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Unidade 1 Metodologias Ativas e a Educação 4.0 Metodologias Ativas Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria ANDRÉA CÉSAR AUTORIA Andréa César Especialista em Educação a Distância, graduada em Administração, mestranda em Pedagogia do e-Learning pela Universidade Aberta de Portugal. Atua no mercado de Educação a Distância há 10 anos, inicialmente no segmento de educação profissional, coordenando cursos e produzindo conteúdos, migrando há cerca de 5 anos para a Educação Superior, com foco em design educacional e formação continuada de professores e tutores, participando de equipes multidisciplinares de desenvolvimento de Ambientes Virtuais de Aprendizagem e Objetos de Aprendizagem para EaD, em projetos de pesquisa para a UAB-BR. Sinto-me feliz em fazer parte deste projeto, pois representa uma oportunidade ímpar de compartilhar experiências e reflexões que podem ser muito úteis para a disseminação de boas práticas para a Educação, independentemente da modalidade. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova competência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando necessária observações ou complementações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; REFLITA: se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; ACESSE: se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando uma competência for concluída e questões forem explicadas; SUMÁRIO O que são metodologias ativas ............................................................12 Breve passeio pela história da educação ..................................................................... 12 Principais teorias de aprendizagem .................................................................................. 16 A Educação 4.0 e o Mundo VUCA ..........................................................21 Aplicação das metodologias ativas na sala de aula ................... 26 O papel do professor ................................................................................................................... 30 Design instrucional/educacional .........................................................................................32 Avaliação nos processos que utilizam as metodologias ativas ... 37 Algumas metodologias ativas .............................................................................................. 40 Sala de aula invertida ............................................................................................... 40 Aprendizagem baseada em problemas ...................................................... 41 Peer instruction ...............................................................................................................42 7 UNIDADE 01 Metodologias Ativas 8 INTRODUÇÃO É preciso insistir: este saber necessário ao professor – que ensinar não é transferir conhecimento – não apenas precisa ser aprendido por ele e pelos educandos nas suas razões de ser – ontológica, política, ética, epistemológica, pedagógica –, mas também precisa de ser constantemente testemunhado, vivido. Pedagogia da Autonomia – Paulo Freire O objetivo desta unidade letiva é conhecer as Metodologias Ativas e contextualizar sua aplicação nas práticas de ensino e aprendizagem, construindo juntos as competências necessárias para que você seja capaz de implementá-las no seu dia a dia, independentemente do nível educacional de sua atuação. Afinal, professores da Educação Infantil têm tanta responsabilidade com o aprendizado efetivo de seus alunos quanto professores da Educação Superior, e as metodologias ativas são instrumentos poderosos que nos ajudam neste processo. Vamos conhecer um pouco as principais teorias de aprendizagem, em um breve passeio pela história da educação, até chegar às demandas atuais da educação do século XXI, que precisa se adaptar ao “Mundo VUCA”, seguindo no foco dos estudos, no entendimento do que são as Metodologias Ativas, suas características e a importância de contemplá- las no design educacional dos cursos, finalizando com a apresentação de algumas metodologias ativas muito usadas na atualidade e a importância da adoção de boas estratégias de avaliação. Metodologias Ativas 9 Durante todo o percurso formativo você será chamado a refletir sobre o novo papel do professor, com base no fato de que ensinar não é transferir conhecimento, e que esse princípio deve ser testemunhado e vivido diariamente em nossas práticas de ensino, conforme preconiza o mestre Paulo Freire. É importante destacar que este livro não tem a pretensão de esgotar o estudo sobre as metodologias ativas. Nossa principal intenção é apresentar os fundamentos para que você seja provocado a mergulhar neste tema tão importante para a melhoria da qualidade de sua prática docente. Fundamente seu entendimento e amplie-o por meio de pesquisas, compartilhe suas descobertas com seus colegas e, principalmente, aplique suas novas competências e contribua para que a experiência de aprendizagem de seus alunos seja cada vez mais efetiva e prazerosa! Bons estudos! Metodologias Ativas 10 Metodologias Ativas 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vinda (o). Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Discernir sobre o conceito e a aplicabilidade das metodologias ativas. 2. Entender o cenário da Educação 4.0 e o papel das metodologias ativas nesse contexto. 3. Aplicar metodologias ativas na ambiência da sala de aula. 4. Medir indicadores de aprendizagem em meio aos processos de aprendizagem que se utilizam das metodologias ativas. Os temas que estudaremos são fascinantes e extremamente importantes para o novo contexto educacional, e certamente contribuirá para que sua prática docente seja ainda mais criativa e inovadora! Bons estudos! Metodologias Ativas 12 O que são metodologias ativas INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de compreender como aconteceu a evolução da educação por meio de um breve passeio pela sua história. Isto será fundamental para que você seja capaz de contextualizar as metodologias ativas nos processos de ensino e aprendizagem. Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Qualquer que seja o conhecimento que desejamos construir, devemos buscar elementos que nos auxiliem a construir uma base sólida que nos possibilite erguer as estruturas específicas de nossa prática. Elementos esses que possibilitam a contextualização da teoria, pois pouco vale conhecer e não ser capaz de aplicar na prática, e essa competência é plenamente desenvolvida quando compreendemos o percurso feito pelo nosso objeto de estudo até o momento. O que fez com que surgisse? Quais as demandas históricas? Qual o contexto socioeconômico? Qual a demanda atual? Conhecer o ontem é fundamental para compreendermos as demandas do hoje. Vamos fazer isso juntos? Breve passeio pela história da educação Vamos começar pelos significados. Selecionamos apenas três, utilizando como fonte o dicionário on-line Michaelis: • Ato ou processode educar(-se). • Processo que visa ao desenvolvimento físico, intelectual e moral do ser humano, com aplicação de métodos próprios, com o intuito de assegurar-lhe a integração social e a formação da cidadania. • Conjunto de métodos próprios a fim de assegurar a instrução e a formação do indivíduo; ensino. Metodologias Ativas 13 Como processo inerente ao desenvolvimento humano, a educação sempre esteve presente na evolução de nossa espécie, inicialmente de forma empírica, com base em observação e nas próprias experiências, caminhando para uma sistematização e formalização, por meio das práticas de ensino. Por ser um processo humano, naturalmente sempre esteve vinculado às demandas sociais, cada uma com suas especificidades. Analisando a história da escola com base em Cambi (1999), percebemos que na antiguidade sempre foi elitista e para poucos, especialmente para aqueles que não precisavam trabalhar, tanto que a definição remete a lugares de ócio, além de espaços dedicados a discussão e conferências. Na Idade Média a educação formal ficou sob a tutela das religiões, que além do monopólio das letras, também usava essa poderosa ferramenta para catequisar e doutrinar o povo. Especialmente os povos indígenas nativos das terras conquistadas. Nessa época também surgiram as primeiras universidades ligadas direta ou indiretamente à Igreja Católica e às monarquias. Figura 1 – Reunião de doutorados na Universidade de Paris – Idade Média Fonte: Wikimedia Commons. Metodologias Ativas 14 SAIBA MAIS: Que tal saber quais são as Universidades mais antigas do mundo? Clique aqui. A idade moderna tem dois marcos consensuais, apesar de historiadores divergirem em alguns pontos: começou com a tomada de Constantinopla no século XV e permaneceu até o século XVIII, tendo como marco final a Revolução Francesa. Nesse período a principal grande mudança foi em nível econômico, pois o feudalismo deu lugar ao capitalismo e a Igreja deixou de ser tão influente no segmento educacional. A idade moderna foi marcada pelo surgimento da estrutura escolar do ensino tradicional, que na época foi um grande avanço: disciplina, formação de turmas, ampliação do acesso à escolarização e o professor conduzindo todo o processo. Nessa época os filósofos iluministas deram grandes contribuições que fundamentaram as teorias da aprendizagem. A Idade Contemporânea é marcada pela Revolução Industrial, revolucionando o segmento educacional, que recebeu a demanda de formar os trabalhadores que seriam empregados pelas indústrias. Nesse período eclodiram as pesquisas e surgiram as teorias que analisavam os processos de aprendizagem e propunham estratégias para a eficácia dos processos de ensino. Iremos apresentar as principais mais adiante. Outro grande marco para a Educação foi o crescimento exponencial das Tecnologias da Informação e Comunicação, conhecidas como TICs, que transformaram a forma como acessamos os conteúdos de estudo. No século passado as famílias passaram a usar o rádio, a TV, e, por fim, o computador e o acesso a grande rede virtual que conectava todos e abria o acesso a uma infinidade de conteúdos e informações, além de propiciar a possibilidade de interações mais amplas, que quebravam as barreiras do tempo e do espaço. Nessa época a Educação a Distância começou a crescer exponencialmente e a escola presencial passou a adotar em seus processos de ensino as tecnologias como ferramentas para otimizar os processos de aprendizagem (CAMBI, 1999). Metodologias Ativas https://viva-mundo.com/pt/noticia/post/as-5-universidades-mais-antigas-do-mundo 15 Figura 2 – Tecnologias e educação Fonte: Freepik NOTA: Veja o conteúdo integral do relatório Educação, um Tesouro a Descobrir, Clique aqui. No segmento educacional, os avanços tecnológicos foram tão intensos e em um espaço tão curto de tempo, que gerou uma lacuna entre a funcionalidade e sua usabilidade: temos uma infinidade de recursos que têm uma função muito útil nos processos de ensino, mas não dominamos plenamente o uso. A forma como os jovens aprendem também mudou de forma radical, gerando a necessidade de repensar as estratégias didáticas. Para indicar caminhos que atendam às demandas de uma sociedade conectada e extremamente tecnológica, típica do século XXI, a UNESCO criou a Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, liderada por Jacques Delors, no período de 1992 a 1996 (DELORS, 2010). Metodologias Ativas https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000109590_por 16 A comissão gerou o relatório intitulado “Educação, um Tesouro a Descobrir”, que apresenta quatro pilares que devem embasar os processos de ensino nos tempos atuais. Vamos conhecê-los: Figura 3 – Pilares da educação para o século XXI Fonte: UNESCO, 1996 (Adaptado). Uma reflexão importante que o relatório nos traz é a necessidade de ter o foco no ser humano e no impacto de suas ações em sociedade, independentemente do tanto de tecnologia que ele use ou domine. Todos os esforços didáticos devem ter como ponto focal o sujeito que aprende. A tecnologia é um meio que pode ser utilizado no processo. O relatório reforça um ponto basilar das Metodologias Ativas: o protagonismo do aluno, que deve ser considerado em todas as etapas do processo de ensino, considerando a aplicação dos saberes construídos para seu progresso como ser humano que interage e é responsável pela construção de um mundo melhor. REFLITA: Qual a aplicabilidade dos Pilares da Educação na prática? Você enxerga alguma dificuldade? Qual? Socialize suas impressões com os colegas e analise as opiniões diferentes das suas. Principais teorias de aprendizagem A principal função de uma teoria é explicar como algo acontece, o que varia de acordo com a visão do observador. Assim também é com as teorias de aprendizagem, que são muitas e representam visões particulares de seus criadores. Metodologias Ativas 17 Não vamos nos aprofundar neste campo, pois não é esse nosso foco; mas fizemos um recorte para ajudar você a contextualizar as Metodologias Ativas nas principais teorias de aprendizagem. Figura 4 – Enfoques teóricos à aprendizagem e ao ensino Enfoques teóricos à aprendizagem e ao ensino Comportamentalismo cognitivismo humanismo Ênfase nos comportamentos observáveis Ênfase na cognição Ênfase na pessoa O comportamento é controlado por suas consequências O conhecimento é construído Integração de pensamento, sentimentos e ações Teóricos: Pavlov e Skinner Teóricos: Piaget, Vygotsky, Ausubel Teóricos: Rogers, Freire Fonte: Moreira, 2011 (Adaptado). Vejamos um breve resumo sobre cada uma das teorias, segundo Moreira (2011): • Comportamentalismo – também conhecido como Behaviorismo, “está nos comportamentos observáveis e mensuráveis do sujeito [...]