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Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 15 15 20 - Cálculo de campos elétricos causados por distribuições esféricas de carga. Nesta secção, estamos interessados em resolver a seguinte questão: Exemplo Resolvido 09: Seja uma cavidade esférica metálica de raio interno r e raio externo R eletrizada com uma carga +Q. Coloca-se em seu centro uma pequena esfera metálica eletrizada com carga +q. Pede-se calcular a intensidade do campo elétrico nos pontos A,B e C, localizados a distâncias Ra, Rb e Rc do centro das esferas, respectivamente, conforme a figura. Solução: Antes de partirmos para a solução do problema, precisamos aprender o seguinte lema: “Nenhuma distribuição esférica de cargas elétricas consegue criar campo elétrico no seu interior. O campo elétrico causado por tal distribuição só atua fora da superfície esférica”. A figura anterior mostra que o campo elétrico de uma distribuição esférica de cargas só atua fora da superfície esférica. Tal distribuição é incapaz de causar campo no interior da região esférica. Observe na figura que não há linhas de forças no interior da esfera. Visto esse lema, precisamos, ainda, determinar como as cargas da esfera oca e da esfera menor se arranjarão no equilíbrio eletrostático Como assim, prôfi ? Perceba que a questão especifica apenas a carga total da esfera oca (+Q), mas não diz como tal carga está distribuída ao longo das superfícies interna e externa dessa esfera. Isso fica por conta do aluno. Assim, nesse caso ocorrerá uma indução total e a distribuição de cargas no equilíbrio será : A carga +q da pequena esfera induz uma carga −q na superfície interna da cavidade. Pelo princípio da conservação das cargas, uma carga (Q+q) deve aparecer na superfície externa da cavidade Agora estamos aptos a calcular os campos pedidos. Cálculo de Ea: A figura anterior nos mostra as três distribuições esféricas de carga formadas após atingido o equilíbrio, quais sejam (+q) , (−q) e (Q+q). Quais destas distribuições de carga causam campo elétrico em A ? Ora, segundo o lema visto anteriormente, o ponto A encontra-se no interior das distribuições esféricas (Q+q) e (−q) que são, portanto, incapazes de criar campo em A . Assim, o campo em A é causado apenas pela distribuição de cargas (+q). Apenas para efeito de cálculo, consideramos essa carga concentrada no centro das esferas e calculamos esse campo: Ea = K q Ra . ( )2 Cálculo de Eb: Pela figura, vemos que o ponto B encontra-se no interior apenas da distribuição de cargas (Q+q) que, segundo o lema, não causará campo em B. Apenas as outras duas distribuições causarão campo nesse ponto. Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 16 16 Assim, para efeito de cálculo, consideramos a carga total dessas duas distribuições concentrada no centro das esferas e calculamos o campo em B: Eb = 2)Rb( ] (-q) + (+q) [ . K = 0 Esse resultado já era esperado, pois B é um ponto de uma região metálica de um condutor em equilíbrio eletrostático, onde o campo elétrico sempre é nulo . Cálculo de Ec: Pela figura, percebemos que o ponto C é externo às três distribuições esféricas de carga, portanto todas elas causarão campo em C. Assim, para efeito de cálculo, consideramos a carga total das três distribuições concentrada no centro das esferas e calculamos o campo nesse ponto: Ec = K. [ (+q) + (-q) + (Q +q) ] (Rc)2 ⇒ Ec = K ( Q Rc + q) ( )2 Linhas de força do campo elétrico : Perceba que só há campo elétrico nas regiões onde as linhas de força estão presentes. Nas regiões acinzentadas o campo elétrico é nulo. Comentários finais: Note que, antes de se fazer o cálculo do campo elétrico causado por condutores esféricos eletrizados, é indispensável determinar como as cargas desses condutores se distribuíram no equilíbrio eletrostático. Ei, prôfi, e o que aconteceria aos campos Ea, Eb e Ec se a esfera fosse ligada à Terra ? Embora seja uma excelente pergunta, é facilmente respondida seguindo-se o procedimento anterior: determina-se como as cargas estarão distribuídas no equilíbrio eletrostático e, a partir daí, calcula-se os campos Ea, Eb e Ec. Veja: Conforme aprendemos no apêndice do capítulo 1, após a ligação à terra, a esfera atingirá o equilíbrio eletrostático com sua superfície externa neutralizada pela subida de elétrons provenientes da terra, como na figura anterior. Assim, é fácil concluir que os campos Ea e Eb permanecem inalterados, pois independem da distribuição de cargas que foi neutralizada. O cálculo de Ec será: Ec = K. [ (+q) + (-q) + (0) ] (Rc) 02 = Assim como Eb, Ec também passa a ser nulo, por ser nula a carga total capaz de causar campo nesses pontos. Apenas o campo Ea será diferente de zero, nesse caso. Linhas de força