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1 Índice 1. Amebíase.........................................................................................................................................................pg 2 2. Giardíase.........................................................................................................................................................pg 4 3. Criptosporidiose.............................................................................................................................................pg 5 4. Toxoplasmose..................................................................................................................................................pg 6 5. Tabela parasitológica P1...............................................................................................................................pg. 9 6. Amebas de vida livre.....................................................................................................................................pg 10 7. Microsporidiose............................................................................................................................................pg 12 8. Ascaris Lumbricoide....................................................................................................................................pg 13 9. Tricuríase......................................................................................................................................................pg 15 10. Enterobíase...................................................................................................................................................pg 16 11. Teníase e cisticercose....................................................................................................................................pg 18 12. Fascíola hepática...........................................................................................................................................pg 20 13. Echinococcus granulosus.............................................................................................................................pg 21 14. Diphyllobothrium latum..............................................................................................................................pg 22 15. Larva Migrans Visceral...............................................................................................................................pg 23 16. Trichomonas Vaginalis................................................................................................................................pg 24 17. Tabela parasitológica P2..............................................................................................................................pg 25 18. Trypanosoma cruzi, triatomíneos e doença de Chagas..............................................................................pg 27 19. Leishmania....................................................................................................................................................pg 30 20. Malária..........................................................................................................................................................pg 32 21. Filariose.........................................................................................................................................................pg 34 22. Esquistossomose...........................................................................................................................................pg 36 23. Ancilostomose...............................................................................................................................................pg 38 24. Larva migrans cutânea................................................................................................................................pg 39 25. Tungíase........................................................................................................................................................pg 40 26. Miíase............................................................................................................................................................pg 41 Parasitologia 2 Amebíase amebas são organismos que podem ser de vida livre (naegleria e acanthamoeba) de diversos gêneros e espécies, tendo ocorrências eventuais e as vezes patogênica, podem ser parasitários (entamoeba histolytica, única espécie exclusivamente patogênica) e outros são comensais (entamoeba, endolimax e iodamoeba), que são amebas que podem servir como indicativos de higiene quando estiverem em alta quantidade nas fezes. Para identificar as amebas é importante considerar as formas de vida dessa microorganismo, podem se apresentar como cistos ou trofozoíto. Para identificar os cistos precisamos observar o número de núcleos e tamanho, no caso da entamoeba histolytica, ele apresenta 4 núcleos. Tanto os trofozoítos quanto os cistos apresentam inclusões citoplasmáticas, já os vacúolos de glicogênio se encontram apenas nos trofozoítos e corpos cromatóides nos cistos. A entamoeba histolytica (histo – tecido, lise – quebra) apresenta três formas de vidas, o trofozoíto, momento em que ocorrerá a multiplicação e alimentação, a fase do cisto imaturo, chamado de pré-cisto e então temos o cisto, que é a forma de resistência da ameba, sua morfologia apresenta com quatro núcleos com um cariossomo central (uma região mais escura do núcleos que se localiza no centro). A entamoeba é capaz de fagocitar hemácias. A passagem do trofozoíto para cisto é chamado de mecanismo de encistamento, o oposto é chamado de excistamento. A amebíase é uma infecção geralmente adquirida pela ingestão de água, frutas ou legumes contaminados com formas císticas (tetranucleadas - cisto maduro), o parasito pode atuar como comensal ou invadir tecidos, o que depende da espécie. Um dos principais quadros clínicos causados pela entamoeba é a diarréia, sendo essa a segunda causa de morte decorrente de doenças parasitárias. 50 milhões de pessoas sofrem de alguma forma invasiva de amebíase, causando 100 mil mortes por ano, os grupos mais afetados são gestantes, crianças, idosos e imunossuprimidos em geral. 12% da população mundial são portadores, mas apenas 10% desses apresentam sintomas, os outros 90% se tornam uma fonte de infecção para o meio ambiente, caso estes indivíduos assintomáticos tenham uma baixa imunológico eles passam a ser sintomáticos. Os indivíduos que são assintomáticos estão na verdade contaminados com a entamoeba dispar, se eles passam a apresentar os sintomas, a entamoeba passa a ser a histolytica, visivelmente eles são morfologicamente idênticos, não sendo possível distinguir na microscopia óptica, mas um causa os sintomas e o outro não. No Brasil, acredita-se que a prevalência média de infecção pela entamoeba, sintomática ou não, é de aproximadamente 23% da população. Temos regiões de elevada endemicidade, e regiões onde praticamente não há casos, eles se concentram principalmente no Nordeste e Norte. Esse parasito é do tipo monoxênico (necessita de um único hospedeiro para completar seu ciclo biológico), pode atuar como comensal (E. dispar) ou provocar a invasão tecidual (E. histolytica), quando for patogênica, originando as formas intestinal (invadindo o intestino grosso) ou extraintestinal (regiões de mucosa). Uma vez que o parasita se estabelece no hospedeiro, a amebíase ocorre, majoritariamente, como assintomática, quando sintomática afeta principalmente o intestino. Ciclo de vida: dura entorno de 2 a 4 semanas, começa com a ingestão de água ou comida contaminada que traz ao organismo as formas de cisto da entamoeba, começa o processo de excistamento, essa entamoeba se divide 4 vezes, uma para cada núcleo do cisto, cada núcleo então vai originar 2 trofozoítos, que migram então para o intestino grosso, o trofozoítoentão pode sofrer encistamento, formando os cistos para que seja liberado no ambiente, ou então o trofozoíto pode continuar a divisão para se propagar pelos tecidos. A E. histolytica possui dois mecanismos para invasão dos tecidos, a primeira deles é a adesão, no qual por meio de receptores específicos para ligação a células do epitélio intestinal como (lectina e GalNAc), uma vez que se aderem a 3 entamoeba começa o ciclo da destruição tecidual causando a lise tecidual por meio de proteases específicas (cisteína- proteinases e amebapora) que destroem a mucosa, causando a úlcera. Quadro clínico: desconforto abdominal, leve ou moderado, até uma diarréia aguda e fulminante, acompanhada de febre e calafrios, presença de sangue e muco nos dejetos. Esses quadros variam conforme o potencial invasivo da cepa, o local atingido pela infecção (colite amebiana) e a resposta ao tratamento. Amebíase intestinal: tem um início insidioso, apresenta sintomas variáveis, com um possível período de remissão, infinidade de possibilidades diagnosticada diferenciais, a maioria dos indivíduos que abrigam E. histolytica não sofrem invasão significativa do cólon. Algumas outras manifestações incomuns podem ocorrer, como ameboma, megacólon tóxico, colite necrosante aguda, amebíase cutânea, ulcerações perineais. O quadro clínico pode ser classificado como brando, em que só gera um desconforto abdominal, as fezes apresentam sangue e muco. A diarreia aguda e fulminante gera febre e calafrios e as fezes também se apresentam com sangue e muco. Nos quadros mais graves, ocorre o comprometimento da via hematogênica com a formação de abcessos hepáticos, e invasão do pulmão e cérebro, que leva ao óbito. Diagnóstico: é feito observando os sinais e sintomas que não são específicos e muitas vezes não confiáveis, tendo que confirmar em laboratório. Os exames são para distinguir a E. histolytica da dispar, que são morfologicamente idênticas, possível também realizar testes de detecção de antígenos baseados em ensaios de imunoabsoção enzimática específicos para a entamoeba. Detecção de anticorpos séricos (no soro) pode auxiliar no diagnóstico, os pacientes podem permanecer positivos por anos após a infecção, o que dificulta a distinção entre infecções recentes e passadas. Em laboratórios mais modernos conseguem realizar uma cadeia de polimerase. Tratamento: a primeira escolha de medicamentos são o tinidazol, secnidazol ou metranidazol (mais comum). A segunda escolha seria o uso de tetraciclinas, paramomicina com furoato de diloxanida ou nimorazol. Para as formas não invasivas da amebíase pode-se usar agentes ativos de lúmen, como a paramomicina, para erradicar trofozoítos e cistos, para as formas invasivas usam nitroimidazóis (metranidazol) que continua sendo a abordagem de tratamento dominante da amebíase invasiva, para os agentes de segunda linha, pode-se usar o furoato de diloxanida amebicida luminal, e antibióticos que devem ser usados em casos raros de colite amebiana fulminante. Profilaxia deve buscar o saneamento básico melhorado para erradicar a amebíase, medidas alternativas devem ser adotadas como o desenvolvimento de vacinas, enfrentar as principais barreiras econômicas, fornecer educação em saúde e formar profissionais de qualidade. Medidas de higiene também ajudam a combater. 4 Giardíase Protozoários intestinais: os mais comuns são as amebas (entamoeba histolytica) e as giardias (Giardia duodenalis). As parasitoses emergentes e oportunistas são aquelas que causam doenças principalmente em imunocomprometidos, foram recentemente caracterizados como patógenos humanos como o Cryptosporidium parvum e Cryptosporidium hominis. Giardíase: é uma infecção causada por parasitas flagelados que se prendem à parede do intestino delgado, provocando diarreia e desconforto abdominal. O agente etiológico é a Giardia duodenalis, também chamada de Giardia lamblia ou Giardia intestinalis. É um parasita monoxênico eurixeno, ou seja, exige apenas um hospedeiro para completar o seu ciclo, e pode infectar uma variedade de hospedeiros vertebrados (homem, mamíferos, aves, répteis e alguns animais). Apresenta duas formas de vida, o trofozoíto e o cisto. A epidemiologia demonstra que a incidência desses casos se localizam em regiões precárias de higiene, de educação sanitária e de alimentação. O trofozoíto apresenta um corpo piriforme, simetria bilateral, 2 núcleos, 4 pares flagelos, 1 disco suctorial (feito para aderir na nossa parede intestinal, epitélio intestinal), um corpo basal com o aparelho de Golgi e apresenta axóstilo (feixe de microtúbulos), apresenta um achatamento dorsoventral. O cisto apresenta um corpo oval, núcleo e corpo basal duplicado (4 núcleos), garante sua sobrevivência na água por até 3 meses, resistentes ao processo de cloração na água e são eliminados aos milhões nas fezes. Cada cisto consegue produzir 2 trofozoítos. Ciclo de vida: começa com a ingestão dos cistos em alimentos ou água contaminada (consumo ou recreacional), esse cisto no sistema digestivo libera dois trofozoítos, que completam o seu ciclo, retornando a fase de cisto, sendo liberados nas fezes. Cães e gatos podem ser fontes de infecção, pois eliminam os cistos. Quadro clínico: Quando indivíduos imunocompetentes são infectados, normalmente são assintomáticos, mas podem apresentar mais comumente uma diarreia (com uma duração de 2 a 4 semanas) e que raramente contém sangue, mas que pode ser acompanhado de gordura nas fezes (esteatorreia), desconfortos abdominais, cólicas, náuseas, vómitos e perda de peso podem ser sintomas que aparecem. Em imunodeprimidos, a infecção pode ser mais grave, com longa duração (até 7 semanas). A patogenia da giardia apresenta um efeito citotóxico de destruição das vilosidades intestinais, por meio do contato com o seu disco suctorial, diminuindo a absorção intestinal. Como consequência desse parasitismo, o nosso corpo passa a ter uma redução dá produção de enzimas (como a lactase), reduz a absorção de carboidratos, gorduras e vitaminas, causam inflamação da mucosa e apoptose dos enterócitos, aumentam a secreção de cloreto, causando acúmulo de líquidos no lúmen intestinal. Tudo isso pode gerar a síndrome da má absorção, o que depende da virulência das cepas e do número de cistos ingeridos e da idade, estado imune do paciente e se foi exposto previamente ao parasita. Diagnóstico: pode ser feito através de exames parasitológicos, como o de fezes (EPF), que apresenta uma sensibilidade para uma amostra de 60 a 80%, para 3 amostras, a chance de diagnosticar corretamente é de 90%. Outros exames menos usados podem ser aspiração intestinal e biópsia duodenal. Exames sorológicos (ELISA, RIFI, hemaglutinação indireta) e molecular (PCR) também podem ser usados para detectar o parasita. Tratamento: consiste no uso de alguns medicamentos como o nitroimidazóis (secnidazol, tinidazol e metranidazol), o controle e progresso da cura deve ser feito analisando um exame de fezes por 3 semanas. Prevenção e profilaxia: Os principais meios de contaminação é a água e alimentos crus, mas também outras pessoas infectadas e vetores mecânicos, como moscas, baratas e moluscos bivalves. A profilaxia consiste na fervura da água, saneamento básico, educação sanitária e tratamento das pessoas (são manipuladores de alimentos, podendo se tornar infectantes). 5 Criptosporidiose São parasitas intracelulares obrigatórios, possuem semelhanças com os apicomplexos (parasitas que apresentam uma estrutura especial, que se parecem com o plasmodiun), são parasitas monoxênicos. Os coccídios intestinais abrangem um grupo de parasitas como os criptoporidiuns Cryptosporidium hominis, Cryptosporidium parvum, os ciclosporidium e os cistoisosporíase. São parasitas emergentes, recentemente descritos como patogênicos, por conta dos avanços nas técnicas diagnósticas criadas, e por conta da globalizaçãoe alteração do meio ambiente e hábitos alimentares. São oportunistas, atacando indivíduos imunossuprimidos. Esse parasita é a segunda causa de morte por diarreia em crianças no mundo (letal em 30% a 50% das mortes até 5 anos de idade). Apresentam consequências letais em imunodeprimidos. Sua incidência é maior em países em desenvolvimento, cosmopolita. Em Fortaleza, uma pesquisa mostrou que todas as crianças avaliadas apresentavam anticorpos contra C. Parvum, portanto já entraram em contato previamente. Para os pacientes que apresentam AIDS, a prevalência chega até 50%. Em Milwaukee, nos EUA, uma usina de tratamento de água acabou sendo contaminada o que transmitiu para diversas pessoas, chamando atenção para a doença. O parasita é intracelular, apresentando fusão com a membrana do enterócito, forma um vacúolo parasitório, mas ao mesmo tempo é um parasita extracitoplasmático, se localizando fora do citoplasma da célula hospedeira, com localização epicelular, sobrevive por meio de biofilmes, o que garante sua sobrevida em ambiente aquático, habitando principalmente o intestino delgado. Ciclo de vida: consiste na ingestão de oocisto (uma forma diferente dos cistos que também garantem sua maior resistência). O oocisto libera quatro esporozoítos, que viram trofozoítos, estes são os que ficam em localização epicelular. O trofozoíto vai formando o merozoíto por merogonia (um tipo de reprodução assexuada), que pode virar um meronte do tipo II sofrer gametogonia, formam um micro e um macrogameta que se fecundam, formando o zigoto que vira o oocisto, reiniciando o ciclo ao ser liberado nas fezes ou reinfectando o homem. Esse coccígeo consegue então se instalar no intestino delgado. Como reservatórios nós temos os bois (C. parvum) e o homem (C. hominis). Patogenia: Os criptosporídios invadem as células epiteliais do intestino, não atingindo as camadas mais profundas da mucosa, causam atrofia das vilosidades e inflamação, reduzindo absorção e produção de enzimas, o que leva à diarreia. Clínica: Em imunocompetentes podem ser assintomáticos ou causar diarreia aquosa, vômitos, dores abdominais e perda de peso, em imunocomprometidos a diarreia é muito mais grave, com várias evacuações por dia, apresentando uma evolução crônica e fulminante, com perda de até 20 litros de água por dia. Diagnóstico: pode ser feito por exames parasitológicos de fezes, procurando os oocistos por visualização microscópica fresca, por coloração de Ziehl-Neelsen e depois por coloração ácidos-álcool resistente. Outros exames podem ser feitos também como a pesquisa de antígenos nas fezes, PCR das fezes, biópsia ou aspirado intestinal. Tratamento: consiste em usar a nitaxozanida, bem tolerado, com poucos efeitos colaterais, apresenta ação contra outros patógenos intestinais, pouco efetivo em imunocomprometidos. Além disso, cuidados gerais como se hidratar, tratar os sintomas, fornecendo antivirais para pacientes HIV+ e tentar restaurar a imunidade devem ser feitos. Prevenção: foca em medidas de saneamento básico, educação sanitária, filtração ou fervura da água, controle de contaminação ambiental com fezes, evitar contato direto com animais infectados, evitar o consumo de moluscos bivalves crus. Os oocistos são resistentes ao cloro e à maioria dos desinfetantes, viáveis por várias meses no ambiente, mas são sensíveis a altas temperaturas, ao congelamento, dessecação e água oxigenada. 