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Bibliologia 1/66
Nome:
Bibliologia 2/66
ÍNDICE
Lição 1 - A Bíblia................................................................................................. 02
Lição 2 - 0 Cânon da Bíblia................................................................................... 15
Lição 3 - Inspiração Bíblica................................................................................... 28
Lição 4 - Revelação Bíblica ................................................................................. 40
Lição 5 - Preservação e Tradução Bíblica...............................................................53
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Lição 1
A BÍBLIA
"Cremos na inspiração divina e plena da Bíblia, bem como na sua infalibilidade e inerrância1,
como única regra de fé normativa para a vida e o caráter cristão".
Leia (2Tm 3.14-17)
Nos primórdios da civilização o homem para viver em grupo necessitou de normas que regulasse os
seus direitos e deveres. Surge assim, após diversas experiências, a constituição que, transgredida, priva o
cidadão dos bens maiores: a vida, a liberdade, etc.
Semelhantemente no mundo espiritual, Deus estabeleceu a Bíblia Sagrada como fonte de vida. A
Palavra de Deus liberta da escravidão do pecado os que vivem na mentira.
Horace Greeley assim define a importância da Bíblia: "É impossível escravizar mental ou socialmente
um povo que lê a Bíblia”.
Os princípios bíblicos são os fundamentos da liberdade humana: "E conhecereis a verdade, e a
verdade vos libertará" (Jo 8.32).
0 conhecimento da Bíblia Sagrada posto em pratica, liberta o ser humano da escravidão do pecado,
pois quem comete pecado é escravo do pecado.
Necessitamos da Bíblia, pois é alimento espiritual para nós: "Achando-se as tuas palavras, logo as
comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome me chamo, ó
Senhor, Deus dos Exércitos" (Jr 15.16).
A Escritura é a segurança para caminharmos no mundo de trevas: "Lâmpada para os meus pés
é a tua palavra e luz para o meu caminho" (SI 119.105). Muitos andam em trevas por não conhecerem a luz
gloriosa de Deus.
A Bíblia é a maravilhosa biblioteca de Deus com sessenta e seis livros. É acima de tudo a verdade para
o fatigado peregrino; é hábil, eficaz e vigoroso cajado.
Para os sobrecarregados e oprimidos pelos fardos da vida, ela é suave descanso; para os que foram
feridos pelos delitos e pecados, é um bálsamo consolador. Aos aflitos e desesperados, sussurra
uma alegre mensagem de esperança.
Para os desamparados e arrastados pelas tormentas da vida é uma âncora segura; para a
solidão, é uma mão repousante [sic]2 que acalma e tranquiliza suas mentes.
O termo Bíblia não existe no texto das Sagradas Escrituras. O vocábulo "Bíblia" significa
coleção de livros pequenos e deriva da palavra "biblos", nome dado pelos gregos à folha de papiro
preparada para a escrita.
A palavra portuguesa Bíblia vem do grego, bíblia, que é o plural de "bíblion", livros. A expressão
"Bíblia" foi aplicada às Sagradas Escrituras por João Crisóstomo, patriarca de Alexandria. Trata-se
de uma coleção de livros perfeitamente harmônicos entre si.
Tais livros foram reunidos num só volume através de um longo processo histórico divinamente
dirigido: a sua canonização; isto é, o reverente, criterioso e formal reconhecimento pela Igreja dos
escritos divinamente inspirados do Antigo e do Novo Testamento.
Esse conjunto de escritos sagrados passou a denominar-se cânon ou escrituras canônicas.
1 Que não pode errar; infalível. Não errante; fixo.
2 [Lat "assim".]. Adv. Palavra que se pospõe a uma citação, ou que nesta se intercala, entre parênteses ou
entre colchetes, para indicar que o texto original é bem assim, por errado ou estranho que pareça.
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A Bíblia é uma Dádiva de Deus
Deus, que antigamente falou "muitas vezes e de muitas maneiras aos pais" (Hb 1.1), queria que a sua
Palavra não somente ficasse guardada pelos homens por meio da sua própria experiência com Deus e pela
tradição falada, isto é, os pais contando aos seus filhos, etc.
Deus ordenou a Moisés: "Escreva isto para a memória em um livro" (Êx 17.14). Ordem esta que foi
depois repetida durante 1.600 anos por um valor aproximado de 40 homens inspirados por Deus, e assim
surgiu: "O livro de Deus" (Is 34.16), a "Palavra de Deus" (Ef 6.17; Mc 7.13), "As Santas Escrituras" (Rm 1.2),
que nós chamamos de Bíblia.
Os que escreveram os livros da Bíblia receberam as mensagens de diferentes maneiras. Às vezes Deus
disse: "Escreve num livro todas as palavras que eu tenho dito" (Jr 30.2; 36.2; Hc 2.1,2). Muitas vezes os
autores escreveram: "Veio a mim a palavra de Deus" (Jr 1.4), "palavras da vida para no-las dar" (At 7.38).
Isaías menciona 120 vezes o que o Senhor lhe fala; Jeremias 430; e Ezequiel 329 vezes. Outros
registram acontecimentos como se escreve história (Ex 17.14 etc.).
Uns examinaram minuciosamente sobre o que deveriam escrever (Lc 1.3); outros receberam a
mensagem por revelação (At 22.14-17; Gl 1.11,12, 15,16; Ef 3.1-8; Dn 10.1), sonhos e visões (Dn 7.1;
Ez 1.1, 2Co 12.1-3). Mas, escreveram o que receberam pela inspiração do Espírito Santo e podiam
dizer: "O que recebi do Senhor também vos entreguei" (ICo 11.23; 15.3).
As Escrituras produzem resultados práticos indiscutíveis; têm influenciado civilizações, transformado
vidas e trazido luz, inspiração, conforto a milhões de pessoas. Nelas podemos confiar a orientação integral
de nossa vida e extrair os fundamentos do bem-estar e liberdade humana. O Senhor as estabeleceu
como: regra, bússola, alimento e fonte de bênçãos para a vida do crente.
Autenticidade Bíblica
A autenticidade da Bíblia é fundamentada na infalibilidade e inerrância. Os atributos da divindade
são por ela revelados. Ela é autêntica em tudo, pois o próprio Deus é o seu autor, o Espírito Santo, o seu
inspirador. Nela são autênticos e inerrantes as revelações e os fatos narrados.
O racionalismo se opõe vorazmente contra a autenticidade, infalibilidade e a autoridade da Bíblia. O
ateísmo, assim como o racionalismo, jamais poderá ofuscar a autenticidade das Escrituras. O problema do
ateu em não querer aceitar a Bíblia como Palavra de Deus está na forma como ele se comporta ao ler as
Escrituras, pelo fato de não querer observar o que ela realmente está dizendo.
Uma das principais afirmações da autenticidade da Bíblia é sustentada por Jesus, quando diz aos
judeus que as Escrituras dão testemunho dEle (Jo 5.39).
As Escrituras revelam sua autenticidade à menção de Jesus ao profeta Jonas, cujo livro foi escrito
aproximadamente 790 anos antes de Cristo. Jesus afirma que Jonas esteve no ventre do grande peixe por
três dias e três noites e que o profeta pregou aos ninivitas.
Portanto, tentar obscurecer a inerrância das Escrituras é no mínimo um ato grotesco! O Senhor Jesus
Cristo confirmou a sua veracidade:
"Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17).
Verificação
O Antigo Testamento declara-se escrito sob inspiração especial de Deus. A expressão "Deus disse” ou
"disse Deus" - como forte indicador da chancela1 divina nos escritos sagrados é usada mais de 2.600 vezes
na Bíblia. A Lei, os Salmos, os Profetas, os Evangelhos, as Epístolas, o Apocalipse - Antigo e Novo
Testamentoreceberam de Deus sua inspiração.
O Novo Testamento cita as leis antigas e as menciona com harmonia. Por isso há uma diferença
insondável entre a Bíblia e qualquer outro livro. Essa diferença deve-se à origem, à forma e à organização
da Bíblia.
Escrita por um valor aproximado de quarenta autores, num período de mais ou menos
1.600 anos, abrangendo uma variedade de tópicos, a
1Marca ou sinal que merece confiança e, portanto, faz aceitar como boa uma afirmação, referência, etc.
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Bíblia demonstra uma unidade de tema e propósito que só é possível explicar, considerando que há uma
mente diretriz, uma única fonte inspiradora.
Quantos livros suportam sucessivas leituras? A Bíblia pode ser lida todos os dias e todas as horas
da vida. Tem o seu lugar reservado em muitas bibliotecas do mundo, em centenas de milhares de casas
e no coração do homem.
A Bíblia está traduzida em milhares de idiomas e dialetos e é lida em todos os países do mundo. O
tempo não à afeta. É um dos livros mais antigo do mundo e ao mesmo tempo moderno.
As defesas intelectuais da Bíblia têm o seu lugar, mas, o melhor argumento é o prático.
Como as Escrituras Chegaram Até Nós
A história de como a Bíblia chegou até nós, na forma em que a conhecemos, é longa e fascinante.
Começa com os manuscritos originais ou "autógrafos", como são às vezes chamados. Textos originais foram
escritos por homens movidos pelo Espírito Santo (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21).
Céticos1 declaram que Moisés não poderia ter escrito a primeira parte da Bíblia porque a escrita
era desconhecida na época (1500 a.C.). A ciência da arqueologia2 provou desde então que a escrita já era
conhecida milhares de anos antes dos dias de Moisés.
Os sumérios já escreviam cerca de 4000 a.C., e os egípcios e babilônios quase nessa mesma época.
1 Que duvida de tudo; descrente.
2 O estudo científico do passado da humanidade, mediante os
testemunhos materiais que dele subsistem.
Divisão e Classificação
As Escrituras formam uma unidade perfeita. A palavra Bíblia significa: conjunto de livros e neste
aspecto, forma o Livro dos livros, por se tratar da revelação de Deus aos homens.
Por causa de sua perfeita unidade, a Bíblia é uma biblioteca e um livro ao mesmo tempo. Possui vários
nomes em seu próprio conteúdo, a saber:
Escritura (Mt 21.42); Sagradas Escrituras (Rm 1.2); Livro do Senhor (Is 34.16); A Palavra de Deus (Mc
7.13); A Lei e os Profetas (Js 1.7,8; Ne 8.3,4,18); Oráculos de Deus (ARA Rm 3.2; Hb 5.12), etc.
A Bíblia é dividida em Antigo e Novo Testamento, com um total de 66 livros. Uma divisão
detalhada pode ser visualizada no quadro logo abaixo:
Os livros das Escrituras estão classificados por assunto, sem ordem cronológica. O Antigo e o
Novo Testamento se divide em 4 partes.
AT NT BIBLIA TODA
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Antigo Testamento:
1ª) Lei.
Os cincos primeiros livros da Bíblia, chamados de O Pentateuco, traz a revelação da criação e mostram todo
o cuidado de Deus "em manifestar a lei, código de disciplina espiritual, civil e moral para seu povo.
2ª) História.
Do livro de Josué ao de Ester, é formado um conjunto de doze livros, que nos traz a história do Povo de
Deus (Israel) em suas diversas fases ou períodos, após o estabelecimento em Canaã.
3ª) Poesia.
De Jó a Cantares de Salomão, encontramos a poesia bíblica, em forma de revelação, adoração e
conhecimento de Deus.
4ª) Profecia:
De Isaías até Malaquias, temos a revelação profética, que dividida em:
a) Profetas Maiores - Isaías à Daniel;
b) Profetas Menores - Oséias à Malaquias.
Novo Testamento:
1ª) Biografia.
O NT se inicia com os quatros Evangelhos trazendo-nos a vida maravilhosa de Jesus Cristo. Três deles
formam um paralelismo no Ministério de Cristo e são chamados Sinópticos1.
2ª) História.
A história do Novo Testamento é a história da Igreja, revelada em Atos dos Apóstolos.
3ª) Doutrina.
As Epístolas ou Cartas, de Romanos a Judas, mostra de maneira esclarecedora todos os
mandamentos do Senhor Jesus Cristo à sua Igreja.
4ª) Profecia.
No Apocalipse, Deus revela o encerrar de todas as coisas sobre a égide2 de um Senhor Soberano Eterno,
Glorioso e revela manifestação pessoal de Jesus Cristo e sua vitória final.
Valor Espiritual das Escrituras
"O Valor da Palavra de Deus é inestimável! Seu valor excede a todas as coisas. O valor, espiritual está
naquilo que é".
Os seres humanos têm experimentado o valor da Palavra de Deus em suas vidas. Pessoas dantes3
materialistas, céticas, indiferentes, alienadas e párias4 da Sociedade, encontraram com a Palavra
de Deus foram transformadas, abençoadas, vivificadas (Ef 2.1) e valorizadas.
1 Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, assim chamados porque permite uma vista de conjunto, dada a
semelhança de suas versões.
2 Escudo; defesa, proteção. Abrigo, amparo, arrimo.
3 Antes, anteriormente.
4 Fig. Homem excluído da sociedade.
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Seu valor como Livro:
Qual o valor de um livro, capa, volume, acabamento? Ou conteúdo? A Bíblia não é um mero livro, e
sim "O Livro de Valor", seu conteúdo ultrapassa todos os limites do homem, suas palavras vieram do céu
(SI 119.89). São palavras que produzem vida (Jo 6.63).
Desde o princípio Deus estabeleceu que suas Palavras fossem escritas em um livro (Êx 17.14). Havia
em Israel outros livros, principalmente o livro histórico dos Reis (2Cr 35.27). Entretanto o livro que trouxe
avivamento em Judá foi o Livro do Senhor (2Rs 23.2,3), no tempo do Rei Josias.
Ao retornarem do cativeiro, os poucos judeus que vieram a Jerusalém fizeram um grande
ajuntamento na praça (Ne 8.3), onde Esdras, o Sacerdote, trouxe o livro de Deus e abriu diante do
povo (Ne 8.5), o que trouxe um grande despertamento para o povo de Deus (Ne 8.17).
Nos dias do profeta Jeremias, Deus ordenou que sua Palavra fosse escrita num livro (Jr
36.2), e fossem lidas diante do povo (Jr 36.6).
Daniel descobriu o número de anos do cativeiro pelos livros (Dn 9.2), certamente o livro dos profetas,
e começou a orar para a libertação do povo do cativeiro (Dn 9.3).
O Senhor Jesus Cristo deu importância e valor ao livro divino, em Nazaré, foi à sinagoga e leu o livro
do profeta Isaías aos ouvidos do povo (Lc 4.17), ratificando1 o valor e o cumprimento da profecia (Lc 4.21).
Deus, na sua sabedoria, proporcionou uma coleção de livros para o seu povo em todo o mundo:
A Bíblia (Jo 21.25).
Seu valor como Alimento:
Como o corpo físico precisa do alimento, nosso e alma necessitam do alimento espírito espiritual
(Dt 8.3). Este é o princípio estabelecido por Deus para o seu povo valorizar a Palavra como alimento.
O próprio Senhor Jesus confirmou a Palavra do Pai, diante de Satanás (Mt 4.4). "Nem só de pão...".
A Palavra de Deus, como alimento espiritual, é comparada ao:
Mel - O Salmo 19.10b nos apresenta a Palavra "mais doce do que o mel", ele fala do sabor
espiritual da Bíblia, o mel é um alimento completo.
Leite - O primeiro alimento do recém-nascido é também indicado para aqueles que iniciam na fé
cristã (Hb 5.13).
O escritor aos Hebreus fala de crentes que com o tempo de vida cristã já deveriam provar alimentos
sólidos, entretanto ainda precisam de leite (Hb 5.12). Toda doutrina, e os primeiros rudimentos2 da Palavra
de Deus, são como leite espiritual para os que nasceram de novo (Jo 3.3). Alimento sólido é
para aqueles que superaram a infância espiritual.Seu valor como Guia:
Segundo o dicionário, a palavra guia, dentre outras coisas significa, caderno ou livro, que contém
indicações úteis acerca de lugares, horários, roteiros, etc.
Ao examinarmos as Escrituras, encontramos o fiel e perfeito roteiro de Deus que ajuda-nos alcançar:
uma vida plena em Sua presença e um caminho certo para chegarmos às mansões celestiais (Jo 14.6).
Quando Deus retirou o povo de Israel do Egito, para orientá-los acerca de sua vontade, deu- lhes a Lei,
que consistia em um guia espiritual, moral e pessoal para cada família de Israel (Dt 4.5,6).
A Bíblia é o livro por excelência que nos leva a salvação (At 4.12), nos conduz a uma vida de vitória
(Rm 8.37), nos ensina acerca da vida, orienta-nos diante das circunstâncias boas ou ruins (Lc 12.22-34).
Constitui-se num guia perfeito para as famílias, colocando a ordem de Deus em nossas vidas (Ef 6.1-4);
orienta empregados (Ef 6.5-8), patrões (Ef 6.9) e muitos outros assuntos.
A Bíblia orienta-nos quando não sabemos como fazer (ICo 10.23) e ensina-nos acerca da vontade de
Deus para com nossas vidas (Ef 5.17,18).
1 Confirmando autenticamente, validando (o que já fora prometido).
2 Elemento inicial; princípio, começo; esboço: Primeiras noções;
princípios
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Seu valor Espiritual:
Os dias de hoje é marcado por uma verdadeira corrida ao mundo espiritual. Cremos ser um dos sinais
da vinda de Cristo. Cabe à Igreja do Senhor aproveitar este momento e disseminar1 a Palavra de Deus, só
ela tem valor espiritual para estes dias de crise.
O Valor espiritual da Bíblia consiste em ser Alimento do espírito (Rm 7.22), pão que desceu do céu e
que produz vida (Jo 6.58).
Nestes dias de indefinições para muitos a Bíblia viva e eficaz é como espada que penetra até a divisão
da alma e espírito discernindo todas as coisas (Hb 4.12).
Testifica com nosso espírito confirmando nossa posição em Cristo (Rm 8.16). Ela produz fé nos
corações (Rm 10.17), estimula a crer nas promessas de Deus, e mostra um Senhor fiel e cumpridor de suas
palavras (Hb 10.23).
O livro dos Salmos registra algo importante acerca do mundo espiritual (SI 89.48). Este versículo
fala do poder do mundo invisível, e pergunta: "Quem livra a sua alma?".
Devemos estar sempre ligados no poder da oração, da fé, do nome de Jesus (Mc 16.17), que nos
dá vitória sobre este mundo maligno (Ef 6.12).
Para muitos a Bíblia não valor algum (ICo 2.14). Mas o homem espiritual, aquele cujos olhos estão
abertos, pode discernir o valor precioso das Escrituras (ICo 2.15,16).
Apenas o Espírito Santo pode nos levar a compreender o valor espiritual da Palavra de Deus.
Jesus declarou acerca disso em João 14.26, Dizendo:
"Ele vos ensinará todas as coisas".
1 Semear ou espalhar por muitas partes: Difundir, divulgar,
propagar; espalhar
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Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
1. A expressão "Bíblia" foi aplicada às Sagradas
Escrituras por
a) [ ]João, o apóstolo
b) [ ]João Batista
c) [ ]João Calvino
d) [ ]João Crisóstomo
2. Profeta que Jesus fez menção para confirmar a autenticidade das Escrituras
a) [ ]Jonas
b) [ ]Daniel
c) [ ]Miquéias
d) [ ]Naum
3. Quanto às divisões do AT, é incerto dizer que:
a) [ ]A 4ª parte são os livros proféticos divididos em: Profetas Maiores e Menores
b) [ ]A 3ª parte são os livros que vão de Jó até Cantares de Salomão denominados poéticos
c) [ ]A 2ª parte são os livros históricos que trazem a revelação da criação
d) [ ]A 1ª parte é a Lei, que são os cincos primeiros livros da Bíblia, chamados de: O Pentateuco
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4. [ ]A arqueologia provou que a escrita não era
conhecida antes dos dias de Moisés
5. [ ]A Palavra de Deus, como alimento espiritual, é comparada ao mel e ao leite
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Unidade Singular
A Bíblia em sua perfeita unidade, só pode ser explicada como um perfeito milagre de Deus. A maneira
como foi escrita sob diversas circunstâncias e tudo com perfeição uniforme em mensagem e conteúdo; só
pode ser considerada como, um livro divino!
Ninguém sabe como estes 66 livros divinos se encontram num só volume, isto é obra de Deus.
Qualquer outra obra literária nas circunstâncias da Bíblia seria como uma verdadeira Babel (confusão).
Num período de quase 16 séculos, os escritores inspirados, vivendo sob diversas circunstâncias e em
lugares distintos e distantes (três continentes), escrevendo em duas principais línguas, trouxeram-nos a
revelação de Deus - A Bíblia.
A diversidade de escritores:
Deus usou para escrever sua Palavra, homens de atividades variadas, razão que encontramos
os mais diversos tipos de linguagem na Bíblia. Abaixo segue alguns exemplos de escritores bíblicos com suas
respectivas ocupações:
Muitos outros homens foram usados por Deus para revelar-nos sua Palavra. Apesar da diversidade
de atividades, ao examinarmos os escritos destes homens, observamos como eles se completam.
Na verdade não foram escritos muitos livros, mais sim um só livro, a maravilhosa Palavra de Deus (SI
119.152).
A diversidade de condições:
O Deus Soberano permitiu que sua Palavra fosse escrita em diversas condições, certamente para nos
mostrar hoje, que Ele está no controle de tudo.
Por exemplo, a Bíblia foi escrita:
Na cidade;
Nos desertos como Elias (lRs 19.4,5);
Nas ilhas como João escreveu (Ap 1.9);
Nas prisões como Paulo escreveu (Fm 1.1).
Entretanto a mensagem é uma só: "Como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais, até ser dia
perfeito" (Pv 4.18), esta perfeição é exclusiva no livro divino - A Bíblia Sagrada.
A diversidade de circunstâncias:
Desencontradas foram às circunstâncias em que foram escritos os livros da Bíblia. Davi, homem
segundo o coração de Deus, escreveu, por exemplo, o Salmo 24, quando trazia a arca de Deus à Jerusalém.
Salomão certamente escreveu na tranquilidade do palácio (lRs 4.32-34). Josué escreveu após grandes
conquistas (Js 24.26).
Apesar da diversidade de situações, a mensagem, a doutrina e o tema central são um só.
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Autor da Bíblia:
Nenhum homem, ímpio, justo, piedoso ou mesmo judeu, seria o autor da Bíblia. Certamente estes
homens não fariam um livro que falasse dos seus fracassos, derrotas, pecados, idolatrias e rebeliões
contra Deus.
Deus, verdadeiramente é o autor deste livro maravilhoso e infalível que revela a salvação, libertação
e transformação do homem em uma nova criatura (2Co 5.17).
As evidências confirmam o efeito e a influência da Bíblia em pessoas e nações. A Palavra de Deus
tem influenciado e melhorado o mundo, pelo caráter que molda na vida das pessoas.
Muitos dantes incrédulos, indiferentes, viciados, idólatras, supersticiosos, que aceitaram este livro,
foram por ele transformados, salvos, libertos e santificados. Nenhum outro livro tem poder de transformar
pessoas, lares e nações (At 19.18-19), como a Palavra de Deus.
A Mensagem das Escrituras
Deus na sua presciência estabeleceu sua Palavra, de modo que ela abrange o passado, o presente e o
futuro.
As necessidades dos homens durante todo o tempo, tem sido as mesmas durante sua existência na
terra. Somente uma palavra atual, poderia suprir as necessidades humanas.
Em Hebreus 4.12, diz que a Palavra de Deus "é viva e eficaz", sua mensagem, seu poder, se cumpre a
cadadia na vida daqueles que a buscam como verdadeiro refúgio em dia de tempestade (cf. Is 32.2).
1. Apresenta Deus como criador e Senhor de tudo.
As Escrituras testificam da existência de Deus e tudo o que Ele fez, faz e fará. Toda a criação está
sujeita a Ele e depende dEle.
