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Tumores de pele
Por: Melissa Becker Trois
Lesões epiteliais benignas e
potencialmente malignas
Ceratose seborréica
Morfologia
• Esses tumores pigmentados epidérmicos
comuns ocorrem com mais frequência em
indivíduos de meia-idade ou mais velhos.
• Placas redondas e planas compostas por
proliferações monótonas de células
epidérmicas basais, que em alguns casos
contêm melanina.
• A hiperqueratose e os cistos preenchidos
por queratina são algumas características.
Queratose Actínica
• Essas lesões são originadas
pela exposição solar crônica e associadas
com hiperqueratose e, por isso, são
chamadas de queratoses actínicas
(relacionadas ao Sol).
• Muitas queratoses actínicas evoluem para
o carcinoma com o tempo
• Muitas lesões regridem ou permanecem
estáveis.
• Elevada parcela dessas lesões está
associada com mutações no gene TP53
causadas por danos ao DNA induzidos
pela luz UV.
Morfologia
• Lesões menores que 1 cm de diâmetro;
apresentam coloração vermelha ou
marrom-acastanhada e são ásperas ao
toque, semelhantes a uma lixa
• Microscopicamente, as regiões inferiores
da epiderme exibem atipias celulares,
frequentemente associadas com hiperplasia
das células basais
• Pode ter atrofia e redução difusa da
superfície epidérmica. A derme contém
fibras elásticas espessas, azul-acinzentadas
(elastose solar), resultado dos danos
solares crônicos. A camada córnea é
espessa, com núcleos retidos
(paraqueratose).
• Em algumas lesões, atipias em toda a
espessura epidérmica são observadas,
sendo consideradas formas de carcinomas
de células escamosas in situ
Tumores Epidérmicos Malignos
Carcinoma de Células Escamosas
• O carcinoma de células escamosas é um
tumor comum que surge em locais
expostos ao sol e em indivíduos com idade
mais avançada.
• Maior incidência em homens do que em
mulheres
Morfologia
• Os carcinomas de células escamosas in
situ aparecem como placas eritematosas,
escamosas e bem definidas;
• Muitos são precedidos pelas queratoses
actínicas.
• Na fase avançada, as lesões invasivas são
nodulares, exibem escamas variáveis e
podem ulcerar.
• Microscopicamente, o carcinoma de
células escamosas in situ é caracterizado
por atipia celular intensa em todas as
camadas da epiderme, com aglomeração e
desorganização nuclear.
• Os tumores invasivos, definidos pela
invasão da membrana basal, exibem graus
variáveis de diferenciação
Carcinoma de Células Basais
• Câncer comum, de crescimento lento e
que raramente sofre metástases.
• Apresenta tendência para ocorrer em
locais suscetíveis a exposição solar crônica
e em
indivíduos com pouca pigmentação.
Patogenia
• Está associado com a desregulação da via
de sinalização de Hedgehog.
• Defeitos herdados no gene PTCH, um
supressor tumoral que regula a sinalização
da via de Hedgehog, causa o carcinoma de
células basais familial na síndrome de
Gorlin.
• Mutações funcionais em PTCH1, um
gene supressor de tumor que regula
negativamente a sinalização Hedgehog;
portanto, os tumores exibem a ativação
constitutiva dessa via de sinalização.
• As mutações em TP53 também são
comuns, tanto nos tumores hereditários
quanto nos esporádicos.
Morfologia
• Os carcinomas de células basais se
manifestam como pápulas peroladas, que
muitas vezes contêm vasos sanguíneos
subepidérmicos dilatados e proeminentes
• Alguns tumores contêm melanina e, por
isso, podem ser semelhantes aos nevos
melanocíticos ou melanoma.
• Microscopicamente, as células tumorais
se assemelham às células normais da
camada basal da epiderme
• Não ocorrem nas superfícies das
mucosas.
Proliferações Melanocíticas
Nevos Melanocíticos
• O termo nevo denota qualquer lesão
congênita de pele
• O nevo melanocítico refere-se a qualquer
neoplasia benigna de melanócitos
congênita ou adquirida.
• São pápulas pequenas (≤5 mm de
largura) com bordas arredondadas bem
definidas, coloração marrom-acastanhada
e uniformemente pigmentados
Patogenia
• Os nevos melanocíticos são neoplasias
benignas derivadas dos melanócitos
• O crescimento progressivo e a migração
de células névicas são acompanhados por
alterações de senescência celular
• As células névicas superficiais são
maiores, apresentam tendência a produzir
melanina e crescem em ninhos
• As células névicas profundas são
menores, produzem pouco ou nenhum
pigmento e crescem em cordões ou através
de células individuais.