do campo elétrico após a ligação à terra. Perceba a existência de linhas de força apenas no interior da cavidade. O campo elétrico é nulo tanto nas regiões sombreadas, como fora da esfera maior. Ei, prôfi, e o que aconteceria a estes campos se, ao invés de termos ligado a esfera maior á terra, ligássemos as esferas entre si ? Uma boa pergunta, também de fácil resolução. Para respondê-la, façamos outra pergunta: ligando-se as esferas entre si, no equilíbrio eletrostático, onde estarão as cargas desse novo Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 17 17 sistema ? Ora, as duas esferas, ligadas entre si, atuarão como um único condutor eletrizado. Assim, toda a carga desse condutor só poderá estar em sua superfície mais externa, que coincide com a superfície externa da cavidade. Assim, a carga total (+q) + (–q) + (Q+q) = (Q+q) estará toda na superfície mais externa. É fácil ver que teremos: Ea = Eb = zero, Ec = K ( Q Rc + q) ( )2 Linhas de força do campo elétrico, após as esferas terem sido ligadas entre si. Perceba que só teremos campo elétrico fora da esfera maior. Ea e Eb serão nulos pelo fato de que a distribuição esférica de cargas (Q+q) não é capaz de criar campo elétrico no seu interior, onde estão os pontos A e B, de acordo com o lema visto anteriormente. Nesse momento, o aluno deve sentir-se capaz de calcular o campo elétrico de qualquer distribuição esférica de cargas, em qualquer situação. Um aspecto curioso da indução total em esferas é mostrado a seguir. A figura anterior mostra uma carga puntiforme +q no centro de uma esfera condutora oca neutra. Devido à indução total, a carga puntiforme +q induz uma carga superficial –q na face interna. Uma carga de sinal oposto +q é induzida na face externa, visto que o condutor está neutro. As linhas do campo elétrico da carga puntiforme central principiam no centro da esfera e terminam na face interna. As linhas de um novo campo, agora devido às cargas induzidas na superfície externa +q, recomeçam na face externa e vão para o infinito. Se a carga puntiforme for deslocada do centro da esfera, a distribuição das cargas induzidas na superfície interna do condutor se altera, de forma a manter nulo o campo elétrico no interior da parede metálica (E = 0 através da parede). Assim, a parede metálica blinda e impede qualquer comunicação entre os campos internos e externos à esfera. Por esse motivo, as cargas da superfície externa “não tomam conhecimento” do que houve no interior da esfera, e a sua distribuição na superfície externa permanece homogênea e uniforme. O campo elétrico externo, portanto, não sofre nenhuma alteração. Isso não é incrível ☺ ? Após este breve apêndice, é fundamental o aluno ter em mente, pelo menos, o fato de que em um condutor eletrizado em equilíbrio eletrostático , jamais haverá cargas em suas partes metálicas. Apenas em sua superfície mais externa e, eventualmente, em sua superfície interna, caso esteja ocorrendo indução total.21 – Campo Elétrico no Interior de uma esfera Isolante Na seção anterior, fizemos uso do seguinte lema para determinar o campo elétrico causado por distribuições esféricas de cargas: “Nenhuma distribuição esférica de cargas elétricas consegue criar campo elétrico no seu interior. O campo elétrico causado por tal distribuição só atua fora da superfície esférica”. A seguir, faremos mais uma vez o uso desse lema para calcular a intensidade do campo elétrico uniforme E gerado por uma esfera maciça isolante neutra uniformemente eletrizado em todo o seu volume com uma carga total Q. Para isso, considere o problema a seguir: Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 18 18 Exemplo Resolvido 10: Uma esfera isolante, de raio R, encontra- se uniformemente carregada em todo o seu volume com uma carga total Q. Isso significa que temos cargas elétricas uniformemente espalhadas desde o centro da esfera isolante até a sua superfície. Determine a intensidade do campo elétrico E gerado por essa esfera eletrizada em pontos internos à mesma, localizados a uma distância genérica x do seu centro, com x ≤ R. Q R Se fosse uma esfera condutora, toda a sua carga elétrica se distribuiria sobre sua superfície mais externa. Como se trata de uma esfera isolante, sua carga elétrica não tem como se deslocar, permanecendo uniformemente eletrizada. Solução: Seja o ponto A localizado no interior da esfera a uma distância genérica x do seu centro. Conforme o lema estudado anteriormente, sabemos que apenas a carga elétrica q contida na esfera sombreada de raio x gera campo elétrico no ponto A. Q R A x q Entretanto, a carga q da região sombreada é uma fração da carga total Q da esfera isolante. Como determinar essa carga q ? Ora, como a carga elétrica total Q encontra-se uniformemente