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HEMATOFÉRIAS 
LEUCOPOIESE 
 
- Os leucócitos (glóbulos brancos) podem ser divididos 
em: fagócitos, que medeiam a resposta imune inata; e 
linfócitos, que medeiam a resposta imune adaptativa. 
- Os fagócitos, então, subdividem-se em granulócitos 
(neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e monócitos, os quais 
são agranulócitos, juntamente com os linfócitos (T, B e 
NK); 
- A CTH (stemcell) inicialmente se diferencia em 2 tipos 
celulares progenitores multilinhagem ou “CFU” – 
Unidades Formadoras de Colônia: (1) um comprometido 
com a Linhagem Linfoide (linfócitos) (2) outro 
comprometido com a Linhagem Mieloide (granulócitos, 
eritrócitos, monócitos e megacariócitos). 
- Os progenitores multilinhagem se diferenciam em 
progenitores de linhagem única, os quais se destinam a 
produzir tipos celulares específicos. Qualquer uma 
dessas células pode sofrer uma transformação 
neoplásica, inviabilizando o processo fisiológico de 
maturação e resultando em proliferação e acúmulo de 
um “clone” (população de células indênticas). 
GRANULOPOIESE 
- Os granulócitos originam-se da célulatronco 
progenitora mieloide comum, que se diferencia em 
células progenitoras de granulócitos/ monócitos (GMPs) 
sob a influência de citocinas como GM-CSF, fator 
estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF) e IL-3. 
- O GM-CSF é uma citocina secretada pelas células 
endoteliais, células T, macrófagos, mastócitos e 
fibroblastos. Ela estimula as células GMP a produzir 
granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e 
monócitos. 
 
PRECURSORES DOS NEUTRÓFILOS 
- O mieloblasto é a célula precursora de neutrófilos mais 
inicialmente reconhecível microscopicamente na 
medula óssea. Tem um núcleo grande, esférico e 
cromático com 3 a 5 nucléolos, apresentando 
citoplasma basófilo e agranular; 
- Mieloblastos originam promielócitos, os quais têm um 
grande núcleo esférico com grânulos azurófilos 
(primários) no citoplasma. 
- Em seguida, originam-se os mielócitos, os quais já 
apresentam grânulos secundários/específicos. 
- Os mielócitos originam os metamielócitos, células que 
não mais se dividem, com núcleo em forma de ferradura 
e citoplasma rico em grânulos primários e secundários 
- Teoricamente, o estágio metamielocítico na 
granulopoese é seguido pelo estágio de bastão e, em 
seguida, pelo estágio segmentado. Embora esses 
estágios sejam evidentes na linhagem de neutrófilos, 
raramente ou nunca são observado na de eosinófilos e 
basófilos, nas quais os estágios são reconhecidos por 
eosinófilo madura e basófilo maduro, respectivamente. 
BASTONETES E SEGMENTADOS 
- Na linhagem de neutrófilos, a célula em bastão 
precede o desenvolvimento dos 1ºs lóbulos nucleares 
distintos; 
- O núcleo da célula em bastão é alongado e de largura 
quase uniforme, o que lhe confere um aspecto 
semelhante a ferradura. 
- As constrições nucleares então se desenvolvem nos 
neutrófilos em bastão e se tornam mais proeminentes até 
que 2 a 4 lóbulos nucleares sejam reconhecidos; a 
célula é então considerada um neutrófilo maduro, 
também denominada neutrófilo polimorfonuclear ou 
segmentado. 
Importante: Em geral, os precursores dos neutrófilos não 
aparecem no sangue periférico normal e estão 
presentes na medula óssea. As formas de neutrófilos 
entre metamielócitos e neutrófilo maduro são chamadas 
neutrófilos bastonados, “bastonetes” ou “bastões”. Eles 
estão presentes no sangue periférico e não apresentam 
separação filamentosa entre os lobos nucleares, 
observada nos neutrófilos maduros. 
PRECURSORES DOS MONÓCITOS 
- Os monócitos são produzidos na medula óssea a partir 
de uma célula-tronco GMP (mieloblasto). A progressão 
subsequente da linhagem de células progenitoras de 
monócitos (MoP) depende da presença dos fatores de 
transcrição PU.1 e Egr-1; além de IL-3 e GM-CSF. 
- O GM-CSF também controla a diferenciação 
subsequente em células maduras, que são, então, 
liberadas na circulação. 
- A transformação das MoP em monócitos leva cerca de 
55h, e os monócitos permanecem na circulação por 
apenas cerca de 16h antes de emigrarem para os 
tecidos onde se diferenciam sob a influência do GMCSF 
e do M-CSF em macrófagos teciduais. 
MONOCITOPOIESE 
- Os monócitos partilham suas células bipotentes com os 
neutrófilos: a CFU-GM passa por mitoses e dá origem a 
CFU-G e CFU-M, responsável pela linhagem de 
monócitos. 
- A diferenciação da CFU-M é estimulada pela IL-3, e a 
sua proliferação em monócitos resulta do estímulo da M-
CSF – fator estimulador de colônias de monócitos 
Arthur Rodrigues | @arthurnamedicina | Problema 02 
OBS: Quando o GM-CSF, IL-3 e Fator de crescimento da 
célula-tronco (SCF), em conjunto com a família dos 
fatores de necrose tumoral (TNF) atua no CFU-GM, esse 
origina a unidade formadora de colônia de monócitos e 
células dendríticas (CFUM/DC), que pode originar a 
linhagem das células dendríticas e dos macrófagos pelo 
seguinte mecanismo: 
*Diferenciação de células dendríticas: por ação 
integrada de GM-CSF, TNF, SCF e IL-4, o CFU-M/DC 
origina toda a linhagem de células dendríticas por 
proliferação, maturação e sobrevivência de seus 
precursores na medula óssea vermelha. Essa é 
considerada do tipo mieloide direta. 
*Diferenciação de macrófagos: por ação integrada do 
GM-CSF, M-CSF e da IL-3, o CFU-M/DC origina uma 
célula monoblástica que continua as etapas de 
maturação sob o comando desse mesmo padrão de 
citocinas. Além disso, se o monócitos for influenciado 
pela ação integrada do GM-CSF, M-CSF e IL-3 irá 
originar as células dendríticas por via de maturação 
mieloide indireta. 
 
- Um grande número de bastonetes e neutrófilos 
segmentados é mantido na medula óssea (10 a 15x o 
número total no sangue) como uma “Reserva 
Granulocítica Medular”. Em geral, a medula óssea 
contém mais células mieloides que eritroides, onde 
predominam neutrófilos e metamielócitos. Após a 
liberação da medula óssa, os granulócitos permanecem 
somente de 6 a 10 horas na circulação antes de 
migrarem aos tecidos para desempenhar função 
fagocitária. Nos tecidos, permanecem de 4 a 5 dias, até 
serem destruídos durante a ação defensiva ou por 
senescência. Na corrente sanguínea, os neutrófilos se 
distribuem em 2 compartimentos (pools): (I) Pool 
Circulante (incluído nas contagens expressas no 
hemograma) e (2) Pool Marginante (o qual não 
aparece). 
 
Curiosidade: Essa reserva da medula óssea 
constantemente libera neutrófilos na circulação e é 
reposta por células em maturação. Os neutrófilos de 
reserva podem ser liberados abruptamente em resposta 
à inflamação, à infecção ou ao exercício extenuante. 
PROCESSO DE LEUCOPOIESE DA LINHAGEM MIELOIDE 
- célula-tronco hematopoiética (CHT) > (CFU-BLAST). 
- CFU-BLAST, por ação da IL-1, IL-3, IL-6, IL-11, 
trombopoetina e fator de crescimento de célula-tronco 
(SCF), secretados pelas células do estroma da medula 
óssea vermelha ou glóbulos brancos maduros, 
diferencia-se em um precursor mieloide comum. 
