se, apenas, querer ser 
que nem eles são e reconhecer as suas importâncias. Portanto, nós, enquanto 
educadores, temos que estar preparados, capacitados e referenciados teoricamente para 
trabalhar estas questões com os próprios pais com o objetivo de não cercearmos este 
desenvolvimento infantil ancorado em algum possível preconceito ou discriminação por 
gêneros e sexualidades. 
 
[...] além de ser uma necessidade básica é também um direito da criança e lhe 
possibilita experiências ricas e complexas como os laços de amizade, fazendo 
parte do processo de formação educativa do ser humano, e, portanto essencial. 
Mas, não é apenas este benefício que a brincadeira traz consigo, brincar é 
essencial para a vida familiar, para a saúde, para a socialização da criança, para o 
desenvolvimento físico, cognitivo, entre outros. (PAVEZI, LIMA, 2012: 2856) 
 
A brincadeira torna-se, portanto, uma estruturação de signos, regras e valores que 
são necessárias para a formação cognitiva daquela criança e por isso o brincar deve estar 
incluído nas ferramentas pedagógicas e estimuladas o máximo possível pelos 
professores. Entretanto, ressalta-se a importância de que o brinquedo e o brincar não 
devem ser trabalhados sem um método, metodologia e objetivos específicos, necessita-se 
pensar em suas formas de trabalho e quais propostas se esperam atingir. 
 
 
12 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Algumas vezes vemos escolas que pedem para as crianças levarem seus 
brinquedos e não há nenhuma atividade especifica desenvolvida para as crianças: apenas 
levam seus brinquedos e brincam entre si. Isto necessita ser repensado pela/o 
professora/or para que os brinquedos levados possam ser trabalhados de tal forma para 
que todas as pessoas brinquem e não reiteramos, mais uma vez, as performances de 
gênero. A brincadeira deve ter caráter comunitário e não individual, agregar valores 
morais e incentivar a troca de brinquedos como sendo uma maneira de interagir com o 
próximo, saber repartir. 
 
Uma das formas de se trabalhar o ato de brincar positivo é estimular pais a não 
levarem brinquedos generificados e, se assim fizerem, criarmos métodos específicos para 
que todas as crianças possam brincar. Afinal de contas, ao estimularmos que meninas 
brinquem com carrinhos estaremos estimulando que suas visões espaciais sejam maiores 
e compreendam que podem brincar e ocupar todos os espaços. Assim como ao 
estimularmos meninos a brincarem com bonecas e utensílios domésticos, 
desenvolveremos suas visões espaciais menores se atentando aos detalhes e com o 
cuidado ao próximo. 
 
Interessante é poder brincar e ser feliz, sem preocupações se estou como criança 
aprendendo a cuidar, tratar, fazer contas... o ato de brincar deverá servir de estímulo para 
que a criança desenvolva todas as suas habilidades e competências da melhor forma 
possível. 
 
Lembre-se: o ato de brincar não é apenas uma simples brincadeira, é uma forma 
de criar sociabilidade para a criança, trazer novos valores e fomentar o respeito e a 
empatia! 
 
 
 
 
 
 
 
13 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
5. O DESENHO E A BRINCADEIRA INFANTIL: MAIS QUE UM 
DESENHO E UM BRINQUEDO, UM SIGNIFICADO! 
 
Assim como andar, falar e se relacionar, ninguém nasce sabendo desenhar e 
brincar. Aprende-se com o tempo e servem para estabelecer formas de comunicação 
intrapessoal e interpessoal. O desenvolvimento da criança é dividido em diversas fases e 
estágios, cabendo ao professor reconhecer estes momentos e saber quais as formas de 
comunicação se dão em cada um deles. 
 
