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XI EPCC 
Anais Eletrônico 
29 e 30 de outubro de 2019 
O USO DA TECNOLOGIA NO ÂMBITO DA CLÍNICA PSICOLÓGICA: 
DISCUSSÕES TERAPÊUTICAS PARA O TRATAMENTO DE TDAH 
Gabriel Vinicius Martins de Azevedo1, Jessica Elise Echs Polaquini2 
RESUMO 
O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é compreendido enquanto um transtorno de 
origem genética, biológica e ambiental. Embora as causas deste quadro ainda não estejam totalmente 
elucidadas pela ciência, atualmente são propostas diversas possibilidades de tratamento. No âmbito da 
Neuropsicologia, têm se observando uma crescente procura dos meios tecnológicos para estimulação 
cognitiva de pacientes diagnosticados com TDAH. Objetivo: Estabelecer perspectivas teóricas para o 
tratamento do TDAH a partir de recursos tecnológicos. Método: Revisão bibliográfica da base teórica que 
fundamenta os programas de estimulação cognitivas indicados para o tratamento do TDAH. Resultados e 
Discussão: A atenção é responsável pela seletividade da informação necessária ao indivíduo, assegurando a 
seleção entre os estímulos conscientes. Nota-se a participação e amparo deste processo psicológico em 
diversos outros constructos da mente humana como a capacidade de direcionamento dos processos de 
motricidade corporal e processos racionais. A Atenção e a Percepção trabalham como uma unidade recíproca, 
de modo que a primeira corrobora a acuidade perceptiva, tão quanto a percepção mobiliza o processo de 
concentração. Conclusões: Essa compreensão da reciprocidade dos processos de atenção e percepção 
resultam no fato de que os estímulos externos influenciam a vontade humana. Quando se considera uma 
criança é observado que sua vontade se move ao estímulo externo mais perceptivo e são esses estímulos 
que controlam a atenção do sujeito. Durante o processo de desenvolvimento humano, as atividades práticas 
promovem uma capacidade de controle inibitório, de modo que o foco da atenção pode ser intencionalmente 
direcionado. 
Palavras-chave: Desenvolvimento da Atenção; TDAH; Recursos Tecnológicos. 
 
INTRODUÇÃO 
 
Constata-se na comunidade cientifica do século XXI uma demanda de monografia 
e estudos nos processos de medicalização e tratamento no Transtorno de Déficit de 
Atenção com Hiperatividade (TDAH), visto que são associados frequentemente aos déficits 
da área educacional. ‘’As estimativas de prevalência no Brasil desse transtorno variam 
consideravelmente, de 0,9% a 26,8%’’ (Boletim Brasileiro de Avaliação de Tecnologias em 
Saúde – BRATS); Correlacionando os critérios de diagnósticos para esse transtorno, 
deferido através do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, que está em 
sua 5ª edição (DSM-V), publicada em 2014 pela American Psiquiatrist Association (APA); 
específica a sintomatologia do transtorno por alterações no comportamento (agressão, 
excitabilidade, hiperatividade, irritabilidade, impulsividade ou falta de moderação), na 
cognição (concentração, memória ou falta de atenção) e no humor (ansiedade, excitação 
ou raiva), coligado também ao Transtorno Depressivo Maior e Transtornos de 
Aprendizagem (base referenciada como comorbidade). Os quesitos seguintes servem de 
esclarecimento para que este artigo se concretize adequadamente, portanto é 
indispensável o aprofundamento na etiologia desse transtorno que corresponde sobre um 
fenômeno multidimensional constituído em suma por fatores neurobiológicos (incluindo 
características na genética e anormalidades cerebrais) e ambientais, é possível inferir a 
 
1 Acadêmico do Curso de Psicologia, Centro Universitário de Maringá – UNICESUMAR. Concessão sem bolsa PIBIC/CNPq; PIBIC 
Fundação Araucária, PIBIC/UniCesumar; PIC. gabrielazeevedomartins@gmail.com. 
2 Orientadora, Mestre, Departamento de Pesquisa, UNICESUMAR. Pesquisadora do Instituto Cesumar de Ciência, Tecnologia e 
Inovação - jessicaelucena@gmail.com. 
 