- Pela ação do fator estimulante de colônias 
granulócito-macrofágicas (GM-CSF), IL3 e SCF, a célula 
precursora mieloide comum se diferencia em 
pluripoetina (CFU-GEMM); 
- CFU-GEMM (GM-CSF, SCF e IL-3) 
- Origina a Unidade Formadora de Colônias de 
Eosinófilos (CFU-Eo), que sob ação conjunta e integrada 
do GM-CSF, IL-3 e IL-5 (fundamental para a maturação 
da linhagem eosinofílica), forma o mieloblasto 
comprometido com a maturação dos eosinófilos -Esse 
mieloblasto, também pela ação conjunta do GM-CSF, 
IL-3 e IL-5, origina em sequência os esinófilos-mielócitos, 
eosinófilos metamielócitos, eosinófilos bastonetes e, por 
fim, por amplificação da sinalização celular de IL-5, 
forma o eosinófilo maduro. 
- A IL-5 além de fundamental na maturação e 
desenvolvimento dos eosinófilos, atua no recrutamento e 
em sua ativação para os sítios de infecção por parasitas 
hemínticos ou para o desencadeamento de reaçõesalérgicas 
CFU-GEMM (Il-3 e SCF) 
- Origina a Unidade Formadora de Colônias de Basófilos 
(CFU-Bas) - Neste estágio, por ação exclusiva da IL3, 
que atua tanto como proliferadora de célulastronco 
hematopoiéticas (CHT) como de progenitores mieloides 
comuns e da linhagem basofílica, transforma o CFU-Bas 
em mieloblasto comprometido na maturação de 
basófilos; 
- Esse mieloblasto, ainda por ação única da IL-3, forma o 
basófilo-mielócito, basófilo metamielócito, basófilos 
bastonetes e, por fim, o basófilo circulante maduro; -A 
mesma ação conjunta e integrada da IL-3 e do SCF 
origina, ao lado do CFU-Bas, a Unidade Formadora de 
Colônias de Mastócitos (CFU-Mast) que, por ação 
contínua da IL-3 e SCF, forma o mastócito maduro; 
CFU-GEMM (GM-CSF e IL-3) 
- Origina a Unidade Formadora de Colônias de 
Granulócitos e Monócitos (CFU-GM) que, sob influência 
de diversas citocinas e fatores de crescimento, origina a 
linhagem dos neutrófilos, células dendríticas e 
macrófagos 
CFU-GM (GM-CSF, IL-3 e SCF) 
- Diferencia-se na Unidade Formadora de Colônias de 
Granulócitos (CFU-G), que, por ação exclusiva e 
integrada do GM-CSF e GCSF, forma uma célula 
mieloblástica comprometida com a linhagem dos 
neutrófilos, formando, em seguida, o neutrófilo-
mielócito, neutrófilo-metamielócito, neutrófilo bastonete 
e, por fim, o neutrófilo maduro; 
CFU-GM (GM-CSF, IL-3, SCF e Família dos fatores de 
necrose tumoral – TNF) 
- Diferencia-se na Unidade Formadora de Colônias de 
Monócitos e Células Dendríticas (CFU-M/DC); este, por 
sua vez, pode originar a linhagem das células 
dendríticas e dos macrófagos. 
Diferenciação de Células Dendríticas 
-Por ação integrada do conjunto GMCSF, TNF, SCF e IL-
4, o CFU-M/DC origina toda a linhagem de células 
dendríticas por proliferação, maturação e sobrevivência 
de seus precursores na medula óssea vermelha; 
- Essa via de maturação é considerada do tipo mieloide 
direta; 
Diferenciação de Macrófagos 
- Por ação integrada do conjunto GMCSF, M-CSF e da 
IL-3, o CFU-M/DC origina uma célula monoblástica que 
continua as etapas de maturação sob o comando 
desse mesmo padrão de citocinas, formando em 
seguida o pró-monócito, o monócito e, por fim, o 
macrófago; 
- Entretanto, se o monócito for influenciado pela ação 
integrada do GM-CSF, TNF, CSF e IL-4, mas não do 
conjunto GMCSF, M-CSF e IL-3, irá originar as células 
dendríticas por via de maturação mieloide indireta; 
FATORES QUE ESTIMULAM O CRESCIMENTO MIELOIDE 
- Fator estimulante de colônias granulocíticas-
macrofágicas (GM-CSF)/ Pluripoetina: é uma citocina 
secretada pelas células endoteliais, células T, 
macrófagos, mastócitos e fibroblastos. Ela estimula as 
células progenitoras de granulócitos/monócitos (GMPs) 
a produzir granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e 
basófilos) e monócitos. 
- Fator estimulante de colônias granulocíticas (G-CSF): 
Produzido por células endoteliais e monócitos; 
- Fator estimulante de colônias monocíticas (M-CSF): 
produzido por monócitos, macrófagos, células 
endoteliais e adventícias; 
- IL-3: produzida por macrófagos e células mieloides. 
Estimula, as células progenitoras de 
granulócitos/monócitos a se diferenciarem nos demais 
tipos celulares da linhagem mieloide. 
- IL-5: as células progenitoras de granulócitos/monócitos 
(GMPs), quando induzidas pelo GM-CSF, pela IL-3 e pela 
IL-5, diferenciam-se em células progenitoras de 
eosinófilos (EoP), e, finalmente, amadurecem, tornando-
se eosinófilos. OBS: A falta de IL-5 faz com que as células 
GMP se diferenciam em células progenitoras de 
basófilos (BaP) 
- IL-6: Produzida por células endoteliais, neutrófilos, 
macrófagos, células T. Atua sinergicamente com a IL-2 e 
IL-3, estimulando a formação de células progenitoras de 
granulócitos/monócitos (GMPs). 
- IL-11: produzida por macrófagos, células estromais e 
fibroblastos pulmonares. Atua sinergicamente com a IL-
3. 
- Os fatores de crescimento estimulam a proliferação e 
diferenciação das células precursoras da 
granulopoiese, bem como afetam a função das células 
maduras já formadas sobre as quais agem, aumentando 
as funções de fagocitose, geração de superóxido e 
citotoxicidade aos neutrófilos, e aumentando a 
fagocitose, citotoxicidade e produção de citocinas aos 
monócitos. 
FATORES QUE INIBEM O CRESCIMENTO MIELOIDE 
- Prostaglandinas (PGE1 e PGE2): Já a prostaglandina, ao 
contrário, tem efeito estimulador. Essas prostaglandinas 
são secretadas por macrófagos no estroma medular 
- Interferon, ferretinas, lactoferrina e transferrina: 
também exercem efeitos inibitórios. Vale lembrar que a 
lactoferrina é uma glicoproteína presente nas 
granulações específicas dos neutrófilos maduros. Nesse 
sentido, as substâncias supracitadas atuam inibindo a 
produção e/ou liberação de GM-CSF produzida pelos 
macrófagos. 
Importante: A celularidade da medula óssea é um dos 
fatores mais importantes na avaliação da função da 
medula óssea, a qual é semiquantitativa e representa a 
relação entre as células hematopoiéticas e os 
adipócitos. A avaliação mais confiável da celularidade 
é obtida pela biopsia de medula óssea. Ressalta-se que 
a celularidade de medula óssea se altera com a idade. 
Desse modo, temos: (1) medula óssea normocelular; (2) 
hipocelular (anemia aplásica) e (3) hipercelular (tumores 
na MO). 
DEGRADAÇÃO 
- meia vida dos neutrófilos: cerca de 6 a 8h; 
- Os neutrófilos deixam o sangue aleatoriamente, isto é, 
um determinado neutrófilo pode circular por apenas 
alguns minutos ou por até 16h antes de entrar no TC 
perivascular (uma meia-vida medida dos neutrófilos 
humanos circulante é de apenas 8 a 12h); 
- Os neutrófilos vivem por 1 a 2 dias no TC, após o que 
são destruídos por apoptose e subsequentemente 
engolfados pelos macrófagos. Além disso, grandes 
números de neutrófilos são perdidos pela migração para 
o interior da luz do trato gastrointestinal a partir do qual 
são eliminados pelas fezes; 
LEUCÓCITOS 
- Os leucócitos são 
subclassificados em 2 grupos 
gerais. A base para essa 
classificação consiste na 
existência ou não de grânulos 
específicos no citoplasma. As células que contêm 
grânulos específicos são classificadas em granulócitos 
(neutrófilos, eosinófilos e basófilos), enquanto as células 
que não contêm os grânulos são classificados em 
agranulócitos (linfócitos e monócitos). Contudo, tanto os 
agranulócitos quanto os granulócitos contêm um 
pequeno número de grânulos azurófilos inespecíficos, 
presentes no citoplasma de lisossomos. 
