Prévia do material em texto
HEMATOFÉRIAS LEUCOPOIESE - Os leucócitos (glóbulos brancos) podem ser divididos em: fagócitos, que medeiam a resposta imune inata; e linfócitos, que medeiam a resposta imune adaptativa. - Os fagócitos, então, subdividem-se em granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e monócitos, os quais são agranulócitos, juntamente com os linfócitos (T, B e NK); - A CTH (stemcell) inicialmente se diferencia em 2 tipos celulares progenitores multilinhagem ou “CFU” – Unidades Formadoras de Colônia: (1) um comprometido com a Linhagem Linfoide (linfócitos) (2) outro comprometido com a Linhagem Mieloide (granulócitos, eritrócitos, monócitos e megacariócitos). - Os progenitores multilinhagem se diferenciam em progenitores de linhagem única, os quais se destinam a produzir tipos celulares específicos. Qualquer uma dessas células pode sofrer uma transformação neoplásica, inviabilizando o processo fisiológico de maturação e resultando em proliferação e acúmulo de um “clone” (população de células indênticas). GRANULOPOIESE - Os granulócitos originam-se da célulatronco progenitora mieloide comum, que se diferencia em células progenitoras de granulócitos/ monócitos (GMPs) sob a influência de citocinas como GM-CSF, fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF) e IL-3. - O GM-CSF é uma citocina secretada pelas células endoteliais, células T, macrófagos, mastócitos e fibroblastos. Ela estimula as células GMP a produzir granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e monócitos. PRECURSORES DOS NEUTRÓFILOS - O mieloblasto é a célula precursora de neutrófilos mais inicialmente reconhecível microscopicamente na medula óssea. Tem um núcleo grande, esférico e cromático com 3 a 5 nucléolos, apresentando citoplasma basófilo e agranular; - Mieloblastos originam promielócitos, os quais têm um grande núcleo esférico com grânulos azurófilos (primários) no citoplasma. - Em seguida, originam-se os mielócitos, os quais já apresentam grânulos secundários/específicos. - Os mielócitos originam os metamielócitos, células que não mais se dividem, com núcleo em forma de ferradura e citoplasma rico em grânulos primários e secundários - Teoricamente, o estágio metamielocítico na granulopoese é seguido pelo estágio de bastão e, em seguida, pelo estágio segmentado. Embora esses estágios sejam evidentes na linhagem de neutrófilos, raramente ou nunca são observado na de eosinófilos e basófilos, nas quais os estágios são reconhecidos por eosinófilo madura e basófilo maduro, respectivamente. BASTONETES E SEGMENTADOS - Na linhagem de neutrófilos, a célula em bastão precede o desenvolvimento dos 1ºs lóbulos nucleares distintos; - O núcleo da célula em bastão é alongado e de largura quase uniforme, o que lhe confere um aspecto semelhante a ferradura. - As constrições nucleares então se desenvolvem nos neutrófilos em bastão e se tornam mais proeminentes até que 2 a 4 lóbulos nucleares sejam reconhecidos; a célula é então considerada um neutrófilo maduro, também denominada neutrófilo polimorfonuclear ou segmentado. Importante: Em geral, os precursores dos neutrófilos não aparecem no sangue periférico normal e estão presentes na medula óssea. As formas de neutrófilos entre metamielócitos e neutrófilo maduro são chamadas neutrófilos bastonados, “bastonetes” ou “bastões”. Eles estão presentes no sangue periférico e não apresentam separação filamentosa entre os lobos nucleares, observada nos neutrófilos maduros. PRECURSORES DOS MONÓCITOS - Os monócitos são produzidos na medula óssea a partir de uma célula-tronco GMP (mieloblasto). A progressão subsequente da linhagem de células progenitoras de monócitos (MoP) depende da presença dos fatores de transcrição PU.1 e Egr-1; além de IL-3 e GM-CSF. - O GM-CSF também controla a diferenciação subsequente em células maduras, que são, então, liberadas na circulação. - A transformação das MoP em monócitos leva cerca de 55h, e os monócitos permanecem na circulação por apenas cerca de 16h antes de emigrarem para os tecidos onde se diferenciam sob a influência do GMCSF e do M-CSF em macrófagos teciduais. MONOCITOPOIESE - Os monócitos partilham suas células bipotentes com os neutrófilos: a CFU-GM passa por mitoses e dá origem a CFU-G e CFU-M, responsável pela linhagem de monócitos. - A diferenciação da CFU-M é estimulada pela IL-3, e a sua proliferação em monócitos resulta do estímulo da M- CSF – fator estimulador de colônias de monócitos Arthur Rodrigues | @arthurnamedicina | Problema 02 OBS: Quando o GM-CSF, IL-3 e Fator de crescimento da célula-tronco (SCF), em conjunto com a família dos fatores de necrose tumoral (TNF) atua no CFU-GM, esse origina a unidade formadora de colônia de monócitos e células dendríticas (CFUM/DC), que pode originar a linhagem das células dendríticas e dos macrófagos pelo seguinte mecanismo: *Diferenciação de células dendríticas: por ação integrada de GM-CSF, TNF, SCF e IL-4, o CFU-M/DC origina toda a linhagem de células dendríticas por proliferação, maturação e sobrevivência de seus precursores na medula óssea vermelha. Essa é considerada do tipo mieloide direta. *Diferenciação de macrófagos: por ação integrada do GM-CSF, M-CSF e da IL-3, o CFU-M/DC origina uma célula monoblástica que continua as etapas de maturação sob o comando desse mesmo padrão de citocinas. Além disso, se o monócitos for influenciado pela ação integrada do GM-CSF, M-CSF e IL-3 irá originar as células dendríticas por via de maturação mieloide indireta. - Um grande número de bastonetes e neutrófilos segmentados é mantido na medula óssea (10 a 15x o número total no sangue) como uma “Reserva Granulocítica Medular”. Em geral, a medula óssea contém mais células mieloides que eritroides, onde predominam neutrófilos e metamielócitos. Após a liberação da medula óssa, os granulócitos permanecem somente de 6 a 10 horas na circulação antes de migrarem aos tecidos para desempenhar função fagocitária. Nos tecidos, permanecem de 4 a 5 dias, até serem destruídos durante a ação defensiva ou por senescência. Na corrente sanguínea, os neutrófilos se distribuem em 2 compartimentos (pools): (I) Pool Circulante (incluído nas contagens expressas no hemograma) e (2) Pool Marginante (o qual não aparece). Curiosidade: Essa reserva da medula óssea constantemente libera neutrófilos na circulação e é reposta por células em maturação. Os neutrófilos de reserva podem ser liberados abruptamente em resposta à inflamação, à infecção ou ao exercício extenuante. PROCESSO DE LEUCOPOIESE DA LINHAGEM MIELOIDE - célula-tronco hematopoiética (CHT) > (CFU-BLAST). - CFU-BLAST, por ação da IL-1, IL-3, IL-6, IL-11, trombopoetina e fator de crescimento de célula-tronco (SCF), secretados pelas células do estroma da medula óssea vermelha ou glóbulos brancos maduros, diferencia-se em um precursor mieloide comum. - Pela ação do fator estimulante de colônias granulócito-macrofágicas (GM-CSF), IL3 e SCF, a célula precursora mieloide comum se diferencia em pluripoetina (CFU-GEMM); - CFU-GEMM (GM-CSF, SCF