distribuída em todo o volume da esfera isolante de raio R, podemos dizer, por exemplo, que se o volume da esfera cinza de raio x fosse a metade do volume total, a sua carga q seria a metade da carga elétrica total Q da esfera. Assim, a carga q da região cinza é diretamente proporcional ao seu volume, valendo, portanto, a seguinte proporção: interna aargC interno Volume total aargC total Volume = ⇒ q x. 3 4 Q R. 3 4 33 π = π Assim, determinarmos a carga q contida na região esférica de raio genérico x: q = 33 .x R Q ⎟⎟ ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ , válido para 0 ≤ x ≤ R Finalmente, estamos aptos a determinar o campo elétrico que essa carga q gera no ponto A, localizado a uma distância x do centro da esfera: E = 2 3 3 22 x .x R Q.K x q.K D q.K ⎟ ⎟ ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ == = .x R Q.K 3 ⎟⎟⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ E = .x R Q.K 3 ⎟⎟⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ , válido para 0 ≤ x ≤ R Assim, sendo K, Q e R constantes, vemos que o campo elétrico E gerado no interior dessa esfera (ou seja, para 0 ≤ x ≤ R) aumenta lineamente com a distância x ao centro da mesma conforme a expressão determinada acima. Para x = 0 (centro da esfera), temos E = .0 R Q.K 3 ⎟⎟⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ ⇒ E = 0 Para x = R, temos E = .x R Q.K 3 ⎟⎟⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ = .R R Q.K 3 ⎟⎟⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ ⇒ E = 2R Q.K 2R Q.K Para pontos externos à esfera (x ≥ R), o campo elétrico E decresce com o aumento da distância x ao centro da esfera, de acordo com a expressão convencional : E = 2X Q.K , para x ≥ R O gráfico acima mostra o comportamento do campo elétrico E em função da distância x ao seu centro tanto para pontos internos à esfera quanto para pontos externos à mesma. Note que no interior da esfera, a intensidade do campo elétrico uniforme E aumenta linearmente com o aumento da distância x, ao passo que fora da esfera sua intensidade diminui proporcionalmente a 1/x². 22 - Potencial Criado Por Um Condutor Eletrizado É importante lembrar que: Partículas eletrizadas, abandonadas sob a influência exclusiva de um campo elétrico, movimentam-se entre dois pontos quaisquer somente se entre eles houver uma diferença de potencial (ddp) não-nula. Quando fornecemos elétrons a um condutor, eletrizamos, inicialmente, apenas uma região do mesmo. Nessa região, as cargas negativas produzem uma diminuição no potencial, que é mais acentuada do que no potencial de regiões mais distantes. A diferença de potencial estabelecida é responsável pela movimentação dos elétrons para regiões mais distantes, o que provoca um aumento no potencial do local onde se encontravam e uma diminuição no potencial do local para onde foram. Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 19 19 - - ----- -- - - - - - - - - - - - - - - - -- - - - -- No início No final Por outro lado, na eletrização positiva são tirados elétrons de uma região, provocando um aumento no potencial desse local. Como conseqüência, elétrons livres das partículas neutras das regiões mais distantes movimentam-se para o local inicialmente eletrizado. Tal fato faz surgir cargas positivas nas regiões neutras, diminuindo a quantidade de cargas positivas na região eletrizada inicialmente. Tudo acontece como se as cargas positivas se movimentassem ao longo do condutor. - - - + +++ + + + + + + + + + + + + + + + + + + ++ + + ++ + + + No início No final É fácil notar que a movimentação das cargas, no condutor, ocorre durante um breve intervalo de tempo, após o que as partículas elementares atingem posições tais que a diferença de potencial entre dois pontos quaisquer do corpo torna-se nula. Dizemos, então, que o condutor atingiu o equilíbrio eletrostático. A diferença de potencial (ddp) entre dois pontos quaisquer de um condutor em equilíbrio eletrostático é sempre nula. Do exposto, conclui-se que, nos pontos internos e na superfície de um condutor eletrizado em equilíbrio, o potencial elétrico assume o mesmo valor. O potencial assume valores diferentes apenas nos pontos externos ao condutor. V = Vinterno superfície Assim, um condutor em equilíbrio eletrostático é uma superfície eqüipotencial. 