6 Toxoplasmose Generalidades: é uma zoonose cujo quadro clínico no homem varia desde infecção assintomática a manifestações extremamente graves. Agente etiológico: Toxoplasma Gondii Parasita heteroxeno eurixeno: aprenda inúmeros hospedeiros possíveis, normalmente animais de sangue quente (mais de 30 espécies de aves e 300 mamíferos) são os hospedeiros intermediários, já os felídeos são os hospedeiros definitivos. Importância: é uma infecção cosmopolita (presente no mundo todo), 1/3 da população estão infectados, mas apenas 1% apresenta, os sintomas. Em recém-nascidos causa aborto, prematuridade, lesões neurológicas e oculares. Em imunodeprimidos o parasita é oportunista, 1/3 de quem tem AIDS apresenta sintomas, afetando principalmente o sistema nervoso central e provocando quadros graves. Esse parasita é considerado o mais bem sucedido, consegue infectar qualquer célula nucleada além de ser encontrado em qualquer ambiente. Distribuição epidemiológica: apesar de ser mundial, e mais comum de ocorrer em população rural e que tem o hábito de consumir carne e cuidar de gatos, está ligado com os aspectos de higiene, a incidência do parasita aumenta com a idade. No Brasil, a estimativa está entre 50-80% da população, o número de recém-nascidos vivos com toxoplasmose é entorno de 2 a 4 em 1000. Esse parasita apresenta uma ampla distribuição na natureza em nosso país, 1/5 dos gatos estão contaminados, bem como, equinos, 1/3 em bovinos e ovinos, 1/4 em suínos e 40% dos caprinos podem ser considerados fonte de transmissão. Parasita: apresenta um complexo apical (apicomplexo), utilizado para penetrar nas células, nesse complexo ele apresenta ainda o conóide, um cone de microtúbulos envolvidos por anéis polares, micronemas e roptrias, que secretam proteínas e permitem que ocorra a adesão e penetração na célula, anéis polares e microtúbulos subpeliculares. Outra estrutura presente é o apicoplasto, uma tipo de vestígio de cloroplasto e sensível a antibióticos. Sua forma de vida principal é a taquizoíta, um formato de arco ou banana, apresenta multiplicação rápida por meio de reprodução assexuada, é uma forma livre (móvel) e é a forma com o qual ele invade as células, que podem ser do tipo hepática, pulmonares, nervosas, submucosas, musculares e principalmente células do sistema fagocítico mononuclear, mas não invadem hemácias, pode se encontrar presente em líquidos orgânicos e excreções. Essa forma de vida está presente na fase aguda da infecção. Durante a fase crônica de infecção, a forma do parasita é de bradizoíta, que apresenta multiplicação lenta, além de formar o cisto tecidual, uma espécie de cápsula formada pelas nossas próprias células (SNC, ocular e muscular) em que o parasita entra nelas e fica se multiplicando lentamente sem que o sistema imune identifique e o ataque, ficando nesse meio até o sistema imune baixar e então ele volta a forma de taquizoíta e volta a atacar nossas células. É resistente ao pH do estômago, ao sistema imune e aos medicamentos. Por meio desses cistos contendo os bradizoítos que ocorre a contaminação. Existe também uma segunda forma, o oocisto, que não está presente em nosso organismo, mas que é um meio que ocorre a contaminação por via oral. É eliminado nas fezes do gato e se torna infectante 1 a 5 dias, sofrendo esporogonia no meio ambiente e formando dois esporocistos com 4 esporozoítos cada, uma forma chamada de oocisto esporulado sendo uma forma de resistência ambiental. 7 Ciclo de vida: a fase assexuada pode ocorrer então em todos os hospedeiros, aves e mamíferos, inclusive o gato e o homem, já a fase sexuada acontece só nos felídeos domésticos e selvagens, ocorrendo nas células do epitélio intestinal, sendo estes o hospedeiro definitivo, que passam a eliminar os oocistos durante 1 mês nas fezes, e isso ocorre apenas uma única vez na vida do gato (primo-infecção), pois passam a adquirir imunidade contra novas infecções. Podemos ingerir então os oocistos ou bradizoítos, virando para a forma taquizoíta, atacando as células, até o sistema imune identificar e começar a atacar, então os taquizoítas passam a adquirir a forma bradizoíta, ficando latente até o sistema imune cair. Vias de transmissão humana: as principais formas são por ingestão dos oocistos esporulados, liberados nas fezes dos felinos que contaminam a areia, água e solo, por ingestão de bradizoítas presentes na carne crua ou mal cozida e infecção transplacentária, nos casos de infecção aguda em gestantes. Outros meiosde infecção são bem menos comuns, mas que pode ocorrer pela ingestão dos taquizoítas, presente no leite não pasteurizado e derivados, por transplante de órgãos e transfusão sanguínea, no qual o doador infectado acaba transmitindo bradizoíta e taquizoíta e também por inoculação acidental em acidentes de laboratórios por contaminação dos taquizoítas. Fase aguda da doença: maior presença de taquizoítas, causam toda a patologia dessa fase, se dividem rapidamente, gerando uma alta agressividade por destruição de tecidos, podendo cruzar a barreira hemato-encefálica e transplacentária. Fase crônica da doença: maior presença de bradizoítos, se inicia após 10 dias da infecção. É uma fase dormente, em que os bradizoítos se multiplicam lentamente, causando poucos danos. Ocorre a produção de muito NO por macrófagos. Os linfócitos T produzem IFN-gama que estimulam os macrófagos a se tornarem mais ativos, produzindo TNF-alfa e NO que acaba causando essa dormência do parasita, virando bradizoítas, se multiplicando e formando um cisto tecidual. Essa reclusão intracelular evita o contato com anticorpos e o sistema complemento, evadindo o sistema imune, de forma que a infecção se mantém por toda a vida. Reagudização: quando a fase crônica se torna aguda, e os bradizoítos voltam a ser taquizoítos. Nesse caso, nós deixamos de ter estímulos por IFN-gama, TNF-alfa e IL-12, como no caso de imunodeficiências. Quando isso acontece, locais imunologicamente privilegiados, onde a circulação de linfócitos é menos intensa, havendo menos anticorpos e complemento, esses taquizoítas podem infectar. Normalmente o SN e o globo ocular. Manifestações clínicas: alguns fatores determinam a patogenia, como por exemplo o genótipo do parasito (I, II e III), resposta imune e a forma como ocorre a infecção. - Toxoplasmose pré-natal: ocorre em gestantes em fase aguda ou de reagudização, de 10 a 15% resultam em abordo, e a gravidade depende do período da gestação. Quando ocorre no primeiro trimestre, o risco de aborto é elevado, no segundo semestre o risco de aborto também está elevado, mas também tem-se o risco de nascimento prematuro e a criança pode apresentar anomalias graves (Síndrome de Sabin), no terceiro semestre a criança pode nascer normal e apresentar anomalias mais tarde, ocorre um comprometimento ganglionar, hepatoesplenomegalia, miocardite, anemia, as lesões mis comuns afetam o SNC e retina (conforme a reativação na idade adulta). A síndrome de Sabin são comprometimentos que ocorrem nos órgãos, o comum é que ocorra cariorretinite (infecção da retina e coróide), calcificações cerebrais e perturbações neurológicas, como retardo psicomotor e micro e macrocefalia. Outros sinais podem aparecer como convulsões, espasticidade (tônus muscular muito intenso em que não ocorre o relaxamento), opistótono (coluna encurvada), rigidez de nuca, paralisias e dificuldades para alimentação. As lesões oculares ocorrem pela presença do parasita na retina, que gera edema, inflamação e necrose, e que pode levar a alterações vasculares, hemorragias e zonas cicatrizais. Outras alterações podem ser a formação de microftalmia, nistagmo (movimento oscilatório), estrabismo, irite e atrofia óptica (nervo óptico) - Toxoplasmose pós-natal: pode ocorrer uma inflamação ganglionar ou febril aguda, um dos sintomas mais frequentes da infecção, pode sofrer coriorretinite que leva a alterações visuais e perda de visão. Em imunodeprimidos causa encefalite aguda (maioria dos casos), cefaleia, febre, paralisia, convulsões e pode matar me poucos dias. Quando o parasita infecta o sistema nervoso isso é chamado de neurotoxoplasmose que pode ser analisado por meio de uma TC e ressonância magnética. Diagnóstico: podem ser realizados exames parasitológicos, que são raramente usados, mas que isolam o agente ou detectam os produtos formados pelo parasita, pode ser feito pesquisa dos taquizoítas no creme leucocitário no plasma, por amniocentese, inoculação em camundongos e procura de bradizoítas em biópsia. O mais comum é realizar exames sorológicos, buscando os anticorpos, por meio da ELISA, RIFI e hemaglutinação, para indivíduos na fase aguda são dosados IgM, IgA, IgE e IgG de baixa avidez, para indivíduos na fase crônica são dosados IgG de alta avidez. Quando o IgG e IgM estão presentes pode-se entender que o paciente está numa possível infecção aguda, quando ambos estão negativos o paciente não está imune, portanto não apresentou a doença, quando o IgG está positivo e o IgM está 8 negativo, o paciente está numa infecção crônica, quando o IgM está positivo e o IgG está negativo a infeção se deu muito recente. Quando se dosa em recém-nascidos tem-se que saber que o IgM e IgA não atravessam a placenta, o IgG pode ser da mãe, em imunodeprimidos a determinação dos títulos de anticorpos não é satisfatória, deve ser feito exames parasitológicos ou PCR, em gestantes soronegativas deve ser feito o acompanhamento para detecção precoce de eventual soroconversão, em gestantes cronicamente infectadas, não há risco de infecção congênita (desde que ela seja imunocompetente). Tratamento: é uma doença caracterizada como incurável, pois mesmo matando os taquizoítas com medicamentos, os bradizoítas persistem, é recomendado tratar os casos agudos sintomáticos, gestantes em fase aguda, pacientes com toxoplasmose ocular ativa e imunodeficientes sintomáticos. Os medicamentos usados são sulfadiazina com pirimetamina (substâncias tóxica, teratogênica e que causa depressão medular por inibição do ácido fólico) e ácido fólico. Em gestantes é indicado clindamicina com pirimetamina e ácidos fólico ou espiramicina (quando elas estiverem no primeiro semestre), uma alternativa também para alérgicos às sulfas. Junto disso deve ser usado anti-inflamatórios, principalmente para toxoplasmose ocular. Profilaxia: evitar o consumo de carnes cruas ou mal passadas, congelar a carne a menos de 20 por 2 dias, consumir água filtrada ou fervida, lavar os vegetais consumidos crus, evitar o contato com as fezes do gato, limpar os ambientes contaminados com fezes de gato (água fervente), lavar as mãos. Para gestantes deve ser feito a sorologia no início da gravidez e tratamento das infecções agudas, em pacientes HIV+ deve ser feito uma quimioprofilaxia. 9 Tabela de estudos das parasitoses P1 Amebíase Giardíase Criptosporidiose Toxoplasmose Agente Etiológico Entamoeba histolytica Giardia duodenalis Cryptosporidium C. hominis C. parvum Toxoplasma gondii Formas de Vida Cistos (Forma de resistência) Trofozoítos (Forma infectante) Pré-cisto Cisto (Forma de resistência) Trofozoíto (Forma infectante) Oocisto (Forma de resistência) Esporozoíto Trofozoíto (foram infectante) Taquizoíta (forma infectante) Bradizoíta (forma de resistência no organismo) Oocisto (forma de resistência no ambiente externo) Ciclo de vida Ingestão de Cisto que sofrem excistamento formando trofozoíto que sofrem encistamento formando cistos que podem eliminados nas fezes. Ingestão de Cisto que formam trofozoítos que forma Cistos que podem ser eliminados nas fezes Ingestão de oocisto que libera esporozoíto que forma trofozoíto. Este forma por merogonia e depois gametogonia novos oocistos que podem ser liberados nas fezes. Se inicia com a ingestão de bradizoítos ou oocisto. Os bradizoítos iniciam um ciclo sexuado formando ovos oocistos que podem formar taquizoítos que formam novos bradizoítos no ciclo assexuado Transmissão Ingestão de água ou comida contaminada com cistos Ingestão de água ou comida contaminada com cistos Ingestão de água (principalmente) ou comida contaminada com oocistos. Ingestão de oocistos esporulados. Ingestão de bradizoítas em carne crua ou mal-cozida Infecção transplacentária Sintomas desconforto abdominal, leve ou moderado, até uma diarréia aguda e fulminante, acompanhadade febre e calafrios, presença de sangue e muco nos dejeto Imunocompetente:assintomáticos, mas podem apresentar uma diarreia (duração de 2 a 4 semanas) raramente contém sangue, mas que pode ser acompanhado de esteatorreia, desconfortos abdominais, cólicas, náuseas, vómitos e perda de peso. Imunodeprimidos: a infecção pode ser mais grave, com longa duração (até 7 semanas). Imunocompetentes podem ser assintomáticos ou causar diarreia aquosa, vômitos, dores abdominais e perda de peso. Imunocomprometidos a diarreia mais grave, com várias evacuações por dia, apresentando uma evolução crônica e fulminante, com perda de até 20 litros de água por dia. Pós-natal:inflamação ganglionar ou febril aguda e coriorretinite Em imunodeprimidos causa encefalite aguda, cefaleia, febre, paralisia, convulsões e morte em poucos dias Pré-natal: varia conforme os trimestres. Síndrome de Sabin Diagnóstico Detecção de antígeno, anticorpos e PCR EPF, exames sorológicos, exames parasitológicos, biópsia ou aspirado intestinal. EPF, PCR, pesquisa de antígenos, biópsia ou aspirado intestinal. Exames parasitológicos ou exames sorológicos (IgM e IgG) Tratamento 1º Escolha: tinidazol, secnidazol ou metronidazol 2º Escolha: tetraciclina ou Paramomicina com furoato de diloxanida ou nimorazol Nitroimidazóis (secnidazol, tinidazol metronidazol) Nitoxozanida Sulfadiazina mais pirimetamina mais ácido fólico. Espiramicina. Clindamicina mais pirimetamina. Anti- inflamatórios mais anti- parasitários Profilaxia Saneamento básico, vacinas, melhoria econômica, educação em saúde e formação profissional de qualidade. Ferver água, saneamento básico, educação sanitária, tratamento de alimentos Saneamento básico, educação sanitária, filtração ou fervura da água, controle. De contaminação ambiental com fezes, evitar contato direto com animais infectados, evitar o consumo de moluscos bivalves Evitar consumir carne mal passada ou crua. Ferver ou filtrar água. Lavar vegetais consumidos crus. Limpar o. ambiente contaminado com fezes de gatos, lavar as mãos. Gestantes devem faz a sorologia no início. Da gravidez. Pacientes com HIV devem realizar quimioprofilaxia. 10 Amebas de vida livre São protozoários que vivem de forma independente, seja em terra ou água, e não requerem um hospedeiro humano ou animal. Raramente causam doenças, diferentemente do parasita entamoeba histolytica, que é causa comum de infecção intestinal (amebíase). As amebas patogênicas de vida livre são do gênero Naegleria, Acanthamoeba, Balamuthia e Sappinia. São três as principais síndromes causadas por essas amebas: • Meningoencefalite amebiana primária: é uma infecção geralmente aguda e fatal do SNC, causada pela Naegleria fowleri, esse parasita habita águas frescas em todo o mundo. O ato de nadar em água contaminada expõe a mucosa nasal ao microorganismo, o qual pode entrar no SNC pelo epitélio do nervo olfatório e pela placa cribriforme. A maioria dos pacientes é composta por crianças saudáveis ou adultos jovens. Sinais e sintomas: os sinais começam em uma a duas semanas após a exposição, algumas vezes com alteração do olfato e gustação. A meningoencefalite fulminante seguem-se cefaleia, meningismo e alteração do estado mental, progredindo para a morte dentro de 10 dias, normalmente por herniação cerebral. Somente alguns pacientes sobrevivem. Diagnóstico: pode ser feito por exame do LCR, e a suspeita do caso pode ser dada pela história de natação em água corrente, mas a confirmação é difícil porque a tomografia computadorizada e os exames de rotina do liquor são inespecíficos, embora necessários para outras causal. O exame do LCR pode revelar os trofozoítos amebianos móveis (que podem ser visualizados nas amostras coradas de Giemsa), além disso, ensaios imuno-histoquímicos, culturas de ameba e PCR do LCR e/ou biópsia cerebral estão disponíveis nos laboratórios de referência especializados. Tratamento: pode haver vários esquemas de tratamento e utilização de fármacos, como miltefosina junto com antifúngicos e antibióticos. Normalmente é usado miltefosina e antileishmanicida para o tratamento da encefalite amebiana granulomatosa, além disso, pode ser combinado à miltefosina os fármacos como anfotericina B, rifampina, um azol (fluconazol, voriconazol ou cetoconazol) e azitromicina. Para controlar as convulsões e o edema cerebral pode ser dado anticonvulsionantes e dexametasona. • Encefalite amebiana granulomatosa: é uma infecção subaguda do SNC geralmente fatal causada por Acanthamoeba em hospedeiros imunocomprometidos ou debilitados ou por Balamuthia mandrillaris. Esses parasitas estão presentes no mundo todo na água, poeira e solo, sendo que a exposição humana é comum, mas a infecção é rara. A infecção por Acanthamoeba do SNC ocorre quase que exclusivamente em pacientes imunocomprometidos ou debilitados, mas B, mandrillaris também pode infectar hospedeiros saudáveis. O ciclo de vida da Acanthamoeba ocorre em 2 estágios: o cisto e trofozoítos (forma infectante), o trofozoíto formam cistos com paredes duplas, que resistem a erradicação. Acredita-se que a porta de entrada seja a pele ou o trato respiratório inferior, com disseminação hematogênica subsequente para o SNC. Nos pacientes infectados, os cistos e trofozoítos podem ser encontrados nos tecidos. Sintomas: o início é insidioso, na maioria das vezes com manifestações neurológicas focais. Alterações do estado mental, convulsões e cefaleias são comuns. Esses parasitas também podem causar lesões cutâneas ulcerativas que mais tarde evoluem com sinais e sintomas neurológicos. Em alguns