 
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Anais Eletrônico 
29 e 30 de outubro de 2019 
complexidade da questão, com múltiplas causas e fatores de risco. A sintomatologia se 
amplia e logo estabelece-se as diferenças dos indivíduos acometidos pelo transtorno; 
DSM-V, 2015, destaca que como níveis elevados de atividade, dificuldade de 
permanecer por longos períodos concentradas e atenção limitada, são comuns em crianças 
pequenas em geral. A diferença em crianças com TDAH é que a hiperatividade e a falta de 
atenção são visivelmente maiores do que o esperado para a idade e causam sofrimento e 
/ ou problemas no funcionamento em casa, na escola ou com amigos. O TDAH é 
diagnosticado como um dos três tipos: tipo desatento, tipo hiperativo / impulsivo ou tipo 
combinado. Um diagnóstico é baseado nos sintomas que ocorreram nos últimos seis 
meses. Centrado sobre um diagnóstico diferencial e confirmado o transtorno a equipe de 
profissionais da saúde que cercam o paciente devem dar o próximo passo em identificar as 
medidas tomadas para tratamento, necessitando de um tratamento que contemple esse 
transtorno em todas suas especificidades, ou seja, de forma integral trará os resultados 
desejados no curto, médio e longo prazo, evitar as concepções reducionistas e organicistas 
para executar um diagnóstico apropriado e que consequentemente conduzira as práticas 
terapêuticas evidenciando o indivíduo em sua totalidade. Aludido o enfoque desse artigo, 
voltamos os conteúdos posteriores para as ressalvas de um tratamento terapêutico com 
eficácia e eficiência no setting clínico, permeando o uso da tecnologia nas técnicas 
psicológicas em intuito de fomentar as discussões dessa temática, primordialmente vale 
destacar as estipulações do BRATS de março de 2014, ao qual, contextualiza que os 
estimulantes são a primeira linha para o tratamento, englobando os grupos do metilfenidato 
e das anfetaminas, que possuem propriedades e efeitos adversos similares. 
Apesar de não serem indicados para o tratamento dessa condição, alguns clínicos 
prescrevem antidepressivos. Acreditava-se que o único tratamento disponível para TDAH 
era o uso ou intervenção medicamentosa, o que gerou muita resistência e medo 
especialmente por serem drogas com potencial de abuso e dependência, entretanto, 
utilização massiva dos conteúdos científicos proporcionaram um tratamento do TDAH mais 
complexo incluindo: intervenções sociais, psicológicas e comportamentais que não excluem 
a administração dos medicamentos. A complexidade do cérebro humano em estudo a 
natureza e função, Alexander Romanovich Luria marca a Neuropsicologia pelos estudos 
acerca das estruturas e sistemas do cérebro, que atuam na formação dos processos 
mentais, planejamentos e necessidades. Como a proposição da temática cientifica é válido 
a discussão e descrição dos moldes de um déficit a atenção. Ressaltasse a Atenção como 
uma das funções psicológicas superiores, que envolve esforço, concentração, focalização 
e interesse sobre estímulos recebidos de todo ambiente externo, ou seja, nosso 
comportamento está sujeito ao curso de nossa atenção e modifica-se a cada novo 
direcionamento, entretanto, esse processo é conduzido em duplicidade e de forma 
qualitativa. Alexander Romanovich Luria (1902-1977) e Lev Semenovich Vygotsky (1896-
1934), ambos estudiosos da Psicologia Histórico-Cultural discutem o desenvolvimento das 
funções cognitivas a partir de uma perspectiva crítica, proporcionando um material rico no 
que se refere à neurociência cognitiva de qualidade para as análises desse transtorno. 
Lucena (2016) destaca que para estes autores, o desenvolvimento humano é gerado a 
partir de complexas relações sociais que permitem a apropriação de signos e instrumentos 
historicamente desenvolvidos pela humanidade. Isto desenvolvimento das funções 
cognitivas como a memória operacional e a atenção concentrada. 
MATERIAIS E MÉTODOS 
Assim chegamos aos métodos contemporâneos de tratamento como a abordagem 
selecionada pela Pearson, com a plataforma COGMED (Cogmed Working Memory 
Training/Treinamento de memória operacional) (PEARSON 2014). O programa,desenvolvido por neurocientistas enquanto uma plataforma de treinamento online, se 
 
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propõe a trazer benefícios aos pacientes com TDAH, e está sendo utilizado em dispositivos 
de acesso prático como computadores ou tablets. Outra plataforma que visa utilizar a 
tecnologia como suporte aos psicólogos para o tratamento dos indivíduos em área clínica 
é a Play Attention. Esta empresa traz a tecnologia com um capacete que lê os sinais 
cerebrais de foco e atenção. As ondas cerebrais captadas pelo capacete do Play Attention 
controlam o jogo do computador, enquanto a mente do usuário torna-se basicamente, o 
mouse ou joystick, e os jogos ensinam como melhorar o foco, ignorar as distrações, 
desenvolver a memória e tornar-se mais organizado. Esta empresa tem seus estudos 
patenteados pela NASA (National Aeronautics and Space Administration). Peter Freer, 
professor e inventor da Play Attention, falou na Conferência da Sociedade Espacial 
Nacional (Washington, DC 2005) a respeito do avanço proporcionado pela plataforma: a 
atenção é agora certificada pela Space Foundation, após anos de pesquisa desenvolvendo 
ferramentas apropriadas para ajudar crianças com TDAH. Lucena (2016) especifica a 
relação ao desenvolvimento da função da atenção e do autodomínio da conduta, destacou-
se que suas formações estariam em inter-relação com o desenvolvimento do pensamento 
verbal. Assim, há uma dependência das funções da atenção e controle da conduta com o 
pensamento, de modo que este dirige e organiza a atenção e ação voluntária. Tal relação 
se desenvolve junto ao papel do adulto que, através de gestos e do uso da linguagem, 
direciona a atenção e a ação da criança pela fala. Esta fala poderá tornar-se interiorizada 
com o desenvolvimento do pensamento verbal nas etapas posteriores. 
 
RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
As tecnologias em constante inovação já promovem certa fundamentação 
terapêutica a indivíduos diagnosticados com Transtorno de Déficit de Atenção com 
Hiperatividade (TDAH). Somam ao tratamento farmacológico e comportamental, 
proporcionando ao setting clínico e os profissionais da Psicologia mais condições em 
fornecer um tratamento com eficácia e eficiência, quando necessário. As pesquisas nesse 
campo aludem discussões qualitativas que permitem rever e reavaliar os diagnósticos 
vagos, utilizando de práticas não medicamentosas, quando necessário para confirmar a 
veracidade do transtorno no paciente. 
 
Os estímulos são de extrema necessidade, principalmente nas fases iniciais do 
desenvolvimento para a aprendizagem, entretanto, comumente restringe-se a aqueles com 
domínio do patrimônio a questão etiológica desse transtorno, fundamenta e muito as 
realidades da cultura, sociais e históricas de cada sujeito acometido pela patologia e o 
ambiente em que vive. Portanto, as questões biopsicossociais englobam o tratamento, ao 
qual deve ser levado em consideração com rigorosidade. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Os processos de atenção e percepção são resultantes da condição externa, 
ambiente cultural histórico e social, ao qual, podem proporcionar reciprocidade do indivíduo 
a partir de seus anseios individualistas, subjetivos e únicos no mundo. Sobre perspectiva 
das fases iniciais do desenvolvimento, ou seja, primeiras faixas etárias sua vontade transita 
de acordo ao estímulo externo mais perceptivo que também exercem domínio sobre a 
 
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atenção dessa criança. Observa-se durante o desenvolvimento humano um processo de 
controle inibitório, possibilitando ao indivíduo amadurecido o direcionamento do foco de sua 
atenção se alterne intencionalmente. 
 
A atenção sendo responsável pela seletividade da informação necessária ao 
indivíduo, assegura a seleção entre os estímulos conscientes. Nota-se a participação e 
amparo deste processo psicológico em diversos outros constructos da mente humana como 
a capacidade de direcionamento dos processos de motricidade corporal e processos 
racionais. A Atenção e a Percepção trabalham como uma unidade recíproca, de modo que 
a primeira corrobora a acuidade perceptiva, tão quanto a percepção mobiliza o processo de 
concentração. 
 
REFERÊNCIAS 
 
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). (2014). Metilfenidato no tratamento de 
crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Boletim Brasileiro de 
Avaliação de Tecnologias em Saúde, (23). Recuperado de 
http://portal.anvisa.gov.br/documents/33884/412285/Boletim+Brasileiro+de+Avalia%C3%
A7%C3 %A3o+de+Tecnologias+em+Sa%C3%BAde+(BRATS)+n%C2%BA+23/fd71b822-
8c86-477a-9f9dac0c1d8b0187 
 
APA, American Psiquiatrist Association Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos 
Mentais. (5a. Ed.) APA, 2015. Disponível em: < http://www.dsm5.org/Pages/Default.aspx >. 
Acessado em: 16 de maio de 2018. 
 
Cogmed Working Memory Training; Pearson. Treinamento da Memória Operacional 
Pearson, Disponível em: < 
http://www.lepsi.com.br/Cogmed_Research_Claims_and_Evidence.pdf >. Acessado em: 
04 de março, 2018. 
 
LUCENA, J. E. E. O desenvolvimento da atenção voluntária na Educação Infantil: 
contribuições da Psicologia Histórico Cultural para processos educativos e práticas. 
Dissertação (Mestre em Psicologia). Universidade Estadual de Maringá. Centro de Ciências 
Humanas Letras e Artes. Departamento de Psicologia, Programa de Pós-graduação em 
Psicologia. Maringá, 2016. 
 
LURIA, A.R. Linguagem, Desenvolvimento e Aprendizagem. In: VYGOTSKY, L.S.; LURIA, 
A.R.; LEONTIEV, A.N. O Desenvolvimento da Escrita na Criança.10ª ed. São Paulo: Ícone, 
2006. 
 
LURIA, A.R. Desenvolvimento Cognitivo. 6ª ed. São Paulo: Ícone, 2010. 
 
Metilfenidato no tratamento de crianças com transtorno de déficit de atenção e 
hiperatividade; Boletim Brasileiro de Avaliação de Tecnologias em Saúde, BRATS; ISSN, 
1983-7003, março de 2014. Disponível em: < http://portal.anvisa.gov.br/documents >. 
Acessado em 04 de agosto de 2019. 
 
 
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Anais Eletrônico 
29 e 30 de outubro de 2019 
Play Attention. PROGRAMA NEUROCOGNITIVO PARA TREINAMENTO DE FUNÇÕES 
EXECUTIVAS. Disponível em: < http://www.playattention.com/index.php >. Acessado em: 
13 de março, 2018. 
 
Vigotski, L. S. (2009b). A Construção do Pensamento e da Linguagem (Tradução de Paulo 
Bezerra). São Paulo: Martins fontes.

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