23 - Potencial criado por um condutor esférico isolado Suponhamos uma esfera condutora eletrizada em equilíbrio eletrostático. O potencial elétrico assume o mesmo valor em todos os pontos desse condutor, sejam eles internos ou localizados na superfície. Para pontos externos à esfera condutora, o potencial varia com a distância do ponto considerado ao centro O da esfera. Para efeito de cálculo desse potencial, considera-se toda a carga elétrica da esfera concentrada em seu centro. Isso, entretanto, só é possível devido à simetria da mesma. Assim, tem-se: d+ + + ++ + ++ + + + + + + + + r O P V = V = K Q rinterno superfície V = K Q dexterno O gráfico da variação do potencial em função da distância ao centro da esfera eletrizada é dado pelo gráfico a seguir: d + + + ++ + ++ + + + + + + + + r O V = K. Q r V - - - -- - -- - - - - - - - - r O V = K. Q r V 24 - Condutores Esféricos Ligados Entre Si Na página 4, exercício resolvido No 1, o prof Renato Brito mostrou como se determinar as cargas finais de dois condutores que foram encostados entre si, dados os seus raios e as suas cargas elétricas iniciais. A seguir, retomamos o mesmo problema no contexto do Potencial Elétrico: Exemplo Resolvido 11 Sejam duas esferas metálicas A e B, de raios Ra e Rb, eletrizadas com cargas, respectivamente, iguais a Qa e Qb. Pede-se determinar : a) Os potenciais iniciais de cada esfera. b) Os potencial final das esferas, após ligarmos uma à outra. c) As cargas finais Qa’ e Qb’ de cada uma. Solução: Seus potenciais iniciais podem ser facilmente calculados pelas expressão vista na secção anterior: Va = K Qa Ra . Vb = K Qb Rb . Mas o que acontece se ligarmos entre si esferas metálicas eletrizadas de raios diferentes? Figura 29 –Cilindros contendo líquidos em níveis diferentes. Sabemos que o líquido fluirá para o cilindro da direita até que seus níveis fiquem à mesma altura, isto é, ao mesmo potencial gravitacional Vg = g.h Para uma perfeita compreensão, façamos uma breve analogia: Observe os dois cilindros acima. O potencial gravitacional (Vg = g.h) do líquido A está, inicialmente, superior ao do líquido B. Assim, ao ligarmos os cilindros através de um cano, o líquido A fluirá em direção ao cilindro B, até que seus potenciais gravitacionais se tornem iguais (Vga =Vgb), o que, obviamente, ocorrerá quando seus níveis estiverem iguais (ha = hb). Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 20 20 Analogamente, quando conectarmos as esferas através de um fio condutor, elétrons fluirão de uma esfera a outra até que seus potenciais elétricos se tornem iguais (Va=Vb). Qa’, Ra Qb’, Rb Elétrons fluirão de uma esfera a outra até que seus potenciais elétricos se tornem iguais (Va = Vb). Quando a diferença de potencial (ddp) entre tais esferas se anular (Va − Vb = 0), cessará a corrente elétrica entre as mesmas e o sistema atingirá o equilíbrio eletrostático. A partir daí, quando a diferença de potencial (U=Va−Vb) entre as tais esferas se anular, cessará a corrente elétrica de uma a outra, e o sistema terá atingido o equilíbrio eletrostático. Sendo Qa’ e Qb’ as cargas finais das esferas A e B após atingido o equilíbrio eletrostático, pelo princípio da conservação das cargas, podemos escrever: Qa + Qb = Qa’ + Qb’ (1) Queremos calcular o potencial final VF das esferas. Sobre VF, podemos escrever: VF = K Ra . Qa ' = K Rb . Qb ' (2) Pela propriedade das proporções, podemos reescrever: VF = K Ra . Qa ' + K.Qb ' + Rb = K Qa Ra Rb ( ' + Qb ' ) + = K Qa Ra Rb ( + Qb) + = VF = KQa + KQb Ra +Rb , mas como temos Va = K Qa Ra . e Vb = K Qb Rb . , podemos reescrever: VF = Va Ra Rb .Ra + Vb.Rb + (3) A equação (3) é extremamente útil pois expressa o potencial de equilíbrio VF das esferas apenas em função de seus potenciais iniciais Va e Vb e de seus raios. Pode, facilmente ser memorizada. Assim, de posse da equação (3), determinamos VF. Substituindo-se VF na equação (2), facilmente determinamos Qa’ e Qb’. Confira: VF = K Ra . Qa ' = K Rb . Qb ' (2) 25 - O Potencial Elétrico Da Terra. No estudo da eletrostática, o planeta Terra é considerado uma enorme esfera condutora eletrizada negativamente com carga elétrica estimada em −600.000 C. Sendo o seu de raio de aproximadamente 6.400 km, o potencial elétrico da Terra em relação ao infinito, suposta isolada no universo, vale: VTerra = −8 x 108 V (em relação ao infinito) Embora, a rigor, o potencial resultante na Terra sofra influência das cargas elétricas dos corpos celestes vizinhos, as cargas elétricas separadas pela atividade humana praticamente não produzem efeitos sensíveis no seu potencial elétrico. Assim, para todos os efeitos, a Terra atua como um padrão invariável de potencial elétrico e, portanto, pode ser tomada como nível de referência para potenciais elétricos, isto é, podemos arbitrar um potencial fixo para a Terra. Qual seria um valor interessante de potencial para se adotar para a Terra ? Por simplicidade, adotamos VTerra = 0 V. Ei, prôfi, e o que aconteceria se um condutor isolado de outros condutores fosse conectado à Terra ? Ela ficaria eletricamente neutro ? Por que ? Calminha, Claudete. Se o condutor estiver isolado (ou seja, não estiver sofrendo indução eletrostática devido a presença de