Para tanto, este ensaio fará uso apenas de imagens para que possamos pensar 
sobre como as vivências pessoais e sociais influenciam diretamente no ato do brincar e 
desenhar em cada criança que foram vítimas de violências diversas ou que não tiveram 
vivências marcantes negativamente: 
 
Vítima de estupro 
 
Criança palestina retratando as invasões israelenses 
 
 
 
14 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Brinquedos de crianças da China 
 
Brinquedos de crianças do Malawi 
 
 
 
 
 
15 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Brinquedos de crianças da Itália 
 
Brinquedos de crianças da Ucrânia 
 
 
 
16 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A brincadeira, o desenho, a fala.......retratam muitas vezes o que é ser criança e o 
meio onde vivem, ser criança não é somente viver sem preocupações ou só brincar, ser 
criança é vivenciar momentos que muitas vezes nem sabem que estão vivenciando mas 
ficam com profundas marcas. 
 
Nos dias atuais a brinquedoteca de uma escola deverá ter uma gama acentuada de 
brinquedos diferenciados, pois temos crianças diferenciadas também, não só pensar em 
blocos lógicos, construções com blocos, carrinhos ou bonecas... mas devemos pensar 
que é um espaço para criação de ideias. 
 
A brinquedoteca é uma fábrica de cabecinhas pensantes em formação que estarão 
motivando e incentivando seus “cérebros” as pensarem e agirem de forma a programar 
suas atitudes e gestos. Local para compartilharem brinquedos e principalmente 
experiências. 
 
Cabe ao professor desenvolver atividades propícias as crianças para que tenham 
uma formação plena de suas aptidões e aprenderem antes de qualquer coisa que 
deverão compartilhar, o futuro do cidadão começa na brincadeira. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
6. A CONTRIBUIÇÃO DO DESENHO AO DESENVOLVIMENTO 
INFANTIL 
 
Antes mesmo da criança começar a ser escolarizada o desenho costuma se fazer 
presente eu seu cotidiano: seja por meio da família, de vizinho ou amigos,muitos 
presenteiam uma criança com uma folha em branco, lápis e/ou caneta para que ela se 
entretenha e ocupe seu tempo com alguma atividade lúdica. Então, bem possivelmente, 
quando a professora passar uma atividade de desenho, a criança não terá muitas 
dificuldades em realizar visto que por mais que ela nunca possa ter feito um desenho, ao 
menos algum ela já viu: irmãos, amigos e/ou até mesmo grafites nas paredes da cidade. 
 
Diversas são as importâncias e utilizações do desenho infantil: teste psicológicos, 
análises cognitivas, reconhecimento de desenvolvimento de coordenação motora, entre 
outros. Entretanto, ressalta-se a necessidade de compreender o desenho a partir de um 
intenso processo de produção e formação, e não apenas como um produto final. Logo, há 
a necessidade de contextualizar todo o processo e buscar entender quais signos estão 
presentes e quais mensagens a criança busca passar por meio de uma das poucas 
formas de comunicação: o desenho. 
 
Na aula passada vimos o desenho de duas crianças: uma que sofreu abuso sexual 
e outra que vive em zona de conflito entre Israel e Palestina. Ainda que o segundo 
exemplo seja difícil termos em nossa sala de aula, devemos reconhecer que o primeiro 
está presente visto que constantemente o Governo recebe em torno de 70 denúncias 
diárias, onde as meninas são as maiores vítimas e 48% dos casos totais ocorrem dentro 
da própria casa da vítima. Embora tenhamos mais dificuldades de receber alunos de 
zonas de conflitos, como a de Israel, não podemos nos esquecer que de acordo com o 
Mapa da Violência2 de 2015, a Polícia Militar do Estado de São Paulo assassinou 412 
pessoas apenas na cidade de São Paulo, o que corresponde a um total de 24% das 
pessoas assassinadas na própria cidade, mas também temos em contrapartida que vários 
assaltos e roubos também terminaram em violência física e até mesmo mortes. As 
crianças já crescem ouvindo relatos de casos violentos dentro da cidade onde moram e 
até mesmo na própria casa com a violência contra alguém da família. 
 