e IL-3) - Origina a Unidade Formadora de Colônias de Eosinófilos (CFU-Eo), que sob ação conjunta e integrada do GM-CSF, IL-3 e IL-5 (fundamental para a maturação da linhagem eosinofílica), forma o mieloblasto comprometido com a maturação dos eosinófilos -Esse mieloblasto, também pela ação conjunta do GM-CSF, IL-3 e IL-5, origina em sequência os esinófilos-mielócitos, eosinófilos metamielócitos, eosinófilos bastonetes e, por fim, por amplificação da sinalização celular de IL-5, forma o eosinófilo maduro. - A IL-5 além de fundamental na maturação e desenvolvimento dos eosinófilos, atua no recrutamento e em sua ativação para os sítios de infecção por parasitas hemínticos ou para o desencadeamento de reaçõesalérgicas CFU-GEMM (Il-3 e SCF) - Origina a Unidade Formadora de Colônias de Basófilos (CFU-Bas) - Neste estágio, por ação exclusiva da IL3, que atua tanto como proliferadora de célulastronco hematopoiéticas (CHT) como de progenitores mieloides comuns e da linhagem basofílica, transforma o CFU-Bas em mieloblasto comprometido na maturação de basófilos; - Esse mieloblasto, ainda por ação única da IL-3, forma o basófilo-mielócito, basófilo metamielócito, basófilos bastonetes e, por fim, o basófilo circulante maduro; -A mesma ação conjunta e integrada da IL-3 e do SCF origina, ao lado do CFU-Bas, a Unidade Formadora de Colônias de Mastócitos (CFU-Mast) que, por ação contínua da IL-3 e SCF, forma o mastócito maduro; CFU-GEMM (GM-CSF e IL-3) - Origina a Unidade Formadora de Colônias de Granulócitos e Monócitos (CFU-GM) que, sob influência de diversas citocinas e fatores de crescimento, origina a linhagem dos neutrófilos, células dendríticas e macrófagos CFU-GM (GM-CSF, IL-3 e SCF) - Diferencia-se na Unidade Formadora de Colônias de Granulócitos (CFU-G), que, por ação exclusiva e integrada do GM-CSF e GCSF, forma uma célula mieloblástica comprometida com a linhagem dos neutrófilos, formando, em seguida, o neutrófilo- mielócito, neutrófilo-metamielócito, neutrófilo bastonete e, por fim, o neutrófilo maduro; CFU-GM (GM-CSF, IL-3, SCF e Família dos fatores de necrose tumoral – TNF) - Diferencia-se na Unidade Formadora de Colônias de Monócitos e Células Dendríticas (CFU-M/DC); este, por sua vez, pode originar a linhagem das células dendríticas e dos macrófagos. Diferenciação de Células Dendríticas -Por ação integrada do conjunto GMCSF, TNF, SCF e IL- 4, o CFU-M/DC origina toda a linhagem de células dendríticas por proliferação, maturação e sobrevivência de seus precursores na medula óssea vermelha; - Essa via de maturação é considerada do tipo mieloide direta; Diferenciação de Macrófagos - Por ação integrada do conjunto GMCSF, M-CSF e da IL-3, o CFU-M/DC origina uma célula monoblástica que continua as etapas de maturação sob o comando desse mesmo padrão de citocinas, formando em seguida o pró-monócito, o monócito e, por fim, o macrófago; - Entretanto, se o monócito for influenciado pela ação integrada do GM-CSF, TNF, CSF e IL-4, mas não do conjunto GMCSF, M-CSF e IL-3, irá originar as células dendríticas por via de maturação mieloide indireta; FATORES QUE ESTIMULAM O CRESCIMENTO MIELOIDE - Fator estimulante de colônias granulocíticas- macrofágicas (GM-CSF)/ Pluripoetina: é uma citocina secretada pelas células endoteliais, células T, macrófagos, mastócitos e fibroblastos. Ela estimula as células progenitoras de granulócitos/monócitos (GMPs) a produzir granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e monócitos. - Fator estimulante de colônias granulocíticas (G-CSF): Produzido por células endoteliais e monócitos; - Fator estimulante de colônias monocíticas (M-CSF): produzido por monócitos, macrófagos, células endoteliais e adventícias; - IL-3: produzida por macrófagos e células mieloides. Estimula, as células progenitoras de granulócitos/monócitos a se diferenciarem nos demais tipos celulares da linhagem mieloide. - IL-5: as células progenitoras de granulócitos/monócitos (GMPs), quando induzidas pelo GM-CSF, pela IL-3 e pela IL-5, diferenciam-se em células progenitoras de eosinófilos (EoP), e, finalmente, amadurecem, tornando- se eosinófilos. OBS: A falta de IL-5 faz com que as células GMP se diferenciam em células progenitoras de basófilos (BaP) - IL-6: Produzida por células endoteliais, neutrófilos, macrófagos, células T. Atua sinergicamente com a IL-2 e IL-3, estimulando a formação de células progenitoras de granulócitos/monócitos (GMPs). - IL-11: produzida por macrófagos, células estromais e fibroblastos pulmonares. Atua sinergicamente com a IL- 3. - Os fatores de crescimento estimulam a proliferação e diferenciação das células precursoras da granulopoiese, bem como afetam a função das células maduras já formadas sobre as quais agem, aumentando as funções de fagocitose, geração de superóxido e citotoxicidade aos neutrófilos, e aumentando a fagocitose, citotoxicidade e produção de citocinas aos monócitos. FATORES QUE INIBEM O CRESCIMENTO MIELOIDE - Prostaglandinas (PGE1 e PGE2): Já a prostaglandina, ao contrário, tem efeito estimulador. Essas prostaglandinas são secretadas por macrófagos no estroma medular - Interferon, ferretinas, lactoferrina e transferrina: também exercem efeitos inibitórios. Vale lembrar que a lactoferrina é uma glicoproteína presente nas granulações específicas dos neutrófilos maduros. Nesse sentido, as substâncias supracitadas atuam inibindo a produção e/ou liberação de GM-CSF produzida pelos macrófagos. Importante: A celularidade da medula óssea é um dos fatores mais importantes na avaliação da função da medula óssea, a qual é semiquantitativa e representa a relação entre as células hematopoiéticas e os adipócitos. A avaliação mais confiável da celularidade é obtida pela biopsia de medula óssea. Ressalta-se que a celularidade de medula óssea se altera com a idade. Desse modo, temos: (1) medula óssea normocelular; (2) hipocelular (anemia aplásica) e (3) hipercelular (tumores na MO). DEGRADAÇÃO - meia vida dos neutrófilos: cerca de 6 a 8h; - Os neutrófilos deixam o sangue aleatoriamente, isto é, um determinado neutrófilo pode circular por apenas alguns minutos ou por até 16h antes de entrar no TC perivascular (uma meia-vida medida dos neutrófilos humanos circulante é de apenas 8 a 12h); - Os neutrófilos vivem por 1 a 2 dias no TC, após o que são destruídos por apoptose e subsequentemente engolfados pelos macrófagos. Além disso, grandes números de neutrófilos são perdidos pela migração para o interior da luz do trato gastrointestinal a partir do qual são eliminados pelas fezes; LEUCÓCITOS - Os leucócitos são subclassificados em 2 grupos gerais. A base para essa classificação consiste na existência ou não de grânulos específicos no citoplasma. As células que contêm grânulos específicos são classificadas em granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos), enquanto as células que não contêm os grânulos são classificados em agranulócitos (linfócitos e monócitos). Contudo, tanto os agranulócitos quanto os granulócitos contêm um pequeno número de grânulos