O Eterno converge todas as coisas para a sua glória e alegria do seu povo. Vários textos
confirmam estes fatos: Gênesis 1.1; Salmos 95.6; 104.30; Isaías 40.26; Efésios 3.9; Apocalipse 10.6.
2. Apresenta sem reserva a verdade e a realidade do pecado.
Nenhum outro livro tem o poder de revelar o pecado e seu caráter maligno como a Bíblia. Ela não
filosofa sobre o pecado, mas trata-o com clareza e o expõe sem qualquer reserva, como uma dívida do
homem contraída com Deus (Rm 1.18-32; 3.23; 5.12).
3. Apresenta o plano de salvação para o homem.
As religiões intentam salvar o homem pelos seus próprios méritos; entretanto, a salvação só é
possível através da solução única apresentada na Bíblia.
A redenção humana foi planejada no céu pelo Pai, consumada na terra pelo Filho e é oferecida pelo
Espírito Santo (Tt 3.5).
Só Deus através de sua poderosa Palavra, mediante o sangue remidor de seu Filho pode resgatar o
homem da perdição eterna (At 4.12; Lc 19.10).
4. A Bíblia tem mensagem para os nossos dias.
A Bíblia define os dias de hoje como: dias maus (Ef 5.16), de aflições, tempos trabalhosos. Temos visto
o clamor do povo e até mesmo da Igreja, face aos acontecimentos mundiais.
A primeira grande mensagem da Bíblia para nós é sobre a fé. A Bíblia é um livro de fé e em suas
páginas temos lições de fé. A fé bíblica dissipa todas as coisas: incertezas, dúvidas, temores, angústias,
depressões, num mundo onde as pessoas andam tateando. A fé vê o invisível (Hb 11.27). Quando muitos
estão caindo e se prostrando diante das situações, os que têm fé estão de pé (2Co 1.24).
Onde encontrar fé num mundo de incredulidade? Na Palavra de Deus!
Outra grande mensagem bíblica para os dias atuais é a mensagem de revestimento espiritual.
Muitas pessoas têm fé, entretanto não estão revestidas.
O apóstolo Paulo afirma em Efésios 6.13: "Portanto tomai toda a armadura de Deus". Fé sem
revestimento nos traz decepções. Todos os homens de fé que a Bíblia registra, precisaram do
revestimento de Deus para a peleja (At 7.55).
O mundo atual é um mundo vazio. São corações vazios de Deus, e muitas vezes, cheios do
diabo. Diz em Romanos 13.14, "Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne
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em suas concupiscências".
A fé e o revestimento do Espírito Santo, portanto, são duas grandes necessidades. Jesus disse aos
discípulos "Quando, porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?" (Lc 18.8).
Não esqueça o revestimento que Deus tem para dar (lTs 5.8).
5. A Bíblia tem esperança para nossos dias.
Uma outra grande mensagem da Bíblia para nossos dias é sobre a esperança. Deus é Deus de
esperança (Rm 15.13), e gostaria que seus filhos fossem cheios de esperança.
Vemos, porém o contrário, vidas desesperadas, sem Deus, estranhos a tudo que é espiritual (Ef 2.12).
Esperança é uma dádiva de Deus, que nem todos conhecem.
Jeremias, o profeta das lágrimas disse:
"Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor" (Lm 3.26).
Esperança é motivo de alegria na vida daqueles que a têm. A esperança produz uma série de bênçãos
(Jr 17.7,8). O mundo necessita de mensagens de esperança. Sem ela o mundo tem vivido em constantes
sofrimentos (lTs 4.13).
Cabe, portanto à Igreja, portadora dessa mensagem, divulgá-la com todos os recursos possíveis, pois
esperança é uma das virtudes que permanecem (ICo 13.13); é algo que incentiva a viver na presença de
Deus, esperança para os salvos é vida, é regeneração. Fomos regenerados para uma viva esperança (IPe
1.3).
Esperança precisa ser explicada àqueles que procuram saber sua razão de viver.
A esperança dos salvos tem uma razão (IPe 3.15), que nos leva a viver uma vida de santificação na
presença do Senhor, esperando-o a cada dia (lJo 3.3), pacientemente como o lavrador espera pelos frutos.
Finalizando, podemos entender que a vida eterna em Cristo Jesus, torna-se o maior resultado de
esperança na vida do cristão (Tt 1.2).
6. A Bíblia tem salvação para os nossos dias.
O que mais precisa o mundo moderno?
Temos uma visão que em quase todas as áreas da vida humana tem havido progresso tecnológico,
científico e humano. Entretanto, na área moral, pessoal, social, familiar e outras, o homem necessita
de salvação. E salvação é com a Palavra de Deus.
Não vamos encontrar outro livro que nos mostre de maneira tão simples e clara tudo o que
precisamos para nos tornar salvos.
A Bíblia nos mostra que a salvação é um ato de fé (Ef 2.8), da parte do homem, e um ato da graça
partido de Deus. Em suma, o homem por meio da fé, Deus o encontra com a graça (At 16.31).
Precisamos testificar àqueles que estão próximo de nós que a salvação é necessária nos dias de hoje.
Salvação é uma palavra abrangente, pois quando somos salvos, sentimo-nos seguros em Deus (SI 91.1) de
todo o poder do pecado contra nossas vidas (Rm 6.14), somos resgatados acima de tudo das garras do
diabo.
Em Atos 26.18, diz que o Senhor Jesus nos livrou do poder de Satanás, e nos converteu a Deus.
Tal experiência tem acontecido hoje, em nossos dias com milhares de vidas, que, dantes presas, agora
libertas em Cristo Jesus, foram livres do presente século mal, segundo a vontade de Deus, nosso Pai
(Gl 1.4).
7. Salvação abrange também o futuro.
A Bíblia nos fala sobre a ira vindoura, quando Deus julgará os atos dos homens dissolutos e maus que
desprezam sua salvação em Cristo (Rm 2.5), e salvando de maneira gloriosa e poderosa, todos aqueles que
em Cristo fizeram confissão de sua fé em Deus (Rm 10.10).
Esta salvação final é descrita na carta aos Romanos, capítulo 8 quando Paulo diz: Porque sabemos que
toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora, e continuando afirma que não
somente a criação, mas todos nós que temos as primícias do Espírito, também gememos esperando a
redenção do nosso corpo.
Esta redenção final se dará no arrebatamento da Igreja, quando seremos transformados à
semelhança do corpo de Jesus (Fp 3.21), e estaremos para sempre como o Senhor.
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8. A Bíblia tem santificação para nossos dias.
A santificação bíblica é um dos aspectos de nossa salvação em Jesus Cristo. É descrita na Bíblia não
como um mandamento apenas, mas sim como a vontade de Deus (lTs 4.3). Santificação tem estado nos
propósitos eternos de Deus.
Paulo afirma em Efésios 1.4, que antes da fundação do mundo, Deus planejou nossa santificação.
Santificação é coisa tão séria, que o escritor aos Hebreus escreve numa linguagem clara e fácil: "Sem
santificação, ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14).
Assim sendo, quando o povo de Deus se reúne, Deus nos vê como uma congregação de santificados,
que desejam cada dia mais e mais de seu Pai Celestial (Mt 6.9). A vida do povo de Deus é uma vida de
santificados, pois a todo o momento esperam a volta do Senhor Jesus (Fp 4.5).
Infelizmente, hoje, muitos têm desprezado a santificação. Cremos ser isto uma investida do inimigo na
vida do povo de Deus. A falta de santificação muito tem atrapalhado a operação de Deus no meio do seu
povo (Js 3.5).
A santificação começa no interior do crente. É obra do Espírito Santo, que deseja nos preparar a
cada dia para o arrebatamento da Igreja (lTs 5.23).
A Inerrância das EscriturasInerrância não significa que os escritores eram infalíveis, mas que seus escritos foram preservados
de erros. Inerrância significa que a verdade é transmitida em palavras entendidas no sentido que foram
empregadas, não expressava erro algum.
O conceito de inerrância das Escrituras contraria alguns críticos modernos que não aceitam a infali-
bilidade das Escrituras. Tais críticos julgam haver erros nas Escrituras em razão de encontrarem nelas
palavras divinas e humanas.
Para nós que cremos na inspiração plena das Escrituras estamos convictos que as dificuldades nela
encontradas não representam erros e, geralmente, são explicadas pelos textos paralelos encontrados
em toda a Bíblia.
A verdade divina revelada nas Escrituras é apresentada de modo explícito, certo e transparente.
O ensino genuíno das Escrituras não tem discrepâncias1 doutrinárias; é único em todo o mundo e adaptável
a qualquer cultura (Jo 17.17; lRs 17.24; SI 119.142,151; Pv 22.21).
A infalibilidade das Escrituras.
As Escrituras é a infalível Palavra de Deus. A sua infalibilidade tem sido alvo de muita contestação,
especialmente entre os chamados "racionalistas" que idolatram a razão humana, sem perceberem que ela
é falha, afirmam que o racionalismo científico, com seus métodos de estudo e pesquisa, será capaz de
analisar e responder todas as indagações do homem. Porém, são completamente limitados quando
analisam coisas espirituais, além da matéria.
A ciência é incapaz de estudar elementos que não são pesados ou medidos, como a alma humana.
Portanto, o poder sobrenatural das Escrituras não pode ser analisado em laboratório, porque se refere a
algo espiritual.
A autoridade divina e humana das Escrituras.
Indiscutivelmente a Bíblia tem dupla autoridade. A autoridade divina é demonstrada pela infalibi-
lidade das Escrituras, uma vez que elas têm origem em Deus e é a expressão de sua mente.
A autoridade humana é reconhecida pelo fato de Deus ter escolhido pelo menos 40 homens, os quais
receberam a sua Palavra e a transmitiram na forma escrita.
Teorias Evangélicas de Inerrância
Posição: Inerrância Limitada
Proponente: Daniel Fuller, Stephen Davis e William Lasor.
Formulação do conceito:
A Bíblia é inerrante somente em seus ensinos doutrinários salvíficos. A Bíblia não foi criada para ensinar
ciência ou história, nem Deus revelou questões de histórias a compreensão da sua cultura e, portanto,
pode conter erros.
1 Desacordos, divergências, discórdias.
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Posição: Inerrância Plena
Proponente: Harold Lindsell, Roger Nicole e Millard Erickson.
Formulação do conceito:
A Bíblia é plenamente veraz em tudo o que ensina e afirma. Isso se estende tanto à área da história
quanto da ciência. Não significa que a Bíblia tem o propósito primário de apresentar informações exatas
acerca de história e ciência. Portanto, o uso de expressões populares, aproximações e linguagens
fenomênicas1 são reconhecidos e entendidos no sentido de cumprir com o requisito da veracidade.
Assim sendo, as aparentes discrepâncias podem e devem ser harmonizadas.
Posição: Irrelevância da Inerrância
Proponente: David Hubbard
Formulação do conceito:
A inerrância é substancialmente irrelevante por várias razões:
x A inerrância é um conceito negativo. A nossa concepção da Escritura deve ser positiva;
x A inerrância não é um conceito bíblico;
x Na Escritura, erro é uma questão espiritual ou moral, e não intelectual;
x A inerrância concentra a nossa atenção nos detalhes, e não nas questões essenciais da Escritura;
x A inerrância impede uma avaliação honesta das Escrituras;
x A inerrância produz desunião na Igreja.
Posição: Inerrância de Propósito
Proponente: Jack Rogers e James Orr
^ Formulação do conceito:
A Bíblia é isenta de erros no sentido de concretizar o seu propósito primário de levar as pessoas a uma
comunhão pessoal com Cristo.
Portanto, a Escritura é verdadeira (inerrante) somente na medida em que realiza o seu propósito
fundamental, e não por ser factual ou precisa naquilo que assevera. (Esta concepção é semelhante à
Irrelevância da Inerrância, a próxima abordagem).
1 Relativo a fenômeno, acontecimento que se consegue observar.
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Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Quanto aos homens de atividades variadas que Deus usou-os na escrita de sua Palavra, é incerto dizer
que:
a) [ ] Paulo era doutor da lei
b) [ ] Ageu era boiadeiro e cultivador
c) [ ] Pedro, Tiago e João eram pescadores
d) [ ] Moisés era um cientista e Josué um soldado
7. É incorreto dizer que a esperança é
a) [ ] Algo que incentiva a vivermos na presença de Deus
b) [ ] É vida para os salvos - é regeneração
c) [ ] Uma das virtudes que permanecem
d) [ ] Uma dádiva de Deus que todos conhecem
8. Teoria de inerrância que afirma em ser a Bíblia inerrante somente em seus ensinos doutrinários
salvíficos
a) [ ] Inerrância Plena
b) [ ] Inerrância Limitada
c) [ ] Inerrância de Propósito
d) [ ] Irrelevância da Inerrância
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9. [ ] A Bíblia nos mostra que a salvação é um ato de fé da parte do homem e um ato da graça partido de
Deus
10. [ ]A ciência é capaz de estudar elementos que não são pesados ou medidos, como a alma humana
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Lição 2
O CÂNON DA BÍBLIA
Quais são os escritos pertencentes à Bíblia? Que diremos dos chamados: Livros ausentes?
Como foi que a Bíblia veio a ser composta de 66 livros?
Essa é a questão do cânon das Escrituras, que pode ser definido da seguinte maneira: Cânon ou
Escrituras Canônicas é a coleção completa dos livros divinamente inspirados, que constituem a Bíblia. Esse
assunto intitula-se canonicidade. Trata- se do segundo grande elo da corrente que vem de Deus até nós.
A inspiração é o meio pelo qual a Bíblia recebeu sua autoridade; a canonização é o processo pelo qual
a Bíblia recebeu sua aceitação definitiva. Uma coisa é o profeta receber uma mensagem da parte de Deus,
bem diferente é tal mensagem ser reconhecida pelo povo de Deus.
Canonicidade é o estudo que trata do reconhecimento e da compilação dos que nos foram dados por
inspiração de Deus. Não devemos subestimar1 a importância dessa questão. As palavras das
Escrituras são as palavras pelas quais nutrimos nossa vida espiritual. Portanto, reafirmamos o comentário
de Moisés ao povo de Israel a respeito da lei de Deus: "Porque esta palavra não é para vós outros, coisa vã;
antes, é a vossa vida; e, por esta mesma palavra, prolongareis os dias na terra à qual, passando o Jordão,
ides para possuí-la” (Dt 32.47).
Aumentar ou diminuir as palavras de Deus impediria o seu povo de obedecer-lhe plenamente, pois as
ordens retiradas não seriam conhecidas pelo povo, e as palavras acrescentadas poderiam exigir das pessoas
coisas que Deus não ordenou. Por isso, Moisés advertiu o povo de Israel: "Nada acrescentareis à
palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor, vosso Deus,
que eu vos mando" (Dt 4.2).
A determinação precisa da extensão do cânon das Escrituras é, portanto, de extrema importância.
Para que possamos confiar em Deus e obedecer a Ele, precisamos de uma coleção de palavras sobre as
quais temos certeza ser as palavras do próprio Deus para nós.
Se houver qualquer trecho das Escrituras sobre os quais tenhamos dúvidas, não vamos aceitar que
tenham autoridade divina absoluta nem confiar nelas na mesma medida em que confiamos no próprio
Deus.
O Termo"Cânon"
O termo "cânon" é proveniente do grego, no qual kanon significa cana, regra, lista - um padrão de
medida, que por sua vez, se origina do hebraico kaneh, palavra do Antigo Testamento que significa "vara ou
cana de medir" (Ez 40.3).
Em época anterior ao cristianismo, essa palavra era usada de modo mais amplo, com o sentido de
padrão ou norma além de cana ou unidade de medida. Com relação à Bíblia, diz respeito aos livros que
estavam de acordo com o padrão e foram dignos de inclusão.
Desde o século IV, o vocábulo kanon é usado pelos cristãos para indicar uma lista autoritária de
livros que pertencem ao Antigo ou ao Novo Testamento.
No sentido religioso, cânon não significa aquilo que mede, mas aquilo que serve de norma, regra. Com
este sentido, a palavra cânon aparece no original em vários lugares do Novo Testamento (GI 6.16; 2Co
10.13,15; Fp 3.16). A Bíblia, como o cânon sagrado, é a nossa norma ou regra de fé e prática.
Diz-se dos livros da Bíblia que são canônicos para diferençá-los dos apócrifos. O emprego do
termo cânon foi primeiramente aplicado aos livros da Bíblia por Orígenes (185-254 d.C.).
A Canonicidade é Determinada Pela Inspiração
Os livros da Bíblia são considerados valiosos porque provieram de Deus - fonte de todo bem. O
processo mediante o qual Deus nos concede sua revelação chama-se inspiração.
E a inspiração de Deus num livro que determina sua canonicidade. Deus dá autoridade divina a um
livro, e os homens de Deus o acatam; revela, e seu povo reconhece o que o Ele revelou. A canonicidade
é determinada por Deus e descoberta pelos homens de Deus. A Bíblia constitui o "cânon", ou "medida" pela
qual tudo mais deve ser medido e avaliado pelo fato de ter autoridade concedida por Deus.
1 Não dar a devida estima, apreço, valor, a; não ter em grande conta; desdenhar.
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Sejam quais forem as medidas (i.e., os cânones) usadas pela Igreja para descobrir com exatidão que
livros possuem essa autoridade canônica ou normativa, não se deve dizer que "determinam" a
canonicidade dos livros.
Dizer que o povo de Deus, mediante quaisquer regras de reconhecimento, "determina" que livros
são autorizados por inspiração de Deus só confunde a questão. Só Deus pode conceder a um livro
autoridade absoluta e, por isso mesmo, canonicidade divina. Veja abaixo dois sentidos importantes:
O sentido primário da palavra cânon aplicado às Escrituras é aplicado na acepção ativa, i.e., a Bíblia
é a norma que governa a fé.
O sentido secundário, segundo o qual um livro é julgado por certos cânones e é reconhecido como
inspirado (o sentido passivo), não deve ser confundido com a determinação divina da canonicidade.
Só a inspiração divina determina a autoridade de um livro, i.e., se ele é canônico, de natureza
normativa.
O Surgimento do Cânon
A doutrina da inspiração bíblica foi completamente desenvolvida apenas nas páginas do Novo
Testamento. Mas, muito antes disso, já encontramos na história de Israel certos escritos reconhecidos
como autoridade divina e como regra escrita de fé e conduta para o povo de Deus.
Identificamos isso na resposta do povo, quando Moisés leu para eles o livro do concerto (Ex 34.7), ou
quando o livro da Lei, achado por Hilquias, foi lido primeiro para o rei e depois para a congregação
(2Rs 22-23; 2Cr 34), ou ainda quando Esdras leu o Livro da Lei para o povo (Ne 8.9,14-17; 10.28-39; 13.1-3).
Os escritos em questão são uma parte do Pentateuco ou ele todo - no primeiro caso, provavelmente
uma parte bem pequena do Êxodo, capítulos 20 a 23.
O Pentateuco é tratado com a mesma reverência em Josué 1.7,8; 8.31 e 23.6-8; IReis 2.3; 2Reis 14.6
e 17.37; Oséias 8.12; Daniel 9.11,13; Esdras 3.2,4; lCrônicas 16.40, 2Crônicas 17.9; 23.18; 30.5,18; 31.3 e
35.26.
Cânon do Antigo Testamento
Onde surgiu a idéia do cânon - a idéia de que o povo de Deus deve preservar uma coleção de palavras
escritas de Deus? A própria Bíblia dá testemunho do desenvolvimento histórico do cânon. A coleção mais
antiga das palavras de Deus é os Dez Mandamentos. Portanto, constituem o início do cânon bíblico.
O próprio Deus escreveu sobre duas tábuas de pedra as palavras que Ele ordenou ao seu povo (Êx 32.16; cf.
Dt 4.13; 10.4). As tábuas foram depositadas na Arca da Aliança (Dt 10.5) e constituíam os termos do
pacto entre Deus e seu povo.
Nem todos os escritores dos livros do AT eram profetas, no sentido estrito da palavra. Alguns eram
reis e sábios. Mas, as experiências da inspiração que tiveram, fizeram com que seus escritos também
encontrassem um lugar no cânon.
A inspiração dos salmistas é mencionada em 2Samuel 23.1-3 e lCrônicas 25.1, e a dos sábios, em
Eclesiastes 12.11,12. Note também as revelações feitas por Deus no livro de Jó (Jó 38.1; 40.6) e a inferência
exarada1 em Provérbios 8.1-9.6, indicando que o livro de Provérbios é obra da Sabedoria divina.
Na época patriarcal, a revelação divina era transmitida escrita e oralmente. A escrita já era conhecida
na Palestina, séculos antes de Moisés; a arqueologia tem provado isto, inclusive tem encontrado inúmeras
inscrições, placas, sinetes2 e documentos antediluvianos.
O cânon do Antigo Testamento como temos atualmente, ficou completo desde o tempo de Esdras,
após 445 a.C. Entre os judeus, tem ele três divisões, as quais Jesus citou em Lucas 24.44: Lei, Profetas,
Escritos.
1 Consignar ou registrar por escrito; lavrar
2 Utensílio gravado em alto ou baixo relevo
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A divisão dos livros no cânon hebraico é diferente da nossa. Consiste em 24 livros em vez dos nossos
39, isto porque é considerado um só livro cada grupo dos seguintes:
A disposição ou ordem dos livros no cânon hebraico é também diferente da nossa. Damos a seguir essa
disposição dentro da tríplice divisão do cânon, já mencionada (Lei, Profetas, Escritos).
Os Cinco Rolos eram assim chamados por serem separados, lidos anualmente em festas
distintas:
Cantares, na Páscoa, em alusão ao êxodo.
Rute, no Pentecostes, na Celebração da Colheita, em seu início.
Ester, na Festa do Purim, comemorando o livramento de Israel da mão do mau Hamã.
Eclesiastes, na Festados Tabernáculos - festa de gratidão pela colheita.
Lamentações, no mês de abibe, relembrando a destruição de Jerusalém pelos babilónicos.
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No cânon hebraico também os livros não estão em ordem cronológica. Os judeus não se preocupavam com
um sistema cronológico. Também pode haver nisto um plano divino.
A nossa divisão em 39 livros vem da Septuaginta, através da Vulgata Latina. A Septuaginta foi a
primeira tradução das Escrituras, feita do hebraico para o grego cerca de 285 a.C.
Também a ordem dos livros por assuntos, do formato da Bíblia atual, vem dessa famosa tradução.
Jesus em Lucas 24.44, Ele chamou "Salmos" à última divisão do cânon hebraico, certamente
porque esse livro era o primeiro dessa divisão.
Segundo a nossa divisão, o AT começa com Gênesis e termina em Malaquias, porém, segundo a
divisão do cânon hebraico, o primeiro livro é Gênesis e o último é I e II Crônicas. Isto é visto claramente
nas palavras de Jesus em Mateus 23.35 - o caso de Abel está em Gênesis e o do filho de Baraquias está
em Crônicas.
A formação canônica do Antigo Testamento.
O cânon no Antigo Testamento foi formado num espaço aproximado de 1046 anos - de Moisés a
Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de 1491 a.C. Esdras entrou em
cenaem 445 a.C.
Esdras não foi o último escritor na formação canônica do AT; os últimos foram Neemias e
Malaquias, porém, de acordo com os escritos históricos, ele como escriba e sacerdote reuniu os rolos
canônicos, ficando o cânon encerrado em seu tempo.
A chamada Alta Crítica tem feito uma devastação com seu modernismo e suas contradições no que
concerne à formação, fontes de autenticidade do cânon, especialmente do Antigo Testamento, mutilando
quase todos os seus livros.
Alta Crítica é a discussão das datas e da autoria dos livros. Ela estuda a Bíblia do lado de fora,
externamente, baseada apenas em fontes do conhecimento humano.
Por outro ângulo, a Critica Textual, também conhecida por Baixa Crítica, estuda somente o texto
bíblico, e, ao lado da arqueologia, vem alcançando um progresso valioso, posto à disposição do
estudante das Escrituras.