2 V isua l i zado em: h t tp : / /espec ia is .g1.g lobo.com/sao -pau lo /2016/mapa-da -v io l enc ia / 
 Acessado em 12/07/2017. 
http://especiais.g1.globo.com/sao-paulo/2016/mapa-da-violencia/
 
 
18 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Escolas situadas em regiões de precariedades e vulnerabilidades tenderão a ter 
brinquedos que se identifiquem com seus cotidianos, assim como regiões com boa 
infraestrutura tenderão a ter brinquedos identificando suas especificidades. O mesmo vale 
para desenhos que retratarão seus cotidianos familiares, sociais e de relacionamentos 
interpessoais. Portanto, devemos compreender brinquedos e desenhos não como uma 
simples ludicidade, sim como uma consequência do meio no qual a criança está inserida. 
 
O desenho não serve apenas para identificar a sua realidade – ainda que seja um 
excelente instrumento para isso – mas também para desenvolver suas habilidades e 
competências. O desenvolvimento motor fino será de fundamental importância para que a 
criança desenhe dentro de desenhos previamente disponibilizados, ligue pontos para 
formar figuras e desenhos, e também para que a criança reconheça seus limites e 
dificuldades e seja estimulada para seu melhor desenvolvimento. 
 
Necessitamos pensar para que estas atividades trabalhem a cooperatividade por 
meio de atividades conjuntas, onde todos fazem uso coletivamente dos materiais como 
lápis de corte e giz de cera e evitarmos atividades individuais e individualizantes, visto que 
a partir do momento que trabalhamos de forma conjunta, também desenvolvemos a 
empatia e a compreensão do tempo individual de cada criança no desenvolvimento da 
atividade proposta. Aquele aluno que quiser usar o giz de cera azul e já tiver outro 
utilizando, terá que esperar ou, então, fazer uso de outra cor para outra parte do desenho 
enquanto o azul está em uso. Isso faz com que o aluno compreenda o que é viver em 
sociedade de forma harmônica, assim com reconhecer que cada um tem o seu tempo e é 
necessário respeitar. 
O contato com colegas e professores, dependendo de como o trabalho 
pedagógico se desenvolve com as crianças, pode ser extremamente enriquecedor, 
pois o tempo todo, a criança pode ser convidada e estimulada a ver e pensar 
sobre suas e outras produções e ações gráficas. Porém, é necessário lembrar 
aqui, que, dependendo de como é feito o trabalho do professor, este pode ser 
extremamente empobrecedor para a criança e para sua capacidade de desenhar. 
(LEME, 2007: 9) 
 
O reconhecimento do Outro, do tempo do Outro e das limitações do Outro servirão 
para que o aluno se reconheça e reconheça seu próprio tempo e limitações. Para tanto, 
devemos instigar as atividades coletivas como mecanismo de desenvolver a sociabilidade 
individual e coletiva. 
 
 
19 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Por fim, mostrarei 3 exemplos de atividades lúdicas em grupo e que o professor 
deverá estimular a cooperatividade e nos momentos em que a competitividade estiver 
presente de forma maléfica, como cobrança em demasia daquele que perdeu – ou até 
mesmo a criança que não souber lidar com a derrota, o professor deverá se atentar e criar 
mecanismos para que se retome o trabalho cooperativo e a valorização da empatia: 
 
 
Entenda que o desenho, a brincadeira em grupo ou individual são mecanismos que 
o professor tem para um diagnóstico de situações que estão em andamento ou já 
aconteceram na vida da criança que muitas vezes não querem falar para alguém ou não 
sabem falar. Muitas vezes a agressão que sofrem é tão rotineira que elas acham que isso 
faz parte da vida, que é normal e correto. Ser professor é muito mais do que ser 
“professor” é ser o amigo oculto no momento da escuridão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
20 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
7. A UTILIZAÇÃO DE JOGOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
Pensar em jogos educacionais é uma tarefa que exige demasiado tato para que 
possamos pensar na melhor forma de aplicá-los no cotidiano escolar, visto que cada faixa 
etária exige certo grau de desenvolvimento e habilidades específicas. A amarelinha não é 
uma simples brincadeira de pular, sim de conhecer seus limites e buscar superá-los, tanto 
que ela é feita coletivamente e não individualmente, visto que a atividade lúdica coletiva 
ajuda a criar a empatia e a noção de apoiar o próximo para superar suas próprias 
limitações. 
 