NEUTRÓFILOS 
- São células fagocíticas maiores que as hemácias, 
sendo os leucócitos mais abundantes (50-70% do total) -
São denominados “neutrófilos” em virtude da ausência 
de coloração citoplasmática característica, mas são 
facilmente identificados pelos seus núcleos 
multilobulares, ou seja, um núcleo 
segmentado constituído por 2 a 4 lobos 
conectados por finos filamentos de 
material nuclear - Devido ao seu núcleo 
segmentado, os neutrófilos são 
também chamados de leucócitos polimorfonucleares - 
Sua cromatina exibe um arranjo característico. Regiões 
amplas de heterocromatina estão localizadas 
principalmente na periferia do núcleo, em contato com 
o envoltório nuclear. As regiões de eucromatina estão 
localizadas principalmente no centro do núcleo - O 
citoplasma do neutrófilo contém 3 tipos de grânulos. 
Grânulos Azurófilos (Primários) 
- São maiores e menos numerosos. Originam-se, 
inicialmente, na granulopoiese e ocorrem em todos os 
granulócitos, bem como em monócitos e linfócitos - São 
os lisossomos do neutrófilo e contêm mieloperoxidase 
(MPO), a qual ajuda a produzir hipoclorito bactericida 
altamente reativo e cloraminas - Além disso, contêm 
uma variedade de hidrolases ácidas típicas, defensinas 
(proteínas catiônicas) – que funcionam analogamente 
aos anticorpos – e catelicidina (peptídeo 
antimicrobiano), para destruir os patógenos.Grânulos Específicos (Secundários) 
- São os menores grânulos e cerca de 2x mais numerosos 
que os grânulos azurófilos - Contém várias enzimas, tais 
como: colagenase do tipo IV e fosfolipase; ativadores 
do sistema complemento; e outros peptídeos 
antimicrobianos (lisozimas, lactoferrinas). 
Grânulos Terciários 
-S ão de 2 tipos: (1) Fosfassomos, que contém as 
fosfatases (enzimas que removem o grupo PO4 2- dos 
substratos) (2) Metaloproteinases, como as gelatinases e 
colagenases, que parecem facilitar a migração do 
neutrófilo através do TC 
Função 
- Os neutrófilos são células fagocíticas que geralmente 
ingerem e matam de 5 a 20 bactérias durante a sua 
curta vida útil programada de 1 a 2 dias - A maioria dos 
neutrófilos permanece no sangue, mas podem sair da 
circulação se forem atraídos para um local 
extravascular de dano ou infecção - Além de ingerirem 
bactérias e partículas estranhas, os neutrófilos liberam 
várias citocinas, incluindo pirógenos causadores da 
febre (IL-1) e mediadores químicos inflamatórios. 
Mecanismo 
1. A fase inicial da imigração dos neutrófilos ocorre nas 
vênulas pós-capilares e é regulada por um mecanismo 
que envolve o reconhecimento do neutrófilo pela célula 
endotelial 
*As selectinas (molécula de adesão celular) na 
superfície do neutrófilo circulante (CD62L) interagem 
com receptores na superfície das células endoteliais. 
*Os neutrófilos tornam-se parcialmente presos à célula 
endotelial como resultado dessa interação, que faz com 
que o neutrófilo role sobre a superfície do endotélio 
2. Na 2ª fase, outro grupo de moléculas de adesão na 
superfície dos neutrófilos, chamado integrinas (VLA-5), é 
ativado por sinais das quimiocinas das células 
endoteliais. 
3. Na 3ª fase, as integrinas e as outras moléculas de 
adesão (molécula de adesão intercelular-1: ICAM-1; 
moléculas de adesão das células vasculares-1: VCAM-
1) se engajam em seus receptores específicos. 
*O neutrófilo então estende pseudópodes até uma 
junção intercelular, o que ocorre devido a liberação de 
histamina e heparina por mastócitos perivasculares. 
*Uma vez que o neutrófilo entra no TC, a migração 
adicional até o local da lesão é direcionada por um 
processo denominado quimiotaxia, a ligação de 
moléculas quimioatraentes e as proteínas na matriz 
extracelular a receptores específicos na superfície do 
neutrófilo. 
- Ao chegar no local da lesão, o neutrófilo deve, 
primeiramente, reconhecer as substâncias estranhas 
antes que a fagocitose possa ocorrer. Para isso, os 
neutrófilos têm uma variedade de receptores em sua 
membrana celular - Alguns desses microrganismos e 
agentes se ligam diretamente aos neutrófilos (sem exigir 
modificações de superfície), enquanto outros devem ser 
opsonizados (revestidos com anticorpos ou 
complemento) para torná-los mais atraentes ao 
neutrófilo. 
- Os receptores mais comumente utilizados à fagocitose 
são: (1) Receptores Fc: ligam-se à região Fc exposta dos 
anticorpos IgG que revestem as superfícies bacterianas 
(2) Receptores de complemento: facilitam a ligação e a 
captação de complexos imunes que são opsonizados 
pela proteína do complemento C3 ativa, a C3b (3) 
Receptores de varredura (SR): glicoproteínas 
transmembrana que se ligam às formas modificadas do 
LDL (4) Receptores Toll-like (receptores de 
reconhecimento padrão – PRR): reconhecem moléculas 
patogênicas como as endotoxinas, lipopolissacarideos, 
peptidoglicanas e ácidos lipoteicoicos 
FAGOCITOSE 
- A fagocitose começa quando o neutrófilo reconhece 
e se liga ao antígeno. 
- Os pseudópodes estendidos do neutrófilo engolfam o 
antígeno e o internalizam para formar um fagossomo. Os 
grânulos específicos e azurófilos fundem-se à 
membrana do fagossomo, e as hidrolases lisossômicas 
dos grânulos azurófilos digerem o material estranho. 
*Durante a fagocitose, a utilização de glicose e de 
oxigênio do neutrófilo aumenta e é referida como 
explosão respiratória. Isso resulta na síntese de diversos 
compostos contendo oxigênio chamados intermediários 
de oxigênio reativo (ROI). Eles incluem radicais livres 
como os radicais de oxigênio e hidroxila que são 
utilizados na imobilização e morte das bactérias vivas 
dentro dos fagolisossomos 
- O processo pelo qual os microrganismos são mortos 
dentro dos neutrófilos é denominado morte intracelular 
dependente de oxigênio. Em geral, 2 vias bioquímicas 
estão envolvidas nesse processo: a 1ª delas é o sistema 
fagócito-oxidase (phox), que utiliza o complexo da 
NADPH oxidase na membrana do fagolisossomo; a 2ª 
está associada à enzima lisossômica mieloperoxidase 
(MPO), encontrada nos grânulos azurófilos dos 
neutrófilos. 
- Além das reações de explosão respiratória 
dependente de oxigênio, os microrganismos podem ser 
mortos por enzimas bacteriolíticas e peptídeos 
antimicrobianos catiônicos que estão armazenados nos 
grânulos do citoplasma dos neutrófilos. 
- Esses mecanismos de morte independentes de 
oxigênio são direcionados para a membrana celular 
bacteriana, causando sua ruptura e extravasamento. As 
principais proteínas antimicrobianas catiônicas nos 
neutrófilos são as defensinas e peptídios antimicrobianos 
denominados catelicidinas 
*Esses mecanismos não são tão eficientes quanto as vias 
de morte dependentes de oxigênio. Por isso, por causa 
da baixa eficiência desses processos, os indivíduos com 
esses defeitos são mais suscetíveis a infecções graves 
- Após a digestão intracelular pelo neutrófilo, os 
remanescentes do material degradado são 
armazenados em corpos residuais ou exocitados. A 
maioria dos neutrófilos morre nesse processo; o acúmulo 
de bactérias mortas e de neutrófilos mortos constitui o 
exsudato espesso denominado pus. 