pacientes com AIDS, a infecção disseminada por Acanthamoeba só compromete a pele. A sobrevida é incomum, e a morte advém entre 7-120 dias após o início do quadro. Diagnóstico: para os pacientes com Acanthamoeba, se utiliza de tomografia computadorizada com contraste e ressonância magnética que podem mostrar lesões de massa, únicas ou múltiplas, mais comumente nos lobos temporal e parietal, além disso pode ser feito uma análise do líquido cefalorraquidiano, para contagem de leucócitos (principalmente linfócitos), mas raramente os trofozoítos são vistos. Esses exames não confirmam o diagnóstico, mas excluem outras possíveis causas. Já as lesões de pele podem ser usadas para biópsia e os trofozoítos podem ser cultivados para avaliar a sensibilidade aos fármacos. Aos pacientes com B. Mandrillaris, é feito TC e RM que demonstram múltiplas vezes lesões nodulares com realce anelar, hemorragia intralesional. é um importante indício radiológico. Normalmente o diagnóstico da encefalite amebiana granulomatosa é feito após a morte. Tratamento: para Acanthamoeba, apesar de ainda não estar estabelecido um tratamento, aqueles que contém o uso de miltefosina parece oferecer uma vantagem de sobrevida. Outros medicamentos como pentamidina, sulfadiazina, fluorocitosina, um azol, rifampicina e anfotericina B. Contra a B. Mandrillaris também é usado miltefosina em 11 combinação a outros fármacos como flucitosina, pentamidina, fluconazol e/ou sulfadiazina mais azitromicina ou claritromicina. • Queratite amebiana: é uma infecção de córnea causada pela Acanthamoeba, tipicamente ocorrendo nas pessoas que usam lente de contato. Esse parasita pode causar queratite crônica e progressivamente destrutiva em hospedeiros sadios. O principal fator de risco é o uso de lente de contato, em particular quando utilizadas ao nadar ou se uma solução de limpeza não estéril for empregada. Algumas infecções acompanham abrasão da córnea. Dependendo da forma como o trofozoíto da Acanthamoeba consiga penetrar no hospedeiro, ela pode causar ou a encefalite ou a queratite, nesse último caso, quando ela penetrar pela córnea. Sinais e sintomas: as lesões são tipicamente muito dolorosas, com sensação de corpo estranho. No início, tem uma aparência dendriforme, assemelhando-se àqueratites herpes simples. Em seguida surgem infiltrados em placa no estroma e, às vezes, uma característica lesão em forma de anel. A maioria apresenta uveíte anterior associada. A visão é diminuída. Diagnóstico: pode ser confirmado por exame dos raspados de córnea corados com Giemsa ou tricrômio, e por cultura em meios especiais. A cultura viral é obtida caso a herpes seja considerado. Tratamento: por desbridamento da córnea, e uso de clorexidina tópica, biguanida de poli-hexametileno ou ambos. Nos casos mais graves deve ser usado itraconazol ou cetoconazol. Prevenção: limpeza de lentes de contato com soluções esterilizadas. 12 Microsporidiose É uma infecção causada por microsporídios. A doença sintomática se desenvolve predominantemente nos pacientes com AIDS e apresenta quadro de diarreia crônica, infecção disseminada e doenças da córnea. O diagnóstico é feito pela demonstração de organismos em amostras de biópsia, fezes, urinas, outras secreções ou raspados da córnea. O tratamento é com albendazol ou fumagilina (dependendo das espécies infectastes e da síndrome clínica) ou adicionado fumagilina tópica na doença ocular. Os microsporídios são fungos parasitas formadores de esporos intracelulares obrigatórios, que costumavam ser classificados como protozoários. Os esporos podem ser adquiridos por ingestão, inalação, contato direto com a conjuntiva, contato com animais e transmissão de uma pessoa para outra. Dentro do hospedeiro, o microsporídio inocula com um esporuloplasma a célula. A divisão intracelular produz esporoblastos que amadurecem até esporos, os quIs podem se disseminar ao longo do corpo ou ser liberados para o ambiente, por meio de aerossóis respiratórios, fezes ou urina. Uma resposta inflamatória se desenvolve quando são liberados esporos das células do hospedeiro. Os microsporídios são patógenos oportunistas em pacientes com AIDS. Sinais e sintomas: a doença clínica varia conforme o estado imunitário do paciente e a espécie do parasita. Nos pacientes imunocompetentes, os microsporídios podem causar infecção assintomática e diarreia líquida autolimitada. Há relatos de infecções oculares que causam queratoconjuntivite. Nos pacientes imunocomprometidos (com AIDS), várias espécies de microsporídios causam diarréia crônica, má absorção, síndrome consumptiva, colangite, queratoconjuntivite pontilhada, peritonite, hepatite, miosite e sinusite. Ocorrem infecções renais e vesiculares. Diagnóstico: os organismos infectantes podem ser demonstrados em amostras de tecido afetado obtida por biópsia de fezes, urina, LCR, escarro ou bile, ou com raspados de córnea. Eles são mais bem observados com técnicas de coloração especial e podem requerer microscopia eletrônica. Pode ser feito imunofluorescêncua e PCR. Tratamento: para os pacientes com AIDS, o início ou a otimização da terapia antirretroviral (TARV) é importante. O tratamento antimicrobiano depende da espécie do parasita. O albendazol costuma ser eficaz para E. intestinalis, já pata tratar o E. bieneusi é usado o fumagilina. 13 Ascaris lumbricoides Nematódeos: são helmintos cilíndricos e alongados de simetria bilateral e que pertencem ao filo Nematoda. Existem inúmeras espécies de vida livre que vivem na água e no solo, mas também existem aqueles parasitas, que vivem em plantas, moluscos, anelídeos, artrópodes e vertebrados, inclusive o homem. Mais de 50 espécies de nematódeos parasitam o ser humano, e cerca de 1/4 da população mundial carrega pelo menos uma espécie de namatódeos intestinais. Dentre eles se destaca o Ascaris lumbricoides, o Ancylostomo duodenale, o Necator americanus e o Trichuris trichiuria. Como a infecção é adquirida pelo contato com o solo contaminado com formas infectantes como ovos ou larvas, eles são conhecido como geohelmintes. Essas infecções raramente levam à morte, mas o parasitismo crônico afeta o crescimento físico e o desempenho escolar das crianças e a produtividade econômica dos adultos. São classificadas pela OMS como doenças negligenciadas, acometendo populações de vulnerabilidade social, que residem em áreas com saneamento básico e fornecimento de água deficiente. O Ascaris lumbricoides é um parasita que infecta exclusivamente seres humanos e que é conhecido popularmente como lombriga. É o maior nematódeo do trato digestório humano, podendo chegar a 30 cm de comprimento. Os vermes adultos apresentam dimorfismo sexual e tem as extremidades mais afiladas e a boca trilabiada. O Ascaris lumbricoides é a espécie de helminto mais frequente em países menos desenvolvidos, atingindo principalmente as crianças. Os vermes adultos vivem no lúmen do intestino delgado, onde a fêmea chega a eliminar 200 mil ovos por dia, esse ovos são recobertos por uma casca espessa, sendo extremamente resistentes ao meio externo, quando encontram condições favoráveis de temperatura, umidade e oxigenação do solo, os ovos se tornam infectantes. Transmissão: O homem se torna infectado ao ingerir os ovos embrionados presentes em água ou alimentos contaminados. Quando ingerido, esse ovo libera uma larva, que penetra a parede intestinal, atingindo as vênulas ou vasos linfáticos, seguindo a circulação portal, atingindo o fígado, coração e os pulmões. Essas larvas então rompem os capilares pulmonares e caem nos alvéolos, ascendendo até a traqueia, passando a ser deglutidos, esse caminho percorrido pelo parasita é chamado de Ciclo Pulmonar/Loss, e ocorre pois há uma necessitada das larvas se maturarem no pulmão. As larvas passam pelo esôfago, estômago e ao intestino delgado, e no lúmen do intestino eles se transformam em adultos, o macho e a fêmea copulam, e cerca de 9 semanas após a infecção, já podem ser encontrados os ovos nas fezes. O período de incubação dos ovos férteis até o desenvolvimento da larva infectante no meio exterior é de 20 dias, já o período pré-patente, que vai desde a infecção com os ovos embrionados até a presença dos ovos nas fezes do hospedeiro, é de 60-75 dias e a transmissibilidade ocorre durante todo o período que esse indivíduo portar o parasita e estiver eliminando os ovos nas fezes. A longevidade desse parasita é de um ano, mas os ovos podem se encontrar infectantes durante vários anos no ambiente. A gravidade dos sintomas é diretamente proporcional à quantidade de parasitas que o paciente alberga, a maioria das infecções envolvem menos de dez vermes adultos e é assintomática, mas quando presentes em maior número, podem causara alteração da mucosa intestinal, que por sua vez podem acarretar em alterações na secreções e da motilidade intestinal, resultando em diarreia, redução de absorção, intolerância à lactose e perda de apetite. As infecções crônicas em crianças podem causar um retardo de crescimento físico e alterações cognitivas, já as infecções maciças, especialmente em crianças, levam a distensões e dores abdominais, levando ao bloqueio mecânico do intestino delgado, e a migração dos vermes pelos ductos biliares, pancreáticos e pelo fígado também podem gerar complicações graves em infecções maciças. Embora a fase de migração pulmonar seja assintomática na maioria dos pacientes, em alguns podem apresentar pneumonite, caracterizada por tosse, febre e dispneia, que pode levar a uma reação de hipersensibilidade com obstrução brônquica e sibilos, esse quadro é chamado de Síndrome de Loeffler, causado por qualquer helminto que realize esse ciclo pulmonar, que tem como característica marcante, a eosinofilia. 14 O quadro clínico da ascaridíase não distingue ela das outras verminoses, havendo necessidade de confirmação por meio de procura de ovos nas fezes, para isso podemos usar diferentes técnicas. Esses ovos podem estar na forma fértil, arredondados e cobertos por uma casca grossa com uma camada mamilonada externa, frequentemente corada de marrompela bile, em alguns casos essa camada externa pode estar ausente, e os ovos passam a ser chamados de decorticados, a forma infértil é mais alongada, irregular e maiores que os ovos férteis, sua casca é mais fina e a camada mamilonada é mais irregular. O diagnóstico diferencial envolve a estrongiloidíase, amebíase, apendicite, pneumonias bacterianas e outras parasitoses. O tratamento é feito pela administração de albendazol, em dose única, ou mebendazol, duas vezes ao dia por 3 dias consecutivos, mas o seu uso não é recomendado em gestantes, outra opção seria o levamizol, em dose única. Em casos de obstrução intestinal, recomenda-se o uso de piperazina junto com óleo mineral e hidratação além do tratamento com mebendazol. As medidas de controle da ascaridíase consistem em medidas gerais, como educação em saúde e saneamento básico, e medidas específicas como evitar as fontes de infecção, ingerir vegetais cozidos, lavar bem e desinfectar verduras cruas, além de higiene pessoal e a higiene na manipulação dos alimentos. O tratamento em massa das populações tem sido estudo por alguns, para reduzir a carga sanitária, mas que caso não forem associadas à medidas de saneamento, a infecção pode acontecer. 15 Tricuríase Doença causada pelo verme Trichuris trichiuria, um parasita que habita o cólon humano, mas que vive também em macacos e suínos, é o terceiro nematódeo mais comum em humanos, acometendo cerca de 15% da população mundial. Apresenta maior incidência em áreas com o clima tropical e precárias condições de higiene e saneamento, acometendo principalmente crianças. Os vermes adultos são pequenos, cerca de 4 cm, seu formato lembra um chicote, devido a sua porção cefálica afilada, os ovos apresentam um aspecto de barril, com proeminências polares em forma de rolha. Transmissão: De forma semelhante ao Ascaris, as pessoas contraem esse parasita pela ingestão de ovos embrionados presentes em águas e alimentos contaminados. Quando ingerido, o ovo eclode no intestino delgado, liberando a larva que se abriga nas vilosidades intestinais, onde sofre uma muda, depois, as larvas seguem para o ceco, onde se tornam adultos, vivendo com a extremidade cefálica imersa na mucosa intestinal. Esses vermes copulam, e as fêmeas começam a liberar cerca de 5 mil ovos por dias. Diferentemente do Ascaris, o Trichuris não realizam o ciclo pulmonar, e portanto não levam aos sintomas presentes na ascaridíase. As infecções leves, com menos de 10 vermes, geralmente são assintomáticas, quando passa disso, podem levar a dor abdominal, diarreia com sangue, náuseas e vômitos e perda de peso, em decorrência da inflamação da mucosa do cólon. As infecções crônicas em crianças podem causar anemias, retardo do crescimento físico e alterações cognitivas. Já as infecções maciças podem causar o prolapso retal, uma situação em que os vermes ficam aderidos na mucosa retal, que fica exposta, esse prolapso é resultado da inflamação intensa da mucosa do cólon, que leva a um aumento do reflexo de defecação e alterações em terminações nervosas devido ao parasitismo. Felizmente, o prolapso é reversível após a eliminação dos vermes. O diagnóstico é feito pela identificação dos ovos dos vermes nas fezes, esses ovos medem cerca de 50 micrômetros e apresentam um aspecto de barril devido a um par de proeminências polares. Pode ser feito também um exame da mucosa retal por colonoscopia, sendo procurado os vermes adultos. O tratamento é feito com o uso de albendazol, mebendazol ou ivermectina por 3 dais, as doses são as mesmas para crianças ou adultos. As medidas de controle são as mesmas adotadas na ascaridíase, sendo ela: a educação em saúde, saneamento básico, ingerir vegetais cozidos e lavar bem e desinfectar verduras cruas, além de higiene pessoal e na manipulação de alimentos. O tratamento em massa também pode ser feito. 16 Enterobíase É uma doença causada por um verme nematódeo, de aspecto filiforme, chamado de enterobius vermicularis, a enterobíase é uma infestação intestinal, que normalmente acomete crianças e de manifestação universal, afeta todas as classes sociais. Em geral, afeta mais de um membro da família, e não costuma causar quadros muito graves, mas que podem alterar o humor desses indivíduos devido ao incômodo gerado. O homem é o único hospedeiro do parasita (estenoxêno), e apresenta um ciclo direto. Morfologia: o verme na sua forma adulta apresenta uma estrutura filiforme, e a fêmea apresenta um tamanho muito maior, com uma cauda afilada, enquanto que o macho apresenta uma cauda vertida, além de possuir espículos para que facilitem na cópula, e portanto apresenta um dimorfismo sexual. A reprodução desses parasitas formam ovos que será a forma infectante, no entanto, essas fêmeas não fazem ovipostura, mas migram até o orifício anal, se exteriorizando e que durante a defecação ela acaba se rompendo e liberando esses ovos. Os ovos tem um formato de D, possuindo uma porção plana e outra convexa, são ovos facilmente adesivos, apresenta substâncias colantes, que permite que fique por mais tempo em contato com o ambiente, principalmente as roupas. Ele apresenta 3 camadas, uma camada mais interna, chamada de camada lipóide, uma média chamada de quitinosa, e por fim temos a albuminosa (propriedade adesiva), essas camadas permitem o ovo a resistir por até 3 semanas no meio ambiente. Por conta da leveza dos ovos, eles podem ser transmitidos com mais facilidade em ambientes coletivos. Os vermes adultos vão se instalar no lúmen intestinal, começando a amadurecer no ceco e no apêndice, não migram para vísceras, mas que uma carga parasitária alta poderia permitir a contaminação de outros órgãos, como a vagina, útero e bexiga. A migração, no entanto, ocorre durante a noite, em que a temperatura corporal está mudada, esses vermes seguem para o orifício anal para permitir a liberação desses ovos. Ciclo biológico: as fêmeas que migraram para a região anal se rompem, liberando os ovos que ficam aderidos na mucosa perineal, a coceira da região acaba contaminando as unhas do hospedeiro que pode levar a mão até a boca (por isso de ser mais comum em crianças), ingerindo os ovos, passando por uma série de estímulos, ao chegar no intestino delgado as larvas acabam eclodindo e migram pela luz intestinal, sofrendo duas mudas, quando chegam na região do ceco e do apêndice, as fêmeas se amadurecem, e uma vez fecundadas, elas continuam migrando para a região exterior do ânus. As meninas, em altas cargas parasitárias, quando coçarem a região perineal podem acabar levando os vermes até a vagina. Entre a infecção e a produção de ovos o período é de cerca de 30 a 40 dias, e os ovos podem permanecer viáveis entre 1 a 2 semanas fora do hospedeiro. Mecanismos de transmissão: pode ocorrer de forma direta, em que um próprio indivíduo contaminado, ao coçar o ânus e levar a mão à boca acaba se contaminando, ou ela pode acabar contaminando o ambiente ao arrumar uma roupa de cama, por exemplo, em que os ovos ficaram aderidos no tecido durante a noite, e ao sacudi-la, esses ovos acabam se espalhando pelo ambiente, e quem estiver de boca aberta acaba inalando os ovos, podendo contaminar um novo hospedeiro, essa heteroinfecção garante uma cronicidade da infecção e reinfestação. Um modo mais raro da infecção é as larvas migrarem da região anal até de volta ao lúmen. Patogenia e sintomatologia: a intensidade da infecção pode ser considerada como leve, moderado ou intensa, dependendo da carga parasitária. As infestações leves e moderadas são geralmente assintomáticas, apenas uma a cada dez crianças acabaria tendo a sintomatologia. Já uma infecção mais intensa geraria quadros sintomáticos como colite, invasão da mucosa, vulva, vagina e infecções bacterianas secundárias às escoriações. Além disso, esse parasito tem uma ação mecânica, pois sua aderênciaacaba causando uma irritação no local causando um prurido anal noturno, gerando irritabilidade, inapetência, perda de sono, perda de concentração e irritabilidade vaginal (que pode fazer com que a criança comece a terem uma excitabilidade precoce, por manipular o órgão feminino). Diagnóstico: Os pais normalmente acabam relatando observar linhas esbranquiçadas nas roupas, que são esses vermes. Podemos ter um diagnóstico clínico, por meio da anamnese e sinais clínicos como prurido anal, relato de encontro das formas parasitárias, pode ser laboratorial, buscando as formas de vida do parasita, ovos e eventualmente fêmeas, o método mais utilizado é se utilizar de uma fita adesiva (método de Graham), que passa na região anal, e que depois se leva ao microscópio buscando o formato desses ovos, para que esse método deu certo, o indivíduo não poderia ter tomado banho, e deve-se repetir por dias consecutivos. O exame de fezes não é indicada, uma vez que esses ovos não são liberados por ovipostura. Tratamento: albendazol/mebendazol, pamoato de pirantel, pamoato de pirvínio e até mesmo ivermectina. Esses medicamentos são contraindicados à gestantes, casos de insuficiência hepática e alterações no SNC. Para que funcione, 17 todos os indivíduos da família devem ser tratados para diminuir a carga parasitária e devem retornar após 20 dias para repetir o tratamento. Profilaxia: educação sanitária, medidas de higiene, cuidados no ambiente coletivo e com roupas (como o uso de lysol para destruir as camadas do ovo, além disso deve-se tomar cuidado com o leito do paciente) e tratamento medicamentoso parasitário. 