outras cargas ao seu redor), ele realmente se tornará neutro após ser conectado à Terra. Para entendermos por que isso ocorre, consideraremos três casos possíveis: Caso 1 – Condutor Com Potencial Elétrico Positivo Estando o corpo isolado eletrizado positivamente com carga +Q, ele terá um potencial elétrico positivo +K.Q/R em relação à Terra (isto é, Vcorpo > VTerra = 0 ), ou seja, haverá uma ddp entre ele e a Terra, o que motivará o aparecimento de uma corrente elétrica entre os mesmos. Conectando-se o condutor à Terra, elétrons (que têm carga elétrica negativa) passarão espontaneamente da Terra para o condutor (do potencial menor para o potencial maior). Durante essa passagem, o potencial +K.Q/R do corpo vai gradativamente diminuindo (+200V, +100V, +50V, +10V) com a chegada de elétrons (visto que a carga +Q do condutor vai diminuindo) até que seu potencial se iguale ao da Terra, cujo potencial é admitido constante VTerra = 0. VA > VTerra Quando finalmente tivermos Vcorpo = VTerra = 0, não haverá mais ddp entre eles e, portanto, não haverá mais corrente elétrica (cessa o movimento de elétrons). Dizemos que o sistema “Terra+corpo” atingiu o equilíbrio eletrostático. Nesse caso, o anulamento do potencial elétrico do condutor obriga o anulamento da sua carga elétrica, ou seja, +K.Q/R = 0 ⇒ Q = 0) Note que, quando dois corpos estão em equilíbrio eletrostático entre si, eles não precisam ter necessariamente cargas elétricas iguais, mas sim, potenciais elétricos iguais. Caso 2 – Condutor Com Potencial Elétrico Negativo Estando o corpo isolado eletrizado negativamente com carga −Q, ele terá um potencial elétrico negativo −K.Q/R em relação à Terra (isto é, Vcorpo < VTerra = 0 ), ou seja, haverá uma ddp entre ele e a Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 21 21 Terra, o que motivará o aparecimento de uma corrente elétrica entre os mesmos. Conectando-se o condutor à Terra, elétrons (que têm carga elétrica negativa) passarão espontaneamente do condutor para a Terra (do potencial menor para o potencial maior). Durante essa passagem, o potencial −K.Q/R do corpo vai gradativamente aumentando (−100V, −80V, −40V, −20V, −10V) com a saída de elétrons (visto que o módulo da carga do condutor vai diminuindo) até que seu potencial se iguale ao potencial da Terra, potencial este admitido constante (VTerra = 0 = constante) durante todo o processo. VB < VTerra Quando finalmente tivermos Vcorpo = VTerra = 0, não haverá mais ddp entre eles e, portanto, não haverá mais corrente elétrica (cessa o movimento de elétrons). Dizemos que o sistema “Terra+corpo” atingiu o equilíbrio eletrostático. Nesse caso, o anulamento do potencial elétrico do condutor obriga o anulamento da sua carga elétrica, ou seja, K.Q/R = 0 ⇒ Q = 0) Caso 3 – Condutor Com Potencial Elétrico Nulo Tendo o condutor um potencial elétrico nulo em relação à Terra (isto é, Vcorpo = VTerra = 0 ), não há diferença de potencial elétrico (ddp) entre eles, portanto, não haverá corrente elétrica. Os elétrons não têm motivação para fluir espontaneamente de um corpo ao outro. Dizemos que os corpos já estão em equilíbrio eletrostático entre si. Em suma, se não houver ddp, não haverá corrente elétrica. As ligações à Terra são muito usadas para proteger o homem contra o perigo de um choque elétrico ou mesmo uma descarga elétrica. Por exemplo: um pára-raios é sempre aterrado, assim como um chuveiro elétrico, uma torneira elétrica, uma máquina de lavar roupas. Toda vez que ligamos à Terra uma armadura metálica garantimos que o seu potencial elétrico se anula. Assim, se uma pessoa que está com os pés no chão (potencial elétrico nulo) tocar numa geladeira (cuja superfície metálica também está a um potencial nulo, visto que está aterrada), a pessoa jamais tomará choque, visto que não haverá ddp para provocar descarga elétrica através da pessoa em direção à Terra. Afinal, todos estão no mesmo potencial elétrico. 26 - O Pára−Raios. O objetivo principal de um pára-raios é proteger uma certa região ou edifício ou residência, ou semelhante, da ação danosa de um raio. Estabelece com ele um percurso seguro, da descargaprincipal, entre a Terra e a nuvem. Um pára raios consta essencialmente de uma haste metálica disposta verticalmente na parte mais alta do edifício a proteger. A extremidade superior da haste termina em várias pontas e a inferior é ligada à Terra através de um cabo metálico que é introduzido profundamente no terreno. Quando uma nuvem eletrizada passa nas proximidades do pára- raios, ela induz neste cargas de sinal contrário. O campo elétrico nas vizinhança das pontas torna-se tão intenso que ioniza o ar e força a descarga elétrica através do pára-raios, que proporciona ao raio um caminho seguro até a Terra. 