Para que uma atividade seja bem desenvolvida, a professora deve reconhecer a 
especificidade da turma e melhor articulá-la para seu bom desenvolvimento. Há de se 
pensar, também, em atividades que possibilitem flexibilizações das regras para que os 
alunos busquem estas alternativas, analisem as possibilidades e desenvolvam suas 
criticidades, por mais que um jogo com regra específica seja positivo para que o aluno 
saiba lidar com as regras sociais, a possibilidade de flexibilizar as atividades também cria 
a possibilidade do aluno desenvolver novas possibilidades e visões. 
 
Atentemo-nos para que a atividade não seja o oposto do objetivo: prazerosa, lúdica 
e cooperativa. Desenvolver atividades que incitem a competitividade com cobrança em 
demasia pode ser prejudicial para o desenvolvimento da empatia na criança. Devemos 
nos lembrar que a escola necessita ser um local para a construção dos valores sociais e 
coletivos, não mercadológicos competitivos. 
 
A prática etnocêntrica necessita ser analisada com atenção para que não 
incorremos na possibilidade de subvalorizar ou, até mesmo, desvalorizar as culturais 
locais. Citamos o exemplo de uma escola indígena: os jogos e brincadeiras estão 
inseridos naquela cultura local e, para tanto, devemos respeitá-la e até mesmo estimula-la 
por ser benéfica paraa comunidade local. Jogos que envolvam arco e flecha, corrida e 
pinturas corporais têm um imenso significado para aquela comunidade, cabendo a nós, 
professores, reconhecer e valorizá-la. 
 
Considerar que o jogo tem um sentido dentro de um contexto significa a emissão 
de uma hipótese, a aplicação de uma experiência ou de uma categoria fornecida 
pela sociedade, veiculada pela língua enquanto instrumento de cultura dessa 
sociedade. Toda denominação pressupõe um quadro sociocultural transmitido 
 
 
21 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
pela linguagem e aplicado ao real. (KISHIMOTO, 1994: 108) 
 
Qual sentido pode ser dado para uma partida de amarelinha no Ensino Infantil? E 
de xadrez a ser trabalhada com crianças do Ensino Fundamental I? Ou, então, com 
competições com jovens do Ensino Fundamental II? Quais relações existem nas 
atividades competitivas e cooperativas na escola? Como deve se posicionar o professor 
frente a casos de discriminações existentes, maquiadas de brincadeiras? Todas essas 
perguntas devem ser pensadas e respondidas, o que buscarei trabalhar nos parágrafos 
seguintes: 
 
A amarelinha facilitará o desenvolvimento espacial da criança, a noção do espaço 
do chão perante o desenho delimitado dos quadrados a serem pisados, assim como a 
intensidade da utilização de sua força para a propulsão do pulo até o quadrado 
necessário. As crianças ao redor deverão ser estimuladas a apoiarem aquele que estiver 
brincando, não fazer chacota ou “brincadeiras” quando ela perder. Enquanto elas fazem a 
leitura de que estão apenas brincando, sabemos que a atividade servirá para estimulá-las 
a superar suas barreiras e dificuldades e, para isso, o apoio das pessoas ao redor é 
fundamental para que desenvolvamos o entendimento de solidariedade. 
 