Por exemplo, a teoria de que a escrita era desconhecida nos dias de Moisés já foi destruída. E de ano
em ano, aumentam os achados nas terras bíblicas, evidenciando e comprovando as narrativas e fatos do
Antigo Testamento.
Mediante tais provas irrefutáveis1, os homens estão respeitando mais às Sagradas Escrituras!
Toda a Bíblia vem sendo confirmada pela pá do arqueólogo e pelos eruditos em antiguidades bíblicas.
Coisas que pareciam as mais incríveis são hoje aceitas por todos, sem objeções.
A formação gradual do cânon.
Houve, originalmente, a transmissão oral, como se vê em Jó 15.18. O livro de Jó é tido como o mais
antigo da Bíblia. Mostraremos a seguir a sequência da formação gradual do cânon do Antigo Testamento.
Convém ter em mente aqui que toda cronologia bíblica é apenas aproximada. Já o Novo Testamento
há precisão de muitos casos. Essa cronologia vai sendo atualizada à medida que os estudos avançam e a
arqueologia fornece informe oficial.
1. Moisés (cerca de 1491 a.C.). Começou a escrever o Pentateuco, concluindo-o por volta de 1451 a.C.
(Nm 33.2). Mais textos relacionados com Moisés e sua escrita do Pentateuco: Êxodo 17.14; 24.4,7;
34.27. As partes do Pentateuco anteriores a Moisés, como o relato da Criação, todo o livro de Gênesis e
parte de Êxodo, ele escreveu, ou lançando mão de fontes existentes (ver Gn 2.4; 5.1), ou por revelação
divina. Gênesis 26.5 dá a entender que nesse tempo já havia "mandamentos, preceitos e estatutos"
escritos. Algumas passagens do Pentateuco foram acrescentadas posteriormente, como: Êxodo 11.3; 16.35;
Deuteronômio 34.1-12;
2. Josué. Sucessor de Moisés (1443 a.C.), escreveu uma obra que colocou perante o Senhor (Js
24.26);
1 Que não se pode refutar; evidente, irrecusável, incontestável.
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3. Samuel (1095 a.C.), o último juiz e também profeta do Senhor, escreveu, pondo seus escritos
perante o Senhor (ISm 10.25).
Certamente "perante o Senhor" significa que seus escritos foram depositados na Arca do Concerto
com os demais escritos sagrados (Êx 25.21);
4. Isaías (770 a.C.) fala do "Livro do Senhor" (Is 34.16), e "palavras do livro" (Is 29.18). São referências às
Escrituras na sua formação;
5. Em 726 a.C. os Salmos já eram cantados (2Cr 29.30). O fato aí registrado teve lugar nesse tempo;
6. Jeremias, cuja chamada deu-se em 626 a.C., registrou a revelação divina (Jr 30.1,2). Tal livro foi
queimado pelo rei Joaquim, em 607 a.C., porém, Deus ordenou que Jeremias preparasse um novo
rolo, o que foi feito mediante seu amanuense1 Baruque (Jr 36.1,2,28,32; 45.1);
7. No tempo do rei Josias (621 a.C.), Hilquias achou o "Livro da Lei" (2Rs 22.8-10);
8. Daniel (553 a.C.) refere-se aos "livros" (Dn 9.2). Eram os rolos sagrados das Escrituras de então;
9. Zacarias (520 a.C.) declara que os profetas que o precederam falaram da parte do Espírito Santo (Zc
7.12). Não há aqui referência direta a escritos, mas há inferência. Zacarias foi o penúltimo profeta do
Antigo Testamento.
10. Neemias, (445 a.C.), achou o livro das genealogias dos judeus que já haviam regressado do
exílio (Ne 7.5); certamente havia outros livros;
11. Nos dias de Ester, o Livro Sagrado estava sendo escrito (Et 9.32);
12. Esdras. Contemporâneo de Neemias e foi hábil escriba da lei de Moisés, e leu o livro do Senhor para os
judeus já estabelecidos na Palestina, de regresso do cativeiro babilónico (Ne 8.1-5).
Conforme 2Macabeus e outros escritos judaicos, Esdras presidiu a chamada "Grande Sinagoga", que
selecionou e preservou os rolos sagrados, determinando, dessa maneira, o cânon das Escrituras do AT (cf.
Ed 7.10-14).
Uma Grande Sinagoga era um conselho composto de 120 membros que se diz ter sido organizado
por Neemias, cerca de 410 a.C., sob a presidência de Esdras. Essa entidade reorganizou a vida
religiosa nacional dos repatriados e, mais tarde, deu origem ao Sinédrio2, cerca de 275 a.C.
A Esdras é atribuída a tríplice divisão do cânon, já estudada. Foi nesse tempo, que os samaritanos
foram expulsos da comunidade judaica (Ne 13) levando consigo o Pentateuco, que é até hoje a Bíblia dos
samaritanos. Isto prova que o Pentateuco era escrito canônico;
13. Encontramos profeta citando outro profeta, do que se infere haver mensagem escrita(Cf. Miquéias 4.1-3
com Isaías 2.2-4.);
14. Filo, escritor de Alexandria (30 a.C. - 50 d.C.) possuía todo o cânon do Antigo Testamento. Em seus
escritos ele cita quase todo o Antigo Testamento;
1 Escrevente, copista. Funcionário público de condição modesta que fazia a correspondência e copiava
ou registrava documentos.
2 O supremo tribunal dos judeus.
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15. Josefo, o historiador judeu (37-100 d.C.), contemporâneo de Paulo, diz, escrevendo aos
judeus, no livro "Contra Appion":
"Nós temos apenas 22 livros, contando a história de todo o tempo; livros em que nós cremos, ou
segundo se dizem, livros aceitos como divinos".
Desde os dias de Artaxerxes ninguém se aventurou a acrescentar, tirar ou alterar uma única sílaba.
Faz "parte de cada judeu, desde que nasce considerar estas Escrituras como ensinos de Deus".
Josefo era um homem culto, judeu ortodoxo de linhagem sacerdotal, governou a Galiléia e foi coman-
dante militar nas guerras contra Roma.
Presenciou a queda de Jerusalém. Foi levado a Roma, onde se dedicou a escritos literários.
Ora, o Artaxerxes que ele menciona é o chamado Longímano, que reinou de 465-424 a.C. Isso coincide
com o tempo de Esdras e confirma as declarações de outras peças da literatura judaica que ensinam ter
Esdras presidido a Grande Sinagoga que selecionou e preservou os rolos sagrados para a posterioridade.
Josefo conta os livros do AT como 22 porque considera Juizes e Rute como 1 (um) livro; Jeremias e
Lamentações também. Isto, para coincidir com o número de letras do alfabeto hebraico: "22";
16. Nos dias do Senhor, esse livro chamava-se Escrituras (Mt 26.54; Lc 24.27,45; Jo 5.39), com as suas três
conhecidas divisões: Lei, Profetas, Salmos (Lc 24.44). Era também chamada "A Palavra de Deus" (Mc 7.13;
Jo 10.34,35). Note bem este título aplicado pelo próprio Senhor Jesus! Outro fato notável é a citação feita
por Jesus em Mateus 23.35 que autentica todo o Antigo Testamento!
17. Os escritores do Novo Testamento reconhecem como canônicos os livros do Antigo Testamento, pois
este é amiúde1 citado naquele, havendo cerca de 300 referências diretas e indiretas. Os escritores do NT
referem-se ao cânon do AT como sendo oráculos divinos (cf. Rm 3.2; 2Tm 3.16 e Hb 5.12). Cremos que,
começando por Moisés, à proporção que os livros iam sendo escritos, eram postos no tabernáculo, junto ao
grupo de livros sagrados. Esdras como já disse, após a volta do cativeiro, reuniu osdiversos livros e os
colocou em ordem, como coleção completa. Destes originais eram feitas cópias para as sinagogas
largamente disseminadas.
Data do reconhecimento e fixação do cânon do Antigo Testamento.
Em 90 d.C. em Jâmnia, perto da moderna Jope, em Israel, os rabinos, num concílio sob a presidência
de Johanan Ben Zakai, reconheceram e fixaram o cânon do Antigo Testamento.
Houve muitos debates acerca da aprovação de certos livros, especialmente dos "Escritos". Note-
se, porém que o trabalho desse concílio foi apenas ratificar2 aquilo que já era aceito por todos os judeus
através de séculos. Jâmnia, após a destruição de Jerusalém (70 d.C.) tornou-se a sede do Sinédrio.
Livros desaparecidos, citados no texto do Antigo Testamento.
Notemos que a Bíblia faz referência a livros até agora desaparecidos (cf. Nm 21.14; Js
10.13 com 2Sm 1.18; IRe 11.41; lC r 27.24; 29.29; 2Cr 9.29; 12.15; 13.22; 33.19). São casos cujo
segredo só Deus conhece. Talvez um dia eles venham à luz como o MSS de Qumran, Mar Morto, em
1947.
1 Repetidas vezes; repetidamente; frequentemente; a miúdo.
2 Confirmar ou reafirmar o que foi dito.
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Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Cânon ou Escrituras canônicas é a
a) [ ] Coleção completa dos livros divinamente inspirados, que constituem a Bíblia
b) [ ] Coleção completa dos livros divinamente
inspirados, que constituem a Lei, os Profetas e os Escritos
c ) [ ] Parte da Bíblia composta pelos livros do NT
d) [ ] Parte da Bíblia composta pelos livros do AT
2. Os Cinco Rolos eram compostos de:
a) [ ] Lamentações, Neemias, Esdras, Salmos e Eclesiastes
b) [ ] Salmos, Neemias, Esdras, Provérbios e Jó
c|[ ] Cantares de Salomão, Rute, Ester, Eclesiastes e Lamentações
d) [ ] Eclesiastes, Jó, Rute, Provérbios e Ester
3. Discute as datas e a autoria dos livros, baseando-se
apenas em fontes do conhecimento humano
a) [ ] Alta Crítica
b) [ ] Baixa Crítica
c) [ ] Critica Textual
d) [ ] Critica Execrável
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4. [ ] No sentido religioso, cânon significa aquilo que mede, não aquilo que serve de norma, regra
5. [ ] Em 90 d.C. em Jâmnia que reconheceram e fixaram o cânon do Antigo Testamento
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Cânon do Novo Testamento
Semelhante ao AT, homens inspirados por Deus escreveram aos poucos os livros que compõem
o cânon do Novo Testamento.
Sua formação levou apenas duas gerações: quase 100 anos. Em 100 d.C. todos os livros do NT
estavam escritos. O que demorou foi o reconhecimento canônico, isto motivado pelo cuidado
e escrúpulo1 das igrejas de então, que exigia provas concludentes2 da inspiração divina de cada um
desses livros.
Outra coisa que motivou a demora na canonização foi o surgimento de escritos heréticos e espúrios1
com pretensão de autoridade apostólica.
Trata-se dos livros apócrifos do Novo Testamento, fato idêntico ao acontecido nos tempos derradeiros
do cânon do Antigo Testamento. Há também livros mencionados no NT até agora desaparecidos (ICo 5.9;
Cl 4.16).
A ordem dos 27 livros do NT, como é atualmente em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e não leva em
conta a sequência cronológica.
As Epístolas Paulinas.
Foram os primeiros escritos no Novo Testamento. São 13: de Romanos a Filemom. Foram
escritas entre 52 e 67 d.C.
Pela ordem cronológica, o primeiro livro do Novo Testamento é ITessalonicenses, escrito em 52
d.C. 2Timóteo foi escrita em 67 d.C pouco antes do martírio do apóstolo Paulo em Roma.
Esses livros foram também os primeiros aceitos como canônicos. Pedro chama os escritos de Paulo de
"Escrituras" - título aplicado somente à palavra inspirada de Deus! (2Pe 3.15,16).
Os Atos dos Apóstolos.
Escrito em 63 d.C., no fim dos dois anos da primeira prisão de Paulo em Roma (At 28.30).
Os Evangelhos.
Estes, a princípio, foram propagados oralmente. Não havia perigos de enganos e
esquecimento porque era o Espírito Santo quem lembrava tudo e Ele é infalível (Jo 14.26).
Os Sinópticos foram escritos entre 60 a 65 d.C. João foi escrito em 85 d.C. Entre Lucas e João
foram escritas quase todas as epístolas. Note-se que Paulo chama Mateus e Lucas de "Escrituras" ao citá-
los em ITimóteo 5.18.
As Epístolas, de Hebreus a Judas, foram escritas entre 68 e 90 d.C.
O Apocalipse.
Foi escrito em 96 d.C., durante o governo do imperador Domiciano. Muitos livros antes de serem
finalmente reconhecidos como canônicos foram duramente debatidos. Houve muita relutância quanto às
epístolas de Pedro, João e Judas bem como quanto ao Apocalipse. Tudo isto tão-somente revela o
cuidado da Igreja e também a responsabilidade que envolvia a canonização.
Antes do ano 400 d.C., todos os livros estavam aceitos. Em 367, Atanásio, patriarca de
Alexandria, publicou uma lista dos 27 livros canônicos, os mesmos que hoje possuímos; essa
lista foi aceita pelo Concílio de Hipona (África) em 393.
1 Hesitação ou dúvida de consciência; inquietação de consciência; remorso.
2 Que conclui, ou merece fé; terminante, categórico.
3 Não genuíno; suposto, hipotético.
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Data do reconhecimento e fixação do cânon do Novo Testamento.
Isso ocorreu no III Concílio de Cartago, em 397 d.C. Nessa ocasião, foi definitivamente reconhecido e
fixado o cânon do Novo Testamento. Como se vê, houve um amadurecimento de 400 anos.
A necessidade da mensagem escrita do Novo Testamento.
A mensagem da Nova Aliança precisava ter forma escrita como a da Antiga. Após a ascensão do
Senhor Jesus, os apóstolos pregaram por toda parte sem haver nada escrito. Suas Bíblias era o Antigo
Testamento.
Ao decorrer do tempo, o grupo de apóstolos diminuiu. O Evangelho espalhou-se. Surge então a
necessidade de reduzir a forma escrita, para ser transmitido às gerações futuras. Era o plano de Deus em
marcha.
Muitas igrejas e indivíduos pediam explicações acerca de casos difíceis surgidos por perturbações,
falsas doutrinas, problemas internos, etc. (cf. ICo 1.11; 5.1; 7.1).
Os judeus cumpriram sua missão de transmitir ao mundo os oráculos divinos (Rm 3.2). A Igreja
também cumpriu sua parte, transmitindo as palavras e ensinos do Senhor Jesus, bem como as que Ele, pelo
Espírito Santo inspirou aos escritores sacros.
Jesus disse: " Tenho muito que vos dizer... mas o Espírito de verdade... dirá tudo o que tiver
ouvido e vos anunciará o que há de vir" (Jo 16.12,13).
Testemunhas importantes.
Dão testemunho da existência de livros do Novo Testamento, em seu tempo, os seguintes cristãos
primitivos, cujas vidas coincidiram com as dos apóstolos ou com os discípulos destes:
Datas e Períodos Sobre o Cânon em Geral
O AT foi escrito no espaço de mais ou menos 1046 anos, de 1491 a 445 a.C. isto é de Moisés a Esdras.
A data de 445 a.C. é apenas um ponto geral de referência cronológica quanto ao encerramento do cânon do
Antigo Testamento.
Se entrarmos em detalhes sobre o último livro do Antigo Testamento em ordem cronológica -
Malaquias, teremos uma variação de espaço de tempo como veremos a seguir.
O Pentateuco, como já vimos, foi iniciado cerca de 1.491 a.C.. Malaquias, o último livro do Antigo
Testamento por ordem cronológica, foi escrito entre 430 e 420 a.C., no final do governo de
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Neemias e do sacerdócio de Esdras. Ora, isto foi quando Neemias regressou a Jerusalém, procedendo da
Pérsia, para onde tinha ido (430 - 425 a.C.) a fim de renovar sua licença(Ne 13.6).
É a partir desse ano que Malaquias escreveu e talvez Neemias, não estivesse mais na Palestina,
porque não o menciona em seu livro, como fazem Ageu e Zacarias, seus antecessores, os quais mencionam
Zorobabel e Josué, respectivamente, governador e sacerdote dos reparos (cf. Zc 3; 4; Ag 1 .1 ).
Malaquias não menciona nominalmente Neemias, apenas menciona o "Governador" (Ml 1.8).
O próprio livro de Malaquias apresenta outras evidências internas que o colocam de 432 a.C. em
diante, como passamos a mostrar:
Em Malaquias 2.10-16, vê-se que os casamentos ilícitos que Esdras corrigira antes de Neemias, 516
a.C. (Ed 9-10), estavam ocorrendo de novo.
Isto coincide com o estado descrito em Neemias 13, acontecido em 432 a C.
Em Malaquias 3.6-12, havia pobreza no tesouro do templo. Situação idêntica à de Neemias 13,
reinante em 432 a.C.
As referências de Malaquias 1.13; 2.17; 3.14, indicam que o culto Levítico já havia sido restaurado
há bastante tempo. Temos essa restauração ampliada em Neemias 12.44 ss.
Portanto, Malaquias (O livro) deve ter sido escrito cerca de 432 a.C. Repetimos: a data 445 a.C. é
apenas um ponto de referência quanto ao encerramento do cânon do Antigo Testamento. Foi nesse ano
que Esdras iniciou seu grande Ministério entre os repatriados de Israel.
Se descermos a detalhes quanto ao livro de Malaquias, partiremos de 432 a.C. Malaquias é o último
livro do Antigo Testamento, quanto à ordem cronológica. Quanto à disposição dos livros no corpo
do cânon hebraico, o último livro é 2Crônicas, como já mostramos.
O Novo Testamento foi completado em menos de 100 anos, pois seu último livro, o Apocalipse, foi
escrito cerca de 96 d.C. Isto dá um total de 1.142 anos para a formação de ambos os Testamentos (1.046 + 96).
Leva-se em conta que a cronologia bíblica é sempre aproximada, pois os povos orientais não tinham
um sistema fixo de anotar ou contar datas.
Quando se fala do espaço de tempo, que vai da escrita do Pentateuco ao Apocalipse, é preciso intercalar
os 400 anos do Período Interbíblico ocorrido entre os Testamentos, o que dará um total de 1.542 anos
(1.046 + 96 + 400).
Por isso se diz que a Bíblia foi escrita no espaço de dezesseis séculos. Este é o período no qual o cânon
foi completado. Noutras palavras: o cânon abrange na história um total de 1.142 anos, aproximadamente.
Os Livros Apócrifos
Nas Bíblias de edição católica-romana, o total de livros é 73, porque essa igreja, desde o Concílio de
Trento, em 1.546, incluiu no cânon do Antigo Testamento 7 livros apócrifos, além de 4 acréscimos ou
apêndices canônicos, acrescentando ao todo, 11 escritos apócrifos.
A palavra "apócrifo" significa, literalmente, "escondido", "oculto", isto em referência a livros que
tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas. No sentido religioso, o termo significa "não genuíno" ou
"espúrio", desde sua aplicação por Jerônimo.
Os apócrifos foram escritos entre Malaquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testamento,
numa época em que cessara por completo a revelação divina; isto basta para tirar-lhes qualquer
pretensão a canonicidade.
Josefo rejeitou-os totalmente, nunca foram reconhecidos pelos judeus como parte do cânon hebraico.
Jamais foram citados por Jesus nem foram reconhecidos pela Igreja Primitiva. Jerônimo, Agostinho,
Atanásio, Júlio Africano e outros homens de valor para os cristãos primitivos, opuseram-se a eles na
qualidade de livros inspirados.
Apareceu pela primeira vez na Septuaginta, a tradução do Antigo Testamento feita do hebraico
para o grego. Quando a Bíblia foi traduzida para o latim, em 170 d.C. seu Antigo Testamento foi traduzido
do grego da Septuaginta e não do hebraico. Quando Jerônimo traduziu a Vulgata, no início do século V
(405 d.C.), incluiu os apócrifos oriundos da Septuaginta, através da Antiga Versão Latina, de 170 d.C. porque
isso lhe foi ordenado, mas recomendou que esses livros não poderiam servir como base doutrinária.
São 14 os escritos apócrifos: 10 livros e 4 acréscimos a livros. Antes do Concílio de Trento, a Igreja
Romana aceitava todos, mas depois passou a aceitar apenas 11: 7 livros e 4 acréscimos. A igreja
Ortodoxa grega mantém os 14 até hoje.
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Os livros apócrifos constantes das Bíblias de edição católico-romana são:
1. Tobias (após o livro canônico de Esdras);
2. Judite (após o livro de Tobias);
3. Sabedoria de Salomão (após o livro canônico de Cantares);
4. Eclesiástico (após o livro de Sabedoria);
5. Baruque (após o livro canônico de Jeremias);
6. 1Macabeu (após o livro canônico de Malaquias);
7. 2Macabeu (após o livro 1Macabeu).
Os quatro acréscimos ou apêndices são:
1. Ester (Et 10.4-16.24);
2. Cântico dos três Santos Filhos (Dn 3.24-90);
3. A história de Suzana (Dn 13);
4. Bel e o Dragão (Dn 14).
Como já foi dito dos 14 apócrifos, a Igreja Romana aceita 11, rejeita 3, isto, após 1.546 d C.
Os livros rejeitados são: 3 e 4Esdras e "A Oração de Manassés". Os livros apócrifos de 3 e 4Esdras são
assim chamados porque nas Bíblias de edição católico-romana o livro de Esdras, é chamado de 1Esdras e o
de 1Meemias, de 2Esdras.
A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 18 de abril de 1.546, para combater o movimento da
Reforma Protestante, então recente. Nessa época, os protestantes combatiam violentamente as novas
doutrinas romanistas: Purgatório, oração pelos mortos, salvação mediante obras, etc.
A Igreja Romana via nos apócrifos bases para essas doutrinas, e, apelou para eles, aprovando-os
como canônicos.
Houve prós e contras dentro da própria Igreja de Roma. Nesse tempo os jesuítas exerciam muita
influência no clero. Os debates sobre apócrifos motivaram os dominicanos contra os franciscanos.
O Cardeal Pallavacini, em sua "História Eclesiástica", declara que em pleno concílio, 40 bispos, dos 49
presentes, travaram luta corporal, agarrados às barbas e batinas uns dos outros. Foi neste ambiente
espiritual que os apócrifos foram aprovados!
A primeira edição da Bíblia romana com os apócrifos deu-se em 1.592, com a autorização do Papa
Clemente VIII.
Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos colocando-se entre o AT e o NT;
não como livros inspirados, mas bons para leitura e de valor literários e históricos. Isto continuou até
1.629. A famosa versão inglesa King Jaimes, de 1.611, ainda os conservou.
Após 1.629, os evangélicos os omitiram de vez nas Bíblias editadas, para evitar confusão entre o povo
simples que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo.
A aprovação dos apócrifos pela Igreja Romana foi uma intromissão1 dos católicos em assuntos
judaicos, porque, quanto ao cânon do Antigo Testamento, o direito é dos judeus e não de outros. Além
disso, o cânon do Antigo Testamento estava completo e fixado há muitos séculos.
Entre os católicos corre a versão de que as Bíblias de edição protestante são falsas. Quem, contudo,
comparar a Bíblia editada pelos evangélicos com a editada pelos católicos há de concordar em que as duas
são iguais, exceto na linguagem e estilo, que são peculiares a cada tradução.
1 Ato de intrometer; intrometimento.
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Outros Livros Apócrifos
Há ainda outros escritos espúrios relacionados ao Antigo e Novo Testamento. São chamados de
pseudo-epigráficos.
Os do Antigo Testamento pertencem à última parte do período interbíblico. Todos os livros
dessa classe apresentam-se como tendo sido escritos por santos de ambos os Testamentos, daí seu título:
pseudo-epigráficos.São na maioria, de natureza apocalíptica. Nunca foram reconhecidos por nenhuma Igreja. Os
principais do Antigo Testamento chegam a 26.