. O comportamento é controlado pelas consequências”. Marcado pela padronização e pelas avaliações objetivas de resultados. • Cognitivismo – apesar de ter surgido na mesma época do comportamentalismo, o contrapõe por enfatizar o ato de conhecer, a cognição, o processo individual de aprendizagem humana, pois entre os estímulos e as respostas existe um mundo Metodologias Ativas 18 de possiblidades e particularidades que devem ser levadas em consideração. • Humanismo – “Vê o ser que aprende, primordialmente, como pessoa”. Esta teoria enxerga o aluno como um todo, não apenas o intelecto. Nos processos de ensino que adotam a teoria humanista os professores devem contemplar a integração dos pensamentos, dos sentimentos e das ações. O mestre Paulo Freire, patrono da educação brasileira, um dos teóricos do humanismo, faz uma análise crítica da educação bancária (behaviorista), que sintetizamos no quadro abaixo: Quadro 1 – Educação bancária, segundo Freire Fonte: Freire (2002). No quadro acima percebemos claramente que o papel do professor na educação bancária não atende às demandasda educação para o século XXI. Acredito que você já começou a mapear as características importantes que os processos de ensino devem contemplar para estar sintonizado com o novo perfil de alunos. Você verá que as Metodologias Ativas podem ser aliadas poderosas neste processo de atualização das práticas de ensino. Metodologias Ativas 19 TESTANDO: Relacione algumas atividades que você já aplica em seu dia a dia em processos de ensino, que podem ser formais ou não formais, com as teorias apresentadas na Figura 4. A sala de aula tradicional ainda predomina, tanto nos contextos presenciais como virtuais, trazendo ênfase nas aulas expositivas, nas quais os estudantes recebem passivamente as informações. E sobre elas, Bates (2016) nos traz o resultado de uma pesquisa sobre a sua eficácia: a. A aula expositiva é tão eficaz quanto outros métodos de transmissão de informações. Salientando que os outros métodos são os vídeos, a leitura, o estudo independente ou a Wikipedia, e que estão cada vez mais acessíveis a todos, competindo em pé de igualdade com as exposições tradicionais. b. A maioria das aulas expositivas não é tão eficaz quanto o debate para fomentar ideias. c. Aulas expositivas são geralmente ineficazes na mudança de atitudes ou valores, ou para inspirar interesse em um assunto. d. Aulas expositivas são relativamente ineficazes no ensino de competências comportamentais. Também podemos observar nas evidências apresentadas na pesquisa que as aulas expositivas estão na contramão do que preconiza a educação para o século XXI, o que embasa mais fortemente a necessidade de repensarmos nossas práticas e implementarmos metodologias que dinamizem nossos processos de ensino e aprendizagem, contribuindo para que o estudante ocupe um lugar de protagonismo dinâmico e reflexivo. Metodologias Ativas 20 RESUMINDO: E então? Gostou do que mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter conhecido a trajetória da escola ao longo dos tempos, sua função social e as transformações advindas da evolução tecnológica. O trabalho da Unesco é um rico referencial que nos apresenta os pilares da educação para o século XXI, nos quais as teorias de aprendizagem são utilizadas, sempre com o objetivo de otimizar os resultados de aprendizagem, com base em um ensino que contribua para a formação de sujeitos sociais críticos e transformadores da sociedade da qual fazem parte. Cumprimos a etapa de contextualização histórica, que nos torna aptos a seguir com nossos estudos! Contamos com sua dedicação e seu comprometimento com os estudos! Metodologias Ativas 21 A Educação 4.0 e o Mundo VUCA INTRODUÇÃO: O impacto dos avanços tecnológicos na Educação criou um cenário que precisamos conhecer bem para sermos capazes de atuar de forma efetiva nos processos de ensino e aprendizagem. Nesta etapa de nossos estudos você conhecerá a Educação 4.0 e o Mundo VUCA. As mudanças ocorridas em detrimento dos avanços científicos e tecnológicos têm um impacto estrutural nos processos de ensino e aprendizagem, e para percebermos essa relação conheceremos nessa seção de estudos o fenômeno da Educação 4.0 e as características do Mundo VUCA. Vimos na seção anterior que a Idade Contemporânea foi marcada pela Revolução Industrial, que revolucionou o segmento educacional com a demanda de formar os trabalhadores que precisavam se escolarizar para ocupar os cargos disponíveis nas indústrias. Essa necessidade contribuiu bastante para a socialização da educação, que é um ponto positivo, mas, por outro lado, o modelo adotado para atender essa demanda gigantesca teve como base a estrutura militar, que adota a disciplina, o treinamento e a hierarquia para garantir a eficiência do processo, fazendo com que a escola tradicional se assemelhe a um quartel, com suas mesas enfileiradas, o medo da autoridade do professor, práticas repetitivas e avaliações rigorosas. O novo modelo de produção necessitava de verdadeiros soldados, dispostos a dar vida pelo seu trabalho, sem questionar ou pensar sobre seu papel e sua atuação nesse contexto. Mas o progresso e a evolução são inevitáveis, e os modelos acabam ficando obsoletos e precisam ser renovados e adaptados às mudanças. Segundo Henderson (1979), a Revolução Industrial pode ser classificada da seguinte forma: Metodologias Ativas 22 • 1ª fase: Segunda metade do século XVIII – com o desenvolvimento da máquina a vapor na Europa, as possibilidades de produção em massa foram ampliadas e o transporte ferroviário ganhou agilidade. • 2ª Fase: Final do século XIX e início do século XX – o protagonismo passou para os EUA, com o uso de outras fontes de energia, como o petróleo e a eletricidade. Nesse período surgiram o automóvel e o avião. O rádio, a TV e o telefone também são dessa época e iniciaram outra revolução nos meios de comunicação e informação. • 3ª Fase: Segunda Guerra Mundial – liderada pelos EUA, teve como marco o uso da energia nuclear e da informática, com o desenvolvimento da eletrônica. Surgiu a World Wide Web (WWW), a rede mundial de computadores. SAIBA MAIS: Para saber mais sobre a WWW, Clique aqui. Hoje os estudiosos já consideram que estamos na 4ª revolução. Vamos conhecer: • 4ª Revolução Industrial – movimento iniciado na Alemanha, em 2013, como um projeto de alta tecnologia que tem