azurófilos inespecíficos, presentes no citoplasma de lisossomos. NEUTRÓFILOS - São células fagocíticas maiores que as hemácias, sendo os leucócitos mais abundantes (50-70% do total) - São denominados “neutrófilos” em virtude da ausência de coloração citoplasmática característica, mas são facilmente identificados pelos seus núcleos multilobulares, ou seja, um núcleo segmentado constituído por 2 a 4 lobos conectados por finos filamentos de material nuclear - Devido ao seu núcleo segmentado, os neutrófilos são também chamados de leucócitos polimorfonucleares - Sua cromatina exibe um arranjo característico. Regiões amplas de heterocromatina estão localizadas principalmente na periferia do núcleo, em contato com o envoltório nuclear. As regiões de eucromatina estão localizadas principalmente no centro do núcleo - O citoplasma do neutrófilo contém 3 tipos de grânulos. Grânulos Azurófilos (Primários) - São maiores e menos numerosos. Originam-se, inicialmente, na granulopoiese e ocorrem em todos os granulócitos, bem como em monócitos e linfócitos - São os lisossomos do neutrófilo e contêm mieloperoxidase (MPO), a qual ajuda a produzir hipoclorito bactericida altamente reativo e cloraminas - Além disso, contêm uma variedade de hidrolases ácidas típicas, defensinas (proteínas catiônicas) – que funcionam analogamente aos anticorpos – e catelicidina (peptídeo antimicrobiano), para destruir os patógenos.Grânulos Específicos (Secundários) - São os menores grânulos e cerca de 2x mais numerosos que os grânulos azurófilos - Contém várias enzimas, tais como: colagenase do tipo IV e fosfolipase; ativadores do sistema complemento; e outros peptídeos antimicrobianos (lisozimas, lactoferrinas). Grânulos Terciários -S ão de 2 tipos: (1) Fosfassomos, que contém as fosfatases (enzimas que removem o grupo PO4 2- dos substratos) (2) Metaloproteinases, como as gelatinases e colagenases, que parecem facilitar a migração do neutrófilo através do TC Função - Os neutrófilos são células fagocíticas que geralmente ingerem e matam de 5 a 20 bactérias durante a sua curta vida útil programada de 1 a 2 dias - A maioria dos neutrófilos permanece no sangue, mas podem sair da circulação se forem atraídos para um local extravascular de dano ou infecção - Além de ingerirem bactérias e partículas estranhas, os neutrófilos liberam várias citocinas, incluindo pirógenos causadores da febre (IL-1) e mediadores químicos inflamatórios. Mecanismo 1. A fase inicial da imigração dos neutrófilos ocorre nas vênulas pós-capilares e é regulada por um mecanismo que envolve o reconhecimento do neutrófilo pela célula endotelial *As selectinas (molécula de adesão celular) na superfície do neutrófilo circulante (CD62L) interagem com receptores na superfície das células endoteliais. *Os neutrófilos tornam-se parcialmente presos à célula endotelial como resultado dessa interação, que faz com que o neutrófilo role sobre a superfície do endotélio 2. Na 2ª fase, outro grupo de moléculas de adesão na superfície dos neutrófilos, chamado integrinas (VLA-5), é ativado por sinais das quimiocinas das células endoteliais. 3. Na 3ª fase, as integrinas e as outras moléculas de adesão (molécula de adesão intercelular-1: ICAM-1; moléculas de adesão das células vasculares-1: VCAM- 1) se engajam em seus receptores específicos. *O neutrófilo então estende pseudópodes até uma junção intercelular, o que ocorre devido a liberação de histamina e heparina por mastócitos perivasculares. *Uma vez que o neutrófilo entra no TC, a migração adicional até o local da lesão é direcionada por um processo denominado quimiotaxia, a ligação de moléculas quimioatraentes e as proteínas na matriz extracelular a receptores específicos na superfície do neutrófilo. - Ao chegar no local da lesão, o neutrófilo deve, primeiramente, reconhecer as substâncias estranhas antes que a fagocitose possa ocorrer. Para isso, os neutrófilos têm uma variedade de receptores em sua membrana celular - Alguns desses microrganismos e agentes se ligam diretamente aos neutrófilos (sem exigir modificações de superfície), enquanto outros devem ser opsonizados (revestidos com anticorpos ou complemento) para torná-los mais atraentes ao neutrófilo. - Os receptores mais comumente utilizados à fagocitose são: (1) Receptores Fc: ligam-se à região Fc exposta dos anticorpos IgG que revestem as superfícies bacterianas (2) Receptores de complemento: facilitam a ligação e a captação de complexos imunes que são opsonizados pela proteína do complemento C3 ativa, a C3b (3) Receptores de varredura (SR): glicoproteínas transmembrana que se ligam às formas modificadas do LDL (4) Receptores Toll-like (receptores de reconhecimento padrão – PRR): reconhecem moléculas patogênicas como as endotoxinas, lipopolissacarideos, peptidoglicanas e ácidos lipoteicoicos FAGOCITOSE - A fagocitose começa quando o neutrófilo reconhece e se liga ao antígeno. - Os pseudópodes estendidos do neutrófilo engolfam o antígeno e o internalizam para formar um fagossomo. Os grânulos específicos e azurófilos fundem-se à membrana do fagossomo, e as hidrolases lisossômicas dos grânulos azurófilos digerem o material estranho. *Durante a fagocitose, a utilização de glicose e de oxigênio do neutrófilo aumenta e é referida como explosão respiratória. Isso resulta na síntese de diversos compostos contendo oxigênio chamados intermediários de oxigênio reativo (ROI). Eles incluem radicais livres como os radicais de oxigênio e hidroxila que são utilizados na imobilização e morte das bactérias vivas dentro dos fagolisossomos - O processo pelo qual os microrganismos são mortos dentro dos neutrófilos é denominado morte intracelular dependente de oxigênio. Em geral, 2 vias bioquímicas estão envolvidas nesse processo: a 1ª delas é o sistema fagócito-oxidase (phox), que utiliza o complexo da NADPH oxidase na membrana do fagolisossomo; a 2ª está associada à enzima lisossômica mieloperoxidase (MPO), encontrada nos grânulos azurófilos dos neutrófilos. - Além das reações de explosão respiratória dependente de oxigênio, os microrganismos podem ser mortos por enzimas bacteriolíticas e peptídeos antimicrobianos catiônicos que estão armazenados nos grânulos do citoplasma dos neutrófilos. - Esses mecanismos de morte independentes de oxigênio são direcionados para a membrana celular bacteriana, causando sua ruptura e extravasamento. As principais proteínas antimicrobianas catiônicas nos neutrófilos são as defensinas e peptídios antimicrobianos denominados catelicidinas *Esses mecanismos não são tão eficientes quanto as vias de morte dependentes de oxigênio. Por isso, por causa da baixa eficiência desses processos, os indivíduos com esses defeitos são mais suscetíveis a infecções graves - Após a digestão intracelular pelo neutrófilo, os remanescentes do material degradado são armazenados em corpos residuais ou exocitados. A maioria dos neutrófilos morre nesse processo; o acúmulo de bactérias mortas e de neutrófilos mortos constitui o exsudato espesso denominado pus. EOSINÓFILOS - grânulos