27 – Cálculo do Potencial Elétrico de uma Esfera Não-Isolada. Seja uma esfera metálica neutra de raio R, com cargas induzidas +q e −q, na presença de um indutor puntiforme de carga +Q a uma distância D do seu centro. Para determinar o potencial elétrico da esfera induzida, é suficiente determinar o potencial elétrico do seu centro A. Tanto a carga indutora +Q, quanto as cargas induzidas −q e +q produzem potencial no ponto A. Note que estamos admitindo, por simplicidade, a esfera induzida como estando neutra (−q + q = 0). Segundo o prof Renato Brito, o potencial da esfera induzida A é a soma dos potenciais elétricos que todas as cargas geram no seu centro A. Assim, matematicamente, vem: R )q.(K R )q.(K D Q.K VA + + − + + = A expressão acima nos mostra que, estando o condutor neutro, as cargas que aparecem por indução (+q e −q) não influenciam o seu potencial elétrico resultante. Segundo o prof Renato Brito, para determinar o potencial elétrico de um condutor esférico neutro na presença de vários indutores ao seu redor (logicamente, o condutor esférico estaria sofrendo indução), basta determinar somar dos potenciais que cada um deles individualmente gera no centro da esfera induzida, conforme a expressão a seguir: R )q.(K R )q.(K .... D Q.K D Q.K D Q.K V 3 3 2 2 1 1 A + + − +++= onde D1, D2, D3 ... são as distância do centro de cada um dos indutores ao centro da esfera induzida. Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 22 22 Como as cargas indutoras puntiformes Q1, Q2, Q3 poder sem positivas ou negativas, o potencial elétrico resultante da esfera induzida terá um sinal algébrico que dependerá tanto dos valores das cargas indutoras, quanto da maior ou menor proximidade delas ao centro da esfera. Lembre-se que os cálculos acima não são feitos em módulos, mas sim, com os respectivos sinais algébricos das cargas elétricas. Caso a esfera metálica não estivesse neutra, a determinação do potencial elétrico da esfera condutora seguiria um raciocínio semelhante, como o prof. Renato Brito mostrará a seguir: Seja uma esfera condutora com várias cargas q1, q2, q3 ..... qn distribuídas sobre sua superfície esférica. Tais cargas podem ter sido induzidas ou não, esse fato é irrelevante. Seja qTotal o somatório dessas cargas: q1 + q2 + q3 + ..... + qn = qTotal Note na figura a seguir que a distância de todas as cargas q1, q2, q3, q4 ..... qn ao centro da esfera indutora sempre vale R. Sejam D1, D2, D3 as respectivas distâncias dos centro das cargas indutoras ao centro da esfera. Segundo o prof Renato Brito, o potencial elétrico resultante dessa esfera condutora, nesse caso geral, é dado por: R )q.(K ..... R )q.(K R )q.(K ... D Q.K D Q.K D Q.K V n21 3 3 2 2 1 1 A +++++= R )q ... qqq.(K ... D Q.K D Q.K D Q.K V n321 3 3 2 2 1 1 A ++++ +++= Sendo q1 + q2 + q3 + ..... + qn = qTotal, vem: R )q.(K ... D Q.K D Q.K D Q.K V Total 3 3 2 2 1 1 A +++= A expressão geral acima mostra que o sinal algébrico do potencial elétrico de um condutor sofrendo indução não depende apenas do sinal da sua carga total qTotal, mas também dos sinais algébricos dos indutores ao seu redor, bem como das distâncias entre eles. Assim, o sinal algébrico do potencial elétrico de um condutor sofrendo indução (condutor não-isolado) não precisa coincidir com o sinal algébrico da carga elétrica total qTotal desse corpo. É possível, por exemplo, que um corpo eletrizado negativamente esteja a um potencial elétrico positivo, bastando, para isso, que haja vários indutores positivos ao seu redor que compensem o potencial negativo produzido pela sua carga total qtotal negativa. O processo é semelhante ao explicado nos casos 1, 2 e 3 da seção 25 (O Potencial Elétrico da Terra), Claudete. Entretanto, conforme veremos a seguir, no equilíbrio eletrostático entre o condutor não-isolado (isto é, condutor sofrendo indução) e a Terra, ele não ficará mais eletricamente neutro. Para entender melhor, considere uma esfera condutora (suposta eletricamente neutra por simplicidade) sofrendo indução devido à presença de uma carga +Q nas proximidades. Sendo +Q uma carga positiva, e estando condutor com carga total nula (+q − q = 0), seu potencial elétrico VA nesse caso é positivo e dado por: 0 R )q.(K R )q.