O xadrez possibilitará, por meio de sua competitividade, o desenvolvimento do 
desafio ao não saber qual será a próxima jogada do oponente – visto que as múltiplas 
possibilidades incentivam um maior poder analítico. Angélico e Porfírio (2010) afirmam 
que 
O xadrez, ao ser introduzido na sala de aula, auxilia no desenvolvimento de 
autoconfiança, porque os alunos têm a oportunidade de aprenderem o jogo, 
avançando gradativamente em suas habilidades e melhorando suas estratégias e 
raciocínios. Ao se destacarem ou perceberem que são capazes de exercer uma 
atividade dessa natureza, podem, de modo paralelo, progredir em outras 
disciplinas escolares. (ANGÉLICO; PORFÍRIO, 2010: 4) 
 
O desenvolvimento do raciocínio e a necessidade do estímulo à estratégia fazem 
com que o aluno compreenda a importância da concentração e atenção perante o 
cotidiano, visto que embora o xadrez seja estimulado em sala de aula como uma atividade 
lúdica, ele propiciará o olhar mais apurado frente às adversidades. 
 
 
 
22 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Já no ensino fundamental II muitas atividades competitivas começam a ser 
fortemente estimuladas por meio dos campeonatos esportivos em detrimento da falta de 
estímulo para as atividades culturais e cooperativas, isto é algo que a escola necessita 
estar sempre em atenção! 
 
Conforme Acosta (2016), muitos são os relatos de práticas LGBTfóbicas no 
cotidiano escolar quando ocorrem as atividades esportivas competitivas sem que haja um 
posicionamento adequado da escola, normalmente silenciando as discriminações e não 
criando ações específicas no combate às múltiplas formas de intolerância. 
 
As práticas esportivas serviam para a aplicação da heteronormatividade, onde as 
interlocutoras afirmaram que ouviam dos professores durante as poucas vezes em que 
eram obrigadas a participar que deveriam “endireitar a mão”, “correr que nem homem” e 
“que não podiam jogar vôlei porque era esporte de mulher, sim jogar futebol que era de 
homem”. Estes discursos extremamente violentos tinham como objetivo disciplinarizá-las 
e normatizá-las, dispositivos estes que nunca atingiram seus objetivos e, por isso, as 
subalternizavam pela imposição de não-lugares a elas. (p. 176) 
 
Afirma ainda que “a Educação Física atua enquanto dispositivo normatizador de 
masculinidades e feminilidades com o objetivo de criar comportamentos compreendidos 
como os esperados e corretos dentro do binário de gênero. ” (p.177). Portanto, a escola 
necessita pensar quais objetivos se pretende atingir com a atividade lúdica para que não 
estimule incivilidades frente as diferenças. 
 
É extremamente importante que a escola e os professores estejam preparados 
para atuarem como mediadores de regras, normas e costumes, porém entendendo que a 
sociedade é diferente e as pessoas que fazem parte desta sociedade também são 
diferentes. 
 
Os jogos na educação infantil são um meio de estímulo as vivências diferenciadas, 
competição, alegrias, cooperação, afetividade e muitas outras emoções e atitudes 
inseridas no processo de crescimento cultural, emocional e afetivo da criança. 
 
Um dos problemas que afeta hoje a “brincadeira” é que o professor não está 
preparado para brincar e muitas vezes a brincadeira perde o sentido real de sua 
aplicação. 
 
 
 
23 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
8. TINTA NO PAPEL, TINTA NO CORPO: A ARTE COMO 
INSTRUMENTO DE APRENDIZAGEM 
 
Entende-se as artes como linguagens que exploram e desenvolvem o cognitivo das 
pessoas, por isso é de fundamental importância desenvolvê-las no ambiente escolar – em 
todos os anos, séries e idades, cada qual com sua especificidade. O olhar para o abstrato 
ajuda a desenvolver o entendimento àquilo que, até então, seria ininteligível. 
 