Os referentes ao período do NT também nunca foram reconhecidos por ninguém como tendo
canonicidade. São cheios de histórias grotescas e até indignas de Cristo e seus apóstolos. Essas histórias
são muito exploradas pela gente simplória e crédula. Desse período há de tudo: evangelhos, epístolas,
apocalipse, etc. Os principais somam 24.
O estudante da Bíblia deve estar acautelado, concernente aos livros canônicos e apócrifos em
geral:
Os 39 livros canônicos do AT são chamados de protocanônicos pelos católicos;
Os 7 livros que chamamos de apócrifos, são chamados de deuterocanônicos pelos católicos;
Os livros que chamamos de pseudo-epigráficos, são chamados de apócrifos pelos católicos.
A respeito dos livros apócrifos, seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem,
não são canônicos, comprova-se pelos seguintes fatores:
A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos;
Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento;
A maioria dos primeiros grande pais da Igreja ejeitou sua canonicidade;
Nenhum concílio da Igreja os considerou canônicos senão no final do século IV;
Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou-os fortemente;
Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, também os rejeitaram;
Nenhuma Igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente data, reconheceu os
apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas palavras.
A vista desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente necessário que os cristãos de hoje
jamais usem os livros apócrifos como se fossem Palavra de Deus, nem os citem em apoio autorizado a
qualquer doutrina cristã.
Com efeito, quando examinados segundo os critérios elevados de canonicidade, verificamos que aos
livros apócrifos faltam os seguintes aspectos:
Os apócrifos não reivindicam ser proféticos;
Não detêm a autoridade de Deus;
Contêm erros históricos (ver Tobias 1.3-5; 14.11) e graves heresias teológicas, como a oração pelos
mortos (2Macabeus 12.45,46; 4);
Embora seu conteúdo tenha algum valor para a edificação nos momentos devocionais, na maior
parte se trata de texto repetitivo; são textos que já se encontram nos livros canônicos;
Há evidente ausência de profecia, o que não ocorre nos livros canônicos;
Nada acrescentam ao nosso conhecimento das verdades messiânicas;
O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido originariamente apresentados, recusou-os
terminantemente.
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Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Foram os primeiros escritos no NT entre 52-67 d.C.
a) [ ] Os Atos dos Apóstolos
b) [ ] As Epístolas Paulinas
c) [ ] Os Evangelhos
d) [ ] As Epístolas Gerais
7. Quanto aos livros apócrifos, é incerto dizer que:
a) [ ] No sentido religioso, o termo "apócrifo" significa "não genuíno" ou "espúrio"
b) [ ] Baruque e Tobias são exemplos de apócrifos contidos nas Bíblias de edição católico-romana
c) [ ] Foram escritos numa época em que cessara por completo a revelação divina
d) [ ] Foram escritos entre Ester e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo Testamento
8. Os 39 livros canônicos do AT são chamados de:
a) [ ] Apócrifos pelos católicos
b) [ ] Pseudo-epígrafos pelos católicos
c) [ ] Protocanônicos pelos católicos
d) [ ] Deuterocanônicos pelos católicos
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9. [ ] A ordem dos 27 livros do NT, como é atualmente em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e não leva em
conta a sequência cronológica
10. [ ] Os apócrifos contêm erros históricos e graves heresias teológicas, como a oração pelos mortos
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Lição 3
INSPIRAÇÃO BÍBLICA
A característica mais importante da Bíblia não é sua estrutura e sua forma, mas o fato de ter sido
inspirada por Deus. Não se deve interpretar de modo errôneo a declaração da própria Bíblia a favor dessa
inspiração. Quando falamos de inspiração, não se trata de inspiração poética, mas de autoridade divina.
A Bíblia é singular, ela foi literalmente "soprada por Deus". A seguir examinaremos o que
significa isso.
Não podemos confundir revelação com inspiração. Enquanto a revelação é o ato pelo qual Deus
torna-se conhecido pelos homens, a inspiração diz respeito ao modo como os homens recebem e
transmitem essa revelação.
As Escrituras tanto falam da inspiração do escritor quanto da inspiração do escrito: um é o agente, o
outro é o efeito.
Exemplos:
O texto de 2Timóteo 3.16: "Toda Escritura é divinamente inspirada", faz referência ao escrito como
inspirado;
Em 2Pedro 1.21: "Homens santos de Deus falaram inspirados pelo espírito Santo", fala do escritor.
Embora a palavra inspiração seja usada apenas uma vez no Novo Testamento (2Tm 3.16) e outra no
Antigo Testamento (Jó 32.8), o processo pelo qual Deus transmite sua mensagem autorizada ao homem é
apresentado de muitas maneiras.
Um exame logo à frente, das duas grandes passagens a respeito da inspiração encontradas no Novo
Testamento poderá ajudar-nos a entender o que significa a inspiração bíblica.
Descrição Bíblica de Inspiração
Assim escreveu Paulo a Timóteo: "Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar,
redargüir1, corrigir e instruir em justiça" (2Tm 3.16). Em outras palavras, o texto sagrado do Antigo
Testamento foi "soprado por Deus" (gr. theopneustos) e, por isso, dotado da autoridade divina para o
pensamento e para a vida do crente.
A passagem correlata de 1Coríntios 2.13 realça a mesma verdade. "Disto também falamos", escreveu
Paulo, "não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as
coisas espirituais com as espirituais".
"Quaisquer palavras ensinadas pelo Espírito Santo são palavras divinamente inspiradas".
A segunda grande passagem do NT a respeito da inspiração da Bíblia está em 2Pedro 1.21: "Pois a
profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens santos da parte de Deus falaram
movidos pelo Espírito Santo".
Em outras palavras, os profetas eram homens cujas mensagens não se originaram de seus próprios
impulsos, mas foram "soprados pelo Espírito".
Pela revelação, Deus falou aos profetas de muitas maneiras (Hb 1.1), mediante: anjos, visões,
sonhos, vozes e milagres.
Inspiração é a forma pela qual Deus falou aos homens mediante os profetas. Mais um sinal de que as
palavras dos profetas não partiam deles próprios, mas de Deus, é o fato de eles sondarem seus próprios
escritos a fim de verificar "qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo, que estava neles,
indicava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e sobre as
glórias que os seguiram" (IPe 1.11).
Fazendo uma combinação das passagens que ensinam sobre a inspiração divina, descobrimos
que a Bíblia é inspirada no seguinte sentido:
Homens, movidos pelo Espírito, escreveram palavras sopradas por Deus, as quais são as
fontes de autoridade para a fé e para a prática cristã.
1 Replicar argumentando; responder arguindo; replicar.
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Definição Teológica da Inspiração
Na única vez em que o NT usa a palavra inspiração, ela se aplica aos escritos, não aos escritores. A
Bíblia que é inspirada, e não seus autores humanos. O adequado, então, é dizer que: o produto é inspirado,
os produtores não.
Os autores escreveram e falaram sobre muitascoisas, como, por exemplo, quando se referiram a
assuntos mundanos, pertinentes a esta vida, os quais não foram divinamente inspirados.
Todavia, visto que o Espírito Santo, conforme ensina Pedro, tomou posse dos homens que produziram
os escritos inspirados, podemos, por extensão, referir-nos à inspiração em sentido mais amplo. Tal sentido
mais amplo inclui o processo total por que alguns homens, movidos pelo Espírito Santo, enunciaram e
escreveram palavras emanadas da boca do Senhor; e, por isso mesmo, palavras dotadas da autoridade
divina.
É esse processo total da inspiração que contém os três elementos essenciais: a causalidade divina, a
mediação profética e a autoridade escrita.
Causalidade divina.
Deus é a Fonte Primordial da inspiração da Bíblia. O elemento divino estimulou o elemento humano.
Primeiro Deus falou aos profetas e, em seguida, aos homens, mediante esses profetas. Deus revelou-lhes
certas verdades da fé, e esses homens de Deus as registraram.
O primeiro fator fundamental da doutrina da inspiração bíblica, e o mais importante, é que Deus é a
fonte principal e a causa primeira da verdade bíblica. No entanto, não é esse o único fator.
Mediação profética.
Os profetas que escreveram as Escrituras não eram autômatos1. Eram algo mais que meros secretários
preparados para anotar o que se lhes ditava. Escreveram segundo a intenção total do coração, segundo a
consciência que os movia no exercício normal de sua tarefa, com seus. estilos literários e seus vocabulários
individuais.
As personalidades dos profetas não foram violentadas por uma intrusão sobrenatural. A Bíblia que
eles produziram é a Palavra de Deus, mas também é a palavra do homem.
Deus usou personalidades humanas para comunicar proposições divinas. Os profetas foram a causa
imediata dos textos escritos, mas Deus foi a causa principal.
Autoridade escrita.
O produto final da autoridade divina em operação por meio dos profetas, como intermediários
de Deus, é a autoridade escrita de que se reveste a Bíblia. A Escritura "é divinamente inspirada e
proveitosa para ensinar, repreender, corrigir, instruir em justiça".
A Bíblia é a última palavra no que concerne a assuntos doutrinários e éticos. Todas as controvérsias
teológicas e morais devem ser trazidas ao tribunal da Palavra escrita de Deus.
As Escrituras receberam sua autoridade do próprio Deus, que falou mediante os profetas. No entanto,
são os escritos proféticos e não os escritores desses textos sagrados que possuem e retêm a resultante
autoridade divina.
Todos os profetas morreram; os escritos proféticos prosseguem.
Em suma, a definição adequada de inspiração precisa ter três fatores fundamentais:
DEUS, o Causador original;
Os homens de Deus, que serviram de instrumentos;
A autoridade escrita, ou Bíblia Sagrada, que é o produto final.
1 Pessoa que age como máquina, sem raciocínio e sem vontade própria.
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Distinções Importantes
1) A inspiração em contraste com a revelação e a iluminação.
Há dois conceitos inter-relacionados que nos ajudam a esclarecer, pela contraposição, o que
significa inspiração, a saber:
A revelação diz respeito à exposição da verdade;
A iluminação, à devida compreensão dessa verdade descoberta.
No entanto, a inspiração não consiste nem em uma, nem em outra. A revelação prende-se à origem da
verdade e à sua transmissão; a inspiração relaciona-se com a recepção e o registro da verdade.
A iluminação ocupa-se da posterior apreensão e compreensão da verdade revelada.
A inspiração que traz a revelação escrita aos homens não traz em si mesma garantia alguma de que os
homens a entendam. É necessário que haja iluminação do coração e da mente.
A revelação é uma abertura objetiva; a iluminação é a compreensão subjetiva da revelação; a
inspiração é o meio pelo qual a revelação se tornou uma exposição aberta e objetiva.
A revelação é o fato da comunicação divina; a inspiração é o meio; a iluminação, o dom de
compreender essa comunicação.
2) Inspiração dos originais, não das cópias.
A inspiração e a consequente autoridade da Bíblia não se estendem automaticamente a todas as
cópias e traduções bíblicas. Só os manuscritos originais, conhecidos por autógrafos, foram Inspirados por
Deus.
Os erros e as mudanças efetuados nas cópias e nas traduções não podem ser atribuídos à inspiração
original.
Por exemplo: 2Reis 8.26 (ARC) diz que Acazias tinha 22 anos de idade quando foi coroado rei,
enquanto 2Crônicas 22.2 diz que tinha 42 anos.
Não é possível que ambas as informações estejam corretas.
O original é autorizado; a cópia errônea não tem autoridade. Outros exemplos desse tipo de
erro podem encontrar-se nas atuais cópias das Escrituras (e.g., cf. lR s 4.26 e 2Cr 9.25). Portanto,
uma tradução ou cópia só é autorizada à medida que reproduz com exatidão os autógrafos.
O grandioso conteúdo doutrinário e histórico da Bíblia tem sido transmitido de geração a geração, ao
longo da história, sem mudanças nem perdas substanciais.
As cópias e as traduções da Bíblia, encontradas no século XX, não detêm a inspiração original, mas
contêm uma inspiração derivada, uma vez que são cópias fiéis dos autógrafos.
De uma perspectiva técnica, só os autógrafos são inspirados; todavia, para fins práticos, a Bíblia nas
línguas de nossa época, por ser transmissão exata dos originais, é a Palavra de Deus inspirada.
Visto que os originais não mais existem, alguns críticos têm contestado a inerrância dos autógrafos
que não podem ser examinados e nunca foram vistos. Eles perguntam como é possível afirmar que os
originais não continham erro, se não podem ser examinados.
A resposta é que a inerrância bíblica não é um fato conhecido empiricamente1, mas uma crença
baseada no ensino da Bíblia a respeito de sua inspiração, bem como baseada na natureza altamente precisa
da grande maioria das Escrituras transmitidas e na ausência de qualquer prova em contrário.
Afirma a Bíblia ser a declaração de um Deus que não pode cometer erro. É verdade que nunca se
descobriram um único autógrafo original falível.
Temos, pois, manuscritos que foram copiados com toda precisão e traduzidos para muitas línguas,
dentre as quais o português.
Portanto, para todos os efeitos de doutrina e de dever, a Bíblia como possuímos hoje é represen-
tação suficiente da Palavra de Deus, cheia de ensino, mas não de autoridade. Inspiração do todo o conteú-
do da Bíblia.
Cumpre ressaltar também que só o que a Bíblia ensina foi inspirado por Deus e não apresenta erro;
nem tudo que está na Bíblia ficou isento de erro. Por exemplo, as Escrituras contêm o relato de muitos atos
maus, pecaminosos, mas de modo algum a Bíblia os elogia; tampouco os recomenda. Ao contrário,
condena essas práticas malignas.
1 De modo empírico, que se fundamenta na experiência prática, opondo-se à teórica: é preciso que seus
argumentos sejam empiricamente comprovados.
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A Bíblia chega a narrar algumas das mentiras de Satanás (e.g., Gn 3.4). Portanto, a simples existência
dessa narração não significa que a Bíblia ensine serem verdadeira essas mentiras. A única coisa que a
inspiração divina garante aqui é que se trata de um registro verdadeiro de uma mentira satânica, de uma
perversidade real de Satanás.
Às vezes não está perfeitamente claro se a Bíblia registra apenas um mero relato do que alguém
disse ou fez, ou se ela está ensinando que devemos proceder de igual forma.
A Natureza da Inspiração
O elo da cadeia comunicativa "de Deuspara nós" chama-se inspiração. Há diversas teorias sobre a
inspiração. Algumas não se coadunam1 com o ensino bíblico. Nosso propósito, portanto, têm dois aspectos:
1. Examinar teorias sobre inspiração;
2. Apurar o que está implícito no ensino da Bíblia a respeito de sua própria inspiração.
Teorias Sobre a Inspiração Divina
Teorias a respeito da inspiração bíblica têm variado segundo as características de três movimentos
teológicos: a ortodoxia, o modernismo e a neo-ortodoxia.
Mesmo que estas não se limitem a um único período, suas manifestações iniciais são características
de três períodos sucessivos na História da Igreja.
Historicamente sempre prevaleceu a visão ortodoxa, a saber: a Bíblia é a Palavra de Deus.
Surgindo o modernismo, muitos vieram a crer que a Bíblia meramente contém a Palavra de Deus.
Recentemente, sob a influência do existencialismo contemporâneo, os teólogos neo-ortodoxos
ensinam que a Bíblia se torna a Palavra de Deus quando o indivíduo tem um encontro pessoal com
Deus em suas páginas.
Ortodoxia: A Bíblia é a Palavra de Deus.
Em 18 séculos de História da Igreja, prevaleceu a opinião ortodoxa da inspiração divina.
Os pais da Igreja, em geral, com raras manifestações menos importantes contrárias,
ensinaram firmemente que a Bíblia é a Palavra de Deus escrita.
Teólogos ortodoxos ao longo dos séculos vêm ensinando, todos de comum acordo, que a Bíblia foi
inspirada verbalmente, isto é, o registro escrito por inspiração de Deus.
No entanto, tem havido tentativas de procurar explicação para o fato de o registro escrito ser a
Palavra de Deus e ao mesmo tempo em que o Livro foi composto por autores humanos, dotados de
estilos diferentes; essas tentativas conduziram os estudiosos ortodoxos a duas opiniões divergentes:
1. Alguns abraçaram a ideia do "ditado verbal", afirmando que os autores humanos da Bíblia
registraram apenas o que Deus lhes havia ditado, palavra por palavra.
2. Outros estudiosos que preferiam a teoria do "conceito inspirado", segundo qual Deus só concedeu
aos autores pensamentos inspirados, e estes tiveram liberdade de revesti-los com palavras próprias.
Modernismo: A Bíblia contém a Palavra Divina.
Ao surgir o idealismo germânico e a crítica da Bíblia, surgiu uma nova visão evoluída da inspiração
bíblica, junto ao modernismo ou liberalismo teológico.
Opondo-se à opinião ortodoxa tradicional que a Bíblia é a Palavra de Deus, os modernistas ensinam
que a Bíblia meramente contém a Palavra de Deus. Certas partes dela são divinas, expressam a verdade,
outras são obviamente humanas e apresentam erros.
Tais autores acham que a Bíblia foi vítima de sua época, como acontece a qualquer livro. Dizem que
ela teria incorporado muito das lendas, dos mitos e das falsas crenças relacionadas à ciência.
1 Conformam, combinam, harmonizam.
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Sustentam que, o fato dos elementos não terem sido inspirados por Deus, devem ser rejeitados
pelos homens iluminados de hoje; tais erros seriam resquícios1 de uma mentalidade primitiva indigna
de fazer parte do credo cristão.
Somente as verdades divinas, entremeadas nessa mistura de ignorância antiga e erro grosseiro, é que
de fato teriam sido inspiradas por Deus.
Alguns modernistas afirmam que os homens que escreveram a Bíblia tiveram apenas uma
intuição, dizendo que houve apenas manifestação do conhecimento natural da verdade.
A intuição faz parte do ser humano normal, e muitas vezes leva-os a escreverem livros sagrados,
científicos, filosóficos e desse modo se pode até conhecer a verdade, sem necessidade da inspiração do
Espírito de Deus. Essa teoria, entretanto, procura negar a pessoa de Deus, que é a verdade suprema e
o Único que a possa revelar.
Outra teoria diz que apenas foi inspirada as ideias da Bíblia, ficando a palavra a cargo dos escritores.
Neo-Ortodoxia: a Bíblia torna-se a Palavra de Deus.
No início do século XX, a reviravolta nos acontecimentos mundiais e a influência do pai dinamarquês
do existencialismo, Soren Kierkegaard, deram origem a uma nova reforma na teologia europeia. Estudiosos
começaram a voltar-se de novo para as Escrituras, a fim de ouvir nelas a voz de Deus. Sem abrir mão de
suas opiniões críticas a respeito da Bíblia, começaram a levar a Bíblia a sério, por ser a fonte da revelação
de Deus aos homens.
Criando um novo tipo de ortodoxia, afirmavam que Deus fala aos homens mediante a Bíblia; as
Escrituras tornam-se a Palavra de Deus num encontro pessoal entre Deus e o homem.
À semelhança das outras teorias a respeito da inspiração da Bíblia, a neo-ortodoxia desenvolveu
duas correntes.
1. Na extremidade mais importante estavam os demitizadores1, que negam todo e qualquer conteúdo
religioso importante, factual ou histórico, nas páginas da Bíblia, e creem apenas na preocupação
religiosa existencial sobre a qual desenvolve os mitos.
2. Na outra, procuram preservar a maior parte dos dados factuais e históricos das Escrituras, mas
sustentam que a Bíblia de modo algum é revelação de Deus. Antes, Deus se revela na Bíblia nos
encontros pessoais, não, porém, de aneira proposicional.
Cremos que qualquer criatura pode experimentar o poder da Bíblia em sua vida, basta deixar as
teorias e viver na prática a Palavra de Deus. Vamos, portanto observar algumas dessas teorias:
1 Resíduo, vestígio.
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Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Sabendo que o processo total da inspiração contém três elementos essenciais, assinale a incorreta
a) [ ] Autoridade escrita
b) [ ] Causalidade divina
c) [ ] Mediação profética
d) [ ] Impulsividade humana
2. A ______ prende-se à origem da verdade e à sua
transmissão. A _____ relaciona-se com a recepção e
o registro da verdade
a) [ ] Inspiração, iluminação
b) [ ] Revelação, inspiração
c) [ ] Inspiração, revelação
d)[ ] Iluminação, revelação
3. As teorias a respeito da inspiração bíblica têm
variado segundo as características de três
movimentos teológicos
a) [ ] A pré-ortodoxia, ortodoxia e a neo-ortodoxia
b) [ ] A ortodoxia, o modernismo e a neo-ortodoxia
c) [ ] O pré-modernismo, a ortodoxia e o modernismo
d) [ ] O pré-modernismo, modernismo e o pós-modernismo
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4.[ ] Qualquer criatura pode experimentar o poder da
Bíblia em sua vida, basta deixar as teorias e viver na
prática a Palavra de Deus
5.[ ] Os profetas eram homens cujas mensagens não se originaram de seus próprios impulsos, mas foram
"soprados pelo Espírito"
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O Ensino Bíblico a Respeito da Inspiração
Objeções têm sido levantadas contra as teorias da inspiração, partindo de diferentes concepções, com
variados graus de legitimidade, independentemente do ângulo de observação da pessoa que as formula.
Visto que o objetivo deste estudo é levar ao leitor a compreender o caráter da Bíblia; o critério analí-
tico que escolhemos, visa avaliar essas teorias, levando em consideração o que as Escrituras revelam a res-
peito de sua própria inspiração.
Começaremos com o que a Bíblia ensina formalmente sobre essa questão e, depois, examinaremos
o que se acha implícito nesse ensino.
O que a própria Bíblia ensina a respeito de sua inspiração.
A Bíblia declara ser um livro dotado de autoridade divina,resultante de um processo pelo qual,
homens movidos pelo Espírito Santo escreveram textos inspirados (soprados) por Deus.
Vamos agora examinar em minúcias1 o que significa essa declaração.
No mesmo assunto, destacam-se ainda duas posições que os modernistas não conseguem negar,
embora não concordem com:
1. A inspiração plena e verbal da Bíblia;
2. A inspiração e inerrância das Escrituras.
Quando dizemos inspiração verbal é para denotar cada palavra, e, inspiração plena, para dar o sentido
de completo, inteiro; o que contraria o conceito de inspiração parcial.
Compreendendo a inspiração divina.
Para que sua palavra chegasse a nós, Deus usou homens, que foram auxiliados e diretamente
assistidos pelo Espírito Santo, a fim de não permitir que eles cometessem erros quando escreviam o
registro fiel e verdadeiro da Palavra de Deus.
Foram inspirados, nas ocasiões em que Deus pelo seu Espírito atuava em seus corações (2Pe 1.21).
Eram homens cheios de fraquezas, dúvidas, negações, divergências, etc, mas quando estavam sob a atuação
do Espírito de Deus, jamais falharam, pois estavam nas mãos de Deus.
O apóstolo Paulo, homem de Deus, afirma a inspiração da Palavra dizendo: "toda a Escritura
divinamente inspirada é proveitosa" (2Tm 3.16). Paulo cria na inspiração da Bíblia.
Os autores dos livros históricos, por exemplo, puderam separar a verdade do erro quando
buscavam as bases para suas narrativas. Na verdade, os livros históricos têm ensinos vitais para as
nossas vidas. Paulo falou disso (ICo 10.11).
Temos um livro que os registros foram inspirados por Deus e que todo o ensino necessário acerca das
coisas da vida fosse transmitido de maneira singular. "Uma das artimanhas de Satanás é desacreditar a
Bíblia, como a palavra inspirada, usando fatos e argumentos contra a ela".
Entretanto, Deus (Hb 1.1) tem falado aos homens, inspirando outros, movidos pelo seu Espírito
Santo para comunicar com exatidão a mensagem divina, tornando a Bíblia, O Livro Singular!
"Conhecer a Inspiração Divina da Bíblia é conhecer o próprio Deus, movendo-se através do tempo, usando
vidas chamadas e consagradas (Is 6.8) para realizar seus propósitos".