EOSINÓFILOS 
- grânulos corados de rosa. 
- núcleos bilobulares. 
- Estão associados à 
parasitoses e reações 
alérgicas. 
- apenas 1-3% do total de 
leucócitos. 
- duração 6 a 12 horas no 
sangue. 
- A maioria dos eosinófilos funcionais é encontrada no 
trato digestório, pulmões, epitélios genital e urinário e no 
tecido conectivo da pele. Essa localização reflete o seu 
papel na defesa do organismo contra invasoras 
parasitos 
Grânulos Azurófilos 
- São lisossomos - Contêm uma variedade de hidrolases 
ácidas lisossômicas e outras enzimas hidrolíticas que 
funcionam na destruição dos parasitos e na hidrólise dos 
complexos antígeno-anticorpo internalizados pelos 
eosinófilos. 
- Associam-se às reações alérgicas, às infecções 
parasitárias e à inflamação crônica 
Grânulos Específicos 
- São numerosos, grandes e alongados. possuem 4 
proteínas principais: (1) Proteína Básica Maior (MBP), rica 
em arginina, responsável pela intensa acidofilia do 
grânulo (2) Proteína Catiônica dos Eosinófilos (ECP) (3) 
Peroxidase dos Eosinófilos (EPO) (4) Neurotoxina 
Derivada dos Eosinófilos (EDN) 
- As MBP, ECP e EPO têm um forte efeito citotóxico sobre 
os parasitas protozoários e helmínticos; a EDN causa 
disfunção do SN em microrganismos parasitários 
- Além disso, os grânulos específicos contêm histaminase 
(neutraliza a atividade da histamina), arilsulfatase 
(neutraliza os leucotrienos secretados pelos basófilos e 
mastócitos), colagenase e catepsinas 
Função 
- Os eosinófilos se desenvolvem e amadurecem na 
medula óssea; e assim que são liberados, circulam no 
sangue periférico e, em seguida, migram ao TC. Lá, são 
ativados pelas interações com anticorpos IgG, IgA ou 
IgA secretora 
- Como matam os patógenos, eles são classificados 
como células citotóxicas. Também participam de 
reações alérgicas, nas quais eles contribuem para 
inflamação e dano tecidual por liberarem enzimas 
tóxicas, substâncias oxidativas e a neurotoxina derivada 
de eosinófilo. 
- A liberação de arilsulfatase e da histaminase pelos 
eosinófilos nos locais de reação alérgica modera os 
efeitos potencialmente prejudiciais dos mediadores 
inflamatóriosvasoativos. 
BASÓFILOS 
- granulócitos – grânulos basofílicos – 
Desenvolvem na medula óssea, 
compartilhando muitas 
características com os mastócitos. 
- menos de 0,5-1% dos leucócitos. 
- compartilhando uma célula 
precursora comum com os mastócitos, e são liberados 
na circulação sanguínea. 
- características similares aos mastócitos, tais como: 
grânulos secretores basofílicos, com capacidade de 
secretar mediadores inflamatórios semelhantes e 
receptores Fc de alta afinidade para anticorpos IgE. 
- São raramente encontrados no sangue periférico e nos 
tecidos, transformam-se em mastócitos. Além disso, uma 
proteína denominada CD40L é expressa na superfície do 
basófilo. 
- A CD40L interage com um receptor complementar 
(CD40) nos linfócitos B que aumenta IgE. 
- Participam nas reações alérgicas e juntamente com os 
mastócitos teciduais, liberam de seus grânulos 
histamina, heparina (anticoagulante), heparansulfato e 
outros mediadores inflamatórios. Ao contrário dos 
mastócitos, não produzem a prostaglandina D2 (PGD2) 
nem a IL-5. 
- Os mastócitos estão concentrados no tecido conectivo 
da pele, pulmões e trato gastrointestinal. situados de 
forma ideal para interceptar os patógenos que são 
inalados ou ingeridos, ou aqueles que entram de 
rupturas na epiderme. 
Grânulos Azurófilos Inespecíficos 
- São os lisossomos dos basófilos e contêm uma 
variedade de hidrolases ácidas lisossômicas 
Grânulos Específicos 
- Contêm heparina, histamina, heparansulfato, 
leucotrienos, IL-4 e IL-13. A heparina é anticoagulante; 
a histamina e o heparansulfato são agentes vasoativos 
(vasodilatação). Os leucotrienos são lipídios modificados 
que desencadeiam a constrição prolongada dos 
músculos lisos nas vias respiratórias pulmonares. A IL-4 e 
a IL-13 promovem a síntese de anticorpos IgE. A basofilia 
desses correlaciona-se com a alta concentração de 
sulfato nas moléculas de glicosaminoglicana da 
heparina e do heparansulfato. 
Função 
- Tanto mastócitos quanto basófilos se ligam aos 
anticorpos IgE liberados pelo plasmócito por meio de 
receptores Fc de alta afinidade para IgE. 
- A exposição subsequente ao antígeno (alérgeno) 
específico para a IgE desencadeia a ativação de 
mastócitos e basófilos e subsequente liberação de 
agentes vasoativos nos grânulos celulares – Geram 
hipersensibulidade relacionada à anafilaxia. 
MONÓCITOS 
- precursoras dos macrófagos (1- 6% leucócitos). 
- Levam cerca de 8h no trânsito da medula óssea até 
suas posições permanentes nos tecidos. 
- Os lisossomos do macrófago, juntamente com os 
prolongamentos citoplasmáticos superficiais, são as 
estruturas mais indicativas da capacidade fagocítica da 
célula. O macrófago também pode conter vesículas 
endocíticas, fagolisossomos e outras evidências de 
fagocitose (corpos residuais) - O RER, o REL e o complexo 
de golgi dão suporte à síntese de proteínas envolvidas 
nas funções fagocíticas e digestivas da célula, bem 
como em suas funções secretoras. 
- Alguns são móveis (ameboide) e outros fixos. Também 
removem partículas maiores, como eritrócitos velhos e 
neutrófilos mortos. - Têm um papel muito importante no 
desenvolvimento da imunidade adquirida, uma vez que 
eles são células apresentadoras de antígenos. 
Função 
- A secreção regulada pode ser ativada por fagocitose, 
complexos imunes, complemento e sinais dos linfócitos. 
- Os produtos secretores incluem uma grande variedade 
de substâncias relacionadas com a resposta imune, 
anafilaxia e inflamação. 
- Além disso, depois que um macrófago ingere e digere 
antígenos moleculares ou celulares, ele pode inserir 
fragmentos do antígeno processado em sua membrana, 
de modo que o fragmento do antígeno se torna parte 
de complexas proteínas de superfície. 
- Desse modo, estes fragmentos dos antígenos são 
apresentados aos linfócitos TCD4+ por meio de 
moléculas do (MHC II). 
- Quando os macrófagos encontram grandes corpos 
estranhos, eles podem se fundir para formar uma célula 
grande, com até 100 núcleos, que engolfa o corpo 
estranho. 
PROCESSO INFECCIOSO 
- Nesse processo as células de defesa tentam combater 
os microrganismos, o que normalmente dá origem ao 
aparecimento de pus além de outros sintomas. 
1. Os microrganismos podem entrar no hospedeiro 
rompendo as superfícies epiteliais, por inalação, 
ingestão ou transmissão sexual 
2. Enquanto alguns microrganismos permanecem 
localizados no sítio inicial da infecção, outros possuem a 
capacidade de invadir tecidos e se espalhar para locais 
distantes via linfáticos, sangue ou nervos. 
3. As consequências da propagação dos patógenos via 
hematogênica variam dependendo da virulência do 
organismo, da magnitude da infecção, do padrão de 
colonização e dos fatores do hospedeiro, tais como o 
estado imunológico. 