corados de rosa. - núcleos bilobulares. - Estão associados à parasitoses e reações alérgicas. - apenas 1-3% do total de leucócitos. - duração 6 a 12 horas no sangue. - A maioria dos eosinófilos funcionais é encontrada no trato digestório, pulmões, epitélios genital e urinário e no tecido conectivo da pele. Essa localização reflete o seu papel na defesa do organismo contra invasoras parasitos Grânulos Azurófilos - São lisossomos - Contêm uma variedade de hidrolases ácidas lisossômicas e outras enzimas hidrolíticas que funcionam na destruição dos parasitos e na hidrólise dos complexos antígeno-anticorpo internalizados pelos eosinófilos. - Associam-se às reações alérgicas, às infecções parasitárias e à inflamação crônica Grânulos Específicos - São numerosos, grandes e alongados. possuem 4 proteínas principais: (1) Proteína Básica Maior (MBP), rica em arginina, responsável pela intensa acidofilia do grânulo (2) Proteína Catiônica dos Eosinófilos (ECP) (3) Peroxidase dos Eosinófilos (EPO) (4) Neurotoxina Derivada dos Eosinófilos (EDN) - As MBP, ECP e EPO têm um forte efeito citotóxico sobre os parasitas protozoários e helmínticos; a EDN causa disfunção do SN em microrganismos parasitários - Além disso, os grânulos específicos contêm histaminase (neutraliza a atividade da histamina), arilsulfatase (neutraliza os leucotrienos secretados pelos basófilos e mastócitos), colagenase e catepsinas Função - Os eosinófilos se desenvolvem e amadurecem na medula óssea; e assim que são liberados, circulam no sangue periférico e, em seguida, migram ao TC. Lá, são ativados pelas interações com anticorpos IgG, IgA ou IgA secretora - Como matam os patógenos, eles são classificados como células citotóxicas. Também participam de reações alérgicas, nas quais eles contribuem para inflamação e dano tecidual por liberarem enzimas tóxicas, substâncias oxidativas e a neurotoxina derivada de eosinófilo. - A liberação de arilsulfatase e da histaminase pelos eosinófilos nos locais de reação alérgica modera os efeitos potencialmente prejudiciais dos mediadores inflamatóriosvasoativos. BASÓFILOS - granulócitos – grânulos basofílicos – Desenvolvem na medula óssea, compartilhando muitas características com os mastócitos. - menos de 0,5-1% dos leucócitos. - compartilhando uma célula precursora comum com os mastócitos, e são liberados na circulação sanguínea. - características similares aos mastócitos, tais como: grânulos secretores basofílicos, com capacidade de secretar mediadores inflamatórios semelhantes e receptores Fc de alta afinidade para anticorpos IgE. - São raramente encontrados no sangue periférico e nos tecidos, transformam-se em mastócitos. Além disso, uma proteína denominada CD40L é expressa na superfície do basófilo. - A CD40L interage com um receptor complementar (CD40) nos linfócitos B que aumenta IgE. - Participam nas reações alérgicas e juntamente com os mastócitos teciduais, liberam de seus grânulos histamina, heparina (anticoagulante), heparansulfato e outros mediadores inflamatórios. Ao contrário dos mastócitos, não produzem a prostaglandina D2 (PGD2) nem a IL-5. - Os mastócitos estão concentrados no tecido conectivo da pele, pulmões e trato gastrointestinal. situados de forma ideal para interceptar os patógenos que são inalados ou ingeridos, ou aqueles que entram de rupturas na epiderme. Grânulos Azurófilos Inespecíficos - São os lisossomos dos basófilos e contêm uma variedade de hidrolases ácidas lisossômicas Grânulos Específicos - Contêm heparina, histamina, heparansulfato, leucotrienos, IL-4 e IL-13. A heparina é anticoagulante; a histamina e o heparansulfato são agentes vasoativos (vasodilatação). Os leucotrienos são lipídios modificados que desencadeiam a constrição prolongada dos músculos lisos nas vias respiratórias pulmonares. A IL-4 e a IL-13 promovem a síntese de anticorpos IgE. A basofilia desses correlaciona-se com a alta concentração de sulfato nas moléculas de glicosaminoglicana da heparina e do heparansulfato. Função - Tanto mastócitos quanto basófilos se ligam aos anticorpos IgE liberados pelo plasmócito por meio de receptores Fc de alta afinidade para IgE. - A exposição subsequente ao antígeno (alérgeno) específico para a IgE desencadeia a ativação de mastócitos e basófilos e subsequente liberação de agentes vasoativos nos grânulos celulares – Geram hipersensibulidade relacionada à anafilaxia. MONÓCITOS - precursoras dos macrófagos (1- 6% leucócitos). - Levam cerca de 8h no trânsito da medula óssea até suas posições permanentes nos tecidos. - Os lisossomos do macrófago, juntamente com os prolongamentos citoplasmáticos superficiais, são as estruturas mais indicativas da capacidade fagocítica da célula. O macrófago também pode conter vesículas endocíticas, fagolisossomos e outras evidências de fagocitose (corpos residuais) - O RER, o REL e o complexo de golgi dão suporte à síntese de proteínas envolvidas nas funções fagocíticas e digestivas da célula, bem como em suas funções secretoras. - Alguns são móveis (ameboide) e outros fixos. Também removem partículas maiores, como eritrócitos velhos e neutrófilos mortos. - Têm um papel muito importante no desenvolvimento da imunidade adquirida, uma vez que eles são células apresentadoras de antígenos. Função - A secreção regulada pode ser ativada por fagocitose, complexos imunes, complemento e sinais dos linfócitos. - Os produtos secretores incluem uma grande variedade de substâncias relacionadas com a resposta imune, anafilaxia e inflamação. - Além disso, depois que um macrófago ingere e digere antígenos moleculares ou celulares, ele pode inserir fragmentos do antígeno processado em sua membrana, de modo que o fragmento do antígeno se torna parte de complexas proteínas de superfície. - Desse modo, estes fragmentos dos antígenos são apresentados aos linfócitos TCD4+ por meio de moléculas do (MHC II). - Quando os macrófagos encontram grandes corpos estranhos, eles podem se fundir para formar uma célula grande, com até 100 núcleos, que engolfa o corpo estranho. PROCESSO INFECCIOSO - Nesse processo as células de defesa tentam combater os microrganismos, o que normalmente dá origem ao aparecimento de pus além de outros sintomas. 1. Os microrganismos podem entrar no hospedeiro rompendo as superfícies epiteliais, por inalação, ingestão ou transmissão sexual 2. Enquanto alguns microrganismos permanecem localizados no sítio inicial da infecção, outros possuem a capacidade de invadir tecidos e se espalhar para locais distantes via linfáticos, sangue ou nervos. 