por objetivo tornar as indústrias autônomas, totalmente independentes da intervenção humana. Na indústria 4.0 teremos fortemente: • Internet das Coisas (Internet of Things em inglês, ou IoT), que consiste na comunicação máquina a máquina via Internet. • Fusão dos mundos físicos e virtuais. • Biologia sintética. • Nanotecnologia. • Sistemas ciberfísicos (CPS). • Inteligência artificial. Metodologias Ativas https://www.tecmundo.com.br/web/759-o-que-e-world-wide-web-.htm 23 SAIBA MAIS: A Educação 4.0 é foco de um debate muito interessante no programa Conexão, da TV Futura. Clique aqui. Quando falamos no último elemento que estará fortemente presente na indústria 4.0, podemos ficar incomodados com o protagonismo da Inteligência Artificial neste novo ciclo que estamos passando. O impacto na Educação fez surgir outro termo, a Educação 4.0, que, entre outras, tem as seguintes características básicas: • Integração da tecnologia no currículo. • Estímulo à criatividade e à prática reflexiva. • Aprendizagem contextualizada. • Uso de Metodologias Ativas. Sobre a Educação 4.0, Filatro (2019) nos apresenta a seguinte relação entre a sociedade, o ambiente de trabalho, as tecnologias e a Educação: Quadro 2 – Relação entre sociedade, ambiente de trabalho, tecnologias e Educação 4.0 Fonte: Filatro, 2019. Metodologias Ativas https://www.youtube.com/watch?v=wd4-jnOzcrQ 24 Todos esses elementos interagem entre si, e não seria diferente no contexto educacional, partindo do pressuposto de que a educação caminha lado a lado com as demandas da sociedade. O mundo que vivemos atualmente tem características bem peculiares, em função da velocidade dos eventos e das mudanças. É o mundo VUCA. Vamos conhecer o significado desse termo? Figura 6 – Significado do termo VUCA Fonte: Autora (2020) DEFINIÇÃO: O termo VUCA surgiu nos anos 1990 dentro de um contexto militar e é uma sigla para descrever um ambiente, uma situação ou condições de volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity). Vamos entender melhor: V – Volatility (volatilidade) – Vivemos um momento de mudanças que acontecem praticamente de forma instantânea. Quando conseguimos dominar uma tecnologia, uma outra superior aparece. Os processos educacionais precisam se adaptar à natureza volátil dos tempos atuais, e uma ferramenta muito útil para essa adaptação é a formação continuada de todaa equipe envolvida nos projetos educacionais. Cada um na sua área de atuação. U – Uncertainty (incerteza) – A velocidade das mudanças tecnológicas afeta todos os processos que se utilizam delas, e para os processos educacionais não é diferente. Esse ambiente de instabilidade gera a necessidade de ajustarmos os planos e metodologias periodicamente. Metodologias Ativas 25 C – Complexity (complexidade) – A linearidade da escola tradicional não existe mais. Antes o sistema hierárquico posicionava a tomada de decisões na mão de poucos, mas hoje, para que a aprendizagem se dê de forma efetiva, o aprendiz participa ativamente do processo, acrescentando inúmeras variáveis que devem ser consideradas pelo professor e pela equipe pedagógica. Essa complexidade demanda reflexões colaborativas e busca de soluções simples. A – Ambiguity (ambiguidade) – Não existem mais verdades absolutas e as respostas podem ser diversas. As situações podem (e devem) ser avaliadas sobre diferentes ângulos e a adoção da ‘verdade’ (que será sempre relativa) deve fazer sentido para a resolução do problema, garantindo eficiência. Adaptar-se ao mundo VUCA é uma necessidade para agirmos de forma assertiva no contexto educacional. Apesar de não ser uma tarefa fácil, levando-se em conta que a grande maioria dos profissionais que atuam na educação serem de um período mais estável e seguro; mas, com foco e perseverança é possível sair da zona de conforto e abrir-se para novas possiblidades. Aprender é sempre muito positivo e mesmo como educadores, não devemos desistir de sermos eternos aprendizes. RESUMINDO: Aprendemos que imersão tecnológica está sendo incorporada aos processos educacionais, fazendo com que a Educação acompanhe também as revoluções da indústria, que atualmente tem foco na Inteligência Artificial e na Internet das Coisas. Nos processos educacionais da Educação 4.0, o conectivismo e a aprendizagem virtual emergem com muita ênfase. Vimos também as características do Mundo VUCA, que nos alerta para compreendermos o cenário atual no qual atuamos, com base em incerteza, volatilidade, complexidade e ambiguidade. Esses conhecimentos sinalizam a necessidade de revermos nossas práticas docentes e discentes, para que possamos ter experiências produtivas de ensino e aprendizagem. Vamos seguir para a próxima etapa de estudos! Metodologias Ativas 26 Aplicação das metodologias ativas na sala de aula INTRODUÇÃO: Partindo do princípio de que o conhecimento teórico deve sempre ser associado à aplicação prática, nosso objetivo nesta etapa de estudos é apresentar estratégias de aplicação das Metodologias Ativas na Sala de Aula, para que você seja capaz de adaptar para sua realidade e necessidade, inclusive criando metodologias próprias. Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Ao longo dos anos, os processos de ensino sofreram mudanças significativas, sempre com base na necessidade de alinhar as suas práticas aos progressos científicos e culturais conquistados pela civilização humana. Um dos progressos que muito impactou nos processos de ensino e aprendizagem foram os tecnológicos, que introduziram no contexto escolar novas mídias audiovisuais, como o rádio, a TV, os projetores e, a partir da segunda metade do século passado, os computadores, que, com o advento da Internet, derrubaram de forma definitiva os limites de acesso à informação. Esse novo cenário motivou vários estudos que tinham por objetivo identificar boas práticas para possibilitar bons resultados de aprendizagem com os novos recursos disponíveis. Em 1946 o professor norte-americano Edgar Dale, com base em seus estudos teóricos e observações pessoais, inseriu no seu livro Audiovisual methods in teaching uma representação gráfica acerca dos diferentes níveis de abstração, relacionando-os à utilização de métodos variados de ensino, com diversos recursos audiovisuais. Conhecido como Cone de Aprendizagem, continha os seguintes níveis: Metodologias Ativas 27 Figura 7: Cone da aprendizagem Verbal Symbols - Texto escrito Visual Symbols - Imagem Radio – Áudio Motion Pictures - Vídeo Exhibits - Exposições Field Trips - Pesquisas de campo Demonstrations - Demostração prática Dramatic Participation - Dramatizações Contrived Experiences - Simulações Direct, Purposeful Experiences - Experimentos reais Fonte: Dale (1946) apud