RESPOSTA INATA 
 
 
 
 
 
 
 
 
BACTÉRIAS INTRACELULARES - AGUDA 
NEUTRÓFILOS ↑ EOSINÓFILOS ↓ 
- primeiramente ativação do complemento, seguida de 
fagocitose e resposta inflamatória; 
- A ativação do complemento segue pela via 
alternativa, ativada por peptideoglicanos das paredes 
celulares bacterianas (em positivas) e pelo LPS em 
negativas. 
- Os fagócitos que atuam são os neutrófilos e os 
macrófagos que reconhecem as bactérias a partir de 
receptores de manose e scavengers, além do receptor 
Fc em bactérias opsonizadas. Esses receptores ativam os 
Toll-Like (TLR) que estimulam a atividade fagocítica 
dessas células. 
- Em adição, as células dendríticas e os fagócitos que 
são ativadas pelos microrganismos secretam citocinas 
(IL-1, IL-6 e IL-8) que induzem a infiltração leucocitária 
nos locais de infecção (inflamação). Os leucócitos 
recrutados ingerem e destroem as bactérias. 
BACTÉRIAS EXTRACELULARES 
NEUTRÓFILOS ↑ EOSINÓFILOS ↑ 
- Resposta mediada principalmente por fagócitos e por 
células NK. 
- As bactérias extracelulares ativam as células NK por 
induzir a expressão de ligantes de ativação de células 
NK em células infectadas e pela estimulação da 
produção de IL-12 e IL-15 pelas células dendríticas e 
macrófagos e ambas são citocinas ativadoras da célula 
NK. 
- As células NK produzem IFN-γ, que por sua vez ativa os 
macrófagos e promove a morte da bactéria fagocitada. 
Assim, as células NK proporcionam uma defesa inicial 
contra estes microrganismos, antes do desenvolvimento 
da imunidade adaptativa. 
VÍRUS 
MONÓCITOS ↑ NK↑ 
- Os principais mecanismos de imunidade inata contra 
os vírus são a inibição da infecção por interferons do tipo 
I e a destruição das células infectadas mediada pelas 
células NK. 
- Os interferons tipo I têm a função de inibir a replicação 
viral em ambas as células infectadas e não infectadas. 
- As células NK destroem outras células infectadas por 
uma variedade de vírus e são um importante 
mecanismo de imunidade contra os vírus no início do 
curso da infecção, antes das respostas imunes 
adaptativas terem se desenvolvido. A expressão do de 
MHC de classe I é muitas vezes desligada nas células 
infectadas por vírus como um mecanismo de fuga dos 
CTLs (linfócito T citotóxico). Isso permite que as células NK 
destruam as células infectadas porque ausência da 
molécula de classe I libera as células NK de um estado 
normal de inibição 
FUNGOS 
MONÓCITOS ↑ 
- Os principais mediadores da imunidade inata contra 
fungos são os neutrófilos e macrófagos. Os pacientes 
com neutropenia são extremamente suscetíveis a 
infecções por fungos oportunistas. Os fagócitos e células 
dendríticas reconhecem os organismos fúngicos através 
dos TLRs e dos receptores do tipo lectina chamados 
dectinas. Os neutrófilos presumivelmente liberam 
substâncias fungicidas, tais como as espécies reativas 
de oxigênio e enzimas lisossomais e fagocitam os fungos 
para a morte intracelular. As cepas virulentas de 
Cryptococcus neoformans inibem a produção de 
citocinas, tais como o TNF e a IL-12 por macrófagose 
estimulam a produção de IL-10, inibindo assim a 
ativação dos macrófagos 
PROTOZOÁRIOS 
MONÓCITOS ↑ 
- A principal resposta da imunidade inata aos 
protozoários é a fagocitose, mas muitos desses parasitas 
são resistentes à fagocitose e podem se replicar mesmo 
dentro de macrófagos. 
- Alguns protozoários expressam moléculas de superfície 
que são reconhecidas por TLRs e ativam os fagócitos. As 
espécies de Plasmodium (o protozoário responsável 
pela malária), o Toxoplasma gondii (o agente que 
causa a toxoplasmose), e espécies de Cryptosporidium 
(o principal parasita que causa a diarreia em pacientes 
infectados pelo HIV), todos expressam lipídios glicosil 
fosfatidilinositol que podem ativar TLR2 e TLR4. 
HELMINTOS 
EOSINÓFILOS ↑ 
- Os Eosinófilos podem atacar os parasitas helmintos e 
secretar substâncias microbicidas para matar 
organismos que são muito grandes para serem 
fagocitados. No entanto, muitos helmintos possuem 
tegumentos espessos que os tornam resistentes aos 
mecanismos citocidas de neutrófilos e macrófagos, e 
que são muito grandes para serem ingeridos pelos 
fagócitos. 
- Alguns helmintos podem ativar a via alternativa do 
complemento, embora, parasitas obtidos de 
hospedeiros infectados parecem ter desenvolvido 
resistência à lise mediada pelo complemento. 
DESVIOS 
1) À esquerda: 
 
- aumento de células imaturas brancas, células 
liberadas pelo compartimento de reserva medular 
(CRM) (ocorre nas infecções bacterianas, mas pode 
acontecer nas doenças virais – neutropenia com desvio 
à esquerda) ou nas leucemias. 
- Em condições fisiológicas, as células encontradas no 
sangue periférico são apenas neutrófilos segmentados 
(40-70%) e, no máximo, 1-5% de neutrófilos bastonetes. 
- Dessa forma, no intuito de atender à demanda pela 
infecção, as células do CRM alcançam o 
compartimento vascular periférico. Porém, apenas se o 
desvio à esquerda vier acompanhado de leucocitose 
(em geral neutrofílica) é indicativo de infecção. 
- Em alguns casos, o desvio à esquerda é tão intenso que 
pode haver leucocitose acentuada com o 
aparecimento de mieloblastos no sangue periférico 
(reação leucemoide). Este processo simula um processo 
proliferativo maligno (Leucemia Mieloide Crônica). 
- Como diferenciar a Reação Leucemoide da LMC? As 
células maduras da Leucemia Mieloide Crônica 
apresentam anomalias, como a deficiência da enzima 
fosfatase alcalina. Logo, a coloração da fosfatase 
alcalina se torna um diagnóstico diferencial entre a 
reação leucemoide e a LMC. 
2) Desvio à esquerda escalonado. 
- Corresponde à reação ao processo infeccioso, ou seja, 
com proporção de células maduras maior que células 
jovens, refletindo a hierarquia que ocorre na produção 
dos neutrófilos. 
- Escalonamento: Bastonetes > metamielócitos > 
mielócitos 
3) Desvio à esquerda não-escalonado. 
- Traduz, fisiopatologicamente, a liberação de 
granulócitos jovens. 
4) Desvio à direita (fisiológico): 
- Também conhecido como neutrófilos 
hipersegmentados, caracterizado pela presença de 
mais de 3% de neutrófilos com 5 ou mais lóbulos, ou mais 
de 1% com 6 ou mais lóbulos - Principais causas: Anemia 
Megaloblástica, Infecções crônicas, Insuficiência Renal 
Crônica, uso de altas doses de corticoides, 
Mielodisplasia, Medicamentes (Hidroxiureia). 
HIATO LEUCÊMICO 
- aspecto especial da fórmula leucocitária na leucemia 
aguda, que se caracteriza pela ausência de formas 
intermediárias entre os mieloblastos e os neutrófilos 
adultos. Também pode ser caracterizado pela presença 
de blastos e células maduras sem a presença dos 
precursores intermediários. 
REAÇÃO LEUCEMÓIDE 
- leucocitose excessiva, geralmente caracterizada pela 
presença de células imaturas (mieloblastos, 
promielócitos e mielócitos) no sangue periférico. 
- Condições associadas: Infecções Graves e Crônicas, 
Hemólise Intensa e Câncer Metastático. Costumam ser 
muito intensas em crianças. 
- Na reação leucemoide, o processo reacional simula, 
até certo ponto, um processo proliferativo maligno 
(leucemia). As anormalidades desaparecem quando a 
condição subjacente é corrigida. Desse modo, torna-se 
difícil distinguir uma reação leucemoide granulocítica 
de uma leucemia mieloide crônica. Em ambos os casos, 
temos células morfologicamente semelhantes. 