3. As consequências da propagação dos patógenos via hematogênica variam dependendo da virulência do organismo, da magnitude da infecção, do padrão de colonização e dos fatores do hospedeiro, tais como o estado imunológico. RESPOSTA INATA BACTÉRIAS INTRACELULARES - AGUDA NEUTRÓFILOS ↑ EOSINÓFILOS ↓ - primeiramente ativação do complemento, seguida de fagocitose e resposta inflamatória; - A ativação do complemento segue pela via alternativa, ativada por peptideoglicanos das paredes celulares bacterianas (em positivas) e pelo LPS em negativas. - Os fagócitos que atuam são os neutrófilos e os macrófagos que reconhecem as bactérias a partir de receptores de manose e scavengers, além do receptor Fc em bactérias opsonizadas. Esses receptores ativam os Toll-Like (TLR) que estimulam a atividade fagocítica dessas células. - Em adição, as células dendríticas e os fagócitos que são ativadas pelos microrganismos secretam citocinas (IL-1, IL-6 e IL-8) que induzem a infiltração leucocitária nos locais de infecção (inflamação). Os leucócitos recrutados ingerem e destroem as bactérias. BACTÉRIAS EXTRACELULARES NEUTRÓFILOS ↑ EOSINÓFILOS ↑ - Resposta mediada principalmente por fagócitos e por células NK. - As bactérias extracelulares ativam as células NK por induzir a expressão de ligantes de ativação de células NK em células infectadas e pela estimulação da produção de IL-12 e IL-15 pelas células dendríticas e macrófagos e ambas são citocinas ativadoras da célula NK. - As células NK produzem IFN-γ, que por sua vez ativa os macrófagos e promove a morte da bactéria fagocitada. Assim, as células NK proporcionam uma defesa inicial contra estes microrganismos, antes do desenvolvimento da imunidade adaptativa. VÍRUS MONÓCITOS ↑ NK↑ - Os principais mecanismos de imunidade inata contra os vírus são a inibição da infecção por interferons do tipo I e a destruição das células infectadas mediada pelas células NK. - Os interferons tipo I têm a função de inibir a replicação viral em ambas as células infectadas e não infectadas. - As células NK destroem outras células infectadas por uma variedade de vírus e são um importante mecanismo de imunidade contra os vírus no início do curso da infecção, antes das respostas imunes adaptativas terem se desenvolvido. A expressão do de MHC de classe I é muitas vezes desligada nas células infectadas por vírus como um mecanismo de fuga dos CTLs (linfócito T citotóxico). Isso permite que as células NK destruam as células infectadas porque ausência da molécula de classe I libera as células NK de um estado normal de inibição FUNGOS MONÓCITOS ↑ - Os principais mediadores da imunidade inata contra fungos são os neutrófilos e macrófagos. Os pacientes com neutropenia são extremamente suscetíveis a infecções por fungos oportunistas. Os fagócitos e células dendríticas reconhecem os organismos fúngicos através dos TLRs e dos receptores do tipo lectina chamados dectinas. Os neutrófilos presumivelmente liberam substâncias fungicidas, tais como as espécies reativas de oxigênio e enzimas lisossomais e fagocitam os fungos para a morte intracelular. As cepas virulentas de Cryptococcus neoformans inibem a produção de citocinas, tais como o TNF e a IL-12 por macrófagose estimulam a produção de IL-10, inibindo assim a ativação dos macrófagos PROTOZOÁRIOS MONÓCITOS ↑ - A principal resposta da imunidade inata aos protozoários é a fagocitose, mas muitos desses parasitas são resistentes à fagocitose e podem se replicar mesmo dentro de macrófagos. - Alguns protozoários expressam moléculas de superfície que são reconhecidas por TLRs e ativam os fagócitos. As espécies de Plasmodium (o protozoário responsável pela malária), o Toxoplasma gondii (o agente que causa a toxoplasmose), e espécies de Cryptosporidium (o principal parasita que causa a diarreia em pacientes infectados pelo HIV), todos expressam lipídios glicosil fosfatidilinositol que podem ativar TLR2 e TLR4. HELMINTOS EOSINÓFILOS ↑ - Os Eosinófilos podem atacar os parasitas helmintos e secretar substâncias microbicidas para matar organismos que são muito grandes para serem fagocitados. No entanto, muitos helmintos possuem tegumentos espessos que os tornam resistentes aos mecanismos citocidas de neutrófilos e macrófagos, e que são muito grandes para serem ingeridos pelos fagócitos. - Alguns helmintos podem ativar a via alternativa do complemento, embora, parasitas obtidos de hospedeiros infectados parecem ter desenvolvido resistência à lise mediada pelo complemento. DESVIOS 1) À esquerda: - aumento de células imaturas brancas, células liberadas pelo compartimento de reserva medular (CRM) (ocorre nas infecções bacterianas, mas pode acontecer nas doenças virais – neutropenia com desvio à esquerda) ou nas leucemias. - Em condições fisiológicas, as células encontradas no sangue periférico são apenas neutrófilos segmentados (40-70%) e, no máximo, 1-5% de neutrófilos bastonetes. - Dessa forma, no intuito de atender à demanda pela infecção, as células do CRM alcançam o compartimento vascular periférico. Porém, apenas se o desvio à esquerda vier acompanhado de leucocitose (em geral neutrofílica) é indicativo de infecção. - Em alguns casos, o desvio à esquerda é tão intenso que pode haver leucocitose acentuada com o aparecimento de mieloblastos no sangue periférico (reação leucemoide). Este processo simula um processo proliferativo maligno (Leucemia Mieloide Crônica). - Como diferenciar a Reação Leucemoide da LMC? As células maduras da Leucemia Mieloide Crônica apresentam anomalias, como a deficiência da enzima fosfatase alcalina. Logo, a coloração da fosfatase alcalina se torna um diagnóstico diferencial entre a reação leucemoide e a LMC. 2) Desvio à esquerda escalonado. - Corresponde à reação ao processo infeccioso, ou seja, com proporção de células maduras maior que células jovens, refletindo a hierarquia que ocorre na produção dos neutrófilos. - Escalonamento: Bastonetes > metamielócitos > mielócitos 3) Desvio à esquerda não-escalonado. - Traduz, fisiopatologicamente, a liberação de granulócitos jovens. 4) Desvio à direita (fisiológico): - Também conhecido como neutrófilos hipersegmentados, caracterizado pela presença de mais de 3% de neutrófilos com 5 ou mais lóbulos, ou mais de 1% com 6 ou mais lóbulos - Principais causas: Anemia Megaloblástica, Infecções crônicas, Insuficiência Renal Crônica, uso de altas doses de corticoides, Mielodisplasia, Medicamentes (Hidroxiureia). HIATO LEUCÊMICO - aspecto especial da fórmula leucocitária na leucemia aguda, que se caracteriza pela ausência de formas intermediárias entre os mieloblastos e os neutrófilos adultos. Também pode ser caracterizado pela presença de blastos e células maduras sem a presença dos precursores intermediários. REAÇÃO LEUCEMÓIDE - leucocitose excessiva, geralmente caracterizada pela presença de células imaturas (mieloblastos, promielócitos e mielócitos) no sangue periférico. - Condições associadas: Infecções Graves e Crônicas, Hemólise Intensa e Câncer Metastático. Costumam ser muito intensas em crianças. - Na reação leucemoide, o processo reacional simula, até certo ponto, um processo proliferativo maligno (leucemia). As anormalidades desaparecem quando a condição subjacente é corrigida. Desse modo, torna-se difícil distinguir uma reação leucemoide granulocítica de uma leucemia mieloide crônica. Em ambos os casos, temos células morfologicamente semelhantes. - A coloração da fosfatase alcalina é utilizada para diferenciar o diagnóstico, pois as células maduras da Leucemia Mieloide Crônica (LCM) apresentam deficiência desta enzima. - Em analogia à reação leucemoide granulocítica, pode-se denominar a reação leucemoide linfocítica e monocítica às linfocitoses e monocitoses reacionais mais intensas que surgem em decorrência de infecções virais ou mesmo bacterianas. Além das infecções, alguns tumores secretores de agentes estimulantes da granulocitopoese e linfopoiese também provocam secundariamente essas reações. Nesse caso, sendo uma reação paraneoplásica. Além disso, agentes físicos, como as radiações, parasitas ou cânceres ao nível da medula óssea, podem modificar profundamente as condições de desenvolvimento normal das células presentes na medula óssea e, por conseguinte, repercutir de modo negativo sobre o contingente de células circulantes. LEUCOGRAMA - Compreende as contagens global e diferencial dos leucócitos; além da avaliação morfológica do esfregaço sanguíneo ao microscópio. - O adulto apresenta, aproximadamente, entre 5000- 10.000 leucócitos por mm3 de sangue, em condições fisiológicas. - Está indicado no diagnóstico e acompanhamento dos processos infecciosos, inflamatórios, alérgicos, tóxicos e neplásicos. - Os valores de referência para leucócitos totais e para os diferentes tipos leucocitários variam com a idade. Crianças costumam apresentar contagens globais mais altas, com porcentagens relativas de linfócitos superiores às dos adultos, diferença esta que tende a desaparecer após a puberdade. - O número global de leucócitos é alto no recém- nascido, e começa a cair no fim de 2 ou 3 dias. - Compartimento Mitótico Medular (CMM): células da linhagem mieloide formadas até o mielócito, ou seja, aquelas que vieram d mitose e não realizam fagocitose. - Compartimento de Reserva Medular (CRM): s células que vão desde os metamielócitos aos leucócitos segmentados. A existência do CRM é de vital importância para a linhagem de célula branca, pois diferentemente dos eritrócitos, os granulócitos e monócitos vivem apenas poucas horas. Quando os leucócitos chegam à circulação sanguínea periférica, podem se comportar de 2 maneiras: *Compartimento Leucocitário Circulante (CLC): que ocupa a circulação sanguínea propriamente dita *Compartimento Leucocitário Marginal (CLM): quando se encontra aderido às paredes do endotélio. Nesse caso, os leucócitos no CLM não são determinados ou mensurados pelo hemograma, porém, diante de uma infecção vigente, podem retornar ao compartimento circulante. - Estes 2 compartimentos sempre se encontram em renovação constante. - Em situações de jejum e repouso, os leucócitos ocupam o compartimento marginal na circulação sanguínea; porém, fatores como: alimentação, exercício físico e situações de estresse orgânico ou psicológico podem fazer com que o leucograma de um indivíduo em condições fisiológicas, apresente-se com leucocitose fictícia *Qual a explicação disto? Estas situações cursam, de um modo geral, com a liberação de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e adrenalina, que impedem a marginação dos leucócitos. Importante: Período gestacional e leucocitose neutrofílica e desvio à esquerda: o período gestacional pode provocar leucocitose crescente por neutrofilia (leucocitose neutrofílica), com aumento do número de neutrófilos segmentados e bastonetes, aliado à queda significativa do número de linfócitos (linfocitopenia). Essa neutrofilia de neutrófilos segmentados na gestantegarante o desenvolvimento seguro do feto, protegendo-o contra infecções durante todo o período gestacional. Já os neutrófilos bastonetes, precursores dos neutrófilos segmentados, aumentariam devido à incompleta maturação dessas células em função da demanda requerida. Assim, o período de gravidez é caracterizado por leucocitose com neutrofilia e “desvio a esquerda”, com diminuição progressiva de eritrócitos e linfócitos. COMPONENTES E VALORES DE REFERÊNCIA - Ao nascimento, os valores são: *Leucócitos: 9.000-30.000 *Neutrófilos/Segmentados: 6.000- 26.000 *Bastonetes: até 4.230 *Eosinófilos: 20-850 *Basófilos: 0-600 *Linfócitos: 2.000-11.000 *Monócitos: 400-1.800 -Dos 6 aos 11 anos, os valores são: - O adulto apresenta, aproximadamente, entre 4.000- 10.000 leucócitos por mm3 de sangue, em condições fisiológicas *Leucocitose: número maior que 10 mil leucócitos por mm3 *Leucopenia: número menor que 4 mil leucócitos por mm3 -A contagem diferencial, obtida após a coloração de esfregaços de sangue, constitui a fórmula leucocitária: *Neutrófilos: 60% a 65% *Eosinófilos: 2% a 4% *Basófilos: 0% a 1% *Linfócitos: 20% a 30% *Monócitos: 4% a 8% *Plasmócitos: 0% a 1% PAPEL DO METOTREXATO - O metotrexato é um antimetabólito usado no tratamento da Artrite Reumatóide e da Psoríase Grave em adultos. - Este fármaco se liga com alta afinidade e inativa a enzima diidrofolato redutase, impedindo que o diidrofolatos sejam reduzidos a tetraidrofolatos, os quais, posteriormente, são usados na síntese de nucleotídeos purina. Portanto, interfere na síntese (reparo e replicação) do DNA. - Além disso, promove liberação de adenosina, inibição da produção de citocinas pró-inflamatórias, supressão da proliferação de linfócitos e da adesão e quimiotaxia de neutrófilos e redução das imunoglobulinas séricas. Em geral, a incidência e a gravidade de reações medicamentosas adversas são relacionadas à dose e à frequências da administração. Pode afetar a hematopoese e causar anemia, leucopenia e/ou trombocitopenia. Em pacientes com neoplasia e deficiência hematopoiética preexistente, a droga deve ser utilizada com cautela. O uso de metotrexato deve ser imediatamente interrompido se houver queda significativa na contagem das células sanguíneas. ALTERAÇÕES NO LEUCOGRAMA Leucocitose - Quando há leucocitose, esta pode decorrer do aumentoNcomo: neutrofilia, eosinofilia, basofilia, linfocitose, monocitose e plasmocitose. - De modo contrário, neutropenia, eosinopenia, monocitopenia e linfocitopenia indicam a diminuição. - As infecções são as causas que mais frequentemente determinam leucocitoses, podendo ser à custa de neutrofilia ou de linfocitose e monocitose. - A leucocitose constitui na resposta de fase aguda do organismo a muitas doenças, incluindo-se infecções: bactérias, vírus, fungos protozoários. Geralmente, as infecções bacterianas causam neutrofilia acentuada, com aumento dos segmentos e bastonetes e desaparecimento dos eosinófilos circulantes. - Nestes casos podem ser encontradas células mais jovens em circulação, como metamielócitos, mielócitos e promielócitos que estavam no CRM anteriormente (desvio à esquerda). - Esta reação é mediada por várias moléculas liberadas em resposta a eventos estimuladores, tais como fator estimulador de colônias de granulócitos, fator estimulador de colônias de macrófagos; interleucinas 1, 2 e 3; e fator de necrose tumoral, entre outros. - As leucocitoses ocorrem basicamente em 3 situações: *Leucocitose fisiológica – geralmente de grau leve é comum em gestantes, RN, lactantes, após exercícios físicos e em pessoas com febre; *Leucocitose reativa – estão notadamente