Com inspiração queremos dizer que os manuscritos originais da Bíblia nos foram concedidos pela
revelação de Deus, exatamente por isso, detêm a absoluta autoridade de Deus, para formar o pensamento
e a vida cristã. Isso significa que tudo quanto a Bíblia ensina constitui tribunal de apelação infalível.
A inspiração é verbal
O texto de 2Timóteo 3.16 declara que as graphã, i.e., os textos, é que são inspirados. "Moisés
escreveu todas as palavras do Senhor..." (Êx 24.4).
O Senhor ordenou a Isaías que escrevesse num livro a mensagem eterna de Deus (Is 30.8).
Davi confessou: "O Espírito do Senhor fala por mim, e a sua Palavra está na minha boca" (2Sm 23.2). Era
a Palavra do Senhor que chegava aos profetas nos tempos do AT. Jeremias recebeu esta ordem: "... não
te esqueças de nenhuma Palavra" (Jr 26.2).
1 Pormenor. Circunstância particular; particularidade.
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Jesus e seus apóstolos ressaltaram a revelação registrada ao usar repetidamente a
expressão "está escrito" (Mt 4.4,7; Lc 24.27,44).
Paulo testemunhou: "... falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o
Espírito Santo ensina..." (ICo 2.13). João nos adverte quanto a não "tirar quaisquer palavras do
livro desta profecia" (Ap 22.19).
As Escrituras (i.e. os escritos) do AT são continuamente mencionadas como Palavra de Deus.
No célebre sermão da montanha, Jesus declarou que não só as palavras, mas até mesmo os pequeninos
sinais diacríticos1 de uma palavra hebraica vieram de Deus: "Em verdade vos digo que até que a terra e o
céu passem nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido" (Mt 5.18).
Portanto, o que se diz como teoria a respeito da inspiração das Escrituras, fica bem claro que a Bíblia
reivindica para si mesma toda a autoridade verbal ou escrita. Diz a Bíblia que suas palavras vieram da
parte de Deus.
Inspiração verbal significa que, na preparação das Escrituras, a superintendência do Espírito
Santo se estende às próprias palavras empregadas. A Bíblia constantemente afirma que as suas palavras
foram dadas ou dirigidas pelo Espírito Santo (At 28.25; *LCo 2.13; 2Pe 1.21).
A inspiração é plena.
A inspiração plena da Bíblia é fato incontestável porque assuntos vitais como expiação, salvação,
ressurreição, recompensas e castigo futuros requerem a direção de um Espírito infalível a fim de se evi-
tarem informações que levem ao erro.
Inspiração plena significa que toda a Bíblia é inspirada em todas as suas partes.
Cristo nunca fez distinção entre os livros da Bíblia quanto à sua origem divina e autenticidade, mas
aplica a expressão "Palavra de Deus" a todo o cânon do Antigo Testamento. O mesmo fez os apóstolos
(2Tm 3.16).
Na verdade, os escritores bíblicos escreveram suas mensagens com palavras de seu próprio
vocabulário, porém, inspirados e influenciados pelo Espírito Santo.
Ele guiou os escritores na escolha das palavras de acordo com a personalidade e o contexto
cultural de cada um. Apesar de conter palavras humanas, a Bíblia é a Palavra de Deus.
Deus deu a Palavra e providenciou o modo de garantir a autenticidade da sua Palavra, que os homens
de Deus haveriam de escrever. Ele não escreveu nenhuma parte da Bíblia. Uma vez escreveu com o seu
dedo os Dez Mandamentos em duas tábuas de pedra, em ambas as bandas (Êx 32.15,16), porém, Moisés
quando viu o bezerro de ouro que os israelitas haviam feito, arremessou as tábuas, quebrando-as ao pé do
monte (Êx 32.19). Jesus escreveu uma só vez na terra (Jo 8.8).
Deus, ao dar aos homens o Livro Divino, escolheu e preparou para isto servo seus, dando plena
inspiração pelo Espírito Santo a eles (IPe 1.10-12; 2Pe 1.21; lTm 3.16, Jó 32.18-20, etc).
Cada autor escreveu conscientemente conforme o seu estilo e vocabulário e a sua maneira
individual de se expressar, mas todos sob a influência da inspiração do Espírito Santo. Assim as
palavras, com que registraram o que receberam de Deus, foram-lhes ensinadas pelo Espírito (ICo 2.13).
Davi, que era rei e profeta, disse: "O Espírito de Deus falou por mim e a sua palavra esteve na minha
boca" (2Sm 23.2). Desta maneira ficou toda a Bíblia inspirada pelo Espírito Santo.
É realmente um milagre! O mesmo Espírito que inspirou Moisés a escrever os primeiros cinco livros da
Bíblia (Êx 24.1-4, Nm 33.2), cerca de 1.550 anos antes de Cristo, inspirou também o apóstolo João a escrever
o seu Evangelho, e as suas três Epístolas e o Apocalipse, no ano 90 d.C.
Esta inspiração plena atinge até as palavras usadas, inclusive a sua forma gramatical.
Temos vários exemplos na Bíblia que mostram como a forma gramatical adequada, que os autores
aplicaram, serviu para explicar grandes e importantes doutrinas (cf. Mt 22.32), onde Jesus empregou o
verbo "ser", na forma de presente (Eu sou o Deus de Abraão, etc) para provar a real existência de vida após
morte.
Em Gálatas 3.16 vemos como a forma singular do substantivo "posteridade" foi usada para dar um
importante ensino, como a promessa dada a Abraão se cumpriu na pessoa de Jesus. O mesmo pode ver
também em Hebreus 12.27; João 8.57 e em muitos outros exemplos.
1 Sinal que se apõe a uma letra para dar-lhe novo valor, como cedilha, til, acentos, ou, nos alfabetos
fonéticos, a um símbolo, para indicar as características de um som, tais como duração e articulação
secundária.
Bibliologia 38/66A teologia modernista não aceita a doutrina sobre a inspiração plenária da Bíblia. Eles concordam
em aceitar que as idéias ou pensamentos da Bíblia podem ser inspirados, mas que as palavras usadas, no
texto, são um produto de autores, os quais estão sujeitos a erros.
Outros reconhecem a Bíblia como autoridade em assuntos meramente espirituais, porém, em
tudo que se relaciona com ciência, biologia, geologia, história, etc, a Bíblia não pode ser considerada uma
autoridade.
Eles dizem abertamente: "Errar é humano". Para dar uma aparência de piedade e respeito às
coisas de Deus eles dizem: "A Bíblia contém a Palavra de Deus, mas ela não o é". Infelizmente esta crítica
materialista contra a veracidade da Bíblia tem se espalhado. A falsamente chamada "ciência" faz com
aqueles que a professem se desviem da fé (lTm 6.20,21).
Para os crentes convictos da sua salvação, que vivem em comunhão com Deus e sentem a operação do
Espírito Santo em suas vidas, esta crítica não gera problemas. Eles simplesmente rejeitam terminantemente
qualquer afirmativa contrária à Bíblia.
Eles o fazem com convicção. A base desta rejeição é segura. Vejamos:
1. Rejeitamos toda a crítica contra a Bíblia, porque Jesus considerou a Bíblia como a "Palavra de Deus”
(Mc 7.13). E o apoio dEle vale mais que as ideias afirmativas de quem querem que seja.
2. Rejeitamos a crítica modernista, contra a veracidade da Bíblia, porque seria uma ofensa contra Deus
que é perfeito (Mt 5.48), afirmar que a sua Palavra contém erros e mentiras. A Bíblia afirma: "A lei do
senhor é perfeita" (SI 19.7). "É provada" (SI 18.30), e "fiéis são todos os seus mandamentos" (SI 111.7).
A palavra da "Ciência" também nunca é a "última palavra". "O que hoje se afirma em nome da
Ciência, amanhã outros o desfazem".
Um grande teólogo alemão, A. Luescher constatou em uma de suas obras, que no ano de 1.850 os
críticos contra a Bíblia apresentaram 700 argumentos científicos contra a veracidade da Bíblia.
Hoje, 600 destes argumentos já foram deixados por descobertas mais atualizadas.
O que a Bíblia afirma é como uma rocha, que não muda por causa das ondas do mar que se
lançam contra ela. Não queremos trocar a nossa fé na Palavra de Deus levando em conta, homens que
consideram a sua sabedoria mais que a de Deus, e sim, que a nossa fé se apóie não na sabedoria
humana, mas no poder de Deus (ICo 2.5).
Negar a inspiração plena das Escrituras, portanto, é desprezar o testemunho fundamental de Jesus
Cristo (Mt 5.18; 15.3-6; Lc 16.17; 24.25- 27,44,45; Jo 10.35), do Espírito Santo (Jo 15.26; 16.13; ICo 2.12-13;
lTm 4.1) e dos apóstolos (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21). Além disso, limitar ou descartar a sua inerrância é
depreciar sua autoridade divina.
A inspiração atribui autoridade.
O termo "Escritura", conforme se encontra em 2Timóteo 3.16, refere-se principalmente aos escritos
do Antigo Testamento (2Tm. 3.15).
Há evidências, porém, que os escritos do Novo Testamento já eram considerados escritura
divinamente inspirada por volta do período em que Paulo escreveu 2Timóteo (lTm 5.18, cita Lc 10.7;
2Pe 3.15,16). Para nós, a Escritura refere-se aos escritos divinamente inspirados tanto do AT quanto
do NT, isto é, a Bíblia. São (os escritos) as mensagens originais de Deus para a humanidade, e o
único testemunho infalível da graça salvífica de Deus para todos.
Paulo afirma que toda a Escritura é inspirada por Deus. A palavra "inspirada" (gr.theopneustos)
provém de duas palavras gregas:
Theos, que significa "Deus";
Pneuõ, que significa "respirar".
Sendo assim, "inspirado" significa "aquilo que é soprado ou respirado por Deus". Toda a Escritura,
portanto, é "respirada" por Deus; é a própria vida e Palavra de Deus. Deste modo, entendemos que o
Espírito inspirou cada palavra da Bíblia, capacitando os escritores a registrarem de modo correto e preciso a
revelação divina.
A Bíblia, nas palavras dos seus manuscritos originais, é inerrante; sendo verdadeira, fidedigna e
infalível. Esta verdade permanece inabalável, não somente quando a Bíblia trata da salvação, valores
éticos ou morais, como também está isenta de erro em tudo aquilo que ela trata inclusive a história e o
cosmos (cf. 2Pe 1.20,21).
Bibliologia 39/66
Os escritores do AT estavam conscientes em dizer e escrever ao povo que era realmente a
Palavra de Deus (Dt 18.18; 2Sm 23.2).
Repetidamente os profetas iniciavam suas mensagens com a expressão: "Assim diz o Senhor".
Jesus também ensinou que a Escritura é a inspirada Palavra de Deus até em seus mínimos detalhes (Mt
5.18). Afirmou que tudo quanto Ele disse foi recebido da parte do Pai e é verdadeiro (Jo 5.19,30,
31; 7.16; 8.26). Ele falou da revelação divina ainda futura (isto é, a verdade revelada do restante do
NT), da parte do Espírito Santo através dos apóstolos (Jo 16.13; cf. 14.16,17; 15.26,27).
Na sua ação de inspirar os escritores pelo seu Espírito, Deus, sem violar a personalidade deles, agiu
neles de tal maneira que escreveram sem erro (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21; ver ICo 2.12,13).
A inspirada Palavra de Deus é a expressão da sabedoria e do caráter de Deus e pode, portanto,
transmitir sabedoria e vida espiritual através da fé em Cristo (Mt 4.4; Jo 6.63; 2Tm 3.15; IPe 2.2).
A Bíblia é um testemunho infalível e verdadeiro de Deus, na sua atividade salvífica a
favor da humanidade, em Cristo. Ela é incomparável, eternamente completa e incomparavelmente
obrigatória. Nenhuma palavra de homens ou declarações de instituições religiosas iguala-se à
autoridade delas.
Qualquer comentário, explicação, doutrina, interpretação e tradição devem ser julgadas e
validadas pelas palavras e mensagens da Bíblia (Dt 13.3). A Bíblia como Palavra divina deve ser
recebida, crida e obedecida como a autoridade suprema em todas as coisas pertencentes à vida e à
piedade (Mt 5.17-19; Jo 14.21; 15.10; 2Tm 3.15,16).
Na Igreja, a Bíblia deve ser a autoridade final em todas as questões: de ensino, repreensão,
correção, doutrina e instrução na justiça (2Tm 3.16,17).
Ninguém pode submeter-se ao senhorio de Cristo sem estar submisso a Deus e à sua Palavra
como a autoridade máxima (Jo 8.31,32, 37). E só podemos entender devidamente a Bíblia se
estivermos em harmonia com o Espírito Santo. Ele quem abre nossas mentes para compreendermos o
seu sentido, e dá-nos testemunho em nosso interior de sua autoridade.
Devemos nos firmar na inspirada Palavra de Deus para vencermos o poder do pecado, de
Satanás e do mundo (Mt 4.4; Ef 6.12,17; Tg 1.21).
Nota:
Não devemos deixar de observar que a Bíblia é infalível na sua inspiração somente no texto
original dos livros que lhe são inerentes.
Logo, sempre que acharmos nas Escrituras alguma coisa que parece errada, ao invés de
pressupor que o escritor daquele texto bíblico cometeu um engano, deve ter em mente três
possibilidades no tocante a tal suposto problema:
1. As cópias existentes do manuscrito bíblico original podem conter inexatidão;
2. As traduções atualmente existentes do texto bíblico grego ou hebraico podem conter falhas;
3. A nossa própria compreensão do texto bíblico pode ser incompleta ou incorreta.
Bibliologia 40/66
Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
6. É incerto dizer que
a)[ ] Cristo fez distinção entre os livros da Bíblia quanto à sua origem divina e autenticidade
b)[ ] A Bíblia reivindica para si mesma toda a autoridade verbal ou escrita e diz que suas palavras vieram
da parte de Deus
c )[ ] Os manuscritos originais da Bíblia nos foram concedidospela revelação de Deus, e por isso, detêm a
absoluta autoridade divina, para formar o pensamento e a vida cristã
d )[ ] A Bíblia declara ser um livro dotado de autoridade divina, resultante de um processo pelo
qual, homens movidos pelo Espírito Santo escreveram textos inspirados por Deus
7. É correto afirmar que
a)[ ] A teologia modernista aceita a doutrina sobre a inspiração plenária da Bíblia
b)[ ] A teologia modernista não concorda em aceitar que as ideias ou pensamentos da Bíblia podem ser
inspirados
c)[ ] Os escritores bíblicos escreveram suas mensagens a partir de um vocabulário novo e divino
d)[ ] O Espírito Santo guiou os escritores na escolha das palavras de acordo com a personalidade e o
contexto cultural de cada um
8. É incorreto dizer que:
a)[ ] Só podemos entender devidamente a Bíblia se estivermos em harmonia com o Espírito Santo
b)[ ] Jesus também ensinou que a Escritura não é a inspirada Palavra de Deus em seus mínimos
detalhes
c)[ ] O Espírito Santo inspirou cada palavra da Bíblia, capacitando os escritores a registrarem de
modo correto e preciso a revelação divina
d)[ ] A inspirada Palavra de Deus é a expressão da sabedoria e do caráter de Deus e pode, portanto,
transmitir sabedoria e vida espiritual através da fé em Cristo
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9.[ ] Os crentes convictos da sua salvação, rejeitam terminantemente qualquer afirmativa contrária à
Bíblia
10.[ ] Negar a inspiração plena das Escrituras, portanto, é aceitar o testemunho fundamental de
Jesus Cristo, do Espírito Santo e dos apóstolos
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Lição 4
Revelação Bíblica
"... toda Escritura é divinamente inspirada..." (2Tm. 3.16). Esta declaração fortalece que as
Escrituras têm sua origem sobrenatural e, portanto, ela é infalível Palavra de Deus.
Quando ainda não havia Palavra de Deus escrita, o Todo-Poderoso revelava-se verbalmente às suas
criaturas na terra.
A revelação divina nas Escrituras.
A palavra "revelação" significa "mostrar, tornar conhecido". No latim revelare significa "por para trás
o véu para que se veja o que está encoberto".
O significado bíblico de revelação é "descobrir, despir, tornar a verdade conhecida". Ora, "Deus é
Espírito" (Jo 4.24), por isso, é imperceptível aos sentidos físicos; todavia Ele pode ser conhecido pela
revelação que faz de si mesmo aos homens.
Revelação é o desvendamento que Deus faz de si mesmo, girando em torno da pessoa de Jesus Cristo,
através da criação, da história, da consciência humana e das Escrituras. Ela é dada através de
acontecimentos e de palavras. Não há termo técnico para exprimir a ideia nas Escrituras, a mesma é
expressa de vários modos.
Duas palavras gregas são mais comumente usadas: apocalúptein e farenoun. Entre as duas há
sutis sombras de significados. A primeira significa "desvendamento", ao passo que a segunda aponta
mais para o conceito de "manifestação daquilo que fora desvendado". Portanto, a idéia de revelação
envolve o que antes era misterioso, oculto e desconhecido.
Os teólogos geralmente descrevem a revelação divina em termos de revelação geral e de revelação
especial.
A revelação geral consiste no testemunho que Deus dá de si mesmo através da criação, da história e
da consciência humana. Aparece em trechos como Salmos 19; Atos 14.8-18; 17.16- 34; Romanos
1.18-32; 2.12,16; etc.
A revelação especial é o desvendamento que Deus faz de sim mesmo, dentro da história da salvação
(revelação na realidade), e na palavra interpretativa das Escrituras (revelação na Palavra).
Modelos de Revelação
1. Revelação como Doutrina.
Definição: A revelação é dotada de autoridade divina, sendo transmitida pelo meio (palavras)
exclusivo da Bíblia. As suas proposições em geral assumem o caráter da doutrina.
Propósito: Despertar a fé salvadora por meio da aceitação da verdade revelada de maneira suprema
em Jesus Cristo.
Partidários: Pais da Igreja, Igreja Medieval, Reformadores, B. B. Warfield, Francis Schaeffer e
Concílio Internacional Sobre Inerrância Bíblica.
Visão geral da Bíblia: A Bíblia é a Palavra de Deus (tanto na forma como no conteúdo).
Relação com a história: A revelação é trans histórica (ela é discreta e determinativa quanto à sua
contigüidade1 com a história).
Meio de apreensão humana: Iluminação (pelo Espírito Santo).
Hermenêutica básica: Indução (objetiva).
Pontos fortes alegados:
Deriva do próprio testemunho da Bíblia sobre si mesma;
É a concepção tradicional, desde os pais da Igreja até o presente;
É distintivo em virtude da sua coerência interna;
Provê o fundamento para uma teologia consistente.
1 Estado de contíguo. Proximidade, vizinhança, adjacência.
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Pontos fracos alegados:
A Bíblia não reivindica a sua própria infalibilidade proposicional. Os exegetas antigos e
medievais eram abertos a interpretações alegóricas/espirituais. A diversidade de termos e
convenções literárias milita contra esse modelo.
A ciência moderna refuta o literalismo bíblico e outras noções ligadas a esse modelo,
Sua hermenêutica ignora o poder sugestivo do contexto bíblico.
2. Revelação como Evento Histórico.
Definição: Revelação é a demonstração da disposição e capacidade redentora de Deus
conforme testificada por seus grandes feitos na história humana.
Propósito: Instilar esperança e confiança no Deus da história.
Partidários: Willian Temple, G. Ernest Wright, Oscar Cullman e Wolfhart Pannenberg.
Visão geral da Bíblia: A Bíblia é um evento. Está ligada à autorrevelação de Deus manifesta
indiretamente na totalidade de sua atividade na história. Ela nunca é extrínseca seja à continuidade
ou à particularidade dessa história.
Relação com a história: A revelação é intra-histórica (a Bíblia revela a história dentro da história).
Meio de apreensão humana: Razão.
Hermenêutica básica: Dedução objetiva/subjetiva.
Pontos fortes alegados:
Tem valor religioso pragmático1 por causa do seu caráter concreto;
Identifica certos temas bíblicos subestimados ou ignorados pelo modelo proposicional (Revelação
como Doutrina);
É mais orgânico em sua abordagem e aponta para um modelo de história;
É não autoritário, sendo assim mais plausível2 para a mentalidade contemporânea.
Pontos fracos alegados:
Relega a Bíblia a uma posição de "fenômeno". É virtualmente desprovido de sustentação
teológica. Apesar de sua alegada plausibilidade, não promove o diálogo ecumênico3.
3. Revelação como Experiência Interior.
Definição: Revelação é a auto manifestação de Deus por meio de sua presença íntima nas
profundezas do espírito e da psiquê humanas.
Propósito: Propiciar uma experiência de união com Deus que equivale à imortalidade.
Partidários: Friedrich Schleirmacher, D. W. R. Inge, C. H. Dodd e Karl Rahner.
Visão geral da Bíblia: A Bíblia contém a palavra de Deus (misturada com os elementos humanos de
erro e mito: a Bíblia é uma "casca" que envolve o "cerne" da verdade). Essa verdade somente pode
ser apreendida (experimentada) por meio de iluminação pessoal.
Relação com a história: A revelação é psico-histórica (ela relaciona-se com a história como uma
imagem mental da continuidade humana).
Meio de apreensão humana: Intuição.
Hermenêutica básica: Ecletismo (subjetiva).
Pontos fortes alegados:
Oferece defesa contra uma crítica racionalista da Bíblia;
Promove a vida devocional. A sua flexibilidade incentiva o diálogo inter-religioso.
Pontos fracos alegados:
Faz uma seleção arbitrária de dados bíblicos; Substitui o conceito bíblico da eleição pelo elitismo1 natural. Por sua ênfase na experiência, faz um
divórcio entre revelação e doutrina;
Sua orientação experimental também apresenta o risco de uma excessiva introspecção na prática
devocional.
1 Sistema que favorece as elites, com prejuízo da maioria. Ideal ou concepção de vida fundada em tal
sistema.
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4. Revelação como Presença Dialética.
Definição: Revelação é a mensagem de Deus àqueles que Ele confronta com a sua Palavra na
Bíblia e com Cristo na proclamação cristã.
Propósito: Gerar a fé como a adequada consumação meta-revelatória de si própria.
Partidários: Karl Barth, Emil Brunner e Jonh Baillie.
Visão Geral da Bíblia: A Bíblia torna-se a palavra de Deus a nós (a revelação não é estática, mas
dinâmica, e tem que ver com a contingência da resposta humana) na medida em que é dinamizada
pelo Espírito Santo.
Relação com a história: A revelação é supra-histórica (a Bíblia revela a "história além da história").
Meio de apreensão humana: Razão "transacional" (interação com a fé intrínseca à revelação).
Hermenêutica básica: Indução (subjetiva).
Pontos fortes alegados:
Procura apoiar-se sobre um fundamento bíblico;
Evidencia um claro enfoque cristológico, porém não ortodoxo;
Oferece a oportunidade de encontro com Deus.
Pontos fracos alegados:
Embora fundamentado na Bíblia, carece de coerência interna;
Sua linguagem paradoxal1 é confusa;
Sua obscuridade ao relacionar o Cristo da fé com o Jesus histórico enfraquece a sua validade.
5. Revelação como Nova Consciência.
Definição: Revelação é o atingir de um nível superior de consciência à medida que se é atraído para
uma participação mais frutífera na criatividade divina.
Propósito: Obter a reestruturação da percepção e da experiência; e uma autotransformação
simultânea.
Partidários: Teihard de Chardin, M. Blondel, Gregory Baum, Leslie Dewart, Ray L. Hart e Paul
Tillich.
Visão geral da Bíblia: A Bíblia é um paradigma - um mediado pelo qua se pode obter
autotransformação e transcendência (mas ela é somente um esforço humano que utiliza uma
linguagem humana “claudicante1" com vistas a esse objetivo).