- A coloração da fosfatase alcalina é utilizada para 
diferenciar o diagnóstico, pois as células maduras da 
Leucemia Mieloide Crônica (LCM) apresentam 
deficiência desta enzima. 
- Em analogia à reação leucemoide granulocítica, 
pode-se denominar a reação leucemoide linfocítica e 
monocítica às linfocitoses e monocitoses reacionais mais 
intensas que surgem em decorrência de infecções virais 
ou mesmo bacterianas. Além das infecções, alguns 
tumores secretores de agentes estimulantes da 
granulocitopoese e linfopoiese também provocam 
secundariamente essas reações. Nesse caso, sendo 
uma reação paraneoplásica. Além disso, agentes físicos, 
como as radiações, parasitas ou cânceres ao nível da 
medula óssea, podem modificar profundamente as 
condições de desenvolvimento normal das células 
presentes na medula óssea e, por conseguinte, 
repercutir de modo negativo sobre o contingente de 
células circulantes. 
LEUCOGRAMA 
- Compreende as contagens global e diferencial dos 
leucócitos; além da avaliação morfológica do 
esfregaço sanguíneo ao microscópio. 
- O adulto apresenta, aproximadamente, entre 5000-
10.000 leucócitos por mm3 de sangue, em condições 
fisiológicas. 
- Está indicado no diagnóstico e acompanhamento dos 
processos infecciosos, inflamatórios, alérgicos, tóxicos e 
neplásicos. 
- Os valores de referência para leucócitos totais e para 
os diferentes tipos leucocitários variam com a idade. 
Crianças costumam apresentar contagens globais mais 
altas, com porcentagens relativas de linfócitos 
superiores às dos adultos, diferença esta que tende a 
desaparecer após a puberdade. 
- O número global de leucócitos é alto no recém-
nascido, e começa a cair no fim de 2 ou 3 dias. 
- Compartimento Mitótico Medular (CMM): células da 
linhagem mieloide formadas até o mielócito, ou seja, 
aquelas que vieram d mitose e não realizam fagocitose. 
- Compartimento de Reserva Medular (CRM): s células 
que vão desde os metamielócitos aos leucócitos 
segmentados. A existência do CRM é de vital 
importância para a linhagem de célula branca, pois 
diferentemente dos eritrócitos, os granulócitos e 
monócitos vivem apenas poucas horas. Quando os 
leucócitos chegam à circulação sanguínea periférica, 
podem se comportar de 2 maneiras: 
*Compartimento Leucocitário Circulante (CLC): que 
ocupa a circulação sanguínea propriamente dita 
*Compartimento Leucocitário Marginal (CLM): quando 
se encontra aderido às paredes do endotélio. Nesse 
caso, os leucócitos no CLM não são determinados ou 
mensurados pelo hemograma, porém, diante de uma 
infecção vigente, podem retornar ao compartimento 
circulante. 
- Estes 2 compartimentos sempre se encontram em 
renovação constante. 
- Em situações de jejum e repouso, os leucócitos 
ocupam o compartimento marginal na circulação 
sanguínea; porém, fatores como: alimentação, 
exercício físico e situações de estresse orgânico ou 
psicológico podem fazer com que o leucograma de um 
indivíduo em condições fisiológicas, apresente-se com 
leucocitose fictícia *Qual a explicação disto? Estas 
situações cursam, de um modo geral, com a liberação 
de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e adrenalina, 
que impedem a marginação dos leucócitos. 
Importante: Período gestacional e leucocitose 
neutrofílica e desvio à esquerda: o período gestacional 
pode provocar leucocitose crescente por neutrofilia 
(leucocitose neutrofílica), com aumento do número de 
neutrófilos segmentados e bastonetes, aliado à queda 
significativa do número de linfócitos (linfocitopenia). Essa 
neutrofilia de neutrófilos segmentados na gestantegarante o desenvolvimento seguro do feto, 
protegendo-o contra infecções durante todo o período 
gestacional. Já os neutrófilos bastonetes, precursores 
dos neutrófilos segmentados, aumentariam devido à 
incompleta maturação dessas células em função da 
demanda requerida. Assim, o período de gravidez é 
caracterizado por leucocitose com neutrofilia e “desvio 
a esquerda”, com diminuição progressiva de eritrócitos 
e linfócitos. 
COMPONENTES E VALORES DE REFERÊNCIA 
- Ao nascimento, os valores são: 
*Leucócitos: 9.000-30.000 
*Neutrófilos/Segmentados: 6.000- 26.000 
*Bastonetes: até 4.230 
*Eosinófilos: 20-850 
*Basófilos: 0-600 
*Linfócitos: 2.000-11.000 
 *Monócitos: 400-1.800 
-Dos 6 aos 11 anos, os valores são: 
 
- O adulto apresenta, aproximadamente, entre 4.000-
10.000 leucócitos por mm3 de sangue, em condições 
fisiológicas 
*Leucocitose: número maior que 10 mil leucócitos por 
mm3 
*Leucopenia: número menor que 4 mil leucócitos por 
mm3 -A contagem diferencial, obtida após a coloração 
de esfregaços de sangue, constitui a fórmula 
leucocitária: 
*Neutrófilos: 60% a 65% *Eosinófilos: 2% a 4% 
*Basófilos: 0% a 1% *Linfócitos: 20% a 30% 
*Monócitos: 4% a 8% *Plasmócitos: 0% a 1% 
PAPEL DO METOTREXATO 
- O metotrexato é um antimetabólito usado no 
tratamento da Artrite Reumatóide e da Psoríase Grave 
em adultos. 
- Este fármaco se liga com alta afinidade e inativa a 
enzima diidrofolato redutase, impedindo que o 
diidrofolatos sejam reduzidos a tetraidrofolatos, os quais, 
posteriormente, são usados na síntese de nucleotídeos 
purina. Portanto, interfere na síntese (reparo e 
replicação) do DNA. 
- Além disso, promove liberação de adenosina, inibição 
da produção de citocinas pró-inflamatórias, supressão 
da proliferação de linfócitos e da adesão e quimiotaxia 
de neutrófilos e redução das imunoglobulinas séricas. Em 
geral, a incidência e a gravidade de reações 
medicamentosas adversas são relacionadas à dose e à 
frequências da administração. Pode afetar a 
hematopoese e causar anemia, leucopenia e/ou 
trombocitopenia. Em pacientes com neoplasia e 
deficiência hematopoiética preexistente, a droga deve 
ser utilizada com cautela. O uso de metotrexato deve 
ser imediatamente interrompido se houver queda 
significativa na contagem das células sanguíneas. 
 
 
ALTERAÇÕES NO LEUCOGRAMA 
Leucocitose 
- Quando há leucocitose, esta pode decorrer do 
aumentoNcomo: neutrofilia, eosinofilia, basofilia, 
linfocitose, monocitose e plasmocitose. 
- De modo contrário, neutropenia, eosinopenia, 
monocitopenia e linfocitopenia indicam a diminuição. 
- As infecções são as causas que mais frequentemente 
determinam leucocitoses, podendo ser à custa de 
neutrofilia ou de linfocitose e monocitose. 
- A leucocitose constitui na resposta de fase aguda do 
organismo a muitas doenças, incluindo-se infecções: 
bactérias, vírus, fungos protozoários. Geralmente, as 
infecções bacterianas causam neutrofilia acentuada, 
com aumento dos segmentos e bastonetes e 
desaparecimento dos eosinófilos circulantes. 
- Nestes casos podem ser encontradas células mais 
jovens em circulação, como metamielócitos, mielócitos 
e promielócitos que estavam no CRM anteriormente 
(desvio à esquerda). 
- Esta reação é mediada por várias moléculas liberadas 
em resposta a eventos estimuladores, tais como fator 
estimulador de colônias de granulócitos, fator 
estimulador de colônias de macrófagos; interleucinas 1, 
2 e 3; e fator de necrose tumoral, entre outros. 
