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Atresia intestinal Apesar do nome, engloba a atresia intestinal (interrupção total da luz intestinal - oclusão) e a estenose intestinal (interrupção parcial na luz intestinal - suboclusão). Podem ocorrer em qualquer parte do intestino (delgado ou grosso). EPIDEMIOLOGIA: é a causa mais frequente de obstrução intestinal congênita – representa 1/3 das obstruções intestinais neonatais; 2 vezes mais frequente que atresia esofágica; 2 vezes mais frequente que hérnia diafragmática; 3 vezes mais frequente que megacólon congênito. Incidência :duodenal de 1:5.000 a 1:10.000; jejuno-ileal de 1:3.000 a 1:5.000 (mais comum); colón de 1:40.000 a 1:60.0000. ETIOPATOGENIA: causa varia dependendo do tipo e localização da atresia. Falha na recanalização intestinal (vacuolização): no desenvolvimento embriológico o tubo intestinal começa sólido e depois canaliza. Uma falha nesse processo causa a atresia. É mais comum no duodeno que em outras regiões. Acidentes vasculares: explica melhor a atresia jejuno-ileal e colônica do que a duodenal. Ocorrem no intra útero, podendo ser por: + Volvos: rotação e obstrução, com oclusão da circulação local. + Invaginação + Herniação pelo anel umbilical: durante a herniação fisiológica do intestino (com rotação) o cordão umbilical pode comprimir a artéria mesentérica, causando um acidente vascular de grandes proporções. Essa situação causa um tipo especial de atresia, a chamada apple-peel ou casca de maçã. DIAGNÓSTICO Pré-natal: + Polidrâmnio: feto para de deglutir líquido amniótico e reabsorve-lo. Polidrâmnio está presente em 50% das atresias duodenais e jejunais altas, sendo que quanto mais proximal a atresia maior é o polidrâmnio. + Ultrassonografia mostrando alças com diferentes calibres (dilatação do segmento proximal e diminuição do calibre do segmento distal). Quadro clínico: varia de acordo com a altura da atresia. + Aspirado gástrico feito por sonda na sala de parto (não é mais obrigatório fazer) mostrando um aumento de volume (mais de 20 ml) ou qualquer quantidade de líquido bilioso (normalmente nesse aspirado vem líquido de estase gástrica). + Resíduos pós-alimentares e vômitos. + Vômitos geralmente biliosos, com exceção da atresia duodenal alta (acima da ampola). + Débito aumentado na sonda orogástrica (não se faz nasogástrica em criança). + Parada na eliminação de gases e fezes. Lembrando que crianças com atresia podem eliminar mecônio (começa a ser produzido no 3° mês de gestação). + Distensão abdominal, sendo que a localização varia com o local afetado. Radiológico: + Raio x simples: é o melhor exame para diagnóstico, podendo indicar cirurgia só com ele. - O melhor contraste é o ar, sendo que na atresia não há ar distal (vê só segmentos dilatados) e na estenose há ar distal (vê segmentos dilatados e segmentos finos). - Observa-se distensão de alças a montante da obstrução. - Níveis hidroaéreos. + Exames contrastados: EED, trânsito intestinal e enema opaco (mostra microcolon de desuso). Podem ser usados quando há dúvida do diagnóstico, não são usados de rotina. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: íleo meconial, peritonite meconial, duplicidade intestinal, má rotação intestinal, megacólon congênito. ATRESIA DUODENAL: geralmente são atresias únicas, as múltiplas são raras. Podem ser pré (20%) ou pós-ampular (80%). Podem ser atresias ou estenoses, sendo que a estenose é comum. Estenoses duodenais: podem ocorrer por pâncreas anular ,banda de Ladd, membrana perfurada. Tipos: podem ser de membrana ou cordão fibroso. Associações: + 30% dos casos está associada a síndrome de Down. + 45 a 50% são prematuros ou PIG. Manifestações clínicas + Vômitos biliosos (pós-ampular). + Distensão abdominal no andar superior. + Icterícia em 40% dos pacientes com obstrução proximal (duodenal e jejunal proximal [ciclo entérico de bilirrubina]). + 20% dos pacientes apresentam evacuações. Raio x: sinal da dupla bolha – gástrica e duodeno. Nas estenoses há ar distal e nas atresias não. ATRESIA JEJUNOILEAL: a maioria ocorre no jejuno proximal (31%). Anomalias extra intestinais são raras (não tem outras malformações). Quanto mais baixa a atresia maior a distensão abdominal. Diagnóstico: + Raio X simples: múltiplas bolhas. + Ultrassom fetal: presença de artéria umbilical única levanta suspeita de atresia jejuno-ileal e de malformações do trato urinário (ex. agenesia renal). Classificação: + I - Atresia de membrana: entre os dois segmentos atrésicos há uma membrana que não deixa passar conteúdo. + II - Cordão fibroso: tem um cordão fibroso ligando os pedaços atrésicos, sem nenhuma falha de mesentério. + IIIa - Falha do mesentério: dois segmentos separados por uma falha de mesentério, sem cordão fibroso. + IIIb - Apple-peel ou casca de maçã: uma das atresias mais graves, causada por acidente vascular na artéria mesentérica superior e está associada com síndrome do intestino curto. Intestino enrolado no fim da mesentérica superior. + IV - Múltiplas atresias: pode seguir qualquer um dos padrões anteriores. Geralmente só faz diagnóstico da primeira atresia e as outras são descobertas na cirurgia. Por isso sempre faz injeção de soro na primeira atresia e ver progressão na alça. ATRESIA DE CÓLON: mais rara forma de atrasia (5-15% das atresias). Mais frequente no cólon direito. Faz grandes distensões abdominais. Raras malformações associadas. Pode vir junto com a gastrosquise. TRATAMENTO: Clínico: antes da cirurgia fazer jejum oral, sonda gástrica, manter temperatura, correção hidroeletrolítica, antibioticoterapia, vitamina K (normalmente recém-nascidos têm deficiência). Cirúrgico: para atresia jejunal, ileal e colônica. + Enterectomia e enteroanastomose (difícil pela diferença de tamanho das alças). + Manobras para ampliação da boca anastomótica. Ex. anastomose terminal dorso terminal; corte oblíquo na parte dilatada (afilando). + Injeção de soro fisiológico morno para verificar atresias múltiplas (ex. atresias de membrana).