• A maioria dos nevos benignos apresenta
uma mutação ativadora em BRAF, que
codifica uma serina/treonina quinase
mediada por RAS
• A sinalização descontrolada de
BRAF/RAS induz a proliferação
melanocítica seguida por senescência.
• O “freio” na proliferação pela indução da
senescência explica a razão de que poucos
nevos se transformam em melanomas
malignos.
A, A pele normal exibe apenas melanócitos difusos. B,
Nevo juncional. C, Nevo composto. D, Nevo
intradérmico. E, Nevo intradérmico com extensa
senescência celular.
Nevos Displásicos
• Os nevos displásicos podem ser
esporádicos ou familiais - os familiares são
importantes clinicamente, pois são
considerados precursores (em potencial)
do melanoma.
• As mutações ativadoras em BRAF ou
NRAS são comumente encontradas nos
nevos displásicos
Morfologia
• Maiores do que a maioria dos nevos
adquiridos (frequentemente, >5 mm de
diâmetro)
• Podem ser em número de centenas
• Máculas ou placas levemente elevadas,
com superfície “pedregosa”, pigmentação
variável e bordas irregulares
• As atipias citológicas consistem em
contornos irregulares dos núcleos,
frequentemente angulados e
hipercromáticos
• Microscopicamente, os nevos displásicos
geralmente são compostos e exibem atipias
arquiteturais e citológicas de crescimento
anormal
• Os ninhos de células névicas dentro da
epiderme podem estar aumentados e se
fundir
• As células névicas individuais começam
a substituir a camada de células basais
normais ao longo da junção
dermoepidérmica, produzindo hiperplasia
lentiginosa
Melanoma
• O melanoma é menos comum, mas muito
mais fatal
• A maioria dos melanomas é curada
cirurgicamente
• Causado, principalmente, por danos ao
DNA induzidos pela radiação UV
• Incidência mais elevada na pele é em
locais geográficos como a Austrália, onde
a exposição ao sol é alta e grande parte da
população apresenta a pele branca.
• Exposição intermitente, intensa, em uma
idade precoce é particularmente
prejudicial.
• Predisposição hereditária: 5% a 10% dos
casos.
• As fases-chaves do desenvolvimento do
melanoma são marcadas pelo crescimento
radial e vertical.
Morfologia
• As células crescem como ninhos
malformados, ou como células individuais
em todos os níveis da epiderme ou nos
nódulos dérmicos expansivos
• Os melanomas expansivos superficiais
estão frequentemente associados com
infiltrado linfocitário ativo
• As células individuais do melanoma são
maiores do que as células dos nevos
• Apresentam grandes núcleos com
contornos irregulares, cromatina
caracteristicamente aglomerada na
periferia da membrana nuclear e nucléolos
eosinofílicos (cor “vermelho-cereja”)
proeminente
• As etapas do desenvolvimento tumoral
são marcadas pelo crescimento radial e
vertical.
• O crescimento radial descreve a
tendência inicial do melanoma de crescer
horizontalmente dentro da epiderme (in
situ) (não apresentam capacidade de
metastatizar e não induzem angiogênese)
• Com o tempo, ocorre a fase vertical de
crescimento, o tumor cresce para as
camadas mais profundas da derme como
massa expansiva com perda da maturação
celular
A, Pele normal exibe apenas os melanócitos dispersos.
B, Hiperplasia melanocítica lentiginosa.
C, Nevo composto lentiginoso com arquitetura
anormal e características citopatológicas (nevo
displásico).
D, Melanoma em estágio inicial ou em fase inicial de
crescimento radial
E, Melanoma em fase de crescimento vertical com o
potencial metastático.
Características clínicas
Os melanomas da pele são geralmente
assintomáticos, embora o prurido possa ser
a manifestação inicial.
O sinal clínico mais importante é uma
alteração na cor ou no tamanho de uma
lesão pigmentada. Os principais sinais
clínicos de alerta são:
1. Aumento rápido de um nevopreexistente
2. Coceira ou dor na lesão
3. Desenvolvimento de uma ova lesão
pigmentada durante a
vida adulta
4. Irregularidades nas bordas de uma lesão
pigmentada
5. Variação de cor dentro de uma lesão
pigmentada
Esses princípios expressos são chamados
de ABC do melanoma: assimetria, borda,
cor, diâmetro e evolução (alteração de
um nevo existente).

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