- As leucocitoses ocorrem basicamente em 3 situações: 
*Leucocitose fisiológica – geralmente de grau leve é 
comum em gestantes, RN, lactantes, após exercícios 
físicos e em pessoas com febre; 
*Leucocitose reativa – estão notadamente relacionadas 
com o aumento de neutrófilos e se devem às infecções 
bacterianas, inflamações, necrose tecidual e doenças 
metabólicas. 
*Leucocitose patológica – estão relacionadas a 
doenças mieloproliferativas (leucemias mielóides, 
policitemia vera, mieloesclerose) e linfoproliferativas 
(leucemias linfóides e alguns linfomas). 
Leucopenia 
- Deve-se avaliar a gravidade e a duração da 
leucopenia (revisar hemogramas anteriores, se houver) 
e avaliar o diferencial (neutropenia ou linfopenia). A 
revisão microscópica do hemograma também pode 
auxiliar no diagnóstico, se demonstrar alterações. 
- Diversas condições clínicas podem desencadear 
leucopenia. A anamnese deve revisar sinais e sintomas, 
morbidades, medicações em uso e complicações 
infecciosas associadas à leucopenia. O exame físico 
pode mostrar linfonodomegalias e/ou esplenomegalia, 
lesões de pele, sinais de hepatopatia crônica ou sinais 
de outras patologias. Essa avaliação inicial orientará a 
investigação subsequente a ser realizada 
– A Leucopenia pode acontecer em infecções: O 
hemograma avalia o sangue periférico e no caso dos 
neutrófilos. avaliamos a população circulante. Mesmo 
que a produção esteja aumentada. pode estar 
ocorrendo um consumo tecidual maior que a 
capacidade de liberação dos neutrófilos. como no 
agravamento dos processos infecciosos. Nestes casos, é 
comum a neutropenia estar acompanhada de desvio à 
esquerda, escalonado. evidenciando a proliferação 
granulocítica preservada; 
- A neutropenia também pode ocorrer devido a 
alterações na produção dos neutrófilos. Alguns 
antibióticos (notadamente o cloranfenicol), anti-
inflamatórios não-hormonais. drogas utilizadas no 
tratamento da Aids, quimioterapia oncológica e até 
mesmo antitérmicos (derivados da aminopterina, como 
a dipirona) podem afetar a produção e a sobrevida de 
neutrófilos. complicando o processo infeccioso. 
Neutrofilia 
- Causas: Doenças infecciosas, Doenças Inflamatórias 
Agudas (sobretudo por bactérias piogênicas localizadas 
ou generalizadas); Inflamação e Necrose Tecidual 
(Infarto Agudo do Miocárdio, Vasculite, Miosite e 
Traumatismo); Doenças Metabólicas (Uremia, 
Eclampsia, Acidose Metabólica e Gota); Gestação; 
Neoplasias em geral (Carcinoma, Linfoma, Melanoma); 
Hemorragia ou Hemólise Agudas; Fármacos 
(Corticosteroides, os quais inibem a marginalização, lítio 
e tetraciclinas); e Leucemia Mieloide Crônica 
- Algumas vezes, é acompanhada de febre, resultante 
da liberação de pirógenos (IL-1) dos leucócitos. Além 
disso, pode-se observar: (1) desvio à esquerda 
(aumento de neutrófilos bastonados e presença 
ocasional de células mais primitivas, como mielócitos e 
metamielócitos); (2) presença de granulação tóxica e 
corpos de Dohle no citoplasma dos neutrófilos 
Pseudonetrofilia 
- Acontece na vigência de um estímulo adrenérgico, 
que faz com que os neutrófilos da zona marginal se 
tornem circulantes, ocasionando uma neutrofilia 
durante a análise do leucograma sem que haja 
necessariamente um processo infeccioso em 
andamento. 
 -É um tipo de leucocitose fictícia, e também pode ser 
induzida pelo uso de glicocorticoides pelo mesmo 
motivo da estimulação adrenérgica . 
*Pode ocorrer por exemplo se uma criança chorar muito 
durante a injeção e em situações de exercícios físicos, 
por exemplo. 
- Os neutrófilos também podem ser avaliados 
qualitativamente pela presença de inclusões 
citoplasmáticas, sendo elas: (1) granulações tóxicas, 
ocorrendo quando há aumento na produção dos 
granulócitos pela medula óssea, o que acarreta em 
diminuição no tempo de maturação das células 
precursoras dos neutrófilos e, por isso, os neutrófilos 
aparecem no sangue com os grânulos primários 
predominantes e poucos grânulos secundários, sendo 
um indicativo de infecção; (2) vacúolos citoplasmáticos 
resultantes da fagocitose, podendo aparecer tanto em 
neutrófilos como em monócitos (embora seu relato só 
seja importante quando aparece nos neutrófilos), 
indicando casos de infecções graves. 
Neutropenia 
- Quando a contagem de neutrófilos cai a níveis 
inferiores a 0,5x103 μl, o paciente é sujeito a infecçõesreincidivantes . 
-Causas: Neutropenia Étnica Benigna (vários povos de 
raça negra possuem contagem baixa de neutrófilos 
decorrente de um polimorfismo no gene do receptor da 
quimiocina do antígeno duffy-DARC, que acarreta em 
perda da expressão de DARC nos eritrócitos e 
leucócitos); Neutropenia Congênita Grave/Síndrome de 
Kostmann (a maioria se origina por mutação no gene 
ELA2); Induzida por fármacos (antitireoideos, 
fenotiazinase e clozapina – os quais podem induzir 
neutropenia por toxicidade direta ou dano por 
mecanismo imunológico); Neutropenia Cíclica 
(síndrome caracterizada por neutropenia intensa mas 
transitória); Neutropenia Inflamatória e Autoimune 
(Artrite Reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistêmico, 
Hipersensibilidade e Anafilaxia); Neutropenia Idiopática 
Benigna (aumento do pool neutrofílico marginal com 
diminuição do pool circulante); 
Monocitose 
- bastante incomum - Causas: Infecções Bacterianas 
Crônicas (Tuberculose, Brucelose, Endocardite 
Bacteriana, Febre Tifoide); Doenças do Tecido 
Conectivo (Lúpus eritematoso sistêmico, Artrite 
Reumatoide); Infecções por Protozoários; Linfoma de 
Hodgkin e Leucemia Mieloide Aguda. 
Monocitopenia 
- De escasso valor clínico, exceto na Leucemia de 
células cabeludas (neoplasia de células B). 
Eosinofilia 
- Algumas vezes não se acha causa subjacente e, se a 
contagem se mantiver alta durante mais de 6 meses, 
associando-se à dano tecidual (pele, válvulas cardíacas 
e pulmões), estamos diante da Síndrome 
Hipereosinofílica. 
-Causas: Doenças Alérgicas (sobretudo 
hipersensibilidade do tipo I); Doenças Parasitárias; 
Doença do enxerto versus hospedeiro; Tumores 
Metastáticos com Necrose Tecidual; Síndromes 
Pulmonares (Síndrome de Loeffler) 
Eosinopenia 
-Contagem abaixo de 20/mm3 , ocorre em quadros de 
infecções agudas com neutrofillias acentuadas. 
-É bastante útil para o diagnóstico de casos de abdome 
agudo e ocorre também quando em uso de corticoide 
e epinefrina. 
Basofilia 
- Corresponde ao aumento do número de basófilos 
acima de 0,1x 103 μl, sendo bastante incomum -Causas: 
Neoplasia Mioproliferativa (Leucemia Mieloide Crônica 
e Policitemia Vera) e Basofilia Reaciona. 
LEUCEMIAS 
- A leucemia representa um grupo de neoplasias 
malignas derivadas das células hematopoiéticas. Esta 
doença inicia sempre na medula-óssea, local onde as 
células sanguíneas são produzidas, e posteriormente 
invadem o sangue periférico, podendo atingir vários 
órgãos do paciente afetado. 
- A leucemia é a doença maligna mais comum na 
infância, correspondendo aproximadamente a 30% dos 
casos de câncer em crianças. 