relacionadas com o aumento de neutrófilos e se devem às infecções bacterianas, inflamações, necrose tecidual e doenças metabólicas. *Leucocitose patológica – estão relacionadas a doenças mieloproliferativas (leucemias mielóides, policitemia vera, mieloesclerose) e linfoproliferativas (leucemias linfóides e alguns linfomas). Leucopenia - Deve-se avaliar a gravidade e a duração da leucopenia (revisar hemogramas anteriores, se houver) e avaliar o diferencial (neutropenia ou linfopenia). A revisão microscópica do hemograma também pode auxiliar no diagnóstico, se demonstrar alterações. - Diversas condições clínicas podem desencadear leucopenia. A anamnese deve revisar sinais e sintomas, morbidades, medicações em uso e complicações infecciosas associadas à leucopenia. O exame físico pode mostrar linfonodomegalias e/ou esplenomegalia, lesões de pele, sinais de hepatopatia crônica ou sinais de outras patologias. Essa avaliação inicial orientará a investigação subsequente a ser realizada – A Leucopenia pode acontecer em infecções: O hemograma avalia o sangue periférico e no caso dos neutrófilos. avaliamos a população circulante. Mesmo que a produção esteja aumentada. pode estar ocorrendo um consumo tecidual maior que a capacidade de liberação dos neutrófilos. como no agravamento dos processos infecciosos. Nestes casos, é comum a neutropenia estar acompanhada de desvio à esquerda, escalonado. evidenciando a proliferação granulocítica preservada; - A neutropenia também pode ocorrer devido a alterações na produção dos neutrófilos. Alguns antibióticos (notadamente o cloranfenicol), anti- inflamatórios não-hormonais. drogas utilizadas no tratamento da Aids, quimioterapia oncológica e até mesmo antitérmicos (derivados da aminopterina, como a dipirona) podem afetar a produção e a sobrevida de neutrófilos. complicando o processo infeccioso. Neutrofilia - Causas: Doenças infecciosas, Doenças Inflamatórias Agudas (sobretudo por bactérias piogênicas localizadas ou generalizadas); Inflamação e Necrose Tecidual (Infarto Agudo do Miocárdio, Vasculite, Miosite e Traumatismo); Doenças Metabólicas (Uremia, Eclampsia, Acidose Metabólica e Gota); Gestação; Neoplasias em geral (Carcinoma, Linfoma, Melanoma); Hemorragia ou Hemólise Agudas; Fármacos (Corticosteroides, os quais inibem a marginalização, lítio e tetraciclinas); e Leucemia Mieloide Crônica - Algumas vezes, é acompanhada de febre, resultante da liberação de pirógenos (IL-1) dos leucócitos. Além disso, pode-se observar: (1) desvio à esquerda (aumento de neutrófilos bastonados e presença ocasional de células mais primitivas, como mielócitos e metamielócitos); (2) presença de granulação tóxica e corpos de Dohle no citoplasma dos neutrófilos Pseudonetrofilia - Acontece na vigência de um estímulo adrenérgico, que faz com que os neutrófilos da zona marginal se tornem circulantes, ocasionando uma neutrofilia durante a análise do leucograma sem que haja necessariamente um processo infeccioso em andamento. -É um tipo de leucocitose fictícia, e também pode ser induzida pelo uso de glicocorticoides pelo mesmo motivo da estimulação adrenérgica . *Pode ocorrer por exemplo se uma criança chorar muito durante a injeção e em situações de exercícios físicos, por exemplo. - Os neutrófilos também podem ser avaliados qualitativamente pela presença de inclusões citoplasmáticas, sendo elas: (1) granulações tóxicas, ocorrendo quando há aumento na produção dos granulócitos pela medula óssea, o que acarreta em diminuição no tempo de maturação das células precursoras dos neutrófilos e, por isso, os neutrófilos aparecem no sangue com os grânulos primários predominantes e poucos grânulos secundários, sendo um indicativo de infecção; (2) vacúolos citoplasmáticos resultantes da fagocitose, podendo aparecer tanto em neutrófilos como em monócitos (embora seu relato só seja importante quando aparece nos neutrófilos), indicando casos de infecções graves. Neutropenia - Quando a contagem de neutrófilos cai a níveis inferiores a 0,5x103 μl, o paciente é sujeito a infecçõesreincidivantes . -Causas: Neutropenia Étnica Benigna (vários povos de raça negra possuem contagem baixa de neutrófilos decorrente de um polimorfismo no gene do receptor da quimiocina do antígeno duffy-DARC, que acarreta em perda da expressão de DARC nos eritrócitos e leucócitos); Neutropenia Congênita Grave/Síndrome de Kostmann (a maioria se origina por mutação no gene ELA2); Induzida por fármacos (antitireoideos, fenotiazinase e clozapina – os quais podem induzir neutropenia por toxicidade direta ou dano por mecanismo imunológico); Neutropenia Cíclica (síndrome caracterizada por neutropenia intensa mas transitória); Neutropenia Inflamatória e Autoimune (Artrite Reumatoide, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Hipersensibilidade e Anafilaxia); Neutropenia Idiopática Benigna (aumento do pool neutrofílico marginal com diminuição do pool circulante); Monocitose - bastante incomum - Causas: Infecções Bacterianas Crônicas (Tuberculose, Brucelose, Endocardite Bacteriana, Febre Tifoide); Doenças do Tecido Conectivo (Lúpus eritematoso sistêmico, Artrite Reumatoide); Infecções por Protozoários; Linfoma de Hodgkin e Leucemia Mieloide Aguda. Monocitopenia - De escasso valor clínico, exceto na Leucemia de células cabeludas (neoplasia de células B). Eosinofilia - Algumas vezes não se acha causa subjacente e, se a contagem se mantiver alta durante mais de 6 meses, associando-se à dano tecidual (pele, válvulas cardíacas e pulmões), estamos diante da Síndrome Hipereosinofílica. -Causas: Doenças Alérgicas (sobretudo hipersensibilidade do tipo I); Doenças Parasitárias; Doença do enxerto versus hospedeiro; Tumores Metastáticos com Necrose Tecidual; Síndromes Pulmonares (Síndrome de Loeffler) Eosinopenia -Contagem abaixo de 20/mm3 , ocorre em quadros de infecções agudas com neutrofillias acentuadas. -É bastante útil para o diagnóstico de casos de abdome agudo e ocorre também quando em uso de corticoide e epinefrina. Basofilia - Corresponde ao aumento do número de basófilos acima de 0,1x 103 μl, sendo bastante incomum -Causas: Neoplasia Mioproliferativa (Leucemia Mieloide Crônica e Policitemia Vera) e Basofilia Reaciona. LEUCEMIAS - A leucemia representa um grupo de neoplasias malignas derivadas das células hematopoiéticas. Esta doença inicia sempre na medula-óssea, local onde as células sanguíneas são produzidas, e posteriormente invadem o sangue periférico, podendo atingir vários órgãos do paciente afetado. - A leucemia é a doença maligna mais comum na infância, correspondendo aproximadamente a 30% dos casos de câncer em crianças. - De acordo com a célula de origem, as leucemias podem ser classificadas em mielóide ou linfocítica - Com a proliferação das células neoplásicas no interior da medula óssea há um suprimento na produção das células hematopoiéticas normais. Devido à redução no número de hemácias e, subsequentemente, da capacidade de transporte de oxigênio do sangue, os pacientes com leucemia irão apresentar anemia