18 Teníase e cisticercose Formas de vida e patologia: com a ingestão do ovo do parasito, esse ovo vai se transformar na larva do cisticerco, e assim gerar a doença cisticercose, isso pode ocorrer nos suínos, bovinos e de forma acidental no homem. Quando ocorrer a ingestão da larva do cisticerco, ela vai sofrer uma transformação se transformando em um verme adulto, causando a teníase. Ciclo de vida: após três meses da ingestão do cisticerco, o hospedeiro vai ser portador do verme adulto, que apresenta uma porção anterior chamada de escólex que permite a sua fixação intestinal, esse verme vai começar a liberar as proglótes, cada uma delas contém ovos, elas podem se romper e liberar eles no meio, e assim, elas podem ser ingeridos pelos hospedeiros intermediários, seja o suíno ou bovino, ou também, o homem pode ter uma ingestão desses ovos. O porco ou o boi que ingeriu esse parasito, vão desenvolver a cisticercose, que caso ingerido pelo homem essa carne, ele vai passar a apresentar a teníase. Formas de transmissão da teníase: ocorre por conta da ingestão de carne de boi ou porco crua ou mal cozida contendo cisticercos viáveis de Taenia saginata ou Taenia solium. Ao ingerir, elas vão passar pelo suco gástrico, e o cisticerco vai se tornar evaginado, passando a apresentar a escólex para se fixar na mucosa do intestino delgado, onde vai ocorrer o seu desenvolvimento do verme adulto. Forma de transmissão da cisticercose: ocorre a ingestão do ovo que contaminou o ambiente como uma verdura, o hospedeiro, ao ingerir esse material, o ovo vai sofrer a ação da pepsina e de sais biliares, liberando a porção interna, chamada de oncosfera, que contém um embrião com espinhos, o que ajuda na penetração da mucosa intestinal pela forma de vida da larva do cisticerco, ele pode entrar na corrente sanguínea, chegando aos mais diversos tecidos (cérebro, olhos e músculos esqueléticos), se estabelecendo causando algum dano. O cisticerco no SNC é a forma mais grave dessa doença. Sinais da teníase: os fenômenos ocorrem no sistema intestinal em decorrência do verme adulto, de efeitos tóxicos e alérgicos gerando náuseas, diarreia e constipação, pode ter cólica abdominal, alteração no apetite, perda de peso, fadiga fácil, mal estar geral. Sinais da cisticercose: os fenômenos ocorrem em decorrência da larva, e pode gerar um deslocamento por conta da instalação das larvas no tecido desencadeando fenômenos inflamatórios, quando o cisticerco morre, ele libera diversas substâncias tóxicas de forma intenção, gerando inflamação, esse tecido então vai ser substituído e sofrer calcificação. A porção anterior da tênia contém o escólex, um órgão que apresenta ventosas que permitem a fixação e o roubo de nutrientes do hospedeiro, tanto a saginata quanto a solium apresentam quatro ventosas. Próximo dessa porção, temos o colo, onde temos várias células germinativas que vão formar as proglotes jovens, no terço médio já temos proglotes mais desenvolvidas e maduras, nesse caso, os órgãos sexuais já estão formados, o terço final apresenta proglotes gravídicas cujo o interior já contém os ovos, são estas que sofrem o destacamento, podendo sair junto das fezes, ou sair de forma ativa, através do ânus do hospedeiro humano. Diagnóstico: pode ser feito por meio da clínica, buscando realizar a anamnese, conhecendo a história do paciente e sinais da presença de vermes adultos, na maioria das vezes esse método não é suficiente, necessitando de uma análise laboratorial, procurando nas fezes as proglotes, ou os ovos por meio da técnica de EPF (exame parasitológico das fezes), em que deixa-se ocorrer a sedimentação espontânea dos ovos. Além disso pode ser feto um swab anal, procurando os ovos aderidos na mucosa perianal, e por fim, podemos buscar os ovos por meio de antígenos num teste chamado de ELISA fezes Tratamento: mebendazol, albendazol, niclosamida, nitazoxanida e praziquantel. Após o tratamento, pedaços de tênia podem permanecer sendo eliminados por vários dias, portanto, se sugere que se associe esses medicamentos a um purgativo. Apoios 3 meses, deve-se fazer um novo exame parasitológico de fezes para confirmar a ausência de ovos, a cura do paciente só acontece quando o escólex do parasita for eliminado. Cisticercose humana: a maior parte acaba se localizando em olhos e anexos, seguido pelo SNC, pele, músculos entre outros. Diagnóstico: Dependendo dos sinais da localização dos cisticercos, podemos realizar um diagnóstico clínico, investigando as procedências, hábitos alimentares e o saneamento, se houve casos prévios de teníase no paciente ou na família, e sintomas sugestivos como epilepsia, convulsões e cegueira. Já os testes laboratoriais e de imagem podem 19 buscar observar os exames por RX, TC e RM (ressonância magnética), biópsia, cirurgia exploratória, exame de fundo de olho e detecção de anticorpos contra o parasita no soro. Tratamento: Nem todos os casos de cisticercose são tratáveis, e não é preciso tratar os pacientes que forem assintomáticos. A cisticercose muscular ou de pele, o tratamento com medicamentos tem pouco eficácia, sendo recomendado a retirada por cirurgia. Nos casos sintomáticos de neurocisticercose (NCC) ou de cisticercose ocular é indicada, para que isso ocorra é preciso de internação hospitalar com supervisão, são utilizadas albendazol, praziquantel e também, associar esses medicamentos com o uso de corticoides (dexametasona ou predinizona) para minimizar o edema cerebral que ocorre pelo processo inflamatório gerado pela morte do cisticerco. A depender do caso, talvez seja necessário de uso de anticonvulsivantes. Profilaxia: Essas parasitoses são potencialmente erradicáveis, as medidas profiláticas e de controle consistem em impedir o acesso de bovinos e suínos às fezes humanas, cuidados no consumo de carnes bovinas e suínas, cuidado com a criação e manejo dos bovinos e suínos, higienização das mãos e dos alimentos, cuidados com o descarte de esgoto e saneamento. Tratamento de casos humanos em massa e individualizado. 20 Fasciola hepática Pertence ao filo platyhelmintes, parasitas achatados dorsoventralmente,com formato de folha, apresentam duas ventosas, uma oral e outra ventral. Eles parasitam carneiros, bovinos, coelhos e outros herbívoros, que ocasionalmente infectam o homem. No brasil, menos de 100 casos foram relatados, entretanto, a prevalência de casos em bovinas tem aumentado, principalmente no sul do país, indicando uma possível subnotificação. A fasciola hepática tem como hospedeiros intermediários mais de 20 espécies de caramujos, sendo os principais os do gênero Lymnaea ou Galba. A ingestão de agrião e de outras hortaliças cultivadas em áreas alagadas, contaminadas com fezes dos hospedeiros definitivos (bois, cabras e ovelhas) junto da presença desses moluscos, são as principais causas de contaminação. Os vermes adultos são hermafroditas e se caracterizam pelo formato de folha, estando presente nos hospedeiros definitivos e também o homem. Eles habitam as porções terminais dos ductos biliares, bem como a vesícula biliar, e ocasionalmente alguns sítios ectópicos. Das vias biliares os vermes adultos põe ovos que caem no lúmen intestinal e que são eliminados pelas fezes. Quando em contato com a agua doce, após 10 dias, o miracídio é liberado, buscando os caramujos (hospedeiros intermediários), penetrando na sua cavidade pulmonar, se transformando em esporocistos, rédeas e cercárias ao longo de 6 semanas. As cercárias, cuja extremidade caudal não é bifurcada elas se insistam em folhas aquáticas como as gramíneas, agrião, hortelã e salsa, e até mesmo em cascas de arvore ou em solo. Essa forma encistada é chamada de metacercária, que quando ingerida pelo hospedeiro, ela atravessa a parede intestinal e a capsula do fígado, migrando pelas veias biliares até o parênquima hepático onde se torna o verme adulto. A maioria das infecções humanas é assintomática. A fasciolose humana aguda com expressão clínica compreende hepatomegalia dolorosa e febre, acompanhadas de eosinofilia intensa e leucocitose, correspondendo ao período de migração do parasito, em alguns pacientes, se apresentam com fenômenos alérgicos. Em infecções crônicas os sintomas se apresentam com febre baixa e dor abdominal. Em algumas complicações podem ocorrer a migração erráticas dos vermes. O diagnóstico pode ser feito pela detecção de ovos nas fezes após cerca de quatro meses de infecção ou em amostras de suco duodenal. Os ovos medem cerca de 150 micrômetros de comprimento e apresentam uma abertura chamada de opérculo, que é por onde o miracídio sai no ambiente aquático. Diverso testes sorológicos vem sendo desenvolvidos, especialmente os ensaios imunoenzimáticos como a ELISA. O tratamento consiste no uso de triclabedazol, nitazoxanida e metronidazol. O controle da infecção consiste na erradicação deles nos herbívoros que servem como reservatório animal. Então podemos impedir o acesso dos animais às plantações de hortaliças, e também evitar o consumo de agrião cultivados em áreas alagadas, não usar adubo animal e tratar os animais. Além disso, podemos fazer um controle das populações dos moluscos através de moluscicidas, que são agentes químicos, ou também com controle biológico, ou realizar drenagem dos pastos alagados. Além disso, podemos realizar o tratamento da água e educação em saúde. 21 Echinococcus granulosus É uma tênia de cão que pode causar infecções humanas. É um parasita, também pertencente ao filo dos platyhelmintes cestódeos, aqueles que são achatados dorsoventralmente, desprovidos de trato digestório e circulatório, o corpo desses helmintos é dividido em três porções, o escólex, que apresenta estruturas de fixação, como ventosas e pequenos ganchos conhecidos como acúleos, a seguir, encontramos uma porção delgada, conhecida como colo, que corresponde à região de crescimento do parasita, por fim, temos o estróbilo, que consiste em uma cadeia de segmentos que são chamados de proglotes, que podem ser divididas em três tipo, dependendo do nível de maturidade, temos as jovens, contendo os órgão sexuais imaturos, enquanto que as maduras são hermafroditas, e temos as grávidas, contendo milhares de ovos. Essas proglotes se destacam do corpo do parasita liberando milhares de ovos, Os cestódeos habitam o lúmen intestinal do hospedeiro definitivo, mantendo o escólex fixado a mucosa, se alimentando a partir de alimentos semidigeridos através de seu tegumento. As larvas se desenvolvem nos hospedeiros intermediários, após a ingestão do ovo, contendo o embrião chamado de oncosfera ou hexacanto, ele contém ganchos que permitam que ele atravesse a mucosa do sistema digestivo, entrando na circulação sanguíneo. Além do echinococcus, os cestódeos envolvem também as tênias, os hymenolepsis e os diphyllobothrium. Diferentemente da tênia, o echinococcus é muito menor, apresentando no máximo 9 mm, apresentando apenas 3 proglotes, uma jovem, uma madura e outra grávida. As larvas são chamadas de hidátides, ao invés de cisticerco, e o seu ciclo envolve dois hospedeiros, no caso da tênia o homem é o definitivo (teníase) enquanto que o boi e o porco são os intermediários (cisticercose), já o echinococcus apresenta os cachorros como os hospedeiros definitivos, desenvolvendo a echinococcose, enquanto que os intermediários são os animais herbívoros que desenvolvem a hidatidose. Os ovos dos dois parasitas são idênticos, ao ingerir o ovo ele vai desenvolver a forma larvária do parasita, que nesse caso é chamado de hidatidose. A hidatidose é um importante problema de saúde pública ao redor do mundo. Essa doença é muito comum no sul do Brasil, outras espécies também podem causar essa doença, principalmente na Amazônia, sendo causadas pelo E. vogeli e o E. oligarthus. O hospedeiro definitivo, cachorro, adquire esse parasita ao ingerir herbívoros que contenham a forma larvária, esse verme se desenvolve, vivendo na mucosa intestinal dos canídeos, produzindo milhares de ovos que vão ser liberados nas fezes. Ao ser contaminado, o ovo vai ser liberado no lúmen intestinal, penetrando a parede intestinal, seguindo para a corrente sanguínea, seguindo para o pulmão, fígado, cérebro e ossos, nesses tecidos, o embrião origina a forma larvária, gerando as histidatides. Os sintomas são comparados aos tumores de crescimento lento, dependendo da localização, 70% dos casos eles se apresentam no fígado, gerando um desconforto abdominal, icterícia, ruptura e reações alérgicas e reações anafiláticas, quando acomete o pulmão, ela causa dispneia, dor torácica, tosse e hemoptise, já as infecções no cérebro, ossos e musculatura envolvem apenas 10% dos casos. O diagnóstico é feito por exames de imagens ou por achados de anticorpos pela sorologia. A remoção cirúrgica é a única forma de tratamento, mas cistos menores podem ser eliminados por meio de tratamentos com albendazol. A profilaxia consiste em romper a transmissão dessa parasitose para os animais e infecção humana, não devendo alimentar os cães com vísceras, incinerar as vísceras e tratar os cães, além de cuidados com a higiene pessoal. 22 Diphyllobothrium latum É um cestódeo, pertencente ao filo dos platelminto, um tipo de tênia que pertence à família Diphyllobothiidae. Muitos desses parasitas infectam os seres humanos, apresentando um ciclo de vida aquática. Apresentam um escólex portando dois sulcos, ao invés de ventosas como a taenia solium. São os maiores cestódeos parasitas do homem. O diphyllobothrium latum é a tênia do peixe, esse parasita é muito comum de ser encontrado no circulo polar, mas também no Chile e na Argentina, habitando principalmente a água doce. Já no peru e no Chile uma outra espécie também causa a infecção, chamado de D. pacificum, habitando a água salgada. No nosso país, esse parasita é raro, mas está relacionado ao consumo de peixes crus. O salmão é o principal peixe infectado, e em 2004 causou um surto ao infectar 55 pessoas em São Paulo. Esse parasita apresenta dois hospedeiros intermediários e umdefinitivo. Os hospedeiros definitivos são as diferentes espécies de mamíferos que se alimentam dos peixes, como cães, gatos, humanos e ursos. O primeiro hospedeiro intermediário é um pequeno crustáceo que alberga as larva procercóide, o segundo intermediário são os pequenos peixes que albergo que abrigam as larvas plerocercóides ou espárgamos. Além desses, podemos ter um hospedeiro de transporte, nele o parasita não sofre desenvolvimento ou reprodução, mas permanece viável até atingir o hospedeiro definitivo, o salmão é um exemplo desses peixes, e também podem albergar as larvas plerocercóides. A infecção humana é adquirida mediando o consumo de peixe cru ou mal passado que contenham as larvas plerocercóides, essa larva vai se localizar normalmente no jejuno ou no íleo, onde vai liberar 30 proglotes por dia. Depois de um mês, esse parasita já mede um metro e meio de comprimento, podendo atingir até 30 metros, contendo mais de 3000 proglotes, podendo viver por até 30 anos. O homem libera os ovos nas fezes em grande quantidade, em ambiente aquático e condições apropriadas, esses ovos se tornam embrionados, e após cerca de 20 dias, darão origem ao coracídio, após a ingestão do coracídio por um crustáceo, os coracídios se desenvolvem em larvas procercóides, que serão liberadas pelos crustáceos, sendo adquirido pelos peixes pequenos, lá eles seguem para os tecidos mais profundos, se tornando na forma de larva plerocercóide. Como os humanos não comem essas espécies de peixes crus, o segundo hospedeiro intermediário não nos apresentam uma fonte de infecção importante para nós, dessa forma, a nossa infecção se dá pela ingestão dos hospedeiros paratênicos, onde a larva plerocercóide migra para a musculatura, servindo como fonte de infecção para o homem e os demais hospedeiros definitivos. A difilobotríase humana é assintomática em 80% dos casos, mas que podem produzir sintomas semelhantes à infecção por tênia, metade dos pacientes queixam-se de dor epigástrica, mas que também podem apresentar anorexia, náuseas e vômitos, podendo estar acompanhado de perda de peso e enfraquecimento, em casos mais graves, pode gerar uma obstrução intestinal e do ducto biliar. Uma outra complicação é o desenvolvimento de uma deficiência da vitamina B12, tanto pelo consumo desse nutriente pelo verme adulto quanto pela ruptura do complexo formado entre o fator intrínseco e a vitamina B12, dificultando a sua absorção, podendo levar à anemia perniciosa. O diagnóstico da difilobotríase se baseia no exame parasitológico de fezes (EPF), procurando ovos que são operculados e não embrionados, ou seja, sem embrião hexacanto em seu interior. Eventualmente também podem ser observadas as proglotes eliminadas nas fezes pelos pacientes. O tratamento é feito com praziquantel ou niclosamida. Nos casos graves, além do tratamento parasitário, é necessário administrar a vitamina B12 e o ácido fólico. A prevenção consiste em comer peixe bem cozido, frito ou assado. Mas caso queira comer o peixe cru, deve ser feito o congelamento do peixe, em refrigeradores domésticos o congelamento deve ser feito por sete dias, tornando todos os peixes seguros, desativando outros parasitas além do diphyllobothrium, como o anisais e gnathostoma. A irradiação do produto em nível industrial e comercial, permite também inativar o parasita, garantindo o consumo deles. Além disso, é importante evitar o consumo de peixes defumados de forma caseira. 