Relação com a história: A revelação é não-histórica (a história torna-se irrelevante ao ser submetida
a contínuas reinterpretações de transcendência pessoal).
Meio de apreensão humana: Meditação racional/mística.
Hermenêutica básica: Ultra-ecletismo2 (subjetiva ao extremo).
Pontos fortes alegados:
Evita a inflexibilidade e o autoritarismo. Respeita o papel ativo da pessoa no processo de revelação.
Harmoniza-se com o pensamento evolucionista ou transformacionista;
Sua filosofia satisfaz a necessidade de um viver frutífero no mundo.
Pontos fracos alegados:
Faz violência a Escritura por meio de suas interpretações não-ortodoxas;
É um néo-gnosticismo inadequado para uma experiência cristã significativa;
Nega o valor cognitivo3/objetivo da Bíblia em sua totalidade.
1 Que claudica. Incerto, vacilante, duvidoso.
2 Reunião de elementos doutrinários de origens diversas que não chegam a se articular em uma unidade
sistemática consistente.
1 Relativo à cognição, ou ao conhecimento.
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Categorias da Revelação Divina
As Escrituras nos informam sobre três modos pelos quais Deus têm se revelado às suas criaturas
terrenas:
1. A revelação natural manifesta na Criação.
É impossível negar a existência de Deus diante da beleza da Criação (SI 19.1-6). Entretanto, quando
entrou o pecado no mundo, o homem desviou-se do Criador e, consequentemente, a revelação
natural tornou-se insuficiente. Daí a necessidade de uma revelação mais objetiva e explícita - a escrita
(At 14.17).
2. A revelação escrita.
Por esse modo, Deus revelou seu amor à obra-prima da Criação, o homem; demonstrando-lhe o
desejo de manter comunhão com ele e revelar-lhe sua soberana vontade através da escrita.
Este modo de revelar-se não anulou a revelação natural, mas tornou-a ainda mais viva e real,
propiciando ao homem uma revelação pessoal, como o Todo-Poderoso e suficiente.
Para que sua Palavra fosse conhecida por todos os homens através da escrita, o Senhor escolheu dois
ricos idiomas, o hebraico e o grego.
3. A revelação pessoal.
Deus é um ser Pessoal que se comunica com suas criaturas racionais. Não é uma força ou
energia cósmica, nem tampouco, qualquer coisa neutra e impessoal. Ele é único e singular, tem
personalidade, pensa, decide, e tem sentimentos.
Sua revelação pessoal ao homem foi feita através do Verbo Divino que se fez carne, Jesus
Cristo (Jo 1.1-12). As profecias bíblicas anunciavam uma revelação pessoal de Deus através de Jesus (Jo
1.18; 5.39).
Modalidades da Revelação Especial
Eventos Miraculosos.
Deus atuando no mundo de maneiras históricas concretas, afetando o que ocorre.
Exemplos:
1. Chamado de Abraão (Gn 12);
2. Nascimento de Isaque (Gn 21);
3. Páscoa (Êx 12);
4. Travessia do Mar Vermelho (Êx 14).
Comunicações Divinas.
A revelação de Deus por meio da linguagem humana.
Exemplos:
Linguagem audível: Deus falando a Adão no Éden (Gn 2.16) e a Samuel no templo (ISm 3.4);
O ofício profético (Dt 18.15-18);
Sonhos (Daniel, José);
Visões (Ezequiel, Zacarias, João no Apocalipse);
A Escritura (2Tm 3.16).
Manifestações Visíveis.
Deus manifestando-se em forma visível.
Exemplos:
Teofanias1 do AT antes da encarnação de Jesus Cristo (geralmente descrito como o Anjo do Senhor,
Gn 16.7-14, ou como um homem, como no caso de Jacó, Gn 32);
A glória do shekinah (Êx 3.2-4; 24.15-18; 40.34-35);
Jesus Cristo (a inigualável manifestação de Deus como um verdadeiro ser humano, com todos os
processos e experiências humanas tais como o nascimento, a dor e a morte; Jo 1.14; 14.9; Hb 1.1-2).
1 Manifestação de Deus, desde a voz até a imagem, perceptível pelos sentidos humanos.
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Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Consiste no testemunho que Deus dá de si mesmo
através da criação, da história e da consciência
humana
a) [ ] A revelação progressiva
b) [ ] A revelação antrópica
c) [ ] A revelação especial
d) [ ] A revelação geral
2. O modelo de revelação que tem uma visão geral da
Bíblia como a Palavra de Deus, tanto na forma como
no conteúdo
a) [ ] Revelação como Experiência Interior
b) [ ] Revelação como Doutrina
c) [ ] Revelação como Evento Histórico
d) [ ] Revelação como Nova Consciência
3. As revelações especiais no nascimento de Isaque e na travessia do mar Vermelho são exemplos de
a) [ ] Manifestações visíveis
b) [ ] Comunicações divinas
c) [ ] Eventos miraculosos
d) [ ] Teofanias
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
5. [ ] Quando ainda não havia Palavra de Deus escrita, o Todo-Poderoso revelava-se verbalmente às suas
criaturas na terra
6. [ ] É o único modo pelo qual Deus tem se revelado às suas criaturas terrenas: a revelação escrita
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Teologia e Revelação
A possibilidade da teologia advém da revelação de Deus, dos dons com que o homem foi dotado. A
ideia cristã tem sido a de que temos através das Escrituras a Palavra revelada e que elas constituem,
portanto, a fonte suprema para a teologia. Vamos apresentar provas para esta crença.
Argumento a priori.
Este é um argumento, que vai de algo interior para algo exterior. No que diz respeito a presente
discussão, ele pode ser enunciado: sendo o homem o que é, e sendo Deus o que é; examinemos mais de
perto as partesdeste argumento:
O homem não é apenas um pecador debaixo da condenação da morte eterna, como ele também se
inclina para longe de Deus, ignorante a respeito dos propósitos e dos métodos de salvação de Deus por suas
próprias forças.
Ele se encontra, em outras palavras, em uma condição desesperadora, da qual ele apenas
parcialmente tem consciência, e não sabe se pode ser salvo desta condição e nem se isso for possível,
como fazê-lo.
As revelações não escritas geral e especial de Deus não oferecem respostas reais a esta questão.
Vê-se claramente, portanto, que ele precisa de instrução infalível a respeito de seu mais importante
bem na vida: seu bem eterno.
Acima desta necessidade profunda do homem, temos os atributos e caráter singular de Deus que se
tornam possível, se não provável, a satisfação dessa necessidade.
Deus é onisciente, santo, amoroso, bom e onipotente. Como Ele é onisciente, Ele conhece tudo sobre
a necessidade do homem; como Ele é santo, não pode desculpar o pecado e aceitar um relacionamento
com o homem enquanto ele estiver nessa condição, como Ele é amoroso e bom, pode ser levado a procurar
e por em funcionamento um plano de salvação; e como Ele é onipotente, pode não apenas revelar a si
próprio, mas também dar por escrito as revelações a seu respeito que forem necessárias para a experiência
de salvação.
É certo que este argumento não nos leva além de mera possibilidade, ou quando muito da
probabilidade.
Apesar de sabermos que Deus é amor e que Ele exerce esse atributo em sua divindade, se não
tivermos uma revelação clara a esse respeito, não teremos certeza que Ele ama ao pecador.
Não podemos fazer de seu amor uma atitude necessária da parte dEle, ou então o amor não será mais
amor, e a misericórdia não será mais misericórdia, e a graça não será mais graça.
O elemento de voluntariedade tem que ser mantido em todos eles. Mas, mesmo assim, o
argumento tem certo valor por inspirar a esperança que Deus pode satisfazer às mais profundas
necessidades dos homens.
Argumento da analogia.
Este é o argumento resultante da correspondência entre as proporções ou relações entre coisas.
Ele fortalece o argumento anterior em direção à probabilidade de uma incorporação da revelação divina. O
argumento pode ser apresentado em duas partes:
Primeira parte:
Onde a comunicação entre indivíduos possuidores de algum tipo de inteligência se faz necessária;
encontramos a "revelação".
Existe pronunciamento direto. Até mesmo os animais inferiores expressam com suas vozes seus
diferentes sentimentos. E quando entramos no domínio da vida humana, percebemos uma presença
correspondente aos poderes notados nas criaturas inferiores. Observamos algum tipo de fala para a
sociedade.
Existe comunicação direta de uma para outra, uma revelação constante, imediata de pensamentos e
sentimentos íntimos, expressa de maneira a ser claramente compreendida.
Consequentemente, não pode haver oposição ao fato de uma revelação direta, clara e verdadeira,
tirada da analogia com a natureza.
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Apesar de que este argumento não pode ser válido para provar que a revelação de Deus vai ser
incorporada em um livro, ele contribui para essa opinião.
Segunda parte:
Observa que na natureza há sinais de bondade reparadores, e na vida dos indivíduos e nações há
evidências de paciência em ações providenciais que permitem a esperança de que, como diz Strong:
"Enquanto a justiça for exercida, Deus pode ainda dar a conhecer alguma maneira de restaurar os
pecadores".
Strong acha que: "este fato está subentendido nas providências para a cura de machucaduras
em plantas e pela restauração de ossos quebrados na criação animal, na provisão de agentes medicinais
para a cura das enfermidades humanas, e especialmente na demora para o arrependimento".
Esses fatos todos fornecem alguma base para se pensar que o Deus da natureza é um Deus de
paciência e misericórdia. Dissemos no começo desta seção que este argumento nos leva um pouco mais
longe do que o argumento priori.
O primeiro simplesmente oferece a esperança de que Deus possa vir em socorro de um ser caído;
o segundo, mostrando que Deus providenciou a cura de muitos males nos mundos animal e vegetal e,
que ele lida pacientemente e benevolamente com a humanidade em geral, prova de que Ele realmente vem
em socorro de suas criaturas carentes.
Mais uma vez, porém, podemos derivar deste argumento, apenas de maneira muito geral, a garantia
de que Ele revelará seus planos e promessas em registro escrito...
Argumento da indestrutibilidade da Bíblia.
Quando lembramos que apenas uma porcentagem pequena de livros sobrevive além de um
quarto de século, e apenas um número pequeno, dura mil anos; percebemos imediatamente que a
Bíblia é um livro diferente. Lembrando-nos das circunstâncias nas quais ela tem sobrevivido, este
fato torna-se surpreendente.
Pink diz: "Quando pensamos no fato da Bíblia ter sido algo especial, de infindável perseguição, a
maravilha da sua sobrevivência se transforma em um milagre. Por dois mil anos, o ódio do homem pela
Bíblia tem sido persistente, determinado, incansável e assassino".
Todos os esforços possíveis têm sido feito para corroer a fé na inspiração e autoridade da Bíblia, e
inúmeras operações têm sido levantadas a efeito para fazê-la desaparecer.
Decretos imperiais têm sido impostos, ordenando que todas as cópias existentes da Bíblia fossem
destruídas, e quando essa medida não conseguiu exterminar e aniquilar a Palavra de Deus, ordens foram
dadas para que qualquer pessoa que possuísse uma cópia da Bíblia fosse morta.
O próprio fato de a Bíblia ser alvo de tão incansável perseguição nos deixa maravilhados diante de
tal fenômeno. Podemos mencionar apenas alguns dos esforços que têm sido feito para abolir ou exterminar
a Bíblia, ou, quando isso não se deu, para roubar dela sua autoridade divina.
Os imperadores romanos logo descobriram que os cristãos baseavam sua crença nas Escrituras.
Consequentemente, buscavam suprimi-los ou exterminá-los.
O mais notável foi Dioclécio que, através de um decreto real em 303 d.C. ordenou que todos os
exemplares da Bíblia fossem queimados. Ele havia matado tantos cristãos e destruído Escritos Sagrados
que, quando os cristãos ficaram quietos por algum tempo e permaneceram escondidos, ele achou que
havia realmente conseguido eliminar as Escrituras. Ele fez com que em uma medalha fosse gravada a
seguinte inscrição: "A religião cristã está destruída e o culto aos deuses restaurados".
Entretanto, não demorou muito para que Constantino subisse ao trono e fizesse do
Cristianismo a religião oficial. O que diria Dioclécio se pudesse voltar a terra e ver como a Bíblia tem
prosseguido em sua missão mundial?!.
Durante os dois séculos em que o Papado teve poder absoluto na Europa Ocidental (1073- 1294), os
estudiosos passaram a colocar o credo acima da Bíblia. Enquanto que a maioria deles ainda procurava o
apoio das Escrituras para o credo, alguns deles se apegavam às religiões transmitidas apenas pela tradição
e não dependentes dos ensinamentos da Bíblia.
Fischer diz que durante este período a leitura da Bíblia por parte dos leigos ficou sujeita a tanta
restrições, especialmente após a ascensão dos Valdenses, que se, não era absolutamente proibida,
era vista com graves suspeitas.
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Durante a época da Reforma, quando a Bíblia foi traduzida para a língua do povo, a Igreja Católica
impôs severas restriçõesà sua leitura, alegando que as pessoas eram incapazes de interpretá-las por si
só. Tinham que obter permissão para tê-las, mesmo quando essa permissão era dada, era com a condição
de que o leitor não tentasse interpretá-la por si só.
Muitos deram sua vida pela simples razão de serem seguidores de Cristo e colocaram sua confiança
nas Escrituras.
Newman diz: "Um esforço persistente foi feito pelos romanistas para eliminar a Bíblia
inglesa".
"Em 1543, um decreto foi passado proibindo terminantemente o uso de versão de Tyndale, e
qualquer das Escrituras em Assembléia, sem a permissão real". A princípio, foram feitas tentativas de
proibir a impressão de sua Bíblia; e quando finalmente publicou seu Novo Testamento em Woms, teve que
despachá-lo para a Inglaterra em engradados de mercadorias.
Quando os livros chegaram a Inglaterra, foram comprados em grandes quantidades pelas autoridades
eclesiásticas e queimados em Londres, Oxford e Antuérpia. Dos 18.000 exemplares que se estima terem
sido impressos entre 1525 a 1528, sabe-se que apenas dois fragmentos restaram.
E interessante notar, com respeito ao que foi acima citado, que Voltaire, o famoso infiel francês que
morreu em 1778, predisse que em 100 anos a partir de sua época, o cristianismo estaria extinto. Mas ao
invés disto, apenas vinte e cinco anos após sua morte, a Sociedade Bíblica Inglesa e Estrangeira foi fundada,
e as mesmas impressoras que haviam imprimido a literatura infiel de Voltaire têm sido usadas desde então
para imprimir a Bíblia.
Como se pode ver nem decreto imperial, nem restrições papais, nem destruições eclesiásticas,
conseguiram exterminar a Bíblia.
Quanto maiores têm sido as tentativas de levar cabo tal destruição, maior tem sido a circulação da Bíblia.
A mais recente tentativa de roubar a autoridade da Bíblia é o esforço modernista para degradá-la até
ao nível de todos os outros livros religiosos. A Bíblia é hoje encontrada em mais de 1.000 línguas no
mundo. O fator de indestrutibilidade da Bíblia pesa fortemente de ser ela a mensagem escrita de uma
revelação divina.
Argumento da natureza da Bíblia.
Quando consideramos a natureza da Bíblia, somos forçados chegar a uma única conclusão: "Ela é a
mensagem escrita de uma revelação divina".
Em primeiro lugar:
Consideramos o conteúdo da Bíblia.
Este livro inteiro reconhece a personalidade, unidade e trindade de Deus;
Magnifica a santidade e o amor de Deus, feita à Sua semelhança;
Explica a criatura como sendo uma criação direta de Deus, feita também à Sua semelhança;
Expõe a criatura com uma livre rebeldia contra a vontade revelada de Deus;
Mostra a condição de pecador do homem e seu possível perdão;
Ensina sobre o governo soberano de Deus no universo;
Apresenta, com grandes detalhes a salvação providenciada por Deus e as condições pelas quais ela
pode ser experimentada;
Delineia os propósitos de Deus com respeito a Israel e a Igreja;
Prediz o desenvolvimento do mundo: social, econômico, político e religiosamente;
Retrata o clímax de todas as coisas na segunda vinda de Cristo, as ressurreições, os julgamentos,
o milênio e o estado eterno.
Que conceito e que livro! Quem, a não ser Deus, poderia ter inventado tal esquema e quem, além
dEle, poderia ter registrado tudo por escrito?
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Em segundo lugar:
Consideremos a unidade da Bíblia. Apesar de ter sido escrita por uns quarenta autores diferentes
durante um período de aproximadamente 1.600 anos, a Bíblia é um só livro. Tem um só sistema
doutrinário, somente um padrão moral, um único plano de salvação e um exclusivo programa de eras.
As diversas narrativas ali encontradas dos mesmos incidentes e ensinamentos não são
contraditórios, mas suplementares. Por exemplo, as palavras escritas na cruz foram, sem dúvida, as
seguintes: "Este é Jesus de Nazaré, o Rei dos Judeus".
Mateus diz: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus" (Mt 27.37);
Marcos diz: "O Rei dos Judeus" (Mc 15.26);
Lucas diz: "Este é o Rei dos Judeus" (Lc 23.38);
João diz: "Jesus nazareno, o Rei dos Judeus" (Jo 19.19).
Vemos a Lei e a Graça harmonizarem-se quando entendemos a natureza e o propósito exatos de cada
um. Os relatos dos homens e nações que praticaram o mal são inofensivos e até mesmo úteis se
percebermos que são registrados para serem condenados. A doutrina do Espírito Santo se harmoniza na
natureza progressiva da revelação desta verdade.
Falando a respeito das Escrituras Maometanas, Zoroastranas e Budistas, Orr diz que elas são:
"destituídas de começo, meio e fim". Elas são na maior parte, coleções de materiais heterogêneos,
juntados ao acaso. Quão diferente é com relação á Bíblia, têm que reconhecer que são livros singulares!
"Não há nada exatamente parecido com ela, ou que mesmo se aproxime dela, em toda literatura".
"Considerando o conteúdo e unidade da Bíblia, parecemos ser obrigados a concluir que ela é incorporação
de uma revelação divina".
Que homem poderia ter inventado tal visão do mundo e da vida? Que autores poderiam apresentá-la
de forma tão harmoniosa e auto- consistente?
"Afirmamos, portanto, que a natureza da Bíblia prova ser ela a incorporação de uma revelação
divina".
Argumento da influência da Bíblia.
O Alcorão, o Livro dos Mórmons, Ciência e Saúde, o Zenda Avesta, os Clássicos de Confúcio, todos
tiveram uma influência tremenda no mundo. Mas existe uma vasta diferença entre o tipo de
influência que eles exerceram com a influência da Bíblia.
Os primeiros conduziram a uma ideia apagada de Deus e do pecado, até o ponto de ignorá-los;
produziram uma indiferença estoica para com a vida e simplesmente resultaram em ideias a respeito da
moral e conduta.
A Bíblia, pelo contrário, tem produzido os mais altos resultados em todas as esferas da vida.
Tem conduzido aos supremos tipos de criatividade nos campos de arte, arquitetura, literatura e música.
Pense nos grandes quadros de Rafael, Michelangelo, Leonardo da Vinci, e dos mestres
holandeses;
Veja, com os olhos da imaginação, as grandes catedrais e santuários da Europa e da América;
Relembre as obras escritas pelos antigos, pelos reformadores protestantes, pelos poetas e
escritores ingleses, europeus e americanos;
Relembre os grandes hinos, cantatas e oratórios sacros;
Examine as leis fundamentais dos países considerados civilizados;
Observe as grandes reformas sociais que tem acontecido como a libertação dos escravos e o
reconhecimento dos direitos da mulher;
Isso sem considerar o efeito regenerador sobre milhões de vidas individuais - você encontrará
por toda parte influência mais poderosa da Bíblia.
Onde, em todo o mundo, pode ser encontrado um livro que mesmo remotamente1 possa
se comparar a Bíblia em toda a sua influência beneficente sobre a humanidade? Com certeza, isto
prova que ela é revelação de Deus para a humanidade carente.
1 Que sucedeu há muito tempo; antigo, longínquo.
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Há mais de trinta anos apareceram na publicação Gospel Banner (Estandarte do Evangelho)
diversas citações de grandes homens a respeito da influência da Bíblia no mundo em suas próprias
vidas. Demos aqui algumas delas:
Willian E. Gladstoner disse:"Se me pedirem para citar o que me conforta na tristeza, a única regra de
conduta, o verdadeiro guia na vida, terá de indicar o que, no dizer de um hino conhecido, é chamado a
'velha História', contada em um livro muito antigo, que é a melhor e mais rica dádiva de Deus para a
humanidade".
Woodrow Wilson,o presidente americano durante a 1ª Guerra Mundial, disse: "A opinião da Bíblia
inculcou em mim, não apenas pelo que aprendi em casa quando menino, mas também a cada volta e
experiência da minha vida e a cada passo de estudo, que ela é a única fonte suprema de revelação, a
revelação do significado da vida, da natureza de Deus, e da natureza espiritual e necessidades do
homem".
A Bíblia é o único guia para a vida que realmente leva o espírito para o caminho da paz e da salvação.
John G. Whittier expressou de maneira maravilhosa o fato que a verdade que os homens buscam
encontrar no mundo é, na realidade, encontrada na Bíblia. Ele disse: "Buscamos no mundo a verdade:
Separamos o bom, puro e belo. Gravado em pedra de pergaminho; dos velhos campos floridos da alma
e, cansados de buscar o melhor, voltamos carregados de tesouros, para descobrir que os sábios ditos
estão nos livros que nossas mães liam".
Argumento da profecia cumprida.
Este poderia parecer que pertence ao argumento da natureza da Bíblia, mas devido a sua
singularidade, tratamos dele separadamente.
Estabelecemos o fato de que existe realmente a profecia que prediz um acontecimento futuro,
mostramos que as muitas profecias a respeito de Cristo (nenhuma das quais estavam a menos de 165
anos do primeiro advento, mesmo por métodos modernos para o estabelecimento de datas de livros do AT
e muito mais distantes das datas verdadeiras) foram, apesar disso, cumpridas quando Ele veio.
Desejamos acrescentar a este tipo de profecia algumas outras para provar que a Bíblia é a
incorporação de uma revelação divina. Somente Deus pode revelar o futuro, e temos inúmeras provas
nas Escrituras de que Ele realmente o revelou aos seus servos. Vamos ver aqui algumas delas:
Elliot diz: "Profecia, no sentido de predição, é um milagre de conhecimento e pertence tão
realmente ao sobrenatural quanto aos milagres do poder. Se, portanto, encontramos na Bíblia
predição de eventos futuros que já foram cumpridos em todos os detalhes, temos evidência clara de que
seus escritores possuíram inteligência sobrenatural".
A menos que desejamos então acusar os escritores das Escrituras de representação
fraudulenta1, de escrever a história sob a forma de predição, encontraremos muitas profecias na Bíblia
que já foram cumpridas há muito tempo.
As profecias a respeito da dispersão de Israel já foram cumpridas em detalhes (Dt 28; Jr 15.4; 16.3; Os
3.4). No cumprimento, Samaria iria ser conquistada, mas Judá seria preservada (Is 7.6- 8; Os 1.6,7; lRs 4.15),
Judá e Jerusalém. Embora salvas dos assírios, cairiam nas mãos dos babilônicos (Is 39.6; Jr 25.9-12) a
destruição de Samaria seria final (Mq 1.6-9), mas à Jerusalém deveria ser seguida por uma restauração (Jr
29.10-14), até o nome do restaurador de Judá foi predito (Is 44.28; 45.1); os medos e os persas haveriam de
conquistar a Babilônia (Is 21.2; Dn 5.28), a cidade de Jerusalém, e o Templo deveriam ser reconstruídas
(Is 44.28).
Assim também há profecias a respeito das nações gentias. Nínive, Babilônia, Tiro, Egito, Amon,
Moabe, Edom, e Filistia estão entre elas. Não é necessário dar as referências para essas nações, qualquer
um pode achá-las usando uma boa concordância.