Muitas vezes olhamos quadros abstratos e nos perguntamos: isso é arte? A nossa 
falta de entendimento perante as artes se dá pelo simples fato de não termos 
desenvolvidos estes saberes em nossa formação escolar e pessoal, assim como não dar 
a devida importância para o seu desenvolvimento na nossa formação profissional. 
Pergunte para si e para seus conhecidos: qual foi a última vez que foi em uma exposição 
de artes visuais como quadros, esculturas e fotografias? E museu, tem ido? Essas 
perguntas servem para nos trazer desconforto visto que de acordo com o IPEA metade 
dos brasileiros nunca foi ao cinema ou teatro. 
 
Ainda que tenhamos que problematizar a questão do acesso bens culturais no 
Brasil, extremamente caro e, portanto, elitista, não podemos deixar de pensar em como 
podemos fomentar e facilitar seu acesso. Se o cinema é caro, podemos passar filmes em 
 
 
24 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
sala de aula. Se o teatro é caro, podemos trazer as imagens para a sala de aula, e assim 
por diante. Ainda assim, vale lembrar que muitos teatros têm entrada gratuita em dia de 
semana ou meia entrada para estudantes e professores. Logo, havendo um trabalho 
atencioso para estas questões, podemos possibilitar o acesso a nossos alunos e a nós 
mesmos enquanto professores. 
 
Incentivar o contato com as artes por meio não apenas de sua visualização, mas 
também de sua produção é uma excelente forma de aproximar nós e nossos alunos de 
sua prática, a utilização do guache como forma de experimentação de seus corpos, 
olhares, perspectivas e interpretações são extremamente positivos. As mais diversas 
possibilidades podem ser trabalhadas com o guache e fazer dela extremamente atrativa: 
da pintura na folha A4 à pintura em rolos grande (a minha preferida!) o aluno pode ganhar 
gosto e conhecimento. 
 
A organização de sentidos para esse mundo simbólico, à disposição das crianças, 
é um ato criador ao mesmo tempo individual e coletivo. Ao reconstruir os sentidos 
das experiências para si, a criança articula as experiências externas às suas 
possibilidades de percepção e leitura demundo. Não apenas reproduz o que 
percebe, mas cria outros sentidos, usa a imaginação para preencher os vazios de 
sua leitura de mundo, articulando significados próprios para o que observa e 
percebe. Interage com manifestações artísticas, estéticas e comunicativas da 
ambiência e, nessa interação, entra em contato com o contexto social e cultural 
que permeia a estruturação do senso estético. (PONTES, 2001: 47) 
 
Na folha A4 podemos trabalhar a noção do espaço e da coordenação motora fina 
com a utilização de giz de cera e pincéis, troca de materiais entre os pares e uma 
exposição individual do trabalho final no pátio da escola. Já a pintura em rolos de papéis, 
com mais de 2 metros de largura por mais de 5 metros de comprimento, podemos fazer 
com que os alunos utilizem seus próprios corpos para as artes, fazendo com que tenham 
contato direto, por meio de suas mãos, pés, braços, corpos inteiros, no desenvolvimento e 
criação da arte visual. 
 
Esse contato mais visceral proporciona uma aproximação mais direta, um 
sentimento de pertencimento e, principalmente, o trabalho coletivo, visto que todos usarão 
o mesmo rolo grande de papel para desenvolverem a atividade e necessitarão respeitar o 
outro (não o espaço do outro, enquanto delimitador, sim o outro enquanto pessoa) para 
criação de composições conjuntas, misturas de perspectivas e olhares de cada um, etc. 
 
 
 
25 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Reconhecer-se e reconhecer o próximo são formas de valorizar a multiplicidade de 
expressões existentes e o entendimento de que o outro existe e tem as suas 
peculiaridades. A partir do momento em que trabalham conjuntamente, podemos 
possibilitar a noção de empatia, negociação e cooperatividade. 
 