23 Larva migrans visceral - Toxocara canis/Toxocara cati Uma larva migrans visceral (LVM) são larvas de helmintos que persistem por longos períodos e migram em hospedeiros não habituais através de diferentes órgãos. Há diversas espécies de helmintos de animais que raramente chegam a causar a LMV humana. Os principais agentes causadores são os Ascarídeos de cães e gatos. A toxocara humana é causada pela presença de estágios imaturos de nematódeos Ascarídeos do gênero toxocara. Esse parasita tem uma ocorrência mundial e cosmopolita. Os ovos desse parasita são bastante resistentes ao ambiente. Esses parasitas são dismórficos, a fêmea é maior do que o macho, além de que o macho apresenta a cauda vertida ventralmente. Como hospedeiros desse parasita há diversos felídeos de diferentes portes, raposas, aves, cães e roedores. O ciclo desse parasita se dá da seguinte maneira, o verme adulto, presente no intestino dos animais, libera ovos que vão contaminar o ambiente por meio das fezes dos cães, esse ovo pode entrar em contato com outros animais, servindo como hospedeiros paratênicos (de transporte), a partir do momento que o animal ingerir essa terra infectada, ele pode novamente se infectar com esse parasita. O homem é um hospedeiro acidental, ao ingerir essas larvas ao entrar em contato com o cão. Esse parasita se desenvolve até a forma de larva, sendo portanto. No ser humano, ao ingerir o ovo infectante, por meio de infecção de ovos nos solos ou fômites ou pelo contato com cães, ele vai eclodir, caindo na via hematogênica, podendo ser distribuído para diversos sistemas, como os olhos, pulmão e fígado, principalmente. Temos uma amplitude de sintomas, indo desde casos assintomáticos a raros casos graves. A expressão clínica depende da carga parasitária, intensidade de exposição a novas infecções, distribuição das larvas nos tecidos e a intensidade da resposta inflamatória do hospedeiro. A toxocaríase visceral pode acometer crianças e adultos jovens, apresentando manifestações gerais como febre, manifestações cutâneas diversas hepatomegalia, dor abdominal, perda de apetite, abcesso hepático piogênico, manifestações pulmonares como tosse crônica, sibilos, manifestações cardíacas como miocardite e manifestações neurológicas como meningites, encefalite, mielite e neurite óptica. A toxocaríase oculta é uma forma atípica e mais frequente em adultos, o quadro clínico é brando, apresentando manifestações inespecíficas como dor abdominal, cefaleia, astenia e hepatomegalia. A toxocaríase ocular vai depender da carga parasitária, uma carga baixa já pode causar, ocorrendo principalmente em crianças e adultos jovens. A apresentação clínica vai depender da resposta inflamatória do hospedeiro. Num geral, o indivíduo pode apresentar acometimento unilateral, estrabismo, leucocoria, endoftalmite e granulomas retinianos periféricos, além de perda da visão. O diagnóstico laboratorial consiste em realizar exames de fundo de olho, TC, RM, exames imuno-histoquímicos, ELISA. O tratamento é recomendado se o paciente tem manifestações clínicas e eosinofilias acentuadas. Em casos sintomáticos o tratamento visa atenuar o processo inflamatório, com uso de corticóides, anti-histamínicos, broncodilatadores (sintomas pulmonares). Pode ser usado também anti-helmínticos, para reduzir a carga parasitária tecidual, dietilcarbamazina, tiabendazol, compostos benzimidazólicos (albendazol, febendazol, oxifebendazol, mebendazol, ivermectina). Na toxocaríase ocular os corticosteróides tópicos e sistêmicos, associados ou não a anti-helmínticos. A prevenção e controle aponta que a população apresenta entre 10-50% da população com positividade de IgG anti- toxocara. As áreas rurais são as que apresentam o maior número de casos, realizando a vermifugação dessas áreas, evitando esses animais de contaminarem os ambientes, principalmente aqueles em que se tem crianças. 24 Trichomonas vaginalis Representa a IST, de etiologia não viral, mais prevalente do mundo, temos 140 milhões de novos casos por ano, com uma prevalência de 74% nas mulheres e 29% nos homens. A tricomoníase é causada pelo trichomonas vaginalis, um parasita do trato urogenital na forma de trofozoíto, tendo os seres humanos os seus únicos hospedeiros, e sua transmissão ocorre de pessoa para pessoa por meio de relações sexuais, mas que também pode ocorrer a transferência do parasita pela água e roupas íntimas e da gestante para o bebê durante o parto.Os trofozoítos do trichomonas possuem um único núcleo e apresentam hidrogenossomos (no lugar das mitocôndrias), apresenta também 4 flagelos anteriores, uma membrana ondulante e um citoesqueleto complexo que forma estruturas peculiares como o axóstilo, pelta e costa. A morfologia é extremamente variável, pois tem a capacidade de emitir pseudópotes. Eles se reproduzem assexuadamente por fissão binária, se desenvolvendo melhor em ambientes com pH básico. A clínica do tricomoníase varia de forma assintomática até agudo, sendo o período de incubação de cerca de 20 dias. Na mulher, o trichomonas coloniza a exocérvice, e raramente a endocérvice. A infecção provoca a vaginite com um corrimento abundante, amarelo-esverdeado, bolhoso e fétido, mais comum no período pós-menstrual. Também pode ocorrer prurido ou irritação no local, e dor para relações sexuais (dispareunia de introito), e para urinar (disúria) acompanhada de disúria. A cérvice fica com um aspecto chamada de cérvice de morango. No homem, a tricomoníase é assintomática, mas que pode apresentar um fluxo leitoso ou purulento, prurido, ardência miccional, hiperemia do meato uretral, prostatite, balanopostite epididimite. O diagnóstico é feito por exame microscópico a fresco, que permite a observação do parasita em movimento. A coleta é feita por um swab uretral, sêmen ou pela secreção prostática no homem, e por meio da secreção vaginal. Pode ser feito uma coloração de Gram ou Giemsa, sendo feito o papanicolau nas mulheres para exame citológico. Pode ser analisado também o sedimento urinário por microscopia direta. E o melhor método seria o cultivo do parasita. Além disso, testes moleculares e imunológicos podem ser realizados, e também um teste do pH vaginal e teste das aminas (Whiff test ou Sniff test), nesse teste as aminas são voláteis e indicam um odor de peixe podre (putrescina e cadaverina). O diagnóstico diferencial da tricomoníase se relaciona com a candidíase e a vaginose bacteriana: Tricomoníase Candidíase Vaginose bacteriana Características clínicas Amarelo-esverdeado, bolhoso, fétido e abundante Branco-grumoso, aderido às paredes vaginais Branco-acizentado, bolhoso, com odor fétido Vulvite moderada intensa leve pH vagina Maior que 4,5 4,0 - 4,5 Maior que 4,5 Teste das aminas positivo negativo Muito positivo Exame microscópico Protozoários flagelados com um grande número de leucócitos Presença de esporos e hifas comum grande número de leucócitos Clue cells (células escamosas recobertas por cocobacilos) com alguns linfócitos O tratamento é feito com derivados de nitroimidazólicos como o metronidazol e tinidazol (via oral), em gestantes, o recomendado é aplicar com cremes, geleias ou óvulos a região. Para evitar a reinfecção é importante que todos os parceiros sexuais sejam tratados. A prevenção consiste no uso de preservativos, o diagnóstico e tratamento dos pacientes contaminados evita as reinfecções. Além disso, deve ser feito um aconselhamento dos indíviduos com seus parceiros. 25 Tabela de estudo das parasitoses P2 Ascaridíase Tricuríase Enterobíase Teníase Cisticercose Tricomoníase Agente etiológico Ascaris lumbricoides Trichuris trichiuria Enterobius vermicularis Taenia solium e Taenia saginata Trichomonas vaginalis Formas de vida Larva: forma que fará o ciclo Pulmonar. Forma adulta do verme: apresenta dimorfismo sexual, capaz de se reproduzir. Ovos: forma de resistência ao meio externo. Verme adulto: forma capaz de reprodução. Ovos: forma de resistência no ambiente. Verme adulto com dimorfismo. Ovos Larva cisticerco é ingerida vira um verme adulto que causa teníase Ovo ingerido vira uma larva cisticerco causando cisticercose. Trofozoíto Ciclo de vida Ovo ingerido libera a larva que penetra a parede intestinal, passa para as vênulas em direção a circulação portal, passando pelo fígado, coração e pulmões. Nos alvéolos elas rompem os vasos, ascendendo até a traqueia, são deglutidas, passam pelo esôfago, estômago e intestino delgado, se tornam adultas liberando fezes – Ciclo Pulmonar (pode acontecer de gerar pneumonite, tosse, febre, dispneia, hipersensibilidade, obstrução brônquica, sibilos – Síndrome de Loeffler). Ovo inferido eclode no intestino delgado, libera a larva que se abriga nas vilosidades intestinais, ela sofre uma muda, segue para o ceco se tornando adultos, que começão a liberar ovos. Fêmeas na região anal se rompem e liberam ovos que fica na mucosa perineal, caso a pessoa coce a região e coloque a mão na boca ela corre o risco de ingeri-los. Os ovos chegam até o intestino delgado, eclode e migram par a luz, sofrem duas mudas e vão para o ceco/apêndice, se tornam adultos e as fêmeas migram para a região anal. Cisticerco é ingerido e vira um verme adulto, que se fixa à parede intestinal, causando a teníase, libera proglotes, que se rompem e liberam os ovos no ambiente. Os ovos ingeridos viram uma larva que fica na parede dos músculos, causado a cisticercose. Transmissão sexual por secreções vaginais ou prostáticas, ou pela água ou no momento do parto. Transmissão Ingestão de ovos ou larvas presentes em água, alimentos ou solo contaminado – geohelmintes. Ingestão de ovos presentes em água e alimentos contaminados. Forma direta: indivíduo contaminado coça o ânus se contaminando e o próprio ambiente. Forma indireta: pessoa sacode as roupas de cama e levantam os ovos, podendo aspira- los pela boca. Ingestão de carne de boi ou porco mal cozida contendo cisticercos, o cisticerco no suco gástrico evagina e forma o escólex que se fixa na mucosa do intestino delgado, se desenvolvendo até se tornar adulto Ingestão de ovo que contaminou o ambiente (verdura, por exemplo). Pela ação de pepsinas e sais biliares eles liberam a oncosfera que contém, espinhos que ajudam na penetração da mucosa intestinal até a corrente sanguínea, podendo alcançar diversos tecidos (SNC, olhos e músculos). Contato sexual principalmente. Sintomas Maioria é assintomática. Alterações intestinais, de secreções e motilidade intestinal, resulta em diarreia, redução da absorção, intolerância à lactose, perda de apetite. Infecções crônicas causam retardo de crescimento físico e alterações cognitivas. Maioria assintomática. Inflamação da mucosa do cólon – gera dor abdominal, diarreia com sangue, náuseas, vômitos e perda de peso. Infecções crônicas em crianças gera anemia, retardo Maioria assintomática. Colite, invasão da mucosa, vulva e vagina. Infecções bacterianas secundárias à escoriações. Irritação local, prurido anal noturno, irritabilidade, inapetência, perda e sono, perda de concentração e Efeitos tóxicos e alérgicos gerando náuseas, diarreia e constipação. Pode ter cólica abdominal, alteração de apetite, perda de peso, fadiga e mal estar geral. Deslocamento por conta da instalação da larva, efeitos inflamatórios, liberação de substâncias tóxicas na morte da larva causando calcificação do tecido. Mulher: vaginite, corrimento abundante, amarelo- esverdeado, bolhoso e fétido. Pode aparece irritação local com prurido, além de dor nas relações sexuais e na hora de urinar (acompanhada de disúria). O 26 Infecções maciças gera distensões abdominais, bloqueio mecânico do intestino delgado e migração dos vermes para os ductos biliares, pancreáticos e fígados, causando complicações. de crescimento físico e alterações cognitivas. Infecções maciças causam prolapso retal, aumento do reflexo de defecação e alterações em terminações nervosas. irritabilidade vaginal. cérvice fica com aspecto de morango. Homem: assintomática. Pode apresentar um fluxo leitoso ou purulento, prurido, ardência miccional, hiperemia do meato uretral, prostatite e balanopostiteepididimite. Diagnóstico Exame parasitológico de fezes, procura de ovos na forma fértil (camada mamilonada), decorticados e infértil (alongada). EPF. Ovos apresentam proeminências polares. Também pode ser feito colonoscopia retal. Diagnóstico clínico: anamnese e histórico Diagnóstico laboratorial: método de Graham ou da fita adesiva. Diagnóstico clínico: anamnese e histórico do paciente. Pode procurar a presença do verme adulto. Diagnóstico laboratorial: procura de fezes e proglotes no EPF. Swab anal procurando ovos na mucosa. ELISA Diagnóstico clínico: procedências e hábitos alimentares e saneamento. Sintomas sugestivos. Diagnóstico laboratorial: RX, TC e RM, biópsia, cirurgia exploratória, exame de fundo de olho e detecção de anticorpos contra o parasita no soro. Exame microscópico a fresco. Swab uretral, do sêmem ou secreção prostática no homem ou vaginal na mulher, é corada com Gram ou Giemsa. Nas mulheres também é feito o papanicolau para exame citológico. Tratamento Albendazol, levamizol ou mebendazol (contra- indicado à gestantes). Caso haja obstrução intestinal é recomendado piperazina junto com óleo mineral e hidratação. Albendazol, mebendazol ou ivermectina. Albendazol, mebendazol, pamoato de pirantel, pamoato de pirvínio e ivermectina. Contra-indicado à gestantes, insuficiência hepática e alterações do SNC. Mebendazol, albendazol, niclosamida e nitazoxanida e praziquantel. Associação com medicamentos purgativo. Retirada com cirurgia. Albendazol, praziquantel e corticoides. Em alguns casos, anticonvulsivantes. Derivados de nitroimidazóis (metronidazol, tinidazol). Em gestantes deve aplicar cremes, geleias ou óvulos na região. Profilaxia Educação em saúde, saneamento básico, ingerir vegetais cozidos e lavar e desinfectar verduras cruas. Higiene pessoal e na manipulação dos alimentos. Educação em saúde, saneamento básico, ingerir vegetais cozidos e lavar e desinfectar verduras cruas. Higiene pessoal e na manipulação dos alimentos. Educação sanitária, higiene, cuidados no ambiente coletivo e com roupas e tratamento medicamentoso parasitário. Impedir contato de bovinos e suínos com fezes humanas, consumo de carnes bovinas e suínas bem cozidas. Cuidado na criação e manejo dos bovinos e suínos. Higienização das mãos e dos alimentos. Cuidado com descarte no esgoto. Tratamento humano em massa e individualizado. Preservativos, diagnóstico e tratamento precoce dos pacientes contaminados para evitar reinfecções. 27 Trypanosoma cruzi, triatomíneos e doença de Chagas Apresentamos um cenário epidemiológico em constante transição, ainda um problema de saúde pública, especialmente na américa latina, mas não mais restrita a ela. T. cruzi: é um parasito hemoflagelado, ou seja, que se locomove por meio de flagelos e se localiza no sangue e tecidos. O seu reservatório pode envolver diversos ciclos silvestres e ciclos domésticos, podendo se utilizar de reservatório os cachorros e gatos. Considerado um heteroxênico e eurixeno. Ciclo biológico: no hospedeiro vertebrado (homem e várias espécies de mamíferos), podendo se apresentar na forma tripomastigota sanguícola (variações morfológicas e polimorfismo) ou na forma amastigota, quando intracelular. No hospedeiro invertebrado (triatomíneos/barbeiro) pode se apresentar num forma de esferomastigotas (presente no estômago e intestino), forma epimastigota (em todo o intestino) e a forma infectante tripomastigota metacíclico (presente no reto), que sai das fezes, conseguindo contaminar (e não inocular) o homem ou outros hospedeiros. - Epimastigota: apresenta uma forma alongada, cinetoplasto e próximo ao núcleo, o flagelo se inicia adiante do núcleo, longe de extremidade anterior. Tem uma membrana ondulante reduzida e com capacidade de multiplicação, é a forma presente no vetor. - Amastigota: forma arredondada ou oval com um flagelo curto que não se exterioriza. O corpo é achatado, com cinetoplasto bem visível. Se move pouco e tem capacidade de multiplicação. Presente na forma intracelular no hospedeiro vertebrado. - Tripomastigota: tem uma forma alongada, um flagelo na extremidade posterior. Forma uma extensa membrana ondulante e se torna livre na região anterior da célula. Pode se encontrar tanto nos vetores (metacíclico) quanto nos hospedeiros vertebrados (sanguícola). Vetores: apesar de ter 68 espécies no território brasileiro, são três gêneros (13 espécies) de importância epidemiológica. No estado de SP temos 6 espécies mais importantes. Esses insetos são grandes, medindo de 1 a 4 cm de comprimento. Possuem uma tromba retilínea (hematofágeos), sendo que só os insetos adultos são alados e voam. Por conta do seu hábito noturno, consegue ter mais chance de contaminar o ser humano. No caso do triatomíneo hematófago, ele apresenta uma probóscide dividida em 3 partes, não ultrapassando o primeiro par de pernas. Outros tipos de triatomíneos, como o predador, a probóscide é mais encurvada, enquanto que a do fitófago, sua probóscide é mais alongada, ultrapassando a perna, sendo dividida em 4 partes. Saber discriminar cada tipo de inseto é importante para determinar que tipo de agente causador ele é. “A” é do gênero Pastrongylus, “B” é do gênero Triatoma e C é Rhodnius. Epidemiologia: encontrado nas regiões meridionais dos EUA, México e América Central e do Sul. É uma doença negligenciada, com problema social e econômico na América Latina. A OMS estima 8 milhões o número de pessoas infectadas em todo o mundo, sendo que a maior parte se encontra na América Latina. Ocorrem mais de 10 mil mortes por ano, além de gerar incapacidade nos indivíduos infectados. No Brasil, a estimativa é que temos entorno de 5 milhões de infectados, entre casos agudos e crônicos. No entanto, houve um declínio substancial na incidência e prevalência da infecção nas últimas décadas, com melhoria na qualidade de vida. A estimativa anual do ônus global da doença é de mais de meio bilhão de dólares em custos com saúde. O T. cruzi é exclusivo do continente americano, presente em 21 países, e se encontra em quase todos os território habitados por triatomíneos. Os estados brasileiro mais acometidos são o PI, RO, PE, CE, PB, BA, MG, SP, PR, TO e GO. A vigilância e controle da doença de Chaga tem 3 eixos prioritários de ações. Os casos humanos, objetiva a detecção precoce, com vistas ao tratamento oportuno, bem como à aplicação de medidas de prevenção, investigação das formas de transmissão, monitoramento da infecção por T. cruzi e identificação do perfil de morbimortalidade na população. Os vetores, visa manter eliminada a transmissão vetorial e sob monitoramento e controle das outras espécies. Do ambiente, visa incorporar ações de vigilância sanitária, ambiental, de forma integrada com ações de vigilância epidemiológica. 