Notaríamos particularmente que as profecias a respeito dos quatro grandes Impérios do mundo
em Daniel 2 e 7 já foram cumpridas. Algumas partes relacionadas ao quarto desses impérios estão
manifestadamente ainda no futuro e nos levam ao retorno de Cristo, mas as demais já foram cumpridas.
Assim também o conflito detalhado entre a Síria e o Egito que se seguiu à queda do Império de
Alexandre.
Tão precisa é a correspondência entre as predições de Daniel 11 e os fatos históricos que os anti-
sobrenaturais são dogmáticos em suas afirmações de que isto é história e não predição.
1 Propenso à fraude. Em que há fraude; doloso; impostor; fraudatório.
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Com base nesta suposição, eles datam o livro de Daniel entre 168-165 a.C. Mas, aqueles que
creem nas revelações sobrenaturais de Deus continuam a afirmar que temos neste capítulo uma
das mais fortes provas do fato de que temos na Bíblia a incorporação da presciência divina e não um
registro de acontecimentos já passados, feito com um piedoso logro1.
Há muitas outras predições na Bíblia que poderiam ser mencionadas como prova da mesma coisa.
Vamos acrescentar apenas algumas.
O progresso do conhecimento e das viagens nos últimos tempos (Dn 12.4);
A continuação das guerras e de rumores de guerras (Mt 24.6,7);
O aumento da maldade (Lc 17.26-37; 2Tm 3.1- 13);
A preservação do remanescente de Israel (Rm 11.1-5,25-32); e
A movimentação desses "ossos secos" e o seu retorno à vida nacional e espiritual (Ez 37.1- 28).
Que homem poderia prever e predizer qualquer uma destas coisas? Verdadeiramente temos
na Bíblia a mensagem escrita da revelação divina.
As Reivindicações da Própria Escritura
A Bíblia afirma ser não apenas uma revelação da parte de Deus, mas também um registro
infalível dessa revelação. Apresentaremos algumas provas do fato de que ela afirma ser uma revelação de
Deus. No entanto, enfrentamos já de início a objeção de que é inadmissível recorrer ao testemunho para
provar que é uma revelação divina.
Será que o testemunho não ficaria sob suspeita?
Perguntam-nos.
Respondemos a isto que não. Se pudermos provar a autenticidade dos livros da Bíblia e a verdade das
coisas que eles relatam a respeito de outros assuntos, então estaremos justificados em aceitar seu
testemunho em favor de si próprio.
Se houvermos examinado as credenciais de um embaixador e tivermos ficado satisfeitos quanto à sua
veracidade com respeito à autorização que possui, podemos então aceitar também, suas declarações
pessoais a respeito de seus poderes e a fonte de sua informação.
Temos frequentemente declarações como estas no Pentateuco: "Disse o Senhor a Moisés" (Êx 14.1,15,
26; 16.4; Lv 1.1; 4.1; 11.1; Nm 4.1; 13.1 Dt 32.48). Ele recebeu ordens de escrever o que Deus lhe disse em
um livro (Êx 17.14; 34.27) e sabemos que ele assim o fez (Êx 24.4; 34.28; Nm 33.2; Dt 31.9,22, 24).
Também assim dizem os profetas: "O Senhor é quem fala" (Is 1.2); "Disse o Senhor a Isaías" (Is 7.3);
"Mas agora assim diz o Senhor" (Is 43.1); "Palavras que veio a Jeremias da parte do Senhor, dizendo" (Jr
11.1); " Veio expressamente a Palavra do Senhor a Ezequiel" (Ez 1.3); "Palavra do Senhor, que foi dirigida a
Oséias" (Os 1.1); "Palavra do Senhor, que foi dirigida a Joel” (Jl 1.1).
Afirma-se que estas declarações ocorrem mais de 3.800 vezes no AT, declara ser uma revelação de
Deus. Os escritores do NT afirmam, da mesma maneira, que elas declaram a mensagem de Deus.
Paulo afirma que as coisas que ele escreveu eram mandamentos de Deus (ICo 14.37);
Que os homens deviam aceitar como a própria Palavra de Deus, aquilo que ele pregava (lTs 2.13);
Que a salvação dos homens depende da fé nas doutrinas que ele ensinava (Gl 1.8).
João ensina que seu depoimento era o testemunho de Deus (lJo 5.10);
Pedro deseja que seus leitores se lembrem das palavras que anteriormente foram ditas pelos santos
profetas, bem como do mandamento do Senhor Salvador,ensinado pelos vossos apóstolos (2Pe3.2).
O autor de Hebreus prediz um castigo mais severo para aqueles que rejeitarem a mensagem que
fora confirmada a ele por aqueles que a ouviram (Hb 2.1-4).
Severamente, o NT também afirma ser a mensagem escrita de uma revelação divina.
O peso da evidência é cumulativo.
Se pesarmos separadamente os argumentos apresentados nestalição, podemos achar que
nenhum deles é conclusivo; mas se permitirmos que cada argumento contribua com sua parcela de
verdade, será forçado a concluir que a Bíblia, a Palavra de Deus, é uma revelação divina!
Aceitando esta ideia como estabelecida, teremos os pré-requisitos para estudarmos os outros
assuntos da Bibliologia.
1 Engano propositado contra alguém; artifício ou manobra.
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A Genuinidade
Quando aceitamos o fato que na Bíblia temos a palavra escrita de uma revelação divina, ficamos
imediatamente interessados na natureza dos documentos que transmitem essa revelação. Assim,
imediatamente desejamos saber se os diversos livros da Bíblia são genuínos, dignos de crédito e
canônicos.
A genuinidade dos Livros da Bíblia.
Algumas pessoas usam o termo "autenticidade", mas o uso corrente prefere o termo
"genuinidade". Os dois têm realmente o mesmo significado.
Com genuinidade queremos dizer que um livro é escrito pela pessoa ou pessoas cujo nome ele
leva, ou, se anônimo, pela pessoa ou pessoas a quem a tradição antiga o atribui, ou, se não for
atribuído a algum autor ou autores específicos, à época que a tradição lhe atribui.
Diz-se que um livro é forjado ou espúrio se não tiver sido escrito na época que lhe é atribuída.
As Homilias Clementinas são atribuídas a Clemente de Roma, mas a crítica é agora
praticamente unânime em afirmar que não foram escritas por Clemente, mas sim por escritores
ebionistas, talvez da seita elquesiática do ebionitismo.
O Evangelho de Tomé diz ter sido da autoria do apóstolo Tomé, mas não é genuíno porque não foi
composto pelo apóstolo. O Credo Apostólico não é genuíno por não ter sido escrito pelos apóstolos.
Cremos que os livros do Antigo Testamento e Novo Testamento são genuínos ou autênticos.
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Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Imperador romano que, através de um decreto real ordenou que todos os exemplares da Bíblia fossem
queimados
a)[ ] Zenão
b)[ ] Dioclécio
c)[ ] Constantino
d)[ ] Rômulo Augústulo
7. Argumento que considera em primeiro lugar o conteúdo e em segundo a unidade da Bíblia
a)[ ] Argumento da analogia
b)[ ] Argumento da profecia cumprida
c)[ ] Argumento da natureza da Bíblia
d)[ ] Argumento da influência da Bíblia
8. Não é um exemplo de predição da Bíblia
a)[ ] O aumento da maldade
b)[ ] A preservação do remanescente de Israel
c)[ ] O retrocesso do conhecimento e das viagens nos últimos tempos
d)[ ] A continuação das guerras e de rumores de guerras
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9.[ ] O Alcorão; o Livro dos Mórmons; Ciência e Saúde; o Zenda Avesta; os Clássicos de Confúcio; nunca
tiveram influência no mundo
10.[ ] O Evangelho de Tomé diz ter sido da autoria do apóstolo Tomé, mas não é genuíno porque não foi
composto pelo apóstolo
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Lição 5
PRESERVAÇÃO E TRADUÇÃO BÍBLICA
As Línguas Originais da Bíblia
Hebraico => Antigo Testamento
Aramaico => Antigo Testamento
Grego => Novo Testamento
O hebraico.
Todo o AT foi escrito em hebraico, o idioma oficial da nação de Israel, exceto algumas passagens de
Esdras, Jeremias e Daniel, que foram escritas em aramaico. A mais extensa é em Daniel (2.4-7.28).
O hebraico faz parte das línguas semíticas, que eram faladas na Ásia Mediterrânea, exceto em raras
regiões. As línguas semíticas formavam um ramo dividido em grupos, sendo o hebraico integrante do
grupo cananeu. Este compreendia o litoral oriental do Mediterrâneo, incluindo a Síria, a Palestina e o
território que constitui hoje a Jordânia.
Integrava também o grupo cananeu de línguas, o ugarítico, o fenício e o moabítico.
O fenício tem muita semelhança com o hebraico. O primitivo alfabeto hebraico é oriundo do fenício,
segundo a opinião dos versados na matéria.
Possivelmente Abrão encontrou esse idioma em Canaã, ao chegar ali, em vez de trazê-lo da Caldéia.
Em Gênesis 31.47, vê-se que Labão, o sobrinho de Abraão, vivendo em sua terra, a Caldéia, falava aramaico;
ao passo que Jacó, recém-chegado de Canaã, falava o hebraico.
A língua hebraica é chamada no AT de "Língua de Canaã" (Is 19.18) e "Língua judaica" ou apenas:
"Judaico" (Is 36.13).
Como a maior parte das línguas do ramo semítico, o hebraico lê-se da direita para a esquerda:
O hebraico é composto de 22 letras todas consoantes em seu alfabeto. Há sinais vocálicos, sim, mas não
podemos chamá-los de letras.
Sabe-se agora que a forma primitiva dos caracteres hebraicos estava em uso na Palestina 1.800 anos
antes de Cristo. Há exemplos mais recentes das letras hebraicas no Calendário de Gézer (950-920 a.C.), na
Pedra Moabita (850 a.C.); na inscrição de Siloé (702 a.C.); nas moedas do tempo dos irmãos Macabeus (175-
100 a.C.), e nalguns fragmentos dos escritos achados junto ao mar Morto, a partir de 1.947 d.C.
Esta forma primitiva do hebraico passou por modificações ao longo da história. Após o exílio, teve
início a chamada "escrita quadrada", que, por fim, foi pelos massoretas1 na atual convertida forma do
alfabeto hebraico - uma forma quadrada modificada. As letras tipo bloco eram escritas em maiúsculas, sem
vogais, sem espaços entre palavras, frases ou parágrafos, e sem pontuação.
A escrita hebraica dos tempos antigos só empregava consoantes sem qualquer sinal de vocalização.
Os sons vocálicos eram supridos pelos leitores durante a leitura, o que dava origem a constantes enganos,
uma vez que havia palavras com as mesmas consoantes,mas com acepções diferentes. Quer dizer, a
pronúncia exata dependia da habilidade do leitor, levando em conta o contexto e a tradição. É por causa
disso que se perdeu a pronúncia de muitas palavras bíblicas.
Após o século VI, os eruditos judeus residentes em Tiberíades, passaram a colocar na escrita, sinais
vocálicos, perpetuando, assim a pronúncia tradicional. Esses sinais são pontos colocados em cima, em
baixo e dentro das consoantes. Os autores desse sistema de vocalização chamavam-se massoretas -
palavra derivada de "massorah", que quer dizer tradição, isto porque os massoretas, por meio desse
sistema, fixaram a pronúncia tradicional do hebraico.
Textos bíblicos posteriores ao século VI, são chamados de "massorético", porque contêm sinais
vocálicos. Os mais famosos eruditos massoretas foram os judeus Moses bem Asher e seus filhos Arão e
Naftali, que viveram e trabalharam em Tiberíades, na Galiléia.
1 Cada um daqueles que colaboraram na Massorá, que é o conjunto dos comentários críticos e gramaticais
acerca da Bíblia (sobretudo o Velho Testamento) feitos por doutores judeus
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Além do texto massorético, há outro texto hebraico das Escrituras, o do Pentateuco Samaritano,
que emprega os antigos caracteres hebraicos. É do tempo pré-cristão. São, portanto, dois tipos de textos
que temos em hebraico: o massorético e o Pentateuco Samaritano.
O aramaico.
O aramaico é um idioma semítico falado desde 2000 a.C. em Arã ou Síria, que é a mesma região (Arã é
hebreu; Síria é grega). Nas Escrituras, o território da Síria não é o mesmo de hoje, o que acontece também
com outras terras bíblicas.
O primitivo território estendia-se das montanhas do Líbano até além do rio Eufrates, incluindo
Babilônia; Mesopotâmia Superior, conhecida na Bíblia por Arã-Naaraim; e Padã-Arã (Gn 25.20), e outros
distritos. Era ainda falado numa grande área da Arábia Pétrea.
Algumaspartes do Antigo Testamento foram escritas nesse idioma:
Uma palavra designando nome de lugar em Gênesis 31.47;
Um versículo em Jeremias (Jr 10.11);
Cerca de seis capítulos no livro de Daniel (Dn 2.4b-7.28); e
Vários capítulos em Esdras (Ed 4.8-6.18; 7.12- 26).
A influência do aramaico foi profunda sobre o hebraico, começando no cativeiro de Israel, em 722 a.C
na Assíria. E continuando através do cativeiro do Reino de Judá, em 587, na Babilônia.
Em 536 a.C quando Israel começou a regressar do exílio, falava o aramaico como língua vernácula1. É
por esta razão que, no tempo de Esdras, as Escrituras que era em hebraico, ao serem lidas em público, era
preciso alguém que pudesse interpretá-las, para compreenderem o seu significado (Ne 8.5,8).
No tempo de Cristo, o aramaico tornara-se a língua oficial dos judeus e nações vizinhas, estas
foram influenciadas pelo aramaico devido às transações comerciais dos arameus na Ásia Menor e
litoral do mediterrâneo.
Em 1000 a.C., o aramaico já era língua internacional do comércio nas regiões situadas ao longo das
rotas comerciais do Oriente.
O aramaico é também chamado "siríaco", no Norte (2Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4 ARC), e também
"caldaico", no sul (Dn 1.4). Tinha o mesmo alfabeto que o hebraico, só diferia nos sons e na estrutura de
certas partes gramaticais.
Do mesmo modo que o hebraico, não tinha vogal, a partir de 800 a.C. é que os sinais vocálicos
foram introduzidos. É um idioma muito parecido com
o hebraico.
Foi usado pelo Senhor Jesus e seus discípulos e pela Igreja Primitiva, em Jerusalém. Em Mateus
5.18, quando Jesus diz que a menor letra é o jota (aramaico iode), pois somente neste é que se verifica isto
(a letra iode originou o nosso i).
Nos dias de Jesus, o aramaico já se modificara um pouco na Palestina, resultando no "aramaico
palestinense", como o chamam os eruditos. Também em Marcos 14.36, o uso da Palavra aramaica
"abba", por Jesus, é outra evidência de que Ele falava aquela língua. Que Ele também falava o hebraico é
evidente em Lucas 4.16- 20; uma vez que os rolos sagrados eram escritos em hebraico.
Temos assim algumas palavras aramaicas preservadas para nós no Novo Testamento:
Talitha Cum i ("Menina, levanta-te") em Marcos 5.41;
Ephatha ("Abre-te") em Marcos 7.34;
Eli, Eli lama sabachthan i ("Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?") em Mateus 27.46.
Jesus se dirigia habitualmente a Deus como Abba ("Pai"). Note a influência disto em Rm 8.15 e Gl
4.6.
Outra frase comum dos primeiros cristãos era Maranatha ("Vem, nosso Senhor") em ICor 16.22.
O hebraico foi de fato absorvido pelo aramaico, mas continuou sendo a língua oficial do culto divino
no Templo e nas sinagogas, dos rolos sagrados, e dos rabinos e eruditos.
1 Próprio da região em que está; nacional.
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Havia escolas de rabinos, inicialmente em Jerusalém e, depois da queda da cidade, em Tiberíades.
Havia escolas semelhantes noutros centros judaicos.
As conquistas árabes e a propagação do islamismo em largas áreas da Ásia, África e Europa, reduziu e
por fim destruiu a influência do aramaico.
Por sua vez, o hebraico, sendo língua morta, começou a ressurgir.
Para que cumprissem as profecias referentes a Israel, era necessário que a língua revivesse e
assumisse a posição que hoje desfruta na família das nações modernas.
O aramaico ainda sobrevive numa remota e pequena vila da Síria, chamada Malloula, com a
população de aproximadamente 4.000 habitantes.
Devido aos hebreus terem adotado o aramaico como uma língua, este passou a chamar-se
hebraico, conforme se vê em João 5.2; 19.13,17,20; Atos 21.40; 26.14; Apocalipse 9.11. Portanto,
quando o NT menciona o hebraico, trata-se na realidade, do aramaico. Marcos, escrevendo para os
romanos, põe em seu livro referências aramaicas (Mc 5.41 e 15.34); Mateus que escreveu para os judeus
escreve a mesma passagem em hebraico (Mt 27.46).
O AT contém, além do hebraico e aramaico, algumas palavras persas, como "tirsata"
(Ed 2.63) e "sátrapa" (Dn 3.2).
O grego.
Esta é a língua em que foi originalmente escrito o NT. A única dúvida paira sobre o livro de
Mateus, que muitos eruditos afirmam ter sido escrito em aramaico.
O grego faz parte do grupo de línguas arianas. Vem da fusão dos dialetos: dórico e ático.
Os dóricos e os áticos foram as duas principais tribos que povoaram a Grécia. É uma língua de expressão
mais precisa, e das línguas bíblicas, é a que mais se conhece, devido a ser mais próxima da nossa.
O grego do NT não é o grego clássico dos filósofos, mas o dialeto popular do homem da rua,
dos comerciantes, dos estudantes, que todos podiam entender: era o "K o i n é Este dialeto formou-se a
partir das conquistas de Alexandre, em 336 a.C.
Nesse ano, Alexandre subiu ao trono e, no curto espaço de tempo de 13 anos, alterou o rumo da
história do mundo. A Grécia tornou-se um império mundial, e toda a terra conhecida recebeu influência
da língua grega.
Deus preparou deste modo, um veículo linguístico para disseminar as novas do Evangelho até aos
confins do mundo, no tempo oportuno. Até no Egito o grego se impôs, pois aí foi a Bíblia traduzida do
hebraico para o grego - a chamada Septuaginta, cerca de 285 a.C.
Nos dias de Jesus, os judeus entendiam quase tão bem o grego como o aramaico, haja vista que a
Septuaginta em grego era popular entre os judeus. Nos primórdios do Cristianismo, o Evangelho pregado ou
escrito em grego podia ser compreendido pelo mundo todo. Só Deus podia fazer isto! Ele não enviaria seu
filho ao mundo enquanto este não estivesse preparado, a esse preparo incluía uma língua conhecida por
todos (ver Mc 1.15; Gl 4.4).
A língua grega tem 24 letras; a primeira é alfa e a última ômega. Quando em Apocalipse Jesus diz que
é o Alfa e o Ômega, está afirmando que é o primeiro e o último.
Os gregos receberam seu alfabeto através dos fenícios, conforme mostram estudos a respeito.
Ninguém vá supor que por não conhecer as línguas originais das Escrituras, não compreenderá a
revelação divina. Sim, o conhecimento e a compreensão dos originais auxiliarão muito, mas não
é o aspecto principal, por não ser o suficiente.
Na Bíblia, como já dissemos, veem-se duas coisas principais: o texto e a mensagem. O principal é a
mensagem contida no texto. É especialmente a mensagem que o Espírito Santo vitaliza, revela e maneja
como sua espada (Ef 6.17).
Os Manuscritos da Bíblia
A história da Bíblia e como chegou até nós, é encontrada em seus manuscritos1. Assim como seu texto
foi preservado e transmitido.
Nos tratados sobre a Bíblia, a palavra manuscritos é sempre indicada pela abreviatura MS, no plural
MSS. Há em nossos dias, cerca de 4.000 MSS, da Bíblia, preparados entre os séculos II e XV.
1 São rolos ou livros da antiga literatura, escritos à mão.
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1. Material gráfico dos MSS bíblicos.
Vários materiais foram usados para escrita nos tempos antigos, como:
1.1. Linho.
Tem sido encontrado nas descobertas arqueológicas.
1.2. Ostrasco.
Fragmentos de cerâmicas. É mencionado a Bíblia em Jó 38.14; Ezequiel 4.1. Foi muito usado na
Babilônia.
1.3. Pedra.
Muitas inscrições famosas encontradas no Egito e Babilônia foram escritas em pedra. Deus deu a
Moisés os Dez Mandamentos escritos em tábuas de pedra (Êx 24.12; 31.18; 34.1,28; Js 8. 30-32). Dois outros
exemplos são: a Pedra Moabita (850 a.C.) e a Inscrição de Siloé, encontrada no túnel de Ezequias, junto ao
tanque de Siloé (700 a.C.).Um exemplo do emprego desse material é o livro escrito em pedras, conhecido como Código
Hamurabi. Trata-se de um Rei de Babilônia coevo1 de Abraão. É identificado pelos cientistas como o
Anrafel de Gn 14.1. É um código de leis descoberto em Susã, em 1902, lindamente trabalhado em pedra,
com dois metros de altura. Esse livro é testemunha de que aquele tempo o homem atingira uma
capacidade literária notável. O Código trata do culto nos templos (pagãos, é claro), administração da justiça
e leis em geral.
1.4. Argila.
O material de escrita predominante na Assíria e Babilônia era a argila, preparada em pequenos
tabletes e impressa com símbolos em forma de cunha chamados de escrita cuneiforme, e depois assada em
um forno ou seca ao sol. Milhares desses tabletes foram encontrados por arqueólogos.
1.5. Madeira.
Tábuas de madeira foram muito usadas pelos antigos para escrever. Durante muitos séculos a
madeira foi a superfície comum para escrever entre os gregos. Alguns acreditam que este tipo de
material de escrita é mencionado em Is 30.8 e Hc 2.2. Tábuas recobertas de cera (Is 81; Lc 1.63).
1.6. Couro.
O Talmude judeu exigia especificamente que as Escrituras fossem copiadas sobre peles de animais,
sobre couro. É praticamente certo, então, que o AT foi escrito em couro. Eram feitos rolos, costurando
juntas as peles que mediam de alguns metros a 30 perpendiculares ao rolo. Os rolos, entre 26 e 70 cm de
altura, eram enrolados em um ou dois pedaços de pau.
1.7. Papiro.
É quase certo que o NT foi escrito sobre papiro, por ser este o material de escrita mais importante na
época. O papiro é feito cortando-se em tiras seções delgadas1 da cana de papiro, empapando-as em
vários banhos de água, e depois as sobrepondo umas às outras para formar folhas. O centro da indústria de
papiro era o Egito, onde teve início o seu emprego, cerca de 3.000 a.C.
O papiro é um tipo de junco de grandes proporções. Tem caule tríquetro2 de 3cm a 5m de altura, com
5cm a 7cm de diâmetro, tendo sua fronde3 em forma de guarda-chuva. As dimensões da folha de papiro
preparada para a escrita eram normalmente de 30cm a 3m de comprimento por 30cm de largura.
Essas folhas eram formadas por tiras cortadas das plantas, sobrepostas cruzadas, coladas, prensadas
e depois polidas. Eram escritas de um lado, apenas e tinham uma cor amarelada. A folha do papiro assim
preparada era chamada pelos gregos de biblos.
1.8. Velino ou Pergaminho.
Este tipo de material foi utilizado centenas de anos antes de Cristo e, por volta do século IV d.C., ele
suplantou o papiro. Quase todos os manuscritos conhecidos são em velino. Seu uso generalizado vem
dos primórdios do cristianismo, mas já era conhecido em tempos remotos, pois já era mencionado em
Isaias 34.4.
O pergaminho preparado de modo especial chamava-se velo. Este se tornou conhecido a partir
do século IV. Tem maior durabilidade. Foi muito usado nos códices.