Silva e Muzardo (2018, p. 172). O cone da aprendizagem de Dale mostra que os processos de aprendizagem que estimulam e promovem a participação ativa dos estudantes são mais significativos e eficazes, e que aprendemos de forma mais significativa quando somos capazes de mobilizar os conhecimentos teóricos na realização de experimentos reais, tornando o processo de aprendizagem dinâmico e os estudantes com uma postura ativa. Acredito que você já tenha contextualizado a necessidade da adoção das metodologias ativas no atual momento que vivemos, impactado pela velocidade das mudanças e pelo progresso tecnológico. Contribuir com a formação de cidadãos globais e conectados, trabalhando de forma integrada às competências técnicas, comportamentais e sociais é o grande desafio da educação para o século XXI, no qual nossos alunos precisam aprender a conhecer, fazer, conviver e ser. O que são Metodologias Ativas? Vamos ao conceito: Metodologias Ativas 28 DEFINIÇÃO: O Dicionário Michaelis nos apresenta duas definições para metodologia, que podemos aplicar em nossos estudos: Parte da lógica que trata dos métodos aplicados nas diferentes ciências. Estudo dos métodos, especialmente dos métodos científicos. Método corresponde ao “emprego de procedimentos ou meios para a realização de algo, seguindo um planejamento; rumo”. Já ativa significa “a parte principal na realização de um ato”. As metodologias ativas nos processos de ensino e aprendizagem correspondem ao conjunto de estratégias para realização das atividades acadêmicas, desenvolvidas de forma planejada e contemplando a participação ativa de todos os sujeitos envolvidos. Moran (2015) nos fala que “nas metodologias ativas de aprendizagem, o aprendizado se dá a partir de problemas e situações reais; os mesmos que os alunos vivenciarão depois na vida profissional, de forma antecipada, durante o curso”. Quanto às características comuns presentes em todas as metodologias ativas, as autoras Diesel, Baldez e Martins (2017) apontam as seguintes: Figura 8 – Características das metodologias ativas Protagonismo do aluno Autonomia do aluno Reflexão Problematização da realidade Trabalho em equipe Inovação Professor Mediador Participação e colaboração METODOLOGIAS ATIVAS Fonte: Diesel, Baldez e Martins, 2017 (Adaptado). Vamos refletir sobre cada uma das características a partir dos autores citados: Metodologias Ativas 29 • Protagonismo do aluno Todos os processos de ensino devem ser pensados e planejados de forma a conceder ao estudante o protagonismo de seus processos de aprendizagem; incentivando sua participação ativa e efetiva durante todo o percurso formativo. • Autonomia do aluno Liberdade consiste na liberdade moral ou intelectual, que pressupõe a inexistência de dominação externa que impeça o estudante de fazer suas próprias escolhas e conduzir o seu processo de aprendizagem da forma que lhe for mais produtiva e prazerosa. • Reflexão As situações e os momentos de aprendizagem devem sempre estimular o pensamento reflexivo, no qual o estudante seja estimulado a tecer suas próprias considerações e estabelecer os vínculos que sejam coerentes com sua história de vida. • Problematização da realidade Resolver problemas é o grande objetivo de todo conhecimento adquirido, que sem a prática não pode ser concretizado como uma ação útil para o progresso da humanidade. Identificar os problemas e relacioná-los com estratégias que possibilitem sua resolução e que possam mobilizaros conhecimentos adquiridos devem sempre pautar as modelagens educacionais que apliquem as metodologias ativas. • Trabalho em equipe Aprendemos melhor quando aprendemos juntos, pois é na troca que conseguimos enxergar aspectos diferentes da mesma realidade, que é vista pelos nossos pares. Essa soma de visões constrói o todo completo e possibilita a resolução colaborativa dos problemas. • Inovação As metodologias ativas têm uma forte caraterística de ser ambiente propício para a inovação e criatividade em função dos valores de liberdade, experimentação e colaboração que preconiza. Os mediadores Metodologias Ativas 30 dos processos de ensino e aprendizagem que apliquem metodologias ativas devem estar atentos à fomentação da inovação e ao respectivo registro dos processos de avaliação. • Professor mediador Essa característica desloca o professor do centro do processo de ensino, característico da escola tradicional, para atuar como mediador e facilitador dos processos de aprendizagem, contribuindo com seu conhecimento para que os estudantes possam construir as competências requeridas no programa de curso. Nas metodologias ativas o professor é parceiro, caminha, aprende e ensina com o estudante. Mais adiante apresentaremos algumas metodologias ativas muito utilizadas atualmente e você verá que as características apresentadas estarão presentes em todas elas. O papel do professor Quando falamos de Metodologias Ativas, naturalmente somos levados a refletir sobre a prática docente, que tradicionalmente foi baseada na transmissão unilateral de informações, cujo papel de destaque ficava a cargo do professor. Sobre as competências requeridas do professor para uma atuação exitosa, Philippe Perrenoud propõe o foco no desenvolvimento de 10 Novas Competências para Ensinar. Competência, segundo ele, “é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.)”, e das 10 competências propostas, selecionamos as que convergem para a adoção e implementação das Metodologias Ativas. Vamos conhecer? 1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem Planejamento prévio é fundamental, seguido de uma prática organizada com objetivos claros para todos os envolvidos. É importante destacar que mesmo com o protagonismo necessário do aluno, o comando e as orientações devem partir do professor. A consultora americana Angela McGlynn, em entrevista à revista Ensino Superior, afirma Metodologias Ativas 31 que ainda que nas metodologias ativas a participação dos alunos é mais destacada e incentivada, os catalisadores e mentores desse processo devem ser sempre os professores. SAIBA MAIS: Você pode acessar a entrevista clicando aqui. 2. Administrar a progressão das aprendizagens Aplicar formas sistemáticas e eficazes de avaliar é fundamental, especialmente durante o processo. Bates (2016, p. 483 e 505) nos diz que “não faz sentido introduzir novos objetivos ou resultados de aprendizagem e não avaliar quão bem os alunos os alcançaram”; e mais adiante reflete que “a última chave fundamental do processo de ensino e aprendizagem é a avaliação e a inovação: avaliar o que tem sido feito e, então, procurar formas de melhorar”. 3. Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho Assegurar o protagonismo dos estudantes naturalmente ajuda no envolvimento, que será potencializado quando as atividades forem contextualizadas com situações da vida real. Neste momento as teorias passam a ter funcionalidade e todos se engajam na atividade. 4. Trabalhar em equipe O trabalho em equipe é uma das características presentes em todas as metodologias ativas, lembra? As atividades devem ser planejadas de forma a garantir que todos terão tarefas a realizar. 5. Utilizar novas tecnologias O professor deve se apropriar do uso de novas tecnologias e utilizá-las em sala de aula. Estímulos para que os alunos pesquisem e compartilhem ferramentas complementares também é muito salutar, pois esse empoderamento fará com que tenham ainda mais comprometimento com os processos de ensino e aprendizagem. Metodologias Ativas http://www.revistaensinosuperior.com.br/professores-comando/ 32 6. Administrar sua própria formação contínua Lembra que falamos que o professor deve ser um eterno aprendiz? Pois é! No mundo VUCA de incertezas e volatilidade precisamos estar conectados com as mudanças e nos atualizar constantemente, vencendo os obstáculos que nos impedem de utilizar de forma assertiva as tecnologias que dispomos atualmente e nos apropriando da fluência digital necessária para que possamos estimular a participação ativa dos nossos alunos. REFLITA: O conceito de competência no contexto educacional pode causar certo desconforto pela relação direta com o sistema industrial, e o peso negativo na avaliação da capacidade do trabalhador segue um padrão geral e engessado, tomando um sentido de qualificação. Perrenoud falou sobre isso no programa Roda Viva, que você pode acessar clicando aqui. E você, o que pensa a respeito? Compartilhe suas reflexões com seus colegas. Design instrucional/educacional As Metodologias Ativas que serão aplicadas nos processos de ensino devem ser contempladas no Projeto de Design Instrucional, também conhecido como Design Educacional, que assegura o registro de todo o planejamento didático pedagógico do curso, contemplando os recursos que serão utilizados, as formas de avaliação e as contextualizações que serão trabalhadas. Vamos iniciar com a definição de Design Instrucional, apresentada pela professora e pesquisadora Andréa Filatro (2008): • É o processo (conjunto de atividades) de identificar um problema (uma necessidade) de aprendizagem e desenhar, implementar e avaliar uma solução para esse problema (FILATRO, 2008). • Design Instrucional (DI), consiste em uma sequência de etapas que permitem construir soluções variadas –um curso, um programa de estudos, uma trilha de aprendizagem, um vídeo educativo, um Metodologias Ativas https://www.youtube.com/watch?v=fcbuv6uWiO4 33 tutorial multimídia, um livro didático impresso ou digital – para necessidades educacionais específicas (FILATRO, 2019). As etapas de implementação do DI/DE são variadas, mas um modelo clássico, conhecido como ADDIE, é o mais amplamente utilizado e tem a seguinte estrutura: Figura 9 – Modelo ADDIE Fonte: https://bit.ly/3hTPJFk. (Acesso em 23/06/2020. SAIBA MAIS: O modelo ADDIE foi desenvolvido em 1950 pela Universidade da Flórida para atender a uma demanda do Exército dos Estados Unidos, que usou com exclusividade por 25 anos. Para saber mais sobre o modelo ADDIE, Clique aqui. O Design Educacional deve ser desenvolvido de forma multidisciplinar e considerar todos os aspectos intervenientes, sob risco de não contemplar os fatores que irão gerar engajamento da turma. Mattar (2014) nos fala: Os aprendizes não são iguais, nem iguais aos designers e professores. Se não partirmos de nosso público-alvo, corremos o risco de planejar e desenvolver um ensino que não é apropriado para ninguém. Se partirmos de como Metodologias Ativas https://repositorio.enap.gov.br/bitstream/1/2289/1/Introdu%C3%A7%C3%A3o%20ao%20modelo%20ADDIE_M%C3%B3dulo%201-alterado.pdf 34 imaginamos que os aprendizes são, corremos o risco de planejar e desenvolver um ensino para uma audiência que não existe. Devemos levar em consideração o que os aprendizes efetivamente são e o que sabem. Conhecer melhor nossos alunos permite adequar e modificar nossa estratégia de ensino em benefício da aprendizagem. (MATTAR, 2014, p. 57) Estejamos atentos, então, aos processos de modelagem educacional de nossos planos de ensino, que devem estimular a aprendizagem autônoma e confere as seguintes vantagens aos processos educacionais: Figura 10: Vantagens da modelagem educacional Fonte: Elaborado pela autora. Lembra-se dos pilares para a Educação do SéculoXXI? Agora iremos fortalecer o SABER FAZER aplicando as Metodologias Ativas que estudamos em nossa disciplina. A seguir iremos propor alguns cenários alternativos que dependem da realidade na qual você está inserido. São esses os cenários propostos: 1. Educação infantil e/ou ensino fundamental 1. 2. Ensino fundamental 2 e/ou ensino médio. 3. Ensino superior. Professor, escolha a sua realidade e selecione a exemplificação de cenário desejada. Interessado em conhecer todos eles? Não se acanhe. Vá fundo! Cenário 1 | Educação infantil e/ou ensino fundamental 1 Monte um plano de aula com o uso da sala de aula invertida, com tema de sua escolha, contemplando também o engajamento das famílias das crianças. Metodologias Ativas 35 No site da Nova Escola você pode acessar a atividade para a pré-escola intitulada “Diferenças entre bichos do jardim”, disponível em: https://bit.ly/3hSg46p. Partindo deste exemplo, proponha uma atividade aplicando os princípios da sala de aula invertida utilizando uma das ferramentas de sua plataforma Google Education. Cenário 2 | Ensino Fundamental 2 e/ou Ensino Médio Monte um plano de aula com o uso da aprendizagem baseada em problemas. A atividade proposta deve utilizar uma das ferramentas de sua plataforma Google Education. NOTA: Leia o artigo de aprendizagem com base em problemas no ensino Fundamental II: aplicabilidade, potencial e reflexões de uma adaptação sob perspectivas geocientíficas, Clique aqui. Cenário 3 | Ensino superior A produção de ciência é uma das demandas da formação superior, sendo fundamental que os estudantes deste nível sejam capazes de produzir conteúdos inéditos e com propostas para resolução de problemas pertinentes às suas áreas de atuação. Na aplicação da peer instruction no contexto do ensino superior, utilizando a plataforma Google Education, propomos a seguinte atividade: • Delimite um tema. • Monte um plano de aula. • Grave um vídeo, disponibilizando na plataforma. • Elabore um guia de orientações para o aluno sobre a atividade que será realizada em sala de aula. Metodologias Ativas https://bit.ly/3hSg46p https://novaescola.org.br/conteudo/12144/entenda-o-que-e-cidadania-na-era-digital 