28 Formas de transmissão – vetorial e outras: sendo o pastrongylus, ou rhodnius ou triatoma, eles podem acabar contaminando o ser humano após ter feito as fezes, que contém as tripomastigotas. Essas tripomastigotas na pele podem entrar na circulação por conta de que, o barbeiro pica a pele do homem, causando uma lesão, caso o indivíduo coce essa área, ele pode levar o parasita até ela, ou pode ocorrer de o homem levar a mão ao olho ou outras regiões de mucosas, havendo a contaminação por essa forma. As tripomastigotas são fagocitadas ficando escondida no lisossomo, após um tempo ela consegue realizar um escape, ficando ainda dentro da célula, mas na forma de amastigota. Essa forma de vida vai se replicando, até não ter mais espaço na célula, causando o seu rompimento, liberando a forma de tripomastigota que cai na corrente sanguínea, propagando a infecção. A primeira fase da doença é a aguda, apresentando o sinal clínico de Romania, que apresenta um edemaciamento da região peri-orbital ou a presençade chagomas de inoculação. Na fase crônica, após décadas de infecção, pode acarretar em um megacolon, cardiomiopatia e/ou megaesôfago. Esse protozoário apresenta uma preferência por células do sistema fagocítico monocitário, células musculoesqueléticas ou cardíacas, apesar de que pode parasitar qualquer célula do corpo. O T. cruzi então pode ser transmitido principalmente pela contaminação das mucosas ou da pele com dejeções de triatomíneos infectados (ninfas ou adultos). A mucosa pode estar íntegra, mas a pele deve apresentar orifício da picada pela escarificação causada pelo indivíduo ao coçar-se, com penetração da forma tripomastigotas metacíclicos do parasito. Como outras vias de transmissão, além da via vetorial, podemos ter pela via oral, vertical, acidental (como se cortar com material contaminado), transfusional ou por transplante. Apesar de que a principal forma, sem ser a vetorial, é a via oral, principalmente pela ingestão do açaí. O período de incubação vai depender do tipo de transmissão, no caso vetorial é de 4-15 dias, enquanto que a oral varia entre 3-22 dias. Profilaxia: melhorias das habitações rurais e anexos com adequada higiene e limpeza, combater os barbeiros com inseticidas e outros métodos auxiliares, controle do doador de sangue, com exames sorológicos e adição ao sangue de violeta-de-genciana, controle da transmissão congênita, vacinação (ainda não há) e investimento em pesquisa. A doença de Chagas: - Aguda: qualquer indivíduo que apresentar um quadro febril prolongado (mais de 7 dias) e que apresente esplenomegalia ou acometimento cardíaco agudo, residente ou visitante de área onde haja ocorrência de triatomíneos, que tenha recebido transfusão de hemoderivados ou transplante de órgãos, ou que tenha ingerido alimento suspeito de contaminação. - Crônica: paciente que apresenta T. cruzi circulante no sangue periférico, identificado por meio de exames parasitológicos direto, com ou sem presença de sinais e sintomas, ou paciente com sorologia positiva para anticorpos IgM anti T. cruzi na presença de evidências clínicas e epidemiológicas indicativas da doença. Todos os casos devem ser notificados. O caso confirmado para doença de Chagas crônica ocorre em indivíduos com dois exames sorológicos ou com hemocultivo ou xenodiagnóstico positivo para T. cruzi, que apresente uma forma indeterminada (nenhuma manifestação clínica, radiológica ou eletrocardiográfica compatível), forma cardíaca (miocardiopatia chagásica), forma digestiva (megaesôfago ou megacolon) e forma mista (miocardiopatia com algum tipo de mega). Nesses casos não é preciso notificar os casos de reativação ou crônicos. A forma aguda é mais comum em crianças em áreas endêmicas, com período de incubação de 1-3 semanas. Muitas vezes é assintomática, com parasitemia evidente. Se sintomática, a pancardite chagásica é o mais grave, com morte em 10% dos casos. Os sintomas podem ser febre, linfadenopatia generalizada, porta de entrada visível (Chagoma de inoculação ou Sinal de Romaña). A forma mais grave é a formação de uma miocardite. Como aspectos da patogenia, ocorre um aumento da parasitemia, considerável parasitismo celular e destruição das células hospedeiras. Ocorre uma intensa inflamação local e fagocitose (neutrófilos), linfócitos T e macrófagos. Os mecanismos imunológicos geram um processo degenerativo, granulomas, fibrose e agravamento das leões. Entre a fase crônica e aguda, pode haver uma fase indeterminada, mas que apresenta uma positividade de exames sorológicos e/ou parasitológicos, ausência de sintomas e/ou sinais clínicos, eletrocardiograma convencional normal e coração, esôfago e cólon radiologicamente normais. 50-70% dos casos ocorrem nas áreas endêmicas no Brasil. Podem evoluir para as formas crônicas típicas ou permanecer latente. As lesões teciduais são discretas. 29 A forma crônica é sintomática, e atinge de 20-40% dos pacientes no centro-oeste e sudeste do Brasil. Os parasitas se encontram difusos, com áreas inflamadas e necrosadas. Temos a substituição dos elementos musculares por tecido conjuntivo, gerando uma redução da força de contração do coração e mecanismos compensatórios. Temos o aumento do diâmetro das fibras musculares cardíacas, aumento do volume cardíaco, dilatação das cavidade e hipertrofia das paredes do órgão e taquicardia. A forma cardíaca apresenta células musculares cardíacas infectadas, sendo alvo do sistema imune, resultando em miocardite aguda. As fibras musculares com muitos parasitas e edema gera sua dissociação. A pancardite envolve todas as partes do coração (pericárdio, miocárdio e endocárdio). Temos o comprometimento do sistema autônomo regulador das contrações cardíacas (nódulos sinusal, nódulo atrioventricular e feixe de His), causando arritmias, extra-sístoles, bloqueios atrioventriculares e bloqueio do ramo direito do feixe de His. Isso estabelece a insuficiência cardíaca congestiva (ICC), que é o déficit no volume de sangue e na quantidade de oxigênio que chegam por minutos nos tecidos, comprometendo o metabolismo local. A cardiomegalia intensa gera eventos tromboembólicos. A forma digestiva está presente em 7-11% dos casos. Os parasitos se encontram na musculatura lisa e nas células nervosas. Gerando inflamação crônica, granulomas e destruição do plexo nervoso da parede. Essa destruição diminui a coordenação muscular, alteração do trânsito esofágico e intestinal. Temos hipertrofia muscular, dilatação e atonia do esôfago e cólons (mega). O megaesôfago apresenta disfagia, odinofagia, dor retroesternal, regurgitação, soluço, tosse, intensa salivação. O megacolon apresenta dilatações do cólon (sigmoide e reto). São mais frequentes e surgem depois do megaesôfago, com obstipação, obstrução intestinal e perfuração (peritonite) A forma congênita é mais rara, podendo ser assintomática. A transmissão pode ocorrer em qualquer momento da gravidez, decorrendo abortamento, natimortalidade e partos prematuros. A placenta envolvida na transmissão se revela volumosa, edemaciada e com placas esbranquiçadas. Os casos congênitos clássicos apresenta parasitemia elevada, febre, prematuridade, hepatoesplenomgalia e taquicardia. Nos casos mais graves, meningoencefalite, insuficiência cardíaca e calcificações cerebrais. Diagnóstico: o método clínico deve levar em consideração quando a pessoa apresentar febre persistente, associada a uma ou mais das seguintes manifestações clínicas: artralgia, cefaleia, chagomas de inoculação, sinal de romaña, edema de face ou membros, dor epigástrica, exantema, mialgia, adenomegalia. Também devemos realizar quando a pessoa descrever contato direto com triatomíneos, ou ter recebido hemoderivados, ou foi transplantado ou ingerido alimento suspeito contaminado ou suspeita em recém nascidos proveniente de mãe infectada. Na fase aguda, o método laboratorial se utiliza da microscopia com detecção de tripomastigotas sanguíneas em exame a fresco em lâminas (esfregaço delgada ou gota espessa – padrão our para esta fase da doença) corados ou após centrifugação em tubos de hematócritos. A sorologia pode ser feita, sendo encontrado altos níveis de anticorpos de IgM na reação de ELISA ou imunofluorescência indireta. Na fase crônica é feito uma sorologia com achados de IgG na reação IFI, ELISA ou HAI. O PCR pode ser feito para detectar DNA do parasita em tecidos. São menos realizados o xenodiagnóstico e hemocultura. Tratamento: benznidazol é indicado nos casos agudos e em jovens com a forma indeterminada, tem efeito apenas contra as formas sanguíneas, devendo ser feito o mais inicial possível. Para megas deve haver cirurgia. O nifurtimox era usado, mas deixou de ser. Os sintomas podem ser tratados com uso de cardiotônicos, antiarrítmicos, diurético, vasodilatadores, dietas, laxativos, lavagens ou processo cirúrgica. 30 Leishmania spp. Introdução: as leishmanioses são doenças causadas por protozoários do gênero Leishmaniae do subgrupo Kinetoplastea. Existem duas formas clínicas da Leishmaniose, a tegumentar e a visceral. A doença se concentra 90% em apenas 5 países: Bangladesh, Brasil, Sudão, India e Nepal, sendo considerada uma doença tropical negligenciada. Ciclo de vida: é um parasita heteroxeno, presente entre um hospedeiro mamífero (silvestre ou doméstico, os mais afetados são os roedores e cães) e um inseto vetor. O homem é um hospedeiro acidental. Leishmaniose Tegumentar: causada principalmente por 3 espécies: brasilienses, amazonenses e guyanenensis. Existem três formas principais: a cutânea, difusa e mucosa. - Cutânea: forma mais comum. Também é chamada de Leishmaniose tegumentar localizada ou úlcera de Bauru. Causa ulceras típicas e indolores na região exposta da pele. Essa ulcera tem formato arredondado e bordas bem delimitadas e elevadas. O fundo das úlceras é avermelhado com granulações. Tendem a cura espontânea deixando cicatrizes. Caso esteja doendo, significa que há uma infecção bacteriana no local (exsudato purulento). - Mucosa: causa lesões destrutivas nas mucosas das vias aéreas superiores, é uma forma secundária à cutânea. Ocorre como consequência de uma resposta exacerbada Th1. Pode causar perfuração do palato e da faringe, assim como destruição do septo nasal. As lesões se apresentam com poucos parasitas, com difícil resposta terapêutica. O principal agente é o L. brasilienses. - Difusa: é rara e grave. Ela ocorre em casos onde a pessoa possui alergia ou deficiência, especificamente na resposta celular da Leishmania. Ela causa o aparecimento generalizado de nódulos não ulcerados e placas, com evolução lenta. Marcada pela grande presença de protozoário nas lesões. Também apresenta baixa resposta terapêutica. O principal agente é o L. amazonenses. Leishmania Visceral: popularmente chamada de calazar”, é causada pela leishmania in Fantum (ou chagasi). É a forma mais grave, pois possui alta letalidade se não tratada. Pode apresentar uma forma clássica, com a presença de hepatoesplenomegalia, febre, perda de peso, anemia, astenia, leucopenia, plaquetopenia e hipergamaglobulinemia. Também pode ter uma forma assintomática (diagnosticada em inquéritos sorológicos) e oligossintomática (alguns sintomas, como febre, hepatomegalia, diarreia e anemia discreta, persistindo de 3-6 meses, evoluindo para cura ou para doença manifesta entre 2-15 meses). Aspectos biológicos: possui duas formas de vida, os amastigotas (encontradas no hospedeiro mamífero, apresenta um flagelo rudimentar, presente em vacúolo de macrófagos) e os promastigotas (presente no inseto vetor, com a presença de um flagelo), sendo que esse último se divide em procíclicas e metacíclicas. . - Subgrupo kinetoplaste: possui cinetoplasto (região rica em DNA circular). Sua mitocôndria é única, longa e ramificada. Sua reprodução é por fissão binária. Os amastigotas se hospedam nos mamíferos, são intracelulares e com flagelo curto. Enquanto que os promastigotas se hospedam no inseto vetor e tem seu flagelo livre. Ciclo de vida: o mosquito ingere sangue do mamífero com amastigotas (presente nas células do sistema fagocítico mononuclear). Os amastigotas se diferenciam em promastigotas procíclicas. Eles realizam fissão binária e viram promastigotas metacíclicos no tubo intestinal do inseto. O mosquito os injeta nos mamíferos, sendo fagocitados por neutrófilos/macrófagos e neles se transformam em amastigotas, se replicando até estourar a célula animal e atingir outros órgãos ou ser fagocitado novamente. Patogenia: depende da espécie da leishmania e da resposta do hospedeiro. Primeiro gera uma pápula/nódulo no local da picada, o balanço da resposta pró e anti-inflamatória vai permitir o desenvolvimento de sintomas maiores e menores. Na leishmaniose tegumentar, após o leishmania for fagocitose, vai gerar um infiltrado inicial, formando depois uma úlcera, que pode cicatrizar. Na leishmaniose visceral, o parasita infecta as células de Kupffer ou as células do sistema fagocítico mononuclear (baço, medula óssea e linfonodos), gerando as manifestações de hepatoesplenomegalia e leucopenia, plaquetopenia e anemia como consequência. Vetores: constituídos pelas fêmeas dos flebotomíneos, da ordem diptera. Podem ser chamados de Lutzomya ou Phletobotumus, também conhecidos como mosquito-palha, birigui, cangalinha e tatuguira. Eles não fazem barulho ao voar e se multiplicam próximos a restos orgânicos. São ativos ao amanhecer e ao entardecer. A principal espécie no Brasil é a L. longipalpis. Epidemiologia: até o século passado ela era considerada uma doença rural, mais comum ao nordeste. Na década de 80 ela passou a ser considerada urbanizada, em decorrência da migração para grandes cidades, ocupação do homem de 31 áreas periurbanas e surgimento do HIV. São 3.500 novos casos por ano no Brasil, com uma letalidade de 6-8%. A atual distribuição da doença se concentra no Nordeste, Sudeste e parte do Norte. É considerada uma zoonose (reservatório animal, que podem apresentar ou não sinais clínicos), tem como principal reservatório doméstico o cão. Nem todos cães infectados desenvolvem a forma clínica, permanecendo assintomático. As galinhas também tem relação com a doença por atraírem os vetores, apesar de não se infectarem com o parasita. Diagnóstico: exames parasitológicos (encontra a forma amastigota). Na leishmaniose tegumentar pode ser feito biópsia e punção nas bordas da lesão, sendo feito exame histopatológico, imprinting, coloração com Giemsa ou Leishman. Na leishmaniose visceral pode ser feito aspiração da medula óssea, fígado ou baço (fazendo esfregaços e corando com Giemsa ou Leishman). No entanto, o parasita não é facilmente detectável, podendo ser feito a inoculação do material em meio de culturas e em animais, podendo ser feito a determinação da espécie num centro de referência. Também podemos realizar exame molecular (PCR) e exames imunológicos (RIFI, ELISA, que podem causar falso- positivo ou intradermorreação de Montenegro). Outros exames auxiliares também podem ser feitos, como hemogramas e dosagem de proteínas séricas. Tratamento: medicamento de primeira escolha: antimoniais pentavalentes (via intravenosa, intramuscular ou intralesional), pode gerar efeitos colaterais graves como febre, mialgia, hepatite, pancreatite e arritmias. Medicamento de segunda escolha: anfotericina B (toxicidade grave, pode gerar nefrotoxicidade e febre) e anfotericina B lisossomal (menor toxicidade, mas mais caro). Em teste clínicos temos a miltefosina (uso oral). Prevenção e controle: a leishmaniose visceral pode ser evitada pela eutanásia ou tratamento de cães infectados, ou uso de coleira repelente de insetos, além de inseticidas e mosquiteiros em habitações. A leishmaniose tegumentar pode ser evitado pela proteção individual (repelentes, mosquiteiros, telas para mosquitos). A leishmaniose é uma doença de notificação compulsória, alguns controles ambientais como remoção de criadouros vetores (lixo, detritos vegetais e animais) podem ser feitos. Além de diagnóstico e tratamento dos casos e atividades educacionais. Ainda sem vacina. 32 Malária Causados por um protozoário do tipo esporozoário pertencente ao gênero Plasmodiun. Sendo que são duas as principais espécies principais aqui no Brasil, o P. vivax, que causa a malária terçã benigna e o P. falciparum, que causa a malária Terçã maligna. Definições – Hospedeiro Definitivo e Intermediário: o hospedeiro definitivo é o mosquito-prego, pois o parasita consegue realizar a reprodução sexuada. Formas de Transmissão – Vetorial e outras: o vetor da doença pertence ao mosquito do gênero Anopheles, também chamado de mosquito-prego, sendo que apenas a fêmea apresenta capacidade vetorial, por ser hematófago. Esse mosquito pode adquirir o sangue de um indivíduo contaminado com a forma gametocítica do parasita. O gametócito no estômago do mosquito podesofrer dois processos diferentes, em um ele forma o gameta feminino e em outro ele forma um gameta masculino, permitindo a fecundação, formando o zigoto, processo de reprodução sexuada. Essa célula pode sair do intestino, formando uma capa proteica em torno de sua célula, chamado de esporocisto, que sofre meiose e resulta em uma célula com 4 núcleos haploides, sofrendo várias mitoses, formando uma célula com dezenas de núcleos. Essa fase é a de reprodução assexuada, chamado de esporulação. A cápsula envolvendo se rompe, permitindo a saída dos esporozoítas que se encaminham até a cabeça do inseto, onde vai se alojar em sua glândula salivar, permitindo a contaminação desse vetor, que se torna ativo. Ciclo: fase pré-eritrocítica e fase eritrocítica: quando o animal introduzir sua probóscide contendo a saliva, o protozoário entra no corpo, ganhando a circulação sistêmica. O protozoário pode seguir até o fígado, invadindo o interior das células hepáticas (por meio de seus apicomplexos), onde vai sofrer novas divisões assexuadas, numa fase chamada de pré-eritrocítica ou fase hepática, nesse momento, ainda não ocorre manifestações clínicas, sendo assintomática. Essas divisões continuam até romper o hepatócito, retornando para a circulação. Nesse momento, o protozoário consegue invadir as hemácias, fase eritrocítica, onde o protozoário, por meio da esquizogônia forma 4 novos indivíduos que sofrem novos processos de divisão. Após um período de tempo, a hemácia se encontrará lotada de protozoários (em até 48 horas). No terceiro dia as hemácias se rompem, liberando os esporozoários, atingindo o plasma sanguíneo. Esses esporozoários podem reiniciar a fase eritrocítica ou adquirem uma nova forma chamada de gametocítica, permitindo a transmissão para um inseto não contaminado, recomeçando todo o ciclo da doença. Ao mesmo tempo, o rompimento das hemácias liberam toxinas, indicando para o nosso sistema imunológico a presença de um patógeno, começando a resposta imune. Além disso, as hemácias parasitadas acabam sofrendo uma mudança em sua conformidade, passando a expressar certas proteínas (Knobs) que promove a adesão de outras hemácias. O ciclo de vida é heteroxênico, tendo como hospedeiro definitivo (reprodução Sexuada) o mosquito fêmea o Gênero Anopheles e o hospedeiro intermediário (ciclo assexuado) diversas espécies específicas. No homem, o parasita apresenta outros dois ciclos, o hepático/pré-eritrocítica e eritrocítica. Aspectos epidemiológicos da Doença: estima-se que 3,2 bilhões de pessoas correm o risco de desenvolverem malária. Em 2019 foram mais de 405 mil mortes, principalmente em crianças menores de 5 anos na África subsaariana, sendo 228 milhões de doentes. Nos últimos anos, as medidas de controle tem sido eficaz para diminuição nos números de casos. São 5 espécies que infectam o homem, o P. falciparum, P. vivax, P. malariae, P. ovale e P. knowlesi. Sendo que as 3 primeiras espécies se encontram no Brasil. Os mosquitos vetores encontrados no Brasil é do gênero Anopheles, sendo o da espécie A. darlingi, apesar de que também temos o A. aquasalis, A. albitaris, A. cruzi e A. belator, sendo esses últimos presentes na mata atlântica. O maior risco à malária incide em crianças de até 5 anos (61% de todas as vítimas mortais), mulheres grávidas e adultos não-imunes. Casos – autóctone e importado: A malária é endêmica da região norte, tendo muitos causos autóctones, portanto. A migração de pessoas tem aumentado a incidência da doença em áreas suscetíveis, havendo um aumento na probabilidade de maior letalidade dessa doença nessas regiões, uma vez que o diagnóstico é feito tardio e o maneja clínico inadequado. Felizmente, na região Norte, ocorreu uma redução de 38% dos casos em 2019, em relação a 2018. 