Uma característica essencial da pintura é o que se pode ou não fazer com ela 
através do jogo de cores. A criança não constitui um conceito de cor olhando 
simplesmente algo colorido, mas durante repetidas ações de comparar, nomear, 
transformar, enfim, falar das relações entre as cores que são apenas três básicas 
(azul, vermelho, amarelo), que formam todas as outras. Percebendo isso, o lado 
sensível e imaginário da criança pode ser aguçado, ajudando-a a se formar como 
um ser completo, criativo, concentrado. (SILVA; OLIVEIRA; SCARABELLI; 
COSTA; OLIVEIRA, 2010: 100) 
 
O desenvolvimento das sensações é de fundamental importância para que as 
crianças possam compreender melhor o mundo, ter noções de planos, etc. Para tanto, a 
escola necessita não apenas ter artes em seu currículo escolar, mas ter profissionais 
capacitados para o melhor desenvolvimento em seu cotidiano. 
 
Um profissional bem capacitado necessita ter não apenas muitos cursos nas mais 
diversas áreas das artes, mas também ter um bom olhar e estar preparado para o que for 
necessário. Para isso, aguçar as perspectivas serão benéficas para seu melhor 
desenvolvimento pessoal e profissional, pois as perspectivas aguçadas poderão fazer 
com que ele pense fora da caixinha e faça a arte cumprir seu papel: transformar! 
 
Agora, se pensarmos no todo teremos que entender que a escola quanto 
“administração de recursos” deverá propiciar ao professor e aluno meios de aplicar e 
ampliar suas visões artísticas, proporcionar meios de interação do individual ao coletivo. 
 
Arte em conjunto na educação infantil e de base é olhar a formação das emoções 
do afeto de forma ampla e geral e das sensações que se manifestam no ser humano 
principalmente na criança que está iniciando a sua formação em termos críticos e 
reflexivos. 
 
 
 
26 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
9. O CORPO EM MOVIMENTO 
 
O corpo é extremamente importante no desenvolvimento psicomotor da criança em 
todas as faixas etárias e, por isso, nos atentaremos à fase dos 0 aos 5 anos. De acordo 
com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, afirma-se que “é por meio 
do movimento que a criança se expressa e se comunica com o mundo através das 
expressões corporais e faciais, ao empregar o corpo como uma ferramenta para interagir 
com o mesmo” (1998: 17). Para isso devemos nos perguntar sobre os nossos 
conhecimentos acerca dessa importância e se sabemos reconhecer os signos e o que 
eles querem nos dizer. Afinal de contas, o corpo é fala! 
 
Muitas vezes vemos crianças fazendo birra ou chorando compulsivamente e 
pensamos que é apenas uma malcriação – no sentindo lato da palavra – e nos 
esquecemos de que essa forma de expressão pode ser uma das poucas formas que a 
criança encontra para se expressar frente alguma adversidade com a qual não sabe lidar. 
O corpo é integrado aos sentimentos e entendimentos perante sua visão do mundo e 
muitas vezes ela encontra no próprio corpo uma forma de se expressar (vale lembrar que 
não apenas as crianças se expressam por meio dos corpos, nós também fazemos isso 
diária e constantemente). 
 
A capacidade de simbolizar se amplia quando a criança articula a aquisição da 
fala à manipulação de diferentes objetos e/ou vivências corporais de situações 
diferenciadas sendo a linguagem o instrumento que vai elaborar e organizar a 
expressividade da criança no mundo dos símbolos. Assim, o corpo como um 
conjunto de dimensões física, afetiva, histórica e social assume um papel 
fundamental no processo de constituição da criança pequena como sujeito 
cultural. (GARANHANI; NADOLNY, 2011: 2020) 
 
 
Sendo assim, reconhece-se a grande necessidade de que haja uma 
intencionalidade na prática educativa possibilitando explorar e desenvolver melhor as 
expressões e sensações das crianças que poderão ser experienciadas e experimentadas 
por meio de seus corpos. Um bom planejamento de aula é fundamental para que 
possamos estimular a corporeidade da criança ao máximo e assim ela possa se 
reconhecer enquanto possuidora de sensações e estímulos. 
 