36 SAIBA MAIS: Pesquise nos links abaixo, que descrevem casos práticos de aplicação da metodologia no ensino superior: Desafios no uso da sala de aula invertida no ensino superior: Clique aqui. Sala de aula invertida: a análise de uma experiência na disciplina de Cálculo I: Clique aqui. Aprendizagem ativa no ensino superior: a proposta da sala de aula invertida: Clique aqui. RESUMINDO: Neste capítulo focamos na aplicação prática das metodologias ativas, o que nos levou a contextualizar o papel do professor e a importância do Design Educacional/ Instrucional no planejamento dos cursos, de modo que as metodologias ativas sejam contempladas de forma integrada com eventos formativos programados. Compartilhamos também sugestões para que você possa iniciar a prática, assegurando a construção da competência com a aplicação prática dos nossos estudos! Sigamos agora para a última etapa de nossos estudos da unidade 1. Metodologias Ativas https://periodicos.utfpr.edu.br/rtr/article/view/3872 http://www.scielo.br/pdf/bolema/v31n58/0103-636X-bolema-31-58-0739.pdf https://www.pucsp.br/sites/default/files/img/aci/27-8_agurdar_proec_textopara280814.pdf 37 Avaliação nos processos que utilizam as metodologias ativas INTRODUÇÃO: Tão importante quanto conhecer e aplicar as Metodologias Ativas é contemplar um processo de avaliação coerente com as características comuns dessas estratégias de ensino e aprendizagem. Neste capítulo estudaremos as avaliações nos processos que utilizam as Metodologias Ativas. Avante! Figura 11 – Avaliação virtual Fonte: Freepik De acordo com o dicionário on-line Michaelis, avaliar é a “apreciação, cômputo ou estimação da qualidade de algo ou da competência de alguém”. Ao longo de nossa vida como estudante, temos na memória registros de que os momentos de avaliação eram tensos e geravam um grande desconforto, cenário esse que não tem aderência às novas metodologias de ensino, com base na autonomia do aluno e que resgata o prazer em aprender. Metodologias Ativas 38 Sabemos também que a utilização de apenas um formato de avaliação é reconhecido como insuficiente para fazer um julgamento completo sobre a competência de um indivíduo. Com base nos estudos de Luckesi (2011), compreendemos que a avaliação tem quatro funções básicas: 1. Diagnosticar os conhecimentos prévios “trazidos” pelos alunos para planejar o ensino. 2. Possibilitar a identificação do suporte que eles terão necessidade ao longo do processo. 3. Subsidiar o feedback do mediador ao aluno a respeito da sua aprendizagem. 4. Analisar o valor da ação pedagógica em relação aos objetivos propostos. Há três importantes modalidades de avaliação: diagnóstica, formativa e somativa, também conhecida como avaliação final. 1. A avaliação diagnóstica baseia-se no fato de que os alunos têm conhecimentos prévios e capacidade de formular suposições e hipóteses sobre tudo o que se converte em conteúdo escolar, e também pela certeza de que as novas informações se transformarão em conhecimento próprio se puderem se apoiar naquilo que já conhecem. 2. A avaliação formativa fundamenta-se na necessidade de acompanhar a evolução do processo de aprendizagem, por meio de instrumentos que possam responder a algumas perguntas centrais, que devem fazer parte do fazer docente: • Os alunos estão de fato aprendendo? • De que forma é possível ajudá-los a avançar em seus conhecimentos? 3. A avaliação somativa parte da necessidade de registrar por meio de notas as informações sobre o que os alunos aprenderam em relação aos conteúdos que foram trabalhados. Essa avaliação Metodologias Ativas 39 ocorre por meio de atividades preparadas especificamente para conhecer os resultados obtidos em relação à aprendizagem. A avaliação somativa tem uma função reguladora, pois permite replanejar a proposta de ensino e estabelecer o nível de alcance dos objetivos previamente estabelecidos. O quadro a seguir explica o que, quando e por meio de quais instrumentos se avalia em cada modalidade: Quadro 3 – Tipos de avaliação Fonte: Elaborado pela autora. Transformar a concepção, os tipos de avaliação, a forma de desenvolvê-la, bem como o uso de seus resultados, não é algo simples. Pelo contrário: é, e por algum tempo ainda continuará sendo, motivo de dúvidas e conflitos entre os educadores, educandos e sistemas de ensino por meio de cada design educacional. No ambiente on-line são recomendados alguns princípios para as boas práticas avaliativas: • Valores educacionais fundamentados no compromisso com o aprendizado dos estudantes devem ser evidenciados na condução dos processos de avaliação. Metodologias Ativas 40 • O estudante deverá compreender que o processo de avaliação está integrado ao seu processo de aprendizagem, validando-o e norteando os seus estudos a partir dos seus resultados. • Os objetivos e as metas dos processos de avaliação devem ser claros e continuamente apresentados para os estudantes. • Além dos resultados somativos inerentes aos processos de avaliação, por parte dos estudantes, a equipe docente também deverá utilizar esses mesmos resultados para indicar a assertividade de suas práticas e possíveis ajustes para melhorar as experiências de aprendizagem. • A continuidade do processo de avaliação deve fazer parte da cultura institucional, evitando-se a ênfase em eventos avaliatórios pontuais. • Mecanismos que assegurem a reflexão dos estudantes acerca de seus resultados nos processos de avaliação devem ser pensados e implementados. Algumas metodologias ativas Para finalizar nossos estudos sobre o que são metodologias ativas, apresentaremos as três mais utilizadas atualmente.É importante destacar que não existem apenas essas três metodologias. Inúmeros educadores desenvolveram metodologias buscando melhores resultados nos processos de aprendizagem, e você também pode desenvolver métodos de ensino partindo de sua prática pedagógica. Se esses métodos apresentarem as características que citamos anteriormente, as experiências ativas de aprendizagem serão oportunizadas e teremos uma metodologia ativa. Sala de aula invertida Em 2007, os professores de Química Jonathan Bergmann e Aaron Sams criaram uma maneira diferente de ministrar suas aulas, motivados pela frustração com o fato de que muitos alunos não conseguiam Metodologias Ativas 41 interpretar os conteúdos e aplicar na resolução das tarefas que deveriam ser realizadas em casa. E se as aulas fossem gravadas e os alunos assistissem como dever de casa, sobrando um tempo bem maior durante a aula presencial para resolver os problemas e esclarecer as dúvidas? O professor não teria mais que repetir a mesma exposição cinco vezes por dia e dedicaria todo o seu tempo para acompanhar