33 Diferenciação na Clínica da malária por P. falciparum e por P. Vivax: o quadro clínico geral envolve febre, calafrios, sudorese profusa, fraqueza, cefaleia, dependendo do Plasmodiun infectante. Também podemos ter náusea, vômitos, astenia e anorexia, dependendo do período de infecção. - Período de infecção: mal-estar, cansaço e mialgia. O ataque paroxístico (aumento da temperatura) pode ocorrer após alguns dias, precedida por calafrios e depois acompanhadas de tremor generalizado (15 minutos a 1 hora). Por fim temos uma fase febril (39-41ºC), acompanhada de cefaleia, náuseas, vômitos e ser seguida de uma sudorese intensa. O baço e fígado podem se encontrar aumentados e doloridos. Nesse momento, a malária se confunde com outros processos infecciosos do sistema respiratório, digestório e urinária. - Período de remissão: temos o declínio da temperatura e dos sintomas. No entanto, podemos ter novos episódios de febre intermitente. - Período toxêmico: caso o paciente não receber o tratamento adequado, a infecção pode se desenvolver para casos mais graves, dependendo do tipo da forma infectante, normalmente o P. falciparum. Definição de caso suspeito: todo mundo é suscetível ao desenvolvimento da malária, no entanto, é mais comum de ocorrer em pessoas de áreas endêmicas ou em indivíduos que se deslocaram para essas regiões (até 8-30 dias depois). Devemos suspeitar dessas pessoas quando elas apresentarem um quadro febril. Já em uma área não endêmica, devemos suspeitar da presença da malária caso elas apresentarem o quadro do paroxismo febril (calafrio, tremor, cansaço e/ou mialgia). Nas regiões endêmicas, devemos instituir um tratamento imediato e adequado, prevenindo o surto, havendo necessidade de confirmação laboratorial além de notificação (dizendo se é um caso autóctone ou importado). Nas regiões não endêmicas, é importante que as pessoas. Aspectos clínicos: anemia em grau variável (decorrência de uma hemólise vascular com o P. falciparum) e hipóxia. O baço se apresenta dilatado, congesto e de tonalidade escura, com os capilares repletos de hemácias parasitadas (onde vai estar ocorrendo a fagocitose). O fígado se encontrará também dilatado, congesto, e hepatomegalia nas formas crônicas da doença. A medula óssea vai sofrer uma hiperplasia do sistema fagocitário mononuclear e reação eritroblástica, havendo inibição da maturação de granulócitos. No caso de recaídas, ocorre nas infecções por P. vivax e P. ovale com o reaparecimento tardio de manifestações clínicas (1 mês a 3 anos). A recrudescência pode ocorrer em todas as infecções, onde temos o reaparecimento a curto prazo de manifestações clínicas, nesse momento, a parasitemia reaparece, após ter passado por um período de cura aparente, em decorrência de uma resposta inadequada ao tratamento. A malária grave, causada pelo falciparum, nós temos uma parasitemia elevada, constando alterações de consciência, dispnéia, convulsões, edema pulmonar, hipotensão, oligúria e outros sinais clínicos como anemia grave, hipoglicemia, acidose metabólica, insuficiência renal. Diagnóstico: o padrão ouro é a realização de um esfregaço sanguíneo. Também temos algumas alternativa a microscopia tradicional, como técnicas sorológicas para detecção de anticorpos. Tratamento: vai depender da espécie do plasmodiun infectante. sendo feito a interrupção da esquizogonia sanguínea, responsável pela patogenia e manifestações clínicas da infecção, destruição das formas latentes do parasita no ciclo tecidual (vivax e ovale) e interrupção da transmissão do parasita pelo uso de drogas que impedem o ciclo sexual com o uso de diversas drogas. Para avaliar os sintomas, são usados uma combinação de cloroquina, quinina e artemisina, para evitar recaídas é usado primaquina e para impedir a propagação é usada primaquina para o P falciparum e cloroquina para as demais espécies. Controle: evitar a aproximação às áreas de risco ao entardecer e logo ao amanhecer, usar repelentes, telar portas e janelas, dormir com mosquiteiros e quimioprofilaxia. Também podemos fazer diagnóstico imediato e tratamento adequado, planejamento e a aplicação de medidas de saneamento básico, prevenção de viajantes.Temos uma vacina em desenvolvimento. 34 Filariose Definição: é. Uma doença causada por nematódeos no tecido celular subcutâneo e vasos linfáticos, sendo que o principal agente causador é a Wuchereria bancrofti. A transmissão ocorre por meio de mosquitos vetores, sendo o ser humano o hospedeiro definitivo. Ainda não se tem vacinas. Epidemiologia: apesar de ter sido considerada potencialmente erradicável pela OMS, a filariose continua sendo uma doença tropical muito negligenciada, representando um importante problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento em regiões de precariedade. O impacto social, econômico e psicológico da filariose é muito importante, pois se trata da principal causa de deformação permanente e da segunda causa de deficiência de longo prazo. A infecção pela filariose também está relacionada com o aumento do risco de adquirir HIV. E apesar de afetar países em desenvolvimento, a epidemiologia da doença tem sofrido mudanças, com alguns países antes considerados endêmicos agora são considerados livres da doença, uma vez que adotaram estratégias de erradicação em massa. No Brasil: hoje em dia, a doença se encontra em uma fase de eliminação, sendo que, a única área endêmica se restringe à região Metropolitana do Recife. Mas sem novos casos desde 2013. Pelo SUS, a filariose não é uma doença de notificação compulsória, mas é importante que os casos sejam reportados. Agente etiológico: Wuchereria bancrofti. Apresenta diversas formas de vida, a microfilária, L1, L2, L3 (forma infectante no ser humano) e vermes adultos. A Wuchereria apresenta um bainha acelular e ausência de núcleo em sua cauda. A fêmea é maior que o macho e o verme adulto vive em torno de 5 anos. Vetor e transmissão: a filariose é transmitido pelos mosquitos fêmeas dos gêneros. Culex, Anopheles, Aedes, Mansoni e Coquillettidia. Apresentam hábito hematófagos noturnos, podendo ocorrer transmissão urbana (principalmente em áreas carentes, falta de saneamento básico, regiões com matéria orgânica em decomposição e água parada) e rural. Acredita-se que bastante crianças sejam infectadas, mas não desenvolvem a doença. A repetida picada ao longo de vários meses são necessárias para que o vetor contraia microfilárias. Ciclo: os vermes adultos se encontram nos vasos linfáticos e linfonodos, onde se reproduzirão sexuadamente, produzindo microfilárias que caem na corrente sanguínea. O mosquito ingere as microfilárias quando se alimentar do sangue da pessoa e no mosquito, as microfilárias se transformam em larvas (L1 depois L2 e depois L3). A L3 vai ser a larva infectante, e quando o mosquito fizer o repasto ele pode contaminar uma nova pessoa, o L3 migra para o sistema linfático onde crescem e atingem a maturidade sexual após 9 meses. Quando o hospedeiro está acordado, as microfilárias permanecem em grandes vasos e de circulação profunda, e durante o sono elas se encontram em vasos mais superficiais, permitindo que infectem o mosquito vetor. A microfilaremia pode persistir por até 10 anos, e enquanto o indivíduo estiver infectado ele será infectante também, Fisiopatologia: a fase inicial da infecção, os antígenos da filária induzem uma resposta Th2 com produção de citocinas IL-5, eu acarretam em elevados níveis de IgE e IgG4. Posteriormente, esse parasita acaba modulando a resposta imune, que suprime os linfócitos T, diminui a quantidade de citocinas produzias por Th1 e Th2, além de gerar defeito de função de APCs e aumento da atividade de Treg. A imunidade inata promove a degranulação de eosinófilos e na adaptativa temos a ação de IgE e ação de citotoxicidade celular dependente de anticorpos. A patogênese e progressão da doença são influenciadas por fatores como a extensão e duração de picadas, a acumulação de antígenos, resposta imune e infecções secundárias. A cronicidade da infecção é possível pela modulação da resposta imunológica feito pelo agente. Ela promove uma resposta maior Th2 do que Th1. Além disso, o parasito apresenta mecanismos de evasão (troca de tegumento, inibição da capacidade de fagócitos e proteases capazes de clivarem Ig). Tudo isso cria um estado de imunossupressão, favorecendo a infecção por patógenos oportunistas. Quadro clínico: - Assintomático: representa a maior parte dos indivíduos, mas podem ter algum quadro subclínico, com algum grau de linfangiectasia (aumento do vaso linfático) ou distúrbio de drenagem linfática. Os vermes adultos levam a lesão dos vasos linfáticos (ação de antígenos que promovem a perda de contratilidade do endotélio linfático, destruindo as válvulas unidirecionais, levando a linfangiectasia) enquanto que as microfilárias levam a danos extralinfáticos. - Manifestações agudas: a presença dos vermes vivos gera novelos de filária nos vasos linfáticos, provocando uma obstrução parcial da circulação e até perda permanente da circulação, causando uma estase da linfa. Os vermes mortos 35 decorrentes do tratamento ou de forma espontânea pode gerar a formação de alguns nódulos granulomatosos isolados, linfadenite e linfangite descendente (seguindo o fluxo normal). A linfangite filaria aguda (LFA, se apresenta com um cordão subcutâneo visível, que pode ser acompanhado de febre, cefaleia, fraqueza, dor muscular e edema que regride espontaneamente), linfangite retrógrada (comprometimento do vaso linfático com propagação da inflamação contrária a circulação do vaso), linfadenopatia (infarto dos linfonodos comprometidos que forma uma massa compacta e indolor, mais comum em crianças), dermatolinfangioadenite aguda (bactérias superficiais em pele lesionada dos sulcos digitais, formando placas cutâneas e edematosas, podendo ter febre, calafrio, mialgia e cefaleia), febre filarial (episódios alto limitado de febre na ausência de linfangite ou linfadenopatia) e eosinofilia pulmonar tropical (EPT, decorre da hipersensibilidade do sistema imune às microfilárias que migraram para o pulmão, que causam uma doença intersticial, levando ao aumento de eosinófilos, como manifestações temos crises semelhantes a asma, com tosse noturna, perda de apetite, sibilos noturnos e perda de peso). - Manifestações crônicas: representa a menor parte dos casos, mas podem desenvolver linfedema (elefantíase), afetando os membros inferiores (principalmente) de forma indolor. O edema e as alterações cutâneas dessa região favorece infecções secundárias. Afeta a porção distal do membro, com progressão em direção ao segmento proximal. A estase circulatória resulta no espessamento, hiperpegmentação e queratose da pele. Também podem surgir lesões verrucosas, descamativas e até ulcerativas. Apesar de afetar principalmente os membros, também pode acometer as mamas e genitálias. Nos homens, o acometimento escrotal é muito comum, resultando em hidrocele e quilocele. Também podemos ter o comprometimento renal, nesse caso pode ser observado quilúria (urina com aspecto leitoso, muitos lipídios), proteinúria e hematúria, cursando com anemia e hipoproteinemia. Os pacientes com essa forma crônica não apresentam microfilaremia, mas por conta de reinfecções, o indivíduo pode apresentar formas crônicas e agudas da doença. Diagnóstico: os aspectos clínicos envolvem a história mais o exame físico compatível com a descrição da doença. Como exames complementares temos o exame a fresco (observação direta das filárias), gota espessa (análise do sangue para distinção morfológica do parasito) e técnicas de concentração. O diagnóstico sorológico envolve a detecção de antígenos circulantes, por ELISA, PCR e sorologia de IgG4 e IgG (imunofluorescência indireta). As imagens nos permite observar o verme adulto nos vasos linfáticos, podendo ser feito a ultrassonografia com Doppler ou linfocintilografia. A filarioses linfática pode também resultar em achados laboratoriais inespecíficos, tais como hematúria microscópica, proteinúria, quilúria, elevação de IgE e eosinofilia. O diagnóstico é fechadomediante a detecção de antígeno circulante, a demonstração da presença de microfilária ou DNA de filárias no sangue e a detecção de vermes adultos nos vasos linfáticos. Diagnóstico diferencial: para a LFA temos a linfangite bacteriana ou fúngica e erisipela. Para EPT temos asma e síndrome de Löeffler. Para. A. linfadenopatia temos infecções e neoplasias. Hidrocele temos varicocele, torção testicular, hérnia inguinal. Para linfedema temos as neoplasias, tuberculose, celulite, linfedema primário, nefropatias e cardiopatias. Tratamento: a droga de escolha é a dietilcarbamazina, disponível no SUS, com ação filaricida, sendo feito a administração de uma dose única no primeiro dia com aumento progressivo nos próximos dias por 12-21 dias. É totalmente contraindicada para coinfecção com oncocercose (parasita em tecido subcutâneo ou no olho, transmitido pelo borrachudo), pois pode gerar eventos adversos graves e reações de hipersensibilidade com complicações oculares. As manifestações crônicas, em relação ao linfedema devemos garantir que o paciente se mantenha com uma postura que favoreça a drenagem, que ele faça higiene das áreas acometidas, fisioterapia especializada e tratar as infecções secundárias. Em relação a quilúria é necessário uma dieta hiperproteica e com baixa ingestão de lipídios. Em relação a hidrocele, devemos fazer drenagem e hidrocelectomia. Profilaxia e vigilância: monitoramento da área endêmica, tratamento individual, tratamento coletivo, controle do vetor, proteção pessoal contra o vetor. Ainda não temos vacinas 36 Esquistossomose Pertence ao filo dos platelmintes, da subclasse dos trematódeos. São achatados dorsoventralmente e com duas ventosas, uma oral e outra ventral, importante para fixação no hospedeiro. Dentre os trematódeos, vários são os parasitas importantes para a área da medicina, a maioria das espécies pertencem a classe Digenea, que agrupa a Fasciola hepática e a Schistosoma mansoni (há outras espécies, mas não ocorrem no Brasil). Formas de vida: o macho é maior do que a fêmea, e seu corpo forma um canal ginecóforo, onde fica a fêmea durante a cúpula. O macho apresenta as duas ventosas, e apresenta um tegumento revestido por espinhos, que fica continuamente se renovando, ajudando no escape do sistema imunológico. Além disso, muitas proteínas do hospedeiro são incorporadas nesse tegumento, o que ajuda também no escape. As fêmeas são delgadas e cilíndrica em toda sua extensão, sendo mais longa que o macho. Quando ela se aloja no macho, ele secreta hormônios que amadurecem a fêmea, após o acasalamento, ambos migram contra o fluxo circulatório, pelas veias do plexo mesentérico, onde a fêmea inicia a oviposição. O parasito também apresenta outras formas de vida, como o ovo, o miracídio, a cercária e o esquistossômulo. O ovo apresenta um espinho lateral e não suporta a dessecação, as fêmeas depositam o ovo nos capilares, onde são depositados, ficando no tecido conjuntivo, e são expulsos nas fezes, em contato com a água doce o ovo se rompe, liberando o miracídio. O miracídio apresenta glândulas de penetração, que auxiliam na entrada no molusco, são ciliados e apresentam fototropismo. No molusco, eles adquirem ainda uma outra forma de esporocistos primários e secundários, até atingirem a forma de cercária. A cercária apresenta uma cauda bifurcada, sempre nadando em direção a superfície da água, apresenta também glândulas de penetração. A eliminação das cercárias pelos moluscos obedece o ritmo da luz, sendo eliminadas no início das 9 horas, até as 16 horas, com um pico ao meio dia/11 horas. São atraídas por AG e peptídeos humanos, liberando proteases, conseguindo penetrar no humano, deixando a cauda para trás, se transformando em esquistossômulo. Eles vão penetrar o vaso, sendo levados para o sistema intra-hepático, onde se desenvolvem os vermes adultos. Ciclos de vidas: o homem é seu hospedeiro definitivo e o intermediário é o caramujo do gênero Biomphalaria. Quando as fezes do homem entram em contato com a água, temos a liberação de ovos, que se rompem, liberando os miracídios, que entram no caramujo. Após um tempo temos a liberação de cercárias na água, que conseguem entrar no homem, se transformado em esquistossômulo. Eles migram pela circulação venosa até os pulmões, coração e depois fígado, saindo pela veia porta como vermes adultos, machos e fêmeas se encontram, a fêmea se instala no canal ginecóforo do macho, e ambos migram contra a corrente sanguínea, onde vão cair na veia porta chegando até as veias mesentéricas inferiores, onde as fêmeas vão depositar os ovos, que são movidos até o lúmen do intestino, onde vão ser eliminados nas fezes (4- 8 semanas após a infecção) Os hospedeiros intermediários do gênero Biomphalaria são caramujos de água doce, da família Planorbidae, apresentando uma concha espiral plana e pulmonar. São três as espécies que conseguem se tornar hospedeiras intermediárias, a glabrata (principal), tenogophila e straminea. Vivem em águas alagadas ou represamentos, popularmente conhecidos como lagos de coceira. Epidemiologia: estima-se que são quase 84 milhões de contaminados em mais de 54 países. No América do Sul, a esquistossomose é endêmica do Brasil, Venezuela, Suriname e Caribe. No Brasil, estima-se que temos 6 milhões de infectados, e concentrando nos estados da BA, MG, AL, PE, SE, MA, RN, PA, ES e SP. Aspectos clínicos: - Fase aguda: podem ser assintomática ou se apresentar como dermatite cercariana, que são micropápulas eritematosas e pruriginosas, nos locais onde ocorreu a penetração, durando até 5 dias. De 3-7 semanas podemos ter a febre de Katayama, com linfadenopatia, febre, anorexia, dor abdominal e cefaleia, também podemos ter diarreia, náuseas, vômitos ou tosse seca, hepatomegalia, eosinofilia e deposição de imunocomplexos, nesse tempo também teremos a migração dos esquistossômulos. - Fase crônica: podemos ter a forma intestinal, que podem ser assintomáticas por anos, apresentando dores abdominais, diarreia com muco ou sangue. A forma hepatoesplênica se apresenta com aumento do baço e do fígado em decorrência de uma obstrução mecânica, podendo gerar fibrose no fígado, a princípio, não temos hipertensão portal. A forma renal se apresenta com perda de proteínas em decorrência da deposição de imunocomplexos. - Complicações: em decorrência da forma hepatoesplênica, temos a hipertensão portal grave, gerando hemorragias maciças, rompimento de varizes esofágicas, agravamento da fibrose no fígado, congestão passiva crônica do baço, formação de circulação colateral e ascite. Também podemos ter uma hipertensão pulmonar, em decorrência de uma arterite pulmonar. Por fim, pode haver lesões do SNC, por conta da presença de ovos no cérebro ou medula. 