e fadiga. Os pacientes leucêmicos também apresentam problemas de sangramento devida à falta de plaquetas (trombocitopenia). A febre também é uma característica clínica comum e está associada à infecção devido à depleção de neutrófilos. De acordo com o comportamento clínico da doença as leucemias podem ser classificadas em aguda e crônica -Desta forma temos quatro tipos principais de leucemias. LLA - Os pacientes com leucemia apresentam um maior número de células imaturas no sangue, podendo ser identificadas no hemograma e o diagnóstico final é feito através de punção aspirativa da medula óssea. LMA - As características clínicas são semelhantes às da LLA, onde os pacientes apresentam febre, anemia, fadiga. Os problemas com sangramentos são mais frequentes nos pacientes com LMA do que com LLA Conceito - A LMA surge com uma alteração genética na célula- tronco hematopoiética, a qual origina uma proteína tirosinocinase p190, que faz com que as células jovens mais imaturas (também denominadas de células blásticas ou blastos) proliferem de maneira exacerbada - Com isso, há uma perda da capacidade de amadurecimento celular, bem como de sua diferenciação, com consequente acúmulo de células imaturas na medula óssea, de modo a impedir que a hematopoiese ocorra de maneira eficaz. - Em consequência, o paciente apresentará anemia, plaquetopenia, leucocitose ou leucopenia: *Em teoria, o paciente deveria apresentar uma leucopenia, pois o acúmulo de blastos na medula óssea faz com que o espaço interno da medula óssea impeça as células normais de funcionarem. Porém, a quantidade de células imaturas acumuladas é tão grande, que os blastos chegam a transbordar da estrutura medular e alcançam o sangue, cursando com uma leucocitose e “desvio a esquerda”, ao custo de células blásticas Diagnóstico Laboratorial. - Diante do paciente com o quadro sintomático previamente descrito, a LMA deverá ser investigada a partir do hemograma, observando: *Anemia normocítica e normocrômica em 90% dos casos, podendo se associar a leucocitose (mais comum) ou leucopenia, com a presença de blastos no sangue periférico e plaquetopenia. - Podem ocorrer alterações metabólicas: hiperuricemia, aumento da desidrogenase láctica (DHL) e mielograma com alteração evidente, onde há população de blastos maior que 20% no esfregaço sanguíneo. LEUCEMIA LINFOIDE CRÔNICA -Este tipo de leucemia atinge quase que exclusivamente pacientes adultos, sendo considerada o tipo mais comum nesta faixa etária nos países Ocidentais -A média de idade dos pacientes acometidos é de 60 anos com uma discreta predominância no gênero masculino. Frequentemente este tipo de leucemia é assintomático, sendo detectada em exames de sangue de rotina. LEUCEMIA MIELOCÍTICA CRONICA - A LMC distingue-se de outras leucemias por apresentar uma anormalidade molecular singular, uma translocação entre um gene do cromossomo 9 e outro no cromossomo 22. - Este tipo de leucemia também atinge com maior frequência pacientes adultos, com pico entre a 3ª e 4ª décadas de vida Conceito -É uma forma de leucemia caracterizada pela proliferação clonal exacerbada de células da linhagem granulocítica, sem a perda de capacidade de diferenciação, decorrente de uma mutação nas células-tronco pluripotentes - Trata-se, portanto, de uma doença mieloproliferativa caracterizada por uma aberração citogenética ocasionada por uma translocação entre o cromossomo 9 e 22 na célula pluripotente: *Essa translocação resulta em um cromossomo 22 encurtado, denominado cromossomo Filadélfia *Nessa translocação, parte do gene BCR (breakpoint cluster region) do cromossomo 22 se funde com o gene ABL do cromossomo 9, formando o gene BCR-ABL *Esta fusão anormal gera a proteína tirosinocinase p210, a qual interfere nos sinais de proliferação, aderência e apoptose celular, causando instabilidade genômica e, assim, fazendo com que a célula fique mais suscetível a desenvolver anormalidade genética futuras. - Tais anormalidade podem predispor à transformação celular neoplásica maligna Diagnóstico Laboratorial - O diagnóstico de leucemia mieloide crônica é realizado a partir de: *Hemograma: mostrando anemia normocítica e normocrônica + leucocitose grave acima de 100.000 leucócitos + neutrofilia com “desvio a esquerda” até blastos e sem sinais sugestivos de infecção, basofilia e eosinofilia *Mielograma: com medula óssea apresentando-se rica em células (hipercelularidade) e hiperplasia do tecido granulopoiético *Diminuição da fosfatase alcalina dos neutrófilos *Aumento da desidrogenase láctica (DHL) *Aumento do ácido úrico (hiperuricemia) *Cariótipo mostrando presença do cromossomo Philadelfia -O diagnóstico diferencial da LMC se faz com as reações leucemoides inerentes às infecções,que mostram os seguintes resultados: *Leucócitos geralmente em torno de 50.0000 por mm3, com predomínio das formas maduras, podendo ter eventual “desvio a esquerda”, mas que não chega até os blastos, mieloblastos raros e ausência de basofilia *Medula óssea normocelular, sem basofilia e com megacariócitos normais no mielograma *Fosfatase alcalina aumentada: importante para a diferenciação entre reação Leucemoide e LMC: *Células maduras da LMC têm, entre outras anomalias, deficiência de fosfatase alcalina; *Na reação leucemoide a enzima se encontra presente e é muito positiva nas células maduras granulocíticas *Ácido úrico normal (normouricemia) *Cariótipo mostrando ausência do cromossomo Philadelfia - A LCM é geralmente dividida em três fases, com base nas características clínicas e laboratoriais. - Na ausência de intervenção, a leucemia mieloide crônica começa tipicamente na fase crônica, e com o avanço de muitos anos, progride para uma fase acelerada e, finalmente, para uma crise blástica; - A crise blástica caracteriza a fase terminal da LCM e se comporta clinicamente como uma leucemia aguda Fase Crônica. - Aproximadamente 85% dos pacientes com LCM estão na fase crônica na época do diagnóstico. - Durante esta fase, pacientes são geralmente assintomáticos ou têm somente leves sintomas de fadiga -A duração da fase crônica é variável, com média de 1 a 5 anos, e evolui para a fase de aceleração na ausência de tratamento curativo Fase de Aceleração. - Caracterizada pela piora do estado geral, com esplenomegalia, basofilia, leucocitose gradativa e aumento de blastos na circulação periférica. -No mielograma, aparecem cerca de 10% a 19% de mieloblastos no sangue característicos dessa fase, e basofilia exacerbada (>20%) Crise Blástica - É a fase final da evolução da LCM, comportando-se como uma leucemia aguda, com rápida progressão da doença e sobrevivência do paciente bastante curta; é diagnosticada de acordo com a presença de critérios determinados: *Febre *Quantidade de mieloblastos, promielócitos ou linfoblastos no sangue ou na medula óssea acima de 20% *Grandes agrupamentos de blastos na medula óssea *Desenvolvimento do cloroma ou sarcoma granulocítico, uma coleção sólida de células leucêmicas aberrante fora da medula óssea, principalmente na pele.