de perto a evolução dos seus alunos; e o estudante poderia assistir à lição quantas vezes fossem necessárias, destacando as dúvidas e esclarecendo diretamente com o professor no momento da resolução de problemas práticos. Para inverter a aula é fundamental que os vídeos sejam cuidadosamente preparados e que as regras claras assegurem que eles sejam acessados e estudados previamente, assim como pré-testes de validação. Atualmente existem variações que usam a mídia escrita, mas, em sua concepção inicial, os vídeos são fundamentais. Agora vamos conhecer a aprendizagem baseada em problemas, também conhecida como PBL, sigla em inglês para Problem Based Learning. Aprendizagem baseada em problemas Em 1969, na Faculdade de Medicina da McMaster University, no Canadá, um grupo de professores, de acordo com teorias modernas de aprendizagem, propuseram uma nova metodologia com base em três postulados: a aprendizagem deve ser construída; é fundamental que o estudante saiba o que vai fazer, como vai fazer e se o que fez alcançou os resultados esperados; e, por último, o resultado do aprendizado é otimizado quando a contextualização tem aderência com a prática profissional. A aprendizagem baseada em problemas, de uma maneira geral, atende à seguinte sequência de atividades: Metodologias Ativas 42 Figura 13 – Etapas da aprendizagem baseada em problemas Fonte: PARANÁ, 2016. (Adaptado). SAIBA MAIS: Para saber mais sobre a aprendizagem baseada em problemas, Clique aqui. Peer instruction Lembra as muitas vezes que não entendíamos a forma como o professor explicava e pedíamos socorro a um colega? Vamos resgatar essa memória e compreender as motivações da peer instruction, ou aprendizagem por pares. O professor Eric Mazur leciona Física Introdutória em Harvard desde 1984, mas, a exemplo do Jonathan e do Aaron, da sala de aula invertida, percebeu que seus alunos não estavam aprendendo e decidiu fazer algo. A aprendizagem por pares tem dois objetivos básicos: explorar a interação entre os alunos durante as aulas expositivas e focar a atenção deles nos conceitos que servem de fundamento. A dinâmica fica dessa forma: O professor faz apresentações curtas sobre pontos-chave, sendo cada apresentação seguida de um teste conceitual. Por sua vez, cada teste conceitual tem a seguinte modelagem: 1. 1 minuto para a proposição da questão. 2. 1 minuto para que os estudantes pensem. Metodologias Ativas http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/video/showVideo.php?video=20411 43 3. Entre 1 a 2 minutos para que os estudantes anotem suas respostas, que é opcional, convençam seus colegas (aqui a aprendizagem por pares acontece efetivamente) e anotem as respostas corrigidas. 4. 2 minutos para que o professor dê o feedback e explique a resposta correta. Aprendizagem em pílulas muito eficientes, que conferem dinamismo e interação ao processo. SAIBA MAIS: Para saber mais sobre a peer instruction acesse o vídeo de seu idealizador, o professor Eric Mazur, Clique aqui. Ao longo da disciplina você irá conhecer com mais profundidade outras metodologias ativas e as respectivas estratégias de implementação na sala de aula. É importante também ressaltar que várias metodologias ativas, fazem parte de um movimento que está sendo amplamente adotado nas práticas de ensino e aprendizagem: a Aprendizagem Experiencial ou o Aprender Fazendo. Bates relaciona uma variedade de modelos de design que tem por objetivo unir a teoria com a prática. São eles: • Laboratórios, oficinas ou ateliês. • Formação prática. • Aprendizagem baseada em problemas. • Aprendizagem baseada em casos. • Aprendizagem baseada em projetos. • Aprendizagem baseada na pesquisa e questionamentos. • Aprendizagem cooperativa (baseada no trabalho ou comunidade). Metodologias Ativas https://www.youtube.com/watch?v=Z9orbxoRofI 44 A importância das práticas laboratoriais, por exemplo, tem objetivos extremamente importantes em algumas áreas de formação, sendo indispensáveis a fim de: • oferecer aos alunos uma experiência mãos à obra, de forma que seja capaz de escolher e utilizar adequadamente os equipamentos e as ferramentas comuns a sua área de conhecimento; • desenvolver competências motoras no uso de ferramentas específicas; • vivenciar vantagens e limitações dos experimentos; • possibilitar a aplicação dos conhecimentos em situações do mundo real, contribuindo para uma maior internalização da teoria; • possibilitar testes de hipóteses e inovações; • possibilitar o desenvolvimento de projetos, assim como sua condução; • capacitar os alunos a criarem novos equipamentos e novas ferramentas, usando diferentes mídias físicas. SAIBA MAIS: O Movimento Maker também está incluído na família da aprendizagem experiencial. Para saber mais, Clique aqui e Clique aqui. Chegamos ao final desta etapa de estudos e espero que você tenha se apropriado dos conhecimentos acerca das metodologias ativas, a fim de prosseguir no seu percurso de aprendizagem ao encontro das principais metodologias ativas usadas nos contextos educacionais, sejam eles na modalidade presencial ou a distância. Metodologias Ativas https://revistaeducacao.com.br/2018/05/02/movimento-maker-alunos-se-tornam-produtores-de-conhecimentos-e-objetos/ https://porvir.org/espaco-maker-e-o-fim-da-era-do-laboratorio-de-informatica/ 45 RESUMINDO: Gostou do que mostramos? Desejamos que as competências trabalhadas nesta primeira unidade tenham formado uma base sólida para as próximas que serão construídas ao longo de nossa disciplina. Contextualizamos o nosso cenário educacional atual com a evolução das metodologias de ensino, conhecendo sucintamente as principais linhas teóricas. Conhecemos a Educação 4.0, que anda de mãos dadas com uma indústria de processos robóticos e autônomos, norteados pela Inteligência Artificial e o mundo baseado na incerteza, volatilidade, complexidade e ambiguidade: o mundo VUCA. Contextualizamos a aplicação das metodologias ativas na sala de aula, tendo por base as características comuns de todas, conectadas com as novas competências educacionais e o design instrucional/educacional. Por fim, refletimos sobre os processos de avaliação e como eles devem ser modelados no contexto de planejamento e aplicação das Metodologias Ativas. Desejamos sucesso nos seus estudos! Até a próxima! Metodologias Ativas 46 REFERÊNCIAS BATES, A. W. Educar na era digital – Design, ensino e aprendizagem. 1 ed. São Paulo. Artesanato Educacional, 2016. BERGMAN, J.; SAMS, A. Sala de aula invertida: Uma metodologia ativa de aprendizagem. 1 ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. CAMBI, F. História da pedagogia. São Paulo: UNESP, 1999. DALE, E. 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