(K D Q.K VA > + + − + + = Como o potencial VA do condutor esférico é maior que o da Terra (Vesfera > VTerra = 0 V), existe uma ddp entre eles, ddp essa que motiva o aparecimento de uma corrente elétrica entre os mesmos. Elétrons gradativamente subirão da Terra para o condutor (do potencial menor para o potencial maior), reduzindo pouco a pouco o potencial elétrico do condutor (+100V, +80V, +40V, +20V) até que ele se iguale ao potencial elétrico da Terra (suposto constante Vterra = 0). + +Q + + + + + + + + + + - - - - - D -q +qindutor e- R Logicamente, durante esse processo, o condutor (inicialmente neutro) se tornará mais e mais eletronegativo, durante a subida dos elétrons. Quando o equilíbrio eletrostático for finalmente atingido, não haverá mais ddp (Vesfera = VTerra = 0) nem corrente elétrica entre a Terra e o condutor (que agora estará eletrizado negativamente e com potencial elétrico nulo), como mostra a figura a seguir: Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 23 23 Podemos, agora, calcular o potencial elétrico do condutor esférico da figura acima (calculando o potencial elétrico do seu centro A) e igualá-lo a zero. Efeito do indutor esfera A Terra K.( Q) K.( q)V V V 0 D R + − = = + = = Efeito da carga induzida Fazendo isso, determinamos o módulo da carga indutora q que haverá na superfície da esfera condutora em função de Q, do raio R da esfera e da distância D do indutor ao centro da esfera. Isso não é o máximo !!?? ☺ Veja: esfera A Terra K.( Q) K.( q)V V V 0 D R + − = = + = = R )q.(K D )Q.(K =+ ⇒ q = D R.Q !!!!!!!! O interessante resultado acima mostra que a carga induzida que haverá na esfera, conforme esperado, é tão maior quanto maior for a carga indutora Q e quanto menor for a distância D da indutora à esfera, ou seja, quanto mais próximo eles estiverem, maior será o módulo da carga induzida. Assim, mantendo a esfera ligada à Terra e variando-se a distância D entre o indutor e a mesma, a carga induzida q variará de tal forma a manter nulo o potencial da esfera, enquanto a mesma estiver conectada à Terra, sendo sempre dada por: q = D R.Q Ainda assim, como a distância D será sempre maior que o raio R da esfera (D > R), vemos que o módulo da carga induzida será sempre menor que o módulo da carga indutora (|q| < |Q|) nesses casos em que o indutor está do lado de fora do induzido. Essa relação (|q| < |Q|) caracteriza o que chamamos de Indução Parcial. 28 - Blindagem eletrostática. Consideremos um condutor oco (A), eletrizado ou não. Ele apresenta as mesmas propriedades que um condutor maciço: é nulo o campo elétrico em seu interior e as cargas elétricas em excesso, se existirem, distribuem-sepela sua superfície. Se considerarmos um corpo B, neutro, no interior de A, o campo elétrico no seu interior será nulo; mesmo que A esteja eletrizado, B não será induzido. Se, agora, aproximarmos de A um corpo E, eletrizado, haverá indução eletrostática em A, mas não em B. Observamos que o condutor oco A protege eletrostaticamente os corpos no seu interior. Dizemos que o condutor oco A constitui uma blindagem eletrostática. A carcaça metálica de um amplificador eletrônico é uma blindagem eletrostática. A carcaça metálica de um carro ou de um ônibus é uma blindagem eletrostática. 29 - Entendendo Matematicamente o Poder das Pontas No começo do nosso curso de Eletrostática, ficamos intrigados com o poder das pontas: Por que a densidade de cargas elétricas (Coulombs / m2 ) é maior nas regiões mais pontudas de um condutor ? Agora sim, após ter adquirido uma base sólida no conceito de Equilíbrio Eletrostático, o prof. Renato Brito te explicará, com detalhes, passo-a-passo: • Passo 1: Como se calcula o potencial elétrico de um condutor (suposto inicialmente esférico, por simplicidade) ? K.Q 1 QV . R 4 R = = πε (eq 1) • Passo 2: Como se calcula a densidade superficial de cargas elétricas espalhadas sobre a superfície esférica do condutor de raio R e área A = 4πR2 (geometria espacial) ? 2 2 coulombs Q Q = Am 4 R σ = = π (eq2) • Passo 3: Isolando a carga Q em eq1 e substituindo em eq2, temos: 2 2 Q 4 .R.V .V = R4 R 4 R πε ε σ = = π π ⇒ .V = R ε σ (eq3) Sabemos, adicionalmente que, independente de o condutor ser esférico ou não, o potencial elétrico V em todos os pontos de sua superfície metálica e do seu interior tem o mesmo valor (V.=.constante). Afinal de contas, se ele está em equilíbrio eletrostático, não haverá corrente i, portanto não poderá haver ddp U, o que obriga que todos os pontos tenham “o mesmo tanto de volts”. Sendo constantes a permissividade elétrica ε do meio e o potencial elétrico V em toda superfície do condutor metálico, de acordo com a relação eq3, onde haverá maior densidade superficial de cargas σ (Coulombs/ m2) ? Ora, onde o condutor tiver menor raio R de curvatura, isto é, no lado mais pontiagudo (lado A na figura abaixo). No condutor acima, supondo que sua extremidade esquerda tenha raio 3 vezes menor que sua extremidade direita (RA.