- De acordo com a célula de origem, as leucemias 
podem ser classificadas em mielóide ou linfocítica 
- Com a proliferação das células neoplásicas no interior 
da medula óssea há um suprimento na produção das 
células hematopoiéticas normais. Devido à redução no 
número de hemácias e, subsequentemente, da 
capacidade de transporte de oxigênio do sangue, os 
pacientes com leucemia irão apresentar anemia e 
fadiga. Os pacientes leucêmicos também apresentam 
problemas de sangramento devida à falta de plaquetas 
(trombocitopenia). A febre também é uma 
característica clínica comum e está associada à 
infecção devido à depleção de neutrófilos. De acordo 
com o comportamento clínico da doença as leucemias 
podem ser classificadas em aguda e crônica -Desta 
forma temos quatro tipos principais de leucemias. 
LLA 
- Os pacientes com leucemia apresentam um maior 
número de células imaturas no sangue, podendo ser 
identificadas no hemograma e o diagnóstico final é feito 
através de punção aspirativa da medula óssea. 
LMA 
- As características clínicas são semelhantes às da LLA, 
onde os pacientes apresentam febre, anemia, fadiga. 
Os problemas com sangramentos são mais frequentes 
nos pacientes com LMA do que com LLA 
Conceito 
- A LMA surge com uma alteração genética na célula-
tronco hematopoiética, a qual origina uma proteína 
tirosinocinase p190, que faz com que as células jovens 
mais imaturas (também denominadas de células 
blásticas ou blastos) proliferem de maneira exacerbada 
- Com isso, há uma perda da capacidade de 
amadurecimento celular, bem como de sua 
diferenciação, com consequente acúmulo de células 
imaturas na medula óssea, de modo a impedir que a 
hematopoiese ocorra de maneira eficaz. 
- Em consequência, o paciente apresentará anemia, 
plaquetopenia, leucocitose ou leucopenia: *Em teoria, o 
paciente deveria apresentar uma leucopenia, pois o 
acúmulo de blastos na medula óssea faz com que o 
espaço interno da medula óssea impeça as células 
normais de funcionarem. Porém, a quantidade de 
células imaturas acumuladas é tão grande, que os 
blastos chegam a transbordar da estrutura medular e 
alcançam o sangue, cursando com uma leucocitose e 
“desvio a esquerda”, ao custo de células blásticas 
Diagnóstico Laboratorial. 
- Diante do paciente com o quadro sintomático 
previamente descrito, a LMA deverá ser investigada a 
partir do hemograma, observando: 
*Anemia normocítica e normocrômica em 90% dos 
casos, podendo se associar a leucocitose (mais comum) 
ou leucopenia, com a presença de blastos no sangue 
periférico e plaquetopenia. 
- Podem ocorrer alterações metabólicas: hiperuricemia, 
aumento da desidrogenase láctica (DHL) e mielograma 
com alteração evidente, onde há população de blastos 
maior que 20% no esfregaço sanguíneo. 
LEUCEMIA LINFOIDE CRÔNICA 
-Este tipo de leucemia atinge quase que exclusivamente 
pacientes adultos, sendo considerada o tipo mais 
comum nesta faixa etária nos países Ocidentais -A 
média de idade dos pacientes acometidos é de 60 anos 
com uma discreta predominância no gênero masculino. 
Frequentemente este tipo de leucemia é assintomático, 
sendo detectada em exames de sangue de rotina. 
LEUCEMIA MIELOCÍTICA CRONICA 
- A LMC distingue-se de outras leucemias por apresentar 
uma anormalidade molecular singular, uma 
translocação entre um gene do cromossomo 9 e outro 
no cromossomo 22. 
- Este tipo de leucemia também atinge com maior 
frequência pacientes adultos, com pico entre a 3ª e 4ª 
décadas de vida 
Conceito 
 -É uma forma de leucemia caracterizada pela 
proliferação clonal exacerbada de células da linhagem 
granulocítica, sem a perda de capacidade de 
diferenciação, decorrente de uma mutação nas 
células-tronco pluripotentes 
- Trata-se, portanto, de uma doença mieloproliferativa 
caracterizada por uma aberração citogenética 
ocasionada por uma translocação entre o cromossomo 
9 e 22 na célula pluripotente: 
*Essa translocação resulta em um cromossomo 22 
encurtado, denominado cromossomo Filadélfia 
*Nessa translocação, parte do gene BCR (breakpoint 
cluster region) do cromossomo 22 se funde com o gene 
ABL do cromossomo 9, formando o gene BCR-ABL 
*Esta fusão anormal gera a proteína tirosinocinase p210, 
a qual interfere nos sinais de proliferação, aderência e 
apoptose celular, causando instabilidade genômica e, 
assim, fazendo com que a célula fique mais suscetível a 
desenvolver anormalidade genética futuras. 
- Tais anormalidade podem predispor à transformação 
celular neoplásica maligna 
Diagnóstico Laboratorial 
- O diagnóstico de leucemia mieloide crônica é 
realizado a partir de: 
*Hemograma: mostrando anemia normocítica e 
normocrônica + leucocitose grave acima de 100.000 
leucócitos + neutrofilia com “desvio a esquerda” até 
blastos e sem sinais sugestivos de infecção, basofilia e 
eosinofilia 
*Mielograma: com medula óssea apresentando-se rica 
em células (hipercelularidade) e hiperplasia do tecido 
granulopoiético *Diminuição da fosfatase alcalina dos 
neutrófilos 
*Aumento da desidrogenase láctica (DHL) 
*Aumento do ácido úrico (hiperuricemia) 
*Cariótipo mostrando presença do cromossomo 
Philadelfia 
-O diagnóstico diferencial da LMC se faz com as reações 
leucemoides inerentes às infecções,que mostram os 
seguintes resultados: 
*Leucócitos geralmente em torno de 50.0000 por mm3, 
com predomínio das formas maduras, podendo ter 
eventual “desvio a esquerda”, mas que não chega até 
os blastos, mieloblastos raros e ausência de basofilia 
*Medula óssea normocelular, sem basofilia e com 
megacariócitos normais no mielograma 
*Fosfatase alcalina aumentada: importante para a 
diferenciação entre reação Leucemoide e LMC: 
*Células maduras da LMC têm, entre outras anomalias, 
deficiência de fosfatase alcalina; 
*Na reação leucemoide a enzima se encontra presente 
e é muito positiva nas células maduras granulocíticas 
*Ácido úrico normal (normouricemia) 
*Cariótipo mostrando ausência do cromossomo 
Philadelfia 
- A LCM é geralmente dividida em três fases, com base 
nas características clínicas e laboratoriais. 
- Na ausência de intervenção, a leucemia mieloide 
crônica começa tipicamente na fase crônica, e com o 
avanço de muitos anos, progride para uma fase 
acelerada e, finalmente, para uma crise blástica; 
- A crise blástica caracteriza a fase terminal da LCM e se 
comporta clinicamente como uma leucemia aguda 
Fase Crônica. 
- Aproximadamente 85% dos pacientes com LCM estão 
na fase crônica na época do diagnóstico. 
- Durante esta fase, pacientes são geralmente 
assintomáticos ou têm somente leves sintomas de fadiga 
-A duração da fase crônica é variável, com média de 1 
a 5 anos, e evolui para a fase de aceleração na 
ausência de tratamento curativo 
Fase de Aceleração. 
- Caracterizada pela piora do estado geral, com 
esplenomegalia, basofilia, leucocitose gradativa e 
aumento de blastos na circulação periférica. 
-No mielograma, aparecem cerca de 10% a 19% de 
mieloblastos no sangue característicos dessa fase, e 
basofilia exacerbada (>20%) 
Crise Blástica 
- É a fase final da evolução da LCM, comportando-se 
como uma leucemia aguda, com rápida progressão da 
doença e sobrevivência do paciente bastante curta; é 
diagnosticada de acordo com a presença de critérios 
determinados: 
*Febre 
*Quantidade de mieloblastos, promielócitos ou 
linfoblastos no sangue ou na medula óssea acima de 
20% 
*Grandes agrupamentos de blastos na medula óssea 
*Desenvolvimento do cloroma ou sarcoma 
granulocítico, uma coleção sólida de células 
leucêmicas aberrante fora da medula óssea, 
principalmente na pele.