1 De pouca espessura; fino.
2 Que tem seção triangular e, portanto, três ângulos maciços, como os escapos das ciperáceas.
3 A copa das árvores.
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Tudo indica que o vocábulo pergaminho derivou seu nome na capital de Pérgamo, capital de um
riquíssimo reino que ocupou grande parte da Ásia Menor, sendo Eumenes II (197-159 d.C.), seu maior
rei que projetou formar para si uma biblioteca maior do que a de Alexandria, Egito.
O rei egípcio, por inveja, proibiu a importação do Papiro, obrigando Eumenes a recorrer a outro
material gráfico. Tal fato motivou o surgimento de um novo método de preparar peles, muito
aperfeiçoado, que resultou no pergaminho.
O resultado é conhecido como velino ou pergaminho. Embora os termos sejam usados intercam-
biavelmente, o velino era preparado originalmente com a pele de bezerros e antílopes1, enquanto o
pergaminho era de pele de ovelhas e cabras. Obtinha-se assim um couro de excelente qualidade,
preparado especial e cuidadosamente para receber escrita de ambos os lados.
O Novo Testamento menciona este material gráfico em 2Timóteo 4.13 e Apocalipse 6.14.
A tinta usada pelos escribas era uma mistura de carvão em pó com uma substância semelhante à
goma arábica (ver Jr 36.18; Ez 9.2; 2Co 3.3; 2Jo 12; 3Jo 13). 0 carvão é um elemento que se conserva
admiravelmente através dos séculos, não sendo afetado por substâncias químicas.
Para a escrita em papiro ou pergaminho, usavam penas de aves, pincéis finos e um tipo de caneta feita
de madeira porosa e absorvente. Para a cera usavam um estilete de metal (Is 30.8).
Cuidado redobrado havia com a escrita dos livros sagrados. Devemos ser agradecidos aos judeus por
seu cuidado extremo na preparação e preservação dos manuscritos do AT. Aqui estão algumas regras
que eles exigiam de cada escriba:
O pergaminho tinha que ser preparado de peles de animais limpos, somente por judeus, sendo as folhas
unidas por fios feitos de pele de animais limpos;
A tinta era especialmente preparada;
O escriba não podia escrever uma só palavra de memória. Tinha de pronunciar bem alto cada
palavra antes de escrevê-la;
Tinha de limpar a pena com muita reverência antes de escrever o nome de Deus;
As letras e palavras eram contadas;
Um erro numa folha inutilizava-a;
Três erros numa folha inutilizavam todo o rolo.
2. O formato dos MSS.
Quanto ao formato, o MSS pode ser códice ou rolos. Códice é um MS, em formato de livro, feito
de pergaminho. As folhas têm normalmente 65cm de altura por 55cm de largura.
Este tipo de MS começou a ser usado no século II. O rolo podia ser de papiro ou de pergaminho. Era
preso a dois cabos de madeira, para facilitar o manuseio durante a leitura e enrolado da direita para a
esquerda, sua extensão dependia da escrita a ser feita. Portanto, antigamente não era fácil conduzir
pessoalmente os 66 livros como fazemos hoje.
3. A caligrafia dos MSS.
Há dois tipos de caligrafia ou forma gráfica nos MSS bíblicos. Tal diferença na forma gráfica deu-se no
século X, o que os divide em: unciais e cursivos.
Uncial é o MS de letras maiúsculas e sem separação entre as palavras.
Cursivo é o de letras minúsculas, tendo espaço entre as palavras.
Palimpsesto é um MS reescrito, isto é, um novo texto escrito por cima da escrita anterior, por
meio de raspagem. Isso ocorria devido ao alto preço do pergaminho. Inutilizava-se assim
uma escrita para se usar o mesmo material.
Os manuscritos originais também não tinham sinais de pontuação.
Estes foram introduzidos na arte de escrever em época recente. É claro, pois, que a pontuação moderna
não é inspirada, e por isso não dá, às vezes, sentido às palavras do original.
4. MSS originais da Bíblia.
MSS originais, isto é, saídos das mãos dos escritores, não existe nenhum conhecido no
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momento. Deus na sua providência permitiu isso. Se existisse algum, os homens o adorariam mais do que
o seu divino Autor.
A serpente de metal posta entre os israelitas como meio de auxílio à fé em Deus (Nm 21.8,9; Is
45.22) foi depois idolatrada por eles (2Rs 18.4).
Deus cuidou do sepultamento de Moisés e ocultou o seu local porque certamente o povo adoraria
seu corpo (Dt 34.5,6).
O Diabo tinha interesse na idolatria e contendeu com o arcanjo sobre o corpo de Moisés (Jd 9).
Milhões, em muitas terras adoram a cruz de Cristo, ao invés do Cristo da cruz.
É também o caso da virgem Maria, mãe de Jesus Cristo, que milhões a adoram e não o Filho.
Além disso, temos que considerar o seguinte, historicamente, quanto à inexistência de
MSS originais:
1. Era costume judaico enterrar os MSS estragados pelouso ou qualquer outra causa, para evitar sua
mutilação, profanação e interpolação espúria;
2. Os reis idólatras e ímpios de Israel podem ter destruído muito ou contribuído para isso, como é o
caso descrito em Jeremias 36.20-26.
3. O tirano Antíoco Epifânio, rei da Síria (175-164 a.C.), durante seu reinado dominou sobre toda a
Palestina, extremamente cruel, tinha prazer em aplicar torturas e decidiu exterminar a religião
judaica, assolou Jerusalém em 168 a.C., profanando o templo e destruindo todas as cópias que
achou das escrituras sagradas.
4. Nos dias do feroz Imperador Diocleciano (284-305 d.C.), os perseguidores dos cristãos destruíram
quantas cópias acharam.
A literatura judaica afirma que a missão da chamada Grande Sinagoga, presidida por Esdras, foi
reunir e preservar os MSS originais do Antigo Testamento - que serviram aos Setenta no preparo da
Septuaginta - a primeira tradução das Escrituras do Antigo Testamento, do hebraico para o grego.
Há inúmeras cópias de manuscritos originais, em várias partes do mundo. Eles
harmonizam-se admiravelmente, assegurando-nos assim da sua autenticidade. Uma confirmação disso
há nos MSS do Mar Morto:
Num dia de verão, em 1947, o pastor beduíno1 Árabe, Muhammad ad Dib, da Tribo dos Taa'mireh, que
está entre Belém e o Mar Morto, saiu a procura de uma cabra desgarrada nas ravinas2
rochosas da costa noroeste do referido Mar Morto, e encontrou inestimável tesouro bíblico.
Estava um pastor junto à encosta rochosa do Qumran e ao atirar uma pedra numa das cavernas
ouviu um barulho de cacos se quebrando. Entrou na caverna e encontrou uma preciosa coleção de MSS
bíblicos: 12 rolos de pergaminhos ou fragmentos de outros. Um dos rolos era um MS de Isaías do ano de
100 a.C., isto é, mil anos mais antigo que os exemplares até então conhecidos. Os rolos estão escritos em
papiro e pergaminhos e envolvidos em panos de linho.
Outras cavernas foram vasculhadas e novos MSS foram encontrados. Novas luzes estão surgindo na
interpretação de passagens difíceis do AT. Exemplos: em Êxodo 1.5, o total de pessoas é 75, concordando
assim com Atos 7.14 (o hebraico não tem algarismos para os números e sim letras; daí, para ter um erro não
custa muito...).
Em Isaías 49.12, o MS achado de Isaías diz "Siene" e não "Sinin". Ora, Siene era uma
importante cidade fronteiriça do Egito, às margens do Nilo, junto à Etiópia, hoje a moderna Assuam.
Ezequiel 29.10 e 30.6 referem-se a essa cidade; a versão ARC grafa "Sevené". Muitos eruditos
pensavam até agora que o termo "Sinin" de Isaías 49.12 fosse uma alusão3 à China.
É muito confortante saber que os textos desses MSS encontrados concordam com a versão
atual das Bíblias.
Pesquisas revelam que os MSS do Mar Morto foram escondidos pelos essênios - seita ascética
judaica - durante a segunda revolução dos judeus contra os romanos em 132-135 d.C.
1 Árabe do deserto.
2 Escavação provocada pela enxurrada; barranco.
3 Menção, referência, relação.
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Os responsáveis por um grande mosteiro1 agora descoberto, ao verem aproximarem-se as
tropas romanas, esconderam ali sua biblioteca! Nas 267 cavernas examinadas, foram encontrados
fragmentos de 332 obras, ao todo.
Encontraram, inclusive, cartas do líder dessa revolta: Bar Kochba, em perfeito estado, estando sua
assinatura bem nítida. Nos MSS encontrados há trechos de todos os livros do AT, exceto Ester.
1 Habitação de monges ou monjas.
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Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Quanto às línguas originais da Bíblia, é certo que
a) [ ] O idioma usado na escrita do Antigo Testamento foi: o grego
b) [ ] Os idiomas usados na escrita do Antigo Testamento foram: o hebraico e o aramaico
c) [ ] O idioma usado na escrita do Novo Testamento foi: o hebraico
d) [ ] Os idiomas usados na escrita do Novo Testamento foram: o aramaico e o hebraico
2. Uma das exigências do AT aos escribas:
a) [ ] Um erro numa folha inutilizava todo o rolo
c) [ ] O pergaminho tinha que ser preparado de peles de animais limpos, somente por gregos
c) [ ] As letras e palavras não eram para ser contadas
d) [ ] Eles tinham que pronunciar bem alto cada palavra antes de escrevê-la
3 . ______ é o MS de letras maiúsculas e sem separação entre as palavras; _________ é o de
letras minúsculas, tendo espaço entre as palavras
a) [ ] Uncial e Palimpsesto
b) [ ] Palimpsesto e Cursivo
c) [ ] Uncial e Cursivo
d) [ ] Cursivo e Uncial
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4.[ ] Vários materiais foram usados para escrita nos tempos antigos, como: pergaminho, papiro e argila
5 . [ ] Há inúmeros MSS originais em várias partes do mundo. Uma confirmação disso há nos MSS do Mar
Morto
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A Tradução da Bíblia
Era preciso a tradução da Bíblia para dar cumprimento às palavras do Senhor Jesus após ressuscitar:
"Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura" (Mc 16.15).
Ora o mundo está dividido em nações, tribos e povos, cada qual com sua língua. Hoje, quando vemos
as Escrituras traduzidas em 2.092 línguas e dialetos, sabemos que Aquele que comissionou os discípulos
para tão grande obra proveria também os meios para a sua realização.
Portanto, abordaremos aqui três famosas traduções da Bíblia, sendo elas: a Septuaginta, a Vulgata e a
Versão Autorizad a ou Versão do Rei Tiago.
A Septuaginta.
Foi a primeira tradução da Bíblia. É a tradução feita do hebraico para o grego. Compreende só o
AT, é evidente. Foi a escritura que Jesus e seus apóstolos usaram. A mais antiga cópia da Septuaginta está
na biblioteca do Vaticano.
Data de 325 d.C.
Local da tradução: Alexandria, no Egito.
Tempo: Cerca de 285 a.C.
A Vulgata.
É a tradução da Bíblia toda, do hebraico para o latim, feita por Jerônimo - um notável erudito da Igreja
que estava em Roma, a qual nesse tempo ainda mantinha pureza espiritual.
O Concílio de Trento (1546 d.C.) determinou que "apenas essa edição antiga ... deve ser
considerada autêntica para fins de leitura pública, debate, sermões e discursos expositores, e que
ninguém ouse rejeitá-la sob qualquer pretexto".
Local da tradução: Belém, Palestina.
Tempo: concluída em 405 d.C.
A Versão Autorizada ou Versão do Rei Tiago.
Essa versão é até hoje a predileta dos povos de fala inglesa. O povo inglês tem alta veneração pela
Bíblia. Ela formou a mentalidade desse povo, e é tida como seu sustentáculo e seu maior legado.
Local da tradução: Inglaterra.
Tempo: 1611 d. C.
A Bíblia em Português
A primeira tradução da Bíblia em português foi feita pelo pastor João Ferreira de Almeida. Fato
interessante é que o trabalho foi realizado fora de Portugal - na cidade de Batávia, ilha de Java, no
Oceano Índico. Hoje, Jacarta, capital da Indonésia.
Almeida foi ministro do Evangelho da Igreja Reformada Holandesa, a mesma que evangelizou o
Brasil, com sede em Recife durante a ocupação holandesa, no século XVII. Nasceu em 1628, em Torre de
Tavares, concelho1 de Mangualde, distrito de Veseu, em Portugal. Faleceu em Java em 1691.
A Igreja Católica, através do tribunal da Inquisição, não teve como queimá-lo vivo, queimou
sua efígie2, em Goa, antiga possessão portuguesa na índia. Essa igreja nem mesmo agora, no chamado
Ecumenismo3, se desculpou de tais coisas.
A Versão de Almeida
O Novo Testamento.Almeida traduziu primeiro o NT, o qual foi publicado em 1681 em Amsterdã, Holanda.
Na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, há um exemplar da 3a Edição do Novo Testamento
de Almeida, feito em 1712.
O Antigo Testamento.
Almeida traduziu primeiro o AT até o livro de Ezequiel. Foi interrompida a tradução por causa
de sua morte em 1691.
1 Circunscrição administrativa de categoria imediatamente inferior ao distrito, do qual é divisão.
2 Imagem, figura, retrato (de pessoa).
3 Movimento que buscam semelhante universalidade, pregam a união indistinta entre protestantes,
católicos, judeus, espíritas, budistas, etc.
Bibliologia 63/66
Ministros do Evangelho da Igreja Reformada Holandesa, amigos seus, terminaram a
referida tradução em 1694, e publicaram a tradução completa em 1753.
A Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, de Londres, começou a publicar a tradução de
Almeida em 1809, apenas o NT. A Bíblia completa num só volume, a partir de 1819. O Texto em apreço foi
revisado em 1894 e 1925.
A Bíblia de Almeida foi publicada pela primeira vez no Brasil em 1944 pela Imprensa Bíblica Brasileira,
uma organização da Igreja Batista.
A Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira foi maravilhosamente usada por Deus na disseminação da
Bíblia em português, em trabalho pioneiro e contínuo, bem como a Sociedade Bíblica Americana.
A versão ARC (Almeida Revista e Corrida).
A Imprensa Bíblica Brasileira publicou em 1951 a edição revista e corrigida, abreviadamente
conhecida por ARC.
A versão ARA (Almeida Revista e Atualizada).
Uma comissão de especialistas brasileiros trabalhando de 1946 a 1956 preparou a Edição Revista e
Atualizada de Almeida, conhecida abreviadamente por ARA. O NT foi publicado em 1951. O AT, em 1958.
A publicação é da Sociedade Bíblica do Brasil. Foi usado o texto grego de Nestlé para o NT e o hebraico
de Letteris para o AT.
Outras Traduções
Versão do Padre Antonio Pereira de Figueiredo.
Grande latinista. Editou o NT em 1778 e o AT em 1790. Tradução feita em Portugal. Figueiredo
traduziu da Vulgata Latina.
A Tradução Brasileira.
Feita por uma comissão de teólogos brasileiros e estrangeiros. O NT foi publicado em
1910 e o AT em 1917. É tradução mui fiel ao original. Esgotada, sua publicação foi suspensa em
1954. '
Humberto Rhoden.
Padre brasileiro, de Santa Catarina. Traduziu só o NT. Texto grego: Nestlé. Foi publicado
em 1935. Esse padre deixou a Igreja Romana. É versão muita usada na crítica textual.
Matos Soares.
Também padre brasileiro. Traduziu da Vulgata. Publicada no Brasil em 1946. Em Portugal
desde 1933. É a Bíblia popular dos católicos romanos de fala portuguesa. Um grave inconveniente, são os
itálicos muito extensos, e que conduzem a preconceitos e tendências.
A versão da Impressa Bíblica Brasileira.
A IBB lançou em 1968, após longos anos de cuidadoso trabalho, uma nova versão em
português, conhecida como VIBB, baseada na tradução de Almeida. Nessa versão foram utilizados
os melhores textos em hebraico e grego.
"Tradução Novo Mundo".
As Testemunhas de Jeová publicam uma versão falsificada de toda a Bíblia - a "Tradução Novo
Mundo". O texto é mutilado e cheio de interpolação1. Foi preparado para apoiar as crenças antibíblicas
dessa seita falsa.
1 Numa cópia, inserção deliberada de elemento(s) que não constava(m) do original.
Bibliologia 64/66
As Sociedades Bíblicas
Há no Brasil várias entidades evangélicas publicadoras e distribuidoras de Bíblias.
A primeira é a Imprensa Bíblica Brasileira (IBB), fundada em 02/07/1940.
A segunda é a Sociedade Bíblica do Brasil (SSB), fundada em 10/06/1948, resultante da fusão em
1942, das agências que no Brasil funcionavam, da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira e da
Sociedade Bíblica Americana.
Essa fusão (de 1942 a 1948) denominou-se Sociedades Bíblicas Unidas.
A agência da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira no Rio de Janeiro foi a primeira desse gênero
organizada na América Latina.
A primeira remessa de Bíblias para aquisição popular chegou ao Brasil em 1822 - o ano da nossa
independência política. É significativa essa conotação entre a chegada aqui da Bíblia em massa e a
independência do Brasil.
A primeira, trazendo a emancipação espiritual; a segunda, a nacional ou política.
Essa primeira remessa foi de 2000 exemplares de Bíblias e Novos Testamentos, enviada
pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, com sede em Londres. Porto de chegada ao Brasil: Recife.
Em 1855 novas portas se abrem para uma maior difusão da Bíblia com a fundação da primeira
Igreja Evangélica em nossa terra - a Congregacional, pelo missionário Roberto Kalley e esposa. A
partir daí ele desenvolveu grande esforço para a divulgação da Bíblia.
Em 1856 foi fundada a primeira agência distribuidora de Bíblias no Brasil, pela Sociedade Bíblica
Britânica e Estrangeira (SBBE). A segunda agência foi a Sociedade Bíblica Americana (SBA), fundada em
1876. Ambas funcionaram no Rio de Janeiro. Antes disso, Bíblias já circulavam no Brasil, vindas através de
comandantes de navios e entregue aos revendedores.
Outro fator marcante foi os distribuidores itinerantes (colportores), como é o caso do Rev. James
Thompson enviado pela SBBE em 1818, que viajou muito através das Américas, distribuindo o
Santo Livro.
Outro caso que muito contribuiu para o mesmo fim é o do missionário D.P. Kidder, metodista, que
distribuiu exemplares da Palavra de Deus em quase todo o Império do Brasil, a partir de 1837.
Só na eternidade se revelará o benefício que as Sociedades Bíblicas acima mencionadas, coadjuvadas
por pioneiros indómitos, como os mencionados, têm trazido ao Brasil no sentido espiritual, social e
cultural, mediante a bendita semeadura pioneira do Livro de Deus.
Funciona também no Brasil, com sede em São Paulo, a Sociedade Bíblica Trinitariana.
A mais antiga Sociedade Bíblica do mundo é a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (SBBE)
fundada em 1804; a segunda é a Sociedade Bíblica Americana (SBA) fundada em 1816.
Na distribuição de Bíblias em todo o mundo, o Brasil ocupa o segundo lugar.
Particularidades Sobre o Texto Bíblico em Geral e a sua Tradução
As palavras em itálico.
Não constam do original. Foram introduzidas na tradução para completar o sentido do texto. A única
versão protestante com itálico é a ARC.
Uso da margem.
Muitas Bíblias têm em suas margens, em determinados trechos, a tradução literal do hebraico
e do grego. Às vezes, tem uma tradução diferente quando o caso é duvidoso. São muito úteis essas
notas feitas à margem do texto bíblico.
Datas impressas no texto.
Muitas Bíblias antigas, em português, bem como noutras línguas, trazem datas impressas no
texto. São datas da chamada "Cronologia Aceita" elaborada pelo Arcebispo Ussher (anglicano) e
inseridas pela primeira vez no texto bíblico em 1701.
Depois de Ussher, surgiram outras cronologias como a de Calmet, Hales, etc.
As investigações modernas e descobertas arqueológicas têm alterado em muitos pontos a
cronologia tradicional. A cronologia é terreno movediço1, especialmente quanto aos primeiros
milênios da História.
1 Que se move com facilidade. Pouco firme; instável. Volúvel, inconstante.
Bibliologia 65/66
O sumário dos capítulos.
São preparados pelos editores, e nada tem com a inspiração e o texto original. As exceções são
algumas frases introdutórias de certosSalmos (4; 5; 6; 7; 8; 9; 22; 32; 45; 46; 53; 69; 75; etc). Tais
sumários nem sempre correspondem com os capítulos aos quais fazem referências.
Há casos até negativos, como a parábola dos "Dez Talentos", quando não são dez; a "Parábola
do Rico e do Lázaro", quando não se trata de parábola, e assim por diante.
A divisão em capítulos e versículos.
Não vem do original. A primeira Bíblia que trouxe essa divisão foi a Vulgata, em 1555. Em muitos
casos, a divisão tanto em capítulos como em versículos, quebra o sentido, biparte1 o texto e
altera toda a linha do pensamento.
Exemplo de capítulos: Isaías 53, que deveria começar em 52.13; João capítulo 8, deveria
começar em 7.53; 2Reis 7 deveria começar em 2Reis 6.24, o capítulo 3 de Colossenses deveria terminar
em 4.1; o capítulo 10 de Mateus deveria começar em 9.35; Atos 5 deveria começar em 4.36, etc.
Com a divisão em versículos, acontece a mesma coisa, por exemplo: Efésios 1.5 deveria
começar com as duas últimas palavras de 1.4. ICoríntios 2.9,10 deveria ser um só versículo; o
mesmo deveria ocorrer com João 5.39,40. Na Epístola aos Romanos, bem como em Efésios, há
diversos casos desses.
Também, a divisão em versículos não é a mesma em todas as versões; por exemplo, Lucas
20.30 na ARC, corresponde a Lucas 20.30,31 na "Tradução Brasileira". Marcos 9.49 deve ficar ligado
ao versículo 48, e não como está na ARA, tendo a epígrafe2entre os dois versículos.
A divisão do texto em parágrafos.
É muito útil para a sua compreensão. O Salmo 2, por exemplo, contém 5 parágrafos, tendo
cada um, aplicação diferente (vv 1-3, 4-6, 7-9, 10- 12a; 12b). A única versão em português que indica
os parágrafos é a ARA, com um tipo negrito cada vez que isso ocorre.
Há versões noutras línguas que dão tanta importância a essa divisão, que, para maior
comodidade ao leitor, imprimem o próprio sinal gráfico para parágrafo (muito parecido com um "P"
invertido).
1 Dividir em duas partes.
2 Título ou frase que serve de tema a um assunto; mote. Curta citação posta no frontispício de livro, na
entrada de um capítulo, de uma composição poética, etc.
Bibliologia 66/66
Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Quanto à Septuaginta, é errado afirmar que
a) [ ] É a tradução feita do hebraico para o latim
b) [ ] Foi a primeira tradução da Bíblia
c) [ ] Compreende só o Antigo Testamento
d) [ ] Foi traduzida em Alexandria, no Egito, cerca de 285 a.C
7. A Bíblia de Almeida foi publicada pela primeira vez no Brasil em 1944 pela
a) [ ] Sociedade Bíblica do Brasil
b) [ ] Sociedade Bíblica Americana
c) [ ] Sociedade Bíblic^ Britânica e Estrangeira
d) [ ] Imprensa Bíblica Brasileira, uma organização da Igreja Batista
8. Seita que publicou uma versão falsificada de toda a Bíblia chamada de: "Tradução Novo Mundo"
a) [ ] A Maçonaria
b) [ ] O Grupo dos 12
c) [ ] As Testemunhas de Jeová
d) [ ] Os Mórmons
S? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9.[ ] A Vulgata é a tradução da Bíblia toda, do hebraico para o latim, feita por Jerônimo, concluída em
405 d.C
10.[ ] A mais antiga Sociedade Bíblica do mundo é a Sociedade Bíblica Americana