Sabendo que as reuniões anuais não podem ser únicas e apenas no início do ano, 
havendo a necessidade de constantes reuniões para reformulações metodológicas, deve-
se reconhecer a especificidade da sala de aula, as possibilidades de explorações 
 
 
27 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
sensoriais e a multiplicidade de formas para o melhor desenvolvimento psicomotor das 
crianças. 
 
Portanto, a experimentação pela experimentação não tem como efeito o 
desenvolvimento integral, nem ao menos a interação com outras crianças e 
adultos, pois toda prática deve ter uma intencionalidade educativa que alcance o 
interesse das crianças de modo que as envolvam no trabalho pedagógico, sendo 
assim protagonistas de seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. Há 
uma responsabilidade dos educadores em propor atividades que sejam 
desafiadoras e estimuladoras para a criança a fim de aprimorar o conhecimento 
corporal e a motricidade em suas propostas pedagógicas. (SANTOS; MORENO, 
2015: 78) 
 
 
O estímulo a conhecer seu corpo e explorá-lo serve para que a criança possa criar 
e inventar, por meio da fantasia, concepções de mundo, olhares e perspectivas diferentes 
para que possa interpretar seus sentimentos e exterioriza-los. 
 
Os eixos curriculares propostos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação Infantil são divididos em 12 tópicos, dentre eles cito 4: 
• Promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de 
experiências sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação 
ampla, expressão da individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da 
criança; 
• Ampliem a confiança e a participação das crianças nas atividades individuais e 
coletivas; 
• Possibilitem vivências éticas e estéticas com outras crianças e grupos culturais, 
que alarguem seus padrões de referência e de identidades no diálogoe 
conhecimento da diversidade; 
• Propiciem a interação e o conhecimento pelas crianças das manifestações e 
tradições culturais brasileiras; (2010: 27) 
 
A necessidade da promoção ao conhecimento de si e do mundo se dá pela 
possibilidade de criar um novo entendimento para a criança a respeito daquilo que a 
cerca. A partir deste entendimento a criança poderá ter mais confiança em si, criando 
vínculos afetivos com outras crianças e trabalhando conjuntamente em atividades lúdicas 
e coletivas. 
 
 
 
28 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Explorar seu corpo e reconhecê-lo enquanto possibilidade de expressão fortifica 
seus vínculos com ela mesma. Entende-se por vivência estética não a busca e 
manutenção de um padrão de beleza eurocêntrico, sim o reconhecimento de diversas 
formas de belezas e comportamentos, onde respeitar as diferenças torna-se enriquecedor 
par ao convívio em sociedade, pautado pelo respeito ao próximo e empatia. 
 
A partir do momento que a criança aprender a trabalhar coletivamente, valorizar a 
empatia e reconhecer as diferenças estéticas existentes entre seus pares, a valorização 
das diferenças será um passo a mais para se compreender enquanto mais uma no meio 
de um todo. Nesse momento, ela reconhecerá as diferenças e multiplicidades culturais 
existentes no Brasil. 
 
Devemos entender também que as escolas e professores devem estar preparados 
para lidar com crianças que necessitem de cuidados especiais e, portanto, de atividades 
lúdicas também especiais assim como jogos e uma interação maior entre as equipes e 
colegas que fazem parte da atividade proposta. Lembrando que corpo em movimento o 
próprio nome já fala MOVIMENTAR, e nem sempre todas as atividades propostas podem 
ser aplicadas de uma maneira geral e para todas as crianças, devendo assim ocorrer 
adaptações para que sempre todas as crianças trabalhem coletivamente sem prejuízo de 
aprendizagem ou práticas da cidadania, mas este tema é um outro momento mas fica o 
questionamento: nossos professores estão preparados para isso? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 Práticas de Ludicidade e Movimento 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 
 
 
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30 Práticas de Ludicidade e Movimento 
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