=.RB./.3), a Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 24 24 densidade de cargas (Coulombs./.m2) σA será 3 vezes maior que σB conforme a relação eq3 acima !! É o poder das pontas ! Entretanto, não confunda densidade superficial de cargas (Coulombs./.m2) com cargas elétricas (Coulombs): sendo VA = VB, ou seja, K.QA / RA = K.QB / RB, com RB = 3.RA, teremos QB = 3.QA !! A extremidade A tem mais C/m² que a extremidade B, porém, a extremidade B tem mais coulombs que a extremidade A ☺. Sentiu a pegadinha ? ☺ 3 - Cálculo de potenciais elétricos criados por distribuições esféricas de carga. Nesta seção, o prof Renato Brito está interessado em discutir com você leitor a seguinte questão: Seja uma cavidade esférica metálica de raio interno r e raio externo R eletrizada com uma carga +Q. Coloca-se em seu centro uma pequena esfera metálica de raio Rp eletrizada com carga +q. O prof Renato Brito, a seguir, determinará o Potencial Elétrico nos pontos A ,B e C, localizados a distâncias Ra, Rb e Rc do centro das esferas, respectivamente, conforme a figura. Solução: Antes de partirmos para a solução imediata do problema, precisamos atentar para dois aspectos relevantes: 1º aspecto relevante: Seja a distribuição esférica de carga +Q e raio R da figura abaixo: Seja o ponto A no seu interior. Conforme o prof Renato Brito lhe disse em sala de aula, para calcular o potencial elétrico que essa distribuição esférica de cargas causa em A, basta lembrar que: VA int = Vsup = ± K Q R . ...ou seja, o potencial elétrico em qualquer ponto no interior de um condutor maciço ou oco, coincide com o potencial da sua superfície, conforme expresso matematicamente acima. Tal potencial terá o mesmo sinal da carga Q. Por outro lado, o potencial elétrico que tal distribuição esférica de carga causa no ponto B externo é calculado considerando-se, apenas para efeito de cálculo, que toda a carga Q está concentrada no seu centro da esfera, ou seja: VB ext = ± K Q Db . ...basta aplicarmos a fórmula do potencial elétrico a uma distância D de uma carga puntiforme Q. O sinal do potencial coincide com o sinal da carga Q. 2º aspecto relevante - como as cargas estarão distribuídas no equilíbrio eletrostático ? A essa altura, facilmente lembramos que tais cargas estarão distribuídas assim: Cálculo de VA: o potencial elétrico resultante em A é dado pela soma algébrica (levando-se em conta os sinais) dos potenciais que cada uma das três distribuições de carga causa em A Sendo A interno às distribuições (Q+q) e (−q) e externo à distribuição de carga (+q), podemos escrever: VA = + K q Ra . − K q r . + K Q q R .( )+ onde o primeiro termo corresponde ao potencial causado por (+q) em A, o segundo termo, o potencial causado por (−q) em A e o terceiro termo, o potencial causado por (Q+q) em A . Cálculo de VB: Percebendo que B é externo às distribuições (+q) e (−q) e interno à distribuição (Q+q), podemos escrever: VB = + K q Rb . − K q Rb . + K Q q R .( )+ ⇒ VB = K Q q R .( )+ Cálculo de Vc: Da mesma forma, sendo C externo às três distribuições, podemos escrever: Vc = + K q Rc . − K q Rc . + K Q q Rc .( )+ ⇒ Vc = + K Q q Rc .( )+ Caex – Colégio Militar de Fortaleza – Prof Renato Brito - Página 25 25 E como calcularíamos a diferença de potencial entre as esferas ? ? Ora, calculamos o potencial de cada uma das esferas e, em seguida, subtraímos um do outro. Assim parece fácil, mas como calculamos o potencial de cada esfera ? ? Solução: Chamemos de Vg o potencial da esfera grande e Vp o potencial da esfera pequena. Cálculo de Vg: Para calcularmos Vg , podemos calcular tanto o potencial de um ponto de sua superfície interna (Vgi) , como o potencial de sua superfície externa (Vge), ou até mesmo o potencial (VgB) de um ponto interno contido na região metálica da casca esférica (ponto B). Em qualquer caso o resultado será o mesmo. Veja: Vgi= + K q r . − K q r . + K Q q R .( )+ ⇒ Vgi = + K Q q R .( )+ Vge = + K q r . − K q r . + K Q q R .( )+ ⇒ Vge = + K Q q R .( )+ VgB= + K q Rb . − K q Rb . + K Q q R .( )+ ⇒ Vgb = + K Q q R .( )+ ou seja, Vgi = Vge = VgB = Vg . Isto está de acordo com o fato de que o potencial elétrico é constante ao longo de qualquer metal em equilíbrio eletrostático. Cálculo de Vp: Para calcularmos Vp, basta calcularmos o potencial de um ponto de sua superfície: Vp =+ K q Rp . − K q r . + K Q q R .( )+ Cálculo de Vgp: Ora, feito o cálculo de Vg e Vp, Ugp é dado por: Ugp = Vg − Vp Comentários Finais do prof Renato Brito O aluno precisa entender a origem de cada um dos três termos que entram no cálculo de cada um dos potenciais computados nessa secção. Basicamente, usamos apenas dois argumentos: • O fato de que o potencial causado por uma distribuição esférica de carga de raio R em um dado ponto é dado por Vint = Vsup = ± K Q R . para pontos não externos a essa superfície e Vext =± K Q D . para pontos externos a essa superfície a uma distância D de seu centro. • E que o potencial resultante em um ponto qualquer do sistema é dado pela soma algébrica dos potenciais causados por todas as cargas do sistema naquele ponto.