37 Patogenia: na forma crônica temos o desenvolvimento de granulomas ao redor dos ovos no fígado e na parede intestinal. O ovo elimina, antígenos que estimulam intensa resposta celular, essas lesões são progressivamente ocupadas por fibroblastos, levando a extensas áreas de fibrose. No fígado, essa fibrose se concentra ao redor dos capilares do espaço porta, chamada de Fibrose de Symmers. Dessa forma, o sangue que deve passar por essa região tem maior resistência, levando a congestão do baço. Como consequência, o sangue começa a desviar para outras veias, fazendo a circulação colateral. Com a perda da hipertensão hepática e da distensão dos vasos que irrigam o peritônio causa a hipoalbuminemia e do extravasamento de líquidos. Caso os ovos estejam no pulmão, também teremos a formação de granulomas e de fibrose, aumentando a pressão sanguínea dessa área, diminuindo a oxigenação e podendo causar insuficiência cardíaca. Diagnóstico: além do quadro clínico e epidemiológico, devemos fazer os exames de fezes (kato-katz), sendo recomendado a submissão de três amostras de fezes. Também podemos fazer o teste de eclosão de miracídios, para verificar se os ovos estão vivos ou não, verificandose o tratamento está sendo efetivo. Em pacientes crônicos, a eliminação das fezes vai diminuindo, por ser mais retido na mucosa do intestino grosso. Também podemos fazer a biópsia retal ou hepática, para os quadros mais graves. Também temos a possibilidade de detectar os anticorpos nos quadros agudos ou detectar os antígenos. Por fim, temos a possibilidade de fazer a reação cutânea de hipersensibilidade imediata (teste da esquistossomina), fazer exames de imagem (ultrassonografia hepática, radiografia de tórax, endoscopia e ressonância magnética) e PCR. Tratamento: praziquantel (efeitos adversos como dor abdominal, diarreia, astenia, cefaleia e gosto metálico na boca), nas primeiras horas de administração temos febre, por conta da morte dos parasitas, apresentando um índice de cura em 70%, as sequelas de fibrose, no entanto, são irreversíveis. Também pode ser usado oxamniquina, que não tem no Brasil. Para grávidas e insuficientes hepáticos e reais é contraindicado o uso desses fármacos. Nos quadros agudos e na forma hepatoesplênica avançada, podemos usar corticosteroides. Após 4 meses de tratamento, devem ser realizados novos exames de fezes ou biópsia retal. Controle e prevenção: evitar o contato dos indivíduos com água contaminada e evitar contaminação da água com ovos do parasita. Podendo ser feito o controle do caramujo, tratamento humano, educação sanitária e instalaçõessanitárias. Temos uma vacina em fase final, desenvolvida pela Fiocruz. 38 Ancilostomose Epidemiologia: são geohelmintos presentes em regiões quentes e úmidas em áreas rurais, com saneamento básico precário e baixo nível socioeconômico, apresentando distribuição geográfica mundial. Estão presentes em solo contaminado com fezes e parasitos, quando pessoas andam descalças por esses lugares podem se contaminar. São comuns os casos de reinfecção. Estima-se que 500 milhões de pessoas já foram infectadas, especialmente na região da África, Ásia e América do Sul. Na América Latina temos 50 milhões de infectados, 32 milhões só no Brasil, sendo que o mais comum é o Necator americanus. Morfologia: apresenta dimorfismo sexual, com uma fase adulta e de ovos. O macho adulto contém a cápsula bucal, glândula encefálica, testículos, canal ejaculador, espículos e a bolsa copuladora. A fêmea apresenta glândula encefálica, cápsula bucal, faringe, útero, ovário, intestino, reto e ânus. Os ovos apresentam uma membrana fina que em uma temperatura entorno de 20-30ºC libera a L1 (larva rabiditóide) que se transforma em larva filarióide (L3), com capacidade de penetrar no hospedeiro indo até o intestino onde se transforma em vermes adultos. São duas as espécies capazes de realizar penetração intestinal ativa, o Necator americanus e o Ancylostoma duodenale . Também temos uma outra espécie, a A. braziliense e caninum, que tem como hospedeiro o cão e gatos, mas quando infecta humanos gera larva migrans visceral. Ciclo biológico: o homem contaminado libera fezes contaminadas com os ovos, que no ambiente libera a L1 que se transforma em L3, que vai conseguir penetrar na pele, normalmente o pé, de outros indivíduos. Eles seguem até o pulmão e depois intestino do ser humano onde vão se transformar em vermes adultos, que com a cápsula deles vão começar a se alimentar do sangue do hospedeiro. Existe duas formas de transmissão, a cutânea, em que ocorre a penetração ativa das larvas filarióides e a via oral, que ocorre pela ingestão das larvas filarióides. Uma vez ingeridas, elas migram para o duodeno, penetrando nas mucosas e células de Lieberkunn, após um tempo elas migram para o intestino delgado se transformando em um verme adulto onde vão copular e fazer a postura. Patogenia: as lesões vão depender da carga parasitária e da fase da infecção. As larvas na pele liberam enzimas gerando hiperemia, prurido, edema, dermatite alérgica, infecção bacteriana (secundária), chamada de coceira de terra, cessando em até 10 dias. A larva no pulmão migra pelos alvéolos, bronquíolos, brônquios e traquéia gerando pequenas hemorragias, tosse seca, febre baixa, rouquidão e dispneia. Os vermes adultos vão gerar problemas nas regiões da mucosa do duodeno e jejuno, provocando lesões mecânicas no local de implantação da sua cápsula bucal (dilaceração e maceração dos fragmentos da mucosa), isso gera um processo inflamatório, congestão, edema e áreas de hemorragias. Esses vermes liberam anticoagulantes que gera sangramento contínuo da mucosa intestinal. Tudo isso pode gerar uma deficiência de ferro, acarretando em anemia (), apatia, adinamia e queda de produtividade. A patogênese da anemia vai depender do equilíbrio nutricional, disposição de ferro e da espécie do parasito (ancilostoma se alimenta de muito mais sangue que o necator). A doença causa incapacidade física e mental para o trabalho e atraso no desenvolvimento de crianças. Também podemos ter perda de apetite, palidez, apetite depravado, pele de tom amarelado, mucosas descoradas, cefaleia, vertigens, língua esbranquiçada, atrofia das papilas linguais, preguiça mental, palpitação do coração, zumbido, vômitos e outros. A patogenia envolvendo a fase aguda envolve a migração da larva no tecido cutâneo ou pulmonar, a de fase crônica leva a espoliação do sangue e a deficiência nutricional, anemia microcítica e hipocrômica por deficiência de ferro, leucocitose. A persistência da anemia, leucocitose, eosinofilia e baixa hemoglobina provoca mudanças fisiológicas e bioquímicas que agravam o estado geral do hospedeiro. Sinais e sintomas: os sinais primários envolvem a atividade do parasita, os secundários decorrentes da anemia e hipoproteinemia. Os primários cessam com anti-helmínticos enquanto que os secundários apenas com mudança na dieta. Diagnóstico: pode ser clínico (anamnese sintomas cutâneos, pulmonares e intestinais). O laboratorial envolve exames de fezes (pesquisa dos ovos), coprocultura (obtenção das larvas) e testes sorológicos para pesquisa de anticorpos. Tratamento: pirimidinas e benzimidazóis (mebendazol ou albendazol). Também devemos fazer o uso de uma alimentação suplementar diária rica em ferro (feijão, leguminosas, carnes, fígado e ovo). Profilaxia: cuidados com higiene, lavar as mãos antes de comer, os alimentos crus, beber água filtrada ou fervida, proteger alimentos dos insetos, melhoria do estado nutricional dos pacientes, educação em saúde entre outras medidas. 39 Larva migrans cutânea Animais podem se contaminar com parasitas semelhantes aos causadores a ancilostomose, mas que não gera infecção no ser humano. No entanto, caso ele entre em contato com esse parasita, esta pode ficar presente superficialmente na pele do homem. A LMC é uma afecção dermatológica em humanos causada pela migração errática das larvas de ancilostomídeos do cão e do gato das espécies. As espécies são A. Caninum e A. Braziliensis. É popularmente chamado de bicho geográfico. Morfologia: o ancilostoma caninum apresenta um par três dentes enquanto que o braziliensis apenas um par com um dente. O ciclo de vida desta espécie é semelhante ao ancilostomídeos do homem, tendo o cão e o gato como hospedeiros definitivos. Quando essas larvas filarióides penetram na derme humana elas não completam o ciclo biológico, sendo considerado um parasitismo acidental e errático no Homem. Sinais e sintomas: as partes atingidas costumam ser os pé, nádegas, mãos e antebraço. No local de penetração temos uma lesão eritemo-papulosa (aspecto vesicular), prurido, formação de túneis na derme, infecção microbiana secundária e em alguns casos temos a cura espontânea. Diagnóstico: anamnese avaliando os aspectos dermatológicos da lesão e sinais e sintomas característicos. Tratamento: tiabendazol ou uso tópico de cloretila e neve carbônica. Em infecções múltiplas podemos usar tiabendazol mais albendazol ou ivermectina por via oral. Profilaxia: higiene pessoal, manipular areiae terra com luvas, tratar animais domésticos com antiparasitários, evitar levar animais domésticos para praia, proteger as caixas de areia em parques e dar preferência a brincar na areia molhada da praia (salinidade mata o parasita) 40 Tungíase As pulgas são insetos pequenos, ápteros (sem asa), com o corpo comprimido lateralmente e com as patas posteriores adaptadas para o salto. O desenvolvimento das pulgas. É do tipo holometábolo (ovo, larva, pupa e adulto). Tanto os machos quanto as fêmeas são hematófagos, portanto, conseguindo transmitir uma série de doenças relacionadas a bactérias, cestódeos e nematódeos. Epidemiologia: tem como espécie vetora a pulga Tunga penetrans, também conhecida como bicho de pé ou pulga do porco. Se encontra na América Latina e África subsaariana. No Brasil, ela está presente do norte ao sul, afetando mais crianças e idosos, principalmente nos meses secos. Os baixos indicadores de desenvolvimento humano, a falta de coleta de lixo, convívio do homem com animais infestados e moradias com pisos de areia ou terra acabam favorecendo o desenvolvimento dessa pulga. Tunga penetrans: é a menor espécie de pulga, sendo que os dois sexos são hematófagos, no entanto, apenas a fêmea consegue penetrar no hospedeiro, produzindo óvulos e assumindo uma forma hipertrofiada chamada de neossoma. Os hospedeiros. Mais comuns são os porcos, homens, cães e gatos. No homem ela tende a se implantar na sola plantar, calcanhar e canto dos dedos. O habitat da pulga é nos locais secos, chiqueiros, esterco e peridomicílios. Ciclo de vida: após a cópula, a fêmea penetra na epiderme, conseguindo se nutrir e se expandir, produzindo e eliminando os óvulos, quando a fêmea morre. Esses óvulos originam as larvas, pupas e então a pulga adulta, reiniciando o ciclo. Eventos patológicos: penetração da fêmea acompanhada de eritema, prurido e dor nas primeiras 3-7 horas. Quando ocorre a hipertrofia do abdome da pulga temos eritema, um ponto escuro no local e coceira, entre os primeiros dois dias. Depois temos a produção de um halo branco com saliência e depressão, gerando dor e prurido intenso, entre o segundo até o 14 dia de infecção. Depois da morte do parasita, temos uma involução da lesão, formando áreas necróticas e ressecadas. 4 a 6 semanas depois temos apenas uma lesão residual com depressões circulantes (6-7 semanas). As infestações mais simples tem sua cura espontânea entre as 4-6 primeiras semanas. Em alguns casos, a tungíase pode gerar infecções secundárias por paracoccidioides brasilienses ou clostridium tetani. Indivíduos de áreas endêmicas podem ter múltiplas lesões com formação de pústula, supuração e úlcera, gerando dificuldade de deambulação, perda de unhas e amputações, também pode haver sepse, necrose óssea e dos tendões. Diagnóstico: história epidemiológica, achados clínicos, exame direto e visualização do parasito. Tratamento: retirada da pulga, desinfecção da pele com agulhas estéreis, uso de tintura de iodo e antibióticos tópicos. Profilaxia: pavimentação de áreas públicas, coleta adequada de lixo, uso de inseticidas, uso de calçado e luvas, cuidados com manuseio de esterco e educação em saúde. 41 Miíase Definição: É uma infestação dos vertebrados por larvas de dípteros, que se alimentam de tecidos vivos ou mortos, líquidos corpóreos ou alimentos inferidos. Classificação quanto ao tecido parasitado: - Primária ou obrigatória: causada por larvas biontófagas (se alimentam de tecidos vivos). As moscas causadoras são da família calliphoridae (Cochliomyia hominivorax) e a da cuterebridae (dermatobia hominis). - Secundária ou facultativa: causada por larvas necrobiontófagas (se alimentam de tecidos mortos). As moscas são da família calliphoridae (Chochliomyia macellaria, Chrysomya spp. Lucilia spp), sarcophagidae (Sarcophaga sp, Bercae cruenta) e fanniidae (Fannia spp.). - Pseudomiíase ou mirasse acidentais: causadas por moscas da família syrphidae (eristalia tenax), tephritidae (ceratitis capitata) e muscidae (musca domestica e fania spp.). Classificação quanto a localização: - Cutânea - Cavitárias: as principais são as auriculares, nasofaríngeas, urogenitais e oftálmicas. Miíase primária: causada por larvas de Dermatobia hominis, associadas a ambientes rurais, causadas pela mosca berneira. Ocorrendo desde o méxico até a argentina. Os adultos tem tamanho médio, com pernas alaranjadas e abdome azul metálico. As larvas são chamadas de berne com fileiras de espinhos curvos. - Ciclo de vida: as moscas capturam insetos sugadores de sangue como mosquitos pernilongos, grudando as larvas e seus corpos, permanecendo nesse inseto até que ele se alimente de sangue de algum hospedeiro. Assim temos a transmissão da larva L1 nesse hospedeiros, se transformando em L2 e então L3, caindo no chão e se transformando em pupas, onde se desenvolvem até formar as novas moscas. - Lesão: lesão furuncular com nome de dermatobiose. Essas lesões são mais comum em áreas descobertas do corpo. Cada lesão tem apenas uma larva, e por conta da inflamação, gera a formação de uma secreção, que vai permitir a nutrição da larva. Teremos então prurido e dor, além da sensação de movimento do parasita. Essa lesão tende à cura, uma vez que a larva sai do tecido, mas pode. Acarretar uma infecção secundária. Um outro de miíase primária é a causada pela Cochliomyia hominovorax, causada pela mosca bicheira. Essas moscas tem tamanho médio de cor verde com reflexo azul metálico por todo o corpo, apresenta três faixas longitudinais e olhos vermelhos. As larvas. Apresenta ramos traqueais com pigmentação escura. Essas moscas depositam seus ovos diretamente nas feridas, assim as larvas conseguem se alimentar do hospedeiro por uma semana, até migrar para outros tecidos do corpo, gerando danos extremos. As larvas são atraídas pelo odor de orelha, boca, vagina ou outros ferimentos. A lesão causada por essas moscas geram ferida aberta, mau cheiro, presença de larvas na ferida, normalmente afetam olhos, nariz e garganta, causando dor e prurido e até mesmo a morte. Miíase secundária: não se alimentam de tecidos vivos, e geram lesões associadas a áreas necrosadas de ferimentos. O cochliomyia macellaria, lucilia sp., sarcophaga sp. e crysomyia são as espécies causadoras. As fêmeas depositam seus ovos em cadáveres. Essas moscas também podem ser utilizadas em terapias, por acelerar a cicatrização, além de serem importantes para a entomologia forense (tempo decorrido da morte). Diagnóstico: se baseia no aspecto da lesão e na existência de larvas (identificação pela morfologia do estigma respiratório). Tratamento: retirada das larvas com pinças, vaselina ou gases com éter sulfúrico, sendo colocado depois da remoção antibiótico tópicos. A ivermectina também pode ser usada na forma tópica ou oral, principalmente por infestações mais extensas. Profilaxia: envolve o combate às moscas com uso de inseticidas, telas nas janelas e mosqueteiros. Também devemos proteger a pele com o uso de roupas e repelente, além de trocar possíveis curativos de forma constante. Deve haver cuidado com a higiene pessoa (mosca é atraída pelo mal cheiro) Referência: -Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.